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Diário do Comércio - 14/01/2013

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EFE

A Apple levou a Foxconn a tratar melhor seus 164 mil funcionários. E todos os chineses serão beneficiados. Págs. 16 e 17

MAX

Conclusão: 23h30

Ano 87 - Nº 23.789

www.dcomercio.com.br

Jornal do empreendedor

R$ 1,40

São Paulo, sábado, domingo e segunda-feira, 12, 13 e 14 de janeiro de 2013

iPODE

O aplicativo que mudou a relação de trabalho na China

Página 4

ñPODE Ar visível (foto) e irrespirável

Com muitos graus de cinza acima do respirável, poluição cobre 12 cidades chinesas. Ficará por mais 2 dias. Pág. 9

Tucanos e arapongas acima de nós Calma! Eles não são políticos. Estão entre os pássaros raros da Capital, mostra o guia Aves da Cidade. Nossa fauna é tamanha que atrai turistas. Pág. 11

ePODE?

Claudio Peri/EFE

Charles Platiau/Reuters

Papa na janela. E peitos nus pelo casamento gay. Em Paris, parada antigay. Quatro militantes do grupo Femen arrancaram seus sutiãs quando Bento XVI apareceu na janela. A polícia as viu talvez antes do papa, a quem pediam: "Cale a boca". Pág. 9 ISSN 1679-2688

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9 771679 268008

Pelo menos 340 mil pessoas foram protestar, diante da Torre Eiffel, contra projeto do presidente Hollande de legalizar casamento gay e adoção de crianças por casais do mesmo sexo. Pág. 9

Caracuba, o novo centro político da Venezuela. O governo chavista da Venezuela se reuniu ontem. De novo em Havana. Pág. 8


DIÁRIO DO COMÉRCIO

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o

sábado, domingo e segunda-feira, 12, 13 e 14 de janeiro de 2013

A insinuação mais ofensiva e mais vergonhosa sobre Chuck Hagel é que ele seja antissemita. Nicholas D. Kristof

pinião

Em defesa de Hagel Melissa Golden/EFE

O

s críticos estão batendo na escolha do presidente Barack Obama para secretário da Defesa, Chuck Hagel, por este ser brando em relação ao Irã, antimilitarista e até antissemita. Essa é uma caricatura grotesca de um homem que poderá ser um ótimo secretário da Defesa. É verdade que Hagel mantém um saudável ceticismo sobre utilizar soldados norteamericanos. Isso porque ele também mantém estilhaços do Vietnã em seu peito e dá importância aos custos humanos enquanto as autoridades do Pentágono põem alfinetes nos mapas. No Vietnã, Hagel resgatou seu irmão inconsciente (que servia na mesma unidade) de um veículo de transporte de soldados que tinha atingido uma mina. O acidente deixou Hagel com tímpanos estourados, queimaduras graves e um importante aprendizado. "Eu não sou um pacifista. Acredito em usar a força, mas só após um processo de tomada de decisões muito cuidadoso", afirmou Hagel, anos depois, à revista Vi e tn a m. "Na noite em que Tom e eu fomos retirados daquela vila, em abril de 1968, eu disse a mim mesmo: se conseguir sair dessa e um dia estar em posição de influenciar a política, vou fazer todo o possível para evitar uma guerra desnecessária e sem sentido." Como é revigorante imaginar decisões sobre as guerras sendo tomadas por pombos corajosos em vez de falcões covardes! "Muito frequentemente, em Washington, a questão de intervenção se torna uma abstração, um debate político", observou Richard Haass, o presidente do Conselho de Relações Exteriores e ex-assessor especial do Departamento de Estado. "Gosto da ideia de que alguém à mesa veja a questão em termos de pessoas."

permitir que todas as crianças do mundo completassem o ensino básico, acabando com o analfabetismo mundial. A insinuação mais ofensiva e mais vergonhosa sobre Hagel é que ele seja antissemita. Uma coluna do Wall Street Journal sugeriu isso e Elliott Abrams, ex-membro do governo George W. Bush, afirmou que Hagel "parece ser antissemita". Estou apoiando Hagel neste momento em parte porque considero isso bastante ofensivo. A "prova" seria que Hagel uma vez utilizou o termo "lobby judeu" em vez de "lobby israelense" e que ele em geral tem se mostrado mais disposto a criticar as políticas de Israel do que muitos dos políticos irresponsáveis dos Estados Unidos.

P

Indicado para secretário da Defesa, Chuck Hagel, um ex-combatente do Vietnã, enfrenta críticas. Brent Scowcroft, o ex-assessor de segurança nacional e decano dos analistas republicanos sérios sobre política externa, me disse: "Acho que Hagel poderá ser um excelente secretário de Defesa". Scowcroft observou que importantes autoridades às vezes são tentadas a usar a força militar "como uma forma de se livrar dos problemas rapidamente", sem analisar suas complexidades, en-

quanto Hagel seria um contrapeso que entende a confusão do combate. Isso pode ser útil porque o maior erro dos EUA em política externa neste novo século tem sido superutilizar as tropas. A maior mancada do próprio Obama foi triplicar o número de soldados norte-americanos no Afeganistão. Já gastamos US$ 640 bilhões no Afeganistão e US$ 800 bilhões

no Iraque, até hoje. Ao todo, segundo meus cálculos, são mais de US$ 12 mil por família dos EUA. Imaginem se essa quantia tivesse sido gasta em, digamos, educação infantil inicial no País. Ou em pôr mais jovens na universidade. Ou na educação global: cerca de 1% do total gasto no Iraque e no Afeganistão, se fosse gasto em escolas no mundo todo, poderia

ara começar, "lobby judeu" é um termo que tem sido amplamente utilizado: uma busca no site do jornal israelense Haaretz encontra 27 páginas de citações nas quais se usou "lobby judeu". E o Haaretz tem criticado as políticas israelenses bem mais duramente do que Hagel. Os próprios líderes de organizações judaicas têm usado o termo "lobby judeu". Malcolm Hoenlein, vice-presidente-executivo da Conferência de Presidentes das Principais Organizações Judaicas Norte-Americanas usou este termo há algumas semanas. É bullying e um insulto denunciar pessoas como antissemitas porque elas não querem apoiar as políticas do reacionário governo israelense, que frequentemente atira no próprio pé. Num mundo no qual o antissemitismo ainda persiste, isso é desvalorizar tanto o termo que ele se transforma em apenas um insulto direitista superficial. Talvez seja essa a razão pela qual a Voz Judaica pela Paz, uma organização judaica norte-ame-

NICHOLAS D. KRISTOF ricana liberal, informou que seus membros enviaram 10 mil e-mails para Obama em apoio à indicação de Hagel.

Q

uanto ao Irã, Hagel vai precisar parecer mais falcão em público para se entrosar com o governo e será útil para o Irã se preocupar com um ataque militar. Mas eu espero que Hagel, em p a r t i c u l a r , c o n t i n u e a s er cauteloso. Obama tem se colocado na posição de que se um acordo nuclear com Teerã não for alcançado, ele teria de ordenar bombardeios em algum momento em 2013 ou 2014. Um cético no Pentágono seria um acréscimo útil ao debate. Como jornalista que passa boa parte do tempo nesse terreno, fico muitas vezes preocupado que as tomadas de decisões políticas em Washington possam se tornar uma caixa de ressonância, reforçando os preconceitos de quem estiver no comando sem pesar as complexidades inconvenientes da questão. Com sua experiência em combate, Chuck Hagel não oferece um eco, mas uma voz independente e atenta. NICHOLAS D. KRISTOF É COLUNISTA DO NEW YORK TIMES. CONTATOS EM

FACEBOOK.COM/KRISTOF, TWITTER.COM/NICKKRISTOF . TRADUÇÃO: RODRIGO GARCIA

BRASIL DEVE SE PREPARAR PARA ANO DIFÍCIL A

crise que afeta os EUA e a União Europeia tem uma explicação simples e serve para meditação dos brasileiros, que só agora começarão a sentir os efeitos das dificuldades que vêm abalando o mundo – mas que o ex-presidente Lula chegou a denominar de "uma simples marolinha". A quebra nos maiores mercados do mundo, de maior tecnologia e qualidade de vida, tem o mesmo mal: governos de esquerda nos Estados Unidos e Europa, impostos altos, distribuição de benesses, sem que haja a contrapartida na produtividade. Para os EUA, a superação poderá ser mais rápida, pois o governo pouco influi

vizinhos – menos o Paraguai, e mesmo assim devido à seca que abalou sua agricultura.

na economia, além de o país possuir recursos minerais importantes, como carvão de qualidade, petróleo e gás. O governo está ainda aliviado de despesas militares, como as com a ocupação do Iraque.

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a Europa, o quadro é mais difícil, uma vez que as esquerdas sofrem grande influência dos comunistas, treinados para ações de rua violentas ( e que depois de derrotarem as esquerdas, agora protestam contra a austeridade). Não existe fórmula mágica. Alguns governos emitiram títulos soberanos, deram corda aos bancos, benefícios sociais fora da realidade econômica; e países como Grécia, Portugal e Espanha

ARISTÓTELES O DRUMMOND perderam o pé. E terão de pagar, que é o mal menor. O calote os isolaria, com graves consequências.

N

ada nos leva a olhar para 2013 com otimismo em relação ao Brasil. As despesas públicas têm aumentado muito, a folha de pessoal nem se fala, com dezenas de milhares de nomeações políticas, programas sociais que estimulam o emprego

informal, e muita corrupção, que assusta investidores daqui e de fora.

A

A mais, o país revela certa imaturidade, com briga entre poderes, proteção a indiciados em inquéritos policiais e a condenados, criando um clima hostil ao crescimento econômico com ordem e competência. E passamos o grande vexame de crescer menos do que nossos

Presidente Rogério Amato Vice-Presidentes Alfredo Cotait Neto Antonio Carlos Pela Carlos Roberto Pinto Monteiro Claudio Vaz Edy Luiz Kogut Érico Sodré Quirino Ferreira Francisco Mesquita Neto João de Almeida Sampaio Filho João de Favari Lincoln da Cunha Pereira Filho Luciano Afif Domingos Luís Eduardo Schoueri Luiz Gonzaga Bertelli Luiz Roberto Gonçalves Nelson Felipe Kheirallah Nilton Molina Paulo Roberto Pisauro Renato Abucham Roberto Faldini Roberto Mateus Ordine

caso do Egito é exemplo flagrante da incoerência e da falta de orientação na condução dos negócios públicos e no controle dos chamados movimentos populares– que, na verdade, são minorias mais organizadas e barulhentas. O presidente eleito, um radical, anulou as Forças Armadas como poder moderador e já teve de apelar ao Exército para que a paz e a segurança voltassem a reinar no Cairo. Os empresários têm uma parcela de culpa nesse quadro de incertezas. Entre nós, o próprio presidente da Fiesp andou gastando

dinheiro para defender o que todos querem, que são tarifas mais baixas de energia. Mas, em lugar de propor objetivamente a queda nos preços pela contenção dos impostos, como fez o senador Aécio Neves, simplesmente ataca empresas que deveria, por ofício, defender, assim como os direitos de acionistas e de investidores institucionais, que levaram um surpreendente tombo em seus recursos, aplicados no setor de energia elétrica. Está faltando ordem e cobranças na praça. E ainda pode faltar luz! ARISTÓTELES DRUMMOND É JORNALISTA E VICE-PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DO RIO DE JANEIRO. ARISTOTELESDRUMMOND@MLS.COM.BR

Fundado em 1º de julho de 1924 CONSELHO EDITORIAL Rogério Amato, Guilherme Afif Domingos, João Carlos Maradei, João de Scantimburgo, Marcel Solimeo Diretor-Responsável João de Scantimburgo (jscantimburgo@acsp.com.br) Diretor de Redação Moisés Rabinovici (rabino@acsp.com.br) Edito r-Ch efe : José Guilherme Rodrigues Ferreira (gferreira@dcomercio.com.br) Editor de Reportagem: José Maria dos Santos (josemaria@dcomercio.com.br) Editores Seniores: Bob Jungmann (bob@dcomercio.com.br), Carlos de Oliveira (coliveira@dcomercio.com.br), chicolelis (chicolelis@dcomercio.com.br), José Roberto Nassar (jnassar@dcomercio.com.br), Luciano de Carvalho Paço (luciano@dcomercio.com.br), Luiz Octavio Lima (luiz.octavio@dcomercio.com.br), Luiz Antonio Maciel (maciel@dcomercio.com.br) e Marino Maradei Jr. (marino@dcomercio.com.br) Editor de Fotografia: Alex Ribeiro Editores: Cintia Shimokomaki (cintia@dcomercio.com.br), Fernando Porto (fporto@dcomercio.com.br), Ricardo Ribas (rribas @dcomercio.com.br) e Vilma Pavani (pavani@dcomercio.com.br) Subeditores: Marcus Lopes e Rejane Aguiar Redatores: Adriana David, Eliana Haberli e Evelyn Schulke, Ricardo Osman, Tsuli Narimatsu Repórter Especial: Kleber Gutierrez (kgutierrez@dcomercio.com.br), .Repórteres: André de Almeida, Fátima Lourenço, Guilherme Calderazzo, Ivan Ventura, Karina Lignelli, Kelly Ferreira, Kety Shapazian, Lúcia Helena de Camargo, Mariana Missiaggia, Mário Tonocchi, Paula Cunha, , Rejane Tamoto, Renato Carbonari Ibelli, Rita Alves, Sandra Manfredini, Sílvia Pimentel, Vera Gomes e Wladimir Miranda. Gerente Executiva e de Publicidade Sonia Oliveira (soliveira@acsp.com.br) Gerente de Operações Valter Pereira de Souza (valter.pereira@dcomercio.com.br) Serviços Editoriais Material noticioso fornecido pelas agências Estadão Conteúdo, Folhapress, Efe e Reuters Impressão S.A. O Estado de S. Paulo. Assinaturas Anual - R$ 118,00 Semestral - R$ 59,00 Exemplar atrasado - R$ 1,60

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sábado, domingo e segunda-feira, 12, 13 e 14 de janeiro de 2013

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ABRIGAR PESSOAS É COMPLICADO E DÁ TRABALHO E OS DOADORES FOGEM DISSO.

pinião

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oucos dias após o terremoto de 12 de janeiro de 2010, Reginald Boulos abriu as portas da sua concessionária destruída para cerca de 14 mil pessoas desabrigadas, que se estabeleceram na ampla propriedade. Sete meses depois, ansioso para reabrir seu negócio, ele deu 400 dólares a cada uma das famílias para que deixassem o lugar e voltassem a seus bairros destruídos. Na ocasião, Boulos, médico e magnata dos negócios, foi difamado por parecer que subornava os desabrigados para participar de seu próprio despejo. Por fim, desesperado para livrar as praças públicas das pessoas e da sujeira, o próprio governo haitiano e as autoridades internacionais adotaram seu método: o "auxílio-retorno em dinheiro" se tornou a principal ferramenta de realocação. Isso significa uma queda nas ambições sonhadoras que surgiram depois do desastre, quando o mundo quis não só reparar o Haiti, mas reconstruílo. O novo pragmatismo é sinal de que, apesar dos bilhões de dólares gastos – e dos bilhões direcionados ao Haiti e ainda não gastos –, a reconstrução mal começou e 357.785 haitianos ainda passam necessidade em 496 acampamentos com barracas. "Quando você olha para as coisas, pensa: caramba, três anos mais tarde, onde está a reconstrução?", disse Michele Pierre-Louis, ex-primeira-ministra do Haiti. "Se perguntar o que deu certo e o que deu errado, a resposta é: quase tudo deu errado. Tem de haver uma contabilidade para todo esse dinheiro." Uma análise desse dinheiro – pelo menos US$ 7,5 bilhões desembolsados até agora – ajuda a explicar por que a aparente generosidade não é tão palpável aqui em Porto Príncipe, a capital eviscerada, onde a maior conquista foi ter limpado quase todo o entulho. Mais da metade do dinheiro foi para ajuda humanitária, que salva vidas e alivia a miséria, mas tem um custo muito alto e não deixa marcas permanentes: as tendas rasgam; comida e água de emergência são consumidas; empregos provisórios acabam; abrigos, clínicas e escolas temporários não são feitos para durar. Só uma parte foi estritamente definida para a reconstrução após o terremoto. Muito da ajuda foi destinada a programas caros, como a construção de rodovias e a prevenção do HIV, e para novos projetos muito longe da zona de desastres – como um parque industrial ao norte e um hospital universitário no

Haiti: reconstrução e a dolorosa verdade. Damon Winter/The New York Times

A parcela de casas reconstruídas após o terremoto ainda é muito pequena. E a questão da água e da infraesturura está longe de ser resolvida. planalto central. Só uma fração ínfima das despesas totais – US$ 215 milhões – tem sido direcionada para a necessidade mais óbvia e urgente: acomodações seguras e permanentes. Em comparação, estima-se que no mínimo US$ 1,2 bilhão tenha sido engolido por soluções de curto prazo – barracas, abrigos temporários e doações em dinheiro para um ano de aluguel. "Abrigar pessoas é complicado e dá trabalho, e os doadores fogem disso", disse Josef Leitmann, administrador do Fundo de Reconstrução do Haiti.

A

lenta reconstrução tem sido o mais recente capítulo desanimador na relação cronicamente disfuncional entre o Haiti e seus benfeitores. Depois do terremoto, chovendo boa vontade e dinheiro no Haiti, as autoridades internacionais estavam determinadas a usar o desastre como catalisador para transformar não só o intratável país pobre, mas as estratégias ineficientes do mundo para ajudá-lo. Bill Clinton, enviado especial da ONU para o Haiti, invocou o mantra do "reconstruir melhor", que ele importou do papel similar que teve no Sul da Ásia depois do tsunami. E a secretária de Estado Hillary Clinton avisou os doadores para parar de

trabalhar às margens do governo e, em vez disso, trabalhar ao lado dele, e para pararem de financiar "uma série de dispersões de projetos bem intencionados" ao invés de fazerem "investimentos profundos e de longo prazo".

M

as uma verificação do New York Times mostra que tal idealismo pósdesastre acabou eliminado pela enormidade da tarefa, pela fraqueza e volatilidade do governo haitiano e pela efetividade limitada da (hoje extinta) comissão de reconstrução. Sem um plano financeiro detalhado para pôr em ordem as prioridades da reconstrução, os doadores investiram mais nos setores que já beneficiavam antes do terremoto – transporte, saúde, educação, água e saneamento básico – e metade do dinheiro a essas áreas foi destinada a projetos começados antes de 2010.

