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É HOJE ! Impostômetro atinge nova marca às 13 horas

800.000.000.000

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Projeções mostram que, daqui a dois anos, nesse rugir de Leão, em 22 de julho de 2013 o impostômetro já estará na casa do trilhão. Pág. 13

Ano 87 - Nº 23.420

Jornal do empreendedor

R$ 1,40

Sonhos de Ícaro em céus do Brasil Procura por voos domésticos cresce 19,54%. Pag. 16

Conclusão: 23h45

www.dcomercio.com.br

São Paulo, sexta-feira, 22 de julho de 2011

Salve-se a Grécia. Para salvar a Europa. O segundo pacote de ajuda é de 159 bilhões de euros. Aprovado ontem por líderes europeus, inclui empréstimos oficiais, contribuições do setor privado e medidas para conter o contágio de economias mais frágeis da União Europeia. "Usamos a crise grega para dar um salto qualitativo na governança da zona do euro", afirmou o presidente francês Sarkozy. Pág. 15 e Editorial, à pág. 3

Stan Honda/AFP

O pouso de uma era Atlantis volta à Terra e põe fim às viagens dos ônibus espaciais. Pág. 12

Leandro Moraes/LUZ

Brancos, mas sem taxímetro. A nova cor preferida para carrões, como o BMW. Pág. 18

Surge Dilma, a 'faxineira' de ministérios

Passageiras sofrem ataques sexuais no metrô

Embalada pela crise nos Transportes, presidente decide investir na austeridade e deixa claro que não vai segurar ninguém sob suspeição. Pág. 5

Ontem, homem foi detido ao tentar abusar de uma mulher em trem na estação Anhangabaú. Na terça-feira, o ataque foi na estação Sacomã. Pág. 9

Mário Canivello

Discreta inspiração

Amparo é zen! E fica pertinho de São Paulo. Boa Viagem. Pág. 11

C Divulgação

HOJE Chuvoso durante o dia e à noite. Máxima 20º C. Mínima 15º C.

AMANHÃ Chuva pela manhã. Depois, pode garoar. Máxima 19º C. Mínima 13º C.

O leitor em 1º

ISSN 1679-2688

9 771679 268008

23420

Escritor e jornalista Roberto Taddei estreia no DCultura com o ensaio "O que vem primeiro: o leitor ou o livro?"

hico lança Chico, novo álbum, nascido do livro Leite Derramado. É mais um trabalho encerrando trama de enigmas, marca do artista. Recatado, fiel aos amigos, criterioso artífice das palavras, diga-se o que quiser desse músico-poeta: ele não dá respostas fáceis, mas não abre mão do encanto. Leia ainda: detetive Archer: livrinhos notáveis; preciosidades imperiais; cultura Krajcberg. E Roda do Vinho.

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DIÁRIO DO COMÉRCIO

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sexta-feira, 22 de julho de 2011

A grande dúvida não diz respeito à decisão do Copom de julho, mas quanto às decisões de agosto e de outubro. Roberto Fendt

pinião

EYMAR MASCARO

LULA VAI À CAÇA DE VOTOS

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E A TORNEIRA DO COPOM CONTINUA PINGANDO...

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omo era amplamente esperado, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) elevou novamente a taxa Selic em 0,25 ponto percentual. Com o novo aumento, a taxa de referência passou a 12,5% ao ano. A grande dúvida que paira não diz respeito à decisão da reunião do Copom de julho, mas sim quanto às decisões das reuniões de agosto e de outubro. A parcela majoritária do mercado, de acordo com o boletim Focus do BC, espera mais uma elevação de 0,25% este ano. Mas o grupo das cinco instituições financeiras com maior acerto em suas previsões aposta em mais duas altas de 0,25% antes do final do ano. A divergência é pequena, se considerarmos que há sete meses o Copom vem elevando a Selic em doses de 0,25%. Há quem critique essa decisão, argumentando que teria sido melhor uma dosagem maior em um lapso de tempo menor. Se o Copom assim tivesse procedido, a inflação, segundo esses críticos, já teria começado a dar sinais de ceder de forma sustentável, em lugar de continuar a subir até pelo menos setembro, no acumulado de 12 meses. Essas afirmações são sempre arriscadas, já que se trata de um exercício de história contrafactual. Não havia como garantir que o acumulado de 1,75 ponto percentual da alta da Selic este ano teria produzido melhores efeitos sobre a inflação se tivesse sido o resultado, por exemplo, de uma alta de 0,75% seguida de duas altas de 0,5% cada uma. O que é certo é que a inflação não estaria por cima do centro da meta há tantos meses se o Copom tivesse iniciado o ciclo de alta no terceiro trimestre do ano passado. Naquela ocasião a inflação já começava a acelerar e a proximidade das eleições, argumentam alguns, levou o BC a por em prática medidas macroprudenciais, em lugar de aumentar a Selic. De qualquer forma, não adianta chorar sobre o leite derrama-

ROBERTO FENDT do. A inflação está aí, custará a ceder com a estratégia do Copom, para alguns excessivamente gradualista, e só resta esperar que em 2012 ela venha a convergir vagarosamente para o centro da meta (4,5%).

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ara que isso ocorra é necessário que a demanda agregada, superaquecida, se contraia. Ao contrário do que se afirma com frequência, não é necessário que o lado real da economia seja desaquecido. Se não tivéssemos um câmbio tão valorizado, parte da demanda interna por produtos manufaturados poderia ser direcionada para o exterior, sustentando a produção e o emprego. Na atual circunstância de um câmbio valorizado que veio para ficar, isso não ocorrerá e a política do BC acabará por ter efeitos negativos sobre o nível de atividade e

sobre o emprego. São efeitos de todo indesejados. Indesejadas também são as distorções causadas pela política industrial seletiva do governo sobre a própria Selic e sobre o deficit público. Desde 2009, a taxa de juros de longo prazo (TJLP), praticada por mais de 80% dos empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) permanece cravada em 6% ao ano.

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primeira dessas distorções decorre do fato de que a taxa real de juros desses empréstimos (a taxa nominal cobrada, deduzida a inflação) ficará negativa enquanto a inflação dos doze meses seguintes for superior a 6%. É claro que não se espera isso nos próximos 12 meses, mas a inflação média do período não ficará muito abaixo dos 6%. Isso

A parcela majoritária do mercado espera mais uma elevação de 0,25% neste ano. Mas as instituições financeiras com maior acerto nas previsões apostam em mais duas altas de 0,25%.

quer dizer que os empréstimos com equalização de taxas praticados pelo BNDES não terão praticamente custo real nos próximos 12 meses.

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ma outra maneira de ver o problema é levar em conta que um braço do governo, o BC, estará pagando 12,5% ao ano na captação de recursos no mercado com a colocação de novos títulos, enquanto outro braço, o BNDES, empresta dinheiro a 6% aos beneficiários de seus empréstimos subsidiados. Não é pouco dinheiro, já que a diferença de taxas, de 6,5 pontos percentuais, deve incidir sobre parcela dos empréstimos de R$ 150 bilhões do Banco este ano. Mesmo levando em conta que nem todas as operações do BNDES contam com o benefício da equalização de taxa de juros, os contribuintes pagarão subsídios superiores a R$ 5 bilhões se o diferencial entre a Selic e a TJLP permanecer no patamar atual nos próximos 12 meses. Não se trata de quantia pequena, por qualquer critério que se queira utilizar para avaliá-la. Para ficar na esfera das contas públicas, esse subsídio a um grupo pequeno e selecionado de setores corresponde a quase 5,5% do déficit nominal de 2010, da ordem de R$ 93,6 bilhões. Se quisermos uma comparação mais próxima da população pobre, o valor do subsídio é da mesma ordem de grandeza do programa Bolsa Família, que teve dotação de quase R$ 7 bilhões no orçamento de 2010, beneficiando mais de 50 milhões de brasileiros abaixo da linha da pobreza. ROBERTO FENDT É ECONOMISTA

Presidente Rogério Amato Vice-Presidentes Alfredo Cotait Neto Antonio Carlos Pela Carlos Roberto Pinto Monteiro Cláudio Vaz Edy Luiz Kogut Érico Sodré Quirino Ferreira Francisco Mesquita Neto João de Almeida Sampaio Filho João de Favari Lincoln da Cunha Pereira Filho Luciano Afif Domingos Luís Eduardo Schoueri Luiz Gonzaga Bertelli Luiz Roberto Gonçalves Nelson Felipe Kheirallah Nilton Molina Paulo Roberto Pisauro Renato Abucham Roberto Faldini Roberto Mateus Ordine

epois de uma quarentena de seis meses, Lula vai voltar aos palanques e às viagens pelo País, para reforçar o PT nas eleições municipais do ano que vem. Como o seguro morreu de velho, o ex-presidente aproveita os contatos com o público para não ser esquecido, uma vez que ele pode voltar a ser candidato ao Planalto em 2014. Quando assumiu o poder para exercer o primeiro mandato, Lula cansou de dizer ter recebido de Fernando Henrique uma "herança maldita", reclamando muito de um quadro de 10 milhões de desempregados. Agora, é ele que é acusado de ter imposto a Dilma Rousseff os nomes de Antonio Palocci e Alfredo Nascimento para os ministérios da Casa Civil e dos Transportes. Ambos foram envolvidos em casos de corrupção. Ao mesmo tempo que, por motivo de precaução, a oposição coloca Lula na alça de mira, PSDB e DEM aproveitam para comprometer também a imagem da atual presidente, embora Dilma tivesse agido com rapidez e defenestrado Palocci e Nascimento dos ministérios. A oposição sabe que em 2014 terá de enfrentar na eleição presidencial Lula ou a própria Dilma. Além de ter sido apeado do ministério, Alfredo Nascimento corre o risco de perder o mandato de senador, porque o PSOL admite que ele feriu o decoro parlamentar ao ser acusado de envolvimento em maracutaias. as viagens que fará pelos estados, Lula espera entusiasmar as lideranças políticas regionais do PT a lançar candidatos com bom potencial de voto para as principais prefeituras. Lula admite que se o PT conseguir eleger mais prefeitos e vereadores do que nas eleições de 2008, o partido facilitará sua campanha presidencial em 2014. O ex-presidente está de olho, principalmente, nas prefeituras das capitais e nos municípios com mais de 200 mil habitantes. Mas o PSDB não dorme no ponto e dispõe de dois pré-candidatos à presidência, Aécio Neves e José Serra. Para os tucanos, é obrigatório o partido neutralizar já os efeitos das andanças de Lula. Nada mais importante do que mobilizar

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Oposição coloca Lula na mira, mas espera também comprometer a imagem de Dilma, embora ela tenha agido com rapidez e defenestrado Antonio Palocci e Nascimento dos ministérios.

suas lideranças nos estados nos dias em que PT receber a visita do ex-presidente. Os oito governadores eleitos pelo partido estão sendo convocados para também preparar bons candidatos para as eleições do ano que vem. PSDB quer minar o PT sobretudo nas regiões em que Dilma Rousseff venceu as eleições no ano passado. Uma das preocupações no PT e PSDB é com a eleição de prefeito em São Paulo. No caso específico do PSDB, o partido vai insistir para que José Serra aceite ser candidato. Os tucanos estão convencidos de que Serra é o candidato ideal para suceder a Gilberto Kassab. Até o momento, porém, Serra tem recusado o convite de Geraldo Alckmin e acha que ainda tem esperança de tentar uma nova candidatura presidencial em 2014. Seu argumento é que foi bem sucedido nas eleições de 2010 : apesar de ter sido derrotado por Dilma, ele alcançou 44 milhões de votos.

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Planalto espera pelas próximas pesquisas para conferir se Dilma Rousseff sofreu arranhões na sua imagem, após as denúncias de corrupção no seu governo. Mas os petistas entendem que a presidente não seria prejudicada por ter demitido as pessoas envolvidas nas denúncias. A própria oposição foi surpreendida com a rapidez da ação de Dilma Rousseff. Apesar da crise no governo, Dilma está convicta de que terá chance de ser candidata à reeleição se estiver com os "ibopes" em alta, quando o partido escolher seu candidato. Mas o PT já admitiu que se a presidente estiver em baixa, o candidato do partido será Lula.

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EYMAR MASCARO É JORNALISTA E COMENTARISTA POLÍTICO MASCARO@BIGHOST.COM.BR

Fundado em 1º de julho de 1924 CONSELHO EDITORIAL Rogério Amato, Guilherme Afif Domingos, João Carlos Maradei, João de Scantimburgo, Marcel Solimeo Diretor-Responsável João de Scantimburgo (jscantimburgo@acsp.com.br) Diretor de Redação Moisés Rabinovici (rabino@acsp.com.br) Editor-Chefe: José Guilherme Rodrigues Ferreira (gferreira@dcomercio.com.br) Chefia de Reportagem: Teresinha Leite Matos (tmatos@acsp.com.br) Editor de Reportagem: José Maria dos Santos (josemaria@dcomercio.com.br) Editores Seniores: Bob Jungmann (bob@dcomercio.com.br), Carlos de Oliveira (coliveira@dcomercio.com.br), chicolelis (chicolelis@dcomercio.com.br), Estela Cangerana (ecangerana@dcomercio.com.br), Luiz Octavio Lima (luiz.octavio@dcomercio.com.br), Luiz Antonio Maciel (maciel@dcomercio.com.br) e Marino Maradei Jr. (marino@dcomercio.com.br) Editor de Fotografia: Alex Ribeiro (aribeiro@dcomercio.com.br) Editores: Cintia Shimokomaki (cintia@dcomercio.com.br), Ricardo Ribas (rribas@dcomercio.com.br) e Vilma Pavani (pavani@dcomercio.com.br) Subeditores: Fernanda Pressinott, Kleber Gutierrez, Marcus Lopes e Rejane Aguiar Redatores: Adriana David, Eliana Haberli, Evelyn Schulke, e Sérgio Siscaro Repórteres: Anderson Cavalcante (acavalcante@dcomercio.com.br), André de Almeida, Fátima Lourenço, Geriane Oliveira, Ivan Ventura, Kelly Ferreira, Kety Shapazian, Lúcia Helena de Camargo, Mário Tonocchi, Neide Martingo, Paula Cunha, Rejane Tamoto, Renato Carbonari Ibelli, Rita Alves, Sandra Manfredini, Sergio Leopoldo Rodrigues, Sílvia Pimentel, Vera Gomes e Wladimir Miranda. Gerente PL Arthur Gebara Jr. (agebara@acsp.com.br) Gerente Executiva Sonia Oliveira (soliveira@acsp.com.br) Gerente de Operações Valter Pereira de Souza (valter.pereira@dcomercio.com.br) Serviços Editoriais Material noticioso fornecido pelas agências Estado, Folhapress, Efe e Reuters Impressão OESP GRÁFICA S/A Assinaturas Anual - R$ 118,00 Semestral - R$ 59,00 Exemplar atrasado - R$ 1,60

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DIÁRIO DO COMÉRCIO

sexta-feira, 22 de julho de 2011

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GREGOS QUE CHEGAM À MAIORIDADE AGORA NÃO GANHARÃO UMA MIGALHA: SÓ RECEBERÃO A CONTA.

pinião

OS JOVENS PAGAM PELA GRÉCIA

THOMAS L. FRIEDMAN

Yiorgos Karahalis/Reuters

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ei que deveria estar em Washington acompanhando ali o drama da dívida, mas em vez disso optei por estar na Grécia para observar a versão off-Broadway. Há muitas coisas sobe essa tragédia da dívida global que podem ser vistas aqui de forma melhor, em menor escala, começando com o enredo bruto, que ninguém descreveu melhor do que o pesquisador David Rothkopf, do Carnegie Endowment: "Quando a guerra fria terminou, pensamos que teríamos um choque de civilizações. Viu-se que estamos tendo um choque de gerações". Aliás, se há um sentimento que une as crises na Europa e nos Estados Unidos é uma poderosa sensação de "baby boomers se comportando mal" – uma poderosa sensação de que a geração que atingiu a maioridade nos últimos 50 anos, a minha geração, será lembrada principalmente pela incrível generosidade e incrível liberdade recebidas de seus pais e pelas incríveis dívidas e restrições deixadas para seus filhos. Não é surpresa que os jovens gregos tenham reagido tão duramente quando seu vice-primeiroministro, Theodoros Pangalos, referindo-se a todos os empréstimos e subsídios da União Europeia que provocaram a farra do crédito grega depois de 1981, disse: "Nós a aproveitamos todos juntos" – referindo-se ao povo e aos políticos. Isso foi verdade para a geração grega de baby boomers, agora entre seus 50 e 60 anos, e para os políticos baby boomers. Mas aqueles que estão chegando agora à maioridade não ganharão uma migalha. Eles só receberão a conta. E sabem disso. Pode-se ver isso quando se caminha pela Praça Sintagma, no centro de Atenas, onde jovens se reúnem todas as noites para debater a crise e

líticos baby boomers imprudentes para os quais nenhuma crise é séria demais para deixar de lado ambição política e ideologia. Mas há um adulto à espreita: a China está comprando títulos espanhóis, portugueses e gregos para ajudar a estabilizar esses mercados, para os quais exporta. "São tempos delicados e assumimos um papel positivo", afirmou em janeiro o vice-presidente do Banco Popular da China, Yi Gang, ao jornal inglês The Guardian.

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Uma grande parte dos manifestantes nas ruas da Grécia é composta por jovens, revoltados com o futuro que lhes está sendo imposto.

registrar seus protestos contra o futuro que lhes está sendo imposto. As fachadas dos bancos em torno da praça têm sido destruídas e balançando ao vento vê-se duas grandes faixas. Uma diz Empregado do Ano do FMI, com uma imagem do primeiro-ministro George Papandreou, e a outra afirma Empregado do ano da Goldman Sachs, e mostra George Papaconstantinou, o ex-ministro das Finanças. (E esses são os caras legais, tentando resolver o problema.) Perto há a imagem de um bebê dizendo: Pai, de que lado você estava quando eles estavam vendendo nosso país?. E as mais diretas: Luta de classe, não luta nacional e Vida – não ape-

nas sobrevivência – mensagem que parecia ser um presságio sobre o que a próxima década será para os jovens gregos. Fiquei impressionado por uma grande semelhança entre o que ouvi na Praça Tahrir, no Cairo, em fevereiro, e o que se escuta na Praça Sintagma hoje. É a palavra "justiça", mais ouvida do que "liberdade". Isso porque há uma profunda sensação de roubo nos dois países, uma sensação de que a forma pela qual o capitalismo se exauriu no Egito e na Grécia na última década foi devido à sua deformação mais corrupta, aparelhada, compadresca, permitindo que algumas pessoas tivessem um enriquecimento fantástico

simplesmente por causa de sua proximidade com o poder. Assim há uma fome não só por liberdade, mas por justiça. Ou, como Rothkopf afirma, "não só por contabilidade, mas por responsabilidade". "Não há piadas sobre esta crise", disse-me o romancista grego Christos Chomenidis. "Todo mundo está de mau humor. Parece que todo mundo está contra todo mundo, e se a situação econômica ficar pior, tenho medo do que possa acontecer". Há alguns dias, taxistas gregos em greve entraram à força no gabinete do ministro da Infraestrutura – apenas para descobrir que

ele já estava cheio de empregados em greve do próprio ministério. Peguem a senha, por favor. Isso nos leva a outra semelhança entre a Grécia e os Estados Unidos: o necessário pode ser impossível, os políticos baby boomers na época do Twitter podem não estar preparados para lidar com problemas dessa magnitude. O buraco é muito fundo e o poder, fragmentado demais. O único caminho de saída é a ação coletiva – na qual partidos de oposição e do governo unem-se, compartilham a dor e tomam as medidas necessárias. Mas isso não está ocorrendo aqui nem em Washington. Existem Eric Cantors em todos os lugares – po-

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e limpar a sua fortuna. Redimiu-se, mas não limpou a fortuna. Não há fortuna limpa: "Por trás de toda fortuna há sempre um grande crime", sentenciou Balzac, mais conhecido por cantar as delícias da mulher de 30 (anos). Em The Kennedys, após os 8 episódios da minissérie com milhões e milhões de telespectadores, acontece exatamente o que todos sabíamos que iria acontecer: tragédia. O irmão mais velho do mocinho, Joe Junior, o mocinho, John (Jack), o pai do mocinho, Joe Senior, e o irmão mais novo do mocinho, Bobby, morrem trágicamente no começo, no meio, antes do fim e no fim. Jack e Bobby assassinados. É tragédia mais do que conhecida. uem torceu, sofreu, suou e até chorou, nem assim viu happy end. Muitos anos depois do drama familiar que comoveu o mundo, o filho mais novo de Jack e Jackie, John-John, morreu com sua bela namorada na queda do avião que ele pilotava. Joel Surnow, roteirista e produtor executivo e Jon Cassar, diretor e roteirista – conhecidos e premiados por seu trabalho nas 8 temporadas da série 24 Horas e no longa Redemption, que contavam a saga de Jack Bauer, o agente de

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Divulgação

vesgo de inveja

Ferreira pegar um punhado do cérebro do presidente Kennedy, que espirrou da cabeça explodida por uma bala atribuída a Lee Harvey Oswald. Ficamos admirados quando Joe Senior, milionário, não teve o menor escrúpulo em pedir dinheiro para Sam Giancana, capo mafioso de Chicago, para a campanha do seu filho John (Jack) F. Kennedy. icamos chocados quando o mesmo Joe Senior autorizou, sem o menor escrúpulo e nem o conhecimento da sua esposa Rose, a lobotomização da filha Rose Marie (Rosie) Kennedy. A desculpa esfarrapada que deu foi que a filha, diagnosticada "moron" (idiota), com um QI de apenas 50, poderia segundo a crença da época transformar-se em prostituta, ou "engravidar de um desconhecido nas esquinas", o que seria "uma vergonha para a família". Caímos da poltrona quando Joe Senior e Bobby, separadamente, trataram Frank Sinatra, The Voice”, como um mafiosinho moleque de recados dos mafiosões à vera. Caímos na risada quando Sam Giancana planta sua amante, uma tremenda gostosinha, para dividir a cama com o insaciável presidente, e quem sabe recolher algum

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Cartaz da série que sobre a família Kennedy: sucesso na TV contraterrorismo mais amado pelos direitistas do mundo inteiro, e nas 9 temporadas da série Nikita, com a colaboração de Luc Besson, criador do filme Nikita, a assassina, que deu origem à série – afirmam que The Kennedys não é documentário nem docudrama, "é ficção". Ficção, ah, tá. Suamos frio de otários que somos na crise dos mísseis de Cuba, esperando a cada segundo que explodisse uma ogiva nuclear nas nossas

cabeças, dando inicio à última de todas as guerras. Respiramos aliviados quando Krushev recuou e nossas vidas foram salvas quase por milagre. Os falcões militaristas exigiam um ataque imediato a Cuba. Jack, presidente, e Bobby, procurador geral, resistiram. Salvaram o mundo. Choramos quando vimos Jackie Kennedy (mais tarde Jackie O, de Onassis) engatinhando no porta-malas do carro aberto em Dallas, para

THOMAS L. FRIEDMAN É COLUNISTA DO NEW YORK TIMES E TRÊS VEZES GANHADOR DO PRÊMIO PULITZER TRADUÇÃO: RODRIGO GARCIA

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YES, NÓS TEMOS OS SARNEYS; ELES TIVERAM OS KENNEDYS. tevê paga está exibindo a produção canadense The Kennedys, minissérie em 8 episódios, que reconstroi quase à perfeição o clima financeiro, político, social, de intrigas e de bandidagem na disputa pelo poder nos Estados Unidos, quando viveu, reinou, gozou, sofreu e sumiu a família mais marcante do século 20. A famíglia Corleone e seu Godfather, Don Vito, ficção primorosamente feita realidade pelo cinema, não chega nem ao calcanhar de The Kennedys, comandados com mão de ferro e bolsos repletos de dólares, muitos deles bem sujos e alguns poucos nem tão bem lavados, pelo Chefão Joe F. Kennedy Senior, realidade primorosamente feita ficção pela tevê. A vida não copia a arte, como disse Oscar Wilde. A arte nunca atingirá os limites da dramaticidade, as alturas do céu ou as profundezas do inferno que fazem da vida o que a vida é. Um beijo de ficção nunca terá o calor e o sabor de um beijo real. Godfather, após 3 filmes, muitos Oscars e milhões de dólares nas bilheterias, não teve happy end. Michael Corleone, herdeiro de Don Vito, morreu rico, abandonado e infeliz no seu casarão na Sicília. O último filme mostrou o esforço que fez para redimir-se

sse é um papel que os Estados Unidos costumavam desempenhar, mas não têm mais condições de fazêlo. Qualquer um que ache que esta crise econômica, caso se prolongue, não irá também acelerar uma mudança de força global, nunca ouviu a Regra de Ouro: quem tem o ouro, faz as regras. "Estamos muito acostumados com os norte-americanos providenciando as soluções para a Europa e liderando tudo", afirmou Vassilis T. Karatzas, um gerente financeiro grego. "Mas o que ocorre quando ambos estamos no mesmo barco?" O que ocorre é que os sonhos norte-americanos e europeus estão ameaçados. Ou pomos nossos países no caminho do crescimento mais sustentável – o que exige cortar, tributar e investir para o futuro – ou estamos olhando para um mundo no qual as democracias vão ter de se virar para si próprias e lutar por tortas pequenas, com a China tendo cada vez mais direito a dizer qual será o tamanho das fatias.

segredinho de travesseiro. Recolheu. A boca fica cheia d´água quando La Monroe atira-se em cima de Jack. Quando ela fica "inconveniente", Jack pede a Bobby que vá afastá-la da sua vida, "limpar a sujeira", como Bobby dizia. Fiel e leal ao irmão, Bobby foi e La Monroe atirou-se sobre ele também. Fiel e leal à sua mulher, a doce e risonha Ethel, com quem tinha então uns sete filhos (acho que teve ao todo dez ou onze), Bobby despreza a loiraça belzebu– acredite se quiser. Aqui, eu e você ficamos com a certeza de que The Kennedys é mesmo ficção. er a Jackie, vivida na série por Kate Holmes, a senhora Tom Cruise, é quase vê-la ressuscitada; a menina que fazia beicinho na série Dawson´s Creek dá um show de emoção e verossimilhança. Acaba a série e você sai perdendo. Entende porque Nelson Rodrigues dizia que "o brasileiro tem complexo de vira-latas" – eles tiveram os Kennedys, nós temos os Sarneys. José Ribamar, dona Marli, Roseana, Zequinha, Fernando e o Maranhão, com o mais baixo IDH do Brasil . Tá bom ou quer mais ? FAXINA ? rsrsrs

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NEIL FERREIRA É PUBLICITÁRIO


DIà RIO DO COMÉRCIO

sexta-feira, 22 de julho de 2011

22 de Julho

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Santa Maria Madalena

Solução

        

          

 

     

             

 

     

    

   







4 -.GERAL

onhecida como uma pecadora da GalilÊia, Maria Madalena foi perdoada publicamente por Jesus, que disse: "Foram-lhes perdoados os seus muitos pecados, porque muito amou", como narrado nos quatro Evangelhos, e teve a graça de ser a primeira testemunha de Cristo Ressuscitado.


