São Paulo, quarta-feira, 3 de agosto de 2011
R$ 1,40
BRASIL MAIOR
Jornal do empreendedor
R$ 25 bi em renúncia fiscal para 4 setores industriais
EUA MENOR
Conclusão: 23h55
Ano 87 - Nº 23.428
www.dcomercio.com.br
Sérgio Lima/Folhapress
Pacote lançado por Dilma incentiva investimentos e desonera folha de fabricantes de móveis, calçados, roupas e e software – em compensação, cobra de 1,5% a 2,5% sobre o faturamento. Pág. 13
Mais US$ 2,4 tri de dívida e US$ 2,1 tri de déficit a cortar
Obama agradeceu o acordo anticalote ao povo, não ao Congresso. Os republicanos ganharam um lucro eleitoral ao impor um governo menor. E a nota da economia dos EUA pode ser ainda rebaixada. Pág. 18 Jewel Samad/AFP
Dida Sampaio/AE
CPI dos Transportes encalha na saída Com a assinatura do senador governista Reditário Cassol (PP-RO) (foto), oposição conseguiu as 27 assinaturas para a 1ª CPI da era Dilma, mas, no fim da noite, João Durval (PDT-BA) retirou seu nome. Pág. 6 Patrícia Cruz/Luz
PAGUEI SUBORNO
Batedora motociclista na PM? Tem sim. Uma. Patrícia Curcelli, 34 anos e 1,58 metro de altura, tem 159 colegas na Rocam, onde atua desde 1999. Sem abrir mão de batom e delineador, essa apaixonada por motos já escoltou gente como Lula e Bill Clinton. Pág. 9
Para quebrar a rotina do indiano de pagar suborno ao interagir com funcionários públicos, o casal Ramesh e Swati Ramanathan abriu espaço para depoimentos anônimos de vítimas. O site Eu Paguei Suborno já recebeu 11 mil relatos. Pág. 7
POLÍCIA FLAGRADA HOJE Sol com muitas nuvens. Máxima 18º C. Mínima 10º C.
AMANHÃ Sol com algumas nuvens. Máxima 18º C. Mínima 5º C.
ISSN 1679-2688
9 771679 268008
23428
Operação Insistência prende três policiais federais acusados de extorsão: recebiam dinheiro de comerciantes da Rua 25 de Março para aliviar a fiscalização. Pág. 7
Mais uma conta para quem paga conta no cartão: IOF Leão vai morder pagamento com cartão de crédito de contas de condomínio, luz, água... "Isso caracteriza um empréstimo", avisa a Receita. Pág. 15
DIÁRIO DO COMÉRCIO
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quarta-feira, 3 de agosto de 2011
A queixa objetiva diz respeito à ausência de uma política "efetiva e positiva" do governo para os trabalhadores José Márcio Mendonça
pinião Wilson Dias/ABr
IVONE ZEGER
QUEM DISSE QUE PAI NÃO TEM DIREITO?
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onsiderando que o Dia dos Pais está aí, vale lembrar que engana-se quem pensa que, após uma separação, os filhos ficam sempre com a mãe. Eles podem ficar com o pai ou até com outros parentes. Depende do que for melhor para as crianças. Para ilustrar, vale a pena lembrar o caso do casal de artistas Adriana Bombom e Dudu Nobre. A vida atribula da da dançarina Adriana Bombom, empreendida desde que se separou do marido, fez com que ela perdesse a guarda das duas filhas pequenas. A guarda das crianças foi transferida para o pai, o compositor e cantor Dudu Nobre, "até segunda ordem". A batalha entre Bombom e Nobre pelas crianças vem sendo travada desde a separação do casal. Mas após os constantes escândalos nos quais a dançarina se envolveu, o juiz achou por bem tirar-lhe a guarda das filhas, por entender que sua conduta colocava em risco a integridade das crianças.
notícia chama a atenção para um equívoco muito comum, o de achar que a guarda dos filhos, especialmente os pequenos, cabe sempre à mãe. De acordo com nossa legislação, as crianças devem ficar com quem tiver melhores condições de criá-las. E o fato de que, geralmente, elas fiquem com a mãe, não significa que o juiz não possa deixá-las sob os cuidados do pai, se entender que essa opção é a que melhor atende aos interesses dos pequenos. E também não significa que uma mãe que já tenha a guarda não possa vir a perdê-la, caso o juiz considere que seu comportamento oferece algum tipo de risco para as crianças. Antes de decidir com quem ficarão os filhos, o juiz ouvirá as justificativas apresentadas por ambos os lados. E também poderá ouvir testemunhas e ordenar vistoria nas residências dos pais e avaliações sociais e psicológicas do casal
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envolvido na disputa. Ao final desse extensivo e cuidadoso processo, o juiz emitirá sua decisão quanto a quem está melhor preparado para incumbir-se dessa missão. Existe até mesmo a possibilidade de que a guarda seja entregue a algum parente próximo que se ofereça para assumir essa responsabilidade (como avós ou tios, por exemplo), caso os pais se mostrem incapazes de cuidar adequadamente dos filhos. Ou, na falta de outros parentes, a guarda poderá ficar com o Estado – o que implica o envio das crianças para abrigos públicos. abe ressaltar que a perda da guarda não ocorre apenas em virtude de situações extremas. Se, por exemplo, o ex-marido comprovar na justiça que a rotina de trabalho de sua exmulher a impede de cuidar adequadamente dos filhos, a ponto de negligenciar seu bem-estar, ela também corre o risco de perder a guarda. Essa situação, contudo, não é irreversível. A pessoa que perdeu a guardar poderá recuperá-la se provar que as condições que a levaram a isso não mais existem. Ou seja, se Adriana Bombom comprovar que seu comportamento não mais oferece risco às filhas, ela poderá tê-las de volta. Por fim, é importante lembrar que nem sempre a perda da guarda implica em má conduta por parte do pai ou da mãe. Eles podem decidir, voluntariamente e de comum acordo, ceder a guarda ao ex-cônjuge porque seus compromissos profissionais ou sua situação financeira atual os impede de cuidar adequadamente das crianças naquele momento. E, assim como nos demais casos, isso também pode ser revertido tão logo a situação se normalize.
Sindicalistas mostraram seu descontentamento esnobando o convite do governo para participar do lançamento do programa "Brasil Maior".
O fim da lua de mel com os sindicatos
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IVONE ZEGER É ADVOGADA ESPECIALISTA EM DIREITO DE
FAMÍLIA E SUCESSÃO, AUTORA DOS LIVROS "HERANÇA: PERGUNTAS E RESPOSTAS" E "FAMÍLIA: PERGUNTAS E RESPOSTAS" - DA MESCLA EDITORIAL WWW.IVONEZEGER.COM.BR
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Central Única dos Trabalhadores não assinou porque, apesar de seus laivos de independência, sua liberdade de ação, em matéria de críticas aos governos que ajudou a fundar, é limitada pelo que pensam o ex-presidente Lula e o PT. O documento que a CUT não subscreve estava nos jornais paulistas de ontem, convocando "a classe trabalhadora" e o "povo brasileiro" para mais um dia da Jornada Nacional de Lutas, desta vez na capital paulista. A turma que um dia foi liderada, entre outros, pelo próprio presidente Lula, por Jair Meneguelli e Vicentinho, não subscreve – mas não está alheia a um movimento que se desenrola já na pele dos sindicatos e é alimentado pela insatisfação geral dos líderes trabalhistas com o governo Dilma Rousseff. Esse desgosto ficou patente ontem, quando as centrais sindicais, nesse caso incluída a CUT, desdenharam o convite oficial para participar do lançamento do programa "Brasil Maior", destinado a dar mais poder de competição à indústria nacional em relação aos seus concorrentes estrangeiros. Portanto, em tese, de defesa do emprego e da renda dos trabalhadores brasileiros. No caso específico, a queixa dos trabalhadores, ao contrário do que ocorreu com os empresários, é que eles não foram consultados sobre medidas que podem mexer também com a vida deles. E que, por isso mesmo, as propostas de benefícios à indústria não incluem cobrança de contrapartidas objetivas para proteger e até aumentar
JOSÉ MÁRCIO MENDONÇA o emprego no País. Mas a questão do dissídio entre governo e sindicalistas, depois dos anos de estrepitosa lua de mel com Lula, é bem mais profunda. Tem aquele lado sentimental, de afagos, que Lula sabia fazer muito bem aos ex-companheiros de jornada e para os quais a presidente Dilma, apesar dos esforços que tem feito em várias áreas, não tem gosto nem jeito.
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asta ver, para ficarmos em outra esfera, a falta de malemolência, tal qual um "beque de roça" que marcou a passagem da presidente na festa de sorteio das chaves das eliminatórias da Copa do Mundo de 2014. A queixa objetiva diz respeito mesmo à ausência de uma política "efetiva e positiva" desse governo para os trabalhadores, como lembra um dos queixosos. Dilma tem uma política industrial (pelo menos vai apresentá-la), enceta
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a segunda-feira a presidente, por exemplo, reuniu o seu Conselho Político no Palácio do Planalto para estabelecer os projetos prioritários que ela pretende discutir e ver aprovados este ano no Congresso Nacional. De uma lista que não chega a dez propostas, nenhuma daquelas que os sindicalistas pretendem ver votadas pelos deputados e senadores antes de dezembro. No documento
A área sindical é a mais delicada com que o governo tem de tratar. Até o fim do ano há vários dissídios coletivos de categorias fortes, dispostas a elevar seu poder de compra.
Presidente Rogério Amato Vice-Presidentes Alfredo Cotait Neto Antonio Carlos Pela Carlos Roberto Pinto Monteiro Cláudio Vaz Edy Luiz Kogut Érico Sodré Quirino Ferreira Francisco Mesquita Neto João de Almeida Sampaio Filho João de Favari Lincoln da Cunha Pereira Filho Luciano Afif Domingos Luís Eduardo Schoueri Luiz Gonzaga Bertelli Luiz Roberto Gonçalves Nelson Felipe Kheirallah Nilton Molina Paulo Roberto Pisauro Renato Abucham Roberto Faldini Roberto Mateus Ordine
discussões sobre reforma política e reforma tributária, negocia com os governadores e prefeitos a questão da nova distribuição dos royalties do petróleo, por bem ou por mal vai aprendendo a lidar (e conceder) com os partidos políticos, mas não tem nem um discurso nem uma agenda trabalhista. Delegou essas relações ao ministro Gilberto Carvalho, jeitoso e hábil ex-seminarista que conversa com muita simpatia, porém só engambela.
convocatório da manifestação de hoje os sindicalistas listam onze pontos, alguns aleatórios e abrangentes – tais como "mudanças na política econômica" pela soberania nacional e autodeterminação dos povos"– mas também tem ali coisas objetivas. E é por elas que os sindicalistas estão ameaçando manter quase que um permanente acampamento no Congresso. A primeira é a aprovação do projeto que reduz a jornada de trabalho semanal no Brasil de 44 horas para 40 horas, sem redução de salário. E também o projeto que acaba com o fato previdenciário.
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s líderes sindicais apoiam ainda a regulamentação imediata da emenda 29 da Constituição, com a destinação de mais recursos federais, estaduais e municipais para a área de saúde. São três medidas que causam calafrios no Ministério da Fazenda, ainda mais depois que ele foi obrigado a fazer mais concessões do que acha que devia no programa "Brasil Maior". A área sindical, ao reverso do que Dilma demonstra, é a mais delicada de tratar, para o governo, no momento. Ainda mais que há pelo caminho, até o fim do ano, uma série de dissídios coletivos de categorias de forte poder de vocalização e dispostas a aumentar seu poder de compra. O nível dessas conversas vai estar próximo dos 14% que o salário mínimo terá em janeiro. É um grupo disposto a medir força com um governo sem um interlocutor confiável e de valor para tentar quebrar as resistências e as mágoas sindicais. JOSÉ MÁRCIO MENDONÇA
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DIÁRIO DO COMÉRCIO
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O BRASIL FICOU ATRATIVO POR CONTA DOS SEUS JUROS E DEMAIS DISTORÇÕES DECORREM DAÍ.
pinião
DIÁLOGO COM MR. SMITH MANUELITO MAGALHÃES JÚNIOR
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eja você, caro leitor, como é dura a vida de um colunista. Escrevo este artigo nos dias que antecedem o "dia D" da economia americana. Segundo o próprio Tesouro dos Estados Unidos, anteontem era a data limite para um acordo em torno da ampliação do limite de endividamento do governo daquele país. Até os mais comedidos comentaristas econômicos declararam nas últimas semanas que, se o acordo não fosse alcançado, seríamos atingidos por um cataclisma. Alguns, mais afoitos, chegaram a comparar com uma explosão de mil bombas nucleares. Sinceramente, não sei de onde eles tiram tais cenários, pois está aí algo que ninguém nunca viu ao vivo. E se tivesse visto, não teria sobrevivido para contar. O fato é que se a maior economia do mundo deixou (ou deixar) de pagar seus compromissos, a reação será mesmo imprevisível. E isso é o máximo que me atrevo a pensar. É imprevisível porque questiona um dos fundamentos econômicos do mundo moderno – o dólar como reserva de valor. Desde que o dólar substituiu o ouro, há cerca de meio século, temos a moeda americana como padrão monetário, apesar dos sucessivos déficits orçamentários dos Estados Unidos. Na verdade, o mundo inteiro faz vista grossa para essa questão, por uma razão muito simples: não
temos moeda alternativa para desempenhar esse importante papel na economia mundial. Assim, sem estar certo que neste dia 3 de agosto ainda estaremos existindo (não consigo esquecer as tais mil bombas), vou voltar a falar sobre o câmbio. Já me prometi algumas vezes parar de tocar no assunto. A última delas, se bem me lembro, o Brasil tinha 300 bilhões de dólares em reservas, volume que hoje já passou de 330 bilhões de dólares, se é que isso vale um centavo nesta manhã.
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á escrevi neste espaço que, pelo "índice Big Mac", divertido cálculo econômico para explicar a relação de valor entre as moedas, tínhamos um dos sanduíches mais caros do mundo. Pois bem, este ano a revista inglesa The Economist resolveu considerar não somente o preço do sanduíche, mas também o PIB per capita (produto interno bruto dividido pela população) dos países. Resultado, somos os campeões mundiais desse novo "índice Big Mac", com a moeda mais sobrevalorizada, em relação ao dólar – 149%! Foi justamente o preço do Big Mac que afugentou nosso personagem Mr. John Smith, aquele bom velhinho aposentado do Nebraska, que vez ou outra vinha ao Brasil recolher o lucro de suas aplicações no nosso mercado financeiro. Para quem não se lembra, nosso velhinho sofreu
um infarto ao pagar a conta na lanchonete e constatar que o sanduíche que ele comia no Brasil era mais caro do que o saboreado em Nova Iorque. Aliás, nosso aposentado, a bem da verdade, tentou voltar ao Brasil depois disso, mas desistiu devido ao custo da viagem. Com a explosão dos preços no Brasil, Mr. Smith fez as contas e concluiu que gastaria boa parte do seu lucro se continuasse a escolher o Brasil como destino turístico. O dinheiro dele continua aqui, beneficiado pela mais alta taxa real de juros do planeta.
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o último fim de semana falei com ele pela internet – claro, como forma de fugir de uma das mais caras tarifas de telefone do mundo. Recorri ao nosso amigo, a fim de colher suas impressões sobre a crise americana. Ele estava no Havaí, onde um bom hotel não custa mais do que a metade do que pagaria na orla de Ipanema ou Copacabana. Perguntei ao nosso personagem como ele enxergava a crise da dívida americana. Para Mr. Smith, tudo se resumia a uma disputa política entre republicanos, que desejavam corte de gastos em programas sociais e democratas, que defendiam um aumento de impostos para os mais ricos.
Tudo isso tendo como pano de fundo as eleições presidenciais de 2012 nos Estados Unidos. Como ambos os lados conhecem bem as consequências do default, ele apostava que chegariam a um plano intermediário, que contemplasse as duas propostas, de preferência desgastando a já combalida imagem do presidente Barack Obama. Sua única dúvida dizia respeito a quanto tempo seria necessário até o entendimento.
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proveitei para saber de Mr. Smith, um investidor estrangeiro, como ele recebeu as últimas medidas do governo brasileiro, destinadas a estancar a valorização do real. Com seu humor característico, ele me disse que recebeu
bem, afinal de contas as medidas contiveram valentemente a queda do dólar por inacreditáveis dois dias! Para quem não sabe, a queda do dólar frente ao real aumenta a rentabilidade das aplicações de Mr. Smith e dos demais investidores internacionais.
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r. Smith me fez uma pergunta que, confesso, não soube responder. Segundo ele, as novas medidas tinham por fundamento a atuação no mercado futuro do dólar. Se é assim, perguntou, por que o Banco Central, há dois anos, faz maciças compras de dólares no mercado à vista, elevando nossas reservas para os mais de U$ 330 bilhões atuais? Para termos uma ideia das consequências, manter este nível de re-
servas custará mais de US$ 20 bilhões anuais. Uma hora teremos que encarar a realidade: o Brasil tornou-se atrativo por conta dos seus juros altos e as demais distorções decorrem daí. Enquanto tivermos taxas dessa magnitude, o mercado encontrará fórmulas para ultrapassar as barreiras artificiais criadas pelo governo, e usufruir dessa oportunidade. MANUELITO P. MAGALHÃES JÚNIOR É ECONOMISTA E DIRETOR DA
COMPANHIA DE SANEAMENTO BÁSICO DO ESTADO DE SÃO PAULO (SABESP). FOI PRESIDENTE DA EMPRESA PAULISTA DE PLANEJAMENTO METROPOLITANO (EMPLASA) E SECRETÁRIO DE PLANEJAMENTO DA CIDADE DE SÃO PAULO.