"Uma área onde o dinheiro para reconstrução não chegou foi a reconstrução propriamente dita", disse Jessica Faieta, diretora sênior do programa de Desenvolvimento do Haiti da ONU no país de 2010 até o outono de 2012. Além disso, enquanto pelo menos 7,5 bilhões em ajuda oficial e contribuições privadas foram, de fato, distribuídos, isso não significa que esse dinheiro foi gasto. Às vezes, o dinheiro mudou de uma conta bancária para outra, conforme os projetos ficavam atolados. Esse é o caso para quase metade do dinheiro destinado a moradia. Os EUA, por exemplo, há muito tempo distribuíram US$ 65 milhões para o Fundo de Reconstrução do Haiti, para o maior projeto de moradia planejado para Porto Príncipe. O fundo, que em janeiro de 2011 divulgou uma nota prometendo casas para mais de 50 mil pessoas, transferiu o dinheiro

Só uma fração ínfima das despesas totais – US$ 215 milhões – tem sido direcionada para a necessidade mais óbvia e urgente no Haiti: acomodações seguras e permanentes.

para o Banco Mundial, que está executando o projeto. E lá quase tudo ainda espera, com os contratos apenas assinados. "Construir leva tempo; a destruição é que é rápida", disse o presidente Michel Martelly, na cerimônia ao fim da construção de um hospital universitário. Mas construir é apenas metade da batalha; a reluzente estrutura branca, erguida pela organização Partners in Health na cidade de Mirebalais, ainda não garantiu seu orçamento operacional, que varia entre US$ 12,5 e US$ 13 milhões. Em contraste, aqui em Porto Príncipe, na zona de calamidade, onde o devastado Palácio Nacional acabou de ser demolido e os prédios públicos destruídos ainda têm de ser substituídos, o maior centro médico do país continua notavelmente dilapidado. Mais de dois anos atrás, Hillary Clinton e Bernard Kouchner, então Ministro das Relações Exteriores da França, assinaram um acordo para reconstruí-lo, mas o hospital geral, com alguns ajustes para mantê-lo funcionando, ainda aguarda sua reforma de 70 milhões de dólares. Como esse hospital, muitos

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do raciocínio. Abrindo parêntese: já há alguns anos uso a expressão "seja lá o que isso queira dizer", referindo-me ao "bolivarianismo" chavista. Dia destes um renomado colunista de uma revista semanal usou exatamente a mesma expressão. Que feliz coincidência! Fecho o parêntese. Voltemos a Lula e Chaves.

S

obre nosso grande líder sindicalista, sempre assinalei neste espaço, e faço isso desde a primeira eleição de Lula, que suas atitudes políticas (e vê-se agora também pessoais) confundiram a coisa pública, a gestão do patrimônio do povo brasileiro, com as suas coisas pessoais, seu egocentrismo, sua vaidade,

sua concepção de estar acima do patamar dos comuns mortais.

S

em nenhum agouro, voltando a Chávez, sua delicada situação de saúde está levando a Venezuela a atropelar a Constituição do país. Esta determinou a posse do presidente (ditador) bolivarianamente reeleito no dia 10 de janeiro. Sem poder comparecer, deveria assumir o presidente do Congresso local e conclamar novas eleições no prazo de um mês. A prorrogação ou continuidade, sem a posse, do mandato atual de Chávez (e tantos quantos forem necessários enquanto ele estiver vivo) transgride a Constituição e põe a Venezuela fora (mais ainda)

do Estado de Direito. Curiosamente, o governo brasileiro deu apoio à inconstitucional prorrogação.

L

ula, que nunca soube nem sabe de nada sobre a corrupção e os desmandos havidos sob seu nariz, poderá ser investigado pelo Ministério Público Federal, como réu comum, por denúncia do Procurador Geral da República, Roberto Gurgel (nomeado por Lula). Pelo menos houve tal informação – e depois o desmentido de Gurgel, sósia de Jô Soares. Mencionei já aqui que o tempo se encarregaria de estabelecer a verdade com relação às responsabilidades do expresidente Lula. O volume

projetos de reconstrução esperam na prancheta ou foram adiados por disputas ideológicas ou de terra, problemas de logística e de contratação, diminuição na equipe de trabalho e até mesmo pelo clima. Os EUA ainda têm mais de US$ 1 bilhão alocados para o Haiti esperando no tesouro público, e o movimento mundial da Cruz Vermelha tem mais de 500 milhões em seus cofres. "Não é um problema de disponibilidade de dinheiro, mas sim de capacidade de gastálo", explica Rafael Ruiperez Palmero, um especialista espanhol em de desenvolvimento, que está no Haiti. A Espanha desembolsou US$ 100 milhões para as autoridades responsáveis pela infraestrutura para a água, desesperadamente necessária durante a contínua epidemia de cólera, mas foram gastos apenas US$ 15 milhões até agora. Também foram desembolsados milhões para a construção e reforma de 21 escolas, mas apenas uma foi finalizada. Nos poucos casos em que os doadores deixaram que o governo haitiano tomasse as rédeas, o volume e a complexidade de novos projetos causaram algumas frustrações.

O

Banco Interamericano de Desenvolvimento, por exemplo, encabeça um programa de reconstrução de escolas plurianual, executada por uma instituição pública do Haiti. O banco esperava que ao menos 21 novas escolas fossem abertas no final de 2012. Uma inspeção do banco no primeiro semestre, porém, detectou várias falhas de design e erros de construção. Uma auditoria revelou que as escolas, apesar de terem sido financiadas após o terremoto, não cumpriram as normas antissísmicas ou antifuracão. Quanto, além do custo de US$ 15,4 milhões, será necessário para torná-las seguras, ainda deve ser definido, disse Pablo Bachelet, porta-voz do banco. Mas a construção foi suspensa. DEBORAH SONTAG É JORNALISTA. THE NEW YORK TIMES NEWS SERVICE/SYNDICATE

A coluna de João Ubaldo Ribeiro, publicada às segundas-feiras, volta em 18/02.

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A VENEZUELA E NÓS fato de alguém ter sido presidente da República não lhe atribui santidade nem durante o exercício de seu mandatos (ou mandatos) nem após sua saída. O fato de um presidente ter domínio majoritário sobre as forças políticas de seu país não lhe atribui grau de santidade que possa colocálo acima da Constituição ou do bem e do mal. A primeira citação refere-se ao ex-presidente brasileiro, Luis Inácio Lula da Silva e a segunda ao presidente da República Bolivariana da Venezuela (seja lá o que isso queira dizer) Hugo Chávez. Embora essa explicação seja desnecessária, é oportuna para não haver confusão no direcionamento

DEBORAH SONTAG

PAULO SAAB de "malfeitos", todavia, é tão grande, que tudo está começando a vir à tona bem antes da justiça histórica.

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ertamente vai haver chiadeira dos companheiros, a blindagem, a sagração, a beatificação em vida do grande líder. É típico do PT no poder: tudo pode, nada teme, todos lhe devem, mas ele não deve nada, nem satisfação. Poderia até dizer que quando age, faz "justiçamento"... Lula ainda será objeto de investigação, de apuração, como um cidadão qualquer. Collor foi condenado e hoje é senador da República. Credo! mas é assim que as coisas são. Lula precisa e deve ser investigado e, se for o caso, julgado.

Se condenado, como Collor, pode voltar à vida pública mais à frente. Se absolvido, 2014 está aí para suas pretensões de voltar à boa boquinha. Ou melhor, com todo respeito, ao pomposo cargo de presidente da República.

A

Venezuela poderia obedecer à Constituição e não a um títere que mesmo gravemente enfermo ainda reina. E o Brasil deve seguir obedecendo à Constituição, doa a Dirceu, a Lula, a Delúbio, a quem doer. Só não dói, ainda, em Genoíno, que driblou a Constituição. Mas o pênalti será marcado. O Brasil, afinal, não é bolivarianista. Seja lá o que isso queira dizer... PAULO SAAB É JORNALISTA E ESCRITOR


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GibaUm

3 Apesar

dos desmentidos o terrorista italiano Cesare Battisti será mesmo contratado para ser assessor internacional da CUT.

gibaum@gibaum.com.br

k “Tomara que chova três dias sem parar, oi...” Fotos: Paula Lima

333 Nos dias 29 e 30 deste mês, a cúpula do PT reunirá, num encontro em Brasília, todos os prefeitos da sigla eleitos no ano passado, sob o tema “Municípios Fortes, Brasil Sustentável”. O evento será aberto pela presidente Dilma Rousseff e terá como meta mostrar aos novos governantes municipais, os programas federais e como eles podem ser utilizados nas cidades. Assessores diretos de Dilma acertaram, previamente, com Rui Falcão, presidente nacional do PT, que, no encontro, quaisquer discursos deverão focar municipalismo, programas federais e maior força na gestão do PT – e sem nenhuma falação de política, especialmente citações ao julgamento dos mensaleiros.

OLHO NO GADO Lula está voltando de suas férias em Angra dos Reis, onde ficou hospedado na casa de José Seripieri Jr., dono da Qualicorp, maior gestora de planos de saúde do país. Na semana passada, Seripieri foi visitá-lo em Angra, levando junto um amigo da área de exportação de carne bovina. Lula já havia sido apresentado a ele, há tempos, porLulinha,numaépocaemque se informava que o filho do expresidente estaria interessado na criação de gado na fronteira entre Tocantins e Pará. Na época,quemteriaintroduzidoo mesmoLulinhaaoagronegócio teria sido Carlos Rotemburg, do Opportunity. 333

No eixo São Paulo-Rio recomeça a nova temporada de teatro, com duas estréias: Marisa Orth (primeira foto à esquerda) e Daniel Boaventura lideram o elenco do musical A Família Adams , que depois de temporada em São Paulo, começa sua carreira no Vivo Rio e, entre os convidados, estavam Maria Paula e Thaila Ayala (segunda e terceira fotos); em São Paulo, no Teatro Bibi Ferreira, Milena Toscano (quarta foto) estreava na comédia Pirou?, de Regiana Antonini, tendo na platéia, entre muitos, Fabiana Carla (à direita), a hilariante Dilmaquinista do humorístico Zorra Total. 333

Novas estreias

A partir de fevereiro, o exprefeito Gilberto Kassab estará dando expediente em seu novo escritório na rua Santo Antonio, entre Centro e Bexiga, em São Paulo. Embora o Planalto esteja disposto a oferecer ao PSD a Secretaria da Aviação Civil e o futuro Ministério da Micro e Pequena Empresa (o nome cotado é do empreiteiro mineiro Paulo Safady Simão), Kassab só aceitaria um cargo no governo do PT depois de 2015, com Dilma reeleita. Antes, reforça o PSD em todo o território nacional e pensa numa candidatura ao governo de São Paulo em 2014, quando enfrentaria PT e PSDB. Se não se elege, vira o fiel da balança para o segundo turno. A Secretaria de Avaliação Civil, para quem não sabe, tem orçamento de R$ 3,3 bilhões em 2013. 333

Fiel da balança

Angra 1 desligada 333 Enquanto a chuva não vem, os reservatórios ficam sem água e a saída tem sido as térmicas, a usina nuclear Angra 1 acaba de ser desligada para manutenção por dois meses. Para os analistas dos sistemas, significa menos 640 megawatts, potencia que dá para abastecer mais de três milhões de residências durante um ano.

333 Responsável, ao lado de Narciza Tamborindeguy, pelo sucesso do primeiro Mulheres Ricas , Val Marchiori está de volta na segunda edição do reality show e já distribui alfinetadas. De cara, chama a empresária Cozete Gomes de “a brega de Santana do Parnaíba” e emenda falando de Andréa Nóbrega, ex-mulher de Carlos Alberto Nóbrega: “Ela ficou 20 anos no banco da praça e saiu pensionada”. Sobre a advogada Regina Mansur, garante que não tem nada contra, nem a favor. A participante tem, entre seus clientes, o senador Fernando Collor.

NO CAMAROTE A Brahma também contratou o ator Rodrigo Santoro para ser atração de seu camarote no carnaval do Rio, ao lado da americana Megan Fox. Rodrigo exigiu um cachê não muito diferente do que será pago a Megan: ele já atua no cinema dos Estados Unidos, é respeitado por lá, fala fluentemente inglês e tem todas as condições de ser uma espécie de parceiro de Megan Fox no camarote, que receberá 800 convidados por dia.

333

MISTURA FINA QUEM resolveu reaparecer no Guarujá, litoral de São Paulo, onde possui uma grande casa, há anos, na praia de Pernambuco, foi o ex-jogador Pelé. Não dava o ar da graça por lá muito tempo e tem ido até à praia, ao lado da nova namorada Márcia Cibele, de 33 anos, nissei e empresária.

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O ASSESSOR internacional Marco Aurélio Garcia queria mesmo ser o papagaio da foto e foi, com discrição, até Cuba, para visitar Hugo Chávez. Por determinação dos médicos do venezuelano, não conseguiu entrar. E nem foi recebido pelo presidente Raul Castro.

Enquanto é capa do novo catálogo de moda praia da Victoria’s Secret (esquerda), a modelo sul-africana Candice Swanepoel, 24 anos, dona de um dos corpos mais aplaudidos do elenco das angels , passa férias no Brasil, ao lado do namorado brasileiro e também modelo Hermann Nicoli. Os dois já donos de uma casa em Vitória, no Espírito Santo. Na semana passada, Candice resolveu brindar seus admiradores, fotografando a si mesma e postando no Instagram (direita). Ela acaba de fazer também um surpreendente ensaio nu na revista Muse (detalhe). 333

Férias no Brasil

Neve Os blogs de humor dizem que a falta de papel higiênico, sabão e papel-toalha no prédio do Ministério da Fazenda, onde está o gabinete de Guido Mantega, é “a primeira grande prova ao ajuste fiscal promovido pelo governo”. Já quem imagina que a falta dos produtos tenha atingido o gabinete do italiano, é bom tirar o cavalo da chuva: lá, tem estoque de Neve, o favorito do ministro.

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VAL EM CAMPO

Não será surpresa se, já no primeiro trimestre deste ano, o ministro Celso de Mello, 67 anos, decano do Supremo Tribunal Federal, decida se aposentar, mesmo ainda longe da compulsória. Aos colegas da Alta Corte tem confidenciado que enfrenta problemas de saúde, está cansado e quer dar um tempo para si. Celso de Mello está no STF desde 1989 e é uma figura respeitadíssima por seus pares. Para a vaga de Ayres Brito, aumenta a cada dia o volume de aspirantes à cadeira. Agora, foram acrescentados à lista de Dilma nomes de quatro ministros do Superior Tribunal de Justiça: Benedito Gonçalves, João Otavio de Noronha, Luis Felipe Salomão e Nancy Andrighi.

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Maismusicais 333 Como contar a vida de grandes figuras da musica brasileira em espetáculos é a nova moda no showbiz brasileiro, anuncia-se agora uma produção chamada Erlon Chaves – É Coisa Nossa , que passará a limpo a história do maestro que criou o samba soul . Ganhou popularidade, há décadas, como jurado de Flávio Cavalcanti e quando virou namorado de Vera Fischer, no auge de sua beleza e vigor. Também a vida da cantora Isaurinha Garcia poderá virar musical.Seu maior sucesso foi Mensagem (Aldo Cabral e Cícero Nunes, 1946). Era aquele: “Quando o carteiro chegou...”

quem acertou tudo foi o advogado Luiz Eduardo Greenhalg. Curriculo de Battisti: fala cinco idiomas e entende de sindicalismo.

Quer se aposentar

EDISON LOBÃO // ministro de Minas e Energia, cantarolando a famosa marchinha de 1951, depois de reunião com Dilma Rousseff sobre apagões.

Sob condições

3 MAIS:

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Isis Valverde.

OUT

Nanda Costa

Namorada é para isso A atriz Sharon Stone está em nova temporada em Camboriu, Santa Catarina, ao lado de seu namorado, o modelo Marin Mica. O reeleito Barack Obama é grato a ela, que considera um dos grandes cabos eleitorais de sua ultima campanha no meio artístico. Agora, Sharon está trabalhando ao lado do governador catarinense, Raimundo Colombo, que quer transformar seu estado numa espécie de “Europa do Brasil” e puxar dólares americanos para investir na construção civil de lá. Com prestigio, a atriz poderá levar Colombo até a Casa Branca, desde que seu namorado tenha efetiva participação no projeto. 333

333 ANDRÉ Esteves (BTG Pactual) e Walter Torre querem trazer para São Paulo um museu internacional, que seria construído numa área de 24 mil metros quadrados perto do Shopping Morumbi, onde funcionava a antiga fabrica da Kibon. Junto, um grande complexo comercial. Seria o famoso Guggenhein que, a propósito, terá parte de seu acervo exposto em São Paulo ainda este ano.

O ADVOGADO Luiz Cury, dono do terreno onde funciona, hoje, o conhecido Bar das Arts, em São Paulo, quer construir lá um prédio de altíssimo luxo, com vista das mais privilegiadas. É uma das ultimas áreas de uma região muito valorizada. Terá 18 apartamentos de 700 metros quadrados e oito vagas na garagem (climatizada). Quer fazer concorrência ao famoso L’Essence, nos Jardins (em frente ao restaurante Figueira Rubaiyat), onde até Naomi Campbell foi dona da cobertura.

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CAROLINE Celico, mulher do jogador Kaká, é uma das novas musas do Instagram: dá dicas de gastronomia, exibe fotos de roupas e até recomenda a Dieta Dukan, com o qual “já perdeu quatro quilos em quinze dias”. Nada de novo: é um mix da famosa Dieta de South Beach com a que corta carboidratos, consumindo apenas proteínas. 333

Colaboração: Paula Rodrigues / A.Favero

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5 EM VÃO No Masp, um grupo pequeno protestou contra a corrupção e Lula.

