Skip to main content

Revista Propágulo 6

Page 1

Celebrando os diálogos sobre arte a partir de Pernambuco, surgiu a Propágulo. O compromisso desta iniciativa é promover, através de diferentes plataformas, discussões pertinentes ao universo artístico. Com formatos reestruturados a cada edição, entre reportagens, entrevistas, textos críticos e ensaios, a revista Propágulo reflete, portanto, a intenção de proporcionar uma conversa em meio às inúmeras vozes que compõem a produção contemporânea das artes visuais.


Equipe Propágulo Bruna Pedrosa: produção executiva Guilherme Moraes: curadoria, editoração, educativo, revisão e mídias sociais Heitor Moreira: projeto gráfico e design digital Marianna Melo: expografia e montagem Nathália Sonatti: editoração, coordenação editorial e revisão Rod Souza Leão: gestão de projetos, design digital, revisão e mídias sociais

Redação biarritzzz Caetano Costa Dadu Maria Figlioulo

Daniel de Andrade Lima Fefa Lins Guilherme Moraes

Heitor Dutra Marie Carangi

Conselho editorial Ariana Nuala

Moacir dos Anjos

Chico Ludermir

Valkiria Dias

Colaboradores Abròs

Fernando Pereira

Luciana Freire

amoriamorim

JEAN

Ramonn Vieitez

Bisoro

Joana Liberal

Thaís Medeiros

Bruno Alheiros

João Lucas

Cristiano Lenhardt

Léo Malafaia

propagulo

propagulo@gmail.com

Revista semestral, Recife - PE, ISSN 2596-2213


perceber as camadas de saberes e os caminhos percorridos por esta edição dupla é um exercício de escuta ativa e observação atenta que nos permite caminhar além dos universos dos trabalhos e sentir as proximidades das interações e relações registradas nas entrevistas. e, quem sabe, ainda encontrar nesse processo faíscas ou interrogações de nossas próprias ranhuras. tentar traçar, através de palavras, um vislumbre dos processos presentes nas próximas páginas parece insuficiente. é necessário nos atentarmos aos gestos, sensações e texturas que atravessam as diferentes configurações temporais e narrativas recortadas aqui. mas, para isso, como não tocar em nossas ficções? os afetos, a vida, os desejos. as correspondências e não correspondências, a partir das quais vamos nos partindo e nos repartindo ao atribuirmos sentido àquilo que nos atravessa… alimentar as energias tem sido uma tarefa difícil em um cenário de distanciamentos sociais, desmontes e suspensão de direitos. é preciso continuarmos andando com estratégia e cuidado, mas é urgente também conceder espaço para sonhar e ficcionalizar em meio às trivialidades da vida. é por isso que venho convidar você a perambularmos de mãos dadas em pontes invisíveis, a encarar a curiosidade e a incerteza com coragem, pois a partir daqui podemos seguir para qualquer lugar ou lugar nenhum, cabe a nós decidirmos.

Nathália Sonatti


Sumário

06

4 caminhos para conhecer Fefa Lins

36

Daniel de Andrade Lima

12

Fazer a barba Fefa Lins

As coisas mais lindas do mundo Guilherme Moraes

40

Onde cabe a teta, afinal? Dadu Maria Figlioulo

16

conversa transyto

26

Alhures e beyond

biarritzzz e Caetano Costa

Heitor Dutra

48

Estetática

49

Galeria

Marie Carangi


4 CAMINHOS PARA CONHECER

FEFA LINS


UMA APRESENTAÇÃO E DOIS CONVITES POR DANIEL DE ANDRADE LIMA Este texto é escrito em caminhos que buscam, cada um, diferentes acessos ao trabalho de Fefa Lins; eles são autônomos e livremente combináveis. São quatro entradas dentre várias possíveis.

Cada caminho tensiona uma pergunta, cuja resposta não está no texto. Este é um mapa sem trajeto desenhado, feito para levar por onde guiar o interesse.

UM MAPA DE MOMENTOS – DE DESENHO E DE PINTURA Quais memórias carregamos de momentos que, acreditamos, são marcantes para que sejamos quem somos?

Broderagem Óleo sobre tela 108 x 115cm - 2021

Cercado por quadros inacabados em seu apartamento no Recife, Fefa Lins pinta uma natureza morta. Enquanto a maioria dos quadros do artista envolve um longo processo de trabalho centrado em retratos, este foi feito em poucas horas e não figura diretamente um corpo humano. As manchas que formaram a pintura tornam cognoscíveis uma caixa de cigarro, uma vela, uma bomba de asma, uma fruta: vestígios dos usos de algum corpo. Como se tornou comum em sua obra, afinal, Fefa parte de uma composição que o faz repensar as suas próprias práticas. Horas mais tarde, um vídeo percorrendo os trechos da pintura figurariam em seu perfil no Instagram — “estudos de equilíbrio e derretimento ao som de Kamasi Washington; a natureza morta como eu”.

Em algum momento dos 2010, uma professora do curso de arquitetura da UFPE recebe um trabalho do qual descontaria, de cara, dois pontos. Era um desenho feito com esquadros e escalímetro no papel manteiga. Como molho, inclinações van goghianas o reconfiguravam: céu laranja, grama avermelhada e casa azul, coloridos por lápis de cor. Anos mais tarde, o interesse de compor através de cores reincidiria; o desenho técnico, não. Arquitetura, me conta Fefa, não é necessariamente um curso para quem gosta de desenhar. 07


Natureza morta - Óleo sobre tela - 38 × 27cm - 2021


Em algum lugar de Casa Forte, pinturas sacras decoram uma casa de classe média: uma santa ceia na sala, um Jesus branco próximo à cama dos pais. Em seu quarto, Fefa adolesce desenhando — entre personagens de anime e o interesse pela pintura — um retrato para sua namorada. No auge do Facebook, retratos são trocados no grupo “Selfless portraits das minas”, a partir de sorteios anônimos que pareavam participantes. Entre desenhos de si e de outras pessoas, Fefa passa a usar tinta aquarela e, enquanto fabula curvas e ângulos, intercala os traços grafitados com as manchas da tinta. Pintar e desenhar, parece, fazem corpos de maneiras diferentes.

PINTURA-PERFORMANCE Quais poses do trabalho de Fefa são imitáveis? Quais são familiares? Quais não? Sentado sobre a sua cama, Fefa Lins olha para o celular. O aparelho está conectado à sua câmera, posicionada sobre um tripé à sua frente. Olhando para o smartphone, Fefa vê o que vê a câmera. Nu, ele abre as pernas e olha a sua própria buceta. Muda, talvez, a posição do rosto, reorganiza os membros, organiza o tronco, faz escolhas sobre o quão fechada deve ser sua cara. Olhando pelo celular, que reflete a câmera, que aponta para si, ele tira a foto. Horas mais tarde, no computador, vê a própria imagem: muda luzes e cores, pinta e cola digitalmente. Ele transforma o fundo, se apropria de materiais da internet, de outras pinturas e de fotos suas. A foto do seu corpo — que partia de uma composição entre gestos encenados e mol-