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DIÁRIO DO COMÉRCIO

sexta-feira, 22 de julho de 2011

5 TURISMO Pedro Novais, mais do que o titular da pasta, é o turista no governo Dilma.

olítica

BOLSISTA Ministro Paulo Bernardo diz que não dá para segurar corrupção no Dnit.

Dilma assume de vez a FAXINA A presidente quer manter a marca de austeridade e não se importa com a fúria dos aliados. Nem com CPI no Congresso. A ordem é limpar, higienizar

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em se importar com a dois peçam demissão. Eles nefúria dos aliados como gam qualquer irregularidade. o PR nem com a real Apesar disso, a presidente possibilidade de troco não acredita que foi precipitaem votações no Congresso, a da em ordenar a degola no Mipresidente Dilma Rousseff indi- n i s t é r i o d o s Tr a n s p o r t e s , ca que não está disposta a segu- quando surgiram as primeiras rar nenhum auxiliar, ministro denúncias. Ao contrário, deu ou secretário, que tenha o nome claras demonstrações de que sob suspeição. A advertência manterá o rigor na "faxina" nos não é apenas para o Ministério ministérios sempre que surgidos Transportes, onde a faxina rem fatos consistentes. já atingiu 15 servidores, mas paNa marca do pênalti – Emra qualquer outro. Os mais visa- bora essa postura cause maldos seriam, no momento, os Mi- estar na base, assessores do gonistérios do Trabalho, das Cida- verno dizem que não há preodes e Turismo, embora as luzes cupação com a governabilidade. Dilma reainda estejam cebeu na quaracesas sobre a ta-feira o gestão do exministro das ministro e agoO partido vive sem Cidades, Mara senador Alcargos, vive sem r i o N e g r of re d o N a s c iministério, só não monte, da cota mento (PRdo PP. A pasta AM). dá para viver sem está na lista de M ã e d o dignidade. possíveis noPA C – Tanto UM DOS LÍDERES DO PR, QUE vos alvos da que Luiz AnNÃO QUIS SE IDENTIFICAR, " f a x i n a " , a stonio Pagot, INSATISFEITO COM O PARTIDO sim como o diretor afastaMinistério do do do Departamento Nacional de Infraes- Trabalho, comandado por trutura (Dnit), após as férias Carlos Lupi, do PDT, infornão reassume. E ontem Dilma mam assessores do governo. vetou a participação do diretor Além deles, o Turismo do peede Infraestrutura Rodoviária medebista Pedro Novais (leia do Dnit, Hideraldo Luiz Ca- abaixo). Abandonados – Nem tudo, ron, em reunião sobre obras do Programa de Aceleração do porém, é calmaria. Em recados Crescimento (PAC), que virou que chegaram nos últimos dias símbolo da sua campanha pre- ao gabinete da presidente, sidencial e do qual tornou-se a aliados disseram que até concordam com as mudanças, "Mãe do PAC". Poder de veto – Caron é o mas reclamaram das atitudes único petista no comando do duras dela para com o PR. MesDnit, autarquia envolvida em mo assim, a direção da sigla denúncias de superfatura- decidiu ontem baixar a "lei da mento de obras e pagamentos mordaça", orientado seus intede propinas. Servidor do Dnit grantes a parar de reclamar. A ordem acontece quando o desde 2004, ele é o responsável pelas aprovações ou vetos a deputado Diego Andrade (PRaumentos no valor de contra- MG), que lidera o movimento tos em andamento. Como Pa- pela criação do Partido do Degot, o governo já decidiu que s e n v o l v i m e n t o N a c i o n a l não irá mantê-lo no cargo. O (PDN), disse que sente "angúsPlanalto trabalha para que os tia e insatisfação" com a crise

envolvendo o PR. Apesar de defender "investigações profundas", ele e outros integrantes criticam a cúpula do PR. Alfredo Nascimento, presidente da sigla, até agora não se manifestou após a sua demissão do Ministério dos Transportes. O secretário e principal cacique do PR, deputado Valdemar Costa Neto (SP) sumiu de cena e o líder no Senado, Magno Malta (ES) não é encontrado para falar da crise. E ninguém defendeu a sigla quando o senador Pedro Taques (PDTMT) a chamou de "partido mafioso". Por isso, o desalento de uma das lideranças do PR. "O partido vive sem cargos, vive sem ministério, só não dá para viver sem dignidade", disse. M ar c a – Na avaliação da presidente e da sua equipe, foi possível manter a marca da "austeridade" durante a "limpeza" nos Transportes. E estão certos de que a presidente continuará a dispensar envolvidos em acusações, embora ela tenha alertado que não será "refém" de denúncias nem de dossiês. Esse estilo duro, no entanto, deixou até a cúpula do PT apreensiva. Na tentativa de amenizar esse incômodo, auxiliares da presidente observam que não há divergências, por exemplo, com o PMDB, maior partido da base. Eventuais divergências no futuro,

MAX.

Bernardo diz que não dá para acabar com corrupção no Dnit Pelo raciocínio do ministro, o problema estaria no orçamento de R$ 14 bilhões

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ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, afirmou ontem que é "quase impossível" que não haja problemas no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit), quando o orçamento da autarquia para 2011 é de R$ 14 bilhões. A declaração foi dada um dia depois de ele ter recebido a comenda de Santos Dumont, pelos "notáveis serviços prestados" a Aeronáutica. Na ocasião, ao comentar a crise no Ministério dos Transportes, disse que era "um bagrinho". É assim – Pelo raciocínio do ministro, "supor que não tem problema nenhum é quase impossível", porque o Tribunal de Contas da União (TCU) "tem seguidamente apontado problema no governo e é assim que vai continuar sendo feito", disse, ao defender a apuração

de irregularidades no setor. Bernardo falou ainda que acredita no diálogo para solucionar o desgaste entre o PR e o PT, após as denúncias. "Acredito nisso e, se teve algum problema, será retomado e os partidos vão se entender". Percepção – Para ele, a opinião pública tem a percepção de que a presidente Dilma Rousseff está atuando para apurar as denúncias de irregularidades no uso de verbas públicas no Ministério dos Transportes e solucionar a crise no setor, disse, após participar do programa Bom Dia, Ministro. "As pessoas estão vendo que a presidente está tomando providências para que as coisas funcionem direito", afirmou, numa referência às medidas adotadas até agora, que provocaram a demissão ou o afastamento de 16 pessoas, entre

dizem, devem ser tratadas caso a caso. CPI do PAC – Só que setores do PMDB, do PTB e do PR já estão negociando com a oposição a instalação de uma CPI dos Transportes. Deputados e senadores estariam decididos a assinar o documento, entre eles Blairo Maggi (PR-MT). "Ao persistir essas denúncias, será inevitável uma CPI, até porque o Congresso não terá como justificar para a sociedade que não quer investigar", afirmou o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Entre os governistas, há quem aposte numa CPI do PAC. Aguinaldo Timóteo – O Ministério Público Federal determinou ontem à Polícia Federal a abertura de um inquérito para apurar eventuais crimes de corrupção por políticos do PR, a partir do conteúdo da carta do vereador Aguinaldo Timóteo (PR), que contém menções a supostas propinas cobradas por integrantes do partido. No ofício, a Procuradoria pediu que ele seja ouvido "com urgência". (Agências)

funcionários do Ministério dos Transportes, do Dnit e da estatal Valec, que cuida de obras ferroviárias. Vai continuar – O ministro garantiu ainda que "é obrigação do governo apurar as denúncias, ver o que está acontecendo". Bernardo reiterou que o TCU tem apontado "problemas seguidamente" e o governo "tem que se virar" para resolver. "É assim que vai continuar sendo feito", garantiu Sobre a possibilidade de o afastamento de servidores de órgãos da pasta dos Transportes abalar a relação do governo e do PT com o PR, partido ao qual estava ligada a maioria dos exonerados, Bernardo disse que não estava autorizado a falar e que não tinha "a menor ideia". Ele ressaltou, porém, acreditar no diálogo. "Lá no Congresso", disse. (Agências)

José Cruz/ABr - 30/6/2011

Paulo Bernardo acredita que é possível o governo recompor o diálogo com o PR. E aponta o cenário ideal para a reaproximação, o Congresso.

Novais vai ao Planalto, seis meses depois da sua posse Ministro do Turismo tinha audiência de uma hora. Dilma concedeu meia hora Elza Fiuza/ABr - 09/06/2011

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epois de seis meses e 21 dias no cargo, o ministro do Turismo, Pedro Novais, de 81 anos, finalmente foi recebido ontem pela presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto. A estreia de Novais, um aliado do senador José Sarney (PMDB-AP), no gabinete do terceiro andar do prédio foi mais rápida que o previsto. A audiência deveria durar uma hora – das 15 às 16 horas. Mas Dilma, que chegou 30 minutos atrasada, pontualmente encerrou o encontro no horário previsto. Novais faz parte da lista dos ministros considerados "ineficientes" e "inadequados" na máquina administrativa pela própria presidente. Com casa e família no Rio de Janeiro e deputado federal pelo Maranhão, de 1983 a 2010, causou constrangimento para a presidente antes mesmo de tomar posse. No final do ano, ele usou dinheiro da Câmara para pagar pernoite em motel, em São Luís. A sua permanência no cargo é um presente do "amigo Sarney". Assessores do Planalto nem escondem que Dilma não tem paciência para conversar com o ministro do Turismo, área considerada estratégica para um país

Novais: recebido por Dilma com 30 minutos de atraso.

que vai sediar dois dos maiores eventos esportivos do mundo – a Copa em 2014 e a Olimpíada, em 2016. Em vez de perguntas sobre a audiência, assessores ouviram "uma possível nova demissão" num momento de faxina no governo. Para amenizar o mal-estar, os assessores disseram que o ministro esteve com Dilma anteriormente em "reuniões coletivas" para discutir assuntos relacionados à área do turismo, como transportes. Mas ontem, quando Dilma abriu uma reunião, após o encontro com Novais, para discutir obras de melhoria de rodovias, o ministro já tinha deixado o Palácio do Planalto. Quem também está encarando com naturalidade a possibilidade

de apurações de irregularidades em qualquer área é o ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves Filho. Segundo declarou ontem, isso não deve ser motivo para crise. "Quem não deve, não teme. Eu acho que isso deve imperar neste momento. As coisas devem ser encaradas com naturalidade e não devem ser motivo para crise política" – em referência à proposta do PR de que outros ministérios, além dos Transportes, sejam investigados. Ele voltou a defender que a proposta de desoneração da folha de pagamento não prejudique as contas da Previdência Social e que o governo garanta uma compensação para perda de arrecadação no setor. (Agências)


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DIÁRIO DO COMÉRCIO

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sexta-feira, 22 de julho de 2011

Você só perguntou de alvo porque estamos na linha de tiro, não é? Agora é tiro físico, só isso. Michel Temer (PMDB-SP), vice-presidente da República

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Fotos: Marcelo Camargo/Folhapress

Temer e Jobim vêem crise à distância Em evento de lançamento de foguetes, eles evitaram comentar o assunto, ontem

O Zoom: Jobim e Temer acompanham demonstração de tiros em Formosa, a 80km de Brasília.

Valec: prejuízos de R$ 420 milhões Cálculo é do TCU, que mandou suspender compra de materiais ferroviários

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m meio à crise no comando do Ministério dos Transportes, o Tribunal de Contas da União (TCU) identificou indícios de prejuízo de R$ 420 milhões aos cofres públicos na Valec, estatal que comanda obras em ferrovias. O TCU determinou a suspensão da compra de materiais como dormentes para trechos da Norte-Sul e oeste-leste. As duas obras integram o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). A medida cautelar foi aprovada por unanimidade no tribunal depois que a equipe técnica apontou a existência de estimativa de sobrepreço de 44,71% na compra antecipada de materiais que deverão ser

usados apenas na parte final da construção dos trechos das duas ferrovias. A suspensão da compra foi definida dez dias depois da demissão do ex-presidente da Valec, José Francisco das Neves, na primeira leva de demissões após as denúncias de irregularidades no Ministério dos Transportes. Depois disso, outros dois funcionários da estatal já tiveram suas exonerações publicadas no Diário Oficial da União. O despacho do TCU foi levado ao plenário pelo ministro Marcos Bemquerer em caráter de urgência. Não estava na pauta. "Precisamos de uma decisão rápida diante da possibilidade de prejuízo", disse ontem o ministro, que

não apontou vínculos entre a decisão do tribunal e a crise no Ministério dos Transportes e os políticos envolvidos. A área é uma das recordistas em irregularidades nas análises do tribunal. A suspensão das compras atinge 12 processos, a maior parte deles relativos à Ferrovia de Integração OesteLeste, chamada de Fiol. A ferrovia está na fase inicial das obras e irá ligar Ilhéus, na Bahia, ao município de Figueirópolis, em Tocantins. O PAC prevê a conclusão das obras de pouco mais de 1,5 mil quilômetros de trilhos até o final do mandato da presidente Dilma Rousseff, ao custo de R$ 7,4 bilhões. Cinco dos contratos em que o TCU identificou irregularidades são da Ferrovia Norte-Sul, iniciada ainda na segunda metade dos anos oitenta, durante o governo do ex-presidente José Sarney. Os contratos questionados estão relacionados ao trecho mais recente de obras, chamado de tramo sul da ferrovia. Esse trecho tem 680 quilômetros e vai ligar aos municípios de Ouro Verde (GO) a Estrela do Oeste (SP). Com esse trecho pronto, a Norte-Sul teria mais de 3.000 quilômetros de extensão. As encomendas dos materiais estão suspensas, assim como eventuais pagamentos, até uma decisão definitiva do Tribunal de Contas da União. Os técnicos defendem que os contratos com as empreiteiras sejam revistos para que materiais como dormentes de concreto, palmilhas amortecedoras e calços isoladores para os trilhos dos trens sejam comprados diretamente pela Valec, por meio de pregão específico. (AE)

vi ce - pres i de nt e Michel Temer e o ministro da Defesa, Nelson Jobim, ambos do PMDB, evitaram comentar a crise que atinge o Ministério dos Transportes e o PR. Os dois participaram na manhã de ontem, em Formosa, a 80 km de Brasília, da demonstração do lançamento de foguetes da Avibrás, no Campo de Instrução do Exército. Ao ser questionado se o PMDB temia ser o próximo alvo da faxina do Planalto, a exemplo do que está acontecendo com o PR, o vice-presidente respondeu: "Você só perguntou de alvo porque estamos na linha de tiro, não é? Agora é tiro físico, só isso". Diante da insistência dos repórteres sobre nomes que poderiam ser escolhidos para o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e sobre problemas do governo com a base, Michel Temer desconversou: "Por enquanto, aqui, só cuidamos do alvo físico que aca-

bamos de assistir". E emendou, desconversando sobre os problemas do governo: "Isto não é assunto para agora". Jobim também evitou dar declarações sobre o caso. Compra – Após a demonstração de lançamento de foguetes "terra-terra", fabricados pela Avibrás, o ministro Nelson Jobim, informou que está negociando com o Ministério da Fazenda a aquisição do equipamento que considera de "importância estratégica" para o País. O sistema conhecido como Astros II custa R$ 960 milhões, segundo informou o general Aderico Mattioli, diretor de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa. A expectativa da Força é que a liberação dos recursos seja definida até o final do ano. O ministro da Defesa explicou que, primeiro, é preciso resolver a situação da Avibrás, que se encontra em processo de recuperação judicial. Para que a empresa sobreviva, é preciso que haja um sanea-

mento econômico e financeiro dela, que poderá ser obtido com a garantia da aquisição do sistema Astrus 2020, pelo Exército, além de capitalização da Avibrás por meio de refinanciamento de seus débitos pelo governo dentro do Refis. "Serei advogado desta causa no governo", anunciou Temer, ao defender a necessidade de manutenção da indústria de defesa do Brasil. Ele acompanhou a demonstração no Campo de Formosa ao lado de Nelson Jobim. "Quando saímos do gabinete é que verificamos as necessidades verdadeiras do País", afirmou o vice-presidente, acrescentando que não há como avançar no desenvolvimento de tecnologia nacional sem recursos para investir. Jobim, por sua vez, salientou que "é preciso dar continuidade a garantir este acervo tecnológico, que não pode ser perdido, já que se trata de uma produção exclusivamente brasileira". O ministro lembrou que há interesse mundial neste produto e a última exportação da Avibrás foi para o Exército da Malásia, que adquiriu um conjunto de lançadores de foguetes da indústria brasileira em 2008, ao preço de R$ 500 milhões. "Precisamos desenvolver e atualizar esta tecnologia", comentou Jobim. (AE)

Sistema de foguetes terra-terra conhecido como Astros II custa R$ 960 milhões.

MPF processa Dnit por abandono de rodovia no Pará

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completo abandono da rodovia BR-155 por parte do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) é o objeto de uma ação judicialmovida pelo Ministério Público Federal (MPF). A divulgação foi feita no Pará, ontem. A rodovia em questão liga os municípios de Redenção a Marabá, no sudeste do estado. Na ação, com data de ontem, o MPF solicita à Justiça urgência no policiamento e serviços de manutenção e conservação da rodovia, praticamente inxistentes na estrada. Burocracia – A rodovia já foi incluída na malha rodoviária

federal há mais de dois anos, em 6 de julho de 2009. Porém, até hoje o Dnit não finalizou os trâmites burocráticos para regulamentar a federalização da rodovia, o que impede a instalação de postos policiais e qualquer tipo de reparo necessário para que ela permaneça transitável. Sem esse enquadramento, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) simplesmente não pode realizar a patrulha na rodovia. Já existe um efetivo disponível para trabalhar e os postos de fiscalização foram reformados, mas em vão. A reforma dos postos de fiscalização ao longo da rodovia

está se perdendo, conforme o denuncia o Ministério Público Federal do Pará. A falta de manutenção deteriora os pontos que deveriam estar sendo utilizados. Segundo os procuradores da República Alan Rogério Mansur Silva, André Casagrande Raupp e Tiago Modesto Rabelo, a antiga rodovia PA150, atual BR-155, está totalmente abandonada, sem manutenção e sem policiamento. De acordo com os promotores, essa situação implica sérios riscos à segurança viária e à população local, assim como eleva os índices de criminalidade na região. (AE) -

CGU abre mais sete investigações José Henrique Sadok de Sá, Mauro Barbosa e Luiz Cláudio Varejão, afastados do Dnit, estão no alvo do órgão Lula Marques/Folhapress - 06/07/2011

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Controladoria Geral da União (CGU) abriu ontem mais sete investigações a respeito de atos de ex-dirigentes do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), afastados por suspeita de corrupção, desvio de dinheiro público e tráfico de influência. Um dos alvos é o ex-secretário executivo do órgão, José Henrique Sadok de Sá, que foi afastado após reportagem publicada no jornal O Estado de S. Paulo revelar que a empresa da mulher dele, Ana Paula Araújo, ganhou contratos no valor de pelo menos R$ 18,9 milhões para tocar obras rodoviárias em Roraima. Outro processo aberto é uma sindicância patrimonial, para apurar possível enriquecimento ilícito de Mauro Barbosa, ex-chefe de gabinete do exministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, que renunciou em meio às denúncias.

Obras aceleradas: construção da mansão de Mauro Barbosa no Lago Sul, em Brasília, avaliada em R$ 4 milhões, está sendo examinada.

Reportagem publicada pelo Estadão em 6 de julho revelou que o dirigente está construindo uma mansão de 1.300 m2 no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, avaliada em R$ 4 milhões. Barbosa é suspeito de ser um dos operadores do esquema de arrecadação de propina montado pelo PR na Pasta.

Uma terceira investigação é um processo administrativo disciplinar, para apurar a responsabilidade do ex-coordenador-geral de Operações Rodoviárias do Dnit, Luiz Cláudio Varejão na execução de serviços de pesagem de cargas sem cobertura contratual, pela empresa Engespro.

Um dos últimos atingidos pela faxina determinada no setor pela presidente Dilma Rousseff, Varejão vai responder junto com Sadock a um outro processo disciplinar pelo reconhecimento da dívida de Consórcio Rodaviva, sem comprovação de execução dos serviços. (AE)


p Guerner e Bandarra: processo criminal DIÁRIO DO COMÉRCIO

sexta-feira, 22 de julho de 2011

É bobagem achar que pobre vai ganhar o céu. Para rico, o céu é aqui. O pobre também quer o céu agora, e vivo. Ex-presidente Lula

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TRF aceita denúncia e os dois promotores e mais três agora são réus no escândalo do mensalão do DF

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e s e m b a rg a d o re s do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, em Brasília, decidiram ontem abrir processo criminal contra a promotora Deborah Guerner, seu marido, o empresário Jorge Guerner, e o ex-procurador de Justiça do DF, Leonardo Bandarra por suspeitas de que eles teriam tentado extorquir o ex-governador José Roberto Arruda (DEM na época e, atualmente, sem partido). De acordo com a denúncia aceita pela Corte Especial do TRF, eles e outros três réus teriam participado de um esquema para tentar coagir Arruda a pagar R$ 2 milhões. Em troca, não seria divulgado um vídeo no qual ele aparecia recebendo dinheiro do delator do esquema do mensalão do DF, Durval Barbosa. Além dos Guerner e de Bandarra, tornaram-se réus no processo Durval Barbosa, o

pivô do escândalo do chamado Mensalão do DEM, o engenheiro Marcelo Carvalho e a servidora Claudia Marques. Um dos pontos altos do julgamento foi a própria Deborah. No início da sessão, gritou no plenário, atrapalhando os desembargadores e foi repreendida pelo presidente do tribunal, Olindo Menezes. "O Arruda (ex-governador do DF José Roberto Arruda), não foi denunciado, nem o Paulo Octávio (ex-vice-governador do DF) nem ninguém!", gritou. Diante do desatino, foi repreendida pelo presidente do tribunal: "Se a senhora falar mais uma vez vou retirá-la. A senhora não é obrigada a estar presente, mas, se tumultuar mais uma vez, será retirada". Duas horas depois, Deborah deixou a sala acompanhada do marido e de um dos advogados do casal. Disse que Jorge

passava mal e que ele tinha sofrido um princípio de Acidente Vascular Cerebral (AVC) nos últimos dias. Enquanto o grupo se deslocava para o departamento médico, em outro prédio do TRF, Deborah, nervosa, disse: "Eu sei que ele vai morrer de tanta injustiça". Em seguida, na rua que separa os dois prédios , começou a cair lentamente, dando a impressão de ter desmaiado. Foi carregada para o posto médico. Um advogado do casal comunicou que os dois ficariam em observação no departamento médico do tribunal. Ela, por causa do desmaio e ele, por problema de pressão arterial. No julgamento, a relatora, Mônica Sifuentes, apresentou imagens gravadas pelo circuito interno da residência dos Guerners para provar as suspeitas de crime. Sifuentes concluiu que há indícios de delito e, por isso, a denúncia deveria

Walter Campanato/ABr

Leonardo Bandarra, ex-procurador de Justiça do DF: também suspeito de tentar extorquir o ex-governador do DF, José Roberto Arruda.

