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Cadastro Positivo em ponto de bala

LEÃO FAMINTO Impostômetro já marca R$ 1,2 trilhão. Valor é alcançado 11 dias antes do verificado em 2011. Pág. 19

Com regulamentação publicada ontem, lei que permite a divulgação dos nomes de consumidores que pagam em dia entra em vigor em 2013 e marca um novo capítulo da história do crédito ao consumidor no Brasil. ACSP participou ativamente dos debates que antecederam à criação do Cadastro Positivo. Pág. 15

Reviravolta no Mensalão

Conclusão: 23h50

Arte de Paulo Zilberman sobre imagem da Corbis

Ano 87 - Nº 23.733

www.dcomercio.com.br

Jornal do empreendedor

R$ 1,40

São Paulo, sexta-feira, 19 de outubro de 2012

O ministro Barbosa, relator do processo do Mensalão, condenou, por formação de quadrilha, Dirceu, Genoino, Delúbio e mais 10. Aí, Lewandowski, o revisor, dando sequência ao já clássico embate com o colega de STF, absolveu os 13. De quebra, mudou um voto anterior, provocando um novo empate no julgamento. Págs. 5 e 8

João Caldas/Divulgação

Horário de verão começa domingo Pág. 13

Thiago Lacerda (à dir.) incorpora Hamlet que Ron Daniels, autoridade em Shakespeare, leva ao palco do Tuca. Na telona, em tempos de eleição, Will Ferrell está em Os Candidatos. Os cinéfilos podem se esbaldar na Mostra Internacional, que na 36ª edição homenageia Tarkóvisk (abaixo, O Sacrifício). Para ouvir, um CD revelador: Arranjadores. E descubra uma Córsega em plena Pompeia na Roda do Vinho.

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cultura

Divulgação

Warner Bros/Divulgação

C3, os monsieurs agradecem. O Citroën preferido das mulheres faz mudanças radicais para agradar machões. Pág. 22 Bruno Deiro/Estadão Conteúdo

Divulgação

Panamá: muito além do Canal. Boa fase econômica empurra o setor turístico do país, com investimentos em hotéis e restaurantes. Praias e cidade colonial vivem clima de festa. Boa Viagem. Pág. 24

ISSN 1679-2688

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Página 4

9 771679 268008


DIÁRIO DO COMÉRCIO

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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Assim, em São Paulo, fugiu-se do confronto. Na Bahia, tenta-se, com o telão, evitar a fuga de público. José Márcio Mendonça

pinião

Reprodução

EYMAR MASCARO

SERRA E HADDAD TROCAM CANELADAS

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Tufão e Carminha, as estrelas da novela da Globo: PT vai colocar telão em praça pública durante comício, para garantir permanência do público.

O enredo da política e o folhetim da Globo

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e acordo com o planejamento estratégico do governo Dilma, do PT e dos aliados para o segundo turno da eleição para as prefeituras – do qual ela deverá participar, de público, mais ativamente, em comparação com a primeira fase da votação – a presidente deveria estar no palanque de Fernando Haddad em São Paulo, hoje. E ao lado de Lula e de ministros paulistas. O comício será na Zona Leste, de onde o PT pretende tirar a maior parte dos votos para derrotar o adversário tucano José Serra. Ela não estará lá, porém. A vinda eleitoral de Dilma à capital paulista ficou para o sábado, e não mais no extremo, nos fundões da cidade e nem em praça pública, no aberto, mas no Ginásio do Canindé, território da Portuguesa de Desportos, sem condições de abrigar as multidões com que sonham os políticos. Vai ser um evento dirigido, precavidamente, para uma "multidinha". Os tucanos também – diga-se de passagem – não ousarão palanques em praça pública. A estreia de Dilma em comícios no segundo turno, que têm início nesta sexta-feira, ficou então para Salvador, para animar a festa do petista Nelson Pelegrino e cravar a derrota do DEM de ACM Neto, junto com São Paulo e Manaus (com Vanessa Graziottin), locais onde o ex-presidente Lula pretende esmagar os adversários-desafetos.

JOSÉ MÁRCIO MENDONÇA O evento para Pelegrino trará uma inovação: estará à disposição do distinto público um grande telão sintonizado na TV Globo. Que, por curiosidade, é um dos alvos do PT e do presidente Lula quando eles criticam a grande imprensa.

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anto a troca na agenda eleitoral da presidente Dilma, como a inovação de uma tela global em pleno evento político têm um motivo bastante cristalino: na hora programada para o comício "estar pegando fogo", é quando acontece o último capítulo da novela Avenida Brasil, um dos folhetins de maior audiência da Globo nos últimos anos, badaladíssima. Imagina-se que deverá bater recorde de audiência.

Entre o folhetim da Globo e o enredo político, o cidadão parece preferir o primeiro. Ao menos, na TV, a novela chega ao fim, enquanto o pesadelo político é um moto contínuo.

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as talvez seja mais uma demonstração – vista no desencanto da população, revelado nas eleições das prefeituras no primeiro turno, com sua avalanche de não-votos (abstenção, votos brancos, votos) –, de que a política no Brasil passa por um momento de terrível baixa. Mesmo quando o que está em jogo são coisas que mais diretamente afetam o cotidiano do cidadão – a saúde básica, a educação básica, a mobilidade urbana, a qualidade de vida na cidade. Entre o folhetim da Globo e o enredo da política, entre a ficção televisiva e a ficção que se pratica no horário eleitoral e nas campanhas de rua, o cidadão parece preferir o primeiro bloco. Pelo menos o que está na telinha acaba quando a novela chega ao fim, enquanto o pesadelo político é um moto contínuo. Nunca terá ficado tão claro no Brasil quanto agora, para as pessoas, governo e oposição, que vivem nesse mundo, que algo nele precisa mudar – e profundamente. Será que o recado será aprendido? JOSÉ MÁRCIO MENDONÇA É JORNALISTA E ANALISTA POLÍTICO

DEPOIS DO MENSALÃO: ELOGIOS Show o que escreveu Olavo de Carvalho. Mas o mensalão já vem de tempos, e está presente em todos os órgãos públicos. O PT não começou com isso, ele foi o boi de piranha. Pagar deputado para votar em leis, favoráveis ou não para o povo, é algo que acontece em

Assim, em São Paulo, fugiuse do confronto. Na Bahia, tenta-se, com o telão, evitar a fuga de público. Pode ser uma inovação interessante. Começa-se pelos discursos, por volta das nove horas faz-se uma interrupção para a exibição da novela e em seguida volta-se ao palco para a apoteose com os grande atores da política. É uma volta aos "showmícios", com os astros da telinha no lugar dos ídolos da canção popular. O que entender desse "medo" de contrapor os dois mais populares políticos brasileiros da atualidade, a presidente Dilma Rousseff e o expresidente Lula da Silva, a dois heróis (ou anti-heróis) da ficção televisiva, Carminha e Tufão? Há sempre as

explicações "científicas" sobre o fascínio que a televisão exerce (principalmente as novelas) sobre boa parte da população brasileira, o apelo do novelão, etc., etc., etc. – mil etceteras.

todos os estados. Sou empresário e sei como funciona a máquina pública. Fagner Douglas - São Paulo G

Mas que lavada! Será que um dia haverá honestidade na política? Parabéns ao jornalista e professor Olavo. Izabel Mathias - São Paulo

A RENÚNCIA DE SERRA A importância dada pelos petistas para atacar a renúncia de José Serra à prefeitura de São Paulo, em 2006, não corresponde à votação maciça recebida pelo mesmo para o governo do estado à época. Ou seja, os paulistanos não deram tanta importância ao fato,

que está sendo usado pelo PT por total falta em encontrar defeitos e acusar o homem e político probo e excelente administrador, como provam suas realizações em todos os cargos públicos por ele exercidos. Leila E. Leitão - São Paulo

Presidente Rogério Amato Vice-Presidentes Alfredo Cotait Neto Antonio Carlos Pela Carlos Roberto Pinto Monteiro Claudio Vaz Edy Luiz Kogut Érico Sodré Quirino Ferreira Francisco Mesquita Neto João de Almeida Sampaio Filho João de Favari Lincoln da Cunha Pereira Filho Luciano Afif Domingos Luís Eduardo Schoueri Luiz Gonzaga Bertelli Luiz Roberto Gonçalves Nelson Felipe Kheirallah Nilton Molina Paulo Roberto Pisauro Renato Abucham Roberto Faldini Roberto Mateus Ordine

osé Serra reiniciou a campanha no 2º turno com a língua afiada, acusando o PT de adotar a tática do "pegaladrão", isto é, a pessoa que bate a carteira de alguém e, para despistar, sai gritando "pegaladrão", "pega-ladrão". A resposta foi dura: os petistas cobraram do tucano uma explicação sobre o diretor que nomeou na prefeitura e que se especializou em receber propinas para aprovar processos nem sempre legais, conseguindo juntar dinheiro para comprar mais de 100 apartamentos. Lula determinou ao PT que abra o armário e desembrulhe o saco de maldades, não deixando as acusações de Serra sem resposta. Como o candidato continua denunciando que no governo Lula o PT comprava deputados, através do mensalão, para o presidente ter maioria na Câmara, os petistas retrucam com a denúncia de que o PSDB comprou votos no Congresso para aprovação da emenda constitucional que permitiu FHC a se reeleger presidente.

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addad responde ainda que o mensalão começou com o PSDB em Minas e com o mesmo Marcos Valério. O DNA do mensalão, segundo o petista, é tucano. Serra e Haddad estão empatados também em outra mixórdia: ambos criaram o "Kit-Gay": Serra quando foi governador e, Haddad, quando foi ministro. Se a tática de acusar o adversário resultará em dividendos eleitorais favoráveis, só as urnas darão a resposta, dia 28. Tem gente apostando, por exemplo, que a periferia não sabe o que é mensalão e que os moradores estão mais preocupados em saber se o candidato vitorioso vai resolver seus problemas, principalmente nas áreas de transporte, educação, saúde e segurança. A história política em São Paulo ensina que já houve candidato a governador que perdeu a eleição por exagerar na agressão ao adversário: Adhemar de Barros, que foi à televisão e chegou a chamar o concorrente de "canalha". A partir do

Tem gente apostando que a periferia não sabe o que é mensalão e que moradores querem de fato é saber se o candidato vitorioso vai resolver os seus problemas.

gesto destemperado, Adhemar despencou nas pesquisas.

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anhar a eleição de prefeito na capital tem importância fundamental para PT e PSDB. No caso de Serra, mais ainda. Eleito para a prefeitura, Serra pode garantir um mandato de oito anos, porque terá o direito de se candidatar à reeleição em 2016. Além disso, sua vitória facilitará a reeleição do governador Geraldo Alckmin, em 2014.

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a hipótese de perder, Serra pode ser obrigado a voltar a ser deputado, se quiser continuar no exercício do mandato. Ele não poderá pleitear no PSDB a legenda para concorrer a um dos cargos executivos: o partido vai apoiar a reeleição de Alckmin e também já garantiu que seu candidato ao Planalto será o senador Aécio Neves. Caso não queira retornar à Câmara dos Deputados, a última opção de Serra será concorrer ao Senado, disputando a vaga com o petista Eduardo Suplicy, candidato à reeleição. Também para o PT é muito importante conquistar a prefeitura de São Paulo, por dois motivos: o partido não encontrará tantos obstáculos na eleição de governador daqui a dois anos e, além disso, Dilma Rousseff terá um trunfo importante no principal colégio eleitoral do País, para tocar no estado sua campanha à reeleição. EYMAR MASCARO É JORNALISTA E COMENTARISTA POLÍTICO MASCARO@BIGHOST.COM.BR

Fundado em 1º de julho de 1924 CONSELHO EDITORIAL Rogério Amato, Guilherme Afif Domingos, João Carlos Maradei, João de Scantimburgo, Marcel Solimeo Diretor-Responsável João de Scantimburgo (jscantimburgo@acsp.com.br) Diretor de Redação Moisés Rabinovici (rabino@acsp.com.br) Edito r-Ch efe : José Guilherme Rodrigues Ferreira (gferreira@dcomercio.com.br) Editor de Reportagem: José Maria dos Santos (josemaria@dcomercio.com.br) Editores Seniores: Bob Jungmann (bob@dcomercio.com.br), Carlos de Oliveira (coliveira@dcomercio.com.br), chicolelis (chicolelis@dcomercio.com.br), José Roberto Nassar (jnassar@dcomercio.com.br), Luciano de Carvalho Paço (luciano@dcomercio.com.br), Luiz Octavio Lima (luiz.octavio@dcomercio.com.br), Luiz Antonio Maciel (maciel@dcomercio.com.br) e Marino Maradei Jr. (marino@dcomercio.com.br) Editor de Fotografia: Alex Ribeiro Editores: Cintia Shimokomaki (cintia@dcomercio.com.br), Fernando Porto (fporto@dcomercio.com.br), Ricardo Ribas (rribas @dcomercio.com.br) e Vilma Pavani (pavani@dcomercio.com.br) Subeditores: Marcus Lopes e Rejane Aguiar Redatores: Adriana David, Eliana Haberli e Evelyn Schulke, Ricardo Osman, Tsuli Narimatsu Repórter Especial: Kleber Gutierrez (kgutierrez@dcomercio.com.br), .Repórteres: André de Almeida, Fátima Lourenço, Guilherme Calderazzo, Ivan Ventura, Karina Lignelli, Kelly Ferreira, Kety Shapazian, Lúcia Helena de Camargo, Mariana Missiaggia, Mário Tonocchi, Paula Cunha, , Rejane Tamoto, Renato Carbonari Ibelli, Rita Alves, Sandra Manfredini, Sílvia Pimentel, Vera Gomes e Wladimir Miranda. Gerente Executiva e de Publicidade Sonia Oliveira (soliveira@acsp.com.br) Gerente de Operações Valter Pereira de Souza (valter.pereira@dcomercio.com.br) Serviços Editoriais Material noticioso fornecido pelas agências Estadão Conteúdo, Folhapress, Efe e Reuters Impressão OESP GRÁFICA S/A Assinaturas Anual - R$ 118,00 Semestral - R$ 59,00 Exemplar atrasado - R$ 1,60

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DIÁRIO DO COMÉRCIO

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

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PREFERÊNCIAS DO VOTO POPULAR CONTINUAM FLU IN DO DO CAMPO OBAMISTA PARA ROMNEY.

pinião

RAIVA E MEDO Lucas Jackson/Reuters

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umilhado no primeiro debate, Obama voltou à carga equipado da sua arma psicológica predileta: o ódio camuflado, transmutado em afetação de sentimentos humanitários e patrióticos carregados daquela estranha pungência, daquela "intensidade passional" de que falava W. B. Yeats, fonte da força hipnótica com que a personalidade psicopática dos líderes revolucionários se impõe à credulidade das massas. Obama defendeu sua posição com a tenacidade feroz de quem luta por algo mais que a mera sobrevivência política; de quem sabe que, se perder o cargo, não terá mais o aparato presidencial para defendê-lo contra a investigação de um passado que ele tem boas razões para manter secreto. "Secreto" é modo de dizer. Ninguém nos EUA ignora que a biografia oficial de Obama é um tecido de lendas, que seus documentos são falsos, e que, pouco importando onde haja nascido, ele subiu à presidência nas asas do maior blefe político de todos os tempos. Como todo blefador, ele sabe que sua posição é frágil. Tão frágil que até seus adversários se esquivam de desmascará-lo, porque sabem que seria tremendamente fácil fazer isso e temem ser os portadores de um escândalo mil vezes mais deprimente que o caso Watergate. "Quando está fraco, finja que está forte", recomendava Sun Tzu. Obama segue o conselho à risca, elevando o tom de voz sempre que lê nos olhos da plateia a suspeita latente que de um momento para outro pode explodir numa tempestade de acusações irrespondíveis. Como todo psicopata, ele busca transformar

OLAVO DE CARVALHO Mitt Romney e Barack Obama durante o segundo debate na campanha presidencial norte-americana: disputa ferrenha pelos indecisos. suas vítimas em cúmplices, explorando a natural inibição de admitir uma decepção mais funda do que sentem que podem suportar. Nas entrelinhas, todo o seu discurso é uma confissão involuntária do ódio que esse homem notoriamente desprovido de simpatia pessoal por quem quer que seja sente ao país que o amou e honrou infinitamente acima de seus méritos.

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documentário de Dinesh d’Souza, 2 01 6, mostrou isso claramente, e o psiquiatra forense Andrew G. Hodges, que tem uma longa carreira de sucessos na leitura do subtexto camuflado nas falas de criminosos, chegou exatamente à mesma conclusão ao examinar os livros e alocuções públicas de Obama. Leiam The Obama Confession. Secret Fear, Secret Fury (Village Publications, 2012) e digam se é exagero (um breve resumo encontra-se no Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=_7UhT3QNnDE&feature=relmfu, em sete partes).

Toda a atuação pública de Obama é uma rede de diversionismos e camuflagens de enorme complexidade. Malgrado a ajuda da mídia e a teimosia obstinada dos devotos, não é nada fácil para ele manter de pé a imagem de bom menino que a sua própria conduta política real desmente dia a dia, dobrando o déficit que prometeu reduzir pela metade, subsidiando indústrias "verdes" inviáveis pertencentes a seus contribuintes de campanha, alimentando generosamente o anti-americanismo internacional, arrogando-se poderes ditatoriais por meio de executive orders (o equivalente das nossas "medidas provisórias") e entregando à morte, por um indes-

culpável vazamento de informações, os executores de bin Laden, de cujo heroísmo continua tirando um proveito político totalmente indecente. Não espanta que em quatro anos ele tenha envelhecido vinte, buscando agora disfarçar a debilidade por meio de performances vocais cada vez mais forçadas e menos persuasivas. No último debate ele contou ainda com a ajuda da apresentadora Candy Crowley, que chegou a assumir ativamente o papel de coadjuvante do seu favorito, ao contestar o candidato republicano quando este acusava o presidente Obama de adiar desastrosamente o reconhecimento de que o ataque à embaixada na Líbia fora

Não é fácil para Obama manter a imagem de bom menino, que sua conduta real desmente, como dobrar o déficit que prometeu reduzir pela metade.

um ato terrorista.

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bama, protestou Candy, havia rotulado o ataque como "ato de terror" menos de 24 horas depois do ocorrido. Puro fingimento, é claro. Obama havia falado muito genericamente de "atos de terror", mas no contexto de um discurso que lançava a culpa de tudo no filminho anti-islâmico do Youtube – cujo diretor foi, até agora, o único a sentir no próprio couro o peso da "severa punição" que o presidente prometia aos responsáveis pelo ataque. Não por coincidência, nos três debates realizados até agora os candidatos democratas desfrutaram de mais tempo e ainda cortaram à vontade a fala de seus adversários (Biden 82 vezes, Obama 28), com o evidente beneplácito dos mediadores. No segundo debate, alguns repórteres na sala contígua ao estúdio chegaram a aplaudir Obama, infringindo ostensivamente a regra e o decoro e mostrando uma vez mais que a classe jornalística ameri-

"VOTA NO ADADI CUMADI, VOTA NO ADADI CUMPADI". Abro espaço no meu Horário Político para esta edição extraordinária. Os Ministros do STF fizeram um acordão (não é "acórdão") e concordaram que não concordam com uma definição legal do que seja a atividade que está a parecer legal de "Lavagem de Dinheiro". Inocentaram a quadrilha composta pelos indivíduoss Parquet, Caput, Bis In Idem, Data Venia e outros, que operam acobertados pelos baixos escalões republicanos e que matam de vergonha as honestas lavadeiras de beira de rio. Os novos suspeitos, Omo e Brastemp, estão sendo procurados pelos federais. Todas as residências já foram grampeadas pelas equipes do Cachoeira. Volto à programação habitual.

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dadi num tá na urna, e agora ? Haddad tá no bico do corvo. É a explicação plausível para este reclame do "Melhor Ministro da Educação" nunca antes visto neçepaíz: "Vota no Adadi Cumadi, Vota no Adadi Cumpadi". Reclame não votando nele. Foi ele quem aprovou o uso do livro didático "Nós Pesca os Peixe" nas escolas públicas . Pensam que com essa isca êlis pesca us eleitor. Pesca sim, pescaro o bispo Crivella, Ministro da Pesca, que declarou não saber "nem colocar minhoca no anzol".

Seu marquetero é PhD pela Universidade Duda Goebbels Mendonça, onde aprendeu que é preciso falar a língua do "país dos mais de 80%" se ambicionar sucesso. O catedrático Goebbels Mendonça é aquele que recebeu quase 11 Milhões de Pilas num paraíso fiscal e foi absolvido pelo STF.

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ssa grana foi paga para ele aplicar o maior estelionato eleitoral que vi na vida, o "Lulinha Paz e Amor"; antigamente a maladragem chamava de Um-Sete-Um. Paz para roubar e deixar roubar em paz, e amor à corrupção e aos seus corruptos de estimação, conforme o STF desmascara quase que por unanimidade, com exceção dos Doutíssimos Doutos Advogados de Defesa dos Mensaleiros, Lewandowski e Toffoli.

Coloquei Haddad no meio do meu nome, acima, porque meu avô imigrou da Síria fugido da pobreza e enfrentou a voz do povo, que classificava aquela turma de fala arrevezada segundo seus conhecimentos da gramática nacional. Os muito pobres, como meu avô, eram "turcos"; os remediados, "sírios"; os que enricavam eram promovidos a "libaneses". Daí, imagino, a grande quantidade de "turcos", alguns "sírios" e "libaneses" em menor número. Não tenho certeza disso; tenho certeza é de que a voz do povo não é a voz de Deus coisa nenhuma – a voz do povo é a voz do povo mesmo e olha lá.

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nome de origem do meu avô era Scandara Haddad, sendo Haddad a profissão ancestral da família: "Ferreiro"; Scandara "Ferreiro". Em fala difícil, isso é "patronímico de profissão". Foi traduzido quase literalmente para "Ferreira", tanto em Portugal como no no Brasil;

Schmidt e Smith são a mesma coisa nas línguas saxônica e anglo-saxônica. Meu avô conquistou a inclusão na catiguria "sírio" sem se aproveitar de bolsas-brimos e nem de cotas-brimos e só depois de passar a vida inteira working his ass off, como dizem os norte-americanos quando narram de maneira coloquial o quanto pastaram para construir um patrimônio.

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Os "Ferreira" correm, pois, o risco de ser confundidos com brimos do Haddad. In dubio pro reu, pontificam os capas-pretas no STF, para deixar limpas as caras de alguns petistas sem vergonha nas caras. Estou in dubio se sou brimo do Haddad ou não; juro de pés juntos que não sou. In dubio pro eu (eu sou "eu" e não sou "réu"). Digo eu: não sou brimo e zé finí. O Serra, nós estamos carecas de saber quem foi e quem é. Sua biografia política, impecável desde a UNE, é conhecida por todos – amigos, correligionários, adversários e inimigos. Sabemos o que fez e o que faz, o que nos dá uma

cana já nem tenta disfarçar o partidarismo que a inspira. Não obstante todo esse concurso de expedientes, as preferências de voto popular continuam fluindo do campo obamista para o candidato republicano. A grande mídia, é claro, já declarava Obama vencedor antes do segundo debate e continuou a fazê-lo depois. Mas no grupo-controle de eleitores indecisos reunido pela MSNBC a maioria, terminado o confronto, saiu decidida a votar em Mitt Romney. E o Gallup, na primeira sondagem após o debate, assinalava que Romney havia subido de 50 para 51 por cento nas intenções de voto, e Obama baixado de 45 para 44. Talvez mais significativamente ainda, logo em seguida começaram a chover no Youtube ameaças de morte contra Romney, mostrando às claras quem é que está com medo. Nada disso garante, decerto, a vitória de Romney, pois o Colégio Eleitoral, que decide a parada acima do voto popular, ainda pende fortemente para o candidato democrata, com uma diferença de 271 votos para 201 e um bocado de indecisos no meio. OLAVO DE CARVALHO É ENSAÍSTA, JORNALISTA E PROFESSOR DE FILOSOFIA

NEIL haddad

Ferreira clara indicação do que fará. Nunca foi réu de Ação Penal no STF, condenado como corruptor e corrupto. O PT do Haddad é o "Partido da Ética na Política" e do "Não rouba nem deixa roubar" (rsrs). Mentiu a vida inteira de boca cheia; taí o STF que não me deixa mentir.

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o 2º turno, Haddad, talvez de perna quebrada e imobilizada como eu, anda amparado em duas muletas visíveis, o Criador e a Criatura. A cadeira de rodas, com o vistoso logotipo "Nefasto", é usada no escondido, na escuridão do apagão moral. As minhas muletas também são duas, mas são honestas, compradas em loja ortopédica, só servem para ajudar a me arrastar pela casa; ainda não subo escada e votar foi um sacrifício. Mas não branquelei, não anulei nem faltei; votei. Haddad aprendeu as lições do seu Mestre, só abre a boca para ofender e jogar lama na careca do Serra, parece uma daquelas bocas de aluguel, tipo Chalita, O Puro. Sobre ele, eu que só sei que nada sei de política, percebo que se propõe a administrar São Paulo, Capital, talvez o 3º maior orçamento do

Brasil, ele que enem soube administrar o Enem. Sobre Serra, reconheço que tem dois fatos relevantes no lado escuro da vida; são pecados ("erros", como Lula diria) pelos quais já foi punido. (1) Deixou a prefeitura para concorrer ao governo do estado. O eleitorado deu-lhe castigo imediato: elegeu-o no 1º turno com votação espetacular, dando uma sova no Mercadante, seus dossiês farjutos e aloprados com as malas cheias de dinheiro. (2) Deixou o governo do estado para concorrer à presidência da República e teve 44 milhões de votos no 2º turno. Sozinho, sem máquina do governo, sem campanha ilegal feita dois anos antes do que a Lei permite, suportando ataques do Palanqueiro Mor. Haddad faz o jogo do inimigo ao lembrar ao eleitorado o pau de dar em doido que Serra é, um resistente duro de ser quebrado. É Serra ou mensalão. Não troco um Serra nem por meia dúzia de Haddads. Eu tive um sonho: O Estado dirigido por administradores íntegros, legisladores probos e juízes incorruptíveis. NEIL FERREIRA É PUBLICITÁRIO


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GibaUm

3 Geradoras operarão

hoje, final de Avenida Brasil , com folga para garantir salto de consumo de energia.

gibaum@gibaum.com.br

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

3 MAIS: a determinação é do Operador Nacional do Sistema. Os técnicos ironizam: um apagão significaria uma revolução.

k Está cheio de aposentados hipocondríacos que não têm o que fazer Festa de crimes e vão ao centro médico tomar café e passar por consulta.

EDSON DE GODOY BUENO // 69 anos, fundador da Amil, que acaba de vender para a United Health por R$ 6,4 bilhões. Fotos: BusinessNews

333 A prefeitura carioca tem um vídeo que está exibindo em todo o planeta, visando atrair o turismo de lésbicas, gays, bissexuais e transexuais, apresentando o Rio como cidade tolerante com a diversidade sexual e convida o público LGBT a conhecer suas belezas naturais e participar de seus eventos. Tema de fundo: São Coisas Nossas, de Noel Rosa, na voz de Gal Costa. Tem imagens de marmanjos aos beijos e casais femininos de mãos dadas e se abraçando. Bruno Chateaubriand, casado há anos com André Ramos e que foi agredido há dias por ser gay, diz que a cidade não é tão tolerante, não.

ALÔ,ALÔ Até agora, o ex-presidente Lula não telefonou para seu marqueteiro de 2002, Duda Mendonça, que conseguiu ser absolvido de crimes ligados ao esquema do mensalão, ao lado de sua sócia Zilmar Fernandes, mesmo depois da alteração dos votos de Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa. O ex-chefe do Governo, na época da CPI dos Correios, achou que Duda não deveria ter confessado publicamente que recebeu, numa conta em Miami, R$ 10,4 milhões pagos pelo PT, referentes a serviços prestados à campanha presidencial. Naquele tempo, o então presidente considerou que o publicitário“acaboucolocando mais lenha na fogueira”.

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Outro guardanapo Se usar guardanapo amarrado na cabeça é um esporte noturno praticado pelo governador Sérgio Cabral, pelo empreiteiro Fernando Cavendish e seus amigos, em Paris, a peça destinada a proteger a roupa à mesa e a limpar a boca, virou apelido do deputado federal Inocêncio Oliveira, do PR, que está avisando que disputará a presidência da Câmara, no ano que vem, contra Henrique Eduardo Alves, do PMDB. Quem brinda o parlamentar com o apelido é Marco Maia (PT-RS), presidente da Casa: “Ele é chamado de guardanapo porque está sempre à mesa”. Ou seja: Maia garante que a estratégia de Inocêncio objetiva apenas ganhar outro assento na mesa da Câmara.

