Skip to main content

DC 05/01/2012

Page 1

Enxurrada de dólares São Paulo, quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Chuvas: mais um dia, mais 5 mortes. Temporais continuam castigando Minas (à dir., a cidade de Ponte Nova), Espírito Santo e Rio de Janeiro, elevando o total de mortes para 11. E o fenômeno climático La Niña deve acentuar os problemas justamente nas áreas mais afetadas. Pág. 10

www.dcomercio.com.br

Ano 87 - Nº 23.535

Jornal do empreendedor

R$ 1,40

Foi o segundo melhor saldo cambial em 30 anos da série histórica: US$ 65,279 bi, 170% a mais que 2010. Só 2007 o superou, com US$ 87,454 bi. Além disso, estamos captando mais recursos que Itália e Espanha. Pág. 16

Conclusão: 23h45

Amadeu Barbosa/Fohapress

Bezerra põe Cidades no brejo Ministro da Integração nega favorecimento a seu Estado (PE) no repasse de verbas para obras contra desastres naturais e diz que Ministério das Cidades tem a maior fatia. Págs. 5 e 6 Valter Campanato/ABr

Inflação das despesas pessoais chega a 8,35% A inflação que pesou no bolso do paulistano em 2011 inclui viagens, restaurantes... Pág. 13

Max.

União tem R$ 1,8 bilhão a reaver de 'desvios' Bilionário Big Brother. E o dinheiro é nosso. No dia em que os participantes do BBB 12 foram apresentados, o governo revelou ter um projeto para desnudar seus gastos: pela web, este ano, o cidadão poderá acompanhar as despesas dos ministérios e demais órgãos da administração direta da União. Pág. 8

Chico Ferreira/LUZ

Pelo menos esse é o valor equivalente aos 744 processos concluídos pela Controladoria Geral da União em 2011 por aplicação irregular de recursos públicos. A quantia é 5,5% maior que a de 2010. A média atual de recuperação do dinheiro é de apenas 15% do desviado. Pág. 8

CRACOLÂNDIA AMBULANTE HOJE

ISSN 1679-2688

23535

Pancadas de chuva à tarde e à noite. Máxima 30º C. Mínima 16º C.

AMANHÃ Pancadas de chuva à tarde e à noite. Máxima 31º C. Mínima 17º C.

9 771679 268008

Operação da PM tira usuários de crack da região da Luz. E os "noias" migram com suas pedras para as imediações da Praça Princesa Isabel. Pág. 11


DIÁRIO DO COMÉRCIO

2

o

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

E o mais grave, o pior: o dinheiro quando sai, está cercado de "carimbos" políticos. José Márcio Mendonça

pinião

Carlos Rhienck/Folhapress

ARISTÓTELES DRUMMOND

CANDIDATO TEM DE SER NATURAL

N

Ouro Preto, em Minas Gerais: desmoronamento por causa das chuvas dá início à tragédia anunciada, mas contra a qual nunca há prevenção.

Notícias da Corte. E da planície.

U

ma vez que, como diria o poeta pernambucano Ascenso Ferreira, "ninguém é de ferro", na esteira do descanso de verão que a presidente Dilma Rousseff se concedeu na praia de Aratu, na Bahia, 21 dos 38 ministros também bateram asas da capital da República. E, na cola deles, naturalmente, registrou-se a revoada de servidores de escalões superiores da República. Brasília, que já costuma ser um deserto de sensatez política e administrativa, virou também um árido ambiente de homens de ação. Mas como nem São Pedro nem o País costumam dar-se ao direito de tanta trégua, parte do Brasil, principalmente no Sudeste, e mais precisamente em Minas Gerais (mas não somente lá), começou a se afogar com as chuvas e a prenunciar algumas tragédias, como geralmente ocorre em território nacional neste período. As mortes provocadas por esses eventos da natureza já passam de dez e os desalojados e desabrigados se contam aos milhares. É então que se constata que a Corte, além de ausente, não cumpriu o mínimo papel que lhe é reservado nessas ocasiões, na prevenção e/ou para minorar as consequências do que, mais do que simples culpa da natureza, é resultante da omissão e da incúria gerencial que ilustram nosso mundo político-administrativo. Por ordem da presidente Dilma, a ministra chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, retornou a Brasília para coordenar os trabalhos de amparo a áreas e

JOSÉ MÁRCIO MENDONÇA pessoas afetadas. Está voltando ao trabalho, também, o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, e com eles uma parcela do segundo time.

P

arte dos estragos, obviamente, não tem mais reparação. No entanto, poderiam ter sido evitados, ou suas consequências seriam menos dramáticas caso a Corte tivesse cumprido sua parte ao longo do tempo, no tempo em que tudo está razoavelmente bem. Não cumpriu e, podemos ter certeza, passado o sufoco do momento, certamente não cumprirá depois. No ano passado, nessa ocasião, parte da região serrana do estado do Rio desabou. Ministros para lá se deslocaram, compungidos, e a presidente, em início de mandato movimentou-se e fez profissão de

fé. Há dias, num rasgo de sinceridade logo recolhido, o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, disse que muitas pessoas ainda morreriam no Brasil neste verão por conta das intempéries da natureza. Mercadante, além do dom da premonição demonstrado, certamente falava com conhecimento de causa, sabedor das omissões oficiais quanto à questão.

R

ecentemente, o site Contas Abertas, especializado em análise das contas oficiais, fez um levantamento e constatou que nos últimos oito anos o governo federal deixou de aplicar, como ele próprio havia posto nos orçamentos anuais e o Congresso aprovado, dois bilhões de reais em programas de

Nos últimos oito anos o governo federal deixou de aplicar, como estava previsto e aprovado nos orçamentos anuais, R$ 2 bilhões em programas de prevenção a desastres.

prevenção a desastres. Dos 2,7 bilhões de reais de dotações autorizadas para a área em geral, apenas 678 milhões de reais foram efetivamente gastos. Isso num período em que, segundo o IBGE , o número de pessoas que vivem em favelas no Brasil, áreas de elevado risco, mais do que dobrou.

E

o mais grave, o pior: o dinheiro quando sai, está cercado de "carimbos" políticos. 90% das verbas para prevenção e preparação a desastres liberadas em 2011 foram direcionadas para Pernambuco, o estado do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra – por coincidência aspirante à prefeitura de Recife. A segunda região mais agraciada foi a Bahia, também por mera coincidência terra do antecessor de Bezerra, Geddel Vieira Lima, hoje dando expediente numa vicepresidência da Caixa Econômica Federal, enquanto prepara seu próximo bote eleitoral. Desse modo age a Corte no planalto, enquanto a planície sofre. Interromper férias para mostrar atividade é apenas solidariedade tardia. Nada contra as férias. Mas quando no trabalho, o dever precisa ser cumprido. A Infraero deixou de aplicar um bilhão de reais em obras e aeroportos no ano passado. As obras de mobilidade urbana para a Copa estão quase imóveis. E assim vai o barco oficial. JOSÉ MÁRCIO MENDONÇA É JORNALISTA E ANALISTA POLÍTICO

Presidente Rogério Amato Vice-Presidentes Alfredo Cotait Neto Antonio Carlos Pela Carlos Roberto Pinto Monteiro Cláudio Vaz Edy Luiz Kogut Érico Sodré Quirino Ferreira Francisco Mesquita Neto João de Almeida Sampaio Filho João de Favari Lincoln da Cunha Pereira Filho Luciano Afif Domingos Luís Eduardo Schoueri Luiz Gonzaga Bertelli Luiz Roberto Gonçalves Nelson Felipe Kheirallah Nilton Molina Paulo Roberto Pisauro Renato Abucham Roberto Faldini Roberto Mateus Ordine

este momento de criatividade e de atividade voltadas para alianças eleitorais, com vistas às disputas municipais deste ano – e já procurando amarrar coligações para 2014 –, os caciques no poder, inclusive nos estados, demonstram uma inacreditável soberba. É inimaginável que aqueles que atingem o topo não tenham um mínimo de humildade diante de área tão imprevisível como é a política, especialmente quando a palavra final vem do povo. Pelo menos dois meses antes das convenções para confirmarem os acordos de cúpula, as pesquisas começam a ser publicadas. E fica cada vez mais difícil enfrentar a manifesta vontade popular, que logo corre para a Internet e que a imprensa acaba registrando. Não adianta se armar dentro de um grupo, com mais de um nome, se as pesquisas estiverem registrando outro como preferido – e que, naturalmente não vai querer abrir mão da candidatura. Os campeões de pesquisas precisam deixar claro que não estão na disputa, se é o caso. E isso precisa ser combinado antes. Pesquisas não elegem, mas ajudam a formar alianças e a consolidar candidaturas. Em 2010, ficou claro que o erro de Aécio Neves foi sua ausência no cenário nacional – fosse pessoalmente ou pela mídia. al fato deu vantagem a seu oponente dentro do partido, José Serra, que já tinha uma candidatura presidencial, fora ministro e prefeito da maior cidade do País. Apesar de rejeitado pela postura na vida pública, a posição nas pesquisas favoreceu o equívoco de sua indicação pelo PSDB, que tinha no núcleo paulista uma forte base. No Rio de Janeiro, o governador Sérgio Cabral, de alta popularidade e bons resultados, tem no vice, Pezão, o candidato anunciado e reconhecido parceiro na grande obra que vem sendo realizada nestes dois mandatos. Mas é preciso que, na base aliada, não surja um nome correndo por fora, que possa surpreender e criar uma divisão desaconselhável aos interesses do estado, que ainda depende muito da continuidade da atual orientação. Em Minas Gerais, a continuidade administrativa é fundamental para que o estado prossiga ganhando

Pesquisas não elegem, mas ajudam a formar alianças e a consolidar candidaturas. Em 2010, ficou claro que o erro de Aécio Neves foi sua ausência no cenário nacional . espaços na economia nacional e consolide os projetos de monta já desenhados. Afinal, a corrida dos investidores ao estado se deve ao pressuposto da continuidade da orientação responsável. o Rio, o candidato natural e ideal é o vicegovernador, Alberto Pinto Coelho, discreto, leal, cumpridor e com a confiança da classe política, da base ou não, singular nas últimas décadas como grande político de atuação regional. Um Pio Canedo redivivo. Foi o grande presidente da Assembleia Legislativa e tem uma bonita história de lealdade e de permanente cordialidade.

N

William Volcov/AE

T

Aécio Neves: a hora de Minas? ão pode ser atropelado por nenhum nome que venha a ser criado e muito menos dar espaço para o trabalho da oposição, que a essa altura só tem no ex-prefeito Patrus Ananias um nome sem suspeições. O PMDB dificilmente dará nova chance ao ex-senador Hélio Costa, uma vocação para a derrota na disputa estadual. São Paulo, fragmentado, só teria confiabilidade numa gestão responsável, com reais chances de vitória, com o vice Afif Domingos. Fora dele, há incerteza de resultado e mais ainda de gestão da grande metrópole, que em 2014 tem no governador o candidato mais que natural.

N

ARISTÓTELES DRUMMOND É JORNALISTA E VICE-PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DO

RIO DE JANEIRO.

Fundado em 1º de julho de 1924 CONSELHO EDITORIAL Rogério Amato, Guilherme Afif Domingos, João Carlos Maradei, João de Scantimburgo, Marcel Solimeo Diretor-Responsável João de Scantimburgo (jscantimburgo@acsp.com.br) Diretor de Redação Moisés Rabinovici (rabino@acsp.com.br) Edi tor - Ch e fe: José Guilherme Rodrigues Ferreira (gferreira@dcomercio.com.br) Chefia de Reportagem: Teresinha Leite Matos (tmatos@acsp.com.br) Editor de Reportagem: José Maria dos Santos (josemaria@dcomercio.com.br) Editores Seniores: Bob Jungmann (bob@dcomercio.com.br), Carlos de Oliveira (coliveira@dcomercio.com.br), chicolelis (chicolelis@dcomercio.com.br), Estela Cangerana (ecangerana@dcomercio.com.br), Luiz Octavio Lima (luiz.octavio@dcomercio.com.br), Luiz Antonio Maciel (maciel@dcomercio.com.br) e Marino Maradei Jr. (marino@dcomercio.com.br) Editor de Fotografia: Alex Ribeiro Editores: Cintia Shimokomaki (cintia@dcomercio.com.br), Fernando Porto (fporto@dcomercio.com.br), Kleber Gutierrez (kgutierrez@dcomercio.com.br), Ricardo Ribas (rribas@dcomercio.com.br) e Vilma Pavani (pavani@dcomercio.com.br) Subeditores: Marcus Lopes e Rejane Aguiar Redatores: Adriana David, Darlene Delello, Eliana Haberli e Evelyn Schulke Repórteres:Anderson Cavalcante (acavalcante@dcomercio.com.br), André de Almeida, Fátima Lourenço, Ivan Ventura, Karina Lignelli, Kelly Ferreira, Kety Shapazian, Lúcia Helena de Camargo, Mariana Missiaggia, Mário Tonocchi, Paula Cunha, Rafael Nardini, Rejane Tamoto, Renato Carbonari Ibelli, Rita Alves, Sandra Manfredini, Sergio Leopoldo Rodrigues, Sílvia Pimentel, Vera Gomes e Wladimir Miranda. Gerente PL Arthur Gebara Jr. (agebara@acsp.com.br) Gerente Executiva Sonia Oliveira (soliveira@acsp.com.br) Gerente de Operações Valter Pereira de Souza (valter.pereira@dcomercio.com.br) Serviços Editoriais Material noticioso fornecido pelas agências Estado, Folhapress, Efe e Reuters Impressão OESP GRÁFICA S/A Assinaturas Anual - R$ 118,00 Semestral - R$ 59,00 Exemplar atrasado - R$ 1,60

FALE CONOSCO E-mail para Cartas: cartas@dcomercio.com.br E-mail para Pautas: editor@dcomercio.com.br E-mail para Imagens : dcomercio@acsp.com.br E-mail para Assinantes: circulacao@acsp.com.br Publicidade Legal: 3244-3175. Fax 3244-3123 E-mail: legaldc@dcomercio.com.br Publicidade Comercial: 3244-3197, 3244-3983, Fax 3244-3894 Central de Relacionamento e Assinaturas: 3244-3544, 3244-3046 , Fax 3244-3355

REDAÇÃO, ADMINISTRAÇÃO E PUBLICIDADE Rua Boa Vista, 51, 6º andar CEP 01014-911, São Paulo PABX (011) 3244-3737 REDAÇÃO (011) 3244-3449 FAX (011) 3244-3046, (011) 3244-3123 HOME PAGE http://www.acsp.com.br E-MAIL acsp@acsp.com.br


DIÁRIO DO COMÉRCIO

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

o

3

CHINA NÃO É A FONTE DOS PROBLEMAS DE DESEMPREGO NOS ESTADOS UNIDOS.

pinião

COMÉRCIO COM A CHINA

MITOS E REALIDADE S

em muito escrutínio, republicanos e democratas, esquerdistas e conservadores embarcaram entusiasticamente na onda demagógica contra o comércio com a China. A ex-presidente da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi (democrata-Califórnia), sugeriu que tarifas protecionistas contra a China têm "um papel chave na nossa agenda Fabrique na América". Durante a campanha para o Senado, em 2010, o líder da maioria no Senado, Harry Reid (democrataNevada), chamou a sua oponente republicana, apoiada pelo Tea Party, Sharron Angle, de "a melhor amiga do trabalhador estrangeiro". Numa recente coletiva de imprensa, o presidente Barack Obama deu o seu apoio à campanha anti-China, declarando que esta "tem sido muito agressiva na obtenção de vantagens no jogo do sistema de comércio mundial", acrescentando que "podemos e devemos tomar medidas contra países que mantêm suas moedas subvalorizadas e que isso significa, sobretudo, a China". Os pré-candidatos republicanos à Presidência em 2012 também embarcaram na onda da propaganda anti-China. Mitt Romney escreveu: "Se eu tiver a sorte de ser eleito presidente, trabalharei fundamentalmente para alterar nossa relação econômica com a China. Desde o primeiro dia de meu mandato, começarei a designar a China como a manipuladora de câmbio que de fato é". O ex-senador Rick Santorum (republicano-Pensilvânia) foi ainda mais desafiador ao dizer: "Quero ir à guerra (comercial) com a China". Examinemos a magnitude de nosso comércio com a China. Um excelente lugar para começar o exame é uma recente publicação (agosto de 2011) de autoria de Galina Hale e Bart Hobijn, dois economistas do Federal Reserve Bank de São Francisco, intitulada O Conteúdo

WALTER E. WILLIANS Para o ano de 2008, o Federal Reserve estimou que o valor da produção de manufaturados foi de algo em torno de 3,7 trilhões de dólares. Se o setor manufatureiro americano fosse uma economia separada – com seu PIB próprio – estaria empatado com a Alemanha no posto de 4ª mais rica economia do mundo.

H

Americano do ‘Made in China'. Uma das várias questões que eles propõem é: "Qual é a fração dos gastos do consumidor americano com bens fabricados na China?". Suas fontes de dados são o U.S. Census Bureau (o equivalente ao IBGE americano), o Bureau de Estatísticas Trabalhistas e o Bureau de Análise Econômica do Departamento de Comércio dos Estados Unidos. Hale e Hobijn descobriram que a vasta maioria dos bens e serviços vendidos nos Estados Unidos é produzida nos... Estados Unidos. Em 2010, o total das importações americanas foi algo em torno

de 16% do PIB dos Estados Unidos e, disso, 2,5% vieram da China. Um total de 88,5% dos gastos do consumidor americano é com itens produzidos nos Estados Unidos, cuja maior parte é composta de serviços produzidos internamente – serviços tais como cuidados médicos, construção civil, transporte, etc. – e que perfazem quase dois terços dos gastos. Os produtos chineses são responsáveis por 2,7% dos gastos pessoais em consumo nos EUA, equivalentes a mais ou menos um quarto dos 11,5% de gastos com bens e produtos importados. Os

bens importados da China consistem principalmente de móveis e utensílios domésticos, outros bens duráveis, roupas e calçados.

N

a categoria de roupas e calçados, 35,6% das compras do consumidor americano em 2010 foram itens com o selo "Made in China". Muito daquilo que a China nos vende tem um considerável "conteúdo local". Hale e Hobijn dão o exemplo dos calçados e tênis que podem ser vendidos a 70 dólares. Eles ressaltam que a maior parte do preço é devida ao transporte

(frete) dentro dos EUA, aluguel das lojas onde são vendidos, a margem de lucro dos varejistas americanos, além dos custos de marketing, que incluem os salários e benefícios pagos aos trabalhadores e gerentes americanos responsáveis por levar os tênis chineses aos consumidores. Na média, 55 centavos de cada dólar gasto em produtos fabricados na China vão custear os serviços de marketing produzidos nos EUA. De mãos dadas com a demagogia atual sobre comércio, corre a conversa sobre o declínio do setor manufatureiro dos Estados Unidos.

oje, o trabalhador americano do setor de manufaturas é tão produtivo que o valor médio de sua produção anual é de mais ou menos 234 mil dólares, três vezes maior do que em 1980 e duas vezes maior do que era em 1990. Isso significa que mais pode ser produzido com menos trabalhadores, resultando numa queda acentuada no número de empregos desse setor da economia: de 19,5 milhões de empregos em 1979 para pouco mais de 10 milhões, atualmente. O ponto principal é que os americanos estão se deixando ludibriar ao acreditar que a China é a fonte de nossos problemas de desemprego, quando os verdadeiros culpados estão no Congresso e na Casa Branca.

WALTER E. WILLIAMS É PH. D. EM ECONOMIA PELA UCLA E PERTENCE AO CORPO DOCENTE DA GEORGE MASON UNIVERSITY, EM FAIRFAX, VIRGÍNIA, COMO PROFESSOR DE ECONOMIA. TRADUÇÃO: HENRIQUE DMYTERKO. PUBLICADO EM WWW.MIDIAAMAIS.COM.BR

Reprodução

O

livro O Mágico de Oz é, sem dúvida alguma , literatura de primeiríssima qualidade, capaz de divertir e simultaneamente educar os leitores, numa prova cabal de que aprender pode ser uma aventura cheia de encantamento e não uma monumental chatice. Nesta sociedade midíatica em que vivemos, em que a indústria cultural, com raríssimas exceções, cospe lixo literário, cinematográfico, televisivo e musical, alguns tesouros filmados e "livrados" (ou viceversa) há muito tempo continuam sempre atuais. As peripécias de Dorothy, do Espantalho, do Homem de Lata e do Leão Covarde, personagens fantásticos saídos da fértil imaginação do escritor Frank Baum, enquanto cativam os leitores de bom gosto, sejam crianças, "adultescentes" ou "envelhecentes", trazem também no seu bojo estupendas lições de vida para quem quiser aprender. Pois é. Nos dias que correm, quando valores e afetos "são líquidos", na expressão do sociólogo Zygmunt Bauman, e quando, ainda, os laços familiares se afrouxam mais e mais, as palavras de Dorothy, a meninaheroína do livro supracitado, ao dizer que "não há lugar melhor no mundo do que o lar", batem forte na alma das pessoas sensíveis e de bom senso, que ainda têm claro na consciência a importância do núcleo familiar como centro forjador de cidadãos do bem. De fato, uma consciência de cidadania nasce – ou deveria nascer – não nos bancos escolares, mas no seio da família. Infelizmente, o que se observa hoje? Excesso de informações via networking, muitas delas pura cultura inútil, e um grave déficit de afetividade entre os membros da própria família.

