A projeção de crescimento para a economia brasileira em 2013/14 foi novamente rebaixada. A instituição prevê que o PIB cresça 2,5% este ano, ante expectativa de 3% divulgada na reunião de abril. Para 2014, a revisão foi ainda mais amarga. Antes, a expectativa era de que o Brasil fosse crescer 4% no ano que vem. No relatório de ontem, o índice caiu para 3,2%. Pág. 13
www.dcomercio.com.br
Silêncio, por favor. Sai o plebiscito, entra comissão. Na surdina, a maioria dos líderes partidários da Câmara substituiu a proposta de um plebiscito neste ano sobre a reforma política, da presidente Dilma, pela criação de um grupo de trabalho para debater o tema. Só PT, PCdoB e PDT ainda defendem a realização da consulta popular – e vão em busca de 171 assinaturas para propor decreto legislativo. Pág. 6
Conclusão: 23h40
Ano 87 - Nº 23.910
Jornal do empreendedor
R$ 1,40
São Paulo, terça-feira e quarta-feira, 9 e 10 julho de 2013
FMI refaz as contas do Brasil. Para baixo.
Dilma apela ao Congresso por Mais Médicos
Dinheiro público de volta
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, foi enviado para falar com os presidentes da Câmara e do Senado e com líderes partidários para pedir apoio à MP que cria o programa Mais Médicos. Padilha afirmou que os municípios podem aderir até o dia 22. Participantes da Marcha dos Prefeitos disseram que fazer convênio com o governo é fácil – o difícil é a verba. Pág. 5
Suíça devolve US$ 4,8 mi de Lalau. E Jader é condenado a repor R$ 2,2 mi. Pág. 6
Levi Bianco/Estadão Conteúdo
SIRVA-SE Hoje, no Dia da Pizza, São Paulo vai consumir 1,1 milhão desses irresistíveis discos de massa e seus múltiplos recheios. O consumo só aumenta, mas as pizzarias se reiventam para enfrentar os discos prontos e pré-assados. Pág.11
s
es
pr
lha
Fo
Presidente interino do Egito nomeia liberais e antecipa eleições Pág. 7
Um batalhão de ministros atrás das "interceptações" Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo (foto) anuncia a criação de grupo técnico para investigar a espionagem feita pelos EUA em telefonemas e e-mails de brasileiros. Pág. 5
Amarre o consumidor na ponta do mouse Programas de Business Intelligence ajudam a entender as vontades, antecipar necessidades, fidelizar, acelerar processos... E estão à sua disposição. Pág. 18
Levi Bianco/Estadão Conteúdo
ISSN 1679-2688
23910
Quando Congonhas era a praia do paulistano... Eduardo Kobra pinta painel no muro do desembarque do aeroporto. Pág. 8
Página 4
9 771679 268008
DIÁRIO DO COMÉRCIO
2
o
terça-feira e quarta-feira, 9 e 10 de julho de 2013
Não é preciso ser um gênio em política para sentir que a saraivada de "fogo amigo" não favorece Dilma. José Márcio Mendonça
pinião
AS VOZES ROUCAS DO LULISMO
ARISTÓTELES DRUMMOND
Roberto Stuckert Filho/Presidência
RECADO JÁ FOI MAIS DO QUE DADO
T
udo começou com pelas semanas de atos certa ordem e boas que afetam a economia. intenções. Mas a Afinal, quem sai de casa manifesta fraqueza dos todos a dias às quatro diferentes governos da tarde para repetir (federal, estaduais chavões, desde que os e municipais) vem pleitos foram colocados mantendo um grupo nos primeiros dias, não militante nas ruas parece estar empregado e estradas, afetando a ou em busca de emprego. normalidade da vida Na chamada "opinião do País, quando não publicada" faltam praticando atos de observações de cunho vandalismo, sem realista. Querem é fazer a menor repressão. política, espetacular, no Confundem melhor estilo, que vem democracia com infelicitando e levando anarquia, com falta de à falência países autoridade e respeito como Egito e Turquia. pelo patrimônio público ou privado. No Rio, grito de indignação nem a estátua de original pede Tiradentes foi respeitado medidas concretas por pelos "manifestantes". parte dos três poderes , Além dos prejuízos especialmente no que causados à imagem do toca à agilidade, ao Brasil no exterior, em tempo que a discussão meio a uma crise na estéril leva para tornar economia, é de assustar a uma vontade numa facilidade com que os realidade . No Judiciário, governos abrem o que pega é esta Felipe Trueba/EFE mão de receitas e liberam recursos – e ainda falam em responsabilidade fiscal. Nada fecha neste contexto, mostrando que os efeitos deste fato político histórico ainda são imprevisíveis. E a presidenta resolveu levantar uma complicada reforma eleitoral que não foi pedida. Cheira até mal...
O
Com quem ficará o cocar de cacique? Não são poucas as vozes petistas que insistem em defender a candidatura de Lula para 2014.
D
epois de uma reunião da executiva nacional da legenda em Brasília, marcada por ácidas críticas à falta de diálogo do governo Dilma Rousseff com o partido em particular e com o mundo político em geral, o PT decidiu montar uma operação para abafar o coro cada vez mais persistente de "Volta Lula" entoado por petistas e por partidos aliados, principalmente depois de as ruas ecoarem seus gritos de insatisfação com "tudo que está aí". A conclusão é que esses movimentos pró-Lula, menos discretos a cada vacilação do Palácio do Planalto, enfraquecem ainda mais politicamente a presidente da República. Na África e na Europa, onde esteve na semana passada – um tanto fisicamente distante das dificuldades enfrentadas pela sua pupila no Palácio do Planalto – o ex-presidente Lula também andou, de uma forma até mesmo ríspida, desautorizando a ladainha por seu retorno em 2014.
M
as mais do que dar demonstrações de incômodo e desconforto com esse novo queremismo (há quem diga, o que é natural, que no fundo Lula se envaidece com isso), se quiser mesmo manter protegida a sua protegida, Lula terá de calar (ou pelo menos desautorizar) as vozes roucas do lulismo que, mais diretamente impossível, andam, como se diz popularmente, "empurrando a vaca do governo para o brejo". São pessoas que, por suas ligações pessoais e políticas com o ex-presidente, dão um peso quase oficial ao que explicitam publicamente a respeito do governo Dilma e de uma possível recandidatura lulista. É o caso, por exemplo, do deputado Devanir Ribeiro, do PT de São Paulo. Sindicalista, amigo pessoa de Lula há mais
JOSÉ MÁRCIO MENDONÇA de 30 anos, de copa e cozinha, Devanir foi autor da proposta de mudança constitucional para permitir que o ex-presidente disputasse o terceiro mandato. Um sonho que Lula acalentou de verdade, mas foi aconselhado a desistir dele pelos riscos que poderia trazer. E mesmo depois de Lula negar tal intenção, o deputado petista nunca abandonou a ideia – e nunca recebeu um pedido para abandoná-la.
A
gora, o amigão de Lula põe em xeque as ações da presidente Dilma em seu momento de maior dificuldade desde que assumiu a presidência, dois anos e meio atrás. Em entrevista do jornal O Estado de S. Paulo da semana passada, Devanir bateu sem dó: "Quem pediu plebiscito?" – perguntou, E atirou: "Falta gestão" (ao governo Dilma). E não escondeu o que pensa: "Está na hora de Lula voltar". Devanir ecoou o que pensa uma parte de peso no petismo mais próximo de Lula. Aliás, o petismo próximo de Dilma, que teve um tamanho significativo até a queda da popularidade presidencial, está se esvaziando – no momento restringe-se aos ministros do par-
tido – e olhe lá! – e alguns auxiliares diretos dela. O restante ou está francamente na linha Devanir ou tucanamente em cima do muro.
N
a mesma linha de Devanir Ribeiro manifestou-se também o senador Wellington Dias, exgovernador do Piauí e líder do partido no Senado. Sem meias palavras – aliás, com palavras inteiras– anunciou que "Dilma será a candidata do PT (em 2014) se estiver bem posicionada (até lá)". Mais direto? Impossível! E o curioso é que não houve vozes condenando nem Dias nem Devanir. De forma um tanto quanto direta também deu sua posição o cientista político e professor da USP André Singer. Jornalista, filho do professor Paul Singer, que ocupa uma das secretarias ligadas ao Ministério do Trabalho, André foi porta-voz do governo Lula em seus primeiros anos e é autor de um livro muito discutido sobre o fenômeno do lulismo. Em um debate na universidade sobre os movimentos de rua do último mês, em dado momento o professor disse que o nome de Lula já está "coloca-
Esses movimentos pela volta de Lula, menos discretos a cada vacilação do Palácio do Planalto, enfraquecem ainda mais politicamente a presidente da República.
do" (para a disputa em 2014]) e ficará mais "colocado ainda". Ou seja, no caso de Dilma não conseguir se livrar a tempo e a contento da enrascada política e econômica em que atualmente está metida.
O
utro jornalista, também das relações de Lula, foi na mesma linha de críticas a Dilma. Trata-se do competente repórter Ricardo Kotscho, assessor de imprensa de todas as campanhas eleitorais do expresidente e seu assessor de imprensa também no Palácio do Planalto no início do governo. Em recente artigo, foi severo com a presidente. Entre outras coisas, escreveu: "Mais preocupada em montar uma cada vez maior base aliada para disputar a reeleição, me parece que Dilma perdeu o timing das mudanças necessárias em seu ministério, que é muito fraco, na virada do ano, quando se limitou a trocar seis por meia dúzia, trazendo de volta partidos varridos na faxina do primeiro ano de governo." E continuou: "Dilma confiou demais nas pesquisas, nos comerciais e nos pronunciamentos produzidos por seu marqueteiro João Santana, sem dar a devida atenção para o que acontecia no mundo político do outro lado do Palácio do Planalto, no meio empresarial e na vida real dos trabalhadores e estudantes". Não é preciso ser nenhum gênio em política para sentir que esta saraivada de "fogo amigo" não favorece Dilma. E fortalece o coro "queremista" mesmo que Lula não queira. A dinâmica do jogo político costuma ser incontrolável. E é contra essas forças que Dilma tentar erguer sua barricada. Inicialmente, mais contra elas do que contra as das ainda desorganizadas oposições. JOSÉ MÁRCIO MENDONÇA É JORNALISTA E ANALISTA POLÍTICO
Presidente Rogério Amato Vice-Presidentes Alfredo Cotait Neto Antonio Carlos Pela Carlos Roberto Pinto Monteiro Cesário Ramalho da Silva Edy Luiz Kogut João Bico de Souza José Maria Chapina Alcazar Lincoln da Cunha Pereira Filho Luciano Afif Domingos Luís Eduardo Schoueri Luiz Gonzaga Bertelli Luiz Roberto Gonçalves Miguel Antonio de Moura Giacummo Nelson Felipe Kheirallah Nilton Molina Renato Abucham Roberto Mateus Ordine Roberto Penteado de Camargo Ticoulat Sérgio Belleza Filho Walter Shindi Ilhoshi
T
odo mundo quer posar de " democrata", mesmo que em prejuízo da ordem, do uso da autoridade, e, em especial, do equilíbrio das contas publicas. O ponto principal nesse momento deveria ser o crescimento econômico, mais e melhores empregos, uma reforma fiscal simplificada, que aumentasse a base e não os impostos – e o que em Minas se denominou "choque de gestão" , para controlar a presença de médicos e professores, campeões do absenteísmo no setor público, e se dotasse escolas de condições físicas básicas para seu bom funcionamento. Dinheiro parece existir, quando se sabe que o PAC não consegue gastar nem a metade de suas dotações. Falta é gestão e controle.
vergonhosa demora no caso do Mensalão: parece que vai ficar por isso mesmo em termos práticos; no Executivo, é preciso colocar na agenda o que não foi referido e convocar entidades que não estavam envolvidas no movimento, e vencer a burocracia que atrofia importantes projetos; do Parlamento , espera-se que não fique a reboque dos acontecimentos e mutile a liberdade de seus membros, como no caso do voto secreto. Precisamos, antes de tudo, que as autoridades constituídas cumpram seu dever, que é zelar para que as instituições funcionem. E, agora, vamos ao trabalho, sem tornar esta agitação um programa diário, elitista , insensível às causas justas dos primeiros dias .
A
massa trabalhadora não tem sido a mais expressiva entre os manifestantes, mas pode vir a pagar a conta
ARISTÓTELES DRUMMOND É JORNALISTA E VICE-PRESIDENTE DA
ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DO RIO DE JANEIRO. ARISTOTELESDRUMMOND@MLS.COM.BR
Fundado em 1º de julho de 1924 CONSELHO EDITORIAL Rogério Amato, Guilherme Afif Domingos, João Carlos Maradei, Marcel Solimeo Diretor de Redação Moisés Rabinovici (rabino@acsp.com.br) Editor-Chefe: José Guilherme Rodrigues Ferreira (gferreira@dcomercio.com.br). Editor de Reportagem: José Maria dos Santos (josemaria@dcomercio.com.br). Editores Seniores: chicolelis (chicolelis@dcomercio.com.br), José Roberto Nassar (jnassar@dcomercio.com.br), Luciano de Carvalho Paço (luciano@dcomercio.com.br), Luiz Octavio Lima (luiz.octavio@dcomercio.com.br), Marcus Lopes (mlopes@dcomercio.com.br) e Marino Maradei Jr. (marino@dcomercio.com.br). Editor de Fotografia: Agliberto Lima. Editores: Cintia Shimokomaki (cintia@dcomercio.com.br), Heci Regina Candiani (hcandiani@dcomercio.com.br), Tsuli Narimatsu (tnarimatsu@dcomercio.com.br) e Vilma Pavani (pavani@dcomercio.com.br. Subeditores: Rejane Aguiar e Ricardo Osman. Redatores: Adriana David, Evelyn Schulke, Jaime Matos e Sandra Manfredini. Repórteres: André de Almeida, Karina Lignelli, Kety Shapazian, Lúcia Helena de Camargo, Mariana Missiaggia, Mário Tonocchi, Paula Cunha, Rejane Tamoto, Renato Carbonari Ibelli, Rita Alves e Sílvia Pimentel. Gerente Executiva e de Publicidade Sonia Oliveira (soliveira@acsp.com.br) Gerente de Operações Valter Pereira de Souza (valter.pereira@dcomercio.com.br) Serviços Editoriais Material noticioso fornecido pelas agências Estadão Conteúdo, Folhapress, Efe e Reuters Impressão S.A. O Estado de S. Paulo. Assinaturas Anual - R$ 118,00 Semestral - R$ 59,00 Exemplar atrasado - R$ 1,60
FALE CONOSCO E-mail para Cartas: cartas@dcomercio.com.br E-mail para Pautas: editor@dcomercio.com.br E-mail para Imagens : dcomercio@acsp.com.br E-mail para Assinantes: circulacao@acsp.com.br Publicidade Legal: 3180-3175. Fax 3180-3123 E-mail: legaldc@dcomercio.com.br Publicidade Comercial: 3180-3197, 3180-3983, Fax 3180-3894 Central de Relacionamento e Assinaturas: 3180-3544, 3180-3176 Esta publicação é impressa em papel certificado FSC®, garantia de manejo florestal responsável, pela S.A. O Estado de S. Paulo.
REDAÇÃO, ADMINISTRAÇÃO E PUBLICIDADE Rua Boa Vista, 51, 6º andar CEP 01014-911, São Paulo PABX (011) 3180-3737 REDAÇÃO (011) 3180-3449 FAX (011) 3180-3046, (011) 3180-3983 HOME PAGE http://www.acsp.com.br E-MAIL acsp@acsp.com.br
DIÁRIO DO COMÉRCIO
terça-feira e quarta-feira, 9 e 10 de julho de 2013
o
3
ASSIM, DE MAQUIAGEM EM MAQUIAGEM, A RAINHA VAI MOSTRANDO SUA VERDADEIRA CARA.
pinião
O ESTOPIM E A FAGULHA
T
odo estopim precisa de uma fagulha que o acenda para detonar uma explosão. No caso das manifestações que tomaram as ruas do País há quase um mês, o estopim dos protestos que levaram milhões de pessoas às ruas e estradas nacionais "contra tudo que está aí" foi o reajuste das passagens de ônibus nas grandes cidades. A fagulha que acendeu o estopim foi sinalizada em nossa coluna de 17 de abril: o tomate. Na ocasião, apontamos que a disparada do preço desse fruto ter virado notícia em todos os telejornais, junto com a reclamação de milhões de brasileiros contra o valor abusivo do precioso ingrediente alimentar, marcou o início da virada na percepção das pessoas sobre a capacidade governamental em segurar a inflação. Era algo inédito na vida desse governo. Pela primeira vez, os telejornais abriam seus microfones para que o cidadão comum expressasse sua insatisfação. Naquele artigo salientávamos que o Brasil havia acordado para os problemas da economia. Isso porque o clima do Brasil Gigante – dominante no entusiasmo do anúncio de medidas, na propaganda oficial e nos discursos do Planalto – chocou-se com o cotidiano das pessoas e com o bate papo informal de desconhecidos entre as gôndolas do supermercado. Aí, desta rede de boca a boca, evoluímos para a rede do "byte a byte" e o estopim aceso fez o resto do serviço: avenidas lotadas com cartazes e faixas de protesto e o exagero de gastos na Copa do Mundo e na Copa das Confederações para temperar o caldeirão... Em meio às manifestações, no dia 1º de julho, o Plano Real completou 19 anos de existência. Concebido em 1994 para debelar uma inflação que, somente naquele ano, chegou a incríveis 916%, o Plano Real se mostrou um dos mais criativos e eficientes do mundo e trouxe a inflação para patamares mais civilizados. De 1995 até hoje, a inflação acumulada foi de pouco mais de 300%. Não foi por acaso que coube ao tomate o papel de fagulha. Nos dezenove anos de Plano Real, seu preço subiu 1.916%, contra os 1.046% de reajuste do salário mínimo.
ta cuja" tenha sequer saído do País, fazendo com que essa transferência patrimonial amortize a maquiagem de 2012 com uma nova maquiagem em 2013. E assim, de maquiagem em maquiagem, a rainha vai mostrando sua verdadeira cara.
É
o caso, por exemplo, das transferências de recursos para os bancos estatais, sob a forma de aumento de capital. O governo emite títulos e manda dinheiro para os bancos fazerem mais empréstimos; os bancos retribuem tamanha generosidade com um maior pagamento de dividendos, para cobrir as contas do superávit primário. Em outras palavras, o governo "faz dinheiro" em manobra contábil, sem aumentar o indicador de endividamento líquido, porque a entrada dos dividendos "compensa" a maior emissão de títulos... O Banco Central – e precisamos prestar cada vez mais atenção a ele nos próximos meses – já incluiu em suas previsões um saldo no superávit primário inferior a 2% para o ano de 2013. Em nota técnica embutida no relatório trimestral de inflação, publicado em 28 de junho passado, o BC comunicou que calculará o superávit de maneira diferente do cálculo do governo. E já começou a traçar cenários com um valor abaixo de 2%, enquanto o governo continua insistindo que cumprirá os 2,3% que fixou como meta.
