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Revista Reprise

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Reprise

Tudo sobre o universo das séries: críticas, indicações, premiações e muito mais


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EXPEDIENTE Ana Elisa Amaral, 19 anos, estudante de Comunicação Social da UFSJ, editora e colunista na revista Reprise.

Maria Paula Santiago, 18 anos, estudante de Comunicação Social da UFSJ, editora e colunista na revista Reprise.

EDITORIAL O advento das tecnologias levou a uma produção cinematográfica em massa, especialmente as suas produções seriadas. O que antes era exclusivo da TV agora pode ser acessado por qualquer aparelho conectado à internet, possibilitando-nos assistir nossas séries favoritas a qualquer local e hora, logo percebe-se que estamos o tempo todo sendo bombardeados pelas suas histórias. Se você adora séries com certeza já percebeu o vínculo emocional que criamos com um determinado local ou personagem, como por exemplo como nos abalamos com a morte de um que gostamos mais. Esse vínculo raramente acontece com apenas uma série, tendendo a acontecer com diversas, de diferentes enredos, gêneros, épocas e personagens. Mas afinal você já se perguntou como surgiu esse formato audiovisual? Qual foi a trajetória necessária para a série ficar como a conhecemos atualmente? Essa foi uma das propostas dessa primeira edição da Revista Reprise, além dessa buscamos trazer em nossas editorias, análises, críticas e curiosidades sobre séries, para que assim você possa decidir entre as muitas opções existentes atualmente. E também para que você fique mais informado, crítico e reflexivo sobre o que consome. Afinal, as séries são muito mais que mero entretenimento, é também arte repleta de mensagens, crítica, referências e representatividade. Foto capa e contracapa: Divulgação/Hulu


Foto: Divulgação/pipocaclub

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Cena da série The Crown, com destaque para Emma Corrin no papel da Princesa Diana.

SUMÁRIO 04

Sex Education Conscientização ou incentivo?

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Série brasileira se destaca por enredo de valor cultural, mas falha na representatividade

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The Handmaid's Tale

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A Trajetória das Séries Televisivas

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Curiosidades de Atypical

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Indicações

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A Representação Feminina em O Segredo do Templo

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Orange Is The New Black

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Primetime Emmy 2021

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Polêmicas


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Elenco de Sex Education

Sex Education

Foto: Divulgação/ Netflix


Educação

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SEX EDUCATION Conscientização ou incentivo? Entenda um pouco sobre as polêmicas que envolvem educação sexual nas escolas e a importância da série nesse contexto.

A dualidade de opiniões Atualmente um assunto que tem sido muito pautado é educação sexual nas escolas. Há aqueles que acreditam que esse método é essencial para que as crianças aprendam sobre o corpo humano e os limites de contato que devem ser impostos a outras pessoas, podendo, assim, evitar assédios e abusos sexuais. Além disso, possuem a percepção de que a obtenção de informação é de grande valia para evitar gravidez precoce e doenças sexuais. Em contrapartida, parcela da população defende que isso não passa de um incentivo para dar início a relações sexuais precoces, o que pode gerar muitas consequências drásticas para as crianças.

A polêmica sexual

envolvendo

as

cartilhas

de

educação

A polêmica que surgiu após a aprovação da cartilha de educação sexual do MEC em 2013, mostra alguns pontos que gerou controvérsias. Em primeiro lugar, tal cartilha foi distribuída nas escolas públicas com o objetivo de educar crianças de 6 a 12 anos sobre sexualidade. Ademais, foram examinadas por psicólogos e pedagogos antes de serem lançadas. Entretanto, muitos pais não ficaram satisfeitos devido às ilustrações e palavras inapropriadas, pedindo que excluísse esses materiais do ambiente escolar.

Política e educação sexual É difícil tratar do assunto sem envolver política, visto que as autoridades, além de terem o poder de decisão sobre questões públicas, possuem grande influência sobre o posicionamento do povo. Pode-se dizer que atualmente o combate político à “ideologia de gênero” é um obstáculo para a implantação da educação sexual nas escolas. O próprio presidente do país, Jair Messias Bolsonaro, já afirmou ser contra a abordagem de sexualidade nas instituições de ensino, alegando, em 2018, que esses ensinamentos devem ser feitos pelos pais. Já a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, em certo momento defendeu a educação sexual, considerando a existência de restrições para determinadas idades.