Cena do filme "O Mágico de Oz", de 1939: personagens que encantam o público há dezenas de anos e trazem lições de vida.

MUITO ALÉM DO ARCO-ÍRIS Os valores em geral, e não apenas os que envolvem os laços familiares, assustadoramente vão se esfacelando muito rápido, nestes dias plúmbeos em que vivemos. Ética, por exemplo, virou apenas uma página mofada nos antigos e carcomidos livros de filosofia enfileirados nas bibliotecas vazias. oltemos ao Mágico de Oz. O simpático Espantalho, cujo anseio maior é ter um "cérebro", é uma metáfora perfeita sobre a importância de as pessoas aprenderem a pensar e repensar suas ações na vida, fazendo uso da racionalidade, um atributo cerebral, digamos assim, que nos diferencia dos outros bichos. Já o Homem de Lata – vejam só –, possui um cérebro, mas carece de um coração! E o que isto quer dizer? A mensagem simplificada é a seguinte: razão (cérebro) sem emoção (coração) gera em nós, humanos, uma frieza maquinal, típica da lata – daí "homem de lata"; portanto,

V

LUIZ OLIVEIRA RIOS quando nos falta um coração, a lógica cartesiana da Razão (permitam-me a redundância), sozinha, nos torna menos humanos. Viramos uma fria lataria. Na vida prática, imaginem, por

exemplo, um "juiz de lata", isto é, alguém que somente julgue com a "letra morta da Lei" (expressão de São Paulo), mas totalmente desprovido da misercórdia que somente os corações ternos

O Espantalho e o Homem de Lata, na leitura atenta dos personagens, além da beleza lúdica e da graça de suas estripulias, querem dizer: cérebro e coração precisam andar junto, sempre se complementando.

possuem: o que teríamos aqui? Mais uma vingança do Estado contra o infrator do que a aplicação com sabedoria da legislação em vigor. A justiça não seria feita, pois totalmente desequilibrada, ou seja, sem o toque do amor pelo próximo. ma tragédia também seria um "juiz espantalho", ou seja, apenas agindo pelos ditames do coração (emoção), mas sem as diretrizes de um cérebro (razão). De fato, a bondade, fora dos trilhos do que deve ser justo doa a quem doer, vira uma fraqueza do caráter. Muitos pais e mães "bonzinhos" com seus filhos, hoje se arrependem amargamente desse vacilo comportamental no passado: não deveriam ter sido "bonzinhos" e sim justos. O Espantalho e o Homem de Lata, na leitura atenta de seus personagens, além da beleza lúdica das suas estripulias, querem dizer: cérebro e coração precisam sempre se complementar. E o Leão covarde? Uma sacada

U

genial do autor do livro, até porque temos aqui uma espécie de antítese do impossível, ou seja, o leão, como o rei das selvas, jamais poderia ser um covarde – uma vez que supõe-se que o principal atributo de um leão seja a ... coragem! Quando essa fábula, a do leão covarde, é transportada para o terreno da realidade humana, a lição é clara, embora perturbadora: ninguém é super-homem, no sentido de ser corajoso o tempo todo. Se tivermos honestidade – e coragem– intelectual, devemos admitir com naturalidade que já nos acovardamos diante de algumas situações trazidas pela vida; e isso não é demérito para ninguém e sim o reconhecimento de que somos humanos, demasiadamente humanos. Quem nunca se amofinou na vida que dê o primeiro coice. quem nunca agiu desmioladamente (Espantalho)?. E quem nunca se mostrou cruelmente frio, como se nunca tivesse possuído um coração (Homem de Lata)? E quem nunca ansiou, quase em desespero, para voltar correndo para o lar (Dorothy)? A verdade é uma só: nas bem traçadas linhas do Mágico de Oz está um pouco da história de cada um de nós – ou, nas palavras do filósofo Paul Ricoeur, "nossa narrativa de vida". É por isso que consciente – e bem mais, inconscientemente – que amamos tanto o livro e o filme homônimo, cuja música tema será eternamente uma obra-prima. "Please, Sam, play again Over the Rainbow ".

E

LUIZ OLIVEIRA RIOS É PROFISSIONAL DE MARKETING E VENDAS E COLUNISTA DO DIÁRIO DO COMÉRCIO. OLIVEIRA.RIOS@HOTMAIL.COM


DIà RIO DO COMÉRCIO

4 -.GERAL

GibaUm

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

3 Ronaldo NazĂĄrio recupera- 3 MAIS: e quer vender sua se de dengue contraĂ­da em Trancoso, onde quer vender sua casa. (ficou pequena para a famĂ­lia.)

gibaum@gibaum.com.br

ÂŤ

k Tenho cara de brasileira: cara de pobre.

REGINA CASÉ // atriz e apresentadora de TV, padronizando traços físicos da população do país.

Fotos: BusinessNews

cobertura duplex no Leblon, no Rio, toda reformada. Pagou R$ 6 milhĂľes e quer R$ 30 milhĂľes.

Casamento, nĂŁo! 333 O ator Paulo CĂŠsar Pereio, que tem um programa semanal de entrevistas no Canal Brasil (chama-se Sem Frescura), onde sempre tira sua dentadura e coloca num copo com ĂĄgua, serĂĄ candidato a vereador em SĂŁo Paulo, pelo PSB. Ele avisa que nĂŁo defenderĂĄ o casamento gay porque ĂŠ contra qualquer tipo de casamento: â€œĂ‰ uma forma de escravidĂŁo, como a obrigação de servir ao ExĂŠrcitoâ€?. HĂĄ muitos anos, Pereio foi casado com a atriz Ciça GuimarĂŁes.

Là E Cà A crise financeira na Europa não poupou nem os mais tradicionais produtores de champanhe da França: quem foi passar festas de final de ano em Paris pode comprar uma garrafa de Veuve Clicquot a US$ 40 e atÊ uma Grand Dame a US$ 180. Em casas de bebidas de São Paulo e Rio, a mesma Veuve Clicquot estava sendo vendida, nesses dias, a R$ 360 e, dependendo da festa de reveillon, a R$ 500 a garrafa. 333

Deborah Colker vai dirigir a vinheta comemorativa dos 40 anos do Fantåstico, que entrarå no ar depois do carnaval. Ela usarå bailarinos de sua companhia de dança e quer fazer uma homenagem à vinheta original, sem usar truques ou efeitos de computador. As gravaçþes começam ainda em janeiro e tambÊm haverå um novo arranjo para a música de abertura do programa. Nesses quarenta anos de existência, a maioria das aberturas e vinhetas do Fantåstico foram todas criadas pelo designer Hans Donner. 333

Ex-governador de Massachusetts, Mitt Romney, 64 anos, formado em Direito em Harvard, Ê o republicano que tem maiores chances de disputar com Barack Obama as eleiçþes presidenciais. E poderå ser o primeiro mórmon a entrar na corrida da Casa Branca. O fundador da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias foi o profeta Joseph Smith em 1830. O nome mórmon vem do Livro de Mórmon, Outro Testamento de Jesus Cristo e a Igreja Mórmon ficou conhecida em todo o mundo por ligaçþes com a poligamia, praticada em seus primeiros tempos. AtÊ hoje, os mórmons são associados à poligamia, embora a pråtica tenha sido suspensa (e atÊ por lei, em Utah, onde a concentração de mórmons Ê grande). Historiadores estimam que o próprio Joseph Smith poderia ter tido de 35 a 48 esposas. Recentemente, a HBO produziu uma sÊrie chamada Big Love, envolvendo um político com três esposas. Em São Paulo, existe uma igreja mórmon no bairro de Pinheiros. 333

35 a 48 esposas

Virou bad girl O The New York Times garante que o sexto ĂĄlbum de Rihanna, Talk that talk , ĂŠ o mais explicito da cantora, agora transformada em bad girl . A Rolling Stone emenda dizendo que “ela ĂŠ a garota mĂĄ no comandoâ€?. O vĂ­deo da faixa We found love mistura versos românticos com uma barra pesada com o modelo Dudley O’ Shaughnessy, com muita insinuação de drogas e sexo. Em outra faixa, Cockness (love it), novo toque escandaloso: cockness, gĂ­ria para “arrogânciaâ€?, ĂŠ trocadilho para cock (nas ruas, ĂŠ como se batiza o ĂłrgĂŁo sexual masculino nos Estados Unidos) e hĂĄ mais meia dĂşzia de faixas com referencias Ă relaçþes sexuais. 333

333 Antonio Grassi, ator e homem da Funarte, trabalha num novo projeto: quer que o MinistÊrio da Cultura crie um (ou vårios, podendo atÊ ter patrocínio)trioelÊtrico,legitima criação do carnaval da Bahia, dedicado – quem diria – à musica clåssica. Para Grassi, não seria nada complicado colocar uma pequena orquestra tocando música erudita pelas ruas das cidades. Correr atrås desses trio elÊtrico, contudo, Ê outra conversa. Hå anos, os caminhþes de gås espalhados pelo Brasil anunciavam que estavam na região tocando Fßr Elise, de Beethoven. Tocaram tanto que quase enlouqueceram os brasileiros.

Lupa de presente O ex-governador JosĂŠ Serra, alimentando sua fama de hipocondrĂ­aco (ele, realmente, anda sempre com remĂŠdios nos bolsos, para qualquer eventualidade), antes do reveillon, contava aos mais chegados que ganhou, como presente de Natal, “uma lupa novaâ€?. E esclarecia: â€œĂ‰ para ajudar a ler bulas dos remĂŠdiosâ€?. A fama de Serra nessa ĂĄrea ĂŠ responsĂĄvel por uma das mais divertidas histĂłrias do folclore polĂ­tico nacional. Conta que, quase todas as manhĂŁs, quando sai pelo bairro onde mora, passa pela farmĂĄcia da esquina e vai logo perguntando: “Como ĂŠ? Chegou alguma novidade?â€?.

333

h IN

Regata branca.

h

TRIO CLĂ SSICO

NinguÊm resiste: provavelmente sob inspiração da namorada de seu famoso irmão, a modelo russa Irina Shank que vive tirando a roupa, a portuguesa Elma Aveiro, 37 anos, dona de loja de roupas, casada e mãe de uma menina, mais conhecida como a irmã do jogador Cristiano Ronaldo, resolveu aparecer num ensaio sensual na revista lusa Hot Magazine e virou assunto nacional. Ela posou de graça, apenas para promover seu negócio, mostrou total desinibição e, como Irina, avisa que não aceitarå qualquer convite de Playboy . 333

IrmĂŁde craque

OUT

Regata colorida.

Calvin Ă brasileira O americano Calvin Klein, milionĂĄrio que vendeu sua marca e ainda recebe royalties, tem vindo tantas vezes para o Brasil (adora o Rio) que, segundo seus amigos daqui, “jĂĄ virou cariocaâ€?. Aos 69 anos, magro, com o rosto apresentando o resultado de muitos anos de sol, Klein circula sozinho pelas ruas, vai Ă praia, freqĂźenta locais gays e, no geral, nĂŁo ĂŠ reconhecido. Anda com um cartĂŁo de crĂŠdito escondido, pouco dinheiro no bolso e – surpresa – um relĂłgio fake com sua prĂłpria marca. Na virada do ano, espiava os fogos em Copacabana, no meio do povo, na maior – e falando muita coisa em portuguĂŞs. 333

MISTURA FINA PARA animar o torcedor ainda abalado pela derrota diante do Barcelona, o Santos criou um cartão para o programa Sócio Rei, que då descontos nas compras de ingressos e outros incentivos. A participação nas redes sociais e gastos no cartão gerarão pontos que poderão ser trocados por visitas aos vestiårios, produtos oficiais exclusivos e participaçþes em chats com jogadores. O bloco mais delicado jå estå encantado com essas visitas aos vestiårios. 333

333 O PREFEITO e presidente nacional do novo PSD, Gilberto Kassab, repete que seu novo partido nĂŁo estĂĄ interessado em nenhum ministĂŠrio, se bem que alguns integrantes de bancadas parlamentares sempre consideram essa uma boa possibilidade. Agora, hĂĄ quem aposte que em sua volta ao Planalto, a presidente Dilma Rousseff, nessa reforma ministerial que pretende fazer, poderĂĄ oferecer o MinistĂŠrio do Trabalho para o PSD.

333 DA BASE de Icatu, na Bahia, a presidente Dilma convocou Gleisi Hoffmann para voltar do Paranå, sentar na cadeira da Casa Civil e assumir novo problema envolvendo verbas para prevenção de enchentes do MinistÊrio da Integração Nacional (doravante, só serão liberadas com a assinatura de ministra). E resolveu terminar suas fÊrias mais cedo: dependendo, estarå despachando amanhã.

EM FÉRIAS em Miami, o deputado federal Candido Vaccarezza, lĂ­der do governo na Câmara Federal, acompanha a movimentação polĂ­tica pela internet e avisa petistas que pretendem derrubĂĄ-lo do posto, que resistirĂĄ: “Sou um soldado do governo e nĂŁo pretendo sair da liderança, nĂŁoâ€?. Esqueceu de combinar com Dilma Rousseff, que ĂŠ quem escolhe seu lĂ­der – e quer trocar Vaccarezza.

Solução

SEM EFEITOS

Nos anos 80, ela foi rosto e corpo da grife Chanel e musa de Karl Lagerfeld. Agora, Inès de la Fressange (à esquerda, ao lado de fotos de seus mais inesquecíveis momentos como super-modelo), 55 anos, 1,80m e 60 quilos, acaba de lançar O Guia de Estilo de Inès de la Fressange, sucesso na Europa e agora no Brasil. revelando o DNA da moda e do charme da parisiense. Em 2010, ela arriscou se exibindo semi-nua em Madame Figaro (centro) e agora, sua filha Nine d’Urso, 18 anos (direita), segue seus passos. Alguns pecados para Inès: leggings, estampa de onça no decote profundo, camisola com personagens infantis, umbigo à mostra, não usar sutiã, sombra azul nos olhos, só para começo de conversa. 333

333 Como a televisĂŁo britânica tem um programa de formato semelhante chamado Made in Chelsea , atĂŠ o jornal The Guardian resolveu comentar a estrĂŠia no Brasil de Mulheres Ricas, lembrando que a mĂ­dia nacional jĂĄ classificara a nova atração de “patĂŠtica, vulgar e trĂĄgicaâ€?. No texto, The Guardian repete algumas das frases absurdas inseridas no episĂłdio de estrĂŠia e descreve: “Jatos particulares, jacuzzis cheias de pĂŠtalas, champanhe Cristal, cĂŁo maltĂŞs que toma ĂĄgua mineral, vestidos Chanel e Lamborghinis e uma joalheira que diz que ser rico ĂŠ uma bençãoâ€?. E ela ainda proclama: “Todos devem se esforçar para ser ricoâ€?. O jornal britânico aproveita para lembrar que 11,5 milhĂľes de brasileiros vivem em favelas, um aumento de 4,5 milhĂľes em relação a 1991.

Charmeda parisiense

Ricas lĂĄ fora

$ ')

!

&

, -( .

&6

* *" +

$

'

333

A EX-ministra ZĂŠlia Cardoso de Mello veio de Nova York com os filhos de seu relacionamento com Chico AnĂ­sio para permanecerem ao lado do humorista em novo momento difĂ­cil de sua saĂşde. O aviĂŁo em que vieram desceu no Rio, nĂŁo liberou as bagagens para os que desembarcaram lĂĄ, foi para SĂŁo Paulo e depois retornou. Resultado: ZĂŠlia ficou trĂŞs horas no GaleĂŁo esperando suas malas.

333

Colaboração: Paula Rodrigues / A.Favero

%

& ! * * /

*5 *" + '

!

,

0 /

!

" ! #

$ %

&

!

!

'

( ! !

%

* *" + $

!

$ & ' !

' !234

%

0 #

* *" +

1 .

! ,

$ ,

# ! !

299:;4 <! = , = = >! = = ?!( = % = @!

7

$

#

,

8


p

DIÁRIO DO COMÉRCIO

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

5 CHOVE CHUVA, ESCORREM EXPLICAÇÕES O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, não deixou de explicar a política da sua pasta para os desastres naturais. Disse que o problema é dos outros ministérios.

olítica

Bezerra transfere responsabilidades O ministro da Integração procurou mostrar que a gestão de recursos contra enchentes é feita também pelo ministério das Cidades e com o aval da presidente

C

Fernando Bezerra Coelho suspendeu as férias, mas não associou o fato às denúncias sobre favorecimento de verbas para Pernambuco. O motivo seriam as chuvas no Rio e em Minas.

Valter Campanato/ABr

om toda educação, o reservou R$ 11 bilhões em reministro da Integra- cursos com essa finalidade, ção Nacional, Fer- porém sob a gestão do ministénando Bezerra Coe- rio das Cidades, destinados a lho (PSB-PE), afastou ontem projetos de proteção de morda sua pasta a responsabilida- ros, reforço de encostas e obras de pela gestão de verbas para de macrodrenagens. Segundo obras de contenção de desas- Bezerra, 251 cidades de alto tres naturais, como enchentes, risco, escolhidas pelo ministée atribuiu ao ministério das Ci- rio da Integração, deverão redades a administração da ceber esses recursos, mas semaior fatia desses recursos. guindo projetos que serão seleAo negar favorecimento de cionados pela Cidades. verbas para Pernambuco, seu Ao falar da situação das chuestado de origem, o ministro vas no Brasil, Bezerra negou explicou que o critério para a qualquer critério político no liberação de recursos foi técni- repasse de recursos federais. co e recebeu o aval da presi- Ele destacou ainda a criação de dente Dilma Rousseff. Pelas um "grupo avançado" para e x p l i ca ç õ e s , m o n i t o r afoi tudo feito mento em de acordo com tempo real das os demais inchuvas no Rio Não se pode tegrantes do de Janeiro, Esgoverno. pírito Santo e discriminar Durante a em Minas GePernambuco por entrevista rais. Para o miser o estado do concedida em nistro, a forministro da Brasília, após mação desse Integração i nt er ro mp er grupo permias suas férias, tirá que haja Nacional. o ministro maior integraFERNANDO BEZERRA COELHO afirmou que o ção das equivalor dos inpes de defesa vestimentos em ações de pre- civil das áreas afetadas. venção a desastres naturais Discriminação – Além disnão se restringe aos recursos so, Bezerra defendeu Pernamda Secretaria Nacional de De- buco ao dizer que "não se pode fesa Civil, vinculada ao minis- discriminar por ser o estado do tério. "As verbas estão aloca- ministro". Sobre os R$ 98,3 midos de forma muito mais am- lhões empenhados, o ministro pla no ministério das Cida- justificou que lá ocorreu "um des", frisou Bezerra. dos maiores acidentes natuVirar o jogo – Todas as res- rais do País, com 41 cidades e postas de Bezerra tinham co- 80 mil pessoas atingidas". A mo alvo a denúncia de que a verba seria destinada a oito sua pasta destinou 90% dos re- projetos selecionados para recursos destinados à prevenção cuperar essas regiões. Da dotade desastres naturais para Per- ção orçamentária de R$ 366 minambuco. Além disso, o minis- lhões para ações de prevenção tro afirmou que a presidente em 2011, o ministro confirmou Dilma havia determinado que que R$ 259,9 milhões foram o governo brasileiro "virasse o empenhados (pagamento projogo" no tocante às ações de de- metido) e apenas R$ 28,9 foram fesa civil, investindo mais em efetivamente pagos. Ele realprevenção do que em ações de çou que houve uma discussão técnica e que "não existe polítisocorro e reconstrução. De acordo com as informa- ca partidária, pequena, miúções de Bezerra, a presidente da", concluiu. (Agências)

Um Sarney no caminho do PPS O partido quer informações da política de enchentes, mas o documento depende do presidente do Senado

O

líder do PPS, deputado federal Rubens Bueno (PR), protocolou ontem requerimento em que pede esclarecimentos ao ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, sobre a "alta concentração de verbas" do programa de prevenção de desastres naturais em Pernambuco, terra natal do ministro. O documento foi encaminhado à Comissão Representativa do Congresso, que responde pelo parlamento durante o recesso legislativo. O envio do documento, no entanto, depende de despacho do presidente do colegiado, senador José Sarney (PMDBAP), que não se encontra em Brasília e não tem previsão de voltar à Capital Federal, pelo menos nesta semana para analisar o pedido do PPS. A partir

do recebimento do pedido, o ministro tem até 30 dias para enviar as informações. O líder do PPS fundamenta o requerimento com base nas informações de que 90% dos recursos à prevenção de desastres naturais, previstos no orçamento e efetivamente pagos, foram repassados para Pernambuco. "Esse repasse ministerial afronta a todos os brasileiros, sobretudo àqueles que vivem em regiões de risco no País", afirmou Santos. "Os gastos com prevenção ainda são pífios, o que demonstra que o governo não se empenha para evitar as catástrofes naturais e evitar a morte de inocentes", escreveu, no documento. Para ele, "é importante destacar que as enchentes estão ocorrendo diariamente em vários estados e não apenas em

Pernambuco". A suspeita de direcionamento político levou a presidente Dilma Rousseff decidir por uma "intervenção branca" na pasta, com as libe-

rações monitoradas pela Casa Civil, o que foi desmentido pela ministra Gleisi Hoffmann, depois de suspender as suas férias antes de Bezerra. (AE)

Diogo Xavier/Agência Câmara - 14.12.11

Bueno: chove em vários estados e não só em Pernambuco. Na página 6, mais detalhes sobre repasses federais.


p

DIÁRIO DO COMÉRCIO

6

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Tivemos o apoio do ministro, que esteve conosco no litoral garantindo 0 repasse dos recursos solicitados. Beto Richa (PSDB), governador do Paraná

olítica

Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr - 27.06.11

Repasses: Gleisi nega ingerência Casa Civil não interfere em repasses de verbas contra enchentes, diz ministra.

