inf rma Ano XXI • 2017
IMPRESSO
organização não governamental sem fins lucrativos
defterra@veloxmail.com.br Foto: Peppe Ventura LAB
Abraço ecológico à Lagoa de Itaipu
contra a especulação imobiliária
Defensores da Terra/2017 Foto: Defensores da Terra
Foto: Defensores da Terra
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editorial
2017: um ano de retrocessos e ameaças no campo ambiental
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aros amigos, parceiros, alunos e defensores, chegamos ao final de mais um ano que foi bastante difícil para nós brasileiros, em que contabilizamos retrocessos e muitas ameaças no campo ambiental, tanto à nível nacional quanto estadual e municipal. Mas tivemos também algumas conquistas no Rio, das quais destacamos três: a aprovação do Refúgio da Vida Silvestre da Serra da Estrela, em Petrópolis, sonho antigo dos ambientalistas do corredor central da Mata Atlântica do Rio de Janeiro; a aprovação de um dispositivo constitucional que garante que todos os recursos da Compensação Ambiental mantenham-se destinados aos Parques, e não sejam destinados a uma caixa única e distribuídos para outras agendas; e a luta em defesa do Parque Estadual da Serra da Tiririca e da Lagoa de Itaipu contra a especulação imobiliária. À nível internacional, o evento mais importante foi a COP 23, realizada em Bonn, Alemanha. No topo das agendas dos representantes de mais de 195 países estava a construção de um “livro de regras” para implementar o Acordo de Paris e atingir a meta mundial de limitar o aquecimento do Planeta a no máximo 2ºC até o final do século. Foram duas semanas de intensas negociações, mas sem nenhum avanço objetivo. Tudo de mais importante ficou para 2018. E o Brasil saiu da conferência com a estampa do “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. As políticas internas do atual governo, que ameaçam as florestas e seus povos, e dão grandes subsídios para energias poluentes, são um exemplo real de tudo o que o mundo não precisa neste momento. Aliás, o Brasil ganhou o inglório prêmio “Fóssil do Dia” na conferência, devido a Medida Provisória do presidente Michel Temer que reduz os tributos das empresas envolvidas nas atividades de exploração de petróleo e gás natural (vergonha alheia). Do saldo positivo da COP 23 podemos citar: a promessa da Alemanha e do Reino Unido de investir 153 milhões de dólares para expandir programas de combate às mudanças climáticas e o desmatamento na floresta amazônica; a participação dos EUA, com ou sem Trump, com universidades, prefeitos, líderes empresariais e governadores de todo o país na campanha #WeAreStillIn, representando mais de 127 milhões de americanos e 6,2 trilhões de dólares em poderio econômico; e a decisão de que os oceanos devem ser tratados de forma prioritária nos esforços globais de combate às mudanças climáticas, já que são verdadeiros “heróis” do clima, ao absorverem cerca de 30% das emissões de dióxido de carbono, funcionando assim como um regulador climático. Para os Defensores da Terra, o ano foi de muita luta, mobilização e envolvimento em mutirões de limpeza de praias e florestas, de plantio e abraços ecológicos às unidades de conservação, em especial o MONA Pão de Açúcar e o Parque Nacional da Tijuca, em foco ao longo desse boletim. No campo da educação formal, merece destaque, a realização dos nossos Cursos de Formação Ecológica, que ao longo dos seus 18 anos de existência, fruto da parceria com o Sindicato das Seguradoras/RJ, já formaram 1.479 pessoas, sendo que desse total, somente neste último ano se diplomaram cerca de 150 novos defensores da Terra. Cabe salientar, que também são oferecidas regularmente Oficinas Educativas e Palestras Ambientais na sede da entidade. Seguimos para 2018 com esperança e energia para continuarmos nas lutas e desafios, em defesa do nosso patrimônio socioambiental. Lara Moutinho da Costa presidente
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Publicação da Associação Defensores da Terra, para distribuição interna a seus associados e multiplicadores de opinião Redação: Rua Francisco Serrador, 90 - sala 301 Centro – CEP 20031-060 – Rio de Janeiro – RJ e-mail: defterra@veloxmail.com.br Tels.: (21) 2524-7931 / 2524-5809 Editora: Lara Moutinho da Costa Arte: Jaqueline Gomes Atendimento/mala direta: Jaqueline Gomes
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Defensores da Terra é uma associação civil, ambientalista, sem fins lucrativos, sem caráter político-partidário, religioso ou ideológico, considerada de Utilidade Pública Estadual, pela Lei 2292 (13/07/94), filiada à Apedema-RJ, Abong, à Rede Nacional de ONGs da Mata Atlântica e registrada no Cadastro Nacional de Entidades Ambientalistas - CNEA (Ibama). Possui registro do Cadastro Geral de Contribuintes no Ministério da Fazenda com o nº 31.886.229/0001-07. É legalizada com registro jurídico desde 12/04/88 (Registro Civil das Pessoas Jurídicas - RJ, nº 360.401 - livro A, nº 32, nº 101.940 - livro A, nº 223). Sede: Rua Francisco Serrador, 90 - sala 301 – Centro • CEP 20031-060 Rio de Janeiro – RJ • Tels.: (21) 2524-7931/2524-5809. A diretoria dos Defensores da Terra, com mandato de dois anos, é integrada por: Lara Moutinho da Costa - presidente; David Zee - vice-presidente; Patrícia Rocha - diretora-secretária; Margarida Galamba de Oliveira - diretora-tesoureira; Marcel Martinez - 2ª tesoureiro.
