Jogadores da suburbana enfrentam rotina dupla para manter sonho vivo no futebol
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hip-hop
Grupos de Hip-Hop de Curitiba, criam redes de apoio contra assédio e violência no movimento
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esporotricose
Curitiba enfrenta epidemia de esporotricose com aumento de casos em gatos
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Projeto Marmitas
Criado em 2021 por voluntários de Araucária, o “Marmitas Projeto do Bem” distribui semanalmente cerca de 230 refeições no bairro Parolin, em Curitiba. A ação atende pessoas em situação de vulnerabilidade social em uma das regiões marcadas pela insegurança alimentar na capital paranaense. Com apoio de doações e trabalho coletivo, o grupo também entrega água e cobertores durante o inverno, ampliando o alcance da iniciativa solidária.
Cidades | pag.06
Projeto no Parolin distribui cerca de 230 marmitas por semana na região
Cotas em debate
Atramitação do Projeto de Lei 25/2026, que propõe o fim das cotas raciais nas universidades estaduais do Paraná, reacendeu discussões sobre acesso e permanência de estudantes indígenas no Ensino Superior. Embora as ações afirmativas ainda estejam em vigor, dados apontam baixa ocupação das vagas ofertadas e índices de evasão que permanecem como desafio nas instituições públicas. Lideranças indígenas, pesquisadores e estudantes relatam que a permanência acadêmica segue comprometida por fatores como falta de moradia estudantil adequada, auxílio financeiro insuficiente, assistência psicológica limitada,
Obras
no Boqueirão
dificuldades de deslocamento e distância das comunidades de origem. O custo de vida em Curitiba, a ausência de rede de apoio familiar e barreiras de adaptação cultural também aparecem como obstáculos frequentes para esses estudantes. Além disso, representantes indígenas defendem que apenas garantir vagas não resolve desigualdades históricas e reforçam a necessidade de políticas públicas de permanência, como bolsas, apoio alimentar, acolhimento institucional e respeito às especificidades culturais.
Política | pag.05
Artesã indígena expõe peças em frente à UFPR.
Obras simultâneas em bairros como Hauer e Boqueirão têm alterado a rotina de moradores e motoristas em Curitiba. Interdições, desvios e bloqueios ligados ao
Novo Inter 2 e à revitalização viária intensificam congestionamentos e dificultam a mobilidade na região.
Cidade | pag.04
Curitiba, 19 de Junho de 2026 - Ano 29 - Número 356 - Curso de Jornalismo da PUCPR
O jornalismo da PUCPR no papel da notícia
Anne Alencar
A necessidade de legislar para a população
E m pleno 2026, ainda existem parlamentares que deixam seus papéis como representantes da população de lado e usam do próprio cargo para promoção pessoal em Curitiba. Isso não acontece apenas na cidade paranaense, mas em todo o Brasil. No mundo atual, as curtidas das redes sociais parecem importar mais que projetos concretos para a população. O desvio de função não vem apenas quando o político falta ou não apresenta projetos na Câmara. Ele também acontece ao apenas legislar para repercutir, sem de fato apresentar uma função para o povo.
A exceção não pode virar regra. O dever de um vereador é servir os residentes da cidade. Segundo a nossa Constituição, de 1988, todo poder emana do povo, e, quando consideramos o povo, entende-
mos o plural que constitui o país, incluindo as minorias. Logo, quando um representante usa o palanque público para discriminar um grupo político e social em prol de repercussão na internet, ele está se desviando de sua função.
Na capital paranaense, um vereador recebe R$21.238,56 por mês como salário. Isso é dinheiro público. Um gabinete pode gastar mais de R$100 mil por mês. Recursos do contribuinte, que, não raro, são usados para fazer vídeos em redes sociais. Há até quem use da verba para humilhar eleitores. Este ano, um dos nossos representantes do legislativo municipal chegou a expor um cidadão em vulnerabilidade social, provocando debates inúteis para alimentar a cultura de ódio político na cidade.
Este é apenas um caso. Mas o comportamento virou a nova tendência da Câmara Municipal. O padrão se repete. Políticos invadem espaços universitários, unidades de saúde e abordam estranhos na rua. Muitos gastam inúmeros minutos de uma sessão para falar sobre competências federais, como o caso do Banco Master. Alguns chegam a colocar imagens de pessoas nuas num projetor para que a câmara inteira possa ver.
E o decoro parlamentar? Fica em segundo plano. Assim como a população de Curitiba. Neste jornal, há um microcosmos dos problemas que Curitiba enfrenta. Mas eles não podem importar apenas aos estudantes de Jornalismo ou à imprensa local. Ou até mesmo a alguns poucos parlamentares. Deve ser uma preocupação de todos
Voz da Comunidade Comunitiras
Daniela Valenga Jornalista formada pela UEPG, atua no jornalismo independente como Gerente de Audiências no Portal Catarinas, com foco em estratégias de distribuição e gestão de audiências em coberturas de gênero e direitos humanos. É mestranda no PPGCom-UFPR, onde pesquisa o jornalismo independente no Brasil. Seu TCC foi premiado com o primeiro lugar no Prêmio Intercom de Pesquisa em Comunicação 2023. mercado da misoginia normaliza a violência contra as mulheres Brasil. Seu TCC foi premiado com o primeiro lugar no Prêmio Intercom de Pesquisa em Comunicação 2023.
Amisoginia é um negócio lucrativo. Canais no YouTube que propagam conteúdos misóginos lucram com a venda de produtos, serviços e monetização de conteúdos, conforme relatório do NetLab. Apesar da Lei Lola, de 2018, autorizar a Polícia Federal a investigar conteúdos misóginos na internet, canais seguem reforçando comportamentos hostis e discriminatórios.
Isso não se restringe ao YouTube. Neste ano, por exemplo, uma trend no TikTok mostrava jovens simulando agressões contra mulheres, com textos que associavam a violência à rejeição afetiva.
Esses conteúdos reverberam diretamente na vida das brasilei-
Susanne Cristine Pertschi Borges
COORDENADORA DO CURSO DE JORNALISMO
Suyanne Tolentino De Souza
COORDENADORA EDITORIAL
Suyanne Tolentino De Souza
os vereadores e vereadoras da nossa cidade. Em segundo plano deve ficar as pautas moralistas em busca de likes. Vídeos são importantes para divulgar o trabalho parlamentar, porém, quando usados em excesso para expor outras pessoas, são prejudiciais aos curitibanos e à sociedade como um todo.
