Skip to main content

Diário do Comércio - 19/12/2011

Page 1

Devedor perdido está no Facebook Eram inadimplentes perdidos. Mas 71 % deles foram achados no Facebook.

De 852, 613 são localizados em estudo. Ano 87 - Nº 23.522

Jornal do empreendedor

O devedor não pode ser cobrado em público

R$ 1,40

Curtir Página 18

Conclusão: 23h10

www.dcomercio.com.br

São Paulo, sábado, domingo e segunda-feira, 17, 18 e 19 de dezembro de 2011 Mario Tama/Getty Images/AFP

Leandro Amaral/AE

The end Mohammed Salem/Reuters

Os últimos soldados americanos deixaram ontem o Iraque. Em 9 anos, 4,5 mil voltaram em caixões. Pág. 8

Mais 550 por Shalit

Dia de sashimi para o Barça O Barcelona de Messi fatiou o Peixe (4 a 0) e conquistou o Mundial de Clubes com a maior goleada em 50 anos. "Foi uma aula de futebol", admitiu o santista Neymar ao fim da temporada em que se consagrou. Esporte

Yasuyoshi Chiba /AFP

Paulo Pampolin/Hype

Israel quitou a dívida pela liberdade do soldado Shalit soltando mais 550 presos. Ao todo, 1.577 por 1. Pág. 8

Tops na vitrine Manequins 'clones' de modelos famosas ajudam (e como!) o comércio a vender. Pág. 10 HOJE

ISSN 1679-2688

23522

Pancadas de chuva à tarde e à noite. Máxima 30º C. Mínima 20º C.

AMANHÃ Pancadas de chuva à tarde e à noite. Máxima 32º C. Mínima 19º C.

9 771679 268008


DIÁRIO DO COMÉRCIO

2

o

sábado, domingo e segunda-feira, 17, 18 e 19 de dezembro de 2011

Agora mesmo, sobre o futuro imediato do nosso PIB, há revelações para diversos paladares. José Márcio Mendonça

pinião

PRESTIDIGITAÇÃO ECONÔMICA

O

ex-senador, ex-governador e ex-vice-presidente da República Marco Maciel gosta de contar a história de um antigo zagueiro do Santa Cruz, desses que espalhavam brasa na chamada zona do agrião, para mostrar a sabedoria popular a respeito dos riscos de qualquer forma de previsão. Ananias, o jogador, convidado por um repórter de uma emissora de rádio de Recife a dar palpite sobre o resultado que seu time alcançaria naquele domingo, respondeu: "Prognóstico só depois do jogo". A maior parte dos cultores das ciências sociais, mormente os da economia – uma ciência que em muitos momentos admite mais a matemática de Caetano Veloso, na qual dois mais dois podem ser cinco, contrariando o dado de que dois mais dois somam sempre quatro – não se avexam a continuar com a prática de apresentar seus prognósticos antes do jogo começar, em que pesem falhas anteriores. Por dever de ofício – e até, em casos específicos, por necessidade de planejamento – continuam rebatendo bolas imaginárias em sua área. Agora mesmo, sobre o futuro imediato do nosso PIB, há revelações para diversos paladares, como ficou registrado com muito bom humor na primeira página desse diário, na quinta-feira passada. Quanto às revelações do passado, especialmente quando não são muito simpáticas às teorias sobre o futuro, costumam ser desprezadas, desconsideradas. Nossas autoridades sempre se referem a um "olhar no retrovisor" que não teria nada a ver com o que gloriosamente vem pela frente. Tanto que agora mesmo tendo a economia nacional, em matéria de crescimento, tirado zero no terceiro trimestre do ano – e segundo os indicadores antecedentes do Banco Central ter registrado nota negativa em outubro – o ministro da Fazenda, Guido Mantega, insiste em dizer que vamos chegar ao fim de 2012 com o PIB crescendo no ritmo de 5%.

JOSÉ MÁRCIO MENDONÇA mesmo voos médios, de forma sustentada, por algum tempo. Tem-se de ficar na política da mão para a boca; afrouxa-se o crédito dali, aperta-se um pouco os dados fiscais, em seguida soltam-se dos dados fiscais e arrocha-se o crédito.

P

O passado é desprezado. Tanto que nossas autoridades sempre se referem a um "olhar no retrovisor" que não teria nada a ver com o que gloriosamente vem pela frente.

ASSUSTA O QUE ESTÁ POR VIR EM 2012? H

á um temor generalizado, especialmente nos meios empresariais, sobre como será o desempenho da economia brasileira no próximo ano. Há um temor generalizado, também, especialmente entre as pessoas que acompanham a cena política nacional, sobre como será o ano de eleições municipais e o desempenho do governo Dilma, notadamente pela necessidade de uma reforma ministerial. No caso inicial, a preocupação maior decorre da crise que alcançou a Europa, mais diretamente os países da zona do euro, onde o desmanche da economia tem reflexos diretos nos demais países do mundo todo. Aflige os empresários brasileiros o temor de que os bancos possam trabalhar com restrições nas linhas de

crédito, de financiamento, de modo a provocar uma retração na atividade econômica dentro do mercado brasileiro. Entre outros medos, é claro.

A situação da Europa que se vinculou ao euro, e mesmo dos países que ficaram de fora, está longe de ser resolvida e deixa no horizonte, na proximidade do início de um novo exercício,

Se o "Pangloss" brasileiro econômico de plantão olhasse um pouquinho pelo "retrovisor", até para não ser abalroado por trás, talvez pudesse evitar esse efeito sanfona (cresce muito-cresce muito-pouco) da economia pátria e até alguns dissabores que podemos colher em 2012. Diz o mantra brasiliense, também entoado por muitas cadeiras coroadas no Brasil, que nosso país está bem mais preparado do que qualquer outro para as turbulências que a Europa e os Estados Únicos apenas começaram a nos mandar.

nuvens carregadas pela falta de soluções objetivas mesmo com tantas reuniões de cúpula neste ano. Sobre a Bolsa de Valores, comentários ainda não são possíveis, em função dos reflexos de cada nãoatitude em relação ao euro, nos pregões mundo afora. A Bovespa que o diga, para desespero do colunista. ntão, ainda que numa visão superficial, o ano de 2012 deve mesmo assustar os brasileiros, no aspecto econômico, mais pelo que vem de fora. Vale ressalvar que, pelo menos, agora temos reservas e uma economia praticamente estável. Já no plano político, e a registrar-se a fila de ministros em queda do governo Dilma (herdados do governo Lula), o temor fica por conta do que a presidente vai fazer para livrar-se do pesado fardo, da herança maldita deixada pelo seu antecessor e padrinho. Fala-se muito em reforma ministerial no início do novo ano. É a oportunidade para a presidente mostrar se sabe jogar o xadrez das raposas velhas da política e se livrar dos incômodos, incompetentes e corruptos, sem perder apoio

E

Presidente Rogério Amato Vice-Presidentes Alfredo Cotait Neto Antonio Carlos Pela Carlos Roberto Pinto Monteiro Cláudio Vaz Edy Luiz Kogut Érico Sodré Quirino Ferreira Francisco Mesquita Neto João de Almeida Sampaio Filho João de Favari Lincoln da Cunha Pereira Filho Luciano Afif Domingos Luís Eduardo Schoueri Luiz Gonzaga Bertelli Luiz Roberto Gonçalves Nelson Felipe Kheirallah Nilton Molina Paulo Roberto Pisauro Renato Abucham Roberto Faldini Roberto Mateus Ordine

Por que, então, perguntaria um cultor da boa prudência ao estilo do zagueiro Ananias, das 34 nações de porte, cujo desempenho econômico no terceiro trimestre do ano foi analisado pela OCDE, o Brasil, com o seu zero, ficou em 33º lugar, à frente apenas da Índia? Por que o Brasil explode de crescimento num ano e no outro tem de recuar para não explodir de outra forma, com a inflação corroendo salários e renda? É simples de entender: a economia brasileira não tem estrutura para alçar grandes voos, talvez nem

or questões políticas, meramente políticas, não dá para mudar esses rumos. Só dois exemplos: por pressões do partidos aliados, foi adiada para o ano que vem a votação do projeto que cria o Fundo de Aposentadoria dos Servidores, essencial a longo prazo para conter o déficit da previdência social. Em troca de votos para prorrogar a DRU, o governo deixou para o ano que vem a eliminação da guerra fiscal via ICMS, com a qual muitos Estados subsidiam as mercadorias estrangeiras e transferem para o Exterior os empregos dos brasileiros. Enquanto for assim, só se olhando o futuro sem entender o passado, não sairemos muito do lugar. Sob esse aspecto, 2011 foi mais um ano perdido. JOSÉ MÁRCIO MENDONÇA É JORNALISTA E ANALISTA POLÍTICO

PAULO SAAB no Congresso. Ou então vai seguir refém de partidos que só querem sugar recursos públicos em troca de apoio ao Planalto.

outros a senador, voltam a se candidatar a prefeito – e assim a valsa segue na mesmice viciada das raposas políticas pátrias.

rata-se também de ano de eleições municipais. No tabuleiro da corrida, as peças se mexem freneticamente desde a eleição que pôs Dilma no Alvorada. Será uma busca de consolidação de forças e, ao mesmo tempo, um preparatório para a sucessão dos cargos que estarão em disputa dois anos depois. Para o eleitor, a dança dos nomes não sofrerá muitas alterações. País adentro ocorre uma espécie de troca de cadeiras. Velhos políticos deixam o Congresso para assumir prefeituras e depois deixam as prefeituras para assumir vagas no Congresso. No meio disso, alguns saem candidatos a governador,

N

T

a capital paulista deverá se dar o mais duro embate. É fixação do PT conquistar a cadeira hoje de Kassab. Vão estar na corrida nomes mais ou menos novos como Chalita, Haddad, Skaf (talvez), o próprio vice-governador Afif, e muitos outros (Maluf? Só tem "brimo"?) que ainda surgirão na cena das definições. Não sou de nenhum Ministério, mas advirto o eleitor: a campanha política municipal de 2012, especialmente na cidade de São Paulo, provocará enjôos, dores de cabeça e ânsias de vômito. PAULO SAAB É JORNALISTA E ESCRITOR

Fundado em 1º de julho de 1924 CONSELHO EDITORIAL Rogério Amato, Guilherme Afif Domingos, João Carlos Maradei, João de Scantimburgo, Marcel Solimeo Diretor-Responsável João de Scantimburgo (jscantimburgo@acsp.com.br) Diretor de Redação Moisés Rabinovici (rabino@acsp.com.br) Edi tor - Ch e fe: José Guilherme Rodrigues Ferreira (gferreira@dcomercio.com.br) Chefia de Reportagem: Teresinha Leite Matos (tmatos@acsp.com.br) Editor de Reportagem: José Maria dos Santos (josemaria@dcomercio.com.br) Editores Seniores: Bob Jungmann (bob@dcomercio.com.br), Carlos de Oliveira (coliveira@dcomercio.com.br), chicolelis (chicolelis@dcomercio.com.br), Estela Cangerana (ecangerana@dcomercio.com.br), Luiz Octavio Lima (luiz.octavio@dcomercio.com.br), Luiz Antonio Maciel (maciel@dcomercio.com.br) e Marino Maradei Jr. (marino@dcomercio.com.br) Editor de Fotografia: Alex Ribeiro Editores: Cintia Shimokomaki (cintia@dcomercio.com.br), Kleber Gutierrez (kgutierrez@dcomercio.com.br) Ricardo Ribas (rribas@dcomercio.com.br) e Vilma Pavani (pavani@dcomercio.com.br) Subeditores: Marcus Lopes e Rejane Aguiar Redatores: Adriana David, Darlene Delello, Eliana Haberli e Evelyn Schulke Repórteres: Anderson Cavalcante (acavalcante@dcomercio.com.br), André de Almeida, Fátima Lourenço, Ivan Ventura, Karina Lignelli, Kelly Ferreira, Kety Shapazian, Lúcia Helena de Camargo, Mariana Missiaggia, Mário Tonocchi, Paula Cunha, Rafael Nardini, Rejane Tamoto, Renato Carbonari Ibelli, Rita Alves, Sandra Manfredini, Sergio Leopoldo Rodrigues, Sílvia Pimentel, Vera Gomes e Wladimir Miranda. Gerente PL Arthur Gebara Jr. (agebara@acsp.com.br) Gerente Executiva Sonia Oliveira (soliveira@acsp.com.br) Gerente de Operações Valter Pereira de Souza (valter.pereira@dcomercio.com.br) Serviços Editoriais Material noticioso fornecido pelas agências Estado, Folhapress, Efe e Reuters Impressão OESP GRÁFICA S/A Assinaturas Anual - R$ 118,00 Semestral - R$ 59,00 Exemplar atrasado - R$ 1,60

FALE CONOSCO E-mail para Cartas: cartas@dcomercio.com.br E-mail para Pautas: editor@dcomercio.com.br E-mail para Imagens : dcomercio@acsp.com.br E-mail para Assinantes: circulacao@acsp.com.br Publicidade Legal: 3244-3175. Fax 3244-3123 E-mail: legaldc@dcomercio.com.br Publicidade Comercial: 3244-3197, 3244-3983, Fax 3244-3894 Central de Relacionamento e Assinaturas: 3244-3544, 3244-3046 , Fax 3244-3355

REDAÇÃO, ADMINISTRAÇÃO E PUBLICIDADE Rua Boa Vista, 51, 6º andar CEP 01014-911, São Paulo PABX (011) 3244-3737 REDAÇÃO (011) 3244-3449 FAX (011) 3244-3046, (011) 3244-3123 HOME PAGE http://www.acsp.com.br E-MAIL acsp@acsp.com.br


sábado, domingo e segunda-feira, 17, 18 e 19 de dezembro de 2011

o

DIÁRIO DO COMÉRCIO

3

SOB APARÊNCIA PROTETORA, EXISTE UM PROJETO MARXISTA DE DESTRUIÇÃO DA FAMÍLIA.

pinião

Opressão sedutora H

oje em dia, nos Estados Unidos, um pai de família pode ser expulso de casa, proibido de ver os filhos e obrigado a pagar quase todo o seu salário em pensão de alimentos, sem que haja uma só prova de que ele fez ou pensou em fazer qualquer coisa de errado. Basta que sua mulher diga à polícia – sem uma testemunha sequer – que ele ameaçou surrá-la ou abusar das crianças. Quando o infeliz é avisado de que tem vinte e quatro horas para sair do pedaço e ver sua vida desfazer-se no ar como fumaça, ele vai ao delegado e reclama que não é justo ser condenado sem o mínimo direito de defesa. E a autoridade, com o ar mais tranquilizante do universo, responde: "Meu amigo, não há necessidade de defesa, pois o senhor não está sendo acusado de nada. É apenas uma medida cautelar – que pode, é verdade, ser renovada indefinidamente e durar pelo resto da sua porca vida. O senhor só será preso se violar a ordem, tentando encontrar-se com seus filhos fora dos horários prescritos (se algum há), passando perto da sua antiga casa num raio de, digamos, dois quilômetros, ou se metendo a besta caso a sua digníssima, liberta da sua opressiva presença, vá para a cama com um, dois ou quinze homens. Passe bem." Cinquenta por cento das crianças americanas vivem sem um dos pais – quase sempre o pai. Uma das consequências diretas é o aumento exponencial dos casos de pedofilia doméstica, onde as estatísticas mostram que o culpado é quase que invariavelmente o namorado da mãe. Nas universidades, os discípulos de Georg Lukács e Theodor Adorno esfregam as mãos, excitadíssimos, vendo cumprirse sem maiores dificuldades, e com o comovido apoio do bommocismo protestante e católico, o projeto marxista de destruição da família, que seus mestres viam como condição indispensável ao triunfo do socialismo. Tudo isso começou com os ares mais inofensivos que se pode imaginar, como campanha de prote-

Reprodução/Lucas Branach, "Adão e Eva", 1526

estendendo ilimitadamente o poder de intervenção da burocracia estatal na vida privada. O problema é, por exemplo, a pedofilia? Acusa-se a educação católica (embora o número de pedófilos entre os padres seja menor do que em qualquer outro grupo de educadores) e, com um pouco de jeito, persuade-se até o Papa a se prosternar ante a mídia vociferante. Os meninos criados sem um pai são inseguros, tímidos, fracos? Ótimo. Com alguma lábia, são levados a crer que são transexuais latentes, inadaptados, coitadinhos, no meio social machista. São turbulentos, anti-sociais? Melhor ainda. Eis a prova de que a sociedade capitalista é intrinsecamente violenta, geradora de brutalidades. E assim por diante.

OLAVO DE CARVALHO estatal contra os quais já nada se poderá dizer sem incorrer, ipso facto, em suspeita de reacionarismo nostálgico dos velhos males, já superados, "incompatíveis com o alto estágio de civilização em que nos encontramos". O circuito é tão repetitivo que suas vítimas só não o percebem com clareza porque, no decorrer do processo, foram consentindo em cortar suas próprias línguas e só falar na linguagem de seus acusadores, tornando-se, automaticamente, incapazes de se proteger.

C

ção à mulher contra a "opressão machista". Quem, em sã consciência, seria contra uma coisa dessas? Pouco a pouco, à medida que adquire força de lei, a providência humanitária vai ampliando seu raio de alcance até transformar-se num pesadelo, num instrumento

de opressão mil vezes pior do que os males que lhe serviram de pretexto, porque agora é oficial e se sustenta no poder da polícia, dos tribunais, do sistema educacional e da propaganda maciça que demoniza os acusados ao ponto de ninguém ter mais a coragem de di-

zer uma palavra em favor deles. E os resultados sociais catastróficos? São explicados como efeitos de outras causas, que por sua vez dão motivo a novas medidas humanitárias, entregando cada vez mais a grupos ativistas cínicos o monopólio da autoridade moral e

ada novo efeito maléfico da guerra cultural já traz preparada, de antemão, uma teoria engenhosa que lança as culpas sobre a família, a religião, a cultura, o capitalismo – sobre tudo e sobre todos, exceto os autores do efeito, os ativistas pagos com dinheiro dos contribuintes para planejar, nas universidades, a destruição meticulosa e sistemática da sociedade. A técnica é sempre a mesma. Primeiro, descobre-se um grupo social descontente e designamse os culpados, produzindo-se contra eles uma tempestade de livros, filmes, teses universitárias, programas de televisão, artigos de jornal, conferências, debates, o diabo. Apontados em público, olhados com suspeita pela vizinhança, os membros do grupo acusado começam a achar prudente marcar distância dele, mudando de vocabulário, de atitudes, e por fim juntando sua voz ao coro dos acusadores, para maior verossimilhança da conversão. Ato contínuo, concebem-se leis e medidas administrativas para amarrar as mãos dos malvados e, depois, puni-los. Vitoriosa a batalha legislativa, começa a etapa decisiva: "ampliar a democracia", estender a área de aplicação dos "direitos" conquistados até que, dialeticamente, se convertam em meios de opressão

N

o Brasil, a CNBB, enfatizando seu horror a "toda discriminação" no instante mesmo em que move débil oposição à PL-122, é o exemplo mais claro no momento. Pensem nisso quando se sentirem tentados a crer que as leis "anti-homofóbicas" têm algo a ver com os direitos humanos dos homossexuais ou de quem quer que seja. Têm a ver, isto sim, com a supressão da liberdade de consciência, inclusive a dos próprios homossexuais que desejarem permanecer cristãos e, amanhã ou depois, defender seu simples direito de pensar – como o pensaram Oscar Wilde, Julien Green, Octávio de Faria, Lúcio Cardoso, Cornélio Penna e tantos outros homossexuais ilustres – que aquilo que fazem na cama, embora lhes pareça irresistível e sumamente delicioso, é um pecado.