OS DESAFIOS DO JORNAL IMPRESSO D
esde que Gutemberg inventou a imprensa os jornais não pararam de surgir e de circular. Os jornais e seu poder de levar notícias às populações são encarados como elementos indispensáveis para as democracias, embora alguns espécimes, como o News of The World, que acaba de ser fechado pelo seu proprietário, Rupert Murdoch, sejam absolutamente inúteis. Com a evolução da tecnologia a partir do século passado, várias outras mídias foram surgindo e ocupando espaços de comunicação diferentes e concorrentes com o jornal: assim aconteceu com o rádio, com a TV e por último com a Internet. Toda vez que uma dessas mídias apareceu, os proprietários de jornais temeram pelo pior; mas seus negócios, em vez de acabarem, foram se transformando e continuam resistindo. Desde que a mídia eletrônica apareceu, ficou parcialmente claro para os proprietários de jornais (e para os jornalistas) que eles não deviam competir diretamente com ela. É impossível para um jornal noticiar mais rápido do que o rádio, a TV ou os computadores da Internet, mas ele pode interpretar os fatos com mais profundidade e clareza. É isso o que há de melhor nos jornais. Isso não impediu, é claro, que empresas jornalísticas investissem também nas mídias eletrônicas para ocupar cada vez mais espaço, garantir mais leitores, ouvintes, telespectadores e – agora – usuários únicos ou page views em sites e portais da Internet. Jornais podem ser muito lucrativos, como alguns títulos que conhecemos, tanto do Brasil quanto de outros países. Mas são operações caras e estão frequentemente sob a ameaça de que uma das mídias concorrentes roube suas verbas. Ultimamente, eles estão perdendo terreno garante James O'Shea, jornalista que foi editor dos jornais americanos Chicago Tribune e Los Angeles Times e autor de The Deal From Hell: How Moguls and Wall Street
PAULO BRITO
Plundered Great American Newspapers (em portugês, "Um negócio infernal: como magnatas e Wall Street saquearam grandes jornais americanos",editora Public Affairs, 416 páginas). as no caso que ele aborda a imprensa perde terreno não só porque a mídia eletrônica esteja se tornando um forte concorrente, mas também porque a administração falhou. Esse caso é uma das maiores fusões da mídia americana: a das empresas Tribune (dona do Chicago Tribune) e Times Mirror (dona do Los Angeles Times), no valor de US$ 8 bilhões (na verdade, foi a aquisição da Tribune), no ano 2000. A operação criou um gigante de mídia que nunca conseguiu consolidar as dezenas de estações de televisão, rádio e jornais num sistema sinérgico, produtivo e lucrativo. Dois editores do Times foram demitidos em pouco tempo por causa das pressões pelos lucros e O'Shea, então editor-chefe do Chicago Tribune, foi transferido para a redação do Los Angeles Times em 2006.
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No ano seguinte, o magnata Sam Zell, do ramo de imóveis, comprou a companhia e em pouco tempo entrou num processo de falência que ainda não está concluído. Pior, não há nenhuma espécie de mágica que possa ser feita para aumentar a lucratividade ou reduzir os custos dessa operação. Como se isso não bastasse, em março deste ano, pela primeira vez, tanto o número de leitores quanto o faturamento dos sites de notícias americanos superaram o dos jornais, conforme dados do Pew Research Center, entidade que monitora as empresas jornalísticas do país.
preferindo cada vez mais utilizar a internet para se informar, e leem menos jornais. No Brasil, a consequência mais visível é uma corrosão da receita obtida com classificados. O Projeto Inter-Meios, que monitora a receita publicitária informada por jornais brasileiros, mostra que em julho de 2003 a receita com classificados foi da ordem de R$ 62,72 milhões de reais. Corrigido pelo IGP-M, esse faturamento hoje deveria ser de R$ 101 milhões, mas não é isso o que acontece. Os jornais faturaram em abril deste ano R$ 85,63 milhões em classificados, ou seja: os números estão andando para trás.
á muito tempo os jornais tentam diversificar suas fontes de receita e economizar custos industriais, de distribuição e de redação, mas os resultados, inclusive no Brasil, têm sido ruins. A implantação de computadores para a edição de textos e paginação cortou custos, muitos, mas é inegável que a qualidade de muitos veículos caiu. Para piorar, as novas gerações estão
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o que os publicitários chamam de "coluna larga", o cenário é muito melhor e os números continuam andando para a frente. Graças a isso, muitos jornais vão bem, obrigado. No entanto, o volume de anúncios na internet vem crescendo. Em abril de 2003, logo que as empresas de internet começaram a informar esses valores, o faturamento foi de R$ 11,6 milhões.
Se o crescimento fosse apenas pelo IGP-M, hoje essas operações estariam faturando cerca de R$ 18,6 milhões, mas os números cresceram muito mais: em abril deste ano, o faturamento delas foi de R$ 102,4 milhões. A amostra é muito pequena, mas dá uma pista da direção para a qual o vento começou a soprar com mais força. É óbvio que os jornais não vão acabar, porque sempre haverá espaço para todas as mídias. Nem o disco de vinil morreu. Mas eles vão mudar bastante. Não há uma receita pronta para essas mudanças, mas está na cara que a experimentada pelo grupo Tribune não funciona. PAULO BRITO É JORNALISTA, GRADUADO EM ECONOMIA E MESTRE EM COMUNICAÇÃO E SEMIÓTICA
DIà RIO DO COMÉRCIO
NA MOITA Alexandre Tombini, presidente do BC, não gosta de passarelaouholofote,comoseu antecessor. Fala só o necessårio e nas horas corretas, o que encanta a presidente Dilma Rousseff. Na moita, contudo, prepara três açþes do BC: aperfeiçoamentos na liquidação bancåria, legislação para falência de seguradoras e olho nos bancos estatais, que ficaram grandes depois de injeçþes do Tesouro. Sua farra de crÊditos estaria na contramão das metas de inflação. 333
333 O MinistĂŠrio da Fazenda, que vem atuando com medidas para evitar a desvalorização do dĂłlar (atĂŠ agora, sem nenhum efeito visĂvel), estuda açþes efetivas que impeçam a competição predatĂłria de mercadorias estrangeiras. Numa estratĂŠgia para burlar as regras do jogo, empresas asiĂĄticas, especialmente chinesas, estĂŁo exportando para o Brasil em operaçþes triangulares. Desembarcam na Argentina e outros paĂses do Mercosul e sĂŁo enviadas para cĂĄ. Guido Mantega, ministro da Fazenda, acha que “muitos produtos argentinos estĂŁo chegando ao Brasil com olhos puxadosâ€?. Uma das primeiras medidas que poderĂŁo ser tomadas seria a exigĂŞncia de um atestado de origem dos produtos importados, mesmo que isso crie problemas nas relaçþes comerciais entre Brasil e China.
Olhos puxados
O ator O ator Ricardo Tozzi, o queridinho de Dilma Rousseff na novela Insensato Coração , Ê considerado um raro exemplar da flora e fauna do showbiz: formado em Administração de Empresas pelo Mackenzie, trabalhou na Câmara do ComÊrcio Americana, 35 anos de idade, Ê certinho (e pintor nas horas vagas), gosta de ternos bem cortados, sabe combinar roupas e tem uma coleção de 120 gravatas. Tênis ultracoloridos e chinelos de dedo, nem pensar. 333
QuestĂŁo de conteĂşdo HĂĄ algum tempo, o atual deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), gay assumido, escreveu sobre o livro de cartas entre o deputado Gabriel Chalita (PMDB-SP) e o padre FĂĄbio de Mello, dizendo haver certo conteĂşdo “homoafetivoâ€? nelas. Solteiro, 42 anos, o prĂŠ-candidato peemedebista Ă prefeitura de SĂŁo Paulo, achou “interessante a abordagemâ€? e lembrou que tambĂŠm Carlos Drummond de Andrade e Vinicius de Moraes trocaram cartas com amigos.
Na noite de comemoração aos 40 anos de carreira de Chitãozinho e Xororó, na Sala São Paulo, com a participação de conhecidos artistas e a orquestra regida por João Carlos Martins, estavam Sandy, num comportado smoking e cabelos presos (depois de dias como hit da internet, por suas consideraçþes sobre sexo em Playboy) e o irmão Junior Lima, novo titular da Miss Contagem, Raissa Maciel, que estå se bandeando para o apartamento dele.
2 filhos de XororĂł
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Dilma estĂĄ cansada Na semana passada, na reuniĂŁo do Conselho de Desenvolvimento EconĂ´mico e Social, em BrasĂlia, a presidente Dilma Rousseff dava nĂtidos sinais de fadiga, com momentos de incontido mau humor. Teve um diĂĄlogo ĂĄspero, na frente de todos os presentes, com o ministro Aloizio Mercante e chegou a exigir que Guido Mantega, da Fazenda, encerrasse sua entrevista no meio. Despediu-se secamente e retirou-se, o que repetiu no evento das EliminatĂłrias da Copa, no Rio, quando nĂŁo ficou depois do encerramento, para nĂŁo ter de cumprimentar ninguĂŠm, incluindo bloco de governadores. Apesar dos 12 medicamentos que ingere por dia (muitos fitoterĂĄpicos), Dilma nĂŁo estĂĄ agĂźentando o ritmo pesado na PresidĂŞncia.
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Xadrez nas almofadas.
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QUERIDINHO
Brasileiros que estiveram em Paris nas Ăşltimas semanas, viram Ă´nibus circular pela cidade exibindo grandes anĂşncios de incentivo ao turismo no Brasil, patrocinados pela Embratur. É o que se pode chamar de propaganda errada na hora errada. Entre julho e agosto (pleno verĂŁo por lĂĄ), os parisienses estĂŁo fora da cidade em fĂŠrias. Ou seja: quem vĂŞ a campanha ĂŠ justamente o turista que jĂĄ estĂĄ com seu pacote comprado e sendo utilizado. A Embratur despreza o que a maioria dos outros paĂses estĂĄ farta de saber: campanha desse tipo deve ser programada entre março e abril quando os franceses programam suas viagens.
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Estampa oncinha nas almofadas.
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Favorita das bibas Val Marchiori, rainha dos emergentes, 500 bolsas no closet, “umas 300 sĂł Louis Vuittonâ€?, que vai desfilar no carnaval paulista na Vila Maria, ĂŠ a nova rainha das bibas. Dos seus 3,5 mil seguidores no Twitter e 2.500 admiradores de sua pĂĄgina no Facebook, quase metade ĂŠ formada por homossexuais declarados. Na Vila Maria nĂŁo serĂĄ madrinha da bateria (teria de mostrar samba no pĂŠ, que nĂŁo ĂŠ seu forte): serĂĄ madrinha da escola, tĂtulo criado especialmente para ela. Tem filhos gĂŞmeos de seis anos, Victor e Eike (em homenagem a Eike Batista) e garante que estrelarĂĄ a versĂŁo nacional de The Real Housewives, da qual participarĂĄ tambĂŠm a carioca Narcisa Tamborindeguy: um duelo entre Helooo! e Ai, que loucura! 333
(Padre EustĂĄquio
MUNIĂ‡ĂƒO O ex-deputado cassado Roberto Jefferson que, quando fez sua primeira denĂşncia sobre o mensalĂŁo,atiroupublicamente (e na presença dele) contra Valdemar Costa Neto que, depoisdepoucotempo,preferiu renunciar a ser cassado, volta a comentar a novela da corrupção no MinistĂŠrio dos Transportes. E nĂŁo deixa por menos: “Comparado Ă munição que Valdemar Costa Neto tem Ă mĂŁo, o mensalĂŁo nĂŁo passa de estalinho de festa juninaâ€?. 333
MISTURA FINA ESTA semana, em BrasĂlia, almoçavam no mesmo restaurante, em mesas separadas, o ex-ministro Alfredo Nascimento e o ex-diretor do Dnit, Luiz Antonio Pagot. Cumprimentaram-se friamente e Ă distância. Cada um deve estar culpando o outro pela perda da cadeira.
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333 NA RODA Vida desta semana, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, que vĂŞ com muita naturalidade o que fala, inclusive o anĂşncio de seu voto em JosĂŠ Serra, resumiu, numa Ăşnica frase, a idĂŠia de que no exercĂcio da polĂtica as coisas nĂŁo sĂŁo como muita gente acha. E lembrou Ulysses GuimarĂŁes, que dizia que “em polĂtica, atĂŠ a raiva ĂŠ combinadaâ€?.
Novos tempos 333 SĂŁo realmente novos tempos: Paulinho Pereira da Silva, deputado federal, que jĂĄ foi alvo de uma sĂŠrie de denĂşncias (sua mulher, Elza, responde processo sobre supostas irregularidades na ONG Meu Guri), aparece como o maior lĂder sindical do paĂs, com 27% de votos, em pesquisa feita pelo Vox Populi. Lula aparece em segundo, com 12% e a explicação ĂŠ que, hoje, ele ĂŠ lembrado como polĂtico e ex-presidente. O prefeito de SĂŁo Bernardo, ex-ministro e ex-lĂder da CUT, Luiz Marinho, nĂŁo engoliu atĂŠ agora a pesquisa.
Campanha errada
SE NĂƒO bastassem os problemas da crise financeira que assola a Europa, Nicolas Sarkozy, presidente da França, enfrenta uma crise domĂŠstica. Sua mulher, Carla Bruni, grĂĄvida e que nunca escondeu nĂŁo ser fĂŁ da monogamia, anda mais do que grudada com Peter Doherty, ex-Kate Moss e considerado pelo Sunday Mirror como um troublemaker . 333
A ESTRATÉGIA de JosÊ Luis Datena para se livrar de multas colossais pode não dar certo: oficialmente, a Record não foi avisada do rompimento de contrato assinado hå pouco mais de um mês. O bispo Honorilton Gonçalves estå mais do que furioso, o que pode significar que a Record deverå processar Datena em busca de duas multas que somam quase R$ 45 milhþes (R$ 25 milhþes pelo contrato atual e R$ 20 milhþes pelo antigo que Datena não cumpriu atÊ o fim). 333
333 ELIANA Tranchesi, diretora da Daslu, quer inaugurar a primeira loja do Rio, no Fashion Mall, dia 15 de novembro. Lå, as atraçþes serão as coleçþes båsicas da marca, mais produtos para casa, velas, roupas de camas e uma ala ampliada para homens. Agora, estå tratando de selecionar as futuras dasluzetes que, durante anos, em São Paulo, foram coresponsåveis pela arrogância que chegava a comprometer o famosos endereço.
Colaboração: Paula Rodrigues,Alexandre Favero
Solução
333 No evento de sorteio das EliminatĂłrias da Copa, no Rio, a presidente Dilma Rousseff avisou que queria uma sala reservada, com seguranças na porta e pequena lista de nomes que poderiam entrar. Motivo: nĂŁo queria nem cruzar com Ricardo Teixeira, presidente da CBF, que nunca conseguiu ter uma audiĂŞncia com ela em sete meses de governo. Mais: hĂĄ quem aposte que Dilma jĂĄ teria alguns resultados de sigilosa investigação que a PolĂcia Federal estaria fazendo no lado oculto da vida do super-cartola.
333 Ex-BBB que acabou dando certo, a atriz Grazi Massafera ressurge na capa e em ensaio da nova edição de RG, garantindo que, com o passar do tempo, ganhou sofisticação. Quase chegando aos 30 anos, nĂŁo deixa por menos: “Existe uma nova Grazi. A caipira nĂŁo tem espaço na minha vida de hojeâ€?. Ela nasceu em Jacarezinho, interior do ParanĂĄ e com a chegada da fama, “jĂĄ me vesti com muitos excessos e depois fui encontrando pessoas que me apresentaram as coisasâ€?. Na revista, exibe o busto turbinado, ora escondido por um braço, ora debaixo de um suspensĂłrio. O sotaque, contudo, continua o mesmo.
Adeus Ă caipira
rdenado padre na Congregação dos Sagrados Coraçþes, na Holanda, veio como missionĂĄrio ao Brasil em 1925 e assumiu o pastoreio de vĂĄrias Igrejas em Uberaba (MG). Ali começou sua missĂŁo de cura integral do povo, pois tinha o dom. A ele foram do ura Bem-Avent Lieshout atribuĂdas muitas curas milagrosas. EustĂĄquio van )
Quer distância
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Fotos: Jorge Figueiredo
GALVĂƒO BUENO // no sorteio das EliminatĂłrias da Copa, lamentando que os dois nunca tivessem jogado juntos.
3 de Agosto
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o Ronaldo.
MAIS: o estilista Ê o mesmo que montou o guardaroupa de Lula desde a campanha de 2002. Agora, tropeçou com o menino.
k Que pena que nĂŁo deu para ver o Ganso enfiando as bolas para
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gibaum@gibaum.com.br
No sorteio dos jogos das EliminatĂłrias, Neymar, estava enfiado num terno brilhante e mal cortado de Ricardo Almeida.
GibaUm
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quarta-feira, 3 de agosto de 2011
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DIÁRIO DO COMÉRCIO
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
5 EU SOU, TU ÉS Em seu discurso no Senado, Alfredo Nascimento dividiu as acusações.
olítica
IDA E VOLTA O PR deixa o bloco do governo, mas não passa para a oposição.
Dida Sampaio/AE
O
ex-ministro dos Transportes, o senador Alfredo Nascimento (AM), presidente nacional do Partido da República (PR), em pronunciamento de 45 minutos, ontem na tribuna do Senado, afirmou que o partido "não é lixo para ser varrido da administração pública". Em tom de indignação, disse que renunciou ao cargo porque não recebeu apoio do governo, "apoio que me havia sido prometido pela presidente Dilma Rousseff". Nascimento enfatizou que o PR possui as mesmas qualidades e defeitos dos demais partidos e defendeu os seus filiados. "Eu não sou lixo, meu partido não é lixo, nossos sete senadores não são lixos", repetiu o ex-ministro, que deixou a pasta após denúncias de superfaturamento e cobrança de propina, que levaram, até agora, à demissão de 27 pessoas – 24 delas são ligadas ao PR. Nascimento chegou a declarar que pediu à Procuradoria Geral da República (PGR) a instauração de "ampla investigação" contra ele, oferecendo a abertura de seus sigilos fiscal, bancário e telefônico. O ex-ministro seguiu a estratégia adotada por Luiz Antonio Pagot, ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit), de dividir responsabilidades. No caso dele, com outros partidos, outros ministros e até com a presidente Dilma Rousseff. Sobre os fatos que provocaram a sua queda, alegou que não ocorreram quando ele estava no cargo, pois se afastou em 31 de março para concorrer ao governo do Amazonas, em 2010. Mas quando reassumiu a pasta, no início deste ano, veri-
Dilma promete que a limpeza continua. Agora, sem alardes
A
Nascimento: declaração de inocência inocente e indicação de envolvimento de outros ministros e da própria presidente nas suas decisões.
