Diário da Cuesta ANO IV
Nº 973
TERÇA-FEIRA, 19 DE DEZEMBRO DE 2023
NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DA CIDADANIA EM BOTUCATU
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RUBEM BRAGA (12/01/1913 – 19/12/1990) O MAIOR CRONISTA DO BRASIL
Rubem Braga foi um dos maiores cronistas brasileiros, senão o maior. Começou no jornalismo profissional aos 15 anos, trabalhando em jornais como Correio do Sul, Diário da Tarde, Diário de Pernambuco, tendo fundado, em Pernambuco, o periódico Folha do Povo. Fixou residência, enfim, no Rio de Janeiro, onde atuou como cronista e crítico literário no Jornal Hoje da Rede Globo, integrando a equipe de jornalismo da TV Globo no período de 1975 a 1990. O fato curioso é que Rubem Braga foi o único escritor da literatura brasileira a se destacar apenas como cronista. Fica claro que a veia artística do cronista Rubem Braga é raro, e mais raro ainda é um homem das letras brasileiras se destacar tanto na área da crônica. Um bom observador, que fala da natureza, de objetos comuns, do amor pelas mulheres, passa por uma poesia trágica em Ai de ti, Copacabana, pequenas peças de humor, registros banais do cotidiano que se transformam em epifanias, que são moldadas em crônicas de um senso e de um olhar bem refinados. Rubem Braga é o olho clínico que pega os fatos mais simples, e os coloca no alto como uma celebração da vida, mantendo a simplicidade que o torna o mestre da crônica brasileira.
Amor secreto, amor de toda vida...
Tônia Carrero foi a sua grande paixão, paixão “quase” secreta... E a paixão era retribuída... Tudo começou em Paris, continuou em alto mar, no Rio, em Sampa, enfim, por todo o Brasil e por todo o sempre... Esse foi o homem mais apaixonado pela atriz Tônia Carrero, e não foi nenhum dos seus maridos, também muito apaixonados por ela... Ambos foram apenas bons amigos, mas o amor dele por ela durou décadas...
Praça do Bosque + Play-ground + PETS: conquistas entregues!
A revitalização da Praça “Comendador Emílio Peduti (BOSQUE) foi entregue à população pela Prefeitura Municipal. Recuperação do piso de pedras portuguesas, com o Marco Zero e a Rosa dos Ventos com os pontos cardeais no piso central. A limpeza das muretas do jardim e do piso da cobertura na parte superior. A entrega de moderno play-ground. A obra foi realizada através de uma parceria público-privado (PPP) com o Shopping Amando. A praça ganhou o parquinho infantil, uma área PET, mesas e bancos, além de diversas outras melhorias. PARABÉNS! AVANTE!
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Diário da Cuesta
Editorial
O Rubem Braga sempre foi o meu cronista preferido. Sempre o considerei o “poeta da prosa” brasileira. Desde os anos sessenta, pesquisando e lendo tudo que era publicado por ele, nos jornais e nas revistas. O estilo literário da crônica é o ideal para que o iniciante comece a gostar de ler livros. Fiz assim com meus filhos. Primeiras leituras com Rubem Braga, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Carlos Drummond de Andrade. Nos anos 80/90, tinha uma coleção de livros chamada “Para Gostar de Ler”, que era excelente. Gostosa de ler, com boas histórias, não muito longas, abordando o lado cômico, melancólico, irônico e poético do cotidiano. Além de ser uma leitura agradável, despertava no jovem, no aluno o gosto pelos livros. Rubem Braga (1913/1990) e o cantor Roberto Carlos são os filhos mais famosos de Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo. É formado em Direito, sendo que estudou no Rio e em Minas, onde se formou e iniciou a sua carreira de jornalista depois de formado. Trabalhou em jornais de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Porto Alegre, São Paulo e Recife. Foi correspondente de guerra (durante a 2ª. Grande Guerra Mundial), representando o Diário Carioca. Durante o governo do presidente Jânio Quadros