Dyana Santos 2015
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Dyana Santos 2015
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Uma Fantasia ArticuladaI
“Minha alma tem a forma do meu corpo Mas como é afinal meu corpo? Eu nunca exato o vi.(...) Vi, vejo, tantas coisas vi Vi se movendo meu corpo. Mas não, até hoje, sua forma.” II
Frankenstein (1808) foi o primeiro homem artificial: um ser montado/editado a partir de partes de outros homens. Fausto (1808) trocou sua alma pela glória mundana: um homem que podia ser ‘normal’, escolhe viver uma complexa possibilidade de relação entre suas diversas camadas. O estranho caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde (1886), tratou da dualidade do indivíduo: apenas um dos seus lados deveria prevalecer sobre o outro destruído, perdendo sua possível unidade. Drácula (1897), tendo seu sangue contaminado pela revolta, contagia vários outros seres, em uma epidemia rizomática através de mordidas/beijos. Hoje, no entanto, a humanidade editada, a negociação íntima de nossas várias facetas ou nossos múltiplos interesses, a divisão do ser (‘bom’ ou ‘mau’) e a ação de uma doença qualquer em rede são possibilidades absolutamente cotidianas.III Aqueles que ultrapassam certos limites, sobrevivem entre rasgos indeterminados de ‘sanidade’ ou ‘loucura’, mais ou menos como sentimos todos nós, em pleno turbilhão. No mundo contemporâneo, a ideia de uma unidade psíquica se esfacelou nos vários papéis afetivos,
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profissionais, sexuais, éticos e estéticos em que precisamos atuar. Isso se estende às possíveis figurações do nosso corpo, visíveis em nossas roupas e adereços, nas tatuagens e piercings que se espalham, em mil variações de cortes e arranjos de cabelo ou na livre fantasia do conceito ação adotado atualmente. Isso é ainda perceptível quando há uma certa falta de estilo em voga e, contraditoriamente, isso se torna um novo estilo. A noção de sujeito está visivelmente em crise, dividida em tramas, e o que surge daí são novas ideias de personagens, seres, pessoas. No trabalho de Dyana Santos, é o corpo que primeiro transborda nesse panorama fragmentado, demonstrando mais urgentemente a história de sua existência e imprimindo marcas reais de suas ações por aí, suas perguntas e respostas, atadas no éter de sua existência pelo cordão de prata (ou cobre) de uma razão umbilical. Algo está sendo prenunciado por tantos transplantes, próteses, clonagens e cirurgias plásticas, figurado – além das imagens – na própria multiplicidade de suportes e meios que a artista utiliza em seus objetos, naturalmente interligados. O que está em questão é uma outra noção de identidade, resultante de uma colagem de partes, análoga à unidade montada de um produto qualquer, um filme ou uma ponte de ferro, da edição de um vídeo ou de um texto digital, muito aquém do nosso núcleo interior mais profundo; algo ulterior aos tempos que podemos dizer ou contar nessa matrix. A artista mescla figurações quase clássicas a elementos muito atuais de nossa vivência e parte dessa noção/ques-
tão central – desses corpos-dados – ao nos apresentar algumas das várias possibilidades do corpo e do ser. Como no interior de uma sala de reflexões especulares – como outros artistas de sua geração – busca a representação pictórica mesclada a outros procedimentos de encaminhamento escultórico, elaborando coisas que procuram, em frente a nós, saber aquilo que realmente somos ou estamos nos tornando; algo que ainda nem sabemos. Tudo é uma fantasia articulada: a arte, as palavras, a roupa, a(s) armadura(s), a estrutura, o(s) chassi(s), a tela, a tinta, a cor, a matéria, tudo não passa de som e fúriaIV, todos estão loucos (!!!), stanno tutti bene e tudo é maya! Há um espetáculo em curso e o público – nem sempre – deve ser tão respeitado quanto nos séculos passados; as plateias mudaram de posição, se agrupam em círculos, se postam à frente ou passam por detrás, querendo saber dos bastidores; há véus de organza, estacas à mostra, nuvens vaporosas e ferrugem, luzes – muita luz se opondo à escuridão repentina – veludo negro ou estamparias achinesadas. Tudo vale nessa cena aberta – uma cachoeira ou um gramado ensolarado – equivalendo ao corpo do mundo como seu ateliê permanente: aliens, o universo feminino, um oitavo
