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Diário da Manhã

OPINIÃOPÚBLICA

GOIÂNIA, QUARTA-FEIRA, 15 DE FEVEREIRO DE 2012

OPINIÃOPÚBLICA opiniao@dm.com.br (62) 3267 1147

Editora: Sabrina Ritiely

O TAPA DAS DESGRAÇAS Batista Custódio Editor-geral do

Diário da Manhã

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AZ muito tempo que nada me machuca tanto e doído desse jeito com a face dura da morte como a alegria retida na foto das crianças Vanderlei, Mirla e Alex, que levaram no último olhar a imagem do pai amado matandoas cheias de vida e quando o mundo não as havia tirado ainda da inocência dos brinquedos na felicidade do rosto. Às vezes o destino dá o tapa das desgraças que materializam o imaginário das ficções no realismo das tragédias, tão cruéis, que é melhor morrer nelas a viver depois delas. São dores sem alívio nos curativos dos anos nas feridas. É o cálice das amarguras que não se esvazia até o último dia enquanto dure a vida. Os mistérios enredam de surpresa maldições incógnitas nas benfeitorias da sina. A bruxa pousou no fadário do indissolúvel de uma família humilde e rolou lentamente nas sinalizações da fatalidade o lar para a tragédia consumada. Os consortes dotados do discernimento da premonição percebem os sintomas insinuantes da iminente ruptura do relacionamento conjugal. Quando o casal se separa, o casamento já havia acabado tempos antes. A adversidade prenunciada no desgaste dos ressentimentos contornados entre marido e esposa aconteceu avassaladora ao final da manhã do dia 12 desse janeiro na vastidão das terras cortadas pelo Rio Caiapó nos sertões sudoestinos de Diorama, Iporá e Caiapônia.

O mental trinca-se nas emoções estalidas

Mirla, 9 anos

Vanderlei, 11 anos

Alex, 10 anos

A morte por filicídio quando a vida ainda brincava neles

A sensação do eterno inteirada nos minutos, ele, de labor rural, e ela, de prenda doméstica, partiram despreocupados entre as rosas do início no casamento, florido de três filhos semeando a germinação da hereditariedade na árvore genealógica carregada de frutos, e seguiram despreocupados com a brota dos espinhos no meio do matrimônio, que se não forem podados diariamente, afiam as pontas na incompatibilidade de gênio e sangram o relacionamento até ao desenlace conjugal. As atribulações corriqueiras implodem convivências duradouras, reduzem a escombros a solidez das carícias, tornam enjoativa a meiguice pegajosa e sufocam os parceiros no idílio exacerbado. As paixões ardentes começam violentas nas culturas brutas e terminam também em violência quando a ardência passionária é arrefecida nos desencontros de sentimento.

Os perigosos encantamentos das paixões

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ALVEZ a turbulência emotiva tenha balizado tanto a sensibilidade de Carmeci na consumição íntima que a induziu à dependência de medicamentos psicotrópicos, quanto a suscetibilidade temperamental de Vanderlei na síndrome do desatino que o afetou na rejeição mórbida do rabicho, para a esteira rolante da separação nos quatorze anos do casamento. Pode ser. Existe muita gente de bom coração e ruim de cabeça. A desordem emocional espatifou a harmonia domiciliar do casal. A inclemência do sofrimento continuado os excluiu de todas as noções da realidade nos brios. O rodízio das brigas unilaterais: o macho sempre batendo, a fêmea apanhando sempre, desfiava a

grinalda e tecia com as farpas dela o véu da separação às vésperas nos ânimos aos trapos. Carmeci desgostou-se das ilusões do mundo, aos 30 anos, nos espancamentos da autoestima. Vanderlei frustrou-se no orgulho, aos 34, no farrapo dos nervos. O amor enfeitiçou-se no ódio. A satisfação do amor perdido reluzindo nas costas da mulher. O despeito fumegando no peito do homem perdido de amor. Ela saiu igual cativa liberta da servidão humana. Ele ficou preso qual senhorio seguro de si em seu domínio. Vanderlei amava os filhos, amava a mãe deles e pensou que ela voltaria. Carmeci amava os filhos, não amava mais o pai deles e não havia saído apenas de casa; tinha ido-se embora do casamento e não voltaria mais para Vanderlei. Era o adeus do amor sem se despedir da paixão.

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Á fenômenos da estupidez animalizada oculta na mente que a lucidez desconhece no mistério das razões humanas. Vanderlei Rodrigues da Silva e Carmeci Júlio da Conceição, adolescentes, necessariamente, sentiram-se arrebatados pela atração voluptuosa de um pelo outro e se entregaram aos encantos da paixão em ambos e vulcânica à primeira vista nos romances tórridos. E uniram-se enamorados de vez, os sentimentos medidos no sempre, o azedo das agruras desfeito no doce das afeições e a esperança ao largo dos sonhos.

