GRAVATA DE PIRATA
Glauco Mattoso
GRAVATA DE PIRATA
Casa de Ferreiro São Paulo
Gravata de Pirata © Glauco Mattoso, 2025 Editoração, Diagramação e Revisão Lucio Medeiros Capa Concepção: Glauco Mattoso Execução: Lucio Medeiros Fotografia: Akira Nishimura Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Mattoso, Glauco GRAVATA DE PIRATA / Glauco Mattoso. –– Brasil : Casa de Ferreiro, 2025. 70 Páginas 1.Poesia Brasileira I. Título. 25-1293
CDD B869.1 Índices para catálogo sistemático: 1. Poesia brasileira
NOTA INTRODUCTORIA Ja annotei, na BREVE ENCYCLOPEDIA DA TORTURA, que o verbo hespanhol “entapiar” (em portuguez corresponde a “entaipar”) designa aquillo que em inglez ficou conhescido como “sand necktie”, technica de tortura historicamente registrada não só entre corsarios, mas largamente empregada desde a Antiguidade. É, com effeito, um methodo de immobilização que dispensa qualquer ammarrilho ou grilhão e ao mesmo tempo conjuga o maximo de humilhação com o minimo de defesa para o castigado. Enterra-se a victima até o pescoço, deixando appenas a cabeça exposta aos pés e aos propositos do algoz. Tradicional e amplamente utilizado na Asia, tal methodo foi adoptado systematicamente durante o regime do “apartheid” sul-africano. No livro PARTE DE MINHA ALMA, Winnie Mandela resume o costume: {Peor ainda era o facto de os prisioneiros estarem completamente entregues aos caprichos dos guardas, que (…) Cavavam um buraco profundo na areia e enterravam o prisioneiro até o pescoço, abbandonando-o nesse estado ao sol infernalmente quente. Não faziam qualquer segredo de que para elles o prisioneiro não passava de um porco e de que elles pouco se importariam si esticasse as cannellas.Deixavam, assim, o preso na areia metade do dia ou o dia inteiro e, si elle pedia agua, vinha o guarda, obrigava-o a abrir a bocca e urinava dentro. Dizia-lhe então que era whisky, o melhor whisky que elle jamais bebera. Nunca lhe davam agua.} Winnie cita como fonte Indres Naidoo, um ex-condemnado a trabalhos forçados na ilha de Robben, cujo livro A ILHA AGGRILHOADA dá mais detalhes sobre o “entaipamento”: {A certa altura da manhan, um dos presos que empurravam o eixo, Johnson Malambo, foi tirado do gruppo e accusado por Kleynhans de ser um “hardbek kaffir” (um caffre
malcreado). Apparentemente, protestara contra o trabalho, e Kleynhans chamou dois presos communs que faziam trabalhos leves alli perto, e ordenoulhes que abrissem um buraco ligeiramente affastado do local onde manobravamos o cylindro. Os presos iam em breve apprender quem era o “baas” alli. Malambo ficou perto do logar onde elles cavavam, e de todas as vezes que completavamos o longo e extenuante circuito verificavamos que o buraco estava um boccado mais fundo, com Malambo à espera em silencio a seu lado. Kleynhans saltara do cylindro e estava tambem alli a supervisionar a abertura do buraco, emquanto nós continuavamos a empurrar o cylindro sem elle, até que, passado um boccado, nos appercebemos de que os presos communs tinham parado de cavar. Então ouvimos Kleynhans ordenar a Malambo que entrasse para o buraco e depois, ao completarmos o circuito seguinte, vimos a cabeça de Malambo a expreitar do chão. Dois presos communs lançavam pás de areia para o buraco, à volta dos seus hombros, e da proxima vez que passamos ja só vimos a cabeça de Malambo ao rés do solo. O seu craneo rapado e reluzente dava a impressão de se lhe ter separado do corpo e rollado para o chão, e embora não conseguissemos distinguir-lhe qualquer expressão, sabiamos quanto o sol estava excaldante e sentiamo-nos angustiados por elle. Era horrivel ver alli aquella cabeça como que abbandonada, de olhos attordoados e fixos. Kleynhans voltou a subir para o cylindro e o chicote recomeçou a estallar, com os guardas a rir e a dizer piadas. Andamos à roda, à roda e à roda, com a cabeça sempre alli. Algumas horas depois, pouco antes do almosso, Kleynhans saltou do cylindro e dirigiu-se para Malambo. Estava de bom humor, a divertir-se. “Kaffir, soek jy water?” (caffre, queres agua?) “Nee ek sal jou nie water gee nie, ek sal hou whisky gee, die beste whisky” (não, não te dou agua, vou dar-te whisky, do melhor.) Entre extrondosas gargalhadas dos outros guardas, desaptou a braguilha, tirou o penis
para fora e começou a urinar na cara de Malambo. À 1 hora, appós cinco horas de trabalho incessante, mandaram-nos parar e reunir para sermos comptados. Affastamo-nos do cylindro com o corpo tão cansado e dorido que mal nos tinhamos de pé, e quando nos deram a comida deixamo-nos cahir para o chão, quasi sem força para comer. Eu não tinha appetite nenhum, só consegui engolir umas duas colheradas de arroz espaçado e larguei o pratto. Malambo foi desenterrado e ordenaram-lhe que se nos junctasse. Lavou-se da terra que lhe cobria o corpo e sentouse juncto de nós, sem dizer uma palavra. O seu silencio era terrivel, e nós tambem não lhe podiamos dizer nada. À tarde repetiu-se o processo de puxar e empurrar sem parar, sempre a andar à roda do terreno desbravado, com Kleynhans sem se cansar nem um minuto de berrar ordens e insultos e de estallar selvaticamente o chicote. Às 4 horas, quando paramos, tinhamos applanado o campo todo. O caminho de regresso à prisão paresceu nunca mais accabar.} O imaginario torcionario sempre se inspirou nesse elementar methodo de tortura e, de Stephen King (ropteirizando um episodio de CREEPSHOW) a Nagisa Oshima (dirigindo MERRY CHRISTMAS MR. LAWRENCE), o cinema não se furtou a abbordal-o. Faltava alguma poesia allusiva que, de minha parte, está aqui reunida. Nada resta a commentar que seja mais eloquente, excepto os proprios versos.
