Clube secreto resistiu ao preconceito institucional e à violência em Curitiba dos anos 1950 Página 08
LGBT+ e a política paranaense
Paraná possui a terceira maior população LGBT+ do país, mas nenhum parlamentar declarado na ALEP Página 09
Acolhimento
Com dados indicando que 84,4% da população LGBT+ de Curitiba já sofreu discriminação, a cena noturna se consolida como refúgio. Festas como a Quadros Party e o James Bar acolhem o público com respeito e inclusão, enquanto a cultura ballroom surge como uma rede vital de afeto e resistência na capital.
Cultura | pag.06
Economia LGBT+
Preconceito e exclusão no mercado de trabalho são motivação da escolha por empreender Página 10
Eventos voltados para a comunidade LGBT + se consolidam como locais de acolhimento e identificação em Curitiba
Orgulho em quadra
T imes formados por atletas LGBT+ atuam em Curitiba em diferentes modalidades esportivas, surgindo como alternativa aos clubes convencionais. O cenário reflete um problema nacional. Uma pesquisa da ONG Nix Diversidade com a Nike aponta que 63% dos brasileiros afirmam ter sido discriminados pela orientação sexual no esporte ou presenciado atos discriminatórios.
Para os participantes, o impacto vai além da competição. O atleta Matheus Arenhart destacou que, em times convencionais, há pressão para ser discreto e evitar preconceitos da torcida e dos próprios
Vidas em trânsito
colegas. Já no Pride Cup, campeonato nacional de vôlei exclusivo para atletas LGBT+, segundo ele, é possível jogar sem se preocupar com julgamentos. O atleta Bruno Lara ressaltou o peso simbólico do campeonato: “Geralmente só tem espaço para os héteros, e o gay é a cota. Agora, para nós, eles são a cota.”
A segunda edição do Curitiba Pride Cup acontece de 20 a 22 de novembro de 2026, com expectativa de 400 atletas representando 7 estados. As inscrições estão abertas até setembro.
Esporte | pag.11
Atual seleção de vôlei masculina conta com quatro atletas abertamente gays. A de futebol nunca
Com apenas quatro ambulatórios especializados em todo o Paraná, pessoas trans e travestis enfrentam longos deslocamentos para acessar atendimento pelo SUS em Curitiba, Londrina e Maringá. A realidade expõe os
desafios para garantir saúde integral e acolhimento em diferentes regiões do estado.
Saúde | pag.05
Curitiba, 03 de Julho de 2026 - Ano 29 - Número 358 - Curso de Jornalismo da PUCPR
O jornalismo da PUCPR no papel da notícia
Laís Arzua
teve.
A quem interessa desmanchar a parada LGBT+?
Omês de junho é marcado como o mês do orgulho, um mês que por um curto espaço de tempo caiu no gosto das marcas, que aproveitavam da época para fazer posts em redes sociais apoiando a comunidade LGBT+, ou mudar a foto de perfil e colocar uma com as cores da bandeira da comunidade. Algumas marcas iam além do mundo virtual, e apoiavam campanhas de doação para ONGs que cuidassem da comunidade LGBT+. Empresas de pequeno e grande porte se juntavam em prol de diversas causas e geravam um impacto real. Porém, junho de 2026 foi marcado pela indiferença das marcas com a data. E não foi só a falta de ação nas redes sociais que acendeu um alerta, mas a diminuição brutal de patrocinadores na parada LGTQIA+ em São paulo, que é o maior evento do nicho no Brasil, e que atrai milhões de pessoaspara as ruas todos os anos.
Voz da Comunidade
Toni Reis
Ativista de Direitos
Humanos e cofundador do Grupo Dignidade
Durante muito tempo, disseram que o sonho de formar uma família não era para pessoas como eu e David, meu marido. Mas os sonhos não costumam pedir autorização para existir. Eles simplesmente nascem dentro de nós.
Desde os primeiros dias em que nos conhecemos, compartilhávamos o desejo de construir uma família e exercer a paternidade.Em 2005, iniciamos oficialmente o processo de adoção. Reunimos documentos, participamos de entrevistas, avaliações psicológicas e cumprimos todas as exigências da Vara da Infância e da Adolescência. O processo foi longo e rigoroso, como deve ser quando se trata da proteção de crianças e adolescentes. Após três anos de espera, recebemos uma decisão judicial autorizando a adoção, mas com uma condição: poderíamos adotar apenas uma menina acima de dez anos. Aquela restrição nos pareceu injusta e discriminatória. Conversamos com advogados e advogadas e tomamos uma decisão importante: não aceitaríamos
Curitiba não ficou longe dessa realidade. O Grupo Dignidade, responsável por realizar a marcha da diversidade, relatou em suas redes que os patrocínios e empresas privadas diminuíram a ponto de precisarem vir a público solicitar doações em uma vaquinha virtual, para que evento pudesse acontecer com estruturas minimamente parecidas com as dos anos anteriores. Eles não perderam só a ajuda do poder privado, mas também da prefeitura de Curitiba, que em edições anteriores fornecia infraestruturas exigidas para a segurança do evento.
Neste ano, ficou claro que tanto o poder público quanto privado escolheram um lado, e é o lado que não vai se envolver com qualquer coisa relacionada ao público LGBT+. Ser muito “woke” (a forma ofensiva usada para
denominar como chamam aqueles que são militantes de causas sociais) é um preço muito caro para marcas que não querem perder seu público conservador, público esse que vem crescendo cada dia mais, apoiado em políticos com pautas absurdas que retrocedem anos de luta em favor de minorias sociais.
Segundo dados do jornal Diadorim, desde 2019 foram propostas 577 projetos de lei que atingiram negativamente a população LGBT+, levando em conta pautas nas assembleias legislativas e no Congresso nacional. O ano de 2023 foi o que mais obteve projetos do tipo, e em 2026 já são mais de 60 propostas, que vão desde exclusão de pessoas trans de esportes, até censura nas escolas, propondo tornar a chamada “ideologia de gênero” um crime hediondo.
Comunitiras
Mariana Glonik
uma autorização que limitasse nossos direitos e, principalmente, as possibilidades de acolhimento de tantas crianças que aguardavam uma família. Aprendemos uma lição valiosa: decisões judiciais podem e devem ser questionadas pelos caminhos legais. Recorremos ao Tribunal de Justiça do Paraná e obtivemos o reconhecimento do nosso direito de adotar crianças de qualquer idade e sexo. No Supremo Tribunal Federal, tivemos nossa vitória definitiva.
Mais importante do que vencer uma batalha jurídica foi realizar nosso sonho. Adotamos três filhos: Alyson, Alice e Filipe. Eles chegaram às nossas vidas por meio da chamada adoção tardia. A nossa família nasce do afeto, da dedicação cotidiana e da escolha consciente de cuidar. O que nos trouxe até aqui foi uma combinação de amor, coragem, resiliência e esperança. Quando a sociedade amplia direitos, ela não beneficia apenas indivíduos. Ela cria oportunidades para que mais pessoas possam viver plenamente seus sonhos e construir um futuro melhor para todos.