Portanto, é importante entender que o problema não está no lado político ou em produzir conteúdo online. A questão é quando desconsideram as necessidades do povo, e utilizam recursos públicos para alavancar campanhas políticas. Nós do Comunicare defendemos que a política seja feita com responsabilidade, decoro e respeito aos cidadãos.
ras. Crimes como feminicídio, estupro, estupro de vulnerável, violência psicológica e stalking cresceram entre 2023 e 2024, conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
Nesse cenário, pesquisa da Think Olga mostra que ansiedade, estresse e irritabilidade fazem parte do cotidiano das brasileiras, marcado pelo medo da violência e também pelo peso do trabalho do cuidado e pela vulnerabilidade socioeconômica, reforçados por conteúdos misóginos na internet.
Enquanto a misoginia seguir sendo tratada como entretenimento e fonte de lucro pelas plataformas, mulheres continuarão sentindo seus impactos na vida cotidiana.
Grupos independentes mantém o teatro vivo em Curitiba
A capital lidera número de teatros no Paraná, com 42% do total, segundo dados da Funarte
O Festival de Curitiba se tornou uma vitrine para grupos independentes de teatro da cidade, que ocupam espaços alternativos para apresentar produções autorais, especialmente na Mostra Fringe. O evento é uma oportunidade dos grupos independentes da cidade darem mais visibilidade ao trabalho que mantém ao logo do ano. Em 2026 foram apresentadas cerca de 300 atrações, 130 delas gratuitas e outras 27 feitas pelo sistema Pague Quanto Vale, modalidade a qual o público contribui espontaneamente ao nal das apresentações.
Curitiba conta com mais de 25 teatros, segundo a Fundação Cultural de Curitiba. O cenário ajuda a sustentar uma cena artística expressiva. Esse contexto se reflete também no número de
público. “Muitas pessoas que vão ao teatro nos assistir, vão ao teatro pela primeira vez”, diz Marco. “É importante ser uma
“Fazer teatro independente é, sobretudo, amar o teatro e ser resiliente para permanecer”
profissionais atuantes. De acordo com o Sindicato dos Artistas e Técnicos das Artes Cênicas e Audiovisual do Paraná (SATED), há atualmente 5.121 artistas associados à entidade.
Segundo o Itaú Cultural, o conceito de “Teatro Independente” ganha impulso desde os primeiros anos da década de 1970 e se refere a produções artísticas que rejeitam as imposições do mercado. Diferentemente do teatro comercial, focado na produção imediata de espetáculos, o teatro de grupo prioriza o processo de pesquisa, a colaboração e a criação de uma linguagem própria.
teatro, principalmente em Curitiba, tem muitas oportunidades para artistas e grupos que já têm visibilidade. Apesar disso, os recursos para fazer uma peça são caros e parcerias com empresas grandes se tornam mais difíceis quando se está começando.
“Os nossos cenários, muitas vezes, são feitos com coisas que já temos. Fazemos rifas, sorteios, festas, tudo que nós conseguimos para ter recurso próprio. Hoje, 80% do que a gente faz é com recurso próprio”, explica Christiano. Mesmo diante das dificuldades, ele diz que é importante levar uma mensagem humana e de amor ao
referência quando a gente torna o teatro mais democrático e não elitizado”, afirma Tavares.
De acordo com a atriz Adriana Sottomaior, diretora do Gufo Coletivo Teatral, o teatro é uma ferramenta de construção de pessoas mais humanas que compreendem mais suas emoções e relações com o próximo. Para ela, o teatro independente é uma maneira de essas pessoas terem proximidade com a arte de maneira acessível. “Confesso que nunca vou atrás de patrocinadores. Fazemos rifas, sarau, camisetas. É uma luta, exige dedicação, tempo”, diz. Muitas vezes, o fato de ser artista pode
ser considerado uma afronta e os grupos independentes carecem de verbas destinadas à arte. Entretanto, o grupo continua resistindo com o apoio de pessoas que assistem às suas peças.
O ator Elton Meduna, fundador da Cia Teatral Pathos, define o teatro como a vontade de fazer, comunicar e externalizar pensamentos. Alinhada a essa visão, a companhia tem como foco o gênero dramático, trazendo para o palco problemáticas do cotidiano. Ele explica que, além dos desafios financeiros, companhias independentes enfrentam dificuldades para encontrar espaços e estabelecer parcerias. Apesar disso, ele destaca a importância da autonomia: “Ter seus próprios materiais é importante para dar autonomia para a companhia”.
Lista de teatros independentes em Curitiba
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O ator Marco Anthonio Siqueira, diretor do grupo G.A.T.A, e o ator Christiano Tavares, produtor do grupo, explicam que o
Apresentação de “Um Fragmento” por Cia Teatral Pathos.
Danielle Mayumi Honda
Danielle Mayumi Honda 3º Período
Danielle Mayumi Honda
Apresentação “Um Fragmento” por Cia Teatral Pathos no Festival de Curitiba.
Obras simultâneas incomodam moradores da região do Boqueirão
Diversos trechos da cidade passam por revitalizações, moradores reclamam do trânsito intenso em ruas alternativas às obras
O primeiro semestre do ano foi marcado por dezenas de obras em diferentes bairros de Curitiba, como Boqueirão, Sítio Cercado, Boa Vista, Bairro Alto, Hauer, Xaxim, Alto Boqueirão e Uberaba. As alterações incluem recuperação e reciclagem de asfalto, as preparações para o projeto do novo Inter 2 e as mudanças na Linha Verde.
Segundo o Secretário Municipal de Obras Públicas, Luiz Fernando Jamur, são aproximadamente 10 ações na malha viária de Curitiba com mais de 32 obras simultâneas. Porém, o calendário de obras de trânsito preocupa moradores da região do Hauer e Boqueirão, uma vez que estão sendo realizadas paralelamente e estão gerando transtornos diários em suas vidas.
Diversas ruas no Boqueirão e no Hauer contam com desvios, retirada de pavimentos e até interdições completas. Isso
dos com o trânsito em horários de pico, dificultando o acesso ou até mesmo atrasando a vida dos moradores.
Além da rua Oliveira Viana, a rua Professor João Soares Barcelos enfrenta transtornos devido a obras. No trecho entre as ruas
calmas.” Para ela, parece que falta um melhor planejamento e cuidado com os moradores além de uma comunicação mais acessível da prefeitura com a população sobre esses tipos de obras. A estudante também passa pela região do Hauer para fazer seu caminho diário.