Vanderlei, 35 anos

Carmeci, 30

O casamento do amor inteiro que as coisas da dor partiram ao meio

CONTINUA

Abrindo a dor fechada

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ANDERLEI não se conformou com a separação de Carmeci. A angústia fervendo aflições nas rondas em vão das tentativas de reatar-se com a ex-esposa trincou-se-lhe o mental no cérebro. A desesperada reação do ex-marido ao não aceitar a separação de Carmeci estaliu-lhe o pulsar do coração em pancadas de terror em seu peito. Nas recusas dela, o insulto às ofertas dele. O final trágico do romance de Vanderlei e Carmeci cumpriu o roteiro de um amor interrompido e não aceito por um dos feridos pelo cupido. A dramaturgia goiana, com intensidade de uma tragédia greco-romana, concentra e encena o temário de que as paixões mal resolvidas devem ser, e só podem ser, vividas pelos personagens por trás das cortinas da privacidade intimista e nunca serem levadas ao palco para as interferências das interpretações de figurantes contracenando na plateia. O drama protagonizado pelo casal simples transcende à compreensão dos que veem de fora e não estão dentro da desesperação que os flagelava nos sentimentos. Inventariou-se os corações de Vanderlei e Carmeci nas profundezas das duas almas. Fez-se o espólio dos seus três filhos pequenos: Vanderlei, 11; Alex, 10; Mirla, 9 anos, no arrastão da partilha da presença deles deixada à guarda do pai e a ausência levada pela lembrança deles na saudade da mãe distante. A morte tinha vindo para ficar aguardando eles até a dali alguns dias.

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”A vida é bela. O feio nela está é nos olhos das pessoas que veem ele. Olham por cima nas dores das feridas de outros e não enxergam a profundidade do sofrimento alheio que está debaixo das tragédias humanas”

Ponte do Córrego Tapera: a vida chega no Voyage na margem de cá. Pendido do lado de fora da porta, o braço de Alex, inerte dentro do carro

Alex tenta abrir a porta lateral do carro para fugir e recebe um tiro na cabeça

Vanderlei estornado no chão à beira do Voyage

Ponte do Córrego Tapera: a morte vai no carro no barranco de lá. A polícia, o irmão João, moradores locais e o corpo de Vanderlei no chão

A Vida é um ser com Deus dentro dela

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GOIÂNIA, QUARTA-FEIRA, 15 DE FEVEREIRO DE 2012

Para se ter ideia de como os filhos ficam atingidos quando os pais brigam na frente deles, peço ao leitor para imaginar o quadro do momento da separação de Vanderlei e Carmeci. Feche os olhos, leitor. Concentre-se. Fique em silêncio profundo. Medite até entrar no panorama a imagem de desesperação do casal. Viu? A sofreção desestabilizou-os. Olhe agora para ali ao lado. Os pequenos Vanderlei, Mirla e Alex estão os três um montinho de gente, encolhidos, as mãos se esfregando geladas, o choro no olhar parado, o bulido da tremura em todo o corpo. Notou o que as crianças acabam de fazer? Abraçamse. Cochicham. Partem correndo e ajoelham-se aos pés dos pais, ora se agarrando às pernas da mãe, ora grudados às do pai, com tanta força no amor indivisível nos três, que os dois ficam presos pelos braços das crianças com os rostos colados às suas cinturas. Fique atento,leitor.Fez-se silêncio. Vanderlei aperta Carmeci nos braços, beija-a no rosto. Carmeci permanece emudecida,o olhar perdido no vazio como se viajando em imersão às surras levadas do marido; pois, de súbito, ela resmunga e afasta-se, ia e vinha nas palavras altas de ressentimento e nos gestos ríspidos no nervosismo e o corpo retesado para o que viesse.Vanderlei desespera-se. O desprezo magoou o apelo dele. A esposa reitera ao marido que a sua decisão de separar-se dele é definitiva e sai pisando decidida até sumir no nunca mais para o marido. Observe, leitor, essa remoessão da dor. Vanderlei permanece parado,imóvel,cabisbaixo, solta-se em fúria colérica e ao estertor no sentimento esbraveja que ia se suicidar e matar os filhos se a Carmeci

No destaque, os cartuchos das balas lencadas

não voltasse para casa. A tempestade rugia nas ventas do pai. Não era a primeira vez que ouviam do pai que os mataria. Mirla, Vanderlei e Alex, desnorteados, zanzam para lá e para cá, indecisos se fugiam com a mãe ou se acompanhavam o pai, quais três dores correndo juntas entre duas feridas como se quisessem saber de qual delas o seu sangue está saindo mais dolorento.Não saberiam àquelas horas.Porque ia sair das suas chagas das suas três feridas. A imagem que me ficou contemplada desse infinito da morte se armando nele foi a de um imenso lenço branco, de seda fina, suspenso no ar e sendo rasgado em tiras, subindo tontas e flamulando a céu aberto; depois foram se juntando lá muito além daqui, na imensidão azul, onde as vislumbrei na figura de um lenço virar luz. E compreendi que a vida é que fora rasgada. Agora,fechem-se,pálpebras! Que os olhos querem se esconder para chorarem sozinhos.)

