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Denis Giannelli | Bachelor Geography - Final Thesis

Page 1

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS DEPARTAMENTO DE GEOGRAFIA

T.G.I.

DENIS GIANNELLI SÃO PAULO 2019 ANÁLISE EVOLUTIVA DO AMBIENTE CONSTRUÍDO NO MUNICÍPIO DE SÃO CAETANO DO SUL ENTRE 1962 E 2010


UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS DEPARTAMENTO DE GEOGRAFIA

TRABALHO DE GRADUAÇÃO INDIVIDUAL ANÁLISE EVOLUTIVA DO AMBIENTE CONSTRUÍDO NO MUNICÍPIO DE SÃO CAETANO DO SUL ENTRE 1962 E 2010

DENIS GIANNELLI SÃO PAULO 2019


DENIS GIANNELLI

ANÁLISE EVOLUTIVA DO AMBIENTE CONSTRUÍDO NO MUNICÍPIO DE SÃO CAETANO DO SUL ENTRE 1962 E 2010

TRABALHO DE GRADUAÇÃO INDIVIDUAL APRESENTADO AO DEPARTAMENTO DE GEOGRAFIA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO PARA A OBTENÇÃO DO TÍTULO DE BACHAREL EM GEOGRAFIA.

ÁREA DE CONCENTRAÇÃO: SENSORIAMENTO REMOTO ORIENTADOR: PROF. DR. FERNANDO SHINJI KAWAKUBO

SÃO PAULO 2019 3


“Felizmente, de todas as obras de arte da humanidade, a cidade é a principal obra de arte. E, felizmente, é uma obra de arte aberta e inconclusa.” Arquiteto Urbanista Professor Alexandre Delijaicov.

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AGRADECIMENTOS

À Universidade de São Paulo, minha eterna Alma Mater, por me permitir construir um caminho do conhecimento na Universitas ‘Ensino, Pesquisa e Extensão’ e abrir meus olhos para a complexidade e para os desafios da Sociedade Brasileira. Ao Professor Fernando Shinji Kawakubo, por aceitar participar desta jornada ao meu lado, orientando-me e transmitindo a sabedoria e o conhecimento necessários para a conclusão desta etapa acadêmica e profissional. Aos Professores Fábio Mariz Gonçalves e Reinaldo Paul Pérez Machado, por contribuírem para minha formação acadêmica e profissional e aceitarem, ao final deste longo processo, participar da comissão avaliadora deste trabalho.

7


RESUMO GIANNELLI, Denis. Análise evolutiva do ambiente construído no município de São Caetano do Sul entre 1962 e 2010. 2019. 271 pp. Trabalho de Graduação Individual para o Bacharelado em Geografia – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2019. Esta pesquisa faz parte do contexto do Sensoriamento Remoto enquanto conjunto de técnicas de obtenção, registro e interpretação de dados para a Ciência Geográfica. O objetivo principal desta pesquisa é compreender de que forma o Sensoriamento Remoto, aplicado à Ciência Geográfica, oferece recursos, teóricos e técnicos, capazes de fazer inferências sobre o processo de urbanização em São Caetano do Sul. Para isto, a pesquisa é fundamentada na Teoria do Ambiente Construído (BARTUSKA et. al., 2007), a partir da qual é feita a leitura do Município de São Caetano do Sul entre os anos de 1962 e 2010. Neste contexto, os principais problemas levantados neste trabalho são: “Neste período, houve transformação no ambiente construído da cidade? e; se sim, O que mudou e, principalmente, como mudou, isto é, temporalmente, espacialmente e morfologicamente?” Os procedimentos técnicos e operacionais empreendidos para a presente pesquisa são: Os trabalhos de pré-processamento de fotografias aéreas e de imagens de satélite; A composição multi-temporal, como técnica de processamento digital destas imagens, de modo a obter um registro computacional quantitativo da evolução do ambiente construído em São Caetano do Sul, tematicamente classificado; A análise qualitativa da evolução do ambiente construído no Município de São Caetano do Sul, via documentos e registros históricos, documentada por estudos de casos estratégicos; A análise comparativa entre os resultados obtidos pelo processamento digital de imagens (computacional) e pela análise qualitativa do ambiente construído em São Caetano do Sul via estudos de casos. Ao final da pesquisa, conclui-se que há, predominantemente, sinergia entre os resultados apresentados via sensoriamento remoto e aqueles obtidos com os estudos de casos na análise qualitativa. Assim, a variável analítica ‘cobertura vegetal’, empregada no processamento digital das imagens, configura-se como um bom um indicador do consumo de solo para novos desenvolvimentos urbanos e imobiliários na cidade durante este período. PALAVRAS CHAVE: São Caetano do Sul; Sensoriamento Remoto; Processamento Digital de Imagens; Cobertura Vegetal; Ambiente Construído.

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ABSTRACT GIANNELLI, Denis. Evolutionary analysis of the built environment in Sao Caetano do Sul city, from 1962 to 2010. 2019. 271 pp. Final thesis for the Bachelor of Geography – Faculty of Philosophy, Languages and Human Sciences, University of Sao Paulo, Sao Paulo, 2019. This project constitutes a final thesis within the field of study of Remote Sensing, which is hereby conceived as a set of techniques for data obtainment, registration and interpretation regarding Geography as a Science. The main objective of this project is to perceive the advantages of using Remote Sensing theories and techniques for geographical interpretation of the urbanization process that took place in Sao Caetano do Sul, which is a city within the Metropolitan Area of Sao Paulo, Brazil. Given such purpose, this project is founded on the Theory of the Built Environment (BARTUSKA et. al., 2007), which is made use of for the analysis of Sao Caetano do Sul city from 1962 until 2010. In this context, the most important goal of this final thesis is to respond the following questions: “During this time frame, was there any modification in terms of the built environment in Sao Caetano do Sul? If so, what changed and, mainly, how did such transformation take place, temporarily, spatially and morphologically?” The procedures for the present research are: Firstly, the activities of preprocessing photographs and satellite imagery; Secondly, the multi-temporal composition, used as a technique for digital processing of such imagery, in order to obtain a quantitative digital register of the evolution of the built environment in Sao Caetano do Sul city, which was thematically classified; Thirdly, the qualitative analysis of the evolution of the built environment in Sao Caetano do Sul city throughout historical documents and registers, producing strategic study cases; Finally, the comparative analysis of the results that emerged both from the digital imagery processing and the qualitative analysis of the built environment in Sao Caetano do Sul (case studies). In conclusion, it is possible to affirm that there is a strong synergy between the results that emerged from remote sensing analysis and those that rose from the qualitative case studies. Therefore, the analytical variable “vegetation cover” is likely to be a good indicator for soil consumption regarding new urban and real estate development within the city during the aforementioned time frame.

KEY WORDS: São Caetano do Sul; Remote Sensing; Imagery Digital Processing; Vegetation Cover; Built Environment.

9


LISTA DE FLUXOGRAMAS FLUXOGRAMA 001

Percurso conceitual e procedimental do TGI.

FLUXOGRAMA 002

Processamento digital de imagens de sensoriamento remoto.

28 175

LISTA DE QUADROS QUADRO 001

Imagens de sensoriamento remoto.

36

QUADRO 002

Atividades de pré-processamento de imagens.

143

QUADRO 003

Imagens de sensoriamento remoto coletadas.

146

QUADRO 004

Modelo simplificado da formação das cores na CCMT.

178

CROQUI 001

Definição do ambiente construído e suas quarto características correlacionadas.

40

CROQUI 002

Componente ‘Produtos’ do ambiente construído.

41

CROQUI 003

Componente ‘Interiores’ do ambiente construído.

41

CROQUI 004

Componente ‘Estruturas’ do ambiente construído.

42

CROQUI 005

Componente ‘Paisagens’ do ambiente construído.

42

CROQUI 006

Componente ‘Cidades’ do ambiente construído.

42

CROQUI 007

Componente ‘Regiões’ do ambiente Construído.

42

CROQUI 008

Componente ‘Terra’ do Ambiente Construído

43

CROQUI 009

Estrutura de uma imagem de sensoriamento remoto

LISTA DE CROQUIS

125

11


12

CROQUI 010

Resolução espacial de sensoriamento remoto.

CROQUI 011

Resolução radiométrica sensoriamento remoto.

CROQUI 012

Cubo RGB – Diagonal.

133

CROQUI 013

Cubo RGB – Cores.

133

CROQUI 014

Pós-classificação - Homogeneização de temas em imagens classificadas.

140

CROQUI 015

Distorção e GCPs.

155

CROQUI 016

Re-amostragem por interpolação.

155

CROQUI 017

Sobreposição 1962.

157

CROQUI 018

Sobreposição 1972.

157

CROQUI 019

Sobreposição 1994.

157

CROQUI 020

Crop 1962 Carta 3899.

158

CROQUI 021

Crop 1962 Carta 3901.

158

CROQUI 022

Crop 1962 Carta 3911.

158

CROQUI 023

Crop 1972 Carta 35480.

158

CROQUI 024

Crop 1972 Carta 35481.

158

CROQUI 025

Crop 1972 Carta 35498.

158

CROQUI 026

Crop 1994 Carta FX13N12.

159

CROQUI 027

Crop 1994 Carta FX13N13.

159

CROQUI 028

SCS: Combinações possíveis das imagens de sensoriamento remoto para a CCMT.

177

de

uma

uma

imagem

imagem

de

126

de

127


CROQUI 029

SCS: Alocação das imagens de 1962, 1972 e 1994 no espaço RGB.

179

CROQUI 030

CCMT 1962-1972-1994 - ROI classe Cor Azul.

182

CROQUI 031

CCMT 1962-1972-1994 - ROI classe Cor Verde.

182

CROQUI 032

CCMT 1962-1972-1994 - ROI classe Cor Branco.

182

CROQUI 033

CCMT 2002-2007-2010 - ROI classe Cor Branco.

189

CROQUI 034

CCMT 2002-2007-2010 - ROI classe Cor Azul.

189

CROQUI 035

CCMT 2002-2007-2010 - ROI classe Cor Ciano.

189

CROQUI 036

ROI sobre imagem de 1962.

196

CROQUI 037

ROI sobre imagem de 1972.

196

CROQUI 038

ROI sobre imagem de 1994.

196

CROQUI 039

ROI sobre imagem de 2002.

196

CROQUI 040

ROI sobre imagem de 2007.

196

CROQUI 041

ROI sobre imagem de 2010.

196

LISTA DE MAPAS MAPA 001

RMSP: Localização de São Caetano do Sul.

49

MAPA 002

RMSP: Área urbanizada - composição em falsa cor - 2010.

49

MAPA 003

RMSP: Microrregião de São Paulo e São Caetano do Sul - 2018.

51

MAPA 004

RMSP: Acessibilidade rodoviária.

53

13


MAPA 005

RMSP: Acessibilidade transporte metropolitano sobre trilhos - 2018.

53

MAPA 006

RMSP: População residente por município em 2017.

56

MAPA 007

RMSP: Sede de empresas por município em 2017.

56

MAPA 008

RMSP: Empregos formais por município em 2017.

57

MAPA 009

RMSP: Relação empregos / habitante por município em 2017.

57

MAPA 010

RMSP: Evolução da mancha urbana 1553 - 2002.

59

MAPA 011

RMSP: Uso do solo em 2002.

59

MAPA 012

RMSP: Origem e destino 2007 - viagens diárias com origem em SCS.

61

MAPA 013

RMSP: Origem e destino 2007 - viagens diárias com destino a SCS.

61

MAPA 014

SCS: Composição multiespectral em RGB - 2010.

64

MAPA 015

SCS: Sistema viário - 2018.

65

MAPA 016

SCS: Hipsometria.

67

MAPA 017

SCS: Declividades.

68

MAPA 018

SCS: Relevo sombreado e hidrografia.

69

MAPA 019

SCS: Geologia.

71

MAPA 020

SCS: Relevo.

72

MAPA 021

SCS: Susceptibilidade a movimentos de massa e

73

inundações. MAPA 022

14

SCS: Cobertura vegetal - 2010.

75


MAPA 023

SCS: Densidade demográfica - 2010.

78

MAPA 024

SCS: Renda média domiciliar - 2010.

79

MAPA 025

SCS: Evolução da mancha urbana até 2002.

82

MAPA 026

SCS: Uso do solo em 2002.

83

MAPA 027

SCS: Funcionários por empresa do setor indústria - 2017.

88

MAPA 028

SCS: Funcionários por empresa do setor construção civil - 2017.

89

MAPA 029

SCS: Funcionários por empresa do setor comércio - 2017.

90

MAPA 030

SCS: Funcionários por empresa do setor serviços 2017.

91

MAPA 031

SCS: Incorporações imobiliárias comerciais - 1985 a 2013.

95

MAPA 032

SCS: Incorporações imobiliárias horizontais - 1985 a 2013.

residenciais

97

MAPA 033

SCS: Incorporações imobiliárias verticais - 1985 a 1994.

residenciais

104

MAPA 034

SCS: Incorporações imobiliárias verticais - 1995 a 2002.

residenciais

105

MAPA 035

SCS: Incorporações imobiliárias verticais - 2003 a 2007.

residenciais

106

MAPA 036

SCS: Incorporações imobiliárias verticais - 2008 a 2010.

residenciais

107

MAPA 037

SCS: Incorporações verticais - 2011 a 2013.

residenciais

108

imobiliárias

15


16

MAPA 038

SCS: Consumo de solo para incorporações imob. residenciais verticais - 1985 a 1994.

116

MAPA 039

SCS: Consumo de solo para incorporações imob. residenciais verticais - 1995 a 2002.

117

MAPA 040

SCS: Consumo de solo para incorporações imob. residenciais verticais - 2003 a 2007.

118

MAPA 041

SCS: Consumo de solo para incorporações imob. residenciais verticais - 2008 a 2010.

119

MAPA 042

SCS: Consumo de solo para incorporações imob. residenciais verticais - 2011 a 2013.

120

MAPA 043

SCS: Consumo de solo para incorporações imob. residenciais verticais - 1985 a 2013.

121

MAPA 044

Pré-processamento - pontos de controle de correção geométrica.

154

MAPA 045

SCS: Imagem de sensoriamento remoto de 1962.

166

MAPA 046

SCS: Imagem de sensoriamento remoto de 1972.

167

MAPA 047

SCS: Imagem de sensoriamento remoto de 1994.

168

MAPA 048

SCS: Imagem de sensoriamento remoto de 2002.

169

MAPA 049

SCS: Imagem de sensoriamento remoto de 2007.

170

MAPA 050

SCS: Imagem de sensoriamento remoto de 2010.

171

MAPA 051

SCS: Composição colorida multi-temporal 1962(R), 1972(G), 1994(B).

181

MAPA 052

SCS: Classificação temática supervisionada CCMT 1962-1972-1994.

185

MAPA 053

SCS: Composição colorida multi-temporal 2002(R), 2007(G), 2010(B).

188


MAPA 054

SCS: Classificação temática supervisionada CCMT 2002-2007-2010.

191

MAPA 055

SCS: Percepção associativa do ambiente construído - 1962 a 2010.

197

MAPA 056 a-g

Comparativo de resultados: loteamentos do bairro Jd. S. Caetano.

247

MAPA 057 a-g

Comparativo de resultados: loteamentos do bairro Mauá.

249

MAPA 058 a-g

Comparativo de resultados: Parque Espaço Verde

251

Chico Mendes. MAPA 059 a-g

Comparativo de resultados: Espaço Cerâmica São Caetano.

253

MAPA 060 a-g

Comparativo de resultados: Avenida Presidente Kennedy.

255

MAPA 061 a-g

Comparativo de resultados: Ind. Reunidas Fábrica Matarazzo.

257

MAPA 062 a-g

Comparativo de resultados: verticalização Av. Goiás e entorno.

259

MAPA 063 a-g

Comparativo de resultados: Cidade da Criança.

261

MAPA 064 a-g

Comparativo de resultados: General Motors Do Brasil.

263

TABELA 001

Evolução de população, empresas e empregos 2007-2017.

55

TABELA 002

Lançamentos comerciais em São Caetano do Sul 1985 – 2013.

94

LISTA DE TABELAS

17


TABELA 003

Lançamentos residenciais horizontais em São Caetano do Sul 1985 – 2013.

96

TABELA 004

Lançamentos Residenciais Verticais em São Catano do Sul entre 1985 e 2013 por período.

101

TABELA 005

Lançamentos Residenciais Verticais em São Catano do Sul entre 1985 e 2013 por bairro.

102

TABELA 006

Área de terrenos destinados à incorporações imobiliárias verticais por bairro para cada período de análise (m²).

112

TABELA 007

Área de terrenos destinados à incorporações imobiliárias verticais por bairro ao ano para cada período de análise (m²).

113

TABELA 008

Percentual da área do bairro destinada à incorporações imobiliárias verticais para cada período de análise (%).

114

GRÁFICO 001

Distribuição dos empregos em SCS por classe CNAE – 2017.

86

GRÁFICO 002

Distribuição da massa salarial em SCS por classe CNAE – 2017.

86

GRÁFICO 003

Distribuição dos estabelecimentos em SCS por classe CNAE - 2017.

87

GRÁFICO 004

Histograma uni-dimensional de uma imagem de sensoriamento remoto.

128

GRÁFICO 005

Aumento de contraste sensoriamento remoto.

130

GRÁFICO 006

Espaço de atributos 1.

LISTA DE GRÁFICOS

18

de

uma

imagem

de

136


GRÁFICO 007

Espaço de atributos 2.

136

GRÁFICO 008

Espaço de atributos 3.

136

GRÁFICO 009

Espaço de atributos 4.

139

GRÁFICO 010

Espaço de atributos 5.

139

GRÁFICO 011

Espaço de atributos 6.

139

GRÁFICO 012

Histograma original 1962.

160

GRÁFICO 013

Histograma original 1972.

160

GRÁFICO 014

Histograma original 1994.

160

GRÁFICO 015

Histograma original 2002.

160

GRÁFICO 016

Histograma original 2007.

160

GRÁFICO 017

Histograma original 2010

160

GRÁFICO 018

Aumento de histograma.

GRÁFICO 019

Histograma equalizado1962.

164

GRÁFICO 020

Histograma equalizado 1972.

164

GRÁFICO 021

Histograma equalizado 1994.

164

GRÁFICO 022

Histograma equalizado 2002

164

GRÁFICO 023

Histograma equalizado 2007.

164

GRÁFICO 024

Histograma equalizado 2010.

164

contraste

por

equalização

de

163

164 LISTA DE IMAGENS DE SENSORIAMENTO REMOTO IMAGEM DE S.R. 001 1962 – Carta 3899.

147 19


20

IMAGEM DE S.R. 002 1962 – Carta 3901.

147

IMAGEM DE S.R. 003 1962 – Carta 3911.

147

IMAGEM DE S.R. 004 1972 – Carta 35480.

147

IMAGEM DE S.R. 005 1972 – Carta 35481.

147

IMAGEM DE S.R. 006 1972 – Carta 35498.

147

IMAGEM DE S.R. 007 1994 – Carta FX13N12.

147

IMAGEM DE S.R. 008 1994 – Carta FX13N13.

147

IMAGEM DE S.R. 009 2002 – N24W046D5SW.

148

IMAGEM DE S.R. 010 2002 – N24W046D5SE.

148

IMAGEM DE S.R. 011 2002 – N24W046C5NW.

148

IMAGEM DE S.R. 012 2002 – N24W046C5NE.

148

IMAGEM DE S.R. 013 2007 – 3325-2.

149

IMAGEM DE S.R. 014 2007 – 3326-1.

149

IMAGEM DE S.R. 015 2007 – 3325-4.

149

IMAGEM DE S.R. 016 2007 – 3326-3.

149

IMAGEM DE S.R. 017 2007 – 3341-2.

149

IMAGEM DE S.R. 018 2007 – 3342-1.

149

IMAGEM DE S.R. 019 2007 – 3341-4.

150

IMAGEM DE S.R. 020 2007 – 3342-3.

150

IMAGEM DE S.R. 021 2010 – SF-23-Y-C-VI-2-NE (RGB).

150

IMAGEM DE S.R. 022 2010 – SF-23-Y-C-VI-2-SE (RGB).

150


LISTA DE FOTOGRAFIAS FOTOGRAFIA 001

Vista aérea da Cerâmica São Caetano (1934).

205

FOTOGRAFIA 002

Estrada das Lágrimas, Jardim São Caetano (sem data).

205

FOTOGRAFIA 003

Escola Técnica Estadual Jorge Street (1975).

207

FOTOGRAFIA 004

Bairro Jardim São Caetano (2019).

207

FOTOGRAFIA 005

Vila Boqueirão (1967).

209

FOTOGRAFIA 006

Cooperativa Habitacional do ABC (década de 1960).

210

FOTOGRAFIA 007

Cooperativa Habitacional do ABC (década de 1970).

211

FOTOGRAFIA 008

Bairro Mauá (2019).

212

FOTOGRAFIA 009

Buracão da Cerâmica (1963).

215

FOTOGRAFIA 010

Buracão da Cerâmica (década de 1960).

215

FOTOGRAFIA 011

Espaço Verde Chico Mendes (2001).

216

FOTOGRAFIA 012

Espaço Verde Chico Mendes (2019).

217

FOTOGRAFIA 013

Cerâmica São Caetano (1947).

219

FOTOGRAFIA 014

Implosão das antigas instalações da Cerâmica São Caetano do Sul.

219

FOTOGRAFIA 015

Execução do empreendimento Espaço Cerâmica, da SOBLOCO.

221

FOTOGRAFIA 016

Masterplan do Espaço Cerâmica.

221

FOTOGRAFIA 017

Espaço Cerâmica em São Caetano do Sul (2019).

222

FOTOGRAFIA 018

Córrego do Moinho.

225 21


FOTOGRAFIA 019

Canalização do Córrego do Moinho (1966).

226

FOTOGRAFIA 020

Avenida Presidente Kennedy (década de 1970).

226

FOTOGRAFIA 021

Ocupação marginal à Avenida Presidente Kennedy (década de 1970).

227

FOTOGRAFIA 022

Eixo da Avenida Presidente Kennedy (2019).

228

FOTOGRAFIA 023

Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo (1950).

231

FOTOGRAFIA 024

Bairro Fundação e IRFM (1979).

231

FOTOGRAFIA 025

Bairro Fundação e IRFM (2005).

232

FOTOGRAFIA 026

Terrenos abandonados da antiga IRFM (2019).

233

FOTOGRAFIA 027

Avenida Goiás (sem data).

235

FOTOGRAFIA 028

Verticalização em São Caetano do Sul (década de 1970).

236

FOTOGRAFIA 029

Verticalização em São Caetano do Sul (1991).

237

FOTOGRAFIA 030

Verticalização em São Caetano do Sul (1996).

237

FOTOGRAFIA 031

Verticalização em São Caetano do Sul (2010).

238

FOTOGRAFIA 032

Cidade da Criança (década de 1970).

241

FOTOGRAFIA 033

Parque Santa Maria Cidade da Criança (2019).

241

FOTOGRAFIA 034

Complexo produtivo da GM do Brasil em SCS (década de 1940).

243

FOTOGRAFIA 035

Complexo Industrial da General Motoros do Brasil

243

em SCS (2019).

22


SUMÁRIO

INTRODUÇÃO E APRESENTAÇÃO DA PESQUISA

27

CAPÍTULO 1.

A TEORIA DO AMBIENTE CONSTRUÍDO.

39

CAPÍTULO 2.

O OBJETO DE ESTUDO: MUNICÍPIO DE SÃO CAETANO DO SUL.

47

CAPÍTULO 3.

O SENSORIAMENTO REMOTO NA CIÊNCIA GEOGRÁFICA.

123

CAPÍTULO 4.

AS ATIVIDADES DE PRÉ-PROCESSAMENTO DE IMAGENS.

143

CAPÍTULO 5.

O PROCESSAMENTO DIGITAL: COMPOSIÇÃO COLORIDA MULTI-TEMPORAL E CLASSIFICAÇÃO TEMÁTICA.

173

CAPÍTULO 6.

OS ESTUDOS DE CASOS QUALITATIVOS DE SÃO CAETANO DO SUL.

203

CAPÍTULO 7.

A ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE OS PROCEDIMENTOS TÉCNICOS - OPERACIONAIS.

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CAPÍTULO 8.

CONSIDERAÇÕES E REFLEXÕES FINAIS.

265

BIBLIOGRAFIA E MATERIAL DE APOIO

271

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INTRODUÇÃO E APRESENTAÇÃO DA PESQUISA A presente introdução e apresentação da pesquisa tem como propósitos descrever, de forma sucinta e pragmática, o contexto científico no qual este Trabalho de Graduação Individual está inserido – o campo do conhecimento denominado Sensoriamento Remoto –, bem como narrar o raciocínio que estruturou o desenvolvimento da referida pesquisa. Neste trabalho, o Sensoriamento Remoto é enquadrado enquanto conjunto de técnicas de obtenção, registro e interpretação de dados para a Ciência Geográfica. Esta área do conhecimento, em Geografia, avalia o potencial de imagens, obtidas por meio de plataformas aéreas e/ou orbitais, enquanto subsídio à análise temporal e espacial dos fenômenos geográficos. Assim, o Sensoriamento Remoto configura-se como: “Arte e ciência da obtenção de informação sobre um objeto sem contato físico direto com ele. É a tecnologia científica que pode ser usada para medir e monitorar importantes características biofísicas e atividades humanas.” (JENSEN, 2000) CRÓSTA & SOUZA (1997) definem como o objetivo do sensoriamento remoto “(...) a obtenção e análise de informações sobre materiais (naturais ou não), objetos ou fenômenos na superfície da Terra a partir de dispositivos situados à distância dos mesmos.” Uma outra definição para o Sensoriamento Remoto é apresentada por NOVO (1993): “Utilização conjunta de modernos equipamentos sensores, equipamento para processamento dos dados, equipamento de transmissão, aeronaves, espaçonaves, etc., com o objetivo de estudar o ambiente terrestre através do registro e das interações entre as radiações eletromagnéticas e as substâncias componentes do planeta terra em suas mais diversas manifestações.” (NOVO, 1993) Dentro do contexto da Ciência Geográfica, diversas são as aplicações das tecnologias ligadas ao campo do Sensoriamento Remoto como, por exemplo, a avaliação da cobertura florestal em diferentes datas – e, assim, a verificação de eventual desmatamento –, ou o uso e a ocupação do solo em ambientes urbanos. É justamente no contexto destes ambientes urbanos que a pesquisa se estru27


tura. O fluxograma representado a seguir esclarece, de forma conceitual e ilustrativa, quais foram os principais percursos desenvolvidos no Trabalho de Graduação Individual, desde a concepção do projeto em si até sua etapa conclusiva. FLUXOGRAMA 001. Percurso conceitual e procedimental do TGI. RECORTE ESPACIAL

RECORTE TEMPORAL

RECORTE TEMÁTICO

VARIÁVEL CONCEITUAL

AMBIENTE CONSTRUÍDO

MUNICÍPIO DE S. CAETANO SUL

DE 1962 A 2010 (62-72-94-02-07-10)

PROCESSO DE URBANIZAÇÃO

VARIÁVEL OPERACIONAL

COBERTURA VEGETAL

COMPOSIÇÃO MULTITEMPORAL

(QGIS, ENVI, ETC.)

OBJETO DE ESTUDO

Composição multi-temporal

TGI / CIÊNCIA GEOGRÁFICA

INDUÇÃO ROIs + Classificação

TEORIA FUNDAMENTAL

MÉTODO “RACIOCÍNIO”

(BARTUSKA, 2007)

CLASSIFICAÇÃO TEMÁTICA

Sensor. Remoto

PROCEDIMENTOS TÉCN. E OPERAC.

ANÁLISE COMPARATIVA Sensor. Remoto vs. Estudos de Casos

“AMBIENTE CONSTRUÍDO”

SENS. REMOTO + URBANISMO

ANÁLISE EVOLUTIVA

OBJETIVO: Verificar como o Sensoriamento Remoto pode oferecer recursos para analisar o ambiente construído.

SOFTWARE IMAGENS AÉREAS (62-72-94-02-07-10)

INSTRUMENTOS DE APOIO

REGISTROS HISTÓRICOS Estudos de Casos

FOTOGRAFIAS BIBLIOGRAFIA

VARIÁVEL CONCEITUAL

AMBIENTE CONSTRUÍDO

(FUNDAÇÃO PRÓ MEMÓRIA S.C.S.)

CONCLUSÃO: Predomina-se a sinergia entre os resultados: da composição / classificação; e dos registros históricos para SCS.

Fonte: Denis Giannelli. Como TEMA central do presente Trabalho de Graduação Individual – TGI – (Fluxograma 001, caixa cinza) correlacionam-se o Urbanismo e o Sensoriamento Remoto, dentro de um contexto maior na Ciência Geográfica. A escolha do tema – ou melhor, da combinação deste dois temas – justifica-se, em primeiro lugar, pelo fato de o pesquisador desejar aprofundar seus conhecimentos teóricos e técnicos na área do Sensoriamento Remoto, área esta de maior interesse pessoal dentro do continuum do Bacharelado em Geografia; em segundo lugar, a formação profissional prévia do pesquisador como Arquiteto e Urbanista manifesta no mesmo o desejo se explorar a temática da cidade e do urbano. Neste sentido, para o pesquisador, o presente TGI constitui-se não somente como um marco final após todas as etapas para a habilitação profissional como Geógrafo, mas também como um momento de integração entre o olhar sobre as Cidades via Arquitetura e Urbanismo e um olhar sobre as Cidades via Geografia. Uma vez fundamentado o TEMA do presente TGI, recorre-se a VENTURI (2015), que apresenta como “tríade epistemológica (...) que estrutura um trabalho cientifico” a combinação dos elementos OBJETO (Fluxograma 001, caixa verde) – 28


TEORIA (Fluxograma 001, caixa vermelha) – MÉTODO (Fluxograma 001, caixa azul). Em ciência, um OBJETO de estudo é sempre uma criação subjetiva, isto é, relaciona-se intimamente com o SUJEITO que o concebe, no caso, o pesquisador. Por ser uma criação subjetiva, impõem-se a ele limites, limites estes que estão ligados à capacidade racional cognitiva do sujeito observador. Mais especificamente, tratando-se de uma pesquisa dentro da Ciência Geográfica, impõem-se ao OBJETO de estudo limites horizontais e verticais, aqui chamados de recortes. Do ponto de vista do RECORTE ESPACIAL, o objeto de estudo limita-se ao atual perímetro do Município de São Caetano do Sul (SP), integrante de um continuum maior da Região Metropolitana de São Paulo. Esta escolha deu-se pelo fato de o pesquisador ali residir e, assim, desejar expandir seus conhecimentos acerca das dinâmicas geográficas no território do município onde habita. Paralelamente, tanto para a comunidade acadêmico cientifica, como para a comunidade local (poder público / munícipes), a pesquisa responde uma lacuna sobre a temática do sensoriamento remoto em São Caetano do Sul, pelo menos na escala de análise empregada. Do ponto de vista do RECORTE TEMPORAL, o objeto de estudo limita-se ao intervalo de tempo compreendido entre os anos de 1962 e 2010. Esta escolha deu-se pelos recursos disponíveis para a viabilidade da pesquisa em termos de finanças e cronograma. Isto porque os laboratórios consultados da Universidade de São Paulo (a saber: Laboratório de Sensoriamento Remoto – LASERE – da FFLCH USP e Centro de Coleta, Sistematização, Armazenamento e Fornecimento de Dados – CESAD – da FAU USP) disponibilizaram fotografias áreas e imagens de satélite, em escala compatível com a pesquisa, registradas nos anos de 1962, 1972, 1994, 2002, 2007 e 2010. Ressalta-se que eventuais registros anteriores a 1962 e posteriores a 2010 teriam sido extremamente significativos para as reflexões levantadas durante a pesquisa. Na impossibilidade de se trabalhar com um intervalo temporal mais abrangente, a pesquisa seguiu adiante com os dados disponíveis. Do ponto de vista do RECORTE TEMÁTICO, o objeto de estudo limita-se ao processo de urbanização verificado para São Caetano do Sul no período 1962-2010. E justamente aqui é muito importante explicar como se integram Sensoriamento Remoto e Urbanismo enquanto temas centrais do presente TGI. O estudo do processo de urbanização, por si só, merece uma reflexão crítica envolvendo uma gama de temas da ligados à Ciência Geográfica, como Teoria da Região e Regionalização, Migrações e Trabalho, Geografia Urbana, Geomorfologia, Hidrografia, etc. Contudo, dadas novamente as limitações de recursos impostas a um TGI, a pesquisa foca no processo de urbanização enquanto evolução da mancha urbana, tanto em termos da extensão (o quanto “a cidade cresce” de registro fotográfico para registro fotográfico), como em termos de qualidade ambiental (a relação construído e área verde). 29


Correlacionando, portanto, recorte espacial, temporal e temático, vale a pena ressaltar que: 1) Embora a extensão territorial analisada seja o Município de São Caetano do Sul, as reflexões na pesquisa não desconsideram o contexto metropolitano no qual a cidade de São Caetano do Sul está inserida; 2) O mesmo é valido para o recorte temporal, pois muitas feições geográficas verificadas desde o primeiro registro fotográfico – 1962 – foram produzidas em momentos anteriores a este episodio – a cidade não “surge” a partir de 1962; 3) Sob o ponto de vista do processo de urbanização, sempre que possível, serão feitas inferências sobre as características singulares do território em analise, correlacionando a evolução urbana com suas feições geográficas (“a avenida foi implantada sobre um córrego”; “este foi o último bairro loteado pois era o mais distante do centro econômico”, etc.) Em sequência, tem-se o segundo elemento da tríade epistemológica de uma pesquisa científica, a TEORIA. A palavra “Teoria” vem do grego TEA (através de) OROS (de-ver) e constitui, portanto, o conjunto de faculdades mentais sobre as quais o sujeito observador (pesquisador, no caso) enxerga e analisa um objeto. Uma teoria, via de regra, está associada a uma escola de pensamento, isto é, um grupo de estudiosos que aplicam uma ferramenta mental, interposta entre o observadores (pesquisadores) e o fato (objeto), para tentar compreender este último. No presente TGI, estas “lentes” (“ferramenta metal”) sob as quais analisa-se o Processo de Urbanização em São Caetano do Sul, de 1962 a 2010, é o Ambiente Construído, presente no trabalho de Tom J. Bartuska. Este autor define o conceito de Built Environment (aqui traduzido para ‘Ambiente Construído’) por meio de suas quatro características inter-relacionadas: “The built environment is certainly pervasive (look again out that window), but both the term and its reach and implications are evasive, more comprehensive, and far- reaching than most of us realize, even though we live in it every day. It may be helpful, then, to start simply and define the built environment by four interrelated characteristics. First, it is extensive; it is everywhere; it provides the context for all human endeavors. More specifically, it is everything humanly created, modified, or constructed, humanly made, arranged, or maintained. Second, it is the creation of human minds and the result of human purposes; it is intended to serve human needs, wants, and values. Third, much of it is created to help us deal with, and to protect us from, the overall environment, to mediate or change this environment for our comfort and well being. Last, an obvious but often forgotten characteristic is that every component of the built environment is defined and shaped by context; each and all of the individual elements contribute either positively or negatively to the overall quality of 30


environments both built and natural and to human-environment relationships. These impacts are almost always local, and more and more are experienced at every scale, including global and even planetary.” (BARTUSKA et. al., 2007) Dessa forma, o Ambiente Construído, como colocado pelo autor, refere-se a todo o conjunto de feições geográficas no espaço, construídos e/ou preservados pela atividade humana. Mais que isto, ele é produto do design (no sentido de desenho, projeto) humano. No contexto do Município de São Caetano do Sul, portanto, ao referir-se ao Ambiente Construído, a pesquisa faz referência a todos os artefatos que são produtos da urbanização: ruas, avenidas, edifícios, praças, parques, arborização urbana, rios, córregos, redes de infra-estrutura, entre outros elementos, incluindo nesta lista, por exemplo, “áreas de vegetação natural” que, embora não alteradas, foram desenhadas enquanto espaços de preservação. Assim, no contexto do ambiente urbano, produzido por relações socioeconômicas e ‘construído’ – no sentido de projeto, desenho, design – para a ocupação humana, a presente pesquisa tem o OBJETIVO de compreender de que forma o Sensoriamento Remoto, aplicado à Ciência Geográfica, oferece recursos, teóricos e técnicos, capazes de fazer inferências sobre o processo de urbanização em São Caetano do Sul, sob a Teoria do Ambiente Construído proposto em BARTUSKA et. al. (2007). Relacionada ao objetivo da presente pesquisa, a HIPÓTESE INICIAL, manifestada no começo do TGI, foi que o Sensoriamento Remoto oferecesse de fato tais recursos teóricos e técnicos capazes de analisar o processo de urbanização em São Caetano do Sul no período em questão, a partir deste entendimento do Ambiente Construído. Para que a hipótese inicial fosse comprovada e o objetivo principal da pesquisa fosse cumprido, foram necessários MÉTODOS capazes de desenvolver estas reflexões. A palavra MÉTODO vem do grego META (Reflexão) e HODÓS (Raciocínio). Concebido enquanto o ‘caminho’ intelectual para se chegar a um conhecimento, o método estabelece relações lógicas entre causa(s) e efeitos para se chegar às razões (os porquês) dos fenômenos objetivos da realidade estudada. Nesse sentido, método, enquanto racionalização, difere-se substancialmente de processo (meio) e técnica (saber fazer), pois é o percurso intelectual do observador para compreender a realidade objetiva que se estuda. Seguindo este argumento, tem-se que a elaboração do método não pode ser anterior ao descobrimento do próprio objeto de pesquisa, isto é, a escolha do método deve ser feita apenas a partir do momento em que há certeza sobre o objeto a ser estudado – e, em decorrência, qual 31


é a Ciência particular em questão. Em relação às formas de obtenção do conhecimento, três vias podem ser destacadas nesta relação entre sujeito cognoscente (por exemplo, o pesquisador) e o objeto de análise. A primeira, a forma sensível, estabelece vínculos entre objeto e sujeito a partir da percepção dos sentidos, como visão, audição, etc. A segunda, a forma empírica, constrói-se a partir da constatação experimental e sistemática de fenômenos; a terceira, a forma racional e/ou científica, trabalha com a sistematização dos dados e na transformação dos mesmos em informação, esta por sua vez transformada em conhecimento. Dentro do Universo da Ciência, as ciências particulares distinguem-se entre si pelo objeto de estudo e, como dito anteriormente, pelo método empregado. As ciências lógicas-matemáticas, as ciências da natureza e as ciências humanas trabalham cada qual com os métodos mais convenientes para si. Aqui serão apresentados os quatro principais métodos em Ciências. O primeiro, Analítico, é o procedimento metodológico mais universal. Segundo VENTURI (2015), consiste em “Definir um todo analítico (seu objeto de estudo, de análise), fragmentá-lo em partes, aspectos, que serão as variáveis analíticas e recompô-lo, agora com consciência das partes e como elas se relacionam (síntese).” Segundo o mesmo autor, as análises são sub-divididas em alguns tipos, tais como a descritiva, a evolutiva, a comparativa, a dinâmica, etc., as quais podem se articular e se complementar, se necessário / pertinente. O segundo, Dedutivo, opera partindo do entendimento Geral para a compreensão Particular dos fenômenos objetivos, via análise de semelhanças e diferenças que levam à especificidade. O maior exemplo de emprego do método dedutivo é a tabela periódica dos elementos químicos, todos estes considerados ‘átomos’ em princípio, mas que ganham características próprias à medida em que a Química avança sobre o conhecimento dos diferentes elementos que compõem a matéria. O terceiro, Indutivo, opera desde a observação e sistematização dos fenômenos objetivos particulares para, então, promover a generalização via observação, hipótese e experiência. O maior exemplo de emprego do método indutivo é a taxonomia de seres vegetais proposta inicialmente por Lineu (1735), no qual o estudo particular de diferentes espécies de plantas levou a sua categorização em gêneros, famílias, grupos, ordens, etc. A Ciência Geográfica, em geral, trabalha essencialmente com o Método Analítico e com o Método Indutivo, pois é próprio do estudo da Terra o processo de observação, estabelecimento de hipóteses, experiências (testes) e indução que leve à generalização sobre os fenômenos que ocorrem na superfície do planeta. Portanto, tem-se que, no presente Trabalho Final de Graduação, os métodos empregados são as ANÁLISES e a INDUÇÃO. 32


O método da análise evolutiva será utilizado para desenvolver o estudo das feições territoriais registradas no ambiente construído do Município de São Caetano do Sul entre os anos de 1962 e 2010 (o todo analítico), sendo este fragmentado na variável analítica / operacional cobertura vegetal, esta por sua vez expressa em pixels da imagem processada e metros quadrados no território, segundo a escala com a qual se trabalha. Posteriormente, visando a consciência do todo, as classes temáticas produzidas serão recompostas, em um esforço de síntese, para a interpretação da evolução do ambiente construído. O método da indução será utilizado no momento de classificação temática dos pixels selecionados enquanto amostras representativas do conjunto de classes a ser produzida a partir das composições multi-temporais. Por se tratarem de ‘Regiões de Interesse’ – em língua inglesa, Regions of Interest, ROIS – , estas amostras, selecionadas manualmente no trabalho de pré-processamento digital de imagens, constituem verdadeiras partes do conjunto de pixels que, ao calibrarem o classificador (software), forneceram insumos à classificação do todo. Por isso a indução representa um importante procedimento metodológico neste processo. O método da análise comparativa, por sua vez, será empregado no momento de verificação da sinergia entre os resultados obtidos por meio do processamento digital das imagens e por meio dos estudos de caso qualitativos desenvolvidos. A partir da definição dos métodos selecionados para o Trabalho Final de Graduação, passa-se à definição dos PROCEDIMENTOS TÉCNICOS OPERACIONAIS empregados nesta pesquisa para atingir o objetivo da mesma. São eles: 1. Os trabalhos de pré-processamento de fotografias aéreas e de imagens de satélite: Estes materiais – disponibilizados pelo LASERE FFLCH USP e pelo CESAD FAU USP – encontravam-se, no início da pesquisa, cada qual em uma situação. As imagens de 1962, 1972 e 1994 estavam em formato analógico e relevadas em papel fotográfico, no modelo de cartas sistemáticas. Para que o processamento digital fosse possível, estas foram digitalizadas, georreferenciadas, recortadas, agrupadas em mosaico, redimensionadas, equalizadas e empilhadas, conforme será detalhado em capítulo específico. As imagens de 2002, 2007 e 2010, embora já se encontrassem em formato digital, também tiveram de ser pré-processadas, visando a compatibilização de todas as bases. Novamente, estes procedimentos serão detalhados no capítulo pertinente. 2. A composição multi-temporal, como técnica de processamento digital destas imagens, de modo a obter um registro computacional quantitativo da 33


evolução do ambiente construído em São Caetano do Sul, tematicamente classificado; Sobre esta técnica, o tutorial ‘Fundamentos de Sensoriamento Remoto’, desenvolvido pelo Canada Centre for Remote Sensing, explica a importância de usar sensoriamento remoto para o estudo do uso e da ocupação do solo: “Why remote sensing? With multi-temporal analysis, remote sensing gives a unique perspective of how cities evolve. The key element for mapping rural to urban land use change is the ability to discriminate between rural uses (farming, pasture forests) and urban use (residential, commercial, recreational). Remote sensing methods can be employed to classify types of land use in a practical, economical and repetitive fashion, over large areas.” (Canada Centre for Remote Sensing) Nesta pesquisa, composição multi-temporal foi concebida estrategicamente, de modo a fornecer resultados tematicamente classificados que induzem o leitor a uma percepção associativa do ambiente construído, este dividido entre “áreas urbanizadas em todos os registros”, “áreas de cobertura vegetal que se tornaram áreas urbanizadas”, “áreas de cobertura vegetal em todos os registros” e “áreas urbanizadas que se tornaram áreas de cobertura vegetal.” 3. A análise qualitativa da evolução do ambiente construído no Município de São Caetano do Sul, via documentos e registros históricos, documentada por estudos de casos estratégicos; Este trabalho é feito pontualmente, a partir de leitura bibliográfica especifica sobre alguns das feições geográficas presentes em São Caetano do Sul (antiga Fábrica Matarazzo, antiga Fábrica Cerâmica, loteamento Jardim São Caetano, Avenida Presidente Kennedy, etc.) e representação fotográfica destes locais Esta etapa não se justifica simplesmente para compor uma ‘monografia regional’ do Município de São Caetano do Sul, mas sim para construir um panorama da evolução do ambiente construído no município de São Caetano do Sul via registros históricos. 4. Por fim, a última etapa do TGI consiste na análise comparativa entre os resultados obtidos pelo processamento digital de imagens (computacional) e pela pesquisa qualitativa do ambiente construído em São Caetano do Sul via estudos de casos. Nesta etapa final, verifica-se o quão sinérgico foram os dois procedimentos técnicos e operacionais em termos de resultados apresentados pelos mesmos.