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CLASSE C 333 Depois de ter agradado com os núcleos do Divino (Avenida Brasil), com a Comunidade do Borralho (Cheias de Charme) e até por inspiração em A Grande Família, 11 anos no ar e ambientada no subúrbio, a Globo coloca no ar a partir de 1º de novembro a série Subúrbia, escrita e dirigida por Luiz Fernando Carvalho, de olho nos espectadores da classe C. Em 8 episódios, que mostrarão a vida dos moradores da Madureira, no Rio, será contada uma história de amor.

CHEGANDO

Queridinho dasmodelos

O talentoso fotografo peruano Mário Testino (na primeira foto à esquerda, com a brasileira Gisele Bündchen, grávida), acaba de inaugurar mais uma super-exposição fotográfica em Boston, no Museum of Fine Arts, dedicada ao tema British Royal Portraits. Darling das modelos mais poderosas de todo o mundo, Testino recebeu na inauguração grande grupo de estrelas do universo da moda: da segunda foto à esquerda, para a direita, Alessandra Ambrosio, Anna Wintour, diretora de Vogue America ; e Candice Swanepoel e Joan Smalls. 333

Dilma Rousseff convocou o ministro da Pesca, Marcelo Crivella (PRB-RJ), bispo licenciado da Universal, para detectar e neutralizar ofensivas tucanas destinadas a usar o kit-gay contra Fernando Haddad. O primeiro a disparar para valer foi o pastor Silas Malafia, da Assembléia de Deus – Vitória em Cristo e o próprio Edir Macedo, em seus livros, condena, radicalmente, o homossexualismo. Nos programas de TV, vira e mexe, seus pastores exibem um “gay recuperado”. Dilma, desde os tempos da campanha, mantém uma relação mais do que cordial com Crivella. Quando resolveu nomeá-lo para a Pasta da Pesca, queria tê-lo como “uma espécie de ministro para assuntos evangélicos”. Há dias, contou ao mesmo Crivella que pescou “um tambaqui enorme” no Lago Paranoá, se bem que ele acabou achando que era “conversa de pescadora”.

Pescador de votos

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Maior empresa de vendas online do mundo, a Amazon prepara sua chegada ao Brasil para breve. Agora, 180 editoras nacionais assinaram contrato com o site americano para vender livros em sua loja digital. São representadas pela Xeriph, maior distribuidora de livros digitais no país, que tem 200 editoras entre seus clientes. Vinte ainda estão de fora, entre elas, a Companhia das Letras que prefere negociar de forma independente. 333

MISTURA FINA 333 QUEM está circulando entre São Paulo e Rio é Alexandra Burke, a aplaudida cantora britânica de 24 anos, vencedora do programa X Factor UK. Até deu canja no Londra, boate do Hotel Fasano do Rio, que anda mal das pernas e que contratou a ex-modelo e produtora Pollyana Simões para tentar movimentar o local.

O DEPUTADO Marco Maia, presidente da Câmara, vem se especializando em tiradas irônicas, incluindo como alvo até mesmo seu partido. Dia desses, arrumou outra definição para a agremiação: “No PT, nada é natural. Nem iogurte”. 333

O PASTOR Valdomiro Santiago, da Igreja Mundial do Poder de Deus, que vende a seus seguidores toalhas, travesseiros e martelinhos milagrosos, e que tem abduzido fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus, tem comprado horários em diversas emissoras de televisão. Agora, contudo, estaria interessado em adquirir a Rede 21 que pertence ao Grupo Bandeirantes. 333

Aos 61 anos de idade, Elvira, Mistress of the Dark, personagem criado pela atriz Cassandra Peterson (destaque) e sucesso nas décadas de 80 e 90, às vésperas de mais um Halloween, está de volta: é jurada do RuPaul´s Drag Race, concurso de drag queens (no Brasil, é exibido pelo VHi) e nesta época, faz aparições em todos os Estados Unidos. Agora, depois de ter um perfume e uma cerveja com seu nome, lançou um vinho ( Macabrenet Elvira ) e um refrigerante. E tem um projeto para virar animação: só que quer Tim Burton a seu lado.

Elvira de volta

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Pescadora 333 Nos primeiros tempos de governo, o ex-presidente Lula costumava pescar no Lago Paranoá e, de vez em quando, até convidava alguns amigos. Na época, também contava “historias de pescador”. Depois, foi abandonando o hábito. A presidente Dilma Rousseff não tem paciência para pescar: essa sua incursão foi feita ao lado do neto Gabriel. Contudo, nos tempos de guerrilha, pescava porque, dependendo do estoque de mantimentos (comprados ou surrupiados pelos camaradas), a única alternativa era essa. E ela também cozinhava.

h IN Terno cinza.

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Capital gay

333 No final de Avenida Brasil, advogados fazem um balanço das façanhas dos personagens que cometeram um verdadeiro festival de crimes: entre outros, tentativa de homicídio, cárcere privado, abandono de incapaz, furto, roubo, estelionato, violação de domicilio, lesão corporal, exploração de trabalho infantil e extorsão, só para começo de conversa. Obedecendo-se penas previstas no Código Penal, sete dos principais personagens seriam condenados a no mínimo 55 anos e 10 meses de prisão. Se adotadas as penas máximas, poderia chegar a 174 anos e nove meses de cadeia.

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Terno marinho.

Luz amarela 333 As novas pesquisas acenderam a luz amarela na cúpula do PSDB: se José Serra não vence, o partido perde sua condição de alternativa nacional de poder, mesmo consolidando a candidatura do senador Aécio Neves (PSDB-MG) à Presidência em 2014. O PSB do governador Eduardo Campos ganha mais musculatura e a candidatura de Geraldo Alckmin à sua própria reeleição fica ameaçada. Poderá ter pela frente Alexandre Padilha ou Luiz Marinho (PT) e, eventualmente, Gilberto Kassab pelo PSD e com apoio de Campos. À propósito: Levy Fidelix (PRTB-SP), o homem do aerotrem, que levou 19.800 votos para prefeito, já avisou que também concorrerá a governador (será sua 13ª disputa).

O FLAMENGO, que tem dividas entre impostos e fornecedores num total de quase meio bilhão de reais, foi bater na porta do BMG, maior patrocinador do futebol brasileiro: queria uma ajudinha de R$ 10 milhões para resolver problemas urgentes de caixa. Quem atendeu o pessoal do Flamengo, antes de soltar um sonoro “não”, não resistiu em fazer o comentário: “Puxa, vocês são corajosos, hein?” 333

333 ESTA SEMANA, no Twitter, a veterana roqueira Rita Lee, 65 anos, entusiasmada com o desempenho do ministro relator do mensalão e futuro presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, não resistiu e postou: “Joaquim Barbosa, com perdão de Vossa Excelência, vc é f...”

DEPOIS de anunciar seu apoio ao candidato José Serra em São Paulo e dizer que a vitória suposta de Fernando Haddad fortalece Lula e o mensalão, Plínio de Arruda Sampaio, 82 anos, um dos fundadores do PT e hoje no Psol, foi literalmente execrado pelos petistas na internet e pelos colunistas sustentados.

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Colaboração: Paula Rodrigues / A.Favero

CHARGE DO DIA


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DIÁRIO DO COMÉRCIO

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

5 CITAÇÕES PGR usa 96 vezes a palavra quadrilha e 55 organização criminosa.

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DIFERENÇAS Ministros Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski ainda divergem.

Barbosa condena quadrilha de Dirceu Para o relator do Mensalão, "há um manancial de provas" de que o ex-ministro liderava o esquema. José Genoino também foi condenado junto com mais nove réus. Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

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ministro Joaquim Barbosa, relator do M e n s a l ã o n o S upremo Tribunal Federal (STF), baseado, como disse, "em todo esse manancial probatório produzido tanto no inquérito, quanto em juízo", votou ontem pela condenação, por crime de formação de quadrilha, do ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu; do ex-presidente do PT, José Genoino; do ex-tesoureiro do partido, Delúbio Soares, além do publicitário Marcos Valério

e de outras sete pessoas. Acatando a tese da acusação, Barbosa considerou que Dirceu seria o líder do Mensalão e que Delúbio seria o elo entre o núcleo político e o publicitário. "Todo esse manancial probatório, ao contrário do que sustenta a defesa de José Dirceu, comprova que era ele quem comandava o núcleo político", afirmou o relator. "Há provas mais do que consistentes de que Delúbio Soares, além de funcionar como braço operacional do núcleo político, era o principal elo com o núcleo publicitário". Ciência – Barbosa afirmou ainda que, embora José Genoino negue que tenha oferecido vantagem financeira a partidos políticos em troca de apoio no Congresso, ele era o presidente do PT na época e tinha ciência do esquema. "Embora também refute a natureza simulada destes empréstimos feitos junto ao Banco Rural, no

seu interrogatório José Genoino admitiu que tinha conhecimento dos empréstimos do PT do qual foi avalista". Os núcleos – Do publicitário, além de Marcos Valério, o relator condenou por formação de quadrilha os ex-sócios Cristiano Paz, Ramon Hollerbach, Rogério Tolentino e Simone Vasconcelos, ex-funcionária da agência SMP&B. "O esquema dependia da conduta de todos os membros", sustentou Barbosa. Apenas Geiza Dias, a exfuncionária chamada pela sua defesa de "mequetrefe", foi absolvida pelo relator, apesar de ele acreditar que ela teve participação na quadrilha. Quanto aos réus do Banco Rural, que na denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR), simularam empréstimos para as empresas de Marcos Valério para ocultar a origem dos recursos, Barbosa votou pela condenação por formação de quadrilha de Ká-

tia Rabello, José Roberto Salgado e Vinicius Samarane, todos dirigentes do banco na época dos empréstimos fictícios. Ayanna Tenório, também ex-dirigente do Rural, foi absolvida pelo relator por ter sido inocentada pelo plenário do STF de outras acusações. Operação – Para Barbosa, "todas essas revelações conferem credibilidade à afirmação da denúncia de que os integrantes do núcleo financeiro ingressaram na quadrilha em troca de vantagens financeiras". O ministro relatou como se davam as operações que abasteciam o esquema de pagamento de parlamentares. Segundo ele, Delúbio foi um dos que assinaram um contrato de empréstimo fictício do PT junto ao Rural no valor de R$ 3 milhões, renovado por dez vezes para que não fosse quitado. Para a PGR, uma "sofisticada organização criminosa dividida em áreas de atuação". (Agências)

Joaquim Barbosa: ministro do STF acata a tese da acusação.

Revisor muda seu voto. E provoca novo empate.

Todo esse manancial probatório, ao contrário do que sustenta a defesa de Dirceu, comprova que ele comandava o núcleo político.

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JOAQUIM BARBOSA

Quadrilha não é uma associação ocasional, efêmera, mas uma organização estável e permanente. RICARDO LEWANDOWSKI

E Lewandowski absolve todos eles Para o revisor do Mensalão, a PGR fez uma verdadeira "miscelânea cultural" ao não caracterizar o crime de formação de quadrilha.

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epois de descrever que "quadrilha não é uma associação ocasional, efêmera, mas uma organização estável e permanente, portanto não pode ser confundida com concurso de agentes", o revisor do Mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski, votou ontem

pela absolvição dos 13 réus acusados de formação de quadrilha, entre eles José Dirceu, Jose Genoino, Delúbio Soares, Marcos Valério, além de ex-integrantes da cúpula do Rural. Ao inocentar os réus, o revisor se apoiou nos votos das ministras Rosa Weber e Carmen Lúcia, que haviam absolvido em outro item da denúncia ou-

tros réus por formação de quadrilha, como o doleiro Enivaldo Quadrado e o deputado federal Valdemar Costa Neto (PR-SP). (Leia mais ao lado). De acordo com a Procuradoria Geral da República (PGR), os réus ligados à cúpula do PT, ao núcleo publicitário de Marcos Valério e aos dirigentes do Banco Rural se associaram pa-

ra cometer crimes. A denúncia sustenta que as empresas de Marcos Valério se incumbiram de levantar recursos para o PT comprar apoio político no Congresso e saldar dívidas. Desvio – O Banco Rural foi usado para ocultar a origem dos recursos, mediante empréstimos fictícios. Os recursos seriam desviados do fundo

Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

Ricardo Lewandowski: revisor do Mensalão no STF se apoiou nos votos das ministras Rosa Weber e Carmen Lúcia para inocentar os réus no quesito quadrilha.

Visanet, controlado pelo Banco do Brasil entre outros. Lewandowski, porém, não vislumbrou "prova sequer da prática desse crime". Para ele, "houve aqui mera coautoria". Ou seja, em seu entendimento, não ocorreu uma associação para cometer os crimes, premissa para a condenação por formação de quadrilha. Na coautoria, os réus se reúnem para praticar um crime específico. Na quadrilha, há uma associação estável e permanente, com a finalidade de praticar crimes. Ao inocentar, Lewandowski se apoiou nos votos proferidos pelas ministras Rosa Weber e Carmen Lúcia em outra denúncia do julgamento. De acordo com o revisor, as ministras afirmaram que o escopo da quadrilha seria sobreviver à base dos produtos auferidos com os crimes praticados, que para ele não ocorreu com os réus julgados neste item. "No direito penal, não há mais ou menos. Ou o comportamento é típico ou não é típico", disse o ministro. Lewandowski fez críticas à denúncia da PGR que, segundo ele, fez uma "verdadeira miscelânea conceitual, enfraquecendo as imputações contra os réus". (Folhapress)

a reta final do Mensalão, o ministro Ricardo Lewandowski, revisor do processo no Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu ontem alterar o seu voto sobre formação de quadrilha. Ao mudar, deixou indefinida a imputação desse crime dada ao deputado federal Valdemar Costa Neto (PR-SP) e ao extesoureiro do PL (atual PR), Jacinto Lamas. Em votação anterior do processo, Lewandowski estava entre os seis ministros que tinham votado pela condenação de Costa Neto e Lamas por formação de quadrilha. Com o recuo, de condenados por 6 a 4, passaram a empatados em 5 a 5. E a tendência, neste caso, é que o STF beneficie os réus. Os dois foram condenados também por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ao reformular o seu voto, o ministro disse que seguia decisão das ministras Rosa Weber e Carmen Lúcia. Elas entendem que uma coisa é um grupo se reunir para daí por diante se dedicar a atos criminosos. Mesmo que não cometam crime nenhum, podem ser condenados por formação de quadrilha. Outra coisa é pessoas se associarem apenas em função do crime que, eventualmente, quiseram cometer. Nesta situação, são coautores. O revisor lembrou ainda que na denúncia, o Ministério Público usou 96 vezes a palavra quadrilha e 55 vezes citou organização criminosa. Ele destacou que as duas condutas são diferentes. Com a modificação, o revisor absolveu o ex-deputado Pedro Corrêa (PP-MT); o ex-assessor do PP, João Cláudio Genú, e o doleiro Enivaldo Quadrado. Nestes casos, porém, fica mantida a condenação pela votação de 7 a 3 para 6 a 4. (Folhapress).


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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Do ponto de vista da Procuradoria-Geral da União, caberia a execução imediata da decisão. Roberto Gurgel, procurador-geral da República.

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Felipe Sampaio/SCO/STF - 11.10.12

Gurgel quer prisão imediata para os condenados A tendendência, porém, é que os ministros não sigam o pedido do procurador.

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a reta final do julgamento do Mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse ontem que estuda uma nova manifestação aos ministros, que deve ser entregue na próxima semana, reforçando o pedido de prisão imediata dos réus condenados. Isso, considerando que a ação deverá ser concluída na próxima quintafeira, antes das eleições. Depois de quase três meses de julgamento, 37 sessões e 25 condenações, o Supremo já estabeleceu que houve um grande esquema de desvio de recursos públicos com o objetivo de comprar apoio político no Congresso nos primeiros anos do governo Lula.

Os ministros começaram ontem a analisar o último capítulo da denúncia que trata da formação de quadrilha. Por enquanto, votaram o relator e o revisor. Gurgel explicou que não vê sentido em esperar a publicação da decisão e eventuais recursos para que as condenações sejam efetuadas.

"Do ponto de vista da Procuradoria, caberia a execução imediata da decisão", argumenta Gurgel. "O que eu defendo é que a decisão do STF não desafia recursos de efeito modificativo", completou. Divergência – Ao final do julgamento, os ministros estabelecerão a dosimetria (o tamanho) das penas. Ainda não é possível saber que réus irão efetivamente para a prisão. Pelo Código Penal, o regime é inicialmente fechado para penas a partir de oito anos. A tendência, no entanto, é a de que não prevaleça o pedido do Ministério Público de prisão imediata. Ministros argumentam que isso seria incoerente com o posicionamento recente do próprio tribunal – que desde 2010 já condenou cinco

Tese do Mensalão pode ser usada contra Ustra, diz advogado.

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tese jurídica sobre o domínio do fato, que permitiu ao STF condenar o ex-ministro José Dirceu no episódio conhecido como mensalão, pode acabar sendo usada contra militares acusados de crimes de violação dos direitos humanos no período do regime militar. O exemplo mais notório é do coronel da reserva Carlos Alberto Brilhante Ustra, que afirma não ter conhecimento dos casos de torturas e desaparecimentos de presos políticos ocorridos no DOICodi de São Paulo na época em que ele comandava a instituição, entre 1970 e 1974.

O advogado do coronel, Paulo Alves Esteves, admite essa possibilidade. "Cada caso é um caso e cabe aos juízes decidir sobre teses jurídicas, mas, de maneira hipotética, não posso negar que isso é possível. Toda tese jurídica tem aplicação", afirmou. Sempre insistindo que se trata de um hipótese e não existe um caso concreto para ser discutido, ele afirmou que a tese tem ampla aplicação. "Se me perguntam se pode ser usada no caso do Ustra, digo que é lógico que sim. Não posso dizer, porém, se vai ser usada", ressalva.

Pressa: não faz sentido esperar a decisão para que as condenações sejam efetuadas, argumenta Gurgel. parlamentares que até hoje ainda não começaram a cumprir a pena. Há três opções: imediatamente após a sentença, independentemente da publicação da decisão (acórdão) e respectivos recursos (embargos de declaração); quando o acórdão for publicado; ou somente após a análise de todos os recursos propostos. "É inconstitucional a execu-

ção provisória em quaisquer sanções penais", reagiu o ministro Celso de Mello, citando uma jurisprudência firmada em um caso relatado pelo exministro Eros Grau. "Mesmo uma pena restritiva de direitos, que é uma pena muito mais leve (que a prisão), ela não pode ser executada senão após o trânsito em julgado". Prisão já – Mas mesmo que a dosemetria (definição das pe-

nas seja exclusiva dos ministros, o procurador-geral acredita que em boa parte dos crimes houve continuidade delitiva – decorrem do primeiro. O MP e a defesa não sugerem penas, podem apenas sugerir parâmetros. Mas para o procurador, o fato de os réus não oferecerem risco à sociedade, como querem alguns advogados, não impede a prisão. (Folhapress)

Margarida Neide/A Tarde/Estadão Conteúdo

Para Esteves, o Supremo agiu de forma correta ao empregar a tese no julgamento do mensalão. "Os ministros acertaram ao considerar razoável que pessoas no pleno comando da situação tivessem conhecimento dos fatos", afirmou. "É razoável que sejam responsabilizadas." Ainda segundo Esteves, o domínio de fato já faz parte da cultura jurídica. "Ninguém discute se o dono de uma empresa é obrigado a ressarcir quem foi prejudicado por alguma ação envolvendo a empresa. Já se sabe que é obrigado a pagar". (Estadão Conteúdo)

Destinatário: publicitário recebeu remessas para contas no exterior.

'Já fui julgado', diz Lula, apontando vitória de Dilma.

Justiça condena depositantes da conta de Duda Mendonça

Declaração foi feita ao La Nación e destaca aprovação de 87% de seu governo.

Empresários foram condenados a 10 anos por evasão de divisas e lavagem

Marcos Brindicci/Reuters

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m visita à Argentina, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que já foi "julgado" pelo Mensalão. A declaração foi feita em entrevista ao jornal argentino "La Nación". A afirmação do ex-presidente referese a eleição de sua sucessora indicada Dilma Rousseff e ao seu alto índice de aprovação no final de seu mandato. "Eu já fui julgado [pelo Mensalão]. A eleição da Dilma foi um julgamento extraordinário. Para um presidente com oito anos de mandato, sair com 87% de aprovação é um grande juízo", disse Lula, em referência à pesquisa CNI/Ibope de dezembro de 2010. O ex-presidente também afirma que não tem nenhuma preocupação sobre o julgamento, que está em fase final no Supremo Tribunal Federal (STF). "Cada Poder –o Executivo, o Legislativo ou o Judiciário – tem suas próprias responsabilidades e cada um deve cumprir com elas", conclui. Questionado pelo jornal se ele faz alguma autocrítica após a condenações de aliados pelo julgamento, Lula diz que por ser ex-presidente ain-

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Justiça Federal de Minas Gerais condenou os empresários Glauco Diniz e Alexandre Vianna, responsáveis por terem efetuado várias remessas para a conta no exterior do publicitário Duda Mendonça, a 10 anos e seis meses de prisão em regime inicialmente fechado pelos crimes de evasão de divisas e lavagem de dinheiro. A sentença da 4ª Vara Federal de Belo Horizonte é da quinta-feira da semana passada, dia 11, e foi divulgada nesta quinta pelo Ministério Público Federal em Minas, autor da denúncia.

Soberba: Lula diz a jornal argentino que o povo já o julgou ao brindá-lo com altos índices de aprovação e a eleição de sua sucessora, Dilma Rousseff.

da não deve emitir opinião sobre o assunto. "Não tenho me manifestado sobre esse processo, primeiro porque naquela época [do escândalo do Mensalão] era presidente da República e acredito que um ex-presidente não pode falar sobre a Suprema Corte. Principalmente quando o processo está em análise. Vamos esperar que termine o processo e então, com certeza, poderei emitir minha opinião", responde Lula.

Lula viajou para Mar del Plata (410 km de Buenos Aires) para participar de uma palestra a empresários argentinos. O ex-presidente também afirmou que não tem mais "ambições políticas". Segundo Lula, seus planos são ajudar o governo Dilma e contribuir para a vitória do PT na eleição municipal de São Paulo. Sem perder mais uma oportunidade de exaltar seus próprios feitos, o ex-presidente disse ainda que Brasil e Argentina fizeram mais pelo desenvolvimento da América do Sul nos últimos dez anos do que os "outros" governantes conseguiram em 50 anos. Ao comentar a crise econômica no mundo desenvolvido, voltou à soberba. Disse que aqueles que haviam sido "arrogantes" e dado "lições de moral" deveriam pedir conselhos hoje aos países emergentes. (Folhapress)

A decisão, que ocorreu na véspera da absolvição de Duda e da sócia dele, Zilmar Fernandes, pelos mesmos crimes, é um desdobramento das investigações feitas a partir do processo principal do Mensalão, cujo julgamento ocorre no Supremo Tribunal Federal (STF). A sentença também menciona irregularidades em um contrato entre a Prefeitura de Belo Horizonte, comandada à época pelo atual ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, e a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), do qual os dois

eram diretores. A ação acusou os dois réus de terem aberto uma conta corrente no BAC Florida Bank, em Miami (EUA), para realizar uma série de operações financeiras com recursos próprios e de terceiros acima dos limites legais sem declará-los ao Banco Central, responsável pelo controle de recursos de brasileiros no exterior. As investigações também comprovaram que a conta abrigava subcontas, permitindo a dissimulação dos recursos em trânsito, uma indicação de lavagem de dinheiro. (Estadão Conteúdo)

Silva Lopes/FAB/EFE

VÔO SOLO – A Força Aérea Brasileira comemorou ontem o primeiro vôo do Veículo Aéreo Não Tripulado (VANT) destinado a fazer a vigilância das fronteiras do Brasil no combate ao tráfico de drogas e ao contrabando. A estreia aconteceu nos céu de Cáceres (Mato Grosso) na divisa do Brasil com a Bolívia.


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DIÁRIO DO COMÉRCIO

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

9 Imodesto, ele [Haddad] fez uma gestão desastrosa no Ministério da Educação. José Serra, candidato tucano à prefeitura.

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Serra e Haddad voltam às acusações No primeiro debate para o segundo turno, os candidatos falaram pouco de projeto para a cidade de São Paulo e passaram a fazer críticas ao oponente. Marcos Bezerra/Estadão Conteúdo

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o primeiro debate eleitoral para o segundo turno em São Paulo, os candidatos a prefeito Fernando Haddad (PT) e José Serra (PSDB), passaram o tempo disponibilizado pela TV Bandeirantes trocando acusações. Serra procurou apontar falhas na gestão de Haddad no comando do ministério da Educação para atacar o programa de governo do petista em São Paulo. Haddad, por sua vez, associou o tucano a questões não resolvidas na cidade, como o setor de saúde, especificamente a promessa não cumprida do atual prefeito Gilberto Kassab de entregar três hospitais. O debate, apresentado por Boris Casoy, começou o primeiro bloco abordando o tema comum da segurança pública. Haddad pretende transformar

a Guarda Municipal numa corporação comunitária, com a promoção da segurança voltada para os bairros em conjunto com as lideranças locais e também para cuidar da conservação do calçamento, dos muros e da iluminação pública. Serra pretende reforçar o contingente para atuar em parceria com a Polícia Militar e a Polícia Civil. Ele também pretende atuar com os conselhos de segurança locais. Os dois candidatos reforçaram a necessidade de investir em mais tecnologia para reforçar a segurança pública. Pobre e Rico – No segundo bloco do programa, os candidatos puderam fazer perguntas. Serra aproveitou para enumerar uma série de obras feitas em suas administrações, seja como governador, prefeito ou ministro da Saúde,

Fernando Haddad e José Serra participaram do primeiro debate entre eles após a eleição para a prefeitura de São Paulo no primeiro turno, promovido pela Rede Bandeirantes. Os candidatos procuraram mais criticar do que falar de projetos.

para questionar o adversário sempre encerrando com a pergunta: "essa obra é para pobre ou para rico?". E essa, "é para pobre ou para rico?". E assim sucessivamente em torno

das suas realizações. Haddad respondeu que algumas questões genéricas, como saúde e educação, atendem a pobres e ricos, mas apontou que quando não se

cumpre o que promete, como a construção de hospitais e ainda determina que 25% dos leitos hospitalares sejam destinados para quem tem plano de saúde privado, não está

pensando no pobre. Haddad também sugeriu a Serra o "fim da agressividade" na campanha deles e focar na cidade. "É o que eleitor quer". Serra disse que a baixaria vem do PT.

Ernesto Rodrigues/Estadão Conteúdo

Serra faz 'juízo equivocado' sobre preparo, diz petista. Haddad reage: 'Ele acha que a administração atual vai bem; 80% não acha.'

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candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, reagiu ontem às críticas da campanha do candidato tucano José Serra que ressaltam a "inexperiência" do petista como administrador e o "despreparo" para assumir a administração municipal. "O Serra acha que o Kassab (atual prefeito, PSD) está preparado para ser prefeito. Então, nós temos uma divergência sobre o assunto. Ele acha que o Kassab está preparado e eu acho que ele não está". "O juízo que ele faz, uma vez que ele acha que a administração atual vai bem e 80% acham que não vai, é um juízo equivocado sobre esse tema sobre quem está ou não preparado", emendou.

Em visita às instalações da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), na zona sul da capital paulista, Haddad disse que seu antigo secretário executivo no Ministério da Educação (MEC), José Henrique Paim Fernandes, foi inocentado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) após suspeitas de irregularidades em convênio firmado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) quando presidia o órgão. Embora ressalte que a questão "está superada", Fernandes ainda responde à ação civil pública na Justiça Federal por improbidade: "Ele já foi inocentado, unanimemente, pelo Tribunal de Contas". "Olha, um Henrique Paim vale por uma dúzia de Alexan-

dre Schneider", disse, referindo-se ao candidato a vice-prefeito na chapa de Serra. Estados de humor– Ironizando o tom crítico do tucano, Haddad disse que não vê desespero no adversário, que está em desvantagem nas pesquisas de intenção de voto. "Acho que não, quem está desesperada é a população há 8 anos". Haddad ressaltou que pretende manter as parcerias com as organizações sociais (OSs) na área de saúde, e quer atender à recomendação do Tribunal de Contas do Município (TCM) para melhorar a transparência no controle de gastos destas entidades. Apesar de favorável às parcerias, num primeiro momento ele não pretende ampliar os contratos.(Estadão Conteúdo)

Serra visita posto de Atendimento Médico Ambulatorial (AMA): "O meu trabalho, a população conhece".

'Haddad foi enfiado pela goela do PT', afirma tucano.

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Mariana Topfstedtt / Estadão Conteúdo

Fernando Haddad: 'Serra acha que o Kassab está preparado e eu acho que ele não está'.

candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra, afirmou na tarde de ontem que Fernando Haddad (PT) é "imodesto", "foi enfiado pela goela do PT" e fez uma "gestão desastrosa no Ministério da Educação", segundo o portal G1. Ao ser questionado sobre o fato de o petista ter afirmado que Serra tem mais esperteza do que experiência para administrar a Prefeitura, o tucano rebateu. "Não é uma pessoa inexperiente, que foi enfiada pela goela do PT e que fez uma gestão desastrosa no Ministério da Educação, que pode fazer essa avaliação". Serra acrescentou que seu trabalho político não precisa ser defendido diante do adversário: "Meu trabalho, a população conhece".

