COMO TRABALHAR O CURRÍCULO DO ENSINO MÉDIO
Em entrevista exclusiva à Direcional Escolas, o diretor-geral do Colégio Renascença, João Carlos Martins, discorre sobre as alternativas que os gestores encontram para formatar um novo modelo de Ensino Médio, que atenda às necessidades de formação do jovem, bem como de preparo para exames tão diferenciados de acesso ao Ensino Superior, como a Fuvest e o ENEM, entre outros. Por Rosali f igueiredo
Faz pouco mais de um ano que a Câmara de Educação Básica, vinculada ao Ministério da Educação, lançou as novas Diretrizes Curriculares do Ensino Médio. Mas a celeuma “Ensino Médio” não teve descanso. Escolas e educadores continuaram questionando o que consideram um currículo ainda excessivo. “O documento trouxe a preocupação com o currículo mais integrado, mas está se falando da necessidade de mudanças das disciplinas, de um Ensino Médio mais enxuto e que traga projetos para dentro da sala de aula”, aponta o diretor-geral do Colégio Renascença, João Carlos Martins.
Segundo ele, a discussão em torno do Ensino Médio se manteve em pauta, pois, “na prática, as novas diretrizes não conseguiram resultados. O que se tem que ver é qual o objetivo do currículo dentro da escola, e essa é uma discussão séria.”
Há oito anos nomeado gestor de uma escola nonagenária e vinculada à comunidade judaica, João Carlos Martins é Doutor em Psicologia da Educação, Mestre em Educação, especialista em Administração Escolar, palestrante, e autor de
livros. Foi ainda diretor e professor de outras instituições de ensino. A seguir, os principais trechos da entrevista.
Direcional Escolas – Qual a proposta pedagógica do Renascença?
João Carlos Martins - De uma forma vertical, o projeto pedagógico do Renascença conversa com as linhas de reflexão mais atuais da Pedagogia. Não temos nenhum método que se imponha dentro do Colégio, mas um princípio fundamental: a sala de aula é um espaço onde, pela mediação, o aluno constrói o conhecimento. Temos então o professor com um papel fundamental nessa relação, em que os alunos são convidados o tempo todo a construir coletivamente o conhecimento, desde a Educação Infantil até o Ensino Médio. O grande desafio nosso, e o conhecimento é a base para tudo isso, é que o aluno saia do Ensino Médio construindo um projeto de vida, já sabendo o papel dele na sociedade.
Direcional Escolas – Como articular um currículo considerado excessivo a um projeto de formação e despertar o interesse do aluno?
João Carlos Martins – O Ensino Médio no Brasil vive um grande dilema, de forma geral, um modelo de escola falido e que precisa ser redesenhado. E um redesenho possível é a integração curricular. Não dá mais para pensar uma escola por disciplinas, onde cada professor, de maneira estanque, dê um monte de conteúdo para cobrar em prova. Mas temos que buscar primeiro a formação de professores que consigam trabalhar com a articulação do conhecimento, e esse é um problema sério no Brasil. Porque se espera que o aluno tenha construído a base do conhecimento no Fundamental e aprofunde isso no Ensino Médio, que consiga aí perceber que todos os conhecimentos possam ser articulados.
Direcional Escolas – De que maneira o Renascença trabalha essa integração?
João Carlos Martins – Temos o Projeto Monográfico, que o aluno começa no 9º ano, na disciplina de Iniciação Científica. Ele escolhe um tema e junto com o professor vai pesquisá-lo. O tema poderá estar integrado a qualquer área do conhecimento. O objetivo disso é que no final do ano ele produza
“O que se tem que ver é qual o objetivo do currículo dentro da escola, e essa é uma discussão séria.” (João Carlos Martins, diretor-geral do Colégio Renascença)
CoNVErSA CoM o GESTor: JoÃo CArLoS MArTiNS / CoLÉGio
um texto científico, que, articulado com os dos outros alunos, vire uma revista. Esse é o início de um projeto maior do Ensino Médio, de desenvolvimento de projetos e monografia, com um professor orientador. No final do 1º ano o projeto já está desenhado e ele apresenta isso pela primeira vez a uma banca. No 2º ano, ele conclui o trabalho, quando apresenta novamente para uma banca, em que convidamos um professor de fora, geralmente da USP (Universidade de São Paulo), o orientador e um professor da casa.
Direcional Escolas – E no 3º ano?
João Carlos Martins – No 3º ano fazemos sínteses com os alunos, fechando uma série de conhecimentos. Mas o Renascença tem outro programa interessante no Fundamental e Ensino Médio, o LSS (Learning Skill for Science). Com ele, desenvolvemos habilidades por conhecimento científico com o aluno. O método vem de Israel e os alunos vão construindo, com perguntas, todo um processo de conhecimento científico. Para cada faixa etária há um rol de perguntas. É a única escola de São Paulo que usa o método. Queremos levar nosso aluno o tempo todo a estar conectado, perguntando, pensando, se questionando, e isso deveria acontecer em outros lugares. A sala de aula tem que estar instigando o aluno a pensar o tempo todo.