OLAVO DE CARVALHO É ENSAÍSTA, JORNALISTA E PROFESSOR DE FILOSOFIA

BRASIL: UM BOM FINAL DE ANO. E

nquanto uma boa parte das economias do mundo está caindo aos pedaços, os Estados Unidos (que estava "escalado" para ser o "patinho feio do pedaço") surpreende e entra em recuperação, a China cresce menos, enfrentando problemas internos, porém se mantém relativamente com bom fôlego, e os países da zona do euro (sem surpresas além das más notícias) terminam 2011 em situação bastante delicada. Esses países do Velho Continente não entram em acordo sobre o fato de que somente se constituindo numa verdadeira federação, com um poder central apto a redistribuir renda entre os seus membros, vão continuar com os mesmos problemas por toda a década. A resistência em chegar a decisões políticas que conduzam a região a uma forma de organização federativa, como as que existem no Brasil, nos Estados Unidos, no Canadá e na própria Alemanha, preocupa o resto da humanidade que tem consciência do enorme risco que uma ruptura entre eles representa para a paz e o desenvolvimento mundial. Não é possível esquecer o quanto de tragédias, de vidas perdidas e de patrimônio

destruído, em razão da arbitragem militar que prevaleceu entre eles nos últimos mil anos, pelo menos. Quanto ao Brasil, neste final do primeiro ano do novo governo federal, sob a presidência de Dilma Rousseff, podemos dizer que vamos indo relativamente bem em matéria de desenvolvimento, com estabilidade social. presidente tem se conduzido com profissionalismo, mostrando eficiência e firmeza ao lidar com os problemas sejam na esfera política sejam na administrativa. Seu governo vem agindo

A

com competência para manter o País crescendo, com sua equipe econômica sustentando sem desvios a ampliação do controle fiscal e uma política monetária ajustada aos objetivos de controlar a inflação, sem se afastar das metas de crescimento. Temos um déficit em torno de 2,5% ou 2,6% do PIB, uma dívida líquida em torno de 40%

do PIB e uma relação Dívida Pública/PIB próxima de 60%. Se olharmos em volta, vemos que o PIB brasileiro continua crescendo mais do que a maioria dos países, certamente com uma performance inferior à que desejávamos e estamos acostumados. Mas terminamos o ano com uma expansão de 3% ou um pouco mais e com velocidade de cruzeiro para

DELFIM NETTO voltar ao ritmo de 3,5% a 4% já em 2012 e com boas possibilidades de aumentar a velocidade nos próximos anos. O Brasil está no mundo e aproveita as oportunidades de expansão quando recebe os benefícios do vento a favor e tem de enfrentar as dificuldades que fazem parte da vida neste planeta globalizado. Se a crise europeia piorar,

seguramente não teremos um 2012 dos mais brilhantes, mas se a sua economia encontrar caminhos para reagir à crise e se a política produzir um avanço civilizatório importante, certamente reencontraremos um crescimento mais robusto, com certeza bem maior do que o da maioria dos nossos parceiros. inha avaliação, nesse momento, é que a Europa caminhará muito lentamente para a recuperação, mas evitará o pior, o que nos ajudará a retomar as atividades de comércio, que podem nos ajudar a aumentar o ritmo do crescimento ainda em 2012. Quero aproveitar para desejar à todos os nossos caros leitores e às empresas que generosamente acolhem nossos comentários, um Feliz Natal e muito próspero Ano Novo de 2012.

M

ANTÔNIO DELFIM NETTO É PROFESSOR EMÉRITO DA

FEA-USP, EX-MINISTRO DA FAZENDA, DA AGRICULTURA E DO PLANEJAMENTO


DIÁRIO DO COMÉRCIO

4 -.GERAL

GibaUm

3 O vice-governador de

São Paulo, Guilherme Afif Domingos, está perdendo peso no Spa Sete Voltas, no interior do Estado.

k Não tem reunião política sem bêbado ou maluco: dá sorte. Fotos: Paula Lima

«

gibaum@gibaum.com.br

FRANCISCO DORNELLES // senador (PP-RJ) e ex-ministro, 76 anos, sobre barraco armado na última reunião de seu partido.

Períododifícil 333 A combinação de quimioterapia com o inicio da radioterapia provocará um dos períodos mais difíceis do tratamento do ex-presidente Lula, coincidindo com a época das festas de final de ano e primeiras semanas de janeiro. Ele permanecerá no apartamento de São Bernardo porque deverá ir, diariamente, ao Sírio-Libanês e, dependendo das dores na região afetada, poderá ser alimentado por sonda. Fora a perda total de sabor, a ingestão de qualquer tipo de comida será difícil e dolorida. Lula está prevenido: seu médico Roberto Kalil não lhe escondeu nenhum tipo de reação dessa etapa.

QUASE CARIOCA 333 Tom Cruise circulou, de novo, no Rio, para promover seu novo filme Missão Impossível – Protocolo Fantasma (veio junto a atriz Paula Patton) e como o ator tem dado as caras com certa freqüência, já é considerado meio carioca. Posou para fotos, abraçou fãs, conversou com todo mundo, sempre sorrindo e até acabou indo jantar numa churrascaria de rodízio. No Brasil, peças da campanha da H.Stern com sua mulher, Katie Holmes, estão em todos os cantos. Detalhe: Cruise sempre apareceu de jeans e com uma bota de sola de dois dedos de altura para ganhar uns centímetros.

Adeus às grandes festas de lançamento de novos produtos eletrônicos: agora, a nova jogada consiste em levar celebridades (sempre elas!) diretamente aos pontos de venda, mais convidados e consumidores, chamar os fotógrafos e apresentar equipamentos como o novíssimo iPhone 4S. E foi o que aconteceu em lojas de diversas operadoras, nesses dias, em shoppings de São Paulo e Rio. As famosas também custam menos: levam a novidade em primeira-mão. Nessa estratégia, da esquerda para a direita, nas duas cidades, estavam Adriane Galisteu; Chris (Fina Estampa) Vianna; Christiane Torloni e Luiza Brunet; Leila (Aquele Beijo) Moreno; e Karina Bacchi. 333

Nova jogada

A operação da Polícia Civil do Rio prendendo 40 pessoas em todo o país ligadas à exploração do jogo do bicho teve até lances cinematográficos, como aquele helicóptero pousando no alto de edifício da Avenida Atlântica onde mora Aniz Abraão David, o Anísio da Beija-Flor e que, claro, não estava lá porque havia sido devidamente avisado com antecedência do esquema. O apartamento de Anísio é um triplex que pertencia ao jornalista Roberto Marinho, que apenas usava o imóvel para suas inesquecíveis festas de reveillon, reunindo o crème de la crème. Em 2007, o rei do bicho comprou o triplex por R$ 4 milhões – e pegou cash (hoje, valeria R$ 18 milhões). Também Luizinho Drummond havia sido avisado.

No estilo Hollywood

333

Provavelmente entusiasmado por ter respondido interinamente, por uns dias, pela Presidência da República, Marco Maia (PT-RS), presidente da Câmara Federal, resolveu convocar (a legislação permite em casos extremos) rede nacional de rádio e TV, dia 21, em horário nobre, para prestar contas da atuação dos deputados nesse ano que está terminando. 333

333 O modelo sérvio Andrej Pejic, sucesso em todo o mundo no estilo andrógino, acaba de se tornar o primeiro modelo masculino a estrelar uma campanha de lingerie feminina. Nas fotos, ele aparece vestido com o sutiã push up, da marca holandesa Hema. A publicidade do produto visa passar a mensagem de que o sutiã é tão bom que consegue garantir uma aparência curvilínea e natural até para quem não tem seios. E la nave va.

Menino, menina

Verde-amarelo Durante muito tempo (eles chegaram até a simular um casamento nos Estados Unidos), o estilista Marc Jacobs (abriu nova loja no Iguatemi, em São Paulo) e o brasileiro Lorenzo Martone, relações públicas, viveram uma história de amor. Agora, Jacobs já teria se encantado com outro brasileiro. O nome dele (ou nome artístico) é Harry Louis, é mineiro e ator de filmes pornôs. 333

h IN

Longas e leves saias.

h

333 Independente de quaisquer acordos que possam ser feitos em torno do cancelamento dos shows de João Gilberto, ele terá de devolver adiantamento de R$ 500 mil dado em dezembro do ano passado (agora, são R$ 695 mil corrigidos, mais honorários de advogados) ao Tom Brasil e pagar multa por rescisão contratual de R$ 2 milhões. O advogado Sérgio Dantino não deixa por menos: “Se a intenção era comemorar o encerramento da carreira de João Gilberto, está mais do que encerrada. Outro show em São Paulo, só se ele for para a bilheteria vender entrada”.

Era lá que a proprietária, Myriam Abicair, recebia, há anos, as visitas secretas de João Figueiredo.

Poema lá de cima A operação da Polícia Civil do Rio contra o pessoal do jogo do bicho foi batizada de Dedo de Deus , que é um ponto turístico de Teresópolis (RJ) e – surpresa – era uma ligação com as maquininhas de última geração para apostas, movidas a toques de dedos. Também houve prisões no Maranhão que, por coincidência ou não, faz parte do enredo da BeijaFlor para o carnaval. Título: “São Luis – Poema Encantado do Maranhão”. Há quem aposte que a idéia era até homenagear a família Sarney num dos carros alegóricos. O enredo ficará sobre a história da cidade e distante do Maranhão de hoje, um dos Estados mais atrasados do país. 333

CURRÍCULO Ministros do Supremo não estão apenas sentindo grande desconforto pelas declarações de Ricardo Lewandowski sobre os crimes imputados aos integrantes do grupo do mensalão: alguns, chegam a discutir quais os objetivos reais dessas afirmações, levantandose várias suspeitas em torno do episódio. Para quem tem memória curta: Lewandowski foi nomeado para o Supremo no primeiro mandato de Lula e depois da explosão do mensalão. Na época, foi muito comentada a amizade (grande) entre a mãe do ministro, Karolina Lewandowski e Marisa Letícia, mulher de Lula. Eram vizinhas no ABC. 333

MISTURA FINA A ESTILISTA de Maceió, Martha Medeiros, que aumentou sua loja em São Paulo esta semana e que faz sucesso com seus modelos à base de rendas feitas por cooperativas do interior de Alagoas será a primeira brasileira a desfilar uma coleção sua (em fevereiro) no disputado salão Evening Wear da Bergdorf Goodman, em Nova York. Os vestidos de renda feitos à mão, com muito glamour, enlouqueceram as olheiras da loja espalhadas pelo mundo.

COMO não tem o que falar e como a oposição tucana até agora não encontrou nenhum caminho para se posicionar, o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, resolveu criar uma suposta terceira via para a agremiação em relação a 2014, quando, eventualmente, Serra e Aécio disputarão a escolha da tucanada para o Planalto. Agora, vira e mexe, resolve dizer que Marconi Perillo, governador de Goiás, é um grande nome para a corrida presidencial.

333

333

E AGORA, JOÃO?

3 MAIS: o local tem história.

333

Ninguém merece

Novos rounds Em círculos mais íntimos, o que José Serra e Aécio Neves têm dito, um do outro, com direito a expressões que, certamente, não figuram em nenhum livro de bom tom, só tende a ganhar maiores e mesmo perigosos rounds . E tudo por causa do livro A Privataria Tucana , de Amaury Ribeiro Jr., que ressuscita a idéia de que Aécio estaria por trás da novela da quebra de sigilo fiscal em 2010 de Eduardo Jorge, Verônica Serra e outros próximos a Serra. Envolvidos na história, na época da campanha presidencial, Ruy Falcão, presidente do PT e Fernando Pimentel, ministro do Desenvolvimento, que está debaixo de uma chuva de denúncias, assistem de camarote, gargalhando.

sábado, domingo e segunda-feira, 17, 18 e 19 de dezembro de 2011

OUT

Saias médias e rodadas.

Blackout 2012 333 Paola Oliveira vai estrelar, no ano que vem, nova montagem de Blackout, de Frederick Knott, história de uma mulher cega que, de repente, vê sua casa invadida por criminosos e que foi sucesso no cinema, em 1967, com o título Um Clarão nas Trevas, com Audrey Hepburn no principal papel. No Brasil, a montagem teatral (1968, premiada) dirigida por Antunes Filho, tinha Eva Wilma no papel da cega e como a adolescente sua vizinha, Regina Duarte. Em 1987, teve sua remontagem com Lucia Veríssimo, mas não aconteceu nada.

SE, de um lado, o ministro Mário Negromonte, das Cidades, não conta com o apoio nem de seu partido, o PP, por outro lado, tem o esforço do governador petista Jaques Wagner, da Bahia, considerado seu padrinho no ministério. A presidente Dilma pode até achar que Negromonte não está envolvido em quaisquer irregularidades, só que o considera pouco criativo e atuante, com desempenho administrativo abaixo de quaisquer expectativas.

333

PRIMEIRO, o título era Muito Mais Galisteu, o que gerou gozações: depois, virou Muito Mais com Galisteu. No Twitter, Aguinaldo Silva ironizou o novo programa da Band: “Mas, gente, muito mais Galisteu quanto é? 3 pontos de audiência?” A idéia básica é que será uma espécie de cópia do TMZ , programa de fofocas que é exibido aos sábados à tarde, pela Warner. 333

Colaboração: Paula Rodrigues / A.Favero

Solução


p

DIÁRIO DO COMÉRCIO

sábado, domingo e segunda-feira, 17, 18 e 19 de dezembro de 2011

5 DISCIPLINA Brasil quer maior controle sobre os imigrantes haitianos

olítica

NORMAS Supremo sugere mudanças no novo Código de Processo Civil

Ueslei Marcelino/Reuters – 15/12/2011

Tem suspeita? Tem de cair fora. Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, dizendo que em seu governo não havia tolerância com irregularidades.

Michel Filho/AOG – 8/2/2010

Eduardo Munoz/Reuters - 21.07.10

O governo não acha nada. Só acha o seguinte: é estranho que um ministro preste satisfações ao Congresso sobre vida privada, sobre vida pessoal passada. Presidente Dilma Rousseff, sobre o ministro Fernando Pimentel.

O Haiti é aqui: cerca de 50 haitianos chegam por dia ao Brasil para fugir da terrível miséria e deixar um dos paises mais pobres do mundo

Este é o esperneio mais longo da história. Governador de Alagoas, Teotônio Vilela (PSDB), sobre processo contra ele, por distribuir cabras e ovelhas à população do sertão do estado durante a campanha eleitoral de 2010. Ele não foi cassado – decisão do Supremo Tribunal Federal desta semana. Há distância e ausência, insuficiência do Estado brasileiro em relação a essas populações. Governador do Pará, Simão Jatene (PSDB), contra a divisão do estado do Pará, concordando que a questão exige rediscussão sobre responsabilidades com a esfera federal.

Renato Araújo/ABr – 6/10/10

Acho que nós vamos conseguir encerrar o ano de forma extremamente positiva. Ministra Ideli Salvatti, achando que seria possível votar a DRU e o Código Florestal ainda em 2011.

Fabio Pozzebom/ABr – 13/6/11

Não tenho que fazer nenhum comentário se há discriminação ou não. Presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que não quis responder se há um tratamento diferenciado para ministros do PT envolvidos em denúncias.

Só de ser reconhecido me sinto premiado. E que esse reconhecimento se estenda a todos os outros juízes. É um grande incentivo para que continuemos nessa luta. Juiz federal Odilon de Oliveira, que recebeu da ONU o prêmio Destaque de 2011 no combate à corrupção.

Brasil vai adotar política para imigrantes ilegais A decisão é baseada no fato que o País recebe 50 haitianos clandestinos por dia. Chegam pela Amazônia.

O

sonho de um imigrante haitiano de deixar um dos países mais pobres do mundo, desembarcar no Brasil e tentar recomeçar a sua vida custa atualmente US$ 5 mil. Investigações realizadas pelo ministério da Justiça apontam que grupos criminosos estão cobrando cada vez mais alto dos haitianos que querem tentar a sorte no País, entrando pela fronteira amazônica e arriscando as suas vidas. Por isso, o secretário executivo do ministério, Luís Paulo Barreto, anunciou que vistos humanitários permanentes serão dados a eles. Os vistos permitirão que os imigrantes possam trabalhar. No total, deverão ser legalizados mais de três mil haitianos que chegaram nos últimos meses. Ainda neste ano, cerca de mil haitianos vão receber o visto. Apesar da medida, o governo sabe que não poderá resolver o problema apenas regularizando a chegada dos estrangeiros e teme que a Amazônia se transforme na porta de en-

trada da imigração ilegal no ra países árabes." As investigações da Polícia País. Por isso, a partir de 2012, vai estabelecer uma política Federal indicaram que os grupara lidar com a chegada dos pos criminosos responsáveis haitianos e de outras naciona- por passar os imigrantes pelas lidades. "Por dia, são cerca de fronteiras são de origem mexi50 haitianos que chegam por cana e atuam da mesma forma que fazem, há anos, na fronteiTabatinga", afirmou Barreto. De acordo com o secretário, ra entre o México e os Estados o governo identificou que a Unidos. Os "coiotes", como são chamadas as Amazônia pessoas conpassou a ser a tratadas para porta de entrag u i a r i m id a p a r a i m iNão sabemos muito grantes clang r a n t e s a f ebem qual é a rota destinos pela gãos, indonéf ro n t e i r a , j á sios e africaque fazem até o atuam desde a nos, todos em Brasil, mas situação irresabemos que vários capital Porto Príncipe, no gular. "Não sadeles são atraídos Haiti, promebemos ainda por frigoríficos. tendo a haitiamuito bem nos uma vida qual é a rota LUÍS PAULO BARRETO melhor no que fazem até Brasil e até gachegar ao Brasil, mas sabemos que vários rantindo que a construção da deles são atraídos por frigorífi- usina de Belo Monte irá gerar cos em Brasília, Minas Gerais e 25 mil empregos. Trajeto – O caminho dos imina região Sul", explicou Barreto. "Esses frigoríficos contra- grantes rumo ao Brasil é um tam muçulmanos para orien- voo até o Equador, país que tar o abate de animais para per- não exige visto de nenhum oumitir a exportação de carne pa- tro no mundo. De lá, são em-

barcados em caminhões e carros até o Peru. Para entrar no Brasil, pagam mais US$ 200. Os métodos dos traficantes para controlar esses imigrantes incluem desde a orientação para que destruam seus passaportes até ameaças. Muitos imigrantes ainda vendem tudo o que têm ou pegam dinheiro emprestado entre familiares, prometendo que, uma vez no Brasil, ganharão dinheiro para quitar suas dívidas. Segundo Barreto, uma das preocupações do governo é o fato de que parte das promessas de trabalho não existe. "Já estamos vendo pessoas que chegam e não conseguem trabalho", disse. "Isso pode criar uma situação difícil", alertou. Estratégia – Por isso, o governo estuda uma estratégia para lidar com a chegada dos haitianos e admite que não poderá manter a política de dar vistos. Para Barreto, o Brasil não pode defender a geração de uma diáspora de haitianos. "É preciso lembrar que eles são necessários no Haiti para a reconstrução do país." (AE)

STF envia sugestões ao novo código Supremo propõe mudanças ao relator do Código de Processo Civil, deputado Sérgio Barradas (PT-BA) Alan Marques/Folhapress - 09.11.11

O

Há 140 projetos contra corrupção dormitando em gavetas há cinco anos. Não tenho nenhuma história de sucesso para lhes contar. Deputado federal Francisco Praciano, presidente da Frente Parlamentar Mista contra a Corrupção.