M
MANUELITO MAGALHÃES JÚNIOR
M
as não é só o tomate que é vermelho. Vários indicadores econômicos acenderam a cor de perigo, como é o caso da produção industrial brasileira. Segundo o mesmo IBGE, a indústria recuou 2% em maio. Dos 27 ramos pesquisados, em vinte deles o crescimento foi negativo, mostrando que o grau de paralisia da indústria continua forte e disseminado. De acordo com o IBGE, não há muita notícia boa à frente, pois o nível de estoques está elevado, o que sinaliza uma diminuição do ritmo de produção. A balança comercial brasileira também não anda bem nestes primeiros seis meses do ano. Importamos U$ 3 bilhões a mais do que conseguimos exportar, um resultado que é 66% infe-
N
o dia 4 de junho passado, portanto uma semana antes do início dos movimentos de rua que estão pressionando as autoridades e parlamentares de todo o País a mudar seu comportamento, escrevi neste espaço, sob o título: "Nuvens escuras no horizonte", o que abaixo segue entre aspas: "A verdade é que a sociedade brasileira, em diferentes graus e degraus, está se cansando do estilo petista de governar. Com a adesão maciça de partidos e políticos que perderam a identidade ideológica para receber esmolas de poder (mas muito dinheiro público) a força governista virou um monstro que está se revelando ingovernável." Disse ainda: " A presidente Dilma não tem talento político nem paciência pessoal para esse tipo de jogo, em que ela fica dependente de conversações que não faz. Outro detalhe importante: a própria mídia nacional, abarrotada de verbas oficiais em todos os segmentos, não mais consegue disfarçar os malfeitos governamentais na área da política econômica e nas negociações políticas. Editoriais, reportagens e artigos assinados começam a se intensificar, criticando os donos do pote de ouro (também chamado de
rior se comparado ao mesmo período de 2012, quando a balança estava positiva em pouco mais de U$ 7 bilhões. É verdade que, neste saldo negativo, há o impacto dos U$ 4,6 bilhões que a Petrobras "transferiu" de 2012 para 2013, ao deixar de registrar suas importações de gasolina feitas no fim do ano passado para não comprometer mais o resultado comercial de 2012. Mas, se de um lado os U$ 4,6 bilhões da Pe-
trobras contribuem para deixar os números da balança comercial do primeiro semestre vermelhos como um tomate, a mesma Petrobras não muda de cor ao presentear a nação com mais uma maquiagem: graças à exportação fictícia de uma plataforma dela mesma, a balança comercial ganhou de brinde U$ 2 bilhões graças a esta manobra, onde a empresa "vende" tal plataforma para sua subsidiária no Panamá e a aluga imediatamente, sem que a "di-
ais do que se impor uma nova baliza para calcular os juros da SELIC, o novo critério de superávit embute uma forte crítica à "contabilidade criativa" do governo. Ao divulgar publicamente suas discordâncias com os métodos e cálculos do governo, o BC esclareceu que pretende "manter o elevado nível de transparência das ações da política monetária". É preciso desenhar? A diferença das metodologias se concentra no expurgo que o BC fará nas "receitas extraordinárias" usadas pelo governo federal, mas vão muito além disso. Na prática, exprimem que não se compactuará mais com manobras e maquiagens realizadas nas contas públicas. O distanciamento é bom, necessário e indica que ainda sobra algum senso de razão para parte do governo. E mais: traduz em palavras aquilo que o mercado cobrava em termos de transparência e, ainda, expõe em praça pública as divergências internas quanto à condução da economia brasileira. É de fazer corar de vergonha os economistas do governo ou, aproveitando o espírito da coluna, é para ficarem vermelho como o tomate. Ou não? MANUELITO P. MAGALHÃES JÚNIOR É ECONOMISTA E DIRETOR DA COMPANHIA DE SANEAMENTO BÁSICO DO ESTADO DE SÃO PAULO (SABESP). FOI PRESIDENTE DA EMPRESA PAUL (EMPLASA) E SECRETÁRIO DE PLANEJAMENTO DA CIDADE DE SÃO PAULO.
NUVENS AINDA
PAULO SAAB
CONTINUAM ESCURAS... Lula Marques/Folhapress-16/02/2011
prerrogativas irregulares e benefícios alcançados com dinheiro público, será frustração na certa. Não irão,não.
N
"erário público"). Está em andamento um nítido processo de esgotamento da fantasia vendida como um "Brasil sem problemas" e um visível cansaço com os arautos da falácia, que ocupam cargos importantes, tendo como principal arma a propaganda enganosa e o ataque a quem os ousa criticar."
N
ão se trata de bola de cristal nem narcisismo. Apenas uma referência ao leitor sobre a necessidade de manter os olhos abertos, e o grito da garganta também, caso persista a intenção dos "estrategistas"
do Planalto de levar de barriga o verdadeiro desejo da massa que foi às ruas (mudar o comportamento dos políticos e governantes) para impor o desejo do governo de ouvir as manifestações como um pedido de mudança nas regras políticas do País.
S
im, estas também são necessárias, mas não agora. É preciso primeiro se restaurar a mínima moralidade pública, acabar com o festival de uso indevido de verbas públicas em favor de partidos, grupos e/ou pessoas, para depois, aprimorar um sistema que tem defeitos crônicos como
senador suplente não votado e deputado eleito com menos votos dos que ficam de fora, para dar apenas dois exemplos. Essas questões são importantes, mas, nesse momento, a restauração da decência mínima no exercício da função pública (e nas relações com a iniciativa privada) é fundamental. Repito sempre " uma mínima conquista" porque esperar que nossos políticos e governantes, viciados nas últimas décadas (especialmente na era lulopetista) com o autofavorecimento, vão abrir mão de suas mordomias,
a verdade, a cena política está quase patética. O Planalto bate cabeça. A presidente, sem saber o que fazer, engrossa o tom, avança, anuncia, e recua. O Congresso, apavorado, vota coisas que estavam adormecidas há décadas também e faz qualquer coisa para mostrar-se a serviço da população, enquanto continua sangrando os cofres públicos (basta ver os casos dos voos particulares em jatos da FAB). Isso é mínimo também. A mordomia por lá é avassaladora. O culpado de tudo isso, responsável pelo pecado original de deixar grassar a falta de ética, de pudor, de probidade, na administração da coisa pública, o co-presidente Lula, escafedeu-se para a Etiópia, esperando que a poeira não o alcance, baixe e ele volte para ser carregado nos braços como candidato em 2014 diante
do fracasso da gestão Dilma. Que, diga-se de passagem, já entrou em seu ocaso de forma evidente. Lula entende, assim como seus escudeiros, que será carregado de volta, nos ombros do povo, ao Palácio do Planalto. Seria um erro histórico. Porque é claro hoje que nunca antes neste país um só fez tanto mal a tantos em todo o Brasil, a título de fazer o bem.
E
nganação pura. Embromação da propaganda oficial. O país foi assaltado, surrupiado, e ainda querem posar de mocinhos. O STF deve urgentemente a decretação da prisão dos "mensaleiros" A presidente (enquanto ela se chamar de "presidenta" e exigir que os bajuladores o façam, não merecerá crédito) deve urgentemente implantar, no mínimo, as medidas sugeridas por mim neste espaço na última segunda-feira. O Congresso deve tomar vergonha na cara e a população deve voltar às ruas se continuar sendo enganada de novo. PAULO SAAB É JORNALISTA E ESCRITOR
DIÁRIO DO COMÉRCIO
4
)KDC7O
Quando recusa ser
candidato em 2014, Lula repete que "não está disposto a ser o Michael Schumacher da política".
gibaum@gibaum.com.br
2 “Nosso negócio é empurrá-la para o buraco.” Fotos: Paula Lima
EX-MIDAS Esta semana, a edição online do The New York Times publicou grande matéria sobre a crise que assola o grupo de Eike Batista e profetiza que, com sua saída do comando de algumas companhias e mesmo permanecendo sócio minoritário em outras, não será surpresa se ele deixar de ocupar o clube dos bilionários do planeta. Destaca também que um dos maiores credores de Eike será o fundo de Abu Dhabi chamado Mubadala, com perto de US$ 1,7 bilhão. No final, a matéria acaba perguntando se ele já pode ser chamado de ex-Midas e levanta suspeitas em torno de sua recuperação financeira.
Maridoemulher Durante encontro na Casa do Autor Roteirista, durante a Flip, Lima Duarte e José Wilker, com mediação de Edney Silvestre, discutiam a importância da obra de Dias Gomes, a partir de uma análise de Saramandaia, cuja segunda versão está no ar. E contavam muitas histórias: a melhor delas, contudo, foi quando Lima lembrou que Dias Gomes queria que ele participasse de Saramandaia, só que ele estava no elenco de Pecado Capital, de Janete Clair, mulher de Dias. Aí, o marido falou: “Mata esse personagem”. Janete, ouviu, recusou e, de quebra, ainda deu ao personagem de Lima um final feliz.
NOVABRIGA Antonio Palocci, exministro da Fazendo e dono de consultoria, havia recomendado a Lula que interferisse no Planalto na defesa de um novo Refis, especialmente porque o momento econômico exige que o governo colabore com a classe empresarial, em busca de mais investimentos. Já Guido Mantega era contra e queria que o Leão tratasse de engolir os devedores, mesmo com a hipótese de quebradeira e reflexos na economia. Dilma preferiu o conselho de Mantega e acaba de comprar nova briga com empresários, em meio a uma super-crise e às vésperas de ano eleitoral.
Na semana passada, Dilma Rousseff, num momento de total carência, teria confidenciado: “Fugiram todos. Ninguém me defende”. Congressistas do PT e da base aliada e mesmo a maioria dos ministros, nesses dias, ninguém tem colocado a cara para fora para defender a Chefe do Governo. Além de não acreditarem na história de plebiscito para reforma política, acabam dando o troco de como vem sendo tratados pela presidente, antes e depois do tsunami das manifestações de rua. Antes, nas conversas, ela não parava de mascar chiclete, levantava a voz e encerrava a reunião rapidamente; agora, o chiclete continua e ela balança, o tempo todo, nervosamente, o pé, tensa e impaciente.
Chiclete e pénervoso
Gustavo Franco, 57 anos, ex-presidente do Banco Central e controlador da Rio Bravo, já escreveu sobre economia nas obras de Fernando Pessoa, Shakespeare, Machado de Assis, Goethe e agora está trabalhando em cima de O Mágico de Oz, clássico infantil de L. Frank Baum. Na Flip, na semana passada, uma visitante perguntou a Gustavo Franco: “Você acha que encontraria alguma coisa de economia em O Alquimista , de Paulo Coelho?” E ele, meio assustado: “Acho que não”.
DINHEIRAMA Enquanto o governo prepara pacote de concessões para 7.500 quilometros de rodovias federais, a empresa de consultoria Blain & Company estima que seriam necessários 21 mil quilômetros de estradas e um investimento de R$ 200 bilhões a R$ 250 bilhões para aumentar a integração nacional, acentuando a mobilidade da população e do capital. Esse programa poderia ser executado em seis a oito anos (ou até em 15 anos, dependendo de atrasos de desapropriações e execuções das obras).
MISTURA FINA COMO o Papa Francisco só quer saber de comida brasileira quando estiver entre nós, até as sobremesas obedecerão ao pedido. Serão servidos brigadeiros, docinho de castanha de caju, de amêndoas e de castanha do Pará, doce de coco queimado, cajuzinho, beijinho e mousse de goiabada cascão.
NESSES dias, a presidente Dilma Rousseff esteve reunida com ministros e fez questão de excluir o vicepresidente Michel Temer do encontro.
O CANTOR Ednardo, 68 anos, vai comemorar seus 40 anos de carreira, no próximo dia 27, em Fortaleza, sua terra natal, onde gravará um DVD ao vivo. No repertorio, estarão sucessos como Terral e A Manga Rosa , além do clássico Pavão Mysteriozo , tema da primeira versão de Saramandaia , em 1976. A música também foi incluída na segunda versão da novela, fora da abertura.
A modelo Gisele Bündchen aparece morena e de cabelos curtos na nova campanha da Louis Vuitton, fotografada por Steven Meisel. Ela própria tratou de publicar uma das fotos no Instagram, provocando uma divisão entre os fãs: uns gostaram do novo visual, outros preferiram a loura Gisele de cabelos compridos de sempre. Na campanha, ela e mais Isabeli Fontana, Carolyn Murphy e Karen Elson aparecem num quarto de hotel luxuoso com lingerie e roupas de festa no estilo vintage .
Gisele morena
Há quatro mil anos Enquanto o bloco GLBT domina, quase diariamente, a mídia mundial, o British Museum, de Londres, lança um livro (demorou sete anos para ser elaborado) chamado Uma pequena história gay: desejo e diversidade pelo mundo. É um catálogo com peças que comprovam que a homossexualidade faz parte da história da Humanidade há pelo menos quatro mil anos. Dentre as peças, bustos do imperador Adriano e de seu amante Antinoo, que se afogou aos 18 anos no Nilo e foi declarado deus pelo imperador. Há também xilogravuras japonesas com duas mulheres em ação, auxiliadas por um brinquedinho , ou melhor, um brinquedão .
/
No começo da semana, depois da solenidade no Planalto, Henrique Eduardo Alves, presidente da Câmara, conversou com a presidente Dilma Rousseff e, mesmo fazendo ar de contrariedade, antecipou a Chefe do Governo que a proposta dela será sepultada “sem choro nem vela”. Traduzindo: sem mesmo que o plenário da Casa delibere sobre um projeto de decreto legislativo convocando a consulta. Para Dilma, uma derrota, embora ela possa sempre dizer que tentou viabilizar a reforma política com a participação do povo e o Congresso não topou.
Na Flip, em Paraty, Gilberto Gil (na primeira foto à esquerda, ao lado de sua mulher, Flora Gil), reclamou que “não via pobres e pretos nos jogos da Copa das Confederações” e garantiu que “não é político, nem está ligado ao governo”. Fez um show e uma première de lançamento de seu livro de memórias Gilberto Bem Perto, escrito também por Regina Zappa. Esta semana, na Livraria da Travessa, no Rio, teve outra noite de lançamento, recheada de familiares e amigos. Da esquerda para direita, a filha Preta Gil e Carolina Dieckmann, Caetano Veloso, Nicole Bahls e Arlete Salles.
Memórias de Gil
vezes campeão da F1 e em 2009, com 41 anos, voltou e não conseguiu repetir suas vitórias.
Paulo Coelho, não
PAULINHO PEREIRA DA SILVA // (PDT-SP), da Força Sindical, resumindo sua oposição radical a Dilma Rousseff.
Sem choro nem vela
MAIS: o alemão foi sete
/ IN
OUT
Sapatos de muitas cores.
Sapatos bicolores.
O protesto de Sonia A atriz Sonia Braga, 63 anos, está concorrendo ao prêmio de melhor atriz no 28º Annual Imagen Awards, promovido desde 1985 pela The Imagen Foundation, por sua atuação no filme Meddling Mom, que premia artistas latinos (será dia 16 de agosto e com ela, concorre também Selena Gomez), já desistiu de ser contratada pela Globo. O último salário que lhe foi oferecido era menor do que a metade paga a Luana Piovani em Guerra dos Sexos. Agora, ela entrou no clima dos protestos brasileiros nas ruas e publicou no Facebook um cartaz onde está impresso: “Prender por manifestação é mole. Quero ver prender por corrupção”.
NOVE entre dez economistas estão apostando que a taxa básica dos juros (Selic) deverá aumentar mais 0,5 ponto percentual. Hoje, está em 8% ao ano e a expectativa do aumento é que contenha alta dos preços, alimentada também pela valorização do dólar ante o real.
O MINISTRO Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, que já integrou a lista das 100 personalidades mais influentes do mundo da revista Time , acaba de dar entrevistas para o The New York Times e para o Washington Post. E usou um inglês fluente – e sem sotaque. Barbosa fala quatro idiomas, além do português.
A PRÓXIMA reunião do Mercosul, marcada para amanhã, em Montevidéu, tem uma pauta e tanto: o retorno do Paraguai, a posse da Venezuela na presidência, a ação dos europeus contra a presidente da Bolívia, Evo Morales e a espionagem praticada pelo governo americano.
Colaboração:
Paula Rodrigues / Alexandre Favero
terça-feira e quarta-feira, 9 e 10 de julho de 2013
p
DIÁRIO DO COMÉRCIO
terça-feira e quarta-feira, 9 e 10 de julho de 2013
5 VOTO ABERTO EM MG A Assembleia Legislativa de Minas aprovou o fim do voto secreto na Casa. Votações de maior relevância serão nominais e o voto de cada deputado ficará registrado no painel eletrônico.
olítica Ueslei Marcelino/Reuters
Governo apressa Mais Médicos
Aécio diz que atitude de Dilma é 'marqueteira'
O
Para prefeitos, fazer o convênio é fácil. O problema é a verba para mantê-lo.
O
ministro da Saúde, Alexandre Padilha, c o m p a r e c e u o ntem à Câmara dos Deputados para pedir celeridade na tramitação da Medida Provisória (MP) do programa Mais Médicos. Anunciada na segunda-feira, a proposta da MP 621 tem a finalidade de "formar recursos humanos na área médica para o Sistema Único de Saúde (SUS)". "Vim conversar com os presidentes da Câmara (Henrique Eduardo Alves) e do Senado (Renan Calheiros) e com os líderes da base e da oposição para que se componha logo a comissão que vai avaliar a MP", afirmou. "Para que a gente possa fazer o debate no Congresso e levar mais médicos para mais perto da população, já", resumiu. Entre os pontos abordados pela MP, que chegou ontem ao Legislativo, estão o recrutamento de médicos estrangeiros para áreas prioritárias, a abertura de vagas de graduação e de postos de especialização, e a inclusão de um novo ciclo de formação nos cursos de medicina a partir de 2015. A mudança vai aumentar a du-
ração da graduação de seis para oito anos. O diploma só será dado ao estudante quando ele for aprovado no segundo ciclo de formação que inclui dois anos de práticas no SUS. Correria – Padilha disse que o Ministério da Saúde trabalha com a previsão de poder enviar médicos para as regiões do programa em setembro.