A

Gleisi: nota oficial para informar que não recebeu orientação da presidente Dilma para intervir na execução orçamentária do ministério da Integração Nacional, após denúncias de favorecimento ao estado de Pernambuco, terra natal de Fernando Bezerra.

56 áreas de risco no país. Mas só 2 receberam recursos Fundo para prevenção de desastres passou longe dos outros 54 locais

E

m dezembro passado, o governo federal divulgou o mapeamento das áreas mais propensas a sofrer desastres naturais feito pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM). Segundo levantamento do siteContas Abertas, dos 56 municípios considerados prioritários – situação de elevado risco em período de chuvas – só dois receberam verbas do programa Pre venção e Preparação para Desast re s , relativos ao Orçamento Geral da União de 2011. As cidades agraciadas foram Florianópolis (R$ 308 mil) e São Paulo (R$ 156 mil). A verba representa 1,5% do total pago em 2011 na rubrica específica de prevenção a desastres. Os valores desconsideram restos a pagar, compromissos assumidos em gestões anteriores. O mapeamento dos 56 municípios, a maioria no Sul e Su-

deste, foi feito a partir da amostra de 251 cidades com riscos de desastres naturais. Ao todo, 28 estão em situação de risco alto e muito alto. Na segunda fase, o mapeamento abrangerá o Nordeste e o Norte. O trabalho da CPRM revelou que 47,5 mil pessoas moram em áreas de risco em 6 municípios do Espírito Santo; 45.986 em 9 cidades de Santa Catarina; 25.526 em 6 cidades no Rio Grande do Sul; 1.736 em 4 cidades do Paraná, 2.650 em Ouro Preto (MG) e 10.160 em Nova Friburgo (RJ). Angra dos Reis (RJ) é a cidade com maior número de pessoas em situação de perigo: 44.967 habitantes estão em risco. Ao todo, 41.085 moradias e 168.365 cidadãos estão em áreas de "alto risco" e "muito alto risco". Por outro lado, entre os municípios cotados para possíveis desastres, 44

embolsaram recursos do programa Resposta aos Desastres e Reconstruçã o: um total de R$ 441,5 milhões para remediar prováveis tragédias. Contraditoriamente, os três municípios que mais foram beneficiados pelo programa Prevenção e Preparação para Desastres em 2011 não constam na lista das cidades sujeitas às catástrofes. A campeã de embolso (R$ 25,1 milhões) é a capital de Pernambuco, Recife, confirma o Contas Abertas. Os altos gastos de 2011 são decorrentes do início das obras das barragens de Panelas 2 e dos Gatos (custo estimado em R$ 50 milhões). Com a construção de cinco novas barragens no estado de Pernambuco, o ministério da Integração espera investir R$ 500 milhões nos próximos anos, beneficiando diversos outros municípios. (Agências)

ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, divulgou nota ontem em que nega ter recebido ordens da presidente Dilma Rousseff para que a liberação de recursos destinados à prevenção de desastres naturais, feita pelo ministério da Integração Nacional, passe pelo aval da Casa Civil. "Esclareço que não recebi nenhuma orientação ou determinação para intervir na execução orçamentária do Ministério da Integração Nacional. O ministro Fernando Bezerra é e continua sendo o responsável pela execução dos programas e projetos daquela pasta'', diz o comunicado da ministra. Gleisi afirma que qualquer informação fora desse contexto tem por objetivo "disseminar intriga'' e que o governo está trabalhando para ajudar estados e cidadãos que enfrentam dificuldades decorrentes de desastres naturais. Os jornais O Globo e O Estado de S. Paulo informaram ontem que Dilma determinou a avaliação da Casa Civil para a liberação das verbas para preven-

O ministro Fernando Bezerra é e continua sendo o responsável pela execução dos programas e projetos da pasta. GLEISI HOFFMANN ção e combate de desastres naturais, como enchentes. A medida teria ocorrido após a imprensa revelar que 90% da verba com essa finalidade foram destinados a municípios de Pernambuco, estado de origem do ministro Fernando Bezerra. A ministra da Casa Civil interrompeu o recesso que teria durante toda a semana e retornou ontem ao trabalho para conduzir as ações de atenção do governo federal a estados atingidos por fortes chuvas. Dilma de volta – A presidente Dilma Rousseff também retorna hoje a Brasília e deve reassumir sua agenda de trabalho amanhã. Apesar de ofi-

cialmente estar de férias até o dia 10 de janeiro, a presidente já havia decidido na semana passada retornar antes da base naval de Aratu, na Bahia, onde descansa com a família. Com a intensificação das chuvas no País, Dilma decidiu retomar o trabalho para acompanhar mais de perto as providências que estão sendo tomadas dentro do governo para administrar a situação. O mais provável é que a presidente chegue a Brasília no início da tarde, mas deve passar o resto do dia na residência oficial, o Palácio da Alvorada. No entanto, até o final da tarde de ontem, a assessoria do Palácio do Planalto não confirmara a volta de Dilma, apesar de o plano de voo do avião presidencial já ter sido feito. A presidente passou 10 dias na praia de Inema, onde fica a base naval, acompanhada da mãe, Dilma, da tia Arilda, da filha, Paula, do neto, Gabriel, e do genro, Rafael Covolo. No mesmo período, 21 dos 38 ministros aproveitaram a ausência da chefe para também tirar férias ou, pelo menos, uma semana de folga. (Agências)

Ministérios deixam de gastar R$ 500 milhões em prevenção E tudo isso depois da morte de mais de 900 pessoas no Rio de Janeiro

N

um ano marcado por uma das maiores tragédias climáticas da história do País, os ministérios da Integração Nacional e das Cidades deixaram de gastar mais de R$ 500 milhões em ações de prevenção de enchentes, desabamentos e deslizamentos. Dos R$ 2,75 bilhões previstos no orçamento de 2011, R$ 528,9 milhões nem foram reservados, embora estivessem disponíveis. Verba parada – Com isso, não podem ser utilizados em 2012. Os dados foram levantados a partir do Siga Brasil, do Senado, que acompanha a execução orçamentário do governo federal. Na ação de "apoio a obras preventivas de desastres", da Integração Nacional, quase metade (46%) da verba autorizada ficou parada. Outra ação, cuja execução também está a cargo do ministério, registrou desperdício significativo. De R$ 124,2 mi-

lhões autorizados para "obras de pequeno vulto de macrodrenagem", cujo objetivo oficial é "reduzir os impactos causados pelas cheias", somente R$ 13,5 milhões foram reservados no orçamento. Já o ministério das Cidades em "apoio à urbanização de assentamentos precários", boa parte formada por moradias de risco, deixou de usar R$ 56,7 milhões. Mortes – Em janeiro de 2011, mais de 900 pessoas morreram em decorrência dos efeitos de fortes chuvas na região serrana do Rio. Ainda em seus primeiros dias de mandato, a presidente Dilma Rousseff foi pessoalmente à região verificar os estragos e prometeu que a prevenção a desastres naturais seria prioridade. Porém, contabilizando pagamentos com verbas penduradas de orçamentos anteriores, os chamados "restos a pagar", o governo Dilma gastou cerca de R$ 1,6 bilhão em ações

preventivas contra desastres. Consideradas apenas as verbas do orçamento de 2011, o investimento realizado é em torno de R$ 226,6 milhões, número equivalente a 8,2% do dinheiro previsto para este ano. Outro lado – Sobre a verba parada no orçamento, o ministério das Cidades afirmou que o dinheiro não empenhado se refere a emendas parlamentares que não foram liberadas pelo ministério do Planejamento, ou seja, congeladas pela equipe econômica. Outra parte do dinheiro se refere a "sobras distribuídas por unidades da Federação". O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, chegou a se queixar ontem do volume de verbas disponível para ações de prevenção. "A gente quer ter um orçamento maior para a prevenção", disse. "Também entendemos que é preciso articular melhor". (Folhapress)

Preterido, Richa diz que Bezerra é atencioso com o PR

Mercadante defende equilíbrio na distribuição

Governador elogia ministro que destinou verba 14 vezes maior a Pernambuco

Ministro não quis, no entanto, falar sobre as denúncias contra o colega Bezerra

A

pesar de o Paraná ter recebido do Ministério da Integração Nacional R$ 1,8 milhão para obras antienchentes – volume 14 vezes inferior ao destinado a Pernambuco, que recebeu R$ 25,5 milhões – o governador Beto Richa (PSDB) elogiou o trabalho do ministro pernambucano Fernando Bezerra Coelho. "Não tenho do que reclamar do ministro. Com o estado, o ministro tem sido muito atencioso e solícito, até por conta de uma relação de trabalho, de respeito". Questionado sobre a discrepância entre os valores e o fato de Pernambuco ficar com 90% do volume destinado ao País, conforme dados da organização não governamental (ONG) Contas Abertas, a partir de registros do Tesouro Nacional, Richa desconversou: "Eu desconheço". Mas fez questão de dizer que recursos serão sempre bem aceitos. "Hoje, na administração pú-

Dida Sampaio/AE - 23.11.11

O

Beto Richa: "Não tenho do que reclamar do ministro (Bezerra)".

blica, não temos limite máximo de investimentos. Quanto mais recursos tivermos, maior será a eficiência do governo". Os elogios de Richa repetem o tom dos do dia anterior, dos governadores de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB), e do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB). Richa, que já havia citado

uma visita de Bezerra, no início do 2011, ao litoral paranaense, após chuvas terem provocado deslizamento e quatro mortes, fez questão de repetir o evento: "Tivemos o apoio do ministro, que esteve conosco no litoral garantindo apoio e repasse dos recursos que foram solicitados pelo nosso governo". (AE)

ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, não quis entrar no mérito das recentes denúncias contra o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, mas defendeu a necessidade de equilíbrio na distribuição de verbas nos ministérios. Ontem, o jornal O Estado de S. Paulo mostrou que cerca de 90% das verbas antienchente da Integração foram aplicadas em Pernambuco, estado do ministro. "Não tenho neste momento como fazer análise de mérito, mas precisamos ter equilíbrio na distribuição de verbas nos ministérios", afirmou Mercadante, para quem a imprensa cumpre o seu papel de apontar os problemas. O ministro disse que a presidente Dilma Rousseff vai acompanhar de perto a situação de Bezerra Coelho. Insatisfeita com a canalização de verbas federais quase que exclusivamente para Per-

nambuco, Dilma interveio e ordenou a adoção de critérios técnicos na distribuição de recursos da pasta para combate e prevenção de desastres naturais - enchentes e desmoronamentos. (AE) Crise – A reação do governo federal ao direcionamento para Pernambuco de 90% das verbas do ministério da Inte-

gração Nacional destinadas ao combate e prevenção de desastres naturais gerou uma crise política com o PSB. Para a cúpula do PSB, o movimento do governo fragilizou Bezerra justamente num momento em que a presidente Dilma Rousseff prepara uma reforma ministerial e o coloca na berlinda. (AE)

Alan Marques/Folhapress - 13.12.11

Mercadante: "Não tenho no momento como fazer análise de mérito".


p

DIÁRIO DO COMÉRCIO

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

7 A partir de hoje, não vai mais haver necessidade de greve para haver diálogo. Capitão Wagner Sousa, representante da categoria nas negociações.

olítica

Marcelo Casal Jr./ABr

M

ram as manifestações. "Estamos organizando uma força-tarefa para que as viaturas, bem como os militares, voltem às atividades hoje (ontem) e durante a passagem para a quinta-feira", disse o capitão Wagner Sousa, deputado estadual que representa a categoria nas negociações. Com o acordo, Souza acredita que a categoria sai valorizada após conseguir incorporação de gratificação de R$ 920 ao salário de todos os militares, elevando o piso para R$ 2.634.

ais um revés para a manutenção da segurança pública no Ceará ocorreu ontem, com o começo de uma greve na Polícia Civil do estado. Segundo o Sindicato dos Policiais Civis de Carreira do Estado do Ceará (Sinpoci), a categoria reivindica aumento salarial e melhores condições de trabalho. Os policiais civis de Fortaleza estão acampados em frente ao prédio da Polícia Civil, no centro da capital. A greve começa quando as negociações sobre a paralisação de policiais militares e bombeiros chega em sua fase final, depois de cinco dias de caos no estado. No Ceará, há cerca de 1,8 mil policiais civis na ativa. Eles reivindicam remuneração inicial equivalente a 60% do valor pa-

Com a Polícia Militar, houve negociação com cinco dias de greve e nós, com quatro meses, não fomos ouvidos. ERNANE LEAL go a delegados, que recebem R$ 8 mil ao ingressar na carreira. Hoje, o salário é de cerca de R$ 2 mil. Também querem retirada de presos das delegacias e aumento do efetivo policial. Os policiais civis retomam a greve que havia começado em julho de 2011 e foi suspensa em dezembro por ser considerada ilegal. A categoria trabalhou com 30% do efetivo e escala de atendimento ao público nas delegacias. Agora, a promessa é de greve geral no estado. Atenção – Segundo o secretário-geral do Sindicato dos Policiais Civis do Estado do

Estamos organizando uma força-tarefa para que as viaturas, bem como os militares, voltem às atividades hoje. WAGNER SOUSA Revolta explícita: policiais estendem faixa em viatura em que pedem atenção com eles próprios

Agora é a Polícia Civil do Ceará que anuncia greve Mal chega ao fim a paralisação da polícia militar e policiais civis anunciam que cruzaram os braços Ceará (Sinpoci), Ernane Leal, a categoria quer a mesma atenção dispensada aos policiais militares. "Com a PM, houve negociação com cinco dias de greve e nós, com quatro meses, não fomos ouvidos. O governo, em nenhum momento, nos indicou uma contra-proposta, não nos recebeu, e a categoria não aguentou". Outra exigência é não punir os policiais que participam das

manifestações, o que está ocorrendo, segundo o secretáriogeral do sindicato da categoria, com 199 deles, que tiveram salários descontados. Acordo – Após seis dias de paralisação, os policiais militares e bombeiros do Ceará entraram em acordo com o governo do estado para voltar às atividades. As negociações finais começaram anteontem à noite e foram concluídas na

Alckmin: rachaduras nas casas populares são 'inadmissíveis' Governador promete que todos os reparos serão feitos sem custos para moradores

O

governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), não gostou nada de ver fotos em que casas populares recém-entregues à população de Ribeirão Preto apresentam problemas como rachaduras, infiltrações e vazamentos de esgoto. Contrariado, ele afirmou ontem que os problemas nas casas são pontuais, mas "inadmissíveis". Segundo reportagem publicada ontem pela Folha de S. Paulo, diversas casas apresentam problemas, mesmo tendo sido construídas há pouco tempo. Alckmin criticou a construtora responsável pela obra e destacou que ela corrigirá "imediatamente" os problemas, sem custo adicional. Segundo ele, a construtora tem a obrigação de monitorar por 90 dias as casa após a entrega. A reportagem informa ain-

Luis Cleber/AE - 29.11.11

da que aquecedores solares, item alardeado pelo tucano como um dos diferenciais das unidades, também foram entregues com defeito. Segundo Alckmin, os fios de cobre foram roubados e por isso não há aquecedores solares. O tucano nomeou ontem 14.500 novos professores que concluíram o curso de ingres-

santes promovido pela Escola de Formação e Aperfeiçoamento de Professores "Paulo Renato Costa Souza" e começam a lecionar nas escolas estaduais neste ano. Foram entregues 232 unidades a famílias de duas favelas, com investimento de R$ 16,4 milhões do governo de São Paulo. (Folhapress)

Decisão alerta que compra de votos pode levar à cassação a qualquer hora

O

fim da greve dos policiais militares e bombeiros, o policiamento só deve voltar ao normal na madrugada de hoje. Fechado o acordo entre governo e categoria na madrugada de ontem, foram dadas 24 horas para os policiais se reapresentarem aos locais de trabalho. Dezenas de viaturas ainda estão com os pneus vazios na rua do quartel onde os profissionais acamparam e concentra-

Líder quilombola é ameaçado

U

m líder quilombola de Pirapemas, interior do Maranhão, foi perseguido e ameaçado de morte por dois homens em uma moto, anteontem à noite, segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT). A perseguição ocorreu justamente após João Batista e mais quatro outro quilombolas terem prestado depoimento na delegacia local sobre as ameaças que os povoados vem sofrendo. As comunidades quilombolas ficam no território de

Aldeia Velha, na zona rural de Pirapemas, a 190 quilômetros ao sul de São Luís. O local também possui um histórico de conflitos com fazendeiros locais. Em dezembro, a CPT denunciou ter encontrado um recipiente com veneno dentro do poço de água que abastece os moradores e afirmou que os fazendeiros tentavam envenenar os quilombolas. A população remanescente dos quilombos da Aldeia Velha tenta obter na Justiça a posse do territó-

rio, por isso desde o ano passado os conflitos se acirraram na região. Um ofício foi enviado ontem mesmo à ouvidoria agrária nacional relatando a ameaça de morte e pedindo providências para a violência em Pirapemas. Relatório preliminar da CPT sobre os conflitos agrários em 2011 diz que um líder quilombola maranhense foi morto em outubro do ano passado, em Serrano do Maranhão, a 463 quilômetros da capital do estado. (Folhapress)

Alckmin: reformas serão feitas pela construtora.