dados pelo cotidiano — é recomposta no digital. Tempos depois, a imagem estaria projetada sobre uma tela em que Fefa iniciaria um processo instaurador de crises: pintar e repensar mais uma vez a si até que a imagem que pinta pare de provocá-lo a pintar mais. Assim, o corpo de Fefa é moldado (no cotidiano), recoreografado (por ele mesmo), triplamente computado (no celular, na câmera e no computador), reformulado (no Photoshop) e refeito (no ato prolongado de pintar). Cada um desses passos, ele me diz, fala algo para si. Investigar a própria performance é um hábito antigo para Fefa, que, desde a infância, se tornou proficiente em refletir sobre o seu com09


portamento a partir de como era regulado em termos de gênero. As poses, os objetos, as ficções e suas relações amorosas aparecem na pintura na medida em que apresentam e expandem seu corpo. Assim, como pontua, “a imagem é a própria gestualidade que vai puxar o tom do quadro”. O corpo dele existe antes da imagem, mas também durante e depois, e, ele diz, o pensamento da pintura está sempre presente no seu processo, mas o trabalho o excede. Ao falar de sua prática, não é à toa, então, que Fefa recorra a termos como performance, montagem e manipulação digital. Sua pintura é multiplamente performática; não só

porque encena o seu corpo, mas porque sublinha que pintar é um ato no qual o performer está no fazer a si e ao quadro. Ele me lembra que ser pintor nunca foi “só pintar”: sempre envolveu determinadas técnicas de ver, tanto no uso artístico da câmara escura quanto no olhar hegemonicamente treinado de muitos pintores. Ver e aparecer são atos, e, certamente, se fazer (no cotidiano e na arte) é um processo que precisa articular regulações e fabulações. A pintura de Fefa, então, parece ser uma pintura-performance, não só porque parte do gesto e porque convida uma sucessão de atos seus, mas porque é uma aparição de si mesmo que transforma quem pinta e, talvez, quem vê.

UM DESEJO DE PINTAR O DESEJO Em que momentos das nossas vidas desejar e elaborar se borram? Depois de mais de uma hora de entrevista, pergunto a Fefa Lins qual o seu interesse em retratar outras pessoas, quando a maior parte da sua obra é voltada para as autonarrativas. Sem pensar muito, cogita: “talvez para falar de quem eu sou dentro de uma relação, quem eu sou dentro desse coletivo”. Com um pouco mais de hesitação, adiciona que às vezes só quer pintar “aquele rostinho lindo”. Minutos antes, Fefa falava sobre como descobriu o prazer de manipular a tinta na própria exploração da pintura, especialmente

depois de fazer cursos intensivos em 2015. As técnicas com as quais Fefa trabalha no pintar envolvem manufaturar camadas, preencher o quadro com tons diversos, misturar materiais e constituir imagens por manchas grossas e finas, criando trechos e detalhes, passeando pelas partes mais figuráveis e pelas mais abstratas de cada rosto, corpo e lugar. Ele empreende prazer no labor de pintar, criando a imagem já materialmente, com tamanho e peso, “enquanto um objeto mesmo, algo que existe”, como diz. São imagens


que são feitas com seus gestos e são, para ele, táteis. O artista me conta sobre um prazer erótico que aparece quando está trabalhando com as tintas e explica que muitas vezes os quadros voltam para ele em momentos sexuais de seu cotidiano.

O prazer estético e o prazer sexual compartilham muita coisa em comum e os dois bagunçam o desejo de pintar com o desejo que emerge da pintura. Às vezes, pintar também é desejar um rostinho lindo.

COMUNICAR UMA DISSIDÊNCIA O que queremos ver quando buscamos ver os outros? “O trabalho não é meu corpo, o trabalho é uma reflexão que eu tenho sobre o meu corpo, é uma forma de interpretar que poderia ser sobre outros corpos, mas eu me sinto confortável com o meu”, conta Fefa Lins. Nas frases anteriores, ele costurara os problemas das pinturas que olham para mulheres a partir de desejos patriarcais, os anseios em torno de acabar parecendo muito autocentrado e os limites de querer dar conta de como outros corpos podem aparecer. A reflexão condiz com uma preocupação recorrente: a de que a sua profissionalização enquanto artista tem a ver com uma compreensão do próprio trabalho enquanto uma forma de comunicação, refletindo sobre paradigmas da arte. Assim, sua investigação parece atuar sobre como as regulações sociais e estruturais se atualizam no seu corpo singular. Mais do que se vincular a uma ideia do que seriam representações de um corpo transmasculino não-binário, Fefa compreende que voltar-se para si mesmo é parte de sua dissidência:

“O que a gente produz com isso é algo que é questionador pra gente também: você faz o trabalho e depois ele te conta um bocado de coisa que você não sabia ainda”. Porque Fefa olha para seu próprio corpo, consegue, com propriedade, comunicar as vinculações entre expressão de gênero, sexualidades, desejos, prazeres e sofrimentos, que ressoam em outros corpos. O seu trabalho, então, mais do que se ater conceitualmente a temas, parece comunicar — no sentido de projetar, tornar comuns — seus afetos e conflitos, que, daí, já não são só seus. É isso que me permite, por exemplo, sendo eu alguém que desvia de maneira tão diferente da de Fefa, olhar para os seus quadros e, ainda, encontrar neles algum tipo de acolhimento para os meus próprios conflitos. Daniel de Andrade Lima é bacharel, mestre e doutorando em Comunicação pela UFPE, com ênfase em estética e culturas da imagem e do som. É especialista em Sistema Laban/Bartenieff de estudos do movimento pela Faculdade Angel Vianna. Atua como teórico e prático do corpo e da mídia.

11


Bichana - Óleo sobre MDF Naval - 50 × 70cm - 2021


FAZER A BARBA

por Fefa Lins

“Pensamos retrospectivamente através da mãe, se somos mulheres.” Frase famosíssima de Virginia Woolf mas que confesso que só fui conhecer ao ler Jack Halberstam em A Arte Queer do Fracasso. Halberstam reflete em seguida que a afirmação sugere que “se não pensarmos retrospectivamente por meio da mãe, não somos mulher”. Esse recorte de pensamento me engatilha a pensar sobre algumas memórias que, se chegaram a entrar em álbuns de fotos, foram quase apagadas ou escondidas. Uma dessas lembranças está imortalizada em uma foto de família, em que meu pai, sentado entre minha irmã mais nova e eu, transparece um desconforto que até hoje nos afasta. Olhar essa foto dói. E também liberta. E embora seja uma imagem riquíssima de tensões e signos, uma única fotografia não revela a repetição da performance. Aqui não se vê todos os dias e noites que vesti as roupas folgadas do meu pai e finalizei com uma barba tosca feita com o rímel seco da minha mãe. E os olhares, as palavras e as proibições. Essa nuvem de memórias evaporadas também esconde aqueles sonhos e projeções que eu tinha em ser entregador de garrafão de água ou jogador de futebol. Entendo hoje que eu queria e acreditava mesmo que iria crescer para ter aquele corpo forte e viril. Mas o que a vida me toma, a arte traz de volta. Que sorte eu tenho por poder me refazer e desfazer a cada foto e a cada tela.