foi convocado para representar o Brasil no exterior. Assim, foi Chefe do Escritório Comercial do Brasil no Chile e Embaixador do Brasil no Marrocos. Lança seu primeiro livro, em 1936. Publica uma série de livros de sucesso. Como poeta fez parte da “Antologia dos Poetas Bissextos Contemporâneos”, organizada por Manuel Bandeira. O livro “200 Crônicas Escolhidas”, foi publicado com a supervisão de Fernando Sabino que selecionou as crônicas. E o CD, com a voz de Edson Celulari, com onze crônicas de Rubem Braga, também surgiu desse livro. Na apresentação do CD, a escritora Marina Colasanti deixou uma mensagem perfeita de Rubem Braga: “Do meu terraço, vejo o terraço de Rubem Braga. As plantas que ele plantou
já são floresta. Que eu olho sempre como se ele ainda estivesse ali, diante da máquina, desdobrando o fio sutil das suas crônicas. Ninguém escreveu tão bem sobre os pequenos momentos, as mulheres que não possuem, o olhar que se pousa sobre o outro, o doce trânsito do imaginário. Olho o terraço e escuto: na voz de Celulari, o sabiá da crônica volta a cantar.” É isso. Simples assim. Pura poesia em prosa. O melhor cronista do Brasil! A Direção.
EXPEDIENTE
DIRETOR: Armando Moraes Delmanto
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Rubem Braga: o Melhor Cronista do Brasil!
Quando se comemora no dia 8 de dezembro, amanhã, o Dia do Cronista, nada mais justo que trazermos algum texto daquele que é considerado o melhor cronista do Brasil: RUBEM BRAGA! Entre os estilos literários, a crônica requer os olhos bem abertos do cronista para o milagre do fugaz, do passageiro. Saber capturar os descuidos da vida, com seus dramas, o seu lirismo, o cenário do cotidiano com as pessoas e os fatos em sua fugacidade. O cronista, às vezes, registra em seus textos alguma permanência maior desses acontecimentos... No Brasil, a atuação jornalística e literária de Rubem Braga está definitivamente marcada. Com ele, os amigos do conhecido e admirado “quarteto mineiro”, formado por Hélio Pellegrino, Otto Lara Resende, Paulo Mendes Campos e Fernando Sabino. Amigo e colega de Carlos Drummond de Andrade, Rubem Braga pertenceu, também, à turma dos jovens boêmios da famosa “Taberna da Glória”, no Rio, composta por ele, por Mário de Andrade, Carlos Lacerda, Vinícius de Moraes, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Dorival Caymmi. É considerado o maior cronista brasileiro. Escolhemos duas crônicas de Rubem Braga: O DESAPARECIDO e RITA.
O DESAPARECIDO
Tarde fria, e então eu me sinto um daqueles velhos poetas de antigamente que sentiam frio na alma quando a tarde estava fria, e então eu sinto uma saudade muito grande, uma saudade de noivo, e penso em ti devagar, bem devagar, com um bem-querer tão certo e limpo, tão fundo e bom que parece que estou te embalando dentro de mim. Ah, que vontade de escrever bobagens bem meigas, bobagens para todo mundo me achar ridículo e talvez alguém pensar que na verdade estou aproveitando uma crônica muito antiga num dia sem assunto, uma crônica de rapaz; e, entretanto, eu hoje não me sinto rapaz, apenas um menino, com o amor teimoso de um menino, o amor burro e comprido de um menino lírico. Olho-me ao espelho e percebo que estou envelhecendo rápida e definitivamente; com esses cabelos brancos parece que não vou morrer, apenas a minha imagem vai-se apagando, vou ficando menos nítido, estou parecendo um desses clichês sempre feitos com fotografias antigas que os jornais publicam de um desaparecido que a família procura em vão. Sim, eu sou um desaparecido cuja esmaecida, inútil foto se publica num canto de uma página interior de jornal, eu sou o irreconhecível, irrecuperável desaparecido que não aparecerá mais nunca, mas só tu sabes que em alguma esquina de uma não lembrada cidade estará de pé um homem perplexo, pensando em ti, pensando teimosamente, docemente em ti, meu amor.