Vim para que a gente possa fazer o debate no Congresso e levar mais médicos para mais perto da população. ALEXANDRE PADILHA, MINISTRO DA SAÚDE "Está aberto o edital e todos os municípios que querem receber profissionais do Mais Médicos têm até 22 de julho para se inscrever", disse. "Nós confiamos que vários médicos brasileiros vão querer aproveitar essa oportunidade", afirmou ele. Padilha afirmou que os médicos estrangeiros que vierem
pelo programa serão destinados apenas para vagas que não tenham sido preenchidas por brasileiros – a importação de profissionais tem sido ponto de polêmica e críticas. O ministro justificou também a dispensa da Revalidação de Diploma Médico (Revalida) para os profissionais do exterior. "Se fizer a validação, esse médico estrangeiro poderia disputar qualquer vaga, poderia trabalhar no centro ou em municípios que não precisam de médicos. Poderia, inclusive, disputar uma vaga com médico brasileiro. O Mais Médicos não quer nenhum médico brasileiro desempregado", garantiu. Prefeitos – Participantes da Marcha em Defesa dos Municípios, reclamaram. O prefeito da cidade baiana de Santa Maria da Vitória, Amário Santana (PT), disse que as prefeituras não têm dificuldades em fazer convênios com o governo federal, mas "sofrem" para garantir o custeio e as despesas na execução dos programas. Ele estima que a prefeitura de sua cidade tem um orçamento mensal de R$ 5 milhões. Deste total, R$ 3 milhões são gastos
Dilma, na segunda-feira, ao anunciar o programa Mais Médicos. com a folha. Santa Maria da Vitória, distante 866 quilômetros de Salvador, possui quatro médicos, que recebem R$ 8 mil, para atender uma população de 40 mil pessoas. Já o prefeito de Nina Rodrigues, no Maranhão, Riba do Xerém (PRB), destacou que os ministros não foram "muito explicativos". "Eles generali-
zaram muito em suas explanações. Precisavam dar mais detalhes". Xerém pretende aderir ao Programa Mais Médicos, pois no seu município, a 113 quilômetros de São Luiz, de 12,5 mil habitantes, há uma carência de pelo menos seis médicos. Atualmente, dez médicos atendem a população local. (Agências)
Joel Rdrigues/Frame/EC
Prefeitos vaiam e levam verba
H
oras depois de vaiarem a ausência da presidente Dilma Rousseff na abertura da Marcha em Defesa dos Municípios, prefeitos reunidos em Brasília receberam a informação de que o governo anunciará, hoje, medidas para aliviar as dificuldades com despesas de custeio. O anúncio será
feito pela própria Dilma, que adiou para esta quarta sua participação no evento. Os prefeitos reclamam que correm o risco de ficarem com a "ficha suja" por não conseguirem arcar com as folhas de pagamento de salários dos servidores. Ainda ontem, o Planalto enviou os ministros da Educação, Aloizio
Mercadante, e da Saúde, Alexandre Padilha, para fazer a promessa em nome da presidente e acalmar os ânimos dos prefeitos. Padilha e Mercadante gastaram boa parte do tempo de suas palestras para falar do Programa Mais Médicos, lançado na segunda-feira pela própria presidente. (Folhapress)
Paulo Ziulkoski preside a Confederação Nacional dos Municípios
presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), considerou ontem "marqueteira" e "paliativa" a iniciativa do governo de contratar médicos estrangeiros para atuar em regiões do País consideradas carentes. O anúncio da contratação dos médicos foi feito na segunda-feira pela presidente Dilma Rousseff, em evento realizado no Palácio do Planalto. "Apresenta-se esta ideia como uma solução magnífica, mas para algo que só vai acontecer em 2023. Daqui até lá, quais respostas o atual governo vai dar pela baixíssima aplicação dos recursos em saúde pública?", questionou, após encontro com integrantes da Executiva nacional do partido, em Brasília. "Fazer isso sem uma discussão, sem ouvir com calma e cautela a comunidade médica é uma violência que tem de ser aqui repudiada de forma clara". Aécio disse que não é contra a contratação de médicos estrangeiros. "Onde não houver médicos brasileiros, não somos contra, que venham médicos estrangeiros. Mas sem essa parafernália que estão fazendo", afirmou. Ele fez "chacota" do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, um dos nomes do PT para disputar o governo de São Paulo em 2014. "Dizem por aí que estão atrás de uma bandeira para o atual ministro da Saúde. Triste bandeira. Se essa for a bandeira com que ele pretende se apresentar ao eleitorado, se é com essa bandeira que ele pretende estrear na cena política, acho que o cenário não é muito alvissareiro". (Folhapress)
BISBILHOTICE NORTE - AMERICANA
Grupo avalia espionagem dos EUA
O
governo federal vai criar um grupo de trabalho reunindo cinco ministérios para investigar a espionagem de cidadãos brasileiros por parte dos EUA. O grupo, formado por técnicos das Relações Exteriores, Justiça, Comunicações, Defesa e do Gabinete de Segurança Institucional, será responsável por identificar se houve crime e de que tipo, além de indicar ao governo que medidas tomar para melhorar a proteção das informações no Brasil. Os cinco ministros – Antonio Patriota, José Eduardo Cardozo, Paulo Bernardo, Celso Amorim e o general José Elito – se reuniram por cerca de uma hora no Ministério da Justiça e, à tarde, estiveram com a pre-
sidente Dilma Rousseff. "Vamos analisar toda essa questão da interceptação de dados. Formamos um grupo técnico que vai apreciar toda a matéria sob o ponto de vista da informática e do jurídico com objetivo de ter uma avaliação segura daquilo que efetivamente ocorreu", disse o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso. A intenção é que o grupo técnico também aponte ao governo se há falhas de segurança e infraestrutura que precisam ser corrigidas para dar proteção aos dados de cidadãos e empresas do Brasil. Segundo Cardozo, é preciso confirmar que os dados foram interceptados e, principalmente, de que maneira isso
aconteceu. "Se comprovada a interceptação, obviamente nós temos a configuração de situação criminosa a ser apurada em relação à autoria e à participação no âmbito do território nacional", disse. Encontro – À tarde, a pedido da presidente, Patriota convocou novamente ao Itamaraty o embaixador dos EUA, Thomas Shannon. O diplomata chegou sozinho e discretamente. Shannon e Patriota preferiram não divulgar o conteúdo da conversa. Mais cedo, em entrevista coletiva ao lado do chanceler uruguaio, Luis Almagro, Patriota disse que o governo estuda como levantar a questão de informações em fóruns internacionais.
Andre Borges/Folhapress
Os ministros José Eduardo Cardozo, Celso Amorim e Paulo Bernardo em entrevista coletiva sobre o caso
Além da União Internacional e Telecomunicações (UIT) e da Assembleia Geral da ONU, o Brasil deve levar o caso ao Conselho de Direitos Humanos da organização, sob o argumento do direito à privacidade. "Queremos ampliar esse debate", disse Patriota. Mercosul - A reunião do Conselho do Mercado Comum e Cúpula dos Chefes de Estado e de Governo do Mercosul, que será realizada hoje e amanhã, será uma "boa ocasião" para os países da América do Sul discutirem uma posição sobre a espionagem que teria sido feita pelo governo dos EUA, disse ontem o chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho. Nesta última segunda-feira, a presidente Dilma Rousseff afirmou que pediu providências à Polícia Federal (PF) e à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para investigar o caso. O governo da Argentina anunciou ontem que pedirá explicações formais aos EUA sobre as suspeitas de que o país também teria sido alvo de espionagem por parte da Agência Central de Inteligência (CIA). "Estamos ainda num processo de discussão com outros países e a reunião do Mercosul será uma boa ocasião para se tomar uma posição em conjunto. Consideramos o assunto gravíssimo", disse o chefe da secretaria-geral da Presidência. (Agências)
Anatel avisa: não pode garantir segurança.
O
presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), João Rezende, disse não ter como garantir que as informações de autoridades brasileiras sejam alvo de espionagem, nem sua total segurança. "Não posso garantir nem uma coisa nem outra", afirmou após audiência pública na Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado. Questionado sobre a possibilidade de dados da presidente da República, Dilma Rousseff, e de ministros serem alvo
de espionagem dos EUA, Rezende disse que pode haver uma "tentação" por parte dos norte-americanos na prática. Para garantir um melhor controle da troca de dados no País, a aprovação do marco civil da internet, segundo ele, pode ajudar a regular a atuação de provedores estrangeiros no País. A Anatel abriu procedimento para investigar se as empresas de telecomunicações brasileiras colaboraram para que houvesse o envio de dados. (Agências)
Senado quer ouvir envolvidos
A
Comissão de Relações Exteriores do Senado aprovou ontem os requerimentos de convite a autoridades do Brasil e estrangeiras para que expliquem as suspeitas de que o País também se tornou alvo de espionagem dos Estados Unidos. Foram aprovados pedidos, em votação simbólica, para ouvir ministros e o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general José Elito além do embaixador norteamericano no Brasil, Thomas Shannon, e o jornalista Glenn Greenwald, radicado no Rio, que recebeu os documentos secretos de Snowden.
Os senadores também decidiram colher os depoimentos do presidente da Google, Fábio Coelho, e do Facebook no Brasil, Alexandre Hohagen. Moção - A Câmara dos Deputados aprovou ontem à noite uma moção de repúdio ao governo dos Estados Unidos pelos grampos. Sugerida pelo líder do PT na Câmara, José Guimarães (CE), a moção afirma que as escutas "violam o direito de empresas e cidadãos brasileiros e atentam contra a soberania nacional". A moção foi aprovada com 292 votos favoráveis e 86 contrários. Na votação, 12 deputados se abstiveram. (Agências)
p
DIÁRIO DO COMÉRCIO
6
terça-feira e quarta-feira, 9 e 10 de julho de 2013
Esse negócio de tempo hábil, quando se quer, tem, quando se quer, se faz. José Guimarães, líder do PT
olítica
Andre Dusek/Estadão Conteúdo
Câmara enterra plebiscito de vez Somente o PT, o PCdoB e o PDT ainda defendem a realização da consulta.
A
proposta da presidenta Dilma Rousseff de realização de um plebiscito este ano para debater a reforma política foi substituída ontem, em decisão tomada pela maioria dos líderes partidários na Câmara, pela proposta de criação de um grupo de trabalho para debater o tema, com a possibilidade de ser promovido um referendo. Apenas o PT, o PCdoB e o PDT ainda apostam no plebiscito. Para tanto, os três partidos irão em busca das 171 assinaturas necessárias para propor um projeto de decreto legislativo. Contudo, mesmo que a proposta obtenha número suficiente de assinaturas para ser apresentada, dificilmente terá o apoio necessário para aprovação. "A questão do plebiscito é de ordem prática: com o prazo de 70 dias exigido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para realizar o plebiscito, até que se isso venha acontecer verdadeiramente, dentro do prazo que a anualidade constitucional exige, não haveria como fazer para (as regras) valerem para a eleição de 2014. Isso é uma constatação de todos", argumentou o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Alves informou que, eventualmente, a Câmara poderá examinar uma proposta de plebiscito, mas ressaltou que as regras só valeriam para as eleições de 2016.
"A ideia do plebiscito já foi "enterrada", disse o líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ). "A posição do PMDB é muito clara: não votaremos plebiscito que não seja junto com as eleições de 2014. Entendemos que podemos ter esse custo junto com a eleição de 2014", ressaltou Cunha. Ele destacou que um plebiscito que não tivesse aplicabilidade para as eleições de 2014 frustraria a população. "Além
A posição do PMDB é muito clara: não votaremos plebiscito que não seja junto com as eleições de 2014. EDUARDO CUNHA (RJ ), LÍDER DO PMDB NA CÂMARA
de criar essa frustração, vai se mobilizar um número muito menor (de eleitores) do que a eleição mobiliza, porque não se pode acreditar que haverá uma presença maciça para tema que não desperta a atenção da população. Isso desperta a atenção de políticos", afirmou o deputado. "Essa é uma questão superada. A grande maioria (na Câmara) reconhece que não tem como realizar (o plebiscito)", reforçou o líder do DEM, depu-
tado Ronaldo Caiado (GO). Independente do plebiscito, os líderes da Câmara decidiram criar uma comissão para discutir uma reforma política. Esse grupo de trabalho terá que discutir projetos para serem acelerados. Outro lado – Os petistas devem começar a recolher assinaturas para tentar viabilizar um projeto de decreto legislativo propondo a consulta popular, mas os próprios deputados da legenda reconhecem que há dificuldades com as 171 assinaturas necessárias para que a proposta comece a tramitar na Casa. O problema é que não há consenso sobre o conteúdo do plebiscito. Na semana passada, os líderes da base aliada já informavam ao governo que não haveria condições de realizar a consulta popular para direcionar uma reforma política com impacto já nas próximas eleições, em 2014, para presidente, governador e Congresso. Para o líder do PT, José Guimarães (CE), é equivocada a decisão tomada pela maioria dos líderes. "Esse negócio de tempo hábil, quando se quer, tem, quando se quer, se faz. Podemos discutir o plebiscito a ser realizado em outubro. O problema dos efeitos, podemos discutir se é para 2014 ou para 2016. O Congresso está errado em não querer discutir o plebiscito agora. Então, o PT vai à luta, junto com o PCdoB e o PDT, para colher as assinaturas." (Agências)
Reunião de líderes de todos os partidos da Câmara debatem as prioridades para as votações da semana
PSDB lança cinco princípios
I
ntegrantes da Executiva Nacional do PSDB apresentaram ontem cinco "princípios" de reforma política que o partido pretende defender no Congresso. Entre os itens, está o fim da reeleição para um mandato de cinco anos; introdução do voto distrital misto; revogação das coligações proporcionais; mudança no sistema de escolha e redução do número de suplentes de senador; cláusula de barreira para as legendas, e alteração na estrutura de contabilidade do tempo de rádio e televisão nas disputas eleitorais. Apesar da iniciativa, o presidente nacional da sigla, senador Aécio Neves (MG), lembrou que a oposição é minoria na
Câmara e Senado e que algumas das propostas só poderão ser aprovadas com apoio de integrantes da base aliada do governo. A ideia da sigla é que as mudanças só tenham efeito nas eleições de 2018. Primeiro item da reforma proposta, o fim da reeleição ocorreria com o estabelecimento de mandatos de cinco anos para presidente, governador, prefeito e senador. "Acho que o atual governo federal desmoralizou o instituto da reeleição no momento que o governo deixou de governar e passou dois anos antes do seu final a se preocupar, exclusivamente, com o processo da reeleição", afirmou em Brasília. Outro ponto "inovador" defendido
é a modificação no cálculo do tempo da publicidade de rádio e televisão dos candidatos. Conforme a agremiação, nas disputas pelo Executivo, apenas poderão ser somados à publicidade eleitoral o tempo dos partidos que compõem as chapas. Por exemplo, numa campanha para o governo federal, seria somado o tempo da legenda do candidato a presidente mais da sigla do aspirante a vice-presidente. Hoje, além dos tempo das siglas que compõem a chapa, é adicionado o das demais agremiações que integram a aliança. O ex-presidente Fernando Henrique foi informado da decisão e teria concordado com as iniciativas anunciadas. (Estadão Conteúdo)
REGALIAS DO PODER PÚBLICO
CORRUPÇÃO
Rio investiga farra com helicópteros
Suiça devolve dinheiro desviado por Lalau
T
r ê s d e p u t a d o s e s t aduais de oposição protocolaram duas representações contra o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), pelo uso do helicóptero oficial do Estado para fins particulares. Ao Ministério Público Federal (MPF), os parlamentares pedem investigação de crime de peculato (uso, por parte de servidores, de recursos ou bens públicos para proveito próprio). No Ministério Público Estadual (MPE), formalizaram denúncia de improbidade administrativa (conduta inadequada de agente público). Os deputados Paulo Ramos (PDT) e Marcelo Freixo (PSol) estiveram ontem na sede do Ministério Público, mas o procurador-geral, Marfan Vieira, não estava. Eles foram recebidos pelo subprocurador-geral de Direitos Humanos e Terceiro Setor, Ertulei Matos. O deputado Luiz Paulo (PSDB) também assina as representações enviadas aos MPs federal e estadual.
Márcio Moraes/Agência O Dia/EC
Deputados Marcelo Freixo (E) e Paulo Ramos denunciam Cabral Reportagem da revista Veja desta semana revelou que um helicóptero de luxo do governo do Estado é usado nos fins de semana para transportar o governador, a família, babás dos filhos e até o cachorro, Juquinha, para Mangaratiba, no litoral sul, onde Cabral tem casa de veraneio. A reportagem disse ainda que Cabral usa helicópteros oficiais para ir ao trabalho, no Palácio Guanaba-
ra, em Laranjeiras, partindo do heliponto da Lagoa, a uma distância de dez quilômetros. O MPE abriu procedimento na última segunda-feira para apurar possíveis irregularidades, mas os parlamentares argumentaram que a representação "fortalece as investigações". Além disso, no caso de arquivamento da investigação, os deputados, como autores da denúncia, podem recor-
rer contra a decisão ao Órgão Especial do MP. Segundo Freixo, a denúncia de crime de peculato será investigada pelo MPF em Brasília. Por ser governador, Cabral tem foro privilegiado e um possível processo tramitaria no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Os parlamentares pediram informações ao governo do Estado e à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) sobre os voos dos helicópteros oficiais. "É um absurdo que o Estado tenha sete helicópteros a serviço do Executivo. É preciso abrir essa caixa e mostrar onde são usados, por quem, a serviço de quem", disse Freixo. Os deputados também tentam colher assinaturas para abertura de uma CPI sobre o uso dos helicópteros para fins particulares, mas reconhecem as dificuldades de chegar a 24 assinaturas necessárias diante da ampla base governista. "Existe uma proteção ao Executivo", disse Ramos. (EC)
O
Departamento de Justiça de Berna, anunciou ontem o depósito ao Brasil dos US$ 4,8 milhões que estavam congelados em nome do ex-juiz Nicolau dos Santos Neto, acusado e condenado por corrupção e desvio de verbas. Além desses recursos, ele terá de pagar uma pena de US$ 2,1 milhões pela fraude, como previsto na lei suíça. O dinheiro será enviado ao Brasil. O volume – R$ 10,7 milhões – é o maior recuperado pelo Brasil de uma única vez, no esforço de combate à corrupção e à lavagem de dinheiro em praças financeiras no exterior. Após essa devolução, Lalau não terá mais dinheiro na Suíça. O dinheiro era destinado às obras do Tribunal Regional do Trabalho em São Paulo. Mas, há mais de 20 anos, estava em uma conta em um banco em Genebra. O Ministério da Justiça considerou a ação um "marco na
Epitácio Pessoa/EC
Ex-juiz Nicolau dos Santos Neto atuação conjunta dos órgãos do governo brasileiro no combate à corrupção e ao crime transnacional e reflete o avanço nas relações de cooperação jurídica internacional entre Brasil e Suíça". O dinheiro será transferido para a conta única do Tesouro Nacional para reparar o dano causado ao erário. Em 2010, a Justiça suíça condenou Lalau por crimes de corrupção no Brasil. (EC)
Juiz condena Jader a ressarcir R$ 2, 2 milhões
O
senador Jader Barbalho (PMDB-PA) foi condenado a ressarcir R$ 2,2 milhões à União, por apropriação ilícita de recursos públicos federais do Fundo de Investimento da Amazônia (Finam), da extinta Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). A verba havia sido destinada à Imperador Agroindustrial de Cereais S/A, com sede em Cristalândia (TO). A sentença, de primeira instância, é do juiz titular da 2ª Vara da Seção Judiciária do Tocantins, Waldemar
Cláudio de Carvalho, e foi dada dia 4 de julho. Com Jader Barbalho, a Justiça Federal condenou também Itelvino Pisoni, Vilmar Pisoni, Vanderlei Pisoni, Cristiano Pisoni, Daniel Rebeschini, Otarcízio Quintino Moreira, Raimundo Pereira de Sousa, Wilma Urbano Mendes, Joel Mendes e Amauri Cruz Santos. Eles terão de devolver à União o total de R$ 11.136.583,25. O juiz manteve a indisponibilidade dos bens de todos os acusados. O senador informou por meio de sua assessoria que vai recorrer da sentença. (EC)
DIÁRIO DO COMÉRCIO Divulgação/Reuters
terça-feira e quarta-feira, 9 e 10 de julho de 2013
CLEVELAND Mulheres sequestradas por ex-motorista agradecem apoio após dez anos em cativeiro
nternacional
7 HERMANOS China diz que Venezuela é seu 'melhor amigo' na América Latina
Mohammed Saber/EFE
Bin Laden: um caubói sem barba.