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Ainda em termos de procedimentos técnicos e operacionais, ressalta-se que a VARIÁVEL CONCEITUAL (Fluxograma 001, caixas amarela e magenta) – também chamada de variável teórica – do presente TGI é o próprio ambiente construído do Município de São Caetano do Sul. Relaciona-se intimamente com a Teoria do Ambiente Construído, presente em BARTUSKA et. al. (2007), pois é por meio desta que se o pesquisador interpreta as dinâmicas territoriais e as feições geográficas em São Caetano do Sul durante o intervalo de tempo em consideração. Em outras palavras, e seguindo a própria definição proposta por BARTUSKA et. al., o Ambiente Construído refere-se a todo o conjunto de objetos técnicos no espaço, desenhados (projetados) pela atividade humana. No contexto do Município de São Caetano do Sul, portanto, ao referir-se ao Ambiente Construído, a pesquisa faz referência a todos os artefatos que são produto da urbanização: ruas, avenidas, edifícios, praças, parques, arborização urbana, áreas de preservação e conservação, rios, córregos, redes de infra-estrutura, dentre outros elementos. Em uma pesquisa científica, a variável conceitual – tal como a variável ‘Ambiente Construído’ do presente estudo – deve estar alinhada a uma VARIÁVEL OPERACIONAL (Fluxograma 001, caixa ciano) capaz de ser mensurada, mapeada (em Geografia) e sistematizada. Assim, torna-se possível compreender a variável conceitual Ambiente Construído a partir da mensuração de variável operacional. No caso do presente TGI, esta variável operacional é empregada apenas no segundo procedimento, isto é, no processamento digital de imagens (composição multi-temporal e classificação temática). Dados o aspecto pancromático de todas as imagens utilizadas, a escala destes registros aerofotográficos (1:25.000, aproximadamente), a nitidez de algumas imagens e a assinatura espectral das feições geográficas levantadas, a COBERTURA VEGETAL é a variável operacional que permite o processamento digital destas imagens por composição multi-temporal. A cobertura vegetal, enquanto variável operacional do trabalho, tem sua fundamentação, do ponto de vista do Sensoriamento Remoto, pois é uma opção que facilita a fotointerpretação por contraste entre objetos de alta reflexão de energia e objetos de média e baixa reflexão de energia. Também do ponto de vista do Urbanismo, a evolução do padrão espacial da cobertura vegetal, sobretudo da localização e da dimensão dos maciços vegetais, revela importantes descobertas a respeito da morfologia urbana ao longo do período em consideração. Por fim, o último ponto da presente pesquisa a ser apresentado são os INSTRUMENTOS de apoio para o pesquisador. Para o procedimento técnico - operacional de processamento digital de imagens, foram utilizadas as próprias imagens anteriormente mencionadas, fornecidas gratuitamente pelos laboratórios da Universidade de São Paulo, o LASERE FFLCH35


-USP e o CESAD FAU-USP. A cartas utilizadas estão elencadas no quadro a seguir: QUADRO 001. Imagens de sensoriamento remoto

Fonte: Denis Giannelli. Para o processamento digital de imagens, também foi utilizado, enquanto instrumento de trabalho, um conjunto de software computacionais, a saber: o QGIS3 para todo o trabalho de pré-processamento e representação cartográfica, o ENVI, para a classificação de imagens. Para o trabalho de estudos de casos do Ambiente Construído em São Caetano do Sul, foram levantados registros históricos, tais como livros e fotografias, coletados na Fundação Pró Memória de São Caetano do Sul.

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CAPÍTULO 1. A TEORIA DO AMBIENTE CONSTRUÍDO O presente capítulo da pesquisa tem como propósito apresentar a Teoria do Ambiente Construído, conforme desenvolvida por Tom J. Bartuska e Wendy R. McClure na obra The Built Environment: A collaborative Inquiry Into Design and Planning. Na sequência, apresenta-se a aplicação da Teoria do Ambiente Construído para a presente pesquisa, aplicando seu significado para o objeto de estudo – O processo de urbanização no Município de São Caetano do Sul entre os anos de 1962 e 2010. Conforme destacado pelos próprios autores, o temo Ambiente Construído – tradução em língua portuguesa do original, Built Environment, em língua inglesa – é relativamente novo e inclusivo. Embora a expressão ‘Ambiente Construído’ tenha ascendido no universo acadêmico a partir de 1980, o que ela representa existe desde que a humanidade modela (constrói) o ambiente para próprio benefício: ““Built environment” is a relatively new term and an inclusive concept. It emerged in the 1980s, and its importance awaits fuller appreciation and comprehension. In reality, the built environment is as old as the beginning of time, dating back to when humans first fashioned stone tools, created clothes and discovered (utilized) fire for warmth, modified caves for shelter, and formed cooperative communities. The term embodies all human creation — past, present, and future plans.” (BARTUSKA et. al., 2007) Em relação à extensão do Ambiente Construído, enquanto produto da modelagem humana sobre a superfície terrestre, os autores são enfáticos: “Environments that bear no visible human marks are rare – possibly some realms of ocean, the poles, deserts, mountain summits. There, human works may seem absent, but nonetheless, these environments have all relinquished the magic qualities of the term “primeval” (…) The world is now the human-created environment – a built environment.” (BARTUSKA et. al., 2007) Neste sentido, os autores entendem que, em qualquer porção da superfície terrestre, as pessoas estão rodeadas por uma abundância de componentes do mundo construído pela ação humana. De acordo com a Teoria do Ambiente Construído, é difícil encontrar ambientes que estejam completamente fora do sistema do ambiente construído, que não tenham sido produzidos, modelados, mantidos (conservados / preservados) ou controlados pelas pessoas e pela sociedade em geral. Além do aspecto extensivo, outra questão importante diz respeito ao seu legado temporal do ambiente construído. BARTUSKA et. al. afirmam que os resultados 39


cumulativos das mudanças que têm sido produzidas pelas pessoas no ambiente ao seu redor são expressões extensivas das culturas passadas e atuais. Este aspecto do Ambiente Construído é indispensável para a leitura do objeto de estudo da presente pesquisa a partir de um método de análise evolutiva, na medida em que permite a interpretação das feições geográficas dentro de um continuum histórico. Em relação à definição propriamente dita do conceito de Ambiente Construído, os autores apresentam-no a partir de suas quatro características inter-relacionadas: “The built environment is certainly pervasive (look again out that window), but both the term and its reach and implications are evasive, more comprehensive, and far-reaching than most of us realize, even though we live in it every day. It may be helpful, then, to start simply and define the built environment by four interrelated characteristics. 1. First, it is extensive; it is everywhere; it provides the context for all human endeavours. More specifically, it is everything humanly created, modified, or constructed, humanly made, arranged, or maintained. 2. Second, it is the creation of human minds and the result of human purposes; it is intended to serve human needs, wants, and values. 3. Third, much of it is created to help us deal with, and to protect us from, the overall environment, to mediate or change this environment for our comfort and well-being. 4. Last, an obvious but often forgotten characteristic is that every component of the built environment is defined and shaped by context; each and all of the individual elements contribute either positively or negatively to the overall quality of environments both built and natural and to human-environment relationships. These impacts are almost always local, and more and more are experienced at every scale, including global and even planetary.” (BARTUSKA et. al., 2007) CROQUI 001. Definição do ambiente construído e suas quatro características correlacionadas.

Fonte: BARTUSKA et. al., 2007. 40


Desta forma, embora os autores reconheçam a difusão do ambiente construído no território, admitem que a definição do termo é evasiva e de difícil construção. Assim, oferecem pistas para o reconhecimento do conjunto das feições geográficas que compõem o ambiente construído: 1) é tudo aquilo criado, modificado, construído, produzido, disposto ou mantido pela ação humana; 2) serve para atender aos desejos, necessidades e valores da vida humana; 3) serve como instrumento para mediar a relação homem / ambiente, em uma perspectiva ecológica; 4) a existência de cada feição impacta diretamente na qualidade ambiental, positiva ou negativamente. Outro ponto central na Teoria do Ambiente Construído, conforme BARTUSKA et. al. (2007), é a escala de análise do ambiente construído. Para os autores, os componentes do ambiente construído estão arranjados em escalas interpretativas, desde a maior escala possível, correspondente aos próprios materiais e commodities produzidas pela ação humana, até a escala menor escala de análise, isto é, o Planeta Terra, compreendido como um todo. Nesta visão, a soma dos sete componentes definem o escopo total do ambiente construído. São eles: CROQUI 002. Componente ‘Produtos’ do ambiente construído. Fonte: BARTUSKA et. al., 2007. Os PRODUTOS são o componente de maior escala do ambiente construído. Segundo os autores, nesta teoria, os produtos incluem materiais e commodities geralmente criados para aumentar a capacidade humana para realizar tarefas específicas. Exemplos usados por BARTUSKA et. al. (2007) incluem, mas não se restringem a: o alfabeto ocidental, para compor sinais e mensagens; ferramentas de maneira geral; materiais, como tijolos, madeira, concreto, aço, etc.; máquinas, como rádio, televisão, sistemas de comunicação, computadores, etc. CROQUI 003. Componente ‘Interiores’ do ambiente construído. Fonte: BARTUSKA et. al., 2007. Os INTERIORES são espaços definidos por um grupo de produtos sistematicamente dispostos para atender alguma necessidade humana e enclausurados em algum tipo de estrutura. São geralmente criados para melhorar alguma atividade e mediar fatores exteriores. Alguns exemplos são: salas de estar, escritórios, sedes administrativas, estádios, etc.

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CROQUI 004. Componente ‘Estruturas’ do Ambiente Construído. Fonte: BARTUSKA et. al., 2007. As ESTRUTURAS são agrupamentos de espaços definidos por e construídos com produtos. Na visão dos autores, atividades que se relacionam estão combinadas em estruturas compostas e, geralmente, estas estruturas possuem tanto uma expressão interna como externa. Alguns exemplos são: equipamentos públicos, como escolas, hospitais, etc.; casas e edifícios de apartamentos; fábricas e galpões; edifícios religiosos; pontes, barragens e viadutos; entre outros. CROQUI 005. Componente ‘Paisagens’ do Ambiente Construído. Fonte: BARTUSKA et. al., 2007. Para estes autores, as PAISAGENS podem ser entendidas tanto como áreas exteriores como também, em um sentido mais profundo e complexo, enquanto a combinação planejada de grupos de espaços e/ou estruturas no território. Neste entendimento, as paisagens geralmente combinam ambientes construídos pela ação humana como também ambientes ‘naturais’, no sentido de feições preservadas / conservadas pela ação humana. Alguns exemplos são: pátios internos às quadras urbanas, parques, jardins, fazendas, parques e reservas ecológicas, etc. CROQUI 006. Componente ‘Cidades’ do Ambiente Construído. Fonte: BARTUSKA et. al., 2007. Conforme BARTUSKA et. al. (2007), as CIDADES são grupos de estruturas e paisagens de tamanhos e complexidades variadas, geralmente aglomeradas para definir uma comunidade para fins econômicos, sociais, culturais e/ou ambientais. É importante ressaltar que, neste componente, os autores subdividem as cidades em si, dando exemplos como: bairros, distritos, vilarejos, centralidades e mesmo cidades de tamanhos variados. CROQUI 007. Componente ‘Regiões’ do Ambiente Construído. Fonte: BARTUSKA et. al., 2007. As REGIÕES são aqui colocadas enquanto grupos de cidades e paisagens 42


de diferentes tamanhos e complexidades. Segundo os autores, as regiões são geralmente enquadradas por um contexto político social, econômico e/ou ambiental. Alguns exemplos dados são: uma região metropolitana, condados, províncias, estados, cinturões econômicos, países e continentes. CROQUI 008. Componente ‘Terra’ do Ambiente Construído. Fonte: BARTUSKA et. al., 2007. O PLANETA TERRA, por fim, é o componente de menor escala do ambiente construído. Segundo os autores, nesta teoria, a Terra inclui todos os componentes mencionados anteriormente, constituída de cidades e paisagens, isto é, a totalidade de todos os artefatos produzidos no ambiente construído. Fica claro, portanto, que os autores consideram os componentes como níveis e/ou camadas do ambiente construído, cada qual em uma escala de leitura própria das dinâmicas territoriais possíveis de observação. Juntos – e inter relacionados – estes componentes foram o ambiente construído como um todo, em uma visão holística e integradora. Isto fica explicito na explicação dos autores de “Conteúdo – Componente – Contexto”, lógica segundo a qual, por exemplo, as estruturas, enquanto componentes do ambiente construído, tem em seu conteúdo produtos, e são contextos de paisagens, cidades e regiões. A Teoria do Ambiente Construído é aqui apresentada, portanto, para evidenciar de que modo o objeto de estudo da presente pesquisa – O processo de urbanização do Município de São Caetano do Sul entre 1962 e 2010 – é analisado (“enxergado”/ “percebido”) ao longo do trabalho, seja nos procedimentos ligados ao Sensoriamento Remoto (composição multi-temporal e classificação temática), bem como nos procedimentos de estudos de caso da transformação urbana em São Caetano do Sul (analise qualitativa). Neste trabalho, o ambiente construído em São Caetano do Sul é composto de todo o conjunto de artefatos / objetos técnicos no espaço que são produto da urbanização, criados, modificados, construídos, produzidos, combinados, arranjados e mantidos (conservados / preservados) pela ação humana, seja esta realizada de maneira isolada pela ação de um indivíduo (a construção de uma residência, por exemplo), bem como pela ação planejada do Estado (a construção de um viaduto, por exemplo) ou do Setor Privado (a construção de um Shopping Centre para atender ao potencial de consumo de um bairro, por exemplo). É o ambiente que foi construído para atender aos desejos, necessidades e valores da vida humana, como habitação, 43


consumo, mobilidade, lazer, etc. É o ambiente que foi construído para mediar a relação que a sociedade e seus indivíduos têm com o espaço onde se estabelece – uma escadaria urbana para vencer um desnível entre dois pontos da cidade, uma marquise pública que protege as pessoas das intempéries, etc. É o ambiente no qual a construção de cada uma destas feições geográficas / artefatos / objetos técnicos no espaço implica em maior ou menor grau na percepção que os indivíduos tem sobre a qualidade ambiental do seu entorno, seja positiva como negativamente: um conjunto de espaços verdes desenhados para lazer e recreação pode criar uma relação saudável na experiência urbana, ao passo que a implantação de um bairro em áreas sujeitas à alagamentos e enchentes pode criar uma relação insalubre na relação homem – ambiente. Ainda em relação ao objeto de estudo da presente pesquisa, o ambiente construído é lido no presente trabalho a partir de seus componentes Produto / Estrutura / Paisagem e Cidade, em uma relação vertical na qual um dos componentes está diretamente relacionado ao seu estrado (nível / camada) superior ou inferior, ainda que a expressão “ambiente construído” seja aquela genericamente empregada. A título de exemplo, um bairro, como o Jardim São Caetano, é um ambiente construído, formado por elementos particulares, como a arborização viária ali desenhada, a estrutura geométrica das vias que o compõe, o tamanho dos lotes, o padrão construtivo das residências, o relevo do terreno sobre o qual foi desenhado, etc. Para a conclusão do presente capítulo, existe uma qualidade do ambiente construído que, embora já tenha sido mencionada em BARTUSKA et. ali (2007), vale a pena ser reforçada mais uma vez. Enquanto produto da ação humana, feições geográficas / artefatos / objetos técnicos no espaço que compõem o ambiente construído são desenhados e projetados. A palavra Design, em língua inglesa, exprime de forma mais eficiente esta noção, pois carrega em um único termo tanto o sentido que, em português, é atribuído a DESENHO (as qualidades plásticas de um dado objeto) quanto o sentido que, em português, é atribuído a PROJETO (intencionalmente proposto). Embora pareça trivial, o entendimento de que o ambiente construído é desenhado pela ação humana é fundamental para a compreensão da Teoria do Ambiente Construído, justamente porque é a partir dela que a presente pesquisa evidenciará o processo de urbanização em São Caetano do Sul entre 1962 e 2010. Isto colocado, no momento de análise dos resultados da pesquisa, serão feitas inferências sobre o Desenho Urbano em São Caetano do Sul a partir de suas qualidades plásticas, correlacionando Sensoriamento Remoto e Urbanismo: “nota-se a transformação do uso no solo intra quadras, nas quais lotes unifamiliares, que antes abrigavam casas e vegetação no ‘miolo de quadra’, passam a ser compostas de lotes multifamiliares, sem cobertura vegetal interna.” 44


Uma vez apresentada a Teoria do Ambiente Construído, conforme desenvolvida por Tom J. Bartuska e Wendy R. McClure e sua aplicação para o objeto de estudo da pesquisa, passa-se na sequência à apresentação / caracterização e contextualização deste mesmo objeto de estudo, isto é o Processo de Urbanização no Município de São Caetano do Sul entre 1962 e 2010.

Tom J. Bartuska, Professor Emérito em Arquitetura e Gestão da Construção. Universidade Estadual de Washington, Estados Unidos. Wendy R. McClure, Professora Catedrática em Arquitetura, Universidade de Idaho, Estados Unidos.

45


CAPÍTULO 2. O OBJETO DE ESTUDO: MUNICÍPIO DE SÃO CAETANO DO SUL O presente capítulo tem como finalidade apresentar o objeto de estudo desta pesquisa, isto é, o Município de São Caetano do Sul, de modo a possibilitar uma discussão mais aprofundada a respeito das dinâmicas territoriais relacionadas ao processo de urbanização verificado no município entre os anos de 1962 e 2010. Neste sentido, uma sequência de temas geográficos é aqui apresentada de modo a contextualizar e caracterizar tanto os aspectos físicos como a dinâmica socioeconômica de São Caetano do Sul, dando especial atenção, ao final do capítulo, para o mercado imobiliário local. Isto porque o consumo de solo para incorporações imobiliárias é, também, um bom parâmetro para a análise evolutiva do ambiente construído no município de São Caetano do Sul, de modo análogo ao emprego da cobertura vegetal como parâmetro nas análises de Sensoriamento Remoto. Ressalta-se que o conjunto de temas aqui apresentados não cumpre uma finalidade em si, isto é, não tem como objetivo produzir uma “monografia regional” de São Caetano do Sul, aos moldes da Geografia Regional, conforme levantado por LENCIONI (2005), mas sim contextualizar o leitor para as discussões acerca dos resultados gerados pela composição multi-temporal e pelos estudos de caso. É válido também atentar ao fato de que há uma variabilidade de fontes dos dados utilizados para produzir as informações aqui apresentadas. As informações relacionadas à fisiografia de São Caetano do Sul foram predominantemente extraídas da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais – CPRM – Empresa Pública vinculada ao Ministério de Minas e Energia com as atribuições de Serviço Geológico do Brasil. As informações de caráter socioeconômicas foram, em sua maior parte, extraídas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE – e do Centro de Estudos da Metrópole – CEM – da FFLCH USP. Os temas apresentam também variabilidade no que diz respeito à data de produção dos dados, sendo portanto necessária a atenção para situar as informações dentro de seus contextos temporais.

47


Contexto Metropolitano O Município de São Caetano do Sul é um dos trinta e nove municípios que compõem a Região Metropolitana de São Paulo, sendo esta localizada no Leste do Estado de São Paulo, Sudeste do Brasil. São Caetano do Sul possui extensão territorial de aproximadamente 15,33 quilômetros quadrados, com abrangência de 5,6 Km no sentido norte-sul e 4,0 Km no sentido leste-oeste. É, assim, o menor município da RMSP em área. A partir da leitura do Mapa 001 e do Mapa 002, é possível perceber a localização estratégica de São Caetano do Sul na porção central da mancha urbana da metrópole de São Paulo. Isto rende a São Caetano do Sul uma característica praticamente singular no contexto metropolitano: é, juntamente com Taboão da Serra, um dos dois únicos municípios cujo território é 100% urbanizado. A proximidade com o centro do Município de São Paulo e o fenômeno da conurbação entre os tecidos urbanos das duas cidades confere intensos fluxos populacionais e econômicos entre São Paulo e São Caetano do Sul.

48


MAPA 001. RMSP: Localização de São Caetano do Sul. N

Centros Municípios RMSP Rios e Córregos Principais Rodovias São Caetano do Sul Microrregiões Mesorregiões

OCEANO ATLÂNTICO Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE, DNIT, EMPLASA. Elaboração: Denis Giannelli

Manchas Urbanas Municípios Corpos Hídricos 0

5

10

20 Km

MAPA 002. RMSP: Área urbanizada – composição em falsa cor - 2010. N

São Caetano do Sul

OCEANO ATLÂNTICO Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE, DNIT, LANDSAT 5 (18/04/2019). Elaboração: Denis Giannelli

Cobertura Vegetal Manchas Urbanas Corpos Hídricos 0

5

10

20 Km

49


Em função deste intenso trânsito de pessoas e mercadorias, verificado não somente entre São Paulo e São Caetano do Sul, mas também na dinâmica territorial do quadrante sudeste da Metrópole de São Paulo, o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – inclui, para fins de planejamento territorial, todos os municípios do ABC Paulista – a saber: Santo André, São Bernardo do Campo, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, juntos o ABCDMRR – na Microrregião de São Paulo, acompanhados da capital Paulista. Assim, também nesta outra escala de análise, conforme ilustrado no Mapa 003, dada a pequena dimensão de São Caetano do Sul e a sua localização central na Microrregião de São Paulo, verifica-se que este município exerce um importante papel articulador no território da rede de cidades da Metrópole de São Paulo, conectando o centro de São Paulo com os demais municípios do ABC Paulista.

50


MAPA 003. RMSP: Microrregião de São Paulo e São Caetano do Sul - 2018. N

Microrregiões São Caetano do Sul

OCEANO ATLÂNTICO Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE. Elaboração: Denis Giannelli

Munic. MICRO São Paulo Municípios da RMSP Demais mun. Est. SP 0

5

10

20 Km

51


No quesito mobilidade metropolitana, São Caetano do Sul também possui uma característica pouco usual para os municípios brasileiros de forma geral: diferentemente de todos os outros municípios da Região Metropolitana de São Paulo, o território de São Caetano do Sul não é atravessado por nenhuma rodovia, conforme releva o Mapa 004. Entretanto, vale a pena destacar a proximidade de São Caetano do Sul com a Rodovia SP-150 (Via Anchieta), a qual conecta, dentre outros, o município vizinho de São Bernardo do Campo com a capital paulista. De acordo com o Google Maps, o acesso à Via Anchieta pelo Km 10 (S. Bernardo do Campo), sentido São Paulo, dista apenas 750 metros da Praça Mauá em São Caetano do Sul, sendo esta um dos mais importantes acessos viários a este município. Se, por um lado, o município de São Caetano do Sul não possui nenhuma infraestrutura rodoviária, por outro lado é beneficiado pela presença da Linha 10 Turquesa da CPTM em seu território e pela Estação de Trens Urbanos ‘São Caetano do Sul – Prefeito Walter Braido’. Conforme representado no Mapa 005, a Linha 10 Turquesa da CPTM conecta diversos municípios do ABC Paulista com a capital, passando por São Caetano do Sul até interligar na rede de metrô (Linha 2 Verde e Linha 3 Vermelha). Isto confere a São Caetano do Sul um duplo caráter de, ao mesmo tempo, ser um município periférico em relação a São Paulo e ser um importante vetor de deslocamento metropolitano, considerando os outros municípios da Microrregião de São Paulo.

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MAPA 004. RMSP: Acessibilidade rodoviária. N

Principais Rodovias Rodovias Secundárias Microrregiões

OCEANO ATLÂNTICO Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE, DNIT. Elaboração: Denis Giannelli

São Caetano do Sul Municípios da RMSP Demais mun. Est. SP 0

5

10

20 Km

MAPA 005. RMSP: Acessibilidade transporte metropolitano sobre trilhos - 2018. N

Linhas Metrô

Linhas CPTM Microrregiões

OCEANO ATLÂNTICO Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE, PMSP. Elaboração: Denis Giannelli

São Caetano do Sul Municípios da RMSP Demais mun. Est. SP 0

5

10

20 Km

53


A dinâmica de mobilidade metropolitana pode ser ainda melhor compreendida por meio da análise demográfica e econômica de São Caetano do Sul em relação ao continuum da Região Metropolitana de São Paulo. Em termos populacionais, conforme pode ser observado no Mapa 006, São Caetano do Sul é relativamente pouco expressivo, quando comparado a seus vizinhos. De acordo com a estimativa oficial do IBGE (Tabela 003), em 2017, a população municipal era de 159.068 habitantes, crescendo a uma taxa geométrica de crescimento anual de 0,97 % entre 2007 e 2017, abaixo daquela verificada para a Microrregião de São Paulo (1,03 % a.a.), para a Região Metropolitana de São Paulo (1,07 % a.a.) e para o Estado de São Paulo (1,25 % a.a.). Economicamente, contudo, São Caetano do Sul ganha um destaque importante na Metrópole, a despeito de suas pequenas população e extensão. De acordo com o Mapa 007, São Caetano do Sul e todos os municípios adjacentes possuem mais de 5.000 empresas (“estabelecimentos”) cadastradas no RAIS embora, novamente, São Caetano do Sul cresce a uma TGCA (1,73 % a.a.) inferior àquela da MICRO-SP (2,27 % a.a.), da RMSP (2,47 % a.a.) e do ESP (2,30 % a.a.). Complementarmente, no quesito número de empregos – Mapa 008, funcionários com carteira de trabalho assinada e vínculo ativo –, São Caetano do Sul assume posição mediana: Em 2017, a cidade computava 103.620 empregos, valor este após um decréscimo entre 2007 e 2017 com TGCA de - 0,07 % a.a. - contra 1,32 % a.a. para a MICRO-SP, 1,41 % a.a. para a RMSP e 1,71 % a.a. para o ESP. O quadro demográfico e econômico inverte-se, contudo, na relação empregos por habitante – Mapa 009. Neste quesito, São Caetano do Sul possui o segundo melhor desempenho da RMSP, atrás apenas de Barueri. Em 2017, a relação empregos por habitante em SCS era de 0,6492, contra 0,3766 para a MICRO-SP, 0,3312 para a RMSP e 0,2911 para o ESP. Em termos de TGCA 07-17, contudo, atenta-se para o fato de SCS ter taxa negativa em -1,03 % a.a., contra 0,29 % a.a. para a MICRO-SP, 0,33 % a.a. para a RMSP e 0,46 % a.a. para o ESP.

54


TABELA 001. Evolução de população, empresas e empregos 2007-2017.

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MAPA 006. RMSP: População residente por município em 2017. N

São Caetano do Sul Microrregiões OCEANO ATLÂNTICO Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE. Elaboração: Denis Giannelli

POPULAÇÃO 2017 > 1.000.000 500.000 - 1.000.000 250.000 - 500.000 100.000 - 250.000 < 100.000 0

5

10

20 Km

MAPA 007. RMSP: Sede de empresas por município em 2017. N

São Caetano do Sul Microrregiões OCEANO ATLÂNTICO Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE, RAIS. Elaboração: Denis Giannelli

56

EMPRESAS 2017 > 5.000 4.000 - 5.000 3.000 - 4.000 2.000 - 3.000 < 2.000 0

5

10

20 Km


MAPA 008. RMSP: Empregos formais por município em 2017. N

São Caetano do Sul Microrregiões OCEANO ATLÂNTICO Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE, RAIS. Elaboração: Denis Giannelli

EMPREGOS 2017 > 500.000 250.000 - 500.000 100.000 - 250.000 50.000 - 100.000 < 50.000 0

5

10

20 Km

MAPA 009. RMSP: Relação empregos / habitante por município em 2017. N

São Caetano do Sul Microrregiões OCEANO ATLÂNTICO Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE, RAIS. Elaboração: Denis Giannelli

EMPREGOS / POPUL. 2017 > 0,5 0,4 - 0,5 0,3 - 0,4 0,2 - 0,3 < 0,2 0

5

10

20 Km

57


Em termos de evolução da mancha urbana (Mapa 010), na escala de análise da Região Metropolitana de São Paulo, São Caetano do Sul pode ser considerado como parte de um anel periférico de expansão metropolitana, juntamente com bairros das zonas Sul e Oeste do município de São Paulo, cujo espaço foi urbanizado predominantemente entre 1950 e 1962. O modelo de expansão radial concêntrico da cidade de São Paulo, perceptível a partir da datação das manchas no Mapa 010, releva mais uma vez a condição de São Caetano do Sul enquanto periferia de São Paulo, embora uma periferia próxima e bem conectada. Neste sentido, os sistemas rodoviário e ferroviário desempenharam um importante papel no modelo estruturador desta cidade. Isto porque, conforme observável no Mapa 011, o eixo ferroviário da atual Linha 10 Turquesa da CPTM (antiga Ferrovia São Paulo Railway e posteriormente Ferrovia Santos - Jundiaí) foi historicamente ocupado por uso predominantemente industrial, incluindo também os terrenos do centro da cidade e outros terrenos às margens da ferrovia em São Caetano do Sul. Nos posteriores novos loteamentos do município, a cidade se desenvolveu em áreas urbanizadas de usos predominantemente não industriais, expandindo-se até alcançar todos os limites territoriais do município.

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MAPA 010. RMSP: Evolução da mancha urbana 1553 - 2002. N FRANCISCO MORATO SANTA ISABEL FRANCO DA ROCHA MAIRIPORÃ

CAJAMAR PIRAPORA DO BOM JESUS

CAIEIRAS

ARUJÁ

GUARULHOS

GUARAREMA

SANTANA DE PARNAÍBA

ITAQUAQUECETUBA SÃO PAULO

BARUERI JANDIRA ITAPEVI

POÁ

OSASCO

FERRAZ DE VASCONCELOS

CARAPICUÍBA

VARGEM GRANDE PAULISTA

TABOÃO DA SERRA

MOGI DAS CRUZES SALESÓPOLIS

SUZANO

SÃO CAETANO DO SUL

BIRITIBA-MIRIM

EMBU MAUÁ

COTIA

RIBEIRÃO PIRES

DIADEMA ITAPECERICA DA SERRA

RIO GRANDE DA SERRA

Municípios da RMSP

SANTO ANDRÉ

1998 - 2002 1993 - 1997 1986 - 1992 1981 - 1985 1975 - 1980 1963 - 1974 1950 - 1962 1930 - 1949 1915 - 1929 1882 - 1914 1553 - 1881

SÃO BERNARDO DO CAMPO EMBU GUAÇU SÃO LOURENÇO DA SERRA

OCEANO ATLÂNTICO

JUQUITIBA

Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE, EMPLASA. Elaboração: Denis Giannelli

0

5

10

20 Km

MAPA 011. RMSP: Uso do solo em 2002. INDAIATUBA

ATIBAIA

JARINU

ITUPEVA JUNDIAÍ

VÁRZEA PAULISTA

CAMPO LIMPO PAULISTA

BOM JESUS DOS PERDÕES

CAÇAPAVA

IGARATÁ NAZARÉ PAULISTA

FRANCISCO MORATO

CABREÚVA

JAMBEIRO SANTA ISABEL

JACAREÍ

FRANCO DA ROCHA MAIRIPORÃ

CAJAMAR

ITU PIRAPORA DO BOM JESUS

CAIEIRAS

VARGEM GRANDE PAULISTA

Demais mun. Est.PARAIBUNA SP

ITAQUAQUECETUBA SÃO PAULO

Área Urbanizada Aterro Sanitário Campo SALESÓPOLIS Capoeira Chácara Equipamento Urbano CARAGUATATUBA Espelho D’água Favela Hortifrutigranjeiro SÃO SEBASTIÃO Indústria Lixão Loteamento Desocupado Mata Mineração Mov. Terra / Solo Exposto Outro Uso Reflorestamento Reservatório de Retenção Rodovia Vegetação de Várzea

POÁ

OSASCO

JANDIRA ITAPEVI

SÃO ROQUE

Municípios da RMSP

SANTA BRANCA

GUARAREMA

BARUERI MAIRINQUE

ARUJÁ

GUARULHOS

SANTANA DE PARNAÍBA

ARAÇARIGUAMA

FERRAZ DE VASCONCELOS

CARAPICUÍBA

TABOÃO DA SERRA

MOGI DAS CRUZES

SUZANO

SÃO CAETANO DO SUL

BIRITIBA-MIRIM

EMBU MAUÁ

COTIA

DIADEMA ITAPECERICA DA SERRA

RIBEIRÃO PIRES RIO GRANDE DA SERRA BERTIOGA

SANTO ANDRÉ SÃO BERNARDO DO CAMPO

IBIÚNA EMBU GUAÇU SÃO LOURENÇO DA SERRA

CUBATÃO

SANTOS

OCEANO ATLÂNTICO

JUQUITIBA

SÃO VICENTE

MIRACATU PEDRO DE TOLEDO

N

SAO JOSÉ DOS CAMPOS

ITANHAÉM

MONGAGUÁ

GUARUJÁ

Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. PRAIA GRANDE Fonte: IBGE, EMPLASA. Elaboração: Denis Giannelli

0

5

10

20 Km

59


Por fim, ainda na escala de análise da Região Metropolitana de São Paulo, destaca-se a performance de São Caetano do Sul no fluxo populacional dos municípios da Metrópole. Tomando com base a Pesquisa Origem e Destino 2007 do Metrô de São Paulo, foram analisadas as viagens totais, em todos os modais considerados, cuja origem era o Município de São Caetano do Sul – agrupado em suas quatro zonas OD – com destino às 460 zonas OD existentes, incluindo aquelas localizadas no próprio município (“viagem interna”); de maneira análoga, foram analisadas as viagens totais, em todos os modais considerados, quando São Caetano do Sul (agrupado em suas quatro zonas OD) é destino partindo-se das 460 zonas OD da RMSP, incluindo, mais uma vez, aquelas localizadas no próprio município (“viagem interna”). Tanto para a análise de São Caetano do Sul como origem (Mapa 012) como para aquela em que este município é destino (Mapa 013), os resultados são semelhantes: há uma circulação intensa de pessoas entre São Caetano do Sul e as Zonas OD do ABC Paulista – notoriamente São Bernardo do Campo e Santo André –, bem como entre SCS e as Zonas Leste e Sul do município de São Paulo.

60


MAPA 012. RMSP: Origem e destino 2007 - viagens diárias com origem em SCS. INDAIATUBA

ATIBAIA

JARINU

ITUPEVA JUNDIAÍ

VÁRZEA PAULISTA

CAMPO LIMPO PAULISTA

BOM JESUS DOS PERDÕES

CAÇAPAVA

IGARATÁ

N

SAO JOSÉ DOS CAMPOS

NAZARÉ PAULISTA

FRANCISCO MORATO

CABREÚVA

JAMBEIRO SANTA ISABEL

JACAREÍ

FRANCO DA ROCHA MAIRIPORÃ

CAJAMAR

ITU PIRAPORA DO BOM JESUS

CAIEIRAS

ITAQUAQUECETUBA

POÁ

OSASCO

JANDIRA ITAPEVI

SÃO ROQUE

FERRAZ DE VASCONCELOS

CARAPICUÍBA

VARGEM GRANDE PAULISTA

PARAIBUNA

SÃO PAULO

BARUERI MAIRINQUE

SANTA BRANCA

GUARAREMA

SANTANA DE PARNAÍBA

ARAÇARIGUAMA

ARUJÁ

GUARULHOS

MOGI DAS CRUZES SALESÓPOLIS

SUZANO

TABOÃO DA SERRA

Linhas Metrô

BIRITIBA-MIRIM

EMBU

CARAGUATATUBA MAUÁ

COTIA

Linhas CPTM

RIBEIRÃO PIRES

DIADEMA ITAPECERICA DA SERRA

SÃO SEBASTIÃO

RIO GRANDE DA SERRA

São Caetano do Sul

BERTIOGA

SANTO ANDRÉ

Municípios da RMSP

SÃO BERNARDO DO CAMPO

IBIÚNA EMBU GUAÇU SÃO LOURENÇO DA SERRA

CUBATÃO

Demais Munic. Estado SP

SANTOS

OCEANO ATLÂNTICO

JUQUITIBA

SÃO VICENTE

PEDRO DE TOLEDO

MONGAGUÁ

ITANHAÉM

GUARUJÁ

Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. PRAIA GRANDE Fonte: IBGE, PMSP, METRÔ SP. Elaboração: Denis Giannelli

MIRACATU

> 10.000 5.001 - 10.000 2.501 - 5.000 1.001 - 2.500 1 - 1.000 0 0

5

10

20 Km

MAPA 013. RMSP: Origem e destino 2007 - viagens diárias com destino a SCS. INDAIATUBA

ATIBAIA

JARINU

ITUPEVA JUNDIAÍ

VÁRZEA PAULISTA

CAMPO LIMPO PAULISTA

BOM JESUS DOS PERDÕES

CAÇAPAVA

IGARATÁ

N

SAO JOSÉ DOS CAMPOS

NAZARÉ PAULISTA

FRANCISCO MORATO

CABREÚVA

JAMBEIRO SANTA ISABEL

JACAREÍ

FRANCO DA ROCHA MAIRIPORÃ

CAJAMAR

ITU PIRAPORA DO BOM JESUS

CAIEIRAS

ITAQUAQUECETUBA

VARGEM GRANDE PAULISTA

POÁ

OSASCO

JANDIRA ITAPEVI

SÃO ROQUE

PARAIBUNA

SÃO PAULO

BARUERI MAIRINQUE

SANTA BRANCA

GUARAREMA

SANTANA DE PARNAÍBA

ARAÇARIGUAMA

ARUJÁ

GUARULHOS

FERRAZ DE VASCONCELOS

CARAPICUÍBA

MOGI DAS CRUZES SALESÓPOLIS

SUZANO

TABOÃO DA SERRA

Linhas Metrô

BIRITIBA-MIRIM

EMBU

CARAGUATATUBA MAUÁ

COTIA

DIADEMA ITAPECERICA DA SERRA

Linhas CPTM

RIBEIRÃO PIRES

SÃO SEBASTIÃO

RIO GRANDE DA SERRA

São Caetano do Sul

BERTIOGA

SANTO ANDRÉ SÃO BERNARDO DO CAMPO

IBIÚNA

Municípios da RMSP

EMBU GUAÇU SÃO LOURENÇO DA SERRA

CUBATÃO

OCEANO ATLÂNTICO

JUQUITIBA

SÃO VICENTE

MIRACATU PEDRO DE TOLEDO

Demais Munic. Estado SP

SANTOS

ITANHAÉM

MONGAGUÁ

> 10.000 5.001 - 10.000 2.501 - 5.000 1.001 - 2.500 1 - 1.000 0

GUARUJÁ

Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. PRAIA GRANDE Fonte: IBGE, PMSP, METRÔ SP. Elaboração: Denis Giannelli

0

5

10

20 Km

61


Contexto Municipal A partir da leitura do Mapa 014, percebe-se que o município de São Caetano do Sul é delimitado, a leste e sudeste, pelo município de Santo André, a sul pelo município de São Bernardo do Campo, a oeste pela Zona Sul do município de São Paulo (Distrito de Sacomã, Prefeitura Regional do Ipiranga) e a norte pelo município de São Paulo (Distrito de Vila Prudente e Distrito de São Lucas, Prefeitura Regional da Vila Prudente). Os rios e córregos urbanos desempenham um importante papel na delimitação territorial de São Caetano. A sul e oeste, o Córrego dos Meninos (Mapa 015) é o divisor municipal entre São Bernardo, São Caetano do Sul e São Paulo (Sacomã); já a norte, o Rio Tamanduateí desempenha papel análogo na divisa entre São Caetano do Sul e São Paulo (Vila Prudente e São Lucas). Nestas porções do município, embora ocorra a conurbação com os municípios vizinhos, os corpos hídricos marcam a transição administrativa no ambiente construído da metrópole, como uma borda bem delimitada. A leste, de modo contrário, a divisa com Santo André é menos evidente, uma vez que não há alguma feição no ambiente construído da cidade que simbolize esta mudança de municípios. Internamente, São Caetano do Sul é dividido oficialmente em quinze bairros: os bairros Fundação e Prosperidade estão a norte da linha ferroviária, sendo esta uma notória barreira urbana do tecido viário no município; os bairros Centro, Santa Paula, Santo Antônio, Barcelona, Santa Maria, Cerâmica, Oswaldo Cruz, Olímpico, São José, Jardim São Caetano, Mauá, Nova Gerti e Boa Vista estão ao sul da linha férrea. O sistema viário (Mapa 015) de São Caetano do Sul é caracterizado majoritariamente por uma geometria ortogonal de vias no sentido leste-oeste e nortesul. A partir desta modulação em “grade”, algumas das principais avenidas da cidade foram desenhadas, como por exemplo a Avenida Goiás (principal avenida da cidade), a Avenida Guido Aliberti, a Rua Amazonas e a Rua São Paulo. Alguns bairros da cidade são exceções a esta lógica, como os bairros Olímpico, Santa Maria e Jardim São Caetano, com desenho viário muito mais curvilíneo. Ainda em relação ao Sistema Viário, é importante ressaltar a correlação entre rios urbanos e avenidas, típico de cidades brasileiras. Em SCS, a Avenida Guido Aliberti e a Avenida do Estado foram desenhadas às margens dos principais rios da cidade, reforçando o papel rodoviarista atribuído a estes espaços, anteriormente ocupados pelas planícies fluviais.

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MAPA 014. SCS: Composição multiespectral em RGB - 2010. N

São Paulo Zona Leste FUNDAÇÃO

São Paulo Zona Sul

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Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE, PMSP, CEM, CPRM, EMPLASA. Elaboração: Denis Giannelli

Bairros SCS Municípios RMSP 0

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MAPA 015. SCS: Sistema viário - 2018. .P AV

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NOVA GERTI Santo André Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE, PMSP, CEM, CPRM. Elaboração: Denis Giannelli

Estação São Caetano Linha 10 Turquesa Curvas de nível 5-5 m Sistema viário Viário Principal Rios e Córregos Praças / Áreas espec. Parques Municípios RMSP 0

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160 m


Do ponto de vista da Altimetria (Mapa 016), São Caetano do Sul possui variação de nível entre as cotas 728 m acima do nível do mar (Avenida do Estado, bairro Fundação) até a cota 819 acima do nível do mar (próximo ao encontro das ruas Visconde de Inhaúma e Nelly Pellegrino, bairro Nova Gerti), com amplitude, portanto, em 91 metros. Em termos de ambiente construído, é interessante notar o aproveitamento da superfície do território para o desenho de importantes vias em cumeeira (Avenida Visconde de Inhaúma, Rua Boa Vista, Alameda São Caetano) e em fundo de vale (Avenida Presidente Kennedy, Avenida dos Estados, Avenida Tijucussu, Avenida Guido Aliberti). Do ponto de vista das Declividades (Mapa 017), São Caetano do Sul também é bastante expressiva, apresentando, em uma porção menor de seu território, planícies com baixas declividades e, na restante maior parte, vertentes de declividades moderadas a acentuadas. Combinadas com o traçado viário majoritariamente ortogonal, as vertentes íngremes produzem no ambiente construído da cidade um efeito de “sobe e desce” constante para quem por ali circula, notoriamente nos bairros Santa Paula, Santo Antônio, Oswaldo Cruz, dentre outros. É importante destacar que a morfometria apresentada foi produzida a partir do modelo digital de superfície que está disponível para download no portal da CPRM. Este material, em formato raster, é possivelmente sensível à variações de elevação das edificações existentes no território, razão pela qual nota-se uma elevada presença de manchas com declividades superiores a 30% ao redor de quadras e/ou grandes construções, sobretudo em bairros onde sabidamente as vertentes não são íngremes desta maneira. Independentemente dos problemas pontuais verificados no mapeamento de declividades, o modelo digital de superfície utilizado é capaz de oferecer um panorama interessante a respeito do modelado do relevo na cidade. O Mapa 018 apresenta o relevo sombreado da cidade, associado à hidrografia. Nesta imagem, é possível observar a rugosidade da superfície natural do território de São Caetano do Sul, bem como seus principais corpos hídricos (Córrego dos Meninos e Rio Tamanduateí) e a geometria viária, que em algumas porções do espaço possui afinidade com o modelado do relevo, enquanto em outros espaços destoase do mesmo. É notório, também, a presença de um córrego canalizado sobre a Avenida Presidente Kennedy, o Córrego do Moinho, cujo traçado original não pôde ser mapeado por falta de dados para tal, assim como outros córregos menores sobre demais vias urbanas.

