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Revista Propágulo 3

Page 1

MAIO

2019

Nยบ 03

PROPร GULO


Percebendo os abismos que limitam o diálogo sobre arte em Pernambuco, surgiu o projeto Propágulo. O compromisso desta revista é construir plataformas que promovam discussões pertinentes ao universo artístico, compreendendo que a arte acontece, inclusive, nos seus processos de criação. Com o formato estruturado em entrevistas, textos de opinião e galeria, a revista Propágulo reflete, portanto, a intenção de proporcionar uma conversa entre as inúmeras vozes que compõem a diversidade presente nas artes visuais.


Equipe Ariana Nuala: co-curadoria e educativo (convidada) Bruna Lira: co-curadoria, editoração e revisão Guilherme Moraes: curadoria, educativo, redação e revisão Heitor Moreira: co-curadoria e projeto gráfico Marcela Dias: co-curadoria, educativo e redação (convidada) Mariana Leal: co-curadoria, educativo e redação (convidada) Mariana Melo: co-curadoria e expografia (convidada) Nathália Sonatti: co-curadoria e redação Rodrigo Souza Leão: co-curadoria, divulgação, produção de eventos e projeto gráfico Stefany Lima: redação (convidada)

Colaboradores Bia Lima Carolina Mota César Machado Eduardo Romero Erik Ordanve Erlon Warner

Flora Negri JEAN João de Oliveira Kaísa Lorena Kerol Correia Liliane Nascimento

/Propagulo @propagulo propagulo@gmail.com Revista semestral, Recife - PE, ISSN 2596-2213

Maria Clara Dantas Mariana Medeiros Marlon Diego Priscilla Melo Talita de Melo


Realizada a partir de nossa primeira convocatória on-line, a Propágulo nº 3 acontece em parceria com fotógrafos e artistas cujos processos são atravessados pela fotografia. Desde sua criação no século XIX até os dias de hoje, em contextos dominados por câmeras digitais e smartphones, a trajetória da fotografia sempre foi marcada por experimentações em suas técnicas e propósitos. Decorrente de uma curadoria compartilhada, o levantamento aqui presente consiste em uma investigação acerca da singularidade dos olhares. Como as vivências que temos delimitam as nossas perspectivas, e o que é necessário ser feito para que percebamos o que há dentro e fora dos espaços de onde partimos? O que pode haver de bonito e de cruel na legitimação dos lugares aos quais pertencemos? É diante de inquietações como essas que apresentamos a nossa terceira edição. De que maneira proceder diante de um cenário no qual tentam nos impor uma tosca uniformidade de discurso? Ainda que nos movimentemos com o intuito de dar conta da produção de novos artistas relacionados ao estado de Pernambuco, este objetivo se apresenta cada vez mais inalcançável. Talvez seja uma afirmação óbvia, mas vale dizer que a quantidade de artistas que daqui partem ou por cá se estabelecem é muito, mas muito maior do que poderíamos dar conta. Os 14 aqui distribuídos entre entrevistas, colunas visuais e galeria impressa são apenas uma pequena amostra, um falso todo diante do tanto que se produz nessa extensa e complexa rede. Isto posto, não é difícil concluir que, nem mesmo em uma temática aparentemente tão demarcada como a fotografia em processos de novos artistas, existiria homogeneidade. Ao passo que toda tomada de decisão é essencialmente política, escolher - seja na curadoria, seja na fotografia - significa também recortar algo a partir de uma série de intenções e pontos de vistas entrelaçados. Não há neutralidade possível quando o que queremos é nos comunicar a partir de enquadramentos. Realizar um trabalho de arte, acolher ou não uma temática ou proposta. Decidir implica optar por alguns assuntos em detrimento de outros. Foi também pelas semelhanças, mas principalmente pelas diferenças que têm, que os integrantes desta edição foram escolhidos. Por isso, ao passar desta página, esteja aberto para considerar diversos repertórios, referenciais, vontades e meios. Aproximações são oportunidades para atentarmos aos discursos que, ainda imersos em suas especificidades, não por acaso se encontram em estado de coexistência.

Guilherme Moraes


SumĂĄrio

06

Kerol Correia

36

CĂŠsar Machado

14

Bia Lima

38

Flora Negri

16

Priscilla Melo

48

Liliane Nascimento

26

Maria Clara Dantas

49

Stefany Lima

28

Erlon Warner

51

Galeria


Registros m[eu]s 2017


KEROL CORREIA por Mariana Leal

A nossa identidade é idealizada antes mesmo de nascermos. Desde o momento em que chegamos ao mundo, as expectativas e o contexto em que estamos imersos influenciam em nosso desenvolvimento. Gostos, personalidades, carreira, tudo vira um grande palpite, e, enquanto crescemos, a inocência não nos permite perceber violências que nos aprisionam em caixinhas classificatórias e normativas, podando as possibilidades de nosso corpo.