Direcional Escolas – Como o Sr., enquanto gestor, operacionaliza isso tudo em termos de matriz curricular, professores, horários etc.?
João Carlos Martins – Temos professores no Projeto Monográfico e no LSS com horas a mais na escola, para pesquisar e atender os alunos. Os alunos também têm horários extras para atendimento individual pelo professor orientador ou pelo grupo de professores do LSS.
Direcional Escolas – Como a escola administra essas experiências diante de um currículo fragmentado?
João Carlos Martins – São ensaios que vamos tentando fazer. Por exemplo, temos uma disciplina de Estudos Contemporâneos, que é a união de Sociologia, Filosofia, Literatura, História e História da Arte, com duas horas/aulas semanais. Além disso, existem as disciplinas específicas nessas áreas. Os professores se reúnem, eu pago hora/aula para eles, que montam o curso para integrar os temas.
Direcional Escolas – Para um currículo extenso, criou-se nova disciplina?
João Carlos Martins – É para amarrar esse pensamento, porque, se não, a gente não integra. Mas ajustamos as cargas. Quando você traz o currículo para a atualidade, faz o currículo conversar com a vida desse aluno, ele se sente crescendo, integrado. E há algo da qual não podemos abrir mão: a escola tem um papel importante na vida do adolescente, é o único local dentro da sociedade, apesar da internet, da quantidade enorme de informações que está no mundo, em que ele pode refl etir sobre isso. Aprofundar esse conhecimento está dentro da sala de aula ainda. Quando o professor consegue trazer isso de forma atual, contemporânea, ele segura o aluno.
Direcional Escolas – Seu projeto pedagógico foge um pouco do perfil de pré-vestibular, mas os concursos de acesso ao Ensino Superior estão aí!
João Carlos Martins – Cada vestibular tem um modelo e não dá para fechar os olhos para a realidade do País. Mas temos que mostrar para o aluno que, primeiro, toda essa integração do conhecimento facilita muito para que enfrente os vestibulares. Mas você também tem que treiná-los a ficarem horas com autodisciplina lendo e escrevendo. Então, todo mês promovemos simulados no Ensino Médio, dos vários modelos. Agora, se o aluno tem um conhecimento muito maior e mais interligado, ele tem repertório. Quando pega uma questão mais tradicional, mais focada, ele tem repertório para se localizar. O contrário ele não tem.
Direcional Escolas – Quais os desafios do gestor para organizar essa nova estrutura?
João Carlos Martins – O maior desafio é a formação de professores. Você pode montar um projeto maravilhoso no papel, mas se não tiver professor que dentro da sala de aula vá acreditar nisso, o projeto vira nada. Então, tenho reuniões semanais com os professores, tenho coordenadores de área que ajudam os professores a integrar todas as discussões. A escola tem que investir em formar bem seus professores. Estamos preocupados em autoria. E existem alguns caminhos, como a tecnologia. Tenho que mostrar para o professor que devemos sair do lugar que estamos - e nisso sou incansável e insistente. Tenho que desacomodar meu grupo.
Direcional Escolas – Então, o desafio do gestor é o próprio gestor?
João Carlos Martins – A escola precisa de um gestor incansável, que fique o tempo todo mobilizado, buscando coisas para moti-
var seu grupo, lembrando que a instituição que dirige sempre tem a sua identidade, mas que traga essa identidade para conversar com a modernidade.
Direcional Escolas – Vamos então pontuar algumas estratégias que o gestor pode usar para isso?
João Carlos Martins – Começa pela seleção do professor. Depois há o processo de formação dentro da escola. Nas reuniões semanais com os professores pagamos duas horas/ aula. E cerca de 30% dos nossos professores recebem ainda para permanecer duas tardes por semana estudando na escola. A remuneração que proporciono é boa no mercado. Outro processo legal é a avaliação. Todos são avaliados semestralmente: os professores pela coordenação, a coordenação pela direção, e a direção pela mantenedora. Há ainda todo um processo de gestão participativa em que acredito muito, com representante de aluno, professor, pai. Com todo esse pessoal fazemos reuniões. Como falei, é incansável.

