Mais revelações vão chocar Canadá-Brasil
O jornalista Glenn Greenwald disse à rádio CBC, do Canadá, que os próprios canadenses ficarão chocados com o que ele ainda vai revelar sobre a espionagem no Brasil e em países aliados, feita em cooperação com os EUA. Pág. 6 Daniel Teixeira/Estadão Conteúdo
Cidade virada pelos protestos À noite: carro da polícia virado no Centro, 7 feridos. De dia: carro incendiado explode e fere 6. Pág. 8
Mast Irham/EFE
Ano 90 - Nº 23.974
Conclusão: 00h10
Jornal do empreendedor
www.dcomercio.com.br
R$ 1,40
São Paulo, terça-feira, 8 de outubro de 2013
Veja: vento fresco sopra no Vaticano.
Elogios uniformes em Bali
Os italianos gostam de Francisco como gostaram de João Paulo II. No artigo do New York Times à pág. 3, ele já é "o Steve Jobs da Igreja Católica", inovador. Não tanto pelo que fez, mas pelo que é, o seu sorriso franco e sua simplicidade.
Kerry e Putin gostaram das primeiras medidas de Assad. Pág. 7
Hora dos relógios inteligentes
Tina Cezaretti/Hype
Divulgação
Página 4
Grandes 'anões' de duas cabeças Campos e Marina, Aécio e Serra seguram Dilma e Lula? O debate na ACSP, pág. 5
Samsung, Sony e Qualcomm saem na frente com seus smartphones "conectados". E Apple promete lançar o seu em 2014. Pág. 18
DIÁRIO DO COMÉRCIO
2
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Listados os problemas, talvez seja bom apontar que diversos deles foram resolvidos ao longo do tempo. Roberto Fendt
O FMI EM BUSCA DE UM ENREDO Divulgação
espécie humana é sempre mais rápida em criar problemas do que em resolvêlos. Com o tempo, a maioria é solucionada, mas o processo toma tempo e, no in terregno, novos problemas são criados. Esta semana ocorre a reunião anual do FMI e do Banco Mundial. Como de praxe, há uma lista de problemas aguardando na fila para análise e propostas de solução. Alguns deles são por demais importantes e demandam solução imediata. Outros são menos importantes, mas dar-lhes solução é igualmente urgente. Existem questões importantes para as quais não é possível encontrar solução imediata. E há as perenes, que não necessitam de solução imediata e, por isso, se eternizam. O problema mais importante e mais urgente da ordem financeira internacional é a questão do teto da dívida do governo dos Estados Unidos. É o único que constitui a unanimidade das atenções.
temas cambiais alternativos nos últimos 100 anos mostra é que tanto regimes de taxas fixas de câmbio como o regime de taxas flutuantes, têm suas dificuldades. Os primeiros, pela dificuldade de mudar as paridades em situações em que a paridade cambial não mais reflete as condições subjacentes das economias. O segundo, porque nenhum país pratica taxas de câmbio totalmente flutuantes, determinadas tão somente pelas forças do mercado. Há uma percepção de que a volatilidade cambial sob esse regime pode tornar-se excessiva, o que determina as intervenções dos bancos centrais para amenizá-la.
A
Congresso americano tem até o próximo dia 17 para encontrar uma fórmula que permita elevar, ainda que de maneira provisória, o teto da dívida de 16,7 trilhões de dólares do Executivo. Os pagamentos com o giro da dívida até o final de outubro estão estimados em 70 bilhões de dólares, valor que precisa ser obtido com a colocação de novos papéis do Tesouro no mercado. Do presidente Obama à senhora Lagarde, diretora gerente do Fundo, passando por
O
ROBERTO FENDT
O problema mais importante e mais urgente da ordem financeira internacional é a questão do teto da dívida do governo dos Estados Unidos. É a unanimidade das atenções.
sso tudo dito, resta a pergunta incômoda: o que se espera da reunião do FMI para solucionar os problemas do mundo? Na época de sua criação, o objetivo era permitir realinhamentos das taxas de câmbio em situações de "desequilíbrio estrutural" dos balanços de pagamento dos países envolvidos. Atualmente, com um grande número de países praticando taxas de câmbio flutuante, essa necessidade de um organismo voltado a financiar a transição entre duas taxas de câmbio perdeu muito de sua importância. Trata-se, quem sabe, de situação parecida com os personagens de Pirandello em busca de um autor. Para o FMI, existem o autor e os personagens. Falta apenas o enredo.
I
O filme "As Invasões Bárbaras" mostra os problemas da saúde pública também em países desenvolvidos. presidentes de bancos, agências de classificação de riscos e investidores em geral, todos advertem para as consequências de um calote dos juros da dívida americana, de 12 trilhões de dólares. Os eventos de agosto de 2011 continuam na memória de todos. m problema sério, que se espera esteja solucionado com alguma brevidade, é a questão do orçamento dos EUA. Algumas agências da administração federal estão paralisadas e seus serviços suspensos. Isso causa algum dissabor aos contribuintes, mas se a falta do orça-
U
mento não persistir por muito tempo, não é motivo de enorme preocupação. É verdade que no centro do embate está a questão da reforma do sistema de saúde encaminhado pelo Executivo, já comentada nesse espaço. Há enormes dúvidas sobre se é possível universalizar os serviços de saúde pública para toda a população.
filme franco-canadense As Invasões Bárbaras, de Denys Arcand. Existem também dúvidas quanto à sustentabilidade do sistema de saúde pública universal inglês, modelo para os demais. Finalmente, exemplo de questão importante de solução lenta é a reforma trabalhista do Japão proposta pelo primeiro ministro Abe.
nosso SUS parece indicar que isso não é factível. Muitos apontam que sistema semelhante no Canadá presta serviço com qualidade similar ao nosso SUS, como exposto no notável
istados os problemas, talvez seja conveniente apontar que diversos deles foram sendo resolvidos ao longo do tempo. Um deles, o do desalinhamento das principais taxas de câmbio, não é
O
L
mais, hoje, um tema preferencial nos debates financeiros internacionais. yuan chinês valorizouse em relação ao dólar. E com o esperado final das compras de ativos dos bancos americanos pelo Federal Reserve (o banco central dos Estados Unidos) as moedas dos países emergentes vão se encaminhando para o seu leito natural. A transição não será tranquila, como atestam os reflexos inflacionários da desvalorização da rúpia indiana e, talvez, do real brasileiro, mais à frente. O que a experiência com sis-
O
ROBERTO FENDT É ECONOMISTA
A CRISE É UMA COISA SÉRIA odos os países enfrentam hoje problemas de natureza econômica, pelo baixo crescimento e alto endividamento público e privado. Alguns com reflexos sociais preocupantes e consequências políticas imprevisíveis. O chamado "terceiro mundo", que resolveu ser promovido a "nações emergentes", continua preso a velhas práticas inspiradas no populismo barato e inconsequente. A Argentina talvez seja o exemplo maior, um a vez que não ficou curada da demagogia peronista, que fez com que a outrora respeitada e poderosa economia se tornasse sinônimo de calote, retrocesso político, econômico e social.
T
Argentina exportou energia e hoje é dependente de compras de petróleo. Vive um processo político decisivo com as próximas eleições legislativas, que definirá sua adesão integral ao modelo bolivariano ou a volta à democracia. A Venezuela, uma das três
A
maiores reservas de petróleo do mundo, vive crise na economia que chega às prateleiras dos supermercados. E tem dívidas que dificilmente serão honradas, inclusive com o Brasil. Na Europa, a Alemanha volta a mostrar a capacidade de luta de seu povo, renovando o mandato da Sra. Angela Merkel, uma boa versão no século 21 do que foi a saudosa Margareth Thatcher, que, com Ronald Reagan, recuperou a força do capitalismo liberal como instrumento de progresso e riqueza. A Alemanha é o motor da Europa em crise, com avanços na Espanha e em Portugal, apesar da histeria irresponsável de seus partidos de esquerda.
A Europa deve sair do buraco, assim como os EUA. Mas também tem por lá a presença do atraso, representado pelo frustrante presidente da França, François Holland, que vive momento de grande impopularidade e avança nos delírios socialistas como a questão da estatização da medicina,
na contramão do que se espera de bons hóspedes do capital estrangeiro. ossa presidente foi mal orientada ao dizer que quem não se portar bem neste novo mundo que está emergindo da crise se dará mal. O novo mundo a emergir da crise é o velho mundo. E não os exemplos de corrupção e ineficiência dos BRICS, talvez com a exceção da Índia. Não adianta tentar tapar o sol com a peneira. E chega a ser risível a busca de investidores por um país com corrupção, inflação em alta, agitação sindical, com greves habituais e nem sempre dentro do razoável. E ainda por cima com laços estreitos de amizade com o que existe de mais caricato no mundo de hoje.Por isso o discurso na ONU foi ignorado. Tudo isso ficará definido em não menos do que doze meses. Quem viver verá.
N ARISTÓTELES DRUMMOND
que hoje já representa um déficit considerável nas contas públicas. ão é possível, e parece ponto pacífico entre os economistas de pensamento liberal, vencer a crise oriunda de gastos excessivos de governos socialistas sem o equilíbrio das contas públicas. Já passou a época do crédito oficial garantir o investimento, mascarando a falta de poupança interna e disfarçando a falta de confiança externa. Endividamento público crescente, déficit em contas
N
correntes, câmbio controlado e altos impostos não podem oferecer um quadro otimista. ajustamento às contas externas é mais do que importante. E reservas significativas devem ser mais transparentes, pois podem estar contaminadas por financiamentos a países sem condições de retorno. Exportar é sempre bom, mas, para isso, precisamos competir com um mercado cada vez mais exigente. E o sindicalismo selvagem continua a retirar as condições de nossos portos. Respeito aos contratos
O
Na Europa, a Alemanha volta a mostrar a capacidade de luta de seu povo, e acaba de renovar o mandato de Angela Merkel. depois das mudanças no setor elétrico, no caos implantado nos transportes urbanos, com o desrespeito à política de asilo tradicional ao se firmar compromisso de não abrigar pedidos dos médicos cubanos, não exigir respeito ao contratado por empresas nacionais em outros países. Estamos
ARISTÓTELES DRUMMOND É JORNALISTA E VICE-PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DO RIO DE JANEIRO. ARISTOTELESDRUMMOND@MLS.COM.BR
Presidente Rogério Amato Vice-Presidentes Alfredo Cotait Neto Antonio Carlos Pela Carlos Roberto Pinto Monteiro Cesário Ramalho da Silva Edy Luiz Kogut João Bico de Souza José Maria Chapina Alcazar Lincoln da Cunha Pereira Filho Luciano Afif Domingos Luís Eduardo Schoueri Luiz Gonzaga Bertelli Luiz Roberto Gonçalves Miguel Antonio de Moura Giacummo Nelson Felipe Kheirallah Nilton Molina Renato Abucham Roberto Mateus Ordine Roberto Penteado de Camargo Ticoulat Sérgio Belleza Filho Walter Shindi Ilhoshi
Fundado em 1º de julho de 1924 CONSELHO EDITORIAL Rogério Amato, Guilherme Afif Domingos, João Carlos Maradei, Marcel Solimeo Diretor de Redação Moisés Rabinovici (rabino@acsp.com.br) Editor-Chefe: José Guilherme Rodrigues Ferreira (gferreira@dcomercio.com.br). Editor de Reportagem: José Maria dos Santos (josemaria@dcomercio.com.br). Editores Seniores: chicolelis (chicolelis@dcomercio.com.br), José Roberto Nassar (jnassar@dcomercio.com.br), Luciano de Carvalho Paço (luciano@dcomercio.com.br), Luiz Octavio Lima (luiz.octavio@dcomercio.com.br), Marcus Lopes (mlopes@dcomercio.com.br) e Marino Maradei Jr. (marino@dcomercio.com.br). Editores: Cintia Shimokomaki (cintia@dcomercio.com.br), Heci Regina Candiani (hcandiani@dcomercio.com.br), Tsuli Narimatsu (tnarimatsu@dcomercio.com.br) e Vilma Pavani (pavani@dcomercio.com.br. Subeditores: Rejane Aguiar e Ricardo Osman. Redatores: Adriana David, Evelyn Schulke, Jaime Matos e Sandra Manfredini. Repórteres: André de Almeida, Karina Lignelli, Kety Shapazian, Lúcia Helena de Camargo, Mariana Missiaggia, Paula Cunha, Rejane Tamoto, Renato Carbonari Ibellis e Sílvia Pimentel. Editor de Fotografia: Agliberto Lima. Arte e Diagramação: José dos Santos Coelho (Editor), André Max, Evana Clicia Lisbôa Sutilo, Gerônimo Luna Junior, Hedilberto Monserrat Junior, Lino Fernandes, Paulo Zilberman e Sidnei Dourado. Gerente Executiva e de Publicidade Sonia Oliveira (soliveira@acsp.com.br) Gerente de Operações Valter Pereira de Souza (valter.pereira@dcomercio.com.br) Serviços Editoriais Material noticioso fornecido pelas agências Estadão Conteúdo, Folhapress, Efe e Reuters Impressão S.A. O Estado de S. Paulo. Assinaturas Anual - R$ 118,00 Semestral - R$ 59,00 Exemplar atrasado - R$ 1,60
FALE CONOSCO E-mail para Cartas: cartas@dcomercio.com.br E-mail para Pautas: editor@dcomercio.com.br E-mail para Imagens: dcomercio@acsp.com.br E-mail para Assinantes: circulacao@acsp.com.br Publicidade Legal: 3180-3175. Fax 3180-3123 E-mail: legaldc@dcomercio.com.br Publicidade Comercial: 3180-3197, 3180-3983, Fax 3180-3894 Central de Relacionamento e Assinaturas: 3180-3544, 3180-3176 Esta publicação é impressa em papel certificado FSC®, garantia de manejo florestal responsável, pela S.A. O Estado de S. Paulo.
REDAÇÃO, ADMINISTRAÇÃO E PUBLICIDADE Rua Boa Vista, 51, 6º andar CEP 01014-911, São Paulo PABX (011) 3180-3737 REDAÇÃO (011) 3180-3449 FAX (011) 3180-3046, (011) 3180-3983 HOME PAGE http://www.acsp.com.br E-MAIL acsp@acsp.com.br
DIÁRIO DO COMÉRCIO
terça-feira, 8 de outubro de 2013
3
AS CONDIÇÕES DA ECONOMIA B RASILEIRA MUDARAM.
