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O Anatomista - v1 n1

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O Anatomista Revista de Divulgação Científica da Sociedade Brasileira de Anatomia Ano –1, Volume –1, Janeiro de 2010


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Sumário CONSIDERAÇÕES INICIAIS

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A “ESCOLA ANATÔMICA DE ALFONSO BOVERO”: DE ONDE VEIO; PARA ONDE VAI?

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TÉCNICAS FILOSÓFICAS NO APRENDIZADO ANATÔMICO

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POR QUE ENSINAR ANATOMIA?

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COMO EU FAÇO ...

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NOSSOS MESTRES ...

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Expediente O ANATOMISTA Revista de Divulgação Científica da Sociedade Brasileira de Anatomia Editores: Nadir Eunice Valverde Barbato de Prates e Richard Halti Cabral Conselho Editorial: Arani Nanci Bomfim Mariana Antônio Cardoso Pinto Celina Siqueira Barbosa Pereira Eliane Florêncio Gama João Carlos de Souza Cortes Mirna Duarte Barros Telma Sumie Masuko Valéria Paula Sassoli Fazan A responsabilidade do conteúdo dos artigos deve ser atribuída, exclusivamente, aos seus respectivos autores. As opiniões manifestadas nos artigos não, necessariamente, refletem a opinião da Sociedade.

E-mail: sba@icb.usp.br Site: www.sbanatomia.org.br Tel. /Fax: (11) 3813-8587


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Considerações Iniciais

Ilustração anatômica persa de autoria desconhecida, da região do Iran ou do Paquistão, 1680-1750 Fonte: Historical Anatomies on the Web (US National Library of Health)

Preocupada em incrementar a divulgação científica e cultural na área da Morfologia, a Sociedade Brasileira de Anatomia está criando uma nova publicação eletrônica denominada “O ANATOMISTA” . Este mais novo veículo de comunicação tem por objetivo divulgar a produção científica e cultural dos sócios da SBA, difundindo tanto discussões e opiniões sobre temas diversos do mundo atual como, também, reflexões sobre a história da anatomia, o ensino de graduação e pós-graduação, a pesquisa científica, as dificuldades enfrentadas na profissão e muito mais. “O ANATOMISTA” deverá conter, também, pequenos artigos científicos, relatos de experiências profissionais e até mesmo homenagens a anatomistas e a outros profissionais da morfologia. Todos os sócios já estão convidados a participar da revista. Basta enviar o material a ser publicado à secretaria da Sociedade, por meio de correio eletrônico (sba@icb.usp.br), juntamente com toda a documentação fotográfica pertinente. Não deixem de ler e nem de contribuir para esta nova publicação da Sociedade Brasileira de Anatomia. Saudações Anatômicas

Richard Halti Cabral Presidente da SBA


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A “Escola Anatômica de Alfonso Bovero”: de onde veio; para onde vai? A história da Anatomia na USP iniciou-se em 1914, com a aula intitulada “Importância e conceito fundamental da Anatomia” ministrada aos 25 de abril, pelo Anatomista italiano Alfonso Bovero, contratado pelo Dr. Arnaldo Augusto Vieira de Carvalho, fundador em 1912, da então Faculdade de Medicina e Cirurgia de São Paulo (a partir de 1934, Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - FMUSP). Portanto, nesse ano de 2009 comemoram-se os 95 anos de uma Ciência Básica, cujas diretrizes imprimidas por Bovero em nosso meio determinaram o surgimento da “fase boveriana da anatomia brasileira”, que perpetraram e floresceram em seus “filhos espirituais”; não somente aqueles que se dedicaram à Anatomia, mas também os que nela iniciaram e rumaram para outras Cátedras, onde disseminaram os fundamentos da “Escola Anatômica de Bovero”. Por ocasião de sua morte, ocorrida em abril de 1937 na Itália, Durval Bellegrade Marcondes, aluno de Bovero e psicanalista discípulo de Franco da Rocha, assim definiu o ilustre Anatomista: “...foi, sem dúvida, o Professor Bovero quem deu a mais fiel expressão ao ideal sonhado por aquele que foi e será sempre o gênio protetor da nossa Faculdade, o totem sagrado de nossa tribo, Arnaldo Augusto Vieira de Carvalho. Ao firmar um padrão para a jovem cultura médica de São Paulo, foi Arnaldo encontrar na figura insigne de Alfonso Bovero o mais perfeito modelo pelo qual se traçasse o perfil da nova geração”. De fato, do rigor da educação desse pai de inteligência privilegiada, caráter íntegro, austero, mas ao mesmo tempo imensamente generoso frutesceram discípulos que se tornaram ícones em suas áreas de atuação, como Benedicto Augusto de Freitas Montenegro na Cirurgia (e o primeiro Diretor, em 1934, da então Faculdade Farmácia e Odontologia da USP – atual FOUSP), Paulo Sawaya na Zoologia (e fundador do Instituto de Biologia Marinha da USP), Luciano Gualberto na Urologia (e Reitor da USP em 1950), Álvaro Lemes Torres na Clínica Médica (e um dos fundadores da Escola Paulista de Medicina), apenas para citar alguns. Na Anatomia, os principais discípulos da Primeira Geração da sua Escola, em ordem cronológica de entrada na carreira foram os professores João Moreira da Rocha (1916) que em 1933 tornou-se o primeiro Catedrático de Anatomia da Escola Paulista de Medicina (EPM) e, em 1934, o primeiro Catedrático de Anatomia da FOUSP; Renato Locchi (1925), o discípulo dileto de Bovero que, após a sua morte, substituiu-o na Cátedra de Anatomia da FMUSP; Max de Barros Erhart (1926),


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A “Escola Anatômica de Alfonso Bovero”: de onde veio; para onde vai? o primeiro Catedrático de Anatomia, em 1934, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP (FMVZ/USP), Odorico Machado de Sousa (1935), que assumiu a Cátedra de Anatomia da FMUSP em 1956, após a aposentadoria de Renato Locchi e Olavo Marcondes Calasans (1935) um dos fundadores, juntamente com Odorico Machado de Sousa, do Departamento de Anatomia da PUC de Sorocaba em 1951 e o primeiro professor de Anatomia da Faculdade de Medicina de Jundiaí (1969). Na Segunda Geração de Anatomistas da USP, os discípulos de Max de Barros Erhart na FMVZ/USP foram Orlando Marques de Paiva (Diretor da FMVZ/USP de 1965 a 1972 e Reitor da USP de 1973 a 1977) e Plínio Pinto e Silva (um dos primeiros professores de Anatomia Veterinária da UNESP de Botucatu em 1962). Os demais, todos eles médicos, oriundos ou da FMUSP ou da EPM portanto, iniciados na carreira anatômica sob a égide de João Moreira da Rocha ou de Renato Locchi ou de Odorico Machado de Sousa - não restringiram suas atividades somente aos Departamentos de Anatomia da FMUSP ou da FOUSP, mas, a exemplo de Pinto e Silva (e até antes dele), disseminaram os princípios da Escola de Bovero para outras Instituições de Ensino, tornando-se os seus primeiros professores de Anatomia. Cumpre relacionar os seguintes: Saul Goldenberg - Faculdade de Farmácia e Bioquímica da USP (1951) e Faculdade de Medicina de Taubaté (1967); Gerson Novah - Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto (1952); Liberato J. A. Di Dio - Universidade Federal de Minas Gerais (1954); Milton Picosse - Faculdade de Odontologia da USP de Bauru (1962); Orlando Jorge Aidar - Faculdade de Medicina da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (1963); João Baptista Parolari - Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP (1963); Octávio Della Serra - Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (1965); Cláudio A. Ferraz de Carvalho - Faculdade de Medicina de Santo Amaro (1969) e José Furlani - Faculdade de Medicina de Catanduva (1970). Na fase primordial da Anatomia, ingressava-se na carreira como Preparador, ou Assistente 2, sendo o cargo de Assistente 1 alcançado por concurso e dependente da existência de vaga (exceção feita aos Catedráticos, esses cargos eram também conhecidos como de “auxiliares de ensino”). Para ser contratado como Assistente 2 o candidato, geralmente atuante em outras disciplinas, como a cirurgia, invariavelmente portava em seu histórico certificação de labor concomitante na disciplina de Anatomia como Assistente Voluntário ou Colaborador (sem perceber vencimentos) nunca inferior a três ou quatro anos. Era o tempo do Professor Catedrático, que exigia excelente bagagem de conhecimento anatômico prático daquele que pretendia dedicar-se à carreira anatômica, a fim de fazerlhe a indicação. Era, ainda, uma época em que muitos se apraziam em permanecer por longo período somente como Assistente Voluntário, pois o simples fato de colaborarem com a Anatomia dignificavalhes o curriculum vitae permitindo que se destacassem em suas disciplinas de origem, como foi o caso,


