Skip to main content

DC 24/01/2012

Page 1

Irã ameaça fechar caminho do petróleo

Iraque

Irã

Israel

Bloqueio do Estreito de Ormuz é a resposta de Ahmadinejad à decisão da UE de proibir a importação de petróleo do país. Ontem, porta-aviões dos EUA cruzou o estreito e se posicionou no Golfo Pérsico. Pág. 7

Golfo Pérsico

Arábia Saudita

Estreito de Ormuz

Eric Powell/Reuters-18.01.2012

Jornal do empreendedor

Ano 87 - Nº 23.548

Conclusão: 23h40

R$ 1,40

www.dcomercio.com.br

São Paulo, terça-feira, 24 de janeiro de 2012 ALERJ/AFP-17.04.2009

Governo não abre mão do PIB de 4% Ao fim das reuniões com seus ministros e do encontro geral de ontem, ficou claro que a presidente Dilma fará de tudo para garantir crescimento de 4% no ano. Isso pode incluir cortes de impostos e de outras metas. E ela deu 6 meses aos ministérios para que criem sistemas de monitoramento gerencial. Pág. 5

UMA DILMA NA PETROBRAS Graça Foster (dir.), que tem estilo similar ao da presidente, deve assumir a estatal no lugar de Gabrielli (esq.). Pág. 11

Nelson Antoine/Fotoarena/Folhapress

São Paulo Agliberto Lima/DC

458 anos

A nave Sampa, perto das estrelas.

Newton Santos/Hype

Pinheirinho: após a reintegração, confrontos.

O paulistano Douglas Galante (foto), pesquisador da USP, dedica-se à astrobiologia, que estuda a evolução do universo. Para ele, SP está entre os polos científicos mais importantes do planeta. Pág. 8 Jefferson Coppola/Folhapress

SPFW

70,5 milhões de consumidores na rede Esse é o número de brasileiros que usam as redes sociais Facebook e Orkut. Saiba como conquistá-los. Informática. Pág. 17

Uma hora de chuva. Um dia 'remando'. Temporal derrubou 18 árvores, abriu cratera, fechou avenida... Pág. 9

HOJE

ISSN 1679-2688

23548

Pancadas de chuva à tarde e à noite. Máxima 31º C. Mínima 18º C.

AMANHÃ Pancadas de chuva à tarde e à noite. Máxima 32º C. Mínima 18º C.

Yasuyoshi Chiba/AFP

Enquanto ex-moradores de área desocupada em São José se abrigam em igreja (acima), PM e manifestantes se enfrentam. Pág. 9

9 771679 268008

Na passarela, as combinações de recortes de Glória Coelho. Pág. 16


DIÁRIO DO COMÉRCIO

2

o

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Essa diferença entre contribuições e benefícios foi coberta por todos os brasileiros. Roberto Fendt

pinião

PAULO SAAB

"É HORA DE PUNIR OS CULPADOS"

I

OS INIMIGOS DO POVO

T

ramita no Congresso Nacional a emenda constitucional nº 20, de 1998, que autoriza a União, os estados e os municípios a instituir previdência complementar para seus servidores. Instituídas as previdências complementares nos três níveis de governo, e os competentes fundos de pensão dos servidores, esses passarão a usufruir aposentadorias e pensões até o limite dos benefícios garantidos pelo Regime Geral da Previdência Social (RGPS). Quem quiser perceber benefícios maiores do que o teto deverá contribuir para um fundo de previdência que pague a diferença. Pela sua importância, ressalto de pronto que não se trata de tema trivial. A despeito disso, entramos no décimo quarto ano de tramitação da emenda no Congresso sem que até agora tenha sido apreciada. Qual é a situação hoje? A imensa maioria dos trabalhadores brasileiros e seus empregadores contribuem para o RPGPS. É com base nessas contribuições que a previdência social paga benefícios cujos valores se situam entre um salário mínimo e o teto de R$ 3.912,20. Mesmo para esses trabalhadores, há uma visível iniquidade, já o teto da contribuição situa-se em dez salários mínimos e o valor máximo do benefício é muito inferior ao valor máximo da contribuição. Trinta milhões de trabalhadores contribuem para a previdência oficial (INSS). Com base nessas contribuições, em 2011 a previdência social arrecadou R$ 251,2 bilhões e pagou benefícios da ordem de R$ 287,7 bilhões. O déficit apurado (R$ 36,5 bilhões) corresponde em sua parcela maior na concessão de benefícios previdenciários aos trabalhadores rurais, não contribuintes da previdência, o que foi instituído pela Constituição "cidadã" de 1988.

ROBERTO FENDT Com ou sem essa aberração, o déficit da previdência teve redução de 22% em 2011, relativamente ao déficit apurado no ano anterior. Para isso contribuiu, principalmente, o aumento da arrecadação decorrente do aumento do emprego com carteira assinada no ano passado. Esse aumento da arrecadação gerou um superávit na previdência do setor urbano de R$ 20,8 bilhões. Portanto, não fora o pagamento de benefícios aos trabalhadores rurais, o RGPS seria superavitário.

A

situação é completamente diferente com relação à previdência dos servidores públicos. No ano passado, os servidores contribuíram com cerca de R$ 25 bilhões para a previdência do setor público e receberam benefícios no valor de R$ 80 bilhões, gerando um déficit superior a R$ 55 bilhões. Segundo estudos do próprio governo, esse déficit deve continuar crescendo em torno de 10% ao ano. Essa diferença entre contribuições e benefícios

foi coberta por todos os brasileiros, contribuindo para tornar a carga tributária do País uma das mais elevadas do mundo.

N

oticia-se agora que a senhora presidente teria decidido adiar a realização de novos concursos para preencher as vagas decorrentes da aposentadoria de servidores e a nomeação de servidores já aprovados em concursos realizados até que seja instituído o Fundo de Previdência Complementar dos Servidores Públicos (Funpresp). A ser verdadeira a informação, está coberta de razão a senhora presidente. De acordo com informações do governo, 40% dos servidores hoje na ativa estarão em condições de requerer aposentadoria até 2015. Não é possível adiar mais a constituição do Funpresp – caso contrário todos os novos servidores gozariam dos mesmos direitos adquiridos pelos atuais funcionários. Se isso viesse a ocorrer, o crescimento do deficit

Unificar os regimes previdenciários é imperativo ético. Brasil não pode continuar tendo cidadãos de primeira e de segunda classes no que diz respeito à previdência.

previdenciário dos servidores inviabilizará completamente a capacidade do governo de arcar com seus compromissos financeiros. Não deixa de ser curioso que a iniciativa de criação do Funpresp tenha sido do ex-presidente Lula. A despeito de seu prestígio e carisma, não conseguiu que o Congresso levasse adiante essa importante mudança institucional. Conseguirá a senhora presidente fazêlo? Se conseguir, certamente já terá assegurado lugar entre os mais importantes governantes na história brasileira recente. É preciso ficar claro que a manutenção do status quo previdenciário não somente inviabilizará a governabilidade do País. Mais do que isso, mudar a dualidade de regimes previdenciários, unificando-os, é imperativo ético. O Brasil não pode continuar a conviver com cidadãos de "primeira" e "segunda" classes no que diz respeito ao regime previdenciário.

N

a peça de Ibsen, O inimigo do povo, uma pequena cidade balneária da Noruega vive exclusivamente do turismo. O médico local descobre que as águas estão poluídas e que o balneário precisa ser fechado por dois anos, até eliminar a poluição das águas. Quando o dever o chama a denunciar a situação de risco para os turistas, passa a ser vilipendiado pelos cidadãos, que o consideram inimigo do povo. Se persistir em seu intento, a senhora presidente poderá também ser assim qualificada pela minoria que considera que o projeto de lei fere seus interesses. Que persevere a senhora presidente em seu intento de aprovar a mudança legal. O povo saberá bem identificar quem são seus verdadeiros inimigos.

deputado lembra como argumento – certamente de defesa dos companheiros de partidos e aliados – que só há corruptos onde existem corruptores, e propugna pela aprovação do projeto que se destina a punir empresas por trás de atos de corrupção. Em casa de ferreiro, espeto de pau. Meus leitores sabem que sempre que menciono o tema corrupção, e o faço com cansativa frequência, assinalo que me refiro aos corruptos no poder público e na banda podre da iniciativa privada. Por isso posso me permitir solicitar do ilustre parlamentar, que de fato o tem sido , que propague sua importante palavra, inclusive, no seio do governo, para dizer que "é hora de punir os culpados" e não apenas focar

O

nos "corruptores". Aponte-os, denuncie-os, sejam presos, julgados, punidos, os responsáveis pela pessoa jurídica e serei o primeiro a aplaudir o parlamentar pela iniciativa. Também não o estou desestimulando a apoiar a lei citada. Ela pode e deve realmente fazer parte de um cabedal de medidas – desconhecidas até agora – da lavra do governo ao qual pertence o deputado, para combater, prender, punir, os culpados de corrupção, sejam corruptores ou corrompidos. Até porque, na linha de raciocínio do parlamentar, pode-se alegar que quando um não quer, dois não brigam. Os corruptores não teriam êxito se não encontrassem do outro lado pessoas dispostas a ser corrompidas. esumo da coluna: vejo autoridade no deputado para defender medidas de combate à corrupção. Mas não entendo porque precisa dar seu aval pessoal a um método para distorcer o raciocínio de quem o lê, buscando fixar duas "verdades": que os governos Lula e Dilma lutaram e lutam contra a corrupção de forma proativa, objetiva, e que, simplificando, os pobres ministros, parlamentares, servidores de todos os poderes e escalões, são vítimas dos corruptores. Dê seu apoio também, deputado, no sentido de que o STF julgue os denunciados no "mensalão" antes de qualquer prescrição. Ou o senhor também acha que foi tudo armação da "mídia golpista" e nunca existiu "mensalão"? Leitor, peça ao STF que julgue rapidamente os denunciados – e absolva-os, se forem inocentes – pelo site www.euquerorespeito. org.br. O que não pode é haver o arquivamento manipula do pelos companheiros do deputado e nem desvio das responsabilidades na corrupção, uma vez que elas são conjuntas, dos corruptores e dos corruptos, e não de um só dos lados.

R

PAULO SAAB É JORNALISTA E ESCRITOR

PAULO BOMFIM Em meio a tantas notícias preocupantes, traz-nos este jornal uma entrevista com o poeta Paulo Bomfim, não só homenageando a cidade pelo seu aniversário, como relembrando lugares e acontecimentos cívicos que marcaram a nossa história, tão bem interpretada por ele em

crônicas e versos. São lembranças vivas que devem ser repassadas às novas gerações, para que jamais caiam no esquecimento. Um povo sem memória é um povo sem história! Pedro Paulo Penna Trindade - Membro Titular do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo.

ROBERTO FENDT É ECONOMISTA

Presidente Rogério Amato Vice-Presidentes Alfredo Cotait Neto Antonio Carlos Pela Carlos Roberto Pinto Monteiro Claudio Vaz Edy Luiz Kogut Érico Sodré Quirino Ferreira Francisco Mesquita Neto João de Almeida Sampaio Filho João de Favari Lincoln da Cunha Pereira Filho Luciano Afif Domingos Luís Eduardo Schoueri Luiz Gonzaga Bertelli Luiz Roberto Gonçalves Nelson Felipe Kheirallah Nilton Molina Paulo Roberto Pisauro Renato Abucham Roberto Faldini Roberto Mateus Ordine

nteressante observar a visão de políticos que, com aparente qualidade moral para falar, por não estarem envolvidos em escândalo, denúncias e acusações, ainda assim, interpretam os fatos sobre corrupção por um ângulo de visão embaçado. Refiro-me a artigo publicado na Folha de São Paulo de domingo, assinado pelo deputado federal Carlos Zaratini, do PT paulista, sob o título: "É hora de punir os corruptores". O parlamentar faz a apologia de um projeto de lei do expresidente Lula, do qual é relator na Câmara dos Deputados, que dispõe sobre a responsabilidade administrativa e civil de pessoas jurídicas. A análise do deputado, que contém, certamente, pontos relevantes e verdadeiros, teria maior autoridade se não se tratasse de propaganda partidária, na medida em que coloca a lei mencionada "como mais um passo nas ações de combate à corrupção que estão sendo adotadas desde 2003". Coincidentemente, é o ano em que se iniciou o primeiro mandato do ex-presidente Lula, sendo de conhecimento público que as denúncias de corrupção e envolvimento de ministros de Estado, políticos e parlamentares, desde então, ganhou uma amplitude nunca vista antes neste país.

Fundado em 1º de julho de 1924 CONSELHO EDITORIAL Rogério Amato, Guilherme Afif Domingos, João Carlos Maradei, João de Scantimburgo, Marcel Solimeo Diretor-Responsável João de Scantimburgo (jscantimburgo@acsp.com.br) Diretor de Redação Moisés Rabinovici (rabino@acsp.com.br) Edi tor - Ch e fe: José Guilherme Rodrigues Ferreira (gferreira@dcomercio.com.br) Chefia de Reportagem: Teresinha Leite Matos (tmatos@acsp.com.br) Editor de Reportagem: José Maria dos Santos (josemaria@dcomercio.com.br) Editores Seniores: Bob Jungmann (bob@dcomercio.com.br), Carlos de Oliveira (coliveira@dcomercio.com.br), chicolelis (chicolelis@dcomercio.com.br), Estela Cangerana (ecangerana@dcomercio.com.br), Luiz Octavio Lima (luiz.octavio@dcomercio.com.br), Luiz Antonio Maciel (maciel@dcomercio.com.br) e Marino Maradei Jr. (marino@dcomercio.com.br) Editor de Fotografia: Alex Ribeiro Editores: Cintia Shimokomaki (cintia@dcomercio.com.br), Fernando Porto (fporto@dcomercio.com.br), Kleber Gutierrez (kgutierrez@dcomercio.com.br), Ricardo Ribas (rribas@dcomercio.com.br) e Vilma Pavani (pavani@dcomercio.com.br) Subeditores: Marcus Lopes e Rejane Aguiar Redatores: Adriana David, Darlene Delello, Eliana Haberli e Evelyn Schulke Repórteres:Anderson Cavalcante (acavalcante@dcomercio.com.br), André de Almeida, Fátima Lourenço, Ivan Ventura, Karina Lignelli, Kelly Ferreira, Kety Shapazian, Lúcia Helena de Camargo, Mariana Missiaggia, Mário Tonocchi, Paula Cunha, Rafael Nardini, Rejane Tamoto, Renato Carbonari Ibelli, Rita Alves, Sandra Manfredini, Sergio Leopoldo Rodrigues, Sílvia Pimentel, Vera Gomes e Wladimir Miranda. Gerente PL Arthur Gebara Jr. (agebara@acsp.com.br) Gerente Executiva Sonia Oliveira (soliveira@acsp.com.br) Gerente de Operações Valter Pereira de Souza (valter.pereira@dcomercio.com.br) Serviços Editoriais Material noticioso fornecido pelas agências Estado, Folhapress, Efe e Reuters Impressão OESP GRÁFICA S/A Assinaturas Anual - R$ 118,00 Semestral - R$ 59,00 Exemplar atrasado - R$ 1,60

FALE CONOSCO E-mail para Cartas: cartas@dcomercio.com.br E-mail para Pautas: editor@dcomercio.com.br E-mail para Imagens : dcomercio@acsp.com.br E-mail para Assinantes: circulacao@acsp.com.br Publicidade Legal: 3244-3175. Fax 3244-3123 E-mail: legaldc@dcomercio.com.br Publicidade Comercial: 3244-3197, 3244-3983, Fax 3244-3894 Central de Relacionamento e Assinaturas: 3244-3544, 3244-3046 , Fax 3244-3355

REDAÇÃO, ADMINISTRAÇÃO E PUBLICIDADE Rua Boa Vista, 51, 6º andar CEP 01014-911, São Paulo PABX (011) 3244-3737 REDAÇÃO (011) 3244-3449 FAX (011) 3244-3046, (011) 3244-3123 HOME PAGE http://www.acsp.com.br E-MAIL acsp@acsp.com.br


DIÁRIO DO COMÉRCIO

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

o

3

DEPOIS DOS BRICS, JÁ SE FALA EM GRUPO DE 11 PAÍSES QUE DEVEM CRESCER NOS PRÓXIMOS ANOS.

pinião

Bons ventos para os BRICs

E

m qualquer período, muitas hipóteses em economia são desenvolvidas e testadas. Várias são comprovadas e, apesar disso, continuam na obscuridade, enquanto outras não passavam de boas hipóteses, que não se comprovaram. A dos Brics, do inglês Jim O'Neill, provou ser ao mesmo tempo verdadeira e bem achada; caiu nas graças da mídia pela abordagem que ele escolheu e deu destaque aos quatro países emergentes que agora mais se desenvolvem no mundo: Brasil, Rússia, Índia e China. O´Neill, hoje presidente da empresa Goldman Sachs Asset Management, que obviamente pertence ao grupo Goldman Sachs, era economista-chefe da área de pesquisa econômica mundial do banco em novembro de 2001, quando publicou um artigo intitulado "Building Better Global Economic BRICs" - um trocadilho com a palavra inglesa "bricks", que significa tijolos. Lido em português o título diz: "Construindo Melhores Tijolos Econômicos Globais". O artigo apontava para algumas perspectivas extraordinárias. Por exemplo: em 2001 e 2002, o crescimento da economia (medido pelo PIB) dos grandes mercados emergentes ia superar o crescimento dos países do G7. Outra: em dez anos, o peso dos BRICs, especialmente o da China, iria crescer bastante, levantando novas e relevantes questões sobre o impacto global das políticas fiscais e monetárias dos BRICs. A apresentação do artigo era finalizada com uma recomendação de que o G7 começasse a incorporar representantes dos BRICs. De lá para cá, muita coisa mudou. A expressão BRICs, utilizada pela primeira vez por O'Neill, foi consagrada mundo afora, especial-

PAULO BRITO

mente porque as previsões que fez começaram a se concretizar. Praticamente dez anos depois, ele está revendo o tema e corrigindo as previsões e suposições que fez no artigo de 2001, publicando agora o livro The Growth Map: Economic Opportunity in the BRICs and Beyond (em português, "O Mapa do Crescimento: Oportunidades Econômicas nos BRICs e além", editora Portfolio Hardcover, 256 páginas). Ao lançar o livro na Inglaterra, em novembro, O'Neill lamentou sua falta de ousadia com as previsões feitas en 2001. De fato, o que aconteceu com todos os países do grupo superou as expectativas que ele e vários de seus colegas (entre os quais o economista brasileiro Paulo Leme, que também trabalha para o Goldman Sachs) fizeram sobre os Brics.

A dinâmica instaurada nos quatro fez, também, com que seus mercados internos se desenvolvessem por causa da elevação de renda e da criação de empregos. Em dez anos, o mercado interno chinês cresceu 1,5 trilhão de dólares, o equivalente a uma Inglaterra em termos de PIB.

A

força dos BRICs está muito longe de diminuir: O'Neil acha que os dados de população e produtividade indicam um futuro bastante promissor para os quatro e lembra que na antiguidade China e Índia já foram donas de metade do PIB mundial. Agora, isso pode acontecer de novo. E o que vem depois dos BRICs? Para Neill e sua equipe há 11 países, que eles chamam de "Os próximos 11", na fila do desenvolvimento explosivo: México, Indonésia, Coréia do Sul, Turquia, Bangladesh, Egito, Irã, Nigéria, Paquistão, Filipinas e Vietnã.

U

m de seus melhores acertos foi afirmar que esses países superariam as seis maiores economias mundiais. De fato, um mês atrás a economia brasileira superou a da Inglaterra e o país se tornou a sexta economia do mundo, nas análises da Economist Intelligence Unit, uma empresa do grupo The Economist. Uma das mais importantes previsões contidas no paper de O'Neill apontava justamente para isso – o equilíbrio econômico mundial estava mudando e países outrora sem importância iriam se tornar players mais do que importantes. Ele acertou. "Entre 2001 e 2010 o PIB dos BRICs cresceu muito mais do que eu pensava ser possível, mesmo no cenário mais otimista", admite ele. Passados os dez primeiros anos do estudo inicial, a China mantémse em primeiro lugar entre os BRICs, mas ele ficou surpreso com o desempenho do Brasil: "Foi a segunda grande surpresa para nós, pelo menos em termos monetários.

