Máfia do PCC age no Bom Retiro Polícia apura ameaças de extorsão contra comerciantes coreanos. Pág. 11
Governo tira peso da folha. Contra demissões.
Redução de contribuições ao INSS na folha de pagamentos vai alcançar mais 25 setores industriais e de serviços a partir de janeiro, anuncia o ministro Mantega. Em troca, pede manutenção de empregos e aumento da produção. O presidente da ACSP, Rogério Amato, elogiou a medida, mas diz que é preciso reduzir também os encargos burocráticos. Pág. 13 Jornal do empreendedor
Ano 87 - Nº 23.709
Conclusão: 23h50
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São Paulo, sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Newton Santos/Hype
Com pouco amaciante, STF condena 8 por lavagem de dinheiro público. O espetáculo dos vitrais Catedral da Sé tem 750 m² dessas obras de arte, que contam histórias bíblicas ao sabor da luz. Pág. 10
Foi encerrada a votação sobre crime de lavagem de dinheiro nas transações entre o Banco Rural e as empresas de Marcos Valério. Com o resultado, dos 37 denunciados, 10 estão condenados. Págs. 5 e 6 e www.muco.com.br Khaled Abdullah/Reuters
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cultura
Novo choque tropicalista. Agora, nas telas. O documentário Tropicália, de Marcelo Machado, chega hoje aos cinemas e, a exemplo do movimento, o retrata com colagens inusitadas – tal qual a música de Caetano Veloso (esq.), Gilberto Gil e companhia. Divulgação
Chega o coreano bom de briga
Criatividade no ar Uma bem estruturada rádio-arte, a Mobile Radio, se instala na Bienal e lança sua antena na web – o mesmo lugar onde florescem humoristas e programas. Aproveite o fim de semana ainda para conhecer as novas padarias de SP, mostrar o CD da Palavra Cantada para as crianças, conferir as borbulhas da Roda do Vinho...
Fukuoka, a capital do varejo. Novo destino no sul do Japão tem também boa gastronomia. Boa Viagem, pág. 20
Hyundai apresenta o HB 20, que tem preço e beleza para competir com os concorrentes. À venda a partir de 10 de outubro. Pág. 19
ISSN 1679-2688
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Página 4
9 771679 268008
'Mor te à América!' Grito de guerra ecoa no Islã. Em mais um dia de fúria, depois da morte de diplomata americano na Líbia, quatro manifestantes morrem durante quebra-quebra na embaixada dos Estados Unidos no Iêmen (foto). No Egito, 224 feridos em protestos contra filme que denigre a imagem de Maomé. Pág. 9
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É nesse pequeno círculo do boca a boca, exceção feita a uma ou outra figura conhecida, que são feitos os vereadores. José Márcio Mendonça
pinião
SEM EMPOLGAÇÃO
EYMAR MASCARO
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O PERIGOSO VOTO DE QUEM É CONTRA
O Divulgação
altando pouco mais de vinte dias para as eleições municipais, nunca se viu no Brasil, depois da redemocratização, uma eleição tão pouco empolgante para o eleitor. Já para os políticos é outra coisa: para eles, está em jogo a carreira, o futuro, e isso justifica a exibição de uma animação que às vez soa falsa, tamanha a ausência de povo em comícios, carretas ou mesmo simples reuniões para públicos menores. É uma obrigação de ofício. É evidente que há exceções: afinal estamos diante de mais de 5 . 5 6 0 m u n i c ípios, e sempre haverá lugares onde a disputa está acirrada, envolvendo de fato os eleitores. Porém, na imensa maioria das cidades pequenas, passando pelas médias e grandes até as capitais, a tônica da população é o desinteresse, a apatia. Na média, mais de 50% dos eleitores ainda não sabem ainda com certeza em quem vão votar para prefeito –mesmo bombardeados diariamente com uma hora de marketing eleitoral no rádio e na televisão. Se a situação está assim na disputa pelas prefeituras, sendo que qualquer cidadão sabe a influência de um bom ou mau gestor público municipal na sua vida imediata, imagine-se como está a escolha de vereadores, que a maioria das pessoas não sabe exatamente para que servem. Essa discussão só chega ao circulo partidário, de amigos, apaniguados e cabos eleitorais. Tudo regado a um bom dinheiro para a campanha. É nesse pequeno círculo do boca a boca, exceção feita a uma ou outra figura muito conhecida, que são feitos os vereadores. O resultado é o que se vê pelas Câmaras Municipais pelo País afora – nada para se orgulhar. É triste pensar nisso numa democracia, na sua base – a cidade – mas se essas casas legislativas não existissem no Brasil, pouca gente sentiria falta delas. Só que elas não são um – digamos assim – brinquedinho gratuito. Um levantamento feito recentemente pela Confederação Nacional dos Municípios (CMN) para o jornal O Globo, o Brasil gastou em 2011 pelo menos R$ 9,5 bilhões para manter suas câmaras de vereadores. E os dados estão incompletos porque, na época do levantamento, 752 municípios (mais de 10%
Mais de 50% dos eleitores ainda não sabem em quem vão votar para prefeito. do total de prefeituras no País) não haviam informado ao Tesouro Nacional o custo de seu legislativo. E, curiosamente, 699 avisaram que não gastaram nada com os vereadores. Reconheça-se, um milagre.
É
um custo que vai crescer mais a partir do próximo ano, além daqueles causados por correções de salários, aumentos de despesas com luz, serviços, etc . etc. Para 2012 foram criadas, pela Câmara e o Senado Federal, mais 5.426 vagas de vereadores no País, recompondo um corte que havia sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal com base nas normas constitucionais que estabelecem a correlação entre o número de habitantes no município e a quantidade máxima de vereadores por cidade. Houve uma grita geral no mundo político e o Congresso decidiu mudar a regra. Estamos indo para mais uma eleição municipal sem
JOSÉ MÁRCIO MENDONÇA que o Brasil tenha discutido seriamente o papel da Câmara dos Vereadores no ordenamento da federação brasileira. Não estamos falando de sua utilidade, pois elas têm uma função relevante, a mesma das assembleias legislativas em relação aos estados, e da Câmara e do Senado em relação à União. Só que elas não cumprem, na maioria, as suas funções, pois estão atreladas a outros interesses e quase sempre – exceções são raras – submissas ao prefeito de plantão. É só ver os desatinos urbanísticos nacionais, as agressões ao meio ambiente e outras barbaridades praticadas em todo
lugar nas barbas dos vereadores. Quantas cidades brasileiras têm um plano diretor sério? E desses, quantos são de fato cumpridos? Ganha um prêmio quem conseguir apontar mais de uma dezena.
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cidadão brasileiro, no seu habitat, no seu ambiente, onde ele faz a sua vida, é um desprotegido. Não é estranho, assim, seu crescente desinteresse pelas eleições municipais. O que, infelizmente, abre cada vez mais caminho para aventureiros de todo tipo de pedigree. JOSÉ MÁRCIO MENDONÇA É JORNALISTA E ANALISTA POLÍTICO
Presidente Rogério Amato Vice-Presidentes Alfredo Cotait Neto Antonio Carlos Pela Carlos Roberto Pinto Monteiro Claudio Vaz Edy Luiz Kogut Érico Sodré Quirino Ferreira Francisco Mesquita Neto João de Almeida Sampaio Filho João de Favari Lincoln da Cunha Pereira Filho Luciano Afif Domingos Luís Eduardo Schoueri Luiz Gonzaga Bertelli Luiz Roberto Gonçalves Nelson Felipe Kheirallah Nilton Molina Paulo Roberto Pisauro Renato Abucham Roberto Faldini Roberto Mateus Ordine
que mais assombra os partidos é quando seus candidatos ao Poder Executivo, seja o de prefeito, governo do Estado ou presidência da República, convivem com uma taxa de rejeição acima do aceitável na fase mais aguda da campanha eleitoral. Os partidos sabem que o alto índice de rejeição pode ser fatal ao candidato, principalmente no 2º turno. Este passou a ser fator de preocupação, por exemplo, do PSDB, depois que algumas pesquisas constataram que seu candidato à Prefeitura de São Paulo, José Serra, precisou iniciar uma luta para derrubar a rejeição de uma parcela importante do eleitorado à sua candidatura. Faltando pouco mais de 20 dias para as eleições, o PSDB ainda acredita que pode virar o jogo se Serra se desvincular do incômodo da rejeição. No momento, o tucano disputa com o candidato do PT, Fernando Haddad, uma vaga no 2º turno. As evidências apontadas pelas pesquisas indicam que a outra vaga está praticamente assegurada pelo candidato do PRB, Celso Russomano, que tem como padrinho político o bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus.
fundamental para o PT e PSDB. Os tucanos, por exemplo, lutam para reconquistar a prefeitura paulistana por ser peça das mais importantes na campanha de reeleição do governador Geraldo Alckmin e também na sucessão presidencial, em 2014. Alckmin tem sido bem votado nos 645 municípios do interior, mas não repete o mesmo desempenho nas urnas da Capital, como ficou registrado em 2008, quando foi derrotado na campanha para a Prefeitura por Gilberto Kassab.
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etalhe: se ganhar a eleição de prefeito, Serra pode ser o carrochefe da campanha de reeleição de Alckmin na Capital. Em contrapartida, se Fernando Haddad se eleger, no dia seguinte à sua posse na prefeitura, o PT começa a pressionar Lula para ser o candidato do partido e aliados ao governo do estado, desde que Dilma Rousseff se candidate à reeleição. São Paulo poderia assistir pela segunda vez um pega nas urnas entre Lula e Alckmin. Luludi/Ag. Luz
A
curiosidade na campanha é que o bispo Edir e seus pastores têm sido mais eficientes no apoio a seu candidato do que os poderosos padrinhos de Fernando Haddad e José Serra, como Lula e Dilma Rousseff e Fernando Henrique Cardoso e Geraldo Alckmin, respectivamente. O mundo político sabe que José Serra não pode nem pensar em perder a eleição, sob pena de comprometer seu futuro na vida pública. Na hipótese de ser derrotado, pode acontecer com Serra o mesmo que ocorreu com outros políticos com a mesma projeção nacional, que hoje só conseguem se eleger para as casas legislativas, apesar de serem populares e "donos" de um grande rebanho de eleitores. A vitória na eleição de prefeito de São Paulo é
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as, por enquanto, Celso Russomano joga por terra todas as conjeturas armadas no PSDB e no PT. Russomano já iniciou a campanha com bom índice de intenção de voto nas pesquisas. Foi crescendo, enquanto Serra despencava e Fernando Haddad recebia um alento ainda tímido a partir do momento em que Lula foi para a televisão pedir votos para ele. EYMAR MASCARO É JORNALISTA E COMENTARISTA POLÍTICO MASCARO@BIGHOST.COM.BR
Fundado em 1º de julho de 1924 CONSELHO EDITORIAL Rogério Amato, Guilherme Afif Domingos, João Carlos Maradei, João de Scantimburgo, Marcel Solimeo Diretor-Responsável João de Scantimburgo (jscantimburgo@acsp.com.br) Diretor de Redação Moisés Rabinovici (rabino@acsp.com.br) Edi tor-Chefe: José Guilherme Rodrigues Ferreira (gferreira@dcomercio.com.br) Editor de Reportagem: José Maria dos Santos (josemaria@dcomercio.com.br) Editores Seniores: Bob Jungmann (bob@dcomercio.com.br), Carlos de Oliveira (coliveira@dcomercio.com.br), chicolelis (chicolelis@dcomercio.com.br), Estela Cangerana (ecangerana@dcomercio.com.br), Luciano de Carvalho Paço (luciano@dcomercio.com.br), Luiz Octavio Lima (luiz.octavio@dcomercio.com.br), Luiz Antonio Maciel (maciel@dcomercio.com.br) e Marino Maradei Jr. (marino@dcomercio.com.br) Editor de Fotografia: Alex Ribeiro Editores: Cintia Shimokomaki (cintia@dcomercio.com.br), Fernando Porto (fporto@dcomercio.com.br), Ricardo Ribas (rribas@dcomercio.com.br) e Vilma Pavani (pavani@dcomercio.com.br) Subeditores: Marcus Lopes e Rejane Aguiar Redatores: Adriana David, Eliana Haberli e Evelyn Schulke, Ricardo Osman, Tsuli Narimatsu Repórter Especial: Kleber Gutierrez (kgutierrez@dcomercio.com.br), .Repórteres: André de Almeida, Fátima Lourenço, Guilherme Calderazzo, Ivan Ventura, Karina Lignelli, Kelly Ferreira, Kety Shapazian, Lúcia Helena de Camargo, Mariana Missiaggia, Mário Tonocchi, Paula Cunha, , Rejane Tamoto, Renato Carbonari Ibelli, Rita Alves, Sandra Manfredini, Sílvia Pimentel, Vera Gomes e Wladimir Miranda. Gerente Executiva e de Publicidade Sonia Oliveira (soliveira@acsp.com.br) Gerente de Operações Valter Pereira de Souza (valter.pereira@dcomercio.com.br) Serviços Editoriais Material noticioso fornecido pelas agências Estado, Folhapress, Efe e Reuters Impressão OESP GRÁFICA S/A Assinaturas Anual - R$ 118,00 Semestral - R$ 59,00 Exemplar atrasado - R$ 1,60
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PARA OS ESTADOS UNIDOS, MELHOR POLÍTICA EM RELAÇÃO À SÍRIA É A NÃO INTERVENÇÃO.
FORA DA GUERRA NA SÍRIA
A
presença desprezível de Bashar al-Assad no palácio presidencial em Damasco, ao contrário das suposições no Ocidente, pode ser mais positiva do que prejudicial. Seu regime assassino, terrorista e pró-Teerã que é, ao mesmo tempo, relativamente secular e de cunho não ideológico, mantém em cheque a anarquia, a liderança islamista, os genocídios e o controle irresponsável das armas químicas sírias. Com a intensificação da guerra civil na Síria, os estados ocidentais buscam cada vez mais auxiliar os rebeldes a derrubar Assad e seus seguidores. Com isto, o Ocidente espera salvar vidas e facilitar a transição democrática. Muitos no Ocidente clamam por mais do que o auxílio não letal sendo oferecido no momento: desejam armar os rebeldes, estabelecer zonas seguras e até mesmo participar ativamente na guerra contra o governo. No entanto, ajudar os rebeldes negligencia uma questão fundamental: a intervenção na Síria contra Assad promove nossos interesses? Esta questão óbvia se perde porque muitos ocidentais sentem-se tão confiantes em seu bem estar que se esquecem de sua segurança e focam, em vez disso, em preocupações por aqueles que consideram fracos e explorados, quer sejam humanos (por exemplo, etnias locais ou mais humildes) ou animais ( como baleias). Os ocidentais desenvolveram mecanismos sofisticados para agir em favor destas preocupações (por exemplo, responsabilidade de proteger, ativismo de direitos dos animais). No entanto, para aqueles de nós não tão confiantes, aparar ameaças à nossa segurança permanece como alta prioridade. Sob este prisma, auxiliar os rebeldes resultará em múltiplas desvantagens para o Ocidente. Em primeiro lugar, os rebeldes são islamistas e pretendem construir um governo
DANIEL PIPES sad, pode recuar para refúgios ancestrais na província de Latakia, no noroeste da Síria; o Irã pode facilmente suprir dinheiro e armas por mar, permitindo que essa minoria alauíta resista por anos, exacerbando ainda mais o conflito entre islamistas sunitas e xiitas, distraindo-os ainda mais de atacar os outros.
A
com tendências ideológicas ainda mais hostis ao Ocidente do que o governo do presidente Assad. A ruptura de suas relações com Teerã será balanceada por sua ajuda a promover o poder bárbaro das forças islamistas sunitas.
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egundo, o argumento de que uma intervenção ocidental reduziria a investida da rebelião ao substituir a enxurrada de material e suprimentos de países sunitas é risível. Os rebeldes sírios não precisam da ajuda do Ocidente para derrubar o regime (e não ficariam gratos por essa ajuda se a recebessem, vide o Iraque, por exemplo). O conflito sírio, na realidade, é um confronto entre a maioria marginalizada de 70% de árabes sunitas contra a minoria privilegiada, de 12%, de alauítas de Assad. Somando a assistên-
cia de voluntários islamistas estrangeiros, assim como de diversos países sunitas (Turquia, Arábia Saudita e Catar), o regime de Assad está condenado. Assad não pode subjugar a crescente, cada vez mais, rebelião contra seu domínio; na verdade, quanto mais suas tropas exterminam e mutilam, mais ocorrem deserções e seu apoio encolhe ao seu núcleo alauíta. Terceiro, acelerar o colapso do regime de Assad não salvará vidas. Não marcará o fim dos
conflitos, mas meramente a conclusão de seu capítulo inicial que provavelmente antecederá a mais violência, ainda mais recrudescida. Com os sunitas finalmente se vingando de sua subjugação de mais de 50 anos por alauítas, a vitória dos rebeldes prenuncia um genocídio em potencial. O conflito sírio vai se tornar tão extremo e violento que os ocidentais ficarão satisfeitos por terem mantido distância dos dois lados. Quarto, o contínuo conflito na
Nada nas constituições dos estados ocidentais os obriga a se envolver em todos os conflitos internacionais; ficar fora deste irá se mostrar uma jogada realmente sábia.
Síria oferece alguns benefícios para o Ocidente. Diversos governos sunitas perceberam a reticência da administração Obama em agir e se responsabilizaram por remover a Síria da órbita iraniana; isso se apresenta como um desenvolvimento bem vindo após décadas de acomodamentos com a República Islâmica Xiita.
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lém disso, enquanto islamistas sunitas lutam contra islamistas xiitas, ambos os lados se enfraquecem e sua rivalidade letal diminui sua capacidade de causar problemas no resto do mundo. Ao inspirar minorias incontroláveis (sunitas no Irã, curdos e xiitas na Turquia), o prolongamento do conflito na Síria pode também enfraquecer governos islamistas. Quando o regime cair, a liderança alauíta, com ou sem As-
única exceção à essa política externa de não intervenção seria se apropriar do vasto arsenal sírio de armas químicas, tanto para prevenir que grupos terroristas se apropriassem dele quanto para prevenir Assad de utilizálos num cenário apocalíptico no momento de sua queda. No entanto, essa complicada missão poderia exigir até 60.000 tropas estrangeiras terrestres atuando no solo sírio. Nada nas constituições dos estados ocidentais os obriga a se envolver em todos os conflitos internacionais; ficar fora deste irá se mostrar uma jogada verdadeiramente sábia. Além do benefício moral de não se responsabilizar pelos horrores que estão por vir, manter-se afastado permitirá que o Ocidente eventualmente ajude seus únicos reais amigos na Síria: os liberais do país. DANIEL PIPES É JORNALISTA E HISTORIADOR, ESPECIALISTA EM TEMAS RELACIONADOS AO ISLAMISMO E ORIENTE MÉDIO, COLUNISTA DO NEW YORK SUN E THE JERUSALEM POST. PUBLICADO EM WWW.MIDIAAMAIS.COM.BR. TRADUÇÃO: ROBERTO FERRARACIO
DESCER A LENHA NO SERRA DEVE DAR GRANA "Embromations" Relaxa e Goza, a que "só vai à periferia em época de eleição", engrossar a grosseria; recebeu de cachê o Ministério da Curtura. A Vovó Periguete entrou em campo chutando na medalhinha. É criadora da espantosa alocução "Relaxa e Goza"; sua carreira política inclui vergonhosa derrota para o Kassab, a quem indagou: "É casado? Tem filhos?". Amanheceu de mãos dadas com o Brimo Maluf, alcunhado de "Nefasto" por ela mesma – o mundo gira e a Vovó Periguete roda.
D
a Silva é perdedor inveterado em Sumpólo, Capital, a maior cidade nordestina do mundo, segundo o IBGE e sede do país dos "menos de 20%", minoria esmagadora. Nem dá pra comparar com a maioria esmagadora do "país dos mais de 805". Perdeu todas as eleições majoritárias em que se meteu "porr aqui" e vai perder mais uma; aposto um Chicabom na vitória do Serra. Aliás, o introdutor do Chicabom nos textos foi o genial Nelson Rodrigues, hoje na última moda. Completaria 100 anos, se vivo fosse; vivíssimo está. Ibope e DataFalha não me
NEIL comigo não, violão
Ferreira enganam com essa conversa de cerca-lourenço deles. Acredito só em pesquisa que confirma o que eu acho. Brimo Enem Haddad e Brimo Maluf só se encontram sem testemunhas oculares, auditivas ou fotogrativas. Parece que um tem vergonha do outro. Trocam entre si, adivinho, palavras de ordem que podem dar votos a Da Silva. Brimo Maluf cederia a
bom preço a sua imortal frase para ser encaixada na campanha: "Estrupa mas não mata", acrescida da recente "Mata mas não faz picadinho". O verbo "estrupa" substitui "estupra", para ser entendido pelas Novas Crasses Mérdias As Sem Dentes, semianalfabetizadas funcionais pelo livro didático "Nós pesca os peixe", introduzido pelo "Melhor Ministro da Danilo Verpa/Folhaimagem
U
ma pesquisa do Ibope, contratada por este DC , revelou que os programas de Educação da Prefeitura de São Paulo passaram com A +: o "Ler e Escrever" tem 98% de aprovação e o "Incluir", 96%. E 100% dos usuários aprovam o programa "Remédio em Casa". 90% aprovam a "AMA" e 46% consideram a AMA "ótima". 95% aprovam a "AMA Especialidades" e a área de cardiologia recebeu a nota média de 8,9. O "Mãe Paulistana" é aprovado por 89% e 61% consideram o atendimento "ótimo". E tome pancada no lombo do Serra, no Horário Político. Se a pancada fosse justa, vá lá. Mas não é, quem usa sabe; quem só usa o SírioLibanês não tem como saber, ou finge "qui num vi, num iscuitei, num çei". Ah tá. "As criancinhas não têm escola nem saúde", rosnam as bocas de aluguel. O candidato a Prefeito Da Silva aparece atirando ofensas grossíssimas ao Serra. Não sabia que Da Silva é candidato, mas aparece tanto na propaganda que acho que é; a Estaferma, sua cria, aparece um pouco menos, deve ser vice. Veremos agora a special guest star, Vovó Periguete
Pesquisa mostra que usuários aprovam serviços do AMA.
Hinducassão que eçepaíz já teve", o Brimo Enem Haddad. O Brimo Haddad, boca de aluguel de Da Silva, tem um "çaite" para postar imundícies dignas do Duda Mendonça, inventor da maior fraude nunca antes vista "neçepaíz" – "Lulinha Paz e Amor", que engambelou "o país dos mais de 80%", engambelável por qualquer besteira, menos pela Mãe de Todas as Besteiras "deçepaíz", que é a Verdade Nua e Bem Passada (crua não; a vox populi afirma que só apressado come crua). Não esqueçamos o marquetero João Santana, emprestado pela Estaferma, que o recebeu de empréstimo do seu Personal Creator Da Silva, hoje candidato a Prefeito de Sumpólo. Santana não trabalha a leite de pato, donde se infere que arreganhar os dentes para o Serra rende bons ossos pra roer. O rapper MC Mamuti 011 apareceu no "çaite" em um rap em que levanta o dedo médio, num cumprimento bem educado cada vez que o nome "Serra" é pronunciado. 011 (teria sido cedido pelo Brimo Maluf, senão seria 013) deve ter levado uma grana gorda pra mandar o Serra ir tomar no, com
aquele gesto da retórica DaSilvês. Brimo Enem Haddad coloca Serra como Hitler, Vampiro e daí para cima, porque de Hitler e Vampiro não há como baixar mais o nível. Há sim, explorou sem pudor o trabalho de um velhinho da quarta idade para atacar o Serra. Serra batizou de "Mensaleiro" o bilhete único mensal, homiziado no Horário Político de Da Silva, conhecido Promessão do partido do Mensalão. "Çerra abaichou o níver", gemeu a cumpanherada histérica.
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oram buscar o que sempre procuraram, a censura à livre manifestação do pensamento e desta vez conseguiram, proibiram Serra de chamar o Bilhete Mensaleiro de Bilhete Mensaleiro; fosse eu, chamaria de Bilhete AP-470. Mais uma vez aposso-me da vox populi pra transmitir uma verdade aceita: Roubam e saem gritando 'pega o ladrão'. PS: Este texto é a verdade, somente a verdade, nada mais do que a verdade. Pura ficção, portanto. Seu voto sua arma; atire para matar. NEIL FERREIRA É PUBLICITÁRIO
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GibaUm
Delta recebeu nos, últimos cinco anos, R$ 2,8 bilhões do Governo Federal: mesmo assim, sua situação é negra.
3 MAIS: agora, foram iniciadas
k A fama em si é um copo. Você pode botar água, vinho ou veneno.
Reserva de mercado
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gibaum@gibaum.com.br
Foto: Paula Lima
PAULO COELHO // que acaba de dizer a Rolling Stone que se considera o intelectual mais importante do Brasil.
renegociações com os bancos. A construtora de Fernando Cavendish deve R$ 500 milhões.
A nova lei do audiovisual exige a exibição de duas horas e 20 minutos de programas brasileiros no horário nobre. Nos canais da HBO já é fácil acompanhar o volume de filmes brasileiros – e alguns, muito ruins, por sinal. A TV5 Monde tem 80% de assinantes brasileiros, coloca legendas em mais de 50% de sua programação e seu sinal atinge toda a América Latina, onde imposições desse tipo não fazem sentido. Por isso, está pedindo dispensa da obrigação à Ancine.
