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Diário Diário da da Cuesta Cuesta ANO III ANO III

Nº 1792 QUARTA-FEIRA, 05 DE AGOSTO DE 2026 Nº 1804 QUARTA-FEIRA, 19 DE AGOSTO DE 2026

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MARIA DE LOURDES CAMILO SOUZA

EM HOMENAGEM AOS 84 ANOS DO CENTRO CULTURAL PÁGINA 4


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Diário da Cuesta

Dia Nacional do Historiador

Hoje, 19 de agosto, é o Dia Nacional do Historiador. A celebração foi instituída pela Lei n° 12.130, de 17 de dezembro de 2009, e a data foi escolhida para homenagear Joaquim Nabuco. Nascido em 19 de agosto de 1849, no Recife, Joaquim Aurélio Barreto Nabuco Araújo foi historiador, diplomata, jornalista, jurista e deputado pela Província de Pernambuco. Um dos principais líderes abolicionistas do Brasil, Nabuco escreveu ensaios e livros, além de cartas e discursos, condenando a escravidão. Nessas obras, que podem ser lidas no portal Domínio Público, ele analisava a escravidão sob diversos aspectos (histórico, jurídico, religioso, social e político). Joaquim Nabuco escreveu também em jornais e revistas. Compareceu às sessões preliminares de instalação da Academia Brasileira de Letras (ABL) e foi o fundador da cadeira n° 27. Em 17 de agosto de 2020, foi promulgada a lei nº 14 .038 que regulamenta a profissão de Historiador, estabelece os requisitos para o exercício da atividade profissional e determina o registro em órgão competente. Nesta data, o Arquivo Nacional presta homenagem a todos as historiadoras e historiadores do país.

EXPEDIENTE NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DA CIDADANIA EM BOTUCATU WEBJORNALISMO DIÁRIO

DIRETOR: Armando Moraes Delmanto EDITORAÇÃO E DIAGRAMAÇÃO: Gráfica Diagrama/ Edil Gomes Contato@diariodacuesta.com.br Tels: 14.99745.6604 - 14. 991929689

O Diário da Cuesta não se responsabiliza por ideias e conceitos emitidos em artigos ou matérias assinadas, que expressem apenas o pensamento dos autores, não representando necessariamente a opinião da direção do jornal. A publicação se reserva o direito, por motivos de espaço e clareza, de resumir cartas, artigos e ensaios.


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MEMÓRIAS DE BOTUCATU - O livro pioneiro! “Para mim, uma cidade sem passado, sem lembrança concreta dos seus antepassados, sem as impressões digitais de sua história, me confrange...” PAULO FRANCIS Em 1990, o começo. Com o lançamento cultural/literário do livro “MEMÓRIAS DE BOTUCATU, um trabalho de pesquisa e de registro de nossa história. Teve início porque, ao depois, tivemos o lançamento do “MEMÓRIAS DE BOTUCATU 2”, em 1993 e, em 1995, o relançamento da 2ª edição do “MEMÓRIAS DE BOTUCATU I”, atualizado e ampliado. No ano 2.000, fizemos o lançamento do “MEMÓRIAS DE BOTUCATU III”. Tudo começou com o jornal “FOLHA DE BOTUCATU”, em sua 2ª fase, que a partir de 1988 iniciou uma série de publicações buscando resgatar a memória de Botucatu, através do registro dos grandes vultos do passado e do presente, verdadeira COLETÂNEA DAS GERAÇÕES BOTUCATUENSES publicada no livro “MEMÓRIAS DE BOTUCATU”, edição de 1990: Cardoso de Almeida, Petrarca Bacchi, Virgínio Lunardi, Raphael Augusto de Moura Campos, Paschoal Ferrari, Dante Delmanto, Cantídio de Moura Campos, Albina Varoli Botti, Pedro Chiaradia, Sebastião de Almeida Pinto, José Melhado de Campos, Hernâni Donato, Jair Conti, José Pedretti Neto, Francisco Marins, Raymundo Marcolino da Luz Cintra, Vicente Marchetti Zioni, Aécio de Souza Salvador, Irmão Felipe, Ignácio de Loyola Vieira Novelli, Antonio Gabriel Marão, Trajano Pupo, Antonio Pires de Campos, Camilo Fernandes Dinucci e Frei Afonso Maria Lorenzon. A relação publicada foi feita para as edições da “FOLHA DE BOTUCATU”, nos anos de 1988/89 e publicada no “Memórias de Botucatu” (1990). A relação não esgota o assunto. Faltam grandes nomes. A verdade é que grandes botucatuenses estão a merecer um estudo e uma divulgação de suas vidas para as gerações futuras. Mas a ideia original não era esgotar o assunto, mas, sim, despertá-lo. Esse trabalho é para ser feito por muitas pessoas, muitas mãos precisam realizar um trabalho conjunto de resgate da memória botucatuense. Esse trabalho precisa da participação de muitos. De outros jornais. De Entidades Culturais. De outros pesquisadores.