PAULO BRITO É JORNALISTA, GRADUADO EM ECONOMIA E MESTRE EM COMUNICAÇÃO E SEMIÓTICA

Incluir o país nos BRICs foi minha aposta mais alta, mas em 2010 ele já tinha superado a Itália e se tornado a sétima economia do mundo, com um PIB de US$ 2,1 trilhões", comentou. "Nunca imaginei que o Brasil pudesse ficar tão grande e tão rápido. Nossa análise não sugeria que ele pudesse alcançar esse estágio antes de 2020", acrescenta. Como a Índia e a Rússia também ultrapassaram as previsões

de desenvolvimento feitas por O'Neill e sua equipe, sua modéstia em arriscar números mais altos fica evidente. Do ponto de vista do banco ele estava certo: é melhor apostar em números conservadores, porque a maré pode virar. Fazer o contrário poderia induzir investidores a apostarem mais do que o recomendável e colocar seu em risco seu rico dinheiri-

nho. Assim, além da consciência de O'Neill, ninguém reclamou do desempenho dos BRICs ter sido superior às estimativas. É evidente que os acontecimentos econômicos mais marcantes da décadas impulsionaram esses países, inclusive por causa do aumento do comércio entre eles, e especialmente porque o Brasil e a Rússia fornecem muitas das commodities necessárias na China e na Índia.

Livro revê e corrige algumas previsões feitas em 2001

INVASÕES NO CENTRO E O DIREITO À MORADIA H

á um ano escrevi aqui sobre invasões no centro de São Paulo. Tinha ocorrido na época a reintegração de posse de prédios invadidos pela Frente de Luta por Moradia e comentei que os imóveis vazios na cidade, em relação ao número total – a chamada "taxa de vacância" – era uma coisa normal, parte da dinâmica das cidades. Não tem nada de "imóveis que não estão cumprindo sua função social". Há grupos que acham que, invadindo, podem passar à frente de outras famílias que estão há mais tempo esperando por uma moradia. Exigem atendimento imediato, "ignorando" que há critérios para atendimento, famílias em áreas de risco que têm prioridade, as que já vivem na região, as que têm crianças que estudam no entorno. E ainda exigem morar na Ipiranga com a São João; afinal , "o centro deve ser do povo oprimido"! Tem quem critique a prioridade para moradores de áreas de risco, dizendo que "o direito à moradia é de todos". E o direito à vida, é só de alguns? Recentemente, após a tragédia na Favela do Moinho, em que centenas de pessoas perderam seus barracos, ouvi numa entrevista que "...várias dessas famílias encontram-se muito mal alojadas, sem a preservação do seu direito à moradia garantido". Ora, houve um incêndio, a Prefeitura ofereceu verba de aluguel

social, vagas em albergues, realocação; alguns foram para casas de parentes, mas muitos queriam ficar no local. O que mais poderia ser feito? Mas o que apareceu de político... E onde está escrito que "direito à moradia" quer dizer "casa (digna) de graça, e já"? "Direito", todos nós temos (trabalho e lazer também são direitos - art.6º. da CF). Aliás, os "deveres" também deveriam ser para todos. Falar de falta de competência ou de vontade política da Prefeitura, no caso, é, no mínimo, falta de informação. Já se disse isso sobre as mais de meio milhão de pessoas que vivem irregularmente nas áreas de mananciais, fruto de invasões incentivadas em governos anteriores (e não "nos últimos anos", como publicado num jornal). emanas atrás, num telejornal, o comentarista estava indignado com uma nova favela, cerca de 20 "moradias" – mas porque estava numa área "nobre", próxima da Paulista. São Paulo tem 1.613 favelas (www.habisp.inf.br), onde moram quase 390.000 famílias. Em áreas "nobres" são pelo menos 22 favelas, com mais de 6.000 moradores. Na área de mananciais são 250 favelas, sendo que os projetos de urbanização da atual gestão ganharam prêmios internacionais de arquitetura e urbanismo.

S

Paulo Pampolin/Divulgação Seab

JOÃO CARLOS BELDA

Os "redondinhos": projeto de Ruy Ohtake para Heliópolis Em cortiços temos cerca de 80 mil famílias. E ainda há mais de mil loteamentos irregulares. Resolver o problema? "Só" se precisa de R$ 58 bilhões ao longo de 14 anos. Achar terrenos. Fazer a regularização fundiária. Fácil. repórter diz: "Os policiais não podem retirar os moradores por que o terreno é particular". Pois é, existem leis! A Prefeitura não pode fazer nada. A iniciativa tem de ser do proprietário em pedir a reintegração. Incrível é a cobrança do âncora: "Eu quero falar com o prefeito de São Paulo. Senhor prefeito, nós temos crianças, idosos, senhoras em situação de risco... o poder público tem que intervir... é um absurdo... essas pessoas estão em uma situação de risco em plena Avenida Paulista... Situação de risco? Tem desmoronamento ou córrego

O

transbordando? Mas o âncora dá um ultimato: "É uma questão de competência e força de vontade. Quero ver se vocês vão resolver o problema essa semana". Ou seja, desafia o prefeito a passar por cima das leis e ignorar as outras famílias, principalmente as de área de risco, também com crianças, idosos, senhoras e pessoas com alguma deficiência. gnora ele, ainda que existe um Sistema de Priorização de Intervenções, que aplica critérios técnicos claros e transparentes. E exigir solução "essa semana" é apenas demagogia barata. Resolver o problema? De 2005 a 2009 foram aprovados mais de 1.000 projetos de Habitação de Interesse Social (HIS), para a população de baixa renda. Em 2010 foram quase 2.200. Em 2011 mais de 4.000 projetos aprovados. O orçamento de habitação em

I

2001-2004 foi, em média, de R$ 244 milhões por ano (2,4% do Orçamento da Prefeitura). No período 2009-2011 foi de R$ 1,3 bilhão (4,4%). Em dezembro foram entregues 140 unidades, do total de 1.135 no Real Parque. Famílias que moraram 20 anos nessa favela agora têm apartamentos de 50m2, área de lazer, playground e área verde. Água, rede de esgoto, iluminação, ruas pavimentadas. Coleta de lixo. Endereço. araisópolis, em processo de integração de mais de 60.000 pessoas à cidade, ganhou importante prêmio internacional de arquitetura sustentável com o projeto de uma escola de música clássica, no meio da favela. Interligada a uma praça, além do espaço multifuncional, as obras vão estabilizar a erosão e evitar deslizamentos. E os "redondinhos", projeto de Ruy Ohtake? Com investimentos de R$ 570 milhões (até 2024), Heliópolis, com quase 60.000 habitantes, está se transformando em um bairro integrado à cidade

P

formal. Em Água Espraiada: parceria com 11 escritórios de arquitetura para desenvolver projetos de HIS, com 1 a 3 dormitórios. Minha Casa Minha Vida: a Prefeitura já atendeu 300 famílias (em breve mais 180) com renda entre 1 e 3 salários mínimos. o Programa Renova Centro já são 8 prédios selecionados, que atenderão 504 famílias. E R$ 7,5 milhões/mês vão para atender mais de 25.000 famílias como auxílio social. Elisabete França, superintendente de Habitação Popular da SEHAB, diz que desde 2005 cerca de 174.000 famílias foram beneficiadas com projetos de urbanização. E as 1.132 famílias que estavam em área de risco muito alto (segundo o IPT) já foram realocadas, além de outras mais de 3.000 que corriam algum tipo de risco. Em São Paulo tudo é superlativo, ainda há muito o que fazer. Mas competência e força de vontade parece que não falta.

N

JOÃO CARLOS BELDA É EMPRESÁRIO


DIà RIO DO COMÉRCIO

4 -.GERAL

GibaUm

3 Ex-ministro da Justiça e

da Defesa e ex-presidente do Supremo, Nelson Jobim estĂĄ de volta a banca de advocacia.

gibaum@gibaum.com.br

k A mulher estĂĄ para o homem para o que der e vier. JĂĄ o homem, ÂŤ

infelizmente, estĂĄ com a mulher que vier e der.

ELLIANO PELLINI // mĂŠdico ginecologista que ganhou fama no Mulheres, da TV Gazeta. Fotos: Paula Lima

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

3 MAIS: e tem sido muito requisitado para pareceres. Dependendo do processo, cada parecer varia entre R$ 200 mil e R$ 400 mil.

Luiza em Franca 333 E nem poderia ser diferente: cogitada para o futuro MinistĂŠrio da Micro e Pequena Empresa, que foi engavetado, a empresĂĄria Luiza Trajano, comandante-em-chefe do Magazine Luiza, rede que possui 600 lojas pelo paĂ­s, acabou participando do fenĂ´meno Luiza, originado num comercial de JoĂŁo Pessoa, porque alguns executivos seus nĂŁo resistiram em fazer brincadeiras. AtĂŠ o dia em que ela prĂłpria resolveu entrar na onda. E avisou a secretĂĄria: “Avise a todos que nĂŁo fui ao CanadĂĄ: permaneço em Francaâ€?.

COM CABELĂƒO Nem sĂł da vinheta de carnaval da Globo, pelo sĂŠtimo ano consecutivo, vive a mulata Aline Prado: ela acaba de encarnar a namorada de Damian Marley no clipe que o filho de Bob Marley veio gravar por aqui. O cantor, contudo, fez uma exigĂŞncia: queria que ela usasse uma peruca com cabelĂŁo. Aline topou e depois confessou que, sem as pinturas no corpo que a tornaram a mais famosa mulata do carnaval, “se sentia um pouco nuaâ€?.

333

Figurinhas carimbadas

333 Na cabeça do governador Geraldo Alckmin, uma união com o PSD neste ano (Guilherme Afif Domingos para prefeito, com um vice tucano) significaria acabar com o PSDB em São Paulo porque depois de ser vice de Alckmin em 2014, Gilberto Kassab disputaria o governo do Estado. Só que com Lula e Dilma no palanque de Fernando Haddad (e com um vice do PSD), suas chances ficam maiores do que qualquer nome tucano. E com Haddad eleito, as possibilidades de êxito do PT tambÊm em 2014, quando Alckmin disputa a reeleição, ficarão maiores, independente de quaisquer acordos com o PSD. Ou seja: vai acabar o PSDB em São Paulo.

Cabeça de Alckmin

TRĂŠS EM UM

h

Saias longas.

h IN

DEPOIS de ter comprado o Eurobank da Florida, o Banco do Brasil planeja retomar a estratÊgia de adquirir o controle de instituiçþes financeiras estaduais. Na lista de compras, tem o capixaba Banestes, o segipano Banese e o Banparå.

Em outubro, JosÊ Viegas, primeiro ministro da Defesa do governo Lula e hoje embaixador em Roma, se aposenta e volta ao Brasil. Ele renunciou ao ministÊrio depois de uma crise gerada por uma nota divulgada pelo Serviço de Comunicação do Exercito, onde se fazia apologia do regime militar. Antes, foi embaixador no Peru, quando chegou a condecorar Fujimori, que depois fugiu debaixo de denúncias de corrupção. Viegas Ê casado com a peruana e ex-apresentadora de TV Érika Stockholm e em outros tempos, aconselhou FHC a dar asilo político ao mesmo Fujimori. 333

Quase aposentado

333 QUEM estå preparando, pessoalmente, a agenda da presidente Dilma Rousseff em Washington, em março, Ê a secretåria de Estado, Hillary Clinton.

Luiza Rabello, 17 anos, que chegou na semana passada, do CanadĂĄ, jĂĄ gravou seu primeiro comercial para o empreendimento imobiliĂĄrio de JoĂŁo Pessoa e em SĂŁo Paulo, foi fotografada bem produzida (mandou chamar o maquiador Danilo Toscano, de sua cidade) para uma revista de celebridades. CabelĂŁo, minissaia, ombro de fora, tudo dĂĄ um toque fashion para Luiza que ainda nĂŁo sabe o que vai fazer na vida. Por enquanto, curte os convites que recebe, que jĂĄ incluem atĂŠ camarote de cervejaria no carnaval do Rio de Janeiro. 333

Hå um lado surpreendente nesse retorno de Newt Gingrich, ex-presidente da Câmara americana, ao påreo entre os republicanos para disputar a Casa Branca. Atrås da bolha imobiliåria de 2008, ele fazia lobby para a Freddie Mac e no passado, foi quem mais crucificou Bill Clinton quando da descoberta do embate intimo com Mônica Lewinsky num banheiro da Casa Branca. Só que, nessa mesma Êpoca, Gringrich traia sua segunda mulher com a secretåria Calista, hoje transformada em sua terceira mulher. 333

Luiza,bem produzida

Solução

QUEM DIRIA

PARA QUEM ainda não entendeu quem Ê, realmente, blindado no governo de Dilma Rousseff Ê só acompanhar (e atÊ pesquisar) os movimentos dos ministros Fernando Pimentel (Desenvolvimento Econômico) e Fernando Bezerra (Integração Nacional) em suas pastas. Eles não têm nenhuma chance de queda. Pimentel, ao contrårio, parecia assumir novas funçþes nas reuniþes setoriais dos últimos dias. Esteve em todas e ao lado de Dilma.

333

333 O Senado Federal estå se preparando para um calendårio farto de banquetes: de cara, comprou 1,2 mil colheres de aço inoxidåvel, mais 1,2 mil facas e 1,2 mil garfos, totalizando R$ 8,8 mil. Depois, reservou mais R$ 155,5 mil para comprar 100 bules de cafÊ, 100 açucareiros, 1,8 mil colheres de chå, 200 colheres de madeira, 600 colheres de suco, 2,5 mil copos de cristal, 50 leiteiras, 300 vasilhas para mantimentos, dois mil pratos de porcelana, três mil xícaras de cafÊ e duas mil xícaras de chå. De quebra, 400 jarras por R$ 25,5 mil e 1,2 mil porta-copos por R$ 2,1 mil. Para encerrar, mais R$ 1,2 mil para 50 bandejas e R$ 3,8 mil para garrafas tÊrmicas.

É UM FENÔMENO ainda restrito ao Rio: hibrido de vôlei, frescobol e do próprio tênis tradicional, cresce nas praias cariocas o beach tennis, que foi criado na Itålia nos anos 90.

333

Para comes e bebes

333 O FILME Lula - O Filho do Brasil, fracasso no Brasil e na Argentina, acaba de fracassar tambÊm nos Estados Unidos, onde depois de uma semana em exibição em dois cinemas de Nova York, conseguiu faturar o equivalente a R$ 6,3 mil. Numa lista de 130 filmes em cartaz, ocupa a 67ª posição.

333 A presidente Dilma Rousseff resolveu dividir entre três setores o acompanhamento das obras do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento: alÊm de Miriam Belchior, do Planejamento, que vinha cuidando disso (e a Chefe do Governo tem algumas restriçþes ao trabalho dela, desde o balanço de dezembro do ano passado), entram no circuito Gleisi Hoffmann, da Casa Civil e o MinistÊrio da Fazenda, atravÊs de Nelson Barbosa, secretårioexecutivo da Pasta, enquanto Guido Mantega permanece mais tempo em São Paulo com problemas de saúde na família, em casa.

MISTURA FINA

'( )* % + ,

/ )*

!

OUT

Entre OVNI e musical 333 HĂĄ algum tempo, a roqueira sexagenĂĄria Rita Lee jĂĄ vinha conversando com o marido Roberto de Carvalho, que queria mesmo se aposentar de espetĂĄculos em teatros ou ginĂĄsios. Quer continuar compondo e cantando em estĂşdio. SĂł que o maior projeto (ou melhor, anseio) de Rita Lee para este ano â€œĂŠ ser abduzidaâ€?. Ou seja: ela quer ser capturada pelo pessoal de um disco-voador e nas noites do sĂ­tio onde mora, na Serra da Cantareira, jĂĄ teria visto “alguns disquinhosâ€?. Mais: Mel Lisboa deverĂĄ interpretar Rita Lee num musical que estĂĄ sendo projetado para este ano, baseado na biografia romanceada Rita Lee Mora ao Lado, escrita por Henrique Bartsch. A direção serĂĄ de DĂŠbora Dubois, fĂŁ desde adolescente da cantora, que considera Rita “a mulher marginal que todas nĂłs gostarĂ­amos de ter sidoâ€?.

'

)

$ !(

333

AS PRESSÕES para a saída de Ana de Hollanda do MinistÊrio da Cultura aumentaram e a irmã de Chico Buarque de Hollanda pode acabar sendo defenestrada. A cúpula do PT quer Marta Suplicy na cadeira. Caso contrårio, ela não entra na campanha de Fernando Haddad em São Paulo.

AOS POUCOS, o senador Renan Calheiros (PMDB-Al) começa a se movimentar para tentar suceder JosÊ Sarney na presidência do Senado, mesmo jå tendo desmentido anteriormente essa pretensão. Renan renunciou ao mesmo posto em 2007 devido à explosão do escândalo envolvendo Mônica Veloso.

/ + : / '

&

!

"

)

/0 ! (

; & +

( "

.

333

Colaboração: Paula Rodrigues / A.Favero

& 1

&

-

#

333

Saias abaixo dos joelhos.

Maria das Graças Foster toma posse na presidência da Petrobrås dia 13 de fevereiro e vai dirigir a estatal com mão de ferro. De cara, quer acabar com os feudos, onde cada diretor faz o que bem entende. Diretores tambÊm sairão: o primeiro serå Guilherme Estrella. Depois Renato Duque (Serviços) e Paulo Roberto Costa (Abastecimento). Graça Foster quer liquidar com os reinos de muitas figuras políticas do PT e da base aliada. SÊrgio Gabrielli deverå ganhar uma secretaria no governo de Jaques Wagner na Bahia. Só que não Ê o político sonhado pelo governador baiano para sua sucessão: ele trabalha com o nome do deputado federal Rui Costa, hoje na chefia da Casa Civil.

333

Adeus aos feudos

A SP Fashion Week nĂŁo ĂŠ diferente da Fashion Rio, no que se refere ao verdadeiro festival de famosas e candidatas Ă fama que borboleteiam em torno dos locais dos desfiles e nas marquises do prĂŠdio da Bienal. Da esquerda para a direita: a estrela pornĂ´ Rita Cadillac; a cinquentona (e em grande forma) HortĂŞncia, diva do basquete; o travesti Salete Campari; a polĂŞmica Val Marchiori, de Mulheres Ricas ; e a modelo Fernanda Motta, que estĂĄ negociando sua volta Ă TV. 333

1 ( & $

6

0

9

)

&

"

2 + 34 +

#$ % & '

5

7 $

8

==>? 3 + > @ A + B

<


p

DIÁRIO DO COMÉRCIO

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

5 BIG BROTHER Dilma vai ficar de olho nos ministros todo o tempo. Para evitar surpresas.

olítica

Dilma quer transparência na gestão dos ministros

P

or determinação da de uma sinalização do tamap re s i d e n t e D i l m a nho do ajuste. Mais cedo, DilRousseff, os ministé- ma evitou falar sobre o tema e rios terão prazo de afirmou que não tem tratado do seis meses para apresentar ao contingenciamento. "Não estagoverno um sistema de moni- mos discutindo isso, estamos toramento de seus programas, discutindo o governo", afirinclusive convênios e contra- mou. O ministro das Comunitos. A medida foi anunciada cações, Paulo Bernardo, cheontem durante a primeira reu- gou a dizer que "ninguém no governo falou em cortar R$ 70 nião ministerial do ano. A ideia é que os ministros bilhões". Ele apenas confirmou possam disponibilizar informa- que vai haver ajustes nos gasções sobre a execução e o anda- tos, mas evitou precisar valores mento de projetos. Segundo o e data da definição. O presidente do Banco Cenporta-voz da Presidência, Thomas Traumann, a ferramenta tral, Alexandre Tombini, fez vai permitir o controle em tem- uma análise do cenário econômico internapo real das cional e as proações de cada jeções para o ministério. c re s c i m e n t o R e c e n t eÉ um projeto interno. Para mente o Planalto passou indispensável para T o m b i n i , o Brasil será um por desgastes a reforma do dos poucos envolvendo Estado, não pela países a cresdenúncias de demissão, mas de cer mais do irregu laridagestão de um que em 2011 e des em gastos ministeriais. Estado profissional. deve alcançar uma taxa méEm um disDILMA ROUSSEFF dia acima de curso inicial 4%, o que vem de 30 minutos, Dilma afirmou que o projeto de acontecendo desde 2007. Entrevista – O ministro da transparência "é um projeto revolucionário, progressista e in- Fazenda, Guido Mantega, dispensável para a verdadeira disse, após a reunião, que o reforma do Estado, não pela de- governo fortalecerá o mercamissão de servidores ou perda do interno, destacando que o de direitos previdenciários, consumo no varejo tem cresmas de gestão de um Estado cido a uma taxa de cerca de 8% mais profissional e meritocráti- ao ano. "Temos uma boa demanda no Brasil. A demanda co", afirmou. Na avaliação do porta-voz, é alimentada pelo emprego e isso tem uma relação direta vamos gerar muito emprecom a ascensão social de brasi- go", afirmou. Mantega afirmou também leiros para classe média, que tem mais acesso às informa- que 2012 será o ano do fortaleções e cobra mais respostas e cimento dos investimentos e de crescimento do PIB. "Deveserviços do governo. A presidente não fez referên- mos encerrar 2011 com 3%, 3% cia ao corte no orçamento de e pouco e, para 2012, almeja2012. Havia uma expectativa mos alcançar 4,5%". (Agências)

Missão do governo para 2012: crescimento de 4%.