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INDECISÃO O contraventor Cachoeira ainda não sabe se vai falar tudo que sabe

Helvio Romero – Estadão Conteúdo

Eduardo Knapp/Folhapress

Nós acreditamos que um museu do Lula não é o mais importante. A gente só sai se for apresentada uma solução de moradia. Reintegração de posse? Acho que o Lula não faria isso com a gente. Maria da Conceição Guimarães, uma das coordenadoras da Unificação das Lutas de Cortiço, após invasão do prédio destinado ao Instituto Lula. A quebra dos sigilos desta senhora é fundamental para esclarecer toda essa sujeira, inclusive para saber se houve ou não envolvimento do ex-presidente Lula nesta história. Justificativa do deputado federal Rubens Bueno, líder do PPS, para pedir a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático de Rosemary Nóvoa de Noronha, ex-chefe do gabinete da Presidência da República em São Paulo. O governo omite muitas informações. A população tem o direito de saber quem está por trás do nosso Brasil. Cracker que divulgou dados pessoais de José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares. Epitácio Pessoa/Estadão Conteúdo

Conheci os dois lados da política: o da poesia e o do sangue. O lado do sangue está devidamente exposto. José Genoino (PT-SP), mensaleiro condenado a 6 anos e 11 meses de prisão. ao voltar a ocupar o cargo de deputado federal.

Alexandra Martins/Ag. Câmara

Serra não está morto. Sempre achei que Serra não morreu. Deputado estadual Pedro Tobias, presidente estadual do PSDB, sobre a possibilidade de José Serra deixar o partido. O caso não passou de um problema de prestação de contas. Explicação do deputado federal Eduardo Azeredo (PSDB-MG) para negar a existência do Mensalão tucano.

Andre Dusek/EC

Estava precisando, por recomendação médica, porque passou nove meses preso, antes da condenação, privado do contato familiar. Declarações de Nabor Bulhões, advogado do bicheiro Carlinhos Cachoeira, sobre a viagem do contraventor a resort na Bahia com a mulher Andressa Mendonça.

Estou abismado com o nível das críticas. Ministro da Fazenda, Guido Mantega, acusado de cometer "manobras contábeis".

Alexandra Martins/Ag. Câmara

Vocês estão loucos! Reação de Luiz Inácio Lula da Silva aos petistas que querem lançar sua candidatura ao governo de São Paulo em 2014.

O protesto de ontem na Avenida Paulista, em São Paulo, contra a corrupção: "Investiga o Lula, MP. Ele sabia sim e era o chefe", pede o cartaz.

Manifestantes pedem investigação de Lula Grupo de apenas 20 pessoas se reuniu no vão do Masp. E Demóstenes ultrapassa Lula no Algemas de Ouro.

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anifestação contra o ex-presidente Lula e o PT reuniu cerca de 20 pessoas na Avenida Paulista, em frente ao Museu de Arte de São Paulo, ontem à tarde, apesar de cerca de 1.800 pessoas terem confirmado presença no protesto pelo Facebook. O encontro, marcado pelas redes sociais, tinha como um dos lemas "Mexeu com o Brasil, mexeu comigo. Por um Brasil sem Lula/PT" e associava Lula ao Mensalão. Os manifestantes entoaram gritos e seguravam faixas contra o partido e o ex-presidente Lula, pedindo investigação por sua suposta participação no esquema do Mensalão. Rosemary Noronha, investigada pela operação Porto Seguro, da Polícia Federal, também foi lembrada, com pedido de quebra de seu sigilo telefônico. Algemas de Ouro – No fim de semana o ex-senador Demóstenes Torres (sem partido), que durante a semana passada ocupava o segundo lugar, ultrapassou o ex-presidente Lula (PT), assumindo a liderança no placar do Troféu Algemas de Ouro. O deputado federal Eduardo Azeredo (PSDB) manteve a terceira posição, enquanto o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (ex-DEM), que estava em 6º, ultrapassou o governador Sérgio Cabral (PMDB) e Paulo Maluf (PP). A votação termina amanhã e a entrega dos troféus será no próximo dia 20 em local a ser determinado. (Folhapress/DC)

Rodrigo Nunes/Folhapress – 8/1/2013

Cachoeira (com Andressa na lua de mel): "Não usei avião de ninguém. Fui e voltei em avião de carreira."

Cachoeira chama suplente de senador de "delinquente moral"

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m entrevista ao site Brasil 247, o contraventor Carlinhos Cachoeira disse ontem, ao sair de um culto evangélico em Goiânia, que o suplente de senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO) é um “delinquente moral” e um “homem bosta”. Os ataques de Cachoeira são uma resposta às declarações de Ataídes àquele site de que não gosta de bandido. O suplente negou ter emprestado seu jatinho para levar Cachoeira e sua mulher, Andressa Mendonça, para a lua de mel em um resort de luxo em Taipu de Fora, na praia da Península de Maraú, na Bahia. "Cachoeira já usou minha aeronave. Mas, depois que descobri que ele era bandido, não emprestei mais. Não gosto de bandido", declarou Ataídes, que é suplente do senador João Ribeiro (PR-TO). O contraventor fez questão de esclarecer que não usou avião "de ninguém" para a viagem de lua de mel. "Fui de voo de carreira pela Gol, Brasília–Salvador, e depois voltei, Salvador–Brasília". Carlinhos Cachoeira ainda ironizou a carreira política do seu mais novo desafeto. “Ele é suplente e está tentando ganhar o mandato de qualquer jeito. Ele quer aparecer. Ele não tem projeto político algum. E o Tocantins é o estado

que mais carece de bons políticos”, afirmou Cachoeira. O contraventor refutou as acusações de corrupção: "Eu não sou corrupto, até porque não sou político. Não sou agente público”, disse. O bicheiro não quis adiantar se vai dar uma entrevista coletiva e maiores esclarecimentos sobre sua relação com políticos, personalidades e a construtora Delta, como já ameaçou por duas vezes. Custo da CPMI – Criada para apurar o elo de políticos e empresários com Cachoeira, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito custou aos cofres públicos R$ 167.101,16, segundo dados obtidos pelo site G1 na Diretoria Geral do Senado. Dos R$ 167 mil dispendidos, a maior parte, R$ 130.642,06, foi usada para pagamento de diárias. O requerimento de criação da comissão fixava em R$ 200 mil o limite das despesas a serem realizadas no trabalho de investigação. Para pagamento de passagens áreas dentro do País, o Congresso desembolsou, no período de funcionamento da comissão, outros R$ 33.619,20. O restante, R$ 2.839,90, foi usado para pagamento de despesas de hospedagem em Brasília, cobrindo custos especialmente de pessoas chamadas a depor.

TSE pagou salários milionários

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ados inéditos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre os salários de seus funcionários demonstram um descontrole no pagamento de horas extras no período eleitoral de 2012. Só em novembro, segundo dados obtidos pela reportagem, o gasto com horas extras foi de R$ 3,7 milhões para pagamento dos 567 funcionários que alegam ter dado expediente adicional. Somados aos salários, esses valores adicionais permitiram a esse grupo receber, no fim do mês, mais do que os próprios ministros. Apuração feita pelo jornal Estadão indica que, em novembro, 161 servidores do TSE contabilizaram vencimentos totais que variaram de R$ 26.778,81 a R$ 64.036,74. Uma averiguação preliminar foi aberta por ordem da presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia. (EC)


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Colhemos assinaturas para o Partido Pátria Livre, mas não tem fundamento esse noticiário sobre novo partido. Jorge Luis Pires, chefe da Assessoria de Comunicação da Força Sindical.

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Um partido sindical? As centrais negam, mas...

Mesmo que não admitam essa hipótese, até por questões estatutárias, políticos falam de uma forte articulação em curso nesse sentido, não apenas para fortalecer os interesses dos trabalhadores que representam, mas para aquecer ainda mais a já acirrada disputa presidencial no ano que vem.

Brizza Cavalcante/Ag. Câmara – 27/9/2011

Guilherme Calderazzo

inicial informava que a ideia xima eleição presidencial estirecebia o apoio do senador Aé- mula a boataria sobre formacio Neves (PSDB-MG), interes- ção de novas legendas partientrais sindicais ne- sado em se fortalecer para a dárias. "O Paulinho (Pereira da gam a existência de corrida presidencial de 2014, Silva) tem história no PDT, ao a r t i c u l a ç ã o e n t r e já que tem o apoio de líderes qual é filiado. E continua firme elas para a criação tucanos, entre eles do ex-pre- no partido", diz. O presidente de um novo partido político. sidente FHC, para que seja o da Força Sindical é deputado Consideram o noticiário sobre candidato tucano na próxima federal pedetista e disputou e o assunto sem fundamento, eleição à Presidência. Em se- perdeu pelo partido a eleição à pura especulação, atribuindo- guida, na semana passada, prefeitura paulistana, em ouo ao movimento de legendas correu a notícia de que o novo tubro passado. partidárias e grupos de oposi- partido seria criado pelos sinO presidente da UGT, Ricarção ao governo que já atuam dicalistas pado Patah, para a eleição presidencial de ra favorecer a também ne2014, tanto lançando nomes futura candiga a participapara a disputa, como propon- datura presição dessa Dão até o nome de do a formação de novas orga- dencial de Jocentral na Solidariedade ao nizações políticas. sé Serra, que criação de um As notícias sobre a intenção poderia deinovo partido partido que estaria dessas centrais de criar outra x a r o P S D B , político. "Essa sendo criado. Isto é legenda política circulam des- caso a legennotícia não boato. Não existe de o fim da semana retrasada da não o est e m f u n d aarticulação nossa em notas da imprensa e em colhesse pamento. Não com outras centrais. sabemos de jornais virtuais. Informam que ra disputar, Assessores garantem que participam da articulação a n o p r ó x i m o articulação ASSESSOR DA FORÇA SINDICAL Paulinho (acima) não Força Sindical, a União Geral ano, o posto com esse obdeixará o PDT. E Ricardo dos Trabalhadores (UGT) e a hoje ocupado jetivo. Nem Patah, da UGT, também Nova Central Sindical dos Tra- por Dilma Rousseff. faz sentido envolver a UGT assegura que não há o balhadores (NCST). " R e p r e s e n t a m o s v á r i o s nessa especulação", diz Patah, comentado namoro de "Esse noticiário é infunda- s i n d i c a t o s . A s s i m , t e m o s que é diretor dos movimentos sindicatos com a política. do. Dão até o nome de Solida- contato direto com muitos sociais e sindicais do Partido riedade ao partido que estaria t r a b a l h a d o r e s e m t o d o o Social Democrático (PSD), sendo criado por nós. Isto é tu- País. Por isso nos procuram criado em setembro de 2011 e do boato. Não existe articula- para que ajudemos a colher presidido por Gilberto Kassab, nos, como o ex-presidente ção nossa com outras centrais assinaturas em favor de de- ex-prefeito de São Paulo. FHC e o presidente da sigla, para a formação de um parti- terminadas causas. Em rela"Nunca fomos procurados deputado federal Sérgio Guerdo", diz um assessor direto do ção a partidos, colhemos as- por outras centrais para criar ra, lançaram o nome de Aécio presidente da Força Sindical sinaturas para a formação do um novo partido", diz José Ca- Neves para concorrer à PresiPaulo Pereira da Silva. Partido Pátria Livre, há mais lixto Ramos, presidente da No- dência pela legenda, no próxiSegundo esse assessor, que de dois anos. Mas não tem va Central Sindical dos Traba- mo ano. Aécio, desde então, pediu para não ter o nome di- fundamento esse noticiário lhadores (NCST). Segundo divulga os encontros que reavulgado, em um futuro distan- sobre criação de novo parti- ele, se houvesse procura com liza com economistas tucanos te poderá até ocorrer uma ar- do", reforça Jorge Luis Pires, essa finalidade, seria impossí- e com empresários, em busca ticulação das centrais com po- chefe da Assessoria de Co- vel a participação da NC, já de propostas para formalizar líticos para a criação de uma municação da Força Sindical q u e a C a r t a em futuro nova legenda partidária, mas e outro assessor direto de de Princípios próximo um no momento inexiste movi- Paulo Pereira da Silva. da entidade a programa de mentação nesse sentido. Para Pires, a movimentação proíbe de se governo para Não somos e nem Em relação à criação do Par- atual de alguns partidos e líde- filiar a partido competir na seremos braço de tido Solidariedade, a notícia res políticos com vistas à pró- político. eleição presiJosé Cruz/ABr – 15/5/2011 "Não somos dencial. partido ou de e n e m s e r eA reação governo. mos braço de contra Aécio Repudiamos o uso partido ou de partiu de do nome da Nova governo. Se dentro do Central na notícia. um governo, PSDB e de um em qualquer aliado do parJOSÉ CALIXTO RAMOS nível, faz uma tido na oposiboa política, ção, o PPS, damos apoio. Caso contrário, numa demonstração de que fazemos críticas", diz Calixto. José Serra continua empenha"Repudiamos o uso do nome da do em postular a Presidência Nova Central nesse noticiário no próximo ano. Aécio se presobre criação de novo partido. para para ser o presidente do Isto não passa de boato, espe- PSDB, a partir de março. O culação sem fundamento na posto também é do interesse realidade", diz. de Serra. Este, por meio de in2014 – Ao contrário do que in- formações de aliados e do preformam as três centrais sindi- sidente do PPS, Roberto Freicais, partidos, líderes políticos re, divulgou que poderá até e parlamentares se movimen- deixar a legenda, caso seja tam desde já no cenário para obrigado a dar apoio às prese tornar viáveis como alter- tensões do senador mineiro. nativa de poder na disputa Freire, por sua vez, disse presidencial de 2014. Há no- que o PPS está aberto a recemes lançados para essa elei- ber Serra, caso saia do PSDB, ção, divergências nos parti- abrindo-lhe espaço para que dos e propostas para a criação dispute a Presidência pela de novas siglas partidárias. partido. Além disso, faz artiNo fim de dezembro, em culações e busca entendiMarina Silva, ex-senadora, admite criação de novo partido. evento do PSDB, líderes tuca- mento com aliados e outros

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Antonio Cruz/ABr – 11/3/2011

partidos para concretizar a formação de uma nova legenda ou, ainda, para criar uma outra força partidária por meio da fusão de siglas de prestígio na cena política. Diz que a intenção é formar uma organização não apenas com vistas à eleição presidencial, mas para que tenha chances reais de exercer o poder. Depois disso, Serra negou que pretenda deixar o PSDB ou participar da criação de outro partido. Mesmo assim, a movimentação do tucano, que perdeu duas vezes a disputa e, em outubro, a eleição à prefeitura paulistana, evidencia que não há unidade no PSDB para a próxima eleição presidencial. Mas o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) acredita que a união na sigla ocorrerá a partir de março, quando o partido já

estiver com um novo presidente. Para o governador tucano de São Paulo, Geraldo Alckmin, o ideal é que o candidato da legenda seja escolhido por meio de prévias. Marina – A ex-senadora Marina Silva e seu grupo decidiram criar um partido para lançar sua candidatura à Presidência, no proximo ano. A base da futura legenda será o Movimento Social Nova Política, que é suprapartidário e existe desde o ano passado por iniciativa da própria Marina, logo depois de sair do Partido Verde (PV). Ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente petista, Marina disputou a eleição presidencial passada pelo PV, quando obteve quase 20 milhões de votos e, por pouco, não foi para o segundo turno, disputado por Dilma e José Serra.

Governo do Rio desaloja índios para fazer obra da Copa

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desocupação do prédio do antigo Museu do Índio, no Maracanã, zona norte do Rio, deve ocorrer a partir de hoje, assim que o Governo do Estado receber o mandado judicial de imissão de posse da área, onde, desde 2006, vive um grupo de indígenas. Na noite de sábado o Batalhão de Choque da Polícia Militar desmobilizou o cerco que fazia ao prédio desde o início

da manhã como ação preventiva para garantir a desocupação, que só poderia ser feita com o mandado judicial. A saída dos policiais foi comemorada pelos índios e ativistas que acompanhavam desde cedo a movimentação no local. De acordo com um dos líderes do grupo indígena, Afonso Apurinã, os ocupantes do antigo museu estão cientes de que a remoção ocorrerá

com a chegada da ordem judicial. “Mas estamos dispostos a resistir até o último momento. Queremos defender nossa cultura”, disse. Em nota divulgada na noite de sábado, o Governo do Estado reafirma que a demolição do prédio integra o projeto de modernização do Complexo do Maracanã, “sendo parte importante na questão da mobilidade”. Responsável pelas obras de modernização do complexo com vistas à Copa do Mundo de 2014, a Empresa de Obras Públicas (Emop) já fez a licitação para a demolição do antigo museu, orçada em R$ 586 mil, mas o contrato com a empresa vencedora ainda não foi assinado. Demarcação – Em Dourados, Mato Grosso do Sul, cerca de 14 mil índios que vivem em situação precária na mais popu-

Erbs Jr./Folhapress

Protesto em frente ao Maracanã, contra desocupação do Museu do Índio. losa reserva indígena do Mato Grosso do Sul reivindicam que a União reconheça e demarque as terras que, garantem, eram povoadas por seus antepassados. Kaiowás, ñandevas e terenas vivem em uma das mais antigas áreas indígenas

reconhecidas no país, a Terra Indígena Dourados, demarcada durante a primeira década do século passado, mas só homologada em 1965. Segundo os índios, com o crescimento da população, os 3,5 mil hectares se torna-

ram insuficientes para que possam produzir os alimentos necessários à sobrevivência da comunidade, bem como para preservar seus hábitos e costumes. Nove áreas – De acordo com o cacique Getúlio Juca de Oliveira, um dos líderes locais, os índios pleiteiam a demarcação de pelo menos nove áreas que afirmam ter sido territórios tradicionais indígenas, ou solos sagrados (tekohas). "Nesta área aqui não tem mais como nossa comunidade crescer. Precisamos de mais espaço e lutamos para aumentar nossas aldeias, porque daqui a cinco ou dez anos, com a comunidade crescendo, não vai mais ter lugar para ninguém. E o índio não tem o costume de viver tão perto um do outro", explicou o cacique. (Agências)


p Literatura explora pouco a corrupção DIÁRIO DO COMÉRCIO

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Nunca lembramos que nós também somos corruptos e praticamos isso no dia a dia. Luiz Ruffato, escritor e jornalista.