Nascimento escolhe o lixo como comparação O ex-ministro, em discurso no Senado, criticou a maneira como ele foi tratado pelo governo. "Não sou lixo." ficou elevação excessiva nos valores dos contratos e informou Dilma do ocorrido. O ex-ministro realçou em seu discurso que todas as decisões do ministério eram avalizadas pelo comitê gestor do
Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), formado pelos representantes dos ministérios dos Transportes, Planejamento e Casa Civil. "Não fui convocado para resolver distorções que não criei nem
para desfazer acordos dos quais não participei". Encerrou o discurso defendendo o filho Gustavo Morais Pereira, acusado de enriquecimento ilícito. Em dois anos, a empresa dele cresceu 86.500%.
"Vou provar que meu filho não é ladrão. Vou buscar Justiça". O líder do PR no Senado, Magno Malta (ES), confirmou que a sigla deixou o bloco do governo, mas sem romper oficialmente com o Planalto. (Agências)
presidente Dilma Rousseff afirmou ontem que o governo "não irá se pautar por medidas midiáticas", mas garantiu que está preparado para combater a corrupção. A presidente, porém, ressaltou que o governo "não irá abraçar nenhum caso de corrupção" e que vai evitar decisões de impacto em casos de irregularidades. Na conversa com os jornalistas, rápida e de improviso, após o lançamento do Plano Brasil Maior de Política Industrial (leia em Economia), a presidente não fez referências diretas a denúncias de irregularidades nas pastas da Agricultura e das Cidades, controladas, respectivamente, por PMDB e PP, novos alvos de acusações. Mas esse foi seu primeiro pronunciamento público sobre as mais recentes denúncias. O PMDB controla ainda os ministérios de Minas e Energia, Defesa, Previdência, Turismo e Assuntos Estratégicos. Amuleto – A presidente exibia no braço esquerdo uma pulseira com um "olho turco", um talismã que teria efeito de neutralizar energias negativas, mau olhado e inveja. Dilma gosta de chamar o objeto de "olho grego". Ela possui o talismã desde o período da campanha. No Planalto, o uso de amuleto é muito comum em épocas de crise. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por exemplo, passou a usar, a partir da crise do mensalão, em 2005, um broche de Nossa Senhora Aparecida. (AE)
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DIÁRIO DO COMÉRCIO
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quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Acho que meu irmão errou e ao errar me expôs. É claro que há um desgaste. Senador Romero Jucá (PMDB-RR)
olítica
O vai e vem da CPI dos Transportes O senador João Durval (PDT-BA) retira seu apoio e agora a criação de CPI dos Transportes volta a depender de uma assinatura
O
senador João Dur- das terminou à meia-noite. Além de Durval, os goverval (PDT-BA) retirou na noite de on- nistas Zezé Perrela (PDT-MG), tem sua assinatura Ricardo Ferraço (PMDB-ES) e do requerimento para a cria- Reditario Cassol (PP-RO) assição de Comissão Parlamentar naram ontem o pedido de criade Inquérito (CPI) para inves- ção da CPI. Outros seis govertigar denúncias de irregulari- nistas já haviam aderido ao pedades no âmbito do Ministério dido de investigações. A instalação da CPI teria dos Transportes. Com isso, a CPI não pode ser instalada. É preocupado a presidente Dilque o DEM e o PSDB tinham ma. Tanto que ela deve se reuconseguido as 27 assinaturas nir hoje com o Conselho Polítimínimas necessárias para que co, formado por presidentes e a comissão fosse criada. João líderes de partidos da coalizaDurval tinha sido um dos 27 ção governista. Ao que tudo signatários do documento indica, essa será uma tentativa apresentado à Mesa pelo líder de contornar o mal-estar dedo PSDB, Alvaro Dias (PR). Pa- tectado na base aliada. Já o presidente da Câmara, ra a criação de uma CPI, é necessário que 27 senadores – um deputado Marco Maia (PTRS), dizia esperar que a CPI terço – subscrevam o pedido. Álvaro Dias tinha apresen- não fosse contaminada pelo tado o requerimento após o embate político. " É s e m p re discurso do u m i n s t r usenador Alfremento de opodo Nascimensição e acaba to (PR-AM), Há justificativas servindo mais que se defende sobra para para o debate deu de acusapolítico do ções de irregua instalação que para laridades no de uma CPI apontar soluMinistério dos no Ministério ções". Para o Tra ns po rt es . dos Transportes. líder do PSDB, Elas motivasenador Álvar a m s u a d eÁLVARO DIAS ro Dias (PR), missão do car"há justificatigo de minisvas de sobra tro, no início para a instalação de uma CPI de julho. O pronunciamento de Alfre- (dos Transportes)". Repactuar – A articulação do Nascimento se estendeu por toda a tarde, recebendo da oposição provoca apreenapartes com apoio por parte são no Planalto. Por isso, dedos aliados do governo, com a pois da chamada faxina, a pasolidariedade por integrantes lavra de ordem no governo é do PR, e com apelos da oposi- "repactuação", para evitar que ção para que ele assinasse o pe- as investigações se transfordido de CPI, possibilitando as mem numa "CPI do Fim do Mundo", apelido que marcou a investigações das denúncias. Indefinição – Com a retira- CPI dos Bingos, que infernida da assinatura de Durval, fi- zou o Planalto no rastro do esca indefinida a criação da CPI cândalo do mensalão, em 2005, dos Transportes. É possível com várias frentes de atuação. Guerra de dossiês – Fontes que hoje mais senadores decipróximas ao governo afirmam dam subscrever o pedido. A oposição promete manter que ninguém sabe o que está a busca por mais uma assina- por vir. Auxiliares da presidente tura. O governo, em contrapartida, articula com seus líde- Dilma temem que a oposição, res uma ofensiva para impedir comandada pelo PSDB, consique senadores da base de ga o apoio dos insatisfeitos da apoio à presidente Dilma base aliada, a começar pelo PR, Rousseff façam a adesão ao pe- que ontem deixou a base do governo, e abra uma "guerra dido da oposição. Desde que a oposição anun- de dossiês". O alerta foi dado ciou que havia conseguido as pelo discurso do ex-ministro 27 assinaturas, o governo de- Alfredo Nascimento, na tribuflagrou um movimento para a na do Senado, ao escancarar a retirada de assinaturas. O pra- sua mágoa com a presidente zo para que elas fossem retira- Dilma. (Agências)
PPS cobra auditoria do TCU na Conab
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PPS protocolou ontem requerimento na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle na Câmara pedindo que o Tribunal de Contas da União ( TCU) faça uma auditoria completa e investigue a fundo a denúncia de corrupção envolvendo o Ministério da Agricultura e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O líder do partido na Câmara, Rubens Bueno (PR), disse que essa é mais uma forma de a oposição apurar as diversas denúncias de corrupção no governo. "Já tivemos denúncias na Casa Civil, Ministério do Turismo, Ministério dos Transportes e agora o da Agricultura'', disse. "Queremos uma investigação para criar um novo modelo de gestão que aprecie a ética pública''.
Reportagem publicada esta semana pela revista Ve ja traz entrevista com o ex-diretor financeiro da Conab, Oscar Jucá Neto, irmão do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). Na matéria, Jucazinho, como é conhecido, afirma que h á u m co n s ó rc i o e n t re o PMDB e o PTB para controlar a estrutura do ministério e arrecadar dinheiro. Ele foi exonerado na semana passada. O requerimento ainda precisa ser aprovado pela Comissão de Fiscalização para que o TCU possa efetivar a auditoria pedida pelo PPS. O líder disse ainda que a oposição iria insistir na instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito sobre a corrupção no governo de modo geral – o que, de fato, acabou acontecendo. (ABr)
SECRETARIA DA SAÚDE CONCORRÊNCIA Nº 002/2011-SMS.G PROCESSO: 2011-0.088.093-0 COMUNICADO DE RETIFICAÇÃO Comunicamos aos interessados que foram respondidos os pedidos de esclarecimentos e retificado o prazo de validade da proposta comercial, constantes do Edital, estando os mesmos publicados, integralmente, na página 63 do Diário Oficial da Cidade de São Paulo, do dia 02 de agosto de 2011, e no sítio da PMSP, no endereço: http://e-negocioscidadesp.prefeitura.sp.gov.br. Comissão Especial de Licitação.
Dida Sampaio/AE
A 27ª assinatura veio de Reditário Cassol (PP-RO). Aécio Neves, Demóstenes Torres e Álvaro Dias (PSDB-PR) comemoraram. Cedo demais.
Rossi vai à Câmara se explicar Ministro irá responder sobre denúncias de propinas na pasta feitas pelo ex-diretor da Conab, Oscar Jucá Neto
O
ministro da Agricultura, Wagner Rossi, irá à Câmara dos Deputados hoje pela manhã para explicar as denúncias feitas por um ex-diretor da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Oscar Jucá Neto, irmão do senador Romero Jucá (PMDB-RR), que o acusou de ter oferecido dinheiro em troca do silêncio sobre irregularidades no órgão. "O ministro Wagner Rossi irá amanhã (hoje) dar a sua versão ao Congresso Nacional", anunciou o líder do PT na Câmara, deputado Paulo Teixeira (SP), ao chegar para um almoço, ontem, com a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti. Segundo o parlamentar, ficou acertado que Rossi irá à Comissão de Agricultura da Câmara às 10h. O ministro foi acusado pelo ex-diretor financeiro da Conab de ter oferecido
propina para que o então fun- tentes" as explicações dadas cionário mantivesse silêncio até agora por Rossi, que na sesobre casos de fraude e corrup- gunda-feira classificou de ção na pasta. "mentiras" as acusações. Jucá Neto foi demitido do "Toda denúncia pode ter órgão após ser envolvido em uma base real ou pode ser fruto denúncias de irregularidades. de um ressentimento", disse Ele denunciou Teixeira. na revista Veja O deputado da semana negou ainda passada um que o caso enO tratamento dado v o l v e n d o o acerto em que ao PR e ao PMDB é a trading naMinistério da c i o n a l C a r aAgricultura, igual. Quero dizer muru Alimenque a presidente vai c o m a n d a d o tos receberia pelo PMDB, tratar o PR e o da Conab esteja recebenPMDB com o R$ 20 milhões, do um tratamesmo equilíbrio. em vez de m e n t o d i f eR $ 1 4 , 9 m irente do disPAULO TEIXEIRA lhões determipensado pela nados por depresidente cisão judicial e que a diferença Dilma Rousseff às denúncias seria repartida entre autorida- que atingiram o Ministério dos des do ministério. A Caramu- Transportes, pasta comandaru divulgou ontem uma nota da pelo PR. em que contesta a denúncia. "O tratamento dado ao PR e Teixeira considerou "consis- ao PMDB é igual. O que eu
quero dizer é que a presidente vai tratar o PR e o PMDB com o mesmo equilíbrio, com a mesma Justiça". Após denúncias de que o Ministério dos Transportes seria usado pelo PR para arrecadação de recursos, o ex-titular da pasta, Alfredo Nascimento, que é senador pelo PR do Amazonas e presidente nacional do partido, pediu demissão do posto e mais 26 servidores da pasta já foram demitidos. A situação tem provocado descontentamento em membros da legenda e, na segundafeira, o líder do PR na Câmara, Lincoln Portela (MG), chegou a cobrar tratamento igual a todos os partidos aliados. "No caso dos Transportes, foi o próprio ministro que pediu seu afastamento. Às vezes, as pessoas são afastadas porque não há condições políticas de continuidade", avaliou Teixeira. (Reuters)
Jucá admite: ficou em 'situação ruim' Acusações feitas ao ministro da Agricultura por seu irmão, Oscar Jucá Neto, geraram desgaste pessoal
O
líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), admitiu ontem que ficou em uma "situação ruim" depois que seu irmão, Oscar Jucá Neto, fez acusações contra o ministro Wagner Rossi (Agricultura) ao denunciar um suposto esquema de corrupção na pasta comandada pelo peemedebista. O senador, porém, disse que não se arrepende de tê-lo indicado para a diretoria da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) uma vez que Jucá Neto tinha "perfil técnico" para o cargo. "Não tem questão de ser ou não parente. A questão é ser pessoa técnica ou não. Acho que meu irmão errou e ao errar me expôs. É claro que há um desgaste, é lamentável, só posso continuar trabalhando e mostrar que isso é um ponto que passou". Jucá disse que propôs o nome do irmão ao PMDB por ele ser um técnico, mas disse esperar que a questão seja "encerrada" com as investigações de Rossi na pasta. "Eu propus o nome dele ao PMDB, que aceitou. Não adianta a questão de arrependimento ou não agora. A questão agora é prestar os es-
clarecimentos necessários. Não porque houve um destempero e ele saiu de uma forma que não deveria ter feito, mas isso não invalida as indicações técnicas dele". Em entrevista à revista Veja, Jucá Neto denunciou um suposto esquema de corrupção no Ministério da Agricultura, que tem o peemedebista Rossi em seu comando. O irmão do líder governista disse que existe um consórcio entre o PMDB e o PTB para controlar a estrutura do Ministério da Agricultura com o objetivo de arrecadar dinheiro. Antes da entrevista, Jucá Neto pediu para deixar o governo após denúncias de que teria liberado irregularmente um pagamento de R$ 8 milhões a uma empresa.
Parentes no governo sempre criam problemas, ou para o governo, ou para o parente. JOSÉ SARNEY
Problema, sempre – O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), negou que seu partido tenha recebido "tratamento diferenciado" do Palácio do Planalto diante das recentes denúncias de que haveria um esquema de corrupção no Ministério da Agricultura, que é comandado pelo PMDB. Sobre a crise deflagrada por denúncias de Oscar Jucá Neto,
irmão do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDBRR), Sarney comentou que "parentes no governo sempre criam problemas, ou para o governo, ou para o parente". Durante entrevista coletiva concedida na tarde de ontem, Sarney frisou que no regime de coligação de apoio ao governo, "todos são responsáveis por suas áreas". (Agências)
José Cruz/ABr
Em dobro: para Sarney, que também enfrenta essa situação, presença da família no mesmo ambiente político é complicada.
p Um site contra a droga do suborno quarta-feira, 3 de agosto de 2011
DIÁRIO DO COMÉRCIO
7 Há sérios indícios de peculato e corrupção passiva praticados por [Paulo Sérgio] Passos. Ivan Valente, líder do PSol
olítica
Repro
dução
Site "Eu Paguei um Suborno" foi criado na Índia para denunciar casos no país
Pesadelo diário na vida dos indianos leva casal a criar portal de denúncias
I
magine ter de pagar suborno para obter linha de celular, renovar carteira de habilitação ou simplesmente ver seu filho recémnascido na maternidade. Este pesadelo diário de corrupção, que assola a rotina dos indianos, levou Ramesh e Swati Ramanathan a criarem o site ipaidabribe.com ( Eu Paguei um Suborno), em agosto de 2010. No endereço eletrônico, a população é convidada a compartilhar suas experiências – por que teve de pagar suborno, onde isso aconteceu e qual a quantia envolvida. "Fiz tudo certo no exame de habilitação e mesmo assim escutei do oficial que eu estava dirigindo muito devagar. Na hora, percebi qual era sua intenção, lhe dei 200 rúpias (pouco mais de R$ 7) e consegui a licença", contou um indiano. Até agora, mais de 11 mil pessoas já postaram, anonimamente, seus relatos. O casal fundador do site conta que o ipaidabribe.com é fruto da ONG Ja na ag rah a (poder do povo), criada pelos dois em 2001, na cidade de Bangalore. Rotina – "O suborno faz parte da rotina do indiano. É esperado que aconteça toda vez que haja interação com qualquer autoridade do governo. Seja para conseguir água em casa ou uma certidão de óbito, sempre há suborno. Nós também somos responsáveis, por-
que acabamos pagando a droga da propina, caso contrário não conseguimos nada na Índia", diz Swati. O site, cujo slogan é "Descubra o preço de mercado da corrupção", faz tanto sucesso que já há pedidos de reprodução em sete países. Na China, já há cópias fiéis da iniciativa indiana, como o www.ibribery.com e o www.522phone.com. Apesar de o autoritário governo chinês apoiar oficialmente iniciativas
Nós também somos responsáveis, porque acabamos pagando a droga da propina, caso contrário não conseguimos nada na Índia. SWATI RAMANATHAN que denunciem a prática do suborno, não quer dizer que ele veja com bons olhos tais projetos. Tanto que ontem, os dois sites estavam fora do ar. "Nós achamos que não basta moralizar. Precisamos descobrir exatamente o tamanho dessa corrupção que assola o país", disse o casal Ramanathan. Após morarem diversos anos nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha, Ramesh e Swati voltaram à Índia e se assustaram com a dimensão do problema. "Para quem cobra suborno, o risco de ser pego é muito baixo e a recompensa é
alta. É preciso inverter essa equação: tornar o risco alto e a recompensa baixa". Milhões – As denúncias englobam quase 350 cidades indianas e 19 departamentos governamentais. Até o começo da noite de ontem, as propinas pagas somavam 289.699.398 rúpias – mais de R$ 10,25 milhões. No último ranking mundial da corrupção divulgado em 2010 pela ONG Tra n s pa re nc y International (Tran sparênc ia Internacional), a Índia apareceu em 87º lugar entre 178 nações. O Brasil ocupa a 69ª posição. No topo da lista, Dinamarca, Nova Zelândia e Cingapura estão entre os países menos corruptos do mundo. Orgulho ferido – As denúncias no I Paid a Bribe já começam a surtir efeito. O Departamento de Transporte do Estado de Karnataka, no sul da Índia, citado repetidamente, se posicionou. O comissário Bhaskar Rao convidou os responsáveis pelo site a apresentar os dados à sua equipe. "Quero fazer uma limpeza no departamento", explicou. Rao decidiu automatizar o centro de testes, que agora realiza mais de 200 exames de habilitação por dia e acha que com isso "a qualidade dos motoristas vai melhorar". Resolver o problema na Índia, na China, ou no Brasil não vai acontecer da noite para o dia, mas o casal Ramanathan acha que suborno denunciado pode ser parte da solução.