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LÁ FORA Caças de fora A proposta de Orçamento encaminhada ao Congresso pelo governo, não prevê nenhum gasto com a compra de caças para a FAB no ano que vem, novela que vem se arrastando nos últimos anos. Mesmo assim, está registrado aumento de investimentos militares e o projeto mais caro é o dos submarinos, incluindo o de propulsão nuclear, que deverá consumir R$ 2,7 bilhões no ano. Também aparece o desenvolvimento de um avião cargueiro, o projeto KC, com mais de R$ 1 bilhão de gastos autorizados. Detalhe: nem os militares acreditam nesses investimentos. Para eles, uma coisa é estar no Orçamento e outra é a liberação dos recursos. 333
ILHA DE CARAS A veterana socialite carioca Irene Singery acaba de colocar à venda a Ilha de Piedade, em AngradosReisque,nosúltimos 30 anos, recebeu celebridades de todos os tipos, de François Mitterrand a Kate Moss. Ela confessa que nem seus netos estãoindoláporque“asopções são muitas e cada um vai para um lado”. A ilha tem 17 mil metros quadrados, três praias privativas, quadra de tênis, campo de futebol, heliponto, sauna e durante três anos foi alugada à revista Caras . 333
Noites de moda 2
Nas últimas pesquisas, Gabriel Chalita (PMDB) não avança em percentuais de intenção de voto e a cúpula do partido já se movimenta, inspirada na nomeação de Marta Suplicy para o Ministério da Cultura, para negociar apoio a Fernando Haddad caso ele vá para o segundo turno em São Paulo. Sob a condição de não migrar para os lados de Celso Russomano (PRB), que continua em primeiro lugar, os peemedebistas querem o Ministério da Educação para Chalita. A cena ficou complicada: em maio, nas conversas com Lula, esse ministério já teria sido oferecido a Chalita. O próprio vice-presidente Michel Temer, idealizador de sua candidatura, preferiu recusar: apostava que seu pupilo iria ao segundo turno. E, claro, também Paulinho Pereira da Silva (PDT), um dos últimos colocados, procura mais um ministério para seu partido. Nesse caso, Dilma não quer nem saber. 333
Todos querem
Ricardo Teixeira, expresidente da CBF, que, vira e mexe, se encontra com seu sucessor José Maria Marin na Europa, nunca mais retornou ao Brasil, desde que deixou a entidade esportiva e foi morar na Florida. Contudo, estaria recebendo, lá fora, quase que religiosamente, à titulo de consultoria, o equivalente a R$ 80 mil mensais.
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Depois de São Paulo, a iniciativa de Vogue para incentivar vendas e movimentar áreas de moda, a promoção Fashion’s Night Out (começou em Nova York, depois do sufoco da quebradeira do sistema financeiro) aconteceu no Rio, tendo como palco o Fashion Mall e Shopping Leblon. Como sempre, as celebridades televisivas eram as atrações: da esquerda para a direita , Juliana (Gabriela) Paes, que lançava seu perfume Essence ; Leona Cavalli que, finalmente aparecerá em Playboy de outubro; Juliana Knust, sempre bonita e meio desaparecida; Fernanda Paes Leme, com silhueta mais afinada; e Cristiana Oliveira, que emagreceu 17 quilos para entrar no elenco de Salve Jorge. 333
MISTURA FINA OS PLANOS da Igreja Universal do Reino de Deus para Celso Russomano não param na prefeitura de São Paulo. Se ele vencer, o PRB, presidido por Marcos Pereira, bispo licenciado, o futuro passo será o governo de São Paulo – e dependendo, até mesmo em 2014. O advogado Luiz Flávio D’Urso, vice de Russomano, sonha com isso todos os dias.
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333 COMEÇA hoje na praia de Tambaba, na Paraíba, um campeonato naturista de surfe. Ou seja: em cima da prancha, todo mundo nu. E está sendo comemorado os cinco anos do Projeto SurfNU, que divulga o naturismo pelo esporte. Os menos acostumados com a modalidade e com o nudismo, do lado de fora, acham que todo cuidado é pouco – e especialmente com movimentos inesperados na quilha da prancha.
Entrandonalinha Denunciada por enganar clientes no plano Infinity, que pagam por ligação e não pela duração delas, derrubando os telefonemas para faturar mais (estimativas sinalizam até R$ 4 milhões de faturamento num único dia), a Italia Telecom, controladora da TIM Brasil, resolveu entrar na linha e seguir as determinações da Anatel. Pelo menos, foi o que o vicepresidente Michel Temer ouviu de Franco Barnabé, presidente da operadora, num encontro em Roma. Ao mesmo tempo, do lado de cá, a TIM quis fazer uma propaganda engraçada e se deu mal. Em Campinas, interior de São Paulo, comparou seus preços com outros e no espaço referente a uma concorrente colocou o nome Morto (ironia em cima da Vivo). O Conar acatou pedido de suspensão.
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Nos oito primeiros meses do ano, as despesas com diárias e passagens aumentaram 49% em relação ao mesmo período do ano passado, alcançando R$ 1,2 bilhão. Gastos com viagens foram considerados um dos pontos básicos – e um tanto simbólicos – no aperto das contas públicas anunciado no ano passado, quando um decreto do Executivo fixou cortes de até 50% no Executivo. Os ministérios que dobraram seus gastos foram Ciência e Tecnologia, Desenvolvimento, Minas e Energia, Esportes e Cidades. E a Câmara dos Deputados seguiu a mesma cartilha. Para quem gosta de fazer contas: dá R$ 8,7 milhões por dia. 333
A revista Esquire de outubro não deixa por menos e elege a brasileira (é a Jéssica da vitoriosa série Homeland, exibido no Brasil pelo canal FX) Morena Baccarin, 33 anos, como “a mulher mais linda do mundo”. E publica ensaio sensual com a atriz (ela cursou a Juilliard School) que fez participação em The O.C. e How I Met Your Mother e ganhou popularidade como chefe dos alienígenas na série V e depois no filme Os Vingadores. Numa parte do texto, no miolo, o título é Morena Baccarin is Succulent.
Mais linda do mundo
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Mais cedo pra casa A própria presidente Dilma Rousseff que, há meses, vem atuando como intermediária entre os ministros Paulo Bernardo e Gleisi Hoffman, que atravessam grande crise conjugal, tratou de telefonar para o titular das Comunicações, nesses dias em que a chefe da Casa Civil estava enfiada na elaboração dos novos pacotes. Com Paulo Bernardo na linha, a Chefe do Governo avisou que “estava ordenando que ele deixasse o trabalho mais cedo para cuidar dos dois filhos porque a Gleisi vai demorar”.
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h
BRASILTUR
O BRASIL tem mais de dois milhões de servidores públicos federais e desse total, 91,8% pertencem ao Executivo. Este ano, a folha de pagamento deverá ser de R$ 187,6 bilhões e para o ano que vem, está prevista a contratação de mais 62 mil servidores, ao custo de R$ 5,1 bilhões. Nessa estimativa, não estão incluídas despesas de infraestrutura, transporte, vales diversos e diárias.
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h IN Saia.
OUT
Calça.
Uma sinuca para Sarney Nas pesquisas para prefeito em São Luiz de Maranhão, o tucano João Castelo lidera com 30,6%, seguido por Edivaldo Holanda (PTC), com 27,8% (ele é apoiado por Flávio Dino, do PCdoB, presidente da Embratur e por quatro partidos da base de Dilma) e em terceiro, Washington Oliveira (PT), com 12,1%, candidato de José Sarney. Num segundo turno, o presidente do Senado fica numa sinuca: não pode apoiar o PSDB ou fortalecer Dino (são brigados), principal nome de oposição para 2014. Nessa parada, o perdedor maior é o clã . 333
333 SE JOSÉ Genoino, um dos principais mensaleiros, tem certeza de sua condenação (e prisão), está sendo tratado por médicos, Delúbio Soares, exsecretário-geral do PT e grande operador do esquema, sumiu de circulação. Está com sua família em Buriti Alegre, interior de Goiás, onde também vem tendo acompanhamento médico. Síndrome de pânico é o mínimo que o acomete.
333 O LADO um tanto exótico de personalidade de Celso Russomano é destacada através de seus auto-declarados dons exotéricos . Ele diz que é parapsicólogo e hipnólogo. E emenda: “Só hipnotizo para fazer o bem”.
333 FÁTIMA Bernardes com seu novo visual (ela tem fixação pelo babyliss , acessório que faz cachinhos nos cabelos) ganhou apelido nos corredores de seu programa: Maisinha . É aquela mini-star do SBT.
Colaboração: Paula Rodrigues / A.Favero
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DIÁRIO DO COMÉRCIO
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
5 BEIJO DE GEIZA Ministros recorrerm a Cristo e à máfia para julgar ex-funcionária.
olítica
IMPLICÂNCIA Joaquim Barbosa continua irritado com quem vota contra seu voto.
Fellipe Sampaio/SCO/STF – 12.09.12
Condenação mantém o ritmo do Mensalão Ao encerrar ontem o terceiro capítulo do processo, o Supremo Tribunal Federal condenou mais oito réus.
O
s ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) condenaram ontem oito réus no julgamento do Mensalão, subindo para dez o número de condenados de um total de 37 réus. Com esses votos, o tribunal encerrou o item quatro da denúncia, que tratava dos crimes de lavagem de dinheiro nas operações entre o Banco Rural e as empresas de Marcos Valério, apontado como o operador do esquema. Já foram julgados os itens sobre gestão fraudulenta no Rural e os crimes cometidos nos contratos entre a Câmara dos Deputados e as empresas de Marcos Valério. Unanimidade – Foram condenados Marcos Valério e seus ex-sócios Ramon Hollerbach e Cristiano Paz, o seu advogado Rogério Tolentino e a ex-funcionária na agência SMP&B, Simone Vasconcelos. Do Rural, a ex-presidente Kátia Rabello, o ex-vice-presidente José Roberto Salgado e o atual vice-presidente Vinicius Samarane. Os oito foram condenados em razão dos empréstimos considerados fraudulentos entre o Rural e as empresas de Marcos Valério e pelos saques realizados de forma a esconder os verdadeiros beneficiários dos valores. Dos oito, seis foram por unanimidade: dez votos. Já Tolentino e Samarane receberam sete votos.
Para o ministro Carlos Ayres Britto, presidente do STF e último a votar, "a corrupção leva a um ceticismo cívico. O cidadão deixa de acreditar nas instituições", afirmou. Todos os ministros votaram pela absolvição da ex-vice-presidente do Rural, Ayanna Tenório. Beijos de Geiza – Já a ex-funcionária de Marcos Valério, Geiza Dias, a quem a sua defesa classificou de "funcionária mequetrefe" e o revisor Ricardo Lewandowski chamou de "batedeira de cheques", recebeu sete votos pela absolvição. Apenas o relator Joaquim Barbosa e os ministros Luiz Fux e Marco Aurélio Mello votaram pela sua condenação. Marco Aurélio disse que "a absolver Geiza, devemos absolver todos", acrescentando que "aos 66 anos, não posso
acreditar em Papai Noel". Antes, ela havia sido motivo de ironias entre os ministros, já que Geiza tinha mania de enviar beijos ao encerrar um email. A saudação era recorrente ao encaminhar ordens de saques milionários para o Rural. Para sete ministros, a conduta mostrou que ela não teria conhecimento da gravidade do crime. Para três deles, justamente o contrário. Lewandowski foi o primeiro a citar os beijos de Geiza. Depois foi a vez de Rosa Weber e de Dias Toffoli, que citou até a Bíblia. "Só conheço uma pessoa condenada por beijo, foi Jesus Cristo. O fato de mandar beijo não é motivo para condenar", afirmou. Fux, que a condenaria, interveio. "O ministro Toffoli disse que ela seria condenada por um beijo. Se for,
DIAS TOFFOLI
O ministro Toffoli disse que ela seria condenada por um beijo. Se for, seria como na máfia, por um beijo da morte, no final dos e-mails. LUIZ FUX
Relator não se conformou com o voto do revisor, que absolveu dois réus.
O
Barbosa: relator foi voto vencido na condenação da 'mequetrefe'.
Só conheço uma pessoa condenada por beijo, foi Jesus Cristo. Mandar beijo não é motivo para condenar.
Barbosa continua contestando decisões de Lewandowski relator Joaquim Barbosa rebateu ontem questões levantadas pelo revisor Ricardo Lewandowski durante o julgamento do Mensalão. Ao fazer a réplica, Barbosa pontuou os motivos que o levaram a condenar Rogério Tolentino, advogado de Marcos Valério, e Vinicius Samarane, atual vice-presidente do Banco Rural, no item
seria como na máfia, por um beijo da morte, no final dos emails", sugeriu. Valerioduto – Fux destacou que não é preciso que todos os recursos tenham origem ilícita. "Recursos lícitos e ilícitos não são como água e óleo, acabam se misturando". Para Toffoli, a denúncia comprovou a existência do "valerioduto", mas na opinião de Gilmar Mendes, não se pode limitar o sistema criminoso "à mera existência do valerioduto". Segundo Celso de Mello, "dinheiro sujo interfere de modo criminoso no processo de crescimento econômico dos povos e das nações". Na avaliação dos ministros, os "próximos capítulos" vão revelar se o dinheiro obtido por Valério foi usado para comprar parlamentares. (Agências)
lavagem de dinheiro. Os dois foram absolvidos deste crimepelo revisor. Em relação a Samarane, o relator disse que ele participou da lavagem de dinheiro. "Ele era um dos responsáveis pela omissão dos verdadeiros ou reais sacadores dos valores repassados pela SMP&B ao Rural". Quanto a Tolentino, disse que ele está em todos os
momentos junto a Marcos Valério e que não dá para acreditar que ele não esteja envolvido. Lewandowski esclareceu que "é bem possível que ele esteja envolvido em quadrilha, mas não estamos discutindo isso nesta parte", reagiu. "É preciso individualizar as situações". O próximo item a ser julgado será o de corrupção de partidos políticos. (Agências)
Dida Sampaio/AE - 30.08.12
Ricardo Lewandowski ao lado do ministro Dias Toffoli: revisor diz que é preciso individualizar as situações.
Rosa absolve João Paulo. O que não muda nada. Ministra livrou deputado petista, mas a maioria já tinha condenado. Nelson Jr./SCO/STF
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ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), concluiu ontem seu voto sobre o primeiro capítulo do julgamento do Mensalão ao analisar as acusações de lavagem de dinheiro contra o deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) e o ex-diretor de marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato. A ministra absolveu João Paulo e condenou Rosa Weber: entendimento da ministra foi de corrupção passiva. Pizzolato, mas não alterou a situação deles. Os dois já foram considerados culpados também pelo da propina, não podendo, porém, ser crime crime de lavagem pela maioria dos antecedente. Mesmo com o voto dela pela ministros do STF. Diferentemente dos absolvição no crime de lavagem de outros magistrados, Rosa não analisou dinheiro, João Paulo está condenado por 6 a esse crime ao tratar do primeiro item, 5 nesta acusação. O deputado petista atendo-se aos delitos de corrupção passiva também foi considerado culpado das e peculato. Em relação ao deputado, a acusações de corrupção passiva e peculato ministra entendeu que o recebimento de por 9 votos a 2. A ministra, porém, R$ 50 mil por intermédio da sua mulher considerou diferente a situação de Márcia Regina foi um exaurimento do crime Pizzolato. Disse que no caso dele é possível de corrupção passiva, que se consumou crer que os R$ 326 mil recebidos foram com o favorecimento para a contratação desviados do Banco do Brasil. Rosa pela Câmara dos Deputados da agência observou que já tinham sido feitos repasses SMP&B, de Marcos Valério. à agência DNA, de Marcos Valério, quando Para a ministra, "não se recebe propina o dinheiro foi repassado a Pizzolato. "Os sob os holofotes", afirmou. Ela destacou crimes já estavam consumados quando do ainda que o crime de peculato, a saque em espécie". Com o seu voto, ele foi contratação da agência e as terceirizações, condenado por 10 a 1. E por unanimidade só foram realizados depois do recebimento nos crimes de corrupção e peculado. (AE)
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DIÁRIO DO COMÉRCIO
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A meu ver, foi uma heresia haver uma condenação por atos que já estão incluídos na denúncia de gestão fraudulenta. José Carlos Dias, advogado.
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Próximo capítulo: houve quadrilha?
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úvida nenhuma mais deve existir quanto à tendência punitiva do STF em relação à maioria dos réus do Mensalão. Depois de encerrada ontem a votação da terceira fatia da Ação Penal 470, poucos réus até agora arrolados tiveram sua inocência acatada: o ex-ministro Luiz Gushiken, que não a ter sua punição pedida pelo procurador geral da República, e mais três outros. Todos os outros foram condenados de uma ou mais formas. O voto do ministro Dias Toffoli ontem, inclusive com a mudança de entendimentos jurídicos por ele explicitados antecipados – a surpresa de ontem e uma das maiores desde que o julgamento se iniciou – é o sinal mais claro e definitivo dessa posição que se cristaliza no Supremo. Chegou a hora agora de, como avisou o ministro Marco Aurélio Mello, num momento de humor, as coronárias serem devidamente azeitadas. "Haja coração” – disse ele na semana passada. Nomes menos conhecidos e alguns "mequetrefes" ainda passarão pelo banco dos réus, mas o desfile será de peixes graúdos. O foco se concentrará no "núcleo político". Estarão na berlinda parlamentares, ex-parlamentares, dirigentes partidários. Na fase encerrada ontem, a maior parte dos ministros já insinuou aceitar as acusações de que houve dinheiro público nos negócios denunciados e que ele irrigou partidos – além, na-
JOSÉ MÁRCIO MENDONÇA turalmente, de ter irrigado alguns bolsos particulares. Afinal, nesse mundo ninguém parece ser apenas de ferro e fazer tudo apenas pela "causa". Mas foram referências. É diretamente disso que os ministros passarão a tratar de segunda-feira até pelo menos a segunda metade de outubro. Será também definido se o dinheiro que voava de um lado para outro, do Banco Rural, da Visanet, da Câmara, para as contas das empresas de Marcos Valério e daí para pessoas físicas e partidos, foi apenas para ajudar nas campanhas ou também para comprar votos no Congresso. É quando também se definirá se houve formação de quadrilha. Apesar dos indícios no sentido de que esta é a tendência indicada até agora, alguma coisa pode sempre mudar. Mas está cada vez mais difícil que aconteça. De certo mesmo pode-se dizer que o relator Joaquim Barbosa vai continuar batendo firme nos réus.
Fábio Motta/AE - 13.08.08
Nada feito: ex-banqueiro deve continuar no Brasil, diz o TRF.
Justiça impede Cacciola de deixar o País
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Tribunal Regional Federal da 2ª Região acolheu parecer do Ministério Público Federal (MPF) e negou o pedido do ex-banqueiro Salvatore Cacciola para ser excluído do Cadastro de Procurados e Impedidos da Polícia Federal (Sinpi). Com a decisão, tomada a partir de um pedido de habeas corpus do réu, Cacciola continua impedido de deixar o País. Em seu parecer, o MPF lembrou que o ex-dono do Banco Marka já escapara da aplicação da lei penal brasileira ao fixar residência na Itália, seu país de origem, antes de ser preso em agosto de 2007, no Principado de Mônaco, a partir de um mandado da Interpol. A procuradora regional da República Silvana Batini sustentou que seria temerário excluir o nome de Cacciola do Sinpi, já que ele responde a quatro ações penais, além da
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que gerou sua extradição de Mônaco, em julho de 2008. "Ficamos muito satisfeitos com a nova decisão do tribunal, que impede o réu de voltar ao exterior", disse a procuradora. "O Ministério Público Federal sempre considerou necessária essa medida". De acordo com o MPF, os quatro processos que têm como réu o ex-banqueiro continuam suspensos porque a Justiça aguarda a avaliação, pelo governo de Mônaco, do pedido de ampliação da extradição. Sem essa ampliação, Salvatore Cacciola não pode responder pelos demais crimes contra o sistema financeiro de que é acusado. Os quatro processos correm em três varas criminais do Rio de Janeiro e em uma de São Paulo. Em três deles, a prisão preventiva do réu chegou a ser decretada, mas foi revogada por habeas corpus. (ABr)
Para advogados, ministros cometem 'massacre'. Defensores dos réus do Mensalão se queixam dos votos preferidos pelo Supremo contra os seus clientes.
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Ao final de 22 sessões do julgamento do Mensalão, com 8 dos 37 réus do caso já condenados, advogados de alguns acusados reclamaram ontem dos votos dos ministros do Supremo Tribunal Federal, informa o portal G1. Além de Marcos Valério, apontado como operador do esquema de compra de apoio político, e seus dois sócios, a Corte culpou três dirigentes da cúpula do Banco Rural, o ex-presidente da Câmara, João Paulo Cunha e o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato (veja em detalhes na página 5). Defensor de Enivaldo Quadrado, sócio da corretora Bônus Banval, o advogado Antônio Sérgio de Moraes Pitombo queixou-se ontem de que a maratona de sessões do julgamento se transformou em um "massacre psicológico". Para o advogado, o intenso ritmo de trabalho no Supremo Tribunal Federal (STF) tem levado os ministros da corte a cometerem "erros" em suas manifestações no plenário. "Isso aqui é um massacre psicológico, uma fábrica de salsichas. Os ministros têm de prestar atenção em suas assessorias porque certas coisas que dizem na corte estão incompatíveis com aquilo que estão na doutrina. Não podem chegar em um julgamento desses e dizer coisas que nunca foram ditas, que estão erradas", disparou Pitombo.
Felippe Sampaio/SCO/STF - 09.08.12
Protesto: advogado de sócio de corretora diz que ritmo de trabalho tem induzido os ministros a erros. Quadrado foi denunciado pela Procuradoria Geral da República (PGR) por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro por, supostamente, ter ajudado a repassar a recursos do "valerioduto" para políticos do PP. Na avaliação de Pitombo, os ministros estariam deixando parte de seus votos a cargo de assistentes, o que, segundo ele, teria comprometido o conteúdo das manifestações. Nada de novo – "É evidente que as assessorias estão tendo de atuar barbaramente para auxiliar os ministros, que estão pressionados. Precisa prestar um pouco de atenção.
Isso aqui é um massacre psicológico, uma fábrica de salsichas. Os ministros têm de prestar atenção em suas assessorias. ANTÔNIO SÉRGIO PITOMBO
Não dá para inovar no julgamento. O que esse julgamento tem de tão diferente que vamos negar tudo o que já se escreveu?", esbravejou.
O entendimento do relator e do revisor do processo do Mensalão de que teria ocorrido o crime de lavagem de dinheiro no esquema de corrupção operado por Marcos Valério também contrariou os advogados de ex-dirigentes do Banco Rural. "Heresia" – O advogado José Carlos Dias, que defende a expresidente do banco, Kátia Rabello, afirmou ao final da sessão de ontem que teria ocorrido uma "heresia" na sua condenação. "A meu ver, foi uma heresia haver uma condenação por atos que já estão incluídos na denúncia de gestão fraudulenta", enfatizou.
Em greve, PF volta a protestar em SP. Categoria, que rejeitou reajuste de 15,8% (aceito por servidores públicos federais), quer revisão de carreira.
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oliciais federais, em greve desde o dia 7 de agosto, promoveram manifestação de protesto na manhã de ontem em frente à sede da superintendência regional em São Paulo. Agentes, papiloscopistas e escrivães depositaram papéis com as palavras "pedofilia, corrupção, trabalho escravo, crime organizado, tráfico de drogas e contrabando", indicando a suspensão de investigações destes crimes. Outros serviços da PF, como passaportes e atendimento a estrangeiros, funcionam normalmente: são prestados por funcionários terceirizados. Após o protesto, os manifestantes seguiram para a ponte do Piqueri, na Marginal Tietê, onde soltaram balões e se deram as mãos. A principal reivindicação dos grevistas é a reestruturação da carreira. Segundo Marina de Castro, secretaria geral do Sindicato dos Servidores da Polícia Federal em São Paulo, "esses profissionais recebem salário de nível médio – R$ 7,5 mil, mesmo possuindo nível superior". De acordo
Fábio Martins/Futura Press/AE
Alerta: agentes avisam que investigações de crimes como tráfico ou pedofilia estão suspensos. com Marina, a remuneração média do Poder Executivo para o nível superior é R$ 14 mil. Rio – Os agentes federais no Rio responsáveis pelos serviços de análise e inteligência decidiram, na quarta-feira, aderir à greve da PF. A categoria já rejeitara o reajuste salarial proposto pelo governo de
15,8%, o mesmo percentual aceito por grande maioria dos servidores públicos federais. "Com a entrada dos agentes (responsáveis pela escuta telefônica que dá suporte às principais operações desencadeadas pela PF), a greve se fortalece. Ficam paralisadas também as operações de
combate aos crimes financeiros e desvios de verbas públicas", disse o presidente do Sindicato dos Servidores da Polícia Federal no Rio de Janeiro, Telmo Correa. Ontem, as atividades de análise de inteligência das grandes operações da PF deflagradas no estado foram paralisadas. (ABr)
Correios protocolam dissídio no TST
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Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) protocolou ontem pedido de dissídio coletivo no Tribunal Superior do Trabalho (TST), em Brasília. A ECT se antecipou às assembleias dos funcionários para decidir sobre a greve. Assembleias estão marcadas para a próxima semana, a maioria delas para a terça-feira, 18. Segundo nota dos Correios, o objetivo de acionar o TST é "garantir a normalidade do atendimento à população
brasileira". A ECT requer, entre outras medidas, intermediação do tribunal "em vista da greve e do esgotamento das negociações" e renovação do acórdão do tribunal relativo à paralisação de 2011, que teria validade por 4 anos. Na última semana, a maioria das assembleias dos trabalhadores dos Correios optou por adiar a greve, na expectativa de que a empresa melhorasse a proposta de de reajuste salarial, de 5,2%. A greve começou nos
estados de Minas Gerais e do Pará, porém com baixos índices de adesão, segundo nota divulgada pelos Correios. "Desde o dia 3 de julho a empresa tenta, por meio do diálogo, negociar com as entidades sindicais", diz trecho de nota da ECT. A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares reagiu com surpresa ao dissídio coletivo. "Lamentamos a decisão da empresa, que demonstra não querer mais negociar", disse James Magalhães de
Azevedo, secretário de Imprensa da Fentect. O comando de negociação da Fentect reivindica 43,7% de reajuste, R$ 200 de aumento linear e piso salarial de R$ 2,5 mil. Quatro sindicatos dissidentes (São Paulo, Rio de Janeiro, Tocantins e Bauru) que se desfiliaram da federação, reivindicam 5,2% de reposição, 5% de aumento real e R$ 100 de reajuste linear. O salário-base inicial de carteiros, atendentes comerciais, operadores de triagem e transbordo é de R$ 942. (ABr)
p Marta assume um ministério mais rico DIÁRIO DO COMÉRCIO
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Peço a Deus e peço a você, Marta, que coordene a área da cultura, trabalhe por ela e a leve à frente. Presidente Dilma Rousseff
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Ana de Hollanda deixa para a sucessora no ministério da Cultura um orçamento de R$ 3 bilhões, somados a mais R$ 2,1 bilhões em incentivos de leis nessa área.
