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MANUAL DO DIABETICO

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MANUAL DO DIABETICO


Glauco Mattoso

MANUAL DO DIABETICO

Casa de Ferreiro São Paulo


Manual do diabetico © Glauco Mattoso, 2025 Editoração, Diagramação e Revisão Lucio Medeiros Capa Concepção: Glauco Mattoso Execução: Lucio Medeiros Fotografia: Akira Nishimura Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Mattoso, Glauco MANUAL DO DIABETICO / Glauco Mattoso. –– Brasil : Casa de Ferreiro, 2025. 122 Páginas 1.Poesia Brasileira I. Título. 25-1293

CDD B869.1 Índices para catálogo sistemático: 1. Poesia brasileira


NOTA INTRODUCTORIA Não vejo um problemão maior, ao cego que versos seus digita num fallante programma, do que estar já peorando seu quadro diabetico, pois perde, alem duma audição que fora tão sensivel ao rockão mais remixado, seu tacto manual, ja que nos pés exsiste essa dormencia ha muito tempo. Me chega, assim, a tal “neuropathia” chamada “peripherica”, que causa na gente essa fatal paresthesia. Pretexto bem adverso, mas que inspira mais um de meus thematicos volumes voltados a algum publico leitor que sabe como tudo que transgrido converte-se em bandeira libertaria, às vezes libertina tambem, ora! Pretexto nunca falta a quem vivente ainda, todavia, segue sendo.


DISSONNETTO EDULCORADO [0314] De commentar uns doces não excappo. Baba-de-moça dá-me agua na bocca. Olho-de-sogra crê que a gula é pouca. O pappo-de-anjo é pouco, e fim de pappo. Dos fios d’ovos não sobra fiappo. A casca do crocante nunca é oca. Recheio em chocolate é coisa louca. Pé-de-moleque exige guardanappo. Em verso o que abbordei só revalida a sorte de tamanha gostosura. Assucares alegram nossa vida e adjudam a exquescer uma amargura, mas só por um momento, uma lambida. Mais duro que a mais dura rapadura é não poder ver cores na sortida vitrine da doceira que inaugura.

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DISSONNETTO DA CHOCOLATICE [0765] Chamado de “chocolatra”, elle advança naquella pratteleira mais festiva que, nos supermercados, dá saliva: os doces, que não temptam só a creança. Quitutes salgadinhos nessa pança não ganham mais espaço: elle se priva até dum torresminho, mas captiva do assucar é tal gula, que não cansa. Bombons, tablettes, barras, ballas, tortas, cobertas, recheadas ou massiças, de cores naturaes ou de postiças, só não provocam agua em boccas mortas! E tu? Si um chocolate não cobiças e com taes gulodices não te importas, por que tantas fatias a mais cortas do bollo-brigadeiro? Onde as linguiças?

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DISSONNETTO DA GULA [0829] No bollo, a cobertura em creme é grossa! A massa, em trez andares de recheio, não deixa que a vontade enfrente um freio, e a cor do chantilly na vista coça! Uma fatia só, não ha quem possa achar sufficiente! Mesmo cheio, àquillo não resisto: ja pappei-o até a metade, e a gula ‘inda me accossa! Excorre-me recheio pelo queixo, bem liquido, porem nem acho chato… Lambuzo-me nos dedos. Nem me queixo si perco alguns farellos, pois no pratto me agguarda ‘inda um pedaço, que não deixo! Da vida, o que se leva é o que, constato, sabor tem, e peccado é só o desleixo de quem tal bollo perde por recapto!

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DISSONNETTO LABORATORIAL [0886] A lista dos remedios sem licença augmenta a cada dia: p’ra impotencia, gordura, diabetes, flatulencia, lumbago, bago frouxo, bunda pensa, memoria fracca, cuca que não pensa, symptomas de suspeita p’ra quem pense-a, suspeita de symptomas… Tal prudencia não tem hypochondriaco que vença. No campo dos “genericos” ja se acha até um equivalente ao comprimido que sobe o pau e baixa a gorda taxa. Somente p’ra cegueira está vencido o prazo que valida, e quem despacha a droga me indefere o requerido. Me queixo, mas o medico me excracha: não acha medicavel meu gemido.

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DISSONNETTO MATINAL [0918] Nos ovos com presuncto está, p’ra mim, a graça do café, pela manhan, affora, é claro, a torta de maçan, brioches, brevidades e puddim. Geléa nas torradas tem por fim appenas entreter a gula van, emquanto não se serve algo que fan me faz: manteiga, mas de amendoim! Barulho ja, de chicaras, escuto emquanto ‘inda deitado; presto, pullo da cama e estou de rosto e de olho enxuto! Das varias guloseimas que calculo haver, sabores sinto num minuto. À mesa, devagar o gole engulo, sabendo que, tão logo findo o fructo, começa mais um dia duro e nullo…

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DISSONNETTO HABITUAL [0930] Chuteiras pendurou certo attaccante, de cuja “despedida” até se orgulha, devido ao povo que um estadio attulha e applaude-lhe o charisma, delirante. De la p’ra ca, porem, tenta, durante a temporada inteira uma fagulha de fama facturar, e ‘inda vasculha si vaga tem nalgum time importante. O gajo vez mais cada se embanana! Paresce que essa gente não sossega, ainda que no banco tenha grana e edade p’ra gastal-a à moda brega! Puddins, quindins ou bollos, nada sana a falta duma bolla e dum collega no campo ou noutro jogo, mais sacana, com quem, longe da gente, elle se exfrega.

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DISSONNETTO DA BELLA VIOLA [1246] Recheio, cobertura, fructa em cyma: tem tudo aquelle bollo, excepto o bollo, pois falta a propria massa p’ra compol-o. Não corresponde ao preço que se estima. Receita que a substancia lhe supprima indica que o padeiro agiu com dolo e quiz o seu freguez fazer de tolo: não ha desculpa justa que redima! Um bollo de verdade tem camadas, em numero que a altura lhe assegura, de massas e recheios, alternadas, glacês ou chantillys na cobertura. Si formos acceitar que um bollo seja composto só de casca, molle ou dura, de appenas um creminho e uma cereja, o dedo indicador ja nada fura!

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DISSONNETTO DO MANJAR MAGESTATICO [1377] Puddins! Ja fallei delles? O bastante, jamais! Houve quem cante a pheijoada, mas nunca um manjar branco houve quem cante, e a ameixa preta em calda assucarada… De pão é o campeão, vovó garante! De leite condensado, nunca enfada! Laranja, chocolate, e assim por deante… Si de mandioca for, não sobra nada! Pergunto-me, ao partir uma fatia daquelle que em meus sonhos accalento, si o da Rainha Mãe melhor seria do que este que degusto no momento. Si tanto ella viveu, foi ao puddim devido, me disseram. Bello alento! Só vale viver disto! Sendo assim, tambem completarei, ja farto, um cento.

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DISSONNETTO DA MESA FARTA [1398] Ficar sem comer doce é soffrimento que a gente não deseja ao inimigo mais intimo e do peito! Eu me lamento por elle, para seu problema eu ligo. Mamãe foi diabetica, um castigo cruel para a doceira de talento que tantas guloseimas fez! Commigo eu levo della a imagem de um momento: Na festa, ella servia-se de cada docinho, pois mandava, louca, à fava os riscos, não deixava sobrar nada: “É só para provar!”, rindo, allegava. Occorre que um de cada o pratto enchia daquillo que noss’alma, à bessa, lava, tamanha a variedade, nesse dia junino, que a memoria ainda grava.

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DISSONNETTO DAS AMARGURAS DA VIDA [1399] “Por que foi me trazer bombons? Não vê que estou prohibidissima de pôr na bocca esse negocio?” Mas só crê na phrase de mamãe quem tolo for. “Comi… Fui o-bri-ga-da, si você me trouxe!”, ella queixava-se, com dor fingida. Até curau, puddim, pavê lhe trazem: que ella “prove”, veem propor. Morreu, mas não appenas da doença que pune, quando a gula nos convida, ou por jamais haver quem a convença a abster-se dos assucares da vida. Morreu porque ja tinha seus oitenta anninhos bem vividos, a sabida, e tudo approveitou! Nada nos tempta melhor que uma doçura prohibida.

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{vêm}


DISSONNETTO DA GRANA A GRANEL [1498] Em vez de numa loja ser vendido, ja compro até no banco o chocolate, tão alta a quotação, que tem subido accyma do que vale outro quilate. Ballança em que, antes, ouro era medido, agora é mais commum que cuide e tracte dum ouro comestivel, preferido quer do capitalista, quer do vate. Minusculos tablettes custam tanto (em euro ou libra, dollar ou cruzado, conforme o cambio), para meu expanto, quanto um lingote solido e dourado. “Dinheiro ou chocolate?”, o caixa indaga, si tenho algum em compta creditado e, ja que assim prefiro, elle me paga em trez bombons metade do ordenado.

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DISSONNETTO DO HOMEM PREVENIDO [1557] O gordo, na vitrine, vê o quindão que está em offerta. Leva, não resiste. A esposa, appós curar-lhe a indigestão, lhe passa até sabão, de dedo em riste. O magro, que não cae em temptação, raciona ao passarinho até o alpiste. Accusa os paes que aos filhos tudo dão e diz “Não!” à doceira si ella insiste. No bicho o gordo joga. Às vezes ganha. Jamais jogou o magro: acha tamanha a chance de perder, que nunca arrisca, ainda quando a sorte, emfim, lhe pisca. Da vida o que se leva é só o momento: melhor ter aos quindins olhar attento que regras, em jejum, seguir à risca, negando-se a morder a isca arisca.