João Cruz/ABr - 11/07/2011
Policiais federais achacavam comerciante. Foram presos A extorsão era na rua 25 de Março e a investigação começou há dois anos
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rês policiais federais foram presos ontem, em São Paulo, suspeitos de extorquirem dinheiro de um comerciante da rua 25 de Março, popular centro de compras na região central da capital paulista. De acordo com a Polícia Federal, um quarto suspeito também foi preso – todos com mandados de prisão preventiva. Na chamada Operação Insistência, foram cumpridos ainda 22 mandados de busca e apreensão e seis mandados de condução coercitiva.
PT ameaça mandato de Gurgel, em retaliação pelo mensalão Senadores podem não apoiar procurador-geral, que pediu condenação dos réus
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os bastidores, senadores do PT ameaçam votar contra a indicação de Roberto Gurgel para novo mandato à frente da Procuradoria-Geral da República. A ação seria uma retaliação à manifestação entregue por Gurgel em julho, pedindo a condenação de 36 dos 38 réus no processo do mensalão. Boa parte dos réus é do PT. Isso se deu um dia depois de sua indicação ter sido oficializada pela presidente Dilma Rousseff. A articulação petista foi revelada pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDBAP), em conversa na residência oficial do vice-presidente da qual participaram Michel Temer e outros caciques peemedebistas. O líder do PT, Humberto Costa (PE), reconhece que há desconforto no partido, mas acha que os petistas darão respaldo à decisão de Dilma de reconduzir Gurgel. A sabatina do procurador-
geral acontecerá hoje na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Se a indicação for aprovada pela comissão, seguirá para o plenário. Nos dois casos, a votação é secreta. Gurgel, além de indicado por Dilma, foi o mais votado pela Associação Nacional dos Procuradores da República. O DEM, comandado por Demóstenes Torres (GO), votará contra Gurgel no Senado devido a seu parecer poupando Antonio Palocci quando ele tentava se manter na Casa Civil. O partido tenta convencer o PSDB a seguir o mesmo caminho. Se o PT, no voto secreto, também ficar contra a recondução, a indicação de Gurgel poderá correr riscos. O mensalão foi o principal escândalo do governo do expresidente Lula (2003-2010) e envolveu autoridades poderosas da época, como o ex-ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu. Cassado pela Câmara,
Dirceu retornou às articulações partidárias e integra o diretório nacional do PT. Outro réu, Delúbio Soares, foi expulso do PT, mas em abril foi autorizada sua volta à legenda. A denúncia do esquema de propina em troca de apoio parlamentar foi feita por Roberto Jefferson, presidente do PTB – também cassado na Câmara e réu no processo. Uma CPI investigou o tema e produziu o material que foi a base para as ações do Ministério Público. Na gestão de Antonio Fernando de Souza, a Procuradoria-Geral da República ofereceu denúncia contra 40 pessoas pelo esquema. O STF aceitou a denúncia contra todos 40 e, dos 38 réus que continuam alvos do processo, Gurgel pediu, em sua manifestação de julho, a absolvição de apenas dois – Luiz Gushiken, ex-ministro da Comunicação Social, e Antonio Lamas, que era ligado ao PL, o atual PR.(AE)
decorrer das investigações, a Polícia Federal apreendeu cerca de R$ 40 mil que haviam sido entregues a um dos policiais do esquema. A PF informou que 19 pessoas serão indiciadas sob suspeita de crimes, como corrupção ativa e passiva, concussão, contrabando e descaminho. Entre os indiciados, sete são policiais federais e um deles é policial aposentado, acrescentou a PF. Os outros envolvidos são comerciantes da 25 de Março e do bairro do Brás. (Folhapress)
PSol quer ouvir Passos sobre corrupção nos Transportes Partido pede que ministro seja investigado, inclusive por desvio de dinheiro
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Roberto Gurgel: sabatina para permanência no cargo será hoje, na Comissão de Constituição e Justiça
Suspeitas – A investigação que levou à operação começou há cerca de dois anos, depois que a Polícia Federal foi informada de que um empresário estava sendo vítima de extorsão. Foi constatado que policiais federais recebiam pagamentos mensais da parte dos comerciantes da região para que eles mesmos deixassem de reprimir o comércio de mercadorias contrabandeadas e, inclusive, os alertassem sobre prováveis futuras operações policiais. Polícia contra polícia – No
deputado Ivan Valente (PSol-SP) protocolou ontem representação na Procuradoria-Geral da República pedindo que o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos (PR), seja investigado por suspeita de corrupção passiva, desvio de dinheiro e formação de quadrilha. Esta é a primeira vez que Passos é envolvido em acusações desde o começo da crise nos Transportes. A representação tem como base documentos que contêm o timbre do Ministério dos Transportes e levam as assinaturas de Arnaldo Bernardo, funcionário do pasta que participava da gestão informal da Feira da Madrugada em São Paulo, e Aílton de Oliveira, administrador da feira. É também a primeira vez em que aparecem documentos oficiais dos Transportes relacionados à Feira da Madrugada. Os papéis datam de maio a julho de 2010, período em que Passos era ministro – ele ocupava o lugar do senador Alfredo Nascimento (PR-AM), que se desligara da pasta para participar da campanha eleitoral. Bernardo e Oliveira são acusados de operar esquema de cobrança de propina na feira, que seria chefiada pelo deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP). Para Ivan Valente, os funcionários dos Transportes atuavam em conluio com crimes praticados na feira por Aílton, o que aponta para um foco de alimentação ilícita do caixa do PR. "É preciso que a Procuradoria-Geral da República investigue por que o Ministério dos Transportes não apenas permitiu a atuação de Aílton de Oliveira, sem qualquer autorização e praticando atos ilícitos no complexo, como atuou em parceria com este criminoso. Há vários documentos assinados em conjunto por funcionários dos Transportes e sérios indícios de peculato e corrupção passiva praticados pelo ministro", afirma Valente. "Restou constatada a usur-
pação de função pública para obter vantagens pelo sr. Aílton Vicente de Oliveira. Tal usurpação foi permitida por funcionários do Ministério dos Transportes, o que caracterizaria crime de peculato (...) e crime de responsabilidade praticados por autoridade em última instância, o ministro Paulo Passos", diz o deputado.
Entre os papéis anexados à representação, um deles leva timbre do ministério e assinatura de Bernardo e Aílton. Convoca os comerciantes a "apresentar recibos de janeiro a abril de 2010 (...) sob pena de suspensão de suas atividades no local". Segundo a representação, o objetivo era intimidar os comerciantes. (AE)
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DIÁRIO DO COMÉRCIO
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AFP
nternacional
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
NEWS OF THE WORLD 1 Jonnie Marbles, o ativista que atacou Murdoch, é condenado a seis semanas de prisão.
NEWS OF THE WORLD 2 Escândalo de grampos telefônicos já causou 11 detenções
Marwan Ibrahim/AFP
Síria: criticado, Brasil sai de cima do muro. 'Hesitação' do Itamaraty é condenada por entidades de direitos humanos Fotos: Reuters
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Iraquianos sentam em meio aos destroços da Igreja da Sagrada Família, após atentado à bomba.
Igrejas cristãs sob ataque
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m carro-bomba explodiu próximo a uma igreja católica no norte do Iraque, ontem, ferindo ao menos 16 pessoas como parte de um ataque coordenado contra locais de culto cristão na cidade multiétnica de Kirkuk, disse um policial. Depois da explosão, a polícia descobriu mais dois carros-bomba perto de uma igreja anglicana e da igreja Mar Gourgis, am-
bas em Kirkuk, 240 quilômetros ao norte de Bagdá. A explosão estilhaçou as janelas da Igreja da Sagrada Família, frequentada principalmente por cristãos sírios, danificou o prédio e deixou destroços, segundo imagens divulgadas na televisão. Em frente ao prédio estavam os restos de metal contorcido do carro. "Os terroristas querem que fujamos do Iraque, mas eles vão fracassar.
Nós vamos ficar no país. Os cristãos iraquianos são alvos fáceis porque eles não tem milícias para protegê-los", disse o reverendo Haithem Akram. Extremistas sunitas frequentemente atacam cristãos, vistos como descrentes. A violência contra os cristãos teve um pico em outubro de 2010, quando um massacre na catedral católica de Bagdá deixou 68 mortos. (Agências)
governo brasileiro decidiu sair da postura tímida que vinha adotando na área diplomática e passará a apoiar as iniciativas em análise no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para conter a repressão sangrenta do governo sírio às manifestações populares por reformas no país. Ontem, o chanceler Antonio Patriota classificou de "inteiramente inaceitável" a violenta ofensiva do ditador da Síria, Bashar al-Assad. A mudança brasileira, porém, não foi considerada suficiente para apaziguar as críticas das entidades de direitos humanos. "Estamos em consultas com os demais membros do Conselho, na medida do possível em busca de uma resposta consensual", disse Patriota. "As afirmações adotadas em consenso têm muito mais força." A tendência, no entanto, é que seja aprovada uma declaração – uma solução menos drástica do que uma resolução. Caso as conversas evoluam para uma resolução, ainda assim o Brasil não se oporá, desde que seja definida em termos brandos, sem sanções militares, por exemplo, de modo a deixar uma porta aberta a uma saída negociada. "Instamos o governo sírio a proceder as reformas dentro do mais breve prazo e a pôr fim à violência, que já resultou em mortes numa escala inteiramente inaceitável", afirmou. A posição brasileira é alvo de críticas de organizações não-governamentais. A diretora da Human Rights Watch, Peggy Hicks, considerou a hesitação do Brasil em apoiar uma resolução no Conselho "inconsistente" com o compro-
Tanques avançam em Idlib, cidade que também está na mira de Assad.
O reforço de soldados visa evitar que a revolta se espalhe pelo país
Em Damasco, manifestantes protestam contra a repressão do regime.
misso do governo na defesa dos direitos humanos. Violência - Pelo terceiro dia consecutivo, tanques sírios bombardearam a cidade de Hama depois das preces do Ramadã, disseram moradores. Em
outras cidades sírias, forças de segurança também alvejaram manifestantes pró-democracia. Segundo ativistas, cerca de 1.700 civis foram mortos desde março, quando começou a revolta contra Assad. (Agências)
Israel: a paz é possível se... ... os palestinos desistirem de seus esforços para ingressar na ONU.
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srael está pronto a começar novas negociações de paz com os palestinos, usando as fronteiras anteriores a 1967 como uma base, se a Autoridade Nacional Palestina (ANP) retirar sua proposta para se tornar integrante da Organização das Nações Unidas (ONU), o que significaria o reconhecimento da entidade, confirmou ontem, sob anonimato, um funcionário do governo de Israel. Na noite de segunda-feira, a televisão israelense afirmava que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, havia concordado em retomar as negociações com os palestinos e aceitado discutir o processo respeitando as fronteiras anteriores a 1967. Netanyahu até agora não se pronunciou. Os palestinos não se impressionaram com a aparente oferta de Israel. O negociador palestino Saeb Erekat pediu ontem a Netanyahu que "anuncie sua posição ao mundo e à mídia internacional". Israel deveria declarar "que as fronteiras de 1967 são a base para as negociações, bem como a suspensão de todas as construções nos assentamentos judaicos em terras palestinas, incluída Jerusalém Oriental". Ere-
Ibraheem Abu Mustafa/Reuters
Ó RBITA
NORUEGA
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Palestino observa danos causados por bombardeio israelense a túnel usado por contrabandistas em Gaza
kat denunciou as matérias da mídia israelense como um exercício de "relações públicas". Como forma de pressão, a ANP convocou para 20 de setembro a realização de marchas contra a ocupação israelense na Cisjordânia. A data é a véspera da votação na Assembleia Geral da ONU sobre a independência do Estado palestino.
Negociações - "Durante as últimas semanas, houve uma tentativa de restaurar o processo de paz", revelou o funcionário do governo de Israel à agência France Presse. "Isso é feito levando em conta que, se houver sucesso, os palestinos retirarão seu projeto de reconhecimento unilateral na ONU", afirmou ele.
O funcionário disse que não é pedido a Israel que volte totalmente às linhas fronteiriças que existiam antes de 1967, quando os israelenses capturaram a Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental. Segundo ele, um novo acordo levará em conta "as novas realidades demográficas", ou seja, os assentamentos israelenses. (Agências)
autor confesso dos ataques na Noruega, que cobraram 77 vidas, Anders Behring Breivik, apresentou ontem uma longa lista de pedidos "fora da realidade", incluída a renúncia do governo norueguês e que sua condição mental seja investigada por psiquiatras japoneses. Segundo o advogado de defesa, Geir Lippestad, Breivik quer ser atendido por especialistas japoneses. "Ele alega que os japoneses compreendem a ideia e os valores da honra, e que um psiquiatra japonês o entenderia muito mais que qualquer europeu", disse. Lippestad afirmou que seu cliente também pediu uma reforma política completa na Noruega, na qual ele deseja ter um papel de destaque. "Isso mostra que ele não compreende em qual situação se meteu", afirmou o advogado. (AE)
ITÁLIA
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Itália deu o primeiro passo para proibir o uso da burca em locais públicos. Uma comissão parlamentar aprovou ontem o projeto de lei que proibirá as mulheres de usar o véu integral (burca ou niqab) em público, uma medida que deve ser analisada pela Câmara Baixa em setembro. Homens e mulheres que forçarem outras mulheres a cobrirem seus rostos com véus serão multados em 30 mil euros (US$ 43 mil) e poderão ser sentenciados a até 12 meses de prisão, informou a agência Ansa. A Itália é o mais recente país europeu a agir contra o uso da burca, uma vestimenta utilizada por uma pequena parcela da população muçulmana, que segue uma tradição mais radical da religião. A França e a Bélgica já baniram o uso da burca em público, assim como uma cidade da Espanha. (Agências)
DIÁRIO DO COMÉRCIO
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
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9 Patrícia Cruz/Luz
VANGUARDA A motociclista Patrícia Aparecida Curcelli é a única batedora feminina da Rocam. Apesar de não haver tratamento diferenciado, ela conta que, no começo, teve de enfrentar uma certa resistência.
idades
A policial militar Patrícia Aparecida Curcelli, de 34 anos, é a única batedora motociclista da Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (Rocam). Em uma Harley-Davidson de 1.650 cilindradas capaz de desenvolver mais de 180 km/h, ela já participou da escolta de altas autoridades. Entre elas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o expresidente norteamericano Bill Clinton. A elegância e a feminilidade não impedem que ela exerça bem a sua função, inclusive colocando ordem em pessoas que tentam invadir o espaço proibido em eventos e nas escoltas de personalidades.
Fotos de Patrícia Cruz/Luz
A batedora Patrícia Aparecida Curcelli: antiga paixão por motos influenciou na escolha pela carreira na Rocam
Na Rocam, o charme anda em duas rodas Robson Rodrigues
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ona de um par de reluzentes olhos castanhos e cabelos com luzes, Patrícia Aparecida Curcelli, 34 anos, é a única batedora motociclista entre 160 homens da Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (Rocam). A Rocam faz parte do 2º Batalhão do Choque da Polícia Militar. Patrícia já participou da escolta de altas autoridades, entre as quais se alinham o ex-presidente Lula e o ex-presidente americano Bill Clinton, entre outros chefes de Estado. A policial motociclista dirige uma Harley-Davidson de 1650 cilindradas capaz de desenvolver mais de 180 km/h, mais possante do que muitos automóveis em circulação. A máquina pesa 350 kg e, se tombar, exigirá o esforço de pelo menos dois homens para ser levantada. Com 1,58 metro de altura e apoiada no seu selim, Patrícia mal consegue tocar o chão com os calcanhares. Mas essa fragilidade é enganosa, pois domina a moto perfeitamente. Não é para menos. Além do treinamento rigoroso, tem 15 anos de corporação e está, desde 1999, na escolta da Rocam.
Apesar da correria do dia-a-dia na Polícia Militar, Patrícia não deixa de cuidar da elegância e da feminilidade
Ela conta que entrou grupo de motociclistas a partir de plano piloto para o qual se apresentou voluntária. "O projeto teve um estágio de três meses. O treinamento foi muito complicado, requereu habilidade para manter o equilíbrio em baixa velocidade e nas manobras, além de andar na chuva sem derrapar e saber cair", recorda. Tombos – Aliás, os tombos já fizeram parte do seu dia-a-dia, inclusive em um dia de escolta que não gosta de lembrar. "Acontece do batedor cair. Neste caso, um parceiro fica para dar apoio, enquanto a comitiva segue".