Há algo da qual não podemos abrir mão: a escola tem um papel importante na vida do adolescente, é o único local dentro da sociedade, apesar da internet, da quantidade enorme de informações que está no mundo, em que ele pode refletir sobre isso. Aprofundar esse conhecimento está dentro da sala de aula ainda. Quando o professor consegue trazer isso de forma atual, contemporânea, ele segura o aluno.(João Carlos Martins)
PERFIL DA ESCOLA: COLÉGIO RENASCENÇA
Localização: Fica na confluência dos bairros de Santa Cecília e Higienópolis, área do Centro expandido de São Paulo
Mantenedora: Sociedade Hebraico Brasileira Renascença
Ciclos escolares: da Educação Infantil ao Ensino Médio
Regime de aula: Semi-integral (aulas também no período da tarde às segundas e quartas-feiras)
Nº de alunos: 900
Equipe: 150 professores, 250 funcionários no total. A equipe gestora é formada pelo diretor-geral, que cuida da parte administrativa e pedagógica; o
vice-diretor da Área Judaica; a vice-diretora pedagógica e orientadora educacional do Ensino Fundamental II; e uma assistente de direção. Oito coordenadoras completam a equipe de Coordenação Pedagógica e Educacional. Na parte administrativa, João Carlos tem o apoio de um gerente.
Mensalidades em 2013: De R$ 1.900,00 a R$ 2.300,00. A alimentação, servida nos dias de regime integral, é paga a parte, assim como as atividades extracurriculares e materiais didáticos coletivos.
Instalações: O Colégio ocupa um prédio próprio, de 13 mil metros quadrados, construído há 45 anos. Localiza-se em um terreno de 5 mil metros quadrados, disponibilizando áreas livres e abertas para as turmas da Educação Infantil (com quadra
e playground, por exemplo), pátios internos cobertos, passarelas e rampas, elevadores e um amplo anfiteatro. Dispõe de laboratórios, biblioteca, sala de leitura, uma cozinha industrial e refeitórios. Um dos seus diferenciais é a cozinha terceirizada, que prepara refeição Kosher, além da equipe própria de segurança, que cuida com muito zelo desta área. Em cada pavimento, destinado a um ciclo escolar, há corredores largos para exposição de trabalhos de alunos, bancos e mesas e um funcionário que faz o papel de zeladoria e inspetoria do andar.
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JoÃo CArloS MArTINS www.renascenca.br joaocarlos.m@renascenca.br
Por
Raquel
Zardetto Edição Rosali figueiredo
Oano letivo mal começou e as datas comemorativas já enriquecem a agenda de festas e celebrações das escolas. É um momento oportuno para trabalhar com o brinde, peça promocional que visa não só ao marketing, mas
também ao fortalecimento do laço que une a família à escola.
“Consideramos o brinde como um vínculo material entre o colégio e a comunidade de pais e alunos. É como se estivessem levando um pedacinho nosso para casa”, resume Iris Sayago, ana-
lista de marketing do Colégio Dom Bosco , localizado na zona Norte da Capital paulista. Baldinho de praia, squeeze, sacolas plásticas retornáveis e canetas especiais são alguns dos mimos que o Colégio oferece para cada segmento que atende, do Berçário ao Ensino Médio.
Entre “os brindes de atendimento, utilizados nas visitas e nas matrículas”, Iris destaca a sacola ecológica, canetas, porta-moedas, squeeze e revista de passatempos. Uma sacolinha com a forma de uma camiseta é entregue aos novos bebês do Berçário,
no processo de matrícula. “E em algumas ações específi cas, presenteamos os colaboradores com itens como a sacola de praia e a toalha com o logo do Colégio. Neste ano tivemos bolsa de viagem e sacola térmica”, afi rma Iris. Para o Dia dos Pais de 2012, foi entregue um par de chinelos. “Já os alunos do Fundamental II e Ensino Médio presentearam seus pais com uma peça bem bacana, uma garrafa de vidro ‘derretida e prensada’, com o logo da escola, utilizada como porta-chaves, fazendo um link com o conteúdo da sustentabilidade”, relata.
A criatividade é o que conta e o calendário de eventos especiais não deixa faltar oportunidade para que os presentes possam unir o útil ao agradável, afi nal, na escola, sempre é hora de aprender, inclusive com os brindes. “Buscamos articular os brindes com a proposta pedagógica. A escolha é feita sempre depois de conversarmos, eu e as educadoras, sobre o que se adapta melhor aos temas contemplados naquele ano e momento”, conta Cinara de Souza, coordenadora de marketing do Colégio Elvira Brandão . Localizada na zona Sul de São Paulo, a instituição atende do Berçário ao Ensino Médio. No Dia das Crianças do ano passado, conta a coordenadora, a ideia foi fazer um resgate das brincadeiras de antigamente para alunos do Ensino Fundamental I, do 1º ao 5º ano. “As crianças já ganham muitos brinquedos ‘tecnológicos’. Para romper essa tendência, buscamos algo simples, mas muito divertido: o jogo das cinco Marias”. De acordo com Cinara, foi um sucesso. Fazem parte desse resga-
te o jogo da velha em tecido e o jogo da memória, cujas imagens eram fotos dos alunos, presentes que, muitas vezes, pode-se levar para a vida. Outro sucesso foi a corda e elástico, acomodados em uma sacola, com agrados para meninos (mini bola de futebol de feltro) e flores para as meninas.