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senadora Marta Su- que foi prefeita de São Paulo. plicy (PT-SP) assuAo agradecer à ministra que miu ontem o coman- deixou o cargo, a presidente do do ministério da reconheceu o trabalho de Ana Cultura, pasta que teve 65% de Hollanda, lembrando que de aumento nos recursos do sua gestão foi alvo de presorçamento para 2013 na com- sões. "Agradeço a lealdade, o paração com o deste ano. sacrifício da vida pessoal e a O número foi citado pela maneira histórica como enpresidente Dilma Rousseff na frentou as pressões, muitas cerimônia em que Ana de Hol- vezes injustas e excessivas". landa deixou o cargo e Marta Projetos inconclusos – Pritomou posse. A presidente meira mulher a comandar o afirmou que serão R$ 3 bilhões ministério da Cultura, a cantono próximo ano para a Cultura, ra e gestora cultural Ana de que poderão ser somados a Hollanda deixa para Marta Suoutros R$ 2,1 bilhões, que po- plicy várias importantes inidem ser mobilizados pelas leis ciativas inconclusas e a posside incentivo à cultura. "Trata- bilidade de administrar, em se de um aumento de 65% em 2013, o maior orçamento da relação a história da 2012, um lepasta. gado imporEm 20 metante que Ana ses à frente Trata-se de um de Hollanda do ministério, aumento de 65% em A n a c o n s edeixou para a Marta Supliguiu pôr em relação a 2012, um cy". A cerimôprática poulegado importante nia, no Palác a s i n i c i a t ique Ana de cio do Planalvas que ela Hollanda deixou to, foi marcaprópria aponpara Marta Suplicy. t o u c o m o da por uma indisfarçável prioritárias, e PRESIDENTE DILMA ROUSSEFF troca de elose envolveu gios entre a em uma série presidente, Marta e Ana. de polêmicas. Dilma chegou a citar música Ao tomar posse, em janeiro do grupo de rock nacional Ti- de 2011, ela prometeu avantãs, ao lembrar a importância ços e antecipou o tom com que da cultura para o País. "A gen- reagiria aos que criticavam te não quer só comida, a gente sua nomeação, comparandoquer comida, diversão e arte", a com seus antecessores, Juca afirmou Dilma. Ferreira e Gilberto Gil. O ti m is m o – Ao se referir a "Continuar não é repetir. E Marta, a presidente disse que quando queremos levar um a n o v a m i n i s t r a , c o m s e u processo adiante, a gente se "olhar não preconceituoso", vê na fascinante obrigação de será capaz de acolher diferen- dar passos novos e inovadotes manifestações na socieda- res. Este será um dos nortes da de e levar à frente a área cultu- nossa atuação: continuar e ral. E, solenemente, encerrou avançar". Logo depois, viu-se o discurso: "Peço a Deus e pe- às voltas com a primeira polêço a você (Marta) que coorde- mica – retirar do site do minisne a área da cultura, trabalhe tério as licenças do C re a t iv e por ela e leve ela à frente". Commons Os "selos" em quesNa quarta-feira, ao falar so- tão indicam as condições em bre seu engajamento na cam- que a cópia e o compartilhapanha eleitoral de Haddad, mento de conteúdo são permiMarta disse que o trio formado tidos. Ana justificou a decisão pelo ex-presidente Lula, pela lembrando que todo o conteúpresidente Dilma e por ela do publicado no site do minismesma será tério podia invencível. ser livremen"O trio Lula, te reproduziDilma, Marta do. E foi acuO trio Lula, Dilma, é muito forte. s a d a d e d eMarta é muito forte. fender os inO Lula é um deus! Dilma é teresses de O Lula é um deus! bem avaliada setores conDilma é bem e eu tenho o avaliada (...) Eu, que trários ao lia p e l o d e vre compartiia entrar na hora quem fez. Enlhamento de certa, agora entrei. tão, com a enconteúdo na trada desse internet, caMARTA SUPLICY trio, vai dar so do Escritócerto. Eu rio Central de combinei que ia entrar na hora Arrecadação e Distribuição e agora estou entrando". (Ecad), entidade privada de Na cerimônia em Brasília, arrecadação e distribuição diMarta disse que se orgulhava reitos autorais. de trabalhar "com uma muAs críticas nesse sentido aulher forte, arretada e compe- mentaram após o ministério tente a quem tanto admiro", da Cultura receber para "reareferindo-se à presidente. A nálise" o anteprojeto de lei ex-senadora disse que deixa- que fora elaborado e encamirá marcas em sua gestão no nhado à Casa Civil durante a ministério da Cultura, pois gestão de Juca Ferreira com a tem experiência na imple- proposta de modernização da mentação de iniciativas cultu- Lei de Direito Autoral (Lei nº rais, lembrando a época em 9.610), em vigor desde 1998.
Fernando Bizerra Jr./EFE
Alan Marques/Folhapress
Dilma e Marta (acima), em cerimônia de posse com muita troca de elogios no Palácio do Planalto. Ana de Hollanda (ao lado): gestão marcada por numerosas polêmicas.
Devolvido à Casa Civil em 31 de outubro de 2011, o novo texto, elaborado sob a gestão de Ana, é menos flexível que o anterior e ainda não foi enviado ao Congresso Nacional. Novamente, o ministério foi acusado de não defender o interesse dos artistas. Outro projeto que ainda está no papel é o Vale -Cultura que, se aprovado, poderá beneficiar 12 milhões de trabalhadores que ganham até cinco salários mínimos (R$ 3.110 mil) e teriam direito a um "vale" de R$ 50 para gastos com bens e produtos culturais. A ex-ministra também não conseguiu sensibilizar o Congresso Nacional a votar a proposta de criação do Programa Nacional de Fomento à Cultura (ProCultura), que visa a substituir a Lei Rouanet, em vigor desde 1991, e fortalecer o
Governo anuncia R$ 2,5 bi para a Olimpíada
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Fundo Nacional de Cultura (FNC), permitindo ao Estado distribuir de forma mais igualitária, entre as várias regiões do País, parte dos recursos obtidos por meio da renúncia fiscal (patrocínios culturais). Legado positivo – Ana deixa para Marta a possibilidade de administrar o maior orçamento da história do ministério. Segundo a assessoria do ministério, o montante representa um acréscimo de 54% em comparação com 2011, quando Ana assumiu – desconsiderando a Lei Rouanet. O acréscimo, comparado com o ano de 2010, chega a 113%. A última polêmica em que Ana se envolveu foi o vazamento de uma carta para a titular do ministério do Planejamento, Miriam Belchior, na qual cobrava mais recursos para a Cultura. (Agências)
governo anunciou ontem um plano de R$ 2,5 bilhões de investimento destinado a atletas para os próximos quatro anos, de olho em um melhor desempenho do Brasil nos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. O objetivo do plano é colocar o País entre os dez primeiros colocados nos Jogos Olímpicos, e entre os cinco primeiros nos Paraolímpicos, afirmou o ministro Aldo Rebelo durante o lançamento do pacote de investimentos. O programa Brasil Medalhas 2016 destinará R$ 1 bilhão adicionais à preparação dos atletas brasileiros, além do R$ 1,5 bilhão para o esporte de alto rendimento já previsto pelo ministério do Esporte para o ciclo olímpico de 2013 a 2016. "Temos de cumprir um papel no sentido de afirmar a importância do esporte na formação da identidade desse País", disse a presidente Dilma Rousseff. O anúncio do plano se dá depois do recorde de medalhas do Brasil nos Jogos de Londres, 17 ao todo, superando a meta do Comitê Olímpico Brasileiro
(COB) de 15 conquistas, mas abaixo da expectativa do próprio ministro, 20. A preparação brasileira para Londres foi a maior e mais cara, com mais de R$ 1 bilhão entre recursos do orçamento do ministério do Esporte e da Lei Agnelo/Piva, além de patrocínio de empresas estatais diretamente às modalidades. Mesmo assim, o Brasil não conseguiu igualar na capital britânica o recorde de cinco medalhas de ouro, obtido em Atenas-2004, e ainda disputou menos finais do que na China, há quatro anos – 35 contra 41. Em 2008, a China liderou o quadro de medalhas e, neste ano, a Grã-Bretanha terminou em terceiro. Para o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Arthur Nuzman, "o Brasil Medalhas 2016 servirá de exemplo ao mundo. É a demonstração do compromisso do governo brasileiro com os atletas e com o esporte", disse. Segundo o presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro, Andrew Parsons, "é o melhor sonho da vida de um dirigente esportivo". (Agências)
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Você sabe o que acontece quando vota no PT?. Você vota, eles [réus do Mensalão] voltam. Propaganda política do PSDB na TV.
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Russomanno vai a 35%. Serra e Haddad empatam.
Pesquisa Ibope/TV Globo/Estado indica que o candidato do PRB, que recuperou quatro pontos porcentuais, venceria tanto o tucano quanto o petista se a eleição fosse hoje. Segundo o levantamento, Serra tem 19% e Haddad chegou a 15% – um empate técnico.
Evelson de Freitas/AE
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taxa de intenção de voto no candidato Celso Russomanno (PRB) subiu de 31% para 35% em duas semanas, segundo pesquisa Ibope/TV Globo/Estado. Já os adversários José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT), empatados tecnicamente em segundo lugar, oscilaram, ambos, um ponto porcentual para bai-
xo e ficaram com 19% e 15%, respectivamente. Com chances reduzidas de chegar ao segundo turno, Gabriel Chalita (PMDB) oscilou de 5% para 6%, e Soninha Francine (PPS) se manteve com 4%. Haddad, que havia subido sete pontos porcentuais entre a metade e o final de agosto, impulsionado pelo horário eleitoral, interrompeu a traje-
tória ascendente e não ultrapassou Serra, que vinha em queda no mesmo período. O petista e o tucano estão em empate técnico porque a margem de erro da pesquisa é de três pontos. Nas simulações de 2º turno, o candidato do PRB venceria ambos se a eleição fosse hoje – por 52% a 25% e 50% a 25%, respectivamente. (AE)
Olho nas urnas: Celso Russomanno volta a crescer e se mantém isolado, com folga na liderança.
Tucano nega exagero ao citar Mensalão Adriana Spaca/Brasil Photo Press/AE
"Se eles têm problemas com a Justiça, o problema é deles", argumenta Serra.
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Irritação: "Ele (José Serra) não tem limites na campanha", reclama o petista Haddad.
Guerra aponta abuso de Dilma nas eleições
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m nota divulgada ontem, o presidente nacional do PSDB, deputado federal Sérgio Guerra, critica a participação da presidente Dilma Rousseff e de seus ministros nas campanhas eleitorais e avisa que o partido estuda medidas legais contra o que chamou de "abuso do poder político" do Palácio do Planalto. "Para frear o uso da máquina pública em favor dos interesses de um único partido, reitero que o PSDB está analisando quais medidas legais poderão evitar que esse tipo de abuso de poder político se repita no futuro", diz a nota. Guerra afirma ainda que Dilma entra nas campanhas pressionada pelo PT, diante de um "desempenho pífio" no cenário eleitoral. "A presidente mostra a grande distância e descompasso entre seu discurso e as ações de seu governo", critica o deputado. (AE)
candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra, rebateu ontem as críticas que o adversário Fernando Haddad (PT) tem feito à campanha tucana. "Há um excesso de suscetibilidade. Ele não foi atacado. José Dirceu, Delúbio Soares e João Paulo são do partido de Haddad e o estão apoiando. Se eles têm problemas com a Justiça, o problema é deles, não nosso", disse Serra. Em sabatina Folha/UOL, o petista disse ontem considerar "lastimável" o comportamento do tucano. "Ele não tem limites na campanha", afirmou o petista, citando os ataques que o tucano tem feito. Ontem, a campanha de Serra levou ao ar comerciais que ligam Haddad ao ex-ministro José Dirceu e ao ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, réus do processo do Mensalão. "[Mencionar] isso não é agressão", rebate o tucano. "É algo que está aí, na realidade. Ele está fazendo um pouco de gênero".
Ele [Haddad] não foi atacado. José Dirceu, Delúbio Soares e João Paulo são do partido de Haddad e o estão apoiando. JOSÉ SERRA Serra atacou anteontem a presidente Dilma Rousseff (PT) por participar da campanha em São Paulo e pela nomeação da senadora Marta Suplicy para o Ministério da Cultura. "Volta dos réus" – Em inserções na TV e no perfil da legenda no Facebook, a campanha de Serra mostra o rosto Fernando Haddad lado a lado com o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, o ex-governador Paulo Maluf e o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. Os dois petistas são réus no processo do Mensalão, e Maluf já declarou apoio formal a Haddad.
Òntem à tarde, Haddad já havia criticado o tom da propaganda eleitoral tucana. Questionado sobre a associação do PT ao Mensalão e do seu nome ao de Dirceu, ele afirmou que Serra vive uma decadência política e que seu modo de fazer campanha é desaprovado pela população. "Daqui a pouco, não vai poder circular pela cidade", disse Haddad. A propaganda tucana veiculada nos intervalos comerciais tem 17 segundos de duração, e começa com a pergunta: "Você sabe o que acontece quando vota no PT?". Na sequência, a imagem de Haddad é ampliada e os dizeres "você vota, ele volta" aparecem na tela, enquanto fotos de Delúbio, Maluf e Dirceu são destacadas ao lado da imagem do candidato. O nome de Serra e da coligação são visíveis. Serra havia criticado a nomeação de Marta Suplicy para o ministério da Cultura. "Ela fez três insultos a mim e ganhou um ministério. Isso mostra que me insultar vale bastante", cutucou. (Folhapress)
Maicon Damasceno/AG. RBS/AE
Incansável – Quem segura dona Leny Ana Sommavilla Fiori? Aos 87 anos, ela percorre o município de Nova Bassano atrás de votos. É a mais velha dos 26,5 mil candidatos a vereador no Rio Grande do Sul.
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9 VTV/Reuters
VENEZUELA O candidato opositor, Henrique Capriles, afastou o assessor Juan Carlos Caldera, após a divulgação de vídeo em que ele aparece recebendo US$ 9,3 mil para facilitar uma reunião com o rival de Chávez.
nternacional Mohamed al-Sayaghi/Reuters
Khaled Elfiqi/EFE
IÊMEN - Manifestantes estilhaçam janela da embaixada dos EUA em Sanaa. Quatro morrem nos distúrbios. Wissm al-Okili/Reuters
EGITO - Choques entre manifestantes e a tropa de choque deixam pelo menos 224 feridos no Cairo Nir Elias/Reuters
IRAQUE - Bandeira norte-americana é queimada durante protesto de muçulmanos xiitas em Bagdá
ISRAEL - Muçulmano israelense critica filme, que seria 'um ato de ódio ao Islã e aos muçulmanos'.
ÓDIO AOS EUA NO MUNDO ISLÂMICO Obama prevê mais protestos contra embaixadas norte-americanas no Oriente Médio, mas afirma que não pode se retirar da região.
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inda sob o impacto do assassinato do embaixador norteamericano na Líbia, protestos contra um filme anti-islâmico produzido nos Estados Unidos continuaram se espalhando ontem pelo Oriente Médio. Os distúrbios mais graves ocorreram no Iêmen. Aos gritos de "morte à América", centenas de manifestantes invadiram a embaixada norte-americana em Sanaa, quebrando janelas do complexo. Forças de segurança abriram fogo e quatro pessoas foram mortas. No Egito, pelo menos 224 pessoas ficaram feridas em choques entre manifestantes e policiais nas proximidades da missão diplomática dos EUA no Cairo. O presidente norte-americano, Barack Obama, disse ontem que prevê mais protestos antiamericanos no Oriente Médio nos próximos dias, mas afirmou que os "EUA não podem se retirar da região". "Isso comprometeria nossa segurança e, portanto, continuaremos fazendo o que sempre fizemos, ou seja, trabalhar com esses países em temas de segurança nacional e interesse comum", afirmou ele, após um comício em Golden, no Colorado, à agência EFE. "O que fizemos não foi apenas reforçar a segurança ao redor da área, também enviei uma mensagem muito clara aos líderes da região, dizendo que esperamos que garantam a segurança de nossas embaixadas", acrescentou. Em Sanaa, jovens invadiram a embaixada dos EUA e queimaram uma bandeira norte-americana, trocando-a por um estandarte preto com a declaração de fé do Islã. Os manifestantes chegaram ao pátio da embaixada, mas não conseguiram entrar em nenhum dos prédios do complexo, onde fica a residência do embaixador. A multidão quebrou janelas e queimou veícu-
los usados por diplomatas. Forças de segurança abriram fogo e quatro manifestantes morreram. O presidente do Iêmen, Abed Rabbo Mansur, pediu desculpas a Obama pela invasão da embaixada. Nenhum funcionário ou diplomata norte-americano estava na embaixada em Sanaa na hora do ataque. No Cairo, a tropa de choque teve que agir contra os manifestantes em frente à embaixada dos EUA, onde os protestos ocorreram pelo terceiro dia seguido. A polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar a multidão. Pelo menos 224 pessoas ficaram feridas. Uma nova manifestação foi convocada para hoje. A crise deflagrada pelo filme "A Inocência dos Muçulmanos", que satiriza o profeta Maomé, fundador do islã, começou com protestos no Egito na segunda-feira. Eles se repetiram na Líbia, onde terminaram com a morte do embaixador norte-americano, depois no Marrocos, Tunísia e Sudão, e ontem chega-
Cristãos coptas: do Egito para o mundo.
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Igreja Ortodoxa Copta tem suas raízes no núcleo cristão fundado, de acordo com a tradição, pelo apóstolo-evangelista Marcos, em torno de 60 d.C., na cidade de Alexandria, no Egito. Esta comunidade iria se separar de Roma durante o Concílio de Calcedônia, realizado na cidade do mesmo nome, em território hoje da Turquia, entre 8 de outubro e 1º de novembro de 451. Neste encontro, o Quarto Concilio da Igreja, foi debatida a natureza de
ram ao Irã, Iraque e Israel. Os protestos não se restringiram ao mundo árabe. Na Alemanha, o consulado dos EUA em Berlim foi parcialmente desocupado porque um funcionário adoeceu após abrir um envelope suspeito. Em Bangladesh, houve uma tentativa de invasão da embaixada. Autoridades líbias disseram ter prendido quatro suspeitos de envolvimento no ataque ao consulado dos EUA em Benghazi, que resultou na morte do embaixador Christopher Stevens e de três outros funcionários diplomáticos. Liberdade - Os protestos se espalharam ontem, com manifestantes questionando por que os EUA não proibiram a realização ou difusão do filme considerado ofensivo ao Islã. A secretária de Estado norteamericana, Hillary Clinton, fez questão de desvincular os EUA do filme, que ela qualificou de "nojento". No entanto, ela mencionou o histórico de tolerância religiosa nos EUA e o compromisso do país com a liberdade de expressão.
Jesus Cristo, tema estimulado por duas teses que haviam polarizado as comunidades cristãs: o Monofisismo e o Duofisismo. A primeira, defendida pela Igreja de Alexandria, propunha que a natureza de Cristo era exclusivamente divina; a segunda, vencedora, que Ele era uma pessoa em duas naturezas, a divina e a humana. A decisão do concílio tornou-se dogma, isto é, verdade que exige acatamento obrigatório. Diante disso, deu-se o cisma. Os cristãos de Alexandria fundaram a Igreja Ortodoxa Copta, que é característica e predominante no Egito, e que possui cerca de 16 milhões de fiéis. (José Maria dos Santos)
"Sei que é difícil para algumas pessoas compreenderem por que os EUA não podem ou simplesmente não impedem que esse tipo de vídeo repreensível seja visto à luz do dia", disse. "Mas mesmo se isso fosse possível, nosso país tem uma longa tradição de livre expressão, que está incrustada em nossa Constituição e nossa lei", explicou. Proteção - O homem suspeito de produzir o filme "A Inocência dos Muçulmanos" foi colocado sob proteção da polícia norte-americana ontem. Jornalistas se reuniram em frente à residência de Nakoula Basseley Nakoula, nos arredores de Los Angeles, depois de funcionários norte-americanos o terem identificado como diretor do filme que ridiculariza o profeta Maomé. Não havia sinais de movimento na casa de Nakoula, um cristão copta de 55 anos que aparentemente colocou o trailer do filme no YouTube sob o pseudônimo de "Sam Bacile", mas a polícia informou que ele pediu proteção. Familiares recusavam-se a atender à imprensa ontem. O pouco que se sabe sobre a vida de Nakoula é que ele foi condenado a um ano e nove meses de prisão em 2010 por fraude bancária. Segundo uma fonte nos serviços de segurança dos EUA, Washington identificou Nakoula como o diretor do filme. Em entrevista à Associated Press, Nakoula negou ser Sam Bacile e disse que "trabalhou apenas" na parte logística da companhia que produziu a película. Na quarta-feira, um homem identificou-se à agência como Sam Bacile, disse ser um corretor de imóveis judeu israelense e assumiu a responsabilidade pelo filme. Mas crescentes evidências mostram que ele não existe, a começar pelo fato de Israel não ter localizado registro de nenhum cidadão com esse nome. (Agências)
IRÃ ATÔMICO Agência da ONU condena Teerã por se recusar a suspender programa nuclear
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TENSÃO Navios chineses entram em águas japonesas, perto de ilhas reivindicadas pelos dois países.
Andrew Burton/Reuters - 09/07/12
SAÚDE – A cidade de Nova York aprovou ontem a primeira proibição dos Estados Unidos aos refrigerantes de tamanho grande, na tentativa de combater uma epidemia de obesidade. A norma, que entra em vigor em março de 2013, impõe um limite de 473 ml em copos e garrafas de refrigerante não dietético, chás adoçados e outras bebidas com alto teor calórico. A medida se aplica a lanchonetes, teatros, cinemas, e outros locais que vendem comida. A multa para quem violar a regra será de US$ 200. (Agências) Tomas Bravo/Reuters
NARCOTRÁFICO – A Marinha do México apresentou ontem Jorge "El Coss" Costilla, um dos chefes do Cartel do Golfo, que estava na lista dos traficantes de drogas mais procurados no país. Segundo as autoridades, Costilla, de 41 anos, foi detido na quarta-feira sem opor resistência, em uma operação no porto de Tampico, no norte do México. Ainda foram apreendidos armamentos e joias valiosas. Costilla é considerado o terceiro chefão mais poderoso do país. Os Estados Unidos ofereciam US$ 5 milhões por sua captura. (Folhapress)
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OS TEMAS Alguns vitrais retratam a primeira missa no Brasil, as cerimônias de fundação de São Paulo, do Rio de Janeiro e de Salvador, além da exploração do rio Amazonas pelos franciscanos.
idades Fotos de Newton Santos/Hype
Rosácea com o brasão de São Paulo no centro, que ficou esquecida por mais de 50 anos num dos porões da Catedral da Sé. Os vitrais da igreja fazem um espetáculo de luzes.
Na Catedral da Sé, um espetáculo de luz. Do chão é difícil apreciar o jogo de luzes proporcionado pelos 51 vitrais da Catedral da Sé, no centro de São Paulo. São 750 metros quadrados de obras de arte que vieram da Itália. Parte de patrimônio foi feita no Brasil, pela Casa Conrado e sua sucessora. Nesta página, um pouco desse acervo precioso. Marisa Folgato
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arde de sol em São P a u l o . M u i t o s b u scam abrigo no interior da Catedral da Sé. Uns rezam, outros contemplam, turistas tiram fotos. Mas nesse momento há um espetáculo acontecendo a pelo menos 25 metros de altura, dentro da igreja, que nenhum deles imagina. Também, é preciso abrir portas chaveadas e pegar elevador de acesso restrito para então chegar ao coro. O espaço guarda para poucos uma imagem inesquecível: os vitrais filtram a luz natural e emprestam um colorido que parece flutuar pelo ambiente. Cena que se repete em outro ponto sem acesso ao público, o espaço do órgão, atrás do altar-mor. Do chão, nem todos os 51 vi-
Do chão, nem todos os vitrais da catedral são vistos em sua plenitude. trais da catedral, que juntos so- santos padroeiros e a ordens mam cerca de 750 metros qua- religiosas, por exemplo. Todos drados, são visíveis em sua ple- criados por artistas de renome nitude. Mas nos mais baixos dá internacional, como Max Inpara notar as grand, Fransutilezas. Há Arquivo/AE cesco Bencidiferenças clavenga e Gilda ras de estilos Nagni. entre os nacioUm dos vinais, executatrais italianos dos pela Casa mais interesConrado e sua santes está no sucessora, de coro. Traz um traços mais pouco da hissimples e figutória religiosa ras maiores, e do Brasil. Na os italianos. parte mais alCada um dos ta, a imagem produzidos na de Nossa SeI t á l i a é c o mnhora da Esposto por mais perança, comde uma dezena Obras da catedral na década de 50 panhia de Pede pequenos dro Álvares quadros, com riqueza de deta- Cabral na descoberta do País. lhes, para contar uma história. Também retrata a primeira São passagens bíblicas, home- missa no Brasil, as cerimônias nagens a doutores da Igreja, a de fundação de São Paulo, do
Rio de Janeiro e de Salvador, a exploração do rio Amazonas pelos franciscanos, a chegada dos beneditinos, carmelitas e capuchinhos. Outra cena da cidade, além da fundação, está registrada em um vitral, este nacional, instalado logo na entrada, na lateral: o de Nossa Senhora do Carmo traz, além da imagem da santa, uma reprodução da Igreja dedicada a ela, que fica bem próximo da Sé. Restauro - A Sé passou por restauro total no início dos anos 2000, numa obra que consumiu quase três anos de trabalho e custou R$ 19,5 milhões. Segundo o arquiteto restaurador Arnaldo Sarasá, do Ateliê Artístico Sarasá, a recuperação dos vitrais foi ainda mais demorada. “Foram cinco anos, faltava verba e o estado das peças estava muito ruim. Muitas haviam sido remendadas até com durepóxi”, explica o responsável pela restauração dos vitrais. A sorte, segundo o especialista, é que as peças que caíram ao longo dos anos foram guardadas, o que facilitou a recuperação. De acordo com Sarasá, para evitar danos, todos os vitrais restaurados receberam um vidro de proteção transparente de 4 milímetros. O cônego Walter Caldeira, responsável pela Catedral da Sé, informou que os painéis não recebem, atualmente, nenhuma manutenção especial. “Não tem sido necessário.” Durante a obra, uma surpresa. “Encontramos, nos porões, um vitral que deveria ficar na fachada principal, acima da porta e que nunca foi instalado.” Trata-se de uma enorme rosácea, que tem no centro o brasão de São Paulo. “Antes havia no lugar apenas vidro comum. O original ficou esquecido por mais de 50 anos.” Os arquitetos responsáveis pelo restauro da catedral também tiveram sua dose de surpresa. Havia a determinação da Igreja de terminar de executar o projeto original, de 1912, com a construção de 14 torreões, mas faltava justamente o projeto. Não é que foram encontradas 150 pranchas no coro, esquecidas sob uma arquibancada. Isso tornou possível a conclusão na reforma do início dos anos 2000. Obras demoradas - O projeto da Catedral da Sé, de 1912, é assinado pelo arquiteto e professor da Escola Politécnica Maximiliano Hehl, que adotou o es-
Nos vitrais da Catedral da Sé, representações de passagens bíblicas, homenagens a doutores da Igreja, a santos padroeiros e a ordens religiosas. Todos foram criados por artistas de renome internacional, como Max Ingrand, Francesco Bencivenga e Gilda Nagni.
tilo neogótico, mas incluiu uma cúpula de inspiração renascentista. As obras começaram em 1913, mas a inauguração só ocorreu em 1954, nas comemorações do IV Centenário de São Paulo. Mas ainda estava incompleta. Faltavam as duas torres principais. Uma comissão foi formada em 1956 para angariar fundos para fazer as torres. Os torreões só vieram compor a estrutura em 2002. Vale lembrar que sempre faltavam recursos para concluir as obras, mas as duas guerras
mundiais também prejudicaram o andamento, uma vez que muito das peças de arte vieram da Itália, assim como o mármore (166 toneladas de mármore vermelho de Caldana, 154 t de mármore de Carrara, 75 t de mármore amarelo de Siena, entre outros). Foram executadas 102 estátuas e 96 baixos-relevos. Sem contar os 30 vitrais, com cerca de 600 subdivisões e quadros. A Sé tem 111 metros de comprimento, 46 de largura, 2 torres com 92 metros de altura cada e uma cúpula com altura de 30 metros.