O Simpatizantes de Morsi se aglomeram ao redor de caixões simbólicos, em protesto ao que qualificaram de 'massacre' de 51 pessoas em choques com os militares. Divulgação/Reuters
Não se pode agradar a todos Indicação de premiê secular e convocação de eleições provocam críticas de liberais e islamitas
A
pós racha político e anúncios desmentidos, o presidente interino do Egito, Adly Mansour, apontou ontem dois liberais para os cargos de premiê e vice-presidente, e anunciou um cronograma mais rápido do que se esperava para a realização de eleições dentro de seis meses. O anúncio colocou fim ao impasse entre as diversas facções, mas não agradou a todos.
O economista liberal e ex-ministro das Finanças Hazem alBeblawi ocupará o cargo de premiê, enquanto a Vice-Presidência caberá ao Nobel da Paz Mohamed ElBaradei. A indicação de Beblawi teve o importante apoio do partido islâmico ultraortodoxo AlNour, ex-aliado do presidente deposto Mohamed Morsi e da Irmandade Muçulmana. Após as nomeações para os cargos mais importantes do go-
verno, as agências estatais revelaram que Mansour também ofereceria cargos ministeriais ao Partido Liberdade e Justiça, braço político da Irmandade, e aos ultraortodoxos do Al-Nour. A Irmandade, porém, se recusa a reconhecer o governo que substituiu Morsi, deposto no dia 3 após um golpe militar, e promete manter os protestos. Na segunda-feira, pelo menos 51 seguidores morreram em confrontos com os militares.
A divergência também se instalou na coalizão governista, depois que Mansour emitiu um decreto constitucional prevendo eleições parlamentares em seis meses – e só então eleições presidenciais. O movimento opositor Tamarod, que reuniu 22 milhões de assinaturas contra Morsi e mobilizou multidões nas semanas anteriores, criticou o decreto, afirmando que a peça tem ares "ditatoriais". (Agências)
Beblawi (à esq.) e Mansour: o novo governo egípcio.
fundador da rede extremista Al-Qaeda, Osama bin Laden, chegou a usar um chapéu de caubói e se barbeava completamente para evitar ser reconhecido pelas autoridades do Paquistão, onde morou despercebido durante quase nove anos. Pouco depois de orquestrar o maior atentado terrorista da história dos EUA em 2001, ele foi parado em uma blitz "em 2002 ou 2003" por dirigir em alta velocidade, mas foi liberado. As trapalhadas das autoridades foram reveladas em um relatório do governo do Paquistão, que culpa a "incompetência e negligência coletivas" das agências de inteligência do país pelo tempo em que o homem mais procurado do mundo viveu em Abbottabad sem ser descoberto. O informe secreto de 336 páginas, vazado pela rede Al Jazeera, é resultado das investigações da Comissão Abbottabad, criada pelo Parlamento paquistanês para verificar se houve conivência de órgãos do país com a Al-Qaeda após os EUA assassinarem Bin Laden no Paquistão em 2011. Autoridades paquistanesas recusaram-se a comentar o teor do documento. Alimentado com cerca de 200 entrevistas, incluindo as feitas com as três viúvas de Bin Laden e com seus poucos funcionários, o texto revela detalhes do cotidiano dele. Para escapar de monitoramentos aéreos, Bin Laden costumava usar chapéu de estilo caubói quando se movimentava no pátio do complexo em que vivia com a família e funcionários. O documento revela ainda que, em vários deslocamentos pelo norte do Paquistão, Bin Laden exibia o rosto barbeado para não ser associado à sua imagem mais conhecida. De estilo frugal, o líder da Al-Qaeda não teria revelado sua identidade aos filhos de seus funcionários, que o chamavam de "tio pobre", já que sempre dizia não ter dinheiro para compras. (Agências)
Issem Kobeisi/Reuters
Nuvem negra paira sobre o Líbano Na véspera do Ramadã, carro-bomba fere 53 pessoas, elevando temores de guerra civil.
P
Carro-bomba destruiu veículos, lojas e prédios em reduto do Hezbollah, em Beirute.
elo menos 53 pessoas ficaram feridas ontem após a explosão de um carro-bomba no bairro de Bir al-Abed, em Beirute, no Líbano. A região, de maioria xiita, é uma dos redutos do grupo radical islâmico Hezbollah. Segundo autoridades locais, o veículo foi estacionado em uma região de compras do bairro. A explosão foi por volta das 11h15 locais (5h15 em Brasília), momento em que milhares de pessoas faziam as últimas compras para o início do Ramadã, mês sagrado para os muçulmanos.
Uma nuvem de fumaça negra se formou após a detonação da bomba, que também incendiou e destruiu lojas e prédios vizinhos, além de dezenas de carros. Após a explosão, grupos de partidários marcharam na região, carregando fotos do líder do Hezbollah, xeque Hassan Nasrallah. O atentado é considerado um dos maiores na região desde o final da guerra civil, em 1990. Não há indicações sobre a responsabilidade do ataque. As tensões sectárias vêm se agravando desde que o Hezbollah passou a
participar da guerra na vizinha Síria, apoiando as forças do presidente Bashar al-Assad contra a rebelião liderada pela maioria sunita. Moradores do bairro xiita atribuíram o ataque a apoiadores sunitas da insurgência contra Assad, e políticos também apontaram motivações sectárias. O presidente Michel Suleiman disse que o atentado reabre as "páginas negras" da guerra civil libanesa (1975-90), e pediu diálogo e respeito à segurança dos cidadãos independente de "suas orientações políticas". (Agências)
DIÁRIO DO COMÉRCIO
8
c
terça-feira e quarta-feira, 9 e 10 de julho de 2013
idades
Protesto atrapalha volta do feriado
Moradores de Vargem bloquearam a Rodovia Fernão Dias, que liga São Paulo a Minas, pedindo isenção da tarifa de pedágio. Na Imigrantes, problema foi a neblina.
O
motorista enfrentou ontem estradas lotadas e encobertas pela neblina na volta do feriado prolongado. Quem estava em Minas Gerais enfrentou o congestionamento provocado pelo bloqueio de manifestantes na Rodovia Fernão Dias, em Vargem (SP). O protesto aconteceu na altura do km 7, próximo à praça de pedágio de Vargem. De acordo com a concessionária Autopista Fernão Dias, um grupo de 50 manifestantes bloqueou as duas pistas da rodovia por mais de duas horas. Eles reivindicavam a isenção ou redução na tarifa de pedágio para quem mora na cidade. A rodovia só foi liberada no fim do dia. Na pista sentido São Paulo, que tinha tráfego mais intenso por causa da volta do feriado prolongado, o congestionamento chegava a dez quilômetros. Já na pista sentido Belo Horizonte, a fila de automóveis atingia três quilômetros de extensão. Neb lina – No Sistema Anchieta-Imigrantes, a neblina obrigou a concessionária Ecovias a adotar a operação-comboio para a descida da Serra do Mar, a partir do pedágio. Também houve formação de comboios para subir a serra. Quem estava na estrada ficou sem hora para chegar. À tarde, a operação continuava apenas para quem seguia para a Baixada Santista. No planalto, o motorista enfrentou trânsito lento com paradas também por causa da chuva que caía em alguns pontos. Na volta para a capital paulista, no fim da tarde, havia congestionamento entre os quilômetros 49 e 44 da Anchieta, e do 53 ao 47 da Imigrantes. Na Rodovia Raposo Tavares os motoristas tiveram dificuldades no trecho entre Itapetininga e Sorocaba. A rodovia está em obras de duplicação e, no feriado, os serviços não foram paralisados. (Agências)
Levi Bianco/Estadão Conteúdo
Painel do artista plástico Eduardo Kobra, em fase final de execução, no corredor de desembarque do Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo.
CONGONHAS, A "PRAIA DOS PAULISTANOS".
O
artista plástico Eduardo Kobra vai relembrar à cidade que o Aeroporto de Congonhas foi, um dia, a "praia dos paulistanos". Ele termina, provavelmente nesta semana, um painel que ficará exposto no corredor de desembarque dos passageiros – um retrato colorido de carros antigos estacionados em frente ao aeroporto, onde curiosos assistiam a pousos e decolagens na década de 1950. Conhecido por seus traços coloridos, meio realistas e com efeitos 3D,
Kobra se juntará a artistas como Emiliano Di Cavalcanti e Clóvis Graciano, autores de Os Trabalhadores, obra que fica mais escondida, em um pavilhão próximo à pista do aeroporto. Kobra conta que enquanto pleiteava o muro externo do aeroporto, onde queria pintar a história da aviação no Brasil, Congonhas veio com uma contraproposta: ceder uma parede de 3m x 16m na parte interna. Ele começou a grafitar na semana passada, com recursos próprios e depois de dois meses de pesquisa. "Pedi
para Congonhas ceder todas as imagens que tivessem da construção do aeroporto", diz ele, que também leu livros sobre o pioneiro da aviação, Alberto Santos Dumont. "A ideia inicial era fazer algo relacionado a Santos Dumont. Mas comecei a pesquisar imagens no acervo do aeroporto e quando encontrei esta cena fiquei fascinado", conta. Originalmente em preto e branco, o retrato ganhou uma roupagem colorida. "Essa é uma característica do meu trabalho, uma imagem realis-
ta, mas com cores e sombras, como a pintura de Oscar Niemeyer, que fiz na Avenida Paulista." Depois de terminado o painel, Kobra vai poder se dedicar ao muro de 600 metros do aeroporto, na Avenida dos Bandeirantes. Esta segunda obra, no entanto, será paga pela direção do terminal. "Como o aeroporto tem a ver com a história de São Paulo, achei a proposta bacana, devido ao meu projeto Muros da Memória, que retrata cenas antigas da cidade." (Agências)
9 DE JULHO
ASSALTO
Obelisco do Ibirapuera será reformado Ó RBITA
Mauricio Camargo/Folhapress
U
m desfile cívico-militar e uma sessão solene na Assembleia Legislativa marcaram a comemoração do 81º aniversário da Revolução Constitucionalista de 1932, ontem, na capital paulista. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) participou das comemorações em torno do feriado de 9 de julho no Parque do Ibirapuera, na zona sul. A Tropa de Choque da Polícia Militar prestou homenagem com uma salva de tiros. O público pôde assistir aos desfiles dos cadetes da Academia Barro Branco, de grupos de escoteiros, antigos combatentes e do Exército, além de bandas. O governador destacou o que representa a data para São Paulo e a democracia: "Hoje é o dia mais importante da história de São Paulo. É o dia que todos nos reunimos para homenagear os nossos heróis da Revolução de 32 e reiterar nosso compromisso com a democracia e legalidade. Em São Paulo morreram milhares de pessoas que deram a sua vida e seu sangue para que o País tivesse uma democracia e uma Constituição digna desse nome", disse Geraldo Alckmin. Obelisco do Ibirapuera – O governador também anunciou a reforma do Mausoléu do Soldado Constitucionalista de 1932, popularmente conhecido como o Obelisco do Ibirapuera. A
ma clínica odontológica foi assaltada na tarde de segunda-feira na Avenida Brigadeiro Faria Lima, em Pinheiros, zona oeste de São Paulo. Segundo testemunhas ouvidas pela polícia, um homem armado invadiu o local e rendeu funcionários e clientes. Ele roubou R$ 350 e depois levou os funcionários para o fundo da clínica antes de fugir. Câmeras de vigilância registraram toda a ação, que ocorreu por volta das 14h30. O bandido ficou no local apenas 1 minuto e 37 segundos. Este foi o quinto assalto nos últimos dois meses a clínicas da mesma rede. Dentistas e funcionários disseram trabalhar assustados. Somente agora os donos da clínica registraram boletim de ocorrência. (Agências)
U MANIFESTAÇÕES Polícia Militar de São Paulo vai comprar caminhões equipados com canhões de jato de água e de tinta utilizados para dispersar multidões. A compra de quatro veículos do tipo "riot control" (controle de tumulto) faz parte de uma licitação internacional para aquisição de equipamentos e foi anunciada pelo comandantegeral da PM, Benedito Roberto Meira. Segundo Meira, a ideia é ter os caminhões para a Copa do Mundo, em 2014, para o caso de acontecerem novas manifestações. (Folhapress)
A
J.Duran Machfee/Estadão Conteúdo
Desfile cívico-militar marcou a comemoração do 81º aniversário da Revolução Constitucionalista de 1932. Renato S. Cerqueira/Estadão Conteúdo
reforma do mausoléu, que sofre com infiltrações, custará R$ 8,727 milhões. As obras devem começar ainda este mês e serão entregues no dia 9 de julho do ano que vem, segundo o governador. "Começa hoje a restauração para que, em 9 de julho do ano que vem, esteja totalmente restaurado. Uma obra tombada de grande valor arquitetônico, mas especialmente o valor dos princípios da sociedade de São Paulo, que são os princípios da sociedade brasileira", afirmou. (Agências)
ADEUS, CASARÃO – Um dos últimos casarões da avenida Paulista começou a ser demolido ontem. O casarão ficava no nº 1373, no sentido Paraíso, entre a Alameda Casa Branca e a Rua Pamplona. A empresa demolidora não deu informações. Ato solene no plenário JK da Assembleia Legislativa, ontem de manhã
DIÁRIO DO COMÉRCIO
terça-feira e quarta-feira, 9 e 10 de julho de 2013
9
Pintura chinesa
d
cultura
Continua em cartaz a exposição Seis Séculos de Pintura Chinesa. Obras fazem parte da coleção do Museu Cermuschi, de Paris. Pinacoteca do Estado. Praça da Luz, 2. Tel.: 3324-1000. Terça, quarta e sexta. 10h às 17h30. Quinta. 10h às 21h30. R$ 6,
Q
uando se fala das batalhas entre a Alemanha Nazista e a União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial, logo vêm à mente a Batalha de Stalingrado, em que os alemães passaram anos na ofensiva, mas que marcou a revirada na guerra, pois teve como desenlace a contraofensiva soviética rumo a Berlim, e o prolongado cerco a Leningrado, em que ocorreu até mesmo canibalismo entre civis, por estarem totalmente bloqueados pelos nazistas os acessos à cidade e os envios de alimentos a seus habitantes. Mas, segundo o livro recémlançado pela Contexto, A Batalha de Moscou - A luta Sangrenta que Definiu os Rumos da Segunda Guerra Mundial, do pesquisador Andrew Nagorski, 66 anos, nascido filho de poloneses em Edimburgo, na Escócia, e que logo se radicou com a família nos EUA, a de Moscou foi a maior batalha da guerra. Tanto que o original em inglês, lançado em 2007, teria o título mais adequadamente traduzido para "A maior batalha: Stalin, Hitler e a luta desesperada por Moscou que mudou o curso da Segunda Guerra Mundial". Talvez historicamente a Batalha de Moscou tenha ficado obscurecida durante décadas porque nesse período não houve maior acesso a documentações mais completas. Nagorski, no entanto, trabalhou exaustivamente, após o fim da União Soviética, nos arquivos até então secretos da NKVD, antecessora da KGB como polícia política e serviço secreto do antigo país. Em meio a seu trabalho, Nagorski descobriu por que as autoridades soviéticas não tinham interesse em divulgar maiores informações sobre sua maior batalha: a estratégia soviética, comandada pelo ditador Stalin, foi tão improvisada que até mesmo soldados desarmados foram enviados para combater as divisões blindadas pesadamente armadas dos nazistas. Em compensação, confiante em que a vitória sobre o
A batalha da virada Renato Pompeu
Trincheiras improvisadas no gelo durante ofensiva soviética na Batalha de Moscou, 1941. adversário comunista seria rápida, o também Hitler enviou suas tropas com uniformes só para clima quente, sem levar em conta que seus soldados poderiam sofrer, como sofreram, com o frio intenso do chamado General Inverno russo. Em suma, trata-se não só de uma história militar, mas também do retrato de tiranos capazes de
impor sacrifícios inauditos e letais a seus súditos. Nagorski é especialmente qualificado para ter feito essa pesquisa, pois foi durante décadas jornalista do semanário americano Newsweek, especialista nas relações entre o Ocidente e o Oriente, e escreveu numerosos livros, inclusive de ficção, baseado nos seus profundos conhecimentos sobre o nazismo e sobre o
comunismo. Em 1982, quando era correspondente em Moscou, foi expulso do país pelas autoridades soviéticas. A batalha que ele descreve no livro durou seis meses, no outonoinverno de 1941 a 1942. Foi a maior batalha da Segunda Guerra e, segundo Nagorski, de toda a história, tendo envolvido 7 milhões de combatentes. Houve 1,9 mi-
lhão de soviéticos mortos e 615 mil alemães abatidos, números que permaneceram durante décadas ocultos do grande público soviético e do grande público mundial e que são uma das grandes revelações da obra de Nagorski. Assim, para cada alemão morto, morreram três soviéticos, e a precariedade militar soviética é ainda mais realçada pelo fato de que grande
número de nazistas não morreu em combate, mas de frio. Ainda mais impressionante é o fato de que soldados soviéticos eram enviados ao fronte totalmente desarmados, com a instrução de que apanhassem os armamentos e as munições de soldados alemães mortos. Não foi apenas o patriotismo que levou os soviéticos sem armas a entrarem assim em combate. A alternativa a não cumprir a ordem era o fuzilamento sumário. Mas, tão importantes quanto os aspectos diplomáticos e militares do livro, com suas informações sobre os atos e palavras de altas autoridades, são os relatos feitos a partir de livros de memórias de pessoas comuns e histórias contadas por sobreviventes ouvidos por Nagorski. Fica-se sabendo, por exemplo, que enquanto centenas de milhares de moscovitas eram enviados rumo ao oeste, para combater o inimigo nazistas, outras centenas de milhares de habitantes da capital soviética fugiam para o leste, queimando em meio à fuga tudo que pudesse parecer propaganda comunista, de livros a panfletos e faixas, e até mesmo assaltando trens e expulsando seus ocupantes e atirando fora seus pertences, para assumirem seus lugares na viagem de fuga. Um dos pontos altos da propaganda soviética é que, mesmo nos piores momentos, Stalin nunca saiu de Moscou. Entretanto Nagorski revela que, um dia, Stalin resolveu ir embora e estava viajando de carro rumo a uma estação em que um trem o aguardava para o levar para longe, mas no meio do caminho o líder soviético mandou o motorista fazer meiavolta e retornar ao Kremlin. Dali ele ordenou uma campanha de assassínios e de terror contra os recalcitrantes e fugitivos - e essa campanha de terror foi um ponto decisivo na virada da guerra, pois Moscou foi obrigada a resistir e a contra-atacar. Os fins justificam os meios?
