O Anatomista Revista de Divulgação Cientìfica da Sociedade Brasileira de Anatomia Ano – 2, Volume – 1, Janeiro-Março, 2011
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Sumário ANATOMIA E ARTE I
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ANATOMIA E ARTE II
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ANATOMIA: PERSPECTIVAS PARA O FUTURO
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MÉTODOS DE ENSINO EM ANATOMIA: DISSECÇÃO VERSUS PROSSECÇÃO
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IMHOTEP: O DEUS ANATOMISTA
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DISPONÍVEL NA INTERNET...
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Expediente O ANATOMISTA Revista de Divulgação Científica da Sociedade Brasileira de Anatomia Editores: Nadir Eunice Valverde Barbato de Prates e Richard Halti Cabral Conselho Editorial:
Arani Nanci Bomfim Mariana José Aderval Aragão Marcelo Cavenaghi Pereira da Silva João Carlos de Souza Cortes Mirna Duarte Barros Telma Sumie Masuko
Capa: As imagens foram obtidas do site do Museo Anatómico Pedro Ara (http://www.museoanatomicoara.fcm.unc.edu.ar) da Universidade Nacional de Córdoba, Córdoba, Argentina. A responsabilidade do conteúdo dos artigos deve ser atribuída, exclusivamente, aos seus respectivos autores. As opiniões manifestadas nos artigos não, necessariamente, refletem a opinião da Sociedade.
E-mail: sba@icb.usp.br Site: www.sbanatomia.org.br Tel. :(11) 3091-7978 / Tel. /Fax: (11) 3813-8587
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Anatomia e Arte I Núcleo de Estudos em Anatomia Artística
Núcleo de Estudos em Anatomia Artística
Criado em 2007 pelo professor de Anatomia da FARN André Luiz Silva Davim, o Núcleo de Estudos em Anatomia Artìstica do Rio Grande do Norte desenvolve atividades de ensino e pesquisa com a utilização da técnica de pintura corporal que vem sendo executada por seus ex-alunos João Faustino da Silva Neto e Diego Filgueira Albuquerque. Em breve será lançado um catálogo contendo o trabalho desenvolvido pelo núcleo e que foi documentado pelo fotógrafo Pablo Pinheiro.
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Anatomia e Arte II Vanessa Ruiz—Street Anatomy
Vanessa Ruiz Street Anatomy é a criação de Vanessa Ruiz, diretora de arte, ilustradora médica, blogueira e fanática pela Anatomia. Ela criou o “Street Anatomy” ao começar seu mestrado na Universidade de Illinois em Chicago, em um dos cinco programas de ilustrações médicas de pós-graduação na América do Norte. Ela, atualmente, trabalha como diretora de arte sênior em um das melhores agências de publicidade farmacêutica no centro de Chicago. Ela também é curadora da primeira exibição na galeria “Street Anatomy”, desde o final de 2010, no Museu Internacional de Ciência Cirúrgica. Vanessa também é a autora da “Think Anatomy”. Imagens retiradas da página: http://streetanatomy.com/2007/08/08/wearing-your-anatomy-on-your-skin-the-anatomy-tattoo-gallery/ Páginas contendo informações sobre a autora: http://streetanatomy.com/about/ Página do Think Anatomy: http://thinkanatomy.com/
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Anatomia: Perspectivas para o Futuro “A Anatomia nunca foi e jamais será o ramo seco da Biologia” Alfonso Bovero (1871-1937)
Ela tem passado por transformações, como tem demonstrado sua história. Inicialmente uma arte de dissecar que se tornou ciência pela soma de conhecimentos que proporcionou, surgindo posteriormente a preocupação do valor funcional dentro da forma. O progresso da medicina e da cirurgia em particular tem levado ao necessário exagero da minúcia anatômica, e o próprio cirurgião tem procurado os laboratórios de Anatomia com interrogações a respeito de pormenores anatômicos necessários a sua atuação como profissional. O valor da Anatomia é indiscutìvel, seja para fins de ensino escolar, seja na pesquisa, numa contìnua revisão e ampliação de conhecimentos. A Anatomia em todos os seus campos oferece ainda e sempre novas perspectivas e requer agora mais acentuadamente espìrito de colaboração, formação de “grupo”; o anatômico não pode isolar-se do fisiológico, histológico, quìmico e patológico, segundo a diretriz de suas investigações. O isolamento comum em nossos meios universitários deve ser evitado, combatido e vencido. O que dissemos acima não representa inovação, mas simplesmente uma repetição e o anseio de reafirmação dos ensinamentos transmitidos pelo Prof. Dr. Renato Locchi (18961978), mestre de excepcional visão, renovador incansável, sempre entusiasmado com a investigação, atraindo, incentivando e orientando os estudiosos.