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A “Escola Anatômica de Alfonso Bovero”: de onde veio; para onde vai? por exemplo, de Eugênio Mauro e Waldomiro de Paula, eminentes cirurgiões do HC-FMUSP, reverenciados também em outras Escolas Médicas. Com a formação do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) fundiram-se os Departamentos de Anatomia da FMUSP e da FOUSP, mantendo-se os docentes do curso de Medicina na “casa de Arnaldo” e os dos cursos de Odontologia e Paramédicos, no Bloco I da Cidade Universitária. Como conseqüência dessa desvinculação da Anatomia com as diretivas das faculdades de origem, o “novo” Departamento de Anatomia passou a exercer, literalmente, as funções de um “prestador de serviços didáticos”, não somente para os cursos de Odontologia (diurno e noturno) e Medicina, mas também para os cursos de Educação Física, Enfermagem, Esportes, Farmácia e Bioquímica (diurno e noturno), Fisioterapia, Fonoaudiologia, Nutrição (diurno e noturno) e Terapia Ocupacional. Assim, essa “nova roupagem” aliada à diversidade de carreiras levou à alteração do perfil dos discípulos a partir da Terceira Geração; ou seja, além de médicos e cirurgiões dentistas (atuantes preferencialmente nos seus cursos de origem), profissionais como biólogos e biomédicos passaram a compor o quadro de docentes do Departamento de Anatomia do ICB. Estes, pelo fato de terem na bagagem de seus currículos formação anatômica elementar em seus cursos de graduação, eram prioritária e obrigatoriamente designados a atuar ou no curso de Medicina ou de Odontologia (ou ambos), a fim de aprofundar os seus conhecimentos anatômicos práticos, além de exercerem suas atividades regulamentares nos cursos Paramédicos. Nessa época, os neófitos da Anatomia eram contratados como Auxiliares de Ensino (MS-1) por um período experimental de três anos, acompanhando pelo menos três cursos, geralmente Medicina ou Odontologia e mais um ou dois Paramédicos. Isto, não sem antes da contratação ter-se cumprido estágio prático oficial no Departamento de Anatomia de pelo menos dois anos, duas a três vezes por semana. Os novos docentes inscreviam-se, ainda, no curso de Pós-graduação em Anatomia (criado em 1972), onde blocos - ou aparelhos - que compunham a grade curricular de Anatomia do curso médico ou do curso odontológico constituíam as disciplinas que representavam a quase a totalidade dos créditos oferecidos. Além destas, era disciplina obrigatória (portanto, sem direito a crédito) a de Técnicas Anatômicas onde o jovem professor, já bastante familiarizado com a mais elementar das técnicas - a dissecção - desenvolvia metodologias que iam desde as basilares, como a formolização de cadáveres ou a maceração de ossos, até aquelas consideradas sofisticadas, como injeções do sistema vascular para posterior corrosão ou diafanização. Pelo sucintamente exposto, era preocupação daqueles que comandavam os destinos do Departamento de Anatomia da USP para com aqueles que ingressavam na carreira docente, fornecer-lhes subsídios


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A “Escola Anatômica de Alfonso Bovero”: de onde veio; para onde vai? que constituíssem um cabedal sólido de conhecimentos práticos, dada a enorme responsabilidade do papel desempenhado pela Anatomia na formação essencial dos profissionais das diferentes áreas de saúde. Simultaneamente às exaustivas atividades em sala de aula ou no laboratório, o Departamento de Anatomia não descuidava de sua produção científica, que sempre foi destacada e condizente com a qualidade dos seus docentes, traduzindo-se na publicação de artigos em periódicos importantes relativos à morfologia em geral, bem como na elaboração de livros didáticos, ainda hoje referências anatômicas fundamentais, tanto na área médica como na odontológica. Essa consciência em se conciliar a Docência e a Pesquisa, que para muitos pode parecer um conceito “atual”, na realidade constitui-se no principal preceito sobre o qual Bovero fundamentou a sua Escola Anatômica, a fim de provar que “a Anatomia nunca foi e nunca será o galho seco e árido da Biologia”, como sempre apregoava. Para quem realmente conhece a história da nossa Anatomia, são famosos os “Opúsculos de Bovero” bem como os volumes de “publicações do Departamento de Anatomia” e as coleções de periódicos conceituados nas ciências morfológicas (muitas delas adquiridas pelo próprio Bovero, a expensas de seu salário!), fontes inesgotáveis de consultas para muitos, ao se iniciar uma pesquisa anatômica. Ou, os livros pertinentes à Anatomia Dental e Dentária (respectivamente da lavra de Octávio Della Serra e Milton Picosse), Sistema Digestório (de Trieste Smanio), Sistema Genital Feminino (de Leonel Costacurta), Anatomia Geral e Sistema Nervoso (de Eros Abrantes Erhart), Sinopse de Anatomia (Liberato Di Dio) e incontáveis traduções para o vernáculo, de obras anatômicas clássicas, consagradas mundialmente (Gray, Hollinshed, Sicher & Tandler, Sicher e DuBrull, Gardner, Gray, O’Rahilly, etc.). Como se depreende, sempre foi praxe no Departamento de Anatomia anuir com o princípio da eqüidade entre a Docência e a Pesquisa, não esquecendo-se aqui, de enaltecer o incentivo que os seus mentores promoviam àqueles que, mais afeitos às atividades de graduação, aplicavam-se fervorosamente na lapidagem de futuros profissionais extremamente competentes, condizente com a condição de terem sido formados na Universidade de São Paulo. Aplicação esta, convertida em diversas e justas homenagens dos alunos das mais diferentes profissões aos docentes da Anatomia em suas cerimônias de formatura, muitas delas por eles paraninfadas, e que o Departamento de Anatomia orgulhosamente sabia reconhecer (como foi o caso, por exemplo, do Professor Gurany Sampaio, discípulo de Bovero em 1935, que passou toda a sua vida acadêmica a ensinar no laboratório e que por essa sua extremada dedicação, foi um dos professores de Anatomia mais venerados pelos alunos da FMUSP).