Educação

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Até que ponto a educação sexual assume sua importância para crianças e adolescentes A educação no geral , seja ela destinada a qualquer público, não é apenas responsável por informar e transmitir conhecimentos, mas também pela formação de pensamentos críticos na sociedade. A educação sexual não é diferente, pode-se afirmar que é um método de conscientização muito importante quando feito de forma controlada dentro de um contexto pedagógico. Sendo assim, os conteúdos precisam ser abordados de maneira didática de acordo com a faixa etária das crianças. Dentre os vários benefícios gerados por esse tema nas escolas, os mais citados são: a prevenção de doenças, a minimização de riscos de gravidez e a identificação de casos de violência sexual. Diante desses aspectos apresentados, é perceptível que o assunto não é para ensinar a ter relações sexuais, mas para proteger tais faixas etárias de possíveis perigos.

Série Sex Education e seu papel de orientar jovens A comédia dramática britânica da Netflix, Sex Education, lançada em janeiro de 2019, aborda situações vivenciadas por jovens que evidenciam os tabus que envolvem a sexualidade. Otis Milburn, o protagonista, é filho de terapeutas sexuais e decide abrir uma espécie de consultório na escola para aconselhar os colegas sobre relações sexuais. Todavia, percebe que na teoria as coisas são bem diferentes da prática. A trama se baseia nas descobertas de jovens, nos conflitos que surgem pela ausência de uma vida sexual, gravidez precoce, identidade sexual e na falta de informação, que pode muitas vezes estimular a tomada de atitudes equivocadas, como aconteceu em um momento da história, quando uma histeria coletiva toma conta da Escola Moordale High. O suposto surto de uma IST (infecções sexualmente transmissíveis) fez com que os alunos iniciassem uma troca de acusações na busca pelo causador da infecção. A mãe de Otis, Dra. Jean, entra em cena e discute abertamente sobre sexualidade, o que gera um choque e certo conforto para os jovens, uma vez que esses assuntos não eram tratados.

A realidade mostrada na série chega ao Brasil Com o lançamento da terceira temporada em setembro de 2021, foi articulado um conteúdo acerca do recém-lançado projeto especial Aquele Assunto, produzido pela trigésima primeira turma do Curso Estadão de Jornalismo. A ideia do projeto é discutir sobre temas relevantes como sexualidade, métodos contraceptivos e tirar dúvidas dos jovens que estão passando pela fase de autodescobertas. A iniciativa foi tomada após os dados obtidos em uma reportagem mostrarem falhas na forma como o tema é abordado nas escolas. O conteúdo pode ser conferido no Youtube do Estadão, Instagram e TikTok. Assista o vídeo "Aquele Assunto: especial quer debater educação sexual para adolescentes "da repórter Mariana Miquelleto explicando sobre o projeto, no canal do Estadão no Youtube.

Você Sabia? A partir de 2016, o termo IST passou a ser usado ao invés de DST. Tal mudança ocorreu pois a palavra “infecções” abrange também períodos sem sintomas ou por um longo período com sintomas, sendo necessário examinar para identificar. Isso não era possível com o termo “doença”, que era mais limitado ao aparecimento de sintomas. Atualmente a mudança já foi realizada pela OMS.


Nacional

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SÉRIE BRASILEIRA SE DESTACA POR ENREDO DE VALOR CULTURAL, MAS FALHA NA REPRESENTATIVIDADE A série brasileira ‘Cidade Invisível’ ,lançada em 5 de fevereiro de 2021, e criada por Carlos Saldanha, trouxe grande audiência para a Netflix, visto que foi o programa de TV mais popular dessa plataforma de streaming no Brasil, ocupando a primeira posição. De acordo com o site What’s on Netflix, ficou entre os dez melhores na França, Nova Zelândia e Espanha. Diante de um roteiro interessante, que abrange questões culturais e sociais, a série também possui um enredo envolvente, que prende a atenção do público, pois há alguns mistérios a serem desvendados.