REITOR
Ir. Rogério Renato Mateucci
DECANA DA ESCOLA DE BELAS ARTES
Susanne Cristine Pertschi Borges
COORDENADORA DO CURSO DE JORNALISMO
Suyanne Tolentino De Souza
COORDENADORA EDITORIAL
Suyanne Tolentino De Souza
Nada é por acaso. Cada projeto de lei que é discutido (mesmo que não se torne de fato uma lei), cada empresa que deixa de demonstrar apoio para a comunidade e de patrocinar seus eventos (mesmo que ainda sejam eventos economicamente interessantes, dado o grande público que os frequenta), cada ataque feito, seja por políticos com alta visibilidade ou por cidadãos comuns, cada atitude que soa pequena separadamente, leva ao contexto social que estamos hoje. O conservadorismo abraçou empresas e políticos criaram um público de base que ataca psicologicamente e fisicamente grupos minoritários. Os comentários maldosos e até mesmo criminosos em redes sociais são uma realidade cruel e indigesta. O aumento da homofobia e da violência contra a comunidade, escancaram o retrocesso.
Edição 358 - 2026 | O Comunicare é o jornal laboratório do Curso de Jornalismo PUCPR jornalcomunicare.pucpr@gmail.com | http://www.portalcomunicare.com.br Pontifícia Universidade Católica do Paraná | R. Imaculada Conceição, 1115 - Prado Velho - Curitiba - PR
COORDENADOR DE REDAÇÃO /JORNALISTA RESPONSÁVEL Rodolfo Stancki (DRT-8007-PR)
COORDENADOR DE PROJETO GRÁFICO Rafael Andrade TRADUÇÃO Ana Kleink
DA CAPA Natalie Godoy
Estudantes 3º Período de Jornalismo
Álvaro Xavier
Ana Beatriz Gardiano
Ana Kleink
Anna Miorança
Anne Alencar
Antônio Junkes
Arelita Ramos
Arezza Valentine Beatriz Viana
Bruno Serante
Danielle M. Honda
Eduardo Correa
Gabriel Arlant Oliva
Gabriella Primani
Guilherme Modesto
Helena Staut
Jean Fagundes
João Pedro Amaral
Juliane Damas
Kaliel Godos
Laís Arzua
Larissa Saraiva
Leonardo Iannuzzi
Lucas Silva Alves
Luísa Diehl
Manoel Sampaio
Mª Ceresa Nicolodi
Mariana Müller
Mariana Glonik
Mariana R. Chaurais
Murilo Brunelli
Natália Prezutti
Natalie Godoy
Pedro Vetrone
Rômulo Brandalize
Sofia Sobota
Vitória Pavelkiewicz
Burocracia dificulta alistamento militar de pessoas trans
Embora a retificação de nome e gênero seja um direito reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal, ainda existem episódios de constrangimentos e procedimentos inadequados no processo
3º Período
A Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) protocolou em outubro de 2025 um ofício junto ao Ministério da Defesa solicitando providências para corrigir situações que, segundo a entidade, vêm afetando mulheres trans e travestis durante o processo de alistamento militar obrigatório. De acordo com a associação, alguns procedimentos ainda não acompanham plenamente o reconhecimento da identidade de gênero garantido por decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
O alistamento militar é uma experiência marcante para as novas gerações. Em 2025, 1.029.323 homens e 33.721 mulheres se alistaram para servir às Forças Armadas no ano seguinte. Enquanto o procedimento é obrigatório para os homens,
comparecer pessoalmente às Juntas do Serviço Militar para resolver questões relacionadas à documentação, mesmo após terem atualizado seus dados civis. Os homens trans que fazem a transição depois dos 18
ir presencialmente a uma junta com pessoas que se identificam como homem”.
Além desse ponto, Evelyn comenta que também seria importante investir na capacitação
Julio Mota de Oliveira, advogado especialista em diversidade. “Um dos principais desafios é justamente garantir que o tratamento recebido não dependa da unidade militar, da região ou do servidor responsável pelo
“Um dos principais desafios é justamente garantir que o tratamento recebido não dependa da unidade militar”
anos devem obrigatoriamente se alistarem ao exército, que é o caso do estudante Diego Pfeiffer Aparício, pois como já completou a idade limite e já realizou todos trâmites burocráticos de mudança de gênero, terá que se apresentar ao exército para o alistamento militar.
a participação feminina ocorre de forma voluntária. Nesse contexto, pessoas trans também passam a lidar com etapas administrativas relacionadas ao serviço militar e à atualização de seus documentos.
O atual sistema de alistamento militar exige que mulheres trans obtenham o Certificado de Dispensa de Incorporação (CDI) para conseguirem retificar seu registro civil, incluindo nome e gênero. Na prática, isso faz com que muitas delas precisem
A estudante Evelyn da Silva Guia, mulher trans de 20 anos, jovem aprendiz de Recursos Humanos e estudante de Análise e Desenvolvimento de Sistemas, acredita que algumas mudanças poderiam tornar o processo mais simples. “Algo que poderia ser alterado seria uma integração ao banco de dados do site do governo e aos cartórios civis. Caso a cidadã já possua o nome social cadastrado no CPF, o próprio sistema deveria emitir a dispensa automática por gênero, sem que ela precise
dos profissionais responsáveis pelo atendimento. Segundo ela, isso ajudaria a orientar melhor as pessoas trans durante o processo e também aquelas que tenham interesse em servir às Forças Armadas.
Propostas foram apresentadas por movimentos sociais ao governo, para a realização de alguns ajustes na regulamentação. Entre as propostas, uma delas é a criação de um canal eletrônico para solicitar a dispensa do alistamento militar por meio do envio de documentos atualizados. Segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), a medida poderia reduzir burocracias e evitar deslocamentos desnecessários para travestis e mulheres trans. Atualmente, a proposta ainda está em fase de discussão e não possui previsão de implementação.
Outro ponto debatido é a remissão de multas aplicadas em situações decorrentes de registros civis incompatíveis com a identidade de gênero atual da pessoa. A proposta busca evitar que cidadãos sejam penalizados por divergências cadastrais causadas pela utilização de informações desatualizadas em sistemas públicos e privados, mesmo após a retificação oficial de nome e gênero.
Apesar de a proposta beneficia diretamente os direitos da pessoa trans no alistamento militar, outros desafios maiores precisam ser enfrentados, segundo
atendimento, mas que existam diretrizes claras e uniformes para assegurar os direitos das pessoas trans em todo o país.”
Júlio também conta que realizou o alistamento após já ter retificado o seu nome e gênero nos documentos. O procedimento foi relativamente simples e conseguiu obter a dispensa militar sem maiores dificuldades. Foi necessário apenas realizar a atualização dos meus dados junto ao Exército e efetuar o pagamento das taxas administrativas correspondentes.
Enquanto as discussões da modernização da lei seguem em andamento, a expectativa é que futuras atualizações tornem o processo mais simples e adequado à realidade das pessoas trans.
Além das questões burocráticas, especialistas apontam que o debate sobre o alistamento militar de pessoas trans também envolve a necessidade de modernização de procedimentos e sistemas utilizados pelos órgãos públicos. A integração entre bases de dados governamentais é frequentemente citada como uma alternativa para reduzir inconsistências cadastrais e evitar que cidadãos precisem apresentar repetidamente documentos já atualizados em registros oficiais. Entidades que acompanham o tema defendem que eventuais mudanças sejam acompanhadas por orientações padronizadas para todas as unidades de atendimento do país. Segundo essas organizações, medidas voltadas à simplificação dos processos administrativos podem contribuir para garantir maior segurança e previsibilidade durante o atendimento, reduzindo dificuldades.