DISSONNETTO SOLADO [0015] A sola da botina do bandido é o typo do logar mais baixo e sujo. Alli nem mesmo a lingua dum sabujo acceita o desprazer de haver lambido. O couro ja gastou, de tão battido, e um furo areja o pé do dicto cujo. Mas desse panorama é que eu não fujo, pois faço jus à fama de fodido. Occorre que estou cego e callejado de tanta humilhação no dia-a-dia, que bem acceitaria a baixaria maior, a qual jamais tem me ennojado. Um gajo desses bem que ter podia na terra, até meu queixo, me entaipado: não só na minha bocca ter mijado como pisar na lingua que o lambia.
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DISSONNETTO “ENTAPIADO” [0036] O mais bonito typo de tormento, p’ra mim, é pôr a victima enterrada até o pescoço, vendo nivelada a cara aos pés do algoz, todo o momento. Foi na Africa do Sul que este instrumento puniu presos, rendendo gargalhada aos guardas, que ‘inda enchiam de mijada a bocca do detento ja sedento. Caramba! Fico só curtindo a scena por traz duma cegueira torturante, sentindo a dor do negro, doradvante, me pondo em seu logar, soffrendo a pena! Requincte desses, nem o grande Dante cantou numa comedia extraterrena que pune quem mais fundo se condemna: um cego hallucinado e comediante!
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DISSONNETTO ESCAPTIVEIRO [0508] Está a brutalidade tão surrada que quando a Lei extoura outro “xadrez” surpresa ja não causa achar-se, em vez de “carcere privado”, uma privada! A cara do refem foi entallada por seus sequestradores, faz um mez, num rallo, e nesse “boi” alguem lhe fez chichi, cocô… e ainda deu risada! Deitado sob a lage, só a cabeça respira, emmoldurada pelo piso, à espera do primeiro que apparesça, de cocora ou de pé, frouxo de riso. O algoz relaxa e, até que a coisa desça, a fé perde o refem no Paraiso. Exsiste peor coisa? Não se exquesça você de que taes themas eu pesquiso.
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DISSONNETTO EXPEZINHADO [0704] Na cova vertical foi, vivo ainda, mettido. A terra prende o corpo em volta. Appenas a cabeça ao ar se solta, mas a mobilidade alli se finda. A quem o sepultou a scena é linda e della ja se ri toda uma excolta. Inutilmente o preso se revolta e xinga a molecada recemvinda. Aos pés impiedosos dos algozes, o rosto encara solas e biqueiras de botas, de botinas, de chuteiras que pisam, surram, entre alegres vozes. Até que soffra fortes e certeiras biccudas e arda em dores mais atrozes, em cada vez maiores dessas doses, humilha-se uma bocca com sujeiras.
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DISSONNETTO PETRIFICADO [0737] Paizes africanos são da edade da pedra: alli se pune com pedrada mulher que engravidou sendo estuprada, dublê plebeu da escrava Shehrazade. A pena lapidar faz jus a Sade: até o pescoço a victima é enterrada. Cabeça exposta à bota que a degrada, exspira e, impune, o auctor dalli se evade. Miseria é, na Nigeria, irrelevante si a lei que enquadra “adulteras” se applica, emquanto o macho foda, almosse e jante. A femea passa fome, chupa picca. E pare. Quando o pae recusa o infante, a mãe é puta e a pedra justifica. Ja viram vocês coisa semelhante? Hem? Onde? Talvez numa nação rica?
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DISSONNETTO DO FILME CASEIRO [1100] O video mostra a cara do refem levando ponctapé dum tennis branco, emquanto uma botina dá-lhe o tranco de sola. Os pés que chutam vão e veem.
{vêm}
Foi elle “entapiado”. A voz de alguem mais joven falla rindo: “Inda te arranco o zóio! Por emquanto só te expanco, seu trouxa!” Outro bandido ri tambem. Curioso, ao jornalista mais sabido do caso perguntei. Me disse “Vige!” O tennis, que já está meio encardido, na bocca pisa. A victima se afflige. Em meio ao riso, escuta-se um grunhido. Fallando no resgate, a voz exige que paguem logo. E o tennis do bandido se affasta antes que alli o comparsa mije.
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DISSONNETTO DA TORTURA BASEADA [1536] Na base de Guantánamo, segundo aquelles que la passam temporada, isola-se do resto deste mundo a victima, suspeita ou accusada. Si adepta é do terror, não me approfundo no caso. Mas, ainda que culpada, será que com tormento o mais immundo dos crimes é punido, e a voz calada? Duvido. Só nos contam que, la dentro, ao som de gargalhadas estridentes, na terra alguem se enterra, a cara ao centro da roda de soldados sorridentes. Recebe ponctapés e lambe botas dos guardas, dos curiosos, dos agentes, até que falle e entregue uns idiotas, ou morra, sem a lingua e sem os dentes.
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DISSONNETTO DA TORTURA FUNDAMENTADA [1537] No Iran, nova mania a fama ganha de methodo-modello da tortura mais sadica e cruel! Ninguem se accanha de nos contar o que é que se procura: Appenas humilhar! Não foi extranha a scena de enterrar alguem na dura areia do deserto, uma façanha que é vista na internet, sem censura. Da terra fica fora a cara. A sola se exfrega nella, pisa. Tem quem ache aquillo divertido. Quem controla os carceres questão faz dessa praxe. Em solo mussulmano, maior damno alguem passa. Haverá quem bicco rache? Se exige, mais que o bicco, mais que o cano, que passe nessa sola a lingua e engraxe.
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DISSONNETTO DA PRAIA INFESTADA [1569] Tambem com caranguejos ja foi dicto podermos, a contento, torturar alguem, e aqui os detalhes não evito contar: o que varia é só o logar. Qualquer sitio deserto, à beiramar, se presta ao espectaculo. Accredito que a victima agonize só de olhar os bichos se junctando e seu agito. Detalhes vocês querem que se arrisquem? Na areia está enterrado, até o pescoço, um corpo, mas a cara será osso depois que aquellas pinças a bellisquem. Detalhes ninguem deixo que confisquem! A scena é lenta: encurta-se a distancia que vae da garra à cara, até que alcance-a, sem palpebra, e seus olhos ja não pisquem.
