Page 1

Nosso Lance! toda segunda

Especial: aos mestres e doutores com carinho.

O Esporte volta às segundas-feiras ao DC, com o melhor do fim de semana em duas páginas feitas por um especialista: o jornal Lance!. Pág. 14

Caderno extra com 6 páginas

Ano 87 - Nº 23.884

Jornal do empreendedor

www.dcomercio.com.br

Conclusão: 23h45

R$ 1,40

São Paulo, sábado, domingo e segunda-feira, 1, 2 e 3 de junho de 2013 Neil Hall/Reuters

Sergio Moraes/Reuters

Jolie de volta à cena Sebastião Moreira/EFE

Após cirurgia, desfila com Brad. Pág. 13

O 1º a gente nunca esquece Fred (acima) inaugurou o placar do novo (e quase pronto) Maracanã. Chamberlain e Rooney viraram para a Inglaterra e Paulinho garantiu os 2 a 2 no amistoso. Tudo no 2º tempo. Pág. 15

Pela 17ª vez na avenida Daniela Mercury puxa a Parada Gay. Pág. 13

EFE/EPA

Paulo Pampolin/Hype

Já levou os filhos à Adalbertolândia? É grátis, fica em Perdizes, foi e é feito pelo 'seo' Adalberto. Pág. 9

Arquivo DC

Agliberto Lima/DC

– Fora Erdogan! – Não sou ditador... No terceiro dia de protestos, agora em várias cidades turcas, manifestantes pedem a saída do premiê Erdogan. Ele responde: "Não sou ditador..." Mas o problema é outro: a demolição de um parque. Pág. 8

Caminhando pela história de SP 12 passeios a pé revelam preciosidades do Centro. Pág. 10 ISSN 1679-2688

23884

Página 4

9 771679 268008

Apocalipse em Hollywodd Obras arrasa-quarteirão como Jogos Vorazes marcam o verão. Pág. 12


DIÁRIO DO COMÉRCIO

2

o

sábado, domingo e segunda-feira, 1, 2 e 3 de junho de 2013

Que a sociedade esmagada e anulada não sinta mais o peso da dominação não quer dizer que esta não exista. Olavo de Carvalho

pinião

DEBILIDADES Clayton de Souza/Estadão Conteúdo

E

m artigo recente, expliquei que um dos mais velhos truques do movimento revolucionário é limpar-se na sua própria sujeira, cuja existência negava até a véspera. Desde a queda da URSS, a maneira mais usual de aplicar esse truque consiste em jurar que tudo aquilo que durante setenta anos todos os comunistas do mundo chamaram de comunismo não foi comunismo de maneira alguma: foi capitalismo. Mediante essa simples troca de palavras a ideia comunista sai limpa e inocente de todo o sangue que se derramou para realizá-la, e gentilmente solicita da plateia um novo crédito de confiança, isto é, mais sangue, jurando que desta vez vai ser um pouquinho só, um tiquinho de nada. Por exemplo, varrer Israel do mapa ou exterminar a raça branca. O apresentador dessa modesta sugestão não explica nunca como bilhões de pessoas inspiradas na teoria histórica mais científica de todos os tempos – insuperável, no dizer de Jean-Paul Sartre –, puderam se enganar tão profundamente quanto àquilo que elas mesmas estavam fazendo, nem como foi que ele próprio, subindo acima de Lenin, de Stálin, de Mao Dzedong e de tantos luminares do marxismo, foi o primeirão a enxergar a luz. Nem muito menos explica como é possível, de uma teoria que ensina a unidade substancial de ideia e prática, se pode obter uma separação tão radical dessas duas coisas que uma delas saia inteiramente limpa e a outra inteiramente suja.

M

as esse pessoal é assim mesmo: quando chega na página seguinte, já esqueceu a anterior. Dois exemplos recentes vêm-nos da Sra. Lúcia Guimarães, que é talvez o caso mais típico de ignorância elegante no jornalismo brasileiro, e da srta. Yoani Sanchez, uma abnegada que procura salvar a imagem do comunismo cubano isolando-a de um breve erro de percurso de apenas meio século.

OLAVO DE CARVALHO

de palavras, uma pegadinha infernal. Marx explica que, como tudo pertencerá ao Estado, este já não existirá como entidade distinta, mas a própria sociedade será o Estado. É uma curiosa inversão da regra biológica de que quando o coelho come alface não é o coelho que vira alface, mas a alface que vira coelho. Se o Estado engole a sociedade, não é o Estado que desaparece: é a sociedade. Que a sociedade dominada, esmagada e anulada não sinta mais o peso da dominação não quer dizer que esta não exista, mas que o dominado está exausto e estupidificado demais para tomar consciência dela. É o totalitarismo perfeito em que, nas palavras de Antonio Gramsci, o poder do Partido-Estado já não é percebido como tal, mas se torna "uma autoridade onipresente e invisível como a de um imperativo categórico, de um mandamento divino".

U Yoani Sanchez: tentativa de salvar a imagem do comunismo sob o argumento de que em Cuba há "capitalismo de estado".

O argumento das duas é substancialmente o mesmo: não se pode culpar o comunismo por nada do que aconteceu na URSS, na China, no Camboja ou em Cuba, porque o comunismo é a posse e domínio dos meios de produção pelos proletários, e não pelo Estado como se viu nesses lugares. Dona Lúcia chega a passar pito no dramaturgo David Mamet porque este diz que a doce promessa de Karl Marx, "De cada um conforme suas possibilidades a cada um conforme suas necessidades" não passa de uma expressão cifrada para justificar a espoliação de todos pelo Estado. Em todos os regimes comunistas foi isso o que se deu realmente, mas ainda assim Dona Lúcia assegura que Mamet "levaria nota baixa em marxismo, porque o espanta-

lho invocado por Mamet estava pensando numa utopia do proletariado, não do Estado". No mesmo sentido pronuncia-se Yoani Sanchez para jurar que em Cuba nunca houve comunismo, apenas capitalismo de Estado.

N

ão é preciso observar que assim, com um estalar de dedos, a teoria que se apresentava como

idêntica à sua encarnação histórica se torna uma ideia pura platônica, um ente metafísico separado, imune a toda contaminação deste baixo mundo. Eu não seria cruel de esperar dessas duas criaturas a compreensão dessa sutileza, mas elas poderiam ao menos ter lido um dos mais célebres parágrafos de Karl Marx, no Manifesto Comunista: "A última etapa da revolu-

A profecia da "autodissolução do Estado" na apoteose dos tempos é tão somente uma figura de linguagem, um jogo de palavras, uma pegadinha infernal.

SUZANO ESCLARECE A respeito da nota "Cena Difícil" publicada na coluna de Giba Um (edição de 28/maio de 2013), gostaríamos de esclarecer alguns pontos. Em 12/03 foi anunciada ao mercado a suspensão, por tempo indeterminado, da implantação da unidade de produção de pellets de madeira ( Suzano Energia Renovável) e da unidade industrial de produção de celulose no Estado do Piauí (Projeto Piauí). A continuidade dos projetos está condicionada às condições macroeconômicas e ao nível de endividamento da empresa. Em decorrência disso a companhia promoveu o redimensionamento de algumas

A

í não existe, no mais mínimo que seja, o antagonismo que aquelas duas inteligências iluminadas acreditaram enxergar entre o Estado e o proletariado: o Estado é o proletariado organizado, o proletariado organizado é o Estado. E o proletariado organizado não é outra coisa senão o Partido. A profecia da "autodissolução do Estado" na apoteose dos tempos é somente uma figura de linguagem, um jogo

OLAVO DE CARVALHO É ENSAÍSTA, JORNALISTA E PROFESSOR DE FILOSOFIA

O SIMPLES E A CARGA TRIBUTÁRIA

equipes, sem comprometer as operações administrativa, industrial e florestal e o andamento e o cronograma da construção da nova unidade Imperatriz, no Maranhão. Os recursos em caixa superam R$ 4,3 bilhões e o início da operação está previsto para o 4º trimestre de 2013. Desde que o novo presidente assumiu, em janeiro último, não houve trocas na Diretoria Executiva. A empresa reitera que sempre atuou de forma transparente junto aos seus públicos de relacionamento e está à disposição para esclarecer eventuais dúvidas. Suzano Papel e Celulos

Já passou da hora de mudança no Simples Nacional. Enfrentamos hoje o entrave de as empresa desse sistema terem uma carga tributária de igual percentual em relação ao lucro presumido e lucro real. A realidade brasileira está em desacordo com a atualidade. Hoje os microempresários enfrentam o fantasma da obrigatoriedade do cupom fiscal, pois estão limitados em R$ 120.000 anuais, valores que só dão para pagar as despesas. É muito triste enfrentar um sistema de tributação tão inadequado aos

Presidente Rogério Amato Vice-Presidentes Alfredo Cotait Neto Antonio Carlos Pela Carlos Roberto Pinto Monteiro Cesário Ramalho da Silva Edy Luiz Kogut João Bico de Souza José Maria Chapina Alcazar Lincoln da Cunha Pereira Filho Luciano Afif Domingos Luís Eduardo Schoueri Luiz Gonzaga Bertelli Luiz Roberto Gonçalves Miguel Antonio de Moura Giacummo Nelson Felipe Kheirallah Nilton Molina Renato Abucham Roberto Mateus Ordine Roberto Penteado de Camargo Ticoulat Sérgio Belleza Filho Walter Shindi Ilhoshi

ção proletária é a constituição do proletariado como classe dominante... O proletariado servir-se-á da sua dominação política para arrancar progressivamente todo o capital da burguesia, para centralizar todos os meios de produção nas mãos do Estado, isto é, do proletariado organizado..."

m exame atento dos textos de Karl Marx teria bastado, em plena metade do século 19, para perceber neles o Gulag, o Laogai e centenas de milhões de mortos, todo o terror e misérias dos regimes comunistas como consequências incontornáveis da própria lógica interna da teoria, caso tentasse sair do papel para encarnar-se na História. Marx, Engels e Lenin em pessoa reconheceram isso inúmeras vezes, enaltecendo o genocídio e a tirania como "parteiros da História". Que, decorridos cento e sessenta e tantos anos, ainda haja tantas pessoas que insistam em explicar como fruto de desagradáveis coincidências aquilo que a própria teoria exige como condição sine qua non da sua realização é, decerto, uma das provas mais contundentes de uma debilidade intelectual que não deixa de refletir, talvez, alguma debilidade de caráter.

nossos dias O papel do contador, hoje, é ser chamado de despachante do governo, pois serve somente para apurar valores. Esta na hora de as liderança governamentais darem importância ao profissional da contabilidade. Seria conveniente que a base politica criasse uma alíquota única (2%) sobre o faturamento: assim o microempresário documentaria na totalidade suas receitas e pagaria satisfeito seu imposto. Márcio Guimaraes - São Gonçalo- Pará

Fundado em 1º de julho de 1924 CONSELHO EDITORIAL Rogério Amato, Guilherme Afif Domingos, João Carlos Maradei, Marcel Solimeo Diretor de Redação Moisés Rabinovici (rabino@acsp.com.br) Editor-Chefe: José Guilherme Rodrigues Ferreira (gferreira@dcomercio.com.br). Editor de Reportagem: José Maria dos Santos (josemaria@dcomercio.com.br). Editores Seniores: chicolelis (chicolelis@dcomercio.com.br), José Roberto Nassar (jnassar@dcomercio.com.br), Luciano de Carvalho Paço (luciano@dcomercio.com.br), Luiz Octavio Lima (luiz.octavio@dcomercio.com.br) e Marino Maradei Jr. (marino@dcomercio.com.br). Editor de Fotografia: Agliberto Lima. Editores: Cintia Shimokomaki (cintia@dcomercio.com.br), Heci Regina Candiani (hcandiani@dcomercio.com.br), Tsuli Narimatsu (tnarimatsu@dcomercio.com.br) e Vilma Pavani (pavani@dcomercio.com.br. Subeditores: Marcus Lopes, Rejane Aguiar e Ricardo Osman. Redatores: Adriana David, Evelyn Schulke, Jaime Matos e Sandra Manfredini. Repórteres: André de Almeida, Karina Lignelli, Kety Shapazian, Lúcia Helena de Camargo, Mariana Missiaggia, Mário Tonocchi, Paula Cunha, Rejane Tamoto, Renato Carbonari Ibelli, Rita Alves e Sílvia Pimentel. Gerente Executiva e de Publicidade Sonia Oliveira (soliveira@acsp.com.br) Gerente de Operações Valter Pereira de Souza (valter.pereira@dcomercio.com.br) Serviços Editoriais Material noticioso fornecido pelas agências Estadão Conteúdo, Folhapress, Efe e Reuters Impressão S.A. O Estado de S. Paulo. Assinaturas Anual - R$ 118,00 Semestral - R$ 59,00 Exemplar atrasado - R$ 1,60

FALE CONOSCO E-mail para Cartas: cartas@dcomercio.com.br E-mail para Pautas: editor@dcomercio.com.br E-mail para Imagens : dcomercio@acsp.com.br E-mail para Assinantes: circulacao@acsp.com.br Publicidade Legal: 3180-3175. Fax 3180-3123 E-mail: legaldc@dcomercio.com.br Publicidade Comercial: 3180-3197, 3180-3983, Fax 3180-3894 Central de Relacionamento e Assinaturas: 3180-3544, 3180-3176 Esta publicação é impressa em papel certificado FSC®, garantia de manejo florestal responsável, pela S.A. O Estado de S. Paulo.

REDAÇÃO, ADMINISTRAÇÃO E PUBLICIDADE Rua Boa Vista, 51, 6º andar CEP 01014-911, São Paulo PABX (011) 3180-3737 REDAÇÃO (011) 3180-3449 FAX (011) 3180-3046, (011) 3180-3983 HOME PAGE http://www.acsp.com.br E-MAIL acsp@acsp.com.br


sábado, domingo e segunda-feira, 1, 2 e 3 de junho de 2013

o

DIÁRIO DO COMÉRCIO

3

COM A PEC DAS DOMÉSTICAS, AGORA TEMOS TAMBÉM O ADVOGADO DE PORTA DE COZINHA.

pinião

CANGAÇO NO LEBLON C

omeço de tarde ameno, atmosfera quase modorrenta no boteco. Até o pessoal que se posta nas mesas de fora, para melhormente apreciar a graça e o encanto da aplaudida e famosa mulher leblonina – a qual, no dizer inspirado de Dick Primavera, é o sorriso de Deus e o único consolo neste vale de lágrimas – está meio devagar. O desfile parece um pouco fraco, tudo indicando que as moças e senhoras, em vez de ir à praia, preferiram dormir até tarde, para consternação geral. E, no setor de debates sobre a complexa realidade nacional, o ambiente carecia da presença sempre estimulante do comandante Borges, que não apareceu no último domingo, reunido alhures com sua turma da velha guarda, para juntos rememorarem os tempos gloriosos em que desbravavam os ares daqui e d’além-mar, em aviões de todos os tipos e tamanhos. Recordar é viver, devia estar tirando o atrasado e ia faltar novamente.

E

m razão dessa perspectiva, não foi sem algum alvoroço que o perceberam chegar, apear de sua admirada bicicleta elétrica de última geração e dirigir-se ao lugar de costume, sobraçando, com o semblante carrancudo, uma pasta cheia de papéis. Estabeleceu-se imediata curiosidade entre os presentes. O queixo empinado e o ar quase beligerante talvez significassem que aqueles papéis continham novos pormenores sobre o Plano Borges, que ele certamente ia expor e defender com o habitual vigor, como já fizera anteriormente. Mas não era nada disso, o que ele mesmo explicou, depois de notar que sua pasta havia chamado a atenção de todos. – Isto aqui – disse ele – é a papelada que eu estou juntando para meu contrato com a em-

JOÃO UBALDO RIBEIRO

pregada. Não vou deixar nenhuma brecha, comigo eles vão se dar mal, nenhum deles vai me tirar o couro – Eles quem, comandante? – Eles! Todo mundo conhece a figura do advogado de porta de xadrez, não conhece? Esse é manjado, se bem que quem ganha dinheiro mesmo hoje em dia é advogado de porta de ministério, mas aí já é para o alto coturno. Pois muito bem, agora temos o advogado de porta de cozinha! Já deve haver umas quinze a vinte quadrilhas desses pilantras pelo Brasil afora, é um grande negócio, porque todo mundo sabe que a Justiça do Trabalho nunca dá ganho de causa ao empregador. Já deve existir uma quadrilha no Leblon, que dá uma gruja aos porteiros dos edifícios, para saber

quem demitiu a empregada recentemente. Aí eles prometem muita grana à empregada que for na deles, desencavam tudo quanto é lei, regulamento e portaria e levam as calças do infeliz! Aqui pra eles! Comigo é tudo no papel e ainda vou montar uma central eletrônica para monitorar a empregada o dia todo! Eles não me pegam, chega de bandidagem! Voltem para a porta do xadrez, que lá não falta serviço, vão ad-vogar para os traficantes, vão advogar para os bicheiros, a ilegalidade do bicho está ai mesmo, para todos se servirem. – Não entendi bem. – Deixe de ser burro, todo mundo ganha com o jogo do bicho na ilegalidade, aqui é assim. Tem jogatina patrocinada em tudo quanto é canto, só

não pode o jogo do bicho. Está na cara por que não pode. Fica mais barato para o bicheiro, que não tem que pagar custos trabalhistas nem registrar ninguém e é uma boa fontezinha de renda para advogados, delegados, detetives, PMs e talvez mais outros. Todo mundo ganha, é por isso que o jogo do bicho é ilegal. – Quer dizer que você é a favor da legalização. – Eu sou. Mas não tanto para acabar essa mamata e, sim, para ajudar a amenizar outra mamata, o Bolsa Família. Eu não aguento ouvir falar no Bolsa Família! Eu fico à beira de uma síncope! A legalização do jogo do bicho ia contribuir bastante para desbastar o Bolsa Família. Era só botar gente atual-mente viciada em Bolsa Família para trabalhar ano-

tando bicho. Trabalho leve, na medida certa para o freguês do Bolsa Família, que não se dá bem pegando no pesado, que é que você me diz dessa ideia? Eu sei, você está discordando de mim. Falar em trabalho aqui no Brasil é uma falta grave! Vencer na vida é conseguir uma mamata! Emprego bom aqui é o de vigia, que recebe adicional de trabalho noturno e de periculosidade para dormir no emprego! Vida boa quem tem aqui é ladrão, bandido e cangaceiro! – Ladrão e bandido, certo, mas cangaceiro não tem mais. – Onde é que você mora? Eu sei, mora aqui mesmo no Rio. Mas não pense que, por morar no Rio, você está livre do cangaço, o cangaço agora é nacional, não é só no Nordeste, você

O QUE PEGA BEM A

PAULO SAAB influência ou comissão em indicação de cargos e obras públicas. Pega bem ser de origem humilde, ter militado nas lutas e conquistas sociais, ter renda de trabalhador e não de burguês – desde que em sua garagem haja um Land Rover ou algo semelhante.

