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Edição 1017

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Diário da Cuesta Com quem ficará Colombina?!? ANO IV

Nº 1017 SÁBADO E DOMINGO, 10 E 11 DE FEVEREIRO DE 2024

NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DA CIDADANIA EM BOTUCATU

Acompanhe as edições anteriores em: www.diariodacuesta.com.br

“Com quem ficará a Colombina? Com o ingênuo e sentimental Pierrô ou com Alerquim – seu rival no amor de Colombina – sempre vestido com fantasia feita de retalhos triangulares coloridos, representando o palhaço, o cômico, o farsante?!? Os 3 são personagens da Comédia Italiana, uma companhia de atores que se instalou na França entre os séculos XVI e XVIII para difundir a Commedia dell’Arte, forma teatral original com tipos regionais e textos improvisados. Colombina era uma criada de quarto esperta, sedutora e volúvel, amante do Arlequim, às vezes vestia-se como arlequineta, em trajes de cores variadas, sempre tendo uma queda irresistível por Pierrô (Pierrot)... Pierrô e Colombina? Ou Colombina e Alerquim? Ou a Colombina “entrou num botequim, bebeu, bebeu, saiu assim, assim. Dizendo: Pierrô cacete, vai tomar sorvete com o Arlequim...” E ficou com um animado folião fantasiado de Zorro até o final do baile...feliz!” (AMD)

LEITURA DINÂMICA Notícias de Botucatu e sua gente

Moderno como você!

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GRANDE ÓPERA POPULAR!

“Seria difícil imaginar um auditório com 60 mil pessoas assistindo a uma ópera, mesmo num palco a céu aberto. Mas não numa ópera popular. Nesta, o palco é móvel e múltiplo. Os atos são móveis e múltiplos. Cada ato desliza com seu cenário e seus figurantes nesse palco móvel. O libreto conta o enredo que é cantado por um coro de milhares de vozes junto aos tenores populares, em carro próprio de som. Assim é o desfile das escolas de samba: uma ópera popular...” César Maia. O Carnaval das Grandes Escolas de Samba, do Rio e de São Paulo, é a Grande Ópera Popular. Com mais de 60 mil pessoas assistindo ao vivo e milhões de outras pelo mundo todo assistindo, através do “flash” do melhor momento do desfile de cada escola, pela televisão e pela internet. Nessa Aldeia Global, consolidada pela revolução da informação, o carnaval das grandes escolas é o grande espetáculo: é a Grande Ópera Popular!

E César Maia conseguiu definir com maestria essa grande festa popular... E ele vem de uma linhagem política que teve acertos e erros, marcando por muitas gestões o Estado do Rio de Janeiro. Começou como assessor e depois Secretário de Leonel Brizola, de quem depois se afastou. E foi sucedido pelo atual prefeito Eduardo Paes, que começou com ele, como assessor, depois Secretário e depois se afastou. É a vida... Mas a ele, César Maia, o Rio deve a criação da Cidade do Samba e da Cidade da Música. Além de uma administração que deu nova “cara” à cidade maravilhosa. Pois bem, na administração de Leonel Brizola, havia um gênio raro: Darci Ribeiro. Foi o sociólogo brilhante que se especializou no estudo do Brasil e conseguiu captar a verdadeira “alma” do que temos, hoje, como “a raça brasileira”. Surgiram da imaginação de Darci e da arte de Niemeyer os famosos CIEPS (prédios das escolas de tempo integral) e o Sambódromo, que viria realmente formar e consolidar o

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carnaval como a Grande Ópera Popular! Hoje, é a Passarela Professor Darci Ribeiro, localização do Sambódromo, na avenida Marquês de Sapucaí. À partir do Sambódromo do Rio, vieram o Sambódromo de São Paulo (no Anhembi, o Espaço Cultural “Grande Otelo”), também criação de Niemeyer, e muitos outros com menor proporção e destaque por todo o Brasil...E o carnavalesco Chico Spinoza, da Tom Maior, definiu bem a diferença entre os carnavais de São Paulo e do Rio: “Carnaval no Rio é cultural (tem o ano todo) em São Paulo é lazer de verão...” Mas ambos, com certeza, são grandes e inesquecíveis shows! SIL