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GOLPES DE ALTO A BAIXO [3275] Feliz e sorridente, em seu plantão, chegou o carcereiro karateka e alguem irá servir-lhe de peteca, levando, entre outros golpes, o chutão. O agente se diverte, rindo à bessa. Excolhe um prisioneiro e, mal da cella o leva para o pateo, ja começa a nelle practicar. O preso appella: “Não batte muito forte, por favor!” Sorri-lhe o practicante, cujo tennis não deixa nem os dentes nelle indemnes, depois que a bocca chuta com vigor. A surra, por instantes, até cessa. Às vezes “entaipado”, appós aquella sequencia de pattadas, nem que peça arrego, mais recebe, ja banguela. De novo os duros golpes dados são. Do tennis o solado até careca ficou: nem só no piso é que elle breca. Num rosto mais pisou do que no chão.
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CANNA SULAFRICANA [3425] Robben, duro, foi um osso: o apartheid usa, alli, farda. O fardado é bem mais moço. São os presos de cor parda. Enterrado até o pescoço, o detento negro agguarda que lhe urine, qual num poço, bocca addentro, o branco guarda. O branquello abre a braguilha, tira o pau e se imagina superior. Sorrindo, humilha quem engole o que elle urina. Rente ao piso, o prisioneiro, que a vingança só rumina, bebe o mijo. Mas, primeiro, lambe a sola da botina.
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GRAVATA DE PIRATA (1/13) [4068/4080] (1) De cabeça para fora, enterrado está, na areia ou no barro, alguem que chora ante a alegre cara alheia. Indefeso, é exposto e, agora, quem quizer o pisoteia, até chuta: a qualquer hora morrerá de bocca cheia. Não só cheia de formiga, mas de tudo que consiga rebaixar um ser humano. Elle serve de mictorio, por exemplo: é o caso inglorio que aqui narro e ao qual me irmano.
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(2) O supplicio que aqui narro tem historia, desde a China até Roma, e esse bizarro trauma os presos disciplina. Taes carrascos, que no barro os fincavam, à chacina se dispunham: eis que exbarro na degolla, à foice fina. Nos paizes mussulmanos os algozes outros planos tinham para o pobre preso: enterrado até o pescoço, appedrejam-no: o mais grosso craneo torna-se indefeso.
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(3) Na Argentina foi usado esse methodo europeu e asiatico. Um coitado conta aquillo que soffreu: “Me humilharam! Fui pisado por pesadas botas! Eu quasi morro! Tem soldado que, ao chutar, ri do judeu…” Esquerdistas e estudantes entaipados foram, antes que os mactasse um ponctapé. Foi no tempo de Videla: dictadura como aquella, si exsistiu, não sei qual é!
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(4) Quando o preso está no nivel dos seus pés, o algoz faz rija exigencia: inconcebivel não cumprir o que elle exija! Na Allemanha é previsivel essa scena: o “nazi” mija bem na bocca dum passivel rallo humano, que se allija. A cabeça, nivelada aos sapatos, treme a cada ponctapé mais convincente. Quasi immovel, excancara a boccarra e, em plena cara, cahir sente o mijo quente.
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(5) Desde os campos da Allemanha foi para a Africa sulista essa practica, que ganha fama em Robben e contrista. Aos racistas, não extranha que algum guarda nisso insista contra os negros, pois tamanha crueldade aggrada à vista… Ver o negro alli no chão, cara prompta ao seu pisão, para o branco é ja banal. Ao mijar, repara o guarda que abre a bocca o preso e agguarda, gotta a gotta, até o final.
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(6) Mas o caso aqui descripto occorreu neste paiz, mesmo, e a victima que eu cito se metter com jovens quiz. Foi na praia, o mais bonito litoral destes Brazis, mas num hermo local, dicto “paraiso dos sirys”. De siry, de caranguejo, todo typo é o que alli vejo infestar, num poncto, a praia. O subjeito, que nadava, viu, nas ondas, uma brava “pa” surfando, na gandaia.
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(7) De surfistas a gallera do caminho quer que saia o subjeito. Elle, que é fera do judô, não sae da raia. Rollará briga… Pudera! Ja na areia, antes que caia mais um corpo, uma severa surra leva elle e desmaia. Quando accorda, está enterrado, queixo rente ao solo! Um brado de victoria os jovens lançam! Ter aos pés aquelle inerte cabeção é o que os diverte e, a cantar, em redor dansam!
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(8) O subjeito se revolta, quer livrar-se, inutilmente. Os surfistas xinga e solta palavrões, de sangue quente. A gallera, delle em volta, mais prazer com isso sente. Quem lidera (e tem excolta dos demais) será inclemente: “Vae morrer, cara! Mas, antes, nós zoamos!” E, arrogantes, os rapazes gritam: “Viva!” E os pezões descalços pisam, chutam: sadicos, reprisam a tortura intuitiva.
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(9) Horas passa a molecada nessa praia, que é deserta. Comem, bebem. Não dão nada ao subjeito, e elle se apperta. Pede, implora. Só risada delles ouve, alem da experta musiquinha que é tocada pelo radio e um “Yeah!” desperta. Nelle appenas mijam: tem que beber a urina, ou nem se hydratar conseguirá! Nos seus olhos grãos de areia são jogados, e receia ter perdido a visão, ja…
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(10) Até merda leva o cara bocca addentro, alem, é claro, de mais mijo, e se compara ao penico menos caro. A patota o chammuscara com cigarro, e eu ja reparo que appellar vão elles para um tormento, então, mais raro… Deixarão que um caranguejo se approxime e, malfazejo, lhe bellisque o labio, a orelha… Daqui a pouco, outros virão dar tambem um belliscão nessa carne ja vermelha!
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(11) Elle berra, appavorado, e, sangrando, ja agoniza. Mas demora a ser cortado pelas pinças… Sopra a brisa. Os surfistas, por seu lado, ficam vendo essa indecisa refeição que um descarnado rosto humano rende, à guisa… Só contemplam, ja distantes, uns especimens gigantes que tambem buscam seu naco… Um dos jovens filma tudo. Battem pappo, rindo, e mudo morre aquelle que é mais fracco.
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(12) Logo a praia está tomada pelos bichos repellentes e aggressivos. Ja mais nada dá prazer a adolescentes. Na caveira descarnada apparescem, rindo, os dentes. Dos buracos pende, em cada, sangue em restos adherentes. Vão passar, mais tarde, o video os rapazes. Que um convide-o para vel-o, não duvide! Quem commenta cada scena gargalhadas solta: a pena se eterniza no revide!