Salve o rap verde-amarelo André Domingues
Q
uem acusa o rap de estrangeirismo gosta de lembrar que os cultores brasileiros do jazz são chamados de jazzistas e os do rock de roqueiros, mas apenas os rappers se identificam por um nome em in-
glês. Puro preconceito. Duas provas de que existe um rap brasileiro são os prestigiosos Criolo e Emicida, que lançam neste domingo o DVD Criolo & Emicida – Ao Vivo, feito com obras marcantes de suas carreiras, a exemplo de Grajauex e
Triunfo. Muito mais melodiosos e preocupados com a diversidade dos ritmos usados nas bases – tais como rock, samba e reggae –, os dois se distanciam dos colegas norte-americanos e se aproximam da chamada MPB. Não se tra-
ta, aí, de simplesmente seduzir as classes altas que consomem essa música, mas, sim, de atingir o centro da tradição nacional. Dos dois rappers, Criolo é quem mais se distingue na busca por uma nova musicalidade, chegan-
do a passar do estilo falado para a canção tradicional com desenvoltura, como na bela Não ExisteAmor em SP. Sempre haverá algum “purista” para revirar os cânones norteamericanos e dizer que isso já não é rap, mas o argumento só re-
força a ideia de que temos uma nova linhagem nacional. Afinal, a incorporação da canção não só é um desenvolvimento natural dessa tendência, mas também um claro sinal de maturidade e independência.
Fotos: Arquivo DC
GARGAREJO Seleção dos espetáculos da semana
Naná Vanconcelos: afro.
Mônica Salmaso: melodias e poesias.
Da brasilidade à diversidade
A
dificuldade em se definir a sonoridade que Mart’nália assumiu no disco Não Tente Compreender, que apresenta em São Paulo de sexta a domingo, é um reflexo da multifacetada programação de shows desta semana. Tendo Djavan como produtor e diretor musical, a cantora aprofundou-se no pop e na black music que já apareciam, com menos ênfase, em seus trabalhos anteriores, mas não abriu mão da brasilidade do samba, da bossa e, até, do baião. O resultado ficou heterogêneo, mas interessante, sobretudo em canções como Vai saber e Daquele jeito. A própria ideia de brasilidade, porém, se apresenta em duas formas diferentes por esses dias: a da percussão afro de Naná Vasconcelos e a das melodias e poesias enfocadas pela cantora Mônica Salmaso. Para embaralhar ainda mais as coisas, um
contraponto a essa brasilidade é proposto, justamente, por um conjunto que sempre a cultivou: o MPB4. Com Paulo Malagutti no lugar do falecido Magro Waghabi, o grupo vocal mostra o CD Contigo Aprendi, todo composto por versões brasileiras para boleros famosos. O experimentalismo de vanguarda também tem lugar de destaque na agenda paulistana, mas como memória de antigas transgressões. O compositor Carlos Careqa, por exemplo, relembra a Vanguarda Paulistana no lançamento do disco Ladeira da Memória, do qual participaram os artistas que estão ao seu lado, a exemplo de Vania Abreu, Marcelo Pretto e Toninho Ferragutti. Já o trompetista Guizado homenageia o tropicalista Gilberto Gil com novos arranjos para suas canções, tendo como intérpretes Maria Alcina, Ana Cañas, Junio
Barreto e outros. A Cidade recebe, ainda, um baluarte do vanguardismo, o compositor Jorge Mautner, que vem repassando os momentos mais importantes da sua trajetória desde que virou tema do documentário Jorge Mautner – o Filho do Holocausto, em fevereiro passado. As atrações de música instrumental, por fim, também trazem a diversidade como marca. Do lado do jazz, tem o pianista e compositor Antônio Adolfo apresentando o CD Finas Misturas, em que acrescenta tempero brasileiro a alguns standards americanos e mostra temas autorais. Já do lado do choro, tem o violonista Zé Barbeiro mergulhando com seriedade na busca por um choro moderno e, ao mesmo tempo, fiel às antigas tradições. Seja como for, enfim, bons programas não faltam. (AD)
Antônio Adolfo – Finas Misturas Gênero: jazz à brasileira Itaú Cultural – Av. Paulista, 149. Tel.: 2168-1777 Dia 12, às 20h Grátis Carlos Careqa e convidados (Bruna Caram, Vania Abreu, Marcelo Preto, Toninho Ferragutti e Celine Imbert) – Ladeira da Memória Gênero: revisão da Vanguarda Paulistana com toques de bomhumor Teatro Sesc Pompeia – Rua Clélia, 93. Tel.: 3871-7700 Dias 12 e 13, às 21h R$ 20 Criolo e Emicida – Criolo & Emicida ao Vivo Gênero: rap-pop-brazuca Espaço das Américas – Rua Tagipuru, 795. Tel.: 3864-5566 Dia 14, às 22h R$ 60 (pista) Guizado e convidados – Tributo a Gilberto Gil Gênero: tropicalismo reciclado Teatro Sesc Santo Amaro – Rua Amador Bueno, 505. Tel.: 5541-4000 Convidados: Ana Cañas, Lirinha e Maria Alcina – Dia 12, 21h Convidados: Anelis Assumpção, Gero Camilo e Junio Barreto – Dia 13, 21h R$ 20 Jorge Mautner Gênero: antologia pessoal Casa de Francisca – Rua José Maria
Lisboa, 190. Tel.: 3052-0547 Dia 11, 22h Couvert artístico R$ 80 Mart’nália – Não Tente Compreender Gênero: black-pop-brazuca Teatro Paulo Autran, Sesc Pinheiros – Rua Paes Leme, 195 – tel.: 3095-9400 Dias 12 e 13, às 21h, e 14, às 18h. R$ 32 Mônica Salmaso – Alma Lírica Brasileira Gênero: nacionalismo esclarecido Teatro Sesc Vila Mariana – Rua Pelotas, 144. Tel.: 5080-3000 Dias 13, às 21h, e 14, às 18h. R$ 32 MPB4 – Contigo Aprendi Gênero: bolero em versão brasileira Auditório Ibirapuera – Parque do Ibirapuera, portão 2. Tel.: 3629-1075 Dia 13, 21h R$ 20 Naná Vasconcelos (part. Lui Coimbra) Gênero: afro-brazuca orgânico Teatro Sesc Belenzinho – Rua Padre Adelino, 1000. Tel.: 2076-9700 Dia 12, às 21h R$ 24 Zé Barbeiro Gênero: choro moderno Área de convivência do Sesc Ipiranga – Rua Bom Pastor, 822. Tel.: 3340-2000 Dia 10, às 20h Grátis (Cotação AD)
DIÁRIO DO COMÉRCIO
10
terça-feira e quarta-feira, 9 e 10 de julho de 2013
Tinta na pele Johannes Stötter é um artista especializado em pintar corpos. Suas tintas camuflam as formas humanas em cenas de natureza.
www.dcomercio.com.br
www.johannesstoetterar t.com
T ECNOLOGIA F RANÇA
C INEMA
Android, sem falhas.
Philippe Wojazer/Reuters
O 224 anos depois da revolução Airbus Militar A400M e um jato de combate participam do ensaio do Desfile do Dia da Bastilha sobre as estátuas do Arco do Triunfo do Carrossel, em Paris. A queda da Bastilha é comemorada em 14 de julho.
Google corrigiu a falha de segurança que deixava 99% dos aparelhos com o sistema móvel da companhia, o Android, vulneráveis. A gigante da internet lançou uma atualização do sistema que corrige o problema. A falha permitia que aplicativos para Android não adquiridos na loja da Google Play fossem transformados em malware, roubando dados dos usuários e realizando operações que não eram solicitadas ou conhecidas por eles. A nova versão do Android
com a correção foi enviada para os fabricantes de smartphones, que vão lançar a atualização do sistema para seus clientes. Risco – A correção foi realizada depois que pesquisadores da empresa Bluebox, especializada em segurança na internet, divulgaram na semana passada a existência do problema. O problema acontece com a versão 1.6 do Android, que está instalada em "99%" dos aparelhos que utilizam o sistema móvel do Google. A falha de segurança atinge a verificação de aplicativos
por assinaturas criptográficas. Em operações de atualização de aplicativos em smartphones, quando as assinaturas criptográficas fornecidas pelo desenvolvedor do aplicativo não conincidem com as do aparelho, o processo é cancelado. No caso do Android 1.6, entretanto, uma falha permitia quebrar essa criptografia, o que permitia que qualquer app instalado no aparelho portasse um código malicioso capaz de roubar ou disseminar dados maliciosamente sem que o usuário do aparelho percebesse.
Produções nacionais em alta Os longas brasileiros venderam, nos primeiros seis meses do ano, pouco mais de 13,6 milhões de ingressos, um pulo de 280% em relação ao mesmo período em 2012, quando 3,5 milhões de pagantes foram aos cinemas. Os dados são do Filme B, portal que monitora o mercado cinematográfico no país. Na renda, os números são ainda melhores: crescimento de 289% em relação a 2012. (Folhapress)
Vincent Kessler/Reuters
H ISTÓRIA
Restos mortais de Jango serão exumados Os restos mortais do expresidente João Goulart serão exumados para desvendar se sua morte ocorreu pela troca dos medicamentos que ele tomava para o coração, informou ontem a Comissão Nacional da Verdade. Presidente do País entre 1961 a 1964, quando sofreu golpe militar, João Goulart morreu na Argentina, em 1976. Seu corpo foi sepultado em São Borja, no Rio Grande do Sul, sua cidade natal. Na ocasião da morte, não foi realizada autópsia. O ex-agente secreto uruguaio Mario Barreiro Neira, que cumpre pena no Brasil por
tráfico de armas, declarou há quatro anos que o expresidente foi assassinado pela troca do medicamento que tomava por veneno. Jango foi vigiado no exílio em seus últimos anos de vida. "A versão de Barreiro é corroborada por documentos que sugerem a existência de um plano internacional para eliminar líderes de oposição às ditaduras latinoamericanas do cone-sul. Estes documentos e planos são mostrados, por exemplo, no documentário 'Dossiê Jango', do cineasta Paulo Henrique Fontenelle", diz a nota publicada no site da Comissão da Verdade.
A RQUEOLOGIA Toru Hanai/Reuters
L
APRENDIZADO - Menino se curva imitando os adultos de uma comunidade muçulmana durante as preces da tarde na Grande Mesquita de Estrasburgo. Ontem foi o primeiro dia do Ramadã na França, por determinação da Grande Mesquita de Paris.
E SPAÇO M ÚSICA
Reuters
Patinha de 39 mil anos Imagem mostra uma das patas de Woolly, fêmea de mamute de 39 mil anos encontrada congelada na Sibéria, na Rússia. Woolly chegou ontem a Yokohama, no Japão, onde ficará exposta por dois meses. R EINO UNIDO
Um título para o "bebê real" Chega de chamá-lo de "bebê real", a realeza britânica decidiu qual será o título do bebê de Kate e William, que deve nascer nos próximos dias: príncipe ou princesa de Cambridge. O título é inédito e todos os filhos de William e Kate se beneficiarão do título de príncipe ou princesa.
Os engenheiros de voo Luca Parmitano e Chris Cassidy trabalham na unidade Canadarm2. Eles realizaram uma missão de 6 horas fora da Estação Espacial Internacional, ontem, e retornaram em segurança. Ambos trabalham na preparação da estação para receber um novo complexo russo.
Plácido Domingo é internado em Madri O tenor espanhol Plácido Domingo foi internado em um hospital de Madri após sofrer uma embolia pulmonar, um coágulo de sangue em seu pulmão, informou ontem sua assessora nos EUA. Domingo, 72, foi internado na segunda-feira e espera-se que tenha uma recuperação completa em cerca de três a quatro semanas. L OTERIAS Concurso 1192 da DUPLA SENA Primeiro sorteio
Design de sobras Restos de material de carpintaria viram móveis exclusivos graças ao designer israelense Eli Chissik. Suas obras são consideradas um híbrido de escultura com design. http://elichissick.com/
10
16
23
24
45
46
30
33
49
Segundo sorteio 01
08
21
Concurso 3234 da QUINA 14
48
59
60
68
DIÁRIO DO COMÉRCIO
terça-feira e quarta-feira, 9 e 10 de julho de 2013
e
11
DIA DA PIZZA
Karime Xavier/Folhapress
conomia
Renato Carbonari Ibelli
A
receita básica do disco de massa assada, coberto ao gosto do freguês, permanece igual há séculos. Já a forma de comercializar o produto precisou mudar. As pizzarias estão tentando se reinventar para não perderem espaço para o pré-assado e para os segmentos concorrentes, como as padarias e bares. Nesse processo de readaptação do setor, o forno a lenha já não é mais unanimidade – embora sua abolição seja heresia para alguns. Quanto àqueles cardápios extensos e criativos, estes estão fadados a minguar. Nos últimos anos um número enorme de pizzarias baixou as portas em definitivo, segundo Adilson Barboza, diretor da Associação Pizzarias Unidas, entidade que representa o setor. O curioso é que o consumo da pizza só cresce. Na cidade de São Paulo, que é o segundo lugar do planeta onde mais se come esse alimento, atrás apenas de Nova York, o consumo da redonda cresceu mais de 10% em 2012, de acordo com Barboza. Hoje, quando se comemora o Dia da Pizza, cerca de 1,1 milhão delas serão comidas no Estado de São Paulo. É que esse aumento do consumo não tem reflexo nas mesas das pizzarias. São as congeladas e pré-assadas de supermercados que vêm ganhando espaço. O pré-pronto ganhou tanto espaço que alguns estabelecimentos se especializaram em vender pizzas montadas, mas não assadas. É o cliente quem assa a pizza, na própria casa. Ele recebe até dicas de como prepará-la no forno a gás, elétrico ou microondas. "No interior de São Paulo esse tipo de negócio tem avançado bastante. Por lá são mais caseiros", explica Barboza. PREÇO Como se não bastasse, a pizza paga o preço da sua popularidade. Como caiu no gosto de praticamente todo mundo, ela passou a ser encontrada
Reinvenção do negócio mantém consumo em alta
Divulgação
em praticamente todo lugar: dividindo espaço com coxinhas e croissant nos balcões de bares e padarias, por exemplo. Em meio ao avanço da concorrência, as pizzarias se viram obrigadas a reduzir custos, o que na prática significou desmontar os fornos a lenha, tijolo por tijolo. "Sem o forno a lenha não há mais a necessidade dos funcionários especializados, o pizzaiolo e o forneiro", diz Barboza. Encontrar essa mão-deobra, aliás, é cada vez mais raro. E, portanto, mais caro. Um pizzaiolo não sai por menos do que R$ 1,2 mil por mês. A maioria dos pizzaiolos que trabalha em São Paulo vem das regiões norte e nordeste, segundo o diretor da Unidas. "Com a melhora da situação social e econômica nessas regiões, esses trabalhadores voltaram para a terra natal. Além disso, muitos deles abriram suas próprias pizzarias", afirma Barboza. No lugar do forno a lenha as pizzarias começam a optar pelo
Hoje é dia de comemoração das redondas tão apreciadas em São Paulo. Entidade estima que 1,1 milhão de pizzas serão consumidas neste dia 10 de julho, sem esforços. Ao lado, o salão da Bráz Pizzaria de Moema.
forno a gás, mais simples de operar. Não precisa do forneiro para prepará-lo e mantê-lo funcionando noite adentro. Além disso, segundo o representante do setor, as pizzarias estão enxugando os cardápios. Se a pizza de mussarela é disparada a mais pedida, por que ter uma artesanal com trufas, camarão
ou salmão na dispensa? Reduzir o cardápio significa menos gastos com estoque. Com pizzas mais simples de serem montadas e forno que aquece com o girar de um seletor, a mão-de-obra especializada não é mais obrigatória. "Vira um processo industrial. Um funcionário monta a pizza
e outro coloca no forno", comenta Barboza, que garante que o sabor do produto final não muda. Difícil de engolir, diria o consumidor mais tradicional. Não tem como negar que o farfalhar da lenha que queima no forno ao fundo, e toda a ambientação clássica das pizza-
rias, bastam para abrir o apetite. Mas o fato é que a realidade do setor não é tão poética. Das cerca de 10 mil pizzarias existentes no Estado de São Paulo – 8 mil só na região metropolitana –, mais de 70% delas trabalham exclusivamente com delivery. Ou seja, como a maioria dos consumidores não vê a pizza sendo feita, ou mesmo come na pizzaria, a "semi-industrialização" pela qual passa o setor faz todo o sentido. Claro que essa tendência não significa o fim das pizzarias tradicionais, com seus fornos a lenha, toalhas xadrezes e receitas exclusivas. O processo pelo qual o setor passa já foi atravessado pelo ramo de restaurantes, com o avanço dos fast-foods – que entraram até no segmento das casas de massa, churrascarias e comida japonesa. Nem por isso as cantinas tradicionais acabaram. "A pizzaria tradicional é grife, e grife sempre vai vender", diz Barboza.
Mesa farta e promoções na data especial Divulgação
Lúcia Helena de Camargo
H
oje, as pizzarias da cidade aproveitam para fazer promoções em comemoração à data especial, que tem mesas fartas. Quem busca uma redonda premiada pode dar uma passada na Bráz Pizzaria, cuja pizza Caprese foi eleita pela revista Veja São Paulo a melhor da Capital neste ano. A pizza leva cobertura de mussarela e fatias de tomate e mussarela de búfala, folhas de manjericão gigante e pesto de azeitonas pretas. Custa R$ 52,50. www.casabraz.com.br. Já a Pizzaria 1900 oferece todas as pizzas do cardápio com 50% de desconto. São 40 sabores, divididos nas categorias especiais, light e tradicionais, disponíveis em massa tradicional ou integral, vendidas nos tamanhos individual, média e grande. Entre os 16 sabores especiais há o de javali. O destaque entre as pizzas leves é a Milanese (queijo
Divulgação
A famosa Caprese, da Bráz Pizzaria.