P

ega bem também você ter apanhado da polícia em algum entrevero e passar por vítima da violência – em cidades onde o PT não esteja no poder e fazer declarações públicas pedindo justiça. Pega bem falar mal da polícia, seja ela civil, militar ou até de guarda municipal. Polícia não serve! Muito menos num campus de

universidade pública, mesmo que estadual, porque aí você não vai poder fazer o que quer, como quer, mesmo que seja ato infracional, irregularidade, crime, sem dar satisfações a ninguém. Pega bem ser a favor da natureza, mesmo que você desperdice luz, água, não cuide do cotidiano do planeta, mas se exalte em sua defesa em reuniões com afins. Pega bem defender os pobres, combater – na palavra – a miséria e criticar quem tem coragem de dizer que as autoridades perderam o controle sobre as pragas sociais. Pega bem defender a existência nas ruas de pessoas que vivem escravizadas pelo vício e pela miséria (que, pelo discurso oficial, não existe mais no Brasil). Pega bem se dizer de esquerda e ter emprego com salário e mordomias burguesas, desde que seu discurso o coloque como vítima do sistema – que o obriga a ser assim, quando você preferiria ser descolado, ter um trabalho manual e viver ao acaso,

JOÃO UBALDO RIBEIRO É CRONISTA, ROMANCISTA E PERTENCE À

ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS.

criticar tudo e todos, ainda que você seja favorável à mais absoluta censura. E, se possível, calar para sempre quem o critica, quem ousar expor de público suas mazelas , crimes e manobras escusas. Pega bem, ainda, em nome dos pobres, tornar-se rico. Atacar no discurso a pobreza, dizer combatê-la e rechear os bolsos de dinheiro público que serviria para tornar melhor a vida... dos pobres.

NOS DIAS DE HOJE lgumas coisas, no Brasil dominado, impregnado pela cultura do estilo petista de governar, podem pegar bem. Outras pegam mal. Pega bem, por exemplo, mesmo sem saber nada a respeito, autoproclamar-se de esquerda, demonstrando, mesmo que não seja verdadeira, profunda comoção com os problemas sociais do País. Pega bem mostrar-se desapegado de interesse a bens materiais – desde que, claro, tenha-se uma boa boquinha em algum cargo publico, mesmo que desqualificado tecnicamente para a função. Pega bem também você ser uma pessoa desapegada, a favor da melhor distribuição de renda, desde que, claro, não precise ralar e a renda distribuída venha para você. Da mesma maneira, pega bem ser uma pessoa de militância partidária, pregando o socialismo, ainda que venha para você o benefício do sistema na forma de recebimento de dinheiro público desviado por superfaturamento, pagamento de tráfico de

vai ver. E já viu na Paraíba, faz uma se-mana. Os cangaceiros entraram numa cidade e tomaram conta de tudo, pior que no tempo de Lampião, com tiroteio, roubos de bancos, invasão de prédios públicos e tudo mais a que o cangaço tem direito. Cangaço moderno, com ar-mas pesadas, carros poderosos, tudo coisa fina, ou melhor, coisa grossa. Daqui a pouco, entra definitivamente na moda, aqui essas coisas entram na moda. Nós somos muito adiantados e nossa legislação é ainda mais adiantada. – Isso é pessimismo em demasia, não é, não? – Pelo contrário, eu estou otimista! Eu acho que, quando o cangaço chegar aqui, não vai conseguir fechar o Leblon por mais que uns cinco dias, mesmo fazendo reféns. O Leblon, você sabe, é fácil de fechar, isto aqui é uma ilha. Eles fecham as saídas e… – Comandante, isso é delírio, não pode acontecer. – Claro que pode e só deixará de poder se chegar a guilhotina, que todo mundo sabe que é o melhor método porque não precisa de energia e os órgãos podem ser doados! Guilhotina! Robespierre! A cabeça deles!

P

vendendo seu artesanato e defendendo a justiça social.

P

ega bem combater a corrupção, a incompetência do gerenciamento público, a ausência de políticas públicas eficientes – desde que você seja oposição aos governos que não sejam do PT. Caso contrário, pega bem dizer que se não fossem os

governos de Lula e Dilma, o Brasil ainda estaria no período medieval, embora tenha sido descoberto no último ano do século 15. Pega bem aderir ao governo e fazer parte da base aliada, mesmo que tenha sido oposição a vida toda e não encontre justificativa plausível para explicar o que todos sabem sobre o atual. Pega bem

ega bem atacar, acusar, tentar denegrir, desconstruir, arrebentar, mesmo que você esteja errado – se, na fita, você aparecer como vítima. E pega bem falar que o País vai à mil maravilhas, quando a economia recua, a inflação cresce, a corrupção prospera e os valores morais e éticos tenham sido desestruturados para a sociedade se tornar refém dos poderosos. Isso desde que você, mentindo como Goebells (uma mentira dita mil vezes se torna verdade), seja reverenciado como figura popular, de prestígio, imbatível nas urnas. Pega bem meter os pés pelas mãos, distribuir renda via bolsas para seu eleitorado cativo, dependente, e acusar a oposição de situações decorrentes de sua má administração. Tudo que for contrário ao dito até aqui...pega mal! PAULO SAAB É JORNALISTA E ESCRITOR


DIÁRIO DO COMÉRCIO

4

)KDC7O

e senadores MAIS: os congressistas nunca suportaram o querem distancia de Ideli ministro Aloizio Mercadante Salvatti e Gleisi Hoffmann que agora - quem diria - e preferem negociar com o virou a salvação deles. novo homem forte de Dilma.

Deputados

gibaum@gibaum.com.br

2 “A senhora enlouqueceu? Está confundindo as coisas, não está entendendo a dimensão do que é o Legislativo.”

RENAN CALHEIROS // Fotos: Eduardo Rezende / Divulgação

Os mais chegados sabem que a presidente Dilma Rousseff tem problemas de insônia e que, de vez em quando, até gostaria de preparar, ela mesma, uma omelete de madrugada (não consegue porque o fogão é muito distante de sua suíte, no Palácio do Alvorada). Contudo, em emergências, faz telefonemas: no momento mais difícil da MP dos Portos, por exemplo, tirou o vice-presidente Michel Temer da cama às cinco horas da manhã, pedindo seu empenho para trazer o PMDB para o lado do governo. Temer usou todos os seu recursos e, no limite, a MP foi aprovada na Câmara. E o vice acabou ganhando outro telefonema de agradecimento: esse, às duas horas da madrugada.

DOSE TRIPLA

Ela foi Tessália em Avenida Brasil e agora, é Taís em Flor do Caribe: nas duas personagens, de maneira diferente, Débora Nascimento, 27 anos, 1m78 de altura, nascida em Suzano, cidade vizinha de São Paulo, exerce seu poder de sedução. E também na vida real, sabe como provocar suspiros ou até arrepios. Neste mês, aparece num ensaio em Vogue Brasil com o namorado José Loreto, os dois totalmente nus e é capa e recheio de Vip, onde dá a receita: “Na sedução, se você é criativa e sabe usar o corpo, porque se conhece bem e tem confiança, até a ponta do seu nariz fica sensual, até a orelha fica sensual”.

Sensual até na orelha

Se o futuro das ministras Ideli Salvatti e Gleisi Hoffman dependesse da base aliada, os congressistas adorariam ver as duas amarradas, caminhando na prancha e jogadas em alto mar. A crise entre Planalto e Congresso é por falta de articulação e, pior do que isso, por falta de talento das articuladoras que, na condição de dilmetes, querem usar o mesmo estilo ou é do meu jeito ou não quero, que bem caracteriza a postura da presidente Dilma Rousseff. As duas e, de quebra, também a ministra Miriam Belchior, do Planejamento, sentem-se quase no direito de bater na mesa, como faz, habitualmente, a chefe. Dilma, do seu lado, como sempre sai vitoriosa, tem uma visão distorcida: acha que não existe problema. Esta semana, veteranos profissionais do Legislativo evidenciarão a gravidade da situação, a caminho da rebelião.

Dilmetes na prancha

A HBO está anunciando a estréia próxima de nova série brasileira, produzida pela Mixer, recheada de sexo: chama-se O Negócio e conta a história de três jovens mulheres que decidem abraçar a carreira de garota de programa, usando de marketing que aprenderam em empresas. Vem na onda do filme Bruna Surfistinha e da série Oscar Freire 279, exibida pela Multishow, recheada de cenas calientes e pegação pura entre duas mulheres. O Negócio promete ser outra festa do gênero, com Juliana Schalch, Rafaela Mandeli e Michele Batista.

Quando o ex-presidente Lula resolveu antecipar a campanha de reeleição de Dilma Rousseff estava movido por alguns fatores: de um lado, queria interromper a pregação do Volta, Lula; de outro, pretendia criar fato novo que relegasse a segundo plano, investigações sobre sua suposta participação no mensalão, depois das denúncias de Marco Valério; e, num terceiro flanco, queria começar a ajeitar novos acordos (incluindo ministérios), depois da faxina de Dilma. Agora, acha que cometeu um erro porque a antecipação fora de hora, trouxe à tona problemas da Chefe do Governo com partidos. Alguns dá para contornar; outros, podem provocar seqüelas.

FIM DE LINHA

A atriz Sharon Stone, que circulou no Festival de Cannes (e foi a todas as festas paralelas) sempre com um modelo Roberto Cavalli diferente a cada dia, avisou aos amigos que seu romance com o argentino Martin Mica, modelo que conheceu em São Paulo e que mora em Camboriú, em Santa Catarina, está afundando. Na mesma época, ele estava em Nova York trabalhando.

PESO DA FÉ Religiosos com obesidade mórbida não ficarão em pé na missa que o Papa Francisco realizará em Guaratiba, na Jornada Mundial da Juventude. Serão reservadas para eles 50 cadeiras reforçadas e mais largas, que ficarão perto do super-palco usado pelo Pontífice. A grande área também terá espaço para 1.140 cadeirantes e seus acompanhantes.

MISTURA FINA NÃO há nada que irrite mais a cantora Cláudia Leitte do que ser chamada de genérica de Ivete Sangalo. E nesses dias em que suspendeu credenciamento a jornalistas para seu show no Espaço das Américas, em São Paulo, devido a notas publicadas sobre suposta dívida sua de R$ 497 mil na praça, os responsáveis por blogs voltaram à carga com o rótulo que Cláudia tanto detesta.

A HUMORISTA Tatá Werneck, a periguete da novela Amor à Vida, uma das apostas de Walcyr Carrasco, está acumulando marcas em todo o corpo por conta das cenas de seu personagem. Numa delas, que gravou com o lutador Vitor Belfort, Tatá foi agarrada por seguranças e acabou se machucando para valer.

Pintada na pele

Junto à nova edição de Vip , está circulando um suplemente especial sobre a Copa 2014, onde Luis Felipe Scolari, Ivete Sangalo, Osmar Santos, Tony Ramos, Sabrina Sato, João Carlos Martins e outros famosos explicam o futebol e o campeonato mundial. Surpresa mesmo é a capa, onde Adriane Galisteu (à esquerda, com o cabeleireiro Marco Antonio Biaggi, que contribuiu na produção) aparece com a camisa da seleção – pintada diretamente no corpo, até o amassadinho, um trabalho de algumas horas. Aviso aos admiradores: ela é palmeirense.

COM A indicação de Luis Roberto Barroso para o Supremo, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro, cujo curso de Direito é considerado um dos melhores do país, passará a contar com três de seus docentes na Alta Corte. Os demais são Joaquim Barbosa e Luiz Fux.

O MARQUETEIRO João Santana resolveu fazer uma pesquisa qualitativa diferente: nela, perguntava aos entrevistados sobre a vida de dez pessoas mais próximas deles, querendo saber se a vida delas havia melhorado ou piorado nos últimos dez anos. Resultado: em cada dez, oito garantiam que suas vidas haviam melhorado muito no governo petista.

Curriculo Antonia Fontenelle, 40 anos, viúva de Marcos Paulo e que estava no elenco de Balacobaco (Record), pode ser a atração de Playboy do mês que vem. Há dois anos, já havia sido sondada. Se topar, não será por problemas de dinheiro: ela ganhou uma boa fatia da herança dele, estimada em R$ 30 milhões. Antonia já protagonizou ensaio sensual no Paparazzo e, há dois anos, aparecia nua na peça Subindo pelas Paredes que, numa segunda temporada, tinha direção do próprio Marcos Paulo.

/

Na frente dos bois

Enquanto o espanhol Marca garante que a contratação de Neymar é segunda mais cara da história do Barcelona, atingindo o valor de R$ 143,5 milhões (ele receberia de salário o equivalente a R$ 18,5 milhões por ano, fora publicidade), jornais e sites europeus estampam fotos e mais fotos de Bruna Marquezine, a maioria de biquíni, sob o rótulo de “namorada sensual” do jogador, sem se importar muito com sua carreira. É como associar a imagem de Irina Shayk ao craque Cristiano Ronaldo. Bruna tem 17 anos, foi a Lurdinha de Salve Jorge e está escalada para a próxima novela da Globo das 21 horas.

presidente do Senado, a ministra Gleisi Hoffmann, antes de bater o telefone.

De madrugada

Namorada sensual

/ IN

OUT

Sanduíches clássicos.

Mega-sanduíches.

Convocado Quem pediu a separação do marido Roberto Justus, foi mesmo Ticiane Pinheiro e o motivo, só as amigas mais chegadas – e sua mãe, Helô Pinheiro – conhecem e manterão discrição. É o quarto casamento de Justus que chega ao fim: anteriormente, esteve casado com Sasha Chryzman, Gisela Prochaska e Adriane Galisteu. Depois, namorou Eliana, Daniela Barros e Guilenia Bogosian. As colunas de potins acham que ele logo convocará seu amigo Otávio Mesquita, que lhe apresentou namoradas e poderá repetir a dose, bem como apostam que Ticiane logo poderá aparecer com novo affair.

JORNALISTA da Globo, Edney Silvestre lança, no segundo semestre, seu terceiro romance, Vidas Provisórias , sobre dois jovens imigrantes brasileiros na Europa e nos Estados Unidos. E vai compartilhar personagens com Se eu fechar os olhos, publicado em 2009 e vencedor do Prêmio Jabuti em 2010. O novo livro será lançado durante o evento Paulicéia Literária, em São Paulo.

Colaboração:

Paula Rodrigues / Alexandre Favero

sábado, domingo e segunda-feira, 1, 2 e 3 de junho de 2013


p

DIÁRIO DO COMÉRCIO

sábado, domingo e segunda-feira, 1, 2 e 3 de junho de 2013

5

olítica

Joel Rodrigues/Estadão Conteúdo

Dida Sampaio/Estadão Conteúdo-16/05/2013

'É preciso mudar o rito' Nenhuma, nenhuma, nenhuma! Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, ao dizer que não votaria a medida provisória da redução da tarifa de energia ou qualquer outra.

Eu fiz a minha parte. Henrique Eduardo Alves (PMDB-AL), presidente da Câmara, ao ver aprovada a MP da luz.

O

presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves ( P M D B - R N ) , a f i rmou que vai agilizar o andamento das propostas que modificam o rito de tramitação das medidas provisórias. A declaração se deve ao impasse com a votação das MPs 605 e 601, aprovadas pela Câmara e que não foram votadas pelo Senado devido ao curto prazo para análise das matérias pelos senadores "Vou mandar agilizar, e vamos examinar com muita cautela, responsabilidade. É preciso mudar o rito", disse Alves. Apesar de reclamar da demora da tramitação das MPs nas comissões especiais, ele ressaltou que é preciso mudar o rito para não criar novos constrangimentos entre deputados e senadores.

Graças a Deus nem todo mundo pensa como eu. Por isso que a vida é plural, diversificada e melhor. Luís Roberto Barroso, indicado pela presidente Dilma Rousseff para o Supremo Tribunal Federal.

Adilson Nunes/Estadão Conteúdo

O colega ou a colega que vier a ser escolhido dará continuidade sem diferença no trabalho. Roberto Gurgel, procurador-geral da República, dizendo que sua saída nada mudará em relação ao Mensalão.

Só estou dizendo que eu continuo na vida política. Deputado Tiririca (PR-SP) ao anunciar que não trocará a política pela tevê – como afirmara anteriormente.

Alan Marques/Folhapress

Queremos que a Dilma venha falar conosco. Nota dos índios munduruku que ocuparam obras da usina de Belo Monte (PA).

80 a 513 "Não é questão do Senado. A Câmara também está reclamando muito que as comissões mistas estão mandando (as MPs) com prazo exíguo: cinco dias, seis dias. No Senado, são 80 senadores e, na Câmara, 513 deputados. Isso demanda discussão mais exaustiva, mais longa. Já estou mandando avaliar as propostas, há duas ou três mudando o rito das medidas provisórias. Temos logo que examinar esses projetos para dar mais conforto no exame das MPs", acrescentou Alves. Uma das propostas paradas na Câmara é a PEC das MPs, do senador José Sarney (PMDBAP). Aprovada por unanimidade no Senado em agosto de 2011, a proposta muda o rito de tramitação das medidas provisórias e determina pra-

zos de andamento das MPs nas duas Casas. Desde outubro de 2011, a PEC está parada na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara, onde o deputado Ricardo Berzoini (PTSP) foi designado relator. A PEC, entre outros pontos, estabelece que as medidas provisórias perderão eficácia se não forem aprovadas pela Câmara em até 80 dias. Caso sejam votadas e aprovadas dentro desse prazo, o Senado terá 30 dias para fazer o mesmo, sob risco de a medida também perder a validade. Caso os senadores façam alguma alteração no texto enviado pela Câmara, os deputados terão mais dez dias para analisar as mudanças. Atualmente, as MPs têm de ser apreciadas pelo Congresso em até 120 dias, sob pena

de perderem a eficácia. Mas a lei não estabelece prazos para cada Casa Legislativa analisar as matérias. A única definição é que, em 45 dias, as medidas passam a trancar a pauta de votações da Casa onde estiverem tramitando. Outra alteração diz respeito à análise dos critérios de admissibilidade da medida provisória. Hoje, é o plenário que determina se a medida atende aos pressupostos de urgência e relevância, previstos na Constituição. Pela proposta, a CCJ dará o parecer. Se a proposta for aprovada pela CCJ da Câmara, será encaminha a uma comissão especial que dará parecer sobre o mérito. Só depois, a PEC será votada no plenário da Câmara e, se receber alterações, voltará ao Senado. (Folhapress)

Governador de SE deixa a UTI do Sírio-Libanês

O

governador de Sergipe, Marcelo Déda (PT), deixou na tarde de ontem a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Sírio-Libanês e foi transferido para o quarto. A informação foi divulgada pela primeira-dama Eliane Aquino no Twitter: "Marcelo Déda já SAIU da UTI e está no Apt assistindo ao jogo de futebol. Muito obrigada meu DEUS!!". Déda luta contra um câncer gastrointestinal. Deu entrada no Hospital Sírio-Libanês na última segunda-feira, para tratar uma neoplasia gastrointestinal, com quadro de dificuldade alimentar.

