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QUINTA-FEIR A, 25 DE DEZEMBRO DE 2025

NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DA CIDADANIA EM BOTUCATU Acompanhe as edições anteriores em: www.diariodacuesta.com.br

Nº 1601

Diário da Cuesta ANO IV


ARTIGO

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Diário da Cuesta

É NOITE AINDA!... ELDA MOSCOGLIATO Soava-lhes aos ouvidos a harmonia dos cânticos que se coavam pelas fendas do telheiro, por onde passava também a luminosidade da Estrela e o azul marchetado de ouro, no silencio divino da madrugada a entrar. - Eis a Estrela, José! - Sim, Maria. Os céus cantam em luzes e coros, a chegada do Menino! - Entendê-la-ão os homens, José? - Nem todos, querida. Só a Fé os guiará, tu sabes! Vasculharão embalde, os compêndios,

perscrutarão o espaço e os milênios que hão de vir. Tudo em vão! Daqui ela penetrará o Infinito e baldadamente indagarão os sábios se ela retornará . . . Tu o sabes tão bem, pelas Escrituras, querida : “ E tu, Belém de Judá A menor entre as menores. . .” - Ouves os cânticos? - Sim, querida! Repousa! O Menino dorme! Eu velo. Por que te preocupas? - José! - Sim.

- Temos que ir ao Templo! - Sim, querida! Tu te preocupas e não dormes! Repousa. . . É noite ainda! Seguiremos as Escrituras. Cumpriremos o texto! Dorme! - Mas o que vamos ofertar? Nada temos. . . Aqui somos estranhos. .. - Dorme, querida. O bom Deus cuida de nós. . . - José, ouço rumores. . . Ouves? - Sim. São ovelhas de um rebanho. Movem-se de um lado para outro. Os pegureiros atentos, acompanhamnas. Eles vem recolhê-las . Dorme! É noite ainda! A Criança movera-se. Um flébil vagido e um estremecimento. Os joelhos macios encolhem-se. Os bracinhos roliços e rosados abrem-se por sobre a cabecita, no tépido palheiro. Maria assusta-se. À entrada do tugúrio surgiu uma cara hirsuta, depois outra e outra... Aos atropelos, entram os cordeirinhos. Um mais afoito, trepa na manjedoura e cai com estardalhaço. Mãos vigorosas e rudes afastam-no com cuidado. O menino acordou. Risonhos e vivos os olhos azulados circunvagueiam ao redor. Um frêmito de emoção incontida desarmou os pobres pastores : - É um menino!. . . Ele sorri!... A natureza animal e os humildes são os primeiros adoradores da Noite Santa!... Um tocador de pífaro retardara. Olhava lá longe, nas alturas, a luminosidade estranha da Estrela. - Algo de grande sucedeu nesta noite! Os sons encantadores da flautinha campestre foram-se aproximando. De seu pobre bornal de caules secos trançados, piavam duas rolinhas da tarde, que ele apanhara nos desvãos, quando a noite caíra. Chegou-se. Descobriu-se num trejeito de singela e humilde contemplação. - É um Menino !... O mais velho deixou-lhes a última côdea de pão. Um outro, a fatia mordida de queijo campestre. No fundo do cântaro sobrara o leite espumoso da cabra dos montes. Aos pés do Presépio eles depuseram canhestros e respeitosos, a sua oferta. O tocador de pífaro aproximou-se. Que deveria ofertar-lhe? O rude gibão para a friagem da madrugada? O roufenho pífaro? Ah! Ainda bem! Retirou do bornal, o casal de rolinhas, inquietas, medrosas, esvoaçantes... E saiu feliz, trauteando uma canção singela ... José e Maria entreolharam-se risonhos. Subiriam ao Templo.