A calça do seu uniforme operacional, preta, é feita em tecido especial, algo emborrachado para prevenir esfoladuras, com o coldre da pistola ponto 40 acoplado à coxa. Naturalmente tem seu capacete, luvas de couro, coturnos e um rádio de comunicação preso ao pescoço, camuflado pelo recorte da jaqueta cinza de mangas compridas. Batom – Como não poderia deixar de ser, em se tratando de mulher, Patrícia também carrega na discreta bolsinha preta um um inseparável batom gloss e protetor solar. E usa, sim, o retrovisor da Harley para retocar a maquiagem quan-
do está parada. "Sempre que dá paro para retocar a maquiagem para não borrar", avisa. As manifestações dessa feminilidade se complementam no contorno dos olhos delineados a lápis e no perfume sutilmente perceptível. Patrícia se dá bem com os colegas e superiores, não há distinção entre ela e eles. Mas no início precisou vencer certas desconfianças. "Não digo que houve preconceito. Mas houve alguma resistência por eu ser a única mulher na equipe de escoltas". O trabalho não é simples como aparenta. Exige habilidade e, sobretudo, atenção. Em uma operação participam, no míni-
mo, seis motociclistas batedores. Este grupo recebe uma ordem irretocável em qualquer circunstância: levar a comitiva até o destino final e, nessa missão, jamais parar, mesmo que ande a 5 km/h. C om bo io – A junção que compõe a equipe de batedores é formada pelo puxador, apoiadores, apoio lateral, controlador de velocidade e cerra-fila. O puxador é o responsável por abrir o caminho. É ele quem estuda e planeja previamente o trajeto, com pelo menos dois caminhos alternativos, caso o trânsito fique travado. Durante a operação, os apoiadores têm a função de render o puxador, se for necessário, dando suporte ao trajeto. O apoio lateral cuida para que nenhum carro se aproxime. O controlador de velocidade dosa a velocidade do carro da autoridade e é a figura sobre a qual recaem todos os olhares, uma vez que o comboio não para pode parar. Caso esse desastre aconteça – resumido na temida expressão "pôr os pés no chão", alusão ao movimento para a moto não tombar – ele estará de algum modo frito. Assumirá todas as consequências, inclusive aquelas de ordens não cumpridas à luz dos regulamentos militares.
O cerra-fila, como sugere o nome, encerra o cortejo, de olho no retrovisor para que nenhum veículo invada o espaço da comitiva. Convém lembrar que há em cada missão um rodízio nessas funções, determinado pelos superiores. Ninguém deve se iludir com a delicadeza da moça. Se for preciso, Patrícia revelará seu viés de pessoa enérgica. Aquele corpo esguio de 59 quilos já pôs muito marmanjo impertinente para correr durante escoltas. "Já contive um grupo muito afobado que queria invadir o espaço dos corredores da corrida de São Silvestre", informa, para desencorajar futuros atrevidos. A opção de Patrícia pela Rocam está ligada a um antigo amor às motocicletas. "Estou acostumada a pilotar há muito tempo. Sempre tive paixão por motos," justifica. No entanto, ao contrário dos apaixonados, que seguramente colocariam a Harley-Davidson, uma espécie de Ferrari das motos, no seu pedestal, Patrícia confessa que prefere a tradicional XT 660 cilindradas, devido à sua agilidade adaptada ao trânsito paulistano. Patrícia é solteira e por enquanto não pensa em casar. Seu foco no momento, salvo imprevistos, é a carreira.
Marcio Fernandes/AE
ORGULHO HÉTERO
A Ó RBITA
AVIÃO DA FAB
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o menos quatro pessoas morreram ontem na queda de um avião da FAB em Bom Jardim da Serra (SC). Oito pessoas estavam na aeronave modelo C-98 Grand Caravan. O Corpo de Bombeiros já localizou quatro corpos carbonizados. O avião havia deixado Canoas (RS) às 11h35, com destino ao Rio. Um helicóptero dos bombeiros saiu de Florianópolis para ajudar no resgate, mas voltou devido a ventos de 100 km/h. (Folhapress)
MAU CHEIRO NO AR – Moradores de ruas próximas à praça Buenos Aires, no bairro de Higienópolis, estão reclamando do forte cheiro de creolina na região. O desinfetante estaria sendo utilizado por funcionários de prédios para lavar a urina dos cachorros que passeiam pelas redondezas (foto).
Câmara de São Paulo aprovou ontem projeto de lei do vereador Carlos Apolinario que cria o Dia do Orgulho Heterossexual, a ser comemorado no terceiro domingo de dezembro. Segundo Apolinario, que é ligado a igrejas evangélicas, a data tem o objetivo de "conscientizar e estimular a população a resguardar a moral e os bons costumes". Carlos Apolinario apresentou o projeto em 2005, mas só havia conseguido aprová-lo em primeira votação, em 2007. Ele voltou a tentar a aprovação antes da Parada Gay deste ano, mas não teve sucesso. Para que a data entre no calendário oficial do município é preciso que o projeto seja sancionado pelo prefeito. (Folhapress)
RESTRIÇÕES
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transporte de produtos perigos passará a ser restrito na cidade durante horários de pico. A nova regra do DSV entra em vigor em 30 dias. O transporte será proibido de segunda a sextafeira, das 5h às 10h e das 16h às 21h, exceto em feriados. Nestes horários os caminhões com tais produtos não poderão circular na região onde vigora o rodízio de veículos - centro expandido e minianel viário, que compreende vias como marginais Tietê e Pinheiros, avenida dos Bandeirantes e avenida Salim Farah Maluf. Produtos perigosos são aqueles que representam risco para a saúde e para o ambiente, como gases inflamáveis e componentes químicos. (Folhapress)
DIÁRIO DO COMÉRCIO
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quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Em cidades de SC, sensação térmica poderá chegar a 20ºC negativos.
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Frio polar traz neve a Santa Catarina Baixas temperaturas devem perdurar ao longo dos três próximos dias. Em alguns municípios catarinenses, a sensação térmica poderá chegar a 20°C negativos.
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neve caiu pela segunda vez no ano em Santa Catarina. Na manhã de ontem, as cidades de São Joaquim, Lages, Urubici, Urupema, Bom Jardim da Serra, região serrana catarinense e Água Doce, no Meio-Oeste foram surpreendidas pelo o fenômeno. Em algumas dessas cidades, a nevasca durou até uma hora e meia. Em Água Doce, os primeiros flocos foram vistos por volta das 8h30 na área rural do município. Em São Joaquim, o fenômeno durou cerca de cinco minutos. Em Lages, os flocos foram vistos por 10 minutos. Na região do Morro da Igreja, em Urubici, ponto mais alto do Planalto Sul, a neve durou por cerca de 90 minutos. Em Urupema os flocos foram vistos no centro da cidade. As condições de neve devem permanecer na Serra Catarinense até amanhã. A combinação de umidade e frio em elevadas altitudes favorecem ao fenômeno. A intensidade de neve de ontem não foi superior ao que caiu no mesmo período do ano passado. Nos dias 4 e 5 de agosto de 2010 os flocos caíram por cerca de 24 horas em nove cidades. Este ano o fenômeno havia sido registrado em quatro cidades no dia 26 de junho. Risco – Uma intensa massa de ar polar vai continuar avançando pelo Estado fazendo com que as temperaturas declinem acentuadamente nos próximos três dias. O que pode ser um atrativo para turistas que ensaiam viagens para a Serra, testemunhar o fenômeno também pode se transformar em
Vani Boza/AE
risco para motoristas. A Polícia Militar Rodoviária cogita fechar alguns trechos de pistas por causa da formação de gelo. É o caso da Serra do Rio do Rastro e do Corvo Branco que, com a incidência de chuva nos últimos dias deixou as pistas molhadas. Com a baixa temperatura, a lâmina de água que escorre das encostas se congela sobre estrada favorecendo o deslizamento dos veículos. Aulas suspensas - As aulas da rede estadual de ensino serão suspensas hoje e amanhã nos municípios de São Joaquim, Bom Jardim da Serra, Urubici e Urupema. A medida preventiva leva em conta a previsão de temperaturas mínimas que podem chegar a 3ºC nas cidades, especialmente nas manhãs com sensação térmica que pode alcançar picos de até -20ºC. São Paulo –Rajadas de vento atingiram até 65 km/h no início da tarde de ontem na capital paulista, de acordo com o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE). A tarde segue com muita variação de nuvens. A passagem de uma frente fria pelo Estado, associada a um ciclone extratropical presente no sul do País, favorece a ocorrência de rajadas de vento. Até as 17h30, a Companhia de Engenharia de Tráfego registrou três quedas de árvores. Como o sol voltou a aparecer entre muitas nuvens, a temperatura subiu, chegando aos 22ºC na maioria das estações do CGE. Nos próximos dias, o sol predomina, porém a uma forte massa de ar polar mantém as temperaturas baixas durante as noites, madrugadas e no início das manhãs. (Agências)
No Vale do Ribeira, chuva e famílias desalojadas
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Epitácio Pessoa/AE
Em São Joaquim (SC), a neve atraiu turistas (acima), mas pode representar perigo para os motoristas. Em São Paulo, rajadas de vento de até 65 km/h atingiram a Capital. Frio vai se acentuar à tarde e à noite.
ais de quatro mil pessoas foram desabrigadas ou desalojadas até a tarde de ontem pelas enchentes que, desde segunda-feira, atingem o Vale do Ribeira, no sul do Estado de São Paulo. A situação mais crítica era registrada em Eldorado, onde o rio Ribeira de Iguape estava oito metros acima do nível normal. As águas invadiram a região central da cidade. Os desabrigados foram levados para centros comunitários, escolas e igrejas da cidade. Em Jacupiranga, a cheia atingiu parte do centro e o bairro Hélio Rossetti. Pelo menos 50 famílias cerca de 300 pessoas foram desalojadas, segundo a prefeitura. As águas dos afluentes do rio Ribeira cobriram pontes e estradas rurais. Nove bairros estavam completamente ilhados. Em Iporanga, onde o nível do rio também subiu oito metros, alagando a zona ribeirinha, dezenas de moradores foram transferidos para uma escola. (Agências)
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PRÓTESE As pacientes não pagam nada pela prótese. O sutiã custa R$ 40.
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13 ANOS A ONG foi fundada há 13 anos e agora busca um espaço maior.
Fotos: Newton Santos/Hype
Cabelo solidário na luta contra o câncer de mama ONG Viva Melhor, de Santo André, empresta perucas para mulheres em tratamento contra o câncer de mama e que perderam os cabelos devido ao efeito da quimioterapia. Instituição também doa próteses mamárias e, assim, ajuda pacientes a recuperarem a auto-estima. Kelly Ferreira
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sabel Alves Silva, de 69 anos, há nove anos recebeu a notícia de que tinha um nódulo na mama esquerda. O choque da notícia e a necessidade de retirar a mama trouxeram a depressão. O tratamento com quimioterapia, a queda de cabelo. Com Olivia de Lima, de 61 anos, a situação foi a mesma, há oito anos. "Tinha feito mamografia há apenas oito meses e não havia sido detectado nenhum problema. Foi num auto-exame que descobri o nódulo. No começo achei que não fosse nada, mas era. Tive de tirar a mama direita', disse. Para Isabel, depois da retirada da mama, o momento mais difícil foi encarar a queda de cabelos, por causa da quimioterapia. "Fiquei deprimida, não queria sair para ir a lugar nenhum", disse. Foi nesse ponto do tratamento que ela soube, por orientação de um médico, da existência da ONG Viva Melhor, que doava próteses e emprestava perucas. "Decidi conhecer. Foi a primeira vez que sai de casa depois da cirurgia e nunca mais deixei de vir. Virei voluntária e hoje levo palavras de conforto para outras mulheres que estão passando pelo que eu passei", disse Isabel. 13 anos – Foi pensando nas consequências da doença e do tratamento que, há 13 anos, surgiu a ONG Viva Melhor em Santo André, no ABC Paulista, pelas mãos das fundadoras, também vítimas da doença, Vera Emília Teruel e Terezinha Pontes Cipriano. Atendimento psicológico, doação de próteses externas e empréstimos de perucas estão entre as ativi-
O câncer de mama é o mais temido. Além de retirar a mama, perder os cabelos diminui a auto-estima. VERA EMÍLIA TERUEL, FUNDADORA DA VIVA MELHOR dades principais, que buscam dar suporte às mulheres vítimas do câncer de mama. "O câncer de mama continua sendo o mais temido entre as mulheres. Além do abalo de receber a notícia e da necessidade de, muitas vezes, retirar a mama, perder os cabelos em consequência do tratamento é outro fator que contribui para a diminuição a auto-estima", disse Vera. O atendimento da ONG Vi-
Perucas, próteses, sutíãs e camisetas da Viva Melhor
va Melhor é realizado às quartas e sextas. Nos outros dias, fazem visitas a pacientes operadas no Hospital da Mulher, em Santo André. As palestras com a psicóloga e a mastologista –médica especialista em mamas– acontecem às quartas e sextas-feiras. Em três salas pequenas – uma para perucas, próteses e sutiãs, outra usada como sede administrativa e uma terceira para a realização de palestras–, a ONG luta para ter ter um espaço maior e ampliar o atendimento. "Precisamos de uma casa. Queremos proporcionar atendimento com fisioterapeutas e esteticista e já temos até voluntários para isso, mas não temos espaço físico", explicou Vera. Segundo ela, a parte do brechó, do artesanato e onde são feitas as próteses ficam em outros lugares. "O ideal seria que tudo funcionasse num só lugar", disse. Próteses e perucas – Na lista de benefícios oferecidos pela ONG, que tem 60 voluntários, a prótese externa é a mais procurada, seguida pelas perucas. "Fazemos as próteses no tamanho ideal para caber no sutiã e não haver diferença para as pessoas que retiram toda a mama", explicou Terezinha. O sutiã é vendido a R$ 40, mas a prótese é doada. A ONG possui um acervo de 150 perucas, sendo que em trono de 100 peças estão emprestadas no momento. "Infelizmente, algumas pessoas não tem muito cuidado com as perucas e temos de substituí-las, outras sequer devolvem. Neste caso, precisamos de mais recursos para comprar novas perucas", afirmou Terezinha. Grande parte das ONGs nasce em razão do sofrimento pessoal ou de alguém próximo. A história não foi diferente com a Viva Melhor. Em 1998, Vera e Terezinha descobriram que tinham a mesma doença. Amigas, elas não se falavam há 15 anos, e, numa ligação telefônica descobriram algo em comum: o câncer de mama. "Nos conhecíamos, mas ficamos 15 anos sem nos falar. Quando conversamos por telefone eu já tinha tido o câncer de mama e ela estava passando pela mesma situação. Entre uma conversa e outra, resolvemos nos unir e fazer algo pelas mulheres que têm o câncer de mama", disse Vera. Du-
História Molhada no palco
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importância da água no mundo é o tema da peça História Molhada que será apresentada no dia 13 (sábado), às 14h30, na ONG Casa do Zezinho, dentro do Projeto Cultura na Periferia, patrocinado pela Promon, com o apoio da Prefeitura . A peça mostra a trajetória da água, desde a nascente até a sua chegada às residências, tendo como personagem principal o Aguapezildo. O enredo é uma aventura e leva o público a conhecer os inúmeros problemas ambientais existentes no campo e cidade, como por exemplo, os efeitos nocivos do agrotóxico e os danos causados pela falta de tratamento do esgoto. Aguapezildo
será sugado para uma Estação de Tratamento de Água, onde conhecerá o herói Sr. Tratoldo e sua assistente, Dona Tratonilda, um casal que ajuda a melhorar a qualidade da água. Nos momentos finais, o enfoque é o da conscientização sobre a importância da preservação da água e, no último minuto, Aguapezildo e o público surpreendem-se com o destino que a água pode tomar. No elenco Anayan Moretto (atriz e educadora ambiental), Jamil Jiorges (músico e ator), Tony Costa (ator) e Camilo Tostes (ator, diretor e fundador da Cia. Trem Bão). O auditório fica na rua Analia Dolácio Albino, 77, Parque Santo Antônio. Telefone: 5512-0878.
Isabel (alto) experimenta peruca. Nas outras fotos, Vera e Terezinha: superaram o câncer e criaram a ONG
rante um ano, as amigas fizeram muitas pesquisas sobre o assunto. "Queríamos saber tudo sobre o problema para poder ajudar. Até agora já atendemos quatro mil pessoas", disse Terezinha. Na opinião de Vera, o momento mais difícil é mesmo quando se recebe o diagnóstico. Já para Terezinha, o susto maior foi conviver com a a doença duas vezes em um intervalo de oito anos. "Tive câncer nas duas mamas e fiquei careca duas vezes. E a possibilidade de a doença aparecer novamente assusta muito",
disse. O importante no momento, segundo ela, é que os remédios estão mais eficientes, a prevenção aumentou entre as mulheres e há mais fontes de apoio, como as ONGs. "Além da família, que é a base de tudo', finalizou. Grupos – A ONG Viva Melhor não está sozinha na luta para melhorar a condição de vida das portadoras de câncer de mama. O Grupo Rosa e Amor, de Valinhos, no Interior de São Paulo, também empresta e recebe doações de perucas. O mesmo acontece com o Instituto Neo Mama, na cidade
Curso de zeladoria no Abrace
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om 10 anos de atuação, o Abrace Seu Bairro atende duas mil famílias com programas sociais. No momento, investe em novos cursos para a comunidade da Bela Vista. Um dos recém criados, é de Capacitação Básica em Culinária, para capacitar maiores de 16 anos nas funções de auxiliar de cozinha e cozinheiro – ocupações com alta empregabilidade na região. Já o Curso de Vídeo vai treinar jovens e adultos na produção de vídeos. Além de ser uma oportunidade de se familiarizar com câmeras, tripés, ilha de edição etc, o curso permite que os participantes, exibam seus próprios vídeos. Outra novidade é a parceria com o
Senai e o Senac para implantação de novos cursos. O primeiro deles, com o Senac, de Técnicas de Zeladoria e Segurança em Condomínios, tem inscrições até o dia 6. Na região, onde cresce a verticalização, esse tipo de profissional é cada vez mais procurado. Todos os programas são gratuitos e oferecidos para moradores da Bela Vista com renda familiar inferior a três salários mínimos. Interessados devem comparecer, de segunda a sexta, das 8h às 17h na rua Peixoto Gomide, 316, térreo, com RG original, comprovante de renda familiar, declaração escolar recente, comprovante de endereço. Para menores e 18 anos é exigida a presença de responsável com RG.
Santos (litoral sul), e com a Associação Brasileira de Apoio aos Pacientes com Câncer (Abrapac), no Rio de Janeiro.