No Nordeste, Lula ainda discursa como presidente Ex-presidente participa de evento na Bahia e passa longe da crise do governo Lúcio Tavora/A Tarde/AE

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m seu último evento em Salvador, antes de partir para Recife, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, ontem, do lançamento do Plano Safra da Agricultura e Pecuária da Bahia 2011-2012, que prevê créditos de R$ 4,2 bilhões. No evento, acompanhado do governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), e do ministro do Desenvolvimento Agrário, Afonso Florence, foi homenageado por integrantes de associações da agricultura familiar e discursou por 20 minutos. Não comentou a crise no governo Dilma Rousseff. Falando como se ainda integrasse o governo a cerca de mil pessoas – a maioria agricultores e sindicalistas –, focou seu discurso no aumento de oportunidades de empréstimos a pequenos agricultores e nos programas de distribuição de renda do governo federal. "Quanto mais dinheiro a gente fizer chegar à mão dos pequenos, mais vai crescer a economia brasileira, mais gen-

Achou: Lula ganha sacola de alimentos e saca garrafa de cachaça.

te vai comprar os produtos de vocês. Foram 39 milhões de pessoas que ascenderam de classe social". No momento mais inusitado do evento, Lula recebeu alguns produtos provenientes da agricultura familiar baiana e arrancou gargalhadas da plateia ao puxar uma garrafa de cachaça de uma das sacolas. Lula criticou governos anteriores ao seu ("governavam para um terço da população") e

brincou: "Temos de acabar com essa bobagem de que pobre vai ganhar o reino dos céus e que é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico ir para o céu. Porque para o rico o céu é aqui e o pobre também quer o céu agora, e vivo". Ainda segundo ele, hoje "custa mais caro o trabalhador deixar o campo e virar mendigo na cidade do que manter o trabalhador no campo". (AE/Folhapress)

'Lulismo venceu chavismo'

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revista britânica T he Economist traz, na edição que chega às bancas do Reino Unido neste fim de semana, duas reportagens sobre Brasil. Uma diz que o "lulismo" triunfou sobre o "chavismo" na América Latina. A outra tenta explicar por que o País agora consegue trazer de volta muitos de seus jogadores de futebol e considera que o País está ficando mais parecido com a Inglaterra. Um exemplo da decadência do 'chavismo' e da prevalência do 'lulismo' é a eleição do presidente Ollanta Humala no Peru. Ele, que no passado era seguidor do venezuelano Hugo

Chávez, hoje se diz "convertido" ao modelo de Luiz Inácio Lula da Silva. O Peru é hoje a economia latino-americana com maior taxa de crescimento. "Com sorte, Humala pode aderir a outro elemento do sucesso brasileiro: o respeito a contratos com investidores privados". Para a revista, a combinação de investimentos privados com programas sociais "são a fórmula da moda" na América Latina. Apesar dos elogios, a revista faz críticas ao modelo brasileiro: diz que gastos públicos no último ano do governo Lula causaram aquecimento econômico além da conta.

Futebol – The Economist explica por que jogadores de primeira linha deixam a Europa e voltam ao País. Primeiro: o real subiu 35% em relação ao euro de 2004 a 2010. Segundo: a melhora da administração dos clubes de futebol. No caso do Corinthians (que ofereceu R$ 100 milhões por Carlos Tevez do Manchester United), o time ganhou dinheiro com "novos acordos com a TV aproximação comercial maior junto à sua vasta base de torcedores". O texto termina com ironia: "O futebol brasileiro está ficando parecido com o inglês. Na Copa América, o Brasil perdeu para o Paraguai". (AE)

Ed Ferreira/AE

Deborah Guerner tumultuou o início da sessão de ontem. Aos gritos, dizia: "O Arruda (exgovernador do DF), não foi denunciado, nem o Paulo Octávio (ex-vice-governador do DF) nem ninguém!" Aí desmaiou. E deixou o posto médico em cadeira de rodas.

ser recebida e um processo criminal deveria ser aberto. "Estou convicta de que todos os denunciados, cada um na medida de sua culpabilidade, se não estão diretamente envolvidos, têm, no mínimo, pelos menos, explicações a dar sobre o que foi narrado na peça acusatória". O desembargador Cândido Ribeiro concordou: "Há indícios que merecem aprofundamento". Essa não é a primeira derrota de Deborah no TRF. Em junho, os desembargadores concluíram que a promotora não tem insanidade mental, e portanto pode responder por supostos crimes. Com o marido, ela ficou presa por oito dias na Superintendência da Polícia Federal sob a acusação de tentar atrapalhar o processo, simulando o suposto estado de insanidade mental. "Insana" – O advogado Paulo Sérgio Ferreira Leite, que defende a promotora, classifica sua cliente como insana. "Eu sou um advogado crimi-

nal com 50 anos de advocacia. Se eu não conseguir tomar conta de um louco, eu paro de advogar". Indagado se a promotora era louca, reforçou a classificação: "Ela é insana". Ferreira Leite afirmou ainda que quem manda é ele. "A doutora Deborah é instruída, inteligente, preparada e culta. Mas me obedece. Me obedece como uma cliente disciplinada. O macho velho manda na mulher moça. A não ser que tenha um problema sério como teve agora. Aí, quem tem que cuidar dela é o médico". Segundo um dos advogados de Deborah, Maurício Araújo, a promotora teve mesmo um mal-estar e precisou de atendimento. Indagado se isso teria

sido mais uma simulação por parte de Deborah, respondeu: "Isso seria má-fé. Ela sofreu um desmaio. Não teria por que simular isso. Eles estão com o estado emocional fragilizado". Quadro estável – Boletim médico divulgado ontem pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região informa que Deborah deixou o posto médico "tranquila e clinicamente estável". Segundo o documento, ela deixou o local a seu pedido, mediante assinatura de termo de responsabilidade. O boletim diz que apesar de deixar o posto bem, Deborah pediu cadeira de rodas para chegar ao carro. E que precisou de ajuda para entrar no carro do marido. (Agências)


DIÁRIO DO COMÉRCIO

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sexta-feira, 22 de julho de 2011

LÍBIA 1 The Guardian: rebeldes capturam comandante chave de Muamar Kadafi.

nternacional

Brendan McDermid/Reuters

LÍBIA 2 Kadafi: não haverá diálogo entre mim e os rebeldes até o Dia do Juízo.

Timothy A. Clary/AFP

Nova York, 40 graus A onda de calor que castiga os EUA levou os norte-americanos a lotarem piscinas em busca de refresco. Até o fim de semana, a combinação calor intenso e alta umidade pode cobrir metade do país. Pelo menos 22 pessoas morreram nesta semana. Reuters

Crise dos grampos contagia outros jornais A Scotland Yard vai investigar irregularidades além do império de Murdoch. Filho do magnata teria mentido em depoimento ao Parlamento, denunciam ex-funcionários.

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S c o t l a n d Ya r d anunciou ontem que ampliou a investigação sobre irregularidades cometidas por jornalistas e empresas de comunicação na Grã-Bretanha. Com isso, a polícia de Londres amplia o escopo do caso, que deixa de ser apenas sobre o escândalo dos grampos do tabloide News of the World e se transforma em um inquérito sobre a venda de informações privadas, que afeta outros jornais britânicos. A polícia pediu ao Escritório do Comissário da Informação (ICO, na sigla em inglês) os arquivos da Operação Motorman, concluída em 2006, sobre a compra de informações privadas por jornalistas britânicos. O ICO, órgão que regula a liberdade de informação, enviou os documentos que serviram de base para um relatório que registra cerca de 5 mil casos em que 305 jornalistas pagaram

por dados privados, violando a Lei de Proteção à Informação. A lista de veículos de comunicação envolvidos tem 32 publicações: 21 jornais e 11 revistas. No topo estão os tabloides Daily M ai l, que teria feito 952 pedidos de informações confidenciais; o Sunday People, com 802; eThe Daily Mirror, com 681. Entre os jornais na parte de baixo da relação estão alguns dos mais tradicionais da Grã-Bretanha, como o The Observer e o The Times, este publicado pelo grupo de Rupert Murdoch. Bode expiatório? - O pivô do caso foi o investigador particular Steve Whittamore, que servia de ponte entre os jornalistas

e uma rede de i nf or ma nt es que atuavam em órgãos do governo e empresas que prestam serviços públicos. E m e n t r evistas, Whittamore disse que foi usado como bode expiatório, que era apenas um entre vários detetives que vendiam informações e reclamou que os jornalistas nunca foram punidos. Os grupos de comunicação envolvidos alegam que os jornalistas agiram dentro lei e garantem que os pedidos foram feitos apenas para informações que tinham interesse público. Sue Akers, subcomissária assistente da Scotland Yard, disse

ontem que a polícia já tem registros de 3,8 mil nomes, 5 mil números de telefones fixos e 4 mil números de celulares que foram usados em práticas ilegais – até o momento, no entanto, apenas 170 pessoas foram informadas que estão envolvidas no caso. Polêmica - Um ex-editor do News of the World e um ex-chefe do departamento jurídico do jornal disseram ontem que James Murdoch mentiu no depoimento a parlamentares britânicos na terça-feira passada. James, filho de Rupert Murdoch, é o responsável pela operação das empresas do pai na Europa. Na audiência, ele disse à comissão que nunca viu um e-mail que sugerisse que a prática dos grampos telefônicos era recorrente no tabloide. Os dois ex-funcionários sustentam que o informaram da existência desse e-mail. Em nota, James afirmou ontem que mantém sua versão. (Agências)

ALEMANHA – Os restos mortais do vice de Adolf Hitler, Rudolf Hess, foram retirados do túmulo da pequena cidade de Wunsiedel, na Baviera, que havia se tornado um local de peregrinação para neonazistas. Com a concordância da família, os ossos foram levados a um crematório. A intenção é jogar as cinzas no mar. Sem o túmulo, as autoridades alemãs esperam colocar um fim às homenagens a Hess, considerado um mártir pela extrema-direita. Roberto Schmidt/AFP

SOMÁLIA ONU inicia ponte aérea contra a fome

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Organização das Nações Unidas (ONU) começará nos próximos dias a enviar comida por via área à Somália, onde duas regiões do sul estão em estado de crise de fome. "Aqui na Somália há uma situação de vida ou morte", disse a diretora do Programa Mundial de Alimentos da ONU, Josette Sheeran, após fazer uma visita a Mogadíscio ontem. "As pessoas no sul da Somália estão muito doentes e fracas para ir em busca de comida, portanto devemos levá-la. (A ONU) está preparando a abertura de várias rotas novas, por terra e ar, rumo ao centro da área de crise de fome", acrescentou a responsável do programa.

Quase a metade da população somali, cerca de 3,7 milhões de pessoas, está passando pela pior crise de fome em 20 anos, indicam dados divulgados pelas Nações Unidas. Na próxima segunda-feira, uma reunião emergencial da ONU discutirá o envio de ajuda para regiões assoladas pela seca no leste da África, o que inclui países como Quênia e Etiópia. Segundo a organização, uma solução para a crise pode demorar pelo menos seis meses. Brasil - O Itamaraty anunciou que o Brasil pretende enviar, até o próximo mês, 20 mil toneladas de feijão e milho para a Somália. A intenção é doar, ao todo, 80 mil toneladas. (Agências)

Mulher e filhos buscam água em campo de refugiados na Etiópia, atingida pela seca.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

sexta-feira, 22 de julho de 2011

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9 BOM SENSO Professor assediado pela internet aceitou pedido de desculpas de seus alunos, mas vai manter queixa feita na polícia. Para ele, os estudantes aprenderam uma lição. "No futuro, terão de tratar bem as pessoas no trabalho e mesmo nas ruas", afirmou.

idades

Fotos Reprodução

Aparentemente arrependidos pelo bullying (assédio) praticado contra um professor numa comunidade do Orkut, alunos de uma escola estadual de São Bernardo do Campo criaram uma nova página nesse mesmo site de relacionamento, desta vez para pedir desculpas ao mestre. O professor ficou feliz, mas disse que vai manter as queixas feitas à polícia e ao Conselho Tutelar.

O ATAQUE - Na primeira página criada no Orkut, ódio dos alunos contra o professor a quem chamaram de Tio Patinhas. Uma "enquete" sugeria que o professor deveria ser submetido a vários castigos. O mais votado pelos alunos foi queimar os cabelos do mestre, que levou o caso à polícia de São Bernardo do Campo.

Ao mestre, agora com carinho Ivan Ventura

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AS DESCULPAS - Ontem, depois da repercussão do caso e aparentemente arrependidos, um grupo de alunos da mesma escola criou outra página no Orkut, desta vez para pedir desculpas ao mestre. " Sabemos que isso é 'bullying' e é crime. Somos adolescentes, sim, e sabemos que não irão passar a mão em nossas cabeças".

zantes. Num primeiro momento, o que mais chamou sua atenção na nova página foram os erros de português. "São imperdoáveis", brincou o professor. O título da página é "Algusto nos desculpem". Ou seja, substituíram a letra "u" pelo "l". Em seguida, há um texto com um pedido formal de desculpas, também com erros. "Algusto" – "Estamos aqui

porque estamos muito arrependidos do que fizemos com professor Algusto, da escola. Sabemos que isso é 'bullying' e é crime. Somos adolescentes, sim, e sabemos que não irão passar a mão em nossas cabeças. Mas mesmo assim estamos aqui para pedir desculpas por tudo o que fizemos. Em nome da escola toda", dizia o pedido de desculpas. O texto termina com a assi-

natura simbólica de todos os alunos da escola pública de São Bernardo. Na mesma página há uma nova "enquete", quase nos mesmos moldes da que figurava na comunidade anterior e que era ofensiva ao professor de português. Na nova página, a "enquete" tem como tema um pedido de desculpas e exibe três alternativas possíveis. São elas, textualmente: "Professor, eu sinto muito"; Professor, desculpa ter falado tudo aquilo de você", e "Professor, pedimos perdão por tudo". A nova página não revela o motivo que levou os alunos a pedir desculpas ao mestre. Medo de nota baixa? Imposição dos pais, que descobriram a travessura na internet? Ou mesmo o medo de uma represália mais séria, no futuro, possivelmente na Justiça? Feliz – O professor Augusto não soube dizer o motivo que levou alguns de seus alunos ao arrependimento, mas ficou feliz

Ó RBITA

CASO ELIZA Macarrão diz que sangue encontrado no carro do goleiro Bruno era mesmo de Eliza Samudio.

gentes de segurança do Metrô detiveram em flagrante um homem suspeito de tentar abusar sexualmente de uma mulher no fim da tarde de ontem em um trem na estação Anhangabaú, da Linha 3-Vermelha, no centro. O delegado Ailton Muniz, da Delegacia do Metropolitano, disse que não houve violência. O episódio foi registrado como "importunação ofensiva ao pudor." Mais casos – Na manhã de terça-feira, uma mulher de 34 anos foi vítima de ataque sexual na estação Sacomã do

metrô. O homem chegou a tirar a parte de baixo da roupa, mas a mulher conseguiu se desvencilhar e fugir. O criminoso também fugiu. Segundo a polícia, o ataque aconteceu às 9h20, após a vítima pedir informações sobre trajeto a um homem na estação. Ela então seguiu as indicações, mas foi atacada pelo mesmo homem, ainda não identificado, quando caminhava pela escada indicada. O criminoso fugiu correndo em direção ao terminal de ônibus. O caso foi registrado como ato obsceno, lesão corporal e ameaça. O Metrô informou, em nota, que

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ATAQUES SEXUAIS NO METRÔ

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um boletim de ocorrência no 3º Distrito Policial da cidade, localizado no bairro Assunção. Depois, com o B.O. em mãos, ele seguiu para o Conselho Tutelar da cidade. A reclamação deverá chegar em breve ao conhecimento de um juiz da Vara da Infância e Juventude. Uma lição – "Eu acho que os alunos aprenderam a lição. Não sei e não me importo se os pais exigiram essa atitude ou se eles decidiram pedir desculpas. É uma lição que quero deixar para eles: a educação. Por enquanto, pelo que disse o delegado, eles são menores de idade e não cometeram nenhum crime aos olhos da lei. Mas no futuro, quando adultos, eles deverão tratar bem as pessoas no trabalho ou mesmo nas ruas. Caso contrário, eles poderão até responder na Justiça e ninguém quer isso", disse.

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Hélio Torchi/AE

PRISÃO Preso suspeito de participação em arrastão a restaurante em Pinheiros.

com a atitude. Ele soube da novidade ontem, às 14h, na subsede do Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo (APEOESP), em São Bernardo. "Ontem chegou um e-mail por meio do blog da APEOESP. Nele, em nome dos alunos, uma menina pedia desculpas pelo o ocorrido. Além disso, ela informou que os estudantes haviam criado uma nova comunidade, desta vez com pedidos de desculpas", disse. Sem recuar – Mesmo feliz com os pedidos de desculpas, Augusto afirmou que não irá recuar da reclamação já feita à Justiça. "Por enquanto, eu só não penso em pedir um valor por dano moral, mas já fiz o b o l e t i m d e o c o r rê n c i a e o Conselho Tutelar já foi informado. É preciso colocar um freio nessa situação", explicou o professor Augusto. Na terça-feira, ele registrou

DC

m dia depois de o D C p u b l i c a r r ep o r t a g e m s o b re u m c a s o d e b u llying na internet contra um professor em São Bernardo do Campo, no ABCD paulista, os alunos envolvidos na agressão voltaram a citar o mestre em uma nova comunidade no Orkut. Dessa vez, não havia ofensas ou enquet e s s u g e r i n d o a g re s s õ e s . Agora, eles querem mostrar ser carinho e pedir desculpas ao mestre. O assédio ao professor começou quando os alunos criaram uma página no Orkut na qual pregavam o ódio contra o professor de português, identificado apenas como Augusto, de 52 anos. Além de citar o apelido do professor, os alunos exibiram uma fotografia do mestre. E foram além: numa "enquete", sugeriram vários tipos de agressões contra o mestre. Uma delas era queimar seus cabelos. Erros de português – A nteontem, aparentemente arrependidos das ofensas publicadas, alguns alunos criaram uma nova página no Orkut que já conta com 58 simpatizantes. Vale lembrar que a página que atacava o professor tinha 35 simpati-

ATROPELADO – Um cavalo morreu atropelado na noite de anteontem, na Rodovia Ayrton Senna, em Itaquaquecetuba. O animal invadiu a pista e foi atingido por um carro. O motorista não se feriu. as "câmeras registraram o fato e essas imagens serão disponibilizadas à autoridade policial". No dia 19 de abril, uma supervisora de 26 anos foi molestada sexualmente em um vagão entre as estações Paraíso e Brigadeiro. O homem se aproximou, pegoua pelo braço e ordenou que ficasse quieta, caso contrário machucaria seu rosto. Ele colocou a mão por baixo da

sua saia, rasgou sua roupa íntima e a tocou. Passageiros perceberam a ação do rapaz e tentaram intervir, mas não conseguiram detê-lo. O Metrô recomenda que comportamentos inadequados sejam comunicados a um funcionário ou via SMSDenúncia (7333-2252), 24h por dia. O serviço garante total anonimato aos denunciantes. (Agências)

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DIÁRIO DO COMÉRCIO

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Nós entramos aqui às 11 horas. Agora são quatro e meia e ele não quer sair. João Ângelo, pai do menino Marcos

idades Ormuzd Alves/Folhapress-20/11/1994

Reprodução

ORA, PAGÚ!

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essa altura, lá na eternidade, a escritora Patrícia Galvão (1910-1962), a célebre Pagú (à esq.), musa dos nossos modernistas, deve estar particularmente escandalizada com São João da Boa Vista em virtude do ataque homofóbico contra pai e filho no início da semana. Mulher libertária, sobretudo anti-preconceituosa, estaria nas ruas pedindo justiça, como sempre fez em vida. Ela não ficaria nada satisfeita em saber que semelhante obscurantismo ocorreu em sua cidade natal. Pagú sofreu 23 prisões por se opor à ditadura de Getúlio Vargas (19371945). Foi casada com Oswald de Andrade e Geraldo Galvão. Patrícia Galvão, a célebre Pagú.

VAI UM PENALTI AÍ?

Ricardo Trida/AE

OLHA O LULA AI, GENTE...

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á está nas mãos dos compositores – tanto os da ala da escola como os convidados – a sinopse sobre a qual deverão se inspirar para concorrer ao samba-enredo da Gaviões da Fiel. Como se sabe, seu tema do Carnaval 2012 é a trajetória de Lula. Segundo o plano de desfile, a abertura, marcada pela comissão de frente, se intitula "A Metamorfose do Escorpião", alusão ao signo astrológico do ex-presidente, introduz sua biografia. A segunda ala, protagonizada pelas baianas, batizada de "Mãe Coragem", celebra a mãe dele, Dona Lindu, como aconteceu no filme. A bateria da escola estará vestida com macacões de metalúrgicos do ABC.

...BRILHANDO NA PISTA

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uem leu a sinopse diz que o texto tem algo de heróico. Lá está escrito, por exemplo, que "Lula não se intimidou com as mãos de ferro da Ditadura". Nesse sentido, a décima ala recebeu o título de "O duelo da Democracia contra o dragão da Ditadura", remetendo ao filme "O dragão da maldade contra o santo guerreiro", de Glauber Rocha (1939-1981). Também associa Lula às Diretas-Já, à moeda forte, ao combate à inflação e à emancipação nacional. A propósito do tema, já é corrente entre sambistas e carnavalescos que a biografia do ex-presidente Lula deverá ser enredo da Escola Beija-Flor no Carnaval carioca de 2013.

Metrópole – Como o senhor, que foi exímio cobrador de pênaltis, interpreta o fracasso contra o Paraguai? Evair – Em primeiro lugar: um jogador, na Seleção, deve saber o que precisa fazer. Em segundo: o primeiro batedor, Elano, tinha a obrigação de ver o terreno fofo e que o pé de apoio podia escorregar. Os outros tinham obrigação maior: haviam visto o que aconteceu e ainda foram avisados por Elano. Também deviam saber que estavam cansados e que nesse estado a pessoa pensa e se concentra menos.

Metrópole –1- Faltou treinamento? Evair – Acho que sim. Batedor bem treinado sente-se seguro para bater certo. À força de treinar, examinando os resultados, o sujeito pega confiança. Cheguei a errar quatro ou cinco vezes no treino, mas me sentia seguro para cobrar no jogo. Se a bola sair rasteira e no canto, é indefensável. Metrópole – Por que o senhor valoriza tanto o aspecto emocional, via segurança? Evair – O gol tem 7,22 metros de extensão por 2,44 de altura. A bola

vai até 70 centímetros de circunferência. A distância é de 11 metros, sendo que o goleiro só pode se movimentar depois que a bola parte. Há mais de 90% de possibilidade de gol, a menos que o emocional pese. Metrópole – Qual é o pior tipo de goleiro para o batedor? Evair – Aquele que não se mexe até o último instante do chute. Não dá sinal para que lado irá. Não é aconselhável ficar olhando para ele. (Evair Aparecido Paulino, 46 anos, treinador, ex-jogador do Palmeiras, Portuguesa, etc)

GUERRA SANTA

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rei Bruno Cadoré, 57 anos, mestre-geral dos dominicanos, esteve em São Paulo na semana passada, fazendo uma visita chamada de conhecimento à província da Ordem. Em um encontro

com a comunidade no Colégio Santa Catarina de Siena, na Rua Manoel da Nóbrega, ele fez uma revelação assustadora. Atualmente, a região do mundo mais perigosa para cristãos, leia-se risco de morte, religiosos ou

leigos, se localiza no Oriente Médio e sul da Ásia, respectivamente Somália, Irã, Afeganistão, Índia e Paquistão – focos de Islamismo radical. As guerras santas estão voltando com vigor.

Projeto Catavento faz um giro pela ciência Instalado no Palácio das Indústrias, no Parque D.Pedro 2.º, espaço oferece atividades lúdicas para as crianças mergulharem no universo e nas conquistas da humanidade Fotos - Newton Santos/Hype

Mariana Missiaggia

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i s c re t a m e n t e , o Projeto Catavento está se tornando a mais nova atração da cidade. Neste primeiro semestre viu crescer em cerca de dois mil o número de visitantes a cada mês, chegando à bela marca de 40 mil em junho. Provavelmente julho deverá bater recordes em virtude das férias, uma vez que seu acervo seduz particularmente o público infanto-juvenil. O Catavento funciona no Palácio das Indústrias, que já foi Assembleia Legislativa e a Prefeitura de São Paulo, nas imediações do Parque Dom Pedro 2.º. A sua vasta lista de atividades justifica a demanda. São 250, distribuídas nos quatro mil metros quadrados de área do museu, que aloja quatro setores: Engenho, Universo, Vida e Sociedade. A educadora Aline Jordan, 28 anos, que trabalha no local, resume em poucas palavras o fascínio do lugar. "O museu torna real tudo aquilo que é muito abstrato para os alunos na sala de aula", explica. Um bom exemplo é o equipamento "Cadeira Girando", no Engenho, que simula a rotação do nosso sistema solar. O funcionamento, sem trocadilhos, é engenhoso. A criança senta-se na cadeira e é informada que seu umbigo será o sol e o restante do corpo, o sistema solar. "A cadeira gira. Se a criança encolhe braços e pernas, a rotação aumenta e os planetas se aproximam do sol; se distende e abre os braços e pernas, a rotação fica mais lenta e os planetas se distanciam do sol", explica Aline. Lúdico – A propósito, Aline é uma das sete educadoras, que formam, com 120 monitores do museu, a equipe que orienta o aprendizado lúdico. É alguém desse grupo que conduz a garo-

DC-3 fabricado nos Estados Unidos foi utilizado como avião cargueiro militar na Segunda Guerra Mundial

tada, ainda no setor intitulado Engenho, até uma bolha de sabão gigante, para tratarem do estudo dos fluidos. Esta forma divertida de aprender prossegue na seção Universo, que possui dois espaços: astronomia e terra. É possível que a sala mais atraente seja aquela que reproduz a paisagem lunar e cujo piso faz cada visitante sentir que é um verdadeiro selenita (um habitante lunar). Mas a réplica de caverna onde soam ruídos de água e de animais, ou o chamado Monte dos Sábias são concorrentes à altura. Personalidades – Esta última atração permite uma escalada em que o "alpinista" vai ouvindo histórias a respeito de personalidades como Mahatma Ghandi, Machado de Assis, Churchill etc. O interesse pelo monte pode ser atestado pela disposição do menino Marcos Paulo Somero, seis anos, que o pai João Ângelo trouxe da cidade de Limeira (SP) para visitar a casa. "Nós entramos aqui às 11 horas. Agora são quatro e meia e ele não quer

Visitantes participam de atividades que ampliam o conhecimento

Público que visita o espaço, na região central, tem aumentado a cada mês

sair", informava o pai. Canto dos Pássaros – O segmento chamado de Vida, como o nome sugere, é uma celebração a tudo aquilo que vive sobre a face do planeta, rica em efeitos audiovisuais. Paredões repletos de frases, vídeos e fotografias remetem interminavelmente à origem e à evolução da vida com representações estimulantes e didáticas, nas quais se destaca o tópico do canto de pássaros na sua imensa diversidade. Ressalvando que ele é biólo-

go, portanto enamorado do assunto, o entusiasmo de Ednei Luis Antonio, 32 anos era palpável naquele mar de plumas e piados. Ele levou a filha, Maria Eduarda, e as sobrinhas Isabela e Júlia. "Essa interação das crianças não tem preço. A maior parte delas, que mora em regiões metropolitanas, perdeu o contacto com a natureza e nem sabe que cada pássaro tem um som diferente", dizia, exaltado. O último setor, dedicado à sociedade, propõe um arco de de-

bates sobre temas éticos e polêmicos, sustentados também por interessante aparato tecnológico. No capítulo das drogas, tabagismo e alcoolismo, óculos especiais simulam visões de cenas relativas aos temas. Locomotivas – Na parte externa do prédio há um segundo museu ao ar livre. É o de Tecnologia, que exibe os variados meios de transportes a partir do século XIX. Ali podem ser admiradas locomotivas importadas, entre elas a velha Dübs, vinda da Inglaterra, que puxou trens da lendária Companhia Paulista de Estradas de Ferro. É possível também conhecer velhas carroças e carroções. E o

respeitado DC-3 fabricado em 1936 nos Estados Unidos, que foi utilizado primeiramente como avião cargueiro militar na Segunda Guerra e depois para transporte de passageiros.