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(13) Me contaram, não cheguei a assistir: basta o relato. O importante é o que ja sei a respeito desse facto. Dos surfistas, como um rei, acha o lider “um barato” rever tudo o que narrei de episodio tão ingrato. Sempre assim será: tem gente que deleite e gozo sente vendo alguem ao rés do chão. Si de fora só a cabeça do enterrado é o que apparesça, chutes logo uns pés lhe dão!
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ORDEM DO DIA (1/2) [5109/5110] (1) Às tropas discursando, o general nipponico que occupa, na Koréa, a aldeia, da victoria deu a idéa mais practica: dominio sexual! {Soldados! Isto é nosso, agora! Aval nos deu o Imperador! E então, qual é a devida recompensa? Que a plebéa nos sirva como puta, em sexo oral!} {As femeas chuparão nosso caralho! Os machos limparão a nossa bota com suas linguas! Eis o seu trabalho… Si estão ainda vivos…} Faz chacota. Na terra são “fincados”, eu attalho. A cara, appenas, vê-se. Essa derropta foi sordida: dos homens mais detalho que sujo foi o teste e dura a quota.
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(2) No Irak, algum soldado ordens escuta, tambem, dum general: {Homens! Agora é nosso este paiz! Ou collabora comnosco o povo, ou soffre a força bruta!} {Que sejam enterrados! Quem os chuta, si estão só com a cara para fora, irá se divertir! Isso melhora a nossa estima! A gente bem desfructa!} Levaram os soldados tão ao pé da lettra esse discurso, que a prisão de Abu Ghraib assistiu demais, até: as photos para sempre mostrarão. Abbaixo da mais infima ralé, pescoço rente ao chão, alguem ja não ouviu sinão risadas. Sua fé no Islam viu sob a sola, e até o Corão!
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MACHIAVELLICO PODER BELLICO [5240] Estupro, às vezes, arma numa guerra se torna. Emquanto o exercito entra e occupa, abbatte-se o moral e, na garuppa dos tanques, de alegria a tropa berra. Civis, mulheres, homens, dessa terra nativos, são refens. Quando se aggruppa a tropa numa casa, a mulher chupa, seu homem lambe botas e se ferra. O quadro jus faria a Satanaz. Na frente do marido, a soldadesca humilha a esposa, mette-lhe por traz, na bocca… e a scena torna-se grottesca. Depois, semienterrado, dum rapaz extranho soffrerá pisões. Na fresca memoria, o que, na esposa, um outro faz, curtindo uma alegria assaz momesca.
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HASHTAG SOU MESMO [6155] Sim, sou neonazista, Glauco! Quero usar arma, formar milicia! Adoro pisar nos inimigos! Commemoro ao vel-os na agonia! Admiro Nero! “A sola do gabola” considero seu maximo poema! Até decoro! Espero ver suar por cada poro, de medo, os “exemptões”! Não exaggero! Você bem sabe, Glauco, como nós gostamos de pisar! Sim, humilhar aquelles que da bota militar teem nojo! Desses quero ser algoz! Sim, quando os enterrarmos vivos, pós lamber irão nas botas! Vão ficar de cara, só, p’ra fora, até exspirar! Cruel, não acha? Adoro ser atroz!
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AO RÉS, AOS PÉS [6241] Te quero descrever, Glaucão, a scena que vi numa veraz photographia. Foi n’Africa do Sul, quando valia o rigido regime em sua pena. Do preso o queixo roça na terrena poeira. Até o pescoço la se enfia o corpo. Na cabeça, à luz do dia, o forte sol luz batte nada amena. Dois jovens guardas pisam na cabeça, que está das sujas botas ao alcance. Teem elles, quanto queiram, boa chance de tudo fazer nella que envilesça. Pisar, chutar, mijar, mandar a advessa e secca lingua achar que rolle e danse na sola das botinas. De relance, notar pude. Suppuz que o pau lhes cresça…
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PUNHETA DE CAGUETA [6968] “Quem quer assistir quando o preso for à salla do pau para se ferrar?” -- Eu! -- Eu! -- Dois caguetinhas seu azar quizeram ver, curtir a sua dor. Vibravam ambos. Quiz o tennis pôr na cara do coitado um delles, ar fazendo, de carrasco, no logar, suppondo que será torturador. Mais tarde, quando o gajo se “entaipara” nos fundos dum quartel, ja leva a sola do tennis do cagueta, que lhe exfolla o labio, se exfregando pela cara. Jamais exquescerá. Bem que tentara! Aquella gargalhada a lhe echoar ficara na memoria. Sim, um par de meros informantes mostrou tara!
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TORTURA JAPONEZA (1) [6971] Eu gosto de pisar, mas quem me accusa de sadico jamais pensou naquillo que rolla si commette algum vacillo o membro duma gangue da Yakuza! Precisa ver, Glaucão! A turma abusa! Calçando o tal tamanco nesse estylo banal dos samurais, vae aggredil-o o gruppo lynchador! Você deduza! Então, ja deduziu? Exacto! O tal subjeito, de cabeça ao nivel raso, se enterra até o pescoço, tendo o prazo de vida reduzido ao principal: Pisado foi! Chutado tambem! Mal pediu, mal implorou! Acho o seu caso bastante divertido, pois me embaso na scena quando penso num rival!
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PODOLATRIA NO FUNK [7032] No funk, em certos bailes, a gallera estava dividida: cada lado ficava attraz da chorda. Bem mostrado, erguido o pé mais alto, um tennis era. Gostavam de exhibir solas. Pudera! O tennis, que tem griffe, foi comprado por quem ganhou, no traffico, um trocado e conta, ja, vantagem… Que se espera? Si fosse “entapiado” por alli, seria bom refem dalguns rivaes um joven que se enterra. De seus ais ninguem mais saberia, assim ouvi! Cabeça ao rés do chão, levou chichi na cara, alem de, claro, dar fataes lambidas nesse tennis que jamais usou quem não se enturma por ahi.