13


Sem título - Óleo sobre tela 130 × 105cm - 2020


conversa transyto

Caetano Costa & biarritzzz


Faz o teu, bença! - Fotoperformance - 2018


18 22:15

22:15

Trocas entre biarritzzz e Caetano Costa entre Recife (PE), Nova Lima (MG), Fortaleza (CE) e São Luiz (MA)

b - Ontem, quando nos falamos para alinharmos essa conversa-transyto, te cumprimentei com um meme que, logo de cara, foi respondido com uma frase desse mesmo vídeo... Isso me fez pensar em como essa linguagem, do meme, que funciona enquanto processo de se comunicar e de se ver e existir no mundo, é também uma cultura que encontra no deboche força motriz, sendo ele um meio e um fim nesse espiral comunicacional.

essa foi a última figurinha que eu usei

02/03/2021

Você criou o grupo “conversa transyto”

Automaticamente, percebo que talvez seja disso que se trata a epistemologia do deboche, esse conceito-trabalho que tu tem imaginado, uma organização de conhecimento a partir da subversão, deslocamento cômico; sistemas de interpretação e produção de conhecimento sob uma perspectiva do humor/ironia/sarcasmo, dentro de um banco de linguagem compartilhado, como é o caso dos memes, que permeiam nossas falas e trocas.

Significado - Aquarela sobre folha de dicionário - 21 X 29,7cm - 2018


19

Mas no fundo acredito que, justamente por estar atrelado à minha prática artística e a como processo meu pensamento e me comunico, não sinto essa real necessidade. Potencialmente, pelo tanto de trocas e vezes que respondi a várias pessoas sobre, em outras entrevistas, podcasts, conversas informais com amigues artistas, curadores e as que não necessariamente têm interesse por arte, devo ter externalizado sistematicamente o que compreendo da epistemologia do deboche, como a vejo empregada no mundo, o que pode ser colocado em prática a partir dela, porém todas as vezes através da oralidade. Uma das coisas que mais me atrai nesse jogo (SIM, UM JOGO!) é a agilidade mental necessária para formular uma resposta. Não acredite que ao emitir uma mensagem ácida deva receber mel em agradecimento. kkkk

CC - O mais engraçado a respeito da epistemologia do deboche está relacionado à minha falta de vontade de me debruçar em desenvolver algo mais denso a seu respeito. Por hora, penso que deve ser a forma que se espera: um texto denso, com referências nos moldes acadêmicos. Além do mais, no auge de um devaneio, arrisco a chamar meu modo de pensar e fazer o que entendo como trabalho em arte por “epistemologia”.

Não kkkkk

Você

00:26

tu chega quando??

isso é tu ne?

01:53

01:11

00:11

Assim como um meme geralmente tenta sintetizar a mensagem que se refere à menor parte da memória, ideias, imagens, fatos ou acontecimentos — ou parte delas — o deboche utiliza da mesma ferramenta para comunicar.


EFÊMERO - Performance Instalativa - 2019 Registros: Fernando Pereira


22

Amiga, minha passagem já foi mudada duas vezes 01:56

00:07

Caetano

b - e a oralidade, que a gente fala tanto quando tratamos de resgate, de culturas orais ancestrais, tidas como ágrafas, de América e África — a oralidade parece que ainda é sempre deferida. nos nossos discursos a gente tá numa tentativa de inversão de valores, mas o mundo continua pedindo tudo explicado, mastigado, dentro dos moldes dos textos ocidentalizados, ora militantes ora academicistas... e o que não for explicado dentro do texto não é “explorado”, não gera discussão e lucro, não sofre do extrativismo que paga as contas. será?

Não foi uma “decisão estética”, eu só tinha essas cores Acrílica sobre tecido de algodão - dimensões variadas - 2018 Foto: Léo Malafaia

Processos são tão complicados né, tem cada pausa que da dó 00:11

Caetano

06/03/2021


Ricos, devolvam nosso dinheiro! - Tinta acrílica sobre tecido de algodão - Dimensões variadas - 2018 Foto: JEAN


24

Novas utilidades para instrumentos de adestramento dos mesmos que desensinaram a cagar de cócoras - Ready-made da série: (Re)significado e (Re)significância - dimensões variadas - 2018/2021

b - detesto a forçação de barra que tão fazendo com esse termo.

CC - “quem fala o que quer escuta o que não quer”. Cresci ouvindo isso em vários lugares, uma frase pequena que exprime uma série de conceitos e situações que, se fosse pra explicar nos moldes da intelectualidade ocidental, teriam que ser descritos em vários tomos. E é por conta desse poder de síntese que existe no meio da cultura popular/tradicional (ou outro nome qualquer que a academia deu), que é a mais contemporânea de todas as manifestações, que eu consulto primeiro o que urge dela. Mas de qualquer forma não adianta nada, pois pra geração Z eu já sou “cringe”. Fiquei com a estranha sensação de não ter memória.

09:36

Espero que tu tenha a conversa pois eu perdi tudo, pois não fiz backup e troquei de celular. 09:35

Caetano


Volte sempre/Obrigado colagem analógica e intervenção sobre papel de embrulho - 14,8 × 10,5 cm - 2018


ALHURES É verdade que pintar acalma. Nem sempre, mas, por vezes, a pintura é uma atividade que nos penteia os cabelos com seus longos dedos. É um carinho em você mesmo. Há vezes em que os fios se enodam e uma furtiva lágrima desliza dos olhos. Mas por que pintar se não para sentir prazer? Se não pelo cafuné da tinta no pincel? Dizem que existe quem goste da sensação de ter os cabelos puxados em determinados contextos. Não é incomum definir-se como “terapia” atividades manuais que requerem alguma artesania, como tricô, origami, cerâmica ou pintura. São práticas que dão prazer pela manipulação de matéria e por seu caráter repetitivo (o preenchimento das áreas com cor na pintura, a coreografia da agulha penetrando na trama do bordado, o giro do torno de cerâmica…); “meditativo” se soma à lista de adjetivações. Eu quero falar de algo que tem me dado bastante prazer, a viagem da prática da pintura. Tenho pintado para estar em outro lugar e, com isso, sinto o prazer do nomadismo. Este prazer escapista não diz respeito apenas à manipulação da tinta. Não é apenas um prazer que sustenta esta prática. Sabemos que terapias (se vamos reivindicar o termo) eficazes não têm a ver com prazer. 26

por Heitor Dutra Surgem histórias para mim. Elas se apresentam como habitantes da minha pintura. Um braquiossauro que vem beber água da piscina para se hidratar afasta os cisnes que lá navegam, não por seu tamanho bestial de monstro extinto, mas por seu hálito não ser de eucaliptol, algo que, como todos sabem, os cisnes não toleram. Estas aves monogâmicas têm fama de esnobes, como tantas coisas que são lindas. Elas preferem manter distância. Tentei tocar o sol, não consegui... quis pegar o reflexo da lua na água da piscina, mas estava gripado. Pensei em pendurar-me com os dois braços num arco-íris, mas achei que era um movimento cafona. Cores demais, sabe? É pra isso que os olhos servem, eles agarram-se nas coisas que nós apenas sonhamos em tocar, morder, beijar, roçar, possuir, lamber, acariciar, estapear, liquidar, exterminar, etc… esses imperativos que a beleza evoca. Pois bem, a questão é: estes elementos e suas respectivas relações vieram de alhures, e pousaram aqui. Sendo a minha pintura, fui eu que os catei, presumo. Parece-me que a própria prática da pintura, o exercício diário, possibilita


E BEYOND o deslocamento das espécies, das grandes manadas de gazelas e dos coletivos de cisnes. A superfície da tela sustenta migrações.