O SUMIÇO E O RETORNO DO CARNAVAL DE RUA NO BRA-

Se a nova realidade das Escolas de Samba – com muito dinheiro e organização empresarial --, num primeiro momento, sufocou o carnaval de rua do Rio de Janeiro passaria, quase 3 décadas depois, a contar com o ressurgimento forte dessa manifestação popular na Cidade Maravilhosa. Primeiramente, a movimentação popular se concentrou e foi crescendo na Bahia e em Pernambuco. Com verdadeira multidão (média de 1,5 a 2 milhões de foliões) seguindo os trios elétricos e os blocos carnavalescos. E, nos últimos anos, a explosão popular tomou conta do carnaval de rua do Rio e sem atritar com o grande show das Escolas de Samba. O famoso Bloco da Bola Preta (do Rio) já disputa com o Bloco do Galo da Madrugada (do Recife) a liderança de público... A INFRAESTRUTURA PÚBLICA TEM QUE DAR ASSISTÊNCIA AO POVO Essa nova realidade do carnaval de rua nas grandes capitais, especialmente no Rio de Janeiro, Salvador e Recife/Olinda, precisa que as respectivas administrações públicas dessas cidades, com planejamento prévio, providenciem a indispensável higienização das vias por onde circulam os blocos, trios elétricos e a população, ou seja, a colocação de banheiros químicos suficientes para que não ocorra mais o que vem sucedendo: após a grande festa popular o mal cheiro e a sujeira transformam esses logradouros públicos no caos de cada comunidade. A VOLTA DAS MARCHINHAS E DOS BAILES DE SALÕES A outra grande vítima do crescimento gigantesco dos desfiles das grandes escolas de samba foi o tradicional baile carnavalesco de salão, com as suas marchinhas populares, em cada cidade de nosso imenso país. Acabou? Não, não acabou... Estava adormecido e, sem atritar também com o espetáculo da Grande Ópera Popular, vão ressurgindo aos poucos os concursos de marchinhas e a participação popular nos bailes de salão, especialmente no interior do Brasil. Isso é bom. Isso faz com que o povo participe também, além de assistir ao grande show carnavalesco da Grande Ópera Popular! Carnaval é a Grande Ópera Popular! Mas o Carnaval sempre foi a maior manifestação popular do povo brasileiro! (AMD)

DIRETOR: Armando Moraes Delmanto EDITORAÇÃO E DIAGRAMAÇÃO: Gráfica Diagrama/ Edil Gomes Contato@diariodacuesta.com.br Tels: 14.99745.6604 - 14. 991929689

O Diário da Cuesta não se responsabiliza por ideias e conceitos emitidos em artigos ou matérias assinadas, que expressem apenas o pensamento dos autores, não representando necessariamente a opinião da direção do jornal. A publicação se reserva o direito, por motivos de espaço e clareza, de resumir cartas, artigos e ensaios.


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Eu sou aquele pierrô...