“Obra traz transtorno mesmo, nao tem como evitar.”
Irmã Flávia Borlet e Evaristo da Veiga, a obra começou em abril deste ano e ainda não tem previsão de término. A área conta com buracos na calçada. Além disso, uma parte do asfalto foi removido.
dificulta o acesso tanto para moradores em algum meio de transporte quanto para pedestres que necessitam caminhar por aquele espaço. Ao andar pela rua Oliveira Viana, no Hauer, no trecho entre a Cleto da Silva e a Irmã Flávia Borlet, é possível notar diversos equipamentos como manilhas empilhadas na calçada, além de buracos abertos onde estão sendo posicionadas, dificultando o acesso à pedestres que acabam recorrendo aos cantos das ruas para se locomoverem. Um pedaço do trecho também está sendo renovado. Os bloqueios de faixa acontecem de forma esporádica.
Para o estudante de odontologia Gustavo Moura, que reside no Hauer, o aumento do engarrafamento no trânsito se tornou uma questão diária. Visto que, as obras realizadas para a instalação do Novo Inter 2 e as revitalizações do asfalto deixam algumas faixas ou até ruas inteiras trancadas temporariamente. Além disso, quando ocorridas simultaneamente, os caminhos alternativos ficam sobrecarrega-
A estudante universitária Maria Júlia Medeiros, moradora do bairro Boqueirão há 19 anos, relata que de todas as mudanças já presenciadas por ela, nunca tinha visto algo tão intenso. Seu caminho diário ficou muito mais complicado e demorado. “Ruas que antes eram tranquilas agora estão cheias ou até interditadas. E os desvios acabam jogando o trânsito para vias que até alguns dias atrás eram mais
A situação é preocupante, pois ambas as obras ocorrem simultaneamente e em ruas essenciais para moradores da região. A Oliveira Viana e a Professor João Soares Barcelos são paralelas e têm sentidos opostos. Uma necessita da outra para funcionar. Com os transtornos em trechos semelhantes, as obras causam o dobro de preocupação e planejamento dos moradores do local.
O Secretário Luiz Fernando Jamur ressalta que ao analisar e definir as ruas que sofrerão essas modificações, a SETRAN avalia uma série de dados através do COC (Controle de Obras de Curitiba). Isso ajuda no levantamento de quais locais serão afetados, quais ruas deverão servir de desvio e como isso vai ajudar a população. Ambos os trechos englobam os Lotes 3 do pacote 1 das obras do Inter dois, que foi divulgado em julho de 2025.
O Secretário também destaca que os preparativos para o Novo Inter 2 tem como finalidade reduzir o tempo de percurso dos ônibus. A obra intervém e requalifica 70km da cidade, usando o bloqueio trecho a trecho, e os desvios realizados não têm como finalidade manter ou reduzir o trânsito na região e sim garantir a mobilidade da população enquanto a via é fechada.
Obras
Dentre as ruas afetadas também pelo Novo Inter 2 está a rua Dr. Júlio César Ribeiro de Souza. O cruzamento com a Marechal Floriano Peixoto ficou temporariamente bloqueado na semana do dia 16 de março. Na semana seguinte a rua havia liberado apenas uma faixa para passagem. E a rua Carlos de Laet também enfrentou um bloqueio gradual na semana do dia 5 de março.
Além das obras para o Inter 2, algumas ruas da região estão tendo seus asfaltos revitalizados. Como a região do Sítio Cercado, Boqueirão e Alto Boqueirão que começou o processo de revitalização na semana do dia 16 e serão no total 2,4 km, nas ruas Maestro Carlos Frank, Jorge Bley, María Nicolas, Campina da Lagoa, Vereador Yrlan Cavet e Desembargador Francisco de Paula Xavier Filho. E também recuperação do pavimento das ruas Romeu Bach, no Boqueirão; Jerusalém, no Alto Boqueirão; Coronel Domingos Soares, no Bairro Alto; Tenente Antônio Pupo, no Xaxim; Innocente Rebellato, no Xaxim.
PRO Curitiba
Todas essas obras estão incluídas no Programa de Revitalização e Obras de Curitiba, com um investimento de aproximadamente R$2,9 bilhões de reais em 2026. Obras que estão em andamento e vão até abril de 2026 acumulam uma verba destinada de R$1,16 bilhões.
Confira Mapa Interativo
Acesse o Portal Comunicare e confira as obras simultaneas de Curitiba.
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Bloqueio na faixa da esquerda na Professor João Soares Barcelos.
Placa de passagem segura para pedestres em trecho de obras.
Beatriz Viana
Beatriz Viana
Beatriz Viana 3º Período
Vagas indígenas estudantis são ameaçadas no Paraná
Com apenas 293 estudantes universitários indígenas, estado sofre pressão sobre fim das cotas estudantis por conta de projeto de lei. Estudantes relatam dificuldades de acessibilidade
Atramitação do Projeto de Lei 25/2026, que propõe o fim das cotas raciais nas universidades estaduais do Paraná, reacendeu o debate sobre o acesso de estudantes indígenas ao ensino superior no estado. Embora as cotas ainda estejam em atividade, estudantes indígenas continuam enfrentando desafios para acessar e, principalmente, permanecer nas instituições de ensino superior.
O avanço de propostas como essas no Paraná não ocorre de forma isolada. Em janeiro de 2026, o estado de Santa Catarina sancionou uma lei que proíbe o
lho. Isso tem relação direta com as políticas de permanência.”
Ela explica que as políticas públicas da universidade são essenciais para a permanência estudantil, como auxílio alimentação, a assistência psicológica, e a bolsa permanência para aqueles alunos que podem trabalhar quatro 4 horas. “É uma forma de tentar diminuir a evasão escolar, e não só por o aluno se sentir parte da faculdade, mas também como forma de letramento racial.”, avalia Carmo.
Segundo a pesquisadora, fatores como a questão orçamentária,
ção do corpo discente. Porém, a diversidade ainda enfrenta problemas no espaço acadêmico, na UFPR são apenas 94 indígenas matriculados. Segundo o censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE). o Paraná soma 30.5 mil pessoas indígenas.
“A universidade deve representar o que é a sociedade. E a nossa sociedade não é formada apenas por pessoas brancas. Então a gente precisa pensar em estratégias para continuar lutando pela política de cotas.”, avalia Carmo.