Para Serra, as pesquisas de intenções de voto "não têm funcionado no Brasil". Segundo ele, se não fosse possível reverter um resultado desfavorável nos levantamentos, ele não teria ganho o primeiro turno: "Três dias antes eu tinha aparecido em terceiro". Ontem à tarde, o candidato tucano visitou um posto de Atendimento Médico Ambulatorial (AMA), no bairro da Lapa, zona oeste da capital paulista – era o do dia do médico. No local funcionava o antigo Hospital Sorocabano, que foi incorporado ao município este ano. Segundo o candidato, os pacientes avaliam bem o atendimento cuja nota chega a 9 nas pesquisas de satisfação. Os jornalistas foram impedidos de acompanhar a visita à unidade de saúde por causa

de um tumulto durante a visita a outra AMA, em Paraisópolis, quando um paciente acabou atingido na cabeça por uma câmera de filmagem. Em entrevista coletiva, Serra negou que integrantes de uma associação de sem-teto tenham obtido vantagem nos cadastros habitacionais como recompensa para atuar como simpatizantes ao seu lado durante visita realizada na quarta-feira a um conjunto residencial popular em Heliópolis: "Não houve isso". Questionado sobre o fato de o próprio presidente da entidade ter admitido o fato, respondeu: "Isso é mais o modelo petista. O PT que consagrou essa modalidade de uso da coisa pública para fins privados, no caso de crescimento partidário".(Agências) Tarso Sarraf/Estadão Conteúdo

Carminha no telão? Não, somente Dilma.

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Justiça Eleitoral proibiu a coligação do candidato do PT à Prefeitura de Salvador, Nelson Pelegrino, de exibir o último capítulo da novela Ave ni da Brasil, da TV Globo, em Salvador, durante comício com a presença da presidente Dilma Rousseff hoje à noite. Com medo de o comício esvaziar devido à grande audiência da novela, a campanha de Pelegrino planejava instalar um telão no evento, no bairro de Cajazeiras,

A decisão é em caráter liminar e não há previsão para julgamento do mérito. O pedido para proibir a exibição partiu da coligação de ACM Neto (DEM), que disputa o 2º turno com Pelegrino. A juíza da 9ª Zona Eleitoral, Ana Conceição Barbudo, vedou a exibição, no telão, de "qualquer tipo de situação que não se relacione com o objeto da campanha". Para o advogado Ademir Ismerim, do DEM, a prática anunciada pelo PT se asse-

melharia a um showmício, algo não permitido pela legislação eleitoral. A Polícia Militar foi designada para garantir o cumprimento da decisão. Ao confirmar a participação da presidente no evento, o senador Walter Pinheiro, coordenador político do comitê de Pelegrino, disse que, devido à concorrência com a novela, o telão transmitiria "Dilma e Carminha", uma das principais personagens da novela (Folhapress)

FINALMENTES – Funcionários testam as urnas que serão usadas no segundo turno das eleições. Os defeitos apresentados no primeiro turno pelos equipamentos foram irrisórios, diz o TSE.


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Conseguimos construir uma lei que é importante para a produção e para a preservação ambiental. Eduardo Riedel, presidente da Famasul.

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ara a presidente da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu (PSD-TO), a bancada ruralista não foi derrotada pelos nove vetos impostos pela presidente Dilma Rousseff ao texto do Código Florestal aprovado pelo Congresso Nacional no final do mês passado. Ela afirma que o mais importante é que, "gostando ou não", a nova legislação garante segurança jurídica no campo, "pois o pior do mundo é (o produtor rural) não saber se está bem ou mal". A senadora observa que o veto é um direito constitucional da presidente da República, assim como os parlamentares têm o direito de analisar e derrubar as restrições. Ela reconhece as dificuldades, pois existem inúmeros vetos presidenciais à espera de análise pelo Congresso Nacional, muitos dos quais nunca foram apreciados, "o que constrange o Congresso Nacional". Vetos de Dilma – Os vetos presidenciais ao Código Florestal, aprovado pelo Congresso Nacional em setembro, foram publicados na edição de ontem do Diário Oficial da União. O principal deles retira do texto a flexibilização para a recuperação de APPS (áreas de preservação permanente) nas margens de rios. Após longa discussão, a presidente decidiu vetar nove pontos aprovados em setembro pelo Congresso nas regras do novo Código Florestal. A regra da "escadinha", que prevê obrigações de recuperação maiores para grandes proprietários rurais, foi devolvida à lei por decreto presidencial publicado ontem. Os produtores rurais terão que recompor entre 5 e 100 metros de vegetação nativa das APPs nas margens dos rios, dependendo do tamanho da propriedade e da largura dos rios que cortam suas terras. O decreto também traz normas gerais aos Programas de Regularização Ambiental e define como funcionará o Ca-

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Ed Ferreira/Estadão Conteúdo

Kátia Abreu: senadora concorda com alguns vetos, como o que impede a fruticultura à beira do rio, devido aos defensivos.

CÓDIGO FLORESTAL

Ruralistas não foram derrotados, diz Kátia Abreu. Presidente Dilma vetou nove pontos aprovados em setembro pelo Congresso nas regras do novo texto

Gostando ou não, a nova legislação garante segurança jurídica no campo, pois o pior do mundo é não saber se está bem ou mal. KÁTIA ABREU dastro Ambiental Rural, que suprem possíveis vácuos na lei deixados pelos vetos. Pelo texto, o Cadastro Ambiental Rural é um registro eletrônico de abrangência nacional, para compor a base de da-

dos do governo para "controle, monitoramento, planejamento ambiental e econômico e combate ao desmatamento". Entre os dados que o integrarão estão informações do proprietário ou responsável pelo imóvel rural, planta do perímetro do imóvel, da localização dos remanescentes de vegetação nativa, das APPs, das áreas de uso restrito, das áreas consolidadas e da localização das Reservas Legais. Acordo – Para a senadora, o mais grave foi o governo não ter respeitado o acordo firmado por seus representantes no Congresso Nacional: "Houve acordo que deveria ser respei-

tado. Precisamos continuar na luta pela exigência da apreciação dos vetos". Kátia Abreu não descarta medidas jurídicas, como uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) no Supremo Federal, caso os estudos mais aprofundados demonstrem prejuízos significativos para produtores rurais. A senadora observa que as questões precisam ser melhor analisadas para avaliar o impacto, como é o caso do veto ao item sobre a regularização das infrações anteriores a julho de 2008 por meio da adesão ao Programa de Regularização Ambiental. Outro ponto citado por ela

Houve acordo que deveria ser respeitado. Precisamos continuar na luta pela exigência da apreciação dos vetos. IDEM diz respeito às várzeas. Para os técnicos da CNA, a lei não proíbe o plantio e sim obriga a respeitar a APP às margens de rios: "Assim entenderam nossos técnicos. Mas se houver outro entendimento será um

motivo gravíssimo". A senadora discorda da obrigatoriedade da averbação da área de reserva legal, condição para a tomada de financiamento nos bancos: "A exigência da averbação é impossível de ser atendida. É apenas uma situação cartorial, que vem burocratizar o sistema e é totalmente desnecessária". Kátia Abreu disse concordar com alguns dos vetos de Dilma ao Código, como o que impede a fruticultura em à beira rio, por entender que os defensivos poderiam poluir a água. Sarney e os vetos – O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), descartou a proposta da senadora Kátia Abreu de colocar em votação os vetos da presidente Dilma ao projeto de lei de conversão da medida provisória do Código Florestal. Ele reiterou a tese predominante no Congresso de que deputados e senadores não "têm tempo" de atuar numa sessão conjunta das duas Casas para votar os vetos presidenciais. Sarney se declarou convencido de que os pontos derrubados pela presidente favorecem a legislação ambiental: "Acho que os vetos não foram feitos de modo a prejudicar a lei, foram vetos de correção a fim de restaurar o antigo acordo que possibilitou a votação do Código Florestal". Para o senador, os vetos foram necessários para "retomar aquele espírito de não ficar radicalizando". Ele defendeu a necessidade de se criar uma legislação para atender à necessidade do País, "afastando radicalismo de um lado e de outro, possibilitando que a agricultura possa cada vez mais ser uma alavanca para o progresso do País". Sarney lembrou que, até fevereiro, quando termina seu mandato no Senado, será impossível votar vetos. "Nós temos muito vetos aí dentro da Casa, evidentemente temos de obedecer ao tempo de chegada deles aqui. Eu não vou ter tempo, vou deixar a presidência da Casa e, até lá, não há tempo". (Agências)

Alan Marques/Folhapress

Izabella Teixeira: 'Outras guerras virão. É do processo democrático'.

Para ministra, debate é 'página virada'. Izabella Teixeira afirma que o texto final visa proteger o pequeno produtor – 90% dos proprietários do País.

A

ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, indicou ontem que considera o debate sobre o Código Florestal uma "página virada". Ela deu essa declaração no dia em que a presidente Dilma Rousseff publicou decreto com nove vetos à proposta do Congresso. "É o momento de a gente virar a página. Não estou dizendo que outras guerras não serão iniciadas, mas isso é do processo democrático", disse a ministra em Brasília. Para Teixeira, os vetos foram feitos de forma "cirúrgica" e o texto final retoma algumas ideias centrais do governo de proteger o pequeno produtor que, segundo cálculos do ministério, representa 90% das propriedades no País. "Vamos construir o equilí-

brio entre não desmatar, não contra o que ele considera um anistiar e reconhecer o direito acinte: "Se alguma pessoa do pequeno proprietário". entende que vai discutir na Questionada sobre a decisão Justiça é legítimo da demodo governo de os vetos terem cracia. A Advocacia Geral da dado origem União vai dea um decreto fender a posio que evita ção do goverum novo deno. Não estou Vamos construir bate no Condiscutindo gresso, a mimais isso". o equilíbrio entre nistra disse O p r e s inão desmatar, que a medida dente da Fenão anistiar e n ã o f e r e r ederação de reconhecer o gra alguma. Agricultura e direito do pequeno Reações – O Pecuária de caminho esMato Grosso proprietário. colhido pelo do Sul (FamaIZABELLA TEIXEIRA governo causul), Eduardo sou reações Riedel, disse de integrantes da bancada ru- que os vetos de Dilma não ralista no Congresso. O depu- comprometem os avanços tado Ronaldo Caiado (DEM- dos últimos dois anos de debaGO) pretende recorrer ao STF tes sobre o tema. (Supremo Tribunal Federal) Ele observa que os vetos,

após os acordos firmados pelos parlamentares no Congresso Nacional, provocam certa frustração, mas acredita que o mais positivo é o avanço na legislação ambiental brasileira. "Conseguimos construir uma lei que é importante para a produção e para a preservação ambiental". Já a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) declarou que os vetos de Dilma "não representam capítulo final deste embate". Segundo nota, "esse é outro capítulo que será devidamente avaliado pelos integrantes da FPA nos próximos dias". Para a frente, Dilma não soube valorizar o "exaustivo" trabalho dlo Congresso, "ainda mais por se tratar de um governo que sempre teve como bandeira a luta pela democracia". (Agências)


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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

11 AMEAÇA Israel e EUA fazem maior simulação militar conjunta de sua história

nternacional

SUMIÇO Fidel volta a escrever para jornais após quatro meses de silêncio

JUNTOS, MAS SEPARADOS. Governo da Colômbia e Farc mostram divergências no início das negociações de paz Fotos: Audun Braastad/EFE

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epresentantes do governo da Colômbia e das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) surgiram lado a lado ontem, pela primeira vez em uma década, para mostrar seu compromisso em firmar um acordo de paz, mas deixaram patentes suas divergências. A maior diferença foi a interpretação que as partes fizeram dos temas a serem discutidos na mesa de diálogo aberta durante o ato realizado em Hurdal, ao norte de Oslo, onde as duas delegações foram recebidas por representantes de Noruega, Cuba, Venezuela e Chile, países que acompanham o processo. O número dois da guerrilha e chefe de sua delegação, o comandante Iván Márquez (cujo nome verdadeiro é Luciano Marín Arango), criticou em um longo discurso a política econômica do governo, a reforma agrária, os "benefícios" às multinacionais, os tratados de livre-comércio, o Plano Colômbia e a corrupção. "A paz não significa o silêncio dos fuzis, mas consiste em transformar a estrutura do Estado e as estruturas econômicas", afirmou Márquez, acrescentando que, com essa política, a violência e o conflito vão continuar independentemente da luta armada. O ex-vice-presidente e chefe da equipe governamental, Humberto de la Calle, especificou que a política econômica do país não está na agenda, que vai se concentrar nos temas estipulados previamente: desenvolvimento rural, garantia de oposição política, fim do conflito armado, solução para o tráfico de drogas e direitos das vítimas.

A paz não significa o silêncio dos fuzis, mas consiste em transformar a estrutura do Estado. IVÁN MÁRQUEZ

Delegações do governo da Colômbia e das Farc sentam lado a lado após o início das conversas de paz. Próxima reunião será em novembro. "Não estamos discutindo o modelo de desenvolvimento econômico, não estamos discutindo o investimento estrangeiro", disse De la Calle. "Para que isso seja discutido na agenda colombiana, as Farc precisam deixar as armas, fazer política e ganhar as eleições, mas neste momento isso não faz parte da mesa (de negociações)", acrescentou. As Farc contestaram dizendo que tudo se deve a uma questão interpretativa, e leram o preâmbulo do acordo de Havana, assinado em agosto, que fala de desenvolvimento econômico e social. "Se as conversas não avançarem, o governo não será re-

fém deste processo", advertiu ram que o diálogo sobre temas De la Calle. concretos começará em 15 de Otimismo - As diferenças en- novembro, em Havana, e que tre as equipes contrastaram o primeiro ponto a ser discuticom as palavras positivas emi- do será o desenvolvimento tidas no começo da entrevista. agrícola e as oportunidades de De la Calle afirmou que sabe emprego para os camponedas dificuldades mas que está ses, uma exigência da guerriStian Solum/NTB Scanpix/Reuters disposto a trabalhar. Márquez, por sua vez, disse que os rebeldes chegam para as conversas "com um ramo de oliveira nas mãos". Os dois laNegociações ocorreram em hotel de Hurdal d o s a f i r m a-

lha de origem marxista que se financia com narcotráfico. Antes disso, haverá uma nova reunião preparatória no dia 5 de novembro em Havana. Com o novo diálogo, após o fracasso das negociações de 1999-2002, o presidente Santos faz aposta alta e, se falhar, pode ver ameaçados seus planos de reeleger-se em 2014. Já as Farc, debilitadas na última década pela morte de vários comandantes e pela deserção de combatentes, sinalizaram que tempo não é um problema. De blusa sem gravata e blazer, Márquez discursou por 35 minutos – mais que o dobro de De La Calle – e se disse contra uma "paz express". (Agências)

Para que isso seja discutido, as Farc precisam deixar as armas, fazer política e ganhar as eleições. HUMBERTO DE LA CALLE

Yazan Homsy/Reuters

Argentina: caça ao voto dos jovens. De olho num terceiro mandato de Cristina, lei reduz idade para votar.

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Senado da Argentina aprovou na noite de quarta-feira um projeto de lei que permite o voto de jovens a partir de 16 anos já nas eleições parlamentares do próximo ano, que vão renovar metade da Câmara e um terço do Senado. O resultado eleitoral vai determinar se a presidente Cristina Kirchner tentará um terceiro mandato em 2015. A proposta foi ratificada com 52 votos a favor, três contra e duas abstenções. Na Câ-

mara, para onde o projeto foi enviado, a expectativa é de que também seja aprovado. Atualmente, a lei não permite a candidatura de Cristina pela terceira vez consecutiva. Porém, o governo busca uma vitória no Congresso capaz de reformar a Constituição. O movimento político de jovens, denominado La Cámpora, tem sido o principal braço de apoio de Cristina desde a morte do marido dela, Néstor Kirchner, em 2010. (Agências)

Homem desliza sobre os escombros de prédio destruído em Homs. Pelo menos 181 pessoas morreram em bombardeios ontem.

Cena que aguarda Brahimi na Síria

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Chuva de bombas antecede chegada de enviado da ONU a Damasco

s vésperas da chegada do emissário da ONU e da Liga Árabe, Lakhdar Brahimi, a Damasco, bombardeios do regime sírio deixaram ao menos 40 mortos em Maarat al-Numan, cidade controlada por rebeldes. Os ataques aéreos aconteceram na madrugada e manhã de ontem, atingindo cinco cidades nas províncias de Alepo e Idlib. No total, a violência deixou 181 mortos ontem ao redor da Síria – 84 ci-

vis, 61 soldados do governo e 36 insurgentes, informou o Observatório Sírio pelos Direitos Humanos, grupo opositor sediado em Londres. Segundo ativistas, caças MIG da Força Aérea lançaram pelo menos dez bombas em Maarat al-Numan, controlada pelos insurgentes, que tentam capturar um quartel do exército nas proximidades, em Wadi Deif. As bombas destruíram dois edifícios residenciais e uma

mesquita, onde muitas mulheres e crianças se refugiavam. Além de Maarat al-Numan, os bombardeios e os confrontos afetaram especialmente Alepo e Damasco. Brahimi deve chegar hoje ao país para insistir com o governo sírio em uma saída diplomática para o conflito que já dura 20 meses e teria deixado pelo menos 25 mil mortos, de acordo com a ONU. Segundo estimativa divulga-

da na semana passada, mais de 340 mil pessoas fugiram da Síria até agora. A ONU prevê que no final do ano o total de refugiados chegará a 710 mil. Ontem, a organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch divulgou que ao menos 28 mil pessoas teriam desaparecido desde março de 2011 após serem levadas por soldados ou pela Shabiha, milícia fiel ao presidente Bashar al-Assad. (Agências)

Um sucessor para Chávez

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presidente reeleito da Venezuela, Hugo Chávez, deveria começar a preparar sua sucessão, disse o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma entrevista ontem ao jornal argentino La Nación, na qual afirmou que a alternância de poder é fundamental para a democracia. Lula disse que a Constituição da Venezuela "permite que Chávez seja candidato pela quarta vez, mas quando ele

perder, os adversários também poderão se apresentar quantas vezes quiserem, e isso eu não acho que seja bom". "Por isso, é que eu mesmo não quis um terceiro mandato. Porque se tivesse feito, teria tentado um quarto mandato e depois um quinto. Então, se quero para mim, quero para todos. Para a democracia, a alternância de poder é uma conquista da humanidade e, por isso, é preciso mantê-la." (Agências)


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sexta-feira, 19 de outubro de 2012 Cris Faga/Estadão Conteúdo

DISTÚRBIO EMOCIONAL A mãe de Fernando Gouveia afirmou que o filho é portador de distúrbios psicológicos. Ele atirou contra três pessoas em reação à ordem de interná-lo em um hospital psiquiátrico.

idades

José Patrício/Estadão Conteúdo

Mário Ângelo/Estadão Conteúdo

Policiais do Gate cercaram a casa de Gouveia

Inconformado com a ordem de internálo em um hospital psiquiátrico, Fernando Gouveia, 32 anos, abriu fogo contra três pessoas. Gouveia, que sofre de distúrbios psicológicos, só se Fernando Gouveia é conduzido após se entregar à polícia, no bairro da Aclimação. As negociações entre o atirador e os policiais duraram mais de oito horas.

entregou mais de oito horas depois.

Atirador fere três e se entrega na Aclimação

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epois de atirar em três pessoas no bairro da Aclimação, na zona sul de São Paulo, e ficar mais de oito horas cercado pela polícia, Fernando Gouveia, de 32 anos, foi rendido pelas equipes na tarde de ontem. Gouveia, portador de distúrbios psiquiátricos, baleou um oficial de justiça que tentou cumprir uma ordem de interdição, o enfermeiro que o acompanhava e uma psicóloga. O atirador iria passar por uma avaliação e depois seria levado para um hospital psiquiátrico em Itapira, no interior do Estado de São Paulo. A polícia negociava a rendição de Gouveia desde 8h30. A Rua Castro Alves foi completamente bloqueada, na altura da rua Safira, pelos policiais militares. De acordo com a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), as ruas próximas ao local da ocorrência também foram interditadas. Telefone – Inicialmente, as equipes mantinham contato com ele por telefone. No período da tarde, a negociação passou a ser visual. Por volta das 16h50, a polícia entrou no sobrado onde o atirador mora, na Rua Castro Alves. O Grupo de

Nelson Antoine/Folhapress

Márcio Fernandes/Estadão Conteúdo

Ação dos policiais alterou a rotina do bairro. Ruas foram interditadas. Ações Táticas Especiais (Gate) participou da negociação. As vítimas foram baleadas no corredor de acesso ao imóvel e correram para fora depois dos disparos. Gouveia teria baleado as vítimas com uma pistola 9 milímetros, atingindo o enfermeiro no rosto. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, os socorridos foram levados ao Hospital do Servidor Público Municipal. O estado de saúde do técnico de enfermagem Márcio Teles, de 27 anos, da psicóloga Silvia Helena Godin, de 45 anos, e do oficial de Justiça Marcelo Ribeiro de Barros, de 49 anos, era considerado estável ontem à noite.

Os três pacientes estão conscientes. Segundo o cirurgião-geral do ProntoSocorro, o oficial de Justiça, ferido no tórax, passou por uma drenagem e reagiu bem. Os outros dois feridos, baleados na face, também apresentavam quadro de saúde estável. O oficial de Justiça foi transferido para o Hospital Bandeirantes e a psicóloga, para o Hospital São Camilo, na zona oeste da capital paulista. Entrega – "Nossa preocupação quando ele se entregou foi tranquilizá-lo, dizer que ele não precisava ficar nervoso. Levamos para a casa ao lado, onde ele deitou na maca e a equipe médica fez os primeiros atendimentos, viram que

Após atirar contra três pessoas, Gouveia se trancou dentro de casa. não tinha nada grave e ele foi algemado", disse o tenente-coronel da Polícia Militar Marcelo Pignatari. Segundo o tenentecoronel, Gouveia vai responder, inicialmente, por tentativa de homicídio triplo e também contra os policiais. O caso será investigado no 6º Distrito Policial, no Cambuci. O advogado contratado pela família de Gouveia afirmou que a mãe dele havia entrado com um pedido de interdição após o filho sair de casa há cerca de dois meses. Segundo o advogado José Conciolito, a mãe de Fernando Gouveia, 32, localizou o filho após algum tempo desaparecido morando na casa de uma psicóloga. Como ele não

retornou para casa, ela então teria procurado o advogado e entrado com um pedido de interdição na Justiça. Com o ordem judicial, Fernando deveria passar por uma avaliação e posteriormente poderia ser internado em uma clínica particular em Itapira (a 164 km de São Paulo). Comércio – O cerco que a polícia fez também afetou o comércio local. Orientados pela própria polícia, diversos comerciantes fecharam as portas. "Quando a gente abre a porta para dar uma olhada já pedem pra nos trancarmos", disse Hideraldo Luis Pereira, funcionário de uma imobiliária a 25 metros do local.

Uma escola de idiomas a 300 metros do sobrado cancelou uma reunião de pais que estava marcada para a tarde de quinta-feira por causa da situação. De acordo com uma funcionária, que não se identificou, o portão foi fechado e, embora não haja impedimento, as pessoas evitam sair. "Estamos a uma distância razoável, mas reforçamos a segurança por precaução", disse. A unidade já não teria aulas nesta quinta. Crítica – A Associação dos Oficiais de Justiça do Estado de São Paulo (Aojesp) criticou nesta quinta-feira, na página que mantém na internet, a falta segurança dada aos profissionais no cumprimento de mandados judiciais. No texto, a Aojesp criticou ainda o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). "Faz muito tempo que a AOJESP está alertando o Tribunal de Justiça e as autoridades sobre os perigos do exercício da função dos oficiais de Justiça, obrigados a cumprir os mandados em locais ermos e perigosos a qualquer hora do dia e da noite. Ou seja, este servidor precisa ir à casa de bandidos e pessoas perigosas sem nenhuma segurança, sem carro do tribunal, sem nenhuma assistência do Estado." (Agências)

PMs atacados eram da escolta de Afif Domingos O

s dois policiais militares que na noite de terça-feira foram vítimas de uma tentativa de assalto na Aclimação, integravam a escolta do vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, que no momento não estava no veículo. Houve troca de tiros. Um dos PMs, um tenente, foi baleado. Um dos assaltantes foi morto. O oficial, de 35 anos, foi atingido de raspão no rosto. Internado inicialmente na Beneficência Portuguesa, ele foi transferido para o Hospital da PM e não corre risco de morrer. O soldado que o acompanhava, de 30 anos, não foi ferido. Ontem, o governador Geraldo Alckmin, perguntado sobre o episódio, disse ter se tratado de uma tentativa de roubo. “Inclusive eles (os

Edison Temoteo/Estadão Conteúdo - 17/10/2012

PMs) estavam à paisana. Na tentativa de roubo, o policial reage. O assaltante acabou baleado, foi atendido, mas morreu," disse Alckmin. Tiros - Na madrugada de ontem um policial militar da Rota foi baleado em tiroteio no bairro Cooperativa, em São Bernardo do Campo. Segundo informações preliminares da Polícia Militar, o policial trafegava de moto pela estrada Sadae Takagi, por volta das 5h30, quando foi abordado por dois suspeitos, também de moto, em uma tentativa de assalto. O policial teria reagido e houve troca de tiros. O PM e os dois suspeitos ficaram feridos. Um deles, porém, não resistiu aos ferimentos e morreu. Outros dois policiais também foram baleados na noite de anteontem em Mauá e na zona norte de São Paulo. Em

Mauá, um policial militar foi baleado ao tentar impedir um roubo ao mercado da família na rua Caetano Aletto, no Jardim Itapark Velho. Já na Capital, um policial rodoviário reformado foi baleado, por volta das 19h30, na região do Parque Novo Mundo, na zona norte. Ele abria o portão da casa do pai quando dois homens se aproximaram e dispararam várias vezes, ferindo-o de raspão. Neste ano, ao menos 66 PMs da ativa e 17 da reserva foram mortos no Estado. Por conta disso, policiais militares, que deveriam proteger a sociedade, estão buscando escoltas da própria polícia após ameaças de morte. Outros policiais estão deixando suas casas, mudando rotinas ou se trancando em suas residências. (Agências)

O carro onde estavam os policiais militares lotados na Casa Militar do Palácio dos Bandeirantes


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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

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13 O ideal é condicionar o corpo a dormir um pouco mais cedo. Luciano Capelli, fisiologista, sobre o horário de verão

idades

Leonardo Rodrigues/Digna Imagem - 11/04/2005

Prepare seu organismo para o horário de verão Domingo, além de adiantar os relógios em uma hora, parte dos brasileiros terá de adaptar seu relógio biológico.

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zero hora de domingo começa o horário de verão nas Regiões Sul, Sudeste, CentroOeste e no Tocantins e a ideia de adiantar o relógio em uma hora não é do agrado de todos. A boa notícia, porém, é que eventuais transtornos podem ser atenuados com pequenas mudanças na alimentação e no horário de dormir. Segundo Luciano Capelli, fi-

siologista do Centro de Medicina da Atividade Física da Universidade Federal de São Paulo, o corpo leva de uma a duas semanas para se adaptar à nova rotina. "O ideal é condicionar o corpo a dormir um pouco mais cedo", explica Capelli. Uma pessoa que tem a rotina afetada, ao menos por um dia, pelo horário de verão, é o relojoeiro Augusto Fiorelli, de 52 anos. Ele é responsável pela

manutenção dos 12 relógios públicos de São Paulo, como os das faculdades de Direito e Medicina da Universidade de São Paulo, da Estação da Luz e da Praça da Sé. No domingo, dia da mudança, ele terá de adiantar os ponteiros das horas. "É um processo mecânico. Lá em cima, não demora tanto, cerca de 10 a 15 minutos. O que leva tempo é para subir as escadas", diz Fiorelli.

O horário de verão altera o dia a dia de muitas outras pessoas. O professor de educação física Rodrigo Lobo, de 29 anos, diz que há uma redução no número de alunos nos treinos de corrida e ciclismo. "Não sei precisar quantas pessoas faltam, mas nos primeiros dias há uma queda." O advogado Sidnei Farina, aluno de Lobo, é um dos que têm dificuldade de se adaptar. "Nunca gostei de acordar

A mudança mecânica é simples. Duro é adaptar o corpo ao novo horário. cedo. Você fica sonolento, menos disposto", diz Farina. Trabalhadores noturnos também terão a rotina alterada, pelo menos por um dia, na virada do horário de verão. Como em todos os sábados, o pub O’Malley’s fechará às 5h,

o que garantirá uma hora a menos de trabalho aos funcionários. Outros bares vão prolongar o expediente, como o Prainha, na região da avenida Paulista, que fechará entre 2h e 2h30 em vez de 1h30. (Estadão Conteúdo)

Funcionário espancava cães em pet shop No Rio, vídeo foi divulgado pela Globo e causou indignação de donos de cachorro e da população do Engenho Novo. O agressor é filho da proprietária.