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DISSONNETTO DO CHA ACCOMPANHADO [1639] Não ha nada mais chique do que o cha das cinco entre madames! Penso só na farta mesa, a cuja volta ja estão todas sentadas… Ai, que dó! Coitadas! Vão fartar-se! Que dó dá! Brioches, brevidades, pão-de-ló, puddim de coco, broa de fubá e aquelle bollo egual ao da vovó… Os chas são importados. De madeira é a caixa, de presente, que alguem trouxe. Dalli lhes sahirão herva-cidreira, hortelan, chamomilla ou herva-doce. Sabores mais exoticos e caros alguem ja suggeriu, porem calou-se. Nem lhes despertam tanto assim os faros, como si só comer a turma fosse!

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DISSONNETTO PARA UM BOLLO TRABALHOSO [1748] “Parabens p’ra você…”, cantando vão da moça os familiares. É gigante o bollo que ganhou! Um trabalhão teve a mamãe até surgir-lhes deante. “Nesta data querida…” Mas a mão de alguem exbarra nelle ‘inda durante as palmas! Cede tudo, vem ao chão e ja não ha, feliz, quem alli cante. O bollo se exparrama: cobertura, recheio, tudo agora é lama pura, lambida por cachorros no soalho. Até gente decente diz: “Caralho!” Ao chocolate juncta-se a poeira e a terra dos calçados. Ha quem queira salvar alguma coisa do trabalho? Sei quem approveitou, mas não expalho.

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DISSONNETTO PARA UMA GORDA GULOSA [1762] Marcara uma consulta a gorda dama com seu cardiologista renomado. De novo a examinando, elle reclama que não tem seus conselhos accaptado. A gorda, exparramada sobre a cama do chique consultorio, com enfado reage à reprimenda e o doutor chama de “duro dictador” e “bitolado”. Dalli sahindo, corre para a loja de finos chocolates e se arroja na caixa do bombom que mais convide a gula a degustar. Assim decide. Mais da metade come duma vez. Mas ja não contará, como antes fez, ao medico esse gesto de revide. E tome roupa nova no cabide!

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DISSONNETTO PARA A TRADIÇÃO INGLEZA [1824] Em volta duma chicara de cha exsiste tanta coisa, que a toalha se torna até pequena, pois não ha espaço para toda aquella tralha. São prattos e travessas, onde está a immensa variedade do que calha às damas degustar: por mais que eu va citar, sempre commetto alguma falha. Puddins e mais puddins, bollos e bollos, pãesinhos e patês ha de montão! Si eu fosse o amphitryão, nem onde pol-os iria mais saber, tantos que são! Mas como bem de longe eu os cobiço, ja myope e estando quasi sem visão, em vez de preoccupar-me só com isso, preoccupo-me com meu arroz-pheijão.

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DISSONNETTO PARA UM LEITÃO À PURURUCA [2050] {O seu cholesterol está normal. Tambem sua glycose nada accusa. Mas destes triglycerides é tal a taxa, que eu estou até confusa! Eu sei que o senhor come pouco sal e que tambem do assucar não abusa. Mas a prohibição vae ser total nas massas e nos doces! Pão, reduza! Lhe digo o que fazer, senhor, primeiro. Remedios eu estou lhe receitando. Porem, si não fizer tudo que eu mando, perdemos nosso tempo e o seu dinheiro!} -- Senti de interesseiros o mau cheiro! Pois sim! Essa doutora monologa si achar que me alimento de agua e droga! Si estou com fome, eu como um porco inteiro!

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DISSONNETTO PARA UMA COCEIRA TRAIÇOEIRA [2262] Nervoso, um diabetico se coça: nas costas e na sola, a comichão se torna insupportavel quando engrossa a fila à sua espera no balcão. Por que será que, justo quando nossa mãozinha está occupada na funcção mais suja e gordurosa, nos accossa o accesso de prurido? Extranho, não? A quantica define essa enrascada? Si Murphy explica, não adjuda em nada na hora em que se está, de mão molhada, sentindo uma coceira bem no sacco, coceira que, aos pouquinhos, fica mega. Na frente dum freguez ou dum collega, o gajo se controla, tosse, offega, e diz com seus botões: “Não seja fracco!”

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DIETETICA DIALECTICA DIABETICA [3279] Repito o que foi dicto todo dia: “Não posso comer doce, você sabe!”, dirá mamãe, mas come até que accabe, emquanto doutros themas ja desvia. De exemplo não faltava algum gluttão: Papae, tambem notorio “formiguinha”, traz caixas de bombons, como si não soffresse a diabetica, tadinha! “É muito chocolate! Vae sobrar! Eu vou ser o-bri-ga-da a comer isso!” E a velha põe de lado o compromisso com medicos, dá sopa para o azar. Occorre logo a mesma explicação: “É só para provar…”, diz, e exquadrinha a cheia caixa, excolhe, mette a mão, tirando varios: “Truffas! Esta é minha!” Dos doces, emfim, ella se sacia. Depois, diz rindo: “Chega! Ja não cabe mais nada!” E o lenço impede que ella babe. Comer como comeu é o que eu queria!

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BOLINA MASCULINA [3367] Ainda não se encontra explicação plausivel para tanta comichão. Coceira eu ja senti muito na vida: o couro cabelludo, o rego, o ouvido sangraram, transformaram-se em ferida. Os machos teem, porem, um poncto fracco em cuja pelle basta que rocemos o dedo e logo, agonicos, nos vemos coçando até rasgar: o nosso sacco! De inicio, a sensação cresce e convida a gente a estimular esse prurido. Depois, o cara até se suicida! Quem fica se coçando occupa a mão, que deixa de ter outra anal funcção, e nada mais fará por um tempão. Que mais analysar, em these, então?

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DOCE ILLUSÃO [3472] “Que prefere? Me relate! Chocolate? Eu não me opponho! Então coma chocolate!”, diz o medico, risonho. “Mas bastante, amigo! Tracte de comer!” Paresce um sonho! E o doutor, rindo, me batte na bochecha. Eu me envergonho, pois temi que prohibisse qualquer doce… E elle me disse que comesse e até… bastante! Fiquei mesmo radiante. Depois venho a saber eu que meu medico morreu. Era alcoholatra e fumante. Paresceu decepcionante?

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NO FRIGIR DOS OVOS (1) [3586] O doutor me passa um rol do que eu como ou não: vou mal de pressão, cholesterol, triglycerides, e tal. Não practico futebol, exaggero a mão no sal, não costumo tomar sol nem prefiro vegetal. Me diz: “Doce, nem com mel! Evitar kibbe e pastel quando a alguma festa for!” Ora, faça-me o favor! Ao sahir, a mão lhe apperto e me expanto: sou, decerto, bem mais magro que o doutor! Que é que eu devo, pois, suppor?

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DISSONNETTO DA BATATA-DOCE [3789] Me responda, mas depressa: Qual o doce mais gostoso que ha no mundo? Não me peça p’ra dar pistas! Tá nervoso? Manjar branco? Não! Sem essa! Quindim? Quero ter mais gozo! Bomboccado? É só promessa! Bemcasado? Brocha o esposo! Vou contar-lhe, mas, primeiro, lhe addeanto, como dica, que esse doce é bem caseiro, sem sagu ser, nem cangica. De batata-doce, eu acho! Sobremesa acha mais rica? Mais você tira do tacho, mais me sobra e mais la fica!

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A TEIMA DA GULOSEIMA [3970] Vendo aquelle bollo, inteiro, para mim piscando, eu tracto de sahir dalli! Me exgueiro mas retorno, pelo olfacto. Não consigo sentir cheiro sem provar! Ponho no pratto um pedaço e, bem ligeiro, como tudo: é bom, de facto! Só mais uma! Uma fatia! Sim, accabo ja com isto! Mais uminha! Eu não queria engordar, mas não resisto! Prompto! Chega! Não repito mais, e prompto! Ja despisto minha fome! Esse maldicto bollo está no fim! Desisto!

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A PULGA ATTRAZ DA ORELHA [4175] Vocês ja repararam? A coceira bem pode depender de suggestão mental! Tenham total concentração no corpo, como um todo, a pelle inteira… Agora, é só agguardar… Logo, a primeira piccada, bem levinha, sentirão. Sem causa que a deflagre, a sensação se aguça e multiplica, a dor ja beira! Insecto? Lan? Calor? Attrito? Nada! O corpo, mesmo immovel, é todinho subjeito à comichão desenfreada! Dirão alguns que eu mesmo me abbespinho sozinho e, mentalmente, invento cada prurido… Mas meditem com carinho accerca da questão, tão delicada, por cuja causa tanto me apporrinho.

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AMARGO BOCHICHO [4730] Molestia mysteriosa! Febre dá, symptomas appresenta, mas não batte com quadros conhescidos. Chocolate, affirmam, causa syndrome tão má. O gajo cae de cama e, logo, está febril, debilitado: elle se abbatte a cada dia. Caso não accapte seu medico, mais cedo à cova irá. Mentira? Bem que pode ser! Alguem que come e de comer não viu a hora querendo passar trote em quem adora comer bombons, recheios, com ou sem… O quadro, ja expalharam, só peora si o cara a brigadeiros comer vem, si attacca algum quindão, dos grandões bem, ou quando um alfajor elle devora.

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AROMA QUE SE SOMMA [4988] Os ovos estão frictos, ja, no pratto. Num outro, está o presuncto fatiado. Até puddim de pão e bomboccado confundem meu faminto e tonto olfacto. Percebo pouco a pouco, pelo tacto, que temos as torradas deste lado e, doutro, pão francez. Ammanteigado, tambem temos biscoito. Achei-o no acto. Por isso que os britannicos admiro: o bacon não confundem com toucinho. Café, não: chocolate! Hoje, prefiro. Mammão, só si for doce, bem docinho. No succo a colherinha, a esmo, eu gyro. Por onde começar? Pelo caminho inverso? Nisso, accordo e, si me viro na cama, sinto fome e me apporrinho.