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A “Escola Anatômica de Alfonso Bovero”: de onde veio; para onde vai? Com o advento da era “qualis”, “fator de impacto”, “comitê da Capes”, neologismos que passaram a explicitar uma necessidade de adaptação da ciência anatômica à nova realidade acadêmica foi - e tem sido - nítido e glorioso o esforço do Departamento de Anatomia do ICB para não se manter a margem dos novos tempos, corroborando mais um preceito de Bovero: “também para a Anatomia vale o princípio geral de ou renovar-se ou desaparecer”. Talvez o questionamento na epígrafe do presente texto resida no fato de se interpretar, no momento buliçoso por que passa a ciência anatômica (não somente em nosso meio) o significado de “renovar-se”, nessa frase lapidar do Mestre. Se, por um lado, nosso ilustre ancestral, com sua extrema dedicação em conservar a Anatomia como um ramo frondoso, tenha chamado à atenção seus seguidores para que sempre a mantivessem em consonância com a evolução tão benéfica proporcionada pelas modernas metodologias que não cessam de surgir em vários campos da ciência (como, recentemente, o desenvolvimento maravilhoso da imaginologia, das técnicas de biologia molecular, etc.) por outro, é improvável que Bovero - como já citado, uma inteligência brilhante e um pesquisador adiante do seu tempo - tenha sequer sonhado em desestabilizar a pacífica e harmoniosa convivência entre a necessidade em se produzir trabalhos científicos e a árdua tarefa de ensinar. Para quem dele nunca ouviu falar, Bovero tinha consciência de sua posição social e era cioso da nobreza de sua missão no Magistério Universitário, que exerceu majestático, nos próprios da casa de Arnaldo. E isto, para aqueles que têm um mínimo de “bom senso anatômico”, é até fácil de se entender, uma vez que a essência da Anatomia consiste no aprimoramento prático diuturno, para que se cumpra com dignidade a sua função primordial na formação do profissional da área de saúde, não significando, em absoluto, que se perca de vista as conquistas científicas - muitas, atualmente, realizadas a expensas de muito sacrifício e verbas cada vez menos disponíveis. Dois exemplos sobre a equanimidade entre o contemporâneo e o clássico: é evidente que importa a um aluno de Medicina do primeiro ano, ao freqüentar as aulas de Anatomia, ser informado da presença de um determinado hormônio recentemente descoberto no átrio do coração ou no tecido nervoso central. Porém, não sem antes ter sido avisado acerca da existência de artéria terminais, cuja obstrução pode determinar a necrose de órgãos nobres, ou da quase exposição do nervo fibular comum ao cruzar em sentido inferior, quase somente sob a pele, a cabeça e o colo da fíbula, uma vez que essas informações são importantes para a prática da sua atividade profissional - afinal, ele invariavelmente deverá passar pelos pronto-socorros! Em assim sendo, mesmo considerando-se (e óbvio, aceitando-se) a realidade de nosso tempo acerca das exigências de um comprometimento com uma linha de pesquisa desde a fase de iniciação


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A “Escola Anatômica de Alfonso Bovero”: de onde veio; para onde vai? científica, permitir o ingresso na carreira Anatômica da USP sem a exigência de, pelo menos, uma prova prática de Anatomia capaz de ajuizar do candidato um conhecimento com conceito variando de muito bom para ótimo - o mínimo condizente com as necessidades de um aluno da Universidade de São Paulo - é um ato, no mínimo temerário, com o qual não se pode coadunar por destoar do honrado princípio da eqüidade que fundamentou a “Escola Anatômica de Bovero”. Sem esse cuidado, sob o aspecto didático, o notório enfraquecimento e o conseqüente “desaparecimento” da Anatomia essencialmente prática com certeza tornará órfãos aqueles para os quais essa ciência sempre teve o seu fim: os (agora) alunos de graduação; futuros profissionais responsáveis por cuidar da saúde - nossa e de nossos descendentes. Finalizando, que essa comemoração dos 95 anos da nossa Escola Anatômica nos conduza a uma reflexão profunda, permitindo-nos encontrar um equilíbrio entre a necessidade em se manter uma produção científica de elevado nível em qualquer área das ciências biológicas e a nossa – por que não assim dizer - sacerdotal missão formadora. Esta, no meu modesto entendimento quiçá simplista, a minha prestação de contas mais imediata para o Governo e a Sociedade. (http://espaber.uspnet.usp.br/jorusp/?p=3050)

Prof. Dr. Edson Aparecido Liberti Professor Titular do Departamento de Anatomia do ICB/USP Ex-Chefe do Departamento de Anatomia do ICB/USP Professor Responsável pelas Disciplinas de Anatomia Geral e Anatomia Odontológica do Curso de Odontologia Noturno da FOUSP Sócio da Sociedade Brasileira de Anatomia


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TÉCNICAS FILOSÓFICAS NO APRENDIZADO ANATÔMICO

O aluno de graduação adentra o curso universitário sem saber, completamente, aprender a aprender e, em um grau ainda mais intenso, sem saber aprender a pensar de modo científico para que seu Aprendizado seja mais eficaz. A solução prática para tais dificuldades tem sido repensada, no mundo ocidental, há pelo menos 24 séculos. O filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.) acreditava na existência do Organon, uma estrutura cerebral que concentrava e sistematizava todas as maneiras de pensar. Deste modo, elaborou e aplicou a sua teoria das Operações de Pensamento, uma seqüência básica de raciocínio lógico também descoberta, consciente ou inconscientemente, por grande parte dos cientistas e professores ocidentais, inclusive por anatomistas renomados, e que de modo genérico podem ser resumidas em algumas fases consecutivas. Pode-se inferir que, para Aristóteles, a primeira etapa do modo correto de pensar consistia na Observação: é necessário ver e ouvir com motivação e curiosidade para realmente se concentrar e associar idéias; em seguida, urge determinar as palavras-chave do estudo. Assim, de modo análogo, o aluno de Anatomia deveria iniciar o Aprendizado motivado e curioso para ver e ouvir com concentração e redigir as palavras-chave que nortearão seu estudo. No Mundo Anatômico, o médico belga Andreas Vesalius (1514-1564 d.C.) foi um exímio observador, pois apreciava dissecar pessoalmente os cadáveres durante suas aulas, em uma época em que os Professores de Anatomia reservavam-se a sentar no púlpito (ou cátedra), expor o seu saber e visualizar a dissecação de seus assistentes. A estratégia vesaliana de “como ver” culminou com a publicação da obra De Humani Corporis Fabrica (ou “Sobre a Estrutura do Corpo Humano”) em 1543, um marco da capacidade de observação anatômica científica. A segunda etapa consecutiva nas Operações de Pensamento era a Comparação, ou comparar o que se sabe e o que se tem disponível (como fontes científicas) a partir de busca focada nas palavraschave elaboradas na fase de Observação. Para o aluno de Anatomia moderno consistiria em obter online, a partir de sites de busca mundialmente consagrados, o conteúdo resultante da digitação das palavras-chave. Na História Anatômica, o cientista e artista Leonardo da Vinci (1452-1519 d.C.) soube comparar de maneira eficiente ao associar técnicas da Ciência da época com técnicas de Arte para poder desenhar, pintar e inventar com pragmatismo. A terceira etapa da filosofia aristotélica para aprender a pensar era a Classificação ou adoção (a partir dos conteúdos determinados pelas palavraschave) de uma escala ou critério para organizar todo o material que já fora observado e comparado.