ção. Nada foge ao determinismo das Leis da Vida. A aparência ocasional dos fatos absurdos é apenas o estigma do imponderável se realizando no desígnio do natural. As tragédias humanas seguem imutavelmente o roteiro da sucessão dos acontecimentos que as originaram. Não foi por acaso que Jesus Cristo insistiu: “Tenham fé em mim. Tenham fé em Deus.Pois não cairá uma folha da árvore se não for da vontade de meu Pai.” As interpretações de episódios como o infortúnio de Vanderlei e Carmeci podem variar na leitura dos julgamentos, mas o infausto aconteceu conforme o escrito no original do predestinado. Nas adversidades imortalizadas pela literatura, os escritores divergem na abordagem da dramaticidade dos capítulos e os teatrólogos alteram os cenários na montagem dos palcos, mas preservam conteúdo da tragicidade no roteiro da história. A eventualidade sucedida com essa família goiana é de uma enormidade tão sinistra que transcende à compreensão humana e é, portanto, uma temeridade julgá-la. Só quem viveu a desgraceira desse horror poderia definir a dimensão do seu tervida é bela. O feio nela ror infernal. está é nos olhos das pessoas que veem ele. Olham por cima nas dores das feridas de outros e não enxergam a profundidade do sofrimento alheio que está debaixo das tragédias humanas. A Vida não é a imagem plasmada e diluída de forma definida na ÃO é necessário haver configuração do abstrato copresenciado a carga das mo muitos conjecturam a sua existência real na invisibi- misérias humanas que maslidade das matérias. Ela é um sacraram as entranhas do lar ser vivo e Deus é presente no âmago de pessoas que se dentro do corpo dela em tu- amaram com amor inteiro do no Universo. A energia elé- anos transbordantes de felicitrica não é visualidade e dade totalizada, para percemantém acesa a lâmpada ber que foram colhidos por que apaga ao ser desligada. A uma cilada das expiações maenergia da vida mantém o or- tadeiras e não se condoer ganismo humano e a pessoa com o martírio do transitório morre ao espírito ser desliga- psicológico de Carmeci e o fido do corpo na desencarna- licídio de Vanderlei.

O alucinógeno da mente

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O bendito oculto no maldito

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Vanderlei debruçado sobre o corpo da irmã Mirla

A desarrumação mental leva a pessoa a desvarios com potencial alucinógeno semelhante aos delírios dos narcóticos. Os contatos com a realidade são comprometidos pelas fragmentações do discernimento no raciocínio do ente. A cabeça fica como um canil nas latições da ideia fixa de perseguição. Diversos homens sentem-se iluminados e tocados pelo êxtase da paranormalidade, quando não de divindades incompreendidas. Só pode ser esse estágio de deslumbramento ruinoso que arremessou o lavrador Vanderlei para as perturbações do seu desmundo. Várias mulheres rendem-se às frustrações que rebaixam o amor-próprio para as profundezas dos porões do tédio, quando não se esvaem na capacidade de sofrer e vão para a autoflagelação nos suicídios medicamentosos. Carmeci adorava Vanderlei. Vanderlei adorava Carmeci. Os filhos adoravam os pais. Os pais adoravam os filhos. A adoração modelar, frente e verso na família. A vida eralhes o que tinha de melhor. Mas no signo dos sentimentos, às vezes, Marte domina Vênus no astral dos eclipses. Há mais dos terreiros bisbilhoteiros que do amor quebrado na cama no fim do casamento. O bate-bate do Vanderlei. O apanha-apanha de Carmeci. Arrependimento-arrependimento nele. O perdãoperdão nela. O separa-volta, o volta-separa do casal. A data do acabado dobrou a folhinha das rotinas no calendário. Ela não suportava cada vez mais a proximidade dele. Ele não aguentava cada vez mais o afastamento dela. O veneno nela, o antídoto nele, o irremediável na relação amorosa. A gota da dúvida fica no casamento reatado como o nó da desconfiança na corda remendada. Era o fim inacabado de um amor infinito.

