Diário da Cuesta ANO IV
Nº 1595
QUINTA-FEIRA, 18 DE DEZEMBRO DE 2025
NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DA CIDADANIA EM BOTUCATU Acompanhe as edições anteriores em: www.diariodacuesta.com.br
GRANDE CONQUISTA! BOTUCATU ENTRE AS MELHORES
No Prêmio Band Cidades Excelentes, Botucatu ficou entre as três cidades finalistas, na etapa nacional, em 2 categorias, consolidando-se entre os destaques nacionais em gestão pública. Na categoria Infraestrutura, Botucatu concorreu com Poços de Caldas (MG) e Maringá (PR), que foi anunciada vencedora. Já na categoria IGMA, a cidade dividiu espaço com Pinhais (PR) e Jaraguá do Sul (SC), vencedora da categoria, reforçando o reconhecimento nacional do desempenho do município em diferentes indicadores de gestão.
EM SÃO PAULO, BOTUCATU É CAMPEÃ NAS 2 CATEGORIAS: Tanto em Infraestrutura como em IGMA (Índice de Gestão Municipal Aquila), Botucatu ficou em 1º lugar� Sim, Botucatu foi CAMPEÃ nas duas modalidades no Estado de São Paulo. Página 2
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Botucatu fica entre as três primeiras no Prêmio Nacional Band Cidades Excelentes
Entrega do prêmio ocorreu na noite desta segunda-feira (15), em Brasília, com o prefeito Fábio Leite representando o município Botucatu esteve entre as três cidades finalistas do Prêmio Nacional Band Cidades Excelentes, cuja cerimônia foi realizada na noite desta segunda-feira (15), em Brasília (DF). Na etapa nacional, a Band não divulga colocações, anunciando apenas a cidade vencedora em cada categoria. O município chegou à final em duas categorias, consolidando-se entre os destaques nacionais em gestão pública. Na categoria Infraestrutura, Botucatu concorreu com Poços de Caldas (MG) e Maringá (PR), que foi anunciada como vencedora. Já na categoria IGMA, a cidade dividiu espaço com Pinhais (PR) e Jaraguá do Sul (SC), vencedora da categoria, reforçando o reconhecimento nacional do desempenho do município em diferentes indicadores de gestão. Em publicação nas redes sociais, o prefeito Fábio Leite comentou o resultado e destacou que, mesmo sem o troféu, a participação na final enche a cidade de orgulho. “Nem sempre o prêmio vem para casa, mas chegar à final do Prêmio Band Cidades Excelentes em duas categorias mostra que Botucatu está no caminho certo, feito de trabalho, cuidado e muito amor pelas pessoas. Cada conquista tem a marca dos nossos servidores e da população, que acredita,
participa e caminha junto. Seguimos com ainda mais vontade de fazer mais, sonhar mais e cuidar cada vez melhor da nossa cidade”, afirmou o prefeito Fábio Leite. O Prêmio Band Cidades Excelentes é uma iniciativa do Grupo Bandeirantes de Comunicação, em parceria com o Instituto Aquila, que tem como objetivo incentivar e valorizar boas práticas de gestão pública. A avaliação é feita com base no IGMA, uma plataforma que utiliza inteligência artificial para medir o desempenho das gestões municipais segundo 72 indicadores oficiais, distribuídos em seis pilares, incluindo governança, educação, saúde, infraestrutura, sustentabilidade e desenvolvimento socioeconômico. Para chegar à fase nacional, Botucatu teve de se destacar primeiro na etapa estadual, superando outras cidades concorrentes em critérios como eficiência fiscal, qualidade dos serviços públicos e inovação administrativa. Na premiação em Brasília, a cidade enfrentou municípios vencedores de outras regiões do país, e mesmo sem a vitória, confirmando seu desempenho de excelência entre os maiores gestores municipais do Brasil. Sobre o Prêmio Band Cidades Excelentes Instituído para valorizar a gestão pública municipal em todo o país, o prêmio utiliza o IGMA para identificar as cidades com melhores práticas administrativas, estimulando o intercâmbio de estratégias exitosas e a melhoria contínua dos serviços oferecidos à população. (ACONTECE BOTUCATU)
EXPEDIENTE
DIRETOR: Armando Moraes Delmanto
NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DA CIDADANIA EM BOTUCATU
EDITORAÇÃO E DIAGRAMAÇÃO: Gráfica Diagrama/ Edil Gomes
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“Cada um com seu trecho”
José Maria Benedito Leonel Neste mundão de Deus não tem jeito: cada um com suas alpargatas, ou seja, com seu trecho pra fazê. Venho eu de terra alheia e fraca; sou de beira de rio pequeno, de mangueira de pau a pique, de cerca de arame véio e farpado, pregado em cerne de cambará, de piquá com matula, de curote d’água, de tiziu que pula e canta, exibido que é, de saracuras do brejo e de garças brancas. Venho da barra do dia e da boca da noite, do piado do inhambu, da codorninha assustada e do lamento do urutau no breu da noite. Venho da quiçaça, da moradia dos lagartos e das serpentes. Conheço estalo de reio de guasca, toques de berrante, vazante de rio, taipa de fogão, causos e benzimentos. Conviví com muitas falas e sentimentos e vi pisaduras e frieiras causando dores e cuidados. Andei por ranchos de taipa, dormi em esteiras de taboas e colchas de retalhos já me cobriram. Já vi lamparina se esvaindo pra protegê do medo crianças pobres. Por que isso agora? É que de vez em quando volto pro meu trecho, pra cuidá de mim. Faz bem pra mim vê o renascer das minas d’água, as garças brancas nas vazantes cheias dos rios; as vacas mansas arrodeando o coxo com suas crias saltitantes e os potros ariscos relinchando no meio da tropa mansa.