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11 Começando hoje, tem que pagar colaboração de 3 mil reais para o PCC. Trecho da carta enviada aos comerciantes.
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Polícia apura extorsão do PCC ao comércio Comerciantes coreanos do bairro do Bom Retiro, que abriga imigrantes asiáticos, estariam recebendo cartas de integrantes da facção criminosa cobrando propina.
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Felipe Rau/AE
polícia de São Paulo está apurando a suposta extorsão de comerciantes do Bom Retiro, tradicional bairro de imigrantes coreanos na região central da capital paulista. As investigações começaram a partir de uma carta enviada ao 2.°Distrito Policial. Segundo reportagem da Rádio Jovem Pan, a suspeita é de que comerciantes coreanos da região estão sendo vítimas de um golpe. Os investigadores apuram se o Primeiro Comando da Capital (PCC) está envolvido no esquema. A mensagem entregue aos comerciantes, escrita em coreano, é a seguinte: “para todos lojistas. Começando hoje, tem que pagar colaboração de 3 mil reais para o PCC. Se não pagar o dono da loja vai morrer e a família também. Os 3 mil reais devem ser depositados
no banco Itaú”. No pé do texto, é informado o número da conta e da agência bancária. Outras seis cartas, idênticas, foram repassadas à polícia paulista, que já descobriu a origem das postagens: todas foram enviadas de uma agência dos Correios em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. Com base nas imagens, os investigadores acreditam que já descobriram o responsável pela postagem. O objetivo, agora, é descobrir quem é o dono da conta em que o dinheiro seria depositado. Dois detalhes, porém, chamam a atenção de quem investiga o caso: a carta está em coreano, e não em português, e existe no pé um carimbo de um suposto integrante do PCC: com base na sigla GM, seria uma menção a Gegê do Mangue, bandido extremamente violento.
Tumulto – A Polícia Militar foi acionada na tarde de anteontem para conter um tumulto na Escola Estadual São Paulo, na região central da capital paulista. Quatro estudantes, com idades de 12 e 15 anos, foram levados para a delegacia. A confusão ocorreu por volta das 17h30, na rua da Figueira. Quando os policiais militares chegaram ao local, havia centenas de jovens fora da escola. Alguns deles jogaram pedras contra os PMs, o que deixou um dos carros da corporação com um vidro trincado. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, um dos adolescentes identificados teria iniciado um pequeno incêndio em uma das salas de aulas, mas logo as chamas foram contidas. Os jovens foram levados para a Central de Flagrantes e liberados após a presença dos pais. (Folhapress)
Cartas atribuídas ao PCC foram distribuídas a comerciantes do Bom Retiro. Polícia investiga quem mandou.
Cris Faga/AE
Diogo Moreira/AE
GAROA PAULISTANA – Alguns paulistanos perceberam uma chuva fraca em alguns pontos da cidade
FOGO NO CAMINHÃO – Um caminhão da Prefeitura de São Paulo que transportava lixo pegou fogo na
no início da tarde de ontem. Segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências da Prefeitura, a garoa não foi registrada pela central de monitoramento do órgão, que considera apenas as chuvas significativas.
Marginal Tietê, na altura da Ponte Casa Verde, sentido Ayrton Senna, no começo da tarde de ontem, em São Paulo. Não houve feridos, mas o trânsito ficou complicado na região.
Luiz Prado/LUZ
APAIXONADAMENTE COMO PERI
LA MAMMA DI SAN GENNARO
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uando lhe perguntam qual é o segredo dos seus deliciosos quitutes, a resposta de Dona Fortunata Gajanico, 91 anos, parece um refrão de Zezé Di Camargo & Luciano: "É o amoooor!" Trata-se de artifício conveniente, pois as pessoas, temendo passar por pouco inteligentes ou insensíveis diante de tanto lirismo, se mostram satisfeitas e não insistem em buscar minúcias. Mas Janice, sua filha, de 60 anos, confidencia que, a rigor, a mãe não gosta de repassar suas receitas. Em todo caso, há uma possibilidade, se não de anotá-las, pelo menos de saboreá-las na 39ª Festa de San Gennaro, ora em curso na Mooca (*). Ela é uma das "mamma" responsáveis pela comida
servida – cardápio italiano, naturalmente. Aliás, é a mais idosa do grupo de oito "mamma", cuja caçula está na casa dos 80 anos – todas veteranas da primeira edição, realizada em 1973. No entanto, a resposta de Dona Nata, como é conhecida na paróquia, não foge da verdade. Seu entusiasmo durante a festa indica que, de fato, cozinha com amor. Passa a semana inteira na igreja, dividindose entre a preparação do seu macarrão e a sardela e o antepasto de berinjela, que nem seriam de sua alçada. Em principio, a Festa de San Gennaro que deveria trazerlhe tristeza, pois foi no ano de sua primeira edição – o referido 1973 – que seu marido morreu repentinamente, vítima de um derrame. Porém, como
que a confirmar a marca do amor na sua vida, a filha Janice recorda que dois dias antes do falecimento, o homem apareceu com uma braçada de rosas e tirou-a para dançar ao som da canção napolitana Ti Voglio Tanto Bene (Furnó e Curtis Gentiza, 1937) que era a trilha sonora do amor deles (Dimni/ Che tuo amoré no muore/ È como il sole d'oro/ non muore mai piú). Que despedida poderia ser melhor do que essa para eternizar a presença? (*) A Festa de San Gennaro, na igreja do mesmo nome, à Rua da Mooca s/n, sempre aos sábados – das 18h às 24h – e domingos – das 18h às 23h – a R$ 45 e R$ 35, respectivamente, por cabeça. Vai até o dia 7 de outubro.
escritor Daniel Munduruku, 47 anos, em certos aspectos, parece ter saltado da canção Um índio, composta por Caetano Veloso em 1977. Sempre poderá ter coisas a falar. Pertencente à etnia da qual emprestou o sobrenome e que floresceu no vale do Rio Tapajós, na Amazônia, ele é um índio que concilia a sabedoria das suas origens àquela dos caraspálidas. De um lado preserva, cultiva, estuda e, sobretudo, se orgulha da cultura de sua tribo; de outro, é formado em filosofia, história e psicologia. Também traz o título de doutor em educação pela USP. No momento, é pós-graduando em literatura na Universidade Federal de São Carlos. A propósito, já escreveu 34 livros para crianças, em cujas narrativas faz desfilar o extraordinário imaginário dessa gente da floresta de onde ele veio. Metrópole - Como os índios, que tanto se identificam com a natureza, se viram em caso de secas como esta que estamos enfrentando? Daniel Munduruku - Não é com a dança da chuva, tão divulgada pelo cinema americano, que é um estereótipo. Na cultura indígena de Brasil em geral, a água tem um dono, o espírito da chuva, que precisa ser
Arquivo pessoal
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procurado através de ritual. Neste ritual se tenta convencê-lo a fazer a chuva cair. Metrópole - E como se desenvolve esse ritual? Daniel - Há uma preparação física, psicológica e espiritual que perdura por uma semana. O grupo se isola, faz jejuns e consome apenas alimentos leves, pratica a abstinência sexual. Depois empreende o diálogo com o espírito da chuva.
Metrópole - E como esse grupo de pessoas é escolhido? Daniel - Ele se seleciona por si só na sua comunidade. São pessoas que possuem esse dom. O ritual é restrito aos homens, em geral, maduros. Metrópole - No seu entender, o ritual faz efeito? Daniel - Se não chove, eles entendem que a preparação não foi adequada e precisa ser refeita. Do contrário, dá-se a o encontro com o sagrado e chove!
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Bolinhas fashion A Vogue norte-americana convidou 11 designers e tenistas para criar bolinhas de tênis para o US Open. A criação de Maria Sharapova tem lábios vermelhos. Veja outras no link. http://bit.ly/NttHXk
Cinderela pós-moderna A designer Martha Davis se apaixonou por sapatos em uma viagem pela Itália, onde são produzidas algumas das marcas mais famosas do mundo. Nos EUA, criou sua própria marca, com calçados inspirados na arquitetura e em materiais pouco usados. O resultado são peças que mais se assemelham a criações artísticas, mas que, ela garante, podem ser usados no dia a dia e são confortáveis. No site, você pode conhecer outros modelos.
www.dcomercio.com.br
www.mar tha-davis.com
B IODIVERSIDADE F UTEBOL
Felipão fora do Palmeiras O técnico Luiz Felipe Scolari não sobreviveu ao risco de rebaixamento no Palmeiras. Um dia após a derrota por 3 a 1 para o Vasco clube anunciou a demissão do treinador. Há dois anos e três meses no cargo, Scolari entrega o time na penúltima colocação do Brasileiro e a sete pontos do Flamengo, o primeiro time fora da zona de rebaixamento. A crise palmeirense e a pressão dos aliados políticos fizeram o presidente Arnaldo Tirone tomar a decisão de demitir um treinador com longa história de sucesso no clube. Essa foi a segunda passagem de Scolari pelo Palmeiras. Na primeira, ganhou Copa do M ÚSICA
Marcos de Paula/AE
Primatas descobertos Reuters
U Brasil, Libertadores, Mercosul e Rio-São Paulo. O clube ainda não anunciou quem será o novo treinador. O favorito para a vaga é Emerson Leão.
ma nova espécie de primata chamada lesula ou Cercopithecua lomamiensis foi descoberta no coração do Congo por pesquisa dores americanos, segundo divulgou a revista científica Plos One. O achado foi realizado pelos cientistas John e Teres Hart, que viram os primeiros exemplares em junho de 2007 nas florestas da bacia do rio Lomami, no centro da República Democrática do Congo. Os animais da espécie se alimentam de vegetais, são ariscos e de tamanho mediano. A população desta nova espécie é exclusiva das florestas tropicais das terras baixas do Con-
Primatas da espécie lesula, do Congo.
g o e o s p e squisadores r e c o m e n d aram utilizar a denominação comum de lesula, já que esse é o nome usado para chamar o animal em sua área de incidência. A descoberta foi co nsi dera da importante p o i s e n c o ntrar novas espécies na África é muito difícil (a última vez que isso ocorreu foi há 28 anos). (EFE)
R IO 2016
Brasil investirá R$ 2,5 bi em atletas O governo anunciou ontem que o Brasil contará com um investimento de R$ 2,5 bilhões na preparação de atletas nos próximos quatro anos, com o objetivo de colocar o país entre os dez primeiros nos Jogos Olímpicos de 2016, que serão realizados no Rio de Janeiro. O programa Brasil Medalhas 2016 destinará R$ 1 bilhão à preparação dos atletas brasileiros, além do R$ 1,5 bilhão para o esporte de alto rendimento já previsto pelo Ministério do Esporte para o ciclo olímpico 2013 a 2016. O Brasil conquistou em Londres 17 medalhas. D ESIGN 1
Navesh Chitrakar/Reuters
Milton Nascimento e Toquinho, dois dos maiores nomes da MPB, estão entre os artistas que receberão o Prêmio à Excelência Musical na edição latina do Grammy deste ano. A Academia Latina de gravação também vai homenagear os músicos Luz Casal, Leo Dan, Rita Moreno, Daniela Romo e Poncho Sánchez, em cerimônia exclusiva em Las Vegas. Os premiados são escolhidos por meio de votação de integrantes da junta diretiva da instituição. Caetano Veloso será homenageado como a Personalidade do ano de 2012. As homenagens acontecerão numa cerimônia especial, no dia 14 de novembro, em Las Vegas. A cerimônia de entrega do Grammy Latino acontecerá no dia 15 de novembro.
Artista tem o rosto pintado com palavras de protesto contra a censura e a liberdade de expressão em Katmandu, no Nepal. Ontem, a classe artística do país fez um protesto na cidade pela segurança de Manish Harijan. De acordo com a imprensa local, Harijan, também artista, vem sendo ameaçado de morte por criar obras em que representa deuses do hinduísmo como super-heróis ocidentais, entre eles o SuperHomem e o Motoqueiro Fantasma. A galeria Siddhartha, em Katmandu, onde os trabalhos de Harijan estão em exposição, foi fechada pelas autoridades nepalesas, o que os artistas do país consideram uma forma clara de censura ao direito de manifestação.
S OCIEDADE
Os homens registrados no site são literalmente exibidos vitrines. Quem quiser conhecer um candidato pode simplesmente convidá-lo para um encontro real em um café da região. Nesta semana, as vitrines foram montadas em Paris, mas a proposta é que, a cada semana, estejam em uma cidade diferente. www.adoptaguy.com
S ÃO PAULO Fotos: Marco Ambrosio/AE
Desafiando o trânsito e a gravidade Uma carruagem imperial, com cavalos de mentira, foi instalada ontem na Ponte Estaiada, na zona sul. A intervenção do artista plástico Eduardo Srur é uma crítica ao trânsito sempre congestionado da cidade. Na semana passada, a obra foi retirada do local pela Subprefeitura de Pinheiros.
Enganando o olhar Parece faltar algo na cadeira Shadow, do escritório Duffy London. Mas é só impressão, os pés traseiros da cadeira foram substituídos por uma base negra, que é confundida com uma sombra. http://bit.ly/wVjBjo
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Para os bichanos
Namorados na vitrine Os publicitários do site francês Adopt-A-Guy, criado para promover relacionamentos amorosos, decidiram expor os "produtos", ou melhor, candidatos, fora do ambiente virtual. Em vez de olhar as fotos dos rapazes no site e escolher potenciais namorados, os clientes têm a oportunidade de avaliar ao vivo os atributos de cada um.
CENSURA
Milton e Toquinho no Grammy Latino
Reuters
Sofá criado pelo designer coreano Seungji Mun é montado sobre tubos que formam um túnel para os gatos da casa se divertirem.
Condomínio na árvore Um condomínio para 79 "moradores" que pode ser colocado em árvores. Essa é a criação da agência Nendo para a cidade japonesa de Komoro. Os "condomínios" são casas de madeira que têm dois lados. Em um, há entradas para 78 pássaros; no outro, entrada para uma pessoa. www.nendo.jp/en
L OTERIAS Concurso 2994 da QUINA 16
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13 ABEIVA Venda de veículos importados tem queda de 41,4% no mês de agosto
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PORTOS As empresas do setor portuário têm planos de investir R$ 44 bilhões
Receio de desemprego leva à desoneração da folha Benefício da redução das contribuições ao INSS será ampliado, a partir de janeiro, para um total de 40 setores industriais e de serviços. Em troca, o governo pedirá às empresas que não demitam e que ampliem a produção.
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Antonio Cruz/ABr
governo vai incluir mais 25 setores entre os abrangidos pela desoneração da folha de pagamentos. Até o momento, 15 setores têm esse benefício. Com a decisão anunciada ontem, esse número sobe para 40, mas a ampliação só valerá a partir de janeiro de 2013. Entre os novos setores da lista estão o de pães e massas, medicamentos, bicicletas e pneus (veja a relação completa no quadro). Do total, 20 são da área industrial, dois de serviços e três de transportes. Uma medida provisória definindo os novos setores deverá sair nos próximos dias, informou o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ele ressalvou que o benefício exige contrapartidas. Os setores beneficiados, por exemplo, não poderão demitir e deverão aumentar os investimentos, a produção e as exportações. Em troca dos 20% do pagamento da contribuição das empresas para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), essas firmas irão pagar o equivalente entre 1% e 2% de seu faturamento. Ao reduzir os tributos incidentes sobre os salários dos trabalhadores, o governo busca estimular a geração de empregos e melhorar a competitividade. O processo de desoneração da folha de pagamentos começou em 2011, com o lançamento do plano "Brasil Maior". Então, apenas quatro setores foram escolhidos: confecção, couros e calçados, call centers e softwares. Em abril deste ano, 11 áreas foram acrescentadas: têxtil, naval, aérea, de material elétrico, autopeças, hotéis, plásticos, móveis, ônibus, máquinas e equipamentos para produção do setor mecânico, e design house (chips).
Ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que, em quatro anos, o governo deixará de arrecadar R$ 60 bilhões com a redução do recolhimento à Previdência. Fiscal – Guido Mantega informou que a renúncia fiscal (perda estimada de arrecadação) com a desoneração da folha de pagamentos dos 40 setores beneficiados será de R$ 12,83 bilhões em 2013. Nos próximos quatro anos, a perda será de aproximadamente R$ 60 bilhões. "Essa desoneração é permanente. Vai continuar nos próximos anos. Em 2014 e 2015, não pagarão mais INSS. O resultado da medida será a formalização. A tendência é um aumento da contratação de trabalhadores, um aumento do emprego. Essa medida
Medida vai reduzir custos do trabalho, diz Amato.
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presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), Rogério Amato, considerou positiva a desoneração anunciada pelo governo, mas observou que é preciso também reduzir os encargos burocráticos. "A desoneração vai reduzir os custos do trabalho e facilitar a formalização da mão-de-obra", disse Amato. "Além disso, embora a desoneração seja substituída por um imposto sobre o faturamento, com alíquotas de 1% a 2%, deve propiciar, segundo os dados divulgados, uma redução da carga tributária das
empresas beneficiadas." Para Amato, o impacto da desoneração será diferente para as empresas, pois dependerá da estrutura de custos de cada uma delas, mas se espera que todas sejam beneficiadas por menor tributação. "O governo vem adotando diversas medidas para a redução do custo Brasil, e esperamos que novas providências sejam anunciadas no mesmo sentido", disse. O presidente da ACSP afirmou que "seria desejável que houvesse um esforço concentrado dos três níveis de governo para diminuir os encargos burocráticos. Isto pode ser feito sem impacto nas contas públicas e pode produzir efeitos positivos".
vem se somar às outras que temos tomado para reduzir o custo Brasil, os encargos, os impostos e os juros para tornar a economia mais competitiva", afirmou o ministro. Mantega avaliou que os novos setores beneficiados são
R$ 12,83 bilhões. É uma boa desoneração, ela torna mais competitivas as empresas. Lá fora estão reduzindo salários dos trabalhadores. Aqui, nada disso acontece", afirmou. Exemplo – Em seu site, o Ministério da Fazenda deu um exemplo da aplicação da medida: se uma empresa tiver 70% de sua receita derivada de produtos enquadrados na MP a ser publicada, e 30% de fora, ela deverá recolher a alíquota de 1% sobre 70% de sua receita e aplicar a alíquota previdenciária normal, de 20%, sobre 30% de sua folha salarial. (Agências)
Fiesp: ação não é suficiente para mudar cenário ruim.
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s desonerações da folha de pagamentos promovidas pelo governo desde 2011 têm um efeito muito pequeno na redução do custo de produção da indústria, segundo o diretor do Departamento de Pesquisas Econômicas da Federação das Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Francini. Para ele, a medida é positiva, mas não determinante para tirar o setor industrial do cenário ruim em que se encontra. "O governo optou por uma fórmula que tira o imposto de um lado e o coloca de outro. Isso faz com que o resultado líquido seja pequeno", disse.
Enquanto isso, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) disse que a desoneração melhora a competitividade das empresas e estimula o emprego. "A indústria precisa pagar menos impostos para produzir mais, contratar mais trabalhadores e gerar mais renda na economia brasileira. Com a redução dos custos, vamos aumentar a competitividade do produto nacional e toda a população sairá ganhando", afirmou o gerenteexecutivo de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco. Por sua vez, o presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sano-
vicz, aplaudiu a decisão. "Ela deve gerar uma economia de mais de R$ 300 milhões por ano às maiores companhias aéreas do País", afirmou Sanovicz. "A notícia é positiva e abre uma agenda de diálogo com o governo". A presidente executiva da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), Elizabeth de Carvalhaes, também gostou da decisão. "A medida é bem-vinda, pois dará mais competitividade às empresas num momento em que a economia mundial está em crise", destacou a executiva. O presidente da Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati), Renan Chieppe, disse que a desoneração forçosamente reduzirá o preço das passagens nas próximas revisões tarifárias.(AE)
Governo diminui previsão do PIB
Luiz Prado/LUZ
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Presidente da ACSP, Rogério Amato, pede redução também dos encargos burocráticos.
intensivos de mão de obra e por isso é conveniente a mudança de tributação. Segundo o ministro, esses setores pagariam, em 2013, R$ 21,570 bilhões e, com a mudança, pagarão R$ 8,740 bilhões. "Foi uma redução grande de
ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu que o crescimento da economia deverá ficar em 2% neste ano, reduzindo a previsão anterior de sua pasta, de expansão de 3%. No começo do ano, Mantega afirmou que o crescimento do País seria superior a 4%. Se confirmada, essa será a menor taxa de expansão desde 2009, quando o Brasil registrou retração de 0,3%. Em 2010 e 2011, respectivamente, a economia cresceu 7,5% e 2,7%. O corte na previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) acontece em meio aos efeitos da crise financeira internacional.
Até o momento, o Banco Central prevê uma taxa de expansão de 2,5% para o PIB em 2012, mas poderá rever este número no fim do mês, quando será divulgado o relatório de inflação do terceiro trimestre. Ao mesmo tempo, o mercado financeiro estima um crescimento menor, de 1,6%. O corte na previsão do PIB por parte do Ministério da Fazenda foi feito apesar das várias medidas de estímulo à economia adotadas neste ano pelo governo federal. Infl ação– No que se refere aos preços, o ministro da Fazenda demonstrou otimismo. Segundo ele, o governo está tomando várias medidas que contribuem para re-
duzir os preços dos produtos no próximo ano, como a recente redução de encargos sobre a energia elétrica. "A própria queda dos juros reduz o custo financeiro e acaba baixando os preços", disse Mantega. "A inflação está sob controle. Tivemos um choque de oferta. Os grãos subiram no cenário internacional. Isso foi determinado pela seca nos Estados Unidos e na Rússia. Os preços que dependem de nós estão sob controle. Não há pressão inflacionária no País que não seja o choque de oferta. Com todas estas medidas, teremos inflação bem comportada no Brasil em 2013", afirmou. (Agências)
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15 Uma empresa iniciante pode testar seu produto por comerciais exportadoras. Golfette de Paula, consultor do Sebrae
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Pequeno também pode ser exportador Sebrae auxilia empresas de olho no mercado externo Paula Cunha
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mpliar a base de micro, pequenos e médios exportadores brasileiros implica, atualmente, em disseminar a legislação que rege as atividades de exportação, considerada ainda burocrática e restritiva, e orientar estes empreendedores para que iniciem e consolidem a atividade. É dentro deste contexto que o 'Exporta, São Paulo', projeto desenvolvido no âmbito da São Paulo Chamber of Commerce, da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), realizou o workshop "Formação de Preços e Procedimentos Administrativos de Exportação". Ministrado por Maurício Golfette de Paula, consultor de Negócios Internacionais do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP), o workshop tratou das regras a serem observadas para a exportação de diversos tipos de produtos nacionais. José Cândido Senna, coordenador geral do projeto 'Exporta, São Paulo', ressaltou a importância e o caráter didático destes encontros, que possibilitam o esclarecimento de dúvidas quanto aos procedimentos burocráticos e evitam que pequenos e médios empresários desistam de expor-
tar diante das dificuldades que enfrentam para cumprir as exigências legais. Passos – O consultor do Sebrae enfatizou que os micro, pequenos e médios empresários que desejam exportar devem verificar primeiro se produzem um volume suficiente para exportar. Em seguida, precisam elaborar um relatório de diagnóstico que envolve a análise dos produtos a serem exportados, o desenvolvimento de um plano de exportação, pesquisar o mercado para identificar e aplicar as ações estratégicas e táticas de vendas, definir ações de vendas que podem incluir a participação em feiras, rodadas de negócios e visitas a possíveis compradores, executar as ações deste planejamento e revisá-lo de acordo com exigências do mercado em vista. Para apresentar seu produto aos possíveis compradores estrangeiros, é fundamental a elaboração de um catálogo com os produtos e suas cotações de preços. "Uma empresa iniciante na exportação pode testar seu produto através da venda por meio de empresas comerciais exportadoras ou outros agentes que conhecem a legislação específica de cada país para o qual se vai exportar", explicou De Paula.