Estar alhures; como estar na época em que esta era uma palavra em uso. Parece-me que em francês ailleurs tem o mesmo significado que em português, sendo empregada correntemente. A expressão d’ailleurs quer dizer “além de”, “de outro lugar”, “aliás” e “além disso”; par ailleurs, significa “de outro modo”, “por outro lado”... pensemos também na palavra inglesa allure, que traduz um poder de atração, de sedução e de fascínio. Aprendi essa palavra no game Pokémon Go, ao me deparar com o verbo to lure, atrair. O jogador podia atrair os pokémon deixando em determinado local um “lure”, um atrator de criaturas. Estamos, por vezes, em outro lugar; que fala, sometimes, uma outra língua. Acredito não ser coincidência que, em francês, “asas” são ailes e que ailles seja a terceira pessoa do presente do subjuntivo do verbo aller, ir. Estamos indo longe para não sair do lugar.

Quero dizer que viajamos, quando pintamos, para fora da matéria da pintura. Não se trata, contudo, de transcendência ou ascensão. Trata-se de durante uma pandemia acessar a possibilidade de ver os jardins do sultão; de mãos lavadas, certamente. Pintar é alimentar os tigres, é servir-lhes chá preto e bolinho de goma. Pintar um quadro com a televisão ligada no noticiário configura uma grande dificuldade para esta figura patética, o pintor alienado. Patético, vocês sabem, vem de pathos. Então o pintor viajante é um afetado. E falando em patos, é preciso não confundir cisnes e gansos. Embora as duas aves desempenhem funções aparentemente parecidas no delicado sistema do qual são peças, têm comportamentos e temperamentos próprios e se ligam a cadeias semiológicas distintas, sendo um o elegante símbolo do amor romântico (cafona - comovente) e o outro o agressivo animal de fazenda (bucólico - ameaçador). Nada que o noticiário da hora do almoço nos informe, naturalmente. Esses são afetos despertados alhures e que acessamos nas nossas viagens para fora das notícias.

27


14


O veraneio - Acrílica sobre tela - 30 x 40cm - 2021


“Pintura é projeção. É fingir que tinta é carne, é embarcar no avião da Barbie. É brincadeirinha que media viagens.” Refiro-me aqui a uma alienação voluntária. O emprego desta arma de guerra é fundamental em tempos de quarentena. Quando a sirene do toque de recolher dispara, o pintor já tem que ter se retirado para as areias de Waikiki ou para as casas de chá de Isfahan. Essas viagens devem ser embaladas a vácuo, sem interação com terceiros e regadas a litros de álcool em gel. A assepsia, na verdade, está na ontologia deste tipo de passeio… ora essa, embarquei numa digressão… perdoem esse pinga-pinga de escalas. Retifico: estes desvios prescindem de higiene. Viajar na sua cabeça, ao infinito e além, é seguro, evita-se a vida — é isso que a pintura de quarentena faz, sem parar de ir e voltar na ponte aérea Cretáceo–Hogwarts. Ela se constitui: nômade e estática; fuga na imanência. 30

O coração errante da pintura serpenteia por túneis que são passagem para afetos de um corpo que simula outro. A pintura está morta. Seu coração nunca bombeou mais do que fantasias vitalistas. E é da vida simulada que a pintura, com sua notável perenidade, se nutre. Pintura é projeção. É fingir que tinta é carne, é embarcar no avião da Barbie. É brincadeirinha que media viagens. Um último aviso é o de arrumar bem as malas. Marie Kondo não pode vos ajudar. A viagem demanda organização. Não caia no engano de supor que escapar para longe signifique evitar a lida com o caos externo. Ainda mais se considerarmos que um passeio mental passa, obrigatoriamente, pela pista do caos interno, constituído das mesmas velocidades infinitas do caos de


Sete barbas chás e bolos especiais - Acrílica sobre tela - 100 x 100cm - 2021

fora, isto é, trata-se de uma só desordem. Fingir não é o procedimento que defendo. Ir alhures é inventar, criar. Logo, trabalho que parte de ideias e de seus desdobramentos, e isto não tem fim, vocês sabem. Traçar um plano na bagunça, este é o empreendimento. Apertem os cintos, há promessa de turbulências e a frouxidão não vai nos levar muito longe, desconfio. Para seguir na linha de fuga da vassoura da bruxa, é preciso aprender a voar; o que se faz, imprescindivelmente, caindo.

Para estar aqui e lá, ausentar-se e reaparecer, é necessário se organizar; recusar certos estímulos, não sobrecarregar seus receptores, para ir alhures e beyond, quem sabe... A pintura pode ser um pé no chão, nesse sentido. Ela organiza meus passeios. É nossa agência de viagens. Oferece traslados. Café da manhã incluso.

31


32


Confeitaria Paradisa bombons e rocamboles Acrílica sobre tela - 100 x 100cm - 2021 Inverno com agave Acrílica sobre tela - 50 x 40cm - 2021

33


A casa de praia de Tia Carla com cerejeira e garagem com duas vagas - Acrílica sobre tela - 16 x 22cm - 2021

Sailor Sol I - Acrílica sobre tela - 16 x 22cm - 2020

34


Domingo em Paradisa (série) - Acrílica sobre tela - 16 x 22cm (cada) - 2019

35


AS COISAS MAIS LINDAS DO MUNDO por Guilherme Moraes Curador-educador e editor da Propágulo. Investiga a relação entre curadoria educativa e mediação cultural.

Não vejo outra possibilidade, ao discorrer sobre o trabalho de Heitor Dutra, senão em propor um olhar acerca de um processo que encontra rigorosas formas de coerência a partir de situações fincadas em absoluta contradição. Quase como em um estalo, qualquer vislumbre conclusivo a respeito do que se passa dentro das imagens propostas pelo artista, qualquer categoria interpretativa aqui oferecida, nos levará ao seu imediato contrário. Concluir será, em diversos momentos, concordar com uma relação promíscua e recatada com o seu simétrico oposto. O que proponho aqui é um constante exercício de hifenização ao tentarmos adentrar em um espaço narrativo onde a sinonímia e a antonímia se entrelaçam por não terem mais o que fazer senão apontarem, a um delicioso contragosto, para um mesmo lugar. Aludo aqui a uma prática de produção de imagens que se abrem em um universo tão autêntico quanto artificial. Uma amálgama entre o tédio e a excitação. Um recorte de mundo lido como afetado na mesma medida que se denuncia espontâneo. Consiste em um processo sincero a 36

ponto de ser autoconsciente ao extremo e, talvez também por isso, ser de uma inocência sem tamanho. É um ultraje amável. É debochado e fatalmente solene. “Alegre-triste e triste-alegre; honesta-irônica; sincera-falsa e melancólica-festiva o tempo todo. Pra mim, algumas das coisas mais lindas do mundo são assim.” Disse-me certa vez, em uma troca de e-mails. Temos que ter em mente que os enredos que Heitor propõe são resultados de processos intensos de recontextualização, fricção e convívio de inúmeras visualidades e tempos que lhe afetam. Trata-se da invenção de narrativas provenientes de uma cadeia infinita de signos que lhe atravessam a partir de um mundo inchado por imagens. “Estou pintando plásticos, Barbies e Legos numa situação absolutamente fake de paraíso tropical estereotípico. É uma tragédia de amor na sociedade de consumo. Há um desconforto nas ligações entre as figuras, cada uma deslocada, mas não demarcadamente deslocada, apenas levemente alheia.” A partir de seu trabalho, Heitor oferece um roteiro para o fracasso de quem ousa