Curso de Formação Ecológica Elevado índice de qualificação gera número recorde de alunos diplomados
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ontando mais uma vez com o apoio do Sindicato das Seguradoras, foram realizados dois Cursos de Formação Ecológica, respectivamente a 37ª e a 38ª turmas. Foram mais de 100 alunos inscritos, sendo alguns deles securitários. Em relação a 37ª turma, é importante destacar que pela primeira vez tivemos o número bastante expressivo de 45 formandos. Uma nova aula foi introduzida com o tema “Pequeno Grande PIB: decrescimento econômico e justiça ambiental”, que foi ministrada por Jun Shimada, educador ambiental, pesquisador do campo da justiça ambiental e mestre em Economia Ecológica pela Universidade Autônoma de Barcelona. Outro professor estreou no curso: Felipe Costa Brasil, engenheiro agrônomo, mestre e doutor em Agronomia pela UFRRJ/Universidade de Évora (Portugal), professor do mestrado em Tecnologias Ambientais UFF/RJ e assessor de meio ambiente do CREA-RJ, que abordou o tema “Gestão de Resíduos Sólidos”. A 38ª turma também obteve o índice de qualificação bastante elevado, tendo sido diplomados 47 alunos. Pela primeira vez tivemos a palestra do professor Osvaldo Oliveira Filho, especialista em Gestão Ambiental de Resíduos, e Gerente de Licenciamento de Resíduos do INEA, que pôde discorrer sobre a sua
Foto: Defensores da Terra
Foto: Defensores da Terra
Formandos da 37ª turma comemoram o fim do curso no Jardim Botânico
Alunos da 38ª turma recebem os certificados na sede dos Defensores
“Como artista plástico e educador ambiental, este curso teve muita importância na minha formação e na busca de conhecimento nesta área. Com uma grade bastante rica e com professores em diversos segmentos e com muita experiência, tive a oportunidade de aprender e compartilhar saberes. Indico a quem quiser contribuir com um mundo melhor, fazer este curso e se tornar um Defensor da Terra.” (Alfredo Borret, aluno da 37ª turma) “Foi uma grande surpresa constatar que um curso totalmente gratuito teve uma postura tão profissional em relação aos horários, como também aos palestrantes, preparados e com experiência nos temas apresentados. Além disso, foi muito positiva a organização, nos passando todas as informações necessárias ao longo das semanas de duração do curso. Parabéns aos palestrantes e à equipe envolvida!” (Elizabeth França, aluna da 38ª turma)
experiência concreta de gestão e monitoramento das políticas desenvolvidas no estado do Rio de Janeiro. O perfil das duas turmas continuou bastante variado: faixa etária dos 19 aos acima de 50 anos; estudantes e profissionais com formações em diversas áreas (biologia, direito, comércio exterior, guia de turismo, educação, policiais do Comando Estadual de Polícia Ambiental - Cepam, etc.), bem como pessoas sem formação universitária; e vindas do Rio de Janeiro e de outros municípios distantes, como Petrópolis e Nova Iguaçu. Ambas as turmas tiveram uma participação extremamente intensa, o que propiciou um intercâmbio de informações e uma forte união entre os alunos.