Estragamos tudo? A
agência Moody’s, de classificação de risco, tem endereço na sisuda Greenwich Street, centro financeiro de Nova Iorque. Junto com a Standard & Poor’s e a Fitch formam as três maiores e mais influentes empresas de análise de risco (os chamados ratings), responsáveis por balizar e influenciar decisões de investidores mundo afora. Em linha reta, pouco mais de 6.800 quilômetros separam Brasília da sede da Moody’s. Mas a distância não a impediu de analisar, com lucidez, o que se passa por aqui. O distanciamento,por sinal, muitas vezes se transforma em vantagem para essas empresas, quando faz com que seus analistas se concentrem nos números, gráficos e tabelas sobre o desempenho da nossa economia sem a obrigação de dar ouvidos às justificativas oficiais. Na semana passada, a Moody’s rebaixou a perspectiva para os títulos do tesouro brasileiro de "positiva" para "estável". Não é o fim do mundo, até porque o Brasil se manteve no chamado investment grade – ou seja, no conjunto de países para os quais a agência recomenda o investimento. Para além da leve mudança, porém, as entrelinhas gritaram, sinalizando para o mercado que as condições da economia brasileira se alteraram. E para pior.
m nota, a agência salientou que a relação entre investimento e o PIB do País piorou, caindo de um já modesto patamar de 20,2% em 2010 para 17,6% no ano passado. Sobre a perspectiva de crescimento da nossa eco-
E
nomia, previstas para estacionar ao redor de 2%, tanto em 2013 quanto em 2014, as palavras foram um pouco mais duras. Disse a agência: "Crescimento baixo pode refletir não apenas considerações cíclicas, mas, o mais importante, a presença de problemas estruturais, como fraco crescimento da produtividade e crescentes custos de mão de obra que minam a competitividade internacional". Já ao analisar a pirotecnia oficial das nossas contas, ou como preferem nossas autoridades, a "contabilidade criativa", a agência criticou e foi mais além, afirmando que o "uso frequente de exceções pelas autoridades e outros ajustes nos cálculos do superávit primário". O desajuste nas contas públicas não consegue mais passar sem ser notado. Em agosto passado, pela primeira vez desde 2001, o Brasil não conseguiu economizar o suficiente para o pagamento dos juros de suas dívidas. Ou seja, não atingimos o chamado superávit primário. Faltaram 432 milhões de reais para atingir a economia necessária que garantisse garantir o pagamento do serviço da dívida sem recorrer a novas dívidas. Pesaram, para chegarmos às contas negativas de agosto, o reduzido crescimento na arrecadação de impostos, fruto do baixo crescimento da economia, e o crônico déficit previdenciário. No acumulado de janeiro a julho deste ano, nosso superávit primário está em 1,7% do PIB, longe dos 3% de dez anos atrás e distante
riosamente, só tentamos desqualificá-la quando não a atingimos? A sensação de quem está distante do nosso País é que estamos perdendo tempo e, também, o rumo. Exemplo disso, é o Ranking da Competitividade elaborado pelo Fórum Econômico Mundial e publicado no mês passado. O Fórum Econômico Mundial, criado em 1971, tem sede na Suíça e é uma organização sem fins lucrativos, sem interesse político ou partidário, dedicando-se a estudar,a analisar e publicar estatísticas e informações que contribuam para o desenvolvimento das nações. Analisadas 148 nações, o Brasil perdeu oito posições em relação ao relatório produzido em 2012 e, agora, figura na 56ª colocação, superado por nações como México e África do Sul. O ranking consolida doze aspectos. Pioramos em onze deles. No que diz respeito à infraestrutura, despencamos trinta posições desde 2010 e estamos hoje na 114º posição. E se analisados pelos modais, a situação é ainda pior: 131º em setor portuário; 123º em aeroportuário", 120º em rodoviário e 103º em ferroviário.
sxc
estudo do Fórum Econômico também possibilita compararmos aspectos institucionais dos países pesquisados. Em relação às características da regulação do mercado, somos o penúltimo colocado (147ª posição). Na comparação entre os sistemas tributários, ocupamos a 140º posição. Em qualidade da educação primária, ocupamos o 129º lugar e no ensino de ciências e matemática, estamos em 136º. Para finalizar, nossas tarifas de comércio exterior – ao redor de 11% - estão entre as
O
também dos 2,3% projetado pelo governo, após as “contabilidades criativas” em curso. uro mesmo é aguentar o festival de bravatas. As nossas autoridades, longe de reafirmarem compromisso com a austeridade e a adoção de mecanismos – como a contenção de
D
gastos de custeio, por exemplo – que tornem os números reais mais próximos dos projetados por eles mesmos, preferem o caminho fácil de minimizar o fato, argumentando que cumprir a meta de superávit primário não é tão necessário. Ora, se não é, porque então estipulamos uma meta, acompanhamos seu resultado e, cu-
MANUELITO MAGALHÃES
Nossas autoridades, em vez de reafirmar o compromisso com a austeridade, preferem o caminho fácil de minimizar os fatos, argumentando que cumprir a meta de superávit primário não é tão necessário.
vinte mais elevadas do mundo e os procedimentos alfandegários entre os dez piores das 148 nações analisadas. Realmente, nada temos para nos orgulhar. A nossa 56ª colocação geral nos deixou atrás até de países como a Etiópia. Lidera o ranking a Suíça, seguida de Cingapura, Finlândia, Alemanha e Estados Unidos. O melhor colocado na América Latina é o Chile, na 34ª posição. Agora me diga, caro leitor, dá para não concordar com a revista britânica The Economist, que, depois de publicar uma capa em 2009, mostrando o Cristo Redentor decolando como um foguete, agora o mostra caindo sem direção, com a pergunta: o Brasil estragou tudo? MANUELITO P. MAGALHÃES JÚNIOR É ECONOMISTA E DIRETOR DA
COMPANHIA DE SANEAMENTO BÁSICO DO ESTADO DE SÃO PAULO (SABESP). FOI PRESIDENTE DA EMPRESA PAULISTA DE PLANEJAMENTO METROPOLITANO (EMPLASA) E SECRETÁRIO DE PLANEJAMENTO DA CIDADE DE SÃO PAULO.
PORQUE OS ITALIANOS AMAM O PAPA BEPPE SEVERGNINI m dia, quando o Papa Francisco saía da Casa Santa Marta, uma pousada espartana na Cidade do Vaticano, onde ele prefere morar, em vez dos apartamentos papais solitários, porém luxuosos, ele encontrou um bispo esperando o motorista. "Não consegue andar?" o papa sorriu. A história é uma das muitas contadas no Vaticano desde que Jorge Mario Bergoglio foi escolhido para suceder Joseph Ratzinger como papa, em 13 de março passado. Não importa se é verdade ou não. O que importa é que o número de clérigos anciães motorizados sem necessidade diminuiu. Se João Paulo II foi o astro do rock da Igreja Católica Romana, e Bento XVI o seu preceptor, o Papa Francisco é o seu inovador, o Steve Jobs da igreja. "Vejo a igreja como um hospital móvel após uma batalha", declarou em uma entrevista recente. "Não faz sentido perguntar a um homem seriamente ferido qual a sua taxa de glicose! Cuida-se das feridas". E existe muito para se cuidar. O novo papa promete novas posições sobre a homossexualidade, sobre casais que se divorciam e se casam novamente, o relacionamento com outras religiões e a
U
importância da consciência. rancisco substituiu a relutância em aceitar o pontificado – uma relutância que fez com que os cardeais optassem por Ratzinger, o cardeal alemão que se tornou Bento XVI, em 2005 – pela atividade sem cessar e pela sinceridade desconcertante. "Os chefes da igreja geralmente eram narcisistas, lisonjeados e entusiasmados por seus cortesões. A corte é a lepra do papado", declarou a um jornalista de 89 anos (e ateu) Eugenio Scalfari. Tampouco ficou nas palavras. Há alguns dias, o Banco Vaticano fechou as contas de cerca de 900 organizações e embaixadas, algumas das quais suspeitas de lavagem de dinheiro. O ítaloargentino Francisco trabalhou como segurança na juventude em Buenos Aires – isso pode ter ajudado.
F
s italianos, a quem o papa considera vizinhos, estão estupefatos. Resignados a assistir os clérigos do alto escalão minimizarem os excessos de Silvio Berlusconi – um exemplo terrível, porém um obsequioso aliado – estão perplexos ao ver o papa se distanciar da política. Eles estão acostumados com a mentalidade pró-comércio dos movimentos
O
eclesiásticos populares como o Comunione e Liberazione, e se esforçam para acreditar que Francisco, honestamente, prefira boas obras a bons dividendos. s párocos italianos estão particularmente felizes com ele. Com a frequência nas Missas Dominicais atualmente abaixo de 30% da população, as paróquias são as primeiras a recepcionar um papa que entusiasma os crentes e respeita os não-crentes. Francisco gosta das pessoas pelo menos tanto quanto Bento XVI gostava de livros. O papa alemão deu aos católicos uma lição de teologia implacável. O argentino lhes dá a segurança e a compreensão. Tudo o que precisamos é de amor. Não se surpreenda se Francisco começar citando John Lennon.
O
sse papa se comunica. Não porque ele tuíte; os poderosos em todos os lugares o fazem. Não porque ele telefona para desconhecidos. Não porque ele pagou a conta no Domus Internationalis Paulus VI, onde se hospedou nos dias antes do conclave. A capacidade de comunicação de Francisco vem da empatia, não das ações individuais. Apenas Bill Clinton e Obama do começo mostraram igual capacidade de entrar em
E
Tony Gentile/
sintonia com as pessoas. Quando Francisco passa pelas multidões, ele pega os presentes que lançam para ele e faz o sinal de positivo. Ele posa para fotos com estudantes. Quando se reuniu com o time de futebol argentino e um dos jogadores, Ezequiel Lavezzi, imediatamente sentou no trono papal, Francisco riu discretamente: "Esse é o meu povo!" . rancisco sabe sorrir, e sabe fazer sorrir. Ele entende que a ironia é a irmã leiga da compaixão: ela possibilita que você aceite as imperfeições do mundo. Quando lhe perguntaram quais seus santos favoritos, ele respondeu: "Você quer que eu os coloque em um ranking, mas só podemos fazer isso com coisas como esportes. Eu poderia dizer quais são os melhores jogadores de futebol argentinos". No fim, admitiu que seus favoritos eram Santo Agostinho e São
Vaticano
F
O papa Francisco gosta de pessoas e é alguém que sabe sorrir. Francisco. O papa lembra os italianos de João XXIII, o papa com consciência social que reinou de 1958 a 1963 e cujo retrato continua a agraciar seus lares Ao se apresentar ao mundo em 13 de março, Francisco disse em italiano: "Irmãos e irmãs, boa noite! Sabem que era dever do conclave dar a Roma um
novo bispo. Meus irmãos cardeais parecem ter ido quase ao fim do mundo para encontrar um, mas aqui estamos". Para onde ele levará a igreja, a partir daqui, ninguém sabe. BEPPE SEVERGNINI É ESCRITOR E COLUNISTA DO JORNAL CORRIERE DELLA SERA. THE NEW YORK TIMES NEWS SERVICE/SYNDICATE
4
DIÁRIO DO COMÉRCIO
terça-feira, 8 de outubro de 2013
DIÁRIO DO COMÉRCIO
terça-feira, 8 de outubro de 2013
5
Presidenciáveis de duas cabeças Conselho Político e Social da ACSP traça o seguinte cenário: Lula como vice de Dilma, Marina como vice de Campos e Serra como vice de Aécio. Fotos: Paulo Pampolim/Hype
Victória Brotto Eu tinha alinhavado algumas questões para falar nessa reunião, mas depois do que aconteceu com a Marina, eu vi que a melhor decisão era rasgar tudo", disse ontem o exsenador Heráclito Fortes, recém filiado ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) sobre a entrada da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva no PSB, depois dela não ter conseguido assinaturas suficientes para a criação da sigla a Rede. Para Fortes, Marina entrou no PSB por ter se sentido acuada, foi radical na decisão, mas "fez o que tinha que fazer". Ele se reuniu ontem com empresários na sede da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) para discutir sobre as eleições presidenciais do ano que vem. O ex-senador seguiu o posicionamento de que, com Marina Silva na chapa de Eduardo Campos (ou vice-versa), a disputa de 2014 pelo poder começará sem vencedores marcados e a guerra por alianças políticas será o que decidirá o 2º turno. "Se existiam anões, eles cresceram", disse Fortes em alusão à fala do marqueteiro do PT, João Santana, de que a oposição à candidatura de Dilma era anã. Logo após o anúncio da entrada de Marina no PSB, o ex-presidente Lula falou em "soco no fígado". A decisão de Marina, além de rasgar as anotações de Fortes e machucar o fígado de Lula, abriu a temporada de guerra de foices. É o que disse o exgovernador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto (PMDB), também presente na reunião. "Será uma guerra de foices em busca de apoio". Com os votos dos descontentes sobre Marina, Rigotto
"
afirmou que a corrida atrás de alianças para ter mais tempo de televisão e rádio será fundamental. Atualmente, o PT é aliado de cinco siglas: o PMDB, PC do B, PR, PSD e PROS, o que faz com que Dilma Rousseff já tenha 7, 58 minutos de propaganda eleitoral na TV. Os tucanos são aliados do DEM e do recémcriado Solidariedade, conquistando 2,19 minutos para
Se existiam candidatos anões, eles cresceram. Marina Silva foi radical, mas fez o que tinha que fazer. HERÁCLITO FORTES, EX-SENADOR
Aécio Neves. Já o PSB, sem aliados, tem apenas 56 segundos para Eduardo Campos - ou Marina Silva. SEM ZONA DE CONFORTO Para Rigotto, a presença de Marina no PSB garante um segundo turno e isso coloca em xeque Aécio e dá dores de cabeça à Dilma. "Ninguém mais está em zona de conforto. Marina é o ponto de refúgio dos que estão descontentes com a política. A questão é: para quem irá migrar os votos de
Marina-Campos em um segundo turno. Ou se, quem vota em Aécio vota em MarinaCampos ou em Dilma?". Essa incerteza, para o gaúcho, cria uma situação de "não poder bater muito no 1º turno". DUAS CABEÇAS Marina Silva no PSB também fez com que o ex-deputado federal por Minas Gerais e um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores, Paulo Delgado, falasse em fim do binômio PT-PSDB, crise de convicção dos petistas e surgimento de políticos com duas cabeças - o que ele denominou de "política bicéfala". "Atrás de Dilma está Lula; atrás de Aécio, Serra; atrás de Eduardo Campos, Marina. Ninguém é a sua própria cabeça". E provocou: "Façamos então a guerra: que Lula se lance como vice de Dilma, Serra, de Aécio e Marina, de Campos." Para Delgado, Marina tem dificuldades de sair de suas filosofias e daria uma "bela candidata" caso tivesse "um pouco mais" da senadora ruralista Kátia Abreu (PMDB, ex-PSD). Marina chegou a ser chamada de "sonhática" por alguns políticos, mas, para Delgado, o problema da ex-ministra do Meio Ambiente é que ela precisa entender que "produtividade pode acontecer junto com sustentabilidade". Paulo Delgado, Germano Rigotto e Heráclito Fortes compunham a mesa de palestrantes ao lado de Rogério Amato, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), com Jorge Bornhausen, coordenador do Conselho Político e Social da ACSP, César Asfor Rocha, exministro do Superior Tribunal de Justiça e José Paulo Dornelles Cairoli, presidente da Confederação das Associações Comerciais.
