Foto: Divulgação / Cinephiliac
EXPEDIENTE
EDITORIAL
Luísa Meinberg, 22 anos, estudante de Comunicação Social na UFSJ, editora e colunista na revista Película, entusiasta do cinema experimental e fotografia. Ana Isa, 19 anos. Estudante de Comunicação Social na UFSJ. Apaixonada por literatura e cinema, sempre se expressando melhor através dos textos e unindo as duas paixões aqui, atuando como editora e colunista da revista Película.
Por meio de análises intrínsecas e sentimentais, as editorias buscam ressaltar o que há de mais valioso e chamativo nas produções cinematográficas. Viajaremos, ainda, através do centenário (e mais alguns anos) do cinema, e seus principais movimentos.
SUMÁRIO A PSICOLOGIA DAS CORES
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EXISTEM LIMITES PARA A COLORIMETRIA NO CINEMA?
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TERROR: DE ONDE VEM E PRA ONDE ESTÁ INDO?
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OS PRINCIPAIS NOMES POR TRÁS DA NOVA VISÃO DO HORROR
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A REPRESENTATIVIDADE FEMININA NO CINEMA
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MULHERES, HISTÓRIAS E SEU PAPEL NO CINEMA
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A sétima arte completa em dois mil e vinte e um os seus 126 anos de história. Em tempos difíceis, após um grande hiato, sem eventos, premiações e com uma redução nos lançamentos, o cinema nunca esteve tão distante. Por isso, a equipe Película decidiu homenageá-lo nesta edição.
Você vai descobrir (ou relembrar) diretores que se expressam com vigor através das cores, e a intenção psicológica por trás de cada uma. Vamos debater sobre o conceito do “pós-terror” e os principais nomes responsáveis por essas produções. Além disso, é importante discutir o viés político por trás do cinema, e a invisibilidade de minorias dentro da produção cinematográfica: onde estão as mulheres? Permeadas por obras, nomes, indagações, análises, referências e história, as matérias dessa edição tem como objetivo homenagear o cinema em diferentes épocas e aspectos.
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IFoto: Divulgação
A PSICOLOGIA DAS CORES por Ana Isa Moura
A direção de arte transmite aos Essa influência pode ocorrer frente a tons nossos olhos aquilo que o rotei- opostos ou mesmo nas variações mais ro tenta trazer ao âmago. A arte vi- sutis, como nos tons de uma mesma cor. sual é responsável pela representaA divisão primária entre as cores ção das entrelinhas e subjetividades. pode ser estabelecida pela dualidaAs cores têm o papel de transmi- de de cores quentes e frias. É importir e complementar tudo aquilo que tante considerar que a transmissão de vem através do roteiro e das atuações. sensação e significado de cada cor vai Portanto, cabe a elas fornecer a per- depender do contexto, estilo e gênecepção de emoção, sensação, clima ro da obra em que ela está inserida. e tempo, para além da estética, e estabelecer percepções inconscientes. Cores quentes, automaticamente relacionadas ao calor, são responsáveis pela A oposição das cores no círcu- transmissão de sentimentos intensos, lo cromático, inicialmente estabeleci- pulsões inconscientes do ser humano do nos estudos do polímata Goethe, - paixão, excitação, violência, loucura. tende a acentuar também sensações Cores frias podem remeter a senticompletamente opostas. Experimentos comprovam que o comportamen- mentos de introspecção, tristeza, soto humano é, de fato, influenciado lidão; ou simplesmente à calma, frio, pelas cores presentes no ambiente.
Moonrise Kingdom (2012), dirigido por Wes Anderson
Foto: Divulgação / Bombtune
tranquilidade, misticidade, água. Para além dessa divisão, cada cor dentro desses espectros pode ser relacionada a um tipo de sensação, e é possível notar que uma mesma cor pode remeter a sentimentos completamente opostos - novamente, cabe ressaltar a importância de analisar o contexto.