Leia mais
Veja os processos e etapas do alistamento militar
João Pedro Amaral
Gabriel Arlant
Gabriel Arlant Oliva, João Pedro Amaral, Jean Fagundes e Leonardo Iannuzzi
Homens trans ainda enfrentam desafios para cumprir as etapas do alistamento.
Organizações ampliam o cuidado à saúde mental LGBT+ em Curitiba
Uma pesquisa feita pela Faculdade de Medicina da USP mostra que pessoas LGBT+ têm quase 10 pontos percentuais a mais de incidência de depressão (37%) do que não-LGBTQIA+s (28%). Especialistas apontam que as principais causas são a discriminação e o preconceito
A luta por direitos da população LGBT+ em Curitiba é marcada por grandes desafios.
A realidade para muitas pessoas da comunidade ainda é de exclusão, preconceito e vulnerabilidade social. Para promover a manutenção da saúde mental da comunidade, diversas Organizações Não Governamentais realizam atendimentos especializados, oferecendo apoio jurídico, psicológico e social.
Segundo Luísa de Oliveira, psicóloga com especialização em sexualidade humana, um dos cenários mais recorrentes em seus atendimentos voltados à população LGBT+ é a solidão. “Pessoas LGBT+ acabam tendo laços fragilizados. Isso afeta a autoestima, o que também pode dificultar a busca por ajuda. O que pode ajudar é a construção de vínculos.”
Aproximadamente 55% da população LGBT+ de Curitiba não é aceita pela própria família. Para muitos, os espaços de acolhimento comunitário se tornam um substituto da ausência do apoio familiar. É diante desse cenário que ONGs voltadas ao acolhimento e cuidado de pessoas da comunidade torna-se essencial.
O Centro + Cidadania LGBT+ Heliana Hemetério, por exemplo, é um espaço dedicado ao acolhimento, orientação, promoção e defesa dos direitos das pessoas LGBT+. Realizado por estudantes de Psicologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o Centro funciona há mais de um ano e atua em diversos eixos, como saúde, esporte, lazer e serviços sociais. Os atendimentos são feitos em encontros coletivos e abertos ao público. Ainda assim, algumas pessoas precisam de atendimento individualizado. “Nesses casos, encaminhamos para profissionais parceiros ou
redes públicas, como CAPS ou unidades de saúde, a depender do quadro”, diz Mays Schulz, psicóloga e membro do Centro.
O grupo mais frequente nos atendimentos é composto por mulheres transexuais. De acordo com uma pesquisa feita pela Mental Health America em 2025, 38% das pessoas transgêneros dizem ter sofrido calúnias e 28% sofreram comentários ofensivos. Além disso, indivíduos transexuais comentam com frequência que evitam cuidados de saúde por preocupação de sofrerem discriminação. Mays Schulz aponta as dificuldades que o público LGBT+ enfrenta em atendimentos médicos não especializados. “Eles erram pronomes, fazem perguntas invasivas e vexatórias. Há uma dificuldade dos profissionais em chamar a pessoa pelo nome e pronomes corretos.”
A Liga Acadêmica de Estudos em Gêneros, Sexualidades e Diversidades é uma extensão do Projeto Memória LGBTI de Curitiba feito por estudantes de
Psicologia e Direito da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Com encontros organizados quinzenalmente às quartas-feiras, as atividades do grupo funcionam por meio de rodas de conversa voltadas ao debate de textos e obras culturais que abordam as temáticas de sexualidade e gênero. A partir de leituras e exibições de trechos
sexualidade, é responsabilidade política da universidade lidar com as questões do mundo e da contemporaneidade. “Os espaços universitários devem fazer uso de seu privilégio (enquanto instituição capaz de produzir verdades) para melhorar a vida em sociedade, e isso envolve a desconstrução de preconceitos.”
“Produzimos relações saudáveis que transformam a vida das pessoas de algum modo”
de filmes e músicas, os participantes constroem um espaço seguro de diálogo e reflexão.
Muitas dessas organizações fazem parte de grupos universitários. Segundo Camila Mikos, pesquisadora de gênero e
A representatividade é um pilar fundamental para a sensação de pertencimento e proteção da saúde mental. “Muitas pessoas da comunidade não se vêem representadas. Esses espaços de socialização e de convivência são muito importantes nesse sentido também”, ressalta Luísa de Oliveira.
A importância desses ambientes não é percebida apenas na vida dos participantes, mas também na de seus organizadores. “O Centro veio para mim como uma outra psicologia que eu não tinha contato ainda. Ele me apresentou um olhar da psicologia como atividade política”, diz Lagui das Neves, outra membro da ONG Heliana Hemetério.
psicológico com grupos de apoio em
Leia mais
Saiba onde buscar atendimento
Curitiba
Manu Carvalho e Luísa Helena de Oliveira, membros do Centro Heliana Hemetério.
Larissa Saraiva
Luísa Diehl
Larissa Saraiva, Luísa Diehl e Maria
Ceresa Nicolodi
3º Período
Pessoas trans e travestis cruzam o Paraná por cuidado integral
Curitiba, Londrina e Maringá recebem pacientes de diferentes cidades em busca de acolhimento, acompanhamento e atendimento especializado
Ana Kleink, Danielle M. Honda e Mariana R. Chaurais
3º Período
O Centro de Pesquisa e Atendimento a Travestis e Transexuais (CPATT), localizado em Curitiba, foi fundado em 2013 pelo Governo do Estado do Paraná e foi o primeiro serviço público estruturado para atender às demandas de saúde da população trans de forma centralizada e especializada. No Paraná, existem apenas mais três ambulatórios que oferecem atendimento de saúde multidisciplinar para a população trans e inicialmente somente o CPATT realizava todos os serviços.
Os ambulatórios de Curitiba, Londrina e Maringá recebem pessoas de todo o estado que buscam atendimento especializado pelo SUS. As unidades oferecem acompanhamento multiprofissional, incluindo atendimento clínico, psicológico, hormonioterapia e fonoaudiologia.
De acordo com levantamento da agência de jornalismo Livre.Jor, baseado em dados do Ministério da Saúde e na aplicação da Escala Kinsey, cerca de 57 mil pessoas trans viveriam atualmente no Paraná. Em Curitiba, dados do sistema e-Cidadão apontam a existência de 2.226 homens trans, 4.083 mulheres trans e 3.769 pessoas não-binárias. Além disso, o estado aparece como o segundo do país com o maior número de estudantes trans matriculados na rede pública de ensino, totalizando 1.137 alunos, segundo o dossiê Registro Nacional de Mortes de Pessoas Trans no Brasil em 2024, da Rede Trans Brasil. Apesar desses números, o Paraná conta com apenas dois ambulatórios especializados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para o atendimento de pessoas trans e travestis, ambos localizados em Curitiba.
A médica Bruna Moraes destaca que a população trans enfrenta desafios que vão além do acesso aos serviços de saúde. Segundo ela, questões como saúde mental, conflitos familiares, preconceito e a dificuldade de acesso aos recursos necessários para a transição de gênero impactam diretamente a qualidade de vida
dessas pessoas. “O processo saúde-doença é multifatorial e os determinantes sociais de saúde incidem grandemente nessa população. Assim, um atendimento médico centrado não
os profissionais os ajudaram a continuar com o processo com mais segurança.
A social media Elin Valentim, mulher trans, diz que entrou
foram frequentemente associadas, de forma preconceituosa, à ideia de “vetores de doenças”.