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Terças e Quintas Ambientais Palestras e debates sobre temas socioambientais Projeto Terças e Quintas Ambientais constitui-se em palestras que abordam temas socioambientais e culturais, com especialistas com grande conhecimento e experiência, que são realizadas periodicamente e de forma gratuita na sede da instituição. Dentre as várias palestras realizadas durante o ano, destacamos: No mês de abril, foi realizada a palestra “Reflorestamento na Face Leste do Pão de Açúcar”, com Domingos Sávio Teixeira. O ambientalista contou sua experiência de 15 anos trabalhando na recuperação ambiental na face leste do Pão de Açúcar, combatendo as espécies exóticas e devolvendo a este icônico morro a exuberante Mata Atlântica. Outra vertente do projeto são os mutirões mensais de plantio com voluntários, que se realizam desde 2004 e dos quais os Defensores da Terra já participaram muitas vezes. Sávio é fundador e coordenador do Projeto Pão de Açúcar Verde, criado em 2002, e adotante oficial junto à prefeitura de três áreas em
Foto: Defensores da Terra
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Sávio (com a camiseta do Projeto Pão de Açúcar Verde) e os participantes de sua palestra
reflorestamento no Pão de Açúcar. Também é membro do Grupo Ação Ecológica (GAE) e ex-aluno do Curso de Formação Ecológica, dos Defensores da Terra. Em julho, foi a vez de Priscila Marques Coelho que palestrou sobre o tema “Conhecendo o Centro de Educação Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Foto: Gustavo Pedro
Gustavo Pedro (o quarto, da esquerda para direita) e alguns ouvintes com seu livro sobre o Parque Estadual dos Três Picos
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Ambiente do Rio de Janeiro”, abordando as políticas de gestão ambiental no município, destacando os projetos e programas existentes, e em especial, o Programa Voluntários por Natureza. Priscila foi aluna do 21º Curso de Formação Ecológica, é bióloga e trabalha com educação ambiental na prefeitura do Rio, desde 2011. Em 23 de novembro, o fotógrafo e ambientalista Gustavo Pedro, ministrou a palestra “Parque Estadual dos Três Picos, desafios além das montanhas”, tema do livro que lançou com belíssimas imagens e que constitui o primeiro e o mais completo registro fotográfico sobre a maior Unidade de Conservação do Estado do Rio de Janeiro, com 65 mil hectares de Mata Atlântica. Gustavo é fundador da Associação de Fotógrafos de Natureza - AFNATURA, atualmente no cargo de diretor de Relações Públicas, e diretor do Grupo Ação Ecológica, como membro do Conselho de Meio Ambiente da Cidade pela APEDEMA.
Outras ações ecológicas importantes Defensores da Terra participam de várias ações como mutirões de limpeza e plantio de espécies Foto: Defensores da Terra
Costões da Pista Cláudio Coutinho
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ealizamos no dia 9 de abril, junto com a Escola de Comando e Estado Maior do Exército, Escola Naval, GAE (Grupo de Ação Ecológica), mergulhadores do Projeto Verde Mar e outras entidades do Conselho do Monumento Natural do Pão de Açúcar, moradores e frequentadores da Praia Vermelha, um mutirão de limpeza das áreas do costão rochoso, feito pelo mar e por terra, no entorno da pista Cláudio Coutinho. Infelizmente, encontramos muito lixo nas pedras, que acaba indo para o mar. Na sua maioria, recolhemos embalagens plásticas, latas e apetrechos de pesca, como emaranhamento de linhas, redes e anzóis. Há também uma área bastante contaminada com lixo sanitário, que irregularmente é usada como banheiro por quem frequenta estes locais. Fizemos também um trabalho de educação ambiental, abordando os visitantes, em especial os pescadores, orientando-os para que recolhessem todo o lixo que produziram e o levassem para o local adequado. Na semana anterior, mergulhadores do Projeto Verde Mar coletaram lixo no fundo do mar e nas áreas próximas aos costões.