Foto: Divulgação / AssuntosCriativos
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O Iluminado (1980), dirigido por Stanley Kubrick
Anticristo (2009), dirigido por Lars Von Trier
Tons de amarelo podem transmitir, além da sensação de calor, ingenuidade ou insanidade, alegria ou vingança. O vermelho, paixão ou violência; Verde, além de remeter à natureza, representa a melancolia, a solidão e a destruição. Já a cor azul, pode ser relacionada tanto à serenidade, como à depressão. Com essa breve análise, é possível perceber como até mesmo os elementos que podem passar despercebidos possuem grande influência nas interpretações e sensações experienciadas pelo espectador.
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O Iluminado (1980), dirigido por Stanley Kubrick.
Foto: Wallpaper / Moviemania
Foto: Divukgação / The Overlook Hotel
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Clímax (2018), dirigido por Gaspar Noé
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Foto: Divulgação / IMDb
Foto: Divulgação
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Taxi Driver (1976), dirigido por Martin Scorsese
O Silencio dos Inocentes (1991), dirigido por Jonathan Demme
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Foto: Divulgaç~~ao / We Heart It
Foto: Divulgação / Buzzfeed
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Melancolia (2011), dirigido por Lars Von Trier
Na Natureza Selvagem (2007), dirigido por Sean Penn
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Foto: Poster de Divulgação / Reddit
Foto: Divulgação
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Clube da Luta (1999), dirigido por David Fincher
O Show de Truman (1998), dirigido por Peter Weir
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Foto: Divulgação / Petit Bulletin
irreversível (2002), dirigido por Gaspar Noé
EXISTEM LIMITES PARA A COLORIMETRIA NO CINEMA?
Por Luísa Meinberg
Quando estamos inertes em uma odisseia cinematográfica e conseguimos sentir pulsar pelo corpo emoções involuntárias e espontâneas, que parecem nos colocar ainda mais em transe dentro de uma película, isso não acontece de forma aleatória. As cores, os sons, os jogos de câmera, além do próprio roteiro, estão todos ali para impulsionar nossas sensações mais diversas, e trabalhar isso com maestria é algo que necessita estudo, visão e criatividade. Quando nos propomos a adentrar pelo universo de um diretor, conseguimos captar como ele pretende usar esses aspectos, como uma cor ou uma paleta 14 de tons pode demons-
trar coisas e contrastar situações. Alguns mais do que outros, fazem de determinadas cores seu toque marcante, evidenciando a identidade fílmica, ao ponto que quando projeta-se uma memória sobre seus filmes em nossa mente, o primeiro gatilho de imagem advém dessa cor referencial. É o caso, por exemplo, de Gaspar Noé. O vermelho na identidade de seus filmes, mostra como a relação da cor e sua intenção podem não ser tão explícitas ou paralelas quanto parecem. O vermelho sangue em Clímax (2019), presente na cor do chão, nos batons e em outros detalhes, pode reforçar uma ideia de calor e de excitação durante a primeira parte da obra, para finalmente trabalhar como um indicativo de insanidade e desespero, que permeia a segunda metade da trama.
Ele também explora o tom em Irreversível (2002), um de seus filmes mais desconfortáveis e polêmicos. Nele, a cor é usada como indicativo da paixão, ao passo que também é explorada durante as duas principais cenas de violência na ambientação do local, demonstrando que não existe uma só intenção por trás do uso de uma cor. O diretor também explora o vermelho de forma mais direta, relacionando-o à iluminação dos ambientes; no filme Love (2015), a cor permeia as cenas de amor, representando a sexualidade, mas também os desencontros e a solidão, nas narrativas amorosas do protagonista. Gaspar vai além, em uma explosão colorida, caótica e neon em um de seus filmes mais emblemáticos, Enter the Void (2009), quando não só o vermelho, mas roxo, amarelo, verde e outros tons ganham protagonismo enquanto acompanhamos, quase que como parte do filme, a viagem psicodélica do personagem sob efeito da droga conhecida por DMT.