Não é uma literatura que me interesse. Os que se interessarem devem lê-lo. Comentário do senador Aécio Neves (PSDBMG) sobre o mesmo livro.

Bruno Poletti/AE – 28/11/2011

Vou comentar o que sobre lixo? Lixo é lixo! Ex-governador José Serra (PSDB-SP), sobre o livro A Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Júnior, em que mostra suposto esquema de corrupção no governo do ex-presidente FHC envolvendo Serra, que ocupou a pasta do Planejamento. As ONGs não gastam bem as verbas. Os recursos não chegam às atividadesfim. São desviados nas atividades-meio. Carlos Novaes, cientista político e pesquisador.

presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Cezar Peluso, entregou ao relator do projeto do novo Código de Processo Civil na Câmara dos Deputados, Sérgio Barradas (PT-BA), documento com uma série de ajustes e propostas. De acordo com Peluso, as alterações não mexem na estrutura do projeto, mas são essenciais para um código mais moderno e efetivo. A contribuição do STF também pode ser considerada um norte para que o código não seja questionado posteriormente na Justiça. Nos casos de condenação em definitivo, o STF criou um mecanismo para incentivar execuções mais rápidas dos devedores, como a isenção de honorários advocatícios para pagamentos em dinheiro no prazo de 15 dias da decretação da sentença final. De acordo com o texto sugerido pela Suprema Corte, a taxação dos honorários e da multa de 10% só ocorreria quando o pagamento não atendesse a esses requisitos.

Peluso: alterações não afetam estrutura do projeto e são essenciais para um código mais moderno e efetivo, explica presidente da Corte.

Na área de execução provisória, o STF retirou do texto o item que determina multa de 10% em caso de não pagamento de sentença provisória no prazo de 15 dias. A Corte entende que a multa só é devida nos casos de sentença definitiva. Também foi retirado o item que previa dispensa de caução para levantamento de bens do devedor no caso em que o credor demonstrar necessidade.

"Dispensar a caução em uma fórmula tão vaga [...] dará margem para a dispensa da caução em todo e qualquer caso", explica o Supremo. Outra alteração no texto diz respeito à desconsideração de personalidade jurídica, conceito inserido no projeto do CPC para que, em casos de abuso, os bens particulares de sócios ou administradores de empresas sejam considerados em processos judiciais.

O STF deu interpretação mais restritiva ao projeto atual por entender que a medida deve ser aplicada em casos excepcionais. Para o STF, a inexistência de patrimônio da empresa não justifica o uso da desconsideração de personalidade jurídica, pois "não é obrigatória a presença de patrimônio nos negócios da sociedade e no Brasil não há regra de capital social mínimo". (Folhapress)


p

DIÁRIO DO COMÉRCIO

6

sábado, domingo e segunda-feira, 17, 18 e 19 de dezembro de 2011

Ao se aproximar de ministros mais importantes, como vem fazendo, e relegar outros a segundo plano, Dilma não precisará mexer no ministério. Denis Rosenfield, cientista político.

olítica

Uéslei Marcelino/Folha Imagem – 12/3/2008

Rosenfield: "Se a presidente decidisse unir pastas importantes, ela teria de enfrentar brigas políticas de peso – o que poderia paralisar o governo. Por isso tudo, não acredito que ela diminua o número de ministérios".

E a reforma ministerial prevista para janeiro? Ela já foi feita... Cientista político analisa a gangorra política dos ministérios envolvidos em corrupção e conclui que a faxina obrigatória já substituiu a reforma oficial do início de 2012 Guilherme Calderazzo

A

reforma ministerial prevista para jan e i ro j á f o i feita – em razão da saída de sete ministros do atual governo, dos quais seis por denúncias de corrupção. A afirmação é do professor de filosofia, cientista político e colunista do Diário do Comércio Denis Rosenfield. Para ele, a presidente Dilma Rousseff só vai completar as mudanças ministeriais. Rosenfield considera excessivo o número de ministérios no País, mas diz que não vê possibilidade de que eles sejam reduzidos, já que fusões de pastas importantes, no momento, poderiam criar atritos políticos, com chances de paralisar o governo. Sustenta que os partidos políticos pequenos, com pouca ou nenhuma representação, devem ter o direito de participar das eleições, em todos os níveis, mas precisam se submeter a novas regras para ter direito ao tempo de televisão e ao fundo partidário. Abaixo, a entrevista com Denis Rosenfield.

Diário do Comércio – Circula a notícia de que haverá reforma ministerial, neste janeiro. Há possibilidade de a presidente Dilma aproveitar e reduzir o número de ministérios? Denis Rosenfield – Não acredito que a presidente reduza o número de pastas em uma reforma ministerial. Não acredito, porque a base dela é muito tributária da distribuição dos ministérios para os diferentes partidos. Qualquer redução de ministérios vai acarretar uma diminuição da força de pressão dos diferentes partidos atingidos. Quais são os ministérios importantes que ela poderia unir? Dizem que a presidente vai unir a Secretaria de Direitos Humanos com a Secretaria de Igualdade para as Mulheres. Isto, do ponto de vista administrativo e orçamentário, não

Leonardo Rodrigues/e-Sim – 10/6/2008

por causa do desempenho dos partidos nos ministérios do que pelo número excessivo de pastas ministeriais. Mesmo que haja um número menor de ministérios, o aparelhamento das pastas ministeriais pelos partidos favorece a corrupção. Por isso, a corrupção é um problema mais estrutural.

vale quase nada, já que não são ministérios importantes. Essa redução não faz sentido. Mas seria relevante e importante unir o Ministério da Agricultura com o do Desenvolvimento Agrário. Veja bem, se fundir essas pastas, terá de enfrentar um briga com o MST e com o setor rural. Estará disposta a ter essa briga? Não acredito. Na questão do Código Florestal, ela está tendo uma posição de aproximação com o setor rural. Em relação ao MST, é evidente que este tem sido desprestigiado. Mas a presidente não vai chegar ao ponto de pôr o Incra no Ministério da Agricultura. A união dessas duas pastas seria relevante do ponto de vista administrativo e financeiro, mas unir todo o setor agrícola tem pouca possibilidade de dar certo. Enfim, caso decidisse unir pastas importantes, a presidente teria de enfrentar brigas políticas de peso. Isto poderia paralisar o governo. Por isso tudo, não acredito que ela diminua o número de ministérios. DC – Temos 24 ministérios e nove secretarias da Presidência com status de ministério. É muita pasta? O que explica a quantidade de ministérios no País? Rosenfield – Isto foi uma invenção do ex-presidente Lula, para abrigar os diferentes partidos da base aliada no Congresso. É uma situação meramente fisiológica. Não tem nenhuma racionalidade administrativa. DC – O que podemos esperar da reforma ministerial? Rosenfield – Não acredito que vamos ter uma grande reforma ministerial, pois esta já foi feita. Tanto que, em 2011, já saíram sete ministros, dos quais seis por denúncias de corrupção. Saíram ministros de pastas importantes e de pastas médias, como Turismo e Esporte. Alguns vão sair porque disputarão as eleições municipais de 2012, como é o caso do atual da Educação, Fernan-

DC – Em relação aos partidos, o cenário político abriga muitas siglas partidárias? Caso tenha um excesso de siglas, por que isso ocorre? Rosenfield – Sem dúvida temos um excesso de siglas partidárias no País. Isto ocorre por causa da legislação, que favorece a multiplicação de partidos. É ainda uma reação ao tempo da ditadura militar, já que uma característica da democracia brasileira é que ela se estabeleceu com o multipartidarismo exacerbado.

"A corrupção é um problema mais estrutural", afirma Rosenfield.

do Haddad. Para mim, grande parte da reforma ministerial já foi feita. A presidente irá apenas completá-la. Não adianta esperar uma grande reforma ministerial, pois não ocorrerá.

so, não. Vejo que a presidente Dilma vai ter de encontrar uma forma mais simples. Ou seja, aproximar-se de ministros mais importantes, como já vem fazendo, e relegar outros a um segundo plano, sem se reunir com eles. Assim, Mesmo que haja não vai precimenos ministérios, sar mexer no o aparelhamento ministério.

DC – Ainda em relação aos ministérios, caso fossem reduzidos, quais os efeitos políticos e das pastas econômicos DC – Um país ministeriais pelos imediatos da com muitos partidos favorece a medida? ministérios corre quais Rosenfield – corrupção. riscos? Há Os efeitos se- DENIS ROSENFIELD. abertura para riam dar mais racionalidade administrativa atos ilegais, ações de corrupção? e reduzir custos. Mas acho isso Rosenfield – A estrutura de muito difícil em razão da com- aparelhamento do Estado braposição política dos ministé- sileiro propicia a corrupção. A rios. Eu não aposto muito nis- corrupção ocorre muito mais

DC – Esse multipartidarismo favorece a corrupção, distorce o sistema político? R os e n fi e ld – Eu não me preocupo muito com isso, porque os partidos nanicos vão permanecer nanicos. O único problema que vejo nisso é que eles têm tempo de televisão e participação no fundo partidário para gastar dinheiro público. Deveria haver uma regra contra isso. DC – Quais poderiam ser essas regras? Rosenfield – Por exemplo, o partido teria direito a tempo de rádio e televisão se tivesse um número determinado de deputados. Não é possível que existam partidos que têm décadas de atuação e quase não têm representatividade. Em geral vivem histrionicamente. Você pode dar uma chance para um novo partido, em uma ou duas eleições. Pode disputar todos os cargos em uma eleição. O problema é o tempo de televisão e a participação no fundo partidário. O tempo na televisão desses nanicos termina em instrumento de barganha

com outros partidos, distorcendo o sistema político. DC – Dos temas em debate no Congresso em favor da reforma político-eleitoral, quais podem melhorar a qualidade dos partidos, dos eleitos e da relação entre representantes e representados, se aprovados? Rosenfield – Em primeiro lugar, não creio que tenhamos algum tipo de reforma política. Os interesses dos diferentes partidos estão muito bem acomodados. Por isso, ninguém quer mudar. Todos fazem encenação em relação às necessidades de mudança, mas no fundo não querem mudança alguma. Alguma reforma política que poderia ser feita, para mim teria de ser muito gradativa. Não adianta querer criar um novo sistema de um dia para outro. Por exemplo: voto distrital para vereador. Começa bem pequena, para ver se dá certo. Depois vai para deputado estadual. Caso seja outra vez uma experiência bem-sucedida, avança mais uma vez. Enfim, tem de ser gradativa. Outra importante, mas que certamente não vão fazê-la, diz respeito à representação no Congresso Nacional. A representação na Câmara dos Deputados é federativa. Isto é um absurdo. A representação na Câmara deveria ser estritamente populacional. Nenhum estado deve ter o mínimo de representação, que são oito parlamentares, e o máximo, que são 70, como é o caso de São Paulo. Os estados devem eleger os parlamentares federais de acordo com o número de habitantes de cada um deles. Não tem sentido que o Estado de São Paulo tenha um número limitado de parlamentares, e outros estados com populações irrisórias tenham oito parlamentares federais. Não vão fazer essa mudança porque mexe com boa parte dos interesses dos estados. Mas essa alteração seria importante, uma vez que aumentaria a representatividade dos eleitos.


p

sábado, domingo e segunda-feira, 17, 18 e 19 de dezembro de 2011

DIÁRIO DO COMÉRCIO O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) [Cezar Peluso] é quase um líder sindical da categoria. Cláudio Gonçalves Couto, professor de Gestão Pública da FGV.

olítica

Os caminhos para uma democracia mais sólida Paulo Pinto/AE – 28/6/2001

Victória Brotto

O

cenário político atual é variado em opções e perspectivas. O Executivo caminha para uma reforma ministerial, depois de um ano de governo. A Comissão da Verdade já foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff e em breve iniciará seus trabalhos. O Congresso vota reformulações de códigos e projetos de lei, como o Código de Processo Civil, o Código Penal e o novo Código Florestal. O STF decide a aplicação da Lei da Ficha Limpa. E protestos contra a corrupção e a crise econômica mundial migram do mundo virtual, da internet, para as ruas de algumas capitais brasileiras. Em meio a esse cenário, especialistas da Fundação Getúlio Vargas (FGV) discutem o que chamaram de "inovações democráticas para o País". Para eles, que participaram recentemente do 35º encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs), são três os bons caminhos para uma sólida democracia no Brasil: Judiciário mais presente e mais independente do que o Legislativo; plebiscitos on-line paralelos a votações no Congresso; e firme controle dos governantes por parte da Controladoria-Geral da União (CGU). Aperfeiçoamento – "Inovação não significa que a democracia precisa ser reformula-

7

Couto: a judicialização é boa.

Uma consulta pública colaborativa abriria o debate para pessoas que não têm acesso [direto] ao governo PEDRO ABRAMOVAY da", explica a professora Maria Rita Loureiro (FGV-SP), uma das especialistas presentes ao debate da Anpocs. Segundo ela, qualquer democracia precisa "aperfeiçoar suas instituições". Uma dessas instituições é a CGU, órgão de controle interno do Governo Federal. Para ela, a Controladoria é um exemplo clássico de instituição fundamental para a emergência de uma democracia sólida, uma vez que significa "um controle do Estado por parte do próprio Estado". "A

CGU estimula a melhoria da gestão de políticas públicas e até da participação da sociedade no processo de controle." Outro passo democrático seria utilizar a internet para abrir as votações do Legislativo à população – as chamadas "consultas públicas colaborativas" –, na opinião de Pedro Abramovay, ex-secretário nacional de Justiça no governo do presidente Lula (em substituição a Romeu Tuma Júnior) e no início da gestão da presidente Dilma, e hoje professor da FGV do Rio de Janeiro. "Dentro do regimento interno da Câmara e do Senado, do mesmo jeito que se pode pedir uma audiência pública, também se poderia pedir uma consulta pública colaborativa." Para Abramovay, além de transparência, esse tipo de consulta "abriria o debate para pessoas que não têm acesso [direto] ao governo e que podem ter argumentos novos". Com isso, segundo ele, "a chance de melhorar o debate seria maior". Pressão popular – A criação desses processos de "votação aberta" ou "votação colaborativa", que surgiu quando Abramovay era secretário legislativo do Ministério da Justiça, não retardaria as votações, porque deixariam mais aparentes as contradições e conflitos do documento discutido, que "seguram os projetos", e os parlamentares seriam pressionados a respondê-los. "No novo Código Florestal, por exemplo, haverá uma

As propostas são de especialistas da Fundação Getulio Vargas: Judiciário mais presente e mais independente do que o Legislativo; plebiscitos on-line paralelos a votações no Congresso; e firme controle dos governantes por parte da Controladoria-Geral da União (CGU).

Divulgação

José Cruz/ABr – 9/7/2010

Maria Rita: a democracia precisa se aperfeiçoar.

Abramovay, a favor de consultas on-line.

anistia para desmatadores? Se sim, qual o sentido dela? Quais os possíveis ganhos com o novo Código?" Em uma democracia sólida, a judicialização – interferência do Judiciário em votações do Legislativo – também é um bom caminho, diz Cláudio Gonçalves Couto, professor de Gestão Pública da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP). Para o professor, esse novo papel do Judiciário é bom e "faz parte do jogo democrático, desde que não defenda posições corporativas dos juízes, como faz o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) [Cezar Peluso], que é quase um líder sindi-

A CGU é fundamental para uma democracia sólida. Significa um controle do Estado pelo próprio Estado. MARIA RITA LOUREIRO cal da categoria". E arremata: "O Judiciário também é oligárquico, apesar de sua independência". Esse "preenchimento de espaço" ocorre porque, segundo Couto, o Legislativo deixa lacunas em suas agendas, por di-

vergências políticas e falta de espaço na agenda. "Os julgamentos de fidelidade partidária e união homoafetiva foram parar no Supremo Tribunal Federal porque os embates políticos se tornaram fortíssimos no Legislativo, sem decisões." Muitos partidos, na opinião de Couto, estão ligados à igreja e não podem votar a favor de uma união entre pessoas do mesmo sexo. E a votação da fidelidade partidária por parlamentares se torna inviável, porque eles teriam de votar punições a eles mesmos. "Os políticos querem mudar de partido e não votarão contra o vai e vem partidário."


DIÁRIO DO COMÉRCIO

8

sábado, domingo e segunda-feira, 17, 18 e 19 de dezembro de 2011

FILIPINAS Equipes de resgate buscam 800 desaparecidos por tufão

nternacional

CONCESSÃO Medvedev pede reforma do sistema político 'exausto' da Rússia

Caren Firouz/Reuters

DE VOLTA PARA CASA

O

s últimos soldados no rte- amer ican os deixaram o Iraque ontem, encerrando quase nove anos de guerra que custaram a vida de quase 4,5 mil norte-americanos e de dezenas de milhares de iraquianos, além de deixar o país em meio a uma incerteza política. Um comboio de 110 veículos transportando cerca de 500 mi-

litares dos EUA cruzou a fronteira do Kuwait pouco depois do amanhecer, no último ato do processo de retirada. Em clima de euforia, muitos militares atravessaram a fronteira com os punhos erguidos em sinal de vitória e foram recebidos com abraços por soldados norte-americanos estacionados no Kuwait (acima). "Mal posso esperar para li-

gar para minha esposa e meus filhos e dizer que estou são e salvo", afirmou o sargento de primeira classe Rodolfo Ruiz, quando se aproximava da fronteira. Em seguida, disse aos subordinados que a missão estava encerrada. "Rapazes, vocês cumpriram a tarefa", declarou. A saída ocorreu três dias após uma cerimônia em Bag-

dá, na qual a bandeira dos EUA foi descida e encaixotada, na presença do secretário de Defesa, Leon Panetta. A retirada ocorreu dentro do prazo acordado entre Washington e Bagdá, que estipulava a data limite de 31 de dezembro. Ficarão no Iraque cerca de 150 militares norte-americanos responsáveis pela segurança da embaixada dos EUA e

Mohamed Abd El-Ghany/Reuters

pela coordenação com as forças de segurança iraquianas. O fim da presença militar no Iraque era uma promessa de campanha do presidente Barack Obama, eleito em 2008, que ontem divulgou mensagem homenageando "o sacrifício de milhões de homens e mulheres". Instabilidade - Para os iraquianos, no entanto, a saída dos EUA traz um gosto de so-

berania temperado pelo medo de que o país caia de novo em uma espécie de violência sectária que matou milhares de pessoas nos piores momentos, que foram de 2006 a 2007. A instabilidade também atinge a política. O governo iraquiano é formado por uma coalizão fragmentada entre grupos que nutrem desconfiança um pelo outro. (Agências)

John MacDougall/AFP - 25/04/07

TAHRIR: PRAÇA DE GUERRA.