S ERVIÇO Palácio das Indústrias - Parque Dom Pedro 2.º, Centro. Horário de funcionamento: terça a domingo das 9h às 17h (Bilheteria fecha às 16h.) Ingresso: R$ 6. (Estudantes e idosos: R$ 3). Acesso: Metrô Pedro II e terminal de ônibus Parque Dom Pedro II. Estacionamento: R$8 até três horas.


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urismo

Fotos: Divulgação

Terapia de Chocolate, Ducha Vichy e massagem nos pés fazem parte do menu do Spaço Quintessência. No Canto da Floresta, as modalidades incluem a shantala – técnica indiana especialmente aplicada a bebês.

NA CIDADE DO BEM-ESTAR O DC visitou dois spas incríveis em Amparo, interior de São Paulo, o destino pertinho para cuidar do corpo e da mente

Longe do estresse no Quintessência Ivan Ventura

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paulistano que busca o fim do estresse será duplamente recompensado se seguir de carro até a cidade de Amparo, a 130 quilômetros de São Paulo. Primeiro, na ida até lá, onde um cenário bucólico encanta os olhos: há túneis naturais feitos a partir do encontro das copas das árvores inclinadas sobre a Rodovia Constâncio Cintra. Após alcançar a luz no fim do túnel verde, o motorista deverá rodar mais uns 15 km até chegar à segunda recompensa: o luxuoso Hotel Sant’Anna e seu spa Spaço Quintessência. Nas instalações de uma antiga fazenda com belíssima arquitetura clássica do fim do século XIX, o hotel abriga 42 apartamentos confor táveis, uma adega particular para momentos gourmets românticos, piscinas, campo de futebol e até um campo de golfe. Cleópatra – Um dos spas mais conhecidos no combate ao estresse, o Spaço Quintessência já foi premiado pela revista Ve ja e outras publicações de peso pela completa infra-estrutura do gênero em São Paulo. Cercado por um belo jardim no estilo japonês, mistura modernos equipamentos e técnicas milenares de relaxamento, que auxiliam no combate ao estresse. Entre as opções, o destaque fica para o ritual de Cleópatra, inspirado nos banhos da famosa rainha egípcia, com duração de aproximadamente três horas. O tratamento começa com a imersão em uma banheira com leite e substâncias aromáticas, além de colágeno marinho. Após o banho, thalassoterapia, que, em suma, é outro banho com cristais marinhos e gel de algas –

ricos em minerais, oligoelementos e óleos essenciais com propriedades terapêuticas. O ritual é concluído com massagens corporal e facial com proteínas de seda. Dá para imaginar o resultado da terapia. Hidroterápicos – O menu relaxante inclui outros tratamentos únicos, como as técnicas que utilizam como base a água para o relaxamento (hidroterápicos). A Ducha Vichy dura quase uma hora e consiste em posicionar a pessoa deitada sobre uma cama e massageá-la a partir do uso de sete duchas posicionadas sobre pontos estratégicos da musculatura humana. Ao mesmo tempo, uma especialista estimula terminações nervosas do corpo para reforçar a eficácia da massagem contra o estresse. O Spaço Quintessência dispõe, é claro, das tradicionais massagens terapêuti-

Refúgio zen: Canto da Floresta. Relaxe: o spa é cercado por um jardim no estilo japonês (acima). Hotel Sant'Anna (à esq.) ocupa uma antiga fazenda do fim do século XIX e abriga ambientes aconchegantes.

cas. Aos casais, há uma especial de uma hora. Ao final da estadia, será quase um vício cuidar do corpo e relaxar. Mas, se a volta para casa é mesmo inevitável, será possível apreciar ao menos mais uma vez o belo túnel verde da região serrana do Estado. Hotel Sant’Anna: Bairro do Córrego Vermelho, Amparo (SP), tel. (11) 3509-4252, www.hotelsantanna.com.br. Diárias a partir de R$ 560,23 por casal (em julho). Inclui café da manhã, jantar e programa de atividades de lazer. Possui pacotes especiais de spa.

BELEZA HISTÓRICA O centro de Amparo abriga belas casas (foto) do início do século passado (algumas delas ainda mais antigas). Entre as visitas imperdíveis está a Igreja Nossa Senhora de Amparo. No interior, há quadros de afrescos de famosos artistas, como Oscar Pereira da Silva e Benedito Calixto. (IV)

Decoração com peças da cultura hindu (acima) se espalham pelas áreas comuns. Parque Místico (abaixo) é ponto alto do ecoresort.

Flavia Perin

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asta chegar ao Canto da Floresta Ecoresort, em Amparo, para começar a entender a sua definição de um espaço ecológico. Quando adquiriram o terreno de 45 alqueires há cerca de 11 anos, seus proprietários – a família Mesquita, de Santos (SP) – iniciaram o trabalho de reflorestamento no local por meio do plantio de 35 mil mudas nativas. O resultado hoje salta aos olhos. As confortáveis instalações do hotel são cercadas por muito verde e privilegiam a beleza natural, seja pela arquitetura ou a decoração, regida pelos preceitos do Feng Shui, e outros mínimos detalhes – por exemplo, os 66 apartamentos são divididos por alas com nomes de pássaros da região. A ambientação, aliás, é um destaque. Peças trazidas da Índia se espalham pelas áreas comuns e dão um tom especial de misticismo ao lugar. Os objetos demonstram a predileção da família pela cultura hindu e conferem ainda mais valor ao menu de atividades místicas oferecidas aos hóspedes – um capítulo à parte. Um enorme jardim zen dá as boas-vindas assim que se ultrapassa a recepção. "Para renovar as energias", afirma Fernanda Mesquita, diretora-geral. Ela explica que a proposta do hotel é proporcionar bem-estar interior. "Tudo foi pensado para que o hóspede possa aquietar a mente e se interiorizar." O ponto alto é o Parque Místico, que

pode ser percorrido por uma trilha e que abriga uma pirâmide, um labirinto, os Templos do Sol e da Lua e tótens que remetem aos chacras do corpo. Na programação alternativa, sempre acompanhada de perto pela simpática instrutora Vera Zamarioli (às vezes pela própria Fernanda), estão incluídas desde aulas de ioga e tai chi chuan até canto de mantras e vivências como o ritual do fogo. A vegetação e o ar puro são companhias constantes, e, para arrematar qualquer programa, a cachoeira fica a alguns poucos metros da piscina. Além do misticismo – Quem prefere apenas curtir a estrutura de lazer, estará bem servido. Além da piscina, o Canto da Floresta conta com saunas seca e vapor, quadras de tênis e squash, campo de futebol society iluminado e aparelhos de musculação. Também se pode optar por passeio a cavalo, pesca ecológica, caminhadas na mata, mountain bike, arco-e-flecha, parede de escalada e brincadeiras monitoradas para os pequenos. Descanso ou diversão, há para todos os gostos. Já se a palavra de ordem é relaxar, a dica são as massagens: holística, ayur-

Beleza da arquitetura é notável. Sala de ioga compõe a infra-estrutura.

védica, rítmica, shiatsu, reflexologia, harmonização com cristais... As modalidades não param por aí e englobam a shantala, uma técnica indiana especialmente aplicada a bebês. Mais mimos para o corpo e a alma? Três tipos de banhos terapêuticos – Terapia do Chocolate, Banho de Leite e Vinhoterapia – compõem o cardápio de tratamentos para a saúde e a beleza. Os paladares estarão igualmente bem atendidos pela culinária caprichada do chef Rabi Abdo, que alia especialidades regionais do Brasil à gastronomia internacional, preparadas com ingredientes cultivados na fazenda. E o conforto se estende aos quartos: a suíte luxo tem ar-condicionado e internet sem-fio e algumas dispõem de varanda. Impossível não voltar para casa com as energias renovadas. Canto da Floresta Ecoresort: Bairro Furquila, Amparo (SP), tels. (19) 39381500 e (11) 3892-7732 (reservas), www.hotelcantodafloresta.com.br. Diárias a R$ 630 por casal (em julho), com cortesia para uma criança de até 11 anos no mesmo quarto dos pais. Inclui pensão completa e programa de atividades terapêuticas e de lazer.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

12 -.LOGO T ECNOLOGIA

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Logo

País de sombras

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Hackers obtêm arquivos da Otan O grupo de hackers Anonymous declarou ontem que dispõe de cerca de 1 gigabyte de "documentos restringidos" da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e advertiu que seguirá combatendo empresas e governos que atentem contra a liberdade de informação. Em mensagem no Twitter, o grupo anunciou: "agora contamos com 1 gigabyte de dados, que em sua maior parte não pode ser publicada porque seria irresponsável", mas "nos próximos dias, aguardem mais dados interessantes", escreveu o grupo em sua conta na rede social (@AnonymousIRC). Os hackers não revelaram o motivo de sua operação contra a Otan, mas criticaram em suas mensagens o FBI por deter 14 de seus membros em uma operação dirigida contra o grupo por ataques ao PayPal, que cancelou a conta do WikiLeaks. "Nós estamos trabalhando e o FBI também. Vamos ver quem é mais eficiente", diz um tuíte do grupo.

A companhia de dança dos EUA Pilobolus em cenas do espetáculo 'Shadowland' em apresentação ontem em Berlim, Alemanha.

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E SPAÇO

E SPÉCIES Frank Leonhardt/AFP

O fim de uma era L

Borboleta 'Argynnis paphia' no Jardim Botânico de Munique, Alemanha.

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O macaco-esquilo Charles Darwin sobe na cabeça de seu tratador durante uma filmagem em Berlim, Alemanha.

G AMES

Rede Playstation chega ao Brasil

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Atlantis voltou ont e m à Te r r a c o m seus quatro tripulantes a bordo, após uma bem-sucedida missão de 13 dias, a STS-135, o que encerra o programa de naves espaciais da Nasa (agência espacial norte-americana) após 30 anos de operações. O Atlantis despediu-se na terça-feira a ISS para sempre, ao iniciar a viagem de retorno à Terra. A Atlantis aterrissou na pista do Centro Espacial Kennedy, em Cabo Canaveral (Flórida), às 6h58 do horário local (o mesmo de Brasília). Os funcionários da Nasa se uniram ao resto do mundo e assistiram ao momento que pode ser qualificado como "histórico": o comandante Chris Ferguson, o piloto Dough Hurley e os especialistas de missão Sandra Magnus e Rex Walheim pisando na terra após a última viagem realizada por uma nave. Durante a missão, o Atlantis levou toneladas de provisões à Estação Espacial Internacional,

Pierre Ducharme/AFP

N ATAÇÃO

César Cielo, liberado para o Mundial Atlantis em seu último pouso, em Cabo Canaveral, na Flórida

onde residem seis astronautas. O programa de ônibus espaciais iniciou-se em 12 de abril de 1981 com o lançamento do Columbia, ao qual seguiram o Challenger (1983), o Discovery (1984), o Atlantis (1985) e o Endeavour (1992), que se transformaram na bandeira da prospecção espacial dos EUA. O Challenger e o Columbia sofreram graves acidentes - o primeiro explodiu 73 segundos

após a decolagem em janeiro de 1986 e o Columbia desintegrouse em fevereiro de 2003 quando reingressava na atmosfera. Desde que a Columbia foi lançada, 355 pessoas de 16 países já voaram 852 vezes a bordo de uma nave. As cinco naves Columbia, Challenger, Discovery, Atlantis e Endeavour percorreram 872 milhões de quilômetros e abrigaram 2 mil experimentos. (EFE)

O brasileiro César Cielo, campeão olímpico nos 50 metros nado livre em Pequim 2008, poderá competir no Mundial de Natação de Xangai. A Corte Arbitral do Esporte (CAS, na sigla em inglês) deu a ele uma advertência, a mesma imposta pela federação brasileira, para a presença da substância "furosemida" em maio. Seus companheiros de equipe Henrique Barbosa e Nicolas Santos também receberam advertências. Os quatro brasileiros tiveram resultado positivo para a substância "furosemida", um diurético, em um exame antidoping realizado em maio, por isso receberam

Morre o pintor Lucian Freud Stephan Agostini/AFP

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'É MEU' - Michal Navratil, da República Checa, pega o buquê da "noiva" Laura Spina, que aparece em uma sacada a 24 metros de altura com o "noivo" Michael Piringer. A cena foi criada para um vídeo sobre a quinta etapa da Red Bull Parade, no Castelo Scaliger, próximo ao lago de Garda, o maior da Itália. Navratil saltou de uma plataforma a 27 metros de altura.

O pintor britânico, nascido na Alemanha, Lucian Freud, morreu na quarta-feira em Londres, informou seu agente, William Acquavella, em Nova York. A causa da morte não foi revelada. Neto de Sigmund Freud, Lucian se tornou o pintor vivo mais valorizado em 2008, quando seu trabalho Benefits Supervisor Sleeping (1995), que retrata uma mulher obesa recostada em um sofá, foi leiloado por US$ 33,6 milhões. Ele também foi comissionado para retratar a rainha Elizabeth.

SAPATOS MODULARES Ronen Zvulun/Reuters

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advertência da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, que também retirou deles as medalhas conquistadas em maio no Torneio Maria Lenk, no Rio de Janeiro. A Federação Internacional de Natação (Fina) apelou à decisão por considerá-la branda demais. (EFE) A RTE

L OTERIAS

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euters

Dean Treml/AFP

A Sony lançou ontem a versão brasileira da rede de games online PlayStation Network (PSN). Segundo o blog oficial do PlayStation, o Brasil se torna, assim, o segundo país da América Latina a aproveitar o conteúdo digital da PlayStation Network. Além da rede de jogos, a empresa também lançou a Playstation Store, em que os usuários brasileiros poderão comprar games e baixar jogos. As compras podem ser feitas usando cartões de crédito e os preços estão em reais. Em breve, cartões pré-pagos da PlayStation Network estarão disponíveis em lojas.

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David Gray/R

A TÉ LOGO

Acesse www.dcomercio.com.br para ler a íntegra das notícias abaixo:

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Sem pagar pensão, ex-jogador Zé Elias é preso em São Paulo. Valor devido é de R$ 932.577,73

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Ibama remove 104 animais de zoológico de Niterói, no Rio de Janeiro, por suspeita de receptação

A designer israelense Sharon Golan, formada pela Academia de Arte e Design de Bezalel, criou uma coleção de calçados concebidos para serem montados e desmontados como módulos. As combinações dependem do gosto da usuária. A criação faz parte de uma exposição especializada em calçados femininos que acontece esta semana em Jerusalém.


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sexta-feira, 22 de julho de 2011

e

13 TELECOM Governo federal obriga operadoras a dividir suas redes com pequenas

conomia

INFRAESTRUTURA Vale vai investir R$ 3,5 bilhões em São Paulo nos próximos três anos

Em 22 de julho de 2013, os R$ 800 bi virarão R$ 1 tri. Estimativa do IBPT é de que a receita tributária aumenta em mais de 20% em exatos dois anos Renato Carbonari Ibeli

S

e a arrecadação tributária continuar a crescer na velocidade atual, em 2013 o Leão não precisará mais do que meio ano para dar uma mordida trilionária no bolso do contribuinte. Na realidade, nesse ritmo, dentro de exatos dois anos – em 22 de julho de 2013 – a arrecadação tributária registrará R$ 1,059 trilhão, conforme projeções fei-

tas pelo site do Impostômetro. Hoje, a mordida completa R$ 800 bilhões por volta das 13 horas. A ferramenta é alimentada pelo Instituto Brasileiro de P l a n e j a m e n t o Tr i b u t á r i o (IBPT) com dados dos fiscos das três esferas de governo. O avanço sistemático da arrecadação ganhou força na última década, em parte, pelo crescimento econômico vivido no período. Mas a elevação de alíquotas, e algumas mudanças no cálculo de impostos,

Alteração no Simples poder ocorrer em agosto

O

deputado Pepe Vargas (PT/RS) informou ontem que há um acordo com o governo para que seja votado o Projeto de Lei nº 591, ampliando o limite de faturamento das micro e pequenas empresas para fins de enquadramento no Simples Nacional, regime simplificado de tributação, e permitindo a exclusão do valor exportado do limite do faturamento exigido para enquadramento no regime. O substitutivo do relator irá propor uma elevação do faturamento anual de R$ 240 mil para R$ 360 mil para microempresas e de R$ 2,4 milhões para R$ 3,6 milhões para empresas de pequeno porte.

O deputado disse que nas faixas intermediárias, nas quais as empresas são classificadas para a definição de alíquotas do tributo, a elevação pode ser um pouco menor. Vargas afirmou também que há acordo para que a companhia possa exportar o valor equivalente a até duas vezes o seu faturamento sem ser excluída do Simples Nacional. O deputado avaliou que a proposta já poderá ser votada em agosto. Segundo ele, o projeto só não foi votado este mês porque o projeto de criação do Pronatec, programa de acesso ao ensino técnico do governo federal, tramita em caráter de urgência constitucional e trancou a pauta. (AE)

também contribuíram com esse crescimento. A tributarista Letícia Mary do Amaral, vice-presidente do IBPT, destacou que, na última década, o governo federal adotou medidas que contribuíram para aumento da arrecadação, entre elas a adoção do Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não-cumulativos, em 2001. Com a não-cumulatividade, o governo pretendia dei-

xar os tributos neutros, ao fazer compensações com créditos ao longo das diferentes etapas da cadeia produtiva. Mas na prática, "o regime não-cumulativo se mostrou tão complexo e as empresa passaram a ter tanta dificuldade para se creditarem que a carga tributária acabou aumentando" disse Letícia. Em 2010, a Receita Federal do Brasil (RFB) obteve R$ 571,9 bilhões provenientes do PIS e da Cofins, soma que representou 31,5% da arrecadação tributária da União daquele ano. A tributarista lembrou que nos últimos dez anos o governo federal aumentou consideravelmente a tributação para as importações, o que ajudou a receita tributária a avançar. Já com relação à evolução da arrecadação neste ano, Letícia disse que parte do avanço é resultado do fim das desonerações do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que foram instituídas a partir da crise financeira mundial. Soma-se a esses fatores a maior eficiência dos fiscos, com

Para reduzir a carga tributária, será preciso simplificar o sistema tributário e reduzir alíquotas. LETÍCIA DO AMARAL, IBPT

a implantação do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped) e da Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), e o que se verifica é a aceleração vertiginosa da ar-

recadação na década. Pelo site do Impostômetro (www.impostometro.org.br), em 22 de julho de 2001, a arrecadação das três esferas de governo atingia R$ 215,9 bilhões. Hoje, em igual data, ela é quatro vezes maior. PIB – O aumento da arrecadação não seria algo negativo, se ela não crescesse muito além da riqueza do País. Entre 2000 e 2010, enquanto a receita tributária cresceu 264,49%, o Produto Interno Bruto (PIB) evoluiu 212,32%. Assim, a carga tributária – que é a relação entre a arrecadação e o PIB – subiu de 30%, em 2000, para 35%, em 2010. Pelos dados do IBPT, nos últimos dez anos, o aumento da carga tributária fez sair R$ 1,85 trilhão do bolso do contribuinte, que escoaram para os cofres dos governos. Isso significa uma média de R$ 185 bilhões ao ano no período. "Para reduzir a carga tributária, será preciso simplificar o sistema tributário e reduzir alíquotas. Assim, a capacidade de o País gerar riqueza se equipararia à evolução da arrecadação", disse a tributarista.

INSS: Impasse na desoneração.

O

ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves Filho, informou que ainda não existe um acordo entre os ministérios da Fazenda e Previdência em torno de uma proposta da desoneração da contribuição patronal ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) sobre a folha de salários. De acordo com ele, há uma preocupação do ministério da Previdência em relação à sustentabilidade da arrecadação. Ele contou, no entanto, que na quarta-feira houve uma reunião com a presidente

Dilma Rousseff, que se mostrou muito "atenta" a essa questão, o que deixou o ministério da Previdência confiante de que não haverá prejuízo à Pasta. O ministro disse que há estudos em andamento e que a conclusão final pode levar à criação de uma contribuição que cubra o rombo nas contas, que será gerado com a desoneração. Responsabilidade – "A formatação poderá não ser a ideal. Mas pode atender aos interesses da Previdência no sentido de preservar a responsabilidade que temos com milhares de

beneficiários", afirmou Garibaldi, que participou da abertura da reunião plenária do Fórum Permanente das Micro e Pequenas Empresas. Para ele, a proposta ideal seria manter da forma como é. "A proposta ideal é não fazer. Mas entendemos que é necessário porque o País precisa crescer e não

queremos ter impedimento para este crescimento. Mas também não queremos que esse crescimento crie outro problema", afirmou. O ministro confirmou que a ideia é iniciar a redução da alíquota da contribuição patronal dos atuais 20% para 14%. "É fundamental que não se faça de uma só vez." (AE)

Preços de serviços pressionam IPCA desde 2006 A partir de 2010, o segmento apresentou variação de 7,6%, ante alta de 5,5% nos dois anos anteriores. Leonardo Rodrigues/Hype

D

esde 2006, a inflação do grupo Serviços supera os 4,5% do centro da meta de inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Mas a dor de cabeça para o Banco Central (BC) se tornou mais intensa a partir de 2010, quando o segmento teve variação de 7,6%, ante alta de 5,5% nos dois anos anteriores. Nos últimos 12 meses até junho último, a inflação no grupo foi ainda maior, 8,7% – reflexo da expansão econômica, conforme o relatório "A Dinâmica da Inflação Brasileira: Considerações a Partir da Desagregação do IPCA", divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O Instituto atribui a alta constante nos serviços às políticas de redistribuição de renda e combate à pobreza e de expan-

são do crédito implementadas pelo governo federal. Os preços do segmento "são particularmente sensíveis ao saláriomínimo e à redução do desemprego", informa o relatório. O documento mostra dois períodos distintos da dinâmica inflacionária – antes e depois de 2006. Entre 2000 e 2005, o item que mais pressionava a inflação era o de preços monitorados – os regulados por contrato, como transporte público, combustíveis e telefonia. Em todos aqueles anos, os preços monitorados tiveram reajustes acima da meta da inflação. A perda de peso na inflação se deve, segundo o Ipea, a mudanças de indexadores e aprimoramento das regras de repasse de custos em 2005 e 2006, que levaram o grupo a permanecer abaixo do centro da meta.

Nos últimos 12 meses até junho último, a inflação em serviços foi de 8,7% – reflexo da expansão econômica, conforme o relatório do Ipea.

