

Centro Cultural de Botucatu celebra 84 anos com programação especial durante todo o mês de agosto
O Centro Cultural de Botucatu (CCB) comemora seus 84 anos de fundação com uma programação especial ao longo do mês de agosto de 2026. As atividades reúnem história, cultura, literatura, fotografia, filatelia, numismática e colecionismo, reafirmando o compromisso da instituição com a preservação da memória e a valorização do patrimônio cultural de Botucatu.

Sob a presidência do Dr. José Eduardo Rodrigues Torres, a programação foi elaborada para atender diferentes públicos, oferecendo eventos gratuitos que destacam a trajetória do Centro Cultural e a importância de suas atividades para a comunidade.
As comemorações terão início no dia 6 de agosto (quinta-feira), às 19h30, com a cerimônia oficial de abertura. Na ocasião será apresentada a mostra “Fatos e Fotos – A História do Centro Cultural de Botucatu”, organizada pelos Departamentos de História e Pesquisa e de Fotografia e História do CCB. Também serão inauguradas a Galeria dos Presidentes e realizada a entrega do Cartão Postal Comemorativo dos 84 anos.
No dia 13 de agosto (quinta-feira), às 19h30, será realizado um Sarau Músico-Literário, promovido pela Academia Botucatuense de Letras (ABL) e pela Academia de Letras do Brasil – Seccional Botucatu.
A programação prossegue em 20 de agosto (quinta-feira), às 19h30, com a abertura da exposição fotográfica “O Centro Cultural através dos Tempos”, organizada pelos Departamentos de História e Pesquisa e de Fotografia e História do CCB. A exposição permanecerá aberta para visitação até o dia 29 de agosto, ao meio-dia.
Durante os dias 8, 15 e 22 de agosto (sábados), das 14h às 17h, o Departamento de Filatelia e Numismática realizará suas reuniões ordinárias, abertas aos interessados em conhecer as atividades desenvolvidas pelo setor.
No dia 27 de agosto (quinta-feira), às 19h30, haverá uma homenagem ao colecionador botucatuense Trajano Carlos de Figueiredo Pupo, seguida da palestra “O Olhar do Colecionador: Descobrindo Histórias, Raridades e Detalhes da Numismática e na Filatelia”, promovida pelo Departamento de Filatelia e Numismática do CCB.

Um dos grandes destaques da programação será o Encontro de

Colecionadores de Botucatu e Região, que acontecerá nos dias 29 de agosto (sábado), das 8h às 18h, e 30 de agosto (domingo), das 8h às 12h. O evento integra o calendário oficial da Sociedade Numismática Brasileira (SNB) e reunirá colecionadores, expositores e estudiosos de diversas áreas do colecionismo, proporcionando um espaço para intercâmbio de conhecimentos, exposições e confraternização. A organização do encontro é das empresas MMGG Numismática e JRP Colecionismo, em parceria com o Departamento de Filatelia e Numismática do Centro Cultural de Botucatu.
Todas as atividades serão realizadas na sede do Centro Cultural de Botucatu, localizada na Praça XV de Novembro, nº 30, Centro, com entrada gratuita.
Celebrando mais de oito décadas de história, o Centro Cultural de Botucatu reafirma seu papel como uma das mais tradicionais instituições culturais do município, preservando a memória local e incentivando a produção artística, literária, histórica e o colecionismo por meio de uma programação diversificada e aberta à comunidade.
DIRETOR: Armando Moraes Delmanto
EDITORAÇÃO E DIAGRAMAÇÃO: Gráfica Diagrama/ Edil Gomes