Gosto de ouvir o canto do sabiá laranjeira e vê os gaviões que espreitam. Gosto de vê os tucanos, as gralhas, as seriemas, os canarinhos e filhotes nos ninhos. Lá nas moitas a pomba está a repetir “fogo apagô”. Que assim seja! Até chego a ouvir violas, afinadas em “rio abaixo” ponteando cantigas antigas da minha gente. Faz bem pra mim constatar a vitória da vida e sentir Deus. Gastemos pois nossas alpargatas enquanto houver barra do dia e boca da noite. Estamos vivo. Simples assim. Ilustrações do Mestre Vinicio Aloise em “Uma história desenhada”
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“O Meu Papai Noel” Luiz Carlos Casemiro
Devia ter pouco mais de cinco anos quando ouvi dizer do Papai Noel. Mudáramos para a casa de meus avós logo após a morte de meu pai. Lá, além dos avós: Maria e José, habitavam a casa a tia Izabel, costureira, solteira, sem esperança de casar-se, também o tio Juanito, separado, vivendo como solteiro e a tia Nenê, irmã caçula de minha mãe, que vivia momento de grande felicidade, pois naqueles dias recebera a aliança de noivado do tio Fausto Lopes, moço estudado que possuía ótimo emprego no escritório da Estrada de Ferro Sorocabana. O tio Juanito tocava o pequeno empório de duas portas situado à frente da casa, antiga, como eram todas elas nesse pedaço da Avenida Floriano Peixoto. Cômodos escuros com forro de madeira bem alto de onde descia fio elétrico, recoberto de tecido verde/amarelo, com apenas uma lâmpada pendurada no soquete. Para acendê-la havia uma pera junto à porta do quarto. Como veem os leitores, um ambiente triste. Ainda mais para a minha mãe que há pouco perdera seu marido. Inocentes, eu meu irmão, João, dois anos mais velho do que eu, protegidos por tantos parentes a nos cuidar, não percebíamos o sofrimento de mamãe. De pronto a tia Nenê se encantou com a presença de dois sobrinhos e por eles se afeiçoou. Quantas histórias contou-nos. Forneceu-nos lápis, cadernos e livros. Ensinou orações e canções religiosas (era filha-de-maria na Igreja de Nossa Senhora de Lourdes). Numa véspera de Natal, com a cidade interiorana alvoroçada em festas, ela explicou que essa euforia se tratava do nascimento do menino Jesus, que era um menino muito bonzinho e que se todos os meninos fossem iguais a ele, o Papai Noel vinha numa carrocinha, puxada por lindos cavalinhos, trazer brinquedos na noite do Natal. Nem sabia direito quem era Jesus que tinha como pai o Papai Noel. A tia Nenê revelou algo muito importante: disse que os cava-
linhos se cansavam muito e tinham fome. Era necessário deixar um amontoado de capim na janela onde o Papai Noel colocaria o presente. Vamos procurar capim. Minha mãe lá do portão, desiludida com o falecimento do marido, revoltada com sua viuvez precoce, ralhava com a irmã. “Nenê deixa de bobagens, isso é só trabalheira, não iluda os meninos. Onde você vai arrumar capim?” Não poderia ser no quintal da casa, sem nesga de terra, calçado com pedras e tijolos esparsos. Ali estavam o tanque e um poço fundo. Uma árvore dominava esse espaço, sempre sombreado por ela. Grande, alta, soltando galhadas secas que irritava minha avó a ponto de ela – não fosse uma casa alugada – já tê-lo cortado. Pinheiro araucária, do tipo paranaense, que meu avô dizia que ele era solteiro e nunca produzira pinhões, pois não havia nas redondezas árvores de sua espécie que pudesse fornecer-lhe pólen para fecundar suas flores. Ah! No inverno do ano seguinte, como um milagre e favorecido por aves de voo longo, trazendo em seus bicos o pó sementeiro, ouriços c a r r e ga d o s de frutos estouravam e punham ao chão belíssimos e gordos pinhões. O capim foi conseguido nas margens das ruas-de-terra. Almofadinhas da erva foram colocadas no beiral da janela do quarto da tia Nenê, onde agora dormíamos. Na manhã do natal a tia, ao abrir as venezianas, fez movimentos de cenas teatral, exclamando com surpresa: Oh! Lá! Lá! Dois caminhõezinhos de madeira. Maravilhados com esta visão, pôde meu irmão, muito admirado, dizer à Tia Nenê: “Os cavalinhos do pai de Jesus estavam com muita fome, comeram todo o capim!” Nesta vida tive outros veículos, porém nenhum deles tão precioso como o que ganhei do Papai Noel, que também era o pai do menino Jesus. Tão bonzinho!