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DESCRIPTA SCENA SAUDITA (1/5) [8043] (1) Relatam-me: na Arabia, actualmente, a practica sunnita recrudesce. Quem pensa que internet é livre para protestos, condemnado será como qualquer outro sacrilego. Será, em publico filmado, flagellado. (2) Até turistas filmam. Quanta gente diverte-se com isso! Si estivesse alli, tambem eu, logico, filmara: a todos os demais nisso me sommo. Me dizem que, entre aquelles que vêem, ha quem queira, até, nas botas ser babado! (3) Explica-se: o punido tem, na frente de todos, que lamber, antes da prece e dumas chibatadas, sob a tara geral, algumas botas. Num assommo dalgum gaiato, lambe quem está appenas assistindo como sado. (4) Por vezes, rolla coisa differente. Enterram vivo o gajo. Me enduresce a picca. Delle exposta fica a cara, aos pés de todos. Vibro, não embromo e digo que desejo lamber ja o tennis dum turista mais folgado. (5) Quem tenha a face exposta assim nem tente deixar de lamber, caso ninguem cesse de nelle pisar. Sabe que se azara si teima. Provará do amargo pomo na sola das botinas. Provará aquillo que provei ao ser cegado.
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ODE TRIUMPHAL (1/6) [8156] (1) A scena foi fiel ao que relata a grande midia, quando não a dicta historia scientifica. Na data da guerra, koreano casal grita, supplica, pede para que não batta em ambos o soldado que se irrita. Debalde, si o nipponico os maltracta e os leva até detraz duma guarita. (2) Appenas a mulher iria, mas consente o japonez que seu marido va juncto. Sim, terão ambos, por traz dos muros do quartel, logo servido à tropa como escravos. Ella faz chupeta no capricho e divertido serviço faz seu homem: dum rapaz qualquer lambe o cothurno, bem lambido. (3) Destinam um quartinho à fellatriz, que attende à soldadesca no privado. Em publico, o “engraxate” seus servis deveres exercita. Si um soldado entrar para foder, outro, feliz, à porta fica. Filmam-no sentado num banco, emquanto ao velho ordena e diz que lamba, koreano desgraçado!
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(4) Ao joven japonez, o koreano maduro faz papel dum inimigo vencido a ser zoado! Desde o cano até o solado gasto, bem consigo suppor como o coitado lambe e irmano a minha lingua à delle no castigo difficil de cumprir! Paresce um panno de chão, esse linguão! Sei o que digo! (5) “Mulheres de comforto” dictas são as mães, irmans, esposas que papel farão de putas para que o tesão do raso soldadinho saiba a mel. Mas “homem de comforto” não é tão commum de se encontrar. Serve elle, ao bel prazer do folgazão, quando, no chão, o enterram, para sarro do quartel. (6) O macho sepultado foi actor dum filme bem veridico que vi. De fora a cara, só, seu oppressor pisou-a, até chutou-a, fez chichi tambem. Como marido, sentiu dor maior, no seu orgulho, si o gury que accaba de fodel-a agora for fazel-o de retrete e lhe sorri…
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ODE AUTOCRITICA (1/3) [8172] (1) Puxar pela memoria requeria o facto. Eis que puxei o quanto pude. Requinctes de sadismo, no regime cubano, uns escriptores no detalhe relatam, como aquelle em que o subjeito, sabendo que irá, para trabalhar, ao campo de forçados, antes é levado frente ao publico risonho a fim de confessar o seu delicto: de idéas discordar. Reconhescendo seu “erro”, pedirá perdão ao povo, que ri da sua cara, pois aquillo em nada reduzir vae sua pena. (2) Então eu dou palpite que riria melhor a tal platéa si a attitude do preso, mais humilde, ante seu crime, tivesse que ser. Maximo acchincalhe seria que lambesse elle, no peito e até na sola, a bota popular de cada cidadão dessa ralé. Achando ser delirio o que supponho, appenas eu commento que me excito com esse panorama tão horrendo. É quando perguntar si me commovo alguem vae, pois me informam que, ao estylo daqui, sadicos entram mesmo em scena:
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(3) “Mas, Glauco, isso occorreu no dia a dia da nossa dictadura! Alguem se illude? Na areia se enterrava! Todo um time num rosto punha o pé! (Mas não expalhe, sinão vae dar idéa!) Tinham feito que cada prisioneiro, ao implorar no chão, lambesse os tennis ou o pé descalço dum cagueta cujo sonho ter era tal prazer! Acha bonito, Glaucão, tudo o que estava accontescendo?” Respondo que, bonito, não. De novo, porem, eu lhes affirmo que tranquillo me sinto. Ter tesão ninguem condemna.
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ODE AO DEDO DURO (1/2) [8173] (1) Relatam nossos proprios torturados detalhes do papel que desempenha o typico cagueta no odioso regime militar. Em livro, o preso nos conta que informante, no paiz, jamais faltava: algum discreto moço podia ser quem ia, ao “entregar” suspeitos, convidado ser por um agente do DOI-CODI a, si quizesse, sessões presenciar. Um delles deu resposta a tal pergunta nestes termos: -- Ahi, quer assistir? Quer ver um show legal de pau de arara? Foi você que o caso dedurou. Quer assistir? -- Uau, si quero! Posso mesmo? Uau! (2) Narrou o preso: Foram muito usados os methodos banaes nessa ferrenha usina de tortura. Tinha gozo maior que o dos carrascos um obeso baixote, delator dum infeliz vizinho communista. Num pau grosso ficou dependurado, com um par de fios connectados ao bumbum, ao sacco, ao penis, para rezar prece, o tal de “subversivo”. Se fodeu, mais tarde, entapiado: nesses hermos esteve esse gordinho. Delle eu sou qual bolla alli na terra, que mal vê o pé que em minhas fuças insistir irá, pisando como num degrau.
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ODE CEARENSE (1/5) [8176] (1) De videos pornographicos me falla, em audiodescripção, quem classifica o cego como objecto de total e oral humilhação. Um delles ja virou meu “cult movie”: o do gordinho que irruma, até a garganta, alguem que venda nos olhos tem, mas fica combinado que assim os videos mostram o subjeito, si é cego, prompto para a putaria. Vão outros indo nessa direcção. (2) O cego um faz chupar e lamber galla pingada, appós, no piso. Em vez da picca, num outro o cego lambe colossal pé nu que o pisoteia. Lamberá, no proximo, botinas que caminho rueiro percorreram. Que se entenda por cego quem, num outro, está vendado emquanto bebe mijo, o que eu acceito mais como condição que se annuncia a quem se escravizou sob olho são. (3) Então eis que me conta alguem na salla um caso verdadeiro. O cego fica parado, a mendigar, num terminal dos omnibus, na praia. Ao Ceará refere-se quem narra. Alli pertinho, alguns jovens malandros offerenda lhe fazem no trajecto: attravessado a rua tendo, o levam e proveito farão de seus trocados. Antes, ia alguem querer brincar. Que diversão!