Para o exgovernador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto (acima), "será uma guerra de foices ". Paulo Delgado (à direita) diz que em 2014, "ninguém será sua própria cabeça de chapa".
Campos e Marina. E viva a diferença! Campos minimiza divergências e diz que, em nome do projeto presidencial, PSB e Rede vão trabalhar nos pontos de convergência. enos de 48 horas após o anúncio da filiação da ex-senadora Marina Silva ao PSB, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, presidente do partido, reconheceu que há divergências entre as duas legendas. "Nós fizemos uma aliança programática, e nós reconhecemos as diferenças que temos. Tanto é que somos dois partidos. Um com 60 anos e um com um ano, recém-criado. Vamos aprender um com o outro. Para o PSB, é muito importante essa convivência com a Rede", afirmou. Questionado sobre como o PSB receberá a ex-senadora que evita tratar de temas po-
M
lêmicos, como casamento gay ou aborto –-, Campos minimizou as divergências e apontou que, em nome do projeto presidencial, PSB e Rede vão trabalhar sobre pontos de convergência. "Nós não queremos anular as nossas diferenças. Queremos reforçar a nossa identidade, que é construir a nova política. Nós e a Rede entendemos que só há um caminho para fazer essa mudança de verdade: é enterrar a velha política". Campos lembrou que ele e Marina foram ministros na primeira administração do ex-presidente Lula. "Somos daqueles que acreditam que o que une as pessoas não são nomes. A força
transformadora de unir corações e mentes é a força das ideias. Quanto mais essas ideias preservarem as conquistas que já tivemos no passado, e quanto mais inovadoras essas ideias forem, elas vão ter a capacidade de construir uma plataforma sobre a qual em 2014 nós haveremos de ter a tarefa de construir uma chapa PSB-Rede." A aliança, para ele, deve atrair outros partidos. Ele evitou comentar se há movimentação com outras legendas. "Esperamos receber apoio de outras lideranças políticas que, muitas vezes, estando em partidos que não comunguem com esse pensamento, poderão se expressar". Ed Ferreira/EC
Instado a responder se teme retaliações do PT, disse: "Vamos viver a vida, minha gente! Vamos viver a vida como ela é, cada dia a gente vai enfrentando com tranquilidade, desejando que as pessoas entendam que nossa posição não é contra quem quer que seja e não é para destruir quem quer que seja. Queremos construir um jeito diferente de fazer política." O pessebista disse ainda não ter conseguido conversar, antes do anúncio, com o ex-presidente Lula. "Tentei falar com o presidente Lula no sábado, e não consegui. Tive notícias de que ele estava fora de São Paulo, e não voltei a falar com ele, porque no domingo não seria o caso". Estados – Campos afirmou ainda que, apesar de a aliança PSB-Rede ter se estabelecido no limite final do prazo de filiações, não houve muitas dificuldades de composição nos Estados. "Na maioria dos Estados houve como fazer a aliança Rede-PSB".
Nós não queremos anular as nossas diferenças. Queremos reforçar a nossa identidade, que é construir a nova política. EDUARDO CAMPOS
O líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP), afirmou que a decisão da ex-senadora Marina Silva de se filiar ao PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, é uma derrota para o governo da presidente Dilma Rousseff. Na visão de Sampaio, não é possível analisar possíveis impactos na candidatura do tucano Aécio Neves porque não se sabe qual será a capacidade de transferência de votos de Marina. "A grande derrota foi do governo, que fez de tudo para impedir que Marina criasse seu partido. Quem ganhou com a ida dela para o PSB foi o campo da oposição", avaliou. "Não há perda do PSDB, que pode ter quatro partidos na sua coligação", afirmou Sampaio, citando o DEM, o Solidariedade e o PPS. Sampaio afirmou ainda que ainda não é certo que o recall carregado por Marina da eleição de 2010 continuará a ser um patrimônio no próximo pleito e possa vir a ser ser transferido para Campos. "Ela indo para ser vice de um candidato de oposição, será que esse recall permanecerá? Essa é uma dúvida que terá de ser respondida." O líder tucano ressaltou que a associação de Marina e Campos não garante ao governador mais tempo de televisão na campanha porque, como o partido da ex-senadora não foi formalizado, não haverá esse benefício. (Agências)
Mal-estar leva ex-ministra ao pronto-socorro lérgica a alguns tipos de alimentos, a exministra do Meio Ambiente, Marina Silva, passou mal na madrugada de ontem e teve que ser levada a um pronto-socorro de Brasília, onde está morando atualmente. De acordo com relatos, a suspeita é a de que resquícios de chocolate tenham se misturado a aspargos que Marina preparara no domingo – mistura que teria desencadeado uma terrível reação alérgica. Ela deu entrada no hospital por volta das 5h, onde foi medicada com antialérgico e liberada cerca de duas horas mais tarde. Nascida no interior do Acre, a ex-senadora de 55 anos teve, durante sua vida, um histórico de problemas de saúde como contaminação por metais pesados e, atualmente, vem seguindo uma dieta relativamente restritiva que exclui determinados itens como chocolate, carne vermelha e café. Entre a noite de quinta e a noite de sábado, além da tensão, Marina Silva também dormiu poucas horas e se alimentou mal devido às reuniões que antecederam o anúncio de sua adesão ao projeto eleitoral do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) em 2014. (Folhapress)
A
DIÁRIO DO COMÉRCIO
6
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Há um monte de outros documentos da espionagem canadense. Glenn Greenwald, jornalista do The Guardian
Greenwald tem mais a contar sobre o Canadá
José Cruz/ABr
O jornalista que trouxe ao mundo as revelações do ex-espião Edward Snowden afirma que tem muitos outros documentos sobre a arapongagem canadense jornalista Glenn Greenwald, do The Guardian , anunciou ontem à CBC News que " tem "mais a contar sobre a espionagem feita pelo Canada" – anunciada no domingo em reportagem do Fantástico, da TV Globo. A matéria mostrou documentos vazados por Edward Snowden, ex-analista da agência de inteligência norteamericana NSA, que indicam que o Canadá espionou o Ministério de Minas e Energia . Os repórteres tiveram acesso a uma apresentação da Agência Canadense de Segurança em Comunicação (CSEC, na sigla em inglês). Na mira do órgão estava a rede de comunicações da pasta – telefonemas, e-mails e uso da internet –, que, segundo o documento, foi mapeada em detalhes. Greenwald colaborou com as agências de notícias que primeiro reportaram os detalhes. Ontem, na entrevista que foi ao ar às 6:30 , ele disse que ele "realmente" tem "mais a contar sobre a espio-
O
nagem feita pelo Canadá". "Há um monte de outros documentos da espionagem canadense sobre pessoas normais ou governos aliados e sua cooperação com o governo dos Estados Unidos, e a natureza
A maior parte dos canadenses vai achar surpreendente, se não chocante, porque tudo isso foi feito na surdina. GLENN GREENWALD, JORNALISTA
da cooperação que eu penso que a maior parte dos cidadãos canadenses vai achar surpreendente, se não chocante, porque tudo isso foi feito na surdina e os canadenses não tinham a menor ideia", afirmou Greenwald. A CSEC, assim como os escritórios do primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, e
o ministro de Defesa Rob Nicholson, negaram-se a comentar atividades de agências estrangeiras (leia mais na matéria abaixo). Indagado se o documento sobre o qual ele se reportou no domingo mostrava onde é que o Canadá se beneficiava com a espionagem, Greenwald disse que ele não podia falar sobre documentos que ainda não tinha publicado. "Mas obviamente o Canadá não está gastando uma enorme quantidade de dinheiro para criar um sistema de espionagem que não produz qualquer segredo de valor. E... mesmo nesse documento, eles manifestam satisfação com o resultado de seus esforços e eu acho que não é justo interferir mesmo que só a partir desse documento do qual eles tiraram proveito." Indagado se tem documentos discutindo companhias específicas, Glenn Greenwald preferiu o silêncio. "Simplesmente não vou falar sobre o que vai surgir até que esteja pronto", afirmou. (Agências)
Glenn Greenwald: "O Canadá não está gastando com espionagem sem produzir valor".
Lobão diz que fato é lastimável ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, considerou lastimáveis as denúncias de espionagem por parte da agência de inteligência canadense dos sistemas de comunicação e armazenamento de dados do Ministério das Minas e Energia. Ao chegar ao Senado, Lobão disse que a denúncia ainda está em processo de exame, mas
O
ressaltou que o Brasil já está tomando providências em relação à série de notícias que revelam atividade de arapongagem de agências internacionais sobre autoridades, empresas e cidadãos brasileiros. "Nosso sistema é bom e confiável, mas temos que melhorá-lo ainda mais para evitar que bisbilhoteiros entrem em nossos arquivos", disse.
Lobão comentou ainda que as denúncias não atrapalham a realização dos leilões promovidos pela pasta. No próximo dia 21, está previsto o leilão do campo de Libra no pré-sal, que será a primeira licitação sob o sistema de partilha. "Nossos leilões são públicos, tudo às claras e não achamos que essa espionagem imponha dificuldades ao processo", disse. (EC)
Brasil cobra explicações após denúncia governo canadense se negou ontem a comentar as acusações de que os serviços secretos canadenses espionaram atividades econômicas do Brasil e disse que suas relações com Brasília "são boas" e continuarão sendo. Lauri Sullivan, porta-voz de CSE, (Centro da Segurança nas Telecomunicações do Canadá) se negou a comentar o assunto. A instituição, segundo as informações, espionou o
O
Ministério de Minas e Energia brasileiro. O Ministério das Relações Exteriores do Canadá também não respondeu se estava em contato com as autoridades de Brasília depois de a presidente Dilma Rousseff solicitar publicamente explicações ao Canadá. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Canadá, Jean-Bruno Villeneuve, se limitou a dizer que Ottawa "tem uma relação bilate-
ral crescente com o Brasil" e destacou o aumento das relações comerciais. Antes disso, o Itamaraty havia convocado o embaixador do Canadá no Brasil, Jamal Khokhar, para dar explicações sobre o caso. No encontro, informou o Ministério de Relações Exteriores, o ministro Luiz Alberto Figueiredo transmitiu "a indignação do governo brasileiro" com o episódio. "O chanceler brasileiro manifestou ao embaixador cana-
dense o repúdio do governo a essa grave e inaceitável violação da soberania nacional e dos direitos de pessoas e de empresas." Reportagem do Fantástico de domingo mostrou que a CSEC, teria espionado telefonemas e e-mails do Ministério de Minas e Energia. O programa citou a apresentação de uma ferramenta da CSEC em encontro de analistas de espionagem de cinco países (EUA, Reino Unido, Ca-
nadá, Austrália e Nova Zelândia) em junho de 2012. O caso do ministério brasileiro foi usado como exemplo da aplicação da ferramenta. O documento foi obtido pelo ex-técnico da NSA (Agência de Segurança Nacional) Edward Snowden, que revelou amplo esquema de espionagem dos EUA este ano. Em nota, a embaixada do Canadá no Brasil informou que o assunto está sendo discutido "entre governos" e que
a relação dos dois países é crescente. tSegundo a embaixada, em agosto, os chanceleres dos dois países se encontraram no Rio de Janeiro "para discutir o diálogo de parceria estratégica Brasil-Canadá." Dilma disse, no Twitter, que as novas suspeitas de espionagem confirmam "razões econômicas e estratégicas" dessas práticas. "A reportagem aponta para interesses canadenses na área de mineração." (Folhapress)
Fim do Mensalão, 1ºsemestre de 14. novo relator do processo do Mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, diz acreditar que a próxima fase de recursos do caso será concluída no primeiro semestre de 2014. O ministro disse que deve elaborar seu relatório e voto no processo em 10 dias e o julgamento da nova etapa de apelação deve durar de 10 a 20 dias. Fux lembrou que só poderá começar a trabalhar após a superação de três fases: a de publicação do resultado do julga-
O
mento encerrado em setembro; a de apresentação dos novos recursos pelos réus, em 30 dias; e a de manifestação do Ministério Público, em mais 30 dias. Fux foi sorteado para ser o relator da etapa em que serão julgados os embargos infringentes. Terão direito a esse tipo de apelação 12 réus que conseguiram pelo menos 4 votos favoráveis às suas teses de defesa no julgamento. Indagado se a nova etapa do Mensalão poderia ser concluída só no segundo semestre de 2014, período eleitoral,
Fux disse: "Para a época da eleição, é um prazo muito delongado. Para o primeiro semestre é bem mais factível". Ele explicou que a fase dos embargos infringentes deverá ser mais curta que as anteriores do Mensalão. "Esse é um recurso peculiar, que vai confrontar as teses divergentes, não é um julgamento novo, da causa toda." O ministro disse que pretende realizar entendimentos com os colegas antes do início da nova fase para evitar discussões e atrasos. (EC)
Justiça determina bloqueio de R$ 47 milhões do filho de Mafuf Justiça de São Paulo determinou o bloqueio de R$ 47 milhões em ações da Eucatex pertencentes ao empresário Flávio Maluf e mantidas desde 2001 sob a guarda de um banco na Suíça. A medida foi determinada pela juíza Celina Toyoshima, a pedido do promotor estadual Silvio Marques, que investiga desvios ocorridos na época em que o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), pai de Flávio, foi prefeito de São Paulo, entre 1993 e 1996. A suspeita do promotor é que as ações tenham sido adquiridas com recursos desviados de obras públicas da prefeitura. Se isso for provado, a prefeitura poderá mover ação
A
para reaver o dinheiro. Desde 2001, as ações da Eucatex tiveram valorização de 250%, o que elevaria para R$ 164,5 milhões o valor dos papéis encontrados agora na Suíça. As autoridades brasileiras só ficaram sabendo que as ações estavam no exterior porque Flávio tentou transferi-las do Finter Bank, na Suíça, para uma empresa no Uruguai, a Cuznar S/A. Por ser um banco pequeno, o Finter consultou o UBS, em Zurique, para assessorá-lo na transação. O UBS julgou a operação suspeita, por Flávio ser uma "pessoa politicamente exposta", e questionou o Itaú Unibanco, custodiante das ações da Eucatex no Brasil.