As cinzas da paixão ao pó da rejeição

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que foi fado bendito, foi-se na sorte desdita. Carmeci fendeu-se na vida se estrangulando nas rachaduras do seu sonho e asilou-se do tórrido das perturbações na calma fantástica dos remédios controlados. Vanderlei desmediu-se no juízo e não houve um local que o coubesse em nenhum lugar do mundo com o coração deixado para trás. A dor com face dupla bebia na mesma ferida abrindo-se em três cicatrizes a meio soluço, indefesas. As rajadas da desagregação soprada lentamente pelos ventos vindos de fora e também lentamente danificaram a estabilidade dentro da casa. Tijolo a tijolos desprenderam-se. Parede a paredes ruíram-se. Madeira a madeiras racharam-se. Telha a telhas aluíram-se. O teto desabou-se sobre o casal e espatifou-se no piso do lar. O desmoronamento propagouse no desastre maior, a devastação interior da família. Os escombros fraturaram a firmeza amorosa na cabeça de Carmeci em seu coração e no coração de Vanderlei em sua cabeça. As topadas nas calamidades geram consequências danosas no psicológico das pessoas e, no caso do casamento, atuam insuportáveis nas destemperanças emocionais e fatiam a convivência na união do casal. E se um dos parceiros não for blindado de prudência na paciência e contornar os desentendimentos ao invés de entulhá-los no desentendimento, o lar se desfaz, às vezes por uma rusga boba. Quando marido e mulher brigam, devem fazer as pazes o quanto antes no mesmo dia e jamais dormirem estremecidos. Carmeci, convalescente no psicológico, socorreu-se no receituário dos calmantes clínicos. Vanderlei, a imunidade mental baixa, tratou-se na omissão de socorro voluntária na psicanálise da autoajuda amadora.


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GOIÂNIA, QUARTA-FEIRA, 15 DE FEVEREIRO DE 2012

“O amor fermenta na índole impulsiva a obsessão compulsiva que leva à falência do juízo crítico e então mata-se por paixão nos repentes do desjuízo”

OPINIÃOPÚBLICA A viagem sem volta

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separação da esposa empurrou o marido para os desatinos do amor enlouquecido. Vanderlei amarrotou-se no sensitivo e vergou-se às fantasmagorias indutivas no insano para a caldeira das paixões queimantes. O vaivém nas peregrinações rondadeiras para reatar-se enraivecido com Carmeci subcondicionava-na cada vez mais ao sentimento de que o casório estava definitivamente reduzido às cinzas nela. E entubava-o no sentimental abrasado nele. Inseparável dos filhos Alex, Mirla e Vanderlei, onde fosse ou estivesse, repetia e repetia que se a mãe deles não voltasse, ele se suicidaria e os mataria a qualquer hora. O amor fermenta na índole impulsiva a obsessão compulsiva que leva à falência do juízo crítico e então mata-se por paixão nos repentes do desjuízo. São as fúrias no compartimento do amor em ebulição na bolsa do desejo carnal ainda não esvaziada. Essa reação é comum nas pessoas de natureza fraca e que, quanto mais fracas moralmente, tanto maior é a combustão da histeria no ímpeto com bolhas de coragem na covardia. A possessão dos recalques reprimidos em demasia, e que, continuamente, rompe o equilíbrio dos mediadores químicos cerebrais, causa a contrição que diminui nas artérias o fluxo sanguíneo para o coração e libera overdose de adrenalina e cortisol que provoca a excitação dos neurônios. Vanderlei era aferrado ao trabalho na lida de fazenda. Destemido nos perigos e dedicado aos filhos. O desenlace matrimonial deixou-o aturdido e mais agarrado a Alex, Mirla e Vanderlei, como se a companhia inseparável das crianças mantivesse Carmeci próxima dele e a comovesse a voltar para casa. Ela não voltou. Ele foi à desesperação. Martirizouse nos suplícios da saudade em uma romaria agonizante de paixão por uns 30 dias que duravam a eternidade nas horas à espera da Carmeci, que não viria. O amarrilho da incerteza nos nervos, o coração amassado nos sentimentos, a cabeça espedaçada nos pensamentos, o semblante enrugado na aflição da fisionomia da face, o gosto da morte apaladado na sua vida, Vanderlei repisava para os filhos que os amava tanto ao ponto de não dar conta de viver longe deles e prometia levá-los com ele para um lugar que ia em breve aonde a mãe não os teria mais em sua companhia.

A cena da tragédia anunciada

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QUELA hora de prenúncio fatídico estava às vésperas do seu desfecho sinistro. Era a manhã de 12 de janeiro e chegou ao meio-dia. Os anos ainda brincariam muito na alegria dos meninos. Mas a ternura não escondia a bramura nas intenções do pai amoroso. Vanderlei não se aquietava na fazenda. Oscilava entre o