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Anatomia: Perspectivas para o Futuro “Pode-se ser grande anatomista sem ser médico ou cirurgião, mas não se pode ser médico ou cirurgião sem ser anatomista” Jean Cruveilhier (1791-1874) “Não conhecer anatomia seria navegar sem bússola numa perigosa viagem” Girolamo Fabricius D’Acquapendente (1533-1619)
Prof. Dr. José Carlos Prates Professor Titular do Departamento de Morfologia e Genética da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP-EPM) Membro Honorário Nacional do Colégio Brasileiro de Cirurgiões Membro da Academia de Medicina de São Paulo Maestro de la Anatomia de las Américas (Associação Panamericana de Anatomia) Ex-Presidente e Sócio Honorário da Sociedade Brasileira de Anatomia
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Métodos de Ensino em Anatomia: Dissecção versus Prossecção Quantas vezes, nós anatomista já não nos deparamos que a seguinte pergunta “Devemos continuar ensinando Anatomia através de dissecação quando tantas outras Escolas Médicas já a abandonaram?”. Administradores de Escolas Médicas estão altamente preocupados com a gestão do tempo e controle dos custos em seus programas educacionais. A ciência e a tecnologia que dão suporte à medicina estão aumentando rapidamente e, por outro lado, existem crescentes preocupações a respeito do fato que as Escolas Médicas deveriam devotar mais tempo para aspectos éticos, do profissionalismo e humanìsticos (Rizzolo e Stewart, 2006). Muitos tópicos relevantes competem por tempo na grade curricular. Em face de desafios como esses, os cursos de Anatomia e os programas de doação de corpos estão sob intensa avaliação, classificados como sendo longos, de excessivo trabalho e de alto custo. Devemos notar, com muito cuidado, que muita atenção tem sido dada quando uma boa Escola Médica abandona a dissecação ou usa cadáveres previamente dissecados (“prossection”) para demonstrações, mas, pouca ou nenhuma atenção é dada quando o processo é revertido (Rizzolo e Stewart, 2006). Rizzolo e Stewart (2006) desenvolvem sobre o tema “Por que a dissecação é tão importante?” em três tópicos básicos: Primeiro, quais são os hábitos comportamentais exigidos dos clìnicos e como a dissecação ajuda no desenvolvimento desses? O ritmo da prática clìnica envolve observação e história clìnica direcionadas para a descoberta de fatos; interpretação de achados para o desenvolvimento de um diagnóstico diferencial; desenvolvimento e execução de um plano para o manejo adequando do caso. O ritmo do laboratório de Anatomia é o mesmo: observação para a distinção entre estruturas reconhecìveis das desconhecidas; interpretação do que se vê para desenvolver uma identificação diferencial; posterior dissecação/exploração para se distinguir entre as possibilidades da identificação diferencial. Esse processo envolve conhecimento obtido através de trabalho acadêmico, discussão e trabalho de grupo, que muitas escolas tem tentado obter através do ensino baseado em problemas (PBL). Segundo, não importa quão sofisticado um programa de computador possa ser e, apesar dos avanços que anatomistas e radiologistas fizeram sobre a simulação virtual da
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Métodos de Ensino em Anatomia: Dissecção versus Prossecção anatomia, o trabalho ainda aparece em uma tela bi-dimensional. Quando a radiologia e a dissecação são combinadas, os alunos desenvolvem uma imagem mental tri-dimensional dinâmica da Anatomia. O objetivo do laboratório de dissecação é o desenvolvimento de habilidades espaciais que irão permitir aos clìnicos a interação com radiologistas e cirurgiões, explicar resultados de exames de imagens aos pacientes e desmistificar os procedimentos cirúrgicos que eles solicitam aos seus pacientes. Um terceiro ponto importante que deve ser considerado é o lado humanìstico da