M

anifestantes e soldados egípcios entraram em confronto ontem, na Praça Tahrir, no centro de Cairo, no terceiro dia de embates que mataram dez pessoas, e deixaram à mostra falhas no papel do Exército, que está à frente da prometida transição do governo militar ao civil. Ativistas afirmam que a maioria das vítimas fatais foi baleada. A junta militar, que comanda o país desde a queda do ditador Hosni Murabak, em fevereiro, no entanto, diz que os soldados não usaram armas de fogo. Pelo menos 441 pessoas ficaram feridas em três dias de choques, segundo o Ministério da Saúde do país. Em um ambiente de tensão crescente, os manifestantes e a polícia militar voltaram a se enfrentar nas imediações do Conselho de Ministros e do Parlamento, onde caíam pedras de ambos os lados (acima). Posicionados nos terraços de prédios vizinhos, homens à pai-

sana apedrejaram os manifestantes nas ruas, o que causou um alto número de feridos. Nesses pontos próximos à Praça Tahrir chegaram reforços militares, que também utilizaram canhões de água para dispersar os manifestantes, que lançavam coquetéis molotov. Os manifestantes começaram o protesto pacífico na frente do Parlamento há três semanas para exigir que a junta militar, que assumiu o comando da nação árabe após a derrubada do regime de Mubarak em fevereiro, deixe o poder imediatamente e o entregue a uma administração civil. Os confrontos de ontem ocorreram enquanto resultados preliminares de uma segunda fase nas eleições parlamentares mostraram que os partidos islâmicos, liderados pela legenda da Irmandade Muçulmana, continuavam a dominar a votação. A terceira, e final, rodada de votação está prevista para o próximo mês. (Agências)

Mohammed Salem/Reuters

Palestinos em festa Israel libertou ontem 550 palestinos, na segunda fase da troca de prisioneiros pelo soldado Gilad Shalit. Ele foi solto há dois meses após passar cinco anos em poder de militantes palestinos. Na primeira fase do acordo, assinado entre Israel e Hamas, 477 presos foram soltos. A maior parte dos libertados ontem foi enviada à Cisjordânia, enquanto 41 retornaram para Gaza, em meio a comemorações da multidão (acima). Segundo Israel, os presos "não estavam envolvidos em mortes de israelenses". (Agências)

Fecham-se as cortinas para Havel Vaclav Havel, o dramaturgo que liderou a chamada "Revolução de Veludo" checa, em 1989, e foi um dos pais do movimento pró-democracia no Leste Europeu que acabou levando à queda do Muro de Berlim, morreu ontem. Ele tinha 75 anos. Havel, um ex-fumante inveterado que passou por várias operações por causa de um câncer no pulmão e rompimento do intestino no fim da década de 1990, faleceu após uma longa doença. Havel foi o primeiro presidente eleito democraticamente do seu país, depois que a pacífica "Revolução de Veludo" acabou com quatro décadas de repressão pela ditadura comunista, que ele ridicularizava

como "Absurdistão". Seu engajamento com a resistência não violenta ajudou a assegurar que a queda da ditadura, em 1989, fosse livre de derramamento de sangue. Ele também ajudou a garantir o caráter pacífico do "divórcio de veludo", três anos depois, quando a Checoslováquia se dividiu entre República Checa e Eslováquia. Havel se opôs à divisão e preferiu renunciar ao mandato, em 1992, para não presidir sobre o processo. Mas candidatou-se à Presidência da República Checa no ano seguinte e venceu. A ele foi creditado a construção das bases que garantiram a adesão do seu país à União Europeia. (Agências)


sábado, domingo e segunda-feira, 17, 18 e 19 de dezembro de 2011

DIÁRIO DO COMÉRCIO

INFORME PUBLICITÁRIO - 9


DIÁRIO DO COMÉRCIO

10

c

MAIS JOVENS Marcos Andrade e Octaviano Andrade, respectivamente diretor financeiro e diretor comercial da Expor. Os manequins de hoje rejuvenesceram em relação aos do passado.

Morre em SP o fotógrafo João Bittar

O

fotógrafo João Bittar morreu ontem em São Paulo, aos 60 anos, em decorrência de um infarto fulminante. O velório aconteceu no Cemitério do Araçá. Seu corpo foi levado para o crematório da Vila Alpina, zona leste da cidade, às 8h de hoje. Bittar se tornou fotógrafo da Folha de S. Paulo em 1984. Dez anos depois, após outros trabalhos, assumiu o cargo de editor de fotografia na empresa, sendo um dos responsáveis pela implementação do processo de digitalização fotográfica no jornal. Entre as imagens que registrou está uma do Lula, então metalúrgico, com o umbigo de fora durante uma convenção da categoria em 1979. Bittar trabalhava na agência Angular Fotojornalismo, criada por ele em 1985. Deixa três filhos, Thays, 21, André, 23, e Marina, 30. Era casado com Heloisa Ballarini, 42, também fotógrafa. (Folhapress)

Santo Amaro, um terminal com internet

O

terminal de ônibus Santo Amaro, na região do Largo Treze (zona sul de São Paulo), vai testar a partir de hoje um serviço gratuito de acesso à internet. Os 210 mil passageiros, de 53 linhas, que passam por lá diariamente terão uma rede sem fio à disposição de graça por até 15 minutos. Com aparelhos habilitados para conexão à internet poderão consultar e-mails ou acessar sites enquanto estiverem esperando no terminal ou nos coletivos. Haverá bloqueios aos conteúdos pornográficos ou de apologia a crimes. Depois dos primeiros 15 minutos, a conexão será interrompida e só poderá ser retomada pelo mesmo equipamento depois de uma hora. O serviço é um teste que, segundo a Prefeitura, vai durar dois meses e, nas próximas semanas, também será levado aos terminais de ônibus da Lapa e do Sacomã. Por enquanto, não há custos ao município (a experiência foi oferecida pela empresa Rede Ponto Certo). "É um piloto. Se houver boa aceitação, poderemos lançar uma concorrência pública", disse Douglas Roman, superintendente de tecnologia da informação da SPTrans. Segundo ele, a ideia de limitar a conexão com a internet por 15 minutos é para evitar que as pessoas fiquem no terminal só para acessar a rede, e não para esperar pelo ônibus. (Folhapress)

qu in s M an e

Evelson de Freitas/Folhapress - 04/12/2000

idades

João Bittar tinha 60 anos

sábado, domingo e segunda-feira, 17, 18 e 19 de dezembro de 2011

Top models de plástico são a alma das vitrines Fotos de Paulo Pampolin/Hype

Com classe e inteligência, cada vez mais o comércio se aparelha para atrair clientes. Os manequins, que sempre chamaram compradores, agora estão quase reais. Scanners "varrem" o corpo de modelos famosas e, a partir desse molde real, a indústria produz as "e-models", manequins de resina plástica com todos os atributos de uma Luciana Prado ou de uma Isabelli Fontana, por exemplo. Se ajudam a vender? Muito.

Manequins para cada tipo de roupa e de público. Novidade ajuda a vender mais.

Valdir Sanches

S

e alguém der com a top Luciana Prado parada dentro de uma vitrine, não deve se surpreender. Os mesmos cabelos e olhos castanhos de Luciana, seus 1m75 de altura, 90 centímetros de busto, 62 de cintura, 90 de quadril – mas não é ela. É uma réplica idêntica, de plástico um manequim de loja. Às vésperas do Natal, os manequins estão em grande atividade, apesar de inertes. São a alma, se assim se pode dizer, das vitrines. E estas, dizem pesquisas consagradas, são as responsáveis por 85% das vendas das lojas. Mulher errada – Uma década atrás, não se pensava em Luciana ou em Isabelli Fontana. Os manequins tinham o corpo reto, inspirado na mulher americana ou europeia. Surgiu então a consciência de que se copiava a mulher errada. Afinal, a brasileira – e de resto, a latino-americana - eram bem diferentes. Foi assim que nossas vitrines passaram a mostrar manequins com mais busto, mais quadril - com curvas. A pioneira na criação da novidade foi a Expor, empresa fundada em 1969. Nos 42 anos que se seguiram, mudanças fundamentais melhoraram a criação dos manequins. Do gesso e do papel machê chegou-se à resina plástica. "e-model" – A criação mais marcante da empresa é a "emodel", a do manequim realista, que colocou nas vitrines réplicas de modelos das passarelas. A primeira delas foi Isabelli Fontana, para a C&A, no ano passado. A técnica para se conseguir várias Isabellis em resina plástica deixou para trás o método tradicional. Neste, um escultor de esculpe o rosto e a cabeça em argila, e o corpo com uma estrutura de ferro. A partir daí cria uma forma que, preenchida pela resina plástica, resulta no manequim pronto (numa explicação grosso modo). Scanner –No caso das "emodels", a Expor reuniu várias tecnologias modernas, lideradas pelo scanner. Luciana Prado é o original. Para outros modelos (moças lindas, mas pouco conhecidas) o corpo é sempre o de Luciana. O que se refaz é o rosto. Como funciona a nova técnica? Em uma explicação superficial, o scanner é apontado para o corpo de Luciana, como se fosse uma câmera fotográfica, mas que capta imagens em três dimensões. Ele percorre o corpo da modelo, por todos os lados.

Pesquisas mostram que vitrines são responsáveis por 85% das compras

As imagens vão para o computador e este comanda uma fresadora, máquina que desgasta o material (no caso a resina plástica) e lhe dá formas. A máquina esculpe a réplica de Luciana. Modelos – Na esfera dos manequins anônimos, sem um rosto famoso, as cores e possibilidades também prosperaram muito. Manequins de uma infinidade de cores. No momento, é a vez das brilhantes. E, nestas, destacamse os brancos e os pretos. E os surpreendentes cromados. Há manequins estilizados, com nariz andrógeno, olhos exóticos. Manequins com atitude: posições variadas, da clássica aos braços erguidos. E os abstratos: o rosto não é bem definido, ou não tem feições ou não se destaca. Cada um destes serve a um propósito. O luxo, o descontraído, estão ali. O estilo único e duradouro acabou, explica Octaviano Andrade, diretor comercial da Expor. “Não tem mais tendência fixa.” Sociais – O manequim de formas retas não foi, entretanto, afastado do estrelato. Serve ao público masculino. “Parece um soldado, é bom para roupa social, com caimento, um terno”, diz Octaviano. Para vestidos longos (e poses clássicas) vai bem um manequim sem cabeça ou com esta estilizada. Os manequins de hoje reju-

venesceram em relação aos do passado. Na verdade, acompanharam sua época. Há quatro décadas, quando Vilemondis Garcia de Andrade Filho, 68 anos, criou a Expor, os manequins eram parecidos com vultos históricos. Clark e Rita – Depois, veio a fase Hollywood, em que se via na vitrina um rosto com o bigode de Clark Gable. Ou as costeletas de Kirk Douglas em alguns filmes. Ou ainda a cabeleira e maquiagem que lembravam pelo menos Rita Hayworth. Hoje, o manequim não só é jovem, como ganhou status. Libertados da vitrine, alguns foram para dentro da loja. Grandes magazines adotaram a prática. Na vitrine, cumprem o papel de atrair o cliente para o interior da loja, como explica Marcos Andrade, diretor de Planejamento da Expor. Mas lá dentro podem ajudar o cliente a decidir a compra. “O manequim educa as pessoas.” Imagem – Há outro motivo, explicado agora por Octaviano. “Dentro da loja, o manequim ajuda a reforçar a imagem que ela quer projetar.” No caso de uma loja como a Hering, cita, é a ideia “da moda descolada, confortável”. Montar a vitrine, no entanto, não é tarefa simples. Os manequins devem ser adequados ao perfil da loja. E semanalmente têm que ser muda-

dos de posição e pose. “Se não a vitrine vira paisagem”, diz Marcos. As pessoas se acostumam com o que está ali, e perdem o interesse. Se o manequim é importante para grandes lojas, também diz, é mais ainda para as pequenas. Exemplo: uma pessoa está indo o Magazine Luiza comprar uma televisão. “Vê uma lojinha ao lado com um manequim, gosta da roupa, entra e compra.” Espantalho – Um manequim de rosto abstrato, sem feições definidas, ou ainda sem cabeça, tem uma vantagem. Não usa peruca. O lojista se livra de ter um profissional para pentear a peruca, o que é preciso fazer com frequência. “Caso contrário vira um espantalho.” Há ainda manequins em que o cabelo, de plástico, vem esculpido na cabeça. Os manequins expõe, naturalmente, as roupas que a loja quer vender. Quando essas peças terminam, é hora de mudanças. Os manequins são desmontados, tiram-se os braços. E voltam a ser montados, com outras posições, para vestir novos produtos. Os manequins eram feitos de gesso, como se viu, quando Vilemondis, o pai de Ocatiano e Marcos, abriu sua fábrica, em Avaré, no interior paulista (hoje a maior da América Latina, com exportações até para a Ásia). Depois veio o papel machê, até se chegar à fibra de vidro, uma novidade, ainda na década de 1970. Mas, como os outros, o novo material tinha um problema. Precisava ser pintado de certo em certo tempo. Cálculo – Um cliente que reclamava do custo, conta Octaviano, levou a empresa a novas pesquisas. E assim, nos últimos anos de 1990 chegou à resina plástica. Ela não precisa ser repintada, mas também tem problema: encolhe. O plástico foi adotado por outros fabricantes, de menor porte. O resultado apareceu nas vitrines: “Manequim de ombro largo, mas com a perna fina”, diz Octaviano. Ou então a cabeça ficava desproporcional ao corpo. A Expor resolveu o problema baseada em uma prática milenar: o cálculo. O escultor que faz os moldes já os faz de um tamanho estudadamente maior. “Nós já sabemos quando o manequim vai encolher. Quando sai da máquina, está no tamanho certo.” O plástico não precisa de pintura, porque já é fabricado na cor desejada. A cor a ser usada depende do projeto da loja. O branco tem vantagens: interfere pouco com o visual da loja, ajuda a apresentar a roupa e é uma tendência mundial.

Profissão: escultor de manequins

U

m filho de russos de 55 anos fez carreira em um ramo da arte pouco conhecido. Edson Botrovas é escultor de manequins. Nunca estudou arte; acredita “no dom que Deus dá”. Aos nove anos, sua brincadeira era cavar o quintal da casa dos pais, em São Paulo, para pegar terra. O lugar tinha uma cerca de arame farpado. Sobre ela Edson esculpia o rosto de um índio. Para sua sorte, a mãe criava galinhas. Assim, o menino tinha penas para o cocar do índio. Na juventude descobriu que a arte, se não rendia tanto quanto trabalhos convencionais, “era mais prazerosa”. Passou a fazer bonecos de Mickey e sua turma, em tamanho natural, para bufês. Como “bico”, maquiava manequins de vitrine.

Um artista plástico não olha para o material com que trabalha. Pode ser até uma garrafa pet. EDSON BOTROVAS Há onze anos trabalha para a indústria Expor. “Um artista plástico não olha para o material com que trabalha”, diz. “Pode ser até uma garrafa pet.” No caso dos manequins, o material é argila. Com ele, Edson molda rosto e cabeça; e o corpo, em uma estrutura de ferro. Com a figura é feito um molde de fibra de vidro, com se fossem as duas partes de um ovo de Páscoa. Essas duas partes são preenchidas por resina plástica e resultarão no manequim. O processo todo demora dois meses. Mas Edson não cria as figuras. “Pego a tendência e passo para a argila.” A tendência do que faz sucesso é avaliada pela empresa, e passada para o artista. Quantos manequins esculpiu nesses anos todos? “Perdi a conta.” (V.S.)


DIÁRIO DO COMÉRCIO

sábado, domingo e segunda-feira, 17, 18 e 19 de dezembro de 2011

11

acsp

NOVOS ASSOCIADOS Os desafios para os próximos anos são a conquista de novos associados e o aumento da representatividade em áreas mais distantes.

distritais

anos de luta em defesa do empreendedorismo Pinheiros, Penha e Lapa, as três distritais mais antigas da Associação Comercial de São Paulo, completaram este ano seis décadas de trabalho e conquistas. E estão prontas para prosseguir, enfrentando desafios a favor da livre iniciativa. Rubens Chaves/Folhapress/Arquivo/DC

André de Almeida

Divulgação

A

Prédio que abrigou o seminário Santo Afonso (acima) é um marco no bairro da Penha, na zona leste da cidade. Abaixo, o recém reformado largo da Batata, em Pinheiros, zona oeste.

s três distritais mais antigas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) completaram 60 anos de fundação recentemente. O Jubileu de Diamante das sedes de Pinheiros, Penha e Lapa foi muito comemorado, já que as entidades sempre tiveram participação ativa na vida empresarial de suas respectivas regiões, representando a ACSP e levando a bandeira do empreendedorismo e da livre iniciativa junto à comunidade. Apesar das vitórias, os desafios ainda são muitos e passam pela conquista de novos associados e pelo aumento da representatividade em áreas mais distantes. A ACSP tem hoje 15 distritais em todas as regiões da cidade. No inicio da década de 1950, a entidade decidiu descentralizar o atendimento de seus serviços para os associados. Os estudos foram sendo elaborados, até que em 29 de outubro de 1951 foi fundada a delegacia de Pinheiros, como era chamada

Newton Santos/Hype/ Arquivo/DC

A cidade e seus documentos

A

exposição Arquivo Histórico de São Paulo: a cidade e seus documentos pode ser vista até quarta-feira, das 10h às 16h30, no Arquivo Histórico de São Paulo (Edifício Ramos de Azevedo, praça Coronel Fernando Prestes, 152, Bom Retiro). Ela reúne uma ampla seleção

de documentos do acervo da instituição. Tratam-se de reproduções e papéis originais que mostram diferentes aspectos da história da cidade. A exposição está organizada em cinco blocos, em ordem cronológica, considerando os seguintes momentos:

Colônia e Reino Unido, Império, Primeira República e Formação da Metrópole. Entre os itens, textos do século 16 selecionados entre as atas da Câmara da Vila de São Paulo e livros com relações de sepultamentos realizados a partir do século 18.

Vista aérea dos bairros da Lapa e Pompéia, ambos na área de abrangência da Distrital Lapa da ACSP

na época. Dias depois, em 13 de novembro, foi fundada a delegacia da Penha e, em 27 de novembro, a da Lapa. Pioneiras – "A importância das distritais pode ser verificada pelo fato de elas antecederem a criação das subprefeituras, por exemplo. Parabenizo todos os superintendentes, conselheiros e funcionários pela data especial", afirmou o presidente da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) e da ACSP, Rogério Amato. Segundo o dirigente, a criação das distritais está diretamente relacionada com o crescimento acelerado de São Paulo na metade do século passado, quando foram surgindo novos polos comerciais. Dessa forma, ficou muito difícil para a ACSP acompanhar a realidades e as demandas de cada região a partir de sua sede central. "As distritais foram criadas não apenas como um canal para o contato com os empresários, mas também para atuar como uma entidade local que reunisse e representasse os empreendedores das regiões, apoiando-os em suas demandas locais e levando para a sede central os pleitos de natureza mais geral", disse Rogério Amato. Para o vice-presidente da ACSP e coordenador institucional das Sedes Distritais, Roberto Mateus Ordine, as seis décadas de existência das entidades comprovam a importância da ACSP e sua tradição nas diversas regiões do município. "As distritais são fundamentais para o relacionamento entre a ACSP e a comunidade", ressaltou Ordine. Pinheiros - A primeira distrital da ACSP a ser fundada tem atualmente em torno de 1,2 mil associados. De acordo com o superintendente da Distrital Pinheiros, Enrico Cirillo, um dos principais objetivos para 2012 é justamente aumentar este número. "Temos um ótimo relacionamento com as entidades comerciais e sociais da região. Por meio de

ações pontuais, como os projetos de revitalização de vias como a rua Teodoro Sampaio e a dos Pinheiros, por exemplo. Com isso, podemos atrair novos associados", afirmou.

Cada vez mais buscamos uma aliança com todo o setor produtivo e de serviços. DIMITRIE GHEORGHIU, SUPERINTENDENTE DA

DISTRITAL LAPA

Temos que aproveitar o potencial da região para divulgar os nossos produtos. ENRICO CIRILLO, SUPERINTENDENTE DA

DISTRITAL PINHEIROS

Somos parceiros da subprefeitura e levamos ao poder público os pedidos da comunidade. EUGÊNIO CANTERO, SUPERINTENDENTE DA

DISTRITAL PENHA

GIr Amanhã I Ipiranga – Às 19h30, a

Distrital Ipiranga da ACSP realiza reunião do Conselho Comunitário de Segurança, o Conseg, do bairro. Rua Benjamin Jafet, 95, Ipiranga (plenária).

