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DC 02/01/2013

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Ano 87 - Nº 23.781

Conclusão: 23h55

Jornal do empreendedor

www.dcomercio.com.br

R$ 1,40

São Paulo, terça-feira e quarta-feira, 1 e 2 de janeiro de 2013

EUA acordam caindo no abismo fiscal A Câmara não conseguiu votar até a noite de ontem o acordo que tinha sido aprovado no Senado. Ou seja: cortes orçamentários e aumentos automáticos e impostos estão valendo. Pág. 15 Newton Santos/Hype

Haddad assume e já começa outra campanha O petista Fernando Haddad afirma logo em seu primeiro discurso como prefeito de São Paulo que a dívida da Cidade é "insustentável" e que "não há mais condições de tocar para frente sem repactuá-la". E é exatamente por isso que vai lutar desde já. Págs. 5 e 7 cobre

essas As prommais aulas

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e Recorte

e reches la nas c fi a d Fim a Certa is e Hor eicular Hospita peção v s in e d taxa Fim da nibus res de ô o d e r r o C ensal trânsito Único M menos e Bilhete o chente t r e ais p ate à en m b o m g o e c r e Emp eriferia rde na p Mais ve adas urbaniz e Favelas a o crim ia contr c n â teiro il in ig V l o ano a Copa a r u lt u ade com id c Virada C a a r a heiro p Mais din

Carlos Garcia Rowlins/Reuters

Coreia do Norte: após 19 anos, 'feliz Ano Novo'.

À Venezuela, só resta rezar por Chávez.

Na 1ª mensagem de Ano Novo em quase duas décadas, o líder Kim Jong-un fala em paz com a Coreia do Sul – mas, na verdade, ele quer é dinheiro. Pág. 8

Diante de informações contraditórias – vice diz que presidente está consciente e jornal, que está em coma – e de apelos do governo e da oposição pedindo calma, população reza. À esq., quadro de Chávez exibido em vigíla realizada em Caracas. Pág. 8

Ano novo, novos shoppings. Indicadores de crescimento do varejo impulsionam o setor, que vai inaugurar 70 estabelecimentos só neste ano. Pág. 14

Para ficar bem (e rico) na foto

Ensinamentos campeões para pequenas empresas Trajetória dos vencedores do Prêmio Sebrae é grande lição de negócio. Pág. 11

Usuários do Instagram aproveitam a popularidade do aplicativo de compartilhamento de fotos e criam empresas. Pág. 16 ISSN 1679-2688

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9 771679 268008

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Quer saber como? Pergunte ao

Pelo menos foi o que aconteceu 1,2 trilhão de vezes (em 146 línguas) durante 2012. No Brasil, o campeão foi "como sair do Facebook?". Pág. 10


DIÁRIO DO COMÉRCIO

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terça-feira e quarta-feira, 1 e 2 de janeiro de 2013

Não é sem razão que as contas fiscais brasileiras estão se deteriorando a olhos vistos. José Márcio Mendonça

pinião

FALTOU A LIÇÃO DE CASA

T

ambém a sua maior e mais nobre obrigação foi abandonada: a de discutir o votar o Orçamento da União, ou seja, a de, como representação popular, definir como será gasto o dinheiro que o governo arrecada para ofere-

José Cruz/Abr

P

or mais que o deputado Marco Maia ameace derrubar tigres de papel e o senador José Sarney exiba seu eterno sorriso de satisfação consigo próprio, para mostrar a "força" das instituições que dirigem, o Congresso Nacional foi para mais um recesso parlamentar de fim de ano sem passar ao brasileiro comum a impressão do dever cumprido. Na verdade, sem cumprir de fato boa parte de suas obrigações. Nem mesmo quando avançou em temas relevantes, como no caso do Código Florestal e da nova fórmula da divisão dos royalties do petróleo, o Congresso deixou a tarefa pela metade. Vetado em parte pela presidente Dilma Rousseff no dois assuntos, não teve disposição nem empenho para debater e votar os vetos, seja para acatá-los ou derrubá-los. Deixou-os no limbo e numa situação de insegurança e de incerteza que mergulhará para o ano entrante. Aliás, na questão dos vetos, ficou exposto um dos nervos da renúncia às suas prerrogativas feitas pelo Congresso, espontaneamente: há mais de 3 mil vetos presidenciais, que vêm desde os tempos de Fernando Henrique Cardoso, para mais de 12 anos, que não foram apreciados por deputados e senadores. Com essa atitude e com a aceitação pacífica de Medidas Provisórias a respeito de tudo ou de nada, os deputados e senadores transferiram, de fato, o direito de legislar para o Executivo – quando não para o Judiciário.

JOSÉ MÁRCIO MENDONÇA

No ano que passou, Congresso deixou de lado suas prerrogativas e votou apenas umas poucas medidas importantes.

cer serviços decentes à população. Há muito o Orçamento não é discutido em profundidade pelos ilustres parlamentares e, depois de aprovado, sofre constantes modificações de cima para baixo, pela vontade do Palácio do Planalto, por meio de MPs, decretos e programação orçamentária e outras ações atrabiliárias de órgãos do Executivo. Nada ilustra mais esta "renúncia de prerrogativas" do que acaba de acontecer com o Orçamento deste ano. Por causa de ruídos demais na Câmara e no Senado, o governo, para não correr riscos, não mobilizou sua tropa de choque no fim do ano e o Orçamento não foi votado. O Palácio do Planalto não se abalou – como deveria – se a lei fosse regra: sem a peça orçamentária, ficaria de mãos amarradas nos investimentos, podendo apenas gastar para

pagamentos essenciais como previdência social e salários. Porém, sem cerimônia,o governo avançou sobre as obrigações exclusivas do Congresso e, numa espécie de "estupro constitucional", editou uma Medida Provisória autorizandose a gastar R$ 42,5 bilhões em investimentos no início do ano até que o Orçamento seja aprovado. MP com esse sentido é expressamente vedada pela Car-

Por conta de ruídos na Câmara e no Senado, o governo, para evitar riscos, não mobilizou sua tropa de choque no fim do ano e o Orçamento não foi votado. Uma MP liberou recursos.

TIRANDO DE LETRA C

omo explicar resultados de pesquisas com aprovação acima de 70% de governo que passa por graves escândalos de corrupção e sérios problemas de má administração? Em linguagem esportiva, a equipe do poder "mata a bola no peito e tira de letra", pois toda denúncia não passa de mentira deslavada e defesa armada com beques truculentos aplica estratégia que lembra retranca no futebol com bola pro mato que é jogo de campeonato: • Pôr o presidente do partido, na sua grossura oral e facial, para lançar furioso manifesto contra "golpistas" imaginários;

• Ordenar lideres e membros da imensa base aliada, para acusar a oposição (que não existe) de perseguição implacável, principalmente ao ex-presidente, que nunca sabe de nada; • Sugerir como única saída submeter os meios de comunicação a rígida regulação, eufemismo para justificar a aplicação da censura que tanto condenaram na época da "revolução"; • Usar o arsenal de armadilhas bem preparadas para sufocar as acusações e angariar votos dentro da tática de marketing políticoideológico chamada "enrolation", com lançamento de programas que, na

ta Magna. A justificativa é que é preciso correr com os investimentos para tirar a economia nacional da letargia em que se encontra. E a votação vai demorar porque o Congresso só volta à ativa em fevereiro. Nada justifica uma agressão ao texto legal. Mesmo assim, as alegações não se sustentam. O problema da falta de investimentos oficiais não é propriamente de falta de verbas dispo-

verdade, só serão executados depois, ainda mais em se tratando de obras de infraestrutura, como rodovias ou portos, na base do conta-gotas, mas gerando manchetes e propaganda como no caso dos "puxadinhos" dos aeroportos; • Montar "casa de caboclo" como a proposta de corte no preço da conta de luz, recusada exatamente pelos estados administrados pela oposição (?) que, para não "quebrarem" suas empresas de energia, fugiram das novas regras – mesmo sabendo de prejuízos eleitorais no futuro e que serão acusados de insensibilidade para com os eleitores, em

contraposição à presidente-gerentona que luta contra os juros e pelo bolso do consumidor; • Em casos de extremo risco, como o ocorrido na operação Porto Seguro, anunciar leilão do mirabolante "trem-bala" Campinas/Rio, em ação de puro marketing para vender um grande sonho; • Usar de expedientes promocionais, comuns a todo governo, mas com a competência única dos atuais donos do poder – que ficam blindados contra qualquer acidente de percurso, mesmo sob risco de perigoso "subprime", também chamado de "marolinha".

N

este roteiro, que a presidente aprendeu com seu antecessor, ela aprimorou a técnica de jogar para a arquibancada também em viagens ao exterior, quando dita regra para países em

Presidente Rogério Amato Vice-Presidentes Alfredo Cotait Neto Antonio Carlos Pela Carlos Roberto Pinto Monteiro Claudio Vaz Edy Luiz Kogut Érico Sodré Quirino Ferreira Francisco Mesquita Neto João de Almeida Sampaio Filho João de Favari Lincoln da Cunha Pereira Filho Luciano Afif Domingos Luís Eduardo Schoueri Luiz Gonzaga Bertelli Luiz Roberto Gonçalves Nelson Felipe Kheirallah Nilton Molina Paulo Roberto Pisauro Renato Abucham Roberto Faldini Roberto Mateus Ordine

níveis, e sim de execução. Embora os gastos do Tesouro Nacional com este item, até novembro de 2012, tenham sido 22,8% maiores que no mesmo intervalo de 2011, eles ficaram em R$ 54,9 bilhões, pouco mais da metade do que estava previsto para 2012.

A

liberação que Dilma fez agora por MP é pouco menos do que o governo deve gastar durante todo o ano. Ou seja, praticamente não precisa de Orçamento burocraticamente aprovado pelos congressistas. Pode não parecer tão grave assim à primeira vista, mas se a moda pega, vai-se mais um freio de controle, ainda que tênue, aos gastos públicos. Não é sem razão que as contas fiscais brasileiras estão se deteriorando a olhos vistos. Nem com todas as mágicas ofi-

crise, recriminando-os por tentar resolver seus problemas por meio do realismo de "apertar o cinto". Ela mata a bola no peito e diz que deixa as águas rolarem no Brasil porque o povo quer é consumir, graças a financiamento de bancos oficiais, oferecido como se os juros fossem os mais baratos do mundo. Isto é avançar – e pensávamos que o importante fosse investir em educação, por exemplo. Com bolsas, quotas raciais, crédito, marketing agressivo e felicidade geral para antes do fim do mundo em 21.12. 2.012, ninguém da massa quer levar a sério histórias capazes de fazer corar um santo de pedra, como a do "Planaltinho" da avenida Paulista e denúncias de condenados do Mensalão em busca de delação premiada.

ciais, comentadas com alguma frequência aqui pelo professor Roberto Fendt, o governo conseguirá atingir a meta por ele mesmo estabelecida (portanto, uma promessa) de fazer em 2012 um superávit primário (economia para pagar juros) de R$ 139 bilhões, algo correspondente da 3,1% do PIB. O próprio Banco Central, em seu último Boletim Trimestral da Inflação, já faz, ainda que discreto, um alerta para os riscos dessa frouxidão fiscal. Mas a presidente Dilma tem pressa em botar a economia nos eixos, pois 2013 é rito de passagem para 2014 e para a campanha da reeleição. E enquanto o governo não conseguir despertar os investimentos privados, tentará empurrar de todo modo os gastos públicos, com a alegre omissão do Congresso. Uma arriscada aposta de curto prazo. Como não é de bom tom iniciar um Novo Ano que visões apenas realistas, vamos todos torcer e orar para que as mais doidivanas previsões do ministro da Fazenda Guido Mantega se realizem neste 2013. E que todos os alertas dos críticos fiquem apenas como profecias que não se realizem. JOSÉ MARCIO MENDONÇA É JORNALISTA E ANALISTA POLÍTICO

MÁRIO RIBEIRO No conjunto, as ações acabam diminuindo o zumzum-zum sobre Rosemary, suas viagens, e-mails e transas em geral entre o público e o privado até que haja um cansaço de se ficar falando de mazelas, providencialmente sempre empurradas pela presidente "faxineira" para debaixo do tapete. Neste contexto, mais de 70% de aprovação fica até barato. Alcançar o objetivo de mais 70 anos no poder é bola na rede, moleza. MÁRIO RIBEIRO É JORNALISTA E PUBLICITÁRIO

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DIÁRIO DO COMÉRCIO

terça-feira e quarta-feira, 1 e 2 de janeiro de 2013

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FORTE EXPERIÊNCIA ESPIRITUAL NO ENCONTRO COM MENDIGO NUMA PRAÇA DE INTERIOR.

pinião

Reprodução (Pindamonhangaba, de Debret, 1827)

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m brasileiro pouco dado a samba, a feijoada, a contar piadas, a flertar com a moça do caixa, além de não ter grande encanto com os Facebooks e os tablets da vida, esse é sem dúvida um ser estranho, não importa o que seja ou faça. Pompeu Silveira é assim, e eu descobri que ele era meu conterrâneo somente pela visão distante do seu costume de manter conversa com os outros bloqueando despreocupadamente o caminho dos passantes na calçada. Para quem observa a linguagem corporal, isso tudo – mais o hábito de escorar-se no balcão mais próximo – são as marcas registradas dos nossos nacionais no estrangeiro. Seu falar não tem sotaque, mas uma vez que viveu sempre em recantos modestos de Nova Jérsei, sua fala é marcada pelo ebonics da costa leste americana. Alto, pele muito branca, sempre meio descabelado, pode ser visto, olhando da rua, no fundo envidraçado da oficina onde conserta relógios, seu trabalho há muitos anos.

U

m dia falamos sobre um vizinho que ganhou um milhão de dólares na loteria de Nova York, e a partir daí conversamos, às vezes, a respeito da grande ironia da fortuna que visita alguns que nunca apostam e que jamais premia os grandes apostadores. Pompeu me falou, en passant, de um livro que o impactou demais e o desmotivou de todo o resto. Sua alma fora, segundo afirmou, momentaneamente esvaziada e o levou a fazer uma revisão do seu passado. Fiquei muito interessado nisso. Era um livro que eu também tinha

que o convença. William James diz ali que o homem precisa entender o fundamento das coisas que o tentam, que o seduzem, que o horrorizam, que o deixam perplexo. Saber o porquê, ou melhor, saber como estas coisas operam dentro de si, isso apontava numa direção. E um dia Pompeu descobriu que aquele livro era o primeiro elo de outros livros e de ideias que o levariam a ser ele próprio o seu livro, o seu mentor, o homem que é seu próprio guia, que se revela toda hora a si mesmo, sem ansiedade e para sempre.