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COLORIDA LICOREIRA [5060] No bar dum lar, é logico suppor: qualquer decantador, de crystallino feitio, lapidado em xadrez fino, costuma conter caro e bom licor. Mas não naquella casa. Muda a cor de cada garrafinha; o que imagino ser mentha ou curaçau, porem, termino notando que é remedio, e só si for! Xarope, Biotonico… Combina, ainda que ninguem nisso o pé finque, com calice bebel-os? Feito drink, tomar Mellagrião, Maracugina? Alguem me offeresceu… Fallei: “Não brinque! Remedio aos convidados se destina?” Provei, porem… Agora, à vitamina ja faço, effervescente, o brinde e o link.

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DOCE P’RA CACHORRO [5540] Sonhei com ella, como sempre. À mesa estou sentado, rindo, me servindo de bollos recheados, do bemvindo quindim, do brigadeiro… Sobremesa? Não! Tudo é doce, mesmo! Ella, a princeza luxenta, que amo tanto, com seu lindo corpinho salsichudo, vem lattindo, pedindo o seu quinhão! Bella basseza! Ninguem de mim, assim, approximou-se! Gorducha, diabetica, a cadella bassê me revisita, sempre doce querendo, sem medinho da sequela. Em sonho, dou-lhe o doce, mas, si fosse ainda viva, estava magricella? Jamais! Até mais gorda! Eu, hem? Damnou-se! Sonhar? Ah, com prazer sonho com ella!

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DIA DO DIABETICO [5644] {Cortei ja meu assucar todo! Nem café mais tomo, caso não esteja amargo! Diabetico tambem, você não ganha bollo nem cereja! Mas isso não tem graça, Glauco! Tem? A gente quasi nada mais festeja! Será que solução inventa alguem praquelle que comer doces almeja? Meu sonho é comer sonho, o proprio sonho, alem de chocolate, puddim, torta de leite condensado! Mas, tristonho, nenhuma real scena me comforta!} -- Não quero nem saber! Si me disponho a doces comer, como! Que me importa morrer mais cedo ou tarde si, enfadonho, meu dia rolla sempre em hora morta?

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DELICATESSEN DELIVERY [5654] Me intriga aquelle apê do tango. Tem victrola, telephone, bibelô de gatto, meia luz, clima pornô… Mas e quando, faminto, chega alguem? A musica não falla si tambem tem coppa, tem cozinha, si um bistrô funcciona alli no terreo, si um alô ja basta, si esse lanche logo vem. Emquanto ninguem chega, tempo dá de sobra a uma gazosa, a um sandubinha de queijo, de fiambre, de sardinha em latta, até de atum. Que bom será! Da hora si passar, ja de fubá um bollo, um manjar branco, supprem minha carencia. Quando chega alguem, nadinha sobrou. Estou dormindo. O coito? Bah!

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QUALQUER DIA DAS MÃES [5742] A mamãe hoje tem festa, mas a minha está ja morta. Das lembranças o que resta é questão que mais importa: Diabetica, o que nesta quadra lembro é duma torta superdoce e ella protesta: come toda e se comforta. Mas tambem a mim molesta a doença: batte à porta a velhice, quem attesta é o doutor que me supporta. Data movel, a contesta quem uns versos sempre aborta. Si num anno ja não presta a anterior, a gente os corta.

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PÃO ACCORDADO [5760] Por maior que seja o advanço da sciencia, segue o pão sendo o mesmo e não me canso de exaltar sua funcção. Si a manteiga não tem ranço, vou passal-a de montão. Meu estomago eu ammanso só depois da refeição. diabetico, um ballanço ja fiz para ver si são ficaria. Sempre danso, pois comer é meu tesão. À comida sempre lanço um olhar, digo, uma mão cobiçosa. Dedos tranço si não tenho occasião.

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MELHORIA EM IGUARIA [5814] Edade, si é “terceira” ou si é “melhor”, importa pouco. “Merda” acho um bom nome. Só “velho” e “thio” escuto ao meu redor. Tomar no cu vou, onde for que eu tome e, para que a velhice do peor se farte, quem “saudavel” é não come nem carne, nem frictura… Sei de cor a missa: velho deve passar fome! Estou de sacco cheio dessa chata conversa de nos darem qualidade de vida, de nos darem mais edade, mas mandam evitar fricta batata! E eu? Fico sem comer tudo o que macta a gente de desejo? Brevidade, brioche, bollo, torta… Desaggrade seu medico! Rirá quem não se tracta!

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TOO GOOD TO BE TRUE [5945] Sessenta annos você tem? Ai, meu Pae! Morrer vae do Corona Virus, cara! Sessenta annos você tem, cara? Ah, vae morrer! Não tem soccorro que isso pára! Ainda diabetes tem? Ai, ai! Você vae é morrer, pois não ha, para o caso, cura alguma! Quem contrae o virus, baixa! A praga ja dispara! Você seria, acaso, um hypertenso? Ja pode encommendar o seu caixão! Você problema tem no coração? Chorar ja pode! Empunhe ja seu lenço! Eu, como uma neurose não dispenso, no radio ouço os reporteres, que vão mais panico causando nos que são edosos. Mas morrer… Não me convenço.

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PENSANDO E DESCOMPENSANDO [5954] Analyse requer a medicina. De vida a qualidade é relação de custo-beneficio: dóe ou não? Mas facil esse thema não termina. O gajo, diabetico, não tem symptomas, mas os teme a longo prazo. Tomar a “metformina” com ou sem appoio dum “fibrato”? Foi meu caso. Passei a perder peso, mas tambem me veiu a myalgia… Aqui me embaso: Fiquei debilitado! De tão fracco, a chronica rhinite pneumonia virou! O trouxa quasi foi pro sacco! Serviu-me de licção. Que é que sentia eu antes e depois do tal pharmaco? Prefiro o doce! O risco, a gente addia!

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FUMANTE INCOMPASSIVO [6204] Meu pae sempre fumou, Glauco! Tambem eu fumo! Nem grippinha siquer pego, nem elle! Na verdade, eu ja sossego faz tempo, pois me sinto muito bem! Meu thio, pelo contrario, que tão zen se julga, que não fuma, tem mais prego na cruz que você, Glauco, que está cego, insomne e diabetico refem! Fumante você nunca foi? De nada serviu ter evitado tanto o fumo! Lhe digo com franqueza, pois me assumo sincero: de você só dou risada! Um cego p’ra que serve? Dar chupada na rolla dos normaes? Perdeu o rhumo quem bengalou sozinho! Não costumo zombar, mas dou, sorrindo, outra tragada!

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ABSINTHO DE PINCTO [6272] Prepare-se! Exquescer della jamais irá, quando proval-a você for: urina allaranjada, quasi cor de abobora, a formar até crystaes! Meu mijo tem assucar, Glauco! Os taes crystaes teem sabor doce, é de suppor! Sou muito diabetico! Um licor você vae degustar e pedir mais! Mas, mesmo que não peça, vou lhe dar na marra, ja que cego você está! Beber adjoelhado não será surpresa para alguem que é tão vulgar! Pudera! Bocca suja cavallar você ja demonstrou! Com lingua má verseja sobre tudo! Né, xará? Meresce meu chichi! Serei seu bar!

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OZONIZANDO (2) [6403-B] Você, que é diabetico, Glaucão, tem nova solução! Via rectal, irmão! Sim, com ozonio! Não faz mal nenhum! Até ceguinhos ver irão! O Lula assignou isso! Pois então! Effeito surtirá! Por hospital, por clinica, por fundo de quintal, que importa? Fé tenhamos, meu irmão! Você tem retenção de gazes? Mas… Então irá se encher que nem bexiga, a poncto de extourar! Não, não me diga que força faz e pouco solta gaz! Ahi, meu, nem siquer vae Satanaz dar jeito! Nem fazendo prece, figa ou pacto! O ozonio, para que consiga curar, Glaucão, precisa ser por traz!

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INFINITO CONFINAMENTO [6508] Chegar aos meus septenta parescia mais facil, si não fora a quarentena. Mas meu “gruppo de risco” me condemna à dura reclusão, dada a phobia. Meu medico ja disse: “Glauco, um dia talvez você consiga dar, em scena, as caras à platéa… Acho uma pena, mas não será tão cedo, não! Sabia?” Pudera! Diabetico, de edade, soffrendo de rhinite e de bronchite allergicas, terei como limite da casa a porta, até da rua a grade. A nossa paranoia dissuade a gente de sahir. Nenhum convite me pode estimular, nem que me incite alguem a pés lamber, em liberdade.

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PRURIDO NA LIBIDO [6534] Incrivel a coceira que se sente si somos diabeticos, Glaucão! Disseram que é do sangue, que é questão de assucar, simplesmente, na corrente! Mycose até paresce, pois a gente se coça, coça, coça… A comichão augmenta ainda mais si no verão estamos, neste clima, aqui, tão quente! Coceira, de bermuda e camiseta, resolvo com maior facilidade! Peor é quando o frio, na cidade, às roupas faz que a gente se submetta! Difficil é coçar uma boceta, um sacco, o umbigo, quando nos invade aquella comichão! Glaucão, quem ha de batter, perto de zero, uma punheta?

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MANJADO MANJAR (2) [6549] Que saibas questão faço, Glauco, que eu cultivo minha fama de doceira! Haver não pode um homem que não queira provar, sabendo disso, um doce meu! Tu gostas de puddim? Me convenceu alguem de que tu gostas, de maneira que estou disposta a dar-te, interesseira que sou, este que fama me rendeu! Precisas provar, Glauco! Este que faço, de leite condensado, vae deixar-te maluco! Mais ninguem nisso tem arte egual à minha! Causo-te embaraço? Tens medo de que eu pense ser devasso teu gosto por puddins? Mas que se farte, espero, o teu tesão, sem que descharte ninguem meu interesse em teu regaço!