O que é real? Qual a minha verdadeira história? Isso me representa? Kerol Correia levanta essas problematizações a partir do olhar crítico acerca do álbum de família, que mascara o lado doloroso das nossas memórias. Os registros de um álbum deveriam ser uma ferramenta que contasse narrativas plurais, os aspectos particulares que compõem toda essência de uma família, e as escolhas estéticas do fotógrafo deveriam acompanhar essa trajetória. 07


A necessidade de Kerol em registrar o que estava em sua volta começou na infância, quando seu irmão ganhou de presente um celular com câmera. Ela costumava pegar o aparelho escondida e fotografar o ambiente da casa - a sua avó cozinhando, os detalhes do quarto, as plantas do quintal - para, ao final do dia, apagar tudo. Tempos depois, ela ganhou uma câmera só dela, presente do pai. A afeição ao universo do registro foi se intensificando, e não é de grande surpresa que todo esse envolvimento tenha desembocado na escolha pelo curso de fotografia como sua primeira graduação, concluída em 2018 nas Faculdades Integradas Barros Melo (AESO), em Olinda. Hoje, com 21 anos, seguindo uma linha fluida e natural, a artista consegue incorporar à sua poética as frequentes experimentações que desenvolve durante o processo criativo.

08

Ela [antes de mim] 2017

Refletindo sobre o silenciamento por trás da padronização estética dos álbuns de família, na série “Registros m[eu]s” (2017), Kerol aborda também a angústia de não se sentir pertencente. Depois de passar anos sendo a fotógrafa principal dos encontros de família, começou a sentir falta de se enxergar dentro de fotos onde ela era peça fundamental. Sem fotógrafo não existe registro, mas até que ponto o fotógrafo é protagonista de uma memória? Foi a partir da necessidade de se encontrar que começou um processo de descobrimento de si, do passado ao presente.


Registros m[eu]s 2017

Em sua investigação, pode se reconectar a momentos já esquecidos, revelando que a infância é um terreno maior do que a realidade: depois do limbo temporal, qualquer coisa pode virar verdade. As fotos foram selecionadas de maneira intuitiva, refotografadas e, depois, tratadas digitalmente. A coloração de alguns elementos indica um cuidado em se aproximar e conhecer do melhor jeito possível detalhes que compuseram a imagem. 09


Sangrando Sagrado 2017


“a família é um lugar que acolhe, mas que também repudia’’ Em “Sangrando Sagrado’’ (2017), a artista utiliza da mesma técnica de manipulação de cores, só que agora para tocar mais fundo no segmento das violências não vistas. A foto em questão foi achada durante o processo de pesquisa para “Registros m[eu]s’’ e demonstra de uma perspectiva mais íntima sua busca recorrente pelas histórias encobertas. “Aquilo ali é o pai da minha avó, meu bisavô. Durante essas pesquisas, descobri que ele administrava um engenho, então meio que foi somando tensões. Meu bisavô era uma figura bem machista, ele tinha essa coisa de cortar o cabelo da minha avó, sabe? Ele era extremamente controlador”, revelou Kerol durante a entrevista. Essas descobertas trouxeram para uma dimensão particular a reflexão acerca das relações de poder latentes na imagem. A necessidade de garimpar e questionar o passado refletiu no interesse em estudar sobre o açúcar a partir de uma concepção sociológica, incentivando-a a se matricular em 2018 no curso

de graduação em História da Universidade Federal de Pernambuco. Fontes de inspiração e de identificação, é nas figuras femininas do nosso próprio ciclo que podemos encontrar as maiores resistências, mulheres ligadas por sangue e que, de geração em geração, sofrem agressões paralelas. Aprendemos muito prestando atenção naquelas que nos acompanham desde o nascimento pois, ao exercitarmos o olhar empático para quem está do nosso lado, ganhamos a capacidade de enxergar quem está de fora também. Nem sempre essa é uma tarefa fácil, porque, nas palavras de Kerol, “a família é um lugar que acolhe, mas que também repudia’’. Essa ambiguidade é constantemente posta em questão pela artista já que, ao mesmo tempo em que reconhece a importância da avó em sua formação, critica as estruturas heteronormativas que norteiam as relações familiares. 11


As inquietações de Kerol levaram-na a desenvolver um álbum de família em concordância com o que acredita. Em “Um olhar para as produções sobre o lar’’ (2018), série produzida como Trabalho de Conclusão de Curso da sua primeira graduação, destaca o poder que o fotógrafo tem, enfatizando o processo de aprendizado que a fotografia proporciona e lembrando da responsabilidade em apresentar os modelos tradicionais como escolha e não como imposição. “Se, num almoço com a família, você passou a tarde todinha 12

olhando pros pés das pessoas, por que não pode ter um pé no álbum? Aquilo aconteceu, foi o que você sentiu na hora!’’, argumenta. Assim, o dente de leite, aquele tufo de cabelo do primeiro corte, unhas e imagens macros de roupas usadas no dia-a-dia também passam a compor as memórias de família. Aquilo que estaria às margens dos retângulos que enquadram uma foto é, agora, legitimado. kerolcorreia


