Diário da Cuesta NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DA CIDADANIA EM BOTUCATU
ano I Nº 156
SEGUNDA-FEIRA, 10 de MAIO de 2021
O dia 10 de Maio de 1985, ficou marcado pela APROVAÇÃO DAS ELEIÇÕES DIRETAS PARA A PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. Após a histórica e cívica luta pelas DIRETAS JÁ! , que não conseguiu aprovação em 1984 e mesmo com a eleição indireta que elegeu Tancredo Neves, veio como a GRANDE VITÓRIA da população brasileira a aprovação dessa emenda constitucional de autoria do Deputado Federal Dante de Oliveira. Políticos da oposição e de ex-governistas descontentes + os políticos exilados durante o Regime Militar formaram o comando desse movimento que mobilizou os brasileiros obtendo, seu ponto de maior destaque, no comício que contou com a presença do ADVOGADO SOBRAL PINTO que proferiu histórico discurso na defesa do ESTADO DE DIREITO com a realização de ELEIÇÕES LIVRES E DIRETAS PARA A PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA.
Anjos a serviço do próximo! A Prefeitura Municipal de Botucatu iniciou a Operação Migrante 2021, de apoio e suporte a pessoas em situação de rua, especialmente nestes dias mais frios. Foi montada uma grande estrutura no Ginásio Municipal com 30 boxes individuais, com cama, colchão, cobertor, travesseiro, além de espaço para ba-
nho quente e alimentação durante o pernoite. Profissionais da Saúde acompanharão cada um dos usuários do serviço, com atendimento médico e digno, precavendo também possíveis contágios de Covid-19. Nas primeiras madrugadas frias de Botucatu, as equipes da Assistência Social e GCM
levaram 67 pessoas em situação de rua para o atendimento no Espaço Acolhedor e no alojamento montado no Ginásio Municipal. E a população poderá ajudar o Poder Público, verificando pessoas em situações de rua que estejam ao relento, no frio, e informando a GCM através do 199. Com o lema “Estender a mão a quem mais precisa e não julgar!”, a Prefeitura está mantendo esse importante serviço de proteção aos menos favorecidos.
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Um Dia...
artigo José Maria Benedito Leonel Um dia e já faz tempo, meu pai me disse, “estando bravo e triste, não fale nada.” Fique quieto no seu canto e espere o tempo “passá” Ao meu por quê ele me disse “ocê vai sabê um dia”... Hoje já sei. Falando, ou seja, não ficando quieto, você pode ser compreendido e pode não ser. E pode não ser por quem certamente você tinha certeza que seria. Pronto, uma tristeza fi-
cou duas. E a segunda machuca mais que a primeira. Ela/Ele tinha que tá do seu lado, achar justo o seu motivo, aprovar o que você fez ou falou, fosse pra quem fosse, sogra, cunhado, patrão, gerente, chefe, empregado.. Mas não... você é o errado. Eh lasquera! Eita vontade de largar tudo e puxar o trecho. Lembro do pai indo pro terreiro, olhando pra longe, quieto, angreste. Tava esperando passar, tava pondo freio no coração e na vontade.
A gente mastiga, remoe, esmurra o coração, se penaliza, mas não tem jeito. Só o tempo tem a borracha pra apagar essas horas. Dói, sabe? Se isso nunca aconteceu procê, fique quieto ou espere a primeira vez. Eu, de minha parte, tô sempre lembrando atrasado o que o pai falô. E minha casa não tem terreiro. Ainda bem que essas coisas só acontecem comigo, não é mesmo? Sorte que sou novo ainda e um dia aprendo que ganha quem cala, perde quem fala. Simples assim. Em tempo: amo as mulheres da minha vida: esposa, filha, nora, netas, irmãs, amigas, mas eu não tenho mais minha mãe e só eu sei a falta que ela me faz.
Sobral Pinto: O Advogado!