A

principal missão da ção econômica bem dirigida, p r e s i d e n t e D i l m a ligeiramente inclinada para a Rousseff neste ano é centro-esquerda". um crescimento econômico de De qualquer forma, a priori4% e, para isso, ela está disposta dade ao crescimento deve siga reduzir impostos, tomar me- nificar riscos para os mercados didas de estímulo e possivel- financeiros neste ano. Entre mente sacrificar outras metas. eles podem estar mudanças reDilma se reuniu com vários pentinas e imprevisíveis de ministros no Palácio do Planal- política econômica ou outra into no fim de semana para com- flação elevada após a taxa de por o que uma das fontes cha- 6,5 % registrada em 2011 – a mou de "plano de negócios pa- maior em sete anos. ra 2012". A meta de Dilma está bem " A p r e s iacima das predente pode v i s õ e s i n d edecidir sobre pendentes. A m e d i d a s e sO rg a n iz a çã o Dilma quer fazer pecíficas nos das Nações com que a economia Unidas (ONU) próximos dias" e as fonespera uma do País tenha tes, falando expansão de desempenho em condição apenas 2,7 % melhor que em de anonimato, para o Produto 2011, com disseram que Interno Bruto crescimento de 3%. (PIB) do Brasil "Dilma está de te rmi na da neste ano. Isso FONTE DA AGÊNCIA REUTERS que a econosignifica que o mia do Brasil governo pode tenha desempenho melhor entrar com estímulos mais peque durante o primeiro ano de sados que o esperado, espede governo, em 2011, quando o cialmente se a crise da zona do crescimento deve ter ficado euro piorar ou se a economia por volta dos 3%". da China desacelerar conside"O número na cabeça de to- ravelmente. dos é quatro", disse uma das Por enquanto, os assessores fontes. Autoridades disseram de Dilma dizem acreditar que que perseguirão essa meta podem ter tudo em 2012, com com responsabilidade e que queda da inflação e do juro báserão flexíveis no caso de crises sico, enquanto o crescimento externas, na Europa ou em ou- avança. Segundo eles, Dilma tros lugares do mundo. "As op- estará envolvida na adminisções em jogo – de incentivos tração da economia regulartributários para indústrias em mente, como esteve em 2011, e dificuldade até empréstimos que estará disposta a manusear maiores via BNDES, entre ou- as alavancas de estímulo ou de tras – serão usadas com cuida- aperto conforme as circunstândo, sem estragar a reputação cias necessárias a um crescibrasileira de uma administra- mento saudável. (Reuters)

PAREDÃO Fernando Haddad nem saiu do ministério e já é cobrado

A presidente classificou a proposta de "revolucionária", mas na verdade é um monitoramento, em tempo real, dos programas de cada ministério. A ação tem como objetivo evitar desgastes, como os ocorridos no ano passado, quando sete ministros caíram.

Dorivam Marinho/Folhapress

Reunião ministerial: no primeiro encontro do ano, a presidente Dilma apresenta seu plano de trabalho para o segundo ano do mandato.

Candidato Haddad deixa a Educação O ministro vai passar o comando para Aloizio Mercadante, para se dedicar à campanha pela prefeitura de SP. Dorivam Marinho/Folhapress

E

m um discurso recheado de elogios ao ministro da Educação, Fernando Haddad, a presidente Dilma Rousseff afirmou que "a combinação de programa de distribuição de renda com garantia de acesso à educação é o caminho correto para o Brasil mudar de patamar". Dilma definiu a milionésima bolsa concedida pelo programa Universidade para Todos (ProUni) como "um marco na história recente do País" e reafirmou o compromisso do governo "com a prioridade da educação". Na solenidade que marcou a despedida de Haddad do cargo, que ocupava desde julho de 2005, para se dedicar à précampanha para a prefeitura de São Paulo, a presidente aproveitou para fazer a defesa do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Alvo de erros e problemas, o programa transformou-se em marca negativa da gestão de Haddad. Para a presidente, trata-se da "forma mais democrática de acesso dos jovens brasileiros ao ensino universitário", afirmou sobre o Enem. "É um exemplo da determinação do ministro Haddad no sentido de assegurar uma transformação e uma deselitização do ensino universitário no nosso País", defendeu Dilma. Ainda sobre o ProUni, a presidente disse que seu grande feito é o de permitir que milhões de jovens "superem uma barreira quase intransponível, que é a barreira da oportunidade". No final, citou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Foi preciso um metalúrgico, que não teve acesso ao ensino universitário para saber

Na despedida de Haddad, elogios da presidente Dilma: educação para colocar o País em outro patamar.

como é importante para as pessoas o ensino universitário." Em sua despedida, Haddad procurou exaltar sua passagem pela pasta e chegou a elogiar a oposição, que teria contribuído para algumas realizações do ministério. Para marcar sua saída, um dia antes da chegada de Aloizio Mercadante, o Palácio do Planalto montou uma cerimônia comemorativa à concessão de um milhão de bolsas pelo ProUni. "Quando o programa foi criado em 2004, não li nenhum artigo defendendo o ProUni nos jornais, nenhum, absolutamente nada", afirmou Haddad. "Guardada as proporções, é que nem o Enem hoje – apanha todo santo dia". Mas, de acordo com Haddad, são essas realizações que promovem "o maior avanço e acesso democrático às instituições de ensino superior". Segundo ele, o Brasil saiu de 3 milhões de matrículas, em 2001,

Duas posses hoje

O

futuro ministro da Educação, Aloizio Mercadante, que toma possa hoje, deverá trocar pelo menos quatro ocupantes de cargos de confiança do ministério, entre secretários e diretores de fundos ligados à pasta. Outros cinco servidores de confiança do ainda ministro Fernando Haddad serão mantidos, por enquanto. Entre os que estão de saída, Malvina Tuttmann, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas

Educacionais, responsável pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O físico Marco Antônio Raupp também tomará posse hoje no ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e terá de definir duas nomeações para cargos que já ocupou: as presidências da Agência Espacial Brasileira (AEB) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os dois postos são estratégicos para a nova política espacial brasileira. (Folhapress)

Não li nenhum artigo defendendo o ProUni. Guardada as proporções, é que nem o Enem hoje – apanha todo santo dia. FERNANDO HADDAD para atingir 6,5 milhões, em 2010. "Em uma década, nós mais que dobramos as matrículas em educação superior." E cobrou do sucessor Aloizio Mercadante, que toma posse hoje, um esforço no mesmo sentido. "Caberá ao Aloizio uma nova rodada de expansão", declarou Haddad. Embora a maioria dos ministros tenha comparecido ao evento, uma ausência foi notada, a da senadora Marta Suplicy (PT-SP), que também plei-

teava a candidatura à prefeitura. Ao fazer os agradecimentos, Haddad priorizou seu padrinho na campanha pela prefeitura de São Paulo, o expresidente Lula, que deverá estar hoje em Brasília para a transmissão do cargo. Ele também fez um agrado aos alunos que criticaram erros do ministério ao longo dos anos, especialmente nos problemas registrados durante as edições do Enem. 'Quero agradecer aos alunos que corrigiram muitas de nossas propostas", destacou. Haddad também anunciou que a campanha para a prefeitura vai começar assim que deixar a Esplanada dos Ministérios. "Vou dizer o que vou fazer pela cidade". Sobre os problemas ocorridos no Enem, acredita que não vão prejudicar sua candidatura. "Pelo contrário, a juventude aprova o Enem, sobretudo o jovem de escola pública", resumiu. (AE)

Aécio, o preferido.

O

ex-presidente Fernando Henrique Cardoso apontou o senador mineiro Aécio Neves como "candidato natural" do PSDB à Presidência da República. Em entrevista a The Economist, Fernando Henrique prevê ainda uma "luta interna muito forte", entre Aécio e o ex-governador José Serra, pela indicação do partido. Além de não retirar Serra da disputa, Fernando Henrique chega a compará-lo ao ex-presidente Luiz Iná-

cio Lula da Silva, que disputou a presidência diversas vezes. "No caso do PSDB, Serra desempenha o papel de Lula", afirmou. "Ele tem coragem, ele gosta de competir, mas não sei até que ponto ele vai estar convencido de que isso não é para ele", avaliou Cardoso. Sobre a participação do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, na disputa presidencial de 2014, Fernando Henrique descartou haver qualquer possibilidade nesse sentido. (AE)


p ONGs vão à rua contra a corrupção DIÁRIO DO COMÉRCIO

6

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Entendemos que é hora de reinventar o mundo, com respeito ao meio ambiente e inclusão social. Mauri Cruz, integrante do comitê local do Fórum Social.

olítica

Amanhã, a Av. Paulista será palco de mais um protesto, com uma passeata e uma segunda cerimônia de entrega de algemas aos políticos mais corruptos do País. Eduardo Ponzelli/Folhapress – 7/9/2011

festação "reúna no mínimo três Guilherme Calderazzo mil pessoas". Acrescenta que esse número será muito maior ovimentos apar- se o trio elétrico puder animar tidários de com- a manifestação. "O trio só pobate à corrupção derá atuar se não chover", diz. Por causa da previsão de com desempenho na web criados na capital chuva, hoje à noite, os grupos aproveitam o feriado de ani- cancelaram a vigília. Segundo versário de São Paulo, amanhã, Carla, "com o cancelamento, os e realizam na cidade mais uma músicos, grupos de dança, e manifestação de protesto con- malabaristas vão só atuar na tra a impunidade, o corporati- manifestação da quarta-feira". Pr emi aç ão – Antes de saívismo e as ilegalidades no Estado brasileiro, a partir das 13 ho- rem em passeata pela Avenida ras, no vão do Museu de Arte Paulista – Masp, Rua Bela Cintra, Masp – os de São Paulo Newton Santos/Hype – 9/12/2011 organ izado(Masp). res entregaOrgani zarão os troféus d a p e l o m oaos vencedovimento Nas r e s d o c o nRuas, pela c u r s o A l g eU n i ã o C o nmas de Ouro, tra a Corrupque elegeu os ção (integrapolíticos mais da pelos grucorruptos do pos de interPaís por meio net Revoltade votação na dos On-line, web. O conMarcha Concurso – realitra a Corrupzado pelo ção, Marcha Movimento pela Ética e 31 de Julho, Movimento A p a r t id á r i o Carla: "No mínimo 3 mil pessoas" do Rio – teve sua primeira Contra a Corrupção), com o apoio de um entrega de prêmios – as algenúcleo de maçons, a manifes- mas de ouro, de prata e de tação exigirá o fim do voto se- bronze – no dia 19. Amanhã, no vão do Masp, creto entre parlamentares no Congresso, o julgamento do três "atores" usarão as máscaprocesso do chamado "men- ras retratando os premiados: o salão" pelo STF (Supremo Tri- presidente do Senado, José bunal Federal) e a manuten- Sarney, com 59% dos votos; o ção dos poderes do Conselho ex-deputado José Dirceu, com 18,8%; e a deputada do Distrito Nacional de Justiça (CNJ). Os grupos realizam a convo- Federal Jaqueline Roriz, que cação para o evento por meio teve 8,4% dos votos. Participaram do concurso do da rede social Facebook, emails na web e panfletos. Até 31 de Julho, 6.964 eleitores por às 19 horas de ontem, em torno meio do Facebook. "Vamos fazer uma espécie de 800 cadastrados no Nas Ruas confirmaram presença de espetáculo teatral para enno encontro. A expectativa de tregar as algemas", afirma Carla Zambelli, uma das líde- Marcelo Reis, líder do Revoltares do Nas Ruas, é que a mani- dos On-line.

M

Enquanto cidade comemora aniversário, manifestantes devem repetir o protesto realizado na Av. Paulista no Dia da Independência em 2010 (foto ). Hector Retamal/AFP Photo – 19/10/2011

Marcos de Paula/AE – 28/1/2010

A líder estudantil chilena Camila Vallejo (à esq.) será uma das estrelas do Fórum em Porto Alegre, ao lado da ex-senadora Marina Silva (acima).

Dida Sampaio/AE – 10/8/2011

Fórum debaterá capitalismo. Dilma vai. Antonio Cruz/ABr – 25/5/2011

O

Negromonte: conversas do ano passado rendem representação agora.

PPS quer investigar o ministro Negromonte

O

PPS anunciou ontem que vai entrar com uma representação na Procuradoria-Geral da República contra o ministro das Cidades, Mário Negromonte, e membros do seu partido, o PP. A sigla quer que a PGR investigue a participação do ministro e aliados em reuniões com um empresário para discutir projeto milionário com o Ministério das Cidades, conforme revelou a Folha de S. Paulo na edição de ontem. Na representação, o partido pretende pedir a abertura de uma apuração no âmbito criminal contra ele, além do grupo que participou das conversas na casa do deputado João Pizzolatti (PP-SC), no final do ano passado. Segundo o advogado do PPS, Renato Galuppo, a ação vai mencionar o artigo 90 da Lei de Licitações (8.666). O artigo em questão afirma que é crime "frustrar ou fraudar, mediante ajuste, combinação ou qualquer outro expediente, o caráter competitivo do procedimento licitatório, com o intuito de obter, para si ou para outrem, vantagem decorrente da adjudicação do objeto da licitação".

O próprio ministro participou de um dos encontros na casa de Pizzolatti. As conversas permitiram que a empresa, a Poliedro Informática, se aproximasse da equipe de Negromonte e discutisse o assunto com o governo antes de outros interessados. Depois desses encontros, o dono da Poliedro e um lobista foram recebidos no ministério por dois homens de confiança do ministro das Cidades, no dia 9 de agosto. A pasta quer contratar uma empresa para gerenciar suas redes de computadores e monitorar obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). O valor do contrato é estimado em R$ 12 milhões, mas pode alcançar os R$ 60 milhões, de acordo com o dono da Poliedro. Outro lado – Negromonte admite ter encontrado o dono da Poliedro pelo menos uma vez no apartamento de Pizzolatti, mas nega ter discutido com ele detalhes do projeto. Pizzolatti, por sua vez, disse não se lembrar de suas conversas com Luiz Carlos Garcia, o dono da Poliedro. A presidente Dilma Rousseff não estaria gostando do trabalho de Negromonte.(Folhapress)

Fórum Social Temático sobre Crise Capitalista, Justiça Social e Ambiental começa hoje em Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo e Novo Hamburgo, com uma marcha de abertura, na capital gaúcha, que deve reunir de 5 mil a 10 mil pessoas, segundo previsão dos organizadores. O evento é um dos diversos desdobramentos do Fórum Social Mundial previstos para este ano. Grande parte das 700 atividades do encontro, que deve reunir cerca de 30 mil pessoas, vai elaborar propostas para a Cúpula dos Povos da Rio + 20, prevista como reunião paralela à Conferência da ONU, em junho. O grande momento da edição descentralizada deste ano deve ser a participação da presidente Dilma Rousseff e sete ministros no encontro "Diálogos entre Sociedade Civil e Governos", marcado para a noite de quinta-feira no ginásio Gigantinho. Dilma deve tratar de temas como a crise econômica, políticas públicas de combate à pobreza e diretrizes brasileiras para a Rio+20. Também estão previstos eventos paralelos, como o Fórum Mundial da Educação, de 24 a 29 de janeiro; o Fórum Social Mundial da

Gilberto Carvalho irá ao Fórum

Saúde, de 26 a 27 de janeiro; e o Fórum da Mídia Livre, de 27 a 28 de janeiro. Políticas públicas – O diálogo entre governo e movimentos sociais abre caminho para que demandas sejam discutidas e possam ser incorporadas a políticas públicas. Além da presidenta, os sete ministros que devem participar das atividades do Fórum são os ministros da SecretariaGeral da Presidência da República, Gilberto Carvalho; da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário; do Meio Ambiente, Izabella Teixeira; do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Cam-

Integração: O presidente demite.

diretor administrativo do Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas), Albert Gradvhol, foi exonerado do cargo após denúncias de irregularidades na estatal, segundo decreto publicado ontem pelo Diário Oficial da União.

pello; da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Iriny Lopes; da Agricultura, Mendes Ribeiro; e da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Helena de Bairros. Embora não divulgado pelos organizadores, o custo do fórum é estimado em R$ 3,6 milhões e será bancado, em forma de patrocínio, pelas estatais Corsan, Banrisul, Badesul e Petrobras. Serviços de apoio e oferta de infra-estrutura como salas, auditórios e praças para debates e shows, material de apoio, energia elétrica e serviços de tradução serão fornecidos pelas quatro prefeituras e o governo do estado. Reinventar o mundo – A linha geral do Fórum Social Temático é discutir alternativas ao capitalismo. "No início, enfrentamos o pensamento único do neoliberalismo para dizer que outro mundo é possível", recorda uma dos integrantes do comitê local, Mauri Cruz. "Vencida aquela etapa, entendemos que é hora de reinventar o mundo, com respeito ao meio ambiente e inclusão social." O encontro desta semana em Porto Alegre deverá manter a tradição do FSM de não divulgar uma posição única, mas a expectativa é que ativistas de todo o mundo, inclusive repre-

A CGU (Controladoria-Geral da União) apontou irregularidades do Dnocs no Ceará, como desvio de recursos, dispensa de licitação e superfaturamento em obras e serviços na irrigação do Tabuleiro de Russas, a 160 km de Fortaleza. O Dnocs é subordinado ao

sentantes de movimentos como a Primavera Árabe, as manifestações estudantis chilenas, o Occupy Wall Street e os Indignados da Espanha se unam para cobrar desde já resultados mais efetivos da Rio+20. Outras estrelas do evento serão a líder estudantil chilena Camila Vallejo, a ex-senadora Marina Silva, o sociólogo português Boaventura Sousa Santos, o presidente da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) José Graziano, o músico e ex-ministro Gilberto Gil, e Ignacio Ramonet, jornalista espanhol. O jornalista Amaury Ribeiro Júnior vai divulgar o livro "A Privataria Tucana". Acampado há um mês na principal praça de Porto Alegre, um grupo de manifestantes, inspirado no movimento Ocupe Wall Street, já anunciou oposição ao Fórum Social 2012 e a seu modelo "estatal" e "institucionalizado". O Ocupa POA (Porto Alegre) critica a aproximação do evento com partidos políticos e o patrocínio de empresas que estão envolvidas em projetos polêmicos, como o da usina hidrelétrica de Belo Monte (PA). Apesar das críticas, o grupo deve participar de algumas atividades do evento. (Agências)

Ministério da Integração, cujo ministro Fernando Bezerra é foco de denúncias de uso político de recursos da pasta. Segundo nota divulgada pela assessoria da pasta, o economista Vitor de Souza Leão, profissional de carreira da CGU, vai assumir a área. (Folhapress)


DIÁRIO DO COMÉRCIO

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

7 SÍRIA Damasco diz que plano árabe para saída de Assad é um 'complô'

nternacional

DIREITOS HUMANOS ONU cobra de Obama fechamento de Guantánamo

Vai e vem em Ormuz Porta-aviões dos EUA garante passagem livre ao petróleo do Oriente Médio, após o Irã criticar novas sanções da União Europeia. Divulgação/AFP

Georges Gobet/AFP

A

União Europeia (UE) proibiu ontem a importação de petróleo do Irã, aumentando a pressão do Ocidente pelo fim do programa nuclear de Teerã. Em resposta, o Irã ameaçou retaliar o embargo, que inclui ainda o congelamento dos ativos do Banco Central iraniano, com o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde é escoado um sexto de todo o petróleo do mundo. Chanceleres dos 27 países do bloco adotaram as novas sanções em encontro em Bruxelas, três semanas após os Estados Unidos aplicarem medidas semelhantes, que visam paralisar a economia iraniana. "A pressão das sanções é feita para tentar garantir que o Irã leve a sério nosso pedido para que venha à mesa" de negociações a respeito do programa nuclear,

Catherine quer ser levada a sério

afirmou a chefe da política externa da UE, Catherine Ashton. Em outubro, ela enviou uma carta a Saeed Jalili, principal negociador nuclear do Irã, afirmando que seu objetivo era uma solução negociada "que restaure a confiança internacional na natureza exclusiva-

mente pacífica do programa nuclear do Irã". Ela afirma não ter recebido resposta. As medidas surgem seis dias antes da chegada a Teerã de inspetores nucleares da ONU que, segundo o Ocidente, testará a boa vontade dos iranianos em negociar "seriamente".