TSE nega liminar a prefeito no Piauí por distribuir dentaduras presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Ricardo Lewandowski, negou ontem o pedido de liminar feito pelo prefeito cassado de Ribeira do Piauí, a 380 quilômetros de Teresina, Jorge de Araújo da Costa (PTB), e seu vice, Justino João Costa. Eles pretendiam permanecer no cargo até que o TSE julgasse o recurso contra a decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Piauí, que cassou o diploma dos dois em outubro. Prefeito e vice são acusados de compra de votos e abuso de

madrugada de ontem. Na terça-feira, a população viveu momentos de tensão. A insegurança levou lojas, escolas, bancos, supermercados e até a prefeitura e o Tribunal de Justiçado Ceará a fecharem as portas no meio do expediente. A situação fez com que muitos turistas fossem aconselhados a não ir às praias por causa de possíveis arrastões. Normalidade – Apesar do

Antes, a gratificação era variável e os rendimentos de um policial no mesmo nível de carreira podiam variar de R$ 1.600 a R$ 2.400. A carga horária de trabalho ficou definida, segundo o capitão, em 40 horas semanais. "É uma conquista, principalmente para os policiais do interior, onde a carga horária chegava a 96 horas". Souza disse que foi acertada a criação, em um mês, de uma comissão permanente de diálogo paritária entre as associações que representam os militares e o governo. Nela serão discutidas reivindicações pendentes, como a implementação do vale-alimentação (R$ 10 por dia de trabalho), pagamento de horas extras, código de ética e promoções da categoria. "Com certeza, a partir de hoje não vai mais haver necessidade de greve para que haja esse diálogo". (Agências)

poder econômico. Entre as irregularidades, estaria a distribuição, durante a campanha eleitoral de 2008, de "dentaduras, cestas básicas e outras benesses". Em suas defesas, os políticos alegam que o TRE "contrariou a jurisprudência do TSE e de outras cortes regionais, bem como a legislação infraconstitucional, em virtude de ter analisado o mesmo fato como conduta vedada e abuso de poder econômico". Eles argumentam ainda "a impossibilidade de aplicação da pena de cassação por meio de Ação de Investigação

Judicial Eleitoral com o intuito de apurar supostos abusos e condutas vedadas, uma vez que o julgamento desta ocorreu após a diplomação". O prefeito Jorge de Araújo chegou a ser preso pela Polícia Federal em janeiro do ano passado na Operação Geleira, que investiga desvio de recursos na compra de medicamentos e merenda escolar em vários municípios. Para o presidente do TSE, as ações que apuram a compra de votos podem levar à cassação a qualquer momento em que ocorre o julgamento do caso. (AE)

Padre expulso por militares volta ao Recife, onde quer ficar Vitto Miracapillo foi denunciado durante o regime militar e agora festeja a volta

T

rinta e um anos depois de ter sido expulso do Brasil pelo ex-presidente João Baptista Figueiredo, durante o regime militar, por ter se recusado a celebrar uma missa em homenagem ao Dia da Independência do Brasil, na paróquia de Ribeirão, município no litoral sul pernambucano, o padre italiano Vitto Miracapillo está de volta ao País. O religioso desembarcou na noite da última terça-feira no Recife, onde foi recebido por centenas de amigos, fiéis e mi-

litantes do Movimento Nacional dos Direitos Humanos. Ontem, Miracapillo concedeu entrevista coletiva à imprensa e foi recebido pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, no Palácio do Campo das Princesas. Seu retorno só foi possível graças a uma decisão do ministério da Justiça, que no último mês de outubro, concedeu o direito de renovação do visto permanente do italiano. Questionado sobre a possível participação de ex-aliados

Clemilson Campos/JC Imagem/AE

Émocionado, Padre Vitto espera reassumir a paróquia de Ribeirão.

dos militares na Comissão da Verdade, criada para investigar, por um período de dois anos, eventuais violações aos direitos humanos entre os anos de 1946 e 1988, a exemplo do ex-presidente Marco Maciel (DEM/PE), o padre foi duro. "Não sei quem foi chamado nem sei quem faz parte da Comissão da Verdade, mas eu lembro que na época, quando Marco Maciel era governador, a única coisa boa que ele fez foi não falar. Ficou em silêncio, sem tomar posição praticamente". Na época da expulsão, Maciel era o governador do estado de Pernambuco. O italiano comemorou o retorno e mostrou disposição para reassumir sua antiga paróquia. Ele foi denunciado aos militares pelo ex-presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP-PE). A expectativa é de que o padre reassuma a paróquia de Ribeirão após conclusão do processo de revalidação do visto. A decisão depende de um acordo entre o Vaticano e a Igreja do Brasil e da Itália. (AE)


p Vem aí o Big Brother das contas públicas DIÁRIO DO COMÉRCIO

8

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

É com as TCEs (Tomadas de Contas Especiais) que se apuram os casos em que houve prejuízo. Valdir Agapito, secretário federal de Controle Interno da CGU.

olítica

Trata-se de um sistema de acompanhamento de gastos dos ministérios e outros órgãos da administração direta da União

A

té o final deste mês, os ministérios e demais órgãos da administração direta da União terão de se adequar para participar do Sistema de Informação de Custos do Governo Federal (SIC). Será uma espécie de Big Brother das contas públicas que o Tesouro Nacional adotará para monitorar a qualidade dos gastos. Ainda que o governo não trabalhe com uma meta, a mudança visa a reduzir as despesas com a análise de cruzamento de dados e comparações sobre custos similares nas diferentes áreas de atuação da máquina pública. Por exemplo: há determinadas atividades nas Forças Armadas que existem no Exército, na Aeronáutica e na Marinha e, com a apresentação dos dados num único sistema e com a mesma metodologia, será possível identificar discrepâncias. O mesmo poderá ser feito, no futuro, com universidades e hospitais federais. "Nessa análise, vamos identificar onde os custos estão altos e fazer a gestão deles para otimizar a utilização do recurso público", explicou o subsecretário de contabilidade pública do Tesouro, Gilvan Dantas. O sistema não gerará informações novas. Apenas aglutinará em um só local os dados do Executivo e das demais esferas administrativas: o Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi), o Sistema Integrado de Administração de Recursos Humanos (Siape) e o Sistema de Informações Gerenciais e de Planejamento do Governo Federal (Sigplan). O subsecretário não quis comentar o caso específico da denúncia feita pelo jornal O Estado de S. Paulo de que 90% das verbas antienchentes do ministério da Integração Nacional foram aplicadas em Pernambuco, estado do ministro

Fernando Be" Q ue re mo s zerra (PSB). saber o custo "Esse tipo de determinaVamos identificar de informação do programa e onde os custos já está dispoo resultado de estão altos e fazer a cada ação, sanível hoje. Se gestão deles para for feita conber o custo de otimizar a sulta da execada órgão. c u ç ã o o r ç aQual o custo utilização do mentária se vê da Receita Ferecurso público. a situação, deral? Do GILVAN DANTAS. mas seria preDnit? De uma ciso ter uma agência regupessoa mais debruçada sobre ladora?", indagou Dantas. essa análise, que é o que preA ideia não é se ater apenas tendemos com a mudança". ao resultado global dos minisAtualmente, os ministérios térios e demais órgãos do goapresentam ao governo as des- verno. Será possível também pesas da pasta. Com o SIC, será esmiuçar as contas públicas preciso informar periodica- nos níveis dos departamentos, mente o real consumo em rela- diretorias, secretarias e até de ção às expectativas. Assim, se a seções. "É uma mudança de aquisição de um lote de vaci- cultura que precisamos colonas foi orçada para o ano se- car na administração pública", guinte, ela aparecerá como argumentou. "despesas", mas o novo sisteEste ano, o sistema funcioma receberá também os dados nará como uma espécie de "casobre o consumo dessas vaci- fé com leite", mas a partir de nas ao longo do ano. 2013 os relatórios produzidos

pelos órgãos do governo deverão ser enviados trimestralmente para a Fazenda. Eles serão usados apenas para consumo interno por se tratar de um momento de aprendizagem. A expectativa é de que, a partir de 2014, passem a ficar disponíveis na internet. Sem punição – Como a novidade está sendo vista como uma "mudança de cultura", não foram previstas penalidades para quem não participar da empreitada. Caso o Tesouro detecte algum dado incompleto ou contraditório, o primeiro passo será entrar em contato com o órgão gerador da informação. " É m a i s u m i n s t rumento proativo, de direção. Não queremos tirar o incentivo da participação, por isso não há punição", alegou. A nova forma de contabilizar os gastos foi lançada em agosto de 2011 e validada em outubro, com a propagação do novo sistema e a realização de cursos. Para participar do programa, cada ministério precisa criar um órgão setorial do SIC, o que inclui a realocação de funcionários para inserir as informações no sistema. Passaram por essa etapa os ministérios da Previdência, Educação, Aeronáutica e Exército. A necessidade de se criar um departamento específico em cada pasta se dá porque cada área do governo possui um tipo de ação característica e que precisa ser explorada por algum servidor interno que conheça o perfil do ministério, segundo Dantas. "Temos que saber o que foi produzido a partir das despesas, então o gestor interno dará tratamento melhor às informações ali inseridas". A previsão é que as informações do SIC este ano já sejam usadas para compor as contas que a Presidência precisa prestar todos os anos no Balanço Geral da União. (AE)

Governo sanciona lei de mobilidade urbana

E

m cem dias entrará em vigor a Política Nacional de Mobilidade Urbana sancionada pela presidente Dilma Rousseff, publicada ontem no Diário Oficial da União. A nova lei pretende integrar, melhorar e tornar mais acessíveis os diferentes meios de transporte, visando a mobilidade de pessoas e cargas. O documento esclarece os direitos dos usuários, como o de ser informado, nos pontos de embarque e desembarque, sobre itinerários, horários, tarifas dos serviços e modos de interação com outros modais. As regras que definem as tarifas a serem cobradas também estão estipuladas. Segundo a nova política, os entes federativos poderão

usar instrumentos de gestão como restrição e controle de acesso e circulação, permanente ou temporário, de veículos motorizados em locais e horários predeterminados. São Paulo, por exemplo, já tem sistema de rodízio de automóveis para amenizar o trânsito. A lei prevê também a aplicação de tributos para uso da infraestrutura urbana e desestimular o uso de "determinados modos e serviços de mobilidade". Mas garante que os recursos obtidos por esse meio serão aplicados exclusivamente em infraestrutura urbana "destinada ao transporte público coletivo e ao transporte não motorizado", e no financiamento do subsídio público da tarifa de transporte público. (ABr)

Cofres públicos podem recuperar R$ 1,8 bi, diz CGU

P

rocessos abertos pela Controladoria-Geral da União (CGU) por aplicação irregular de recursos públicos podem ressarcir aos cofres públicos R$ 1,8 bilhão. Em 2011, 744 processos que a administração pública abriu para reaver recursos públicos usados irregularmente foram concluídos. O valor somado é 5,5% maior do que o previsto para os casos concluídos em 2010. Desde 2002, as chamadas Tomadas de Contas Especiais ( TCEs) somaram R$ 7,7 bilhões em recursos que poderiam ser retomados pelo governo federal. Os 12.337 processos concluídos são encaminhados ao Tribunal de Contas da União ( TCU), a quem cabe julgar as irregularidades na aplicação desses recursos e determinar a devolução do dinheiro. Conforme números divulgados ontem pela CGU, os principais motivos das irregularidades identificadas em 2011 foram o descumprimento do que fora acordado por empresas com o governo por meio de convênios e a aplicação desvirtuada do dinheiro que foi repassado pelos ministérios para a execução de obras e programas No acumulado desde 2002,

a principal irregularidade nos convênios firmados pela administração pública é a omissão na prestação de contas dos recursos aplicados. Outros motivos comuns são a rejeição da prestação de contas e prejuízos provocados pela atuação ou omissão de servidores públicos. Esses processos são abertos pelos ministérios que firmaram os convênios e somente depois de esgotadas todos os questionamentos na via administrativa para a reparação do dano provocado aos cofres públicos. A CGU analisa esses processos e os certifica antes de serem encaminhados ao TCU. "É com as TCEs que se apuram os casos em que houve prejuízo, quantificam-se esses prejuízos, identificam-se e notificam-se os responsáveis, e, ao final, elas são encaminhadas ao TCU, para o julgamento e a aplicação das penalidades", explicou o secretário federal de Controle Interno da CGU, Valdir Agapito. De 2002 a 2011, foram os ministérios da Saúde, da Educação e da Integração Nacional os que abriram maior quantidade de processos para apurar irregularidades na aplicação de recursos por eles liberados. (AE)

Lula deixa hospital após sessão de radioterapia

O

ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou, na tarde de ontem, o Hospital Sírio-Libanês, onde foi submetido à primeira sessão de radioterapia e a uma sessão complementar de quimioterapia, no combate ao câncer de laringe diagnosticado em outubro de 2011. Durante as seis horas em que esteve no hospital, Lula recebeu a visita do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e ainda assistiu a parte do jogo entre Corinthians e Santos da Paraíba, pela Copa São Paulo. Segundo o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, Lula e Kassab conversaram sobre "quase tudo". "Falaram de futebol, da cidade de São Paulo e sobre enchentes". Bem-humorado, Lula acompanhou o jogo de futebol pela TV, enquanto fazia a sessão de quimioterapia. "Ele vibrou muito com a molecada", afirmou o médico, referindo-se à goleada de 9 a 0 do Corinthians contra o adversário. Segundo Okamotto, Lula começou bem a nova fase do tratamento. "Ele

começou com o pé direito". Além das sessões de radioterapia e de quimioterapia, Lula teve consultas ontem com um fonoaudiólogo e com um dentista. O objetivo é evitar que os efeitos colaterais do tratamento, como afta, perda do apetite, dificuldade para engolir, por exemplo, se agravem nas próximas seis ou sete semanas previstas para o tratamento. Nesse período, Lula terá sessões diárias de radioterapia no hospital, à exceção dos finais de semana. O ex-presidente terá ainda uma sessão semanal de quimioterapia. Como o tratamento exigirá que Lula se desloque se sua casa em São Bernardo do Campo, no Grande ABC, até a região central de São Paulo, onde fica o hospital, caso o trânsito seja muito pesado nesse trajeto e provoque cansaço em Lula, a família poderá optar pelo aluguel de um flat ou apartamento próximo ao Sírio-Libanês, segundo Okamotto. Lula se alimentou normalmente, sem os efeitos colaterais desse tipo de tratamento, disse. (AE)

L U C K ASSESSORIA CONTÁBIL, FISCAL E EMPRESARIAL

11

3231-0704 / 3461-9256

Rua Major Quedinho, 111 - 1º andar - cj. 109 - Centro contabilluck@uol.com.br


DIÁRIO DO COMÉRCIO

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

9

Avante, morena. Mensagem nos cartazes de apoio a Cristina

nternacional

Reuters - 12/01/10

Cristina ficará de licença até o próximo dia 24. Durante o período, ela será substituída pelo vice, conhecido pelo estilo festeiro (à esq.).

Mais uma vitória de Cristina Kirchner

A

presidente da Argentina, Cristina Kirchner, se recupera bem da cirurgia à qual foi submetida ontem para a remoção de um câncer na tireoide. A operação, que previa a retirada total da glândula afetada, ocorreu sem complicações e todos os seus sinais vitais eram bons, anunciou seu porta-voz, Alfredo Scoccimarro, fazendo com que os partidários da líder, que faziam vigília do lado de fora do hospital, comemorassem. A previsão, agora, é que Cristina permaneça internada até o próximo sábado. Depois, continuará de licença, em repouso, até o próximo dia 24. É possível que ela passe parte do tempo em Buenos Aires e parte em sua residência, na Patagônia. Os médicos haviam previsto uma cirurgia de rotina e a cura completa sem quimioterapia, já que exames pré-operatórios mostraram que o câncer não havia se espalhado além do

nódulo, localizado do lado direito da tireoide. Cristina, de 58 anos, descobriu que tinha um carcinoma papilífero da tireoide logo após o início de seu segundo mandato, no mês passado, informaram seus médicos. A cirurgia, realizada no Hospital Austral, no subúrbio de Pilar, ao norte da capital, foi comandada pelo doutor Pedro Saco, especialista em câncer na cabeça e pescoço. Especialistas dizem que a remoção da tireoide é rotina, embora o processo não seja imune a riscos. Os cirurgiões devem tomar cuidado para não danificar um nervo próximo que é ligado às cordas vocais ou remover a paratireoide, que regula o fornecimento de cálcio. No geral, os pacientes devem relaxar o pescoço após a intervenção cirúrgica. Rouquidão temporária é comum e, em casos raros, a voz pode mudar. Os pacientes também devem ingerir iodo radioativo para preve-

Alejandro Pagni/AFP

Cirurgia para retirada de um câncer na tireoide foi um sucesso, diz governo.

nir novas ocorrências do tumor. Por causa disso, a mandatária terá de passar por um período de isolamento. Após a cirurgia, os pacientes tomam um medicamento – levotiroxina sódica – para o resto da vida para substituir o hormônio que a glândula tireoide produz. Exames de sangue a cada seis a doze meses também são recomendados. A presidente não deve ser preocupar com uma cicatriz. "A maioria dos médicos faz pequenas incisões, que nós escondemos em uma dobra da pele, então, ela não aparece", explicou a doutora Jennifer Ogilvie, professora-assistente de cirurgia da Universidade de Nova York, que já realizou cerca de 1.500 dessas intervenções.

Simpatizantes fazem vigília em frente ao hospital com cartazes, bandeiras e 'santuários' improvisados.

AFP

Vigília - A entrada do hospital foi tomada por militantes. Desde terça-feira, começaram a chegar jovens com camisetas e bandeiras, a maioria com os dizeres "Força, Cristina", celebrizados no episódio da morte de seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner em 2010. Alguns inclusive levaram "santuários" improvisados com imagens de Jesus Cristo e de Nossa Senhora de Lujan, patrona da Argentina, para pedir pela "pronta recuperação" da popular chefe de Estado. Muitos acamparam no local e dizem que lá ficarão até sábado, quando Cristina deve ter alta. "Estamos contentes porque ela luta pelo bem-estar de toda a comunidade. Para mim é uma pessoa muito sensível que coloca toda a sua vida em jogo para defender nossa liberdade e bem-estar", disse Margarita Sánchez, uma artesã e docente de 57 anos. O caso de Cristina vem se somar aos de outros líderes latinoamericanos que se trataram recentemente de câncer: o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, a atual presidente, Dilma Rousseff, e os líderes do Paraguai, Fernando Lugo, e da Venezuela, Hugo Chávez. Substituto - Durante os 20 dias de licença, Cristina será substituída em suas funções pelo vice-presidente do país. Economista, Amado Boudou tem 46 anos e fama de sedutor. Sua tarefa é observar se há movimentos especulativos no mercado por conta da notícia da doença de Cristina, que o havia advertido pelo fato de ele aparecer demais na imprensa com seu estilo informal e festeiro. Amante da boa vida, Boudou ganhou popularidade por gostar de motos e rock, preferências que explorou durante a campanha eleitoral do ano passado liderando vários recitais com sua guitarra elétrica. (Agências)

FOI POR POUCO

F

A intromissão é de quem? O regime da Síria acusou Washington de intervir no trabalho dos monitores da Liga Árabe no país, após a notícia de que o secretárioassistente dos EUA para assuntos da região, Jeffrey Feltman, viajou ao Egito para conversar com a entidade sobre os protestos populares. "Os EUA são um dos que tentam reacender a violên-

cia por sua mobilização e incitação a ela", afirmou o ministro das Relações Exteriores sírio, Jihad Makdisi. Washington afirma que Damasco não respeitou os compromissos com a Liga Árabe, no momento em que aumenta a polêmica sobre a missão dos observadores enviados à Síria para tentar interromper a violência.

Mercenários - Já rebeldes sírios denunciaram a presença no país de mercenários iranianos, supostamente membros da Guarda Revolucionária, que participam da repressão contra a população. A denúncia foi feita pelo líder dos rebeldes, Abdul Razak Tlas, à revista alemã Stern. (Agências)

Reuters - 01/01/12

Romney (foto maior) confirmou favoritismo, mas a vitória sobre Santorum (acima, à esq.) foi de apenas oito votos. Já a lanterninha Michele (abaixo, à esq.) desistiu.

AFP

AFP - 03/01/12

oi preciso esperar até a última urna no Estado de Iowa para revelar o vencedor da primeira etapa das eleições primárias que irão definir o candidato republicano à presidência dos EUA. O ex-governador de Massachusetts Mitt Romney superou o ex-senador da Pensilvânia Rick Santorum por apenas oito votos – 30.015 a 30.007, segundo resultados oficiais divulgados ontem. Esse resultado consolida o favoritismo de Romney, mas mostra também que ele não conseguiu garantir o apoio da base conservadora do partido, que procurou Santorum como alternativa. A acirrada disputa também já fez sua primeira vítima. A deputada Michele Bachmann decidiu desistir depois de ficar em sexto e último lugar no pleito. (Agências)

Do Ocidente, diz Pequim. O governo chinês obrigou as emissoras de TV do país a cortar em dois terços seus programas de entretenimento. A medida visa limitar o conteúdo baseado em modelos ocidentais na programação. A lei entrou em vigor neste ano, ao mesmo tempo em que o presidente Hu Jintao publicou um ensaio em revista estatal dizendo que o Ocidente quer do-

minar a China por meio da difusão de sua cultura e ideologia. Segundo a Xinhua, as emissoras começaram a transmitir conteúdos que "promovem virtudes tradicionais e valores fundamentais do comunismo". Os maiores alvos foram os reality shows e programas de calouros – considerados de "mau gosto" pelo órgão oficial de censura do país. (Folhapress)


DIÁRIO DO COMÉRCIO

10

c

Carlos Rhienck/Folhapress

idades

Cristiano Couto/Folhapress

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

TRAGÉDIA EM OURO PRETO Os bombeiros localizaram ontem o corpo do segundo taxista soterrado após o desabamento parcial da rodoviária de Ouro Preto, em Minas Gerais. Até ontem à noite, as equipes de resgate procuravam uma possível terceira vítima do grande deslizamento de terra que atingiu a cidade histórica mineira.

Alessa Oliveira/AE

Estado de Minas Gerais é castigado pelas enchentes. Além de mortos e desabrigados, as chuvas provocam a interdição de vários trechos de rodovias mineiras, como a BR-262, em Belo Horizonte (ao lado). No Rio, municípios decretam emergência, como Campos (acima).

Chuvas: só em Minas, já são oito mortos Temporais não dão trégua em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. No total, pelo menos 11 pessoas já morreram desde o início da temporada das águas.