A 2ª parte dos HOMENS QUE FIZERAM BOTUCATU, artigos publicados também na imprensa local e no livro, de 1993, “Memórias de Botucatu 2”: Progresso Garcia, Emílio Peduti, José Amaro Faraldo, Antonio Herminio Delevedove, Vicente Moscogliato, Aldo Martin, Arnaldo Moreira Reis, Sidraco Menegon, Luiz Gonzaga Prado, Ângelo Martin, Sebastião da Rocha Lima, Alcides de Almeida Ferrari e Francisco Guedelha. No Sumário do livro, o seu perfil: O que quer dizer Botucatu; O Poder Municipal; Nossos Deputados; Pioneiros do Setor Elétrico; Os Belgas; Arquidiocese de Botucatu; Os Americanos; Ciclos Industriais; O Brasão de Botucatu; Academia Botucatuense de Letras; Rui Barbosa; A Imprensa em Botucatu; Homens Que Fizeram Botucatu; Almanack de Botucatu. E, encerrando o livro, reproduzimos uma raridade: o “ALMANACK DE BOTUCATU”, de 1920. A cópia digital do “ALMANACK” foi feita na Biblioteca Municipal “Mário de Andrade”, na capital paulista. Pela primeira vez era dado ao conhecimento público o inteiro teor dessa publicação, inclusive com os “reclames” publicitários: verdadeiro retrato de Botucatu no início do Século XX.


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MARIA DE LOURDES CAMILO SOUZA

Saudação ao Centro Cultural pela comemoração de seus 84 anos de existência

Ilustríssimo Sr. Presidente do Centro Cultural de Botucatu, Dr. José Eduardo Rodrigues Torres, Ilustríssimo Sr. Vice-Presidente da Academia Botucatuense de Letras, Dr. João Francisco Gabriel, Ilustríssima Sra. Presidente da Academia de Letras do Brasil, Professora Sílvia Aparecida Pereira, Ilustríssimos Acadêmicos, Amigos, Hoje, a filha- Academia Botucatuense de Letras - presta sua homenagem ao – Paimãe- ao Centro Cultural de Botucatu, pelos seus 84 anos de vida dedicada à Cultura e à História. Agradeçamos a Deus por esse tempo de existência. A ABL nasceu em 9 de julho de 1972, trinta anos depois da fundação do CCB. Teve, em sua nascente entidade, membros que outrora já tinham composto o CCB. Os ideais do CCB inspiraram a criação de uma Academia de Letras em Botucatu, nos anos 70, o que foi fortalecido por três escritores botucatuenses, já Membros da Academia Paulista de Letras: Hernâni Donato (meu Patrono na Cadeira 9 da ABL), Francisco Marins e Alceu Maynard de Araujo. Testemunhas oculares desse momento, estavam lá dois jovenzinhos: Bahige Fadel e Olavo Pinheiro Godoy. Homens e mulheres que, sempre unidos, sem discriminação ou preconceito algum, democraticamente, trabalharam lado a lado em prol da cultura. Vários Membros do CCB fizeram e fazem parte da ABL, formando a Família ABL. Em meu texto - poema-prosa - enfoco, de modo carinhoso, a força da Mulher nessas duas entidades. Mãe e Filha. Disse à poetisa Maria Lúcia Dal Farra (minha professora), Patrona da Cadeira 25 da ABL, que iria plagiar o título do recém-lançado livro dela- “O Maldito no Feminino”- escolhi o título “O Bendito no Feminino do Centro Cultural e da Academia Botucatuense de Letras.”

