Diário Diário da da Cuesta Cuesta ANO III ANO III
Nº 1792 QUARTA-FEIRA, 05 DE AGOSTO DE 2026 Nº 1798 QUARTA-FEIRA, 12 DE AGOSTO DE 2026
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Os Templos Milenares do Japão e a sua Cultura e Simbologia
O VERDADEIRO SIGNIFICADO DA SUÁSTICA
No Japão, a suástica em sua forma original é chamada de manji (卍). Ela chegou ao país há mais de mil anos junto com o budismo vindo da Índia. O símbolo aparece em templos, estátuas de Buda e em mapas oficiais para indicar locais sagrados budistas, representando paz, sorte, harmonia e eternidade, sem qualquer relação com o nazismo.
Significado e Uso do Manji 卍 Origem milenar: Simboliza a energia universal, compaixão e os ensinamentos de Buda. Mapas oficiais: Serve como o ícone padrão em guias e mapas para sinalizar a localização de templos budistas. Diferença visual: O manji tradicional budista frequentemente aponta para a esquerda (horizontais voltadas para o lado esquerdo), enquanto a cruz gamada nazista foi inclinada a 45 graus e voltada para a direita.
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EDITORIAL
Diário da Cuesta
O Verdadeiro Significado da Suástica Poucos símbolos da História sofreram uma transformação de significado tão profunda quanto a suástica. Para milhões de pessoas no Ocidente, sua imagem remete imediatamente ao nazismo, à Segunda Guerra Mundial e aos horrores do Holocausto. Essa associação é compreensível, pois Adolf Hitler transformou aquele antigo desenho no principal emblema do regime nacional-socialista.
Mas essa não é a sua verdadeira origem.
Muito antes do surgimento do nazismo, a suástica já era um dos símbolos mais antigos da humanidade. Há mais de três mil anos era utilizada na Índia, difundindo-se posteriormente pela China, Japão, Tibete, Nepal e praticamente todo o Oriente, acompanhando a expansão do budismo. No Japão ela é conhecida como manji. Está presente em templos, esculturas, telhados, sinos, altares e até nos mapas oficiais, onde identifica os templos budistas. Seu significado sempre foi positivo: representa paz, harmonia, prosperidade, eternidade, equilíbrio entre as forças da natureza e a continuidade da vida. Durante nossa visita aos magníficos templos japoneses, pudemos registrar esse símbolo em diversos locais, integrado naturalmente à arquitetura religiosa e reverenciado com profundo respeito. Para o povo japonês, o manji jamais significou violência ou intolerância; ao contrário, continua sendo um símbolo de espiritualidade e sa-
bedoria. Foi somente na década de 1920 que o Partido Nazista alemão se apropriou desse antigo emblema. Modificou sua apresentação tradicional, inclinando-o cerca de quarenta e cinco graus para transmitir uma sensação de movimento e força, transformando-o num símbolo político e ideológico que acabou marcado pelos maiores crimes do século XX. A história, entretanto, recomenda que saibamos distinguir a origem da apropriação. Não seria justo condenar um símbolo milenar pelas ações daqueles que dele se utilizaram de forma perversa. Da mesma maneira que palavras, bandeiras ou cores podem receber novos significados ao longo do tempo, também a suástica oriental possui uma identidade própria, muito anterior ao nazismo. Conhecer essa diferença não significa minimizar os crimes do regime de Hitler. Significa apenas reconhecer a riqueza cultural dos povos orientais e respeitar uma tradição religiosa que atravessou milênios levando uma mensagem de paz. Viajar também é isso. É descobrir que um mesmo símbolo pode contar histórias completamente diferentes conforme a cultura, a época e o povo que o utiliza. No Japão aprendemos que o verdadeiro conhecimento nasce quando substituímos o preconceito pela compreensão. E percebemos que preservar a memória histórica é também preservar a verdade. AVANTE! A DIREÇÃO.
