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CULTURA UNDERGROUND E DIVERSÃO Novo Formato

Resenhas de Cd’s e Dvd’s

Entrevista com Fellipe CDC e Renato Rossati Clube da luta

Crônicas da Françoise VALOR R$ 0,00 DISTRIBUIÇÃO GRATUITA


EDITORIAL P

ara nós do DKZ, é muito gratificante poder escrever mais um edital, a sensação de dever cumprido com a finalização de uma nova edição é muito boa. Ainda mais pelo fato de estarmos separados e alguns problemas pessoais insistiram em nos perseguir e causar alguns atrasos. Mas o que quer que tenha ocorrido, é passado e só fez confirmar que somos e seremos para sempre grandes amigos. Aqueles que já conheciam o zine de números passados, irão perceber que mais uma vez mudamos o formato, isto tudo, graças a grande ajuda da Hulda Rode. Formato este, que talvez seja a tábua de salvação que os fanzines esperavam para voltar a reinar com força total, mas esta é uma análise para algum texto futuro. Voltando a atual edição, consideramos a melhor, seja por causa das entrevistas, que foram feitas com duas pessoas maravilhosas, seja pelos textos, escritos praticamente a seis mãos, o resultado final foi excelente. Dúvidas, críticas, sugestões, ou o que quer que seja, nos escreva, será um prazer respondê-lo. Agora, leia e divirta-se!

Expediente

Editores: Millena Priscila Marcos Cezário Diagramação e Projeto Gráfico: Hulda Rode Foto da Capa: Samara

Os editores Obs: O zine não segue a nova regra imposta de ortografia.

Agradecemos: Hulda Rode pelo projeto gráfico (sem você, isto não teria sido possível), Fellipe CDC e Renato Rossati por atenciosamente responderem as respectivas entrevistas (vocês são sinistros!!!!), Françoise por colaborar mais uma vez com seus preciosos textos, Diego, Cesinha Metal, Aristides, Jú e Pablo Ramone por auxiliarem na resenhas (amamos vocês).

Contatos: xloucox2@hotmail.com xloucox@yahoo.com.br mpausa@hotmail.com hulda@folha.com.br huldarode@gmail.com

Projeto Gráfico Por Hulda Rode A quinta edição do DKZ tem uma nova característica. Após mais de dois anos, ela sai em formato digital. O DKZ já está inserido no cenário de mudanças que os impressos tradicionais vem passando. A busca por novas tendências disponíveis no mercado e pela harmonia entre a imagem e a textualidade também levou ao Zine a mudar o seu formato original, antes era manuscrito e distribuído em correspondências. A partir dessa nova edição ele será distribuído pelos e-mails. A comunicação visual influencia o homem em toda sua esfera, até mesmo facilita uma melhor compreensão da realidade.


A sina de uma alma inquieta Parte I

A

credito que há dois direitos divinos inerentes às pessoas: o direito de viver e o direito de morrer. Acompanhar a luta de uma pessoa que anseia pela vida sendo espreitada pela morte é deprimente e ao mesmo tempo inebriante. Esta concepção muda de figura quando essa pessoa é amada por você. Não gosto de pensar que meus problemas sejam maiores do que os dos outros, no entanto só tenho competência pra falar dos meus. Das minhas experiências, do que passei do que sofri... Não quero que vejam isso como algo melancólico, minha vida teve e tem coisas boas... mas há dois anos uma nuvem negra paira sobre mim...+ Tenho uma concepção diferente das outras pessoas sobre valores e amores... amo infinitamente minha família, eles são tudo pra mim. Antes de tudo, amei ( e ainda amo) incondicionalmente alguém... meu pai. Fonte de inspiração, proteção constante, presente de Deus para guiar meus passos, meu porto seguro, amigo, briguento, líder por natureza, honesto, de caráter límpido e transparente, genioso, a pessoa mais inteligente que já conheci. Não tenho palavras para definí-lo. Temos uma leve tendência a enaltecer as pessoas depois que elas morrem, mas essas carcateristicas e certezas já estavam no meu coração ainda quando ele era vivo. Vale a pena contar um pouco da história, não dele, mas dos momentos que antecederam sua morte... uma evolução de carater, de personalidade e de espírito em tão pouco tempo. Maio de 2007, uma noite como qualquer outra.... daí a notícia bombástica: dois tumores haviam tomado conta do pulmão esquerdo do meu pai. Seria necessário retirar o pulmão todo em uma cirurgia de 9 horas que foi um sucesso. Meu pai nunca fumou, ele foi acometido por um tipo de cancer raro chamado mesotelioma epitelial que consome em meses a vida de seus portadores. A luta contra o câncer estava apenas começando... Meu pai era militar tinha uma saúde impecável (por isso sobreviveu 1 ano e 7 meses ao câncer), nunca o vi doente e vê-lo sofrendo com sessões de quimioterapia foi simplismente doloroso e traumático. Meses

depois a doença voltou e os tumores foram novamente retirados. Paz...calmaria.... alguns meses de muita paz... até que uma bomba caiu sobre as nossas cabeças: fiquei doente. Fui consumida e envolvida pelo transtorno bipolar. Agredi meu pai... ele foi o foco de todo o lado agressivo da doença. Momentos de dor, de violência verbal e física. Fui submetida a sessões de eltroconvulsoterapia... ao pensar que a calmaria estava à frente novamente a tormenta: os tumores haviam voltado! Dores insuportáveis acometiam meu pai e nada mais do homem ativo, alegre, feliz e briguento existia. Foi internado e três dias antes de morrer, meu pai me chamou pra conversar e pela primeira vez eu o vi chorando.... chorando como uma criança ao me dizer que eu deveria perdoar mais, pedir mais perdão, das importância às coisas que realmente merecem importância e não para “picuinhas”, aceitar as pessoas com suas limitações, buscar a Deus.... Em uma quinte-feira chuvosa,num quarto de hospital, sem conseguir falar, ele escreveu singelas palavras “quero ir” , exigiu seu direito de parar de sofrer, sem ser atendido... sufocava-se em dor e agonia por não conseguir respirar pois o câncer havia tomado o outro pulmão. Momentos de dor, desespero.... sofrimento sem medida... às 10 hroas da manhã de uma sexta feira os céus choravam a partida um martir. E eu sofri... e a dor do arrependimento irá me acompanhar pra semper... não tive a oportunidade de pedir perdão.


Resenhas PUNK : ATITUDE Documentário sobre as origens do movimento punk. Uma obra que despertará interesses até mesmo em quem não curte muito ao estilo. Com uma narrativa um tanto didática, é ideal para quem quer conhecer mais sobre o assunto e descobrir o ícones que ajudaram a firmar este estilo tão polêmico. Também e ideal para quem já leu Mate-me por favor!. Não tirando de forma alguma nenhum mérito do filme, mas no final, achamos sentindo falta de algumas bandas e comentários sobre a cena de outros países que também foram importantes para a evolução da música. Duração: Aproximadamente 88 minutos

KURT E COURTNEY

Pode parecer uma comparação absurda, mas Legenda: imagine que Michael Português | Espanhol | Inglês Moore se interessasse em vasculhar os suposExtras: tos mistérios da morte Depoimentos e informações so- de Kurt Cobain e resolbre algumas faces do punk rock vesse fazer um docu- Entrevista com Henry Rollins mentário para tentar - Comentário de Dave Goodman descobrir o que real- Punk fanzines - Moda punk - As mente aconteceu com o mulheres punks - As gravadoras - líder do Nirvana. O comportamento punk - Origens e influência do punk - Punk como Pois é assim que o direcultura e arte - Inglaterra versus tor Nick Broomfield faz EUA - A evolução do punk – Per- com a sua inseparável fomances de convidados - O som câmera, ao longo de 98 punk. minutos ele tenta mostrar uma possível trama de assassinato arquitetada pela viúva Courtney.

Os mais céticos certamente irão torcer o nariz, mas quem é fã da banda e gosta de uma boa teoria da conspiração, irá se deliciar as várias suposições levantadas. Algumas bem sinistras como a do pai de Courtney love ou de El Dulce, que supostamente teria sido “convidado” pela viúva a matar o marido por $ 50 mil. Duração: Aproximadamente 95 minutos Legenda: Português Extras: Biografia


Resenhas BOTINADA - A ORIGEM DO MOVIMENTO PUNK NO BRASIL Como o subtítulo já entrega, este é um documentário sobre a cena punk brasileira. Desde já um trabalho importante sobre um movimento cercado de muitas histórias interessantes. Dirigido por Gastão Moreira, o filme conta a história do surgimento do punk no Brasil. As histórias, as pessoas, as primeiras bandas, os shows. Narrado por quem viveu aquele momento. Muito mais que mostrar a transformação em uma juventude até então dita perdida, “Botinada...”, é o registro de uma juventude que começava a se manifestar contra aqueles que tentavam lhe oprimir. Duração: Aproximadamente 100 minutos Legenda: Português | Espanhol | Inglês Extras: Brasil anos 70 – Punk em Brasília – Censura – Cólera no Olimpop – Inocentes no Gallery – Flyers – Poesia punk – Literatura punk – Invasão Rio – Cena gaúcha – Trailer botinada

Um ótimo filme, interessante até mesmo para quem não curte o estilo. Sem querer estragar a festa, vale uma ressalva: o dvd traz comentários de editores da Revista Show Bizz Ricardo Alexandre, Lucio Ribeiro, Luciano Marsiglia e Paulo Terron) certamente a bola fora, desnecessários e irritantes.