U

m funcionário de um pet shop situado no subúrbio do Rio de Janeiro foi flagrado espancando cães enquanto dava banho nos animais. Um vídeo, feito por um cinegrafista amador há cinco meses, foi divulgado ontem pelo jornal "RJTV", da Rede Globo, e causou a indignação dos donos dos cachorros e também da população local. O vídeo foi feito no pet shop Quatro Patas, no Engenho Novo, zona norte do Rio. O funcionário aparece agredindo várias vezes, ora com socos, ora com frascos de xampu, a cabeça e o dorso dos cães. Em determinados momentos, ele usa uma mangueira para jogar água no focinho dos bichos. A dona da loja, Solange Barroso, foi quem

identificou o agressor como sendo seu filho, Daniel Barroso, 20. Ela disse ao "RJTV" ter ficado surpresa com o comportamento do rapaz, embora ela mesma apareça no vídeo no momento em que o funcionário agride os cães. No início da tarde, donos de cães e vizinhos da pet shop tentaram invadir a loja. Policiais do 3º Batalhão da PM foram acionados para impedir. O caso está sendo conduzido pela 26ª DP. Ainda não se sabe se o funcionário responderá pelas agressões. Agressões – Apesar da violência com que são agredidos, os animais não reagem. O funcionário não faz distinção com relação ao tamanho dos bichos. No início do vídeo, um pequeno cachorro cor de caramelo recebe um soco no tronco e

tenta fugir do tanque de banho. A coleira o impede. O bicho fica agitado e, então, o rapaz amarra com violência seu focinho. Em seguida, mais tapas. Em várias cenas o rapaz aparece agredindo e empurrando a cabeça dos bichos. O cachorro que mais apanha é um da raça labrador preto. No início do banho, o animal ainda balança o rabo, mas logo em seguida é atingido por um soco na cabeça. O rapaz continua a agressão, empurrando a cabeça do animal e tentando fazê-lo ficar quieto dentro do tanque. Em vários momentos ele acerta o focinho do cão com uma garrafa plástica de 600 ml de xampu. A violência impressiona. O animal chega a mostrar os dentes, mas, visivelmente acuado, não reage. (Folhapress)

Patrícia Cruz/LUZ

o partir, Hebe Camargo deixou uma dúvida no ar. Por que não participou da histórica inauguração da TV-Tupi em 1950, na qual teria papel de destaque cantando o Hino da Televisão, composto pelo poeta Guilherme de Almeida (1890-1969) e o compositor Marcelo Tupynambá (1889-1953), especialmente para a ocasião? As frágeis justificativas apresentadas na época pela imprensa tornam a ausência mais intrigante. Ora se fala em uma gripe, ora em um compromisso aparentemente banal com o namorado. Porém, também se especulou que Hebe não teria gostado do hino e sentia-se

A

Hélvio Romero/Estadão Conteúdo

A DÚVIDA DE HEBE

constrangida para cantá-lo. A rigor, essa possibilidade parece ser a mais plausível para explicar seu distanciamento. Se assim foi, talvez Hebe tivesse razão. Apesar do reconhecido e extraordinário talento dos autores, talvez a consagrada dupla, pressionada pela urgência de tempo, não estivesse nos seus melhores momentos. Vejam:

Vingou, como tudo vinga No teu chão, Piratininga A cruz que Anchieta plantou. Pois dir-se-a que ele hoje acena Por uma altíssima antena Em que o Cruzeiro pousou. E te dá, num amuleto, O vermelho, o branco e o preto Das contas do teu colar. E te mostra num espelho O preto, o branco e vermelho Das penas do teu cocar. Hebe foi substituída pela atriz Lolita Rodrigues.

ENFIM, O TOMBAMENTO!

A

fachada do Cine Belas-Artes, na Consolação, que acaba de ser tombada pelo Condephaat, nasceu em 1983, como parte de uma ampla reforma do edifício, projetada pelo arquiteto Roberto Loeb, 71 anos. Dessa forma ele se perfila ao lado de colegas que viram suas obras tombadas em vida, dos quais o maior exemplo no Brasil é Oscar Niemeyer, que caminha para os 105 anos.

Metrópole - Qual foi a concepção da fachada? Roberto Loeb - A primeira ideia foi a de respeitar a arquitetura do prédio, que era dos anos 40, 50 e

Divulgação

a sua própria memória. Nesse sentido achei oportuno introduzir a veneziana de concreto e a marquise com a inscrição de 1952, ano da criação do cinema. No projeto também havia uma espécie de out-door que não foi realizado. Metrópole - Pelo menos a decisão do Condephat encerra a discussão, que já estava ficando endêmica, sobre o tombamento do lugar. Loeb - O lugar faz parte da memória cultural da Cidade. E há alguns detalhes interessantes. Foi o primeiro cinema a ter bilheteria aberta, inovação que foi co-

piada mais tarde. Também estimulou a tendência de os cinemas terem café como extensão, de modo a estender a presença das pessoas nas suas dependências. Antes dele, havia somente a experiência do CineSesc, na Rua Augusta. Olhando agora para trás, vejo que aquela reforma me foi estimulante. Por exemplo, a nova iluminação adotada nos corredores, assim com os tons claros nas paredes, afastaram a ideia, algo claustrofóbica, de que as saídas da sala eram uma espécie de labirinto. No entanto, eram perfeitamente seguras, apesar das aparências.

MEIO MILÊNIO DE FUTEBOL

A

tenção, nostálgicos: esta foto foi feita recentemente no Sindicato dos Treinadores de Futebol do Estado de São Paulo durante um dos cursos de capacitação ministrados ali – no caso específico, o treinamento de goleiros.

À esquerda, de camisa preta, o preparador físico José Teixeira, 77 anos. Ao seu lado, de bigode preto, Oberdan Cattani, 93. Depois, de paletó claro, temos o preparadorfísico Hélio Maffia, 80; ao seu lado, Valdir de Moraes, 81, célebre goleiro do Palmeiras e da Seleção. Em seguida, de

camisa preta, aparece Carlos Roberto Gallo, 56, goleiro da Seleção em 1978, 82 (reserva) e 86 (titular). O senhor semiagachado é Eduardo Roberto Stringhen, 66, o Ado, goleiro reserva da Seleção em 1970. Ah! O jovem à esquerda, nos seus 40 anos, é Walmir, ex-goleiro do Ituano.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Cada dia um estilo Sonya Yu cria roupas bastante diferentes para sua pet, a Trotter. As roupas, é claro, são só para as fotos, que podem ser vistas no Instagram. http://bit.ly/RJ340o

O outro lado de Brad Brad Pitt em foto para a Interview Magazine. http://bit.ly/Ruhe2O

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C ASA

A STRONOMIA

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Lua já fez parte da Terra

M ÍDIA

Newsweek abandona o papel Carlo Allegri/Reuters

A Limpador de espelho Todo dia, o mesmo problema: espelho embaçado após o banho. Exceto se você tiver este limpador criado pelo estúdio Dewa Bleisinger. www.dewadesign.de

L ITERATURA

revista semanal de notícias norte-americana Newsweek publicará sua última edição em papel em 31 de dezembro e adotará formato completamente digital a partir de 2013, informaram ontem executivos da publicação. A nova revista digital será conhecida como Ne wswe ek Global e terá uma edição mundial unificada. A revista será bancada por assinaturas e estará disponível para leitores eletrônicos e tablets. A suspensão da publicação da versão em papel da revista criada 80 anos atrás se deve "à situação econômica desafiadora da produção e distribuição da publicação em papel". A circulação da revista caiu de 3 milhões para 1,5 milhão nos últimos anos. (Reuters)

Uma nova teoria de cientistas de Harvard sugere que a Lua já fez parte da Terra e se separou depois de uma enorme colisão com outro corpo celeste. Em artigo publicado nesta semana na revista Science, Sarah Stewart e Matija Cuk dizem que a teoria explica por que a Terra e a Lua têm composições similares. A Terra girava muito mais rápido quando a Lua foi formada (um dia durava apenas duas ou três horas). Nessa velocidade, um impacto poderia ter lançado material suficiente do planeta para formar a Lua. De acordo com a teoria, a rotação atual da Terra seria resultado da interação gravitacional entre Sol e Lua em torno do planeta. F OTOGRAFIA Jordi Chias/EFE

Vasily Fedosenko/Reuters

E o Prêmio jabuti vai para...

Obra-prima submarina 'Turtle Gem', obra do artista Jordi Chias, que recebeu menção honrosa no prêmio Veolia e que, a partir de hoje está exposta, com as imagens vencedoras, no Museu de História Natural de Londres. L EILÃO

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Foram anunciados ontem os melhores livros de 2011 nas 29 categorias do Prêmio Jabuti. Os vencedores foram divulgados em apuração aberta ao público na sede da Câmara Brasileira do Livro. A última etapa do prêmio acontece no dia 28 de novembro, quando haverá a entrega dos prêmios aos vencedores e o anúncio dos vencedores nas categorias livro do ano de ficção e livro do ano de não ficção. Os três vencedores da categoria romance foram os escritores Oscar Nakasato, com Nihonjin; Edival Lourenço, por Naqueles Morros, Depois da Chuva e Chico Lopes, autor de O Estranho no Corredor. Confira a lista completa dos vencedores nas demais categorias no site do Diário do Comércio.

ACASALAMENTO - Dois cisnes-brancos (Cygnus olor) fotografados ontem em um lago no vilarejo de Dekshniany, a cerca de 40 quilômetros de Minsk, a capital da Bielorrússia. Os cisnes são aves conhecidas por formar casais monogâmicos.

H ISTÓRIA Fotos: Charles Platiau/Reuters

www.dcomercio.com.br

C INEMA Reprodução

Os sinos de Paris Morre Sylvia Kristel, a 'Emanuelle'

Os oito sinos de bronze da catedral de NotreDame, em Paris, serão substituídos. As novas peças estão sendo produzidas a partir de métodos medievais na cidade de Villedieu-les-Poeles, na região da Normandia. Os sinos devem ficar prontos para as comemorações dos 850 anos da catedral mais importante de Paris, em 2013, e terão exatamente os mesmos pesos e dimensões das peças originais, que no século 18, durante a Revolução Francesa, foram derretidas e transformadas em canhões. Os sinos também foram desenhados para emitir exatamente o mesmo som e receberão nomes de santos. Na foto ao lado, o sino 'Etienne', dedicado a Santo Etienne, mártir cristão.

Um par de sapatilhas da rainha da França Maria Antonieta (1755-1793) foi leiloado na quarta-feira (16) por US$ 65 mil (R$ 130 mil) na casa Paris Druout, superando a oferta inicial que era de US$ 13 mil (R$ 26 mil). Em 16 de outubro de 1793, a rainha foi guilhotinada na atual Praça da Concórdia, em Paris, durante a Revolução Francesa. L OTERIAS

A TÉ LOGO

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A atriz holandesa Sylvia Kristel, mais conhecida por seu papel nos filmes de "pornô suave" dos anos 1970, particularmente Emanuelle, morreu em Amsterdã aos 60 anos, de acordo com sua agente. Ao longo de 30 anos de carreira, ela estrelou em mais de 50 filmes internacionais e trabalhou com diretores como Alain Robbe-Grillet, Claude Chabrol e Roger Vadim. Sua última atuação no cinema foi em 2010.

As sapatilhas de Maria Antonieta

Acesse www.dcomercio.com.br para ler a íntegra das notícias abaixo:

Fifa aceita proposta de oferecer ingressos gratuitos para indígenas e torcedores de baixa renda Ministro contraria secretário-geral da Fifa e confirma Copa das Confederações em seis sedes

Concurso 3023 da QUINA 04

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Paulo Pampolin/Hype

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Cadastro Positivo está pronto para 2013

L.C. Leite/LUZ

Banco de dados pode ajudar a diminuir juros Paula Cunha e Eliana Haberli

fator para redução das taxas de juros do País, apontou Solimeo, porém, para isso ocorrer, "é necessária a participação do conm novo capítulo da sumidor, pois é ele quem autohistória do crédito rizará a inclusão do seu nome para o consumidor no cadastro". Além de permitir no País será virada que o bom pagador tenha taxas no primeiro dia de 2013, com a de juros mais favoráveis, os que entrada em vigor da lei que cria demandam crédito sem ter o Cadastro Positivo, a relação comprovação de renda, podem de nomes de consumidores ter seus dados de pagamento que pagam suas contas pon- de serviços públicos no cadastualmente. A regulamentação tro. Vão ser usadas informada lei do Cadastro Positivo ções contas de energia elétrica (12.414/11) foi publicada on- e água, plano de saúde e de TV a tem no Diário Oficial da União pe- cabo. "Só o pagamento da conlo Decreto 7.829. É o mecanis- ta do celular é que não vai enmo que estabelece como será a trar", disse. consulta aos bancos de dados Solimeo afirmou que haverá com históricos de pontualidade um período de esclarecimento no pagamento dos consumido- para varejistas e consumidores e quais os requisitos para bi- res. Estes últimos terão que rôs de informação de crédito buscar informações para aderir operar como fornecedores des- conscientemente ao cadastro. ses bancos de E alertou que dados. Para os juros não criar uma emc a i r ã o i m epresa gestora diatamente de banco de após a impledados, será mentação da necessário ter lei. "É preciso um patrimôhaver a crianio líquido de ção de uma Sílvia Pimentel R $ 2 0 m imassa crítica lhões, o mesd e i n f o r m apresidente da Boa mo valor exições e isso Vista Serviços, gido para os ocorrerá ao Dorival Dourado, afirmou bancos, além longo do próontem que a de capacidaximo ano", regulamentação do de técnica e disse. Cadastro Positivo vai de governanPara Rogépropiciar condições para ça. Para Marrio Amato, um aumento da oferta de cel Solimeo, presidente da crédito, com ganhos para ec ono mist aACSP e da Fea economia, o sistema chefe da Assoderação das financeiro e ciação ComerA ss oc ia çõ es consumidores. Mas o cial de São Comerciais do decreto publicado ontem Paulo (ACSP), Estado de São traz pontos que merecem a regulamenP a u l o ( F aatenção. "A legislação ta çã o é "um cesp), "a atual permite a qualquer avanço nas reregulamentaempresa operar a lações comerç ã o é u m ferramenta, o que pode ciais no País e a v a n ç o i mcolocar em risco a sua um aprendiportante que credibilidade", ressalvou. zado para toa g u a r d á v aPara ele, é preciso dos os agenmos há temencontrar mecanismos tes econômipos". "A ACSP para que o governo cos", compaacompanhou fiscalize o uso da rou. a criação do ferramenta e controle a O Cadastro cadastro dessaúde financeira das foi aprovado de as primeiempresas como forma de pelo Senado r a s d i s c u sproteger as companhias em dezembro sões e em tosérias e os consumidores. de 2010, e dos os desdoSegundo Dourado, o sancionado bramentos Brasil era o único país do com vetos pep os te ri or es , G-20 sem o Cadastro la presidente no governo e Positivo. Nos países em Dilma Rousno Congresque a ferramenta é usada, seff, em junho so. No entandisse, houve redução de de 2011. A to, levará al20% na inadimplência e efetividade do gum tempo de 45% na concessão de funcionamenpara que os crédito. Ele ressaltou as to do Cadastro resultados covantagens da ferramenta apenas em 1° mecem a apano aumento da oferta de de janeiro de recer e devecrédito e da disputa pelos 2013 deve-se mos nos preconsumidores. "Com as ao último reparar para a informações do Cadastro quisito necesnecessidade Positivo, será possível, por sário, de resde se fazer exemplo, agrupar os bons ponsabilidade ajustes." consumidores e fazer do Conselho Há estudos propostas dirigidas", Monetário Nado Banco explicou. cional – deterMundial (Bird) minar de que que apontam modo e em que prazos os ban- que a sua adoção contribuiu cos repassarão os dados de fi- não só para a queda nos juros, nanciamento de seus clientes. mas para o aumento da oferta "É um requisito que preocupa- de crédito. Para ele, a medida va os bancos, que serão corres- dará mais segurança a quem ponsáveis por essas informa- empresta e dificultará o supeções", disse Solimeo. rendividamento. "Na concesO funcionamento de uma re- são do financiamento, hoje, lação de bons pagadores à dis- não é possível para o agente posição dos agentes econômi- econômico saber que a mesma cos que determinam a conces- renda está sendo usada em fisão e o volume do crédito é um nanciamentos diversos".

A ACSP acompanhou a criação do cadastro desde as primeiras discussões e em todos os desdobramentos posteriores.

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Ganhos para toda a economia

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ROGÉRIO AMATO, ACSP E FACESP

Patrícia Cruz/LUZ

Incentivo à redução do spread

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diretor de programas da Secretaria Executiva do Ministério da Fazenda, Esteves Colnago, disse que o Cadastro Positivo é um incentivo à redução do spread – taxa que representa a diferença entre o que os bancos pagam para captar recursos no mercado e o juro cobrado dos clientes – do crédito. Segundo ele, a experiência internacional mostra que o spread cai com o funcionamento do Cadastro Positivo. "O consumidor pode pagar menos pelo crédito ou ter mais facilidade porque a empresa conhece

ele e sabe que ele é bom pagador", disse. O diretor evitou, no entanto, fazer previsões sobre o potencial de redução dos custos no País com a regulamentação do Cadastro. "Como vai ser no Brasil? É difícil de mensurar", afirmou. Na opinião de Colnago, o Cadastro Positivo será mais importante para as pessoas que não têm conta em banco. "É importante para a pessoa que não tem conta bancária. Faz um crediário e a empresa não tem como chegar para dizer que ele (é) um bom pagador", destacou. Ele lembrou que a redução do custo dos financiamentos é possível

porque a empresa, com o Cadastro Positivo, acaba tendo mais informações sobre o tomador do empréstimo. Fazenda – Colnago disse que a regulamentação do cadastro tem cuidado com proteção ao consumidor. Segundo ele, o Conselho Monetário Nacional (CMN) terá que aprovar uma resolução para definir como os bancos vão passar a informação do histórico de crédito para as empresas que fornecem o Cadastro Positivo. O diretor da Fazenda disse achar muito difícil que a resolução seja aprovada na reunião deste mês. (Estadão Conteúdo)

É necessária a participação do consumidor, pois é ele quem autorizará a inclusão do seu nome no cadastro. MARCEL SOLIMEO, ACSP

Taxa de inadimplência recua e deve fechar ano em 5,5%

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Boa Vista Serviços, administradora do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), divulgou ontem que a taxa de inadimplência vem apresentando desaceleração. O economista da Boa Vista, Flávio Calife, informou que o indicador chegou a 6,1% em meados deste ano e atualmente está em 5,9%. Ele prevê novas quedas até o fim do ano, para um patamar de 5,5% ao término de 2012. O número de registros de débitos no SCPC aumentou 5,4% no acumulado janeiro a setembro na comparação com igual período do ano passado. O indicador apresentou recuo de 3,3% sobre agosto. O número de cancelamentos de registros subiu 14,2% de janeiro a setembro. Em setembro, o valor médio das dívidas foi de R$ 1.100, sendo R$ 600 referentes a compras no varejo. "Há uma redução do ritmo de crescimento de ambos os indicadores, mas estimamos que o aumento da recuperação de crédito supere a expansão dos registros",

analisou Calife. Para o final do ano, a estimativa é de alta de 3% na inadimplência e de uma expansão de 8,5% no número de cancelamentos. Caso seja confirmada a previsão, a inadimplência ficará bem abaixo da alta registrada na passagem de 2010 para 2011, de 22,9%. O economista assinala que a recuperação do crédito tem sido mais forte desde o início do ano. Para 2013, a desaceleração do ritmo da inadimplência obser-

vada a partir de 2011 deverá ser mantida. Na divisão por produtos do indicador de atividade do varejo, divulgado pela Boa Vista, o setor de supermercados, alimentos e bebidas foi o que teve a maior inadimplência em setembro, ante igual mês de 2011, com 10,8%, seguido do setor de combustíveis lubrificantes, com 7,2%. Móveis eletrodomésticos apresentaram taxa de 3,7%. O presidente da Boa Vista,

Dorival Dourado, projeta para o próximo ano uma expansão significativa do crédito, com condições mais propícias ao consumidor em termos de prazos, condições de pagamentos e taxas. "Estamos na direção de um ciclo sustentável, com expansão do crédito e inadimplência controlada". Ele afirmou que os dados do Banco Central sobre endividamento das famílias, que passou de um patamar de 18% do Produto Interno Bruto (PIB), em 2005, para 44%, neste ano, não são um risco porque cada indicador deve ser analisado à luz de outros indicadores. "Nos EUA, o endividamento representa 118% do PIB. No Chile, alcança 165%", comparou. Segundo Dourado, o varejo deverá crescer 7% neste ano, embora vários indicadores têm mostrado uma cautela maior do consumidor o que, em sua opinião, demonstra maior maturidade com o uso do crédito. "A economia andou de lado nos três últimos quadrimestres, mas deveremos ter um bom final de ano", previu. (SP)


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17 O BC usa a linearidade da convergência para viver em período de maior inflação. Marcelo Salomon, codiretor do Barclays

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Fim do ciclo de cortes na Selic Ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central sinaliza que a taxa básica de juros, a Selic, deve se manter em 7,25% ao ano.

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Banco Central deixou mais claro que o ciclo de queda da taxa básica de juros (Selic) iniciado em agosto de 2011 chegou ao fim. Na ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da semana passada, divulgada ontem, a instituição diz que os cinco diretores que votaram pela queda da taxa, de 7,50% para 7,25% ao ano, enxergaram espaço para "um último ajuste nas condições monetárias". Além disso, os outros três diretores do BC, que votaram pela manutenção dos juros, avaliaram que o cenário para a inflação não "recomendava um ajuste adicional" para baixo na taxa Selic. Entre os motivos para encerrar o ciclo de corte dos juros está a expectativa de um ritmo "mais intenso" para a economia brasileira neste semestre e no próximo ano. Sem dúvidas – Embora tenha acabado com a dúvida do mercado financeiro em relação aos juros neste ano, analistas avaliam que ainda é difícil prever quando e se o BC vai subir a taxa básica em 2013. Levantamento feito por serviço especializado da Agência

Estado com 35 economistas mostra avaliação unânime de que o BC não cortará mais os juros neste ano. Em relação ao próximo ano, 19 esperam alta da taxa, e 14 acreditam em juros estáveis (dois não responderam). "O BC terminou um suspense, de quando ia parar, e abriu outro, de quando vai voltar a

O BC terminou um suspense, de quando ia parar, e abriu outro, de quando vai voltara subir. SÉRGIO VALE, DA MB ASSOCIADOS subir", afirmou o economistachefe da MB Associados, Sérgio Vale. Isso pode acontecer, segundo ele, no fim de 2013, por pressões inflacionárias. O BC projeta inflação acima do centro da meta de 4,5% até, pelo menos, o terceiro trimestre de 2014, mas avalia que a fragilidade da economia mundial vai contribuir para se-

gurar preços, com efeitos dentro e fora do País. Essa visão, entretanto, não é compartilhada por grande parte do mercado financeiro. Contas públicas – Já a avaliação sobre as contas públicas piorou. Pela primeira vez, o BC admitiu que já trabalha com um superávit primário abaixo da meta para o ano, de quase R$ 140 bilhões. O governo tem encontrado dificuldades para fechar as contas deste ano. A decisão de abater da meta os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) já foi tomada internamente. Agora, é uma questão de tempo para que seja oficializada, de acordo com fontes do governo. A ata traz ainda a expectativa de não haver reajuste no preço da gasolina neste ano, apesar das pressões da Petrobras. A presidente da estatal, Graça Foster, afirmou que o aumento dos preços "certamente virá", mas não estipulou data. Também deve ajudar a segurar a inflação no próximo ano a redução no preço da energia elétrica já anunciada pelo governo, que entra em vigor a partir de janeiro. (Estadão Conteúdo)

Barclays aposta em real valorizado Para a instituição, o Banco Central do Brasil deve usar o câmbio para conter inflação doméstica. AFP

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aperto das condições monetárias deve começar em torno da segunda metade de 2013, provavelmente no último trimestre. Dentre os diversos canais de transmissão da política monetária, a apreciação do real deve ser a primeira iniciativa no sentido de aperto das condições. A avaliação foi feita ontem pelo codiretor de Pesquisa Macro e Estratégia para a América Latina no Barclays, Marcelo Salomon, a partir da percepção de que o Banco Central (BC) deve aceitar maior apreciação da moeda brasileira para diminuir a pressão inflacionária vinda de fora, dos itens comercializáveis (tradables). A projeção da instituição é que o dólar esteja sendo negociado em R$ 1,90 ao fim de 2013. O foco do BC hoje está mais em atividade e menos em inflação, cita Salomon, pois assume que o aumento de inflação é temporário e a convergência não é linear. "O BC usa a linearidade da convergência para viver em período de maior inflação até que tenha retomada industrial mais sólida". Atualmente, o Banco Central e a Fazenda fazem esforço expressivo para deixar o dólar acima de R$ 2,00 e para sinalizar, na

Balanço errado faz ações caírem

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Google publicou por engano uma versão preliminar de seus resultados trimestrais, que ficaram significativamente aquém das expectativas do mercado, tanto em termos de receita quanto lucro, levando a uma queda de 9% do valor de mercado da líder em busca e publicidade na Internet. Segundo o Google, a empresa que imprime seus

Codiretor do Barclay´s projeta que dólar será negociado a R$ 1,90 no final de 2013 percepção do analista, que, enquanto não houver retomada mais consistente da indústria, o câmbio vai ficar onde está. Isso faz parte, prossegue ele, do contexto das medidas já anunciadas pelo governo. "No contexto que vivemos hoje de estímulo, deixa-se a taxa de câmbio depreciada. Mais à frente, quando o BC estiver em um momento onde a retomada de atividade é consistente e bem sólida e a indústria estiver mais confortável, ele vai decidir como começa a apertar as condições

comunicados financeiros, a RR Donnelley, publicou horas antes do previsto um rascunho do comunicado relativo a seus resultados do terceiro trimestre sem autorização. E informou que está trabalhando para concluir o documento. A companhia, que recentemente superou a Microsoft para se tornar a segunda maior empresa de tecnologia dos Estados Unidos em valor de mercado, divulgaria seus resultados após o fechamento dos mercados. E a negociação com os papéis da empresa acabou suspensa pela bolsa eletrônica Nasdaq. (Estadão Conteúdo)

monetárias no Brasil. E os instrumentos que ele tem são juros, câmbio e macroprudencial, que já usou em dezembro de 2010. A opinião que temos é que, quando começar a apertar as condições monetárias, que deve ser na segunda metade do ano que vem, provavelmente no último trimestre, ele não vai fazer isso através de juros", avaliou Salomon. "Vai fazer isso, primeiro, aceitando uma apreciação maior do real para reduzir a pressão inflacionária que vem de fora, tentando diminuir a

oferta de crédito através de macroprudências para, só em 2014, começar a subir juros. Este é o cenário base que temos", disse. Segundo Salomon, a utilização do câmbio como canal de política monetária ocorrerá na medida em que o real se apreciar, fazendo os preços dos bens comercializáveis caírem, abrandando a taxa de inflação doméstica e "ajudando a tirar um pouco do estresse das expectativas inflacionárias", afirmou. (Estadão Conteúdo)

Fitch prevê crescimento de 4,2% do Brasil em 2013

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helly Shetty, diretora sênior de ratings soberanos para América Latina da Fitch, prevê que a economia brasileira irá crescer 4,2% em 2013, mas afirma que, com o crescimento nesse nível, o Banco Central (BC) terá de agir e calibrar sua política monetária com cuidado. "Achamos que reformas estruturais são necessárias para aumentar a produtividade e dar flexibilidade para o BC manter as taxas de juro em patamares reduzidos por período mais longo", afirmou. Shelly disse ontem que o setor industrial brasileiro sofre com a baixa demanda e que o investimento "que era o motor do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil está em retração". Na avaliação dela, o crescimento sustentado pelo mercado doméstico também está em retração e o nível de emprego, ainda aquecido, "explica por que o crescimento do PIB brasileiro ainda se sustenta". Divulgação

Shelly Shetty, diretora da Fitch: "O Brasil não poupa o suficiente e isso atrapalha o crescimento".