Na área de abrangência da Distrital Pinheiros encontramse importantes bairros como Jardins, Itaim Bibi e Alto de Pinheiros. "Temos que aproveitar o potencial da região e seu poder aquisitivo para divulgar os nossos produtos e serviços", enfatizou Cirillo. Penha -Para o superintendente da Distrital Penha, Eugênio Cantero, a entidade tem todos os motivos para festejar os 60 anos. "A distrital é respeitada. Somos parceiros da Subprefeitura da Penha em várias iniciativas e sempre levamos ao poder público as demandas da comunidade, desde um simples buraco na rua até projetos mais complexos", afirmou Cantero. Segundo o dirigente, a Distrital Penha sempre se destacou pelo espírito empreendedor e pelo pioneirismo. "Ela foi, por exemplo, a primeira a ter uma unidade de atendimento para o SCPC, eliminando, assim, a necessidade de o consumidor se deslocar até o Centro para se informar ou recuperar o crédito", disse. A entidade tem quase 1,3 mil associados e está atenta para as oportunidades de negócios que serão criadas com a abertura da Copa do Mundo, em Itaquera, na zona leste, em 2014, e com o crescimento imobiliário. "Continuaremos lutando para a resolução de todos os entraves que brecam o crescimento do bairro e pelo fortalecimento dos nossos serviços, como o Banco do Povo, MEI, SCPC e Certificação Digital", afirmou Lapa - A Distrital Lapa da ACSP foi a terceira a ser fundada e conta hoje com aproximadamente dois mil associados. Para o superintendente Dimitrie Gheorghiu, um dos grandes desafios é levar todos os produtos e serviços aos 13 bairros que integram a área de abrangência da distrital, como Pompéia, Vila Leopoldina e Perdizes. "Cada vez mais buscamos uma aliança com todo o setor produtivo e de serviços da região para estabelecer uma política de liderança compartilhada", concluiu.

Agendas da Associação e das distritais

Informações pelo telefone 2274-4625.

Quarta I Comus – O conselheiro da

ACSP José Candido Senna, coordena a reunião do Comitê de Usuários de Portos e Aeroportos do Estado de

São Paulo (Comus), que terá a presença do superintendente de Planejamento da Dersa, Milton Xavier. O debate terá como tema "Níveis de serviço de rodovias na área de influência do Porto de Santos". Às 17h, na ACSP, rua Boa Vista, nº 51/9º andar, plenária.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

12 -.LOGO

sábado, domingo e segunda-feira, 17, 18 e 19 de dezembro de 2011

O melhor do Natal A decoração de Natal do Parque do Ibirapuera [à esquerda], tradição do fim de ano paulistano, foi incluída pelo site Design You Trust na lista das mais "fabulosas" de 2011. Aparece ao lado das decorações natalinas de cidades como Nova York, Praga, Paris, Vilnius e Beirute. Veja outras decorações natalinas pelo mundo e inspire-se. http://bit.ly/u4nhZS

www.dcomercio.com.br Cadeira criada por Herald Ureña tem apoio para alongar os braços e relaxar em dobro. http://hungeree.com/?p=6886

C ARNAVAL

Rafael Andrade/Folhapress

H UMOR

Adeus a Joãosinho Trinta

O

A Liga da Justiça da internet O artista Caldwell Tanner comparou os gigantes da internet, como Google, Facebook e Amazon, com os super-heróis dos quadrinhos e percebeu que, de fato, eles têm características semelhantes. Facebook, por exemplo, é comparável com Batman: todos gostam dele, mas seus métodos são questionáveis. Mais no site abaixo.

T EATRO

Sérgio Britto, o último ato.

Arquivo/AE

corpo do carnavalesco Joãosinho Trinta será enterrado hoje em São Luís (MA). O carnavalesco morreu no sábado, aos 78 anos. Ele estava internado desde o último dia 3 na UTI do UDI Hospital, na capital maranhense, cidade onde nasceu. Segundo boletim divulgado pelo hospital, a causa da morte foi choque séptico (infecção generalizada), causado por uma série de problemas, como pneumonia e infecção urinária. João Clemente Jorge Trinta tinha 78 anos e era artista plástico. O carnavalesco, nascido em 1933, mudou-se para o Rio de Janeiro aos 18 anos. Sua história de sucesso no carnaval começou em 1965 quando venceu o campeonato, ainda como assistente no Salgueiro. Pela mesma escola, ele ainda vence-

ria em 1969 e em 1971. Já como titular da agremiação da Tijuca, Joãosinho ganhou em dois anos consecutivos, em 1974 e 1975. Após divergências com a diretoria da escola, o carnavalesco foi para a Beija-Flor, onde sagrou-se campeão por cinco vezes entre

1976 e 1983. Um de seus enredos mais famosos é Ratos e Urubus, Larguem a Minha Fantasia, que levou a imagem do Cristo Redentor coberta na Marquês de Sapucaí em 1989. A escola ficou em segundo lugar, atrás da Imperatriz Leopoldinense. (AE)

Sebastian Nogier/AFP

O corpo do ator e diretor Sérgio Britto, morto aos 88 anos, foi enterrado ontem, no cemitério São Francisco Xavier, no Rio de Janeiro. "Somos todos órfãos de Sérgio Britto. Ele só fez ensinar. Ele praticamente só respirou teatro desde que decidiu seguir o caminho do palco", disse a atriz Renata Sorrah. Britto morreu no sábado por conta de problemas cardiorrespiratórios, após ficar internado por cerca de um mês no hospital Copa D'Or. Nascido em 29 de junho de 1923, o ator começou a carreira em 1945. Bogdan Cristel/Reuters

http://bit.ly/vcQt9y

F OTOGRAFIA

M ÚSICA

L

DIVERSÃO NATALINA - Papai Noel sai do mar em Nice, na França, abraçado a algumas mulheres, após um banho no Mediterrâneo.

L

O fotógrafo Mark Mawson é o autor de uma série de fotos submarinas produzidas com tintas coloridas chamada 'Aqueous Fluoreau'. As imagens têm um aspecto escultural. Veja mais no site.

Morre a "diva dos pés descalços" Apelidada de "a diva dos pés descalços", a cantora Cesária Évora, 70, morreu no sábado. Premiada com o Grammy de melhor álbum de world music contemporânea em 2004, ela estava internada em Cabo Verde, com insuficiência respiratória e edema pulmonar. E M

www.markmawson.com

C A R T A Z

Bom mesmo é viajar de pé

Para o artista Maico Akiba, uma câmera fotográfica ficaria assim 100 anos depois de abandonada. Confira outras de suas criações no site abaixo. www.maicoakiba.com/solid100_2.html

Cansado de nunca achar um lugarzinho para sentar no trem ou no metrô? Para pessoas como você foi criada a Game Strap, plataforma de jogos eletrônicos na qual o usuário se segura e ainda joga Pinball, Tetris, entre outros games. Mais divertido do que viajar sentado no transporte público. http://bit.ly/tQfWjT

VISUAIS

A RTE

Exposição 'I Love Movies' exibe obras do artista plástico Luiz Ross. Livraria da Vila. Rua Fradique Coutinho, 915, Vila Madalena. Grátis.


e CAIXA 1 conomia

O seu consultor financeiro

13

sábado, domingo e segunda-feira, 17, 18 e 19 de dezembro de 2011

Fotos: Newton Santos/Hype

É no fim de cada ano que se percebe a pilha de recibos, comprovantes etc. Veja como fazer uma faxina nesse arquivo.

Isabel Spaolonzi, prestadora de serviços, não descuida da organização de seus recibos.

HORA DE deixar a

gaveta em ORDEM KARINA LIGNELLI

O

utro fim de ano se aproxima e, nessa época, costuma ficar mais visível a montanha de papel formada por contas e boletos pagos, recibos e comprovantes de garantia de produtos, acumulados ao longo dos meses. Mas antes de começar a organizar a bagunça – e, ironicamente, abrir espaço para uma nova papelada –, é bom saber o que deve ou não ser guardado e por quanto tempo, dizem especialistas em defesa do consumidor. Mesmo com prazo máximo de cinco anos para prescrição de dívidas, de acordo com o Código Civil, cobranças indevidas podem colocar o nome do consumidor em cadastros de inadimplência antes desse período se não houver comprovação de pagamento. "Guardar é a garantia de não pagar duas vezes", afirma o diretor do Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (Ibedec), José Geraldo Tardin.

Lei unifica comprovantes Com a sanção da lei federal 12.007, em 2009, empresas públicas ou privadas têm a obrigação de encaminhar ao consumidor que esteja em dia com suas contas uma declaração de quitação anual de débitos. Além de tentar diminuir a montanha de papéis, o objetivo da lei é evitar transtornos ao consumidor se o fornecedor questionar os pagamentos indevidamente. A redução da quantidade de papéis, no entanto, não exclui a

necessidade de se ter um arquivo. "É importante se precaver. A lei não se aplica aos anos anteriores, por isso é preciso guardar os comprovantes de 2009 inteiro para trás", diz a superintendente institucional da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste), Polyanna Carlos da Silva. A advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Mariana Ferreira Alves, lembra que cada obrigação contratual tem um prazo específico para o credor exigir o pagamento, de acordo com o Código Civil brasileiro. Após esse período, a dívida prescreve e não pode mais ser cobrada – mesmo que não tenha sido paga. "Antes da prescrição, portanto, é importante não jogar fora documentos que possam comprovar a quitação", observa. De acordo com a gerente de atendimento da Fundação Procon-SP, Selma Amaral, conforme os consumidores recebem o comprovante anual de quitação podem descartar documentos já pagos referentes a ele. Ela recomenda o arquivamento desse documento pelo tempo de prescrição para cobrança (veja mais no quadro). No caso dos tributos, por exemplo, como Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e Imposto de Renda Pessoa Física ou Jurídica (IRPF/PJ), o correto é guardar os comprovantes de pagamento por cinco anos, contados do primeiro dia útil do ano seguinte ao do pagamento – inclusive os comprovantes das declarações de entrega.

Imóveis, saúde, cartões

ATENÇÃO AOS PRAZOS POR CINCO ANOS - Tributos (IPTU, IPVA, Imposto de Renda e outros) - Contas de água, luz, telefone e gás - Recibos de assistência médica - Recibos escolares - Pagamento de cartões de crédito - Recibos de pagamentos a profissionais liberais - Pagamento de condomínios POR TRÊS ANOS - Recibos de pagamentos de aluguel - Fatura de cartão de crédito (apenas para discussão de juros cobrados pela administradora) PELO PERÍODO DO CONTRATO - Comprovantes de pagamento financiamento imobiliário e de automóveis - Recibos de pagamento de cotas de consórcios BENS DURÁVEIS e NÃO DURÁVEIS - A nota fiscal obtida no momento da compra deve ser arquivada durante toda a vida útil do produto, para reclamações sobre defeitos - Produtos (como alimentos) e serviços: guardar a nota por 30 dias (prazo de garantia legal) Fontes: Ibedec, Idec, Procon-SP e Proteste

Para recibos de aluguel e condomínio, o ideal é guardar por três e cinco anos, respectivamente – recomendação válida tanto para locadores como para locatários. Mas pode valer a pena, de tempos em tempos, solicitar à administradora do condomínio declaração de que não existem débitos. Já no caso de contratos de financiamento imobiliário, os comprovantes de pagamento têm de ser guardados por prazos mais longos: é preciso conservar os recibos até que seja feito o registro da escritura no Cartório de Registro de Imóveis. O mesmo vale para recibos de cotas de consórcio, que devem ser mantidos até que a administradora do grupo libere o bem ou oficialize a quitação. Recibos de planos de assistência médica e de mensalidades escolares devem ser mantidos também por um período de cinco anos, para que seja possível discutir reajustes em caso de aumento com base em anos anteriores. É recomendável arquivar, também durante cinco anos, recibos de prestação de serviços de profissionais liberais. Para os cartões de crédito, o prazo é de cinco anos. "Mas, para a discussão de juros cobrados pela administradora, o prazo de prescrição é de apenas três anos", diz Mariana Alves, do Idec. Por último, quando se adquire um bem durável, como eletrodomésticos e eletroeletrônicos, a nota fiscal é a prova da compra e precisa ser mantida durante toda a vida útil do produto.

UMA LIÇÃO DE EMPREENDEDORA Um consumidor que queira provar que é bom pagador e evitar dores de cabeça no futuro deve saber que precisa guardar de forma responsável recibos e comprovantes. A prestadora de serviços na área de geografia e mercado Isabel Spaolonzi é um bom exemplo disso. Ela já teve dois estabelecimentos comerciais, uma

bombonière e um restaurante, e desse período como empreendedora tirou a lição de sempre guardar comprovantes. Isabel mantinha os documentos por no mínimo um mês antes de enviá-los para o contador, dependendo do perfil dos fornecedores. "Alguns sempre tinham problemas de identificação

nos pagamentos realizados. E aí recebíamos cobranças, como boleto em aberto ou não pago. Como eu mantinha os comprovantes comigo, facilmente entrava em contato para regularizar e, se necessário, até enviava fax. Resolvia rápido, mas dava muito trabalho", conta. Isabel fechou a bombonière e vendeu o

restaurante em 2010 e mantém a documentação da primeira em um depósito, no prédio onde mora. "Quando se tem um estabelecimento comercial, é preciso guardar comprovantes de qualquer natureza por pelo menos dois anos. A papelada do restaurante repassei ao novo dono e seu contador", afirma.

Sua atual empresa não gera um grande volume de documentos – apenas comprovantes de quitação de tributos como Guia da Previdência Social (GPS) e Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS). "O processo é bem mais simples que no comércio. E quem emite os formulários é o contador que trabalha para mim", diz.

Já recebi cobranças indevidas. Como eu mantinha os comprovantes, a solução foi fácil. ISABEL SPAOLONZI, PRESTADORA DE SERVIÇOS


14 -.ECONOMIA

e

DIÁRIO DO COMÉRCIO

sábado, domingo e segunda-feira, 17, 18 e 19 de dezembro de 2011

conomia

CAIXA 1 O seu consultor financeiro

AGENDA 21

Quarta-feira

IBGE divulga resultado do IPCA-15 do mês de dezembro.

22

Quinta-feira

Divulgação, pelo IBGE, da pesquisa mensal de emprego de novembro.

22

Quinta-feira

Sai relatório de política monetária e operações de crédito do Banco Central

O

mercado financeiro brasileiro teve mais uma semana com forte influência do cenário externo. Apesar de algumas boas notícias isoladas, como a estabilidade da inflação nos Estados Unidos, prevaleceu o temor de que a crise na Europa pode se prolongar – preocupação reforçada pela expectativa de rebaixamento das notas de países da União Europeia. Também tiveram papel importante vencimentos de contratos de opções sobre ações, que contribuíram para muita volatilidade durante a semana. No fechamento do pregão de sexta-feira, o Ibovespa ficou em

Europa, EUA e PIB NA PAUTA. 56.096 pontos, com queda de 0,42%. Com esse resultado, o índice teve sua primeira semana de queda em dezembro, de 3,67%. No mês, o indicador acumula perda de 1,37% e, no ano, queda de 19,06%. O giro financeiro somou R$ 5,366 bilhões. "Se não fossem as blue chips, o mercado teria tido um desempenho melhor", comentou Hersz Ferman, gestor da Yield

Capital, ao analisar o desempenho negativo de Vale e Petrobras. Os melhores momentos do Ibovespa passaram pela recuperação dessas ações. No encerramento dos negócios, Vale PNA, o papel mais negociado, teve leve queda de 0,24%, enquanto as ações preferenciais da Petrobras perderam 0,98%. Outros assuntos em pauta durante a semana foram as no-

vas apostas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2011 (menores do que as anteriores) e uma eventual escassez de crédito no País. A expectativa é de que esses temas continuem nas mesas de operação nos próximos dias, ao lado das tradicionais transações de fim de ano. Na sexta-feira, em parte do dia a bolsa brasileira acompa-

nhou o sinal positivo emitido pelas bolsas norte-americanas, onde o desempenho estável da inflação no varejo em novembro contribuiu para mais um dia de ganhos. Também agradou o anúncio da decisão da agência de classificação de risco Fitch de não rebaixar o rating da França. Dólar – O dólar comercial fechou na sexta-feira cotado a R$ 1,855 para venda, com discreta baixa de 0,27%. A queda, no entanto, não refletiu o movimento da semana, período em que a moeda norte-americana valorizou-se 2,77%. Desde o início do mês, o dólar acumula alta de 2,06% e, no ano, tem valorização de 11,54%. (DC, com AE)


sábado, domingo e segunda-feira, 17, 18 e 19 de dezembro de 2011

DIÁRIO DO COMÉRCIO

e Reta final para um Natal rentável

15

O varejo foi sustentado pela combinação de emprego e salário este ano. Marcel Solimeo, da ACSP

conomia

Fotos: L.C.Leite/LUZ

Vendas no varejo na Capital paulista devem crescer 4,5% para as transações a prazo e 3,6% nas operações à vista em 2011

O comércio paulistano já colhe os efeitos das compras natalinas

Fátima Lourenço

O

varejo paulistano deverá contabiliz a r, a o f i n a l d e 2011, crescimento anual de vendas na casa de 4,5%, para as transações a prazo, e de 3,6% nas operações à vista, na comparação com o desempenho do ano anterior. A projeção foi divulgada ontem pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP), durante o almoço de final de ano da entidade, ocasião em que também foram apresentados os número da primeira quinzena de dezembro, com "ligeira recuperação" das vendas pagas. "As medidas monetárias e fiscais adotadas pelo governo começam a surtir efeito nas vendas de eletrodomésticos e esperamos que continuem a produzir resultados positivos em 2012", declarou o presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), Rogério Amato. Sua análise se baseava em números fornecidos pela empresa administradora do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), a Boa Vista Serviços (BVS). Amato comentou que a BVS acaba de completar um ano, "está indo muito bem e as pers-

As medidas monetárias e fiscais adotadas pelo governo começam a surtir efeito nas vendas de eletrodomésticos. ROGÉRIO AMATO, ACSP E FACESP

pectivas também são muito boas". Há oito meses à frente da ACSP, o presidente da entidade acompanhou boa parte da consolidação da nova empresa, da qual a Associação Comercial é sócia-majoritária. A administração do SCPC por uma terceira empresa, no entanto, exige, segundo Amato, um trabalho de readequação da estrutura da Associação Comercial, anteriormente responsável pela gestão dos serviços. As ações previstas para 2012, "fortemente administrativas", preveem apoio à BVS e a readequação da ACSP, com ações para gerar outras fontes de renda à entidade. "O papel institucional da associação volta a ser preponderante", afirmou Amato. Segundo ele, entre as prioridades estão o encaminhamento de questões para a simplificação

dos impostos e a redução das obrigações acessórias das empresas. A concepção do Gastômetro faz parte dessa pauta. O executivo prevê sua conclusão em até 90 dias. Para a ACSP, os resultados parciais do varejo, divulgados ontem, são bons, levando-se em conta o cenário econômico atual. Recuperação – Nos primeiros 15 dias deste mês, as consultas ao SCPC, balizador das compras a prazo, cresceram 1,9% em relação a igual período de 2010. O desempenho, comentou o economista do Instituto de Economia Gastão Vidigal (IEGV), Emílio Alfieri, não se traduz em um resultado ruim. A ressalva considera que o indicador sinaliza recuperação das vendas. Em outubro, comparou Alfieri, a alta foi de 0,5%; e em novembro, 1,1%. Na primeira quinzena de de-

zembro, ante igual período de 2010, o SCPC/Cheque, parâmetro para as transações à vista, não registrou crescimento. A "estabilidade" em zero do SCPC/Cheque, ainda segundo análise de Alfieri, pode ser considerada um bom resultado, pela comparação ante uma base forte (primeira quinzena de 2010), quando as vendas à vista cresceram 15,8% ante igual período de 2009. Natal – Na comparação do desempenho de vendas da primeira quinzena de dezembro ante igual período do mês anterior, o comércio paulistano já colhe os efeitos das compras natalinas. Há crescimento de 34,6% nos negócios – "até um pouco acima da sazonalidade para essa época", segundo Alfieri – e de 42,4% nas transações à vista. Os números sobre inadimplência mostram, na comparação da primeira quinzena de dezembro de 2011 com a de 2010, aumento de 15,7% dos registros recebidos e 24,1% dos cancelados, indicando sucesso dos movimentos de renegociação das dívidas. A comparação mensal é ainda mais favorável, com 1,8% de registros recebidos e 43,3% nos cancelados. A expectativa é fechar o ano de 2011 com variação positiva de 11% nos registros recebidos e 8,5% nos cancelados.