silêncio completo e a irritação total. De repente, pôs na cintura o revólver, calibre 38, e mandou que a Mirla, 9 anos; o Alex, 10, e o Vanderlei, 11, se arrumassem depressa e entrassem no Voyage, que ia levá-los para tomarem bênção do tio João Bosco antes de morrerem. Foi. Seu irmão não estava, mas Veronice avisou que o marido voltaria logo. Vanderlei deixou o recado com a cunhada. Fosse o João ligeiro atrás dele, quando chegasse; pois o encontraria com os meninos na estrada, e arrancou o carro a todo motor. Os meninos endurecidos pelo medo, nem as trepidações da estrada de chão conseguiam movê-los rígidos de apreensão no banco traseiro durante todo o trajeto. Era aquela expectativa que antecede a aproximação do espectrante. As crianças apenas se entreolhavam arregaladas e se abraçavam impotentes ante o imprevisto previsto. O pai, sisudo ao volante, parecia ao longo da viagem já estar guiado pela maldição. Dessas que as lágrimas saem e voltam para os olhos. Vanderlei parou de freada o Voyage à entrada da ponte de madeira do Córrego Tapera, às margens do Rio Caiapó, na Fazenda São Domingos. Virou-se de sopetão no banco dianteiro, de revólver na mão, para os filhos amedrontados no banco traseiro. Era o instante da undécima hora anunciada pelo pai queridíssimo aos filhos amorosos.

A agonia da espera fatal

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ÁPIDO, o tapa das desgraças fez-se nos braços do pai na mão que matou os filhos. Uma crueldade tamanha que, barbarizada, a Morte se vingou no saque do suicídio dele. Vanderlei, transfigurado, apontou a arma para a região à frente do ouvido esquerdo de Mirla. O revólver lencou. A menina, já com o cano encostado em sua cabeça, baixou os olhos, certamente para não ver o pai amado matá-la. Ele acionou novamente o gatilho, o tiro a atingiu um pouco atrás e abaixo da orelha. Ela caiu humildemente encolhida. O garoto Vanderlei, atônito e trêmulo, fez o ar de clemência no olhar piedoso para o pai no instante em que foi alvejado na cabeça. E tombou morto sobre o corpo de Mirla. Alex, espavorido, tentou abrir a porta lateral para fugir e morreu; o tiro na cabeça e o braço esquerdo pendido do lado de fora da porta. Os filhos morrem. O pai desceu do carro. O sertanejo Vanderlei encostou-se na lateral do veículo. Firmou o cano do revólver na cabeça e puxou o cão. A arma lencou. Restava a última das seis balas na carga do tambor. Apertou o pinguelo novamente. O tiro saiu. E ele escorreu morto à beira do carro, a cabeça encostada ao pneu. O João Bosco, ao receber o recado do irmão, veio correndo na estrada para encontrálo. Alcançou. Não o encontraria, não mais. Chegou tarde. Ao tomar conhecimento, Carmeci partiu de madrugada

atrás dos filhos no outro mundo ao tentar suicídio. Ao conferir a posição dos corpos, o levantamento técnico de João de Tarso Menezes definiu a fisiologia espectral como um quadro do momento da loucura de amor do homem pela mulher. E cegou o pai, que não viu no olhar dos filhos o carinho se ensanguentando por ele. Mas na desolação dos ermos, onde o canto das seriemas foi calado pelo ronco dos tratores, o choro silenciado das três crianças debaixo do chão permanecerá sendo ouvido no pranto da Carmeci, que quis levar suas lágrimas de seus pequenos Alex, Vanderlei e Mirla ao tentar dois suicídios nas despedidas do velório.

Dentro da dor

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SCUTEI o choro da mãe e enxerguei as lágrimas dos meninos dentro de mim ao editar a primeira página daquela edição do Diário da Manhã. A alegria das crianças se mostrando na foto – então vivas no momento do retrato e já mortas na produção estampada no vídeo da diagramação –, o meu cérebro parou sem palavras para sintetizar no título da chamada de capa a intensidade do instante em que seus olhos se fecharam, porque senti naquele instante, em minha sala, a alma chorar alto no coração a seco nos olhos. Bateu-me a agonia da espera, que neles era a do amargo fim naquela hora anunciada, ao verem o pai voltar-se no banco dianteiro para os filhos no banco traseiro, com a morte deles na cara dele. A gente morre não é no dia em que a gente morre. Morre muitas vezes antes a todo instante. Vai morrendo devagar nas perdas irreparáveis. Morre no distanciamento de um amigo. E morre machucadíssimo no amor que se vai para não voltar. Quase morre nas retorções dos arrependimentos calados nas desculpas não pedidas. Às vezes se morre até a vontade de viver. Eu morro a toda hora, caladinho, na conformação facial intocável pela ardedura das decepções recolhidas no peito. Ou me sinto exangue ante o sofrimento de pessoas que nem as conheço, enquanto outros estão indiferentes ao pesar delas, e nessas horas a tristeza sai matando-me. Foi assim que me abati ao ver a foto dos meninos ainda vivos, sorridentes e assassinados pelo pai. A cena se fotografou em minha mente com a crueza do flagrante no momento da tragédia. Morri profundo na Mirla, aos 9 anos, que ao sentir o cano do revólver na cabeça, pediu:“Não me mate, papai.” Fechou os olhos e abaixou a cabeça para não ver o pai matá-la. Morri destroçado no Alex, morto com o braço pendido do lado de fora na porta do carro. A imagem da mão inerte corporificou o vulto da outra mão acenando antes: “Eu amo muito o senhor... não me mate... deixe eu ir ficar com a mamãe,papai.” Morri dividido em duas mortes no Vanderlei; uma, a do corpo de Mirla atravessado sobre as suas pernas; outra, a das