dissecação. Os hábitos comportamentais discutidos acima, as atitudes éticas, a empatia e o humanismo estão embutidos no conceito de profissionalismo. Profissionalismo deve ser parte da cultura da educação médica. Um curso de Anatomia puramente radiológico ou baseado em programas de computação estaria subtraindo o lado humanìstico da Anatomia, uma subtração que negaria aos estudantes uma oportunidade crucial de reflexão sobre os sentimentos de mortalidade, humildade e espiritualidade que envolve a dissecação. A história da dissecação nas Escolas médicas Norte Americanas se iniciou em 1765, com a fundação da Escola da Filadélfia, que incluìa, em seu currìculo, um vigoroso curso de Anatomia com laboratório de dissecação (Elizondo-Omaña e cols., 2005). No inìcio do século XIX houve uma crescente demanda de cadáveres naquele paìs, mas não havia corpos suficientes para atender a essa demanda. Isso aconteceu porque, em alguns dos Estados Norte Americanos, os únicos cadáveres que estavam legalmente disponìveis para dissecação eram os cadáveres de criminosos executados. Com isso, a violação de túmulos, com o roubo de cadáveres, se tornou comum e frequente. Em 1825, na intenção de se acabar com o roubo de cadáveres, a Universidade de Harvard e a Escola Médica de Massachusets iniciaram um movimento para se legalizar a dissecação nas Escolas Médicas e em 1831 foi aprovado o “Massachusets Anatomical Act”, que estabeleceu que corpos não reclamados poderiam ser utilizados legalmente para dissecações (Dyer e Thorndike, 2000). Assim a maioria dos cadáveres utilizados para dissecação no inìcio do século XX eram exclusivamente aqueles de cadáveres não reclamados. Essa realidade mudou quando em 1968, foi adotado o “Uniform Anatomy Gift Act”, no qual foi reconhecido o direito da doação, de acordo com a livre-vontade e o voluntariado. Esse ato foi modificado em 1987, tornando claro o processo de doação, quando a intenção (vontade) do doador foi reconhecida como irrevogável (Jones, 1994). No presente momento, a grande maioria dos cadáveres disponìveis para dissecação, nas escolas Norte Americanas, é obtida através de doação
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Métodos de Ensino em Anatomia: Dissecção versus Prossecção (Tward e Patterson, 2002). Assim, nos Estados Unidos da América, 97 % das Escolas Médicas usa a dissecação em adição a outras ferramentas para o ensino da Anatomia, como peças previamente dissecadas, modelos anatômicos e laboratórios de computação. Essa realidade das Escolas Norte Americanas é bastante diferente da nossa. Com a ausência de legislação efetiva a respeito da doação de corpos e com os impedimentos culturais e religiosos da nossa população, estamos ainda na situação que os Estados Unidos da América estava há quase dois séculos, quando somente corpos não reclamados podem ser utilizados para dissecação. Esses fatos ilustram com muita propriedade nossa dificuldade na obtenção de material cadavérico para o ensino da Anatomia. A dissecação como ferramenta para o ensino da Anatomia é raramente utilizada nas Escolas Médicas e de áreas da saúde no Brasil, principalmente pela dificuldade na obtenção do material cadavérico. Na maioria das escolas onde existem cadáveres disponìveis para o ensino da Anatomia, os alunos utilizam cadáveres previamente dissecados e já estudados em outros anos, por outras turmas, dos mais diversos cursos da área da saúde. Com o excessivo manuseio do material cadavérico, as estruturas anatômicas mais delicadas acabam por se romper, levando a um claro prejuìzo do aprendizado. Apesar de todas a vantagens já enumeradas a respeito da dissecação como metodologia de ensino, consideramos que a “prossecção” (palavra que não existe no dicionário da Lìngua Portuguesa, mas que utilizaremos nesse trabalho para definir a utilização de cadáveres previamente dissecados para