“As cores, os sons, os jogos de câmera, além do próprio roteiro, estão todos ali para impulsionar nossas sensações mais diversas.” Essa atmosfera contrastante que as cores ganham nos filmes de Noé, passam pelas mãos de Benoît Debie, diretor de fotografia que o acompanhou em algumas
dessas alucinantes viagens cinematográficas, transmitir a atmosfera que conecta as imagens às sensações do público. Por falar em atmosferas contrastantes, quem não pensa em uma distribuição excêntrica de paletas quando perguntados sobre ninguém mais, ninguém menos, que Wes Anderson? Anderson trabalha muito intimamente com simetrias, paletas vibrantes e histórias inusitadas. Sua impecável colocação de magenta, vermelho e azul em Grande Hotel Budapeste (2015), são as primeiras a nos despertar atenção quanto ao aspecto caricato e bem humorado da obra. Tanto nesse, quanto em outros filmes, Wes não se restringe a uma cor específica, porém é perceptível seu apreço pelo amarelo e laranja em situações de felicidade e/ou fraternidade como, por exemplo, em O Fantástico Sr. Raposo (2009) e Moonrise Kingdom (2012). De todo modo, sua forma de aplicar paletas às vezes monocromáticas, às vezes análogas, somadas aos figurinos e aos objetos de cena, trazem uma perspectiva nostálgica para quem assiste, e demonstram que limitar-se a uma paleta especificamente pertencente às cores comuns do mundo real não faz parte das ferramentas deste diretor. Definitivamente não existem limites para a colorimetria no cinema por se tratar de uma área tão ampla na criação e na liberdade, como constatado brevemente por dois diretores tão diferentes mas tão pareci- 15 dos na habilidade com os tons.
Foto: Slash Film
MESTRES DO TERROR PASSADO E FUTURO
John Carpenter 16
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Wes Craven
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Foto: The Guardian
Foto: Exame.
Dario Argento 20
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Foto: Divulgação / Medium
Os Pássaros (1963), dirigido por Alfred Hitchcock
TERROR: DE ONDE VEM E ONDE VAI?
TERROR: DE ONDE VEM E PRA ONDE ESTÁ INDO? Por Luísa Meinberg Sabe-se que o terror sempre esteve ligado ao imaginário do ser humano. Instigá-lo por meio do medo, trazendo à tona situações que, de forma consciente ou inconsciente, deixem as pessoas inquietas, alarmadas, provocando sustos e descargas de adrenalina, através de artifícios sonoros, iluminações atravessadas por sombras e escuridão, per22 sonagens horripi-
lantes ou por uma atmosfera misteriosa; essas são as formas mais comuns de se trabalhar o medo.
em complemento ao terror psicológico e/ou visual. Essa movimentação entre conceito e crítica vem recebendo o Nos últimos anos, po- nome de Pós-Terror. rém, tem-se visto como o Desde 1896, cineastas terror vem subvertendo temáticas importantes para vêm construindo o cia sociedade, como religião nema do terror. Filmes e críticas sociais, transfor- como O Gabinete do Dr. mando algumas discus- Caligari (1920) e Nosfesões em objeto de descon- ratu (1922) instituíram forto dentro dos filmes, o primeiro subgênero, desenvolvendo alegorias com filmes de monstros,
enriquecidos pela estética gótica, distorcida e subjetiva, próprias do expressionismo alemão. Depois desse pontapé inicial, o protagonismo durante muitas décadas foi de obras vampirescas, experimentos científicos macabros e monstros famosos, frutos de adaptações da literatura muito conhecidas, como Drácula, de Bram Stoker e
Frankenstein, de Mary Shelley. Quando, já na segunda metade do século XX, subgêneros como suspense e terror psicológico vão ganhando espaço, através de obras como Psicose (1960), Os Pássaros (1963) e O Bebê de Rosemary (1968), possibilita-se não só a consagração de diretores como Alfred Hitchcock, mas também abre-se um campo fértil para os demais subgêne-
ros do terror aflorarem, alguns dos quais se tornariam franquias. Como foi o caso dos subgêneros envolvendo assassinos, os slashers, como Halloween (1978); ou ainda o também muito querido subgênero envolvendo possessões, como o clássico O Exorcista (1973); surgiram os filmes chamados gore, como Suspiria (1977); e trashs, como o exemplo 23
Por um lado, o Pós-Terror é tido como uma tentativa de renomear algo já existente há muito tempo nesse campo, mas que vem ganhando notoriedade nos festivais de cinema e premiações, como o Oscar, apenas nos últimos anos. Dessa forma, o aumento das expectativas e dos elogios deixam os críticos apreensivos de que esse estigma desvalorize ou inferiorize os clássicos do passado. Por outro lado, algumas diferenças pontuais que podem justificar o nome são exemplificadas pela Foto: Divugação / Cinemascope
Desde então, muito se questiona sobre os desdobramentos que um dos gêneros mais antigos e consolidados do cinema tem tomado nos últimos anos. O cinema do terror nunca teve unanimidade em suas pretensões,
em seu modo de ser feito e nem para quais fins, como demonstrado por suas transformações ao longo do tempo, resultantes em tantos subgêneros, que muitas vezes acabam atravessando-se. Ainda assim, apesar de tantas aberturas, muitos críticos e admiradores se perguntam se é válido dizer que nos encontramos agora diante do chamado Pós Terror, representado por filmes como Babadook (2014), Corra! (2017), Ao Cair da Noite (2017), Mãe! (2017), Um lugar Silencioso (2018), etc.