A

s chuvas não dão trégua no Sudeste. A Defesa Civil de Minas Gerais confirmou ontem que oito pessoas morreram por causa das chuvas que atingem o estado desde outubro de 2010. Seis das vítimas morreram neste ano. No Rio de Janeiro e Espírito Santo, mais municípios decretaram situação de emergência. Em Ouro Preto (MG), dois taxistas foram soterrados na madrugada de anteontem após o ponto de táxi da rodoviária onde ambos se encontravam ser atingido por um deslizamento de encosta. Ainda anteontem, o corpo de Juliano Alves, de 28 anos, foi resgatado. Ontem, os bombeiros localizaram o corpo de Denílson Maciel de Araújo, de 31 anos. Até a noite de ontem, as equipes permaneciam no local e continuavam os trabalhos de escavação à procura de outra possível terceira vítima. O número de cidades mineiras em situação de emergência chega a 66, segundo a Defesa Civil estadual. Outros 53 municípios foram atingidos, mas não decretaram emergência. Mais de 10 mil pessoas tiveram de deixar suas casas até o momento, 3.260 imóveis foram danificados e 96, destruídos. Rio – Seis municípios do norte e do noroeste fluminense estão em alerta por conta da chuva. Segundo a secretaria de Defesa Civil, a região é a mais afetada por inundações no estado do Rio. Pelo menos três pessoas já morreram. Os alagamentos foram provocados pela cheia dos rios Muriaé e Pomba, que nascem em Minas Gerais e tiveram forte impacto das chuvas na região nos últimos dias. No Espírito Santo, duas cidades já decretaram situação de emergência em consequência das chuvas. Segundo a Defesa Civil, 21 municípios capixabas foram atingidos. Levantamento da Defesa Civil mostra que 11.850 pessoas foram afetadas. Deste total, 173 estão desabrigadas e outras 1.019 estão desalojadas. Doze pessoas ficaram feridas e uma morreu. Ao menos 560 casas foram danificadas ou destruídas. La Niña – O fenômeno climático La Niña pode agravar o problema de alagamentos e deslizamentos em regiões como Rio de Janeiro e Minas Gerais. De acordo com o meteorologista Marcelo Pinheiro, da empresa Climatempo, o fenômeno causa "falta de chuvas no Sul e frentes frias que passam muito rápido pela região, chegando ao Sudeste com mais frequência." Ainda segundo Pinheiro, um registro atípico este ano são as temperaturas baixas que ocorreram, por exemplo, nos períodos do Natal e do AnoNovo. (Agências)

ENTRE A ÁGUA E O FOGO Enquanto Minas Gerais se afoga por causa dos temporais que caem desde o ano passado, o Rio Grande do Sul sofre com a estiagem Samuel Aguiar/Folhapress - 04/01/2012

José Maria dos Santos

C

erca de 1.200 quilômetros separam Ouro Preto, em Minas Gerais, de Frederico Westphalen, no Rio Grande do Sul. Se fosse possível juntar um morador de cada cidade, ambos iriam se queixar que, no momento, estão sofrendo um impiedoso castigo da natureza e que ela, caprichosa, como que desejando mostrar seu poder, resolveu adotar métodos opostos: água e fogo. Até ontem à tarde, dezenas de municípios mineiros estavam sob estado de emergên-

cia por causa das chuvas. Nos últimos dias, a água que caiu na faixa de Belo Horizonte à zona da mata somou 720 mm, o maior índice em 100 anos. Enquanto isso, no Médio Alto Uruguai, no Rio Grande do Sul, onde Frederico Westphalen se encontra, 13 cidades estão, desesperadamente, pedindo água há dois meses. Até o poderoso Rio Uruguai, que tem o território sob sua área de influência e que percorre 1.770 quilômetros até desembocar no Rio da Prata está murchando.

Ouro Preto, em Minas Gerais: além da tragédia provocada pelas mortes, comércio sofre forte prejuízo com as fortes enchentes

“Já está faltando combustível”

A

empresária Rosângela de Cássia Saraiva Ambrósio tem sua loja de vestuários – Alex Modas – no bairro de Vila Itacolomi, junto ao campus universitário de Ouro Preto. Ela teve a sorte de não ser prejudicada pelas fortes chuvas que vem provocando deslizamentos e enchentes na cidade. Porém, na qualidade de presidente da Associação Comercial e Empresarial de Ouro Preto, ela está em mobilização permanente nos últimos dias devido ao aguacei-

ro. São cerca de cinco mil estabelecimentos ligados à entidade que dirige e que podem reclamar atenção a qualquer momento. “Ouro Preto é uma cidade turística, mineradora e universitária. O arco do nosso comércio é variado”, diz ela. Diário do Comércio – Mais uma vez as chuvas estão castigando Ouro Preto. Como a senhora está vendo a situação? Rosângela de Cássia Saraiva Ambrósio – Neste ano as chuvas estão muito mais intensas. Estou aqui desde 1973

e nunca vi nada parecido. Tanto que está havendo transtorno de abastecimento de hortifrutigranjeiros pelos deslizamentos nas estradas de acesso. Isso não havia acontecido. E ontem (terça-feira) já estava faltando combustível nos postos. Espero que não haja problemas com a água, pois os reservatórios ficam muito sujos. DC – O comércio está sendo afetado? Rosângela – É o setor que, de imediato, mais padece nessas circunstâncias. Sempre é

o termômetro de uma cidade. Nesta época de férias, a rede hoteleira, cerca de 100 estabelecimentos, tem 80% da lotação. Tragédias como essas sempre afastam os visitantes, há cancelamentos de reservas num primeiro momento. Este processo acaba prejudicando toda a comunidade. DC – As enchentes são recorrentes em nosso País; repetem-se todo ano. A associação que a senhora dirige não pensa em fazer algo a respeito?

Rosângela – Na verdade, após nove anos estou deixando a associação neste mês. Mas continuarei lutando, como todos, para melhorar as condições. Ocorre que, nos anos anteriores, nunca houve uma situação tão grave. O que deve ser proposto, e todos devem se engajar nisso, é o planejamento. Com planejamento, tudo funciona melhor. Isso implica em cuidar das encostas. A ocupação delas é o maior problema, particularmente por envolver vidas humanas e colocálas sob risco. (J.M.S.)

“Uma situação atípica. Um desastre” Divulgação

O

contabilista Rubens Hauber t, 38 anos, possui um centro atacadista de gorduras animais e de óleos vegetais em Frederico Westphalen, na região do Médio Alto Uruguai, no norte do Rio Grande do Sul. Ele também é presidente da Associação Comercial e Empresarial local, que tem sob sua tutela em torno de dois mil estabelecimentos que se dedicam, em sua maior parte, a alimentos e vestuário. Frederico Westphalen que, como o nome indica, teve colonização alemã, está no epicentro da for- Rubens Haubert, da Associação Comercial de Frederico Westphalen te estiagem que atinge boa parte do território gaúcho. não está colaborando. 76 milímetros, enquanto o A região está bem servida normal seria de 200 milímepor rios. Ali correm o volumo- Diário do Comércio – Há quanto tros. Há municípios aqui do so Uruguai, o Rio da Várzea e tempo não chove na região? Médio Alto Uruguai em que a Fortaleza, também de bom Rubens Haubert – Há dois quebra de safra de milho cheporte. O problema é que o céu meses. O índice foi de apenas ga a 70%; de leite, 50%; de fu-

mo, 20%. E já está se aproximando o tempo de semear o trigo. É um desastre. DC – A estiagem surpreendeu? Haubert – Sim. Como era esperada no ano passado, os produtores plantaram menos. Mas agora não contavam com ela, semearam normalmente. O prejuízo está sendo muito maior. No município de Serebi há famílias sem água. A questão é que todos são pequenos lavradores, não têm gordura para queimar. Evidentemente forma-se uma cadeia que afeta toda a comunidade. DC – O que o senhor acha que é possível fazer? Haubert – A Associação Comercial está se preparando para dar suporte a esses agricultores, pois a solução

dos problemas deve começar necessariamente com eles. Nós estamos nos engajando em formas de auxiliá-los, de buscar recursos. Nossa primeira ação é a de cobrar providências das lideranças políticas. Não há outro caminho. Todo o território do Médio Alto Uruguai é basicamente de produção agrícola. DC – Mas a seca não está ficando um problema recorrente, exigindo programas permanentes? Haubert – Sim. Por isso a Associação não está fixada apenas no presente, no imediato. Vamos fazer estudos no sentido de oferecer aos agricultores acesso a sistemas de irrigação com as quais poderão enfrentar a estiagem. Tem que ser uma política estadual de governo. (J.M.S.)


DIÁRIO DO COMÉRCIO

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

c

11 São pessoas dependentes, doentes. Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo

idades

Ação anticrack não inibe ciranda de 'noias' Fotos de Chico Ferreira/Luz

Como sempre acontece quando há uma operação policial na Cracolândia, os "noias" (como são conhecidos os dependentes de crack) migram para outras regiões da cidade. Ontem eles estavam concentrados na Praça Princesa Isabel. Para o prefeito Kassab, ação da PM não é "enxugar gelo".

Fotos de Chico Ferreira/Luz

Em 2010, M.A.C. distribuía pedras de crack para traficantes

"Eu já fui 'vapor' de traficantes"

Ivan Ventura

A

operação contra o tráfico e o consumo de crack na Cracol â n d i a , a re g i ã o mais degradada da Luz, iniciada terça-feira pela Polícia Militar (PM), voltou a exibir uma situação já bastante conhecida de toda a cidade: a ciranda dos "noias", como são chamados os dependentes da droga. Ontem, porém, o prefeito Gilberto Kassab disse que a ação da PM não é "enxugar gelo". Segundo o prefeito, "são pessoas dependentes, doentes. Já é um avanço estarem em uma região que tem polícia, que passará diariamente por processo de limpeza urbana, uma região em que as pessoas sabem que têm a possibilidade de serem encaminhadas para equipamentos adequados, onde serão submetidas a tratamento”. Seja como for, desde anteontem, apesar de mais de 300 abordagens feitas pelos PMs, um grupo estimado em 500 dependentes deixou os arredores da Estação da Luz (seu ponto preferido) e tomou diferentes rumos em direção ao Centro. Ontem, o grupo deteve-se na Praça Princesa Isabel. Migração – Os policiais militares que circulam pelas ruas da Luz admitiram não apenas a migração dos "noias", mas também a concentração na praça. "Só hoje (ontem) foram três operações. A primeira deu-se às 10h. Depois, uma ao meio dia e outra às 15h. Nós afastamos o viciado, mas quando a viatura sai, eles voltam", disse o comandante da operação na tarde de ontem, o primeiro tenente Flávio Martins. A reportagem do DC esteve na praça momentos antes da chegada da PM e registrou a presença dos "noias". No momento em que perceberam a presença da máquina fotográfica, dois deles ameaçaram agredir o repórter fotográfico. Um dos "noias" arremessou duas pedras do tamanho de uma bola de beisebol, que por pouco não atingiram o profissional. Outro usuário foi além. Descontente, ele atravessou a avenida Rio Branco sem se importar com os carros e ameaçou o fotógrafo com um pedaço de cano plástico. Enquanto caminhava, dizia em tom ameaçador que pertencia ao "comando", o que, na gíria de marginais, é uma referência direta ao crime organizado ou, mais especificamente, ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Meia hora depois, chegaram homens da PM e da Guarda Civil Metropolitana (GCM).

A

A operação iniciada terçafeira pela Polícia Militar na região da Cracolândia, no Centro de São Paulo, já contabilizou mais de 300 abordagens de supostos traficantes. Com a presença ostensiva e contínua da polícia, os "noias" se dispersaram pelo Centro e ontem voltaram a se concentrar, desta vez na Praça Princesa Isabel. O prefeito exaltou a ação da PM e disse que operação não é "enxugar gelo".

"Sabemos que haveria uma migração. Por isso, a operação segue para a vizinhança da Luz", disse o tenente Martins. No coração da Cracolândia, bem ao lado da Estação da Luz,

moradores e comerciantes aprovaram a operação policial, mas duvidaram de sua eficácia e pedem que a PM passe a ter presença permanente no local. Comida - Na alameda Barão

de Piracicaba, próximo a um dos conhecidos pontos de consumo de crack, a presença de uma ONG ligada à igreja Cristolândia ajudou ontem a minimizar um dos efeitos da abstinência da droga: a fome. Voluntário da ONG e longe do crack há um ano e oito meses, Dogival Arnaldo Lopes, de 27 anos, disse que o consumo da droga costuma inibir a fome e a sede. Após o início da operação na Luz, muitos usuários passaram a consumir menos droga, recobrando a consciência e a fome. "Hoje servimos 200 refeições, um recorde", disse Silva. M.F.J., de 33 anos, e I.C., de 40, aguardavam a chamada pelos voluntários da Cristolândia. "Não aguento mais. Estou doente e a minha mulher também. Quero ir para uma casa de recuperação e parar com esta vida louca", disse M..

usuária M.A.C (iniciais fictícias), de 44 anos, conhece bem os dois lados perversos do crack na região da Cracolândia. Ela mora há 14 anos na Luz e sempre esteve no epicentro do consumo da droga. Ela afirma que há dois anos trabalhou para o tráfico de drogas. Em um único dia, sozinha, ela vendia quase 80 pedras de crack. O salário? as mesmas pedras de crack. "Foi em 2010, quando eu era 'vapor' (pessoa que distribui a droga para o traficante). Era assim: logo cedo eu recebia uma sacola plástica com 50 pedras de crack de um traficante, o que dava uns R$ 500 (cada pedra era vendida a R$ 10). A primeira sacola eu vendia em menos de uma hora. Na segunda sacola, a venda diminuía, mas dava para vender duas sacolas em um único dia. Só lembrando: eu não era a única vendedora na região", disse M.A.C. Ela disse que, dos R$ 500 arrecadados pela venda de cada sacola com 50 pedras, R$ 400 iam para o bolso do traficante. Os outros R$ 100 ficavam com a ex-traficante, que nunca

aceitava dinheiro. A sua parte era em pedras de crack. "Eu não queria dinheiro, apenas as pedras. Com a venda de duas sacolas, recebia 20 pedras de crack. "Consumia tudo em um único dia. Foram tempos difíceis, que eu não quero mais", disse. Enquanto conversava com a reportagem do Diário do Comércio, M.A.C. apontou para uma outra usuária em companhia de um amigo. Era a sua "parceira" nos tempos de "vapor" do tráfico. "Ela também saiu, mas outras pessoas entraram no lugar. Tem muita gente vendendo droga que também é usuária", disse. M.A.C diz que está pronta para abandonar a crack. Segundo ela, há duas semanas ela não consome a droga e quer voltar para a reabilitação. De uma sacola plástica com objetos pessoais e algumas roupas, ela retira uma foto e documentos emitidos em julho do ano passado. "A minha recaída é recente. Tava bem, recuperada, longe da droga e do crack. Do tráfico quero distância, mas da droga quero sair e eu vou", disse. (I.V.)

Dogival Arnaldo Lopes, ex-dependente e hoje voluntário de ONG

Dependente de droga ameaçou repórter fotográfico com cano plástico


DIÁRIO DO COMÉRCIO

12 -.LOGO

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

ARTE NA MESA Fica difícil escolher apenas uma em meio a tanta mesa bonita. www.etsy.com/shop/ar tenclv

Pense diferente

www.dcomercio.com.br

O designer Viktor Hertz homenageia Steve Jobs criando diversas variações do logo da Apple, "Pense Diferente". Veja mais no link abaixo. www.flickr.com/photos/her tzen/sets

Pense disfarçado

Pense descoberta

Pense diabólico

/72157628685260899/

P ALMEIRAS S AÚDE

O ex-jogador Ronaldo não começou bem 2012. Ontem, ele revelou ter contraído dengue em Trancoso, na Bahia, onde passou as festas de fim de ano com a sua mulher e filhos. Inicialmente, na terça-feira, o Fenômeno escreveu apenas "Maldito mosquito" em seu perfil no Twitter . Ontem, porém, Ronaldo esclareceu a

situação. "Bom dia pra você que começou o ano com dengue!", publicou. O ex-jogador também postou uma foto dele, tomando soro em uma maca de um hospital. Ronaldo agradeceu o apoio e carinho recebido, além de ressaltar que sua situação não é grave. Ele teve alta na terçafeira à noite. (AE)

Carl Court/AFP

C IDADES

O

goleiro Marcos se aposentou. O anúncio foi feito pelo gerente de futebol do Palmeiras, César Sampaio, ontem, dia da reapresentação dos jogadores depois das férias. Marcos já havia dito que só definiria seu futuro depois de conversar com o técnico Luiz Felipe Scolari e Sampaio. Pentacampeão mundial com a seleção, Marcos se consagrou no Palmeiras no final da

Cesar Greco/AE

'São Marcos' se aposenta

Mais uma vítima da dengue: Ronaldo.

década de 1990. Antes de virar titular após Veloso se machucar, chegou a ser chamado por Zagallo, então técnico do Brasil. Pelo Palmeiras, atingiu o ápice ao pegar pênaltis em dois mata-matas contra o Corinthians nas Libertadores de 1999 (quando o time foi campeão continental) e 2000. Ele jogou 530 partidas pelo alviverde. (Folhapress). Leia mais em www.dcomercio.com br

Contagem anual no zoo de Londres Adrian Walls, do zoológico de Londres, posa em frente ao tanque de pinguins. O zoo começou ontem sua contagem anual das mais de 750 espécies que habitam o parque.

Quem passa diariamente pelo Elevado Costa e Silva, o Minhocão, vai morrer de inveja dos novaiorquinos, que transformaram uma antiga linha de trem suspensa num bonito boulevard. E M E DUCAÇÃO

Médico de Michael Jackson terá de devolver registro

Livros queimados dentro de escola Uma quantidade expressiva de livros escolares foi queimada entre a tarde de terça-feira e a manhã de ontem no pátio interno da Escola Municipal Zezé Salles, em Analândia, a 236 km de São Paulo. O material foi amontoado sobre o gramado da escola e consumido pelo fogo. Avisado por moradores, o vereador Adriano Bezerra (PMDB) acionou a PM e foi até o local na companhia de policiais. "Registramos tudo em fotos e vídeos, pois se já é um absurdo queimar livros escolares, imagine fazer isso no pátio da escola

C A R T A Z

C ONDENAÇÃO

e sobre o gramado", reclamou. De acordo com o vereador, pela quantidade de cinzas e restos, pelo menos 500 volumes entre livros e apostílas foram incinerados. Ele percebeu que alguns exemplares não queimaram completamente e identificou livros didáticos de matemática e geografia. A diretora Eliana Aparecida Gregoraci está de férias e só tomou conhecimento do ocorrido depois de ser procurada pela imprensa. Ela disse que hoje tomará providências para apurar o ocorrido. (AE)

O médico de Michael Jackson, Conrad Murray, recebeu uma solicitação do Conselho Médico da Califórnia para devolver seu registro profissional. Condenado a quatro anos de prisão por homicídio culposo na morte do cantor, ocorrida em 2009, Murray tem até o meio de janeiro para entregar o documento.

EXPO Exposição exibe obras criadas por Beth Neves. 7 Molinos. Alameda Lorena, 1914. Grátis.

G RÃ-BRETANHA Paul Ellis/AFP

L OTERIAS Concurso 1207 da LOTOMANIA

Projeto inspira e transforma A TÉ LOGO

Acesse www.dcomercio.com.br para ler a íntegra das notícias abaixo:

08

14

23

38

39

42

45

46

53

54

65

67

72

73

78

85

86

89

91

Concurso 1351 da MEGA-SENA

Polícia prende suspeito de ter matado empresário chileno diretor da TV Barretos

L

13

L

L

Sociedade de Cirurgia Plástica diz que retirada preventiva de silicone é desnecessária

L

TESOURO - O piso original do Saint George's Hall, em Liverpool, coberto em 1860 para protegê-lo, será mostrado ao público numa oportunidade rara.

Before I Die (Antes que eu morra), de Candy Chang, transformou a lateral de uma casa abandonada num quadro negro onde cada um pode expressar seus desejos. Acabou mudando também a paisagem de Nova Orleans, nos EUA.

04

Polícia Rodoviária Federal quer a interdição de templo que bloqueou a via Dutra

33

36

41

50

Concurso 2789 da QUINA 10

11

40

45

79

56


DIÁRIO DO COMÉRCIO

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

e

13 VALE Mineradora brasileira anuncia emissão de bônus no exterior

conomia

Serviços pesaram no bolso em 2011 A

Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) divulgou ontem que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) avançou 0,61% no mês de dezembro, fechando 2011 com avanço de 5,81%. Ambos os resultados superaram com folga o teto das estimativas do mercado. Para o índice mensal, as projeções iam de 0,41% a 0,55%, com mediana de 0,48%. Para o acumulado do ano, o mercado esperava entre 5,5% e 5,73%, com mediana de 5,66%. O grupo Despesas Pessoais, com alta acumulada de 8,35% em 2011, foi o que registrou o maior avanço no ano passado, dentre os sete que compõem o IPC na capital paulista. Outrora vilão da inflação, Alimentação, com variação positiva de 5,02%, foi um dos que menos subiram em 2011. O destaque de baixa em 2011 foi Habitação, com alta de 4,63% acumulada entre janeiro e dezembro. Além deste grupo e de Alimentação, apenas Vestuário (alta de 4,75%) teve variação positiva aquém da marca de 5,81% do IPC Geral. A t r á s d e D e s p e s a s P e ssoais, a segunda maior alta e m 2 0 11 f o i e m S a ú d e , d e 7,29%, seguida de Transpor-

FECOMERCIO-SP O Índice de Preços no Varejo (IPV) sobe 0,51% em novembro

Grupo Despesas Pessoais, com alta de 8,35%, foi o que mais subiu na inflação do paulistano, que fechou 2011 com alta de 5,81%.