Maurício Golfette de Paula, consultor de Negócios Internacionais do Sebrae, dá dicas sobre como micro, pequenos e médios negócios podem exportar.
São Paulo Chamber of Commerce promove workshop de exportação Existem diversas modalidades de exportação. Entre as principais, destacam-se a simplificada, específica para micro e pequenos empreendedores que pretendem exportar mercadoria no valor de até US$ 50 mil (em valores Free On Board, FOB) com restrições de peso e volume. Dentro deste processo, é necessário verificar se há restrições no Brasil e nos países de destino. A exportação dire-
ta é aquela em que a empresa envia o produto diretamente para o comprador no exterior, com o cumprimento de normas administrativas, aduaneiras e cambiais das duas partes. A indireta é aquela em que o exportador realiza a venda através de uma comercial exportadora ou trading company que se encarrega de enviar os itens e se responsabiliza por todos os trâmites e processos da negociação.
Incentivos aquecem varejo, diz IBGE.
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política de incentivos do governo ao consumo tem alcançado seu objetivo, mantendo as vendas do comércio varejista aquecidas, segundo Reinaldo Pereira, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O volume de vendas no varejo cresceu acima de 1% por dois meses consecutivos (1,6% em junho e 1,4% em julho). O corte na taxa básica de juros, a maior oferta de crédito e a inflação sob controle ajudaram no resultado, mas foi a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) o carro-chefe do sucesso no resultado do varejo. Embora a atividade de veículos tenha recuado 8,9% em julho ante junho, houve uma alta de 23,9% no mês anterior. "É uma coisa natural. Quando foi dado o incentivo, todo mundo correu. Quem queria comprar ou trocar de carro correu para aproveitar o benefício. É normal que no mês seguinte tenha uma queda na demanda", disse.
Marcos Mendes/ LUZ
Vendas de materiais para escritório e informática cresceram 9,7% O setor de móveis e eletrodomésticos, também beneficiado pela desoneração, voltou a crescer em julho, com alta de 0,7% nas vendas, após um aumento de 5,2% em junho. "Parece que está dando resultado a redução de IPI", avaliou. Entretanto, o gerente do IBGE prefere não opinar sobre se o volume de vendas voltará a ficar positivo na próxima leitura do indicador. "Esses números na margem são muito voláteis, então não tenho como dizer que o comér-
cio deu uma engrenada olhando só os últimos dois meses. Tenho de aguardar mais para frente, ver os próximos resultados. Há uma tendência na curva (das vendas) que é de crescimento, mas não posso afirmar que no mês que vem cresça de novo", ponderou. Em julho, apenas o segmento de livros, jornais, revista e papelaria registrou resultado negativo no varejo restrito, com queda de 0,7%. Outras altas – Embora o IBGE não divulgue os pesos para a
formação da taxa geral do varejo nesse tipo de comparação, o aumento nas vendas de supermercados (0,8%), móveis e eletrodomésticos (0,7%) e equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (9,7%) influenciaram o aumento de 1,4% nas vendas do comércio varejista no mês. "Você vê resultado positivo em hipermercados, que a gente sabe que tem um peso grande na pesquisa, e em móveis e eletrodomésticos, que também tem peso alto na pesquisa. Esse aumento de 9,7% de equipamentos e materiais para escritório é uma variação alta, então provavelmente está influenciando aqui também", apontou Pereira. As demais altas foram verificadas em combustíveis e lubrificantes (1,2%), tecidos, vestuário e calçados (2,4%), artigos farmacêuticos (0,3%), e outros artigos de uso pessoal e doméstico (0,3%). No varejo ampliado, as vendas de materiais de construção subiram 1,0%. (AE)
Adequação do produto e preços – Os empreendedores devem realizar uma pesquisa para saber se seus produtos necessitam de adequação em mercados específicos, caso de países que apenas importam alimentos, por exemplo, pois há casos em que devem seguir normas de produção e manipulação determinadas por preceitos religiosos. Além disso, as embalagens também obedecem normas determinadas pelos importadores e o item deve ser enviado com a classificação correta dentro das regras de registros de mercadorias. Embalagem e frete – No caso da formação de preços, o exportador precisa avaliar se o preço que pratica em seu mercado local é alto ou baixo para os padrões dos compradores, retirar tributos e elementos que compõem o preço no mercado interno e não são exigidos na exportação e acrescentar despesas específicas incluídas na exportação como embalagem especial, frete in-
terno, palletização e honorários de despachantes, entre outros. Segundo o consultor do Sebrae, a estimativa de variação da taxa de câmbio também é um fator importante e variáveis como tamanho de pedido, forma e prazos de pagamento e política de relacionamento com o comprador e com o mercado também devem ser levadas em conta. Modo de pagamento – O exportador iniciante deve optar por formas mais seguras para receber por suas vendas. Entre elas, existem o pagamento antecipado (mais seguro) e postecipado (recebimento após a transação), carta de crédito e simples remessa. Este último implica em mais risco para quem exporta, pois não se cria vínculo documental durante a transação. Na opinião de Maurício Golfette de Paula, as formas mais complexas são a cobrança bancária e a carta de crédito, pois vinculam a remessa dos documentos exigidos para o pagamento.
Casa da Moeda imprime bolívares Marcelo Sayão/EFE
Notas de 5 bolívares se parecem com notas de real
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abricar diariamente montanhas de dinheiro é a tarefa da Casa da Moeda do Brasil, uma das empresas mais antigas do País que, impulsionada por modernas tecnologias, se projeta agora no mercado latino-americano. No complexo industrial que tem em Santa Cruz, no Rio de Janeiro, a Casa da Moeda produzirá este ano mais de quatro bilhões de notas de distintos valores, das quais 2,840 bilhões serão para o Banco Central do Brasil e as demais de pesos argentinos e bolívares venezuelanos. O curioso é que as notas fabricadas para esses países se assemelham muito à moeda brasileira, o real.
Emprego na indústria cai em agosto
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nível de emprego da indústria paulista caiu 0,26% em agosto em relação a julho, na série com ajuste sazonal, segundo a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Na mesma base de comparação, o Índice do Nível de Emprego recuou 0,33% na série sem ajuste sazonal. Na comparação de agosto de 2011 com agosto deste ano, houve que-
da de 3,13% no nível de emprego. No acumulado dos primeiros oito meses do ano, a variação ficou positiva em 0,90% ante o mesmo período do ano passado, com saldo de 23.500 postos de trabalho. A indústria paulista teve um saldo de 8.500 demissões em agosto deste ano na comparação com o mês anterior. Na comparação com agosto de 2011, a Fiesp registrou saldo
de 84 mil demissões no mês. Dos 22 setores nos quais a Fiesp divide a indústria, oito contrataram, 12 demitiram e dois permaneceram estáveis. Demora – A lentidão nas reações do mercado de trabalho impede que as medidas de estímulo à indústria de transformação e as desonerações promovidas pelo governo resultem em criação de vagas no setor em 2012. De acordo com
o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, Paulo Francini, um aumento considerável dos postos de trabalho no setor só será notado no ano que vem. "A inércia observada no emprego é a maior de todas", afirmou. "A indústria, por conta do nível de ociosidade atual, tem capacidade para aumentar a produção sem a necessidade de contratações". (AE)
FALÊNCIA, RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL E RECUPERAÇÃO JUDICIAL Conforme informação da Distribuição Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo, foram ajuizados no dia 13 de setembro de 2012, na Comarca da Capital, os seguintes pedidos de falência, recuperação extrajudicial e recuperação judicial:
Reqte: Maxicabos Comércio Representações Ltda. - Reqdo: SCAC Fundações e Estruturas Ltda. - Av.: Engenheiro Billings, 2.300 - Jaguaré - 01ª Vara de Falências Reqte: Inpet Brasil Embalagens Plásticas S/A - Reqdo: Mercado Rainha do Parque Ltda.-ME - Rua: Bartolomeu Hidalgo,17 - Parque Maria Fernandes - 02ª Vara de Falências Reqte: A Siciliana Fomento Mercantil Ltda. - Reqdo: Aplacom Assessoria Planejamento e Comércio Ltda. - Rua: Araújo,224 - cj. 22 - São Paulo 01ª Vara de Falências
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Análise feita pela consultoria Kantar Worldpanel mostra que 72% das famílias paulistas e cariocas tem intenção de poupar.
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CRIANÇAS NO ALVO
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s crianças brasileiras, de dois a 11 anos, caíram, literalmente, na rede mundial de computadores, a internet. Os pais de muitas começaram por criar as páginas de seus filhos em redes sociais para postar fotos e fatos do cotidiano e, a partir daí, alfabetizados, eles dão continuidade e diversidade às postagens em seus endereços. Resultado: informações do Ibope Nielsen Online mostram que, em maio, internautas brasileiros de até 11 anos permaneceram em média 17 horas conectados ao computador ou outras plataformas de acesso à internet como celulares e tablets. Na França, por exemplo, a média de tempo gasto pelos pequenos com a internet é de 10 horas e 37 minutos. Em terras francesas, as crianças representam 7,8% dos usuários domiciliares da rede. Já no Brasil, esse percentual sobe para 14,1%. Nos Estados Unidos, o percentual está entre os mais baixos, não chega a 5%, em função do temor dos pais quanto às ações de pedófilos na rede, que tem estimulado o bloqueio no uso da rede, onde apenas os games são acessados, ainda assim, aqueles com perfil onde o jogo não é coletivo – território também explorado por redes de pedofilia ao redor do planeta. Mais: no mês de maio, 12,4% das 5,9 milhões de crianças online brasileiras usaram conexões de mais de 8 Mb. Esse número correspondeu a 15,7% do total de usuários domiciliares brasileiros que se conectaram com essa velocidade. Empresas de entretenimento também focam esse público transformando atrações adultas, que têm a aderência e são relevantes para os pais, em atrações infantis, como é o caso do Ídolos Kids, o grande concurso musical dos EUA,
Fotos: Divulgação
PARA TODA OBRA
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cuja a TV Record comprou os direitos e passa a exibir além do adulto, o infantil Ídolos Kids. Numa outra frente, organizações não-governamentais como o Instituto Alana, que tem em suas fileiras, entre outros, Alfredo Egydio Vilela (herdeiro do Banco Itaú), lutam para vetar a publicidade, sobretudo de alimentos, voltada para o público infantil. Conseguiram uma vitória no fim do mês passado, no dia 28, quando a Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor, Fiscalização e Controle do Senado Federal aprovou projeto do senador Eduardo Amorim (PSC/SE) que proíbe a venda de lanches, o chamado fast food, atrelada a brindes infantis. O projeto aprovado, agora, está em exame nas Comissões de Assuntos Econômicos e Assuntos Sociais antes de chegar à Câmara dos Deputados. Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) revelando que os combos extrapolam as quantidades indicadas por dia para crianças, podendo conter 70% da quantidade de gordura saturada e sal recomendada para o consumo diário da criançada até seis anos, com grandes concentrações de gordura trans, responsável pelo aumento do colesterol, deu sustentação ao projeto do senador ser-
gipano, apoiado pela Alana nesse front. Antes, em dezembro de 2011, o Procon havia aplicado multa de R$ 3 milhões à rede Mc Donald's pela venda de alimentos associada à brinquedos. Na outra ponta, as redes propõem a possibilidade de abrirem mão da chamada venda casada, mas aí enfrentam as críticas do varejo de brinquedos. Já a Associação Brasileira das Agências de Publicidade (Abap) tem defendido a publicidade com responsabilidade e maior participação dos envolvidos nas discussões. Tem a seu favor o papel desempenhado pelo Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar) que tem vetado campanhas para esse público sem compromisso com a verdade. É clássico o caso de "um danoninho vale por um bifinho" que saiu do ar depois de vários protestos de pais e da sociedade médica. Xuxa, agora com as madeixas negras de Wella, nunca mais apareceu como garota-propaganda da famosa campanha da Danone com esse tom. Para os publicitários, isso mostra que o próprio setor tem como dar respostas rápidas à sociedade. E como as crianças também já caíram na rede, velocidade neste caso conta e muito. O debate em torno do tema está apenas engatinhando. A ver.
agência Talent assina campanha para as botas Sete Léguas com o conceito "seus pés a sete léguas de qualquer perigo". As imagens mostram trabalhadores com braços enormes, como se a bota os afastasse dos perigos que enfrentam em suas profissões. Os anúncios mostram os produtos e lançamentos da marca para quatro setores de negócio: indústria, construção civil, ramo alimentício e agronegócio. Só que as botas também conquistam, cada vez mais, consumidores urbanos. Faz sentido especialmente onde as calçadas apresentam riscos constantes.
BOTAS para enfrentar os obstáculos no trabalho e nas ruas
VALE UM SMARTPHONE
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LG: Bruno Senna participa de campanha.
LG promove concurso cultural com a participação de Bruno Senna e dá largada a uma disputa entre os apaixonados por velocidade. Para concorrer, o participante deve acessar a página da empresa no Facebook (http://www.facebook.com/lgdobrasil) e enviar uma mensagem utilizando o Quick Memo que mostre como enfrenta a correria do dia a dia com bom humor e criatividade. É possível, também, usar imagens do piloto, fotos pessoais e até mesmo fazer desenhos. O autor do pedido mais inovador ganhará um smartphone LG Optimus L7 e poderá conferir de perto o GP Brasil de Fórmula 1, em São Paulo, em novembro.
Envie informações para essa coluna para o e-mail: carlosfranco@revistapublicitta. com.br
NOVAS embalagens
PREÇO E IDENTIDADE
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Schincariol lança no fim de semana o novo design gráfico de suas embalagens – latas e garrafas – da marca Cintra. No primeiro semestre de 2012, a marca contabilizou um aumento de 91% nas vendas da lata de 473 ml, em relação ao mesmo período de 2011, valor acima da média de mercado. Já a venda de cerveja em garrafa de 1 litro cresceu 12,9% nos primeiros seis meses. O preço mais baixo do item é o combustível dos negócios.
Classe C gasta mais do que ganha Levantamento da consultoria Kantar Worldpanel mostra que consumidores dessa classe social aparecem com déficit de 2% na relação entre renda e gasto
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e todas as classes sociais brasileiras, a única que gasta mais do que ganha é a C. Em estudo sobre consumo realizado pela consultoria Kantar Worldpanel, o segmento aparece com déficit de 2% na relação entre renda e gasto. Tanto a classe AB quanto a DE ficaram com saldo positivo nesta análise, de 1% e 4% respectivamente. "Praticamente todo mundo está gastando o que ganha, porque esses 4% da classe DE significam muito pouco", avalia a diretora comercial da consultoria no Brasil, Christine Pereira. Segundo Christine, a classe C representa 41% da população brasileira, e seu endividamento colabora para a recente desaceleração do consumo. A Kantar Worldpanel considera para o estudo que a classe C ganha em média R$ 2.027,70 (renda familiar) e gasta R$ 2.060,12. Nos últimos dois anos, o segmento reduziu o número de visitas mensais a pontos de venda de varejo de 13 para 11 visitas. Despesas como educação e vestuário respondem por 38% dos gastos da classe C. Na sequência, aparecem despesas fixas, como habitação, transporte e serviços públicos (33%), seguida por uma cesta de bens não duráveis (28%). Famílias – A classe C reforça o grupo de 52% das famílias
L.C.Leite/LUZ
Número de títulos protestados cresce 6,5%
A Despesas como educação e vestuário respondem por 38% dos gastos da classe C, de acordo com pesquisa. que gasta mais do que ganha. Dentro do número dos que gastam mais do que ganham, 27% estão "enforcados" e 25% se mantêm relativamente equilibrados – gastando pouco a mais do que recebem, conforme o estudo. Em 2008, o percentual de famílias que estavam com gastos acima da renda era de 49%. A expectativa da diretora da Kantar Worldpanel é de que a quantidade de pessoas que gastam além da renda continue acima dos 50% até o final do ano. "Há uma sofisticação do consumo do brasileiro, que
está incorporando novas despesas à sua vida. À medida que houver emprego e renda, o consumo vai continuar a crescer", afirma. Outra análise feita pela instituição mostra que 72% das famílias têm intenção de poupar. O número de pessoas que pensa em economizar dinheiro mais que dobrou desde 2008, quando o percentual era de 29%. Em relação à América Latina, o País também sai na frente na intenção de poupar, pois 63% do bloco afirmou que pretende economizar. Metade dos brasileiros que
responderam que querem poupar afirmaram que gostariam de economizar 10% da renda. Em primeiro lugar na intenção de investir, aparece a reserva para o futuro. Na sequência, vêm reformas e melhorias na casa e a compra da casa própria. O levantamento foi realizado em 8,2 mil domicílios das regiões metropolitanas de São Paulo e do Rio de Janeiro e monitorou o comportamento de 27,5 mil consumidores. O resultado divulgado ontem compila informações do ano passado. (AE)
quantidade de títulos protestados no acumulado de janeiro a agosto deste ano cresceu 6,5% na comparação com igual período de 2011, de acordo com informações da Boa Vista Serviços, administradora do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). Na mesma base de comparação, o número de títulos protestados para pessoas físicas registrou retração de 1,4%, enquanto o indicador para pessoas jurídicas apresentou crescimento de 11,4%. O número de protestos registrou baixa de 0,5% para empresas e de 0,4% para pessoas físicas em agosto, ante julho. Já na comparação com agosto de 2011, o total de títulos protestados subiu 0,5%, sendo uma variação de 5,6% para pessoa jurídica e de queda de 7,7% para pessoas físicas. Segundo a Boa Vista Serviços, os títulos protestados
no último mês tiveram valor médio de R$ 1.992 para pessoas físicas e de R$ 2.773 para pessoas jurídicas. No total, o valor médio dos títulos protestados foi de R$ 2.497. Regiões – Títulos protestados de empresas responderam por aproximadamente 65% do total dos protestos no País em agosto. A região Centro-Oeste lidera a expansão, com 15,6% de registros a mais no período, ante 11,4% de média nacional. O Sudeste, contudo, contribuiu com a maior parcela dos títulos protestados (46%), seguido pelas regiões Sul (25,6%), Nordeste (15%), Centro-Oeste (8,5%) e Norte (4,9%). Ante agosto de 2011, o número de protestos para pessoa jurídica no Sudeste foi o que mais cresceu (9,1%). Na comparação com julho, o número de protestos de empresas na região recuou 1,4%. (AE)
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sexta-feira, 14 de setembro de 2012
REDE D’OR SÃO LUIZ S.A. CNPJ nº 06.047.087/0001-39 - NIRE 35.300.318.099 EDITAL DE CONVOCAÇÃO PARA ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA Ficam os senhores acionistas da Rede D’Or São Luiz S.A. (“Companhia”) convocados para reunirem-se em Assembleia Geral Extraordinária, a realizar-se no dia 24 de setembro de 2012, às 18h, na sede social da Companhia, localizada na Cidade e Estado de São Paulo, Rua Francisco Marengo, nº 1.312, para deliberarem sobre a seguinte ordem do dia: (i) Deliberar sobre o Protocolo e Justificação de Incorporação, pela Companhia, de ações da MedGrupo Participações S.A. e incorporação das seguintes sociedades: (a) MedGrupo Participações S.A.; (b) Hospital Santa Lúcia S.A.; (c) Hospital Santa Helena S.A.; (d) Hospital Prontonorte S.A.; (e) Hospital Maria Auxiliadora S.A.; (f) Hospital Renascer S.A. (“Sociedades”); (ii) Ratificar a indicação das empresas especializadas contratadas para proceder à avaliação das ações da MedGrupo Participações S.A. e dos patrimônios líquidos contábeis das Sociedades, bem como dos patrimônios líquidos da Companhia, do Hospital Santa Lúcia S.A., Hospital Santa Helena S.A. e do Hospital Prontonorte S.A. a preços de mercado, na forma do art. 264 da Lei 6.404/76; (iii) Deliberar sobre os laudos de avaliação das ações da MedGrupo Participações S.A., os laudos de avaliação dos patrimônios líquidos contábeis das Sociedades e os laudos dos patrimônios líquidos da Companhia, Hospital Santa Lúcia S.A., Hospital Santa Helena S.A. e do Hospital Prontonorte S.A., a preços de mercado, na forma da Lei nº 6.404/76; (iv) Deliberar sobre a incorporação de ações da MedGrupo Participações S.A. pela Companhia e, ainda, as incorporações das Sociedades pela Companhia, autorizando os administradores da Companhia a praticarem todos os atos necessários a sua implementação e formalização, com a consequente extinção das Sociedades e a sucessão, pela Companhia, a título universal, em todos os seus direitos e obrigações; (v) Deliberar sobre o aumento de capital social da Companhia, com a emissão de ações ordinárias e criação de ações preferenciais, a ser implementado em razão da incorporação de ações da MedGrupo Participações S.A. e das incorporações das Sociedades; e (vi) Deliberar sobre a alteração do Estatuto Social da Companhia para a criação do cargo de diretor regional. Informações Gerais:Encontram-se à disposição dos senhores acionistas, na sede social da Companhia, cópias dos documentos referentes à ordem do dia. O acionista poderá ser representado na Assembléia Geral por procurador constituído há menos de 1 (um) ano, que seja acionista, administrador da Companhia ou advogado. São Paulo, 16 de agosto de 2012. PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO.
SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO
GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO
FDE AVISA ERRATA A Comissão Especial de Julgamento de Licitações comunica que, na Concorrência nº 10/00002/12/01 - cujo objeto é REGISTRO DE PREÇOS PARA A EXECUÇÃO DE SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO, CONSERVAÇÃO, REFORMAS E PEQUENOS SERVIÇOS DE ENGENHARIA NOS PRÉDIOS ADMINISTRATIVOS E ESCOLARES VINCULADOS À REDE PÚBLICA DE ENSINO DO ESTADO DE SÃO PAULO E À FUNDAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO, COM FORNECIMENTO DE MATERIAIS E MÃO DE OBRA, no item 1.2 das Condições Específicas do Edital: onde se lê: Os invólucros nos 1 e 2, contendo, respectivamente, a(s) Proposta(s) e os documentos de Habilitação deverão ser entregues, juntamente com a Solicitação de Participação e a Declaração de Pleno Atendimento aos Requisitos de Habilitação, no Setor de Protocolo da Supervisão de Licitações - SLI na SEDE DA FDE, até às 17:00 h do dia 28/09/2012. leia-se: Os invólucros nos 1 e 2, contendo, respectivamente, a(s) Proposta(s) e os Documentos de Habilitação deverão ser entregues, juntamente com a Solicitação de Participação, a Declaração de Pleno Atendimento aos Requisitos de Habilitação e a Garantia de Participação, no Setor de Protocolo da Supervisão de Licitações - SLI na SEDE DA FDE até às 17:00 h do dia 01/10/2012. COMUNICADO Comunicamos que, na Concorrência nº 10/00002/12/01, deverá ser desconsiderado o constante no subitem 6.2.3 das Condições Específicas sobre a inserção da Guia de Caução no envelope 2 (Habilitação), visto que a mesma deverá ser entregue juntamente com os envelopes nos 1 e 2 (e fora deles) no dia da entrega (01/10/2012) conforme Errata publicada acima, sem a necessidade de protocolo prévio, portanto.
SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO
GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO
FDE AVISA Pregão Eletrônico de Registro de Preços nº 36/00382/12/05 OBJETO: AQUISIÇÃO DE CONJUNTO DE REFEITÓRIO: MBR-02 E MBR-03 A FUNDAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO - FDE comunica às empresas interessadas que se acha aberta licitação para: AQUISIÇÃO DE CONJUNTO DE REFEITÓRIO: MBR-02 E MBR-03. As empresas interessadas poderão obter informações e verificar o Edital a partir de 14/09/2012, no endereço eletrônico www.bec.sp.gov.br ou na sede da FDE, na Supervisão de Licitações, na Av. São Luís, 99 - República - CEP: 01046-001 - São Paulo/SP, de segunda a sexta-feira, no horário das 08:30 às 17:00 horas, ou verificar o edital na íntegra, através da Internet no endereço: http://www.fde.sp.gov.br. A sessão pública de processamento do Pregão Eletrônico será realizada no endereço eletrônico www.bec.sp.gov.br, no dia 28/09/2012, às 09:30 horas e será conduzida pelo pregoeiro com o auxílio da equipe de apoio, designados nos autos do processo em epígrafe e indicados no sistema pela autoridade competente. Todas as propostas deverão obedecer, rigorosamente, ao estabelecido no edital e seus anexos e serão encaminhadas, por meio eletrônico, após o registro dos interessados em participar do certame e o credenciamento de seus representantes previamente cadastrados. A data do início do prazo para envio da proposta eletrônica será de 14/09/2012, até o momento anterior ao início da sessão pública. JOSÉ BERNARDO ORTIZ Presidente
PREFEITURA DA ESTÂNCIA BALNEÁRIA DE MONGAGUÁ/SP AVISO DE EDITAL CONCORRÊNCIA PÚBLICA Nº 004/2012 Acha-se aberta, na Prefeitura da Estância Balneária de Mongaguá, a Concorrência Pública nº 004/2012 com Registro de Preços. Objeto: Aquisição parcelada de peças originais, da linha Renault, destinadas aos reparos da frota oficial de veículos da Prefeitura Municipal de Mongaguá, pelo período de 12 (doze) meses, visando aquisições futuras, conforme descrição constante no Anexo I, deste Edital. O recebimento dos envelopes será até às 10h00, e a abertura será às 10:30min do dia 15 de outubro de 2012. O edital na íntegra encontrase à disposição dos interessados, no endereço eletrônico www.mongagua.sp.gov.br, através do aplicativo Licitações Concorrência Pública. Para qualquer esclarecimento, entrar em contato: telefone (13) 3445-3067 - 3445-3082, e-mail licitação@mongagua.sp.gov.br - Salim Issa Salomão - Autoridade Competente.
