Diário da Cuesta NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DA CIDADANIA EM BOTUCATU
ano I Nº 127
TERÇA-FEIRA, 6 de ABRIL de 2021
CACILDA BECKER: GRANDE DAMA DO TEATRO BRASILEIRO
CONSIDERADA UMA DAS PERSONALIDADES MAIS IMPORTANTES DA CLASSE TEATRAL BRASILEIRA. FOI A PRIMEIRA ATRIZ DO TBC – TEATRO BRASILEIRO DE COMÉDIAS E FUNDOU SUA PRÓPRIA COMPANHIA, O GRUPO DE TEATRO CACILDA BECKER, AO LADO DO MARIDO WALMOR CHAGAS E DO CONSAGRADO DIRETOR ZIEMBINSKI, ALÉM DE SUA IRMÃ CLEYDE YÁCONIS. EM 1968, PRESIDIU A COMISSÃO ESTADUAL DE TEATRO (SP) E, COM SEU FALECIMENTO EM 1969, FOI HOMENAGEADA PELO GOVERNO DO ESTADO QUE DEU SEU NOME PARA O TEATRO-AUDITÓRIO DA TV CULTURA. PÁGINA 3
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ARCO-ÍRIS NA SEMANA SANTA
Nando Cury Fez-se a Quaresma, na tradição de quarenta dias de rituais, leituras e cânticos que prepararam os fiéis para o acontecimento mais importante do Catolicismo: a morte e a ressurreição de Jesus Cristo. Culminando com a Semana Santa, da Sexta-feira da Paixão, Sábado de Aleluia e amanhã Domingo de Páscoa. A Quaresma trouxe a cor roxa como predominante, tanto nas vestes dos sacerdotes, quanto para os panos que se cobriram os santos nas igrejas. Prenunciou o sacrifício de Jesus. Quando crianças, a Sexta Feira Santa era o dia para ficarmos mais silenciosos em casa. Sem brincar. Respeitar o sofrimento de Jesus. À noite, acompanhávamos os pais, pelas ruas da cidade, no cortejo triste da Via Sacra até a Catedral. No Sábado de Aleluia, logo de manhã, saíamos de casa para ver os bonecos de pano, imitando Judas, pendurados nos postes em esquinas. Eles seriam malhados a pau, ao meio dia, pelos autores e
convidados. Por fim, o Domingo de Páscoa era o dia da alegria, da passagem para um novo tempo de paz. Permissão para comer os ovos de chocolate que significavam o nosso renascimento. Nunca a Semana Santa espelhou tanto a Paixão de Cristo, como nesta “guerra pandêmica”. Em personagens, em cenários, em decisões. Governantes e Senhores da Lei aproveitaram a ocasião para lavar as mãos. E lavrar atos para favores pessoais e em favor de suspeitos e condenados; alheios aos imensos sacrifícios humanos que ocorreram e estão ocorrendo. Atirados à própria sorte, no Calvário do medo e da ansiedade, nos agarrarmos na fé e na esperança. A Semana Santa resgatou momentos propícios para buscarmos a força da meditação e da oração, que se expressa, além dos cânones da Igreja Católica, em distintas religiões, diferentes cânticos, livros sagrados e mentores. Nunca pudemos estar tão próximos de regiões, culturas e tecnologias tão distantes. Juntos, em corrente, com um mes-
DIRETOR: Armando Moraes Delmanto
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mo desejo: a salvação, a cura de um inimigo mundial, comum, oculto e mortal. Para passar o tempo, nos isolamos nas paisagens de cidades, campos, rios, praias, montanhas. E, enquanto esperamos, reaprendemos a notar os fenômenos da natureza. Percebê-los imponentes lá no alto, trouxe-nos uma sensação de amparo. Lá estão as forças celestes que, com suas energias e pirotecnias, nos equilibraram nestes momentos de mais ansiedade e de medo. Foram inúmeros nasceres e pores do sol, nasceres da lua, chuvas, ventanias e contemplar de estrelas. Mas, fazia muito tempo que não apareciam arco-íris. Estes incríveis fenômenos coloridos surgem geralmente quando a luz solar atravessa trechos de chuvas. Os arco-íris refletem, em sua rápida passagem de poucos minutos, um espectro nas cores: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta. Formam círculos completos, no entanto geralmente só enxergamos uma parte de sua beleza: como um arco ou meio círculo, ou uma larga faixa no céu. Se ocorreram muitas