Marri Nogueira/Folhapress - 18/08/2010

Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

Estou muito feliz com o ingresso do PRB no governo. Governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) ao empossar o empresário Rogério Hamam (PRB) na Secretaria de Desenvolvimento Social – e assim afastar o ex-deputado Celso Russomanno da corrida ao Bandeirantes.

Segundo o boletim médico de sábado, o quadro estava sendo corrigido com medidas de suplementação nutricional desde a internação. "Na noite de 31 de maio, o paciente apresentou quadro febril, sendo transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para tratamento específico, com estabilização do quadro clínico", detalhava o boletim, acrescentando que Déda estava "consciente, orientado e respirando sem ajuda de aparelhos." Ele é atendido pelas equipes dos médicos Paulo Hoff e Roberto Kalil Filho.

Que peça desculpas pelas acusações injustas e por aqueles que sofreram 'ato desumano'. Senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB e précandidato à Presidência, criticando a Caixa pelo boato do Bolsa Família e a presidente Dilma.

MILITARES EM MARCHA

A

Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

Quando alguém não pensa exatamente como nós, não significa que sejamos inimigos. Antes de tudo, somos filhos do mesmo Deus. Marco Feliciano (PSC-SP), pastor e deputado, ao aceitar convite para a 21ª edição do festival de cinema Mix Brasil, cujo foco é a diversidade sexual.

Ó RBITA

Associação Nacional dos Militares do Brasil, criada há dois anos por militares da ativa e da reserva, marcou para 11 de junho um protesto em Brasília contra o que chama de "desmoralização" das Forças Armadas no país. O objetivo principal é reivindicar reajuste salarial de 28,86% e a

aprovação da PEC 300, que iguala o piso salarial dos estaduais do País. "Como nada foi resolvido sobre o reajuste, decidimos tomar uma posição mais drástica. Pelas vias da conversa o governo não está nos ouvindo", afirma o presidente da associação, Marcelo Machado.

Billy Mao/Folhapress

Marcos Bezerra/Estadão Conteúdo

Não é momento para Pateta ou Mickey. Carlos Sampaio (PSDB-SP), líder do partido na Câmara, dizendo que a ministra Tereza Campelo (Desenvolvimento Social), em férias na Disney, deveria antecipar sua volta.

GIGLIO BATE CARRO. MULHER MORRE.

O

deputado estadual e exprefeito de Osasco Celso Giglio (PSDB) sofreu acidente de carro na rodovia Castello Branco, em Tatuí (141 km de São Paulo), ontem. Segundo a Polícia Rodoviária, o Toyota Hilux capotou na altura do km

163, sob chuva forte, às 10h30. A mulher do deputado, Glória Maria Garcia Giglio, 62, foi socorrida mas não resistiu `à hemorragia interna e morreu às 14h30. Giglio – com lesão em uma vértebra – foi levado para o hospital Albert Einstein.

MST NA CUTRALE – 300 integrantes do Movimento Sem Terra ocuparam a Fazenda Santo Henrique, em Borebi (SP), da Cutrale. O local já foi invadido outras vezes: 2009 e 2011. Na 1ª , foram derrubados milhares de pés de laranja com trator. Agora, a situação é pacífica.


p Convocação para o clássico eleitoral DIÁRIO DO COMÉRCIO

6

sábado, domingo e segunda-feira, 1, 2 e 3 de junho de 2013

olítica

O calendário e as regras das eleições de 2014. Estão em jogo a Presidência, 27 Estados, 27 assentos no Senado, 513 na Câmara federal e 1.049 nas estaduais. Mário Tonocchi

O

primeiro turno das eleições de 2014 acontece no dia 5 de outubro. A data foi definida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TST) por meio de uma resolução que estabelece todas as ordens cronológicas da disputa do ano que vem. Se os candidatos a presidente e governador não alcançarem a maioria absoluta dos votos na primeira eleição, haverá segundo turno em 26 de outubro. As duas datas caem em domingos. Além do novo presidente da República, serão escolhidos 27 governadores, 513 deputados federais, 1.049 deputados estaduais e 27 senadores para a renovação de um terço do Senado. E está lá no calendário: todos os partidos que pretendam ter candidatos nas eleições de 2014 devem registrar os seus estatutos no Tribunal Superior Eleitoral até 5 de outubro. Na mesma data, os candidatos já devem ter registrado seus domicílios eleitorais e ter suas candidaturas reconhecidas pelos respectivos partidos. A partir de 1º de janeiro de 2014, as entidades ou empresas que realizarem pesquisas de opinião pública relativas às eleições ou aos possíveis candidatos, para conhecimento público, ficam obrigadas a registrar, no tribunal, as informações previstas em lei e em instruções expedidas pelo Tribunal Superior Eleitoral. Também a partir do primeiro dia do ao que vem, "fica proibida a distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios por parte da Administração Pública, exceto nos casos de calamidade pública, de estado de emergência ou de programas sociais autoriza-

dos em lei e já em execução orçamentária no exercício anterior, casos em que o Ministério Público Eleitoral poderá promover o acompanhamento de sua execução finan-

ceira e administrativa", como observa a legislação. As convenções dos partidos para determinar as coligações a escolherem seus candidatos estão liberadas a partir do dia

O maior Estado: 'desclassificado'.

A

parentemente fora da disputa eleitoral, o tucano José Serra, preterido no PSDB pela candidatura do mineiro Aécio Neves, pode ser o fiel da balança na disputa do Executivo de 2014. Deixado de escanteio para a eleição do ano que vem, o Estado de São Paulo será o foco principal dos candidatos à

Presidência da República. São 31 milhões de eleitores, o maior colégio eleitoral, na mira de Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (sem partido), Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB). De acordo com estimativas de analistas eleitorais, todo o Nordeste, com seus 36 milhões de votos no total, deve

se dividir entre Dilma e Eduardo Campos. Cerca de 10,5 milhões dos 11 milhões de votos que Dilma teve de vantagem sobre Serra em 2010 vieram do Nordeste, onde Campos tem grande atuação. Aécio Neves deve distribuir seus votos principalmente entre Minas Gerais, sua terra natal, e o Rio de Janeiro. Nos dois Estados estão contabilizados 25 milhões de votos. Dilma tenta entrar em São Paulo ao lado do ex-prefeito Gilberto Kassab enquanto Aécio tenta conquistar o apoio de Serra para arregimentar o maior número de votos possíveis em São Paulo. Para isso, a aproximação do senador mineiro com o governador Geraldo Alckmin é imprescindível . (MT)

10 de junho. As escolhas devem ser feitas até o dia 30 de junho. Também a partir deste dia fica vedado às emissoras de rádio e de televisão transmitir programa apresentado

ou comentado por candidato escolhido em convenção. Os candidatos devem ser registrados até o dia 5 de julho. A propaganda eleitoral começa no dia 19 de agosto. Nenhum candidato será detido ou preso a não ser em flagrante a partir de 20 de setembro. Votos – Para o eleitor, 15 de julho inicia o período para requerer o voto em trânsito para presidente e vice-presidente. Já o dia 5 de setembro é o último para entrega dos títulos eleitorais resultantes dos pedidos de inscrição ou de transferência. Dia 25 de setembro é o último dia para o eleitor requerer a segunda via do título eleitoral dentro do seu domicílio eleitoral. A entrega da segunda via vai até o dia 4 de outubro, exatamente um dia antes da eleição. Contas – De 28 de julho a 2 de agosto, os partidos políticos, os comitês financeiros e os candidatos devem enviar à Justiça Eleitoral o primeiro relatório discriminado dos recursos em dinheiro ou estimáveis em dinheiro que tenham recebido para financiamento da campanha eleitoral e dos gastos que tiverem realizado. Em 6 de agosto, a Justiça Eleitoral divulgará o primeiro relatório na internet. De 28 de agosto a 2 de setembro os partidos políticos, os comitês financeiros e os candidatos têm de enviar o segundo relatório, que será disponibilizado pela Justiça Eleitoral em 6 de setembro. Até 4 de novembro, os candidatos – inclusive a vice e os suplentes– os comitês financeiros e os partidos políticos têm de encaminhar à Justiça Eleitoral as prestações de contas referentes ao primeiro turno. A exceção é para os candidatos que concorreram no segundo turno das eleições. Estes devem prestar contas até 25 de novembro.

O tapetão já está agitado

A

disputa eleitoral nem bem começou oficialmente e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já recebe as primeiras denúncias. O Ministério Público Eleitoral já entrou com representação contra o PT e a presidente Dilma Rousseff por propaganda eleitoral antecipada. De acordo com o MP, o partido e a presidente "desvirtuaram a propaganda partidária para realizar propaganda eleitoral antecipada em benefício da notória pré-candidata à reeleição". O programa partidário é previsto na Lei dos Partidos Políticos (Lei nº 9.096/95), que garante às legendas acesso gratuito ao rádio e à tevê. De acordo com a representação, "não cabe, em espaço gratuito dessa natureza, a divulgação de propaganda eleitoral de candidato a cargo eletivo, nem sua utilização para exclusiva promoção pessoal de filiado, não por acaso presidente da República e notório candidato à reeleição". A solicitação está com a ministra Laurita Vaz. A mesma ministra determinou ao PSDB, em resposta de uma ação do PT, a suspensão imediata de propaganda do partido em que o senador Aécio Neves fala na primeira pessoa, com ênfase em sua atuação política. O PT acusa os tucanos de desvirtuarem a sua inserção partidária para fazer "flagrante propaganda eleitoral antecipada" de eventual candidatura de Aécio Neves à presidente da República em 2014. (MT)

São Paulo na pré-temporada

O

s partidos políticos de São Paulo estão na fase de articulações para apresentar seus candidatos. A evidência mais forte disso foi o abandono da corrida eleitoral pelo cargo de governador do ex-candidato a prefeito de São Paulo em 2010 com 1,3 milhão de votos, Celso Russomanno. Ele abriu mão de concorrer no momento em que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) entregou ao PRB, partido de Russomanno, um cargo no primeiro escalão da administração estadual – o empresário Rogério Haman assumiu a Secretaria de

Desenvolvimento Social do Estado. A manobra de Alckmin fortalece sua candidatura à reeleição no ano que vem. O PT sonha com o governo de São Paulo há décadas. Para esta disputa dois nomes estão entre os mais cotados: Aloizio Mercadante, ministro da Educação; e Alexandre Padilha, ministro da Saúde. Mercadante perdeu duas vezes para o PSDB a vaga de governador, em 2006, contra José Serra, e em 2010, contra o próprio Alckmin. Dentro do partido há, inclusive, quem defenda que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja o

candidato do PT. Também devem entrar na disputa eleitoral paulista no ano que vem o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab. Ele já demonstrou a vontade de concorrer, mas tem de lutar contra duas circunstâncias desfavoráveis: a má avaliação popular que teve ao deixar a Prefeitura e o pequeno conhecimento que tem entre os eleitores do interior do Estado. Gabriel Chalita (PMDB) é mais conhecido, mas não vive uma boa fase política nos últimos meses. Denúncias de corrupção tiraram sua chance de ser ministro de Dilma Rousseff e o enfraqueceram politicamente. (MT)


p O Paraguai melhorou. Alguém sentiu? DIÁRIO DO COMÉRCIO

sábado, domingo e segunda-feira, 1, 2 e 3 de junho de 2013

7

Quero saber para onde vai esse crescimento. Cecilia Aguirre, paraguaia.

olítica

Pescador arrisca a sorte em águas poluídas, nos arredores de Assunção.

Tomas Munita/The New York Times

Simon Romero The New York Times

A

ssunção, Paraguai – Basta entrar na sede do banco central do Paraguai, um enorme edifício de sete andares rodeado de paineiras em flor, e o recado fica claro: as autoridades mostram com orgulho as tabelas que comprovam o crescimento econômico estonteante do país, que poderá chegar a 13% este ano, fazendo do Paraguai um dos países que crescem mais rapidamente nas Américas. Contudo, a poucos minutos de

carro dali em uma recente manhã, avós caminhavam em meio ao esgoto a céu aberto pela favela labiríntica de La Chacarita, em busca de fios de cobre e latas de alumínio para vender ao ferro velho. "Quero saber para onde vai esse crescimento", afirmou Cecilia Aguirre, de 60 anos, mostrando uma sacola plástica com os produtos do dia, avaliados em US$ 4. Ela trabalha todos os dias para alimentar os quatro netos que vivem com ela. Ao ser questionada sobre a boa fase da economia paraguaia, acrescentou: "Nunca ouvi falar disso na vida". Na verdade, impulsionado

por safras recorde de commodities como soja e milho, o crescimento da economia paraguaia só existe em bolsões. Em algumas áreas de Assunção, concessionárias vendem Porsches e Audis, enquanto guindastes colocam os toques finais em prédios de luxo como o Icono, um arranha-céu de 37 andares com lofts. Ainda assim, boa parte do país – que há muito tempo figura entre os mais pobres e desiguais da América do Sul – foi deixada para trás. Mais de 30% da população são pobres, de acordo com o banco central, e o Paraguai está entre os países sul-americanos que menos reduziram a pobreza

Tomas Munita/The New York Times

O

Luxuoso salão de beleza em área sofisticada da capital paraguaia: terra de contrastes.

Tímidos programas sociais e números duvidosos

novo presidente do Par a g u a i é u m d o s h omens mais ricos do país, o magnata do tabaco Horacio Cartes, eleito em abril após promover políticas conservadoras, voltadas para os negócios, durante sua campanha. Ele reconheceu que a pobreza é um problema, mas foi vago quanto às formas de resolvê-la, além de tentar criar mais empregos por meio do investimento privado. Os economistas do governo continuam firmes em relação ao crescimento, argumentando que o Paraguai está se levantando após décadas de ostracismo na economia global – depois de ser devastado pela guerra que dizimou a maior parte de sua população masculina no século XIX e que continuou causando estragos durante o século XX em função do governo do general Alfredo Stroessner, um dos ditadores mais longevos do mundo. Em janeiro, o Paraguai vendeu US$ 500 milhões em títulos da dívida pública nos mercados internacionais, uma fonte rara de financiamento em um país ignorado pela maior parte dos banqueiros

estrangeiros durante décadas. Os níveis de inflação e desemprego continuam baixos, totalizando menos de dois e seis por cento, respectivamente, e o índice geral de pobreza caiu de 44% em 2003 para 32% em 2011, afirmou Roland Horst, membro da diretoria do banco central. "Temos problemas esporádicos com agricultores", afirmou Horst em uma entrevista. "Mas há menos tensão do que há 10 anos." Ele disse que o governo tentou reduzir a pobreza, destacando que um programa que fornece pequenas bolsas para famílias em extrema pobreza foi iniciado em 2005 e atualmente inclui mais de 75.000 famílias. Contudo, outros economistas duvidam dessas afirmações positivas, uma vez que a economia continua sendo suj e i t a a g r a n d e s d e s e q u i l íbrios, crescendo neste ano graças a um clima favorável para determinados tipos de lavoura, após uma pequena queda em 2012, quando o país enfrentou uma seca. Eles também afirmam que os programas de bem estar social paraguaios são pequenos demais se comparados

aos programas de combate à pobreza de países vizinhos, que retiraram dezenas de milhões de pessoas de situações desumanas de vida. Eles culpam a fraqueza relativa do Estado paraguaio, com uma arrecadação de impostos que corresponde a apenas 18% do PIB, um número menor que o de países africanos como o Congo e o Chade. "As estatísticas que mostram níveis de desemprego historicamente baixos são uma farsa", afirmou Luis Rojas Villagra, economista da Universidade Nacional, que estima que quase metade da mão de obra paraguaia esteja desempregada ou subempregada, com salários e condições de trabalho degradantes. "Como é possível reconciliar o fato de que centenas de pessoas sobrevivem todos os dias com o que recolhem no depósito de lixo de Assunção, enquanto os paraguaios são os turistas que mais gastam em Punta del Este?", afirmou Rojas Villagra, referindo-se à cidade uruguaia onde muitos paraguaios ricos passam férias ao lado de argentinos e brasileiros endinheirados. (Simon Romero, NYT)

na última década, de acordo com as Nações Unidas. O gasto social com projetos de combate à pobreza é mínimo, em grande parte por conta da baixa arrecadação de impostos. O Paraguai não cobrava imposto de renda até este ano e, muito embora a nova alíquota seja baixa – 10% da renda bruta –, poucas pessoas serão obrigadas a pagá-la, já que existem milhares de isenções e lacunas na lei. Resultado: o crescimento econômico está acentuando a enorme desigualdade social. "Quase todo o crescimento é gerado por uma agricultura altamente mecanizada, que cria poucos empregos para a

população", afirmou Andrew Nickson, especialista na política de desenvolvimento do Paraguai na Universidade de Birmingham, na Inglaterra. "Com um governo que se financia em grande parte por impostos sobre valor agregado e impostos de importação, a situação é parecida com a de um país africano de baixa renda." 77% DAS TERRAS NAS MÃOS DE 1% DA POPULAÇÃO Com o mesmo tamanho da Califórnia, o Paraguai não tem acesso ao mar. Com uma população de 6,5 milhões , cerca de 77% das terras aráveis estão sob o controle de 1% da população. Ativistas afirmam

que grandes propriedades foram distribuídas ilegalmente por autoridades corruptas. Em um confronto especialmente sangrento ocorrido em junho, 11 agricultores e seis policiais foram mortos em Curuguaty, Estado produtor de soja. Os legisladores viram o episódio como uma boa oportunidade para tirar do poder o ex-padre católico Fernando Lugo, que foi eleito presidente em 2008 e pôs fim a seis décadas de domínio unipartidário. No início, esperava-se que Lugo concentrasse forças para diminuir a desigualdade no país, mas o presidente encontrou diversos obstáculos ao longo do caminho.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