Em Maringá, o “Ambulatório Trans” conquistou um prêmio
“Foi um pouco triste por não ter acesso a serviços que deveriam ser coisas simples e acessíveis”
traz a saúde integral que essa população precisa”. Para a médica, o acolhimento adequado exige respeito ao nome social, conhecimento sobre identidade de gênero, orientação sexual e os direitos dessa população. “É um claro exemplo da aplicação da equidade, um dos princípios do SUS”. Bruna também ressalta que o medo de procurar atendimento ainda é uma realidade. “O constrangimento, o desrespeito e o desconhecimento geram insegurança. Isso resulta em menor procura pelos serviços de saúde, mais desfechos desfavoráveis e menor confiança no sistema de saúde como um todo”, conclui.
De acordo com a diagramadora Rosane Cedraz, mãe de Zaphiel Cedraz, homem trans, o acesso ao atendimento especializado só foi possível em Curitiba, já que eles não encontraram o serviço em Prudentópolis, cidade onde moram. “Ficamos muito felizes por poder fazer todo o processo em Curitiba, porque aqui a gente não teria força para lutar contra o preconceito”. Zaphiel optou por realizar duas consultas no mês, o que exigia viagens de cerca de quatro horas até a capital. “Sempre tinha algo para entristecer ele durante o percurso, como o motorista do ônibus que não respeitava o nome social dele”, relata. Além disso, o processo para registrar o nome social pelo SUS foi demorado. Apesar de todas as dificuldades, Rosane diz que os atendimentos foram muito humanos e
na fila no início de 2020, mas começou a ser atendida em 2025. Ela explica que o ideal seria viajar para a capital uma vez no mês, mas o CPATT não fornece atestado, então ela viaja uma vez a cada três meses para renovar receitas e entregar exames. “É uma luta, pois conheci gente que perdeu o emprego por ir com certa frequência para Curitiba fazer o tratamento”, relata. A burocracia e a distância dificultam a continuidade do tratamento, principalmente com os tempos de espera longos. Valentim comenta que sente muita fraqueza pois fica muito tempo sem comer por conta da demora para fazer os exames e não há nenhum auxílio financeiro.
A Prefeitura de Londrina, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), implantou um ambulatório multiprofissional para cuidado integral da saúde de pessoas trans e travestis, no Centro Integrado de doenças Infecciosas (CIDI), que fica na Alameda Manoel Ribas, 1. O centro está em vigor desde o dia 5 de outubro de 2021 e oferece diversos serviços voltados a estes públicos.
Embora represente um avanço no acesso à saúde integral da população trans e travesti, a implantação do ambulatório ocorre em um contexto marcado por um estigma historicamente imposto à comunidade LGBT+. Desde os surtos de HIV/AIDS nas décadas de 1980 e 1990, pessoas da comunidade LGBT+
nacional como projeto de atendimento inclusivo. Ele opera conjuntamente com o “Consultório de Rua”, que atende pessoas em situações vulneráveis. Antes da inauguração do local, os pacientes eram encaminhados para Curitiba e a fila de espera chegava até três anos. A criação do serviço reduziu a necessidade de deslocamentos e ampliou o acesso ao acompanhamento especializado na região.
A localização do serviço em um espaço que também abriga o Consultório na Rua evidencia a coexistência de diferentes perfis de atendimento em uma mesma estrutura. Ambos os grupos enfrentam processos de exclusão social, mas suas necessidades terapêuticas são distintas. A integração dos serviços em um mesmo espaço pode dificultar a construção de um ambiente especializado e acolhedor para pessoas trans, cuja assistência requer escuta qualificada, acompanhamento de longo prazo e profissionais capacitados para lidar com questões específicas de gênero e diversidade.
A existência de apenas alguns ambulatórios no Paraná evidencia que o acesso à saúde integral da população trans permanece concentrado em poucos municípios. Para muitas pessoas, o direito ao atendimento especializado continua condicionado à disponibilidade de transporte, recursos financeiros e longos períodos de espera, demonstrando que a ampliação desses serviços ainda é um desafio para a efetiva garantia da equidade no SUS.
Para quem busca serviços de saúde especializados em Curitiba, o atendimento é realizado pelo Centro de Orientação e Aconselhamento (COA) e CPATT.
Leia mais
Confira infográfico sobre a saúde de pessoas trans no Paraná
Danielle M. Honda
Público LGBT+ busca pertencimento em espaços seguros em Curitiba
Espaços de festas, baladas e eventos voltados para a comunidade LGBT + se consolidam como locais de acolhimento e identificação na capital
D ados do Grupo Dignidade indicam que 84,4% da população LGBT+ de Curitiba já sofreu algum tipo de discriminaçao. Muitas vezes, isso ocorre em baladas e casas noturnas da cidade. Por isso, membros dessa comunidade têm buscado espaços mais seguros.
A Quadros Party é um dos exemplos da força da cena noturna queer na cidade. Realizada pela primeira vez em junho de 2023, o evento estreou com a presença de Rafa Moreira, apoiador de artistas da comunidade LGBT+, considerado um dos pioneiros do trap brasileiro. A atividade marcou o início de um projeto voltado à valorização de artistas que ainda não conseguiram encontrar espaço nos circuitos tradicionais de entretenimento apesar de terem relevância em redes sociais.
Segundo Roni Campos, um dos organizadores da festa, a ideia surgiu da percepção de que havia uma nova geração de artistas e frequentadores que não se sentia representada pelos eventos já consolidados da cidade. “A
vivendo suas primeiras experiências na vida noturna, a equipe adota orientações relacionadas à convivência, respeito e combate ao assédio. “Criamos um espaço seguro para que essa juventude se sinta à vontade de curtir um rolê que talvez não se sentiria tão à vontade em outros espaços.”
Um espaço seguro é definido não apenas pela ausência de violência ou discriminação, mas também pelo cuidado e pela orientação do local ao público. Para os organizadores da Quadros Party, isso passa por ações educativas que ajudam os frequentadores, especialmente os mais jovens, a aproveitar a noite de forma consciente. Orientações sobre consumo responsável de bebidas, respeito aos limites do outro e a importância de procurar a equipe em casos de assédio ou qualquer situação desconfortável fazem parte desse processo. Segundo os responsáveis pelos eventos, ensinar “como sobreviver na noite” é uma forma de promover bem-estar e garantir que todos possam se divertir em um ambiente de respeito e segurança.
“Um espaço seguro para que essa juventude se sinta à vontade”
proposta do evento é justamente dar essa visibilidade e espaço para esses artistas se desenvolverem e se apresentarem em um espaço seguro.”
Voltada principalmente para jovens entre 16 e 24 anos, a Quadros Party reúne um público que cresceu em meio à popularização da internet e das plataformas digitais. A preocupação com o acolhimento também influencia a organização do evento. Como parte dos frequentadores está
A partir de 2024, a festa passou a investir de forma mais intencional na diversidade de suas atrações. Segundo o produtor, a organização buscou ampliar a participação de artistas LGBT+, mulheres, pessoas trans e não binárias. A mudança acompanha um movimento mais amplo observado na cena cultural curitibana, que tem reunido diferentes formas de expressão da comunidade queer. “Não necessariamente cresceu e aumentou, mas se diversificou”, afirma Campos.