Fotos: Newton Santos/Hype

O item Alimentação apresentou uma variação positiva de 5,02% ao longo do ano passado.

tes, com alta de 7,03%. Educação teve avanço acumulado de 6,72% no ano passado. Dezembro – Já o IPC de dezembro acelerou ligeiramente para 0,61%, ante 0,6% em novembro. O IPC também acelerou ligeiramente na compara-

ção com a terceira quadrissemana de dezembro, quando ficou em 0,59%. As estimativas dos analistas para esse período iam de 0,46% a 0,52%, com mediana de 0,48%. Na terceira quadrissemana do mês de novembro, o IPC havia

ficado em 0,6% Ao comentar sobre sua expectativa de 5,3% para o IPC na capital paulista em 2012, o coordenador do indicador da Fipe, Rafael Costa Lima, afirmou que "está muito difícil fazer projeções para este ano",

argumentando que o cenário macroeconômico apresenta vários elementos contraditórios. Além disso, o coordenador acredita que falta sintonia no discurso sobre crescimento e inflação entre o Palácio do Planalto, Ministério da Fa-

zenda e Banco Central (BC). "Falta uma postura mais clara da equipe econômica", disse. Entre os elementos divergentes do quadro econômico, o coordenador citou a crise global, o reajuste do salário-mínimo, o desemprego baixo e o consumo ainda elevado. Costa Lima vê com preocupação as projeções diferentes, por exemplo para o Produto Interno Bruto (PIB), entre essas três esferas. "O governo ainda não tem uma postura uniforme para o crescimento em 2012. O Planalto fala em 5%, a Fazenda vê acima de 4% e o BC, mais realista, em torno de 3,5% ou abaixo disso", afirmou. Na avaliação de Costa Lima, a crise internacional dará uma trégua para a inflação em 2012, mas não será um alívio considerável para trazer a inflação para o centro da meta de 4,5%.

Aumento na hora de comer Paula Cunha

O

Passei a procurar locais com preços menores, mas que mantiveram a qualidade dos alimentos.

Índice de Preços ao Consumidor (IPC) terminou o ano de 2011 com alta de 5,81%, resultado inferior aos 6,4% observados em 2010. O indicador medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) indicou que, apesar do recuo expressivo, o item despesas pessoais foi o que apresentou elevação mais significativa, com variação positiva de 8,35% no período. Na Capital paulista, algumas pessoas sentiram mais o peso da elevação dos preços cobrados por estes serviços, principalmente a alimentação fora de casa e cuidados pessoais, como aquisição de produtos de higiene e beleza e visitas ao cabeleireiro.

Para o consultor Carlos Andreoli, houve aumento nos preços das refeições ao longo do ano, o que fez com que ele evitasse os endereços mais custosos. O mesmo aconteceu com o engenheiro Dalton Alves. "Passei a procurar locais com preços menores, mas que mantiveram a qualidade dos alimentos." O analista de sistemas Virgínio do Nascimento reclamou que o valor de seu tíquete-refeição não acompanhou o aumento dos preços, o que o forçou a procurar outros estabelecimentos no Centro. "A elevação dos preços nos restaurantes a quilo foi tão grande que, às vezes, é mais compensador optar pelo serviço à la carte", explicou. A advogada Liliana Guerreiro sentiu que os aumentos dos preços das refeições exerceram

um certo peso em seu orçamento, mas eles não foram tão expressivos a ponto de forçá-la a uma mudança drástica de hábitos e uma procura por opções de valores inferiores de refeições. "Para compensar, optei por reduzir as idas ao cabeleireiro, de duas vezes ao mês para apenas uma." O analista Gustavo Araújo não reclamou dos preços da alimentação durante a semana, mas observou que houve elevação acima da inflação nos restaurantes mais sofisticados que costuma frequentar nos finais de semana. "Restringi a ida ao cinema e ao teatro em função das últimas altas de preços dos ingressos, que considero muito caros aqui em São Paulo", disse. Exceção – "Apesar de ter observado uma pequena elevação

dos preços da alimentação fora de casa, a advogada Helen sentiu um impacto maior com o aumento nos valores de itens como cabeleireiro, cujas despesas saltaram de R$ 600 para R$ 1 mil nos últimos dois meses. Quanto ao lazer, percebeu também expansão nos valores de estacionamento, combustível, entradas de cinema e de teatro, mas não diminuiu os gastos com esses últimos itens. "Sinto que hoje economizo menos. Mas é importante lembrar que não tenho despesas que outras pessoas têm como pagamento de parcelas da casa ou do carro. Minha estrutura financeira é positiva", acrescentou. Para a engenheira Graça Adoni, a elevação de preços nos restaurantes que frequenta na hora do almoço não foi expressiva.

DALTON ALVES, ENGENHEIRO

LILIANA GUERREIRO, ADVOGADA

Viagem foi vilão do índice em dezembro

O

Sinto que hoje economizo menos. HELEN, ADVOGADA

Para compensar, optei por reduzir as idas ao cabeleireiro, de duas vezes ao mês para apenas uma.

vilão da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) na capital paulista em dezembro foi o item Viagem (Excursão), que no mês passado teve alta de 6,42% e contribuição de 10,63%, ou 0,06 ponto percentual, para o IPC Geral, que foi de 0,61%. "Esses preços normalmente sobem nesta época por causa das férias, mas nesse ano (2011) a alta foi mais elevada do que a média sazonal por conta dos aumentos de passagens aéreas", disse o coordenador do IPC da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Rafael Costa Lima. As passagens aéreas tiveram aumento de 7,44% no mês passado e ocuparam o terceiro lugar no ranking dos itens que mais contribuíram para o IPC – liderado justamente por Viagem. Outros vilões do IPC de dezembro estão no grupo Alimentação, que avançou

1,44%, respondendo por 53,75% do IPC. Feijão teve alta de 10,22%; contrafilé subiu 8,34% e café em pó, 4,38%. A expectativa de Costa Lima para este grupo em janeiro é de manutenção de preços em patamares elevados, em razão da esperada pressão de alta dos produtos in natura, cuja oferta fica mais escassa nesta época do ano por causa das chuvas. A projeção da Fipe para Alimentação é de alta de 1,41% este mês. Por outro lado, Vestuário já deve migrar para o campo de preços em quedas em janeiro. O grupo apresentou paulatina desaceleração nas últimas quadrissemanas de dezembro (1,34% na segunda, 1,08% na terceira e 0,38% no fechamento do mês). "A tendência é de queda com as remarcações de preços após o fim de ano", justificou Costa Lima, que prevê recuo de 0,34% para o grupo no fechamento de janeiro. (AE)

Fipe fará recorte de grupo a partir de janeiro

A

Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) passará a divulgar um índice da inflação dos serviços que compõem o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), a partir de janeiro, informou ontem o coordenador do IPC, Rafael Costa Lima. Segundo ele, o índice acompanhará a ponderação desses preços que estão espalhados entre os sete grupos do IPC. "Terá a mesma ponderação relativa que tem no índice geral", disse o coordenador, acrescentando que, por isso, não pode ser considerado necessariamente um novo indicador. "São preços que já temos", explicou. De acordo com Costa Lima, o projeto foi uma das suas primeiras contribuições desde que chegou na Fipe – ele assumiu oficialmente este ano a coordenação do IPC – e vem sendo estudado desde novembro.

"Todos estão preocupados com a inflação de serviços e não é à toa", comentou o coordenador, que calcula que serviços representam "40% ou mais do IPC". A primeira divulgação do índice será no próximo dia 11, juntamente com o resultado do IPC da primeira quadrissemana de janeiro. Costa Lima disse que ainda não está definido como será feita essa apresentação. "Não sei se faremos por grupos, se vamos separar os que têm peso grande de mão de obra", observou. Ele destaca a contribuição que a nova Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), que começou vigorar definitivamente em julho, deu para que fosse possível o projeto. "Depois da nova POF, vários serviços foram desagregados, como o aluguel por tipo de moradia (casa, apartamento) e número de dormitórios", exemplificou. (AE)

Restringi a ida ao cinema e ao teatro em função das últimas altas de preços dos ingressos, que são caros em São Paulo. GUSTAVO ARAÚJO, ANALISTA


14 -.ECONOMIA

DIÁRIO DO COMÉRCIO

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012


DIÁRIO DO COMÉRCIO

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

e

15

Considerando o cenário econômico atual, se crescermos os 5,76% esperados para esse ano ainda estaremos no paraíso. Flávio Meneghetti, presidente da Fenabrave

conomia Adnan Abidi/Reuters

Venda de veículos avança 4,79% em 2011 Fenabrave estima que os negócios aumentem um pouco mais este ano: 5,76%. Renato Carborani Ibelli

A

s vendas de veículos cresceram 4,79% em 2011 na comparação com o ano anterior. O resultado, divulgado ontem pela Federação dos Distribuidores de Veículos (Fenabrave), engloba as vendas de automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus e motos. Em números absolutos foram comercializadas 5.573,499 unidades desses segmentos, enquanto que em 2010 as vendas chegaram a 5.318.673. O crescimento de 2011 foi menor do que previa a entidade, que projetava 5,2% de alta, mas, segundo Flávio Meneghetti, presidente da Fenabrave, os números são considerados positivos tendo em vista o agravamento da crise europeia que acabou por contaminar o País. Para 2012 a perspectiva de Meneghetti é de crescimento um pouco maior nas vendas, na casa de 5,76% comparando com o ano passado, o que totalizaria 5.894.734 unidades comercializadas. Para o presidente da Fenabrave, as incertezas do mercado externo impedem um crescimento mais próximo

do observado em anos anteriores a 2010, quando a expansão do setor era de dois dígitos. Com a estagnação da zona do euro e o crescimento lento dos Estados Unidos, o mundo acaba patinando. Assim, a Fenabrave projeta que a economia brasileira crescerá, no melhor cenário traçado, 3,5% em 2012. "Não é mais possível ao setor crescer como no passado. Ainda assim, considerando o cenário econômico atual, se crescermos os 5,76% esperados para esse ano ainda estaremos no paraíso", disse Meneghetti. De volta aos dados fechados de 2011, observa-se que houve queda de 0,1% nas vendas de automóveis, totalizando 2.648.994 na comparação com os 2.651.583 comercializados em 2010. Segundo Meneghetti, os veículos de entrada – aqueles com preços mais acessíveis – puxaram essa queda. Isso porque os consumidores desses modelos são mais dependentes de linhas de crédito para suas compras, sendo que, segundo ele, as medidas macroprudenciais adotadas pelo governo para controlar a infla-

Global e simultâneo – Alan Mulally, presidente e CEO da Ford, beija o novo Ecosport lançado ontem simultaneamente no Brasil e na Índia. O utilitário, primeiro carro global da marca desenvolvido no Brasil, será vendido em cerca de 100 países e fabricado em Camaçari, na Bahia; na Índia; e Tailândia. Segundo Mulally, a companhia deve investir um total de R$ 2,8 bilhões no Nordeste, até 2015. (leia mais no DCarro amanhã) ção restringiram o crédito. Por outro lado, as vendas de comerciais leves e ônibus seguraram a alta do acumulado do ano ao avançarem, respectivamente, 14,64% e 21,73% em 2011. No caso dos comerciais leves, o avanço é considerado uma tendência, resultado da popularização dos veículos desse segmento, a exemplo dos SUVs. No caso dos ônibus, o avanço significativo, segundo a Fenabrave, é consequencia da renovação das frotas do transporte público municipal. No caso dos importados houve avanço de 29,82% nas vendas na comparação entre 2011 e 2010. O resultado espera-

do para 2012 ainda é incerto, em especial pelo aumento do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) para os modelos

vindos de fora. Mas Meneghetti estima que os importados oriundos de países asiáticos, em especial China e Coreia do

Sul, devem sofrer queda de 45% nas vendas. "Os modelos vindos desses países são de entrada, cujos consumidores são mais sensíveis aos aumentos dos preços", explica. Já os importados europeus devem registrar vendas apenas um pouco menores do que em 2011. Nesse caso, os modelos vindos da Europa costumam ser de luxo, sendo que seus compradores são mais flexíveis em relação às altas dos preços. Se houver avanço das vendas de veículos importados em 2012, ela será puxada pelos modelos vindos do México e Argentina, países que não foram afetados pela alta do IPI.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

16

e

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Vamos crescer mais de 3% no ano, e esperamos IED de US$ 55 bi. São números bons, considerando que o ano não será fácil para a economia mundial. Álvaro Bandeira, da Ativa Corretora

conomia

Saldo cambial do País cresce 170% Superávit foi o segundo melhor nos últimos 30 anos, perdendo apenas para o resultado obtido em 2007, de acordo com os dados do Banco Central. APF Photo/Bay Ismoyo

O

Brasil registrou em economia brasileira cresça 2 0 11 o s e g u n d o 3,3% neste ano, e que o IED tomaior superávit talize US$ 55 bilhões. Os agencambial dos últi- tes apostam que a Selic termine mos 30 anos, de acordo com o fim do ano em 9,5%. dados do Banco Central (BC) A própria autoridade monedivulgados ontem. Profissio- tária projeta que o IED ficará nais do mercado acreditam em US$ 50 bilhões em 2012, que o País pode continuar ano em que a economia deve atraindo grandes volumes de crescer 3,5%. A cifra, ainda que capitais neste ano, caso a situa- robusta, é menor à previsão ção na Europa não piore. Em feita para 2011, de US$ 65 bi2011, o País fechou o ano com lhões em IED para o País. entradas líquidas de US$ Bandeira ponderou ainda 65,279 bilhões, a segunda me- que o fluxo de capitais ao Brasil lhor marca da série histórica seguirá dependente do notido BC, iniciada em 1982. O vo- ciário internacional. "Se a averlume de agora ficou atrás ape- são a risco crescer, o Brasil vai nas de 2007, quando houve in- ser afetado e podemos ter uma gressos de US$ 87,454 bilhões, diminuição desses fluxos." número quase 170% maior que S aí da — Dezembro termi2010, quando o fluxo foi de nou com saída de dólares pelo US$ 24,354 bilhões. terceiro mês consecutivo em O saldo de 2011 foi compos- 2011. Segundo dados do BC, o to por um suBrasil perdeu perávit de US$ 1,943 biUS$ 43,950 bilhão no últilhões nas opemo mês, valor rações comer106,3% maior ciais (via exque o fluxo portação). Na cambial negabilhões de dólares foi conta finant i v o d e n oa entrada líquida de ceira, 2011 envembro,em cerrou com a que US$ 942 dólares em 2011, a entrada de milhões deisegunda melhor US$ 21,329 bixaram o País. lhões, cifra Segundo o marca da série 18% menor B C , houve histórica do Banco que a verificasaída graças Central desde 1982 da em 2010. às operações " Te m o s fi nan ce ira s, condições de que fizeram manter um fluxo elevado para que US$ 3,625 bilhões deixaso Brasil. Vamos crescer mais de sem o País, em transações de 3% no próximo ano e estamos compra e venda de ações e títuesperando IED (Investimento los de renda fixa, empréstimos Estrangeiro Direto) na ordem de e remessas de lucros, entre ouUS$ 55 bilhões. São números tros. A entrada foi de US$ muito bons, considerando que 40,492 bilhões, valor superado o ano não deve ser fácil para a pelas saídas, que alcançaram economia mundial", afirmou o US$ 44,117 bilhões. diretor da Ativa Corretora ÁlEssa saída foi parcialmente varo Bandeira, que não fez compensada por recursos vinprojeção para o fluxo ao longo dos do comércio exterior. O do ano, mas lembrou que a Brasil recebeu US$ 1,681 biatratividade da economia bra- lhão em dezembro nos contrasileira se deve à taxa básica de tos de câmbio para exportajuros de 11%, a despeito das ex- ções que somaram US$ 20,606 pectativas de possível queda. bilhões, número superior aos Pelo o último relatório Focus US$ 18,924 bilhões em saídas do BC, o mercado espera que a via importações. (Agências)

65,2

Profissionais do mercado acreditam que o País deve continuar a atrair grande volume de capitais em 2012, caso a situação da Europa não piore

Em queda de 0,25%, dólar fecha a R$ 1,82

O

dólar tornou a cair ante o real ontem, ampliando a forte queda da véspera diante da perspectiva de novas entradas de recursos externos. O movimento foi na contramão do clima de cautela no exterior, onde a moeda norte-americana subia ante várias moedas. Entre elas, estava o euro. No fechamento, a taxa de câmbio cedeu 0,25%, e chegou a R$ 1,8272 na venda, renovando a mínima desde 9 de dezembro, quando terminou a R$ 1,8059. Tal qual na véspera quando o dólar caiu 2,01% —

Brasil: melhor que Itália e Espanha em captações.

O

Brasil se saiu melhor do que a Itália e a Espanha na captação de recursos no mercado internacional realizada nos últimos dois dias. Os dois países europeus estão no meio da crise internacional que abala o velho continente. Mesmo levando isso em conta, o desempenho dos papéis do Tesouro Nacional surpreendeu, já que o Brasil superou seu próprio recorde de juro baixo. Na busca de recursos em um mercado com pouca oferta, o Brasil se comprometeu a pagar uma taxa anual de 3,449% ao investidor que comprasse o título do País com vencimento em 2021, cotado em dólar. Esse foi o menor percentual da história das emissões brasileiras. Já a Itália teve que desembolsar o dobro (6,85% ao ano) para um papel em condições No por cento é a taxa que similares. caso da o País se Espanha, a comprometeu a pagar taxa de retorno para o ao investidor que comprador saiu a 5,21% comprasse títulos ao ano. com vencimento até Essa 2021, em dólar diferença significa que o investidor está mais seguro de que o Brasil honrará seus compromissos. A taxa doméstica ficou próxima também da francesa (3,27% ao ano), mas ainda está muito distante de países mais tradicionais como a Alemanha, por exemplo, que consegue captar recursos pagando apenas 1,89% ao ano aos aplicadores. Com a oferta dos papéis, o Brasil conseguiu arrecadar US$ 825 milhões, anunciou ontem o Ministério da Fazenda.

3,44

Na terça-feira, foram US$ 750 milhões da Europa e dos Estados Unidos e, na madrugada de quarta-feira, US$ 75 milhões da Ásia. O apetite por "comprar Brasil", no entanto, estava ainda maior. Uma fonte próxima à operação, disse que, somente nos EUA e Europa, onde foi captada a maior parte dos recursos, a procura pelos títulos brasileiros superou em sete vezes o volume inicialmente projetado, chegando a US$ 3,5 bilhões. A liquidação da operação será no dia 6. A taxa obtida pelo Brasil está 1,5 ponto percentual acima do que é pago pelo governo norte-americano, cujos títulos nessas operações são considerados os mais seguros do mundo para investimento. Os investidores também vão receber juros (cupom) de 4,875% ao ano a cada seis meses, nos dias 22 de janeiro e de julho de cada ano até o vencimento. Os títulos foram vendidos por 110,997% do seu valor de face. Essa é a segunda emissão feita pelo governo brasileiro com um banco do País, liderada por Itaú BBA com o BNP Paribas. Um dos objetivos do Tesouro Nacional com a emissão é ajudar companhias brasileiras que buscam recursos no exterior. As ofertas de títulos do governo servem como referência para o setor privado, que encontrava dificuldades para acessar o mercado internacional. Com a crise, o crédito se tornou raro e caro. Poupança — A Caixa Econômica Federal terminou 2011 com R$ 11,3 bilhões de captação líquida na caderneta de poupança. Foram abertas 4,38 milhões de novas contas, resultando em um total de 43,3 milhões de contas ativas. A Caixa também informou ter ultrapassado a marca de R$ 150 bilhões de saldo de depósitos. Só no primeiro dia útil do ano, a captação líquida foi de R$ 366,5 milhões. Para a Caixa, que tem 35% de participação nacional na caderneta, o ritmo de expansão será mantido. (AE)

maior baixa diária em dois meses —, profissionais do mercado atribuíram a queda na cotação às expectativas de mais ingressos de recursos ao País, depois de o Brasil voltar a emitir títulos soberanos. A operação serve de referência para emissões de empresas, como a Vale, que anunciou ontem a intenção de emitir bônus com vencimento em 2022. "Se o mercado acha que vão entrar mais dólares, acaba se adiantando e vende (a moeda) a um preço melhor. Por isso a queda que foi registrada ontem", afirmou o operador de câmbio da

corretora Renascença José Carlos Amado. Investidores acreditam que, caso a situação na Europa não se deteriore, o Brasil voltará a atrair volumosas quantias de capital neste ano, depois de em 2011 o País ter registrado o segundo maior ingresso líquido de dólares da história, atrás apenas do de 2007, segundo dados divulgados ontem pelo Banco Central. Após bater a mínima da sessão de R$ 1,8206 durante a tarde, a taxa de câmbio chegou a praticamente zerar a queda. Segundo o operador de câmbio de uma corretora

paulista, que preferiu não ser identificado, o movimento decorreu de fatores técnicos, com pontos de "stop loss" em torno daquele nível. "Mas foi algo rápido, logo depois o dólar voltou a cair", afirmou. No início da sessão, o mercado havia notado uma entrada pontual de recursos também. Segundo o operador de câmbio de um grande banco nacional, que também preferiu não ser identificado, não foi possível determinar o tamanho dessas operações, mas foi suficiente para mexer nas cotações porque "pegou o mercado de calças curtas". (Reuters)