HYPE ! O documentário definitivo sobre o grunge Este documentário já tinha sido lançado há algum tempo pela editora Abril juntamente com uma revista por R$ 29,90. Imagino que deva ter rolado um encalhe pois o dvd retornou a banca sem a revista por R$ 9,90. Então, mais uma oportunida de adquirir este famoso documentário sobre a cena grunge, desde o seu surgimento até a explosão mundo a fora.

Duração: Aproximadamente 83 minutos Legenda: Português / Inglês Extras: Entrevista com Kurt Kobain – Cenas excluídas – Perfomances ao vivo ( Mudhoney, Supersuckers, Pond e The gits)


Clube da luta x Clube da Luta Acabo de ler Clube da luta. Assim como o filme, me deixou bem impressionado com a sua narrativa controversa. Em comparação ao filme, o livro se aprofunda em algumas questões, que na sua transposição para o cinema, apenas só faziam algumas leves suposições. Como, por exemplo, suas receitas de bombas caseiras. Há em alguns capítulos dicas de produzir de napalm a nitroglicerina, chegando até em como obter pólvora. O livro ainda reserva um final bem mais radical, porque não dizer anárquico. Certamente se tivesse passado para o roteiro de cinema, teria se tornado um filme ainda mais polêmico, atraindo ainda mais a ira dos tais conservadores de plantão. Mas por outro lado, há alguns pequenos detalhes nos personagens do livro que incomodam um pouco. Tipo Marla Singer, dá a sensação que ela ficou menos

FINAL DO LIVRO CLUBE DA LUTA

transloucada, sem contar no Narrador e Tyler Durden. Talvez isto se deva a atuações dos atores que acabaram dando vida própria (?) a estes personagens. Claro, que numa comparação (de novo esta palavra) final, o livro acaba ganhando por não ter que suprimir 221 páginas em um roteiro de cinema que caiba em 2 horas, mas acaba pecando por não dar a agilidade que o filme mostra. Claro, não sou crítico literário ou de cinema. Esta é a minha humilde opinião. Eu apenas tento abrir a sua mente para uma pequena e sadia observação sobre uma das obras mais provocativas dos anos 90. Sugiro que na sua primeira oportunidade, leiam o livro e assista ao filme e tire as suas próprias conclusões. Mas acredite, em ambos os casos será no mínimo esclarecedora.

Na casa de meu Pai há muitas mansões. É claro que, ao apertar o gatilho, eu morri. Mentiroso. E Tyler morreu. Com os helicópteros da polícia roncando na nossa direção, com Marla e o pessoal do grupo de apoio que não ia se salvar, mas todos tentando salvar a mim, eu tinha de apertar o gatilho. Foi muito melhor que a vida real. E o seu momento de perfeição não dura para sempre. Tudo no céu é branco no branco. Fingido. Tudo no céu é quieto, sapatos de solas de borracha. Consigo dormir no céu. As pessoas escrevem para o céu para me dizer que se lembram de mim. Que sou o herói delas. Vai ficar ainda melhor. Os anjos daqui são aqueles do Antigo Testamento, legiões e lugarestenentes, uma hoste celestial que trabalha em turnos, dias, períodos. Cemitério. Eles trazem as suas refeições e os seus medicamentos num copinho descartável. Um kit Vale das Bolinhas. Conheci Deus na sua longa mesa de nogueira com seus diplomas pendurados na parede, e Ele me pergunta: — Por quê? Por que causei tanto sofrimento? Eu não percebia que cada um de nós é sagrado, um floquinho de neve único e especial em sua exclusividade?


Não via que somos todos manifestações do amor? Eu olhava para Deus atrás daquela mesa, tomando notas num bloquinho, mas Deus entendeu tudo errado. Não somos especiais. Também não somos merda nem lixo. Apenas somos. Apenas somos e o que acontece, acontece. E Deus diz: — Não, isso não está certo. É. Bom. Tudo bem. Não se pode ensinar nada a Deus. Deus me pergunta do que eu me lembro. Eu não me lembro de nada. A bala que saiu da arma de Tyler saiu pela outra bochecha e me rasgou um sorriso de orelha a orelha. É, como uma moranga de Haloween raivosa. Um demônio japonês. O Dragão da Avareza. Marla ainda está na Terra e escreve para mim. Algum dia, diz ela, vai me levar de volta. Se houvesse um telefone no céu,

eu ligaria para Marla, e quando ela dissesse “Alô”, eu não desligaria. Eu diria “Oi, como andam as coisas? Quero saber tudo, tintim por tintim”. Mas não quero voltar. Ainda não. Porque não quero. Porque o tempo todo aparece alguém trazendo meu lanche e

NOTA:

Para quem estiver interessado em ler alguma resenha (parece-me que há milhares pela rede) sobre o livro ou até mesmo baixá-lo, acesse estes sites: Resenha: http://www.lendo.org/clube-da-lutachuck-palahnuik http://www.hbdia.com/forum/index. php?topic=15901.0;wap2 http://www.cornflakepromises.hpg. com.br/clubedalutalivro.htm h t t p : / / w w w. a l e x m a r o n . c o m . br/2001/01/24/2101888 http://www.abacaxiatomico.com.br/ nossoscolunistas/pseudocronicas/15. htm

Baixe o livro: http://estamosnamerda.blogspot. com/2007/06/download-do-livro-clube-da-luta-pdf.html http://br.geocities.com/janosbiro/livros1.htm

meus remédios na bandeja, e esse alguém tem um olho preto, a testa inchada e costurada, e diz: — Sentimos sua falta, sr. Durden. Ou outro de nariz quebrado passa por mim com um rodinho e sussurra: — Tudo está de acordo com os planos. Sussurra: — Vamos acabar com a civilização para construir um mundo melhor. Sussurra: — Estamos providenciando para levá-lo de volta.

http://www.esnips.com/doc/fc8191d82864-4e79-84a5-49a8ddea6175/ChuckPalahniuck---Clube-da-Luta-(pdf) http://tutomania.com.br/livro/chuck-palahnuik--clube-da-luta http://kelsondouglas.blogspot. com/2008/09/clube-da-luta-chuck-palahniuk.html http://www.4shared.com/dir/7253809/ 39e87c84/sharing.html


Entrevista Diego Kleber Zine - Imagino que esta deva ser uma pergunta que já tenha respondido milhares de vezes, mas mesmo assim, vou ficar no lugar comum e irei fazê-la: por que a instabilidade nas formações tanto da Death Slam, quanto do Terror revolucionário ? Fellipe CDC - Olha, meu grande e querido amigo, os motivos são vários. Para começar, existe a pressão social em cima de cada um de nós: estudar, trabalhar e morrer trabalhando. Os afazeres aos quais somos submetidos extrapolam nossos campos dos prazeres. Não é toda família – e nisso eu tenho uma sorte incrível! – que apóiam sonhos e uma “carreira artística” que só nos dá prazer e nenhum centavo. Muitos entram no nosso mundo underground cobiçando fama e dinheiro. 99% das vezes não conseguem nem um e nem tão pouco o outro. Outros simplesmente se enchem e vão curtir e/ou tocar outro estilo de música. Normal, não há razão para discriminar. A vida segue e outros guerreiros aparecem e alguns permanecem. Felizmente,

Fellipe CDC

tanto Death Slam quanto Terror Revolucionário, estão com as formações estabilizadas há um bom tempo e, sinceramente, espero que assim permaneça. DKZ - Ainda sobre o assunto anterior, qual foi a formação mais duradoura em ambas as bandas ? Fellipe CDC - Na Death Slam, até o momento, foi Adélcio (gt), Ademir (bt), Fellipe CDC (vc) e Júnior (bx/vc). Acredito que a nova formação, com Juliano na bateria, superará esse recorde. Tem que superar!!! A Terror, depois que a Adriana entrou, em 2004, a formação não mais se alterou e tem sido a mais duradoura até então.

DKZ - Você tem um novo projeto (Scumbag), fale um pouco sobr ele: Fellipe CDC - O David, batera da Violator, queria montar uma banda Death Grind e não sei por qual razão me convidou para ser vocalista. Eu não sou tão trouxa, não pude deixar passar essa oportunidade. Para não perder o costume, sou o pior entre os “músicos” da Scumbag. Os Pedros, também da Violator, e o Novato (PPC, Low Life e Ameaça Cigana) estão conosco nesse projeto. Já fizemos alguns shows, ensaiamos raramente (Violator tem uma agenda de shows incrível!) e temos uma gravação que quase virou um split com duas grandes bandas cearenses (Facada e SMP). Pelo visto a nossa gravação virará apenas uma simples demo. Visitem www.myspace.com/ scumbagdeathgrind e deem uma conferida lá!!!