PREFEITURA DA ESTÂNCIA BALNEÁRIA DE MONGAGUÁ/SP AVISO DE EDITAL PREGÃO PRESENCIAL Nº 041/2012 Acha-se aberto, na Prefeitura da Estância Balneária de Mongaguá, o Pregão Presencial nº 041/ 2012. Objeto: Aquisição de 01 Veículo Utilitário de passageiros 0km, ano/modelo 2012, conforme descrição no Anexo I. Termo de Referência. O início da sessão de lances dar-se-á às 14h00min, do dia 26 de setembro de 2012. O edital na íntegra encontra-se à disposição dos interessados no endereço eletrônico www.mongagua.sp.gov.br, através do aplicativo Licitações Pregão Presencial. Para qualquer esclarecimento, entrar em contato: telefones (13) 3445-3067 - 34453082, e-mail licitação@mongagua.sp.gov.br - Salim Issa Salomão – Autoridade Competente.
Krhtel Group Empreendimentos e Participações Ltda.
CNPJ/MF sob o nº 10.982.381/0001-05 Edital de Convocação Edital de Convocação para Assembleia Extraordinária de Quotista da Krhtel Group Empreendimentos e Participações Ltda. Os sócios administradores da Krhtel Group Empreendimentos e Participações Ltda., empresa nacional inscrita no CNPJ/MF sob o nº 10.982.381/0001-05, com sede na Alameda Rio Negro, nº 1.105, 7º Andar, conjunto 72, em Barueri, Estado de São Paulo, de conformidade com a legislação vigente e o contrato social da empresa, convocam todos os sócios para participar da Assembleia Geral Extraordinária que terá a seguinte pauta/ordem do dia para discussão, votação e deliberação: Forma de distribuição de lucros, conforme parágrafo 1º, da cláusula 7ª, do Contrato Social. Esta citada Assembleia será realizada em única chamada às 10hs00min do dia 24 de setembro de 2012, na sede da empresa Krhtel Group Empreendimentos e Participações Ltda., qual seja, na Alameda Rio Negro, nº 1.105, 7º Andar, conjunto 72, em Barueri, Estado de São Paulo, desde que tenha a presença dos sócios que representam a maioria do capital social. Barueri, 12 de setembro de 2012. Administrador Demetre Georges Markakis.
COMUNICADO
A EMPRESA STARVOX ÁUDIO E VÍDEO LTDA., situada em São Paulo/SP, à Rua Santa Ifigênia, 403 - Box 2 - Santa Ifigênia, I.E: 116.170.880.113 e CNPJ: 04.537.372/0001-02, comunica o extravio da Nota Fiscal de Venda a Consumidor "Modelo 2 - Série D-1" nº 30732.
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e Fed adota medidas a favor do emprego Não deixaremos ocorrer uma valorização do real por causa da medida. Guido Mantega, ministro da Fazenda
conomia
Banco central dos Estados Unidos anuncia programa agressivo de compra de dívidas hipotecárias com objetivo claro de garantir postos de trabalho no país
O
Federal Reserve autoridades do Fed ficaram (Fed, o banco cen- com a saúde da economia, os t r a l d o s E s t a d o s formuladores de políticas da Unidos) lançou on- instituição disseram que não tem um programa agressivo irão aumentar as taxas de jude estímulo à economia, di- ros dos atuais níveis mínimos zendo que irá comprar US$ 40 até, pelo menos, meados de bilhões em dívida hipotecária 2015. Anteriormente, o Fed por mês e que continuará ad- havia definido tal estimativa quirindo ativos até que as para o final de 2014. perspectivas de emprego mePressa – Após a decisão tolhorem substancialmente em mada pelo Comitê Federal de todo o país. Mercado Aberto (Fomc, na siEm uma mudança significa- gla em inglês), o presidente do tiva na direção da política mo- Fed, Ben Bernanke, destacou, netária dos EUA, o Fed relacio- em entrevista, a situação do nou a compra emprego code títulos não mo uma "graconvencional ve preocupad i r e t am e n t e ção". BernanSe as perspectivas às condições ke chamou para o mercado de e co n ô mi c as , atenção ao em ação que garantir que trabalho não d e v e m o so Fed "não melhorarem, o t r a r - s e c o nterá pressa comitê continuará troversa enpara apertar sua compra de tre críticos do a política" títulos. banco. mesmo se o "Se as persíndice de deCOMUNICADO DO FED pectivas para semprego coo mercado de meçar a cair, trabalho não melhorarem sig- mas observou que o banco nificativamente, o comitê central não tem "instrumencontinuará sua compra de tí- tos que sejam suficientementulos hipotecários garantidos te fortes para resolver o propor agências, a fazer compras blema do desemprego". adicionais de ativos e empreBernanke observou que gar outras ferramentas de po- menos da metade dos 8 milítica até que tal melhora seja lhões de empregos perdidos atingida num contexto de es- no país na última recessão fotabilidade de preços", afirmou ram recuperados. o Fed em comunicado. As novas compras vão se soEm uma ação adicional que mar aos US$ 2,3 trilhões que o reflete o quão preocupadas as Fed já adquiriu em dívida do
Jonathan Ernst/Reuters
O presidente do Fed, Ben Bernanke: ordem para aquisição de US$ 40 bilhões em dívidas por mês e determinação de manter os juros baixos. governo norte-americano e dívida relacionada ao setor imobiliário. O novo movimento do Fed é ainda mais corajoso do que muitos investidores anteciparam, dada a natureza ilimitada e as ligações claras com o desemprego. Brasil – Preocupada com um possível retorno do "tsunami
monetário" devido às medidas anunciadas pelo Fed, a presidente Dilma Rousseff coordenou, ontem, com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a estratégia de resistência aos possíveis efeitos negativos para o País. O governo não vai permitir que o real se valorize caso os dólares emitidos
pelo Fed engrossem o fluxo de capital para o Brasil. "Não deixaremos ocorrer uma valorização do real por causa da medida", disse Mantega. O ministro afirmou que o governo poderá lançar mão do arsenal de medidas de que dispõe para manter o real desvalorizado. "Já enfrentamos o
QE1 e QE2, que eram até maiores", disse Mantega, em referência às políticas de expansão quantitativa (na sigla em inglês, QE) perpetradas pelo Fed entre 2010 e 2011. Naquelas ocasiões, a forte injeção de dólares nos EUA inflou os fluxos de capitais para países emergentes. (Agências)
Benoit Tessier/Reuters
PARIS NÃO É UMA FESTA – Funcionários do banco Credit Immobilier de France (CIF) fizeram manifestação ontem pelas ruas de Paris contra as demissões na instituição. No protesto, foi exibida faixa que afirmava: "2.500 empregos sacrificados".
Grécia: 1,17 milhão estão sem trabalho.
A
taxa de desemprego na Grécia bateu um nível recorde no segundo trimestre, com quase uma em cada quatro pessoas do mercado de trabalho do país em busca de uma vaga, de acordo com informações divulgadas ontem pelo instituto de estatísticas grego. Com o número de pessoas sem trabalho chegando a 1,17 milhão, a taxa de desemprego subiu para 23,6% no período, de 22,6% nos primeiros três meses do ano e 16,3% no segundo trimestre de 2011. A Grécia, que está em seu quinto ano de recessão, vem implementando uma série de medidas de austeridade há mais de dois anos como parte de dois pacotes de ajuda recebidos por credores internacionais. O aumento do desemprego é uma das causas do programa de austeridade. Entre pessoas com idades entre 15 e 24 anos, o desemprego chegou a 53,9% no segundo trimestre, ante 43,1% em igual período do ano passado. A taxa de desocupação entre as mulheres ficou em 27,3%, maior que a dos homens, de 20,8%. O Banco Europeu de Investimento (BEI) vai injetar 750 milhões de euros na economia da Grécia, segundo informou o Ministério de Finanças do país. O dinheiro será investido em
setores como energia, educação e pequenas empresas. O acordo para a liberação dos recursos foi assinado quarta-feira pelo presidente do BEI, Werner Hoyer, durante uma visita a Atenas, quando ele se encontrou com o ministro de Finanças, Yannis Stournaras. Segundo o representante do governo grego, as pequenas empresas vão receber cerca de 440 milhões de euros do pacote total. "Essa é uma medida importante que traz dinheiro para a economia real, em um período no qual o choque de liquidez tem causado uma sufocação nos mercados", disse. F MI – Uma autoridade do Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou que a Grécia vai precisar de um terceiro pacote internacional de resgate, deixando claro que essa ajuda dependerá da zona do euro e do Banco Central Europeu (BCE). O primeiro-ministro da Grécia, Antonis Samaras, tem pedido aos credores internacionais uma extensão de dois anos no prazo para o país cumprir suas metas fiscais, o que geraria uma necessidade adicional de financiamento de 20 bilhões de euros, nesse período. O governo grego tem analisado a possibilidade de cobrir essa necessidade com a emissão de títulos de curto prazo. (Agências)
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Na próxima semana, a Toyota lançará o seu carro pequeno, o Etios, nas versões hatch e sedã. Ele vai concorrer com Chevrolet Sonic (também com as duas opções); Fiat Palio e Siena; Renault Sandero e Logan; e VW Fox e Voyage.
Nº 433
DCARR LANÇAMENTO
A coreana chegou Saiam da frente que lá vem a verdadeira Hyundai com o seu HB20, que tem tudo para fazer um 'estrago' na concorrência. CHICOLELIS
O
novo HB20, feito para o Brasil pela marca coreana, deve fazer um "estrago" na concorrência. Custa a partir de R$ 31.995. Com capacidade para produzir 150 mil unidades/ano, a Hyundai chega ao Brasil trazendo o novo modelo do HB20, especialm e n t e d es e n v o l v ido para o nosso m e r c ad o . E nt r e a s at ra çõe s, uma garantia de 5 anos, sem limite de quilometragem (isto só ocorrerá nos casos de uso comercial do modelo, como táxis e frotas), revisões a preço fixo, motores 1.0 12V e 1.6 16V com bloco em alumínio e o desejo, conforme declarou seu presidente, Chang Kyun Han, de se tornar a "marca mais amada do Brasil". O carro é realmente atraente, por fora e por dentro. Suas linhas são extremamente agradáveis e o interior, confortável – mesmo para usuários altos – e bonito. Seu design remete ao moderno, uma característica dos modelos da marca já conhecidos no Brasil, como o Azera e o i20. O HB20 estará à venda a partir do dia 10 de outubro nas 130 concessionárias da marca espalhadas pelos principais mercados do País. Ele vem com duas motorizações, ambas superiores à dos seus principais concorrentes
(VW Gol, Citroën C3, Fiat Punto, entre outros). O 1.0 12V, com 80 cv, e o 1.6 16V, com 128 cv, ambos importados da Coreia e flex. Andando é que o HB20 mostra aquilo que o brasileiro gosta: dirigibilidade. Mesmo com o motor menor ele agrada e alcança 160 km/h com gasolina ou álcool. Mas é acelerando o 1.6 16v de 128 cv que o prazer de dirigir é despertado. O
Fotos: Divulgação
H de Hyundai, B de Brasil e 20, como a marca chama o segmento B
Painel de instrumentos: beleza e funcionalidade
Pisca-pisca incorporado ao retrovisor
Farol: ferfil em alumínio ou mascara negra
Gaveta sob o banco do motoristaa propulsor responde prontamente garantindo segurança nas ultrapassagens. As curvas de alta e baixa são vencidas com conforto, sem que o motorista tenha que fazer malabarismo para manter o carro no curso. Este alcança 188 km/h e faz de 0 a 100 km/h em 9.3 s. O 1.0 12V gasta 14.9 s para atingir a mesma marca. São três as versões para ca-
da motorização, todas com air bag duplo, direção hidráulica e ar-condicionado. Com 1.0
12V, a Comfort custa R$ 31.995, a Comfort Plus, R$ 33.995 e a Style, R$ 37.995. Com motor 1.6 16V, ganham ABS, os valores sobem para, respectivamente, R$ 36.995; R$ 38.995 e R$ 42.995 (câmbio mecânico) e R$ 45.995 (automático). Representantes da fábrica ressaltam que
este é um “verdadeiro automático”, lembrando que a concorrência oferece o câmbio semiautomático. Existem ainda mais duas opções top, a Premium por R$ 44.995 ( m e c ânico) e a automática por R$ 47.995. O nome do carro traz as iniciais da marca e do País (H de Hyundai e B de Brasil) e o 20 se deve à caracterização da marca para os veículos do segmento B a que ele pertence. Nos últimos anos, a corena Hyundai era conhecida no Brasil apenas como "CAOA Hyundai", que vende aqui alguns modelos importados da marca, o CKD da Tuckson e um pequeno caminhão. As marcas não serão reunidas sob a mesma bandeira, embora alguns concessionários do Grupo CAOA, o parceiro nas importações, serão selecionados para se transformarem em vendedores exclusivos do novo modelo, que só será encontrado nas lojas da Hyundai do Brasil.
Motor 1.6: 16V e 128 cv . O 1.0 tem 80 cv
BICICLETAS
NOVIDADES ELÉTRICAS Modelos chegam ao mercado custando de R$ 1,9 mil a R$ 8,6 mil. Tem até e-bike conceito.
C
om preços que variam entre R$ 1,9 mil e R$ 8,6 mil, as bicicletas elétricas ganham cada vez mais espaço no trânsito caótico das grandes cidades brasileiras. Hoje, o mercado estima que há pelo menos vinte modelos de e-bikes à venda em lojas especializadas e magazines. O número é o dobro do registrado em meados do ano passado. Com peso médio de 25 quilos, as elétricas atingem no máximo 35 quilômetros por hora, com autonomia entre 20 km e 60 km. A recarga das baterias de lítio ou chumbo pode levar de duas a seis horas. O sistema de tração das bicicletas elétricas mais comum é o de pedal assistido. Com isso o motor entra em ação assim que o ciclista começa a pedalar. Há e-bikes também equipadas com aceleradores no próprio guidão que controlam a velocidade do veículo. E apesar de o Departamento Nacional de Trânsito ainda
Dafra DBX
Audi E-bike
Dafra DBL
não ter regulamentado o uso das elétricas nas cidades a maioria das bicicletas vendidas hoje no Brasil já está adequada às normas de trânsito com espelhos, suportes para emplacamento e velocímetro. Motos & bikes Duas montadoras de motocicletas instaladas no Brasil já entraram no mercado de bicic l e t a s e l étricas. A Ka-
sinski lançou a City Bike com opção de quadro de aço e quadro de alumínio, ambas nas versões masculina e feminina. O preço parte de R$ 2.290. Por R$ 3.590, a empresa também oferece um modelo moutain bike. Todos são "pedelecs", ou bicicletas assistidas por motor elétrico com autonomia média de 40 quilômetros. A Dafra tem uma linha de e-bikes com três modelos: DBX e DBL, com preços sugeridos de R$ 1.990 e R$ 2.490, e o top de linha, DB0, que será comercializado a partir deste mês, ainda sem preço definido. Outros modelos - A General Wings tem bicicletas próprias
e também representa as bikes da Ducati no Brasil. Os preços da marca giram em torno de R$ 4,5 mil. Já os modelos Ducati City King e City Queen custam R$ 8.609. A importadora Blitz oferece e-bikes dobráveis e modelos com
as duas características com cerca de 20 kg de peso e autonomia de até 60 km. Os preços giram em torno de R$ 5 mil. A montadora nacional Sense Electric Bike tem três produtos a R$ 2.990 cada. As baterias são de lítio e o tempo de recarga é de aproximadamente 6 horas. A autonomia varia entre 18 km e 35 km, dependendo das condições de relevo, potência, velocidade e peso do usuário. Con ceito - A a l e m ã A u d i também tem sua e-bike, por
enquanto ela é ainda um conceito. Apresentada em maio deste ano, a Audi E-bike conta com cinco modos de potência que permitem atingir até 80 km/h. Nesta opção, sua autonomia fica entre 50 km e 70 km. A potência máxima da e-bike é de 2,3 kw, equivalente a 3,12 cavalos. Ainda há a possibilidade de conectar smartphone à bicicleta para assim conectá-la à internet e compartilhar informações sobre o deslocamento em tempo real. Mário Tonocchi
O Brasil não tem uma legislação específica para disciplinar o uso das bicicletas elétricas no trânsito. O Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) estuda essas normas, mas ainda não tem prazo para a publicação das regras. Espera-se que as e-bikes de até quatro kw de potência sejam equiparadas a bicicletas comuns. Com isso, os condutores não precisariam de habilitação ou capacete. Além disso, não seria exigido o emplacamento do veículo. Sem uma definição do Denatran, o assunto causa polêmica. Em uma resolução de 2009, o Contran (Conselho Nacional de Trânsito) equiparou a e-bike ao ciclomotor, o que exige habilitação. Já o Código de Trânsito Brasileiro delega a municípios a regulamentação e o licenciamento dos ciclomotores. (MT)
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NOVO DESTINO Duas companhias aéreas de baixo custo começaram a operar este ano voos entre Fukuoka e Osaka e Tóquio. E há novos passeios de barco e ônibus na cidade.
urismo
Ingrid K. Williams The New York Times
A
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não grande a ponto de se tornar opressiva. Portanto, comparando-se com um passeio no agitado metrô de Tóquio, ou correndo para visitar mais um templo em Kyoto antes que ele feche, conhecer Fukuoka faz com que você se sinta de férias. Vale a pena passar alg u m t e m p o t omando um café torrado ali mesmo no Manu, um convidativo café com paredes de néon amarelo, música relaxante e pilhas de revistas de design. Ou, então, relaxar em uma banqueta tomando um coquetel no Bar Klug, um elegante esconderijo em forma de caverna. Compras – Até mesmo as lojas têm qualidade excepcional. Naturalmente, todas as marcas famosas estão lá, no moderno bairro de Daimyo e na movimentada área de Tenjin, onde a Barneys New York abriu uma loja no ano passado. Do outro lado da cidade, o complexo comercial JR Hakata City abriga dois magazines de departamentos e mais de 200 lojas e restaurantes em seus 11 andares. Mas você pode ir diretamente para as butiques de rua no tranquilo bairro de Imaizumi, entrando em lugares como a Naif, a Dice & Dice, a Curve e a Florent para descobrir delicadas pulseiras feitas à mão, cadernos com capa de couro, bolsas feitas de cintos de segurança reciclados, sandálias de camurça e prateleiras de roupas com marcas de que vão de Lanvin aos estilistas locais. O comércio de Fukuoka levou a revista 'Monocle' a apelidar a cidade de "Capital do Varejo". "Para ser sincero, eu não acho que isso esteja certo", afirmou Szasz durante o jantar no Yakitori-Hachibei. "Cidade gourmet estaria muito mais perto da verdade." O espetacular yakitori que comemos naquela noite, o rechonchudo espetinho de frango coberto com saquê, as castanhas ginkgo e os croquetes de edamame confirmavam sua afirmação, assim como o suculento guioza, especialidade local, no Yuu Shin alguns dias depois. Lá, os pequenos bolinhos tradicionais foram grelhados até ficarem delicadamente crocantes, e servidos sobre uma chapa quente de ferro fundido. O ramen – Entretanto, o prato mais famoso da cidade não é nem um pouco chique. O Hakata ramen é feito com macarrão fino e um rico caldo de tonkotsu (osso de porco). Quem me ensinou a comer o ramen foi Patrick Mackey, blogueiro e tradutor freelance, entre as cumbucas ferventes do Shin Shin. "A maioria das pessoas diz que o ramen de Fukuoka é o melhor", afirmou. Duas das maiores redes de ramen do Japão, a Ichiran e a Ippudo, nasceram na cidade. E a experiência gastronômica que ninguém pode perder são os yatai, pequenos carrinhos de comida montados e desmontados da noite para o dia. Cortinas de plástico geralmente protegem cozinhas diminutas com minúsculos balcões, ao redor dos quais até 12 clientes podem se aglomerar. Muitos yatai servem comidas simples, como espetinhos ou ramen; alguns aumentam o número de assentos com mesas e cadeiras dobráveis. Atualmente, existem cerca de 150 yatai em Fukuoka, a maior parte concentrada nas ruas principais, parques e à beira do rio. Com as cortinas fechadas, os yatai parecem exclusivos, como se aceitassem apenas os clientes de sempre. Mas o contrário também é verdade. "Essa é uma experiência comunitária: abra as cortinas, sente-se e você está entre amigos", afirmou Szasz. "Quando você entra, aquilo vira uma minifesta." E de fato virou uma minifesta quando Dave e eu nos apertamos em um banco no popular yatai Ajifu, em Watanabe-dori, em uma fria noite de fim de semana em Fukuoka. Ali dentro, os outros dez fregueses, todos da cidade, se amontoavam em torno do balcão em forma de "U". A fumaça dos cigarros se misturava com o familiar aroma do caldo de ramen enquanto bebíamos cervejas Asahi geladas e devorávamos o yakitori tirado da grelha do lado de fora. Assim como no bar Akatan, onde tomamos copos de saquê e shochu, nós rapidamente estávamos entre amigos.
O SEGREDO DE FUKUOKA: LOJAS E MACARRÃO.
multidão aumentava à medida que cada copo de saquê e de shochu era servido no estreito balcão do bar Akatan, na cidade de Fukuoka, no sul do Japão. À meia-noite, No sul do Japão, esta cidade ainda pouco conhecida pelos turistas já foi meu marido, Dave, e eu – os dois únicos ocidentais dentro apelidada de "Capital do Varejo” e sua gastronomia faz fama no país do bar esfumaçado – nos entretínhamos com um grupo de Fotos: Hajime Kimura/The New York Times desconhecidos em uma conversa animada pelo álcool e que, com a barreira do idioma, muitas vezes acabava em mímicas caricatas. Todas as vezes que explicávamos que estávamos visitando Fukuoka como turistas, a mesma pergunta surgia: "Mas por quê?". Os quatro dias que passamos nessa subestimada cidade nos deram razões suficientes para estarmos lá. Fukuoka possui butiques elegantes, bares descontraídos e uma fantástica cena gastronômica, além das belas praias da região. À mesma distância de Tóquio, Xangai e Seoul, a cidade fica no extremo norte de Kyushu, a mais meridional das quatro ilhas japonesas. A despeito de suas muitas Movimento em vantagens, poucos turistas torno de um yatai, descobriram Fukuoka. Mas, carrinho de com os novos meios de transcomida montado porte, isso poderá mudar em da noite para o breve. Cruzeiros começaram dia. Tenjin a parar no porto local há três (abaixo), um dos anos, juntando-se às balsas bairros de vindas da China e da Coreia. comércio. Em 2011 foi concluída a ferrovia de alta velocidade de Kyushu Shinkansen, ligando Fukuoka a Kagoshima, no sul de Kyushu. Além disso, duas linhas aéreas de baixo custo, a Peach Aviation e a AirAsia Japan, começaram a operar este ano ligando Fukuoka a Osaka e Tóquio (a duas horas de voo), respectivamente. Anfitriões – Para explorar as atrações dessa cidade, recorri a dois especialistas, o canadense Nick Szasz, um jovem de 22 anos, que vive em Fukuoka, e sua esposa Emiko, nascida lá. Eles publicam a 'Fukuoka Now', uma revista mensal bilíngue que possui um grande guia online (fukuoka-now.com). Durante um jantar no luxuoso restaurante Yakitori-Hachibei, eles me contaram que, entre os japoneses, Fukuoka teve por muito tempo a reputação de ser um ótimo lugar para se viver. Mas ninguém pensa nela com o u m destino tu rí st ic o, em parte porque a cidade n ã o p o ss u i u m grande a t r a ti v o . "A principal crise para essa cidade é definir sua identidade", afirmou Szasz. E o que Fukuoka tem – um p o u q u inho de tudo – é, de fato, muito atraente. A oeste enconLoja vende bolsas tra-se o belo parque Ohori, cuja calçada larga feitas à mão. circunda um adorável lago artificial, e que atrai Região também corredores, caminhantes e ciclistas. O Museu tem belas praias. de Arte de Fukuoka fica nos arredores da cidade e exibe uma escultura em forma de abóbora, feita por Yayoi Kusama, logo na entrada. Na região há também uma montanha com as ruínas de um castelo no topo e uma bela vista para a cidade e a Baía de Hakata, parcialmente alinhada com uma grande praia artificial. No ano passado, ficou mais fácil conhecer a cidade com os passeios de barco pelo Rio Naka. E um tour de ônibus com comentários em diversos idiomas foi lançado em maio. O melhor de Fukuoka, porém, é intangível: a atmosfera descontraída, as pessoas amigáveis, o ritmo relaxado de uma cidade que é grande o bastante ( cerca de 1,4 milhões de habitantes) para ter suas próprias atrações, mas
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ARRANCADA PARA A INTERNET Web injeta vida nova em velhos formatos Fotos: Reprodução
Rádio-arte: criatividade no ciberespaço. André Domingues
Cena do vídeo Spoleto; abaixo, episódio da série Coisas que Gostaríamos de Dizer. No pé da página, episódio Pornô da Vida Real, da produtora Anões em Chamas.
Humor 2.0, canal aberto. Ana Barella
Se antes vídeos caseiros eram o suficiente para divertir o público no YouTube, agora produtoras investem em curtas-metragens para a plataforma. Os resultados são vídeos pra lá de engraçados – e visualizados por milhões.
