Diário da Cuesta NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DA CIDADANIA EM BOTUCATU
ano I Nº 85
TERÇA-FEIRA, 16 de fevereiro de 2021
CARNAVAIS TRADICIONAIS DO BTC
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FAZENDO A LIÇÃO DE CASA!
A ponte da Rafael Sampaio foi completamente destruída pelas chuvas no ano passado. A Prefeitura Municipal passou a ter um objetivo maior: RECONSTRUÇÃO! Deve ser uma das principais ligações do Centro da Cidade aos bairros (Boa Vista, Vila Maria, Vila Mariana e Bairro Alto). São 3 guindastes gigantes que fazem o levantamento e a colocação das vigas de sustentação que pesam toneladas. É uma NOVA PONTE, com toda a sua estrutura nova e segura. Avante!
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Diário da Cuesta
ARTIGO Elda Moscogliato É um prazer imenso. O carro sai a esmo, na tarde domingueira, sem programas. Corre daqui, corre dali, suavemente, pelo asfalto e a gente vê em pouco, rumo às instalações da CESP. No tapizado verde, os arbustos floridos dançam seus ramos emoldurando a visão quase fantástica de paragem interplanetária, de estranhos cabos, de estranhos ruídos. O silêncio e viv`alma parecem nos acenar como angustiados prisioneiros do ectoplasma, à medida que passamos. Dispensamos propositadamente a reta sem encantos. Apraz-nos o trajeto maior, hoje abandonado, na perspectiva sem pressa, de menos encontros. Puro engano, outros vadios domingueiros também passaram como nós. Uns cruzam conosco e nos ultrapassam em desabalada. Ah! No trecho hoje em desuso oficial, o gado solto, à vontade, de volta da pastagem, pateia o asfalto. Com licença, temos que passar! Lado a lado do caminho, os atalhos pitorescos, a bucólica visão ondulada das herdades. O carro avança. Eis-nos já, em plena serra, sob um céu azul, esplêndido. O ar é puro, sadio, infla-nos os pulmões. O vento sopra forte contra os vidros. Aperta-se o caminho. Surgem os contrafortes, em desdobramentos abruptos de abismos. Entre um e outro, a autoestrada lisa, macia e sinuosa. Lá longe numa visão caleidoscópica a perder de vista a serrania envolta no sol da tarde, em mil nuances aveludadas. Um casario ali, uma ermidazinha perdida mais adiante e por tudo, os eitos verdejantes.
BELEZAS SERRANAS De repente, ela. Nossa Igrejinha. Singela e humilde. Mal começada, já em ruínas. O sol ilumina-lhe as paredes nuas, pondo em relevo as fendas avermelhadas. No telhado esburacado, as aves recolhem aos ninhos. O rigor das chuvas e dos estios solapou-lhe a segurança. A porta range ao soprar dos ventos. Sentinela avançada do mais alto da serra, ela irradia um quê de mistério e de religiosidade. Daí por diante é ela um cromo na paisagem serrana. Persignamo-nos e passamos. Começa a descida. Perigosa e contraditoriamente cheia de encantos. Caminho estreito, ziguezagueante, íngreme. Rente aos contrafortes sobe-nos às narinas e arrepia-nos a epiderme o húmus da vegetação das encostas. Sombras margeantes e a claridade do dia que declina, lá longe, na paisagem azulada. Da boca dos abismos, à direita, sobe-nos o perfume da madressilva. Os ipês ponteiam na sua umbela de ouro. Os manacás entontecem-nos com seus odores. Aqui, de repente, água de beber. Linfa brotada lá de cima, no mistério singular da selva, que rompe nas fendas da rocha escura. Mas ela, a nossa Igrejinha, lá ficou, atrás agora. Cada vez mais distante, cada vez mais no alto, irradiando em meditativa postura, as vestes claras ao sol da tarde.
Dir-se-ia a cada olhar, que nos acena. Está tão longe, lá em cima, pequenina, branca, a nos guiar, a nos vigiar, com zelos de anjo tutelar. Na visão majestática da serra ao entardecer, entre os abismos já escuros, o céu esmaecido à brisa vespertina, ela se nos aponta ainda, entre os desvãos, enquanto o carro desce mais e mais. Voam as horas. Atingimos o sopé da serra. Paramos um pouco, à margem do caminho. Carros passam, indo e vindo, na prematura significativa do fim do dia. Só. Tudo ao redor é silêncio. Extático e solene. - Querem arriscar mais adiante? Acordo tácito. Todos querem. Vamos encontrar a noite, junto ao Gigante Deitado. Acervo Peabiru.