Sobre o lar 2018


Bia Lima pontobia

14


Fragmentos Afetivos, 2013

Coluna

15


Priscilla Melo por Marcela Dias


Caminhando, vi - 2018

18 Vi - 2017


M ais um dia de calor em Recife, o sol forte faz com que diminuamos nossa quantidade de roupas e nos aproximemos da água. Na

garupa de uma bicicleta, Priscilla estava, como de costume, vendo a vida que acontecia ao seu redor. “Foi no parque das esculturas”, ela conta. Tento imaginar o estado de equilíbrio para não cair da bike junto com o contravento, proporcionado pela viagem, brincando com essa situação. Um homem sem camisa, de pele negra e vestindo um short rosa (cores que contrastam com o azul do céu) caminha com um balde na cabeça por cima da estrutura de pedra que divide o rio do mar. Ela vê, percebe, compõe aquela cena e logo vai em busca de seu celular para realizar o registro. Clica e tá feito, quem sabe o que a aguarda depois? Foi em 2012 que a fotógrafa Priscilla Melo, de 26 anos, começou suas andanças. Com a entrada na Universidade Federal de Pernambuco, no curso de Ciências Biológicas, ela sentiu uma falta de identificação com o espaço acadêmico, o que a fez procurar por outras alternativas de atuação. Na tentativa de se encontrar, ela chegou até o curso de fotografia da ONG Centro de Comunicação e Juventude (CCJ), localizada em Peixinhos, e iniciou, no mesmo período, uma formação em produção audiovisual no bairro de Coqueiral. A partir desse deslocar-se (ocasionado pelas propostas das aulas e, até mesmo, pelo novo trajeto casa-faculdade), ela conta da mudança em sua percepção acerca da cidade: “Comecei a frequentar e sacar os lugares em que eu morei. Na Vila Santa Luzia, em Beberibe e, agora, na Bomba”.

19


Vi 2018

20


No percurso entre tantos espaços, ela se deu conta da necessidade de construir narrativas sobre aquilo que via e de desenvolver autonomia na produção de suas imagens: “A gente visitou várias favelas, e eu não sabia da dimensão dos bairros que estavam do lado do meu”. Em seus caminhos, havia também fugas semanais para o cinema São Luiz, onde conheceu lugares estrangeiros para além das ruas de Recife. O choque com a academia e as novas experiências que vieram nessa fase inquieta foram o pontapé para Priscilla encontrar chão firme para seguir suas experiências de andarilha, tendo, enfim, a fotografia como elemento documental e poético daquilo que se vive. “Foi a primeira foto do ano”. Priscilla diz que estava na Praia do L, em Olinda, observando uma amiga que varria o quintal de casa. Já fazia um bom tempo que ela se dedicava a limpar o espaço. Ao ouvir esse relato, pensei ser incrível como a imagem estabelece suas peculiaridades lindas por meio do engano. Antes da entrevista, sempre que via esse registro, imaginava uma pressa no gesto da fotógrafa para captar todos os elementos da cena. No entanto, segundo ela, houve uma espera para sua construção: a pessoa andando ao fundo, a água caindo, a amiga varrendo, um período para enxergar. O tempo da imagem se expande, e ela se configura nova em minha cabeça, me remetendo ao instante decisivo de Cartier Bresson (uma de suas inspirações, inclusive). Processo é tudo, né?

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Ao visitar o feed de Priscilla, sinto-me percorrendo uma espécie de diário visual. É interessante que ela utilize o Instagram como principal fonte de divulgação de seu trabalho, já que essa plataforma propõe justamente reunir as nossas vivências cotidianas. As fotografias de eventos banais ganham uma carga profunda diante de seu olhar técnico, atento e sensível. Isso se constrói, na primeira camada, por sua paixão pela composição. Para trabalhar a harmonia da foto, sua edição não vai além do ajuste de luz e sombra e opta, na maioria das vezes, pela ausência de cores. Ainda assim, penso que a alma de suas imagens está presente na intencionalidade intuitiva que surge no momento do encontro da fotógrafa com a cidade. É pelas suas fotos que ela concretiza a afetação por aquilo que vê: “Isso é uma autorreflexão e eu acho massa. Porque a gente fala pelas fotos. Deve ser arte por causa disso, né? A gente se expressa pela forma”. Eu tenho certeza que a primeira vez que criei algo eu estava sentada em alguma calçada, de olhos bem abertos e estranhando aquele monte de novidade que o mundo nos traz. O tédio era meu melhor amigo. Como eu ficava bastante em casa, olhar para fora sempre foi muito curioso. “De onde passo e me vejo”. Essa foto é um espelho do passado, queria saber o que ela tanto vê. Imagino que hoje, para Priscilla, cenas como essa se estabeleçam através do reconhecimento de vivências que a construíram.