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MAPA 016. SCS: Hipsometria. .P AV

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NOVA GERTI Santo André Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE, PMSP, CEM, CPRM. Elaboração: Denis Giannelli

Estação São Caetano Linha 10 Turquesa Curvas de nível 5-5 m Sistema viário Viário Principal Municípios RMSP > 800 m 780 m - 800 m 760 m - 780 m 740 m - 760 m < 740 m 0

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MAPA 017. SCS: Declividades. .P AV

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NOVA GERTI Santo André Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE, PMSP, CEM, CPRM. Elaboração: Denis Giannelli

Estação São Caetano Linha 10 Turquesa Curvas de nível 5-5 m Sistema viário Viário Principal Municípios RMSP > 30 % 20 % - 30 % 15 % - 20 % 10 % - 15 % 05 % - 10 % < 05 % 0

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MAPA 018. SCS: Relevo sombreado e hidrografia.

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NOVA GERTI Santo André Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE, PMSP, CEM, CPRM. Elaboração: Denis Giannelli

Estação São Caetano Linha 10 Turquesa Sistema viário Viário Principal Rios e Córregos Municípios RMSP 0

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Do ponto de vista Geológico (Mapa 019), São Caetano do Sul está predominantemente construído sobre a Formação Resende, extrato rochoso presente na Bacia Sedimentar de São Paulo. Esta formação é relativamente recente na escala geológica, correspondente ao período terciário, e originou-se a partir do depósito sedimentar de material rochoso. O depósitos aluvionares, por sua vez, são resultantes do trabalho de erosão fluvial dos rios de planície durante o período quaternário da presente era geológica, com formação muito recente. São Caetano do Sul também apresenta formação de xistos, sobretudo em sua porção oeste, na vertente do intervales do Córrego dos Meninos. Em relação ao modelado do Relevo (Mapa 020), conforme apontado anteriormente, São Caetano do Sul é majoritariamente marcado por colinas, com vertentes de declividades médias a a acentuadas. Junto aos principais corpos hídricos da cidade (Córrego dos Meninos, Rio Tamanduateí e rio canalizado sob a Avenida Kennedy), o relevo é marcado por planícies e terraços fluviais, com baixas declividades e lento escoamento superficial de água. Há também algumas rampas de alúvios e colúvios no município, notoriamente em setores côncavos de vertentes onde, provavelmente, existem nascentes hídricas debaixo de vias e construções. A análise fisiográfica de São Caetano do Sul permitiu ao CPRM a elaboração da Carta de Susceptibilidade a Movimentos Gravitacionais de Massa e Inundações, reconstruída pelo pesquisador no Mapa 021. Nota-se em São Caetano do Sul a predominância de baixo risco a movimentos de massas, tais como escorregamentos, senão em pontos isolados do município, onde tal risco é mediano. Contudo, o grande problema ambiental de São Caetano do Sul é o risco a inundações em seus limites oeste e norte, além do eixo da Avenida Presidente Kennedy. Isto é reflexo claro do ambiente construído da cidade, cujo processo de urbanização ocupou a planície fluvial dos corpos hídricos. Como resultado de tal processo de estruturação urbana, tem-se cronicamente o problema de enchentes periódicas na cidade.

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MAPA 019. SCS: Geologia. .P AV

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NOVA GERTI Santo André Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE, PMSP, CEM, CPRM. Elaboração: Denis Giannelli

Estação São Caetano Linha 10 Turquesa Curvas de nível 5-5 m Sistema viário Viário Principal Rios e Córregos Lineamentos estrut. Municípios RMSP Gnaisses graníticos Formação Resende Depósitos aluvionares Xistos 0

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MAPA 020. SCS: Relevo. .P AV

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NOVA GERTI Santo André Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE, PMSP, CEM, CPRM. Elaboração: Denis Giannelli

Estação São Caetano Linha 10 Turquesa Curvas de nível 5-5 m Sistema viário Viário Principal Rios e Córregos Municípios RMSP Rampa Alúvio Colúvio Morrotes Planícies Terraços Flu. Colinas Massas d’água 0

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MAPA 021. SCS: Susceptibilidade a movimentos de massa e inundações. R.

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NOVA GERTI Santo André Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE, PMSP, CEM, CPRM. Elaboração: Denis Giannelli

Estação São Caetano Linha 10 Turquesa Curvas de nível 5-5 m Sistema viário Viário Principal Rios e Córregos Municípios RMSP Méd. risco mov massa Bxo. risco mov massa Alto risco inundação Médio risco inundação Baixo risco inundação 0

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160 m


Em relação à Cobertura Vegetal (Mapa 021), nota-se que São Caetano do Sul não apresenta grandes manchas de vegetação nativa em seu território, justamente porque cem por cento de sua superfície é considerada como ambiente urbano, com elevado grau de intervenção antrópica. Contudo, no aspecto intra urbano, há um expressivo contraste na qualidade ambiental entre os bairros existentes no município. A partir da imagem de satélite apresentada, captura no ano de 2010, foi produzida uma composição multiespectral do tipo NIR – near infrared -, alocando: 1) uma primeira imagem, produzida a partir do sensor sensível ao comprimento de onda vermelho, na banda de cor primária vermelho (RED); 2) uma segunda imagem, produzida a partir do sensor sensivel ao comproimento de onda infra-vermelho, nas bandas das demais cores primárias (verde – GREEN e azul – BLUE). Como resultado, tem-se a imagem apresentada no Mapa 021, que realça a cobertura vegetal natural em tons avermelhados, destacando-a dos demais objetos do ambiente construído. A partir do Mapa 021, percebe-se que a maior parte da vegetação em São Caetano do Sul estão localizados em áreas verdes e demais áreas protegidas / áreas especiais, notoriamente: o Bosque do Povo, no bairro Jardim São Caetano; o Parque Chico Mendes, no bairro São José; o Cemitério das Lágrimas e o campus universitário do Instituto Mauá de Tecnologia, ambos no bairro Mauá; e o Parque Santa Maria – Cidade das Crianças, no bairro Santa Maria. Os demais bairros do município de São Caetano do Sul são desprovidos de áreas com significativa cobertura vegetal maciça, caracterizados por árvores densas de grande porte. De maneira geral, percebe-se que, por todo o município, a arborização urbana no sistema viário é pouco expressiva, com manchas pontuais que merecem algum destaque visual. A maior parte das vias de São Caetano do Sul é desprovida de árvores com copas largas e dossel fechado, produzindo, assim, um ambiente construído de aspecto tendencialmente seco.

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MAPA 022. SCS: Cobertura vegetal - 2010. .P AV

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NOVA GERTI Santo André Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE, PMSP, CEM, CPRM, EMPLASA. Elaboração: Denis Giannelli

Estação São Caetano Linha 10 Turquesa Viário Principal Rios e Córregos Municípios RMSP 0

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Em relação à caracterização socioeconômica de São Caetano do Sul, foi utilizado o Censo Demográfico de 2010, produzido pelo IBGE, para as análises de Densidade Demográfica (Mapa 023) e Renda Média Domiciliar (Mapa 024), tendo como unidade de análise mínima os setores censitários do município. No que diz respeito à Densidade Demográfica, São Caetano do Sul é um município majoritariamente denso, típico de um ambiente urbanizado. O bairro Santa Paula é aquele que apresenta predominância de setores cuja densidade está acima de 150 habitantes por hectare. Além deste, outros bairros também apresentam manchas de alta densidade, notoriamente Oswaldo Cruz, Boa Vista, Nova Gerti, Santa Maria e Barcelona. Outros bairros encontram-se em situação oposta, com destaque para a porção leste do bairro fundação, onde há o uso exclusivamente industrial, e a porção sul do bairro Prosperidade, onde há as instalações da Petrobrás. É importante destacar que, por ser composto de informações coletadas em 2010, este último Censo Demográfico está parcialmente desatualizado. Um exemplo deste problema é a baixa densidade demográfica apresentada para o bairro Cerâmica, no qual o empreendimento Espaço Cerâmica, desenvolvido pelo Grupo SOBLOCO, aumentou consideravelmente o número de moradores na região, a partir da construção de um novo bairro planejado construído no local, onde antigamente funcionava uma Olaria e a Fábrica Cerâmica. Este contraste é evidente a partir do contraste entre as manchas de densidade demográfica, cuja informação é do ano 2010, e a base viária, do ano de 2018. Sobre a Renda Média Domiciliar no município, o Mapa 024 evidencia a existência de dois grandes bolsões de alta renda em São Caetano do Sul: o primeiro, formado por um eixo oeste-leste, abrangendo parte do bairro Santo Antônio, o bairro Santa Paula e parte do bairro Barcelona, sendo portanto um vetor de desenvolvimento econômico que conecta São Caetano do Sul a Santo André; e o segundo, formado pelo bolsão residencial do Jardim São Caetano, um bairro de alta renda e baixa densidade demográfica, desenhado aos moldes de bairros do tipo cidade jardim. A porção a norte da ferrovia, formada pelos bairros Fundação e Prosperidade, bem como o bairro Nova Gerti, são os espaços onde há menor renda média domiciliar no município. No restante do território, os bairros caracterizam-se por uma média densidade demográfica e renda média domiciliar moderada.

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MAPA 023. SCS: Densidade demográfica - 2010.

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NOVA GERTI Santo André Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE, PMSP, CEM, CPRM. Elaboração: Denis Giannelli

Estação São Caetano Linha 10 Turquesa Sistema viário Viário Principal Rios e Córregos Praças / Áreas espec. Parques Bairros SCS Municípios RMSP > 150 hab. / ha. 100 - 150 hab. / ha. 25 - 100 hab. / ha. 10 - 25 hab. / ha. < 10 hab. / ha. 0

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MAPA 024. SCS: Renda média domiciliar - 2010.

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NOVA GERTI Santo André Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE, PMSP, CEM, CPRM. Elaboração: Denis Giannelli

Estação São Caetano Linha 10 Turquesa Sistema viário Viário Principal Rios e Córregos Praças / Áreas espec. Parques Bairros SCS Municípios RMSP < R$ 10.000 R$ 8.000 - R$ 10.000 R$ 5.000 - R$ 8.000 R$ 3.000 - R$ 5.000 R$ 2.000 - R$ 3.000 R$ 1.000 - R$ 2.000 < R$ 1.000 0

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Em relação à Evolução da Mancha Urbana (Mapa 025), faz-se para a escala urbana uma leitura análoga àquela feita para a escala metropolitana. Os dados da evolução da mancha urbana, datados de 2002, foram levantados com a EMPLASA e apresentam, por meio de isorítmicas, o ano de loteamento dos bairros construídos na metrópole de São Paulo. Na escala de São Caetano do Sul, nota-se um elevado de grau de generalização para esta informação, na medida em que a quase totalidade do município é enquadrada como tendo sido construída entre 1950 e 1962. Apenas algumas poucas manchas apresentam datações anteriores a este intervalo (áreas lindeiras ao Rio Tamanduateí) e posteriores ao mesmo (áreas próximas ao encontro das Avenidas Goiás e Guido Aliberti, e Parque Chico Mendes, cuja urbanização seria a mais recente na escala). Assim, entende-se que estes dados não possuem resolução espacial suficiente para serem trabalhados de forma adequada para algum tipo de análise no presente estudo, se observados nesta escala. Contudo, foram propositalmente expostos, na medida em que será interessante o contraste entre o Mapa 025 (Evolução da Mancha Urbana até 2002, EMPLASA) e o mapa produzido nesta pesquisa a partir da classificação temática decorrente da composição multi-temporal. Em relação ao Uso do Solo em 2002 (Mapa 026), percebe-se a predominância de áreas urbanizadas de usos não industriais em São Caetano do Sul. A indústria também possui um destaque especial para o uso do solo na cidade, sobretudo no eixo da Linha 10 Turquesa da CPTM, onde estão instaladas grandes industrias nacionais e multinacionais, tais como a General Motors, Petrobrás, BASF, Gerdau, etc. Novamente, destaca-se a defasagem da informação apresentada, na medida em que a área industrial apresentada no bairro Cerâmica teve seu uso alterado para um novo bairro residencial e comercial da cidade, mediante a ancoragem do Park Shopping São Caetano e diversos condomínios verticais e um loteamento residencial unifamiliar. Além das áreas urbanizadas e das áreas industriais, o Município de São Caetano do Sul também conta com um expressivo número de equipamentos urbanos, tais como o Estádio Anacleto Campanella, o Instituto Mauá de Tecnologia, o Parque Chico Mendes, o SENAC São Caetano, a ETEC Jorge Street, o Centro de Treinamento BOVESPA Atletismo, etc. O mapa de Uso do Solo em 2002 apresenta, ainda, poucas áreas de vegetação, com destaque para algumas manchas de capoeira em terrenos de distintos históricos de ocupação.

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MAPA 025. SCS: Evolução da mancha urbana até 2002. R.

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Estação São Caetano Linha 10 Turquesa Sistema viário Viário Principal Rios e Córregos Bairros SCS Municípios RMSP Não urbanizado até 2002

Santo André Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE, PMSP, CEM, CPRM, EMPLASA. Elaboração: Denis Giannelli

1998 - 2002 1993 - 1997 1986 - 1992 1981 - 1985 1975 - 1980 1963 - 1974 1950 - 1962 1930 - 1949 1915 - 1929 1882 - 1914 1553 - 1881 0

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MAPA 026. SCS: Uso do solo em 2002. .P AV

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NOVA GERTI Santo André Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE, PMSP, CEM, CPRM, EMPLASA. Elaboração: Denis Giannelli

Estação São Caetano Linha 10 Turquesa Sistema viário Viário Principal Rios e Córregos Bairros SCS Municípios RMSP Área Urbanizada Campo Capoeira Equipamento Urbano Favela Hortifrutigranjeiro Indústria Loteamento Desocupado Mata Mov. Terra / Solo Exposto Rodovia 0

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Para a análise de trabalho e empreendedorismo em São Caetano do Sul, foram utilizados os dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), disponibilizado pelo Ministério do Trabalho e Emprego – MTE. Os valores apresentados correspondem ao ano de 2017, conjunto de dados mais recentes disponíveis até o presente momento. Em 31 de Dezembro de 2017, São Caetano do Sul abrigada aproximadamente 103.620 empregos formais com carteira de trabalho assinada (Gráfico 001). Deste total, 32 % estavam concentrados em atividades administrativas, 16,9% no comércio, 12,7% na indústria da transformação, 9,6% na construção e 6% na administração pública, sendo o restante distribuído em outras seções. Assim, apesar da maior parte dos empregos estar vinculado ao setor terciário da economia, o setor secundário ainda é bastante expressivo, típico das cidades do ABC Paulista. No que diz respeito à Massa Salarial em 2017 (Gráfico 002), a distribuição é proporcionalmente análoga ao número de empregos: as seções de atividades administrativas, comércio, indústria da transformação e construção são, juntas, responsáveis por 77,5 % da massa salarial do município. A massa salarial de São Caetano do Sul, em 2017, perfaz R$ 312 milhões de reais, portanto uma média de R$ 3.011 por trabalhador, e R$1.955 por habitante. Já no que tange o número de empresas – 5.876 estabelecimentos cadastrados em 2017 – a distribuição das mesmas nas seções econômicas, a situação altera-se: a seção de comércio é aquela que abraça 34,4 % dos estabelecimentos, seguida por atividades administrativas (18,8%), indústrias da transformação (10,3%), alojamento e alimentação (9,0%) e saúde e serviços sociais (6,5%). Em termos territoriais, sede das empresas estabelecidas em São Caetano do Sul foram mapeadas e segregadas conforme os sub-setores econômicos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. A localização destas empresas e o tamanho das mesmas por número de funcionários estão representadas no Setor Industrial (Mapa 027), Setor da Construção Civil (Mapa 028), Setor do Comércio (Mapa 029) e Setor dos Serviços (Mapa 030). O Setor da Agropecuária é pouco expressivo no município (três estabelecimentos e sete empregos), e portanto não foi representado. No Setor da Indústria, as empresas estão relativamente bem distribuídas no território, com uma concentração mais acentuada sobretudo nos bairros Santo Antônio, Centro, Fundação e Prosperidade. É justamente nestes bairros onde há as maiores fábricas da indústria da transformação, como a General Motors, a BASF, a Gerdau, dentre outras. Há também uma coincidência entre a localização destas empresas e a mancha de uso industrial assinalada pela EMPLASA no mapa de Uso do Solo de 2002 (Mapa 026). No Setor da Construção Civil, o número de empresas é menos expressivo, não sendo identificado um grande cluster de empregos na construção civil no território do município. Há duas empresas de destaque neste setor no eixo da Rua Amazonas. 84


No Setor do Comércio, a despeito da razoável distribuição de empresas neste segmento pelo território de São Caetano do Sul, há uma concentração elevada de empresas do Setor de Comércio nos bairros Centro e Fundação. São nestes bairros onde o predomina o comércio popular, sobretudo aquele comércio de varejo com lojas voltadas para as vias públicas. Esta concentração pode ser correlacionada com a presença da Estação São Caetano do Sul da CPTM, que potencializa o fluxo de consumidores neste setor da cidade. Finalmente, no Setor de Serviços, percebe-se uma grande aglomeração de empresas de grande porte no eixo da Avenida Goiás, principal via da cidade. Além daquelas localizadas na Avenida Goiás, diversas outras empresas de grande porte do Setor de Serviços estão presentes nos bairros Centro, Santo Antônio e Santa Paula.

85


GRÁFICO 001. Distribuição dos empregos em SCS por classe CNAE - 2017.

Fonte: RAIS, 2017. Elaboração: DataViva, 2019. GRÁFICO 002. Distribuição da massa salarial em SCS por classe CNAE - 2017.

Fonte: RAIS, 2017. Elaboração: DataViva, 2019. 86


GRÁFICO 003. Distribuição dos estabelecimentos em SCS por classe CNAE - 2017.

Fonte: RAIS, 2017. Elaboração: DataViva, 2019.

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MAPA 027. SCS: Funcionários por empresa do setor indústria - 2017. R.

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25 - 50 func. < 25 funcionários Estação São Caetano Linha 10 Turquesa Sistema viário Viário Principal Rios e Córregos Bairros SCS Municípios RMSP 0

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MAPA 028. SCS: Funcionários por empresa do setor construção civil - 2017. R.

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25 - 50 func. < 25 funcionários Estação São Caetano Linha 10 Turquesa Sistema viário Viário Principal Rios e Córregos Bairros SCS Municípios RMSP 0

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MAPA 029. SCS: Funcionários por empresa do setor comércio - 2017. R.

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25 - 50 func. < 25 funcionários Estação São Caetano Linha 10 Turquesa Sistema viário Viário Principal Rios e Córregos Bairros SCS Municípios RMSP 0

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MAPA 030. SCS: Funcionários por empresa do setor serviços - 2017. R.

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25 - 50 func. < 25 funcionários Estação São Caetano Linha 10 Turquesa Sistema viário Viário Principal Rios e Córregos Bairros SCS Municípios RMSP 0

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Mercado Imobiliário Pelo fato de o objeto de estudo da presente pesquisa ser o processo de urbanização em São Caetano do Sul entre 1962 e 2010, percebido por meio da Teoria do Ambiente Construído, torna-se interessante, enquanto percurso alternativo, analisar também a dinâmica do mercado imobiliário no município, apresentando um panorama das incorporações que foram desenvolvidas neste período em consideração. Esta análise do mercado imobiliário é interessante justamente porque o consumo de solo urbano para incorporações imobiliárias é, também, um bom parâmetro para a análise evolutiva do ambiente construído. A partir da dinâmica do mercado imobiliário, dois processos simultâneos ocorrem nas cidades: terrenos que, outrora, eram ocupados por cobertura vegetal passam a ser ocupados por edifícios verticais e/ou horizontais – processo denominado Greenfield –; e terrenos que, outrora, eram ocupados por construções já existentes, são transformados e recebem novas edificações – processo denominado Brownfield. Assim, de modo análogo ao emprego da cobertura vegetal enquanto variável analítica nos procedimentos de Sensoriamento Remoto, os indicadores do mercado imobiliário também esclarecem de que forma o ambiente construído em São Caetano do Sul evolui espacialmente, temporalmente e morfologicamente. Para estas análises de mercado imobiliário, foram coletados, no site do CEM FFLCH-USP, os arquivos shapefiles de ‘Lançamentos Imobiliários Comerciais’ e ‘Lançamentos Imobiliários Residenciais’, referentes à Região Metropolitana de São Paulo entre 1985 e 2013, cuja fonte de dados é a Empresa Brasileira de Patrimônio – EMBRAESP. No presente TGI, os lançamentos imobiliários foram agrupados em três categorias: lançamentos comerciais, lançamentos residenciais horizontais e lançamentos residenciais verticais. As feições pontuais – cada qual correspondente a um dado lançamento de identidade inequívoca – foram plotadas em ambiente SIG, conforme as coordenadas geográficas presentes nas tabelas de atributos dos shapefiles, e foram também verificadas em termos de compatibilidade entre a posição plotada e descrição do CEP, eliminando assim eventuais pontos equivocadamente georreferenciados. Em seguida, visando a comparação de preços destes imóveis, praticados em diferentes datas de lançamento (e não o valor corrente à época de cada lançamento), os valores totais dos imóveis (R$) e os valores de metro quadrado (R$/m2) destes imóveis foram trazidos, via compatibilização monetária, a valores presentes (março de 2019), considerando a inflação no período, calculada pelo IGP-DI da Fundação Getúlio Vargas, e a conversão entre moedas brasileiras no período, até chegar ao valor em Reais (R$), no caso de lançamentos anteriores a Julho de 1994. 92


Para o território de São Caetano do Sul, as tabelas da EMBRAESP apresentam apenas 12 lançamentos comerciais e 3 lançamentos residenciais horizontais válidos em termos de posição e valores, razão pela qual os lançamentos destes segmentos são aqui apresentados individualmente, sem classificação estatística. Os lançamentos residenciais verticais, por sua vez, foram organizados estatisticamente em duas maneiras distintas: tanto do ponto de vista temporal, tendo estes sido classificados conforme os intervalos entre as imagens utilizadas na composição multi-temporal de sensoriamento remoto, como também espacialmente, classificados de acordo com a divisão oficial de São Caetano do Sul em bairros. As tabelas e mapas a seguir apresentam os resultados analíticos para os três diferentes produtos imobiliários considerados: lançamentos comerciais, lançamentos residenciais horizontais e lançamentos residenciais verticais. Ao final, os lançamentos residenciais verticais foram analisados também em relação à área de terreno ocupada pelo conjunto destas incorporações imobiliárias, resultando em um panorama da evolução do ambiente construído tanto temporal quanto espacialmente no território de São Caetano do Sul.

93


1. Lançamentos Comerciais. Durante o período 1985 – 2013, foram lançados em São Caetano do Sul doze empreendimentos comerciais, distribuídos nos bairros Centro, Santa Paula, Santo Antônio, Cerâmica e Boa Vista, em um total de 2.327 unidades comerciais lançadas (Tabela 002). O valor médio por metro quadrado praticado nestes lançamentos, trazido a valor presente, é de R$ 9.788,50, com área útil média de 51,7 metros quadrados para cada unidade, e valor médio de imóvel no lançamento em R$ 491.102,70. Em termos territoriais, observa-se no Mapa 031 a pequena quantidade de lançamentos comerciais, concentrados sobretudo no eixo da Avenida Guido Aliberti, no centro do município, próximo à Estação da CPTM, e no final da Avenida Presidente Kennedy, já na divisa com Santo André. A pouca quantidade de lançamentos comerciais em São Caetano do Sul evidencia a baixa consolidação deste produto imobiliário na cidade, uma vez que São Caetano do Sul configura-se muito mais como um território predominantemente residencial do que como um pólo empresarial de escritórios. TABELA 002. Lançamentos comerciais em São Caetano do Sul 1985 – 2013.

Fonte: EMBRAESP; CEM FFLCH-USP; FGV; IBGE. Elaboração: Denis Giannelli.

94


MAPA 031. SCS: Incorporações imobiliárias comerciais - 1985 a 2013. R. OS

São Paulo Zona Leste

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São Paulo Zona Leste

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* Os valores praticados no passado foram trazidos para valores presentes - Março 2019, considerando a inflação, calculada pelo IGPDI (Fundação Getúlio Vargas), e a conversão oficial das moedas do Brasil (Banco Central).

150 M² - 200 M²

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R$ 500.000 - R$ 750.000 R$ 250.000 - R$ 500.000 < R$ 250.000

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Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE, PMSP, CEM, CPRM, EMBRAESP. Elaboração: Denis Giannelli

Estação São Caetano Linha 10 Turquesa Sistema viário Viário Principal Rios e Córregos Bairros SCS Municípios RMSP


2. Lançamentos Residenciais Horizontais. Durante o período 1985 – 2013, foram lançados em São Caetano do Sul três empreendimentos residenciais horizontais (condomínios de casas prontas), concentrados nos bairros Jardim São Caetano e Mauá, em um total de 207 unidades horizontais lançadas (Tabela 003). O valor médio por metro quadrado praticado nestes lançamentos, trazido a valor presente, é de R$ 5.897, com área útil média de 188 metros quadrados por casa e valor médio de imóvel no lançamento em R$ 1.110.117,00 (valor presente). Em termos territoriais, observa-se no Mapa 032 a pequena quantidade de lançamentos residenciais horizontais, presentes no eixo da Avenida Justino Paixão, que é a divisa entre os bairros Jardim São Caetano e Mauá. Esta região da cidade possui alta renda média domiciliar e baixa densidade demográfica, razão pela qual um produto deste tipo apresenta boa performance em um ambiente com tais características. TABELA 003. Lançamentos residenciais horizontais em São Caetano do Sul 1985 – 2013.

Fonte: EMBRAESP; CEM FFLCH-USP; FGV; IBGE. Elaboração: Denis Giannelli.

96


MAPA 032. SCS: Incorporações imobiliárias residenciais horizontais - 1985 a 2013. R. OS

São Paulo Zona Leste

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* Os valores praticados no passado foram trazidos para valores presentes - Março 2019, considerando a inflação, calculada pelo IGPDI (Fundação Getúlio Vargas), e a conversão oficial das moedas do Brasil (Banco Central).

150 M² - 200 M²

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VALOR* TOTAL (R$)

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Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE, PMSP, CEM, CPRM, EMBRAESP. Elaboração: Denis Giannelli

Estação São Caetano Linha 10 Turquesa Sistema viário Viário Principal Rios e Córregos Bairros SCS Municípios RMSP


3. Lançamentos Residenciais Verticais. Conforme será detalhado no Capítulo 4 no presente trabalho, as imagens aéreas utilizadas na composição multi-temporal de São Caetano do Sul foram registradas nos anos de 1962, 1972, 1994, 2002, 2007 e 2010; O registro de lançamentos imobiliários da EMBRAESP, por sua vez, abrangem um intervalo temporal de 1985 a 2013. Deste modo, visando a compatibilização das informações utilizadas para subsequente contraste de resultados, os lançamentos residenciais verticais foram segregados temporalmente da seguinte maneira: um primeiro grupo, contendo o conjunto de incorporações cujas datas de lançamento variam entre 1985 e 1994, inclusive; um segundo grupo, com datas de lançamento variando entre 1995 e 2002; um terceiro, entre 2003 e 2007; um quarto, entre 2008 e 2010; e, por fim, um quinto e último grupo com datas de lançamento a partir de 2011, isto é, posteriores ao último registro fotográfico considerado nos procedimentos técnicos de sensoriamento remoto do presente TGI. Em todo o período do ano 1985 ao ano 2013, foram lançados, em São Caetano do Sul, quatrocentos e sete – 407 – empreendimentos residenciais verticais (condomínios de apartamentos), dispersos em todos os bairros da cidade – com exceção do Bairro Prosperidade, onde não houve nem um único lançamento em todo o período–, perfazendo assim um total de 17.076 apartamentos lançados (Tabela 004 e Tabela 005). O valor médio por metro quadrado praticado no conjunto de todos estes lançamentos, trazido a valor presente, é de R$ 6.262, com área útil média de 98 metros quadrados por apartamento e valor médio de imóvel no lançamento em R$ 610.728 (valor presente). Em termos de número total de incorporações imobiliárias, o bairro que mais se destacou foi Santa Paula, com 105 dos 407 (25,8%) condomínios residenciais verticais lançados; na sequência, estão os bairros Santa Maria (66, 16,2%), Santo Antônio (46, 11,3%) e Barcelona (37, 9,1%); Em termos de número de unidades habitacionais verticais colocadas a mercado por hectare de bairro, o Bairro Boa Vista é o que mais se destaca (24 apartamentos lançados no período / hectare), seguido dos bairros Santo Antônio (23) e Santa Paula (22); Em termos de valor médio do metro quadrado dos lançamentos, os bairros Cerâmica e Centro foram aqueles com melhor performance, respectivamente R$ 8.351 e R$ 8.246. No primeiro período em análise, de 1985 a 1994 (Tabela 004), foram lançados 37 condomínios verticais – em média, 4 ao ano –, tendo sido ofertados a mercado 882 apartamentos – em média, 88 apartamentos ao ano. O valor médio por metro quadrado praticado no período 1985-1994, trazido a valor presente, é de R$ 7.197, com área útil média de 101 metros quadrados por apartamento e valor médio de 98


imóvel no lançamento em R$ 724.541 (valor presente). O Mapa 033 representa as informações contidas na Tabela 004 para os condomínios residenciais verticais lançados entre 1985 e 1994. Percebe-se a concentração de lançamentos nos bairros Santo Antônio, Santa Paula, Barcelona e Santa Maria (eixos da Avenida Goiás e Avenida Presidente Kennedy). No segundo período em análise, de 1995 a 2002 (Tabela 004), foram lançados 83 condomínios verticais – em média, 10 ao ano –, tendo sido ofertados a mercado 3.127 apartamentos – em média, 391 apartamentos ao ano. O valor médio por metro quadrado praticado no período 1995-2002, trazido a valor presente, é de R$ 6.047, com área útil média de 96 metros quadrados por apartamento e valor médio de imóvel no lançamento em R$ 579.763 (valor presente). O Mapa 034 representa as informações contidas na Tabela 004 para os condomínios residenciais verticais lançados entre 1995 e 2002. Novamente, percebese a concentração de lançamentos nos bairros Santo Antônio, Santa Paula, Barcelona e Santa Maria (eixos da Avenida Goiás e Avenida Presidente Kennedy), com alguns pontos isolados nos bairros Jardim São Caetano, São José e Oswaldo Cruz. No terceiro período em análise, de 2003 a 2007 (Tabela 004), foram lançados 124 condomínios verticais – em média, 25 ao ano –, tendo sido ofertados a mercado 4.953 apartamentos – em média, 991 apartamentos ao ano. O valor médio por metro quadrado praticado no período 2003-2007, trazido a valor presente, é de R$ 5.011, com área útil média de 101 metros quadrados por apartamento e valor médio de imóvel no lançamento em R$ 507.741 (valor presente). O Mapa 035 representa as informações contidas na Tabela 004 para os condomínios residenciais verticais lançados entre 2003 e 2007. Neste terceiro período, percebe-se uma vez mais a concentração de lançamentos nos bairros Santo Antônio e Santa Paula (eixo entre a Avenida Goiás e a Rua São Paulo). Contudo, neste terceiro momento, há uma maior pulverização na localização destes empreendimentos, com a oferta de produtos imobiliários deste tipo nos bairros Fundação, Jardim São Caetano, Mauá, Nova Gerti, Boa Vista, Oswaldo Cruz, dentre outros. No quarto período em análise, de 2008 a 2010 (Tabela 004), foram lançados 82 condomínios verticais – em média, 27 ao ano –, tendo sido ofertados a mercado 4.013 apartamentos – em média, 1.338 apartamentos ao ano. O valor médio por metro quadrado praticado no período 2008-2010, trazido a valor presente, é de R$ 6.232, com área útil média de 106 metros quadrados por apartamento e valor médio de imóvel no lançamento em R$ 657.830 (valor presente). O Mapa 036 representa as informações contidas na Tabela 004 para os condomínios residenciais verticais lançados entre 2008 e 2010. No quarto período, retorna-se a uma concentração de lançamentos nos bairros Santo Antônio e Santa Paula, com a novidade de lançamentos de destaque no Bairro Centro, Bairro Oswaldo 99


Cruz e Bairro Olímpico. Os bairros a leste da Avenida Presidente Kennedy também ganham expressão. No quinto e último período em análise, de 2011 a 2013 (Tabela 004), foram lançados 81 condomínios verticais – em média, 27 ao ano –, tendo sido ofertados a mercado 4.101 apartamentos – em média, 1.367 apartamentos ao ano. O valor médio por metro quadrado praticado no período 2011-2013, trazido a valor presente, é de R$ 8.351, com área útil média de 84 metros quadrados por apartamento e valor médio de imóvel no lançamento em R$ 700.445 (valor presente). O Mapa 037 representa as informações contidas na Tabela 004 para os condomínios residenciais verticais lançados entre 2011 e 2013. O último período é caracterizado pela maior dispersão dos lançamentos de condomínios de apartamentos pelo território de São Caetano do Sul. Os eixos da Rua Justino Paixão (Jardim São Caetano / Mauá), a Rua São Paulo (Cerâmica, Santo Antônio, Oswaldo Cruz, Santa Paula e Olímpico), o Bairro Centro e o Bairro Fundação, bem como os bairros Barcelona, Santa Maria e Boa Vista são enriquecidos pela presença destas novas incorporações. É importante frisar que, no cenário nacional, o período 2011-2012-2013 é o ápice ascendente do ciclo econômico desenvolvimentista brasileiro e o período com maior dinâmica no mercado imobiliário a nível nacional, fato que só será alterado posteriormente, com o início da crise econômica a partir de 2014. Assim, em um esforço de síntese, correlacionando os lançamentos residenciais verticais analisados em São Caetano do Sul entre 1985 e 2013 com os procedimentos técnicos e operacionais de sensoriamento remoto (composição multi-temporal), podese esperar uma maior transformação no uso do solo para o período em questão nos bairro Santa Paula, Santo Antônio, Barcelona e Santa Maria, nos quais a dinâmica do mercado imobiliário ocorreu de forma mais acentuada, sobretudo nos últimos anos analisados (imagens de 2002, 2007 e 2010).

100


TABELA 004. Lançamentos Residenciais Verticais em São Catano do Sul entre 1985 e 2013 por período.

Fonte: EMBRAESP; CEM FFLCH-USP; FGV; IBGE. Elaboração: Denis Giannelli.

101


TABELA 005. Lançamentos Residenciais Verticais em São Catano do Sul entre 1985 e 2013 por bairro.

Fonte: EMBRAESP; CEM FFLCH-USP; FGV; IBGE. Elaboração: Denis Giannelli. 102


MAPA 033. SCS: Incorporações imobiliárias residenciais verticais - 1985 a 1994. R. OS

São Paulo Zona Leste

ES

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São Paulo Zona Sul

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São Paulo Zona Leste

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São Paulo Zona Sul

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São Bernado do Campo

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ONDE R. VISC MA Ú DE INHA

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SÃO JOSÉ

ÁREA ÚTIL (M²)

* Os valores praticados no passado foram trazidos para valores presentes - Março 2019, considerando a inflação, calculada pelo IGPDI (Fundação Getúlio Vargas), e a conversão oficial das moedas do Brasil (Banco Central).

150 M² - 200 M²

BARCELONA

ES. AV. PR Y D KENNE

AV. N EL BRA SON IDO

R$ 500.000 - R$ 750.000 R$ 250.000 - R$ 500.000 < R$ 250.000

> 200 M²

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VALOR* TOTAL (R$)

320m

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Santo André 0 80 160

320m

Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE, PMSP, CEM, CPRM, EMBRAESP. Elaboração: Denis Giannelli

Estação São Caetano Linha 10 Turquesa Sistema viário Viário Principal Rios e Córregos Bairros SCS Municípios RMSP


MAPA 034. SCS: Incorporações imobiliárias residenciais verticais - 1995 a 2002. R. OS

São Paulo Zona Leste

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* Os valores praticados no passado foram trazidos para valores presentes - Março 2019, considerando a inflação, calculada pelo IGPDI (Fundação Getúlio Vargas), e a conversão oficial das moedas do Brasil (Banco Central).

150 M² - 200 M²

BARCELONA

ES. AV. PR Y D KENNE

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R$ 500.000 - R$ 750.000 R$ 250.000 - R$ 500.000 < R$ 250.000

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Santo André 0 80 160

320m

Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE, PMSP, CEM, CPRM, EMBRAESP. Elaboração: Denis Giannelli

Estação São Caetano Linha 10 Turquesa Sistema viário Viário Principal Rios e Córregos Bairros SCS Municípios RMSP


MAPA 035. SCS: Incorporações imobiliárias residenciais verticais - 2003 a 2007. R. OS

São Paulo Zona Leste

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NO TA AE

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ONDE R. VISC MA Ú DE INHA

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SÃO JOSÉ

ÁREA ÚTIL (M²)

* Os valores praticados no passado foram trazidos para valores presentes - Março 2019, considerando a inflação, calculada pelo IGPDI (Fundação Getúlio Vargas), e a conversão oficial das moedas do Brasil (Banco Central).

150 M² - 200 M²

BARCELONA

ES. AV. PR Y D KENNE

AV. N EL BRA SON IDO

R$ 500.000 - R$ 750.000 R$ 250.000 - R$ 500.000 < R$ 250.000

> 200 M²

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Santo André 0 80 160

320m

Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE, PMSP, CEM, CPRM, EMBRAESP. Elaboração: Denis Giannelli

Estação São Caetano Linha 10 Turquesa Sistema viário Viário Principal Rios e Córregos Bairros SCS Municípios RMSP


MAPA 036. SCS: Incorporações imobiliárias residenciais verticais - 2008 a 2010. R. OS

São Paulo Zona Leste

ES

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SÃO JOSÉ

ÁREA ÚTIL (M²)

* Os valores praticados no passado foram trazidos para valores presentes - Março 2019, considerando a inflação, calculada pelo IGPDI (Fundação Getúlio Vargas), e a conversão oficial das moedas do Brasil (Banco Central).

150 M² - 200 M²

BARCELONA

ES. AV. PR Y D KENNE

AV. N EL BRA SON IDO

R$ 500.000 - R$ 750.000 R$ 250.000 - R$ 500.000 < R$ 250.000

> 200 M²

OIÁ .G AV

CERÂMICA

VALOR* TOTAL (R$)

320m

S

AV. GUIDO AL IBERTI CÓRREG O DOS M ENINOS

PTM

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PROSPERIDADE

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> R$ 1.000.000

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São Paulo Zona Leste

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320m

Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE, PMSP, CEM, CPRM, EMBRAESP. Elaboração: Denis Giannelli

Estação São Caetano Linha 10 Turquesa Sistema viário Viário Principal Rios e Córregos Bairros SCS Municípios RMSP


MAPA 037. SCS: Incorporações imobiliárias residenciais verticais - 2011 a 2013. R. OS

São Paulo Zona Leste

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* Os valores praticados no passado foram trazidos para valores presentes - Março 2019, considerando a inflação, calculada pelo IGPDI (Fundação Getúlio Vargas), e a conversão oficial das moedas do Brasil (Banco Central).

150 M² - 200 M²

BARCELONA

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R$ 500.000 - R$ 750.000 R$ 250.000 - R$ 500.000 < R$ 250.000

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ÁREA ÚTIL (M²)

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VALOR* TOTAL (R$)

Santo André 0 80 160

320m

Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE, PMSP, CEM, CPRM, EMBRAESP. Elaboração: Denis Giannelli

Estação São Caetano Linha 10 Turquesa Sistema viário Viário Principal Rios e Córregos Bairros SCS Municípios RMSP


Ainda em relação aos lançamentos imobiliários residenciais verticais em São Caetano do Sul entre 1985 e 2010, foi elaborado um esforço de síntese ainda maior, de modo a correlacionar, em uma única variável analítica, os intervalos anuais em estudo (análise temporal) e os bairro oficiais do município (análise espacial). Para isto, utilizou-se nesta segunda etapa de análise não mais o número de condomínios verticais lançados (por bairro e por período), representados pelos pontos proporcionais nos mapas 033 a 037 – mas sim a somatória dás áreas de terreno utilizada para as incorporações imobiliárias residenciais verticais de todos os empreendimentos, por bairro e por ano. Os resultados encontrados são apresentados na Tabela 005. Nesta tabela, os valores de metro quadrado são acumulados, isto é, representam o total de metros quadrados consumidos em incorporações imobiliárias para cada um dos bairros de São Caetano do Sul, sem considerar o número de anos contidos em cada período de análise. A Tabela 006, por sua vez, apresenta o consumo médio anual de metros quadrados para estas incorporações imobiliárias por bairro a cada período em estudo; A Tabela 007, por fim, apresenta o percentual da área de cada um dos bairros em São Caetano do Sul que, a cada período em consideração, foi destinado à incorporações imobiliárias residenciais verticais (razão entre o consumo acumulado de metros quadrados e a área total de cada bairro, por período). Os dados contidos nas Tabelas 005, 006 e 007 são, enfim, representados territorialmente por meio do Mapa 038 (intervalo 1985-1994), do Mapa 039 (intervalo 1995-2002), do Mapa 040 (intervalo 2003-2007), do Mapa 041 (intervalo 2008-2010), do Mapa 041 (intervalo 2011-2013) e do Mapa 043 (intervalo total 1985-2013). No período de 1985 a 1994 (Mapa 038), há lançamentos de condomínios de apartamentos nos bairros Centro, Santo Antônio, Santa Paula, Oswaldo Cruz, Barcelona e Santa Maria. Predomina o maior consumo de solo urbano para incorporações imobiliárias residenciais verticais – acumulado em 10 anos – nos bairros: Santo Antônio, Santa Paula, Oswaldo Cruz e Santa Maria. Em termos anuais, estes bairros tem menos 2.500 m² lançados cada; Em termos percentuais sobre o território do bairro, os bairros Santo Antônio, Oswaldo Cruz e Santa Paula são os que têm o maior consumo de solo no período. No período de 1995-2002 (Mapa 039), há lançamentos de condomínios de apartamentos em todos os bairros de São Caetano do Sul, com a exceção de Prosperidade, Cerâmica, Mauá e Boa Vista. Predomina o maior consumo de solo urbano para incorporações imobiliárias residenciais verticais – acumulado em 8 anos – nos bairros: Fundação, Santo Antônio, Santa Paula e Barcelona. Em termos anuais, Santa Paula é o bairro que tem mais metros quadrados de terreno lançados; Em termos percentuais sobre o território do bairro, os bairros Fundação, Santo Antônio, Santa Paula e Barcelona são os que têm o maior consumo de solo no período. 109


No período de 2003 a 2007 (Mapa 040), há lançamentos de condomínios de apartamentos em todos os bairros de São Caetano do Sul, com a exceção de Prosperidade, Centro e São José. Predomina o maior consumo de solo urbano para incorporações imobiliárias residenciais verticais – acumulado em 5 anos – nos bairros: Santa Paula e Boa Vista. Em termos anuais, Boa Vista é o bairro que tem mais metros quadrados de terreno lançados, acima de 7.500 metros quadrados ao ano; Em termos percentuais sobre o território do bairro, o bairro Boa Vista é o grande destaque, com o maior consumo de solo no período. No período de 2008 a 2010 (Mapa 041), há lançamentos de condomínios de apartamentos em todos os bairros de São Caetano do Sul, com a exceção de Prosperidade, São José e Jardim São Caetano. Predomina o maior consumo de solo urbano para incorporações imobiliárias residenciais verticais – acumulado em 3 anos – no bairro Centro. Em termos anuais, Centro é o bairro que tem mais metros quadrados de terreno lançados, acima de 7.500 metros quadrados ao ano; Em termos percentuais sobre o território do bairro, o bairro Centro é o grande destaque, com o maior consumo de solo no período. No período de 2011 a 2013 (Mapa 042), há lançamentos de condomínios de apartamentos em todos os bairros de São Caetano do Sul, com a exceção de Prosperidade, São José e Nova Gerti. Predomina o maior consumo de solo urbano para incorporações imobiliárias residenciais verticais – acumulado em 3 anos – no bairro Cerâmica em função, sobretudo, do novo bairro Espaço Cerâmica, o mais recente parcelamento do solo para fins urbanos, na modalidade loteamento, aprovado em São Caetano do Sul. Em termos anuais, os bairros Fundação, Centro, Santa Paula, Cerâmica e Jardim São Caetano são os que têm mais metros quadrados de terreno lançados, entre 5.000 e 7.500 metros quadrados cada; Em termos percentuais sobre o território do bairro, há um moderado consumo de solo urbano para condomínios verticais nos bairros Jardim São Caetano, Cerâmica, Santo Antônio, Centro, Fundação, Santa Paula, Olímpico, Santa Maria e Boa Vista. Considerando todo o intervalo temporal em análise, entre 1985 e 2013 (Mapa 043), há lançamentos de condomínios de apartamentos em todos os bairros de São Caetano do Sul, com a exceção de Prosperidade. Predomina o maior consumo de solo urbano para incorporações imobiliárias residenciais verticais – acumulado em 29 anos – nos bairros Fundação, Centro, Santo Antônio, Santa Paula, Olímpico, Barcelona, Santa Maria e Boa Vista. Em termos anuais, o bairro Santa Paula é o que tem mais metros quadrados de terreno lançados, entre 5.000 e 7.500 metros quadrados; Em termos percentuais sobre o território do bairro, há um elevado consumo de solo urbano para condomínios verticais nos bairros Santo Antônio, Santa Paula e Boa Vista. É importante ressaltar, como mencionado anteriormente, que a incorporação 110


imobiliária pode ocorrer tanto por meio de dois processos: o primeiro, Greenfield, no qual o condomínio é implantado em um terreno não construído anteriormente, isto é, em uma gleba e/ou em um lote que possivelmente era coberta com vegetação ; o segundo, Brownfield, no qual o condomínio é implantado em um terreno onde já havia construções, como por exemplo um conjunto de casas que cede espaço para uma torre de apartamentos. Esta diferenciação é fundamental para a comparação entre as análises de mercado imobiliário, apresentadas neste capítulo, e os resultados da composição multi-temporal, apresentadas no Capítulo 4, uma vez que a composição multitemporal, ao utilizar a variável analítica cobertura vegetal, capta predominantemente a transformação de uso do solo no modelo Greenfield.