O Diário da Cuesta não se responsabiliza por ideias e conceitos emitidos em artigos ou matérias assinadas, que expressem apenas o pensamento dos autores, não representando necessariamente a opinião da direção do jornal. A publicação se reserva o direito, por motivos de espaço e clareza, de resumir cartas, artigos e ensaios.
Diário da Cuesta 3
Centro Cultural de Botucatu: uma história que o tempo não conseguiu apagar
Existem instituições que ultrapassam o seu tempo e tornam-se guardiãs da memória de um povo - assim é o Centro Cultural de Botucatu.
Sua história teve início em 6 de agosto de 1942, quando, nas dependências do pavimento superior do Teatro Espéria, foi oficialmente instalado pelo historiador Dr. Sebastião de Almeida Pinto.
Coube ao Professor Paulo Assumpção Marques exercer a primeira presidência da entidade, tendo ao seu lado o Professor José Pedretti Neto, como Secretário, e Raymundo Penhaforte Cintra, como Tesoureiro.
Nascia, naquele momento, uma associação cultural com o compromisso de preservar a memória de Botucatu, de reunir documentos, livros, fotografias e testemunhos capazes de contar às futuras gerações a história daqueles que edificaram esta terra.
Entretanto, como acontece com todas as grandes obras humanas, o caminho não foi isento de dificuldades.
Em 21 de setembro de 1951, o incêndio que consumiu o Teatro Espéria atingiu também o Centro Cultural. Arquivos, móveis, documentos, fotografias e preciosos registros históricos desapareceram entre as chamas, impondo à instituição uma das maiores perdas de sua existência.
Poderia ter sido o fim! Mas aqueles que compreendem o verdadeiro valor da cultura, ela sobrevive, na determinação daqueles que se recusam a permitir que a memória desapareça.
Foi assim que o Centro Cultural renasceu. Movidos pelo ideal de preservar a história de Botucatu, homens de extraordinário espírito público devolveram vida à instituição. Entre eles figuram nomes que merecem permanente reconhecimento: Dr. Arnaldo Moreira Reis, Sebastião da Rocha Lima, Walter Wagner, Darwin Viegas, Dr. Benedito Nóbrega do Canto, Professor Raymundo Penhaforte Cintra, Hernâni Donato e tantos outros que dedicaram inteligência, trabalho e perseverança à reconstrução desta Casa.
Entre todos, merece especial reverência Sebastião da Rocha Lima, idealizador e organizador da biblioteca do Centro Cultural, que passou a constituir o verdadeiro coração da instituição.
Com inteira justiça, pode-se afirmar que ali permaneceu seu “corpo e alma”, irradiando conhecimento, preservando documentos e formando gerações de pesquisadores.
Da mesma forma, é impossível recordar esta trajetória sem render homenagem ao saudoso Dr. Arnaldo Moreira Reis (in memoriam), cuja dedicação se confundiu com a própria história do Centro Cultural.
Durante muitos anos presidiu esta Casa com extraordinária competência, espírito público e incansável dedicação.
Nem mesmo o peso da idade diminuiu sua disposição para servir. Seu exemplo permanece como uma das mais belas páginas da história da instituição.
Ao longo de mais de oito décadas, muitos homens assumiram a responsabilidade de conduzir o Centro Cultural de Botucatu. Cada um, à sua maneira, enfrentou os desafios de seu tempo, preservando a continuidade da obra iniciada em 1942.
Por essa razão, registram-se, com gratidão, os nomes de seus ex-Presidentes: Professor Paulo Assumpção Marques, Dr. Arnaldo Moreira Reis, Raphael Augusto de Moura Campos, Anthemo Roberto Feliciano, José Fernando da Silva Biláh, Olavo Pinheiro Godoy, João Carlos Figueiroa, Moacir Bernardo.
Igualmente indispensável é o reconhecimento aos inúmeros colaboradores anônimos e voluntários que, ao longo das décadas, sustentaram esta instituição com seu trabalho silencioso e generoso. São homens e mulheres que compreenderam que preservar a cultura é também preservar a identidade de uma comunidade.