chuvas com sol e sol com chuvas nestes tempos difíceis, por que somente agora os arco-íris apareceram? Serão anúncios de profecias? O que poderemos imaginar? Assim como os Reis Magos se orientaram pela estrela brilhante, os arco-íris na Semana Santa, serão sinais de mudança, iluminando-nos até o pote do antídoto salvador. Somewhere over the rainbow. Bluebirds fly. And the dreams that you dream of Dreams really do come true. (Além do arco-íris voam pássaros azuis. E os sonhos que você sonha de verdade podem virar realidade.) Somewhere over the rainbow (Harold Arlen, Yip Harburg)
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CACILDA BECKER ATRIZ BRASILEIRA
Por Dilva Frazão Biografia de Cacilda Becker Cacilda Becker (1921-1969) foi atriz brasileira. Considerada uma das personalidades mais importantes da classe teatral brasileira e líder da categoria na primeira fase do Regime Militar de 1964. Cacilda Becker Yáconis nasce em Pirassununga, São Paulo, no dia 6 de abril de 1921. Filha de Edmondo Yáconis e Alzira Becker, imigrantes italianos, quando tinha seis anos de idade, seus pais se separaram e Cacilda e suas irmãs foram criadas apenas pela mãe, na cidade de Santos. Mesmo com os poucos recursos financeiros da família, Cacilda estudou ballet e concluiu o curso de professora primária. Trabalhou como escriturária em uma firma de seguros. Carreira de atriz Em 1940, Cacilda mudou-se para o Rio de Janeiro com o objetivo de iniciar a carreira de atriz e ingressou no Teatro do Estudan-
te do Brasil. Atuou na peça “Hamlet”, dirigida por Paschoal Carlos Magno. Em 1943, Cacilda Becker voltou para São Paulo, onde trabalhou no rádio teatro. Fez parte do Grupo Universitário de Teatro (GUT) fundado por Décio de Almeida Prado. Nesse período, atuou nas peças “Auto da Barca do Inferno” (1943), de Gil Vicente, “Irmãos das Almas”, de Martins Pena, e “Pequeno Serviço em Casa de Casal”, de Mário Neme. De volta ao Rio de Janeiro trabalhou com o grupo “Os Comediantes”, que promoveu uma revolução no teatro brasileiro. Atuou na peça de Nelson Rodrigues “Vestido de Noiva” (1946), dirigida por Zienbisnky. Em 1948, Cacilda passou a lecionar interpretação na Escola de Arte Dramática de São Paulo e entrou no Teatro Brasileiro de Comédias (TBC), onde foi contratada para atuar na peça “Mulher do Próximo”, de Abílio Pereira de Almeida. Em pouco tempo, Cacilda se tornou a primeira atriz da companhia. Atuou em quase todas as montagens dessa época, entre elas: “Dama das Camélias” (1951), de Alexandre Dumas, “Antígone” (1952), de Sófocles e “Gata em Teto de Zinco Quente” (1956) de Tennessee Williams. Teatro Cacilda Becker Em 1957, Cacilda fundou sua própria
companhia, o “Grupo de Teatro Cacilda Becker” (TCB), ao lado dos atores Walmor Chagas, seu marido, de Ziembinski e de sua irmã Cleyde Yáconis. A primeira montagem do grupo foi “Longa Jornada Noite Adentro” (1958) de Eugene O’Neill. Em 1960, o TBC se fixou em São Paulo. Em 1962, ao lado do ator Sérgio Cardoso, Cacilda conquistou o público com a peça “A Terceira Pessoa do Singular”, de Andrew Rosenthal. Em 1965 o grupo fez muito sucesso com a peça “Quem Tem Medo de Virgínia Woolf?” de Edward Albee. Em 1969 atuou na peça “Maria Stuart”, ao lado de Walmor Chagas: No cinema, Cacilda atuou em “A Luz dos Meus Olhos”, em 1947, “Caiçara” (1950) e “Floradas na Serra”, em 1954. Em 1968, Cacilda Becker presidiu a Comissão Estadual de Teatro, em São Paulo. Morte Em 6 de maio de 1969, durante a apresentação de “Esperando Godot”, de Samuel Beckett, onde contracenava com seu ex-marido Walmor Chagas, sofreu um derrame cerebral. Cacilda foi levada para o hospital onde permaneceu em coma, durante 38 dias. Cacilda Becker faleceu em São Paulo, no dia 14 de junho de 1969.