supor qualquer coisa com base no que vê, na mesma proporção em que torce pelo encontro com o outro, como quem vibra para uma criança que pedala pela primeira vez numa bicicleta em sua direção. “Peço que não espalhe que quero que as pessoas se identifiquem. Eu gosto de que quem tenha o que olhar tenha o que sentir.” Mas por onde começar a olhar? Pelo gordo bocejo do hipopótamo? Pela caneca de lego rosa ao lado do vaso de porcelana chinesa? Pela baleia encalhada na beira de piscina? E o que se deve comentar? Para o nosso alívio, talvez seja seguro nos referirmos aos elementos que reconhecemos em nossos repertórios. Ou será melhor apontar para a beleza de um arabesco dourado? Mais interessante referir-se à figura que prova a maestria daquele que domina seu ofício? E o reflexo no mar? E a frivolidade posta na medida certa? E o texto de quem escreve sobre o que se vê? Neste jogo escorregadio e cheio de armadilhas, engana-se quem pensa Heitor como onisciente de todo o processo que propõe a quem se depara com sua obra. Perguntei-lhe algumas vezes quem de fato saía ferido após a experiência com seus trabalhos. Em uma polimorfa tática de sedução, talvez o primeiro a tropeçar seja o artista. E aí reside uma das preciosas provas de sinceridade de seu trabalho, de seu mundo construído através de um fracasso fabuloso. “Eu sinto ter sido bastante verdadeiro na maioria das pinturas e coisas que já fiz na vida, e operando sempre através dos artifícios. Quando digo que só pinto coisas que gosto demais, não estou brincando. Se eu tenho

um problema com determinado elemento, porque acho feio, ou eticamente questionável, não quero que ele habite minha pintura.” Seria equivocado classificar essa seleção de imagens em seu trabalho como provenientes de um processo sem critérios. Há uma nítida noção de responsabilidade do artista no ato de enxertar cada imagem em seus quadros. Não se trata de uma passividade resultante em transposições automáticas. As paródias-homenagens pintadas por Heitor, por mais que apresentem uma heterogeneidade gritante, assim são formadas por incrustações meticulosas de iconografias que lhe tocam. Servir chá para as visitas; saber que música tocar enquanto elas, desconfortáveis com a teatralidade do ambiente, perguntam-se sobre a incongruência entre aqueles que foram também trazidos ao pátio; não é um ato neutro. Heitor opera através da constante proposição de relações. “Como posso apresentar ironicamente coisas pelas quais sou ap aixonado?” Nestes vagos enquadramentos é que constrói seu país de fabulosa inquietação. Um universo imagético transplantado e cheio de apliques. Através desse carinho ácido com aquilo que lhe é tão caro, o artista preenche suas telas com duplas de Kim Kardashians, cegonhas-bico-de-sapato, parasaurolophus sangrando e Renault Twingos verde-água indiscretos. Cada elemento carrega, dentro de si, histórias — de amor, de encanto — muito próprias, muito sinceras. Só assim para terem sido convidados a habitarem sua festa de faz de conta. É tudo uma grande brincadeira. É tudo extremamente sério. 37


Heitor Dutra é representado pela Garrido Galeria (@garridogaleria), no Recife. No segundo semestre de 2021, realizou nela a exposição “Desculpas Pelas Quais”, juntamente com a artista Marcela Dias, e com curadoria de Steve Coimbra e Guilherme Moraes. 38

Sábado nas imediaçoes de Paradisa Acrílica sobre tela - 80 x 80cm - 2020 Sete barbas chás e bolos especiais (detalhe) Acrílica sobre tela - 100 x 100cm - 2021


por Dadu Maria Figlioulo


Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela UFPE, Marie Carangi tem um dos seus primeiros voos na arte do corpo com a performance Gritofonia, executada no Lesbian Bar em Recife. Com uma caixinha de som, a artista gritava contra o microfone criando “um campo de reverberação que ficava se retroalimentando.”

00:10

“Sempre que você encara a teta, a teta te encara de volta.” KupaTeta

23:02

Dentro de um templo onde a celebração de um deus começa ao encontrar a sacerdotisa. O fruto do estupro não é o corpo de uma mulher, mas a cabeça de um monstro. Górgona e suas serpentes no lugar dos cabelos. Uma figura com os seios de fora se aproxima do penhasco ao lado das ruínas sagradas, o que ela tem a nos dizer? Sacudir, pelo amor da deusa. Sacudir. A aparição da Teta Lírica no templo de Poseidon invoca a fúria das águas. É uma “ultetragédia” grega.

00:03

Na performance Poseidonna, executada em 2020 na Grécia, Marie Carangi e Rheremita Cera foram levades à delegacia e tiveram seus celulares apreendidos, após turistas denunciarem. Os policiais apagaram os registros da performance nos aparelhos, além de invadirem suas redes sociais atrás de vídeos e fotos. Contudo, restou a documentação realizada através de uma câmera fotográfica. Ela e elu foram ameaçades caso não colaborassem com as autoridades.

18:26

Origem, estrutura e evolução. É sobre a história de corpos subalternos que foram silenciados pela sociedade, pelo Estado, por políticas públicas de controle para monitorar identidades femininas.

TETASINGLE Vienna - Austria - 2017 Registro: Thaís Medeiros

14:59

— Ei Dadu! Tetudo? Oia, lembrei dessa gravura minha, especialmente pelo título que vem de um gesteto espontetâneo da minha mãe haha de repentet tem a ver com algo que conversamos. Beijo. Botar a Teta na mesa.


08:00 A relação corpo e objeto expostos nesses trabalhos são uma nova possibilidade para criação de diálogos. O movimento da Teta em direção ao theremin soa como uma dança desgovernada com passos firmes ao mesmo tempo que fluidos. Percebe-se uma conversa, cochichos, são como segredos trocados através de frequências sonoras e deslocamentos corporais. Marie permite que a Teta se manifeste de forma independente, criando seu próprio canal de ação e reação com o theremin. É acima de tudo sobre escuta. 16:05

Pensar a presença do não-humano para criar. A força visível do som, o barulho do silêncio, o caminho do vento, a fala do animal.

11:16

Só a teta já é uma coisa pornográfica, né?

17:09

“Retetóricas Eróteticas” Teta Lírica e Rheremita Cera

— A coisa da denúncia, do incômodo, o que era o incômodo ali? Será que eram as tetas, as tetas sacudindo, era porque eu estava me divertindo, manifestetando prazer? É proibido expressar o erotetismo. — Uma vez eu realmente experimentei uma interferência de rádio, o theremin captetou uma frequência de rádio e foi muito essa coisa de entender que tudo pode se retroalimentar e não necessariamente sob um domínio, controle, na verdade isso é uma experiência de não estar no controle. 22:27

Como se apropriar da linguagem? Hackear as normas preestabelecidas como um vírus. — É tudo um sistetema, a teta na palavra pode ter a ver com a teta na roupa sem sutiã, balangando, e aí tem aquela coisa de “algo está ali”. A função principal de um sutiã, se não é ser um decote enorme, é dizer que não existe, né, que tá guardado. No Brasil, se eu tô na praia de tetas se prepare, porque é um monte de coisa que vem. Se eu tô com outras pessoas de tetas, tem menos esse assédio, mas sempre vem alguém falar, homens se autetorizam em sei lá, ao menos oferecer uma coca. Para você ver como esses códigos são, é tipo sexo, se você tem tetas e tá ali com elas, então tá querendo sexo.