Heráclito Fontoura Sobral Pinto, nasceu em Barbacena/Minas Gerais, em 05/11/1893 e faleceu, no Rio de Janeiro, em 30 de novembro de 1991. Ele não era um Advogado, ele era o ADVOGADO! Assim como Rui Barbosa se consagrou defendendo os oprimidos e até os adversários, Sobral Pinto foi um jurista defensor dos direitos humanos, nos dois períodos de exceção por que passou o país: a DITADURA DO ESTADO NOVO, com Getúlio Vargas (1937/1945) e o REGIME MILITAR (1964/1985). O ex-governador da Guanabara, Carlos Lacerda, que se tornou amigo e admirador de Sobral Pinto não esperava, um dia , ser defendido por ele. Lacerda que pertencia à turma dos jovens boêmios da famosa “Taberna da Glória”, composta por ele, por Mário de Andrade, Rubem Braga, Vinícius de Moraes, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Dorival Caymmi, já atuara, como estudante de direito, auxiliando o grande criminalista Evandro Lins e Silva. E, em 1935, Lacerda foi designado por Luiz Carlos Prestes para ser o orador do “Manifesto Comunista”, como a jovem presença da mili-
tância comunista. Mas não sabia Lacerda que viria a ser defendido por Sobral Pinto, como governador da Guanabara e, ao mesmo tempo, Sobral Pinto defendia também Miguel Arraes, governador de Pernambuco. Duas posições políticas completamente divergentes. O jurista Sobral Pinto era assim. Não importava a ideologia de seu cliente, o que importava é se lhe assistia o Direito e se sua causa era justa. Sobral Pinto mesmo sendo católico praticante e fervoroso combatente dos comunistas defendeu Luiz Carlos Prestes e Harry Berger, líderes da Intentona Comunista de 1935, causa célebre em que, procurando livrá-los das condições desumanas a que estavam submetidos na prisão pela Ditadura de Getúlio Vargas, invoca a Lei de Proteção aos Animais. Defendeu a posse de Juscelino Kubistchek na Presidência da República e, ao depois, Juscelino o convida para ser Ministro do STF. Sobral agradece e se diz impedido pela ética por ter defendido Juscelino. Eram outros os tempos... Com a decretação do Ato InstitucioDIRETOR: Armando Moraes Delmanto
EXPEDIENTE NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DA CIDADANIA EM BOTUCATU WEBJORNALISMO DIÁRIO
EDITORAÇÃO E DIAGRAMAÇÃO: Gráfica Diagrama/ Edil Gomes Contato@diariodacuesta.com.br Tels: 14.99745.6604 - 14. 991929689
nal nº 5 (AI-5), defende gratuitamente os presos políticos. Participa em 1984, da campanha das DIRETAS JÁ! Escreve Lições de Liberdade (1977). É considerado, com justiça, modelo de ADVOGADO... (AMD)
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COMO SURGIU O DIA DAS MÃES Olavo Pinheiro Godoy (da Academia Botucatuense de Letras)
Certo dia, em 1925, uma mulher alta e enérgica, de aspecto decidido, entrou num hotel de Filadélfia e encaminhou-se na direção de um grupo de senhoras da Associação das Mães de Veteranos de Guerra, reunidas em convenção. Em altos brados as censurou, denunciando-as por venderem o cravo branco do “Dia das Mães” com fins lucrativos. Diversas pessoas tentaram acalmá-la, mas ela estava irritada demais para que a fizessem parar. Finalmente foi chamado um policial e a irada senhora foi presa sob a alegação de perturbar a ordem. Assim terminava mais um incidente na atribulada carreira de Anna Jarvis, a primeira batalhadora pela criação do “Dia das Mães”. Quando um Juiz constrangido pôs Anna Jarvis em liberdade, um repórter foi visitá-la em sua casa, à rua 12 Norte, na Filadélfia. Anna Jarvis bela senhora de cabelos grisalhos e 60 anos de idade, estava sentada numa cadeira de balanço, encarando o retrato de sua mãe. O jornalista perguntou-lhe:- “Por que a senhora não para de lutar contra o mundo? Deveria estar orgulhosa por ser a criadora do “DIA DAS MÃES”. – Está sendo comercializado – foi a resposta – O senhor leu o que escrevi ao Presidente Coolidge? O rapaz acenou