O Itaú considerou que havia indícios de lavagem de dinheiro na transferência das ações e comunicou o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), órgão do Ministério da Fazenda responsável pelo combate a esse crime. O Coaf avisou o MP, que obteve o bloqueio na Justiça. Maluf é acusado pelo MP de desviar US$ 344 milhões da prefeitura em obras como a construção da avenida Jornalista Roberto Marinho e do túnel Ayrton Senna. Ele nega tudo. Parte do valor foi usado para capitalizar a Eucatex em 1997, com a injeção de US$ 92 milhões, em operação conduzida pelo Deutsche Bank na Europa. (Agências)
DIÁRIO DO COMÉRCIO
terça-feira, 8 de outubro de 2013
7
IRAQUE Onda de explosões deixa pelo menos 45 mortos e cem feridos em Bagdá
Mistério por trás da doença de Cristina
COREIA DO NORTE Pyongyang põe Exército em alerta e adverte EUA para 'desastre horrível'
Pablo Molina/DYN/EFE
Cristina Kirchner chega ao hospital, onde será operada hoje para a retirada de um coágulo no cérebro.
AL-QAEDA
C
Inicialmente, as ordens médicas eram de repouso. Agora, ela será operada às pressas. iagnosticada no sábado com um hematoma na cabeça, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, será submetida hoje a uma cirurgia para a drenagem de um coágulo. A decisão dos médicos de operar ainda hoje revela que o caso de saúde da mandatária é mais grave do que se pensava e definiu que o vicepresidente, Amado Boudou, assumisse o comando do país por 30 dias. A ideia inicial da presidente de 60 anos apontava Boudou somente para representá-la em atos públicos. Cristina pretendia manter o comando total do governo, sem passar o cargo formalmente a Boudou, durante o cumprimento do repouso de 30 dias. O repouso tinha sido recomendado pelos médicos que atenderam Cristina no sábado e diagnosticaram um "hema-
D
toma subdural crônico", ou seja, uma acumulação de sangue junto à meninge dura-máter, entre o crânio e o cérebro. Ela procurou o hospital da Fundação Favaloro, o de maior prestígio em doenças do coração e neurológicas no país, porque sentia arritmia cardíaca e fortes dores de cabeça. Apenas 24 horas depois do diagnóstico, ela foi internada novamente com novos sintomas que incluíram "formigamento e perda de força muscular no braço esquerdo". Em princípio, a intervenção é considerada simples. "Essa é uma operação comum e de baixo risco, já que é em uma parte externa do cérebro. Normalmente dura cerca de uma hora e são feitos três ou quatro orifícios na calota craniana para drenar o sangue", explicou o neurocirurgião Santiago Gonzalez Abbati, da Universidade de Buenos
Aires, à Folhapress. Porém, as dúvidas sobre o real estado de saúde da presidente persistem, especialmente sobre as circunstâncias em que ocorreu o golpe em sua cabeça. A única nota da presidência sobre o assunto foi a que o porta-voz, Alfredo Scoccimarro,
leu no sábado à noite, a qual revelou que a presidente caiu no dia 12 de agosto e bateu a cabeça. Na ocasião, ela submeteu-se a uma tomografia que deu normal. As dúvidas sobre a saúde de Cristina são decorrentes de um caso anterior, em dezembro de 2011, quando o porta-
voz anunciou, também em nota dos médicos da presidente, que Cristina tinha um câncer na tireoide. Em janeiro, após a cirurgia que extraiu a glândula da mandatária, os médicos disseram que não era câncer e que um exame deu resultado "falso-positivo". A cirurgia de Cristina acontece a menos de três semanas das eleições legislativas do país. A maioria das pesquisas indica que a base governista sofrerá uma dura derrota. Afastada, a mandatária teria uma desculpa para o fraco desempenho. (Agências) Abir Sultan/EFE
Agora, Assad recebe elogios do Ocidente. EUA: 'um bom começo'. Ativistas: 'mais matança'. Mast Irham/Reuters
Síria recebeu elogios ontem por ter iniciado a destruição de seu arsenal de armas químicas, mas um ativista da oposição disse que o mundo está apenas dando mais tempo ao presidente Bashar al-Assad para que mate a população síria com armas convencionais. O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, fez um raro elogio a Assad. "Acho que é extremamente significativo que ontem, domingo, com uma semana depois de a resolução ser aprovada, algumas armas químicas já estivessem sendo destruídas", disse ele, ontem, à margem da reunião da Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (Apec, na sigla em inglês), em Bali. "Acho que também há um crédito a ser dado ao regime de Assad por cumprir rapidamente (a resolução), como deveriam. Não vou me comprometer hoje sobre o que acontecerá nos próximos meses, mas é um bom começo." Um inspetor descreveu a operação de domingo em que as forças sírias usaram maçaricos e esmerilhadeiras para inutilizar mísseis e bombas. Mas essa fonte observou que esse é apenas o começo de uma atividade que deve durar até meados de 2014. "Foi um excelente primeiro dia, com ênfase na palavra 'primeiro'", afirmou o inspetor à Reuters. O governo de Assad, que trava uma guerra civil que já causou mais de 100 mil mortes, concordou em destruir seu arsenal químico como parte de um acordo para evitar uma ação militar dos EUA em retaliação a um ataque com
A
ISRAEL – Cerca de 700 mil admiradores participaram do cortejo fúnebre do rabino Ovadia Yosef, líder dos judeus sefarditas, que morreu aos 93 anos ontem. Ele foi responsável por transformar a comunidade de imigrantes do Norte da África e nações árabes em uma força política no país.
Mostafa Darwish/EFE
Kerry e Putin: sintonia. gás sarin que matou mais de mil pessoas em agosto nos arredores de Damasco. O regime sírio nega a autoria do ataque, atribuindo o incidente aos rebeldes. Mas a ativista síria Susan Ahmad disse em Damasco que o acordo foi um passo atrás na resolução da crise síria, que já dura mais de dois anos e meio. "Trata-se de dar a Assad mais tempo para matar mais gente. E aqui está ele, usando (mísseis) Scud e recrutando combatentes. A comunidade internacional está celebrando a vitória de manter Assad como presidente apesar do fato de ele já ter matado milhares", disse ela à Reuters. Paz - Em reunião bilateral em Bali, EUA e Rússia ressaltaram a determinação de reunir oposição e governo da Síria em conferência de paz para acabar com o conflito. O encontro deve ocorrer em meados de novembro. (Agências)
.Ó..RBITA
VIOLÊNCIA – O Egito foi alvo de três ataques ontem, um dia depois dos embates que deixaram 53 mortos. No caso mais grave, seis soldados morreram em um tiroteio em Ismailia. Em Tur, um carro-bomba explodiu em um quartel-general das forças de segurança, matando três pessoas (acima).
apturado em uma ação militar norte-americana na Líbia, Abu Anas al-Libi, acusado de ser um dos líderes da Al-Qaeda, está sendo interrogado a bordo do navio San Antonio da Marinha dos EUA, navegando no Mediterrâneo, segundo autoridades norteamericanas sob anonimato. Em comunicado, o Pentágono afirmou que Libi está preso "sob lei de guerra" em um local fora da Líbia. Libi, cujo nome verdadeiro é Nazih alRagye, está sendo interrogado pelo Grupo de Interrogatório de Prisioneiros de Alto Valor, formado por várias agências de segurança dos EUA. A decisão de interrogar o acusado sem a presença de um advogado segue padrão usado no caso de outros suspeitos, como Ahmed Abdulkadir Warsame, ex-chefe militar do grupo Al Shabab, da Somália. Preso em 2011, Warsame foi interrogado por dois meses até ser levado a Nova York para ser julgado. Suspeita-se que Libi também será levado para lá. Ele é acusado de planejar os ataques em 1998 contra as embaixadas dos EUA no Quênia e Tanzânia que mataram mais de 200 pessoas. (Folhapress)
FRANÇA
A
Justiça francesa arquivou ontem uma investigação em que o ex-presidente Nicolas Sarkozy era suspeito de irregularidades no financiamento eleitoral, o que abre espaço para uma ressurreição política dele em 2017. Sarkozy era suspeito de ter se aproveitado da senilidade mental da bilionária Liliane Bittencourt, herdeira da gigante de cosméticos L'Oréal, a fim de obter dinheiro para sua campanha eleitoral de 2007. O ex-líder nega ter cometido qualquer irregularidade. Segundo médicos, a idosa, hoje com 90 anos de idade, sofre de senilidade desde setembro de 2006. Ela foi interditada pela Justiça a pedido da própria família. Segundo o jornal Sud Ouest, os juízes consideraram que as evidências que levaram à acusação são muito fracas. Pelo Facebook, Sarkozy agradeceu a seus partidários depois da decisão dos juízes de instrução em Bordéus, no sudoeste francês. Com o fim de seu envolvimento no caso Bettencourt, Sarkozy tem um obstáculo a menos na sua esperada volta à cena política, ainda que responda a outros processos, entre os quais o caso Karachi, de venda de armas e financiamento ilegal de campanha nos anos 1990. (Agências)
DIÁRIO DO COMÉRCIO
8
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Black-blocs voltam a atacar na cidade Manifestação em apoio à educação começou pacífica até a adesão dos mascarados, que depredaram e saquearam lojas e viraram uma viatura da polícia. Folhapress
Centro de São Paulo foi palco novamente de confrontos violentos, ontem à noite. Um grupo de pessoas encapuzadas usou paus, pedras e até marretas para depredar as vidraças e caixas eletrônicos de, pelo menos, cinco agências bancárias da região central da cidade. Pelo menos sete pessoas ficaram feridas e 11 acabaram detidas, segundo informação da Polícia Militar. A maioria dos mascarados era de integrantes do black bloc e participava de protestos iniciados na Avenida Paulista e no Theatro Municipal, em apoio à invasão da reitoria da Universidade de São Paulo (USP), ocorrida na semana passada, e aos professores grevistas no Rio de Janeiro. Dois grupos que protestavam nesses dois pontos da cidade se juntaram na Praça da República, no Centro. O primeiro grupo, que iniciou o ato na Paulista, no fim da tarde, e desceu a Rua da Consolação, em direção à região central. Os outros manifestantes se concentraram em frente ao Teatro Municipal, também no Centro, em protesto por melhores salários para os professores do ensino público. O protesto, que começou pacífico, tornou-se violento após a adesão dos blackblocs. Os manifestantes viraram um carro da Polícia Civil na Avenida Rio Branco. O veículo faz parte da frota do 3º Distrito Policial (Campos Elíseos). Nas avenidas Ipiranga e Rio Branco, foram destruídas três
Faculdades brasileiras: 30% são ruins.
O
C
Manifestantes black-blocs viraram uma viatura da Polícia no Centro de São Paulo: paulistanos voltam a conviver com os protestos violentos. agências do Santander, uma do Itaú e uma do Bradesco. Um McDonald's também foi invadido e depredado. Em um Habbib's, os manifestantes jogaram uma bomba e ainda roubaram um extintor. O grupo deixou um rastro de destruição por onde passou.
Sacos de lixo foram amontoados e incendiados em diversas vias do Centro. Os black blocs reviraram lixeiras e até tentaram roubar o colchão de um mendigo para atear fogo. A entrada da estação de metrô República foi parcialmente fechada após tentativa de in-
vasão dos manifestantes. Pelo menos três pessoas foram presos até as 21 horas. A polícia utilizou bombas de efeito moral e gás pimenta para dispersar o grupo. Uma mulher ferida recebeu atendimento médico e foi levada ao hospital. Ela tinha
sangue na cabeça e na mão esquerda. A PM informou que, entre os sete feridos, quatro são policiais. O estado de saúde deles não havia sido divulgado até as 22h15. Os 11 detidos foram levados para o 2º Distrito Policial, no Bom Retiro, região central. (Agências)
"Carro-bomba" explode na zona sul Marco Ambrosio/Frame
explosão lembrou cena de filme. Os destroços foram atirados a mais de 200 metros de distância, estraçalharam vidraças e feriram seis pessoas. O incidente aconteceu durante um protesto na manhã de ontem no Morumbi, zona sul, quando manifestantes incendiaram um veículo movido a gás natural, que explodiu. "Vieram as chamas e depois aquele 'boom'. Tremeu tudo", contou a doméstica Maria Gorete Leite, 55, uma das 150 pessoas que protestavam na Rua Doutor Luís Migliano, que liga as Avenidas Giovanni Gronchi e Francisco Morato. O protesto era pelo atraso de dois meses no auxílio-moradia dado pela Prefeitura a moradores da Vila Praia e pelo reajuste do benefício em mais
A
Veículo pega fogo após explodir durante protesto realizado ontem na zona sul da cidade
duas comunidades, Olaria e Viela da Paz. Madeiras, pneus e caçambas de lixo foram incendiados para serem usadas como barricadas. Um grupo tombou e incendiou uma Fiorino que estava abandonada no local. O cilindro de gás causou a explosão. O número de feridos só não foi maior porque a maioria dos manifestantes estava atrás de uma caçamba de lixo. Entre as vítimas graves está Bruno Souza, de 11 anos, que teve parte da perna direita dilacerada e o pulmão perfurado por pedaços do carro. O pintor Edson Pereira de Silva, 36, também se feriu gravemente uma fratura exposta no braço direito. As outras quatro pessoas encaminhadas ao hospital foram feridas levemente e liberadas. (Estadão Conteúdo) Fábio Motta/Estadão Conteúdo
CONTRABANDO
A .Ó..RBITA
FRIO EM SP
S
ão Paulo teve ontem a tarde mais fria do mês de outubro nos últimos dez anos, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia. Às 15h, a estação do Mirante do Santana, na zona norte, registrou temperatura de 14,4 ºC. Na última década, a temperatura mais baixa para o horário havia sido observada em 11 de outubro de 2003, com 14,2 ºC. Às 17h30, a Defesa Civil decretou estado de alerta devido à baixa temperatura termômetros registravam 12ºC em alguns pontos da cidade. (Folhapress)
erca de 30% dos cursos avaliados no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) 2012 apresentaram resultado insatisfatório, com notas 1 e 2 (de um teto de 5), informou ontem o ministro da Educação, Aloizio Mercadante. O Enade é um teste do governo federal que serve para avaliar redes de ensino, públicas e privadas. A edição de 2012 avaliou 7.228 cursos de 1.646 instituições de ensino superior - participaram 536 mil estudantes concluintes, do penúltimo e último semestre de seus respectivos cursos. A cada três anos, o Ministério da Educação (MEC) aplica o Enade para um mesmo conjunto de cursos. Ao todo, dez cursos de bacharelado (administração, ciências contábeis, ciências econômicas, comunicação social, design, direito, psicologia, entre outros) e seis que conferem diploma de tecnólogo (gestão comercial, gestão de recursos humanos, gestão financeira, logística, marketing e processos gerenciais) foram avaliados no Enade 2012. "Conseguimos que quase todos os estudantes que estão sendo avaliados participassem da prova, o que é muito importante para os seus respectivos cursos. O sistema avançou em direção à qualidade, mais instituições, de forma expressiva, na nota 5, na nota 4, e na nota 3. Ainda temos uma parcela de cerca de 30%, principalmente faculdade isoladas, com nota insuficiente. Vamos ser rigorosos na exigência de qualidade", afirmou Mercadante. "O ensino público continua bem superior ao privado, mas tivemos neste ano grande crescimento em direção à excelência nas privadas." Os cursos que tiraram nota 1 e 2 poderão ter seus vestibulares suspensos, observou o ministro. O próximo Enade vai ser aplicado no dia 24 de novembro. Deverão participar cerca de 200 mil estudantes de 4.916 cursos da área de ciências de saúde e agrárias. Pela primeira vez, a USP participará em caráter experimental do exame. (Estadão Conteúdo)
Polícia Federal fez no domingo uma operação para desarticular uma organização criminosa internacional especializada no contrabando de pedras semipreciosas e fósseis brasileiros. De acordo com a PF, a investigação começou há cerca de um ano após serem apreendidas pedras semipreciosas enviadas ilegalmente para o exterior por meio postal. Durante a investigação, foram apreendidos cerca de mil fósseis pelas autoridades francesas que seriam destinados a museus na Alemanha e no Reino Unido. Alguns dos investigados já haviam sido presos anteriormente por extração e posse de fósseis, que são bens da União, não podendo ser objeto de comércio ou exportação. (Folhapress)
RIO – Cerca de 10 mil pessoas, segundo a PM, participaram da marcha em apoio aos professores ontem na Avenida Rio Branco, entre a Candelária e a Cinelândia, no Centro. O evento reuniu professores, partidos de esquerda, entidades do movimento estudantil, movimentos sociais e cerca de 300 black blocs. Após duas horas de passeata, grupos de black blocs desafiaram policiais militares junto à Câmara Municipal, jogando coquetéis molotov e bombas caseiras em direção ao prédio da Casa. Funcionários usaram extintores para apagar as chamas na lateral do prédio. (Folhapress)
Ed Ferreira/Estadão Conteúdo
O ensino público continua bem superior ao privado. Vamos ser rigorosos na exigência de qualidade. ALOIZIO MERCADANTE
DIÁRIO DO COMÉRCIO
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Mônica cinquentona!