Foto: Divulgação/ Netflix

O folclore brasileiro ganha espaço nessa produção audiovisual e fomenta as noções de diversidade de crenças e riqueza cultural que o país possui. Baseada em lendas folclóricas, os personagens, interpretados por atores nacionalmente conhecidos como Alessandra Negrini e Fábio Lago, representam entidades espirituais, como a Cuca e o Curupira. Além desses, o elenco é composto por Jéssica Córes, como Iara, Victor Sparapane, Boto cor-de-rosa, Jimmy London, como Tutu Marambá, e Wesley Guimarães, como Saci-Pererê.


08

Nacional

Foto: Divulgação/Netflix

Ao longo da narrativa são mostradas as origens de tais personagens, os poderes sobrenaturais que eles possuem e suas relações com a natureza. Tal fato assume grande importância, ao reforçar a necessidade de um bom convívio com o meio ambiente que algumas lendas transmitem. Uma história cheia de suspense e magia que se revela gradativamente por meio de uma investigação, acerca da morte das entidades sobrenaturais, feita por um policial chamado Eric, interpretado por Marco Pigossi. Apesar dessa presença de uma bagagem cultural instrutiva, vale salientar a invisibilidade dos indígenas na obra, já que eles foram os povos que criaram as lendas retratadas.

Após a confirmação da Netflix sobre a gravação da segunda temporada, esperamos que tais erros cometidos na primeira sejam reparados não só para que os povos indígenas sirvam como fonte de pesquisa mais concreta sobre as lendas, mas também para que possam atuar, sendo os protagonistas da história. Assim, é indubitável que a presença desses povos tornaria o enredo mais emblemático e representativo. Visto que é uma série que envolve fatores que constituem o universo cultural brasileiro em contradição com a falta de representatividade, deve ser recomendada a jovens e adultos que, com um olhar crítico, possam absorver as questões positivas da série. Além disso, é indicada para o público que se interessa por suspense, magia e elementos sobrenaturais.


THE HANDMAID'S TALE A série se passa em Gilead, país que se chamava Estados Unidos e foi instaurada uma ditadura militar. Tal processo de transformação foi rápido e deixou muitas pessoas assustadas. Dentre as várias mudanças que ocorreram, algumas marcantes foram: a suspensão da constituição, os jornais censurados, as mulheres obrigadas a se separar dos maridos e filhos. O novo regime fez com que os comandantes, homens brancos que ocupavam o topo da hierarquia social, controlassem todo o país, impondo um modelo de vida para a sociedade baseado em valores cristãos tradicionais, inclusive com algumas ideias do Antigo Testamento.

Foto: Divulgação/Hulu

09 Foto: Divulgação/Editora Rocco

Empoderamento Feminino

Capa do livro que inspirou a série, escrito por Margaret Atwood

O machismo e misoginia presentes na série são impactantes. As mulheres capturadas durante o processo de revolução se tornam aias, que trabalham para os comandantes e participam de uma “Cerimônia”, momento em que elas são obrigadas a reproduzirem e gerar filhos para seu comandante. Assim como em qualquer regime ditatorial, não havia liberdade em Gilead, principalmente para as mulheres. Os modos de vestir são rigorosos e socialmente determinados. As aias, possuem a vestimenta vermelha com um véu branco em torno dos rostos, as esposas dos comandantes usam azul e as tias, responsáveis por doutrinar as servas, vestem marrom.


Empoderamento Feminino

10 A história é contada por Offred, uma das servas, que mostra como é a vida em Gilead e se junta com outras mulheres em um processo de resistência para tentar fugir do país. Alguns pontos importantes da série foram apresentados, mas a narrativa envolve outros conflitos que são retratados ao longo da série. No geral, as cenas são fortes e muitas vezes podem gerar angústia em quem está assistindo, pois o sofrimento das servas de certa forma refletem a realidade de muitas mulheres que sofrem cotidianamente com o machismo. Esse ponto é bastante importante para que haja reflexão acerca dos padrões de comportamento que são impostos às mulheres. Por mais que algumas sociedades não sejam tão rígidas como Gilead e que vários direitos foram conquistados pelo gênero, atualmente ainda é possível ver uma sociedade machista e misógina, que acaba com a liberdade da mulher.