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Ah, o Carnaval de outros tempos... Não era esse Carnaval Espetáculo, Carnaval Mega Evento... É bom também, atrai turistas e encanta a Nação com os desfiles monumentais do Rio de Janeiro e, depois, de São Paulo. Tem o Carnaval da Bahia e o tradicional Carnaval de Pernambuco/ Olinda. Mas o Carnaval de Cada Um, ou seja, o Nosso Carnaval dos Bailes, das Fantasias , das Marchinhas, dos Amores Roubados e dos Amores Surgidos...é que são lembrados... E em tempos de PANDEMIA, resta recordar... E é nesse Carnaval onde a interação entre foliões acontecia e era bonita encontra, na composição de Zé Kéti, “Máscara Negra”, cantada pela Dalva de Oliveira, o seu retrato mais fiel. Sim, nessa música dedicada ao Reinado de Momo, temos o trio famoso do amor, do encontro e do desencontro: Pierrô, Colombina e Alerquim! O mesmo tema tratado com criativo humor por Noel Rosa em Pierrô... E é nesse Carnaval vivido por todos que compareciam aos bailes carnavalescos, com suas marchinhas inesquecíveis e suas músicas consagradas, que se desenrolava o romance de tantas Colombinas maravilhosas, ora indo para os braços de um Pierrô sonhador, ora caindo pelo envolvimento alegre e esperto de um Alerquim. O final era sempre imprevisível, assim como os grandes amores... Com quem ficará a Colombina? Com o ingênuo e sentimental Pierrô ou com Alerquim – seu rival no amor de Colombina! – sempre vestido com fantasia feita de retalhos triangulares coloridos, representando o palhaço, o cômico, o farsante?!? Os 3 são personagens da Comédia Italiana, uma companhia de atores que se instalou na França entre os séculos XVI e XVIII para difundir a Commedia dell’Arte, forma teatral original com tipos regionais e textos improvisados. Colombina era uma criada de quarto, esperta, sedutora e volúvel, amante do Arlequim, às vezes vestia-se como arlequineta, em trajes de

cores variadas, sempre tendo uma queda irresistível por Pierrô (Pierrot)... “Tanto riso, oh quanta alegria Mais de mil palhaços no salão...” E o salão de baile era o cenário do desenrolar desses imprevisíveis amores... O cronista Rubem Braga registrou com maestria essa mágica dos encontros e dos desencontros, em uma de suas crônicas inesquecíveis, ele escreve: “E no meio dessa confusão alguém partiu sem se despedir; foi triste. Se houvesse uma despedida talvez fosse mais triste, talvez tenha sido melhor assim, uma separação como às vezes acontece em um baile de carnaval – uma pessoa se perde da outra, procura-a por um instante e depois adere a qualquer cordão. É melhor para os amantes pensar que a última vez que se encontraram se amaram muito – e depois apenas aconteceu que não se encontraram mais. Eles não se despediram, a vida é que os despediu, cada um para seu lado – sem glória nem humilhação...” Pierrô e Colombina? Ou Colombina e Alerquim? Ou a Colombina “entrou num botequim, bebeu, bebeu, saiu assim, assim. Dizendo: Pierrô cacete, vai tomar sorvete com o Arlequim...” E ficou com um animado folião fantasiado de Zorro até o final do baile...feliz... (AMD)

É bom saber. O artista plástico e conhecido webdesigner botucatuense Marco Antonio Spernega, foi quem idealizou a Cuesta de Botucatu estilizada e com todo o seu simbolismo: a escarpa, o verde representando as nossas matas e o azul do céu... A criação do Spernega valorizou a nossa CUESTA que teve, em sua estilização, o impacto que as obras dos grandes artistas tem. Vejam no Expediente o logotipo do Diário da Cuesta! Marco Spernega tem exposto seus trabalhos em concorridas exposições. Esta ilustração é uma obra de arte e de simbolismo histórico!


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ARTIGO “Chiquita bacana Lá da Martinica Se veste com uma casca de banana nanica” MARIA DE LOURDES CAMILO SOUZA