111


112 TABELA 006. Área de terrenos destinados à incorporações imobiliárias verticais por bairro para cada período de análise (m²).

Fonte: EMBRAESP; CEM FFLCH-USP; FGV; IBGE. Elaboração: Denis Giannelli.


TABELA 007. Área de terrenos destinados à incorporações imobiliárias verticais por bairro ao ano para cada período de análise (m²).

Fonte: EMBRAESP; CEM FFLCH-USP; FGV; IBGE. Elaboração: Denis Giannelli. 113


114 TABELA 008. Percentual da área do bairro destinada à incorporações imobiliárias verticais para cada período de análise (%).

Fonte: EMBRAESP; CEM FFLCH-USP; FGV; IBGE. Elaboração: Denis Giannelli.


MAPA 038. SCS: Consumo de solo para inc. imob. resid. verticais - 1985 a 1994. CONSUMO ACUMULADO NO PERÍODO (M²) ES

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CONSUMO ANUAL NO PERÍODO (M²/ANO) > 7.500 M² 5.000 M² - 7.500 M² 2.500 M² - 5.000 M² 1.000 M² - 2.500 M² < 1.000 M² Sem Incorp. Imob. Verticais

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Estação São Caetano Linha 10 Turquesa Sistema viário Viário Principal Rios e Córregos Bairros SCS Municípios RMSP


MAPA 039. SCS: Consumo de solo para inc. imob. resid. verticais - 1995 a 2002. CONSUMO ACUMULADO NO PERÍODO (M²) ES

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CONSUMO ANUAL NO PERÍODO (M²/ANO) > 7.500 M² 5.000 M² - 7.500 M² 2.500 M² - 5.000 M² 1.000 M² - 2.500 M² < 1.000 M² Sem Incorp. Imob. Verticais

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São Bernado do Campo

Santo André 0 80 160

320m

Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE, PMSP, CEM, CPRM, EMBRAESP. Elaboração: Denis Giannelli

Estação São Caetano Linha 10 Turquesa Sistema viário Viário Principal Rios e Córregos Bairros SCS Municípios RMSP


MAPA 040. SCS: Consumo de solo para inc. imob. resid. verticais - 2003 a 2007. CONSUMO ACUMULADO NO PERÍODO (M²) ES

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CONSUMO ANUAL NO PERÍODO (M²/ANO) > 7.500 M² 5.000 M² - 7.500 M² 2.500 M² - 5.000 M² 1.000 M² - 2.500 M² < 1.000 M² Sem Incorp. Imob. Verticais

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São Bernado do Campo

Santo André 0 80 160

320m

Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE, PMSP, CEM, CPRM, EMBRAESP. Elaboração: Denis Giannelli

Estação São Caetano Linha 10 Turquesa Sistema viário Viário Principal Rios e Córregos Bairros SCS Municípios RMSP


MAPA 041. SCS: Consumo de solo para inc. imob. resid. verticais - 2008 a 2010. CONSUMO ACUMULADO NO PERÍODO (M²) ES

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CONSUMO ANUAL NO PERÍODO (M²/ANO) > 7.500 M² 5.000 M² - 7.500 M² 2.500 M² - 5.000 M² 1.000 M² - 2.500 M² < 1.000 M² Sem Incorp. Imob. Verticais

S

AV. GUIDO AL IBERTI CÓRREG O DOS M ENINOS

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Santo André 0 80 160

320m

Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE, PMSP, CEM, CPRM, EMBRAESP. Elaboração: Denis Giannelli

Estação São Caetano Linha 10 Turquesa Sistema viário Viário Principal Rios e Córregos Bairros SCS Municípios RMSP


MAPA 042. SCS: Consumo de solo para inc. imob. resid. verticais - 2011 a 2013. CONSUMO ACUMULADO NO PERÍODO (M²) ES

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CONSUMO ANUAL NO PERÍODO (M²/ANO) > 7.500 M² 5.000 M² - 7.500 M² 2.500 M² - 5.000 M² 1.000 M² - 2.500 M² < 1.000 M² Sem Incorp. Imob. Verticais

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São Bernado do Campo

Santo André 0 80 160

320m

Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE, PMSP, CEM, CPRM, EMBRAESP. Elaboração: Denis Giannelli

Estação São Caetano Linha 10 Turquesa Sistema viário Viário Principal Rios e Córregos Bairros SCS Municípios RMSP


MAPA 043. SCS: Consumo de solo para inc. imob. resid. verticais - 1985 a 2013. CONSUMO ACUMULADO NO PERÍODO (M²) ES

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CONSUMO ANUAL NO PERÍODO (M²/ANO) > 7.500 M² 5.000 M² - 7.500 M² 2.500 M² - 5.000 M² 1.000 M² - 2.500 M² < 1.000 M² Sem Incorp. Imob. Verticais

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Santo André 0 80 160

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Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE, PMSP, CEM, CPRM, EMBRAESP. Elaboração: Denis Giannelli

Estação São Caetano Linha 10 Turquesa Sistema viário Viário Principal Rios e Córregos Bairros SCS Municípios RMSP


CAPÍTULO 3. O SENSORIAMENTO REMOTO NA CIÊNCIA GEOGRÁFICA O presente capítulo da pesquisa tem como propósito apresentar o sensoriamento remoto enquanto técnica de análise para a Ciência Geográfica. Para cumprir tal propósito, é utilizada, como bibliografia de referência, a obra Processamento Digital de Imagens de Sensoriamento Remoto, de Álvaro Penteado Crosta. Nas palavras deste autor, “A função primordial do processamento digital de imagens de sensoriamento remoto é a de fornecer ferramentas para facilitar a identificação e a extração da informação contidas nas imagens, para posterior interpretação. Nesse sentido, sistemas dedicados de computação são utilizados para atividades interativas de análise e manipulação das imagens brutas. O resultado desse processo é a produção de outras imagens, estas já contendo informações específicas, extraídas e realçadas a partir das imagens brutas.” (CROSTA, 1993) Crosta entende, neste sentido, que o processamento digital de imagens em sensoriamento remoto é uma técnica capaz de transformar dados – contidos nas imagens – em informação, para posterior interpretação humana das feições geográficas representadas em tais imagens. O autor correlaciona a capacidade cognitiva ofertada pelo sistema visual humano com a capacidade computacional de processamento de dados, evidenciando desta forma que homem e máquina trabalham juntos para o melhor desempenho de interpretação de registros de imagens: O sistema visual humano possui uma notável capacidade de reconhecer padrões. Contudo, ele dificilmente é capaz de processar o enorme volume de informação presente numa imagem. (....) O objetivo principal do processamento de imagens é o de remover essas barreiras, inerentes ao sistema visual humano, facilitando a extração de informações a partir de imagens. Nesse contexto, o processamento digital deve ser encarado como um estágio preparatório, embora quase sempre obrigatório, da atividade de interpretação das imagens de sensoriamento remoto.” (CROSTA, 1993) Apesar de a obra de Crosta ser relativamente antiga – a primeira publicação foi datada de 1993 – e, de certa forma, desatualizada do ponto de vista do avanço tecnológico e da capacidade de processamento computacional, tal obra ainda é muito pertinente do ponto de vista da teoria e conceitos por detrás das técnicas de processamento digital de imagens, além de ser um texto claramente didático e 123


ilustrativo. Em sintonia com a estrutura proposta no livro de Crosta, são abordados, no presente capítulo do TGI: 1) as ‘características das imagens de sensoriamento remoto’; 2) ‘o histograma de uma imagem’; 3) o ‘aumento de contraste’; 4) ‘a cor no processamento digital de imagens’ e; 5) a ‘classificação’. A apresentação teórica do processamento digital de imagens em sensoriamento remoto serve na presente pesquisa como subsídio para o entendimento dos procedimentos técnicos e operacionais desenvolvidos a partir das imagens aéreas de São Caetano do Sul durante o processo de trabalho do TGI. Características Das Imagens De Sensoriamento Remoto Segundo Crosta (1993), “estrutura” e “resolução” são duas das principais características que diferenciam imagens coletadas por sensores remotos de outros tipos de imagens digitais, e estas características são fundamentais para a compreensão do processamento digital de imagens. A estrutura de uma imagem de sensoriamento remoto é do tipo matricial – também denominada de maneira alternativa de Raster –, na qual a informação está organizada em uma malha (grid) ordenada de linhas e colunas (“X” e “Y”, respectivamente). Isto significa que, pela natureza discreta (não contínua) da informação, alocada em linhas e em colunas, é possível subdividir tal imagem até o seu valor unitário, correspondente à célula – em inglês, denominada ‘pixel’, de Picture Element –, cuja localização inequívoca em linha (x) e coluna (y) dá a ela sua identidade. Além da posição de cada um destas células em uma malha da imagem, a estes pixels também é atribuído um atributo de valor (“Z”), corresponde a sua radiometria, a qual varia em uma escala tonal de puro preto (valor 0) a puro branco (255), no caso de imagens de 8 bits (256 valores distintos). Este nível de cinza é conhecido em inglês por Digital Number, DN. Nas palavras de Crosta, “O DN de uma cela representa a intensidade da energia eletromagnética (refletida ou emitida) medida pelo sensor, para a área da superfície da Terra correspondente ao tamanho do pixel. Deve ser ressaltado que o DN de um pixel corresponde sempre à média da intensidade da energia refletida ou emitida pelos diferentes materiais presentes nesse pixel.” (CROSTA, 1993)

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CROQUI 009. Estrutura de uma imagem de sensoriamento remoto.

“Exemplo de uma imagem simples (cruz), mostrada à direita em sua forma digital, como uma matriz numérica. Nesta, cada cela ou “pixel” possui uma localização definida por linha e coluna e o valor de cinza correspondente, que varia de 0 (preto) a 255 (branco). O pixel da 1a linha e 1a coluna da imagem à esquerda tem um DN igual à 20 (quase preto), enquanto o pixel da 1a linha e 4a coluna possui um DN igual à 230 (quase branco).”

Fonte: CROSTA (1993). Segundo o autor, imagens que não foram capturadas originalmente em formato digital, mas sim analógico em um primeiro momento – como uma fotografia feita em um levantamento aéreo – podem ser digitalizadas via scanners, sendo a elas atribuído artificialmente a estrutura de uma imagem digital para fins de processamento e sensoriamento remoto. Conforme será abordado no Capítulo 4 do presente TGI, as imagens de levantamento aéreo utilizadas na presente pesquisa – datadas dos anos 1962, 1972 e 1994 – estavam originalmente em formato analógico, e foram digitalizadas pelo pesquisador; as demais imagens, de 2002, 2007 e 2010 foram criadas por meio de satélites e, portanto, foram concebidas originalmente no formato digital. Segundo Crosta, a resolução de uma imagem de sensoriamento remoto, por sua vez, está ligada a três diferentes parâmetros: 1) resolução espacial; 2) resolução espectral e; 3) resolução radiométrica. Nas palavras deste autor: “A resolução espacial é definida pela capacidade do sistema sensor em “enxergar” objetos na superfície terrestre; quando menor o objeto possível de ser visto, maior a resolução espacial. (...) A resolução espectral é um conceito inerente às imagens multiespectrais 125


de sensoriamento remoto. Ela é definida pelo número de bandas espectrais de um sistema sensor e pela largura do intervalo de comprimento de onda coberto por cada banda. Quanto maior o número de bandas e menor a largura do intervalo, maior é a resolução espectral de um sensor. (...) A resolução radiométrica é dada pelo número de níveis digitais, representando níveis de cinza, usados para expressar os dados coletados pelo sensor. Quanto maior o número de níveis, maior é a resolução radiométrica.” (CROSTA, 1993) Neste sentido, a resolução espacial de uma imagem de sensoriamento remoto está diretamente ligada à sua escala, isto é, qual é o valor da superfície terrestre, em metros quadrados – ou em qualquer outra unidade de área – abrangida unitariamente por uma célula (pixel) desta imagem. Quanto menor for a área real da superfície terrestre abrangida por cada pixel, maior é a resolução espacial desta imagem. CROQUI 010. Resolução espacial de uma imagem de sensoriamento remoto. “O campo instantâneo de visada (IFOV) de um sensor define o tamanho do pixel e, consequentemente, a resolução espacial do mesmo. O IFOV é por sua vez definido pelo diâmetro do campo instantâneo de visada angular “ do sensor.”

Fonte: CROSTA (1993). A resolução espectral, em imagens de sensoriamento remoto, é aplicável no caso de imagens que apresentam mais de uma banda com diferentes sensibilidades ao comportamento eletromagnético da luz. No caso de imagens pancromáticas, provenientes de sensor de banda única – utilizadas na presente pesquisa – e/ou imagens multiespectrais convertidas em única banda, a resolução espectral é mínima. A resolução radiométrica, por sua vez, está associada à multiplicidade de níveis de cinza apresentados pela imagem, isto é, quantos valores singulares de cinza existem entre o puro preto e o puro branco. No caso da presente pesquisa, as imagens foram trabalhadas com resolução radiométrica de 8 bits e, portanto, existem 256 (dois elevado à oitava potência) níveis de cinza possíveis para cada célula analisada no processamento digital de imagens.

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CROQUI 011. Resolução radiométrica de uma imagem de sensoriamento remoto.

ESQUERDA: Imagem com resolução radiométrica de 1 bit (2 níveis de cinza apenas); DIREITA: A mesma imagem, com resolução radiométrica de 5 bits (32 níveis de cinza).

Fonte: CROSTA (1993), adaptado. Histograma De Uma Imagem Tendo em vista a estrutura de uma imagem de sensoriamento remoto, na qual geralmente há um elevado número de pixels, e o nível de cinza atribuído a cada um destes pixels (Digital Number, DN), tal estrutura é estatisticamente representada por um histograma, capaz de representar a distribuição dos DNs das células e compor um panorama da informação contida na imagem. Segundo CROSTA (1993), os Histogramas são também denominados distribuição de intensidades e função de densidade e probabilidade (PDF). A representação de uma imagem de sensoriamento remoto via histograma é possível justamente por sua característica fundamental enquanto natureza discreta dos dados, na qual o DN é indivisível (números inteiros) e, portanto, as colunas do histogramas são incapazes de serem fracionadas. No caso de imagens de sensoriamento remoto compostas de apenas uma banda –justamente o tipo de imagem utilizado no presente trabalho –, o histograma é uni-dimensional, no qual a representação pode ser uma tabela ou um gráfico contendo o número de pixels atribuído a cada um dos possíveis DNs. De acordo com o autor: “A forma do histograma fornece informações de grande importância no caso das imagens de sensoriamento remoto, tais como intensidade média e espalhamento dos valores de DN; este último, por sua vez, dá a medida do 127


contraste de uma imagem; quanto maior o espalhamento ao longo dos DNs, maior o contraste da imagem.” (CROSTA, 1993) GRÁFICO 004. Histograma uni-dimensional de uma imagem de sensoriamento remoto.

“Histograma uni-dimensional (uma única banda) de uma imagem de 8 bits. A altura da barra para cada intervalo de DN indica a frequência de pixels com esse tom de cinza na imagem. O espalhamento ao longo do eixo dos DNs é diretamente proporcional ao contraste da imagem.”

Fonte: CROSTA (1993), adaptado. Assim, o histograma é uma ferramenta útil que permite ao observador uma rápida interpretação dos fenômenos objetivos sobre a superfície terrestre, retratados na imagem de referência. Ao se observar a forma de um histograma, segundo CROSTA (1993), tem-se uma espécie de aproximação sobre as características espectrais da área imageada. Já no caso de uma imagem de sensoriamento remoto composta de duas ou mais bandas, ou então no caso de múltiplas imagens de sensoriamento remoto empilhadas em um único arquivo (cada qual alocada em uma banda), pode-se expressar as características de tais imagens por meio de histogramas multi-dimensionais. O histograma multi-dimensional mais simples, composto de 2 dimensões, é o Scattergrama, correspondente à plots bivariados dos DNs de uma banda contra os DNs de uma outra banda, evidenciando a correlação entre bandas. 128


Aumento De Contraste Em sua obra, Crosta (1993) explicita a tendência que imagens captadas via sensor remoto têm em não apresentar todas os níveis de cinza possíveis para a escala na qual foram concebidas – de preto (0) a branco (255), no caso de imagens de 8 bits. O autor menciona algumas das principais causa deste comportamento concentrado em faixas menores de DNs, destacando, por exemplo: a programação do sensor para comportar-se de tal maneira, de modo a evitar saturação indesejada de objetos de variadas reflexões de energia sob diferentes intensidades de iluminação; a improbabilidade de uma seção da superfície terrestre conter objetos que sejam captados em DNs extremos; a presença de bruma atmosférica; a má iluminação solar da cena; performance deficiente do sensor; características próprias da cena, etc. Segundo Crosta (1993), aliado ao fato de o sensor ter a tendência em captar imagens com contraste menor do que o máximo permitido pela escala de cinza utilizada, há de se atentar também para o fato de o sistema visual humano conseguir distinguir, em média, trinta tons de cinza, desde tais tons sejam bem espalhados pela rampa tonal. Assim, procurando-se resolver este impasse, as imagens de sensoriamento remoto têm seus histogramas digitalmente expandidos para que o analista humano – aquele que fará a interpretação dos dados, transformando-os em informação e conhecimento – possa enxergar a natureza das feições geográficas contidas na imagem. Tal processo, segundo Crosta (1993), é denominado aumento de contraste – contrast stretch, em inglês. Nas palavras de Crosta (1993), “O contraste de uma imagem é uma medida do espalhamento dos níveis de intensidade que nela ocorrem. (...) é provavelmente uma das mais poderosas, importantes e sem dúvida a mais usada das técnicas de processamento para extração de informações de imagens de sensoriamento remoto. Apesar disso, ele é muitas vezes considerado (erroneamente) como um processo simples e aplicado usando-se “receitas” contidas no software de sistemas de processamento de imagens. Por outro lado, deve-se enfatizar que o aumento de contraste não irá nunca revelar informação nova, que não esteja já contida na imagem original. A função dele é apenas apresentar a mesma informação contida nos dados brutos, porém de uma forma mais claramente visível ao intérprete.” (CROSTA, 1993).

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GRÁFICO 005. Aumento de contraste de uma imagem de sensoriamento remoto.

“A imagem cujo histograma está representada em à esquerda possui menos contraste do que a imagem do histograma à direita, pois o espalhamento deste último é maior do que o primeiro.”

Fonte: CROSTA (1993), adaptado. Segundo Crosta (1993), uma das aplicações mais comuns do aumento de contraste é na preparação de composições coloridas usando 3 bandas de um sensor. Para que seja obtida uma boa distribuição de cores nesse tipo de composição, é necessário que as 3 bandas tenham primeiramente os seus contrastes aumentados. Desse modo, ainda conforme Crosta (1993), obtém-se uma maior variação de matizes nas 3 cores básicas (vermelho, azul e verde) às quais serão atribuídas as 3 bandas. Neste sentido, conforme será abordado nos capítulos sucessivos, tendo em vista que na presente pesquisa foram desenvolvidas composições multi-temporais para a análise evolutiva do ambiente construído em São Caetano do Sul, utilizando justamente imagens de diferentes datas – cada qual alocada em bandas – fez-se necessário utilizar a técnica do aumento de contraste em tais imagens para que fosse visualmente possível identificar a mudança (ou manutenção real) de uso do solo e, assim, estabelecer uma classificação adequada para as composições. O livro de Crosta detalha, do ponto de vista técnico, as funções algébricas de transferência de contraste para imagens de sensoriamento remoto. Na presente pesquisa, utilizou-se a Homogeneização de Variância (Histogram Matching) para que as imagens fossem melhor calibradas para a sucessiva etapa de classificação. A Cor No Processamento Digital de Imagens Segundo Crosta (1993), embora o sistema visual humano seja incapaz de distinguir, em média, mais de trinta tonalidades de cinza, o mesmo é capaz de distinguir um elevado número de cores, na ordem de milhões. Pode-se, assim, dizer que a cor 130


domina o sistema visual humano. Neste sentido, uma técnica comumente utilizada em sensoriamento remoto é aquela de sobrepor diferentes bandas de uma mesma captura de imagem (ou, alternativamente, diferentes capturas de imagem, de variadas datas, que representem a mesma superfície) em tripletes de cores primárias (vermelho, verde e azul), tornando assim sintética a representação da informação contida nas imagens originais. Este processo é denominado composição colorida. Se a composição colorida associar diferentes bandas de uma mesma captura de imagem, a composição é denominada multi-espectral pois, neste caso, cada banda apresenta o nível de reflexão de energia, pixel a pixel, dos objetos geográficos sujeitos a um determinado comprimento de onda eletromagnética; Se a composição colorida associar diferentes imagens, de variadas datas, que representem a mesma superfície, a composição é então denominada multi-temporal pois, neste caso, cada banda (originalmente pancromática, isto é, em tons de cinza) é artificialmente associada a uma cor primária, e o resultado desta composição evidencia a manutenção e/ou a transformação do solo segundo a cor resultante da combinação de cores primárias. Este segundo processo é justamente aquele empregado no presente Trabalho de Graduação Individual, no qual as imagens aéreas capturadas sobre São Caetano do Sul são, em um primeiro momento, combinadas em dois tripletes (1962-1972-1994 e 2002-2007-2010) e assim analisadas e, em um segundo momento, empilhadas e combinadas seis em seis, resultando em uma classificação relativa à evolução do solo em todo o período. Conforme Crosta (1993), para entender este processo, contudo, faz-se necessário o entendimento básico da Teoria das Cores e, também, das propriedades básicas das superfícies representadas em imagens de sensoriamento remoto: tonalidade, textura e contexto. Nas palavras de Crosta (1993): “Tonalidade refere-se então à cor ou ao brilho dos objetos que compõem a cena; os tons estão relacionados às propriedades de reflexão de energia dos materiais superficiais e depende da porção do espectro eletromagnético coberto pela(s) imagem(ns) considerada(s). Textura pode ser definida como uma combinação da magnitude e frequência da variação tonal em uma imagem, sendo produzida pelo efeito conjunto de todos as pequenas feições que compõem uma área em particular na imagem. Embora possam ser consideradas como propriedades independentes, tonalidade e textura na realidade possuem relações íntimas: sem variações em tonalidade, nenhuma mudança em textura poderia ser percebida. Contexto, por sua vez, se refere à detalhes de tons, texturas e padrões (que são arranjos de tons e texturas) estão localizados em relação a atributos conhecidos do terreno (...)” (CROSTA, 131


1993) Em relação à Teoria Básica das Cores, Crosta (1993) apresenta o Espaço RGB (acrônimo para RED – vermelho – GREEN – verde e BLUE - azul) enquanto aquele composto pela combinação destas cores primárias aditivas, uma vez que qualquer cor deste espaço resulta da adição de cada um destes elementos, nas devidas proporções necessárias. As cores primárias subtrativas (ciano, magenta e amarelo), por sua vez, são decorrentes da remoção de alguma das cores primárias aditivas da luz branca, que por definição física é a combinação de todos os comprimento de onda do espectro eletromagnético. É importante ressaltar que, quase se fala de luz – utilizada em monitores de vídeo, por exemplo –, a composição de cores resultante é derivada das cores primarias aditivas (RGB), ao passo que quando se fala de impressão litográfica, a composição de cores resultante é derivada das cores primárias subtrativas (CYMK). Uma vez que o processamento digital de imagens de sensoriamento remoto utiliza dados provenientes de sensores remotos, sensíveis à radiação eletromagnética, é plausível entender que o espaço de cores utilizado é o RGB, pois está diretamente associado à composição da luz visível. Em uma composição multicolorida do tipo triplete (cujas imagens são empilhadas três a três), as imagens de cada banda do sensor utilizado são então alocadas em um dos eixos das cores primárias aditivas (RED, GREEN e BLUE). Assim, conforme a alocação das imagens, os DNs das células que compõem tais imagens são associados a uma rampa de puro vermelho, de puro verde ou puro azul. Para o filtro vermelho, células cujos pixels possuem DN = 0 serão digitalmente representadas em puro preto, e células cujos pixels possuem DN = 255 serão digitalmente representadas em puro vermelho. O mesmo vale para o filtro azul e para o filtro verde. Uma vez que as imagens de todas as banda estejam empilhadas, a cor resultante dos pixels será representada pela expressão: C = r.R + g.G + b.B na qual a “C” é a cor resultante, “r” é o coeficiente de mistura para a cor vermelha (de valor entre 0 e 1, na proporção do DN original, cuja escala varia de 0 a 255), R é a própria cor vermelha, e assim sucessivamente para as cores verde e azul. Os Croquis 014 e 015 ilustram o processo de composição de cores pelo espaço RGB:

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CROQUI 012. Cubo RGB – Diagonal.

CROQUI 013. Cubo RGB – Cores.

“CUBO RGB – os diferentes tons de cinza localizamse ao longo da diagonal tracejada.”

Fonte: CROSTA (1993), adaptado.

Fonte: HORVATH (2010), adaptado.

A partir dos croqui acima representados, percebe-se que a composição de cores via sistema RGB é gerada a partir dos três eixos das cores primárias aditivas. No caso de mistura em quantidades iguais de cores primárias nos três eixos – por exemplo, (0,0,0), (125,125,125) ou (255,255,255), cria-se uma tonalidade na escala de cinzas, variando do puro preto (0,0,0) ao puro branco (255,255,255). Este eixo de cinzas, representado no Croqui 014, é chamado de eixo acromático. Conforme será apresentado no próximo capítulo, a compreensão teórica do eixo acromático é o fundamento da composição multi-temporal desenvolvida na presente pesquisa. Isto porque, no momento em que imagens de diferentes datas são equalizadas, empilhadas e elencadas cada qual em uma rampa de cor primária, produz-se uma composição colorida em falsa-cor; Esta composição em falsa-cor, a partir de tripletes, é capaz de mostrar se houve evolução do uso do solo ao longo dos anos, uma vez que a variação de tonalidades dos DNs sobrepostos informa diferentes assinaturas espectrais dos materiais capturados nas imagens e, portanto, mudança no material sensoreado – vegetação, asfalto, solo exposto, etc. Assim, nas palavras de Álvaro Penteado Crosta, “Na realidade, pode-se usar quaisquer três bandas para se produzir uma composição colorida. Contudo, uma cuidadosa seleção das mesmas fazse necessária, para que a combinação de 3 bandas contenha a informação espectral realmente desejada. (...) Em seguida, deve ser buscada uma 133


alocação de cores que traduza para o olho humano essa informação da melhor forma possível. Embora a informação contida em um determinado triplete de bandas seja sempre a mesma, independentemente da alocação de cores, a diferença em percepção do nosso sistema visual faz com que diferentes combinações coloridas das mesmas 3 bandas pareçam na prática conter diferentes informações. Por isso, a seleção das bandas para compor uma composição colorida, assim como a alocação de cores, não são questões triviais e merecem a devida atenção, uma vez que pode-se desperdiçar informação.” (CROSTA, 1993). Classificação Conforme a obra de CROSTA (1993), tendo em vista que um dos principais objetivos do sensoriamento remoto é o de distinguir entre e identificar as composições de diferentes materiais superficiais (tipos de vegetação, padrões de uso do solo, rochas, etc.), a classificação automática de imagens multiespectrais de sensoriamento remoto apresenta-se como um procedimento técnico e operacional capaz de realizar esta identificação e diferenciação de maneira eficiente. Segundo este autor, isto é possível pelo fato de materiais superficiais terem comportamentos específicos ao longo do espectro eletromagnético, comportamentos estes que podem portanto ser usados para identificá-los. No procedimento classificatório, cada pixel da imagem é associado a um “rótulo”, que descreve um objeto real (vegetação, solo, etc.). Neste sentido, os DNs associados de cada pixel são identificados em termos de um tipo de cobertura da superfície terrestre imageada, denominados temas (e por isso o nome classificação temática). Portanto, a classificação temática de uma imagem de sensoriamento remoto é um artifício no qual, por meio de auxilio computacional – o processamento digital destas imagens – transforma um dado (a reflexão de energia das feições geográficas a um dado comprimento de onda eletromagnética, conforme sua assinatura espectral) em uma informação (uso do solo, por exemplo). Segundo Crosta (1993), quando este tipo de operação é efetuado para todos os pixels de uma determinada área em estudo, o resultado é um mapa temático, mostrando a distribuição geográfica de um tema. “Uma imagem de sensoriamento remoto classificada é uma forma de mapa digital temático” (CROSTA, 1993). No procedimento técnico e operacional de classificação temática, o cruzamento de histogramas relativos às múltiplas bandas em uma imagem multiespectral define aquilo que CROSTA (1993) denomina como espaço de atributos (“feature space”). O gráfico do espaço de atributos é essencial na compreensão da classificação temática 134


da imagem de sensoriamento remoto, pois ele ilustrará o arranjo dos pixels conforme os DNs de cada uma das bandas das imagens utilizadas. Tratando-se de uma classificação temática que utiliza apenas duas bandas, o gráfico do espaço de atributos será do tipo bidimensional em dois eixos, cada qual relativo à uma das bandas. Se a classificação temática utilizar três bandas, haverá uma sequência de gráficos de espaços de atributos, cada qual gerado a partir da combinação dois a dois sem repetição de pares de bandas do conjunto. Se houver três bandas, serão gerados três gráficos de espaço de atributos; Se houver quatro bandas, serão gerados seis gráficos de espaços de atributos, e assim sucessivamente. Uma vez que existem apenas três cores primárias aditivas no espaço RGB, a representação em tripletes torna-se possível apenas pelo cruzamento de três bandas, cada qual alocada em uma das rampas de cores primárias. Não obstante, é possível elaborar uma classificação temática que empilhe e contraste DNs de mais de três bandas, mas a visualização em tripletes é impossível de ser elaborada. Este é o caso da classificação temática final no presente TGI, desenvolvida a partir da composição multi-temporal das imagens aéreas de 1962, 1972, 1994, 2002, 2007 e 2010. Idealmente, a identificação precisa dos materiais que compõem as feições geográficas representadas nas imagens de sensoriamento remoto não pode ser feita pixel a pixel, mas sim a partir de uma amostra representativa do conjunto de pixels com tais propriedades. Esta amostra, do ponto de vista estatístico, é um intervalo de DNs que representa as intensidades dos pixels dos materiais superficiais em questão. Ao serem representadas no gráfico do espaço de atributos, estas amostras – denominadas ROIs, acrônimo para Regions of Interest, Regiões de Interesse – formam verdadeiras nuvens de pixels – em inglês, clusters. Segundo CROSTA (1993), “cada uma destas classes se refere, portanto, a um tipo ou mistura de tipos de materiais superficiais”. De maneira geral, estas nuvens de pixels se sobrepõem com frequência em gráficos de espaços de atributo. Por este motivo, a combinação de dois ou mais gráficos de espaços de atributos (e, portanto, de três ou mais bandas do sensor) facilita o processo classificatório, pois elimina a dúvida se os pontos sobrepostos pertencem a uma determinada classe ou a outra. Nas palavras de CROSTA (1993), “quanto maior o número de bandas espectrais, maior será a precisão de classificação.”

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GRÁFICO 006. Espaço de Atributos 1.

GRÁFICO 007. Espaço de Atributos 2.

GRÁFICO 008. Espaço de Atributos 3.

“Duas bandas espectrais de uma imagem multiespectral plotadas uma contra a outra, formando um espaço de atributos, contendo as características espectrais de pixels de três tipos diferentes de materiais superficiais: A, B e C.”

“Os materiais A, B e C são agora representados pelas áreas ocupadas pelos pixels que os compõem, sendo que para cada uma são mostrados os intervalos de intensidade máximo e mínimo na Banda 2.”

“Espaços de atributos para a mesma imagem da Figura 8.2, porém com uma banda diferente, Banda 3, no eixo horizontal, mostrando agora a separabilidade das classes A, B e C na banda 3 (não há superposição de intervalos de intensidade.)”

Fonte: CROSTA (1993).

Fonte: CROSTA (1993).

Fonte: CROSTA (1993).

Crosta também reforça, em sua obra, que a atribuição dos pixels a determinada classe é feita com base na observação do próprio pixel em si, na sua vizinhança (pixels adjacentes) e com base em uma série de regras. Para o autor, no processo classificatório de imagens de sensoriamento remoto: 1. “(...) assume-se que um conjunto de classes foi previamente determinado antes de se iniciar a classificação, classes estas cujas propriedades são bem conhecidas (...)”(CROSTA, 1993) 2. “(...) assume-se que qualquer pixel na imagem pertence necessariamente à uma destas classes (...)”(CROSTA, 1993) 3. “ (...) as classes podem ser definidas usando algumas propriedades observáveis da cena e não apenas valores de refletância.” (CROSTA, 1993) Estes pressupostos, embora conduzidos da forma mais adequada possível no processo técnico de classificação, levam a uma simplificação bastante grande em relação à enorme complexidade existente em uma cena de satélite. É intrínseco ao processo classificatório a generalização de características singulares dos pixels a um conjunto de classes, cujos células representativas tornam-se homogêneas após o processo em questão. Neste sentido, o autor reforça, também, a necessidade de “se 136


verificar o resultado das classificações em relação à dados conhecidos. Quaisquer informações sobre os objetos / superfícies a serem classificadas são portanto um auxílio importante à classificação.” (CROSTA, 1993). Um outro ponto interessante no que diz respeito ao processo classificatório, conforme apontado por Crosta, são as propriedades básicas das superfícies, representadas nas imagens de satélite, levadas em consideração no algoritmo classificatório: se apenas a intensidade (nível de cinza ou cor) é levada em consideração, tem-se uma classificação que leva em consideração apenas as características espectrais do material; se, por outro lado, a intensidade, a textura e a forma são levadas em consideração, o resultado do processo é uma classificação que “apresenta resultados satisfatórios na indicação de tipos de cobertura caracterizadas por variações de intensidade, textura e forma.” Em relação ao procedimento técnico de classificação, CROSTA (1993) apresenta a possibilidade de esta operação ser feita pelo tanto pelo método não supervisionado quanto pelo método supervisionado. No primeiro caso, o computador decide, com base em regras estatísticas, quais as classes a serem separadas e quais os pixels pertencentes a cada uma; já no segundo caso, o usuário (peopleware, em oposição ao termo software) “identifica alguns dos pixels pertencentes às classes desejadas e deixa ao computador a tarefa de localizar todos os demais pixels pertencentes àquelas classes, baseado em alguma regra estatística pré-estabelecida.” (CROSTA, 1993). No presente Trabalho de Graduação Individual, foi utilizado a técnica da classificação supervisionada, razão pela qual descreve-se somente os procedimentos relativos a mesma. Na técnica de classificação supervisionada, segundo CROSTA (1993), “é necessário que o usuário conheça alguma coisa da área a ser classificada, antes de iniciar o processo. (...) Uma área da imagem que o usuário identifica como representando uma das classes é chamada de área de treinamento. Uma área de treinamento [também conhecida por “Regions of Interest, ou ROIS] é normalmente definida pelo usuário traçando-se seus limites diretamente sobre a imagem, no monitor de vídeo do sistema de processamento de imagens. Várias áreas de treinamento podem ser definidas para uma mesma classe, para assegurar que os pixels a ela pertencentes são realmente representativos dessa classe. (...) Todos os pixels dentro de uma área de treinamento para uma dada classe constituem o chamado conjunto de treinamento para aquela classe. À cada classe de uma imagem é atribuído o seu próprio conjunto de treinamento. 137


Os DNs dos pixels do conjunto de treinamento em cada uma das bandas espectrais são então comparados com os DNs de cada pixel da imagem, para decidir à qual classe estes pertencem.” (CROSTA, 1993) Sobre este último ponto, CROSTA (1993) também explicita que, dentro da técnica de classificação temática supervisionada, “existem uma variedade de métodos através dos quais os pixels desconhecidos podem ser comparados com os pixels do conjunto de treinamento. Em cada caso, o produto final é uma imagem classificada, representando então um mapa temático”. (CROSTA, 1993). Este autor afirma que os métodos de classificação mais comuns nas analises de imagens de sensoriamento remoto são o paralelepípedo, a distancia mínima e a máxima verossimilhança. Pelo fato de este último método mencionado ser o mais sofisticado em termos de algoritmo, e aquele que dá a melhor resposta para a classificação desejada na presente pesquisa, a máxima verossimilhança foi utilizada no processamento digital das imagens de sensoriamento remoto do presente TGI. O Método da Máxima Verossimilhança (MaxVer), em língua inglesa denominado Maximum Likelihood, é “o método mais comum que considera a ponderação das distâncias das médias [dos DNs das imagens e] utiliza parâmetros estatísticos.” (CROSTA, 1993). Segundo este autor, a base estatística deste algoritmo é razoavelmente complexa e, em função disto, utiliza um tempo bem maior de computação do que os dois anteriores. Uma classificação via MaxVer é possível desde que se conheça suficientemente bem a imagem analisada, de modo a inserir pelo menos 100 pixels para cada conjunto de treinamento, garantindo assim uma base de segurança para o tratamento estatístico. No gráfico do espaço de atributos, estes pixels do conjunto de treinamento são então representados por meio de isolinhas, definidas por ajustes baseados em distribuições normais (gaussinanas) e que informam ao leitor a densidade de pixels do conjunto de treinamento para cada região.

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GRÁFICO 009. Espaço de Atributos 4.

GRÁFICO 010. Espaço de Atributos 5.

GRÁFICO 011. Espaço de Atributos 6.

“Espaço de atributos para as classes A, B e C mostrando na forma de contornos a densidade de pixels nos diversos conjuntos de treinamentos. O número de pixels para cada área de treinamentos é, no mínimo, de uma centena.”

“As curvas de probabilidade das classes A, B e C são estendidas para probabilidades menores. Os números atribuídos a cada contorno representam a probabilidade, em porcentagem, de um pixel desconhecido pertencer a uma classe, com base nos parâmetros estatísticos das áreas de treinamento.”

“Os mesmos contornos [do Croqui 020], agora com os limites de decisão (representados pelas linhas espessas [no croqui] acima), sobrepostos. Esses limites são traçados a partir dos pontos de igual probabilidade para duas ou mais classes.”

Fonte: CROSTA (1993).

Fonte: CROSTA (1993).

Fonte: CROSTA (1993).

Segundo Crosta (1993), estes contornos / isolinhas são, na verdade, entendidos como a probabilidade de existir um pixel naquele conjunto de treinamento com uma determinada combinação de DNs. Por extensão, se o conjunto de treinamento for suficientemente representativo de todo o espaço amostral de pixels na imagem, as isolinhas tornam-se “a probabilidade de qualquer pixel desconhecido pertencer à uma determinada classe na qual ele plotar.” (CROSTA, 1993). Por meio destas isolinhas, o algoritmo do MaxVer permite a definição de um limite de decisão no gráfico do espaço de atributos, que podem tanto englobar todos os pixels de uma imagem – mesmo aqueles com baixas probabilidades de pertencerem à quaisquer classes – como também englobar apenas os pontos fixados abaixo de um desvio padrão definido a partir da média representativa das classes. No presente trabalho, o algoritmo de MaxVer, utilizado no software ENVI, classificou todos os pixelsda composição multitemporal utilizada como input. De acordo com CROSTA (1993), um importante conceito na classificação MaxVer são os limites de decisão entre classes contíguas, uma vez que as nuvens (clusters) de pixels dos conjuntos de treinamentos representativos de duas classes distintas geralmente se sobrepõem. Assim, conforme o autor, “esses limites são 139


traçados a partir dos pontos onde contornos de igual probabilidade entre duas classes contíguas se cruzam (...)” (CROSTA, 1993). Por fim, o último tema relativo ao processo classificatório – e que encerra também o presente capítulo, é o processo de homogeneização de temas em imagens classificadas, portanto já em uma etapa de pós-processamento. Segundo CROSTA (1993) “Muitas vezes o resultado da classificação é uma imagem com ruído, representado por pixels isolados, ou pequenos grupos de pixels, assinalados a diversas classes, que ocorrem próximos a áreas homogeneamente classificadas. (...) Se existem suspeitas de que áreas isoladas deste tipo, com um grande número de pixels abaixo de um certo limite, representam erros de classificação, então é possível apagá-los ou absorvê-los em outras áreas adjacentes maiores, pertencentes a outras classes. (...) Este tipo de “pós-processamento”, embora carregue em si uma certa dose de risco (pode-se estar desprezando áreas corretamente classificadas), é útil na apresentação final do produto de classificação.” CROQUI 014. Pós-classificação - Homogeneização de temas em imagens classificadas.

“Técnica para remover pequenas áreas que podem ter sido erroneamente classificadas; Canto superior esquerdo: Imagem classificada inicial. Tons de cinza representam diferentes classes; Canto superior direito: Áreas com menos de um número mínimo de pixels (neste caso, menor do que 6) são removidas; Canto inferior: As áreas restantes são expandidas por uma distancia especificada (2 pixels neste caso) sobre as áreas livres.”

Fonte: CROSTA(1993),adaptado. 140


No processo classificatório da composição multi-temporal elaborada com as imagens aéreas de São Caetano do Sul, após o processamento digital por classificação supervisionada via método de máxima verossimilhança, optou-se pela não homogeneização dos temas com dimensões menores que um certo número de pixels, tendo em vista a perda de detalhes em relação à arborização urbana, parte importante do ambiente construído da cidade e que é analisado justamente a partir da variável analítica cobertura vegetal.

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CAPÍTULO 4. AS ATIVIDADES DE PRÉ-PROCESSAMENTO DE IMAGENS O presente capítulo da pesquisa tem como propósito apresentar os procedimentos técnicos e operacionais desenvolvidos durante as atividades de pré-processamento das imagens aéreas, as quais foram utilizadas posteriormente, no presente TGI, para a composição colorida multi-temporal (CCMT) de São Caetano do Sul. Este capítulo, portanto, apresenta um caráter descritivo, narrando os procedimentos realizados pelo pesquisador, os motivos técnicos e teóricos por detrás para a tomada de decisão de cada passo, e os resultados encontrados ao final das atividades de pré-processamento. O Quadro 002 apresenta a síntese dos procedimentos realizados para os conjuntos de imagens utilizadas. A sequência de procedimentos apresentada nesta tabela é a mesma detalhada em seguida. QUADRO 002. Atividades de pré-processamento de imagens.

Fonte: Denis Giannelli.