Defensores da Terra, juntamente com outras entidades (ECEME, GAE, Projeto Verde Mar, dentre outras) abraçam a natureza, promovendo um mutirão de limpeza nos costões da Pista Cláudio Coutinho. Moradores e frequantadores do local também tiveram participação ativa
Foto: Defensores da Terra
Área Verde Senhor dos Milagres
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m comemoração ao Dia da Mata Atlântica, que é celebrado em 27 de maio, a Associação de Moradores da rua Lauro Muller e Adjacências (ALMA), realizou mais um plantio de espécies nativas na Área Verde Senhor dos Milagres. Estiveram presentes vários moradores do entorno e voluntários dos Defensores da Terra. Esta área verde representa uma grande vitória, alcançada após mais de uma década de luta dos moradores do local. Hoje, é um espaço de lazer e bem estar, que ajuda a convivência e confraternização de todos que a visitam. Foto: Defensores da Terra
Foto: Defensores da Terra
Foto: Defensores da Terra
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Lagoa para sempre – Um sup S
em dúvida, um dos maiores movimentos ambientais do Estado do Rio em 2017 foi o de defesa da Lagoa de Itaipu e áreas adjacentes, que envolveu encontros e reuniões comunitárias, atos públicos na Câmara de Niterói e na Assembleia Legislativa, abraços ecológicos à Lagoa, coleta de assinaturas para petição pública, matérias em jornais e muito mais. O Movimento Lagoa para Sempre, de Piratininga, a Coalizão da Bacia das Lagunas de Piratininga e Itaipu e do Mar Adjacente, entre outros, mobilizaram as associações de moradores, pescadores, surfistas, instituições acadêmicas, ambientalistas, e outros diversos grupos e comunidades contra a especulação imobiliária que tenta legalizar projeto de construção de 210 prédios nas margens da Lagoa de Itaipu, área protegida constitucionalmente, considerada de preservação permanente pelo código florestal e dentro do Parque Estadual da Serra da Tiririca. Uma tentativa de privatização de terras públicas, na verdade um roubo descarado, um golpe, por parte de grupos privados do ramo imobiliário.
Entendendo o problema Durante séculos, a Lagoa de Itaipu, localizada na Região Oceânica de Niterói, apresentava um ciclo natural de cheia e vazante. Na cheia, sua superfície chegava a 350 hectares (350 campos de futebol), quando o nível da água atingia 1,6 m acima do nível do mar. Na vazante, a lagoa tinha 150 hectares. O esvaziamento da lagoa era feito pelos pescadores, que de tempos em tempos escavavam um canal na faixa de areia entre a lagoa e o mar. Entretanto, em 1979, uma construtora abriu o Canal de Itaipu ligando-o permanentemente ao mar. Um crime ambiental que ficou impune, e com isso, a lagoa nunca mais encheu, permanecendo vazia o ano inteiro. O espaço que antes era o leito da lagoa quando ela estava cheia é, e sempre será, obviamente, terra pública. Mas, apesar disso, ele foi completamente dividido em lotes que foram em parte comercializados. E muitas pessoas incautas que compraram esses terrenos e construíram suas casas no que antes era leito da lagoa, áreas alagadas e de brejos, sofrem com enchentes periódicas desde então. Para reverter os danos e retomar as terras públicas que possuem inestimável importância ambiental, cênica, cultural, social e pré-histórica, em 2008, o Governo decretou a anexação das mesmas ao Parque Estadual da Serra da Tiririca, cumprindo uma decisão judicial e os anseios populares. Para reforçar a proteção, em 2010, baixou o Decreto nº 42.355, de 16 de Março de 2010, fixando o perímetro da Área de Preservação Permanente (APP) no entorno da Lagoa de Itaipu, chamando-a de Faixa Marginal de Proteção (FMP). O decreto de 2008 foi questionado na justiça e aguarda decisão final do plenário do STF. O segundo foi validado por decisão recente do Tribunal de Justiça, não cabendo contestação. Agora, as empresas de construção civil, que há anos tentam se apoderar dessas terras, pretendem finalizar o golpe, iniciado em 1979, retirando áreas do Parque Estadual da Serra da Tiririca para construir 210 prédios destinados a 28 mil moradores. Valem-se de um emaranhado de títulos de propriedade suspeitos, de ações governamentais e jurídicas duvidosas, de decisões judiciais equivocadas e de um solene desrespeito a diversos outros instrumentos legais de proteção do local. Preocupados com o destino da lagoa, as entidades da sociedade civil organizada já referidas acima, iniciaram uma campanha em defesa desse importante patrimônio ambiental, promovendo atos públicos e a coleta de assinaturas para uma petição pública endereçada ao Prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, onde não apenas repudiam essas manobras contrárias ao interesse da população, à ética e à lei, mas também reivindicam do Prefeito as seguintes proposições: Foto: Defensores da Terra
Manifestantes se organizam para formarem um gigantesco abraço à Lagoa de Itaipu
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per abraço à Lagoa de Itaipu Foto: Defensores da Terra
1. Que o artigo 169 da proposta do Plano Diretor tenha a seguinte redação: “Art. 169. Considera-se Área de Preservação Permanente, em zonas urbanas, para os efeitos desta Lei: VII – a faixa marginal da Lagoa de Itaipu, delimitada pelo Decreto Estadual nº 42.355 de 16 de Março de 2010 e a faixa marginal da lagoa de Piratininga, delimitada pelo Decreto Estadual 42.354 de 16 de Março de 2010; 2. Que sejam alterados os mapas da proposta do Plano Diretor de modo a incluir a área especificada no Decreto Estadual 42.354 de 16 de Março de 2010 no entorno da Lagoa de Itaipu, a Frente Marítima (porção do PESET entre a Laguna de Itaipu e a Praia de Camboinhas, onde os sítios arqueológicos Duna Pequena e Sambaqui Camboinhas foram descobertos e inventariados.) e a Duna Grande; 3. O cumprimento dos compromissos assumidos na Carta Verde, assinada pelo atual Prefeito, de defender a integridade territorial e ecológica do Parque Estadual da Serra da Tiririca e apoiar financeiramente a gestão do Parque, nenhum deles realizados até o momento; 4. Realizar uma profunda investigação sobre o domínio das terras no entorno da Lagoa de Itaipu, em conjunto com o Ministério Público, a Procuradoria do Estado, INEA e a Secretaria do Patrimônio da União, de forma a esclarecer definitivamente os limites da propriedade pública no entorno da lagoa e da Restinga de Camboinhas. Somente depois empregar os instrumentos previstos no Estatuto das Cidades para compensar somente aqueles proprietários genuínos.