afirmativamente. A carta havia sido publicada pelos jornais. Ela dissera: “Estou tentando, de todas as maneiras ao meu alcance, evitar que o “DIA DAS MÃES” seja aviltado por certa classe de indivíduos e organizações que veem nele apenas um meio para ganhar dinheiro”. -Mas, retrucou o repórter, ninguém está explorando o “DIA DAS MÃES” de maneira pouco recomendável. Afinal, foi a senhora mesma quem pediu durante anos para que o cravo branco fosse transformado em símbolo do “DIA DAS MÃES”. Foi a senhora quem instituiu para que todos mandassem mensagens de carinho às mães, por telegrama ou carta. -Em outras palavras, disse Anna Jarvis, o senhor está-me dizendo que o meu triunfo é também o meu fracasso. Pois bem: tem razão, meu rapaz. Acontece que esse é o meu paradoxo da minha vida. Este não era o único paradoxo na vida de Anna Jarvis. Embora fosse uma mulher extremamente bela, jamais se casara. Nascera em 1864 em Graffton, Virginia Ocidental, onde crescera transformando-se numa beldade alta e ruiva. Por que uma jovem assim teria permanecido solteira? Segundo um amigo da família, ela tivera um caso de amor mal sucedido, isso a deixara abalada e desiludida. Daí por diante, voltara as costas para todos os homens. Ao sair da Faculdade Mary Baldwin, em 1883, dedicara-se ao magistério em Grafton. Não que precisasse do salário. Sua mãe, viúva, gozava de boa situação. Alguns anos mais
tarde Anna, sua mãe e sua irmã mais nova, Elsinore, que era cega, mudaram-se para Filadélfia. Anna empregou-se como Assistente no Departamento de Publicidade de uma Companhia de Seguros. Assim viveu dos 20 aos 40 anos. Então, em 1905, perdeu a mãe. Foi um golpe, sem dúvida, que marcou, entretanto, o inicio de nova e vital etapa na vida de Anna Jarvis. Contava ela então 41 anos, era dona de uma bela casa, tutora da irmã cega e principal beneficiária da herança materna. Durante o período de luto, uma visão tomou corpo em seu espírito: A INSTITUIÇÃO DE UM DIA DAS MÃES. Sugeriu a idéia ao Prefeito Reyburn, de Filadélfia. Este foi o principio da cruzada de Anna Jarvis, cujo ponto básico era a homenagem que ela insistia deveria ser prestada não só às mães vivas, mas também às que já haviam morrido. De sua casa ela dirigiu uma das mais estranhas e eficientes campanhas epistolares de que se tem notícia. Escreveu a governadores, congressistas, clérigos, industriais, clubes femininos – a qualquer um que pudesse exercer influência. Às respostas a essas cartas foram em número tão considerável -e demandavam tanta correspondência – que Anna deixou o emprego que tinha afim de se dedicar inteiramente à sua campanha. Quando verificou que sua casa se tornara pequena para servir de escritório, comprou a casa vizinha. Em breve era convidada a visitar outras cidades para falar perante diversas organizações. Escreveu e imprimiu folhetos sobre o seu plano, distribuindo-os gratuitamente. Todas essas atividades consumiram boa parte de sua herança, mas Anna jamais permitiu que isso a preocupasse. Corriam os dias em que outras mulheres enérgicas lutavam pelo direito de voto. Os objetivos de Anna Jarvis eram mais sentimentais, menos sujeitos a controvérsias. Como poderia um legislador combater algo tão doce, puro e cheio de idealismo como o “DIA DAS MÃES”? A Virginia Ocidental foi o primeiro Estado norte-americano a adotar oficialmente a data festiva, seguiram-se Pensilvânia e outros. Anna Jarvis, inspirada por esses primeiros sucessos, continuou a escrever, a viajar e a fazer conferências. Em 1914 sua eloquência per-