“A universidade deve representar o que é a sociedade. E a nossa sociedade não é formada apenas por pessoas brancas.”
uso de cotas raciais em universidades públicas estaduais e em instituições públicas, o Rio de Janeiro, onde projetos como esse não avançaram mesmo após duas tentativas.
De acordo com dados repassados pelo Núcleo de Concursos da UFPR, apenas um estudante foi deferido nas bancas de validação
falta de preparação e interesse da instituição acabam prevalecendo. “Se fossem outros grupos, talvez teria mais interesse nas universidades. Mas como é a população indígena, negra, ou LGBTQIA+. Talvez não seja o foco.”
A cientista social também afirma que a falta de interesse pro-
Para a índigena Kixirrá Jamamadi, professora e militante de movimentos sociais, a realidade é vivida na prática. “Eu vim do Acre para Curitiba para fazer universidade porque lá as vagas eram poucas apesar das cotas. Vim tentar a vida por esse lado. Mas, chegando aqui, eu entendi porque essas vagas sobravam. Não tem como a juventude
para indígenas pelo SISU. Já no vestibular dos povos indígenas são oferecidas 10 vagas anuais para UFPR e 42 para outras estaduais do Paraná, contudo a ocupação não é total e a evasão segue como um desafio.
Para a cientista social Emily Camily Silva Damasceno do Carmo, o cenário revela que “muitas pessoas estão voltando para a universidade porque desistiram em um momento. “Justamente por conta dessa carga de traba-
voca um apagamento cultural, contribuindo para a descaracterização do indivíduo. Isso pode afetar costumes tradicionais ao negar acomodação estudantil a grupos étnicos, já que se ela não está em um lugar confortável para que ela consiga ser ela mesma, com sua cultura, língua, hábitos alimentares, e não poder emanar isso pode gerar a sensação de não pertencimento.
As cotas raciais e sociais são fundamentais para a pluraliza-
indígena se deslocar dos vários lugares onde vivem, até mesmo aqui no Paraná, e se manter na cidade. Longe das famílias e sem rede de apoio não há condições, ainda mais com o preço dos aluguéis.”
Ela destaca que hoje apenas as vagas não são suficientes. É necessário a criação de políticas de permanência para essa população em situação de vulnerabilidade.
A ativista indígena também chama atenção para a falta de moradia estudantil indígena na UFPR. Segundo Jamamadi, na universidade eles só têm direitos com muita luta. “Aqui em Curitiba nós temos uma casa de estudantes indígenas, não sem luta, não sem batalha, porque senão nem isso tinha.
Essa conquista, no entanto, foi resultado de um processo longo e desgastante. A ocupação durou cerca de três meses, entre maio e setembro de 2024. Segundo a Coordenadora do Coletivos dos acadêmicos indígenas da UFPR, Gislaine Vieira da Silva, durante esse período os estudantes enfrentaram frio intenso e pressão psicológica constante, agravada por acionamentos frequentes de alarmes de incêndio, que afetavam diretamente o bem-estar do grupo. Mesmo assim, continuaram assistindo aulas e fazendo provas como os outros estudantes.
A coordenadora ressalta que a mobilização foi coletiva, envolvendo acadêmicos indígenas, lideranças e apoiadores, tanto indígenas quanto não indígenas. Ainda assim, o processo também evidenciou tensões, como tentativas de apropriação da luta por pessoas externas, incluindo alguns professores, o que reforçou a necessidade de afirmar o protagonismo indígena dentro do movimento. Apesar da conquista, há críticas sobre como foi oficializada a inauguração em outubro de 2025. Na placa do espaço, não consta o nome de nenhuma liderança indígena. Para os estudantes, isso apaga o protagonismo de quem esteve à frente da luta, que só obteve resultados concretos após a ocupação e a mobilização em 2024.
Diante desse cenário, a proposta de extinguir as cotas raciais levanta preocupações sobre o futuro do acesso de estudantes indígenas ao ensino superior no estado. Enquanto o debate avança no parlamento estadual, representantes indígenas reforçam que garantir o acesso não é suficiente, é preciso assegurar condições reais de permanência para a conclusão dos estudos.
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Site com informações visuais e dinâmicas sobre o vestibular dos Povos Indígenas.
Estudande usando broche do movimento indigena na UFPR.
Anne Alencar
Anne Alencar 3º Período
Aproximadamente 230 marmitas são distribuídas no Parolin por projeto
Iniciativa realiza ação voluntária no bairro do Parolin para pessoas vulneráveis
U m grupo de voluntários atua semanalmente para distribuir 230 marmitas a pessoas em situação de vulnerabilidade social no bairro Parolin, em Curitiba. O “Marmitas Projeto do Bem” reúne pessoas de Araucária e região para realizar esta ação.
Em 2025, a metrópole paranaense foi considerada a capital destaque em segurança alimentar pelo Ministério do Desenvolvimento Social, com 9,7% da população vivendo em desertos alimentares. O Parolin é uma das regiões da cidade conhecida pelo contexto de fragilidade social e que faz parte desse percentual de insegurança alimentar.
O movimento foi criado com o objetivo de ajudar as pessoas necessitadas do bairro. Ação de entrega das marmitas ocorre às terças-feiras no período da tarde com o apoio dos voluntários. O projeto conta com a doação de embalagens, água e legumes. A sede das atividades é Araucária, região metropolitana de Curitiba, no Haras Giordani.
A rotina do projeto começa por volta do meio-dia, com o preparo dos alimentos. O cardápio é sempre o mesmo, exceto quando não é a época de alguns legumes, mas geralmente é feito um risoto com arroz, frango, cebola, batata, cenoura, vagem, tomate, abobrinha, chuchu, entre outros. As verduras são doadas por um box do Ceasa (Centrais de Abastecimento do Paraná) de Curitiba, de boa qualidade e frescas.
A partir das 16 horas, as marmitas são embaladas e levadas para o carro de entrega, junto
“Era o sonho da gente fazer uma coisa assim”
com os fardos de água mineral. Por volta das 17 horas, inicia-se o trajeto para levar a refeição aos moradores do bairro. No inverno, além da comida e água, são distribuídos cobertores.
O começo dessa atividade solidária foi em abril de 2021, com liderança familiar de Celmo Giordani e Altedanio Vieira, ambos sócios de uma mesma empresa. A iniciativa reúne ainda irmãos dos empresários, amigos e interessados. De acordo com Aurea Vieira Giordani, esposa de Celmo e irmã de Altedanio, no início eram feitas 26 marmitas e atualmente já estão em torno de 230.