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TÉCNICAS FILOSÓFICAS NO APRENDIZADO ANATÔMICO Para o aluno de Anatomia, resultaria na organização de todo o material coletado a partir das palavras-chave adotadas. Como exemplo em Anatomia Vegetal, pode-se citar o botânico Carolus Linnaeus (ou Carlos Lineu; 1707-1778 d.C.), que classificou com maestria as plantas a partir de uma escala divisória em estames, pistilos e flores. Na quarta etapa das Operações de Pensamento preconizava-se a Seleção ou escolha do melhor conteúdo a partir do critério anteriormente utilizado para classificar. Nesta etapa, o aluno de Anatomia seria orientado para escolher os melhores livros, atlas, textos científicos e sites a conduzir seu estudo. Reportando-se à Anatomia Microscópica, o comerciante-biólogo holandês Antony Van Leeuwenhoek (1632-1723 d.C.) tornou-se célebre ao procurar selecionar, durante longo tempo, quais eram as melhores das suas 419 lentes para observar, com maior clareza, fibras musculares, bactérias e protozoários. A quinta fase consecutiva das Operações de Pensamento aristotélicas consistia na Interpretação, composta da Análise ou Dedução e, aseguir, da Síntese ou Indução. Na Análise, preconizava-se comparar as opiniões ou resultados encontrados pelos diversos autores selecionados a partir das palavras-chave. Em analogia com o Aprendizado Anatômico, caberia ao aluno compilar as estruturas e compará-las com as variações mais freqüentes. Na História Anatômica, urge novamente citar o gênio: Leonardo da Vinci foi um analista notável, tendo redigido mais de 7.000 manuscritos com centenas de comparações de resultados. Já na fase de Síntese elaboravam-se conclusões derivadas exclusivamente do processo analítico anterior; em Anatomia, o aluno, assim, seria orientado para conseguir resumir todo o conteúdo interpretado em apenas algumas conclusões, nas quais deveriam constar as mesmas palavras-chave determinadas desde o início. Um exemplo magnânimo de potencial sintético foi o médico grecoromano Cláudio Galeno (130-200 d.C.), que resumiu praticamente todo o conhecimento anatômico, fisiológico, filosófico e médico de sua época em 400 livros, cuja influência perdurou como modelo a ser seguido pelo mundo ocidental pelos próximos 13 séculos. Na sexta etapa do modelo aristotélico de pensar era necessário elaborar uma única Conclusão acerca de todo o conhecimento observado, comparado, classificado, selecionado e interpretado. Para o aluno de Anatomia seria necessário concluir, em um único parágrafo, todo o conteúdo estudado, atentando-se à obrigatoriedade de incluir todas as palavras-chave na Conclusão. Em Anatomia, o médico inglês William Harvey (1578-1657 d.C.) é exemplo de quem soube concluir, como ninguém de sua época, acerca da verdadeira circulação do sangue pelo corpo humano. Finalmente, a última etapa das Operações de Pensamento consistia na Crítica ou busca de incoerências, inutilidades e repetições ocultas nos processos já efetuados de Análise, de Síntese e de


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TÉCNICAS FILOSÓFICAS NO APRENDIZADO ANATÔMICO

Conclusão. Com relação ao aluno de Anatomia seria obrigatório, ao término da redação ou digitação de toda a matéria, rastrear erros concernentes a frases incoerentes ou pouco importantes e avaliar, com seriedade, se todo o conteúdo se encontra condizente com as palavras-chave escolhidas. No Mundo Anatômico, é certo que um dos maiores críticos foi o médico grego Hipócrates (460-355 a.C.), que separou a Medicina de sua época da Religião e da Magia. Na atualidade, em especial nos últimos 20 anos, tem havido a tendência da influente escola norte-americana anatômica de inserir o estudo da Anatomia em um “monobloco” bioquímicofisiológico, reduzindo-se conteúdos e condensando Disciplinas (afins mas distintas) em alguns capítulos, o que tem se tornado evidente pelas publicações bibliográficas. Tal opção de Aprendizado justifica-se, em parte, pela atual dificuldade em se lidar com a avalanche de novas informações em Biologia e em Saúde, mas infelizmente tem ocasionado imensas perdas de oportunidade para o Alunado aplicar e exercitar, ainda que de modo inconsciente, a maioria das Operações de Pensamento. A conseqüência principal, em Medicina, tem sido a forte confluência para a formação de “médicos tecnólogos”, muito bons com kits e equipamentos, mas “estenóticos” para a Análise e “insuficientes” para a Síntese, para a Conclusão e para a Crítica, notoriamente quando os aparelhos falham ou não estão disponíveis. Urge sempre repensar, em qualquer Disciplina, métodos de Ensino e de Aprendizado. Em Anatomia, por que não direcionar também para a Filosofia e ensinar o Aluno (de graduação e de pós-graduação) a observar, comparar, classificar, selecionar, interpretar, concluir e criticar, do mesmo modo que notáveis anatomistas o têm feito eficazmente em diversas épocas? (Artigo Publicado no Boletim Plexus da IFAA em Dezembro de 2006)

Prof. Dr. Fernando Batigália Fundação Faculdade Regional de Medicina de São José do Rio Preto / FUNFARME – SP Sócio da Sociedade Brasileira de Anatomia

Profa. Adília Maria Pires Sciarra Professora de Língua Inglesa e Responsável pelo Centro de Estudos Lingüísticos da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto / FAMERP – SP


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Por que ensinar Anatomia?