Foto: Divulgação/Hulu

“Quando aniquilaram o Congresso, não acordamos. Quando culparam terroristas e suspenderam a Constituição, também não acordamos. Disseram que seria temporário. Nada muda instantaneamente. Você seria fervido numa banheira de aquecimento gradual antes que percebesse” - Offred, The Handmaid's Tale Foto: Divulgação/Hulu


A TRAJETÓRIA DAS SÉRIES TELEVISIVAS

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Foto: Divulgação/marcoevangelista

DOS FOLHETINS ÀS TELEVISÕES BRASILEIRAS:

Os folhetins As primeiras aparições de narrativas ficcionais seriadas são datadas do século XIX, antes do surgimento de rádios e TVs, esse formato começa a se popularizar nos folhetins, que eram publicados periodicamente em revistas e até mesmo jornais. O objetivo de se serializar as histórias era de aumentar as vendas desses veículos. De que maneira? Ao publicar histórias em revistas ou jornais, que são produções mais baratas de serem feitas que o livro, ocorreu uma popularização da ficção. Percebendo que o entretenimento atraíza o público, tais veículos de comunicação começam a investir na serialização, pois fragmentar a história, renderia muitas publicações periódicas, de forma que para se saber o desenrolar e o desfecho da narrativa o público teria que continuar comprando, todas ou quase todas edições. Ainda nesse período várias estratégias utilizadas até hoje, que tinham como objetivo conquistar o público pela curiosidade já estavam sendo empregadas, como é o caso do corte entre um capítulo e outro ocorrer sempre na parte de maior tensão, são os chamados "ganchos" ou "continua amanhã". Os folhetins garantiram o

Folhetim de Memórias de Um Sargento de Milícias de José de Alencar

aumento da tiragem de muitos jornais e também foram responsáveis por aumentar os lucros. Importantes autores da literatura nacional publicaram suas narrativas em folhetins como é o caso de José de Alencar e Machado de Assis. Só posteriormente é que seus escritos foram compilados e publicados em forma de livro. Surge nesse período discussões sobre a perda da qualidade, ou melhor dizendo, a perda da originalidade e criatividade, causando a perda de certa “nobreza” e elitização da literatura, que passa a ser acessível para as classes mais baixas. As histórias passam a ser feitas sob a ótica do lucro, baseada na repetição. É perceptível que apesar das críticas e das muitas polêmicas, a qualidade de muitas obras não diminuiu com a popularização e comercialização, sendo muitas consideradas clássicos da literatura.


Foto: Divulgação/mercadolivre

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Foto: Divulgação/doctorwho.fandom

Cartaz de I Love Lucy

Cena da primeira temporada de Doctor Who, de 1963

O INÍCIO DO AUDIOVISUAL

Com o início do século XX, o formato seriado migra para outro veículo, o cinema e o rádio que levam a decadência dos folhetins. Nesse momento a narrativa seriada se unia às imagens movimentadas criando os primeiros filmes. Em seus primórdios o cinema admitia filmes seriados, diferente do que estamos acostumados atualmente, os filmes populares nesse período eram curtos e posteriormente eram feitos em fitas em série, sendo sempre exibidos em nickelodeons (salas de cinema mais rudimentar, principais responsáveis pela exibição de filmes curtos, popular nas primeiras décadas do século XX). É possível encontrar produções seriadas no cinema mudo francês e também nos EUA. Dos anos 20 aos 60, na chamada Era de Ouro de Hollywood, as séries de ação eram as mais populares e iam desde western (velho-oeste) até superheróis. Nos mais marcantes personagens desse período estão incluídos Zorro e Flash Gordon. Nesse período, o público-alvo do cinema seriado eram as crianças e pessoas com menor capital cultural, seja devido à raça, idade, ou até mesmo localidade. A indústria cinematográfica ainda considerava o formato como menos promissor e lucrativo que os longa metragens. Nos anos 50, com o advento da televisão os seriados passam a ter maior destaque, garantindo um espaço mais privilegiado, algumas sitcoms famosas como I Love Lucy, ganham destaque e também séries como a famosa Doctor Who.