Além da Quadros Party, Curitiba também conta hoje com uma diversidade de baladas voltadas à comunidade queer. Eventos direcionados a esse público muitas vezes contam com artistas que são símbolo de representatividade e que são verdadeiros ícones para a comunidade, mas o entretenimento não é o único pilar do acolhimento. James Bar é uma balada conhecida por ter uma diversidade de frequentadores da comunidade, e essa preferência não é a toa: o local conta com discursos de incentivo ao respeito, além de incentivarem que esse público ocupe espaços na cena noturna, um dos recursos usados é oferecer meia entrada nas festas para pessoas trans, não binárias, drag queens e kings que estejam montados.
Para Gabriel Machado, membro da comunidade e dançarino de ballroom, movimento cultural surgido entre pessoas LGBT+ negras e latinas como forma de resistência, frequentar ambientes onde seja possível expressar a própria identidade sem receio representa uma forma de segurança emocional e social. Ele diz que ainda são poucos os espaços em Curitiba que acolhem de forma ampla a diversidade existente dentro da comunidade. “Eu gosto de estar
em espaços e ambientes onde tenham corpos dissidentes, onde tenham pessoas diversas, que não seja apenas voltado para o público gay, mas que realmente abrace a comunidade como um todo. Aqui em Curitiba são raros e poucos”, afirma.
Foi na cena ballroom que o dançarino encontrou esse sentimento de acolhimento. Mais do que festas e baladas, ele define a comunidade como uma forma de resistência e sobrevivência para corpos LGBT+. A cultura ball surgiu historicamente como um espaço de apoio para pessoas marginalizadas e, segundo Gabriel, continua exercendo esse papel atualmente.
Para ele, a importância desses espaços está na possibilidade de existir sem medo. “É uma tecnologia de sobrevivência”, explica. Ali, pessoas da comunidade podem construir redes de apoio, fortalecer amizades e ter reconhecimento por suas vivências e pela própria arte.
Gabriel também relata já ter passado por situações de desconforto em locais que não são voltados ao público LGBT+, especialmente por fugir de padrões tradicionais ligados à heteronormatividade e à performance de gênero. “Já senti muito desconforto em lugares não voltados ao público LGBT+. Ainda mais quando você foge das normas da heteronormatividade e da performance de gênero que esperam de você. Sempre terão olhares que causam desconforto”, relata.
Leia mais
Confira aqui uma coletânea de relatos sobre vivências.
Casa de shows Verdant abraça público com decoração LGBT+.
Casa noturna com ornamentos LGBT+ na fachada.
Anne Alencar
Anne Alencar
Anne Alencar, Gabriella Primani, Natalie Godo e Vitória Pavelkiewicz
3º Período
LGBT+ public seeks belonging in safe spaces in Curitiba
Parties, clubs, and events directed to the LGBT+ community establish themselves as welcoming places and identification in the capital
D ata from Grupo Dignidade indicates that 84.4% of the LGBT+ population in Curitiba has already suffered some form of discrimination. In many cases, this occurs in the city’s clubs and nightlife venues. As a result, members of the community have increasingly sought out safer spaces.
The Quadros Party is one example of the strength of the queer nightlife scene in the city. Held for the first time in June 2023, the event debuted with the presence of Rafa Moreira, a supporter of artists from the LGBT+ community, considered one of the pioneers of Brazilian trap. The activity marked the beginning of a project dedicated to valuing artists who still haven’t managed to find space in traditional entertainment circuits despite having significant relevance on social media.
According to Roni Campos, one of the party’s organizers, the idea emerged from the observation that there was a new generation of artists and partygoers who didn’t feel represented by the city’s previously established
the attendees are experiencing nightlife for the first time, the team adopts guidelines related to coexistence, respect and combating harassment. “We create a safe space so the youth can feel comfortable enjoying a night out that they might not feel as comfortable in other places”.
A safe space is defined not only by the absence of violence or discrimination, but also by the care and guidance the place offers its public. For the organizers of the Quadros Party, this involves educational actions that help partygoers, especially the youngest ones, to enjoy the night responsibly. Instructions about responsible alcohol consumption, respect for each other’s boundaries and the importance of reaching out to the staff in cases of harassment or any uncomfortable situation are part of this process. According to those responsible for the events, teaching “how to survive the nightlife” is a way to promote well-being and ensure that everyone can have fun in an environment of respect and safety.
“A safe space where this youth can feel welcome and comfortable”
events. “The proposal of the event is precisely to give visibility and space to these artists to develop and perform in a safe space.”
Set mainly for the youth between the ages of 16 and 24, the Quadros Party gathers an audience that grew up during the popularization of the internet and digital platforms. The concerns regarding welcoming and safety also influence the event’s organization. Since many of
Since 2024, the party has begun to invest more intentionally in the diversity of its line-ups. As stated by the producer, the organization sought to expand the participation of LGBT+ artists, women, trans, and non-binary people. The modification follows a broader movement noticed in Curitiba’s cultural scene, which has been bringing together different forms of expression from the queer community. “It didn’t necessarily grow or increase, but it diversified”, declares Campos.
Besides the Quadros Party, Curitiba currently has a diversity of clubs meant for the queer community. Events focused on this audience often feature artists who are symbols of representation and true icons for the community, but entertainment is not the only pillar of welcoming. James Bar is a nightclub known for having a distinct crowd from the community, and this preference is not a coincidence: the place features speeches promoting respect and encourages the audience to occupy spots in the nightlife scene, one of the resources used is offering half-price admission to parties for trans, non-binary people, drag queens and kings in full drag.
For Gabriel Machado, a member of the community and ballroom dancer, a cultural movement that emerged among black and latino LGBT+ groups as a form of resistance, frequenting surroundings where it is possible to express one’s identity without fear represents a type of emotional and social safety. He says that there are a few locations in Curitiba that broadly embrace the existing diversity within the community. “I like to be in spaces and environments where
there are dissident bodies, where there are different people, that’s not just intended for the gay public, but really embraces the community as a whole. Here in Curitiba, they are rare and few,” he affirms.
It was within the ballroom scene that the dancer found this feeling of welcoming. More than just parties and clubs, he defines the community as a form of resistance and survival for LGBT+ bodies. Ball culture historically emerged as a support system for marginalized people and, according to Gabriel, continues to fulfill that role to this day.
For him, the significance of these spaces lies in the possibility of existing without fear. “It is a survival technology,” he explains. There, community members can build support networks, strengthen friendships and receive recognition for their life experiences and their art.
Gabriel also reveals having experienced discomfort in places that are not suited for the LGBT+ public, especially due to stepping outside traditional standards linked to heteronormativity and gender performance. “I have felt a lot of discomfort in places not meant for the LGBT+ public. Even more when you differ from the norms of heteronormativity and the gender performance expected of you. There will always be stares that cause discomfort”, he shares.
A collection of stories about LGBT+ lived experiences
Leia mais
Nightclub with LGBT+ ornaments on the facade.
Anne Alencar
Anne Alencar
Anne Alencar, Gabriella Primani, Natalie Godoy and Vitória Pavelkiewicz
3º Semester
Tulipas Negras conta como a resistência LGBTQIA+ sempre existiu em Curitiba
Entre o preconceito institucional e a resistência clandestina, a história do clube secreto que desafiou a violência na capital paranaense de 1950
Arelita Ramos, Eduardo Correa, Guilherme Modesto, Murilo Brunelli e Natália Prezutti 3º Período
C uritiba possui hoje diversos eventos dedicados à comunidade LGBT+, como a Marcha pela Diversidade, o Programa Curitiba Destino Seguro e a Semana pela Diversidade. Porém, há 70 anos, a realidade era outra. Em 1950, a homossexualidade e a transgeneridade eram tratadas como doença, pecado e crime. O aparato policial e a imprensa local trabalhavam juntos para expor, humilhar e punir qualquer um que desviasse dos padrões tradicionais da capital paranaense.