Premiata, especial da 68 La Pizzeria.
cottage, escarola, cebola e salsinha), com 197 calorias, (R$ 32,60). www.1900.com.br DEZ MELHORES A partir de hoje, seguindo até o final deste mês, acontece também na cidade a Temporada das 10 Melhores Pizzas. Participam a 68 La Pizzeria, A Esperança, Cristal Pizza Bar, Emiglia, Jullia Pizza Bar, La Glória, Leona, Maremonti, Marguerita e Pizza Bros. As pizzarias oferecem um combo para duas pessoas no jantar, que incluirá as pizzas mais pedidas da casa mais uma garrafa de vinho ou dois drinques, por preço entre R$ 80 a R$ 120. PIZZA BROS – Pizza Splendida Grande – mussarela, queijo brie, alcachofrinhas e presunto tipo Parma mais meia garrafa de vinho da casa por R$ 105. Caso o cliente não aprecie a sugestão, há a opção
de escolher entre os 60 sabores do menu. São três unidades localizadas no Itaim, Higienópolis e Moema. www.pizzabros.com.br 68 LA PIZZERIA – Localizada nos Jardins, a pizzaria oferece a pizza Premiata (1º lugar na Copa de Pizzas Fispal 2007), que leva molho de tomate, mussarela especial, parmesão, champignon trifolati, queijo brie, presunto de Parma e orégano mais meia garrafa do vinho tinto Norton Roble Malbec por R$ 80. www.meiaoito.com.br A ESPERANÇA – A unidade localizada no Itaim vai oferecer a pizza marguerita mais uma garrafa de vinho tinto californiano Bohemian Highway Cabernet Sauvignon por R$ 120. www.pizzariaesperanca.com.br CRISTAL PIZZA BAR – O combo criado inclui uma pizza mais uma garrafa do vinho Montes Seleccion Limitada (Cabernet Sauvignon e Carmenere) por R$ 120. Os clientes poderão optar entre três sabores: mussarela, pomodoro (mussarela de
búfala e tomate pelado) ou Cristal (parmesão, manjericão e champignon). www.cristalpizza.com.br EMIGLIA – A pizzaria vai vender duas pizzas individuais mais duas taças de vinho da casa por R$ 98. A sugestão da casa é a Caliente, que leva queijo brie, geleia de pimenta, mussarela, filetes de manga e molho de tomate. w ww.emiglia.com.br JULLIA PIZZA BAR – Localizada em Santana, na zona norte, a pizzaria oferece a pizza Belíssima – mussarela, leve toque de gorgonzola, geleia de figos frescos e presunto cru mais meia garrafa do vinho Montes Cabernet Sauvignon pelo valor de R$ 100. www.pizzariajullia.com.br LA GLORIA – Na pizzaria situada em Moema, os clientes poderão escolher entre dois combos, ambos pelo valor de R$ 120: combo 1, uma pizza Brie (molho de tomate, peito de peru, brie e aspargos) ou pizza Delicata Grande (molho de alho poró, abobrinha, queijo brie e tomate cereja) mais
Brie, com produtos frescos da La Gloria.
Vários ingredientes na Pizza Bros.
uma garrafa de vinho da casa. Combo 2, pizza portuguesa (molho de tomate, mozzarela, presunto picado, ovos, cebola, azeitonas e orégano) ou Diavola (molho de tomate, mussarela e calabresa picante) ou pizza marguerita(molho de tomate, mozzarela, rodelas de tomate e manjericão) mais dois chopes e duas sobremesas. www.lagloriapizzabar.com.br LEONA – O combo criado pela casa, no Campo Belo, inclui uma pizza de qualquer sabor (com exceção da de camarão) mais uma garrafa do vinho tinto chileno Leona Marques del
Nevado Reservado Cabernet Sauvignon por R$ 120. www.leonapizzabar.com.br MAREMONTI – A pizzaria vai oferecer a pizza Maremonti, que leva molho de tomate, berinjela, abobrinha, shitake e radicchio grelhados, mussarela, perfume de alho e parmesão mais uma garrafa do vinho tinto italiano Chianti Castello di Querceto por R$ 120. www.maremonti.com.br MARGHERITA – A pizzaria dos Jardins oferece a pizza margherita ou contadina (mussarela, molho de tomate, folhas de rúcula e tomatinhos cereja) mais meia garrafa do vinho Michel Torino Tinto ou Branco e dois brigadeiros de colher ou dois quindins por R $ 1 0 0 . w w w . m a r g h e r ita.com.br
12 -.ECONOMIA
DIÁRIO DO COMÉRCIO
terça-feira e quarta-feira, 9 e 10 de julho de 2013
DIÁRIO DO COMÉRCIO
terça-feira e quarta-feira, 9 e 10 de julho de 2013
e
13 Desaceleração dos mercados emergentes, recessão na Europa e dúvidas com os Estados Unidos derrubam previsões.
conomia
Brasil crescerá menos, prevê o FMI. A expansão do Produto Interno Bruto (PIB) será de 2,5% neste ano, segundo o relatório Perspectiva Econômica Global do semestre.
O
Fundo Monetário Internacional (FMI) rebaixou novamente a projeção de crescimento para a economia brasileira. No relatório Perspectiva Econômica Global – sugestivamente intitulado "Dores do Crescimento" – a organização prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro crescerá 2,5% este ano e 3,2% em 2014. Em relatório semelhante, divulgado em meados de abril, na reunião de primavera do Fundo, as estimativas eram de 3% e 4% respectivamente. O Fundo vem cortando sucessi-
vamente as projeções de desempenho da economia brasileira desde meados do ano passado. Em abril, já havia rebaixado as projeções ante o relatório de janeiro, que por sua vez também trazia redução nas estimativas frente as de outubro de 2012. Emergentes – No geral, os mercados emergentes vão em sua maioria crescer menos que o esperado pelos economistas da instituição. No conjunto, devem expandir 5% este ano e 5,4% em 2014 (eram 5,3% e 5,7% no relatório de abril). Nas estimativas para 2013,
Rússia e a África do Sul tiveram cortes maiores nas projeções – de 3,4% (em abril) para 2,5%, e de 2,8%, para 2% respectivamente. A China deve crescer 7,8% em 2013 e 7,7% em 2014, respectivamente um corte de 0,3 e 0,6 ponto porcentual ante os números divulgados em abril. Na América Latina, a previsão de crescimento do México também foi rebaixada, de 3,4% para 2,9%. Para toda a região o avanço estimado neste ano é de 3% e de 3,4% em 2014, ante 3,4% e 3,9% nas previsões divulgadas em abril Entre os fatores responsáveis
pelo ritmo fraco de expansão dos emergentes, o FMI inclui a falta de infraestrutura adequada, crescimento menor da demanda externa, queda nos preços internacionais das commodities e, mais recentemente, o aumento da instabilidade dos mercados financeiros globais. Além de já estarem crescendo menos, os emergentes correm agora mais riscos, ressalta o FMI, de um cenário externo mais incerto, por conta das expectativas de mudanças na política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos). "Os
riscos de desaceleração mais duradoura do crescimento das economias emergentes aumentaram, devido às restrições domésticas de capacidade, menor crescimento do crédito e condições externas fracas", escreveram os economistas do Fundo. A recente volatilidade nos mercados financeiros foi uma reação temporária ao menor crescimento dos emergentes e às incertezas sobre o comportamento do Fed. Se a volatilidade continuar, a perspectiva para o crescimento pode ser ainda pior, conclui a análise. (Agências)
Kazuhiro Nogi/AFP
A agência Fitch confirma os 2,5%
O Japão foi um dos raros países cujo crescimento foi revisto para cima nas previsões para 2013, de 1,5% para 2%. É consequência da política monetária adotada, que estimula o consumo e as exportações.
Recuo das previsões é global, com poucas exceções. Em cinco relatórios consecutivos o Fundo reavaliou crescimento das economias
N
a avaliação de meio do ano do estado da economia mundial, o FMI reduziu pela quinta vez desde abril do ano passado suas estimativas para o crescimento global, após ter projetado inicialmente que a economia do planeta iria expandir em até 4,1%. Na reavaliação, o Fundo cortou sua previsão para 3,1% em 2013, mesmo ritmo de expansão do ano passado, abaixo dos 3,3% estimados em abril. Para 2014, a previsão foi cortada pela primeira vez este ano, para 3,8% frente a anteriores 4% (previsões de janeiro e abril). Os motivos para o recuo são a desaceleração os mercados emergentes e a prolongada recessão na Europa. Mas agora há um elemento novo: o Fundo adverte que o crescimento global pode
desacelerar ainda mais se a retirada do enorme estímulo monetário nos Estados Unidos levar a uma reversão dos fluxos de capital e reduzir o crescimento nos países em desenvolvimento. Entre os países desenvolvidos, os Estados Unidos deve crescer 1,7% este ano, abaixo dos 1,9% previstos no relatório de abril. Para 2014, a previsão é de expansão de 2,7%, também 0,2 ponto porcentual abaixo da anterior. O FMI atribui o menor nível de expansão ao corte automático de gastos públicos e seus impactos na economia – ressalvando que esperava que tais efeitos acabassem em 2013, mas percebe que continuarão em 2014. O Japão, segundo o relatório, surpreenderá, como consequência da política monetária adotada, que tem
estimulado o consumo e as exportações ao enfraquecer o iene. O crescimento do PIB japonês foi um dos poucos revisto para cima nas previsões para 2013, de 1,5% para 2%. Também o Reino Unido teve revisão para cima, de 0,6% para 0,9% este ano. Para 2014 não houve alterações: a projeção foi mantida em alta de 1,5%. Para a zona do euro, o FMI estima a continuaçaõ da recessão neste ano, com contração do PIB regional a 0,6%, para se recuperar ligeiramente no próximo ano com crescimento de 0,9%. Países como Itália e França devem ver contração em suas economias maiores que o estimado. O órgão faz uma autocrítica, ao admitir que subestimou a profundidade da recessão na Europa. (Agências)
A agenda do corte de gastos
O
s cortes de gastos que o governo federal anunciará até o próximo dia 20, quando os Ministérios da Fazenda e do Planejamento apresentarão o decreto de programação orçamentária com as estimativas de receita e despesa para o resto do ano, serão de até R$ 13 bilhões. Abrangerão todos os ministérios e parte dos R$ R$ 7,1 bilhões em emendas parlamentares.
Atingirão também investimentos, mas não programas prioritários de infraestrutura. As informações são de fonte do governo que acompanha o tema. Na ultima sexta-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o contingenciamento seria inferior a R$ 15 bilhões. O governo contigenciou R$ 28 bilhões em maio. Com o novo corte, a equipe econômica tenta sinalizar
que cumprirá a meta de superávit primário de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, em meio a críticas sobre a política fiscal expansionista. A meta cheia de superávit primário é de R$ 155,9 bilhões (cerca de 3,1% do PIB) para o setor público consolidado – governo central, estados, municípios e estatais –, mas foi reduzida diante do baixo crescimento da economia e da arrecadação. (Reuters)
T
ambém a agência de classificação de risco Fitch fez ontem revisões em suas estimativa de crescimento econômico de algus países. A previsão para a América Latina baixou de 3,3% para 2,9%. Os responsáveis pela queda, segundo a Fitch, serão Brasil e México, que deverão crescer 2,5% e 3% respectivamente. Para a agência, as maiores taxas de crescimento são esperadas na Bolívia, Chile, Peru, Panamá e Paraguai, sendo que a última deverá registrar a maior taxa de crescimento da região após uma modesta contração do PIB em 2012. Economias de menor porte, como Equador, Colômbia e Suriname, poderão apontar um crescimento recorde, acima de 4%, em 2013. Na outra ponta, a agência projeta taxas abaixo de 2% para as economias de El Salvador, Jamaica e Venezuela. (Estadão Conteúdo)
DIÁRIO DO COMÉRCIO
14
e Governo fica com, no mínimo, 75% do pré-sal.
terça-feira e quarta-feira, 9 e 10 de julho de 2013
Seria inconcebível ter menos de 75%. Isso é o mínimo Magda Chambriard, diretora-geral da ANP
conomia
Bruno Domingos/Reuters
A expectativa é de que o campo de Libra, a ser licitado em outubro, produzirá até 1 milhão de barris por dia.
O porcentual de retorno inclui impostos, além do bônus de assinatura. O primeiro leilão do pré-sal, previsto para outubro, deve ser disputado por até oito consórcios.
A
parcela do governo na produção dos novos campos de petróleo da camada pré-sal será de no mínimo 75%. A informação é da diretora-geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Magda Chambriard. A cifra será alcançada pelo pagamento do bônus de assinatura – previsto no total de R$ 15 bilhões – além da expectativa de imposto de renda, Contribuição Sobre o Lucro Líquido (CSLL) e a participação do governo em cada poço da nova área de exploração. "Seria inconcebível ter menos de 75%. Isso é o mínimo", disse. Magda fez a afirmação ontem, em entrevista na capital britânica. Pelo modelo proposto pelo governo brasileiro, a disputa para a exploração dos novos campos de petróleo será vencida pelos grupos que oferecerem maior participação ao governo na receita gerada pela produção de cada campo.
A partir da proposta apresentada no leilão, o ANP desenvolveu um modelo matemático que aumenta a parcela atribuída ao governo à medida que a produção do campo cresce. Por outro lado, caso os poços produzam menos que o esperado, a parcela do governo diminui. Magda classificou o sistema como concessão gradual. "No mundo, isso é usual. Não inventamos nada", disse. Da fatia do governo na receita dos novos campos do pré-sal, o edital publicado ontem pela Agência Nacional de Petróleo prevê ainda que os consórcios que disputarão o leilão previsto para serem iniciados em outubro terão participação mínima de 30% da Petrobras. Não haverá, porém, máximo para a estatal brasileira. Portanto, em tese, a Petrobras pode ter até 100% de um consórcio. Durante a apresentação a investidores e analistas na capital britânica, a diretora-ge-
ral da ANP destacou diversas vezes que a exploração do pré-sal será a maior oferta de novas áreas para a indústria petrolífera do mundo em pelo menos 30 anos. "Esperamos que operem no campo de Libra entre 12 a 18 grandes plataformas petrolíferas que devem produzir até 1 milhão de barris por dia. Após a assinatura dos contratos, acredito que os campos começarão a pro-
Shell tem especialista em gás à frente
A
Royal Dutch Shell nomeou seu chefe da área de refino, Ben van Beurden, como o novo presidente-executivo da companhia, escolhendo um homem com pouca experiência em direção,
duzir em cinco anos. Depois, em período de cinco a dez anos, poderemos atingir essa marca", disse. OGX – A diretora-geral ANP ainda informou não acredita que o recente noticiário negativo relacionado ao setor de petróleo no Brasil irá atrapalhar a oferta de novas áreas de exploração como o pré-sal. Para ela, notícias como os problemas enfrentados pela
mas com uma ampla exposição pela empresa e conhecimento em primeira mão da tecnologia de gás na qual a companhia tem apostado seu futuro. Van Beurden, que se tornou chefe da área de refino, marketing e produtos químicos em janeiro, entrou no grupo anglo-holandês há 30 anos e passou uma década na indústria de gás
OGX Petróleo são fatos de curto prazo. Já a perspectiva das novas áreas de exploração no Brasil, argumenta, é de longo prazo. "A oportunidade do pré-sal é tão gigantesca, um projeto de 35 anos. Quem entrar nesse projeto estará entrando em um casamento de 35 anos. Qualquer coisa que aconteça no curto prazo será de tão curto prazo que certamente não
natural liquefeito (GNL). Aos 55 anos, o holandês possui idade semelhante a Peter Voser, o suíço que está substituindo . Ele também representa a visão do ex-presidente Voser para o futuro da empresa como um negócio na vanguarda da tecnologia de petróleo e gás. Van Beurden, descrito por um ex-executivo da
determinará o rumo do projeto", disse. A ANP prevê que entre sete e oito consórcios devem disputar as áreas oferecidas no primeiro leilão do pré-sal, previsto para outubro, cujo edital foi publicado ontem. Magda argumentou que o processo teve 30 empresas qualificadas como operadores do tipo 'A'. E, além dessas, há outras interessadas. (Agências)
companhia como "um homem quieto" dentro da Shell – mas extremamente determinado", enfrentará uma batalha travada por toda a indústria para substituir reservas e controlar os elevados custos. Alguns acionistas querem que a Shell reduza o investimento e economize mais em prol de dividendos maiores. (Reuters)
Anfavea propõe cota para híbridos
A
Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) propôs ao governo a criação de cotas de importação para veículos híbridos e elétricos, que teriam o seu Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) zerados. Hoje, essa alíquota está em 25%. A medida foi apresentada pelo presidente da Anfavea, Luiz Moan, ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, em encontro realizado ontem, em Brasília. A ideia de Moan é que essas cotas se estenderiam até 2017, a contar da sua aprovação pelo governo, caso a proposta seja aceita. Cada montadora habilitada no Inovar Auto, regime tributário do setor, poderia trazer, no primeiro ano, 450 veículos sem incidência de IPI. Em 2017, essa cota chegaria a 2,4 mil carros por montadora. Entre 2017 e 2020, em um segundo momento, continuariam com o IPI zerado as empresas que começarem a nacionalizar a fabricação dos carros híbridos. A preocupação do ministro seria com as cotas. O objetivo do regime de isenção de IPI é identificar o mercado para esses carros no Brasil. Ninguém sabe exatamente qual o tamanho do mercado brasileiro para esses tipos de veículos, então, seria um período de testes, explicou o executivo do setor. (Folhapress)
DIÁRIO DO COMÉRCIO
terça-feira e quarta-feira, 9 e 10 de julho de 2013
e Começa a surgir a opção ao shopping
15
Aumento do poder aquisitivo contribui para aposta nesse formato de varejo Márcia Sola, do Ibope Inteligência
conomia
Os outlets, que não deram certo aqui nos anos de 1990, renascem e passam a ser negócio promissor no universo do consumo brasileiro. Sílvia Pimentel
Divulgação
D
epois de uma experiência malsucedida na década de 1990, os outlets brasileiros começam a ganhar a preferência do consumidor, mais exigente e ávido por novidades. Atentas a isso, empresas que já atuam no setor de shopping centers anunciam investimentos e inaugurações do novo formato de varejo que há muito tempo faz sucesso em países como os Estados Unidos. De acordo com a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), existem quatro empreendimentos com esse novo conceito em funcionamento, com uma área bruta locável (ABL) de 45.880 mil metros quadrados. Até 2014, serão inaugurados mais cinco, totalizando uma área de 133,6 mil metros quadrados. Na opinião da diretora de geonegócios do Ibope Inteligência, Márcia Sola, o mercado convencional de shoppings viveu uma febre de consumo nos últimos anos e parece ter chegado num ponto de equilíbrio. A diversificação foi o caminho encontrado para a continuidade da expansão do setor. "É grande o volume de brasileiros que viajam ao exterior e que acabam conhecendo esses centros de compras. Além disso, o aumento do poder aquisitivo do consumidor brasileiro tem contribuído para as apostas nesse novo formato de varejo", afirma. Preço acessível e a possibilidade de comprar marcas consagradas, mesmo de coleções passadas, são os dois maiores
O Premium, de Itupeva, SP, recebe em média 5,5 milhões de consumidores a cada ano. Por isso, vai ampliar instalações em 2014. atrativos. Não sem razão, explica Márcia Sola, o valor do ticket médio costuma ser mais alto do que o de um centro de compras tradicional. "É uma compra diferenciada, não é por impulso. Em geral, o consumidor compra um volume maior até para justificar a viagem", explica. Pelo fato de ser um mercado novo, não existe uma série histórica do valor do ticket médio. Os outlets são modestos do ponto de vista arquitetônico, construídos nas saídas de grandes cidades, que oferecem custos mais baixos de operação e manutenção aos
lojistas, em geral de marcas consagradas e famosas, nacionais e internacionais. Esses conseguem vender com descontos de até 80%. Atualmente, entre as marcas que aderiram aos centros de compras nesse novo formato estão Lacoste, Adidas, Calvin Klein, Vitor Jugo, TVZ, Reebok e Daslu. Preço reduzido – Outra peculiaridade é que os contratos são fechados com os próprios donos das marcas, pois só dessa forma seria possível mexer nos preços das mercadorias, que vão de roupas a calçados. Os descontos, aliás, são espe-
Divulgação
Condições do mercado hoje são diferentes da década de 1990 e animam investimentos
Vantagens de um novo cenário
O
primeiro outlet de que se tem conhecimento foi lançado na década de 1970, na Pensilvânia, Estados Unidos. Vinte anos depois, esse formato de vendas fazia sucesso tanto lá quanto na Europa, impulsionado pela expansão dos varejistas. O Brasil tentou, na década de 1990, copiar o modelo – incluindo aí outlets de material de escritório e informática mas aparentemente as experiências não deram certo.