Sanções - Durante o encontro de ontem, os ministros europeus também se preocuparam em não punir as economias enfraquecidas da Grécia, Itália e de outros países do bloco que dependem do petróleo iraniano. O embargo da UE só entrará em vigor em 1º de ju-

UMA NOVA ERA NO EGITO revolução e agradeceu à Junta Militar que dirige o Egito por ter cumprido sua promessa de realizar eleições transparentes. "Anunciamos ao povo egípcio e a todo o mundo que nossa revolução continua", ressaltou o dirigente do Partido Liberdade e Justiça (PLJ), braço político da Irmandade Muçulmana. Katatni garantiu também que não vai "trair nunca o sangue dos mártires nem esquecer o sangue dos feridos". Ele destacou ainda que o Parlamento será "um expoente da democracia", trabalhará com justiça e objetividade e, entre suas prioridades, estará acabar com a corrupção e melhorar os serviços públicos. A prioridade do novo Parlamento será a eleição de um painel de 100 legisladores que redigirão uma nova Constituição para o Egito, a qual depois precisará ser aprovada pelo povo

Brasil: relações com o Irã estão normais.

Katatni garante que Parlamento será 'um expoente da democracia'

em referendo. Outro grande passo deverá ser a realização das eleições presidenciais, previstas para antes de junho. As eleições no Egito foram realizadas em três etapas a partir de 28 de novembro do ano passado. O PLJ obteve sozinho quase a metade dos votos e foi

seguido por um partido salafista, que prega a linha-dura islâmica, e obteve 28 % dos votos. Os partidos seculares e liberais, movimentos que organizaram os levantes que derrubaram Mubarak, obtiveram pouco mais de 10% dos votos. (Agências)

pós as autoridades iranianas criticarem a diplomacia do governo Dilma Rousseff, o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Antonio Patriota, disse ontem que vê normalidade na relação do Brasil com o Irã, tanto política quanto comercialmente. O chanceler evitou comentar a declaração de Ali Akbar Javanfekr, porta-voz pessoal do presidente Mahmoud Ahmadinejad e chefe da agência de notícias estatal Irna, afirmando que o atual governo brasileiro destruiu anos de boas relações com país. Segundo Patriota, o Brasil tem mantido contatos recentes com o Irã e não há sinais de estremecimento. "Eu tenho tido contatos normais com os iranianos. Na assembleia geral da ONU (Organização das Nações Unidas) foi o chanceler iraniano que pediu para me ver... Na reunião ministerial da OMC (Organização Mundial do Comércio) recebi autoridades iranianas e identifiquei interesse em uma boa relação comercial e política", disse. Barreiras - Questionado se produtos brasileiros estão enfrentando barreiras iranianas, o ministro não quis responder. A União Brasileira de Avicultura afirma que as vendas de frango para o Irã, em alta até outubro, passaram a ser vetadas sem justificativa. Já a multinacional brasileira JBS relata ter tido milhares de toneladas de carne bovina retidas por três semanas em um porto iraniano. (Folhapress)

A sombra de Kadafi na Líbia

NIGÉRIA

O Joseph Eid/AFP - 22/09/11

Apolícia da Nigéria divulgou ontem um comunicado estabelecendo em 185 o número de mortos pela série de ataques terroristas que atingiu a cidade de Kano na última sexta-feira. O anúncio chegou no mesmo dia em que equipes encontraram ao menos oito bombas em carros espalhados pela cidade, no norte do país, o que mostra que os planos dos membros da seita muçulmana Boko Haram incluíam ainda mais atentados. (Agências)

seguro para os norte-americanos no menor tempo possível.". O Estreito de Ormuz, que tem 54 quilômetros de largura no seu ponto mais fechado, é a única passagem do Golfo Pérsico para o Mar da Arábia, no Oceano Índico. Por Ormuz passa não só petróleo do Irã, mas também do Iraque, do Kuwait, da Arábia Saudita, do Bahrein e dos Emirados Árabes Unidos. Os Estados Unidos, que elogiaram as sanções europeias, deixaram claro que usarão força militar para impedir que o Irã cumpra a ameaça de fechar a passagem. Ontem, o Pentágono divulgou que o porta-aviões USS Abraham Lincoln cruzou o estreito e está agora no Golfo Pérsico. Uma fragata britânica e uma embarcação francesa uniram-se ao comboio para cruzar a estratégica rota. (Agências)

A

Khaled Elfiqi/AFP

O

Parlamento egípcio voltou às funções ontem pela primeira vez desde que uma histórica eleição livre levou os islâmicos ao centro do poder, após anos de repressão sob o governo do presidente deposto Hosni Mubarak. A escolha de um político da Irmandade Muçulmana como presidente do Parlamento simbolizou a força do movimento islâmico no país. "A era da exclusão política acabou no Egito", comemorou o novo presidente do Parlamento, Saad al-Katatni. A Irmandade Muçulmana foi banida da vida política oficial do Egito durante grande parte dos seus 84 anos de existência. O grupo só saiu da clandestinidade após a revolução de 18 dias que derrubou Mubarak em fevereiro de 2011. Katatni honrou as vítimas da

lho. E essa estratégia será revista em maio, quando decidirão se ela seguirá adiante. A UE importa cerca de 600 mil barris de petróleo por dia do Irã – o equivalente a cerca de um quarto de todas as exportações iranianas da commodity, segundo dados da Agência Internacional de Energia (AIE). Ameaças - As punições, que agravam as já adversas condições de vida da população, levaram influentes políticos iranianos a ameaçar agir para desestabilizar o mercado de petróleo. Mohammed Ismail Koswari, vice-líder do comitê de segurança nacional do Parlamento, disse que o Estreito de Ormuz "será fechado se a venda do petróleo iraniano for violada de qualquer maneira". "Se a América buscar aventuras depois do fechamento do Estreito de Ormuz, o Irã tornará o mundo in-

Foguetes voltam a ser lançados em Bani Walid, ex-bastião do ditador.

ex-ditador Muamar Kadafi pode ter morrido, mas a sua influência na Líbia ainda está presente. Homens armados fiéis ao ex-líder líbio assumiram o controle de boa parte da cidade de Bani Walid, a 150 quilômetros ao sul da capital Trípoli, após enfrentamentos que causaram a morte de quatro insurgentes e deixaram 20 feridos. De acordo com testemunhas, os homens anunciaram a libertação do local. "Eles tomaram o controle de toda a cidade", disse Mbarek Fotmani, an-

tigo membro do Conselho Nacional de Transição (CNT), atualmente no poder na Líbia, citado pela agência de notícias France Presse. A proliferação de armas e a falta de uma polícia fazem que os conflitos entre grupos rivais aumentem no país. Os combates começaram quando soldados do novo governo detiveram um partidário de Kadafi, o que revoltou ex-soldados do governante morto no ano passado, disse o morador Moussa al-Warfali. Fotmani disse ainda que um

grupo de simpatizantes do governo deposto, que carregava a antiga bandeira oficial da Líbia, cercou um quartel do Exército enquanto gritava palavras de apoio a Kadafi. A bandeira verde do antigo regime foi levantada no portão norte da cidade. Fotmani responsabilizou o CNT pelo ocorrido, pois a entidade não enviou forças de apoio como havia prometido após enfrentamentos ocorridos em novembro passado em Bani Walid, uma das últimas cidades a se render à rebelião contra Kadafi no ano passado. (Agências)


DIÁRIO DO COMÉRCIO

8

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

São Paulo Agliberto Lima/DC

458 anos

Olhos fixos no planeta chamado São Paulo Douglas Galante se dedica à astrobiologia, ciência que estuda a evolução do universo. Para ele, cidade está entre os grandes polos científicos do planeta. Newton Santos/Hype

Douglas Galante, astrobiólogo da Universidade de São Paulo (USP): paulistano do Brás afirma que a cidade abriga instituições de pesquisa e ensino comparáveis às melhores do mundo

Valdir Sanches

E

m São Paulo, desde a escolinha que os jesuítas ergueram no Pátio do Colégio, há 458 anos, sempre houve muita gente que fez a cidade ter um pé no futuro. No momento, Douglas Galante é uma delas. Ele é um astrobiólogo. Vive com o olhar tanto na terra como nas estrelas. Eram pessoas dessa natureza que estavam nos navios de Cristóvão Colombo ou na Escola de Sagres com o infante Dom Henrique. Exatamente como está hoje Douglas na nave São Paulo. Em um pontinho, em um lugar que é "uma poeirinha", um milhão de vezes menor que o Sol, vive Douglas Galante. Ele é um paulistano com olhos e lentes (de telescópio) voltados para o futuro. Amanhã, São Paulo, esse pontinho, completa 458 anos de existência. Quando foi fundada, Galileo Galilei, o físico italiano, ainda não tinha descoberto que a Terra, a poeirinha, gira em torno do Sol. Douglas Galante é descendente de italianos. Nasceu no tradicional bairro do Brás. Desde pequeno, tem um sonho: ser astronauta. Quando começou a pensar nisso, o primeiro homem a pisar na Lua (1969) já era História. Na infância de Douglas, os ônibus espaciais já estavam em órbita, e estações espaciais sendo montadas. Douglas tem 29 anos. É um astrobiólogo. Seu trabalho consiste em tentar compreender a origem, a evolução e o futuro da Terra e do Universo, e buscar vestígios de vida em outros planetas. Graduouse em Ciências Moleculares e tem doutorado em Astronomia, ambos na USP. Inspiração – Ao falar de São Paulo, diz o cientista paulistano: "É mais um membro importante desta sociedade, capaz de inspirar sonhos de aventura e descobrimento de nosso Universo, agindo como os antigos bandeirantes. As novas fronteiras, porém, são as do conhecimento". Não vá imaginá-lo apenas grudado no telescópio, ou ocupado dias sem fim com o reator nuclear e o acelerador de partículas. Douglas viaja para muitos lugares do nosso planeta - "uma poeirinha", como o define, diante da imensidão do Universo. Semana passada chegou de

uma pesquisa de microorganismos na região do deserto de Atacama, que se estende do Chile ao Peru. Seu prazer é, como diz, "estar em lugares abertos, junto com a natureza". Assim, procura "fazer do trabalho o meu hobby". Isso tudo fora a aventura. Antes da carteira de motorista, tirou brevê de piloto de avião. Também é paraquedista, montanhista (gosta de escalar o Aconcágua, nos Andes), m e rg u l h a d o r, ciclista (viajou setecentos quilômetros de Curitiba a Ushuaia, na Argentina) e mochileiro. Com a mochila às costas, aos dezesseis anos, acampou "à luz das estrelas" em Outback, região desértica da Austrália. Continuou viajando, às vezes sozinho, e sempre esteve em desertos, sua predileção. Em tempo: também faz canoagem e pratica rafting, a descida em botes por trechos encachoeirados de rios. E traking, faz caminhadas e vai acampando. O que um astrobiólogo de vida intensa, viajado, acha de São Paulo? "Sendo cientista, estou acostumado a trabalhar com pessoas do mundo todo, a viajar para congressos, experimentos ou expedições científicas, passando por desertos e por grandes cidades. Mas nasci, cresci, estudei em São Paulo. E, ao longo do tempo, aprendi que, do ponto de vista científico, é uma cidade imponente, com instituições de pesquisa e ensino comparáveis às grandes universidades dos Estados Unidos e Europa, muitas vezes melhor. "Temos uma riqueza incrível para ser explorada em nosso país, com sua natureza exuberante e com um povo e cultura únicos. São Paulo, com seu desenvolvimento atual, tem o potencial e a responsabilidade de liderar o uso consciente desses recursos, e con-

tribuir para o desenvolvimento do País", diz. "A pesquisa científica na cidade pode ainda ser muito melhor explorada e incentivada. Ser usada como incentivo às novas gerações e como uma ferramenta para o aprimoramento tecnológico, industrial, social e humano", completa. Nasa – Mas Douglas continua a acalentar seu sonho de estar em Houston, no Texas, onde fica o Centro Espacial da Nasa, a agência espacial americana. "Eu continuo esperando minha oportunidade, me preparando para isso", diz. Os lançamentos de Houston levam os pilotos, e um especialista da missão - um cientista. Os dois primeiros têm de ser

americanos, mas o terceiro não. E Douglas está interessado justamente nos experimentos científicos no espaço. Estava com onze anos, e já sonhava em ser astronauta, quando uma pessoa entrou na sala de aula de sua escola, para oferecer acampamento de verão nos Estados Unidos. Onde? Em Houston. Foi duas vezes, ouviu palestras de astronautas, conheceu muita coisa sobre as missões e os lançamentos. Logo na primeira vez tomou sua decisão - ser cientista. Gosto não lhe faltava. "Li todo o Júlio Verne." Muito acima, infinitamente acima da camada de poluição que cobre São Paulo, lá onde es-

tão bilhões de estrelas e planetas, situa-se a preocupação de Douglas Galante. Ele sabe que o planeta Terra será destruído, e o Sol vai morrer. Mas estas não são suas preocupaç õ e s i m e d i a t a s, nem que seja porque esses fenômenos vão demorar bilhões de anos para acontecer. Sua inquietação está em entender como a vida surge no Universo, como se distribui por ele, onde existe. Será apenas na Terra, ou em outros lugares do sistema solar, onde estamos? Ou será fora dele? Bactérias – Galante não procura ETs, obviamente; mas microorganismos. Bactérias, fungos. Nessa busca, os astrobiólogos, como ele, têm duas possibilidades de ação. A primeira é enviar uma sonda espacial, como a que foi a Marte. Mas isso só é possível em alvos do nosso sistema solar. Fora dele, não há como, pois é muito longe. Para fora do sistema solar entra o segundo meio, o uso do telescópio. Melhor deixar que Douglas explique. "Quando eu aponto meu telescópio para uma nova estrela ou um novo planeta, eu quero falar 'olha tem vida ali'. Não é tão simples dizer que tem vida. Eu tenho que saber o que procurar. Normalmente eu procuro as alterações químicas criadas naquele ambiente, induzidas pela presença de vida", diz. Manganês – "E eu preciso entender o metabolismo dessa vida, como ela processa os elementos químicos, para saber se aquilo é um sinal de vida ou não." Foi por isso que Galante e seu colega Ivan Lima, pós graduado na Nasa, foram à região do deserto de Atacama, que se estende do Chile ao Peru. O ponto onde estiveram é rico em manganês. O objetivo deles foi estudar se bactérias lá existentes usam esse minério para se proteger da radiação do sol. A bactéria usada como modelo

suporta doses de radiação solar 5 mil vezes mais altas do que o ser humano tolera. "Se a gente entende como esse organismo pode sobreviver aqui na Terra, entende como poderia sobreviver em outros lugares fora daqui." Com esses dados, Douglas faz simulações no computador, em sua sala de trabalho no IAG, o Instituto de Astronomia e Geofísica da Universidade de São Paulo. E, com Ivan Lima, realiza experimentos em reatores nucleares e aceleradores de partículas. Põe neles um microorganismo, para simular o que ele é. O IAG está construindo uma câmara para simular a superfície de Marte. "Um fungo do deserto de Atacama sobreviveria em Marte?", pergunta Douglas. Quebra-cabeça – A astrobiologia exige a dedicação de profissionais como astrônomos, biólogos, químicos, geólogos. Um esforço conjugado para resolver um grande quebra-cabeças. "Cada um coloca uma pequena peça." No tabuleiro estão as estrelas, que chegam a ser cem vezes maiores que o Sol. Elas produzem energia própria, e uma hora explodem. Nesse momento, o da explosão, são chamadas supernovas. Os corpos celestes menores, sem energia própria, são os planetas. Podem ser gasosos, grandes bolas de gás, como Júpiter e Saturno. Ou de rocha e minério, como a Terra. Pelas contas dos cientistas, essa velha senhora tem 4,6 bilhões de anos. É, como se viu, um milhão de vezes menor que o Sol. Seu satélite, a Lua, "além de inspirar os românticos e os loucos", tem um papel muito importante para nós: sua órbita, em torno da Terra, faz com que a órbita de nosso planeta, ao redor do Sol, não oscile. Órbita lunar – Mas está havendo um problema. A Lua está se afastando da Terra, coisa de dois centímetros por ano. Quando ficar longe demais, a órbita do planeta "vai começar a bambolear". Isso vai embaralhar as estações climáticas, inverno, verão, e os hemisférios, sul, norte. Estará tudo perdido. A temperatura vai oscilar drasticamente, e atingir altas nunca imaginadas. Mas isso pode ser posto na conta de muitos milhões de anos. Por ora, pode-se namorar em paz à luz da lua, em algum lugar inspirador de São Paulo.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

9

São Paulo Agliberto Lima/DC

Apu Gomes/Folhapress

458 anos

No aniversário de SP, bolo do Bixiga volta recatado Desta vez, moradores do Bixiga vão receber bolinhos embalados em plástico, oferecidos por uma empresa Chico Ferreira/Luz

José Maria dos Santos

"O

i nóis aqui trá veiz"! Em se tratando do bairro do Bixiga, somente um verso de Adoniran Barbosa estaria à altura para saudar a volta do célebre bolo de aniversário de São Paulo após quatro anos de ausência, que era servido gratuitamente na Rua 13 de Maio em 25 de janeiro. Caso não tivesse havido essa interrupção, amanhã ele estaria chegando à sua 27ª edição. Porém, o bolo retorna com recato. Se os anteriores ganharam fama pelo tamanho - o último tinha 454 metros, este vem com 4,58m. Não causaria furor numa festa de casamento. A dimensão com a centimetragem quebrada tem sua razão de ser, pois a medida do bolo, tradicionalmente, registrava a idade da cidade. Na hipótese dessa tradição ser mantida, é possível que ele venha a ser proibido novamente, pois sua suspensão se deveu ao gigantismo. Ou melhor, às cenas pouco elegantes que provocava e que geraram protestos candentes. As pessoas, às centenas, se atiravam freneticamente àquele mar de bolo colocado sobre pranchas em cavalete, levando sacolas para transportar blocos de bolo, pisoteando glacê e marshmellow que ficavam pelo chão naquela correria. "Uma vez o prefeito Kassab veio, mas nem teve tempo de ver o bolo, tanta foi a pressa do povo", lembra Walter Taverna, 78 anos, responsável pela festa de amanhã. Evidentemente, os 4,58m de bolo serão simbólicos, servidos apenas para os vips. A população ganhará mini-bolos de pão-de-ló (300g cada um) devidamente embalados, oferecidos pelo Pastifício Renata, da cidade de Sumaré, que foi generoso na iniciativa: mandou oito mil! Convém lembrar que São Paulo possui 33 cidades-irmãs, algumas delas com reconhecida experiência em doces como Hamburgo, Lisboa ou Milão que, provavelmente não lhe enviarão sequer um telegrama, enquanto Sumaré não consta da relação. Armadinho - A ideia do bolo de aniversário nasceu de Armandinho Pugliese, uma figura lendária no Bixiga, animador cultural do bairro, falecido em 1994. Ele foi presidente da Vai-Vai no tempo em que a escola ainda era cordão e podia ser encontrado no Lusitano, um clube onde dava as cartas. Convocou Walter Taverna para ajudá-lo no projeto. Como se vê, Taverna acabou herdando a incumbência. Hoje, proprietário de três re s t a u r a n t e s i t a l i a n o s n o bairro, Taverna nasceu no Bixiga, na própria 13 de Maio, pelas mãos de uma parteira. Ele recorda que a casa da família era grande, capitaneada pelo avô, que, como bom italiano, agrupava os filhos, mesmo casados, ao seu redor e que tirava o sustento de uma cocheira mantida ao lado. Ali hospedava e tratava dos