Noite mágica em Pindamonhangaba lido nos meus vinte anos com o mesmo ardor: Variedades de Experiência Religiosa, de William James, escrito em 1902. O livro, porém, foi somente a confirmação de uma experiência vivida numa viagem que Pompeu fez ao interior brasileiro, como ele contou, falando com muita calma, nos 45 minutos que tem todos os dias para o almoço, encostado no paralama do próprio carro. "Viajei para o interior de São Paulo logo depois do enterro de meu pai. Sou de Pindamonhangaba e quis passar uns dias com uns tios, para pensar se voltaria para os Estados Unidos ou não. Achava minha vida besta, sem graça. Na praça da cidade, de madrugada, um mendigo se aproximou de mim e foi logo di-

LUIZ CARLOS LISBOA zendo que não queria pedir nada, mas havia alguma coisa sobre a qual queria falar". Pompeu fez uma pausa e continuou: "O homem falou de mim mesmo como se falasse de um outro, de alguém que eu conhecia muito bem mas que não queria identificar como eu mesmo. Falava assim: você acumula tudo dentro de si, na esperança de se preparar para viver, visando a felicidade ou a sabedo-

ria, e no fim descobre que nada se soma, tudo se dissolve no ar. Mostrava ele que cada dia em minha vida era um desperdício de energia sem sentido. E concluía dizendo que se nada se somava em mim, eu era só a mera sombra de um homem. Os homens quase todos se parecem nisso. Valeria a pena viver por tão pouco?" Pompeu Silveira confessou que ninguém jamais havia fala-

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do desse modo com ele antes. Durante um momento ele apertou a cabeça com as mãos, em desespero, e quando procurou de novo o mendigo, o sujeito havia sumido. Levantou-se, olhou em volta e nada, estava só. Voltou para a casa do tio e tentou dormir. Dois dias depois, andando por São Paulo, viu o Variedades de Experiência Religiosa na vitrine de um sebo. Comprou sem saber exatamente o motivo. Quando chegou à metade do livro já sabia que aquele seria seu livro de cabeceira por muito tempo. Esse estudo da natureza humana explicava porque os homens buscam resposta para tudo enquanto vivem, e porque a maioria se distrai ou envereda pela superstição à falta de algo

uando Pompeu acabou de falar e olhou o relógio para saber se seu tempo de almoço estava esgotado, eu me desculpei por tê-lo privado de sua refeição. Voltei a pé para casa. Teriam as tardes de Princeton alguma coisa impalpável de magia na luz alaranjada que se espalha pelas pessoas, pelos carros, pelos anúncios (inclusive os de mau gosto) e rebrilha na lataria dos carros como lantejoulas, ou eu me deixei impressionar com o relato do meu amigo? Como me deixei deslumbrar com alguma coisa que não cheguei a entender? Da próxima vez que estiver com Pompeu quero perguntar a ele se aquela praça de Pindamonhangaba tinha o mesmo conteúdo daquele subsolo do conto O Aleph, de Jorge Luis Borges, em que todas as coisas do universo, as belas e as medonhas, se mostravam e pareciam revelar alguma coisa indizível, todas ao mesmos tempo. LUIZ CARLOS LISBOA É JORNALISTA E RESIDE EM PRINCETON, EUA. ALGUTE22@GMAIL.COM

TENTANDO SER OTIMISTA EM 2013 âmbitos), em meio à já aparente capacidade abaixo do cantado, de gerenciamento dos problemas do Brasil, ainda se observa a passos gigantescos, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, intervindo diretamente no Banco Central e, mal gerindo a economia, desmontar a base do sucesso econômico do País nos últimos 15 anos? Com sua míope visão estatizante, despreparada, a política econômica do governo Dilma está pondo de lado a flutuação do dólar, o aperto fiscal e as metas de inflação, que serviram de base, até no governo Lula, para manter a estabilidade da economia e o crescimento de nossa riqueza.

montada no Brasil. O próprio governo propõe quando se apagavam as luzes do ano a "flexibilização" da Lei de Responsabilidade Fiscal, criando desonerações com base num possível excesso de arrecadação. É a cunha para abrir a porta da lei que impede os governantes de gastar o dinheiro público. A lei pode puni-los e tem servido como freio para governantes de todos os níveis de poder em suas vontades distantes dos anseios populares. Dilma, que teve déficit nas contas, que brinca com apagões, quer "flexibilizar" o gasto público.

S

eu governo, na metade do percurso, ainda não disse a que veio. A corrupção está instalada no coração do seu governo . É o caso da "íntima" amiga de Lula que tinha o pomposo cargo de chefe do gabinete da Presidência da República em São Paulo e que o usava para cultuar indevidamente a imagem do então presidente, enquanto, em sua sombra, (ele vai dizer que não sabia, nunca sabe de nada) a "íntima colaboradora" se revelava uma títerezinha mequetrefe, roubando os cofres públicos com seus asseclas, levando vantagens de pessoas de pequena visão (para sorte

SXC

S

empre fui mais otimista, ou mais realista do que pessimista, negativista. Lembro-me até que já disse aqui, ao longo desses mais de 30 anos de coluna, que diante de um copo com água pela metade eu o considero meio cheio e nunca meio vazio. O curto prolegômeno se justifica neste início de ano novo pela minha resistência, diante dos fatos, em ser otimista com relação ao desempenho econômico do Brasil. Terminamos 2012 sob uma saraivada de más notícias, embora para o governo Dilma e sua equipe econômica, tudo esteja bem e under control. Houve déficit das contas públicas na gestão Dilma. Seu governo passou longe das metas fiscais, o Produto Interno Bruto virou um humilhante "pibinho" e a própria presidente – entende-se seu silêncio – disse abobrinhas ao pedir gargalhadas quando alguém falar em apagão por causa de raio. É sempre caso de falha humana (de seu governo), disse ela. Para quem foi ministra das Minas e Energia, dizer algo assim é assustador, em especial para o brasileiro, pagador dos impostos que sustentam a monumental parafernália aparelhada, que desde o primeiro governo Lula foi

do Tesouro). Nunca é demais lembrar – pois o País já esqueceu – que quando a atual presidente era Chefe da Casa Civil, sua então chefe de gabinete, Erenice Guerra, também foi pega, como se dizia, com a mão na botija. Fora os malfeitos que rondam os gabinetes planálticos de forma

permanente; fora a defesa que ela mandou fazer dos criminosos do mensalão. É daí para mais. Como ser otimista, voltando à economia, se em meio a essa situação de ausência de efetivas medidas de solução para a corrupção que campeia no seio do poder federal (e certamente em todos os

C

omo não sou economista, não posso ir além dessa abordagem quase trivial. Deixo aos especialistas uma avaliação aprofundada do que está acontecendo nas decisões econômicas do governo. Está no Planalto uma presidente eleita pelo voto popular, num país de liberdade de mercado, ou um general estatizante do período militar? Temo que os dois últimos anos da gestão de Dilma (pois duvido que Lula vá deixar que ela se recandidate; ele acredita que o lugar é dele) possam

PAULO SAAB ser uma descida colina abaixo, quando nem tivemos a subida nos dois anos iniciais. Marcamos passos ou regredimos sob sua batuta, até agora. Muito ainda passa ao largo do entendimento da massa votante que vai pagar os efeitos da desconstrução da economia, em andamento, aplaudindo... Santa ignorância! Espero estar enganado desejo de verdade que esteja escrevendo em meu lado do copo meio vazio. Assim, auguro ao leitor um novo ano de muita saúde, paz, dinheiro, mas de pouca paciência com os erros de nossos políticos e governantes, para sairmos da letargia que permite a falácia no poder se achar acima do bem e do mal. Salve 2013! PAULO SAAB É JORNALISTA E ESCRITOR


DIÁRIO DO COMÉRCIO

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GibaUm

3 O ano de 2012 foi uma

festa no mercado editorial pelos romances pornô soft para mulheres, por conta da trilogia 50 Tons.

gibaum@gibaum.com.br

k “Não me arrependo de nada, estou muito velha para isso. Infelizmente, nasci há 65 anos. Gostaria de ter nascido há dez”

terça-feira e quarta-feira, 1 e 2 de janeiro de 2013

3 MAIS: as aventuras criadas por E.L. James venderam 67 milhões de livros. Só no Brasil, 2,4 milhões. Anastasia está exausta.

Dúvida cruel Nesses dias que passou em Passa Quatro, em Minas Gerais, onde mora sua mãe, D. Olga, José Dirceu acabou confessando a poucos amigos com os quais conversou que tem duvidas sobre o sucesso de uma supermanifestação que o PT quer fazer em fevereiro. Lembrou que, no final de novembro do ano passado, bradou “É preciso ir às ruas” – e ninguém se mexeu. Na última reunião do diretório nacional, o PT mesmo foi contra manifestações publicas antiSupremo. E o carnaval cai em meados de fevereiro, o que esvazia passeatas, antes e depois. 333

DILMA ROUSSEFF // fazendo um balanço de sua vida, como presidente e como sessentona. Fotos: BusinessNews

METROSSEXUAL Pesquisa do IBGE sobre o uso do tempo pelo homem revela que o brasileiro anda mais do que metrossexual: gasta de três a três horas e meia por dia com cuidados da aparência, que é exatamente o tempo utilizado pelas mulheres. O estudo foi aplicado em São Paulo, Brasília, Rio Grande do Sul e Pará e mostra que a antiga divisão das horas de trabalho não mudou: ele trabalha o dobro das horas da mulher que, por sua vez, além do emprego, gasta o triplo do tempo com afazeres domésticos.

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Na conversa que tiveram, no ano passado, em Paris – e a sós – a presidente Dilma Rousseff ouviu do ex-presidente Lula que, neste ano, percorreria o país numa reedição da Caravana da Cidadania, só que “na defesa do seu legado” e comemorando dez anos do PT no poder. E ouviu também que, caso fosse necessário, “voltaria a ser candidato”. Só não especificou se ao Planalto, ao governo de São Paulo ou ao Senado. Dilma apenas ouviu: é como se a criatura entendesse os motivos do criador e devolvesse a ele o mandato que ganhou. Na área do Senado, a idéia amadurece: como só há uma vaga, Lula poderia se eleger sem precisar fazer campanha e ajudaria o candidato escolhido a governador (e Suplicy disputaria uma cadeira na Câmara Federal). 333

O OUTRO LADO O ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo, jamais decretaria a prisão imediata dos mensaleiros, conforme queria a Procuradoria-Geral da República: sabia de todas as implicações jurídicas se tomasse essa atitude, misturando até a imagem do STF. Advogados dos mensaleiros preparavam habeas corpus que seriam examinados pelo ministro mais velho presente em Brasília, no caso Marco Aurélio Melo que, certamente, mandaria libertálos. Esses eventuais habeas corpus não seriam examinados por Barbosa devido ao fato dele ser a autoridade co-autora. 333

De porta em porta Segundo a Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico e Sensual (o nome quase é pudico), do primeiro filme De Pernas pro Ar para cá (o número 2 acaba de estrear), aumentou, em todo o país, o volume de vendedoras de brinquedinhos sexuais porta em porta. Antes, estimava-se que, em todo o país, pouco mais de 1.500 mulheres dedicavamse a esse tipo de trabalho. Depois, inspiradas nas personagens do filme, a entidade estima que, atualmente, 45 mil mulheres estão vendendo apetrechos íntimos, door to door . 333

DINHEIRAMA 333 O fim do casamento de Ronaldo e Bia Antony, uma união de sete anos, significará, além de robusta pensão para cada uma das duas filhas, uma dinheirama e tanto para a exmulher. A fortuna de Ronaldo é estimada em mais de US$ 200 milhões. Mesmo se houver contrato sobre separação de bens (antes do casamento), ela tem direito a metade de tudo o queeleganhouduranteotempo em que estiveram juntos. Há quem aposte num acordo de US$ 10 milhões, só para ela: filhas à parte e manutenção das demais mordomias, inclusive mansão ou super-apartamento.

A grande novidade do respeitado site Models.com, bíblia cibernética dos fashionistas, depois da criação de duas novas listas – The Hot List e The Supers – foi o reposicionamento de Joan Smalls, portorriquenha de 24 anos, que passou a liderar a Top 50, posição antes ocupada por Lara Stone, alçada à categoria de ícone (industry icons). Representa, mesmo que indiretamente, o alargamento dos padrões estéticos e o interesse crescente da indústria da moda e da beleza por mercados emergentes. Ela é capa e editorial da Vogue de janeiro e está, ao lado de Karlie Kloss, na série de moda da MTV House of Style.

É a nova number one

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333 O ministro Guido Mantega, da Fazenda, chamado de Elfo Vidente pelo Financial Times, no blog Beyondbrics, foi, rapidamente, ao Google, na semana passada. Lá, descreve o elfo como uma criatura mística da Mitologia Nórdica e Céltica, que aparece muito na literatura medieval européia e ganhou maior popularidade com a trilogia de O Senhor dos Anéis, de J.R.R. Tolkien (e sucesso no cinema com os filmes do neozelandês Peter Jackson). São sábios, não muito altos, belos e quase imortais. São também descritos como semi-divinos, mágicos, semelhantes à imagem literária das fadas. Vivem nas florestas e sempre acompanhados de ótimos arqueiros. Tem até game com eles: World of Warcraft. Shakespeare imaginava elfos como seres pequeninos, descrição que Tolkien odiava. Agora, se alguém brinca com Mantega, ele devolve: “Me respeite porque sou um elfo”.

Elfo à brasileira

MISTURA FINA JOSÉ Cláudio de Noronha, ex-marido de Rosemary, está encostado e aparecendo o menos possível na assessoria da presidência da Infraero, em Guarulhos. 333

PAULO Rocha (PT), absolvido no processo do mensalão quer fazer dobradinha com Jader Barbalho (PMDB), cujo currículo é famoso em todo o país, na tentativa conjunta de desbancar o PSDB e ir para um segundo turno nas eleições para governador do Pará em 2014. 333

A REVISTA Vogue marcou para o dia 24 próximo, no Hotel Unique, a realização de seu Baile de Gala e Fantasia 2013, précarnavalesco já tradicional em São Paulo, que reúne socialites (poucas) e muitos artistas, tanto que Sabrina Sato será a mestre de cerimônias. Haverá show de Claudia Leite, DJs e havendo clima, um pouco de carnaval à antiga, com marchinhas. 333

Os horizontes andam cada vez mais largos no universo das revistas masculinas: tiram a roupa stars e starlets, mulheres-frutas, assistentes de palco de programas de TV, modelos, chefs, ex-reality shows, virgens e até hostess de conhecidos restaurantes de São Paulo. Agora, fotografada no alto de um edifico da cidade, coberta por um traje transparente com cristais, é a vez de Núbia Goulart, atração de Status , mais do que desinibida, corpo aplaudido e olhos verdes. Na preparação das fotos, oito profissionais atuando. 333

Ninguém resiste

Verão retrô Quem passou esses feriados emendados no Rio ou nas praias freqüentadas por muita gente conhecida no litoral norte de São Paulo, pode acompanhar, de perto, significativos sinais de um verão retrô: maiôs inteiriços, com babados em cima e até de bolinhas, maiôs de duas peças, sendo que a inferior é suficientemente larga nas laterais, lembrando precursores do biquíni, óculos de sol colossais e por aí vai. Fio dental virou demodê, quem diria.

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Dilma avisada

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Rio: Arpoador.

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Rio: Copacabana.

