Clarice vive...
Lançamento cultural, destaque da Veja/ São Paulo (Vejinha), comentado e esperado, foi a estreia da peça “Simplesmente Eu, Clarice Lispector”, no último dia 8, na capital, com a atriz Beth Goulart. O celebrado espetáculo, com o qual Beth ganhou o Prêmio Shell e o APCA de melhor atriz, ficará em cartaz até o dia 28 de junho, no Teatro Moise Safra, na Barra Funda. Sua estreia foi em 2009, há dezesseis anos, assistida por 1,3 milhão de pessoas. Há exatos 58 anos, Clarice Lispector publicava a crônica
AsTrês Experiências. E também quase 50 anos após sua morte (em 1977), ela ocupa o topo do ranking de autores de ficção nacional mais vendidos do país. São vendidos 130.000 livros por ano no Brasil e são trinta livros vendidos por hora... Ela nunca foi tão pop.


“Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada”.



Clarice Lispector
A escritora ucraniana naturalizada brasileira Clarice Lispector faria hoje 100 anos Clarice morreu no dia 9 de dezembro de 1977, aos 57 anos, vítima de um câncer nos ovários.
Clarice é considerada uma das maiores escritoras brasileiras do Século XX e, ao longo de sua vida, escreveu romances, contos e ensaios.
Um dos seus livros mais célebres é “A hora da estrela”, obra sempre presente em vestibulares e que conta o trágico cotidiano de uma retirante.
Um dos seus livros mais célebres é “A hora da estrela”, obra sempre presente em vestibulares e que conta o trágico cotidiano de uma retirante nordestina em uma grande cidade.
Primeiro livro
Em 1944, Clarice publica seu primeiro romance, Perto do Coração Selvagem, que retrata uma visão interiorizada do mundo da adolescência e que abriu uma nova tendência na literatura brasileira.
O romance provocou verdadeiro espanto na crítica e no público da época. Sua narrativa quebra a sequência de começo, meio e fim, assim como a ordem cronológica, e funde a prosa à poesia.
A obra Perto do Coração Selvagem teve calorosa acolhida da crítica e, no mesmo ano, recebeu o Prêmio Graça Aranha.
Viagens e novas publicações
Ainda em 1944, Clarice Lispector acompanhou seu marido, Maury Gurgel Valente – diplomata de carreira, em viagens fora do Brasil. Sua primeira viagem foi para Nápoles, na Itália. Com a Europa em guerra, Clarice ingressou, como voluntária, na equipe de assistentes de enfermagem do hospital da Força Expedicionária Brasileira.
Em 1946, morando em Berna, Suíça, publicou O Lustre. Em 1949 publica A Cidade Sitiada. Nesse mesmo ano, nasceu seu primeiro filho, Pedro. Dedicou-se a escrever contos e em 1952 publica Alguns Contos. Depois de seis meses na Inglaterra, em 1954 foi para Washington, Estados Unidos, onde nasce seu segundo filho, Paulo. Nesse mesmo ano, seu livro Perto do Coração é publicado em francês Jornalismo e Literatura Infantil
Clarice passou a integrar o Conselho Consultivo do Instituto Nacional do Livro. Era considerada uma “pessoa difícil”. Em 1976, pelo conjunto de sua obra, Clarice ganhou o primeiro prêmio do X Concurso Literário Nacional de Brasília.
Última publicação em vida
Em 1977 Clarice Lispector escreveu Hora da Estrela, sua última obra publicada em vida, onde conta a história de Macabéa, uma moça do interior em busca de sobreviver na cidade grande.
A versão cinematográfica desse romance, dirigida por Suzana Amaral em 1985, conquistou os maiores prêmios do Festival de Cinema de Brasília e deu à atriz Marcela Cartaxo, que fez o papel principal, o troféu Urso de Prata em Berlim em 1986.