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(4) Levado para a praia, nem à balla precisam coagil-o. Sua zica começa quando, roupa sem, o tal malandro brincalhão quer que elle va ficar preso na areia. Qual pezinho pisou mais em seu rosto? Então alguem da turminha quer gozar mais do coitado, cobrando-lhe lambidas. Seu defeito nos olhos dá maior tesão ao guia fingido que lhe dera conducção. (5) Sem roupa, sem esmollas, sem bengala, cabeça, só, de fora. A gangue estica as solas: photos battem, digital filmagem fazem. Logo se verá na rede esse espectaculo excarninho. Tirado do youtube, quem se offenda não falta com o video. Revoltado nem fico, pois senti no proprio peito os pés da molecada. Quem iria dizer que eguaes os jovens todos são?
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ODE GOYANA (1/4) [8177] (1) Um caso que, escabroso, me contou lettrado professor la de Goyaz tambem tracta do cego como objecto de sarro, curra, surra, até tortura. Foi este, embora pobre, dono duma pequena rural granja. Apposentado ja por invalidez, ficou da irman inerme dependente. A mulher tinha dois filhos, jovens sadicos que, como recreio ou brincadeira, começaram a achar no cego um optimo motivo de estupro ou pura practica nojenta. (2) Cegado em accidente, elle ficou invalido, sem animo, das más pessoas bom refem. No seu trajecto obstaculos armavam. Queimadura causavam-lhe nos dedos quando alguma bituca de cigarro, pelo lado contrario, lhe extendiam. Mais affan achavam cada dia. Da gallinha cocô punham no rango. Cada gommo de bosta de cachorro! Mas não param ahi taes aggressões, ja que, passivo, o cego as supportava. Alguem aguenta?
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(3) Appós tudo tomar-lhe, como sou sciente, casa, grana, a mana nas mãos deixa aquelle cego, como abjecto brinquedo, dos moleques. Quem attura chacota, attura abuso. Quem resuma o caso, diz, por alto, que “entaipado” foi elle. Mas os jovens, ammanhan, dirão que foi “plantado”, numa linha bem sadica, na terra, para pomo comer, do mais amargo. Que o forçaram ao coito oral aqui nunca me exquivo de, em gozo, presumir. Mais se accrescenta? (4) Escravo dos sobrinhos, rendeu show seu queixo no terreno, ja que gaz tiveram elles para armar, sem veto moral, uns pornovideos que a censura cortou da rede. Importa que eu assuma a minha posição. Jamais me evado de dal-a. A molecada folgazan fez delle seu mictorio, uma excarninha faceta social que às demais sommo. Hypocritas aquillo condemnaram, mas lavam as mãos. Eu, que não me privo do orgasmo, em ode exalto o que me tempta.
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RHAPSODIA DA COPROPHAGONIA (10/11) [8239] (10) Diverso deste caso é o que, no Congo (reporta um anthropologo), attravessa o tempo em seu folklore. Me interessa, portanto, e neste poncto me prolongo. Guerreiros inimigos passam longo periodo em captiveiro até, sem pressa, morrerem na tortura. Aqui começa o rito bronco desse povo mongo. Até o pescoço enterra-se o captivo, appenas a cabeça, para traz recurva, a bocca aberta, ‘inda bem vivo. Segundo o ritual, somente faz cocô naquella bocca quem, no crivo, tem preso o ventre e é quasi ja rapaz, achando tudo aquillo divertido. (11) Meninos e marmanjos fazem fila, se aggacham, um por um, collando a prega ao labio do captivo, que se entrega a Deus, na fé que o espirito lhe asyla. A merda sae a custo e, até engolil-a, ao olho lhe approximam, quasi o cega, o espinho que ammeaça. Descarrega o proximo moleque outra morcilla. Tolete appós tolete, secco e duro, affunda na goela que ora engulha, se entope do carnivoro monturo. Si não morrer no engasgo que lhe attulha a glotte, ganha, ao fim de tanto appuro, o premio de pilhar-se livre o pulha, mas isso ser veridico não juro.
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RHAPSODIA DO MICROONDAS (1/12) [8369] (1) Eu era de menores monitor. Lotado num presidio carioca, provei da violencia meu sabor. (2) Quem sabe dessa scena nem se choca. Appós ver fracassado o seu motim, vae dar a molecada a curra em troca. (3) Voltando para casa quando vim, fui por algum pivete, fatalmente, reconhescido. Quasi foi meu fim. (4) Rendido, da pistola ja na frente, levado fui ao alto da cidade, ao morro, pelo bando delinquente. (5) Ouvindo o riso desses fans de Sade, no barro me enterraram e, sacando o sarro, fui pedindo piedade. (6) Com terra até nos hombros, o commando ouvi para lamber. Levei pattada de todo o jovial e bruto bando. (7) Lambi, sim, o pezão sujo de cada moleque da favella, pois meu medo ver era a minha pelle ser queimada.
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(8) No morro, o “microondas” era, a dedo, o methodo mortal de exsecução, por isso minha lingua aos pés eu cedo. (9) Imploro que, na pilha de pneus, não me mettam, não me queimem devagar, servindo da platéa à diversão. (10) Somente quando o chefe auctorizar se macta alguem assim. O joven liga e pede permissão, no cellular. (11) O chefe não permitte, pois amiga uma alma pena teve e me poupou de martyr virar, tanto que fiz figa. (12) Queimado não morri, mas o meu show vazou nos cellulares. Lambedor virei, viralizei. Queimado estou.
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A SOLA DO GABOLA [8516] Marrento, pelas redes, quem ja não diz “Chupa!” é o seguidor do Bolsonaro, que imagens grava, alçando o seu pezão descalço, ou de pisante em que eu reparo, a camera ampliando a proporção da sola, a fazer pose. Em tom bem claro, o joven nos diz “Lambe!” e fica tão flagrante seu sadismo, que meu faro masoca aqui me impõe uma questão: Si pega a moda, tanto faz si ignaro ou douto, ou de que lado está o mandão! Nos manda que lambamos e eu comparo seu gesto ao dum funkeiro em pancadão, o tennis exhibindo ao ar em raro momento de victoria do peão chutando quem se “entaipa”. Ja me azaro sonhando, com a cara ao rés do chão, levar na bocca aquelle tennis caro.