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Fonte de Dados Logo no começo do processo de pesquisa do TGI, ao serem definidos o tema, o objeto de estudo (recortes espacial e temático), a teoria e o método empregados neste trabalho, optou-se por utilizar o procedimento técnico operacional da Composição Colorida Multi-Temporal (CCMT) para a análise evolutiva do ambiente construído em São Caetano do Sul. Esta escolha resultou não somente da praticidade desta técnica em si, como também da pertinência da mesma no contexto do Sensoriamento Remoto, conectando assim este campo de estudo com o Urbanismo. Neste sentido, uma primeira questão a ser resolvida seria justamente definir a fonte(s) de dados a ser utilizada para o desenvolvimento da CCMT, tendo em vista recursos financeiros e o tempo para a conclusão do trabalho. Nas pesquisas realizadas nos laboratórios da Universidade de São Paulo, especificamente no LASERE FFLCH USP e no CESAD FAU USP, foram encontradas os seguintes conjuntos de imagens de sensoriamento remoto, os quais respondiam de modo satisfatório ao objetivo da pesquisa, tanto em termos de resolução temporal quanto em termos de resolução espacial: •

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Fotografias aéreas realizadas em levantamento de vôo, datadas do ano 1962, produzidas em escala 1:25.000 pela empresa Aerofoto Natividade Ltda., sob encomenda do Governo do Estado de São Paulo. Tais fotografias foram encontradas no LASERE FFLCH USP em cartas de formato analógico (reveladas em papel fotográfico). Não foram encontrados metadados contendo o dia e mês de captura da imagem. Fotografias aéreas realizadas em levantamento de vôo, datadas do ano 1972, produzidas em escala 1:25.000 pelo Grupo Executivo da Racionalização da Cafeicultura do Instituto Brasileiro do Café (IBC/GERCA). Tais fotografias foram encontradas no LASERE FFLCH USP em cartas de formato analógico (relevadas em papel fotográfico). As cartas que apresentam São Caetano do Sul apresentam o levantamento de vôo datado de 24 de Julho de 1972. Fotografias aéreas realizadas em levantamento de vôo, datadas do ano 1994, produzidas em escala 1:25.000 pela BASE Aerofotogrametria e Projetos S.A. Tais fotografias foram encontradas no LASERE FFLCH USP em cartas de formato analógico (relevadas em papel fotográfico). As cartas que apresentam São Caetano do Sul apresentam o levantamento de vôo datado de Março de 1994. Ortofotocartas produzidas a partir de dados do satélite IKONOS, datadas do ano 2002, produzidas em escala 1:25.000 pela Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais (FUNCATE) e pela empresa Space Imaging. Tais ortofotocartas foram encontradas no LASERE FFLCH USP em formato digital (bandas RED,


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GREEN, BLUE e composição colorida RGB), e estavam georreferenciadas na projeção UTM SAD69 23S. Não foram encontrados metadados contendo o dia e mês de captura da imagem. Ortofotocartas, datadas do ano 2007, produzidas em escala 1:5.000 pela Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano S.A. (EMPLASA). Tais ortofotocartas foram encontradas na página web do CESAD FAU USP (composição colorida RGB) georreferenciadas na projeção UTM SAD69 23S e disponíveis para download. Não foram encontrados metadados contendo o dia e mês de captura da imagem. Ortofotocartas, datadas do ano 2010, produzidas em escala 1:25.000 pela Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano S.A. (EMPLASA). Tais ortofotocartas foram encontradas no LASERE FFLCH USP em formato digital (bandas RED, GREEN, BLUE, NIR, além da composição colorida RGB e do modelo digital de superfície), e estavam georreferenciadas na projeção UTM SAD69 23S. Não foram encontrados metadados contendo o dia e mês de captura da imagem.

O fato de haver, portanto, seis diferentes fontes de imagens de sensoriamento remoto, cada qual com uma data de captura diversa, tornou possível o desenvolvimento da composição colorida multi-temporal. O recorte temporal da presente pesquisa, portanto, deu-se sobretudo em função das fontes de dados disponíveis de forma gratuita e prática, tendo em vista que a presente pesquisa se trata de um Trabalho de Graduação Individual para um Bacharelado. Não obstante, é interessante comentar que imagens de sensoriamento remoto anteriores a 1962 e posteriores a 2010 teriam sido muito positivas para o resultado da presente pesquisa, visto que a composição colorida multi-temporal apresentaria resultados ainda mais abrangentes do que foi possível com as imagens coletadas. Na ausência de demais imagens de sensoriamento remoto, a pesquisa prosseguiu com o material existente. Seleção e Triagem das Imagens Uma vez definidos o conjuntos de imagens de sensoriamento remoto que seriam utilizados na pesquisa, passou-se a um processo de seleção e triagem das cartas, para posterior pré-processamento das mesmas. As cartas selecionadas em formato analógico foram aquelas que, como critério básico, cobririam integral ou ao menos parcialmente os limites administrativos atuais do Município de São Caetano do Sul. Dadas a pequena dimensão do território deste município e a facilidade em reconhecer seus limites físicos, o processo de triagem destas imagens ocorreu apenas com a interpretação das imagens a partir das feições hídricas de São Caetano do Sul (Rio Tamanduateí e Córrego dos Meninos). 145


As cartas em formato digital, por sua vez, foram analisadas em ambiente SIG, e seus limites foram contrastados com a feição poligonal do Município de São Caetano do Sul, presente no Shapefile de municípios do Estado de São Paulo, fornecido pelo IBGE. Neste sentido, as cartas selecionadas para a pesquisa foram: QUADRO 003. Imagens de sensoriamento remoto coletadas.

Fonte: Denis Giannelli. As fotografias a seguir apresentam as cartas conforme encontravam-se disponíveis, seja em formato analógico como em formato digital:

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IMAGEM DE S.R. 001. 1962 – Carta 3899.

IMAGEM DE S.R. 002. 1962 – Carta 3901.

IMAGEM DE S.R. 003. 1962 – Carta 3911.

Fonte: LASERE FFLCH-USP.

Fonte: LASERE FFLCH-USP.

Fonte: LASERE FFLCH-USP.

IMAGEM DE S.R. 004. 1972 – Carta 35480.

IMAGEM DE S.R. 005. 1972 – Carta 35481.

IMAGEM DE S.R. 006. 1972 – Carta 35498.

Fonte: LASERE FFLCH-USP.

Fonte: LASERE FFLCH-USP.

Fonte: LASERE FFLCH-USP.

IMAGEM DE S.R. 007. 1994 – Carta FX13N12.

Fonte: LASERE FFLCH-USP.

IMAGEM DE S.R. 008. 1994 – Carta FX13N13.

Fonte: LASERE FFLCH-USP.

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IMAGEM DE S.R. 009. 2002 – N24W046D5SW.

IMAGEM DE S.R. 010. 2002 – N24W046D5SE.

Fonte: LASERE FFLCH-USP.

Fonte: LASERE FFLCH-USP.

IMAGEM DE S.R. 011. 2002 – N24W046C5NW.

IMAGEM DE S.R. 012. 2002 – N24W046C5NE.

Fonte: LASERE FFLCH-USP.

Fonte: LASERE FFLCH-USP.


IMAGEM DE S.R. 013. 2007 – 3325-2.

IMAGEM DE S.R. 014. 2007 – 3326-1.

Fonte: CESAD FAU-USP.

Fonte: CESAD FAU-USP.

IMAGEM DE S.R. 015. 2007 – 3325-4.

IMAGEM DE S.R. 016. 2007 – 3326-3.

Fonte: CESAD FAU-USP.

Fonte: CESAD FAU-USP.

IMAGEM DE S.R. 017. 2007 – 3341-2.

IMAGEM DE S.R. 018. 2007 – 3342-1.

Fonte: CESAD FAU-USP.

Fonte: CESAD FAU-USP.

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IMAGEM DE S.R. 019. 2007 – 3341-4.

IMAGEM DE S.R. 020. 2007 – 3342-3.

Fonte: CESAD FAU-USP.

Fonte: CESAD FAU-USP.

IMAGEM DE S.R. 021. 2010 – SF-23-Y-C-VI-2-NE (RGB).

IMAGEM DE S.R. 022. 2010 – SF-23-Y-C-VI-2-SE (RGB).

Fonte: LASERE FFLCH-USP.

Fonte: LASERE FFLCH-USP.


Digitalização Devido à natureza analógica das imagens de sensoriamento remoto de 1962, 1972 e 1994, cada uma das cartas relativas a estas datas teve de ser digitalizada, processo frequente para imagens que sejam relativamente antigas. Nas palavras de CROSTA (1993), “Vale lembrar que qualquer imagem, mesmo não digital (como uma fotografia aérea, por exemplo), pode ser transformada em imagem digital através de um processo conhecido por digitalização. Esse processo é implementado através de um tipo de equipamento periférico denominado “scanner”, que transforma uma imagem analógica (fotografias, mapas, etc.) em uma matriz com o número de linhas e colunas e o tamanho de cada cela pré-definidos, atribuindo para cada cela um valor de nível de cinza proporcional à tonalidade da imagem original. Essa matriz é então convertida para um formato digital gráfico, podendo ser lida e manipulada por sistemas de processamento digitais. Existem vários tipos de “scanners”, desde simples modelos de mão, geralmente utilizados apenas para atividades de editoração eletrônica em microcomputadores, até sofisticados sistemas de cilindro rotatório com leitura a feixe de laser, apropriados para digitalização de mapas e fotos aéreas por evitarem distorções geométricas.” (CROSTA, 1993). Para a digitalização das cartas supracitadas, foi utilizado o scanner de formato A3 disponível no LASERE FFLCH-USP, com o auxílio de técnicos de laboratório, evitando assim que estas cartas (cujas dimensões excedem o A4) tivessem de ser digitalizadas em duas etapas, o que causaria distorções geométricas indesejadas. As imagens foram digitalizadas para a escala de cinza de 8bit, isto é, com valores que variam do puro preto (0) ao puro branco (255), portanto com 256 tons possíveis de cinza. Em relação à resolução, foi utilizado o valor de 600 dpi, isto é, 600 pontos por polegada, valor equivalente a uma matriz de 236 pixels por 236 pixels ocupando uma área 1cm² na imagem digitalizada. Este valor, embora considerado alto na computação gráfica para fins de edição artística de imagens, foi utilizado no presente trabalho tendo em vista que as imagens de sensoriamento remotos seriam processadas digitalmente, e não apenas representadas da impressão e/ou apresentação.

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Correção Geométrica Uma vez digitalizadas, as imagens de sensoriamento remoto de 1962, 1972 e 1994 tiverem de ser corrigidas geometricamente, de modo que os pixels de cada uma das cartas estivessem posicionados, em um sistema de coordenadas, nos locais corretos, correspondentes às feições da superfície terrestre que representam. Este processo é assistido por software em um ambiente de Sistema de Informações Geográficas, e o resultado é uma nova imagem, desta vez georreferenciada. Nas palavras de CROSTA (1993): “Um mapa pode ser definido como: ‘(...) uma representação gráfica, em superfície plana, da superfície da Terra, ou parte dela, mostrando suas feições geográficas e superficiais. Estas são posicionadas de acordo com controles geodéticos, grids, projeções e escalas previamente definidos’. (...) Para que a precisão cartográfica seja introduzida em imagens de sensoriamento remoto, faz-se necessário que essas imagens digitais sejam corrigidas, segundo algum sistema de coordenadas. A transformação de uma imagem de modo que ela assuma as propriedades geométricas de escala e de projeção de um mapa é chamada de correção geométrica. Esse tipo de correção pode ser executado em um sistema de processamento digital de imagens.” (CROSTA, 1993) Uma vez que as imagens a serem corrigidas são fotografias aéreas, realizadas em levantamento de voo, e não de imagens de satélite (cujos parâmetros geométricos são possíveis de serem obtidos), a correção geométrica não pode ser feita por meio do modelo de geometria orbital. Neste caso, a alternativa para a correção geométrica é a definição de pontos de controle no terreno, que vinculam determinados pixels da imagem – os chamados pontos de controle, em inglês Ground Control Points, GCPs – a uma localização georrefenciada no mapa para o qual se deseja projetar a imagem de sensoriamento remoto. Nas palavras de CROSTA (1993): “A primeira condição para se aplicar essa transformação é a existência de mapa planimétrico ou plani-altimétrico confiável e em uma escala adequada na área em questão, visto que os pontos de controle (GCPs, de “Ground Control Points”) terão que ser precisamente identificados em ambos, imagem e mapa.” (CROSTA, 1993) 152


No presente trabalho, a base planimétrica utilizada foi a Base Cartográfica Digital Georreferenciada de Logradouros da Região Metropolitana de São Paulo Edição 2018, disponibilizada pelo Centro de Estudos da Metrópole da FFLCH-USP, cujas fontes são a Secretaria de Transporte do Município de São Paulo, a base de CEPs do correio, o Google Earth, e demais prefeituras dos municípios da Região Metropolitana de São Paulo. Esta base possui projeção UTM Sirgas 2000 Fuso 23S, compatível com aquela utilizada durante todo o processo de trabalho do TGI. Sobre esta base planimétrica, foram plotados, em média, 98 GCPs por carta, totalizando 785 pontos para as oito cartas a serem corrigidas. O Mapa 044 apresenta os GCPs de todas as cartas, plotados juntos sobre a base planimétrica utilizada:

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MAPA 044. Pré-processamento - pontos de controle de correção geométrica. N

São Paulo Zona Leste

São Caetano do sul

São Paulo Zona Sul Santo André São Bernado do Campo

Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE, CEM, Denis Giannelli. Elaboração: Denis Giannelli

1994 FX13 N13 1994 FX13 N12 1972 35498 1972 35481 1972 35480 1962 3911 1962 3901 1962 3899 Sistema viário Municípios RMSP 0 0,25 0,5

1 Km


Uma vez definidos todos os GCPs para cada carta, a transformação das coordenadas foi, então, modelada pelo Software GGIS 3.0 usando-se um polinômio de terceiro grau (Polynomial 3). Nesta transformação, forma-se uma nova imagem digital de sensoriamento remoto, cuja matriz de linhas e colunas e DNs das células é concebida utilizandose algum dos métodos de re-amostragem por interpolação. Os Croquis 015 e 016 ilustram o processo:

CROQUI 015. Distorção e GCPs.

CROQUI 016. Re-amostragem por interpolação.

“Modelo de distorção usando pontos de controle no terreno. Este exemplo representa uma aproximação usando o método dos mínimos quadrados e um polinômio linear.”

“O grid de linhas tracejada acima representa uma imagem original com distorções, a ser corrigida segundo um novo grid geometricamente preciso, representado em linhas cheias. Os símbolos á, β e ã representam valores de DNs da imagem original. O novo valor de DN do pixel hachurado será definido com base na interpolação dos valores dos pixels mais próximos da imagem original.”

Fonte: CROSTA (1993).

Fonte: CROSTA (1993). Como dito, para as imagens corrigidas geometricamente no presente trabalho, utilizou se o método de reamostragem por interpolação conhecido como convolução cúbica. Neste caso, a reamostragem do DN de cada célula é feito com base nos valores de DNs dos 16 vizinhos mais próximos deste pixel. Embora requeira um processamento mais sofisticado do que outras técnicas, convolução cúbica foi usada justamente porque tende a produzir imagens com uma aparência mais natural. 155


O último parâmetro utilizado na etapa de correção geométrica das imagens de sensoriamento remoto de 1962, 1972 e 1994 foi a resolução espacial da imagem georreferenciada resultante. Tendo em vista a escala original de produção de tais imagens (1:25.000) e a própria atividade de classificação temática, baseada na composição colorida multi-temporal, a resolução espacial escolhida para as imagens produzidas foi de 1 pixel da imagem para 1 metro quadrado de superfície de terreno representada. Esta resolução espacial é adequada para as análise de sensoriamento remoto na escala intra-urbana, escala esta em que frequentemente elementos do ambiente construído de pequeno porta são fundamentais para a leitura dos processos em curso. As ortofotocartas de sensoriamento remoto relativas aos anos de 2002, 2007 e 2010, por sua vez, já estavam georreferenciadas na projeção UTM, porém com Datum Horizontal SAD-69. Atendendo a compatibilização de bases e adequando esta pesquisa ao novo Datum oficial do Brasil, estas ortofotocartas foram corrigidas geometricamente de maneira automática pelo GQIS 3.0, de modo serem projetadas em UTM SIRGAS 2000 Fuso 23S. Recorte de Sobreposição Ao final do processo de correção geométrica das imagens de sensoriamento remoto de 1962, 1972 e 1994, as cartas puderam ser inseridas no ambiente SIG em formato raster, com projeção cartográfica compatível ao mapa base utilizado (UTM SIRGAS 2000 FUSO 23S). Em cada trio ou dupla de cartas, referentes aos anos em análise, percebeu-se que havia uma sobreposição espacial entre as cartas. Esta sobreposição é comum em trabalhos sistemáticos de fotografias aéreas elaboradas por plano de vôo, e tem por finalidade justamente possibilitar a compatibilização geométrica entre as cartas, de modo a aproveitar preferencialmente as porções centrais das cartas, onde a distorção, provocada pelo efeito das lentes da câmera fotográfica, é a menor possível. Além disso, devido ao fato de as novas imagens estarem, em maior ou menor grau, rotacionadas em relação ao plano de coordenadas UTM da base sistemática utilizada, as imagens de sensoriamento remoto, agora digitalizadas, apresentam células nas extremidades das matrizes com valores de DN nulo. Isto ocorre pelo fato de não haver, na carta original, células que sejam geograficamente referentes aos pontos que são apresentados nas novas imagens georreferenciadas. Os Croquis 017, 018 e 019 ilustram esta situação para os anos de 1962, 1972 e 1994, respectivamente.

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CROQUI 017. Sobreposição 1962.

CROQUI 018. Sobreposição 1972.

CROQUI 019. Sobreposição 1994.

Fonte: LASERE, CEM, CPRM.

Fonte: LASERE, CEM, CPRM.

Fonte: LASERE, CEM, CPRM.

Elaboração: Denis Giannelli.

Elaboração: Denis Giannelli.

Elaboração: Denis Giannelli.

Visando a compatibilização entre cartas de mesmo ano, foram feitos então recortes das áreas sobrepostas por duas ou mais cartas, de modo que cada nova imagem resultante fosse única do ponto de vista da representação porções territoriais do município de São Caetano do Sul. O primeiro critério adotado para tal procedimento foi o de aproveitar ao máximo, dentro do conjunto de cartas relativas a cada ano, a carta cuja extensão enquadrasse a maior porção do território de São Caetano do Sul. Em seguida, aproveitar-se ia as demais cartas referentes a este mesmo ano. Visando tornar estes recortes compatíveis entre si, para posterior mesclagem das cartas e formação de mosaicos, foi estabelecida uma malha de coordenadas UTM, com equidistância de 200 metros no eixo X e 200 metros no eixo Y. Também foi estabelecido um limite da própria superfície territorial a ser classificada na etapa de composição colorida multi-temporal, equivalente a um retângulo de dimensões 5,94 Km por 4,20 Km centralizado em São Caetano do Sul, correspondente ao município representado na escala 1:10.000 em uma folha de tamanho padrão A2. O recorte de cada carta, deste modo, é delimitado pelos valores de x mínimo, x máximo, y mínimo e y máximo conforme o Quadro 002. Os croquis abaixo representam o processo de recorte de sobreposição, com base na malha UTM e na Folha A2.

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CROQUI 020. Crop 1962 Carta 3899.

CROQUI 021. Crop 1962 Carta 3901.

CROQUI 022. Crop 1962 Carta 3911.

Fonte: LASERE, CEM, CPRM.

Fonte: LASERE, CEM, CPRM.

Fonte: LASERE, CEM, CPRM.

Elaboração: Denis Giannelli.

Elaboração: Denis Giannelli.

Elaboração: Denis Giannelli.

CROQUI 023. Crop 1972 Carta 35480.

CROQUI 024. Crop 1972 Carta 35481.

CROQUI 025. Crop 1972 Carta 35498.

Fonte: LASERE, CEM, CPRM.

Fonte: LASERE, CEM, CPRM.

Fonte: LASERE, CEM, CPRM.

Elaboração: Denis Giannelli.

Elaboração: Denis Giannelli.

Elaboração: Denis Giannelli.


CROQUI 026. Crop 1994 Carta FX13N12.

CROQUI 027. Crop 1994 Carta FX13N13.

Fonte: LASERE, CEM, CPRM.

Fonte: LASERE, CEM, CPRM.

Elaboração: Denis Giannelli.

Elaboração: Denis Giannelli.

Mosaico Uma vez recortadas de acordo com a malha UTM apresentada, as aerofotos de sensoriamento remoto foram mescladas em pares ou trios, de acordo com o número de recortes para cada ano em análise. Tal procedimento foi desenvolvido em ambiente SIG com o auxilio de ferramentas de processamento de imagens raster, e o resultado final foi uma única imagem para cada um dos anos em análise. Além das imagens de 1962, 1972 e 1994, as demais imagens – aerotofocartas de 2002, 2007 e 2010 – também foram agrupadas e recortadas para que seus limites coincidissem com os limites das imagens de 1962, 1972 e 1994, isto é, o enquadramento de 5,94 Km por 4,20 Km com centro em São Caetano do Sul (Folha A2 em escala 1:10.000). Álgebra de Mapas Para as demais aerofotocartas (imagens de 2002, 2007 e 2010), fez-se necessária a transformação das mesmas, passando de imagens multiespectrais (bandas vermelha, verde e azul) para imagens pancromáticas. Neste sentido, em ambiente SIG, foi utilizado um algoritmo de média aritmética (álgebra de mapas), o qual estabeleceu um valor médio dos DNs de cada célula da imagem resultante, com base nos DNs das imagens relativas às bandas vermelha, verde e azul. A álgebra utilizada utilizou a equação ‘DN(f) = [ DN (r) + DN (g) + DN (b) ] / 3’, no 159


qual DN (f) é o tom de cinza na imagem resultante, DN (r) é o tom de cinza da banda vermelha, DN (g) é o tom de cinza da banda verde e DN (b) é o tom de cinza da banda azul. Cogitou-se, no caso da aerotofocarta de 2010, em utilizar também os valores de DNs da banda infravermelho (NIR) e, posteriormente, dividir a soma por 4, mas os resultados verificados não foram satisfatórios. Assim, procedeu-se de modo homogêneo para as imagens de 2002, 2007 e 2010. Redimensionamento Em decorrência da divergência na resolução das imagens de sensoriamento remoto originais (tanto para as fotografias aéreas como para as imagens orbitais), as imagens de sensoriamento remoto resultantes das atividades de pré-processamento até esta etapa apresentavam divergência também em suas estruturas matriciais, em termos de número de linhas e colunas. Uma vez que a composição colorida multi-temporal e a posterior classificação desta composição demandam a alocação de rasters com estruturas matriciais idênticas nas bandas, fez-se necessário também o redimensionamento destas imagens em termos de resolução. O critério adotado para este redimensionamento foi a redução das imagens com maiores estruturas matriciais, de modo que todas resultassem em uma estrutura idêntica à menor matriz, que no caso era aquela da imagem de 1962 ( 3.776 colunas por 5.340 linhas, portanto 20.163.840 células e/ou pixels por imagem). A adoção desse critério visou justamente impedir que pixels fossem criados nas imagens menores sem o controle adequado dos DNs referentes a estes novos pixels. Assim, na redução das estruturas matriciais maiores para a estrutura matricial menor, o método de re-amostragem por interpolação utilizado foi novamente a convolução cúbica, pelos menos motivos elencados na etapa de correção geométrica. Conforme assinalado na Tabela 008, uma vez finalizada esta etapa de redimensionamento, as imagens de 1972, 1994, 2002, 2007 e 2010 sofreram um ajuste de escala de, respectivamente, 94,82%, 99,65%, 89,90%, 53,94% e 89,90%. Equalização Uma vez compostos os mosaicos de imagens de sensoriamento remoto para cada um dos anos em análise (todos com a mesma abrangência de representação territorial) e uma vez que estes mosaicos foram redimensionados, de modo que as estruturas matriciais sejam idênticas (em termos de linhas e colunas do raster), fezse necessário, na sequência, verificar a pertinência em promover o balanceamento 160


destas imagens. Acerca deste aumento de contraste em imagens de sensoriamento remoto, CROSTA (1993) considera oportuno o emprego de tal procedimento para que o analista humano, ao interpretar a imagem, possa perceber as feições geográficas representadas com maior clareza, dada a limitação do sistema visual humano em distinguir variados tons de cinza próximos. Não obstante, mesmo autor reforça que esta técnica deve ser usada com cautela, pois um mal emprego de função de transferência de contraste pode acarretar na perda irreversível de dados contidos nas imagens. Assim, os histogramas originais das imagens de 1962, 1972, 1994, 2002, 2007 e 2010 foram analisados individualmente e confrontados entre si, de modo a verificar sua expressão gráfica, conforme croquis abaixo. O eixo de frequência (Y) apresenta escalas variadas, porém todas as imagens possuem o mesmo número de células e a mesma estrutura matricial. GRÁFICO 012. Histograma original 1962.

GRÁFICO 013. Histograma original 1972.

GRÁFICO 014. Histograma original 1994.

Fonte: Denis Giannelli.

Fonte: Denis Giannelli.

Fonte: Denis Giannelli.

GRÁFICO 015. Histograma original 2002.

GRÁFICO 016. Histograma original 2007.

GRÁFICO 017. Histograma original 2010.

Fonte: Denis Giannelli.

Fonte: Denis Giannelli.

Fonte: Denis Giannelli.

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A partir dos histogramas originais, percebe-se uma divergência no padrão de probabilidade de valores de DNs para cada uma das imagens de referência. Também é evidente que, na maior parte destas imagens, há uma baixa (ou nula) quantidade de células com valores de DN próximos ao puro preto (0) e/ou ao puro branco (255). A consequência visual destas distribuições são imagens de sensoriamento remoto com contraste menor do que aquele que seria possível. Tendo em vista o propósito de utilização destas imagens – a elaboração de uma composição colorida multi-temporal e a classificação da evolução do ambiente construído em São Caetano do Sul –, julgou-se pertinente a aplicação de uma função de aumento de contraste nestas seis imagens. Nas palavras de CROSTA (1993): “Uma das aplicações mais comuns do aumento de contraste é na preparação de composições coloridas usando 3 bandas de um sensor. Para que seja obtida uma boa distribuição de cores nesse tipo de composição, é necessário que as 3 bandas tenham primeiramente os seus contrastes aumentados. Desse modo, obtém-se uma maior variação de matizes nas 3 cores básicas (vermelho, azul e verde) as quais serão atribuídas as 3 bandas.” (CROSTA, 1993) Assim, a função de transferência de contraste utilizada foi a equalização de histograma (em inglês, Histogram Matching), considerada por CROSTA (1993) como um aumento não-linear de contraste. Nas palavras deste autor: “A equalização de histograma (ou achatamento) parte do princípio que o contraste de uma imagem seria otimizado se todos os 256 possíveis níveis de intensidade fossem igualmente utilizados ou, em outras palavras, todas as barras verticais que compõem o histograma fossem da mesma altura. Obviamente isso não é possível devido à natureza discreta dos dados digitais de uma imagem de sensoriamento remoto. Contudo, uma aproximação pode ser conseguida ao se espalhar os picos do histograma da imagem, deixando intocadas as partes mais “chatas” do mesmo. Esse processo é obtido através de uma função de transferência que tenha uma alta inclinação toda vez que o histograma original apresentar um pico e uma baixa inclinação no restante do histograma (...) Uma vez que um pico alto requer mais espalhamento do que um pico mais baixo, isso implica que a inclinação da curva deverá ser proporcional à altura do pico do histograma. O histograma cumulativo neste caso vai tender a se aproximar de uma reta ascendente (motivo pelo qual ele é chamado em inglês de “ramp stretch”). A utilidade de um aumento de contraste tipo equalização é que imagens com extensas áreas de intensidade uniforme, 162


as quais produzirão histogramas com um largo pico central, serão bastante realçadas, com a possibilidade de que sejam revelados detalhes de contraste previamente não perceptíveis. Por outro lado, a informação representada por pixels com intensidade localizada nas extremidades do histograma será bastante comprimida em termos de contraste e, consequentemente, prejudicada.” (CROSTA, 1993 – grifo próprio) O Croqui 042, abaixo, exemplifica a função de transferência do tipo ‘equalização de histograma’ para uma imagem hipotética; Os Croquis de 043 a 048, abaixo, apresentam os novos histogramas das imagens de sensoriamento remoto, pós aumento linear de contraste. GRÁFICO 018. Aumento de contraste por equalização de histograma.

“Aumento de contraste por equalização de histograma. Deve ser notado que a curva de transferência é tanto mais inclinada quanto maior for a população de um determinado nível de cinza.”

Fonte: CROSTA (1993).

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GRÁFICO 019.

GRÁFICO 020.

GRÁFICO 021

Histograma equalizado 1962.

Histograma equalizado 1972.

Histograma equalizado 1994.

Fonte: Denis Giannelli.

Fonte: Denis Giannelli.

Fonte: Denis Giannelli.

GRÁFICO 022.

GRÁFICO 023.

GRÁFICO 024.

Histograma equalizado 2002.

Histograma equalizado 2007.

Histograma equalizado 2010.

Fonte: Denis Giannelli.

Fonte: Denis Giannelli.

Fonte: Denis Giannelli.

Empilhamento Por fim, a última atividade de pré-processamento foi o empilhamento das imagens de 1962, 1972, 1994, 2002, 2007 e 2010 em um único arquivo raster georreferenciado. Com o auxilio do Software ENVI, estas imagens foram, respectivamente, alocadas nas Bandas 1, 2, 3, 4, 5 e 6, aos moldes do que ocorreria com uma imagem multi-espectral mas, neste caso, trata-se de uma imagem multi-temporal. Resultado do Pré-Processamento Em linhas gerais, observa-se um resultado positivo e satisfatório do ponto de vista do tratamento de dados. As imagens estão compatíveis entre si, tanto em termos de correção geométrica quanto em termos de distribuição de DNs nos respectivos histogramas. 164


Evidentemente, nota-se a presença de alguns problemas em maior escala como, por exemplo, a transição abrupta de valores médios de DNs em células próximas aos limites de recorte das cartas de mesmo ano, que posteriormente foram mescladas em formato mosaico. Outro ponto negativo verificado é a mudança na assinatura espectral do sistema viário entre imagens de diferentes anos (asfalto claro para 1962, escuro para 1972 e claro para 1994), o que causará um grande impacto na composição colorida multitemporal. Este tipo de ruído nas imagens pode ser corrigido com um tratamento, em fase de pré-processamento, ainda mais intenso. Um exemplo disto teria sido a “Calibração Radiométrica” (JENSEN, 2005). Contudo, este não foi o objetivo do presente Trabalho Final de Graduação, uma vez que o foco desta pesquisa está muito mais voltado em evidenciar as possibilidades de emprego de técnicas de Sensoriamento Remoto na análise evolutiva do ambiente construído em São Caetano do Sul do que fornecer propriamente um trabalho de altíssima precisão cartográfica. Assim, as imagens de sensoriamento remoto, resultantes de todas as atividades de pré-processamento, estão apresentadas nos Mapa 045 (1962), Mapa 046 (1972), Mapa 047 (1994), Mapa 048 (2002), Mapa 049 (2007) e Mapa 050 (2010).

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MAPA 045. SCS: Imagem de sensoriamento remoto de 1962. R.

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Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE, CEM, LASERE. Elaboração: Denis Giannelli

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MAPA 046. SCS: Imagem de sensoriamento remoto de 1972. R.

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Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE, CEM, LASERE. Elaboração: Denis Giannelli

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MAPA 047. SCS: Imagem de sensoriamento remoto de 1994. R.

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Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE, CEM, LASERE. Elaboração: Denis Giannelli

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MAPA 048. SCS: Imagem de sensoriamento remoto de 2002. R.

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Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE, CEM, LASERE. Elaboração: Denis Giannelli

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MAPA 049. SCS: Imagem de sensoriamento remoto de 2007. R.

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Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE, CEM, CESAD. Elaboração: Denis Giannelli

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MAPA 050. SCS: Imagem de sensoriamento remoto de 2010. R.

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Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE, CEM, LASERE. Elaboração: Denis Giannelli

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CAPÍTULO 5. O PROCESSAMENTO DIGITAL: COMPOSIÇÃO COLORIDA MULTITEMPORAL E CLASSIFICAÇÃO TEMÁTICA O presente capítulo da pesquisa tem como propósito apresentar os procedimentos técnicos e operacionais relativos ao processamento digital das imagens de sensoriamento remoto que foram utilizadas neste trabalho. Com o objetivo de avaliar o processo de urbanização no município de São Caetano do Sul entre 1962 e 2010, as imagens de sensoriamento remoto foram então combinadas em tripletes, isto é, combinadas três a três, para que fossem feitas inferências iniciais sobre a evolução do ambiente construído no município. Este tripletes de imagens serviram como base para a classificação supervisionada dos pixels que compõem estas composições coloridas, em termos da cor falsa resultante para cada célula. A partir disto, foi possível identificar a evolução da reflexão de energia, pixel a pixel, para a cena registrada ao longo do período considerado em cada triplete. Nesta primeira abordagem, portanto, o critério básico para a delimitação dos ROIs, relativos a cada classe, foi a matiz e tonalidade dos pixels que compõem a CCMT, e não propriamente a evolução no uso do solo percebido com as imagens base de sensoriamento. Este primeiro procedimento mostrou-se menos eficaz em relação àquilo que seria o ideal para o presente trabalho. Isto porque, nesta primeira abordagem, tendo sido feita a delimitação dos ROIs com base no matiz e na tonalidade dos pixels da CCMT, a classificação supervisionada acabou por agregar porções do território analisado que possuem diferentes evoluções no uso do solo, ainda que tenham assinatura espectral semelhante ao longo dos anos. Além deste primeiro empecilho, também nesta primeira abordagem, a álgebra de mapas teria sido um procedimento adicional necessário para cruzar os resultados da classificação de todas as CCMTs produzidas, tendo em vista a combinação três a três dos tripletes. Esta etapa de álgebra de mapas não chegou a ser executada, devido à complexidade das informações a serem cruzadas e à solução alternativa proposta. Neste sentido, na segunda abordagem, desta vez mais eficaz e pragmática, foi proposta uma única classificação temática supervisionada de todas as seis imagens consideradas, cada qual alocada em uma banda do arquivo empilhado. Neste procedimento, não foi possível a visualização da CCMT no espaço RGB, dado o fato de existir apenas três cores primárias aditivas – vermelho, verde e azul – para seis bandas diferentes. Assim, a determinação dos ROIs para esta classificação temática foi feita com base na fotointerpretação, ano a ano, da cobertura vegetal em cada uma das imagens de sensoriamento remoto analisadas, de modo a produzir uma classificação que 173


levasse em conta a evolução do uso do solo e, consequentemente, do processo de urbanização em São Caetano do Sul no período em estudo. A seguir, narra-se com detalhes todo este processo de trabalho, culminando na representação temática dos câmbios produzidos no território analisado, em um modelo de percepção associativa. O Fluxograma 002 apresenta esquematicamente os procedimentos técnicos e operacionais registrados neste capítulo.

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FLUXOGRAMA 002. Processamento digital de imagens de sensoriamento remoto. PROCESSAMENTO DIGITAL IMAGENS DE SENSORIAMENTO REMOTO TRIPLETES DE IMAGENS: COMPOSIÇÕES COLORIDAS MULTI-TEMPORAIS

IMAGENS EMPILHADAS SEIS A SEIS 1962 - 1972 - 1994 - 2002 - 2007 - 2010

120 TRIPLETES POSSÍVEIS SELEÇÃO DE BANDAS E ALOCAÇÃO NO ESPAÇO RGB 1962 - 1972 - 1994 R

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Variav. Teórica Amb. Construído

Fotointerpretação do uso do solo Manchas de Cobertura Vegetal Manutenção vs. Transformação

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ROIs por Matiz e Tonalidade

ROIs por Matiz e Tonalidade

8 Classes Espectrais

Classificação Supervisionada

Variav. Analítica Cobert. Vegetal

ROIs - Evolução do uso do solo

8 Classes Espectrais

1 classe

Manutenção dos Usos Urbanos de 1962 a 2010

Manutenção da Cobertura Vegetal de 1962 a 2010

1 classe

Classificação Supervisionada

5 classes

Transformação Cobertura Vegetal para Uso Urbano

Transformação Uso Urbano para Cobertura Vegetal

2 classes

Álgebra de Mapas Cruzamento complexo de infos.

Classificação Supervisionada Percepção Associativa do Ambiente Construído

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Tripletes de Imagens: Seleção de Bandas e Alocação no Espaço de Cores RGB Conforme exposto em MORATO (2011), a Composição Colorida Multi-Temporal pode ser produzida [e visualizada em ambiente GIS] a partir do uso de três imagens diferentes, cada qual associada a um dos filtros de cores RGB (Red, Green e Blue). Com isto, segundo a autora e, conforme exposto no Capítulo 3 do presente trabalho, as mudanças no uso do solo em São Caetano do Sul produzidas ao longo do tempo são destacadas em cores, enquanto as áreas que não tiveram mudanças são registradas em tonalizadas de cinza, que variam do preto ao branco. Tendo em vista, contudo, a existência de seis imagens de sensoriamento remoto – 1962, 1972, 1994, 2002, 2007 e 2010 – e a disponibilidade de apenas três filtros de cores RGB para alocar tais imagens, um conjunto de decisões teve de ser enfrentado: quais são os tripletes de imagens de sensoriamento remoto necessários para a presente pesquisa, em termos de combinação, três a três, destas imagens, e em qual filtro RGB cada imagem será alocada. Em termos de combinações possíveis destas seis imagens em três filtros de cores primárias aditivas, sem a repetição de uma mesma imagem em dois ou mais filtros e sem a importância da ordem destas imagens, é verificada matematicamente a possibilidade de cento e vinte diferentes tripletes; Se o critério cronológico for adotado, isto é, se a ordem das imagens nos filtros RGB for um requisito, este número cai para vinte diferentes tripletes. O Croqui 028 apresenta as vinte possíveis CCMT geradas a partir das imagens de sensoriamento remoto disponíveis, nas quais a imagem mais antiga é associada ao filtro Vermelho (RED), a imagem intermediária é associada ao filtro verde (GREEN) e a imagem mais recente é associada ao filtro azul (BLUE). No universo destas vinte CCMTs geradas, foram estrategicamente selecionadas duas CCMTs para desenvolver o procedimento de classificação supervisionada: a CCMT composta pelas imagens de 1962, 1972 e 1994, e a CCMT composta pelas imagens de 2002, 2007 e 2010. Esta escolha foi embasada não somente pela sequência cronológica das imagens, como também pelo fato de que diferentes procedimentos técnicos e operacionais foram adotados para cada um destes dois conjuntos de imagens na etapa de pré-processamento, conforme foi exposto no Capítulo 4. Assim, duas classificações supervisionadas foram produzidas, cada qual correspondente a uma destas CCMT.

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R = 2002, G = 2007, B = 2010 R = 1972, G = 2007, B = 2010 R = 1972, G = 1994, B = 2007 R = 1962, G = 2002, B = 2007 R = 1962, G = 1972, B = 2010

R = 1994, G = 2007, B = 2010 R = 1972, G = 2002, B = 2010 R = 1972, G = 1994, B = 2002 R = 1962, G = 1994, B = 2010 R = 1962, G = 1972, B = 2007

R = 1994, G = 2002, B = 2010 R = 1972, G = 2002, B = 2007 R = 1962, G = 2007, B = 2010 R = 1962, G = 1994, B = 2007 R = 1962, G = 1972, B = 2002

R = 1994, G = 2002, B = 2007 R = 1972, G = 1994, B = 2010 R = 1962, G = 2002, B = 2010 R = 1962, G = 1994, B = 2002 R = 1962, G = 1972, B = 1994

CROQUI 028. SCS: Combinações possíveis das imagens de S.R. para a CCMT.


Composição Colorida Multi-Temporal 1962-1972-1994 Relativo ao triplete de imagens 1962-1972-1994, o Croqui 029 apresenta as seis CCMTs possíveis a partir da composição destas três imagens, considerando a não repetição de imagens em diferentes filtros. Em termos de capacidade visual, o arranjo de imagens que melhor explicita os detalhes singulares destas imagens, bem como a variação de reflexão de energia entre pixels análogos nestas imagens, é aquele que aloca a imagem de 1962 no filtro vermelho, a imagem de 1972 no filtro verde e 1994 no filtro azul. Este é a mesma escolha feita por MORATO et. al. (2011) para a CCMT desenvolvida a partir das imagens do Município de Cotia, e tem sua fundamentação naquilo que CROSTA (1993) apresenta como a capacidade do sistema visual humano em perceber matizes: “(...) sabe-se que [o] olho diferencia com precisão mudanças em tons azuis, diferencia menos as mudanças em tonalidades vermelhas e amarelas e de forma bem mais restrita com relação a tonalidade azuis-avermelhadas e azuis-esverdeadas.” (CROSTA, 1993). No trabalho de MORATO et. al. (2011), os autores apresentam o modelo simplificado da formação de cores na CCMT. O Quadro 004, abaixo, é uma adaptação deste modelo para a presente pesquisa. QUADRO 004. Modelo simplificado da formação das cores na CCMT.

Fonte: MORATO et. al., 2011. Assim, na CCMT de composta pelas imagens de 1962 (RED), 1972 (GREEN) e 1994 (BLUE), as cores resultantes de cada pixel, exibidas em ambiente GIS, revelam a combinação de DNs (e, por extensão, de reflexão de energia) destas imagens originalmente utilizadas.

178


R = 1972, G = 1962, B = 1994

R = 1972, G = 1994, B = 1962

R = 1994, G = 1962, B = 1972

R = 1994, G = 1972, B = 1962

R = 1962, G = 1994, B = 1972

R = 1962, G = 1972, B = 1994

CROQUI 029. SCS: Alocação das imagens de 1962, 1972 e 1994 no espaço RGB.


No caso especifico do Município de São Caetano do Sul, os pixels cujos DNs apresentam baixíssima reflexão de energia (DNs próximos ou iguais a 0) são aqueles nos quais há grande probabilidade de representação de cobertura vegetal do tipo arbustiva (copa de árvores que apresentam dossel fechado); por outro lado, os pixels cujos DNs apresentam altíssima reflexão de energia (DNs próximos ou iguais 255) são aqueles em que há grande probabilidade de representação de demais usos, sobretudo coberturas de edificações e solo exposto. Por extensão, conforme apresentado no Quadro 004, as cores preta ou banca indicam, respectivamente, manutenção da baixa reflexão de energia nas três imagens (1962-1972-1994) e manutenção de alta reflexão de energia nas mesmas três imagens. As demais cores – ciano, azul, magenta, verde, amarelo e vermelho – são combinações DNs de alta e baixa reflexão de energia, segundo cada imagem em análise. O mapa 051 apresenta a CCMT desenvolvida a partir do triplete 1962 (RED), 1972 (GREEN) e 1994 (BLUE).

180


MAPA 051. SCS: Composição colorida multi-temporal 1962(R), 1972(G), 1994(B). R.

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NOVA GERTI Santo André

São Bernado do Campo

Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE, CEM, LASERE. Elaboração: Denis Giannelli

Sistema viário Viário Principal 0

40

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Classificação Supervisionada 1962-1972-1994 Com base na CCMT desenvolvida a partir do triplete 1962 (RED), 1972 (GREEN) e 1994 (BLUE), uma etapa seguinte de trabalho consistiu na classificação supervisionada desta imagem em falsa cor. Esta classificação é considerada supervisionada justamente porque, na interação usuário - software, é o usuário (peopleware) que define as classes que serão produzidas, bem como a calibração destas classes a partir de amostras de treinamento, também denominadas de Regions of Interest, ROIS. Neste procedimento, a abordagem estabelecida para a delimitação das ROIs que subsidiariam as classes foi o matiz e a tonalidade dos pixels que compõem esta CCMT de referência. Assim, foram propostas oito classes, cada qual associada a uma das oito cores presentes no Quadro 004. Em ambiente GIS, foram delimitados, em média, dez ROIS do tipo polígonos representativos de cada uma das classes, resultando na elaboração de oitenta e três ROIS para a CCMT 1962-1972-1994. Os Croquis 030, 031 e 032 apresentam em detalhe alguns dos polígonos desenhados. CROQUI 030. ROI classe Cor Azul.

Fonte: Denis Giannelli.

CROQUI 031. ROI classe Cor Verde.

Fonte: Denis Giannelli.

CROQUI 032. ROI classe Cor Branco.

Fonte: Denis Giannelli.