A razão pela qual essa distribuição acontece no Parolin está ligada a uma igreja em Curitiba, na qual Altedanio participava, em que havia uma ação altruísta nesse bairro. A ideia da iniciativa própria foi apresentada por ele e incorporada pelos demais familiares.
O advogado Marco Aurelio Matos, integrante do grupo, alega que houve uma evolução durante esses cinco anos. O transporte primeiramente era feito com carros particulares, mas ao decorrer do projeto obtiveram um carro próprio para o voluntariado. “Fazer 200 marmitas não é fácil. é bastante
complicado. E então a gente teve que buscar caminhos para facilitar a nossa vida também.”
Para a especialista em nutrição comportamental Lenise Sokulski, “quando uma alimentação é benéfica, ela nutre as células do nosso corpo, gerando energia que mantém o organismo funcional”. Os alimentos utilizados pelo projeto cumprem com os valores nutricionais necessários para uma alimentação saudável e adequada.
Leia mais
Rota de entrega do Marmitas Projeto do Bem
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Participantes da ação se reunem para descascar os legumes que serão adicionados ao risoto.
Ana Kleink
Ana Kleink 3° Período
Ana Kleink
Charity project gives around 230 lunchboxes in Parolin
The action does voluntary work in the Parolin neighbourhood aimed at vulnerable people
Agroup of volunteers acts weekly to distribute 230 lunchboxes to people in social vulnerability in the Parolin neighbourhood, in Curitiba. The project “Marmitas Projeto do Bem” unites people from Araucária and surrounding areas for this action.
In 2025, the metropolis from Parana was given emphasis in food security by the Ministry of Social Development, with 9,7% of the population living in food scarcity. Parolin is one of the known regions of social fragility in the city and one that composes this percentage of food insecurity.
The movement was created with the objective of helping people in need in the neighbourhood. The delivery of lunchboxes happens every Tuesday in the afternoon with the help of volunteers. The project is supported with the donation of packages, water and vegetables. The head office of activities is Araucaria, in the metropolitan region of Curitiba, in Haras Giordani.
The project’s routine starts around noon, with the cooking. The menu is always the same, except when it isn’t the right season for some vegetables, but usually it includes a risotto with rice, chicken, onions, potatoes, carrots, pods, tomatoes, zucchinis, chayote among others. The vegetables are donated by a box from Ceasa (Centrals of Supply of Paraná) from Curitiba, fresh and of good quality.
After 4PM, the lunchboxes are packaged and taken to the delivery car, along with bales of mineral water. By around 5PM,
The start of this charity work was in April of 2021, with the
The reason why this distribution happens in Parolin is linked to a church in Curitiba, which Altedani attended in, where an altruistic action took place in this neighbourhood. The idea of a personal initiative was presen-
“It was a dream for us to do something like that”
familiar leadership of Celso Giordani and Altedanio Vieira, partners of the same corporation. The initiative also gathers the brothers of the businessmen, friends and those interested. According to Aurea Vieira Giordani, Celmo’s wife and Altedanio’s sister, 26 lunchboxes used to be made at the start, and today they are around 230.
ted by him and incorporated by the fellow family members.
The lawyer Marco Aurelio Matos, member of the group, claims that there was an evolution during these five years. The transportation was initially made with their personal vehicles, but along time a car was purchased specifically for the
voluntary work. “Making 200 lunchboxes is not easy, it’s very complicated, so we had to search for ways to facilitate our work.”
According to the specialist in behavioral nutrition, Lenise Sokulski, “When a diet is beneficial, it sustains our body’s cells, generating energy and maintaining the organism functional.” The ingredients used by the project fulfill the nutritional values necessary for a healthy and adequate diet.
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more Delivery route of Projeto do bem
the meals are taken to the residents. In the winter, alongside food and water, blankets are also distributed.
Volunteers gather to peel the vegetables that will be added to the risotto.
Ana Kleink
Ana Kleink Third semester
Voulunteers preparing food to be packaged.
Ana Kleink
Jogadores enfrentam desafios para conciliar trabalho e futebol
Durante a semana, trabalho; no fim de semana, futebol. Na Suburbana de Curitiba, os jogadores enfrentam uma rotina dupla para seguir atuando no campeonato e manter o vínculo com o esporte
Gabriel Arlant
3º Período
A Suburbana, uma das competições mais tradicionais do futebol amador paranaense, reúne atletas que já atuaram no futebol profissional e jogadores de times de várzea, que vivem uma realidade bem diferente do futebol de elite. Sem salários fixos e longe das estruturas profissionais, a maioria desses jogadores precisa conciliar trabalho, treinos e jogos ao longo da semana para garantir sua renda mensal.
O vendedor Marcos Sá, jogador do Vila Fanny, representa essa realidade comum dentro da competição. Assim como ele, diversos atletas enfrentam a difícil tarefa de equilibrar o futebol com outras profissões, mantendo uma rotina dividida entre o trabalho e os treinos. Muitos desses jogadores ainda tentam se tornar participantes do futebol profissional.
Kume, um atleta bem treinado geralmente leva 24 a 72 horas para se recuperar de um dia de treino/jogo, porém
Os próprios clubes enfrentam limitações estruturais que refletem na rotina dos atletas. Com menos recursos disponíveis,
“No clube, muitas vezes, não recebemos nada. Em alguns casos, há até investimento próprio.”
Nesse contexto, a competição também cumpre um papel relevante na visibilidade dos atletas. Para muitos, a Suburbana funciona como uma vitrine, permitindo que seu desempenho seja observado por clubes e pessoas ligadas ao futebol, especialmente em níveis regionais.
Essa característica é mais evidente entre jogadores mais jovens, que utilizam a competição como uma oportunidade de exposição. Mesmo sem garantia de ascensão ao futebol profissional, a Suburbana oferece um espaço onde os atletas podem se manter ativos e, eventualmente, serem notados.
No caso de Marcos, a organização dos horários é essencial. “Os horários são sempre bem ajustados. Treino pela manhã no clube e à noite, portanto não interferem na rotina de trabalho. No entanto, no dia seguinte após o treino, o cansaço aparece. Surge aquela dificuldade para levantar, mas preciso cumprir com a rotina”.