O Índice de Pressão sobre a Meta de Inflação (IPMI), que mede a contribuição de cada bem ou serviço para o desvio do IPCA em relação ao centro da meta, mostra que a pressão inflacio-

nária dos serviços começou a se intensificar em 2008. À época, o IPMI subiu de 0,15 ponto percentual (pp) em 2007 para 0,43 pp. E não voltou aos níveis antigos: 0,72 pp em 2010 e 1,01 pp

nos 12 meses acumulados até junho de 2011. O Ipea destaca, nesse grupo, os preços dos serviços pessoais – como empregado doméstico e cabeleireiro –, que subiram

quase 7,5% em 2007 e 2009 e ao redor de 9,5% em 2008 e 2010, anos de crescimento econômico mais intenso. Para a maioria dos ser viços, esse aquecimento aparece com mais força em 2010. Junto com os serviços, a inflação de 2007 para cá foi puxada pelo grupo Alimentos e Bebidas, pela alta internacional dos preços de commodities sobre os alimentos comercializáveis nos últimos anos. Com exceção de 2009, os preços do segmento subiram acima de 10% ao ano. O Ipea prevê, no entanto, um cenário pessimista para os preços monitorados neste ano, resultado da influência de combustíveis, transporte público e taxas como as de água e esgoto e de emplacamento e licença de veículos. (AE)


14 -.ECONOMIA

DIÁRIO DO COMÉRCIO

COMÉRCIO

sexta-feira, 22 de julho de 2011


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sexta-feira, 22 de julho de 2011

e Sai pacote de 159 bilhões de euros para a Grécia

15 O governo federal não tem nenhuma meta para levar internet de graça a todos os lugares. Paulo Bernardo, ministro das Comunicações

conomia

Philippe Wojcizer/ Reuters

Bovespa reage com forte alta

O

acordo fechado pelos líderes europeus para resolver a situação grega foi o motor que puxou os mercados acionários ontem. A BMF&Bovespa voltou a fechar nos 60 mil pontos, o que não acontecia há mais de uma semana, e teve a maior alta percentual desde 1º de dezembro do ano passado. O índice Ibovespa terminou o dia em alta de 1,93%, aos 60.262,95 pontos, maior nível desde 13 de julho. Também nos Estados Unidos o mercado aplaudiu o pacote grego nas bolsas – o índice Dow Jones fechou em alta de 1,21% e o Nasdaq subiu 0,72%. (AE)

Ajuda soma linha oficial da zona do euro com contribuição privada. Aprovadas também medidas anticontágio.

L

íderes europeus reunidos ontem em cúpula extraordinária em Bruxelas aprovaram um programa de 159 bilhões de euros (R$ 355 bi) em ajuda à Grécia que provavelmente levará ao primeiro calote da história do euro. O plano de 16 pontos se ba-

seia em três pilares: ampliação de prazos e reestruturação de títulos, redução das taxas de juros para empréstimos e contribuição de investidores privados – este ponto, uma vitória particular da chanceler alemã Angela Merkel. Do pacote, 109 bilhões de euros são financiamentos oficiais

vindos de fundos da zona do euro, Fundo Monetário Internacional (FMI) e privatizações gregas. Os outros 50 bilhões de euros são contribuições "voluntárias" de credores privados que, na verdade, têm pouca escolha, uma vez que a alternativa é não receber nada do que investiram. Eles terão um menu com quatro opções de participação: três formas distintas de trocas de títulos e um plano de rolagem. A estimativa é de perda de 21% do valor dos títulos. Além disso, empréstimos gregos no âmbito do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF, na sigla em inglês), terão o prazo estendido dos atuais 7 anos e meio para o mínimo de 15 anos e o máximo de 30 anos, com um período de carência de dez anos. Contágio – Os juros desses empréstimos caem de 4,5% para 3,5%, condições que também serão estendidas para

Dívida pública bate em R$ 1,8 trilhão

A

combinação perversa de alta da inflação e da taxa de juros gerou um aumento de quase R$ 112 bilhões na dívida pública federal no primeiro semestre do ano. Somente a correção dos juros que incidem sobre os débitos do governo nos mercados interno e externo consumiram 87,96% do avanço registrado. Ao final de junho, a dívida total bateu em R$ 1,8 trilhão. De janeiro a junho, o Tesouro Nacional gastou R$ 97,98 bilhões com o pagamento de juros. A venda de títulos no período também superou o volume de papéis que foram resgatados em R$ 13,41 bilhões, o que também contribuiu para o aumento do endividamento. Os dois empréstimos concedidos pelo governo para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) responderam por boa parte dessa emissão. O banco de fomento recebeu R$ 35 bilhões para reforçar seu capital e sua capacidade de emprestar recursos para empresas. O governo também aproveitou o apetite maior dos investidores por papéis prefixados ligados a índices de preços para emitir mais títulos. Na contramão, o Tesouro vendeu 18,11% a menos de Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), papéis com correção atrelada à taxa Selic considerados como os piores para a ad-

ministração da dívida porque a remuneração que o governo precisa pagar para o comprador varia de acordo com a taxa básica de juros. (AE)

O risco da indexação

O

governo precisa reduzir a indexação da dívida pública à taxa básica de juros, a Selic, mas isso requer freio mais forte nos gastos públicos e inflação mais baixa. A avaliação é do economista Carlos Eduardo Freitas, ex-diretor do Banco Central (BC). Os papéis vinculados à Selic representam mais risco em período de aumento dos juros básicos. Só neste ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC elevou a Selic em 1,75 ponto percentual, ao longo de cinco reuniões. Nesta semana, a taxa de juros básica foi ajustada para 12,5% ao ano. Segundo Freitas, se o País chegar a ter inflação anual entre 2,5% e 3%, aliada a uma política fiscal "rigorosa", os investidores vão deixar de ter interesse nesse tipo de títulos públicos indexados. (ABr)

ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, afirmou ontem que nove empresas estão cadastradas para produzir tablets no Brasil, com os incentivos tributários proporcionados pela inclusão do equipamento na chamada "Lei do Bem". Os benefícios incluem a isenção de Programa de Integração Social (PIS), de Contribuição Para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e a redução em 80% do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). "Algumas empresas já começarão a produzir os tablets a partir de agosto. Como se trata de um aparelho muito ambicionado pelo consumidor, que está com bom poder aquisiti-

vo, acho que as vendas vão 'bombar' no fim do ano", acrescentou Bernardo, durante o programa de rádio "Bom Dia Ministro", na sede da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Banda larga – Apesar de já ter admitido que o governo poderá subsidiar o acesso à ban-

Portugal e Irlanda. Diante do potencial impacto nos mercados e do perigo de contágio, líderes reforçaram a mensagem de que se trata de solução única para uma situação única. "Não houve declaração de default (moratória)", afirmou, por sua vez, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet. Mas as agências de qualifi-

cação de risco sinalizaram que devem considerar a situação grega como "calote seletivo". O premiê grego, George Papandreou, festejou: "É um sucesso europeu, uma resposta da Europa para a Europa." O presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse que foi usada a crise grega para dar um salto qualitativo na governança da zona do euro. "Não

podemos continuar tendo uma moeda desconectada da política econômica", afirmou. A cúpula de ontem anunciou ainda um "tipo europeu de Plano Marshall" para estimular o crescimento da Grécia. Também foi anunciada uma reforma significativa no papel do EFSF, que deve passaar a assumir um caráter semelhante ao do FMI. (Folhapress)

Paulistano segue confiante

A

confiança do consumidor da cidade de São Paulo sobre sua própria situação econômica diminuiu em julho, de acordo com pesquisa divulgada ontem pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP). O levantamento mostra que a confiança do consumidor caiu de 154,6 pontos em junho para 153,7 pontos neste mês. Esse nível de alteração é equivalente a uma retração de 0,6%. Ainda assim, o consumidor

Default dos EUA prejudicaria Europa e América Latina

O

risco de um default dos Estados Unidos e suas consequências continuavam assombrando a economia mundial ontem, na ausência de um acordo para elevar o limite da dívida entre Barack Obama e seus rivais republicanos do Congresso. A agência de classificação de risco Standard & Poor's advertiu que a intrincada negociação poderá ter repercussões preocupantes. Europa e América Latina seriam as regiões mais afetadas no caso de uma eventual crise da dívida em Washington, disse. (Agências)

Nove fábricas de tablets O

Presidente Sarkozy diz que governança europeia sai fortalecida

da larga para os que não puderem pagar R$ 35 mensais por um plano de um megabit por segundo (Mbps), o ministro afirmou que o governo não vai bancar a inclusão. "O governo federal não tem nenhuma meta para levar internet de graça a todos os lugares." (AE)

paulistano é considerado otimista, pois sua confiança se situa acima dos 100 pontos na escala da Fecomercio-SP. A escala varia de zero a 200 pontos e resultados abaixo de 100 demonstram pessimismo. "O consumidor paulistano ainda se encontra em zona razoável de otimismo, pois fundamentos para o bom desempenho do seu nível de confiança permanecem robustos, como a massa de rendimentos e a taxa de desemprego em patamares historicamente

baixos", avaliou a entidade, em nota. A pesquisa mostra que a leve queda de 0,6% na comparação mensal é explicada, em parte, pelo recuo de 1,2% nas expectativas do consumidor em relação à situação futura. Nesse quesito, o indicador teve redução de 156,9 pontos em junho para 155 pontos em julho. Estabilidade – Já a confiança do consumidor em relação à situação econômica do momento permaneceu praticamente estável,

passando de 151,2 pontos em junho para 151,9 pontos neste mês. O destaque nesse quesito foi a diferença na percepção de homens e de mulheres. Enquanto a confiança dos homens subiu 2,8% (de 152,9 para 157,2 pontos), a das mulheres caiu 2% (de 146,3 para 143,4 pontos). O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) é apurado mensalmente pela Fecomercio-SP desde 1994. São coletados dados de 2,1 mil consumidores no município de São Paulo. (AE)


DIÁRIO DO COMÉRCIO

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e

sexta-feira, 22 de julho de 2011

A Infraero fechou contrato de R$ 85,7 milhões com a Delta Construções para obras no Terminal Remoto do Aeroporto de Guarulhos.

Divulgação

conomia

BILHETERIA extra na comemoração da venda de 600 mil ingressos para o show de rock

A EXPLOSÃO DA INTERNET

A MAIS UM perder a festa começa agora, e a campanha vai até o dia 23 de julho – se sobrarem ingressos até lá. Assim, os retardatários ganharam uma nova chance.

JESSICA ALBA é fina estampa no Facebook

NA REDE ampari, a bebida que sempre exibe belíssimos e sensuais comerciais, alguns assinados no Brasil pela recém-vendida DPZ, caiu na rede. É no Facebook que tem início a

divulgação do seu mote global "Começar bem". E começa com a modelo Jessica Alba em imagem de fina estampa. Campari reforça o bom gosto na rede.

C

QUANTO MAIS ZERO Ogilvy Brasil comemora o sucesso da campanha "Quanto mais zero, melhor", que criou para Coca-Cola Zero e que ganhou veiculação na América Latina. A campanha explora as possibilidades, algumas bem próximas de zero, em situações incríveis. O Brasil é o terceiro mercado global de CocaCola, perdendo apenas para os EUA e o México e começa a ganhar terreno na publicidade. Não deixa de ser refrescante para a agência comandada por Sergio Amado.

A

Ivete está com tudo. A campanha que começa neste fim de semana mostra a versatilidade do calçado, de baixo preço e que promete que todas ficarão na moda. A passagem para Portugal são outros 500.

SUCESSO na América Latina do anúncio made in Brazil para a Coca-Cola Zero

Envie informações para essa coluna para o e-mail: carlosfranco@revista publicitta. com.br

Procura por voos sobe 20% no País

A

demanda por voos d o m e r c a d o d oméstico brasileiro aumentou 19,54% em junho último em relação a igual mês do ano passado, informou ontem a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A oferta de voos teve crescimento de 12,48%. A taxa de ocupação das aeronaves também cresceu para 68,1% enquanto em junho de 2010 foi de 64,09%. As informações estão no relatório "Dados Comparativos Avançados", da Anac. A liderança do setor de transporte de passageiros – segundo números de junho – é do grupo TAM que, junto com a Pantanal, ocupa 41,68% do mercado aéreo brasileiro. Em segundo lugar está a Gol/Varig, com uma fatia de 37,13%. Entretanto, a Gol teria superado a rival TAM se a compra da WebJet já estivesse concluída, conforme os dados da Anac. A Gol encerrou o mês passado com uma participação de 37,13% no mercado, ante 35,39% em maio. Enquanto isso, a TAM recuou de 44,43% para 41,68 % no período. Se incluída a participação de 5,51% obtida pela WebJet em junho, a

Terminal de Guarulhos sai do papel

A Liderança da TAM no mercado doméstico está ameaçada pela Gol

Gol teria ultrapassado a TAM por uma margem de quase um ponto percentual. As demais empresas do setor aéreo aumentaram sua participação de 17,57% em junho de 2010 para 21,19% em igual mês deste ano. A Azul tem uma fatia de 8,61%, a WebJet , de 5,51%, a Trip, de 3,24%, e a Avianca, de 2,94%. Internacionais – Das brasileiras que operam rotas internacionais, a TAM ampliou a liderança e tem 90,57%. A Gol/Varig possui 8,18% dessas rotas e a Avianca, 1,25%. As empresas aéreas brasileiras passaram a operar 7,72% mais voos internacionais na

comparação com junho do ano anterior. Os assentos tiveram oferta maior de 4,92% e a taxa de ocupação alcançou 77,66%. A Anac explicou que a oferta representa o produto da quantidade de quilômetros percorridos por cada assento oferecido. Já a demanda equivale ao produto da quantidade de quilômetros voados por cada um dos passageiros. A procura por voos no mercado aéreo doméstico cresceu 21,39% em relação ao mesmo período do ano passado de janeiro a junho de 2011. A oferta teve aumento 14,59% e a taxa de ocupação cresceu de 67,1% para 71,08%. (Agências)

Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) publicou ontem no Diário Oficial da União extrato de dispensa de licitação sobre obras no novo Terminal Remoto do Aeroporto de Guarulhos. O valor do contrato é de R$ 85,759 milhões e a empresa responsável pela execução das obras e serviços de engenharia de reforma, em caráter emergencial, é a Delta Construções. O contrato entre a Infraero e a Delta foi assinado na quarta-feira, dia 20. A empresa vencedora do processo tem 180 dias para concluir a obra. O terminal terá uma área de 19,9 mil metros quadrados e capacidade de atender 5,5 milhões de passageiros por ano. A Infraero destacou que a unidade atenderá os requisitos internacionais. (AE)

DC

agência Escala levou a cantora Ivete Sangalo para Lisboa, onde ela desfilou em paisagens portuguesas as sandálias da marca Grendha. Ídolo da emergente classe C,

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Aline Terezinha Rocha/AE

ÍDOLO da emergente classe C vai a Portugal

lhões de usuários únicos. Nessa selva de dados, que mostra a internet como item presente na vida do brasileiro, muitas agências se perdem. Esses internautas buscam relevância de informação – tanto que sites e blogs de veículos e formadores de opinião com credibilidade são o canal de acesso aos banners. Também proliferam empresas que prometem o topo de outras nos sites de busca, quando se procura até um chaveiro naquela hora de apuro. De qualquer forma, o meio está mudando o comportamento das agências e levando empresas a desejarem ser gostadas (curtidas) em redes sociais como Facebook e o LinkedIn – que é a mais nova febre, especialmente entre profissionais liberais. Nessa pescaria de contatos e anunciantes, a publicidade navega meio titubeante, mas sabe que não pode deixar de surfar na onda. E o Brasil que emerge das pesquisas se mostra o líder em uso de redes sociais. E, portanto, celeiro da publicidade online, que irá nortear esses canais de acesso à rede que foi criada para proliferar conhecimento.

DC

agência Artplan comemora a venda em tempo recorde de 600 mil ingressos para o Rock'in'Rio com mais um dia de show, em 29 de setembro. A corrida para não

A

internet entrou de vez na vida dos brasileiros, muda hábitos e faz com que a publicidade repense formas mais eficazes de estabelecer canal de acesso aos consumidores, com relevância. Dados do Ibope Nielsen mostram que o acesso à web cresce no País, especialmente com o impulso das classes C, D e E – que, depois da casa própria e das compras de produtos da linha branca, agora prioriza computadores, notebooks e até tablets (o iPad é o mais desejado) e TVs de LED, uma finíssima TV de LCD prometendo maravilhas, ainda mais se acoplada a vídeos de alta resolução. Das pessoas com acesso à internet, 45,7 milhões foram usuários ativos em maio de 2011 – alta de 6,8% em relação ao mês anterior e de 23% na comparação com os 37,3 milhões de maio de 2010. Das 55,5 milhões de pessoas com acesso domiciliar, o número de usuários ativos em maio de 2011 chegou a 37,2 milhões, ou 30% a mais que os 28,5 milhões de maio de 2010. Em dois anos, o total de usuários ativos mensais em residências cresceu 46%. Em maio de 2011, a categoria que registrou a maior expansão percentual do número de usuários únicos foi a de sites de automóveis, com evolução de 10,9% em relação ao mês anterior, chegando a 10,3 mi-

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sexta-feira, 22 de julho de 2011

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17 A classe média está hoje basicamente endividada. Melissa Beeby, administradora do Bridge Restaurant

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Paulo Pampolin/Hype

Financial Times vê duas classes médias no Brasil

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chegada de uma nova classe média ao mercado de consumo brasileiro é um fenômeno que vem sendo acompanhado nos últimos tempos. Contudo, um aspecto desse movimento tem passado desapercebido dos estudos e análises tratando do tema: a convivência entre os integrantes tradicionais desse estrato social com os emergentes. Em reportagem intitulada "Brazil's tale of two middle classes" ("Conto de duas classes médias do Brasil"), publicada na sua edição de ontem, o jornal britânico Financial Times avaliou que há perspectivas diferentes nessas duas camadas da população – assim como problemas distintos.

"A classe média está hoje ba- a outros países que experimensicamente endividada. As pes- taram o ingresso de grandes soas estão preferindo jantar parcelas da população a camaem casa do que das mais elevafora", afirmou das. "Ao contráMelissa Beeby, rio da Índia, onque administra de a velha classe o B r i d g e R e smédia se benefitaurant no Cenciou da criação t ro B r i t â n i c o , de novas indúspor cento foi a alta da trias, como a de em São Paulo. D e a c o r d o renda da metade mais tecnologia de incom o texto do formação, muipobre da população tos integrantes FT, os clientes do restaurante brasileira, segundo desse estrato no são um exemplo Brasil reclamam estudo da FGV. da classe média de preços em altradicional, que ta, impostos, invem sendo presfraestrutura sionada por aumentos nos pre- congestionada e crescente ços dos combustíveis e de ali- competição por postos de tramentos, por exemplo. balho", avaliou o texto. Esse perfil não seria comum Aproveitando informações

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fornecidas pelo professor Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o jornal lembrou que a elevação de renda dos 50% mais pobres da população subiu 68% na última década, ao passo que os ganhos dos 10% mais ricos aumentou 10%. "Os rendimentos de pessoas analfabetas cresceu 37% entre 2003 e 2009, ao passo que a daqueles com pelo menos a universidade incompleta recuou 17%", acrescentou. Na avaliação de Neri – que coordenou um estudo sobre a classe média para a FGV – , essas mudanças representam o maior "reequilíbrio histórico" na distribuição de riqueza do País desde que foi decretado o fim da escravidão, em 1888 .

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FDE AVISA: ERRATA Referente ao Pregão Eletrônico de Registro de Preços nº 36/00499/11/05 - Objeto: Aquisição de Material Escolar Mochila Escolar. Comunicamos que a Nova Especificação Técnica encontra-se disponível no site da FDE - link Licitações - Outros bens e serviços, logo abaixo do Edital. Informamos, ainda, que a sessão de processamento do Pregão 36/00499/11/05 foi transferida para às 09:30 horas do dia 04/08/2011 e será realizada no endereço eletrônico www.bec.sp.gov.br. A data do início do prazo para envio da proposta eletrônica será de 22/07/2011, até o momento anterior ao início da sessão pública.

HOSPITAL NESTOR GOULART REIS AMÉRICO BRASILIENSE O Diretor-Técnico de Departamento de Saúde do Hospital Nestor Goulart Reis, usando da competência delegada pelos artigos 3° e 7°, inciso I, do Decreto estadual n° 47.297, de 06 de novembro de 2002, c.c. artigo 8°, do Decreto estadual n° 49.722, de 24 de junho de 2005, torna público que se encontra aberto, no HOSPITAL NESTOR GOULART REIS, PREGÃO ELETRÔNICO número 026/2011, destinado à Contratação de mão de obra especializada para prestação de serviços de nutrição e alimentação hospitalar transportada para pacientes, bem como de nutrição e alimentação transportada para servidores e empregados, por um período de 15 (quinze) meses, do tipo MENOR PREÇO. A realização da sessão será na data 29/07/2011, às 09h30, na sala do Núcleo de Gestão de Contratos do Hospital Nestor Goulart Reis, sito à Rua Pedro Frigeri nº 10 Santa Terezinha - Américo Brasiliense/SP, através do sistema eletrônico BEC no site www. bec.sp.gov.br. A vistoria para o serviço supracitado será nos dias úteis compreendidos entre 19/ 07 e 28/07/2011, no horário das 09h00 às 16h00, com intervalo para almoço das 12h00 às 13h00, acompanhada pela nutricionista responsável ou a sua ordem. O certame será conduzido pela pregoeira Sra. Lucia Helena de Oliveira Maduro, tendo como suplente de pregoeiro o Sr. Haroldo Carlos Defávere e equipe de Apoio Elaine Cristina Roberto Antonio.

PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE ANDRADINA Decisão da Comissão Permanente de Julgamento de Licitação no Processo nº 54/2011, Concorrência nº 03/2011, que tem por objeto a Contratação de empresa especializada para prestação dos serviços de limpeza urbana. COMUNICA aos interessados que, após análise da documentação do processo supra, foram HABILITADAS as empresas: Constroeste Construtora e Participações Ltda., Revita Engenharia S/A e Monte Azul Engenharia Ambiental Ltda. e INABILITADA a empresa Forty Construções e Engenharia Ltda. por não atendimentos aos subitens do edital: 6.1.2.1, “Operação de manutenção de usina de Reciclagem e Compostagem licenciado de, no mínimo, 720 ton/mês, subitem 6.1.2.2, “Operação de manutenção de Usina de Reciclagem e Compostagem Licenciada e ao subitem 6.1.3.1.2, alínea “b” e “c”. Ficam desde já franqueadas vistas aos autos do processo, abrindo-se o prazo recursal na forma da Lei. Andradina, 21 de julho de 2011. Adilson Dantas da Silva - Presidente da CPJL

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FDE AVISA: CONCORRÊNCIAS A FUNDAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO - FDE comunica às empresas interessadas que se acha aberta licitação para execução de Obras: TOMADA DE PREÇOS Nº - PRÉDIO - LOCALIZAÇÃO - PRAZO - ÁREA (se houver) - PATRIMONIO LÍQUIDO MÍNIMO P/ PARTICIPAR - GARANTIA DE PARTICIPAÇÃO - ABERTURA DA LICITAÇÃO (HORA E DIA) 69/00055/11/01 - Reforma de Prédio Administrativo e Construção de Ambientes Complementares com Fornecimento, Instalação, Licenciamento e Manutenção de Elevador - DER Presidente Prudente - Sede - Av. Manoel Goulart, 2.109 - 19015241 - Centro Universitário - Presidente Prudente/SP - 210 - 289,85 - R$ 171.615,00 - R$ 17.161,00 - 15:00 - 24/08/2011. 05/01786/11/01 - Construção de Prédio Escolar em Estrutura Pré-Moldada de Concreto - Terreno Jd. dos Coqueiros - Rua Manoel Pereira/Rua Prof. Moacyr Moreira Cezar - Jardim dos Coqueiros - São Carlos/SP - 240 - 3.025,91 - R$ 613.377,00 - R$ 61.337,00 - 15:30 - 24/08/2011. As empresas interessadas poderão obter informações e verificar o Edital e o respectivo Caderno de Encargos e Composição do BDI, na SEDE DA FDE, na Supervisão de Licitações, na Av. São Luís, 99 - República - CEP: 01046-001 - São Paulo/SP ou através da Internet pelo endereço eletrônico www.fde.sp.gov.br. Os interessados poderão adquirir o Edital completo através de CD-ROM a partir de 25/07/2011, na SEDE DA FDE, de segunda a sexta-feira, no horário das 08:30 às 17:00 horas, mediante pagamento não reembolsável de R$ 50,00 (cinquenta reais). Todas as propostas deverão estar acompanhadas de garantia de participação, a ser apresentada à Supervisão de Licitações da FDE, conforme valor indicado acima. Os invólucros contendo a PROPOSTA COMERCIAL e os DOCUMENTOS DE HABILITAÇÃO deverão ser entregues, juntamente com a Solicitação de Participação, a Declaração de Pleno Atendimento aos Requisitos de Habilitação e a garantia de participação, no Setor de Protocolo da Supervisão de Licitações - SLI na SEDE DA FDE, até 30 minutos antes da abertura da licitação. Esta Licitação será processada em conformidade com a LEI FEDERAL nº 8.666/93 e suas alterações, e com o disposto nas CONDIÇÕES GERAIS PARA A REALIZAÇÃO DE LICITAÇÕES E CONTRATAÇÕES DA FUNDAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO - FDE. As propostas deverão obedecer, rigorosamente, ao estabelecido no edital. JOSÉ BERNARDO ORTIZ Presidente

FALÊNCIA, RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL E RECUPERAÇÃO JUDICIAL Conforme informação da Distribuição Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo, foram ajuizados no dia 21 de julho de 2011, na Comarca da Capital, os seguintes pedidos de falência, recuperação extrajudicial e recuperação judicial: Requerente: Worth Fomento Mercantil Ltda. - Requerida: Mulheres Símbolo Editora Ltda. - Rua Gomes de Carvalho nº 911 - 10° andar - sala 3 - Vila Olímpia - 2ª Vara de Falências