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De onde passo e me vejo 2018

De onde passo e me vejo 2018

23


Do Campo - 2018

“quando você mora na periferia, a galera tem uma visão de que ela é feia, mesmo quem mora acha feio. Quando se está lá e se acha beleza, você acaba estimulando outros olhares”

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Passei - 2016

Quando perguntei quais as suas principais inspirações, ela não hesitou em citar as pessoas (em sua maioria, mulheres de força) com as quais convive. A relação dela com o outro expande o território imagético de tal maneira que quase nos faz esquecer que, no momento da captura, existia uma câmera entre a fotógrafa e o fotografado. Na entrevista, ela conta como o seu trabalho vem servindo de catalisador para novas percepções: “As pessoas me dizem ‘eu vi uma foto ali’. Isso é massa porque, quando você mora na periferia, a galera tem uma visão de que ela é feia, mesmo quem mora acha feio. Quando se está lá e se acha beleza, você acaba estimulando outros olhares”. Atualmente, em paralelo à sua produção pessoal, Priscilla participa dos grupos artivistas Coletivo Encruzilhada, Coletivo Cara Preta e, o mais recente, Coletivo Amarna. Segue caminhando junto dos seus e trabalhando naquilo que acredita, vive e enxerga. _olhospretos_fotografia

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Maria Clara Dantas mclaragd

26 Verde e rosa III, 2018

Coluna


Le soleil après la pluie {1}, 2018


103 /"5)«-*" 40/"55*


SINOPSE Erlon Warner Alves dos Santos Lima, também conhecido como Erlon Bing ou Jaden Smith de Camaragibe, é um jovem artista de 16 anos que mora em Camaragibe City, Região Metropolitana do Recife. Seu trabalho possui fortes influências da estética vaporwave1 e da cultura pop. “Metanóia” é o resultado de uma conversa entre o artista e a Propágulo, a partir da qual Nathália Sonatti constrói uma semificção visual, misturando elementos do seu próprio imaginário com episódios da vida e processo criativo de Erlon, relatados por ele durante a entrevista.

ROTEIRO: “METANÓIA”

CAPÍTULO I “QUANDO EU ERA CRIANÇA, PORQUE NOVO AINDA SOU” Cena I

Interna. Manhã. Erlon Bing está em casa e resolve registrar, com o celular, fotografias antigas que ele achou de seu pai. A câmera aproxima e fecha nas imagens encontradas. Nesse momento, tem início o áudio de Erlon: “Achei umas fotos dele, de família, aí eu fiz como se fosse uma cronologia com a vida dele, ele na aula, depois ele casando, ele na praia com minha mãe, depois segurando um pirraia. Usei as fotos para fazer uma homenagem”.

Cena II

Flashback em preto e branco. Interna. Tarde. Erlon e os irmãos, Bárbara e Marlon, ainda crianças, aparecem sentados na sala de casa assistindo TV. A câmera os filma de costas, vai passando por suas cabeças e foca na televisão, sintonizada na Disney. Entra áudio do canal: “Olá, bem-vindos a mais um ‘Art Attack’! Este é o programa que te mostra que não precisa ser expert para ser um grande artista. Hoje nós vamos construir… Adivinha? Isso mesmo, uma nave espacial!”. Plano da cena abre. Erlon e os irmãos se movimentam pela casa, separando o material para confeccionar o que estava sendo ensinado no programa.

1Movimento artístico ligado a uma crítica ambígua ou satírica da cultura pop e do consumo capitalista, caracterizado pela imagética do web design dos anos 90, glitch art, anime, objetos 3D, cyberpunk e videoclipes.

29


Painho no todynho e os doido virado no loló, 2018

Cena III

Continuação. Plano da cena fecha novamente no aparelho televisivo, que começa a mudar de canal até chegar no 86. Inicia-se a abertura da animação “Os irmãos Warner (e a irmã Warner)”, onde os três personagens aprontam suas peripécias. Enquanto isso, pode-se ouvir a voz de Erlon: “Meu pai teve a ideia de botar Warner em mim, no meu irmão e na minha irmã por causa do desenho. Mas, na verdade, nem ele, nem a minha mãe têm esse sobrenome”. Corta para Erlon mostrando envergonhado os desenhos que fazia quando pequeno, todos referentes a personagens de séries infantis, como “Dragon Ball”. Entra a continuação do áudio: “Veja aí como a expressão artística de desenho influenciou um cara a botar um nome, e como isso influencia um monte de coisa na vida do garoto”. 30


Cena IV

Externa. Manhã. A família está reunida, cantando e tocando “A menina dança” (Novos Baianos) no terraço de casa. O som da música abaixa e sobe a fala de Erlon: “Minha família, eu, meu pai, minha mãe, meus irmãos, os cinco são artistas, aí são uma influência do caramba. Meu irmão desenha, toca instrumento, minha irmã e minha mãe cantam, meu pai é cordelista. É toda uma parada, não tem como você não fazer alguma coisa”. Enquanto isso, à medida que ele fala, a câmera vai focando no rosto de cada um no terraço. Quando o áudio termina, o som da música que eles estavam tocando aumenta novamente.