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Luiz Ruffato, escritor e jornalista, reúne o tema numa antologia para mostrar o que dela se escreveu nos últimos 200 anos de Brasil. De Machado a Marçal. Adriana Vichi/Divulgação

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anter-se distante de temas essenciais para o cotidiano de um país, como a corrupção, não é privilégio do brasileiro comum. Grandes escritores nacionais, apesar de tocar no assunto raramente, quando o fazem, não questionam o ato corrupto. A constatação é do jornalista e escritor Luiz Ruffato, organizador da recém-lançada antologia de contos Sabe com quem está falando? O livro reúne 20 contos nacionais publicados nos últimos 200 anos, que têm como tema central a corrupção ou as relações de poder. "O que tem de comum na literatura brasileira é uma visão bastante crítica de como a nossa sociedade se relaciona com a corrupção", diz o autor sobre os textos reunidos. Sua teoria "é a de que a literatura brasileira é muito introspectiva, em primeiro lugar". "A maior parte dos livros, romances e contos são sobre questões pessoais. E quando ela não é, quando trata de questões sociais, o que também é muito frequente, trata somente das questões sociais mesmo", reforça Ruffato na entrevista concedida ao Diário do Comércio. Em Quanto Vale um Homem?, texto de introdução da antologia, o escritor apresenta os contos escolhidos: "As Mazelas da Vida Brasileira sob o longo reinado de D. Pedro II, que durou de 1831 a 1889, estão retratadas nas narrativas de Artur Azevedo (1855-1908), José Veríssimo (1857-1916), Alberto Rangel (1871-1945) e Luiz Antônio Assis Brasil (1945)". Ruffato explica ainda que Assis Brasil, no conto Foi o 20 de Setembro o Precursor da Liberdade, mostra os oportunistas de plantão, "mudando de lado segundo as conveniências, quando da deflagração da Revolução Farroupilha (1835-1845)". A apresentação também tem uma referência ao crítico literário e escritor José Veríssimo que, em O Voluntário da Pátria, descreve como se arregimentavam os soldados para lutar na Guerra do Paraguai. E em Um Homem Bom, Alberto Rangel lembra um episódio ocorrido em 1888, sobre "a mão justiceira da bárbara vingança de um coronel do sertão cearense". Artur Azevedo conta, em Pobres Liberais, um hilário acontecimento "envolvendo a luta entre liberais e conservadores numa cidadezinha do interior no tempo do império".

O regime militar também aparece no conto de Marques Rebelo (1907-1973) Acudiram Três Cavalheiros, com "muita gente metendo a mão no dinheiro". O discurso nacionalista dos militares também está em Seminário dos Ratos, de Lygia Fagundes Telles (1923). E denúncias de tortura, censura e repressão em Almoço de Confraternização, de Sergio Sant'Anna. "Mesmo após a derrubada da ditadura, o jeito de fazer política não se modificou, como demonstram Más Notícias, de Luiz Vilela, e Na Serra, fora Dela, de Marçal Aquino. A antologia abre com o conto de Machado de Assis (18391908), Teoria do Medalhão, que reproduz um diálogo entre pai e filho sobre como administrar com sucesso uma carreira política. Marcos Rey (19251999), em O Adhemarista, acompanha, por meio do taxista Moa, os bastidores da acirrada eleição de 1954 para governador de São Paulo, disputada entre Adhemar de Barros e Jânio Quadros. João Ubaldo Ribeiro, em O Magnata do Voto, faz um "relato ferino de um comerciante, Jacinto Góes, que compra e vende votos, como se negocia qualquer outra mercadoria". E João do Rio (1881-1921) "elabora uma fábula em O Homem de Cabeça de Papelão, para ironizar a ascensão de um cidadão sem ideias, que se torna um dos elementos mais ilustres do País do Sol". Otto Lara Resende (1922-1992) constrói um retrato de corpo inteiro de um ditador latino-americano em Viva La Pátria. Leia a seguir os p r i n c i p a i s t r echos da entrevista ao DC. Brady Handy Photograph Collection

Mário Tonocchi

Diário do Comércio – Como foram escolhidos os textos e qual é o tamanho da amostra? Luiz Ruffato – É uma amostra expressiva, mas ainda assim uma amostra. Até porque, curiosamente, esse tema não é muito tratado na literatura brasileira. DC – Porque o tema não é tão explorado no Brasil? Ruffato – Minha teoria é a de que a literatura brasileira é muito introspectiva, em primeiro lugar. A maior parte dos livros, romances e contos são sobre questões pessoais. E quando não é, quando trata de questões sociais, o que tam-

Reprodução

Machado de Assis, o genial escritor brasileiro, presente no livro: "Teoria do Medalhão" mostra como administrar uma carreira política.

Na nossa cultura, a corrupção é algo que acontece em algum lugar, lá longe, mas nunca perto de você. LUIZ RUFFATO bém é muito frequente, trata somente de questões sociais mesmo. Ou seja, tanto uma quanto a outra tendência não trata do indivíduo mergulhado nessa coisa que é mais comunitária do que individual. Mesmo quanto trata da questão comunitária em geral, há sempre personagens individuais sofrendo consequência da

D. Pedro II e seu longo reinado servem de abertura para a antologia, que agrupou diversos textos sobre o Império e suas mazelas.

questão social. Mas, como exercício da política ou da questão da corrupção, é o indivíduo mergulhado em si mesmo ou dentro de uma questão social, porém mergulhado dentro de uma comunidade. DC – Isso também ocorre no mundo? Ruffato – Na literatura latinoamericana é muito mais comum contos e romances abordando a questão da política e da corrupção do que no Brasil. O problema é que nós, aqui no Brasil, estamos muito dissociados do exercício da política. Até talvez porque isso seja uma visão, na nossa cultura, como algo lá longe, que acontece em algum lugar, mas nunca perto de você. Tanto que quando vamos nos referir ao problema a gente fala "Ah, o pessoal em Brasília..." Mas nunca lembramos que nós também somos corruptos e praticamos isso no dia a dia. DC – O livro traz contos de vários momentos da história brasileira ou concentra-se em algum específico? Ruffato – Tirando as duas primeiras antologias que fiz, sobre as mulheres, todas as demais são panorâmicas. Inclusive porque creio que só assim podemos compreender melhor o tema que estamos tratando. Nos temas, sempre

gosto de tentar mostrar que não é uma questão do momento, e nesse caso específico da antologia sobre corrupção, ela começa com Machado de Assis no final do século 19 e chega até o nosso tempo, agora, com Marçal Aquino.

Luiz Ruffato: compilação de textos revela falcatruas que se encontram dispersas na literatura.

Repro

dução

DC – Os textos têm algo em comum? Tratam a corrupção da mesma forma? Ruffato – O que tem de comum é uma visão bastante crítica sobre como nossa sociedade se relaciona com a corrupção. Agora, cada autor vai ter um olhar específico. E como o livro é um panorama, você tem a questão da corrupção em diversos momentos da história brasileira. Assim, podemos observar a visão dos autores sobre a corrupção nos momentos em que os textos foram escritos. DC – O que você observou de curioso nessa compilação? Ruffato – Algo interessante é que a literatura do Rio Grande do Sul é a que mais discute questões políticas. É curioso, pois eles são os que mais estão próximos da fronteira e, portanto, passaram por questões políticas sérias envolvendo tanto o Brasil com outros países, quanto o próprio Estado do Rio Grande do Sul com outros países de fronteira. DC – Qual é, na sua visão, a contribuição de seu livro para a discussão do tema corrupção no Brasil? Ruffato – O que eu almejaria é que esse livro fosse adotado em escolas para discussão do tema entre os alunos. É muito importante que nossos estudantes enfrentem essa questão para que nossa sociedade se transforme e passe a enfrentá-los também. A educação na sala de aula pode ser uma forma de o brasileiro parar de pensar que a corrupção está longe dele e que o assunto deve estar no cotidiano de todos. Só assim poderemos combater a corrupção. DC – Como nasceu a pesquisa de contos com o tema corrupção? Ruffato – Desde quando resolvi assumir um papel de escritor profissional tive que pensar em como iria viver. E uma das maneiras que encontrei, além de direitos autorais e palestras, foi o de editar antologias. Não de uma maneira fortuita, mas com o propósito de tentar uma intervenção no debate de alguns temas específicos que socialmente incomodam e são tratados literariamente, e que valeria a pena organizá-los. DC – Temas para reflexão? Ruffato – Comecei em 2004. Minha primeira antologia foi 25

Mulheres que Estão Fazendo a Nova Literatura Brasileira. Na época, se falava muito da geração 90, e basicamente apenas sobre homens. Como já participava ativamente da literatura naquele momento, percebi que quando se falava da geração 90 deveríamos falar proporcionalmente de tudo quanto mulheres e homens estavam escrevendo. E no ano seguinte também lancei o Mais 30 Mulheres que Estão Fazendo a Nova Literatura Brasileira. Ainda editei um livro sobre o exercício da política chamado Fora da

Ordem e do Progresso. DC – Você tem o levantamento de vários temas, então. Ruffato – Desde 2003, quando deixei de trabalhar em jornal para me dedicar à literatura, comecei a organizar contos temáticos. Se hoje alguém me falar de algum assunto, tenho condições de entregar uma relação grande de contos brasileiros na linha do tempo que falam sobre o tema. (Visite a biblioteca do Museu d a C o r r u p ç ã o e m w w w. m uco.com.br)


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CONTÁGIO Epidemia de gripe faz Nova York declarar estado de emergência

nternacional

BOLÍVIA ONU reconhece o direito de mastigação da folha de coca

Venezuela, capital: Havana. As três autoridades mais poderosas do governo da Venezuela depois do presidente Hugo Chávez reuniram-se novamente em Havana, ontem, para verificar a condição de seu líder doente e se reunir com aliados cubanos. A presença da alta cúpula chavista em Cuba levou a oposição a afirmar que Havana se transformou no "centro político" da Venezuela. "Em Havana estão tomando as decisões, e isto, claramente, é uma clara ingerência à soberania nacional", denunciou o dirigente opositor Leopoldo López. "A capital da Venezuela se mudou a Havana, como se fôssemos uma colônia de outro país. O que nós criticamos e chamamos a atenção é que Havana hoje é o centro político de decisões da Venezuela", afirmou. Como exemplo, o opositor lembrou que a presidente argentina, Cristina Kirchner, viajou na sextafeira para a capital cubana e "não a Caracas", para dar apoio ao governo venezuelano. "É recebida por Raúl e Fidel Castro, não por autoridades do país", criticou. Além do vice-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que chegou na sextafeira a Cuba, no sábado chegaram à ilha caribenha o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, e o ministro do Petróleo, Rafael Ramírez. Os três estão reunidos na casa do presidente cubano, Raúl Castro.

EPA/EFE

Juventud Rebelde/EPA/EFE

"Aqui estamos reunidos com parte da equipe política que veio visitar o presidente Chávez e sua família", tuitou o ministro de Ciência e Tecnologia e genro de Chávez, Jorge Arreaza, no sábado. O ministro da Informação venezuelano, Ernesto Villegas, disse que Maduro, quem Chávez recentemente designou como seu sucessor, informou ao líder sobre o apoio para ele no país. Ele não deu mais detalhes de seu encontro ou da condição do presidente. Chávez, que perdeu sua própria cerimônia de posse para um novo mandato na semana passada, não é visto ou ouvido em público desde a cirurgia para tratar de um câncer há um mês. Apesar de reconhecer a gravidade da situação, as autoridades venezuelanas tentam se manter otimistas sobre as perspectivas da recuperação do presidente e, no sábado, o irmão de Chávez negou que ele estivesse em coma. Segundo Adán, Chávez está bem e sua recuperação avança a cada dia. Um líder da oposição, Julio Borges, disse que o sigilo em torno da condição exata de Chávez é inaceitável. "Ninguém está pedindo detalhes da operação ou do tratamento do presidente, mas que simplesmente digam a verdade sobre seu progn ó s t i c o d e s a úde", insistiu. A oposição afirm a q u e o a d i amento da posse de Chávez fere a Constituição e defende que o líder da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, assuma o poder e convoque eleições em 30 dias. (Agências)

Segundo lar: Diosdado Cabello é recebido por Raúl Castro no aeroporto de Havana (acima).

UMA NOVA CHANCE A MUBARAK A Justiça do Egito ordenou um novo julgamento do presidente deposto, Hosni Mubarak, ontem, após aceitar um recurso contra sua sentença de prisão perpétua. Mubarak, de 84 anos, foi deposto em 2011, após 30 anos no poder e condenado à prisão perpétua no ano passado pela morte de manifestantes por forças de segurança durante a revolta. A defesa de Mubarak sustenta que a corte que emitiu a sentença contra ele não se apoiou em provas concretas. Foram anuladas ainda as sentenças dos filhos do ditador, Gamal e Alaa, condenados por corrupção.(Agências)

Divulgação/EFE

Suzanne Plunkett/Reuters

CONSELHO DELIBERATIVO CONVOCAÇÃO Ficam convocados os senhores membros do Conselho Deliberativo, da Associação Comercial de São Paulo – ACSP, para a reunião a realizar-se no dia 21 de janeiro de 2013 (segunda-feira), às 16 horas, no edifício-sede da entidade, na Rua Boa Vista, 51, 9º andar, para deliberarem sobre a seguinte: ORDEM DO DIA I.

Luta contra o terror em Mali

Fixar a data das eleições dos membros da Diretoria Executiva, Diretoria Plena e Conselho Deliberativo, nos termos do artigo 31, VIII e artigo 41 do Estatuto Social;

II. Aprovar o regulamento das eleições; III. Constituir as mesas eleitorais e indicar os locais onde se instalarão as seções de votação, de acordo com o parágrafo único do artigo 41.

Rogério Pinto Coelho Amato Presidente

Joe Penny/Reuters

São Paulo, 11 de janeiro de 2013.

Caças franceses intensificaram ontem, pelo terceiro dia consecutivo, os bombardeios contra grupos armados islamitas em Mali, enquanto eram enviados mais 80 soldados para a capital, Bamako (abaixo, à esq.), elevando o total para 550 na ex-colônia francesa na África. A intervenção iniciada na sexta-feira tem como objetivo impedir o avanço de militantes ligados à Al-Qaeda para o sul do país – eles já dominam o norte, onde adotam a sharia, a lei islâmica. Muitos temem que a região poderia se transformar em uma base de ataques contra o Ocidente, ligada à Al-Qaeda no Iêmen, na Somália e no norte da África. O terceiro dia da "Operação Cerval", nome do gato selvagem que habita o deserto de Mali, freou o avanço dos rebeldes rumo ao sul. Autoridades franceses enfatizaram que os ataques aéreos vão continuar (acima).

"O presidente (François Hollande) está totalmente determinado em erradicar esses terroristas que ameaçam a segurança do Mali, do nosso país e da Europa", disse o ministro da Defesa da França, Jean-Yves Le Drian. O governo francês informou que quatro caças Rafale partiram para atacar campos de treinamento e a infraestrutura em Gao, a maior cidade do norte controlada por islamistas. A França disse que recebeu ajuda logística de países como a Grã-Bretanha, Dinamarca e Estados Unidos. Reforço militar também deve chegar de países da África Ocidental. O ataque francês, porém, foi alvo de protestos. Em Londres, manifestantes protestaram diante da embaixada francesa, com cartazes que diziam: "Exército francês, você vai pagar: os muçulmanos estão a caminho". (acima, à esq.). (Agências)


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9 O normal é um papai e mamãe. Cartazes em protesto contra o casamento gay em Paris

nternacional Fotos: Jason Lee/Reuters

Na China, até o ar é proibido.

Giampiero Sposito/Reuters

Nudez no Vaticano? Só na Capela Sistina. Charles Platiau/Reuters

Quatro militantes do grupo Femen arrancaram o sutiã e protagonizaram mais uma manifestação em topless, ontem, na praça de São Pedro, no Vaticano, em protesto contra a oposição do papa Bento XVI ao casamento gay. Bento XVI, que fazia seu discurso de domingo na janela dos aposentos papais para a praça de São Pedro, aparentemente não percebeu direito o que acontecia. As quatro mulheres estavam posicionadas ao lado da Árvore de Natal na praça, diante da Basílica de São Pedro. Quando o pontífice apareceu em sua janela, elas começaram a se despir, e em segundos mostraram os seios enquanto os fiéis observavam a ação (acima). As militantes do grupo feminista ucraniano exibiam no peito a expressão "Cale a boca" e nas costas "In gay we tr us t", alusão a "In god we t ru st " ("Em Deus confiamos", lema oficial dos Estados Unidos). Algumas também exibiam cartazes nos quais estava escrito em letras garrafais "Cale a boca". O protesto durou apenas alguns minutos, até que as manifestantes fossem detidas por policiais. (Agências)

'Egalité' não é para todos Várias centenas de milhares de pessoas se concentraram ontem diante da Torre Eiffel, em Paris, para protestar contra o plano do presidente François Hollande de legalizar até junho o casamento entre homossexuais e a

adoção de crianças por casais do mesmo sexo. Segundo a polícia, 340 mil pessoas participaram da manifestação (acima). Já os organizadores disseram ao jornal Le Monde que foram 800 mil. O gabinete de Hollande

reconheceu que o comparecimento no protesto foi "substancial", mas não iria mudar a sua determinação de efetuar a reforma. Pesquisas de opinião indicam que a maioria dos franceses apoia o casamento gay. (Agências)

A China emitiu ontem um alerta devido à densa e prejudicial camada de poluição que cobre desde sábado passado 12 províncias do país. Em Pequim, a poluição está 30 a 45 vezes acima do nível recomendado de segurança. Os cidadãos de grande parte do norte do país foram chamados a permanecer no interior das casas para evitar os efeitos da poluição, que no caso de Pequim foi qualificada de "severamente prejudicial e perigosa". A densa névoa permanecerá sobre a capital chinesa por mais dois dias, porque as atuais condições meteorológicas evitam que as substâncias poluentes se dispersem, advertiu a agência Xinhua, que aconselhou o uso de máscaras para moradores que saírem de casa. Números divulgados ontem pelo centro de monitoramento mostraram que partículas com menos de 2,5 micrômetros de diâmetro chegaram a mais de 600 microgramas por metro quadrado em algumas estações de monitoramento em Pequim, e foram de 900 na noite de sábado. O nível diário recomendado é de 20, segundo a Organização Mundial da Saúde. Essa poluição foi identificada como a principal causa da asma e doenças respiratórias. Pequim já se comprometeu com um cronograma para melhorar a qualidade do ar, e realocou a maior parte de sua indústria pesada, mas as regiões vizinhas não se comprometeram da mesma maneira, disse Zhou Rong, ativista de clima e energia no Greenpeace. "Para Pequim, a limpeza vai levar uma geração, mas outras regiões ainda não têm nem mesmo metas de reduzir a queima de carvão. Aposto que a poluição aqui vem principalmente dessas regiões vizinhas", afirmou. (Agências)