Anatomia é uma disciplina curricular do ensino médico cujo propósito, objetivo, não se modificou desde que foi introduzida, há um milênio: aprender a estrutura e a função do corpo humano (Granger et al, 2006). As formas pelas quais esse objetivo tem sido atingido passaram, historicamente, por, desde uma completa ausência de dissecação do corpo, baseada em considerações teológicas e filosóficas, a uma observação passiva das dissecações realizadas pelos cirurgiões-barbeiros, até a reforma curricular que aconteceu nos Estados Unidos da América, no século XIX, que deu continuidade à tradição da dissecação (que vinha desde a Grécia Antiga) como o ponto central do ensino da Anatomia (Dyer e Thorndike, 2000; Gregory e Cole, 2002). Depois de mais de um século de relativamente pouca mudança no modo de ensino da Anatomia nos currículos médicos, no início do século XXI, o ensino de Anatomia através de dissecação tem sofrido pressões consideráveis para que se modifique ou mesmo que seja eliminado (Granger, 2004, McLachlan e cols., 2004). As horas curriculares dos cursos médicos tradicionais, especialmente aquelas dedicadas ao laboratório de dissecação, estão diminuindo em resposta à explosão de informações sendo ensinadas em disciplinas como Genética, Farmacologia e Biologia Celular e Molecular (Granger e cols., 2006). A produção de pessoal qualificado para ensinar Anatomia é substancialmente baixa, basicamente em decorrência da eliminação dos programas de treinamento específicos (em nosso caso particular, no Brasil, a decadência dos programas de pós-graduação em Anatomia, ou mesmo Morfologia, por conta da excessiva pressão dos órgãos de fomento) e a aposentadoria dos anatomistas existentes. Adicionalmente, o avanço na área de tecnologia computacional levou alguns a assumirem que é possível ensinar anatomia sem cadáveres (McLachlan, 2004; McLachan e cols., 2004). Ao mesmo tempo, é reconhecido que a Anatomia provê o contexto para a síntese e a integração das informações sobre o corpo humano, levando ao melhor preparo para um exame físico efetivo, e também fornece o ambiente para o aprendizado em grupo, treinamento para a resolução de problemas clínicos e sensibilização quanto aos aspectos que envolvem a mortalidade humana (Marks, 1999; Granger, 2004; Granger e cols., 2006; Pawlina e Lachman, 2004). A anatomia também é vista como a fundação do aprendizado tri-dimensional na educação médica (Marks, 2000) e o mais importante curso da ciência básica para alunos de medicina, de acordo com o resultado de uma pesquisa do programa de diretores da Residência Médica nos Estados Unidos da América (Cottam, 1999). Nos últimos anos, o ensino da Anatomia tem sido foco de intensas discussões em congressos e


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Por que ensinar Anatomia? reuniões de anatomistas, não só no Brasil, como também no exterior. Nesses eventos, sempre são apresentadas novas metodologias de ensino, novas abordagens para diferentes cursos da área da saúde, que não a medicina, mas parece que uma informação é bastante persistente: mesmo quando os métodos alternativos são apresentados, o cadáver parece estar presente, de alguma forma. Antes de discutir metodologias e abordagens de ensino da Anatomia, parece ser necessário discutir “Por Que Ensinar Anatomia?”. Esse é o título de um editorial publicado recentemente no periódico Anatomical Record (Paalman, 2000), após o levantamento de respostas recebidas para essa pergunta, lançada no “Wiley Anatomy Web site”, durante o ano de 1999. Desde o tempo de Aristóteles, o estudo das relações entre forma e função no “mundo vivo” tem sido considerado parte fundamental do ensino das “ciências da vida” (Blits, 1999). Até pouco tempo atrás, a todo estudante de ciências biológicas em geral, era requerida a demonstração de algum grau de competência em dissecação, e conceituação de modelos de organismos. Alunos de medicina passavam horas frutíferas, com cadáveres e lâminas de tecidos, sob a tutela de professores de Anatomia e Histologia, ganhando conhecimentos sobre o corpo humano, que serviam de base para sua educação médica. Hoje, biologistas moleculares modernos recebem graus impressionantes e perseguem questões fundamentais sobre genética do desenvolvimento e medicina molecular, sem sequer haverem cursado histologia básica ou um curso básico de desenvolvimento (Paalman, 2000). Mais alarmante é a erosão dos cursos de Anatomia Macroscópica das escolas médicas, saindo do papel de pilar fundamental do primeiro ano do curso médico para, algumas vezes, 4 ou 5 semanas de aulas, com avaliações de múltipla escolha, com pouco (se algum) contato com cadáver. Freqüentemente, as horas do curso de Anatomia são vítimas do material adicional do currículo médico, com foco nas técnicas modernas de biotecnologia, instrumentação diagnóstica e áreas complexas e crescentes da intervenção farmacológica (Paalman, 2000). Talvez a questão “Por Que Ensinar Anatomia” seja um alerta aos anatomistas e aos elaboradores dos currículos médicos do mundo de que, se não tomarmos cuidado, pesquisadores de medicina do século XXI – o promissor Século da Biologia – terão pouco conhecimento da bem argumentada e, primeira no tempo e importância, das disciplinas da biologia per se (Paalman, 2000). Anatomia, especialmente a Anatomia Macroscópica, deveria ser de grande e crescente interesse no ensino médico atual. Em decorrência dos altos e crescentes custos dos tratamentos em todas as áreas médicas, aqueles com um conhecimento sólido da Anatomia seriam capazes de limitar o uso de técnicas diagnósticas de alto custo. De fato, médicos modernos parecem ser rápidos na solicitação de tomografias computadorizadas (TC) ou ressonância nuclear magnética (RNM) ou outros testes laboratoriais quando, talvez, muitos dados pudessem ser obtidos mais


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Por que ensinar Anatomia? rapidamente com um RX simples e a tradicional investigação “hands-on” (Paalman, 2000). Muito tempo, esforço e dinheiro seriam poupados se houvesse mais ênfase nas relações estruturais e funcionais do corpo humano. Existe, atualmente um ensino “pobre” da Anatomia nas escolas médicas. Isso é resultado do fato de que muitos professores que ensinam Anatomia não são realmente anatomistas, mas biologistas moleculares que ensinam Anatomia, sem habilidade para verem e entenderem claramente a natureza interna do objeto de estudo ou, em alguns casos, sem mesmo ter cursado Anatomia (Moore, 1998; Colleman, 1999). Em outras situações, cirurgiões têm se dedicado ao ensino da Anatomia, sem treinamento específico para tal, o que acaba por superficializar o ensino e direcionar precocemente o aluno para problemas clínicos, sem criar a base fundamental para esse conhecimento. Nesses casos, os alunos vêem Anatomia apenas como uma porção de fatos isolados, e nunca compreenderão como a Anatomia pode se tornar um dos mais poderosos instrumentos da prática médica futura. A pesquisa biomédica básica também é vítima do treinamento insuficiente em Anatomia. Para que os cientistas da era molecular, que irão decifrar os componentes genéticos completos dos organismos, tenham sucesso, terão que definir esses dados moleculares no que diz respeito ao desenvolvimento organizacional, fisiológico, patológico e do envelhecimento (Paalman, 2000). O biologista celular ou molecular que conduz pesquisa em nível celular, mas que não é capaz de reconhecer a diferença histológica entre a glândula parótida e o pâncreas, é auto limitado. Em última análise, os geneticistas moleculares devem aprender a interpretar o padrão de expressão gênica em um camundongo ou rato, ou num verme, um organismo tridimensional, com tecidos, órgãos, segmentos ou membros, com um amplo conhecimento e significativo treinamento anatômico. O completo conhecimento do desenvolvimento necessita de mais que um conhecimento superficial da Anatomia. Para muitos investigadores não treinados, o único guia sobre Anatomia pode ser um livro-texto ou um livro-atlas na prateleira do laboratório, um levantamento superficial da literatura relevante, ou aquele professor emérito de Anatomia, no escritório empoeirado que fica ao final do corredor (Paalman, 2000). Essa abordagem do conhecimento em pesquisa vem de um inadequado alicerce dos fundamentos da Anatomia e Desenvolvimento, que irão interferir com a ciência moderna da “Era Genômica” em longo prazo (Paalman, 2000). Com a chegada do terceiro milênio – de fato, o quarto milênio para a Anatomia como ciência – parece mais que evidente que a falta de um treinamento adequado em Anatomia, tanto no ensino quanto na pesquisa, irá emperrar o progresso da pesquisa biomédica como um todo (Paalman, 2000).