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TORTURA PSYCHOLOGICA [6782] Que tu ficaste cego, ó Glauco, disso a gente está cansada de saber! Comtudo… -- Ó raios! -- Deves ter prazer com teus outros sentidos! Pensa nisso! Exemplo: o chocolate que, suisso, eu como no momento pode ter, de grosso, uns dois centimetros! Comer um destes tu devias! É massiço! Tu queres outro caso? O do puddim de leite condensado que, esta tarde, comi inteirinho! Julgas que covarde estou a ser comtigo? Como assim? Verdade? És diabetico? Ruim destino, o teu, Glaucão! Teu nariz arde, aromas percebendo, mas azar de quem só cheira, affastado do festim!

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SAVOY TRUFFLE [6783] Lobato, em REINAÇÕES DE NARIZINHO, enganno salvo, falla desse doce gostoso, gostosissimo, qual fosse o mais mais mais do mundo, sim, todinho! Commigo ca, Glaucão, eu ja adivinho que deve ser aquelle que me trouxe vovó nos meus anninhos! Accabou-se no mesmo dia, como lhe escrevinho! Mas “quanto mais comia, mais sobrava”, contava-nos Lobato do puddim! Alguma coisa errada, para mim, ha nisso! Hoje a vontade volta, brava! Você de puddim gosta, Glauco? Grava tambem a phrase delle? Nunca vim, ao certo, a saber si elle estava a fim de sarro tirar quando se babava!

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PÉ DIABETICO [7086] Ficando vae, aos poucos, insensivel o pé dum diabetico, Glaucão? E quando umas lambidas dá, no vão dos dedos, alguem, elle acha que é crivel? E então? Elle accredita estar num nivel tão baixo quem lambeu, num nivel tão rasteiro, que na borda do dedão até sente prazer? Isso é possivel? {Sim, isso coincide com aquillo que conta quem curtiu, num pé ja bem inchado, o que um podolatra fez, sem o minimo pudor, para servil-o! A lingua do subjeito, sem vacillo, lambeu até ferida, das que veem a quasi gangrenar! Tem que ser zen quem lambe tantos velhos num asylo!}

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CABEÇA DE PUDDIM [7146] Não sei por que criticam tanto, vate! Acharam providencia assaz ruim ser gasto o nosso publico dindim com leite condensado ou chocolate! Queriam o que, Glauco? Um disparate estão fallando, porra! Para mim, não ha problema! Querem que capim ração seja a um exercito em combatte? Hem? Querem que um soldado se alimente de esterco? Duma alfafa qualquer? Ora! Ninguem com o governo collabora! Que extranho paladar tem essa gente! Destillam fel, Glaucão! É simplesmente divino um puddimzinho! Não adora você tal iguaria? À merda! Agora só falta acharem feio o presidente!

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MOTTE GLOSADO [7363] Diabetico e sem bollo outro anninho commemoro. Meu poema, vou compol-o hoje até mais infeliz, pois o azar do Alem me quiz diabetico e sem bollo. Não bastasse o desconsolo da cegueira, agora eu choro sem poder tudo que adoro mais comer e, amigos, nesta data triste, ja sem festa, outro anninho commemoro.

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MOTTE GLOSADO [7545] Todo dia vinte e nove como o gnocchi da fortuna. Não ha medico que impeça, de comer, um italiano. Diabetico, sem damno sei que nunca saio dessa. Que se damne! Sorte à bessa me desejo e, da tribuna do meu verso, que me puna eu provoco: Eno ou Engov? Todo dia vinte e nove como o gnocchi da fortuna.

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MADRIGAL FINAL [7787] Com asthma ou diabetes quem se vê às voltas commemora agora o que? Exsiste, sim, um dia para quem doente ficou disso. Mas pergunto: Aquelle que sahude ja não tem precisa ser lembrado desse assumpto? Será que não se aggrava o mal de alguem si insistem que será, logo, um defuncto?

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MADRIGAL MENTAL (1/2) [7791] Conforme a regra a gente o jogo joga. Si um doce me prohibem, será droga. (1) Soffrer de diabetes, para mim, foi uma descoberta! Ja sciente sou: um hallucinogeno festim nem sempre é só lysergico! Quem sente carencia dum bombom ou dum quindim e cede à temptação curte na mente o mesmo bom delirio de Aladdin perante o genio, o demo, ou qualquer ente… (2) Fiquei maravilhado! Emfim eu vim a ter essa noção de que, si a gente comer um manjar branco ou um puddim de leite condensado, de repente começa a ter visões! Pirlimpimpim é ficha perto desse efficiente chardapio psychodelico! Ruim é a syndrome, meu panico abstinente…

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OPPOSTOS POSTOS (1/2) [8017] (1) “Do lado que, do Atlantico, te fallo, paresce-me, carissimo poeta, que estás a delirar. Como pretendes viver num paiz grande, si jamais estás, ou estiveste, ou estarás dum vasto territorio em quaesquer partes? Hem, Glauco? Como queres, te questiono, viver num paiz rico, si riqueza alguma não terá jamais o povo do qual te julgas parte, caro vate? Questiono-te, meu bardo: como pensas viver num paiz bello, si o desmattam, polluem e lhe extraem das entranhas minerios que nem ouro siquer são? Que raio de paiz é este teu, meu caro menestrel, em que se joga supposto futebol e que se brinca um falso, um falto, um futil carnaval? Responde-me então, cego trovador!” (2) -- Confesso que pisaste no meu callo, carissimo confrade, e que me affecta aquillo que me indagas. Por que entendes que estou hallucinado, si normaes viagens são as nossas, ó rapaz, a bordo dum poema? Por que partes do falso presupposto de que dono eu seja da comida que na mesa não viste de ninguem, si me commovo com todos os que comem chocolate emquanto diabetico sou? Densas florestas nunca as gabam os que tractam, ahi, de versejar. Hem? Por que extranhas as mattas que perdemos, si ja não tem quasi teu paiz, tão europeu, aquellas que ja teve? E então? Que droga de seres são humanos, si se finca num touro, por esporte, esse mortal espeto que, em meus olhos, causou dor?

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ODE AO DIABETICO (1/13) [8184] (1) Não basta a glycemia que tu meças. Tambem os triglycerides tu deves olhar. E medições do typo dessas. (2) Não basta dos assucares mais leves privar teu torturado paladar. De fome tu farás mil outras greves. (3) Não basta que tu fiques sem manjar de coco com ameixa preta. Vaes sem gnocchi com almondegas ficar. (4) Não basta que não bebas as banaes gazosas: sodas, cocas, guaranás. Nem vinho poderás beber jamais. (5) Não basta ja sem bollos que tu vas ficar. Sem pães tambem, nessa dieta, terás que ficar. Fome passarás. (6) Não basta que tu passes fome. Veta teu medico que peses o que ja pesaste e te imporá mais uma meta. (7) Não basta que teu musculo, si está ja fino, se dilua até sumir. Remedio tomarás que dores dá.

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(8) Não basta que te tornes um fakir de magro. Que contraias pneumonia tambem tu necessitas assumir. (9) Não basta que te internes numa fria e pobre enfermaria. Tua sorte peor vae se tornando, dia a dia. (10) Não basta que ja proximo da morte estejas, pois dor outra vaes soffrer: a dor na consciencia, aguda, forte. (11) Não basta que te prives do prazer. Terás que concluir que inutil era aquillo que tomaste por dever. (12) Não basta concluir que essa severa dieta peorou a qualidade da tua vida. Assim, um pouco espera! (13) Não era preferivel, alguem ha de dizer, correres risco mas, às pressas, fartar-te de comer o que te aggrade?

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DECRESCENTE SAUDOSISMO (1/3) [8487] (1) Terá dos comprimidos a chartella algum poder, alem daquelle effeito constante sobre a chronica sequela do quadro diabetico? Suspeito eu, credulo, que tenha. Vejo nella um practico chronometro e proveito tirando venho disso que revela. (2) Explica-se: a dosagem que eu acceito tomar diariamente é que me dá noção de como o tempo mais estreito ficando vae da vida que se está findando, e mais da morte perto o leito. Aos poucos, dia a dia, restará menor exspectativa de direito. (3) A menos uma pillula, no cha da tarde, no jantar, e menos bella percebo uma canção que, para la da porta, ao longe escuto ou, da janella, a viva cor das flores quando ja começa a primavera, pois me gela, ainda, a dor lombar da noite má.

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SYNDROME DIABETICA [8513] Soffrendo de rhinite e sinusite estive eu ja na vida qualquer dia. Tambem de laryngite e pharyngite algum dia ja disse que soffria. Ja de asthma accommettido, de bronchite, até tuberculose e pneumonia na vida fui qualquer dia, accredite. Demais paresce? O peito que me chia não basta, todavia. Sem limite, me attaccam as molestias: allergia, glaucoma, cataracta, gengivite, otite, aphtha, hemorrhoida, nevralgia, orchite, rheumatismo, dermatite, cystite, triglycerides, phobia da prostata inflammada, si ja admitte o medico “normal” ser, com voz fria. Emfim, o metabolico palpite suggere uma hepatite, que seria de menos, si a fatal pancreatite não fosse a mais sinistra theoria. Coitado do ceguinho! Nem convite lhe fazem para um bollo, uma fatia de pizza, de puddim, nem se permitte que encare um torresminho! Mas sacia, ainda assim, seu soffrego appetite. Não come tudo ao mesmo tempo. Addia, mas curte, aos poucos, cada dynamite daquellas. Affinal, tanta agonia não chega duma só vez. Assim, quite está com sua syndrome e iguaria não haja no chardapio que elle evite…

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POUNDS FOR THE HOUNDS [8628] O George, que inglez é, tem um bassê chamado Salomão, vulgo Salô. A nós, appenas Jorge elle se diz. O Xixo, meu bassê, todo domingo passava la na casa do outro cão. Salsichas fatiava aos dois o Jorge, em forma de moedas duma libra, comidas fartamente toda a tarde. Moedas comestiveis, as comi, porem de chocolate, e sempre disse commigo que, si fossem de metal, teria que ser ouro o material. Agora, diabetico, o que eu quero é mais do que moedas devorar. Lingotes, barras solidas, almejo e invejo os salsichudos que se fartam.