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Kleber Gutierrez

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le é resultado do sonho e do trabalho da historiadora Karen Worcman, que há 20 anos fundou o Museu da Pessoa. Em duas décadas, o projeto inspirou a criação de três outros similares em Portugal, Canadá e Estados Unidos. Atualmente, possui um acervo com 15 mil histórias de vida e 72 mil documentos e imagens digitalizados que contam a trajetória de instituições, cidades e grupos sociais diversos, entre eles a comunidade comercial. O Museu da Pessoa nasceu para o meio virtual antes ainda da consolidação da internet no País, uma vez que seu acervo era todo organizado em CDROM, e distribuído por essa mídia, constituindo uma cadeia de memória bem anterior ao surgimento das hoje corriqueiras redes sociais. Conforme Karen, é injusto dizer que o Brasil ou o brasileiro não preservam seus componentes históricos. "Há muitas formas de se manter memórias, nosso País tem seus desafios mas também possui muitos saberes. Ele cresceu e aprendeu a rever suas culturas, tão ricas, tão diversas." Todo o conteúdo do museu pode ser acessado pela internet, mas também há a produção de diversos itens culturais disseminadores, como livros e exposições. Nesse período, foram mais de 200 projetos nas áreas de educação, comunicação, memória institucional e desenvolvimento social. No embalo das comemorações, o museu lançou Tod o mundo tem uma história pra contar, pela editora Olhares, que traz vinte vidas. O livro reúne um grupo de cronistas para interpretar o universo interior dos depoentes, que vêm de várias regiões. Uma das narrativas retrata a vida do ex-jogador de futebol Raí. Entre os 'relatores', Alberto Dines, José Roberto Torero, Nirlando Beirão, o sociólogo e diretor do Sesc-SP Danilo Santos de Miranda, e os professores Paul Thompson da GrãBretanha (um dos pioneiros mundiais no uso da história oral) e Heloisa Buarque de Hollanda, da UFRJ. Telinha – Quem assistiu ao seriado 'Suburbia', pela Rede Globo, e quiser saber um pouco mais sobre a realidade de seu elenco, basta acessar o resultado das entrevistas feitas pelo museu durante as gravações na Ilha de Paquetá, no Rio de Janeiro. Nos 20 depoimentos colhidos, o s a t o r e s c o ntam suas histórias de vida e a relação com os personagens. É possível entender, p o r e x e mplo, como Fabrício Boliveira superou os problemas de g a g u e ira quando começou a atuar em teatro. Entre as abordagens, temas como migração, vida no subúrbio, amor, religiosidade, funk, festas, negritude e superação dão força às narrativas. Educação – Karen, e sua equipe de aproximadamente 50 profissionais também comemoram os dez anos do Programa Memória Local na Escola que, segundo ela, já capacitou mais de 1.800 professores, beneficiando 37 mil alunos de 740 escolas, e que já chegou a 25 cidades de vários estados.

Histórias de vida são relíquias de museu

O trabalho é resultado de uma parceria entre o Museu da Pessoa e o Instituto Avisa Lá, que é especializado na formação continuada de educadores, bem como na formulação e implementação de políticas públicas de qualidade. O objetivo do projeto é registrar a memória das comunidades, por meio do envolviHá 20 anos nascia uma instituição de caráter único no mundo. Virtual, antes do advento da internet comercial, mento dos alunos na captação das histórias de seus moo Museu da Pessoa tem na oralidade o principal suporte para apresentar seu rico acervo – composto por radores. "Ao ouvir, representar, reproduzir e redepoimentos que traçam o perfil da sociedade por meio das narrativas de seus cidadãos comuns. contar memórias de vida, as crianças têm a oportunidade Divulgação de se tornar agentes de história da sua cidade." Agora, o projeto se prepara para atingir novos destinos e mudar a vida de mais pessoas. O resultado deste trabalho esteve exposto, em dezembro, na mostra 10 Anos de Memória Local na Escola no Sesc Vila Mariana. Na exposição foi possível "perceber o olhar que as crianças construíram de suas cidades, por meio das histórias que ouviram de seus moradores". Um conto – A grande força da entidade está na oferta de depoimentos por parte dos brasileiros que constroem todos os dias os rumos da nação. Em um espaço construído especificamente "para preservar histórias de vida". É o programa Conte Sua História, uma atividade permanente que o Museu da Pessoa realiza com o objetivo de incentivar os indivíduos a relatarem sua experiência. Com isso, conforme Karen, "a instituição contribui para democratizar a construção da memória social por meio da valorização de histórias de vida de toda e qualquer pessoa da sociedade". Os irmãos Euzébio e Manuel nos anos 1950 em sua avícola: 8 mil abates por semana para alimentar a história comercial da cidade. Para quem faz o agendamento e vai ao espaço físico do museu, as histórias são gravadas em vídeo e coletadas por entrevistadores especializados. O material é editado e o relato passa a fazer parte do acervo. Mas é possível também enviar seu depoimento Museu da Pessoa tam- primeiro supermercado de diretamente pelo site, que bém possui um impor- São Paulo, e a vida dos irpossui ferramentas adequatante acervo que mostra o mãos Euzébio e Manuel em das para esse fim. quanto o comércio interferiu sua avícola na cidade de SanQuem participa é comunicanos costumes e como as ci- tos que, nos anos 1950, abado que "o material coletado é dades motivaram a expan- tiam 8 mil aves por semana. organizado e disseminado por são das atividades comerEsse conteúdo se transformeio de produtos como livros, ciais. São mais de 300 depoi- mará em um livro e exposição, exposições, documentários, mentos, em 600 horas de a serem lançados em março, sites e utilizado posteriormengravações, que reúnem, en- em parceria com o Sesc, entite em projetos socioculturais, tre outros, a primeira vende- dade que há 18 anos apoia as colaborando com a transforEm SP, 1960, o primeiro açougue da família Farias Ramos. dora porta a porta da Avon, o iniciativas do museu. mação da cultura e dos valores, promovendo o diálogo e contribuindo paDivulgação ra a difusão das memórias individuais e coletivas". Para tanto, deve autorizar a veiculação. Outra ação desenvolvida é o "Museu que Anda", com uma cabine que circula para coletar depoimentos. Se sua trajetória ainda não foi contada, é só agendar um horário para gravar suas memórias ou entrar no site, na aba Conte sua História, e mostrar ao munDO VIRTUAL AO FÍSICO – A direção do Museu da Pessoa agora trabalha para ampliar seu alcance na do o que você ou terceira dimensão. Com projeto criado pelo arquiteto Jaime Lerner, negocia com o governo do Estado de seu negócio têm São Paulo uma área no Parque da Juventude, na zona Norte, para a construção de seu espaço físico. de especial.

Memória viva do comércio

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Divulgação

Na pequena sede, há profissionais e equipamentos para a coleta de depoimentos, que devem ser agendados por telefone. Acima, capa do livro comemorativo.

O Espaço da Cultura, no Museu da Pessoa. Entidade inspirou ações pelo mundo com a riqueza das histórias de vida.

S AIBA MAIS Museu da Pessoa Rua Natingui, 1100 Para agendar a gravação de seu depoimento: 11 2144 7150 Para conhecer o conteúdo e enviar digitalmente sua história: www.museudapessoa.net


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11 GUIA DE AVES O Guia Aves da Cidade será distribuído gratuitamente nos parques da cidade no mês de férias. Ele também pode ser encontrado na versão PDF no site da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente.

idades

As aves que povoam o céu paulistano Lançado pela Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, guia fotográfico Aves da Cidade traz a relação de 97 espécies encontradas em São Paulo, inclusive as raras. Mariana Missiaggia

Animais silvestres vão ganhar hospital

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Fotos: Reprodu

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observação de aves (birdwatching), muito praticada nos países do hemisfério norte, lentamente vai conquistando outros territórios. Em São Paulo, além de ganhar adeptos, a prática atrai turistas estrangeiros que chegam à Capital em busca de experiências ecológicas. Atenta a esse movimento, a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, por meio da Divisão de Fauna Silvestre, lançou o Aves da Cidade, um prático guia fotográfico de aves existentes na cidade. Parques como o da Aclimação, na região central, e do Ibirapuera, na zona sul, estão entre os 63 locais sugeridos pelo guia como bons pontos de observação. Durante as férias, exemplares serão distribuídos gratuitamente nos parques paulistanos, mas ele também está disponível no site da Secretaria, n o f o r m a t o P D F ( w w w. p r e f e i t ur a . s p . g o v . b r / c i d a d e / s e c r e t arias/meio_ambiente/). Segundo levantamento de 2010 do Centro Brasileiro de Estudos Ornitológicos, o Brasil é o país que abriga a segunda maior quantidade de espécies catalogadas no mundo. A variedade inclui aves migratórias, endêmicas e até as ameaçadas de extinção. Apenas em São Paulo, a Divisão de Fauna Silvestre indica cerca de 372 espécies de pássaros. Dessas, 97 estão reunidas no guia fotográfico, com informações da espécie, habitat, comportamento e alimentação representadas através de ícones. Um mapa do município aponta os parques onde é possível observá-las. Cada uma tem, além da imagem, identificação popular, nome científico e indicação de tamanho. Estão incluídas no catálogo as espécies mais encontradas na Capital e alguns pássaros raros que costumam aparecer nos nossos céus, como a araponga. Já o sanhaçu e o bem-te-vi são os mais comuns nos parques paulistanos. Locais– Os parques Castelo, na represa de Guarapiranga, do Ibirapuera, na zona sul, e do Carmo, na zona leste, são os mais indicados para a contemplação dos tipos mais silvestres. A presença dessas aves em parques e praças paulistanas indica que o ambiente está saudável, uma vez que elas são importantes para a polinização de flores, dispersão de sementes e controle de pragas. Além de muito silêncio e paciência, quem quiser se aventurar a encontrar raridades deve contar com um binóculo, o guia com a descrição dos animais e vestir roupas de cor esverdeada ou tons de marrom. Vale também carregar um gravador para gravar o som da vocalização do animal e reproduzi-lo para atraí-lo. Para fotografá-los, deve-se evitar ao máximo o uso do flash, pois o dispositivo assusta os animais.

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Cambacica

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stá sendo construído em São Paulo, na região de Perus, na zona oeste, um dos maiores centros de reabilitação de animais silvestres (Cras) do País. O local está sendo construído pela Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, e deve começar a funcionar a partir de maio. O objetivo do Cras é prestar um serviço especializado para animais que estejam machucados e reabilitá-los para voltar a viver na natureza e soltos, livres das gaiolas em que muitos animais silvestres vivem e que representa crime ambiental. O espaço não será aberto ao público para o tratamento de animais de estimação. A unidade está sendo preparada para receber cerca de sete mil animais e as instalações incluem um centro de manejo com laboratórios de análises e de taxidermia (arte de empalhar animais), necrópsia (exame de cadáver), centro de triagem de alimentação dos animais, 15 conjuntos de recintos para abrigo de animais silvestres nativos como mamíferos, aves, répteis, anfíbios e peixes, administração, diretoria e refeitório. Um auditório também foi projetado com a proposta proporcionar a troca de experiência entre profissionais e sediar discussões entre biólogos, universitários e veterinários, e assim multiplicar os educadores dentro do centro. Anexo ao Cras haverá um prédio chamado quarentenário, reservado para receber espécies apreendidas pela polícia ambiental. Assim que chegarem ao local, os animais passarão por uma bateria de exames antes de serem devolvidos à natureza. O processo de separação evita que animais capturados contaminem os outros em fase de recuperação. As obras do novo Cras começaram em 2006 e contam com outros recursos, entre eles uma verba da venda de crédito de carbono e um termo de cooperação ambiental. (M.M.)

Tesoura Euder Oliveira/Estadão Conteúdo

Carnaval: ingressos para o desfile no Anhembi já estão sendo vendidos.

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á estão sendo vendidos os ingressos para o Carnaval 2013 de São Paulo, no Sambódromo do Anhembi. Quem quiser assistir os desfiles do Grupo Especial vai desembolsar entre R$ 80 e R$ 2.400. Os ensaios das escolas de samba paulistanas também já começaram e vão até o dia 3 de fevereiro. A venda de ingressos no Sambódromo será de segunda a sábado, a partir das 11h. Os bilhetes serão vendidos nominalmente. Portanto, é necessário apresentar RG e CPF na hora da compra para cadastro. Estudantes e idosos a partir de 65

anos pagam meia-entrada e devem adquirir os ingressos apenas nas bilheterias do Anhembi. O valor dos bilhetes variam de R$ 80 a R$ 165 na arquibancada; de R$ 240 a R$ 500 na cadeira de pista e de R$ 1.100 a R$ 2.400 na mesa de pista. Os camarotes podem ser adquiridos através do em a i l c a m a r o t e s c a r n aval2013@ingressofacil.com.br. Os preços são referentes ao desfile das escolas de samba do Grupo Especial, que acontece nos dias 8 e 9 de fevereiro. A compra pode ser efetuada pelo site da Ingresso Fácil ou nas bi-

lheterias localizadas no Anhembi (Avenida Olavo Fontoura, 1.209 - Santana) e no Ginásio do Ibirapuera (Rua Manuel da Nóbrega, 1.361, Ibirapuera, zona sul). Quem já quiser entrar no clima da folia pode participar dos ensaios técnicos no próprio Anhembi. Eles ocorrem até 3 de fevereiro. As quadras das escolas de samba também recebem os foliões durante todo o mês de janeiro. Os encontros acontecem principalmente aos fins de semana e há opções em todas as regiões da capital paulista, com preços variados. (M.M.)

Público pode comprar os ingressos nas bilheterias do Anhembi. Preços a partir de R$ 80.


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Arquitetura difusa e entrelaçada

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A artista Amy Casey tem uma interessante visão do urbano, representando-o de uma maneira peculiar. http://mydesignstories. com/the-architecturaldystopia-of-amy-casey/

O salvador 'Canudo da Vida' suíço O LifeStraw (canudo da vida) contém filtros que tornam potável a água contaminada com microorganismos que provocam cólera, febre tifóide e diarreia. Quase 100% das bactérias e cerca de 99% dos vírus que passam pelo canudo não sobrevivem.

Wilton Junior/Estadão Conteúdo

Estado de piloto é grave, mas estável. O piloto Henrique Balestrini, 20, está internado em coma induzido no Hospital Miguel Couto, no Rio, após sofrer um acidente durante aquecimento para a disputa da Copa do Brasil de Motocross Freestyle, na manhã de sábado. Zóio, como é mais conhecido, deu um salto com sua moto, mas não teve o controle na hora da queda e bateu com a cabeça no chão. Na foto ao lado, o piloto Marcelo Simões se apresentando ontem no campeonato. H OLLYWOOD E DUCAÇÃO

S AÚDE

Sisu divulga hoje lista de aprovados O Sisu (Sistema de Seleção Unifica) vai divulgar hoje a lista com os estudantes aprovados para vagas em universidades de todo o país. Os convocados deverão realizar a matrícula obrigatoriamente nos dias 18, 21 ou 22 de janeiro. A lista de segunda chamada será divulgada no dia 28. Aqueles que não forem selecionados nas duas primeiras convocações ainda podem aderir à lista de espera do programa. O MEC (Ministério da Educação) registrou a participação de 1.949.958 candidatos no processo seletivo. No total, foram 3.801.894 inscrições, já que cada pessoa pode se E M

C A R T A Z

candidatar a dois cursos. O sistema seleciona estudantes para instituições públicas de ensino superior de todo o país e utiliza como critério único o desempenho dos candidatos no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Este ano, são ofertadas 129.319 vagas em 101 instituições federais e estaduais. Pela primeira vez, o sistema adota a nova lei de cotas, que prevê reserva de 50% das vagas em instituições federais de ensino superior para alunos que estudaram todo o ensino médio na rede pública de ensino. Esse percentual deve ser atingido até 2016.

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Globo de Ouro

s maiores estrelas de Hollywood compareceram ontem à noite ao 70° Golden Globe Awards, com os filmes Lincoln e Argo apontados como favoritos em várias categorias e ao prêmio de melhor drama. A cerimônia é considerada uma espécie de termômetro para o Oscar, que acontece em fevereiro. O primeiro prêmio saiu para Christoph Waltz, melhor ator coadjuvante em Django Livre. Os indicados ao Globo de Ouro Anne Hathaway, Hugh Jackman, Steven Spielberg, Bradley Cooper, Richard Gere, Denzel Washington e a cantora Adele foram algumas das celebridades do alto escalão que apresentaram os prêmios. Os olhos também estavam

Jason Redmond/Reuters

As atrizes Zooey Deschanel (à esq) e Julia Louis-Dreyfuss no tapete vermelho voltados para as comediantes Tina Fey e Amy Poehler, que apresentaram o evento juntas pela primeira vez e que haviam prometido a "mais desleixada e melhor" cerimônia

do Globo de Ouro. A dupla mostrou estar disposta a derrubar o politicamente correto nas suas piadas. Veja a lista completa dos vencedores do

Dominguinhos, 71, foi transferido na manhã de ontem para São Paulo, onde ficará internado no Hospital Sírio Libanês. O cantor e compositor estava internado desde 17 de dezembro no CTI (centro de tratamento intensivo) do Hospital Santa Joana, em Recife (PE). A transferência foi feita a pedido da família. Segundo boletim médico, o estado de saúde do músico é estável, semelhante aos dias anteriores, com a infecção respiratória controlada. Ele respira com a ajuda de aparelhos. I NTERIOR

Globo de Ouro em www.dcomercio.com.br

Sheng Li/Reuters

EXPO

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Exposição Minha São Paulo Querida apresenta imagens da cidade feitas pelo fotojornalista Sérgio Horn. Imaging House. Rua Martim Francisco, 112, Higienópolis. Grátis.

Dominguinhos é transferido para SP

Ô, GARÇOM! - Um restaurante em Harbin, no norte da China, abriu suas portas com cozinheiros e garçons inusitados: 20 robôs com aparências diferentes, mais de 10 tipos de expressões faciais e a capacidade de receber os clientes com diferentes frases de boas-vindas.