Continuação da Entrevista DKZ - A Death slam é uma banda que está na estrada desde os anos 90, por que há apenas um cd oficial lançado ? Fellipe CDC - Ninguém é louco o suficiente para lançar outro CD solo da Death Slam!!! Lançar CD da Death Slam é a mesma coisa de rasgar dinheiro, fato que a Independência records deverá fazer até o final desse ano (2009). DKZ - Digamos assim, vc está em todas as frentes quando se refere ao universo underground, tem uma banda, um selo, edita fanzines, qual a sua visão da cena atualmente ? Fellipe CDC - A internet ajuda muito a divulgar, é um mundo fantástico, sem dúvida. Entretanto, na minha opinião, mais atrapalhou do que ajudou. A molecada nova, com raras e felizes exceções, não compra mais CDs independentes, baixa tudo na net, faz cópias piratas, etc. A nova turma não freqüenta shows, fica em casa vendo o que se passa pela net. Tem também o fator medo de sair de casa, a violência embutida nesse contexto. DKZ - Por falar em seu selo (Independência Rec.), comente um pouco sobre ele: Fellipe CDC - Amigão, não é bem um selo, é mais uma cooperativa maluca, tanto que a maioria esmagadora dos lançamentos foram CDs coletâneas, onde todas as bandas custeiam todas as despesas e depois todas pegam a mesma cota de CDs. Independência Records é mais para mostrar o caminho das pedras, um incentivador a um selo propriamente dito. Entretanto, sei que o under-

Felipe CDC

ground guarda um pequeno, mas carinhoso, lugar no coração pelo selo Independência, e isso já está bom demais! Ainda tenho vários projetos engatilhados antes de dar o tiro de misericórdia. DKZ - O seu selo chegou a lançar um dvd com um show/ensaio do Terror Revolucionário. Seguindo aquele modelo, não houve interesse em gravar alguma outra banda ? Fellipe CDC - Interesses sempre há, bandas dispostas sempre existirão, já o tal do maldito dinheiro para viabilizar tal sonho é que é ralo igual a café de rodoviária. DKZ - E por falar em dvd, tem ainda a história do dvd da Death Slam, você poderia falar sobre ele ? Fellipe CDC - A capa está pronta. O Daniel, que é tatuador e baixista vocalista da Warcurse, caprichou! O Eduardo D’Castro, que é um cineasta e tanto – vejam os filmes dele! -, um amigo das antigas, fez todo o trabalho de captação de imagens e edição. Dentro do nosso orçamento, que é abaixo da linha de pobreza, o resultado ficou lindo! Falta só terminar a arte final e descolar grana ou um desvairado para mandar essa história para a prensa. Tem a gravação do show, com umas 33 músicas, mais entrevistas, mais depoimentos de amigos ligados ao underground do DF. Bem legal, bem legal mesmo, modéstia à parte. DKZ - Quem conhece as suas publicações, seja o Death slam release zine ou o Brasília fina flor do rock, sabe que vc é, digamos assim,um feroz crítico da política local, e pq

não dizer nacional. Algum escrito seu já lhe causou algum transtorno grave com políticos ? Fellipe CDC - Não, nenhum. Os zines acabam apenas circulando em nosso pequeno, porém rico, universo underground. Temos que quebrar esse círculo, difundir nossa arte, agregar para poder ameaçar mais esse sistema escravizador e mesquinha. DKZ - Como está a atual cena underground de Brasília ? Fellipe CDC - Muitas bandas, raros espaços para eventos, shows vazios (com raras exceções), muita gente reclamando e poucas pessoas fazendo algo efetivo para que a cena melhore. Felizmente, temos alguns guerreiros que fazem o underground candango respirar e manter-se vivo. Sinto muita falta de zines por aqui, esse impresso marginal é essencial!!! DKZ - Recentemente você organizou um show onde também tocou o Lobotomia, na sua opinião, qual (ou quais) o grande empecilho de organizar eventos ? Fellipe CDC - Falta de espaço, falta de patrocínios, falta de público, falta de tudo. No DF, tudo é muito caro e os altos custos inviabilizam uma série de produções e ótimas idéias, sem contar que existe um milhão de problemas envolvendo a burocracia e a política local para atrapalhar um pouco mais. O governo e o empresariado local não possuem tato nem sensibilidade, tão pouco discernimento, pois tratam eventos de pequeno porte como megaproduções.


Continuação da Entrevista

Felipe CDC

DKZ - Há uma treta envolvendo um selo alemão e a Death slam, poderia explicar esta história ? Fellipe CDC - Não tem treta nenhuma. Nem deu para ter. Oo selo simplesmente pediu nossa gravação e eu mandei. Só que, como na época não tinha grana para fazer uma cópia (não existia ainda o tal do CDR!) da DAT, enviei a original, mencionei isso na carta, pedindo para que devolvessem depois e nunca obtive resposta. Perdi a DAt original, a grana da postagem, a arte final do compacto, enfim, perdi tudo. Não sei nem se chegou a sair alguma coisa, se o cara recebeu, ou seja, não sei nada, pois ele não respondeu a mais nenhuma carta. Foda-se! É passado. Sem rancores! DKZ - Pode parecer uma pergunta meio nada a ver, mas imagino que muitos, assim como eu, logo também irão ser pais: dá para ensinar desde pequeno um filho a não gostar de lixos feito funk, pagode, sertanejo e todo lixo musical que as rádios e tevês despejam na cabeça das crianças ?

Fellipe CDC - Quanto a isso, creio que o bom exemplo deva vir de casa. A boa educação começa no seio da própria família. A escola é a continuação, o aprimoramento, a lapidação da educação. Filhos, muitos deles, tendem a seguir os passos dos pais, logo, não adianta falar uma coisa e agir de forma contrária ao que se fala. O exemplo prático é mais forte e vivo que o exemplo teórico. Pais fumantes possuem risco maior de seus filhos seguirem o mesmo mau exemplo. Até o momento, não é contaminada pelo vírus que contamina toda a sociedade, o círculo de amizades dela e extremamente

infantil, ela não tem contato com essas músicas vazias e pré-fabricadas e, na boa, tomara que continue assim. O mercado tende a denegrir tudo e com o mundo da música não seria diferente. O mercado acabou com diversos tipos de música. O Rock ainda sobrevive bravamente, mesmo com algumas invenções estranhas que surgiram em nosso seio. DKZ - Para finalizar, quero lhe agradecer pela entrevista e deixar o espaço livre para você: Fellipe CDC - Olha, se tem uma pessoa que deve agradecer aqui, essa pessoa sou eu. Agradeço a você pela oportunidade e pela boa conversa e aos leitores pela paciência em ler um pouco do resultado de nossa grande amizade. Espero poder vê-los todos em quaisquer gigs ao redor de nosso belo Brasil. Grande abraço!


Resenhas CD’s Por Milena e Priscila

SOLSTÍCIO - S/T

J

á nos é sabido, que o tempo tem o poder de moldar a tudo. Considerando a atual fase do Soltício, esta é uma afirmação completamente verdadeira. Depois de um período de silêncio, a banda retorna com uma sonoridade mais moderna, encorporando novos elementos que acabam fugindo dos clichês da atul cena HC. Também houve uma reformulada nos membros, mas os pontos que sempre fizeram deles um dos melhores grupos da cena continuam presentes, músicas com temas densos e nada de discursos pseudorevoltados. Infelizmente, três sons apenas não são suficientes para quem tem fome de música boa, mas o simples fato do retorna, já é motivo de muita festa. Baixe as músicas em: http://www.purevolume.com/solsticiorjhc ou http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=83334

LASCIVA LULA - V

J

á é sabido que com nós aqui do DKZ, não se discute, futebol, religião, política e sobre o Lasciva lula. É a nossa banda fetiche, e pronto. Foi com muita tristeza que recebemos a notícia do fim do grupo, pois é inegável, que eles tinham um belo caminho pela frente, então, qualquer chance de ouvir algum material novo é sempre um verdadeiro prazer. Sendo assim, os fãs foram brindados com um último suspiro. Foi disponibilizado no myspace dos caras 5 músicas inéditas que seguem o padrão L.L., um rock básico recheado de momentos líricos e muito bom humor em canções como “Entre gêmeos e leão” e “Carta ao Cals” por exemplo. Fica a torcida para que esta seja apenas uma parada estratégica e que estas cinco canções sejam apenas uma pequena amostra do que nos espera aí na frente. Baixe as músicas em: http://www.myspace.com/lascivalula