o ensino da Anatomia, palavra “traduzida” da expressão “Prossection”, da Lìngua Inglesa) também pode ser utilizada de forma adequada como metodologia de ensino. Existe um argumento de que, para facilitar o entendimento das relações espaciais, se deve começar pela visualização simplificada das linhas fundamentais e padrões de simetria e depois partir para as organizações mais complexas (Miller, 2000). Nesse aspecto, esse processo pode se beneficiar da prossecção uma vez que a dissecação se inicia de uma estrutura complexa e a reduz, fazendo o processo inverso (Topp, 2004). O tempo dedicado ao laboratório de Anatomia tem sido cada vez mais reduzido com as mudanças curriculares e, o pouco que sobra, deve ser utilizado de maneira sábia. Assim, a prossecção pode ser um método eficiente que contemple o manuseio do cadáver de maneira mais rápida que na dissecação. Embora a prossecção tenha sido utilizada normalmente para demonstrações de dissecações difìceis, promovendo visualizações alternativas de uma determinada região, estudos recentes demonstram que
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Métodos de Ensino em Anatomia: Dissecção versus Prossecção ela pode também ser utilizada em substituição de dissecações simples (McWhorter e Forester, 2004). Também é interessante lembrar que a prossecção estimula anatomistas clìnicos a refletir que, embora isso possa parecer muito simples, os estudantes são desafiados igualmente no aprendizado da terminologia anatômica, estruturas, relações espaciais, e conceitos a partir de peças previamente dissecadas, assim como na dissecação (Topp, 2004). É importante lembrar que uma ampla variedade de estruturas e relações anatomicamente normais está presente no laboratório de Anatomia. Também é verdade que somente poucos livros-texto modernos trazem figuras ilustrando variações, deixando de mencionar informação importante sobre a freqüência populacional de cada variação (Willan e Humpherson, 1999). Estudantes que apreendem com prossecções ganham a oportunidade de entrar em contato e verificar a existência de muitas variações, ao invés de somente poucas ou nenhuma variação presente naquele “seu” cadáver de dissecação (Topp, 2004). De fato, isso acontece nos laboratórios onde temos a oportunidade de trabalhar. Mesmo com um número reduzido de cadáveres, nossos alunos têm acesso a diferentes variações anatômicas após o aprendizado do normal. Um determinado indivìduo exibe variações contìnuas em quase todos os aspectos quando estudado como parte de uma população especìfica. Essa variabilidade apresenta valor adaptativo e é o “material bruto” da mudança evolucionária/adaptavia facilitada pela seleção natural através de muitas gerações (Aiello e Dean, 1990). Apesar da significância óbvia da variabilidade humana para o diagnostico clìnico, a tendência nas últimas décadas do século XX tem sido a visão do corpo humano como um tipo fixo, idealizado de normal; os estudantes acabam por aprender uma Anatomia de um protótipo humano inexistente (Aziz e cols., 2002). A supersimplificação tem levado ao treinamento pobre, resultando em diagnósticos imprecisos e induzindo a prática clìnica errônea (Gray e cols., 1974; Willan e Humpherson, 1999, Wise, 2000). Para se preparar um estudante para a imprevisibilidade em decorrência das variações anatômicas, se faz necessária a observação direta das mesmas, através da comparação de múltiplos cadáveres (Gray e cols., 1974; Willan e Humpherson, 1999, Wise, 2000, Ellis, 2001, Aziz e cols., 2002). Além disso, o fato de que os livros-texto modernos não trazem mais as informações sobre as variações, reforça a importância do nosso trabalho no dia a dia do laboratório de Anatomia, onde sempre temos a oportunidade de chamar a atenção para variações sabidamente existentes, fornecendo a base sólida para uma prática clìnica adequada no futuro.