Uma vez desenhados os ROIS, com o cuidado necessário para que fossem selecionadas varias amostras representativas de cada classe, as imagens de 1962, 1972 e 1994 – agrupadas em único arquivo empilhado – e o arquivo shapefile dos ROIs foram importados no software ENVI, que realizou o processo de classificação supervisionada. Pelas razões já apresentadas no Capítulo 3 do presente trabalho, o algoritmo classificador utilizado foi a máxima verossimilhança (MaxVer), associando nesta etapa cada pixel da CCMT a uma determinada classe definida no mapeamento. Relativo aos algoritmos de pós-classificação, foi permitido a suavização das feições, com o parâmetro de suavização Smooth Kernel Size = 3; Relativo à agregação mínima, 182


permitiu-se a manutenção das feições unitárias, isto é, pixels representativos de uma determinada classe isolados ao redor de feições pertencentes às demais classes (Aggregate Minimum Size = 1). Estas decisões foram tomadas levando em consideração o interesse na visualização da arborização viária urbana, cujos pixels representativos seriam suprimidos caso um parâmetro maior de agregação mínima fosse solicitado pelo usuário ao software. O Mapa 052, a seguir, apresenta a classificação temática desenvolvida a partir da CCMT 1962-1972-1994. A partir da interpretação visual das classes presentes no Mapa 052, percebese que há, em São Caetano do Sul, a predominância das classes de cor Magenta, Ciano e Azul. Mais do que isto, verifica-se, em uma primeira leitura, a predominância da Classe Cor Magenta na porção Centro Norte do município, e a predominância das classes Cor Ciano e Cor Azul na porção Centro Sul do município, bem como ao longo do eixo da Avenida Presidente Kennedy. Estas predominâncias são verdadeiras reveladoras do processo de urbanização em São Caetano do Sul entre 1962 a 1994, conforme os motivos apresentados a seguir: Os bairros situados a centro norte do município são aqueles nos quais os processos de parcelamento do solo para fins urbanos (na modalidade loteamento) são mais antigos e, consequentemente, são nestes mesmos bairros em que as construções (que ocuparam os lotes parcelados) são mais antigas. Nesta linha de raciocínio urbanístico, devido à reflexão de energia típica de edificações, em tons de cinza com DN elevado, seria razoável esperar a predominância da Classe Cor Branco na porção Centro Norte de São Caetano do Sul, uma vez que, para as três imagens, o ambiente construído com elevado número de edificações é mantido. Contudo, embora o procedimento de equalização de histogramas tenha sido aplicado a todas as imagens de sensoriamento remoto, a imagem de 1972 apresenta pixels com DN médio mais baixo em relação às imagens de 1962 e 1994. Com isso, a associação “pixel de alta reflexão de energia em 1962”, “pixel de baixa reflexão de energia em 1972” e “pixel de reflexão de energia em 1994” induz o classificador MaxVer a atribuir estes pixelsà classe Cor Magenta. Assim, em síntese, justamente por esta propensão estatística, o tecido urbano mais antigo de São Caetano do Sul é apresentado com coloração magenta. A situação inverte-se na porção Centro Sul de São Caetano do Sul, bem como no eixo da Avenida Kennedy e na divisa com o Município de Santo André. Na porção centro sul do território de São Caetano do Sul, os loteamentos foram abertos mais tardiamente em relação aos bairros próximos do Centro da cidade, ou então parte destes loteamentos já haviam sido executados, mas poucos edifícios 183


já haviam sido construídos em 1962 e/ou em 1972. O exemplo mais expressivo deste caso é o território do atual bairro Jardim São Caetano, no extremo sudoeste da cidade. Por este motivo, verifica-se nesta e em outras porções do município a predominância de pixels atribuídos às classes Cor Ciano e Cor Azul, indicando que tais pixels representam respectivamente áreas de cobertura vegetal até 1962 e áreas de cobertura vegetal até 1972. Em relação à Avenida Presidente Kennedy, conforme será exposto no Capítulo 6, sabe-se que esta infraestrutura viária foi construída sobre o Córrego do Moinho, ao longo do qual existia uma mata ciliar, representada na imagem de 1962 por pixels de baixa reflexão de energia. Assim, a CCMT e a classificação supervisionada subsequente apresentam pixels pertencentes à Classe Cor Ciano ao longo desta avenida, indicando que o processo de urbanização da planície fluvial do Córrego do Moinho ocorreu tardiamente, a partir da abertura da Avenida Pres. Kennedy. A divisa com o município de Santo André, por sua vez, é representada no Mapa 052 com predomínio de pixels atribuídos à classe Cor Azul, indicando que nesta porção periférica de São Caetano do Sul a cobertura vegetal manteve-se densa nos dois primeiros anos em consideração. Em relação à manutenção da cobertura vegetal nos três anos em análise, o Mapa 052 revela manchas cujos pixels são atribuídos à Classe Cor Preto, indicando, assim, áreas nas quais houve conservação de bosques urbanos durante todo o período. Estes locais correspondem às áreas protegidas no ambiente construído de São Caetano do Sul, com grande destaque para o Parque Santa Maria Cidade das Crianças próximo à atual Avenida Presidente Kennedy, ou então a pequenas glebas não parceladas ao longo do período considerado. De modo contrario à manutenção da cobertura vegetal, nota-se também no Mapa 052 a presença de machas cujos pixels são atribuídos à Classe Cor Branco, indicando, assim, áreas nas quais houve conservação de outros usos que não a cobertura vegetal. Com grande destaque, percebe-se a cor branca no bairro Cerâmica, justamente onde os edifícios e solo exposto da propriedade Olaria Cerâmica ocuparam o território durante todo o período, e por isto a alta reflexão de energia relacionada a este ambiente induz o classificador MaxVer a atribuir os pixels da CCMT à classe Cor Branco na classificação supervisionada.

184


MAPA 052. SCS: Classificação temática supervisionada CCMT 1962-1972-1994. R.

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NOVA GERTI Santo André

São Bernado do Campo

Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE, CEM, Denis Giannelli. Elaboração: Denis Giannelli

Reflexão de energia dos DNS

Bx. = Baixa; Al. = Alta. 62:Bx. - 72:Bx. - 94:Bx. 62:Bx. - 72:Al. - 94:Al. 62:Bx. - 72:Bx. - 94:Al. 62:Al. - 72:Bx. - 94:Al. 62:Bx. - 72:Al. - 94:Bx. 62:Al. - 72:Al. - 94:Bx. 62:Al. - 72:Bx. - 94:Bx. 62:Al. - 72:Al. - 94:Al. Sistema viário Viário Principal 0

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160 m


Composição Colorida Multi-Temporal 2002-2007-2010 De modo análogo ao procedimento técnico e operacional para a CCMT 19621972-1994, foi desenvolvida a CCMT para as imagens de sensoriamento remoto datadas de 2002, 2007 e 2010. Visando a compatibilização lógica entre as duas CCMTs elaboradas, adotou-se o mesmo critério da CCMT anterior, alocando-se desta vez a imagem mais antiga (2002) no filtro vermelho, a imagem intermediária (2007) no filtro verde, e a imagem mais recente (2010) no filtro azul. Por consequência, conforme apresentado no Quadro 004, as cores preta ou banca indicam, respectivamente, manutenção da baixa reflexão de energia nas três imagens (2002-2007-2010) e manutenção de alta reflexão de energia nas mesmas três imagens. As demais cores – ciano, azul, magenta, verde, amarelo e vermelho – são combinações DNs de alta e baixa reflexão de energia, segundo cada imagem. O Mapa 053 apresenta a CCMT desenvolvida a partir do triplete 2002 (RED), 2007 (GREEN) e 2010 (BLUE). De antemão, percebe-se na CCMT 2002-2007-2010 a predominância de pixels com baixa saturação de cor, isto é, pixels cuja composição cromática no Espaço RGB estão mais próximos da linha acromática de tons de cinza. Comparando-se, portanto, a CCMT 1962-1972-1994 com a CCMT 2002-2007-2010, percebe-se que esta segunda CCMT indica uma transformação do ambiente construído em São Caetano do Sul entre 2002 e 2010 menos expressiva em relação ao primeiro período em análise. A este fato podem ser atribuídas algumas explicações possíveis: Em primeiro lugar, do ponto de vista da abrangência temporal, é sugestivo que em um intervalo de tempo maior – 33 anos entre 1962 e 1994 contra 9 anos entre 2002 e 2010 – sejam produzidas maiores modificações no ambiente construído da cidade. Em segundo lugar, do ponto de vista do processo de estruturação da Metrópole de São Paulo, sabe-se também que, no período mais antigo considerado, a dinâmica de ocupação urbana do tipo Greenfield (abertura de novos loteamentos em áreas não urbanizadas) foi bem mais intensa do que neste segundo período, e portanto o consumo de cobertura vegetal é maior no primeiro período do que no segundo. Em terceiro lugar, do ponto de vista da resolução radiométrica, as imagens de sensoriamento remoto de 2002, 2007 e 2010 foram produzidas a partir de sensores orbitais e, assim, seus histogramas originais apresentavam menores contrastes de DNs em relação às fotografias aéreas de 1962, 1972 e 1994, o que leva a uma menor variação de DNs nos pixels das matrizes das imagens de 2002, 2007 e 2010 e, por consequência, a uma menor saturação dos pixels na CCMT. Em quarto lugar, pode-se também entender que, no período em consideração, houve pouca transformação no ambiente construído das áreas já urbanizadas de 186


São Caetano do Sul, isto é, o processo de urbanização do tipo brownfield foi pouco expressivo. Esta quarta explicação, se constatada de fato, pode aplicável a quase totalidade do município de São Caetano do Sul, com a exceção notória do Bairro Cerâmica, no qual o empreendimento urbanístico e imobiliário Espaço Cerâmica, desenvolvido pela SOBLOCO, transformou profundamente o uso do solo nesta porção da cidade a partir da substituição da Olaria Cerâmica pelo complexo multiuso implantado a partir de meados de 2007. Sejam quais forem as razões pelas quais a CCMT 2002-2007-2010 apresenta pixels com baixa saturação de cor, esperar-se-ia que a partir desta composição colorida multi-temporal fosse produzida uma classificação supervisionada cuja imagem resultante apresentasse uma grande quantidade de pixels atribuídos à Classe Cor Branco.

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MAPA 053. SCS: Composição colorida multi-temporal 2002(R), 2007(G), 2010(B). R.

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NOVA GERTI Santo André

São Bernado do Campo

Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE, CEM, LASERE. Elaboração: Denis Giannelli

Sistema viário Viário Principal 0

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Classificação Supervisionada 2002-2007-2010 De modo análogo à classificação supervisionada elaborada a partir da CCMT 1962-1972-1994, com base nesta segunda CCMT desenvolvida a partir do triplete 2002 (RED), 2007 (GREEN) e 2010 (BLUE), foi desenvolvida a classificação supervisionada para este segundo período em análise. Nesta etapa, tendo em vista a coerência técnica do processo como um todo, as oito classes produzidas na segunda classificação supervisionada atendem às mesmas premissas da primeira classificação. Em ambiente GIS, foram delimitados dez ROIS do tipo polígonos representativos de cada uma das oito classes, resultando na elaboração de oitenta ROIS para a CCMT 2002-2007-2010. Os Croquis 033, 034 e 035 apresentam em detalhe alguns dos polígonos desenhados. CROQUI 033. ROI classe Cor Branco.

Fonte: Denis Giannelli.

CROQUI 034. ROI classe Cor Azul.

Fonte: Denis Giannelli.

CROQUI 035. ROI classe Cor Ciano.

Fonte: Denis Giannelli.

Uma vez desenhados os ROIS, com o cuidado necessário para que fossem selecionadas varias amostras representativas de cada classe, as imagens de 2002, 2007 e 2010 – agrupadas em único arquivo empilhado – e o arquivo shapefile dos ROIs foram importados no software ENVI, que realizou o processo de classificação supervisionada. Assim como na classificação supervisionada da CCMT 1962-1972-1994, o algoritmo classificador utilizado para esta segunda classificação foi a máxima verossimilhança (MaxVer), o parâmetro de suavização foi Smooth Kernel Size = 3 a agregação mínima foi Aggregate Minimum Size = 1. O Mapa 054, a seguir, apresenta a classificação temática desenvolvida a partir da CCMT 2002-2007-2010. A partir da interpretação visual das classes presentes no Mapa 054, percebese que há, em São Caetano do Sul, a predominância das classes de Cor Verde e Cor Azul por todo o município. Mais do que isto, verifica-se, em uma primeira leitura, a 189


predominância da Classe Cor Azul nas áreas onde, notoriamente, existem maciços de cobertura vegetal do tipo arbustiva, e a predominância da Classe Cor Verde no restante do Município de São Caetano do Sul. A partir da CCMT 2002-2007-2010, a qual apresentou, em média, baixa saturação de cor nos pixels, havia sido criada a expectativa de que esta segunda classificação temática supervisionada apresentaria predominância de pixels classificados na Cor Branco, pois a evolução no ambiente construído em São Caetano do Sul foi pouco expressiva no período – com exceção do Espaço Cerâmica, anteriormente mencionado. Contudo, este resultado não foi verificado, uma vez que a classificação temática supervisionada apresenta predominância de pixels na classe Cor Verde (Baixa reflexão de energia em 2002, Alta reflexão de energia em 2007, Baixa reflexão de energia em 2010). Em relação às áreas de cobertura vegetal inalteradas no período em análise, a expectativa era que a CCMT produzisse manchas pertencentes à classe Cor Preto. Isto tampouco ocorreu, pois as áreas de cobertura vegetal inalteradas foram classificadas na Cor Azul (Baixa reflexão de energia em 2002, Baixa reflexão de energia em 2007, Alta reflexão de energia em 2010). Tendo em vista a escala territorial dos fenômenos observados na classificação e a discrepância com a fotointerpretação das imagens de sensoriamento remoto, percebe-se que esta segunda classificação não produziu resultados coerentes com a realidade do ambiente construído em São Caetano do Sul entre 2002 e 2010.

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MAPA 054. SCS: Classificação temática supervisionada CCMT 2002-2007-2010. R.

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Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE, CEM, Denis Giannelli. Elaboração: Denis Giannelli

Reflexão de energia dos DNS

Bx. = Baixa; Al. = Alta. 02:Bx. - 07:Bx. - 10:Bx. 02:Bx. - 07:Al. - 10:Al. 02:Bx. - 07:Bx. - 10:Al. 02:Al. - 07:Bx. - 10:Al. 02:Bx. - 07:Al. - 10:Bx. 02:Al. - 07:Al. - 10:Bx. 02:Al. - 07:Bx. - 10:Bx. 02:Al. - 07:Al. - 10:Al. Sistema viário Viário Principal 0

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Álgebra de Mapas Tal impasse levou a uma reflexão crítica acerca da viabilidade dos procedimentos técnicos e operacionais empregados no processamento digital das imagens de sensoriamento remoto. Isto porque, além de ter sido obtido um resultado pouco confiável na segunda classificação supervisionada, extraída a partir da CCMT 20022007-2010, a etapa seguinte para o cumprimento dos objetivos da presente pesquisa seria uma álgebra de mapas que conciliasse os resultados da primeira e da segunda classificação temática supervisionada. Para a execução viável desta álgebra de mapas, as oito classes presentes na primeira classificação (preto, ciano, azul, magenta, verde, amarelo, vermelho e branco) seriam cruzadas com as mesmas oito classes presentes na segunda classificação, mediante uma expressão que assim satisfizesse essa condição. Por combinação matemática, o resultado desta álgebra de mapas seria, portanto, a produção uma nova classificação temática supervisionada, desta vez com 64 classes possíveis, cada qual informando a alta ou baixa reflexão de energia dos pixels nas imagens base de 1962, 1972, 1994, 2002, 2007 e 2010. Evidentemente, nem todas estas classes seriam expressivas em termos de abrangência territorial, pois a alternância constante entre alta e baixa reflexão de energia seria mais um indicador de que o empecilho está na grande variância de DNs entre pixels de diferentes imagens (um problema ligado ao processamento digital em si) do que propriamente mudança no uso do solo em São Caetano do Sul (um fenômeno urbanístico). Assim, conforme o Fluxograma 002, tendo em vista a complexidade de informações a serem cruzadas entre a primeira e a segunda classificações supervisionadas, optou-se por uma nova estratégica técnica para a análise evolutiva do ambiente construído em São Caetano do Sul entre 1962 e 2010. Empilhamento de Imagens Seis a Seis Uma segunda abordagem para o processamento digital das imagens de sensoriamento remoto levou em consideração a possibilidade de classificar todas estas imagens de uma só vez. Para que isto fosse possível, contudo, deveriam ser elaboradas amostras de treinamento com representatividade suficientemente alta, de tal forma que permitissem a interpretação do processo de urbanização em São Caetano do Sul durante todo o período entre 1962 e 2010. Conforme mencionado anteriormente, a técnica da Composição Colorida MultiTemporal é limitada pela visualização das imagens base de sensoriamento remoto em conjunto de tripletes, isto é, três imagens distintas, cada qual alocada em um dos filtros de cor RGB. Portanto, no processo de produção de uma classificação temática 192


supervisionada que agregue quatro ou mais imagens de sensoriamento remoto, todas as imagens estarão empilhadas juntas, mas a delimitação dos ROIs necessários para a classificação será feito sem o subsídio da CCMT. Variável Teórica e Variável Operacional Para esta classificação temática supervisionada da evolução do ambiente construído em São Caetano do Sul no modelo “às escuras” (isto é, sem o auxílio de uma CCMT de referência), foi necessário um grande conhecimento territorial para garantir a representatividade dos ROIS nas classes a serem produzidas. Assim, em termos pragmáticos, a variável teórica ambiente construído teve de ser traduzida em uma variável operacional que expressasse, no processamento digital, os conceitos que alicerçam o processo de urbanização estudado. Neste sentido, a ‘cobertura vegetal’ foi a variável operacional escolhida para a definição das classes e desenho dos ROIs. A vantagem desta escolha reside justamente no fato de que áreas de cobertura vegetal, do ponto de vista do sensoriamento remoto / processamento digital, são representadas por DNs de baixa reflexão de energia, e urbanisticamente indicam porções do território de São Caetano do Sul nos quais o processo de urbanização não consumiu solo para novos empreendimentos imobiliários. Inversamente, áreas com ausência de cobertura vegetal, do ponto de vista do sensoriamento remoto / processamento digital, são geralmente representas por DNs de média e baixa reflexão de energia, e urbanisticamente fazem parte de um conjunto de usos do solo com interferência antrópica (edifícios, pavimentação asfáltica, solo exposto, etc.) Este binômio “cobertura vegetal / alta reflexão de energia” vs. “demais usos / média e baixa reflexão de energia” foi o que norteou a fotointerpretação do uso do solo nas imagens de sensoriamento remoto, tendo em vista que, no processo de classificação supervisionada, o processamento digital de imagens seria calibrado pelo software fundamentalmente no espaço amostral estatístico de DNs apresentados para cada classe proposta. Fotointerpretação do Uso do Solo Uma vez definida a Cobertura Vegetal enquanto variável operacional para a análise evolutiva do ambiente construído, as imagens de sensoriamento remoto de 1962, 1972, 1994, 2002, 2007 e 2010 foram interpretadas, uma a uma, em ambiente GIS. Neste processo foto-interpretativo, constatou-se a possibilidade de segregar as manchas de cobertura vegetal em dois grandes grupos: um primeiro grupo, composto 193


pelas manchas de cobertura vegetal que sempre estiveram presentes nas imagens, desde 1962 até 2010; e um segundo grupo, composto pelas manchas de cobertura vegetal que surgiram a partir da imagem de 1972, ou também pelas mancha que foram eliminadas a partir da imagem de 1972. Em termos analíticos, essa escolha é positiva pois apresenta, de forma matricial e sintética, um conjunto de quatro grandes possibilidades em termos de evolução do ambiente construído: 1) áreas de manutenção da cobertura vegetal; 2) áreas de transformação de demais usos do solo para cobertura vegetal; 3) áreas de manutenção de demais usos do solo, 4) áreas de transformação da cobertura vegetal para demais usos do solo. Este último conjunto é justamente aquele com maior capacidade de expressão da evolução do processo de urbanização em São Caetano do Sul, uma vez que indica a velocidade de consumo do solo para o desenvolvimento urbano no município. Classificação Supervisionada 1962 a 2010 A partir da fotointerpretação das imagens de sensoriamento remoto de 1962, 1972, 1993, 2002, 2007 e 2010, foram identificadas nove classes representativas da evolução do ambiente construído em São Caetano do Sul, estruturadas conforme os clusters de manutenção/transformação e cobertura vegetal/demais usos: •

Manutenção da cobertura vegetal. 1. Cobertura vegetal desde 1962 – porções do território de São Caetano do Sul nos quais verifica-se, desde a imagem de 1962 até a imagem de 2010, a presença de cobertura vegetal em todas as imagens consideradas.

•

Transformação de demais usos para cobertura vegetal. 2. Cobertura vegetal a partir de 1972 – porções do território de São Caetano do Sul nos quais verifica-se, a partir da imagem de 1972, a presença de cobertura vegetal como substituição de demais usos. 3. Cobertura vegetal a partir de 1994 – porções do território de São Caetano do Sul nos quais verifica-se, a partir da imagem de 1994, a presença de cobertura vegetal como substituição de demais usos. Obs. Não foram encontradas, durante a fotointerpretação, manchas de cobertura vegetal que substituíram demais usos somente a partir de 1994 em diante (2002, 2007 e 2010). •

194

Manutenção de demais usos. 4. Demais usos desde 1962 – porções do território de São Caetano do


Sul nos quais verifica-se, desde a imagem de 1962 até a imagem de 2010, a ausência de cobertura vegetal em todas as imagens consideradas. •

Transformação de cobertura vegetal para demais usos 5. Demais usos a partir de 1972 – porções do território de São Caetano do Sul nos quais verifica-se, a partir da imagem de 1972, a presença de demais usos como substituição da cobertura vegetal. 6. Demais usos a partir de 1994 – porções do território de São Caetano do Sul nos quais verifica-se, a partir da imagem de 1994, a presença de demais usos como substituição da cobertura vegetal. 7. Demais usos a partir de 2002 – porções do território de São Caetano do Sul nos quais verifica-se, a partir da imagem de 2002, a presença de demais usos como substituição da cobertura vegetal. 8. Demais usos a partir de 2007 – porções do território de São Caetano do Sul nos quais verifica-se, a partir da imagem de 2007, a presença de demais usos como substituição da cobertura vegetal. 9. Demais usos a partir de 2010 – porções do território de São Caetano do Sul nos quais verifica-se, a partir da imagem de 2010, a presença de demais usos como substituição da cobertura vegetal.

Em ambiente GIS, foram delimitados, em média, nove ROIS do tipo polígonos representativos de cada uma das nove classes, resultando na elaboração de oitenta ROIS para a classificação temática da evolução do ambiente construído entre 1962 e 2010. Os Croquis 036, 037, 038, 039, 040 e 041 apresentam em detalhe um mesmo ROI produzido a partir da fotointerpretação das imagens de sensoriamento remoto de 1962, 1972, 1994, 2002, 2007 e 2010, respectivamente.

195


CROQUI 036. ROI sobre imagem de 1962.

CROQUI 037. ROI sobre imagem de 1972.

CROQUI 038. ROI sobre imagem de 1994.

Fonte: Denis Giannelli.

Fonte: Denis Giannelli.

Fonte: Denis Giannelli.

ROI sobre imagem de 2002.

CROQUI 040. ROI sobre imagem de 2007.

CROQUI 041. ROI sobre imagem de 2010.

Fonte: Denis Giannelli.

Fonte: Denis Giannelli.

Fonte: Denis Giannelli.

CROQUI 039.

Uma vez desenhados os ROIS, com o cuidado necessário para que fossem selecionadas varias amostras representativas de cada classe, as imagens de 1962, 1972, 1994, 2002, 2007 e 2010 – agrupadas em único arquivo empilhado – e o arquivo shapefile dos ROIs foram importados no software ENVI, que realizou o processo de classificação supervisionada. Assim como nas duas classificações temáticas supervisionadas anteriormente desenvolvidas, o algoritmo classificador utilizado foi a máxima verossimilhança (MaxVer), o parâmetro de suavização foi Smooth Kernel Size = 3 a agregação mínima foi Aggregate Minimum Size = 1. O Mapa 055, a seguir, apresenta a Percepção Associativa do Ambiente Construído em São Caetano do Sul entre 1962 e 2010.

196


MAPA 055. SCS: Percepção associativa do ambiente construído - 1962 a 2010. R.

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São Paulo Zona Leste

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São Paulo Zona Sul

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LIBERTI

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O AD T S

NOVA GERTI

Demais Usos para Cobertura Vegetal

Cob.Veg. a partir de 1972 Cob.Veg. a partir de 1994 Manutenção Demais Usos Demais Usos desde 1962 Transformação

Cobertura Vegetal para Demais Usos

Santo André São Bernado do Campo

Manutenção Cobertura Vegetal Cob. Vegetal desde 1962 Transformação

Projeção: UTM – Fuso 23S Datum Horizontal: SIRGAS 2000 - EPSG 31983. Fonte: IBGE, CEM, Denis Giannelli. Elaboração: Denis Giannelli

Demais Usos a partir de 1972 Demais Usos a partir de 1994 Demais Usos a partir de 2002 Demais Usos a partir de 2007 Demais Usos a partir de 2010

Sistema viário Viário Principal Municípios RMSP 0

40

80

160 m


Percepção Associativa do Ambiente Construído O Mapa 055, denominado ‘Percepção Associativa do Ambiente Construído em São Caetano do Sul entre 1962 e 2010’, é o produto síntese dos procedimentos técnicos e operacionais empregados no presente trabalho. A partir da leitura e interpretação crítica da distribuição espacial dos pixels representativos de cada uma das nove classes propostas, é possível fazer interferências sobre o processo de urbanização no município durante o período considerado neste estudo. Do ponto de vista do processamento digital destas imagens de sensoriamento remoto, a primeira consideração a ser feita – e também uma das mais evidentes – é o fato de que o território do município de São Caetano do Sul, como um todo, é predominantemente classificado como ‘Manutenção dos Demais Usos desde 1962’. Assim, do ponto de vista urbanístico, pode-se afirmar que São Caetano do Sul é uma cidade cujo território foi predominantemente urbanizado antes de 1962. Em outras palavras, considerando o intervalo entre 1962 e 2010, a maior parte do tecido urbano da cidade pode ser considerado como ‘antigo’. Verifica-se a coerência desta afirmação não apenas por meio da fotointerpretação direta da imagem de 1962 (com a qual é possível perceber que, em 1962, quase a totalidade do município já estava urbanizado), mas também a partir do estudo da evolução da mancha urbana na Região Metropolitana de São Paulo entre 1553 e 2002 (Mapa 010). Em termos de estruturação metropolitana, o território de São Caetano do Sul situa-se no vetor sudeste de expansão urbana. Assim, é possível perceber, a partir da leitura do Mapa 010, que São Caetano do Sul está em uma posição intermediária entre o centro da metrópole e sua periferia contemporânea. Logo, no modelo de estruturação radial concêntrico de São Paulo a partir de avenidas radiais e perimetrais, São Caetano do Sul já havia sido quase completamente conurbada com São Paulo antes do primeiro registro de 1962. A ferrovia Santos – Jundiaí (anteriormente, São Paulo Railway e, posteriormente, Linha 10 Turquesa da CPTM) e a Avenida do Estado desempenharam um papel fundamental na dinâmica de ocupação urbana do território do ABC Paulista. Neste sentido, em termos da classificação supervisionada desenvolvida, é possível afirmar que, se a classe ‘Manutenção dos Demais Usos desde 1962’ é a moda em termos probabilísticos do conjunto amostral de pixels no Mapa 055, então as demais classes podem ser consideradas exceções a esta regra. Em outras palavras, é razoável supor que as porções de São Caetano do Sul não enquadradas na classe ‘Manutenção dos Demais Usos’ representam de alguma forma a evolução do ambiente construído no município a partir deste primeiro registro fotográfico. Tomando como ‘regra’, portanto, a classe ‘Manutenção dos Demais Usos 198


desde 1962’, a presente pesquisa foca nas ‘exceções’ a esta regra para explicar a evolução do ambiente construído em São Caetano do Sul entre 1962 e 2010. Entre estas exceções – representadas pelas demais classes no Mapa 055 -, são elencados, abaixo, algumas porções de São Caetano do Sul que merecerem atenção especial. Em primeiro lugar, o Jardim São Caetano, duas outras grandes áreas no Bairro Mauá e o final da Avenida Presidente Kennedy, quase na divisa com Santo André, configuram-se como grandes manchas classificadas no Mapa 055 como “Demais Usos a partir de 1972”; São áreas de grande porte, sinalizando que, em 1962, estas porções da cidade ainda não haviam sido loteadas, e portanto apresentavam ainda cobertura vegetal. Além destas grandes manchas, boa parte dos terrenos adjacentes à atual Avenida Presidente Kennedy também são classificados como “Demais Usos a partir de 1972”. O mesmo é valido para a divisa entre o Bairro Santa Maria, em São Caetano do Sul, com o Município de Santo André. Outra feição de destaque no Mapa 055 é o eixo da Linha de Alta Tensão que começa no bairro Cerâmica, no oeste de São Caetano, e segue rumo sudeste até atravessar a divisa entre o bairro Nova Gerti, em São Caetano do Sul, e São Bernardo do Campo. Particularmente nos limites do bairro Cerâmica, este eixo é classificado como “Demais Usos a partir de 2010”, indicando que o processo de substituição da cobertura vegetal para outros usos nesta faixa foi muito recente. Isto está diretamente associado ao projeto urbanístico do Espaço Cerâmica, no qual o eixo da Linha de Alta Tensão foi desviado para a implantação de produtos imobiliários nesta gleba, conforme será explicitado no Capítulo 6. No que diz respeito às classes de transformação de demais usos para cobertura vegetal, nota-se a presença de grandes manchas classificadas como “Cobertura Vegetal a partir de 1994” sobre o terreno atualmente ocupado pelo Parque Chico Mendes (Avenida Fernando Simonsen), cuja arborização atual é muito expressiva em relação ao restante do município. Assim, é razoável supor que este parque tenha sido projetado em uma área onde, anteriormente à 1994, predominavam outros usos que não a própria cobertura vegetal que hoje lhe caracteriza. As classes “Cobertura Vegetal a partir de 1972” e “Cobertura Vegetal a partir de 1994” também são bastante expressivas na porção noroeste do bairro Fundação, já na divisa com o município de São Paulo (zona leste e zona sul). Esta porção da cidade era ocupada por edificações das Indústrias Reunidas Fabrica Matarazzo, e é atualmente caracterizada por glebas desocupadas, configurando verdadeiros vazios no tecido urbano de São Caetano do Sul. Um outro ponto que merece grande destaque na análise evolutiva do ambiente construído em São Caetano do Sul é a presença das classes “Demais usos a partir de 2002”, “Demais usos a partir de 2007” e “Demais usos a partir de 2010” na porção 199


central das quadras viárias do município em diversos bairros, curiosamente circundada pela classe de manutenção “Demais usos desde 1962”. Em termos urbanísticos, este fenômeno indica a ocupação das bordas das quadras por edifícios anteriormente aos fundos dos lotes que compõem as mesmas quadras, os quais mantiveram a cobertura vegetal por mais tempo, até que esta cobertura vegetal fosse também substituída por outros usos com o passar do tempo. Embora este fenômeno seja representado em manchas de pixel com pequena extensão territorial, a ocorrência deste padrão evolutivo na ocupação do solo é recorrente em todos os bairros de São Caetano do Sul, razão pela qual torna-se interessante um aprofundamento qualitativo neste tema. Por fim, é importante também atentar para o fato de que, na classificação temática supervisionada das imagens de sensoriamento remoto de 1962, 1972, 1994, 2002, 2007 e 2010, surgem alguns problemas classificatórios decorrentes da própria assinatura espectral dos materiais representados nestas imagens. É o caso, por exemplo, das manchas de pixels classificadas como “Cobertura vegetal desde 1962” e “Cobertura Vegetal a partir de 1972” em áreas onde estão instalados galpões industriais nos bairros Fundação e Prosperidade. A reflexão de energia da cobertura destes edifícios alterna de valores médios a altos nas primeiras imagens para valores muito baixos em termos de DNs nas imagens finais da série histórica. Neste sentido, o classificador MaxVer interpreta a maior probabilidade de este conjunto de pixels pertencer à classe de transformação de outros usos para cobertura vegetal, pois a mesma evolução espectral ocorre com áreas que eram ocupadas por outros usos e passam a receber cobertura vegetal. Embora seja importante levar em consideração estas imprecisões durante a interpretação dos resultados da classificação temática supervisionada (Mapa 055), a incoerência de algumas manchas não compromete o procedimento classificatório como um todo. Muito pelo contrário, os resultados analisados são satisfatórios no que diz respeito à evolução do ambiente construído no município de São Caetano do Sul entre 1962 e 2010, tendo em vista o conhecimento prévio sobre a área analisada. Para comprovar a veracidade dos resultados apresentados pelas técnicas de sensoriamento remoto nos demais ambientes anteriormente mencionados de São Caetano do Sul, o capítulo seguinte apresenta estrategicamente estudos de caso qualitativos destas áreas do município.

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CAPÍTULO 6. OS ESTUDOS DE CASOS QUALITATIVOS DE SÃO CAETANO DO SUL O presente capítulo tem como finalidade apresentar uma análise qualitativa da evolução do ambiente construído no Município de São Caetano do Sul, por meio de estudos de casos estratégicos. Diferentemente dos procedimentos técnicos e operacionais ligados aos trabalhos de processamento digital das imagens de sensoriamento remoto, este etapa do trabalho foi desenvolvida pontualmente, partindo de bibliografia e registros históricos específicos (fotografias, mapas, etc.) sobre alguns recortes territoriais em São Caetano do Sul. A definição de tais ambientes para aprofundamento qualitativo sobre São Caetano do Sul tomou como base o Mapa 055 – SCS: Percepção Associativa do Ambiente Construído (1962 a 2010) – no qual, como apontado no capítulo anterior, a classe “Demais usos desde 1962” é aquela predominante, enquanto as demais classes ganham destaque a partir do contraste com esta classe predominante. Seguindo esta linha de raciocínio, se o mapeamento digital supervisionado do processo evolutivo de São Caetano do Sul revela que a maior parte do ambiente construído no município já estava urbanizado em 1962, então os ambientes com alteração de uso do solo entre 1962 e 2010 – e também as manchas de cobertura vegetal preservadas durante todo este período – configuram-se como verdadeiros parâmetros para o entendimento da variável conceitual ambiente construído, empregada no presente trabalho. Assim, após a análise criteriosa do Mapa 055 – entendido como o produto síntese dos trabalhos de processamento digital das imagens –, foram selecionados nove recortes espaciais, que variam tanto em termos das classes apresentadas, como também em termos de distribuição espacial no território do município. Os recortes são: 1. Loteamentos Vila Belvedere e Jardim São Caetano, no bairro Jardim São Caetano; 2. Loteamentos Vila Nelly, Vila Boqueirão e Conjuntos Habitacionais no bairro Mauá; 3. ‘Buracão da Cerâmica’ / Espaço Verde Chico Mendes; 4. Cerâmica São Caetano / Espaço Cerâmica SOBLOCO; 5. Córrego do Moinho / Avenida Presidente Kennedy; 6. Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo; 7. Verticalização na Avenida Goiás e entorno; 8. Cidade da Criança e; 9 Complexo produtivo da General Motors do Brasil. Para fundamentar estes estudos de caso qualitativos, foi consultado o arquivo técnico e bibliográfico da Fundação Pró Memória de São Caetano do Sul, uma autarquia municipal que preza pelo resgate da memória de São Caetano do Sul e pela preservação de sua identidade histórico-cultural. Os registros fotográficos de época foram coletados do acervo da Fundação, e as maior parte das informações bibliográficas foram extraídas da obra de MEDICI (1993).

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Loteamentos Vila Belvedere e Jardim São Caetano O bairro atualmente denominado Jardim São Caetano – cujo perímetro é resultante da divisão oficial e atual do município, cf. decreto n. 3.064 / 1968 – foi, segundo MEDICI (1993), urbanizado a partir de dois loteamentos distintos: o primeiro, denominado Vila Belvedere, aprovado em 1949; e o segundo, denominado Jardim São Caetano, cuja primeira aprovação deu-se em 1963 e foi sendo aprovado em partes, até 1968. Neste sentido, dois projetos distintos – do tipo Greenfield – foram desenhados e executados nesta porção sudoeste do município de São Caetano do Sul, transformando o uso do solo de antigas áreas rurais da cidade para novas áreas urbanizadas. De acordo com MEDICI (1993), a região onde foram implantados o Jardim São Caetano e a Vila Belvedere era conhecida como ‘Meninos Novos’, como referência ao Córrego dos Meninos, na divisa entre São Paulo, São Caetano do Sul – à época, pertencente à Santo André – e São Paulo. A propriedade imobiliária que deu origem aos dois loteamentos era patrimônio do Bank of London & South America Limited, com área de aproximadamente um milhão de metros quadrados e adquirida em escritura no dia oito de maio de 1930. Antes do uso urbano, MEDICI (1993) aponta que este imóvel era usado como um grande pasto para a Cerâmica São Caetano, estruturado com algumas construções rústicas – casas, fornos, etc. – e lagoas, onde era possível pescar, dada a superfície de inundação do Córrego dos Meninos. A Fotografia 001 mostra, para o ano de 1934, a vista aérea da Cerâmica São Caetano, em primeiro plano, e a região de Meninos Novos ao fundo, acompanhando a linha de transmissão de energia elétrica. A colina imediatamente posterior à Cerâmica São Caetano daria espaço para o futuro bairro Jardim São Caetano. Primeiramente, após um período de tramitação legal, o projeto de arruamento e loteamento ‘Vila Belvedere’ (PMSA 20/49), que já havia sido executado em 1949, foi aprovado em 1962 pela Prefeitura de São Caetano do Sul, perfazendo área total de 26.950 metros quadrados, junto à Estrada das Lágrimas, e regularizando as doações de áreas públicas necessárias. A Fotografia 002 apresenta a Estrada das Lágrimas, principal via arterial de acesso ao Jardim São Caetano e que conecta o município de São Caetano do Sul com São Paulo e São Bernardo do Campo.

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FOTOGRAFIA 001. Vista aérea da Cerâmica São Caetano (1934).

“Vista aérea da Cerâmica São Caetano. No verso do cartão: “A Cerâmica São Caetano S/A deseja Boas Festas e feliz Ano Novo - 1934 - São Paulo, Rua 3 de Dezembro nº 17 - 3º andar - Fone 2-3429 - Caira 278”. Registro do ano de 1934.” Fonte: Acervo Fundação Pró-Memória de São Caetano do Sul.

FOTOGRAFIA 002. Estrada das Lágrimas, Jardim São Caetano (sem data).

“Estrada das Lágrimas, trecho do Bairro Jardim São Caetano. Sem data.” Fonte: Fundação Pró-Memória de São Caetano do Sul.

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Segundo MEDICI (1993), em um segundo momento, posterior ao projeto, à execução e à aprovação da Vila Belvedere, o Bank of London – então proprietário da matrícula não loteada remanescente do imóvel Meninos Novos – contratou a Companhia City Paulista de Melhoramentos para desenhar “um loteamento diferente, e extremamente organizado”, resultando em 1963 na primeira fase de aprovação do loteamento Jardim São Caetano. Ainda segundo o mesmo autor, após algumas revisões no desenho do loteamento e, sobretudo, nas áreas de doações públicas – em especial naquela onde era originalmente prevista a implantação de um ramal ferroviário da Estrada de Ferro Santos Jundiaí –, o bairro começou a ser executado, com trabalhos de demarcação e terraplanagem a partir de 10 de Outubro de 1963. Em relação à este trabalho de movimentação de terras no loteamento Jardim São Caetano, MEDICI (1993) resgata um depoimento de Germano Minello, corretor que, em 1976, falava sobre as obras iniciais deste bairro. “ – O terreno era muito acidentado e, no seu miolo, chegaram a ser arrancados 16 a 20 metros de terra. E na Avenida Guido Aliberti, o aterro consumiu caminhões e caminhões de terra. Além disso, os terrenos, medindo 300, 400 metros quadrados, custavam caro, já que eram supervalorizados com guias, sarjetas, um arruamento perfeito.” (MEDICI, 1993) Segundo MEDICI (1993), o loteamento Jardim São Caetano foi aprovado de maneira fracionada, com processos de aprovação datados desde 1963 até 1973. As vendas, segundo este autor, começaram em 1965, sempre com grande publicidade, conforme o anúncio de 1966 da Cia. City: “Companhia City vai lançar mais uma gleba do Jardim São Caetano, único bairro que está sendo construído na região e que será, certamente, o ‘Jardim América’ do ABC. (...) O Jardim São Caetano é o único bairro residencial de alta classe do ABC, projetado nos mesmos moldes do Jardim América e Pacaembu, hoje bairros famosos de São Paulo.” (MEDICI, 1993, cf. anúncio publicado no seminário News Seller, de 24 de fevereiro de 1966.)

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Além da execução de um projeto de loteamento com desenho urbano voltado para um público de alta renda – com grandes lotes unifamiliares, geometria viária no modelo cidade jardim e intensa arborização viária – o Jardim São Caetano também contaria com uma boa infraestrutura urbana e equipamentos públicos de grande porte. É o caso da Escola Técnica Estadual Jorge Street (Fotografia 003), inaugurada em 20 de maio de 1975 em um terreno de 40.000 metros quadrados de área total e 11.000 metros quadrados de construções.


FOTOGRAFIA 003. Escola Técnica Estadual Jorge Street (1975).

“Fachada da Escola Técnico Industrial Jorge Street, localizada na Rua Bell’Alliance nº 149, Bairro Jardim São Caetano. A escola foi fundada em 20 de maio de 1975. Registro da década de 1970.” Fonte: Acervo Fundação Pró-Memória de São Caetano do Sul.

A Fotografia 004 apresenta a atual configuração urbanística do Jardim São Caetano. Destaque para a ETE Jorge Street na porção central superior da fotografia. FOTOGRAFIA 004. Bairro Jardim São Caetano (2019).

Fonte: Google Earth, 2019; Elaboração: Denis Giannelli.

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Loteamentos Vila Nelly, Vila Boqueirão e Conjuntos Habitacionais no bairro Mauá Segundo MEDICI (1993), assim como o Bairro Jardim São Caetano, o perímetro do atual Bairro Mauá também foi resultante da divisão oficial e atual do município, cf. decreto n. 3.064 / 1968. Neste bairro, de acordo com o autor, “A Vila Boqueirão, aberta em 1960, corresponde ao ultimo grande loteamento popular de São Caetano. Fica no bairro, ainda, o pequeno loteamento Vila Nelly e vários conjuntos habitacionais nascidos na virada dos anos 60 para 70 ao tempo do Sistema Financeiro de Habitação.” (MEDICI, 1993). Neste sentido, uma considerável parte deste bairro também foi urbanizada tardiamente, sobretudo a partir de 1960, na lógica de produção imobiliária financiada pelo BNH. Os novos loteamentos ocuparam áreas anteriormente ocupadas por chácaras e áreas alagáveis, em um processo do tipo Greenfield. O primeiro destes loteamentos, segundo MEDICI (1993), foi a Vila Boqueirão, nome original para o loteamento que é, atualmente, conhecido por Mauá. Este loteamento, perfazendo área de aproximadamente 146.000 metros quadrados e cujos lotes possuíam área variada entre 250 e 500 metros quadrados, começou a ser executado no início de 1958 e, ao final das obras, verificada sua execução conforme projeto, foi aprovado no final do ano de 1959. Segundo MEDICI (1993), as vendas iniciaram no início dos anos 1960. O público target era, sobretudo, operários, que poderiam comprar lotes em duplas, e posteriormente dividir os quatorze metros de frente do lote adquirido para a construção de duas residências geminadas. Este tipo de empreendimento marca, atualmente, o ambiente construído deste bairro, no qual as casas geminadas dão ao local uma característica de destaque em relação aos bairros vizinhos, como o Jardim São Caetano, por exemplo. MEDICI (1993) resgata o depoimento do corretor Germano Minello, que comenta: “ –Ao contrário do Jardim São Caetano, a Vila Boqueirão não foi aterrada. Os terrenos foram vendidos nas barrocas mesmo, tornando-se mais baratos. De melhoramentos os lotes não tinham quase nada: nem guias, nem asfalto. Só iluminação domiciliar.” MEDICI (1993) afirma que, nascendo pobre, a Vila boqueirão se desenvolveu pobre, repleta de problemas: deserta, uma várzea sem fim, com pequenas lagoas por todos os cantos. Nos anos 1960, com a criação da sociedade de amigos da Vila 208


Boqueirão, a sociedade civil conseguiu algumas melhorias urbanas. O Centro Esportivo e Recreativo Águias de Nova Gerti foi construído no terreno da antiga “cruzinha”, “um matagal medonho”. Durante a administração Braido, a prefeitura negociou via permuta a aquisição de terrenos na Vila Boqueirão para a construção do Cemitério das Lágrimas. Era a época de qualificação urbanística do entorno do cemitério. A Fotografia 005 apresenta obras de infraestruturas urbanas sendo executadas em ruas do loteamento Vila Boqueirão: FOTOGRAFIA 005. Vila Boqueirão (1967).

“Galeria e Pavimentação na Vila Boqueirão. Registro de 1967.” Fonte: Acervo Fundação Pró-Memória de São Caetano do Sul.

Nas palavras de MEDICI (1993), “chegava a infraestrutura de água e esgoto. E o calçamento a paralelos. O bairro era valorizado (....) Sinal dos tempos. O lixão virou cemitério, o campo do Areião da antiga chácara dos Lorenzoni virou o Instituto Mauá de Tecnologia, o buraco e lago perto do ribeirão dos Meninos virou a EMEI Otavio Tegão.” Além do pioneiro loteamento da Vila Boqueirão, o território do atual Bairro Mauá também foi desenvolvido durante a chamada ‘Era do Sistema Financeiro de Habitação’, a partir alguns conjuntos residenciais desenvolvidos nos anos 1960 e 1970. MEDICI (1993) resgata a implantação de quatro conjuntos habitacionais no Bairro Mauá: 1. O Jardim Tersicone, de 1968, localizado entre o Cemitério das Lagrimas, o Instituto Mauá de Tecnologia, a Estrada das Lágrimas e a Vila Boqueirão, 209


perfazendo área total de aprox. 23.500 metros quadrados, com casas e sobrados; 2. A Cooperativa Habitacional do ABC (Fotografia 006 e Fotografia 007), localizado junto à rua Nelly Pelegrino e perfazendo área total de aproximadamente 111.000 metros quadrados, onde foram executadas 464 casas populares, e mais 29 casas na Rua Capivari em terreno de 5.880 metros quadrados. 3. O Conjunto Residencial de 308 casas populares junto aos antigos transmissores da Radio Nove de Julho, cuja execução iniciou-se em 1971, em uma área de aproximadamente 74.000 metros quadrados. 4. A Vila Nelly, com área total de aproximadamente 10.000 metros quadrados, junto à Rua Tamandaré, cuja aprovação e execução é, em realidade, anterior à própria Vila Boqueirão, a despeito da sua pequena extensão. FOTOGRAFIA 006. Cooperativa Habitacional do ABC (década de 1960).