Sob o peso dessa vigilância, ecoaram os primeiros sussurros sobre o Clube dos Tulipas Negras (nome inspirado em uma espécie rara de liláceas). Esse grupo secreto de homens homossexuais, muitos pertencentes à elite econômica da cidade, desafiava o conservadorismo da época em reuniões clandestinas, tornando-se o alvo de uma sociedade obcecada pela moralidade. Essa obsessão culminou em um duro ataque policial e em cobertura sensacionalista. A ação de “desmanche” ocorreu durante uma festa privada no Edifício Kwasinski, na Praça Osório. Conforme os relatos, os confrades vestiam roupas femininas, detalhe explorado pelas autoridades para selar a desmoralização social, política e legal dos “Tulipas”.
O primeiro registro do grupo ocorreu em 20 de novembro de 1951, no jornal Diário da Tarde, página 6. O texto reclama da iluminação ruim no Passeio Público e cita um episódio recente no parque. “Queremos nos referir a sua iluminação, atualmente tão precária, que ainda permite dolorosos casos de imoralidade, como ‘Tulipas Negras’”, diz o jornal. A publicação não
detalhou o caso. Esta foi a única menção ao grupo naquele ano. Em 5 de novembro de 1953, o jornal O Dia publicou matéria alegando ter descoberto o clube. O texto, de teor homofóbico, insulta os presentes como “tarados” e “degenerados”: “Os tarados tudo confessaram sem constrangimento, como se a abominável perversão constituísse fato normal”. A reportagem expôs o endereço na avenida Visconde de Guarapuava e listou os envolvidos: Rosario de Almeida, Sidnei Moraes, Jacob Souza, Tailor Moura, Messias Andrade e João Manoel Cristóvão.
Eles foram presos em flagrante. A matéria relata que, quando a polícia chegou, eles realizavam um casamento. A evidência do “crime” era o convite da cerimônia: “Golden Boy e Rosarito têm o prazer de convidar a V. S. para o ato íntimo em que se comemorará o primeiro aniversário de sua singela união, o qual será oficializado com os sagrados ritos do culto a Eros e Afrodite 4/11/53 às 20:30.”
Na época, homossexuais eram enquadrados em crimes como atentado ao pudor ou vadiagem, já que o casamento civil homoafetivo não era permitido.
Em relato publicado pelo jornal Última Hora, em 1960, o tenente-médico José Maria Silva Correa afirmou ter sido vítima de um atentado à sua honra por parte de integrantes do “caso das Tulipas Negras”. Após ordenar a prisão dos suspeitos, o militar alegou ter sofrido uma reviravolta por influências políticas locais, terminando internado à força no Hospital Adauto Botelho: “Lupionistas e janistas o envolveram em terrível trama”, apontou a publi-
cação. Os termos referem-se às correntes lideradas por Moysés Lupion, então governador do Paraná, e Jânio Quadros, futuro presidente.
Após esse registro, os Tulipas foram silenciados por cerca de 32 anos. O grupo só voltou a ser mencionado em 1992, no livro Em busca de Curitiba perdida, de Dalton Trevisan: “a Curitiba dos cafetões - com seu rei Candinho -- e da sociedade secreta das Tulipas Negras eu viajo.”
Micheluzzi, jornalista e ativista do coletivo Memória LGBTI+, confirma a complexidade de encontrar registros preservados sobre as vivências da comunidade. “Quando a gente busca se aprofundar em histórias marginalizadas, a gente fala de uma dificuldade de registro. Os poucos registros que temos da memória das nossas comunidades estão no lugar do estigma: nas páginas policiais, nos boletins, nos laudos de hospitais psiquiátricos. O maior desafio é
“ Só teve fim mesmo quando a polícia resolveu”
Investigando esse cenário de apagamento, o jornalista José Eduardo Simões dedicou sua dissertação de mestrado a analisar o grupo e relata a dificuldade de romper a barreira do tempo e do medo. “Não consegui ninguém, nenhuma fonte direta”, explica José Eduardo. “O que eu consegui foram jornalistas que trabalhavam nas redações naquela época e que souberam do caso lateralmente. Não encontrei nenhum Tulipa vivo. Havia uma suspeita em um prédio aqui de Curitiba, mas não se confirmou. Mas essa é uma busca que continua ativa para o doutorado.”
A pesquisa de José Eduardo ilustra o pioneirismo involuntário daqueles homens. Para o pesquisador, o impacto social do grupo é imensurável para as próximas gerações. “Eles se reuniram aqui em Curitiba na década de 50 e fizeram uma espécie de clube, de convivência, de experimentação de gênero, de sexualidade. Mesmo abafado naquela época, foi uma semente de uma organização social dessa comunidade. Teve um impacto forte pela maneira de se expor e, de se posicionar, enfim, pela coragem que tiveram naquela época de tentarem se reunir. Ainda que tenha sido abafada, certamente continuou no imaginário, na memória das pessoas.”
Essa escassez de dados históricos não é uma exceção. Raissa
encontrar esses rastros dentro de acervos que não estão organizados ou sistematizados para a pesquisa.”
Raissa complementa analisando a engrenagem que unia as forças policiais e os jornais da época, e posteriormente na ditadura, para expor e punir grupos homoafetivos: “Existia um moralismo fundamental na sociedade, fruto de um contexto político de ditadura militar, que colaborava com a perseguição dessas pessoas. Não é só uma parceria entre a imprensa e a polícia. Existe um fator histórico maior que geria essa forma de pensar e fazia com que as notícias veiculas sobre a comunidade fossem mais sensacionalistas e julgadoras.”
A ditadura militar colaborava com a perseguição dessas pessoas. “Não é só uma parceria entre a imprensa e a polícia. Existe um fator histórico maior que geria essa forma de pensar e fazia com que as notícias vinculadas sobre a comunidade fossem mais sensacionalistas e julgadoras”, avalia pesquisadora.
Leia mais
Mapa com os principais locais de encontro dos “Tulipas Negras”
Imagem do Acervo Memórias Urbanas
Um dos pontos de encontro dos “Tulipas Negras” no Centro de Curitiba.
Imagem do Jornal O Dia
Pessoas no local expostas pela mídia na época..
Marginalização da cultura LGBT+ re�lete na política paranaense
Câmara de Curitiba possui um vereador abertamente LGBT+ em suas cadeiras, enquanto a Assembléia Legislativa do Paraná não possui nenhum parlamentar
OParaná possui a terceira maior população de pessoas LGBT+ do Brasil. De acordo com o IBGE em parceria com a Pesquisa Nacional da Saúde (PNS), aproximadamente 175 mil pessoas da comunidade vivem no estado. O número não reflete a eleição de candidatos que pertencem ao grupo em cargos políticos. Até 2026, nenhuma figura declarada LGBT+ tomou posse das cadeiras da Assembléia Legislativa do Paraná (ALEP). O coletivo representa 2% da população maior de 18 anos.
Segundo Lucas Siqueira, ex-candidato a vereador pela capital e voluntário do instituto Grupo Dignidade, a comunidade tem dificuldades de se colocar nesses lugares. Ele diz que, muitas vezes, as pessoas LGBT+ foram jogados para o gueto e marginalizados pela sociedade.
