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Diário da Cuesta

O JORNAL DE BOTUCATU

NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DA CIDADANIA

No aniversário de Botucatu o lançamento do novo livro de Armando Moraes Delmanto: “Lawrence da Arábia: Herói Mundial nascido na Cuesta”. A Cuesta Paulista pode ter sido o primeiro horizonte de um mito mundial. E o possível, quando tratado com respeito, é o primeiro passo da verdade.

Da escarpa da Cuesta Paulista às colinas de Dorset o mito atravessou o tempo – e permaneceu. Da Cuesta a Dorset, o mito continua.

Comentários sobre Lawrence da Arábia: 1)”O “Lawrence” é material para novela. Que história mais fantástica...” Alcides Nogueira, escritor e dramaturgo (19/01/2000);

2) “Há décadas cheguei a esboçar um romance “A Fazenda” que não sendo a do Conde seria aquela. O antigo editor Diaulas Riedel, menino-jovem passou ali férias de verão e com entusiasmo e minúcias,

descreve-a. A Condessa, idosa, mantinha quiosque no Boi de Bologne no qual, no inverno, oferecia café brasileiro. De certo, da fazenda Imagine escravos abrindo picada do Porto Martins à fazenda, veludos italianos, mudas de pinho de Riga, piano alemão para a casa sede. Boa tarefa será um volume - elaborado sem pressa - para a tal casa, a mais importante da região. Abraço, obrigado Hernâni Donato, escritor e historiador (20/01/2000).”

3 – Dos Aventureiros do Túneis , o registro histórico que José Carlos Basseto fez do túmulo de Lawrence da Arábia, na Inglaterra:

O Aventureiro do Túnel Zé Basseto, encontrou o túmulo do Botucatuense Lawrence da Arábia - Cemitério de Moretonperto do Rio Frome. Inglaterra - Lawrence, herói da 1ª Guerra, Tenente do exército Inglês.

Há obras que são escritas com palavras. E

há aquelas que são construídas com décadas.

O lançamento do livro “Lawrence da Arábia: um Herói nascido na Cuesta. Um apaixonante caso de amor” pertence a esta segunda categoria. Não é apenas um livro — é o ponto de chegada de uma caminhada iniciada ainda em meados dos anos 90, quando a inquietação intelectual se transformou em busca, e a busca em missão.

Foram anos de pesquisa silenciosa, de levantamento de depoimentos, de rastreamento de vestígios históricos. A revista Peabiru abriu caminhos, reuniu vozes, conectou pesquisadores e manteve viva uma hipótese que, longe de ser apenas provocação, passou a exigir ser tratada com seriedade, método e respeito.

A figura de T. E. Lawrence — imortalizada como Lawrence da Arábia — sempre pertenceu ao mundo. Mas este trabalho ousa algo maior: aproximar esse mito universal da geografia concreta da Cuesta Paulista. Não como ruptura, mas como ampliação de horizontes.

Agora, com a obra concluída, o gesto ganha dimensão internacional. O livro segue para centros de estudos na Inglaterra, em Oxford e em Dorset — destinos que não são apenas geográficos, mas simbólicos. É o encontro entre duas paisagens: de um lado, a escarpa abrupta da Cuesta; de outro, as colinas suaves de Dorset.

Entre elas, um elo construído pela persistência.

Mais do que defender uma tese, o livro reafirma um princípio essencial: o de que a história não é estática. Ela respira, se amplia, se reinterpreta. E, sobretudo, pertence também àqueles que têm coragem de investigá-la além dos caminhos tradicionais.

Há, neste lançamento, um orgulho silencioso de Botucatu.

Há, também, um gesto de afirmação cultural.

Porque quando uma cidade investiga, escreve e publica — ela não apenas registra o passado. Ela projeta o seu nome no futuro.

E talvez seja essa a maior conquista desta obra: mostrar que, da Cuesta Paulista, não brotam apenas

paisagens de rara beleza, mas também ideias capazes de atravessar oceanos.

Fica a certeza — firme como o relevo que nos define — de que dos degraus da Cuesta os sonhos podem alcançar o mundo. Podem tocar as areias do deserto. Podem chegar, com legitimidade, às colinas de Dorset. E, ao chegar lá, levam consigo algo maior do que uma hipótese: levam a marca de uma origem que se recusa a ser esquecida.