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Por que ensinar Anatomia? Referências:

1. BLITS KC. Aristotle: form, function, and comparative anatomy. Anat Rec (New Anat) 257: 58-63, 1999.

2. COLEMAN R. Impact factors: use and abuse in biomedical research. Anat Rec (New Anat) 257: 54-57, 1999.

3. COTTAM WW. Adequacy of medical school gross anatomy education as perceived by certain postgraduate residency programs and anatomy course directors. Clin Anat 12: 55-65, 1999.

4. DYER GSM, THORNDIKE MEL. Quidine mortui vivos docent? The envolving purpose of human dissection in medical education. Acad Med 75: 969-979, 2000.

5. GRANGER NA, CALLESON DC, HENSON OW, JULIANO E, WINESKI L, MCDANIEL MD, BURGOON JW. Use of web-based materials to enhance anatomy instruction in the health sciences. Anat Rec 289B: 121-127, 2006.

6. GRANGER NA. Dissection laboratory is vital to medical gross anatomy. Anat Rec 281B: 6-8, 2004.

7. GREGORY SR, COLE TR. The changing role of dissection in medical education. MSJAMA 287: 1180-1181, 2002.

8. MARKS SC Jr. Human anatomy: a foundation for medical education about death and dying in medicine. Clin Anat 10: 118-122, 1999.

9. MARKS SC Jr. The role of three-dimensional information in health care and medical education: the implications for anatomy and dissection. Clin Anat 13: 448-452, 2000.

10. McLACHLAN JC, BLIGH J, BRADLEY P, SEARLE J. Teaching anatomy without cadavers. Med Educ 38: 418-424, 2004.


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Por que ensinar Anatomia?

11. McLACHLAN JC. New path for teaching anatomy: living anatomy and medical imaging vs. dissection. Anat Rec 281: 4-5, 2004.

12. MOORE NA. To dissect or not to dissect. Anat Rec (New Anat) 253: 8-9, 1998.

13. PAALMAN MH. Why teach Anatomy? Anatomists respond. Anat Rec (New Anat) 261: 1-2, 2000.

14. PAWLINA W, LACHMAN N. Dissection in learning and teaching gross anatomy: rebuttal to McLachlan. Anat Rec 281B: 9-11, 2004.

Profa. Dra. Valéria Paula Sassoli Fazan Professora Associada do Departamento de Cirurgia e Anatomia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP Secretária Geral da Sociedade Brasileira de Anatomia


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Como eu faço ... Estudo de Ossos Frescos de Porco na Aula Prática de Osteologia em Geral Roteiro para Estudo de Ossos Frescos de Porco Material:

Osso fresco de porco, cortado longitudinalmente Bisturi e pinça dente de rato 1 biscoitinho de polvilho

Trabalho: 1– Observe o osso que você recebeu. É um osso longo, e portanto, tem uma diáfise e duas epífises. 2– Observe que está revestido externamente por uma membrana intimamente aderida à superfície e, por fora dela, existem pedaços de tecido conectivo e alguns restos musculares. A membrana aderente é o periósteo. 3– Observe agora que dentro das extremidades, e em parte do corpo, existe uma massa de substância parecendo gordura, manchada de sangue, mais abundante nas extremidades do osso, ou próximo delas. Esta é a medula óssea. 4– Repare a espessura do osso ao longo do corpo e nas extremidades. 5– Existe uma linha, tortuosa, entre o corpo e as epífises, corada mais escuro: é a lâmina epifisial responsável pelo crescimento do osso em comprimento. 6-Note que a extremidade livre das epífises é revestida por cartilagem, branco azulada, lisa e brilhante. É a cartilagem articular que permite o deslizamento entre os ossos com o mínimo de fricção. Com o bisturi faça alguns cortes nesta cartilagem e depois repita isto na parte média do corpo do osso. Observe a diferença de dureza entre as duas partes. 7– Com o cabo do bisturi, ou da pinça, raspe a medula óssea de uma das epífises. Verifique que aqui há lamínulas ósseas em várias direções formando espaços que são ocupados pela medula óssea. Isto é tecido ósseo esponjoso. 8– Ainda com o cabo do bisturi vá tirando, camada por camada não muito profundas, a medula óssea que preenche a cavidade medular no corpo do osso. Trabalhe com cuidado porque você poderá encontrar, dentro da massa medular, a artéria nutrícia, não muito mais calibrosa do que um fio de cabelo. Se a achar limpe-a com cuidado até encontrar o ponto de penetração dela na cavidade. 9– Faça agora com o bisturi 4 ou 6 pequenos cortes (de mais ou menos 1 cm) perpendiculares ao longo eixo do corpo com uns 2 cm de comprimento, e ao redor do osso, separados por 1 ou 1,5 cm. Procure fazer estes cortes onde o periósteo não estiver totalmente coberto por restos de conectivo e músculos, mas onde estes restos estiverem presentes em pequena quantidade na superfície. Você ficou, agora, com 2 ou 3 retalhos de periósteo. Com a pinça dente de rato segure a margem livre do retalho e comece a descolar o periósteo do osso. Verifique como está aderente à superfície e como há diferença de aspecto entre as faces interna (osteogênica, aderente ao periósteo) e a externa (fibrosa). Onde houver externamente pedaços de músculo ou tendão vá suspendendo o periósteo, com cuidado, e


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Estudo de Ossos Frescos de Porco na Aula Prática de Osteologia em Geral

observando que na face profunda podem ser vistas inúmeras fibrilas indo do periósteo para o osso. São as fibras perfurantes (fibras de Sharpey) que entram no osso adentro prendendo firmemente o periósteo e os músculos ao osso. É possível que você veja estas fibras nas lâminas histológicas de osso. 10– Verifique se é possível retirar também uma fina membrana de conectivo que reveste internamente a cavidade medular. É o endósteo. Compare-o com o periósteo. 11– Agora peça ao Técnico do laboratório um fragmento de osso humano cortado como este que você está estudando. É osso HUMANO seco. Compare agora os tecidos ósseos compacto e esponjoso e a cavidade medular. Verifique as lamínulas do osso esponjoso e observe que elas têm uma certa orientação. 12– Pegue agora o biscoitinho de polvilho, quebre-o em duas partes e, com o bisturi, corte-o longitudinalmente. Veja como sua estrutura interna muito se parece com o osso esponjoso, mas não há cavidade medular. Os pequenos ossos do corpo humano são assim, com o corpo do osso esponjoso revestido com uma fina camada de osso compacto. Termina aqui o seu trabalho prático COM O OSSO FRESCO. Devolva tudo ao técnico ou ao auxiliar e, de agora em diante comece a estudar o esqueleto humano e os ossos, de acordo com o Guia: escápula, úmero, rádio, ulna, osso do quadril, fêmur e tíbia etc. LEMBRE-SE: não se estuda o osso apenas procurando identificar as estruturas pedidas no Guia por comparação com as figuras do atlas, mas lendo a descrição NO TEXTO e ACOMPANHANDO a leitura com o osso e o atlas. LEMBRE-SE SEMPRE: as figuras do atlas, em geral, são do lado direito, e você pode estar com um osso esquerdo que é a imagem espelhar da figura do atlas. As figuras do atlas não foram feitas, evidentemente, com o osso que você tem em mãos. Daí as pequenas diferenças entre a peça e a figura do atlas. Veja outros exemplares do Laboratório para observar possíveis variações.