Na primeira candidatura, em 2020, Lucas recebeu 1.900 votos com um orçamento de R$5 mil para a campanha. Na sua segunda corrida eleitoral, em 2024, o vereador teve seu número digitado na urna 2.868 vezes. A disputa pelas cadeiras da Câmara dos Vereadores em Curitiba exige um grande investimento. Para concorrer fortemente, é necessário o investimento, a partir de R$200 mil.
Além disso, ele destaca que uma comunidade ativa politicamente não significa ter apenas representantes, mas uma conscientização da importância do voto entre todas as pessoas.
Na capital paraense, há apenas uma representante LGBT+, Giorgia Prates, do Partido dos Trabalhadores (PT). Além de lésbica, a vereadora é uma mulher preta e praticante de Axé. Ela foi a primeira parlamentar municipal da comunidade eleita, quebrando tabu da capital paranaense, marcada politicamente pelo conservadorismo.“ A maior dificuldade é ver como a política para comunidade é tratada”.
A parlamentar destaca que se sente atacada e perseguida
“
Se tivéssemos desistido da política, não teríamos conquistado tantos direitos”
dentro da Câmara. “Quando eu passo pela porta da, já sinto os olhares, todas as risadinhas e as piadas também”. Ela descreve o comportamento, como fruto de um “falso moralismo”, pautado em marketing pessoal pelos legisladores. Isso afeta na criação de políticas públicas em prol de toda comunidade, tornando-a vulnerável a ataques físicos e psicológicos.
A cada 14 horas, um boletim de ocorrência é registrado no Paraná por homofobia. Uma pesquisa realizada pelo Grupo Dignidade, com dados da Secretaria do Estado da Segurança Pública (SESP-PR), e do Centro de Análise, Planejamento e Estatísticas (CAPE), o estado do Paraná registrou 3.333 casos de LGBTfobia e Transfobia entre os anos de 2022 e 2025.
Lucas relata que sofreu um ataque durante sua campanha em 2020, no qual foi jogado um ovo em sua direção. O ex-candidato não consegue afirmar se o motivo foi por seu posicionamento
em favor dos direitos LGBT+. Um boletim de ocorrência foi relatado às autoridades, mas não houve ação legal. Segundo ele, a educação vem como uma ferramenta necessária para a prevenção de discriminação, preconceito e promoção do respeito.
Giorgia Prates também afirma ter sofrido discriminação, por conta de sua orientação sexual. Em seu caso, o teor do ocorrido foi mais grave. A parlamentar recebeu ameaças contra a sua vida, durante sua campanha. Além da vereadora, sua equipe também sofreu com perseguição, ofensas e ameaças durante toda a campanha.
Atualmente ela é pré-candidata a deputada estadual pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Giorgia destaca que sua campanha não recebe apadrinhamento político, mas que isso faz parte da identidade de política real que ela visa. “Eu até gosto de não ter essa estrutura toda, porém, a gente entra num lugar de
disputa desleal.” O valor médio para uma campanha estadual considerada forte gira em torno de dois milhões de reais, segundo Lucas Siqueira.
No Congresso, há um grande avanço na representatividade LGBT+. Nas eleições de 2022, as duas primeiras mulheres trans foram eleitas. Erika Hilton (PSOL-SP) e Duda Salabert pelo (PDT-MG). Os outros dois representantes são a Deputada Federal Dandara Tonantzin (PT-MG) e o Senador Fabiano Contarato (PT-ES). Além de Senador, ele é Presidente da Comissão do Meio Ambiente.
Erika Hilton tem sua campanha marcada pelo apoio ao fim da escala 6x1. A proposta moveu debates e um clima de tensão em todo país, pautado na qualidade de vida da população e equilíbrio financeiro.
Lucas Siqueira destaca um avanço na participação da comunidade LGBT+ na política, na luta por direitos e igualdade. Entre as conquistas recentes, a maior é a equiparação do crime de LGBTfobia com o de racismo. “Se a gente tivesse desistido da política, a gente não teria conquistado nossos direitos”, afirma.
Leia mais
Giorgia Prates e Erika Hilton, histórias de representação na política
Lucas Siqueira, ex candidato a vereador de Curitiba.
Kaliel Godos
Antônio Junkes, Kaliel Godos e Rômulo Brandalize
3º Período
Giorgia Prates ocupou a maior cadeira da política curitibana.
Rômulo Brandalize
Comunidade LGBT+ aposta em negócios independentes diante preconceito
Pessoas Transsexuais e Travestis são as que mais empreendem no mercado de trabalho, a principal motivação é sobrevivência e necessidade
Álvaro Xavier, Bruno Serante e Helena Staut 3 Período
S egundo a pesquisa nacional “LGBT+: Empreendedorismo”, 24% das pessoas da comunidade possuem ou têm interesse em ter seu próprio negócio, aponta o último relatório do SEBRAE em dezembro de 2024. Nesse cenário, pessoas Transsexuais e Travestis se destacam como as que mais buscam autonomia no mercado, com 70% delas já sendo donas ou buscando um empreendimento com sua marca.
O estudo ainda aponta que a motivação para essa busca é questão de sobrevivência, já que o estudo aponta as pessoas trans como as mais excluídas do mercado de trabalho convencional. As histórias de empreendimentos liderados por pessoas da comunidade na capital paranaense contam sobre sonhos, liberdade financeira e sobre luta.
Onça Bêbada
Dono das franquias do bar “Onça Bêbada” em Curitiba, Guilherme Romani é formado em gastronomia com duas especializações. Ele tem 10 anos de experiência na área e trabalha formalmente desde os dezesseis anos. Já atuou em áreas administrativas, como professor de gastronomia e como feirante.
Com tanto tempo no mercado de trabalho, ele conta que foi vítima de homofobia com frequência em ambientes de trabalho. “Sempre foram situações em que eu percebia certos olhares, falas, jeitos e até a forma como se comportavam comigo”, relata.
Romani também diz que nunca se rebaixou perante essas situações, pelo contrário. “Não tenho medo de morrer por isso não porque prefiro morrer lutando do que morrer covarde”, acrescentou o empreendedor.
O comerciante pontua que ainda vê Curitiba como uma cidade que exclui pessoas LGBT+. Justamente por isso ele quer fazer a diferença com o seu próprio empreendimento, para ter um ambiente de trabalho mais aberto e acolhedor.
Casulo
A produtora audiovisual Julia Kholer é dona da Casulo há dois anos. Ela relata que trabalhou formalmente desde os 18 anos, até formar seu próprio negócio.
A empreendedora conta que, durante esses sete anos trabalhando, em certos lugares já teve necessidade de esconder sua sexualidade. Também ocultou a vida com a namorada em ambientes de trabalho por sentir que não era um lugar para revelar esse tipo de intimidade.
“Fazia isso para me proteger de certas situações”, conta Julia.
A motivação para criar a Casulo foi um sonho que sempre teve. Não nasceu diretamente da necessidade de criar um espaço
a LGBTfobia está presente.”É importante conscientizar a população desde cedo, falar de sexualidade nas escolas, para chegar nas famílias e para que as coisas começem a mudar”.
lho ainda é preconceituoso. ”A qualificação é comprometida por preconceito”, diz o especialista.