Ano de muita luta em defesa da lagoa
Foto: Defensores da Terra
E o segundo semestre do ano foi de muita mobilização pública em defesa da lagoa, com um gigantesco abraço ecológico acontecendo no dia 22/10, organizado pelo Movimento Lagoa para Sempre, junto com outras instituições, entre as quais os Defensores da Terra, grupos e comunidades locais. E a população de Niterói compareceu em peso, mais de mil pessoas mostraram combatividade na luta contra a especulação imobiliária e em defesa da Lagoa de Itaipu. No dia 29/11, a mobilização da campanha em defesa da lagoa organizou ato na Câmara dos Vereadores de Niterói contra o Projeto de Lei proposto pela Prefeitura, e enviado à Câmara SEM CONSULTA POPULAR e dos Conselhos de Políticas Públicas, e que EXCLUI ÁREAS PROTEGIDAS do Plano Diretor atual. Retirava do mapa áreas de brejo da Lagoa de Itaipu, dos Sítios e Museu Arqueológicos, do Cemitério São Lázaro e outras de Especial Interesse Social e Cultural. E ainda reclassificava o bairro como zona de adensamento urbano. Com isso, a Prefeitura abriu caminho para a invasão imobiliária sobre as áreas protegidas da cidade, já que um dos projetos prevê a construção de prédios na beira da lagoa. O 2º Abraço Ecológico aconteceu em 17/12, e foi mais expressivo ainda que o primeiro, com a participação de mais de mil e quinhentas pessoas, combinando espírito público, compromisso com a proteção e a sustentabilidade ambiental, reflexão crítica sobre o futuro de Niterói, além de boa música e alto astral. E no dia 20/12, já no apagar das luzes de 2017, a luta pela Lagoa de Itaipu e áreas adjacentes se concentrou na ALERJ, pela aprovação de dois Projetos de Lei (2.430/09 e 278/15), que poderão ser aglutinados para dar celeridade à votação. Mas os interesses do capital imobiliário no parlamento estadual atuaram para obstruir a tramitação deles, com muitos deputados da bancada governista saindo no meio da sessão, de modo a não dar quorum para a votação. Acabaram conseguindo, a sessão caiu e a votação foi adiada para 2018. Mas a luta em defesa da Lagoa de Itaipu segue firme na ofensiva para assegurar a ampliação dos limites definitivos do Parque Estadual da serra da Tiririca, de modo a anexar as áreas da lagoa, dunas e brejos, para reconhecimento da região como área de preservação permanente e para a delimitação definitiva da FMP da Lagoa de Itaipu. Parabéns a todos os envolvidos. Nestes tempos sombrios, e de tantos retrocessos, é muito importante Resistir. Concentração na Alerj em favor da preservação do ecossistema lagunar Lagoa para sempre!! Viva a Lagoa de Itaipu! Defensores da Terra/2017
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Voluntários em Ação
Foto: Christina Bocayuva
Todo o grupo unido: organizadores e voluntários em luta pela mesma causa
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do Exército (ECEME), da Federação de Esportes de Montanha do Estado do Rio de Janeiro (FEMERJ), da Companhia Caminho Aéreo Pão de Açúcar (Bondinho) e do Mosaico Carioca de Áreas Protegidas. Os Defensores da Terra participaram do evento, junto com outras organizações e movimentos, aderindo aos mutirões de limpeza no mar e no costão do Pão de Açúcar, e também como expositores em um estande onde receberam várias pessoas interessadas em conhecer o trabalho da nossa entidade. Além disso, houve várias homenagens a alguns membros dos clubes excursionistas e de montanhismo, entre os quais destacamos o amFoto: Defensores da Terra
Defensores da Terra marcando presença no evento