Entre 1993 e 1996, os oito projetos existentes fracassaram e alguns empreendimentos se transformaram em shoppings populares, como o Shopping D, localizado na Marginal Tietê, em São Paulo. O SP Market, o Shopping Vale Sul, em São José dos Campos, e o Shopping Navegantes, em Porto Alegre, foram concebidos para serem outlets. Para o gerente de marketing da General Brasil, Rogério Dias, os projetos ini-
ciais foram abandonados devido a um cenário macroeconômico desfavorável, marcado por juros e inflação altos e um varejo inexpressivo. "Não havia no Brasil marcas consagradas. Além disso, contribuiu para o fracasso a ausência de uma infraestrutura moderna capaz de gerar um custo baixo na operação", explica. Alguns empreendimentos foram projetados com o reaproveitamento de galpões ou fábricas antigas. (SP)
Varejo venceu atropelo de junho
A
presidente do Magazine Luiza e vicepresidente do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), Luiza Trajano, disse ontem que em junho, mesmo com o fechamento de lojas mais cedo devido às manifestações nas ruas e aos jogos da Copa das Confederações, o varejo como um todo alcançou 97% da meta de vendas. "No começo do mês, estávamos pensando que
teríamos um resultado ruim, mas não foi o que aconteceu", disse, em tom de comemoração "O mês de julho está indo pelo mesmo caminho", declarou Luiza, durante a abertura da 45.ª Feira Internacional da Moda em Calçados e Acessórios (Francal), em São Paulo. Ela disse também não acreditar que a volta da cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados
(IPI) sobre os artigos da linhabranca prejudique as vendas desses produtos, porque o setor se comprometeu com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, de não aumentar preços. "Aceitamos a retirada da redução do IPI porque entendemos a dificuldade fiscal do governo. Nos comprometemos em não aumentar preços e ajudar também o governo no combate à inflação", disse. (Estadão Conteúdo)
cificados nos contratos, de acordo com Alexandre Dias, diretor de marketing e varejo da General Shopping Brasil, uma das maiores empresas do mercado de shopping centers, que inaugurou o modelo outlet no Brasil, em 2009. Ele diz que o custo do condomínio é até 80% menor na comparação com um shopping tradicional. Essa economia é possível pela ausência de elevadores e baixo consumo de energia nos corredores do empreendimento. No Outlet Premium São Paulo, localizado em Itupeva, inte-
rior de São Paulo, a redução de preço pode chegar a 80% em determinadas lojas. E a empresa tem como política interna monitorar os descontos dados pelos lojistas de forma sistemática. De acordo com Dias, em média, os descontos chegam a 56%. "Temos um relacionamento muito próximo com os lojistas e isso tem contribuído para a expansão do modelo", afirma. Inaugurado em 2009, o Premium abriga atualmente 130 marcas – outras 20 estão na fila de espera por uma vaga no empreendimento – e
recebe em média 5,5 milhões de consumidores anualmente. Por isso tem projeto de ampliação previsto para 2014. O estacionamento será ampliado para 2,5 mil vagas, de 1,2 mil atuais . A companhia tem outros dois projetos com inauguração prevista para este ano: Outlet Premium Salvador (setembro) e Outlet Premium Rio de Janeiro (novembro). Para 2015, a General Shopping Brasil pretende inaugurar mais três outlets no País. A cidade de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, também ganhará um centro de compras nesse estilo. O Platinum Outlet, da Iguatemi, deve ser inaugurado em setembro, com 125 lojas. A JHSF também pretende abrir até o fim deste ano o Catarina Fashion Outlet Shopping, em São Roque, interio paulista. Ainda em São Paulo, a BRMalls anuncia o Castelo Premium Outlets, previsto para 2014. Para a superintendente da Abrasce, Adriana Colloca, o aumento do poder aquisitivo da população explica o interesse por formatos diferenciados de varejo. "Há uma exigência maior com variedade e o mercado vem captando isso", afirma. De acordo com ela, o setor de shopping center no Brasil, assim como o varejo em geral, tem crescido em todas as regiões do País, embora as vendas venham desacelerando. De janeiro a maio, as vendas cresceram 5,5%, bem abaixo das previsões do início do ano. As projeções serão revistas, pois a Abrasce previa um crescimento de 12% até o final do ano.
DIÁRIO DO COMÉRCIO
16 -.ECONOMIA/LEGAIS
e
terça-feira e quarta-feira, 9 e 10 de julho de 2013
Algoritmos dependem do contexto e da linguagem humana para entender o tom da mensagem. Máquinas não 'compreendem' esse lado das coisas. Simon Collister, da London College of Communication
conomia
Acordo sobre ICMS pode sair na próxima semana
Produção agrícola será a maior em 10 anos, diz IBGE. O Perspectiva é que a safra de grãos avance 14,7% em 2013, puxada pela alta recorde da produção de soja.
A
agricultura nacional deve registrar, em 2013, o maior crescimento dos últimos dez anos, de acordo com o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A perspectiva é que a safra de grãos avance 14,7% em relação ao ano passado, alcançando a marca de 185,7 milhões de toneladas. O último recorde na expansão foi registrado pela pesquisa em 2003, quando a safra cresceu 27,2% sobre o ano anterior. De acordo com o levantamento, o crescimento atual é puxado, principalmente, pela alta recorde da produção de soja, que alcançará um volume 23,8% superior ao de 2012. A lavoura do grão cresceu 10,8% em área, impulsionada pelas boas condições climáticas e pelo alto preço no mercado. Ao todo, a área cultivada no País cresceu 7,8% em comparação ao ano passado. Apesar da elevação total da safra, a pesquisa feita em junho registrou queda de 0,1% no crescimento em relação a maio. A razão é a seca que afetou estados nordestinos, como Bahia e Maranhão. "A diminuição da produção de milho
ocasionou a diminuição da expectativa da safra brasileira", explicou Mauro Andreazzi, gerente da Coordenação de Agropecuária do IBGE. Mesmo com problemas na primeira safra, a lavoura do milho se recupera na segunda colheita, de inverno, atingindo um crescimento de 9,7% em relação a 2012. O resultado é fruto da expansão da cultura no Mato Grosso que, pelo segundo ano, ficou à frente do Paraná, afetado por uma forte estiagem no último ano, e pelo excesso de chuva em 2013. O Mato Grosso também obteve recorde na segunda safra de milho. Pelos resultados da pesquisa, o Estado se tornou o principal produtor agrícola nacional, com 23,8% de participação da safra brasileira. Trigo – O trigo também apresentou alta na produção, de acordo com o levantamento do IBGE. A safra abrange uma área 7,7% maior do que a de 2012. A estimativa para a produção no mês de junho é de 5.557.329 toneladas, número 0,8% maior do que o estimado na pesquisa de maio. As condições climáticas desfavoráveis afetaram as produções de feijão e café. No Nordeste, a produção de café caiu 2,7% entre maio e junho.
Alf Ribeiro/Estadão Conteúdo
Pela pesquisa, safra de trigo abrange área 7,7% maior que em 2012. Em relação a 2012, a previsão é de crescimento de 4,8%. No Sudeste, a falta de chuvas no Espírito Santo teve impacto na produção de café, e a estimativa é de queda de 7% na lavoura em relação a 2012. Outro produto que apresentou forte queda foi a batata-inglesa, com uma lavoura 19%
menor entre os meses de maio e junho – o que pode causar elevação do preço para o consumidor. Também houve queda na produção de laranja e de algodão, em função dos altos níveis de estoques nacionais e internacionais da fruta e do baixo valor de mercado da pluma. (Estadão Conteúdo)
senador Delcídio Amaral (PT/MS) afirmou ontem que os Estados procuram chegar a um acordo sobre a reforma do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) antes do dia 18 de julho – período em que começa o recesso do Congresso Nacional. De acordo com o parlamentar, os secretários estaduais de fazenda trabalham no momento na redação final de um convênio para selar o acordo na próxima reunião extraordinária do Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária), que ainda não tem data definida. Depois de muita negociação, os secretários já haviam chegado a um consenso no final de junho. No entanto, o governador do Amazonas, Omar Aziz, não referendou o acordo que foi aceito pelo seu secretário de Fazenda, Afonso Lobo – o que acabou criando um novo impasse nas negociações. O ponto de desentendimento é a alíquota interestadual de ICMS da maioria dos produtos originados da zona franca de Manaus, que recuaria de 12% para 10%, no acordo firmado no Confaz em junho. A nova alíquota seria um meio termo entre o que queria o Amazonas (manter os 12%) e os demais Estados (reduzir para menos de 10%). No caso específico dos produtos de informática da zona franca, o imposto cairia para 7%. Sem acordo – Sobre outros pontos polêmicos da reforma do ICMS, o acordo de junho es-
Software detecta 'sarcasmo' na internet
N
ão é sempre fácil identificar sarcasmo – principalmente na internet, quando não há, na maioria das vezes, expressões faciais, alterações na voz ou outras formas de comunicação não-verbal para ajudar. Normalmente, é preciso conhecer o histórico da pessoa que escreve para descobrir se fala sério ou não. É exatamente isso o que faz a francesa Spotter, que garante precisão de 80% na identificação de comentários sarcásticos na internet. Entre seus clientes, estão a Comissão Europeia, a corte de Dubai e o Ministério do Interior do Reino Unido, que não quis se pronunciar sobre o assunto. Por "apenas" mil euros (cer-
ca de R$ 3.000), o software de análises monitora o conteúdo postado e, usando uma combinação de linguística, semântica e heurística, gera relatórios sobre sua reputação on-line. A empresa diz rastrear apenas informações públicas, não privadas. A ferramenta, que entende 29 idiomas diferentes – incluindo chinês e russo –, é baseada em algoritmos. Mas se o cliente quiser, os relatórios podem ser conferidos por analistas humanos, diz a Spotter. "Nada é infalível, quando se fala de sistemas automatizados", ressaltou Richard May, diretor de vendas da Spotter no Reino Unido, em entrevista à BBC. "Mas, há cinco anos, você não conseguia nível de precisão atual – ficá-
vamos na marca dos 50%." Segundo ele, a causa mais comum do sarcasmo é a má qualidade de serviços, e usou a Air France, um dos clientes da Spotter, como exemplo. Se um voo demora, passageiros tuítam "Obrigado, Air France, por nos fazer chegar em Londres com duas horas de atraso". "É óbvio que não agradecem de verdade", ressalta. Para Simon Collister, professor de relações públicas e mídias sociais da London College of Communication, a ferramenta "beira a inutilidade", já que algoritmos dependem do contexto e da linguagem humana para entender o tom da mensagem."Máquinas não 'compreendem' esse lado das coisas", opina. (Folhapress)
Mais liberdade no Linux
O
diretor executivo da Linux Foundation, Jon "Maddog" Hall, apresentou uma central de mídia com hardware e software livre no 14º Fórum Internacional Software Livre, realizado em Porto Alegre. Chamado Smart Home System, o aparelho é instalado em uma TV, e a central de mídia exibe fotos, vídeos e músicas a partir de um pen drive, além de oferecer acesso a aplicativos como o YouTube. O sistema é voltado a idosos ou quem não sabe lidar com computadores, "como nossos pais", disse o diretor de 62 anos. O lançamento é parte do Projeto Cauã, que oferece ideias de como popularizar computadores com software livre. Quem quiser se tornar parceiro na atual fase embrionária deve se inscrever pelo site www.projectcaua.org/. (Folhapress)
tá mantido. Ele prevê a redução das alíquotas interestaduais de ICMS dos bens originados nas regiões Sul e Sudeste gradualmente, para 4%. Hoje, essas alíquotas variam entre 7% e 12%. Já no caso dos bens com saída nos estados do Norte, Nordeste e CentroOeste e Espírito Santo, a alíquota ficaria em 7% para produtos industriais e agropecuários e cairia para 4% no caso dos demais produtos, como comércio e serviços. As diferenças de alíquotas permitem aos Estados oferecer incentivos fiscais para atrair empresas, o que tem gerado disputas judiciais entre eles. O acordo mais recente prevê também a convalidação temporária de todos os benefícios, de modo que eles seriam retirados gradualmente. Apesar do otimismo de Delcídio, a reforma está em discussão há anos e já foi diversas vezes adiada. Havendo consenso no Confaz, as mudanças ainda terão que ser aprovadas no Congresso Nacional. Delcídio falou sobre o assunto após deixar o Ministério da Fazenda, onde se reuniu com o ministro Guido Mantega, os governadores e os demais senadores da região Centro-Oeste. As autoridades regionais foram conversar com Mantega sobre a ampliação de recursos para o fundo de desenvolvimento da região, o FCO, que oferece financiamento barato para empresários e fazendeiros do Centro-Oeste. (Folhapress)
Tim, Vivo, Coca: multas.
A
Secretaria Nacional do Consumidor, vinculada ao Ministério da Justiça, multou ontem as operadoras de telefonia Vivo e Tim e a empresa SABB Coca-Cola, uma das fabricantes da Cocacola no Brasil, por propaganda enganosa. As punições foram feitas pelo DPDC (Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor) e somam R$ 5,2 milhões. A SABB foi multada pela publicidade da bebida "Laranja Caseira", já que a empresa não esclareceu que se trata de um "néctar" e não "suco". Já a Vivo recebeu a multa pela campanha "Vivo de Natal", por não demonstrar de forma adequada as condições para obtenção dos minutos e torpedos promocionais". Já a TIM foi penalizada pela campanha "Namoro a Mil" por não fornecer claramente as condições para receber minutos de ligação e torpedos. Procuradas, Vivo e SABB Coca-Cola informaram ainda não possuir posicionamento. Já a Tim "avaliará o caso". (Folhapress)
DIÁRIO DO COMÉRCIO
terça-feira e quarta-feira, 9 e 10 de julho de 2013
e
ECONOMIA/LEGAIS - 17 É um novo tipo de mobilidade em um novo estágio, principalmente para os jovens. Christoph Menzel, professor do Instituto de Administração do Trânsito
conomia
Berlim, a cidade do carro compartilhado. Na capital da Alemanha, faz sucesso o uso comum de carros por vários usuários. O serviço ganhou força com o GPS e aplicações de smartphone. Sally Mcgrane *
M
arc Clemens, fundador e CEO da Sommelier Privé, serviço online de vinhos, abriu mão de ter carro há um ano e meio em Berlim. Quando deseja ir dirigindo ao trabalho pela manhã, ele confere o smartphone para ver onde determinado BMW, Smart ou Mini está estacionado e embarca. Quando chega ao destino, Clemens estaciona na rua e se esquece dele. Ele se vale exclusivamente de dois serviços de compartilhamento de automóveis, DriveNow e Car2Go. "Eu o uso três ou quatro vezes por dia", Clemens contou ao deixar um colega diante de um bar de vinho no bairro Mitte, na capital alemã, numa recente noite de domingo. "Para chegar ao trabalho, ir a reuniões de negócios, ir a um bar. Eu gosto por ser de 'mão única'." O compartilhamento existe há décadas na Europa e pegou nos Estados Unidos com a Zipcar. Esses serviços de compartilhamento de carros baseado em estações exigem que os membros escolham veículos de um lugar em particular, que pode ou não ser conveniente. Os usuários geralmente necessitam reservar modelos com antecedência por períodos de tempos pré-pagos e programados e, quando não precisam mais do automóvel, o devolvem no mesmo lugar – fatores que limitavam a atratividade do compartilhamento de carro. Entretanto, Berlim se tornou a maior cidade compartilhadora de carro unidirecional do mundo. Os serviços de 'mão única' ou móveis, iniciados há pouco tempo nos EUA, usam GPS e aplicações de smartphone para um compartilhamento mais flexível. Os carros ficam estacionados em ruas da cidade e os usuários pegam os modelos mais próximos deles. Em vez de levar o automóvel de volta a um estacionamento, os usuários o deixam onde encontram uma vaga nas proximidades do destino. E pagam pelo tempo durante o qual o dirigiram. Esses novos sistemas estão chamando atenção. Desde que o primeiro sistema comercial de compartilhamento de carro de mão única teve início
Fotos de Gordon Welters/NYT
Mão única: Marc Clemens (acima) recorre ao carro compatilhado para ir ao trabalho. As novas tecnologias, como os smartphones, trazem facilidades.
na Alemanha há dois anos, 183 mil pessoas se cadastraram, segundo a Bundesverband CarSharing – um número grande, se levarmos em consideração que sistemas similares existentes há anos têm 262 mil membros. A Car2Go deu início ao serviço em 11 cidades norte-americanas, incluindo Austin, Texas, Seattle e o Distrito de Columbia. A DriveNow está em São Francisco, mas utiliza o antigo modelo baseado em estação. "Isso vai mudar o compartilhamento de automóveis",
Um veícudo da empresa Car2go: parceria com grandes montadoras.