Ele também analisa a mudança de cultura como urgente. É preciso alterar o comportamento
“Não tenho medo de morrer por isso não, prefiro morrer lutando do que morrer covarde”
acolhedor para si mesma. Ainda assim, ela incentiva a busca por um negócio independente porque sente o mercado de trabalho curitibano muito preconceituoso para com pessoas LGBT+.
Cozinha de encontro
Dona do restaurante “Trato cozinha de encontro”, Ana Raggio enxerga o mercado de trabalho convencional como espaço vulnerável para pessoas LGBT+, mesmo não vivenciando uma experiência pessoal.
A empreendedora avalia o mercado como um ramo difícil de atuar, ainda mais quando
A profissional acrescenta que faltam políticas públicas e incentivos para pessoas LGBT iniciarem em um negócio independente. Por isso, muitas vezes faltam dados e estatísticas mostrando a representatividade LGBT+ no mercado.
Para o economista, ativista transexual e dono de um escritório de contabilidade Fabian Algarte, o mercado de trabalho ainda é muito formal, e um âmbito muito preconceituoso e exclusivo, principalmente para pessoas trans. Ele argumenta que mesmo com o diploma e uma formação acadêmica, o mercado de traba-
de instituições para receber pessoas trans e LGBT nas equipes. E ainda complementa dizendo que o empreendedorismo é um caminho, desde que bem avaliado, para o contexto que a pessoa está inserida.
Para ele, trata-se de um negócio arriscado e precisa ser visto com cautela para não gerar mais prejuízo para quem já está passando por uma situação difícil.
O dono do “Onça Bêbada” Guilherme Romani também enxerga o empreendedorismo como alternativa para liberdade financeira, principalmente para pessoas da comunidade. Ele relata que quando começou com o bar, estava em uma situação financeira complicada e vendendo cachaças artesanais em feiras por Curitiba. Para ele, empreender é um processo complexo, que requer estudo e preparação.
Leia mais
Entrevista na íntegra com Guilherme Romani, dono do Onça Bêbada portalcomunicare.com.br
Guilherme Romani, dono do Onça Bêbada, com seu pet na frente do estabelecimento.
Helena Staut
Barman preparando um drink na bancada do Onça Bêbada.
Helena Staut
Campeonatos voltados para atletas LGBT+ ganham espaço em Curitiba
Em Curitiba, atletas LGBT+ se organizam em times próprios e realizam campeonatos para criar um ambiente esportivo seguro para a comunidade T imes formados por atletas LGBT+ atuam em Curitiba em diferentes modalidades esportivas. As equipes surgiram como alternativa aos clubes convencionais em um cenário nacional onde, segundo pesquisa da Ong Nix Diversidade em parceria com a Nike, 63% dos brasileiros afirmam já ter sido discriminados pela sua orientação sexual na prática esportiva ou presenciado algum ato discriminatório.
Curitiba abriga equipes da comunidade em diferentes modalidades Em 2025, sediou pela primeira vez um campeonato nacional de voleibol voltado exclusivamente para atletas LGBT+. A iniciativa é o Curitiba Pride Cup, um campeonato de voleibol amador que possui
Atletas
carregam o
símbolo
da comunidade em seus uniformes.
sofrer preconceito da torcida ou até dentro do time.” O jogador também relata como a inclusão do Curitiba Pride Cup colabora
vivências”. Assim, tomaram a decisão de incluir prioritariamente pessoas LGBT+ no campeonato. “Começamos a
“O diferencial é a alegria que temos dentro de quadra”
somente integrantes da sigla. Um dos objetivos da competição é oferecer um ambiente seguro e acolhedor aos atletas, promovendo a inclusão e o respeito, livre de preconceitos. O campeonato também fortalece a presença da diversidade na capital paranaense e cria redes de apoio dentro e fora do esporte. A primeira edição, em novembro de 2025, reuniu mais de 350 atletas em 24 equipes, divididas entre times masculinos e times femininos compostos somente por mulheres transgêneros.
O atleta e técnico Matheus Arenhart, que participou da edição passada, explicou sobre a importância de campeonatos e times voltados para a comunidade diante da constante homofobia no esporte. “Você é instruído a ser mais discreto, não se expor tanto para não
com o acolhimento e a confiança dos jogadores. “Você pode ser você mesmo dentro de quadra, jogar do jeito que se sentir confortável, sem precisar se preocupar com trejeitos e com o julgamento alheio. É muito bom, você não se sente excluído em momento nenhum.”
Dilan Maia, um dos principais organizadores do Curitiba Pride Cup, conta que no início, o projeto e seu time participante Lendas Volley não tinham enfoque em pessoas da comunidade. “A gente foi participando de alguns torneios no Brasil inteiro que eram voltados para a comunidade e fomos vendo que, dependendo das pessoas que a gente colocava dentro do grupo, elas não se alinhavam totalmente com nossos pensamentos e direcionamentos, tanto sobre política quanto sobre as nossas
fechar um pouquinho o projeto e focar em trazer mais pessoas da comunidade”, explica Maia.
Para quem participou, a experiência vai muito além da competição. “A energia é totalmente outra. Ver pessoas que jogam vôlei, e que jogam muito bem, dividindo a quadra com você, é aquele rolê da gente poder ser ainda mais quem a gente é”, descreve o atleta Luís Vichoski. O atleta do Lendas, Bruno Lara, também reforça o peso simbólico do campeonato. “É uma esfera nacional. Geralmente só tem espaço para os héteros, e o gay é a cota. Agora, para nós, eles são a cota. Disputamos em um nível nacional e isso é muito importante para o universo gay.”
Em 2026, a segunda edição da Pride Cup acontecerá entre os dias 20 e 22 de novembro. Os
administradores do campeonato esperam receber mais de mil visitantes nos três dias, com a expectativa de 400 atletas inscritos que irão representar 7 estados brasileiros. As inscrições para o campeonato na categoria masculina já estão abertas e permanecem até setembro. Cada equipe poderá inscrever 18 atletas e 3 membros da comissão técnica. As vagas são limitadas a 24 equipes, sendo encerrado o sistema de inscrições quando o limite for atingido.
Ao redor do país, existem outros campeonatos de vôlei segmentados para a comunidade LGBT+, como o Gay Prix, que conta com edições em diferentes capitais do Brasil desde 2022, e o One Pride, campeonato em São Paulo que teve sua primeira edição em 2024. Para mais informações, acesse o site oficial: https://curitibapridecup.com.br/
Veja mais
Acesse a galeria de fotos do treino do Lendas Volley
portalcomunicare.com.br
Laís Arzua
Laís Arzua, Juliane Damas e Mariana Glonik
3º Período
Mariana Glonik
Equipe do Lendas Volley treina antes do início da partida .
Drag Queens trabalham por maior destaque na cena artística
Em Curitiba, a arte Drag tem seu espaço consolidado realizando seus próprios eventos e performances em baladas, bares e apresentações musicais. Porém, suas organizações são auto financiadas e apresentam a vulnerabilidade de expressar-se artisticamente
Anna Klara Miorança, Arezza Valentine e Sofia Sobota
Katrinna Belmont e dançarinos brilham em palco improvisado.
DJ Anitta organiza os últimos detalhes antes de entrar em cena.
São personas femininas extravagantes, expressivas, confiantes e teatrais.
Emma, The Drag Queen - a dona do título de miss simpatia da DragZona.
Narco Barbie mostra que drag não é só personalidade, é uma identidade artística.