passageiro (todos nós), uma oficina mutante, mad max ao avesso, maquinaria mais ninguém, the show must go on... Há no corpo-invenção um ensaio de esclarecimento, uma chamada à sua plena experimentação em direção ao seu cerne. Nesse cenário, a arte – seja literatura ou pintura ou escultura, não importa – joga mais uma rodada de desafios possíveis, como uma linguagem atemporal, de conhecimento pessoal e coletivo. Talvez, a operação mais interessante na obra que Dyana Santos encaminha – que envolve um considerável e requintado trabalho, vigoroso e sensual – seja a figuração constante dessas dualidades que nos compõem intrinsecamente, que fazendo, se revela; quebrando, se constrói. Somos feitos disso, em unidades contraditórias – rendas brancas e ferro áspero / sopro e osso; rocailles douradas e linhão / sonho e estrutura; grafite e laca vermelha / merda e músculo; e assim por diante – sob a consciência dos opostos, a percepção da riqueza e a sabedoria de reger sua união; e como profecia o oráculo, sempre há proveito nessa direção. Mário Azevedo, Agosto de 2015
I Boa parte desse texto vem de um outro texto, “corpos-dados”, que escrevi em Maio de 2013 para uma exposição conjunta de Dyana Santos, Gilson Rodrigues e Isabela Andere, no Centro Cultural de Contagem. Ele foi utilizado aqui como uma alavanca, para continuar a comentar o trabalho de Dyana. II Murilo Mendes, “A forma e a forma”. III COCCHIARALE, Fernando. “Quem tem medo da arte contemporânea?” Recife, Fundação Joaquim Nabuco/Ed. Massangana, 2006. IV (...) “it is a tale, told by an idiot, full of sound and fury, signifying nothing.” William Shakespeare, “Macbeth”.
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Crisรกlidas
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“Hábito, Coluna, Asfíxia, Série Crisálidas”, 2014, escultura em ferro chato oxidado, aço inoxidável, latão e couro, sob medidas da artista
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“Graça”, Carolina Vilhena, Dyana Santos e Isadora Soares, 2014. Registro de performance Fotografia Henrique Teixeira Direção Fabrício Fernandino
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P贸 de Estrelas
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“Sobre o mundo, os homens, Série Pó de Estrelas”, 2013, acrílica, óleo, resina poliéster, papel, voil, spray metálico, insetos e fios de cobre sobre tela e bastidores
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“Raízes, Série Pó de Estrelas”, 2012, têmpera, acrílica, cobre, plástico e resina cristal, ~150x200 cm.
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“Eva e Adão, Série Pó de Estrelas”, 2012, acrilica, resina poliéster e fios de cobre sobre voil, 200x100 cm. Trabalho finalista no V Salão de Arte de Itabirito Regional.
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“S.T., Série Pó de Estrelas”, 2012, têmpera, acrílica, óleo, encáustica fria, resina cristal, cobre, insetos e flores sobre tela, 70x68 cm.
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Relicรกrio
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“Relicário”, 2012, têmpera, óleo, grafite, papel, moldes em atadura gessada, boneca e filó sobre caixa de madeira. 150 x 150 cm.
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Gabinete de Curiosidades --
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“Gabinete de Curiosidades”, 2015, óleo, encáustica fria, folha de ouro, juta, pedrarias, penas e cerâmica sobre tela, 130 x 130 cm
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Circus
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“18 Circus”, 2014, óleo e encáustica frisa sobre persiana, 170 x 150 cm, in progress
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Xifopagia
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“S. T., Série Xifopagia”, 2011, acrílica e óleo sobre persiana, 170 x 150 cm.
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“S.T., Série Xifopagia”, 2011, acrílica e óleo sobre tela de voil, 90x151 cm.
1º Lugar no VII Salão de Arte de Itabirito Regional
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“S.T., Série Xifopagia”, 2011, acrílica e óleo sobre tela de voil, 90x151 cm.