A busca por imóveis tem sido um dos objetivos da nova classe média

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FDE AVISA: TOMADA DE PREÇOS - TIPO TÉCNICA E PREÇO A FUNDAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO - FDE comunica às empresas interessadas que se acha aberta licitação para execução de Projetos e Sondagens: TOMADA DE PREÇOS N.º - OBJETO - PRÉDIO - LOCALIZAÇÃO - ÁREA (se houver) - PRAZO - ABERTURA DA LICITAÇÃO (HORA E DIA) 46/00308/11/02 - Elaboração de Projeto Executivo de Acessibilidade e Apresentação de Pasta Técnica contemplando a documentação relativa ao Projeto Técnico de Segurança - DER Leste 3 - Sede - Rua Isabel Urbina, 200 - 08253-210 - CHB José Bonifácio - São Paulo/SP - 90 (Elab. de Proj.) / 180 (Pasta Técnica) - 09:30 - 24/08/2011. 46/00336/11/02 - Elaboração de Projeto Executivo de Estrutura, inclusive de Fundações em Tubulão e Sapata para atender o Projeto Padrão FDE “Perobal”, com capacidade de 08, 10, 12, 14 e 16 Salas de Aula e Blocos Isolados componíveis em Estrutura de Concreto Convencional - 90 - 4.437 - 10:00 - 24/08/2011. 46/00373/11/02 - Elaboração de Projeto Executivo de Engenharia de Segurança Contra Incêndio e de Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas contemplando a documentação relativa ao Projeto Técnico de Segurança - EE Barão Monte Santo - Praça Ademar de Barros, 181 - 13730-048 - Centro - Mococa/SP - 1.777,00; EE/ETEC Oscar Villares/ Francisco Garcia (Cl Descentr) - Praça Jose Quintino Pereira, 147 - 13730-370 - Vila Quintino - Mococa/SP - 1.777,00; EE Dr. Carlos Lima Dias - Praça Prof. Oscar Leonhardt, 50 - 13731-370 - Gatolandia - Mococa/SP - 1.575,00 - 150 10:30 - 24/08/2011. 46/00377/11/02 - Elaboração de Projeto Executivo de Engenharia de Segurança Contra Incêndio e de Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas contemplando a documentação relativa ao Projeto Técnico de Segurança - EE Profa Nancy de Rezende Zamarian - Rua Dr. Gastão de Paula Leitão, 320 - 13733-170 - São Domingos - Mococa/SP 1.007,00; EE Prof. João de Moura Guimarães - Rua Osvaldo Cruz, 235 - 13750-000 - Igaraí - Mococa/SP - 3.067,10; EE Prof. Benedito Ferraz Bueno - Rua Rosa Martins, s/n - 13755-000 - São Bened. Areias - Mococa/SP - 2.571,00 - 150 - 11:00 - 24/08/2011. 46/00379/11/02 - Elaboração de Projeto Executivo de Engenharia de Segurança Contra Incêndio e de Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas contemplando a documentação relativa ao Projeto Técnico de Segurança - EE Profa Ana Cândida de Barros Molina - Rua Saigiro Nakamura, 300 - 12220-280 - Vila Industrial - São José dos Campos/SP - 4.684,00; EE Prof. Newton Pimenta Neves - Av. Suacuna, 16 - 13054-100 - Jd. Aeroporto - Campinas/SP - 3.617,06 - 150 - 11:30 - 24/08/2011. 46/00384/11/02 - Implantação de Projeto de Acessibilidade e Apresentação de Pasta Técnica contemplando a documentação relativa ao Projeto Técnico de Segurança - EE Profa Maria Cecilia da Silva Grohmann - Rua José Alves dos Santos, 19-A - 08220-450 - Vila Campanela - São Paulo/SP - 150 (Impl. de Proj.) / 240 (Pasta Técnica) - 14:00 - 24/08/2011. 46/00390/11/02 - Elaboração de Projeto Executivo de Acessibilidade e Apresentação de Pasta Técnica contemplando a documentação relativa ao Projeto Técnico de Segurança - EE Manoel de Melo-Missionário - Rua Arcádia Paulistana, 205 - 08280-540 - Itaquera - São Paulo/SP - 150 (Elab. de Proj.) / 240 (Pasta Técnica) - 14:30 - 24/08/2011. As empresas interessadas poderão obter informações e verificar o Edital na SEDE DA FDE, na Supervisão de Licitações, na Av. São Luís, 99 - República - CEP: 01046-001 - São Paulo/SP, ou através da Internet pelo endereço eletrônico www.fde.sp.gov.br. Os interessados poderão adquirir o Edital completo através de CD-ROM a partir de 25/07/2011, na SEDE DA FDE, de segunda a sexta-feira, no horário das 08:30 às 17:00 horas, mediante pagamento não reembolsável de R$ 40,00 (quarenta reais). Os invólucros contendo a Proposta Técnica, a Proposta Comercial e os documentos de Habilitação deverão ser entregues na Supervisão de Licitações, na SEDE DA FDE, até 30 minutos antes da abertura da licitação. Esta Licitação será processada em conformidade com a LEI FEDERAL nº 8.666/93 e suas alterações, e com o disposto nas CONDIÇÕES GERAIS PARA A REALIZAÇÃO DE LICITAÇÕES E CONTRATAÇÕES DA FUNDAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO - FDE. As propostas deverão obedecer, rigorosamente, ao estabelecido no edital. JOSÉ BERNARDO ORTIZ Presidente

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FDE AVISA: TOMADAS DE PREÇOS A FUNDAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO - FDE comunica às empresas interessadas que se acha aberta licitação para execução de Obras: TOMADA DE PREÇOS Nº - OBJETO - PRÉDIO - LOCALIZAÇÃO - PRAZO - ÁREA (se houver) - PATRIMÔNIO LÍQUIDO MÍNIMO P/ PARTICIPAR - GARANTIA DE PARTICIPAÇÃO - ABERTURA DA LICITAÇÃO (HORA E DIA) 69/00027/11/02 - Reforma de Prédios Escolares - EE Irmã Maria Nazarena Correa - Rua São Tiago, 82 - 13327-352 - São Judas Tadeu - Salto/SP - 90; EE Prof. Acylino Amaral Gurgel - Rua Winston Churchyll, 490 - 13321-370 - Prq. Bela Vista - Salto/SP - 120; EE Profª Otilia de Paula Leite - Rua Africa, 51 - 13326-090 - Jd. Elizabeth - Salto/SP - 120; EE Eugenia Ferrarezi Nunes - Rua Esmeralda, 60 - 13318-000 - Distrito Jacaré - Cabreúva/SP - 90 - R$ 34.155,00 - R$ 3.415,00 - 09:30 - 10/08/2011. 69/00102/11/02 - Construção de Ambientes Complementares e Reforma de Prédio Escolar - EE/EMEF Profª Joanita Bianchi Bonsegno Carvalho / São João de Iracema - Rua Sebastião B. dos Santos, 580 - 15305-000 - Centro - São João de Iracema/ SP - 60 - 60,70 - R$ 39.449,00 - R$ 3.944,00 - 10:00 - 10/08/2011. 69/00121/11/02 - Reforma de Prédio Escolar - EE Profª Oswaldina Santos - Rua da Escola, s/nº - 18320-000 - Lageado de Aracaiba - Apiaí/SP - 90 - R$ 24.003,00 - R$ 2.400,00 - 10:30 - 10/08/2011. 69/00130/11/02 - Reforma de Prédio Escolar - EE Prof. Dr. Antonio de Benedictis - Rua Eng. Mario Stefani, 25 - 19865000 - Centro - Pedrinhas Paulista/SP - 120 - 6,20 - R$ 24.979,00 - R$ 2.497,00 - 11:00 - 10/08/2011. 69/00147/11/02 - Reforma de Prédio Escolar - EE Tupi Paulista - Rua Tiradentes, 852 - 17930-000 - Centro - Tupi Paulista/ SP - 270 - R$ 69.887,00 - R$ 6.988,00 - 11:30 - 10/08/2011. 69/00172/11/02 - Reforma de Prédios Escolares - EE Prof. Rene Rodrigues de Moraes - Rua Dr. Carlos Nerhing, 165 - 11430000 - Jd. Helena Maria - Guarujá/SP - 60; EE/ETEC Profa Zulmira Campos/Escolastica Rosa (Cl.Aces.Esc.) - Praça Mal Eurico Gaspar Dutra, s/nº - 11088-260 - Jd. Castelo - Santos/SP - 90; EE Azevedo Junior - Rua Dom Pedro I, 50 - 11075-500 Vila Belmiro - Santos/SP - 30; EE Profa Gracinda Maria Ferreira - Rua Alan Ciber Pinto, 52 - 11085-625 - Vila São Jorge Santos/SP - 60 - R$ 23.590,00 - R$ 2.359,00 - 14:00 - 10/08/2011. 69/00020/11/02 - Reforma de Prédios Escolares - EE Cônego Barros - Av. Francisco Junqueira, 726 - 14010-030 - Centro - Ribeirão Preto/SP - 120; EE Prof. Dr. Domingos João Baptista Spinelli - Rua Dep. Orlando Jurca, 92 - 14070-280 - Quintino Facci II - Ribeirão Preto/SP - 120; EE Profa Djanira Velho - Rua Borba Gato, 60 - 14050-340 - Vila Amélia - Ribeirão Preto/ SP - 90; EE Prof. Walter Paiva - Rua Tupinamba, s/n - 14060-630 - Vila Augusta - Ribeirão Preto/SP - 150; EE Simão da Silva - Praça da Matriz, 469 - 14200-000 - Centro - São Simão/SP - 90 - R$ 60.343,00 - R$ 6.034,00 - 14:30 - 10/08/2011. 69/00026/11/02 - Reforma de Prédios Escolares - EE Gabriel Monteiro da Silva - Av. Santo Antonio, 981 - 17504-020 - Alto Cafezal - Marília/SP - 60; EE Prof. Edson Vianei Alves - Rua Gonçalves Ledo, 1475 - 17511-210 - Palmital Prolongamento - Marília/SP - 60; EE Profª Nely Carbonieri de Andrade - Rua Armando Salles Oliveira, 1120 - 17400-000 - Vila Rebelo - Garça/ SP - 120; EE Prof. Alcyr da Rosa Lima - Rua Martim Afonso de Souza, 440 - 17400-000 - Vila Araceli - Garça/SP - 60; EE Profa Dirce Belluzo de Campos - Av. Paulista, 920 - 17560-000 - Centro - Vera Cruz/SP - 90 - R$ 27.512,00 - R$ 2.751,00 - 15:00 - 10/08/2011. 69/00077/11/02 - Reforma de Prédios Escolares - EE Prof. Joaquim Rodrigues Filho - Rua Antonio Venâncio Lopes, 20-53 - 19470-000 - Centro - Presidente Epitácio/SP - 150; EE Prof. Jacinto de Oliveira Campos - Rua Recife, 9-43 - 19470-000 - Vila Paraná - Presidente Epitácio/SP - 90; EE Alfredo Westin Junior - Rua Leonildo Denari, 418 - 19300-000 - Centro Presidente Bernardes/SP - 90; EE Prof. Oswaldo Ranazzi - Rua Osvaldo Cruz, 1300 - 19360-000 - Centro - Santo Anastácio/ SP - 60 - R$ 21.781,00 - R$ 2.178,00 - 15:30 - 10/08/2011. 69/00171/11/02 - Reforma de Prédio Escolar - EE Francisco Molina Molina - Av. Pres. Roosevelt, s/nº - 15768-000 - Centro - Santa Salete/SP - 120 - R$ 46.090,00 - R$ 4.609,00 - 16:00 - 10/08/2011. 69/00174/11/02 - Reforma de Prédio Escolar - EE Antonio Teixeira dos Santos - Rua Dom Pedro II, 1000 - 15265-000 Centro - Zacarias/SP - 120 - R$ 19.790,00 - R$ 1.979,00 - 16:30 - 10/08/2011. As empresas interessadas poderão obter informações e verificar o Edital e o respectivo Caderno de Encargos e Composição do BDI, na SEDE DA FDE, na Supervisão de Licitações, na Av. São Luís, 99 - República - CEP: 01046-001 - São Paulo/SP ou através da Internet pelo endereço eletrônico www.fde.sp.gov.br. Os interessados poderão adquirir o Edital completo através de CD-ROM a partir de 25/07/2011, na SEDE DA FDE, de segunda a sexta-feira, no horário das 08:30 às 17:00 horas, mediante pagamento não reembolsável de R$ 40,00 (quarenta reais). Todas as propostas deverão estar acompanhadas de garantia de participação, a ser apresentada à Supervisão de Licitações da FDE, conforme valor indicado acima. Os invólucros contendo a PROPOSTA COMERCIAL e os DOCUMENTOS DE HABILITAÇÃO deverão ser entregues, juntamente com a Solicitação de Participação, a Declaração de Pleno Atendimento aos Requisitos de Habilitação e a garantia de participação, no Setor de Protocolo da Supervisão de Licitações - SLI na SEDE DA FDE, até 30 minutos antes da abertura da licitação. Esta Licitação será processada em conformidade com a LEI FEDERAL nº 8.666/93 e suas alterações, e com o disposto nas CONDIÇÕES GERAIS PARA A REALIZAÇÃO DE LICITAÇÕES E CONTRATAÇÕES DA FUNDAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO - FDE. As propostas deverão obedecer, rigorosamente, ao estabelecido no edital. JOSÉ BERNARDO ORTIZ Presidente

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FDE AVISA: TOMADAS DE PREÇOS A FUNDAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO - FDE comunica às empresas interessadas que se acha aberta licitação para execução de Obras: TOMADA DE PREÇOS Nº - OBJETO - PRÉDIO - LOCALIZAÇÃO - PRAZO - ÁREA (se houver) - PATRIMÔNIO LÍQUIDO MÍNIMO P/ PARTICIPAR - GARANTIA DE PARTICIPAÇÃO - ABERTURA DA LICITAÇÃO (HORA E DIA) 69/00003/11/02 - Reforma de Prédios Escolares - EE Vicente Luis Grosso - Rua Angelo Franzin, 831 - 13520-000 - Jd. Nova Estância - São Pedro/SP; EE Profa Catharina Casale Padovani - Rua Virgilio da Silva Fagundes, 1054 - 13411-083 - Sta. Terezinha - Piracicaba/SP - 90 - R$ 33.670,00 - R$ 3.367,00 - 15:00 - 09/08/2011. 69/00010/11/02 - Reforma de Prédios Escolares - EE Profa Selma Maria Martins Cunha - Travessa Antonio Aparecido Ferraz, s/n - 18110-000 - Jd. Tatiana - Votorantim/SP - 75; EE Cdor Pereira Inácio - Av. Sto. Antonio, 665 - 18114-070 - Barra Funda - Votorantim/SP - 120; EE B. Recanto São Manuel - Rua Tereza Cuevas Moreira, 450 - 18160-000 - São Manuel - Salto de Pirapora/SP - 60; EE Prof. Carlos Augusto de Camargo - Rua Vicente Garcia, 296 - 18185-000 - Centro - Piedade/SP - 120; EE Miguel Pires Godinho - Rua José Lourenço Pereira, s/n - 18170-000 - Ortizes - Piedade/SP - 90; EE Profa Guiomar Camolesi Souza - Rua Italia Biglia Massari, 40 - 18074-460 - Jd. Maria Eugenia - Sorocaba/SP - 60 - R$ 57.994,00 - R$ 5.799,00 - 15:30 - 09/08/2011. 69/00016/11/02 - Reforma de Prédios Escolares - EE João Pinheiro Correa - Rua Olímpia Rosa da Silva, 380 - 19273-000 - Centro - Rosana/SP - 120; EE Paulo Coelho da Silva - Rua Manoel Rodrigues Santana, 604 - 19275-000 - Euclides da Cunha - Euclides da Cunha Paulista/SP - 90; EE Francisca Messa Gutierrez - Rua Antonio Gutierrez Messa, s/n - 19273-000 - Jd. Aurea - Rosana/SP - 120 - R$ 28.987,00 - R$ 2.898,00 - 16:00 - 09/08/2011. 69/00024/11/02 - Reforma de Prédios Escolares - EE Mitiharu Tanaka - Rua Vigário Alfonso Nikrake, 240 - 13224-430 Jd. Cruz Alta - Várzea Paulista/SP - 30; EE Jerônimo de Camargo - Av. Dr. Antenor Soares Gandra, s/n - 13240-000 - Centro - Jarinu/SP - 120; EE Prof. Jose Silva Junior - Rua Srg. Arnaldo Mangile, 100 - 13216-680 - Jd. Bandeiras - Jundiaí/SP 90 - R$ 22.697,00 - R$ 2.269,00 - 16:30 - 09/08/2011. As empresas interessadas poderão obter informações e verificar o Edital e o respectivo Caderno de Encargos e Composição do BDI na SEDE DA FDE na Supervisão de Licitações, na Av. São Luís, 99 - República - CEP: 01046-001 - São Paulo/SP ou através da Internet pelo endereço eletrônico www.fde.sp.gov.br. Os interessados poderão adquirir o Edital completo através de CD-ROM a partir de 25/07/2011, na SEDE DA FDE, de segunda a sexta-feira, no horário das 08:30 às 17:00 horas, mediante pagamento não reembolsável de R$ 40,00 (quarenta reais). Todas as propostas deverão estar acompanhadas de garantia de participação, a ser apresentada à Supervisão de Licitações da FDE, conforme valor indicado acima. Os invólucros contendo a PROPOSTA COMERCIAL e os DOCUMENTOS DE HABILITAÇÃO deverão ser entregues, juntamente com a Solicitação de Participação, a Declaração de Pleno Atendimento aos Requisitos de Habilitação e a garantia de participação, no Setor de Protocolo da Supervisão de Licitações - SLI na SEDE DA FDE, até 30 minutos antes da abertura da licitação. Esta Licitação será processada em conformidade com a LEI FEDERAL nº 8.666/93 e suas alterações, e com o disposto nas CONDIÇÕES GERAIS PARA A REALIZAÇÃO DE LICITAÇÕES E CONTRATAÇÕES DA FUNDAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO - FDE. As propostas deverão obedecer, rigorosamente, ao estabelecido no edital. JOSÉ BERNARDO ORTIZ Presidente


DIÁRIO DO COMÉRCIO

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sexta-feira, 22 de julho de 2011

Nº 376

DCARR

Neste ano a Ford está comemorando o 108º aniversário da venda do Modelo T, comprado por um médico, nos EUA, por US$ 850, em 1903.

PARA O SOL ENTRAR

Cabrio esportivo, o Mini da vez. A versão Cabrio do Mini chega ao mercado nacional custando R$ 149.950. E tem branco. ANTÔNIO FRAGA Divulgação

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inda criança, vivendo na Europa, já era apaixonado por automóveis velozes e espor tivos. Havia modelos que me encantavam, porém nenhum como o Lotus Europa e o Morris Mini Cooper S. Sonhava com um Cooper S vermelho com teto branco. Adquirido pela BMW, o novo Mini veio modernizado no design, confortável e cheio de tecnologia embarcada. O "velhinho" ainda dá saudade, mas o charme e o encanto voltaram. Ao pegar um Mini Cooper S para avaliação, a emoção ficou incontrolável. É conversível e com "motorzaço". Ao entrar, sente-se um carro diferenciado. O banco confortável é o meio termo entre um modelo concha e um de competição com regulagem elétrica. O volante,

cheio de controles e com borboletas para a troca de marchas, tem empunhadura excelente. O velocímetro gigante no meio do carro foi mantido, só que ainda maior. Na frente do piloto, como convém a um esportivo, o contagiros. O espaço interno é confortável na frente. Atrás, até crianças ficam apertadas. No portamalas, capacidade para apenas 125 litros com a capota aberta ou 170 se fechada. Mas quem está ligando pra isso? Hora da emoção – quando o botão "start" é apertado, logo surge um ronco grave e delicioso. Com o câmbio no D, o coração bate forte. O motor 1.6, a gasolina, de quatro cilindros, turbo-compressor twinscroll e injeção direta, dá ao Mini Cooper S Cabrio 175 cv, acelera de 0 a 100 km/h em 7,4 segundos e

atinge 235 km/h. Um foguetinho. Apesar da tração dianteira, a condução é como um kart, como nos antigos modelos. Com reações muito rápidas, necessita de habilidade e experiência ao volante, principalmente em velocidades elevadas. Como um bom esportivo, a suspensão é curta e dura, com ótima estabilidade. Para ajudar o Mini Cooper S vem com direção elétrica (EPS), quatro grandes freios a disco com ABS, distribuição eletrônica de frenagem (EBD), controle de freio nas curvas (CBC), assistente de frenagem e controle dinâmico de estabilidade (DSC). Detalhe interessante: normalmente, os conversíveis ficam lindos abertos e esquisitinhos com a capota fechada. O Mini fica bonito de qualquer jeito.

CARROS DE LUXO

COMPACTO PREMIUM

Brancos como uma bola de neve Não pense em táxi ou populares ao descobrir que o branco é a cor da vez. Ela avança como avalanches de neve entre os modelos do segmento "Premium".

Mais branco – No lado de outra alemã, a Audi, o modelo A1, lançado recentemente, é o campeão de vendas. E adivinhe qual a cor preferida: branco, é claro! Nela se repete a história da BMW: em 2008, as vendas de brancos somaram 6%; subiram para 14% no ano seguinte; alcançaram 25% em 2010; e, neste ano, já chegaram a 31%. Thiago Lemes, responsável por vendas na Audi, prevê que estes números devem parar por aí, mas sem reversão. "O preto e o prata vão se manter, porque ainda fazem sucesso entre os que preferem cores tradicionais em modelos mais clássicos, como o A8, ficando o branco

QUASE NADA MUDOU. MELHOR ASSIM. Volkswagen Polo chega à sua linha 2012 com pequenas alterações no design.

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credite se quiser: o branco está dominando o segmento de carros de luxo, o "Premium". E se você, morador de São Paulo, pensa que seus donos se preocupam com a possibilidade de seus carros serem confundidos com táxis, esqueça. Ninguém vai fazer sinal na rua para um VW Tiguan, um Audi Q7, uma MercedesBenz AMG ou uma BMW M6. Todos sabem que lá dentro não tem um taxímetro, muito menos bandeira dois. O que custa mais caro mesmo é o "Premium" – no mínimo, mais que o dobro de qualquer táxi. A moda do branco para carros de luxo começou na Europa, há cerca de quatro anos, especialmente entre os esportivos. Uma das razões: a preocupação com o uso do arcondicionado, que diminui no caso do branco, que reflete mais o calor do sol. Não elimina o uso do sistema, mas reduz o consumo de combustível. A opção do branco apresenta crescimento muito acentuado. Em 2007, por exemplo, no Brasil, os modelos da BMW brancos somavams 6% das vendas. Dobrou em 2008, dobrou novamente em 2009 – está acompanhando? Subiu para 12%; pulou para 21% no ano passado e até a metade deste ano já está em 38%. Marcelo Silva, diretor de Marketing da BMW, explica que este volume deve estacionar no patamar "entre 33% e 40% e o branco já se tornou a cor mais vendida pela marca", principalmente nos modelos mais esportivos, como os da linha "M", e X6 ou o X5. A BMW deverá vender 12 mil unidades.

Capota baixada, lá vai o Mini S cortando o vento até 235 km/h

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Impossível confundir o "Premium" com a pequena picape ou o táxi só porque é branco. E as ruas já recebem modelos de outras cores, como o vermelho ao lado da "Estrela" (abaixo). O SUV e o esportivo brancos ficam muito bem na foto, não?

para os esportivos, como o A1", diz o executivo. Ele acrescenta que neste segmento já há uma tendência para cores, como azul, vermelho e amarelo. Saindo do preto/prata? A também alemã Volkswagen não está só no segmento "Premium". Ela tem desde populares, como o Gol 1.0, seu campeão de vendas, até máquinas como o Touareg, Passat CC RLine, Tiguan e Jetta. Henrique Sampaio, gerente de Marketing, fala do movimento de troca de cores iniciado na Europa. "O branco passou a ser usado, nos modelos 'Premium', para a Comunicação das montadoras e foi aceito pelo consumidor." Como nas concorrentes, os esportivos, como o Passat CC RLine, são os mais aceitos em branco, assim como o Tiguan, cujas vendas atingem 15% do total. Off-roads, como o Touareg, também têm boa aceitação na cor da moda entre os top de linha. Henrique tem uma surpresa para os que pensam que só se vende carro preto, prata ou de cores derivadas. O Gol, dos mais vendidos, tem no vermelho a terceira cor mais aceita. Não sei precisar – diz o executivo – quando este mercado vai colocar o preto e o prata num patamar abaixo das demais, mas ambas estão perdendo espaço no gosto do consumidor, que está perdendo o medo de não conseguir vender seu carro fora das cores tradicionais. Enquanto se espera, os brancos "Premium" avançam rapidamente. Afinal, todos eles ultrapassam, fácil, os 200 km/h.

le mudou muito pouco. Quase nada. Mas, mesmo assim, não dá para desmerecer o trabalho da fabricante alemã. Afinal, o Polo continua sendo um hatch com desempenho e dirigibilidade excelentes e com visual agradável e o sedan, da mesma forma, atende perfeitamente ao público que quer conforto, prazer ao dirigir e precisa de mais espaço. Mas, para manter o modelo atrativo, foram modernizados os parachoques e a grade dianteira. Faróis e lanternas ganharam máscara negra. A grande gama de itens de série continua sendo um dos atributos da linha Polo. Apenas a versão Bluemotion tem configuração diferente por ter características voltadas ao "ecologicamente correto", as outras chegam de série com direção hidráulica, ar-condicionado, destravamento interno da tampa traseira, air bags, freios ABS e sensores na traseira, para facilitar o estacionamento. O compacto premium continua a ser oferecido com o 1.6 Total Flex, de 104 cv, ou com o 2.0 Total Flex de 120 cv que pode ser solicitado nas versões Hatch Sportline e Sedan Comfortline. As opções de câmbio seguem sendo o manual de cinco velocidades e a transmissão automatizada I-Motion. Com a carroceria hatch os

preços iniciam em R$ 44.390, na versão 1.6 de entrada, e vão até R$ 54.790 na 2.0 Sportline. O sedan tem preço de R$ 47.770 (motor 1.6) e vai até R$ 57.330 (motor 2.0 Comfortline). Mais novidades - A marca aproveitou para anunciar o lançamento da série especial Rock in Rio que celebra a participação da Volkswagen no evento. Com isto, o Gol e o Fox contarão com a versão diferenciada, e serão oferecidos nas tonalidades azul, branco e vermelho. O Gol Rock in Rio vem com motor 1.0 de 76 cv e rodas de liga leve de 14" e o Fox Rock in Rio chega com o 1.6 litro de 104 cv e rodas de liga leve com 15". Os dois possuem faixa lateral com o logo Rock in Rio, faróis e lanternas escurecidas, bancos exclusivos com logos bordados, soleiras das portas, em alumínio, também com o logotipo, volante multifuncional e sistema de som com quatro alto-falantes e dois tweeters, CD Player com Bluetooth, MP3, entradas USB, cartões SD e I-Pod. A série será oferecida durante apenas três meses, a partir de julho, e terá produção limitada em 900 exemplares mensais do Gol Rock in Rio (R$ 35.350) e 350 do Fox, (R$ 40.990). Os compradores receberão senha exclusiva, para baixar na Internet músicas gravadas ao vivo durante o evento.