O “Bendito” no Feminino do Centro Cultural de Botucatu e na Academia Botucatuense de Letras No Teatro Santa Cruz, Seis de agosto de quarenta e dois, O Centro Cultural, com muita luz, Instalado solenemente o foi. De bico e penas vermelhas, Caudas de lindo dourado, Bela Fênix, após 500 anos, Tinha seu ninho de morte preparado. Nele um ovo botou. Chocado o foi por três dias. Triste melodia ela entoou E em autocombustão morria... Era vinte e um de setembro De mil novecentos e cinquenta e um. Tudo queimado, eu relembro, Foi incêndio; livros salvos, um a um. Nova Fênix renasce Das cinzas no chão deixadas. A Igreja Presbiteriana, num passe, Acolhe as obras tão amadas. Por um tempo ali viveu Pra depois sua casa construir. Das cinzas renasceu E hoje celebra seu porvir. Heródoto a nós contou Que das cinzas que sobraram A Nova Fênix as embalsamou, Num ovo de mirra guardadas, E ao Rei Sol as entregou. Esse ovo foi aberto, Após trinta anos guardado. Essa Mãe Fênix então gerou Uma filha muita amada: A Academia Botucatuense de Letras que ficou Por todos muito respeitada. Em uníssono hoje nos lembramos Dos homens dessas duas entidades. Das mulheres também nos lembramos Por sua Luz, Carinho e Igualdade.

Fênix é palavra feminina Bendita metáfora da resiliência! Força interior que nos ensina Vencer a luta com paciência.

Bendito seja o Feminino No Centro Cultural e na Academia Botucatuense de Letras É preciso entoar um hino Que forte no coração verceja. São elas seguidoras da trilha Que nunca será apagada Mestras do ensino que brilha Nas Letras, nas Artes, nas Ciências, tão amadas! Na ata da fundação do Centro Cultural, ao lado de nomes de vários homens, constam os nomes de duas mulheres, duas Hebes: Hebe Canuto da Boa Viagem e Hebe Guimarães Leme. Hebe Canuto da Boa Viagem (de Andrade e Costa) nasceu em Macatuba, em 03-10-1925.Completou 100 anos em novembro do ano passado e ainda escrevia um livro! Teve uma participação histórica como uma das fundadoras de membro ativo do Centro Cultural. Tinha, então,17 anos. Aluna da Escola Normal Cardoso de Almeida em Botucatu. Foi Professora de Psicologia e Pedagogia na USP e Advogada, tendo publicado 15 livros. Pertencia à Academia de Letras, Ciências e Artes (ALCA), da Associação dos Funcionários Públicos do Estado de São Paulo- AFPESP Deixou um legado de força e delicadeza, lutou pela igualdade de gênero na sociedade e aconselhava as mulheres a estudarem. Muito amada pelos alunos. Sua biografia está no livro “ Hebe: a mais ousada das ousadas”, escrito por uma aluna sua. Hebe Guimarães Leme nasceu em Botucatu, em 17-011938. Também estudou na Escola Normal de Botucatu Inseriu-se na história do CC ao atuar na linha de frente de suas atividades culturais, na promoção de ações educativas e no fomento literário da instituição, através da mobilização da sociedade botucatuense. Ajudou a viabilizar a implantação da tradicional biblioteca do CC, inclusive articulando o seu registro junto ao Instituto Nacional do Livro. Importante educadora, socióloga, destacando-se por seu trabalho na Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, nas décadas de 80 e 90. Pioneira da informatização educativa, da criação de dados voltados à gestão pedagógica e por projetos de capacitação de recursos humanos. Atuou no Centro de Pesquisas do MEC. Figura muito presente no meio Acadêmico e Literário Brasileiro como tradutora de várias obas clássicas e obras de referências das Ciências Sociais e do Comportamento. Outras mulheres também compuseram o CC e, posteriormente, a ABL: Eunice de Almeida Pinto - Membro Correspondente da ABL. Nasceu em Botucatu, irmã do dr. Sebastião de Almeida Pinto e tia do escritor Alcides Nogueira Pinto. Professora, Socióloga e Historiadora. Formada em História e Geografia pela USP dedicou parte de sua vida a pesquisar as origens, a formação e a evolução do território botucatuense. Foi professora de História e Geografia no antigo Instituto de Educação Cardoso de Almeida - IECA e era muito querida pelos jovens. Diversas vezes foi convidada a ser madrinha do Tiro de Guerra. Marina Fagundes Passos - Membro Honorário da ABL Figura histórica marcante em Botucatu. ao lado de seu esposo, João Passos, idealizou e fundou a Casa da Esperança, voltada à reabilitação física das pessoas. Elegante, discreta, devotada à cultura e Professora. Elda Moscogliato - Patrona da Cadeira 26 da ABL Jornalista, cronista, uma das mais fortes incentivadoras da criação da ABL, de sua manutenção e perenidade. Funcionária dos Correios e Professora de Português. Dinorah Silva Alvarez- Cadeira 9- Patrono Hernâni Donato Vanice Andrade Camargo Alves – Membro Correspondente da ABL. Ao lado de Elda, Dinorah e Vanice formaram o Trio Feminino na criação do CC e da ABL. Professoras, Poetisas, amantes de nossa terra.