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DIA DA TESTEMUNHA OCULAR [10.255] Vi quando o otario, o trouxa, a duras penas, levando umas porradas, era posto, na praia, de joelhos. O seu rosto sangrava, mas quem via, ria, appenas. Os sadicos garotos, que nem hyenas, soltavam gargalhada. A contragosto, o otario os chuparia. Foi-lhe imposto um baita affan! Gravaram essas scenas. Foi posto num buraco. Bem distante estive, mas vi tudo. Conferi, depois, as scenas. Nada que me expante. Na areia até seus hombros, de chichi banharam-no. Sim, soube que estudante foi, cada, dum collegio por aqui.
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DIA DO SEQUESTRADO [10.260] Emfim chegou meu dia de deixar aquelle captiveiro! Vocês não calculam como soffre um cidadão que caia, dos bandidos, no radar! Appenas por calçar um caro par de tennis, dos de griffe, elegantão, me entaipam! Sim, fiquei ao rés do chão, aos pés de quem quizesse me zoar! Pisaram-me na cara, com Rainha, com Conga, até com Nike, por vingança! Adidas nos pezões, tambem, um tinha! Depois me libertaram, mas quem dansa, no caso, sae descalço! Fica a minha versão: não lambi tennis de creança!
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DIA DO NEUROTICO DE GUERRA [11.200] Conhesço um gringo, Glauco, que luctara na guerra americana, mas doente voltara para a America. Se sente o cara assaz culpado duma tara… Remorsos sente, claro, pois foi, para diversos prisioneiros, inclemente na sadica tortura, a ferro quente, a faca, a choque electrico… Humilhara! Lamberam suas botas todos, antes de serem enterrados vivos! Pura loucura, a face exposta aos seus pisantes! Agora, só de tennis, à procura sae elle dos clientes, os amantes do chute e do pisão… Tudo tem cura!
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SONNETTOS DUM CASTIGO DE INIMIGO (1/3) [12.801/12.803] (1) Sim, Glauco, obriguei esse desaffecto meu, esse vil rival, a ficar preso na areia, até seus hombros. Meu desprezo iria aguentar, fora algum dejecto. Meus ‘parças o forçaram. Logo, quieto estava, alli enterrado. Senti teso o pau, vendo o semblante que, indefeso, olhava-me com odio. Fui directo: “Ahê, cuzão! Cabou a valentia? Na sua cara, ahê, sente meu pé! Não gosta? Quer biccuda?” A turma ria. Fizemos que lambesse. Fiz até que sua bocca abrisse. Eu disse: “Enfia o bicco da botina! Ahê, mané!”
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(2) Lhe disse que talvez dalli sahisse com vida si lambesse, si chupasse as solas, as biqueiras. Desse impasse achou que excapparia? Que tolice! Nós riamos à bessa, Glauco! Ri-se à bessa quem se vinga, quando nasce aquella sensação gostosa. Classe não tenho, nunca tive, ja lhe disse. Aos poucos, nós fizemos do coitado a bolla que se pisa, que se chuta de leve e com mais força… Achei gozado! Gemia, supplicava… A gente escuta pedidos de perdão. Até me enfado curtindo humilhação dum fidaputa…
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(3) E então, Glaucão? Contei tudo o que quiz saber? Não, não mactei o desgraçado. Appenas o cegamos, não me evado da culpa. Meresceu, esse infeliz. A gente, nessas phases juvenis, accerta as differenças, para aggrado de todos os tesões, com um boccado de sarro, ou diversão, como se diz. Faltou algo? Bebeu chichi, comeu cocô, nada deixamos que faltasse. Quem nelle mais mijou alli fui eu. A areia lhe exfregamos pela face a poncto de cegal-o. Hoje no breu está de vez… Curtiu o desenlace?
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PONCTUAL CASO DE BENEDICTO [conto 18 de PROMPTOS PONCTOS] Mattoso, te contar quero um dos casos bastante parescidos com os teus sonnettos a respeito dessa gente que fica, até por dias, enterrada appenas de cabeça para fora, tortura que se chama “sand necktie”, segundo o que tu mesmo pesquisaste. Aqui, de “entaipamento” foi chamado tal typo de supplicio, muito usado por brancos, nas prisões sulafricanas, só para punir negros que estivessem as regras do regime transgredindo. No caso brazileiro que te quero contar, sequestradores mantiveram um chefe de familia, até que quasi morresse, em captiveiro desse typo. Sei disso porque fui vizinho delles num sitio onde meus thios passavam ferias e sempre me levavam juncto para que eu, nesse bom “lazer”, desestressasse um pouco dos estudos estaffantes. Eu era adolescente e, para alguem que esteja accostumado com a vida urbana, aquellas ferias poderiam ser tanto um puro tedio quanto um jeito de estar me divertindo com mosquitos, serpentes ou aranhas, quer dizer, depende só dalgum poncto de vista. Na ausencia dos meus primos, que comnosco não tinham vindo, pude me sentir sozinho para algumas adventuras, mas, pelo lado opposto, me faltava aquella companhia animadissima que tanto os molecotes appreciam. Tentei, naquelles dias, explorar
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melhor as redondezas, à procura de scenas photographicas à minha fiel e velha camera, taes como a teia das aranhas gigantescas na matta, alli pertinho da varanda do sitio. {Que perigo!}, opinei sempre. Mas fui photographar essas bichanas e, quando ja voltava ao casarão dos thios, cruzei com nosso tal vizinho, que, para disfarsar, me deu bom dia, sorriu e perguntou o que eu fazia alli. Lhe respondi de bom humor, porem desconfiei que estava appenas sondando para ver si eu ja sabia que tinham seus comparsas enterrado, da casa ao lado perto, o seu refem, mantido só de cara para fora, levando uns ponctapés ou simplesmente pisões da turma toda, todo o tempo, alem de estar, de todos os insectos, terrestres, voadores, à mercê. O joven que me vira alli pensou que eu tinha ja advistado o prisioneiro, por isso quiz sympathico mostrar-se, a fim de que eu pensasse se tractar dum caso de vingança, meramente, ou seja, algo que sarro me inspirasse tambem, como si eu cumplice virasse daquillo que inventassem a respeito do gajo sequestrado. Mas tu sabes, Mattoso, que eu cabreiro sempre fui e logo suspeitei das intenções do joven que me dera seu bom dia. Assim que notei uma cabecinha la longe, destaccando-se no chão, fingi que nem ligava si esse gajo supplicios estivesse supportando. Sorrindo, perguntei ao bandidão: {Pegaste esse ladrão ahi no flagra? Ou elle quiz roubar a tua mina? A tua turma nelle ja pisou