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O Gabinete do Dr. Caligari (1920), dirigido por Robert Wiene
Drácula de Bram Stoker ((1992), dirigido por Francis Ford Coppola
“Muito se questiona sobre os desdobramentos que um dos gêneros mais antigos e consolidados do cinema tem tomado nos últimos anos.”
associação ao pós- modernismo, aproximando o cinema das narrativas sociais relevantes no atual cenário político e cultural mundial, o que justifica a maior elaboração dos roteiros, com histórias mais complexas e condicionadas por metáforas sociais, além do que seria um aprimoramento das técnicas dos longas de terror psicológico, como menor ênfase nos jumpscares (métodos de provocar sustos) distribuídos aleatoriamente. Esses detalhes fazem com que, mesmo para amantes mais habitu-
ados a esse tipo de filme, possa parecer chocante a explicitude com que certas questões são tratadas em detrimento do susto apenas pelo susto, podendo ser necessário assistir a alguns deles mais de uma vez para se obter uma síntese mais completa. Resta saber se a ruptura dos padrões será o suficiente para que a indústria cinematográfica coloque o Pós-Terror como o representante do gênero da década ou se a popularização do termo será efêmera e devolvida ao conceito con-
Foto: Divulgação
de Uma Noite Alucinante: A Morte do Demônio (1981), e já nas décadas de 1990 e 2000, os subgêneros found footage com A Bruxa de Blair (1999), REC (2007) e por fim terror sobrenatural como Atividade Paranormal (2007) e Invocação do Mal (2013) tomaram a cena.
solidado de terror psicológico. Entretanto, é certo que a relevância com que essa geração do terror tem adentrado a Academia e as plataformas de streaming é positiva para muitos fãs que se encontravam indiferentes à monotonia do gênero. É certo também que a qualidade e a inovação das produções tem agradado e aumentado o público, e que se espera a consagração de diretores que apostam na experimentação desses temas.
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Foto: Divulgação
Foto: Divulgação / Moviement
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Capa alternativa do remake de Suspiria (2018), dirigido por Luca Guadagnino
A Hora do Pesadelo (1984), dirigido por Wes Craven
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por Ana Isa Moura
Para além da polêmica acerca do conceito de “pós terror”, é inegável a presença de uma nova abordagem e perspectiva do gênero, elencada por uma tríade de nomes que já fizeram seu lugar no cinema de horror da década: Ari Aster, Robert Eggers e Jordan Peele. Cada um dos cineastas conta com dois longa-metragem lançados, e a abordagem utilizada nessas obras deu início a discussões revolucionárias acerca das obras de terror. As produções que se
destacam são orgânicas, não precisam de apelo algum para causarem o devido impacto. A imersão não é causada apenas pelo horror físico, existe uma experiência sensorial, envolvida em subjetividade. Os filmes estabelecem uma atmosfera densa, cativante, com história para além das entrelinhas e diversas possibilidades - de roteiro e interpretação.
geral, sofreu uma grande defasagem em relação às décadas anteriores - faltava substância.