Os treinos dos clubes costumam durar de duas a três horas, geralmente no período noturno, após a jornada de trabalho. Esse acúmulo de atividades exige preparo físico e disciplina, já que os atletas precisam manter desempenho mesmo com carga elevada de atividades durante o dia.
De acordo com o Médico especializado na área do esporte
a recuperação completa de estresse intenso (jogo pesado) pode levar dias ou até semanas. Se esse equilíbrio não é respeitado de forma crônica, há queda progressiva de performance, maior risco de lesão e em alguns casos extremos, instalação de overtraining com impacto duradouro no condicionamento físico e na saúde.
A conciliação entre trabalho e futebol também interfere diretamente no rendimento dentro de campo. Sem o mesmo tempo de recuperação e preparação que atletas profissionais, os jogadores da Suburbana precisam lidar com o desgaste acumulado ao longo da semana. Isso impacta não apenas o desempenho físico, mas também a organização tática e a regularidade das equipes durante a competição.
muitas equipes não contam com comissões técnicas completas ou suporte adequado de saúde e preparação física. Isso aumenta a responsabilidade dos jogadores em manter sua condição por conta própria.
Além do desgaste físico, o dia a dia destes atletas acaba impactando na vida pessoal dos jogadores. “O momento mais difícil dessa rotina é ter pouco tempo para a família”.
A questão financeira também acaba sendo um obstáculo na vida dos atletas, já que muitos ganham mais com os empregos do dia a dia do que com seus clubes. De acordo com Marcos, ele ganha mais sendo vendedor varejista na loja Estrela Materiais Elétricos, do que com o próprio futebol em si.
A rotina não afeta apenas os atletas. Mauro Ignácio, diretor de comunicação e marketing do Trieste e ex-jogador da Suburbana, aponta que a exigência também atinge quem atua na organização dos clubes.
Segundo Mauro, a participação na Suburbana nem sempre envolve retorno financeiro. “No clube, muitas vezes, não recebemos nada. Em alguns casos, há até investimento próprio para manter atividades. Ainda assim, há continuidade pelo envolvimento com o futebol”, afirma.
A rotina dos jogadores da Suburbana mostra que o futebol, nesse contexto, precisa ser conciliado com as exigências do trabalho e da vida pessoal. Com treinos à noite e jogos nos fins de semana, os atletas enfrentam uma carga intensa de atividades ao longo da semana, o que torna o desgaste físico e a falta de tempo alguns dos principais desafios da competição.
Endereços dos estádios dos clubes participantes do campeonato.
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Márcio Hiroaki
Marcos Sá (camisa 8)disputando bola cruzada pela equipe do Novo Mundo, na segunda rodada da Suburbana de Curitiba.
Gabriel Arlant
Gabriel Arlant
Equipe do Vila Fanny aquecendo para jogo contra o Novo Mundo pela segunda rodada da Suburbana de Curitiba 2026.
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Bares ao redor de estádios faturam 10 vezes mais em dias de jogos
O retorno de Athletico e Coritiba à elite do futebol brasileiro aumenta o movimento e o faturamento de bares próximos aos estádios, ao mesmo tempo em que eleva custos operacionais
Avolta da dupla athletiba para a série A do campeonato brasileiro 2026 interferem na economia local dos bares ao redor dos estádios, gerando aumento na receita e impactando torcedores e trabalhadores. Conforme Leonardo Teixeira, empresário e dono do Sirène Fish & Chips localizado no Alto da Glória,apesar do lucro acompanhar o aumento do movimento, o custo operacional também aumenta, visto que quanto mais consumidores, mais cresce o custo da manutenção, do estoque e da segurança. “O faturamento de um “dia de jogo” costuma aumentar 10 vezes ou até mais quando comparado a um dia comum.
“Com toda certeza, atmosfera é outra, diversas pessoas vibrando e torcendo pela mesma camisa”
Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Fazenda do Paraná, os bares e restaurantes de Curitiba, no primeiro bimestre de 2026, superaram o do ano anterior em R$17.657.702,6. Vale destacar que tanto o campeonato estadual, quanto o campeonato brasileiro tiveram os seus inícios adiantados por conta do calendário da Copa do Mundo.
Segundo dados da Abrasel, Associação Brasileira de Bares e Restaurantes,bares e restaurantes faturaram R$495 bilhões em 2025 em decorrência do crescimento da alimentação fora do lar ao longo do ano passado.Em
Curitiba, quem movimenta os bares ao redor da Arena da Baixada e do Couto Pereira são os próprios clubes.De acordo com Leonardo, os jogos representam 80% do faturamento, dependendo do mês.
Já segundo Evelin Bruel, gerente operacional na Big Bear Burguer, localizada na Arena da Baixada, o faturamento costuma subir 3 vezes mais do que um dia comum.No athletiba do dia 22 de março, realizado em um domingo, a hamburgueria conseguiu faturar 30% a mais do que no jogo contra o Cruzeiro, no dia 18, realizado no meio de semana. Ela também
revelou que a hamburgueria não depende necessariamente dos jogos, mas que as partidas representam cerca de 40% no faturamento mensal, e que a fase do time interfere muito no movimento.“Não é nada fora do comum, assim como os estacionamentos, os bares ganham mais em dia de jogo, então eles dão uma leve aumentada, pro lucro ser maior”,explicou Matheus Baroni, estudante e torcedor do Coritiba desde pequeno, após ser questionado se o aumento dos preços em dias de jogo o incomodava.
Após a pandemia, a prática dos restaurantes/bares de transmi-
tiram os jogos aumentou. Isso começou a interferir diretamente na própria renda, já que os torcedores que não conseguem comprar ingresso, ou, que não gostam de ir ao estádio, podem assistir ao jogo do lado de outros adeptos. “Com toda certeza, a atmosfera é outra, diversas pessoas vibrando e torcendo pela mesma camisa”, explicou Matheus,quando perguntado se o clima do bar muda muito em dia de jogo. Segundo ele, que costuma frequentar o “Coxa Bar”,o que mais gosta na experiência de assistir a um jogo no bar é “ é poder tomar uma com várias pessoas que você gosta, além de comemorar (ou se decepcionar) coletivamente”.
Um dos motivos para o aumento de espectadores em estabelecimentos pode ser a saúde mental. Um estudo realizado pela Anglia Ruskin University’s no Reino Unido analisou dados de mais de sete mil adultos entre 16 e 85 anos e descobriu que assistir a eventos esportivos ao vivo melhora o bem-estar e reduz a solidão. A explicação está na identidade social, já que torcer por um time ou atleta cria um senso de pertencimento. Nos bares, essa identidade se fortalece, o torcedor utiliza a camisa, canta junto, sofre e comemora com desconhecidos que viram “amigos de bar”.