10:27

Retroalimentação.


— A teta pra mim tem sido uma antetena e um portetal pra me conectetar com coisas que sempre me foram negadas estando nesse corpo. Ela pode ser uma parte, um centro de força, onde você pode estar peitando, ou sentindo muito prazer. Só que aí tem toda construção simbólica, que é muito complexa, existem vários significados em várias sociedades, como a camada de ser uma coisa milagrosa que alimenta. É uma coisa muito infiniteta pra mim. Persona: palavra grega vinda do teatro para nomear as máscaras que os atores vestiam no palco. A que parece ser, a que desempenha um papel, uma personagem. Para a teoria junguiana, o arquétipo persona se refere à figura, imagem que assumimos ao nos mostrarmos para o mundo. Essas máscaras utilizadas diariamente podem surgir como personalidades artificiais, estabelecendo um campo de ficção na presença. Ao vestir a meia com furos no peito, Marie Carangi se transforma em Teta Lírica. A máscara como um objeto que revela ao invés de esconder. — Eu nem sei se é personagem ou persona, mas sei que é uma mudança de energia ou atetitude, tem a ver com a roupa. A Teta Lírica nasceu com aquela roupa, quando eu vesti a meia e cortei as tetas para fora. Pra mim, vestir esta roupa é estar encarnada na Teta Lírica, ou ela encarnada em mim.

Beastits tetabixho R. da Conceição - Recife - PE - 2016 Registro: Cristiano Lenhardt

18:37


Teta3_obscuro Concha Acústica UFPE - 2016 Registro: Luciana Freire D'Anunciação Teta4_obscuro Concha Acústica UFPE - 2016 Registro: João Lucas

45


20:52

Tetaço Geral Performance-instalação Instituto Tomie Ohtake - 2018

19:05

Uma escrita encarnada, a criação de uma experiência através da fala, repensar as possibilidades da palavra. Seus trabalhos artísticos se apresentam como uma extensão da sua vivência, botar a teta na performance é similar a botar a teta na língua, no som, debaixo da blusa ao caminhar na rua. Não sei se é possível a separação entre pessoa e artista, um é a amálgama do outro. Teta Lírica existe Corpo passivo ou à porque Marie Carangi a fez necessária. serviço é tolerado, mas um movimento “autetônomo” já é 15:11 “TETAÇO GERAL agressivo. Procuro mulheres com tetas de todas as idades, qualidades e personalidades para carimbar juntas uma parede do Instituto Tomie Ohtake, quarta 28/nov 20h, abertura da exposição Prêmio EDP nas Artes.”

15:04

46

Promoveu o “Tetaço Geral” no Instituto Tomie Ohtake, onde foi ganhadora do Prêmio EDP nas Artes em 2018. Infinitas Tetas, de diferentes escalas, carimbadas em uma parede gigantesca. — Tem a ver com o vocabulário, olhar para como o vocabulário é usado. A teta dos animais, a teta da vaca, a teta da cachorra, a teta da gata. A aproximação com essa vulgarização que é a coisa do não civilizado, do não humano, de ser mais bicho.


11:21

“Nossa Histetória. Multetiladas.” Teta Lírica e Rheremita Cera

18:23

“Tetudo massa e tu?” Essa foi a primeira frase que Marie me mandou.

05:03

WHAT DOES TIT MEANS? TIT TIT TIT TIT... TIT TIT

Poseidonna Lausanne - Suiça - 2019

— Essa história de que a pessoa que foi estuprada foi condenada a virar a Medusa foi quando tudo fez muito sentido pra mim, é realmente toda essa violência que tem atravessado a civilização até hoje.

19:23

O que é teta pra você?

— Quando me mudei pro centro acabei percebendo mais como era andar sem sutiã, que postetura eu tinha que ter para andar na rua. 03:47

O peito é o que se projeta primeiro. A teta que fala antes do corpo, mas nunca é assumida. — Comprei o theremin para experimentar e teve aquele momento no meio das tetativas, com aquele som descontrolado, que eu estava de tetas, porque eu sempre estava de tetas em casa, pelada. Comecei a sacudir as tetas ali, entender como é que aquele corpo, que estava chegando primeiro naquele campo sensível, se portava. E as tetas se projetaram para frente [...] naquele campo de ressonância e na hora me vieram muitas conexões, daí comecei a dar atetenção ao movimento, a essa escuta. ♪ ♪ “minha teta rainha faz de mim instrumento de teu prazer, siimm E de tua glória, e de tua glória”♪♪ Maio de 2019, música ouvida por Isabela Stampanoni através de sonho em Recife para Marie em Lisboa, via mensagem de áudio.

02:14

Como escrever sobre o que passa primeiro pelo corpo?

Dadu Maria Figlioulo - Formade em crítica de arte, com flertes no teatro e paixão pela pornografia. Procuro a performance em tudo que faço, escrevo e vivo.


Estetática é uma tetimologia do meu glossário para construir sentetanças.* A teta me provoca um engasgo no T, uma gagueira que me tetoma. Liberteta, liebeteta. WHAT DOES TIT MEAN????? WHAT DOES TIT…. Respirei profundamenteta e tetendi que elas só precisavam de ar. A teta quase fareja. A minha mãe bota a teta na mesa. Ateta! Quem é ela? Nasceu mulher?! Meio estetátua, meio elástetica, eclétetica. Foi amamentetada?! O feminino Titself É uma incógniteta delightit and distiturbance “o futuro é uma mulher velha” — postetou Pauline Curnier Jardin Ar-dor inconscienteta coletetiva como pressentimenteta das histetórias apagadas fantetasmas Infinitetas repousando sobre a minha testa, teterapia. Eu me desejo lindos sonhos. Ich wünsche mir schöne Titträume. Astetúcia de sentetir o prazer de habitetar essa corpa de novo. Novos habitetats no mundo. A teta sempre te encara de volta. Teta no grelo! (é um bloco de carnaval que eu ainda quero fazer em Olinda)

por Marie Carangi

1 - Ferramenteta tática e estética, não estática. 2 - Também utetilizada por esteticistas e estatísticas


Galeria

Este é um espaço para contato inicial entre púbico e artista através da Propágulo. Estamos sempre à procura de novos artistas. Envie seus trabalhos para: propagulo@gmail.com 49