Por isso, a subversão vem também da junção entre a releitura de certos elementos e os aspectos subjetivos empregados por cada diretor. Além disso, é pautada no conhecimento de cada um dos diretores em relação à obras anteriores, que permite não apenas uma recriação, A opinião predominan- mas uma re-interpretação te é que o terror nos úl- dos elementos do gênero. timos anos, em aspecto Foto: Divulgação / Pano Crítico
Foto: Imagem de Divulgação
OS PRINCIPAIS NOMES POR TRÁS DA NOVA VISÃO DO HORROR
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A Bruxa (2015), dirigido por Robert Eggers
O Farol (2019), dirigido por Robert Eggers
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Foto: Dovilgação
Foto: Universal Studios
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Nós (2019), dirigido por Jordan Peele
Midsommar (2019), dirigido por Ari Aster
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Foto: Divulgação
Corra! (2017), dirigido por Jordan Peele
background elaborado em cada uma delas. Robert Eggers complementa seus filmes com elementos mitológicos, místicos e emprega até mesmo dialetos antigos, utilizados nos séculos
Em Hereditário (2018), Ari Aster construiu uma história prévia da família, fundando a relação de cada indivíduo com as simbologias e aspectos religiosos presentes no filme. Peele entrega em Corra (2017) mais do que podemos notar à primeira vista, principalmente nos diálogos. Em suma, os diretores não têm medo de subjetivar informações em suas obras - eles confiam no olhar do espectador.
A apresentação dos elementos também é uma estratégia inovadora empregada pela tríade. Sem o uso apelativo de jumpscares, o medo é construído nas entrelinhas. No entanto, não existe receio ao apresentar imagens gráficas de horror físico: há sangue, morte, perturbação visual, e nenhum deles faz questão de esconder isso - mas não o exibem da maneira convencional e previsível. Além disso, o jumpscare é usado de maneira pontual, e é apenas um dos recursos empregados para causar medo no espectador. O medo e a tensão são instaurados principalmente
por fatores psicológicos, por fazer o público questionar o que é perigoso ou inofensivo, real ou não. Portanto, é possível concluir que o segredo está em conhecer o passado do gênero para que então ele possa ser reconstruído? Ou basta carregar a subjetividade lado a lado com uma boa construção de atmosfera? O inegável é: o terror está sendo revolucionado, e temos o privilégio de acompanhar a emergência de tanto talento nas telas atualmente.
Foto: Divulgação / DNA
A obra Midsommar (2019), dirigida por Ari Aster, é um perfeito exemplo da junção dos elementos de horror e das subjetividades pessoais, já que segundo o diretor a obra é uma história de término, representada no cenário do horror folk. O roteiro O longa Corra! (2017), foi produzido enquanto o dirigido por Jordan Peele, próprio Aster vivia o fim inicialmente não é nada de um relacionamento. além da história de um Além disso, o público jovem que vai conhecer os pais da namorada; a se tornou mais seletivo e segunda camada explora exigente; agora, não basta questões raciais, mas ain- uma história que entrega da é possível ir muito além. tudo na primeira camada. O segundo filme lançado O espectador quer criar pelo diretor, Nós (2019), teorias, analisar, entenexplora conflitos sociais, der as referências e apropsicológicos e existenciais fundar as interpretações. que se ramifi- As histórias são mui32 cam em infinitas to mais do que nos é interpretações. apresentado, existe um Todas as obras produzidas pela tríade de diretores partem de premissas simples, mas que nesses casos são muito bem aproveitadas e carregam camadas mais profundas do que se pode imaginar à primeira vista.
passados representados nas obras - o diretor realizou pesquisas extensas para construir cada detalhe presente nas histórias.