Ontem, manifestantes incendiaram um caminhão da prefeitura

Pinheirinho tem novo dia de confrontos com a PM

U

Walter Taverna: missão de continuar com a tradição do bolo de aniversário para a cidade de São Paulo

ma cidade fantasma. Foi o que moradores autorizados a voltar à invasão Pinheirinho para retirar seus pertences encontraram ontem. Cercada por mais de 300 PMs, a área onde 6 mil pessoas - ou 2,5 mil segundo a prefeitura - viviam até domingo está sitiada. A PM controla a entrada de moradores e da imprensa e vigia o local para evitar saques. Na única entrada do terreno, PMs faziam a guarda ao lado de máquinas usadas para limpar entulho e caminhões de mudança cedidos pela prefeitura. A previsão é de que até a noite de hoje todos os moradores tenham retirado móveis e objetos. A demolição das mais de mil casas deve começar a seguir. Sem os moradores, apenas PMs circulavam em meio a dezenas de cachorros e galinhas deixados para trás. Varais exibiam roupas la-

vadas no dia anterior. De manhã e à tarde, houve confronto em áreas próximas ao Pinheirinho. Um caminhão da prefeitura foi queimado, e moradores, revoltados com a demora no atendimento num centro de triagem, entraram em choque com PMs e guardas civis. Balas de borracha foram disparadas. Não houve feridos. Moradores eram etiquetados para serem atendidos pela prefeitura. Os móveis também recebiam numeração. Ontem, a Associação Democrática por Moradia e Direitos Sociais de São José dos Campos recorreu ao Supremo Tribunal Federal para suspender a operação de reintegração de posse no Pinheirinho. O governador Geraldo Alckmin disse que serão avaliados possíveis abusos cometidos pela PM na reintegração de posse. (Agências)

Leo Barrilari/Folhapress

Carro foi arrastado pelas águas no Cambuci, na chuva de ontem

Temporal provoca caos

A

animais dos carroceiros da cidade e de eventuais tropeiros de passagem. Essas raízes certamente explicam o entusiasmo dele em preservar algo como a distribuição do bolo agora os bolos - que, aliás, terá inicio às 11h30. O brinde está dentro de uma programação que será aberta às 9h, com

show musical e atrações variadas, entre elas a apresentação de sósias das celebridades. Nesse tópico, o mérito é do "seu" Taverna. Uma de suas especialidades é a de promover encontros dessas figuras, entre as quais está assistindo, com espanto, a uma inflação de joões paulos II. Outra refere-

se à reunião de anões, ele é responsável pela criação do Dia do Anão na cidade, comemorado em 20 de janeiro. Taverna faz essas coisas por gosto e também por ser fundador e presidente da Sociedade de Defesa da Tradição e Progresso da Bela Vista, popularmente conhecida como Bixiga.

pancada de chuva que caiu sobre São Paulo na tarde de ontem durou pouco mais de uma hora, mas foi o suficiente para derrubar 18 árvores, abrir uma cratera na Avenida 9 de Julho – interditando, às 17h40, duas das três faixas da via em direção ao Centro – e deixou dois bairros sem energia elétrica. O Corpo de Bombeiros não registrou feridos. Os bloqueios fizeram a cidade somar 30 quilômetros de congestionamento às 15h, quando a média para o horário é de 14,5 km, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Também contribuíram para a lentidão 42 semáforos quebrados. Na 9 de Julho, o asfalto cedeu após o rompimento de uma galeria de águas pluviais na saída do túnel. A cidade teve 15 pontos de alagamento, dos quais seis intransitáveis. Os bairros do Bom Retiro e Glicério foram os mais prejudi-

cados na região central. Na Praça 14 Bis, as pistas ficaram debaixo d’água. Um bolsão se formou na Avenida 23 de Maio, interrompendo o fluxo de veículos na altura do Viaduto General Euclides de Figueiredo, na zona sul. Ve nto – O temporal foi acompanhado por uma ventania, que teve pico às 15 horas, de acordo com o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da Prefeitura. A velocidade das rajadas chegou a 46 km/h no Aeroporto de Congonhas, na zona sul. A chuva e a força dos ventos foram responsáveis pela queda das árvores que atingiram a fiação aérea da AES Eletropaulo e deixaram os bairros de Vila Mariana e Ibirapuera sem energia toda a tarde. As pistas centrais da Rodovia Anchieta foram bloqueadas preventivamente por causa da cheia do Ribeirão dos Couros, na região do ABC. (Folhapress)


DIÁRIO DO COMÉRCIO

10 -.LOGO

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Alexandre Carvalho/Fotoarena/AE

www.dcomercio.com.br

São Paulo 458 anos

Até o dia 29 a fonte do lago do Parque do Ibirapuera, na zona sul de São Paulo, será palco de um show de luzes e cores. O espetáculo acontece em comemoração ao aniversário de 458 anos da cidade, que será celebrado amanhã.

C IÊNCIA M ODA

A RQUITETURA

São os cães 'telepatas'?

Alexander Klein/AFP

U Primavera na cabeça vestidos clássicos para as mulheres, mas renovados com cores berrantes. Ele também chamou a atenção do público com chapéus de flores em tamanho gigante. Entre os editores de moda, ficou a dúvida: essa moda é glamourosa?

I NTERNET

Dono do Megaupload segue na prisão Uma corte da Nova Zelândia ordenou ontem que o fundador do site de compartilhamento de arquivos Megaupload, Kim Schmitz, continuasse preso. Ele compareceu a uma audiência e alegou inocência diante das acusações de pirataria na internet e lavagem de dinheiro. Ele afirmou ainda que as autoridades estão manchando sua imagem. A procuradora Anne Toohey afirmou, na audiência, que o alemão, também conhecido como Kim Dotcom, era um risco porque teria acesso a fundos, múltiplas identidades e um histórico de fugir de acusações criminais. Dotcom já está preso há E M

dade de cães "telepatas". Para provar sua teoria Rupert Sheldrake monitorou uma mulher fazendo compras enquanto seu cão ficou em casa. O cientista orienta a mulher a voltar para casa e

apenas onze segundos depois dela iniciar seu retorno o cão se levanta e vai para a porta da casa, ficando ali até sua dona chegar. Sheldrake acredita que cachorros e seus donos estão conectados à distância, pelo que ele chama de campo amórfico, uma espécie de conexão que uniria os campos cerebrais das duas partes. Para a maioria dos cientistas, entretanto, a reação do animal não passa de resultado de seus hábitos ou mesmo da ansiedade por ficar sozinho.

A torre do Big Ben vem se inclinando cada vez mais, de forma semelhante à de Pisa, mas numa escala muito menor, pelo que uma comissão parlamentar britânica decidiu ontem encarregar-se, sem pressa, de um fenômeno atualmente visível a olho nu. Especialistas dizem que não há risco de acidente. Segundo uma investigação oficial, com conclusões publicadas em 2010, a inclinação da torre do Big Ben foi acentuada em agosto de 2003 por motivos desconhecidos, e aumenta anualmente 0,9 mm. A torre do relógio de 96 metros de altura foi concluída em 1859. Big Ben é, na verdade, o nome do maior dos sinos da torre, que pesa 13 toneladas.

Nasa/AFP

Modelos desfilam criações do estilista francês Alexis Mabille durante a semana de alta-costura para a temporada Primavera/Verão em Paris. O estilista, conhecido por seus assessórios extravagantes, aposta na fusão de modelos de

Enrique Marcarian/Reuters

m cientista britânico causou polêmica ao divulgar ontem uma teoria segundo a qual os cães teriam capacidade de se comunicar telepaticamente com seus donos. O pesquisador Rupert Sheldrake, da Universidade de Cambridge, acredita que só a telepatia explica a conexão que existe entre os animais da espécie e os seres humanos. A conexão "especial", "inexplicável", é relatada por vários donos de cães. Mas a maioria dos especialistas descarta a possibili-

Big Ben, a nova torre de Pisa

três dias, junto com outros executivos alemães do Megaupload - Finn Batato, 38 anos, chefe técnico do portal e Mathias Ortman, 40 anos, também cofundador do Megaupload. O holandês Bram van del Kolk, de 29 anos, também foi preso com o grupo na Nova Zelândia. Os quatro foram levados ao tribunal e tiveram a prisão preventiva mantida. Agora, o grupo será levado a julgamento. O advogado de defesa será Robert Bennett, de Washington, o mesmo que defendeu o ex-presidente americano Bill Clinton de acusações assédio sexual quando ele era governador do Arkansas.

C A R T A Z

NATUREZA L

CHUVA DE SOL - Em meio à mais intensa temporada de tempestades solares desde 2005, os cientistas afirmaram ontem que outra labareda solar enviará radiações à Terra amanhã afetando satélites. Na foto, imagem da Nasa mostra erupção solar do dia 19.

A RTE

H ACKERS

http://bit.ly/zdMcIE

L OTERIAS

Máscaras de origami A TÉ LOGO

Sem cola ou tesoura, apenas uma folha de papel, o talento raro para dobraduras e, ás vezes, um pouco de tinta para o acabamento. É assim que o artista Joel Cooper cria suas obras. http://joelcooper.wordpress.com/

Concurso 707 da LOTOFÁCIL 03

04

06

07

08

11

12

14

15

16

17

20

21

24

25

Acesse www.dcomercio.com.br para ler a íntegra das notícias abaixo:

Após transplante, Gianecchini se recupera e deve receber alta nos próximos dias Estado de saúde do humorista Chico Anysio ainda é grave, segundo boletim

L

EM mais uma ação de seu protesto virtual que não tem data para acabar, o grupo hacker Anonymous publicou em seus perfis no Twitter – @Anon_Central e @Anonps – um link que reúne cerca de dez anos da produção de músicas e filmes da Sony. O endereço encaminha o usuário para uma página de arquivos de diversos artistas que lançaram seus álbuns pela Sony, além de alguns filmes. A ação é um protesto ao fechamento do site Megaupload. O endereço pode ser encontrado nos perfis do grupo no Twitter e no Facebook.

L

O grupo hacker Chronic Dev Team disponibilizou ontem na internet o Absinthe, programa que desbloqueia os aparelhos iPhone 4S e iPad 2 para que os usuários possam instalar programas e aplicativos diferentes dos oferecidos pela Apple. O jailbreak Absinthe funciona somente em aparelhos que rodam a versão 5.0.1 do iOS. O programa está disponível para download para Mac e Windows no blog do grupo, e deve ser disponibilizado em breve para usuários do Linux.

L

Filmes e CDs da Sony de graça

Conteúdo do YouTube cresce 30% Mais de 4 bilhões de reproduções diárias e 60 novas horas de vídeo compartilhadas por minuto são os números recordes divulgados ontem pelo YouTube, que nos últimos oito meses registrou uma alta de 30% em seus conteúdos. O número de reproduções registradas a cada dia representa um aumento de 25% sobre as contabilizadas há oito meses, um êxito que é atribuído às novidades introduzidas recentemente no design e na navegação da página.

Árvores da cidade são tema de mostra no Parque do Ibirapuera. Avenida Pedro Álvares Cabral, s/n, próximo a fonte do lago (acesso pelos portões 9 e 10). Grátis.

iPhone 4S e iPad2 desbloqueados

E NTRETENIMENTO

Nasa recebe mais de três mil solicitações de inscrição para seleção de astronautas

Concurso 2805 da QUINA 12

21

29

43

69


DIÁRIO DO COMÉRCIO

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

e

11 HÁ VAGAS BR Foods "importa" mão de obra para Mato Grosso do Norte e Nordeste

conomia

IDV Faturamento real do varejo deve crescer 6,5% em janeiro

Bruno Domingos/Reuters

Vem aí uma nova Petrobras

Graça Foster deve ser oficializada presidente dia 9, com a missão de dar um choque de gestão na companhia, mas mantendo os investimentos.

A

atual diretora de Gás e Energia da Petrobras, Maria das Graças Silva Foster, foi indicada pelo presidente do Conselho de Administração da estatal, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para ser a nova presidente da companhia. Ela deve ocupar a vaga preenchida por José Sergio Gabrielli desde 2005. Ele, por sua vez, pretende seguir carreira política na Bahia. De acordo com o comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) pela empresa ontem, o Conselho da companhia apreciará a indicação da nova presidente em reunião no próximo dia 9 de fevereiro. Mas a notícia da mudança já foi suficiente para animar o mercado. O Ibovespa, principal indicador do mercado

acionário brasileiro, fechou em alta de 0,12%, na contramão das bolsas europeias, puxado por elevação expressiva das ações da Petrobras (leia mais no texto abaixo). Choque de gestão – Uma das prioridades de Graça Foster (como é conhecida a executiva), após ser confirmada pelo Conselho de Administração, deverá ser o crescimento da produção de petróleo, praticamente estagnada nos últimos anos. Funcionária de carreira da Petrobras, ela receberá a missão de dar um choque de gestão na estatal, de acordo com fontes do governo federal. Executivos da própria Petrobras e de outras empresas do setor petrolífero, que pediram para não ser identificados, avaliam que o governo andava insatisfeito com os resultados

Ações sobem quase 4%

A

s ações da Petrobras foram as estrelas do pregão de ontem. A notícia da substituição do presidente da companhia, José Sergio Gabrielli, pela diretora de Gás e Energia, Maria das Graças Silva Foster, agradou o mercado e o resultado foram ordens intensas de compras. Os papéis chegaram a subir 5% no meio da tarde e fecharam em alta de quase 4%, impedindo a BM&FBovespa de passar por uma realização de lucros. Ajudadas pela compra do investidor externo, as ações ON da estatal subiram 3,61% (giro de R$ 282,864 milhões) e as PN avançaram 3,76% (o maior giro da sessão, de R$ 909,036 milhões). Os papéis também foram beneficiados pela alta do preço do petróleo no exterior,

em razão na notícia de que a União Europeia aprovou embargo ao petróleo do Irã. Na Nymex, o contrato do petróleo para março encareceu 1,27%, a US$ 99,58 o barril. Vale, por outro lado, teve um pregão mais fraco. A ON caiu 0,72% e a PN subiu 0,15%. Por causa de Petrobras, o Ibovespa, maior indicador do mercado brasileiro, acabou fechando em alta de 0,12%, na contramão das bolsas norte-americanas. O Dow Jones tinha variação negativa de 0,08%, o S&P registrava variação positiva de 0,02%, e o Nasdaq recuava 0,12%. As bolsas europeias subiram com a expectativa de um acordo entre o governo grego e credores privados acerca da dívida do país, e também pelo bem-sucedido leilão de bônus da Alemanha. (AE)

da gestão de Gabrielli. Nos últimos dois anos, a companhia descumpriu suas metas de produção de petróleo no Brasil, de 2,1 milhões de barris diários. Em 2011 o volume médio ficou em 2,022 milhões de barris por dia, 3,7%, inferior à meta; e em 2010 foi de 2,003 milhões de barris, volume 4,6% abaixo do desejado. Investimentos – Apesar das expectativas de mudanças na administração da empresa, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou que a indicação de Graça Foster para o comando da petrolífera brasileira não vai alterar o plano de investimento da empresa nos próximos anos. Isso porque, segundo lembrou Lobão, o plano já foi aprovado pelo Conselho de Administração. Na opinião dele, as diretrizes atuais já refletem a política do governo da presidente Dilma Rousseff e serão mantidas. Graça Foster estará à frente de um dos maiores planos de investimentos plurianuais de companhias do mundo, que gira em torno de US$ 224 bilhões. Mesmo assim, esse planejamento poderia sofrer somente pequenos ajustes, nas palavras de Edison Lobão, após a mudança de comando. O ministro disse ainda que a nova presidente deve apresentar nos próximos dias o seu programa de administração para avaliação do Conselho. De acordo com ele, ainda não foram definidas mudanças na direção da Petrobras e isso será discutido com a nova presidente. Gabrielli– José Sergio Gabrielli, que tem aspirações políticas, pode concorrer ao governo da Bahia em 2014. O governador Jaques Wagner (PT) já o convidou para ocupar uma secretaria do estado, mas não estava claro se ele não teria que cumprir uma quarentena. São

Uma das prioridades de Graça Foster será o aumento da produção de petróleo, estagnada nos últimos anos

três opções: Indústria, Comércio e Mineração, Planejamento e Fazenda. Gabrielli pode não ser o único executivo a deixar a diretoria da estatal. Uma fonte do governo federal disse que presidente Dilma também estuda a substituição dos diretores financeiro, Almir Barbassa, e de Exploração e Produção, Guilherme Estrella. Segundo a fonte, as mudanças na diretoria da Petrobras estariam restritas a esses postos. (Agências)

O estilo Dilma chega à petrolífera

A

primeira mulher a alcançar a presidência da Petrobras tem um estilo gerencial bem parecido com o da Presidente da República Dilma Rousseff. Exigente e determinada, Maria das Graças Silva Foster costuma ser dura com quem não atende suas demandas. Com fama de brava, Graça Foster, como é chamada, desperta admiração daqueles que trabalham com ela por seus conhecimentos técnicos, firmeza nas cobranças que faz e também por sua garra e superação diante das dificuldades vividas na infância. Nascida em Caratinga, no interior de Minas Gerais, em 1953, mudou-se com dois anos para o Rio, onde cresceu no

Sérgio Lima/Folhapress

Complexo do Alemão, comunidade que por anos foi ícone de violência da cidade, até ser pacificada em 2010. Assessores, funcionários e executivos que trabalham com Graça são unânimes em destacar o que consideram a sua principal marca: o perfeccionismo. Uns relatam que ela às vezes é dura com quem não atende a suas exigências. "Ela faz valer o que está escrito, é muito exigente e rigorosa com prazos", afirma uma fonte próxima à futura presidente da Petrobras. Uma das 50 mulheres em ascensão no mundo dos negócios, de acordo com o jornal inglês Financial Times, Graça tem apoio de Dilma desde 2003, quando foi indicada para ocupar a secretaria de Petróleo e

S.A. CNPJ. 97.837.181/0001-47

Companhia Aberta

NIRE 35300154410

FATO RELEVANTE Emissão Privada de Debêntures Conversíveis em Ações Em Fato Relevante divulgado em 18.04.2011, a DURATEX S.A. (“Companhia”) informou decisão estratégica de ampliar sua atuação no segmento de MDF, mediante investimentos com recursos próprios e de terceiros destinados: (i) à implantação, na unidade industrial da Companhia localizada em Itapetininga (SP), de: uma nova linha de produção de painéis de fibra de madeira reconstituída de média densidade (MDF), com capacidade efetiva de 520 mil m³/ano; uma nova linha de revestimento em baixa pressão; e uma impregnadora de papel laminado a baixa pressão; e, (ii) à aquisição, pela Companhia, das máquinas e equipamentos nacionais necessários ao projeto descrito no inciso (i). Nesse contexto, a Companhia vem a público informar, em atendimento ao disposto na Instrução CVM nº 358/02, que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES aprovou: • a concessão de colaboração financeira à Companhia no valor de R$ 178.722.000,00; e • a sua participação, por meio da subsidiária BNDESPAR, na emissão privada de debêntures que a Companhia fará no montante de R$ 99.999.900,00, com garantia flutuante, conversíveis em ações, assumindo o compromisso de subscrever e integralizar debêntures, no mínimo, na qualidade de cessionária do direito de preferência dos Acionistas Controladores. Para tanto, a Companhia convocará seus acionistas para deliberar sobre essa emissão de debêntures em Assembleia Geral Extraordinária no próximo dia 8 de fevereiro, assim como divulgará, oportunamente, aviso aos acionistas no qual detalhará os procedimentos para participação na emissão das debêntures. São Paulo (SP), 23 de janeiro de 2012. Flávio Marassi Donatelli Diretor Executivo Financeiro e de Relações com Investidores

S.A. CNPJ 97.837.181/0001-47

Dura e perfeccionista, Graça Foster tem apoio de Dilma desde 2003.