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Métodos de Ensino em Anatomia: Dissecção versus Prossecção Referências: 1. Aiello L, Dean C. An introduction to human evolutionary anatomy. London: Academic press. 2. Aziz M, McKenzie J, Wilson J, Cowie R, Ayeni S, Dunn B. The human cadaver in the age of biomedical informatics. Anat Rec 269: 20-32, 2002. 3. Dyer GSM, thorndike MEL. Quidine mortui vivos docent? The envolving purpose of human dissection in medical education. Acad Med 75: 969-979, 2000. 4. Elizondo-Omaña RE, Guzmán-López S, García-Rodríguez MLA. Dissection as a teaching tool: Past, present and future. Anat Rec 285B: 11-15, 2005. 5. Ellis H. Teaching in the dissecting room. Clin Anat 14: 149-151, 2001. 6. Gray SW, Olafson RP, Skandalakis JE, Harlaftis N. Developmental origin of the double gallbladder. Contemp Surg 4: 71-76, 1974. 7. Jones DG. Use of benquathed and unclaimed bodies in dissecting room. Clin Anat 7: 102107, 1994. 8. McWhorter D, Forester J. Effects of an alternate dissection schedule on gross anatomy laboratory practice performance. Clin Anat 17: 144-148, 2004. 9. Miller R. Approaches to learning spatial relationships in gross anatomy: perspective from wider principles of learning. Clin Anat 13: 439-443, 2000. 10. Rizzolo LJ, Stewart WB. Should we continue teaching anatomy by dissection when…? Anat Rec 289B: 215-218, 2006.
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Métodos de Ensino em Anatomia: Dissecção versus Prossecção 11. Topp KS. Prossection vs. dissection, the debate continues: Rebutal to Granger. Anat Rec 281B: 12-14, 2004. 12. Tward AD, Patterson HA. From grave robbing to gifting: Cadaver supply in the United States. JAMA 287: 1183, 2002. 13. Willian P, Humpherson J. Concepts of variation and normality in morphology: important issues at risk of neglect in modern undergraduate medical courses. Clin Anat 12: 186-190, 1999. 14. Wise GE. The new anatomy: A forecast of hope. Clin Anat 13: 148-149, 2000.
Profa. Dra. Valéria Paula Sassoli Fazan Professora Associada Divisão de Anatomia do Departamento de Cirurgia e Anatomia da FMRP-USP Sócia da Sociedade Brasileira de Anatomia
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Um pouco de história ...
Imhotep: O Deus Anatomista
(Imagens extraìdas da páginas http://www.touregypt.net/featurestories/imhotep.htm, http://en.wikipedia.org/wiki/Imhotepe http:// www.wcsks.com/MS/nixonD/documents/Diana.pdf)
Considerado por vários autores, “o primeiro médico do mundo", Imhotep (= aquele que vem em paz) exerceu grande influência no mundo antigo, sendo lembrado e respeitado, por mais de 3000 anos. Nascido em Ankhtowë, próxima à Memphis, capital do Baixo Egito, Imhotep viveu no perìodo de 2.655 a 2.600 a. C., durante a terceira dinastia real, servindo o Faraó Djoser. Ao mesmo tempo em que atuava como sacerdote de Heliópólis, este cidadão egìpcio desempenhava as funções de escriba, arquiteto, engenheiro, astrônomo, mágico e médico.
Os antigos egìpcios atribuìam a ele os seguintes feitos:
criação do pensamento medico-cientìfico;
fundação da primeira Escola Médica do mundo, localizada em Memphis e denominada “Asklepion”;
registro, pela primeira vez na história, de doenças e seus tratamentos;
construção das primeiras colunas utilizadas em arquitetura e das primeiras construções revestidas por pedras;
construção da primeira pirâmide em degraus (Pirâmides de Saqquara);
desenvolvimento da técnica de confecção e utilização dos papiros. É dele a frase: “Comer, beber e ser feliz porque amanhã morreremos” Na área da biologia e da medicina, acredita-se que Imothep foi o autor do papìro de
Edwin Smith, no qual encontram-se descritas mais de 90 estruturas anatômicas e 48 tipos
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Imhotep: O Deus Anatomista de lesões. Segundo Sir William Osler, Imhotep diagnosticou e tratou mais de 200 doenças, como tuberculose, apendicite, gota e artrite; fez inúmeros procedimentos cirúrgicos e tratamentos odontológicos e produziu vários remédios a partir de plantas.