ACSP prevê alta de até 3,6% no PIB Economista da entidade espera que o governo adote outras medidas para reativar a economia em 20121.

A

economia brasileira crescerá entre 3% e 3,6% no próximo ano, de acordo com previsão do economiachefe da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Marcel Solimeo. Durante o almoço de ontem na entidade, ele apresentou aos jornalistas sua análise do cenário econômico de 2011 e algumas projeções para 2012. "Se não houver uma ruptura lá fora e, internamente, o governo adotar mais medidas para reativar a economia, o aumento será lento, mas crescente já no primeiro semestre de

2012", afirmou Solimeo. Ele acredita que os efeitos das medidas adotadas neste ano (como redução da taxa básica de juros) serão sentidos, de forma mais forte, na segunda metade de 2012, em trajetória de recuperação que tende a se repetir no desempenho do varejo. Para o economista, o cenário econômico de 2011 foi bom no primeiro semestre, "para a economia em geral, e também para o varejo, porque o ano começou no ritmo em que o outro terminou". O segundo semestre, nem tanto, ressalvou. Mas Solimeo considera o resultado do desempenho do comércio

em 2011 (crescimento estimado de 4,5% ante 2010) positivo, levando-se em conta que a base de comparação é forte. Inadimplência – "O varejo foi sustentado pela combinação de emprego e salário. Com o aumento significativo da massa salarial, as vendas a crédito se expandiram fortemente", comentou o economista da ACSP. A manutenção do emprego, explicou, é um dos ingredientes a sinalizar que a inadimplência está sob controle. "Normalmente, ela explode em cenário de desemprego e de aumento de juros." Se o emprego continuar

crescendo, com aumento de massa salarial, a inadimplência não explode, opiniou Solimeo. Segundo ele, um cenário mais estável demanda, por parte do governo, medidas para reativar a economia de forma ampla, e não com benefícios para alguns setores. Entre elas, o economista menciona a redução do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Entre os maiores desafios para 2012, Solimeo destaca a inflação; o aumento do salário-mínimo, com pressão sobre os gastos governamentais; o câmbio e a recuperação da produção industrial. (FL)

Solimeo destaca os desafios em 2012: inflação; salário-mínimo, gastos públicos; câmbio e recuperação da produção industrial.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

16

e

sábado, domingo e segunda-feira, 17, 18 e 19 de dezembro de 2011

O chocolate é um bom presente e as empresas sempre preparam novidades para essa época do ano. Ubiracy Fonseca, vice-presidente da Abicab

conomia

Fotos José Carlos Barreta/Hype

Papai Noel anima o comércio de chocolates Indústria e varejo do desejado produto estão a todo vapor no Natal, a segunda melhor época das vendas no ano, depois da Páscoa. Karina Lignelli

B

Unidade de produção da rede Ofner na cidade de São Paulo: a empresa contratou 240 funcionários para atender a demanda por panetones e doces. A previsão é de a produção alcançar 380 toneladas, 8,5% acima da de 2010.

5 por cento é quanto devem aumentar as vendas da indústria de chocolates em 2011 em relação ao ano passado

ombons temáticos, panetones trufados, tabletes personalizados... Se para os chocólatras de plantão as festas de fim de ano representam mais uma chance de ganhar seu doce preferido como presente, para revendedores e fabricantes de chocolates o Natal é uma espécie de "segunda Páscoa" em termos de vendas e faturamento. Estimativa da Associação Brasileira da Indústria de Chocolate, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab) prevê que o setor fechará 2011 com aumento de 5% nas vendas, na comparação com 2010. "Considerando o aumento no consumo de chocolate em 5,4%, só no primeiro semestre, a tendência é de que esse número se mantenha", disse o presidente da Abicab, Getúlio Ursulino Neto. O vice-presidente de Chocolate da Abicab, Ubiracy Fonseca, explica por que o Natal é considerado a segunda Páscoa pelo setor. Segundo ele, essa é uma época em que a economia do País está aquecida, com mais dinheiro circulando, e há o clima das festas. "Os fabricantes investem mais em produção e contratam mão de obra adicional porque o mercado requer. Como se sabe, o chocolate é um bom presente, e as empresas sempre preparam novidades para essa época do ano. Por isso, este sempre é um bom período para as vendas", disse Fonseca. Reforços – A Cacau Show é um exemplo dessa alta: a rede prevê um crescimento de 35% nas vendas em relação a igual período do ano passado. "As vendas de Natal representam cerca de 80% das vendas de Páscoa da empresa", disse o presidente da rede, Alexandre Costa.

Opção de presente: lojas cheias nas vésperas do Natal.

Também no Grupo CRM, que detém as marcas Kopenhagen, Brasil Cacau e Dan Top, as vendas são expressivas. Segundo a vice-presidente Renata Moraes Vichi, enquanto a Páscoa representa 30% do faturamento total do grupo, o Natal é responsável por 20%. "Para este ano, a expectativa é de que a data represente aumento de 15% em relação às vendas do ano passado", afirmou Renata. Empregos – Segundo Costa, para atender à alta demanda do período, a Cacau Show reforçou sua equipe com a abertura de 450 empregos efetivos. "A projeção para 2011 é de fechar o ano com R$ 1,2 bilhão em faturamento (inclui varejo e indústria)", disse. Para alcançar a meta de crescimento, a Cacau Show traz 40 produtos para a data, sendo que 13 são novidades. "Os destaques são os lançamentos panetone Pão de Mel e Doce de Leite, e o Trufado com Gotas de Chocolate", explicou Costa. Renata Vichi, do Grupo CRM, disse que as marcas apostam em alguns sucessos

para alavancar vendas. Como o bombom Cherry Brandy gigante e as bolas de chocolate ao leite, da Kopenhagen, ou os kits de produtos a preços acessíveis oferecidos nas lojas Brasil Cacau. "Presentear com chocolate no Natal é certeza de que se vai agradar, principalmente se for para a família." Outras empresas também estão animadas com a data. A Arcor do Brasil, por exemplo, espera atingir R$ 20 milhões de faturamento ao apostar na tradição dos panetones das marcas Triunfo, Aymoré e Arcor. Já a Munik, que traz panetones recheados com musse de chocolate e os umedecidos com licor de cacau e cobertos com chocolate ao leite, espera crescer 5% neste Natal. Por último, a Village, que prevê crescer 10%, investiu mais uma vez na produção dos panetones recheados e trufados. Outras empresas, como a Nestlé e a Mars do Brasil, não revelaram números, mas apostam em produtos como o novo panetone Moça Doce de Leite e a Árvore de Natal que traz M&M'S, respectivamente.

Carro-chefe da rede Ofner é o panetone

N Empresas apostam em produtos tradicionais, mas criam também receitas originais para lançamento.

ão é uma chocolateria, é uma confeitaria. Mas o chocolate está presente em grande parte dos produtos de fim de ano da tradicional rede Ofner. Lá, porém, ao contrário de outras empresas, o faturamento do Natal equivale a três vezes e meia o de um mês normal – e é bem maior que o da Páscoa, segundo afirmou o diretor comercial Laury Roman. Para o Natal 2011, a Ofner contratou mais 240 funcionários para reforçar a produção de cerca de 380 toneladas, uma alta de 8,5% em relação a 2010. Na Páscoa, a produção média é de 70 toneladas. "A marca se antecipa para que a maior data de vendas tenha ótimos resultados." Entre os produtos, desta-

cam-se principalmente panetones trufados, com musse ou gotas de chocolate – um dos carros-chefe da época – e cestas natalinas com tabletes de chocolate e pães de mel, entre outros artigos. "O chocolate é um composto impor tante, presente na maioria dos itens e tem peso grande, de 35% do total da produção para época natalina", explica o diretor. Sem lançamentos novos no Natal ("apenas aperfeiçoamos o que já existia", disse Roman), a Ofner planeja aumentar o número de unidades no Estado de São Paulo a partir de 2012. Hoje, são 20 lojas. "Queremos ganhar mercado, sempre com o mesmo conceito e voltados para as classes A/B. Em São Paulo, há muito o que conquistar", disse.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

sábado, domingo e segunda-feira, 17, 18 e 19 de dezembro de 2011

ECONOMIA/LEGAIS - 17

e Guerra fiscal prejudica portos do País O problema é que a curta janela oferecida para obtenção da DTA-Pátio desestimula o importador a requisitá-la. José Cândido Senna, coordenador do Comus

conomia

Comitê Gestor dos Usuários de Portos e Aeroportos de SP discute os incentivos fiscais, dados por alguns Estados, que criam verdadeiros depósitos de contêineres. Fotos de Vivi Andreani/LUZ

Renato Carbonari Ibelli

A

dequações tributárias poderiam resolver alguns dos gargalos logísticos dos portos brasileiros. Hoje, na visão de Gustavo Costa, gerente geral da Aliança Navegação, questões fiscais obrigam os operadores portuários a atuar de maneira ilógica. Incentivos fiscais dados por alguns Estados, por exemplo, transformam portos em verdadeiros depósitos de contêineres, além de obrigar os armadores a realizar escalas que poderiam ser ignoradas. Esse posicionamento foi apresentado na última terça-feira, durante reunião do Comitê Gestor dos Usuários de Portos e Aeroportos do Estado de São Paulo (Comus), da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Costa se refere a benefícios dados por Estados como Pernambuco ou Paraná. Esses Estados, entre outros, possuem programas de incentivos fiscais a empresas que se instalam em suas regiões. Entretanto, uma das contrapartidas ao benefício é a obrigação dessas empresas de utilizarem os portos dos Estados onde estão instaladas. "Isso faz com que esses portos passem a ser destinos obrigatórios dos armadores, mesmo que o destino final das cargas seja outro Estado", afirmou o gerente da Aliança Navegação. O governo federal já sinalizou a intenção de por fim a esse tipo de situação, mas ainda não há nada de concreto. Outra adequação que passa pelo campo tributário abordada

por Costa seria a redução do Imposto Sobre Serviço (ISS) para as empresas que operam nos portos. Segundo ele, se a prefeitura de Santos reduzisse o ISS para as empresas que operam os Depots (terminais de contêineres), ou para empresas que operam o transporte terrestre, elas ganhariam margem para reforçar seu funcionamento ao longo de períodos mais amplos. A redução do ISS poderia compensar adicionais noturnos. Destaca-se que a busca pela operação ininterrupta do Porto de Santos é a principal linha de atuação do Comus, por meio do chamado Porto 24 Horas. Nesse sentido, o estímulo ao setor privado é válido, segundo José Cândido Senna, coordenador geral do Comus. Porém, ele destaca que hoje, "são os atores públicos que estão longe de atuar 24 horas em Santos". Um levantamento realizado pelo Comus mostra q u e a m a i o r i a d o s ó rg ã o s anuentes de Santos funciona das 7 horas às 17 horas. No caso de autarquias ligadas a ministérios, como os da Fazenda, Agricultura, Saúde e Transporte, o funcionamento vai das 8 horas às 17 horas. Para piorar, a obtenção de algumas declarações necessárias para o desembaraço das cargas tem janelas ainda menores. Terminais – A obtenção de uma Declaração de Trânsito Aduaneiro (DTA) só é possível das 7 horas às 11 horas. Essa declaração (a DTA-Pátio, mais especificamente) permite agilizar a retirada de mercadorias de importação dos terminais molhados – próximos ao cais – para que sejam levadas a por-

Novas regras em vigor para os planos de saúde

C

omeça a vigorar hoje a norma que estabelece que beneficiários de planos de saúde não poderão esperar mais do que sete dias por uma consulta com especialistas das áreas de pediatria, clínica médica, cirurgia geral, ginecologia e obstetrícia. A norma entraria em vigor no dia 19 de setembro, mas foi adiada para que as operadoras dos planos tivessem prazo maior para adaptação às regras estabelecidas. Além do prazo de sete dias para consultas nessas especialidades, há ainda o prazo de três dias para serviços de diagnóstico por laboratório de análise clínica em regime ambulatorial, 21 dias para procedimentos de alta complexidade, entre outros. Com a mudança, a Agência Nacional de Saúde (ANS) pu-

blicou uma nova resolução normativa (a RN 268) para ajustar a anterior (RN 259). Serviço – Com isso, a operadora deve oferecer pelo menos um serviço ou profissional em cada área contratada. Nos casos de ausência de rede assistencial, a operadora deverá garantir o atendimento em prestador não credenciado no município ou o transporte do beneficiário até um prestador credenciado, assim como seu retorno à localidade de origem – casos em que os custos correrão por conta da operadora. As empresas de planos de saúde que não obedecerem aos prazos definidos pela ANS sofrerão penalidades e, em casos de descumprimentos constantes, poderão passar por medidas administrativas, como a suspensão da venda de seus produtos. (Folhapress)

Mercosul analisa pedido de Equador e Bolívia

E

mbalada pelo clima de preocupação pelos efeitos da crise internacional na América do Sul, a cúpula do Mercosul que começa hoje em Montevidéu será marcada por uma série de reclamações dos sócios "pequenos" do bloco – Uruguai e Paraguai – que protestam contra as persistentes barreiras protecionistas aplicadas pelo Brasil e a Argentina. O governo de José Pepe Mujica, anfitrião da cúpula presidencial, alertará os países-sócios a "melhorar as condições de acesso aos mercados" dos parceiros do Cone Sul. Recentemente, o presidente Mujica ironizou: "o Mercosul anda mal, embora a União Europeia esteja pior". Enquanto tentam resolver os conflitos comerciais inter-

nos do bloco, a cúpula terá como um dois pontos principais da agenda os pedidos do Equador e da Bolívia – atualmente estados associados – para tornarem-se "estados sócios". De quebra, os presidentes do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai analisariam uma forma de driblar as normas atuais do Mercosul para concretizar a entrada da Venezuela no bloco, solicitada há mais de meia década e ainda não realizada. A equipe econômica de Mujica reclama de problemas para exportar ao mercado brasileiro uma série de produtos, entre os quais têxteis e autopeças. Simultaneamente, reclama das barreiras que complicam o envio de livros, louça sanitária, madeira e plásticos para o mercado argentino. (AE)

Em sua apresentação, José Cândido Senna, coordenador geral do Comus, revelou que os orgãos públicos estão longe de atuar 24 horas no Porto de Santos. A maioria atende das 7 horas às 17 horas.

tos secos instalados fora da Baixada Santista. Essa movimentação rápida permitiria abrir espaços nos terminais de contêineres do Porto, melhorando sua logística. "O problema é que a curta janela oferecida para obtenção da DTA-Pátio e a burocracia de sua obtenção desestimulam o importador a requisitá-la", disse Senna. No momento, os contêineres de importação permanecem nos terminais molhados de Santos, em média, 17 dias, chegando até a 40 dias. Além do curto período de operação dos atores públicos do porto, Costa destaca a burocracia a que eles submetem os armadores. "Um dos problemas para se obter a DTA-Pátio está no fato de os contêineres terem de esperar para ganhar

Por causa dos benefícios, alguns portos passam a ser destinos obrigatórios dos armadores. GUSTAVO COSTA, GERENTE DA ALIANÇA NAVEGAÇÃO

um novo lacre. Isso não tem sentido já que o contêiner já vem com um lacre que vai ser conferido pela Receita Federal adiante", comentou Costa. Esse tipo de burocracia, segundo ele, reduz o ritmo da movimentação do porto ao

abarrotar de contêineres os pátios próximos ao cais. E se um navio não consegue descarregar sua carga, ele afeta todos os outros que precisam atracar. "Esse não é um problema de Santos exclusivamente. Hoje praticamente não existe mar-

gem de manobra nas janelas de atracação dos portos brasileiros", disse Costa. O problema tende a piorar se nada for feito. Para 2012, o gerente estima que os portos brasileiros terão crescimento de 8% na movimentação.

PREFEITURA MUNICIPAL DE PEREIRA BARRETO/SP Pregão n° 028/2011 - Processo n° 5785/2011 TERCEIRA RERRATIFICAÇÃO AO EDITAL A Prefeitura de Pereira Barreto leva ao conhecimento de quem possa interessar, que o Processo supra epigrafado sofreu a seguinte rerratificação: a) A descrição do item 1, constante do Anexo I - Planilha Descritiva, passa a ter a seguinte redação: Retroescavadeira nova, zero hora, ano de fabricação mínimo de 2011, chassi monobloco rígido, construído em caixa de aço soldada em peça única, motor 04 (quatro) cilindros, movido a Diesel, com no mínimo 4.4 litros e potência líquida mínima de 85 hp, direção hidráulica, tração 4x4 com acionamento através de interruptor no painel, transmissão com 04 (quatro) velocidades à frente e 04 (quatro) à ré, bomba hidráulica com vazão mínima de 108 l/minuto, alternador de no mínimo 90 Ah, bateria 12V de no mínimo 100 Ah e 750 CCA, freios multidisco em banho de óleo, tanque de combustível com capacidade mínima de 135 litros, reservatório do sistema hidráulico com capacidade mínima de 113 litros, caçamba carregadeira com 02 (dois) cilindros de levantamento e 02 (dois) cilindros de basculamento, equipada com dentes e capacidade coroada mínima de 0,76m³, força de desagregação mínima de 4.300 kgf, altura de descarga de no mínimo 2.642mm, caçamba retroescavadeira com comando hidráulico de no mínimo 02 (duas) alavancas de controle, equipada com dentes, largura mínima de 457mm/18” e capacidade coroada mínima de 0,12m³, profundidade de escavação de no mínimo 4.356mm, arco de giro de no mínimo 180°, ângulo de recolhimento negativo para transporte e deslocamento, pneus traseiros mínimos de 16,9x24 - 10 lonas, cabine aberta tipo ROPS/FOPS com parabrisa frontal e limpador, retrovisores internos e externos, faróis de iluminação dianteiros e traseiros, peso operacional de no mínimo 6.522 kg, buzina, alarme sonoro, e equipada com demais itens de segurança conforme normas do CONTRAN. b) Fica redesignada para as 13h30min do dia 29 de dezembro de 2011 a Sessão Pública do Pregão em epígrafe. c) Demais cláusulas e condições permanecem inalteradas. Pereira Barreto, 16 de dezembro de 2011. Arnaldo Shigueyuki Enomoto - Prefeito.

SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO

A empresa PDI PROCESSAMENTO DIGITAL DE IMAGENS LTDA., situada na Rua Santonina, 75, conjunto 12 A – CEP 05432-050 – Vila Madalena, vem, por meio deste, comunicar o extravio do livro diário de número 08 de 2007.

GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO

FDE AVISA: COMUNICADO DECISÃO DO PREGOEIRO Pregão (Eletrônico) de Registro de Preços n° 36/00766/11/05 - Registro de Preços para Aquisição de Consumíveis através da Rede de Suprimentos para as Escolas da CEI - Polo 6 - Diretorias de Ensino: Miracatu, Registro, Santos e São Vicente. A licitante Teresa P. Lunardi Distribuidora-EPP protocolizou na sede da FDE a documentação referente ao certame em epígrafe de maneira intempestiva, em 07/11/2011, conforme fls. 1241. Portanto, pelo descumprimento do subitem 6.16 “e” do edital, torno sem efeito o ato de habilitação da licitante Teresa P. Lunardi Distribuidora-EPP e declaro vencedora do certame e licitante Inforshop Suprimentos Ltda.

VERSÁTIL INFORMÁTICA LTDA, CNPJ nº 04.500.820/0001-01, por seus sócios, declara extinta a sociedade em 10.11.2011, conforme distrato social. SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO

TRITECH INFORMÁTICA LTDA, CNPJ nº 05.381.788/0001-47, por seus sócios, declara extinta a sociedade em 12.12.2011, conforme distrato social.

FALÊNCIA, RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL E RECUPERAÇÃO JUDICIAL

GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO

FDE AVISA: COMUNICADO Referente ao Pregão Eletrônico de Registro de Preços nº 21/00552/11/05 - Objeto: Aquisição de Material de Higiene Papel Higiênico.Comunicamos que a sessão de processamento do referido Pregão foi transferida para as 09:30 horas do dia 03/01/2012 e será realizada no endereço eletrônico www.bec.sp.gov.br. A data do início do prazo para envio da proposta eletrônica será de 19/12/2011, até o momento anterior ao início da sessão pública.

Conforme informação da Distribuição Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo, foram ajuizados no dia 16 de dezembro de 2011, na Comarca da Capital, os seguintes pedidos de falência, recuperação extrajudicial e recuperação judicial: Requerente: Tuberfil Indústria e Comércio de Tubos Ltda. Requerido: PPS Pimentel Produtos Siderúrgicos Ltda. Rua: Ezequiel Ramos, 467 - Mooca - 2ª Vara de Falências. Requerente: Triunfer de Barra Manda Locação e Comércio de Ferro Limitada - ME. Requerido: Seebla Serviços de Engenharia Emilio Baumgart Ltda. Rua Tenerife, 318 - 8º andar - Vila Olímpia - 1ª Vara de Falências. Requerente: RIOC Transportes Ltda. Requerido: KM Indústria e Comércio de Papel Ltda. Avenida Brigadeiro Faria Lima, 2.954 - Jardim Paulistano - 1ª Vara de Falências. Requerente: União Brasil Serviços e Eventos Ltda. Requerido: SKN Promoção Produção e Eventos Ltda. Rua : Barão de Vallim, 345 - conjunto 02 - Campo Belo 2ª Vara de Falências Recuperação Judicial Requerente: MF Lima Junior Peças e Equipamentos - ME. Requerido: MF Lima Junior Peças e Equipamentos - ME. Estrada de Mogi das Cruzes, 1.904 B - Vila Rio Branco - 2ª Vara de Falências.

MIANI INFORMÁTICA LTDA, CNPJ nº 00.977.409/0001-62, por seus sócios declara extinta a sociedade em 23.11.2011, conforme distrato social.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

18

e

sábado, domingo e segunda-feira, 17, 18 e 19 de dezembro de 2011

Percebemos que a localização via redes sociais ajuda as duas partes. Anna Zappa, do Instituto Geoc

conomia

Se não achou o devedor pelos canais normais, tente as redes sociais. Pesquisa no Facebook de inadimplentes "ilocalizáveis" encontrou 71% dos pesquisados.

Em busca de quem lhe deve?

L

ocalizar inadimplentes "perdidos" sempre foi uma dificuldade para empresas e escritórios de cobrança. Mas as chances de encontrar esses consumidores podem ser ampliadas se uma nova ferramenta for agregada às já comumente utilizadas: as redes sociais. Pesquisa de uma aluna de MBA do Instituto Geoc, que reúne as principais empresas de recuperação de crédito do Brasil, localizou no Facebook 613 inadimplentes, de um total de 852. A base do estudo foi com devedores de todo o País, que estavam sem pagar há mais de 720 dias financiamentos de veículos, cartão de crédito, empréstimo consignado e consórcio. No estudo foi utilizado apenas o Facebook e buscado inadimplentes "ilocalizáveis", ou seja, aqueles que já haviam sido procurados, sem sucesso, por telefone, SMS, e-mail e mala direta. Conforme Anna Zappa, superintendente do Instituto Geoc, a localização de 71% dos devedores mostra a eficiência das redes sociais, número bem acima da média de 40% quando utilizados os cadastros de birôs de crédito para a mesma função. "A localização de devedores é um dos gargalos das empresas, que na maioria das vezes não possuem cadastro atualizado de seus clientes e, em caso de inadimplência, não têm como cobrá-los", explica a superintendente. A busca de inadimplentes pelas redes sociais, na visão de Anna, é positiva até para quem está em débito no mercado. Isso porque há devedores que não conseguem localizar seu cre-

dor e outros que nem sabem que estão devendo. "Percebemos que a localização via redes sociais ajuda as duas partes." A superintendente complementa que a pesquisa é o embrião de um trabalho que terá novas fases, já que o resultado surpreendeu. Cuidado – Mas será que é preciso cumprir questões legais para localizar inadimplentes via rede social? Anna diz que foram tomados todos os cuidados e cumpridas rigorosamente as determinações das leis. O consumidor foi abordado de forma sigilosa e não lhe foi mencionado o assunto, apenas solicitado retorno para tratar de questão de seu interesse. "Quem coloca seus dados em uma rede social está disponibilizando-os publicamente. Portanto, sendo a informação pública, não há por que não utilizar essa ferramenta para encontrar quem está em débito no mercado", acrescenta a superintendente. O cuidado é importante para que não se repita aqui situação relatada recentemente pelo jornal "O Globo". Uma consumidora norte-americana inadimplente abriu processo contra empresa de cobrança porque seus amigos de Facebook foram contatados na tentativa de fazê-la pagar empréstimo da compra de um carro. O termo "dívida" não foi citado, pois a lei dos EUA só autoriza a discussão desse assunto com cônjuge ou advogado do devedor, embora apoie a iniciativa de localizar devedores por quaisquer meios de comunicação.

Código precisa ser respeitado

C

onsumidores e fornecedores precisam ter claro que nem tudo é desrespeito ao consumidor, enfatiza Selma do Amaral, diretora de Atendimento do Procon-SP. Só que o ato de procurar inadimplentes nas redes sociais ela considera uma invasão de privacidade. "O Facebook, por exemplo, tem outro objetivo, que não é o de cobrança. Ao autorizar seus dados neste e em outros sites de relacionamento, o cidadão não o está fazendo para ser encontrado por cobradores, mas para se relacionar." Isso não significa, conforme a porta-voz da instituição pública de defesa do consumidor, que não possa ser utilizado para este fim. "Mas não se pode deixar de cumprir o estabelecido no Código de Defesa do Consumidor (CDC) quanto a expor o consumidor, importuná-lo, o respeito à sua dignidade e a sua condição econômica e social." Os artigos do CDC que devem ser observados por quem utiliza ou pretende usar as redes sociais para localizar inadimplentes são o 4º, 42º, 43º, 51º e 71º. Se houver desrespeito à lei consumerista, o cidadão pode registrar denúncia no Procon, que aplicará sanções se comprovado o fato.

O QUE DIZ O CDC Artigo 4º A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento das necessidades dos consumidores, o respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de seus interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como a transparência e harmonia das relações de consumo, atendidos os seguintes princípios: (Redação dada pela Lei nº 9.008, de 21.3.1995) Artigo 42 Na cobrança de débitos, o consumidor inadimplente não será exposto a ridículo, nem será submetido a qualquer tipo de constrangimento ou ameaça. Parágrafo único. O consumidor cobrado em quantia indevida tem direito à repetição do indébito, por valor igual ao dobro do que pagou em excesso, acrescido de correção monetária e juros legais, salvo hipótese

de engano justificável. Artigo 42A Em todos os documentos de cobrança de débitos apresentados ao consumidor, deverão constar o nome, o endereço e o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) do fornecedor do produto ou serviço correspondente. (Incluído pela Lei nº 12.039, de 2009) Artigo 43 O consumidor, sem prejuízo do disposto no art. 86, terá acesso às informações existentes em cadastros, fichas, registros e dados pessoais e de consumo arquivados sobre ele, bem como sobre as suas respectivas fontes. § 1° Os cadastros e dados de consumidores devem ser objetivos, claros, verdadeiros e em linguagem de fácil compreensão, não podendo

conter informações negativas referentes a período superior a cinco anos. § 2° A abertura de cadastro, ficha, registro e dados pessoais e de consumo deverá ser comunicada por escrito ao consumidor, quando não solicitada por ele. § 3° O consumidor, sempre que encontrar inexatidão nos seus dados e cadastros, poderá exigir sua imediata correção, devendo o arquivista, no prazo de cinco dias úteis, comunicar a alteração aos eventuais destinatários das informações incorretas. § 4° Os bancos de dados e cadastros relativos a consumidores, os serviços de proteção ao crédito e congêneres são considerados entidades de caráter público. § 5° Consumada a prescrição relativa à

cobrança de débitos do consumidor, não serão fornecidas, pelos respectivos Sistemas de Proteção ao Crédito, quaisquer informações que possam impedir ou dificultar novo acesso ao crédito junto aos fornecedores. Artigo 51 São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços que: I – impossibilitem, exonerem ou atenuem a responsabilidade do fornecedor por vícios de qualquer natureza dos produtos e serviços ou impliquem renúncia ou disposição de direitos. Nas relações de consumo entre o fornecedor e o consumidor pessoa jurídica, a indenização poderá ser limitada, em situações justificáveis; II – subtraiam ao consumidor a opção de

STJ reduz indenização por valor cobrado indevidamente

O

Superior Tribunal de Justiça (STJ) reduziu de R$ 180 mil para R$ 30 mil a indenização imposta a uma administradora de consórcio de veículos que emitiu cobrança indevida contra um cliente. Já há jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) considerando que a cobrança de débito inexistente gera o dever de reparar os danos morais sofridos por quem é cobrado, mas o valor não pode ser exorbitante. Conforme o processo, o cliente pagou aproximadamente 3 milhões de cruzeiros referentes à cota, à vista, de consórcio de um veículo. Ao ser sorteado, ele negociou a cota com a pró-

pria empresa, que alienou o bem a outra pessoa. Mesmo assim, a empresa continuou cobrando o consumidor, o que motivou ação de anulação de débito cumulada com indenização por dano moral. O pedido foi julgado procedente e a empresa foi condenada a indenizar o cliente no mesmo valor da cobrança, que era o valor total do veículo. Convertido em real, o valor foi arbitrado em R$ 150 mil – que, atualizados, chegaram a R$ 180 mil.

O ministro Raul Araújo, relator do caso, considerou esse valor exorbitante, o que justifica sua revisão pelo STJ. Ele observou que não há no processo prova de quitação do valor total do veículo. Por isso, entendeu que foi demasiado estimar o montante da reparação dos danos morais no mesmo valor do bem sorteado. A decisão de reduzir o valor para R$ 30 mil foi unânime. Fo n t e : S u p e r i o r Tr i b u n a l d e Justiça (STJ)

reembolso da quantia já paga, nos casos previstos neste código; III – transfiram responsabilidades a terceiros; IV – estabeleçam obrigações consideradas iníquas, abusivas, que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada, ou sejam incompatíveis com a boa-fé ou a equidade; V – (Vetado); VI – estabeleçam inversão do ônus da prova em prejuízo do consumidor; VII – determinem a utilização compulsória de arbitragem; VIII – imponham representante para concluir ou realizar outro negócio jurídico pelo consumidor; IX – deixem ao fornecedor a opção de concluir ou não o contrato, embora obrigando o consumidor; X – permitam ao fornecedor, direta ou indiretamente, variação do

preço de maneira unilateral; XI – autorizem o fornecedor a cancelar o contrato unilateralmente, sem que igual direito seja conferido ao consumidor; XII – obriguem o consumidor a ressarcir os custos de cobrança de sua obrigação, sem que igual direito lhe seja conferido contra o fornecedor; XIII – autorizem o fornecedor a modificar unilateralmente o conteúdo ou a qualidade do contrato, após sua celebração; Artigo 71 Utilizar, na cobrança de dívidas, de ameaça, coação, constrangimento físico ou moral, afirmações falsas incorretas ou enganosas ou de qualquer outro procedimento que exponha o consumidor, injustificadamente, a ridículo ou interfira com seu trabalho, descanso ou lazer. Pena: Detenção de três meses a um ano e multa.

Fique por dentro

Procon autua um terço das lojas fiscalizadas na operação de Natal

É

poca de Natal, de crescimento das vendas e de fiscalização. As equipes da Fundação Procon-SP já estão nas ruas e 77 lojas das 322 visitadas foram autuadas só na Capital. No interior, das 418 visitadas, 144 tinham irregularidades. A operação especial sobre as vendas natalinas foi realizada entre 1 e 9 de dezembro. As empresas autuadas responderão a processo administrativo e poderão receber multas de R$ 400 a R$ 6 milhões, com base no Código de Defesa do Consumidor. As equipes do Procon verificaram se havia informação de preço, sobre as formas de pagamento e parcelamento, a existência de anúncio do telefone do Procon e exemplar do Código de Defesa do Consumidor (CDC), a imposição de tempo mínimo de abertura de conta bancária para aceitação de cheques e a prática de preços diferenciados para pagamento à vista em dinheiro e cartão de crédito. Novas operações poderão ser deflagradas antes das festas de Natal e Ano-Novo. (Fonte: Procon-SP) Angela Crespo é jornalista especializada em consumo. E-mail: doislados@dcomercio.com.br


sábado, domingo e segunda-feira, 17, 18 e 19 de dezembro de 2011

e

DIÁRIO DO COMÉRCIO

19

ESPORTE Volta em 23 de janeiro

sporte

O ANO DE NEYMAR Youriko Nakao/Reuters

(APESAR DE MESSI)

Kazuhiro Nogi/AFP

P

or seu clube, o Santos, ele foi decisivo nas conquistas do Campeonato Paulista e da Libertadores. Pela Seleção Brasileira, começou o ano mais cedo, em fevereiro, ajudando o time sub-20 a ganhar o Campeonato Sul-Americano e, assim, se classificar para a Olimpíada de Londres. Depois, já pela equipe principal, treinada por Mano Menezes, acabou se firmando como a maior estrela da atualidade, mesmo com a irregularidade demonstrada pelo time nos amistosos e com a má campanha na Copa América. Ainda fez um golaço na derrota santista para o Flamengo por 5 a 4, pelo Campeonato Brasileiro, que concorre ao prêmio Ferenc Puskas, da Fifa, como o mais bonito do ano marcado em todo o mundo. E fecha a temporada com a impressionante marca de 99 gols marcados aos 19 anos de idade. Em novembro, teve anunciada com muita festa sua permanência no País até 2014, em troca de um novo contrato que deverá fazer com que ganhe mais de R$ 2 milhões por mês, recorde no Brasil. Por tudo isso, o ano de 2011 foi mesmo de Neymar. Para fechá-lo com chave de ouro, ficou faltando o título mundial de clubes, que acabou nas mãos do Barcelona de Messi (leia mais ao lado). Ainda assim, até nessa competição, disputada no Japão, Neymar foi lembrado, eleito pela Fifa como o terceiro melhor jogador do Mundial, atrás de Messi e Xavi, ambos do Barcelona. Com mais aquele troféu em mãos, o último de uma temporada que de resto, para ele, foi toda gloriosa, Neymar fazia planos para o futuro. Entre eles, dizia que espera voltar a disputar o Mundial de Clubes em 2012 e faturar o título que dessa vez escapou: “Quem sabe em um ano não vamos gritar campeão aqui?”

Argentino abriu e fechou a goleada do Barcelona sobre o Santos

F

Ele ganhou o Paulista, a Libertadores, firmou-se na Seleção e fechou 2011 entre os melhores do Mundial Daniel Marenco/Folhapress

A RECONQUISTA DA LIBERTADORES – Neymar foi fundamental para o Santos conquistar pela terceira vez o principal título sul-americano de clubes, que não era seu havia 48 anos. Ao longo da campanha, ele participou de 13 jogos e marcou 6 gols. Incluindo o que acabou valendo o tíulo, o segundo na vitória por 2 a 1 sobre o Peñarol, no Pacaembu, na segunda partida da final, que ele comemora na foto ao lado. Neymar já havia marcado também o segundo na derrota por 3 a 2 para o Colo Colo, no Chile, e o terceiro nos 3 a 2 sobre o mesmo Colo Colo, na Vila, além do terceiro nos 3 a 1 sobre o Deportivo Táchira, da Venezuela, pela fase de grupos. Depois, fez o gol do empate por 1 a 1 com o Once Caldas, da Colômbia, no Pacaembu, pelas quartas de final,e um nos 3 a 3 com o Cerro Porteño, no Paraguai, nas semifinais. Epitácio Pessoa/AE

REI TAMBÉM NO PAULISTÃO – Em apenas três anos como profissional, Neymar jamais deixou de disputar a decisão do Campeonato Paulista. Em 2009, estreou como vice-campeão, perdendo a final para o rival Corinthians, de Ronaldo. No ano seguinte, o Santos ficou com o título graças a dois gols dele no jogo final (Santo André 3 a 2). Agora, em 2011, veio o bi, com mais um gol dele na vitória por 2 a 1 sobre o Corinthians, na Vila Belmiro.

Ricardo Nogueira/Folhapress

FELIZ 2011 TAMBÉM NA SELEÇÃO – Não foi um bom ano para a Seleção Brasileira, que fracassou na Copa América da Argentina e tropeçou nos amistosos. Mas com a camisa amarela Neymar também já começa a fazer história. No começo do ano, conquistou o SulAmericano sub-20 e foi o artilheiro da competição com 9 gols. Em setembro, conquistou seu primeiro título pela Seleção: o Superclássico das Américas, contra a Argentina.

oi o resultado mais dilatado de uma decisão de Mundial de Clubes desde os 5 a 1 do Peñarol, do Uruguai, sobre o Benfica, de Portugal, no segundo jogo da final de 1961. Mais uma vez, o Barcelona, de Messi, provou sua força, ao conquistar o título do Mundial de Clubes da Fifa com goleada sobre o Santos de Neymar: 4 a 0. Foram três gols ainda no primeiro tempo, com Messi, Xavi e Fabregas. No segundo, Messi, novamente, fechou a goleada. Assim, o Barça frustrou o sonho santista de conseguir o tricampeonato após 48 anos e foi campeão mundial pela segunda vez na sua história, repetindo o feito de dois anos atrás, quando venceu o argentino Estudiantes por 2 a 1, na prorrogação. “Foi uma aula de futebol”, admitiu o próprio Neymar, a maior estrela santista, após o jogo em Yokohama. Mantendo sua principal característica desde que o técnico Guardiola assumiu o cargo, em 2008, a equipe espanhola teve 71% da posse de bola e sufocou o adversário desde o início. Nem a tática do técnico Muricy Ramalho, optando por uma escalação com três zagueiros e a entrada do lateral Léo no lugar do volante Elano, surtiu efeito. Após mais uma brilhante atuação, o argentino Lionel Messi foi eleito o melhor jogador do Mundial de Clubes e recebeu a Bola de Ouro da competição, em premiação entregue pela Fifa logo após a partida. Messi já havia se destacado nas semifinais do Mundial, na última quinta-feira, contra o Al-Sadd, mas não fez gols naquela vitória, também por 4 a 0. O astro argentino foi, ainda, um dos artilheiros da competição, ao lado do lateral-esquerdo brasileiro Adriano, que fez dois gols no duelo com a equipe do

Catar, mas não enfrentou o Santos na decisão. Depois do jogo, Messi, sempre avesso às entrevistas, falou pouco com a imprensa, limitando-se a dizer que o Barcelona comprovou a sua superioridade e que ele estava feliz por mais essa conquista. “Não sei se é imbatível, mas é o melhor time do mundo”, disse Neymar. “Chegamos aqui após muitos desafios e barreiras. E conseguimos ser o segundo melhor do mundo. Somos vencedores. O Barcelona é campeão, mas mostramos que podemos chegar aqui.” “Não fomos o único time a perder de 4 a 0 deles. Os melhores times da Europa já sentiram na pele a força dessa equipe”, disse o meia Elano. “Perder para o melhor time do mundo não é vergonha para ninguém. E nós ainda tivemos algumas oportunidades”, falou o zagueiro e capitão Edu Dracena. “Eles são diferentes. Contra qualquer outro time nós teríamos condição de jogar de igual para igual”, opinou o goleiro Rafael.