Ramonn Vieitez @ramonnvieitez

Nascido em Recife (1991), onde realizou as exposições individuais “Um lugar calmo para minhas certezas”, na Galeria Amparo 60, em 2019, “Assim: Enjoy the Silence”, na Galeria Massangana do Museu do Homem do Nordeste da Fundação Joaquim Nabuco (MUHNE), em 2015, e “O Império dos Sonhos”, no Instituto de Arte Contemporânea (IAC/UFPE), em 2013. Fora de Recife, realizou exposições como “Desenhos”, na Casa de Cultura de Paraty, (Paraty - RJ), em 2018, “Assim – Enjoy the Silence”, na Portas Vilaseca Galeria (Rio de Janeiro - RJ), e “Noctívago”, na Baró Galeria (São Paulo - SP), ambas em 2014. Seus trabalhos estão em acervos de instituições públicas brasileiras como o Museu de Arte do Rio (MAR) (Rio de Janeiro - RJ), o Centro Cultural da Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC) (Criciúma - SC), e Coleção Gilberto Chateaubriand/Museu de Arte Moderna (MAM) (Rio de Janeiro - RJ). P - Quais técnicas, linguagens e suportes despertam interesse em sua pesquisa? De certa forma, todas as que envolvam manualidades. Sou apaixonado por artes e ofícios, onde se mistura artista e artífice. Meu trabalho como matéria física surge disso: pintura, gravura, serigrafia, monotipia, monogravura, objetos... tudo que envolve manualidade desperta minha curiosidade, especialmente por poder sempre evoluir. É por isso que a pintura a óleo é minha grande paixão, por ser um eterno treinamento, estando ali sempre a possibilidade de reinvenção. P - O que atravessa o seu processo criativo? Meu processo é meu universo particular, um turbilhão de ideias que vão se moldando, caminhando do caos ao silêncio. Quando trabalho numa pintura, meu desejo é quase um expurgo. Costumo definir bem rápido o que vai pra tela e seguir para a parte mecânica do processo que é pintar, pôr-se diante da tela e encarar a batalha corpo x criação. Diria que são como janelas construídas do meu imaginário, onde falo de tudo que me interessa ou incomoda no momento: política, pop, queer, história, meme, literatura, música... é um processo de autorreferencia. Assassino (série negra) Nº 13 Óleo e folha de ouro sobre tela - 50 × 60cm - 2015

50


Bruno Alheiros @brunoalheiros

Nascido em Recife (1992), cursou o bacharelado em Artes Visuais pela UNIAESO - Centro Universitário AESO-Barros Melo. Entre 2015 e 2016, estudou Drawing, Painting, Color & Design na The Art Students League of New York (Nova iorque - EUA). Participou de exposições coletivas como “Ensaio Geral”, em 2015, e “Possibilidades”, em 2018, ambas na Arte Plural Galeria. Na mesma galeria, realizou a exposição individual “Contraponto”, em 2018. Atualmente, é residente do Ateliê Pangeia, localizado no Bairro do Recife, desde 2019. P - Quais técnicas, linguagens e suportes despertam interesse em sua pesquisa? Tenho interesse em visualidades “extraterrestres” ou “espaços virtuais”, tanto nas pinturas feitas com óleo sobre tela quanto em outros trabalhos realizados com espuma expansiva. P - O que atravessa o seu processo criativo? Minhas imagens são espaços para o desenho do corpo. Retratos e fotos onde aparecem rostos são sempre zonas de muita aproximação entre veículo e objeto, então já nem me refiro a elas como imagens e sim como corpos. Mas aí, ao mudar a cor das figuras, elas ficam distantes dessa ideia, minha sensação remete direto a sistemas de codificação luz/energia, como câmeras de infravermelho. A Birth of Magnificent and Magical Proportions Took Place Óleo sobre tela - 120 × 100cm - 2021

52


Joana Liberal

@ateliejoanaliberal

Nascida em Recife (1990), onde vive e trabalha, é formada em Licenciatura em Artes Plásticas pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Em seu trabalho, abraça diversas linguagens e suportes, pesquisando sobre questões das mulheres, possibilidades de corpos e identidades. Desenvolve trabalhos com modelagem e escultura, gravura, ilustração, figurino, direção de arte, costura, mural e cenografia. Enquanto exposições individuais, realizou “TOCA” n'A Casa do Cachorro Preto (Olinda - PE), em 2015. Dentro da programação do “Conexão Sapatão”, na Maumau Galeria, realizou “ARDE”, em 2019. Na mesma galeria, participou das exposições coletivas “Aqui Se Faz, Aqui Se Paga”, em 2015, e “Mulheres que Frequentam”, em 2019. Fez parte da Gráfica Lenta, coletivo de Recife, que se deu a partir da iniciativa do artista Maurício Castro. P - Quais técnicas, linguagens e suportes despertam interesse em sua pesquisa? Eu sou uma artista multidisciplinar: trabalho com cerâmica, pintura, desenho, costura e escultura. Busco nos materiais liberdade para expressar o que sinto. P - O que atravessa o seu processo criativo? Trabalho com meu corpo. Gosto de usar sempre materiais diversos com o intuito de descobrir novos caminhos. Cada trabalho pede um material diferente. Cada vez mais imerjo no meu trabalho pra entender um pouco mais de mim. O meu trabalho é o resultado de quem eu sou. Conteúdo Ofensivo Acrílica sobre tela - 50 × 70cm - 2019

54


Abròs

@abr0s_

É de Camaragibe (1994). Investiga pintura, performance, arte urbana e arte-educação. Integra o Coletivo CARNI (Coletivo de Arte Negra e Indígena) desde 2018 e o Coletivo Mural (Movimento Urbano de Arte do Lambe) desde 2019. Integrou a equipe curatorial da Propágulo Nº 4 e participou da exposição coletiva “A Mão Reflexiva — Gestos e Pensamentos nas Práticas Contemporâneas” na Nós Galeria em 2020. No ano de 2019, foi selecionade para a edição 5 do Festival “Bahia de Todas as Cores” de graffiti (Salvador - BA), iniciando também o laboratório de pesquisa para e com o lambe-lambe “Perspectivas e Memórias para Futuros Possíveis”, no Museu Murillo la Grecca (MMLG) (Recife - PE), na galeria Espaço Zero (Garanhuns - PE) e no Reduto coletivo (Surubim - PE). Foi entrevistade para a Propágulo Nº1, cujo lançamento aconteceu no Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães (MAMAM), com exposição na Galeria Aquário Oiticica, em 2017. P - Quais técnicas, linguagens e suportes despertam interesse em sua pesquisa? No começo, era sobre expressão e interesses que eu tinha relacionados a arte. Lembro que sempre registrei situações cotidianas a partir da escrita e do audiovisual. Depois, isso foi se transformando em produção cênica no teatro e na dança. Através destes dois, vieram então as visualidades — que partem muito do corpo. P - O que atravessa o seu processo criativo? A memória é a grande alma do meu trabalho. Tenho um apego muito grande pelo registro e pelo arquivo, que são os aspectos mais íntimos do que faço. O cerne é que todas as técnicas são formas de entender e retroalimentar essa memória atemporal: fala de um presente, olha para um passado ancestral e, por conta disso, é também sobre futuro. As técnicas desenvolvidas no meu trabalho são formas de compreender o tanto que essa atemporalidade está presente na minha construção subjetiva. Os caminhos de volta Ilustração digital - 2021