Ah os carnavais de outrora... As marchinhas, as fantasias, o frisson do grito de Carnaval... Os carnavais de rua, confete, serpentina.. Os desfiles das melhores fantasias. Começava uma semana antes própria-

mente dito. E o pessoal em grupos ia “brincar o carnaval”. Reuniam-se na casa de algum amigo já fantasiados preparando para a ida ao clube. Muitos faziam uma maratona, ficavam um pouco em cada clube para verificar aonde estava o baile mais animado. E já faziam um estoque de saquinhos de confete e serpentina. Durante o baile você via que os rolinhos coloridos de serpentina abriam e cruzavam o teto do clube. E conforme os foliões cruzando o salão cantando e pulando ao ritmo das marchinhas, jogavam confetes uns nos outros. Ao final dos bailes o piso estava cheio desses artefatos. E tinha as garrafinhas de lança perfume. Em geral os rapazes miravam o pescoço das garotas, e espirravam aquele jato geladinho e perfumado. Mas tinha os engraçadinhos que acertavam nos olhos. Posso assegurar que ardia muito. Muitos se intoxicavam com o cheiro. Tinha os desfiles das escolas de samba e os blocos de rua muito animados. Ao final desses desfiles o pessoal já ia para seus clubes ou associações. E era entrar ao primeiro grito e sair exausto com o último. Muitas vezes iam ver o sol nascer.

No dia seguinte estavam todos lá, na matinê, para ver o carnaval das crianças. Ao final dos bailes de Carnaval, o pessoal exausto e faminto ia tomar uma deliciosa canja lá no Tatão. Uma ocasião participei de um grupo de amigas fantasiadas de bermudas e casaquetos de um tecido que lembrava jornal. Tínhamos como acessórios um lencinho vermelho amarrado ao pescoço, um charmoso chapéuzinho coco preto e uma bengala. Éramos umas 7 ou 8 amigas. Ficou muito bonito o conjunto. Infelizmente não tenho fotos, mas tenho uma vaga lembrança de ter saído arrastada do clube depois de ter bebido um refrigerante “batizado”, e ter brindado umas bengaladas nas pessoas com quem cruzava. Nada que uma injeção de glicose aplicada com precisão na veia pelo Dr. Jorginho Saad, que trabalhava no plantão no PS da Misericórdia, daquela madrugada fatídica, não me curasse. Á noite compareciam já com novas fantasias, novo ânimo, e assim até a terça feira; fechando com chave de ouro. E na quarta feira de cinzas os católicos compareciam na missa para receber as cinzas, e o perdão dos pecados carnavalescos.


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LEITURA DINÂMICA 1 – A pandemia inviabilizou o Carnaval em 2022. Mas Botucatu tem uma tradição carnavalesca consolidada: os bailes de salões no Clubes Sociais (AAB, AAF e BTC) sempre foram os preferidos dos botucatuenses.

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– O BTC tinha o melhor Carnaval no passado. As matinês infantis (1953) e as Noites Gordas(1962) ficaram marcadas pelo sucesso, animação e alegria

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– Da Vila dos Lavradores, o Carnaval de rua mobilizava os moradores e empolgava pela animação.

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– “Gente Unida da Vila Maria”, entre outras Escolas de Samba, marcou sua trajetória no Carnaval de rua de Botucatu

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- Os Carnavais Tradicionais do BTC nos anos 50/60. Sempre tendo à frente a liderança de João Passos, presidente do Botucatu Tênis Clube.

“Bailarinas”: Zé Amat, Pedro Peduti, Pedrinho Eichenberger, Zé Fiuza e Miro Fernandes

casal Vilaulbo Vicentini e Zoza Peduti ladeando o Bloco das Nêgas Malucas

CARNAVAIS TRADICIONAIS DO BTC João Passos

Nos anos 50/60 Botucatu passou a curtir e a viver o Carnaval no BTC, sob o comando seguro do saudoso empresário João Passos. A AAB e a AAF vieram depois com suas atividades sociais. Era o carnaval das famílias, com lança perfume e serpentina, tudo sob controle e a alegria e o divertimento imperavam... A foto dos moços dos anos 50, vestidos de bailarinas, impactou em uma época em que isso era bem pesado... O sensacional Bloco das Nêgas Malucas fez sucesso e alegrou a festa carnavalesca no final dos anos 60; a ideia foi trazida por Wanda Delmanto do Clube Atlético Paulistano e implementada por Carmem Amat. Sucesso. Carnavais família como esses não existem mais...


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