S ERVIÇO ONG Viva Melhor 4425-8597 ou www.grupovivamelhor.org.br Grupo Rosa e Amor (19) 3869-7899 ou www.gruporosaeamor.org.br Instituto Neo Mama (13) 3223-5588 ou www.neomama.com.br Abrapac - (21) 2223-1600 ou www.abrapac.org.br
Cinema de graça
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o dia 16 deste mês e até 5 de setembro, a Mostra Cinema e Cidadania apresentará, em vários pontos de São Bernardo do Campo, no ABC, uma programação cultural e educativa, gratuita, com exibições de filmes que convidam o público a discutir e conhecer assuntos relacionados a direitos humanos, meio ambiente e vida urbana. A programação completa está no site www. mostracinemaecidadania.com.br.
DIÁRIO DO COMÉRCIO
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quarta-feira, 3 de agosto de 2011
FAZENDO NINHO Aves de todos os tamanhos e cores têm algo em comum: fazem ninhos. A fotógrafa Sharon Beals se deu conta disso quando se deparou com um ninho estranho em seu caminho. E a partir de então passou a procurar pelos manis inusitados. O resultado centenas de fotos de ninhos e dos pássaros que os fizeram. O destaque é um ninho feito de conchas. Mais no site. www.sharonbeals.com
Logo Logo www.dcomercio.com.br
A Marvel anunciou ontem que o novo Homem-Aranha será Miles Morales, um jovem negro de origem hispânica que protegerá Nova York de vilões a partir de hoje, data que o quarto número da série "Ultimate Comics Fallout" chegará às bancas dos EUA.
L ITUÂNIA D ESIGN
O fim da boa e velha multa
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stacionar em local proibido é motivo de multa em qualquer país do mundo. Mas Arturas Zuokas, o prefeito de Vilnius, capital da Lituânia, decidiu que essa é uma medida pouco eficaz e pensou em outra solução para frear o abuso dos motoristas folgados. Subiu em um tanque blindado e passou por cima de um carro MercedesBenz que estava parado ilegalmente sobre a ciclovia.
A ação foi filmada e Zuokas afirmou que sua intenção é simplesmente garantir que motoristas que estacionam nas ciclovias e nas faixas de transporte coletivo não ficarão sem punição. O vídeo foi postado pelo prefeito em sua página no Facebook. "Quero salientar que, se você tem um carro e mais dinheiro, isso não significa que pode estacioná-lo em toda parte", disse Zuokas aos abusados.
Divulgação
Angelica Willard/AFP
SOM E LUZ Sound Illuminating Dress é uma invenção da designer Chung-Hay Luk que deve fazer sucesso em baladas. O vestido tem uma rede eletroluminescente que detecta o som do ambiente e l"acende" a roupa. http://bit.ly/mUn7q8
E CONOMIA
Twitter, ainda mais valioso
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ampliar o alcance do Twitter com um significativo investimento que conta com a participação de vários de nossos investidores atuais", afirmou o blog da rede social, que não chegou a mencionar números. "Vamos usar estes recursos para inovar de maneira agressiva, contratar mais profissionais incríveis e investir em nossa expansão internacional", diz o texto publicado no blog.
C A R T A Z
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A rede social Twitter confirmou ontem que recebeu uma "significativa" rodada de financiamento liderada pelo fundo de investimento russo DST Global que, segundo a imprensa especializada, chegou a US$ 800 milhões, elevando assim o valor da empresa para US$ 8 bilhões. "Chegamos muito longe em um período muito curto de tempo. Agora temos a oportunidade de
PARTIDA INUSITADA - Jogadores do Futbol Club Barcelona brincaram ontem com golfinhos no Miami Seaquarium. Vários atletas do clube espanhol, que estão nos Estados Unidos para uma visita turística, jogaram bola e fizeram saltos acrobáticos com os animais.
P UBLICIDADE Í NDIA
A casa mais cara do mundo Mostra 'Warhol TV' apresenta a produção do artista pop para a televisão. Sesc Pinheiros. Rua Paes Leme, 195. Grátis
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POP
Indranil Mukherjee/AFP
Quatro iPads em volta da cabeça de uma garota que passeou por várias ruas de Nova York. A 'iPad Head Girl' foi uma ideia da Thinkmodo para promover uma revista digital. A figura, é claro, não podia deixar de chamar a atenção. Para ver o vídeo da performance de marketing, visite o site. http://bit.ly/ppOCCU
Trash Melodies
H ISTÓRIA
Esse é o nome da orquestra sinfônica da foto. Todos os instrumentos são feitos com material reciclável pelo luthier paraguaio Nicolas Orue. Uma ideia do maestro Luis Szaran, que liderou a orquestra em uma apresentação na semana passada em Assunção.
A TÉ LOGO
Acesse www.dcomercio.com.br para ler a íntegra das notícias abaixo:
L OTERIAS Concurso 990 da DUPLA SENA Primeiro sorteio 07
Resultados de políticas afirmativas em universidades ainda são 'tímidos'
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Destaque no tênis, Sharapova é de novo a atleta mais rica do ano
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Adilson Batista admite urgência na busca por zagueiro no São Paulo
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Argentina, Juan Domingo Perón, marido de Evita. O estudo foi prontamente rejeitado pelo Instituto Nacional Juan Perón. Segundo a pesquisa, essa lobotomia - retirada cirúrgica dos lobos frontais do cérebro - foi feita em junho de 1952, um mês antes da sua morte, ocorrido em 26 de julho desse ano, aos 33 anos, por causa de um câncer do colo do útero.
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Médicos da Universidade Nacional de Cuyo, da Argentina, e da Universidade de Yale, dos EUA, criaram uma polêmica ao sustentar em uma pesquisa que Eva Perón passou por uma lobotomia frontal pouco antes de morrer para aliviar a dor do câncer que causou sua morte. Os neurocirurgiões se baseiam em dados científicos e declarações dos médicos do ex-presidente da
Norberto Duarte/AFP
Evita, submetida a lobotomia?
Antilla, de 27 andares, é a nova casa do presidente da empresa Reliance Industries, Mukesh Ambani, em Mumbai. Ambani é o homem mais rico da Índia e está sob investigação pela construção da casa, considerada a mais cara do mundo (mais de US$ 1 bilhão). Segundo a Forbes, Ambani é o 9º homem mais rico do mundo, com uma fortuna de US$ 27 bilhões.
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Concurso 2660 da QUINA 03
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13 BOLSA As empresas brasileiras de capital aberto perderam R$ 262,8 bilhões de valor de mercado nos primeiros sete meses deste ano
conomia
Governo lança plano para fortalecer indústria nacional A renúncia fiscal até 2012 com o Brasil Maior deve chegar a R$ 25 bilhões. Apenas com a desoneração haverá perdas de R$ 1,3 bilhão. Fotos: Wilson Dias/ABr
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presidente Dilma Rousseff lançou ontem um conjunto de medidas para proteger o mercado interno de uma "avalanche" de produtos baratos e fortalecer a indústria para competir em meio a um "opressivo desequilíbrio cambial". Batizado de Plano Brasil Maior, o pacote atende a uma demanda histórica do setor privado, mas com alcance limitado: tira do papel a desoneração da folha de pessoal para apenas quatro setores, em caráter experimental. O plano inclui medidas já anunciadas, que nunca foram postas em prática, prorroga algumas linhas de financiamento e ressuscita outras modalidades de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O conjunto de medidas inclui também um reforço da fiscalização de fraudes na importação e direciona dinheiro dos bancos públicos para companhias nacionais. Desonerados – Fabricantes de móveis, calçados e confecções ficam isentos do pagamento da alíquota de 20% de contribuição patronal sobre a folha de pessoal. Para compen-
ACSP irá analisar medidas
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arcel Solimeo, economista-chefe da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), disse ontem que a medida de desoneração da folha de pagamentos, que é um pleito antigo dos empresários, em um primeiro momento, parece positiva e pode refletir em aumento do emprego e da formalização. "Resta saber o real impacto das compensações impostas pelo governo", ponderou Solimeo. O economista afirmou que uma imagem mais clara do plano do governo só será possível após a publicação dos detalhamentos da medida. Ainda assim, para Solimeo, a contrapartida que o governo pretende – com a cobrança de uma contribuição sobre o faturamento – seria desnecessária, "uma vez que a arrecadação federal cresce de maneira acelerada nos últimos anos e continuará aumentando". Renato Carbonari Ibelli
Dilma Rousseff anunciou medidas para reduzir tributos e estimular investimentos. Pacote desonera a folha de quatro setores, como calçados.
sar, serão taxados em 1,5% sobre a receita. O setor de software também se beneficiará da medida, mas pagarão 2,5%.
Um comitê tripartite, formado por governo, empresários e trabalhadores, vai monitorar o mecanismo. Se a arrecadação sobre o faturamento ficar abaixo do que as companhias recolhem de impostos O mercado sobre a fobrasileiro deve ser l h a a t u a lmente, o usufruído pela indústria brasileira T e s o u r o Nacional e não por bancará a aventureiros. d i f e re n ç a . A medida GUIDO MANTEGA, deve custar MINISTRO DA FAZENDA R $ 1 , 3 b i-
lhão até o final de 2012. Até lá, segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, a renúncia fiscal do governo até 2012 com o Plano Brasil Maior deve chegar a R$ 25 bilhões. Somente o subsídio que o Tesouro Nacional deverá aportar à Previdência Social, em função da desoneração da folha de pagamentos do projeto-piloto anunciado pelo governo, custará cerca de R$ 1,3 bilhão anuais. Pelo plano, o governo estende por mais 12 meses a redução do Imposto sobre Produtos In-
dustrializados (IPI) sobre bens de capital, material de construção, caminhões e veículos comerciais leves. Outro estímulo ao investimento e inovação é a redução gradual do prazo para devolução dos créditos do Programa de Integração Social e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (PIS/Cofins) sobre bens de capital. O prazo que era de 12 meses passará para apropriação imediata. Em relação ao financiamento ao investimento, o governo decidiu estender o Programa de Sustentação do Investimen-
to (PSI) do BNDES até dezembro de 2012. O orçamento do PSI será de R$ 75 bilhões com foco em produtos de bens de capital, inovação, exportação e pró-caminhoneiro. Será ampliado o capital de giro para micro, pequenas e médias empresas com novas condições de crédito e prazo. O orçamento passará de R$ 3,4 bilhões para R$ 10,4 bilhões, com taxa de juros é de "10 a 13% ao ano" e prazo de financiamento de 24 para 36 meses. Aventureiros – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que "o mercado brasileiro deve ser usufruído pela indústria brasileira e não por aventureiros", durante o anúncio do programa. A declaração gerou aplausos da plateia presente ao Palácio do Planalto. Mantega disse que o Brasil Maior é um conjunto de medidas para fortalecer a indústria nacional, no momento em que o mundo está em crise. (AE)
Lucas Lacaz Ruiz/Folhapress
BNDES terá R$ 2 bilhões para inovação
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Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) oferecerá uma linha de crédito de R$ 2 bilhões para ampliar a carteira de inovação neste ano, de acordo com o Plano Brasil Maior, programa lançado pelo governo federal ontem. A taxa da linha será de 4% a 5% ao ano. Está prevista também a ampliação de orçamento e condições de
acesso aos programas setoriais na renovação de programas como Profarma, Pro-aeronáutica e Proplástico. No projeto, está previsto também o financiamento para redução de emissões, com o apoio ao desenvolvimento tecnológico e à comercialização de bens de capital para linha de equipamentos dedicados à redução de gases de
efeito estufa. O plano permite a inclusão de projetos de entidades de ciência e tecnologia privadas sem fins lucrativos na utilização dos incentivos da Lei do Bem. Inmetro – O Plano Brasil Maior prevê ainda a modernização do marco legal do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro). Com isso, o Inmetro ampliará o
controle e fiscalização dos produtos importados. Também será ampliado o escopo de certificação do Instituto e implementada a "Rede de Laboratórios Associados para Inovação e Competitividade". Com a modernização do marco legal do Inmetro, o documento com as medidas do Plano Brasil Maior, prevê mais facilidade em parcerias e mobilização de especialistas externos. (AE)
Após oito meses, setor recua. Neide Martingo
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produção industrial, medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrou em junho a primeira queda desde outubro do ano passado, de 1,6%, em relação a maio. Se a comparação é feita com igual mês de 2010, é verificada leve elevação de 0,9%. A desaceleração do ritmo de atividade industrial, entre maio e junho, ocorreu na maioria dos setores – em 20 dos 27 ramos pesquisados. Já a queda nas categorias de uso foi generalizada: bens de capital, 1,9%, bens intermediários, 1,6%, bens de consumo, 2%, duráveis, 0,5%, semiduráveis e não-duráveis, 2,4%. "Os números mostram a influência das medidas do governo para conter o consumo, assim como a tendência de alta da taxa básica de juros (Selic),
que onera mais o crédito. Além disso, o câmbio propicia a crescente presença de importados no Brasil – o que afeta setores ligados à indústria, como o de vestuário, e de calçados e o têxtil", afirmou o economista do IBGE, André Macedo. Os impactos negativos sobre a média geral foram verificados nos produtos de metal, com 10,9%, refino de petróleo e produção de álcool, com redução de 8,9%; máquinas e equipamentos para escritório e equipamentos para informática, 6%, metalurgia básica, 2,1%, máquinas e equipamentos, 1,4%, assim como veículos automotores, e alimentos, 1,2%. "O refino foi afetado pela paralisação de algumas plantas industriais", afirmou. O pesquisador disse que os setores siderúrgico e o de fabricação de automóveis estão com estoques acima do normal – o que teve influência na produção de junho. "Isso também
acontece por conta da menor demanda interna". A co m o da ç ã o – Já o presidente do Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon-SP), Manuel Henriquez Garcia, analisou que a desaceleração pode ser considerada uma acomodação de números. "Os resultados de 2010 são 'irreais' – a base de comparação, o ano de 2009, foi muito baixa, em razão da crise internacional financeira. A desaceleração é esperada em 2011."
Ele citou a pesquisa Focus do Banco Central (BC) para demonstrar que o cenário apurado pelo IBGE não é novidade. O documento destaca que há uma tendência de queda no nível da atividade industrial. "A redução acontece desde outubro do ano passado. A expectativa é de que o índice chegue a 3,2% neste ano. Mas é possível, se levarmos em conta os números atuais, de que o resultado seja menor, de 2,8%", ponderou Garcia.
Medidas para veículos leves agradaram o setor automotivo
Anfavea aprova plano e aguarda mais estímulo
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Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) considerou positivas as medidas anunciadas ontem pelo governo para fortalecer a indústria brasileira, mas agora aguarda a definição do regime especial para o setor que irá estimular os investimentos em inovação. "De modo geral, as medidas são todas muito positivas para a economia. Elas devem estimular a competitividade das empresas, reduzindo custos e burocracia", afirmou Ademar Cantero, diretor de Relações Institucionais da Anfavea. "Com relação ao setor automotivo em específico, o importante é que o governo sinalizou com a criação de um regime especial para investimentos em inovação. Agora, vamos tratar
da discussão das medidas." Em junho, a Anfavea entregou ao governo um estudo sobre a competitividade do setor no qual solicitava iniciativas de estímulo à inovação. Na ocasião, a Anfavea informou que sem investimentos em inovação o País continuará importando. Para a Anfavea, a diferença foi suprida pela importação de veículos, que passou de 88 mil unidades em 2005 para 660 mil em 2010 e deve chegar a 850 mil neste ano. Com relação à prorrogação do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) e da isenção de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) até o final de 2012 para caminhões e veículos comerciais leves, a Anfavea considerou a medida positiva. (Agências)
DECLARAÇÃO DE PROPÓSITO Isaltino Braz de Andrade Junior, portador da C.I. RG nº 13.089.351-1-SSP-SP e CPF nº 021.812.198-93. Declara sua intenção de exercer cargo de administração na Incentivo S.A. Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários e que preenche as condições estabelecidas no art. 2º da Resolução 3.041, de 28 de novembro de 2002. Esclarece que, nos termos da regulamentação em vigor, eventuais objeções à presente declaração devem ser comunicadas diretamente ao Banco Central do Brasil, no endereço abaixo, no prazo de quinze dias contados da data da publicação desta, por meio formal em que os autores estejam devidamente identificados, acompanhado da documentação comprobatória, observado que o declarante pode, na forma da legislação em vigor, ter direito a vistas do processo respectivo. Banco Central do Brasil Departamento de Organização do Sistema Financeiro Gerência Técnica em São Paulo Av. Paulista, nº 1804 - 5º andar - São Paulo-SP - CEP 01310-922
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COMÉRCIO
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
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A medida tem efeito educativo porque os consumidores têm feito financiamentos crescentes. Nicola Tingas, economista da Acrefi
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Visa atinge 100 milhões de cartões
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bandeira nor teamericana Visa anunciou ontem que atingiu a marca de 100 milhões de cartões com chip emitidos no País. Esse plástico foi lançado pela Visa no mercado brasileiro em 1996, e tem como um de seus objetivos reduzir a prática de fraudes, como as relacionadas à clonagem.Atualmente, 19 países da América Latina e Caribe possuem programa de cartões com chip. No Brasil, após a adoção do cartão com chip, a queda no número de fraudes foi significativa, segundo comunicado feito pela Visa. Em termos mundiais, US$ 0,05 de cada US$ 100 pagos com cartão são provenientes de fraudes. Na década de 1990, a cada US$ 100 faturados, US$ 18 provinham de operações ilícitas. A bandeira não informou os dados do mercado brasileiro. A associação Smart Card Alliance for Latin America (Scala) estima que até 2013 todos os cartões de crédito no mercado brasileiro terão chip. (AE)
Leão cobra sua parte nas contas pagas com cartão de crédito Receita esclarece que há incidência de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nos pagamentos efetuados com plástico
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mordida do Leão sobre o pagamento de contas realizado por meio de cartão de crédito é para valer. Por essa razão, Receita Federal enviou um recado, neste sentido, ao mercado e aos consumidores: publicou ontem no Diário Oficial da União medida esclarecedora sobre a cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas operações de cartão de crédito. O Ato Declaratório Interpretativo 40 não deixa dúvidas: quem utilizar o cartão de crédito para quitar qualquer tipo de conta, como condomínio, luz e água, terá de pagar o IOF incidente sobre operações de crédito. São os casos em que, em vez de selecionar a opção débito em conta-corrente, a pessoa seleciona pagamento com o cartão. A alíquota do IOF para pessoas físicas é de 3% ao ano, ou 0,0082% ao dia. Além disso, no ato da autorização de pagamento da conta no cartão de crédito, é cobrado 0,38% sobre o valor. Para a Receita Federal, esse tipo de operação com cartão de crédito consiste na prática em empréstimo – e o imposto deve ser cobrado. Bancos– A Receita identificara que alguns bancos estavam recolhendo IOF nessas operações, mas outros não vinham fazendo o recolhimento. O governo aumentou em abril a alíquo-
ta do IOF para pessoa física de 1,5% para 3% ao ano para frear o crescimento do crédito na economia. Foi uma medida para auxiliar no combate às pressões inflacionárias. Na opinião do economistachefe da Associação Nacional
Zé Carlos Barretta/Hype
Anúncio dos resultados do banco no segundo trimestre do ano decepcionou os analistas de mercado
Apesar de lucro, papéis do Itaú Unibanco despencam na bolsa.