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“Xifópagos, Série Xifopagia”, 2011, óleo sobre tela, 72x70 cm.
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“S.T., Série Xifopagia”, 2012, óleo sobre tondos em madeira e mdf revestidos com voil [150 cm de diâmetro cada], conectados por um cordão umbilical em voil e fibra de silicone.
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Trabalhos Anteriores
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“Ofélia, Série Xifopagia”, 2011, óleo, acrílica e atadura gessada sobre voil. 151x 90cm
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Aline Firpe e Dyana Santos, “Altar”, 2012, hóstias, gaze e gesso sobre madeira, dimensões variáveis
“Corpo de Cristo, 2011”, relevo seco sobre hóstia
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Aline Firpe, Dyana Santos e Gizelle Cândido, “Varal da Pureza”, 2012, voil, filó, gaze, percal e tintá acrílica, instalação de dimensões variáveis.
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Dyana Santos
(Contagem, Minas Gerais, 1987) Graduada em Artes Visuais/Pintura, em 2014, pela Escola de Belas Artes da UFMG. Atualmente, graduanda em Escultura pela mesma escola.
dyanadsantos@gmail.com / +55 31 8773-8967 Exposições Coletivas 2015
Nautilus - Espaço ArteEducação FAE UFMG, Belo Horizonte/MG
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VII Salão Itabirito Regional - Galeria de Arte do Cineminha, Nova Lima/MG
2015 2015 2014
2013 2013 2013 2013 2013 2012 2012 2012
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VII Salão de Arte de Itabirito Regional - Galeria Casa UNA, B.Hte/MG
VII Salão Itabirito Regional - Casa de Cultura Maestro Dungas, Itabirito/MG Fragmentos e Trajetos - Centro Cultural UFMG, B.Hte/MG Imaginautas, Vozes de Mestres - Funarte, B.Hte/MG
CorposDados - Centro Cultural de Contagem, Contagem/MG Visceralidades III - Matriz, B.Hte/MG
V Salão Itabirito Regional - Centro Cultural de Contagem, Contagem/MG V Salão Itabirito Regional - Galeria de Arte Sesiminas, B.Hte/MG
V Salão Itabirito Regional - Casa de Cultura Maestro Dungas, Itabirito/MG V Salão Itabirito Regional - Auditório VDL Siderurgia Ltda, Itabirito/MG Visceralidades II - Maquinário, B.Hte/MG
Visceralidades I - PUC São Gabriel, B.Hte/MG Deriva III - Centro Cultural UFMG, B.Hte/MG Deriva II - Centro Cultural UFMG, B.Hte/MG
Congadas Desenhantes - Centro Cultural UFMG, B.Hte/MG
Premiações 2015 2012
1º Lugar no VII Salão Itabirito Regional - Itabirito, Nova Lima e B.Hte/MG
Finalista no V Salão Itabirito Regional - Itabirito, Contagem e Sete Lagoas/MG
Oficinas e participações 2015
Luz/Espaço: Um Lugar (Projeto Especial) - 47º Festival de Inverno da UFMG, B.Hte/MG
Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG, B.Hte/MG
2014
2014 2014 2014
2011
Ruídos Interiores: Video-Arte e Neurociência
Projeto Corpus Naturalis - Imersão Artística no Pico do Itambé, Diamantina/MG
Palestra Corpus Naturalis - Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG, B.Hte/MG
Artista convidada pelo Centro Cultural de Contagem para atelier aberto em evento comemorativo à Copa do Mundo - Contagem/MG
Atuação no Vórtice, coletivo de artistas que se dedicou à temática do corpo na
a 2014
contemporaneidade através de produção artística, exposições e debates.
2013
Artista convidada pelo Centro Cultural de Contagem para atelier aberto em evento comemorativo
2013
2012
Palestra ministrada em “Arte, Corpo e Psicologia - PUC São Gabriel, B.Hte/MG ao dia internacional da mulher - Contagem/MG
Participação na mesa aberta “Psicologia e arte: conversações” - PUC São Gabriel, B.
behance.net/dyanasantos issuu.com/dyanasantos
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