A perspectiva do apelo educacional abrange a todos no Elvira Brandão, até as crianças menores. Como o tema tratado em sala de aula era saúde e cuidados com a higiene, os pequenos da Educação Infantil e Berçário receberam um estojo em forma de bichinho e sabonete em formato de giz de cera, de fácil manipulação e limpeza na própria água do banho. “Quando o brinde é para o aluno, sempre articulamos com o educacional, não importa a idade”, afirma Cinara.
Já no Colégio Magister , também localizado na zona sul de São Paulo, os mimos são ainda utilizados para selar parcerias. As crianças de outras instituições, em geral públicas, que costumam visitar a escola, recebem
uma cartelinha de pintar, com giz de cera, contendo atividades diversas para colorir e escrever. “Estabelecemos parceria com colégios da região e a intenção é que se traga o pedagógico junto ao presente, já que são alunos que estão em fase de letramento”, observa Enrique Garcia, coordenador de comunicação e eventos da escola.
O perfil das famílias mudou e as algumas escolas buscam acompanhar essa tendência, transformando o Dia dos Pais e das Mães em Dia da Família. “Hoje é muito comum termos pais separados e outras organizações familiares, assim, resolvemos adotar uma data para todos, comemorada em maio”, conta Cinara de Souza, do Elvira Brandão.
Com o intuito de direcionar e personalizar o presente, o colégio faz a separação por gênero, agradando a ambos. Organizador de bolsa, kit de higiene bucal e caneca personalizada estão entre os “carinhos” dedicados
às mamães. Já para os pais, vale squeeze, kit manicure masculino e mouse pad. No Colégio Piaget , localizado na zona Norte da capital paulista, também foi instituído o Dia da Família. “Essa é uma tendência que vem ocorrendo há um tempo. As novas configurações familiares exigem outra postura da escola”, afirma Silvana Franco Rodrigues, diretora pedagógica da instituição, que atende a alunos da Educação Infantil ao Ensino Médio. No ano passado, um guarda-chuva personalizado com a foto do aluno garantiu o sorriso de toda a família.

Mas não são apenas os alunos e pais que ganham presentes. Algumas escolas fazem questão de gratificar seus colaboradores, professores, auxiliares, coordenadores e o pessoal da manutenção. No Colégio Dom Bosco, a celebração da Páscoa é oportuna para presentear a todos com os esperados ovos de chocolate. Com enfoque na questão ambiental e a necessidade de diminuição da produção de lixo, o Elvira Brandão gratificou seus colaboradores com uma caneca de uso pessoal, dando adeus aos intermináveis copi-
nhos descartáveis. Já o Magister, de olho na tecnologia, tão presente na educação nos dias de hoje, presenteou os professores com um pen drive.
Para os visitantes que vêm conhecer as instituições, faz parte da política de algumas delas oferecer presentes que tenham por objetivo estreitar a relação com as famílias. Acolhimento é a palavra que define o conceito do presente aos pais que visitam o Colégio Dom Bosco, que recebem uma camiseta de TNT em forma de abraço. O valor é simbólico, mas a simpatia é assegurada.
Um fator importante a ser considerado pelas escolas é a confiabilidade em relação ao fornecedor, que deve, além de ter bons preços, honrar os prazos. “Não pode haver atrasos, já que temos toda uma logística que envolve a doação dos brindes”, alerta Cinara de Souza, do Elvira Brandão. Essa é uma das estratégias que o colégio utiliza para investir no reforço da marca, colocando o logo da instituição em todos as peças. “Esse é um aspecto decisivo”. A escolha do fornecedor deve estar atrelada a essas condições: prazos, diversidade de materiais e técnicas de personalização, além do custo.
Na opinião de Carlos Enrique Garcia,
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CArloS eNrIque GArCIA enrique@magister.com.br
CINArA de SouZA marketing@elvirabrandao.com.br
do Magister, é fundamental que a escola mostre algo dela própria nesses objetos, tornando-os signifi cativos para as famílias. Mais ainda, que os alunos possam interagir, de alguma forma, participando da confecção dos mesmos. Para tanto, a escolha dos brindes deve ser realizada em equipe, para que os educadores avaliem sua intenção, diz. Planejamento é palavra de ordem para evitar dor de cabeça. “Com a devida organização, há tempo de pesquisar, escolher e consultar os educadores, sempre tendo como horizonte que o brinde traz algo do movimento escolar. Não adianta achar apenas bonito, tem que carregar signifi cado”, aconselha.