Paraitinga se assusta com cheia São Luiz do Paraitinga (182 km de SP) viveu no final de semana a maior enchente desde a tragédia que, há três anos, destruiu igrejas, casas e isolou o município. A cheia do rio que dá nome à cidade histórica começou na manhã de sábado. O nível das águas alcançou 3,8 metros acima do normal e cerca de 30 famílias tiveram que sair de casa. O rio começou a baixar ontem – estava 2,3 metros acima do normal à tarde. A nova cheia passou longe da que ocorreu em 2010, quando o nível chegou aos 11 metros. Mas se por um lado revelou uma cidade mais preparada, mostrou que ela ainda está traumatizada pela tragédia. "Assim que vi a água subindo, passou todo aquele filme na cabeça de novo", disse o motorista Roberto de Souza, 54, observando o nível do rio e a rua alagada. Ontem, moradores se revezavam em uma "vigília" do nível do rio e em um mutirão de limpeza.


e CAIXA 1 conomia

O seu consultor financeiro

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TRANQUILIDADE financeira começa com ORGANIZAÇÃO Os métodos variam, mas controlar as receitas e as despesas é indispensável para um orçamento equilibrado. As conquistas vêm com a persistência.

REJANE AGUIAR

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Ferramentas gratuitas

Orçamento: o melhor começo. Tudo começa com um orçamento – individual ou familiar, dependendo de cada caso. Tanto faz se ele é feito em um caderninho ou em uma planilha no computador, embora programas como o Excel ajudem muito na hora de cálculos e de cruzamentos entre receitas, despesas e sobras para investimentos. Mas a escolha sempre está ligada ao grau de familiaridade que as pessoas têm com a tecnologia. Quem não gosta de mexer no computador, por exemplo, vai ter um empecilho a mais para acompanhar o dia a dia financeiro e fazer planejamento se esco-

Reprodução da

Zilberman

s p e s q u i s a s m o stram e o senso comum comprova: não são poucos os brasileiros que têm dificuldade para controlar as despesas e equilibrá-las com as receitas. Mesmo quem não está endividado ou inadimplente pode encontrar muitos obstáculos na hora de colocar as contas no papel ou em uma planilha no computador – podem ser desde a simples preguiça de anotar tudo e acompanhar a evolução do patrimônio até a falta de conhecimentos básicos de matemática. Há, ainda, quem pense que só ficando rico é possível ter sossego nas finanças. Ao contrário do que se imagina, ter uma vida financeira tranquila não é necessariamente sinônimo de riqueza: essa conquista vem, na verdade, de uma administração adequada dos valores que entram e saem da conta-corrente, o que está ao alcance de qualquer um que se disponha a encarar uma organização. E nada melhor que o mês de janeiro para começar. Entre os especialistas em educação financeira, há variações entre os métodos de organização das finanças, mas todos partem de um ponto comum: é preciso registrar, com sinceridade, todos os gastos e ganhos por um determinado período, até que o trabalho tenha se transformado em um hábito. Esses registros servirão, depois que as contas tiverem entrado nos eixos, como um histórico importante para comparações e avaliações das mudanças necessárias. lher montar uma planilha de Excel; é melhor que recorra a papel, caneta e calculadora. Para o educador financeiro Mauro Calil, a organização parte de uma espécie de inventário de receitas e despesas. Ele divide os gastos de uma maneira diferente da tradicional "fixas e variáveis": prefere separar entre despesas necessárias (onde entram itens essenciais como alimentação, moradia, transporte, vestuário e lazer básicos) e esporádicas ou por impulso (em que ficam os "exageros" e supérfluos). "Não é difícil, é trabalhoso. Mas a pessoa precisa insistir principalmente no começo para, ao fim de três meses, ter uma ideia clara de como andam as finanças", afir-

ma. Ele diz que depois de um intervalo de quatro ou cinco meses já é possível perceber mudanças na qualidade do orçamento. "Quando a pessoa nota os benefícios fica mais animada para de fato incorporar o hábito à rotina." O especialista dá algumas dicas importantes. "Ao montar o orçamento, deve-se evitar arredondamentos – os valores mais baixos e os centavos podem fazer muita diferença. Pedir sempre as notas fiscais, mesmo nos gastos menores, ajuda a colocar os valores exatos no controle de gastos", recomenda Calil. Para dividir o trabalho de atualização da planilha, é interessante lançar os valores assim que estejam disponíveis (fatura de

cartão de crédito logo que chega pelo correio ou pelo email, por exemplo).

Como identificar os excessos A educadora Bianca Fiori, da DSOP Educação Financeira, aconselha que o trabalho de organização comece por um relatório detalhado de despesas de um período de 30 dias. "Devem ser anotados todos os gastos mesmo, incluindo os cafezinhos no meio do expediente e até as gorjetas", afirma Bianca. Segundo ela, o registro das despesas separadas por categorias facilita a visualização do destino do dinheiro. O ideal seria anotar, ou digitar, os gastos em folhas

ou planilhas diferentes: todas as saídas com restaurantes em um lugar, as mensalidades de cursos em outro. "Isso facilita as somas e ajuda a pessoa a perceber onde está gastando muito e o que pode ser eliminado do orçamento", observa. "No primeiro mês, o resultado desse exercício pode até chocar. Mas depois de algum tempo a pessoa se habitua com o controle. E, com o orçamento em dia, é possível pensar nos sonhos", afirma, destacando as perguntas que a pessoa deve fazer a si mesma na hora de guardar o que sobrar para o sonho de consumo: o que eu quero? quando quero? quanto preciso guardar para conseguir? em quanto tempo?

internet

Nas imagens, as páginas dos sites que têm informações e ferramentas gratuitas para controle do orçamento familiar. Vale navegar pelos vários tópicos para encontrar dicas úteis. Da esq. para a dir., os sites da BM&FBovespa, da Calil&Calil, da Febraban e da DSOP Educação Financeira.

Falta de informação ou orientação já não pode ser desculpa para se deixar o orçamento descontrolado. As empresas que trabalham com educação financeira e até instituições financeiras e entidades do mercado financeiro têm sites completos, e com ferramentas gratuitas, para ajudar as pessoas a organizar as contas. Esses portais na internet têm modelos de planilhas eletrônicas que podem ser baixadas sem custo ou que podem servir de base para a criação de uma planilha personalizada. Existem, ainda, testes de conhecimentos a respeito de finanças e também atualidades sobre orçamentos e investimentos. Apostam nesse canal de educação, além de empresas como Calil & Calil e DSOP Educacional, a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) e a BM&FBovespa (veja nesta página os endereços de internet). Quem se sentir mais confortável ou seguro com um auxílio personalizado, pode procurar um educador financeiro ou as palestras e cursos presenciais (ou online) disponíveis no mercado. O educador Calil, por exemplo, atende interessados em um encontro de uma a duas horas para análise da situação financeira, cobrando a partir de um salário mínimo pelo trabalho. Na DSOP, há os cursos pagos e o atendimento pessoal do educador Reinaldo Domingos, ambos com preços sob consulta, e algumas palestras gratuitas – como a que acontece todas as terças-feiras, voltada para a educação financeira de aposentados. Opções, portanto, não faltam para quem decidir encarar o desafio de terminar 2013 com a casa arrumada.

S ERVIÇO Febraban www.meubolsoemdia.com.br BM&FBovespa www.bmfbovespa.com.br/ pt-br/educacional/iniciantes Calil & Calil www.calilecalil.com.br DSOP Educação Financeira www.dsop.com.br


14 -.ECONOMIA

DIÁRIO DO COMÉRCIO

sábado, domingo e segunda-feira, 12, 13 e 14 de janeiro de 2013


DIÁRIO DO COMÉRCIO

sábado, domingo e segunda-feira, 12, 13 e 14 de janeiro de 2013

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15 Para o governo, a política de combate à inflação compromete o crescimento. Simão Davi Silber, professor da FEA-USP

conomia

Bem no fim de 2012, sem alarde, o governo decidiu garantir de uma maneira pouco ortodoxa o cumprimento da meta de superávit primário – a economia feita para o pagamento dos juros da dívida. Para alcançar os R$ 139,8 bilhões necessários, o Tesouro usou recursos do Fundo Soberano, contabilizou dividendos antecipados da Caixa Econômica e do BNDES, ações que, estima-se, geraram prejuízo de R$ 4 bilhões. Descoberta a "contabilidade criativa", economistas alertam para o perigo de perda de credibilidade e o governo corre para justificar a decisão. Abaixo, duas visões divergentes.

"País não precisa cumprir a meta"

Credibilidade já está arranhada

Afirmação é resposta do secretário do Tesouro, Arno Augustin, a críticas.

Avaliação é do professor da FEA-USP Simão Davi Silber

Valter Campanato/ABr – 27/09/2012

O

Brasil já não precisa cumprir metas cheias de superávit primário (economia para o pagamento de juros) para assegurar melhorias em seu endividamento e a adoção de metas sobre o resultado nominal é uma possibilidade, afirmou o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin. Segundo ele, as sucessivas quedas da taxa básica (Selic) pavimentaram o caminho para esse cenário, ao reduzirem os encargos da dívida pública. "No passado, não tínhamos muito essa possibilidade: ou fazíamos o superávit primário ou a relação entre dívida e o PIB (Produto Interno Bruto) crescia. Agora, se fizermos o primário um pouco maior ou menor, essa relação continuará caindo", disse Augustin na semana passada, em meio a pesadas críticas de economistas à manobra de última hora que levou o governo a cumprir "na marra" o superávit primário de 2012. A relação da dívida líquida com o PIB é um dos principais indicadores de solvência (capacidade de pagamento da dívida) e de solidez dos países. Em 2011, no Brasil, essa relação fechou em 36,4%, recuando a 35% em novembro de 2012, de acordo com os últimos dados do Banco Central (BC), devendo ter encerrado o ano muito próximo desse patamar. "A tendência da dívida/PIB de 2013 é de queda maior porque a despesa com juro tende a ser bem menor", disse. Hoje, a taxa básica de juros, usada em boa parte da remuneração de títulos brasileiros, está na mínima histórica de 7,25% ao ano. Augustin observou que boa parte do problema relativo ao superávit primário em 2012 veio dos Estados e municípios, que só vão conseguir realizar pouco mais da metade da sua meta (deveriam ter poupado R$ 42,8 bilhões, mas esse valor estava em R$ 24,6 bilhões de janeiro a novembro). Risco – A engenharia financeira do governo feita no fim do ano gerou muitas críticas de especialistas, que viram com desconfiança a capacidade do País de

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gradual mudança no tripé macroeconômico brasileiro ainda não representa uma ruptura clara desse modelo, mas a forma como vem sendo conduzida pode ser perigosa quando se pensa na credibilidade do País aos olhos dos agentes econômicos, segundo o professor doutor Simão Davi Silber, da Faculdade de Economia e Administração (FEA) da Universidade de São Paulo. "Uma construção que exigiu um enorme esforço durante muito tempo pode ser destruída rapidamente", afirmou, em entrevista ao Diário do Comércio. Ele criticou as manobras do governo para cumprir a meta de superávit fiscal.

Respondo às críticas da maneira que acho a mais objetiva: é só olhar os preços dos nossos títulos, que nunca estiveram tão baixos. ARNO AUGUSTIN, SECRETÁRIO DO TESOURO NACIONAL manter as contas públicas em ordem. Para Augustin, esse risco não existe. "No passado, mexer no superávit primário era mais difícil porque havia dúvidas sobre a sustentabilidade da economia em médio e longo prazos. Hoje, nossa sustentabilidade está bem colocada", disse o secretário. "Respondo às críticas da maneira que acho a mais objetiva: é só olhar os preços dos nossos títulos, que nunca estiveram tão baixos; isso mede a confiança do investidor na capacidade do País de honrar compromissos", acrescentou. Depois de ter afirmado que o Brasil poderia fazer nova emissão externa no início deste mês, Augustin mudou a previsão: os bônus, em dólares, serão emitidos até o final do primeiro trimestre. Segundo ele, o adiamento se deveu à piora do mercado internacional. "Até foi bom porque o governo fará uma boa emissão e as pessoas que têm dúvidas sobre os fundamentos do Brasil verá que eles continuam bons", avaliou. A última emissão soberana (do governo) foi feita no início de setembro, quando o Tesouro captou US$ 1,35 bilhão pagando os menores rendimentos da história.

No passado, mexer no superávit era mais difícil porque havia dúvidas sobre a sustentabilidade da economia.

Mudança – Diante de pergunta sobre a viabilidade de adoção de metas sobre o resultado nominal (receitas menos despesas, incluindo o pagamento de juros), uma vez que afirmou que o Brasil não necessita mais cumprir o superávit primário "cheio" para garantir queda na relação dívida/PIB, Augustin afirmou que essa é uma possibilidade disponível. "É um desenho institucional que pode ser adotado. Já analisamos isso em algum momento, não escolhemos ainda esse caminho. Mas é um caminho possível", afirmou o secretário. Para 2013, Augustin lembrou que a prerrogativa de abatimentos na meta de superávit primário, cujo valor integral está estipulado em R$ 155,9 bilhões, vai além dos investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), podendo envolver também eventuais desonerações fiscais. E as desonerações são justamente parte da explicação para os resultados ruins nas contas públicas do ano passado. Usadas para estimular a atividade, elas somaram em torno de R$ 45 bilhões. As receitas também foram afetadas pela arrecadação menor que a esperada devido ao fraco desempenho da economia – o PIB deve ter crescido apenas cerca de 1% em 2012. Energia elétrica – O secretário também afirmou que o Tesouro vai garantir a redução média de 20% no valor das tarifas de energia elétrica neste ano, mesmo no atual contexto em que se discute o risco de racionamento por conta do baixo nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas e diante da possibilidade de encarecimento dos custos com a energia elétrica pelo maior uso das termelétricas. De acordo com Augustin, o Tesouro Nacional está orientado a aportar os recursos necessários para garantir a queda nos preços das tarifas para as empresas e as famílias. "Não se estuda alternativa que não seja a redução dos 20%", afirmou, acrescentando que o impacto dessa baixa será maior do que 0,5 ponto percentual na inflação neste ano. (Reuters)

Na avaliação do senhor, acabou o tripé macroeconômico adotado no Brasil oficialmente desde a ruptura do regime de câmbio fixo, em 1999? Seria muito radical dizer que o tripé macroeconômico do Brasil de câmbio flutuante, metas de inflação e superávit primário acabou. Digamos que hoje o País tenha uma política econômica que não segue nem o modelo do segundo mandato de Fernando Henrique (1999-2002) nem o do governo Lula até 2008. Na verdade, vejo que a política econômica mudou muito depois da crise de 2008, para um modelo bastante heterodoxo. Desde então, o tripé macroeconômico brasileiro ficou diferente. Em que aspectos o senhor enxerga essa diferença? O câmbio é um deles: em vez de flutuante, hoje é, na prática, administrado. Não sei dizer quem estabeleceu um patamar de câmbio razoável em torno de R$ 2, se o Banco Central, se a presidente Dilma, mas o fato é que, atuando de maneira bastante agressiva para manter o dólar nesse nível nos últimos meses, o governo demonstra claramente que já não temos um câmbio flutuante. A política monetária, ao contrário, foi significativamente flexibilizada. Hoje é evidente, embora não oficialmente admitido, que a meta das ações do Banco Central não é mais a inflação. O que evidenciaria a mudança da direção da meta do Banco Central? O ano de 2012 é o quarto seguido em que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, calculado pelo IBGE) fica acima da meta central de 4,5% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (encerrou o ano em 5,84%), com taxa muito maior do que deveria ser. O Banco Central está mais condescendente com a inflação porque hoje tem uma visão diferente: considera que a política tradicional de combate à alta de preços compromete o crescimento da economia. O problema é que fica muito difícil fazer a economia

Divulgação/FEA

A política econômica mudou muito depois da crise de 2008, para um modelo bastante heterodoxo. SIMÃO DAVI SILBER crescer sem ameaçar a meta de inflação, mas o governo parece ter feito uma escolha nesse aspecto. E quanto à política de administração de receitas e gastos do governo? Acredito que, depois da jogada do fim de ano para o cumprimento da meta de superávit fiscal de 2012, mais lambanças devem vir por aí. A política fiscal brasileira é cada vez mais opaca, menos transparente. A pataquada que o governo protagonizou com seus artifícios contábeis no fim de 2012, no apagar das luzes, não convence nem uma criança. Fico me perguntando por que o governo fez isso se todo mundo sabe que o resultado é fajuto. Cheguei a uma hipótese para explicar esse comportamento: se a contabilidade criativa conseguiu simular um cumprimento de superávit em 2012, isso significa que o governo também não teria que se preocupar com o cumprimento dessa meta neste ano.

Hoje é evidente, embora não oficialmente admitido, que a meta das ações do Banco Central não é mais a inflação.