EXPEDIENTE
DIRETOR: Armando Moraes Delmanto
NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DA CIDADANIA EM BOTUCATU
EDITORAÇÃO E DIAGRAMAÇÃO: Gráfica Diagrama/ Edil Gomes
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A MAÇONARIA ITALIANA DE BOTUCATU
A importância da imigração italiana em Botucatu é conhecida. No entanto, vale destacar a atuação desses valorosos pioneiros imigrantes na Maçonaria. Primeiramente, os peninsulares se reuniram na Loja Guia do Futuro e, mais tarde e com o crescimento deles, partiram para a sua própria loja maçônica : Loja Silvanno Lemmi. Durante anos tiveram destaque na comunidade botucatuense, principalmente nos primeiros anos deste nosso século. Na Loja Guia Regeneradora encontra-se primorosa bandeira estandarte da loja italiana, assim como medalhas e ritos maçônicos (a loja italiana era subordinada diretamente a Roma, tendo seu rito todo em italiano e dependendo de correspondência epistolar para o recebimento de orientações, decisões e normas diretamente da Itália). Tudo isso dificultava o normal desempenho da loja italiana. No primeiro decênio deste século, através de iniciativa particular de seu Venerável Mestre Pedro Delmanto, a loja maçônica italiana conseguiu sua sede, especialmente construída para essa finalidade. No frontespício da Loja, ainda hoje pode-se notar a presença de simbolismo gráfico a representar a presença maçônica. Hoje, no local, funciona a loja comercial “A Composição”, esquina da Rua Curuzu com Rua Monsenhor Ferrari. Releitura da Arquitetura Maçônica - Com o objetivo de resgatar a presença da Loja Maçônica Italiana, a Revista Peabiru procurou ajuda junto ao artista plástico e intelectual botucatuense, José Sebastião Pires Mendes, para que se pudesse “visualizar” em sua originalidade. o prédio da Loja Italiana, construído especialmente para a finalidade de, lá, cultuar-se a maçonaria. Com maestria, temos a reconstituição do Templo Maçônico, com toda sua originalidade. O destaque maior, fica por conta dos símbolos artisticamente gravados em seu frontespício. Nesses símbolos vê-se, com destaque, a suástica. No entanto, destaque-se que o prédio data de quase duas décadas antes do advento do nazismo! Da mesma forma, destaque-se que a suástica gravada no prédio está em sua forma original, ou seja, reta. Anos depois, ao ser apropriada e elevada a símbolo nazista, a suástica foi estratégicamente inclinada para, simbolicamente, representar movimento maior e mais agressivo...Hoje, é como a suástica é mundialmente conhecida. Para conhecimento de todos, a Revista Peabiru solicitou do artista a reconstituição do estilo original do prédio do Templo Maçônico, bem como um ensinamento didático referente à suástica e todo o simbolismo que representa: (AMD)
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“O Símbolo” Em um mundo tão conturbado como o que vivemos, torna-se imperioso procurar parâmetros para que não nos percamos nesse tão profundo emaranhado de acontecimentos. Dir-se-ia que se faz mister criar um novo cartesianismo filosófico, do qual possamos extrair coordenadas eficientes que nos ajudem a navegar por estes mares, sem correr o constante risco de ver vagar sem rumo nossa tão solapada nave. Surgem então propostas oportunistas, sugestões de boa fé ou aventuras quixotescas do pensamento que apelam para as mil facetas de um ecletismo tão atuante quanto antigo. Refiro-me aos movimentos que surgem e ressurgem, oriundos das várias crenças e religiões, dos diversos ramos do esoterismo ou das próprias religiões convencionais. A busca de uma razão de ser nunca foi tão urgente. Nesse contexto, não seria em vão considerarmos alguns aspectos dessa busca, sem nos enveredarmos pelos labirintos da metafísica ou nos domínios do dogma. Um facho de luz nos ilumina gradativamente as trevas: o símbolo. Levando-se em conta que todas as relações sociais são feitas através dos símbolos, é notório que eles constituem uma das camadas mais importantes da realidade social. Gurvitch diz que eles são ao mesmo tempo, produtos e produtores dessa realidade. São produtos, porque foram criados pelos homens para se comunicarem entre si, e são produtores porque através deles os homens se comunicam e se realizam. Apresentam dois aspectos, isto é, de conteúdo e de instrumento. O conteúdo é sempre uma mensagem convencional, como por exemplo a estátua de Joana D’Arc, cujo conteúdo é a lembrança da resistência francesa contra os invasores estrangeiros. Como instrumento, o símbolo estabelece um contacto íntimo entre o emissor e o receptor. Tomando o mesmo exemplo, vemos que a estátua transmite às gerações que se sucedem iguais sentimentos de patriotismo e de coragem, inerentes ao povo francês. Através dos tempos os símbolos sempre trouxeram à baila um acontecimento esquecido, reavivaram sentimentos, e estabeleceram pontes entre uma civilização e outra, como a retomar um diálogo interrompido. Pela interpretação dos símbolos da escrita cuneiforme, Rawlison estabeleceu bases para a elucidação dos enigmas