IrIS SAYAGo marketing@grupodombosco.com.br
SIlVANA FrANCo rodrIGueS pedagogico@piaget.g12.br
A inadimplência das mensalidades escolares registrou leve aumento em dezembro de 2012 com relação ao mesmo mês de 2011, segundo apurou o Sieeesp (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo). O ano passado fechou com a marca de 8,25% em atrasos, contra os 7,93% apurados doze meses antes. Isso frustrou a expectativa de muitos mantenedores. O monitoramento dos índices é importante para que o gestor realize uma previsão orçamentária mais próxima possível da realidade e não prejudique o fechamento das suas contas.
Mas outra estratégia fundamental é adotar todo um trabalho de gestão da inadimplência, incluindo desde medidas preventivas à implantação de um programa de cobrança, conforme apresenta neste artigo o consultor Marino Menossi Junior, da Acerplan. O material foi extraído de seu “Programa Nacional de Gestão Educacional”, que acontecerá em diversas cidades brasileiras entre os meses de abril e maio deste ano.
Por Marino Menossi Junior Edição Rosali figueiredo
Um das ferramentas mais importantes ao mantenedor é desenvolver um ‘Sistema de Gestão de Controle da Inadimplência’ (...). Outra questão relevante é começar a tirar o preço do foco de sua publicidade e destacar na comunicação os principais atributos e resultados da escola. Pois mostrando a qualidade, o mantenedor certamente mudará a prioridade de pagamentos de seus clientes, em favor da escola.
(Marino Menossi Junior)
ngana-se quem pensa que a cobrança do inadimplente começa quando ele atrasa o pagamento. O processo se inicia antes da matrícula. Explico: face aos níveis atuais de concorrência no mercado educacional privado, o processo de matrículas e rematrículas em instituições de ensino estabelece poucos ou quase nenhum critério de avaliação e seleção para concessão de crédito. Sim, estamos falando em concessão de crédito, uma vez que as mensalidades representam o parcelamento de um contrato de prestação de serviços para ser entregue ao longo do ano letivo. Nesse sentido,
exigir alguns documentos e recorrer aos serviços de informações comerciais minimizam os riscos. É verdade, no entanto, que o uso desses serviços tanto pode onerar os custos nas transações realizadas pela instituição como levar à perda de uma matrícula, caso o resultado da pesquisa informe dados não salutares para a efetivação da mesma. Por outro lado, também vale a pena lembrar que em um mercado de concorrência acirrada, de oferta em desequilíbrio com a demanda, como ocorre no segmento educacional privado, muitas vezes o gestor prefere correr o risco e aceitar uma nova matrícula para compor ou recompor uma sala de aula, do que perdê-la para outra insti-
tuição. Claro que o risco faz parte de qualquer negócio, mas é a irresponsabilidade comercial justificada pela necessidade de matricular o aluno a qualquer custo que pode gerar desagradáveis surpresas na hora do recebimento, gerando assim descontroles (gaps) no fluxo de caixa e perda de capacidade orçamentária. De qualquer maneira, quando instalado o problema, é preciso estabelecer critérios estratégicos de gestão da inadimplência, conhecendo antes suas causas, que são tanto externas e internas, conforme mostra o quadro a seguir. Nele, é possível observar que as variáveis internas superam as externas, ou seja, o gestor tem muita “lição de casa” para fazer.
fonte: Acerplan – Consultoria e Assessoria Educacional
Claro que o risco faz parte de qualquer negócio, mas é a irresponsabilidade comercial justificada pela necessidade de matricular o aluno a qualquer custo que pode gerar desagradáveis surpresas na hora do recebimento, gerando assim descontroles (gaps) no fluxo de caixa e perda de capacidade orçamentária.
(Marino Menossi Junior)
Uma das “lições de casa” que iremos destacar é o da gestão da cobrança. É preciso ter um cronograma de ações, buscando-se inicialmente solucionar o atraso com uma conversa direta entre a área administrativa da escola e o responsável financeiro, sem necessidade de acionar o departamento jurídico nem adotar medidas legais. Ou seja, mesmo que um “Aviso de Cobrança” possa ser enviado a qualquer tempo, já no primei-
ro dia de atraso, recomenda-se, num primeiro momento, evitar essa medida, devido aos custos envolvidos em eventuais processos, extrajudiciais ou judiciais, que venham como desfecho da situação.