9
Começa hoje a mostra Superfantástico! Festival de Cinema Infantil, em comemoração da semana da criança e dos 50 anos da personagem Mônica. Nos 6 dias de festival, serão exibidos 14 longas e 10 curtas. Entre os filmes
que homenageiam a baixinha, gorducha e dentuça de Maurício de Souza destaca-se a trilogia Cine Gibi e curtas como Os brincos que a mamãe comprou. Também será exibido o 1º longa animado colorido brasileiro, Piconzé, de 72. O evento tem sessões às 10, 14, e 16h, todas gratuitas. O cinema só tem 50 lugares – é bom chegar uma hora antes. Superfantástico! Festival de Cinema Infantil – Caixa Cultural São Paulo. Praça da Sé, 111.
Para fazer marmanjo chorar André Domingues esde que São Paulo de fortaleceu como destino dos astros internacionais, deu-se inicio a uma verdadeira mostra de coisas que nós poderíamos ter visto e praticamente não vimos em seu devido tempo, como o lendário Black Sabbath, que esgotou os 70 mil ingressos do show desta sextafeira. Depois de incontáveis rompimentos, o grupo liderado por Ozzy Osbourne (à dir.) e Tony Iommi vem com a formação quase original, faltando só o baterista Bill Ward. Se os palcos brasileiros fossem mais frequentados por eles, talvez a atual apresentação se fixasse mais no trabalho atual, 13, que, aliás, já ganhou disco de platina por aqui. Como há uma distância de décadas a ser suprida, porém, o roteiro deve se ater às antigas canções com que o grupo estabeleceu uma ponte entre o hard rock e o heavy metal, a exemplo de Iron Man e Paranoid. A abertura do show cabe ao também importante – e pouco visto – Megadeth. Também dignos das vitrines de um museu do rock, mas da seção dos anos 80, os escoceses do Simple Minds se apresentam em São Paulo nesta semana. É uma banda que transitou entre experiências de rock de vanguarda e propostas mais chegadas ao pop, conseguindo colher bons frutos dos dois lados. A atual turnê, intitulada Celebrate, se baseia na antologia homônima recentemente lançada em CD e privilegia o lado dos grandes sucessos, com Don’t You (Forget About Me) e Alive and Kicking, entre outros. Já no rock nacional, os Titãs voltam a apresentar o show Inédito, que combina canções em teste para o disco do ano que vem e obras menos lembradas da sua trajetória pregressa. As primeiras, que obviamente se destacam, mostram os Titãs numa fase mais roqueira, agressiva e despojada, mas sem abrir mão do diálogo com a MPB, como em Baião de Dois, que cita dois versos do Bim Bom, de João Gilberto. A cantora e compositora Adriana Calcanhoto também retorna à cidade com o show de voz e violão Olhos de Onda, concentrado em músicas bem-sucedidas da sua carreira. É um repertório que se sustenta sozinho, com obras famosas como Vambora, Fico Assim Sem Você e Esquadros, mas as performances deixam um desconfortável vazio nos momentos em que a plateia não canta junto. A programação paulistana de shows traz, ainda, duas boas iniciativas ligadas à renovação da música brasileira. Uma delas, mais despretensiosa, é o show da pandeirista
D
Roberta Valente, grande agitadora do meio do choro em São Paulo. Nele, a moça recebe, ao lado do tarimbado violão de 7 cordas de Zé Barbeiro, três outros nomes de destaque na geração mais nova: o clarinetista Alexandre Ribeiro, o cavaquinista Fabrício Rosil e o bandolinista Fábio Peron. Outra iniciativa importante é a 3ª edição do projeto Na Mira da Música Brasileira, dirigido por Miriam Taubkin e Gabriel Fontes Paiva, que anualmente convida uma série de jovens artistas de tendências diferentes para criar um espetáculo. Este ano, os convidados são Bruno Tessele, Lucas Santtana, Jam da Silva, Juliana Perdigão, Juliano Holanda, Marcos Paiva, Zé Godoy e a (talentosa) filha de Miram, Luiza Maita.
Para fazer criança sorrir odo Dia das Crianças é acompanhado de uma série de eventos temáticos que trazem um velho dilema: ou os pais acham uma maravilha e os filhos apenas acompanham, ou as crianças adoram e os pais ficam entediados – quando não irritados com as besteiras que são oferecidas. Dessa vez, porém, há espetáculos musicais que certamente podem reunir os interesses de uns e outros, como o clássico Arca de Noé, interpretado por André Abujamra (acima, à dir.), e o show interativo do grupo Barbatuques. Arca de Noé é o famoso projeto de canções infantis concebido por Vinícius de Moraes nos anos 70, gravado em dois discos que até hoje se
T
encontram em catálogo. Nas mãos de Abujamra, porém, sofreu significativas transformações. A candura de A Casa, por exemplo, foi tingida com tons humorísticos e sonoridades de rock pesado, além de receber uma divertida coreografia. Já a fatídica história de O Pato, também relida de forma roqueira, ficou surpreendente pelo tempero de escalas arábicas inseridas na melodia das estrofes. Há momentos e referências que fogem à capacidade de compreensão das crianças, sem dúvida, mas, no geral, o show deve proporcionar um jogo divertido de estranhezas e reconhecimentos. Na mesma praia, ainda, vale conferir as versões de Hélio Ziskind para o repertório do disco
Meu Primeiro Amor (1975), de Nara Leão, composto por músicas que a cantora gostava de cantar para seus filhos, a exemplo de Upa, Upa Meu Trolinho e A Saudade Mata a Gente. A performance do grupo Barbatuques, em Barbatuques em Família, por outro lado, tem seu principal atrativo não no repertório – que, de toda forma, é sempre muito bom –, mas na forma de executálo. O competente grupo, liderado por Fernando Barba, desenvolveu uma técnica extraordinária de produção de sons com o próprio corpo, sobretudo pela percussão corporal, que oferece uma alternativa muito original e eficiente de estreitar a relação com a músi-
ca. É absolutamente inevitável sair do show tentando repetir os movimentos ou descobrir novas possibilidades! Outra proposta interativa para a criançada, por fim, é a apresentação da Poin – Pequena Orquestra Interativa, liderada pelo violonista Gustavo Finkler, que encaixa colaborações da plateia nas execuções. O tipo de repertório do grupo é muito convidativo para participações espontâneas, parecendo uma transposição atualizada dos grupos saltimbancos. Suas principais referências, afinal, se encontram na música popular europeia de tradição itinerante, combinando sons dos balcãs, da klezmer judaica e da cultura cigana, entre outros. (A.D.)
GARGAREJO
Seleção dos espetáculos da semana Adriana Calcanhoto – Olhos de Onda Gênero: antologia pessoal em vozinha e violãozinho Hsbc Brasil – Rua Bragança Paulista, 1281. Tel.: 4003.1212 Dia 11, às 22h R$ 80 – R$ 240 André Abujamra – Arca de Noé Gênero: infantil cabeça Teatro Sesc Santo Amaro – Rua Amador Bueno, 505.
Tel.: 5541.4000 Dias 12, às 16h e 19h, e 13, às 16h R$ 20 Barbatuques – Barbatuques em Família Gênero: infantil interativo Sesc Itaquera – Av. Fernando do Espírito Santo Alves Matos, 1000. Tel.: 2523.9200 Dias 12 e 13, às 15h R$ 7 Black Sabbath (abert. Megadeth)
Gênero: metal de alto quilate Campo de Marte – Av. Santos Dumont, 2241. Tel.: 4003.5588 Dia 11, a partir das 19h R$ 300 – R$ 600 (ingressos esgotados) Bruno Tessele, Lucas Santtana, Jam da Silva, Juliana Perdigão, Juliano Holanda, Luísa Maita, Marcos Paiva e Zé Godoy – Na Mira da Música Brasileira Gênero: jam colorida Auditório Ibirapuera – Parque do
Ibirapuera, portão 2. Tel.: 3629.1075 Dias 10 e 11, às 21h Grátis Hélio Ziskind – Meu Primeiro Amor Gênero: memórias afetivas Comedoria do Sesc Belenzinho – Rua Padre Adelino, 1000. Tel.: 2076.9700 Dias 11, às 20h, 12 e 13, às 18h. R$ 20 Poin – Pequena
Orquestra Interativa Gênero: saltimbanco interativo Sesc Pompeia – Rua Clélia, 93. Tel.: 3871.7700 Dias 12 e 13, às 10h, 13h e 16h. Grátis Roberta Valente – Samba, choro e petiscos Gênero: roda de choro Sesc Osasco – Av. S. C. Corinthians Paulista, 1300. Tel.: 3184.0900 Dia 10, às 19h Grátis
Simple Minds – Celebrate Gênero: rock oitentista em revista Espaço das Américas – Rua Tagipuru, 795. Tel.: 3864.5566 Dia 8, às 22h30 R$ 190 – R$ 230 Titãs – Inédito Gênero: rock cabeça Choperia Sesc Pompeia – Rua Clélia, 93. Tel.: 3871.7700 Dias 10 e 11, às 21h30 R$ 24 (ingressos esgotados) (Cotação AD)
DIÁRIO DO COMÉRCIO
10
terça-feira, 8 de outubro de 2013
O jornal virou renda Com uma técnica apurada de recorte que imita renda, a artista canadense Myriam Dion recria capas e fotografias de jornais transformando o efêmero em arte. Os recortes são realizados com precisão e com atenção ao conteúdo e às cores do papel, a fim de melhor explorar seu potencial estético. http://goo.gl/w19n7u
.H..ISTÓRIA Maciej Kulczynski/EFE
.N..OBEL DE MEDICINA
Prêmio vai para transporte intercelular Peter Foley/EFE
.I..NTERNET
.E..CONOMIA
Brasil é 62º no ranking da conexão
Ação do Twitter pode chegar a US$ 30
O Brasil permaneceu em 62º lugar no ranking dos 157 países mais conectados à internet e à telefonia celular e fixa no mundo, segundo um estudo da União Internacional de Telecomunicações (UIT) que foi divulgado ontem pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O primeiro lugar no ranking é ocupado pela Coreia do Sul, com um índice de 8,57, seguida por Suécia, Islândia, Dinamarca, Finlândia, Noruega e Países Baixos.
O valor das ações do Twitter pode praticamente dobrar em seu primeiro ano de listagem, afirmou uma corretora financeira, dando recomendação de compra para as ações da empresa antes mesmo de a rede social abrir o capital. O analista Robert Peck da SunTrust Robinson Humphrey, o primeiro a avaliar o Twitter, sugeriu que o preço da ação deverá ficar entre US$ 28 e US$ 30 no lançamento, podendo atingir até US$ 50 em um ano.
EFE
Acima, o alemão Thomas C. Südhof. À esquerda, no alto, James E. Rothman e, ao lado, Randy W. Schekman. Cada célula produz e exporta moléculas com diferentes funções, que são transportadas dentro de pequenas bolhas chamadas vesículas (a insulina, por exemplo, é produzida em células do pân-
creas e liberada no sangue). "Os três pesquisadores descobriram os princípios moleculares que governam o modo como 'a carga celular' é enviada para o lugar certo, na hora certa", disse a comissão,
em nota. Randy Schekman começou a estudar nos anos 1970 os genes envolvidos no transporte intercelular de moléculas. Comparando células de leveduras normais com células com mutações genéticas, ele identificou três categorias de genes envolvidas no tráfego das vesículas. Rothman descobriu, nos anos 1980 e 1990, que algumas proteínas permitem que as vesículas se conectem com membranas específicas, garantindo que as moléculas sejam enviadas para os lugares certos. Südhof, nos anos 1990, revelou, a partir da análise de células nervosas, o mecanismo que faz as vesículas liberarem seus conteúdos na hora certa. "Perturbações nesse sistema têm efeitos deletérios e contribuem para o desenvolvimento de doenças neurológicas, diabetes e distúrbios imunológicos", diz a nota do instituto.