AVANTE.

Quando a Cuesta Olha o Mundo

A Cuesta Paulista não é apenas formação geológica.

É cenário de identidade

De um lado, o declive suave.

Do outro, a escarpa abrupta — firme, altiva, monumental.

Ali, entre as Três Pedras e o perfil do Gigante Deitado, o horizonte parece mais largo. E talvez seja.

Porque há lugares que não apenas abrigam homens — moldam olhares.

Foi da contemplação dessa escarpa que nasceu a inquietação. Como poderia um herói mundial, forjado no deserto árabe e imortalizado nas páginas da História, dialogar com o interior paulista? Que ponte invisível poderia unir as areias do Oriente Médio às pedras da Cuesta?

A resposta não está na geografia.

Está no espírito.

Thomas Edward Lawrence — conhecido mundialmente como T. E. Lawrence — atravessou desertos, enfrentou impérios e transformou-se em símbolo de estratégia, coragem e contradição humana Tornou-se mito ainda em vida. E os mitos, quando verdadeiros, não pertencem apenas ao lugar onde nasceram Pertencem à humanidade.

Mas este livro não é apenas sobre guerras e campanhas militares.

É sobre paixão.

Paixão pelo deserto.

Paixão pela liberdade.

Paixão pela ideia de que um homem pode ultrapassar li-

mites impostos pelo seu tempo.

E é também um apaixonante caso de amor com a memória — aquela que nos leva a atravessar oceanos para permanecer alguns minutos diante de uma lápide simples, em silêncio respeitoso.

A Cuesta, com sua escarpa abrupta, ensina algo essencial: há sempre dois lados na paisagem. O suave e o vertical. O cotidiano e o épico. O homem comum e o herói.

Lawrence viveu ambos.

Foi oficial britânico na Primeira Guerra Mundial. Foi líder na Revolta Árabe. Foi estrategista admirado e figura controversa. Foi celebrado, questionado, exaltado e, por fim, silenciado por uma curva inesperada numa estrada inglesa.

Mas o mito não terminou ali.

Décadas depois, um homem vindo de Botucatu pisaria o solo de Dorset. Não como turista, mas como quem fecha um círculo simbólico. Entre a Cuesta e a Inglaterra, estabeleceu-se uma ponte invisível — construída não de pedra ou aço, mas de admiração e memória.

Este livro nasce dessa ponte.

Nasce do entendimento de que a grandeza humana pode ser reconhecida a partir de qualquer ponto do mapa. Que a escarpa paulista pode dialogar com o deserto árabe. Que o interior também é mundo.

Lawrence da Arábia se não nasceu na Cuesta, renasce nela — toda vez que sua história é contada com paixão.

E é essa paixão que move estas páginas.

Lawrence da Arábia

Herói Mundial nascido na Cuesta não é apenas um livro de história. É uma investigação afetiva. É um mergulho nas dobras do tempo, onde documento e memória dialogam, e onde a geografia da Cuesta Paulista se encontra, inesperadamente, com o mito global de T. E. Lawrence.

A partir de registros regionais, relatos preservados na tradição oral, personagens históricos como o Conde de Serra Negra e o Dr. Costa Leite, e da atmosfera de uma Botucatu em transformação no final do século XIX, a obra apresenta — com rigor, prudência e elegância — uma hipótese instigante: a possibilidade de que o nascimento daquele que o mundo consagrou como Lawrence da Arábia tenha ocorrido em terras da Cuesta.

Sem sensacionalismo e sem confronto com a historiografia oficial, o autor constrói uma narrativa sólida, contextualizada e respeitosa, onde o “possível” é tratado como ponto de partida para reflexão e pesquisa, não como afirmação leviana.

Mais do que discutir um nascimento, este livro discute identidade, memória, pertencimento e o papel do interior nos grandes enredos da humanidade. Mostra que as grandes histórias do mundo, por vezes, passam silenciosamente por lugares que ainda não sabem a dimensão do que guardam.

É um livro sobre amor: amor à verdade, amor à terra natal, amor à história bem contada.

E, sobretudo, é um convite.

Um convite a olhar a Cuesta não apenas como paisagem — mas como cenário possível de um capítulo universal.

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