Gás do Ministério de Minas e Energia, que era comandado na ocasião pela atual presidente da República. Funcionária de carreira da

Petrobras, onde ingressou como estagiária de engenharia em 1978, assumiu a diretoria de Gás e Energia em setembro de 2007. (Reuters)

Philippe Desmazes/AFP

Gabrielli inspirou confiança

J

osé Sergio Gabrielli de Azevedo está na presidência da Petrobras desde julho de 2005 por indicação do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na época, sua nomeação causou apreensão no mercado, que considerava seu perfil acadêmico demais para a função. No entanto, Gabrielli conseguiu quebrar a desconfiança dos investidores e ganhou do jornal New York Times, o título de "Melhor Executivo de Finanças da América Latina" e o troféu "Equilibrista", do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef). Desde 2003, Executivo foi considerado pelo New York Times o Melhor Executivo de Finanças da AL

ele ocupava a diretoria Financeira da companhia. O executivo esteve à frente do processo de capitalização da empresa, em 2010, a maior oferta de ações já realizada no mundo, levantando cerca de R$ 120 bilhões para exploração do Pré-Sal. Gabrielli nasceu em Salvador, em 3 de outubro de 1949. É graduado em Economia pela Universidade Federal da Bahia, professor licenciado da mesma instituição, e PhD em economia pela Universidade de Boston. Foi considerado pela Revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009. (Agências)

Companhia Aberta NIRE 35300154410 Edital de Convocação ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA Os Senhores Acionistas da DURATEX S.A. são convidados a se reunirem em Assembleia Geral Extraordinária, que será realizada em 08.02.2012, às 15:00 horas, no auditório da sede social, na Avenida Paulista, 1938 - 5º andar, em São Paulo (SP), a fim de examinar e deliberar sobre a seguinte proposta do Conselho de Administração: I - Emissão Privada de Debêntures Aprovação dos termos e condições da primeira emissão privada de 777.000 debêntures, conversíveis em ações ordinárias de emissão da Companhia, em série única, da espécie com garantia flutuante, no valor total de R$ 99.999.900,00 e com vencimento em 5 anos contados da data de emissão, bem como autorização para a administração da Companhia praticar os atos e firmar os documentos necessários à formalização da operação; II - Alterações Estatutárias Alteração e consolidação do Estatuto Social com o objetivo de adaptá-lo às novas regras do Regulamento de Listagem do Novo Mercado da BM&FBOVESPA - Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros. Informações Gerais: Os documentos a serem analisados na Assembleia encontram-se à disposição dos Acionistas no website de relações com investidores da Companhia (www.duratex.com.br/ri), bem como no website da CVM (www.cvm.gov.br) e da BM&FBOVESPA (www.bmfbovespa.com.br). Para exercer seus direitos, os Acionistas deverão comparecer à Assembleia portando documento de identidade e comprovante de depósito das ações emitido pela instituição depositária, contendo a respectiva participação acionária. Os Acionistas podem ser representados na Assembleia por procurador, nos termos do artigo 126 da Lei 6.404/76, desde que o procurador esteja com documento de identidade e os seguintes documentos comprovando a validade da procuração (para documentos produzidos no exterior, a respectiva tradução consularizada e juramentada): a) Pessoas Jurídicas: cópia autenticada do contrato/estatuto social da pessoa jurídica representada, comprovante de eleição dos administradores e a correspondente procuração, com firma reconhecida em cartório; b) Pessoas Físicas: a correspondente procuração, com firma reconhecida em cartório. De modo a facilitar os trabalhos na Assembleia, a Companhia sugere que os Acionistas representados por procuradores enviem, com antecedência mínima de 48 horas, cópia dos documentos acima elencados por correio ou portador para: Duratex S.A. - Assuntos Paralegais Av. Paulista nº 1938 - 19º andar - Bela Vista São Paulo-SP - CEP 01310-942 São Paulo (SP), 23 de janeiro de 2012. CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO Salo Davi Seibel Presidente (24/25/27)


12 -.ECONOMIA

DIÁRIO DO COMÉRCIO

terça-feira, 24 de janeiro de 2012


DIÁRIO DO COMÉRCIO

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

e

13 O fisco quer um nível de detalhe ao qual as empresas não estão habituadas. Josefina do Nascimento Pinto, da King Contabilidade

conomia

Sped: cinco anos de contradições Sistema público de escrituração digital levou empresas a serem mais cuidadosas com informações fiscais e contábeis, mas por outro lado trouxe mais burocracia Renato Carbonari Ibelli

N

ão tem mais volta. Ou os empresários se adaptam à nova realidade digital contábil, ou poderão ter problemas com o fisco. O velho livro de papel, usado para controlar a movimentação fiscal das empresas, vem sendo atropelado pelo Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), que acaba de completar cinco anos desde sua introdução pelo governo federal, em 22 de janeiro de 2007. Passado todo esse tempo, o Sped ainda choca quem precisa lidar com ele. Se por um lado o novo sistema obrigou empresas a serem mais cuidadosas com as informações fiscais e contábeis — o que foi positivo —, por outro criou mais burocracia em um ambiente abarrotado delas. A dificuldade para adequação ao Sped é reconhecida pela Receita Federal, que seguidamente adia a entrada em vigor de novas obrigações às quais o sistema submeterá empresas. É o caso da exigência da Escrituração Fiscal Digital do PIS

e do Cofins (EFD Pis/Cofins), que por cinco vezes teve seu prazo de estreia prorrogado. Essa obrigação, na visão dos profissionais contábeis, é a mais desafiadora do Sped. Para transmitir a EFD PIS/Cofins corretamente, as empresas terão de readequar para o formato digital todos os seus cadastros de produtos, clientes e fornecedores. E outras exigências vêm por aí, como Conhecimento de Transporte eletrônico (CT-e), e a EFD ICMS/IPI e da Nota Fiscal de Serviço eletrônica (confira quadro ao lado). E não é simplesmente a conversão dos dados para o padrão digital. O que o fisco pede, explica a gerente do departamento fiscal da Organização King de Contabilidade, Josefina do Nascimento Pinto, "é que essa conversão seja feita com um nível de detalhamento com o qual as empresas não estão habituadas". Criou-se, por exemplo, a necessidade de se informar lote e prazo de validade para determinados produtos, como é o caso de medicamentos. Outra dificuldade é decorrente da estipulação de novas tabelas pa-

ra classificação de produtos incluídos na EDF Pis/Cofins. "Além dos profissionais contábeis terem que se adequar às novas regras, é preciso ainda encontrar no mercado empresas que desenvolvam softwares que permitam essa adequação na prática, o que

não está sendo fácil", afirma. Dif iculda de — Um outro complicador trazido pelo Sped, apontado pelo diretor tributário da Confirp Contabilidade, Welinton Mota, é a velocidade que ele exige das empresas para que se adaptem ao sistema. O especialista lembra

que a digitalização das informações fiscais não é uma novidade no meio empresarial. Segundo ele, desde 1991 a lei n° 8.212 já previa a entrega de arquivos no formato eletrônico. "Mas estes eram para o fim de fiscalização, entregues uma vez por ano", ressalta. Agora, com o Sped, os livros fiscais e contábeis, que têm validade jurídica mensal, é que passaram a ser digitais. "Todas essas informações, que têm um nível de detalhamento grande e, por isso, abrem espaço para erros, precisam ser encaminhadas mensalmente ao fisco, sob pena de multa", diz. A multa por documento eletrônico não encaminhado, ou encaminhado com erro não retificado, é de, no mínimo, R$ 5 mil. O maior detalhamento das informações exigido pelo Sped implica, muitas vezes, na criação de novas obrigações acessórias. Algumas acabam sendo redundantes, aponta estudo em elaboração pela PricewaterhouseCoopers (PwC) a pedido da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). A prévia do levantamento mostra, por exemplo, que a es-

crituração de valores do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), solicitada pelo Sped, também é exigida na Demonstração de Débitos e Créditos de Tributos Federais (DCTF). O governo já anunciou que obrigações redundantes serão eliminadas, à medida que o Sped ganhar espaço. Mas, por enquanto, tudo fica na esfera das promessas. Por enquanto, as redundâncias e as novas obrigações trazidas pelo Sped só têm aumentando os custos das empresas, como apontou outro estudo, este desenvolvido pela Fiscosoft. Segundo o levantamento, que ouviu 1.118 empresas, do total de entrevistados, 96,3% informaram sua necessidade de direcionar recursos financeiros e humanos para cumprir obrigações tributárias após implantaram o Sped. Ainda assim, o mesmo estudo mostra que o maior grau de exigência trazido pelo sistema é considerado positivo pelos empresários. Para 67% deles, esse fator reduziu o envolvimento involuntário das companhias em práticas fraudulentas e problemas fiscais.

Image Source/Folhapress

Bancos não vão abrir neste feriado

A

Uso de meios eletrônicos para tratar de assuntos corporativos fora do expediente rende mudança na CLT para adaptar lei aos novos tempos

Celular pode gerar horas extras A

Lei 12.551, sancionada pela presidente Dilma Roussefff ao fim de 2011, traz pontos que, no entendimento de alguns advogados, acrescentam um fato novo às ações que envolvem configuração de vínculo empregatício. A lei alterou o artigo 6° da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), que recebeu parágrafo único com o seguinte texto: "os meios telemáticos e informatizados de comando, controle e supervisão se equiparam, para fins de subordinação jurídica, aos meios pessoais e diretos de comando, controle e supervisão do trabalho alheio". Entenda-se por "meios telemáticos e informatizados" o

computador ligado à internet, o celular, pager e outros equipamentos eletrônicos similares. Assim, segundo Eli Alves da Silva, presidente da Comissão de Direito Trabalhista da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP), a subordinação — um dos requisitos para formação de vínculo empregatício — pode ser estabelecida de maneira mais objetiva para quem trabalha à distância. "Fica mais claro que, mesmo que um funcionário nunca pise na empresa para a qual presta serviço, se for acionado por esses novos meios, a subordinação se confirma." O advogado destaca, entretanto, que para que o vínculo seja de fato reconhecido, é pre-

ciso ainda que outros dois requisitos jurídicos sejam preenchidos. Estes são o trabalho constante para uma mesma empresa, e que este seja remunerado mediante salário. Novos tempos — Em seu aspecto mais amplo, a lei 12.551/11 veio adequar a situação atual da relação entre capital e trabalho, inserindo os novos meios de comunicação e a informática nesse contexto. Silva lembra que, há alguns anos, um trabalhador de sobreaviso ficava trancado em casa à espera de uma ligação no telefone fixo. Hoje não é mais dessa forma, já que ele pode ser encontrado por meio do celular, esteja onde estiver. Nesse ponto, criou-se um

impasse. Ao se prever a subordinação por intermédio dos meios telemáticos e informatizados, o uso de celular ou tablet fora do expediente, por exemplo, poderia ter implicação para o cálculo de hora-extra —, o que faria o empregador correr o risco de sofrer processos trabalhistas. A pergunta é: um funcionário fora da empresa, mas de sobreaviso e, portanto, ligado 24 horas a um computador, pode receber hora-extra por todo o período? Ou seja: a discussão é se o período de espera será ou não computado para fins de pagamento extra. Para o presidente da Comissão de Direito Trabalhista da OAB-SP, "para o período ser pago, o funcionário

deve provar que realmente trabalhou ao longo dele". Acrescenta-se também que a Lei 12.551 confronta a Súmula 428 do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que diz que, "o uso de aparelho de intercomunicação, a exemplo de BIP, pager ou aparelho celular, pelo empregado, por si só, não caracteriza o regime de sobreaviso, uma vez que o empregado não permanece em sua residência aguardando sua convocação para o serviço". Os ministros do TST terão de rever a súmula para adequar à lei. Mas deve levar tempo: segundo a assessoria de imprensa, "eles ainda não têm data para se reunir com finalidade de debater a questão". (RCI)

Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou que não haverá atendimento bancário em São Paulo amanhã, 25 de janeiro, em função da comemoração dos 458 anos da cidade. A população pode usar canais alternativos de atendimento para operações bancárias, como caixa eletrônico, internet e mobile banking, telefone e correspondentes (casas lotéricas, agências dos Correios, mercados e de mais comércios). Contas de consumo (água, luz, telefone e TV a cabo, por exemplo) e carnês que vencem nessa data podem ser pagos no dia útil seguinte (26), sem a incidência de multa. Os tributos, normalmente, já estão com data ajustada do calendário de feriados (federais, estaduais e municipais). Os clientes podem, ainda, agendar nos bancos pagamentos das contas de consumo ou pagá-las (as que têm código de barras) nos caixas automáticos ou nos correspondentes. Já os boletos de clientes cadastrados podem ser agendados ou pagos pelo Débito Direto Autorizado (DDA). São Paulo é a cidade com mais agências bancárias no País. São 6.765 agências e 13.079 postos de atendimento, segundo o BuscaBanco, site da Febraban.

Anac adia data-limite de licitações A

Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) divulgou ontem comunicado relevante que prorroga para 2 de fevereiro a datalimite para recebimento, pela BM&F Bovespa, das propostas para a licitação das concessões dos aeroportos de Brasília, Viracopos e Guarulhos. A data anterior era 30 de janeiro. Já a data do

leilão foi mantida para 6 de fevereiro. A alteração foi feita depois que os grupos que pretendem entrar na disputa fizeram mais de 1,3 mil pedidos de esclarecimento à agência. O leilão de aeroportos no Brasil pode atrair mais europeus. A interrupção do processo de concessão dos aeroportos de Madri e Barcelona pelo governo

espanhol deve reforçar o apetite das operadoras por privatizações do setor, avalia o especialista em infraestrutura aeroportuária Anderson Correia. "Os candidatos podem ser mais agressivos para conseguir aeroportos brasileiros, na ausência dos espanhóis", afirma Correia, que é professor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e

também foi superintendente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Para ele, isso pode se refletir nos leilões dos aeroportos de Guarulhos, Campinas e Brasília, que devem ser realizados em 6 de fevereiro, e também nas futuras concessões. Nos estudos do governo, estão o Galeão, no Rio, e Confins, em Minas Gerais. (AE)


DIÁRIO DO COMÉRCIO

14

e

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Noventa por cento dos executivos ouvidos em pesquisa da consultoria Ernest & Young esperam ver um aumento nas medidas protecionistas, se a economia global entrar em recessão.

conomia

País cai no ranking da globalização Brasil perde uma posição e passa a ocupar o 47º lugar em pesquisa da Ernst & Young que aponta as nações mais globalizadas. Mas está à frente da Índia e Rússia.

O

Brasil caiu uma po- que passaram de 7,4 para cada sição, para 47º, no 100 pessoas em 2010 para 8,8 ranking de globali- em 2011, e do total de assinanz a ç ã o f e i t o p e l a tes de internet, que avançou de empresa de consultoria Ernst 32,3 em cada 100 habitantes & Young com as 60 maiores para 36,1, no mesmo período. economias do mundo. Apesar Nas outras três categorias da queda verificada no Índice analisadas – comércio, trabade Globalização, divulgado lho e cultura – a pontuação ontem, o Brasil aumentou sua continuou inalterada. O País pontuação em 0,02 em relação ainda aparece acima da média ao estudo de 2010, atingindo nos indicadores 'facilidade de 3,24 pontos. Segundo a consul- negociação transnacional', toria, desde 1995 o Brasil caiu 'restrições de conta corrente', três posições no ranking, cuja 'política governamental para o liderança é ocupada por Hong investimento estrangeiro' e Kong com 7,42 pontos. A pon- 'abertura da cultura nacional à tuação média global ficou em influência estrangeira'. 4,17 pontos. O estudo, que está na sua terEntre os países do grupo dos ceira edição, é feito a partir de Brics, o Brasil está atrás da Chi- três parâmetros: o Índice de na (39º), mas à frente de Rússia G l o b a l i z a ç ã o d a E r n s t & (56º), Índia Young, de uma (55º) e África pesquisa com 1 do Sul (54º). O mil executivos País está atrás em todo o ainda de Nigémundo realiria (46º), Méxizada no final co (36º) e Chile d e 2 0 11 e d a essa foi a pontuação p r o j e ç ã o d e (25º), mas melhor posicionafinal do País no último crescimento do do do que a ArPIB global e relevantamento da gentina (50º) e gional ao longo consultoria. A lista do que a Venedos próximos zuela (58º). quatro anos. é liderada por De acordo No relatório, Hong Kong com com o estudo, a empresa afiro Brasil aprema que a glo7,42 pontos. sentou uma balização congrande queda tinuará avanna categoria "capital", provo- çando até 2015, mas mostra cada pela saída de Investi- preocupação com medidas mento Estrangeiro Direto protecionistas. "Noventa por (IED), que passou de 0,6% do cento dos executivos consultaProduto Interno Bruto (PIB) dos esperam ver um aumento em 2010 para menos 0,6% no nas medidas protecionistas, se ano seguinte. "Deve-se notar a economia global entrar em que os dados de saídas de IED nova recessão após uma ligeira em 2011 foram distorcidos pe- recuperação", afirma o relatóla repatriação excepcional de rio. Reino Unido e Estados empréstimos por empresas Unidos são os únicos mercabrasileiras relacionadas a in- dos analisados em que o índice vestimentos feitos em anos prevê globalização ligeiraanteriores, tornando negati- mente em declínio nos próxivos os dados líquidos de saí- mos três anos, devido às regras da desses investimentos", para a entrada de imigrantes. Segundo o estudo, o cresciafirma o documento. Tecnologia – Na categoria mento dos países emergentes tecnologia, o País ganhou pon- deverá compensar o lento tos por conta do aumento das avanço das economias desenassinaturas de banda larga, volvidas em 2012. (AE)

3,24

Balança segue no vermelho

lhão após resultado recorde em 2011. As exportações no ano passado atingiram a marca de US$ 256,04 bilhões, um crescimento de 26,8% na comparação com 2010. Já as importações tiveram alta de 24,5%, registrando US$ 226,25 bilhões, também o maior número da história. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, divulgados ontem, as exportações neste período de janeiro

A

s importações superaram as exportações na terceira semana do mês e a balança comercial brasileira registrou déficit de US$ 579 milhões no período de 16 a 22 de janeiro. Esta é a terceira semana de déficit consecutiva, o que leva o resultado do mês a um saldo negativo de US$ 1,06 bi-

foram de US$ 3,2 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 3,78 bilhões. No ano, as exportações somam US$ 10,54 bilhões, e as importações, US$ 11,81 bilhões, resultando em um saldo negativo de US$ 1,27 bilhão. A média das exportações na semana passada foi de US$ 641,2 milhões, recuo de de 12,6% em relação à média de US$ 733,4 milhões acumulados até a segunda semana do mês. Tal movimento decorreu

da queda de 21,1% nas exportações de produtos básicos, que somaram US$ 244,5 milhões no período, por conta principalmente de vendas mais fracas de minério de ferro, petróleo em bruto, carne de frango, soja em grão e farelo de soja. No caso dos produtos manufaturados, houve recuo de 7,8%, para US$ 272,9 milhões, devido à baixa nas vendas de automóveis, óleos combustíveis, polímeros plásticos, máquinas e outros. (Folhapress)

BMW deve montar fábrica no Sul

Nilton Fukuda/AE

A

montadora alemã de veículos de luxo BMW está nos estágios finais da escolha do local de sua primeira fábrica no Brasil, com uma decisão esperada para o final de fevereiro, disse ontem uma fonte envolvida nas negociações. A empresa, que desde o ano passado vem negociando com governos estaduais no País a instalação de uma unidade produtiva, sua primeira na América Latina, está mais inclinada à escolha do norte de Santa Catarina. A revista alemã A ut om obilwoche publicou que a montadora prefere o Estado de Santa Catarina. Procurada, a BMW no Brasil informou que a companhia não tomou nenhuma decisão oficial. A própria montadora vinha afirmando que esperava ter uma decisão sobre a fábrica no final de 2011, mas a elevação do Imposto sobre Produtos In-

Empresa alemã deve iniciar a produção com quatro modelos

dustrializados (IPI) sobre veículos importados, anunciada em setembro pelo governo, teria atrasado o processo. No final de dezembro, o presidente da BMW no Brasil, Jorg Henning Dornbusch, disse que a montadora estava negociando com autoridades uma flexibili-

zação do aumento do IPI para empresas com interesse em instalar fábrica no Brasil. Modelos – Outra fonte próxima do assunto disse que a montadora sinalizou com planos de produzir quatro modelos no País, sendo três da marca BMW e um da marca Mini.