CAPÍTULO II “NAIPE DE ARTISTA, PIQUE DE JOGADOR” Cena I

Externa/interna. Fim de tarde. Começa a música “Veneza” (Norman The Beatmaker). A câmera filma de cima o sinal do cruzamento da UPA da Av. Caxangá ficando verde e o fluxo de trânsito intenso. Corta para imagem de Erlon com a cabeça apoiada na janela do ônibus, voltando para casa da escola em que estuda, próxima ao Sítio da Trindade. Um boy vestindo camisa da @mistogang passa pela catraca e o cumprimenta. Erlon tira o fone de ouvido, a música para e tem início o diálogo: - E aí mano, tudo certo? -Tudo, pô. E contigo? - Tranquilo. Nunca mais a gente deu rolê, né? Só vejo teus trabalho doidera lá no feed, lombro demais… - Oxe, cara, pode crê! Muitos corres, tá ligado? [Erlon ri acanhado] Valeu... - Bora marcar, qualquer dia desses pode brotar! - Massa, passo lá uma hora dessas. - Eita, vagou um canto ali, visse? Vou sentar. Bom te ver, cara! - Falows! Erlon coloca o fone de volta, anota alguma coisa no bloco de notas do celular e depois olha para o céu, que está anoitecendo.

Cena II

Interna. Noite. Quarto de Erlon aberto, ele entra, ainda com a farda da escola, e fecha a porta. Sacode a mochila na cama, puxa o colchão que está encostado na parede para o meio do quarto e deita. Desbloqueia o celular, um Samsung J3. 31


Ham ya, 2018

Na tela, aparecem os aplicativos que usa para produzir seus trabalhos, Picsart, Instagram, VSCO, Instagrid e Pinterest. Ele clica no ícone do Instagram e começa a rolar pelo feed. Nessa hora, entra um áudio seu contando como passou a produzir no primeiro semestre de 2018: “Tava no Instagram vendo umas fotos e dei uma orientada. Fui lá, peguei a foto de uma amiga minha e printei, aí saiu aquela coisa. Fui, fiz a colagem, colagem peba. Peguei a boca dela e coloquei em uma asiática que tava com uma roupa meio ‘Kill Bill’, amarela, uma espada bem massinha, aí fiz ‘Hm... Vou dar uma ajeitada aqui, colocar um negócio ali, dar um efeito glitch’. Daí foi evoluindo até chegar o que tá agora”. Enquanto passa o áudio, a câmera mostra Erlon produzindo um novo trabalho, passando pelas etapas de produção que descreveu anteriormente. Porém, quando está quase tudo finalizado, o celular trava e ele perde a edição que havia feito. Som de porta abrindo. Escuta seu irmão saindo do banheiro, levanta, pega a toalha na cadeira e vai tomar banho.

Cena III

Externa. Noite. Plano sequência. Música “FLEXIONA A FREE RACE” (Tay-K Remix). Rua em Tabatinga onde Erlon mora, ele sai de casa e a câmera começa a acompanhá-lo. À medida que vai avançando pela rua, seus passos vão sendo acompanhados pelas pessoas. Quando dobra na esquina, corta para a chegada dele na Praça Coimbral. Seus amigos já estão lá, uns sentados na arquibancada e outros em pé. Erlon se aproxima, e a galera lança a pergunta de praxe: “E aí, vai salvar?”. 32


SAVE Me, 2018

CAPÍTULO III “DEZ MIL COISAS AO MESMO TEMPO” Cena I

Interna. Manhã. Flashes de Erlon na praça digitando no bloco de notas, alternados com tela preta e cenas dele fazendo snaps com os amigos. Corta para câmera fechada nos seus olhos abrindo. Começa plano sequência, ele se levantando da cama em seu quarto e caminhando pela casa até a cozinha. Erlon senta na mesa e, enquanto come, rola o feed do Instagram. Entra o áudio: “Porque é um portfólio online, mas é minha vida pessoal também, é tipo diário/portfólio”. Câmera fecha nas mãos dele mexendo no celular. No feed, passam imagens de alguns artistas que são referências para o seu processo criativo: @saposou, @mariobros, @mariamagdala, @httpren, @viteloi, @renoniis, @emirshiro e @apropriadamente. Com a câmera ainda focada na tela do smartphone, Erlon fecha o Instagram e entra no bloco de notas, no qual aparecem várias anotações aparentemente desconexas. Enquanto isso, ele explica: “Pô, isso é tudo um projeto que eu faço, que eu tenho essas ideias espontâneas, tá ligado? Ai eu preciso anotar as coisas, só que eu anoto no celular de um jeito que apenas eu entendo”. 33