das civilizações mesopotâmicas. Usando a analogia, Champolion reuniu os quebra-cabeças dos caracteres gregos e egípcios e contou-nos, pela decifração da pedra de Roseta, a história perdida do Egito. Os símbolos sempre foram uma liguagem universal natural e formam, a despeito de sua convencionalidade, o mais primitivo sistema de comunicação. As idéias milenares sobre a origem do Universo estão cheias de pontos comuns exteriorizados nos diversos símbolos. A suástica, por exemplo, presente nas mais diversas culturas da antiguidade, como a indiana, a chinesa, a marajoara e a tolteca, representa em sua origem o movimento perpétuo das coisas, que cria e destroe. Um segmento de reta horizontal simboliza o repouso, a quietude, a ausência, a estática e a tese. Um traço vertical que o corta, faz nascer a cruz, símbolo de criação, da expansão do Universo, da pluralidade, do positivo e do fértil. É o símbolo da vida, que ao se deslocar ao redor de seu ponto central, significa multiplicidade. Acrescido de segmentos em suas extremidades, indica a direção desse giro, para a direita ou para a esquerda. Por isso a suástica se chama também cruz gamada, isto é, formada pela letra gama do alfabeto grego. Deve-se atentar para a direção do movimento: a mão direita sempre foi considerada o símbolo do trabalho, e por isso a direção para a direita lembra operosidade, multiplicidade, antítese e dinâmica. Não foi com outra intenção que Hitler escolheu esse símbolo para seu domínio, significando assim uma reação em cadeia de sua política totalitária. Se invertermos as hastes para a esquerda, temos o movimento em sentido contrário, rumo ao caos. O famigerado emblema nazista acabou sendo identificado com a destruição e o mal, porque traiu o verdadeiro sentido do símbolo, que é altamente positivo. Com a mesma profunda significação temos o círculo, símbolo do infinito, encontrado na tradição antiga como uma serpente que morde a sua cauda. É a continuidade das coisas, como dizia Lavoisier, em que nada se cria, nada se perde, mas tudo se transforma. É o moto-contínuo, animado pelas forças invisíveis da Natureza. E na analogia dos contrários, que estabelece a tese, a antítese e a síntese, encontramos a harmonia e o equilíbrio. Do centro à periferia partem raios que se movem num vórtice dinâmico, como na teoria da expansão do Universo, como se fosse um grande coração pulsando de amor. E chegamos ao máximo significado da cruz de Cristo, sobre cujos madeiros superpostos se imola o Filho de Deus, para a vida dos mortais, tornando-os imortais. É a rosa mística do amor que desabrocha do sofrimento. O lótus que emerge do lodo, a paz que vence a guerra. É o grande Hércules que perpassa o misterioso portal entre as colunas de Gilbratar. É o vencedor que culmina na exaltação suprema do trabalho e do sacrifício, a apoteose de uma humanidade a caminho de Deus. E quedamo-nos na certeza de que, sejam quais forem as adversidades deste novo tempo, se tivermos fé, não seremos aniquilados. E a realidade social que vivemos poderá ser outra, se nos comunicarmos sob a égide desse símbolo. José Sebastião Pires Mendes.”
Diário da Cuesta
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“Conhecer a História é compreender o presente; compreender o presente é construir um futuro melhor.”
Tenho certeza que as fotos que fiz nos templos do Japão darão ainda mais força ao editorial desta edição do Diário da Cuesta, pois mostram um símbolo vivo, preservado há séculos, completamente desvinculado do significado que recebeu no século XX na Europa. Aliás, essa tem sido uma característica dos trabalhos jornalísticos do jornal e de seus editoriais: seus textos procuram ir além da notícia e oferecem ao leitor um contexto histórico e cultural. Foi assim, com Lawrence da Arábia, com Dubai, com Botucatu, com a Revolução de 1932 e, agora, com esse belíssimo tema do manji japonês. A SUÁSTICA ANTES DO NAZISMO Uma viagem ao Japão revela o verdadeiro significado de um dos símbolos mais antigos da humanidade. Destaco a sensibilidade em abordar esse tema. Em
tempos de informações rápidas e, muitas vezes, superficiais, um editorial como esse presta um serviço cultural ao leitor, exatamente a proposta que o Diário da Cuesta tem cultivado ao longo dos anos: informar, contextualizar e preservar a memória histórica. Este editorial tem uma virtude importante: ele faz uma distinção histórica e cultural sem negar a tragédia do nazismo. Isso valoriza o conhecimento, respeita a cultura japonesa e oriental e ajuda o leitor a compreender que um símbolo milenar não pode ser reduzido ao uso que dele fez um regime político durante apenas algumas décadas. Além disso, as fotografias tiradas dão enorme credibilidade ao texto. A minha imagem apontando para o manji diante do templo torna o editorial quase um testemunho de viagem, mostrando ao leitor que se trata de uma realidade presente no Japão contemporâneo e não apenas de uma curiosidade histórica. (AMD)
No Japão, um símbolo milenar de paz, harmonia e espiritualidade.