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Chamada da capa do Diário da Manhã da edição de 14 de janeiro passado

mãos deles tintas no sangue dela, e chorando: “Não atire em mim, papai, que eu caio e machuco a Mirla!” E tombou em cima do corpo da irmã. Morri em agonia a cada um dos quatro tiros de Vanderlei. Contemplei a sua alma ao subir ainda confusa, olhando atordoada para o vazio da infinitude na imensidade, à procura em vão dos seus meninos. Aflitou-se. Voltou ao carro, viu as pessoas saindo com os corpos deles. Ficou revoltado até notar que nem ligavam e descontrolou-se: “Para onde vocês estão levando o Alex,a Mirla e o Vanderlei? Me devolvam eles.” Não o ouviam. Esmurrou-os. Não se incomodaram. E Vanderlei, desesperado, gritou: “Queero oos meus fiiilhooos!!!”. E vagueou tresande no eco. Morri e estou morrendo sem conta na desolada Carmeci passando as mãos nas fotos da Mirla, do Vanderlei, do Alex, enquanto se repassa nas lembranças da última vez que estivera com eles em seu colo.

Afogamento nas lágrimas

por conta própria. Não é caso de choro, mas de as lágrimas se rasgarem. Nem chega a ser o espaço antônimo entre as tristezas e as alegrias. As palavras se travam na definição. O mal de uma parte no corpo do Mundo refletiu seu efeito em outra na Terra, assim como um mal-estar nos pulmões dá dor de cabeça. Os fatos foram se escorregando no episódio. Vanderlei e Carmeci percorrem o lar, doce lar,até que a morte os separe.O fel se misturou ao mel e rançou o conjugal emlar,amargo lar. O casal chegou no consenso da paz e a felicidade agarrativas e saiu apartado pelo amor acasalado ao ódio. Os filhos eram os filhos que todos desejam ter. A tia Carmelita Júlio da Conceição não se conforma com a sinistrude do ocorrido. “Eram meninos tranquilos, educados e muito gentis. No que a gente precisasse e no que eles pudessem ajudar, sempre estavam espontâneos à nossa disposição. Assim como o marido e a esposa, que sempre foram ótimos funcionários e não podemos reclamar de nada.”

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SSE é o jeito que tenho sido nas mortes conhecidas das pessoas desconhecidas por mim. E desde a hora do fechamento da primeira página de 14 de janeiro do Diário da Manhã, não me saiu da memória o ambiente das três crianças encolhidas e indefesas no banco traseiro do Voyage, vendo o pai matá-las. Ou eu entrava me machucando nas dores deles, ou o tema iria comigo e me ferindo o tempo inteiro até que o silêncio deles me deixasse na sepultura. Se não escrevesse esse artigo, não conseguiria olhar mais para mim. Vejo mais pingos de lágrimas de Vanderlei nesse mar de seu sofrimento que as gotas d'água no Oceano Atlântico e sinto mais pedaços do coração de Carmeci arranhando meus olhos que grãos de areia no Deserto de Saara.

As loucuras amoitadas no insano

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acontecimento tem o contexto de um acidente da Vida. Não há responsabilidade direta dos culpados nas culpas. A perversidade agiu

Relatório do 12º BPM: “As crianças choraram muito”

O relatório do 12º BPM, de autoria do sargento Lorismar, do Copom de Iporá, registra o quanto a alteração brusca e desesperadora abalou o comportamento dos meninos. Relata (ipsis litteris) João Bosco que “seu irmão estava separado da esposa por aproximados 30 dias...; que seu irmão já havia dito que iria matar todos. Também informou que as crianças estavam chorando, e confidenciaram que seu pai iria matá-las (disse também que se a polícia viesse, não era para deixar ela passar, pois estava armado...” O imenso dessa dor apequena a carrascos os que condenam em seu julgamento as vítimas dessa tragédia humana à execução moral. Expõem-se a levar um tapa das desgraças os que se ajuízam no princípio do maniqueísmo consensual de que Vanderlei cometeu o filicídio e o suicídio para se vingar da Carmeci.