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Novo disco: nascido da literatura.

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cultura

A vida é espera, reflexão, caminhar com certa discrição. Nada disso é fácil. Mas é uma obra.

Jovem maturidade: antologia.

De tempos tropicais e festeiros.

AFEIÇÕES PROFUNDAS André Domingues de juventude de Chico. Na outra ponta, ainda, há a ousadia de Tipo um Baião, em que o desenvolvimento sonoro está francamente subordinado ao desenho performático do texto, chegando a um resultado heterogêneo, instável, bastante afinado com as incertezas da letra.

Os parceiros mais consagrados de Chico, Edu Lobo e Francis Hime – sem falar em Jobim, é claro –, não comparecem no novo álbum. Em contrapartida, o baixista Jorge Helder, que o acompanha há anos e que já havia composto uma canção com ele, proporcionou-lhe mais uma parceria memorável em Rubato (‘roubado’, em italiano). Trata-se de uma marchinha forjada em compasso ternário – ao contrário do quaternário habitual – e de melodia incrivelmente complexa, seja por seus intervalos dissonantes, seja por sua assimetria métrica. Enfim, um desafio a qualquer letrista. Chico domou-a

com uma letra imaginativa e bem humorada, desenvolvida sobre o pano de fundo da fragilidade do conceito de autoria numa criação popular. Nela, conta o drama de um compositor receoso de perder sua canção de amor que acaba sendo roubado por outro, um oportunista espertalhão que, ainda assim, não fica com a música, perdendo-a para um terceiro. Os versos vão variando a cada reexposição junto com os nomes das amadas: Aurora, Amora, Teodora. O antigo costume de Chico de dividir as interpretações também aparece no novo disco com intérpretes que não são dos mais consagrados na sua obra. O baterista, compositor e cantor Wilson das Neves, integrante da banda e parceiro ocasional de Chico, colabora sensacionalmente em Sou Eu, um samba de melodia assinada por Ivan Lins. Já a novata Thais Gulin pouco acrescenta ao saboroso choro-canção Se Eu Soubesse, que já havia gravado com o autor. O violão e a voz de João Bosco, por fim, entram com a esperada maestria em Sinhá, um interessante samba de matizes afro que reflete traços de samba-deroda, baião, afoxé e traz até uma insuspeita clave cubana. Chico Buarque tem mostrado ótima disposição na sua retomada do ofício de compositor, mas isso não se estende a todas as etapas do trabalho artístico. Encher a agenda de compromissos e se expor em shows e entrevistas está, por hora, fora de questão. Quem quiser conhecer o trabalho novo no palco, deve se lembrar dos versos de Futuros Amantes: “não se afobe, não, que nada é para já...”. Que ele vai apresentar Chico ao vivo, é certo, mas não tem pressa. Só resta esperar.

Fotos: Arquivo DC

e está bom ou não é pergunta secundária no lançamento de um disco de Chico Buarque, assim como Chico, que acaba de chegar às lojas. A urgência, mesmo, é saber o que se passa com ele, em que tem pensado, qual acontecimento o sensibiliza. Afinal, Chico se tornou, com os anos, uma peça central da consciência brasileira. Mais do que serem bons ou não (e costumam ser muito bons), seus discos são importantes. Isso já justifica qualquer atenção. Vindo de um projeto literário, o livro Leite Derramado, Chico Buarque parece ter retornado à música com menos tensões e expectativas pessoais. Tanto é que, das suas facetas características, destacam-se não tanto o pensador, o político ou o cronista, quanto o simples narrador. Nas composições, assim, aparecem mais os personagens do que o autor. Tal opção deixa em primeiro plano os enredos, os textos, evidentemente, mas sem descuidar das melodias, arrematadas com ótimas saídas. Sua maturidade musical é incontestável. Aliás, se o tempo lhe trouxe algum prejuízo, este seria, apenas, a voz ligeiramente mais velada. Coisa pouca. A valsinha Nina, que narra um amor a distância entre um brasileiro e uma russa, é um bom símbolo da fase atual de Chico Buarque, com um texto que, por vezes, atropela a regularidade do desenho melódico, impondo-lhe a dificuldade trechos quase falados – e saindo-se muito bem. Mais tradicional do que esta é o romântico Sem Você 2, inspirado no samba-canção Sem Você, de Tom Jobim e Vinícius, cuja arquitetura sonora, já mais regular e transparente, remete à produção

Renovação certeira

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s misteriosos e longos períodos de ausência de Chico Buarque entre uma safra de canções e outra já deixaram dúvidas sobre um possível abandono da carreira musical. De 1989 para cá, excetuando-se os discos gravados ao vivo, feitos com repertório já publicado anteriormente, foram os quatro anos entre o álbum Chico Buarque e Paratodos, mais cinco anos deste para As Cidades e outros oito anos até Carioca. Para usar uma comparação futebolística, bem ao gosto de Chico, os discos estão mais distantes que as Copas do Mundo. Nessa escala, o fato do intervalo ter caído no lançamento de Chico para cinco anos, de novo, pode ser visto com certo otimismo. Sobretudo porque está ficando claro que, agora, as suas canções apenas demoram mais para serem criadas e amadurecidas, mas acabam vindo, renovadas e certeiras. Não dá para esperar que ele volte a gravar a cada um ou dois anos, é verdade, mas uma parada completa, felizmente, já parece fora de questão. (AD)

Os discos estão mais distantes que as Copas do Mundo. Chico Buarque

Daryan Dornelles/Folha Imagem

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Giuseppe Bizzarri/Folhapress

Nenhum esforço para criar uma imagem. Em cada álbum, a história de ideias até hoje presentes. Vale a pena revê-las.


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cultura

Zarpando para ilusões Armando Serra Negra cabaram os karaokês? Viva o k araokê! À exceção de alguns superprivados, no bairro da Liberdade, misteriosos como todo bom oriental, sem placas na porta, a cuja colônia são exclusivamente voltados, esses lugares tão em voga nos anos de 1980 evaporaram na surdina. Repaginados videokês, contudo, atração obrigatória na programação de todo e qualquer transatlântico, para a alegria de contraltos, tenores e sopranos passageiros, aos ouvidos da novidadeira Lilian Gonçalves tal melodia novamente soou! Apostando alto na modalidade, de seu antigo restaurante Espetinho, Cerveja & Cia, permaneceram apenas as cervejas (600 ml, R$ 6,50; Skol Beats, R$ 6,90; Liber, R$ 5,50, entre outras) e os espetinhos (R$ 5,50), cedendo espaço para a proteção acústica de 15 salas privativas, som e vídeo de última geração, comportando de 50 a 70 cantores de ocasião cada. Distribuídas em uma área útil de 2.000 m². Dispostas lado a lado no mezanino, no andar térreo é que se tem noção do mega empreendimento, o maior karaokê da América Latina. "Está sempre cheio, e lota no fim de semana!", assovia a empresária. À entrada, um grande balcão de bar; ao fundo uma chopeira de 200 litros sobressai à grelha dos espeti-

Fotos: Paulo Pampolin/Hype

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Coconut Brasil: animação aberta 365 dias por ano faz a alegria de quem gosta de soltar a voz.

nhos, torres de chope Brahma (R$ 40) sobre as mesas, chopões com groselha, ou menta (R$ 6), espumam coloridos. Campainhas eletrônicas individuais garantem a eficiência do serviço: basta apertar o botão que o número da mesa aparece em um display estrategicamente posicionado, os garçons alertas para o chamado (franco a passarinho exagerado -

R$ 31; bolinhos de arroz com mussarela e/ou de abóbora com carne seca, a R$ 18,70; miniporções variadas R$ 5). O visual é de lanchonete transada (cheese salada e dog "catarina", R$ 12,50), um grande painel descortina Miami à noite. "Como fui cantora, sei o bem que traz cantar à alma; daí a arriscar no Coconut Brasil foi um estalo!", sorri. As stalekas – cu-

pons que podem ser adquiridos para gastar nos cinco grandes estabelecimentos geminados – agora transformam-se em cocodólares. As cabines de videokê podem ser reservadas, mas mesmo um/a cantor/a solitário/a pode cantar a noite inteira (R$ 15) e fazer novas amizades. Para atender à tal demanda de clientes, Lilian dispõe de um também mega

estacionamento (com manobrista, R$ 15), situado em frente ao Coconut Brasil – e para manter a clientela, não deixa por menos: a casa permanece aberta 365 dias por ano. Quem micar no Natal, ou no Réveillon, já sabe: basta soltar a voz. "É bom lembrar que Santa Cecília (o bairro onde estamos) é a padroeira da música!", exclama. Em tempo: ao pé da letra, a

palavra karaokê significa orquestra (okê) vazia (kara), remetendo à ideia de música a ser preenchida pelo canto... Japonês tem cada uma! Coconut Brasil. Rua Canuto do Val, 41. Santa Cecília. Tel.: 3224-0586. www.redebiroska.com.br.

O QUE VEM PRIMEIRO: O LEITOR, OU O LIVRO? Roberto Taddei

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ue alguém se orgulhe de ter um acervo de 15 mil músicas no iPod ou iPhone, é fácil entender. Mas é pouco provável que o mesmo aconteça com uma biblioteca de livros digitais. Qual a vantagem de se ter no computador, celular, leitor digital ou tablet uma coleção de 15 mil livros? Façamos as contas: se você lê ao menos um livro por semana (o que já é 11 vezes mais do que a média brasileira), e começou a ler nesse ritmo aos 15 anos de idade, quando estiver comemorando seus 85 anos bem vividos, ainda assim não terá lido mais do que 3.640 livros. Sobrariam 11.360 livros não lidos na sua biblioteca digital. E isso se você ler mesmo 52 livros por ano e não os 4,7 da média nacional. Para que, então, uma biblioteca virtual de 15 mil livros se o brasileiro só lerá 300 livros durante toda uma vida? Essa é uma das razões pela qual a revolução digital que mudou radicalmente o mercado fonográfico e audiovisual apenas começa a incomodar o mercado editorial. O caso da música e dos vídeos deixou uma coisa clara: a revolução digital é feita pelos usuários, e não pela indústria. Já que livros não são consumidos como músicas ou vídeos, a mudança nas letras deve demorar a acontecer. Em países com muitos leitores, como os Estados Unidos, a Alemanha e o Japão, a mudança já está a caminho. O diretor da Feira do Livro de Frankfurt, Juergen Boos, disse que 2011 é o ano do ebook, o livro digital. No Brasil, como de costume, isso deve acontecer por volta de 2013. O mercado editorial brasileiro sempre foi pequeno, vive de vendas modestas, e investe recursos tímidos em novos escritores e na formação de novos leitores. Há exceções, é claro, como os livros didáticos, acostumados a vendas de centenas de milhares de

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exemplares. E há, ainda, um sem número de oportunidades para os livros infantis, com aplicativos que tentam de tudo para distrair as crianças na intenção de fazê-las se interessar por uma narrativa escondida dentro dos livros virtuais. Mas é pouco real esperar que o advento dos tablets produzidos em território nacional com isenção de impostos altere imediatamente o cenário brasileiro. O que os tablets nacionais e a oferta de banda larga farão será antes uma revolução de primeira ordem; a revolução do acesso. Historicamente, o livro e a literatura são pouco cobiçados no Brasil. Durante a colônia, muitos foram para a fogueira por terem livros em casa. Não se podia imprimir e publicar livros por aqui até a vinda de Dom João VI, em 1808. Em 1925, Pau Brasil, o primeiro livro de poemas de Oswald de Andrade, ainda trazia a inscrição "impresso pelo Sans Pareil de Paris". Com a música, o cenário é muito diferente. Em qualquer vilarejo brasileiro a música está e esteve sempre presente. Seja ecoando do campanário das igrejas, saindo das festas de aparelhagem, das duplas caipiras ou sertanejas, ou das bancas de CDs piratas. Com a imagem é o mesmo. A televisão chega a 99% dos lares nacionais, os celulares capturam imagens e a troca de vídeos é intensa país a fora (basta ver as pegadinhas de programas de auditório e os vídeos que fazem sucesso no youtube). No passado e no presente, a equação da economia da cultura nacional fecha sem a participação dos livros. Livro, no Brasil, é para teóricos e diletantes. Antes de achar o caminho que impulsionará as letras rumo à revolução digital, é preciso primeiro resolver um simples dilema: o mercado editorial precisa decidir se o que nasce primeiro é o leitor ou é o livro.

O mercado e seus entornos (universidades, escolas e bibliotecas) não aumentam a oferta de livros digitais porque, dizem, a demanda é muito pequena (segundo a Livraria Cultura, o faturamento com ebooks não chega nem a 1% das vendas dos livros físicos). Os editores não aumentam o número de títulos eletrônicos porque têm medo de pirataria e de infringir a lei brasileira dos direitos autorais, uma das mais restritivas do mundo. Também não o fazem por falta de gente especializada que saiba trabalhar com epub, o formato dos livros digitais. Outro motivo é bastante peculiar: muitos dos títulos em circulação foram impressos antes da reforma ortográfica e relançá-los implicaria fazer revisões título a título, o que encarece em muito as iniciativas. O mercado do livro precisa passar pela mesma revolução que o Brasil passou nos últimos 10 anos ao conseguir inserir na economia formal 18 milhões de cidadãos (o equivalente à população do Peru), gente que antes não podia comprar uma geladeira, um fogão, e nem mesmo financiar a casa própria. Com a ajuda dos que antes estavam excluídos, o Brasil cresceu e sobreviveu a duas crises mundiais. Agora é preciso incluir outras dezenas de milhões de cidadãos no universo do livro e da literatura, na economia da cultura. Só assim o mercado poderá oferecer mais títulos, a preços mais baixos, com mais comodidade, aumentando a variedade e tornando o livro e a literatura bens tão relevantes no mercado como a música e o audiovisual. O que falta, enfim, é definir que no Brasil de hoje o que deve vir primeiro é o leitor.

Roberto Taddei é escritor e jornalista.

Dramas cortantes. Na voz, ao piano.

cantora, compositora, pianista e atriz Cida Moreira (foto) volta a se apresentar na Cidade, para o lançamento de seu novo álbum, chamado Canções para Cortar Pulsos. Conhecida como intérprete dramática, Cida procura poesia em cada uma das

canções que escolhe para amarrar os seus espetáculos. Mais uma vez, a fórmula se repete. No repertório, temas de Jards Macalé, George Gershwin, Chico Buarque (veja capa do DCultura) e uma surpreendente Black to Black (Amy Winehouse). O nome do show é Dama Indigna. Casa de

Francisca. Rua José Maria Lisboa, 190. Tel.: 3052-0547. Sábado (23). 0h30. R$ 35. Arnaldo Antunes - O compositor e cantor resume, neste fim de semana em SP, o conteúdo do CD e do DVD Ao Vivo em Lá Casa, gravados em 2010. No programa, animado

por dança e vocais, Antunes interpreta Invejoso e Envelhecer, duas canções bem craniadas e gingadas. Sesc Pinheiros. Teatro Paulo Autran. Rua Paes Leme, 195. Tel.: 3095-9400. Sexta (22), sábado (23). 21h. Domingo (24). 18h. R$ 32.

Garimpando pequenos livros ilustrados. Exercícios de liberdade em tempos digitais (foto). Página 21.

Arquivo DC


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Fotos: Arquivo DC

À direita, o autor Ross Macdonald; Newman: na tela. E Archer: nova linguagem. Abaixo, Sam Spade: Bogart; Poirot: ator sache; Dashiell Hammett. E Agatha: popular.

A saga do detetive Lew Archer, de Ross Macdonald.

O

s fãs em geral de literatura policial mista de ação e psicologia e em particular do detetive californiano Lew Archer, criação do escritor Ross Macdonald, pseudônimo literário do americano criado no Canadá Kenneth Millar (1911-1983), vão achar precioso o volume Os Arquivos de Archer, recémpublicado no Brasil pela Novo Século, que reúne contos publicados em vida de Macdonald e inéditos achados depois de sua morte. Archer se transformou em Lew Harper no filme Harper, com Paul Newman, pois o ator achava que nomes começados com a letra H davam sorte, e foi Lew Millar em uma série de televisão, além de propriamente Lew Archer em outras séries. O nome Lew Archer é uma dupla homenagem a escritores que Macdonald apreciava: o Lew vem de Lew Wallace, criador do célebre personagem corredor de biga no antigo Império Romano,

Fotos: Reprodução

Renato Pompeu Ben-Hur. E o Archer lembra Miles Archer, sócio do detetive particular Sam Spade, este o principal personagem do famoso romance O Falcão Maltês, do escritor Dashiell Hammett. Como o próprio Macdonald, Archer é rebento de uma família californiana disfuncional, desfeita pelo abandono do pai e marido. No caso do detetive, isso o transforma num adolescente perturbado, que se torna um pequeno delinquente, mas é regenerado pela influência de um policial veterano. O próprio Archer se torna policial, em Long Beach, na Califórnia, mas se revolta com tanta corrupção que testemunha entre seus colegas e acaba sendo demitido. Na Segunda Guerra Mundial, serve como agente de contraespionagem do Exército dos Estados Unidos. Tornado detetive particular, Archer atua nos chamados subúrbios em expansão então, nos anos 1950, no Sul da Califórnia, equivalentes aos chamados condomínios no Brasil, ou a bairros como Alphaville. Em termos de ficção policial, o criador Ross

Macdonald e a criatura Lew Archer se inserem na longa transição efetuada a partir da primeira tradição do gênero, baseada no raciocínio lógico, dedutivo e indutivo, em que cérebros geniais como Sherlock Holmes, de Conan

gênero policial tornado tipicamente americano, o essencial são as ações físicas dos detetives durante suas investigações, particularmente procurando indivíduos desaparecidos ou objetos preciosos sumidos, muitas vezes envolvidos

Doyle, e Hercule Poirot e Miss Marple, de Agatha Christie, deslindam tramas a partir de pistas, a tradição de textos literários policiais intelectualizados tipicamente ingleses, para a segunda tradição do gênero. Nesta segunda tradição, com o

em lutas corporais violentas e em tiroteios. Tudo isso, porém, é finamente temperado por análises psicológicas mais ou menos profundas. Essa tradição foi iniciada por Dashiell Hammett e desenvolvida pelo famoso autor Raymond Chandler, em especial em

seu personagem Philip Marlowe, que foi a primeira inspiração de Ross Macdonald. Mas Lew Archer representa o ponto culminante dessa segunda corrente da literatura policial. Particularmente ele se caracteriza por se envolver em problemas das famílias que o procuram, normalmente para tentar localizar um filho ou uma filha que desapareceu e que talvez tenha morrido , possivelmente por assassínio. Archer muitas vezes descobre segredos de família que a grande maioria dos seus membros sequer sabia que existiam. Como o próprio Archer, e como o próprio autor Macdonald, muitas vezes ele se depara, entre seus clientes, com famílias desajustadas pelo abandono de um cônjuge. Depois de Lew Archer, a literatura policial americana passaria dessa fase "realista e psicológica", para uma fase "naturalista e brutal", que se especializaria em descrição nua e crua de cenas sanguinolentas ou de cadáveres muito machucados,

PEQUENOS NOTÁVEIS Rita Alves

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Delicados livros artesanais reúnem desenhos de Amancio Chiodi e Patricia Mesquita: arte no bolso.

uer levar para casa obras de arte criadas por Amancio Chiodi e Patricia Mesquita? Então prepare o bolso, porque é nele que elas poderão ser guardadas. Os trabalhos da dupla estão reunidos em dois pequeninos livros artesanais, compostos por desenhos de Chiodi e colagens de Patricia. Apesar de os dois se conhecerem desde a década de 80, época em que trabalhavam juntos no jornal O Estado de S. Paulo, o reencontro só aconteceu este ano, com a criação dos livros. "Desde o início a ideia era fazer os livros em formato de bolso e de maneira artesanal. Eu já tinha feito antes um outro, no mesmo formato, com desenhos em preto e branco", diz Chiodi. Quando pensou em alguém para p a r t i c i p a r d o projeto atual, Patricia foi a primeira opção. "A gente trabalhou bastante nesse projeto." A conexão entre os dois trabalhos foi descoberta durante uma sessão de fotos. "O Amancio fotografou alguns trabalhos meus e percebemos uma ligação entre minhas colagens e os desenhos de-

le. As cores e as imagens conversavam. O Amancio tinha feito um livro com alguns desenhos e resolvemos adotar o formato, mais alternativo", afirma Patricia. "Acho que o que liga os trabalhos são as cores fortes, o movimento e o corpo humano. Eles conversam nesses temas." Os artistas já tinham as colagens e os desenhos prontos quando decidiram criar os livros artesanais. "Combinamos a sequência alinhando os que conversavam melhor entre si", explica Patricia. Quando cita o trabalho do colega, admira as cores e a obstinação de Chiodi com certos temas. "Como eu, ele trabalha com repetição e camadas. Como se tudo que tivesse para ser dito estivesse nas entrelinhas, subentendido. O trabalho dele me inspira a criar mais." Tanto que mais arte está por vir. No próximo mês, Amancio Chiodi e Patricia Mesquita lançarão mais dois livros, dessa vez, individuais, intitulados respectivamente D esenhos e Cadernos, ambos no tamanho de 9 X 14cm. Amancio tem planos de comercializar os livros em uma loja da Vila Madalena, mas por enquanto, os interessados podem entrar em contato com os autores nos em a i l s fo to. a m a n c i u s @ g m a i l . com e patriciamariamesquita @gmail.com.

Nhoque de batata no restaurante Aguzzo. Festa pelo ano da Itália. Gastronomia, página 22.

como nos livros de Michaell Spillane. Em seguida viria a fase atual, mais visível nas séries de televisão, em que os antigos detetives particulares são substituídos pelas forças regulares da polícia, dando-se ênfase ao desenvolvimento tecnológico de seus laboratórios científicos e periciais tão avançados, e aos conflitos emocionais de investigadores, vítimas, assassinos e pessoas em volta. Assim, se há pessoas nostálgicas da antiga fase intelectualizada da literatura policial, em que o principal é o raciocínio, há também pessoas que sentem saudades de detetives como Lew Archer, um homem de olhos azuis, triste, beberrão, sempre com saudades de sua ex-mulher Sue, e que bate perna em busca de pistas e de pessoas desaparecidas, que se envolve com os dramas sentimentais e familiares de seus clientes e do círculo de pessoas que os rodeia. Para esses leitores, Os Arquivos de Archer são um prato cheio.


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Fotos: Paulo Bareta/Divulgação

Douro Boys, Young Blood

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cultura

José Guilherme R. Ferreira

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itivinicultores portugueses de uma nova geração estão pela primeira vez juntos no Brasil para uma tarefa que parece ter virado prazerosa rotina: divulgar os vinhos que produzem na região do Douro. O diferencial é que eles vêm para reforçar a imagem de um terroir de paixão – esse que abrange os parreirais ao longo do Douro (muitos organizados em históricos socalcos) e às margens de seus rios tributários entre Barca D'Alva e Régua – e não necessariamente para fazer propaganda competitiva entre suas garrafas. O grupo Douro Boys é constituído por João Ferreira (Quinta do Vallado), José Teles (Quinta de Napolés, Niepoort), Tomás Roquette (Quinta do Crasto), Cristiano van Zeller (Quinta do Vale D. Maria) e Francisco Olazabal (Quinta do Vale Meão). Estão reunidos desde os anos 90 com o objetivo de promover o vinho de qualidade do Douro, esse ultrapassou as fronteiras do Porto. A trajetória vitoriosa do vinho do Porto que tem início quando os ingleses, às turras com a França, o elegeram como substituto à altura do Claret, em 1670. Os Douro Boys estão fazendo uma "revolução tranquila", dizem, querendo indicar que buscam a renovação desses vinhos seculares, respeitando as características da viticultura da região. Um dos tributos é feito às variedades portuguesas, loas às "top five" Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinto Cão e Tinta Barroca. Reverência que não os exime de investimentos em tecnologia. Os Douro Boys também são claros ao afirmar que não desprezam os estilos de cada uma das casas. A Quinta do Vallado, com vinhedos nos dois lados do rio Corgo, aparece em documentos desde 1716. Séculos depois, adapta-se ao enoturismo, com manutenção de um charmoso country hotel. Em 1818, a propriedade foi vendida para António Bernardo Ferreira e hoje os 70 hectares de vinhedos estão nas mãos da sexta

Carpaccio de peixe branco com aspargos e lascas de botarga. E vinho da Campânia.