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Foto: Divulgação/harvardmagazine

Foto: Divulgação/cidadedasartes

É necessário abordar também os seriados veiculados na rádio. Uma de suas maiores características é a ligação com literatura e jornalismo, apresentando dificuldades em se formar como gênero próprio. Era comum adaptar livros ou folhetins para as rádios, além das radionovelas que tiveram o maior impacto, sendo muito importante para a popularização do veículo. Devido ao alto valor de custo do aparelho era frequente chamar vizinhos e família, apenas para se reunir para ouvir os episódios. Nos EUA as radionovelas surgem como forma de entreter as mulheres da época, que em sua maioria eram donas de casa, por isso eram exibidas em dias de semana. Os personagens e o enredo eram carregados de estereótipos e dramatização, estratégias que garantiam o público gastando pouco na produção. Além disso, havia a grande padronização, já frequente na época, e as interrupções dos intervalos comerciais, o uso dos “ganchos”, e também do “previously”, conhecido no Brasil como “anteriormente”, que são as recapitulações e permitem aos ouvintes recordar dos acontecimentos anteriores, ou manter-se atualizado caso perdesse um episódio.

Foto: Divulgação/propagandashistóricas

O MEIO RADIOFÔNICO

Irna Phillips (1901-1973) Foi uma professora, roteirista e atriz de Chicago (EUA) que tornou-se famosa por ter escrito a primeira radionovela diurna, Painted Dreams (1930-1943), além de criar e co-criar 18 seriados para rádio e televisão. Um de seus dramas seriados televisivos (os famosos Soap Opera) de maior relevância foi As the World Turns, que inovou aumentando o tempo de duração de cada episódio, indo da média de 15 minutos para 30 minutos, padrão utilizado pelas séries atuais.


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Foto: Divulgação/moviemania

A série Friends foi uma das mais famosas nos anos 90 e início dos anos 2000, marcando várias gerações. A série teve 10 temporadas e estreou em 1994.

A CONSOLIDAÇÃO NA TV Apesar de as primeiras transmissões televisivas ocorrerem na década de 1920, a baixa qualidade da imagem e do som somada ao alto custo que era ter um aparelho, impossibilitaram a popularização do veículo. Foi apenas depois do fim da Segunda Guerra Mundial que apareceram algumas melhorias na televisão, tendo como pioneiro os EUA, pois foi o menos afetado pela guerra. A popularização foi proporcionada pelo grande uso comercial do veículo de comunicação. A partir dos anos 80 com a evolução tecnológica e consequentemente o barateamento das TVs, ocorre uma popularização ainda maior, que só aumenta com o decorrer das décadas. Nesse período, é possível perceber grandes evoluções na produção cinematográfica, como o uso dos efeitos especiais, a qualidade do som e da imagem, as tramas e os modelos de

séries são mais diversificados. Há a necessidade de adaptar os assuntos abordados nos seriados de acordo com os interesses de cada geração. Outra evolução que as séries sofreram foi sua mudança para as plataformas de streaming. Agora elas não são disponibilizadas periodicamente, muitas optam por publicar todos os episódios de uma ó vez, ficando a critério do espectador decidir quantos episódios e quando ele irá assistir. Além disso, a evolução da internet possibilita que as pessoas acessem os programas de entretenimento em qualquer local e hora, desde que possua um aparelho celular, tablet ou notebook. Desde os anos 2000, o número de séries aumentou significativamente, há mais investimento nas produções seriadas, levando a maior diversidade e opções para assistir, esse formato garante grande parte do lucro das plataformas e é inegável o sucesso que faz entre o público.


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Foto: Divulgação/terra

Cena do filme Lampião e Maria Bonita (1982), que teve os mesmo produtores e atores da minissérie

No Brasil, as minisséries entraram definitivamente no ar quando foi apresentado, na década de 80, Lampião e Maria Bonita, que em sua narrativa trazia um tema mítico da cultura brasileira e possuía forte apelo internacional. Com a boa repercussão dessa minissérie, ao longo do tempo foram se consolidando produções audiovisuais do mesmo tipo que adotaram características brasileiras. A Rede Globo, sozinha, criou cerca de dois terços de minisséries. Outras emissoras como a Rede Manchete, Rede Bandeirantes, Canal da Vida e Rede Record também tiveram produções do mesmo formato. A segunda produziu minisséries de bom nível, mas desistiu de investir nesse modelo. Já a terceira e última abordam temas religiosos e moralizantes. Como por exemplo a