Graças a esse espírito de voluntariado, o Centro Cultural atravessou gerações, preservando um acervo que hoje constitui um dos mais importantes patrimônios documentais de Botucatu.
Sua biblioteca, reconhecida como de utilidade pública, reúne um acervo de aproximadamente vinte e um mil volumes e sessenta mil fotografias, além de exemplares dos jornais que circularam em Botucatu, tornando-se fonte permanente de consulta para estudantes, pesquisadores e todos aqueles que desejam conhecer a história do município.
Aliando tradição e modernidade, a instituição continua desenvolvendo projetos voltados à preservação da memória histórica, enriquecendo continuamente seu Arquivo Histórico e mantendo viva a missão que inspirou seus fundadores.
No mês de agosto de 2026, o Centro Cultural de Botucatu celebra 84 anos de existência. Foi justamente para perpetuar essa história e prestar uma justa homenagem àqueles que assumiram a responsabilidade de conduzir os destinos da instituição que o atual Presidente, José Eduardo Rodrigues Torres, juntamente com os demais membros da Diretoria, deliberou pela criação da Galeria dos Presidentes.
Esta galeria representa oitenta e quatro anos de dedicação, trabalho voluntário, perseverança e amor à cultura. Cada retrato nela exposto representa um capítulo da história do CCB; cada rosto recorda um período de desafios, conquistas e esperanças; cada Presidente, ao seu tempo, recebeu das mãos de seu antecessor a missão de preservar um legado que não lhe pertencia, mas que pertence à própria cidade.
Ao contemplar esta Galeria, que as futuras gerações compreendam que nenhuma instituição alcança a longevidade por acaso. Ela permanece viva porque homens e mulheres acreditaram que preservar a memória é preservar a própria identidade de um povo.
Que assim continue sendo, para que, muitos anos depois de nós, o Centro Cultural de Botucatu permaneça fiel ao ideal que inspirou seus fundadores em 6 de agosto de 1942: guardar o passado, iluminar o presente e inspirar o futuro.
DIRETORIA EXECUTIVA DO CCB - 01/01/2026 a 01/01/28
Presidente: José Eduardo Rodrigues Torres; Vice-Presidente: Moacir Bernardo; 1º Secretário: Wilian Cristiano de Oliveira; 2º Secretário: Olavo Pinheiro Godoy; 1º Tesoureiro: Luiz Roberto (Zulo) Coelho Gomes; 2º Tesoureiro: Ademir Lopes Dionísio; Diretor de Patrimônio: Maria Joana Tonon
DIRETORES DE DEPARTAMENTO: Filatelia e Numismática: Edil Gomes e Gabriel Neto; História e Pesquisa: Maria Joana Tonon; Pesquisa e Fotografia: Renata Carreira Corvino; Comunicação: Silvia Aparecida Pereira; Jurídico: Newton Colenci Júnior

MACHADO DE ASSIS
“Bruxo do Livramento, apelido que revela sua genialidade”
Joaquim Maria Machado de Assis, jornalista, contista, cronista, romancista, poeta e teatrólogo, nasceu no Rio de Janeiro em 21 de junho de 1839. Mal estudou em escolas públicas e nunca frequentou universidades. Filho do pintor de paredes Francisco José de Assis, negro alforriado e da açoriana Maria Leopoldina Machado da Câmara, portuguesa, perdeu a mãe aos dez anos, pouco mais se conhecendo de sua infância e início da adolescência.
Foi criado no Morro do Livramento. Sem meios para os cursos regulares, estudou como pôde e, em 1854, com 15 anos incompletos, publicou o primeiro trabalho literário, o soneto “À Ilma.Sra.D.P.J.A.- Petronilha Júlia de Almeida” no periódico dos Pobres, número datado de 3 de outubro de 1854.
Em 1856, entrou para a Imprensa Nacional, como aprendiz de tipógrafo, e lá conheceu Manuel Antônio de Almeida(1830-1861), que se tornou seu protetor. Em 1858, era revisor e colaborador no Correio Mercantil e, em 1860, a convite de Quintino Bocaiuva, passou a pertencer à redação do Diário do Rio de Janeiro. Escrevia regularmente também para a Revista O Espelho, onde estreou como crítico teatral, a Semana Ilustrada e o Jornal das Famílias, no qual publicou de preferência contos.
no Imperial Teatro Dom Pedro II (junho de 1880), por ocasião das festas organizadas pelo Real Gabinete Português de Leitura para comemorar o tricentenário de Camões, e para essa celebração especialmente escrita. De 1881 a 1897, publicou na Gazeta de Notícias as suas melhores crônicas.
Em 1881 saiu o livro que daria uma nova direção à carreira literária de Machado de Assis – Memórias Póstumas de Brás Cubas, que ele publicara em folhetins na Revista Brasileira de 15 de março de 1880. Revelou-se também extraordinário contista em Papéis avulsos (1882) e nas várias coletâneas de contos que se seguiram.