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GOIÂNIA, QUARTA-FEIRA, 15 DE FEVEREIRO DE 2012

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“A ganância uiva na cabeça. E as pessoas andam mortas no brio. São os líderes que se matam no respeito do povo pelas riquezas por pobreza de caráter no poder”

Creio e devoto o ensinado do Cristianismo por Mateus (10.29-31): “Não me vendem dois passarinhos por um centavo? E nenhum cairá em terra sem a vontade de vosso Pai. E até mesmo os cabelos de vossa cabeça estão contados. Não temais,pois mais valeis vós do que muitos passarinhos.” Essa é a minha doutrina de vida no apreciado dos fatos e no posicionado dos atos. Então não me percorro no pensamento do ódio da vingança de Vanderlei a Carmeci. Permaneço-me no sentimento de amor aos filhos endoidecido no pai. A única maneira justa de uma pessoa medir a realidade das dores alheias é se possuir nas lágrimas a nascente das águas bentas e verter para doer em si o que está doendo nos outros.

os outros estão. Atualmente, por exemplo, diversas pessoas de meu convívio, inclusive muitos do meu sangue, galhofam dos contatos da Espiritualidade comigo. Agradeço-os em pensamento, porque, sem perceberem, estão me tornando merecedor da confiança de Jesus Cristo: “Bem-aventurados sois vós, quando vos perseguirem e disserem todo o mal contra vós por causa de mim. Exultai-vos e alegrais. Por que assim zombaram dos Profetas.” (Mateus, Cap. 5). Mas passou a me incomodar a constatação de que as loucuras estavam aumentando num crescente contagiante de pessoa a pessoa. Daí o resumo da pergunta ao Chico Xavier se “as pessoas não andam muito loucas?” e a síntese da resposta do médium: “O jornalista disse muito bem, porque nós todos estamos observando isto”.

A resposta do silêncio

Panças empanturradas da corrupção

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ANDERLEI trabalhava aferrado demais nos serviços pesados de fazenda. Vanderlei tinha amor demais na paixão apegada a Carmeci. Vanderlei dedicava-se demais na adoração calorosa aos filhos. Vanderlei! Vanderlei! Por que fez isso? E tudo se cala. Nada responde que mistério é esse em que se esconde no que vemos o que não enxergamos do que olhamos. É segredo do enigma. Melhor não sabê-lo que desvendá-lo. Conheceríamos as provações que nos estão vindo adiante nos dias. O acirramento das exaltações nos gestos das paixões inflamadas calcina a magnitude sentimental do amor nas porções do ódio nos ressentimentos sufocantes. A fúria rosna no coração. E as pessoas matam seres queridos por amor adicionado pelo despeito. Carmeci, doída Carmeci! Foi o amor doentio que alucinou o Vanderlei. (Sobrou amor no casal. Faltou ao marido o tratamento psiquiátrico da esposa. Pela virulência do prólogo e barbaridade do epílogo, ele estava mais enfermo do que ela.) A História da Vida não foi escrita por nós. Há capítulos mais catastróficos na legenda das tragédias humanas que as loucuras desastrosas do amor fatal. O desmedimento da impulsividade nos atos de ambições insaciáveis empedra a noção de moral e libera a corrosão das venalidades na honra. A ganância uiva na cabeça. E as pessoas andam mortas no brio. São os líderes que se matam no respeito do povo pelas riquezas por pobreza de caráter no poder.

Carmeci no velório dos filhos: a lágrima que não seca nunca

provação ou tem muito exagero? Chico – Creio que há exagero no assunto, porque quando a varíola entrava num conjunto de cidades, morria muito mais gente do que está morrendo com a aids. Creio que a ciência tem inteligências capazes de estudar esta moléstia e criar uma vacina contra ela. Não creio que a aids venha de Deus. Isso vem do próprio homem, que não soube ainda preservar seu próprio corpo. DM – Então a aids não é uma doença-punição da humanidade? Chico – Ela não é uma doença-punição, porque um dos grandes fatores dela é a falta de higiene. O homem quer uma coisa aqui, outra ali, outra mais adiante, e numa delas ele encontra um negócio qualquer, não é? DM – Não entende que, mais do que qualquer outra doença, a humanidade parece estar mais contaminada pela loucura atualmente? As pessoas não andam muito loucas? Chico – O jornalista disse muito bem, porque nós todos estamos observando isto. Mas precisamos perguntar por quê? Eu tenho perguntado a mim mesmo: por que é que o povo está perdendo o respeito ao poder da autoridade, perdendo respeito aos que lhe dão trabalho? Então cheguei à conclusão de que tudo isso é falta de religião. Se o homem estivesse cultivando a religião como se cultivava há 50 anos, em que todas as famílias faziam orações, umas ao meio-dia, outras à noite... Sou filho de uma mulher que me deixou quando eu tinha cinco anos, mas toda noite, às nove horas, ela acendia uma lamparina, não havia luz elétrica em nossa cidade, e punha nós todos de joelhos para aprendermos a rezar. Não se falava o nome de Deus sem se ajoelhar. Isso me fez muito bem e me ajuda até hoje. Já propus às minhas irmãs se elas não queriam seguir o sistema de nos-

sa mãe, que nós tenhamos aqui uma sala para rezar, cantar o ofício de Nossa Senhora, mas todos de joelhos, como nossa mãe nos ensinou. Mas nenhuma delas quis. Então, eu tenho que fazer isso sozinho, porque eu continuo. E olha que pronunciar o nome de Deus ajoelhado dói pra chuchu.