DRIVING MUSIC - S/T ÚLTIMA - TEATRO MÁGICO

D

riving music é a banda de um homem só, criada pelo Fábio, ex- The invisibles. Após de um pequeno período de reclusão ele retonar com este projeto musical no mínimo inusitado. A começar pelo teor das canções.Acho difícil não ouvir I Am trying not to break your heart, Day for night ou qualquer uma das cinco outras e não imaginar que ele estivesse nos EUA ou qualquer na Europa, estas músicas já não estariam tocando em várias rádios. Pode parecer um tanto absurda esta afirmação, mas é impossível não ter esta sensação do poder radiofônico das músicas. A demo foi lançada diretamente na internet, procure e divirta-se. Abra a sua mente! Baixe as músicas em: http://tramavirtual. uol.com.br/artista.jsp?id=69296

Não é de hoje que a cena underground do Rio de janeiro consegue agradar por conseguir sair do lugar comum, não se concentrando apenas no punk e hardcore, mas também dando vez e voz à bandas de estilos variados como Moptop, Lasciva lula, Noitibó e muitas outras, igualmente interessantes. Seguindo este caminho, da cidade maravilhosa, vem a banda Última, com um som calcado em guitarras que nos remetem do progressivo e a bandas do chamado stoner rock, passando pela ótima fase inicial do rock barasileiro, eles nos transportam por uma agradável viagem dentro de nosso quarto. Outra característica da banda, é contar com excelentes músicos. Mais sobre a banda em: http://www.rockwave.com.br/bandas/ultima ou http:// www.bandaultima.tk

OS LEGAIS AR SILVESTRE Com muita demora acabo por realizar a resenha deste incrível lançamento e vem a triste conclusão, eu invejo Os Legais. À revelia dos fãs mais hardcore da banda, a boa produção do novo disco é válida sim, situação até provocada na faixa “Relação em Pratos Limpos”, e para quem achou que a irreverência foi limada com o tempo, ela foi na verdade é lapidada, o que antes era um diamante bruto (ou carvão, como preferirem) agora é uma portentosa peça de joalheria. Não se iluda com falsos profetas. O que há de genial neste CD é justamente essa subversão caótica e ao mesmo tempo fluida e infantil, como se crianças resolvessem tomar o mundo e recriá-lo como se fossem adultas. O resultado chocante é sublime e terno, numa total desconexão com padrões congelados de ética e moral, até porque isso é coisa de gente grande, surpreendendo ao expor como somos confrontados com os nossos ideais e idéias. Esse estranhamento e gozo, ou na pior das hipóteses dúvida, por si já bastam para diferenciar e valorizar um bando de moleques que aparentemente nem sabe o que está tocando frente a mais uma desnecessária banda metódica e clássica, e isso sim que é especial, único. Sempre desde o início eu odiei a proposta idiota da “banda”, até porque me incomodava alguém ser pior que a banda que também tinha tocado, o Alpha Asian Malaria. E o que parecia ser apenas uma piada evoluiu e se transformou em um conceito mais amplo, coisa descabida nesse gênero do Noise, Anti-Música. O que esses caras fizeram ao longo dos anos mostra que a reciclagem não só de isopor mas de idéias tornou esse lançamento em especial, Ar Silvestre, em um divisor de águas no gênero, provando que não se trata meramente de Anti-Música, como também é Música! É a impensável e impossível (até então) união do Noise com o Pop! Obs: Esta resenha foi feita pelo Aristides, editor do Palavras Putas e Intestino Tom, além de guitarrista do extindo The Power of the Byra e do Vidas em chamas, ela foi enviada para o meu e-mail e acabamos aproveitando-a aqui.


Procura-se Amy

A

ssisti este filme pela primeira vez, lá em 2000. Naquela época, ele já tinha me impressionado bastante por causa da abordagem que trazia envolvendo sexo, amizade e homossexualismo. E tudo isto num universo das tais pessoas jovens. Gente entrando na faixa dos vinte e tantos anos, resumindo, se tornando adulto. Outro fator legal, era que tudo isto ainda vinha embalado em diversas referências ao mundo pop. Recentemente comprei o dvd e primeira impressão que tive há mais de 7 anos, ainda persiste. Execelente história, com personagens interessantes que certamente poderia ser algum conhecido seu. Outro fator interessante, é perceber que a tal abordagem envolvendo sexo, amizade e homossexulismo, continua atualíssima até hoje. Se é que um dia estes temas serão fáceis de serem tratados. Certo, não é um filme para todos, tenho certeza que muita gente deve tê-lo visto e achado bem tolo, mas o bacana nesta produção, é a maneira como o diretor Kevin Smith

explora um texto que com uma mão um pouco mais pesada, poderia acabar num melodrama típico de novelas ou mesmo seguir por um caminho totalmente convencional. O final digamos assim, antiromântico, deixa bem claro isto. O enredo é até simples: dois amigos que fazem uma hq relativo de sucesso, que trabalham nitas que vemos por aí aos beijos e vivem juntos, conhece um dia com outra garota são realmente gays ? Será que não gostariam de ter algum envolvimento com algum garoto ? O legal, é que o que vemos, é que não importa o lado que esteja, sempre é difícil os amigos aceitarem algumas de nossas resoluções pessoais. Muito mais do que um filme para se ter uma tarde agradável e romântica com a namorada numa convenção, uma moça tam- um filme para ver e refletir. bém tem sua revista. Um deles fica interessado nela e parte para luta para poder conquistá-la, sem sa- DIREÇÃO: ber que ela é lésbica. Descrevendo Kevin Smith assim, parece básico, mas daí sur- ROTEIRO: gem os conflitos. Kevin Smith Quem nunca teve FOTOGRAFIA: ciúmes de amigo/ Kelly Baldwin a que está por per- MONTAGEM: to o tempo todo e Kevin Smith e Scott Mosier de uma hora para ELENCO: outra é trocado/a Ben Affleck, Joey Lauren Adams, por causa de um/a Jason Lee, Dwight Ewell, Jason namorado/a? Ou Mewes mesmo, quantas destas garotas bo-


Resenhas SEX PISTOLS: NEVERMINDS THE BOLLOCKS NIRVANA: NEVERMIND A Showtime lançou uma interessante série de documentários voltada para grandes discos da história da música. As faixas são comentadas pela banda e produtores, neste processo acabamos descobrindo algumas curiosidades sobre cada faixa. Ainda há os extras que acaba sendo uma atração a parte por trazer muitas informações interessantes. Sex Pistols: Duração: Aproximadamente 95 minutos Legenda: Português | Espanhol | Inglês Extras: O baixo de Anarchy in the U.K. EMI (unlimited edition) - A gravação do disco - New York ao vivo em Estocolmo - Bill Price - Jamie Reid - Sid - Rotten leva uma navalhada - A polícia e a diretora - Seventeen ao vivo em Estocolmo - Olá, Freddie Mercury - Conversando com Steve Jones - Fim

Nirvana:

Duração: Aproximadamente 74 minutos Legenda: Português | Espanhol | Inglês Extras: Drain you - Dave Grohl entra para a banda - Gravação em Los Angeles - O vídeoclipe de Smells like a teen spirit - Polly - A capa de Nevermind

PUNK HISTORY Este é o tipo de dvd que você pode comprar e no final se sentir meio lesado, pois a primeira vista aparenta ser um documentário sobre punk rock, mas na verdade traz vários clips, mas a sua maioria já lembrando a fase new wave. Vale pelo registro e só, nem todo mundo irá curtir. Entre as coisas legais estão: Sid Vicious com sua versão de “My way”, Iggy Pop com “Lust for Life” e “The Passenger” e Vapors com “Turning Japanese”.

Duração: Aproximadamente 55 minutos Legenda: Sem legenda Extras: Sem extras


P

or algum tempo fotologs para mim, sempre me pareceu um terreno feito para narcisistas e exibicionistas, pois o que mais se encontrava eram pessoas se mostrando, pelo que me lembro, algumas pessoas até ficaram famosas, mas o que reinava era a mesmice. Ultimamente voltei a prestar a atenção e percebo que há alguns flogs interessantes, que fogem o lugar co-

mum de postar a sua foto e achar que deve ser motivo culto ou algo assim. Os temas são bem variados, como fotos de tênis, de gatos, de filipetas, há um que gosto muito de fotos de lutadores de luta mexicana, até mesmo alguns relacionados a bandas.

Fiz uma pequena seleção de alguns. Visite-os e divirta-se: Geral 1 http://www.fotolog.com/flyershc - fotolog de flyers de bandas clássicas do hardcore. http://www.fotolog.com/converse - fotolog dedicado ao velho e bom tênis All star http://www.fotolog.com/lucha_mexicana - fotolog dedicado a luta mexicana http://www.fotolog.com/_costosas - fotolog dedicado a quem curte cosplay http://www.fotolog.com/rnrisdead - fotolog com de filiepetas de shows http://www.fotolog.com/mafalda_tiras - fotolog dedicado de tirinhas da Mafalda http://www.fotolog.com/0_o_bjork_o_0 - fotolog dedicado a cantora Björk http://www.fotolog.com/calvin_tiras - fotolog dedicado as aventuras do Calvin e do Haroldo http://www.fotolog.com/my_beach - fotolog dedicado a fotos de praias

Bandas http://www.fotolog.com/x_confronto_x http://www.fotolog.com/mukekadirato http://www.fotolog.com/bandanosisback http://www.fotolog.com/solsticiorjhc http://www.fotolog.com/gangrenagasosa http://www.fotolog.com/miamibros_ http://www.fotolog.com/reatorespunkrock http://www.fotolog.com/bandahale http://www.fotolog.com/facadanagoela http://www.fotolog.com/deleve (ok, não é uma banda, mas...)