Mais mulheres Além de Marina Silva, que concorreu à Presidência pela PV e tenta organizar seu novo partido de olho em 2014, também o PSOL, pelo qual concorreram Plínio de Arruda Sampaio, em 2010 e Heloisa Helena, em 2006, já discute internamente qual será seu nome na corrida presidencial. A favorita é a ex-deputada Luciana Genro, filho do governador petista Tarso Genro (é o primeiro a reconhecer culpa dos mensaleiros). Legalmente, ela só pode concorrer a presidente ou vice. O maior apoio que tem é de Heloisa Helena, que tentará voltar ao Senado. 333

333 ENQUANTO lança Adultos sem Filtro, Thalita Rebouças, a favorita dos adolescentes, vai ter seu primeiro livro Tudo por uma Pop Star transformado em musical, com estréia este mês e em dois espaços (com o mesmo elenco) no Rio: no Centro Cultural João Nogueira, no Méier e no Teatro Clara Nunes, na Gávea. Foram criadas cópias dos cenários, dos figurinos e até duas replicas de um Fusca.

O SENADOR Eduardo Matarazzo Suplicy (PT-SP) não é o pai da idéia de acrescentar a palavra “amor” no lema da bandeira: ele aderiu à proposta do deputado Chico Alencar (PSOL-RJ). O lema, para quem não sabe, se inspira na frase “Amor por principio, ordem por base, progresso por fim”, do filosofo Auguste Comte. O “Amor” foi excluído pelos republicanos devido à influencia do tenentecoronel Benjamin Constant – e certamente, não ganhará espaço ao lado do “Ordem e Progresso”.

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333 A IMX, de Eike Batista, e a Odebrecht deverão se associar para a disputa da concessão do estádio do Maracanã: pelo poder de fogo, é o que se chama de barbada na linguagem popular.

Colaboração: Paula Rodrigues / A.Favero

CHARGE DO DIA


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DIÁRIO DO COMÉRCIO

terça-feira e quarta-feira, 1 e 2 de janeiro de 2013

5 PRESSÃO Haddad assume a cidade e aponta dívida impagável com a União

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Haddad admite: dívida da cidade é 'insustentável'

BOLO Padrinho político do prefeito, Lula não compareceu. Nem Marta.

Ao assumir ontem o cargo de prefeito paulistano, Fernando Haddad concordou com o antecessor, Gilberto Kassab, que é praticamente impossível governar a cidade sem renegociação com a União. E é isso o que pretende fazer já, anunciou.

Newton Santos/Hype

Mário Tonocchi

O

prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), disse ontem, no discurso de posse, que a dívida do município é "insustentável" e que não há mais possibilidade de investimentos na cidade se não houver mudança na indexação da cobrança. "Não há mais condições de tocar para frente sem repactuar a dívida". Ele prometeu levar ao Congresso Nacional e ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, uma proposta para que a repactuação seja estendida a estados e municípios. "A dívida de São Paulo é de 200% da arrecadação (de R$ 40 bilhões)", afirmou. Haddad concordou com o ex-prefeito Gilberto Kassab, que reafirmou no evento de ontem ser praticamente impossível governar a cidade com essa dívida não renegociada. "A dívida com a União é impagável. É preciso concluir essas negociações (com o governo Dilma Rousseff). É um combate necessário e urgente", disse o ex-prefeito, que afirmou deixar a prefeitura com a cabeça erguida e pronto para "outros voos". Para Haddad, a capacidade de investimento também pode ser recuperada por meio de parcerias. "Não bastará apenas a troca do indexador da dí-

vida, temos de buscar as parcerias necessárias com os governos federal e estadual, no âmbito das Parcerias PúblicoPrivadas (PPPs), com empreendedores, para recuperar os investimentos". Nada a recusar – O discurso de Haddad mostra que uma das prioridades do governo será a busca de novos recursos. "Não posso, não devo, não farei e não recusarei um único

Não há mais condições de tocar sem repactuar. A dívida de São Paulo é de 200% da arrecadação [de R$ 40 bilhões]. FERNANDO HADDAD centavo do governo do Estado, do governo federal que é de direito do cidadão paulistano, independentemente de partido". E continuou: "Quero dar as mãos ao senhor para trazer os benefícios que o povo de São Paulo tanto merece e anseia", disse referindo-se ao governador Geraldo Alckmin (PSDB), que participou da cerimônia e disse que oferecia "todo apoio" à nova administração petista.

Portas abertas – A posse de Haddad foi dividida em duas etapas. Na primeira, na Câmara Municipal de São Paulo, o petista tomou posse do cargo. Em seu discurso na cerimônia, Haddad disse que quer manter uma relação harmoniosa com a bancada de vereadores eleita. "O Legislativo não é obstáculo ao poder imperial do chefe do Executivo. Muito pelo contrário, é aquele poder representado pela vontade popular. Ele é o poder que legisla em nome da população. Queremos manter bom relacionamento". O prefeito garantiu que as portas da Prefeitura e das Subprefeituras estarão abertas não somente aos vereadores que compõem a base do governo, mas a todos os 55 vereadores eleitos. Na segunda etapa, já na transmissão de cargo, além de falar da dívida, Haddad lembrou a campanha reafirmando a necessidade de um amplo programa habitacional aliado à ações ambientais, de mobilidade e, novamente, com parceria entre os governos municipal, federal e estadual. Ele pediu uma ampla reforma para repensar o desenvolvimento da cidade com o apoio da Câmara Municipal para as alterações do Plano Diretor. "O maior legado da Câmara é o conjunto de normas que aponte a visão de longo prazo, pois a maneira como a cidade

Levi Bianco/Brazil Photo Press/Estadão Conteúdo

Maioria esmagadora: vereador petista foi eleito por 51 votos contra apenas um.

José Américo presidirá Câmara

O

vereador José Américo (PT-SP) foi eleito presidente da Câmara Municipal de São Paulo por todos os parlamentares, com exceção do vereador Antonio Vespoli (PSol), que também concorria. Américo teve 51 votos contra 1 do adversário. Vespoli justificou sua candidatura como símbolo de mudança "na velha maneira

de fazer política" na Câmara. "Minha candidatura representa uma nova forma de fazer política nesta casa, tantas vezes afastada das necessidades da população". Em seu discurso, José Américo defendeu o fortalecimento e a liberdade de atuação do poder legislativo municipal. "Quero fazer tudo o que for possível

para que a Casa funcione com autonomia. O prefeito Haddad também tem a ganhar com o legislativo forte como parceiro". Américo prestou solidariedade ao vereador Toninho Paiva (PR), doente. E lembrou que a Câmara vai discutir a inspeção veicular e o plano diretor da cidade esse ano.(Estadão Conteúdo)

PT entra em campanha por reforma política, diz Falcão.

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pós o impacto das condenações de suas lideranças no julgamento do Mensalão, o PT terá como agenda principal, este ano, a campanha pela reforma política e a defesa do financiamento público de campanha. "Vamos iniciar uma campanha forte, quem sabe até com coletas de assinaturas nas ruas", disse o presidente nacional do partido, Rui Falcão, após a posse, ontem, do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT). Sem citar nomes, ele admitiu erros do PT no passado, como não identificar adequadamente os adversários, demorar para firmar alianças e, "principalmente em alguns momentos, ter-

mos enveredado em práticas que são correntes em outros partidos, pelas quais o PT não deveria ter enveredado", disse Falcão. "Toda agenda de atualização significa aprender com o passado, com os erros e acertos e ainda projetar o futuro". Indagado sobre os adversários do PT, Falcão citou DEM, PPS e PSDB na política parlamentar, e reafirmou que "há uma oposição extra partidária localizada em grandes grupos econômicos que não se conformaram até hoje pelas transformações do País". Sem nominar que oposição é essa, alertou: "Há um perigo muito grande de esses empresários procurarem assumir funções que

não lhes competem, inclusive se sobrepor à soberania, que é do povo". Entre as principais atividades em 2013, o PT destacará os 10 anos à frente do governo federal, além de fazer um processo de eleições diretas para suas lideranças. "Vamos comemorar e consolidar o futuro nesses 10 anos de governo do PT". Para Falcão, a administração de Haddad terá forte participação popular e "certamente" os movimentos sociais terão demandas atendidas. Apesar da crise financeira, com a dívida considerada insustentável por Haddad, Falcão crê que a prefeitura "está mais arrumada agora que no governo Pitta". (Estadão Conteúdo)

Sob nova direção: o petista Fernando Haddad recebe os cumprimentos de Gilberto Kassab (PSD). se desenvolveu nos últimos 80 anos está ultrapassada". Militância – Antes de colocar os pés pela primeira vez como prefeito de São Paulo, na posse, Haddad recebeu as primeiras cobranças de sua gestão. "Haddad, porque você veio de carro e não de bicicleta?", indagava um dos cerca de 300 militantes do PT que se aglomeravam na porta do Edifício Matarazzo, junto ao Viaduto do Chá, sede da administração municipal. A mesma militância, já no fim do evento, provocou tumulto ao tentar entrar na área da cerimônia e falar com o prefeito. A guarda municipal e os agentes de segurança privadas agiram com rigor, o que provocou a ira do militante Antenor Miranda, do Movimento População de Rua. "Eles me chutaram. Eu e mais dez moradores fomos impedidos de assistir a posse", reclamou. Em discurso para os militantes de um palanque do lado externo da cerimônia de posse, o atual prefeito contemporizou a atuação da ala radical petista: "Antes de mais nada, quero dizer que se não fosse o apoio

As promessas de Haddad Fim da fila nas creches e mais aulas Hospitais e Hora Certa Fim da taxa de inspeção veicular Corredores de ônibus Bilhete Único Mensal Emprego mais perto e menos trânsito Mais verde na periferia e combate à enchente Favelas urbanizadas Vigilância contra o crime Virada Cultural o ano inteiro Mais dinheiro para a cidade com a Copa

e o trabalho de vocês, nós não estaríamos aqui tomando posse. Temos que ter tranquilidade e humildade para enfrentar os grandes problemas que temos pela frente". Padrinho – O ex-presidente Lula não foi à posse do novo prefeito, que começou por volta das 16h40. Segundo a assessoria de imprensa do PT, o padrinho político de Haddad está em viagem com a ex-primeira dama Marisa Letícia. Por isso, quem o representou foi a assessora Clara Ant. Discreto em relação à ausência de Lula e à estranheza que o fato causou, mesmo en-

tre os petistas, Haddad sequer mencionou o ex-presidente nos discursos. Quem também abdicou da cerimônia foi a ministra Marta Suplicy (Cultura), que postulava concorrer à prefeitura, e foi preterida na disputa pelo expresidente Lula da Silva. Os que disputaram com Marta a candidatura do governo de São Paulo em 2014, Aloizio Mercadante, da Educação, e Eduardo Padilha, da Saúde, também não foram. Entre os ministros paulistas, só compareceu o da Justiça, José Eduardo Cardozo, representando a presidente Dilma.

Oposição deve resistir à mudança na inspeção veicular Vereadores começam a se posicionar contra a proposta de Haddad

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proposta do prefeito eleito Fernando Haddad (PT) de flexibilizar a inspeção veicular na capital deve encontrar resistência da bancada de oposição na Câmara Municipal. A ideia de que só veículos com mais de 5 anos passem pela inspeção a cada 2 anos foi considerada pelo vereador Andrea Matarazzo (PSDB) uma medida para eliminar a inspeção. "Essa medida praticamente

elimina a inspeção veicular, o que defendemos é aquilo que foi assumido na campanha, que é manter a inspeção veicular sem a cobrança da taxa", afirmou o tucano, durante a cerimônia de posse de Haddad, realizada ontem. Para o vereador Gilberto Natalini (PV), a flexibilização da inspeção veicular é um "erro gravíssimo", já que coloca em risco centenas de vida, por conta da poluição dos carros:

Levi Bianco/Brazil Photo Press/Estadão Conteúdo

Gilberto Natalini: "Flexibilizar a inspeção é um erro gravíssimo".

"Haddad prometeu isenção da taxa, mas quando viu o custo disso, percebeu que a Prefeitura não teria dinheiro, aí decidiu flexibilizar a inspeção, o que acho muito errado". Na mesma linha, o líder da bancada do PSDB na Câmara, vereador Floriano Pesaro, também se mostrou contra a flexibilização sugerida pelo novo prefeito, mas optou por um tom mais cauteloso: "A princípio, somos contra, mas vamos estudar a proposta porque até o momento só ficamos sabendo dela através da imprensa. É preciso saber exatamente o que vai se fazer com a inspeção veicular na cidade", disse o tucano que é a favor da inspeção veicular anual. O representante da bancada do PT, Arselino Tatto, afirmou que o partido defende aquilo que foi proposto no programa de governo de Haddad – ou seja, o fim da taxa de cobrança da inspeção. "Existem algumas nuances que vamos discutir, mas a ideia central da proposta, essa nós vamos defender". (Estadão Conteúdo) Mais Haddad na página 7.


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terça-feira e quarta-feira, 1 e 2 de janeiro de 2013

Para desinterditar a política no Brasil, é preciso realizar uma nova engenharia constitucional. Luiz Moreira, jurista.

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LUIZ MOREIRA

'A Justiça tutela a política' Decisões recentes, como suspensão de deliberação do Congresso por uma liminar ou a cassação de deputados pelo STF apontam um desequilíbrio entre poderes. Guilherme Calderazzo

voltar ao posto de conselheiro nacional do MP, em votação na qual obteve 359 votos na Cajurista Luiz Moreira sa, foi sabatinado e aprovado tem se destacado na Comissão de Constituição e por apontar o dese- Justiça do Senado para voltar quilíbrio entre os ao CNMP. Atualmente, o propoderes da República em des- cesso aguarda a deliberação favor, segundo avalia, do am- do plenário do Senado, em que biente democrático no País. precisa obter maioria absoluCrítico do que considera a tu- ta, isto é, ser aprovado com tela da política pelo sistema de pelo menos 41 votos. Justiça, ele dá Luiz Moreicomo exemra diz que a plo disso o fapopulação, to de uma "acreditando Foram criadas as simples limique a liberdacondições teóricas n a r s u s p e nde se realiza der uma delin a c o n j u g ae práticas para beração do ção das particontornar Congresso c u l a r id a d e s , a política e Nacional. Ou, f o i p r e s c i nrelativizar a a i n d a , o S udindo de sua democracia premo Tribucidadania, nal Federal até o limite LUIZ MOREIRA d e c i d i r c a sem que se s a r o s m a nconverteu datos de deputados federais, em jurisdicionado". como se deu no dia 17, em Para superar o desequilíbrio ação contrária ao texto da dos poderes e evitar a judiciaConstituição. lização da política, Moreira inA tutela da política pelo Ju- dica, nesta entrevista ao Diádiciário se concretizou por- rio do Comércio, quais mudanque "foram criadas as condi- ças devem ser feitas no sisteções teóricas e práticas para ma de Justiça escrito na atual contornar a política e relativi- Constituição do País. zar a democracia", avalia Luiz Moreira, que é professor de Diário do Comércio – Ocorre Direito, com domínio da Filo- de fato a tutela da política pelo sofia do Direito, Teoria da sistema de Justiça? Constituição e Teoria do EstaLuiz Moreira – Creio que de do. Hoje diretor Acadêmico uma tutela parcial, mediante da Faculdade de Direito de o controle dos atos políticos Contagem (MG), o jurista já mais elementares, como adintegrou o Conselho Nacional ministrar cidades, até o condo Ministério Público. trole de políticas públicas, Depois da indicação pela passamos a uma tutela amCâmara dos Deputados para pla como a que vivemos hoje,

Divulgação

A substituição da legitimidade do sistema político pela aristocracia de decisões judiciais revela o paradoxo que vivemos.