Nossa orientação, portanto, é que nos primeiros 30 dias de atraso a solução seja buscada por contatos via meios eletrônicos e, somente depois desse período, se faça um primeiro “Aviso de Cobrança”. A partir do 45º dia, se o mesmo
não surtir efeito, a proposta é enviar um 2º Aviso, mas já acionando uma empresa especializada em cobrança extrajudicial. Claro que a política de cobrança da instituição, o perfil de cada inadimplente, o histórico da cobrança sobre ele, a relação comercial e a cultura da instituição é que irão formatar a estrutura de ações. Mas, a título de exemplo, propõe-se o cronogama da página seguinte:
- 2º dia de atraso. Enviar e-mail notificando o atraso. Importante: essa forma de comunicação deve estar prevista em contrato. Ou seja, o cliente deve autorizar o expediente;
- 5º dia de atraso. Realizar contato telefônico com um script prévio do perfil de cada inadimplente;
- Até o 30º dia. Realizar tentativas sucessivas de contatos telefônicos e via e-mail;
- Após o 30º dia. Enviar o primeiro “Avi-
O “Aviso de Cobrança” não precisa ser registrado e poderá ser enviado pelos Correios, solicitando ao devedor que compareça à mantenedora, em um determinado período (em geral, um prazo de cinco dias úteis), para renegociar as mensalidades em atraso. O “Aviso” jamais deverá ser remetido através do aluno, uma vez que o mes-
so de Cobrança” impresso, solicitando reunião para acerto de pendências;
- Do 31º dia ao 45º dia. Realizar novas tentativas de agendamento da reunião via telefone; e,
- 45º dia. Encaminhar segundo “Aviso” impresso, agora através de empresa especializada em cobrança extrajudicial;
- Do 46º dia ao 90º dia. Deixar a questão sob responsabilidade da empresa contratada;
mo poderá extraviar o documento ou mesmo expor a instituição a processos por danos morais. O único “Aviso” que deverá ser registrado é o de negativação em instituição de proteção de crédito, mas esse registro é de responsabilidade do órgão e não da escola credora. No “Aviso de Cobrança” é oportuno também deixar expresso que eventual continui-
- A partir do 91º dia. Enviar terceiro “Aviso” impresso, informando, desta feita, “remessa para órgão de proteção de crédito”. A Lei nº 9.870/99 determina esse prazo mínimo para negativação junto ao órgão competente.
- A partir do 120º dia. Remessa para escritório especializado em cobrança judicial, para que este efetive “Ação de Cobrança”, “Monitória” ou “Execução”, dependendo de cada caso.
dade dos débitos possibilitará à escola adotar medidas como a negativação de crédito junto ao SCPC, Check-Check, Serasa, execução e penhora (com respaldo no Código de Defesa do Consumidor – Lei nº 8078/90), bem como a recusa de prestação de serviços educacionais para o ano letivo seguinte, conforme determina a Lei nº 9.870/99, Art. 6º.
Um das ferramentas mais importantes ao mantenedor é desenvolver um “Sistema de Gestão de Controle da Inadimplência”, contendo indicadores por aluno; turmas; da evolução mês a mês dos atrasos por contratante; e, principalmente, um monitoramento mensal do contrato por cada cliente,
com informações atualizadas sobre o montante da dívida, o histórico da cobrança e o nome do funcionário responsável pela cobrança. Isso é importante para que se monitore o processo de cobrança, bem como a execução orçamentária mensal, de forma a atenuar o impacto dos atrasos sobre a saúde financeira da instituição.
leIA MAIS, eM WWW.dIreCIoNAleSColAS.CoM.Br
Outra questão relevante é começar a tirar o preço do foco de sua publicidade e destacar na comunicação os principais atributos e resultados da escola. Pois mostrando a qualidade, o mantenedor certamente mudará a prioridade de pagamentos de seus clientes, em favor da escola.
Confi ra os modelos de documentos que deverão ser apresentados aos pais ou responsáveis fi nanceiros na celebração e vigência do contrato de prestação dos serviços educacionais:
. Reserva de vaga
. Edital de preço
. Contrato de prestação de serviços, com dispositivos relacionados a eventual inadimplência
. Aviso de cobrança
. Confi ssão de Dívida
marino.menossi@acerplan.com.br acerplan@acerplan.com.br
Marino Menossi Junior é diretor da Acerplan, empresa de consultoria e assessoria educacional, vencedora do prêmio Top Educação 2012. No final do ano passado, a Acerplan lançou o livro “Gestão Educacional: Marketing, Pessoas e Finanças”, contendo, entre muitos outros, um capítulo específico sobre inadimplência.
Por Raquel Zardetto
uando bate a hora do recreio, os brinquedos coloridos do parquinho ganham vida com a chegada das crianças ao lugar dos mais cobiçados da escola. Os pais também se encantam com o playground, considerado, muitas vezes, o “cartão de visita” da instituição. Aos educadores e aos gestores cabe a responsabilidade de projetar e de cuidar adequadamente desse espaço vital, para que a brincadeira não se torne um transtorno ou, em casos mais drásticos, em uma tragédia.