Quais são os problemas desse conjunto de mudanças de rumo? A aposta do governo é muito perigosa. A manipulação de informações fiscais que vemos agora ameaça uma credibilidade diante dos agentes econômicos nacionais e estrangeiros que o Brasil demorou mais de uma década para consolidar. Uma construção que exigiu um enorme esforço durante muito tempo pode ser destruída rapidamente. Na minha opinião, aliás, já há algum tempo o Brasil funciona com uma espécie de orçamento paralelo, com o qual o governo pode contar sem precisar de autorização do Congresso. Um exemplo: desde 2009, nos meses que se seguiram ao estouro da crise do ano anterior, o governo repassou ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, instituição de fomento) R$ 289 bilhões. Esses recursos desde então foram usados como instrumento para as políticas heterodoxas dos governos Lula e Dilma, basicamente com empréstimos para setores que são "amigos do rei". Existem riscos para a economia brasileira? Diante de todo esse cenário, acredito que a credibilidade da política econômica brasileira já está arranhada. Acho que o governo está dando sopa para o azar. No curto prazo provavelmente não há risco de problemas mais graves, mas me preocupo muito com o fato de o Brasil estar caminhando na contramão do mundo em termos de decisões macroeconômicas. Afinal, deve haver alguma coisa muito errada com um país em que a cerveja vale mais que o petróleo (no fim do ano passado, a Ambev tinha valor de mercado maior do que o da Petrobras). Rejane Aguiar


DIà RIO DO COMÉRCIO

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sĂĄbado, domingo e segunda-feira, 12, 13 e 14 de janeiro de 2013

Gilles Sabrie/ The New York Times

conomia

Keith Bradsher e Charles Duhigg *

Na maior empresa privada da China, empregado almoça diante do retrato de Steve Jobs.

humana", disse o inspetor Auret van Heerden, da Fair Labor Association, a Williams. Ao invÊs de se concentrar na erto dia no primeiro criação de novas políticas, a semestre do ano Apple precisava escutar mepassado, Pu Xiaolan lhor as reclamaçþes dos funestava no meio do cionårios e as recomendaçþes expediente na inspeção de dos grupos de defesa dos dicarcaças do iPad quando recereitos do trabalhador. beu uma grande cadeira de Algumas das sugestþes surmadeira bege e um grande enpreenderam Williams, seguncosto reclinåvel. do pessoas que trabalham Primeiro, Pu achou que alcom ele. Desde 2007 a Apple guÊm tivesse cometido um erhavia criado um dos mais exro. Mas quando os chefes pastensos programas de auditosaram e acenaram com um ria da indústria de aparelhos sorriso cortês, Pu finalmente eletrônicos, inspecionando se sentou e reclinou as costas. mais de 800 fåbricas. Isso era Seu corpo relaxou. algo de que Williams e os líderes da empresa se orgulhaEla foi promovida para vam muito. uma cadeira de madeira As mudanças começaram quando Williams, que não Quando Pu foi contratada quis fazer comentårios para para trabalhar nessa fåbrica este artigo, voltou à Califórda Foxconn, um ano antes, nia depois dessa reunião em recebeu um banco baixo de março. Segundo pessoas plåstico verde, que deixou com conhecimento de causa, suas costas sem apoio e tão essas mudanças incluem a doloridas que mal conseguia contratação de cerca de 30 dormir à noite. Com o tempo, profissionais para a unidade acabou sendo promovida pade responsabilidade social ra uma cadeira de madeira, da Apple, que triplicou o tamas o encosto era pequeno manho da divisão e trouxe fademais para apoiar as cosmosos ativistas corporativos tas. Pu supôs que os gerentes para a empresa. Dois respeiRelaçþes de trabalho começam a avançar na China. A culpa Ê do iPhone. dessa fåbrica de 164 mil funtados ex-executivos da Apcionårios acreditassem que o ple – Jacky Haynes e Bob Bainconforto enbridge – foram recrutados pacoraja a prepresidente da Foxconn, a Agora, Gou estå descobrin- ra ajudar a liderar a unidade, guiça. maior fåbrica de produtos do quais são os resultados que se reportaria a Williams e Contudo, e l e t r ô n i c o s d o m u n d o e a desse escrutínio. A Foxconn ao executivo chefe Timothy sem que Pu principal parceira industrial ainda não foi capaz de impe- D. Cook. "Todo mundo conhesoubesse, no da Apple. Isso aconteceu em dir a realização de horas ex- ce o Bob e a Jacky", afirmou mês de marmarço do ano passado e Gou tras ilegais, afirmou o princi- um ex-executivo da Apple. ço foi realiza– visto pelos ativistas como pal inspetor da associação a "Isso demonstra que Jeff e d a u m a i mum antigo obståculo para a Gou e seus executivos, de Tim querem que todos se enportante reumelhoria nas condiçþes de acordo com diversas pessoas volvam no projeto." nião entre os A Foxconn tambÊm mudou. trabalho nas fåbricas da em- ligadas à reunião. A empresa principais p r e s a – s e e n c o n t r o u c o m ainda não tinha proibido a Depois do encontro com a Fair executivos seus principais representan- presença de estagiårios no Labor Association, a Foxconn da Foxconn e tes em Shenzhen, China. Em turno da noite. A Foxconn não anunciou que atÊ julho de um dos che2011, o New York Times come- havia criado políticas de se- 2013 nenhum funcionårio trafes da Apple. çou a enviar extensos ques- gurança suficientes e expu- balharia mais que uma mÊdia As empresas tionårios para a Apple e a Fox- nha centenas de milhares de de 49 horas por semana – o lis e c o m p r omite estabeconn sobre as condiçþes de t r a b a l h a d ometeram a lecido pela letrabalho nas fåbri- r e s a p e l o adotar uma gislação chicas que produzem m e n o s 4 3 sÊrie ampla nesa. Antes os produtos da Ap- v i o l a ç þ e s Na linha de produção, a cobrança de metas de reformas. disso, alguns ple. Os artigos re- das leis e dos estå no placar eletrônico. Os objetivos do A Foxconn, fu nc io nå ri os s u l t a n t e s d e t a- r e g u l a m e ndia estão à esquerda. a m a i o r e mda Foxconn l h a v a m p r o b l e- tos chineses. Funcionårios chegam a trabalhar presa privachegavam a mas que iam do 100 horas por semana. da da China, trabalhar excesso de hoEnigmas de c o m p r o m equase 100 ras extras e fun- engenharia, teu-se a diminuir drastica- ajuda a concorrentes pahoras por secionårios meafirmou o mente o expediente dos fun- ra ajudar a acabar com as m a n a . N enores de idade inspetor cionårios e aumentar signifi- excessivas horas extras da nhuma outra a perigos mortais cativamente os salårios – re- China e entrando em contag r a n d e e mno ambiente de trabalho. Ele se volf o r m a s q u e , s e f o r e m to com as mesmas ONGs p r e s a a f i rmas crô- Uma explosão na fåbrica da tou ao único Trabalhador usa banquinho realmente realizadas neste que jå tentou afastar. mou tão punicos em fåbricas Foxconn, onde Pu trabalha, i n s p e t o r d a sem encosto ano criariam um efeito cascablicamente Apple na sala, estrangeiras. Muitos funcio- deixou quatro mortos. Executivos de empresas ta que beneficiaria dezenas como a Hewlett-Packard e In- nårios continuam fazendo hoque passaria Então, a Apple publicou os o vice-preside milhþes de trabalhadores tel afirmam que essas mudan- ras extras ilegais e a seguran- nomes de muitos de seus for- dente sênior de operaçþes, a cumprir as leis trabalhistas em toda a indústria de eletrô- ças convenceram muitas em- ça em algumas fåbricas conti- necedores pela primeira vez. Jeff Williams. A Apple tambÊm da China. nicos da China, segundo es- presas de eletrônicos a mudar nua baixa, segundo entrevis- AlÊm disso, a empresa reali- precisava mudar. Em seu faA Foxconn, com sede em pecialistas. a forma como interagem com tas e relatórios publicados por zou a inesperada medida de se vor, hå anos a Apple tem tra- Taiwan, tambÊm prometeu As mudanças tambÊm se fåbricas e trabalhadores es- grupos de defesa dos direitos juntar à Fair Labor Associa- balhado para melhorar as con- aumentar salårios, para que estendem à Califórnia, onde fi- trangeiros – ainda que isso do trabalhador. tion, um dos maiores grupos diçþes nas fåbricas estrangei- o pagamento dos funcionåca a sede da Apple. A gigante atrapalhe um pouco a rentabide monitoramento de condi- ras, mas a empresa continua rios não diminua apesar do dos produtos eletrônicos tri- lidade, essa mudança provaçþes trabalhistas do mundo. tratando esses problemas menor número de horas – isso Uma explosão na fåbrica plicou a equipe de responsabi- velmente não afetarå os conAuditores da associação logo apenas como enigmas de en- significa o equivalente a audeixou quatro mortos lidade social no último ano e sumidores. mentos de 50% para muitos foram inspecionar os parcei- genharia, afirmou o inspetor. reavaliou como isso funciona "Soluçþes de longo prazo funcionårios. "Isso estå uma desgraça!", ros da Apple na China, a comeAtÊ mesmo com essas refor* The New York Times com os fabricantes, pedindo mas, ainda existem proble- gritou Terry Gou, fundador e çar pela Foxconn. exigem uma abordagem mais

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Sob pressão, Apple força mudança na Foxconn.

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Edital de Citação. Prazo 20 dias. Processo nº 0011036-89.2012.8.26.0011. O(A) Doutor(a) Francisco Carlos Inouye Shintate, MM. Juiz(a) de Direito da 5ª Vara Cível, do Foro Regional de Pinheiros XI – Pinheiros, da Comarca de São Paulo, Estado de São Paulo, na forma da Lei, etc. Faz saber a(o) Jorge de Almeida Garcia, Avenida Pedro de Morais, 677, aptoº 129, Pinheiros – CEP. 05419000, São Paulo-SP, CPF 700.756.754-12, Brasileiro, Empresårio, que lhe foi proposta uma ação monitória, por parte de HSBC BANK BRASIL S/A – BANCO MÚLTIPLO, para cobrança da quantia R$ 51.837,06 (JUL/12), dívida esta oriunda do limite do cheque especial referente ao contrato de abertura de conta corrente bancåria junto a filial Urbana Masp Paulista da Instituição Financeira, registrado sob o número 0478-02173-41. Encontrando-se os rÊus em lugar ignorado, foi determinada a citação por edital, para que no prazo de 15 dias, a fluir após o prazo de 20 dias supra, paguem o dÊbito livre de custas e honorårios, ou ofereçam embargos, sob pena de não o fazendo, constituir-se de pleno direito o título executivo judicial, presumindo-se aceitos como verdadeiros os fatos alegados. Serå o presente edital, por extrato, afixado e publicado na forma da lei, sendo este Fórum localizado na Rua Jericó, s/n, Sala 210, Vila Madalena – CEP 05435-040, Fone : (11) 3813-5564, São Paulo-SP.

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DIÁRIO DO COMÉRCIO

sábado, domingo e segunda-feira, 12, 13 e 14 de janeiro de 2013

e Em Chongqing, um sopro de melhoria.

ECONOMIA/LEGAIS - 17 Os gerentes falam de uma maneira ameaçadora. Mou Kezhang, trabalhador

conomia

Gilles Sabrie/ The New York Times

Fábrica adota programa de qualidade para reduzir a rotatividade

A

quase 322 quilômetros a sudeste da fábrica onde Pu recebeu uma nova cadeira, existe outra fábrica que faz experimentos com a melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores – e mostra as vantagens e desvantagens dessa estratégia. A fábrica de Chongqing produz computadores para a Hewlett-Packard. Ela é operada pela Quanta, uma fabricante taiwanesa. Dentro da fábrica, entre milhares de funcionários c o m u n i f o rmes brancos brilhantes, vez ou outra aparecem pessoas vestidas de cor de rosa como Z h a n g X u emei, de 19 anos, com brincos cintilantes, cujo único trabalho é conversar com os colegas. Durante oito horas por dia, Zhang coleta reclamações sobre as refeições gratuitas distribuídas pela empresa e sobre os alojamentos. Ela ouve os trabalhadores que estão se divorciando, que têm saudades de casa ou que estão brigando com os superiores. Quando descobre que alguém está sofrendo, pede que a pessoa consulte um dos médicos ou conselheiros profissionais que a empresa oferece. Os dormitórios de 10 andares da Quanta parecem alojamentos estudantis. Há um cinema grátis, salas de televisão, uma academia de artes

marciais, dois bares de karaokê, uma enorme cantina e uma sala de aeróbica que tocava um remix chinês de "Gangnam Style". Nem a Quanta nem a Hewlett-Packard afirmam que isso não tenha resolvido todos os problemas do trabalho. E que todas as vantagens são um pouco egoístas: um dos principais problemas para as fábricas chinesas é a grande rotatividade de profissionais. A HewlettPackard espera que, com a me-

lhoria na qualidade de vida, gastos com treinamento e dispensas venham a diminuir.

ra por meio de uma disciplina visível em todos os setores: das saudações dadas por funcionários a executivos visitantes, aos exercícios praticados todas as manhãs pelos trabalhadores. Segundo ex-executivos da Apple, essa disciplina é uma das razões pelas quais o iPhone é tão bem feito. Também é por isso que funcionários como Pu – que ganhou a cadeira nova – não esperavam que as mudanças

Refeições e dormitórios na fábrica que produz para a Hewlett-Packard

Zhang Xuemei em um dos alojamentos: ela coleta informações sobre os funcionários e suas queixas. chegassem tão cedo. Ainda que a Foxconn tenha treinado os gestores para tratar funcionários com mais gentileza, eles ainda são tratados com xingamentos e intimidação. "Os gerentes falam de uma maneira ameaçadora", afirmou Mou Kezhang, que trabalha no setor de garantia de qualidade na fábrica da Foxconn em Chengdu. Em comunicado, a Foxconn afirmou que "sempre esteve entre as primeiras a adotar mudanças e reformas". Sua política, segundo a empresa, é a de "tratar funcionários com respeito e, se descobrirmos transgressões, elas serão imediatamente investigadas e resolvidas". The New York Times

É difícil mudar A Hewlett-Packard também faz produtos em fábricas da Foxconn, assim como quase toda grande fabricante de produtos eletrônicos. A Foxconn, mais do que qualquer outra, comprovou que as fábricas chinesas são capazes de dar uma atenção obsessiva à qualidade, ajudando a transformar a China em uma gigante manufaturei-

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GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO

FDE AVISA: TOMADAS DE PREÇOS

A FUNDAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO - FDE comunica às empresas interessadas que se acha aberta licitação para execução de Obras: TOMADA DE PREÇOS Nº - OBJETO - PRÉDIO - LOCALIZAÇÃO - PRAZO - ÁREA (se houver) - PATRIMÔNIO LÍQUIDO MÍNIMO P/ PARTICIPAR - GARANTIA DE PARTICIPAÇÃO - ABERTURA DA LICITAÇÃO (HORA E DIA) 69/03565/12/02 - Reforma de Prédio Escolar - EE Prof Zenon Cleantes de Moura - Rua do Alojamento, 137 - Cep: 11543-100 - Vila Fabril – Cubatão/SP - 180 - R$ 44.003,00 - R$ 4.400,00 - 14:30 - 30/01/2013. As empresas interessadas poderão obter informações e verificar o Edital e o respectivo Caderno de Encargos e Composição do BDI na SEDE DA FDE, na Supervisão de Licitações, na Av. São Luís, 99 - República - CEP: 01046-001 - São Paulo/SP ou através da Internet pelo endereço eletrônico www.fde.sp.gov.br. Os interessados poderão adquirir o Edital completo através de CD-ROM a partir de 14/01/2013, na SEDE DA FDE, de segunda a sexta-feira, no horário das 08:30 às 17:00 horas, mediante pagamento não reembolsável de R$ 40,00 (quarenta reais). Todas as propostas deverão estar acompanhadas de garantia de participação, a ser apresentada à Supervisão de Licitações da FDE, conforme valor indicado acima. Os invólucros contendo a PROPOSTA COMERCIAL e os DOCUMENTOS DE HABILITAÇÃO deverão ser entregues, juntamente com a Solicitação de Participação, a Declaração de Pleno Atendimento aos Requisitos de Habilitação e a garantia de participação, no Setor de Protocolo da Supervisão de Licitações - SLI na SEDE DA FDE, até 30 minutos antes da abertura da licitação. Esta Licitação será processada em conformidade com a LEI FEDERAL nº 8.666/93 e suas alterações, e com o disposto nas CONDIÇÕES GERAIS PARA A REALIZAÇÃO DE LICITAÇÕES E CONTRATAÇÕES DA FUNDAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO - FDE. As propostas deverão obedecer, rigorosamente, o estabelecido no edital. Herman Jacobus Cornelis Voorwald Respondendo pela Presidência Decreto s/nº de 03/10/2012

SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO

GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO Sandvik Mining And Construction do Brasil S.A.

FDE AVISA: PREGÃO ELETRÔNICO DE REGISTRO DE PREÇOS Nº 36/00225/12/05 OBJETO: AQUISIÇÃO DE MULTÍMETRO DIGITAL A FUNDAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO - FDE comunica às empresas interessadas que se acha aberta licitação para : Aquisição ce Multímetro Digital. As empresas interessadas poderão obter informações e verificar o Edital a partir de 14/01/2013, no endereço eletrônico www.bec.sp.gov.br ou na sede da FDE, na Supervisão de Licitações, na Av. São Luís, 99 - República - CEP: 01046-001 - São Paulo/SP, de segunda a sexta-feira, no horário das 08:30 às 17:00 horas, ou verificar o edital na íntegra, através da Internet no endereço: http://www.fde.sp.gov.br. A sessão pública de processamento do Pregão Eletrônico será realizada no endereço eletrônico www.bec.sp.gov.br, no dia 28/01/2013, às 09:30 horas, e será conduzida pelo pregoeiro com o auxílio da equipe de apoio, designados nos autos do processo em epígrafe e indicados no sistema pela autoridade competente. Todas as propostas deverão obedecer, rigorosamente, o estabelecido no edital e seus anexos e serão encaminhadas, por meio eletrônico, após o registro dos interessados em participar do certame e o credenciamento de seus representantes previamente cadastrados. A data do início do prazo para envio da proposta eletrônica será de 14/01/2013, até o momento anterior ao início da sessão pública. Herman Jacobus Cornelis Voorwald Respondendo pela Presidência Decreto s/nº de 03/10/2012

ALLIANCE INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A. CNPJ/MF 08.440.746/0001-28 – NIRE 35.300.364.741 ATA DA ASSEMBLÉIA GERAL EXTRAORDINÁRIA REALIZADA EM 30 DE JANEIRO DE 2009 Data, Hora, Local: 30/01/2009, 10hs, sede.Convocação: Dispensada. Quorum: 100%. Mesa: José Manoel Biagi Amorim, Presidente e Sérgio Luis Wasserstein, Secretário. Deliberações: A) Nova sede Coomex Empresa Operadora do Mercado Energético Ltda: Al. Santos, 905, 7º. B) Administradores da Coomex Empresa Operadora do Mercado Energético Ltda: Presidente, José Manoel Biagi Amorim, RG 8.222.094-3 e CPF 074.560.128-65. Tesoureiro: Sérgio Luis Wasserstein, RG 8.785.809, CPF 092.816.678-35. Operações de Mercado, Cláudio Monteiro da Costa, RG 13.613.101-3, CPF 082.807.348-13 e Técnico Regulatório: Cassiano Augusto Agapito, RG 32.346.960-7, CPF 288.282.538-27.C)Aquisição pela Cia de 1.700 quotas por R$ 1.700,00 dos sócios da Coomex Serviços Energéticos Ltda: 200 José Manoel Biagi Amorim, 500 Sérgio Luis Wasserstein, 500 Cassiano Augusto Agapito e 500 Beatriz Pupo Monteiro da Costa. D) Nova sede Coomex Serviços Energéticos Ltda: Al. Santos, 905, 1º/Sala 2. E) Destituida administradora Beatriz Pupo Monteiro da Costa da Coomex ServiçosEnergéticosLtda.F)NovosdiretoresdaCoomexServiçosEnergéticosLtda:Presidente,JoséManoelBiagiAmorim,RG8.222.094-3, CPF 074.560.128-65.Tesoureiro, Sérgio LuisWasserstein, RG 8.785.809, CPF 092.816.678-35.Operações de Mercado, Cláudio Monteiro da Costa, RG 13.613.101-3, CPF 082.807.348-13 eTécnico Regulatório, Cassiano Augusto Agapito, RG 32.346.960-7, CPF 288.282.53827. Nada mais. José Manoel Biagi Amorim: Presidente e Sérgio Luis Wasserstein: Secretário. JUCESP: 171.830/09-0 em 21/5/2009.