Prof. Dr. Hélcio José Lins Werneck Coordenador de Ensino do Departamento de Anatomia da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (FAMERP) Ex-Presidente da Comissão Brasileira de Terminologia Anatômica Presidente da SBA 1976-1982


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Nossos Mestres ... Homenagem aos Professores Orlando Jorge Aidar, Dario Mori Romani e João Carillo PROFESSOR DOUTOR AIDAR, DÁRIO E CARILLO, Gostaria antes de mais nada de agradecer a honra que me foi concedida para falar de figuras ao mesmo tempo tão ilustres e tão queridas por todos nós. Estão de parabéns a SBA, na pessoa do Professor Richard Cabral, seu presidente, pela iniciativa de homenagear nossos queridos professores e, a nossa Faculdade de Ciências Médicas, na pessoa do seu Diretor, Professor Ernani Rolim, pelo irrestrito apoio dado a tão merecida homenagem.

O Professor Aidar nasceu na cidade do Rio de Janeiro, aos 13 de julho de 1915, filho do Sr. Jorge Aidar e da Sra. Maria da Purificação Bravo Aidar. Aprendeu suas primeiras letras na Escola São José, na cidade de Olímpia (SP). Terminou seu curso primário em Porto Alegre (RS). Metade do seu curso secundário foi feito no Rio de Janeiro e metade em Santos (SP). O pré-médico e a Faculdade de Medicina cursou-os na Universidade de São Paulo, graduando-se médico em 10 de dezembro de 1938. Imediatamente após sua formatura, em 1939, foi contratado como Professor Assistente de Anatomia em tempo integral na Faculdade em que se formou. Durante os anos de 1941 e 1942, com bolsa de estudos da Fundação Rockefeller, estagiou na Cornell University Medical School, onde se especializou em métodos de ensino e pesquisa em Anatomia. Aprofundou-se sobremaneira no estudo sistemático da Neuroanatomia. De volta ao Brasil exerceu na Faculdade de Medicina da USP vários cargos de relevância, dentre os quais, a Chefia da Secção de Neuropatologia, a partir de 1946. Durante os anos 1949 e 1950, também como bolsista da Fundação Rockefeller, retornou a Cornell, dedicando-se ao estudo da neuropatologia e novos métodos de investigação neuroanatômica. Ao retornar ao Brasil trabalhou com dois grandes professores de Anatomia, seus ídolos declarados, Professor Renato Locchi e Professor Odorico Machado de Souza. Recebeu a incumbência destes mestres de organizar e chefiar a Secção de Neuroanatomia, quando teve a oportunidade de introduzir e divulgar os novos métodos de estudo em Neuroanatomia, aprendidos nos Estados Unidos. Dentre suas funções didáticas na FMUSP destacou-se a disciplina Morfologia normal e patológica do sistema nervoso. Participou também dos cursos de Anatomia Descritiva e Topográfica, tendo regido este último em 1952. Em função de seu prestígio foi convidado a ministrar cursos sobre a organização dos novos


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Homenagem aos Professores Orlando Jorge Aidar, Dario Mori Romani e João Carillo

métodos de ensino neuroanatômicos em Recife, Maceió e Porto Alegre. Além disso, orientou e colaborou na confecção de material didático para as Faculdades de Medicina de Ribeirão Preto, Sorocaba, Curitiba, Belo Horizonte, Juiz de Fora, Rio de Janeiro e Niterói. Ainda na USP exerceu os cargos de Coordenador de Intercâmbio Cultural da FMUSP de 1952 a 1956 e foi Presidente da Comissão de Bolsas da UNESCO de 1955 a 1956. Foi também Membro da Comissão de Ensino da FMUSP, Membro da Comissão de Tempo Integral, Membro do Conselho de Redação da “Folia Clinica et Biológica” e Membro do Conselho da Editora da USP. Em 1956, a partir de entendimentos entre a Faculdade de Medicina da USP e o “Servicio Cooperativo Interamericano de Salud Publica” de El Salvador, na América Central, foi o Professor Aidar convidado a organizar o Laboratório de Anatomia da Escola de Medicina daquele país centroamericano. Sua estada inicialmente prevista para dois anos, prolongou-se até 1960, quando retornou ao Brasil. Durante os seus quatro anos de permanência em El Salvador ministrou os cursos de Anatomia, Histologia, Embriologia, Neuroanatomia, Neuropatologia e Tecnologia Médica. Foi em El Salvador, que o Professor Aidar pode plantar as primeiras sementes da nova visão do ensino da Morfologia, área que abrangia o estudo conjunto e sistematizado da Anatomia, Histologia e Embriologia Humanas, que para o Prof. Aidar eram apenas modos diferentes de se observar as mesmas coisas, ou seja: através da Anatomia estudava-se o corpo humano macroscopicamente; através da Histologia microscopicamente e, através da Embriologia estudava-se o seu desenvolvimento, desde os primórdios da gametogênese, passando pelas fases iniciais do desenvolvimento e terminava com o estudo da embriogênese dos diversos órgãos que compõem os diversos sistemas orgânicos do corpo humano. Finalmente, durante o ano de 1963 trabalhou o Professor Aidar como Consultor em Educação Médica, da Organização Mundial da Saúde. Exatamente no mesmo ano de 1963 o Professor Aidar, optou de forma decidida e corajosa pela troca de sua exitosa carreira de Professor na USP por uma nova carreira na nossa Faculdade de Ciências Médicas, de formato bastante diferente daquele adotado pela FMUSP. Trocou voluntariamente a tradição e a grandeza da melhor Faculdade de Medicina do país, por uma Faculdade que dava seus primeiros passos, impulsionada pelo espírito desbravador e dinâmico do Professor Emilio Athiê, seu fundador e primeiro Diretor, de quem o Professor Aidar foi excelente auxiliar desde os seus primórdios. Posteriormente, o Professor Aidar foi Diretor de nossa Faculdade (1982-1984) e seu vice-diretor em várias gestões. Foi patrono dos formandos em Medicina em 1994 e 1999. Foi, portanto, em nossa querida Faculdade que o Professor Aidar pode aplicar na prática todo o seu imenso cabedal de conhecimento morfológico e, sobremaneira, o novo modo de fazer os alunos estudarem Medicina. Nas palavras do Professor Aidar, “o aluno devia aprender a aprender”. O Departamento lhes fornecia o material didático: os cadáveres, os microscópios e as lâminas e, os alunos utilizando-se dos livros de texto, descobriam passo a passo os caminhos que os levava a aprender de modo seguro as Ciências Morfológicas. Indubitavelmente, a jóia da coroa do Departamento de Morfologia para o Professor Aidar, era o Curso de Neuroanatomia, onde o Mestre atingia o apogeu do ensinar. Seu entusiasmo pela Neuroanatomia cativava os mais jovens, fazendo-os procurar cada vez mais os intrincados caminhos dos circuitos neuroanatômicos. Frise-se que a Neuroanatomia ensinada em nossas Faculdades até então, consistia apenas no estudo macroscópico do sistema nervoso central. O Professor Aidar, sob a égide dos dois ilustres mestres já citados, foi o introdutor e principal divulgador da moderna Neuroanatomia em nosso meio, fato que persiste intocado em nossa Faculdade até os dias atuais. Os cortes seriados da medula espinhal, do tronco encefálico e do cérebro, enfatizando a identificação dos núcleos dos nervos cranianos, dos principais fascículos relacionados às principais vias aferentes e eferentes, foram introduzidos no Brasil pelo Professor Aidar. As lâminas maiores do sistema nervoso central, colocadas em pequenas vitrines iluminadas, confeccionadas sob a supervisão do Professor Aidar permanecem