O GIGANTE DEITADO
(ilustração de Vinício Aloise ao pé do Gigante, as Três Pedras)
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João Passos
CARNAVAIS TRADICIONAIS DO BTC
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Nos anos 50/60 Botucatu passou a curtir e a viver o Carnaval no BTC, sob o comando seguro do saudoso empresário João Passos. A AAB e a AAF vieram depois com suas atividades sociais. Era o carnaval das famílias, com lança perfume e serpentina, tudo sob controle e a alegria e o divertimento imperavam... A foto dos moços dos anos 50, vestidos de bailarinas, impactou em uma época em que isso era bem pesado... O sensacional Bloco das Nêgas Malucas fez sucesso e alegrou a festa carnavalesca no final dos anos 60; a ideia foi trazida por Wanda Delmanto do Clube Atlético Paulistano e implementada por Carmem Amat. Sucesso. Carnavais família como esses não existem mais... Vejam as outras fotos, as garotas em seu bloco, o entusiasmo dos foliões...
casal Vilaulbo Vicentini e Zoza Peduti ladeando o Bloco das Nêgas Malucas
casal Pedro Peduti e Inês, Maria Helena Amat e a jovem Anna Maria Amat. Ao fundo, Nilde Sab e Yara do Amaral Pricoli
“Bailarinas”: Zé Amat, Pedro Peduti, Pedrinho Eichenberger, Zé Fiuza e Miro Fernandes
Em pé: Vilaulbo e Zoza, Inês Peduti, Adolpho Dinucci Venditto e Silvia Amaral Amando de Barros. Sentados: Joaquim Amat, Carmem Amat, Iracema Bertochi Amat e foliões do Bloco das Nêgas Malucas.
Até acrobacias...
Bloco Carnavalesco das Garotas...
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GERAÇÕES DA CIDADANIA BOTUCATUENSE
HOMENS QUE FIZERAM BOTUCATU!
RAPHAEL AUGUSTO DE MOURA CAMPOS Foi um dos vultos mais proeminentes de nosso passado histórico. Nascido na antiga freguesia da Santíssima Trindade de Pirapora – hoje, Tietê – em 18 de outubro de 1841, era filho de João de Moura Campos e de Ana Cândida de Souza. Trazia desde o berço uma genealogia gloriosa que bem servira a Pátria desde os históricos capitães-mores das capitanias del Rey às províncias do antigo Império. Herdou ainda no berço os traços de fidalguia nobre, transparência nos costumes, fidelidade à Deus, à Pátria e à Família. Fez-se junto à terra-mãe, constituindo-se membro destacado da fidalguia rural. Destacou-se como latifundiário agricultor. Ao seu redor cresceram os escravos num ambiente de liberdade e de justiça, a ponto de serem já remidos muitos de seus servos, quando surgiu a Lei Áurea. Por isso, muitos de seu antigos escravos, já libertos, adotaram o sobrenome de Moura Campos. Gratidão ao antigo e querido senhor das terras. O Cel. Raphael de Moura Campos desde jovem radicou-se em Botucatu, fazendo destas paragens seu segundo berço ao qual jurou, como cavalheiro, fidelidade. Como tal, participou de todos os eventos que deram a Botucatu, nos primórdios tempos, fôros de cidade, ponto de convergência geográfica numa área territorial tão
grande. Fotografias históricas evidenciam seu vulto fidalgo, cavalhereisco e nobre, como participante dos acontecimentos que marcaram data nesta cidade. Trabalhou e participou ativamente quando da instalação da Diocese de Botucatu e posse subsequente de seu primeiro Bispo. Foi membro ativo da Comissão que instalou na cidade a Misericórdia Botucatuense e assim, sucessivamente, inclusive para a instalação da Escola Normal Oficial que no passado tanto valorizou a cidade, como polo educacional de primeira grandeza. Soube transmitir às gerações sucessivas o traço marcante de sua personalida-
de. Casado com Ana deArruda Lima, deixou desse consórcio os filhos botucatuenses, Major Antonio de Moura Campos, vereador e prefeito a seu tempo; engenheiro Raphael de Moura Campos Filho; Dr. Cantídio de Moura Campos, primeiro médico botucatuense, Catedrático e Diretor da Faculdade de Medicina de São Paulo e Secretário da Educação e Saúde do Estado de São Paulo; Salomé de Campos Jaquaribe, esposa do dr. João Nogueira Jaquaribe, advogado e historiador; Ana Candida de Campos, esposa do dr. Antonio Vieira, juiz de direito. Foram seus netos: Major Leônidas do Amaral Vieira; professora Eulalina de Amaral Tôrres, esposa do dr. Mário Rodrigues Tôrres; professora Iracema do Amaral Pupo, esposa do prof. Gastão Pupo; e professora Luiz Amaral Pires, esposa de Clovis de Avellar Pires. Fazem parte da sua descendência, os saudosos advogados botucatuenses, dr. Raphael de Moura Campos e dr. Rubens Rodrigues Tôrres; a professora Cecília Tôrres Delmanto, esposa do dr. Dante Delmanto; o dr. Agostinho Rodrigues Tôrres; o professor Raphael Augusto de Moura Campos Avellar Pires entre outros que honram o passado brilhante do ilustre varão.