FALÊNCIA, RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL E RECUPERAÇÃO JUDICIAL Conforme informação da Distribuição Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo, foram ajuizados no dia 11 de janeiro de 2013, na Comarca da Capital, os seguintes pedidos de falência, recuperação extrajudicial e recuperação judicial: Requerente: Crefisa S/A Crédito, Financiamento e Investimentos. Requerido: Uniflex Resinas Termoplásticas Indústria e Comércio Ltda. Rua Tito Oliani, 1.036 - São João Clímaco - 2ª Vara de Falências. Requerente: Crefisa S/A Crédito, Financiamento e Investimentos. Requerido: Planave Aviação Ltda. Avenida Olavo Fontoura, 1.078 - Setor D - Lote 9 – Santana - 1ª Vara de Falências. Requerente: Crefisa S/A Crédito, Financiamento e Investimentos. Requerido: Aperte Comércio de Componentes para Fixação Ltda. Rua Marechal Barbacena, 468 – Vila Regente Feijó - 1ª Vara de Falências.

CNPJ: 07.083.656/0001-64 – NIRE 35.300.318.897 Ata da AGE Realizada aos 07 de Maio de 2012 Data e Hora: 7/5/12, 13hs. Local: Na sede. Convocação: Dispensada. Presença: Acionistas representando 100% do capital. Mesa: Presidente: Glauco Manoel Teixeira Neto. Secretário: Luiz Fernando Manetti. Deliberações: Tendo em vista a presença de todos os acionistas da sociedade, o Senhor Presidente declarou aberta a sessão, passando a tratar sobre a renúncia do Diretor da Sociedade, e eleição de seu substituto. Após o debates foi decidido, por unanimidade de votos, aceitar a renúncia de dois atuais diretores: Diretor Administrativo Sr. Fernando Antonio Martins Aguiar e Diretor Sr. José Carlos Fiorezi, aos quais agradecemos seus relevantes préstimos à sociedade no período em que ocuparam mencionado cargo. Ato contínuo, os acionistas da Sociedade elegeram, por unanimidade de votos para ocupar o cargo de Diretor Administrativo o Sr. Luciano Soares Pereira, carteira de identidade 4.349.376/SSP-MG, CPF 976.986.796-91; e para o cargo de Diretor o Sr. Rafael Aires Zenha, carteira de habilitação nº 02010156756, CPF 030.835.106-16, que desempenharão tais funções, salvo futura deliberação em contrário, iniciando-se nesta data e encerrando em 20/4/14. Ato contínuo, os membros eleitos para a Diretoria tomaram posse de seus respectivos cargos. Foi mantido o membro Diretor Presidente, conforme abaixo: Sr. Glauco Manoel Teixeira Neto, cédula de identidade nº 8.021.815-5 SSP-SP, CPF/MF nº 002.284.368-00. Todos com mandato a encerrar em 20/4/14. Encerramento: Nada mais. SP, 7/5/12. Acionistas: Sandvik Aktiebolag-Luiz Fernando Manetti Sandvik do Brasil S.A. Indústria e Comércio-Luiz Fernando Manetti e Claudio José Camacho Glauco Manoel Teixeira Neto-Pres. da Mesa; Luiz Fernando Manetti-Secr. Jucesp nº 256.473/12-2 em 18/06/2012. Gisela S. Ceschin-Secr. Geral.

Cigla Construtora Impregilo e Associados S.A.

CNPJ/MF n° 47.234.513/0001 - 20 - NIRE 35.300.181.077 Extrato da Ata da Assembléia Geral Extraordinária em 13/11/2012. Dia, Hora e Local: Aos 13/11/2012, às 9:00 hs, na sede social da Cia., localizada em SP/SP, na Al. Gabriel Monteiro da Silva, 2143. Presença: 100% do capital social. Mesa: Rodrigo da Cruz Couto - Presidente e Angela Ubertini - Secretário . Deliberações: aprovadas pela unanimidade dos acionistas presentes, (A) A nomeação da Diretoria para o próximo triênio: Foram Mantidos no Cargo: Diretor Superintendente : Giuseppe Quarta, Diretor Administrativo: Rodrigo da Cruz Couto, Diretor Financeiro: Angela Ubertini, Diretor de Planejamento: Alessandro Rivano, e Diretor de Engenharia: Paolo Ruffato, todos com endereço comercial na Alameda Gabriel Monteiro da Silva n° 2.143 Jardim Paulistano SP/SP. (B) Todos os Diretores mantém as mesmas condições de remuneração anteriormente fixadas. (C) Mantém a verba destinada à Diretoria em R$ 900.000,00 anual. Os Diretores ora mantidos nos cargos declaram não estar incurso em nenhum dos crimes previstos em lei que o impeça de exercer atividades mercantis, ficando ainda neste ato dispensado de prestar caução em garantia de sua gestão ratificados todos os atos praticados pela Diretoria até a presente data. Encerramento: Nada mais lavrou-se a ata. São Paulo, 13/11/2012. Presidente - Rodrigo da Cruz Couto; Secretário: Angela Ubertini. Acionistas CSC Impresa Costruzioni S/A p.p Rodrigo da Cruz Couto e Impregilo S.p.A. p.p Rodrigo da Cruz Couto. JUCESP n° 540.664/12-1 em 14/12/2012. Gisela Simiema Ceschin - Secretária Geral. EDITAL DE CONVOCAÇÃO ASSEMBLEIA GERAL Os Condôminos-Proprietários da Associação dos Proprietários do Condomínio Rochelle I, no uso das atribuições que lhe são conferidas por lei Condominial,FAZ SABER a todos que em 03 de Fevereiro de 2.013, nas dependências do condomínio - Rua 04 Casa 66,Condomínio Rochelle I,às 10:00 horas,em primeira convocação com presença de Condôminos que representam 2/3(dois terços) dos condôminos-proprietários e,às 10:30horas,em Segunda convocação com a presença mínima de 10(Dez) condôminosproprietários, fará realizar ASSEMBLÉIA GERAL que terá a seguinte ORDEM DO DIA: - ALTERAÇÃO DO ESTATUTO SOCIAL; - PRESTAÇÃO DE CONTAS; - APROVAÇÃO PARA AUMENTO DA TAXA DE CONDOMÍNIO. DISPOSIÇÕES A SEREM CUMPRIDAS: 1. Poderão participar da Assembleia todos os condôminos-proprietários; 2. Poderão exercer o direito de voto somente os condôminos-proprietários; 3. Os votos serão computados por maioria simples dos condôminos-proprietários presentes na Assembleia. Carapicuiba, 10 de Janeiro de 2.013. Sirlene Gomes Gitti Pinheiro - Presidente

Denúncias de trabalho precário no Brasil Renato Carbonari Ibelli

O

histórico da Foxconn no Brasil é polêmico. A empresa possui cinco plantas no Brasil e é alvo recorrente de denúncias envolvendo a precarização do trabalho. O Ministério Público do Trabalho (MPT) já encontrou trabalhadores chineses ilegais nas fábricas brasileiras, que acabaram deportados, além de flagrar funcionários tidos como provisórios, mas que atuavam como permanentes. Recentemente os funcionários da planta de Jundiaí que fabricam iPads e iPhones pararam as atividades em protesto contra a baixa qualidade do serviço de alimentação da fábrica. A paralisação durou três horas e culminou com o encerramento do contrato da empresa que prestava serviços no refeitório da Foxconn. A planta de Jundiaí abriga 6 mil trabalhadores. Os planos da empresa no País são ambiciosos. Envolvem um montante de US$ 12 bilhões previstos para serem investidos até 2016, e que tornaria a fabricação nacional de tablets e smartphones da Apple independente da importação de componentes. Mas até agora só uma pequena parcela desse valor aportou no País. O último anúncio de investimentos mais expressivos no Brasil ocorreu no final de 2012, quando a empresa comunicou que direcionará US$ 1 bilhão para construir um novo complexo industrial, este em Itu, projetado para 2014, e onde serão produzidas telas sensíveis ao toque, câmeras, entre outros componentes para os tablets e smartphones.


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e

sábado, domingo e segunda-feira, 12, 13 e 14 de janeiro de 2013

Não existe mais a interpretação de que o preço inferior significa qualidade inferior. Christine Pereira, diretora comercial da Kantar Worldpanel

conomia

Cresce a adesão de consumidores a itens de marca própria Mas atente-se ao CDC antes de colocar um produto no mercado. Fique de olho em rotulagem de produtos, vícios, defeitos e acidentes de consumo.

C

omercializar produtos com a própria m a r c a é u m a t e ndência no varejo em geral e, cada vez mais, itens que estampam o nome de quem vende ocupam mais espaços nas gôndolas e nos estoques de lojas de alimentos, produtos têxteis, utilidades domésticas, para a prática de esportes, jardins, cosméticos e até em pizzarias. Isso só vem ocorrendo porque o consumidor passou a confiar nesses produtos, que deixaram de serem sinônimos de baixa qualidade. Os produtos de marca própria geralmente são produzidos por terceiros que atendem as especificações definidas pelo dono da marca. Em razão da qualidade e do preço menor (na média, 20% mais barato do que os produtos líderes), se constituem numa forma de fidelização do consumidor, dizem os profissionais de marketing, uma vez que eles só são encontrados nos estabelecimentos detentores da marca. Estudo – A adesão do consumidor aos produtos de marca própria é comprovada pelo estudo da Kantar Worldpanel, que mostra que, no ano passado, 52% das famílias levaram para casa no mínimo um pro-

duto com marca própria. A maioria pertence às classes A e B (60%), mas consumidores da C (52%) e da D e E (49%) também não vacilam na hora da escolha, justamente porque deixaram de ser relacionados à baixa qualidade. "Oitenta e quatro por cento dos consumidores de marca própria justificam sua escolha por considerarem serem itens de boa qualidade", aponta Christine Pereira, diretora comercial da Kantar Worldpanel. Ela completa: "Setenta e quatro por cento da amostra considera o preço na hora de fazer sua escolha, contudo, sua busca é o mais acessível para produtos de valor agregado, ou seja, não existe mais a interpretação de que o preço inferior significa qualidade inferior", explica a executiva. Um outro dado interessante (e positivo) da pesquisa é que vem caindo o número de pessoas que afirmam nunca comprarem marcas próprias: em 2012 foram 36%, em 2011 eram 39% e em 2010 totalizavam 47%, uma diferença de 11 pontos percentuais em dois anos. "Os motivos apresentados pelo grupo que afirma nunca comprar marcas próprias nos fornecem um mapa das possibilidades de desenvolvimento da categoria

no País", afirma Christine Pereira. "Por exemplo, 62% deles relatam não encontrar esse tipo de produto nos pontos de venda onde fazem suas compras, o que significa que ser um não consumidor não é uma opção dele", completa. Legislação – Não basta criar uma marca própria, desenvolver uma estratégia de marketing e tentar fidelizar o consumidor com uma marca própria se não forem observadas as diretrizes da lei consumerista.

No Código de Defesa do Consumidor (CDC), não há nenhum artigo específico sobre o assunto, até porque é uma lei principiológica. E é justamente em razão de definir princípios que o interessado ou quem já trabalha com marca própria deve olhar com atenção para o CDC quando ele trata sobre rotulagem de produtos, vícios, defeitos e acidentes de consumo. Para a lei consumerista não importa a marca que será co-

FIQUE POR DENTRO TARIFAS Se aprovado o Projeto de Lei 4524/12, do deputado César Halum (PSD-TO), as operadoras de telefonia móvel não mais poderão cobrar preços diferentes entre os planos de serviço prépagos e os pós-pagos. O deputado objetiva com a proposta coibir o abuso na cobrança das tarifas dos

pré-pagos de celular, que representam 81% dos mais de 255 milhões de linhas em operação, conforme informa a Agência Câmara. De acordo com o deputado, há diferenças de mais de 400% no minuto cobrado entre as ligações de linhas prépagas e pós-pagas.

INADIMPLÊNCIA Também tramita pela Câmara Federal o Projeto de Lei 4423/12, do exdeputado Professor Victório Galli, que proíbe o fornecimento de informações sobre consumidores inadimplentes que entraram na Justiça questionando alguma cobrança e tiveram decisão favorável. Quem descumprir as determinações legais, se entrar em vigor a proposta, poderá receber multa e ter até cassada a licença do estabelecimento. A justificativa do autor PL, conforme a Agência Câmara, é que muitos "consumidores têm tido créditos negados por haverem recorrido à Justiça para defender seus direitos".

FISCALIZAÇÃO O Ipem-SP, na semana passada, realizou a primeira fiscalização após a entrada em vigor (no dia 1º) da obrigatoriedade de comercialização de eletrodomésticos (97 famílias de produtos) com a certificação (selo) do Inmetro. Nesta primeira visita a

nove estabelecimentos da Capital paulista foram interditados 364 produtos que não apresentavam o selo. A multa para quem produz ou comercializa produtos sem o selo do Inmetro varia entre R$ 800 e R$ 30 mil e dobra na reincidência.

AUTUAÇÃO O Procon de Goiás autuou no segundo dia do ano a loja virtual Americanas.com por publicidade enganosa. A loja anunciou dois produtos com frete grátis, mas o valor da entrega foi incluído no total da compra, induzindo o consumidor a

erro, desrespeitando os artigos 31, 36 e 37 do Código de Defesa do Consumidor (CDC). A empresa terá dez dias para se defender após receber a notificação. Só depois poderá (ou não) ser aplicada e calculada a multa.

Angela Crespo é jornalista especializada em consumo e-mail: doislados@dcomercio.com.br

locada no produto, mas à forma pela qual o produto irá chegar ao consumidor, se quem desenvolveu o produto ou a marca se preocupou em passar as informações ao consumidor de forma clara. O artigo 12, que trata da Responsabilidade pelo Fato do Produto e do Serviço, diz que o produto pode ser considerado defeituoso se em sua apresentação houver omissão sobre o uso e riscos e sobre a época em que foi colo-

cado em circulação. O mesmo artigo regula sobre acidente de consumo, como, por exemplo, intoxicação alimentar ou alergia por uso de determinado cosmético, cuja responsabilidade é do fabricante. Conforme o ProconSP, o comerciante só será acionado em caso de acidente de consumo "se for ele quem der origem ao dano por não conservar corretamente o produto ou se o fornecedor não for identificado". Em se tratando de marca própria, responderá pelo dano quem o consumidor identificar mais facilmente; normalmente é quem vendeu. Entretanto, deve-se levar em conta o artigo 7º, parágrafo único, que trata da responsabilidade solidária. Lá está determinado que, tendo mais de um autor pelo dano, todos responderão solidariamente pela reparação. Ou seja, mesmo sendo marca de uma rede de varejo, o fabricante também pode ser chamado a responder. Agora, se o problema for de vício que se limita ao produto, como, por exemplo, característica diferente à informada no rótulo, a responsabilidade é do comerciante ou do produtor, que no caso de marcas próprias se confundem.

O QUE DIZ O CDC Artigo 7º

Os direitos previstos neste código não excluem outros decorrentes de tratados ou convenções internacionais de que o Brasil seja signatário, da legislação interna ordinária, de regulamentos expedidos pelas autoridades administrativas competentes, bem como dos que derivem dos princípios gerais do direito, analogia, costumes e equidade. Parágrafo único. Tendo mais de um autor a ofensa, todos responderão solidariamente pela reparação dos danos previstos nas normas de consumo. Artigo 12 O fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e o importador respondem, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos decorrentes de projeto, fabrica-

ção, construção, montagem, fórmulas, manipulação, apresentação ou acondicionamento de seus produtos, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos. § 1° O produto é defeituoso quando não oferece a segurança que dele legitimamente se espera, levando-se em consideração as circunstâncias relevantes, entre as quais: I - sua apresentação; II - o uso e os riscos que razoavelmente dele se esperam; III - a época em que foi colocado em circulação. § 2º O produto não é considerado defeituoso pelo fato de outro de melhor qualidade ter sido colocado no mercado. § 3° O fabricante, o construtor, o produtor ou importador só não será responsabilizado quando provar: I - que não colocou o produto

no mercado; II - que, embora haja colocado o produto no mercado, o defeito inexiste; III - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro. Artigo 13 O comerciante é igualmente responsável, nos termos do artigo anterior, quando: I - o fabricante, o construtor, o produtor ou o importador não puderem ser identificados; II - o produto for fornecido sem identificação clara do seu fabricante, produtor, construtor ou importador; III - não conservar adequadamente os produtos perecíveis. Parágrafo único. Aquele que efetivar o pagamento ao prejudicado poderá exercer o direito de regresso contra os demais responsáveis, segundo sua participação na causação do evento danoso.

Empresa Ricardo Eletro terá que pagar indenização por não ter montado móveis

P

or demorar um ano para montar os armários de cozinha, a Ricardo Eletro terá, agora, de indenizar sua cliente em R$ 4 mil, conforme decisão da 15ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Quando da venda dos produtos, a empresa prometeu a montagem em três dias, que não ocorreu. Em razão do prazo informado, a con-

sumidora desmontou os armários antigos e acabou ficando, por quase 12 meses, com os alimentos e objetos espalhados pela casa. Diante dessa situação, contratou um montador para realizar o serviço e acionou a Justiça. No julgamento da ação, a desembargadora tratou

o assunto como "falha na prestação de serviço". "Não há dúvidas de que o adimplemento contratual era possível à ré que, por razões desco nhecidas, preferiu v o l u n t a r i am e n t e d e srespeitar todo o sistema de proteção ao consumidor e tornar

inequívoca sua intenção de não proceder à montagem na forma pactuada." Para a desembargadora, a falha da prestação do serviço causou frustração na consumidora. "Tal situação gera repercussão negativa e relevante à esfera psíquica da pessoa comum, superando o mero aborrecimento cotidiano." Fonte: Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ


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