Ela disse ainda que a política de redução agressiva em juro pelo Banco Central deve ter resultado "meses à frente" e a correção do câmbio deve ajudar a economia. "Mas, para sustentar o crescimento, o Brasil deve fazer lição de casa", afirmou. "O Brasil não poupa o suficiente e isso atrapalha o crescimento." A diretora cobrou ainda reformas macroeconômicas, principalmente na questão tributária, bem como nas já anunciadas ações para a infraestrutura e no preço da eletricidade. Riscos – Para Shelly, os maiores riscos do Brasil são a queda na demanda externa, com a crise europeia e a redução na demanda da Argentina. Outro fator de risco é a volatilidade internacional, na avaliação da diretora da Fitch. "O Brasil sente com a aversão ao risco, isso é mostrado pela correlação alta entre Bovespa e SP500 e pela volatilidade da taxa de câmbio". (Estadão Conteúdo)


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Regime automotivo irá exigir investimentos tecnológicos de quase R$ 14 bilhões até 2017, por parte das montadoras.

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BMW confirma fábrica no Brasil Montadora alemã, porém, não informa quais modelos serão produzidos, nem onde ficará a unidade. Comenta-se que será em São Paulo ou em Santa Catarina. Divulgação

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montadora alemã BMW planeja investir numa fábrica no Brasil, buscando ampliar sua presença no crescente mercado de carros de luxo na maior economia da América Latina, disse à agência Reuters o vice-presidente financeiro da empresa, Friedrich Eichiner. A informação foi confirmada, mais tarde, pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel. "Vamos submeter o plano de investimento ao governo brasileiro", disse Eichiner, recusando-se a dar detalhes sobre o montante do projeto, que ainda depende de negociações com as autoridades de Brasília. A decisão põe fim a meses de discussões sobre a instalação de uma unidade da BMW aqui, depois que o governo federal levantou barreiras para a importação de veículos. Comenta-se que a fábrica seria construída em São Paulo ou em Santa Catarina.

Estamos atraindo, com o regime automotivo, novas empresas. FERNANDO PIMENTEL, MINISTRO DO DESENVOLVIMENTO

O ministro Pimentel mencionou a montadora alemã ao afirmar que o novo regime automotivo, regulamentado no início deste mês, irá aumentar

Rolls-Royce abre sua primeira loja no País

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montadora britânica de carros de luxo RollsRoyce abriu ontem sua primeira loja no Brasil, em São Paulo, oferecendo por meio de um importador local veículos que custam milhões de reais num mercado onde grande parte das vendas é de modelos que sequer possuem câmbio automático. O modelo "de entrada" no mercado brasileiro será o Ghost, que custa R$ 2,3 milhões e tem motor V12 biturbo

de 563 cavalos. A expectativa de vendas é entre oito e 12 carros por ano, volume que pode crescer 20% a partir de 2014, segundo o grupo brasileiro Via Italia, que já importa as marcas Ferrari, Maserati e Lamborghini. Agora, a Rolls-Royce planeja abrir uma segunda loja na América Latina em novembro, no Chile, afirmou Hugo Bustamante, gerente-geral da montadora britânica para a América Latina. (Agências)

Paulo Whitaker/Reuters

Carros da companhia alemã têm a marca de alto desempenho, longa durabilidade e design inovador. a concorrência. "Estamos atraindo, com o regime automotivo, novas empresas que não tinham plantas aqui, empresas chinesas como a JAC e a Chery, e empresas europeias como a BMW, que deve anunciar agora nos próximos dias a primeira fábrica dela no Brasil", disse. Ele acrescentou que outras empresas estão fazendo consultas sobre instalação de fábricas aqui, mas não citou nomes. Pimentel rebateu as críticas ao novo regime automotivo dizendo que o estímulo à inovação, apesar de significar um aumento do custo no curto prazo, acabará barateando os produtos. "Não procede (a tese de) que inovação encarece o produto, ela massifica e barateia. Como aconteceu na indústria de celulares, vai acontecer nas

outras indústrias, inclusive na automotiva", disse. Para se enquadrar ao novo regime automotivo, as montadoras terão de produzir veículos que na média de cada empresa tenham um consumo de combustível no mínimo 13,6% menor em 2017. Analistas afirmam que além de carroce-

rias mais leves, a exigência vai cobrar uso de motores mais eficientes, que podem elevar o preço dos carros. Segundo a associação de montadoras de veículos, a Anfavea, o regime automotivo Inovar-Auto vai exigir investimentos de R$ 13,8 bilhões até 2017. (Agências)

Modelo "de entrada" Ghost, à venda em São Paulo por R$ 2,3 milhões.

Cai número de veículos emplacados

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número de veículos emplacados na primeira quinzena de outubro foi de 228.393 unidades, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). O número representa queda de 5,07%, em relação

a igual período de 2011, com um recuo de 7,65% ante os 15 primeiros dias de setembro deste ano. No acumulado de 2012, o total de veículos emplacados chegou a 4,368 milhões, 2,10% menos que no mesmo período do ano passado.

Considerando-se só automóveis e veículos comerciais leves, houve alta, na comparação anual, de 4,97%. Já em relação à primeira quinzena de setembro, foram licenciados 10,10% menos veículos. No caso de caminhões e ônibus, as vendas aumentaram

8,02% em relação a setembro. Comparado com a mesma quinzena em 2011, houve forte queda de 30,8%. O número de motos licenciadas caiu nas duas comparações – menos 3,78% e menos 20,24%, respectivamente. (Agências)

Fotos: Divulgação

PEDAL

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om o slogan "Menos de 3 km? Vai de bike!", a centenária Caloi, companhia líder na fabricação de bicicletas no Brasil lança campanha a favor da mobilidade. A agência XYZ, empresa de entretenimento, esportes e conteúdo direcionada ao público jovem, assina a campanha que visa reforçar a bandeira da mobilidade urbana sobre o uso da bicicleta em trechos inferiores a três quilômetros nos grandes centros urbanos. Tem tudo para dar pedal.

VAI de bike. Incentivo ao uso da bicicleta para percursos curtos.

RED MARKETING

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hoje sexagenário austríaco Dietrich Mateschitz é a prova viva de que oportunidade é algo a se perseguir. Nos anos 1980, quando viajava para a Ásia como representante comercial de várias empresas austríacas, foi surpreendido por um taxista falante que se ofereceu para conduzi-lo na Tailândia a qualquer hora do dia ou da noite. E que, vendo o cansaço de Mateschitz, lhe ofereceu um gole do "krating daeng", bebida à base de estimulantes como a taurina e a cafeína, que iriam lhe dar disposição. O austríaco não só ficou mais disposto como viu na bebida uma excelente oportunidade. Copiou a sua fórmula em laboratório na Áustria, investiu tudo o que tinha numa pequena unidade fabril e lançou Red Bull em 1984. O sucesso foi imediato a partir de 1987, quando o produto foi legalizado no mercado austríaco. Uma latinha de 250 ml de Red Bull continha 20 gramas de açúcar, 1 mil miligramas de taurina, 600 miligramas de glucuronolactona, 80 miligramas de cafeína e vitaminas do complexo B. Mateschitz batizou a bebida de Energy Drink e chegou a vender 1 milhão de latinhas na primeira rodada, atraindo curiosidade e dúvidas até que testes científicos vieram a comprovar os efeitos positivos da bebida e a sua segurança à saúde pública. O que permitiu que, em 1992 Red Bull fosse expor-

Envie informações para essa coluna para o e-mail: carlosfranco@revista publicitta. com.br

tada para a Hungria e, em 1997, chegasse aos EUA, desembarcando, um ano depois, no Brasil. Como não detinha a patente sobre a composição, Mateschitz apostou tudo o que retornava das vendas em marketing. Afinal, empresas gigantes e poderosas do mundo começaram a lançar seus "energy drink" para fazer frente à Red Bull. Mais uma vez, Mateschitz enxergou longe e usou nas estratégias de marketing o público jovem oferecer pequenas geladeiras para bares e boates. Usou carros chamativos para passear pelas cidades do mundo – claro que pilotados por jovens, afinal o elixir da eterna juventude sempre teve apelo no mundo. E Red Bull deu asas ao seu criador e a seu faro por oportunidades. Tanto que, com as marcas de cigarros abandonando o circo da Fórmula 1 e este perdendo patrocinadores envoltos em crise da indústria automobilística, ele entrou no jogo e, em 2010, conquistou os títulos de construtor e piloto (Sebastian Vettel). Em retribuição ao famoso slogan (Red Bull te dá asas) voou mais alto. Percebendo que as competições de voos rasantes não tinham patrocinadores, criou o Red Bull Air Race. A competição fez e faz tremendo sucesso. E a marca cresceu. Está presentes em 140 países, vende 5 bilhões de latinhas e fatura algo em torno de R$ 10 bilhões por ano. Tudo com um líquido que se pode preparar em casa, mas com o segredo que é a sua embalagem, a marca, aquilo que fala de você quando não está presente e que faz toda a diferença.

RENOVADO

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tradicional marca Leite de Colônia, em poder da Interbrand, renova as embalagens do tradicional produto para conquistar consumidores. Sem perder de vista o patrimônio da marca, renova para ganhar mais espaço na vida cotidiana além dos toucadores e penteadeiras, que nem se fabricam mais. E com o complemento do perfumado sabonete além do leite.

EMBALAGENS para atrair novos clientes

REFLEXÃO

RELÓGIOS Mormaii

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ntes de decidir o que fazer com o dinheiro é preciso refletir sobre o que ele pode fazer por você. A partir desta questão, o HSBC lança campanha neste fim de ano. Criada pela JWT, pretende mostrar mais que o valor do dinheiro, aquilo que ele pode oferecer em qualidade de vida. Recorre à fábula, narrada por Nelson Motta, para mostrar um pescador que planejou a vida e a curti em tranquilidade no cenário paradisíaco de Paraty. A intenção do HSBC é se posicionar no mercado como gestor de patrimônio. Faz sentido. O brasileiro está vivendo mais e quer mais qualidade de vida.

HIPPIE CHIC

A HSBC mostra o valor do dinheiro para garantir qualidade de vida

Mormaii lança neste fim de ano a linha Hippie Chic de relógios para a estação primaveraverão. Com pulseiras em cores variadas e funções como alarme e calendário, o relógio tem preço médio de R$ 240.


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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

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19 O volume de taxas e impostos no Brasil ainda assusta, mesmo com todas as desonerações concedidas. Rogério Amato, presidente da ACSP e da Facesp

conomia

Impostômetro chega a 1,2 trilhão A marca foi atingida nessa madrugada, 11 dias antes do que no ano passado. A expectativa é de que ultrapasse R$ 1,6 trilhão até 31 de dezembro. Paula Cunha

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esde o dia 1º de janeiro deste ano, os brasileiros já pagaram R$ 1,2 trilhão em impostos federais, estaduais e municipais. Esta marca astronômica foi alcançada pelo Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) na madrugada de hoje. No ano passado, esta cifra foi

registrada no dia 30 de outubro, o que indica que houve uma antecipação de 11 dias neste ano. O presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), Rogério Amato, lembra que o governo federal adotou medidas positivas para desonerar a produção. Ele pondera, entretanto, que ainda existem muitas iniciativas que poderão ser tomadas

para reduzir a enorme carga tributária que prejudica a competitividade do País. "O volume de taxas e impostos no Brasil ainda assusta, mesmo com todas as desonerações já concedidas. Esperamos que o governo atue, sobretudo, na desburocratização, na unificação e na redução de impostos, para que haja uma retomada dos investimentos produtivos no País", acrescenta Amato.

O que se pode comprar – De acordo com os cálculos do Impostômetro, com o total de dinheiro arrecadado até ontem seria possível fornecer medicamentos para toda a população do Brasil por mais de três anos, cestas básicas para todos os brasileiros por 19 meses ou adquirir mais de 44.383.196 carros populares. A expectativa é de que até o último dia deste ano o total de R$ 1,6 trilhão seja superado.

Vendas do comércio crescem 5,3%

Prepare-se para o pagamento do 13º

LP.C.Leite/ LUZ - 22.10.11

A

té o final do ano, o pagamento do 13º salário deverá injetar R$ 139,9 bilhões na economia do País, valor que representa 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Conforme análise da Austin Rating, o montante gerado pela gratificação do final de ano representa um aumento de 7,92% perante o total apurado em 2011 e deve contribuir para o impulso das vendas do comércio. De acordo com a Austin Ratings, do total de quase R$ 140 bilhões de 13º salário a ser distribuído para 92 milhões de brasileiros, R$ 31,4 bilhões (22,5%) serão pagos aos 34,3 milhões beneficiários do INSS e R$ 108 bilhões (77,5%) serão recebidos por 58,2 milhões de empregados formali-

Austin espera que comércio varejista encerre 2012 com alta de 9% zados, sendo 1,9 milhão de empregados domésticos. Projeção – Conforme previsões da agência classificadora de riscos, no cenário econômico mais provável, com 80% de

chance de se concretizar, o comércio varejista brasileiro deverá encerrar 2012 com alta de 9% sobre as vendas apuradas em 2011. Considerando um cenário otimista (15% de

chance), a alta das vendas seria de 9,6% na mesma comparação, enquanto no cenário pessimista (5% de chance) o aumento seria de 8,3%. O cálculo leva em consideração estudo feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e a base de assalariados do mercado formal que incluem empregados domésticos e beneficiários da Previdência Social, da União e dos Estados. A gratificação é paga em uma ou duas parcelas. De acordo com a lei, a primeira representa 50% do salário, a ser paga até 30 de novembro, e a segunda parcela, na qual incide impostos, deve ser paga até o dia 20 de dezembro deste ano. (Estadão Conteúdo)

O Impostômetro foi inaugurado no dia 20 de abril de 2005, o painel está localizado na Avenida Boa Vista, nº 51, no Centro da cidade. O objetivo é conscientizar brasileiros e brasileiras da quantidade de impostos paga todos os anos ao governo. Há ainda um portal na internet www.impostometro. com.br no ar desde 13 de setembro de 2011 para que o Brasil possa acompanhar a arrecadação.

A

s vendas no comércio varejista cresceram 5,3% em setembro ante igual mês de 2011, de acordo com levantamento do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV). A evolução foi sustentada pela expansão das "mesmas lojas". O IDV também verificou um otimismo moderado por parte dos varejistas na última sondagem. De acordo com o Índice Antecedente de Vendas (IAV-IDV), os empresários do comércio esperam que as vendas registrem alta de 7,0% em outubro, 9,8% em novembro e 8,8% em dezembro, na comparação com os mesmos meses de 2011.

O presidente do IDV, Fernando de Castro, observa que os varejistas continuam apostando na expansão do setor, mesmo com o fraco desempenho da atividade econômica em 2012. "A confiança do consumidor, a manutenção do elevado índice de geração de empregos, a expansão da renda e o consumo das famílias têm impulsionado as vendas no varejo, principalmente no segmento de bens duráveis. Salvo algum desvio de rota pouco provável, estima-se que o varejo apresente taxas de crescimento acima das registradas no ano passado, quando encerrou em 6,7%", analisa. (Estadão Conteúdo)


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20 -.ECONOMIA/LEGAIS

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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

O consumidor freou a exposição ao financiamento. Christian Travassos, economista da Fecomércio-RJ

conomia Evandro Monteiro/Hype - 19.05.10

Parcela sem juros torna cartão atrativo Governo teme que o fim dessa modalidade de crédito trave os negócios

Q

uase metade dos gastos dos brasileiros no cartão de crédito se refere ao "parcelado sem juros", uma modalidade que está na mira de alguns bancos e pode sofrer restrições futuramente. De acordo com relatório do Banco Central e do Ministério da Fazenda, cerca de 45% das compras no cartão foram feitas dessa forma em 2011, percentual recorde e quase o dobro do verificado no início de 2007. Não houve aumento no número de compras parceladas, mas no valor dessas transações em relação a 2010. O governo diz que o País "é o único do mundo" que tem esse

tipo de crédito, que pode levar o consumidor a pagar juros sem saber. "Uma possível explicação para a grande utilização do 'parcelado lojista' seria o fato de o consumidor não observar o custo implícito do financiamento concedido", diz o relatório, "que, quase sempre, está embutido no preço dos bens ou serviços ofertados". Algumas instituições financeiras argumentam que as vendas parceladas sem juros são as responsáveis pelas taxas altas cobradas no rotativo do cartão de crédito. A afirmação é que o consumidor que pega o crédito com juros paga pelo risco de inadimplência

daqueles que parcelaram a compra sem juros. O governo teme, no entanto, que o fim dessa modalidade trave os negócios com cartão e prejudique a recuperação da economia neste momento. Crédito rotativo – O relatório mostra que o valor financiado via crédito rotativo representou cerca de 10% dos gastos no cartão no ano passado, participação que está praticamente estável desde 2008. A inadimplência cresceu no ano passado e passou a representar mais de um terço do custo dos bancos com cartões. O ganho com o financiamento de compras no cartão cresceu 13% em relação a

Segundo o Banco Central, 45% das compras efetuadas com cartões de crédito são em parcelas sem juros. 2010, e representa 57% da receita total. Os bancos estão ganhando mais com a cobrança de anuidade dos cartões. A receita com essa tarifa cresceu 18% em 2011. O aumento das anui-

dades foi, em média, de 15%. Além disso, houve elevação na quantidade dos cartões "premium", que cobram taxas mais altas. Apesar do avanço recente desse instrumento como meio

Famílias já fazem novos planos de consumo

O

mês de setembro mostrou mudanças no perfil do endividamento do brasileiro, revela a pesquisa Perfil Econômico do Consumidor, realizada pela FecomércioRJ com mil consumidores em 70 cidades. "Antes, ora os indicadores de inadimplência avançavam, ora caiam. Agora, há um dado mais consistente, condizente com o resultado de outras pesquisas", argumentou o economista da FecomércioRJ, Christian Travassos, que apontou a desaceleração da concessão de crédito, evidenciada em dados do Banco Central, como outra demonstração de que as famílias brasileiras estão ajustando os seus orçamentos.

Paulo Pampolim/ Hype - 24.08.09

Televisores estão no topo das intenções de compra dos entrevistados "O consumidor freou a exposição ao financiamento. É o que a pesquisa demonstra", disse Travassos. O percentual de brasileiros que afirmaram estar pagando algum parcela-

mento de dívida passou de 43,8% em setembro de 2011 para 37,5% no mês passado. E o número dos que informaram ter prestações em atraso caiu de 13,2% para 12,1%, no mes-

mo período. O crescimento da formalização do trabalho permitiu ao consumidor aproveitar os benefícios da restituição do Imposto de Renda e do 13º salário para pagar dívidas. A queda dos juros também acabou deslocando as dívidas do cartão de crédito para os empréstimos bancários. O percentual de brasileiros que afirmaram ter parcelas de cartão pendentes passou de 34,7% para 28,8%, na comparação dos meses de setembro de 2011 e 2012. Já o número de empréstimo bancário saltou de 6,4% para 10,1%. Os carnês continuam liderando como instrumento de parcelamento de dívida. Do total de entrevistados, 57,4% afirmaram ter carnês a pagar.

Com a organização do orçamento familiar, os consumidores tendem a comprar mais nas festas de fim de ano, destacou Travassos. A pesquisa demonstrou que 15,9% dos entrevistados pretendem adquirir bens duráveis nos próximos três meses, ante 15,1% em setembro de 2011. A maior parte, 20,1%, planeja comprar televisão e 15,2% um carro. Em setembro do ano passado, o percentual era de 7,7%. "O brasileiro aproveitou as isenções tributárias pontuais, ao longo de 2012. Neste fim de ano, com as contas organizadas, vai aproveitar o acesso a recursos menos caros e as desonerações para ir às compras de Natal", prevê o economista. (Estadão Conteúdo)

de pagamentos, caiu o número de cartões usados no País em 2011. A queda ficou concentrada nos cartões "básicos", a maior parte. Cartões sofisticados ganharam espaço. (Estadão Conteúdo)

Gol pede autorização para voar aos EUA

A

Gol, que opera cerca de 810 voos diários para 62 destinos em nove países na América do Sul e Caribe, protocolou ontem um pedido formal à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para operar voos regulares entre o Brasil e Estados Unidos, com escala em Santo Domingo, na República Dominicana. A operação será realizada com a frota padronizada de aeronaves Boeing 737 Next Generation, que segundo a companhia, são as mais seguras, eficientes e econômicas da classe. As rotas serão possíveis por meio de acordos com empresas regionais. (EC)


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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

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ECONOMIA/LEGAIS - 21 Espanha estaria pronta para receber nova ajuda econômica da União Europeia, mas sem contrapartidas drásticas de ajustes.

conomia

Europa tenta acertar a economia e as finanças

PIB chinês se expandiu 7,4%

A

Líderes se reúnem para discutir medidas restritivas aos países que fugirem das regras de estabilidade Simela Pantzartzi/Efe

O

s chefes de governo e de Estado da União Europeia (UE) deram início, ontem, em Bruxelas, aos debates sobre a união econômica e monetária numa reunião marcada pelas divergências entre Alemanha e França e em meio a protestos contra a austeridade na Grécia. "Temos muito trabalho diante de nós, no setor bancário, emprego e crescimento", disse o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy. A chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, François Hollande, se reuniram antes dos debates. Ao falar no Parlamento de seu país, ela defendeu o aumento das competências do comissário europeu de Assuntos Econômicos (cargo atualmente ocupado por Olli Rehn) para que possa vetar os orçamentos nacionais dos estados membros quando estes não respeitarem os "limites de estabilidade e crescimento". Para Hollande, as prioridades são outras. O presidente francês afirmou que os chefes de Estado devem se dedicar à construção de uma união bancária, e não uma união orçamentária. Alemanha e França não conseguiram entrar em acordo para que entre em vigor o Supervisor Único Financeiro para a zona, sob a égide do Banco Central Europeu (BCE). Berlim repete que este supervisor para todos os bancos da zona do euro estará operando a partir de 2014, enquanto Paris insiste em que deve operar "o quanto antes". Hollande se transformou no porta-voz da Espanha e Itália, que querem esse supervisor para todos os bancos da zona do euro em janeiro de 2013, para garantir a recapitalização direta

Olivier Hoslet/Efe

Enquanto a chanceler alemã, Angela Merkel, se reúne em Bruxelas, coquetéis Molotov explodem no centro de Atenas. dos bancos, sem contabilizar como dívida pública. Espanha – A chanceler alemã voltou a insistir em que o governo de Mariano Rajoy é que deve decidir se pedirá resgate econômico. Segundo uma fonte diplomática, a Espanha está perto de um pedido de ajuda, destinada a obter a intervenção do BCE para amenizar a tensão nos mercados de sua dívida soberana. Os rumores provocaram a euforia dos mercados europeus e levaram a taxa de risco espanhola, que mede a confiança na solvência de um país, abaixo dos 400 pontos pela primeira vez desde abril. A Espanha quer aproveitar esse relaxamento nos mercados para esboçar seu pedido de resgate, que seria o

PREFEITURA MUNICIPAL DE CASTILHO/SP

PROCESSO LICITATÓRIO Nº 55/12 - PREGÃO Nº 25/12 Termo de Adjudicação e Homologação. Processo Licitatório 55/12. Pregão 25/12. Objeto: Contratação de empresa especializada para a prestação de serviços de implantação, gerenciamento, administração, fiscalização, emissão, fornecimento e manutenção de vale-alimentação, através de cartões magnéticos, destinados aos servidores da Prefeitura do Município de Castilho, que se enquadrem na previsão contida na Lei Municipal 1.831, de 21 de fevereiro de 2008. Considerando o teor da ata dos trabalhos da sessão pública de julgamento, de 19 de julho de 2012, lavrada pelo Sr. Pregoeiro, designada pela Portaria nº 02, de 03/01/2012; e a regularidade do procedimento, hei por bem, com base na Lei Federal nº 10520, de 17 de julho de 2002, Adjudicar o item do objeto licitado à empresa abaixo delineada e Homologar o presente certame, determinando que sejam tomadas as providências ulteriores. Verocheque Refeições Ltda. Avenida Presidente Vargas, 2.001 – 18º Andar – Conjunto 184 – Jardim Califórnia. Ribeirão Preto – SP. CNPJ (MF): 06.344.497/0001-41. Taxa de Administração: -4,25% (quatro vírgula vinte e cinco por cento negativos). Castilho – SP, 18 de outubro de 2.012. Antônio Carlos Ribeiro. Prefeito. A Debitar (19.10.12)

POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO Centro de Suprimento e Manutenção de Material deTelecomunicações Encontra-se aberto no Centro de Suprimento e Manutenção de Material de Telecomunicações CSM/MTel, o PREGÃO ELETRÔNICO nº CSMMTEL-006/163/12, do tipo menor preço, PROCESSO nº CSMMTEL-031/163/12, para a contratação, por itens, de Serviços de Telefonia Fixa Comutada STFC tudo de acordo com o Projeto Básico constante do anexo I do edital. A sessão será realizada às 10h00 do dia 01/11/2012, no site www.bec.sp.gov.br. O edital e seus anexos encontram-se à disposição dos interessados, sem custo, nos sites: www.bec.sp.gov.br ou www.bec.fazenda.sp.gov.br e www.imesp.com.br, opção: e-negociopublicos ou www.e-negociospublicos.com.br; e-mail: csmmteluge@policiamilitar.sp.gov.br;Telefone:0xx11-2997-7097, ramal 1265.

POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO GRUPAMENTO DE RADIOPATRULHA AÉREA“JOÃO NEGRÃO”(GRPAe) ( ) PREGÃO ELETRÔNICO Nº GRPAe-007/140/12 - PROCESSO Nº GRPAe-116/140/12 Encontra-se aberto no Grupamento de Radiopatrulha Aérea “João Negrão” (GRPAe), Pregão Eletrônico Nº GRPAe-007/140/12, do tipo Menor Preço, a ser realizado por intermédio do sistema eletrônico de contratações denominado “Bolsa Eletrônica de Compras do Governo do Estado de São Paulo - Sistema BEC/SP”, com utilização de recursos de tecnologia da informação, denominada Pregão Eletrônico, do tipo Menor Preço por Item - Processo nº GRPAe-116/140/12, objetivando a aquisição 120 (cento e vinte) Capacetes deVoo, conforme memorial descritivo Anexo 1 do Edital. A data de abertura da sessão está prevista para 07 de novembro de 2012, às 09:00h. Para maiores informações, a Seção de Finanças coloca-se à disposição, em horário comercial, de segunda a sexta-feira, para eventuais dúvidas. As informações estarão disponíveis no sítio www.e-negociospublicos.com.br.Tel:(11) 2221-7299;ramais 1836 a 1838.

segundo em um ano. Grécia – A demanda espanhola poderia ser atendida ao mesmo tempo em que seria liberado a parcela de 31,5 bilhões de euros de ajuda à Grécia, pendente desde junho. A Comissão Europeia informou que está aberto o caminho para um acordo. SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO

Contudo, a sociedade grega não quer saber mais dos ajustes. A Grécia enfrentou ontem outra greve geral, a quarta no ano, contra as duras medidas de restrições econômicas. Violentos incidentes voltaram a ocorrer em várias cidades, incluindo Atenas. (Agências) GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO

FDE AVISA: TOMADAS DE PREÇOS - TIPO TÉCNICA E PREÇO A FUNDAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO - FDE comunica às empresas interessadas que se acha aberta licitação para Execução de Projeto: TOMADA DE PREÇOS Nº - OBJETO - PRÉDIO - LOCALIZAÇÃO - PRAZO - ABERTURA DA LICITAÇÃO (HORA E DIA) 46/01247/12/02 - Elaboração de Projeto Executivo e Apresentação de Pasta Técnica Contemplando a Documentação Relativa ao Projeto Técnico de Segurança - Terreno Recanto Soraya/Jardim Silvia III - Av. Ana Carolina, s/nº - Recanto Soraya - Francisco Morato/SP - 90 (Elaboração de Projeto) / 180 (Pasta Técnica) - 09:30 - 22/11/2012. 46/01248/12/02 - Elaboração de Projeto Executivo e Apresentação de Pasta Técnica Contemplando a Documentação Relativa ao Projeto Técnico de Segurança - Terreno Jd. Vassouras II - Rua 14 e Rua 22, s/nº - Jardim Vassouras - Francisco Morato/SP - 90 (Elaboração de Projeto) / 180 (Pasta Técnica) - 10:00 - 22/11/2012. As empresas interessadas poderão obter informações e verificar o Edital na SEDE DA FDE, na Supervisão de Licitações, na Av. São Luís, 99 - República - CEP: 01046-001 - São Paulo/SP ou através da Internet pelo endereço eletrônico www.fde.sp.gov.br. Os interessados poderão adquirir o Edital completo através de CD-ROM a partir de 19/102012, na SEDE DA FDE, de segunda a sexta-feira, no horário das 08:30 às 17:00 horas, mediante pagamento não reembolsável de R$ 40,00 (quarenta reais). Os invólucros contendo a Proposta Técnica, a Proposta Comercial e os documentos de Habilitação, deverão ser entregues, juntamente com a Solicitação de Participação, a Declaração de Pleno Atendimento aos Requisitos de Habilitação, no Setor de Protocolo da Supervisão de Licitações - SLI na SEDE DA FDE, até 30 minutos antes da abertura da licitação. Esta Licitação será processada em conformidade com a LEI FEDERAL nº 8.666/93 e suas alterações, e com o disposto nas CONDIÇÕES GERAIS PARA A REALIZAÇÃO DE LICITAÇÕES E CONTRATAÇÕES DA FUNDAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO - FDE. As propostas deverão obedecer, rigorosamente, o estabelecido no edital. HERMAN JACOBUS CORNELIS VOORWALD Respondendo pela Presidência Decreto s/nº de 03/10/2012

ASSOCIAÇÃO BENEFICENTE IPÊ ROSA DO SERRADO Edital de Convocação de Assembleia Geral Pelo presente edital, ficam convocados todos os interessados em se reunirem em Assembleia Geral, a comparecerem no dia 31 de outubro de 2012, às 18 horas, na Rua Eudoro Lincon Berlinck, nº 615 - Casa 29, Jardim Arpoador, São Paulo/ SP, para participarem na qualidade de associados fundadores. A Assembleia será instalada, em 1ª convocação às 18 horas, e em 2ª convocação às 18h30min. Ordem do Dia: 1. Deliberar sobre a constituição da Associação; 2. Deliberar sobre a aprovação do Estatuto Social; 3. Deliberar sobre o local da sede da Associação; 4. Deliberar sobre a Eleição e Posse dos Membros da Diretoria Executiva e do Conselho Fiscal. São Paulo, 19 de outubro de 2012. Mike Moreno Comissão Organizadora.

economia da China desacelerou-se pelo sétimo trimestre seguido entre julho e setembro, ficando aquém da meta do governo pela primeira vez desde a crise financeira global, mas outros dados indicaram uma leve recuperação no final do ano. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 7,4% no terceiro trimestre ante o mesmo período do ano anterior, informou o Escritório Nacional de Estatísticas (NBS), dentro das estimativas dos economistas. Os dados de produção industrial, vendas no varejo e de investimento ficaram ligeiramente acima das expectativas, e o crescimento do PIB na comparação com o trimestre anterior foi forte, sugerindo que o pior pode ter acabado, e que a segunda maior economia do mundo vai acelerar no último trimestre. Isso resultou num crescimento econômico anual de 7,7% nos nove primeiros meses do ano, colocando a China no caminho para atingir ou superar a meta oficial do governo para 2012 de 7,5%. "Tivemos um crescimento de 7,7% em setembro, o que deu uma sólida base para alcançarmos a meta de crescimento para o ano todo. Portanto, estamos confiantes", disse o porta-voz do NBS, Sheng Laiyn. Embora um crescimento do PIB de 7,4% seja motivo de comemoração em economias desenvolvidas afetadas pela recessão, isso representa uma forte desaceleração para a China, onde o PIB cresceu 9,2% em 2011 e teve uma taxa média anual de cerca de 10% por três décadas. "Era esperada" – O diretor sênior de soberanos da Ásia da Fitch, Andrew Colquhoun, ratificou, ontem, que a agência de classificação de riscos não prevê um "pouso forçado" da China em 2012, e que apesar da preocupação dos investidores, o país asiático terá um crescimento do PIB em torno de 8% este ano. "A desaceleração da China era esperada, em dezembro tínhamos previsão de 8,2%, revisamos para 7,8% e talvez fique em torno de 8% em 2012", disse Colquhoun, durante seminário da Fitch, em São Paulo. Na avaliação dele, a desaceleração da China é cíclica, e reflete a política oficial de reduzir a inflação por meio da limitação do crédito, após o forte crescimento de 2010. "Em 2010 houve estímulo forte, talvez exagerado, e de lá para cá pisaram no freio. Isso funcionou, com a inflação caindo para cerca de 2%", disse. (Agências)

SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO

GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO

FDE AVISA: TOMADAS DE PREÇOS A FUNDAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO - FDE comunica às empresas interessadas que se acha aberta licitação para execução de Obras: TOMADA DE PREÇOS Nº - OBJETO - PRÉDIO - LOCALIZAÇÃO - PRAZO - ÁREA (se houver) - PATRIMÔNIO LÍQUIDO MÍNIMO P/ PARTICIPAR - GARANTIA DE PARTICIPAÇÃO - ABERTURA DA LICITAÇÃO (HORA E DIA) 69/02429/12/02 - Construção de Cobertura de Quadra em Estrutura Mista e Reforma de Prédio Escolar - EE Regina Coutinho Nogueira - Rua Nuno Álvares Pereira, 180 - Cep: 13088-420 - Vila Nogueira - Campinas/SP - 150 - R$ 46.907,00 R$ 4.690,00 - 09:30 - 07/11/2012. 69/02431/12/02 - Construção de Cobertura de Quadra em Estrutura Mista e Reforma de Prédio Escolar - EE Carmen Miranda - Av. Profª Terezinha Rodrigues Kalil, 1221 - Cep: 11750-000 - Jd. Brasil - Peruíbe/SP - 150 - R$ 46.271,00 - R$ 4.627,00 - 10:00 - 07/11/2012. 69/02440/12/02 - Construção de Cobertura de Quadra em Estrutura Mista e Reforma de Prédio Escolar - EE José Pedro de Moraes - Rua José de Campos, 98 - Cep: 13617-577 - Cajú - Leme/SP - 150 - R$ 41.719,00 - R$ 4.171,00 - 10:30 07/11/2012. 73/00804/12/02 - Construção de Cobertura de Quadra em Estrutura Mista e Reforma de Prédio Escolar - EE Prof. Antonio Cândido Corrêa Guimarães Filho - Av. Mutinga, 5071 - Cep: 05110-000 - Vila Piauí - São Paulo/SP - 210 - R$ 78.257,00 - R$ 7.825,00 - 11:00 - 07/11/2012. As empresas interessadas poderão obter informações e verificar o Edital e o respectivo Caderno de Encargos e Composição do BDI na SEDE DA FDE, na Supervisão de Licitações, na Av. São Luís, 99 - República - CEP: 01046-001 - São Paulo/SP ou através da Internet pelo endereço eletrônico www.fde.sp.gov.br. Os interessados poderão adquirir o Edital completo através de CD-ROM a partir de 19/10/2012, na SEDE DA FDE, de segunda a sexta-feira, no horário das 08:30 às 17:00 horas, mediante pagamento não reembolsável de R$ 40,00 (quarenta reais). Todas as propostas deverão estar acompanhadas de garantia de participação, a ser apresentada à Supervisão de Licitações da FDE, conforme valor indicado acima. Os invólucros contendo a PROPOSTA COMERCIAL e os DOCUMENTOS DE HABILITAÇÃO deverão ser entregues, juntamente com a Solicitação de Participação, a Declaração de Pleno Atendimento aos Requisitos de Habilitação e a garantia de participação, no Setor de Protocolo da Supervisão de Licitações - SLI na SEDE DA FDE, até 30 minutos antes da abertura da licitação. Esta Licitação será processada em conformidade com a LEI FEDERAL nº 8.666/93 e suas alterações, e com o disposto nas CONDIÇÕES GERAIS PARA A REALIZAÇÃO DE LICITAÇÕES E CONTRATAÇÕES DA FUNDAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO - FDE. As propostas deverão obedecer, rigorosamente, o estabelecido no edital. HERMAN JACOBUS CORNELIS VOORWALD Respondendo pela Presidência Decreto s/nº de 03/10/2012

POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO GRUPAMENTO DE RADIOPATRULHA AÉREA“JOÃO NEGRÃO”(GRPAe) ( ) PREGÃO ELETRÔNICO Nº GRPAe-006/140/12 - PROCESSO Nº GRPAe-115/140/12 Encontra-se aberto no Grupamento de Radiopatrulha Aérea “João Negrão” (GRPAe), Pregão Eletrônico Nº GRPAe-006/140/12, do tipo Menor Preço, a ser realizado por intermédio do sistema eletrônico de contratações denominado “Bolsa Eletrônica de Compras do Governo do Estado de São Paulo - Sistema BEC/SP”, com utilização de recursos de tecnologia da informação, denominada Pregão Eletrônico, do tipo Menor Preço por Item - Processo nº GRPAe-115/140/12, objetivando a aquisição de Item I - 150 (cento e cinquenta) Macacões de Voo, Item 2 - 120 (cento e vinte) Blusões de Voo, Item III - 200 (duzentos) pares de Luvas deVoo e Item IV - 240 (duzentos e quarenta) pares de Botas deVoo,conforme memorial descritivo Anexo 1 do Edital.A data de abertura da sessão está prevista para 08 de novembro de 2012, às 09:00h.Para maiores informações, a Seção de Finanças coloca-se à disposição, em horário comercial, de segunda a sexta-feira, para eventuais dúvidas. As informações estarão disponíveis no sítio www.e-negociospublicos.com.br.Tel:(11) 2221-7299;ramais 1836 a 1838.

Intermezzo Comercial de Produtos Gourmet S.A.

CNPJ (MF) nº 04.107.954/0001-59 Convocação de Assembléia Geral Extraordinária Data, Hora e Local: 30 de outubro de 2012, 10:00 horas, na sede social. Ordem do Dia: a) Homologar aumento de capital. b) Alteração estatuto social. São Paulo, 17 de outubro de 2012. A Diretoria. (18, 19, 20/10/2012)

FALÊNCIA, RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL E RECUPERAÇÃO JUDICIAL Conforme informação da Distribuição Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo, foram ajuizados no dia 18 de outubro de 2012, na Comarca da Capital, os seguintes pedidos de falência, recuperação extrajudicial e recuperação judicial: Requerente: Zfac Comercial Ltda.Requerido: Reiplás Indústria e Comércio de Materiais Elétricos Ltda. Rua Jair Afonso Inácio, 375 – Jardim São Elias - 1ª Vara de Falências. Requerente: SRM Comércio Atacadista de Alumínio Eireli. Requerido: XKS Indústria e Comércio de Peças para Bicicletas Ltda. Avenida Jacobus Baldi, 570 – Jardim Iracema - 2ª Vara de Falências. Requerente: Aparecida de Fátima Alves Tavares. Requerido: Conesp Classificados. Rua São Leopoldo, 820 – Belenzinho - 2ª Vara de Falências.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Oba, a linha Porsche ficou mais barata! A Stuttgart divulgou a nova tabela de preços. O Boxster baixou de R$ 349 mil para R$ 299 mil e o Panamera Turbo S, de R$ 1.149 milhão para R$ 949 mil. Os demais modelos também ficaram mais "em conta".

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DCARR SURPRESA!

C3, agora também é coisa de macho Mudanças radicais no Citroën atraem público masculino, mas sem comprometer o charme que tanto encantou as mulheres na versão anterior. MOISÉS RABINOVICI Divulgação

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onstatação ao sair de la voiture C3 (feminino em francês; a preferida das mulheres no Brasil): -Eta carro macho! Está maior: 9,4 cm mais comprido, 4,1 cm mais largo. E mais potente: motor 1.5 flex e 1.6, etanol ou gasolina. Cresceu de 1,519 m para 1,62 m, o que nem se nota. E pesa 1.139 quilos, com espaço para 300 litros no portamalas. Interior à la minivan Picasso, grande sedutor, célebre pintor. E pode vir com o super para-brisa que vai até a altura da cabeça dos sentados à frente. Pardon, mademoiselles: só existe agora o C3 mais robusto, macho. La voiture anterior, queridinha das mulheres, saiu de linha. Ainda restam cerca de 240 mil rodando nas ruas do Brasil, os mais velhos com nove anos de idade. O irmão europeu do brasileiro de Porto Real, no Rio, não é gêmeo, tendo nascido com grade frontal e saída de ar diferentes. Mas a Citroën os trata como a um carro global, concebido com investimentos de R$ 400 milhões, em três anos de gestação. Asfalto e poeira – Fui com um novíssimo e bravo C3 até Gonçalves, no sul de Minas, no feriadão de 7 de Setembro. A seca batia recordes. No final dos 240 km de asfalto, pela Carvalho Pinto, o pó nos abraçou como a nuvem, o avião. Fazia um calor hibernal típico, o inverno a 37 graus, e a umidade já atingia o limite perigoso à saúde. E aqui vai o primeiro elogio: o ar-condicionado deu conta, sem tossir, mesmo ligado por mais de seis horas. Sim, foi uma viagem demorada, a conta-gotas: pegamos a estrada com outros dois milhões de fugitivos de São Paulo. Engata a primeira, e avança alguns metros, e para; de novo engata a primeira, e… Filas em todos os pedágios. Só o motorista esquentou, lembrando com certo temor o tempo em que os carros ferviam. Então era preciso abrir a tampa do radiador, um vulcão em erupção, e deixar esfriar. Mas o C3 se manteve frio. É macho! Tenho um C3 dos preferidos das mulheres para meu dia a dia. Mas o comprei sem saber que podia acabar estacionando em um Clube da Luluzinha. Já tinha andado com outras voit u re s Citroën, a C4, a C6, no antigo CX... No Oriente Médio comprei um CX, esportivo,

com três alturas. Rodei muito pelo deserto do Sinai, ele se portando como um jipão, e fui várias vezes de Haifa a Beirute, ele se portando como um tanque de guerra Merkavá (Carruagem), de Israel. Mais que macho, sobrevivente de vários ataques aéreos e de trilhas abertas por sapatas e infantaria. Quanto custa? – Do C3 feminino para o C3 macho vai uma enorme diferença. Mas que ninguém acelere agora em sentido contrário, em busca de um Clube do Bolinha. Não está no mapa nem no GPS de marketing. A Citroën remodelou as linhas femininas, sem exagerar na masculinidade, ou se esconder dentro do armário. Os franceses querem ao volante os dois sexos, e seus derivados, sem quaisquer preferências. Existe no Brasil algum outro carro que desperte questões sexuais antes da escolha de motorização ou dos opcionais? O novo modelo básico não se chama mais GLX, sigla que atrai homônimos perigosos para um carro perseguido por questões de gênero. Agora é Origine (com preços entre R$ 39.900 e R$ 41.080). O intermediário foi batizado de Tendence (entre R$ 43.900 e R$ 45.080). E o top de linha atende por Exclusive, único com um futuro de bem dotado, o câmbio automático AT8, de

quatro marchas, custando de R$ 49.900 até R$ 55.080. Use protetor solar – O super para-brisa Zênite (Zenith, no original) só vem no Tendence e no Exclusive. É incrível o que descortina para se ver, lá fora, e o que permite de sol, por dentro. Contra insolação, só fechálo. Basta um movimento simples com uma das mãos. São 80 graus a mais. Protetor solar passa a ser um item obrigatório de manutenção para os passageiros. Esse luxo custa mais caro, mas, se, por acaso, quebrar, a Citroën promete cobrar apenas o preço do reparo de um para-brisa convencional, absorvendo os custos. Os três novos modelos compartilham a mesma direção elétrica com ajuste de altura e profundidade, ar-condicionado, câmbio manual de cinco marchas, air bag duplo frontal, luzes diurnas de LED, freios ABS e cintos de três pontos para todos os passageiros. Os C3 incluem como básico, de série, o que nos compactos de outras marcas são opcionais. Comum, entre todos, só o IPI – que o governo tira e põe, no rastro das oscilações da economia.

Para encurtar a desnecessária longa e monótona viagem de ida, partimos da empoeirada Gonçalves na noite de sábado, fugindo da estridente música em todos os seus bares e do êxodo certo que se formaria no domingo em direção a São Paulo. O super para-brisa fez jus a seu nome, abrindo-se para a noite estrelada e a um Zênite imaginário no céu. Estrada vazia, o macho se impôs e a dominou. Detectamos todos os radares pelo caminho. Mas não vou revelar, porque certas informações os jornalistas não contam, em quanto tempo vencemos os 240 km até minha casa.

SALÃO DO AUTOMÓVEL

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ATRAÇÕES DE 1º MUNDO. PREÇOS TAMBÉM.

e você quer visitar o 27º Salão Internacional do Automóvel, acompanhado da família, prepare o bolso. Os os preços estão mais para os modelos do segmento Premium do que para os nossos famosos populares. Os valores se equiparam aos cobrados no principais salões, como Detroit, Paris e Frankfurt. O ingresso mais barato, só no primeiro dia, na segunda-feira, 21, custará R$ 45 (para criança até 5 anos, idosos e estudantes, R$ 22,50). A partir do dia 22 até sexta, serão cobrados R$ 55 (meia entrada a R$ 27,50). Nos finais de semana e feriado (dia 2 de novembro, finados) o preço subirá para R$ 80. A meia, R$ 40. Quer preços menores? Compre antes, entrando no site www.ingressoantecipado.com.br/salaodoautomovel/ (mas lembre das taxas). Os custos, porém, não param por aí: o estacionamento ficará em R$ 30 para carros e

R$ 20 para motos. Quer deixar o carro em um local mais barato? Vá para o Unipare, ao lado da Estação Tietê do Metrô, na rua Voluntários da Pátria, com transporte grátis ida e volta ao Pavilhão do Anhembi. Grátis também é o ônibus leva e traz para quem optar pelo Metrô para chegar à Marginal do Tietê. Se você somar estes preços a um lanche com dois filhos, sua conta, já salgada, pode elevar sua pressão aos R$ 300, em um fim de semana. Um pouco menos de segunda a sexta. Cuidado, com a venda antecipada na internet, você pode não encontrar ingresso para sábado ou domingo na bilheteria do Anhembi. Para estes dias os mesmos estão limitados. O carro do livro do momento – kern -0.2ptSe a sua esposa souber desta atração extra, o custo da ida ao Salão pode aumentar ainda mais. Ela não vai deixar escapar a chance de

dar uma voltinha no Audi R8 Spyder, o modelo usado pela heroína Anastácia Steele, do maior sucesso literário entre as mulheres: 50 tons de cinza (E. L. James, Editora In-

t r í n s e c a , R$ 29,90). E não paga nada por isso. É só ter o ingresso do Salão do Automóvel e correr para a fila. Ou comprar um, que no Brasil custa cerca de R$ 800 mil.

Vai ser caro ir ao Salão do Automóvel. Mas, para quem gosta de carros, não haverá programa melhor na cidade entre 24 de outubro e 4 de novembro. Não é?

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DCARR MOTOS

Chegou a Mirage 650i

Fazer, a 1ª Yamaha flex.

Duas novas motos chegam ao mercado. Uma com vocação estradeira, a outra, urbana – a álcool e/ou gasolina. MÁRIO TONOCCHI

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companhando a tendência de design da HarleyDavidson V-ROD, a Mirage 650i, Custom de médio porte da Kasinski, é uma atração para quem gosta do estilo. Com pneu largo de medidas 180/55-ZR 17 na traseira, quadro tubular de berço duplo, tanque afilado e lanterna traseira com LEDs, a moto chama a atenção pela quantidade de cromados e detalhes em preto. O guidão largo e afastado da coluna de direção aliado ao também largo bando do piloto oferece bastante conforto para quem acelera. A posição das pernas, o banco pequeno e de perfil baixo, entretanto, judiam do garupa. Com preço sugerido de R$ 25.990, a Mirage 650i é

A 650i deve fazer sucesso entre os fãs do segmento custom

produzida no Brasil pela fábrica da Kasinski em Manaus (AM) com projeto desenvolvido por sua parceira comercial, a sul-coreana Hyosung. Na tocada, o motor de dois cilindros em "V" com injeção eletrônica e refrigeração a água pode desenvolver 80,7 cavalos de potência a 9.250 rpm e torque de 6,9 kgf.m a 7.250 rpm. Ele é vigoroso e possibilita boas retomadas. Na cidade, até pelo próprio comprimento e largura (2.430mm por 890mm), a condução fica um pouco mais cansativa. O consumo da Mirage 650i manteve uma boa média na avaliação realizada pelo Diário do

Comércio. Com peso seco de 214 quilos, o consumo médio ficou em 17 km/l na cidade e 16 km/l nas rodovias. Nessas medidas, a autonomia do tanque de 16 litros pode chegar a cerca de 270 quilômetros. O câmbio de cinco marchas tem engates suaves. O sistema não possui a sexta marcha, denominada overdrive, que diminui a rotação do motor principalmente nas estradas, reduzindo o consumo. As suspensões são do tipo invertida na dianteira e traseira com balança bichoque ajustável. O sistema de freios da Mirage 650i conta com disco duplo de 300 mm na dianteira e simples de 260 mm na traseira.

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primeira moto de 250 cilindradas e tecnologia bicombustível da montadora Yamaha, a Fazer 250 Blueflex modelo 2013, mantém a competência do veículo lançado por aqui em 2005 para o uso urbano agora oferecendo a liberdade de escolha do combustível. Ágil, com motor robusto e bem acertada na ciclística, a moto avaliada pelo Diário do Comércio manteve consumo médio de 28 quilômetros por litro no uso quase que exclusivamente de etanol. As melhores marcas na relação combustível e quilometragem ficaram, entretanto, para a cidade, já que na estrada a autonomia cai cerca de 30% com apenas etanol no tanque de 19,2 litros – 4,5 de reserva. Para receber tanto álcool quanto gasolina, a Fazer passou por modificações internas como novas velas de ignição e tratamento com zinco no interior do tanque para operar com o etanol, que é mais corrosivo que a gasolina. O preço não mudou muito em relação ao modelo somente movido a gasolina. Os sugeridos R$ 11.690 elevaram em R$ 400 o preço da Blueflex. Assim como o preço, o novo sistema de abastecimento também não alterou essencialmente o rendimento do motor monocilíndrico de 249

cm³, potência de 21 cavalos a 8.000 rpm e torque de 2,1 kgf.m a 6.500 rpm. Tecnologias – A novidade no modelo fica somente para a possibilidade de utilização do etanol. A moto mantém o chassi tipo berço duplo, suspensão dianteira com barras de 37 mm de diâmetro e traseira com 120 mm de curso. O sistema de freios conta com disco dianteiro de 282 mm de diâmetro e pinça com dois êmbolos e, na traseira, disco de 220 mm de diâmetro. É bem dimensionado para o tamanho da moto e não assusta em nenhum momento no uso intenso nos corredores. Fotos: Divulgação

Montadora japonesa apresenta seu primeiro modelo bicombustível

A moto tem um sistema que impede que entre em movimento enquanto a temperatura não for a ideal para a queima do combustível. O Sistema Yamaha de Segurança (SYS) só permite que ela ande quando a luz guia do painel se apaga. Engatando a primeira marcha com a luz ligada desliga-se automaticamente o motor. O processo só funciona quando o tanque contém 70% ou mais de etanol. Com gasolina, o procedimento é igual às motos somente a gasolina. No conjunto, a Fazer não mudou. Tem apenas adesivos Blueflex nas laterais da rabeta.


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HUB DAS AMÉRICAS A partir da Cidade do Panamá a Copa Airlines opera mais de 60 destinos. Em 16/12 a empresa lança o 4º voo diário saindo de SP.

urismo

PANAMÁ: MAIS QUE O CANAL. Famoso pela passagem marítima que liga Norte e Sul do continente americano, o país revela muitos atrativos – da capital colonial e moderna à natureza Fotos: Divulgação

Zonas velha e colonial da capital panamenha foram preservadas.

Paula Cunha

E

lo de ligação entre o Norte e o Sul do continente americano, o Panamá é um país de clima privilegiado, belezas naturais que vão além do passeio na eclusa do famoso canal que leva o seu nome e atrações turísticas que conquistam visitantes de todo o mundo. Passando por uma fase positiva, com bom desempenho econômico que atrai investimentos de empresas de diversos ramos, o país é dotado de praias, no lado caribenho, que possibilitam a prática de mergulho e outros esportes aquáticos. E tem como vanta-

gem um clima tropical bem equilibrado com chuvas de maio a dezembro e verão seco e bem servido de ventos nos meses restantes. A rede hoteleira e de restaurantes vive expansão, beneficiada pelo aumento da procura por programas ecológicos e pela Zona Livre de Cólon, com vantagens para os turistas ávidos por comprar produtos sem limitações alfandegárias. Recentemente, o país investiu cerca de US$ 50 milhões em quatro novos terminais construídos tanto na costa do Atlântico quanto na do Pacífico. O objetivo é atrair os turistas de 650 navios de cruzeiros que passam pela região. Idiomas e câmbio – Quem não quer passar vergonha com o seu “ po rt u nh ol ” não terá dificuldades para se comunicar em inglês. A rede hoteleira está b e m d i s t r ibuída na capital, a Cidade do Panamá, e em todo o país, já que os ú l t i m o s g overnos transformaram as vilas militares n or te - am er icanas, instaladas durante a ocupação pelos Estados Unidos por 85 anos, em ho-

téis de luxo. O turista pode escolher entre os hotéis no centro da capital, próximos às instalações do Canal, que oferecem infra-estrutura adequada para a realização dos passeios nas áreas vizinhas. Há também a possibilidade de conhecer o Parque Nacional, batizado de Soberania, que tem uma área estimada de 5,5 mil hectares. Nele, quem desejar mais contato com a natureza pode ficar no Gamboa Rain Forrest Hotel. Ali, os visitantes conhecem uma aldeia de índios e seus costumes, além de observar algumas das mais de 700 espécies de pássaros. Gastronomia – O principal prato nacional é o sancocho, um tipo de cozido elaborado com diversas variedades de carnes (de frango, suína e bovina) que são cozidas com inhame, mandioca e milho. Já os temales são as pastas de milho com carne envoltas em folhas de bananeira. Quem quiser experimentar as frituras, pode optar pelas que têm como base a massa de mandioca, milho ou banana cozida previamente. Entre os doces elaborados a partir de frutas locais, o destaque é a sopa de borracha, um creme à base de baunilha que é servido com licor e passas. Para os amantes das cervejas, há diversas marcas nacionais e internacionais, além do rum de produção local. O Canal e contrastes – Com 79,6 quilômetros de extensão, o Canal do Panamá conta com áreas especiais onde o turista pode apreciar a passagem de navios que atraves-

À esq., Cidade do Panamá à noite – e seus arranha-céus – e a Plaza de la Catedral, na parte antiga.

sam do Oceano Atlântico para o Pacífico e vice-versa. A estrutura inclui restaurantes e postos especiais de observação do funcionamento das eclusas, mecanismos que possibilitam a passagem de mais de mil embarcações de todos os portes que cruzam a área anualmente.

Star Alliance se consolida na América Latina os diários oferecidos por elas e por mais 28 empresas aéreas em 193 países. A meta da Star Alliance é se consolidar na América Latina por meio deste aumento de oferta de voos. Com a união, é possível realizar reservas e check-ins em conjunto nos trajetos que contêm trechos de outras companhias aéreas. Além disso, há a perspectiva de aperfeiçoamento no programa de milhagem para permitir a troca de pontos acumulados por passagens de todos os integrantes da Star Alliance. (PC)

colonial e moderna. As duas primeiras foram preservadas e são bastante diferentes da última, que possui arranha-céus no estilo de grandes metrópoles como Nova York e São Paulo. Viagem a convite da Copa Airlines

RAIO X Paula Cunha

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e olho no progresso econômico panamenho e da América Central, diversas empresas aéreas anunciaram este ano na capital do Panamá sua entrada na Star Alliance, grupo do qual fazem parte a panamenha Copa Airlines, a brasileira TAM e a norte-americana United. O acordo beneficia turistas de todo o mundo que desejam conhecer a região e que optam por voar com a Avianca e a Taca, que agora integram o grupo. Os passageiros passaram a ter acesso a 21,5 mil vo-

Toda esta intensa atividade comercial provocou contrastes no visual da capital panamenha. O crescimento observado nos últimos dez anos foi desigual a partir de 2002, ano em que o Canal voltou a ser controlado pelos panamenhos. A cidade está dividida em três zonas distintas: velha,

COMO CHEGAR De São Paulo, a Copa Airlines (www.copaair.com) opera voos diretos. A partir de R$ 1.421,23 ida-e-volta, com taxas – tarifa promocional. ONDE DORMIR Hotel El Panamá Convention Center & Cassino: Via España 111, Ciudad de Panama, www.elpanama.com/. Diárias a partir de US$ 113. Country Inn & Suites Hotel Panama Canal: Amador Avenue e Pelicano, Ciudad de Panama, www.panamacanalcountry. com/. A partir de US$ 100. Hard Rock Hotel Panama Megapolis: Avenida Balboa

com Multicentro, Ciudad de Panama, www.hardrockhotels.com/ panama.aspx. Preço médio da diária para casal R$ 312. Gamboa Rain Forrest Hotel: Parque Nacional Soberania, www.gamboaresort.com/. Diárias a partir de US$ 305, com pensão completa. FAÇAS AS MALAS Fuso: duas horas a menos em relação a Brasília. Moeda: dólar norte-americano e a moeda local balboa. Esta última só circula na forma de moedas. O dólar é aceito em todo o país. Visto: não é necessário par a turistas brasileiros.


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EIS A ETERNA QUESTÃO

cultura

SER OU NÃO SER

Fotos: João Caldas/Divulgação

Thiago Lacerda como Hamlet, o personagem mais interpretado da história do teatro ocidental: "Este é o meu Hamlet. Nunca me passou pela cabeça me prender às referências".