Ansiedade, 2018

Cena II

Continuação. Interna/externa. Plano aberto. Após o café da manhã, Erlon termina de arrumar os seus livros na mochila. Nesse meio-tempo, escuta-se o seu depoimento: “Acho interessante fazer uma faculdade e, apesar de ser muito pressionado para isto, também não acho obrigatório para você ser um artista”. Começa a tocar “Dinossauros” (Dingo Bells), que aumenta de volume progressivamente. Erlon deixa a cozinha, e a câmera corta para o plano externo. Enquanto caminha para a parada de ônibus, a câmera vai se distanciando de forma aérea, mostrando as ruas de Camaragibe e o movimento da cidade. Tela preta, a música para, e ele conclui: “Respondi tudo? Chic”. erlon.bing 34


Fiesta, 2018

35


CĂŠsar Machado cesarmachado

O grito do meu coração 2018

36


Coluna

Cidade Ser 2018

37


Sem tĂ­tulo, 2018


FLORA NEGRI por Guilherme Moraes

O interesse pelas produções presentes nesta

entrevista me apareceu há um ano. Pouco antes do carnaval de 2018, Flora e eu estávamos no Castigliani, cafeteria da Zona Norte do Recife, e, conversando sobre o que vínhamos criando, fui apresentado a uma pequena série de fotografias feitas por ela. Nos autorretratos, Flora se encontrava deitada em um chão de terra seca e vermelha. Em um deles, o seu rosto estava coberto por pó de barro depositado por ela em sua face. No outro, ele estava toscamente limpo e, ainda com o peso do barro, os seus olhos apareciam abertos. Além dessas fotos, transcrevo aqui, de memória, uma fala sua nessa conversa: “Tirei boa parte do barro do

meu rosto e abri os olhos. Eles se fecharam quase que de imediato, e depois não consegui mais abri-los. Tirei a foto olhando para a câmera, como queria, mas fiquei assustada depois… Meus olhos doíam! Tinha muita areia dentro deles e a senti os arranhando por dentro, um medo danado. De onde estávamos até o mar, o chão mudava de pedra pra mato, pra barro, pra areia… Fui de olhos fechados, de mãos dadas com uma amiga, me deixando ser completamente guiada. Sem enxergar nada, entrei sozinha no mar e tentei lavar os meus olhos. Aos poucos, fui retomando a visão e me senti profundamente conectada com aquelas águas”. 39


Para Oxum, 2018

Mergulhar em sua própria dissonância é, antes de tudo, um ato de coragem. Reconhecendo-se em meio a uma busca interminável pelo autoconhecimento, a fotógrafa Flora Negri vem descobrindo um potencial de cura no ato de retratar a si mesma. Nascida em João Pessoa e de família originária de Campina Grande, Flora (23) mudou-se ainda muito nova para Recife, cidade onde cresceu. Em 2013, ingressou no curso de Letras da Universidade Federal Rural de Pernambuco. “Eu saí do colégio achando que seria escritora!”. Pouco tempo depois, determinada a explorar outra expressão artística que, para além da literatura, sempre

lhe fascinara, Flora iniciou um curso introdutório no Instituto Candela, escola de fotografia no bairro de Casa Forte. “O Candela foi o lugar onde entendi o que queria fazer da minha vida. Lembro que, depois da primeira aula de retrato, cheguei em casa e não dormi. Eu passei a noite inteira chorando”. A verdade é que, à medida que caminhava em direção à fotografia, distanciava-se da universidade. E isso não se dava por um desinteresse pela palavra — que revelou ser, ainda hoje, uma de suas paixões e matéria-prima de várias das suas imagens — mas sim por não encontrar muitas possibilidades de explorar a sua criatividade em meio a um currículo reprodutivista. 41


Sem tĂ­tulo, 2016

42


“Eu acho que a parte mais verdadeira do meu trabalho é o autorretrato. É onde eu digo o que eu não falo. É onde eu digo tudo.” Ainda que já fotografasse como forma de trabalho desde então, cobrindo formaturas, aniversários e, posteriormente, realizando ensaios, foi só três anos depois desse início que ela se sentiu confortável para se autodenominar fotógrafa. Flora contou que, até esse momento, a sua produção era pautada no belo, em “buscar a beleza de tudo” o que fotografava. Entretanto, no curso de Retrato no Candela, ela conheceu Ana Lúcia Diniz, fotógrafa cuja poética era concentrada no feio, no desagradável e no perturbador. O encontro gerou desafios mútuos e, no embate entre pesquisas, uma descobriu fascínio pela investigação da outra. “No curso de retrato, a gente trocou de lugar: ela mergulhou no belo e eu no incômodo. Então descobri que esse universo era muito o meu também”. Ivan Alecrim, professor e coidealizador do Candela, foi peça-chave nesse processo de