Maria Anna Moscogliato – Membro Honorário da ABL Arquivadora de nossa história em artigos, recortes de jornais e revistas, fotografias. A história, as Artes, as Letras, as Ciências, a Música, tudo unido em Maria Anna. Professora de Matemática. Leda Galvão de Avelar Pires - Cadeira 04 da ABL- Patrono Casimiro de Abreu. Pelos idos dos anos 70, o Dr. Arnaldo Moreira Reis criou um banco de dados históricos e culturais de Botucatu. E Leda, que era funcionária da Unesp e que entendia de Arquivos, trabalhou na arrumação e organização dos documentos do CC. Maria José Dupré - Patrona da Cadeira 24 da ABL Escritora botucatuense com muitas obras publicadas. Vivenciou o CC e a ABL, deixando sua marca como professora. Como soube escrever aos pequeninos! Como despertou o prazer da leitura entre crianças, jovens e adultos! Joana Tonon - Membro Honorário da ABL Atualmente, o CC conta com a Arquivista Joana Tonon que remodelou o Arquivo do CC, num trabalho didaticamente minucioso e admirável e é Membro Honorário da ABL. Sílvia Aparecida Pereira - Cadeira 31- Patrono Cornélio Pires Diretora de Comunicação do Centro Cultural de Botucatu Também prestamos nossa homenagem às esposas dos membros do Centro Cultural; elas que cederam parte de seu tempo, para que eles se dedicassem à continuidade do Centro Cultural. Acompanhando toda trajetória do Centro Cultural, nesses 84 anos de vida, retomo o poema “Mar Português”, do livro Mensagem, de Fernando Pessoa e encontro a resposta que desejo: Ó MAR SALGADO, quanto do teu sal São lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos, quantas mães choraram, Quantos filhos em vão rezaram! Quantas noivas ficaram por casar Para que fosses nosso, ó mar! Valeu a pena? Tudo vale a pena Se a alma não é pequena. Quem quer passar além do Bojador Tem que passar além da dor. Deus ao mar o perigo e o abismo deu, Mas nele é que espelhou o céu. Carmen Sílvia Martin Guimarães Membro Efetivo da Academia Botucatuense de Letras Cadeira 09- Patrono Hernâni Donato Botucatu,13 de agosto de 2026.


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