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IDEM gação do Congresso Nacional, os poderes atinentes à administração e organização das eleições e a criação de seus marcos regulatórios, por meio da edição de resoluções.

em que uma simples liminar suspende uma deliberação do Congresso Nacional. Temos também como exemplo a cassação dos mandatos dos três deputados federais, no dia 17 passado, quando o Supremo Tribunal Federal contrariou texto expresso da Constituição. DC – Por que o fenômeno tem ocorrido no País? M or ei ra – Porque no Brasil

foram criadas as condições teóricas e práticas para contornar a política e relativizar a democracia. Do ponto de vista teórico, o constitucionalismo brasileiro criou as circunstâncias segundo as quais a interpretação jurídica se afirma contornando as determinações da lei. Há estímulo para juízes e membros do Ministério Público substituírem a lei e a Constituição por aquilo que eles entendem por justo, ainda que esse entendimento contrarie os textos jurídicos. Do ponto de vista prático, a Justiça Eleitoral se estabelece extrapolando suas competências, imiscuindo-se em tarefas do Legislativo e do Executivo, além de suas decisões muitas vezes relativizarem a voto. Assim, estava construído o edifício capaz de fundamentar a supremacia do Judiciário sobre o Legislativo e sobre o Executivo. DC – Quais são os exemplos práticos disso? Moreira – Um deles se deu na Ação Penal 470. Durante o julgamento da ação, foram tecidos alguns comentários que menosprezaram a atividade política em si. Por exemplo, quando se disse que "crimes foram praticados entre as paredes da Presidência da República" e quando houve a condenação do presidencialismo de coalizão. A Presidência da República é uma instituição importantíssima do Brasil e o povo brasileiro se viu por décadas privado de escolher o seu presidente. Então, a Presidência não pode ser vulgarizada, assim como o presidencialismo de coalizão, que decorre do esforço dos constituintes em fazer com que o governo no Brasil fosse compartimentado, fazendo com

que o Poder Executivo, para governar, dependesse do Congresso Nacional. DC – Quais são as consequências dessa tutela pelo sistema de Justiça? Moreira – A substituição da legitimidade do sistema político pela aristocracia das decisões judiciais revela o grande paradoxo que vivemos: prescindir da democracia numa época em que se alcança uma liberdade segmentada, seja como consumidor, como usuário ou como eleitor. Acreditando que a liberdade se realiza na conjugação das particularidades, o homem moderno foi prescindindo de sua cidadania, até o limite em que se converteu em jurisdicionado. DC – Se a tutela da política pelo Judiciário não é benéfica ao ambiente democrático, como é possível manter os poderes em equilíbrio, evitando o domínio de um sobre o outro? Moreira – Para desinterditar a política no Brasil, é preciso realizar uma nova engenharia constitucional, redesenhar o sistema de justiça. Em primeiro lugar, é preciso criar o Conselho Nacional Eleitoral, competente para deliberar sobre os assuntos administrativos e a regulação das eleições. No atual sistema, a Justiça Eleitoral concentra os poderes administrativos, legislativos e judiciários, absolutamente incompatível com o regime democrático e com a separação dos poderes. No Brasil, registre-se, a Justiça Eleitoral foi o laboratório em que a judicialização e a criminalização da política deram os primeiros passos. Assim, o Conselho Nacional Eleitoral exerceria, por dele-

DC – Isto é suficiente para solucionar a questão? Moreira – Não, não é. Ainda é preciso transformar os atuais cargos de procuradorgeral da República em procurador-geral nacional, e os subprocuradores-gerais da República em subprocuradores-gerais nacionais. Deste modo, a organização do Ministério Público Federal seria modificada, equiparando-se à Justiça Federal. A carreira do MPF coincidiria com a do Ministério Público dos Estados e a do Distrito Federal, organizada em duas instâncias, constituída de procuradores da República e de procuradores regionais da República. Os cargos de subprocuradores-gerais seriam constituídos do mesmo modo com que são atualmente os de ministros do Superior Tribunal de Justiça. Ou seja, um terço por magistrados federais e estaduais, um terço por membros do Ministério Público e um terço por juristas (advogados ou não). Já o procurador-geral nacional seria nomeado pelo Presidente da República, dentre quaisquer dos membros do Ministério Público brasileiro, todos nomeados pelo presidente da República. Em terceiro lugar, devemos regulamentar o artigo 60, X, da Constituição da República, com a edição da respectiva legislação, pela qual a suspensão da execução, parcial ou total, de lei declarada inconstitucional pelo STF, também depende de confirmação pelo Senado Federal. Por fim, temos de redefinir os termos da súmula vinculante, de modo que a súmula do STF só se aplicaria automaticamente ao Judiciário. Quanto à administração direta e indireta, a edição de súmula passaria a de ser de estrita competência da Presidência da República. No caso de declaração de inconstitucionalidade de súmula presidencial, a questão seria remetida ao Senado, para a resolução da Constituição. Ação Penal 470: julgamento expôs viés contrário à Constituição, avalia o jurista Luiz Moreira. José Cruz/ABr


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terça-feira e quarta-feira, 1 e 2 de janeiro de 2013

7 No mestrado, Haddad se destacava pelo empenho nos estudos. Amaury Gremoud, professor da Faculdade de Economia e Administração da USP de Ribeirão Preto.

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Alexandre Moreita/Folhapress - 05.10.12

Haddad: o novo prefeito completa 50 anos no dia do aniversário da cidade, 25 de janeiro. Consigo, traz um denominador comum à maioria dos paulistanos: é filho de imigrantes. Menino da Vila Mariana e adolescente do Planalto Paulista, o universitário foi elaborar sua tese de mestrado no Canadá, onde nasceu seu primeiro filho. Haddad saiu do anonimato para assumir o cargo mais importante da cidade.

Da militância estudantil à prefeitura O prefeito empossado ontem já chega com a garantia de aprovar projetos na Câmara. Ele fez escolhas pessoais de técnicos de sua confiança para 10 secretarias.

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s profissionais que conhecem o dia a dia de Fernando Haddad são praticamente unânimes em afirmar: ele carrega uma trajetória acadêmica e política diversificada que moldou sua maneira de ser e agir, e que o caracterizam desde o período de estudante universitário, quando entrou no movimento estudantil e, em 1984, disputou e venceu a primeira das duas eleições das quais participou, para a presidência do Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco (USP). Esses profissionais o identificam com uma série de adjetivos elogiosos: inteligente, estudioso, líder, muito empenhado no que se propõe a fazer, criativo, ousado, agregador de talentos em torno de si, bom negociador e disposto a ouvir adversários e a se contrapor a eles em debates. Essas características, acreditam, favorecem o desempenho dele em cargos públicos há 30 anos e o ajudaram a se eleger prefeito da capital, mesmo tendo sido chamado pelos adversários de "poste" introduzido pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com marcas desfavoráveis quando foi subsecretário de Finanças da capital, no governo Marta Suplicy (2001-2004) ele ajudou a criar taxas que

desagradaram a muitos paulistanos, e ainda como ministro da Educação, quando foi criticado por problemas no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), as qualidades de Haddad agora serão postas à prova na condição de administrador da maior cidade do País. Será bem-sucedido? Paulistano do bairro Planalto Paulista, ainda universitário – entrou em Direito, na USP em 1981, aos 18 anos – ele começou a trabalhar na loja de tecidos por atacado do pai, Khalil

O Fernando era um líder. Tinha tino administrativo e era bom negociador. Por isso o escolhi como nosso candidato. EUGÊNIO BUCCI Haddad, em uma travessa da rua 25 de Março. Em 1983, integrou-se ao movimento estudantil e entrou no Partido dos Trabalhadores. Na São Francisco, o então presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto, Eugênio Bucci, indicou Haddad para concorrer à presidência da entidade. Ele venceu. "O Fernando era um líder", recorda Bucci. "Destacava-se por ser muito estudioso, inteligente. Tinha tino administrativo e era bom negociador, qua-

J.Duran Machfee/Futura Press/Estadão Conteúdo

Eugênio Bucci: "O Fernando destacava-se por ser muito estudioso, inteligente. E desenvolveu qualidades ao trabalhar na loja do pai".

Palanque da Prefeitura: os trabalhos prosseguem durante o fim de semana e o Réveillon para garantir a festa da posse no primeiro dia deste ano.

lidades que desenvolveu ao trabalhar na loja do pai. Por isso o escolhi como nosso candidato". Para Bucci, Haddad mantém na vida profissional e política as características que o marcaram como líder estudantil. Ele concluiu a faculdade de Direito em 85, passou no exame da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e entre 86 e 90 concluiu o m e s t r a d o e m E c o n omia, também na USP. Em 89, elaborou a tese de mestrado como aluno visitante na MacGill University (Canadá). Antes de seguir para o Canadá, em 88, aos 25 anos, Haddad se casou com a dentista Ana Estela Haddad, também descendente de libaneses e com o mesmo sobrenome do marido só que sem parentesco com ele. Hoje, Ana Estela é professora de Odontologia na USP. O casal é pai de Frederico e Ana Carolina – 20 e 12 anos. Em 86, Haddad associou-se ao engenheiro Paulo Nazar, casado com uma de suas irmãs, e criaram uma empresa de construção e incorporação imobiliária. Em 88, ano do casamento, tornou-se analista de investimento no Unibanco. Entre 91 e 96, concluiu o doutorado em Filosofia também na USP. "No mestrado, Haddad era o único aluno que não era oriundo do curso de Economia. Viera do Direito. Ele se destacava pelo empenho nos estudos. Conhecia teoria econômica e dominava bem as matérias", diz Amaury Gremoud, professor da Faculdade de Economia e Administração da USP de Ribeirão Preto. "Depois do mestrado, nos encontramos em Brasília, quando aceitei o convite para trabalhar com ele no Ministério da Educação", conta ele. Professor e pesquisador – Em 1997, ao fim do doutorado, Haddad foi aprovado em concurso para dar aula de Ciência Política na USP. Também se desfez dos negócios da família, devido à doença do pai. No ano seguinte, também trabalhou como consultor da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), da USP, on-

de criou a Tabela Fipe – referência até hoje sobre preços médios dos veículos no mercado nacional. "O Haddad era muito ativo e trabalhador. Formou uma equipe boa e se empenhou para criar a Tabela", lembra o economista e professor Heron do Carmo, criador do IPC-Fipe, índice que apura a inflação semanal em São Paulo. Administração Pública – Em 2001, Haddad aceitou convite da então prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, e se tornou subsecretário de Finanças, cujo titular era o economista João Sayad. O grupo tinha como desafio equacionar a dívida da cidade. Mas no período, Haddad ajudou na criação de taxas, entre elas a do lixo, que irritou muita gente na cidade. Marta até ganhou o apelido de Martaxa – o que a prejudicou bastante na campanha da reeleição, perdida para o tucanoJosé Serra, em 2004. Orientação – Haddad continuou a orientar alunos dos cursos de mestrado e doutorado em Ciência Política na USP. Um deles foi Carlos Savio Teixeira, hoje professor de Política da Universidade Federal Fluminense: "O Haddad foi um professor exigente, crítico, mas dava orientação cuidadosa e não impunha uma cartilha, não era dogmático. Orientava bem e respeitava os alunos". Brasília – Ao sair do governo Marta, em 2003, Haddad aceitou convite para trabalhar no Ministério do Planejamento, sob o comando de Guido Mantega. Ali, formatou a Lei das

Reprodução

Guilherme Calderazzo

Parcerias Público-Privadas (PPPs). Em 2004, tornou-se Secretário Executivo do Ministério da Educação. Em 2005, assumiu o comando do ministério, onde permaneceu até o começo de 2012, quando se desligou para disputar a Prefeitura da capital. Na Educação, criou o programa Universidade para Todos (ProUni), que concede bolsas de estudo em universidades privadas para alunos de baixa renda. Instituiu o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que mede

O Haddad foi um professor exigente, crítico, mas dava orientação cuidadosa e não impunha cartinha , não era dogmático. CARLOS SAVIO TEIXEIRA a qualidade do ensino fundamental e médio, estabelecendo metas de desempenho para cada escola do País. Mais: tornou o Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) a porta de entrada em universidades federais e privadas e reformulou o Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies). Críticas – As falhas no Enem provocaram uma enxurrada de críticas ao então ministro de Educação. A primeira, em 2009, quando houve vaza-

mento de questões das provas. O exame foi adiado. Em 2010, novo problema: 3,5 mil provas, do total de 4,5 milhões, tiveram questões repetidas e cabeçalho da folha de respostas errado. Novas provas foram aplicadas aos prejudicados. Em 2011, 600 alunos alunos de um colégio de Fortaleza tiveram acesso antecipado às questões na fase de pré-teste. Houve o cancelamento de 14 quesitos dessa prova para esses alunos. Ainda assim, sobraram elogios ao trabalho de Haddad. "A administração dele na Educação foi ousada. Fizemos vários levantamentos estatísticos e mostramos as falhas na educação pública do País. Foi a forma encontrada para conhecer a nossa educação e, a partir disso, atuar para melhorá-la", diz Amaury Gremoud. Eleição municipal – Eleito prefeito, Haddad fez escolhas pessoais de técnicos de sua confiança para 10 secretarias municipais. E exigiu qualificação dos indicados para as outras 16, aceitando os nomes propostos por correntes internas do PT e dos 6 partidos que o apoiam. É com eles que espera botar em prática as promessas feitas durante a campanha. Com as nomeações, garantiu maioria na Câmara para aprovar seus projetos. Vive uma situação mais confortável que a de seu antecessor, Gilberto Kassab, que encarou as dificuldes criadas pelo bloco oposicionista, o Centrão.


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terça-feira e quarta-feira, 1 e 2 de janeiro de 2013

ESTADOS UNIDOS Hillary Clinton permanece internada para retirar coágulo da cabeça

nternacional

RÚSSIA País restringe venda de cerveja para combater alcoolismo

VENEZUELA EM VIGÍLIA

Rumores sobre o estado delicado de saúde do presidente Hugo Chávez levam governo e oposição a se unirem para pedir calma à população Reuters - 31/12/12

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pós uma avalanche de rumores sobre a deterioração do quadro de saúde do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em redes sociais e na imprensa, que se seguiu às declarações do vice-presidente Nicolás Maduro, no domingo passado, governo e oposição se uniram para pedir calma aos venezuelanos ontem. O mandatário de 58 anos não é visto nem faz manifestações públicas diretas desde 11 de dezembro passado, quando se submeteu à quarta operação em um ano e meio para tratar um câncer. O ministro de Ciência e Tecnologia, Jorge Arreaza, genro de Chávez, disse que o presidente está "estável" e que passou o dia "tranquilo" com suas filhas em Havana, onde recebe tratamento médico. "Compatriotas, não acreditem em rumores mal intencionados. O presidente passou o dia tranquilo e estável, acompanhado das filhas", escreveu Arreaza no Twitter. Até o opositor Henrique Capriles, que perdeu as eleições presidenciais para Chávez em outubro passado, pediu que os cidadãos não ouçam rumores. "Se trabalharmos juntos, é mais fácil alcançar os objetivos. Não vamos ouvir e nem acreditar em rumores, amemos os nossos próximos! Gastemos a

As comemorações de final de ano em Caracas foram substituídas por missas para rezar pelo presidente. Chávez não é visto desde o dia 11. energia em construir e não destruir", disse Capriles através de sua conta no Twitter. Em entrevista à rede Telesur ontem, o vice-presidente venezuelano assegurou que Chávez está consciente, e que os médicos estão confiantes de que ele seguirá melhorando.