RITA
No meio da noite despertei sonhando com minha filha Rita. Eu a via nitidamente, na graça de seus cinco anos. Seus cabelos castanhos – a fita azul – o nariz reto, correto, os olhos de água, o riso fino, engraçado, brusco... Depois de um instante de seriedade; minha filha Rita encarando a vida sem medo, mas séria, com dignidade. Rita ouvindo música; vendo campos, mares, montanhas; ouvindo de seu pai o pouco, o nada que ele sabe das coisas, mas pegando dele seu jeito de amar – sério, quieto, devagar. Eu lhe traria cajus amarelos e vermelhos, seus olhos brilhariam de prazer. Eu lhe ensinaria a palavra cica, e também a amar os bichos tristes, a anta e a pequena cutia; e o córrego; e a nuvem tangida pela viração. Minha filha Rita em meu sonho me sorria – com pena deste seu pai, que nunca a teve.
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Momentos Felizes SERENIDADE
O clarão rubro de um vermelho vivo, vagarosamente ia se apagando na linha do poente, deixando o espaço para as estrelas. Nos jardins, trêmulos lampiões. A noite estava muito clara e era possível ver as flores em multicoloridas cores. O mês de junho deixava o vilarejo estava em festa; o vento suave do final do outono trazia melodias nostálgicas nas quermesses iluminadas; a
4 Roque Roberto Pires de Carvalho
Igreja com sua imponente e pontiaguda torre em silêncio, muda e desagradável ao tato, fazendo sentir uma errante cerração, embaçando a vista... E, além, por detrás dos escuros telheiros abertos em suas faces, na cidadezinha, a lua cheia despontava mais cedo, amarelada, mergulhando sua claridade nas águas do riacho. A planície está só com suas árvores e o gramado muito verde. Ouve-se o cantar dos grilos imitando ruídos das peças em carros velhos, quando desfila sobre calçamentos irregulares. Sente-se ouvir o burburinho de águas escondidas e sente-se no ar uma branda umidade dos ventos sulistas. Ele estava caminhando, caminhando e descendo uma pequena ladeira; no silêncio, ouvia seu coração bater sozinho... e ouvia o som de música ao longe... Na barraquinha onde era vendido o quentão, temperado com gengibre e canela um disco de vinil, de tanto girar no prato da vitrola dava sinais de cansaço, sinais de ter cumprido sua tarefa de alegrar as pessoas, inclusive ele que caminhava, ainda caminhava...
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LEITURA DINÂMICA
– RUBEM BRAGA SEMPRE FOI CONSIDERADO O POETA DA PROSA... O TEXTO DA CRÔNICA “O DESAPARECIDO” É VIVO EXEMPLO: “Sim, eu sou um desaparecido cuja esmaecida, inútil foto se publica num canto de uma página interior de jornal, eu sou o irreconhecível, irrecuperável desaparecido que não aparecerá mais nunca, mas só tu sabes que em alguma distante esquina de uma não lembrada cidade estará de pé um homem perplexo, pensando em ti, pensando teimosamente, docemente em ti, meu amor.”
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– NAVISITA DO ENTÃO PRESIDENTE JÂNIO QUADROS A CUBA, RUBEM BRAGA SENTADO AO LADO DE JÂNIO NA ENTREVISTA COM CHE GUEVARA.
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– Sentados: Rubens Braga, José Carlos Oliveira, Vinícius de Moraes. Em pé: Paulo Mendes Campos, Sérgio Porto e Fernando Sabino (Foto/fonte: Blog do poeta Nei Duclós)
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– Durante a Segunda Grande Guerra, Rubem Braga foi correspondente do Diário Carioca na Europa. Na foto é o primeiro em pé a partir da direita.
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– Tônia Carrero a Musa da Televisão. Considerada uma das mulheres mais bonitas do show busines brasileiro, Tônia Carrero serviu como modêlo para a efígie das moedas brasileiras.