56


amoriamorim @amoriamrm

É de Ribeirão (1995), município da Zona da Mata Sul de Pernambuco, e reside na cidade do Recife desde 2012. Formado em enfermagem, atua na área desde 2017. Em seus trabalhos toma a experimentação artística como um momento de estar consigo. Explora fluidez e movimento em suas obras, com técnicas diversas que o misturem na arte. Traça mapas através de exercícios de (in)compreensão de seus múltiplos processos de vida e morte. Observa, analisa e questiona as ansiedades e agonias que se anunciam de sua inconformidade às normatividades impostas. P - Quais técnicas, linguagens e suportes despertam interesse em sua pesquisa? Exploro fluidez e movimento em meus trabalhos, com técnicas diversas que me misturem na arte. Inicio meus principais trabalhos com aquarela sobre papel, o que me possibilitou uma diluição além do pigmento: ressoou no corpo. Desenvolvo a técnica em tecido/tela, sempre aguada, e vou descobrindo outros elementos, ataduras, linhas e látex, na construção quase cirúrgica de um corpo-pensamento em tensão e movimento. P - O que atravessa o seu processo criativo? O que atravessa meu corpo é o que impulsiona meu processo criativo. Traço mapas desde minhas vísceras para percorrer caminhos com tinta. Eu como, vomito, contemplo o que sai de mim, narrativa expressa de um corpo dissidente racializado que desperta para si. Corpo que Movimenta Acrílica, atadura engessada e pastel seco sobre tecido - 130 × 90cm - 2021

58


Bisoro

@bis0ro

Debruçado sobre pintura, quadrinho, grafitti e lambe-lambe, Bisoro é nascido em Recife (1999) e vive atualmente no município de Camaragibe, que compõe a Região Metropolitana da capital pernambucana. No ano de 2018, lançou dois zines: “Conforme disseram as sombras” e “Mariposas de Arcádio”. Em 2021, está participando da Imersão em Múltiplos de Arte da Propágulo em que, através de acompanhamento curatorial, vem desdobrando sua pesquisa para o meio impresso e reprodutível. P - Quais técnicas, linguagens e suportes despertam interesse em sua pesquisa? A linguagem da arte urbana — grafitti e lambe-lambe —, passando pelas belas artes na pintura. Uso do corpo e do seu movimento para criar imagens, onde exploro relações com o suporte pintado. Estabeleço essa relação caótica de maneira quase performática: o spray é rápido e frenético, uma mão bêbada de tinta usa grandes pincéis para espalhar o colorido na tela. Acabo me atentando mais ao movimento, à dança contida nesse processo do que à pintura. P - O que atravessa o seu processo criativo? Pensar corpo, movimento e expressão. Entender que habito um corpo cheio de especificidades e vulnerabilidades. A abstração da palavra, a forma derretida, o cotidiano banal. Eu não sou daqui Acrílica sobre algodão cru - 130 × 170cm - 2021

60


Obrigado a todos nossos apoiadores Aline

Garcia

Barboza

•

Allan

Gomes

de

Lorena

•

Amanda

Lopes

• Amanda Varela Soares • Ananda Amaral • Ananda Paiva • André Santa Rosa • Anna Maria Menezes • Ariel Gomes • Arine Lyra • Arthur Cardoso • amori amorim • Bárbara Viana • Beatriz Arcoverde • Bernardo Teshima • Bia Lima • Bianca Lana • Bruna Lira • Bruna Rafaella Ferrer • Bruno Alheiros • Camilla Medeiros • Carla Antunes • Carlos Vinicius Lins • Carol Novaes • Cecília Falcão • Cecília Moreira • Cecília Ribeiro • Clara Pierrotti • Dadu Figlioulo • Daniel Breda • Dário Jardim Matos • Débora Rosa • Déborah Gayo • Diana Vaz de Jesus • Domênica de Luca • Duda Cunha • Dudu Gardner • Edmar Guirra • Eduarda Nogueira Quinderé • Elizabeth Bandeira de Melo • Emannuel Alves • Fernando Negri Fracasso • Fernando Valença • Francisca Teixeira • Francisco Nascimento • Fred Gustavo da Silva • Gabriel Ricci • Heitor Dutra • Helena Carvalho Moura • Henrique Rego • Hérico De Almeida • Ian Manor • Ianah Maia • Igor Caetano • Ingrid Abreu • Isabella Galvão • Jade Oliveira • João Izzidio • José Bueno • Julia de Almeida Guerra • Júlia Galdino • Júlia Malheiros • Juliana Martinez Ronchesel • Júlio Paschoal • Kaísa Lorena • Kalany Ballardin • Katlyn Amorim • Kerma Custódio • Laís Norton • Larissa Souza • Laura Lucena Morgado • Laura Pascoal • Letícia Campelo • Letícia Barbosa •


Lua Escobar • Luan Fonseca • Lucas de Lima • Luiza Gomes Dantas • Luiza

Pinto

•

Manoela

Freire

•

Manuel

de

Freitas

Cavalcante

•

Manuela Souza Leão • Marcela Dias • Marcela Nunes • Marcelo Zenaide • Marco Bonachela • Maria Clara Carrazzoni • Maria Clara Mendes Alho • Maria de Betania Villela • Maria Eduarda Cesse • Maria Júlia Moreira • Maria Renda Cadorin • Mariana Gallindo • Mariana Veloso • Mariana Leal • Marianna Melo • Mariana Oliveira • Mariana Torres • Marilia Tereza Farias • Mayara Bione • Morgana Braga • Nara Cavalcanti • Vitor Genuíno • Olimpio de Moraes Filho • Paloma Azevedo • Paola da Silva • Paulo Faltay • Pedro Muniz • Pedro Cavalcanti • Pedro Neves • Pedro Henrique Chaves • Rachell Goret Rosa Batista • Raquel de Paula • Raul Souza • Renata Caldas • Renata Albertim • Renata Wilner • Renê Porfirio • Rita Mendonça • Robson Tavares • Ruth Maria Rocha • Simone Mendes • Sofia de Souza • Sophia Cardoso • Steve Coimbra • Suilane Oliveira • Sumaya Nascimento • Teresa Dias • Thaís Leandro Cavalcanti • Thais Yoshioka • Tiago Corrêa • Tiziana Weber • Vinícius Nascimento • Vinicius Valentim • Viq Junqueira Ayres • Wellington Furtado Ramos • Zito Junior •


Apoie a Propágulo Fazendo parte da Propágulo Assinatura você viabiliza a manutenção de todas as nossas ações e ainda recebe acesso a conteúdos exclusivos disponibilizados toda semana: AMIGOS PRÓXIMOS DO INSTAGRAM

SEU NOME NA REVISTA

Acompanhe de perto nossa rotina de trabalho e saiba das novidades em primeira mão.

Tenha seu nome dentro das edições impressas da revista Propágulo.

CLUBE DE LEITURA E DEBATE

ZINE DESDOBRA

Junte-se aos encontros de conversa, movidos a partir de textos e materiais selecionados, com nossa equipe, artistas, pesquisadores e interessados em arte.

Nossa zine trimestral onde publicamos na íntegra as melhores entrevistas que realizamos para a Revista Propágulo e contamos os bastidores dos nossos processos de criação.

PODCAST AFTA

MÚLTIPLO DE ARTE

Fique por dentro dos debates que atravessam a cadeia das artes visuais a partir de conversas mediadas por nossa equipe e convidados especiais.

Receba em casa uma obra de arte numerada e assinada por nossos artistas parceiros (em serigrafia, risografia, gravura, entre outras técnicas) a cada dois meses

Saiba mais no site → catarse.me/propaguloassinatura


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Revista Propágulo 6 by Propágulo - Issuu