EUA querem afastar Irã dos 'hermanos'

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Irã criticou, ontem, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, por sancionar uma lei cujo objetivo é conter a suposta influência do governo de Teerã sobre a América Latina. "É uma intervenção explícita nas relações latinoamericanas... que mostra que eles não estão familiarizados com as relações de um mundo novo", disse o porta-voz para o Ministério das Relações Exteriores do Irã, Ramin Mehmanparast. Os EUA, acrescentou ele para repórteres, "ainda vivem na era da Guerra Fria e consideram a América Latina como seu jardim". "Recomendamos que eles respeitem o direito das nações no mundo de hoje. A opinião pública não aceita tal movimento intervencionista", citou. Mehmanparast afirmou ainda que as relações de Teerã com todas as nações, em particular com países da América Latina, eram "amigáveis" baseadas "no respeito e interesses mútuos". Na sexta-feira passada, Obama sancionou uma lei que, por meio de uma nova

estratégia política e diplomática a ser elaborada pelo Departamento de Estado norte-americano, tem objetivo de conter a suposta influência do Irã na América Latina. A Lei de Combate à Influência do Irã no Hemisfério Ocidental, aprovada pelo Congresso dos EUA no início de 2012, designa que o departamento elabore uma estratégia em 180 dias para "lidar com a crescente presença hostil e atividade do Irã" na região. O texto também recomenda que o Departamento de Segurança Nacional aumente a vigilância nas fronteiras dos EUA com o Canadá e com o México para "evitar que espiões do Irã, da Guarda Revolucionária do Irã (IRGC, na sigla em inglês), do Hezbollah ou outra organização terrorista entrem nos EUA". O governo norte-americano e seus aliados acusam o Irã de tentar fabricar bombas atômicas dentro de seu programa nuclear. Teerã, porém, alega que está interessado exclusivamente na geração de energia elétrica e outros projetos pacíficos. (Agências)

"O comandante enfrenta uma situação complexa de saúde, mas com a força de sempre", disse ele, acrescentando que "a direita sempre especula com a saúde de Chávez". No último domingo, Maduro, designado pelo próprio Chávez como seu sucessor, confirmou

que o estado de saúde do mandatário era "delicado", após "novas complicações" no quadro de infecção respiratória. Boatos - Após a declaração, os venezuelanos começaram a especular sobre as chances de sobrevivência do presidente. Nas redes sociais circularam

boatos sobre a saúde de Chávez. Alguns chegaram a confirmar o dia e a hora da morte do líder: terça-feira, às 11h37. Já o jornal espanhol ABC, citando fontes com acesso à equipe médica de Chávez, revelou que o mandatário estaria em coma induzido.

Kim pede paz com o sul. Mas o que ele quer é dinheiro. KCNA/Reuters

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líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, transmitiu ontem, através da rádio e da televisão estatais, a primeira mensagem de Ano Novo divulgada pelo país em 19 anos, na qual fez um apelo ao fim do confronto entre as duas Coreias. "Uma questão importante para terminar a divisão do país e conseguir sua reunificação é remover o confronto entre norte e sul", disse o jovem líder. "O passado mostra que a confrontação não leva a nada, a não ser à guerra." Apesar de o conflito entre as duas partes ter ocorrido entre 1950 e 1953, os países continuam tecnicamente em guerra já que não foi assinado nenhum tratado de paz. Apesar dos sinais de reaproximação, a fala não significa necessariamente uma mudança na política do país. "O discurso aparentemente passa a mensagem de que ele tem a intenção de dispersar as hostilidades, o que pode estar ligado com um pedido de ajuda econômica", afirmou Kim Tae-woo, especialista do Instituto Coreano pela Unificação Nacional, à Reuters. "Mas uma atitude como essa não significa necessaria-

O discurso de Ano Novo de Kim Jong-un foi o primeiro em 19 anos de um líder norte-coreano mente uma mudança no regime do norte em relação ao sul", acrescentou. No mês passado, a Coreia do Sul elegeu como presidente Park Geun-hye. Ela defendeu o diálogo entre as duas Coreias, mas exigiu que Pyongyang abandonasse suas ambições nucleares. O surpreendente discurso de Kim, que chegou ao poder depois da morte do seu pai em

2011, também defendeu que seja dada prioridade aos temas econômicos, especialmente à agricultura e à indústria, segundo detalhou a agência sul-coreana Yonhap. A mensagem de Ano Novo é a primeira transmitida pela Coreia do Norte desde que o avô de Kim Jong-un, Kim Ilsung, fez o mesmo em 1994, ano de seu falecimento. A partir desse momento, o

regime comunista passou a transmitir sua tradicional mensagem de Ano Novo através dos editoriais dos três principais diários do país. Réveillon - A Coreia do Norte ainda ofereceu detalhes do fim de ano do líder. De acordo com essas informações, Kim Jong-un passou a noite assistindo a uma apresentação musical junto com sua mulher, Ri Sol-ju. (Agências)

Thierry Gouegnon/Reuters

Festa trágica na Costa do Marfim

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SECRETARIA DE EDUCAÇÃO COMISSÃO PERMANENTE DE LICITAÇÃO Consulta Pública nº 09/SME/2012 e 10/SME/2012 A Secretaria Municipal de Educação está realizando as Consultas Públicas 09/SME/2012 e 10/SME/2012, em atendimento ao Decreto Municipal nº 48.042 de 26 de Dezembro de 2006, para colher subsídios que poderão ser utilizados na elaboração dos Editais de REGISTRO DE PREÇOS PARA FORNECIMENTO DE CONJUNTO DE CALÇA E JAQUETA PARA O KIT DE UNIFORME ESCOLAR e REGISTRO DE PREÇOS PARA FORNECIMENTO DE KIT DE MATERIAL ESCOLAR. Com estas Consultas Públicas a Secretaria Municipal de Educação, além de garantir maior transparência a todo o processo licitatório, aprofunda a qualidade desse processo. As minutas dos editais estarão disponíveis para exame e eventuais sugestões entre 09h00min do dia 03/01/2013 até as 17h00min do dia 04/01/2013, no site e-negocioscidadesp@prefeitura.sp.gov.br, e na Rua Dr. Diogo de Faria, nº 1.247, Sala 318 (CONAE 151), Vila Clementino, São Paulo, SP. As respostas, quando for o caso, serão publicadas em até 03 (três) dias.

Segundo o diário, um tumor na pélvis e no intestino teria levado os médicos a retirar cerca de 43 centímetros do intestino delgado do presidente. Além disso, uma biópsia realizada durante a cirurgia detectou células cancerígenas nas paredes internas do intestino e da bexiga. A operação também teria comprovado que as metástases ósseas e da medula espinhal estariam progredindo, disse o jornal. Incerteza - As festividades de Réveillon foram canceladas em Caracas, mas apoiadores de Chávez se reuniram mesmo assim, na noite de segunda-feira, para rezar pelo mandatário. O estado de saúde de Chávez aumenta a incerteza sobre se o líder poderá assumir o terceiro mandato em 10 de janeiro. A Constituição venezuelana diz que, em caso de "ausência permanente" do eleito, deve assumir interinamente o presidente da Assembleia Nacional. Quem ocupa o cargo hoje é o chavista Diosdado Cabello. Mas nova eleição para a mesa diretora da Casa será feita no próximo sábado. O próprio Cabello disse, há duas semanas, que a decisão sobre a presidência da Assembleia não tinha sido tomada pela legenda governista. Ele poderia governar por até 180 dias até novas eleições. (Agências)

Calçados foram abandonados durante correria em massa do lado de fora do estádio no país africano

elo menos 60 pessoas morreram e 200 ficaram feridas, ontem, na saída de um estádio em Abidjan, na Costa do Marfim, após a exibição de fogos de artifício que marcaram o início de 2013. O governo investiga as causas do acidente, mas testemunhas disseram que a tragédia ocorreu depois que policiais dispersaram a multidão, causando pânico e fazendo com que muitas pessoas caíssem e fossem pisoteadas. (Agências)


terça-feira e quarta-feira, 1 e 2 de janeiro de 2013

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DIÁRIO DO COMÉRCIO

9 PREPARATIVOS O próximo Réveillon na Avenida Paulista deve ter como tema a Copa do Mundo de 2014, segundo os organizadores da festa.

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Réveillon na Paulista atrai 2 milhões Palco foi montado na avenida para o show da virada do ano. No Rio, multidão se espremeu na praia de Copacabana para assistir a tradicional queima de fogos.

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erca de 2 milhões de pessoas acompanharam o show da virada do ano na avenida Paulista. A estimativa é de Marcelo Flores, diretor da Playcorp, empresa responsável pela organização do evento, e confirmada pela Polícia Militar. O número inclui as pessoas que acompanharam os shows e aquelas que ficaram apenas para assistir ao dos fogos de artifício. Muitas se aglomeraram até longe do palco, como nas avenidas Rebouças e Consolação. Flores informou que o tema da virada do próximo ano será, provavelmente, a Copa de 2014. Nove pessoas foram detidas na madrugada sob suspeita de furtarem os pedestres que participavam da festa. Segundo a Polícia Civil, o grupo, formado por oito adultos e um adolescente, furtava celulares e carteiras durante a festa. Eles então passavam os objetos uns para os outros dificultando a identificação pela vítima. Segundo a PM, foram registrados, durante a festa, pelo menos mais um caso de furto e dois casos de desacato. Nas últimas horas de 2012 também foram registrados um roubo de carro em uma rua próxima à avenida Paulista e um garoto foi detido por suspeita de agressão na rua Haddock Lobo. Rio – O Réveillon da praia de Copacabana mais uma vez levou uma multidão para a praia da zona sul do Rio de Janeiro. Mesmo após quatro anos consecutivos de chuva, cariocas e turistas assistiram aos 16 minutos da tradicional queima de fogos. Cerca de 2,3 milhões de pessoas participaram da festa. Disparados de 11 balsas, cada uma equipada com 2.300 bombas, os fogos emocionaram o público. As 24 toneladas de fogos começaram a estourar no céu ao som de música orquestrada. Em seguida, a música Aquarela do Brasil, de João Gilberto, embalou a queima de fogos. (Folhapress)

Pilar Olivares/Reuters

Cerca de 2,3 milhões de pessoas assistiram a queima de fogos na praia de Copacabana, no Rio. O espetáculo, que envolveu 11 balsas com 2,3 mil bombas cada, durou 16 minutos. Johnny de Franco/Estadão Conteúdo

Yuri Barichivich/Folhapress

Na Avenida Paulista, em São Paulo, casais apaixonados saudaram a chegada do novo ano

Em várias cidades do litoral brasileiro houve queima de fogos, como Vitória (ES)

Júlio Costa/Estadão Conteúdo

Acidente com ônibus deixa 45 feridos

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m ônibus da linha 485 (Penha-Ipanema) tombou por volta das 8h de ontem ao fazer uma curva na entrada da pista do viaduto Pedro Álvares Cabral, que liga a avenida Pasteur à praia de Botafogo, na zona sul do Rio. O acidente deixou 45 pessoas feridas, segundo o Corpo de Bombeiros. Bombeiros dos quartéis do Catete e do Humaitá atenderam as vítimas. De acordo com os soldados, a maior parte foi atendida no próprio local com ferimentos leves e liberada em seguida. Dos feridos, 15 foram levados para os hospitais Souza Aguiar, no centro, e Miguel Couto, no Leblon, zona sul da cidade. Nenhum deles em estado grave. Quase todos os passageiros retornavam da festa de Réveillon em Copacabana. Com o ônibus tombado no viaduto, equipes da Companhia de Engenharia de Tráfego da Prefeitura do Rio interromperam a circulação de veículos na área. O trânsito foi desviado para a avenida Pasteur e para as pistas da enseada de Botafogo. (Folhapress)

Trânsito intenso na Rodovia dos Imigrantes, ontem de manhã: viagem para a Capital exigiu paciência.

Estradas: o lento retorno para casa.

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paulistano que viajou para as festas de fim de ano teve de ter paciência no retorno para casa, ontem. Nem as oito pistas disponíveis no sistema Anchieta/Imigrantes conseguiram dar conta do intenso fluxo de veículos que voltava do litoral para a capital paulista, ontem à tarde. Por volta das 17h, segundo a Ecovias, concessionária responsável pelo sistema, havia lentidão nas vias em vários trechos, principalmente na saída do litoral. Na Imigrantes, havia tráfego lento na saída de Praia Grande entre os km 70 e 65. Na rodovia Padre Manoel da Nóbrega, na Baixada Santista, havia lentidão do km 292 ao

km 280, no sentido São Paulo, por excesso de veículos. A Anchieta tinha tráfego intenso, mas sem pontos de parada. No Litoral Norte, a rodovia dos Tamoios, segundo o Departamento de Estradas e Rodagens (DER), apresentava 18 quilômetros de lentidão no trecho Caraguatatuba-São José dos Campos, sentido interior, no início da noite. A rodovia RioSantos também tinha condições ruins: tráfego lento em 14 quilômetros no sentido Guarujá e seis quilômetros de lentidão no sentido São Sebastião. Interior – Quem foi para o interior também enfrentou trânsito lento. Por volta das 17h30, a rodovia Castello Branco re-

gistrava quase 40 quilômetros de lentidão no retorno à Capital: 11 quilômetros no trecho Barueri-Itapevi e 27 quilômetros no trecho Itapevi-Itu, ambos por excesso de veículos. A rodovia dos Bandeirantes, que liga São Paulo a cidades como Campinas, Limeira e Ribeirão Preto, também apresentava trânsito moroso na região de Jundiaí. Por volta das 17h, a concessionária registrava lentidão entre os quilômetros 97 e 93, e também entre os quilômetros 70 e 58, ambos no sentido Capital. A Anhanguera estava pouco melhor: apenas tráfego intenso entre os quilômetros 62 e 58. (Agências)


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SÓ NO SAPATINHO

www.dcomercio.com.br

Para a artista americana Gwen Murphy, sapatos são um fetiche e tanto. Desde 2005, ela já esculpiu mais de 60 pares, como estes dois divertidos exemplares.

Foram realizadas em 2012 1.2 trilhões de pesquisas no Google em 146 línguas. Algumas curiosidades ficaram por conta do "How to" ou "como" fazer determinada tarefa. Veja os resultados por país nesta página e a pesquisa inteira no site abaixo. www.google.com/zeitgeist/2012/#the-world

P ÓS-RÉVEILLON Gary Hershorn/Reuters

Primeiro dia do ano: limpeza e mais festa.