Foto: Divulgação/memoriaglobo

NAS TVS BRASILEIRAS

minissérie José do Egito que é bastante conhecida. Uma característica marcante das produções brasileiras é a mescla de textos criados especialmente para a televisão com as adaptações de romances e peças teatrais, as quais já eram utilizadas internacionalmente. Devido à essa criação de textos, alguns temas muito relevantes foram retratados dentro de um contexto de mudanças políticas após anos de submissão à censura dos governos militares. É importante ressaltar que os romances brasileiros foram criados para marcar momentos importantes, como por exemplo quando a Globo comemorou seus 20 anos, junto a consolidação da Nova República. Nesse contexto, as minisséries foram essenciais para as discussões sobre identidades nacionais. As telenovelas refletem situações do cotidiano, fazendo que o real de grandes acontecimentos tornam-se parte do ambiente ficcional, já as minisséries mantém suas relações com acontecimentos políticos.

Cena da minissérie Grande Sertão: Veredas, em destaque a atriz Bruna Lombardi e o ator Tony Ramos


Inclusão

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COISAS SOBRE ATYPICAL QUE TALVEZ VOCÊ NÃO SAIBA A série Atypical traz em sua narrativa elementos importantes no processo de inclusão social de indivíduos portadores de autismo. Sam Gardiner, o protagonista, é um rapaz de 18 anos que possui autismo e passa por um processo de amadurecimento e descobertas, assim como todos os adolescentes. A série mostra as relações afetivas que o personagem possui, seja no trabalho, na escola ou na própria família, e as formas como ele lida com os problemas e situações do cotidiano. Sam é apaixonado por pinguins e sonha um dia poder conhecer a Antártida. Apesar desse enfoque, a série também aborda outros temas relevantes, como identidade ou expressão de gênero. As quatro temporadas de Atypical estão disponíveis na Netflix. Vale a pena acompanhar a vida de Sam, que tem momentos cheios de problemas e ao mesmo tempo situações engraçadas.

Foto: Divulgação/ Netflix

Para aqueles que já conhecem a série ou até mesmo os que ainda vão conhecer, selecionamos aqui algumas curiosidades: A criadora de Atypical, Robia Rashid, assim como Sam também é apaixonada pela Antártida, teve a ideia de criar a série quando estava trabalhando em uma emissora de televisão e pensou na história ao perceber que o número de diagnosticados no espectro aumentava a cada dia mais. A série recebeu críticas de organizações especializadas por não retratar 100% de fidelidade à vida de uma pessoa que possui autismo. Os títulos dos episódios de Atypical são tirados de frases faladas no episódio. Para os fãs de Friends, o ator que interpreta o pai de Sam, Michael Rapaport, será reconhecido por sua atuação como namorado de Phoebe na sitcom.


Representatividade LGBTQIA+

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INDICAÇÃO Foto: Divulgação/Natflix

Séries com temáticas LGBTQIA+

Grace & Frankie (2015) - 7 temporadas Grace e Frankie são duas mulheres com personalidades opostas que estão enfrentando a terceira idade. Até que um dia são surpreendidas com o pedido de divórcio de seus maridos, que estão apaixonados um pelo outro. Após o ocorrido as mulheres decidem morar juntas. Série disponível na Netflix.

Love, Victor (2020) - 2 temporadas Spin-off de Com Amor, Simon. O jovem Victor passa por um processo de autoconhecimento enquanto se ajusta à nova cidade e colégio. Série disponível no Star+

Pose (2019) - 2 temporadas Na Nova York de 1980, Blanca, frequentadora de bailes LGBTQIA+, acolhe como filhos jovens que foram expulsos de suas casas. Série disponível na Netflix

Foto: Divulgação/Netflix

Foto: Divulgação/Hulu

Foto: Divulgação/Netflix

Orange Is The New Black (2013) - 7 temporadas Após anos de ter cometido o crime, jovem privilegiada nova-iorquina é sentenciada à prisão por tráfico de drogas. Na cadeia, ela começa a conhecer a vida de diversas outras pessoas. Série disponível na Netflix