Selos http://www.fotolog.com/53hc http://www.fotolog.com/lajarecords http://www.fotolog.com/uniaopositiva (desatualizado, mas continua on line) http://www.fotolog.com/axpxfx + Fotos de Flyer: Loja Cérebro - http://www.cerebro.bulhorgia.com.br


Uma tarde de autógrafos no shopping

I

rei recorrer ao velho clichê: “Uma foto vale mais do que mil palavras”. Zeca Baleiro, eu e a Samara. Pois bem, vejam acima o que não faço pela minha namorada. Depois de um cansativo dia de trabalho, fui arrastado. Ok ! Fui por livre e espontânea vontade, mas se tivesse escolha, teria ficado em casa vendo TV. Mas vamos aos fatos. A fotografia foi tirada na tarde de autógrafos com o Zeca Baleiro. É o tipo de músico que não tenho nada contra. Não gosto, nem desgosto. Se tiver tocando bem, se não tiver, melhor ainda. Para quem nunca foi a uma sessão de fotos, saiba que é algo no mínimo inusitado. Você vê de tudo um pouco. Fãs exaltados, fãs de primeira viagem, namorados, maridos ou sei lá o que estão a força (me coloco neste caso, mas como eu disse, minha presença foi de livre e espontânea vontade, nada que uma pequena ameaça não possa revolver). Estava na frente de duas mulheres que estavam concorrendo para ver quem tirava mais onda sobre qual das duas tinhas ido a mais shows. Vi uma moça dando saltos só porque tinha abraçado-o. e por aí vai. Ah ! Detalhe, ainda tinham os curiosos que queiram saber o que aquela fila enorme estava dando. Brasileiro adora uma fila mesmo. Considerando a hora que chegamos, até que não tinha tanta gente na nossa frente, imagino que somente umas 30. Pode acreditar, depois ficou bem pior. Detalhe da foto aí em cima, foi um pedido da Samara. Eu disse que iria fazer uma careta, mas fui gentilmente coagido a não fazer.

1 MINUTO DE SABEDORIA

As três frases para se dar bem na vida: Número um: segura para mi m; Número dois: boa idéia, chefe; Número três: já es tava assi m quando eu cheguei.

Homer Si mpson


Sexo e Brigas

N

ão me lembro bem onde foi que eu li algo sobre a profunda relação que existe entre o amor e o ódio. Que são sentimentos contrários, mas que não podem viver separados, ou algo assim. Sinceramente, nem sei o que pensar disto, pois meu texto não é sobre este assunto, mas achei que ficaria bonitinho como exemplo. O que quero escrever, é sobre outra “profunda relação”. A existente entre brigas e sexo com os casais. Claro, isto é algo que exige uma certa intimidade e um certo tempo de convivência entre as pessoas, mas qual é o casal que nunca teve uma briga feia e depois foram fazer as pazes num tórrido e alucinante momento de amor (ou sexo se preferir)? Imagino que você esteja pensando agora em algo do tipo: “mas nem toda boa transa que tivemos foi após uma briga”. Com certeza acredito que não, mas puxe na memória...pelo menos uma teve. Após uma briga, tudo fica mais intenso. Um beijo mais molhado,

alguma coisa que sempre quiseram lá, mas após uma discussão as fazer e tinham vergonha. Pode ser coisas são melhores. E digo mais, a adrenalina ou mesmo a raiva, sei tudo isto ainda vem acompanhado de juras de amor, pedidos de desculpas e promessas de que tal coisa jamais voltará a acontecer. Imagino na quantidade de filhos e filhas que não nasceram após um grande arranca-rabo. Como escrevi no começo, ódio e amor andando e se fundindo num só. Ah sim! Existe brigas após o amor (sexo ou o que você quiser chamar), mas aí, já é uma outra história complicada.


Beastie boys: Duração: Aproximadamente 63 minutos Legenda: Português Extras: Discografia

Resenhas REVISTA DIGITAL SHOWTIME APRESENTA: FOO FIGTHERS BEASTIE BOYS –GUARDIAN ANGELS – – HORSEPLAY – Dois dvds que fazem parte de uma série de biografias não autorizadas de vários cantores e bandas. Certamente é algo que atrai fácil os fãs mais ardorosos por informações. Apesar de não possuir nenhuma aparição dos respectivos artistas, este documentário consegue atrair a atenção por ser exatamente, um passo a passo das bandas, contando sua trajetória. Há uma grande variedade de títulos disponível, procure o seu e divirtase. Há um detalhe interessante: no cd vem uma revista eletrônica, mas aparentemente, é igual em todos os títulos. Duração: Aproximadamente 77 minutos Legenda: Português Extras: Discografia

Duração: Aproximadamente 63 minutos Legenda: Português Extras: Discografia

ROCK AND ROLL OUTLAWS + SEXUAL FAVOURS Quando se fala de The exploited, sempre me parece complicado, pois a maioria das pessoas os consideram fascistas, nazista ou qualquer coisa assim. Com certeza, há uma grande quantidade de fãs espalhados pelo mundo, mas também muitos que os odeiam. Rock and roll outlaws é um documentário sobre a banda que tenta mostrar que são mais do que um bando de punks arruaceiros, várias cenas do grupo e entrevista com o eterno líder Wattie Buchan. Sexual favours é um show de apenas 30 minutos onde são apresentadas alguns sucessos.

Rock and roll outlaws: Duração: Aproximadamente 98 minutos Legenda: Português / Inglês Extras: Sem extras Sexual favours: Duração: Aproximadamente 30 minutos Legenda: Sem legendas Extras: Entrevista com Wattie Buchan


Resenhas END OF THE CENTURY - THE STORY OF THE RAMONES Surpreendente documentário sobres os Ramones. Traçar a história desta banda, também é contar sobre o surgimento do punk. O filme traça toda a tragetória da banda através de fotos, trechos programas de tv, shows e comentários de pessoas que viveram ao lado dos integtantes. Difícil não se emocionar com esta que talvez tenha sido a grande incompreendida dentro do mundo do rock.

Extras: Trailer de cinema - Cenas deletadas - Entrevista com Joey Ramone - Técnicas de bateria com Marky Ramone - Entrevista com Johnny Ramone - Entrevista com Richie Ramone - Entrevista com Dee Dee Ramone - Entrevista com Joe Strummer (The clash) Entrevista com Tommy Ramone - Entrevista com Debbie Harry e Chris Stein (Blondie) - Quem escreveu o que nos 3 primeiros discos com Tommy Ramone

Duração: Aproximadamente 147 minutos Legenda: Alemão | Espanhol | Francês | Inglês | Português

METALLICA – SOME KIND OF THE MONSTER –

e a tentativa de achar um novo membro. Para quem não gosta da banda, é um documentário um tanto chato, pois a narrativa lenta cansa, e há uma preocupação exagerada em querer mostrá-los como pessoas comuns. Para quem Para falar deste dvd, vale uma peé fã da banda ou se liga numa fofoquena historinha: há muito tempo ca, um prato cheio. Se não é o seu atrás, existiu uma bnada chamada caso, fique longe. Metallica, que tinha um baixista que era incrível e possuía algumas Duração: músicas incríveis, o tempo pasAproximadamente 140 minutos sou, o baixista morreu e a banda continuou, mas cada vez menso Legenda: interessados em música, mas sePortuguês | Espanhol | Inglês dentos por fama e dinheiro. Muito dinheiro.Assim podemos iniciar a Extras: resenha, somekind...acompanha Cenas inéditas - Videoclipe - Festias agruras do Metallica na tentativais e estréias - Esse monsotro vive va de compor um novo cd (St. An- Filmografia dos cineastas - trailer ger). Ataques de estrelismos, alcode cinema e do show olismo e a saída de Jason Newsted


Resenhas TOY DOLLZ – WE’RE MAD + IDLE GOSSIP O Toy dollz tem como marcas registradas o seu sarcasmo e o vocal esganiçado do Olga. Uma banda punk que por trás de supostas músicas engraçadinhas consegue dar o seu recado certeiro.

eram os campões. Impressionante a perseguição deles aos Ramones nas ruas de Buenos Aires. Mais de 4 horas de pura diversão. Gabba gabba hey! Duração: Aproximadamente 105 minutos