Autoridade em Shakespeare faz Hamlet brasileiro Sérgio Roveri

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ascido em Niterói (RJ) e radicado na Inglaterra desde 1964, o diretor Ron Daniels é uma das maiores autoridades mundiais na obra de William Shakespeare. Já encenou 35 peças do dramaturgo, algumas em parceria com o lendário diretor inglês Peter Brook e outras com gente do porte de Kenneth Branagh no elenco. Depois de 12 anos ausente do País, Daniels chegou de Londres no fim do primeiro semestre para dirigir a montagem de Hamlet (a sexta em sua carreira) que entra em cartaz nesta sexta (19), no Teatro do Tuca, com o ator Thiago Lacerda no papel título. Tamanha familiaridade com a obra de Shakespeare autoriza Daniels a dizer que enxerga em Hamlet um drama familiar com um garoto doente e que a peça, a mais encenada de todos os tempos, pode ser definida como um ótimo thriller. "Se estivesse vivo, é muito provável que Shakespeare trabalhasse como roteirista em Hollywood. Ele é um contador de histórias insuperável. Melhor do que qualquer autor de novelas da atualidade". Daniels encara Hamlet com muito respeito e reduzida cerimônia. "Não tem segredo algum. Se eu não entendo o que Shakespeare quer dizer, eu corto", diz. "Palavras com cinco sílabas? Corto também. O

importante é não ser pretensioso. Eu faço pão, não preciso complicar". Além de dirigir, Daniels também assina a nova tradução da peça, em conjunto com Marcos Daud. "O texto não precisa da gente. Eu sou um não diretor, o cenógrafo é um não cenógrafo. O que o texto precisa é de atores maravilhosos". E, com isso, Daniels acredita contar. Além de Thiago Lacerda, a montagem traz 14 atores no elenco, entre eles Selma Egrei (à dir.) como Gertrudes, Eduardo Semerjian como rei Cláudio, Antonio Petrin como o fantasma do rei Hamlet, Anna Guilhermina como Ofélia e Roney Facchini como Polônio. Daniels afirma que seu grande desafio foi conseguir, na tradução, um texto que soasse completamente brasileiro, que passasse longe das frases empoladas e das palavras incompreensíveis. "Quero que o público conheça Shakespeare por dentro. É como se Elsenore, a velha capital da Dinamarca onde se passa a história, agora fosse uma cidade brasileira". Exemplo disso se dá na cena em que Hamlet contrata uma trupe de atores para, durante uma apresentação no palácio, desmascarar o rei Cláudio e comprovar

sua autoria na morte do seu pai, o velho rei Hamlet: os atores entram em cena ao som de ritmos nordestinos, seus figurinos e malas atestam que eles vêm de algum lugar perdido do sertão brasileiro. O ator Thiago Lacerda não se mostra intimidado por estar diante do personagem masculino mais interpretado da história do teatro ocidental. "O que eu quis foi encontrar neste Hamlet uma ideia", diz. "Conheço as referências, claro. Mas minha única preocupação foi a de me manter íntegro ao que está sendo dito. Este é o meu Hamlet. Nunca me passou pela cabeça me prender às referências já empregadas por outros atores". Ron Daniels insiste que sua motivação agora é a de fazer, como se fosse pela primeira vez, um texto que já tem 400 anos. "Por isso insisto na ideia de que Hamlet é um drama familiar. A própria televisão sempre conta a história de um núcleo

familiar", diz. Daniels revela ter um amigo inglês, escritor, que afirma que Shakespeare só escreveu uma peça na vida, justamente a primeira delas, Os Dois Cavaleiros de Verona. "Ali ele já empregou o drama familiar que seria uma constante até seu último trabalho, A Tempestade". Em todas as peças de Shakespeare, afirma Daniels, podem ser encontradas as relações trágicas entre pais e filhos. "Geralmente o pai do personagem é também o pai da nação, no caso um rei. A habilidade do autor é a de saber expandir a tragédia familiar para um nível cósmico." Para o diretor, as peças do mestre inglês começam sempre com uma catástrofe, o assassinato ou morte do rei ou do pai, o que leva o mundo para o caos. Só no final a ordem é restabelecida. No caso de Hamlet, a receita parece ser empregada na íntegra. Para assumir o trono de Elsinore,

Cláudio mata seu irmão, o rei Hamlet, e ainda desposa a rainha Gertrudes – fatos que o público irá descobrir no decorrer do espetáculo. A primeira cena da peça mostra o fantasma do rei Hamlet revelandose de madrugada na presença de alguns soldados, a exigir justiça e vingança pelo seu assassinato. O jovem príncipe Hamlet chamará para si essa missão. "Nessa peça, Shakespeare lança mão de uma enorme quantidade de termos que indicam doenças, como tumor e pústula", diz o diretor. "Isso porque o que ele descreve é uma sociedade que se decompõe. Todos estão doentes em uma sociedade em que o centro de tudo é a corrupção." Prolixo e generoso na hora de teorizar sobre a obra de Shakespeare, Ron Daniels se recolhe quando o assunto é cenário e o figurino de Hamlet. "Sobre isso acho melhor não falar", afirma. "O que posso dizer é que não se trata de uma montagem realista. A peça se passa em algum lugar entre o céu e a terra. Imagine uma cama entre o céu e a terra. É lá que Hamlet está."

Hamlet. Estreia nesta sexta (19). Teatro Tuca. Rua Monte Alegre, 1024. Perdizes. Tel.: 2626-0938. Sexta e sábado às 21h. Domingo às 19h. R$ 40 a R$ 60.

DANÇA

r/D Laurent Ziegle

Francis Bacon: espetáculo do coreógrafo e bailarino Ismael Ivo mostra 21 pinturas do artista Francis Bacon interpretadas em coreografias no Teatro Sérgio Cardoso.

ivulgação

PINTURAS EM MOVIMENTO Neste fim de semana, o bailarino paulistano Ismael Ivo (radicado na Alemanha) apresenta o espetáculo Francis Bacon no palco do Teatro Sérgio Cardoso. A peça integra a mostra Plataforma Internacional Estado da Dança, que reúne na programação atrações de cinco companhias da capital, mais quatro de outros estados e duas internacionais. A coreografia Francis Bacon reúne, depois de 20 anos da morte do artista angloirlandês, a interpretação coreográfica para 21 pinturas do mestre, apresentada ao som da estridente trilha de Paolo Chagas. Os espetáculos poderão ser acompanhados por deficientes visuais por meio de audiodescrições. (RA) Teatro Sérgio Cardoso. Rua Rui Barbosa, 153, Bela Vista (próximo à estação Brigadeiro do metrô), tel.: 3288-0136. Sábado (20), às 21h. Domingo (21), às 19h. R$ 10.


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cultura

A morte de Bin Laden. Versão SEAL. Renato Pompeu

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Departamento da Defesa dos Estados Unidos. Trata-se de Matt Bissonnette. Depois, Bissonnette foi membro, e não líder, do grupo que matou Bin Laden. Traduções mais fiéis ao original em inglês seriam "Sem dia fácil – O relato em primeira mão da missão que matou Osama Bin Laden" e Grupo de Desenvolvimento de Operações Navais Especiais de Guerra dos Estados Unidos. O termo SEAL (igual à palavra "foca" em inglês) é abreviatura de Sea, Air and Land, ou seja, "Mar, Ar e Terra" e designa uma força de guerrilha e de reconhecimento da marinha americana, treinada para operações clandestinas. Finalmente, o nome do livro lembra o slogan dos combatentes do SEAL, "O único dia fácil foi ontem". De fato, o livro foi escrito em colaboração com o jornalista Kevin Maurer. É um relato autobiográfico parcial, desde a infância do autor no Alasca, época em que já sonhava ser um SEAL, passando pelo rígido

Os últimos anos de Juscelino Marcus Lopes

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nfelizmente, ainda estamos na América Latina". Meio que suspirando, assim o ex-presidente da República Juscelino Kubitschek de Oliveira, então com 59 anos, reagiu ao ouvir no rádio o discurso do homem para o qual,

treinamento dos soldados desse grupo, talvez o treinamento mais exigente entre as Forças Armadas dos Estados Unidos, até a narração de diferentes operações no Iraque e no Afeganistão, algumas das quais nunca noticiadas pela mídia. O episódio da operação que resultou no assassínio de Bin Laden ocupa cerca de metade do livro e essa parte é que gerou toda uma controvérsia e que levou a obra à lista de best-sellers. A história contada por OwenBissonnette difere em vários pontos da versão oficial e de outras versões sobre a morte do líder terrorista. Segundo a versão oficial, os soldados americanos, vindos de um helicóptero que pousou no chão, estavam rs Reute

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om lançamento no Brasil praticamente simultâneo com sua publicação original nos Estados Unidos em setembro último, o livro Não Há Dia Fácil – Um Líder da Tropa de Elite Americana Conta Como Mataram Osama Bin Laden ainda é apresentado pela Editora Paralela como de autoria de "Mark Owen, ex-membro do Grupo para o Desenvolvimento de Operações Especiais da Marinha dos Estados Unidos, mais conhecido como Equipe Seis do SEAL" – a equipe que matou o líder terrorista Osama Bin Laden a 2 de maio de 2011, em sua mansão em Abbottabad, no Paquistão. E a editora informa: "O nome verdadeiro do autor, assim como o de todos os SEALs mencionados no livro, foi trocado por motivos de segurança". Aqui cabem várias observações. Em primeiro lugar, Mark Owen já foi identificado, segundo informação oficial do

deram com duas das mulheres de Bin Laden o protegendo. Um soldado as afastou e alvejou uma delas, Amal, na perna. Sem a proteção das mulheres, Bin Laden foi alvejado por outro soldado, no peito e na cabeça. Em seguida, foi dado como morto.

subindo as escadas do terceiro andar da mansão, quando apareceu Bin Laden espiando lá de cima, vestido de túnica folgada e calças. Enquanto o extremista corria para seu quarto, um SEAL o alvejou, sem acertar. Os soldados logo correram para o quarto e ali

JK

horas antes, havia passado a faixa presidencial. Após ter se comportado de maneira exemplar na cerimônia de transmissão do cargo, o presidente Jânio Quadros usou o programa Voz do Brasil no rádio para dizer cobras e lagartos do governo JK, transformando seu pronunciamento de presidente recém-empossado em discurso de candidato. Entre outras coisas, prometia uma devassa nas contas do antecessor. Os ataques de Jânio seriam apenas os primeiros que Juscelino sofreria nos anos seguintes. Ao descer a rampa do Palácio do Planalto como um dos políticos mais populares da

história do Brasil, JK logo entraria para a lista negra da ditadura militar, sendo perseguido, cassado, exilado e até humilhado em longos inquéritos policiais militares. Os IPMs, como eram conhecidos, eram verdadeiros instrumentos de tortura psicológica dos militares e, geralmente, acabavam não dando em nada contra os acusados. Essas histórias são contadas em JK e a Ditadura (Objetiva, 240 páginas, R$ 39,90). No livro, o jornalista e escritor Carlos Heitor Cony resgata o período da vida de JK entre 1961, quando deixou a presidência, até sua morte no trágico acidente automobilístico

A operação teria sido vista ao vivo na tela pelo presidente Barack Obama, na Casa Branca, a milhares de quilômetros de distância. Uma primeira versão diferente veio a público ainda em 2011, num livro do roteirista de cinema e escritor Chuck Pfarrer, que foi SEAL de 1981 a 1989. Segundo Pfarrer, os soldados não subiram as escadas até o terceiro andar; ao contrário, vieram de cima, pois seu helicóptero pousara no teto, e, ao chegarem ao terceiro andar, deram com uma mulher de Bin Laden, à qual cegaram momentaneamente com luz estroboscópica. Em seguida, Bin Laden, que estava no quarto, abriu a porta para ver o que acontecia, e a fechou imediatamente. Dois soldados entraram, enquanto Bin Laden tentava pegar uma pistola AKSU na cabeceira da cama, e deram quatro tiros: um acertou Amal na barriga da perna, outro se perdeu na parede e dois acertaram Bin Laden, um no peito e outro na cabeça, matando-o instantaneamente.

Mas a versão de OwenBissonnette confirma a versão oficial de que o helicóptero pousou no chão, não no teto. Assim, os SEALs estariam subindo as escadas quando Bin Laden os espiou lá de cima e um soldado atirou contra ele, acertando-o no lado direito da cabeça e não errando o alvo, como diz a versão oficial. O terrorista correu para o quarto, onde foi imediatamente achado caído e se retorcendo, sobre uma poça de sangue, enquanto duas de suas mulheres choravam agachadas sobre ele. Vários SEALs as afastaram e alvejaram repetidamente o peito de Bin Laden, até o darem como morto. Segundo Owen-Bissonnette, não havia no quarto uma pistola AKSU, e sim um fuzil AK-47 e uma pistola Makarov, ambas as armas sem munição. Só se saberá com certeza a verdade se e quando for exibida publicamente a gravação da operação, tal como foi transmitida a Obama.

ocorrido em 1976, na Via Dutra. Apenas o capítulo do acidente na estrada São Paulo-Rio justifica a leitura do livro. Cony, que na época ajudava Juscelino a elaborar suas memórias, conta circunstâncias do acidente que até hoje é cercado de mistérios e deixa a pergunta no ar: foi acidente ou atentado? Entre as peças que não se encaixam, Cony lembra que, no dia do acidente, Juscelino foi deixado no Aeroporto de Congonhas para embarcar para Brasília, com uma passagem de avião no bolso. Mas, não se sabe exatamente o porquê, resolveu ir de carro para o Rio de Janeiro. Uma das hipóteses é que tenha ido se encontrar com a amante, Lúcia Pedroso, no meio do caminho, o que nunca foi comprovado. O autor também lembra que, dias antes, correu um boato de que Juscelino tinha sofrido um grave acidente na estrada que liga Luziânia, em Goiás, a Brasília. O impressionante é que o boato surgiu, ao mesmo tempo, em várias partes do País, o que levou o editor Adolpho Bloch, dono da revista Manchete e amigo pessoal do ex-presidente, a alugar um avião para ir até Brasília. Só

desistiu da empreitada após o boato ter sido desmentido. Designado por Bloch para ajudar o ex-presidente a redigir suas memórias, Cony foi uma testemunha privilegiada dos acontecimentos em torno de JK nos seus últimos anos de vida. Atual cronista da Folha de S. Paulo e autor de vários livros premiados, Cony explica de maneira detalhada as pressões sofridas pelo ex-presidente durante o regime militar. O governo tinha lá seus motivos para ficar de olho em JK, que teve seus direitos políticos cassados e foi exilado do Brasil durante os chamados anos de chumbo. Afinal, quando desceu a rampa do Planalto, em 31 de janeiro de 1961, foi aclamado como o sucessor imediato de Jânio Quadros, ofuscando a própria cerimônia de posse do mandatário, que renunciaria ao cargo alguns meses depois. O movimento JK-65, que já estava nas ruas antes mesmo de o mineiro de Diamantina entregar o cargo, pode ter mexido com os brios de Jânio, estimulando o ataque violento do novo inquilino do Planalto naquela marcante edição do Voz do Brasil.

No limiar de uma nova era, a do Conhecimento.

humanidade já enfrentou as revoluções industrial e digital. E as transformações tecnológicas tornaram possível o surgimento da Era da Informação. Agora, engatinha rumo ao que visionários preveem ser seu próximo salto qualitativo: a chegada à revolução do conhecimento. Mas será que estamos prontos para transformar toda a informação em conhecimento e ação? E que qualidades esse novo humano deve cultivar para consolidar uma sociedade justa e sustentável? Para entendermos um pouco das mentes que trilham essa jornada e que ajudam a instalar novos paradigmas, a tecnologia foi fundamental. Os pensadores foram inquiridos por teleconferências (de São Paulo a Brasília, Frankfurt, na Alemanha, e Santa Clara, nos EUA) e por meio de redes sociais. Se esses recursos não são a panaceia, ao menos nos permitiram trafegar ideias.

Kleber Gutierrez "Vivemos um momento de transição, mas ainda não dispomos de 100% das ferramentas necessárias para consolidar essa revolução", diagnostica Rubens Saldanha, gerente de Educação da Intel Brasil. Segundo ele, "não adianta ter um conhecimento que não seja amplamente acessível". "Isso que só vai acontecer quando todo ser humano for nivelado por maciços investimentos em educação. Ainda não chegamos na Era do Conhecimento, permanecemos na da inteligência." Saldanha, que pesquisa as 'crianças digitais', acredita que "talvez elas sejam adultos mais maduros que nós, devido aos seus horizontes tão expandidos pelas chances de experimentação que possuem". "Hoje, muitas pessoas têm acesso à internet. Mas o que fazem com ele? Que tipo de informações buscam? Lamentavelmente, a qualidade

desse conteúdo não é a melhor." Para ilustrar, cita uma pesquisa feita pela Intel na Inglaterra com o objetivo de conhecer o perfil do usuário nas redes sociais e que trouxe resultados, no mínimo, curiosos: a maioria prefere ser vista como legal e bonita em vez de inteligente. Para romper as linhas limitadas dos padrões estéticos, iniciativas brotam por todo o País. Uma delas é o Festival de Ideias, ação do Centro Ruth Cardoso, em sua segunda edição. Para Mario Salimon, um dos coordenadores, é preciso sair das formas convencionais para ver possíveis futuros. E uma delas é justamente "burilar o conhecimento, que é um bem não escasso, diferentemente do material. Uma possibilidade ainda pouco aproveitada, essa da multiplicação de um ativo infinito". O festival é "uma plataforma virtual para a implementação de ideias, com momentos presenciais de cocriação", define

Salimon. Ele explica que as ideias – "que podem ser clonadas, replicadas ou alteradas, pois ninguém pode retê-las" – quando selecionadas recebem o 'investimento-semente', um aporte financeiro (que varia de acordo com o projeto) para que comecem a ganhar aplicação. Questionado sobre as profissões que tendem a se firmar nesse novo horizonte, ele aponta que são cada vez mais necessários "os profissionais que sabem professar com atitudes. Os que explicitam crenças e valores de maneira honesta. E aqueles com competência para promover a convergência entre tecnologia e raciocínio". E arremata: todos aqueles que conseguem atuar "fora do bitolante". Homem à frente da mais nova editora de materiais didáticos arrojados do mercado, a África.com Edições, Salvador Barletta Nery entende que "vivemos em uma sociedade que recebe informações rápidas, mas

sem conteúdos consistentes e contextuais para que possamos fazer esta transformação aliada a um mundo mais sustentável e economicamente mais justo." Segundo ele, os educadores estão "situados no olho do furacão e experimentam um sentimento duplo de encantamento e medo: urgência em aproveitar da massa de informações e falta de preparo para utilizá-la". Para Sidney Santiago Kuansa, ator-pesquisador da Cia Os Crespos, articulador da rede Kultafro e estudante de sociologia e política, "neste novo tempo-espaço no qual somos

construtores e testemunhas dos avanços tecnológicos e seus reflexos, a tarefa que se coloca para o novo tempo é velha: Como democratizar o conhecimento dentro de uma estrutura de globalizadores e globalizados?

Leia o ensaio completo em www.dcomercio.com.br


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d ACORDES DO METRÔ cultura

Com artistas de rua de todo o mundo Fotos: Divulgação

Lewis Floyd Henry se apresenta na estação do Brás durante a primeira edição do festival.

A dupla Mellow e Pyro em apresentação da primeira edição do Redbull Soundground.

Ana Barella

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uem estiver de passagem pelas estações mais movimentadas do metrô paulistano entre segunda (22) e sábado (27) poderá esbarrar com artistas de todos os lados do mundo. Os chamados buskers – músicos que se apresentam em estações de metrô –, se reunirão para o Red Bull Sounderground – Festival Internacional de Músicos de Metrô. Em sua segunda edição, o evento terá performances de músicos de Barcelona, Berlim, Londres, Montreal, Moscou, Nova York e Paris, além de shows de

artistas de São Paulo. Somando um total de 18 atrações em formações solo, duo e trio, as apresentações terão estilos musicais variados, desde MPB, passando pela música experimental e clássica. Um dos destaques da edição passada foi a dupla Tribal Baroque (foto), de Nova York. Agora, chama a atenção o trio Streat Meat, de Montreal, com uma mistura de jazz, rockabilly e música clássica em arranjos dançantes. Buskers – Um dos critérios para a escolha dos músicos foi a certeza de que todos eram realmente buskers. Marcelo

Beraldo, idealizador do projeto, conta que visitou os principais sistemas metroviários do mundo para conhecer os artistas e ter certeza de que eles de fato se apresentam nas estações. Em São Paulo esse tipo de atividade é proibido. As performances que acontecem esporadicamente são de um projeto chamado Encontros,

que atua em algumas estações e traz exposições e shows. A violonista, percussionista e cantora de MPB Barbara Marques faz parte do projeto há um ano, já se apresentou diversas vezes na estação Paraíso e irá tocar no festival. Ela conta que fazer shows em estações é um ótimo meio de divulgar seu trabalho e ao mesmo tempo levar cultura e lazer para as pessoas que estão

de passagem. "Muitas pessoas conhecem minhas músicas pela internet, ou por amigos. Quando me apresento no metrô atinjo um público que normalmente não se interessaria pela minha música, mas acaba conhecendo e frequentando meus shows", diz. Encerramento – No sábado (27) acontece o encerramento do festival. Quem pensa que o show será sediado em uma estação de metrô, como todos os outros, está enganado. Com a intenção de alcançar maior número de pessoas, o evento irá acontecer na Praça Victor Civita. Além de reunir todos os buskers que

tocarão no festival, o encerramento terá participação especial do DJ Daniel Tamempi.

Programação - Estações Ana Rosa, Brás, Palmeiras/Barra Funda, Vila Madalena, Sé, Luz, República, Sacomã e Pinheiros. Segunda (22) a sexta (26). Das 12h até às 18h. Mais informações no site www.redbull.com.br. Show de encerramento. Praça Victor Civita. Sábado (27). A partir das 17h.

ARRANJOS AFINADOS Sofisticada brasilidade Fotos: Arquivo/DC

Radamés Gnattali, Guerra-Peixe, Rogério Duprat, Egberto Gismonti e Lindolpho Gaya estão entre as estrelas de Arranjadores – álbum concebido, dirigido e produzido por Benjamin Taubkin, Maria Júlia Pinheiro e Myriam Taubkin.

André Domingues

Os músicos dos músicos

RADAMÉS

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ormalmente, fica dificílimo apontar um artista como o principal em seu campo de atuação, mas com Radamés Gnatalli nos arranjos brasileiros é diferente. Ele foi realmente o mais importante de todos os tempos. Não foi à toa que o discípulo Tom Jobim o homenageou num tema chamado apenas de Radamés y Pelé. Radamés Gnattali foi um pioneiro na profissão de arranjador na MPB, em 1931. Antes de ele ser selecionado como arranjador num concurso da recém-instalada gravadora RCA, só Pixinguinha havia sido contratado para exercer tal função no Brasil (e na mesma empresa). Formado no Instituto de Belas Artes, de Porto Alegre, Radamés enxergou na música popular não só uma oportunidade para se estabelecer profissionalmente, mas também para ampliar os intercâmbios da escola modernista nacionalista com a música popular. Sua influência foi, gradativamente, se agigantando, sobretudo no período em que trabalhou na poderosa Rádio Nacional. Nesse tempo, criou ao menos dois arranjos absolutamente fundamentais da MPB: o do samba-exaltação Aquarela do Brasil, gravado por Francisco Alves em 1939,

e o do samba-canção Copacabana, registrado por Dick Farney em 1946. No primeiro, adaptou recursos da sinfonia nacionalista para dar àquela síntese da brasilidade o acabamento musical de uma espetacular apoteose sonora; no segundo, arriscou usar harmonizações jazzísticas e acabou estabelecendo uma tendência modernizadora que daria na bossa-nova, anos adiante. No final da vida, ainda conseguiu mais uma pequena revolução ao escrever arranjos de sofisticação erudita para os choros da Camerata Carioca, impulsionando o surgimento de uma leva de requintados conjuntos de choro na virada dos anos 1970 para os 1980. Um ótimo exemplo da riqueza musical de Radamés é o recente álbum Valsas e Re tr at os , feito por Isaías e Seus Chorões e o grupo Quintal Brasileiro. Estão recriados, ali, alguns arranjos para música popular, como Lábios que Beijei e Cigana, e algumas composições que caminham entre o erudito e o popular, tais como Lenda e Choro para quarteto de cordas e a Suíte Retratos, feita em homenagem aos mestres do choro Ernesto Nazaré, Pixinguinha, Anacleto de Medeiros e Chiquinha Gonzaga. É de aplaudir de pé.

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oucas vezes o arranjador de uma música, ou mesmo de um disco inteiro, recebe o merecido crédito. E quando aparece, não costuma passar de um nominho em letras miúdas na ficha técnica. O contrário, porém, ocorre no álbum triplo Arranjadores, concebido, dirigido e produzido por Benjamin Taubkin, Maria Júlia Pinheiro e Myriam Taubkin a partir de uma série de concertos realizada em 1992 pela Orquestra Experimental de Repertório (regente: Jamil Maluf). Nele,

destacam-se menos os nomes do compositores originais – seja um Alexandre Levy, seja um Chico Buarque –, do que os dos autores dos arranjos: Cláudio Leal Ferreira, Rogério Duprat, Egberto Gismonti, Lyrio Panicali, Duda do Recife, Wagner Tiso, Radamés Gnattali, Léo Peracchi, GuerraPeixe e Lindolpho Gaya. É comum dizer que a função do arranjador na música popular é a de vestir uma criação alheia de forma a amplificar suas qualidades. A imagem é fiel, mas não resume a realidade. O trabalho

vai além, criando significados que podem abrir campos não explorados pelas composições originais ou mesmo deturpá-las, num eventual fracasso. Daí que, afora o bom gosto, seja exigido dos arranjadores um grande domínio técnico, frequentemente conseguido através da música erudita. O trânsito entre a música popular e a erudita fica muito claro nas faixas de Arranjadores. Numa das melhores, por exemplo, o tropicalista Rogério Duprat tem ótimo resultado ao retomar seis

pequenas peças da engraçada série Esportes e Divertimentos, do vanguardista francês Eric Satie. Noutra sensacional, Cláudio Leal Ferreira apresenta uma orquestração criativa, pujante, elegante e equilibrada para o antigo tango O Despertar da Montanha, de Eduardo Souto. São obras que, dentre tantas, atestam uma grandeza brasileira que não se limita à comprovada musicalidade natural do povo. A MPB, enfim, também é capaz de brilhar nos meios mais sofisticados.

CELEIRO DE ARTISTAS Divulgação

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Jamil Maluf à frente da Orquestra Experimental de Repertório

convite à Orquestra Experimental de Repertório para as execuções da série Arranjadores rendeu uma união das mais felizes. Primeiro, porque, sendo um grupo jovem, tinha abertura para os cada vez mais comuns intercâmbios com a música popular. Depois, porque a grande diversidade estilística das peças em questão reverteu num ótimo exercício para a finalidade formativa desse grupo. Criada em 1990, sob o comando do maestro Jamil Maluf (ainda hoje no cargo), a Orquestra Experimental de Repertório se foca na formação de quadros de excelência para as orquestras brasileiras. Por esse

motivo, assume um curioso ecletismo, executando programas dos mais diversos. Na atual temporada já interpretou do modernismo brasileiro à música para cinema francesa, passando por compositores russos e pela ópera italiana. Pela frente ainda tem o Festival Richard Wagner, neste domingo, um concerto com Brahms e Sibelius, em 11 de novembro, e a ópera O Rouxinol, de Igor Stravinsky, em 8 e 9 de dezembro, sempre no Teatro Municipal.

Festival Richard Wagner – Orquestra Experimental de Repertório. Teatro Municipal. Praça Ramos de Azevedo, S/N – tel: 3397-0327. Domingo (21), às 11h. R$ 10 a R$ 40.


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Uma Córsega na Pompeia José Guilherme R. Ferreira

O Risoto de arroz negro com linguado em crosta de lemon pepper e salada de bananas.