8

sábado, domingo e segunda-feira, 1, 2 e 3 de junho de 2013

s o t u Os fr ta l o v e da r a i u q r u T a n

nternacional Umit Bektas/Reuters

1.700 presos em 67 cidades

Muzaffar Salman/Reuters

Rebeldes sírios enfrentaram homens armados da milícia Hezbollah no Líbano, ontem, de acordo com autoridades do país. Foi o pior confronto em território libanês entre os dois lados desde a eclosão do conflito na Síria, há mais de dois anos. O combate, ao leste da cidade de Baalbek, no Vale do Bekaa, deixou ao menos 15 rebeldes mortos, informaram as autoridades locais. Algumas fontes disseram que os rebeldes podem ter sido vítimas de uma emboscada quando preparavam foguetes para serem lançados em solo libanês. Um combatente do Hezbollah também teria morrido no confronto. A guerra civil da Síria está cada vez mais se espalhando para o vizinho Líbano, gerando confrontos na cidade de Trípoli, ao mesmo tempo que foguetes alcançam o Vale do Bekaa e a capital Beirute. Combatentes do Hezbollah lutam ao lado das forças do presidente sírio, Bashar al-Assad, contra os rebeldes que pretendem derrubá-lo. O envolvimento do Hezbollah aumentou acentuadamente em abril, quando os militantes do grupo e as forças do governo sírio deram início a uma grande ofensiva para recapturar a cidade fronteiriça síria de Qusair, há três semanas. Os rebeldes sírios têm dito que farão ataques no Líbano como resposta ao apoio do Hezbollah ao ataque de Assad em Qusair, ponto estratégico dos rebeldes para o fornecimento de armas e para receber combatentes vindos do Líbano. Países do Golfo Árabe advertiram que irão avaliar medidas contra o Hezbollah se o movimento xiita prosseguir com seu envolvimento na Síria, afirmou o vice-ministro de Relações Exteriores do Bahrein, Ghanem alBuainain, ontem. O vice-ministro disse que o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) vê o envolvimento do Hezbollah como uma "intervenção sectária". "O (CCG) condenou a inter-

George Ourfalian/Reuters

O pesadelo do Líbano

venção descarada na Síria... e decidiu que vai considerar tomar ações contra quaisquer interesses do Hezbollah nos países do CCG", disse ele, após reunião do CCG, de maioria sunita, que também inclui a Arábia Saudita, Kuwait, Catar, Emirados Árabes Unidos e Omã. Cidade sitiada - Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), há mais de 1.500 pessoas feridas em Qusair, sem poder sair do lugar, e alertou que os dois lados do conflito serão considerados responsáveis pelo sofrimento de civis (a situação da população também é dramática na cidade de Alepo, no norte do país, onde tropas do regime travam intensos conflitos com os rebeldes, fotos). No entanto, o chanceler da Síria, Walid Muallem, afirmou que Damasco não permitirá a chegada de ajuda humanitária à cidade sitiada até que finalizem os combates. (Agências)

CAÇA AO

TESOURO

O ex-ditador Muamar Kadafi escondeu US$ 1 bilhão em dinheiro,

ouro e diamantes na África do Sul. Agora, o governo líbio quer a fortuna de volta. Esta fortuna seria apenas uma parte dos mais de US$ 80 bilhões que o ditador deposto e assassinado pela revolução na Líbia possuía fora do país. A investigação, que começou em novembro de 2012, procura dinheiro da família de Kadafi também em outros países vizinhos da África do Sul. Durante 42 anos no poder, Kadafi manteve, à margem das contas oficiais, uma contabilidade paralela, que se nutria de dinheiro proveniente do petróleo e de outras fontes. Seu regime caiu em agosto de 2011, após sete meses de combates com grupos rebeldes. Kadafi morreu em estranhas circunstâncias em outubro de 2011, vítima de um disparo na cabeça após ser detido por forças rebeldes em seu reduto de Sirte, no norte do país. (EFE) EFE - 06/10/09

A Líbia suspeita que a família do ex-ditador Muamar Kadafi mantém escondidos US$ 1 bilhão da fortuna pessoal do antigo líder em bancos da África do Sul, informou ontem o jornal sul-africano Sunday Times. Segundo o jornal, que cita Mac Maharaj, porta-voz do presidente sul-africano Jacob Zuma, este último já "foi contatado" por representantes líbios, que tentam localizar e repatriar um capital que considera propriedade legítima do povo da Líbia. Os investigadores líbios acreditam que a fortuna que a família de Kadafi tem na África do Sul está dividida em dinheiro, ouro e diamantes e está guardada em quatro bancos e duas companhias de segurança do país.

O que começou como uma manifestação pacífica contra a derrubada de um punhado de árvores na emblemática praça Taksim, em Istambul, logo se transformou em uma onda de protestos contra o autoritarismo do governo do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan. A revolta se espalhou para 67 cidades ao redor da Turquia, resultando em confrontos com a polícia. Mais de mil pessoas ficaram feridas e outras duas morreram desde o início dos protestos, há quatro dias, segundo a Anistia Internacional. O Ministério do Interior turco informou que 235 protestos foram registrados em todo o país e mais de 1.700 pessoas foram presas. No entanto, a maioria dos manifestantes foi libertada após ser interrogada. As manifestações começaram quando árvores foram cortadas na praça Taksim, como parte do plano do governo de construir uma nova mesquita e um shopping center. No fim da semana, contudo, elas se converteram em um protesto crítico contra Erdogan, no poder desde 2003 e acusado de autoritarismo. O uso excessivo da força pela polícia na repressão ao movimento aumentou a insatisfação dos críticos à sua gestão. Pelo menos 10 mil pessoas ocuparam a praça Taksim, ontem, pedindo a renúncia do governo. O clima foi mais festivo, após dias de violentos confrontos com a polícia. O prefeito de Istambul, Kadir Topbas, disse no fim de semana temer que os episódios de violência prejudiquem a candidatura da cidade para sediar os Jogos Olímpicos de 2020. Para Topbas, a retirada das forças policiais foi "tardia demais". A capital da Turquia, Ancara, contudo, continuou a registrar enfrentamentos (foto maior, no alto). Houve uso de bombas de gás lacrimogêneo para impedir uma marcha até o gabinete de Erdogan e canhões de água tentavam dispersar o protesto. Chamando os manifestantes de "saqueadores", Erdogan afirmou que ele seguiria com as obras e apontou o Partido Popular Republicano – criado em 1924 por Mustafa Kemal Ataturk, que fundou o Estado secular moderno turco – como responsável pelos protestos. "Essa reação não é mais contra o corte de doze árvores. Isso é baseado em ideologia", afirmou o premiê, cuja visão conservadora irrita muitos turcos liberais. "Se eles chamam alguém que serve ao povo de 'ditador', não tenho nada para dizer. Minha única preocupação tem sido servir meu país." Desde a posse de Erdogan, do Partido da Justiça e Desenvolvimento, a Turquia apresentou crescimento econômico e foi elogiada no cenário internacional por conciliar o islamismo com um regime democrático secular. Recentes medidas de seu governo, porém, põem em dúvida a garantia de um regime laico. O governo recentemente aprovou legislação limitando a venda de álcool no país e pretende proibir a realização de abortos. Síria - Os protestos contra Erdogan provocaram a alegria mal disfarçada de Damasco, que acusa o premiê de fomentar o conflito na Síria. Desvastada pela guerra, a Síria aconselhou seus cidadãos a não viajarem à Turquia "por motivos de segurança". (Agências)


DIÁRIO DO COMÉRCIO

sábado, domingo e segunda-feira, 1, 2 e 3 de junho de 2013

c

9 EM FAMÍLIA Alexandre, neto de Adalberto: "Gosto de passar a tarde com meu avô cuidando dos brinquedos". O menino, de 7 anos, já comemorou até aniversário no parquinho, criado há 44 anos pelo publicitário.

idades

BEM-VINDOS À

A única lândia que é de graça ADALBERTO COSTA DE CAMPOS BUENO

O parquinho, que começou a ser construído pelo publicitário Adalberto Costa de Campos Bueno em 1969 num terreno da família, virou uma espécie de recanto da criançada na zona oeste da cidade. Fotos: Paulo Pampolin/Hype

Mariana Missiaggia

E

m uma tarde cinzenta de 1969, o publicitário Adalberto Costa de Campos Bueno, hoje com 87 anos, observava as crianças brincando na rua em que morava quando teve uma ideia. Ele juntou suas ferramentas e começou a martelar alguns pedaços de madeira em um terreno de sua família, no bairro de Perdizes, zona oeste. Com muita dedicação, ele começava a construir a Adalbertolândia, a única lândia que é de graça, como ele mesmo define. Há 44 anos, Adalberto dedica todas as suas tardes aos brinquedos do parque. Os aparelhos recebem manutenção na garagem do número 32 da rua Professor Paulino Longo. Foram seus dois filhos pequenos, Vivian e Marcos, e seus 32 amigos de vizinhança que inspiraram o publicitário a transformar o terreno, que lhe pertence, em frente à sua casa, em um espaço seguro para todos. "O mato estava alto, então foi trabalhoso carpí-lo. Porém, deu tudo certo, instalei os brinquedos e tirei a criançada da lama que era a nossa rua", disse. A primeira empreitada foi construir o Castelinho, todo feito em peroba e, logo em seguida, veio o Carrossel. Ambos estão lá até hoje, intactos e pintados com as mesmas cores de quando tudo começou, garante Bruno Faria Jacinto, 27 anos, auxiliar administrativo. Há 20 anos, era ele quem corria pelas trilhas do parque. Hoje, ele leva sua filha Luna Gonçalves Jacinto, 2 anos. "Tenho uma foto com a escultura do cachorro que ela (Luna) já viu, por isso, ela sempre diz que quer ir ao parque do cachorro. E é isso que fazemos todos os finais de semana", conta Jacinto. Tudo no local é muito singelo e rústico. As trilhas criadas entre as mais de 200 plantas de 62 espécies diferentes encantam a criançada que passam horas correndo e se escondendo entre a folhagem e acariciando a Lady K, uma galinha carijó muito dócil, de apenas quatro meses. Milhares de pequeninos já passaram por lá, alguns deles estão eternizados em um velho caderninho de Adalberto, onde ele anotava o nome completo da criança, a idade e a data de visitação. Ele estima que cinco mil crianças estiveram no espaço nestes mais de 40 anos. "Era uma maneira de medir a popularidade do parque. Nem imaginava que o espaço duraria tanto tempo. E guardo esse caderno com muito afeto. É uma boa lembrança de como tudo começou", disse. E se depender de carinho e disposição, a Adalbertolândia vai longe. Neto de Adalberto, o pequeno Alexandre Alves de Campos Bueno, 7 anos, se interessa por cada detalhe do parque e acompanha as "engenhocas" de seu avô. Neto – "Já ajudei a pintar, martelar e cortar madeira. Gosto de passar a tarde com meu avô cuidando dos brinquedos", disse o menino, que até comemorou um aniversário na Adalbertolândia com os

Victoria faz carinho em Lady K, uma galinha carijó de quatro meses.

Os irmãos Gabriel e Victoria Ribeiro se divertem no balanço, o mesmo usado há 35 anos pelo pai, Ricardo.

Luna brinca de amarelinha, observada pelo pai, Bruno Jacinto.

amigos da escola. Enquanto Adalberto limpa o parque, poda as plantas e faz melhorias na estrutura dos brinquedos, Alexandre observa potes de margarina, guidão de bicicleta, telha, tampa de achocola-

sente para com as crianças que ali se divertem. "Eu me sinto contemplado por receber tantas crianças. Me divirto muito com elas e sinto que estou aproveitando a vida com meus milhares de netos", disse.

tado e muitos outros materiais recicláveis se transformarem em brinquedos. "Aprendi a consertar muitas coisas e inventar outras, deixando a criatividade rolar solta", conta o menino.

Tão divertido quanto brincar no parquinho, é conversar com Adalberto. Espirituoso, recebe todos de braços abertos e com sorriso no rosto. Conta com euforia os primeiros passos do parquinho e a gratidão que

Construindo um sonho Adalberto, 87, acredita que cerca de cinco mil crianças já passaram pelo local nestes últimos 44 anos.

Até os cestos de lixo foram produzidos na oficina do publicitário – tudo com muito carinho.

Detalhe do atelier, onde os brinquedos são confeccionados. Os aparelhos recebem manutenção na garagem.

Segurança – Mesmo aos finais de semana, quando supostamente Adalberto poderia aproveitar para descansar, ele não para um segundo. Fiscaliza cada canto do parque para garantir a segurança dos visitantes, conversa com os pais e faz palhaçada para as crianças. Atencioso, ele identifica todos os brinquedos em português e em inglês no caso de receber visitantes estrangeiros, como os irmãos norte-americanos Gabriel Ribeiro, de 8 anos e Victoria Ribeiro, 5. Os dois adoraram o singelo balanço em frente à casa do Tarzan. O brinquedo é o mesmo em que seu pai Ricardo Ribeiro, 42 anos, professor, se balançava há 35 anos, quando ainda morava no Brasil. "Me sentia na floresta. Assistia ao Sítio do Picapau Amarelo e queria reproduzir aquilo tudo. A Adalbertolândia era o lugar perfeito para isso", relembra Ribeiro.

S ERVIÇO Esquina das ruas Professor Paulino Longo com Plínio de Morais. Aberto aos sábados, domingos e feriados, das 8h até anoitecer. Grátis.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

10

sábado, domingo e segunda-feira, 1, 2 e 3 de junho de 2013

acsp

NO TRIÂNGULO O Triângulo Histórico, onde acontecem os passeios, é delimitado pela praça da Sé e largos São Bento e São Francisco.

distritais

Zé Carlos Barreta/Hype/Arquivo/DC

Detalhes escondidos do Centro

O Mosteiro de São Bento (acima) e seus belos vitrais (direita) fazem parte dos roteiros realizados no Triângulo Histórico.

Portas, vitrais, pisos, igrejas e cafés contam a história da região central. São preciosidades, às vezes despercebidas, que integram um projeto de 12 novos passeios a pé, os Caminhos do Triângulo. Mario Miranda/Luz/Arquivo/DC

André de Almeida

A

Espero que o projeto contribua para divulgar as potencialidades da área, ajudando na sua revitalização. LAÉRCIO CARDOSO, GUIA DO PROJETO.

De acordo com Laércio Cardos, guia e um dos idealizadores, o Caminhos do Triângulo foi criado para atender principalmente as pessoas que estão visitando a cidade por alguns dias, estudantes e aqueles que passam pela região a trabalho, compras ou passeio. "A região tem um grande po-

Espero que o projeto incentive o poder público a investir mais na região do Triângulo Histórico.

Marcos Mendes/Luz/Arquivo/DC

CCBB, Café Girondino e rua da Quitanda integram os passeios. tencial turístico, com bons restaurantes, órgãos públicos, instituições bancárias, monumentos e centros culturais. Espero que o projeto contribua para divulgar as potencialidades da área, ajudando na sua preservação e revitalização", afirma Cardoso. Roteiros - Os roteiros geralmente estão interligados e retratam características e curiosidades que ajudam a contar a história de São Paulo em seus

aspectos econômico, social, cultural e étnico. Um deles mostra todas as igrejas do Centro, como Catedral da Sé, Igreja de Santo Antônio, Mosteiro de São Bento e Igreja do Beato José de Anchieta, no Pátio do Colégio. Outro roteiro retrata os centros culturais da área, que são torno de dez, entre eles o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e o da Caixa Econômica Federal. As instituições

ta/Hype/Arqu

Mario Miranda/Luz/Arquivo/DC

bancárias, localizadas principalmente nas ruas Boa Vista e XV de Novembro, além dos cafés e cafeterias, como o Girondino e o Cama e Café São Paulo, também mereceram seus próprios roteiros temáticos. Alguns temas são curiosos e exploram detalhes que muitas vezes passam despercebidos pelo público. É o caso, por exemplo, do Portas, Pisos e Vitrais. Estes objetos da arquitetura contam a história e evolução da cidade. O ciclo do café, por exemplo, está talhado na porta do CCBB, e a influência portuguesa pode ser vista nas portas do antigo Banco Português do Brasil – hoje Café Pelé Arena –, na rua XV de Novembro). Outro destaque é o roteiro Jornais, Revistas e Cinema, que inclui citação ao Diário do Comércio, instalado no prédio da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), na rua Boa Vista. Monumentos – Completam o projeto os seguintes roteiros: Monumentos e Estátuas, com 24 obras na praça do Patriarca, largo São Francisco, praça da Sé e Pátio do Colégio; Ramos de Azevedo, com construções que remetem ao conhecido arquiteto; Estilos Arquitetônicos, que busca reconhecer as influências arquitetônicas em prédios e monumentos; Prédios Emblemáticos; Presença Estrangeira, que traça as principais influências dos imigrantes na cidade a partir dos prédios; além do Comércio, que fala sobre ruas comerciais, históricas e atuais. Segundo o coordenador da Aliança pelo Centro Histórico, Anderson Rocha, o Caminhos do Triângulo veio de en-

ivo/DC

LUIZ ALBERTO PEREIRA DA SILVA, SUP. DISTRITAL CENTRO.

Zé Carlos Barre

maioria dos roteiros turísticos que percorrem a região central de São Paulo mostra as características principais de monumentos históricos e arquitetônicos já bem conhecidos, como o Pátio do Colégio, a Catedral da Sé e o largo São Bento. A partir de agora, no entanto, quem quiser conhecer mais detalhadamente o Centro paulistano pode fazer parte de um dos 12 novos roteiros temáticos que passam pela área chamada de Triângulo Histórico, delimitada pela praça da Sé e largos São Bento e São Francisco. O projeto Caminhos do Triângulo tem dez guias turísticos e conta com a parceria do Cama e Café São Paulo e da Aliança pelo Centro Histórico, instituição formada por representantes da comunidade e do poder público que luta pela preservação e desenvolvimento sustentável da região. De segunda a domingo, das 10h às 12h e das 14h às 16h, os grupos saem da sede da Aliança, na rua da Quitanda, e percorrem o roteiro temático do dia. O custo é de R$ 10 por pessoa. Às sextas, o passeio também acontece à noite, das 19h às 21h.

contro com a meta da entidade de promover um roteiro completo pela região, com duração de uma semana inteira. "Tínhamos o objetivo para este ano e conseguimos consolidá-lo por causa da parceria com os guias. A procura por informações tem sido grande e acredito no sucesso do projeto", diz Rocha. Os passeios começaram no dia 20 de maio. O valor pago é destinado integralmente aos guias turísticos. "Estamos divulgando o projeto por meio da internet, em e-mail e redes sociais, e de folhetos. Em breve lançaremos um novo roteiro, o Coração do Centro, que sintetizará todos os outros", afirma Cardoso. Apoio - O superintendente da Distrital Centro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Luiz Alberto Pereira da Silva, apoia a ini-

G Ir Agendas da Associação e das distritais

Amanhã I Prefeitos – O presidente

da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) ,

ciativa e espera que o projeto sirva de incentivo para que o poder público invista mais em melhorias na região do Triângulo Histórico. Na sua opinião, a área tem problemas de iluminação, sujeira nas ruas, mau cheiro, calçadas mal cuidadas e falta de sinalização de prédios e monumentos. "Infelizmente há uma sensação de insegurança, além de moradores em situação de rua, que, principalmente aos finais de semana, afastam os turistas da região", conclui. A sede da Aliança pelo Centro Histórico está localizada na rua da Quitanda, 80. Não há quantidade mínima de pessoas para a realização dos passeios, que são feitos a pé, nem a necessidade de reserva prévia. Mais informações podem ser obtidas pelos telefones 3101-5842 ou 3101-3760.