Hereditário (2018), dirigido por Ari Aster
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Foto: Cinema Planet
Mulheres no Cinema Agnes Varda 34 34
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Foto: Divulgação / FimCine
Adélia Sampaio
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A REPRESENTATIVIDADE FEMININA NO CINEMA
por Ana Isa Moura
O cinema completa, neste ano, 126 anos de história. Um número grande o suficiente para não ser, nem de perto, contado nos dedos; um número grande o suficiente para ultrapassar uma vida. Nessa trajetória, incontáveis nomes foram reconhecidos - a maioria, homens. O número de mulheres con38 templadas é peque-
no o suficiente para ser sileira foi indicada - Petra contado em uma mão. Costa pelo documentário político Democracia Os números são baixos: em Vertigem (2019), mas em 91 anos de premiação, não levou o prêmio. apenas cinco mulheres foram indicadas ao OsO mercado cinematocar por melhor direção, e gráfico nada mais é do dessas, uma foi premia- que um reflexo de qualda - Kathryn Bigelow por quer esfera da sociedade, Guerra ao Terror (2008). que tende a excluir muSe tratando de mulheres lheres e reforçar as desibrasileiras na premiação, gualdades que pautam a o número é ainda mais luta feminina há séculos. irrisório: uma única bra-
É importante dar visibilidade a obras produzidas, roteirizadas e dirigidas por mulheres através da ampla divulgação, dando voz e abrindo o caminho até as premiações — não podemos deixar esse discurso morrer. Aumentando a representatividade, aumenta-se a coragem de outras em ocupar cada vez mais lugares. Valorizar obras já reconhecidas também é uma forma de reafirmar o sucesso feminino e não permitir que as conquistas fiquem obsoletas. Sobretudo, é importante inserir mulheres em todas as etapas da produção: desde a seleção até a pós produção e até mesmo crítica, difundido o olhar feminino ao longo de toda a trajetória de uma obra cinematográfica, garantindo a identificação e sensibilização por parte de quem produz e quem assiste àquela história.
Foto: Divulgação
Encontros e Desencontros (2003), dirigido por Sofia Coppola Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
Greta Gerwig
Por isso, é importante ter mulheres em categorias de produção, para que elas possam imprimir o seu olhar, que é definitivamente mais próximo da realidade e passível de identificação. Assim, seria possível transformar os pontos de vista predominantes e quebrar estereótipos ofensivos constantemente repetidos.
As Boas Maneiras (2017), dirigido por Juliana Rojas
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MULHERES, HISTÓRIAS E SEU PAPEL NO CINEMA Foto: Divulgação
Por Luísa Meinberg
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É uma missão quase impossível escolher um só nome feminino para representar toda a grandiosidade que significa ser mulher e fazer filme, tomar seu espaço e ter seu nome reconhecido mundialmente numa área ainda pautada pelo patriarcado, com sua grande maioria masculina, que acabam por nos levar a pensar apenas em nomes recentes, como Sofia Coppola ou Jennifer Kent. Porém, na realidade, elas sempre estiveram ali e sempre trouxeram inovações, não apenas técnicas, mas também sociais nas suas abordagens.
Ainda em 1896, um ano após o cinematógrafo ser apresentado a algumas pessoas como um objeto magnífico de capturar imagens em sequência, Que horas ela volta? (2015), Alice Guy-Blaché fez seu dirigido por Anna Muylart primeiro filme curta-metragem. Alice foi a pri-
meira pessoa a fazer um filme com narrativa, efeitos especiais e sonoros e até um cenário, intitulado A Fada do Repolho (1896). Alice foi também a primeira mulher a fazer um filme sobre feminismo quando isso nem sequer era luta política, chamado As consequências do feminismo (1906), onde aborda de forma cômica a inversão dos papéis sociais reservados aos gêneros binários masculino e feminino. Além disso, ela também foi a primeira empresária do ramo do cinema a abrir seu próprio estúdio nos Estados Unidos, e também a primeira diretora a fazer um filme com o elenco de atores composto por atores negros, chamado Um Tolo e seu Dinheiro (1912), uma evolução ante ao uso de atores brancos fazendo blackface para representar personagens negros. Pode-se dizer que Alice abriu caminho para outras mulheres se tornarem também uma exceção de grande valor na sua área de atuação.
exemplo, por suas críticas e seu alinhamento às militâncias sociais, ela é uma conhecida contribuinte pelas causas feministas e raciais na França e nos Estados Unidos. Sua produção mostra referência à sua profissão de fotógrafa, Agnes trabalha de forma realística e documental em obras como Os Panteras Negras (1968) e em Respostas das Mulheres: Nosso Corpo, Nosso Sexo (1975) e o mais recente Visages, villages (2017). Além disso, a diretora focou a maioria de seus filmes em protagonistas e assuntos de interesse para mulheres, dentro do cinema ficcional, como em Cléo das 5 às 7 (1962). Pela sua inclinação à experimentação, Agnes foi conhecida como a única mulher a compor a Nouvelle Vague, o movimento de cinema experimental iniciado na França de 1960, que carrega como seus principais diretores, François Truffaut e Jean Luc Godard.