Diversas Nacionalidades

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A REPRESENTAÇÃO FEMININA EM O SEGREDO DO TEMPLO Há alguns anos a plataforma de streaming Netflix vem investindo em diversificar culturalmente seu catálogo, incluindo produções coreanas, chinesas, norueguesas, e outras diversas nacionalidades. Da Turquia pode-se citar a produção original do streaming, a série O Segredo do Templo, que atrai o público pela proposta da trama que envolve suspense, temas místicos, drama familiar, empoderamento feminino e muitas características da cultura turca. Envolvendo tanto ciência como misticismo, tendo grandes atores e muita preocupação com a parte visual cinematográfica da série, esta se mostra uma aposta ambiciosa do streaming. E chama a atenção pela abordagem com que trata as figuras femininas. O enredo da série é baseado no livro da escritora turca Şengül Boybaş, cujo nome é Dünyanın Uyanışı, e fica em torno de Atiye, uma pintora que é bem sucedida no trabalho e que tem uma vida familiar estável. Até que ela descobre que um símbolo que foi encontrado no templo mais antigo do mundo, Göbekli Tepe, é idêntico ao que ela desenhava desde sua infância. Sentindo haver uma ligação entre suas pinturas e o templo, Atiye começa uma busca para entender a história de si mesma e de sua família.

Cena da série O Segredo do Templo com destaque à protagonista Foto: Divulgação/Netflix

Até o momento em que percebe que todos que investigam os mistérios que envolvem o templo estão em perigo, inclusive sua família e amigos mais próximos. Na série há diversas ocasiões em que a protagonista precisa resolver os conflitos e desafios sozinha, sendo atrapalhada por seus familiares e amigos com frequência. Sua capacidade de resistir aos diversos desafios que aparecem e sua coragem para ir ao desconhecido sozinha para conseguir compreender a si mesma, descobrir e aceitar suas origens mostram como Atiye é uma protagonista forte. Além da própria protagonista há uma forte influência das antepassadas desta, sua mãe e avó, assim como sua irmã mostram ter grande importância no decorrer da história.


Diversas Nacionalidades

Os personagens masculinos, apesar de sua relevância para o desenrolar da trama, não são os personagens chave para solucionar os segredos do templo. Para isso, é necessário uma grande jornada de autoconhecimento por parte de Atiye e a aceitação de suas origens, que envolve o conhecimento da história, conflitos e religião de sua mãe e avó. Já na terceira e última temporada, lançada em junho deste ano, somos apresentados a outra personagem de extrema importância, a filha de Atiye. Essa ligação com a linhagem familiar e a ancestralidade feminina são pontos centrais da série. Trazendo ao público reflexões quanto à influência do passado no presente, e da necessidade de nos conectarmos com nossas origens. Todas as mulheres apresentadas na Cena da série O Segredo do Templo, dirigido por Burcu Alptekin

19 série são fortes à sua própria maneira e muito independentes. Serap, a mãe da protagonista, tem uma história marcada pela força que precisou ter para aguentar os desafios de ser arrancada de seu lar, e de negar suas próprias origens, principalmente, por medo do preconceito da sociedade. No geral, a série é capaz de mostrar como as mulheres são e sempre foram capazes de resistir e de serem protagonistas de suas próprias histórias. O que pode afastar um pouco o público é a forma como os muitos mistérios e símbolos acabam sendo pouco explicados, tornando a história confusa. Porém, todo o suspense torna a série intrigante e mostra que O Segredo do Templo merece ser assistido como uma boa série. Foto: Divulgação/Netflix


ORANGE IS THE NEW BLACK

20 18


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19

Foto: Divulgação/Netflix


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Resistência Negra

Um pouco sobre a série... A série lançada em 2013, é muito conhecida pelas questões sociais que aborda, como lutas antirracistas, movimentos LGBTQ e feminismo. Várias mulheres de diferentes culturas e etnias convivem em uma prisão feminina federal. Muitas amizades e inimizades são feitas ao longo da série e um fator marcante é o tratamento diferenciado que certas detentas têm devido a sua origem. Outro ponto mostrado é a violência policial e as diversas formas de opressão e silenciamento. Além desses aspectos, a série mostra os diferentes motivos que levaram aquelas mulheres para a prisão, enfatizando como a classe social, a falta de oportunidades e a busca pela sobrevivência daquelas que eram excluídas da sociedade influenciaram essas pessoas a cometerem crimes.