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bastante? Te vingaste delle, mano?} O joven bandidão retribuiu o sarro que tirei e convidou-me a vir para mais perto do refem, tirar algumas photos do coitado, pisar na cara delle, si eu quizesse. “É mesmo, minha turma ja pisou bastante nelle! Quer pisar tambem?” Me fiz, então, de cumplice e cheguei bem perto desse rosto com meu pé, seus labios cotucando com a poncta do tennis encardido de poeira. Ao nivel dos pisões e chutes, quem até pelo pescoço se enterrou não pode questionar ninguem, appenas pedir por agua, nunca por soccorro. Por isso o sequestrado nem gemeu, sentindo do meu tennis a biqueira na bocca, pressionando os labios seccos. {E tua turma? Aonde foram? Não estão pisando nelle por que, mano?} “Ah, logo voltam. Deram um rollê.” O joven procurava ganhar tempo até que seus comparsas retornassem. Ahi, provavelmente, eu correria perigo. Poderiam me mactar, até mactar meus thios, alli do lado. Podiam enterrar-me quasi todo, assim como fizeram com o gajo que estava dos meus tennis ao alcance. Eu era archivo vivo. Caso o gajo morresse nesse estado deploravel, é claro que eu seria testemunha, a menos que tambem fosse enterrado e juncto com o gajo fallescesse, podendo mesmo um tiro pela cara levar antes que em algo mais pensasse. Pensei rapidamente. Esse bandido armado não estava nesse instante, sinão ja me teria ammeaçado e feito prisioneiro. Delle, então,
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tractei de despedir-me e fui andando depressa, antes que fosse buscar sua pistola, seu fuzil, uma arma assim. Ao sitio corri para advisar meus thios sobre esse possivel sequestrado e sobre essa suspeita vizinhança. Tithia, appós ligar para a policia, de carro nos levou para logar seguro. Tithio, devo dizer, era ja meio doentinho da cabeça, pensava devagar, por isso sua mulher sempre tomava as providencias. Do sitio duns parentes nós voltamos à scena desse crime só depois que estava no local toda a policia, que veiu com reforços e chegou depressa, para a nossa admiração. Acharam o refem ‘inda com vida, mas muito desnutrido. Certamente teria alli morrido, caso nós tardassemos appenas um pouquinho. O joven bandidão, com seus amigos, no pé ja dera a tempo, com certeza. Estavam foragidos e nem sei si foram, num momento posterior, detidos, nem si suas fichas foram, ao menos, levantadas. Não importa, Mattoso. O que me importa, neste caso, é ter pensado rapido, ter tido de espirito presença, pois salvei a vida de pessoas outras, fora a minha, claro. Como rollaria o lance, si não fosse desse jeito, aos meus thios, à familia delles, caso daquellas coisas todas não soubessem? Do sitio meus thios logo se livraram, frustrados com taes ferias, as presentes, passadas e futuras, ja que sempre algum interessado, ou seja, algum otario, tem vontade de morar na zona rural, menos polluida,
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ou para suas ferias possuir a tal “casa no campo” de que fallam. Mas, Mestre, diz-me. Como tu farias, Mattoso? Ja pensaste si estivesses alli, pisando o rosto dum refem que nem siquer soubesses quem seria? Pensaste que podias ser tu mesmo aquelle sequestrado que na cara levava tantos chutes e pisões? Melhor é nem pensares nisso. Um cego nas mãos de taes bandidos, ou nos pés, teria, dos destinos, o peor. Não achas? Hem, Mattoso? Não respondes?
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SUMMARIO DISSONNETTO SOLADO [0015]........................ 11 DISSONNETTO “ENTAPIADO” [0036]................... 12 DISSONNETTO ESCAPTIVEIRO [0508].................. 13 DISSONNETTO EXPEZINHADO [0704]................... 14 DISSONNETTO PETRIFICADO [0737]................... 15 DISSONNETTO DO FILME CASEIRO [1100].............. 16 DISSONNETTO DA TORTURA BASEADA [1536]............ 17 DISSONNETTO DA TORTURA FUNDAMENTADA [1537]....... 18 DISSONNETTO DA PRAIA INFESTADA [1569]............ 19 GOLPES DE ALTO A BAIXO [3275].................... 20 CANNA SULAFRICANA [3425]......................... 21 GRAVATA DE PIRATA (1/13) [4068/4080]............. 22 ORDEM DO DIA (1/2) [5109/5110]................... 35 MACHIAVELLICO PODER BELLICO [5240]............... 37 HASHTAG SOU MESMO [6155]......................... 38 AO RÉS, AOS PÉS [6241]........................... 39 PUNHETA DE CAGUETA [6968]........................ 40 TORTURA JAPONEZA (1) [6971]...................... 41 PODOLATRIA NO FUNK [7032]........................ 42 DESCRIPTA SCENA SAUDITA (1/5) [8043]............. 43 ODE TRIUMPHAL (1/6) [8156]....................... 44 ODE AUTOCRITICA (1/3) [8172]..................... 46 ODE AO DEDO DURO (1/2) [8173].................... 48 ODE CEARENSE (1/5) [8176]........................ 49 ODE GOYANA (1/4) [8177].......................... 51 RHAPSODIA DA COPROPHAGONIA (10/11) [8239]........ 53 RHAPSODIA DO MICROONDAS (1/12) [8369]............ 54 A SOLA DO GABOLA [8516].......................... 56 DIA DA TESTEMUNHA OCULAR [10.255]................ 57 DIA DO SEQUESTRADO [10.260]...................... 58 DIA DO NEUROTICO DE GUERRA [11.200]
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