C A R T A Z

David Moir/Reuters

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Depois da festa, muita limpeza por fazer (foto acima). Foi assim ontem na Times Square, em Manhattan, onde uma multidão se reuniu mais uma vez para comemorar a chegada do Ano Novo. Equipes de limpeza tiveram que agir rapidamente para deixar tudo bonito para a horda de turistas que visitam Nova York no fim do ano. Celebrações continuaram ao redor do mundo ontem. Na Escócia, os esportistas de plantão passaram o primeiro dia do ano nadando (ao lado). O evento reúne centenas de pessoas, muitas deles fantasiadas, em South Queensferry, Edimburgo. Chamada de New Year's Day Loony Dook, a prova acontece no River Forth. F UTEBOL

L OTERIAS

Divulgação

Lucas, agora no Paris.

VISUAIS Mostra Beatriz Milhazes – Um Itinerário Gráfico exibe serigrafias da artista no Sesc Santana. Av. Luiz Dumont Villares, 579, tel.: 2971-8700. Grátis. C IDADE

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meia-atacante Lucas foi apresentado oficialmente como novo jogador do Paris Saint-Germain ontem, no Museu de Arte Islâmica de Doha, no Qatar, onde o elenco da equipe francesa passa o período de festas de fim de ano. Ao lado do diretor Leonardo, o ex-jogador do São Paulo já deixou claro que um dos seus objetivos é se tornar o melhor jogador do mundo. "Todos os jogadores brasileiros têm este sonho, que é também o meu. Eu vou jogar contra grandes ti-

Fadi Al-Assaad/Reuters

mes e grandes jogadores. Vou lutar para alcançar este objetivo e me tornar o número um", disse Lucas em e n tr e v is t a coletiva. "Grandes n o m e s c omo Ronaldo e R o n a l d inho são meus ídolos. Eu sei que muitos jogadores brasileiros fizeram história neste clube e espero fazer a minha. Eu conver-

sei com o Raí e ele me a c o n s elhou a me dedicar ao m e u f u t ebol e aprender rapidamente o francês", afirmou. Lucas, 20, que real i z o u e x ames médic o s n a s egunda-feira, foi contratado pelo PSG em agosto do ano passado por 40 milhões de euros (mais de R$ 105 milhões) junto ao São Paulo. O

jogador disse que Leonardo pesou na sua escolha de ir para a França. "Eu vou tentar dar o meu melhor para este novo clube depois de ter dado tudo com o São Paulo. O Paris é um grande clube. Este desafio que me espera aqui é grande e Leonardo me ajudou a tomar essa decisão", afirmou. No time, Lucas vai encontrar os brasileiros Thiago Silva, Alex e Maxwell. Vai ainda jogar ao lado do atacante sueco Zlatan Ibrahimovic, ex-Milan. "Meu objetivo é ajudar o grupo a conquistar títulos", disse. (Agências)

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milhões E uns bons quebrados. Cada um dos três sortudos que acertaram as seis dezenas da Mega-Sena da Virada vai receber R$ 81.594.699,72. O prêmio de R$ 244,7 milhões saiu para uma aposta feita em Goiás e duas no Estado de São Paulo (capital e Franca). Os números sorteados foram: 14 - 32 - 33 - 36 - 41 - 52. Após prêmio recorde, Mega-Sena deve pagar R$ 2,5 milhões hoje.

Herwig Prammer/Reuters

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Neschling vai comandar o Theatro Municipal de São Paulo O maestro carioca John Neschling, 65, vai comandar o Theatro Municipal de São Paulo. Apadrinhado pelo candidato derrotado à prefeitura pelo PMDB, Gabriel Chalita, o nome de Neschling recebeu o aval do prefeito, Fernando Haddad (PT), e do secretário municipal de Cultura, Juca Ferreira. Atualmente ele mora na Suíça e não dirige nenhuma orquestra. Neschling trabalhou no Municipal em 1989 e 1990. Mas sua grande marca na vida musical da cidade ocorreu entre 1997 a 2009, levando a cabo um vigoroso programa de reformulação que estabeleceu a Osesp como principal orquestra do país. Neschling foi demitido da orquestra em janeiro de 2009, depois de uma entrevista na qual criticava a Fundação Osesp.

Assalto milionário à Apple Store em Paris

TRADIÇÃO - Franz Welser-Möst, diretor da Orquestra de Cleveland e da Viena Staatsoper, voltou a dirigir a Filarmônica de Viena ontem, no tradicional concerto de Ano Novo.

Uma loja da Apple em Paris foi vítima de um espetacular assalto na noite de Ano Novo. Por volta das 22 horas, homens armados entraram no local – atrás do Palácio Garnier – e levaram vários produtos. A imprensa francesa informa que cerca de US$ 1,32 milhão em iPhones, iPads etc foram levados pelos assaltantes, mas a polícia não confirma o montante. O jornal francês Le Figaro disse que apenas um segurança e uma funcionária da limpeza

estavam na loja quando os suspeitos entraram por uma porta de serviço.


DIÁRIO DO COMÉRCIO

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11 PIB 2012 Pesquisa Focus apontou avanço do PIB abaixo de 1% no ano passado.

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FUSÃO Bolsas de Tóquio e de Osaka se unem e formam o Japan Exchange Group

Os desafios das pequenas empresas no novo ano Adeus Ano Velho, Feliz Ano Novo! A virada do calendário é oportunidade inigualável para melhorar a gestão financeira e de recursos humanos das empresas. Vale a pena persistir em busca de competitividade em 2013. Quem melhor ensina isso são os negócios vencedores do Prêmio do Sebrae SP. Eliana Haberli

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a virada do ano, uma certeza se consolidou no segmento das pequenas e microempresas do País: a informação é a melhor ferramenta de sobrevivência e de crescimento de um negócio. A constatação, que vem se fortalecendo em muitos programas de apoio administrativo ao segmento, ficou clara na mais recente análise do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae SP), feita para indicar os vencedores da etapa estadual do "Prêmio MPE Brasil de Competitividade". Participaram da seleção empresas com receita bruta total de até R$ 3,6 milhões por ano. Inscreveram-se 20.374 empresas paulistas, e doze delas foram premiadas. A trajetória das vencedoras é uma lição de negócio para todos empreendedores em 2013.

la Farmácias de Manipulação vem conquistando melhorias na gestão de pessoas, na qualidade dos serviços e na implementação de práticas sustentáveis. "Para nós, 2012 foi um ano muito positivo", disse Luciana Minetto Trevizani, sócia-proprietária. "Não tanto do ponto de vista do faturamento, que foi estável em relação a 2011, mas na organização da empresa, na gestão e no relacionamento com a equipe de funcionários." Treinamento

Profissionalismo O gerente da unidade de atendimento setorial do Sebrae-SP, Paulo Marcelo Tavares Ribeiro, que ocupa esse cargo há quatro anos, disse que é perceptível a profissionalização do segmento das PMEs durante o período que o organismo de apoio as analisa. Ao fazer a escolha dos negócios paulistas que participaram em 2012 do prêmio nacional da categoria, Ribeiro priorizou a capacidade dos empreendedores em buscarem e analisarem informações de qualidade. "Muitas empresas se concentram tanto no faturamento, que esquecem de ver como estão os custos. Sem conhecer suas deficiências, sem conhecimento de gestão dinâmica do negócio, a empresa pode se dar mal", afirmou ele. Tavares Ribeiro também comentou que muitos querem montar um negócio em um segmento que consideram bom, de muita procura. "O pequeno empresário diz que o setor é bom, mas depois ele é obrigado a fechar o negócio porque ele não foi buscar informação", esclareceu. Sobrevivência Diante da preponderância da informação, da boa gestão e do conhecimento para a sobrevivência do negócio, o Sebrae-SP indicou, em dezembro, para o prêmio nacional de competitividade também empresas que não estão, no momento, avançando no faturamento ou no crescimento. É o caso da Gikovate Industrial e Comercial Ltda, localizada na zona leste da Capital paulista, uma das vencedoras na categoria Indústria. A empresa começou produzindo bombons de chocolate há 20

anos atrás. Percebendo as oportunidades do setor de sobremesas, tornou-se fornecedora de uma variada linha e hoje atende mais de 300 clientes, entre restaurantes, hospitais, escolas e cozinhas industriais. Com 35 funcionários, a empresa valoriza a gestão de sua equipe de trabalho, orientando o treinamento aos funcionários, o que lhe trouxe baixa rotatividade de mão de obra. Também se preocupa com o meio ambiente e a ideia de sustentabilidade, tendo implementado captação de água de chuva para limpeza de pisos, coleta seletiva de resíduos e controle na utilização de energia elétrica. A sócia-proprietária, a bióloga Débora Gikovate, disse que "a empresa está avançando, se organizando cada vez mais para enfrentar o mercado de forma planejada, orientada e com gestão que prioriza tanto o atendimento ao cliente, como a nossa equipe de funcionários, presta-

dores de serviços e terceiros. " Do ponto de vista de faturamento, explicou a empresária, "2012 não foi um ano satisfatório para nós e, penso, que para a indústria de forma geral". E acrescentou: "Certamente vamos fechar o período com alguma queda em relação a 2011. Tivemos um primeiro trimestre ruim, depois nos recuperamos, mas voltamos a ter dificuldades no último trimestre do ano." "Para 2013", afirmou Débora, "pretendemos nos aproximar ainda mais dos nossos clientes, manter a cautela que sempre tivemos com a gestão de custos, sem endividamento da empresa, e aproveitar a visibilidade e a confiabilidade que um prêmio como esse nos traz para gerar mais negócios." A empresária também espera que haja mais valorização da indústria nacional, o que considera fundamental para o crescimento do País. A vencedora da categoria Comércio é a Bauru Fórmula - Far-

mácias de Manipulação, localizada nessa cidade do interior do Estado. A empresa apresentou ano passado posição parecida. Com dez anos de mercado e dez funcionários, a Bauru Fórmu-

Para o gerente do Sebrae-SP, o crescimento, o lucro e o aumento do faturamento vêm do trabalho bem feito na organização e na estrutura da empresa. Portanto, os resultados positivos em 2013 virão para os mais organizados, mesmo que ocorram alguns intervalos de dificuldades. Falando do grupo das empresas paulist a s a n a l i s adas na recente etapa do prêmio, Tavares Ribeiro disse que o mais surpreendente foram os depoimentos firmes na busca da melhoria contínua da administração e do envolvimento e treinamento de funcionários. Quanto a este novo ano, o gerente faz parte do grupo que espera que a economia brasileira volte a crescer. "Se o ritmo de crescimento não for superior ao de 2012, o impacto será sentido pelas pequenas e médias empresas. Quando a economia não cresce, o mais atingido é o pequeno." O gerente afirmou ainda que o ano de 2013 será o de permanecer no mercado, para ganhar mais espaços em 2014. O Prêmio de Competitividade do Sebrae é feito em parceria com a Gerdau e a Fundação Nacional de Qualidade e os finalistas da etapa nacional serão conhecidos em abril.

As MPEs brasileiras Elas representam 99% das empresas formais do País Total no Brasil Microempresas: 5.778773 Empresas de pequeno porte: 342.154 Por setor: Comércio 3.154.031 Indústria 930.106 Serviços 2.036.790 São Paulo Microempresas: 1.727.330 Empresas de pequeno porte: 107.507 Principais causas do fechamento das empresas Falta de planejamento prévio Flutuações na conjuntura econômica Gestão deficiente Problemas pessoais dos proprietários Insuficiência de políticas de apoio

Fonte: Sebrae-SP

No pódio do empreendedorismo

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onheça os vencedores da etapa de São Paulo do "Prêmio MPE Brasil de Competitividade": Serviços de Tecnologia da Informação Webgoal Aplicações e Soluções

Web (Capital) Bios Computadores Comércio e Assistência Técnica ( São José do Rio Preto) Prêmio Especial Destaque em Responsabilidade Social

CBC Consultoria e Planejamento Ambiental (Bauru) Comércio Bauru Fórmulas Farmácias de Manipulação de Fórmulas (em Bauru)

Indústria Gikovate Industrial (Capital) e Comercial e Cunha Alimentos (Campinas) Serviços Atitude Assessoria Esportiva Empresaral (Santo André) e

Campluvas Lavanderia Industrial Serviços de Educação Ideal Qualificação Profissional (São João da Boa Vista) Serviços de Saúde NK Odontologia

Serviços de Turismo Hospedaria Ilha de Toque Prêmio especial Destaque em Responsabilidade Social C. Associados Equipamentos Eletrônicos (São Carlos)


12 -.ECONOMIA

DIÁRIO DO COMÉRCIO

terça-feira e quarta-feira, 1 e 2 de janeiro de 2013


terça-feira e quarta-feira, 1 e 2 de janeiro de 2013

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DIÁRIO DO COMÉRCIO

13 Só preciso encontrar uma startup perfeita entre uma centena, e pronto. Stephen Bell, investidor

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Caçador de talentos em universidades chinesas Empresas como a Trilogy VC buscam jovens com ideias inovadoras e oferecem milhões de dólares para viabilizar negócios Fotos: Ron Gluckman/The New York Times

O americano Stephen Bell (o careca da foto) na Universidade Tsinghua de Pequim em busca de jovens empreendedores

Ron Gluckman*

sentar uma ideia. As equipes foram formadas e tiveram 72 horas para criar um programa o falar de tecnolo- ou um aplicativo de verdade. gia, Stephen Bell, Durante três dias, ele e oucom a cabeça raspa- tros mentores circularam enda, óculos e calça tre as equipes, sugerindo nojeans escura Levi's, parece o vas abordagens e oferecendo cofundador da Apple, Steve conselhos. O exercício exigiu Jobs. "Digam o nome de algu- bastante trabalho. Dentro de mas empresas que mudaram dias, os projetos iniciais foram o mundo", diz Bell à multidão apresentados e equipes foque o assiste em uma universi- ram premiadas com US$ 5 mil. dade local. Os jovens escre- Ao final, receberam outros invem suas respostas em giz em vestimentos da Trilogy, de até um quadro US$ 100 mil, n e g r o . G o odurante um gle, Apple, ano e meio. Microsoft, Fa"O Bell é a cebook. "E única pessoa Nossa missão q u e m a s q u e e s t á f aé encontrar o criou? Isso zendo algo do mesmo: estugênero na próximo Mark dantes como China", disse Zuckerberg vocês." Malcolm Cas(Facebook), os Porém, um Selle, emprepróximos Larry e estudante sário ameriSergey (Google). discordou hucano que tram i ld e m e nt e , balhou por STEPHEN BELL, INVESTIDOR lembrando décadas na q u e a s e mChina. "Os presas foram criadas por em- riscos são altos, mas o valor do preendedores nos Estados projeto é nítido. Alguns desses Unidos. "Eles têm uma cultura garotos têm ideias incríveis." diferente", diz ele. "Não é coBell conheceu uma amostra mo aqui na China." representativa de produtos Bell, um investidor de capital de risco, quer mudar essa percepção. Como caçador de talentos de alto nível, Bell, cofundador da Trilogy VC, percorre as melhores universidades da China em busca de empreendedores em potencial. A cada ano, ele oferece milhões de dólares para jovens estudantes, que muitas vezes têm apenas o esboço de uma ideia. Não se trata apenas de investir em negócios que estão começando. Trata-se de investir antes mesmo de eles começarem efetivamente. "Não estou atrás de um fluxo de receita e nem interessado em números de usuários", disse ele. "Estou à procura de pessoas que fazem acontecer." Em um dia frio no início de novembro, Bell estava cercado por cinco dezenas de estud a n t e s n a U n i v e r s i d a d e das equipes de estudantes. Tsinghua de Pequim, a princi- Entre os aplicativos, havia um pal instituição superior de que possibilitava que salões ciência e tecnologia do país, de beleza dessem dicas e venmuitas vezes referida como o dessem produtos diretamenMIT da China. Era o último dia te aos clientes via Internet; oudo ChinaStars, uma maratona tro consistia em uma loja onlide programação que ele pa- ne que comercializava alitrocina quatro vezes ao ano. mentos e suprimentos No início, os alunos recebe- básicos em campi universitáram 60 segundos para apre- rios; outro, em um site de com-