Mapa dos bares mais visitados em dias de jogo da dupla Athletiba portalcomunicare.com.br
Leonardo Iannuzzi Bruzamolin
Leonardo Iannuzzi 3º Período
Movimentação no dia de jogo da Seleção Brasileira no Seu Bueno, bar localizado no boulevard da Arena da Baixada.
Leonardo Iannuzzi Bruzamolin
Reunião da torcida para assistir o jogo entre Atlético Mineiro x Athletico, em frente ao Big Bear Burguer. Leia mais
Cidade
Surto de esporotricose felina pressiona atendimento em Curitiba
Em três anos, os casos em felinos saltaram de 490 para 1006. Especialistas apontam grande número de gatos com acesso à rua e interrupção do tratamento como as principais causas
O aumento dos casos de esporotricose deixou de ser um problema isolado e se tornou uma verdadeira epidemia na cidade. Entre 2022 e 2025, os registros da doença em felinos cresceram cerca de 105%. O aumento das ocorrências não se limita apenas aos gatos: entre o mesmo intervalo de tempo, os diagnósticos da zoonose nos humanos aumentaram de 176 para 211.
A zoonose se manifesta em gatos através de feridas profundas que não cicatrizam, localizadas principalmente na face e nas patas. A transmissão aos humanos ocorre principalmente por meio de arranhaduras, mordeduras e contato com a secreção dos machucados. Alguns dos sinais de infecção são lesões na pele, nas mucosas e nas articulações, além de lesões sistêmicas (pulmonares, neurológicas e mistas). Esses sinais podem dar a sensação de calor, prurido e limitação funcional.
De acordo com Cláudia Pimpão, docente e presidente da Comissão de Saúde Única do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Paraná (CRMV-PR), o aumento dos casos é favorecido por um conjunto de fatores: grande população de gatos com acesso à rua, presença de animais não castrados, abandono e semi domicílio, diagnóstico tardio, dificuldade de adesão ou interrupção do tratamento. “Em centros urbanos, esses elementos criam uma rede contínua de transmissão, especialmente em territórios mais vulneráveis”, pontuou a doutora.
A docente também afirma que o principal fator que afeta a continuidade do tratamento é a duração prolongada somada ao custo da terapia. Segundo ela, “a literatura mostra que o abandono frequentemente acontece quando há melhora clínica inicial, antes da cura micológica completa”.
Em 2025, o poder público municipal ampliou a oferta de atendimento e medicação para gatos com esporotricose. Um contrato
foi firmado entre a Prefeitura Municipal e a Clínica Veterinária Escola (CVE) da PUC-PR. A consulta dos animais infectados ocorre de forma gratuita na clínica todas as terças-feiras. O medicamento também é disponibilizado de graça.
Segundo Ana Carolina Cóis Lima, residente em Dermatologia, Alergologia e Otologia Veterinária na CVE, a clínica atende cerca de 12 gatos por dia com suspeita da zoonose. A residente cadastra o felino no site da prefeitura com o endereço, número de telefone e informa-
de acesso ao atendimento. Ana Carolina alega que já recebeu mensagens de alguns tutores para o cancelamento da consulta por falta de dinheiro para se deslocarem até a clínica.
Cláudia Pimpão afirma que ainda é necessária a adoção de medidas para que a doença deixe de ser um problema recorrente nas cidades. “O enfrentamento precisa ser socialmente sensível. Os afetados necessitam de apoio, medicação gratuita ou subsidiada e comunicação de risco simples e permanente.”
“Tratar casos isolados não resolve um problema coletivo.”
ções pessoais do tutor, para o acompanhamento dos gatos em tratamento. “O que a prefeitura pede é que os gatos não sejam possibilitados de sair de suas casas, porque a doença pode ser passada aos humanos, e Curitiba vem enfrentando uma epidemia”, pontuou Ana Carolina.
A assessora Joyce Bernardo, tutora de Floco, felino infectado pelo fungo da esporotricose, conta que o custo do hospital particular é alto. ”Então, entrei na internet procurando lugares que pudessem tratar o meu gato e que fossem minimamente perto de onde moro, no Uberaba. Foi quando encontrei a CVE”. A tutora também relatou que os gatos de sua rua estão todos infectados e sem tratamento, pois seus vizinhos não possuem conhecimento de hospitais veterinários por perto. A baixa compreensão do risco zoonótico e a vulnerabilidade socioeconômica interferem diretamente no aumento dos casos de esporotricose nas cidades.
Muitos pacientes faltam na clínica veterinária por dificuldade
A castração dos felinos é essencial para a diminuição dos casos da esporotricose. “Gatos livres e principalmente não castrados possuem maior chance de se envolverem em brigas e acabam transmitindo para outros animais”, explica Ana Carolina Lima. O Governo do Estado ampliou a oferta de esterilizações exclusivas para gatos por meio do programa CastraPet Paraná a partir de março de 2026. O número de vagas terá um acréscimo, em média, de 15%, dependendo do município.
Foi sancionada, em 2025, a lei proposta por Giorgia Prates (PT) que inclui a esporotricose animal nas campanhas de saúde de Curitiba. A vereadora relatou que o projeto foi elaborado em diálogo com pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e do Conselho Regional de Medicina Veterinária, além de ONGs e protetores independentes. “Essa lei é um indicativo prático de crescimento da demanda assistencial”, concluiu Cláudia Pimpão.
Atendimentos para esporotricose disponíveis em Curitiba
Hospital Veterinário Municipal São Francisco de Assis
• Atendimento veterinário gratuito;
• Diagnóstico de esporotricose;
• Entrega do medicamento no próprio local.
Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ)
• Distribuição de antifúngicos gratuitamente.
Clínica Veterinária Escola da PUC-PR (CVE)
• Atendimento gratuito para gatos com suspeita;
• Funciona por meio de parceria com a prefeitura.
Clínica Veterinária HPet
• Consultas gratuitas para diagnóstico.
Rede de Proteção Animal de Curitiba
• Organiza os atendimentos gratuitos;
• Faz agendamentos e campanhas.
Leia mais
Saiba mais sobre os sintomas da esporotricose e como se prevenir contra a doença.