Executivos da empresa teriam percorrido a cidade de Araquari, em Santa Catarina, com interesse por terreno de cerca de um milhão de metros quadrados, às margens da rodovia BR-101, conforme a fonte. "Vão ser três BMW e um Mini", informou a fonte. Os incentivos fiscais, a proximidade com porto da região de Joinville e a disponibilidade de mão de obra qualificada teriam atraído a montadora alemã. Se confirmada, a fábrica da BMW em Santa Catarina será a primeira de automóveis no estado, que já possui unidades de componentes como motores de outras montadoras, como a General Motors. As vendas da BMW no Brasil em 2011 somaram 12.074 unidades, salto de 42% sobre os 8.534 veículos emplacados em 2010, em meio ao crescimento da economia e aumento da renda da população. (Reuters)


DIÁRIO DO COMÉRCIO

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

ECONOMIA/LEGAIS - 15

e Lagarde quer mais recursos para fundos A chanceler alemã, Angela Merkel, vai abrir oficialmente o Fórum Econômico de Davos, que ocorre de 25 a 29 de janeiro.

conomia

Diretora do FMI, Christine Lagarde, defendeu aumento nos fundos de resgates europeus para evitar crise de liquidez nos países. Mas Alemanha é contra a medida. Joerg Carstense/AFP Photo

A

d ire t o r a- g e ren t e do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, defendeu ontem um aumento nos fundos de resgate europeus para que países como Espanha e Itália não enfrentem uma crise de liquidez. Em uma conferência em Berlim na Sociedade Alemã de Política Externa, Christine assegurou que fundos maiores são imprescindíveis para a União Europeia (UE) evitar que mais economias da zona do euro sejam contaminadas pelo problema do endividamento. "Itália e Espanha, países que são capazes de pagar sua dívida, poderiam sofrer um problema de falta de liquidez por culpa de uma situação anormal nos mercados", afirmou. A diretora explicou que a medida seria eficaz se os fundos fossem aumentados de forma razoável e operacional, e frisou que não é preciso dobrá-los para 1 trilhão de euros. Christina disse que os recursos não utilizados do temporário Fundo Europeu de Estabiliza-

ção Financeira (FEEF) poderiam ser transferidos ao permanente Mecanismo Europeu de Estabilização (MEDE), que começará a funcionar em meados de 2012. A chanceler alemã, Angela Merkel, é a principal opositora da proposta (veja reportagem abaixo). A funcionária do FMI argumentou que o Banco Central Europeu (BCE) deve desempenhar um papel essencial no aumento da liquidez na zona do euro, para frear o "círculo vicioso" de bancos prejudicando as finanças estatais, e destas lastrando as contas das instituições financeiras. Além disso, Lagarde afirmou que a UE deve promover o crescimento e aprofundar a integração fiscal para resolver a crise do continente. A diretora explicou que a tendência de baixa da inflação pode atuar de forma mais determinante na política monetária. Neste sentido, é importante que o fluxo creditício circule e por isso pediu que os países com margem de manobra fiscal "reconsiderem" o "princípio generaliza-

Itália e Espanha poderiam sofrer um problema de falta de liquidez por culpa de uma situação anormal nos mercados. CHRISTINE LAGARDE, DO FMI

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional chega para palestra ontem em Berlim: polêmica.

do" de reduzir a dívida. Em relação ao terceiro pilar da recuperação, a integração financeira, Lagarde enfatizou que não é possível uma União Econômica e Monetária (UEM) com uma única política

monetária e "17 políticas fiscais". Além disso, sugeriu que o anúncio por parte da UE de uma futura implementação de eurobônus já seria uma séria mensagem aos mercados. Segundo ainda ela, a econo-

mia mundial enfrentará um colapso parecido com o do período da Grande Depressão na demanda, se a Europa não agir rapidamente para aumentar de forma dramática o tamanho da sua proteção contra a crise

da dívida, implementar políticas pró-crescimento e integrar mais a zona do euro. "Trata-se de evitar o momento de 1930, no qual inércia e ideologia rígida se juntaram para causar um colapso." (Agências)

Thomas Peter/Reuters

Merkel: não é hora de mais verbas.

A

chanceler da Alemanha, Angela Merkel, disse ontem que não é o momento para debater o aumento dos fundos de resgate da zona do euro e que a prioridade é garantir a efetividade do fundo atual e a introdução rápida de seu sucessor permanente. Merkel disse, durante entrevista com o primeiro-ministro belga Elio Di Rupo, que não está em questão a concessão de um empréstimo-ponte à Grécia se as negociações com os credores do setor privado estagnarem. "A prioridade agora é colocar o Mecanismo Europeu de Estabilidade permanente (ESM) em operação, concluir as negociações e ver quanto capital nós pagaremos", disse Merkel quando questionada sobre os comentários em Berlim da diretoragerente do FMI, Christine Lagarde, sobre a necessidade de aumentar o tamanho do ESM. Merkel vai abrir amanhã oficialmente o Fórum Econômico de Davos, que será realizado até o dia 29 de janeiro com o tema "A grande transformação: criando novos modelos". Acordo – A França e a Alemanha informaram ontem que um acordo com os investidores do setor privado para reduzir a dívida da Grécia está "tomando forma", mas que Ate-

nas precisa manter suas promessas de reforma para garantir um novo programa de ajuda externa e evitar a bancarrota em março. "Uma reestruturação voluntária de dívida pelos investidores privados parece estar tomando forma", disse o ministro francês das Finanças, François Baroin, em entrevista ao lado do ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schaeuble, antes de uma reunião de ministros da zona do euro. Nenhum dos dois quis falar sobre detalhes. "Estamos determinados a apoiar a Grécia no tempo necessário para implementar reformas e para que elas surtam efeito", disse Baroin. R ef or ma s – Já o alemão Schaeuble disse que os líderes políticos precisam cumprir os compromissos de reduzir seus déficits orçamentários, introduzir reformas estruturais e garantir que a dívida seja sustentável. "O que nós queremos é continuar negociando com a Grécia. As negociações serão difíceis, mas queremos que o segundo programa para a Grécia seja implementado em março para que a segunda tranche possa ser liberada", disse Schaeuble. "A Grécia precisa cumprir seus compromissos, é difícil e já há muito atraso", acrescentou.

O ministro francês disse que já encontrar sinais de "certa estabilização" na economia em crise da zona do euro, uma opinião ecoada pelo presidente do banco central alemão, Jens Weidmann, e pelo presidente do BC francês, Christian Noyer, também presentes na entrevista de ontem. "Achamos que, em 2012, deveremos ter uma recuperação econômica", afirmou Jens Weidmann. (Agências)

A prioridade agora é colocar o ESM em operação, concluir as negociações e ver quanto capital nós pagaremos. ANGELA MERKEL, CHANCELER DA ALEMANHA Chanceler da Alemanha, Angela Merkel, discorda da diretora do FMI. ESAG HOLDINGS PARTICIPAÇÕES S.A. CNPJ/MF Nº 03.042.288/0001-55 - NIRE 35.300.170.873 ATA DA ASSEMBLÉIA GERAL EXTRAORDINÁRIA REALIZADA EM 30 DE DEZEMBRO DE 2011 Data, horário e local: Dia 30 de dezembro de 2011, às 08:00 horas, na sede social da ESAG HOLDINGS PARTICIPAÇÕES S.A. (“Companhia”), localizada na Rua Amauri, nº 255, 11º andar, conj. D, CEP 01448-000, na cidade de São Paulo, Estado de São Paulo. Convocação: Dispensada em virtude da presença da totalidade dos acionistas. Presença: Acionistas representando a totalidade do capital social, conforme assinaturas lançadas no livro de Presença de Acionistas. Mesa dirigente: Raul Calfat, Presidente, e Alexandre Silva D’Ambrosio, Secretário. Ordem do dia – (i) deliberar sobre as reduções do capital social da Sociedade, com base nos Artigos 173 e 174 da Lei nº 6.404/76, no valor total de R$ 68.756.698,54 (sessenta e oito milhões, setecentos e cinquenta e seis mil, seiscentos e noventa e oito reais e cinquenta e quatro centavos), dos quais R$ 39.086.715,87 (trinta e nove milhões, oitenta e seis mil, setecentos e quinze reais e oitenta e sete centavos) serão reduzidos para compensar prejuízos acumulados de exercícios anteriores da Companhia, sem o cancelamento de ações, e R$ 29.669.982,67 (vinte e nove milhões, seiscentos e sessenta e nove mil, novecentos e oitenta e dois reais e sessenta e sete centavos) serão reduzidos por serem julgados excessivos para a consecução do objeto social da Companhia, com o cancelamento das ações correspondentes; e (ii) deliberar a conseqüente alteração do Artigo 4º do Estatuto Social da Sociedade. Deliberações: Os acionistas presentes aprovaram as reduções do capital social da Companhia de acordo com os seguintes termos e condições: a) Justificativa: as reduções do capital social se dão com base nos Artigos 173 e 174 da Lei nº 6.404/76, conforme alterada, com vistas a compensar prejuízos acumulados de exercícios anteriores da Companhia, bem como em razão de ser considerado excessivo para a consecução do objeto social da Companhia; b) Montante do capital a ser reduzido: o capital social da Sociedade será reduzido pelo valor total de R$ 68.756.698,54 (sessenta e oito milhões, setecentos e cinquenta e seis mil, seiscentos e noventa e oito reais e cinquenta e quatro centavos) da seguinte forma: (A) R$ 39.086.715,87 (trinta e nove milhões, oitenta e seis mil, setecentos e quinze reais e oitenta e sete centavos) será reduzido do capital social para compensar prejuízos acumulados de exercícios anteriores sem o cancelamento de ações; e (B) R$ 29.669.982,67 (vinte e nove milhões, seiscentos e sessenta e nove mil, novecentos e oitenta e dois reais e sessenta e sete centavos) será reduzido do capital social, em razão do capital social ser julgado excessivo para a consecução do objeto social, com restituição dos valores correspondentes às acionistas; c) Preço por ação: o valor patrimonial por ação sujeita à redução de capital considerado excessivo para consecução do objeto social da Companhia é de R$ 0,24993169136 (zero reais vírgula dois, quatro, nove, nove, três, um, seis, nove, um, três e seis), conforme o balanço patrimonial da Companhia levantado em 31 de outubro de 2011; d) Quantidade de ações a serem canceladas: 118.712.367 (cento e dezoito milhões, setecentas e doze mil, trezentas e sessenta e sete) ações ordinárias nominativas, sem valor nominal de emissão da Companhia em decorrência da redução de capital considerado excessivo para a consecução do objeto social desta, todas elas detidas pela acionista VOTORANTIM INDUSTRIAL S.A. que manifestou sua decisão de participar da redução de capital ora aprovada, com o consequente cancelamento de parte das ações de titularidade, e, uma vez que a Cylonca Holdings N.V., acionista presente à Assembleia Geral Extraordinária, não manifestou interesse de participar da redução do capital social da Companhia, ora deliberada; e) Efetividade da Redução de Capital: em atendimento ao disposto nos Artigos 173 e 174 da Lei nº 6.404/76, a redução do capital ora aprovada somente será efetiva após transcorridos 60 (sessenta) dias contados da data da publicação desta ata; f) Prazo e Pagamento: I) a Companhia efetuará o pagamento à acionista VOTORANTIM INDUSTRIAL S.A. pelas ações ora canceladas conforme deliberado no item (B) da letra b) acima, dentro do prazo de 5 (cinco) dias após decorrido o prazo previsto no item “e” acima, pela dação em pagamento, através da cessão e transferência dos créditos de diversas naturezas que a Companhia detém em face da VOTORANTIM PARTICIPAÇÕES S.A., sociedade anônima, com sede na Rua Amauri, nº 255, 10º andar, Jardim Paulistano, na cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, inscrita no CNPJ/MF sob o nº 61.082.582/0001-97, com seu Estatuto Social arquivado na JUCESP sob o NIRE 35.300.023.714, conforme contabilizados no balanço patrimonial da Companhia levantado em 31 de outubro de 2011, no valor de R$ 29.669.982,67 (vinte e nove milhões, seiscentos e sessenta e nove mil, novecentos e oitenta e dois reais e sessenta e sete centavos). II) Em virtude da deliberação acima, os acionistas da Companhia decidiram alterar o Artigo 4º do Estatuto Social da Companhia, que passará a vigorar, uma vez que a redução de capital social ora deliberada torne-se efetiva, conforme os termos do item “e” acima, com a seguinte nova redação: “Artigo 4º: O capital social da Companhia, totalmente subscrito e integralizado, é de R$ 12.414.151,56 (doze milhões, quatrocentos e catorze mil, cento e cinquenta e um reais e cinquenta e seis centavos), representado por 49.604.669 (quarenta e nove milhões, seiscentas e quatro mil, seiscentas e sessenta e nove) ações ordinárias, todas nominativas e sem valor nominal.” As demais disposições do Estatuto Social da Companhia não alteradas neste ato restam ratificados e em vigor e efeito conforme os seus termos. III) Fica a Diretoria da Companhia, na forma de seu Estatuto Social, autorizada a assinar toda documentação necessária para efetivação do acima deliberado. Encerramento e Lavratura da Ata: nada mais havendo a tratar, foram os trabalhos suspensos para lavratura desta ata. Reabertos os trabalhos, foi a presente lida e aprovada, tendo sido assinada por todos os presentes. São Paulo, 30 de dezembro de 2011. (a.a.) Raul Calfat, Presidente, e Alexandre Silva D’Ambrosio, Secretário; p. Votorantim Industrial S.A., Alexandre Silva D’Ambrosio e João Carvalho de Miranda; p. Cylonca Holdings N.V., Alexandre Silva D’Ambrosio e João Carvalho de Miranda.

Espanha prevê contração de 1,5% da economia

O

banco central da Espanha disse ontem que a economia do país provavelmente terá uma contração de 1,5% neste ano, o que torna ainda mais difícil para os espanhóis atingirem suas metas de redução do déficit orçamentário. No seu relatório econômico mensal, o Banco da Espanha disse que a economia será prejudicada por uma queda "significativa" dos gastos do governo e das famílias, em parte devido às duras medidas de austeridade. Esses fatores negativos serão suavizados apenas parcialmente por um aumento na demanda externa. Em março do ano passado, o banco central espanhol previa que em 2012 a economia cresceria 1,5%. Em relação a 2011, o banco afirmou que a economia provavelmente cresceu 0,7%, após contrações em 2009 e 2010. Mas no quarto trimestre de 2011 houve encolhimento de 0,3%. Para 2013, a previsão é de crescimento de 0,2%.

Perspectiva – As previsões do banco central da Espanha estão praticamente em linha com o esperado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). O Fundo deve divulgar hoje novas previsões, mas segundo foi publicado na semana passada pela agência de notícias italiana ANSA, a perspectiva para a Espanha em 2012 deve ser revista para uma contração de 1,7%, ante projeção anterior de crescimento de 1,1%. A previsão do banco central é divulgada em um momento delicado para o novo governo espanhol. Ao tomar posse, no fim do ano passado, o primeiro-ministro Mariano Rajoy disse que o déficit orçamentário em 2011 provavelmente ficaria acima de 8% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Em resposta, o governo anunciou um pacote de austeridade para reduzir o déficit em 15 bilhões de euros, incluindo aumentos de impostos e cortes de gastos. (AE)

REDE D’OR SÃO LUIZ S.A. CNPJ/MF nº 06.047.087/0001-39 - NIRE 35.300.318.099 EDITAL DE CONVOCAÇÃO PARA ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA Ficam os senhores acionistas da Rede D’Or São Luiz S.A. (“Companhia”) convocados para reunirem-se em Assembleia Geral Extraordinária, a realizar-se no dia 01 de fevereiro de 2012, às 11h, na sede social da Companhia, localizada na Cidade e Estado de São Paulo, na Avenida Santo Amaro, nº 722, 7º andar, CEP 04506-000, para, em conformidade com o artigo 132 da Lei nº 6.404/1976, deliberarem sobre a seguinte ordem do dia: 1. Deliberar sobre alteração do endereço da sede da Companhia; e 2. Outros assuntos de interesse da Companhia. São Paulo, 23 de janeiro de 2012. Presidente do Conselho de Administração.

FALÊNCIA, RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL E RECUPERAÇÃO JUDICIAL

Conforme informação da Distribuição Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo, foram ajuizados no dia 23 de janeiro de 2012, na Comarca da Capital, os seguintes pedidos de falência, recuperação extrajudicial e recuperação judicial: Requerente: Plaster Indústria e Comércio de Resinas Plásticas Ltda. Requerido: Decorfibras Móveis Ltda ME. Rua Padre Otto Maria, 53 – Chácara Mafalda - 2ª Vara de Falências.

Publicidade - 11 3244-3643

BNT S.A. CNPJ n° 60.780.038/0001-56 - NIRE 35.300.021.436 Aviso aos Acionistas e Edital de Convocação Assembléia Geral Ordinária Ficam os Srs. Acionistas da BNT S.A. convocados a se reunirem em Assembléia Geral Ordinária, a realizar-se no dia 23 de fevereiro de 2012, às 10:00 horas, na sede social, situada na Capital do Estado de São Paulo, na Rua Gomes de Carvalho, 1.507, Edifício Tenerife, Bloco B, 4º andar, cjs. 41 e 42, sala 1, para deliberarem sobre a seguinte ordem do dia: a) exame, discussão e votação do Relatório da Diretoria, das Demonstrações Financeiras e do Parecer do Conselho Fiscal, referentes ao exercício encerrado em 31 de dezembro de 2011; b) destinação do resultado do exercício; c) eleição de Diretores, em decorrência de vaga do Diretor Presidente; d) eleição do Conselho Fiscal para o exercício de 2012; e) fixação dos honorários da Diretoria e do Conselho Fiscal. Documentos à disposição: Acham-se à disposição dos Srs. Acionistas, na sede social da BNT S.A., os documentos a que se refere o art. 133, da Lei n.º 6.404/76, relativos ao exercício de 2011. São Paulo, 20 de janeiro de 2012. Flávio Elias Jabra - Diretor Superintendente 21,24,25/01/2012


DIÁRIO DO COMÉRCIO

16

e

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Não sou a favor nem contra o uso de peles. Sou a favor da liberdade. Fause Haten, estilista

conomia Dorival Zucatto/AE

Maria Bonita: paisagem tomou conta das roupas e tecidos roubaram as cores do chão, das folhas, passeando pelo rosa e amarelo em tons ribeirinhos.

SPFW viaja pelo Brasil, pelo espaço e pela alma. Coleções buscam inspiração nas populações ribeirinhas, nos animais e até nos vulcões e nas estrelas.

O

desfile é a narrat i v a d a ro u p a . Na passarela, cada peça conta parte de uma história chamada coleção. O cenário, a música, os acessórios, são todos pontos que dão corpo ao conto.

E, no fim, sobra na mente uma imagem viva, como uma foto em um álbum de viagens animado. A Maria Bonita, que mostrou suas criações ontem, penúltimo dia da São Paulo Fashion Week (SPFW), foi buscar inspiração para a coleção inverno 2012 no norte do Brasil. Desta vez, a marca se inspirou em povos simples como índios, seringueiros, ribeirinhos e castanheiros. A paisagem tomou conta das roupas, os tecidos roubaram as cores do chão, das folhas, o pelo dos bichos cobre a pele. O resultado são peças em cores suaves, que passeiam pelo rosa e amarelo em tons ribeirinhos. Os paetês são de látex trazido de Rondônia, as franjas anos 1920 ganham brilho de peixe. O grafismo dos desenhos indígenas são refeitos em canutilhos de metal. Nos acessórios, sapatos, bolsas e chapéus repetem as cores suaves e o tressê das roupas. Rica em texturas, a coleção elegeu uma silhueta retangular e minimilista, celebrando a arte manual da região de maneira muito sutil. As peças não fogem às formas simples da marca, está ali uma imagem conhecida do público da grife. Só que esta i m a g e m e s t á a g o r a c a m inhando às margens de onde a onça bebe água, e é para esse lugar que mistura realidade e

Glória Coelho: ênfase aos ombros arredondados e transparências.

João Pimenta: coleção foi inspirada pelo movimento artístico Steampunk e pelos "Doutores da Praga", que cuidavam de pacientes com lepra no século 17.

imaginário que a estilista Danielle Jensen leva sua cliente para passear. Já a grife da Glória Coelho viajou entre o micro e o macro. As "trips" dessa estilista são sempre universais, fonte da força de seu trabalho, à parte o grande talento para a construção e modelagem. Ela foi atrás dos neutrinos, partículas muito abundantes no universo, grande parte produzida por reações nucleares em estrelas. Experimentos dizem que eles poderiam viajar acima da velocidade da luz, talvez por dimensões extras do espaço. Ou seja, o neutrino é um dos grandes destaques dos físicos contemporâneos.

E como mostrar algo tão impalpável na roupa? Por meio de conexões de imagens e conceitos. Gloria elege os vulcões para falar dos mistérios dos núcleos das estrelas. E desses vulcões saem camadas de lava que se solidificam em curvas. Na imaginação da estilista, os segredos dos neutrinos se transformam em aplicações que lembram explosões de galáxias, buracos negros e hemácias (as células do sangue). A ideia é que o destino de homens e universo está ligado por uma trama complexa, escrita nas estrelas. Isso de traduz em muitas combinações de recortes, ên-

fase aos ombros arredondados, as bainhas com volume e forros coloridos e a valorização discreta das curvas. Nas cores, preto, pele, laranja, rosa, rosê e vermelho. A estilista usa transparência e brilhos. A designer Raquel Davidowicz, da UMA, veio mais uma vez embalada por um esporte minimalista, com roupas em muito cinza e preto pontuados por vermelho e vinho. As formas, com ares andróginos, são mais alongadas para os vestidos e mais próximas ao corpo na alfaiataria, tudo em materiais como malhas e outros tecidos com efeito de couro empapelado e amassado. João Pimenta – O inverno de João Pimenta, por sua vez, foi inspirado pelo movimento artístico Steampunk e pela modelagem dos "Doutores da Praga" – médicos que cuidavam de pacientes com lepra no século 17, e usavam saias longas e máscaras negras –, o estilista resgatou o uso de manufaturas de tecidos em diferentes fios com técnicas antigas de tear manual. Assim, os costumes, com coletes, calças e paletós, são trabalhados em diferentes proporções. Apesar dos looks parecerem quase todos muito escuros, puxando para o preto ou marrom, eles contam com a presença de muitas cores como verde, azul, vermelho e

amarelo, todos em matizes mais escuras. Bonito também o uso de couro de vaca prensado com estampas de pele de cobra em casacos mais minimalistas e detalhes de lapelas do paletó.(Agências)

UMA: ares andróginos e muito cinza e preto pontuados por vermelho.