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DIETA RESTRICTIVA [8662] Sorrindo, uma nutrologa me diz: “Seu Pedro, o senhor, sendo um diabetico, não pode nem pensar em comer doce de leite, nem puddim, nem alfajor, nem doce de batata doce, nem sagu, nem chocolate, nem curau, figada, goyabada, marmellada, suspiro, pão de ló, maria molle, brioche, brevidade, pão de mel, nem bollo de fubá, nem de banana, nem mesmo um manjar branco com aquella espessa calda, alem da rapadura, da torta de limão! Não, nem pavê, nem uma passoquinha siquer, nem siquer um brigadeiro dos menores!” Ouvindo o que ella falla, me deprimo, mas acho que nem tudo se perdeu. Dalli sahindo, passo numa loja de doces e me entupo de pastel de Sancta Clara, alem dalguns quindins.

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TRUFFAS DO SAVOY [8700] {Nem ebony, nem ivory!}: é o que diz a dona Deborinha, a tal vizinha que em casa me recebe toda tarde. {O Macca se equivoca, Glauco! Um bello exemplo da harmonia racial do branco com o negro não está tão nitido nas teclas do piano, mas sim no manjar branco, com tamanhas ameixas pretas nessa linda calda! Não acha, meu querido?} Um pedação me serve do manjar, que eu saboreio sem ter o que dizer, de tão gostoso. Mas digo, para appenas não deixar a boa senhorinha sem resposta: -- Sem duvida! Aliaz, o proprio Harrison, si seus puddins provasse, não faria questão tanta das truffas do Savoy…

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CURTA A VIDA [8703] Um dia, perguntou-me dona Deborah aquillo que ja tinha perguntado diversas vezes: {Glauco, um diabetico puddins pode comer? Você repete pedaço por pedaço… Ora, por mim você comer inteiro poderia qualquer desses que faço, pois me sinto feliz quando uma bocca addoço tanto…} Respondo sempre identica resposta: -- Mas hoje estou chutando, minha cara amiga, da barraca, mesmo, o pau… Sinão, como levar, tão curta, a vida?

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OUTROS VICIOS [8709] Puddins vale comer accompanhado de chas, mas eu prefiro com café. Faz Deborah, na machina, seu mais que forte café preto. Nelle eu ponho appenas addoçante, eis que controlo meu quadro diabetico. Mas, quando na bocca seu puddim de pão colloco, exquesço tudo quanto o doutor disse. {Glauquinho, meu amor, acceita mais puddim? Sinta-se em casa, por favor! Estou ja convencida: não, nenhum assucar poderá lhe fazer mal! Ninguem pode morrer comendo doce! Morresse, morreria pela mais benefica das causas cogitaveis, não pelo fumo ou vicios mais maleficos!} Fiquei quieto. Ommitti meus outros vicios.

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DOCEIRA [8728] Não, nunca a dona Deborah accredita que eu seja diabetico, nem acha que esteja ja dos medicos tão cheio. De quando em quando, ouvindo o que pergunta, respondo novamente este chavão: -- Não, Deborah, não deixo de comer os doces que quizer. Uns mezes antes de exames refazer, paro um pouquinho e tomo os comprimidos todos, para que esteja normal este: “hemoglobina glycada”, accusador dum baita assucar no sangue, em medição retroactiva. Assim que colho o sangue e deu normal, eu volto com os doces, sim, com tudo, e chuto o pau da minha barraquinha! Hem? Vamos combinar! Bollo nenhum, si feito com carinho, mal nos faz, bastando confiarmos na doceira.

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REGISTRO [8730] Estão as fofoqueiras assanhadas, fingindo que se indignam com o filme do tal “peor alumno”. O que ellas tanto criticam é, na scena dos meninos (que foram convidados a punheta batter no professor), não ter rollado bollufas, pois ahi, sim, poderiam dizer que, emfim, pinctou pedophilia. {Hypocritas! Que cynicas!} Ficou, à mesa, revoltada a dona Deborah. {Condemnam o tal filme por aquillo que em scena nem mostrou, Glauco! Calcule aquillo que não fallam dum puddim meu que ellas nem siquer provaram, mas que pode ser, nas redes sociaes, tachado de “dulcissimo”, um perigo aos casos diabeticos! Caralho, puddim come quem queira! Assistir ao filminho, quem quizer assista, porra! Ninguem foi obrigado, Glauco! Ou foi?} Com tanto palavrão, o commentario da amiga nem meresce este registro.

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NÓS FELIZES [8776] Coitada! Tambem ella, a tal viuva doceira, com quem tanto conversei nas tardes sabbadeiras, está com um quadro diabetico! Provar mal pode seus puddins, seus bollos, seus famosos brigadeiros, ou as truffas! {Assim eu desanimo, Glauco! Como manter a minha fama, si não posso saber que minha mão mantem o poncto?} Ahi foi minha vez de consolal-a: “Sossegue! Você pode comer, sim! Eu como! Meu tesão tambem não é aquella coisa dantes, mas componho, battendo punhetinhas, novos versos!” Meu chulo linguajar a convenceu e, para sempre, estamos nós felizes.

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CYNAR OU CINZANO [8797] Não, Glauco, não entendo por que está você tão viciado nas bebidas mais doces, inclusive diabetico sabendo-se que seja! Ah, não! Prefiro tomar uma champagne da viuva, daquella mais amarga, tão amarga que mais paresça a propria viuvez! Prefiro tomar vinho tincto secco, daquelles de travar nosso gogó, tal como o gogó travo desde quando fiquei, tambem, viuva! Glauco, pense commigo: que é que lucra você sendo mais uma formiguinha aqui no bar? Não bastam os puddins que você come na casa dessa tal viuva alegre, a dona Deborinha? Pense bem! Um cego não tem nada que tentar seus males addoçar! Mais realista devia ser você! Beber cynar, até, que é mais amargo, não brindar commigo com cinzano, como vem fazendo! Não recuso porque sou cortez, sou educada! Só por isso!

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NOSTALGIA DA SANGRIA [8804] Glaucão, si você curte vinho, ja tomou, quando pequeno, uma sangria. Estou certo? Não, minha meninice não teve disso. Davam-me cerveja, daquella doce paca, a “malzibia”. Se lembra? A caracu, si você põe assucar, fica assim, feito um refri. Não, hoje ja não tomo um troço desse. Prefiro pôr assucar, mas sem agua, no vinho mais azedo que encontrar. Ah, fica a maior bomba! Dá vontade de encher a cara, Glauco! O que? Si topo de tennis ir ahi na sua casa? Mas claro! Por um vinho desses, com sabor addocicado, sou capaz até de lhe pedir que me descalce! A vida de momentos taes é feita!

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CADA BARRACA [8816] Glaucão, eu bebo, sim, e estou vivendo! Tem gente que não bebe e está morrendo! Você decerto ouviu, ja, na canção, mas quem compoz aquillo bebe pinga, canninha, que é bebida de sambista, cachaça, que é bebida de proleta, cerveja, que é bebida de estudante sem grana, pobretão, ou de escriptor mediocre, que imita adolescente de classe media, alli no bar da rua! Commigo, não, Glaucão! Sou radical, assim como você, que quer absintho! Mas… como? Não prefere? Mas… por que? Então só gosta agora de licor bem doce? Entendo, Glauco… Si você tem quadro diabetico, o melhor jeitinho de chutar o pau da sua barraca será mesmo um licor desses! Mas viva a rebeldia! Né, Glaucão?

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DELIRIO TEMPORARIO [8820] Thio Glauco, o meu pae pensa que eu só bebo groselha mixturada! Sim, com agua gazosa, mineral, typo um refri! Mas eu prefiro mesmo um vinho tincto com soda limonada! Quanto mais escuro, mais gostoso! O senhor não costuma mixturar? Ah, tá! Licor e vinho o senhor toma sempre puros… Então o tithio toma amargo o vinho e doce si licor for… Não sae caro tomar essas bebidas todas puras? Não tenho grana para tanto, mas sabemos -- Né, tithio? -- que nesta vida só vale este momento… Cada gole sorvemos como um ultimo suspiro… Extranha que eu esteja de philosopho posando, um molecote tão novinho? Effeito temporario deste vinho!

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MEDICOS DE CORTE [8836] Eu acho que isto, Glauco, te contaram. O medico da Corte, dia desses, conselhos à Rainha deu: parar de, toda noite, encher aquelle calice de fino crystal, Glauco, com Martini! Mas pensa bem, Glaucão: Elizabeth viveu bastante, ja! Si toda noite wermuth ella tomou, si sempre dorme bem, sonha com os anjos, para que conselhos taes seguir? Tu, que viveste teus annos dependendo de remedios, agora liberdade tens que ter de, pelo menos, doces degustar, alem desses licores multicores, de cujas cores ‘inda tu te lembras! Estou certo? Não chores, não, Glaucão! Ou antes: pois choremos, então, junctos, em volta dum verdinho peppermint!

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ESPIRITO LYRICO [8859] Não és tu diabetico, Glaucão, nem soffres de disturbio metabolico! És mesmo diabolico, poeta! Não soffres occlusão, mas de exclusão! Estás em reclusão, mas conclusão não tiro de que estejas accabado! Podolatra não és, siquer alcoholatra! Appenas dependente és dum espirito, assim como sou, Glauco! Ora, brindemos!