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partilhamento de livros que também reunia usuários que gostam de livros em comum; outro, um dicionário em nuvem que permitia que os usuários adicionassem definições e imagens. As expectativas não favoreciam os alunos, disse Bell, que não ficou incomodado. Com uma verba de mais de US$ 2 milhões por ano, ele planeja oferecer financiamentos a cerca de 15 a 30 startups. "Eu só preciso encontrar uma startup perfeita entre uma centena, e pronto." Bell está tentando formar um nicho de investimentos em um momento em que cada vez mais dinheiro chega à China. Nos últimos anos, os investidores se apressaram em entrar no país, em parte por causa das perspectivas pouco animadoras encontradas em outras regiões do mundo. Embora os investimentos tenham diminuído em 2011, muitos analistas dizem que a China se recuperou em meados de 2012. "O investimento de capital de risco na China diminuiu, não há dúvida", disse Jeff Richards, sócio da GGV Capital, uma empresa do Vale do

peraquecida. "Há inúmeras pessoas a fim de investir toneladas e toneladas de dinheiro em negócios aqui", disse Dave McClure, veterano do PayPal, Facebook e LinkedIn e sócio fundador da 500 Startups, empresa de capital de risco que fez seis investimentos na China nos últimos dois anos. "Tem muita gente babando pela China. De muitas maneiras, a situação me faz lembrar a década de 1990 nos Estados Unidos. Talvez a China não esteja superaquecida, mas o frenesi esteja exagerado." Bell está experimentando uma tática diferente. Em vez de arriscar grandes somas em startups estabelecidas, Bell acredita que apostas de menor valor, feitas estrategicamente, podem produzir algumas boladas consideráveis. "A nossa missão é encontrar o próximo Mark Zuckerberg, os próximos Larry e Sergey", disse ele, referindo-se aos fundadores do Facebook e do Google, respectivamente. "As coisas mais incríveis vão surgir pela mão dos jovens", disse Bell. "Eles vão criar as maiores empresas e custam barato. Eu não preciso de pes-

Silício que criou recentemente um fundo de US$ 625 milhões bastante focado na China. "Porém, se o crescimento do PIB de um país desacelera de 9 ou 10% para 7%, isso ainda é muito atraente em comparação a 1,5% de hoje nos Estados Unidos." Alguns capitalistas de risco temem que a China esteja su-

soas que tenham experiência – isso custa muito dinheiro e produz ideias já consagradas. Eu quero ideias nas quais ninguém pensou." Bell já esteve em ambos os lados, como empresário e investidor. Nativo de Long Island, em Nova York, ele se formou pela Georgia Tech, em 1985, graduando-se em enge-

nharia química. Depois se jun- Trilogy VC, criada com Lietou à GE Plastics. Na década de mandt. Até o momento, a Tri1990, criou a CORE Products, logy VC financiou 30 startups, uma fornecedora automotiva principalmente com foco em com sede na Suíça, e uma ini- jogos, redes sociais, sites de ciativa interempresarial cha- namoro e outros programas m a d a S u pvoltados aos p ly So lu ti on , jovens. que foi vendiSegundo a da para a Traempresa, oidebeam. t o d a s s t a rHá inúmeras Em 2002, tups já são pessoas a fim de começou a rentáveis. trabalhar na Outras estão investir toneladas Trilogy, uma crescendo rade dinheiro em empresa de pidamente, negócios aqui softwares c o m o a na China. americana DroidHen, criada por Joe u m a d e s e nDAVE MCCLURE, VETERANO DO Liemandt, volvedora de PAYPAL, FACEBOOK E LINKEDIN que havia jogos que esaband onado tá presente a faculdade em Stanford. Lie- em metade de todos os telefomandt se tornou conhecido nes que têm sistema operapor recrutar jovens talentos cional Android; a JiaThis, que por meio de programas inova- permite que os usuários fadores de divulgação como o çam compartilhamentos em ChinaStars. redes sociais chinesas; e a TaNa Trilogy, Bell viajou para a kaopu, um popular serviço de Índia e a China para vender namoro. softwares para empresas em A Takaopu foi desenvolvida mercados emergentes. E dei- por um aluno que competiu no xou a Trilogy em 2006 para ChinaStars, disse Bell. "Ele trabalhar em outra startup, a descobriu que o problema dos Shangby, que conectava lojas outros sites de namoro na Chide joias de Xangai com clien- na era pedir que as pessoas mostrassem o rosto." Os chineses têm pavor de passar por situações de constrangimento público. "Ele teve a ótima ideia de fazer um site de namoro no qual os usuários pudessem usufruir de forApenas 60 ma anônima. As pessoas só segundos: revelam a identidade aos poué o tempo cos, mais tarde, como em uma que Stephen espécie de jogo." Bell oferece Bell trabalha em estreita copara que laboração com os seus jovens. jovens "Eu não invisto em produtos, universitários mas em pessoas", disse ele. chineses Essa qualidade pareceu 'vendam' atraente para Jiang Chao, que suas ideias. cursa doutorado na Universidade de Pequim. Jiang viu um anúncio em um mural sobre um empresário americano que daria dinheiro em uma competição. Decidiu participar, e sua empresa, a Takaopu, recebeu US$ 80 mil. "O dinheiro não é a coisa mais importante que o Stetes via Internet. Bell disse que a experiência phen nos dá. Sim, o dinheiro o convenceu das oportunida- nos ajudou a contratar servides que a China proporciona- dores e a conseguir outras forva. "O país está repleto de vi- mas de ajuda, como a de degor e inovação", disse ele. signers", disse ele. "Mas o "Atualmente, é com certeza o mais importante é que eu aprendi que existem pessoas lugar certo na hora certa." Desde 2009, Bell tem ficado como eu, que têm o mesmo soem tempo integral na China, nho de criar algo." * The New York Times como sócio-gerente geral da


DIà RIO DO COMÉRCIO

14 -.ECONOMIA/LEGAIS

terça-feira e quarta-feira, 1 e 2 de janeiro de 2013

e Mais uma temporada de inauguraçþes Hå seis anos, 79% dos consumidores eram das classes A e B, e só 21% das C e D. Isso mudou. Luiz Alberto Marinho, sócio-diretor da GS&BW

conomia

Incertezas da economia não afetam entusiasmo dos investidores e construtores de shopping centers no País. Setenta estabelecimentos devem ser abertos em 2013. Fotos: Divulgação

Karina Lignelli

O

s indicadores positivos de crescimento do varejo têm impulsionado o otimismo no setor de shopping centers, motivando altos investimentos e estratÊgias agressivas das incorporadoras para os próximos três anos, pelo menos. Exemplo disso Ê a 5R Shopping Centers, que em apenas dois anos de existência, e sem nenhum empreendimento em atividade, anunciou uma enxurrada de projetos – nove, no total, que ultrapassam R$ 1,8 bilhão –, previstos para inauguração atÊ 2016. O primeiro deles, o Praça Rio Grande (RS), deve começar a funcionar em outubro de 2013, segundo CÊsar Garbin, sócio-diretor da empresa junto com a tradicional Família Rossi, do setor residencial. Nem a nebulosidade do cenårio econômico para 2013 têm diminuído o ânimo dos investidores, que focam os empreendimentos exatamente na promissora "nova classe C". "Não vemos desaceleração ou incertezas no varejo. Nos últimos anos, o setor cresceu em torno de dois dígitos, e se ficar em torno de 8%, 9% em 2012 e 2013, serå excepcional. O pior que pode acontecer Ê estagnar – mas ainda em um patamar muito bom", acredita Garbin, que afirma que, mesmo sem nenhum shopping aberto por enquanto, a 5R trabalha fortemente em estudos de viabilidade, balanceamento de mix e comercialização para "o tiro ser o mais certeiro possível". A confirmação dessa tendência da indústria do setor – que fechou o ano de 2012 com 450 empreendimentos em atividade e prevê inaugurar mais 70 em 2013 –, se deve à expansão da economia em função da incorporação do novo grupo de consumidores, antes alijado do consumo, à classe mÊdia, explicou Luiz Alberto Marinho, sócio-diretor da GS&BW (unidade da GS&MD Gouvêa de Souza especializada no segmento de shoppings). Hå seis anos, segundo ele, 79% dos consumidores de shoppings eram das classes A e B, e só 21% das C e D. "Mas isso mudou, e Ê justamente o novo público que vem beneficiando o crescimento do setor", disse o especialista, que citou os últimos dados do crescimento do varejo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mostram que o setor cresceu 9,1% em 2012 em relação a 2011. "É um indicador descolado do crescimento da economia. Enquanto o PIB anda de lado, as perspectivas positivas do varejo se mantêm diante de um ce-

Boulevard Shopping Naçþes, que acaba de entrar em operação em Bauru, interior paulista. Combinação de apostas na nova classe C e na interiorização movimentam negócios. nårio de desemprego baixo e elevação da renda. É essa combinação que sustenta o consumo nos shoppings centers." Interiorização – Com investimentos mais modestos, mas não menos otimistas, a desenvolvedora de shoppings centers VÊrtico, do grupo WTorre, aposta na "interiorização" da renda – ou seja, seu foco Ê a construção de empreendimentos em cidades com 200

Não vemos desaceleração ou incertezas no varejo. Nos últimos anos, o setor cresceu em torno de dois dígitos. CESAR GARBIN, EMPRESà RIO mil habitantes, em mÊdia. A WTorre anunciou em 2011 investimentos de R$ 550 milhþes para os próximos anos, em cinco novos projetos. O primeiro deles, Boulevard Shopping Naçþes, foi inaugurado no final de novembro, em Bauru (SP). Jå o de Limeira (SP), e o de Três Lagoas (MS), estão previstos para serem inaugurados em abril e setembro. Sem menção à "nova classe

mÊdia", a aposta da VÊrtico na construção de shoppings "longe das capitais" – os outros dois, que estão em desenvolvimento, serão em Araguaína (TO) e Cotia-Itapevi (SP) –, se deve tanto à carência de opçþes de lazer em cidades interioranas, como ao potencial econômico dessas regiþes, de acordo com o sócio-diretor de novos negócios Dante Cobucci. Hoje, explica, hå pessoas no interior brasileiro que viajam de 200 a 400 km só para consumir lazer e entretenimento. "Fora que, na última dÊcada, os Produtos Internos Brutos (PIBs) de Araguaína e Três Lagoas cresceram mais de 300%, e as economias de Limeira, Cotia e Itapevi avançaram acima da mÊdia nacional", justifica. Luiz Alberto Marinho, da GS&BW, confirma mais essa tendência. O foco dos novos empreendimentos – em cidades de menor porte – Ê outro fenômeno que incentiva a forte expansão do setor. "Num passado não muito distante, não se abria centros comerciais desse porte em cidades com menos de um milhão de habitantes. Hoje, justamente o público muito maior que frequenta os shoppings Ê que tem ajudado o setor a desbravar 'novas fronteiras'", destaca.

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Os riscos da expansĂŁo

A

s boas perspectivas que a expan- shopping que não terå consumidores susão do setor de shopping centers ficientes para se manter. E se ele estiver representa para o varejo pode es- nos três lugares, não conseguirå se susconder problemas, caso não haja bom tentar." planejamento e estudos bastante rígidos Para mostrar exemplos de empreendide viabilidade para implantar o novo ne- mentos viåveis, a ACSP realizou, em gócio. É a sobreposição, ou seja, a onda de agosto passado, rodada de apresentaconstruçþes e lançamentos simultâneos çþes onde os empreendedores "desfilanum raio de dois ou três quilômetros de ram" seus projetos de futuros shopdistância, que podem inviabilizar os in- pings, para chegar, em conjunto com os vestimento tanto do próprio shopping, varejistas, a soluçþes para não inviabilicomo dos lojistas, pela proximidade – zar nenhum dos lados do negócio. "O principalmente nas cidades mÊdias. ideal Ê que se espere dois ou três anos De acordo com o presidente do Conse- entre os lançamentos. É preciso dar temlho de Varejo da Associação Comercial de po para o empreendimento maturar, jå São Paulo (ACSP), Nelson Keirallah, alÊm que hoje as grandes varejistas (as "lojasdos players normais desse mercado, vå- âncora") trabalham com um planejarios investidores têm procurado abrir vå- mento de cinco anos – o que tambÊm ajurios shoppings em locais inexplorados, da lojistas menores", completa. onde muitas vezes mal cabe um. Como exemplo, ele cita um lugar que teria três bons terrenos, e após anålises individuais, todos os investidores decidem a mesma coisa. "Mas na verdade, só depois se descobre que só caberia um. Ou um deles não sobrevive, ou desistem do investimento. Essa Ê uma grande preocupação dos varejistas, que muitas vezes investem cerca de R$ 5 milhþes para entrar em um Prospecção sobre o fluxo de consumidores deve ser realista

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DIÁRIO DO COMÉRCIO

terça-feira e quarta-feira, 1 e 2 de janeiro de 2013

e

ECONOMIA/LEGAIS - 15

Meu distrito não pode se dar ao luxo de esperar alguns dias e ver as ações caírem 300 pontos e não nos juntarmos para fazer algo. Steve Cohen, deputado democrata do Tennessee, no plenário da Câmara.

conomia

Mary F. Calvert/Reuters

Prazo esgotado: EUA cai no abismo fiscal.

O vicepresidente dos EUA, Joseph Biden, esteve com os parlamentares durante as negociações em Washington. Vitória no Senado, mas indefinição na Câmara. Abaixo, dois senadores democratas durante a votação na madrugada.

Sem acordo na Câmara, medidas entram em vigor.