“Rua do Conjunto Residencial do Bairro Mauá. Uma das ruas do Conjunto Residencial que deu origem ao Bairro Mauá. As casas foram construídas pela Cooperativa Habitacional de São Caetano do Sul, que transformou a Vila Boqueirão no Bairro Mauá. Foram construídas 493 casas para trabalhadores de baixa renda. Esse projeto habitacional e a fundação da primeira Cooperativa Habitacional do ABC foi obra de João Tessarini e Mário Murasaki. Essa dupla convenceu a maioria dos vereadores que aprovaram o projeto. Com a ajuda do Prefeito Oswaldo Samuel Massei, conseguiram obter fundos para as obras de infraestrutura, mobilizando, também, trabalhadores. Registro da década de 1960.” Fonte: Acervo Fundação Pró-Memória de São Caetano do Sul.

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FOTOGRAFIA 007. Cooperativa Habitacional do ABC (década de 1970).

“Localizado no Bairro Mauá, onde a primeira rua é Nelly Pellegrino, está o Núcleo Comunitário Bandeirantes. Registro da década de 1970.” Fonte: Foto/José Honório de Castro | Acervo Fundação Pró-Memória de São Caetano do Sul.

Todos estes empreendimentos imobiliários no Bairro Mauá alteraram profundamente o ambiente construído da porção sul do Município de São Caetano do Sul, a partir da execução de novos loteamentos e incorporações imobiliárias do tipo Greenfield, os quais ocuparam antigas áreas de sítios, chácaras e brejos nos limites entre São Caetano do Sul e São Bernardo do Campo. Atualmente, o Bairro Mauá é a rota de acesso entre estas duas cidades, cuja divisão administrativa é o Córrego dos Meninos. A Fotografia 008 apresenta o ambiente construído atual no Bairro Mauá, com destaque para o arruamento geométrico da Cooperativa Habitacional do ABC, no canto centro da imagem, o campus do Instituto Mauá de Tecnologia no canto direito, o Cemitério das Lágrimas no centro, o Jardim Tersicone, entre o campus do IMT e o cemitério, a Vila Boqueirão, entre o IMT e a faixa non aedificandi da linha de alta tensão, e o Conjunto Residencial Rádio Nove de Julho, no canto inferior direito da imagem.

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FOTOGRAFIA 008. Bairro Mauá (2019).

Fonte: Google Earth, 2019; Elaboração: Denis Giannelli.

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Buracão da Cerâmica / Espaço Verde Chico Mendes O Espaço Verde Chico Mendes, principal parque do município de São Caetano do Sul, está localizado no bairro São José, com acesso pela Avenida Fernando Simonsen. O terreno atualmente ocupado por este parque, no passado, abrigou atividades extrativistas de argila para fornecer matéria prima para a Cerâmica São Caetano, que ficava próxima ao local. Nas palavras de MEDICI (1993), “O Bairro São José também é formado por duas grandes áreas que pertenceram à Cerâmica São Caetano. A primeira, de 135 mil metros quadrados, ganhou o apelido de Buracão da Cerâmica. Ali era um dos barreiros da Cerâmica São Caetano. Extraía-se o taguá – latossolo intemperizado –, que chegou a ser transportado o estoque da fábrica através de vagonetas. Em 1969, esta área foi desapropriada pela Prefeitura. Segundo o decreto 3.275, de 2 de abril de 1969, o espaço deveria se destinar à construção de uma cidade universitária. Com a mudança do governo municipal – Oswaldo Massei sucedeu a Walter Braido – uma nova destinação foi pensada para a área. Esta se transformaria num centro recreativo que teria, entre outros equipamentos, uma colossal piscina para 10 mil pessoas, chamada ufanisticamente de “a maior piscina do mundo.” As obras, de fato, foram iniciadas, com a construção de quadras e vestiários, mas o centro recreativo não teve sequência.” (MEDICI, 1993) A Fotografia 009 ilustra o Buracão da Cerâmica, na década de 1960, antes de sua desapropriação pela Prefeitura de São Caetano do Sul, em 1969. Já na década de 50, conforme MEDICI (1993), este espaço do então Buracão da Cerâmica abrigava um campo de futebol da Cerâmica FC, além de quadra de basquete, equipamentos estes que faziam divisa com a Cerâmica Tupan. A Fotografia 010 apresenta alguns dos equipamentos remanescentes no buracão da Cerâmica, durante os anos 1960. MEDICI (1993) informa que, após o procedimento de desapropriação, o terreno do Buracão da Cerâmica foi anunciado por sucessivas administrações para ser destinado a usos variados: cidade universitária, centro recreativo, cidade da criança, parque público municipal e centro de lazer.

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FOTOGRAFIA 009. Buracão da Cerâmica (1963).

“Área chamada antigamente de “Buracão da Cerâmica”, de onde era extraída argila para servir à Cerâmica São Caetano. Posteriormente, no local foi construído o Espaço Verde “Chico Mendes” e o Palácio da Cerâmica. Vemos na foto, de 1963, quatro estudantes do Ginásio Barão do Rio Branco: Valter Albino Santi, Nivaldo José Santi, José Viudes Parra e Dárcio Poveda. Registro de 1963.” Fonte: Acervo Fundação Pró-Memória de São Caetano do Sul.

FOTOGRAFIA 010. Buracão da Cerâmica (década de 1960).

“Vista panorâmica do “Buracão da Cerâmica”. O atual Espaço Verde “Chico Mendes” era formado por uma imensa cratera denominada “Buracão da Cerâmica” ou Barreiro, de onde a Cerâmica São Caetano extraía argila para fazer tijolos, telhas e refratários. Na década de 60, foi planejado construir no local um grande parque esportivo e aquático que não teve prosseguimento. Todavia, algumas quadras esportivas começaram a ser feitas. O empreendimento idealizado na administração Oswaldo Samuel Massei não prosperou. Registro da década de 1960.” Fonte: Acervo: Fundação Pró-Memória de São Caetano do Sul.

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O projeto que foi levado adiante, de fato, foi o parque público municipal. Conforme apontado por MEDICI (1993), durante a última administração Walter Braido, em 1986, este prefeito conseguiu negociar com famílias que ocupavam os vestiários semi-construídos a abandonarem estas construções, e indenizou os proprietários da região pela desapropriação da área. Na sequência, o mesmo autor informa que, na gestão sucessiva – prefeito Luiz Olinto Tortorello –, o antigo Buracão da Cerâmica foi transformado no Espaço Verde Chico Mendes, uma homenagem ao líder seringueiro assassinado em 1989. A inauguração ocorreu em 4 de Março de 1989. A Fotografia 011 apresenta uma perspectiva do Espaço Verde Chico Mendes no início dos anos 2000, época em que começaram a ser executadas as obras de requalificação paisagística dos espaços internos ao parque. Nesta imagem, é notória a recomposição da cobertura vegetal sobre os taludes que foram criados mediante escavação de argila durante a época do Buracão da Cerâmica (Fotografia 009). FOTOGRAFIA 011. Espaço Verde Chico Mendes (2001).

“Foto do Parque Chico Mendes em fase de reforma, por volta de 2001. Vê-se ao fundo, o monumento em homenagem ao Padroeiro de São Caetano do Sul e, ainda ao redor, a arborização já concluída, o lago e abaixo à direita, uma pequena parte do local para caminhadas dentro do bosque. Registro de 2001.” Fonte: Foto/Gilson Cirino dos Santos | Acervo Fundação Pró-Memória de São Caetano do Sul.

Conforme apontado na legenda da Fotografia 011, o Espaço Verde Chico Mendes foi reformado no início dos anos 2000. A área central deste espaço, anteriormente pavimentada e onde existiam quadras de futebol, cederam espaço para espaços ajardinados com forrações, folhagens e arbustos, além de passeios de pedestres e uma fonte central. A Fotografia 012 apresenta a configuração atual do 216


Espaço Verde Chico Mendes, destacando-o no ambiente construído do Bairro São José pela expressiva cobertura vegetal. FOTOGRAFIA 012. Espaço Verde Chico Mendes (2019).

Fonte: Google Earth, 2019; Elaboração: Denis Giannelli.

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Cerâmica São Caetano / Espaço Cerâmica SOBLOCO A gleba atualmente ocupada pelo Espaço Cerâmica – no Bairro Cerâmica – foi o último ambiente do município de São Caetano do Sul a ser objeto de estudo para um masterplan urbanístico, culminando em um parcelamento do solo na modalidade loteamento, já no começo deste século. A partir de um mix de usos, este projeto – desenvolvido pela SOBLOCO Construtora S/A – concebeu uma nova centralidade para a cidade, substituindo as instalações abandonadas da antiga Cerâmica São Caetano. Conforme MEDICI (1993), a originalmente denominada Cerâmica Privilegiada do Estado de São Paulo foi oficialmente fundada em 1913. Após sucessivas aquisições e mudanças na sociedade, esta empresa – cujo nome fantasia era Cerâmica São Caetano – possuía no final dos anos 80 aproximadamente 2.600 funcionários. Ao longo do século XX, constituiu-se como uma autêntica indústria cerâmica pioneira no Brasil. Em São Caetano do Sul seu complexo fabril principal se estendida por uma área de 300.000 metros quadrados, desconsiderando áreas de extração de argila, como o próprio Buracão da Cerâmica, anteriormente mencionado. A gleba da Cerâmica São Caetano abrangia um espaço desde a Avenida Guido Aliberti (marginal do Córrego dos Meninos) até a atual Avenida Engenheiro Armando de Arruda Pereira, e da tradicional Rua São Paulo até o limite oposto, onde hoje se situa a Avenida Nelson Braido. A Fotografia 013 apresenta o complexo fabril da Cerâmica São Caetano em 1947, no território do atual Bairro Cerâmica. É possível observar no canto inferior direito da fotografia a linha de alta tensão que atravessava obliquamente a gleba da Cerâmica São Caetano desde esta época. Conforme MEDICI (1993), depois de anos de atuação em São Caetano do Sul, a Cerâmica São Caetano S/A entra em processo de declínio produtivo. Esta empresa, que por muitos anos teve – e ainda tem – prestígio e reconhecimento por grande parte da população sul-caetanense (sobretudo em termos de desenvolvimento social), fecha a fábrica. No final do século XX, as instalações da antiga Cerâmica São Caetano são implodidas – Fotografia 014 –, simbolizando, desta forma, o término de um ciclo de desenvolvimento econômico em São Caetano do Sul ligado à atividade industrial. O legado da indústria cerâmica em São Caetano do Sul, contudo, é evidente até os dias de hoje, a começar pelas toponímias da cidade e mesmo a estética arquitetônica de muitas edificações simbólicas da cidade, como a própria sede da prefeitura municipal – o denominado Palácio Cerâmica.

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FOTOGRAFIA 013. Cerâmica São Caetano (1947).

“Vista aérea da Cerâmica São Caetano, ao centro. À direita, Cemitério da Saudade, na avenida Engenheiro Armando de Arruda Pereira - Bairro Cerâmica. Registro de 26 de novembro de 1947.” Fonte: Foto/ENFA | Acervo Fundação Pró-Memória de São Caetano do Sul.

FOTOGRAFIA 014. Implosão das antigas instalações da Cerâmica São Caetano do Sul.

“Implosão das antigas instalações da Cerâmica São Caetano. Sem data.” Fonte: Foto/Antonio Reginaldo Canhoni | Acervo Fundação Pró-Memória de São Caetano do Sul.

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No começo do século XXI, a região da antiga Cerâmica São Caetano passa por um intenso e gradual processo de transformação urbanística. A SOBLOCO Construtora S/A, empresa nacionalmente reconhecida pelo desenvolvimento imobiliário da Riviera de São Lourenço, inicia as obras para a implantação do Espaço Cerâmica, concebido como um novo ambiente no município, com mix de produtos imobiliários desenhados sob o prisma do ‘Novo Urbanismo’. A Fotografia 015 apresenta os trabalhos de terraplanagem no início das obras do empreendimento. A avenida Guido Aliberti, que neste trecho adjacente à antiga Cerâmica São Caetano passava rente ao Córrego dos Meninos, teve seu eixo desviado e elevado em relação à cota original, além de sua caixa viária ter sido duplicada. Deste modo, a faixa non aedificandi da linha de alta tensão, que antes atravessava obliquamente o terreno, foi transposta para as margens do Córregos dos Meninos. Aproveitando-se desta transposição, galerias de retenção de água pluviais (popularmente conhecidas como piscinões) foram executadas na margem direita do córrego, em São Caetano do Sul, com o objetivo de combater os problemas de macrodrenagem local, em função da área situar-se na planície fluvial do Córrego dos Meninos. À época desta fotografia, a Avenida Nelson Braido, diretriz viária do projeto, já havia sido executada, permitindo um novo acesso entre a Avenidas Guido Aliberti a Avenida e Fernando Simonsen. Conforme a Fotografia 016, em termos de mix de produtos imobiliários, o Masterplan urbanístico do Espaço Cerâmica previu um Shopping Center como âncora comercial do projeto (lilás), um novo loteamento fechado de lotes unifamiliares (laranja), lotes para incorporação residencial vertical (amarelo), lotes para incorporação de comércio e serviços (azul) e uma área para lotes de incorporação empresarial (lilás). Além dos lotes vendáveis, o empreendimento foi desenhado com uma praça e um parque, além de arborização viária do tipo boulevard. Independentemente do juízo crítico que se faça a respeito da qualidade urbanístico paisagista do projeto, o fato é que o ambiente construído na gleba em análise sofreu uma drástica transformação no inicio do século XXI. É importante ressaltar, contudo, que diferentemente dos loteamentos anteriormente analisados nos bairros Jardim São Caetano e Mauá, este novo loteamento surgiu a partir da transformação de uma área anteriormente urbanizada, onde funcionava o complexo fabril da Cerâmica São Caetano. Neste processo de transformação urbanística, a única área que deixou de ter cobertura vegetal para transformar-se em outro uso foi justamente a faixa non aedificandi da linha de alta tensão, fato perceptível pelo confronto da Fotografia 015 com a Fotografia 017, que ilustra o ambiente construído do Espaço Cerâmica em 2019.

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FOTOGRAFIA 015. Execução do empreendimento Espaço Cerâmica, da SOBLOCO.

Fonte: SOBLOCO Construtora S/A.

FOTOGRAFIA 016. Masterplan do Espaço Cerâmica.

Fonte: SOBLOCO Construtora S/A.

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FOTOGRAFIA 017. Espaço Cerâmica em São Caetano do Sul (2019).

Fonte: Google Earth, 2019; Elaboração: Denis Giannelli.

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Córrego do Moinho / Avenida Presidente Kennedy Assim como em muitas outras cidades brasileiras, o modelo de estruturação urbana aplicado em São Caetano do Sul no século XX substitui o ‘espaço das águas’ pelo ‘espaço do automóveis’. O processo de urbanização em São Caetano do Sul seguiu ao máximo este paradigma: Em um primeiro período, o modelado do relevo no município – com predomínio de colinas de declividades moderadas alternadas por largas planícies de inundação fluviais – induziu a incipiente ocupação urbana em terrenos acima da cota média de inundação periódica dos corpos hídricos, no chamado terraço fluvial Posteriormente, a crescente pressão pela expansão urbana a partir dos anos cinquenta e o novo modelo de vida alicerçado no uso do automóvel (carros particulares e ônibus, em substituição aos bondes) induziram a municipalidade a ocupar o leito maior dos corpos hídricos com avenidas estruturadoras do sistema viário. Em São Caetano do Sul, os casos mais expressivos deste contexto são as Avenidas Guido Aliberti, marginal do Córrego do Meninos, e a Avenida do Estado, marginal do Rio Tamanduateí. Mas há também corpos hídricos de menor porte no Município de São Caetano do Sul, que foram esquecidos na memória coletiva justamente por sua canalização e tamponamento. Este é o caso do Córrego do Moinho, sobre o qual MEDICI (1993) afirma ter sido construída a atual Avenida Presidente Kennedy. Em sua obra, este autor mostra como o Córrego do Moinho foi um marco na estruturação dos diversos loteamentos durante o processo de urbanização em São Caetano do Sul, pois bairros incipientes tinham como limites as margens direita e esquerda do Córrego do Moinho. A Fotografia 018 apresenta a planície fluvial do Córrego do Moinho com seu leito maior desocupado, provavelmente em época de baixa vazão deste curso d’água. Destaca-se a construção de passagens improvisadas para pedestres ao fundo da imagem. Com o crescimento de São Caetano do Sul e as novas formas de viver na cidade, o Córrego do Moinho passou a ser visto como um entrave na dinâmica urbana. MEDICI (1993) aponta para a organização coletiva de moradores do bairro Barcelona em meados dos anos 50 e 60, os quais reivindicavam melhorias urbanas para a região, tais como iluminação pública, água e esgoto, pavimentação asfáltica, linhas de transporte público, etc.

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FOTOGRAFIA 018. Córrego do Moinho.

“Córrego dos Moinhos, onde hoje é a Avenida Presidente Kennedy. Sem data.” Fonte: Acervo Fundação Pró-Memória de São Caetano do Sul.

Neste contexto, a administração pública da cidade iniciou um processo que marcaria de forma profunda a relação da sociedade com seus rios: a aterragem do Córrego do Moinho para sua canalização. Esta obra de infraestrutura teria como objetivo equalizar três questões crônicas concomitantes: •

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A macrodrenagem urbana, uma vez que o regime de chuvas na cidade provocava alterações no nível do córrego e, consequentemente, alagamento de terrenos lindeiros nos bairros; A pressão pela expansão urbana da cidade, pois o crescimento econômico e populacional de São Caetano do Sul à época demandava terrenos para formação de novos domicílios e; De sobra, a mobilidade urbana, pois a canalização do Córrego do Moinho permitiria a execução de uma nova avenida marginal ao mesmo, com caixa viária duplicada, correspondente à atual Avenida Presidente Kennedy.

A canalização do Córrego do Moinho foi de fato iniciada na segunda metade da década de 1960, conforme representada na Fotografia 019. Uma vez finalizada, a Avenida Presidente Kennedy foi executada em pista dupla – Fotografia 020 –, conectando o território dos atuais bairros Boa Vista, Santa Maria, Olímpico, Barcelona e Santa Paula. 225


FOTOGRAFIA 019. Canalização do Córrego do Moinho (1966).

“Aterragem das margens do Córrego dos Moinhos, local em que seriam construídas as duas pistas da Avenida Presidente Kennedy. Ao fundo, o cruzamento com a Alameda São Caetano. Registro de 14 de dezembro de 1966.” Fonte: Acervo Fundação Pró-Memória de São Caetano do Sul.

FOTOGRAFIA 020. Avenida Presidente Kennedy (década de 1970).

“Córrego dos Moinhos na Avenida Presidente Kennedy que atravessa quatro Bairros. Registro da década de 1970.” Fonte: Acervo Fundação Pró-Memória de São Caetano do Sul.

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Além da mobilidade urbana e das questões ligadas à drenagem urbana, a canalização do Córrego do Moinho e a execução da Avenida Presidente Kennedy impactaram também na dinâmica imobiliária da cidade. A planície fluvial do Córrego do Moinho foi parcelada para que novas ocupações pudessem ser instaladas nos terrenos anteriormente ocupados por mata ciliar. A Fotografia 021 ilustra este processo de transformação do uso do solo nos lotes marginais à Avenida Presidente Kennedy, na década de 1970. Nas palavras de MEDICI (1993), “A Avenida Kennedy, ao longo do Córrego do Moinho, foi uma obra iniciada na segunda gestão de Anacleto Campanella, que iniciou a abertura da via até as imediações da atual Asascs; Oswaldo Massei deu prosseguimento à obra, até a rua Arlindo Marchetti; e Walter Braido concluiu a via, até a favela de Vila Palmares, em Santo André.” (MEDICI, 1993) FOTOGRAFIA 021. Ocupação marginal à Avenida Presidente Kennedy (década de 1970).

“ Vista aérea da Avenida Presidente Kennedy, vendo-se, à esquerda, o Bairro Olímpico. Observa-se, na Avenida, o Córrego do Moinho. O clube visto ao centro é o ACASCS. Registro da década de 1970. Fonte: Acervo Fundação Pró-Memória de São Caetano do Sul.

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Atualmente, o eixo da Avenida Presidente Kennedy – Fotografia 022 – é marcado por um ambiente construído de baixa verticalização, exceto no Bairro Boa Vista, onde uma verticalização expressiva ocorreu em terrenos próximos à divisa com o Município de Santo André (canto inferior da fotografia). Na porção superior da imagem, nota-se à esquerda o Estádio Anacleto Campanella, no bairro Olímpico, e o Parque Santa Maria Cidade da Criança, marcado por sua cobertura vegetal densa. FOTOGRAFIA 022. Eixo da Avenida Presidente Kennedy (2019).

Fonte: Google Earth, 2019; Elaboração: Denis Giannelli.

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Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo Assim como a Cerâmica São Caetano S/A, propriedade da família Simonsen, as Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo, propriedade da família Matarazzo, também marcaram a dinâmica produtiva de São Caetano do Sul durante o século XX. Localizado no Bairro Fundação, o decadente complexo fabril da IRFM ocupou uma extensa área na confluência entre o Córrego dos Meninos e Rio Tamanduateí, portanto na divisa com o município de São Paulo – distritos Sacomã e Vila Prudente –, no noroeste de São Caetano do Sul, às margens da linha férrea. Segundo MEDICI (1993), as indústrias Matarazzo começaram a ser instaladas, no Bairro Fundação, na metade dos anos 10, como substituta das antigas fábricas de sabão e óleo Pamplona. As IRFM fabricavam, já na década de 20, uma série de produtos, entre eles sabão, velas, óleos, vidros, pregos, serrarias e lubrificantes. Este autor comenta que a vida no Bairro Fundação girava sobretudo em função da própria Matrarazzo e das sucessivas cadeias produtivas que a ela eram incorporavas: rayon a nos anos 20, papel e papelão e celulose nos anos 30, cerâmica a partir de 1935, produtos químicos variados, etc. Segundo MEDICI (1993), o parque industrial das IRFM começou a atrair trabalhadores de todas as partes. Conforme as décadas se passavam, o poder econômico do conde Francisco Matarazzo se consolidava em São Caetano do Sul. Nos anos 40 e 50, conforme MEDICI (1993), a presença de um grupo forte como o Matarazzo parecia ofuscar outros valores nos bairros e na cidade. Era uma empresa familiar cuja influência ofuscava até mesmo outras famílias importantes na região, como os Perrella. A Fotografia 023 apresenta o parque fabril das IRFM na década de 1950, no ápice de sua produção industrial. Em 1967, o grupo Matarazzo conseguiu junto à Prefeitura de São Paulo o desvio do curso do ribeirão dos Meninos e a canalização dentro de sua propriedade. De acordo com MEDICI (1993), já na passagem para os anos 1970 e 1980, houve uma profunda transformação na paisagem do Bairro Fundação, que se transformou substancialmente em um bairro dormitório. A Fotografia 024 apresenta, no ano de 1979, as vilas operárias construídas ao redor da IRFM, sendo seu maior legado no ambiente construído do Bairro Fundação. Nestas décadas, grandes fábricas foram fechadas, como a Companhia Mecânica, e progressivamente todas as fábricas do Grupo Matarazzo. Em 1983, o complexo industrial Matarazzo em São Caetano do Sul havia se transformado em uma verdadeira – e gigantesca – cidade fantasma. Em dezembro de 1991, apenas a antiga fábrica de louças do grupo ainda estava em funcionamento.

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FOTOGRAFIA 023. Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo (1950).

“Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo. Vista aérea das Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo, localizada no Bairro Fundação. Registro da década 1950.” Fonte: Acervo Fundação Pró-Memória de São Caetano do Sul.

FOTOGRAFIA 024. Bairro Fundação e IRFM (1979).

“ Vista panorâmica do Bairro Fundação. Vemos ao fundo a Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo e os sobrados construídos pela Indústria. Registro de 1979.” Fonte: Foto/Teruo Fujita | Acervo Fundação Pró-Memória de São Caetano do Sul.

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Se é verdade que o complexo fabril das IRFM trouxe um enorme benefício para o desenvolvimento econômico do bairro fundação, também é verdade que com ela vieram uma série de problemas ambientais e urbanísticos. Na passagem do século, o declínio econômico incentivou muitos moradores a se mudarem. Segundo MEDICI (1993), algumas construções transformaram-se em verdadeiros cortiços, em um ambiente saturado de problemas crônicos de enchentes e poluição, agravados sobretudo pela geometria do canal do Córrego dos Meninos, que impede a dispersão de materiais sólidos, e a contaminação do solo decorrente da atividade produtiva. A Fotografia 025 apresenta uma imagem das instalações da antiga IRFM no ano de 2005. Os edifícios originais da IRFM foram abandonados e deteriorados; ao fundo, nota-se um processo de verticalização em curso. FOTOGRAFIA 025. Bairro Fundação e IRFM (2005).

“Antigas instalações das Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo no Bairro Fundação. Registro de 02 de janeiro de 2005.” Fonte: Foto/Teruo Fujita | Acervo Fundação Pró-Memória de São Caetano do Sul.

Atualmente, passadas décadas desde o fim da atividade produtiva da IRFM em São Caetano do Sul, o terreno por ela anteriormente ocupado ainda encontra-se em desuso, desconsiderando-se momentos no quais houve ocupação da propriedade por movimentos sociais de moradia seguidos de reintegração de posse. A propriedade, portanto, configura-se como um verdadeiro vazio no tecido urbano de São Caetano do Sul. Neste meio tempo, a cobertura vegetal começou a crescer em locais onde anteriormente havia solo exposto. A Fotografia 026 ilustra um panorama atual do 232


ambiente construído nos terrenos abandonados das antigas Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo. As curvas projetadas no canal do Córrego dos Meninos, entre a via férrea e o Rio Tamanduateí, impedem o escoamento de materiais sólidos que passavam nesta seção hidráulica; Nota-se ocupações de moradia em terreno no canto inferior direito da imagem, já no distrito de Vila Prudente (São Paulo); a conexão viária entre a Avenida Guido Aliberti e a Avenida do Estado, que atravessa os terrenos e a via férrea, foi executada no final dos anos 1990. As frações de terrenos decorrentes deste sistema viário continuam sem uso até a atualidade. FOTOGRAFIA 026. Terrenos abandonados da antiga IRFM (2019).

Fonte: Google Earth, 2019; Elaboração: Denis Giannelli.

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Verticalização na Avenida Goiás e entorno A Avenida Goiás é, hoje, a principal via urbana de São Caetano do Sul. É a avenida que conecta a zona sul do Município de São Paulo com o Município de Santo André, em um eixo oeste-leste. Com caixa viária larga, pista dupla e canteiro central, a Goiás representa uma verdadeira centralidade comercial e de serviços na cidade, sendo considerada por muitos o cartão postal de São Caetano do Sul, aos moldes daquilo que é a Avenida Paulista para o Município de São Paulo. Sua localização é estratégica, pois além de promover uma ligação fácil no sentido leste-oeste, é também próxima do centro do município, próxima à estação ferroviária da CPTM e, de certo modo, paralela à linha férrea, oferecendo acessibilidade viária ao sul dos trens, analogamente aquilo que ocorre na Avenida do Estado, ao norte destes trilhos urbanos. MEDICI (1993) descreve a importância da abertura da Avenida Goiás para o Município de São Caetano a partir de fragmentos colhidos de várias fontes. Segundo este autor, “esta via pública alargou o panorama urbanístico de São Caetano do Sul e Santo André, gerou dividendos políticos, foi motivo de crítica e elogios e teve nomes, muitos nomes”. Entre os topônimos históricos, a via já foi denominada no início dos anos 20 como Avenida Presidente Wilson (atualmente, tal designação se aplica apenas para a via da capital paulista), Rua Seis, Rua Regina, Avenida Souza Ramos e, finalmente, Avenida Goiás. A Avenida Goiás foi projetada e construída inicialmente com pista simples, na década de 1920, desde o trecho da Avenida Guido Aliberti, divisa com o município de São Paulo, até o Córrego do Moinho, onde atualmente encontra-se com a Avenida Presidente Kennedy. Foi um grande negócio imobiliário para desenvolvedores que procuravam lotear glebas entre São Caetano e Santo André, pois a fácil circulação promoveria uma escalada de valor nos lotes a serem vendidos. Em um momento posterior, conforme MEDICI (1993), a Avenida Goiás foi alargada no início dos anos 70, desde a Avenida Guido Aliberti até o trecho da Avenida Presidente Kennedy, durante o governo Walter Braido. A Fotografia 027 apresenta a Avenida Goiás em grande destaque em relação ao tecido urbano circundante. A partir da duplicação da Avenida Goiás e sua consolidação enquanto centralidade urbana em São Caetano do Sul, os bairros vizinhos a esta via urbana começaram a ser verticalizados, em um contexto de plena explosão demográfica. MEDICI (1993) informa que, em 18 de Abril de 1967, a Câmara Municipal de São Caetano do Sul aprovou, em primeira e segundas discussões, o fim da zona rural do Município, que fora transformada em Zona Residencial. São Caetano dava um passo decisivo no complemento da urbanização da cidade pois, na prática, São Caetano já não tinha mais para onde crescer. Começava-se a falar em crescimento vertical. 234


FOTOGRAFIA 027. Avenida Goiás (sem data).

“Vista aérea da cidade, tirada no sentido Santo André/São Paulo, avistando-se, à esquerda, o cruzamento com a Rua Amazonas. Vê-se, também, à esquerda, o Paço Municipal e à direita, o Bairro Centro. Sem data.” Fonte: Acervo Fundação Pró-Memória de São Caetano do Sul.

Segundo MEDICI (1993), em 1969, São Caetano chegava aos 180 mil habitantes. Era o quinto município brasileiro em produção industrial, e mais de 33% de sua área urbana estava edificada. As ruas eram quase todas pavimentadas, iluminadas. A renda per capita era a maior da Grande São Paulo, à exceção da Capital. Suas indústrias empregavam 24 mil operários. Em 20 anos, a população havia saltado de 60.000 para 180.000. Por outro lado, MEDICI (1993) também afirma que São Caetano era um dos menores municípios brasileiros em área, o que fazia sua arrecadação ser considerada a maior do Grande ABC, relativamente à superfície municipal. Assim, diante deste cenário econômico e demográfico, e diante também da qualidade da infraestrutura urbana no município, o valor da terra no município começou a subir, o que induzia uma equação econômico financeira que possibilitava o processo de verticalização. As incorporações imobiliárias do tipo residencial vertical começaram a aparecer no ambiente construído da cidade, sobretudo nos bairros no entorno da Avenida Goiás, como Centro, Santo Antônio e Santa Paula, este último principalmente. A Fotografia 028 ilustra o processo de verticalização incipiente em São Caetano do Sul na década de 1970, com destaque para a verticalização nos bairros Centro e Santa Paula, em contraste com os bairros no horizonte. 235


FOTOGRAFIA 028. Verticalização em São Caetano do Sul (década de 1970).

“Vista aérea geral de São Caetano do Sul. Em destaque, Bairro Centro, mas avistamos também, os Bairros Santo Antônio, Santa Paula e outros mais afastados. Registro da década de 1970.” Fonte: Acervo Fundação Pró-Memória de São Caetano do Sul.

Resgatando o resultado das análises imobiliárias desenvolvidas no Capítulo 2 da presente pesquisa, sobretudo aquela para o histórico de incorporações imobiliárias do tipo residencial vertical, nota-se a sinergia entre os dados da EMBRAESP e o processo de urbanização relatado por MEDICI (1993). A análise imobiliária feita com dados da EMBRAESP (Mapas 038 a 043) aponta para uma verticalização notória no período 1985-2013 no Município de São Caetano do Sul, sobretudo para os bairros adjacentes à Avenida Goiás e à Avenida Presidente Kennedy. As Fotografias 029, 030 e 031 apresentam registros do processo de urbanização em São Caetano do Sul nos anos 1991, 1996 e 2010, respectivamente.

236


FOTOGRAFIA 029. Verticalização em São Caetano do Sul (1991).

“Vista aérea do município de São Caetano do Sul. Podemos visualizar na foto, à direita, a Concha Acústica, que está localizada na Avenida Goiás. Ao seu lado, o prédio da Prefeitura Municipal de São Caetano do Sul onde sediava o gabinete do Prefeito e a Câmara dos Vereadores. Cruzando a Av. Goiás, da esquerda p/ direita, avistamos a Rua Oswaldo Cruz e a Praça Di Thiene, Rua Amazonas, Rua Goitacazes e por fim a Rua Rio Grande do Sul. Registro de 1991.” Fonte: Acervo Fundação PróMemória de São Caetano do Sul.

FOTOGRAFIA 030. Verticalização em São Caetano do Sul (1996).

Fonte: Acervo Fundação Pró-Memória de São Caetano do Sul.

237


FOTOGRAFIA 031. Verticalização em São Caetano do Sul (2010).

“Com destaque para a Avenida Goiás, principal via de São Caetano do Sul, vemos parte do Bairro Santa Paula. Registro da década de 2010.” Fonte: Foto/Alexandre Yort | Acervo Fundação Pró-Memória de São Caetano do Sul.

Este processo de verticalização no Município de São Caetano do Sul pode ser entendido como uma transformação urbanística do tipo Brownfield, na qual áreas já urbanizadas da cidade são modificadas para abrigar novos usos do solo, sem um novo parcelamento de solo para fins urbanos. É uma transformação promovida sobretudo pela dinâmica do mercado imobiliário e que têm um impacto significativo no desenho do ambiente construído da cidade. Um aspecto peculiar deste processo é o redesenho interno às quadras já loteadas nos bairros. Nota-se a transformação do uso no solo intra quadras, nas quais lotes unifamiliares, que antes abrigavam casas e vegetação no ‘miolo de quadra’, passam a ser compostas de lotes multifamiliares, sem cobertura vegetal interna. Neste sentido, a evolução do ambiente construído ocorre de forma intensa, porém discreta, mediante um modelo de transformação em que um conjunto de casas com quintais cede espaço para torres residenciais, sem cobertura vegetal interna à quadra.

238


Cidade da Criança O Parque Municipal Santa Maria – Cidade da Criança é um importante espaço verde protegido no Município de São Caetano do Sul, localizado entre as atuais Avenida Presidente Kennedy, Rua Paraguassú, Alameda Conte de Porto Alegre e Rua Tibagi, no bairro Olímpico. Embora pertença oficialmente ao bairro Olímpico, devido à divisão administrativa de 1968, a Cidade da Criança é um espaço vinculado à memória afetiva do Bairro Santa Maria, cujo inicio é a Alameda Conte de Porto Alegre. Atualmente, uma série de equipamentos públicos qualificam este complexo, como o Teatro Paulo Machado de Carvalho, O Centro de Triagem Neonatal de Estimulação Neurossensorial – CTNEN –, a Fundação Municipal Anna Sullivan – FUMAS –, o Ginásio Poliesportivo Marlene José Bento e a Escola Municipal de Ensino Fundamental Profa. Eda Mantoanelli. Do outro lado da avenida, destaca-se também a Associação Beneficiente Recreativa Esportiva Vila Barcelona e o Centro Integrado de Saúde e Educação da Terceira Idade João Castaldelli. As origens de todos estes equipamentos públicos, segundo MEDICI (1993), está na Chácara do Dr. Souza Voto, onde foi erguido, no final da década de 50, um grande pavilhão em terreno posteriormente ocupado pelo prédio da APAE – Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais de São Paulo. Segundo o autor, o pavilhão era usado como centro social da comunidade. Assim, a área começou a despertar interesse para a instalação de equipamentos públicos. Após a desapropriação, por parte da prefeitura municipal, da antiga chácara do Dr. Souza Voto – denominada à época Chácara Refúgio Tranquilo –, foi inaugurado em 30 de Julho de 1962 o Bosque do Povo pelo prefeito Campanella. Segundo MEDICI (1993), “Quando da desapropriação, a área, com muitas árvores, possuía um galpão para abrigar 500 pessoas, além de gramados e mesinhas e lagos. (...A chácara já teve várias finalidades. Ali, em 22 de Março de 1968, foi inaugurado o Centro Educacional São Caetano di Thiene e o ginásio vocacional Dr. Roberto da C. de Abreu Sodré. Em julho de 1971 surgiu o Centro de Recreação Infantil, a Cidade da Criança da cidade, numa área de 58 mil m², toda arborizada.” (MEDICI, 1993) A Fotografia 032 ilustra a Cidade da Criança na década de 1970, com destaque para a intensa cobertura vegetal desde esta época.

240


FOTOGRAFIA 032. Cidade da Criança (década de 1970).

“Vista aérea de parte dos Bairros Santa Maria e Olímpico. Vista aérea de parte dos Bairros Santa Maria e Olímpico. Vê-se a Avenida Presidente Kennedy, a Cidade das Crianças, o Teatro Paulo Machado de Carvalho, a Escola Anne Sullivan, a EMEF Professora Eda Mantoanelli e o Clube ABREV. Registro da década de 1970.” Fonte: Acervo Fundação Pró-Memória de São Caetano do Sul.

Atualmente, o ambiente construído do Bairro Santa Maria é marcado pela presença de uma série de equipamentos públicos articulados no complexo Parque Santa Maria Cidade da Criança, cuja cobertura vegetal é marcante também até os dias de hoje. A Fotografia 033 destaca a Cidade da Criança, a Avenida Presidente Kennedy e o Estádio Anacleto Campanella, já no bairro Olímpico. FOTOGRAFIA 033. Parque Santa Maria Cidade da Criança (2019)

Fonte: Google Earth, 2019; Elaboração: Denis Giannelli.

241


Complexo produtivo da General Motors do Brasil O complexo produtivo da General Motors do Brasil está localizado no Bairro Santa Paula, entre a Avenida Goiás e a Linha 10 Turquesa da CPTM. É outro símbolo da cidade de São Caetano do Sul, tendo sido responsável pelo emprego e massa salarial de uma grande quantidade de habitantes durante toda a sua existência no município. MEDICI (1993) afirma que a vinda da General Motors para São Caetano ‘agitou, literalmente, a região. Criou expectativas positivas. Abriu o mercado de trabalho.’ Conforme MEDICI (1993), em 1928, segundo lei específica do Município de São Bernardo (à época, responsável administrativo de pelo território do atual São Caetano do Sul), a multinacional deveria, como compensação pela isenção fiscal de 10 anos, apresentar estudos e projetos para a construção da fábrica em 10 meses, iniciar a construção em menos de 12 meses após aprovação dos projetos, começar a produzir em dois anos após o inicio das obras e ocupar, ao menos, 500 funcionários. E assim foram cumpridos todos os prazos, segundo o mesmo autor. Segundo MEDICI (1993), o complexo fabril da General Motors do Brasil começou a ser erguido em 1928 no Vale do Rio Tamanduateí, marginal aos antigos charcos onde, anteriormente, a Avenida Goiás havia sido construída. Foi o início do desenvolvimento urbano da região, mediante a atração de uma série de comércios e serviços pelo polo atrativo fabril. A inauguração oficial das instalações da General Motors do Brasil, em São Caetano, ocorreu de fato em 1930. Sucessivamente, superada a crise econômica de 1929, já no início dos anos 40, MEDICI (1993) relata que a GM daria início à expansão da fábrica, com aquisição de partes de vias públicas, como a Rua Quintino Bocaiúva e a Via Aurélia. A Fotografia 034 apresenta o complexo produtivo da General Motors do Brasil na década de 1940. MEDICI (1993) mostra também que, mesmo após o processo de descentralização produtivo verificado nos anos 1960, 1970 e 1980, a General Motors do Brasil manteve em operação o complexo produtivo em São Caetano do Sul, a despeito da inauguração da fábrica de motores em São José dos Campos, da inauguração do campo de provas em Indaiatuba e da inauguração da outra fábrica em Belo Horizonte. Na atualidade, as instalações da General Motors do Brasil ainda são destaque no ambiente construído de São Caetano do Sul, integrando o pólo industrial delimitado entre o Viaduto Independência, a Rua Aduidaban, a Avenida do Estado, a Rua Felipe Camarão, a Avenida Goiás e a Rua José Paolone. A Fotografia 035 apresenta o ambiente construído da porção norte de São Caetano do Sul na atualidade.

242


FOTOGRAFIA 034. Complexo produtivo da GM do Brasil em SCS (década de 1940).

“Vista aérea da cidade, vendo-se, ao centro, a General Motors do Brasil e, à direita, a Avenida Goiás. Registro da década de 1940.” Fonte: Acervo Fundação Pró-Memória de São Caetano do Sul.

FOTOGRAFIA 035. Complexo Industrial da General Motoros do Brasil em SCS (2019).

Fonte: Google Earth, 2019; Elaboração: Denis Giannelli.

243


CAPÍTULO 7. A ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE OS PROCEDIMENTOS TÉCNICOS – OPERACIONAIS O presente capítulo tem por finalidade apresentar a comparação entre os dois procedimentos técnicos operacionais que foram empregados na presente pesquisa para a análise evolutiva do ambiente construído em São Caetano do Sul entre 1962 e 2010. O primeiro destes procedimentos foi o processamento digital quantitativo das imagens de sensoriamento remoto, culminando na composição colorida multi-temporal que evidenciou a percepção associativa deste ambiente construído; O segundo foram os estudos de casos qualitativos dos nove ambientes selecionados em São Caetano do Sul, por meio de pesquisa bibliográfica e registros históricos. A seguir, para cada um dos nove estudos de caso desenvolvidos, são apresentadas as imagens de sensoriamento remoto de 1962, 1972, 1994, 2002, 2007 e 2010, bem como a classificação supervisionada do ambiente construído entre 1962 e 2010; em paralelo, uma linha do tempo esquemática sintetiza a evolução do ambiente construído documentada via registros históricos. O contraste entre as duas informações – computacional quantitativa e documental qualitativa – permite verificar se a composição colorida multi-temporal e a classificação supervisionada foram capazes de fazer inferências corretas acerca do ambiente construído em São Caetano do Sul durante o período em análise.

245


Loteamentos Vila Belvedere e Jardim São Caetano O Mapa 056 apresenta o comparativo entre resultados para os loteamentos do Bairro Jardim São Caetano. Para o estudo de caso do Bairro Jardim São Caetano – loteamentos Vila Belvedere e Jardim São Caetano –, verifica-se que o processamento digital de imagens de sensoriamento remoto trouxe resultados positivos, satisfatórios e corretos acerca da evolução do ambiente construído neste território entre 1962 e 2010. Isto porque, tendo sido loteada originalmente em 1949 a partir do imóvel rural Meninos Novos, o território da Vila Belvedere foi transformado de cobertura vegetal para outros usos antes de 1962, e portanto a classe representada está correta; Além disto, o loteamento Jardim São Caetano, por sua vez, foi executado entre 1963 e 1973 também a partir de uma área onde, anteriormente, predominava-se cobertura vegetal. No processo de loteamento, o solo exposto é perceptível a partir das imagem de 1972, e portanto a classe ‘Demais usos a partir de 1972’ está correta. O Bosque do Povo, por sua vez, localizado entre a Vila São José e o Jardim São Caetano, é enquadrado nas classes ‘Manutenção da cobertura Vegetal desde 1962’, ‘Cobertura Vegetal a partir de 1972’ e ‘Cobertura Vegetal a partir de 1994’. Este resultado também é coerente tendo em vista que, desde o momento de execução do projeto paisagístico do Bosque do Povo, os indivíduos arbóreos cresceram e formaram dossel fechado. Portanto, o classificador de Máxima Verossimilhança associou esta mudança na assinatura espectral dos pixels com as classes de cobertura vegetal (manutenção e transformação).

246


MAPAS 056a-g. Comparativo de resultados: loteamentos do bairro Jd. S. Caetano. MAPA 056a: IMAGEM 1962

MAPA 056b: IMAGEM 1972 N

Fora de escala.

MAPA 056c: IMAGEM 1994 N

Fora de escala.

MAPA 056d: IMAGEM 2002

Fora de escala.

MAPA 056e: IMAGEM 2007 N

Fora de escala.

N

MAPA 056f: IMAGEM 2010 N

Fora de escala.