reconhecimento. “Ele olhou pra mim e fez ‘Bote os seus bichos pra fora! Fotografe os seus monstros!’ e eu entendi que poderia usar a imagem para falar de coisas que talvez nem soubesse que queria”. Assim, Flora Negri passou a recorrer ao autorretrato como meio de expurgo. “Eu acho que a parte mais verdadeira do meu trabalho é o autorretrato. É onde eu digo o que não falo. É onde digo tudo. Geralmente não falo muita coisa boa, o peso tá todo ali. Acho que dá pra ver a luz em algum lugar, mas são sobretudo as minhas trevas, as minhas sombras”. Como que em um jogo íntimo, Flora transforma as fotografias em confissões que guardam em si um paradoxo: ao mesmo tempo em que escancara nelas o seu lado mais sombrio — ora frágil e triste, ora agressivo e monstruoso —, isso se dá através de uma linguagem íntima e enigmática a um olhar desavisado.

43


Sem título, 2018

Uma vez acontecido o registro, tem início uma outra etapa no seu percurso: a de cascavilhar, em cada retorno à imagem que produziu, as suas infinitas camadas de significados. “Às vezes eu não tenho tanta consciência do que estou fazendo no momento em que crio, mas quando olho a foto está escrito na minha cara, sabe?”. Nas constantes investigações, Flora se depara com os ruídos que emergem de estranhos terrenos de si, descobertas dolorosas que trazem consigo a possibilidade de autocuidado. “Se eu tô bem, vou fotografar porque gosto de fotografar. Se eu tô mal, vou fotografar porque isso me deixa bem ou me faz olhar para coisas com as quais eu preciso lidar, enfrentar. A minha produção, principalmente de autorretratos, fica muito maior nessa segunda situação”. 44

Ao passo que é sujeito e objeto de seu trabalho, Flora aborda o que lhe atravessa quando se fotografa. E falar sobre si mesma exige conhecimento. “O meu corpo é esse canal de sensibilizações, é a minha maior ferramenta. Para construir uma imagem, eu preciso entender como ele funciona e o que posso propor diante dele”. Pesquisar a partir de si é estudar os seus domínios enquanto matéria e espírito, e enquanto ser social e político. Partindo das possibilidades que a abraçam em seu processo, Flora extrapola, através da fotografia, os limites que a cercam: em suas imagens, dedos podem brotar do meio de suas pernas, o fogo pode tocar-lhe a pele e, enquanto artista e mulher, o seu discurso permite que ela vá de encontro às imposições que tentam censurar o seu corpo.


Os momentos que envolvem os autorretratos de Flora costuram-se entre si a partir do forte respeito que cultiva pelos próprios devaneios. Quando performa para a câmera, a fotógrafa gosta de acessar apenas o que há de mais primordial no seu entorno: ao corpo nu, somam-se os quatro elementos, as luzes e as sombras. Se interage com algum objeto, pode-se ter certeza que dele ecoam histórias que viveu ou que sonhou. Suas imagens são resultado de um exercício 46

incessante de escuta, de uma sensibilidade aguçada diante do que lhe passa. O retorno às fotografias acontece a partir de sua disposição a ouvir as vozes que infinitamente escorrem de cada uma delas. Nas descobertas que resultam das associações que realiza e da aceitação da mutabilidade de suas verdades, Flora continua a inventar seus caminhos, gritos e curas. f loravnegri


Sem tĂ­tulo, 2018

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Liliane Nascimento liliswho

48

Adentro, 2017

Coluna


Sobre escrever com luz e representatividade Stefany Lima Artista visual, arte-educadora e estudante de artes visuais

Passei um bom tempo pensando por onde começar a escrever, visto que não tenho me debruçado tanto sobre a fotografia, suas questões técnicas e conceituais. No entanto, tenho algumas experiências, e é deste lugar de vivência que decido partir, buscando as palavras que ecoam na minha memória e transbordam nos modos de ver. Tive a primeira oportunidade de compreender um pouco mais sobre a linguagem da fotografia em 2011. Na época, participava da oficina do Núcleo de Hip Hop Zumaluma, um espaço comunitário voltado à cultura de rua e arte/educação na periferia de Embu das Artes, em São Paulo, onde nasci e cresci. Não tinha uma câmera, então pegava emprestada. Fotografava principalmente o cotidiano na quebrada, encontros de Hip Hop e graffiti. Esse primeiro contato me permitiu transitar por espaços e universos diferentes do que estava acostumada, ampliando meu repertório. Assim, a