Clarice Lispector faleceu no Rio de Janeiro, no dia 9 de dezembro de 1977, vítima de um câncer de ovário, um dia antes de seu aniversário. Seu corpo foi sepultado no Cemitério Israelita do Caju. Características da obra de Clarice Lispector
Clarice Lispector é considerada uma escritora intimista e psicológica, mas sua produção acaba por se envolver também em outros universos, sua obra é também social, filosófica e existencial.
Em busca de uma linguagem especial para expressar paixões e estado da alma, a escritora utilizou recursos técnicos modernos como a análise psicológica e o monólogo interior.
As histórias de Clarice raramente têm um começo meio e fim. Sua ficção transcende o tempo e o espaço e os personagens, postos em situações limite, são com frequência femininos, quase sempre situados em centros urbanos.
Clarice Lispector viveu quase duas décadas fora do Brasil e escreveu muitas cartas aos amigos e com olhar cosmopolita, fala nas correspondências sobre os absurdos do cotidiano, as agruras da condição humana e as banalidades da vida. Suas cartas foram reunidas na obra Todas as Cartas publicada em 2020.
Obras de Clarice Lispector
Perto do Coração Selvagem, romance (1944)
Em 1959, Clarice se separou do marido e retornou ao Rio de Janeiro, acompanhada de seus dois filhos. Logo começou a trabalhar no jornal “Correio da Manhã”, assumindo a coluna “Correio Feminino”.
Em 1960 trabalhou no “Diário da Noite” com a coluna “Só Para Mulheres” e nesse mesmo ano lançou Laços de Família, um livro de contos que recebeu o Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro.
Em 1967 publicou O Mistério do Coelhinho Pensante, seu primeiro livro infantil, que recebeu o Prêmio Calunga, da Campanha Nacional da Criança.
Nesse mesmo ano, ao dormir com um cigarro aceso, Clarice Lispector sofreu várias queimaduras no corpo e na mão direita. Passou por várias cirurgias e viveu isolada, sempre escrevendo. No ano seguinte publicou crônicas no Jornal do Brasil.
EXPEDIENTE
O Lustre, romance (1946)
A Cidade Sitiada, romance (1949)
Alguns Contos, contos (1952)
Laços de Família, contos (1960)
A Maçã no Escuro, romance (1961)
A Paixão Segundo G.H., romance (1961)
A Legião Estrangeira, contos e crônicas (1964)
O Mistério do Coelho Pensante, literatura infantil (1967)
A Mulher Que Matou os Peixes, literatura infantil (1969)
Uma Aprendizagem ou Livro dos Prazeres, romance (1969)
Felicidade de Clandestina, contos (1971)
Água Viva, romance (1973)
Imitação da Rosa, contos (1973)
A Via Crucis do Corpo, contos (1974)
A Vida Íntima de Laura, literatura infantil (1974)
A Hora da Estrela, romance (1977)
DIRETOR: Armando Moraes Delmanto
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AS INTERMINÁVEIS PERGUNTAS POÉTICAS DE CLARICE LISPECTOR
A escritora, jornalista e poeta Clarice Lispector (1920-1977), nascida na Ucrânia e naturalizada brasileira, se definia como uma pergunta. Por quê?
SOU UMA PERGUNTA
Clarice Lispector
Quem fez a primeira pergunta?
Quem fez o mundo?
Se foi Deus, quem fez Deus?
Por que dois e dois são quatro?
Quem disse a primeira palavra?
Quem chorou pela primeira vez?
Por que o Sol é quente?
Por que a Lua é fria?
Por que o pulmão respira?
Por que se morre?
Por que se ama?
Por que se odeia?
Quem fez a primeira cadeira?
Por que se lava roupa?
Por que se tem seios?
Por que se tem leite?
Por que há o som?
Por que há o silêncio?
Por que há o tempo?
Por que há o espaço?
Por que há o infinito?
Por que eu existo?
Por que você existe?
Por que há o esperma?
Por que há o óvulo?
Por que a pantera tem olhos?
Por que há o erro?
Por que se lê?
Por que há a raiz quadrada?
Por que há flores?
Por que há o elemento terra?
Por que há a gente quer dormir?
Por que acendi o cigarro?
Por que há o elemento fogo?
Por que há o rio?
Por que há a gravidade?