“O pior prejuízo que pode acontecer para uma criança é o traumatismo craniano, assim, basicamente, esse é o ponto mais importante que deve ser observado na arquitetura geral do brinquedo”, afirma Fábio Namiki, arquiteto e coordenador da Comissão da ABNT
(Associação Brasileira de Normas Técnicas) que revisou, durante quatro anos, a NBR 16071/2012. Lançada em julho do ano passado, ela se tornou um balizador para as escolas proporcionar a segurança de balanços, escorregadores, gangorras, carrosséis, entre outros brinquedos.
“A observação dessas normas é fundamental para que a escola possa trabalhar de forma segura. Mesmo não sendo obrigatória, se ocorre um acidente, seu cumprimento é o que garante a defesa da instituição”, alerta Namiki. Nomear um funcionário especificamente para zelar pelo brinquedo, bem como ter um livro de registro de ocorrências, estão também entre as recomendações do arquiteto. A seguir, Namiki destaca cuidados importantes a cada um dos itens do playground.
PISOS
É essencial que haja preocupação com o piso onde é feita a instalação do brinquedo, pois depende de suas especificações a capacidade de absorção do impacto em caso de queda. “A análise se baseia na relação altura do brinquedo e peso do usuário. Em um piso de areia, com a devida constância na manutenção, deve ser observada uma camada de no mínimo 30 cm”, exemplifica. Já um piso sintético, outras questões entram em relevância. “Se for de borracha, é importante averiguar se tem algo tóxico na composição do material, que possa ser prejudicial para a criança em longo prazo.” Pisos de grama também contemplam o quesito absorção de impacto. Mas a capacidade de absorção não dispensa a escola da necessidade de manter um adulto no local.
DIMENSIONAMENTO DOS BRINQUEDOS
O gestor escolar deve prestar atenção às opções oferecidas pelo fabricante, se as informações por ele passadas são cabíveis. “Se o fornecedor afirma que o brinquedo aguenta 10 kg, certamente esse dado não condiz com a realidade”, assinala Namiki. Os ensaios devem ser realizados por laboratórios credenciados pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial). Estes avaliam se o brinquedo está de acordo com a norma técnica e permitem que a empresa certificadora emita o documento de regularidade. Cumpre destacar que essa certificação possui validade, portanto, todo cuidado é bom. E sempre.
TOXIDADE
Outro aspecto que requer atenção é a toxicidade dos materiais utilizados na confecção dos playgrounds e brinquedos. Nas peças de eucalipto, por exemplo, o gestor deve verificar se o verniz contém uma substância chamada CCA, que contém arsênico e é tóxica. “O produto é necessário para a conservação, principalmente se o brinquedo for colocado ao ar livre. Porém, hoje, a norma recomenda o uso de CCB, com boro, não prejudicial à saúde”.
CANTOS E PARAFUSOS
Os parafusos dos playgrounds “devem estar embutidos ou devidamente encapados e as superfícies não podem apresentar saliências”, relata Namiki. Ou seja, devem estar livre de lascas, rebarbas, farpas, bordas afiadas ou pontas agudas. Bom para os pais, melhor ainda
para as crianças.
Essa é a prática da Escola Capítulo 1 , localizada na Vila Mariana, em São Paulo, que atende desde o Berçário ao Ensino Fundamental I. “A manutenção dos parafusos é realizada mensalmente, e todos os adultos podem colaborar também, no dia a dia, na checagem de eventuais avarias”, afirma Fernanda Teixeira, diretora pedagógica.
Segundo a gestora, a postura preventiva deve estar presente antes mesmo de se construir ou comprar um playground. Ela defende a contratação de um profissional qualificado, que projete o brinquedo de acordo com as necessidades da escola e os rigores da norma, emitindo ART (Anotação de Responsabilidade Técnica). E subsidie a escola na compra dos brinquedos. “A intenção é fornecer itens de segurança que evitem armadilhas e riscos à integridade física das crianças, além de dores de cabeça futuras”.
Do ponto de vista educacional, o playground é espaço de desenvolvimento físico e social. Por exemplo, “todo o trabalho corporal que exige da criança desafios, equilíbrio e orientação espacial serve para a exploração da parte motora, o que irá refletir positivamente na hora da aprendizagem da escrita”, afirma Raquel Caruso, psicopedagoga e psicomotricista da EDAC (Equipe de Diagnóstico e Atendimento Clínico).