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GERAÇÕES DA CIDADANIA BOTUCATUENSE
HOMENS QUE FIZERAM BOTUCATU!
O INESQUECÍVEL ARNALDO MOREIRA REIS
Conheci-o há muito tempo, na década de 60, em uma das salas do Centro Cultural. Dr. Arnaldo Moreira Reis, que era então Presidente da entidade, estava lutando, sobremaneira, para a construção e término da sede própria do sodalício. Durante os anos seguintes, fizemo-nos grandes amigos. Pouco a pouco, pude juntar as peças que formavam o caráter e a vida daquele a quem posso chamar o meu melhor amigo. Nasceu em Recife (PE) a 3 de janeiro de 1896. Casado com a Sra. Orminda Lisboa de Carvalho Moreira Reis (já falecida) deixa as filhas Margarida – professora primária, e Marilia - funcionária pública. Sua infância passou-a no Engenho Piranga da sua família, estudou Física, Química e História Natural no Ginásio Carneiro Leão. Diplomou-se em Ciências Médico-Cirúrgicas, defendendo tese para o doutorado a 15 de dezembro de 1919 sobre Higiene do Solo Urbano, a qual teve grande repercussão pelo ineditismo. Bom homem, sua cabeça estava cheia de sabedoria, parte dela sabedoria médica, porque era médico (não apenas médico, senão também humanista e intelectual). Mudara-se para Botucatu em março de 1928, jovem médico formado pela faculdade de Medicina da Bahia, uma das mais tradicionais do país, depois de ter combatido, como inspetor do Saneamento e Profilaxia, a peste bubônica no interior nordestino. Premiado por dedicação ao serviço pelo Decreto 13.538 devido ao êxito da profilaxia rural. Nunca foi ambicioso. Contava ganhar a vida servindo apenas as famílias de ferroviários da antiga Estrada de Ferro Sorocabana, fator progressista da cidade. Nunca pensou em fazer medicina socializada. Pudessem ou não pagar-lhe, o seu serviço era sem-
pre o mesmo. Servia uma comunidade vasta e logo percebeu que não podia deixar de atender os doentes e moribundos das fazendas e povoações afastadas. Assim é que sua clínica se espalhou, visitando-a até em lombo de burro. Para ele, os doentes eram como se fossem seus filhos. Nada de palavras melífluas ou gestos educados à cabeçeira dos doentes, mas uma bondade irradiante pela qual os que o cercavam se sentiam influenciados. Ao examinar um doente, dir-se-ía que os seus dedos estavam percorrendo, de uma a urna, as cordas de um instrumento. Tinha as mãos
de um artística exímio e um coração de criança. O sentimento de amor ao próximo e a grande alma que possuía contribuíam tanto quanto os remédios para a cura de seus clientes. Cada novo caso era para ele uma nova aventura no terreno dos valores humanos. Jornalista, colaborou com vários jornais do Recife, no Diário da Sorocabana, como colunista sanitário, no Diário Nacional, e na Folha de Botucatu ao lado de Pedro Chiaradia. Dedicou-se especialmente à Filologia,' Medicina Social, Crônicas literárias e políticas, especialmente na revista ilustração Nossa Estrada. Depois da profissão e da família, era o Centro Cultural de Botucatu o que mais amava. Os livros preenchiam sua vida. A eles dedicou-se durante toda a sua longa existência. Desenvolveu a Biblioteca da entidade ao lado de Sebastião da Rocha Lima, dando à Botucatu um patrimônio cultural de elevada importância. Pesquisador tenaz, rebuscador de arquivos, dedicou-se ao estudo histórico dos Sumérios e da expansão da cultura desse povo, especialmente no terreno linguístico. Este pendor pela Filologia aproximou-o de Frei Fidélis tornando-se amigo particular do grande historiador. Membro destacado da Academia Botucatuense de Letras, foi um de seus fundadores e 2o. Vice-Presidente, ocupando a cadeira nº. 12 cujo patrono é João Guimarães Rosa. Perde a intelectualidade botucatuense um grande valor que amou e serviu Botucatu como se sua terra fosse. Meu bom médico e meu estimado amigo, adeus, boa viagem! OLAVO PINHEIRO GODOY