fotografia trouxe gradualmente uma percepção dos meus ângulos de visão sobre o mundo e do que desperta meu olhar. Com esse despertar e uma câmera em mãos, fui percebendo a necessidade de registrar e dar uma devolutiva sobre o que presenciava na quebrada em termos de arte e cultura. Entre saraus, batalhas de rap e rodas de jongo, estava iniciando um longo processo de descoberta e compreensão do que é pertencimento. Pe-ri-fe-ria, das ruas, dos griôs, dos batuques, dos terreiros, do ritmo e da poesia. Pra nós, território de encantamento; pra muitos, tão hostil. Vista a partir do centro (de quem?), caracterizada somente pelas ausências, margem sem profundidade. A circunferência, e principalmente quem circula, é o que delimita o contorno. O que marca não é só o CEP, mas também a cor da pele. Daí a importância de olhar a partir da nossa perspectiva, onde o mundo é sempre reinventado, e resguardar nossas memórias, pois sempre fomos - literalmente 49


enquadrados pelo olhar do outro. Nesse sentido, penso no quanto a imagem guarda relações de poder, seja nas oportunidades de acesso, na construção do imaginário coletivo, nos discursos, na legitimação da produção artística ou na sutileza (nem sempre tão sutil) do olhar. As narrativas visuais sobre nossos corpos e expressões foram historicamente construídas pelas lentes de quem não habita o mesmo lugar, fazendo da desigualdade e da manutenção de opressões um ponto de partida. O olhar que não vivencia está sempre do lado de fora, espreitando o “assunto” e focando na própria leitura, por vezes de objetificação. Não cabe, neste texto, entrar em detalhes sobre o surgimento da fotografia no Brasil, onde a imagem da população negra se tornou assunto de exaltação do “exotismo tropical” e exploração comercial para colecionadores, salões e exposições de arte na Europa. Mas é importante lembrar o quanto esse processo de apagamento contribuiu para a 50

construção de imagens estigmatizadas, prejulgando o que é bom ou ruim, belo ou feio, intervindo na leitura que fazemos de nossa experiência no mundo. Essas reflexões me são bastante desconfortáveis, pois é desafiador perceber como fomos construídos a partir de um não-lugar, como não-ser, para que a existência do outro fosse legitimada. A posse da linguagem - seja da imagem, da palavra, do corpo - é uma forma de enfrentamento que desestabiliza estruturas, retomando nossas narrativas enquanto instrumento de esquiva das violências subjetivas. Por isso, a urgência de desobedecer e falar sobre si. Escrever com luz é afirmar de onde partimos e por quais lentes enxergamos, como forma de valorização de nossas construções de cuidado, resistência, coletividade, conhecimento, diálogo, memória, afetividade e espaços de fundamento ancestral. Seguimos com caminhos e olhos abertos. 51


GALERIA

Este é um espaço para contato inicial entre público e artista através da Propágulo. Estamos sempre à procura de novos artistas. Envie seus trabalhos para: propagulo@gmail.com 51


Kaísa Lorena começou a fotografar por volta de 2016 e tem o hábito de fazer autorretratos que exploram o corpo. O ser mulher é uma questão que permeia todas as suas produções e reflexões enquanto fotografa. A foto aqui presente faz parte de uma série de autorretratos desenvolvidas em um estudo sobre sinuosidade e dadaísmo.

Pulsa Fotografia @kaisalorena


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Erik Ordanve cria pinturas através de sobreposições, mesclando imagens ja existentes com apropriações de ícones de rituais cívicos pernambucanos como carnaval, procissões e desfiles. Seu trabalho brinca com realidade e ficção ao criar jogos de ocultação e revelação em suas imagens.

Memórias invisíveis II Óleo sobre fototransferência de uma fotopintura nordestina @ordanve


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JEAN é um artista que utiliza da sua visão na fotografia para captar a luz que emana dos corpos marginais, tendo como foco reconstruir a ideia do belo a partir de suas narrativas transgressoras, sendo fiel à marginalização retratada. Agrega intervenções, mixtapes e colagens digitais à sua fotografia.

Sem título Fotografia @je0an


Marlon Diego é fotojornalista. Em seu processo busca passear, observar e capturar os ambientes que passa através da fotografia. Ele também gosta de registrar em seus trabalhos a rapidez das manifestações de religiões africanas e dos protestos.

Recife em detalhes Fotografia @marlondiego.foto


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João de Oliveira é estudante de fotografia e utiliza as imagens para transformar suas ideias em textos visuais. Em seu processo é atraído por detalhes, cores incomuns e movimentos que o levam a fotografar como uma forma de documentar os espaços em que transita.

Sem título Fotografia @joaoasoliveira


Mariana Medeiros costuma utilizar recorrentemente o celular como ferramenta para realizar seus trabalhos. Sua poĂŠtica acontece atravĂŠs dos despretensiosos encontros do cotidiano.Â

Sem tĂ­tulo Fotografia @marianamedeirosfotografia


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3º edição [2019] 600 exemplares Esta revista foi impressa com apoio da Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), com miolo em papel couché 120g e capa em cartão supremo 250g.


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