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bientalista André Ilha da FEMERJ, do Movimento Trilha Transcarioca, do CEB, do CERJ e do CEG pelo trabalho atuante no reflorestamento do MONA Pão de Açúcar com o projeto Pão de Açúcar Verde. A Rede de Educação Ambiental RJ, a Rede de Educação Ambiental Costeira e Marinha (Reacomar), a Rede Praia Limpa e o LAFEA/UERJ também marcaram presença. O evento foi um sucesso, um dia muito feliz em que várias entidades se reuniram e trabalharam em defesa do nosso patrimônio ambiental, além de ser certamente um reencontro de amigos, alunos e ex-alunos. Foto: Christina Bocayuva
o dia 09 de dezembro de 2017, foi realizada a 1ª edição do evento Voluntários em Ação, para celebrar e reconhecer as diversas atividades voluntárias de conservação ambiental que são desenvolvidas no Monumento Natural dos Morros do Pão de Açúcar e da Urca e no seu entorno. O evento foi uma iniciativa do Projeto Pão de Açúcar Verde que completou 15 anos de existência e do Projeto Verde Mar; contou com o apoio da Secretaria Municipal de Conservação e Meio Ambiente (SECONSERMA), do Monumento Natural dos Morros do Pão de Açúcar e da Urca (MONA Pão de Açúcar), da Escola de Comando e Estado-Maior
Intensa participação na pauta ambiental Defensores da Terra contribuem para o fortalecimento do movimento ambientalista Foto: Defensores da Terra
Lançamento da Trilha Transcarioca
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s Defensores da Terra participaram do lançamento oficial da Trilha Transcarioca, realizado no Centro de Visitantes das Paineiras, Parque Nacional da Tijuca, no dia 11 de fevereiro. A trilha tem um percurso de aproximadamente 180 km, e cruza a cidade do Rio de Janeiro, saindo de Barra de Guaratiba até o Morro da Urca, aos pés do Pão de Açúcar. Durante o seu trajeto, o visitante tem a oportunidade de apreciar atrativos naturais pouco conhecidos e ver as maravilhas da cidade de ângulos inusitados. A trilha poderá ser percorrida na sua totalidade ou em partes, de acordo com o interesse, a aptidão e a disponibilidade de tempo de seus visitantes. Sua implantação é uma iniciativa do Mosaico Carioca de Áreas Protegidas, criado oficialmente pelo MMA, em julho de 2011. Sua realização é resultado de muitas reuniões, oficinas e ações de mane-
Apresentação dos voluntários da Trilha Transcarioca no evento de seu lançamento
jos, que foram intensamente planejadas e implementadas pelos gestores das unidades de conservação envolvidas e por voluntários. A Trilha Transcarioca foi idealizada pelo diplomata e ex-diretor do Parque Nacional da Tijuca, Pedro da Cunha e Menezes. Em seu livro intitulado “Transcarioca: todos os passos de um sonho (2000)”, Pedro cita diversos exemplos bem sucedidos de trilhas de longo curso ao redor do mundo.
Existe a expectativa de que esta iniciativa venha fortalecer o ecoturismo no Rio de Janeiro, promovendo melhorias na gestão ambiental destas áreas protegidas. Além disso, esta trilha poderá proporcionar melhorias ambientais para a cidade, tais como a criação de um corredor florestal, reunindo vários ecossistemas da Mata Atlântica (restinga, manguezal, praia, costão rochoso, floresta de baixada e de montanha), entre os maciços da Tijuca e da Pedra Branca.
Defensores no Conselho Gestor do Parque Nacional da Tijuca
1ª Oficina Técnica de Reestruturação do Conselho Gestor do PNT no RioZoo – Jardim Zoológico do Rio de Janeiro em 10/10/17
Foto: Defensores da Terra
Foto: Defensores da Terra
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articipamos há 15 anos do Conselho Consultivo do Parque Nacional da Tijuca, um espaço de participação social voltado para a gestão da biodiversidade, sendo um fórum de expressão, representação e participação dos diversos interesses socioambientais ali presentes. Vale ressaltar que em 2017 o conselho foi modificado, com as oficinas de reestruturação acontecendo ao longo do segundo semestre.