Este dvd trás um apanhado de músicas dos 4 primeiros do grupo ( Dig that grove baby, Wonderful world, A far out disc e Idle gossip). Está dividido em duas partes: We’re mad ( com cds de 83 a 85) e Idle Gossip (de 1986). A primeira parte é uma gravação em estilo home vídeo feitas em uma ruína e em um quarto, traz ainda o video clipe de Blue suede shoes. Já a segunda, Idle Gossip, parte, das 14 músicas, 8 fazem parte de um disco do mesmo nome. São gravações que em separados, certamente são videoclipes, mas que junto, formam um espécie de especial musical e ainda há um trecho ao vivo. O legal de ver ou rever este dvd, é perceber que mesmo depois de 20 anos, músicas como Nellie the elephant ou Glenda and the test baby, ainda conseguem ser escrachadas e empolgantes. Duração: Aproximadamente 90 minutos Legenda: Português | Inglês

Legenda: Espanhol | Inglês

Extras: Galeria de fotos - Bônus punk (não se engane com este tal bônus, são apenas trechos de outras bandas tocando ao vivo junto com um texto em inglês descrevendo cada uma)

RAMONES: RAW Este dvd acaba sendo um complemento para o documentário End of the century e é do tipo que deixa qualquer fã superfeliz. Ele traz uma extensa quantidade de material sobre a banda. Imagens de turnês por vários países, a convivência na estrada, a histeria dos fãs. Neste quesito, os argentinos

Extras: Comentários com Johnny Ramone, Mark Ramone e John Cafiero – “I Ramones” Ao vivo na Itália – 8 aparições adicionais na tv – 18 cenas cortadas – 12 imagens escondidas


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PAIO MAKANA REKORDS APRESENTA: “Hay vida en el sotano!” Coletânea virtual “HAY VIDA EN EL SOTANO!”

01- Ni Dudar! - Una Ventana (arg) 02- Patada en La Papada - Gargantua (esp) 03- Kristo Muerto - Disturbios (arg) 04- Morrones - En Contra de Todos (arg) 05- Kosetxa Propia - Paz Violenta (esp) 06- Solidarkia - Neoliberalismo (chi) 07- Trastorno Mental - Rebelion (chi) 08- Mundano Metralla - Nuestras Armas (chi) 09- Citados a Tribunal - Problema Social (chi) 10- Acracia - El Juego (arg) 11- Degenarativa - Anti Ratis (arg) 12- Podriaser - Sobredosis (chi) 13- Perros Jodidos - Condenado (chi) 14- Symms - Soportar (arg) 15- Softcore - Su Confianza No Bastara (chi)

16- Foley - Condenado (arg) 17- Segunda Classe - Aterrizar (arg) 18- Stuttgart Vodka - Jimmy Wilcox (arg) 19- Buffer - El Ultimo Bar (arg) 20- Zoah - Alguna Vez (arg) 21- Descanse en Paz - Sin Ti (arg) 22- Perros Pegados - Descarta o Corre (arg) 23- Doble Seda - Sos Un Gil (arg) 24- Mala Accion - Destapando (mex) 25- La Joroba de Nico - El de Nico (arg) 26- Birra!!! - Una Mañana (arg)

27- Asko - 6.6.6 (arg) 28- SinRespeto - Dale Oh!!! (chi) 29- Alkol Dinamita - A.M.M.S (chi) 30- Gris 315 - Nadie Elige Su Destino (uru) 31- Demencia - Violencia (arg) 32- Apenas Legal - Pensamientos Retorcidos (arg) Baixe em: http://www.mediafire.com/download.php?2mg1j2rwmom


RR

enato ossati

01 - Para iniciar, comente um pouco sobre os seus fanzines: R.: Vou falar agora apenas do “Juvenatrix” (sobre o “Astaroth” falarei a seguir). Sou fanzineiro desde Novembro de 1988, iniciando na co-edição do lendário fanzine de Ficção Científica e Horror “Megalon”, junto com Marcello Simão Branco. Em Janeiro de 1991, decidi criar o meu próprio fanzine e veio então o “Juvenatrix”, que já tem 18 anos e mais de 100 edições e 3.000 páginas publicadas, entre contos, artigos e resenhas de cinema, histórias em quadrinhos e ilustrações do gênero fantástico. O nome “Juvenatrix” foi inspirado num filme americano e obscuro de horror “B”, lançado em 1989, e que aqui no Brasil recebeu o nome de “Rejuvenator” (Juvenatrix: A Classic Tale of Terror), que contava a história de uma mulher rica e obcecada pela juventude eterna, que se submeteu a uma experiência com um soro criado por um “cientista louco”, cujos efeitos colaterais transformaram-na num monstro assassino. A partir do número 108, o fanzinemigrou do formato impresso em papel para eletrônico distribuído pela internet em arquivo PDF. Próximo de lançar a edição 115, o “Juvenatrix” continua firme o seu legado de horror, agora manchando com o vermelho do sangue a tela dos computadores de seus leitores. 02 - Recentemente, decidiu por uma parada em uma de suas publicações, por que esta decisão?

Entrevista

R.: Criei o “Astaroth” em Janeiro de 1995 como um filhote do “Juvenatrix”, com formato menor, menos ]páginas e distribuição maior devido aos menores custos de produção. A idéia era utilizar o “Astaroth” para publicar contos e resenhas curtos, e investir mais na divulgação de outros fanzines, even-

iguais, e por isso estou agregando o conteúdo de ambos apenas no “Juvenatrix”, sendo que o “Astaroth” interrompeu sua publicação com o número 63, e estará hibernando por tempo indeterminado. Não está morto, mas no momento está em recesso. 03 - Ainda referente a fanzines, nos últimos anos, muitos desapareceram, outros entraram em repouso, na sua opinião, fazer uma publicação hoje, com a chamada geração “msn”, ainda terá vida longa? R.: É uma pena, mas é fácil constatar que os fanzines impressos estão sendo cancelados aos poucos e a tendência será mesmo o desaparecimento (com algumas raras exceções), dando lugar às publicações eletrônicas distribuídas pela internet. É inevitável: o tempo passa, tudo muda, a tecnologia cresce, e os fanzines também se transformam. 04 - Você decidiu por uma distribuição interessante, via e-mail, para você esta é uma solução para as publicações impressas?

tos e bandas de metal extremo, com a publicação de endereços e contatos no underground. Enquanto o fanzine estava numa versão impressa, essa idéia até que funcionou bem, porém ao migrar para a versão eletrônica, e aumentar o número de páginas e informações, e deixar de ser diferente do “Juvenatrix”, sua existência passou a ser questionada. Na verdade, não há motivo mais para se manter dois fanzines com características

R.: É uma saída para impedir o cancelamento, devido aos altos custos de produção e distribuição. Senti que o “Juvenatrix” foi obrigado a migrar para uma versão eletrônica na internet, e felizmente esse processo de mudança foi simples. Com um arquivo transformado em PDF, a nova versão permite um aumento de páginas e informações, fotos e imagens coloridas, além de grande distribuição gratuita por e-mail, e praticamente sem custo de produção, bastando ter


Renato Rossati acesso a internet rápida. Ainda prefiro os fanzines impressos em papel, que possuem um “charme” especial e insubstituível, mas por questões de sobrevivência, a migração para a internet é inevitável (complementando a pergunta anterior). 05 - Hoje, não tem como lembrar do seu nome e vir na mente o “Boca do Inferno”. Fale um pouco de como surgiu o site e os projetos relacionado a ele:

Continuação da Entrevista R.: O site “Boca do Inferno.Com” foi criado pelo Marcelo Milici em Maio de 2001. Faço parte da equipe desde meados de 2002, colaborando com textos de cinema e ajudando com as despesas para se manter no ar. Ele vem crescendo muito a cada ano, aumentando significativamente sua já colossal quantidade de informação, e atualmente é um dos sites com maior número de visitas na internet brasileira, dentro do gênero Horror, especialmente o cinema. Tem sido atualizado semanalmente com notícias e artigos

sobre filmes, e também publica contos e outros materiais sobre o gênero. Também existe a revista em quadrinhos “Boca do Inferno.Com”, produzida em parceria com a editora “Júpiter II”, de José Salles, e cujo número 3 está em circulação. E tem o blog “Infernotícias”, vinculado ao site “Boca do Inferno.Com”, onde priorizo a divulgação de eventos, bandas e todo tipo de produção alternativa. Interessados, visitem www.bocadoinferno. com e www.infernoticias.blogspot. com. 06 - Para quem ler os seus artigos, tanto nos fanzines, como no site, já percebeu que você é um grande crítico das pessoas que colocam os títulos nacionais. Na sua opinião, qual o porquê de se colocar alguns nomes horrorosos em produções estrangeiras? R.: A resposta é simples: falta de competência dos profissionais responsáveis por essa tarefa, e consequentemente gerando uma falta de respeito com o público consumidor, e também com aqueles que dedicam energia para a pesquisa e catalogação dos filmes que chegam ao Brasil. São títulos mal escolhidos, ou duplicados, ou enormes, fazendo uma grande confusão. Tem casos de um mesmo filme com vários nomes diferentes, ou com títulos absurdos (alguns até reveladores de “spoilers”, ou ao contrário, que nada tem a ver com as respectivas histórias), ou com subtítulos imensos e completamente desnecessários. É fácil resolver essa questão, bastando utilizar um mínimo de inteligência e coerência para a escolha dos títulos nacionais. 07 - Com o lançamento de do novo “Sexta-feira 13”, fica uma sensação de que há um escoamento (que torço para que seja momentâneo) de idéias, você é contra ou a favor de refilmagens?