Racismo mostrado na série No episódio 12 da quarta temporada, há uma cena de protesto das detentas em que um policial matou Poussey, uma personagem negra, ao subir em cima dela e asfixiá-la, sem que tenha mostrado qualquer tipo de resistência. Pelo contrário, a mulher pedia para que ele saísse de cima dela e clamava por socorro. Esse momento foi inspirado no assassinato de Eric Garner, um cidadão negro, por policiais brancos. Para aqueles que gostam de se identificar com o personagem e vivenciar com ele a sua história, é uma ótima série para assistir. Cada mulher, com suas particularidades, consegue sensibilizar e despertar no público certa empatia e afeto.

Separamos quatro motivos para assistir Orange is the New Black: -Protagonismo feminino, que mostra e resistência das mulheres a um sistema opressor. -Reflexão acerca da realidade que nos cerca, enfatizando vários problemas sociais. - Diálogos divertidos e ácidos entre as mulheres. -Histórias de vidas complexas, que aborda as diferentes origens.


Premiações

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PRIMETIME EMMY 2021 O evento aconteceu em 19 de setembro de 2021, na

vem

cidade de Los Angeles, foi a

incluindo programas não

73º edição.

televisivos.

Foto: Divulgação/Netflix

O

Imagem da série O Gambito da Rainha, dirigida por Scott Frank

Emmy dos últimos anos

evento

de

premiação

cinematográfica

ocorre

se

Entre

diversificando,

os

principais

vencedores está a série O

anualmente. O apresentador

Gambito

da

deste ano foi Cedric the

produção

original

Entertainer,

um

famoso

streaming Netflix, ganhou

comediante

estadunidense.

9 troféus, e a série The

Entre as categorias, diversas

Mandalorian, produção da

homenageiam

plataforma Disney+ teve 7

séries

e

Rainha, do

profissionais desse formato.

troféus.

Com

dos

destaque foi The Crown

streamings e suas produções

que venceu em muitas

originais, o

categorias.

o

advento

Outra

série

de

Foto: Divulgação/cineeterno


Polêmicas

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Foto: Divulgação/observatoriodocinema

Foto: Divulgação/Hulu

Foto: Divulgação/adorocinema

POLÊMICAS

The Crown

The Handmaid's Tale

Emily em Paris

The Crown, série que aborda a vida da Família Real Britânica, acabou por revelar ao longo de sua última temporada, muitos fatos chocantes que foram expostos ao público. Desde a bulimia de Lady Di e seu conturbado casamento com o Príncipe Charles, até o episódio que mostra a Princesa Margaret descobrindo sobre suas parentes distantes que ficaram presas até suas mortes em manicômios. A aparição e a maneira como Lady Di foi retratada, causou grande desagrado em membros da Real, além disso alguns fãs chegaram a criticar Charles e Camilla Parker-Bowles em sua conta oficial no Twitter, o casal desativou os comentários após o ocorrido.

Outra série que concorreu ao Emmy 2021, e causa polêmica é The Handmaid 's Tale. Baseado no livro de mesmo nome, da autora Margaret Atwood, a série representa uma distopia, nos quais temas como ditadura, estupros, e outros temas sensíveis são abordados. Além disso, há forte crítica política, social e religiosa, e no momento em que a série foi lançada, 2017, havia um cenário político conturbado com a polarização pelas eleições de Donald Trump, nos EUA, e Jair Bolsonaro, no Brasil. Em alguns países, referências a série foram feitas em protestos sobre a legalização do aborto e direito das mulheres, incluindo o Brasil.

A série original Netflix que também concorreu ao Emmy 2021 foi Emily em Paris, que levantou discussões. Emily em Paris aborda a vida de Emily, uma profissional de marketing de Chicago (EUA), que é realocada para uma empresa na cidade francesa Paris, sendo essa a realização de um grande sonho, porém isso não a livra dos muitos choques culturais. Segundo críticas, a série fez uso de estereótipos franceses, muitos foram considerados ofensivos. Além disso, outra crítica feita por internautas foi sobre a naturalidade com que é representado situações de machismo e assédio no ambiente de trabalho.


Foto: Divulgação/Netflix

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THE CROWN


Dezembro/ 2021


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