2ª Oficina Técnica de Reestruturação do Conselho Gestor do PNT na Alerj – Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro em 6/11/17
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Atividade de Educação Ambiental pelo Dia Mundial do Meio Ambiente rafas de plástico) e outros materiais. Os artesãos Maria Cristina e Vavá ensinaram as crianças a criarem objetos e brinquedos, que deram um novo olhar para materiais que normalmente são jogados no lixo. Estas oficinas são importantes ações de educação ambiental que visam desenvolver nas crianças a consciência dos problemas ambientais de uma forma lúdica e criativa. Além disso, procuram estimulá-las a adotarem boas práticas desde cedo.
Foto: Defensores da Terra
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m comemoração pelo Dia Mundial do Meio Ambiente, que é celebrado em 5 de junho, realizamos oficinas de artesanato com materiais recicláveis para mais de 30 crianças da Escola NAU (Núcleo de Arte da Urca). A atividade foi realizada no Parque da Chacrinha, sede do Parque Natural Municipal Paisagem Carioca, com autorização da Prefeitura. Promovemos oficinas de artesanato com reaproveitamento de PET (gar-
Foto: Defensores da Terra
Homenagem a Edvaldo Barbosa Lima – “Vavá” O ano de 2017 foi mais triste, porque perdemos um de nossos mais antigos colaboradores, o artesão Edvaldo Barbosa Lima, o Vavá. A Educação Ambiental só atinge plenamente seus objetivos na sensibilização da sociedade, através do trabalho e da contribuição inspiradora destas pessoas, defensores práticos da Terra. Ficará em nossa memória sua criatividade, seu carinho, seu modo único de trazer o lúdico para a realidade de muitas e muitas crianças, que certamente serão cidadãos melhores, mais coerentes, solidários e conscientes. Gratidão, Vavá!
Virada Sustentável / Oficina Mundo SEM Bitucas
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bas) por meio de reaproveitamento de embalagens pós-uso, como uma forma de propor uma solução para buscar uma cidade mais sustentável e limpa. Os porta-bitucas portáteis são produzidos através do reaproveitamento de embalagens de tu-
binhos de vitamina C e balas, por exemplo. Também abordamos várias pessoas para conversar sobre este problema e sensibilizá-las para uma mudança de atitude em benefício de um meio ambiente mais saudável e melhor para todos nós. Foto: Defensores da Terra
m parceria com o Projeto Mundo SEM Bitucas, da aluna do 37º Curso de Formação Ecológica, Natália Zafra Goettlicher, participamos da Virada Sustentável, realizada pela primeira vez no Rio de Janeiro, entre os dias 9 e 11 de junho. A Virada Sustentável é um movimento de mobilização colaborativa em prol da sustentabilidade. E o Mundo SEM Bitucas nasceu do desejo de diminuir a quantidade de pontas de cigarros descartadas incorretamente nas ruas e calçadas das cidades, evitando a contaminação do meio ambiente. Assim, foi realizada, no Parque Garota de Ipanema, uma oficina para construção de porta-bitucas (guim-
Todos juntos em defesa dos corais da Amazônia, contra a exploração petrolífera Foto: Defensores da Terra
U
ma equipe de cientistas brasileiros confirmou, em abril de 2016, a existência de um recife de corais, com quase 1.000 km de extensão, na região onde o rio Amazonas encontra o oceano Atlântico. Um bioma único formado por corais, esponjas e algas calcárias (rodolitos), lar de um número imensurável de animais marinhos e três possíveis novas espécies de peixes. Porém, uma grande ameaça está se aproximando desse tesouro recém descoberto. Companhias petrolíferas, incluindo a empresa francesa Total e a britânica BP, pretendem perfurar a região em busca de petróleo. A atividade intensa de prospecção na área traz o risco iminente e constante de um derramamento de óleo na região, ameaçando todo o ecossistema da Bacia da Foz do Amazonas. O bloco mais próximo dos Corais da Amazônia fica a apenas 8 km de distância e é de propriedade da Total. Um eventual acidente com petróleo na região poderia, em tese, colocar em risco
não só os corais, mas também espécies como o peixe-boi-marinho, o tracajá e a ariranha, ameaçadas de extinção segundo a lista da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza) de 2014. Conhecendo a atuação da BP e da Total pelo mundo, surge a pergunta: será que vale a pena correr esse risco? A Associação Ambientalista Defensores Terra, associou-se à Organização Greenpeace, ao Ministério
Ecos da Rio-92: Os Defensores da Terra participaram do seminário “Ecos da Rio-92: 25 Anos Depois”, promovido pelo Museu do Amanhã, no dia 6 de junho. O objetivo do encontro foi debater os desdobramentos científicos, diplomáticos, políticos, sociais e de comunicação da Eco-92 (Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro) até os dias de hoje. A Eco-92 reuniu 117 chefes de estado, colocando
Público Federal e ao Ibama, em defesa dessa joia rara, recém-descoberta e já ameaçada pela atividade de extração de petróleo, contra o desmonte do licenciamento ambiental e da CGPEG, e à favor do Princípio da Precaução, postulado na Declaração da Rio/92 sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Mais do que nunca é necessário que a sociedade civil se manifeste com urgência em prol dessa causa. E foi isso que fizemos!