O

s Estados Unidos e o m u n d o v ã o c onhecer hoje, de fato, as consequências do abismo fiscal sobre os mercados. Ontem, por causa das comemorações do Ano Novo foi feriado nos EUA. Apesar do acordo bipartidário aprovado no Senado norteamericano nas primeiras horas do dia 1.º de janeiro, a Câmara dos Representantes não havia votado até a noite de ontem o projeto que evitaria o abismo fiscal na prática – desde os primeiros minutos de 2013 estão canceladas as isenções de impostos, que vigoraram por uma década, e há cortes de gastos drásticos em programas federais e de Defesa. As duas medidas formam o abismo fiscal que pode levar o país a uma recessão. O assunto que preocupa o presidente Barack Obama exige a aprovação de uma lei pelo Congresso. Por isso, o projeto seguiu para a Câmara dos Representantes, que é controlada, porém, por republicanos. Passou pelo Senado em rara

demonstração de união. A Casa votou por 89 a 8 um aumento de impostos para os ricos, enquanto manteve as taxas baixas para eleitores de renda média. O projeto de lei aumenta o imposto sobre a renda para famílias que ganham mais de US$ 450 mil por ano. Além disso, o projeto poderá atrasar um corte dos gastos domésticos e militares de 8% por dois meses, e estender os benefícios de auxílio desemprego para 2 milhões de pessoas. Incertezas – Entretanto, o líder republicano da Câmara dos Representantes, Eric Cantor, afirmou, ontem, que não apoia o projeto de lei de abismo fiscal aprovado pelo Senado, levantando mais dúvidas sobre como o Congresso vai administrar a partir de hoje os cortes de gastos e aumentos de impostos automáticos que começaram a valer. Cantor expressou a jornalistas sua insatisfação com a medida ao sair de uma reunião em Washington a portas fechadas com representantes do partido republicano. Na

Jonathan Ernst/Reuters

reunião de ontem, os deputados republicanos expressaram preocupações sobre "a ausência de cortes de gastos" no projeto aprovado no Senado, segundo um assessor. O encontro de mais de duas horas terminou sem uma definição sobre quando a Câmara irá votar a lei nem quais mudanças seriam propostas. A Câmara pode votar o projeto de lei a qualquer momento, inclusive nesta quarta-feira, se houver entendimento com os líderes democratas e a Casa Branca. O porta-voz de Cantor, Rory Cooper, disse que o presidente da Câmara John Boehner e Cantor apresentaram opções para os membros. "A falta de cortes de gastos no projeto do

Ano começa no Brasil com novo salário mínimo

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ano teve início no País com um novo salário mínimo. O valor passou de R$ 622 para R$ 678 e começou a vigorar ontem. O reajuste, de cerca de 9%, considerou "a variação real do crescimento" do País e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), conforme anunciado pelo governo federal na semana passada. De acordo com informações da Agência Brasil, os benefícios pagos pela Previdência Social, que são atrelados ao salário mínimo, como aposentadorias, acidentários ou assistenciais, também serão reajustados, provocando um impacto anual de R$ 12,3 bilhões nas contas da Previdência. Estima-se que 45,5 milhões de

brasileiros têm rendimento referenciado no salário mínimo. Cálculos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apontam que o reajuste de 9% representará incremento de R$ 32,7 bilhões de renda na economia do País ao longo do ano. Isenção – Outra medida que entrou em vigor ontem foi a isenção de Imposto de Renda (IR) para participação nos lucros e resultados (PLR) no valor de até R$ 6 mil. Pela nova regra, acima desse patamar a tributação será progressiva de 7,5% a 27,5%, dependendo do montante pago. Antes, a tributação era de 27,5% para todas as faixas. Essa medida era uma reivindicação das centrais sindicais do País. (EC)

Senado foi uma preocupação universal entre os membros na reunião", afirmou. Mercados – A incerteza prolongada em relação à política tributária e de gastos dos EUA vem desanimando investidores e reduzindo o ritmo dos negócios, e os legisladores esperavam chegar a um acordo antes do início de 2013, quando diversos aumentos automáticos de impostos e cortes de gastos começariam a abrir um rombo de US$ 600 bilhões na economia. Os mercados financeiros evitaram nos últimos meses uma queda acentuada por entender que Washington acabaria por conseguir evitar jogar o país no abismo fiscal e na recessão.

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secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, notificou ontem o Congresso que o país ultrapassou o limite de endividamento de US$ 16,39 trilhões autorizado pelos parlamentares. A informação foi transmitida em carta enviada ontem. Nela, Geithner indica ter iniciado uma série de medidas de emergência que manterão financiadas as atividades do governo a curto prazo. Estas evitarão que os Estados Unidos tenham inviabilizada a possibilidade de realizar pagamentos. As medidas possibilitariam ao país economizar cerca de US$ 200 bilhões. O aviso de Geithner é feito em meio ao debate sobre o abismo fiscal na Câmara dos

China Daily/Reuters

Fábrica chinesa de navios: o Índice de Gerentes de Compras ficou estável no mês de dezembro, em 50,6. para uma economia global na qual tanto a zona do euro quanto o Japão estão em recessão, e os EUA lutam para apresentar avanço significante. "A produção ficou acima da marca dos 50, mostrando que o setor manufatureiro parece manter as expectativas de

crescimento, mas a taxa de crescimento se enfraqueceu", disse o Escritório Nacional de Estatísticas da China. A leitura do PMI oficial ficou pouco abaixo das expectativas em uma pesquisa da Reuters com economistas na semana passada, que previam

ao luxo de esperar alguns dias e ver as ações caírem 300 pontos e não nos juntarmos para fazer algo," disse o deputado Steve Cohen, um democrata do Tennessee, em discurso na Câmara. (Agências)

Teto da dívida é ultrapassado

Na China, o setor industrial está em expansão. Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) oficial da China, que mede a atividade do setor industrial do país, ficou estável em dezembro, a 50,6, igualando-se à maior alta em sete meses registrada em novembro, após o crescimento em novas encomendas ter ficado inalterado e o ritmo da produção ter cedido levemente. Com o principal índice acima de 50 por três meses seguidos, a pesquisa indica que o vasto setor industrial da China está se expandindo. O PMI oficial foi divulgado um dia após pesquisa semelhante feita pelo HSBC ter sugerido que a atividade manufatureira está em seu ritmo mais forte desde 2011. Juntas, as pesquisas apoiam um crescente consenso de que a atividade econômica na China melhorou de outubro a dezembro, após o Produto Interno Bruto ter desacelerado por sete trimestres consecutivos para 7,4% no terceiro trimestre. Isso fornece um bom sinal

Com os mercados financeiros fechados pelo feriado de Ano Novo, os legisladores ganharam um dia, mas até a noite de ontem o governo não anunciou o entendimento. "Meu distrito não pode se dar

um aumento no PMI para 51. Um outro índice de novas encomendas caiu para 50, ante 50,2 em novembro. Uma leitura do PMI abaixo de 50 sugere crescimento em desaceleração, enquanto um número acima de 50 indica crescimento em aceleração. (Reuters)

Representantes e no Senado. O presidente americano, Barack Obama, procurou separar a discussão em torno do orçamento deficitário dos EUA e as que rodeiam o endividamento nacional. Os republicanos, no entanto, querem vinculá-las, apontando que não adianta resolver o problema da dívida se não houver ajuste orçamentário. A dívida nacional dos EUA atualmente é maior que o Produto Interno Bruto (PIB) do país. O abismo fiscal é consequência, precisamente, de um acordo no Congresso em 2011 seguido de outra disputa sobre o aumento do limite do endividamento dos Estados Unidos, que trouxe a primeira degradação da qualificação do crédito do país.

Serviços – Em julho de 2011, encorajados por uma facção conservadora em sua bancada da Câmara dos Representantes, os republicanos se negaram a aumentar o limite de endividamento exigindo que o governo de Obama aceitasse em troca cortes equivalentes nas despesas, especialmente as dos serviços sociais, educação e saúde. No final, o Congresso autorizou uma alta no endividamento, mas postergou a solução mais ampla ao problema da dívida e do déficit fiscal – de US$ 1 trilhão anuais – até o pleito de novembro. Eleito, Obama herdou um déficit gerado em uma década de guerras financiadas com dívida, e propôs redução de despesas e aumentos de impostos. (EFE)


DIÁRIO DO COMÉRCIO

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terça-feira e quarta-feira, 1 e 2 de janeiro de 2013

Estamos vendo um enorme incremento em imagens de marketing Rebecca Lieb, analista da consultoria Altimeter Group

nformática

Fotos criativas que geram lucros

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Bazar do Instagram proporciona um grande mercado para jovens talentosos e empreendedores Jenna Wortham * Peter DaSilva/The New York Times

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Instagram, aplicativo de compartilhamento de fotos que o Facebook comprou em 2012, ainda não descobriu uma forma de ganhar dinheiro. Mas alguns de seus usuários já. Esses empreendedores perceberam que podiam aproveitar a popularidade do Instagram, que possui mais de 100 milhões de usuários, e criar suas próprias empresas – algumas das quais acabaram sendo bastante lucrativas. Eles se juntam a uma longa linha de inovadores que encontraram maneiras criativas de construir novos serviços sobre sites e plataformas. Serviços como o Printstagram, por exemplo, permitem que as pessoas transformem suas imagens do Instagram em impressões, calendários de parede e adesivos. Um grupo de designers está criando uma moldura de imagem digital para fotos do Instagram. Alguns usuários iniciais do serviço estão aproveitando seu conhecimento e legiões de seguidores e abrindo agências de consultoria, aconselhando grandes marcas sobre como usar melhor o Instagram.

Chico Bento nas redes

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ançado em setembro, o jogo "Turma do Chico Bento", para as redes sociais Facebook e Orkut, já conquistou mais de 750 mil jogadores em todo o Brasil – uma prova do carisma desse personagem de Maurício de Sousa. Outro ponto que chamou a atenção dos jogadores foi a quantidade de atualizações dos personagens e dos ambientes. Destaque para o minigame "Catando Goiabas". O jogo foi desenvolvido pela Level Up! TELEFONIA

O Prinstagram é um serviço que permite transformar as imagens do Instagram em impressos criativos, como calendários e adesivos. Benjamin Lotan e George Sylvain já estão lucrando com as vendas desses produtos e pensam longe.

Cílios postiços E outros simplesmente perceberam que o aplicativo é um ótimo lugar para postar fotos de coisas que estão tentando vender. Jenn Nguyen, de 26 anos, que vive em Irvine (Califórnia), tem 8.300 seguidores no Instagram, onde posta imagens de mulheres maquiadas usando sua marca de cílios postiços. "Quando publicamos uma nova foto de alguém usando nossos cílios, temos vendas imediatas", afirmou. Nguyen faz parte de uma onda de empreendedores do Instagram que transformaram seus feeds em vitrines virtuais, cheias de joias artesanais, óculos estilo retrô, tênis sofisticados, acessórios de cozinha, roupas vintage e obras de arte personalizadas. Aqueles que desejam vender coisas no Instagram recorrem a táticas de tecnologia surpreendentemente baixa. O Instagram não permite que os usuários acrescentem links às fotos, então os comerciantes precisam listar um número de telefone para pedidos – ou esperar que seus seguidores digitem o endereço da web. Os compradores parecem dispostos a aceitar esse incômodo. Nguyen disse que, numa recente venda de fim de ano, ela ofereceu aos seguidores do Instagram um cupom de 35% de desconto em seus pedidos. Naquele dia, ela contabilizou 100 pedidos, cerca de US$ 4 mil em vendas – frente aos usuais US$ 500. Em suas fotos, ela menciona a loja online e destaca produtos novos ou perto de esgotarem. A maioria das pessoas com essa abordagem é formada por empreendedores e artistas de pequena escala, buscando outra forma de encontrar clientes para suas lojas de consignação e negócios de joias. A varejista de luxo Bergdorf Goodman postou fotos de sapatos femininos e joias ao lado dos números de telefone da loja. O Instagram é uma mídia atraente "porque uma foto se traduz para qualquer idioma",

afirmou Liz Eswein, uma das fundadoras da Mobile Media Lab, agência digital focada inteiramente em ajudar empresas a definir estratégias para o Instagram. "É mais fácil se perder na confusão em outras redes como o Facebook e Twitter", acrescentou ela. Eswein, Brian DiFeo e Anthony Danielle formaram a empresa em março, após perceberem que a soma de seus seguidores no Instagram – quase 850 mil – e sua compreensão do serviço podiam ser valiosos para empresas como Nike, Delta, Samsung e Marc Jacobs, que desejavam atingir os fãs de suas marcas. Hoje, a Mobile Media Lab conduz promoções e campanhas para esses clientes e outros. "Não estamos dizendo 'Clique aqui e compre este produto' – é mais como inserir a imagem em suas cabeças e apresentá-los a um produto dentro do serviço", explicou Eswein. Nesse

Os marqueteiros estão se afastando do conteúdo escrito e se aproximando de imagens e vídeos REBECCA LIEB, ANALISTA DA CONSULTORIA

ALTIMETER GROUP

aspecto, é algo mais próximo da publicidade tradicional, segundo DiFeo: "É o marketing clássico. Você vê um anúncio num outdoor, ou num ônibus passando, na televisão. Em seguida, o vê postado no Instagram. Ele gruda".

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Polishop (www.polishop.com.br) lançou o Pligg, uma solução de telefonia que possibilita a realização de chamadas ilimitadas para fixos de todo Brasil, de qualquer área e operadora, por R$ 33,32 ao mês. E o sistema ainda permite ligações para qualquer telefone dos EUA. O usuário também ganha um número de telefone para receber ligações onde estiver. Preço: R$ 199,90 (incluindo o aparelho e o plano básico pelo período de 6 meses). IMAGEM

TV ideal para gamers

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ara os gamers, que passam horas com o console na frente da televisão, a Philips lançou os modelos de TV da série 6000. Elas são equipadas com o recurso Dual View Gaming, que possibilita que dois jogadores, usando os óculos Philips Gaming, visualizem cada um sua própria realidade dentro do jogo, em tela cheia. Os aparelhos Smart TV são Full HD Slim LED com acessórios de conexão Wi-Fi. A série tem modelos a partir de R$ 2.799.

Serviço em expansão As mini-indústrias que surgem em torno e dentro do Instagram são alimentadas pelo crescimento explosivo do serviço. Em abril, o Instagram tinha 25 milhões de usuários. Oito meses depois, ele havia quadruplicado esse número, acumulando mais de 5 bilhões de fotos. Em outubro, o serviço móvel tinha 7,8 milhões de visitantes ativos por dia, de acordo com a comScore. "Estamos vendo um enorme incremento em imagens de marketing em todos os níveis", afirmou Rebecca Lieb, analista da consultoria Altimeter Group. "Os marqueteiros estão se afastando do conteúdo escrito e se aproximando de imagens e vídeos." Segundo Kartik Hosanagar, professor da Escola Wharton, na Universidade da Pensilvânia, que estuda comércio online, há uma nova geração de "pesquisa e desenvolvimento social" surgindo, e ela se presta a uma tremenda oportuni-

Telefone com chamadas ilimitadas

dade para empreendedores oportunistas e criativos. Benjamin Lotan, de 27 anos, dono de uma empresa chamada Social Print Studio, em Berkeley, Califórnia, que vende produtos da Printstagram, argumentou que não queria correr nenhum risco com seu negócio – especialmente depois que o Facebook começou a sentir pressão para se tornar uma empresa mais lucrativa. Lotan, que abriu sua empresa no início de 2011, disse que atualmente ela gera em torno de US$ 1,5 milhão em receita anualmente. Mesmo garantindo não estar muito preocupado com a viabilidade da empresa no momento, ele pretende começar a lançar produtos que não sejam totalmente dependentes do Instagram. "Não estamos realmente preocupados. Mas nunca se sabe", afirmou * Do The New York Times

ACESSÓRIOS

Case versátil para iPad

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Macally lançou dois novos cases para facilitar o transporte do novo iPad: Slim Case e Slim Case M. Ambos possuem apoio para a visualização da tela em diferentes ângulos, que são ajustáveis. Essa característica permite que o usuário fique com as mãos livres, sem ter que segurar o iPad todo o tempo. Um dispositivo magnético bloqueia o iPad quando é fechado. E assim que é aberto, desbloqueia o aparelho. A partir de R$ 219.


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DC 02/01/2013 by Diário do Comércio - Issuu