afirmou Susan Shaheen, codiretora do Centro de Pesquisa de Sustentabilidade dos Transportes da Universidade da Califórnia, campus de Berkeley. "Não havia uma tecnologia do gênero na década de 1990." Montadoras – Duas das maiores montadoras alemãs estão diretamente atrás da ideia. A DriveNow é uma parceira da BMW e da locadora de veículos Sixt; a Car2Go é subsidiária da Daimler. Nos EUA, a Daimler é bancada unicamente pela BMW. "Nós crescemos tendo de tudo; talvez nossos pais tivessem dois carros. E, agora, com a geração atual, existe uma tendência no sentido das economias compartilhadas", declarou Michael Fischer, porta-voz da DriveNow na Alemanha. "Enquanto fabricante de automóveis, você tem interesse em perder esse grupo? Ou em lhes oferecer alguma coisa? Porque, aparentemente, não se consegue vender a eles." A Car2Go, que utiliza frotas de veículos Smart, da Daimler, foi pioneira no modelo de mão única com um projeto-piloto
Agora, com a geração atual, existe uma tendência no sentido das economias compartilhadas. MICHAEL FISCHER
em Ulm, Alemanha, em 2009. "Mais e mais, as pessoas nas cidades não querem possuir carros, mas de muitas formas o compartilhamento de automóveis não era atraente", afirmou Andreas Leo, porta-voz da Car2Go na Europa. "Era complicado chegar até lá, era preciso marcar com antecedência, era necessário pagar uma taxa mensal usando o automóvel ou não. Nós vimos a tecnologia e decidimos desenvolver o compartilhamento sem essas restrições." Agora atuando em 21 cidades, a Car2Go diz ter 400 mil afiliados em âmbito mundial. Em
Berlim, com 1.200 carros, a empresa mantém sua maior frota. A DriveNow, cuja frota é composta de Minis e outros modelos da BMW, opera em quatro cidades alemãs, mantendo 700 unidades em Berlim. Táxi – Não custa caro participar; a ideia é de que uma viagem curta deveria custar menos do que um táxi. O custo da DriveNow gira em torno de US$ 39 pelo registro e de 32 a 46 centavos de dólar por minuto dirigido. A taxa de registro da Car2Go está em US$ 27, mais 39 centavos por minuto guiado. Os fregueses do serviço costumam ter cerca de 30 anos, são homens e fãs de tecnologia. Tanto a Car2Go quanto a DriveNow, porém, informam que quanto mais tempo ficam em uma cidade, mais mulheres e idosos participam. "É um novo tipo de mobilidade em um novo estágio, principalmente para os jovens", disse Christoph Menzel, professor do Instituto de Administração do Trânsito, da Universidade de Ciências Aplicadas da Ostfalia. Embora Menzel, que está preparando um estudo sobre esse tipo de compartilhamento, preveja que o mercado dos carros móveis vá explodir nos próximos anos, ele tem dúvidas em relação à rentabilidade. "Funciona bem para quem utiliza o serviço, mas temo que os custos das empresas sejam mais elevados do que os lucros." De acordo com a Car2Go,
por enquanto quatro cidades são rentáveis. "Nós queremos ganhar dinheiro", declarou Leo. "Não se trata de piada de marketing nem conceito de caridade." A bordo – Tanto a DriveNow quanto a concorrente Car2Go sustentam que em Berlim centenas de novos usuários se cadastram no serviço todos os dias. Outras empresas perceberam o movimento e estão subindo a bordo. No ano passado, a Flinkster, empresa de compartilhamento baseado em estação da Deutsche Bahn, empresa ferroviária alemã, fechou um acordo com a Multicity, firma de compartilhamento de mão única da Citroën, para um projeto-piloto que agora conta com 350 unidades operando em Berlim. "As coisas estão se desenvolvendo e nós podemos tentar com tudo, de bicicletas a carros elétricos, para melhorar a cadeia de mobilidade", afirmou Susan Sass, portavoz da Deutsche Bahn. "Nós podemos ver se os clientes gostam." Em Berlim, há quem se preocupe que a popularidade desse novo sistema incentive as pessoas a dirigir em vez de caminhar, pedalar ou utilizar ônibus e metrô. "Em termos ambientais, seria um passo atrás", disse Gabi Lambrecht, porta-voz da Bundesverband CarSharing. As empresas de compartilhamento de mão única afirmam que a maioria dos participantes tem passes mensais ou anuais de transporte público, e que seus sistemas aprimoram e não concorrem com os modelos existentes de transporte. Segundo elas, no mínimo torna mais fácil para os moradores abrirem mão dos carros sabendo que têm acesso a um automóvel quando quiserem. Em uma tarde recente de sexta-feira, no agitado escritório da Car2Go no centro de Berlim, Kathrin Ilic assinava o serviço porque os amigos lhe falaram que era muito conveniente. Ela contou que usaria o sistema para uma viagem específica: levar a filha para visitar uma amiga que mora do outro lado da cidade. "No transporte público, tenho que fazer três baldeações", relatou Ilic, cujo marido usa o automóvel da família. "Minha pequena tem cinco anos e com todos os brinquedos e cobertores, seria legal ter um carro." * The New York Times
ROGÉRIO CAVINATO - MEI torna público que recebeu da CETESB a Licença Prévia, de Instalação e de Operação n° 29000772 , válida até 05/07/2017, para FABRICAÇÃO DE BOLSAS DE QUALQUER MATERIAL (COURO, PLÁSTICO, ETC.), sita à RUA FRANCISCO MARINHO, 132, VILA BARUEL, SÃO PAULO/SP.
Transportes Arambari S.A. CNPJ nº 45.043.056/0001-61 Assembléia Geral Ordinária Edital de Convocação Ficam convocados os Srs. Acionistas p/ a realização de AGO dia 18/7/13, às 13hs na sede, situada na Fazenda Itaiquara, Município de Tapiratiba/SP, p/ apreciar e deliberar sobre a seguinte ordem do dia: a) Leitura, discussão e votação do Relatório da Diretoria, Balanço Patrimonial e Demonstrações Financeiras relacionadas com o exercício findo em 31/12/11 e findo 31/12/12; b) Destinação do resultado do exercício; c) Eleição dos membros da Diretoria p/ o próximo mandato. d) Eleição dos membros do Conselho Fiscal e seus suplentes, caso decidida a sua instalação. Estão à disposição dos senhores acionistas, na sede social, os documentos da Administração a que se refere o art. 133, da Lei 6404/76.Tapiratiba, 5/7/13. A Diretoria. (05, 06 e 9/07/2013)
Comercial Lima Figueiredo S. A
Serviço já é oferecido em São Paulo
O
compartilhamento de carros, que ganhou importância nos últimos anos, está sendo oferecido por serviço em São Paulo. Trata-se do car sharing, sistema consolidado nos Estados Unidos e na Europa, e um jeito racional de usar o
automóvel, conforme noticiou o Diário do Comércio na sua edição de 3 de junho deste ano. O Zazcar.com.br é o primeiro site brasileiro dedicado ao serviço, atendendo a 2.700 clientes, carteira que quer ampliar para 6 mil até o fim deste ano. A empresa tem uma frota de 60 carros de seis marcas espalhados por 45 pontos da cidade de São
Paulo, denominados PODs (points of departures). A Zazcar se inspirou na norteamericana Zipcar, a maior empresa do ramo do mundo, que atende cidades dos Estados Unidos. No mundo, as empresas de car sharing calculam em um milhão os usuários também espalhados pela França, Suíça, Portugal, Reino Unido e países nórdicos. O CEO e fundador do
Zazcar, Felipe Barroso, explica que atende algumas empresas para o deslocamento de funcionários, mas 80% de seus 2.700 clientes são usuários finais que não têm automóvel e estão na faixa de 30 a 35 anos. "Usam nossos veículos ocasionalmente – para compras e passeios em fins de semana ou viagens", diz. Barroso. (DC)
CNPJ Nº 72.111.370/0001-07 Assembléia Geral Ordinária Edital de Convocação Ficam convocados os Srs. Acionistas p/ realização de AGO dia 18/7/13, 10hs na sede, na Fazenda Itaiquara, Município de Tapiratiba/SP, p/ apreciar e deliberar s/ a seguinte ordem do dia: 1. Prestação de contas dos administradores, exame, discussão e votação das demonstrações financeiras relativas ao exercício social findo em 31/12/11 e 31/12/12; 2. Destinação do Resultado do Exercício; 3. Eleição dos membros da Diretoria p/ o próximo triênio e fixação de seus honorários. 4. Eleição dos membros do Cons.Fiscal e seus suplentes, caso decidida a sua instalação p/ o novo exercício.Estão à disposição dos Srs.acionistas, na sede, os documentos da Administração a que se refere o art.133, da Lei 6404/76.Tapiratiba, 5/7/13. A Diretoria. (05, 06 e 9/07/2013)
PREFEITURA MUNICIPAL DE IGARATÁ AVISO DE LICITAÇÃO CONCORRÊNCIA PÚBLICA Nº 001/2013 – PROC. ADM. Nº 1000/2013. Objeto: Contratação de Empresa especializada para a prestação de serviços de transporte escolar de alunos da rede de ensino do Município de Igaratá, conforme detalhamento no Edital. O Município de Igaratá-SP torna público, para conhecimento dos interessados, que realizará no dia 14/08/ 2013, às 10h00, no endereço Av. Benedito Rodrigues de Freitas, nº 330, centro de Igaratá/ SP, o credenciamento de interessados e o recebimento dos envelopes, conforme especificado no Processo supra. O Edital poderá ser obtido através do email: licitacaoigarata@gmail.com. Igaratá, 05 de julho de 2013. BENEDITO SÉRGIO DE MORAES - Pres. CPL.
DIÁRIO DO COMÉRCIO
18
terça-feira e quarta-feira, 9 e 10 de julho de 2013
n
nformática TABLET 1
Robusto e confiável, para o trabalho de campo. tablet Toughbook FZ-G1, da Panasonic, reforça a linha de portáteis e aparelhos móveis robustos e confiáveis (por serem mais seguros). É direcionado a usuários que necessitam de mobilidade em serviços públicos, logística, construção, saúde, segurança, empresas de seguro, manutenção, indústria automotiva, área militar, e em tarefas de missão crítica. Com 10 polegadas, roda Windows 8 Pro e seu HD pode ser destacado facilmente da carcaça, protegida por chassi de liga de magnésio (mais leve e resistente). As bordas do equipamento também são reforçadas e ele dispõe de acessórios – alças e cases – para facilitar o transporte. Na tela é possível escrever com a caneta Stylus, tornando-o ideal para controle de inventários, formulários eletrônicos, força de vendas, serviços no campo, registros médicos eletrônicos, inspeções, pontos de venda móveis. Importado pela Panasonic, pode ser customizado pela fabricante a critério do cliente. Preço sugerido US$ 6.500
O
TABLET 2
Assim, é fácil conhecer o cliente. Empresas adotam softwares de business intelligence, de análises e pesquisas para conhecer melhor seu consumidor e promover vendas e ações de marketing. Barbara Oliveira
O
consumidor, não é mais segredo, deixou de ser ingênuo ao comprar porque pesquisa na internet antes de ir à loja, procura promoções em todos os canais e exige do atendente informações precisas sobre o produto que procura. O varejista deve estar atento a essas demandas e às novas tecnologias, que o ajudam a entender as vontades do freguês, antecipar necessidades e promoções, fidelizar clientes, acelerar processos. Enfim, gerenciar de forma inteligente e rápida essa quantidade enorme de dados coletados. Tais sistemas – softwares de business intelligence (BI), analíticos, de pesquisas direcionadas, gerenciamento de banco de dados – já não são mais exclusivos das áreas de TI das empresas. Executivos de marketing, gerentes e diretores de outros setores já entenderam que também precisam lidar com essas inovações no cotidiano porque são responsáveis justamente por mudarem as estratégias do varejo de acordo com as análises disponíveis nesses programas. A IBM global passou a ser uma das líderes no fornecimento desses sistemas de BI, depois de ter adquirido nos últimos cinco anos várias empresas do ramo, entre elas a DemanTec, a Coremetrics, a Cognos e a SPSS . "Sempre que um cliente vai a uma loja e compra alguma coisa ele está dizendo o que quer, e esses dados do consumidor ficam no sistema do varejista. Precisamos analisar essas informações, avaliar o que ele gosta, oferecer algo mais personalizado", avalia Alejandro Padrón, líder de consultoria para o setor de varejo da IBM. "Mais do que a publicidade e promoções, os profissionais do marketing têm a missão de entender o comprador e proporcionar-lhe experiências positivas". Na verdade, a ideia do business intelligence é tentar resgatar a intimidade que o cliente tinha antigamente com o vendedor, que o conhecia, sabia do seu histórico de compras e o que ele queria. "O consumidor adora ser reconhecido pelo nome quando chega num estabelecimento comercial", diz Padrón. Organizar informações – Entre dezenas de grandes grupos varejistas que adotam essas ferramentas da IBM que incluem softwares de análise de dados, de gestão de campanhas, ajuste de preços e de produtos, estão o Pão de Açúcar, o Walmart e a rede europeia de farmácias, drogarias e conveniência Boots, presente em vários países. "A Boots é uma das empresas que mais entendem seus clientes e das
mais ágeis em personalizar e mudar seu sortimento por região, graças ao uso dessas ferramentas", informa Padrón. No Brasil, a Fototica é uma dessas empresas que, além de extrair a letra p do nome, também está mudando seus processos com a ajuda desses softwares. A marca está aliando as áreas de TI ao marketing para reforçar promoções, entender melhor o cliente e alterar o mix de produtos de lojas por região. Com mais de 90 anos de tradição do varejo ótico, a rede possui 123 lojas no País, e se transformou ao longo dos anos de empresa familiar em multinacional, depois de ter sido adquirida pelo grupo franco-holandês Grand Vision em 2007. O grupo está presente em mais de 40 países com 4,5 mil óticas. "Até 2010, a Fototica não tinha ferramentas de gestão para indicar desempenho operacional ou gerencial, e tudo era controlado por planilhas Excel preenchidas manualmente", conta o consultor de BI, Ralph Maduro, da Triscal, contratada pela companhia para aperfeiçoar a busca do seu banco de dados e para a implantação d o Cognos, um software de BI. "Estamos instalando o sistema há dois anos e meio com bons resultados", informa Rodrigo Baldini, gerente de TI da Fototica. "Antes, havia desencontro de informações, desde coisas básicas, como o valor de venda por família de produtos ou vendas de óculos por loja ou região", ele conta. "Existia um valor num relatório que constava em uma fonte de dados e outro valor num outro relatório para o mesmo grupo de mercadorias. Essa incoerência de informações para uma única consulta atrapalhava bastante, tínhamos de extrair e manipular o dado das planilhas e isso demorava até dois dias". O que a Triscal fez foi organizar melhor todas essas informações da empresa num único data warehouse – um grande repositório de dados – tornando-as mais confiáveis e precisas, além de convergir essas análises e indicadores fornecidas pelo DW com a ajuda da ferramenta de BI. "Buscamos os dados de frente de loja por cliente, por produto, por vendedor, e tudo isso é colocado numa tela para que o próprio usuário (gerente, diretor, presidente) acesse, sem necessidade de pedir a alguém da TI que montar relatório. É tudo bem simples, para democratizar a busca do que se procura", informa Maduro. Isso desmistifica também a ideia de que um sistema de BI serve só para grandes empresas.
A partir dessas informações, pode-se fazer alguma ação junto ao cliente, como promoções, descontos ou reforçar uma linha de produto em determinada região. O próximo cenário dentro da Fototica, segundo Baldini, será enriquecer esse conhecimento do consumidor. Hoje, o marketing já recupera esses dados (dentro do Data Warehouse), sabe quem comprou determinada marca, em que loja e região ele costuma ir, e há quanto tempo não compra nada. "Já entendemos esse comportamento e podemos fazer ações voltadas para eles. Mas, agora vamos incrementar esse relacionamento, sugerindo análises preditivas". Ou seja, se uma pessoa adquire óculos de grau, pode também precisar de uma lente de contato, e esses dados são correlacionados dentro de uma tela, explica Baldini. Toda essa inovação foi fundamental também para a rede montar a oferta de produtos nas lojas, com linhas exclusivas e de qualidade, informa o gerente de TI. Pesquisa por SMS – Outro jeito de melhorar o relacionamento, satisfação e garantir fidelização do consumidor é contar com a ajuda de rápidas pesquisas enviadas por SMS, logo após a pessoa ter sido atendida pela SAC das empresas (prestadoras de serviços ou varejo). A solução Fizzback, da Nice Systems, permite ao usuário responder a um curto questionário sobre aquele atendimento, com perguntas fechadas (pontuação de 0 a 5) ou customizadas ("você foi atendido pelo funcionário X e poderia dar uma opinião sobre esse atendimento?"). O consumidor também responde se lhe foi ofertado algum produto, se tem interesse em receber mais informações sobre ele, se achou o que procurava na loja, e se ele teria interesse em receber uma chamada para falar sobre um problema detectado no atendimento, e assim por diante. "Nossa taxa de retorno para esse tipo de pesquisa é de 45% lá fora, e, geralmente, é uma solução voltada para grandes empresas", diz Luiz Camargo, gerente-geral da Nice no Brasil e Cone Sul. O objetivo, segundo Camargo, é analisar a experiência do consumidor nos contact centers, lojas, internet e estruturar essas informações coletadas para criar uma base de clientes, identificar oportunidades de negócios e melhorar os serviços. No Brasil, a Nice ainda está formando parcerias com operadoras de telefonia para agregar a inteligência ao serviço de SMS.
Um modelo mais delicado, especial para a garotada.
marca Dazz voltada ao entretenimento do público jovem e infantil, estará mostrando na feira Eletrolar Show, que começa na próxima segunda-feira, em São Paulo, o Tablet Kids 7' DZ6968, com aplicativos infantis já instalados, case de silicone macio para proteção contra impactos. Roda sistema operacional Android 4.1.1 tem memória RAM de 512 MB e capacidade de armazenar 4 GB e dispõe de conexão wi-fi e suporte para modem 3G. O tablet vem ainda com câmera frontal e bateria recarregável. É possível configurar os conteúdos mais apropriados para as crianças. Será lançado no segundo semestre, sem preço definido ainda.
A
SPEAKER
Uma ajuda para deixar audível a conferência m acessório interessante para auxiliar em conferências de voz quando se está num aparelho móvel é o speaker da dinamarquesa Jabra. O Speak 510 Bluetooth evita aquele som embaralhado que sai do celular ou tablet quando a chamada está em viva-voz. Com ele, é possível que uma pessoa ou grupo escute e fale em conferência, mas também pode ser usado para se ouvir música no celular. A conexão ao dispositivo móvel é feita por Bluetooth, desde que o celular ou tablet também conte com o recurso. Disponível nas revendas da marca (www.jabra.com/ondecomprar) por R$ 599.
U
TV
Com o uso da caixinha, o aparelho evolui. s consumidores que compraram um televisor Smart Samsung da linha 2012 podem atualizá-lo com os recursos mais avançados disponíveis nos aparelhos lançados neste ano – mais aplicativos e funções interativas de movimentos de mãos e por voz – com o Evolution Kit. É uma caixa (hardware e software embutidos) que, colocada atrás da Smart TV, faz o upgrade do equipamento. Sai por R$ 1.000.
O