.C..ELEBRIDADES
Scarlett, reeleita a mais sexy. Divulgação
Coroa de ouro que pertenceu, provavelmente, a Blanca Margarita de Valois, primeira esposa do imperador Carlos IV de Luxemburgo, integra uma exposição de tesouros medievais em Breslávia, na Polônia.
EFE
Boris Roessler/EFE
Tesouros medievais
Três pesquisadores que descobriram como é feito o transporte de substâncias (de hormônios a enzimas) dentro das células foram laureados ontem com o Prêmio Nobel de Medicina ou Fisiologia de 2013. Os norte-americanos Randy W. Schekman, da Universidade da Califórnia em Berkeley, e James E. Rothman, da Universidade Yale, dividiram o prêmio de US$ 1,2 milhão com o alemão Thomas C. Südhof, da Universidade Stanford, na Califórnia. Os membros da comissão encarregada da premiação, ligada ao Instituto Karolinska, de Estocolmo, disseram que os estudos dos três pesquisadores foram fundamentais para compreender diversas doenças, como diabetes e alguns distúrbios do sistema imunológico.
.R..EINO UNIDO
Uma carta divulgada ontem no Reino Unido revela uma declaração de amor de um ministro à então primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher. Ao renunciar ao cargo de ministro da Defesa, em 23 de janeiro de 1983, John Nott - que hoje tem 81 anos - abriu o coração e confessou, na própria carta de renúncia, seus sentimentos por Thatcher. "É imperdoável dizer isso agora, mas na verdade a admiro como mulher - sua aparência, seu charme e seu porte sempre me
atraíram como homem", disse Nott, ministro durante a Guerra das Malvinas, contra a Argentina. O manuscrito de seis páginas foi liberado pela fundação que cuida da memória da ex-premiê conservadora. Uma lei britânica prevê acesso a documentos de um governo depois de 30 anos. Thatcher morreu em abril deste ano, aos 87 anos, vítima de um derrame cerebral. Ele termina a carta com um singelo "Amor - John". O documento leva o timbre do Parlamento britânico.
s
O ministro que amava Thatcher
MALUQUINHO - Trabalhadores concluíram ontem a montagem do estando do Brasil na Feira do Livro de Frankfurt, na Alemanha. Na imagem de destaque, o personagem Menino Maluquinho, de Ziraldo.
.C..IÊNCIA
Imagens do mundo microscópico
Uma Acacia dealbata prestes a florescer. A flor foi retirada da árvore e fotografada com microscópio eletrônico por Marcos Rosado.
Espécie de flor de nome científico Helichrysum italicum com pólen. Foto de Riccardo Antonelli.
Todos os anos, a empres FEI, que fabrica equipamentos eletrônicos para indústrias e laboratórios científicos, realiza um concurso de imagens de universos microscópicos. O concurso deste ano já acabou, mas você pode conhecer as fotos que participaram - ao lado das duas que ilustram esta página - no link abaixo. http://goo.gl/k0L4qo
A atriz norte-americana Scarlett Johansson foi eleita pela segunda vez como mulher mais sexy do mundo pela revista Esquire. Ela recebeu o título pela primeira vez em 2006. Ao comentar o título, a atriz brincou: "Então quer dizer que sou a única a ter ganho duas vezes? Vocês sabem, tenho pressa. Já tenho 28 anos e, em breve, os convites são apenas para interpretar mãese depois eles param de chegar."
.L..OTERIAS Concurso 965 da LOTOFÁCIL 03
04
08
09
10
11
13
14
15
16
18
19
21
22
24
Concurso 3310 da QUINA 17
19
39
43
54
DIÁRIO DO COMÉRCIO
terça-feira, 8 de outubro de 2013
11
VALE O mercado global de minério de ferro deve atingir equilíbrio entre oferta e demanda neste ano e seguir com oferta apertada em 2014, diz diretor de Ferrosos e Estratégia da companhia, José Carlos Martins.
Mais uma confusão do Leão Receita Federal complica a vida das empresas em decisão sobre os padrões de normas internacionais, diz advogado no Conselho de Altos Estudos, da ACSP. Fotos de Tina Cezaretti/Hype
Sílvia Pimentel Receita Federal não está preparada para aceitar as normas internacionais de contabilidade, os IRFS (Padrões de Relatórios Financeiros Internacionais). É preciso rever a legislação tributária do País com base nos novos padrões contábeis sob o risco de afugentar investidores e provocar mais insegurança jurídica no meio empresarial. Essa é a opinião do advogado tributarista e professor da Fundação Getúlio Vargas (GVLaw), Edison Carlos Fernandes, sobre a decisão da Receita em voltar atrás na cobrança do Imposto de Renda (IR) sobre os dividendos distribuídos entre 2008 e 2009 calculados de acordo com as normas contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. Na opinião do advogado, apesar de desistir da cobrança retroativa, é certo que o Fisco pretende tributar esses proventos ou boa parte deles a partir do ano que vem. Por esta razão, o governo prepara uma Medida Provisória estabelecendo as novas regras, que deverá ser convertida em lei até o final deste ano. Portanto, as empresas serão obrigadas a conviver com dois critérios de apuração de lucros, o fiscal e o societário. A intenção do Fisco de tributar a distribuição de lucros das empresas é o atual assunto do meio jurídico. E vem causando insegurança entre os empresários, ameaçados de terem de recolher o imposto de forma retroativa. Por isso, o tema foi discutido ontem na reunião do Conselho de Altos Estudos em Finanças e Tributação (Caeft) e interessa a boa parte das grandes empresas. As micro e pequenas empresas inscritas no Simples Nacional estão livres da exigência de elaborar seus balanços dentro das regras internacionais. Na reunião, da qual participaram empresários, advogados e economistas, o profes-
A
Na mesa, a partir da esquerda: a integrante do Caeft, Elidie Palma Bifano; o palestrante convidado Edison Carlos Fernandes; o coordenador do Caeft, Luíz Eduardo Schoueri; Clóvis Panzarini, e o vice-presidente da ACSP, Roberto Mateus Ordine. sor da Fundação Getúlio Vargas alertou que as investidas da Receita Federal em querer tributar dividendos e exigir dupla contabilidade das companhias afugentam investidores, que não enfrentam o mesmo problema em outras nações. Nos países europeus, por exemplo, a questão foi solucionada porque os governos optaram pela exigência dos balanços com base no IRFS somente das holdings. No Brasil, entretanto, todas as empresas de forma isolada estão obrigadas a adaptar sua contabilidade às novas regras. "O IRFS é um avanço na contabilidade não apenas para as empresas listadas na Bolsa porque confere transparência. As ameaças do Fisco abalaram também a credibilidade internacional. Como incentivar a abertura de capital no Brasil se as empresas são obrigadas a apresentar duas contabilidades?", indaga Fernandes.
Polêmica – Na sua opinião, a polêmica decorre da falta de preparo da Receita Federal em aceitar os padrões internacionais de contabilidade (IRFS), além dos "remendos" feitos nas regras desde que o governo passou a exigir a adaptação nos balanços. Ele lembra que, em 2008, houve uma promessa do governo de que não haveria aumento da carga tributária com a transição. Em outras palavras, as operações contábeis não teriam efeitos sobre a apuração dos impostos. Para tanto, foi criada uma nova obrigação tributária para ajustar "essa neutralidade". O advogado ressalta que a dupla contabilidade em tese é necessária porque as normas contábeis podem mudar a todo momento, o que alteraria a base de cálculos dos tributos. "Por essa razão, não acredito que a exigência irá cair. A não ser que o Brasil desista de
adotar os novos padrões. Apesar dos aspectos subjetivos, um balanço elaborado com uma linguagem universal é muito mais transparente, pois mostra de fato a realidade da empresa", diz o advogado, que defende uma revisão na legislação tributária com base nos novos padrões contábeis. Instrução – A cobrança do tributo adicional foi anunciada em setembro, após a publicação da Instrução Normativa nº 1.397. A norma foi baixada com o intuito de esclarecer a tributação sobre a distribuição de lucros das empresas que adotaram as regras contábeis vigentes a partir de 2008. Até 2007, as empresas pagavam Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) com base no lucro fiscal. A Lei 11.638, que entrou em vigor em 2008, adaptou a contabilidade das empresas aos critérios internacionais, com a
criação do lucro societário, em geral maior que o lucro fiscal. O governo federal, então, com a promessa de que não haveria aumento da carga tributá-
ria, criou o Regime de Transição Tributária (RTT) e instituiu uma isenção parcial temporária. A Instrução Normativa abria caminho para a cobrança retroativa de impostos, além de exigir dos contribuintes a apresentação de uma demonstração contábil fiscal, diferente do balanço destinado a informar a situação da empresa a seus acionistas, clientes e fornecedores. Embora tivesse desistido da cobrança retroativa dos últimos cinco anos, o governo manteve a exigência da dupla contabilidade, o que gera custos adicionais às empresas, afugenta investidores e desestimula o mercado de ações. Reação – Diante da reação do empresariado, na semana passada o Ministério da Fazenda informou que as novas regras de tributação só valerão para os balanços publicados a partir do ano que vem. O imposto adicional será cobrado de 2015 em diante. A extinção da retroatividade deverá ser incluída no texto da MP que está sendo preparado. De acordo com a Receita Federal, o governo desistiu de cobrar a diferença de imposto do passado porque provocaria insegurança jurídica, pois obrigaria as empresas listadas em Bolsa a reabrirem seus balanços de anos anteriores e a refazer a contabilidade. Outra dificuldade apontada é de caráter operacional, pois seria difícil cobrar impostos sobre recursos repassados a acionistas. Palestrante: o advogado e professor da FGV, Edison Carlos Fernandes.
Tome remédios. Não impostos. Paula Cunha s principais redes de farmácia do País lançaram na semana passada uma campanha contra a alta carga tributária embutida nos remédios. Com o nome "Sem Imposto, tem remédio", a campanha nacional recolhe no balcão de 6 mil estabelecimentos farmacêuticos assinaturas para documento que será entregue às autoridades em Brasília. Desde o dia 1º de outubro, data do lançamento da campanha, já foram recolhidas 1 milhão de assinaturas. No mês que vem, o abaixo-assinado será levado à presidência da República, ao Congresso Nacional e aos governadores dos 27 estados e do Distrito Federal. "Vamos mostrar a insatisfação da população com a situação atual e reforçar a atuação da Frente Parlamentar da Câmara dos Deputados pela desoneração de impostos em medicamentos", afirmaram, em nota divulgada, as entidades responsáveis pela campanha "Sem imposto, tem remédio" : a Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias do Brasil (Abrafarma) e a Associação da Indústria
A
Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma). ICMS – Atualmente, as alíquotas que incidem sobre os remédios são de 34%, sendo que deste total de 17% a 19% referem-se ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Hoje em dia, aproximadamente 70% dos medicamentos adquiridos pelos brasileiros são pagos do próprio bolso. "Por ser um mercado regulado pelo governo, se hoje os remédios fossem livres de tributação, ficariam cerca de 30% mais baratos para o consumidor final", explicou o presidente da Interfarma, Antônio Britto. Na avaliação de Sérgio Mena Barreto, presidente da Abrafarma, a iniciativa tem sido bem aceita pela população porque o Brasil é um dos campeões mundiais em tributação sobre remédios. Por isso, ele enfatiza que há uma incompatibilidade entre o preço do medicamento e a renda do consumidor. "Infelizmente, não são raros os casos de pessoas que param o tratamento porque ficam sem condições de arcar com os custos dos remédios."
12 -.ECONOMIA
DIÁRIO DO COMÉRCIO
terça-feira, 8 de outubro de 2013
DIÁRIO DO COMÉRCIO
terça-feira, 8 de outubro de 2013
13
Em países como o Brasil ou China, as pessoas não estão te esperando. Georges Plassat, do Carrefour.
No Brasil, celular custa mais. A tarifa de um minuto de ligação aqui é 70 vezes maior do que em Hong Kong, segundo a União Internacional de Telecomunicações. Eduardo Knapp/Folhapress
Brasil tem a tarifa de chamadas de celular mais cara do mundo em termos absolutos, informou ontem a União Internacional de Telecomunicações, em seu informe anual sobre o setor. Contando as tarifas de telefonia fixa e internet, o País também não mostra um bom desempenho: entre 161 países avaliados, ocupa a 93ª posição. Em média, um minuto no celular em horário de pico custa US$ 0,71 no Brasil nas chamadas que usam o mesmo operador ou US$ 0,74 em ligações feitas entre operadores diferentes. Em Hong Kong, um minuto custa US$ 0,01 fora do horário de pico, ou seja, 70 vezes menos que no Brasil. Para fazer a comparação, a UIT utilizou a taxa média cobrada em São Paulo. O custo apurado é três vezes o que um americano paga para falar ao celular. A mesma relação vale para Portugal, o país de onde vem uma parte importante dos investimentos nas telecomunicações brasileiras. Na Espanha, sede da Telefónica, dona da Vivo, um cidadão paga cinco vezes menos para usar seu celular que no Brasil. Em comparação ao poder aquisitivo, o Brasil seria o quarto mais caro do mundo, superado apenas pela Bulgária, Malawi e Nicarágua Na utilização da banda larga, a situação é melhor para o usuário. Apenas 54 países pagam taxas menores que a do Brasil. Nas Américas, o País tem a terceira terceira tarifa mais baixa. Em termos de telefonia fixa, o País ocupa a modesta posi-
O
total de títulos protestados de pessoas físicas e jurídicas diminuiu 14,7% em setembro ante agosto – menos 14,5% nas empresas e 15% nas pessoas físicas. Na comparação com setembro de 2012, houve elevação de 10,2% para pessoas jurídicas e de 36,2% para as físicas. Os dados foram divulgados ontem pela Boa Vista Serviços (BVS), administradora do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) e têm abrangência nacional. O
O
Um número cada vez maior de brasileiros utiliza celulares: já no final de 2012 metade da população tinha acesso à web. ção de número 112 entre os mais caros. Entre os celulares, levando em conta a renda e o PIB per capita, o Brasil é o 117º lugar, sem qualquer redução no preço entre 2011 e 2012. Em termos gerais, o Brasil é o 62º colocado no ranking dos países mais preparados para usar as tecnologias de informação no mundo. Em nota, a Sinditelebrasil, entidade que representa o setor de telecomunicação, afir-
ma que o levantamento considera planos que "não são praticados no mercado brasileiro, apenas homologados no órgão regulador, como uma espécie de preço máximo". Por isso, afirma a entidade, o resultado do relatório não reflete a realidade brasileira. Avanço – Apesar dos custos, um número cada vez maior de brasileiros utiliza celulares e internet. Segundo a UIT, ao final de 2012 o Brasil atingiu a
resultado foi considerado positivo pela BVS. De janeiro a setembro de 2013 ante o mesmo período de 2012, houve estabilidade: queda de 3,1% para os títulos protestados de empresas e elevação de 5,8% no caso das pessoas físicas. Esse resultado já era esperado pelos analistas e o mesmo aconteceu com o valor médio dos títulos protestados em setembro, que foi de. R$ 2.983 para pessoas jurídicas e R$ 1.711 para pessoas físicas, resultando na média de R$ 2.473. Ao analisar os resultados regionalmente, o levantamento apurou que a
região Sudeste teve o maior número de títulos protestados: 60%, Foi seguida seguida do Sul (24,2%), Nordeste (14%), Centro-Oeste (9,4%) e Norte (5%). No acumulado do ano, ante o mesmo período de 2012, diminuíram as ocorrências em todas as regiões. Isso ocorreu de forma mais notável no Sul (5,4%), considerando-se que a média nacional apresentou queda de 3,1%. Quanto ao valor médio dos títulos em setembro, o maior foi observado no Centro-Oeste, de R$ 3.423, superior à média nacional para a pessoa jurídica, de R$ 2.983.