Coleta de material para análise citológica e posterior diagnóstico de esporotricose.
Larissa Saraiva
Larissa Saraiva 3º Período
Grupos de Hip-Hop criam iniciativas internas de apoio em Curitiba
Iniciativa busca dar apoio a pessoas que sofreram algum tipo de assédio por meio de acolhimento e atendimento psicológico
Álvaro Fischer Xavier
3º Período
G rupos ligados ao movimento Hip Hop de Curitiba tiveram a iniciativa de criar uma rede de apoio para ajudar pessoas que sofrem algum tipo de assédio ou abuso. No caso do grupo Ojú, a iniciativa inclui um diagnóstico sobre saúde mental e um trabalho com psicólogos, voltado a atender pessoas que sofrem com as tensões que ocorrem em batalhas de rimas, rodas de danças e entre outras manifestações culturais no Hip-Hop.
A professora Liliana Porto, doutora em Antropologia e coordenadora do projeto de extensão em Hip-Hop na UFPR,
“Vivemos em uma sociedade violenta e infelizmente a postura natural é reagir igual”
analisa que a cultura do Hip-Hop sofreu por muito tempo com uma violência por parte do Estado, através da represália policial. Isso teria desencadeado uma postura violenta em alguns casos, ainda mais em comunidades periféricas. “Vivemos em uma sociedade baseada na violência, e a postura natural, infelizmente, é reagir da mesma forma.”
Segundo o mapeamento feito pela Beatempo, que cataloga 39 batalhas de rima na região, 61,5% das batalhas acontecem em Curitiba, enquanto 38,5% nas cidades ao redor. O que indica certo equilíbrio, visto que algumas batalhas se mesclam e incentivam um intercâmbio, o que faz com que Mc’s do interior vão até a capital para batalhas com mais visibilidade. Liliana também entende que o Hip-Hop além de poder melhorar a qualidade de vida de muitos, dá a oportunidade das pessoas
expressarem o seu talento em qualquer lugar. Pois é uma cultura que, por si só valoriza os seus, mas ainda carece de um ambiente seguro.
Grupo de auto-ajuda Ojú
A professora de Hip Hop e MC Girrany Mikaely Lara de Oliveira atua na Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop e fez parte da criação de um coletivo chamado Ojú, um grupo de auto-ajuda dentro do movimento Hip Hop. A organização conta com quatro psicólogos, e tem como objetivo acolher pessoas que sofrem algum tipo de abuso, e buscam encaminhar elas a uma terapia gratuita. Outro critério adotado pelo grupo, é um regimento que coloca limites nas atitudes dos Mc’s, plateia e até mesmo organizadores.
Esse regimento foi aderido por batalhas de rima significativas na capital, como a Batalha do
Portão e a Batalha da Meno. Quando alguém realizar algum ato criminoso e que vá contra os princípios do Hip Hop, as organizações mandam um documento para o acusado comunicando o desligamento dele com a batalha, e a depender do caso, até mesmo uma medida protetiva.
Renata Corrêa Ramos, uma das psicólogas do OJÚ, relata que a ideia da criação da organização veio de uma emergente ocorrência de denúncias de assédio no movimento. Ela conta que os atendimentos, normalmente, são feitos pelo WhatsApp e em alguns casos se faz necessário um atendimento presencial. Sempre recomendam que seja feito um boletim de ocorrência para registro e com o intuito de proteger os direitos da vítima.
Mesmo dentro da própria cultura, Renata crê que existem grupos ainda mais vulneráveis, pois são minoritários, como as mulheres e pessoas trans, afirma com expectativa: “Acredito que estarmos nos importando e falando disso já é um grande passo, não existe um caminho totalmente certo sobre isso e estamos nos dispondo a criar.”
Corre de ideia
O mesmo grupo de organizadores do Ojú, está desenvolvendo uma pesquisa chamada “Corre de Ideia”, que busca caracterizar eventos de Hip-Hop no sentido de público, organizadores e artistas. E entender como experimentam as questões relacionadas à segurança, acessibilidade e direitos humanos. Além da pesquisa, o projeto “Corre de
ideia” planeja realizar oficinas com a comunidade e também trabalhar no desenvolvimento de um manual de diretrizes para eventos de rap.
A idealizadora Renata diz que o objetivo principal é desenvolver novas estratégias de como deixar esses eventos mais seguros. A pesquisa está em andamento e sendo divulgada através de grupos de WhatsApp e também posts nas redes sociais. Ainda no início da pesquisa, o grupo não possui muitos resultados, mas enxerga um potencial transformador de acordo com a necessidade do movimento.
Patrimônio cultural
A Assembleia Legislativa do Paraná, através do projeto de lei 957/2025, reconheceu o Hip Hop como patrimônio cultural do estado. Girrany diz que o movimento precisa de leis como esta justamente para politizar as pessoas. Para ela essa cultura pode ser hostil, visto que a maioria que frequentam são jovens, algumas moram em abrigo ou sozinhas. Então, é um ambiente que traz pessoas com muitas dores e que necessitam muita ajuda, não só social, mas às vezes também judicial.
Ela entende que a lei ajuda na relação do movimento com a polícia, que por vezes não reconhece a liberação para fazer as rodas de rima e dança, por exemplo.“E a partir disso, a gente pode começar a exigir um pouco mais da política, dos eleitos. Exigir mais direitos, já que agora é um patrimônio cultural, mas por enquanto já nos facilitou com a polícia.”
Leia mais
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Leandro rima apresentando seu pocket show na Batalha do Portão.
Álvaro Fischer Xavier
Álvaro Fischer Xavier
Disputa
mirim e Perootz, na Batalha do Portão.
Esportes buscam espaços em Curitiba
Apesar de ser conhecido como país do futebol, o Brasil também é casa de diversos atletas de modalidades com menor visibilidade. O beisebol e o hockey, originalmente europeus, vêm conquistando maior espaço em Curitiba. Juntas, as modalidades somam mais de 70 anos na capital paranaense
Ana Beatriz Gardiano
Noah Weil Miranda, de 16 anos, joga na Seleção Brasileira Júnior de Hockey.
Com 10 anos, Sayuri Yamamoto gosta dos desafios que o esporte proporciona.
A vida útil de uma bola de beisebol em um campeonato é de sete lançamentos.
Amistosos infantis entre equipes enfortecem a comunidade do beisebol curitibano.
Além dos patins e um stick, o equipamento de proteção é essencial no hockey.