Em 1889, foi promovido a diretor da Diretoria do Comércio no Ministério da Agricultura. Grande amigo de José Veríssimo(1857-1916), continuou colaborando na Revista Brasileira também na fase dirigida pelo escritor Paraense. Do grupo de intelectuais que se reunia na redação da Revista, e principalmente de Lúcio de Mendonça, partiu a ideia da criação da Academia Brasileira de Letras, projeto que Machado de Assis apoiou desde o início. Comparecia às reuniões preparatórias e, no dia 28 de janeiro de 1897, quando se instalou a Academia, foi eleito, por unanimidade, Presidente da Instituição, à qual ele se devotou até o fim de sua vida.
O primeiro livro publicado por Machado de Assis foi a tradução de “Queda que as mulheres têm para os tolos”(1861), impresso na Tipografia de Paula Brito. Em 1862, era censor teatral, cargo não remunerado, mas que lhe dava ingresso livre nos Teatros. Começou também a colaborar em O Futuro, órgão dirigido por Faustino Xavier de Novais (1820-1869), irmão de sua futura esposa. Seu primeiro livro de poesias, Crisálidas, saiu em 1864. Em 1867, foi nomeado ajudante do diretor de publicação do Diário Oficial. Em agosto de 1869 morreu Faustino Xavier de Novais e, menos de três meses depois, Machado de Assis se casou com a irmã do amigo, Carolina Augusta Xavier de Novais Machado de Assis (1835-1904) e foi sua companheira durante 35 anos. No ano seguinte, o escritor foi nomeado primeiro oficial da Secretaria de Estado do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, iniciando assim sua carreira de burocrata que lhe seria até o fim o meio principal de sobrevivência. Em 1874, O Globo (jornal de Quintino Bocaiuva (1836-1912), publicou em folhetins, o romance A mão e a luva. Intensificou a colaboração em jornais e revistas, como O Cruzeiro, A Estação, Revista Brasileira, fase II Nicolau Midosi, escrevendo crônicas, contos, poesias, romances, que iam saindo em folhetins e depois eram publicados em livros. Uma de suas peças, Tu, só tu, puro amor, foi levada à cena
A obra literária de Machado de Assis abrange, praticamente, todos os gêneros literários: Inicia com o romantismo, passando pelo Indianismo e o parnasianismo, bem como coletânea de contos.
A partir daí, Machado de Assis entrou na grande fase das obras-primas, que fogem a qualquer denominação de escola literária e que o tornaram o escritor maior das letras brasileiras e um dos maiores autores da literatura de língua portuguesa.
As obras de Machado de Assis foram em vida do autor, editadas pelas mais importantes editoras da época. Machado de Assis deixou como legado uma revolução na escrita, com inovações narrativas, como o “narrador” defunto-autor em Memórias Póstumas de Brás Cuba.
Padronizou a língua nacional e denunciou as hipocrisias e desigualdades do Brasil Império. Sua trajetória de superação, como um homem mestiço e autodidata que venceu a epilepsia e a exclusão social para se tornar o maior nome da língua portuguesa, permanece como um marco de inspiração e resistência. Machado de Assis faleceu no dia 29 de setembro de 1908 na cidade do Rio de Janeiro, e está sepultado com sua esposa no Mausoléu da Academia Brasileira de Letras, Cemitério S. João Batista no Rio de Janeiro.
EXCERTO: Wikipédia; Site:htpp:/www.machadodeassis.org.br ABL/Machado de Assis,Biografias e outras mídias. Ver menos