Papiro de Edwin Smith (extraìdo da página http://en.wikipedia.org/wiki/Edwin_Smith_papyrus)
Há evidências de que Imhotep conhecia a posição e a função dos órgãos vitais, a circulação sanguìnea, as suturas do crânio, a coluna vertebral, a medula espinal, as meninges e o liquor (conforme descrições encontradas nos casos clìnicos apresentados no papiro de Edwin Smith).
Descrição egìpcia das circunvoluções do cérebro
Descrição egìpcia das meninges
Descrição egìpcia do liquor (figuras extraìdas da página http://faculty.washington.edu/chudler/papy.html)
Imhotep exerceu tamanha influência nas civilizações egìpcia, grega, romana que
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Imhotep: O Deus Anatomista após 2000 da sua morte, ele foi elevado à categoria de “Deus Egìpcio”, associado a Thoth, deus da sabedoria, da escrita e do aprendizado. Acredita-se que ele chegou, inclusive, a influenciar a civilização árabe. Referênicas: 1- Brandt-Rauf, PW & Brandt-Rauf. History of occupational medicine: relevance of Imhotep and the Edwin Smith papyrus. British Journal of Industrial Medicine, v. 44, p. 68-70, 1987 (link para o artigo)
2– Goodrich, JT. Cervical spine surgery in the ancient and medieval worlds. Neurosurg Focus 23(1): E7, 2007 (link para o artigo) 3– Risse, GB. Imhotep and Medicine - a reevaluation. West J Med, v. 144, p. 622-632, 1986 (link para o artigo)
4– Soundhas, E & Finger, S. Aphasia and the CNS from Imhotep to Broca. Neuropsychology, vol 2, p. 87-110, 1988 (link para o artigo) 5– Van Middendorp, JJ; Sanchez, GM; Burridge, AL. The Edwin Smith papyrus: a clinical reappraisal of the oldest known document on spinal injuries. Eur Spine J 19 (11): 18151823, 2010 (link para o artigo) Agradecimento especial ao Prof. Dr. Carlos R. Rueff-Barroso, da Universidade Federal Fluminense, pela sugestão do tema.
Prof. Dr. Richard Halti Cabral Professor Doutor do Departamento de Anatomia do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo Professor Titular da Universidade Metropolitana de Santos Vice-Presidente da Sociedade Brasileira de Anatomia
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Disponível na internet ... Recursos Didáticos Disponíveis na Internet
Anatomia Clínica e Topográfica: interessante recurso, disponibilizado em lìngua inglês e que contém informações e ilustrações acerca de Anatomia Topográfica e Histologia http://130.60.57.53/anatomy/Anatomy.html
Loyola University Medical Education Network Dissector: fonte de vários recursos didáticos para anatomia macroscópica. Contém aulas, fotos de dissecções reais e outros. http://www.meddean.luc.edu/lumen/meded/ grossanatomy/index.htm
SUNY Gross Anatomy: apresenta recursos de imagens nas áreas de anatomia e patologia. http://www.upstate.edu/cdb/education/ grossanat/
Department of Anatomy—University of Wisconsin: contém vídeos didáticos de dissecção das várias regiões do corpo humano. http://www.anatomy.wisc.edu/courses/gross/
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Disponível na internet ... Anatomia do Cão e do Gato: página da Universidade Estadual de Washington, contendo recursos de anatomia veterinária de cães e gatos. www.vetmed.wsu.edu/cliented/anatomy
Ilustrações para Anatomia Veterinária: contém várias ilustrações sobre a anatomia de cães, gatos, porcos, caprinos, ovinos, bovinos e equìnos. www.images4u.com
Anatomia Collection: coleção de ilustrações anatômicas da Biblioteca da Universidade de Toronto, contendo bras de 1522 a 1867. http://link.library.utoronto.ca/anatomia/ application/index.cfm
Bassett Collection: coleção de imagens estereoscópicas da Escola de Medicina de Stanford. http://lane.stanford.edu/biomed-resourses/ bassett/index.html eSkeletons: anatomia comparada do esqueleto do homem com as diferentes espécies de primatas, organizada pela Universidade do Texas. http://www.eskeletons.org
Historical Anatomies on the Web: contém imagens de alta qualidade relacionadas à história da Anatomia e às obras clássicas. http://www.nlm.nih.gov/exhibition/ historicalanatomies/home.html
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