Por que a adida cultural sueca tem como primeiro nome Si?
Por que estou viva?
Por que quem me lê está vivo?
Por que estou com sono?
Por que se dão prêmios aos homens?
Por que a mulher quer o homem?
Por que o homem tem força de querer a mulher?
Por que há o cálculo integral?
Por que escrevo?
Por que Cristo morreu na cruz?
Por que minto?
Por que digo a verdade?
Por que existe a galinha?
Por que existem editoras?
Por que há o dinheiro?
Por que pintei um jarro de vidro de preto opaco?
Por que há o ato sexual?
Por que procuro as coisas e não encontro?
Por que existe o anonimato?
Por que existem os santos?
Por que se reza?
Por que se envelhece?
Por que existe câncer?
Por que as pessoas se reúnem para jantar?
Por que a língua italiana é tão amorosa?
Por que a pessoa canta?
Por que existe a raça negra?
Por que é que eu não sou negra?
Por que um homem mata outro?
Por que neste mesmo instante está nascendo uma criança?
Por que o judeu é raça eleita?
Por que Cristo era judeu?
Por que meu segundo nome parece duro como um diamante?
Por que hoje é sábado?
Por que tenho dois filhos?
Por que eu poderia perguntar indefinidamente por quê?
Por que o fígado tem gosto de fígado?
Por que a minha empregada tem um namorado?
Por que a Parapsicologia é ciência?
Por que vou estudar matemática?
Por que há coisas moles e coisas duras?
Por que tenho fome?
Por que no Nordeste há fome?
Por que uma palavra puxa a outra?
Por que os políticos fazem discurso?
Por que a máquina está ficando tão importante?
Por que e quem inventou os óculos?
Por que há doenças?
Por que há saúde?
Por que faço perguntas?
Por que não há respostas?
Por que quem me lê está perplexo?
Por que a língua sueca é tão macia?
Por que fui a um coquetel na casa do Embaixador da Suécia?
Por que tenho de parar de fazer perguntas?
Por que existe a cor verde-escuro?
Por quê?
É porque.
Mas por que não me disseram antes?
Por que adeus?
Por que até o outro sábado?
Por quê?
Que teria sido brasileiro o famoso herói inglês que marcou presença na Primeira Grande Guerra Mundial?
Teria sido botucatuense esse herói? Teria nascido na Cuesta de Botucatu esse herói que encantou gerações com sua bravura e idealismo?
A Revista Peabiru apresentou minucioso estudo sobre a trajetória desse herói mundial.
Na história ou na “lenda” de Lawrence da Arábia, temos como berço natal do herói a Cuesta de Botucatu, mais precisamente, a Fazenda do Conde de Serra Negra, localizada em Vitoriana. Verdade ou lenda ?!?
Segredo guardado ou sonho “botucudo” surgido antes da virada do século passado?!?
Mas fica – com certeza! – a imagem positiva e heroica de Lawrence da Arábia: um brasileiro nascido na CUESTA DE BOTUCATU.

"O enigmático Sr. Tanimoto e a fuga dos quatis"
MARIA DE LOURDES CAMILO SOUZA

Manhã fria e nebulosa do final de abril, o céu ainda nublado e escuro. O Sr. Tanimoto respirou o ar gelado fechando o casaco até o pescoço.
Abriu o carro e tentou ligar o carro que demorou a pegar.
Tentou novamente e acionou o controle para abrir o portão basculante, e foi manobrando o carro para sair da garagem devagar e silenciosamente, pois era muito cedo ainda.
Olhou a rua completamente vazia e foi dirigindo lentamente enquanto olhava pelo espelho retrovisor se o portão tinha se fechado.
Dirigiu até o final da rua olhando para os lados se vinha algum carro e avançou pela avenida vazia com tranquilidade.
Ligou o rádio para ouvir as notícias locais e as músicas sertanejas.
Lembrou-se dos seus cães, Pituca e Foguinho, sorrindo levemente e lembrou-se se havia colocado o tuperware com a comida para eles preparada na véspera.
Olhou no banco traseiro e viu se estava bem colocado e tampado para não cair.
Lembrou-se que há dois anos tinha encontrado o Foguinho quase morto há um quilômetro da cidade.
Recolheu e tratou dele até se recuperar, apegando-se ao cão de pelo avermelhado e preto.
Dirigia divagando e cantarolando com a canção tocada pelo rádio, quando avistou aquele bando que corria para a rodovia em velocidade.
Estacionou rápido na beira da estrada e catou o celular do console rápidamente e começou a filmar a cena inusitada que transcorria frente a seus olhos.
Uns 20 a 30 quatis saltitantes começavam a cruzar a rodovia.
A cena parecia acontecer em câmera lenta.
Registrou o ocorrido até que o bando sumisse em meio ao matagal.
Desligou a câmera e ligou novamente o carro voltando para a estrada.
Pensava no que fazia o bando em plena cidade, e imaginou que buscavam comida.
Lembrou-se que os veterinários pediam a população que não alimentassem os animais selvagens, temendo causar-lhes doenças.
Foi imerso em seus pensamentos até a porteira da sua pequena chácara onde já via seus cachorros latindo alegremente com a sua chegada.
Junto á pequena casa dos caseiros já avistou Silvério e Dona Maria José sorrindo e abanando alegres ao pé do manacá florido junto ao alpendre.
Estacionou o velho carro ao lado do jipe verde do Silvério e saiu para cumprimentar o casal que veio até ele sorrindo.
Maria José convidou-o para tomar o café na varandinha da casa, aonde se via a mesa posta com a toalha quadriculada de branco e vermelho as canecas , o bule de café, pão caseiro e bolo de fubá.
Ela serviu-lhe uma caneca de café fumegante enquanto conversavam sobre as novidades da semana.
Seu Tanimoto lembrou-se do incrível grupo de quatis em fuga, contando o ocorrido aos amigos e mostrando o vídeo que fizera mais cedo.
Silvério e Maria José ficaram tão impressionados que viram o vídeo várias vezes.
O Sr Tanimoto acariciava seus cães enquanto falavam.