SANTOS 0 Rafael; Edu Dracena, Bruno Rodrigo e Durval; Danilo (Elano, 31/1ºT), Léo, Arouca, Henrique e Paulo Henrique Ganso (Ibson, 38/2ºT); Neymar e Borges (Alan Kardec, 34/2ºT). Técnico: Muricy Ramalho.

BARCELONA 4 Valdés; Daniel Alves, Puyol (Fontas, 40/2ºT), Piqué (Mascherano, 11/2ºT) e Abidal; Busquets, Xavi, Thiago Alcântara (Pedro, 34/2ºT), Fabregas e Iniesta; Messi. Técnico: Pep Guardiola. Local: Estádio Internacional, em Yokohama (JAP). Árbitro: Ravshan Irmatov (UZB) Gols: Messi, aos 17, Xavi, aos 24, e Fabregas, aos 45 minutos do 1º tempo; Messi, aos 37 minutos do 2º tempo.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

20

e

sábado, domingo e segunda-feira, 17, 18 e 19 de dezembro de 2011

Vamos trazer jogadores de peso, mas não tão pesados quanto o Adriano.” Andrés Sanchez

sporte

O ANO DO CORINTHIANS U

m ano depois de passar em branco na comemoração de seu centenário, em 2010, e após começar 2011 sendo eliminado pelo Tolima, da Colômbia, ainda na pré-Libertadores, o Corinthians conseguiu dar a volta por cima. Dentro e fora de campo. A perda do ídolo Ronaldo, que resolveu se aposentar em fevereiro, logo depois do fracasso na competição continental, acabou sendo compensada pelo início das obras do tão sonhado estádio em Itaquera. A seguir, a Fifa confirmaria a futura casa corintiana como palco da abertura da Copa do Mundo de 2014. Se no plano político o clube comandado por Andrés Sanchez, um dos principais parceiros da CBF, nunca esteve tão bem, faltava ainda uma grande conquista nos gramados para consolidar de vez o ano corintiano. No Campeonato Paulista, a equipe conseguiu chegar à decisão, mas acabou derrotada pelo talento do Santos de Neymar, após um 0 a 0

no Pacaembu e uma derrota por 2 a 1 na Vila Belmiro nos jogos finais. Todas as fichas passaram a ser depositadas no Campeonato Brasileiro, que em 2010 também estivera bem perto do Parque São Jorge, mas havia escapado por pouco. Foi justamente nessa competição que os corintianos, enfim, alcançaram sua redenção. Comandada pelo técnico Tite, a equipe, reforçada por poucos talentos, como o atacante Liedson (desde o Campeonato Paulista) mais Emerson e Adriano (que, às voltas com problemas físicos, pouco jogou), chegaria ao pentacampeonato. Começou arrasadora, com nove vitórias e um empate nas dez primeiras partidas, mas, depois disso, caiu de produção. Contrariando as expectativas, o técnico Tite foi mantido, o que acabaria se mostrando a decisão mais correta. Com seis vitórias e três empates nos nove jogos finais, bastou ao Corinthians ficar no 0 a 0 com o Palmeiras, no Pacaembu, para levantar seu quinto título nacional.

Mauro Horita/AE

Em uma temporada de vitórias dentro e fora do campo, os jogadores comemoraram o título brasileiro erguendo o presidente Andrés Sanchez Giuliano Gomes/Folhapress

A HEROICA TEMPORADA DO VASCO – No primeiro semestre, a equipe do atacante Alecsandro saiu das últimas colocações da Taça Guanabara para o título da Copa do Brasil. Na Copa Sul-Americana chegou às semifinais e no Brasileiro foi vice-campeã. Tudo isso apesar do trauma sofrido com o Acidente Vascular Encefálico de seu técnico, Ricardo Gomes, em um jogo pelo Brasileiro, contra o Flamengo. Alexandre Loureiro/Vipcomm

Ricardo Nogueira/Folhapress

O FENÔMENO DESPEDE-SE DA SELEÇÃO – Foi em um jogo contra a Romênia, no Pacaembu, em junho, que Ronaldo resolveu se despedir da Seleção Brasileira. Fred fez o gol da vitória e depois foi substituído pelo próprio Fenômeno.

OS ALTOS E BAIXOS DE RONALDINHO GAÚCHO – Ele começou 2011 com Palmeiras, Grêmio e Flamengo disputando seu futebol. Mas fechou o ano longe de ser o sucesso técnico e de marketing que dele se esperava. Mohammed Dabbous/Reuters

Sérgio Neves/AE

MARTA AINDA EM ALTA –

QUE VENHA 2012 – Porque para a Seleção de Mano Menezes (e de alguns jogadores que tiveram chance, como o atacante Jonas), 2011 foi um ano para esquecer. Além da eliminação nas quartas de final da Copa América, diante do Paraguai, sem conseguir acertar uma única cobrança de pênalti, o time continuou ganhando dos fracos, como o Egito (2 a 0), e perdendo dos fortes, como França (1 a 0) e Alemanha (3 a 2).

Eleita a melhor jogadora do mundo pela Fifa há cinco temporadas seguidas (um recorde tanto entre as mulheres quanto entre os homens), a brasileira Marta, mais uma vez, concorrerá ao prêmio em 2011. Isso em um ano em que mais uma vez não haverá nenhum brasileiro entre os homens. No entanto, terá poucas chances de chegar ao hexa, contra a japonesa Homare Sawa e a americana Abby Wambach. Ambas foram finalistas do Mundial disputado neste ano na Alemanha, no qual o Brasil foi eliminado nas quartas de final, pelos Estados Unidos. Aos 25 anos, Marta segue reinando no Western New York Flash, dos Estados Unidos, e na Seleção, pela qual fechou 2011 com mais um título, o Torneio Internacional Cidade de São Paulo, batendo a Dinamarca, 2 a 1, no Pacaembu, em 18 de dezembro.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

sábado, domingo e segunda-feira, 17, 18 e 19 de dezembro de 2011

e

21 Virei a página. Vou continuar fazendo o que sei e o que sempre fiz, nadar.” Cesar Cielo

sporte

O ANO DE CIELO S

e alguém perguntar para Cesar Cielo o que 2011 representou para ele, o melhor nadador brasileiro de todos os tempos certamente vai poder dizer, sem medo de errar, que foi um ano muito movimentado. Cielo acumulou títulos como de costume: duas medalhas de ouro no Mundial de Xangai, nos 50 m livre e nos 50 m borboleta, além de mais quatro ouros no Pan de Guadalajara, nos 50 m e 100 m livre e nos revezamentos 4x100 m livre e 4x100 m medley, e incontáveis títulos em competições dentro e fora do Brasil. Além disso, ele deixou de vez os Estados Unidos para morar e treinar no Brasil, pela primeira vez desde que chegou ao topo no cenário da natação, e criou sua própria equipe, o PRO 16, um projeto que reúne só atletas de ponta e tem como meta capacitar campeões para os Jogos Olímpicos do Rio, em 2016 - mas que certamente renderá frutos já nos

Sergio Moraes/Reuters

Jogos de Londres, em 2012. Mas 2011 também foi o ano em que Cielo conheceu o lado B do esporte: apanhado no exame antidoping com a substância furosemida, ele jurou inocência e culpou a farmácia de manipulação em que compra produtos há anos, na sua Santa Bárbara d'Oeste natal. O argumento convenceu os cartolas, que não o suspenderam, mas deram apenas uma advertência. Mas não foi engolido por muitos de seus rivais, que o criticaram abertamente nas redes sociais e o encararam com frieza durante o Mundial o resultado do julgamente saiu dois dias antes do início das provas. O desempenho foi afetado e Cielo pagou caro pelo imbróglio: ficou apenas em quarto nos 100 m livre, prova da qual tinha sido campeão mundial em 2009, na Itália. Em 2012, ele quer deixar as confusões no passado, pensar só em nadar e, em Londres, aumentar sua coleção de medalhas olímpicas.

Cielo ganhou muito e aprendeu ainda mais em 2011: um doping, dois títulos mundias e quatro ouros no Pan numa temporada movimentada Satiro Sodré/Agif/AE

Jonne Roriz/AE

O ANO DAS FABIANAS – Em menos de uma semana, duas Fabianas botaram o Brasil no posto mais alto do pódio com inéditos títulos mundiais: Fabiana Beltrame, no remo, categoria single skiff leve, e Fabiana Murer, no salto com vara. No Pan de Guadalajara, em outubro, ambas ficaram com a medalha de prata, mas mostraram que têm potencial para sonhar com ouro no ano que vem, na Olimpíada de Londres. Jonne Roriz/AE

Leonardo Soares/AE

REDENÇÃO – Depois de três ausências consecutivas, o basquete masculino do Brasil volta a disputar os Jogos Olímpicos no ano que vem, em Londres. A classificação veio no Pré-Olímpico disputado em Mar del Plata, na Argentina, com direito a uma fundamental vitória sobre os donos da casa, na fase de classificação - eles venceram na final, mas a classificação já estava garantida desde o triunfo contra a República Dominicana, nas semifniais. A seleção feminina também vai aos Jogos de Londres, mas o título com sobras no PréOlímpico de Neiva, na Colômbia, não serviu para manter o técnico Ênio Vecchi: demitido após a má campanha no Pan, ele dá lugar a Luiz Tarallo, que trabalhava nas seleções de base. Rodolfo Buhrer/Foto Arena/AE

NA BRIGA PELO BI – Maurren Maggi finalmente superou as seguidas lesões e conseguiu repetir neste ano o bom desempenho de 2008, quando conquistou o ouro na Olimpíada de Pequim. Seu saldo vencedor no Pan de Guadalajara foi o melhor desde aquele na China, e animou a atleta, que terá 36 anos em Londres, mas promete estar em plena forma para tentar o bicampeonato olímpico.

Ricardo Moraes/Reuters

VELOCIDADE E PRESSÃO – Campeão em 2010 apenas na última prova, Sebastian Vettel acabou com qualquer dúvida sobre seu talento ao ser bi com quatro corridas de antecedência. Felipe Massa viu o outro lado da moeda: não foi nenhuma vez ao pódio e em 2012, no seu último ano de contrato, terá de se superar se quiser manter o emprego. Quer outra má notícia? Provavelmente ele será o único brasileiro na F-1 no ano que vem. Antonio Lacerda/EFE

FESTAS DE ÚLTIMA HORA – Dezembro reservou fortes emoções para os atletas brasileiros em dois esportes. No handebol, a seleção feminina fez uma campanha quase perfeita no Mundial, disputado em São Paulo, com oito vitórias e apenas uma derrota, e terminou na quinta posição, sua melhor na história. Na vela, Robert Scheidt e Bruno Prada conquistaram o bicampeonato mundial na classe Star, em Perth, na Austrália, e vão disputar, no começo do ano que vem, a chance de buscar mais uma medalha olímpica - em Pequim-2008, foram prata.

Greg Wood/AFP


DIÁRIO DO COMÉRCIO

22

e

sábado, domingo e segunda-feira, 17, 18 e 19 de dezembro de 2011

Tomara que 2012 seja com a mesma luz e o mesmo sucesso deste ano.” Tite

sporte

O ANO DOS PROFESSORES

Wallace Teixeira/Folhaporess

Daniel Augusto Jr./AE

N

em mesmo o título brasileiro serviu para Tite se tornar uma unanimidade - ainda há, entre os torcedores do Corinthians, quem o critique pelo defensivismo excessivo. Mas ninguém pode negar que Adenor Bacchi mudou de patamar em 2011, e hoje é um membro definivo da “elite” dos técnicos brasileiros. Um fim de ano promissor para um técnico que quase perdeu o emprego em fevereiro, quando o time caiu diante do Tolima na pré-Libertadores. Ficou no cargo e, apesar da perda do Paulista para o Santos, teve respaldo para montar o time que começou de forma fulminante o Brasileiro, somando pontos decisivos para a conquista que veio na última rodada, diante do Palmeiras.

Tite entrou de vez para a elite dos técnicos brasileiros ao comandar campanha vitoriosa do Corinthians Kazuhiro Nogi/AFP

Giuliano Gomes/Folhapress

RECICLAGEM – Adílson Batista era considerado um técnico promissor até o ano passado, mas foi questionado pelo mau desempenho à frente do Corinthians, que o trocou por Tite a menos de 10 rodadas do fim do Brasileiro. Neste ano, fracassou no Santos, no Atlético-PR e no São Paulo, e depois de ser demitido no Morumbi admitiu que precisava de um tempo afastado para repensar a carreira. Ainda não conseguiu emprego para 2012.

NO TOPO – Ricardo Gomes foi outro técnico que subiu de patamar em 2011. À frente do Vasco, conquistou a Copa do Brasil e montou o time que foi vice no Brasileiro e semifinalista na Copa Sul-Americana. Um AVC sofrido em agosto o afastou da rotina de trabalho, mas nem isso lhe tirou o prêmio de melhor técnico do Brasileiro, ao lado do auxiliar Cristóvão, que comandou o time durante o segundo turno. Piervi Fonseca/Agif/AE

DIAS DIFÍCEIS Entre derrotas do Palmeiras em campo e turras com a diretoria e o elenco, Felipão teve um ano complicado. E os sinais para 2012, até agora, são desanimadores...

Shizuo Kambay/AP/AE

Edu Andrade/Folhapress Leonardo Soares/AE

BOM EM QUALQUER FORMATO – Depois de quatro títulos brasileiros por pontos corridos, Muricy Ramalho se irritava ao ser questionado pela falta de conquistas em mata-mata, mas elas vieram em dobro neste ano, no Paulista e na Libertadores. Faltou apenas o Mundial de Clubes, mas o técnico se diz pronto para tentar repetir o desafio com o Peixe no ano que vem.

almanaque

VÔLEI EM XEQUE – As seleções de vôlei tiveram temporadas de pouco brilho em 2011, sem títulos de grande expressão, e Bernardinho e Zé Roberto têm um abacaxi para descascar a fim de deixar seus times prontos para buscar o ouro na Olimpíada de Londres.

3 Gustavo Sondermann,

do Corinthians de 1961 a

27 Geraldo Scotto, ex-

18 Pedro Rodrigues,

piloto da Stock Car, 29 anos,

1971, 89 anos, em São Paulo.

lateral-esquerdo do

ex-lateral-esquerdo do

em acidente em Interlagos.

Palmeiras de 1958 a 1967, 76 12 Adão Ambrósio, o

Corinthians de 1967 a 70, 62

anos, em São Paulo.

10 Nilza Monte Garcia, ex-

Adãozinho, ex-meia e

jogadora da seleção de

atacante do Corinthians na

23 Fábio Crippa, ex-goleiro

basquete, 68 anos, em São

década de 1970, 59 anos, em

8 Walter Abrahão, locutor

do Palmeiras, 82 anos, em

Paulo.

São Paulo.

esportivo, 80 anos, em São

anos, em São Paulo.

6 William Morais, meia do Corinthians, emprestado ao AméricaMG, 19 anos, em Belo Horizonte. 12 Édson Bispo, ex-jogador da seleção de basquete, 75 anos, em São Paulo. 27 - Maurice Guigue, juiz da final da Copa de 1958, na França, 98 anos. MARÇO

1º Carlos César, ex-atacante

Preto.

61 anos, em Porto Alegre. OUTUBRO

16 Dan Wheldon, piloto da

centroavante do Fluminense de 1991 a 1995, aos 45 anos, no Rio de Janeiro.

Fórmula Indy, 33 anos, em acidente durante as 300

27 Gary Speed, técnico do

Milhas de Las Vegas.

País de Gales, 42 anos, em Huntington, na Inglaterra.

23 Marco Simoncelli,

DEZEMBRO

motociclista italiano, 24

17 Sidney Colônia Cunha, o

14 Antônio Leone, ex-lateral

Chinesinho, ex-meia e

de Bahia e Flamengo, 80

24 Mário Gomes Amado, o

anos, em acidente durante o

4 Sócrates Brasileiro

ponta-esquerda do

anos, em Vespasiano (MG).

Marião, zagueiro do São

GP da Malásia de MotoGP.

Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, ídolo do Corinthians

Paulo de 1978 a 1980, 59

Palmeiras nas décadas de 1950 e 1960, 75 anos, em Rio

28 José Carlos Fescina, ex-

anos, em São José dos

27 Luiz Mendes, cronista

e capitão do Brasil

Grande (RS).

atacante do Palmeiras e ex-

Campos (SP).

esportivo, aos 87 anos, no

na Copa de 1982, 57 anos,

Rio de Janeiro.

em São Paulo.

técnico do Corinthians, 68 20 Luís Carlos Feijão, ex-

anos, em Santos.

jogador que fez o papel de

Sidney Corrallo/AE

30 Fernando Ferreti, exatacante do Botafogo, 62

31 Florian Albert, craque da Hungria nas Copas do

Pelé no filme O Rei Pelé, 64

29 João Lacerda Filho, o

anos, em Araruama (RJ);

anos, em São Paulo.

Barbatana, ex-jogador e

João Carlos Batista Pinheiro, Mundo de 1962 e 1966, 70

técnico do Atlético-MG, 82

ex-zagueiro do Fluminense

anos, em Belo Horizonte.

e do Brasil na Copa de 1954,

MAIO

79 anos, no Rio.

7 Lídio Toledo, médico da Seleção Brasileira tri campeã

JULHO SETEMBRO

anos, em Budapeste. NOVEMBRO

1 Eduardo Santana, o Pai Santana, massagista do

mundial em 1970 e tetra em

15 Paulo Borges, ex-ponta-

1994, 78 anos, no Rio.

direita do Bangu e do

27 Luís Carlos Machado, o

Vasco entre 1954 e 2006, 77

Corinthians na década

Escurinho, centroavante do

anos, no Rio de Janeiro.

de 1960, 66 anos,

Inter-RS e do Palmeiras entre

do Comercial-SP nos anos 1960, 72 anos, em Ribeirão

AGOSTO

Paulo.

São Paulo. FEVEREIRO

em 2011, o mérito é do argentino Ruben Magnano, o homem que fez a seleção não sentir falta de estrelas como Nenê e Leandrinho e voltar aos Jogos Olímpicos, que o time não disputava desde Atlanta-1996.

Obituário do esporte em 2011

Celso Unzelte JANEIRO

O SALVADOR – Se o basquete masculino viveu dias de redenção

JUNHO

7 Wadih Helu, ex-presidente em São Paulo.

as décadas de 1970 e 1980,

9 - Ézio Leal Moraes Filho,


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Diário do Comércio - 19/12/2011 by Diário do Comércio - Issuu