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Homenagem aos Professores Orlando Jorge Aidar, Dario Mori Romani e João Carillo

em perfeitas condições de uso em nosso Departamento, desde a primeira turma da Faculdade até as turmas atuais. Do seu legado intelectual fazem parte vários trabalhos publicados em conceituadas revistas nacionais e internacionais, além de excelentes traduções de livros de texto de Anatomia e Embriologia. Destacam-se entre as traduções realizadas pelo Professor Aidar, as do livro “The anatomy of the nervous system”, de autoria de S.W. Ranson & S. L Clark, além da excepcional tradução do livro “Anatomy of the human body”, de R. D. Lockhart, G.F. Hamilton & F.W. Fyfe, ambos utilizados pelos nossos alunos hodiernamente. O Professor Aidar poderá ser lembrado por várias de suas qualidades. Homem sóbrio, discreto, elegante, sério, disciplinador, estudioso e exemplo sempre a ser seguido por todas as gerações que o sucederam. Todavia, sua principal virtude foi ter acreditado num sonho e tornado esse sonho na mais clara das realidades. Ao trocar a certeza de uma carreira brilhante na USP pela incerteza de uma nova carreira docente, numa Faculdade que engatinhava, tornou-se um exemplo de arrojo e dedicação, sem jamais ter perdido o contato acadêmico e a estima dos seus grandes Mestres. Em nossa instituição tornou-se paradigma de correção, como pessoa e como Professor. Deixa em cada um de seus alunos, de forma indelével e acentuada, a marca do seu caráter e do seu estilo docente. Entre os seus amigos e colegas do Departamento de Morfologia deixou um enorme vazio, uma incomensurável saudade e a certeza que todos nós nos empenharemos sempre para que a chama deixada pelo querido Mestre jamais se apague.

Prof. Dr. Dario Mori Romani Com a chegada do Professor Aidar à nossa Faculdade, havia a necessidade premente de professores de Morfologia, que pudessem participar de todas as disciplinas abrangidas pelo Departamento. O primeiro a aceitar tão difícil missão foi o Professor Dario Mori Romani, que desde o ano de 1963 até o início do presente século labutou ao lado do Professor Aidar, ensinando Morfologia para milhares de alunos que por aqui passaram. Frise-se que durante todo esse período conseguiu conciliar sua atividade docente com a de cirurgia geral, que também exercia com maestria. Introduziu na carreira cirúrgica vários alunos de nossa Faculdade, fazendo-os auxiliar suas cirurgias. Posteriormente vários deles tornaram-se excelentes cirurgiões e, alguns deles hoje são professores de nossa Faculdade. O Professor Dario Mori Romani nasceu em Botucatu, em 27 de setembro de 1923. Graduou-se em Medicina pela Escola Paulista de Medicina em 1949. Juntamente com seu grande amigo e colega de turma, Dr. Nelson José Barbano, logo após a sua formatura veio trabalhar na Santa Casa de São


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Paulo, na 3ª Cirurgia de Homens, chefiada pelo Dr. José Soares Hungria. Posteriormente fez parte da equipe cirúrgica chefiada pelo Dr. Álvaro Dino de Almeida, aí permanecendo até 1963, quando convidado pelo Prof. Aidar, tornou-se docente do Departamento de Morfologia de nossa Faculdade. Dominava com facilidade o conteúdo das três disciplinas do Departamento e as ensinava com muita didática para todos, alunos e professores mais jovens. Tornou-se rapidamente um ídolo entre os alunos, tendo sido patrono dos formandos de Medicina nos anos de 1987 e 1990, além de homenageado inúmeras vezes. Aliava um amplo conhecimento de Morfologia a uma simpatia e carisma pessoais que cativavam os alunos, tornando o aprendizado muito mais fácil. Homem de extrema bondade, a todos ajudava e a todos incentivava. Foi Chefe do Departamento por muitos anos, permanecendo até 1994, quando tive o prazer de substituí-lo. Embora não trabalhe mais conosco no dia a dia, estão sempre na nossa lembrança, os seus ensinamentos, a sua simpatia e o seu bom humor, que tanto ajudavam a manter um clima de fraternidade entre os professores. Afastou-se do Departamento por problemas de saúde, está hoje aqui presente, recebendo essa homenagem da SBA.

Prof. Dr. João Carillo

O Professor João Carillo, amigo de longa data do Professor Romani, é médico formado pela Escola Paulista de Medicina em 1953. Como acadêmico de Medicina, em 1951, foi plantonista de porta, expressão da época, na Santa Casa, às terças-feiras. Formado foi trabalhar na Enfermaria chefiada pelo Dr. José Soares Hungria. Ali conheceu o Professor Álvaro Dino de Almeida, eminente cirurgião, com o qual trabalhou de 1952 até 1972. Com a morte do Professor Dino de Almeida em 1983, como era muito amigo do Dr. Dario Romani, convidado por este último, iniciou seu trabalho como Professor Instrutor no Departamento de Morfologia, em 1986, onde se encontra até os dias atuais. É interessante ressaltar que durante todo esse longo tempo, exatos 22 anos, sempre foi o primeiro a chegar ao Departamento, ao redor das 5:15 horas da manhã. Frise-se também que sempre trabalhou como Professor voluntário, jamais aceitando ser remunerado pelo seu trabalho. Metódico, organizado, auxilia em todas as tarefas do Departamento. Seu dinamismo e sua disposição entusiasmam a todos os seus colegas, que hoje mais que colegas, são seus amigos e profundos admiradores.


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Homenagem aos Professores Orlando Jorge Aidar, Dario Mori Romani e João Carillo

Tornou-se merecidamente um ícone em nosso meio, um exemplo de energia, jovialidade e caráter, para todos os funcionários, professores e alunos do Departamento. Amigo e companheiro de todas as horas, por todas as suas qualidades merece todas as homenagens de seus amigos e colegas de Departamento. A esses três Mestres hoje homenageamos de forma singela, mas impregnada de amor, respeito e, principalmente, sempre os tendo como modelos a serem seguidos, tentando incessantemente transmitir aos nossos alunos, todos os ensinamentos deles emanados. Obrigado pela presença de todos e novamente pela honra a mim concedida.

(Discurso proferido pelo Prof. Dr. José Rafael Macéa no dia 11 de agosto de 2008, na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, por ocasião das Comemorações dos 200 Anos de Anatomia no Brasil)

Prof. Dr. José Rafael Macéa Professor Adjunto do Departamento de Morfologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) Ex-Chefe do Departamento de Morfologia da FCMSCSP


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