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25 de maio

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21 de maio

21 de maio

Pela primeira vez, Brasil lidera lista de mortos diários pela covid-19

País é o 6º na lista de países com mais mortes acumuladas pela doença

Brasília

O Brasil liderou pela

primeira vez a lista dos países em que mais mortes

foram identificadas em 24 horas em decorrência da doença causada pela novo coronavírus.

Segundo o Ministério da Saúde, mais 1.179 mortes por covid-19 foram confir

madas de segunda (18) para terça-feira (19), um novo recorde. O número superou os 933 óbitos pela doença identificados nos Estados Unidos no mesmo período, de acordo com o Centro de Controle de Doenças americano (CDC, na sigla em inglês). Os Estados Unidos

(90.340 óbitos) ainda lide

ram a lista dos países com mais mortes por covid-19, na qual o Brasil está em sexto lugar, com 17.971, atrás também de Reino

Unido (35.341 óbitos), Itália (32.169 óbitos), França (28.022 óbitos) e Espanha (27.709 óbitos).

Também um novo recorde de casos de covid-19 identificados nas últimas 24 horas foi batido no Brasil: foram mais 17.408 pessoas

infectadas, elevando o total para 271.628. O País é o terceiro com mais casos da doença, atrás somente da Rússia (299.941) e dos Estados Unidos (1.504.830). De acordo com o levan

tamento da Universidade

Johns Hopkins, o Brasil também é o 6º na lista de países com mais mortes acumuladas por covid-19, e fica atrás apenas de Estados Unidos (91.570), Reino Unido (35.422), Itália (32.169), França (28.025) e Espanha (27.778).

Conforme ressalta o Ministério da Saúde, os novos registros em 24 horas não indicam efetivamente quantas pessoas faleceram ou se infectaram de um dia para o outro, mas sim o número de registros que tiveram o diagnóstico de coronavírus confirmado nesse intervalo.

Por Gregory Prudenciano

Boletim epidemiológico desta terça-feira, dia 19

Senadora Mara Gabrilli contrai covid-19

Brasília

A senadora Mara Gabri

lli (PSDB-SP) anunciou nesta terça-feira(19) que contraiu o novo coronavírus. Gabrilli é cadeirante, tetraplégica e sua atuação no Congresso Nacional, desde quando era

deputada, é pautada pela proposição de políticas para as pessoas com deficiência. Apesar de fazer o isolamento social em casa, a senadora contraiu o vírus através da sua cuidadora, cuja mãe faleceu na semana passada em virtude do vírus.

O anúncio de sua contaminação foi lido pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, no início da sessão desta terça (19), e chamou a atenção para a situação delicada das pessoas com deficiência e seus cuidadores durante a pandemia. Gabrilli, assim como vários outros brasileiros, não podem prescindir de cuidados mesmo em tempos de pandemia.

A parlamentar, que é cadeirante, contraiu doença de sua cuidadora

“Sem a parceria e dedica

ção de uma cuidadora, não

poderia sair da cama nem exercer cidadania. […] Imagine quantos brasileiros não

estão passando pela mesma situação. Esse grupo representa uma população mais vulnerável nessa pandemia, justamente por estarem impedidos de adotar 100% o isolamento social. São pessoas que precisam de outras pessoas para serem seus bra

ços, pernas, seus olhos, seu ponto de apoio”, disse a senadora em seu comunicado.

Ela também chamou atenção para a situação dos cuidadores, profissionais que ficam expostos ao vírus pela natureza do seu trabalho. “Não temos hoje uma política de cuidado no Brasil, nem mesmo um programa de apoio para os cuidadores familiares, que muitas vezes acumulam múltiplas jornadas como mãe, cuidadora, cozinheira e faxineira, viven

Marcelo Camargo/Agência Brasil

O diretor-presidente

da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, está com a covid-19. “Como meus sintomas me permitem trabalhar,

sigo na execução do meu trabalho”, disse o diretor, em vídeo enviado nesta terça-feira (19) para à comissão externa da Câmara dos Deputados que analisa ações de enfrentamento à doença.

O colegiado debateu com dirigentes da Anvisa o cenário regulatório de kits de diagnóstico (testes) e ventiladores pulmonares.

Segundo Barra, após

Diretor-presidente da Anvisa é diagnosticado com covid-19

Arquivo/Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

do destituídas da sua vida pessoal e profissional. O Estado brasileiro, infelizmente,

deixa as pessoas à mercê da própria sorte e da caridade alheia”.

A senadora encerrou seu

comunicado informando que

ficará afastada de suas ativi

dades enquanto não estiver curada da doença.

Gabrilli não é a primeira

senadora a contrair o covid

19. O próprio presidente da Casa, Davi Alcolumbre contraiu a doença. Os senadores Nelsinho Trad (PSD-MS) ePrisco Bezerra, que substituiu Cid Gomes (PDT-CE)

até o início de abril, também se contaminaram, mas, assim como Alcolumbre, já estão curado.

*As informações são da Agência Brasil

Duas em cada três favelas no país

estão a menos de 2 km de hospitais

Rio de Janeiro

O país tem quase dois

terços (64,93%) das comunidades e ocupações irre

gulares localizadas a menos de dois quilômetros de

distância de hospitais. A maioria dessas localidades (79,53%) também está próxima, a menos de um quilômetro, de unidades básicas de saúde.