EXPEDIENTE

DIRETOR: Armando Moraes Delmanto

NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DA CIDADANIA EM BOTUCATU

EDITORAÇÃO E DIAGRAMAÇÃO: Gráfica Diagrama/ Edil Gomes

WEBJORNALISMO DIÁRIO

Contato@diariodacuesta.com.br Tels: 14.99745.6604 - 14. 991929689

O Diário da Cuesta não se responsabiliza por ideias e conceitos emitidos em artigos ou matérias assinadas, que expressem apenas o pensamento dos autores, não representando necessariamente a opinião da direção do jornal. A publicação se reserva o direito, por motivos de espaço e clareza, de resumir cartas, artigos e ensaios.


ARTIGO

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Creio nos anjos que andam pelo mundo, Creio na deusa com olhos de diamantes, Creio em amores lunares com piano ao fundo, Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes;

Chegou o horário da visita e um perfume de flores e incenso encheu a casa e luz, muita luz. Fiquei olhando encantada suas figuras etéreas caminhando pela casa. Sentamo-nos ao redor da mesa. Fiz uma oração de boas vindas. Conversamos por horas. Mas se você perguntar: o que falamos? Não sei dizer com detalhes pois falamos no dialeto angelical. Eu tinha preparado uma carta, com muitos pedidos. Entreguei nas mãos do ser mais lindo e de uma luz extraordinária. Ele sorriu para mim e fez um gesto como dizendo: “Está feito” Senti uma paz e uma alegria que não posso descrever. Se me perguntarem detalhes não posso precisar, estava num transe. E assim foi por três noites seguidas. Nos dias seguintes enviei mensagens as pessoas mais amigas e de muita fé para enviar-lhes os anjos. Nem preciso dizer que nem recebi resposta. Devem estar rindo da minha proposta até hoje, ou simplesmente esqueceram. Mas estou tranquila porque eu cumpri minha missão. Porque estou contando essa estória? É porque está chegando a época mágica do Natal e esperamos pela vinda do Senhor e quem anuncia a sua chegada? Os anjos.

Diário da Cuesta

Creio num engenho que falta mais fecundo De harmonizar as partes dissonantes, Creio que tudo é eterno num segundo, Creio num céu futuro que houve dantes, Creio nos deuses de um astral mais puro, Na flor humilde que se encosta ao muro, Creio na carne que enfeitiça o além, Creio no incrível, nas coisas assombrosas, Na ocupação do mundo pelas rosas, Creio que o amor tem asas de ouro. amém.

(Natália Correia)

Maria De Lourdes Camilo Souza Fazer o quê? Eu acredito. Eu espero. Eu sonho. Pode rir. Eu até rio junto com você, porque também me acho patética e muitas vezes rio de

mim mesma. Plagiando o nosso “maluco beleza” Raul Seixas, “Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante” “Misturando minha lucidez com a minha maluques” Uma vez mandaram os anjos fazer-me uma visita. Recebi uma mensagem de uma grande amiga. Você aceita essa visita? Vai ser por alguns dias, e você tem que estar lá. Estou falando sério. Não é piada. Claro que foi tudo no maior segredo. Respirei fundo e respondi: “Aceito! Vai ser uma honra!” Preparei-me para receber essa visita angelical. E na noite anunciada, abri a porta da minha casa para eles entrarem. Pus velas e incensos. Acendi luzes. Preparei uma mesa com toalha branca de renda e velas coloridas acesas. Vasos com flores. Coloquei minha melhor roupa. Ungi minha testa e fiz orações. Coloquei música angelical para que se sentissem em casa.


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A FESTA NOTURNA José Sebastião Pires Mendes