Renato Rossati R.: Realmente, o cinema de Horror atual está carente de novas idéias, e por isso os realizadores estão optando por refilmagens de idéias já consagradas. Não sou contra desde que o resultado final seja satisfatório, com ocorreu em algumas raras ocasiões (“Viagem Maldita”, “remake” de “Quadrilha de Sádicos”, e “Madrugada dos Mortos”, nova versão de “Despertar dos Mortos”, são dois bons exemplos). Mas, de uma forma geral, as refilmagens tem contribuído pouco. 08 - Ainda o tema “remake”, qual ou quais você mais gostou? R.: Como informado na pergunta anterior, posso citar rapidamente dois exemplos: “Viagem Maldita” e “Madrugada dos Mortos”. 09 - Filmes como “Jogos Mortais”, “O Estripador de Las Vegas”, “O Albergue”, entre tantos outros, trazem uma violência por demais gratuita e sem sentido. Para você, histórias como a de “O Massacre da Serra Elétrica” (original, de 1973), onde mais se supunha, do que mostrava, já não tem mais vez em matéria de sustos? R.: Estão sendo produzidos muitos filmes excessivamente violentos, como os que foram citados na pergunta e outros como os franceses “A Invasora”, “Alta Tensão” e “(A) Fronteira” (exemplificando alguns fora dos Estados Unidos). Eles fazem parte de um tipo de cinema de horror mais extremo e que possuem suas qualidades indiscutíveis. Mas isso não significa que os filmes menos explícitos estejam em segundo plano, pois existem muitos deles em produção para todos os lados, e que investem em situações mais sugeridas, com interessantes elementos de suspense em suas histórias, citando como exemplo o cinema oriental com a temática de fantasmas perturbados.

Continuação da Entrevista 10 - Não tem como lhe perguntar isto: o gênero zumbi, ainda pode render novos filmes? R.: Apesar de ser uma temática já largamente explorada em inúmeros filmes, o sub-gênero dos zumbis pode ainda render bons filmes, e vou citar até uma produção independente nacional como ótimo exemplo: “Mangue Negro” (2008), de Rodrigo Aragão. 11- Recentemente, um filme do Zé do Caixão foi lançado, com até certa divulgação, mas ele parece ser uma exceção, pois tirando o chamado cinema “trash”, não se faz filmes de terror no Brasil para o “grande público”. Para você, qual seria o motivo disto? R: O gênero Horror enfrenta grande quantidade de preconceito pelo “grande público” em geral, e isso acaba evidenciando um pessimismo dos realizadores em investir em filmes do gênero. “A Encarnação do Demônio”, de José Mojica Marins, foi um dos melhores filmes exibidos nos cinemas brasileiros em 2008, e ainda assim ele teve discreta recepção do público, que compareceu pouco às salas de exibição. Existe um pensamento paradoxal no público brasileiro fã do cinema de Horror: reclamam da pequena produção de cinema nacional, mas não apóiam o pouco que é produzido, não valorizando nossos trabalhos. Então, grande parte da culpa pela falta de produção nacional é de responsabilidade do próprio público. 12 - Na sua opinião, no quesito filme “trash”, qual o mais tosco que já assistiu e por que o considera assim?

R.: Já vi uma infinidade de filmes toscos, mas para citar um rapidamente, escolho a bagaceira “Banquete de Sangue” (Bloodfeast, 1963), de Herschell Gordon Lewis, considerado como um dos precursores de um cinema de horror mais explícito, com sangue e vísceras em profusão. Com uma grande quantidade de falhas no roteiro, interpretações ruins, efeitos toscos e produção paupérrima, o resultado final acaba sendo uma curiosa diversão, num bom exemplo do fascínio exercido sobre o público justamente pelos filmes considerados ruins ou que fazem parte do termo “trash”. 13 - Para você, os filmes asiáticos são a salvação do gênero terror? R.: Não apenas os filmes asiáticos são a salvação do Horror, como também aqueles produzidos em outros lugares como Espanha e França, por exemplo. Cito para se ter uma idéia, o filme espanhol “Rec” (2007), exibido


Renato Rossati

Continuação da Entrevista Krueguer, Hannibal Lecter, Jigsaw, e outros. 15 - Além do referido site, há também a revista “Boca do Inferno”, qual conteúdo ela traz ? E quem tem interesse em conhecê-la, como conseguir um exemplar?

nos cinemas brasileiros em 2008, e que trouxe muita energia para o gênero, numa história interessante e extremamente perturbadora. Mas, ainda existem ótimos filmes sendo produzidos em todos os cantos do mundo, não apenas no Oriente. 14 - Como fã, qual é o seu personagem preferido? R.: Fazendo uma retrospectiva, não consigo escolher um personagem específico, prefiro dizer que aprecio todos os personagens clássicos do gênero como o vampiro Drácula, a criatura de Frankenstein, o Lobisomem, o Fantasma da Ópera, o Monstro da Lagoa Negra, Zé do Caixão, a Múmia, e outros mais contemporâneos como Dr. Phibes, Leatherface, Michael Myers, Jason Voorhees, Freddy

R.: Como já respondido numa pergunta anterior, entre os projetos do site “Boca do Inferno”, temos a revista em quadrinhos, cujo número 3 está em circulação. Ela é produzida em parceria com a editora “Júpiter II”, de José Salles, trazendo HQ´s novas de colaboradores e republicações de autores antigos, além de pequenas resenhas de filmes clássicos. Aos interessados, solicite informações pelo e-mail: revistaboca@yahoo.com.br (A/C Marcelo Milici). 16 - Há alguma possibilidade de se tornarem uma distribuidora de filmes de terror? R.: A possibilidade sempre existe, mas como essa atividade demanda uma grande energia para sua efetivação, prefiro dizer que o foco principal do site “Boca do Inferno” é continuar oferecendo ao infernauta uma overdose de informação sobre o fantástico universo do Horror, com notícias e artigos do gênero. Em relação aos projetos futuros, existe grande quan-

tidade de idéias interessantes que sempre estão em análise e desenvolvimento. 17 - Para finalizar, para você, uma lista básica para quem quer entender mais sobre os filmes de terror deveria ter quais títulos? R.: Não com o objetivo de entender mais sobre os filmes de Horror, mas sim como uma sugestão para aqueles que gostariam de conhecer de uma forma geral o gênero, segue uma lista com filmes básicos e mais conhecidos, de grande importância na construção da história do cinema de Horror, independente de preferência: * Frankenstein (Frankenstein, 1931) * Na Solidão da Noite (Dead of Night, 1945) * O Vampiro da Noite (Horror of Dracula, 1958) * Psicose (Psycho, 1960) * Os Inocentes (The Innocents, 1961) * Desafio ao Além (The Haunting, 1963) * Black Sabbath – As Três Máscaras do Terror (Black Sabbath – The Three Faces of Fear, 1963) * À Meia-Noite Levarei Sua Alma (1963) * A Noite dos Mortos-Vivos (Night of the Living Dead, 1968) * O Abominável Dr. Phibes (The Abominable Dr. Phibes, 1971) * O Exorcista (The Exorcist, 1973) * O Massacre da Serra Elétrica (The Texas Chainsaw Massacre, 1974) * Suspiria (Suspiria, 1977) * Halloween, A Noite do Terror (Halloween, 1978) * Zombie – A Volta dos Mortos (Zombie Flesh Eaters, 1979) * O Iluminado (The Shinning, 1980) * Sexta-Feira 13 (Friday the 13th, 1980) * The Evil Dead (1982) (nesse caso, prefiro citar o nome original, pois o nacional “A Morte do Demônio” é péssimo) * Hellraiser, Renascido do Inferno (Hellraiser, 1987) * Fome Animal (Braindead, 1995)


Resenhas FESTIVAL EXPRESS Este filme também é o testemunho do final da ingenuidade de toda uma geração onde a palavra de ordem era paz e amor.

“Durante o verão de 1970, uma série de de festivais de música aconteceu no Canadá. Após o primeiro festival em Toronto, os músicos, seus assistentes e a equipe de filmagem viajaram em um trem fretado para os festivais restantes em Winipeg e Calgary. Esta é a história do Festival express. ” Com esta introdução, somos apresentados aquele que deve ter sido o mais louco dos festivais. Durante uma semana, um monte de bichos-grilo (The Grateful Dead, Janis Joplin, The Band, Buddy Guy e outros), viajaram pelo Canadá num trem promovendo shows, bebendo, se drogando e se divertindo (não necessariamente nesta ordem).