Brinquedos caros demais estão na mira do Procon
Zé Carlos Baretta/Hype
esquisa realizada pelo Procon-SP na cidade de São Paulo e em 11 municípios do interior paulista identificou uma diferença de até 217% nos preços de brinquedos e outros itens procurados para o Dia das Crianças. A maior diferença foi registrada na cidade de Santos: o jogo "Aventura e Ciência", da Grow, custa R$ 94,99 em um estabelecimento e R$ 29,90 em outro. Em São Paulo, a maior diferença encontrada foi de 207,22% no jogo "Adivinha Quem?", da Hasbro: R$ 129,00 e R$ 41,99 em duas lojas. Entre os 600 estabelecimentos visitados, 154 foram autuados pelas equipes de fiscalização. As empresas autuadas responderão a processos administrativos e podem ser multadas. Bicicletas - Ontem, a fabricante de bicicletas Caloi convocou recall o modelo Cecizinha Aro 12, para substituição do par de rodas laterais. As bicicletas foram fabricadas em
era do imperialismo no varejo internacional acabou e os grupos precisam aprender a adaptar suas marcas para ganharem de competidores locais, afirmou ontem o presidente-executivo do Carrefour, Georges Plassat, durante o Congresso Mundial do Varejo, em Paris. O comentário veio a propósito de o gigante francês – assim como aconteceu com a rede britânica Tesco – ter freado seus planos de expansão face a dificuldades encontradas em alguns mercados. "O que os varejistas estrangeiros muitas vezes subestimam ao avaliarem oportunidades para crescer internacionalmente é o poder e sofisticação dos concorrentes locais", disse Plassat . "Quando você vai a países como o Brasil ou China, as pessoas não estão te esperando. Não estamos em uma era imperialista." Depois de vender ativos para diminuir a dívida, o Carrefour procura maneiras de acelerar seu crescimento no Brasil e na China, mas ainda não decidiu como fazê-lo, disse Plassat em agosto. (Reuters)
A
Diminuem os protestos de títulos Paula Cunha
Carrefour reconhece força de estrangeiros
P
Empresas que forem autuadas ponerão ser multadas outubro de 2011 e têm número de chassi final SJ. Em comunicado, a empresa informou ter detectado uma oscilação na resistência as rodas laterais, o que pode desequilibrar o ciclista. Pelo telefone 0800 701 8022 e pelo site, a empresa dá mais informações, inclusive de postos de atendimento. Segundo o Procon-SP, a empresa deverá apresentar os esclarecimentos que se fizerem necessários, conforme
determina o Código de Defesa do Consumidor, inclusive com informações claras e precisas sobre os riscos para o consumidor. O artigo 10 do Código de Defesa do Consumidor estabelece que "o fornecedor não poderá colocar no mercado de consumo produto ou serviço que sabe ou deveria saber apresentar alto grau de nocividade ou periculosidade à saúde ou segurança". (Agências)
marca de ter metade da população usando a web e metade com computador em casa . Em 2011, a taxa era de 45%. No que se refere aos usuários de banda larga, a taxa é pequena, passando de 8,6% para 9,2% entre 2011 e 2012, distante da média de 27% nos países ricos. Os celulares, apesar do custo, já ultrapassaram o número de brasileiros. Em média, existem 125 celulares por 100 bra-
sileiros, contra 119 em 2011. O acesso ao 3G também vem crescendo de forma expressiva. Em 2012, 37% dos usuários de celulares tinha acesso à rede. Em 2011, essa taxa era de 21%. A expansão brasileira segue uma tendência de outros países emergentes, que dobraram o volume de acesso ao 3G em apenas dois anos. Hoje, metade do mundo tem acesso à rede. (Agências)
DIÁRIO DO COMÉRCIO
14
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Nós pedimos que os Estados Unidos seriamente tomem medidas para evitar um default de dívida e garantir os investimentos chineses. Zhu Guangyao, vice-ministro das Finanças da China.
Obama e deputados: a busca da paz. Os dois lados começam a emitir sinais de que procuram saídas para o impasse que parou o governo americano. Presidente e Congresso estudam concessões. Foto Shawn Thew/EFE
omeçaram ontem a aparecer sinais de um maior empenho da Casa Branca e do Congresso na busca por uma solução para o impasse fiscal nos EUA, e o presidente Barack Obama disse que aceitaria um aumento transitório na capacidade de endividamento do governo, se isso servir para evitar uma crise. Um assessor parlamentar disse que o influente senador republicano Bob Portman está preparando um plano para cortar os gastos federais e reformar o código tributário, como parte de um acordo mais amplo que leve à reabertura de órgãos governamentais fechados na semana passada e a uma elevação no teto de endividamento público, a fim de evitar uma moratória dentro de dez dias. O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, disse a jornalistas que Obama estaria disposto a aceitar um aumento provisório do teto para evitar uma possível crise depois do dia 17, quando o governo atingirá o atual limite da dívida, que é de US$ 16,7 trilhões. E, no que foi visto como uma mudança de tom, Obama disse que estaria disposto a negociar mudanças no seu programa de saúde pública e em questões orçamentárias, mas só depois que o Congresso aprovar medidas que levem à reabertura dos órgãos públicos e à elevação do teto da dívida. "Assim que isso acontecer, estarei ávido e disposto a negociar com os republicanos a respeito de toda uma gama de questões: como criamos mais empregos, como construímos a economia, como estimulamos a indústria", disse Obama na Agência Federal de Gestão de Emergências, durante uma visita com a qual buscou ilustrar os prejuízos causados pelo impasse orçamentário. A agência de emergências chamou de volta funcionários que estavam de licença não remunerada devido à parali
C
sação para ajudar na resposta à passagem da tempestade tropical Karen, mas a tempestade perdeu força e Obama disse que a agência agora mandará 100 funcionários de volta para casa. O governo federal paralisou a maior parte de suas operações e mandou para casa todos os funcionários considerados não essenciais em 1º de outubro, devido a um impasse no Congresso provocado pela exigência dos republicanos por cortes de gastos ou um adiamento de uma nova lei do sistema de saúde em troca da aprovação do financiamento ao governo. O país ainda enfrenta a possibilidade de um calote se os parlamentares não aprovarem o aumento do teto da dívida federal até 17 de outubro. Deputados republicanos conservadores têm relutado em liberar verbas para o ano fiscal iniciado em 1º de outubro, pois condicionam isso a concessões de Obama no sentido de inviabilizar o novo sistema de saúde, conhecido como Obamacare. Autoridades da Casa Branca afirmam que Obama não vai negociar com parlamentares republicanos enquanto estiver sob a ameaça de calote da dívida. Impedir um aumento no limite da dívida dos EUA para barganhar por concessões políticas estabeleceria um precedente perigoso, disse diretor do conselho econômico nacional da Casa Branca, Gene Sperling. "Isso será usado de novo e de novo, e vai haver troco caso haja um presidente republicano", disse. Sperling falou um dia após o presidente da Câmara dos Deputados, o republicano John Boehner, ter mantido uma posição firme no impasse que paralisou o governo e ameaça provocar um calote sem precedentes dos EUA já em 17 de outubro, dizendo que não aumentaria o limite da dívida sem alguma concessão de Obama. (Reuters)
Na Agência de Gestão de Emergências, Obama admitiu negociar, mas só após a reabertura dos órgãos públicos e à elevação do teto da dívida. Foto Michael Reynolds/EFE
Investidores nervosos, Bolsas em queda. s ações dos Estados Unidos fecharam em queda ontem, estendendo perdas das últimas duas semanas, com a falta de progresso nos debates para encerrar a paralisação parcial do governo e o impasse do teto da dívida mantendo investidores nervosos. O índice Dow Jones recuou 0,90%, para 14.936 pontos. O índice Standard & Poor's 500 teve desvalorização de 0,85%, para 1.676 pontos. O termômetro de tecnologia Nasdaq caiu 0,98%, para 3.770 pontos. O índice de volatilidade CBOE, um termômetro da ansiedade dos investidores, saltou 16%, para o maior nível desde junho. "O mercado está vulnerável a novos declínios enquanto essa situação continuar incerta. E, a cada dia que passa, ficam todos mais inquieto", disse o vice-presidente de investimentos do BNY Mellon Wealth Management, Leo Grohowski. Grohowski, que ajuda a gerir US$ 175 bilhões em ativos de clientes, estima que cada semana de paralisação pode custar 10 a 15 pontos básicos do Produto Interno Bruto (PIB). (Reuters)
A
O presidente da Câmara, republicano John Boehner, aceitará negociar apenas mudanças no Obamacare?
China preocupada com seu dinheiro China, maior credor do governo americano, pediu ontem que os Estados Unidos tomem medidas decisivas a fim de evitar a crise de dívida e garantir a segurança dos investimentos chineses. A China está "naturalmente preocupada com os avanços em direção ao abismo fiscal norte-americano", disse o vice-ministro das Finanças chinês, Zhu Guangyao, na primeira manifestaçãp pública do governo da
A
China sobre o assunto. "Os Estados Unidos estão totalmente cientes das preocupações da China com o precipício fiscal", disse Zhu a repórteres em Pequim, acrescentando que Washington e Pequim entraram em contato sobre o assunto. "Nós pedimos que os Estados Unidos seriamente tomem medidas para resolver a tempo (as questões) acerca do teto da dívida antes de 17 de outubro e que evite um de-
fault de dívida para garantir os investimentos chineses no país e a recuperação econômica global", disse Zhu. "Essa é a responsabilidade dos Estados Unidos". "Esperamos que os Estados Unidos entendam inteiramente as lições da História", disse Zhu, referindo-se ao impasse em 2011 que levou ao rebaixamento do rating dos Estados Unidos de "AAA" para "AA+" pela Standard & Poors. (Reuters)
FMI: fim dos estímulos pode causar turbulências. Mesmo se a saída das políticas monetárias não convencionais for "bem administrada", pode haver crise. mudança da política monetária não convencional nos Estados Unidos e em outros países desenvolvidos pode trazer volatilidade maior que a esperada, mesmo se for bem administrada, avalia um estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgado ontem. Apesar de os bancos centrais terem ferramentas para limitar as oscilações
A
de preços no mercado financeiro, a retirada dos estímulos monetários pode ainda assim provocar turbulências, com efeitos globais, alerta o relatório. Mesmo se a saída das políticas monetárias não convencionais for "bem administrada", os países pelo mundo podem esperar reversão dos fluxos de capital, moedas mais fracas, aumento dos custos de
empréstimos e volatilidade adicional nos preços dos ativos financeiros. "Algumas reações do mercado financeiro permanecem além do controle dos bancos centrais", afirma o documento do FMI, que recebeu o título "Impactos globais e desafios das políticas monetárias não convencionais". A retirada dos estímulos monetários deve levar a ajustes naturais nos preços dos ativos, que são esperados dada a magnitude destas políticas, que vêm sendo adotadas desde a crise financeira mundial de 2008. Mas o diretor assistente do FMI, Karl Habermeier, ressalta que, além desse ajuste, uma volatilidade adicional é esperada, pois os bancos centrais não conseguem controlar tudo. Essa turbulência pode contagiar o mercado financeiro mundial, pondo em risco a
estabilidade financeira e macroeconômica. A principal arma dos bancos centrais para tentar evitar maiores turbulências é a comunicação adequada da estratégia de retirada dos estímulos, ressalta o FMI. A saída também precisa ser feita de forma gradual e ordenada. O fator determinante para o início da retirada dos estímulos são os indicadores da atividade, que precisam mostrar recuperação econômica. Os governos devem estar atentos também aos riscos para a estabilidade financeira da mudança das políticas. Mas ao mesmo tempo em que uma retirada prematura pode pôr em risco a atividade econômica e a estabilidade do mercado, uma demora em mudar a política também embute riscos, ressalta o FMI. (EC)
DIÁRIO DO COMÉRCIO
terça-feira, 8 de outubro de 2013
15
A P-55, a maior plataforma construída no Brasil, vai produzir 180 mil barris de petróleo e tratar 4 milhões de metros cúbicos de gás na Bacia de Campos. Foto Agência Petrobras
Gasolina sem previsão de aumento Quem diz é a presidente da Petrobras, Graça Foster. presidente da Petrobras, Graça Foster, reafirmou que a companhia não tem previsão para reajustar os preços dos combustíveis. "O ministro Lobão (das Minas e Energia) realmente declarou que seria possível um reajuste até o fim do ano, mas a Petrobras não tem previsão de data para reajuste", disse ontem, após participar, ao lado de Lobão, de sessão solene no Senado em homenagem aos 60 anos da companhia. Graça Foster disse que a Petrobras só vai se pronunciar sobre os consórcios que vão participar do leilão de Libra depois do dia 21 de outubro, após a abertura dos envelopes dos interessados na primeira concessão do pré-sal brasileiro. A executiva declarou ainda que a Petrobras está concentrada no leilão de Libra neste momento. A presidente da estatal foi questionada sobre os planos da companhia para o contrato de cessão onerosa e para o Campo de Franco. "Nós trabalhamos Franco e a cessão onerosa como rotina dentro da companhia. Mas hoje estamos focados no leilão de Libra", afirmou. "Cessão onerosa e Franco são um trabalho per-
A
manente e rotineiro, mas eu, por ora, me mantenho na reserva de dizer que estamos trabalhando Libra." Segundo reportagem publicada no fim de semana pelo jornal O Globo, para reforçar o caixa da Petrobras, o governo estuda renovar imediatamente o contrato de cessão onerosa feito no processo de capitalização da empresa em 2010 e assegurar que a companhia tenha acesso total às reservas que foram cedidas, principalmente do Campo de Libra, o maior da cessão onerosa. Graça Foster disse ainda respeitar a avaliação da agência Moody's, que rebaixou a nota de risco de longo prazo da companhia, na semana passada, mas reconheceu que a mudança de patamar desagradou à companhia. "Ninguém gosta de nota baixa. Mesmo mantendo o grau de investimento, essa nova nota é um alerta, a Petrobras está atenta." De acordo com a executiva, em poucos meses, a Petrobras poderá produzir mais com mais capacidade de refino e isso poderá influenciar as próximas avaliações da agência. "Respeitamos a Moody's e vamos cuidar melhor dos nossos indicadores", completou. (EC) Foto Ed Ferreira/EC
Graça Foster participou no Senado de sessão dos 60 anos da Petrobras
Montada em Rio Grande (RS), a P-55 deixa o canal de acesso à barra, entre os molhes de pedra, a caminho do alto mar.