25 Anos Depois
as questões ambientais na agenda mundial. Importantes documentos foram criados nesse evento, como a Agenda 21 (um roteiro para países, estados e cidades de como crescer e ao mesmo tempo resolver problemas ambientais e sociais), a Convenção do Clima e da Convenção para a Biodiversidade, além do embrião da Convenção de Combate à Desertificação. O seminário do Museu do Amanhã contou com 15 palestrantes,
entre jornalistas especializados em meio ambiente e diretores da Organização das Nações Unidas (ONU). Como exemplo, no debate “A Rio 92 e uma agenda para nosso futuro comum”, participaram: Carlos Minc, exministro do Meio Ambiente e deputado estadual do Rio de Janeiro; Liszt Vieira, sociólogo e coordenador do Fórum Global, evento que aconteceu paralelamente à Rio-92; e Denise Hamú, representante da ONU Meio Ambiente no Brasil. Defensores da Terra/2017
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Dia Mundial de Limpeza de Rios e Praias
omo acontece há 15 anos, a Associação Ambientalista Defensores da Terra, com o apoio do Sindicato das Seguradoras/RJ e em parceria com o Instituto Ecológico Aqualung, convocou os associados, alunos, amigos e voluntários para participarem do Dia Mundial de Limpeza de Rios e Praias (Clean Up The World), realizado anualmente no mundo todo, sempre no mês de setembro. Mais uma vez, montamos nossa tenda na Praia de Copacabana, em frente ao
Hotel Marriot, e participamos das atividades de limpeza da praia. Recolhemos o lixo e, principalmente, o microlixo que fica na areia, aquele que escapa à atenção das empresas de coleta de lixo urbanas, como as guimbas de cigarro, os palitinhos de picolé, além de pedaços de canudinhos e outros materiais plásticos provenientes de embalagens, que ficam no ambiente das praias, poluindo a areia e o mar, ameaçando a saúde da população e a vida das espécies marinhas.
Foto: Defensores da Terra
Foto: Defensores da Terra
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A atividade foi um sucesso, mobilizando mais de mil pessoas em Copacabana e recolhendo um total de 1.450 kg de microlixo, principalmente guimbas de cigarro. Estas atividades visam monitorar o tipo de resíduo encontrado no litoral e chamar a atenção do público frequentador sobre os danos causados pelo lixo no meio ambiente. Para se ter uma ideia da gravidade do problema, estima-se que até 2050 haverá mais lixo do que peixe no mar. Imaginem o desastre ambiental!!
Marcha popular pelo Clima
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Defensores da Terra/2017
cial do Rio de Janeiro, em conjunto com instituições ambientalistas, acadêmicas, da juventude, e de diversos movimentos sociais, que juntos conclamam os governos e a sociedade a desenvolverem políticas públicas em prol do desenvolvimento sustentável.
Foto: Defensores da Terra
om muito bom humor e consciência crítica, os Defensores da Terra marcaram presença mais uma vez na Marcha Popular do Clima, que em 2017 foi realizada no dia 12 de novembro na praia de Copacabana. O dia estava lindo e ensolarado, e a manhã foi bastante proveitosa com diversas atividades acontecendo. E os Defensores da Terra mandaram o seu recado, fazendo uma breve análise da grave situação ambiental, decorrente do aquecimento global e dos desafios a enfrentar neste século XXI. A Marcha acontece todo ano durante os encontros da COP – Conferência das Partes Sobre Mudanças Climáticas – e no Rio de Janeiro, ela é organizada pelo Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça So-
Foto: Defensores da Terra
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