Rogério Amato, recebe em seu gabinete os prefeitos de Dallas, Mike Rawlings, e de Fort Worth, Betsy Price, acompanhados pelo cônsul geral dos Estados Unidos, Dennis Hankins. Às 10h30, na sede da ACSP, rua Boa Vista, nº 51/10º andar. Às 11h, os prefeitos farão uma apresentação sobre as suas cidades na plenária, no 9º andar.


sábado, domingo e segunda-feira, 1, 2 e 3 de junho de 2013

DIÁRIO DO COMÉRCIO

11

facesp

INVESTIMENTO Até o momento, o shopping, um desejo antigo dos moradores, tem investimento R$ 100 milhões.

regionais

Fotos: Divulgação e Arquivo/DC

Primeiro SHOPPING de BOTUCATU abre em 2014 O complexo do centro de compras terá ainda um hotel e duas torres de escritórios. A expectativa é de criação de 1,5 mil empregos diretos e 1,8 mil indiretos. André de Almeida

U

m antigo desejo dos moradores de Botucatu, a 235 quilômetros de São Paulo, está perto de se tornar real: no primeiro semestre de 2014 , o município, com 130 mil habitantes, terá seu primeiro shopping center. O empreendimento deverá atrair também consumidores de outras cidades da região, geralmente carentes em opções de compras e lazer. O total de investimentos chega a R$ 100 milhões e as obras estão em andamento. Mas o empreendimento não se limita ao shopping center. Será um complexo multiuso com hotel, da rede Bourbon, de 131 apartamentos e centro de convenções para 600 pessoas, e duas torres de escritórios. "Será o primeiro hotel da rede na cidade e foi pensado, desenhado e estruturado para atender Botucatu em todas as suas necessidades. Pretendemos implantar ainda um posto avançado da Escola Bourbon de Hotelaria",

disse Ronaldo Albertino, diretor de Desenvolvimento da Bourbon Hotéis & Resorts para a América Latina. O shopping ocupará uma área de 80 mil metros quadrados, com 26 mil metros quadrados de área bruta locável. Serão 150 lojas, um hipermercado (Tenda atacado), cinco salas de cinema da rede Cineflix, boliche, academia, praça de eventos e 1,3 mil vagas de estacionamento. Entre as lojas já estão confirmadas Americanas, McDonald's, Hering, C&A, World Tennis e Subway. O empreendimento, quando estiver em plena operação, deverá gerar algo em torno de 1,5 mil empregos diretos e 1,8 mil indiretos. Mapeamento - De acordo com Odivaldo Sousa da Silva, diretor de Desenvolvimento e Operações da Real Estate Partners (REP) – administradora de shoppings e sócia do Grupo JHF na implantação do centro de compras – foi realizado um mapeamento completo daquela região antes de se decidir pela construção. "O novo shopping atrairá moradores de mais de 20 cidades,

em torno de 600 mil pessoas. O shopping mais próximo dessa população está em Bauru, distante 100 quilômetros de Botucatu. Demanda não faltará", afirmou. O mapeamento também apontou outros pontos favoráveis para dar prosseguimento ao projeto. Botucatu possui diversas universidades – incluindo um campus da Unesp –, alta renda per capita, crescimento populacional acentuado (nos últimos cinco anos a cidade ganhou sete mil novos habitantes), aeroporto em expansão e grande potencial de consumo. Localização – As obras do shopping começaram há um ano e, no momento, estão na fase de montagem dos pilares pré-moldados. A sua localização é considerada estratégica na cidade: no eixo sul, próximo ao aeroporto e a condomínios residenciais de alto e médio padrões. A prefeitura de Botucatu trabalha para viabilizar a construção de novos acessos viários naquela região. "Estamos sentindo um apoio e entusiasmo, tanto da parte dos mo-

radores quanto dos comerciantes, empresários e autoridades de Botucatu", afirmou o diretor da REP. Comércio - Na opinião do expresidente e atual tesoureiro da Associação Comercial e Empresarial (ACE) de Botucatu, Emilio Angella Neto, o shopping não acarretará pre-

juízos para o comércio de rua. "Pelo contrário, a concorrência com lojas mais modernas e organizadas incentivará a qualificação do comerciante de rua. Para não perder seus clientes, certamente investirá para melhorar o seu negócio", disse. Segundo ele, a ACE está

mantendo contado com os desenvolvedores do shopping. "Nos colocamos à disposição para ajudá-los no que for preciso. Além disso, muitos dos novos lojistas são potenciais associados que poderemos trazer futuramente para a associação comercial", concluiu o dirigente.

Depois das compras, cultura. Arquivo/DC

B

otucatu não ganhará somente o seu primeiro shopping center no próximo ano. A cidade foi a escolhida para sediar a primeira pinacoteca do Interior paulista, que abrigará parte do acervo da Pinacoteca do Estado, instalada na Capital. O equipamento irá funcionar no antigo prédio do fórum, que passará por reformas e adaptações. O edifício foi projetado pelo escritório do renomado arquiteto Ramos de Azevedo.

No local também irá funcionar o Museu de Arte Contemporânea (MAC) Itajahy Martins. A previsão é que a pinacoteca seja inaugurada ainda no primeiro semestre de 2014, quando o ímóvel completa 90 anos e o MAC chega a três décadas de sua fundação. Ao todo, o Governo do Estado repassará R$ 11 milhões para a prefeitura de Botucatu, responsável pela reforma do edifício de 2,8 mil metros quadrados. (AA)

Na foto maior (ao alto) projeto no novo shopping de Botucatu, que deve abrir as portas no primeiro semestre do ano que vem. Serão 150 lojas, um hipermercado, cinco salas de cinema da rede Cineflix, boliche, academia, praça de eventos e 1,3 mil vagas de estacionamento. Acima, vista da cidade de 130 mil habitantes.

O novo shopping atrairá moradores de mais de 20 cidades. São 600 mil pessoas. ODIVALDO SOUSA DA SILVA, DIRETOR DA REP

Na foto maior, projeto da pinacoteca. Acima, prédio do fórum.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

12

sábado, domingo e segunda-feira, 1, 2 e 3 de junho de 2013

d

cultura

VERÃO DO APOCALIPSE EM HOLLYWOOD. WALL STREET BRINDA. James B. Stewart

P

ara os grandes estúdios cinematográficos de Hollywood, este verão do Hemisfério Norte pode muito bem se tornar o "Apocalipse, o Dia Depois de Amanhã: O Confronto dos ArrasaQuarteirões". Ou talvez "Armagedon 2 – A Vingança dos Críticos". Com um número recorde de filmes de ação de orçamento grande e cheios de efeitos especiais sendo lançado entre o começo de maio e o final de agosto, a concorrência pelos jovens adultos sedentos por espetáculo e o crescente público internacional nunca foi tão acirrada. Steven Soderbergh, o cineasta tão admirado, fez recentemente uma crítica virulenta ao fenômeno no Festival de Cinema Internacional de São Francisco, lamentando a falta de

Doug Creutz, analista sênior de mídia e entretenimento da Cowen & Co., "neste verão, temos 17 arrasa-quarteirões saindo entre maio e julho, ou 19, caso se acrescente agosto, perfazendo o período de lançamentos mais abarrotado dos últimos tempos". Será, que esta vai ser a maior bilheteria de verão da História? Talvez, se todos forem filmes excelentes, mas não deve ser assim." Os estúdios vêm apostando suas fichas nesses arrasaquarteirões há anos – são filmes de grande orçamento programados para ajudá-los a compensar as fitas menos rentáveis. De modo geral, a estratégia parece ter dado certo. "Não vimos muitos desse gênero fracassar", afirmou Michael Nathanson, analista de mídia e diretor-executivo da Nomura. "Porém, este verão pode ser o

gerações de futuros arrasa-quarteirões. Ainda não está claro se essa aposta audaciosa vai limpar a mesa, mas a Marvel nas mãos da Disney teve um começo arrasador. "A Disney é basicamente 100% arrasaquarteirões", disse Creutz, sem contar os longas que distribui para outros, como o DreamWorks Studios. "São poucas as exceções, mas quando investem em filmes badalados, eles costumam se dar muito bem." No ano passado, o lucro operacional da Disney provindo do estúdio de entretenimento (que também inclui as produções da Broadway) cresceu 17 por cento, subindo de US$ 618 milhões para US$ 722 milhões, em grande medida por conta da força de The Avengers – Os Vingadores. Para a Disney, 2015 representará um teste crucial para essa estratégia. Nesse ano, o estúdio planeja outro filme da série Star Wars, uma sequência de Os Vingadores, Piratas do Caribe 5 e a continuação da Pixar para Procurando Nemo. Segundo a lógica dominante na indústria cinematográfica, fazer menos filmes, mas mais arrasaquarteirões caros, é menos arriscado do que fazer mais fitas de orçamento modesto. Os recursos podem ser concentrados em menos projetos e um orçamento de marketing de mais de US$ 100 milhões é grande o bastante para gerar o tão importante movimento do fim de semana de lançamento, enquanto cinco campanhas de marketing de US$ 20 milhões podem passar despercebidas. Principalmente com o crescimento da tecnologia 3D, os estúdios querem filmes com efeitos especiais que levem as pessoas aos cinemas. Por mais

popular que seja, O Lado Bom da Vida pode muito bem ser desfrutado em casa. E a importância sempre crescente do público internacional significa que os estúdios desejam personagens familiares, histórias e efeitos que não dependam de referências culturais norte-americanas e que sejam fáceis de traduzir. Porém, para gente como Soderbergh, esse raciocínio é falho. "Determinado tipo de roedor pode ser mais inteligente do que um estúdio na hora de escolher projetos", ele alfinetou no recente discurso. O problema é comum a qualquer estratégia de investimento sem diversificação. É ótimo enquanto funciona – até que não funciona mais. A Disney precisou assimilar US$ 200 milhões, valor considerado o maior prejuízo de um só filme na História – após o fracasso nas bilheterias de John Carter – Entre Dois Mundos, um arrasa-quarteirão muito esperado no ano passado, agora amplamente culpado por ser original em demasia, entre

outros problemas. "Acho que a ideia de que se você enfiar dinheiro suficiente no longa-metragem, as pessoas vão aparecer, mesmo sendo um abacaxi, é pedir para perder dinheiro", avalia Creutz. Nem todos em Hollywood estão arrancando os cabelos. "Arrasa-quarteirão é apenas outro nome para um filme a que muita gente vai assistir", disseme esta semana Nina Jacobson, que ajudou a dar início à franquia Piratas do Caribe quando chefiava o estúdio da Disney e depois produziu o tremendamente bemsucedido Jogos Vorazes (fotos). "Um filme como As Aventuras de Pi é grande, visual e internacional, mas nem remotamente cínico nem seguro. O Lado Bom da Vida, Django Livre, Argo e Ted não são arrasa-quarteirões típicos, mas mesmo assim foram muito lucrativos. Ninguém ignora esse tipo de sucesso porque todos nós aspiramos por eles."

Sinfônica da USP

Matinal

Por Vos Muero

Estreia

Sob a regência de Wagner Politschuk, interpretará Erosão (Origem do Rio Amazonas), obra pouco divulgada de Heitor VillaLobos (foto) e a Sinfonia para Barítono, Soprano, Coro e Orquestra - Sinfonia do Mar, de Ralph Vaughan Williams. Sala São Paulo. Praça Júlio Prestes, 16. Tel.: 3223-3966. Domingo (9). 17h. R$ 13 a R$ 63.

A Orquestra Sinfônica Municipal, comandada por John Neschling, também diretor artístico do Teatro Municipal, toca a Sinfonia Nº 5 em Ré Menor Op. 47, de Shostakovich. No programa: Concerto para Piano e Orquestra em Dó Maior K. 503, de Mozart. Solo do francês Pascal Rogé. Teatro Municipal. Sábado (8). 20h. Domingo (9). 11h. R$ 20 a R$ 60.

A São Paulo Cia. de Dança abre temporada do Teatro Sérgio Cardoso, com três coreografias. A mais importante é Por Vos Moero, remontagem da peça de 1996 do valenciano Nacho Duato. Teatro Sérgio Cardoso. Rua Rui Barbosa, 153. Tel.: 3288-0136. Quinta (6) e sábado (8). 21h. Sexta (7). 21h30. Domingo (9). 18h. R$ 25. Livre

Um dos filmes prometidos para esta semana é Augustine. Drama de época, inspirado em história real. Narra a relação entre o neurologista JeanMartin Charcot, conhecido por seus estudos pioneiros e polêmicos sobre a histeria e a paciente Augustine. Reserva Cultural (www.reserva cultural.com.br).

xo e bateria os aconchegam como se protegessem o som que tão bem exprimem. O improviso agora é do piano. Sob um crescendo inspirado, a balada se revela pujante. O piano continua a brilhar, agora com o apoio mais incisivo de guitarra e baixo, até que este "rouba" o improviso para si e conduz ao final. Giant Steps (John Coltrane) tem o sax tenor com pegada jazzística. Piano e sax iniciam. Um rufo de bateria puxa os outros instrumentos para fazer o tema soar como numa quadrilha. O baixo e a bateria se encarregam da missão com competência. Sob uma leve percussão, o piano sola.

A bateria volta a marcar. O sax assume. O baixo acompanha. A guitarra sola, seguindo-se um solo do baixo. A bateria os apoia. O piano volta. O sax volta a solar. O piano se junta a ele. A bateria vem junto. Piano e sax dão-se ao improviso. Fim. Meu Deus! O espaço acabou, mas o CD, não (seguirei ouvindo-o, agora e sempre). Resta um consolo, compreensivos leitores: comprem e ouçam Finas Misturas, mais um discaço com a chancela do grande músico que é Antonio Adolfo.

Fotos: Arquivo DC

... E o Vento Levou: recorde. imaginação dos executivos dos estúdios e sua fixação por filmes de franquia de grande orçamento. "O cinema como eu o defino, e como algo que me inspirou, está sob o ataque dos estúdios", ele disse. O cineasta comparou os grandes estúdios a "Detroit antes do socorro financeiro" e expressou o temor de que a hegemonia do arrasaquarteirão é "uma trajetória que considero muito difícil de reverter". Contudo, seu alerta pode ter chegado muito tarde para este verão, quando os estúdios parecem se dirigir a um penhasco de arrasa-quarteirões. Os números são severos. Segundo

em maio e já integra as fileiras dos que arrecadaram US$ 1 bilhão. (Curiosamente, quando as cifras são ajustadas para refletir a inflação, nenhuma entre as dez maiores bilheterias de todos os tempos era uma franquia, ainda que fossem fitas de orçamento grande à época. Corrigida a inflação, a maior bilheteria é de ...E o Vento Levou) Apesar de viver desdenhando das resenhas dos críticos, Soderbergh logo admitiu que os filmes arrasa-quarteirão parecem contar com "o apoio total da plateia". Enquanto esperava no Aeroporto Kennedy, em Nova York, ele viu "um cara do outro lado do corredor diante de mim sacar um iPad e começar a assistir alguma coisa". Soderbergh continuou: "Estava curioso para ver o que ele assistiria – é um sujeito branco acima dos 30 anos. E começo a notar que ele carregou meia dúzia de grandes espetáculos de ação e está assistindo a todas as sequências de ação. Ele salta todos os diálogos e a narrativa. O voo do cara será composto por cinco horas e meia de puro caos". O fenômeno arrasa-quarteirão também agrada Wall Street e os investidores por significar que os grandes estúdios estão rodando menos filmes, sem abrir mão de uma larga fatia da bilheteria total. "Tem sido uma estratégia inteligente", disse Nathanson. "Estão fazendo um número menor de filmes e controlando os custos, e estabilizaram o setor. É atraente para Wall Street. É uma estratégia lúcida que pode ser articulada aos investidores. Os estúdios podem não estar crescendo muito, mas não são mais as crianças problemáticas decadentes de quando estourou a bolha do DVD." O estúdio Warner Brothers, da Time Warner, é amplamente tido como o inventor dessa abordagem (e seus filmes da série Harry Potter estão entre os mais bem-sucedidos do gênero), mas a Disney sob o atual presidente, Robert Iger, é vista como a adepta mais entusiasmada e de maior sucesso. Após comprar a Pixar, Marvel e, no ano passado, a Lucasfilm, a Disney gastou bilhões para adquirir propriedade intelectual de terceiros, que a empresa espera ser a base de

ponto de ruptura. Talvez alguns desses filmes se revelem grandes fracassos." O predomínio do arrasaquarteirão pode fazer muitos diretores, roteiristas e produtores roerem as unhas, mas o movimento foi bem recebido pela plateia e por Wall Street. Dos 15 longas-metragens que amealharam mais de US$ 1 bilhão, todos tinham orçamento grande e todos, à exceção de três (Avatar, Titanic e Alice no País das Maravilhas) eram franquias. E somente Avatar podia ser considerado material original. Homem de Ferro 3, da Disney, a quintessência do arrasaquarteirão de franquia, foi lançado

James B. Stewart escreve para The New York Times

Coisa muito fina Aquiles Rique Reis

C

omo abertura de seu mais recente trabalho, a escolha de um samba bem brasileiro não poderia ser mais representativa daquilo que Antonio Adolfo pretendeu ao conceber e gravar Finas Misturas (Saladesom Records). Antes mesmo de se ouvir as dez faixas do álbum, ao tomar conhecimento dos compositores escolhidos para fazer parte do repertório, já desponta nítido o que Antonio Adolfo deseja: revelar consonâncias entre o samba brasileiro e o jazz norte-americano; descobrir afinidades musicais entre o som criado aqui e o que se faz lá fora.