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suadira o Deputado J. Thomas Hoflin, do Alabama, e o Senador Morris Sheppard, do Texas, a apresentarem uma proposta conjunta para que se observasse em toda nação americana o “DIA DAS MÃES”, proposta esta aprovada pelas duas casas do Congresso. O verdadeiro grande momento de Anna Jarvis chegou quando o Presidente Wilson assinou uma proclamação na qual recomendava que o segundo domingo de maio (aniversário da morte de sua mãe) fosse observado no país inteiro como o “DIA DAS MÃES”. Para Anna Jarvis, esse triunfo não era suficiente. Ainda era preciso conquistar o resto do mundo. Assim, a correspondência, os discursos e os folhetos de exortação continuaram, agora em escala internacional. E o esforço foi notavelmente bem sucedido. No decurso de sua vida, 43 outros países adotaram o “DIA DAS MÂES”. Infelizmente os triunfos vinham acompanhados de frustrações. “Estão comercializando o meu “DIA DAS MÃES”! escrevia ela agora, desesperada, para centenas de jornais. “Não era isso o que eu pretendia” “Queria que esse fosse um dia de sentimento e não de lucro” Por qualquer razão ela considerava os floristas os seus principais inimigos, embora também desprezasse os fabricantes de cartões de felicidades e de bombons e qualquer pessoa que ganhasse dinheiro em razão do “DIA DAS MÃES”. Mas os floristas representavam algo muito especial; eles estavam se aproveitando da flor preferida de sua mãe, o cravo branco. Funcionários das organizações de floristas vieram vê-la. -Não fomos nós que começamos isso, minha senhora - explicaram eles – Mas agora não podemos parar e não podemos evitar o lucro que disso nos advém. Todos exigem flores. Por essa época, todo o dinheiro que Anna herdara já se fôra. Então, inesperadamente, ela recolheu-se à sua casa da Rua 12 Norte, sozinha com a irmã, e recusou-se a receber quem quer que fosse. Durante anos manteve o mundo afastado de sua vida. Faleceu em 1948 no Sanatório da Praça Marshall, em West Chester na Pensilvânia. NOTA: Quando da elaboração desse trabalho de pesquisa histórica, descobrimos que, a introdução do “DIA DAS MÃES” no Brasil aconteceu por iniciativa da Associação Cristã de Moços de Porto Alegre, que para esse fim promoveu solenidade presidida pelo escritor Alvaro Moreyra da Academia Brasileira de Letras, e tendo como oradora oficial a poetisa JULIA LOPES DE ALMEIDA. Por solicitação da Sra. Alice de Toledo Tibiriça, presidente do II Congresso Internacional Feminista, e, depois, de uma comissão do mesmo Congresso Feminista, o chefe do então Governo Provisório, Sr. Getúlio Dornelles Vargas, promulgou o Decreto 21.366, de 5 de Maio de 1932, instituindo oficialmente o “DIA DAS MÃES” no segundo domingo de Maio. Em 1947, por determinação do Cardeal Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Jaime Câmara, o “DIA DAS MÃES”, no segundo domingo do mês de Maio, foi incluído no Calendário Oficial da Igreja Católica.
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ARTESANATO DO SANTA MARCELINA Maria de Lourdes Camilo de Souza Quando minha mãe se aposentou, começou a frequentar o Colégio Santa Marcelina, com a comadre Maria Levy e a sua irmã Dinorah, aonde iam aprender com as freiras a bordar. Além de um aprendizado, para ela era uma terapia poderosa. Eram meses de contínuas aulas. A sala de estar de minha casa virava seu ateliê, onde se espalhavam as lãs, as agulhas. Muitas senhoras frequentavam essas aulas. Havia depois a grande apresentação desses trabalhos em exposição muito bonita e visitada pelas salas do Colégio. Além de bordados, havia os trabalhos em móveis, bandejas de madeira. Pinturas em louças, quadros. Minha madrinha nos presenteou com essa bandejinha, fruto de suas aulas. As alunas externas e internas também apresentavam seus bordados, e trabalhos artesanais, feitos entre as horas de oração na capela, e as aulas diárias. D. Jesumina Dal Farra era uma das artistas. Ela apresentava inúmeros trabalhos seus nessas exposições. Dessas aulas da minha mãe, resultou esse panô que hoje é testemunha de muitas reuniões alegres de família e amigos queridos.
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