O
sonho de muitos humoristas é ser contratado por uma grande emissora de televisão e ter seu próprio programa, certo? Quase. Hoje, existem produtoras de vídeos voltadas exclusivamente para o YouTube, como a Parafernalha e a Anões em Chamas. Elas lançam uma nova geração de humoristas pelo portal de compartilhamento de vídeos. As produções fazem um baita sucesso. Os vídeos da Parafernalha acumulam até agora 72 milhões de acessos e há quem diga que já roubam audiência da televisão. A tendência começou nos Estados Unidos, antes mesmo da criação do YouTube, com a produtora Funny or Die, fundada pelo comediante Will Ferrell, que já postou cerca de 40 mil vídeos. Produzidos com linguagem voltada para a web, eles são geralmente de curta-metragem e recheados de celebridades em participações especiais. No Brasil, o nicho ainda é pequeno, mas está crescendo. A produtora Parafernalha (www.youtube.com/parafernalha), criada pelo vlogger (blogger de vídeos) Felipe Neto, apostou em vídeos bem produzidos, 73 até então, engraçados e com potencial para se tornarem virais, isto é, terem um número muito grande de visualizações. O objetivo foi alcançado: apenas o Coisas que Gostaríamos de Dizer - Funk no Celular sem Fone já foi visto mais de 5 milhões de vezes. Outra produtora que está fazendo sucesso na internet é a Anões em Chamas (fotos abaixo), que lançou o Porta dos Fundos (www.youtube.com/portadosfundos) há pouco mais de um mês e já alcançou 4,5 milhões de acessos. Cada programa tem duração de quinze minutos e é formado por curtas esquetes de humor. Com nomes de peso na produção, como os atores e roteiristas Fábio Porchat e Gregório Duvivier e o criador do site Kibe Loco, Antônio Tabet, eles ganharam
destaque depois de lançar um vídeo que brincava com o mau atendimento da rede de restaurantes Spoleto. O vídeo fez sucesso, chegando mais de um milhão de acessos, e ainda por cima rendeu um patrocínio. Depois da repercussão da esquete, a rede Spoleto entrou em contato com a produtora. Nascia então uma parceria que resultou em um segundo vídeo, mais simpático à rede de restaurantes. Nele, o mesmo personagem que quase fez uma mulher chorar, aparece em outros empregos sendo rude com clientes. Da telinha à webesfera De acordo com Fellipe Lourenço, diretor de operações da Parafernalha, a vantagem de investir no YouTube é que a produtora tem mais liberdade para fazer seus vídeos. "A internet é um meio muito mais democrático do que a televisão, no sentido de produção de conteúdo. Mas acho que a maior vantagem é ela seguir a tendência de on demand, em que as pessoas podem montar a sua própria programação", conta. Mas será que todo esse sucesso das produções para a internet estaria roubando telespectadores da televisão? Para Eduardo Brandini, professor do curso de rádio e televisão da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e especialista em novas mídias, a televisão e a internet são duas plataformas consumidas em momentos e situações diferentes, podendo assim coexistir em paz. "Acredito que a longo prazo a televisão terá que se reinventar para não perder seus telespectadores, investindo em transmissões ao vivo, esporte e telejornalismo, que são o maior diferencial. Mas ela tem a vantagem de ainda ser fonte de informação principal de quase a maioria dos brasileiros", afirma.
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A Mobile Radio, primeira estação bem estruturada do País dedicada à modalidade, está sediada na 30ª Bienal de Arte de São Paulo. Para ouvir:
m plena semana de Radio é a da rádio do Centro comemoração dos Cultural São Paulo, em que Janete seus 90 anos exerce o cargo de diretora da (oficialmente completados Divisão de Informação e no último dia 7), o rádio Comunicação. "São pequenas brasileiro ganhou um peças feitas a partir de gravações curioso impulso renovador brasileiras anteriores a 1950, na internet: a primeira constantes na Discoteca Oneyda estação bem estruturada Alvarenga, e registros de campo dedicada à rádio-arte, uma das Missões Folclóricas de Mário modalidade de uso livre e de Andrade. Entre tantos criativo dos recursos materiais, resolvemos apostar radiofônicos. No impasse de na maior identidade sonora do conseguir um lugar no dial CCSP", explica Janete. comum, a Mobile Radio, As peças vão ao ar a partir sediada na 30ª Bienal de da semana que vem, mas Artes de São Paulo, acabou em horário imprevisto, fincando sua antena no site seguindo fluxo de criação http//mobile-radio.net http://mobile-radio.net. dos rádio-artistas da Bienal. É Dali, sob comando da estranho, mas compreensível. inglesa Sarah Washington, do alemão Knut Não dá para esperar, afinal, que se faça arte Aufermann e do brasileiro Leandro Nerefuh, experimental com hora marcada. transmite uma programação absolutamente imprevisível produzida aqui e por uma extensa rede internacional de rádio-arte. Misturam-se num timing espontâneo batuques de terreiro, sons do ambiente da Bienal, notícias surrealistas, programas internacionais, entrevistas, poemas concretos, imitações de políticos, produções eletroacústicas, um disco empoeirado tocando All of Me... Enfim, vale tudo. O conceito de rádio-arte é algo pouco divulgado no Brasil, mas tem boa expressão na Europa e na América do Norte, onde começou a ser praticado ainda nas primeiras décadas do século passado. É um rádio feito por artistas – músicos, cineastas, literatos, dramaturgos e por aí afora – para muito além das fronteiras da mídia convencional. A pouca expressão da rádio-arte por aqui não é uma questão de novidade do formato, visto que tivemos iniciativas de peso desde os anos 1970, mas de investimento. Conforme argumenta a pesquisadora e musicista paranaense Janete El Hauli: "No Brasil, além da falta de dinheiro, tem a falta de espaço. Reina uma mentalidade muito limitante de seguir o velho modelo comercial de simples reprodução de música e notícia. E isso acontece, inclusive, na esmagadora maioria das rádios educativas, culturais e universitárias". O pouco de rádio-arte que se tem por aqui está em algumas honrosas exceções, como a Rádio MEC do Rio de Janeiro e a Rádio Cultura FM de São Paulo – que, aliás, cedeu dois bons parceiros para a Mobile Radio: o produtor Júlio de Paula, autor da interessante montagem Edgard, dedicada ao pioneiro Roquette Pinto (disponível no site), e o compositor Arrigo Barnabé, que vem apresentando seu programa Supertônica na emissora às quartas-feiras, por volta das 16h. Outra contribuição interessante à Mobile
Nesta edição: Entrevista com Humberto Werneck, autor de O Desatino da Rapaziada. Cinema: estreia do documentário Tropicália. Novas padarias em Gastronomia. James Joyce no Teatro. E arte sacra e contemporânea em Visuais.
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cultura
Literatura e jornalismo à mineira Marcus Lopes
Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino, Cyro dos Anjos, Murilo Rubião e Paulo Mendes Campos. Além de escritores famosos, todos possuem a mesma origem profissional: a imprensa mineira. Lançado há 20 anos, O Desatino da Rapaziada, de Humberto Werneck, ganha nova edição.
O livro narra a trajetória da imprensa mineira nas primeiras décadas do século XX, sob a ótica dos seus colaboradores. Na pacata Belo Horizonte, jornais como o modernista Diário de Minas, o irreverente Binômio e até o vetusto Suplemento Literário do Minas Gerais marcaram várias gerações.
Fotos: Reprodução
Márcio Fernades/AE
A mão coçou, mas o texto ficou como o original.
irrisória, que Carlos Drummond de Andrade estreou como jornalista. Ofício que, segundo o poeta declararia anos depois, era o único que realmente lhe dava algum prazer. Não como colaborador eventual, "mas o jornalismo no duro, que vai pela noite adentro ou pelo dia afora, conforme a pressão da notícia". Ao longo dos capítulos, Werneck, que também é mineiro e jornalista, desfia histórias e personagens saborosos, sem perder a riqueza de informações que tornam o livro um importante documento sobre a história da imprensa mineira e do País. Na cidade cujos limites iam pouco além da Praça Sete, no miolo belorizontino, homens tomavam sua cachacinha em xícaras de café no mitológico Bar do Ponto, na Avenida Afonso Pena, para não cair na língua da TFM – tradicional família mineira. No Bar do Ponto, que funcionou até 1930 e tinha esse nome por ficar em frente a um ponto de bondes, "passavam todos os bondes e boatos", resumia o poeta Guilhermino Cesar.
Com precisão cirúrgica, Werneck teve o cuidado de mexer o mínimo, atualizando apenas alguns verbos, em especial de pessoas que foram entrevistadas na época em que foi escrito e que morreram nesses vinte anos. É o caso dos escritores Fernando Sabino e Otto Lara Resende que, junto com Paulo Mendes Campos e Hélio Pelegrino, formariam o famoso quarteto chamado por Otto de "os quatro cavaleiros de um íntimo apocalipse". Uma alternativa seria atualizar com notas de rodapé, mas nem isso o autor se atreveu a fazer. "Cheio de notas, O Desatino correria o risco de virar uma centopeia... . A alternativa seria incluir novas informações no texto. Mas logo me dei conta de que isso praticamente equivaleria a escrever um outro livro", diz Werneck ao Diário do Comércio (leia entrevista ao lado). Um desatino que ele, como explicou no prefácio, prefere deixar para a rapaziada.
A
mão até coçou para fazer uma atualização, mas o escritor e jornalista Humberto Werneck manteve firme a decisão de deixar O Desatino da Rapaziada exatamente como no original: uma gostosa crônica sobre jornalistas e escritores mineiros. A seguir, trechos da entrevista concedida ao Diário do Comércio. Diário do Comércio - Você diz que pouca coisa mudou na nova edição de O Desatino da Rapaziada. Por que decidiu manter o original e não fazer uma releitura? Não era o momento de colocar alguém que eventualmente tinha ficado de fora? Humberto Werneck - Quando a Companhia das Letras se dispôs a reeditar, pela primeira vez reli o livro. Fiz uns retoques estilísticos. Aqui e ali, a mão coçou, querendo atualizar o texto. Mas isso significaria encher o livro de
O jornalismo foi para muitos escritores um meio de ganhar a vida. O jornalismo e o serviço público. Humberto Werneck
notas de pé de página, o que me parece impróprio para um texto concebido para ser uma crônica, no sentido de relato histórico, desdobrada em meio século de vida literária e jornalística em Minas Gerais. DC - Podemos dizer que houve uma fase áurea do jornalismo literário em Minas? Qual seria? Werneck - Não sei se houve uma fase de jornalismo literário em Minas, ou se há nos dias de
hoje. O que houve, isto sim, foram concentrações notáveis de bons escritores em redações de jornal, sem que isso necessariamente se refletisse na natureza e na qualidade do jornalismo ali praticado. E, notável entre notáveis, foi a turma do Drummond que com ele "ocupou" o primeiro Diário de Minas, o jornal que, nos anos 1920, nas mãos daquela rapaziada, acabou virando uma inesperada tribuna do modernismo em Minas. DC - O livro é sobre jornalistas e escritores de Minas Gerais. É possível dizer que os ofícios se misturavam naquela época? Werneck - Durante muitos anos, e não só em Minas Gerais, o jornalismo foi para muitos escritores um meio de ganhar a vida. O jornalismo e o serviço público. O golpe de 1964, que não via com bons olhos os intelectuais em geral, cortou essa ligação deles com o poder – no que foi, aliás, e ainda que involuntário, um dos raros acertos da ditadura militar. Intelectual que se pretenda independente não pode se pendurar nas tetas do poder. Quando, em 1964, essa teta secou, muitos escritores se concentraram no jornalismo. DC - Belo Horizonte era uma cidade bucólica e provinciana na época. O que explica ter sido um celeiro tão farto de intelectuais nas primeiras décadas do século XX? Werneck - Creio que a Belo Horizonte dos anos 1920, 30, 40 não oferecia muitos outros atrativos além do convívio literário, alimentado não só pelos nativos da capital como por escribas vindos do interior de Minas ou de outros Estados – caso, como se sabe, do capixaba Rubem Braga, no início de 1932. (M.L.)
Arquivo/AE
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escritor Mario de Andrade gostava de contar a história de uma carta que recebeu de Cataguases, na zona da mata mineira, onde o autor pedia ao modernista que mandasse "uma bosta qualquer" para publicar na revista literária que eles estavam lançando na cidade. Não se sabe como, a revista em questão, Verde, tornou-se um dos ícones do movimento modernista em Minas Gerais e seu diretor, Rosário Fusco, conhecido em todas as rodas literárias do final dos anos 1920. Essa é uma das histórias reunidas pelo escritor e jornalista Humberto Werneck em O Desatino da Rapaziada (Companhia das Letras, 240 páginas, R$ 39,50). Lançado originalmente em 1992, o livro narra a trajetória de jornalistas e escritores mineiros desde o início do século XX até os anos 1960, com o irreverente Binômio, precursor do Pasquim nas alterosas. Na então bucólica Belo Horizonte, ainda uma jovem e provinciana capital, se trombavam nas redações de jornais nomes como Carlos Drummond de Andrade, Cyro dos Anjos, Autran Dourado, Fernando Sabino, Otto Lara Resende e muitos outros. Rubem Braga, o mais mineiro dos capixabas, também fez parte desse grupo, já que morou durante algum tempo em Belo Horizonte e conciliava o ofício de jornalismo com a faculdade de Direito. Em uma cidade com pouco mais de 50 mil habitantes e totalmente fora da órbita cultural do Rio de Janeiro, então capital federal, essa turma transformou jornais como o Diário de Minas e Folha de Minas em porta-vozes do movimento modernista em Minas Gerais, que repercutiu em todo o País. Em 1921, quem circulasse pela Rua da Bahia, no centro de Belo Horizonte e que concentrava toda a vida cultural e boêmia da cidade, poderia se deparar com um rapaz magrinho a caminho do Jornal de Minas. Foi nesse pequeno jornal, com tiragem
No alto, a Rua da Bahia, em BH, na década de 20. À esq., Fernando Sabino e Helio Pellegrino na Avenida Afonso Pena, centro da capital mineira. Ao lado, Carlos Drummond de Andrade.
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Imagem Filmes/Divulgação
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TROPICÁLIA EM COLAGENS INUSITADAS André Domingues Seria inevitável cultura para o documentário Tropicália, de Marcelo Machado, passar pela já manjada descrição dos tensos e apaixonados anos 1960 brasileiros. Na cena, porém, entre os esperados soldados nas ruas e os estudantes e artistas gritando palavras de ordem, surge a voz de Caetano Veloso, cantando não É Proibido Proibir ou algo do gênero, mas as dores sentimentais de Coração Materno. O efeito de afastamento é imediato, como foi o próprio choque
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tropicalista, mas dele surge uma ternura trágica, ao avesso, que acaba por se impor. Está aí um dos grandes méritos do filme, em cartaz a partir de hoje: a fidelidade ao movimento retratado, não através da frieza protocolar dos documentários, mas de uma linguagem marcada por colagens inusitadas, tal qual a das músicas de Caetano, Gilberto Gil e sua turma naquele período. Tropicália é um relato sóbrio e competente do movimento de mesmo nome, deflagrado em fins de 1967. Sua fixação é no braço musical – de longe, o mais marcante –, mas não
esquece de alguns personagens de outras áreas que se uniram ou polemizaram naquela vanguarda singular, a exemplo do artista plástico Hélio Oiticica, o teatrólogo José Celso Martinez, o cineasta Glauber Rocha e o escritor e designer Rogério Duarte (aliás, um dos depoentes mais interessantes). A pesquisa de imagens do filme é excelente, repleta de verdadeiros achados. Só a pesquisa histórica deixa certas lacunas. Falta, por exemplo, falar na bossa-nova, sobretudo em João Gilberto, que o próprio Caetano identifica como base do
tropicalismo. Também falta um depoimento do poeta concretista Augusto de Campos, que desenvolveu a base conceitual do movimento. Falta ainda, e principalmente, aparecer o jornalista e compositor Nelson Motta. Isso poderia ser um lance de originalidade, dada a onipresença do simpático Nelsinho nos documentários do gênero, mas acaba saindo mal. Ou não foi ele quem publicou o primeiro manifesto tropicalista na imprensa brasileira, em 1968? Nesses pontos, enfim, o rigor metodológico (e careta?) dos documentários deixa saudades.
FESTA DA OUSADIA
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Tropicalismo era uma festa. Nasceu entre jovens que tinham vontade de praticar a ousadia em meio ao regime militar, então em vigor nos anos de 1960. São muitos os protagonistas e personagens. Alguns se sobressaíram. Caetano Veloso, Gilberto Gil, Torquato Neto, Tom Zé e Os Mutantes, que tinha Rita Lee e Arnaldo Antunes entre os integrantes, são alguns dos maiores representantes na área musical. A carreira de Caetano está ligada ao movimento desde o começo. Ele gravou as canções Tropicália e Alegria, Alegria em seu primeiro LP individual, Caetano Veloso, de janeiro de 1968. Fez Domingo no Parque, com Gilberto Gil. Em julho de 1968,
lançaria o álbum Tropicalia ou Panis et Circencis. E em 1997, no livro Verdade Tropical (C o m p anhia das Letras), daria sua versão para tudo o que aconteceu naquele período de efervescência, brigas conturbadas e muita criatividade. Nas artes plásticas, destaque para Hélio Oiticica e suas mirabolantes figuras de apelo anárquico, que traziam frescor e ar de revolução ao movimento. A inspiração, aliás, começou para ele bem antes, em família. Hélio era neto de José Oiticica, professor e filólogo brasileiro, autor do livro O Anarquismo ao Alcance de todos, de 1945.
Tiago Queiroz/AE
Obra de ica e H lio Oitic
O Tropicalismo influenciou o Cinema Novo, cujo maior expoente foi Glauber Rocha, cineasta que fez tudo diferente do que se conhecia nos filmes
Deus e o Diabo na Terra do Sol (1963), vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes; e Terra em Transe (1967). No teatro, José Celso Martinez Corrêa talvez seja aquele que mais acentuadamente incorporou o espírito tropicalista. Com seu estilo que já foi chamado de orgiástico e antropofágico, dirige, no Teatro Oficina, peças nas quais há busca constante pela inovação. Os espetáculos, de duração variável (às vezes chegam a mais de cinco horas), m u i t o f r e q u e n t e m e n t e i ncluem atores que se despem no palco, convidando o público a fazer o mesmo, simbolizando a libertação das amarras das convenções.
Lúcia Helena de Camargo
Fábio Motta/AE
José Celso Martinez Corrêa: orgiástico e antropofágico.
Caetano definiu a Tropicália como "o avesso da Bossa Nova"
São Paulo na velocidade das 24 Horas de Le Mans Luiz Octavio de Lima s 6 Horas de São Paulo, a etapa do novo FIA World Endurance Championship (FIA WEC), está sendo disputada neste fim de semana no Autódromo de Interlagos. Isso significa que estão no Brasil, pela primeira vez, os fantásticos carros que correm nas 24 Horas de Le Mans, incluindo os protótipos Audi e Toyota híbridos. O FIA WEC retoma a tradição do Campeonato Mundial de Marcas, que, ao lado da F-1, alinhava na elite do automobilismo. Para ter uma ideia desse glamour, nada como assistir ao DVD As 24 Horas de Le Mans, filme dirigido por Lee H. Katzin em 1971 e com Steve McQueen (à dir.) no papel principal. A audácia dos pilotos nos 14,5 quilômetros do circuito de Le Mans inspirou o personagem de Steve McQueen no filme rodado em tom de semi-documentário. O próprio astro era um aficionado do automobilismo e da motovelocidade, habituado às pistas e a dispensar dublês em sequências de ação. No filme de Katzin, que faria carreira em produções para a TV, o protagonista é Michael Delaney, um piloto que, além da pressão da prova, precisa
Reprodução
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superar o trauma de ter causado a morte de um colega, cuja viúva agora integra uma equipe adversária. McQueen chegou a rodar suas primeiras cenas ao volante do Porsche 911S com o pé esquerdo engessado, resultado de um acidente de moto em que se envolvera pouco antes.
Em um tempo em que as transmissões ao vivo eram raras e de ângulos limitados, tomadas de manobras ousadas e batidas espetaculares – como as que a produção trazia – eletrizavam as plateias. Nessa época, além do ritmo intenso, os filmes sobre corridas exploravam os recursos do sistema Cinerama, para projeção em telas gigantes e curvas, de 70mm. Grand Prix, de 1966, sobre o ambiente da Fórmula 1, reunia um elenco de astros internacionais, como James Garner (norteamericano), Yves Montand (francês), Toshiro Mifune (japonês) e Adolfo Celi (italiano), utilizando reiteradamente o recurso das imagens múltiplas, com o intuito de mostrar diversos aspectos da ação simultaneamente. A participação de atores de Hollywood em circuitos de velocidade, que não era rara desde os tempos de James Dean, intensificou-se ainda mais neste período. Em 1969, após estrelar 500 Milhas (Winning), Paul Newman ficou tão apaixonado pelo esporte que manteve-se em competições dali por diante até perto de fazer 80 anos.
Um livro exigente e compensador sobre as técnicas e as emoções de escrever Renato Pompeu
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endo um livro que exige do leitor praticamente tanta garra e tanta erudição quanto demonstra ter o próprio autor, como ensaio teórico e abstrato na melhor tradição da erudição literária, O Espírito da Prosa – uma Autobiografia literária, do escritor catarinense Cristovão Tezza, radicado no Paraná, editado pela Record, é ao mesmo tempo de leitura compensadora, envolvente e cheia de enlevo, para quem quiser passar pela agonia e êxtase de se enfronhar na vivência emocional e intelectual de um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos, traduzido até na Holanda e na Nova Zelândia. Defensor dos valores clássicos da grande literatura e tendo passado vinte anos como professor universitário em Curitiba, um dos demônios que Tezza busca enfrentar, com altivez e coragem, é a vertente crítica contemporânea que saúda a abolição do sujeito na prosa, pois ele se identificou desde a juventude com escritores como o polonês radicado na Inglaterra Joseph Conrad, o alagoano Graciliano Ramos, o russo Fiodor Dostoievski, o americano William Faulkner, o colombiano Gabriel García Márquez, o peruano Mario Vargas Llosa. Em suma, sempre quis ser, ao mesmo tempo, realista e fabuloso. Insurge-se contra a literatura de inventário erudito que é endeusada por boa parte da crítica acadêmica, particularmente nos países latinos, desde que a "desconstrução" da ficção começou na França, com o c h a m a d o n o uveau roman, e se espalhou pela Espanha e Portugal e, na América Latina e no Brasil especificamente, passou a predominar mais entre a academia do que entre os autores. Aos 60 anos, Tezza se interessou pelas artes e pela cultura já desde a puberdade. Chegou a trabalhar com a requintada atriz Denise Stoklos (no alto) antes de ambos completarem o curso secundário. Depois de um intervalo em que quis ser oficial da marinha mercante – talvez inspirado na experiência do escritor Joseph Conrad, que foi capitão de navios ingleses – ele foi estudar literatura em Portugal em meados dos anos 1970, mas a universidade estava fechada por causa da Revolução dos Cravos. Ficou deambulando por toda a Europa, tentando sustentar sua atividade como escritor com trabalhos como o conserto de relógios. Verificando que isso não era suficiente para sustentar nem mesmo os inícios de uma carreira literária, se tornou professor universitário – ao que parece, um tanto a contragosto, talvez porque seja um espírito mais criativo, um tanto incomodado pelo caráter cíclico e repetitivo do ensino. Pediu demissão do cargo
de professor em 2009, aos 57 anos, antes da aposentadoria. De todo modo, encantou-se com a descoberta do teórico da literatura russo Mikhail Bakhtin, imortal criador dos conceitos de carnavalização da literatura e de polifonia na ficção, sobre o qual fez na Universidade de São Paulo sua tese de doutorado. Bakhtin insiste em que desde a Antiguidade e a Idade Média, a literatura, como o Carnaval, está cheia, por exemplo, de narizes postiços, ou narizes avermelhados de bebedeira, com muitos personagens sendo encarados pelos autores ao mesmo tempo com amor, bonomia, e deboche. Isso teria alcançado um ponto alto com Dostoievski, que também foi o principal cultor da polifonia, isto é, da narrativa não do ponto-de-vista de um narrador onisciente ou de um único personagem da trama, mas de várias vozes descrevendo às vezes o mesmo acontecimento de diferentes pontos-de-vista, cada um deles parcial e incompleto quanto a todo o acontecimento. Enquanto dava aulas e produzia seu doutorado, Tezza lançava romances e ganhava inúmeros prêmios literários e foi sendo traduzido até para o catalão, com obras como Tra po , em que um professor narra suas relações com um poeta, e o poeta narra suas relações com o professor, e O filho eterno, este seu romance mais aclamado e baseado em sua p r ó p r i a e x p eriência de pai de u m f i l h o p o r t ador da síndrome de Down. Relatando sua passagem pelos anseios utópicos dos anos 1960 e 1970, que apesar da perda de muitas ilusões o marcam até hoje, Tezza, que muitas vezes nessa autobiografia literária parece algo melancólico, guarda intocado seu entusiasmo pelo realismo. Nota que a crítica predominante nos grandes países latinos tenta louvar uma espécie de técnica de escrita requintada e sem alma, a partir do estruturalismo e do desconstrucionismo de origem francesa, mas que, mesmo nesses países e entre os próprios críticos, as leituras preferidas continuam sendo as da grande tradição realista mantida incólume nos países anglo-saxões, como os livros da inglesa Jane Austen, do século XIX, e do americano contemporâneo Philip Roth. Além disso, observa que a tal literatura desconstruída sempre se justifica por transmitir uma "mensagem", tal como fazia o realismo socialista mais tacanho. Podemos encerrar com uma irônica observação de Tezza, segundo a qual descrever que um personagem se levantou da cadeira e deu alguns passos em direção à porta exige muito mais arte e técnica do que qualquer aristocratismo erudito pós-moderno.
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A ciência das borbulhas José Guilherme R. Ferreira
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cultura
O pão nosso de cada dia em novas padarias
Um dos sanduíches do Café Boulange, espaço decorado com cartazes de filmes. Além de matar a fome, é possível comprar DVDs.
Lúcia Helena de Camargo
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Fotos: Divulgação
ão com manteiga e um bom café com leite pode ser a definição do café da manhã perfeito para muita gente. E com a chegada à cidade de padarias sofisticadas, essa combinação pode ganhar muitos elementos. A rede belga Le Pain Quotidien inaugurou duas lojas em São Paulo. Uma na Vila Madalena, na zona oeste, e outra no Shopping Cidade Jardim. E planeja abrir mais uma até o final do ano. Todos os produtos vendidos ali são orgânicos, ou seja, produzidos sem agrotóxicos. O café com leite é servido em xícaras sem alça. Bom para quem aprecia sentir o calor da bebida nas mãos. Uma das marcas registradas da franquia é a grande mesa comunitária no centro do salão, para incentivar a socialização entre os frequentadores. Há acesso grátis a internet. Para levar para a casa, há pães diversos: integral (inteiro, R$ 19; meio, R$ 9, e um quarto, R$ 4,50); pão de nozes, ao mesmo preço; cinco grãos (R$ 16); baguete (R$ 8).