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LIGA DAS AMIGAS DO MATTOSO [8898] Estou preoccupadissima, querido Mattoso, meu poeta favorito! Junctei minhas amigas para vermos aquillo que podemos fazer para livral-o desse vicio nos licores! São doces demais para alguem que esteja na sua condição de diabetico! Façamos um arranjo, meu querido! Em troca do licor, que, sendo doce, tambem tem um alcoholico teor, nós vamos suggerir algum puddim! Acceita si é de leite condensado? É doce, nós sabemos, mas ao menos, alcoholico não sendo, prejudica seu sangue com menor intensidade! Conhesço uma doceira que faz um puddim maravilhoso: dona Deborah! É mesmo? Della amigo se tornou? Pois vamos! Approveite e largue ja do coppo de licor! Adopte então o pratto de puddim! Ué! Com ambos contenta-se você? Não tem mais jeito! Noticia má darei para as amigas!

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ANTEVESPERA DOS PERUS [8900] Você não teme, vate, entrar em coma alcoholico? Licores, seja absintho, ou seja algum mais fracco, poderão leval-o para a cova! Pelo menos dum coma diabetico o perigo exsiste, Glauco! Um vate do seu porte perder ninguem deseja, mas você precisa cooperar! Que tal fazermos assim? Vamos tomando, cada vez um pouco menos, nesses nossos brindes! Sim, calices menores! Poderemos, qualquer dia, abrir mão até dum simples golinho de espumante! Não concorda? Prefere morrer cedo? Quer saber? Tambem eu morrerei naquelle dia que esteja destinado! Tem razão!

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COCEIRA CEREBRAL [9154] Ninguem, na medicina, sabe nada, poeta! Da coceira só se sabe que não é provocada por neuronios do tacto ou por neuronios da dor, Glauco! Só fallam de confusas coisas, como hormonios, histaminas, opioides, talvez serotonina, alem do cerebro daquelle que, sem nada p’ra fazer, só fica meditando sobre como a pelle se comporta quando nella tocamos de levinho, ou simplesmente pensamos que tocada possa ser! Por isso se dizia que comer, assim como coçar, é só questão de estarmos sem vontade de parar! Mamãe da comichão disse: “É do sangue!”, pois era diabetica, poeta! Mas eu, que diabetico não sou, pergunto: os meus pruridos não serão symptomas de loucura, menestrel?

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SENSATO PENULTIMATO [9160] Glaucão, você, que gosta de puddim mas, sendo diabetico, tem medo de excessos commetter, pense commigo: Si fossemos morrer dentro de poucas semanas, que fariamos no caso daquelle puddimzão de pão, Glaucão? Na certa, pensariamos: “Será assim que satisfaço minha ultima vontade!” Então, nos basta que pensemos: “Será minha penultima vontade!” Assim considerando, cada vez que formos comer outro pedação, aquella será, para repetir-se, penultima vontade, eternamente!

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COCEIRA TRAIÇOEIRA? [9262] Mattoso, te coçaste ja bastante por causa desse quadro diabetico, segundo dizes. Ora, nunca tive doença desse typo, mas me coço hallucinadamente, menestrel! Será porque nervoso fico quando percebem que pés tenho muito grandes? Tu ja te interessaste por aquillo que eu disse? Porra, agora ja me coçam as solas, Glauco, os dedos, bem nos vãos! Que faço, menestrel? Tens suggestão?

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EDULCORADO? [9314] Em nove nove, Glauco, você nem estava diabetico. Talvez por isso tenha sido cantador dos doces que, sem culpa, devorava. Mas hoje se lamenta da censura nazista, direitista, que lhe fazem os medicos. Agora, sim, eu quero ver como os prohibidos doces vão seus versos povoar! Ah, nada como a vida dura para alimentar a lyra verdadeira… Não é mesmo?

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HOMEM PREVENIDO? [9557] Você não se previne? Comer doce faz mal aos diabeticos, Glaucão! Appenas prove! Coma appenas um pedaço, um pedacinho, menestrel! Comer não precisava aquelle inteiro quindão que, na padoca, lhe piscava! Um cego nem vê quando pisca alguem, mas, quando um doce pisca… Ah, sente cheiro!

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CHOCOLATICE? [9765] Quem disse que é crendice essa mania chocolatra de tantos por ahi que, mesmo diabeticos, não param de truffas e bombons saborear? Você, Glaucão, é prova do que digo! Ainda vae morrer de comer doces, mas, quando fallescer, estará rindo, lambendo os sujos beiços no caixão!

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LABORATORIAL? [9886] Que merda, Glauco! Um monte, ja, de exames pedira aquelle medico onde faço controle do meu quadro diabetico! Ao ver o resultado, o gajo disse que estava tudo dentro dos padrões, mas, só para não dar-me essa alegria, achou um cancerzinho de somenos aqui, fora algum virus grave por alli, quando não fosse hypochondria!

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MATINAL? [9918] Não, bacon no café da manhan eu não como, Glauco! Mesmo que quizesse, não tenho grana para, todo dia, comer, alem do bacon, o puddim de leite condensado que você se gaba de que, mesmo diabetico, consome commummente! Mas você me espere, que mais caro lhe vender irei as minhas meias chulepentas, meus tennis detonados… Deixe estar!

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HABITUAL? [9930] Por habito ja, Glauco, de familia, comemos nós, primeiro, os doces em qualquer das refeições! Da sobremesa depois é que comemos os salgados, os prattos principaes, os tiragostos! Deixamos para a parte final, sim, algum aperitivo ou antepasto! Não dizem que devemos deixar tudo que seja mais gostoso para só no fim appreciarmos, menestrel? De doces nunca fomos muito fans, pois somos diabeticos, Glaucão!

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DESASSUCARADO LINGUAJAR [10.139] Sorrindo, uma nutrologa me falla: {Seu Glauco, nem puddim, nem bollo! Nada de doces! Nem de leite, goyabada, nem torta de limão, bombom, nem balla!} {Nem sonhos, nem quindins! Alguem na salla acaso offeresceu, mesmo um de cada? Recuse! Nem da branca, da queimada cocada! Assucar tudo tem, se eguala!} {Jamais um bomboccado, um brigadeiro, um churro, um alfajor, um panettone! Manjar branco? Magina! Nem o cheiro!} {Assim não ha dieta que funccione, senhor! Este listão decore inteiro!} Usei, pois, a palavra de Cambronne.

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DIA DO DIABETICO [10.265] Você, Glaucão, estava numa phase de rigida dieta, não estava? Agora vem dizer que manda à fava os medicos, num gesto kamikaze? Entendo que você, vate, extravase a sua frustração quando se aggrava seu quadro diabetico… Mas dava (Não dava?) para ser sensato, ou quasi! Você, que não comia mais puddim, nem bollo, nem de leite condensado a torta, agora falla coisa assim? Si volta a comer doces, para aggrado da sua gula, diga, porra, a mim si devo desistir do meu cuidado!

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DIA DO BOLLO [10.359] Um bollo de fubá vovó fazia que todos ja guardaram na lembrança. Ainda desses tempos de creança me lembro, neste escuro dia a dia. Um bollo recheado minha thia fazia. De fallar nelle não cansa a gente. Quem tem medo da ballança evita até pensar, mas se sacia. Glacê, mais chantilly, mais o recheio de nozes e castanhas, mais um toque secreto de licor… Não me refreio! Mas, cada vez que o como, levo um choque. É todo bollo falso! Não falseio meu gosto! Que a saudade me convoque!

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DIA DE COMBATTE À OBESIDADE [10.360] Com medo da ballança, fica a gente tentando não pensar nesse quindim que está na padaria, no puddim de leite, temptador, à nossa frente. Desculpa a gente inventa. Tem o dente mais carie, tem o sangue essa ruim porção de glycemia, augmenta assim, assado, o peso… Gordo, quem se sente? Não quero nem saber, emfim eu penso. Ao demo o diabetico perigo! Comer irei aquelle doce immenso! Aquelle doce enorme, em que me instigo! Aquelle doce falso que eu, ja tenso, me privo de provar, como castigo!

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DIA DO DOCE DE LEITE [10.439] Paresce que em Viçosa, vate, está o tal doce de leite que rankeia melhor nesta nação! Alguem que leia accerca disso o quer provar, p’ra ja! Mas todos os mineiros doces, ha bastante tempo, fazem, de mão cheia, a fama das viagens! Quem passeia por la saboreal-os quererá! Tambem aos argentinos um deleite egual, pelos seus doces, tem logar, embora, por aqui, ninguem acceite! Você, que de puddins é fan, tem ar de quem, alem do condensado leite, consome quanto possa consummar!

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DIA DO ALCOHOLATRA RECUPERADO [10.497] Sim, Glauco! Libertei-me da cachaça, do whisky, do conhaque e da tequila! Agora a minha vida mais tranquilla ficou, menos pagan, menos devassa! Não ha quem destillados mais me faça beber! Nem gim, nem rhum! Nem quem destilla a pinga artezanal me faz pedil-a de novo! Nem champanhe em minha taça! Agora, só bebida doce eu tomo, Glaucão! Vinho do Porto, um bom licor de mentha, curaçau! Quer saber como? Um calice pequeno, só si for à noite! Porem, antes, eu só como trez pizzas, bem salgadas no sabor!

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DIA DO CHOCOLATE AMARGO [10.732] Ganhei um bombom, Glauco, desses com altissimo teor do bom cacau! Provei, mas extranhei: tem sabor mau! Disseram que teria sabor bom! Fiquei decepcionado! O tal bombom travou a minha lingua! Leva pau, agora, quem disser que nessa nau embarca com prazer, que é de bom tom! Na proxima, ao cachorro darei essa chiquerrima versão do que seria appenas chocolate! É o que interessa! Pagou caro quem, nessa doceria, comprou o tal bombom! Barata à bessa, é minha carolina! Que iguaria!