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FáBIo NAMIkI fabionamiki@nkfarquitetura.com.br
FerNANdA TeIxeIrA escolacapitulo1@bol.com.br
Questões relacionadas a limite, respeito a regras e convívio com os amigos também estão entre as aprendizagens que envolvem o playground, diz a especialista. No fator segurança, ela dá dicas bem simples: usar roupas confortáveis e cobrir ao máximo a pele da criança para não ocasionar machucados. Evitar casacos com cordas no capuz que possam enganchar e, na pior hipótese, sufocar a criança, também é recomendado. (Edição Rosali f igueiredo )
rAquel CAruSo edac@edac.com.br
Lousas digitais, projetores e todo suporte material necessário para comportar novos equipamentos tecnológicos; TV Escola; sinalização digital; mural e vitrine de informações; módulos de gestão de dados cada vez mais especializados, mas ao mesmo tempo integrados; gestão online de matrículas e relatórios escolares: esses são alguns dos recursos do cardápio de inovação digital que veio facilitar a vida dos gestores, o trabalho dos professores e a comunicação com pais e alunos. Confira neste Fique de Olho.
Por Rosali f igueiredo

“Uma empresa criada para facilitar o uso da tecnologia com a pedagogia.” Assim é a Movplan, organização que atua com o mercado educacional desde 1998 e hoje apresenta um portfólio diferenciado de produtos, como as Lousas QuadriLine (para escrita tradicional); lousas com tecnologia digital para interatividade; projetores; completa linha de mobiliário escolar; racks multimídias; e o Charge Mate - um carro de recarga para netbooks, tablets e notebooks. Segundo o gerente de marketing Alexandre Lima, o grande diferencial da empresa é oferecer soluções educacionais que conciliem tradição e inovação. “A lousa QuadriLine, por exemplo, é uma solução completa para a sala de aula, pois em um único produto o educador tem a escrita tradicional potencializada com o auxílio da tecnologia digital.” Além de ter desenvolvido expertise própria nessas linhas de produtos, outros diferenciais da Movplan residem na qualidade dos materiais e equipamentos, no suporte técnico e no serviço de pós-venda, destaca Alexandre Lima.
Fale com a Movplan: 16 3976-3239
www.movplan.com.br movplan@movplan.com.br
Fundada em 2010 com expertise no desenvolvimento de soluções de sinalização digital (software, mídia e serviços), a New-Midia oferece às escolas “projetos sob medida, integrados e alinhados à sua estratégia de comunicação”, afirma a diretora de Tecnologia e Soluções, Sandra Janostiac. Entre os produtos e serviços disponibilizados aos gestores escolares, encontram-se o fornecimento de hardware, aluguéis de equipamentos, instalações, provedores de conteúdos (especializados em educação financeira, dicas nutricionais, agenda cultural etc.), gestão de grade de programação e comercialização do espaço publicitário. Um dos destaques da empresa em 2013 será o lançamento de um módulo de informações para celulares e tablets, revela Sandra. “Será possível à escola divulgar as mesmas mensagens do Mural Digital diretamente nos dispositivos móveis dos pais e/ou alunos (alterações na grade de aula, eventos, comunicados, cardápio da cantina do dia etc.).”
A New-Midia está desenvolvendo também uma campanha para que as escolas aproveitem o próximo recesso escolar e instalem os novos sistemas de comunicação. “É um período estratégico, pois é uma época na qual se inicia a visitação às escolas para matrículas do próximo ano letivo”, reforça Sandra.
Fale com a New-Midia:
11 3254-7621
www.new-midia.com
sandra@new-midia.com

A SisAlu já está há 14 anos no mercado, aprimorando cada vez mais seu Sistema de Gestão Escolar, voltado para instituições de ensino da rede pública e privada, da Educação Infantil ao Ensino Superior, passando pelo pré-vestibular e o Técnico. “O SisAlu é uma solução modular, e graças a esta característica, permite trabalhar com um sistema completo e totalmente integrado, evitando duplicação de informações e inconsistência de dados”, destaca o empresário Marcos Leandro Pereda. Entre os módulos que disponibiliza, estão o Acadêmico (que gerencia a vida escolar do aluno e emite os relatórios exigidos pela Secretaria da Educação); o Financeiro (com gerenciador de boletos e controle do pagamento das mensalidades e dos extras); o Contas a Pagar; o TutorWeb (um canal de relacionamento online entre a escola e os pais); Biblioteca; Biometria; e Vendas (cantina, uniformes etc.). “O SisAlu possui um conjunto de relatórios padrão, porém nosso maior diferencial é a customização de relatórios para cada escola”, acrescenta Pereda. Neste ano a empresa criou o “Diário Online” no Tutorweb, voltado ao controle da frequência e conteúdo das aulas. E para os mantenedores leitores da Revista Direcional Escolas, haverá 10% de desconto na aquisição dos serviços e produtos, anuncia o empresário.
Fale com a SisAlu: 11 5072-9737 www.sisalu.com.br info@sisalu.com.br