Receita atualiza preço em reais

P

ara atender à demanda de multinacionais instaladas no Brasil, a Receita Federal divulgou ontem que os preços de produtos em reais remetidos para o exterior em 2011, dentro da própria empresa — da filial para a matriz —, serão incrementados em 11% para efeitos contábeis, visando à compensação da variação cambial. Caso não houvesse esse artifício, essas empresas teriam que pagar mais imposto para o governo por conta do cálculo de comparação, que determina que seja estipulado valor idêntico para o produto exportado, em relação ao praticado no mercado interno. "As empresas têm de seguir parâmetros de preços", disse o chefe substituto da divisão de tributação internacional da Receita Federal, Flávio Barbosa. A medida foi anunciada em Instrução Normativa publicada no Diário Oficial da União. Barbosa explicou que não houve nenhuma mudança de operação, apenas uma adequação para o ano específico. "As empresas reclamavam que, com o aumento do real, estavam perdendo dinheiro com as exportações, já que teriam que pagar um tributo que só existia por conta da variação cambial", explicou. O artifício, de acordo com o chefe substituto, também é aplicado por outros países. Para produtos exportados em 2010, o ajuste foi 9%. Em 2009, não houve compensação pela alta do dólar. "No ano passado, o dólar só começou a subir em setembro. A desvalorização foi forte, até lá", comparou. Tanto o produto que fica no Brasil quanto o que é enviado

para o exterior está cotado em reais. A grande diferença é que o preço do produto para o mercado doméstico está sujeito à inflação, enquanto exportações estão atreladas ao câmbio. "Com isso, o preço lá fora ficava mais barato em reais, após a sua conversão", resumiu. Por exemplo: um telefone que custava US$ 100, em determinado ano era vendido no exterior a R$ 180 (considerandose a cotação de R$ 1,80). Um período depois, o dólar caiu para

R$ 1,55 e o valor do produto ficou em R$ 155 para a filial. Já no Brasil, por conta da inflação, o produto subiu para R$ 190. Essa diferença de R$ 35 no preço teria de ser tributada. "Com a medida, essa diferença irá zerar", destacou Barbosa. A Receita chega ao percentual por meio de um cálculo, que leva em conta a média diária do comportamento do câmbio em um ano, mas que tem como base a média dos três anos anteriores. (AE)

Saem versões auxiliares de programas do IRPF

A

Receita Federal aprovou as novas versões de dois programas auxiliares para o preenchimento da declaração do Imposto de

Renda Pessoa Física (IRPF) 2013 - Ganhos de Capital em Moeda Estrangeira e Livro Caixa da Atividade Rural para o ano-calendário de 2012. Em ambos os casos, os dados apurados pelo programa podem ser armazenados ao longo deste ano, e depois transferidos à Declaração de Ajuste Anual do IRPF de 2013, com o ano-base 2012. O primeiro programa destina-se à apuração, pela pessoa física residente no Brasil, do ganho com a venda de bens ou do resgate de aplicações financeiras em moeda estrangeira. A Receita Federal também aprovou o programa Livro Caixa da Atividade Rural. Os programas já estão disponíveis na página na internet, pelo endereço www.receita.fazenda.gov.br.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

e

CRBS S.A.

conomia

Divulgação

Hidrelétrica de Itaipu gerou uma média de 92.245/h em 2011

Energia: demanda equivale a três Itaipus O Brasil precisará construir outras três hidrelétricas equivalentes a Itaipu para suprir a demanda prevista de energia em 2021, afirma um estudo divulgado ontem pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Segundo as previsões da estatal, o consumo de energia elétrica no País crescerá a uma taxa média de 4,5% ao ano na próxima década, por isso saltará dos 472 mil gigawatts hora (GWh) em 2011 até 736 mil gigawatts hora em 2021. Isso significa que a demanda de energia em 2021 será 56% superior à do ano passado e que o Brasil terá que aumentar a energia gerada em 264 mil gigawatts hora nos próximos dez anos. Esse volume de energia equivale ao produzido por três hidrelétricas de Itaipu, que é hoje a segunda maior do mundo, compartilhada pelo Brasil e o Paraguai, e que no ano passado gerou uma média de 92.245 gigawatts por hora. Revisão – A previsão de geração de energia para o período até 2021 é inferior ao estimado em junho pela EPE até 2020, que era de crescimento do consumo de 4,7% ao ano. Na ocasião, a EPE revisou sua projeção anterior, que era de 5,4% ao ano. A empresa atribuiu a revisão na época à "mudanças de hábitos" e a um "maior ganho com eficiência". O presidente da EPE, Mauricio Tolmasquim, afirmou ontem que a geração de energia que será ampliada para suprir a expansão da demanda até 2021 equivale ao consumo da Espanha. Mas, segundo ele, cerca de 70% dessa capacidade já foi contratada pelos leilões de energia organizados pelo governo. "Temos uma situação de muito conforto", disse Tolmasquim. De mand a – Parte da nova

energia demandada em 2021 será atendida pelas três grandes hidrelétricas que o País está construindo na Amazônia e que entrarão em operação nos próximos anos: Belo Monte, Santo Antônio e Jirau. Apenas Belo Monte, uma polêmica construção sobre o rio Xingu muito criticada por ecologistas e indígenas, oferecerá 39.360 gigawatts hora a partir de 2015. Segundo o estudo da EPE, o crescimento do consumo anual de energia do Brasil (4,5% ao ano) ficará abaixo do crescimento econômico médio ao ano previsto para o período (4,7%). O setor comercial será o que mais impulsionará o crescimento do consumo de energia no Brasil na próxima década, com um aumento de sua demanda de 5,8% ao ano, seguid o p e l o s e t o r re s i d e n c i a l (4,5%) e pela indústria (4,4%). "Apesar do elevado aumento do consumo do setor de comércio e serviços, a indústria se manterá como o setor responsável por quase a metade do consumo total de eletricidade do País em 2021", segundo o estudo do organismo estatal. O consumo da indústria saltará de 225 mil gigawatts hora em 2011 até 346 mil gigawatts hora em 2021. Outros segmentos devem aumentar o consumo em 3,6%, passando de 61 mil GWh para 87 mil GWh. A EPE ainda estima um expressivo aumento da autoprodução, em torno de 6,8% ao ano, em média, passando de 41,5 mil GWh estimados em 2011 para 79,8 mil GWh em 2021. "Com isso, a participação desta fatia da geração no consumo total de eletricidade do País crescerá dos cerca de 9% verificados nos últimos anos para 11%, aproximadamente, ao final do horizonte", disse a EPE em nota. (Agências)

Índice de commodities cai 0,53% em dezembro

O

preço dos produtos básicos – as chamadas commodities internacionais – caiu novamente em dezembro. Pesquisa divulgada ontem mostra que o Índice de Commodities do Banco Central (IC-Br) registrou queda dos preços de 0,53% no mês passado na comparação com novembro. Segundo o Banco Central (BC), o dado composto do IC-Br caiu de 125,01 pontos em novembro para 124,34 pontos no mês passado. No acumulado do ano, a queda foi de 0,35%. A retração foi liderada pelas commodities metálicas – como alumínio, minério de ferro, cobre, estanho, zinco, chumbo e níquel – cujos preços em reais recuaram

ECONOMIA/LEGAIS - 17

10,78% no ano. Em dezembro, houve alta de 0,36% em relação a novembro. Entre os produtos agropecuários como carne de boi e porco, algodão, óleo de soja, trigo, açúcar, milho e café, os preços apresentaram queda de 0,48% em 2011 e de 0,81% no mês passado. Já os itens energéticos – petróleo brent, gás natural e carvão – subiram 13,5% em 2011, mas caíram 0,32% em dezembro ante novembro. No ano passado, a principal referência do mercado de commodities, medida pelo índice CRB, teve alta de 2,87%. No mês passado, houve queda de 0,53%, mesmo porcentual registrado pelo indicador do BC. (AE)

CNPJ 56.228.356/0001-31 - NIRE 35.300.199.448 ATA DA ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA REALIZADA EM 01 DE JANEIRO DE 2012, ÀS 08H00M 1. Data, Hora e Local. Realizada às 08h00m do dia 01 de janeiro de 2012, em caráter excepcional, na sede social da Companhia de Bebidas das Américas - Ambev, localizada na Cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, na Rua Dr. Renato Paes de Barros, nº 1.017, 4º andar (parte), conjuntos 41 e 42, Edifício Corporate Park, bairro Itaim Bibi, CEP 04530-001. 2. Convocação e Presença. Dispensada a publicação de editais de convocação, na forma do disposto no § 4º do Artigo 124 da Lei nº 6.404/76, conforme alterada (“Lei das Sociedades por Ações”), por estarem presentes à assembleia acionistas representando a totalidade do capital social, conforme assinaturas constantes do Livro de Presença de Acionistas. 3. Mesa. Presidida pela Sra. Daniela Rodrigues e secretariada pelo Sr. Bruno Cassaro Strunz. 4. Ordem do Dia. Deliberar sobre: (i) a ratificação da nomeação da empresa especializada para a realização de avaliação de centros de distribuição e escritórios administrativos da acionista Companhia de Bebidas das Américas - Ambev a serem conferidos em aumento de capital social da Companhia, nos termos do Artigo 8º da Lei das Sociedades por Ações; (ii) a aprovação do laudo de avaliação dos referidos centros de distribuição e escritórios administrativos a serem conferidos em aumento de capital social da Companhia, elaborado pela empresa especializada mencionada no item (i); (iii) o aumento do capital social da Companhia a ser integralizado com os centros de distribuição e escritórios administrativos ora referidos; e (iv) em sendo aprovado o aumento do capital social da Companhia, a consequente alteração do Artigo 5º do Estatuto Social da Companhia. 5. Deliberações. Os acionistas deliberaram, por unanimidade de votos e sem quaisquer ressalvas ou restrições, o que segue: 5.1. Autorizar a lavratura da ata a que se refere esta Assembleia Geral Extraordinária em forma de sumário, bem como sua publicação com omissão das assinaturas dos acionistas presentes, nos termos do Artigo 130 e seus §§ da Lei das Sociedades por Ações. 5.2. Ratificar a escolha da Mynarski Controle Patrimonial Ltda., sociedade profissional estabelecida na Cidade de Porto Alegre, Estado de Rio Grande do Sul, na Avenida das Nações Unidas, nº 12.399, conjunto 34-B, Brooklin Novo, inscrita no CNPJ sob o nº 06.025.668/0001-70 (“Empresa Avaliadora”), para a realização da avaliação, nos termos do Artigo 8º da Lei das Sociedades por Ações, dos 24 (vinte e quatro) centros de distribuição e 23 (vinte e três) escritórios administrativos da Companhia de Bebidas das Américas - Ambev, sociedade por ações de capital aberto, com sede na Cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, na Rua Dr. Renato Paes de Barros, 1017, 3º andar, conjuntos 31/32, bairro Itaim Bibi, CEP 04530001, inscrita no CNPJ sob nº 02.808.708/0001-07, com seus atos constitutivos registrados na Junta Comercial do Estado de São Paulo sob o NIRE 35.300.157.770 (“Ambev”), a serem conferidos em aumento de capital social da Companhia (“CDDs Ambev”) e encontram-se melhor descritos no Anexo I da presente ata, a qual, previamente consultada, aceitou o encargo e apresentou a sua avaliação, consubstanciada no balanço patrimonial da Ambev levantado em 30 de novembro de 2011 (“Data Base”), com estrita observância dos critérios contábeis e da legislação societária aplicável atualmente em vigor. 5.3. Aprovar o laudo de avaliação dos CDDs Ambev elaborado pela Empresa Avaliadora, o qual, após rubricado pelos presentes, passou a fazer parte integrante da presente ata como Anexo II (“Laudo de Avaliação”). De acordo com o Laudo de Avaliação, os CDDs Ambev foram avaliados na Data Base em R$ 40.552.286,99 (quarenta milhões, quinhentos e cinquenta e dois mil, duzentos e oitenta e seis reais e noventa e nove centavos). 5.4. Aumentar o capital social da Companhia dos atuais R$ 129.073.899,17 (cento e vinte e nove milhões, setenta e três mil, oitocentos e noventa e nove reais e dezessete centavos), totalmente subscrito e integralizado, para R$ 169.626.186,16 (cento e sessenta e nove milhões, seiscentos e vinte e seis mil, cento e oitenta e seis reais e dezesseis centavos), um aumento, portanto, no valor de R$ 40.552.286,99 (quarenta milhões, quinhentos e cinquenta e dois mil, duzentos e oitenta e seis reais e noventa e nove centavos), mediante a emissão de 236 (duzentos e trinta e seis) novas ações ordinárias, nominativas e sem valor nominal, desprezadas as frações, com preço de emissão por ação equivalente a R$ 171.375,77 (cento e setenta e um mil, trezentos e setenta e cinco reais e setenta e sete centavos), fixado conforme o inciso II do § 1º do Artigo 170 da Lei das Sociedades por Ações, neste ato totalmente subscritas pela acionista Ambev e por ela integralizadas mediante a conferência dos CDDs Ambev, nos termos do Boletim de Subscrição constante da presente ata na forma de Anexo III (“Boletim de Subscrição”). 5.4.1 A acionista Arosuco Aromas e Sucos Ltda., por meio desta, expressamente concorda com o aumento de capital nos termos do item 5.4 acima e renuncia ao seu direito de preferência para subscrição das ações da Companhia emitidas em referido aumento de capital. 5.5. Tendo em vista o aumento de capital aprovado no item 5.4 acima, os acionistas decidem alterar o Artigo 5º do Estatuto Social da Companhia, que passa a vigorar com a seguinte nova redação: “Artigo 5º. O capital social é de R$ 169.626.186,16 (cento e sessenta e nove milhões, seiscentos e vinte e seis mil, cento e oitenta e seis reais e dezesseis centavos), dividido em 1.954 (mil, novecentas e cinquenta e quatro) ações ordinárias todas sem valor nominal. Parágrafo Primeiro - O capital social poderá ser aumentado sem guardar proporcionalidade entre as ações, observado o limite legal, mediante: a) aumento do número de ações ordinárias existentes; b) criação de classes de ações ordinárias; c) criação de classes de ações preferenciais; e/ou d) quando houver, aumento de uma ou mais classes de ações ordinárias ou preferenciais. Parágrafo Segundo - As ações em que se divide o capital social subscrito e integralizado poderão ser grupadas ou desdobradas, por deliberação da Assembleia Geral.” 5.6. As variações patrimoniais dos CDDs Ambev ocorridas entre 30 de novembro de 2011 e a presente data serão absorvidas pela Companhia. 5.7. Por fim, autorizar a prática pela Diretoria da Companhia de todos e quaisquer atos, com relação à transferência dos CDDs Ambev para a Companhia, inclusive realizar qualquer anotação ou inscrição perante quaisquer repartições públicas federais, estaduais ou municipais, no Brasil ou no exterior para tanto. 6. Encerramento. Nada mais havendo a ser tratado, foi encerrada a Assembleia, da qual se lavrou a presente Ata, que, lida e achada conforme, foi por todos os presentes assinada. Assinaturas: Mesa: Daniela Rodrigues, Presidente; Bruno Cassaro Strunz, Secretário. Acionistas Presentes: Companhia de Bebidas das Américas - Ambev, p.p. Daniela Rodrigues e Bruno Cassaro Strunz; e Arosuco Aromas e Sucos Ltda., p.p. Daniela Rodrigues e Bruno Cassaro Strunz. Confere com a original lavrada em livro próprio. São Paulo, 01 de janeiro de 2012, às 08h00m. Mesa: Daniela Rodrigues - Presidente, Bruno Cassaro Strunz - Secretário.

CRBS S.A. CNPJ 56.228.356/0001-31 - NIRE 35.300.199.448 ATA DA ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA REALIZADA EM 01 DE JANEIRO DE 2012, ÀS 12H00M 1. Data, Hora e Local. Realizada às 12h00m do dia 01 de janeiro de 2012, em caráter excepcional, na sede social da Companhia de Bebidas das Américas - Ambev, localizada na Cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, na Rua Dr. Renato Paes de Barros, 1.017, 4º andar (parte), conjuntos 41 e 42, Edifício Corporate Park, bairro Itaim Bibi, CEP 04530-001. 2. Convocação e Presença. Dispensada a publicação dos editais de convocação, conforme o disposto no Artigo 124, §4º da Lei nº 6.404 de 15.12.1976, conforme alterada, tendo em vista a presença da totalidade dos acionistas da Companhia, conforme assinaturas constantes do Livro de Presença de Acionistas. 3. Mesa. Presidida pela Sra. Daniela Rodrigues e secretariada pelo Sr. Bruno Cassaro Strunz. 4. Ordem do Dia. Deliberar sobre (i) a proposta de incorporação, pela Companhia, de sua controlada Boettcher Empreendimentos Ltda., sociedade empresária limitada, com sede na Cidade de Santa Cruz do Sul, Estado do Rio Grande do Sul, na Rodovia BR 471, km 57, bairro Várzea, CEP 96815-050, inscrita no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ sob nº 95.425.120/0001-47, com seus atos constitutivos arquivados na Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Sul sob o NIRE 43.200.143.633 (“Boettcher”); (ii) a apreciação e aprovação do respectivo Protocolo e Justificação de Incorporação da Boettcher pela Companhia, celebrado em 22 de dezembro de 2011 pela administração da Companhia e pela administração da Boettcher (“Protocolo de Incorporação”); (iii) a ratificação da nomeação de empresa especializada que realizou a avaliação do patrimônio líquido da Boettcher que será vertido para a Companhia, se aprovada a proposta de incorporação ora tratada; (iv) a aprovação do laudo de avaliação do patrimônio líquido da Boettcher elaborado pela empresa especializada mencionada no item (iii) acima; e (v) a autorização aos administradores da Companhia para a prática dos atos necessários à implementação da incorporação da Boettcher pela Companhia, se aprovada. 5. Deliberações. Instalada a Assembleia, após a discussão das matérias constantes da ordem do dia, os acionistas deliberaram, por unanimidade de votos e sem quaisquer restrições ou ressalvas, o que segue: 5.1 Aprovar o Protocolo de Incorporação, o qual estabeleceu os termos e condições da incorporação da Boettcher pela Companhia, com consequente extinção da Boettcher e sucessão universal de todos os direitos e obrigações da Boettcher pela Companhia, o qual, após rubricado pelos presentes, passou a constituir o Anexo I à presente Ata (“Incorporação”). 5.2 Ratificar a nomeação da empresa especializada Mynarski Controle Patrimonial Ltda., sociedade profissional estabelecida na Cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, na Avenida das Nações Unidas, nº 12.399, conjunto 34-B, Brooklin Novo, inscrita no CNPJ sob o nº 06.025.668/0001-70 (“Empresa Avaliadora”), para avaliação do patrimônio líquido contábil da Boettcher, a qual, previamente consultada, aceitou o encargo e apresentou a sua avaliação, consubstanciada em balanço patrimonial da Boettcher levantado em 12 de dezembro de 2011, com estrita observância do que estabelecem os critérios contábeis e a legislação societária aplicável atualmente em vigor. 5.3 Aprovar o laudo de avaliação do patrimônio líquido contábil da Boettcher elaborado pela Empresa Avaliadora, para os fins da incorporação da Boettcher pela Companhia, com base no balanço patrimonial da Boettcher levantado em 12 de dezembro de 2011, ajustado pro forma para refletir as variações patrimoniais ocorridas entre 12 de dezembro de 2011 e a presente data, rubricado pelos presentes e anexo ao Protocolo de Incorporação como Anexo B. De acordo com o laudo de avaliação, o valor patrimonial contábil da Boettcher é de R$ 270.455,50 (duzentos e setenta mil, quatrocentos e cinquenta e cinco reais e cinquenta centavos). 5.4 Tendo em vista as deliberações acima, aprovar a Incorporação, nos termos do Protocolo de Incorporação, com a versão da totalidade do patrimônio líquido contábil da Boettcher para a Companhia e a consequente extinção da Boettcher. 5.4.1 Consignar que, nos termos do Protocolo de Incorporação, a Incorporação não acarretará aumento ou qualquer modificação na composição do capital social da Companhia, uma vez que esta é, na presente data, detentora da totalidade do capital social da Boettcher. 5.5 A Companhia assumirá todos os elementos do ativo e do passivo da Boettcher que lhe serão transferidos em decorrência da Incorporação ora aprovada. 5.6 As variações patrimoniais da Boettcher ocorridas entre 12 de dezembro de 2011 e a presente data serão absorvidas pela Companhia. 5.7 Em decorrência do acima exposto, a Companhia autoriza seus administradores a praticarem todos os atos necessários à implementação da Incorporação ora aprovada podendo representar a Companhia para a formalização das operações em questão, tomar todas as providências necessárias à efetivação da Incorporação e assinar todos os documentos necessários à consecução da operação aqui prevista. 6. Encerramento. Nada mais havendo a tratar, foi encerrada a Assembleia, da qual se lavrou a presente Ata que, lida e achada conforme, foi por todos assinada. São Paulo, 01 de janeiro de 2012. Mesa: Daniela Rodrigues, Presidente; Bruno Cassaro Strunz, Secretário. Acionistas Presentes: Companhia de Bebidas das Américas - Ambev, p.p. Daniela Rodrigues e Bruno Cassaro Strunz; e Arosuco Aromas e Sucos Ltda., p.p. Daniela Rodrigues e Bruno Cassaro Strunz. Confere com a original lavrada em livro próprio. São Paulo, 01 de janeiro de 2012. Mesa: Daniela Rodrigues - Presidente, Bruno Cassaro Strunz - Secretário.

PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO CARLOS SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE - FUNDO MUNICIPAL DE SAÚDE PREGÃO ELETRÔNICO FMS Nº 003/2012 - PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 3029/2011 Faço público, de ordem do Senhor Secretário Municipal de Saúde, que se encontra aberto o Pregão Eletrônico FMS nº 003/2012, tendo como objeto o registro dos preços de fralda descartável, conforme descrição, especificações e quantidades constantes nos Anexos II e V. O Edital na íntegra poderá ser obtido nos sites: www.licitacoes-e.com.br e www.saocarlos.sp.gov.br, opção Licitações. O recebimento e a abertura das propostas dar-se-ão até às 8 horas do dia 18 de janeiro de 2012, e o início da sessão de disputa de preços será às 11 horas do dia 18 de janeiro de 2012. Maiores informações pelo telefone (16) 3362-1350. São Carlos, 04 de janeiro de 2012. Chayana Antonio de Moura - Pregoeira

PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO CARLOS SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE - FUNDO MUNICIPAL DE SAÚDE PREGÃO ELETRÔNICO FMS Nº 002/2012 - PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 3030/2011 Faço público, de ordem do Senhor Secretário Municipal de Saúde, que se encontra aberto o Pregão Eletrônico FMS nº 002/2012, tendo como objeto o registro dos preços de seringa de insulina, conforme descrição, especificações e quantidades constantes nos Anexos II e V. O Edital na íntegra poderá ser obtido nos sites: www.licitacoes-e.com.br e www.saocarlos.sp.gov.br, opção Licitações. O recebimento e a abertura das propostas dar-se-ão até às 8 horas do dia 18 de janeiro de 2012, e o início da sessão de disputa de preços será às 10 horas e 30 minutos do dia 18 de janeiro de 2012. Maiores informações pelo telefone (16) 3362-1350. São Carlos, 04 de janeiro de 2012. Chayana Antonio de Moura - Pregoeira

Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos Municipais de São Paulo - SEAM Edital de Convocação A Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos Municipais de São Paulo - SEAM convoca Assembleia Geral Ordinária, de acordo com item “b” do artigo 23 dos Estatutos da SEAM, para o dia 13 de janeiro de 2012 - sexta-feira, em primeira convocação às 11:00 h e segunda convocação às 12:00 h, local: Instituto de Engenharia - situado à Av. Dr. Dante Pazzanese, 120 - Sala 2, com a seguinte Ordem do Dia: 1) Relatório de prestação de contas da Diretoria do Exercício de 2011.

Dierberger Óleos Essenciais S.A. CNPJ/MF n.º 61.142.089/0001-15 - NIRE 35.300.012.844 ATA DA ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA REALIZADA NO DIA 30 DE NOVEMBRO DE 2011. 1. Data, Hora e Local. Realizada em 30 de novembro de 2011, às 10h00, na sede social da Companhia, localizada no Município de São Paulo - SP, na Rua Olga Genioli Leite, nº 64, Jurubatuba, CEP 04675-130. 2. Convocação e Presença. Dispensadas as formalidades de convocação, conforme o disposto no artigo 124, §4º da Lei n.º 6.404/76 (“Lei das Sociedades por Ações”), por estarem presentes os acionistas representando a totalidade do capital social, conforme assinaturas constantes do Livro de Presença de Acionistas, cuja certidão constitui o Anexo I da presente Ata. 3. Mesa. Presidida pelo Sr. João Andreas Dierberger e secretariada pelo Sr. Lucio Moralles. 4. Ordem do Dia. Deliberar sobre as seguintes matérias: (i) aprovação da cisão parcial da Companhia, com a incorporação de seu acervo cindido pela Lachaise Participações Ltda.; (ii) aprovação do Protocolo e Justificação de Cisão Parcial da Dierberger Óleos Essenciais S.A. com Incorporação do Acervo Cindido pela Lachaise Participações Ltda., celebrado em 29 de novembro de 2011, pela administração da Companhia e pela administração da Lachaise Participações Ltda. (“Protocolo”); (iii) ratificação da nomeação da empresa especializada para a realização da avaliação do acervo cindido da Companhia, designada por meio do Protocolo de Cisão Parcial; (iv) aprovação do laudo de avaliação do acervo cindido da Companhia para o fim específico da sua cisão parcial e incorporação do acervo cindido pela Lachaise Participações Ltda., sem redução do capital social da Companhia. 5. Deliberações. Discutidas as matérias da ordem do dia, os acionistas deliberaram, por unanimidade de votos e sem quaisquer ressalvas, o quanto segue: 5.1. Aprovar o Protocolo e Justificação de Cisão Parcial da Dierberger Óleos Essenciais S.A. com Incorporação do Acervo Cindido pela Lachaise Participações Ltda., na forma constante do Anexo II deste instrumento (“Protocolo de Cisão Parcial”), celebrado em 29 de novembro de 2011, entre as administrações da Companhia e da Lachaise Participações Ltda., sociedade empresária limitada, com sede na Avenida Industrial, n° 827, Bloco C, Distrito Industrial, CEP 17340-000, Cidade de Barra Bonita, Estado de São Paulo, inscrita no CNPJ/MF sob o nº 14.303.543/0001-92, com seu Contrato Social devidamente arquivado na Junta Comercial do Estado de São Paulo (“JUCESP”) sob o NIRE 35.225.793.732, em sessão de 15.08.2011 (“Lachaise”), contendo a justificação e as condições da cisão parcial da Companhia e a incorporação do acervo líquido cindido pela Lachaise (“Cisão Parcial”). 5.2. Aprovar a Cisão Parcial nos termos do Protocolo de Cisão Parcial, de forma a transferir, à Lachaise, a parcela do patrimônio referente à unidade de aromas da Companhia, com todos os respectivos elementos ativos e passivos, conforme listados no Anexo I do Protocolo de Cisão Parcial (“Acervo Cindido”). 5.3. Ratificar a escolha da Apsis Consultoria Empresarial Ltda., sociedade limitada, com sede no Município do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro, na Rua da Assembléia, 35, 12º andar, Centro, CEP 20011-001, inscrita no CNPJ/MF sob o nº 08.681.365/0001-30 e registrada no Conselho Regional de Contabilidade do Estado do Rio de Janeiro (CRC-RJ) sob o nº RF/2.052-4 (“Empresa Avaliadora”), para a realização da avaliação do acervo da Companhia a ser cindido, conforme designada no Protocolo de Cisão Parcial, a qual, previamente consultada, aceitou o encargo e apresentou a sua avaliação, consubstanciada em balanço patrimonial levantado em 30 de setembro de 2011 (“Data Base”), com estrita observância dos critérios contábeis e a legislação societária atualmente em vigor. 5.4. Aprovar o laudo de avaliação do Acervo Cindido elaborado pela Empresa Avaliadora, conforme constante do Anexo II ao Protocolo de Cisão Parcial. 5.5. Consignar que, a Cisão Parcial da Companhia não acarretará alteração do seu capital social, que permanecerá no valor de R$ 1.423.330,34 (um milhão, quatrocentos e vinte e três mil, trezentos e trinta reais e trinta e quatro centavos), representado por 2.729.000 (dois milhões, setecentas e vinte e nove mil) ações ordinárias, nominativas e sem valor nominal de emissão da Companhia, conforme indicado no item 3.7 do Protocolo de Cisão Parcial, tendo em vista o valor do Acervo Cindido, conforme o laudo de avaliação constante do Anexo II ao Protocolo de Cisão Parcial, corresponde ao montante negativo de 24.695.121,10 (vinte e quatro milhões, seiscentos e noventa e cinco mil, cento e vinte e um reais e dez centavos). 5.6. Conforme os itens 3.6 e 4.1 do Protocolo de Cisão Parcial, as variações patrimoniais referentes ao Acervo Cindido ocorridas entre a Data Base e a presente data serão integralmente absorvidas pela Lachaise, sendo certo que a Lachaise assumirá apenas a responsabilidade ativa e passiva relativa ao Acervo Cindido, sem solução de continuidade e, com exceção do débito consolidado objeto do Programa de Recuperação Fiscal, instituído pela Lei nº 9.964, de 10 de abril de 2000, destacado no item 4.1.1 do Protocolo de Cisão Parcial, sem solidariedade com a Companhia, nos termos do Artigo 229, §1º e Artigo 233, parágrafo único, da Lei das Sociedades por Ações, pelas obrigações da Companhia contratadas anteriormente a esta data. 5.7. Autorizar a administração da Companhia a praticar todos os atos, registros e publicações necessários à implementação da Cisão Parcial e transferência do Acervo Cindido para a Lachaise. 6. Encerramento. Nada mais havendo a ser tratado, foi encerrada a Assembléia, da qual se lavrou a presente Ata, que, lida e achada conforme, foi por todos os presentes assinada. São Paulo, 30 de novembro de 2011. Assinaturas: Mesa: João Andreas Dierberger - Presidente; Lucio Morales - Secretário; Acionistas: Dierberger Participações Ltda., por sua administradora, Ingeborg Elsa Christa Geissler Dierberger; João Ernesto Dierberger; Ingeborg Elsa Christa Geissler Dierberger; João Andreas Dierberger; e Ronald Michahelles, por seu procurador, João Andreas Dierberger. Confere com a original lavrada em livro próprio. São Paulo, 30 de novembro de 2011. João Andreas Dierberger - Presidente, Lucio Morales - Secretário. JUCESP nº 509.352/11-0 em 28/12/2011, Kátia Regina Bueno de Godoy - Secretária Geral.

PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO CARLOS SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE - FUNDO MUNICIPAL DE SAÚDE PREGÃO ELETRÔNICO FMS Nº 005/2012 - PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 3028/2011 Faço público, de ordem do Senhor Secretário Municipal de Saúde, que se encontra aberto o Pregão Eletrônico FMS nº 005/2012, tendo como objeto o registro dos preços de loção hidratante, conforme descrição, especificações e quantidades constantes nos Anexos II e V. O Edital na íntegra poderá ser obtido nos sites: www.licitacoes-e.com.br e www.saocarlos.sp.gov.br, opção Licitações. O recebimento e a abertura das propostas dar-se-ão até às 8 horas do dia 19 de janeiro de 2012, e o início da sessão de disputa de preços será às 9 horas e 30 minutos do dia 19 de janeiro de 2012. Maiores informações pelo telefone (16) 3362-1350. São Carlos, 04 de janeiro de 2012. Chayana Antonio de Moura - Pregoeira

PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO CARLOS SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE - FUNDO MUNICIPAL DE SAÚDE PREGÃO ELETRÔNICO FMS Nº 004/2012 - PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 3082/2011 Faço público, de ordem do Senhor Secretário Municipal de Saúde, que se encontra aberto o Pregão Eletrônico FMS nº 004/2012, tendo como objeto o registro dos preços de compressa de gaze, conforme descrição, especificações e quantidades constantes nos Anexos II e V. O Edital na íntegra poderá ser obtido nos sites: www.licitacoes-e.com.br e www.saocarlos.sp.gov.br, opção Licitações. O recebimento e a abertura das propostas dar-se-ão até às 8 horas do dia 19 de janeiro de 2012, e o início da sessão de disputa de preços será às 9 horas do dia 19 de janeiro de 2012. Maiores informações pelo telefone (16) 3362-1350. São Carlos, 04 de janeiro de 2012. Chayana Antonio de Moura - Pregoeira


DIÁRIO DO COMÉRCIO

18

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

e Crise ameaça AL com recessão, diz FMI. Sem um acordo e o financiamento que ele traria, a Grécia deverá enfrentar um perigo imediato de default incontrolável em março. Lucas Papademos, primeiro-ministro da Grécia

conomia

Diretor do Fundo Monetário Internacional afirma que o agravamento dos problemas da dívida europeia poderá afetar o avanço das economias da América Latina

A

s e c o n o m i a s d a de crédito na região latino-ameA m é r i c a L a t i n a ricana", acrescentou Eyzaguirenfrentarão uma re, que já foi ministro de Finanr e c e s s ã o e u m ças do Chile. aperto no crédito caso a crise Eyzaguirre defendeu que nos de dívida europeia piore, afir- países em que a inflação está sob mou Nicolas Eyzaguirre, dire- controle, o afrouxamento da potor do Departamento para o lítica monetária é uma medida Hemisfério Ocidental do Fun- apropriada e alertou que "os sisdo Monetário Internacional temas financeiros deverão ficar (FMI). Segundo ele, melhorar sob avaliação extra em busca de as finanças dos governos e sinais de estresse, com um olhar afrouxar a política monetária particular sobre os problemas deve ajudar os países latino- de liquidez". americanos a se prepararem Mercados – No geral, Eyzapara o pior. guirre elogiou as nações da "Nós não América Latina vemos uma por administrarecessão imirem suas econente na nomias e seus Menos linhas de América Latimercados com crédito externas na caso a crise habilidade deseuropeia perdisponíveis para os de a crise finanmaneça conceira de 2008, bancos podem tida, mas um c o l o c an d o - a s gerar uma crise cres cim en to em uma poside crédito na mais fraco ção de força América Latina. claramente diante dos proestá nas carblemas euroNICOLAS EYZAGUIRRE, DO FMI tas", disse Eypeus que atinzaguirre em gem a região. um blog do FMI, acrescentanO economista do FMI disse do que a confiança dos investi- ainda que o fundo espera um dores e os preços das commo- crescimento global menor, indities estão diminuindo. clusive na China, que é um Se a crise da Europa explodir grande centro de demanda pae os bancos da zona do euro so- ra muitas economias latinofrerem uma falta de financia- americanas. mento de curto prazo em dóAlém da crise europeia, a inlar, a América Latina pode en- capacidade do governo dos frentar sua própria turbulên- Estados Unidos de "alcançar o cia financeira. correto equilíbrio político fis"O impacto sobre a estabilida- cal" tanto no curto quanto no de financeira dos bancos filiais longo prazo está contribuindo da zona do euro na América La- também para o nervosismo tina pode ser muito maior", dis- nos mercados financeiros glose ele. "Menos linhas de crédito bais, ressaltou ontem Eyzaexternas disponíveis para os guirre no texto publicado no bancos podem gerar uma crise blog do FMI. (Agências)

China é líder em IPOs

A

China continuou em 2011 como o maior mercado de ofertas públicas iniciais de ações (IPOs) do mundo, apesar do total levantado ter caído em relação ao ano anterior por causa da incerteza na economia global. As companhias chinesas levantaram no ano passado 286,1

bilhões de iuans (US$ 45,5 bilhões) por meio de IPOs em Xangai e Shenzhen, 41% a menos do que em 2010, de acordo com a PricewaterhouseCoopers (PwC). Mesmo com a queda, o país ultrapassou Estados Unidos e Hong Kong. O mercado de IPOs na China continuará nesse nível em 2012. (Reuters)

Vendas de veículos sobem 10% nos EUA

A

s montadoras dos Estados Unidos fecharam 2011 com fortes vendas, mas preveem menor crescimento em 2012, tendo em vista que a lenta recuperação da economia deve se manter. As vendas da General Motors em dezembro subiram 5%, e as da Ford e Chrysler saltaram 10% e 37%, respectivamente. As vendas de novos veículos nos EUA são um indicador prévio dos gastos dos consumidores em cada mês, e o país é o segundo maior mercado automotivo do mundo depois da China. A indústria automotiva dos EUA deve fechar 2011 com cerca de 12,8 milhões de unidades vendidas, o que significaria um aumento de 10% em relação a 2010. No entanto, GM, Ford e Volkswagen, que reportou um ganho de 36% em dezembro, previram que o crescimento será a um ritmo mais lento. GM e Volkswagen estimaram que as vendas nos EUA em 2012 ficarão entre 13,5 milhões e 14 milhões de veículos, o que significa um crescimento entre 5% e 9%. A Ford previu uma faixa de 13,2

milhões a 14,2 milhões, excluindo caminhões médios e pesados. A consultoria TrueCar.com previu que as vendas nos EUA alcançarão 14 milhões em 2012. Concordata – Isso é muito menos que a média anual de quase 17 milhões nos EUA nos dez anos até 2007. Em 2008, a recessão começou a se estabilizar e um ano depois GM e Chrysler entraram com pedido de concordata. "Ao longo do quarto trimestre de 2011 vieram à tona claros sinais de que os consumidores norteamericanos estão confiantes e que outras bases de nossa economia estão estáveis ou melhorando aos poucos", afirmou o diretor de vendas da GM nos EUA, Don Johnson, em comunicado. "Agora está claro que as vendas de veículos devem continuar a crescer em 2012, se não houver um choque no sistema", disse. Os números da Ford foram beneficiados pelas maiores vendas a varejo desde 2005. As vendas da Chrysler fecharam o ano em alta de 26%, e a marca ganhou 1,3 ponto percentual de participação de mercado. (Reuters)

Inflação na zona do euro desacelera e reduz tensão

A

inflação na zona do euro desacelerou em dezembro conforme esperado, de acordo com dados divulgados ontem, sublinhando as expectativas do mercado de que a alta dos preços vai desacelerar mais nos primeiros meses de 2012 e abrir espaço para mais cortes da taxa de juro, a fim de ajudar a economia em crise. A Agência de Estatísticas da União Europeia (Eurostat) estimou que os preços ao consumidor nos 17 países que compartilham o euro subiram 2,8% em dezembro na relação anual, abaixo dos aumentos de 3% em novembro, outubro e setembro. O Banco Central Europeu (BCE) cortou sua principal taxa de juro de volta para a mínima recorde de 1% em dezembro, a fim de tentar estimular a economia enquanto as pressões da inflação diminuem. O Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro cresceu apenas 0,2% no terceiro trimestre de 2011 e economistas

acham que o PIB pode se contrair nos primeiros três meses de 2012, o que levaria o bloco de volta para uma recessão depois de dois anos de recuperação da pior crise financeira global desde os anos 1930. Setor privado – A contração na economia do setor privado da zona do euro diminuiu ligeiramente em dezembro graças a uma recuperação na Alemanha, embora a região ainda pareça no caminho de uma recessão moderada, segundo pesquisas divulgadas ontem. O índice Markit que mede a atividade dos setores de serviços e manufatureiro da zona do euro subiu para 48,3 em dezembro, contra leitura preliminar de 47,9 no mês e contra resultado inferior, de 47, em novembro. Apesar da melhora, o índice ficou abaixo de 50 pelo quarto mês seguido, apontando contração. O grupo Markit alertou para a piora da diferença entre economias mais fortes, como Alemanha e França, e economias como as de Itália e Espanha,

que parecem estar sofrendo severa contração. "A melhora do índice da zona do euro em dezembro faz pouco para repelir temores de que a região volte a uma recessão", disse Chris Williamson, economista-chefe do Markit. Williamson disse que a Itália e a Espanha já devem estar em recessão por causa do fardo trazido pelas medidas de aperto fiscal. O Markit revisou para baixo o componente de emprego do índice: de 50,9 na leitura preliminar para 50,4 no resultado final de dezembro. Isso representa uma melhora em relação ao resultado de 50,1 registrado em novembro. Alemanha – A Alemanha vendeu 4,057 bilhões de euros em bônus governamentais de dez anos ontem, no primeiro leilão do vencimento desde uma venda que gerou temores sobre as ameaças da crise de dívida da Europa para sua maior economia. Os bônus foram vendidos a um rendimento médio de 1,93%, menor que o juro de 1,98% pago em novem-

bro, quando os nervos do mercado produziram um dos mais mal sucedidos leilões de dívida da zona do euro. Dados do banco central alemão mostraram que o leilão de ontem atraiu demanda 1,3 vez maior que a oferta, contra proporção de 1,1 no leilão anterior. Calote – O primeiro-ministro grego, Lucas Papademos, advertiu ontem que a Grécia pode cair em março em um "default incontrolável" se patrões e sindicatos não chegarem a um acordo sobre a redução dos custos de trabalho para estimular a competitividade. "Sem um acordo e o financiamento que ele traria, a Grécia deverá enfrentar um perigo imediato de default incontrolável em março", afirmou Papademos. Segundo o primeiro-ministro, a questão dos salários ameaça afetar a avaliação da economia grega a ser feita pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) ao final de janeiro, antes de nova intervenção do plano de resgate. (Agências)

Saul Loeb/AFP Photo

UM ALIADO IMPORTANTE CONTRA OS EMPRÉSTIMOS PREDATÓRIOS – O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, manifestou ontem pessoalmente solidariedade a Endia Eason (ao seu lado na foto), uma moradora de Cleveland, no Estado de Ohio. A moradora enfrentou problemas para pagar as prestações da casa própria. Ela seria vítima de empréstimos hipotecários considerados predatórios, segundo as agências de notícias, e quase perdeu sua casa por não conseguir honrar os compromissos. Ontem, Endia Eason recebeu Obama na sala de sua casa e falou do problema diretamente com ele. O presidente dos Estados Unidos anunciou que pretende combater a prática dos empréstimos predatórios no país. Para isso, planeja nomear Richard Cordray como chefe do Departamento da Defesa do Consumidor Financeiro. Obama não quer esperar o fim do recesso parlamentar para fazer a indicação.


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
DC 05/01/2012 by Diário do Comércio - Issuu