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DIA DO JOGO LIMPO [10.760] Jamais joguei dopado, Glauco! Nada de chymicas substancias na comida, tampouco na bebida! Minha vida athletica jamais ficou manchada! Appenas, vez por outra, na salada abuso do limão… Caso decida, capricho na pigmenta, repetida em toda refeição… Pouco de cada! Talvez na sobremesa mais occorra algum exaggerinho… No quindão, nos bollos e puddins… Pequena zorra! Mas, Glauco, não concorda você, não, commigo? Comer doces é bom, porra! Só que elles jogam sujo! Malas são!

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DIA DO SORVETE DE MORANGO [10.764] Mamãe, ja diabetica, coitada, comprava pote inteiro, com sabor morango e chocolate. Tricolor, uns floccos incluia. Não por nada! Tambem eu, “um pouquinho só” de cada, tomava às colheradas. O calor total justificava. Mas suppor que fosse refrescar era piada! Morango sempre fica na lembrança da gente, por vermelho ser. A gula se impunha, mais aguda, na creança. Agora, nem sorvete tomo… Bulla confiro dos remedios. Na ballança controlo o peso. O medico regula…

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DIA DOS VICIOS PROPICIOS [10.783] Percebe, Glauco? Vicios todos teem! Então, me considero um viciado sem culpa! “Janquifude” ja drogado me deixa! Ainda assim, me sinto zen! Por isso que se chama “janqui”! Bem bollado, menestrel! Por outro lado, não é qualquer sanduba, de bom grado, que eu como! Dum burgão eu sou refem! Com cheddar, com cebolla fricta, com batatas tambem frictas, ah, me deixa maluco, cara! Achei tudo de bom! Tambem um manjar branco, com ameixa pretinha, me seduz! Tambem bombom! Em summa, quem tem vicios não desleixa!

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DIA DO BOLLO DE CHOCOLATE [10.843] Um bollo com sabor de brigadeiro vi, Glauco, na vitrine! Eis que, temptado, comprei-o! Você sabe que meu lado chocolatra me faz vibrar inteiro! Em casa, quero ser sempre o primeiro que come desses bollos um boccado! Deixei-o sobre a mesa. Ja affobado, tractei de me lavar, todo lampeiro! Voltei para a cozinha, mas não deu mais tempo de evitar uma desgraça! Estava ja comido pelo Orpheu! Orpheu é meu bassê, Glaucão! Quem faça com que elle se contenha não sou eu! Chocolatra tambem, tem minha raça!

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DIA DO BOLLO DE CENOURA [10.892] Detesto, Glauco! Odeio esse que ja virou bollo da moda! Ah, que va para a puta que pariu quem inventara um bollo de cenoura! À merda va! Caralho, menestrel! Ora, será assim tão necessaria alguma rara receita do que sempre se prepara à moda antiga? Diga, camará! Um bollo de verdade tem sabor de leite, chocolate, coco ou, por acaso, com recheios doces, opa! Cenoura, não! Cenoura, si alguem for usar, é na salada e no calor dum curry, dum risotto ou duma sopa!

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SELF-INJURY AWARENESS DAY [11.008] Coceira affecta a gente, duma tal maneira, menestrel, que eu ja me firo por todo o corpo, juro! Me refiro ao quadro diabetico, meu mal! Quem tenha sangue doce essa fatal e intensa comichão sente! Deliro de tanto me coçar e quasi piro, Glaucão! A cicatriz é ja geral! Nem logro uma ferida ver sarada, ja nova coceirinha vem por cyma e logo outra provoco, camarada! Não, desse jeito nunca haverá clima p’ra transas, sacanagens, não, p’ra nada! Que thema, Glaucão! Isso nem dá rhyma!

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DIA DO CHEESE CAKE [11.017] Comi queijo, Glaucão, em quasi tudo que possa suppor, ja, mas não comi num bollo! Não costumam, por aqui, usar essa receita, é o que eu estudo! Mas, como das leituras não desgrudo, me informo de que até catupiry puzeram no puddim, e resolvi provar, pois nessas horas sou marrudo! Bem, Glauco, não gostei, para fallar appenas a verdade! Coisas tem que nunca vão mudar! Não tem logar! E pizza de banana? Não, ninguem acceita coisa assim tão singular, excepto quem das modas é refem!

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DOMINGO DE PASCHOA [11.054] Um ovo, no domingo, nada batte, nem torta de limão, nem o manjar branquissimo, nadando nesse mar de calda. Só queremos chocolate. Um pobre diabetico que tracte de estar bem preparado, no logar de falla dos humildes, para achar razão, caso os seus medicos accapte. Não quero nem saber! Eu não me privo de tanto chocolate, nem a pau! Sim, tenho diabetes e estou vivo! Da magica mixtura do cacau com leite, quem supponha que me exquivo vigie seu ovão, sinão, babau!

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DIA DA BANANA [11.074] Banana a gente come e tambem dá! Depende de intenção! Duma nannica não gosto, mas na torta a coisa fica melhor, muito melhor! Quem negará? Nem apple pie, nem apfelstrudel má receita me paresce, mas, mais rica, a torta de banana nunca mica si a amigos offeresço uma no cha! Porem, aos inimigos offeresço um typo de banana, gestual, mostrando-lhes meu franco desappreço! Seria preferivel e ideal mactal-os, mas sae caro disso o preço… Me resta a mera mimica, affinal!

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BANANA LOVERS DAY [11.252] Não, crua não, Glaucão! Quem della gosta assim é só macaco! Para mim precisa ser na torta, no puddim, no bollo! Perguntou? Dei a resposta! Na pizza, quem fizer alguma apposta que irei appreciar, perde latim, pois acho uma proposta bem ruim tal pratto deturpar com essa… josta! Tem gente, que, entendida de banana, consegue fazer della a bananada mais typica, que nunca nos enganna! Mamãe foi tal doceira! Não ha nada à della comparavel! Mal se uffana alguem, e ja vou dando uma… pancada!

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DIA DA NUTRICIONISTA CRICRI [11.260] Castanhas? Nem pensar! Das do Pará, talvez uminha, duas, eu permitta! Mas umas azeitonas, como cita você, não! Impossivel lhe será! Hem? Como? Provou hoje, em pleno cha, torradas com geléa? Não evita taes fontes de energia? Não cogita parar de se entupir da fonte má? Então vou com você ser mais severa! Você só comerá, daqui por deante, trez grãos de cereal! Depois, ja zera! No proximo lanchinho, ja bastante ração permittirei: typo quirera, farellos de pão preto! Não se expante!

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APPLE DUMPLING DAY [11.280] Glaucão, ja pasteisinhos de maçan comi num restaurante de extrangeiro perfil, mas você sabe que, primeiro, da torta de maçan é que eu sou fan! Alem duma apple pie, que de Satan é pratto obrigatorio mais fuleiro, talvez uma apfelstrudel dê certeiro signal do que eu prefiro, de manhan! Maçan bem poderá ser temptação satanica! Comtudo, uma banana jamais terá, Glaucão, comparação! Digamos, no chardapio da semana, que eu queira as duas fructas, ja que não estou, como uns politicos, em canna…

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DIA “D” NACIONAL CONTRA A DENGUE [11.406] Ja, neste calorão, tanto mosquito nos picca, que qual seja a pernilonga ninguem sabe. Comtudo, se prolonga o picco da doença, aquelle mytho. Aguinhas empoçadas? Sim, evito deixal-as. Mas vaccinas, sem delonga, que venham, ora! Chega de milonga! Ou acham a coceira algo bonito? Quer seja asymptomatica, quer seja febril e dolorosa, a dengue não exclue a comichão que me sobeja. Ja sendo diabetico, questão vital é tal prurido. De bandeja, acceito uns repellentes, si me dão…

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SONNETTO DUM CASO DE GOSTO APPURADO [12.237] Bombom de café, Glauco! Ja pudeste provar? Eu ja provei! Era suisso! Até salivo quando penso nisso! Tem gente em chocolate, só, que investe! Sim, cada bombom vale (Não soubeste?) a nota de mais peso! Ouro massiço! Em bancos tal bombom encontradiço appenas é! Mas fiz meu proprio teste! Peguei um chocolate bem barato, fiz nelle um buraquinho, o qual enchi com pó de café, desses por ahi… Não fica tão egual, vate, eu constato, mas posso, pelo menos, piriry ter, tanto que comi, Glauco! Ocê ri?

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AMMANHAN [12.842] Farei anniversario logo agora, passada a meia noite… Esperei tanto a data de morrer! Nunca fui sancto. Não temo o suicidio. Vou-me embora! Ninguem irá chorar, ja que não chora ninguem por um ceguinho. Só meu pranto se escuta, neste escuro, quieto cantho. Mas ouço que festeja alguem, la fora. Bem, acho que meresço, por meu lado, tambem uma festinha… Recheado, o bollo que comprei valeu o dia… Emquanto não provoco minha morte, cortar irei o bollo… Ora, que sorte! Tem leite condensado… Uma ambrosia!

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SONNETTO DAS DROGAS EMMAGRESCEDORAS [12.979] Remedio para magro ficar? Ora! É facil e barato! Nem precisa de drogas approvadas pela ANVISA! Glaucão, dessas cannetas estou fora! É magico o segredo! Sei que chora quem gosta de comer bem! Sem ter pizza, sem gnocchi, sem lasagna! Nem, à guisa de exforço, uma salada de “chicora”! Sim, basta provocar enjoo! O cara com nojo fica, Glauco, da comida! Accaba que emmagresce! Está na cara! Num pratto ponha a lesma, a retorcida minhoca, a barattona! Assim, azara as gulas! Ha quem fome ter decida?

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SONNETTO FESTEJAVEL [13.429] Agora virou moda! Numa festa, até de casamento, um “penta” appella e exfrega algo nos noivos: uma bella porção de bollo! Pô, ninguem protesta? Eu mesmo ja assisti! Si desembesta a coisa, ninguem freia! Vi, na tela, a cara do subjeito com aquella camada de glacê! Gostou, hem, desta? Em outra dessas festas, a mulher levou toda a fatia pela sua carinha de babaca! Ahi, quem quer? Commigo não, Mattoso! Quem actua assim se foderia! Até, si der, lhe deixo, no sallão, de bunda nua!