Plataforma gigante a caminho de Campos á está em alto mar, a caminho da Bacia de Campos, no litoral do Riol de Janeiro, a plataforma P-55, a maior construída no Brasil e uma das maiores semissubmersíveis do mundo. Ela deixou a doca do Estaleiro Rio Grande 1 (ERG-1), localizado na cidade de Rio Grande (RS), onde foi construída, na tarde de domingo. Com capacidade para produzir 180 mil barris de petróleo e tratar 4 milhões de metros cúbicos de gás por dia, a plataforma P-55 entrará em operação ainda em 2013. Ela é uma das nove novas unidades que serão instaladas nos campos de petróleo em 2013, contribuindo para o aumento da produção de petróleo e o alcance da
J
meta de produção de 2,75 milhões de barris por dia, prevista para 2017. Projeto integrante do Módulo 3 do Campo de Roncador, localizado na Bacia de Campos, a P-55 ficará ancorada a uma profundidade de cerca de 1.800 metros e será ligada a 17 poços, sendo 11 produtores e seis injetores de água. A exportação de petróleo e gás natural da plataforma será realizada por dutos submarinos acoplados à unidade. A obra gerou cerca de 5 mil empregos diretos e 15 mil indiretos durante a construção, e alcançou o índice de 79% de conteúdo nacional, proporcionado principalmente pelo fato de a construção e a integração terem sido feitas totalmente no
Brasil. A edificação da plataforma foi realizada em duas partes construídas de forma simultânea, casco e topside, e posteriormente unidas. O casco da unidade teve as atividades executadas no Estaleiro Atlântico Sul (EAS), em Pernambuco, de onde seguiu para o ERG-1, em Rio Grande (RS), para continuidade dos serviços. No ERG-1, foram feitas as instalações do convés e dos módulos, bem como a integração dos sistemas da plataforma. A construção dos módulos de Remoção de Sulfato e Compressão de Gás também foi feita no local; já os módulos de Remoção de CO2, Compressão Booster e TEG foram construídos em Niterói (RJ)
e, quando concluídos, transportados até Rio Grande. A operação que acoplou as duas grandes partes da plataforma (convés e casco), chamada de DeckMating, é considerada o marco mais desafiador da construção da unidade e uma das maiores já executadas no mundo, em função do peso da estrutura (17 mil toneladas) e a altura a que foi levantada (47,2 metros). A manobra foi realizada dentro do diqueseco do ERG-1, em junho de 2012. O tempo de reboque da P55 até a Bacia de Campos será de aproximadamente 12 dias, quando iniciarão os procedimentos para ancoragem da unidade e interligação aos 17 poços.
16 -.ECONOMIA/LEGAIS
DIÁRIO DO COMÉRCIO
terça-feira, 8 de outubro de 2013
terça-feira, 8 de outubro de 2013
DIÁRIO DO COMÉRCIO
ECONOMIA/LEGAIS - 17
DIÁRIO DO COMÉRCIO
18
terça-feira, 8 de outubro de 2013
n
Divulgação
O Galaxy Gear, da Samsung. lançado na feira de Berlim, já chegou ao Brasil e começa a ser vendido nesta semana no varejo
APLICATIVOS
Ajuda na logística industrial e no varejo
Conectado ao mundo, a partir do pulso. Os smart watches integram uma nova tendência de aparelhos vestíveis e operam como um espelho dos smartphones, atendendo chamadas, enviando mensagens e aces sando redes sociais enquanto o celular fica no bolso. Barbara Oliveira epois dos smartphones e das smart TVs, chegou a vez dos smart watches, os relógios inteligentes e conectados. Na feira de tecnologia IFA, realizada em Berlim no mês passado, esses dispositivos foram destaques. Três fabricantes mostraram seus modelos: a Samsung levou o Galaxy Gear, lançado na semana passada no Brasil e que começa a ser vendido nesta quinta-feira no varejo; a Sony apresentou o SmartWatch 2, com lançamento previsto para antes do Natal segundo a fabricante e que está em sua segunda versão; e a Qualcomm, fabricante de chips para aparelhos móveis, apareceu com o Toq, ainda sem previsão para desembarcar no País. A Apple não ficará de fora do modismo e deve anunciar o seu iWatch até 2014, segundo os sites es-
D
pecializados. A empresa não confirma nada por enquanto, mas sabe-se que já registrou pedido de patentes para o nome em vários países. Tais relógios podem representar uma nova tendência de computação móvel, especialmente para quem preza uma novidade e visa mais comodidade no uso. Mas seu sucesso (ou fracasso) dependerá da autonomia, compatibilidade com outros aparelhos (e não só os de última geração), número de aplicativos disponíveis e dos preços, por enquanto bem salgados. O Galaxy Gear, por exemplo, custa lá fora de US$ 299 e aqui será vendido, inicialmente, por cerca de R$ 1.200. O smart watch da sul-coreana serve de espelho de outros smartphones, assim como os demais modelos conectados, isto é, o celular fica no bolso ou na bolsa, e as funções básicas são feitas pelo relógio. Na primeira etapa de lançamento, o Gear funcionará apenas com o Galaxy Note 3, também lançado no País nesta semana. Em breve, o dispositivo será compatível com outros telefones Samsung, como o Galaxy S4, o S3 e o tablet Note 10. Com facilidades – Apesar das limitações, parece haver público para esse tipo de equipamento vestível. A consultoria Canalys estima que em 2014 serão vendidos 5 milhões desses relógios no mundo, uma explosão em relação a 2012 que não deve passar de 500 mil unidades. Mas
este foi um ano de lançamentos. viamente ou para atendê-las é Tais relógios são usados para re- necessário usar um fone Blueceber ligações, ler e-mails, en- tooth (já que o relógio tem esviar mensagens de texto e aces- sa conexão) sar a internet, além de outras O modelo Toq, da Qualfunções que auxiliam nos exer- comm, é bem mais simples do cícios físicos. que os concorrentes e não há Algumas facilidades são vi- previsão de vendas no Brasil, síveis. No Gear, a tela OLED é por enquanto. Ainda em fase de 1,63 polegadas e sensível experimental, o dispositivo ao toque, e o aparelho avisa ao tem como diferencial a tela usuário sobre ligações recebi- com tecnologia Mirasol que das e dá a opção de aceitá-las ajusta o brilho ao ambiente e ou ignorá-las. Para atender a traz visibilidade total mesmo chamada basta debaixo do sol. O fazer um moviaparelho faz chamento do braço madas, tira fotos como se levasse e manda mensao aparelho ao ougens (inclusive vido. Os microfodo Whatsapp) nes foram colodesde que sincrocados no centro nizado a um do pulso e o altosmartphone com falante acoplado Bluetooth em tepermite fazer lilefones Android gações do celu4.0 ou superior e lar sem usar as com aplicativos mãos, apenas da Qualcomm com um comaninstalados. O Toq do de voz. Isso fatambém funciocilita se o usuário na com um fone estiver com os de ouvido Bluetobraços ocupados oth. Em breve, a carregando alempresa deve guma coisa, por lançar um modeexemplo. É poslo premium com sível tirar uma foespecificações to ou fazer um mais avançadas. Ao alto, o pequeno vídeo Nos esportes – Oregon, com a câmera da Os relógios da Niapresentado pulseira. O conke e da Oregon como personal teúdo é salvo nos não são conectatrainer; acima, 4 GB disponíveis dos a um celular o novo modelo e pode ser comcomo os da conda Sony. partilhado pelas corrência, mas redes sociais. A bateria dura trazem configurações especíaté 25 horas e a função de blo- ficas voltadas para o esporte. queio automático trava a tela O Nike +SportWatch GPS, à do smartphone sempre que o venda na Netshoes ou na Nike Gear estiver a mais de 1,5 me- Store (www.nike.com.br) por tro de distância do celular. É R$ 700, usa dados do GPS Tom claro que no aparelho também Tom e do sensor Nike+ para trabalha um relógio de pulso monitorar ritmo, distância, com 10 funções embutidas. tempo, batimentos cardíacos O SmartWatch 2, da Sony, e calorias gastas, além de mais flexível, é compatível guardar o histórico de corridas com qualquer aparelho An- e listar recordes pessoais. Padroid (4.0 ou mais novo) e per- ra isso, é necessário instalar o mite acionar a câmera do celu- software Nike+ Connect (nikelar de forma remota ou checar plus.com/downloads) no comnotificações do telefone. Na putador para sincronizar os Europa custa € 199 e aqui ain- dados e vincular o relógio ao da não tem preço definido ain- perfil do usuário. A tela é senda. A Sony diz que já vendeu sível ao toque, mas não é 500 mil aparelhos da linha aconselhável mergulhar o Smart Watch desde que foi equipamento na água. lançada no ano passado. A O modelo da Oregon Scienmarca conta com a vantagem tific, SE833, opera como um de mais de 200 aplicativos de- personal trainer de pulso. O dicados e cerca de um milhão programa de treinamento emde downloads até agora. O butido grava os exercícios e usuário pode consultar mapas mostra o rendimento do atleta de rotas e ler e-mails já baixa- em três perfis de atividades. dos quando não está conecta- Também mede batimentos do ao celular. O aplicativo Run- cardíacos, calorias consumitastic permite planejar exercí- das e o percentual de gordura cios físicos e também acessa queimada. O mostrador comredes sociais. Uma porta mi- para e avalia dados de diferencro USB na lateral da tela car- tes exercícios físicos e calcula rega o dispositivo, cuja bateria velocidade da corrida e a dispara um usuário médio dura tância percorrida pelo atleta. até três dias, diz a fabricante. O relógio conecta-se ao comÀ prova d’água, o SW2 não putador pela USB sem fio. Custem microfone como o Gear. ta R$ 700 e está à venda no site As chamadas são respondidas da Oregon http://www.orepor mensagens escritas pre- gonscientific.com.br/
O OS Mobile é voltado para empresas com equipes de campo, que dispensam sofisticação.
Divulgação
A
Prime Systems, especializada em soluções móveis para o mercado corporativo está atualizando um de seus principais aplicativos, o OS Mobile, para a versão 4.0. O software roda em Android, iOS, BlackBerry e em aparelhos mais simples com sistema Symbian e Java, porque é voltado para automação e para empresas com equipes de campo, o que dispensa aparelhos muito sofisticados. O aplicativo tira fotos, faz leitura de códigos de barras, fornece a posição geográfica do usuário e envia todas as informações sobre tempo de espera, picos da operação, gerenciamento do serviço, relatórios de desempenho e estatísticas coletadas no dispositivo móvel para um site Web. Esses dados podem ser visualizados na tela de um PC pelo administrador ou gerente da área. “Isso facilita muito o atendimento porque tudo o que era feito em papel passou a ser feito diretamente no aplicativo do celular e a integração dos dados com o call center e com os programas de gestão é online”, informa o diretor de operações da Prime, Mário Luiz da Silva. A ordem de serviço em campo é enviada pela rede de celular. Uma das clientes da Prime para esse aplicativo é a empresa de telecomunicações mineira Algar, que mantém 700 funcionários em campo para instalação e manutenção de linhas e internet. “Com a visualização das informações por parte dos gerentes operacionais numa tela Web, o Mobile OS 4.0 dá chance às empresas de informarem seus clientes, em tempo real, sobre o andamento do serviço”, diz Silva. Outra cliente da ferramenta é a Via Pajuçara Transportes, responsável por encomendas expressas e cargas em toda a região Sudeste. “Tivemos redução de custos por causa da maior agilidade na transmissão das informações aos clientes e também reduzimos o congestionamento de linhas telefônicas”, informa o supervisor da área operacional da Via Pajuçara, Leonardo Solano. Na área de saúde, o grupo Imact-Rio, grupo fluminense que importa e distribui materiais cirúrgicos (equipamentos, implantes e produtos descartáveis), também utiliza o OS Mobile para a entrega e recebimento dos materiais nos hospitais e clínicas. O uso do aplicativo envolve motoristas, instrumentadores e profissionais de apoio. Após o pedido feito pelo cirurgião, a empresa libera a mercadoria junto aos convênios e faz a entrega nos locais determinados. A equipe comercial consegue saber qual foi o motorista responsável pelo transporte, onde o equipamento está (no carro ou em alguma região da cidade, graças ao rastreamento) e quem o recebeu. Tudo pelo celular. No ano passado, o OS Mobile foi integrado ao sistema de gestão empresarial da Imact-Rio. Outro aplicativo da empresa e voltado para o varejo é o Promotor Online, de automação de equipes de trade marketing. As funcionalidades do software mobile permitem ao promotor – quando está na loja ou no supermercado – inserir as informações das visitas realizadas e tirar fotos dos produtos nas gôndolas enviando esses dados para a central da indústria. “A empresa visualiza o seu ponto de venda, avalia a exposição dos produtos e tudo pode ser feito de forma online para a tomada de decisões mais rápida”, informa Silva. Com a ferramenta móvel também é possível visualizar resultados por região, identificar os melhores vendedores e criar campanhas específicas para o público-alvo. A Prime tem 250 clientes no País e 55 mil usuários de seus aplicativos que realizam 8 milhões de transações por dia. (B.O.)