Aqui no Brasil, durante a década de 60, no auge Agnes Varda é o perfeito da revolução de cineastas
revoltosos e subversivos que culminou no movimento chamado Cinema Novo, as mulheres atuantes também eram poucas. Temos Helena Solberg que conquistou seu espaço com trabalhos documentais como A entrevista (1966), onde procura entender as opiniões sobre os papéis de gênero das mulheres que pertenciam à sua classe social e já nos anos 1990, seu filme sobre a biografia de Carmen Miranda: Bananas Is My Business (1995). Outra mulher fruto da efervescência do Cinema Novo brasileiro é Adelia Sampaio. Suas contribuições perpassam sua vivência como mulher preta e pobre, seus filmes são os primeiros longa-metragens dirigidos por uma cineasta negra no Brasil. Adelia inclusive é conhecida pelo filme Amor Maldito (1984), por retratar a história verdadeira de uma mulher lésbica em julgamento judicial, acusada do assassinato de sua companheira afetiva.
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Por fim, e não menos importante, é necessário citar também uma diretora e roteirista que desde os anos 2000 tem chamado atenção pela qualidade fílmica, temáticas criativas e inclinações sociais. Anna Muylaert é responsável pelo filme Durval Chantal Akerman
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Nos últimos anos, mais do que nunca, as disparidades de gêneros vem sendo contestadas e políticas de incentivo à di-
versidade vem crescendo, existe também uma movimentação pela restauração de obras femininas perdidas, como os filmes da Alice Guy, apesar disso o campo ainda é muito escasso e vai demorar para que mulheres diretoras, roteirista, diretoras de arte, atrizes, estejam no mesmo patamar financeiro e recebam a mesma divulgação e confiança recebidas por homens.
Foto: Divulgação / IMDb
Discos (2002), É proibído Fumar (2005) e outras obras interessantes, mas a mais reconhecida, que consta em diversas listas de melhor filme nacional e já esteve presente em festivais internacionais é Que Horas Ela Volta? (2015), que mostra relações sociais e familiares conflituosas e o contraste da elite com trabalhadores de outras classes sociais. Anna tem mostrado internacionalmente não só a qualidade das produções brasileiras, mas a força do cinema feminino.
É necessário nos mantermos atentas e fortes, falando sobre nós e produzindo conteúdos para nós, com sensibilidade e força que as antepassadas demonstraram ao se tornarem pioneiras nos espaços cinematográficos.
Foto: Divulgação
A dificuldade do acesso aos filmes de Adélia ainda traz questionamentos sobre a desvalorização e o apagamento do trabalho de mulheres negras e do racismo institucionalizado nos espaços culturais nacionais, situação essa que fez com que a cineasta disponibilizasse seus filmes em canais do Youtube como forma de democratizar o acesso às suas obras.
Os Panteras Negras (1968), dirigido por Agnès Varda
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ESPECIAL
MOVIMENTOS
EXPRESSIONISMO ALEMÃO
INÍCIO
1917
EXPERIMENTALISMO SOVIÉTICO
1955
1940 1920
1895
NOVA HOLLYWOOD
NOUVELLE VAGUE
CINEMA NOVO
2000
1995 1960
1954
N E OR R E A L I SMO ITALIANO
DOGMA 95
1995
CINEMA DA RETOMADA
BLOCKBUSTERS ATUAIS
Fontes e referências DDIR, Sara. O epigrama meta-linguístico da luz em “Love”. Disponível em: http://umbigomagazine.com/um/ 2016-02-02/o-epigrama-meta-linguistico-da-luz-em-love.html Acesso em 04/04/2021.
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ma.com.br/mais/conteudo/cineastas-brasileiros-anna-muylaert. Acesso em: 11/05/2021.
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Suspiria (1977), dirigido por Dario Argento
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Foto: Divulgação