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SONNETTO REVIDAVEL [13.430] No meu anniversario quiz, tambem, um desses me exfregar uma fatia de bollo pela cara! Alguem iria achar que eu acceitava aquillo bem? No dia a dia, até que sou bem zen, mas, quando me mellei todo, não ia deixar barato, Glauco! Que mania! Subi nas tamanquinhas! Não quiz nem… Saber! Sahi no braço! O tal pentelho joguei da porta affora! Ja na rua, fiz que elle me ficasse de joelho! Depois que dei porrada, metti sua cabeça na sargeta! Ja acconselho: Fizeram com você? Pois retribua!

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SONNETTO DELEITAVEL [13.433] O doce, si é de abobora, em estado de graça nos colloca, ja dizia mamãe, que sempre fez tal iguaria. Mas nada se compara ao que é truffado. Si é de batata doce, para aggrado de quem é formiguinha, sobraria só cheiro na tigella ja vazia. Mas nada se compara ao que é truffado. Servida num hotel tal sobremesa, o George iria, sem qualquer surpresa, fazer uma canção illuminada. Eu mesmo, si provasse isso que fez a avó dum meu amigo, com certeza diria: “Doce egual? Ah, não ha nada!”

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SONNETTO INEMMAGRESCIVEL [13.497] Não use, menestrel, essa canneta que, para ficar magro, hoje se vende! Não emmagrescerá ninguem, entende? É tudo propaganda, tudo peta! Não creia caso o medico prometta milagres! Muito lucro o troço rende! O gordo continua, a quem offende, um pratto cheio sendo, por veneta! A droga nem siquer p’ra diabetes funcciona! Quem a adopta só vomita, em nauseas envolvido, nas retretes! Ninguem na medicina jamais cita, mas creio que inventaram uns chiclettes capazes de engordar! Quem accredita?

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SONNETTO DA COMICHÃO [13.577] Coceiras começar podem do nada, sem termos sido, pela pulga, bem piccados, nem por outro bicho, nem por causa da allergia agudizada. Diziam ser “do sangue” essa ponctada aguda de prurido, que ninguem espera, mas, de subito, que vem por dentro da cueca, a desgraçada… Na vista das visitas, você enfia a mão cinctura abbaixo, sem jamais chegar àquelle poncto… Uma agonia! Olhares sobre si serão geraes, mas, ‘inda assim, você não se sacia e coça, sem parar, os genitaes…

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SONNETTO DO DESORGANISMO [13.974] Glaucão, nosso organismo não é tão perfeito como falla a medicina, tampouco o padre, cuja van doutrina recuso: o Creador fez papellão! Na gente, tudo falha: coração, pulmões… Até bexiga! Quando urina, o peido fica preso! Si sae fina, o peido quer sahir tambem, Glaucão! Ja fico diabetico si como um doce! Hypertensão tenho si sal eu como! Ora, meu corpo jamais domo! Só quando vou parar num hospital me contam que estou fracco! Porem, como sou forte, vou em frente! E então? Que tal?

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SUMMARIO NOTA INTRODUCTORIA DISSONNETTO EDULCORADO [0314]....................... 9 DISSONNETTO DA CHOCOLATICE [0765].................. 10 DISSONNETTO DA GULA [0829]......................... 11 DISSONNETTO LABORATORIAL [0886].................... 12 DISSONNETTO MATINAL [0918]......................... 13 DISSONNETTO HABITUAL [0930]........................ 14 DISSONNETTO DA BELLA VIOLA [1246].................. 15 DISSONNETTO DO MANJAR MAGESTATICO [1377]........... 16 DISSONNETTO DA MESA FARTA [1398]................... 17 DISSONNETTO DAS AMARGURAS DA VIDA [1399]........... 18 DISSONNETTO DA GRANA A GRANEL [1498]............... 19 DISSONNETTO DO HOMEM PREVENIDO [1557].............. 20 DISSONNETTO DO CHA ACCOMPANHADO [1639]............. 21 DISSONNETTO PARA UM BOLLO TRABALHOSO [1748]........ 22 DISSONNETTO PARA UMA GORDA GULOSA [1762]........... 23 DISSONNETTO PARA A TRADIÇÃO INGLEZA [1824]......... 24 DISSONNETTO PARA UM LEITÃO À PURURUCA [2050]....... 25 DISSONNETTO PARA UMA COCEIRA TRAIÇOEIRA [2262]..... 26 DIETETICA DIALECTICA DIABETICA [3279].............. 27 BOLINA MASCULINA [3367]............................ 28 DOCE ILLUSÃO [3472]................................ 29 NO FRIGIR DOS OVOS (1) [3586]...................... 30 DISSONNETTO DA BATATA-DOCE [3789].................. 31 A TEIMA DA GULOSEIMA [3970]........................ 32 A PULGA ATTRAZ DA ORELHA [4175].................... 33 AMARGO BOCHICHO [4730]............................. 34 AROMA QUE SE SOMMA [4988].......................... 35 COLORIDA LICOREIRA [5060].......................... 36 DOCE P’RA CACHORRO [5540].......................... 37 DIA DO DIABETICO [5644]............................ 38 DELICATESSEN DELIVERY [5654]....................... 39 QUALQUER DIA DAS MÃES [5742]....................... 40 PÃO ACCORDADO [5760]............................... 41 MELHORIA EM IGUARIA [5814]......................... 42 TOO GOOD TO BE TRUE [5945]......................... 43 PENSANDO E DESCOMPENSANDO [5954]................... 44 FUMANTE INCOMPASSIVO [6204]........................ 45


ABSINTHO DE PINCTO [6272].......................... 46 OZONIZANDO (2) [6403-B]............................ 47 MANJADO MANJAR (2) [6549].......................... 50 TORTURA PSYCHOLOGICA [6782]........................ 51 SAVOY TRUFFLE [6783]............................... 52 PÉ DIABETICO [7086]................................ 53 CABEÇA DE PUDDIM [7146]............................ 54 MOTTE GLOSADO [7363]............................... 55 MOTTE GLOSADO [7545]............................... 56 MADRIGAL FINAL [7787].............................. 57 MADRIGAL MENTAL (1/2) [7791]....................... 58 OPPOSTOS POSTOS (1/2) [8017]....................... 59 ODE AO DIABETICO (1/13) [8184]..................... 60 DECRESCENTE SAUDOSISMO (1/3) [8487]................ 62 SYNDROME DIABETICA [8513].......................... 63 POUNDS FOR THE HOUNDS [8628]....................... 64 DIETA RESTRICTIVA [8662]........................... 65 TRUFFAS DO SAVOY [8700]............................ 66 CURTA A VIDA [8703]................................ 67 OUTROS VICIOS [8709]............................... 68 DOCEIRA [8728]..................................... 69 REGISTRO [8730].................................... 70 NÓS FELIZES [8776]................................. 71 CYNAR OU CINZANO [8797]............................ 72 NOSTALGIA DA SANGRIA [8804]........................ 73 CADA BARRACA [8816]................................ 74 DELIRIO TEMPORARIO [8820].......................... 75 MEDICOS DE CORTE [8836]............................ 76 ESPIRITO LYRICO [8859]............................. 77 LIGA DAS AMIGAS DO MATTOSO [8898].................. 78 ANTEVESPERA DOS PERUS [8900]....................... 79 COCEIRA CEREBRAL [9154]............................ 80 SENSATO PENULTIMATO [9160]......................... 81 COCEIRA TRAIÇOEIRA? [9262]......................... 82 EDULCORADO? [9314]................................. 83 HOMEM PREVENIDO? [9557]............................ 84 CHOCOLATICE? [9765]................................ 85 LABORATORIAL? [9886]............................... 86 MATINAL? [9918].................................... 87 HABITUAL? [9930]................................... 88


DESASSUCARADO LINGUAJAR [10.139]................... 89 DIA DO DIABETICO [10.265].......................... 90 DIA DO BOLLO [10.359].............................. 91 DIA DE COMBATTE À OBESIDADE [10.360]............... 92 DIA DO DOCE DE LEITE [10.439]...................... 93 DIA DO ALCOHOLATRA RECUPERADO [10.497]............. 94 DIA DO CHOCOLATE AMARGO [10.732]................... 95 DIA DO JOGO LIMPO [10.760]......................... 96 DIA DO SORVETE DE MORANGO [10.764]................. 97 DIA DOS VICIOS PROPICIOS [10.783].................. 98 DIA DO BOLLO DE CHOCOLATE [10.843]................. 99 DIA DO BOLLO DE CENOURA [10.892].................. 100 SELF-INJURY AWARENESS DAY [11.008]................ 101 DIA DO CHEESE CAKE [11.017]....................... 102 DOMINGO DE PASCHOA [11.054]....................... 103 DIA DA BANANA [11.074]............................ 104 BANANA LOVERS DAY [11.252]........................ 105 DIA DA NUTRICIONISTA CRICRI [11.260].............. 106 APPLE DUMPLING DAY [11.280]....................... 107 DIA “D” NACIONAL CONTRA A DENGUE [11.406]......... 108 SONNETTO DUM CASO DE GOSTO APPURADO [12.237]...... 109 AMMANHAN [12.842]................................. 110 SONNETTO DAS DROGAS EMMAGRESCEDORAS [12.979]...... 111 SONNETTO FESTEJAVEL [13.429]...................... 112 SONNETTO REVIDAVEL [13.430]....................... 113 SONNETTO DELEITAVEL [13.433]...................... 114 SONNETTO INEMMAGRESCIVEL [13.497]................. 115 SONNETTO DA COMICHÃO [13.577]..................... 116 SONNETTO DO DESORGANISMO [13.974]................. 117


Casa de Ferreiro São Paulo 2025


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