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s ações do Itaú Unibanco foram severamente castigadas ontem após o banco registrar frustrantes números no segundo trimestre deste ano, com piora nas margens, aumento da inadimplência e despesas maiores com provisões para perdas. As ações do Itaú Unibanco foram as mais negociadas ontem do Ibovespa e caíram 5,8%. O banco teve lucro líquido de R$ 3,603 bilhões no período. Apesar da expansão de 13,8 % na comparação com igual período de 2010, o número ficou abaixo dos R$ 3,731 bilhões da previsão inicial de analistas. Em termos recorrentes a diferença foi ainda maior, com o lucro de R$ 3,317 bilhões (0,58 % maior na comparação anual), contra os R$ 3,715 bilhões esperados pela média do mercado financeiro. O motivo foi a piora na qualidade dos ativos, com o índice de inadimplência da carteira (medido pelas operações vencidas há mais de 90 dias) de 4,5% – 0,3 ponto percentual maior, após três trimestres seguidos de estabilidade.
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13,8 por cento foi quanto aumentou o lucro da instituição no segundo trimestre de 2011 em relação a igual período de 2010.
Calotes – Com isso, as despesas com provisões para perdas esperadas com calotes totalizou R$ 5,1 bilhões no trimestre, ou 16,6 % a mais do que no primeiro quarto do ano. Comparado com igual período de 2010, esse resultado foi 29,1 % superior. Além disso, as perdas com crédito deram um salto de 15,2 % sobre março, para R$ 4,1 bilhões. "Foi exatamente o que tínhamos previsto há três meses", afirmou o diretor corporativo de controladoria do Itaú, Rogério Calderón, referindo-se ao aumento dos calotes. Ele
previu que haverá uma estabilização dos índices de atrasos na segunda metade do ano. Mas não foi essa a interpretação feita ontem por analistas do setor – que, em seus relatórios, previram piora dos números do banco nos trimestre seguintes. "Os resultados foram decepcionantes", comentou o analista Saul Martinez, do JPMorgan, ao também revisou para baixo as estimativas de lucro do banco em 2011. O banco até conseguiu ter um desempenho positivo em sua principal atividade, a de concessão de crédito. No final do mês de junho, a carteira de financiamentos do grupo havia avançado 21,1 % em 12 meses, passando para um resultado de R$ 316,96 bilhões. No varejo, a carteira subiu 21,3 %, a R$ 135,9 bilhões, com destaques para as operações de crédito pessoal e imobiliário. Já a carteira de pessoa jurídica evoluiu 22,9 %, puxada pelo segmento de pequenas e médias empresas. No final de junho, os ativos do Itaú Unibanco somavam R$ 792,5 bilhões, um avanço de 22,4 % sobre um ano antes. (Reuters)
das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Nicola Tingas, a medida pode ser uma sinalização do governo para que os consumidores parem de gastar sem critério no cartão de crédito. "A medida tem um efeito educati-
vo porque os consumidores têm feito financiamentos de forma crescente com o cartão e cheque especial, sem planejar e fazer orçamentos", afirmou. As empresas instaladas no Brasil que tomam empréstimos com matrizes no exterior,
com prazo de até 720 dias, também estão obrigadas a pagar 6% do IOF, segundo orientação da Receita. Esse financiamento – conhecido como empréstimo intercompanhia – é contabilizado pelo Banco Central (BC) como Investimento Estrangeiro Direto (IED), que envolve recursos voltados para o setor produtivo. Suspeitas – O governo federal tem monitorado de perto a entrada desse tipo de investimento por suspeitar que investidores estariam utilizando essa porta de entrada para trazer recursos, sem ter que pagar o IOF. Os dólares estariam sendo aplicados em outros tipos de investimentos. Ao esclarecer que essas operações estão sujeitas ao pagamento do tributo, a Receita reforçou as indicações de que o governo está de olho no ingresso de IED e pode mudar a regulamentação. A l é m d o s e mpréstimos intercompanhias, são contabilizados como IED pelo Banco Central os recursos que ingressam no País para participação direta no capital das empresas. Nesse caso, não há incidência do imposto. No primeiro semestre, houve entrada recorde de US$ 32,5 bilhões de IED para o Brasil. Rejane Tamoto (com AE)
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e Tombini fala em mais medidas contra inflação
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Os seis primeiros meses de 2011 foram o melhor semestre na história da BMW. Norbert Reithofer, da BMW
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Wilson Dias/ ABr
Reclamação do Casino já está na CVM Na avaliação do presidente da autoridade monetária, o Brasil é atualmente um dos países que mais tem se empenhado em adotar procedimentos contra a alta dos preços.
Segundo o presidente do BC, o governo está vigilante acompanhando a alta inflacionária, que deve ceder só no quarto trimestre e no próximo ano.
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Banco Central (BC) segue vigilante em relação à inflação e ao câmbio, e pode tomar mais medidas se for necessário, disse ontem o presidente da instituição, Alexandre Tombini. Segundo ele, a valorização do real se dá por motivos globais e internos, incluindo especulação, e o Brasil está preparado para enfrentar o cenário externo atualmente "complexo". Tombini disse ainda que a inflação está em tendência declinante e que ficará mais evidente a trajetória de convergência da inflação para o centro da meta no quarto trimestre deste ano. "O Banco Central permanece vigilante e não hesitará em adotar medidas, se necessário, para garantir a convergência da inflação para o centro da meta em 2012", afirmou. "O Brasil é um dos países mais ativos no combate à inflação." Além da meta – As expectativas de inflação do mercado e do BC para este ano e o próximo estão acima do centro da meta de 4,5%. Para corrigir isso, o governo vem tomando medidas do lado do crédito, como seu encarecimento para
a pessoa física, e elevando a taxa básica de juros. A avaliação da autoridade monetária, no entanto, é de que o aperto monetário pode estar perto do fim, diante de um cenário inflacionário geral mais favorável. O mercado está dividido sobre se o aperto já acabou ou se ainda haverá mais uma alta do juro em agosto. Para analistas, o que vai definir a situação são os dados internos de inflação e atividade até lá e os acontecimentos externos, onde Europa e Estados Unidos passam por crises de dívida. A produção industrial brasileira, como foi divulgado ontem (leia mais na página 13), caiu 1,6% em junho, mostrando que a queda do dólar – que facilita importações – e as medidas do governo para desacelerar a economia fazem efeito sobre o setor. "Temos confiança de que o Brasil continuará crescendo de forma sustentável", disse Tombini, que falou em evento em São Paulo. Ele disse que a economia brasileira está sólida, o que acaba atraindo mais investimentos e pressionando a moeda, e ressaltou que a questão da
valorização do real passa ainda pela fraqueza geral do dólar norte-americano e também por especulação. "Tudo isso (solidez da economia) torna nossa moeda, o real, um importante ativo, tanto para alocação de recursos, tanto para diversificação de risco. E também torna o Brasil hoje um polo de atração de capital, tanto para investimento de longo prazo quanto para especulação de curto prazo", afirmou. "O real sofre também com pressão de posições alavancadas", acrescentou ele, afirmando ainda que "precisamos continuar vigilantes" e adotando medidas sempre que necessário. "Posições especulativas excessivas podem colocar em risco o sistema financeiro." Na quarta-feira passada, o
governo divulgou a mais dura ação já tomada no câmbio, impondo taxação de 1% sobre as operações de derivativos cambiais feitas por investidores brasileiros e estrangeiros no País. A alíquota poderá ser elevada a até 25% . Sobre o cenário externo, Tombini afirmou que a economia global passa por um período "complexo" e que os Estados Unidos estão em um "processo sistemático de perda de dinamismo". Esse cenário sugere baixo crescimento da eco-
nomia global nos próximos anos, acrescentou. C us to s – Participando do mesmo evento que Tombini, o presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, criticou a medida da taxação dos derivativos cambiais adotada pela autoridade monetária, argumentando que ela trará custos. "O mercado ficou surpreso e desorientado, e uma das consequências é a migração para o exterior dos investidores", afirmou em discurso anterior ao de Tombini. (Reuters)
Andrei Bonamin/ LUZ
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Grupo Casino entrou com uma reclamação contra a Companhia Brasileira de Distribuição (Grupo Pão de Açúcar) na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O processo, que teve origem na Superintendência de Relações com Empresas, foi aberto em 26 de julho e teve seu último encaminhamento na segunda-feira, passando à gerência de acompanhamento de empresas. O caso foi enquadrado pela CVM na categoria "reclamação de investidor/público em geral", e aparece no site da autarquia como processo em andamento. No dia 28, em entrevista à imprensa em Paris para apresentar o balanço do primeiro semestre do Casino, o executivo-chefe do grupo francês, Jean-Charles Naouri, afirmou que o processo de arbitragem contra Abilio Diniz, aberto no final de maio, continua em andamento. O Casino anunciou no início deste mês que abriu um segundo pedido de arbitragem na Câmara de Comércio Internacional (ICC, na sigla em inglês) contra a família Diniz. Em um comunicado, o Casino disse que o pedido tinha a finalidade de "garantir o respeito dos procedimentos estabelecidos pelo acordo de acionistas de 27 de novembro de 2006" na CBD. As declarações ocorreram após o conselho do Casino se opor à negociação de Diniz para fundir o Pão de Açúcar com o Carrefour. (AE)
BMW quer fábrica no Brasil Previsão é de que vendas no varejo cresçam 6,5% em 2011, com elevação da renda dos consumidores.
Confiança no comércio reage em julho Índice preparado pela CNC mostra que ânimo do empresário comercial subiu
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Índice de Confiança do Empresário do Comércio avançou 2,8% em julho, após três meses de queda, divulgou ontem a Confederação Nacional do Comércio (CNC). A alta foi puxada pela melhor percepção dos empresários em relação às condições atuais da economia (5,3%) e do setor comercial varejista (5,7%). Essa expansão não foi suficiente para que o índice voltasse ao patamar de abril, confirmando trajetória de acomodação no ritmo de crescimento econômico, apontou a CNC.
O Índice de Investimento do E m p re s á r i o d o C o m é rc i o (IIEC) foi o subitem da pesquisa que apresentou a menor elevação (1,9%). O resultado foi reflexo de altas modestas na percepção em relação à situação atual dos estoques (1,5%) e na expectativa de contratação de funcionários (1,8%). Em virtude da dificuldade de obter crédito mais barato em julho, houve menor avanço dos investimentos por parte das micro e pequenas empresas do que pelas de maior porte. Cr esc ime nto – De acordo com a CNC, a estimativa ainda
é favorável para o cenário econômico – apesar de ainda haver desaceleração na contratação de novos funcionários. A projeção da entidade é de que sejam criados 2 milhões de empregos até o fim deste ano. A previsão é de que as vendas do segmento varejista tenham expansão de 6,5% no ano, sustentadas pela alta dos rendimentos dos compradores, com ganhos superiores à taxa de inflação. O crescimento foi maior nas grandes e médias empresas (4%) e menor nas micro e pequenas (2,2%). (AE)
Contestada venda da Schincariol
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s sócios minoritários da Schincariol, detentores de 49,55% das ações, disseram ontem não reconhecer o negócio fechado com a cervejaria japonesa Kirin, que anunciou na segundafeira a compra de 50,45% das ações da brasileira por R$ 3,95 bilhões. A Kirin comprou a participação da AleadriSchinni, dos irmãos Alexandre e Adriano Schincariol, mas parte da família Schincariol quer barrar negócio com a empresa japonesa. Os sócios minoritários, José Augusto, Daniela e Gilberto Schincariol, são primos de Alexandre e Adriano e alegam ter o direito de preferência para
adquirir as ações da Aleadri. Em um comunicado divulgado na tarde de ontem, eles afirmaram: "Em defesa do direito e dos interesses dos colaboradores, fornecedores e consumidores brasileiros, os acionistas que detêm 49,55% das ações do Grupo Schincariol declaram não reconhecer a legitimidade de qualquer negócio envolvendo a transferência das ações para terceiros". Aquisições– As aquisições feitas entre 2007 e 2008, de cervejarias como Baden Baden e Eisenbahn, elevaram o número de marcas de cerveja para as nove comercializadas hoje pela Schincariol. A empresa tem cerca de 15 % do mercado de
cervejas nacional. Já as cinco marcas de refrigerantes garantem uma fatia de mercado de cerca de 6% no segmento. O grupo, que tem capital 100% brasileiro e não dispõe de ações negociadas na Bolsa, teve faturamento de R$ 5,66 bilhões em 2010. A Kirin tem atuação principal na Ásia (Japão, China, Taiwan, Vietnã, Tailândia, Cingapura e Filipinas) e na Oceania, com vendas totais de cerca de US$ 28 bilhões. A meta da empresa é alcançar 30% das receitas de bebidas com negócios internacionais até 2015. No Brasil, o grupo é dono da Tozan Alimentos, fabricante de produtos orientais. (Folhapress)
O
executivo-chefe da montadora alemã BMW, Norbert Reithofer, afirmou ontem que vê uma "alta probabilidade" de a montadora alemã construir uma fábrica no Brasil. Durante teleconferência para divulgação dos resultados da companhia no segundo trimestre, ele disse que os planos de estabelecer uma fábrica no País estão se firmando e que a decisão deve ser aprovada pelo conselho fiscal ainda neste ano. O executivo ressaltou que o Brasil é um mercado importante para a empresa. A montadora divulgou ontem que o lucro líquido no segundo trimestre mais do que dobrou ante igual período do ano passado, chegando a 1,8 bilhão de euros. O lucro antes de juros e impostos (Ebit) aumentou 66%, para 2,86 bilhões de euros, enquanto o lucro antes de impostos avançou para 2,7 bilhões de euros. A receita cresceu 17%, para 17,9 bilhões de euros. Analistas previam lucro líquido de 1,59 bilhão de euros, Ebit de 2,41 bilhões de euros, lucro antes de impostos de 2,39 bilhões de euros e receita de 18,3 bilhões de euros. O bom resultado deve-se a um aumento na demanda de carros de luxo em grandes mercados, como a China. A BMW reafirmou que pretende vender mais de 1,6 milhão de veículos neste ano, atingindo novo recorde. "Os seis primeiros meses de 2011 foram o melhor semestre na história da BMW", afirmou Reithofer. No segundo trimestre, o grupo vendeu 450.608 unidades das marcas BMW, Mini e Rolls-Royce – crescimento de 19% ante igual período de 2010. (AE)
DIÁRIO DO COMÉRCIO
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
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17 O Brasil é um mercado no qual nós sabemos que não temos conseguido estar tão presentes. Howard Schultz, presidente da Starbucks
conomia Filipe Araújo/AE
Marketing esportivo ao alcance da pequena empresa A aproximação dos megaeventos no Brasil, como os Jogos Olimpícos, traz oportunidades de investimento para as marcas. No caso das empresas com menos recursos, é necessário pensar em saídas criativas ligadas a novos interesses. Renato Carbonari Ibelli
O
mercado brasileiro de marketing esportivo prevê grande impulso com a Copa do Mundo de Futebol de 2014 e os Jogos Olimpícos de 2016, no Rio de Janeiro. O esporte mexe com paixão e desejo e atrelar uma marca a essas emoções costuma render bons resultados. O problema é que as somas envolvidas nessas ações, em um primeiro momento, parecem impeditivas para a grande maioria das empresas. As marcas que estampam a camisa do Corinthians, por exemplo, renderão em conjunto mais de R$ 53 milhões para o clube neste ano. O faturamento anual de 90% das empresas do País não passa nem perto desse montante. Mas há caminhos alternativos que permitem que as empresas de pequeno porte usem o esporte como ferramenta de divulgação de suas marcas e produtos. Para tanto, como explicou Robert Alvarez, professor do Núcleo de Esporte da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), é preciso abstrair o futebol profissional – e demais atividades com estrutura de custo muito alta – dos planos. Um caminho, segundo Alvarez, é apostar em modalidades que estão em ascensão, a exemplo das corridas de rua. O volume de participantes dessas provas dobra ano após ano. "Uma empresa pode simplesmente patrocinar uma estação de apoio na corrida, para distribuir água para quem participa", apontou o professor.