Uso de peles leva ativistas à bienal

C

oelhos de isopor reciclável e raposas de madeira passaram o fim de semana expostos na porta de entrada da São Paulo Fashion Week (SPFW), no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Ao lado, plaquinhas com os dizeres "no fur" fincadas na terra. As 140 esculturas faziam parte de uma manifestação realizada por ativistas da Move Institute, ONG que luta contra o uso de pele de animais na moda. Os convidados que chegavam

ao prédio para a SPFW ganhavam um adesivo para colar no peito com os mesmo dizeres das placas. Nas salas de desfile, o couro e a pele de bicho nunca estiveram tão em alta na Bienal como nesta temporada de inverno. "Queremos trazer esse tema para a moda, propor incentivos para pesquisas de tecidos e novas tecnologias", explica Adriana Pierin, presidente do instituto criado há dois anos. Muito estilista colocou pele de verdade

nas suas coleções. Fause Haten, por exemplo, trouxe estolas de raposa, golas de visom que contrastavam com os looks em levíssima seda pura. "Não sou a favor nem contra o uso de peles. E não quero entrar nesta polêmica. O que importa é que sou a favor da liberdade. Sempre uso pele sintética e acho ótimo. Mas nesta coleção, mais que tudo, eu queria usar peles." Glória Coelho surpreendeu ao misturar pele de vaca – bem pa-

recida com a dos tapetes de casas de fazenda – com tecidos fluídos. "Não vejo problema em usar couro de vaca ou de boi", diz Glória. "O boi e a vaca fazem parte da cadeia alimentar." Reinaldo Lourenço não cogita o uso de materiais sintéticos. "Acho muito ingênua esta história. As pessoas comem o boi, então aproveita-se o couro. O material sintético não tem a mesma textura, nem o mesmo caimento" E a pele? "Foi a primeira indumen-

tária do homem. Se não fosse a pele não teríamos sobrevivido." Na passarela surgiram, sim, materiais alternativos. Foi o caso da Ellus, que apresentou jeans resinado, que dá aspecto de couro ao tecido. Mas a grife também colocou na mesma passarela um casaco com pele de chinchila. "Eu, que sou contra o uso de peles, tentei inicialmente usar couro sintético. Mas fui pesquisar e cheguei à conclusão de que o couro sintético é feito de PVC, ou seja,

plástico. Então, voltei ao couro natural", diz João Pimenta, estilista da marca que leva seu nome. O Brasil exportou US$ 2,5 bilhões de couro e pele em 2011. Em quantidade, segundo o Centro das Indústrias de Couro do Brasil, 2% a menos que em 2010. O setor espera uma redução maior ainda este ano. Em 2011, Itália e China compraram 52% do total enviado para fora do Brasil. A saída parece ser o aumento do consumo interno. (AE)


DIÁRIO DO COMÉRCIO

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

17

As empresas precisam ter agilidade para responder com inteligência Eric Lieb, diretor da Interactive Intelligence

nformática

n DESKTOPS

Tudo-em-um em cima da mesa computador All In One da Space BR está chegando ao mercado em parceria com a Intel e é desenhado para ocupar menos espaço, embora tenha o mesmo desempenho de um desktop. A máquina é full HD, com CPU e monitor integrados, cuja tela de 21,5 polegadas é LED. Os processadores são Intel Core i3 e Core i5, e o equipamento é wireless, com saída HDMI, gravador de DVD e disco rígido de 3.5 polegadas. Seis portas USB, leitor de cartões de memória e câmera completam a configuração. Por R$ 2.500.

O

PORTÁTEIS

Cliente fiel nas redes Saiba como as empresas estão usando o Facebook, Orkut e Twitter para conquistar e fidelizar os consumidores BARBARA OLIVEIRA ão é novidade que o Brasil é o país que mais cresce mundialmente no uso de redes sociais, com 90% de usuários de internet navegando em alguma delas, e chegando à marca dos 36,1 milhões de pessoas no Facebook e de 34,4 milhões de visitantes no Orkut, segundo a comScore. É um contingente de consumidores em potencial, que compra e tem dúvidas sobre a mercadoria, a entrega, o frete, ou algum tipo de reclamação a fazer para a loja, mas que quer ser atendido no ambiente da rede social ou, no máximo, ser encaminhado dali para o SAC online do lojista, sem muita complicação e com respostas ágeis. "No mundo da internet 2.0 todos têm voz e se manifestam sobre marcas e sobre produtos, e as empresas precisam renovar seus canais de comunicação para não só monitorar o que seus clientes estão falando, mas também escutar o que está sendo dito e ter a agilidade para responder com inteligência e honestidade a esse consumidor", avalia Eric Lieb, diretor da multinacional Interactive Intelligence. A empresa é especializada em softwares de atendimento e, em 2012, vai focar seus serviços em três mercados principais: Reino Unido, Alemanha e Brasil. Existem controvérsias sobre se as empresas devem responder ao cliente dentro da rede social, mas, aos poucos, sites de e-commerce mais ágeis começam a dedicar tempo, tecnologia e gente para atender diretamente nesse novo canal de mídia. Se o internauta prestar atenção, poderá perceber que algumas lojas no Facebook (Giuliana Flores, AnitaOnline, PortCasa, Netshoes, Camiseteria.com) dispõem de uma aba no lado esquerdo do menu onde se lê Atendimento. Ao clicar ali, ele terá um serviço automatizado de perguntas e respostas mais frequentes, criado por desenvolvedores de plataformas de SAC. Podese saber os horários de entrega, porque o pedido não chegou, se a entrega da mercadoria pode ser adiantada, etc. Se a dúvida for mais específica, na mesma página desse atendimento no Facebook ou Orkut ele terá meios personalizados de falar com o SAC, por mensagem, chat ou ser direcionado para o telefone da loja. "O consumidor quer ser atendido onde está, e neste momento ele está nas redes sociais", observa o diretor de Vendas da NeoAssist, Albert Deweik, que desenvolve plataformas de atendimento para webstores dentro e fora dos novos canais. Tratar bem o usuário do Facebook, Orkut, Twitter é um diferencial e um meio de fidelizar o cliente, diz Deweik. O microblog de 140 caracteres também é usado, mas apenas para promover a marca ou para monitorar o que estão falando dela e promover ações de marketing. Se a marca

N

70,5 milhões de pessoas acessam no Brasil o Facebook e o Orkut. É um contingente enorme de consumidores que quer ser atendido no ambiente da rede.

for mencionada no microblog, um software inteligente sinaliza esse evento e gera um número de protocolo interno, a partir daí o operador poderá classificar a citação e fazer o atendimento. Esse módulo do software de atendimento na rede social se adapta às necessidades do lojista. É possível começar apenas com o serviço automatizado, e conforme a demanda dos consumidores, ampliar para os módulos de e-mail e do chat, informa o diretor da NeoAssist. Juliano Souza, gerente de Marketing da Giuliana Flores, há 12 anos na internet, lembra que não dá para ignorar as duas tendências do mercado: mídias sociais e mobile. "Temos 20 mil fãs no Facebook e apesar de não visarmos lucros nesse canal, é um jeito de ficarmos mais próximos dos consumidores, e as vendas acabam acontecendo". O objetivo é aumentar o número de seguidores e a partir daí incrementar o e-commerce. É possível dar um "curtir" nas respostas enviadas ao cliente, e isso será publicado no mural do consumidor para que os outros amigos visualizem. A Netshoes, um dos maiores portais de artigos esportivos, mantém canais de comunicação com os usuários de redes sociais há mais de dois anos. A loja dispõe de atendimento automatizado (a partir da aba Atendimento Online) e mapeamento de usuários através de softwares especiais. Foram contratados três funcionários só para o contato com o consumidor nesses canais, das 9h às 24h, exceto domingos, informa a gerente da Central de Relacionamento, Juliana Pires. "Hoje, precisamos estar atentos e saber onde as pessoas estão, e ter gente com perfil adequado e com a linguagem específica para responder questões sobre prazo de entrega, mercadorias, fretes", afirma Juliana. A Netshoes atende, em média, 450 clientes diários nas redes sociais. O Facebook e Twitter representam 90% dessas interações, o

restante é atendido pelo Orkut. Uma pesquisa feita pela consultoria KPMG em dez países indicou que 70% das empresas ao redor do mundo têm presença nas mídias sociais. E essa tendência é liderada pelos países emergentes: Brasil, China e Índia, onde suas empresas recorrem mais a esses canais para fazer negócios dos que os britânicos, australianos, alemães e canadenses. Mas as grandes corporações ainda concentram seus SACs – email, chat, telefone – nos portais principais, pois estão analisando com cuidado as mídias sociais e delegando esses serviços aos departamentos de marketing, avalia Carlo Gilbertini, diretor da XGen, dedicada a sistemas de contact centers para bancos, financeiras, cartões de crédito, redes de varejo e telecom. "Nos grandes players, o atendimento ainda é feito fora do canal social, com o marketing recebendo o contato dessa mídia e encaminhando para o setor correspondente (telefone, e-mail)". A agilidade maior está entre os sites de e-commerce acostumados com a web, porque muitos já nasceram dentro dela. A Camiseteria.com, criada em 2005, interage com o consumidor porque só vende camisetas cujas estampas são escolhidas por eles. É um exemplo de crowdsourcing e foi pioneira no Twitter, onde chegou a ser líder em seguidores há três anos, lembra o sócio Fábio Seixas. Hoje, a Camiseteria possui 93 mil fãs no FB e mais de 80 mil no microblog. A loja usa a própria timeline do Facebook para responder aos seguidores, com três pessoas dedicadas ao serviço. "Quando alguém faz uma pergunta, reclamação ou sugestão, isso fica exposto da rede social, e a nossa resposta também é aberta na página". A loja virtual vende cerca de 150 modelos de camisetas com estampas diferentes. Já, a PortCasa, com 7 mil itens de cama, mesa e banho, está com uma ferramenta de atendimento automático há quatro meses. "Temos uma janela no Facebook para o cliente, se ele tem uma dúvida e ela não é respondida num prazo específico, o software envia um e-mail para o atendente alertando-o para interferir", esclarece o diretor, Natan Sztamfater. Segundo Eric Lieb, muitas empresas de maior porte não querem transformar as redes sociais em plataformas de atendimento porque isso pode gerar uma crise diante de comentários negativos expostos a todos. "Neste caso, recomendamos que elas usem a mídia social para capturar a dúvida ou a queixa e leve a questão para o ambiente privado". A ideia é mapear os usuários da rede e criar um perfil no sistema de gestão, um CRM social, para facilitar o contato com o consumidor já identificado no Facebook ou Twitter. Mas esse será um novo desafio.

Dell mostra o seu ultrabook s ultrabooks são os equipamentos mais falados do momento. A Dell tem o seu modelo, o XPS13, lançado na semana passada, com acabamento em alumínio e fibra de carbono e tela de 13,3 polegadas, mas com tamanho semelhante a um netbook de 11 polegadas, por ser compacto e leve. O produto pesa 1,3 kg e tem a espessura de 0,62 cm na parte mais estreita quando fechado. Com Intel Core i5 e i7, opções de disco rígido de estado sólido (de 128 a 256 GB), tela HD edge-to-edge ultrafina – que aproveita toda a área disponível do display LED, o ultrabook chegará aos Estados Unidos em fevereiro por US$ 999. Em março estará à venda no resto do mundo.

O

ACESSÓRIOS

Fones para fãs de reggae The House of Marley, empresa da família do cantor jamaicano de reggae, está com uma nova linha de produtos de áudio que deve fazer sucesso especialmente entre os fãs de Bob Marley ou junto aos consumidores que gostam de design e personalização. Os headphones Soul Rebel transmitem detalhes de cada instrumento graças à qualidade do áudio e possuem conectores de 3.5 mm folheados a ouro que se encaixam em vários aparelhos de música. Já os Midnight Rivers vêm com silicone para ajuste confortável no ouvido. Eles trazem cabos de tecido feitos para não embolar e isolam a estática. Na www.indieshop.com.br , por R$ 400 e R$ 300, respectivamente.

A

GADGETS

Celular para duas operadoras m celular dual chip de baixo custo para quem precisa da flexibilidade de duas operadoras é a sugestão da CCE. O aparelho Mobi S12 não é 3G, mas dispõe de Wi-Fi para conexão em lugares onde o sinal está disponível. O celular tem display de 2.3 polegadas, capacidade para reproduzir sinal de tevê, jogos, rádio FM e câmera de 2 Mpixel. Buetooth, browser Opera Mobile para navegação na internet e cartão de memória micro de 2GB também integram o Mobi. Por R$ 250 (desbloqueado).

U


DIÁRIO DO COMÉRCIO

18

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Queríamos um produto simples e a escolha do iPad com iOS foi fundamental Fernando Chiarotto, diretor de Marketing da Tablet Commerce nformática

Tablets se tornam garçons virtuais Nos bares equipados com iPads, o garçom (humano) só vai à mesa para levar o pedido solicitado. BARBARA OLIVEIRA elatório recente da Retail Info System News, divulgado durante o maior evento de varejo do mundo, a NRF 2012, nos Estados Unidos, demonstra um grande interesse do comércio no uso de tablets. Foram ouvidos mais de 50 varejistas norte-americanos, e 6% deles disseram utilizar a plataforma nas lojas, outros 28% estão testando os dispositivos móveis, enquanto 31% pretendem adotar a tecnologia neste ano. No Brasil, embora não existam números sobre o índice de adoção da tabuleta eletrônica nos estabelecimentos comerciais, podemos notar um movimento neste sentido entre os restaurantes e bares. Uma das novidades é trazida pela Tablet Commerce, empresa de publicidade digital que desenvolveu um software dedicado a bares e restaurantes. Lançado há quatro meses, os tablets embarcados com o software estão funcionando no Jordão Bar, do Tatuapé, na Temakeria Paulista, também da zona leste, e no novo bar Brahma, na Mooca. Nesses estabelecimentos paulistanos, os iPads, da Apple, ficam fixados nas mesas rodando aplicações específicas: o cardápio digital com fotos e vídeos dos pratos e porções, bebidas, descrição, preços, opções de pagamento e conteúdos de notícias do portal Terra. "Com o sistema, há uma rotatividade maior nos pedidos, mesmo quando o bar está lotado. O

Newton Santos/Hype

No Jordão Bar, 42 iPads instalados garantem a agilidade no atendimento.

R

garçom só vai à mesa para levar o que o cliente solicitou", explica o diretor de marketing da Tablet Commerce, Fernando Chiarotto. Ao decidir pela bebida e comida, o cliente clica na opção e esse pedido é enviado automaticamente para as impressoras do caixa e da cozinha ao mesmo tempo. A conta também é pedida pelo iPad. O proprietário do Bar Jordão, João Paulo Warzée, adotou 42 iPads há pouco mais de um mês e garante que a agilidade no atendimento chega a 100%, porque eliminou-se a fase manual do pedido em papel e também o tempo de espera do garçom na mesa até o cliente se decidir. O Jordão tem capacidade para 260 pessoas e atende 11 mil clientes/mês. O perfil do público que frequenta o Jordão Bar é classe A/B acima de 25 anos e bastante familiarizado com a tecnologia. "Mas temos alguns clientes mais velhos que ainda preferem falar com o garçom e o cardápio de

papel", diz Warzée. O software, desenvolvido pela Tablet Commerce, levou um ano para ser concluído e foi criado em plataformas Apple, Linux, Windows e Web. "Queríamos um produto simples e a escolha do iPad com sistema operacional iOS foi fundamental, porque é uma ferramenta amigável", observa Chiarotto. No cardápio virtual, o bar/restaurante tem a opção de privilegiar alguns pratos ou porções que quer vender mais naquela semana. "A porção de pastel, por exemplo, é um dos itens mais pedidos porque está como primeiro item da lista, basta clicar na foto e o pedido já é feito imediatamente", explica Chiarotto. E quando determinado prato acaba, o menu também avisa. Só não é possível navegar na internet pelo iPad, porque esse não é o objetivo dos clientes que vão se divertir num bar ou jantar num restaurante, afirma o executivo. A Tablet Commerce é quem

faz todo o projeto para o estabelecimento comercial, fornecendo os iPads (em regime de comodato), o software, a integração com as impressoras e fornecendo manutenção mensal ao comerciantes. Os anúncios veiculados nos iPads também podem ter a receita compartilhada entre a Tablet e o estabelecimento. Depende do modelo de negócios adotado. A meta de Chiarotto é ter 100 clientes até o final do ano. O Bar Brahma, no centro de São Paulo, também utiliza tablets da Apple (com sistema da Esys Colibri) desde o final de 2010, mas eles ficam restritos aos garçons, como opção virtual ao menu de papel. Estabelecimentos de Curitiba (PR), Blumenau (SC), Campinas e Ribeirão Preto, interior de São Paulo, já adotaram a tecnologia. A pizzaria Divina Comédia, de Ribeirão Preto, é a mais nova casa a dispor do sistema iPad+, da Esys Colibri, com quatro tablets em uso desde dezembro. Mas ainda são manuseados pelos garçons e não pelos clientes. O aplicativo se integra ao software Colibri Foods, de gerenciamento de pedidos e controle de vendas, e também ao sistema para controlar estoques, contas a pagar e a receber.

Sergio Kulpas sergiokulpas@gmail.com

Novas tendências

O

encontro anual da National Retail Federation (www.nrf.com/), a federação de varejo dos EUA reuniu, na semana passada, um número recorde de 24.000 visitantes de 85 países, todos em busca de novas tendências de consumo e novas tecnologias para o setor. Essa multidão de comerciantes, fabricantes e fornecedores de serviços tinha apenas um objetivo em mente: como conquistar o consumidor em tempos de crise econômica? Durante quatro dias, esse tópico e suas variações foram discutidos em "keynotes", painéis temáticos e mesas-redondas. Segundo Deborah Weinswig, analista do Citigroup presente ao evento, a análise de dados dos consumidores deve ser o principal foco dos varejistas em 2012. Ela observa que os comerciantes estão passando da defensiva para a ofensiva na conquista dos clientes, usando a tecnologia como arma. Vitrine digital – Dentro desse cenário, a Microsoft apresentou uma tecnologia de paredes digitais que podem substituir as tradicionais vitrines de lojas, onde os consumidores poderão consultar e comprar os produtos usando a tecnologia de identificação de gestos Kinect, já empregada em vários videogames da Microsoft. Kip Tindell, membro do conselho da NRF, disse que a tecnologia e o atendimento ao consumidor estão convergindo, se tornando uma coisa só. A oferta de tecnologias para atender o cliente a qualquer momento e em qualquer lugar deve ser obrigatoriamente associada a uma estratégia planejada de atendimento personalizado.

Em outras palavras, a tecnologia mais avançada não terá valor se não for combinada com um atendimento humano, pessoal e sensível. A inteligência dos computadores ainda é e continuará sendo por um bom tempo uma ferramenta de boas decisões estratégicas de vendas, traçadas e implementadas por executivos de visão no varejo. Com uma combinação equilibrada entre tecnologia e planejamento, as recompensas podem ser bem atraentes. A marca de artigos esportivos Adidas instalou uma vitrine virtual em sua maior loja em Londres para promover o modelo de tênis F50 AdiZero, que custa US$ 265. Em 15 dias, a loja vendeu 121 pares – seriam necessárias seis semanas em três lojas normais para vender a mesma quantidade, segundo Jan Vogel, diretor do projeto da Adidas. Manter os clientes existentes é ainda também importante. Segundo Stuart Aitken, CEO da consultoria Dunnhumby USA, são necessários de 12 a 20 novos consumidores para compensar a perda de um único cliente fiel. O uso inteligente dos canais digitais de comunicação, para transmitir (e receber) mensagens relevantes é crítico nesse cenário. A empresa precisa estar atenta ao feedback, ao retorno de cada uma das ações de marketing, e avaliar cada iniciativa. A famosa rede Macy's contratou a Dunnhumby para avaliar os hábitos de consumo de seus cerca de 33 milhões de clientes nos últimos 3 anos. Como resultado, o varejista passou a enviar 500 mil versões diferentes de emails personalizados para os consumidores, em comparação com apenas 10 modelos há alguns anos.


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
DC 24/01/2012 by Diário do Comércio - Issuu