Falar em festa noturna para os jovens é a mesma coisa que falar em arroz para os japoneses. (Talvez venha daí a expressão “arroz de festa”...) Nestes tempos de pandemia, é claro, a coisa muda um pouco. Mas assim mesmo, ainda que exista para o descanso, o repouso e a recuperação de energias, a noite exerce grande fascínio, principalmente quando é época de verão. O sono é mais difícil, as noites enluaradas quase que obrigam a ir para a cama mais tarde. Ora, a noite é mágica por natureza. É nela que temos os melhores sonhos, quando estamos na normalidade. Deixamos os pesadelos pra lá, já que os vivemos diurnamente, se não na carne, pelo menos na voracidade das máquinas telenet-comunicativas. É na noite escura do útero que somos engendrados, e depois de nove longos meses botamos a cabecinha para fora da maternal porta e vemos a luz pela primeira vez. É na noite profunda e subterrânea que as raízes trabalham sugando a seiva e parindo a planta. É muitas vezes do silêncio das noites invernais do trabalho e da pesquisa, que nascem as alegrias primaveris dos sucessos e das vitórias. Mas a noite santa, a mais santa de todas as noites, é a noite do Natal. O bom São Nicolau, lendário ou não, não imaginava que seu gesto noturno e silencioso de levar presentes para as criancinhas, fosse transformá-lo na figura do Pai Eterno. Sim, porque toda essa parafernália de produtos natalinos é só uma camuflagem para encobrir o verdadeiro espírito da coisa, que mais não é que nossa carência paternal. Somos transcendentalmente carentes de uma figura

Você Sabia ??

paterna, pois não podemos repelir a sensação de filhos abandonados neste Universo imenso, tão cheio de mistérios lá fora e dúvidas e angustias cá dentro. Por mais que a visceral fome científica seja saciada, ela não acaba nunca, e é por ela justamente que evoluímos, pois nos faz sempre buscar alimentos no manancial das profundezas cósmicas, terrenas, corpóreas e psíquicas. A noite precede o dia, as trevas preparam a luz. O Pai Eterno não cansa de monitorar suas criaturas pelo diapasão com que afina a divinal orquestra, mandando não só dias bons, mas também dias difíceis, como resultado do mal que fazemos. Mas não nos faz perder a consciência da existência salutar do Bem. Por isso o bom velhinho é cortejado e festejado de tal monta, que o dia não é de Natal, mas “Dia do Papai Noel”. Aliás, em francês Noël quer dizer Natal, ou nascimento. E ele vem se sentar no rubro trono recamado de prata e ouro de nossos corações, sem darmos conta de que está incorporando a divindade paterna ancestral. Bem, o ser humano se entende por símbolos, por linguagens as mais diversas, pois o arquétipo que percorre o mundo e o purifica nesta época natalina, está plantado lá no fundo de nosso subconsciente infantil. Que anela por presentes, surpresas ou agrados, enfim, tudo o que signifique um carinho, um bem, um objeto portador de amor. Nossa atávica orfandade procura um pai. E ele se encar-

Que a Embaúba é uma árvore típica do cimo da Cuesta de Botucatu? Pois é, a Embaúba que também é conhecida por Umbaúba, Ambaíba, Ambaúba, Imbaúva ou Imbaúba, é árvore da família das Moráceas (cecropia palmata); é árvore de tronco indiviso. Embaubal é o bosque de embaúbas. Também é chamada de árvore-dos-macacos ou árvore-da-preguiça ou torém. O antigo traçado férreo da Sorocabana passava por Vitória (Vitoriana), Lageado e...Embaúba... Sim, Embaúba é uma pequena Vila pertencente a Botucatu que até hoje é procurada pelos amantes da pesca por ser um local ideal e piscoso. Hoje, o descuido e o desrespeito à natureza reduziu muito o número de Embaúbas em nossa região, mas podem ser encontradas na Cuesta e em vários pontos verdes de nossa cidade.

na em cada noite de Natal. Porque simboliza o pai que espera pela volta do filho pródigo, e o abraça, e o beija, e o festeja e abençoa. E nos dá o maior presente, que é o divino-homem Jesus na reciclagem do Amor e do perdão, lembrando-nos de que não estamos abandonados em nossa natureza hominal, aparentemente jogados à sarjeta da caosalidade existencial. Porque o caos é um fator causal e não casual. Pois será, afinal de contas, na contabilidade cósmica, um saldo computado a nosso favor no balancete divino, quando se fechar o ano eternal. E “a noite brilhará como o dia”... José Sebastião Pires Mendes Membro da ABL e CCB, é professor e escritor.


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