Para tanto, Antonio levou grandes músicos para o estúdio: Leo Amuedo (guitarra elétrica), Claudio Spiewak (violão), Marcelo Martins (sax tenor e flauta), Jorge Helder (baixo acústico) e Rafael Barata (bateria e percussão). Com eles, Adolfo mistura o "chiclete" dos gringos (são seis temas de John Coltrane, Dizzy Gillespie, Keith Jarret, Bill Evans, Chick Corea e Neville Potter) com a "banana" brazuca (quatro composições do próprio Antonio). Contemporâneos, eles estão um passo à frente de qualquer modernosidade. "Floresta Azul" (Antonio Adolfo) abre o disco com Anto-

nio ao piano. A bateria o acompanha tocando levemente, mesmo quando faz uso dos pratos. A flauta traz para si a responsabilidade de tocar a melodia aliás, muito bem concebida pelo autor, que a embal o u e m h a rmonia de intenso vigor brasileiro. Flauta e piano soam juntos, num belo uníssono. O baixo acústico dá o peso que o samba carece para ter suingue. A guitarra soa bonito. Para solar, AA privile-

gia notas soltas no piano. A flauta retoma o protagonismo, seu intermezzo é esplêndido. O baixo acústico sola e brilha. A flauta trina e, mais uma vez, se junta ao piano. Belo diálogo musical. "Balada" (Antonio Adolfo) é outra bela composição. O piano e o baixo acústico iniciam. A bateria, como pede a suave melodia, toca delicadamente. A guitarra sola, enquanto o piano ainda se faz presente; bai-

Aquiles Rique Reis, músico e vocalista do MPB4.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

sábado, domingo e segunda-feira, 1, 2 e 3 de junho de 2013

13

Logo Logo www.dcomercio.com.br

Bigodudos Se você acha que os bigodes estão fora de moda, se enganou. A empresa Pixers criou uma série de papéis de parede, murais e adesivos em que eles são os elementos principais. Para decorações divertidas e ousadas. http://bit.ly/15b1vNF

P ARADA GAY A RTE

R OBÔS

Brasil no mundial de futebol A Copa do Mundo de robôs futebolistas será realizada de 26 a 30 junho em Eindhoven, Holanda, com a participação do Brasil. Entre os participantes estarão. além de holandeses e brasileiros, americanos, chineses, canadenses, tailandeses e franceses. O objetivo é conseguir formar uma equipe até 2050 capaz de competir com os campeões do mundo profissionais, informam os organizadores da copa. A Holanda é bicampeã. (Agências)

Daniela anima a festa Márcio Fernandes/Estadão Conteúdo

P

ara uma plateia de 1,5 milhão de pessoas (segundo o coronel da PM Benedito Meira), Daniela Mercury (foto) não só cantou mas discursou. Eram 15h da tarde de domingo (com duas horas de atraso), quando ela começou o show. "Não dormi de tão ansiosa a semana inteira", disse pouco depois de seu trio elétrico descer a Rua da Consolação. A primeira música a interpretar foi O Canto da Sereia. A partir daí, a parada ganhou novo ânimo. O trio, além de ter o maior número de seguidores, também foi o mais disputado por militantes do movimento LGBT e por políticos, co-

L

Daniel Deme/EFE/EPA

mo a ministra da Cultura, Marta Suplicy (PT) e o deputado federal Jean Wyllys (PSOL). Pouco antes de encerrar o show, Daniela criticou o pastor Marco Feliciano (PSC-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmaras dos Deputados.

"Se a gente já tirou um presidente, não é possivel que o governo mantenha n a c o m i s s ã o a lguém que não nos representa", declarou. Ontem pela manhã, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou que a "maior riqueza de São Paulo é a sua diversidade", referindo-se ao público de vários lugares do País e do mundo presente à parada. Já o prefeito Fernando Haddad (PT), presente à festa, destacou que a parada é um "evento que honra a Cidade". (Agências)

DE VOLTA À CENA - A atriz Angelina Jolie fez ontem a primeira aparição pública após a dupla mastectomia (remoção dos seios) realizada em abril, para reduzir os riscos de desenvolver câncer. Ao lado do marido, Brad Pitt, ela foi à estreia, em Londres, do filme Guerra Mundial Z, do qual ele é o astro. Os dois desfilaram juntos pelo tapete vermelho na cerimônia. Entrevistada pela rede de TV Sky News sobre a cirurgia, Jolie se disse satisfeita pela repercussão. "Fiquei muito feliz em ver a discussão sobre a saúde das mulheres bastante ampliada".

Cartas na mesa Um baralho completo de cartas de madeira com gravuras. O baralho tem capa de couro e está à venda na loja Fancy. http://bit.ly/113kF3j

T RABALHO

Treinamento e emprego A Startup House abriu inscrições para o primeiro programa de seleção, treinamento e contratação de profissionais da área digital. Serão selecionados 100 candidatos para receber treinamentos

star tuphouse.com.br

G @DGET

Mensagem rodante Com rodas equipdas com 256 LEDs, esta bicicleta permite ao ciclista transmitir mensagens em palavras ou imagens nas rodas. A mensagem pode ser enviada do celular via Bluetooth.

L IDERANÇA

http://bit.ly/17spagU

O LIMPÍADA

Teatro para ajudar as empresas MBAs nos EUA e Europa dão aulas de teatro para estimular a liderança dos estudantes. Os alunos são treinados como atores, usando estratégias de drama. Dramatizam emoção, empatia, confiança e a simulação de situações que podem ser reais dentro de empresas. Conforme reportagem do jornal Financial Times, é possível encontrar esse tipo de aulas no Instituto de Tecnologia de Massachussett (MIT). Na Europa, são comuns na Universidade de Oxford, Inglaterra, e IMD, na Suíça.

gratuitos. Os finalistas poderão ser contratados ao final do treinamento. Pré-requisitos: ser universitário ou já formado. Inscrições pelo site até 23 de junho.

L AZER

Na disputa, os bons da matemática.

As cores de Bach Coloque um concerto de Bach e feche os olhos. Que cores você vê? Esta foi a experiência feita pelo cientista Stephen Palmer com voluntários na Universidade de Berkeley. Segundo ele, é possível prever em 95% dos casos se as cores que as

pessoas verão são alegres ou tristes apenas a partir da música que estão ouvindo. No estudo, cem pessoas, de São Francisco (EUA) e metade de Guadalajara (México), ouviram 18 diferentes composições de J.S. Bach. Depois, associaram cada composição a uma das 37

cores de uma paleta. O estudo, publicado na revista PNAS de 13 de maio mostra cores semelhantes foram associadas às mesmas músicas nos dois países. Para Palmer, isso mostra como a música se relaciona com as emoções. http://bit.ly/15drm73

O Brasil participará da 24ª Olimpíada de Matemática do Cone Sul, em Assunção, Paraguai, nesta terça-feira e quarta. Cada país será representado por uma equipe de até quatro estudantes com, no máximo, 16 anos. Na disputa, Argentina, Bolívia, Chile, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai. Dois professores também integram os grupos. A equipe nacional foi selecionada durante a 34ª Olimpíada Brasileira de Matemática.

O especialista em churrasco O avental Tactical BBQ tem espaço para todos os utensílios e temperos que você precisa para garantir um churrasco perfeito. http://bit.ly/16ceQcu


DIÁRIO DO COMÉRCIO

14

sábado, domingo e segunda-feira, 1, 2 e 3 de junho de 2013

e

sporte

A jogada do Lance! Parafraseando o célebre bordão criado pelo jornalista esportivo Silvio Luiz, fique de olho no Lance! Todas as segundas-feiras nas páginas do seu Diário do Comércio. Divulgação

Reprodução

José Maria dos Santos

Capas show de bola

E

mbora o trocadilho pareça ser pouco criativo merece, pelas circunstâncias, ser repetido aqui: olho no Lance! Não estranhe a letra maiúscula e nem o ponto de exclamação que a acompanha, pois estamos nos referindo ao jornal Lance! cujo conteúdo está participando pela segunda vez, hoje, do Diário do Comércio. Trata-se de uma parceria entre os dois jornais, no sentido de atender melhor aos leitores do DC. No entanto a apresentação desse acerto não foi devidamente realçado na estreia da semana passada, porque fomos atropelados pela repentina transferência do craque Neymar para o Barcelona, da Espanha. A prioridade em informá-los a respeito de assunto tão importante no mundo da bola, colocou em segundo plano a formalidade que estamos cumprindo agora. Portanto, temos a satisfação de anunciar, oficialmente, que, todas as segundas-feiras, vocês encontrarão nas nossas páginas o que há de melhor no Lance!, particularmente aquilo que se refira aos clubes de São Paulo. A escolha do dia foi estratégica, pois vocês terão à disposição os eventos esportivos do fim de semana que constituem, em todo planeta, o cardápio mais atraente da área. É justo, portanto, fazer uma incursão pelas suas ori-

Capa de 2/11/2011: Neymar na lista da Fifa dos 23 melhores daquele ano.

Luiz Fernando Gomes, editor-chefe do Lance!: maratona diária, sem perder o fôlego. gens e funcionamento, para que vocês saibam com quem estão lidando. Lance! foi criado em l997 com uma proposta inovadora no jornalismo esportivo do nosso País: oferecer uma cobertura diária diferenciada para seu público. Não lhe bastava trazer o noticiário convencional de cada clube - prato principal da pauta, considerando o interesse maciço que os brasileiros dedicam ao futebol - mas também reportagens exclusivas e surpreendentes que fossem ao encontro da curiosidade insaciável que cada torcedor dirige às suas cores. Pessoas que não são familiarizadas com as entranhas de uma redação, não

imaginam a pretensão da tarefa. O consagrado jornalista Ruy Mesquita, recentemente falecido, costumava dizer que o jornalismo é a arte do desperdício. Textos prontos para a publicação, arduamente burilados, vão , na dinâmica da vida, sendo superados por outros mais importantes ao longo do dia e aquilo que despontava imprescindível de manhã acaba na lata de lixo à noite. Mas o primeiro desafio era o de montar uma redação apropriada para enfrentar as novas necessidades no dia a dia. Daí nasceu um conceito novo de apuração. Cada clube do eixo Rio, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre mereceu uma editoria própria, composta de um editor e quatro repórteres, no mínimo. (Se a situação aperta em algum lado, formam-se forças-tarefas para supri-lo.) Essa equipe vai cuidar do noticiário factual, da agenda do clube, e, tomando ares de multimídia, produzir vídeos para, complementarmente, abastecer o site do jornal, além de providenciar a clássica cereja do bolo, que é a reportagem especial e exclusiva. Em qualquer publicação brasileira, mesmo voltada para esportes, seria impensável armar um contingente desse porte até tempos recentes. Ao lado desse pacote de editorias, operam outras três: FutBrasil (futebol além do eixo mencionado); FutInter ( futebol internacional) e a editoria poliesportiva que junta a Fórmula-1, esportes olímpicos e MMA. Ao todo, Lance! reúne cerca de 220 jornalistas, distribuídos por duas redações instaladas no Rio e São Paulo. A pri-

meira, por ser responsável pela edição carioca e chamar a si o material de FutBrasil, FutInter, F-1, esportes olímpicos e MMA é, naturalmente, a mais numerosa. Essas praças lançam suas edições específicas dentro de uma receita em que predominam 40% de noticiário comum às quatro. Além desse quarteto Lance! soma jornais afiliados em Curitiba, Londrina, Florianópolis, Vitória e Belém. Na história da imprensa escrita brasileira existe somente um precedente nesse sentido. Foi o da rede "Última Hora", criada pelo jornalista Samuel Wainer nos anos 50, que circulou com edições do Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre e Recife. É possível que Samuel Wainer, se vivo estivesse, desdenhasse o esforço despendido apoiado na tecnologia da informação, pois na sua época a interligação da rede dependia de precária telefonia ; o telex para transmitir textos e um incerto despacho de imagens pelo sistema de rádio ou telefotos - algo risível nos dias de hoje. Todos os dias, Lance! começa a ser feito às 10 da manhã para viver a sua breve vida de 24 horas. "Na verdade, a nossa jornada começa na noite anterior, quando são preparadas as pautas para o dia seguinte", informa o editor-chefe Luiz Fernando Gomes, 53 anos. "Às 10 da manhã , os editores-executivos das duas redações fazem suas reuniões de planejamento em contacto online. O jornal é completado às oito e meia da noite em dias sem jogos. Caso contrário, o fechamento se dá vinte minutos após o encerramento das partidas. Sem prorrogação e sem levantar a placa de desconto".

Reportagens especiais: facções entre torcedores e a morte; crítica construtiva à seleção; força de reação do Tricolor (como Jason).

Teixeira: o fim; a sempre Fiel; Ronaldo, o carisma; e William, pelo Tricolor.


sábado, domingo e segunda-feira, 1, 2 e 3 de junho de 2013

DIÁRIO DO COMÉRCIO

15


16

DIÁRIO DO COMÉRCIO

sábado, domingo e segunda-feira, 1, 2 e 3 de junho de 2013


e CAIXA 1 conomia

O seu consultor financeiro

17

sábado, domingo e segunda-feira, 1, 2 e 3 de junho de 2013

Dólar e euro disparam Moeda norte-americana teve valorização de 7,24% em maio. Ibovespa recuou 4,3%.

3,22

Paulo

Vitor/

Estad

ão Co

nteúd

o – 17

/9/1

0

por cento foi a alta do euro desde o início do ano. Valorização da moeda europeia no Brasil geralmente segue avanço do dólar.

Dólar: recuperação da economia dos EUA provoca valorização da moeda em todo o mundo.

Bolsa continua na lanterna C REJANE TAMOTO

om uma valorização forte e rápida, o dólar foi o ativo que ofereceu maior rentabilidade ao investidor em maio, com alta de 7,24%, segundo ranking elaborado pelo administrador de investimentos Fabio Colombo. No ano, a moeda subiu 4,99%. O resultado pode ser explicado, em parte, pelo fortalecimento da economia dos EUA e a expectativa de estímulos do Federal Reserve (Fed, o Banco Central do país), o que fez com que o dólar ganhasse força também sobre outras moedas, como o euro (leia mais sobre os efeitos da alta na página 21). No entanto, a moeda norteamericana subiu com mais força ante ao real do que em relação às moedas europeias. Na tarde de sexta-feira atingiu a cotação máxima de R$ 2,152 e fechou em R$ 2,146. "Foi um aumento muito forte, já que dois dias antes, a cotação era

de R$ 2,08", disse o gerente da mesa de operações do banco Confidence, Felipe Pellegrini. Depois desse movimento, o Banco Central (BC) realizou um leilão e vendeu R$ 876,7 milhões, mas isso não aliviou a tensão do mercado. Na avaliação de Pellegrini, a decisão foi tardia, e ocorreu depois de o dólar ter rompido os R$ 2,10 – que seria considerado o teto da moeda por parte do governo. "Entendemos que o BC esperou para atuar, já que o Comitê de Política Monetária (Copom) subiu a taxa básica de juros para 8% ao ano. Havia uma expectativa de que isso fizesse com que o dólar caísse, mas ainda isso não ocorreu", completa Pellegrini. Com uma taxa Selic maior, a expectativa do governo é de entrada de mais dólares de investidores estrangeiros, o que derrubaria a cotação da moeda. Para Pellegrini, o movimento exagerado da última semana serviu para indicar que há um novo teto para o dólar, de

R$ 2,15. "Ainda assim, acredito que o patamar normal para a moeda é de R$ 2,08. Nesta semana acredito que o dólar deve recuar um pouco e o BC deve atuar se for necessário", diz o gerente do Confidence.

Aplicação instável As aplicações em dólar, por meio de fundos cambiais, estão sujeitas a essas volatilidades – assim como os fundos

cambiais atrelados ao euro, que valorizaram-se 5,84% no mês passado e ocuparam o segundo lugar do ranking de investimentos. No ano, a moeda europeia subiu 3,22%. Para Colombo, os fundos cambiais são opção de diversificação do portfólio para investidores com visão de longo prazo. Outro ativo que também tem a característica de diversificação da carteira é o ouro, que teve um resultado negativo no mês, com queda de

RENDA FIXA: POUCO ALÍVIO COM SELIC. O aumento da taxa Selic para 8% ao ano trará pouco alívio para a rentabilidade das aplicações em renda fixa. Por enquanto, a única aplicação que teve o impacto da mudança, segundo o administrador de investimentos Fabio Colombo, foi o título público Nota do Tesouro Nacional, série B (NTN-B). "É um papel que paga a inflação e mais um cupom de juros, que passou de 3% a 4% para 3,5% a 4,5%, dependendo do prazo", explicou. Em maio, esse título foi o que mais ofereceu retorno no leque de aplicações em renda fixa, de 0,55% a 0,70%, considerando-se IPCA projetado de 0,38% para o mês. No ano, esses papéis já renderam 4,22%. Já os títulos indexados ao Índice Geral de Preços Mercado (IGP-M) tiveram ganho menor, de 0,15% a 0,30% dependendo do prazo do papel, já que o índice foi zero em maio. No ano, esses títulos renderam 2,20%. Para Samy Dana, professor de finanças da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (EESP-

FGV), é preciso prestar atenção ao ganho real das aplicações (descontada a inflação) . "Para preservar o poder de compra, acredito que as NTN-Bs continuam como boa opção entre os títulos públicos. Para não ter perdas, no entanto, é preciso ficar com o papel até o final do prazo. Outro título interessante é a Letra Financeira do Tesouro (LFT, que acompanha a Selic) ", afirmou Dana. A negociação da NTN-B pode trazer riscos de perda por causa da oscilação do preço do título no mercado. Os fundos de renda fixa, de modo geral, ainda devem continuar buscando ganho real. Segundo Colombo, o rendimento real bruto do fundo DI por exemplo está em torno de -1% e 2% ao ano, dependendo da taxa de administração. No mês de maio, a rentabilidade foi de 0,50% a 0,65%, ainda superior aos ganhos dos fundos de renda fixa, que foram de 0,40% a 0,55% no mês. Desde o início do ano, o fundo DI rendeu 2,92%, ante ganho dos fundos de renda fixa, de 2,68%.

A escolha por um fundo de investimento deve levar em consideração o custo da taxa de administração e o prazo da aplicação (que determina o percentual de Imposto de Renda a ser aplicado). É preciso considerar isso até mesmo para verificar se a aplicação vale a pena em relação à poupança. Em maio, o rendimento da caderneta foi 0,43%. No ano, a aplicação rendeu 2,10%. Com a elevação da Selic para 8% ao ano, a poupança passa a render 0,4551% ao mês e 5,6% ao ano. De acordo com simulação feita por José Dutra Vieira Sobrinho, professor de matemática financeira do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa) e vice-presidente da Ordem dos Economistas do Brasil (OEB), a poupança ganha de fundos com taxas de administração superiores a 0,75% ao ano, se a aplicação for de curto prazo e com IR de 22,5%. "O fundo de investimento ficaria mais competitivo ao investidor que puder aplicar por mais de dois anos e pagar alíquota de IR de 15%", diz Dutra.(RT)

0,42%. No ano, o metal caiu 13,61%. Segundo Colombo, a queda foi causada pela desvalorização do ouro no exterior. Outra aplicação que continuou na lanterna foi a na Bolsa de Valores. No mês, o Ibovespa (índice que reúne as ações mais negociadas) caiu 4,30%. No ano, a desvalorização foi de 12,22%. Foi um mês de oscilação nas bolsas internacionais, principalmente em razão das incertezas quanto à retirada de estímulos pelo Fed à econo-

mia norte-americana. De acordo com ele, também contribuíram para o resultado o baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre, a inflação pressionada, a queda da balança comercial e de pagamentos. Para o administrador, esses indicadores e mais a projeção para novos aumentos de juros, bem como a evolução da economia dos EUA, China e Europa devem continuar no radar dos investidores neste mês.