Os dados, estimados para o ano de 2019, têm como base o levantamento Aglomerados Subnormais: Classificação preliminar e informações de saúde para o enfrentamento à Covid19, divulgado nesta terçafeira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Rio de Janeiro.

Segundo o IBGE, conhecidos como favelas, palafitas, entre outros, os aglomerados subnormais são formas de ocupação irregular de terrenos públicos ou privados, caracterizados por um padrão urbanístico irregular, carência de serviços públicos essenciais e localização em áreas que apresentam restrições à ocupação. As populações dessas comunidades vivem sob condições socioeconômicas, de saneamento e de moradias precárias, diz o instituto.

As informações, produzidas para o próximo Censo Demográfico, adiado para 2021 em função da pandemia, foram cruzadas com o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde, do Ministério da Saúde, e estão disponíveis para consulta em mapas interativos no site.

“Antecipamos a divulgação desses dados para mostrar qual é a situação dos aglomerados subnormais em municípios e estados, já que nessas localidades a população tem maior suscetibilidade ao contágio pela doença provocada pelo novo coronavírus, devido à grande densidade habitacional”, disse, em nota, o gerente de Regionalização e Classificação Territorial do IBGE, Maikon Novaes. cílios ocupados em 13.151

mil aglomerados subnormais no país. Essas comunidades estavam localiza

das em 734 municípios, em todos os estados do país, incluindo o Distrito Fede

ral. Em 2010, havia 3.224.529 domicílios em 6.329 aglomerados subnormais, em 323 cidades, segundo o último Censo Demográfico.

Segundo Novaes, a esti

mativa visa a subsidiar a operação do próximo Censo. Dessa forma, é necessário aguardar os resultados

definitivos para se fazer comparações com 2010. “Estamos oferecendo uma informação sobre ordem de grandeza de cada área, de modo a melhor distribuir o trabalho entre os recenseadores. Somente com o próximo Censo, quando todos os domicílios serão visitados, é que teremos um dado assertivo e comparável”, afirmou.

Conforme o leva ntamento, dos 13.151 mil aglomerados subnormais do país, somente 827 (6,29%) estavam a mais de cinco quilômetros de unidades de saúde com suporte de observação e internação. O restante fica bem mais próximo de um hospital.

O coordenador de Geografia e Meio Ambiente do IBGE, Cláudio Stenner, destaca, no entanto, que a pesquisa não investigou se as unidades de saúde próximas de aglomerados têm estrutura para atendimentos relacionados à covid-19.

“A grande maioria dos aglomerados subnormais está próxima de unidades de saúde. Ou seja, o problema não é distância das unidades de saúde, mas, tal

vez, a falta de estrutura nessas unidades. Não sabemos detalhes dessas estruturas”, disse.

Entre os estados, o Amazonas (34,59%) tem a maior proporção de domicílios em ocupações irregulares. Em seguida, figuram o Espírito Santo (26,1%), Amapá (21,58%), Pará (19,68%) e o Rio de Janeiro (12,63%). Em São Paulo, 7,09% dos domicílios estão nessas localidades. O estado mais populoso do país tem pouco mais de 1 milhão de casas em aglomerados subnormais. O estado com a menor proporção é Mato Grosso do Sul (0,74%).

Proliferação de ocupações irregulares

De acordo com o IBGE,

embora a proliferação de

ocupações irregulares seja associada, geralmente, a cidades maiores, como Rio de Janeiro e São Paulo, o levantamento mostra que essas comunidades estão localizadas em grande proporção em cidades pequenas e capitais do Norte e Nordeste do país.

O município de Vitória

do Jari, no Amapá, tem 74% dos domicílios localizados em aglomerados subnormais. Na cidade vivem 15,9 mil pessoas. Belém e Manaus têm mais da metade dos domicílios ocupados em ocupações irregulares, 55,5% e 53,3%, respectiva

mente. Em seguida, vem Salvador, com 41,8% das habitações em comunidades carentes.

“Em São Paulo e no Rio de Janeiro, as capitais mais populosas do país, a proporção de domicílios em aglomerados subnormais não passa de 20%, mas a quantidade de imóveis nessas comunidades é a maior entre todas as demais capitais: no Rio são 453.571 domicílios em aglomerados subnormais, e em São Paulo, 529.921. A capital paulista tem quase o dobro da população da capital fluminense”, informa o IBGE.

A Rocinha, no Rio, é o maior aglomerado subnormal do país, com 25.742 do

micílios. Em seguida, vêm a comunidade do Sol Nascente, no Distrito Federal, com 25.441 casas; Rio das Pedras, também no Rio, com 22.509; e Paraisópolis, em São Paulo, com 19.262 domicílios em ocupações irregulares.

O gerente-geral de Geografia do IBGE, Cayo Franco, destaca que esse levantamento não apresenta toda a dimensão da vulnerabilidade no país, mas boa parte dela. “Há bairros pobres que não foram classificados como aglomerados subnormais, seja porque os moradores possuem a posse da terra ou alguns serviços de saúde e saneamento. O que apresentamos aqui é uma dimensão da vulnerabilidade, no caso, os mais vulneráveis dos vulneráveis”, afirmou. *As informações são da Agência Brasil

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