Duração: Aproximadamente 84 minutos Legenda: Português | Espanhol | Inglês Extras: Os dois discos trazem material adicional: Disco 01: Imagens inéditas – Trilhas sonora Disco 02: Entrevista com Bob Weir, Buddy Guy, Ken Walker, Phil Lesh – making off do Festival Express – Galeria de fotos Trailer

ANTHRAX - MADHOUSE Sempre que ouço Anthrax, eu percebo que eles foram os grandes visionários do rock. Num tempo em que qualquer união com outro estilo era visto como visa de modista ou qualquer tipo de nome pejorativo, eles já ousavam, para começar pelo visual despojado, mais para surfista ou skatista do que para headbangers e detalhe, já flertavam com o hip hop. Muito do que as tais bandas de metalcore ou rapcore fazem hoje, já era feito eles. Este dvd apresenta uma entrevista com a formação clássica (Scott Ian,

Joey Belladonna, Charlie Benante, Dan Spitz e Frank Bello), entremeado por apresentação ao vivo com John Bush nos vocais. Muito foda! Duração: Aproximadamente 70 minutos Legenda: Português Extras: Sem extras


Resenhas HEAVY METAL LOUDER THAN LIFE & METAL * UMA JORNADA PELO MUNDO DO HEAVY METAL *

D

ois documentários que tratam basicamente do mesmo assunto: o heavy metal, mas com resultados bem distintos. O primeiro soa pretensioso demais, o segundo, segue uma linha mais didática, mas ambos parecem querer mostrar que metal é um tipo de música que só se faz na Europa ou nos EUA. Fica esta estranha sensação. Crítica a parte, Heavy metal louder than life se apoia basicamente em entrevistas com pessoas ligadas a este universo. Há conversas com músicos, jornalistas, produtores e djs, onde mostram a evolução do rocke e o nascimento daquele que seria um estilo maldito para muitos. Claro, entrevistar medalhões como Rob Halford, scott Ian, Ronnie James Dio, Ian Paice, Geezer Butler, Dee Snider, este particulamente, dá um show a parte, tanto que nos extras tem a entrevista com ele na íntegra, entre muitos outros ajuda bastante, mas mesmo assim, ele não agradará muito aos mais entendidos no assunto em momentos como o de afirmar que o metal alternativo é a salvação do estilo. Soa como algo exagerado. Sem contar que ele se foca quase que exclusivamente a cena americana. Ah! Os extras também trazem dois momentos bem desagradáveis, é ver para crer. Já Metal..., como já foi dito anteriomente, segue uma linha mais didática, como seu realizador é um antropólogo formado, ele dá um ar mais acadêmico e procura explorar todos os aspectos desta cultura, desde os primórdios, até as muitas ramificações que o estilo acabou formando. Seguindo uma linha Michael Moore de filmar, o documentário percorrer

Legenda: Português | Espanhol | Inglês Extras: Confissões de um headbanger – Dee Snider e o metal – Metal Skool – Linha do tempo do metal – Testemunhos de álbuns

Metal – uma jornada pelo mundo do heavy metal: Duração: Aproximadamente 98 minutos Legenda: Português | Inglês vários caminhos para mostrar como o heavy metal conseguiu se instalar em diferentes culturas, servindo como fonte de diversão, modo de protesto e rebeldia. Em comparação com o primeiro, é um documentário com um tom mais autoral, e mostrado de maneira mais explícita, aprofunda mais os temas temas e Sam Dunn, um dos diretores, acabou ouvindo os mesmos cds que muitos de nós nos anos 90 também ouvia e curtia, acaba criando uma empatia com ele. Há também boas entrevistas (Tommy Iomi, Robbie Zombie, Dee snider, ele de novo, Bruce Dinckison, Lemmy, entre outros. Seja qual for a sua opção, fica aí duas boas sugestões para reunir os amigos e se divertir bastante.

Heavy metal louder than life: Duração: Aproximadamente minutos

Extras: MP4 – Bastidores – Entrevistas – Trailer – História do heavy metal – Norwegian black metal: um documentário


A sina de uma alma inquieta Parte II “Valeu a pena? Tudo vale a pena Se a alma não é pequena. Quem quer passar além do Bojador Tem que passar além da dor. Deus ao mar o perigo e o abismo deu, Mas nele é que espelhou o céu.”

À

Fernando Pessoa

s vezes me pergunto se Fernando Pessoa tinha realmente razão ao escrever tais versos. A profundidade de cada palavra me assombra. Me pergunto se minha vida vale realmente a pena, se para cada abismo em que me afogo existe um céu para consolar minha dor.

Encontro-me num estado de estagnação total. Nada me vem... tudo me falha. Minha capacidade de raciocínio, minha paciência, minha vontade de viver, minha concentração, meu esforço pelo que anseio, minha capacidade de me relacionar. Nada avança no rítimo normal.Sinto-me um ser humano sem alma. Uma jovem com alma envelhecida. Sem expectativas para o futuro. Tento me fazer entender e fingir... contar histórias para que minha realidade, aos olhos dos outros, pareça mais amena e contagiante.

Concluo que nada valeu a pena, as pessoas que amo são para mim o significado da minha existência de forma materializada. Nada me importa se o que eu fiz não é, digamos, diretamente proporcional ao perdão que eu peço. Nenhuma marca será sarada com um Para que eu possa me sentir melhor e ignorar o que pedido de desculpas, nenhuma ferida será curada com eu realmente sinto e viver a ilusão do que eu realmenum mar de palavras e atos doces que eu possa exter- te gostaria para minha realidade. Vivo na sombra, na nar. Sabe o que torna meu abistmo mais profundo? sombra de uma Françoise que não existe, criada por mim para atender as expectativas das outras Saber que o meu tempo, aquele tempo, o tempo pessoas. Uma evolução irreal. Parei no que eu tive ao lado da pessoa que mais amo no mundo tempo e me sinto totalmente sozinha. não foi suficiente para que uma tentativa fosse feita. Acredito sinceramente que a solidão é Sim, pois afinal preferia morrer tentando a me arre- um estado absoluto de ausência dos pender por nunca ter tentado. Ele partiu e deixou o outros e de si mesmo. Um desesvazio, o vazio que irá me acompanhar pela eternidade pero incontrolável abate a alma e dos meus dias, das minhas horas, dos meus minutos e nada faz sentido, afinal é sabido segundos. A dor da ausência não supera a dor do arre- que o ser humano não nasceu para pendimento. Se arrepender por ter dito coisas que não viver sozinho. Me sinto rodeada de deviam ser ditas e que na verdade não significavam pessoas, mas sem ninguém. Pessoas nada frente ao que eu sinto. falando, ouvindo, vivendo... e a vida passando. Passando diante dos meus Não ter a oportunidade de dizer palavras francas olhos sem que eu possa fazer nada. e demonstrá-las por meios de atos sinceros. Nada irá Simplesmente parada vendo a roda curar essas feridas... Terei de me portar eternamente da vida girar... como a pricesa Sherazade, contando a mim mesma histórias de encantamento para que eu possa ter uma Ignorando meus problemas, meus gota de anseio pelo dia que há de vir. defeitos, ignorando o sentimento que mais me invade: sou um ser humano terríE existirão dias?Para mim vale realmente a pena vel. Não mereço a dádiva da vida pois não viver? Essa pergunta não tem resposta. seu utilizá-la. Ao me embrenhar nestes


pensamentos me vejo envolta em pensamentos absurdos, coisas ruins me fluem de forma obssessiva e por mais que eu tente eles não param. Vozes me rodeiam e dizem a todo instante a insignificância da minha existência e o qual irreal me torno a cada dia. O que fazer? Cada vez que penso a respeito a única saída é pedir a misericórdia divina. “ às vezes pareço alegre e afável; converso também com os outros de modo bastante razoável; e a impressão é de qie, só Deus sabe como, me sinto bem.No entanto, a alma permanece no seu sono mortal, e o coração sangra por mil feridas abertas.” Hugo Wolf

Vivem em nós inúmeros; Se penso ou sinto, ignoro Quem é que pensa ou sente. Sou somente o lugar Onde se sente ou pensa. Tenho mais almas que uma. Há mais eus do que eu mesmo. Existo todavia Indiferente a todos. Faço-os calar: eu falo. Os impulsos cruzados Do que sinto ou não sinto Disputam em quem sou. Ignoro-os. Nada ditam A quem me sei: eu ‘screvo. Ricardo Reis Desesperada e com medo de mim mesma,

Francoise.

Teu Segredo Flores envenenadas na jarra. Roxas azuis, encarnadas, atapetam o ar. Que riqueza de hospital. Nunca vi mais belas e mais perigosas. É assim então o teu segredo. Teu segredo é tão parecido contigo que nada me revela além do que já sei. E sei tão pouco como se o teu enigma fosse eu. Assim como tu és o meu.

Clarice Lispector

Fanzine DKZ 05  

O número 05 do zine

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