18 -.ECONOMIA

DIÁRIO DO COMÉRCIO

sábado, domingo e segunda-feira, 1, 2 e 3 de junho de 2013


DIÁRIO DO COMÉRCIO

sábado, domingo e segunda-feira, 1, 2 e 3 de junho de 2013

e

19 Entre os grupos de destaque, a pesquisa identificou o das mulheres que são mais presentes e ativas na rede social

conomia

Mentes e corações do Facebook brasileiro Pesquisa aponta quem são e como se comportam os usuários da maior das redes sociais no País. E isso é do interesse de sua empresa. Karina Lignelli

delineou esses perfis para dar uma ideia de quem são e como se comportam os ara sua marca ter usuários da maior das redes vários "likes" (ou sociais. Esses perfis cliques no botão certamente servem de "curtir" do referência básica para as Facebook), identificação, empresas que pretendem experiência real de produto negociar/relacionar-se com e remeter às lembranças do esse público e, em usuário são os itens básicos consequência, vender mais que ajudam a desenvolver e melhor. um sólido relacionamento Entre os grupos de com seus clientes nas redes destaque, a pesquisa sociais. Mas, para agradar identificou o das mulheres gente de variados perfis, que, como não poderiam faixas etárias distintas e deixar de ser, são mais percepções bem peculiares presentes e ativas na rede em uma social. comunidade Publicam virtual do 40% mais tamanho do Eles (jovens infiéis) posts que os Facebook – homens, costumam seguir que segundo dominam duas ou mais o próprio, interesses marcas hoje tem 73 sobre marcas milhões de e são mais concorrentes, e usuários no inclinadas são influenciados Brasil –, é a se pelos amigos. preciso relacionarem potencializar na rede – THIAGO PAES, DA GAUGE esses porém com atributos para aumentar o menos critério. "O engajamento. importante é compartilhar", Essa é a conclusão da afirmou o sócio-diretor da pesquisa Faces do Facebook Gauge, Thiago Paes. – o comportamento dos Outro destaque são os usuários e sua relação com as "jovens infiéis", ou seja, marcas, divulgada pela usuários na faixa etária dos consultoria em inteligência 18 a 25 anos, que clicam no digital Gauge. "curtir" mais por status que O levantamento, por consumo. Pela realizado entre fevereiro de pesquisa, nesse grupo, que 2012 e fevereiro de 2013, responde por um terço dos

Marcelo Justo/Folhapress

P

Mark Zuckerberg, o fundador da comunidade virtual que conquistou 73 milhões de usuários no Brasil usuários do Facebook, 32% não têm critério para curtir páginas, e outros 28% não curtem fanpages de produtos por consumirem no dia a dia, mas pelo que esses representam. "Eles costumam seguir duas ou mais marcas concorrentes, e são muito influenciados pelo gosto dos amigos", comenta Paes. Já os "órfãos digitais", ou seja os usuários acima de 26 anos, que representam 54% do total, são aqueles que sempre acessam o Facebook atrás de

informações sobre produtos. Ainda dentro desse grupo, mas na faixa etária acima de 36 anos, 93% dos usuários curtem páginas pelo conteúdo útil e relevante. De modo geral, o grupo é o que tem uma relação mais fiel e duradoura com as marcas. "Mas boa parte das ações no Facebook parece ignorar esse público", diz o executivo. Influências – Alguns pontos da pesquisa destacam o que pode determinar a relação dos

usuários com as marcas no Facebook. A influência do offline – ou seja, das compras feitas nas lojas físicas, ou a experiência feita no mundo real com o produto – é o critério para se relacionar com as marcas na rede social. Marcas – Esse tópico mostra que 74% dos entrevistados só curtem páginas de marcas consumidas no dia a dia. Já 58% não curtem páginas de marcas que não consomem. Para confirmar a influência, a pesquisa

aponta que 40% curtem marcas de produtos que remetem a lembranças ligadas à sua infância, ou de pessoas de quem se gosta. "Se o filho toma 'Toddynho', certamente o usuário vai curtir a fanpage da marca por lembrar do tempo que também tomava", explica Paes. E nada de superficialismos, como geralmente acontece na web: apesar de a grande maioria curtir humor, "uma tendência seguida pela maioria das marcas hoje", segundo Paes, por falta de opção, para 88% dos entrevistados, curtir depende de a página oferecer conteúdos relevantes. Por isso, 87% analisam o conteúdo oferecido antes de curtir, e 66% curtem para se informar melhor sobre os acontecimentos. Apesar de parecer óbvio, outro ponto destacado pela pesquisa é o relacionamento. Do total de entrevistados, 20% curtem páginas de marcas que interagem ou dão retorno às demandas de clientes ou usuários. Segundo Thiago Paes, relacionar-se, ver e ser visto também é preciso nas redes sociais. "Mas a maioria das empresas se esquece disso", completa.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

20 -.ECONOMIA/LEGAIS

e

conomia

sábado, domingo e segunda-feira, 1, 2 e 3 de junho de 2013

HONG KONG DO ALTIPLANO

William Neuman*

importante num país que ainda luta com o legado da conquista. "É a primeira cidade indígena desde o período colonial", conta Felix Muruchi, professor de cultura pré-colombiana da Universidade Pública de El Alto. "Não foram nem espanhóis nem os crioulos, descendentes dos espanhóis, que a criaram. Foram os aimarás."

D

obre a esquina em El Alto, Bolívia, cidade desordenada, frenética e de crescimento incomparável, e a casa da família Ovando de repente explode à sua frente. Parece miragem multicolorida flutuando acima da metrópole de ordinários tijolos vermelhos como um farol de um futuro andino alternativo. "Não queríamos que fosse só mais uma casa de tijolos", diz Karen Ovando, 26 anos, advogada especializada em assuntos aduaneiros que trabalha para o Estado, parada de pé na sacada da cobertura vermelha, laranja e amarelo vivo de seus pais, seis andares acima da rua. "São todas casinhas estreitas e parecidas. Nós queríamos mostrar algo sobre nós, algo sobre nossa família." Porém, a casa da família Ovando e semelhantes – popularmente chamadas de chalés em função do tamanho e extravagância – têm muito a dizer sobre a energia desenfreada, aspirações e contradições políticas desta cidade agitada, turbulenta e seu lugar num país em constante mudança. Crescendo de forma incongruente sobre habitações muito mais pobres, as versões andinas de mansões suburbanas de novos-ricos refletem o crescimento econômico da Bolívia nos últimos anos – e a desigualdade de sua distribuição. Porém, em vez de estimular ressentimento neste bastião de políticas rebeldes, tais demonstrações públicas de riqueza costumam ser adotadas pelos moradores de El Al-

CASAS PINTADAS

Fotos Meridith Kohut/The New York Times

to, um exemplo da mistura incomum de esquerdistas que subiram na vida e capitalistas esforçados da cidade. "El Alto é ao mesmo tempo a cidade mais revolucionária, talvez de toda a América Latina, e ao mesmo tempo a mais neoliberal, a cidade mais individualista de toda a América Latina", afirma Benjamin H. Kohl, professor adjunto de estudos urbanos da Universidade Temple, Filadélfia. A cidade em questão está situada a mais de quatro mil metros de altitude no estéril altiplano. Logo abaixo dela, La Paz, a capital, se esparrama pelas encostas de um vale íngreme, tendo os imponentes picos cobertos de neve dos Andes como pano de fundo.

Os irmãos Ovando, Ariel e Karen (à direita) em frente à casa da família (também na foto à esquerda, abaixo): construída para se destacar no aglomerado – ainda pobre, mas dinâmico – em que se transformou El Alto.

LA PAZ SITIADA Há muito tempo, La Paz possui uma geografia de status clara: os moradores mais ricos residem no fundo do vale e os mais pobres, no alto. Em cima de tudo está El Alto. Durante anos uma favela periférica à capital, virou município independente em 1988. A localização também é a fonte de seu poder. Aqui fica o aeroporto e por aqui passam as principais estradas que ligam La Paz ao resto do país. Em tempos de agitação, El Alto pode sitiar a capital. O modelo foi estabelecido por Tupac Katari, líder indígena da etnia aimará, líder da rebelião contra os colonialistas espanhóis no final do século XVIII, que usou a posição de El Alto para isolar La Paz. Séculos depois, em 2003, uma estratégia similar foi utilizada pelos moradores de El Alto que se levantaram contra uma

proposta do governo de exportar gás natural para os Estados Unidos utilizando um porto no vizinho Chile, tradicional inimigo da Bolívia. Um grande número de pessoas morreu na rebelião e o presidente Gonzalo Sánchez de Lozada se viu forçado a fugir do país. Depois disso, os moradores da cidade se tornaram uma fonte decisiva de apoio do esquerdista Evo Morales, dando-lhe votação esmagadora nas eleições presidenciais tanto em 2005 quanto em 2009. O próprio Morales, contudo, descobriu não estar imune à ira de El Alto. No final de 2010, quando propôs mudanças nos subsídios da gasolina que levariam a um aumento acentuado no preço, o povo de El Alto voltou a isolar a capital, forçando Morales a voltar atrás.

Agora, os prédios cheios de cores de El Alto encimados por chalés luxuosos se tornaram um símbolo desta cidade dinâmica e vibrante, representando um estilo arquitetônico autóctone – uma colcha de retalhos maluca, feita de materiais de construção reciclados e rica em motivos decorativos, incluindo alguns copiados das ruínas précolombianas. Alguns edifícios têm esculturas em formato de diamantes gigantes no baixorelevo da fachada de estuque, leões de gesso ou um condor empoleirado nas grades da sacada. Outros parecem castelos e há os que ostentam fileiras diagonais de vidro colorido ou refletivo. A maioria das construções têm lojas ou restaurantes no térreo e, muitas vezes, um grande salão de eventos no s e g u n d o e t e rceiro andares para casamentos ou festas. No topo, fica o chalé, às vezes, com frontão triangular e chaminé de vários níveis. Porém, em sua maioria são oásis coloridos: verdes, azuis, amarelos e vermelhos vibrantes. Outras construções são feitas de tijolo e concreto e pouquíssimas são pintadas, criando uma cena urbana sombria, exacerbada pelo pó soprado através do altiplano. A tinta é cara e os bolivianos, pobres. E os moradores acreditam que o imposto sobre propriedade aumentará quando a casa estiver acabada e pintada. Segundo autoridades, isso não é mais verdade, mas a crença persis-

Onde fica La Paz

HONG KONG OU FAVELA Mesmo com todo seu espírito rebelde, El Alto está longe de ser um bastião típico de esquerda. É um enxame de comércio, pequenas fábricas, comércio internacional e contrabando. "Muita gente a descreve como uma cidade revolucionária, mas é a capital do capitalismo", diz Mario Duran, ativista que trabalha para melhorar o acesso à internet. Abrigando cerca de 220 mil pessoas em 1985, a população da cidade aumentou quando produtores rurais pobres e mineiros desempregados vieram do interior. Agora, ela é maior do que La Paz, com população estimada muito acima de um milhão de habitantes. A maioria da população é de origem aimará, um dos maiores grupos indígenas do país, e os imigrantes trouxeram uma ética profissional ardorosa e um estilo laissez-faire nos negócios. "El Alto pode ser a Hong Kong no meio do altiplano", compara Duran. "Ou pode ser uma favela. Estamos no ponto exato no qual precisamos estabelecer as bases para o desenvolvimento da cidade." Outro aspecto fundamental de El Alto é seu caráter indígena. A Bolívia é um país com maioria indígena, mas El Alto é especial, segundo estudiosos, devido à forma pela qual se desenvolveu. A cidade não conta com um centro velho colonial com praça, igreja e prédios públicos, uma diferença

El Alto

Brasil

Peru Bolívia

Chile

Argentina

Paraguai

A cidade de El Alto, com 1,2 milhão de habitantes, é a segunda cidade da Bolívia em população, depois de Santa Cruz de La Sierra (1,8 milhão). Com 4.070 metros acima do nível do mar, é a segunda mais alta do país. Funcionam lá 5.600 pequenas e médias empresas.

te, bem como a falta de tinta. Assim, não há sinal mais claro de riqueza do que casa pintada – e quanto mais brilhante for a tinta, melhor. "Viemos do zero", afirma Ariel Ovando, irmão de Karen, relembrando como sua família morava num quarto só atrás do restaurante dos pais. A família agora tem dois restaurantes, uma fazenda de gado e outros negócios. Agora, afirma ela, é possível circular por El Alto e ver cópias da casa de sua família surgindo em todos os cantos. * The New York Times


DIÁRIO DO COMÉRCIO

sábado, domingo e segunda-feira, 1, 2 e 3 de junho de 2013

ECONOMIA/LEGAIS - 21

e Para BC, repasse do dólar será limitado. A parte boa do PIB foi a evolução do investimento na economia. Alexandre Tombini, presidente do BC

conomia

Presidente da autoridade monetária, Alexandre Tombini adota discurso despreocupado com possibilidade de avanço da moeda pressionar a inflação no Brasil.

A

alta do dólar não é um fenômeno exclusivo do Brasil e o repasse desse movimento à inflação brasileira será limitado. A avaliação é do presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, que não demonstra preocupação com o preço da moeda que atingiu o maior patamar em quatro anos na última sexta-feira (leia detalhes na pág. 17). "A subida do dólar é um movimento global, não é um tema específico do Brasil. A alta vista no Brasil é semelhante e comparável ao movimento registrado em outros países", disse ontem Tombini, após participar de seminário organizado pelo Banco Central da Turquia. O argumento é que a subida da moeda ao longo dos últimos meses é comparável à observada em outros mercados emergentes, como África do Sul e Colômbia. Sobre o impacto da alta recente do dólar na inflação brasileira, Tombini mantém um discurso tranquilo. "O repasse da alta do dólar para a economia brasileira é limitado e caiu ao longo do tempo", disse, sem citar números. O presidente do BC também foi questionado, mas não comentou o avanço de preços que começa a ser observado em alguns setores da economia, como nos aparelhos eletrônicos – segmento com alta porcen-

Pedro ladeira/Folhapress – 21/5/2013

primeiro trimestre – pode reduzir as previsões do BC para a expansão do PIB. Tombini disse apenas que no mais recente Relatório de Inflação a autoridade monetária previa crescimento "em torno de 3%" para o ano de 2013. "A parte boa do PIB foi a evolução do investimento na economia, que cresceu pelo segundo trimestre seguido", disse, ao comentar que a alta do investimento de 4,6% no trimestre é "bastante considerável". A previsão oficial do BC para o crescimento da economia será atualizada no fim deste mês, na nova edição do Relatório de Inflação. Exemplo – Durante a apresentação no seminário do BC turco, Tombini falou sobre a experiência brasileira na gestão dos fluxos de capitais estrangeiros. País que iniciou as reclamações contra a chamada "guerra cambial", o Brasil conseguiu, segundo ele, "estabilizar o fluxo de capital de maior risco com a adoção de medidas". Entre os exemplos, foram citados o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e o requerimento de capital para bancos operarem no mercado futuro. Em nenhum momento, porém, ele citou que essas medidas poderiam ser revertidas em caso de saída de capitais e consequente alta da moeda. (Estadão Conteúdo)

Segundo Tombini, avanço do dólar é um fenômeno mundial. tagem de peças importadas. Como mostrou recente reportagem do jornal O Estado de S. Paulo , televisores já estão chegando às lojas com preço até 8% maior. Apesar de não demonstrar preocupação com o tema, Tombini reafirmou que a estratégia da casa para o câmbio continua a mesma e, portanto, novas intervenções podem acontecer. "Se há excesso de volatilidade e o mercado está disfuncional, o BC atua", disse. Na sexta passada, a instituição atuou com operação que equivale à venda de dólares no mercado futuro, mas a estratégia não impediu a subida da moeda para

R$ 2,147. O dólar futuro para julho fechou a sexta-feira em R$ 2,155. PIB fraco – Tombini, responsável pelo aumento de 0,5 ponto percentual na taxa básica Selic (para 8% ao ano) em uma economia que resiste em ganhar ritmo, fez ainda uma análise relativamente otimista do crescimento da economia. Para ele, os números do Produto Interno Bruto (PIB) conhecidos na semana passada "mostram que o Brasil está em ritmo gradual de recuperação". Ele não comentou, no entanto, se o crescimento da atividade em ritmo aquém do esperado – de 0,6% no

Novo recorde de desemprego na Europa

O

desemprego atingiu nova máxima na zona do euro e a inflação permanece bem abaixo da meta do Banco Central Europeu (BCE), mostrando o tamanho do desafio que líderes da União Europeia estão enfrentando em seus esforços para reanimar a economia do bloco. O desemprego no bloco de 17 países que adotam a moeda única subiu para 12,2% da população ativa em abril, informou a agência oficial de estatísticas Eurostat na sexta-feira, marcando novo recorde desde que a instituição começou a coletar os dados dos países, em 1995.