Entre as pastas, há Noisella (chocolate com avelã); Blondie, feita de chocolate branco; Brunette, de avelã, e a Noir, de chocolate meio amargo, todas vendidas no pote de 400 gramas, a R$ 34,90. A Speculoos (pasta belga à base de biscoito de canela, mel e farinha de soja), com 200 gramas, custa R$ 24,90. Mas algumas estão em falta, porque, segundo os gerentes, fizeram tanto sucesso que ainda não deu tempo de reabastecer as prateleiras. Cestas – No cardápio para consumo no local, estão entre os preferidos dos clientes a cesta de café da manhã (R$ 22), que vem com pães, croissant ou pain au chocolat, suco de laranja e uma bebida quente, além das omeletes, servidas até as 12h – de segunda a sexta – e as 15h, nos finais de semana, acompanhadas de salada e porção de pão. Podem ser recheadas de salmão defumado (R$ 18), cogumelos e queijo (R$ 15) ou presunto cru e tomate (R$ 17). Há ainda quiches, saladas, sopas, tábua de frios, e as tartines – sanduíches abertos ao estilo belga
Pães da grife Le Pain Quotidien, com dois endereços na cidade.
Tartine: sanduíche aberto ao estilo belga no pão integral.
Café Boulange oferece extenso menu no pão integral. Entre as opções frias está a feita com camarão, guacamole e salsa de tomate (R$ 25). Se prefere algo quente, pode ir bem a tartine de legumes grelhados com queijo de cabra, rúcula e saladinha orgânica (R$ 28). Quem trouxe a franquia ao Brasil foi Ricardo Rinkevicius, empresário também responsável pelo Ping Pong, original de Londres, de comida chinesa. A rede Le Pain Quotidien totaliza 170 lojas em 19 países. Filmes – A poucos metros dali, na mesma rua, acaba de ser aberto o Café Boulange. Além de pães, café, doces e refeições rápidas, o local tem um charme a mais: suas paredes são decoradas com cartazes de filmes e há venda de DVDs. Dono da distribuidora Imovision, Jean-Thomas Bernardini reúne no espaço suas duas paixões: pães e filmes. Filial da loja que funciona no cinema Reserva Cultural, o Café Boulange oferece um extenso menu. Entre os itens básicos, croissant simples (R$ 4,50), pain ao chocolat (R$ 5,50), mini croissant simples (R$ 2), com amêndoas (R$ 5,50) e Romeu e Julieta (R$ 3,50), além de pão de queijo (R$ 2,70). Para matar a fome, croque monsieur e croque madame, ambos a R$ 12. Tartines: de presunto com mussarela (R$ 9,50); de queijo de cabra (R$ 12,50); de salmão defumado (R$ 11,50), entre outras. Saladas – Mantenha a linha pedindo salada Roma (R$ 29), que leva verdes, presunto de Parma, damasco e nozes; salada do mar (R$ 27), com folhas, tartare de salmão ao limão siciliano; salada chèvre (R$ 31), na qual as folhas são guarnecidas com queijo de cabra. É servido ainda o clássico francês steak tartare (R$ 39), feito de carne bovina crua cortada na ponta da faca, com alcaparras e outros condimentos, acompanhada de pães, salada e batata chips. A carta de bebidas começa com o café expresso Boulange Goumert (R$ 4,30), 100% arábica da Serra da Grama, plantado em São Sebastião da Grama (SP). Se preferir um aperitivo, pode pedir um dry martini (R$ 14), que traz no menu uma citação de Dorothy Parker, declarando sua apreciação pelo drinque, e outra de Humphrey Bogart, também adepto da bebida. Na carta de vinhos, argentinos, chilenos, italianos e opções em taça a partir de R$ 11.
Le Pain Quotidien. Rua Wisard, 146. Vila Madalena. Shopping Cidade Jardim: Av. Magalhães de Castro, 12.000. Marginal Pinheiros. 3° piso. Tel.: 30218145. www.lepainquotidien.com.br Café Boulange. Rua Wisard, 370. Vila Madalena. Av. Paulista, 900. Tel.: 3031-8382. www.cafeboulange.com
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ísico e fotógrafo, Gérad Liger-Belair é autor de um livro sobre... o Champagne. Uncorked, The Science of Champagne, editado pela Universidade de Princeton, traz seus estudos sobre as borbulhas que aumentam o prazer de quem degusta essa bebida de charme, assim vinificada desde 1668. Este o ano no qual o beneditino Dom Pérignon, da Abadia de Hautvillers, no Vale do Marne, a 150 quilômetros de Paris, começou a lutar contra e a favor das bolhas do champagne até conseguir um método eficiente de vinificação. Quando estudante de Física em Paris, Gérad já tinha atração pela área da dinâmica dos fluidos. Ele conta que, na época em que terminava a graduação, não conseguia tirar os olhos da caneca de cerveja e da dança de suas bolhas douradas. Logo comprou macrolentes e passou a fotografar o comportamento de bebidas gasosas. Ao final, vislumbrou um futuro para sua carreira: resolveu postar as imagens para o Departamento de Pesquisa da Moët & Chandon, com uma proposta irrecusável de pesquisa: toda casa de Champagne teria de conhecer a fundo, cientificamente, os processos físico-químicos dessas borbulhas que têm peso (ou leveza) fundamental na imaginação de quem saboreia esse tipo de vinho. Foi convidado a Eper-
nay, a capital dos vinhos da Champagne, e logo mudou-se de Paris para o Laboratório de Ecologia da Universidade de Reims, onde escreveu sua dissertação de mestrado, base desse seu livro. Nele, Gérard conta como as bolhas enfileiradas na taça chegam ao ápice em seguidas explosões de gotículas invisíveis a olho nu. O autor é hoje professor associado de Ciências Físicas da Universidade de Reims, na região vinícola de Champagne.
José Guilherme R. Ferreira é membro da Academia Brasileira de Gastronomia (ABG) e autor do livro Vinhos no Mar Azul – Viagens Enogastronômicas (Editora Terceiro Nome)
Encantadores de palavras Aquiles Rique Reis
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o completar 18 anos de carreira, a Palavra Cantada, de Sandra Peres e Paulo Tatit, demonstra que de fato chegou à maturidade. Mais do que fazer música para crianças, o que eles fazem é musicar o mundo infantil, através de uma ampla e generosa visão adulta. Ao romper com barreiras conceituais estereotipadas, que imaginam a criança como incapaz de absorver melodias e harmonias mais elaboradas, e, principalmente, inapta a entender palavras fora do que se imagina ser o mundinho infantil, os músicos Sandra e Paulo dão uma formidável luz a pais e filhos. Ao tratar o seu público como seres pensantes, prontos para se deixar envolver numa poética distante daquilo que se convencionou ser a única forma de compor para os pequenos, a Palavra Cantada se mostra um oásis. Um minutiiiinho (MCD) é o título do álbum cuja direção musical é de Paulo Tatit, com produção de Guilherme Kastrup. Tudo começa com a faixa-título, de Paulo Tatit e Zé Tatit, uma obra-prima: Mamãe um minutinho já vou/ Agora não posso parar/ Espera um pouquinho já vou/ É só um minutinho, rapidinho já vou. Ao receber o apelo à pressa, não há criança, jovem, adulto e velho que ainda não tenham se valido da súplica: "Um minutiiiinho". Quando tudo hoje é para ontem, esse pedido é como se tentássemos frear o tempo, ou como uma tentativa de amenizar a angústia, que vem da correria desenfreada de uma vida que não admite
pausa. Pois, assim, essa música é o símbolo de um trabalho musical feito por adultos incorporando o universo das crianças, unindo visões comuns a ambos. Ouso dizer que apenas por ela o CD se bastaria. Mas como, evidentemente, pegaria mal um disco com apenas uma única música, outras treze lá estão. Se não com a força de Um Minutiiiinho, as que se seguem são também impecavelmente bem construídas poética e musicalmente. Eu Sou Um Bebezinho (Paulo Tatit) é um reggae que embala a letra na qual o bebê não se conforma de não ter toda a atenção do mundo: E ontem de noite/ Cri cri/ Mamãe estava tão chique/ Fiu fiu/ Na hora de ela sair/ Beijinho beijinho/ Eu dei um chilique. Musicalmente perfeito, alegremente saudável. Vem Dançar Com a Gente (Paulo Tatit) é um convite à dança. Num arranjo pop, as vozes de Paulo, Sandra e Estêvão Marques, somadas a um coro, chamam para uma alucinada dança das caveiras. Os arranjos são bem apurados e tocados por ótimos instrumentistas. As músicas feitas pela Palavra Cantada e seus parceiros são tocadas e cantadas impregnadas por orgulho que vem à tona a cada sílaba, a cada acorde. Eles não brincam de fazer música para criança. Brincam, sim, com a capacidade que têm de colocar seus maiores talentos a serviço delas. PS. Roberto Silva, o Príncipe do Samba, mais um que nos deixa.
Aquiles Rique Reis, músico e vocalista do MPB4.
SHOW Jazz com pitadas de pop rock O cantor e guitarrista John Pizzarelli sobe ao palco do Bourbon Street na próxima terça-feira (18) para apresentar seu mais recente CD, Double Exposure. No repertório, composições de artistas como Tom Waits, Neil Young e Lennon e McCartney, além de músicas compostas pelo próprio Pizzarelli. Bourbon Street. Rua dos Chanés, 127, Moema, tel.: 5095-6100. Terça (18), 22h. Couvert artístico: R$ 190.
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cultura
Turismo gastronômico
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i pela primeira vez essa expressão num texto de José Bento dos Santos, o maior crítico de culinária em língua portuguesa, que escreve na Revista de Vinhos a coluna Os Grandes Restaurantes do Mundo. Como a edição é mensal e Portugal é perto do velho e do novo mundo, há sempre o relato de uma nova visita de nos deixar com água na boca: Adriá, Robuchon, Ducasse, Atala, os Roca, Blumenthal, Arzak e Redzepi. Crítico do bem, é preciso conhecê-lo para extrair as queixas ou críticas sutis do texto. Rolling stone sofisticado, em contraponto a Kerouac e Ginsberg, JBS já pegava a estrada lá pelos anos 1970, em busca dos bons restaurantes europeus. Como diz – e quem de minha geração não fez? – o gostoso era chegar nalguma vila francesa ou italiana e, assuntando com o chofer de taxi ou o concièrge do hotel, descobrir aquele bistrô sensacional sequer mencionado no Michelin, a comida da terra transmitida secretamente da mãe a um dos filhos. Acontece que o mundo mudou. Hoje, os restaurantes e hotéis têm sites, trazem o cardápio, fotos dos pratos e até a carta de vinhos. Quem gosta pode antecipar a viagem, navegando pela rede sem emburrecer num domingo modorrento. Agora quem está na estrada sou eu: hoje à noite jantarei – aqui em Paris – no Benoit, bistrô antigo de 1912 rejuvenescido por Alain Ducasse; no sábado no Marius et Janette de pei-
Carlos Celso Orcesi da Costa
Catedral de Notre Dame Le-Puy-en-Velay xes magníficos; e no domingo 16 de setembro no La Côte Saint-Jacques de Jean-Michel Lorain ("patrimônio culinário da França" segundo o Guia Michelin) em Joigny. Alguém se lembra de meu artigo O Melhor de Meus 22 Mil Jantares? Sim, foi no Auberge du Pont de C o ll o n g es de Paul Bocuse. Pois bem – enquanto meus leitores trabalham duro –, na tranquila 2ª-feira, 17, em Lyon, voltarei ao templo do mestre da nouvelle cuisine. Ele diz: "O difícil é realizar as receitas
Bocuse: Fricassée de volaille de Bresse à la crème e cogumelos Morel.
sempre do mesmo jeito". Essa filosofia está na contramão da experimentação desenfreada da culinária contemporânea, à la Ferran Adriá, mas por outro lado é aplicável a quem chegou à perfeição. O experimentalismo de hoje será o conservadorismo de amanhã. Como agora podemos ver as fotos das receitas, praticamente escolhi os pratos do jantar, começando com a famosa soupe aux truffes VGE que Bocuse criou para o jantar em que recebeu a Legião de Honra, no Pa-
lácio do Eliseu, do presidente Valery Giscard d'Estaing. Trufas negras, foie gras, pequenas partidas de cenoura, cebola, champignons e peito de frango picado cozido na manteiga, sal marinho, pimenta do reino moída e um toque de vermute no final. Depois estou em dúvida entre o sole (linguado) aux noodles (talharim) à la Fernand Point, receita do grande chefe falecido em 1955, em cujo restaurante (Pyramide) Bocuse começou; ou o "fricassê de
galinha de Bresse ao creme e cogumelos morel". Frango é comida simples aqui no Brasil, mas na França se destaca. Vejam a foto; não é atrativa? Ou peço "salmão vestido em escamas de batata crocante"? Ou talvez o "robalo em casca de massa folhada ao molho Choron", receita divinal que provamos em 1989. Tudo para dizer que atualmente é possível prever cada passo da viagem. Maria Helena me censurou ao dizer que eu estaria "via-
Lucas Della Iglezia/DC
Fotos: Simone Kontraluz/Divulgação
Da esquerda para direita: Cristina Flores, Álamo Facó e Franciely Freduzeski.
No canto, à esq, detalhe da parede original do Pateo. Ambiente gostoso para uma refeição sem pressa.
V James Joyce e a monogamia Sérgio Roveri
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irlandês James Joyce (1882-1941) não contemplou Exilados, o único texto teatral de sua carreira, com a ruptura de linguagem e a revolução gramatical que empregou na hora de escrever Ulisses, uma das obras-primas da literatura universal. Na peça, que entra em cartaz neste sábado, 15, no Teatro Nair Bello, Joyce optou por utilizar uma linguagem direta, ainda que extremamente verborrágica e cerebral, para decupar os meandros de um triângulo amoroso formado por um escritor, sua mulher e um jornalista tido até então como o melhor amigo do casal. O texto, que assumidamente privilegia as ideias em vez da ação, mesmo sob a ameaça de resultar num espetáculo estagnado, chega à cidade em montagem dirigida pelo cineasta Ruy Guerra, trazendo no elenco os atores André Garolli (como o escritor Richard Rowan), Franciely Freduzeski (a esposa) e Álamo Jacó, no papel do jornalista. "Ainda que não seja uma peça autobiográfica, Exilados apresenta uma série de episódios reais da vida de Joyce", diz André Garolli, que na temporada paulista
jando para comer". Teria razão? A mim importam os museus, as paisagens e caminhos, as pequenas vilas nas montanhas. Mas não dá para programar a hora de conhecer, por exemplo, a Catedral Notre-Dame em Le Puy-enVelay (Auvergne), cidade 3 estrelas M ichelin, "um dos lugares mais extraordinários da França", com sua catedral "em estilo romano com influência bizantina, presque oriental, patrimônio da humanidade pela Unesco". Respondo a MH por escrito: não viajo para comer; mas compreendo o que você quer dizer! Acontece que vivemos a era da informação. Os próprios hotéis e restaurantes estão voltados às reservas eletrônicas. Não há mais atendimento telefônico, papel, pessoas marcando reservas. Sequer e-mails são muito estimulados, o turista sendo constantemente direcionado para os conteúdos virtuais, preenchendo dados e cartões de crédito. Embora cada site seja a louvação de si mesmo, há espaço para garimpar e filtrar, selecionar o que nos parece melhor ou mais barato. É só impressão, não quero me tornar um turista exclusivamente culinário. Embora não negue gostar de bons restaurantes no fim do dia; sem contar o prazer de pedir um belo Hermitage ou Barolo, pagando no restaurante, em Grenoble ou Turim, a metade do preço de loja em São Paulo.
substitui o ator Gustavo Machado. "A começar da trama central, o triângulo amoroso entre um escritor, sua mulher e um jornalista, situação que ele também vivenciou. Joyce não aponta caminhos com esta peça, ele apenas propõe uma discussão filosófica sobre os rumos do casamento burguês após a emancipação feminina". Exilados se passa em Dublin, Irlanda, em 1912. O escritor Rowan e sua mulher Bertha acabam de voltar de um exílio de nove anos na Itália – a peça sinaliza que o casal decidiu viajar em função da incapacidade de Rowan de lidar com as pressões sociais por ter se unido a uma mulher de passado comprometedor. O regresso do casal não apenas reacende a grande amizade que, na juventude, uniu escritor e jornalista, mas acima de tudo os torna rivais na disputa pelo coração, e logo em seguida pelo resto do corpo, da mulher de Rowan. "O texto mergulha
fundo em uma questão que continua sendo tabu até hoje: as fronteiras da monogamia", diz Garolli. "Os três personagens são modernos, de moral avançada para a época, mas não conseguem lidar com a possibilidade da traição e do abandono". Garolli diz que a direção de Ruy Guerra (que limou cem páginas do texto original para chegar a uma encenação de cem minutos) privilegiou a linguagem cinematográfica, com marcação precisa dos atores e iluminação. "O diretor criou um ambiente inóspito, em que a racionalidade vem antes da emoção. Os diálogos são tão cerebrais que foi muito difícil para os atores encontrar a humanidade destes personagens".
Exilados, estreia neste sábado, 15, no Teatro Nair Bello do Shopping Frei Caneca, Rua Frei Caneca, 569, tel.: 3472-2414. Sábado às 21h e domingo às 18h. R$ 50.
iagem ao passado é aperitivo no Café do Pateo. No topo da colina, em 25 de janeiro de 1554 (dia consagrado pela Igreja como o da conversão do apóstolo dos povos) nascia São Paulo. Lá os jesuítas construíram um colégio, sob a benção do cacique Tibiriça (?1562) dono daquelas terras, o primeiro índio a ser catequizado, cujos restos mortais descansam na cripta na catedral da Sé, que pode ser visitada, ali pertinho. Se a Rua Boa Vista prometia um lindo panorama do Planalto do Piratininga (pira-tininga: o peixe a secar), no que foi a Várzea do Carmo, atual Parque D. Pedro II, quase sempre inundada pelo tortuoso rio Tamanduateí (rio do tamanduá), o ribeirão serpenteava em suas Sete Voltas, canalizadas sob a Rua 25 de Março. Corria sereno diante das lavadeiras agachadas, brigando e discutindo enquanto esfregavam as roupas, observando mais abaixo inúmeros casais enamorados passeando em canoas, as moças empunhando sombrinhas, flertando na romântica Ilha dos Amores. Na Ladeira Porto Geral os estivadores lidavam com as cargas do transporte fluvial. Então, atravesse o amplo e arborizado estacionamento do Café do Pateo até o fundo, à beira da colina, feche os olhos diante da massiva e acachapante
Três mesinhas altas para um café rápido (espresso R$ 3,80; macchiato R$ 3,90; media R$ 6,40) acompanhado de um pedaço de bolo caseiro (R$ 4,30), pão de queijo (R$ 2,10) ou broa de milho (R$ 3,55). Refrigerante (R$ 3,75), cerveja (R$ 5,45). O terraço é extremamente aprazível. Entrando, à esquerda das mesas, corre protegido por uma vitrina de blindex o fragmento arqueológico mais antigo da cidade ainda em pé. Com aproximadamente 25 metros de comprimento, é parte de um muro do colégio original, do século XVI. À direita, um oásis verde. Árvores altaneiras, vasos e canteiros evocam paz; o chafariz, frescor; bancos, viveiro de periquitos e maritacas, tranquilidade; lampiões e capitéis jônicos do século XIX de pedra maciça espalhados, memória. Sete salas de um museu (entrada, R$ 6) trazem coleções de arte sacra e objetos dos primeiros séculos, com destaque para uma pia batismal de 1680. Vale almoçar: risoto de carne seca (R$ 26,60), picadinho à paulista (R$ 29,10). Transporte-se!
Café do Pateo: aproveite e transporte-se! Armando C. Serra Negra megalópole de concreto em que a antiga e prosaica São Paulo se tornou e dê asas à imaginação. O ambiente é favorável. Não só a praça onde se encontra o Colégio, os prédios gêmeos da Secretaria da Justiça à direita, o obelisco Gloria Immortal aos Fundadores de São Paulo de frente para o Tribunal de Justiça do Estado, ao centro, os números do Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo atingindo cifras estratosféricas à esquerda (em 29 de agosto, rompeu a marca de R$ 1 trilhão – suficiente para transbordar o Estádio do Maracanã com moedas de R$ 1), e o Marco da Paz, mais adiante, onde a molecada bate o sino e os turistas posam para fotos. O colonial brasileiro da edificação estende-se em azul e branco, na extremidade a torre singela e o sino da capela (toca de três em três horas) convidam à missa. À entrada do café, um balcão simples serve de moldura para rabiscos em azulejo do que foi a vista de outrora, descrita acima.
Café do Pateo. Praça Pateo do Collegio, 02, Centro, tel.: 31018512. Terça a domingo das 9h às 16h30. Missas: terça a sexta 12h; domingo às 10h.
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Bienal Com o tema A Iminência das Poéticas, trigésima edição reúne trabalhos de 111 artistas no Ibirapuera.
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cultura
Rita Alves
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Museu de Arte Sacra abriga até o dia 4 de novembro trabalhos de oito artistas plásticos e um coletivo reunidos na mostra Contrapontos. Participam da exposição Alex Flemming, Geórgia Kyriakakis, Guto Lacaz, Luiz Hermano, Monique Allain, Renata Barros, Roberta Segura, Silvia Mharques e o Núcleo de Arte-Educação do próprio museu. Convidados pela curadora Nair Kremer, cada artista criou interferências com o ambiente e com as obras da mostra de longa duração do local. Ela conta que quando conheceu o museu ficou encantada com seu acervo, mas notou que o lugar era pouco visitado. "Então tive a ideia de fazer algo que vi fora do Brasil: contrapor arte contemporânea dentro das coleções", conta. "A proposta era que para cada sala escolhida pelo artista convidado fosse criada uma intervenção, um trabalho específico para aquele lugar." Na opinião da curadora, a mostra ficou discreta e ao mesmo tempo forte. "Eu poderia colocar muito mais vídeos e fotografias, por exemplo, mas não era essa a intenção. A ideia era fazer as obras ressaltarem os objetos da coleção e não apagá-la." Foi o que aconteceu com Calixtoscópio , obra de Guto Lacaz, criada a partir de uma pintura de Benedito Calixto.
"Convidei o fotógrafo Edson Kumasaka para reproduzi-la e em seguida plotei em tamanho natural sobre espelho de acrílico", explica. De acordo com o artista, a ideia foi tridimensionalizar a pintura fazendo com que ela ocupe o espaço. "Assim cria vários jogos óticos – optical art. O primeiro é a própria pintura – você está no interior do museu e pode vê-lo de fora. O segundo são as várias perspectivas vistas por diferentes posições dos observadores – reproduções em tamanho natural. E o terceiro são as imagens espectrais, invertidas, apresentadas pelos espelhos que mostram a pintura inteira mais o observador e fragmentos da pintura sobrepostos." A artista Renata Barros participa de C on tr ap on to s com a obra Clone Sudário, na qual faz um paralelo entre seu clone em látex e o Santo Sudário. Ela também exibe o vídeo À Flor da Pele e o trabalho Corações de Vidro. "O vídeo, projetado na sala atrás de grades, foi para falar do claustro. Primeiro aparece o espírito, depois o corpo, protegido atrás das grades. É como a gente vive hoje em qualquer cidade do mundo, só que não por opção, como é o caso das monjas."
Museu de Arte Sacra de São Paulo. Avenida Tiradentes, 676, Luz, tel.: 3326-5393. Terça a domingo, das 10 às 18h.
Fotos: Divulgação
Contrapontos Diálogo entre arte barroca e contemporânea no Museu de Arte Sacra
DIVERSIDADE VISUAL
No alto, Calixtoscópio, criação do artista Guto Lacaz. Acima, Salvaguarda, instalação interativa do Núcleo de Arte-Educação do Museu de Arte Sacra. E, à direita, Clone Sudário, da artista Renata Barros.
Fizemos uma seleção para ajudar você a fazer a sua Não é fácil 'garimpar' entre as cerca de 3 mil obras espalhadas pelo Pavilhão da Bienal – com instalações, esculturas, fotografias, vídeos, pinturas e muito mais, de artistas nacionais e internacionais. Damos aqui algumas dicas para a sua 'caminhada'. Aproveite o fim de semana. (R.A.)
348 peças Cadeira e Corrente é uma das obras feitas por Arthur Bispo do Rosário, enquanto esteve por 50 anos internado em um hospital psiquiátrico. É o grande destaque da Bienal. No 2º andar.
Retrato urbano
Dobras recicláveis
O fotógrafo holandês Hans Eijkelboom registra combinações e repetições encontradas nas ruas de diversas cidades do mundo. No Brasil, o artista escolheu o centro de São Paulo como foco de suas lentes. O resultado está no 3º andar, assim como a imagem acima, de 1994.
A escultura da artista alemã Katja Strunz, assim como outras de suas obras, é feita com materiais reciclados combinados com industriais ou feitos a mão. Tempo e transformação são temas centrais de seu trabalho, em cartaz no térreo e no 1º andar.
Entre linhas e cores
Poesia sonora Na rampa que dá acesso ao 1º andar está o intrigante trabalho do americano David Moreno, mistura de arte sonora e visual.
Obras feitas pela americana Sheila Hicks chamam a atenção pela técnica utilizada: o bordado. Considerada uma das artistas mais importantes dentro da arte têxtil, Sheila apresenta peças de diversas formas, tamanhos e cores, distribuídas pelo andar térreo do local.
Ironia desfigurada O brasileiro Tiago Carneiro da Cunha cria esculturas, aparentemente estranhas e deformadas, para tratar com ironia e crítica temas como violência, sexo e exotismo. Feitas com resina, podem ser vistas no 2º andar.