150 anos em quatro pratos Lúcia Helena de Camargo

branco Greco di Tufo 2008 – Villa Raiano, da região de Campânia. O primeiro prato principal é o gnocchi di patate e spinacci in salsa di taleggio – nhoque de batata e espinafre ao molho de queijo talégio. Areado e leve, já que feito sem farinha, a massa é servida

com o vinho Almanera Nero D'Avola IGT 2007 Fastascià, da Sicília. Em seguida chega à mesa a cotoletta di vitello alla bolognese com insalatina verde – costeleta de vitela empanada, coberta por queijo, acompanhada por saladinha verde. O vinho é o Teodosio Aglianico del Vulture 2006 (Basilicata). A receita, clássica da Bolonha, foi inclusive registrada pelo povo da região como iguaria típica, no dia 14 de outubro de 2004. O atestado de autenticidade consta da Câmara de Comércio da região da Emília. Para sobremesa, O chef Alexandre Romano crostata di melle com R$ 79. Há risotos, como o de gelato alla vaniglia – a torta shitake com abobrinha e crocante de maçã, servida com alcachofra (R$ 55), massas, carnes, sorvete de creme, acompanhada peixes, polentas. do vinho L´Armida Orvieto Na adega, a casa mantém cerca Clássico Superiore Dolce de 150 rótulos. E possui 2005 – Cardeto, produzido equipamento específico para na região da Úmbria. armazenar as garrafas de vinho Estão inclusos no que são servidos em taça, para que cardápio água mineral e a bebida não perca qualidade. café expresso. Com 60 lugares, o Aguzzo lota Os pratos foram criados nos finais de semana. Mas também pelo chef Alexandre não fica vazio de segunda a sexta. Romano e o proprietário Visitado pelo Diário do Comércio do restaurante, Osmânio na noite da última quarta-feira, Luiz Rezende. O cardápio, que estava com quase todas as mesas passou pelo crivo e foi aprovado ocupadas por grupos de amigos, pela Accademia Italiana Della famílias e casais. Cucina, também funciona como uma pré-comemoração ao Ano da Itália no Brasil, que começa Aguzzo. Rua Simão Álvares, oficialmente em outubro desde 325. Pinheiros. ano e segue até junho de 2012. Tel. : 3083-7363. Os demais pratos do menu www.aguzzo.com.br normal têm preços entre R$ 44 e

José Guilherme R. Ferreira é membro da Academia Brasileira de Gastronomia (ABG) e autor do livro Vinhos no Mar Azul – Viagens Enogastronômicas (Editora Terceiro Nome)

www.douroboys.com. www.newbordeaux.com/documents/bordeaux_oxygene.html www.rutherglenvic.com/whatsnew_more.asp?whatsnewID=34

DANÇA

Billy Cowie

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ste ano completam-se 150 da imigração italiana no Brasil. Para comemorar o número redondo, o restaurante Aguzzo criou um cardápio fechado de quatro pratos, preparados com ingredientes típicos, e harmonização de cada um com uma taça de vinho italiano diferente, de regiões diversas. Percorrer os sabores da geografia italiana custa R$ 167 por pessoa, preçco do menu especial, servido até o final do mês de agosto. Válido para o almoço e jantar, começa com carpaccio di pesce bianco con asparagi e scaglie di bottarga. Tradução: carpaccio de peixe branco servido com aspargos e lascas de botarga. A botarga, comum nas mesas ao redor do Mediterrâneo, é uma ova salgada de peixe que confere sabor levemente picante ao carpaccio, no Aguzzo preparado com finíssimas fatias de robalo. A entrada, delicada, abre o apetite. Para acompanhar, no copo vem o vinho

geração de empreendedores da mesma família. A Quinta do Crasto é ainda mais antiga, de 1615, com vinhedos localizados na margem direita do Douro, a meio caminho entre Régua e Pinhão. A propriedade recebeu investimentos para sua modernização que possibilitou o salto do tradicional Porto à vinificação de reconhecidos tintos, em blend de Tinta Roriz e Touriga Franca. Esse espírito de entusiasmo com os vinhos de sua terra é o mesmo que norteou jovens de Rutherglen, na Austrália, reunidos no grupo The Young Bloods, (este sim nome verdadeiro de uma banda de rock). Trabalham para promover seus vinhos e para atrair uma nova geração de apreciadores da bebida. Objetivo perseguido, na França, por jovens herdeiros de châteaux, que se juntaram para outra revolução sob o sugestivo nome de Bordeaux Oxigène.

De olhos bem abertos Costeleta de vitela típica da Bolonha: receita registrada. Acima, o nhoque com espinafre.

O público da Cidade tem até o fim do mês para aproveitar as atrações do projeto Dança em Foco - Festival Internacional de Vídeo & Dança, no Sesc Pinheiros. Nesta edição o coreógrafo escocês Billy Cowie e a coreógrafa e videomaker Celina Portella exibirão suas criações. A videoinstalação The Revery Alone (foto), de Cowie, deve ser vista de uma maneira especial: o público deve deitar no chão, já que ela é projetada no teto em looping, em 3D. Sesc Pinheiros. Rua Paes Leme, 195. Tel.: 3095-9400. Até 31 de julho. Grátis.


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cultura

Carlos Celso Orcesi

erran Adriá revolucionou a cozinha com suas essências em forma de espumas e gelatinas. O famoso "El Bulli" foi agora fechado em definitivo. Será possível? Seria como Bill Gates travar as janelas do windows, ou Steve Jobs comer, como Adão no paraíso, a outra parte da maçã. Por ora devemos reconhecer que o mestre catalão tem coragem. Entre ou que lá trabalharam está o chefe pernambucano Douglas Van Der Ley, que hoje pilota a cozinha do "Empório Central" no Shopping Cidade Jardim. No Recife mereceu estrelas de "melhor chefe" e "melhor cozinha" da Veja, por seu É. Sim: "É" nome simplório mais serviria para um bistrô comum do que para uma cozinha inovadora. A Confraria CAV jantou no Empório no mês passado, na companhia do sócio Luizinho (também do Pobre Juan), que participou da divisão do banquete. Abrimos o jantar com presunto de Parma curado 32 meses, acompanhado do "Segura Viudas Heredad" (91 pontos), que apesar do nome e da garrafa brega está entre as três melhores cavas espa-

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nholas. A melhor, como o nome sugere, é o "Non Plus Ultra" da Codorniu, que tomei em Toledo num belíssimo parador de frente para o século XVI. Com Ferrari Brut (89 pontos) da região de Trento (... não confundir com Maranello) nos veio o Culatello di Zibello, a máxima iguaria entre os presuntos italianos (94 pontos). Derrete na boca. Ao contrário do prosciutto di Parma que utiliza a perna inteira do porco (o pernil) e tem produção de 8 milhões de peças/ano, o Culatello tem produção de apenas 700.000 peças/ano, autorizado por apenas 12 produtores da pequena Zibello, que utilizam apenas a parte alta e posterior da coxa do porco. Retira-se a pele e a gordura superficial, adaptando a peça ao formato de pêra. Depois se inicia a salga, e após dez dias suave aromatização com vinho e alho, massageando para o tempero penetrar. Por fim se ensaca a

a mercado. Aliás a palavra advém de "culo", que para não dizer algo que choque os puritanos, é a parte interior da perna do porco, a musculatura próxima ao, di-

Exposição mostra série de imagens da família imperial,

ouro o arroz de pato. Aquele toque de especiaria (não arrisquei indagar, porque seria desvendar o sigilo) de Van der Ley transforma esse arroz de pato no melhor de São Paulo, do Recife ou do Brasil. Ficou-me a sensação de que merece cozinha mais sofisticada, algo mais do que a de estilo "bistrô despojado", embora as instalações impecáveis em meio ao luxo do Shopping Cidade Jardim. Não são apenas os nomes sofríveis ("Empório", assim como "É"), mas certa sensação de calça curta. Todos os vinhos selecionados pelo someliê Ronaldo foram degustados às cegas. Para minha sorte descobri dois deles, em particular o "Barda", pinot noir argentino da Bodega Chacra. Desvendar a variedade e a região (América do Sul), não "o vinho", já é suficiente em função da migração das espécies mundo afora, além dos blends cada vez mais ousados (do tipo tempranillo + malbec, touriga + cabernet). Saí do "Empório Central" feliz, pelo esplêndido jantar e pela ilusão de achar que entendo um pouco de vinhos.

pertencentes ao acervo do príncipe Dom João de Orleans e Bragança

Preciosidade imperial Rita Alves

Instituto Moreira como já aconteceu na sede do Rio Salles (IMS) abriga até de Janeiro. Para mim é um prazer o dia 11 de setembro a poder dividir isso que é parte da bela exposição identidade brasileira." Retratos do Império e do Exílio: A maioria das imagens inéditas Imagens da Família Imperial no da mostra é composta de retratos Acervo de Dom João de Orleans e de família. Dom João conta que a Bragança. A mostra reúne 170 grande coleção de fotos e fotografias do acervo do príncipe negativos era de Dom Pedro II. "Ele dom João de Orleans e Bragança, estava sendo expulso do Brasil e, curador da exposição ao lado de antes de ir para o exílio, doou tudo Sergio Burgi, coordenador de para a Biblioteca Nacional porque fotografia do IMS. considerava aquilo muito No local, o público tem a importante e decidiu que deveria oportunidade de contemplar uma ficar para o país dele. Ele tinha um série de retratos da família imperial espírito público e cívico muito brasileira, além de imagens de fortes", diz Dom João, herdeiro eventos que marcaram o Império. também da mesma índole. "Graças Marc Ferrez, Revert Henry Klumb, a Deus, eu tenho esse mesmo Alberto Henschel e Félix Nadar são espírito e minha família sempre alguns dos fotógrafos responsáveis teve também. Acho que é uma pelos registros. obrigação de todo brasileiro." Dom João, também fotógrafo, Entre os destaques da decidiu há cerca de dois anos exposição, o encaminhar ao príncipe cita a Instituto Moreira imagem da família Salles as fotos real inteira herdadas. O posando em uma material estava escadaria. "Na guardado em foto estão a pequenas caixas, princesa Isabel, reunidas em um Dom Pedro II, a quarto com imperatriz, meu desumidificador. avô com os "Não é a condição irmãos ideal porque não se pequenos com a deve ter variações assinatura de muito grandes de todos embaixo. temperatura no Aparece a rvo Dom João ambiente, mas a assinatura do Otto Hees /Ace gança falta de umidade já é de Orleans e Bra meu avô com um grande avanço", letra de adolescente e a dos irmãos explica. "Achei muito mais com letra de criança. Em cima está prudente e democrático emprestar escrito 'Altura de Fernando de ao Moreira Salles, entidade Noronha, 18 de novembro de altamente capacitada na 1889'. Essa imagem é muito forte conservação desse tipo de porque ela foi assinada no barco, a material. E mais ainda, porque eles caminho do exílio, quando ele têm o poder de mostrar ao público, estava passando na altura de

Sérgio Massa/Divulgação

peça numa bexiga de porco, maturando sob temperatura crescente e a umidade elevada da região. Um ano depois o presunto magro, com toque doce suave, vai

gamos... pequeno traseiro. O Empório Central segue os passos do Balthazar de Nova York, servindo refeições de manhã à noite. No café ovos, pães, tortas e folhados; no almoço menu executivo; e no jantar mais sofisticação. No centro do espaço o balcão sofisticado oferece todos os produtos para levar, de queijos geléias a frios nacionais e importados, enfim compras de mercearia gourmet. Contra a tradição dos embutidos o chefe Douglas surpreendeu com um perfeito carpaccio de haddock (92), escoltado por um Framingham Riesling da região de Marborough 2008 (Austrália, 89 pontos). E depois o foie-gras, especialidade do chefe, que também marquei 92 pontos, e olhe que nem sou tão fã do fígado gordo de ganso, harmonizado com "Le Dauphine", 2º vinho do Chateau Guiraud (89). Bela noite. Fecho de

Fernando de Noronha." O precioso acervo está agora em boas mãos, segundo Dom João. Planos futuros? Nada de doar tal material para um grande museu, por exemplo. Um de seus projetos é criar um museu público. "Já estou trabalhando nisso." Enquanto a mostra esteve na sede carioca do IMS, a surpresa imperou. "A exposição foi mais visitada do que eu imaginei. Não achei que fosse chamar tanta atenção. Pelo que eu li e soube pela curadoria do Sergio Burgi, o fato de mostrar a família imperial em seus momentos de descontração, de carinho, é uma coisa rara, e foi justamente isso o que atraiu o público", diz. Dom João afirma que a família real sempre teve a simplicidade como característica. Dom Pedro II, por exemplo, morreu pobre no exílio. "As pessoas me perguntam se tenho orgulho disso. Eu digo que não. Tenho orgulho de ele cumprir os valores que respeitava. Os valores dele deveriam ser o de todos os homens públicos. Quem está na vida pública deve se dedicar 100% à nação, ao país. Isso sempre foi o preceito da nossa família." O príncipe também é firme ao declarar que um cargo político está longe de seus interesses. "Já fui convidado. Legalmente eu posso me candidatar, mas eu estaria indo contra toda a tradição da minha família que é a de lutar pela democracia, pelo país e não por um partido político." Instituto Moreira Salles. Rua Piauí, 844, 1º andar, Higienópolis, tel.: 3825-2560. Terça a sexta, das 13h às 19h. Sábados, domingos e feriados, das 13h às 18h. Grátis.

Alberto Henschel Cia., M. Ribeiro, sucessor/Acervo Dom João de Orleans e Bragança

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É e Empório Central

À esquerda, família imperial reunida na escadaria do palácio Isabel, em Petrópolis, 1889. Acima, Princesa Isabel, conde d’Eu e os filhos d. Pedro de Alcântara, príncipe do Grão-Pará, d. Luís Maria e d. Antônio Gastão, c. 1884. E a princesa Isabel, Rio de Janeiro, c. 1870.

Joaquim Insley Pacheco/Acerv o Dom João de Or leans e Braga nça

A corrupção. Em 1883, igualzinha a hoje. Sérgio Roveri

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aiu o Ministério é uma comédia ágil e de diálogos curtos na qual mais de uma dezena de personagens revelam ao público os bastidores de um governo afetado pela corrupção, nepotismo, a quantidade de políticos despreparados para exercer cargos públicos e por projetos grandiosos que aparentemente não possuem outra finalidade a não ser a de enriquecer quem os executa. Poderia ter sido escrita semana passada, mas o texto é de 1883 e sua volta ao cartaz comprova que o País continua a oferecer matéria prima caudalosa para comediantes afiados, como no caso do carioca França Junior (1838-1890), um notório e bem humorado crítico do regime monárquico brasileiro que, além

de Caiu o Ministério, distribuiu sua ironia em textos como Direito por Linhas Tortas e Como se Fazia um Deputado. Dirigida por Antonio Netto, da Cia. das Artes, a montagem está em cartaz no Teatro Coletivo, nas noites de quarta e quinta. "Fizemos pequenas adaptações no texto para que ele tivesse uma linguagem mais atual e se encaixasse no experimentalismo proposto pelo grupo", diz Netto. "O mais impressionante, no entanto, é ver que a situação do País parece continuar a mesma retratada por França Junior. Os interesses dos políticos não se alteraram. A maioria deles continua sem a intenção de fazer política séria, estão mais preocupados em exercer cargos de interesse".

Em Caiu o Ministério, França Junior joga sua lente sobre os últimos anos da monarquia brasileira. Faz o retrato impiedoso de uma aristocracia decadente que não era mais capaz de compreender os anseios da imensa maioria da população. "França Junior escrevia comédias de situações, eram textos mais elaborados que, ao contrário de grande parte das comédias atuais, não precisavam recorrer ao humor escrachado", diz Netto. Mais do que interferir no texto, Antonio Netto buscou a atualização do tema por meio de alguns recursos da encenação, entre eles a opção pela linguagem do circo-teatro, os figurinos carnavalizados e uma certa caricatura na composição dos personagens.

Caiu o Ministério. Sala 1 do Teatro Coletivo. Rua da Consolação, 1623. Tel.: 3255-5922. Quarta e quinta. 21h. Ingressos a R$ 15 se comprados com antecedência. Ou R$ 40 na hora.

Out u nas bro: telas . Pág. 24


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cultura Estreiam: Assalto ao Banco Central, com Lima Duarte (à esquerda); e Outubro, dos irmãos Vega. Fotos: Divulgação

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uas senhoras idosas lutam por seus netos em Lola (Lola, 2009, França/Filipinas, 110 minutos). Dirigido pelo filipino Brillante Mendonza, o filme primeiro nos mostra a velhinha Lola Sepa (Anita Linda), cujo neto foi assassinado no dia anterior por um ladrão de celular. Ela anda pelas caóticas ruas de Manila, capital das Filipinas – que em muito lembra São Paulo –, na tentativa de encontrar o lugar exato do crime, para ali acender uma vela. O vento e a chuva atrapalham, seu físico já debilitado pelo tempo também. Depois, ela precisa lidar com os preparativos para o funeral. Não tem dinheiro suficiente para isso. Vive, como muitos aposentados brasileiros, apenas com a parca pensão que o Estado lhe destina. O dono da funerária, insensível aos avisos de que ela não pode pagar muito, insiste em mostrar os caixões mais cheios de adornos. Em outro momento abrirá um processo legal contra o rapaz que matou seu neto. Advogados também custam caro. Talvez um empréstimo bancário, dando seu cartão da Previdência como garantia, resolva. Nos olhos de Lola o que se vê é a profunda tristeza por perder o neto querido. E desânimo, por chegar ao final da

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vida doente, com artrite que lhe dificulta a locomoção. Do outro lado está Lola Puring (Rustica Carpio), avó do rapaz que roubou e matou. A polícia o prende. Ela o visita na prisão, leva comida caseira, se preocupa com seu bem-estar e convívio entre os marginais na cela superlotada. Esta outra Lola quer, a qualquer custo, tirar seu neto da cadeia. O moço não alega inocência. Conhece e admite a própria culpa. Apenas permanece inerte. Não pode sair sob fiança, já que cometeu um crime não afiançável. Sua avó, também sem muitos meios econômicos (é dona de uma pequena quitada), vai procurar maneiras de obter recursos para tentar convencer a família do morto a retirar a acusação de assassinato contra seu neto. Dentro dos meandros legais das Filipinas, parece ser possível tal operação. Lola Puring batalha, então, para levantar o dinheiro, embarcando em expedientes nem sempre honestos. Empenha a TV da família, vende bens, trapaceia nos negócios, lesa consumidores no troco. A ela, qualquer coisa se justifica para salvar o neto, ainda que ele seja um criminoso. Lola levou o prêmio de melhor filme no Festival Internacional de Cinema de Dubai e no Festival

Amor de avós. E o conquistador. Internacional de Cinema de Miami. A narração é feita de modo lento, arrastado. As cenas, realistas, são iluminadas somente pela luz natural dos ambientes. Em muitos momentos desconfortável e angustiante, o filme segue o cotidiano das duas Lolas até que eles se cruzam e ficamos sabendo algo mais sobre ambas.

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erge Gainsbourg compôs Je T'aime Moi Non Plus, uma das canções mais escandalosas de todos os tempos – pelo menos à época em que foi escrita, no ano de 1968. Um casal dá longos suspiros e gemidos, cantando versos explícitos como "Je vais je vais et je viens/ Entre tes reins" (Eu vou, eu vou e eu venho/

Por entre os teus rins). O músico nasceu na França à época da ocupação por nazistas, durante a 2ª Guerra Mundial, com o nome de Lucien, que mudou por achar frágil demais. Gostava de pintar aquarelas, sempre acentuando as curvas das mulheres em seus desenhos. A cinebiografia que mostra a trajetória do compositor – Gainsbourg - O Homem que Amava as Mulheres – lança mão de fantasia para explicar suas inseguranças a acessos criativos. Um enorme boneco, espécie de alter-ego do protagonista, o acompanha da infância à idade adulta. Aos poucos ele vai revelando a predileção por se expressar através da música, embora tenha passado maus bocados com o aprendizado de piano na infância, já que seu pai esperava que ele tocasse brilhantemente e não fosse apenas um pianista medíocre. E acaba por se tornar um dos grandes ícones da música francesa. O Serge das telas é vivido por Eric Elmosnimo. Com orelhas de abano, nariz torto e olhos assimétricos, era feio. Bem feio. Ainda assim conquistou algumas das mais belas mulheres de sua época. Teve um ruidoso caso com a atriz Brigitte Bardot (vivida por Laetitia Casta), foi casado com a

belíssima Jane Birkin (Lucy Gordon), com quem teve a filha, Charlotte Gainsbourg. E envolveuse ainda com a cantora Juliette Greco (Anna Mouglalis). Fumava desde menino. E até o fim da vida, mesmo isso tendo custado sua saúde. Quando os cigarros lhe foram proibidos pelos médicos, chamou a imprensa na cama de hospital para comunicar que desrespeitaria a ordem e lançaria novo disco. Chamado no original francês de Serge Gainsbourg : la Vie Héroïque, o filme marca a estreia na direção de cinema do quadrinista Joann Sfar. A história traça um perfil que não condiz exatamente com a realidade. Romanceia aqui e ali, cria diálogos que talvez jamais tenham existido. Mostra, por exemplo, o pai de Serge exaltadíssimo de orgulho porque o filho estava dormindo com La Bardot. Não importa. O diretor deixou claro que não quis retratar a verdade de Gainsbourg, porque lhe interessaram principalmente suas mentiras, muito mais cinematográficas. Por dominar a técnica, há sequências no formato de história em quadrinhos. O resultado é um filme leve, apesar da decadência final do compositor, que se afundou em muito álcool, nicotina e autodestruição. (LHC)

Krajcberg Arte contra a destruição das florestas

rans Krajcberg comemora seu aniversário de 90 anos com a exposição KRAJCBERG, o Homem e a Natureza no Ano Internacional das Florestas, aberta no Museu Afro Brasil, permanece em cartaz até 6 de novembro. Estão expostos 31 trabalhos do polonês naturalizado brasileiro. Alguns inéditos. São esculturas, relevos, fotografias e outros. Em paralelo, ele inaugurou exposições na Bahia, onde vive em sua casa instalada no alto de uma árvore, e na Bélgica. Nas obras e no discurso, Krajcberg é enfático. Em entrevista ao Diário do Comércio na abertura da mostra, ele primeiro se disse orgulhoso em poder participar ativamente do Ano Internacional das Florestas, decretado pela Organização das Nações Unidas (ONU), para em seguida dirigir sua ira contra a destruição das matas. "Os deputados brasileiros votam por acabar com a Amazônia, sem pensar duas vezes", afirma, lembrando os trâmites no Congresso Nacional sobre o Código Florestal, que aponta para um aumento no desmatamento. "O Planeta está precisando de oxigênio e não de atitudes cínicas que vão levar à ruína de todos os seres da Terra", esbraveja o artista. Ele posa ao lado da obra de 4,5 metros de altura, exposta agora pela primeira vez. A escultura lembra uma árvore cujos galhos poderiam ser chamas. "Tenho centenas de obras que têm esse caráter; uso muito o vermelho, porque é o que me move: falar do fogo, de como o homem segue prejudicando a si mesmo matando as árvores." Com curadoria de Emanoel Araujo, a exposição conta ainda com fotografias feitas pelo artista, que exibem troncos com entranhas em chamas, grandes áreas destruídas e cenas singelas, como um pequeno broto, verdíssimo, que teima em

Lúcia Helena de Camargo nascer em meio a uma área completamente destroçada pelo fogo. Os materiais usados por Krajcberg nas esculturas e relevos são sobras recolhidas por ele nas matas queimadas. "Nas mãos habilidosas do artista, que acredita no ideal pelo qual luta há tantos anos, pedaços de madeira carbonizada transformam-se em peças harmônicas e delicadas, que, com toques de cor, unem-se sil en ci o sa me nte em um protesto contra a devastação", diz o curador. "Os trabalhos contêm uma manifestação quase religiosa. E alcançam o infinito com suas formas orgânicas", interpreta Emanoel.

Sonia Balady/Divulgação

Museu Afro Brasil traz KRAJCBERG, o Homem e a Natureza. O artista e sua obra: o uso do vermelho para falar do fogo e da devastação das matas.

Tronco que queima: grito de Krajcberg

KRAJCBERG, o Homem e a Natureza no Ano Internacional das Florestas. Museu Afro Brasil. Av. Pedro Alvares Cabral, s/n. Parque do Ibirapuera. Portão 10. Tel.: 3320-8900. Terça a domingo, 10h às 17h. Grátis.

"Obras alcançam o infinito com suas formas orgânicas", interpreta o curador Emanoel Araujo.

Um brotinho nasce em meio à terra queimada. Registro de esperança do artista.

Diário do Comércio  

22 jul 2011

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