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cultura

Almoço elegante no Municipal Lúcia Helena de Camargo hambúrguer de fraldinha grelhado na hora. As bebidas, a sobremesa e o serviço são cobrados à parte. Vinhos

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Torta de maçã cremosa

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ara almoçar no centro da cidade com charme e elegância, o Café do Theatro Municipal pode ser uma opção. E agora, além do sistema de bufê, acaba de inaugurar o serviço à la carte. No novo cardápio há salmão caramelado ao molho de laranja e gengibre (R$ 32); risoto de arroz negro com linguado em crosta de lemon pepper e salada de bananas (R$ 32) e medalhão de filé na mostarda e mel com arroz ao funghi (R$ 30). Para a sobremesa, doces como cheesecake de pistache com calda de amora (R$ 12); torta de maçã cremosa (R$ 11) e creme de iogurte com coulis (espécie de geleia) de frutas (R$ 11). 90 anos fechado O café foi aberto em julho de 2011 dentro do Theatro Municipal de São Paulo como parte das melhorias feitas no centenário da casa, depois de ter ficado 90 anos desativado. Funciona de segunda a sábado, das 9h às 15h30. No período da manhã é frequentado por quem procura um bom café expresso, bolos e doces. Durante o almoço (a partir do meio-dia), todos os 54 lugares costumam ser preenchidos, chegando a se formar fila na porta de gente à espera por mesas. Portanto, se quiser garantir a refeição no horário desejado, convém fazer reserva. O restaurante fecha aos domingos. E nas tardes e noites

em que há espetáculo no teatro, quem assume o serviço de salgadinhos e bebidas, no mesmo espaço, é outra equipe. Mario na mesa ao lado? O café se insere no espaço de maneira natural, combinando louças, copos e talheres com detalhes da arquitetura. Os frisos das colunas são reproduzidos nas taças, os pratos parecem vindos do passado através de uma máquina do tempo. Você quase enxerga o escritor Mário de Andrade, expoente da Semana de Arte Moderna de 1922, sentado na mesa ao lado. Os responsáveis pela simbiótica decoração são os irmãos Campana, conhecidos por compor ambientes unindo elementos contemporâneos e práticos a espaços clássicos. Estão ali móveis novos e outros que decoraram o primeiro restaurante do Theatro no início do século XX, tudo combinado aos enormes espelhos e luminárias. As criações dos Campana, aliás, chegaram a render matéria no jornal americano The New York Times, na época das festas pelo centenário do teatro.

Para acompanhar com vinho o almoço, escolha uma garrafa da carta, armezenada na pequena adega. São servidos vinhos em taça. Ainda, se você optar por levar de casa sua própria garrafa, a casa cobra R$ 30 a título de "rolha". Quem comanda a cozinha é a chef Sandra Valéria, também responsável pelo Bistrô da Sara, no Bom Retiro. Entre alguns pratos que costumam aparecer no bufê estão especialidades suas, como berinjela ao molho de iogurte temperado, mousse de fruta do conde com mostarda e presunto de Parma, vitela ao molho de peras e varenique (um pastel cozido) de batata ao ragu de ossobuco.

Patrimonio, ao norte, uma das mais vívidas da Córsega, onde a incentivada uva Nielluccio encontrou seu terroir de preferência, na mesma linha de Bastia. O crítico inglês Hugh Johnson fala de tintos que lembram os do Rhône e cita os bem balanceados doces da uva Muscat. A Nielluccio e as outras varietais da ilha crescem bem ainda na extensa costa oriental da ilha, marcada pela denominação AOC Corse. Já na região de Ajaccio, a cidade de Napoleone di Buonaparte, insígne corso que hoje batiza de sorveteria a cafés, a principal uva é a "macia" Sciaccarello, que nasce nas colinas graníticas ao redor da capital. No Emporio Sorio há vinhos que fazem bonito ao representar algumas das regiões demarcadas: Orenga Gaffory Niellucciu (com 10% de Grenache), Domaine Villa Angeli (com o mesmo blend anterior), Terra Nostra Sciaccarellu (100%).

José Guilherme R. Ferreira é membro da Academia Brasileira de Gastronomia (ABG) e autor do livro Vinhos no Mar Azul – Viagens Enogastronômicas (Editora Terceiro Nome)

www.emporiosorio.com.br

Cortante como navalha Aquiles Rique Reis

Café do Theatro. Praça Ramos de Azevedo, s/nº. Tel.: 3331-1874.

Bufê a R$ 40 O bufê continua sendo servido, sempre com 11 opções de pratos quentes e seis de entradas e saladas, pelo valor fixo de R$ 40 por pessoa – incluindo a opção de pedir um

s vinhos da Córsega têm conseguido expressar, em excepcional blend de culturas, a tradição francesa, a herança italiana (Gênova controlou a ilha até 1769) e certa inquietude e orgulho de insulares na busca e aproveitamento de riquezas da terra. Há quem diga que a viticultura da ilha, pelo menos no que se refere aos vinhedos de Grenache, Carignan e Cinsault, mantém até hoje uma aura magrebiana, já que foram imigrantes argelinos, após a independência do seu país, em 1962, os responsáveis pelo plantio de cepas internacionais e pela afirmação territorial das vinhas. A Córsega de hoje, porém, vem diminuindo a área plantada em nome da qualidade, apostando sobretudo nos varietais das uvas Nielluccio (a Sangiovese toscana), a Sciaccarello e a branca Vermentino (quando se quer dar o tom corso a essas cepas, trocamos o "o" do final pelo "u"). Cerca de 80% dos vinhos ali produzidos são consumidos na própria ilha, como uma das atrações que encantam turistas de todo mundo. O restante da produção já consegue atravessar para o continente com desenvoltura, muito além do Vin de Pays sob a rubrica genérica L'Île de Beauté. Em 2009, um tinto corso recebeu reconhecimento da prestigiosa revista Decanter, premiado como blend de qualidade – e barato. Algumas boas garrafas já chegam ao Brasil, rótulos disponíveis no simpático Empório Sorio, na Pompeia, em São Paulo. Especialistas na enogastronomia da ilha, também importam outras guloseimas, como geleias e biscoitos Canistrelli fabricados com farinha de castanha (que combinam com seus vinhos doces tanto quanto os cantuccini são indispensáveis com o vin santo toscano. Mas essa é outra história). As três principais regiões vitivinícolas da ilha são

Ambiente do Café do Theatro Municipal

12 vezes Itália Até domingo (21), a Semana da Cozinha Regional Italiana vai oferecer, em 12 restaurantes paulistanos, pratos de regiões distintas da Itália. Participam desta edição do evento Aguzzo, com comida da Lombardia; Osteria del Pettirosso (Lazio); Piselli (Piemonte) e, entre outros, Zena Caffè (Liguria), com sobremesas como sacripantina (foto). Mais informações: www.dcomercio.com.br

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umenta o som que hoje é dia de rock. Segura a peruca, meu brother, a chapa vai ferver. And now, ladies and gentlemen, for you, Madjoker! Clico play. Som nas caixas: e um, e dois e três... Bora, gente, o barato não é brinquedo, não. O bagulho é doido. Um aperto no peito... Uau! A voz esganiça. O baixo agita. A guitarra levita. A bateria soa à la criptonita... Gus Nascimento (vocais), Fernando Coan (guitarra), Cadu Ramalho (baixo) e Dedé Neves (bateria) são a banda Madjoker, que acaba de lançar Mal Necessário (Turbo Music/Unimar), o seu primeiro CD. Jovens paulistanos, a testosterona lhes brota dos poros. A pegada é demolidora. Riff s e g roov es veementes lhes vêm como resposta à inquietação juvenil. Improvisos ostentam a insegurança dos quatro, mas logo poderão ter a firmeza que os levará a sempre serem atuais no desconforto que os impulsiona. Compositores, suas músicas têm a voracidade da tempestade que espanta dos céus a brisa leve, tendo nelas mesmas a vertigem das ventanias ensandecidas. O que eles tocam vem agarrado à poesia que lhes canta a vida. Moços juntando o saber ao descobrir, improvisando discursos em vez de se apoderar dos existentes, dando dúvidas às certezas, estimulando medos em vez de evitá-los. De contradições nasce a música dos quatro rapazes da Madjoker. As nove músicas do álbum (há ainda uma faixa bônus multimídia) têm um som pesado, lancinante, propositalmente 'sujo"; "sujeira" que o faz diferente do som hi-

giênico de algumas bandas roqueiras, igualmente jovens, mas sem a boa sujidade da Madjoker. Encantaram-me os versos bem elaborados somados a melodias quase pueris, mas com uma funcionalidade da mais alta relevância para o resultado final das composições. As interpretações são o auge dos meninos. Entregam-se às músicas com a devoção de um fundamentalista; dão-se aos instrumentos com a humildade de um servidor do Senhor; fazem música como se nada mais lhes restasse na vida. Destaques: A Coroa dos Mendigos (Fernando Coan, Cadu Ramalho e Gus Nascimento) – a guitarra, a bateria e o baixo invadem a introdução. A voz os cobre com um manto de aspereza: Pra onde eu for eu sinto solidão/ E na escuridão/ E a coroa dos mendigos/ Quem vai usar?/ Por mais que sem querer. O Dia Fora do Tempo (Fernando Coan, Cadu Machado e Gus Nascimento) – os instrumentos estraçalham na força da pegada: Nunca soube o que quis fazer/ A intuição guiou minha intenção/ E até valeu a pena me perder. Primeira Escolha (Fernando Coan e Gus Nascimento) começa com um berro. Alucinados, guitarra, bateria e baixo levam desassossego ao canto: Um motivo pra afundar na areia movediça/ A vontade estava lá/ Tua coragem submissa. Você, leitor, pode estar curioso: "Mas que rock é esse que faz essa nova banda?". Candidamente, respondo: "Não faço ideia!" Mas especulemos, seria heavy metal? Punk rock? Vamos combinar? Tanto faz o rótulo. Importa o som, a pegada, o espírito rock 'n' roll, cortantes como navalha.

SHOW Fabiana Cozza apresenta o espetáculo Canto Sagrado – Os 70 anos de Clara Nunes em homenagem à cantora mineira. No repertório, clássicos de diversas fases da carreira de Clara Nunes, como Minha Missão, Deixa Clarear e Congada. Auditório Ibirapuera. Av. Pedro Alvares Cabral, s/n, portão 2 (entrada para carros pelo portão 3). Tel.: 3629-1075. Sexta (19) e sábado (20). 21h. R$ 20.


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cultura

De Volta à Borgonha! Carlos Celso Orcesi da Costa

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ão fosse o incidente gastrointestinal, nosso roteiro pela França não previa voltar à Borgonha. Mas afinal eu queria me "vingar" da suprema humilhação reservada a um enófilo (alguém como eu que apenas gosta de vinho, enquanto enólogo é profissional formado): ao invés de vinho tive que engolir Coca-Cola no jantar de 23 de setembro. A explicação pode ser relida na página virtual dcomercio, depois dcultura, coca-cola na borgonha. De Beaune seguimos a Lyon, aonde voltamos ao Auberge de Paul Bocuse. Insuplantável, como mais tarde pretendo relatar aos queridos leitores. Depois de três dias de luz no Piemonte, degustando densos Barolo e Barbaresco – hoje domesticados pelas técnicas de vinificação – voltamos à velha França. Reduzimos um dia em Grenoble, utilizamos o livro dos Chateaux & Hôtels Collection(bons hotéis a preços razoáveis) e fizemos reserva eletrônica num hotel tremendamente simpático em Aloxe-Corton, a três quilômetros de Beaune, o Villa Louise. O Museu de Grenoble fecha na terçafeira, o que nos fez esperar a aber-

Café da manhã em Aloxe-Corton. E Chateau Corton Pierre Andre. tura às 10 da manhã de quarta-feira, para apenas depois seguir na direção da Bourgogne. Após 10 dias de sol, no 27 de setembro caiu um temporal sobre o centro-leste da França. O para-brisa do Opel Astra quase não dava conta da quantidade de água. Apesar da chuva e do frio (12 °C) entrei em diversas lojas, até escolher a sétima garrafa da excursão, para desespero de Maria Helena, às voltas com o peso das malas. À noite, no apenas razoável Petit Paradis, escolhi um

Corton Grand Cru 2003 Domaine Rapet apenas esplêndido, já com nove anos, complexo por confecção e idade, grandioso a misturar o frescor dos Borgonhas à densidade de um "grande vinhedo" (difícil tradução de grand cru). A garrafa me saiu por 103 euros (ou R$ 280). Caro? Sim, mas para chegar ao paraíso é necessário algum desprendimento. Como choveu e o jantar foi apenas aceitável, a revanche na Borgonha ficou abaixo do sonho. Porém sim, o dia seguinte abriu ima-

culado. Como as cadeiras e mesas ainda estavam molhadas, o petit dejeneur do Louise foi servido na sala. Depois me sentei ao ar livre em frente ao vinhedo pensando: "Aqui está a essência da Bourgogne" (foto 1); os muros dividem o Grand Cru Louise Perrin ao vizinho Chateaux Pierre André, cujos vinhos experimentei na noite anterior. Apresentei-me na cave André como jornalista do Diário do Comérc io , ao que o funcionário – que também atendia a dois comer-

ciantes ingleses – me indagou: "Que vinho pretende provar?". Em dois segundos pensei: "Dispenso aqueles de segunda classe (embora burgúndios!) que sempre nos oferecem antes dos melhores". Então respondi: S'il vous plaît, je voudrais prouver le Corton Pierre André Grand Cru. O funcionário não teve dúvida; como se abrisse, digamos, um Miolo básico, desarrolhou o topo de gama Les Chaumes 20 06 cujos vinhedos se esparramam à frente do castelinho com

telhas iguais ao Hotel Dieu (foto 2). Os dois ingleses também foram servidos e todos começamos a trocar impressões. Vinhos aproximam a humanidade! Aloxe que se pronuncia suavemente Alóss Cortôn tem apenas 200 habitantes. É um ovo, um brinco, pequenas maisons em meio aos vinhedos com face sul, que no hemisfério norte recebem a melhor ensolação (como o norte no hemisfério sul). As suaves 'encostas douradas' da Cote D'Or recebiam a plena luz da manhã. Antes de partir em direção a Troyes, desviamo-nos ao léu pelo asfalto estreito entre os vinhedos, sem direção ou GPS. Após a chuva, grupos de camponeses faziam mutirão, mais ou menos como os boiasfrias paulistas, tratando de salvar os últimos cachos da safra 2012. De vez em quando passavam de mão em mão uma espécie de garrafa térmica cujo líquido bebiam em copo de plástico. Notei pela cor que, ao invés de café adocicado, os trabalhadores se aquecem com... legítimo Borgonha. Passamos devagar e alguns nos saudaram. Vinhos aproximam a humanidade.

Alaúde, uma das raridades expostas no Sesc Carmo.

VITRINE DA MÚSICA ANTIGA Exposição traz peças dos períodos Medieval, Renascentista e Barroco.

Ringue Lounge: versátil e nocauteador.

Rita Alves

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m conjunto precioso de instrumentos musicais pode ser visto no Sesc Carmo até o dia 27 de novembro. Os objetos dos períodos Medieval, Renascentista e Barroco fazem parte da exposição I n s t r umentos da Música Antiga, evento integrante da programação especial do Sesc, que ainda inclui um concerto com repertório antigo e uma série de bate-papos com músicos e luthiers. Com curadoria de Ernesto Ette e cenografia de Jefferson Duarte, a mostra exibe 22 peças de quatro famílias de instrumentos: cordas dedilhadas, cordas friccionadas, instrumentos de teclas e instrumentos de sopro. "O público poderá apreciar, por exemplo, uma teorba, a família das violas da gamba, uma cópia de uma rabeca medieval e muitos outros instrumentos interessantes", conta o curador. "Há uma guitarra barroca que é um dos instrumentos mais bem acabados, de maior esmero na construção, visualmente mais apaixonante, embora seja também um dos menores." As peças fazem parte da coleção de Ette, criada a partir do

convívio com os estudantes do projeto de música antiga da Universidade de São Paulo (USP). "A coleção nasceu da vontade dos alunos de fazer música antiga e da falta de meios para adquirir cópias de instrumentos. Contei com o apoio de diversos luthiers na construção desse acervo, que tem uma finalidade pública: o usufruto desses estudantes de música da USP."

alguém tocando um violino barroco. Ele flutua sobre o braço e o ombro da violinista e faz com que a gente não entenda direito como ele não cai", diz o curador. Anote também na agenda o concerto A Família Bach, programado para o próximo dia 30, às 12h, na Igreja Nossa Senhora da Boa Morte (Rua do Carmo, 202), com o Ensemble Nota Buonna.

Sesc Carmo. Rua do Carmo, 147, tel.: 3111-7000. Programação em www.sescsp.org.br

Além de poder apreciar raridades como o violino barroco, a viela de roda (acima), flauta doce Ganassi, Praetorius, Krummhorn e chalumeau, os visitantes do Sesc terão à disposição equipamentos de áudio para escutar o som dos instrumentos. Na próxima quarta (24), às 18h, a violinista Clara Sawada, especializada em música barroca, conversa com o público, além de fazer uma demonstração com o violino barroco. "É muito interessante ver

Fotos: Divulgação

Ao lado, rabeca medieval. Acima, serpentão, da família de instrumentos de sopro.

Armando Serra Negra

V

ersátil. Para ir em casal, ou grupo de amigos, o Ringue Lounge levanta da lona na 10ª contagem, também para nocautear com estilo a apreensão inicial de que a sua festa poderia micar. Pois seja comemorado a dois, ou multiplicado por 100, nem sempre é fácil descolar um lugar legal para festejar uma data tão especial quanto um aniversário de namoro ou de casamento! Este é o figurino do ringue. Os calções dos boxeadores ficam melhores pendurados nas paredes, em fotos de Muhammad Ali, Rocky Balboa e Mickey Rourke, pin ups provocativas entre as cordas, insuspeito Andy Warhol (19281987) desafiando Jean-Michel Basquiat (1960-1988), em box de pop art e grafite. Fachada coberta de vegetação, um spot ilumina luvas en garde de estátua greco-romana, do lado oposto ao deck discreto do fumódromo. O nome "ringue" da casa propõe menos a temática decorativa, salpicada de alguns que remetem ao violento esporte, e mais aos nichos reservados aos convivas, de vários tipos e tamanhos. Simpatia da hostess e dos seguranças, a meia luz transparece das vidraças do lounge de entrada, mais intimista, para até 60 pessoas (pode ser divido em dois ambientes com 30 em cada). Ela é emitida de duas luminárias de alabastro, e dois elegantes abajures art nouveau. Banquetas redondas e sofazinhos de flanela com alegorias felinas – tigres, onças e leopardos –, poltroninhas de couro verde,

tipo sala de estar de antigos clubes ingleses e franceses, com leve toque pós-moderno. Petisque: mini burger bovino (R$ 27), tartar de salmão (R$ 32), pingos de galinha (R$ 27). Luxo inspira os recantos da sala central, para oito a 20 pessoas, mobiliário retrô-contemporâneo, bibelôs neokitsch. Longo balcão em estrutura de cetim dourado em capitonne – como os sofás gelo das mesas em mármore travertino – projeta-se da cortina de veludo vermelho, como plateia de palco perfilado de garrafas translucentes das quais o barman oferece: prosecco italiano (R$ 120), Veuve Cliquot e Möet Chandon Brut (R$ 390). Intercaladas de bonecos coloridos. Cadeiras medalhão brancas, tecido de parede zebrada, do anjo alado que guarda a passagem pende um par de luvas vermelhas Everlast. Top 10 é o lustre de cristal embutido no teto de espelhos refletindo-se ao infinito.

Grande e despojado galpão branco é o que vem depois, mesas e cadeiras de vários estilos e texturas. Em grande painel a óleo, duas figuras femininas banham-se ao sol, vasos de flores, alguns troncos de árvores nos cantos abrem-se em copas além da estrutura de madeira. Servese: Oscar de la Hoya (vodca, suco de limão, licor de romã – R$ 25), Suggar Ray (gin, cointreau, suco de laranja – R$ 25), Sonny Liston (tequila, damasco, limão, club soda – R$ 27). No steak burger Saul Galvão (1942-2009), a casa homenageia o saudoso crítico gastronômico (R$ 27). Todas as noites, segundas-feiras é fechado para eventos (lotação 340 pessoas), quintas-feiras, banda MPB (couvert R$ 11; sextas e sábados, DJs (couvert R$ 11 e R$ 16,50). Reserve com antecedência!

Ringue Lounge. Rua Lisboa, 191, Pinheiros. Tel.: 3082-7904. www.ringuelounge.com.br

Fotos: L.C.Leite/LUZ

Ringue: na decoração e nos nichos reservados aos convivas.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

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d

cultura

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

O CINEMA DO MUNDO EM

Até 2 de novembro, Mostra exibe 360 filmes de 60 países. Lúcia Helena Camargo

A

36ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo começa nesta sexta (19) em ritmo reflexivo. Primeiro ano sem Leon Cakoff (1948-2011) no comando, o evento não contará com a tradicional festa de abertura. O homenageado é o Andrei Tarkóvski (1932-1986), cineasta adepto de longos planos silenciosos, que levam o espectador a pensar sobre o mundo e a vida em geral. Entre os destaques da programação estão filmes cuja intenção é também gerar reflexão. Entre eles, A Caça, do dinamarquês Thomas Vinterberg, sobre os nefastos efeitos de uma suspeita de pedofilia envolvendo um professor de préescola e sua pequena aluna. Já Entre o Amor e a Paixão, da canadense Sarah Polley, fala de uma mulher bem casada que de repente se vê apaixonada por outro homem. O Gebo e a Sombra, do português Manoel de Oliveira, discute ausências. No elenco está Claudia Cardinale, que vem a São Paulo para participar da primeira exibição na Mostra. A Bela que Dorme, de Marco Bellochio, é uma pensata sobre a eutanásia, através do controverso caso da italiana Eluana Englaro, que passou 17 anos em estado vegetativo. Também polêmico, Laurence Anyways, de Xavier Dolan, mostra um homem que pretende continuar o relacionamento com sua noiva, mesmo depois de mudar de sexo. Dinos - Poderão ser vistas ainda produções de jovens diretores, como o longa de estreia do português Miguel Gomes, A Cara Que Mereces (2004). Com tons de comédia, no

centro da trama está Francisco, que às vésperas de completar 30 anos entra em crise existencial, pega sarampo e começa a questionar a infância. E quem quiser levar uma criança à Mostra, o filme pode ser Dinotasia, de David Krentz e Erik Nelson, uma viagem cinematográfica pela era dos dinossauros através de uma série de histórias curtas. Narrado por Werner Herzog. O número de filmes cresceu. Em 2011, foram exibidos 250. Agora, vindos de 60 países, são 360 – quantidade ultrapassada apenas pela versão de 2010, quando entraram 400 produções. Renata de Almeida, mulher de Cakoff que codirigia o evento e agora preside a Mostra, relata que foram recebidas mais de 700 inscrições. "A conclusão que chegamos é que o cinema está super saudável". Sobre o número de filmes maior do que no ano passado, ela diz que "talvez tenhamos optado pelo excesso por insegurança, o que no final resultou em mais opções." Ela chama atenção ainda para o grande número de documentários – são mais de 30. O evento segue até o dia 2 de novembro em 28 espaços de exibição da Cidade. E este ano será ampliada a itinerância pelo interior de São Paulo. Depois de terminada a mostra na capital, títulos selecionados percorrem as unidades do Sesc de Araraquara, Campinas, Piracicaba, Rio Preto, Santos, São Carlos, São José dos Campos e Sorocaba. Outra boa novidade é o Festival da Juventude, que oferece sessões gratuitas a alunos da rede escolar pública

Fotos: Divulgação

A menina de A Caça, de Thomas Vinterberg. Cenas de A Cara Que Mereces e Dinotasia. No destaque (à esquerda), Entre o Amor e a Paixão.

nos cinemas Cine Sabesp, Cine Livraria Cultura e Museu da Imagem e do Som (MIS). Prêmios – Ao final da maratona os filmes, o Melhor LongaMetragem de Documentário será premiado com R$ 30 mil e o Melhor Longa-Metragem de Ficção leva R$ 45 mil. No júri de ficção estão o ator alemão Burghart Klaussner (A Fita Branca); o diretor Cao Hamburger (O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias); Danis Tanovic, diretor

bósnio vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro com Terra de Ninguém; o produtor Jan Harlan, (A.I. Inteligência Artificial) e Kanako Hayashi, diretora do Festival Tokyo Filmex. Já o júri de documentário é integrado pelo diretor Sergio Machado (Cidade Baixa); a produtora Suzana Amado (Vou Rifar Meu Coração); a produtora Denise Gomes (Tropicália); Amir Labaki, diretor do Festival Internacional de Documentários e o jornalista

americano N. Bird Runningwater. A noite de premiação, em 1º de novembro, contará com a préestreia da animação Frankenweenie, de Tim Burton, com a história do menino que usa a ciência para reviver seu cãozinho Sparky. Em 2 de novembro, às 20h, no encerramento da Mostra, acontece uma sessão ao ar livre do clássico Nosferatu, de F.W. Murnau, no Parque do Ibirapuera. A exibição celebra, em grande

estilo, os 100 anos de morte de Bram Stoker, autor de Drácula. Será acompanhada da Orquestra Petrobras Sinfônica e Coral, com regência do Maestro alemão Pierre Oser, que compôs a partitura do filme.

Central da Mostra. Conjunto Nacional. Av. Paulista, 2073. Tel.: 3141-0413. Permanentes: R$ 95 a R$ 410. Ingressos para as sessões: R$ 1 (Cine Olido) a R$ 19. Programação e sinopses: www.mostra.org

Que vença o pior

Warner Bros/Divulgação

O legado de Tarkóvski

A

Cam Brady (Will Ferrell) discursa. Na tela, ao fundo, seu concorrente Marty Huggins (Zach Galifianakis).

S

e o objetivo é ganhar uma eleição, vale qualquer coisa? Para os concorrentes no filme Os Candidatos (The Campaign, Estados Unidos, 2012, 112 minutos), a resposta é um redondo e inequívoco sim. O pleito em questão é para o Congresso americano, no estado da Carolina do Norte. Cam Brady (Will Ferrell) concorre pela 5ª vez. Comete uma gafe pública pouco tempo antes da eleição. E lobistas rivais percebem a chance de lançar outro nome para disputar a vaga. Quem entra na corrida é Marty Huggins (Zach Galifianakis), diretor do centro de turismo local. Marty é inocente e honesto. Não por muito tempo, porém. Auxiliado de perto por tarimbados coordenadores de campanha, logo começa a cometer atos muito

parecidos com os de políticos veteranos, como carregar bebês bonitinhos para ganhar destaque nas fotos dos jornais, cumprimentar transeuntes, se mostrar às câmeras praticando esportes. Cam, por sua vez, procura criar cumplicidade com os mais variados grupos de eleitores. "Educação é o nosso futuro", diz quando faz palestra em uma escola. "As mulheres são a espinha dorsal desta nação", discursa na reunião com público feminino. O sujeito da frase vai mudando para banqueiros, veteranos de guerra, fazendeiros e outros, chegando ao hilário "Os operadores filipinos da xícara maluca são a espinha dorsal desta nação", num parque de diversões. Os Candidatos exibe mazelas que ocorrem dentro dos comitês,

estratégias estapafúrdias para conseguir um punhado de votos, e vai delineando a triste conclusão de que nenhum deles possui o caráter que seria desejável em um congressista. A campanha também envolve escândalos morais. A bizarra estratégia de um dos candidatos contra o adversário inclui levar para a cama a mulher do outro, filmar tudo e usar as imagens em sua propaganda política. Dirigido e produzido por Jay Roach, o clima de vale tudo é exagerado e caricato. As piadas são engraçadas justamente pelo absurdo das situações além do limite do verossímil. Mas já que por aqui estamos em época de campanha eleitoral, a diversão pode vir acompanhada de reflexão sobre até onde candidatos estão dispostos a jogar sujo para vencer. (LHC)

ndrei A. Tarkóvski, filho do cineasta russo Andrei Tarkóvski (acima), veio a São Paulo a convite da Mostra. Em entrevista exclusiva ao Diário do Comércio, se disse surpreso em descobrir que os brasileiros tenham interesse na obra de seu pai. "Talvez isso aconteça porque seus filmes falam sobre o íntimo das pessoas e isso pode ser entendido universalmente". Com 42 anos, vive em Florença, onde trabalha para manter e divulgar o legado. "Meu pai falava muito comigo. Mostrava pinturas, tocava música. Explicava tudo com paciência. Isso é Bach, isso é Leonardo. Dessa maneira construí boas referências desde cedo", conta Andrei. Nos últimos tempos em que morou na então União Soviética, o cineasta clicou as polaroides que integram a exposição Lu z Instantânea (à direita), no Masp (Av. Paulista, 1578, tel.: 32515644). E também o recém-lançado livro Tarkóvski Instantâneos (CosacNaify), com 60 imagens.

Na Mostra poderão ser vistos os filmes A Infância de Ivan, ganhador do Leão de Ouro em Veneza em 1962; Solaris (1972); O Espelho (1974), Stalker (1979) e O Sacrifício (1986), com quatro prêmios no Festival de Cannes. Quem aprecia a obra do cineasta russo pode aproveitar ainda a exposição em cartaz no CineSesc (Rua Augusta, 2075, tel.: 30870500) até 25 d e n o v e mb r o , c o mposta de 30 fot ograf ias originais, f r ag m e nt o s de poemas e projeções em vídeo baseadas no longa O Espelho. Andrei planeja produzir documentários e publicar diá-

rios de filmagens. Em seu trabalho, faz uso de computador, mas acha que o pai, morto antes do evento da internet, não seria um entusiasta dos novos eventos. "A tecnologia torna nossa vida mais fácil em certas tarefas, fazemos as coisas mais rapidamente. Mas será que estamos mais felizes? Acredito que meu pai responderia um não." (LHC)


DC 19/10/2012  

19 outubro 2012

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