O investimento em uma ação desse tipo é particularmente modesto, e pode alcançar entre 5 mil e 10 mil pessoas, que costuma ser a média de participantes das corridas de rua. Não é exatamente marketing de massa, mas, para Alvarez, o retorno relativo de ações como essa podem ser ainda mais interessantes, visto que os investimentos são baixos. "Empresas menores têm de pensar menos no marketing de massa e mais em ações direcionadas que gerem conveniência", explicou o professor do Núcleo de Esporte. Divulgação – Essa linha de raciocínio é compartilhada por Luiz Fernando Ferreira, sóciodiretor da ESM, empresa especializada em marketing esportivo. Segundo Ferreira, muitas empresas utilizam o esporte para divulgação da marca acreditando somente no retorno de mídia. Porém, segundo ele, esse tipo de investimento deve ser visto de maneira mais ampla. "É possível criar uma série de ativações que podem ser utilizadas para melhorar o relacionamento com fornecedores, colaboradores, clientes, entre outros. Além disso, a marca acaba associada a todos os valores que o esporte transmite – saúde, bem-estar, emoção, seriedade, dinamismo", disse Ferreira. Mas essa estratégia de marketing ainda engatinha no País, de acordo com o professor Alvarez. Segundo ele, as empresas ainda têm dois grandes vícios. O primeiro é imaginar que só a mídia de massa é que vende. O segundo é a difi-
Starbucks: Brasil pode ter mil lojas.
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direção da rede Starbucks afirmou que o mercado brasileiro tem potencial para receber ao menos mil lojas da cafeteria, reiterando o seu desejo de aumentar investimentos no Brasil. "É um mercado no qual nós sabemos que não temos conseguido estar tão presentes", afirmou Howard Schultz, presidente-executivo da empresa, em entrevista com analistas. A rede já manifestou mais de uma vez que quer intensificar sua presença no Brasil, mas ainda não tinha divulgado uma projeção de lojas. Atualmente, segundo o site da companhia, a Starbucks mantém 26 unidades no País, boa parte no Rio de Janeiro e São Paulo. Um passo importante para o crescimento no local foi dado em 2010,
quando a direção da rede nos Estados Unidos assumiu o controle das operações no País. Até então, 51% da participação era da Cafés Sereia do Brasil, e o restante, da empresa nor te-americana. Já no início deste mês, a Starbucks fez uma reorganização na sua estrutura, priorizando os investimentos fora dos EUA. A rede, que tinha duas divisões e passou a ter três: Américas; China e Ásia-Pacífico; e Europa, África e Oriente Médio. O presidente da divisão dos EUA, Cliff Burrows, ficou com a responsabilidade do resto da região e seu papel no Brasil foi ressaltado por Schultz. "Eu acredito que, com a liderança do Cliff, o Brasil vai se tornar um motor significativo para o avanço da empresa", disse. (Folhapress)
culdade para entender que o marketing esportivo vai além da visibilidade, ou seja, não é apenas expor a marca, mas estreitar o relacionamento da empresa com as comunidades locais. "As oportunidades estão em menos exposição e mais diálogo e relacionamento com a comunidade", acrescentou. Caminhos alternativos ao dos pesados investimentos em futebol podem ser as competições universitárias, passeios ciclísticos e os esportes que estão em evolução, como o rúgbi, além das já citadas corridas de rua. Conforme o sócio-diretor da ESM, é possível até ser um pouco mais ousado. "O esporte é uma ferramenta democrática. Os projetos podem variar de poucos milhares de reais até dezenas de milhões."
Corrida de rua patrocinada por empresa em São Paulo. Os investimentos no segmento esportivo aumentarão nos próximos anos, e o leque de opções pode incluir também oportunidades de baixo custo. Divulgação
O esporte é uma ferramenta democrática. Os projetos podem variar de poucos milhares de reais até dezenas de milhões. LUIZ FERNANDO FERREIRA , DA ESM
Fusão cria a rede Raia Drogasil
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s redes Raia e Drogasil anunciaram ontem um acordo de associação que resultará na criação da empresa Raia Drogasil, cujo controle será compartilhado entre os acionistas que atualmente exercem o comando das companhias (as famílias Pires Oliveira Dias e Galvão pela Drogasil, e a família Pipponzi e os fundos geridos por Pragma e Gávea pela rede Raia).
SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO
De acordo com fato relevante, a associação dará origem à maior rede de drogarias e ao sétimo maior grupo varejista do Brasil em faturamento. A nova empresa terá receita bruta combinada de R$ 4,1 bilhões e Ebitda de R$ 224 milhões em 12 meses, encerrados em 31 de março de 2011. Ao todo, a nova rede terá 700 drogarias em nove unidades da federação, nas quais se encontra
GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO
FDE AVISA: COMUNICADO Atendendo à solicitação do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, comunicamos a Suspensão da sessão de processamento do Pregão (Eletrônico) de Registro de Preços nº 36/00496/11/05 - Aquisição de Material Escolar - Kit Escolar.
EMPRESA MUNICIPAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS – EMPRO Aviso de Licitação Concorrência nº 001/2011 Objeto: Contratação de agência de propaganda para prestação de serviços técnicos de publicidade, compreendendo o conjunto de atividades realizadas integradamente que tenham por objetivo o estudo, o planejamento, a conceituação, a concepção, a criação, a execução interna, a intermediação e a supervisão da execução externa e a distribuição de publicidade, com o intuito de atender ao princípio da publicidade e ao direito à informação, de difundir ideias, princípios, iniciativas ou instituições ou de informar o público em geral. Edital completo na sede da Empro: Av. Romeu Strazzi, 199 – Bairro Vila Sinibaldi, São José do Rio Preto/SP, ou pelo site http://www.empro.com.br – Fone: (17) 3201-1201/1216. Abertura: 22 de setembro de 2011, às 09h30. São José do Rio Preto/SP, 2 de agosto de 2011. Cássio Domingos Dosualdo Moreira – Presidente da Comissão Permanente de Licitação.
FALÊNCIA, RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL E RECUPERAÇÃO JUDICIAL Conforme informação da Distribuição Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo, foram ajuizados no dia 02 de agosto de 2011, na Comarca da Capital, os seguintes pedidos de falência, recuperação extrajudicial e recuperação judicial:
Requerente: Morlan S/A - Requerida: Giarflex Comércio e Indústria Ltda. - Rua Falchi Gianini nº 987 - Vila Prudente - 1ª Vara de Falências Requerente: Banco Safra S/A - Requerida: Quallicomp Comércio de Informática e Eletrônicos Ltda. - Rua dos Timbiras nº 227 - 1° andar - Santa Efigênia 1ª Vara de Falências
aproximadamente 78% do mercado farmacêutico brasileiro. Conforme fato relevante, a Raia Drogasil seguirá listada no Novo Mercado da BM&FBovespa e terá free float de aproximadamente 50% do seu capital. "Essa associação deverá também resultar em uma companhia com elevado nível de liquidez", destacou o comunicado conjunto divulgado pelas duas companhias. (AE)
BV FINANCEIRA S.A. - CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO CNPJ/MF Nº 01.149.953/0001-89 - NIRE Nº 35.300.145.399 ATA DA ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA, REALIZADA EM 22 DE DEZEMBRO DE 2010 1. DATA, HORÁRIO E LOCAL - Dia 22 de dezembro de 2010, às 14:00 horas, na sede social da Sociedade, localizada na Capital do Estado de São Paulo, na Avenida das Nações Unidas, nº 14.171, Torre A, 8º andar, Conjunto 82. 2. CONVOCAÇÃO E PRESENÇA – Acionistas representando a totalidade do capital social, ficando dispensados, conseqüentemente, os Editais de Convocação, de acordo com o Parágrafo 4º do Artigo 124 da Lei nº 6.404/76. 3. MESA DIRIGENTE – Wilson Masao Kuzuhara, Presidente; Marta Cibella Knecht, Secretária. 4. DELIBERAÇÕES ORDINÁRIAS – Por unanimidade de votos, abstendo-se de votar os legalmente impedidos, foi aprovado o que segue: (i) O aumento do capital social da Sociedade de R$ 472.000.000,00 (quatrocentos e setenta e dois milhões de reais) para R$ 484.054.322,14 (quatrocentos e oitenta e quatro milhões, cinquenta e quatro mil, trezentos e vinte e dois reais e quatorze centavos), sendo o aumento de R$ 12.054.322,14 (doze milhões, cinquenta e quatro mil, trezentos e vinte e dois reais e quatorze centavos), totalmente subscrito e integralizado neste ato pelo acionista Banco Votorantim S.A., mediante o aproveitamento da Reserva de Capital constituída por subvenções para investimentos, sem emissão de novas ações; (ii) Em virtude da deliberação acima, fica alterado o Artigo 5º do Estatuto Social da Sociedade, que passa a ter a seguinte e nova redação: “Artigo 5º. O capital social, totalmente subscrito e integralizado, é de R$ 484.054.322,14 (quatrocentos e oitenta e quatro milhões, cinqüenta e quatro mil, trezentos e vinte e dois reais e quatorze centavos), dividido em 126.361 (cento e vinte e seis mil, trezentas e sessenta e uma) ações ordinárias, sem valor nominal, obrigatoriamente nominativas. Parágrafo Único - Cada ação ordinária dará direito a um voto nas deliberações das Assembléias Gerais.” (iii) Permanecem em vigor e inalterados os demais artigos do Estatuto Social da Sociedade não alterados pelo presente instrumento. 5. OBSERVAÇÕES FINAIS - a) O Sr. Presidente franqueou o uso da palavra, não havendo, todavia, nenhuma manifestação. b) Os trabalhos foram suspensos para a lavratura da presente ata, que tendo sido lida e achada conforme, vai assinada pelo Presidente, Secretária e demais acionistas presentes. (aa) Wilson Masao Kuzuhara, Presidente; Marta Cibella Knecht, Secretária; p. Banco Votorantim S.A., Walter Guilherme Piacsek Junior e Milton Roberto Pereira. A presente transcrição é cópia fiel da ata lavrada no livro próprio. São Paulo, 22 de dezembro de 2010. MARTA CIBELLA KNECHT - Secretária. Arquivo na JUCESP Em 19.07.11, sob nº 272.111/11-9. Kátia Regina Bueno de Godoy - Secretária Geral.
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quarta-feira, 3 de agosto de 2011
O acordo é bom tanto para os EUA como para a economia mundial. Christine Lagarde, diretora-gerente do FMI
conomia
Jonathan Ernst/Reuters
Batalha no Congresso deixou de lado as questões importantes
EUA afastam risco de calote global
O
presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, sancionou na tarde de ontem o projeto de lei – aprovado mais cedo pelo Senado e na segunda-feira pela Câmara dos Representantes – que eleva o teto da dívida e prevê a redução do déficit do governo norte-americano. O Senado aprovou o projeto por 74 votos a favor e 26 contra. Pelo acordo, o teto de endividamento do governo norte-americano será elevado em US$ 2,4 trilhões, em três etapas. A classificadora de risco Moody's anunciou ontem que, em razão do acordo, mantém sua nota AAA para a dívida dos EUA – mas a posicionou em "perspectiva negativa". Em seu pronunciamento no
Rose Garden, Obama não dirigiu qualquer agradecimento ao Congresso por aprovar a legislação que ajudou os EUA a evitarem um default apenas umas 12 horas antes de o país teoricamente ficar sem recursos para pagar suas contas. "Foi um debate longo e contencioso. Gostaria de agradecer ao povo norte-americano por manter a pressão sobre as autoridades que elegeram para que deixassem a política de lado e trabalhassem juntos pelo bem do país", disse Obama. O projeto eleva o teto de endividamento dos EUA, atualmente em US$ 14,29 trilhões, e prevê um corte no déficit do Orçamento de US$ 2,1 trilhões na próxima década – em uma importante vitória para os republicanos, que pressionam
pela redução do tamanho do governo dos EUA. Caso o plano não fosse aprovado, os EUA poderiam entrar em default à meia-noite de ontem, com consequências dramáticas tanto para o país quanto para a economia global. Et ap as – O acordo prevê uma elevação gradual do limite de endividamento; na primeira etapa, ele será elevado em US$ 900 bilhões, enquanto o governo cortará despesas de US$ 917 bilhões nos Orçamentos dos próximos dez anos; nas etapas seguintes, um comitê de seis congressistas democratas e seis republicanos deverá, até 23 de novembro, selecionar mais US$ 1,5 trilhão em cortes de gastos, para serem votados pelo Congresso até 23 de dezembro; nessa ocasião, o limite
Após passar no Congresso, elevação do teto da dívida é sancionada por Obama.
da dívida seria elevado em mais US$ 1,2 trilhão. O "supercomitê" bipartidário terá de produzir cortes de gastos de pelo menos US$ 1,2 trilhão; caso não consiga, entra em vigor uma nova rodada de reduções de gastos, 50% em despesas militares e 50% em despesas com programas domésticos. Também será votada uma emenda parlamentar para o equilíbrio do Orçamento até o fim desse ano. FMI – A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, comemorou a aprovação do acordo – que, segundo ela, "evitou um grave transtorno econômico". "Ao reduzir uma grande incerteza nos mercados e fortalecer a credibilidade fiscal do país, o acordo é bom tanto para os EUA como para a economia mundial." Ela indicou ainda que, dada a "fragilidade da recuperação econômica, os cortes de gastos são planejados gradualmente e não estão sobrecarregados de modo que prejudique o crescimento". Por último, destacou que "o desafio para os políticos norte-americanos é desenvolver um marco de consolidação que inclua objetivos de dívida e déficit a médio prazo". "Colocar as finanças em um caminho sustentável ajudará a identificar economias e receitas", disse. (Agências)
Jewel Samad/AFP
Obama agradeceu ao povo dos EUA, que teria pressionado seus representantes pela votação da lei. Mas não se dirigiu ao Congresso.
A
pós meses de indefinição em torno da elevação do teto da dívida norte-americana, finalmente o Congresso aprovou a medida. No entanto, a batalha entre os partidos Democrata e Republicano pode não ter passado de uma manobra diversionária, que deslocou as atenções de questões econômicas mais graves. Essa é a avaliação que o jornal britânico Financial Times manifestou ontem em seu espaço editorial. O texto lembrou que, se a economia dos EUA tivesse crescido no primeiro semestre deste ano às mesmas taxas de igual período de 2010, produziria US$ 225 bilhões de bens e serviços a mais do que efetivamente foi registrado. Mantendo essa tendência ao longo de 2011, a diferença seria de quase US$ 350 bilhões. "Projetando-se as perdas do primeiro semestre para o período de dez anos contemplado pelo acordo votado pelo Congresso, chega-se a US$ 2,25 bilhões – quase o que os políticos norte-americanos prometeram cortar do orçamento federal na próxima década. Ou seja, seis meses de crescimento normal criariam valor suficiente para pagar todos os gastos que o Congresso concordou agora em enxugar", avaliou o jornal. Menos lucratividade – Outro ponto levantado pelo texto foi a queda nos ganhos da iniciativa privada dos EUA em um cenário marcado pela redução do déficit público. O FT questiona se é melhor se ter uma economia estagnada, na qual as companhas não têm lucratividade; ou uma que cresça e justifique gastos em contratações e investimentos. "A meta da política econômica deveria ser encorajar a segunda e evitar a primeira. O quanto o déficit pode ser reduzido na próxima década é de importância secundária. Muito mais importante é no que os gastos serão empregados." No entanto, de acordo com o jornal, os políticos de Washington prestaram pouca atenção a esse fato, evadindo-se da discussão sobre a qualidade das despesas públicas. Lições – Já o site da revista The Economist optou por relacionar as principais lições deixadas pelo episódio. De acordo com o texto, os mercados estavam corretos ao avaliar que seria alcançado um acordo, mesmo que no último momento. Além disso, ficou claro o uso político em torno da questão por parte dos parlamentares norte-americanos. "Outra lição é que continua sendo muito mais fácil cortar gastos em termos abstratos do que práticos. Muitas das decisões mais difíceis ficaram para ser tomadas mais para frente; algumas em três ou quatro meses, outras em 2013", lembrou o texto. Além disso, a The Economist considerou, a partir desse episódio, que é preciso muito mais "para destruir o status de refúgio seguro dos títulos do Tesouro". "Os investidores ainda têm poucas alternativas", avaliou.
Itália está na mira dos mercados internacionais Alta taxa de endividamento do país eleva grau de preocupação de investidores
A
pressão dos mercados financeiros sobre a Itália se intensificou ontem, deixando a segunda nação mais endividada da zona do euro em área de perigo e fazendo as autoridades do país convocarem reuniões de emergência. Os rendimentos dos bônus italianos atingiram o maior nível dos 11 anos de história da moeda única europeia, equiparando-se aos juros espanhóis e sinalizando que Roma está ultrapassando Madri como o principal foco da preocupação do investidor sobre a sustentabilidade da dívida pública. O mercado de ações da Itália caiu ao menor patamar em mais de 27 meses, pressionado pelos bancos com alta exposição à dívida do país. O índice das principais ações da Europa atingiu a mínima em nove meses, com temores sobre crescimento econômico. O ministro italiano de Economia, Giulio Tremonti, convocou uma reunião do Comitê de Estabilidade Financeira – composto por representantes do governo, do Banco da Itália, do órgão regulador de mercado Consob e da autoridade de seguros Isvap –, um dia antes de o primeiro-ministro Silvio
Tony Gentile/Reuters
Para autoridades europeias, Roma tem tomado decisões acertadas.
Berlusconi quebrar o silêncio e falar ao Parlamento. O premiê da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, que antecipou as eleições para 20 de novembro, adiou suas férias após o prêmio de risco do país ter ultrapassado quatro pontos percentuais sobre os bônus alemães – também a máxima da história do euro. Organizações internacionais ofereceram apoio verbal a Itália e Espanha. A Comissão Europeia (CE) disse que tanto Roma quanto Madri estão tomando as medidas necessárias para manter suas economias caminhando.
Instabilidade – A Itália está na linha de fogo em parte por ter a segunda maior taxa de endividamento da zona do euro: 120% do Produto Interno Bruto (PIB). Só fica atrás da Grécia, cuja dívida beira 160% do PIB. Mas a instabilidade política na coalizão de centro-direita de Roma também gera preocupação no mercado. Berlusconi está sendo julgado por evasão de impostos e por possíveis relações sexuais com uma menor de idade, e o ministro Tremonti enfrenta críticas por ter utilizado o apartamento de um assessor, que está sendo investigado por corrupção. (Reuters)