O poder à venda

T

ALVEZ por haver nascido e dado os primeiros passos de criança na mentalidade grosseira do revólver como ferramenta de sobrevivência nos espigões, onde era ou matar ou morrer a qualquer hora por pistoleiro errante ou renegado, ou por pistoleiro enganado na encomenda. A violência era estratégia de defesa. Colecionava-se orelha e fazia-se um talhe no cabo do revólver para cada matado. Quiçá por ter-me moçado no jornalismo carbonário na quadra do jaguncismo político e haver feito no Cinco de Março o sono dos corruptos ficar mais curto às segundas-feiras na fieira de meio século, batendo nas oligarquias antes e afrontando a ditadura militar depois em Goiás, onde a imprensa era parapeito da liberdade só de idealistas e que, quanto mais idealista, tanto mais era alvo marcado pela intolerância dos governos. Espancar jornalistas em público fazia parte do breviário useiro

Os ratos humanos

N

OS anos finais da década de 80, o médium Francisco Cândido Xavier concedeu-me uma longa entrevista em Uberaba, na sua residência, e reproduzo esses três tópicos. DM – Como educador, cristão e estudioso de todos os problemas que afligem a humanidade, pode dizer se a aids é uma doença cármica,

As três páginas da entrevista do médium Chico Xavier

de contemporização precedente ao aviso de morte. Processar, condenar e mandar para a prisão já foi no estágio mais civilizado no autoritarismo do poder à venda na corrupção. O jornalista tinha até que ficar agradecido por estar na cadeia e não no sepulcro. Porventura do desiderato ou, quem sabe, do destinado, a labuta para escapar das propriedades dos rebanhos de gado nos latifúndios a gerações dos ancestrados e campear ideias nos livros fez-me encurralado no jornalismo atrelado à cafua das lutas nas loucuras do idealismo inovador e necessariamente candente no incendeio das causas polêmicas. Esse é o DNA do sonho que me veio climatado n'alma de onde nem eu sei. Os que abrirem o passado ver-me-ão à frente das comitivas de amigos ao chão crespo das incertezas. Sou consciente de que terei de enfrentar ainda muitas travessias malparadas das pedras roladas das encostas no caminho. E não me esquecerei com saudade dos amigos que em diversos lugares, muitas vezes, a adversidade nos colocou um longe de outro temporariamente. Então já sou ambientado a levar sopetões das loucuras de toda ordem e não me assustaram, embora algumas surgissem entrincheiradas onde menos esperava de muitos que se mudaram do meu lado para o domicílio dos cargos governamentais. Conheço essa temporada. Continuei na estrada. A hospedagem acaba no veraneio. Outros turistas chegam. Eles voltam para o lar ao sol da liberdade. Recebê-los-ei sempre com os braços quentes na afeição e as mãos doendo de saudade deles. Vasculhem-se interiormente, todos, e confirmarão a inexistência de só vestígio sequer de quaisquer revides idos de mim. Apenas me ofende o que eu fizer de indigno. Sou o que sou e não me altera o que

A

nomenclatura da personalidade nas espécies vivas as enquadra na estrutura do caráter até em suas formas. Os ratos, ao queijo. Os porcos, às lavagens. As raposas, ao galinheiro. As moscas, ao lixo. Os urubus, às carniças. Os morcegos, às sangrias. E, assim por diante, o instinto dos irracionais infectou o racional da inteligência humana na natureza em todas as formas terrenas de poder. Pessoas famintas de fortuna cometem a toleima dos bichos e alimentam-se de coisas podres ou nojentas e que, às vezes, acabam matando-os de pança cheia. Não se controlam nos apetites da desonestidade. Comeram o dinheiro público até se empanturrarem de corrupção. Não perceberam indigestão causada pela roubalheira no organismo dos poderes constituídos, que levou a opinião pública a começar a vomitá-los. E principiou a loucura para os que puseram o poder à venda. A corrupção passou a engolir os que comeram a corrupção. E irão a óbito no tráfico de influência, provocado pelos efeitos colaterais dos genéricos da impunidade produzidos nos laboratórios das leis paliativas.

A hora da cruz justa

N

ADA ficará escondido à vista do povo. Tumor por tumor escorrerá no pus encoberto nas honras. E não chorem pelos adultos da corrupção. Estão com as consciências empenadas na sobrecarga dos remorsos. É a hora deles no calvário da cruz justa. Chorem pelas crianças que morreram inocentes na Mirla, no Alex e Vanderlei. Os sinos da liberdade plangem por elas nas consciências puras. Se não tiverem lágrimas, empresto o meu pranto.

Batista Custódio


O tapa das desgraças  

Artigo do jornalista Batista Custódio publicado no dia 15 de fevereiro de 2012

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