Com a zona do euro também em sua mais longa recessão desde sua criação em 1999, a inflação ao consumidor ficou bem abaixo da meta de 2% do BCE para maio, embora tenha acelerado ligeiramente para 1,4%, ante 1,2% em abril. Essa alta pode aliviar preocupações com deflação, mas a crise de desemprego é uma ameaça real para a estrutura social da zona do euro – para se ter uma ideia, quase dois terços dos jovens gregos não encontram trabalho e já se considera que o sul da Europa tem hoje uma "geração perdida". Na França, segunda maior economia da Euro-

pa, atrás da Alemanha, o número de pessoas desempregadas subiu para um recorde em abril, enquanto na Itália a taxa de desemprego atingiu o nível mais alto em pelo menos 36 anos, com 40% dos jovens sem emprego. As expectativas estão aumentando para o que o BCE aja ¨de forma a reanimar a economia, indo além de mais um corte da taxa de juros e avaliando um programa de impressão de dinheiro ao estilo dos Estados Unidos conhecido como "quantitative easing" (compra de ativos). "Não esperamos uma forte recuperação na zona do euro", disse o econo-

mista sênior do Nomura Int e r n a c i o n a l , N i c k M a tthews. "O cenário coloca pressão sobre o BCE para apresentar ainda mais medidas convencionais e não convencionais." O presidente do BCE, Mario Draghi, que já salvou a zona do euro de uma ruptura no ano passado com um plano para comprar os títulos de governos problemáticos, preferiu até agora deixar a responsabilidade por reformas sobre os governos da zona do euro. A Comissão Europeia, braço executivo da UE, disse a governos que precisam se concentrar em reformas nos sistemas de trabalho e de pensões. (Reuters)

Contra a austeridade

A

polícia alemã usou gás de os cortes orçamentários e as pimenta e bastões contra reformas no mercado de os manifestantes trabalho apoiados pelo BCE, anticapitalismo pertencentes pelo FMI, por líderes financeiras ao movimento Blockupy no e políticos europeus por ter último sábado, segundo dia de mergulhado o continente em protestos contra as políticas de uma recessão que deixou mais austeridade adotadas pelos de um quarto dos gregos e dos países da Europa. Cerca de 7 mil espanhóis sem emprego e manifestantes se juntaram para milhões de pobres europeus em uma passeata a princípio situação ainda pior. pacífica por Frankfurt, a capital "Esta é uma boa financeira da Alemanha. Muitos oportunidade para protestar. empunhavam cartazes com O desemprego entre os jovens é frases como "Faça amor, não muito importante no guerra" e "FMI - saia da Grécia". momento", disse Antonia Proka, Mas pequenos grupos de de 25 anos, uma grega que mascarados atiraram pedras e atualmente mora na Holanda. bombas de fumaça contra a "Tenho muitos amigos alemães polícia, que reagiu com força. que não encontram trabalho, Vários manifestantes e policiais então os problemas são os ficaram feridos. mesmos, estamos do mesmo Protestos contra a 'troika' de lado", afirmou. Enquanto mais credores internacionais que da metade dos gregos e dos tem financiado Estados da zona espanhóis abaixo dos 25 anos do euro em dificuldade – Fundo estão sem emprego, só 8% dos Monetário Internacional (FMI), alemães e austríacos da mesma Banco Central Europeu (BCE) e idade estão sem trabalho. União Europeia – foram Nos últimos cinco anos, planejados também em outros governos com grandes países no fim de semana. dívidas cortaram gastos e Kai Pfaffenbach/Reuters Um primeiro dia de passeatas em Frankfurt, na sexta-feira, conseguiu paralisar algumas das instituições financeiras da cidade, cortando o acesso à emblemática torre do BCE e à sede do Deutsche Bank. Em Frankfurt, manifestantes enfrentaram a polícia. A polícia enfureceu os manifestantes no aumentaram impostos, sábado ao deter a passeata aprofundando a recessão por antes que pudesse passar perto toda a zona do euro, enquanto do prédio do BCE, depois que muitas famílias estão atoladas eles acenderam fogos de em dívidas ou perderam suas artifício. Em comunicado, o casas depois do estouro de Blockupy acusou a polícia de bolhas imobiliárias. desejar uma "escalada" nas A economia da própria tensões e de impedir um Alemanha tem resistido bem à protesto legítimo. "Isso é crise, e muitas pessoas nos escandaloso", disse a porta-voz países do sul da Europa, em Ani Diesselmann. "O itinerário dificuldades, culpam a original foi aprovado por vários primeira-ministra alemã, órgãos oficiais." A polícia disse Angela Merkel, por exigir as que seus membros foram dolorosas políticas em troca de atacados repetidamente pelo fundos da UE, que vêm em pequeno grupo, tornando grande parte dos cofres necessário usar a força e o gás alemães. de pimenta. Além do BCE, na sexta-feira O movimento europeu os manifestantes do Blockupy Blockupy foi formado em 2011 miraram vários bancos após o Ocupe Wall Street, dos comerciais, lojas e o aeroporto Estados Unidos. O grupo culpa de Frankfurt. (Reuters)

EMPRESA BRASILEIRA DE SERVIÇOS HOSPITALARES – EBSERH

EMPRESA BRASILEIRA DE SERVIÇOS HOSPITALARES – EBSERH

AVISO DE LICITAÇÃO

AVISO DE LICITAÇÃO

Pregão Eletrônico nº 13/2013 Processo nº 23000.001336/2013-18

Pregão Eletrônico nº 14/2013 Processo nº 23000.013829/2012-10

A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – EBSERH com sede na cidade de Brasília - DF, inscrita no CNPJ sob o nº 15.126.437/0001-43, torna público que realizará licitação, na modalidade de PREGÃO ELETRÔNICO, sob o número 13/2013, do tipo MENOR PREÇO, cujo objeto é Contratação de serviços de diagramação, formatação e impressão de serviços gráficos diversos, incluindo a produção editorial de cartilhas, folders e outros materiais gráficos, de acordo com a demanda da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH). A abertura da sessão pública para a formulação dos lances está prevista para ocorrer às 09:00 horas do dia 13/06/2013. A DISPONIBILIZAÇÃO DO EDITAL se dará a partir do dia 03/06/2013, nos sites www.comprasnet.gov.br ou www.ebserh.mec.gov.br ou no endereço: Setor Comercial Sul-B, Quadra 09, Lote C, Ed. Parque Cidade Corporate, Torre C, 1º andar – Brasília/DF – CEP 70.308-200.

A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – EBSERH, com sede na cidade de Brasília - DF, inscrita no CNPJ sob o nº 15.126.437/0001-43, torna público que realizará licitação, na modalidade de PREGÃO ELETRÔNICO SRP, sob o número 14/2013, do tipo MENOR PREÇO UNITÁRIO GLOBAL, cujo objeto é a aquisição de Reagentes laboratoriais com fornecimento de equipamentos em comodato para o hospital universitário da universidade federal do Piauí. A abertura da sessão pública para a formulação dos lances está prevista para ocorrer às 14:00 horas do dia 13/06/2013. A DISPONIBILIZAÇÃO DO EDITAL se dará a partir do dia 03/05/2013, nos sites www.comprasnet.gov.br ou www.ebserh.mec.gov.br ou no endereço: Setor Comercial Sul-B, Quadra 09, Lote C, Ed. Parque Cidade Corporate, Torre C, 1º andar – Brasília/DF – CEP 70.308-200.

Brasília, 29 de Maio de 2013 Walmir Gomes de Sousa Diretor Administrativo Financeiro

Brasília, 31 de maio de 2013 Walmir Gomes de Sousa Diretor Administrativo Financeiro

DECLARAÇÃO DE PROPÓSITO Rodrigo Henrique Gomes de Oliveira Srour, portador da C.I. RG. nº 43.740.319-1-SSP-SP e do CPF nº 231.068.388-41. DECLARA sua intenção de exercer cargo de administração na Distri-Cash Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. e que preenche as condições estabelecidas no art. 2º do Regulamento Anexo II à Resolução nº 4.122, de 2 de agosto de 2012. ESCLARECE que, nos termos da regulamentação em vigor, eventuais objeções à presente declaração devem ser comunicadas diretamente ao Banco Central do Brasil, no endereço abaixo, no prazo de quinze dias contados da divulgação, por aquela Autarquia, de comunicado público acerca desta, por meio formal em que os autores estejam devidamente identificados, acompanhado da documentação comprobatória, observado que o declarante pode, na forma da legislação em vigor, ter direito a vistas do processo respectivo. Banco Central do Brasil Departamento de Organização do Sistema Financeiro Gerência Técnica em Belo Horizonte Avenida Álvares Cabral, nº 1.605 - 2º andar - Santo Agostinho - Belo Horizonte-MG. CEP 30170-001

BERKAU S/A EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES

COMUNICADO - Esgotados nossos recursos de localização e tendo em vista encontrar-se em local não sabido, convidamos o Sr. ANDRÉ LUÍS DE JESUS, portador da CTPS 36953 - série 0364-SP, a comparecer em nosso escritório, a fim de retornar ao emprego ou justificar as faltas desde 30/04/2013, dentro do prazo de 48h a partir desta publicação, sob pena de ficar rescindido, automaticamente, o contrato de trabalho, nos termos do art. 482 da CLT. São Paulo, 31/05/2013. CENTRO DE ESTUDOS PSICOPEDAGÓGICOS LTDA.

www.dcomercio.com.br

CNPJ nº 14.171.599/0001-30 – NIRE 35.300.175.883 Edital de Convocação – Assembleia Geral Extraordinária Convocamos os Srs. Acionistas da companhia em AGE a realizar-se no dia 02/07/2013, às 9h, à Rua Conde Moreira Lima, 464, Jardim Jabaquara, São Paulo/SP, para deliberarem sobre a seguinte ordem do dia: Assembleia Geral Extraordinária: a) Aprovação das demonstrações financeiras pertinentes ao exercício findo em 31/12/2012; b) O que ocorrer. Consoantes às normas da Lei 6.404/76, está à disposição dos acionistas os documentos que se refere o art. 133, da referida Lei 6.404/76, para todos os fins legais. São Paulo, 28 de maio de 2013. A Diretoria.

O Posto Alabama Ltda. não possui conta bancária. O antigo proprietário está de posse de talões de cheques, emitindo-os ilegalmente. O atual proprietário não se responsabiliza pela emissão dos mesmos.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

22

e

sábado, domingo e segunda-feira, 1, 2 e 3 de junho de 2013

Tem de ter outras penalidades para quem se compromete, mas não cumpre. Roni Franco, pós-graduado em marketing de serviços pela FGV e sócio da Trevisan Gestão & Consultoria

conomia

Estabelecer metas de redução de demandas pode ser positivo para as companhias?

Empresas cumprem compromisso com Procon-SP

O

Procon-SP considerou positivo o result a d o d o c o m p r omisso assinado por 26 empresas no ano passado para a redução de número de atendimentos e de melhorias nos índices de solução das queixas registradas no órgão por consumidores. A meta era baixar em 6% o número de atendimentos; as empresas reduziram em 9% – foram 61.601 registros em 2012 ante 67.556 em 2011. Esses números são apenas das empresas que se comprometeram a cumprir os dois quesitos: redução de Carta de Informação Preliminar (CIP) e meta de solução de queixas. Quanto aos seis fornecedores que apresentaram proposta no ano passado para apenas uma das metas, houve elevação de pouco mais de 20% no número de atendimentos (10.711 em 2011 para 12.882 em 2013). "Neste conjunto de empresas, o destaque negativo fica por conta da SKY, que apresentou aumento de 214% na quantidade de atendimentos em relação ao ano anterior", destaca Paulo Arthur Góes, diretor executivo do Procon-SP . A SKY não assinou compromisso de redução de CIPs, somente estipulou meta de índice de solução, mas esta meta foi alcançada (leia mais abaixo). Em contrapartida, todas as 32 empresas melhoraram o índice de solução na fase preliminar. Para as organizações que assinaram as duas metas, passou de 76% para 83%, de um ano para o outro. Já os que se comprometeram com apenas uma, de 74% para 79%. O diretor executivo do Procon-SP assinala que os compromissos assumidos pelas empresas não são com o Procon-SP, mas sim com os seus consumidores. "Aquelas empresas que não demonstram interesse, quando procuradas pelo Procon-SP, sinalizam claramente o real grau de importância que dão aos seus consumidores, pois assumem que não se empenharão em lhes atender, deixando as queixas sem solução e fazendo com que eles tenham que procurar o órgão para tentar resolver o problema." O discurso de Góes é um alerta para as empresas que passaram ao largo do compromisso, embora tenham sido chamadas pelo órgão de defesa do consumidor no ano passado. Mas se não responderam ao chamado em 2012, poderão fazer isso agora, uma vez que a proposta de 2013 envolve a convocação de 46 empresas/grupos. Todas po-

derão definir as próprias metas para reduzir a demanda de queixas registradas neste ano, melhorar o índice de solução dos casos na primeira fase de atendimento ao consumidor e aumentar o percentual de reclamações atendidas no Cadastro de Reclamações Fundamentadas a ser divulgado em 2014, quando o órgão apresenta o ranking das soluções na segunda fase de atendimento. Na lista de convocação deste ano estão empresas dos setores financeiro, telecomunicações, internet, planos de saúde, transporte aéreo, construção civil, serviços públicos, comércio eletrônico e em geral, cursos, além de fabricantes de celulares, computadores, eletroeletrônicos e eletrodomésticos da linha branca. "As empresas escolhidas para assinar as propostas neste ano representam 63% das demandas recebidas em 2012 pela Fundação Procon-SP", destaca o diretor executivo.

Assinar ou não – Mas será que vale a pena uma empresa assumir o compromisso de reduzir queixas no Procon-SP se ela não tem domínio das ações de seus clientes? Fizemos essa pergunta a vários especialistas que atuam nas áreas de relacionamento das empresas, a advogados e a profissionais em marketing. A resposta da maioria é sim.

Mas há algumas ponderações. Alguns ressaltaram que é necessário estabelecer critérios, como a base de clientes ou o tipo de queixa. Caso um novo produto ou serviço sejam disponibilizados no mercado no ano, não deveriam ser considerados nas metas já estabelecidas. E deve ser vinculado ao número de clientes que a empresa já tem quando da as-

Prêmio para as melhorias no atendimento

F

oi realizada, um dia após a divulgação do ProconSP dos resultados do compromisso assinado com as empresas, a cerimônia de entrega do Prêmio Consumidor Moderno de Excelência em Serviços ao Cliente 2013, 14ª edição, para empresas que valorizam o atendimento ao cliente. Recebeu o prêmio de "Empresa do Ano", a TV Digital Sky. Já o "CEO do Ano" foi para José Efromovich, da Avianca. Ambos foram eleitos

por voto popular. Foram também premiadas 76 categorias. Todo o processo de eleição, conforme Roberto Meir, do Grupo Padrão, editor da revista Consumidor Moderno, foi auditado pela GfK. Meir destaca que esse prêmio tem como proposta valorizar as empresas que privilegiam o consumidor, oferecendo-lhes os mais diferentes canais de comunicação. O prêmio é aberto e todas as companhias são convidadas a

INFORMAÇÕES recursos – legais, permissões e normas – para o apoio ou realização do comércio eletrônico no Mercosul, tais como o ecossistema de comércio eletrônico; geração de confiança na internet; oferta e demanda de produtos e serviços aptos à comercialização pela internet, e um plano diretor de Comércio Eletrônico para o Mercosul. A iniciativa é do Projeto Mercosul Digital, cooperação inter-

nacional entre a União Europeia e o Mercosul com foco nas áreas de e-commerce, capacitação contínua, desenvolvimento das pequenas e médias empresas (PMEs) e difusão dos temas da Sociedade da Informação em geral. A versão digital da publicação, com a síntese e o estudo completo de cada documento, pode ser encontrada em w ww. m e rc o s u l di g ital.org.

Angela Crespo é jornalista especializada em consumo e-mail: doislados@dcomercio.com.br

participar. Nesta edição, foram 202 finalistas de 52 setores da economia. "O prêmio busca reconhecer as empresas que privilegiam a excelência no relacionamento e mantém elevados indicadores de satisfação, retenção e lealdade", ressalta. Para Meir, que é especialista internacional em relações de consumo e varejo, nesta edição foi possível identificar que as empresas ainda estão negligenciando o atendimento

eletrônico. Essa conclusão é decorrente das avaliações de um dos quesitos para identificar as melhores empresas em atendimento. "É enviado um e-mail para os canais de atendimento eletrônico das empresas. Um terço deles não foi respondido." Os outros critérios são ligações para o serviço de atendimento, cliente secreto e ações nas redes sociais para checar se as empresas também estão atentas a esse canal.

Envio de cartão sem solicitação do consumidor é prática abusiva

FIQUE POR DENTRO

Foi lançado o livro Comércio Eletrônico: Estudos e Diagnósticos no Mercosul, que reúne dados e documentos sobre o panorama do comércio eletrônico nos quatro países do Mercosul e apresenta questões importantes que devem ser levadas em conta para que seja feito um comércio eletrônico transfronteiriço eficiente. Vários temas foram analisados, e em destaque estão os novos

sinatura das metas. Mas como fazer esses ajustes, ninguém tem a fórmula. Uns poucos especialistas consultados, principalmente os que atuam em contenciosos de empresas com seus clientes, consideram desnecessária a exposição, uma vez que o Procon-SP só divulga a lista de fornecedores que se comprometem com uma

ou mais metas. Os que não aceitaram não são denominados quando da divulgação dos resultados. Roni de Oliveira Franco levanta outro ponto: "Se a empresa assinou o compromisso deve fazer o possível e o impossível para cumpri-lo, sob pena de ter divulgação negativa de sua imagem quando da apresentação dos resultados pelo Procon-SP." Ele, que é pós-graduado em marketing de serviços pela FGV e sócio da Trevisan Gestão & Consultoria (TG&C), assinala que o cumprimento das metas seria perseguido pelas empresas caso o resultado não se limitasse à divulgação pelo Procon-SP do nome de quem cumpriu ou não. "Tem de ter outras penalidades para quem se compromete, mas não cumpre." Um exemplo, segundo ele, seria a suspensão da comercialização de produtos e serviços por um determinado período, a exemplo do que vem fazendo a Agência Nacional de Saúde (ANS) com os planos de saúde e fez a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) no ano passado com as operadoras de telefonia. Mas isso só valeria se o compromisso fosse compulsório. Todas as empresas serem obrigadas a propor metas. Para Fábio Rivelli, advogado e diretor de Direito do Consumidor da Dantas, Lee, Brock & Camargo Advogados (DLBCA), para as empresas que ainda trabalham com departamentos estanques, isolados, sem diálogo, de nada adianta assinar compromissos como este do Procon-SP. "Precisa haver a integração dos departamentos para que a empresa possa mapear os problemas com os consumidores e lapidar a dicotomia. Com o domínio de seus problemas, ela pode assumir compromisso com o ProconSP sem correr riscos de ver o seu nome divulgado de forma negativa."

O

Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que o envio de cartões de crédito sem pedido prévio e expresso do consumidor, ainda que bloqueados, é prática comercial abusiva e autoriza a indenização por danos morais. Para o STJ, a prática viola o artigo 39 do Código de Defesa do Consumidor (CDC). A decisão da Terceira Turma do STJ, após julgar recurso do Ministério Público de São Paulo contra a administradora de cartão de crédito Unicard, determina que a empresa fica proibida de enviar cartões sem solicitação e a indenizar os

consumidores por danos morais. O resultado desse julgamento pode balizar, inclusive, sentenças semelhantes cujas ações correm no Tribunal. O ministro Paulo de Tarso Sanseverino justificou seu voto sob o argumento de que, "mesmo quando o cartão é enviado bloqueado, a situação vivenciada pelos consumidores gera angústia desnecessária, especialmente para pessoas humildes e idosas". Fonte: Superior Tribunal de Justiça (STJ)

Diário do Comércio 31/05/2013  
Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you