N

Fora de escala.

MAPA 056g: PERCEPÇÃO ASSOCIATIVA DO AMBIENTE CONSTRUÍDO

LINHA DO TEMPO N

São Paulo Zona Sul

1930

SÃO JOSÉ

1949 1962

ES

T. D

Loteamento Belvedere

AS

1963

LÁ

GR

ETE Jorge Street Loteamento Jd. S. Caetano JARDIM SÃO CAETANO VIA

São Bernado CH do Campo IE

1973

IM

AS

1975 R. NELLY PELLEGRINO

Projeção: UTM – Fuso 23S

Demais Usos para Cobertura Vegetal

Cob.Veg. a partir de 1972 Cob.Veg. a partir de 1994 Manutenção Demais Usos Demais Usos desde 1962

Fonte:

Transformação

Elaboração: Denis Giannelli.

MAUÁ

Manutenção Cobertura Vegetal Cob. Vegetal desde 1962 Transformação

Datum Horizontal: SIRGAS 2000. EPSG 31983. IBGE; CEM; Denis Giannelli.

AN

TA

Compra da gleba Meninos Novos pelo Bank of London. Execução das obras no loteamento Vila Belvedere. Aprovação do loteamento Vila Belvedere, cf. legislação. Aprovação da primeira fase do loteamento Jardim S. Caetano. Aprovação da última fase do loteamento Jardim S. Caetano. Inauguração da Escola Técnica Estadual Jorge Street.

Fora de escala.

Cobertura Vegetal para Demais Usos

Demais Usos a partir de 1972 Demais Usos a partir de 1994 Demais Usos a partir de 2002 Demais Usos a partir de 2007 Demais Usos a partir de 2010

Sistema viário Viário Principal Municípios RMSP


Loteamentos Vila Nelly, Vila Boqueirão e Conjuntos Habitacionais no bairro Mauá O Mapa 057 apresenta o comparativo entre resultados para os loteamentos e conjuntos habitacionais do Bairro Mauá. Para o estudo de caso do Bairro Mauá – loteamentos Vila Boqueirão e conjuntos habitacionais Vila Nelly, Cooperativa Habitacional do ABC e Radio Nove de Julho –, verifica-se que o processamento digital de imagens de sensoriamento remoto trouxe resultados positivos, satisfatórios e corretos acerca da evolução do ambiente construído neste território entre 1962 e 2010. O conjunto habitacional Vila Nelly e o loteamento Vila Boqueirão foram executados antes da primeiro registro de sensoriamento remoto, datado de 1962. Assim, é coerente que a classe atribuída a estes espaços seja ‘Outros usos desde 1962’. Em contrapartida, o conjunto habitacional Cooperativa Habitacional do ABC e o conjunto habitacional Radio Nove de Julho aparecem na imagem de 1962 com cobertura vegetal, e de fato foram loteados respectivamente em 1968 e 1971, antes da segunda imagem de sensoriamento remoto, datada de 1972. Assim, é coerente também que a classe atribuída a estes conjuntos seja ‘Demais usos a partir de 1972’. É notória também a presença de manchas classificadas como ‘Demais usos a partir de 2002’ nos terrenos localizados entre o Jardim São Caetano e o Conjunto Residencial Nove de Julho. Conforme apresentado no Capítulo 2 desta pesquisa, nesta área, no começo dos anos 2000, foram entregues incorporações imobiliárias do tipo residencial horizontal (casas prontas), as quais transformaram o uso do solo nestes terrenos em período tardio, quando comparado às glebas vizinhas.

248


MAPAS 057a-g. Comparativo de resultados: loteamentos do bairro Mauá. MAPA 057a: IMAGEM 1962

MAPA 057b: IMAGEM 1972 N

Fora de escala.

MAPA 057c: IMAGEM 1994 N

Fora de escala.

MAPA 057d: IMAGEM 2002

N

Fora de escala.

MAPA 057e: IMAGEM 2007 N

Fora de escala.

MAPA 057f: IMAGEM 2010 N

Fora de escala.

N

Fora de escala.

MAPA 057g: PERCEPÇÃO ASSOCIATIVA DO AMBIENTE CONSTRUÍDO R. NELLY PELLEGRINO

Vila Nelly

JARDIM SÃO CAETANO

São Bernado do Campo

LÁG R DAS

1956 1958 1959 1968 1968 1971

MAUÁ

EST.

Conjunto Residencial Nove de Julho

IMAS

Cemitério das Lágrimas

Cooperativa Habitacional do ABC

LINHA DO TEMPO N

Instituto Mauá de Tecnologia

Aprovação do conjunto habitacional Vila Nelly. Execução das obras do loteamento Vila Boqueirão. Aprovação do loteamento Vila Boqueirão. Aprovação do conjunto habitacional Jardim Tersicone. Aprovação da Cooperativa Habitacional do ABC. Aprovação do conjunto habitacional Radio Nove Julho.

Projeção: UTM – Fuso 23S

Vila Boqueirão

Manutenção Cobertura Vegetal Cob. Vegetal desde 1962 Transformação Demais Usos para Cobertura Vegetal

Datum Horizontal: SIRGAS 2000. EPSG 31983.

Cob.Veg. a partir de 1972 Cob.Veg. a partir de 1994 Manutenção Demais Usos Demais Usos desde 1962

Fonte:

Transformação

IBGE; CEM; Denis Giannelli.

Elaboração: Denis Giannelli.

Fora de escala.

Cobertura Vegetal para Demais Usos

Demais Usos a partir de 1972 Demais Usos a partir de 1994 Demais Usos a partir de 2002 Demais Usos a partir de 2007 Demais Usos a partir de 2010

Sistema viário Viário Principal Municípios RMSP


‘Buracão da Cerâmica’ / Espaço Verde Chico Mendes O Mapa 058 apresenta o comparativo entre resultados para o Espaço Verde Chico Mendes. Para o estudo de caso do ‘Buracão da Cerâmica’ / Espaço Verde Chico Mendes, verifica-se que o processamento digital de imagens de sensoriamento remoto trouxe resultados positivos, satisfatórios e corretos acerca da evolução do ambiente construído neste território entre 1962 e 2010. A gleba onde este parque está inserido era ocupada, até 1969, pela Cerâmica São Caetano S/A, que ali extraia material argiloso como matéria prima para a fabricação de produtos cerâmicos. Neste sentido, as imagens de 1962 e 1972 apresentam pixels com alta reflexão de energia, o que é coerente com o solo exposto na gleba durante este período. Com a desapropriação do imóvel, por parte da Prefeitura do Município de São Caetano do Sul, seguida da inauguração do Parque Espaço Verde Chico Mendes, em 1989, verifica-se a partir da imagem de 1994 manchas de cobertura vegetal arbustiva em setores do parque. Isto porque o projeto paisagístico desta área protegida definiu plantio de espécies de grande porte e dossel fechado. Assim, coerentemente, o classificador utilizado no processamento digital das imagens reconheceu a mudança na assinatura espectral dos pixels que compõem as imagens de sensoriamento remoto, e atribuiu para parte do terreno em análise a classe ‘Cobertura vegetal a partir de 1994’.

250


MAPA 058a-g. Comparativo de resultados: Parque Espaço Verde Chico Mendes. MAPA 058a: IMAGEM 1962

MAPA 058b: IMAGEM 1972 N

Fora de escala.

Fora de escala.

MAPA 058d: IMAGEM 2002

N

Fora de escala.

MAPA 058e: IMAGEM 2007 N

Fora de escala.

MAPA 058c: IMAGEM 1994 N

MAPA 058f: IMAGEM 2010 N

Fora de escala.

N

Fora de escala.

MAPA 058g: PERCEPÇÃO ASSOCIATIVA DO AMBIENTE CONSTRUÍDO

LINHA DO TEMPO N

-

SÃO JOSÉ

AV. FE

RNA

NDO

Espaço Verde Chico Mendes

SIM

ONS

EN

Uso da gleba para extração de argila - ‘Buracão da Cerâmica’. 1969 Desapropriação do Buracão da Cerâmica pela PM - SCS. 1986 Desocupação irregular das edificações e indenizações. 1989 Inauguração do Espaço Verde Parque Chico Mendes. de requalificação 2000s Obras paisagística do parque.

Projeção: UTM – Fuso 23S

Manutenção Cobertura Vegetal Cob. Vegetal desde 1962 Transformação Demais Usos para Cobertura Vegetal

Datum Horizontal: SIRGAS 2000. EPSG 31983.

Cob.Veg. a partir de 1972 Cob.Veg. a partir de 1994 Manutenção Demais Usos Demais Usos desde 1962

Fonte:

Transformação

IBGE; CEM; Denis Giannelli.

Elaboração: Denis Giannelli.

Fora de escala.

Cobertura Vegetal para Demais Usos

Demais Usos a partir de 1972 Demais Usos a partir de 1994 Demais Usos a partir de 2002 Demais Usos a partir de 2007 Demais Usos a partir de 2010

Sistema viário Viário Principal Municípios RMSP


Cerâmica São Caetano / Espaço Cerâmica SOBLOCO O Mapa 059 apresenta o comparativo entre resultados para o Espaço Cerâmica da SOBLOCO. Para o estudo de caso da Cerâmica São Caetano / Espaço Cerâmica SOBLOCO, verifica-se que o processamento digital de imagens de sensoriamento remoto trouxe resultados corretos do ponto de vista da assinatura espectral dos pixels que compõem as imagens, porém insatisfatórios do ponto de vista da evolução do ambiente construído neste território entre 1962 e 2010. Durante todo o período compreendido entre 1962 e 2010, a gleba anteriormente ocupada pela Cerâmica São Caetano – e atualmente ocupada pelo Espaço Cerâmica da SOBLOCO – teve outros usos que não a cobertura vegetal. Isto é evidente a partir da fotointerpretação de cada uma das imagens analisadas. A única exceção a esta regra é a faixa non aedificandi da linha de alta tensão que atravessava a gleba obliquamente, e que foi desviada no início dos anos 2000. Assim, a classificação supervisionada elaborada é coerente do ponto de vista da assinatura espectral dos pixels que compõem as imagens, pois de fato a propriedade teve ‘outros usos desde 1962’. A partir deste estudo de caso, contudo, percebe-se a incapacidade do classificador MaxVer – que fora calibrado com os ROIs desenhados manualmente – em reconhecer a transformação do uso do solo no local, passando de complexo fabril para solo exposto em 2007 e, posteriormente, em complexo imobiliário multi produtos a partir de 2010. Caso não houvesse conhecimento prévio acerca dos processos territoriais ocorridos neste ambiente durante o período em análise, possivelmente esta gleba passaria despercebida do ponto de vista da mudança no uso do solo. Particularmente em relação à área antes ocupada pela faixa non aedificandi da linha de alta tensão, percebe-se que neste caso específico o processamento digital das imagens de sensoriamento remoto foi positivo, satisfatório e correto, uma vez que a cobertura vegetal foi suprimida somente após 2007 e, assim, a classe atribuída a esta faixa foi ‘demais usos a partir de 2010’.

252


MAPAS 059 a-g. Comparativo de resultados: Espaço Cerâmica São Caetano. MAPA 059a: IMAGEM 1962

MAPA 059b: IMAGEM 1972 N

Fora de escala.

MAPA 059c: IMAGEM 1994 N

Fora de escala.

MAPA 059d: IMAGEM 2002

Fora de escala.

MAPA 059e: IMAGEM 2007 N

Fora de escala.

MAPA 059f: IMAGEM 2010 N

Fora de escala.

AV. SEN. ROBERTO SIMONSEN

CERÂMICA

São Paulo Zona Sul SÃO JOSÉ

AV. ENG. ARMANDO DE ARRUDA PEREIRA

Espaço Cerâmica

AV. N EL BRA SON IDO

N

Fora de escala.

MAPA 059g: PERCEPÇÃO ASSOCIATIVA DO AMBIENTE CONSTRUÍDO N R. SÃO PAULO

AV. GUIDO ALIBERTI

N

AV. F ER SIMO NANDO NSE N

LINHA DO TEMPO 1913

Fundação da Cerâmica Privilegiada do Estado de SP. Aquisição/mudança societária: Cerâmica São Caetano S/A. Séc.XX Desenvolvimento e expansão da atividade produtiva. Implosão das instalações da antiga Cerâmica São Caetano. Séc.XXI Espaço Cerâmica SOBLOCO: novas diretrizes urbanísticas. do Espaço 2011 Inauguração Cerâmica São Caetano. Projeção: UTM – Fuso 23S

Manutenção Cobertura Vegetal Cob. Vegetal desde 1962 Transformação Demais Usos para Cobertura Vegetal

Datum Horizontal: SIRGAS 2000. EPSG 31983.

Cob.Veg. a partir de 1972 Cob.Veg. a partir de 1994 Manutenção Demais Usos Demais Usos desde 1962

Fonte:

Transformação

IBGE; CEM; Denis Giannelli.

Elaboração: Denis Giannelli.

Fora de escala.

Cobertura Vegetal para Demais Usos

Demais Usos a partir de 1972 Demais Usos a partir de 1994 Demais Usos a partir de 2002 Demais Usos a partir de 2007 Demais Usos a partir de 2010

Sistema viário Viário Principal Municípios RMSP


Córrego do Moinho / Avenida Presidente Kennedy O Mapa 060 apresenta o comparativo entre resultados para a Avenida Presidente Kennedy. Para o estudo de caso do Córrego do Moinho / Avenida Presidente Kennedy, verifica-se que o processamento digital de imagens de sensoriamento remoto trouxe resultados positivos, satisfatórios e corretos acerca da evolução do ambiente construído neste território entre 1962 e 2010. As obras de canalização do córrego do Moinho e abertura da Avenida Presidente Kennedy ocorreram durante a década de 60, posteriormente à primeira imagem de sensoriamento remoto, datada de 1962. Neste sentido, as imagens subsequentes já apresentam pixels com valores de média e alta reflexão de energia para o vale do Córrego do Moinho, o que demonstra que, nesta época, o processo de ocupação dos terrenos adjacentes à avenida Presidente Kennedy já estava em curso. Neste sentido, o processamento digital das imagens de sensoriamento remoto e a linha do tempo apresentam resultados sinérgicos em termos do processo de urbanização nesta porção de São Caetano do Sul. É verdade, contudo, que esta ocupação não foi homogênea ao longo de todo o eixo da Avenida Presidente Kennedy, uma vez que em alguns trechos marginais ao córrego a ocupação é anterior a 1962. Contudo, em uma visão de conjunto, percebese a coerência desta interpretação, pois a partir da execução da Avenida Presidente Kennedy, na década de 1960, a dinâmica urbana nos bairros adjacentes torna-se muito mais intensa, e assim os terrenos voltados para a avenida tornam-se muito mais atrativos para a ocupação imobiliária e/ou institucional.

254


MAPAS 060 a-g. Comparativo de resultados: Avenida Presidente Kennedy. MAPA 060a: IMAGEM 1962

MAPA 060b: IMAGEM 1972 N

Fora de escala.

Fora de escala.

MAPA 060d: IMAGEM 2002

N

Fora de escala.

MAPA 060e: IMAGEM 2007 N

Fora de escala.

MAPA 060c: IMAGEM 1994 N

MAPA 060f: IMAGEM 2010 N

Fora de escala.

N

Fora de escala.

MAPA 060g: PERCEPÇÃO ASSOCIATIVA DO AMBIENTE CONSTRUÍDO

LINHA DO TEMPO N

BARCELONA

AL. SÃO O TAN

CAE

OLÍMPICO

50s 60s Reivindicações populares por melhor infraestrutura urbana. 1960s Obras de canalização do Córrego do Moinho. 1960s Obras de implantação da Avenida Presidente Kennedy. 1970s Venda e ocupação dos lotes marginais à Av. Pres. Kennedy.

Projeção: UTM – Fuso 23S

Manutenção Cobertura Vegetal Cob. Vegetal desde 1962 Transformação Demais Usos para Cobertura Vegetal

EDY

. KENN

ES AV. PR

Datum Horizontal: SIRGAS 2000. EPSG 31983.

Cob.Veg. a partir de 1972 Cob.Veg. a partir de 1994 Manutenção Demais Usos Demais Usos desde 1962

Fonte:

Transformação

IBGE; CEM; Denis Giannelli.

Elaboração: Denis Giannelli.

SANTA MARIA Fora de escala.

Cobertura Vegetal para Demais Usos

Demais Usos a partir de 1972 Demais Usos a partir de 1994 Demais Usos a partir de 2002 Demais Usos a partir de 2007 Demais Usos a partir de 2010

Sistema viário Viário Principal Municípios RMSP


Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo O Mapa 061 apresenta o comparativo entre resultados para o complexo produtivo das Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo. Para o estudo de caso das Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo, verifica-se que o processamento digital de imagens de sensoriamento remoto trouxe resultados positivos, satisfatórios e corretos acerca da evolução do ambiente construído neste território entre 1962 e 2010. A gleba de propriedade dos Matarazzo foi ocupada com plantas industriais e áreas externas de logística até o final dos anos 80, mesmo com o progressivo declínio da atividade produtiva das IRFM. A partir dos anos 90, conforme relatado, o imóvel torna-se uma ‘cidade fantasma’, os edifícios são abandonados e o patrimônio construído começa a ser danificado pela falta de manutenção no imóvel. Neste sentido, a partir de 1994 a cobertura vegetal volta a crescer nas glebas que eram anteriormente ocupadas pela IRFM. Isto é evidente, sobretudo, na quadra delimitada pela Rua Maximiliano Lorenzini, Rua Mariano Pamplona, Avenida do Estado e Avenida Guido Aliberti. O classificador MaxVer, assim, reconhece a mudança na assinatura espectral dos pixels que compõem as imagens, e classifica esta porção de São Caetano do Sul como ‘cobertura Vegetal a partir de 1994’, o que é coerente com a realidade verificada no território atualmente.

256


MAPAS 061 a-g. Comparativo de resultados: Ind. Reunidas Fábrica Matarazzo. MAPA 061a: IMAGEM 1962

MAPA 061b: IMAGEM 1972 N

MAPA 061c: IMAGEM 1994 N

Fora de escala.

Fora de escala.

MAPA 061d: IMAGEM 2002

N

Fora de escala.

MAPA 061e: IMAGEM 2007 N

MAPA 061f: IMAGEM 2010 N

Fora de escala.

Fora de escala.

N

Fora de escala.

MAPA 061g: PERCEPÇÃO ASSOCIATIVA DO AMBIENTE CONSTRUÍDO

LINHA DO TEMPO N

São Paulo Zona Leste AV .D

Ex. IRFM

OE

ST AD

O

São Paulo Zona Sul

S.

RE

.P AV

FUNDAÇÃO WI ON

LS AV. GU IDO ALIBER TI

Projeção: UTM – Fuso 23S

A 10

TUR

QUE

PTM

Demais Usos para Cobertura Vegetal

Cob.Veg. a partir de 1972 Cob.Veg. a partir de 1994 Manutenção Demais Usos Demais Usos desde 1962

Fonte:

Transformação

Elaboração: Denis Giannelli.

SA C

Manutenção Cobertura Vegetal Cob. Vegetal desde 1962 Transformação

Datum Horizontal: SIRGAS 2000. EPSG 31983. IBGE; CEM; Denis Giannelli.

LINH

CENTRO

1910s Instalação das primeiras indústrias Matarazzo em SCS. 20s 30s Expansão do parque fabril e diversificação de produtos. 50s 60s Ápice da produção industrial das IRFM em São Caetano. 1967 Desvio do curso original do Ribeirão dos Meninos na gleba 60s 70s Declínio da produção industrial das IRFM em São Caetano. 1990s Abandono da gleba das IRFM: uma ‘cidade fantasma’.

Fora de escala.

Cobertura Vegetal para Demais Usos

Demais Usos a partir de 1972 Demais Usos a partir de 1994 Demais Usos a partir de 2002 Demais Usos a partir de 2007 Demais Usos a partir de 2010

Sistema viário Viário Principal Municípios RMSP


Verticalização na Avenida Goiás e entorno O Mapa 062 apresenta o comparativo entre resultados para a Avenida Goiás e os bairros em seu entorno. Para o estudo de caso da Verticalização na Avenida Goiás e entorno, verifica-se que o processamento digital de imagens de sensoriamento remoto trouxe resultados positivos, satisfatórios e corretos acerca da evolução do ambiente construído neste território entre 1962 e 2010, ainda que discretos em certa medida. Conforme apontado nos capítulos anteriores, a ocupação da porção centronorte de São Caetano do Sul é a mais antiga do município, e portanto o processo de loteamento de antigas áreas rurais nesta região é anterior à data da primeira imagem de sensoriamento remoto, 1962. Neste sentido, é coerente que a maior parte deste ambiente construído esteja classificado como ‘outros usos desde 1962’. Não obstante, o processo de verticalização em São Caetano do Sul a partir dos anos 1970 – desencadeado sobretudo pela consolidação da Avenida Goiás duplicada como uma nova centralidade no município e pelo crescimento demográfico e econômico – trouxe um novo desenho intraquadras para os bairros no entorno da Avenida Goiás. No processo de verticalização, as incorporações imobiliárias de torres residenciais substituíram lotes unifamiliares (ocupados por casas e quintais) por edifícios que ocupam lotes maiores, em toda a extensão da quadra. Assim, a cobertura vegetal anteriormente existente nos ‘miolos de quadra’ é progressivamente substituída por outros usos ao longo do período em estudo. Como resultado desta mudança discreta no uso do solo, o classificador MaxVer atribui para pequenas manchas de pixels internas às quadras as classes ‘demais usos a partir de 1994’, ‘demais usos a partir de 2002’, ‘demais usos a partir de 2007’ e ‘demais usos a partir de 2010’. Este resultado é nítido, particularmente, para duas quadras localizadas entre a Rua São Paulo, Rua Amazonas e Avenida Goiás, representadas no Mapa 062.

258


MAPAS 062 a-g. Comparativo de resultados: verticalização Av. Goiás e entorno. MAPA 062a: IMAGEM 1962

MAPA 062b: IMAGEM 1972 N

Fora de escala.

MAPA 062c: IMAGEM 1994 N

Fora de escala.

MAPA 062d: IMAGEM 2002

N

Fora de escala.

MAPA 062e: IMAGEM 2007 N

Fora de escala.

MAPA 062f: IMAGEM 2010 N

Fora de escala.

N

Fora de escala.

MAPA 062g: PERCEPÇÃO ASSOCIATIVA DO AMBIENTE CONSTRUÍDO

LINHA DO TEMPO N

CENTRO

SANTA PAULA

Projeção: UTM – Fuso 23S

R. AMAZONAS

AV. SEN . ROB SIMON ERTO SEN

AV. GOIÁS

R. SÃO PAULO

Manutenção Cobertura Vegetal Cob. Vegetal desde 1962 Transformação Demais Usos para Cobertura Vegetal

Datum Horizontal: SIRGAS 2000. EPSG 31983.

Cob.Veg. a partir de 1972 Cob.Veg. a partir de 1994 Manutenção Demais Usos Demais Usos desde 1962

Fonte:

Transformação

IBGE; CEM; Denis Giannelli.

SANTO ANTÔNIO CERÂMICA

1920s Projeto e execução da Avenida Goiás, com pista simples. 1967 Decretado o fim da Zona Rural de São Caetano do Sul. 60s 70s Explosão demográfica e econômica no Grande ABC. 1970s Duplicação da Avenida Goiás: nova centralidade em SCS. 70s 80s Aumento no valor da terra e processo de verticalização. 90s 00s Torres residenciais modelam o 10s ambiente construído no centro.

Elaboração: Denis Giannelli.

OSWALDO CRUZ Fora de escala.

Cobertura Vegetal para Demais Usos

Demais Usos a partir de 1972 Demais Usos a partir de 1994 Demais Usos a partir de 2002 Demais Usos a partir de 2007 Demais Usos a partir de 2010

Sistema viário Viário Principal Municípios RMSP


Cidade da Criança O Mapa 063 apresenta o comparativo entre resultados para o Parque Santa Maria Cidade da Criança. Para o estudo de caso da Cidade da Criança, verifica-se que o processamento digital de imagens de sensoriamento remoto trouxe resultados positivos, satisfatórios e corretos acerca da evolução do ambiente construído neste território entre 1962 e 2010. O terreno ocupado atualmente pelo Parque Santa Maria Cidade da Criança era uma antiga chácara, denominada Refúgio Tranquilo, com cobertura vegetal densa mesmo antes de 1962, data do primeiro registro de sensoriamento remoto. A partir da imagem de 1972, percebe-se a manutenção desta cobertura vegetal densa, à exceção de uma pequena porção central do terreno, onde foi construída uma edificação atrelada às atividades do próprio parque. Tal cobertura vegetal é preservada até a atualidade, sendo uma referência de área verde protegida no Município de São Caetano do Sul. Neste sentido, coerentemente com a histórica do local verificada nas pesquisas qualitativas e com a realidade atual neste terreno, todas as imagens de sensoriamento remoto apresentam manchas de pixels com baixa reflexão de energia, o que calibra o classificador MaxVer para classificar este espaço como ‘cobertura vegetal desde 1962’. A exceção, mais uma vez, é a porção central do Parque Santa Maria Cidade da Criança, na qual um edifício construído posteriormente a 1962 induz o classificador a atribuir a este espaço a classe ‘outros usos a partir de 1972’.

260


MAPAS 063 a-g. Comparativo de resultados: Cidade da Criança. MAPA 063a: IMAGEM 1962

MAPA 063b: IMAGEM 1972 N

MAPA 063c: IMAGEM 1994 N

Fora de escala.

Fora de escala.

MAPA 063d: IMAGEM 2002

N

Fora de escala.

MAPA 063e: IMAGEM 2007 N

MAPA 063f: IMAGEM 2010 N

Fora de escala.

Fora de escala.

N

Fora de escala.

MAPA 063g: PERCEPÇÃO ASSOCIATIVA DO AMBIENTE CONSTRUÍDO

LINHA DO TEMPO N

O . SÃ AL TANO E CA

SANTA MARIA Anacleto Campanella

Projeção: UTM – Fuso 23S

EDY ENN AVE N

IDA

PRE

SID

ENT

EK

OLÍMPICO

1950s Construção de pavilhão na Chácara do Dr. Souza Voto. 1961 Desapropriação da chácara Refúgio Tranquilo pela PMSCS 1962 Inauguração do Bosque do Povo na antiga chácara. 1968 Inauguração de equipamentos públicos comunitários. 1971 Centro de Recreação Infantil Cidade da Criança. 2010s Manutenção da cobertura vegetal e dos equip. públicos.

Cidade da Criança

Manutenção Cobertura Vegetal Cob. Vegetal desde 1962 Transformação Demais Usos para Cobertura Vegetal

Datum Horizontal: SIRGAS 2000. EPSG 31983.

Cob.Veg. a partir de 1972 Cob.Veg. a partir de 1994 Manutenção Demais Usos Demais Usos desde 1962

Fonte:

Transformação

IBGE; CEM; Denis Giannelli.

Elaboração: Denis Giannelli.

Fora de escala.

Cobertura Vegetal para Demais Usos

Demais Usos a partir de 1972 Demais Usos a partir de 1994 Demais Usos a partir de 2002 Demais Usos a partir de 2007 Demais Usos a partir de 2010

Sistema viário Viário Principal Municípios RMSP


Complexo produtivo da General Motors do Brasil O Mapa 064 apresenta o comparativo entre resultados para o complexo produtivo da General Motors do Brasil em São Caetano do Sul. Para o estudo de caso da General Motors do Brasil, verifica-se que o processamento digital de imagens de sensoriamento remoto não trouxe resultados corretos acerca da evolução do ambiente construído neste território entre 1962 e 2010. A partir da fotointerpretação da sequência de imagens de sensoriamento remoto, percebe-se a variação de reflexão de energia do material que compõe a cobertura das plantas fabris. Este câmbio de DNs dos pixels que compõem as imagens para um mesmo objeto pode estar associado a alguma e/ou a um conjunto das seguintes possibilidades: •

• •

•

•

A substituição de uma cobertura cujo material apresenta determinada reflexão de energia por outra cobertura cujo material apresenta reflexão de energia distinta, maior ou menor em termos de DNs dos pixels que compõem as imagens de sensoriamento remoto; O progressivo acúmulo de particular poluentes sólidas sobre a cobertura dos edifícios, alternado por eventuais ‘limpezas’ na superfície de cobertura das fábricas; A diferença na resolução espectral das imagens de sensoriamento remoto, indicando diferentes tons de cinza para uma mesma superfície que, ao longo do tempo, não sofreu variação em sua composição material; A qualidade dos procedimentos técnicos operacionais de pré-processamento das imagens de sensoriamento remoto na presente pesquisa, uma vez que foram necessárias diversas etapas de tratamento das imagens até o empilhamento das mesmas em um único arquivo; Outras possibilidades não elencadas.

Independentemente do (s) motivo (s) pelos quais observa-se o cambio de reflexão de energia ao longo da série de imagens, o fato é que esta mudança de alta reflexão de energia para baixa reflexão de energia levou o classificador MaxVer a interpretar parte da cobertura da fábrica da General Motoros como ‘cobertura vegetal desde 1972’, parte como ‘cobertura vegetal desde 1994’ e parte como ‘outros usos desde 2010’. O estudo de caso qualitativo apontou que a General Motors do Brasil ocupa esta porção de São Caetano do Sul desde 1962 com fábricas e demais usos logísticos. Portanto, é certo que o resultado da classificação supervisionada para este ambiente construído é incoerente.

262


MAPAS 064 a-g. Comparativo de resultados: General Motors Do Brasil. MAPA 064a: IMAGEM 1962

MAPA 064b: IMAGEM 1972

MAPA 064c: IMAGEM 1994

N

N

Fora de escala.

Fora de escala.

MAPA 064d: IMAGEM 2002

Fora de escala.

MAPA 064e: IMAGEM 2007

MAPA 064f: IMAGEM 2010

N

N

Fora de escala.

Fora de escala.

Zona Leste

OE

ST AD

O

O

O

.D AV

IND

VIA D EPE UTO NDÊ NCI A

AV .D

D TA ES

PROSPERIDADE

GM d

o Br asil

AV. GOIÁS

LINHA DO TEMPO 1928

PM-SBC: Lei específica para a instalação da GM do Brasil. 1928 Início das obras do complexo fabril da GM em São Caetano. 1930 Instalação oficial GM em São Caetano. 1940s Recuperação econômica e expansão do parque industrial. 70s 80s Descentralização produtiva e abertura de novas fábricas. 2010s Manutenção da produção no complexo da GM em SCS. Projeção: UTM – Fuso 23S

Manutenção Cobertura Vegetal Cob. Vegetal desde 1962 Transformação Demais Usos para Cobertura Vegetal

Datum Horizontal: SIRGAS 2000. EPSG 31983.

Cob.Veg. a partir de 1972 Cob.Veg. a partir de 1994 Manutenção Demais Usos Demais Usos desde 1962

Fonte:

Transformação

IBGE; CEM; Denis Giannelli.

AV. GOIÁS

S OIÁ

.G AV

SANTA PAULA

N

Fora de escala.

MAPA 064g: PERCEPÇÃO ASSOCIATIVA DO AMBIENTE CONSTRUÍDO N O R L A E LT EB BA R . O R ISC C AN FR . São Paulo R

FUNDAÇÃO

N

Elaboração: Denis Giannelli.

Fora de escala.

Cobertura Vegetal para Demais Usos

Demais Usos a partir de 1972 Demais Usos a partir de 1994 Demais Usos a partir de 2002 Demais Usos a partir de 2007 Demais Usos a partir de 2010

Sistema viário Viário Principal Municípios RMSP


CAPÍTULO 8. CONSIDERAÇÕES E REFLEXÕES FINAIS O presente capítulo tem como objetivo apresentar breves considerações e reflexões finais, elaboradas ao término da presente pesquisa, em relação ao seu objeto de estudo – o processo de urbanização em São Caetano do Sul entre 1962 e 2010 -–, ao conjunto de procedimentos técnicos operacionais de sensoriamento remoto empregados, ao aprendizado desenvolvido durante todo o processo e ao legado oferecido por esta pesquisa. No que diz respeito ao objeto de estudo, é possível afirmar que a maior parte do Município de São Caetano do Sul possui urbanização relativamente antiga, tendo em consideração o período compreendido entre 1962 e 2010. Este fato pode ser observado a partir da fotointerpretação das imagens de sensoriamento remoto, sobretudo pela imagem de 1962, na qual observam-se poucas glebas de médio porte à época ainda não loteadas, as quais na década seguinte já estariam ocupadas com usos urbanos. O próprio mapa de percepção associativa do ambiente construído, produzido nesta pesquisa, corrobora com este entendimento, na medida em que classifica a maior parte do município como ‘Outros usos [que não a cobertura vegetal] desde 1962’. Sequencialmente a este primeiro recorte temporal pré - 1962, a pesquisa revela, também, que a produção do ambiente construído no período entre 1962 e 2010 em São Caetano do Sul pode ser dividida a partir de dois processos distintos. O primeiro, apresentado como Greenfield, transformou áreas de sítios e chácaras de recreio em novos loteamentos ou incorporações imobiliárias, mediante projetos de parcelamento do solo ou desmembramento de terras. É o caso, por exemplo, dos loteamentos Vila Belvedere, Jardim São Caetano, Vila Boqueirão e dos conjuntos habitacionais à época do BNH. Neste período, o modelo Greenfield predominou sobretudo na porção centro-sul de São Caetano do Sul, pois os bairros a norte já encontravam-se loteados em período anterior. O segundo [processo de produção do ambiente construído] é apresentado como Brownfield, por meio do qual áreas já urbanizadas são requalificadas para abrigarem novos usos e atividades ou então novos modelos de ocupação do solo urbano. É o caso, por exemplo, do processo de verticalização na Avenida Goiás e entorno, no qual o tipo habitacional unifamiliar de casa com jardim é substituído por torres residenciais. Neste período, o modelo Brownfield predominou sobretudo na porção centro-norte de São Caetano do Sul, onde bairros já existentes começaram ter o valor da terra escalado pelo mercado imobiliário. Sobre o consumo de cobertura vegetal, nota-se, a partir da leitura do mapa de percepção associativa do ambiente construído, a presença de poucas manchas de 265


arborização urbana espalhadas pelo território de São Caetano do Sul, as quais foram sendo progressivamente consumidas para dar lugar a outros usos do solo. Uma exceção notória a esta regra foi o Parque Santa Maria Cidade da Criança, que manteve-se preservado durante todo o período 1962-2010. Outras áreas, por sua vez, tiveram a cobertura vegetal recuperada, seja intencionalmente ou não intencionalmente: O caso do Parque Chico Mendes, por exemplo, mostra a capacidade da administração local em transformar uma área degradada, remanescente de atividades extrativistas do passado, em um parque qualificado com expressiva cobertura arbórea, oferecendo assim uma área de lazer para a população; O caso da gleba das Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo, por sua vez, mostra como a falta de manutenção de um espaço edificado pode levar à recuperação espontânea da cobertura vegetal, que vai se regenerando progressivamente até atingir um estágio amadurecido, com espécies arbustivas de dossel fechado. De qualquer forma, a pesquisa deixa claro que a evolução do ambiente construído em São Caetano do Sul foi intensa entre 1962 e 2010. Assim, o trabalho cumpre um dos seus objetivos ao evidenciar que o processo de produção do espaço urbano é dinâmico e não é completamente limitado pela pequena extensão territorial de São Caetano do Sul. A ideia de ‘a cidade não tem mais para onde crescer’ pode ser interpretada, ao máximo, como uma meia verdade, se for considerado apenas o modelo de crescimento urbano do tipo Greenfield. Em relação ao conjunto de procedimentos técnicos operacionais de sensoriamento remoto empregados, é possível afirmar que predomina-se sinergia entre os resultados obtidos por meio da composição colorida multi-temporal e da classificação supervisionada e os resultados obtidos por meio dos registros históricos apresentados nos estudos de caso de São Caetano do Sul. Dentre os nove estudos de caso desenvolvidos para ambientes construídos de São Caetano do Sul, sete destes confirmaram a sinergia entre o resultado oferecido pela classificação supervisionada e o resultado das pesquisas bibliográficas e registros históricos. São eles: 1) Loteamentos Vila Belvedere e Jardim São Caetano, no bairro Jardim São Caetano; 2) Loteamentos Vila Nelly, Vila Boqueirão e Conjuntos Habitacionais no bairro Mauá; 3) ‘Buracão da Cerâmica’ / Espaço Verde Chico Mendes; 4) Córrego do Moinho / Avenida Presidente Kennedy; 5) Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo; 6) Verticalização na Avenida Goiás e entorno; e 7) Cidade da Criança. Assim, em termos de método, a análise evolutiva das imagens de sensoriamento remoto, somada à indução feita por meio dos ROIs e da classificação supervisionada, é coerente com a análise comparativa feita nos estudos de caso. Consequentemente, a variável analítica ‘cobertura vegetal’, empregada no processamento digital das imagens, configura-se como um bom um indicador do consumo de solo para novos 266


desenvolvimentos urbanos e imobiliários na cidade durante este período. É evidente, contudo, que apesar de a sinergia entre os procedimentos técnicos e operacionais ter sido uma regra, e não uma exceção, é necessária interpretação crítica dos resultados da classificação supervisionada, pois a composição colorida multi-temporal, enquanto técnica de sensoriamento remoto, é passível de erros. Pelo fato de o classificador de Máxima Verossimilhança trabalhar com probabilidades estatísticas de DNs dos pixels que compõem as imagens – e não com a fotointerpretação do uso do solo no território –, ainda que tenha sido feita, na presente pesquisa, uma seleção atenta de ROIs que garantissem a máxima representatividade das classes, o algoritmo classificador gera erros inesperados na classificação, por diversas razões. Dois exemplos destas incongruências foram verificados na presente pesquisa: O primeiro foi a classificação da gleba atualmente ocupada pelo Espaço Cerâmica SOBLOCO. Neste caso, a classificação supervisionada foi coerente com os inputs de ROIs apresentados, pois atribui a classe ‘Outros usos desde 1962’ para um local que, de fato, nunca apresentou cobertura vegetal durante todo o período em análise. Contudo, pelo conhecimento prévio que o pesquisador tinha sobre esta porção de São Caetano do Sul, esperava-se que a classificação supervisionada apresentaria transformação no uso do solo neste espaço, e não sua manutenção. Este é, portanto, um exemplo de que mesmo com premissas bem fundamentadas, o resultado de uma composição colorida multi-temporal pode apresentar resultados inesperados ou até mesmo indesejados. O segundo [exemplo de incongruência classificatória] foi a classificação realizada no setor das imagens que apresentam o complexo produtivo da General Motors do Brasil. Neste caso, conforme apontado no Capítulo 7, são diversas as razões pelas quais houve de fato erro na classificação – alteração de material, acúmulo de poluentes, resolução espectral da imagem, erros de pré-processamento, etc. O fato é que, neste caso, a classificação produzida gerou um erro, e não apenas um resultado inesperado, porém correto do ponto de vista da evolução do uso do solo. Caso o produto apresentado nesta pesquisa fosse objeto de contratação de uma consultoria, por exemplo, a classificação ou mesmo os procedimentos de pré-processamento deveriam ser revistos, de forma a mitigar ao máximo os erros encontrados. Tratando-se, contudo, de uma pesquisa acadêmica, cujo objetivo fundamental é compreender as possibilidades do uso de teorias e técnicas de Sensoriamento Remoto para o campo do Urbanismo, os erros encontrados – ainda que evidentes e importantes de serem considerados – podem ser de certa forma menosprezados, dada o grau de satisfação e coerência que a composição colorida multi-temporal gerou. De qualquer forma, a pesquisa deixa claro, também, que a composição multi267


temporal pode ser empregada enquanto técnica para a análise evolutiva do ambiente construído de São Caetano do Sul entre 1962 e 2010, desde que sejam satisfeitas condições mínimas como suporte de instrumentos base, tratamento adequado das imagens de sensoriamento remoto e conhecimento prévio acerca do território analisado. É possível, também, pensar na replicação dos procedimentos técnicos e operacionais empregados nesta pesquisa para o estudo de outras realidades territoriais, mas cada novo caso deverá ser analisado individualmente, considerando a variedade de materiais base à disposição. Considerando o processo de aprendizado desenvolvido durante a pesquisa, é possível afirmar que a produção do presente Trabalho de Graduação Individual foi positiva por dois principais motivos. O primeiro motivo diz respeito ao conhecimento acumulado sobre São Caetano do Sul. Apesar de sempre ter residido neste município, e portanto ter trazido um repertorio prévio acerca dos processos territoriais em São Caetano do Sul, o pesquisador pôde com a pesquisa ampliar seu repertório acerca da história da cidade como um todo e, particularmente, acerca dos ambientes construídos que a compõem. Um grande exemplo disto foi a descoberta que, no local onde atualmente encontrase o Espaço Verde Chico Mendes, existia o ‘Buracão da Cerâmica’, onde se extraia argila. Este fato era desconhecido pelo pesquisador, e surpreendeu-o positivamente, visto que teve um laço afetivo com este espaço durante sua infância. O segundo motivo diz respeito ao aprimoramento teórico e técnico, por parte do pesquisador, no campo do Sensoriamento Remoto. De maneira geral, a Cartografia e o Sensoriamento Remoto foram as disciplinas responsáveis para a inscrição do pesquisador no Bacharelado em Geografia, tendo em vista seu desejo em complementar sua habilitação original em Arquitetura e Urbanismo. Assim, a presente pesquisa responde a um interesse maior do pesquisador em satisfazer seu objetivo original no Bacharelado em Geografia: valer-se de uma formação interdisciplinar para projetar espaços de modo coerente e integrado ao contexto territorial que pertencem. Por fim, sobre o legado oferecido por esta pesquisa após sua conclusão, este trabalho será disponibilizado para a municipalidade de São Caetano do Sul por intermédio da Fundação Pró-Memória de São Caetano do Sul, autarquia do poder público local que zela pela preservação da memória histórica do município. A FPM-SCS teve um papel fundamental na viabilização do presente trabalho, pois os documentos históricos, a referência bibliográfica e os registros fotográficos utilizados nos estudos de caso foram majoritariamente coletados no acervo da fundação. Espera-se, portanto, que a presente pesquisa possa devolver a São Caetano 268


do Sul, na forma de conhecimento, todo o apoio dado para esta produção acadêmica. E que as informações aqui contidas sejam disseminadas para o resgate da memória histórica da população sul-caetanense.

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BIBLIOGRAFIA E MATERIAL DE APOIO BARTUSKA, T., McClure, W et. al. The Built Environment: Definition and Scope. In.: The built environment: a collaborative inquiry into design and planning / Wendy McClure & Tom Bartuska, editors. - 2nd ed. 2007 p. cm. Rev. ed. of: The built environment / Tom J. Bartuska, Gerald L. Young. © 1994. Includes bibliographical references and index. ISBN 978-0-470-00752-5 CRÓSTA, Álvaro Penteado. Processamento digital de imagens de sensoriamento remoto / Álvaro Penteado Crosta. – ed. rev. – Campinas, SP: IG/UNICAMP, 1993, © 1992. 170p. ISBN 85 853 690 27 JENSEN, J. R. Remote sensing of the environment: an Earth resource perspective. Upper Saddle River, New Jersey, Prentice Hall, 2000. LENCIONI, Sandra. Região e Geografia. A noção de região no pensamento geográfico. In.: CARLOS, Ana Fani Alessandri (organizadora). Novos Caminhos da Geografia. 5. ed. – São Paulo: Contexto, 2005. MEDICI, Ademir. Migração e urbanização: a presença de São Caetano na região do ABC / Ademir Médici. – São Paulo: Hucitec; São Caetano do Sul: Prefeitura de São Caetano do Sul, 1993. 576p. MORATO, R.G.; KAWACUBO, F.S.; HAYAKWA, E.H.; MACHADO, R. P. P. Análise da Expansão Urbana Por Meio De Composições Coloridas Multitemporais. In.: Mercator, Fortaleza, v. 10, n. 22, p. 221-231, mai./ago. 2011. ISSN 1984-2201 © 2002, Universidade Federal do Ceará. Todos os direitos reservados. SÃO CAETANO DO SUL. Fundação Pró Memória de São Caetano do Sul. Acervo (Coletânea de fotografias de números 52, 2950, 3732, 5305, 5907, 6485, 9241, 9242, 9268, 9303, 9340, 9402, 9691, 9697, 9699, 9728, 9794, 9799, 9801, 9897, 10770, 10846 e 11003). São Caetano do Sul. 2019. VENTURI, Luis Antonio Bittar. Debutantes Dubitantes. Guia prático e emergencial para os que estão às voltas com projetos de pesquisas científicas (ou com elas próprias). São Paulo: Departamento de Geografia, Universidade de São Paulo, 2015. 53p.

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Denis Giannelli | Bachelor Geography - Final Thesis by Denis Giannelli - Issuu