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Revista Bem-te-vi

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Bem-te-vi

IMPERMANÊNCIA

Covid it m

SJ UF

Bole

Aceite a impermanência da vida Seja mais leve e feliz.

SAÚDE MENTAL E PANDEMIA

PERFIL: LOBO BRUXO

Pg.4

Pg.16

VITAMINA D: O HORMÔNIO DA LUZ Pg.12


Bem-te-vi acredita e é apoiada pela empresa Pura Vida


FS J: U id C ov tim le Bo

Índice 15

Editorial

Crônica

365 dias e contando

Tudo com Jesus, nada sem Maria

4 Saúde mental 5 Fundamentos da saúde 7 Profissionais da saúde 10 Entrevista com Marina Freitas

Perfil Lobo Bruxo

Impermanência

Dicas para uma vida melhor

Entrevista com Edwalda Carvalho

Vitamina D

Benefícios e curiosidades

12

16

Dicas

Para ler, ver, e ouvir

Antes de ir, um poema

de Fernando Pessoa

Foto destaque: Lobo Bruxo Pg.17

19 21 22


Editorial Mariana Carvalho

365 dias e contando Em 11 de março de 2021 completou um ano desde que a Organização Mundial da Saúde declarou que o Coronavírus se tratava, na verdade, de uma pandemia. Os casos, que começaram a pipocar pelo país, rapidamente se multiplicaram até chegar no assustador número de 13 milhões de casos. Infelizmente, sabemos que esse valor só tende a aumentar, além das mortes, que já ultrapassam 351 mil, com recordes macabros de quatro mil óbitos por dia. Ser brasileiro se tornou um fardo difícil de ser carregado. Viver em um país governado por um genocida que diminui a gravidade da doença, comparando-a a uma “gripezinha”, e negligenciou a compra de vacinas desde o ano passado. Com os constantes ataques à mídia e à ciência, Bolsonaro fez questão de afirmar que as vacinas poderiam apresentar efeitos colaterais varia-

dos, inclusive, o de virar um jacaré, Super-Homem ou mulher barbada, alegações feitas durante evento em Porto Seguro, em dezembro. Falando na tão sonhada vacina, segue a passos lentos, devagar quase parando. O site “Jacaré Tracker” monitora em tempo real quantas pessoas já receberam o imunizante no Brasil e no mundo e, claro, quantas já viraram jacaré (só para constar: nenhuma). De acordo com dados do G1, até o dia 11 de abril, 11% da população brasileira já recebeu ao menos uma dose da vacina. A porcentagem desanima quando pensamos nos mais de 211 milhões de habitantes em território nacional e nas trocentas mutações do vírus acontecendo o tempo todo. A revista “Bem-Te-Vi” surge como um respiro no meio do caos. Com dicas de autocuidado, desabafos e poemas, aproveite a leitura e se desligue do mundo, pelo menos por alguns instantes...


SAÚDE MENTAL E PANDEMIA Entrevista com a Psicóloga Marina Freitas

Pouco mais de um ano após a chegada da pandemia no Brasil, fala-se muito nos efeitos colaterais causados por ela à população. O risco não se restringe ao adoecimento pós contração do Corona vírus. Isso porque, os desdobramentos psicológicos desta situação, também tem apresentado riscos reais à saúde. Desde março de 2020 os casos de depressão e transtorno de ansiedade têm crescido substancialmente. Um estudo realizado pela USP constatou que, as restrições para conter o avanço da pandemia, contribuíram para um aumento dos transtornos mentais, e que no Brasil 63% da população tem sofrido com ansiedade e 59% tem enfrentado a depressão. A psicóloga Marina Freitas, aceitou o convite para lançar luz a esse tema tão delicado que é a Saúde Mental em tempos pandêmicos e esclarecer como proceder em casos como este. BEM-TE-VI - Marina, obrigada por estar aqui conosco para falar de um tema tão delicado. Nesse momento queremos saber quais fatores mais têm contribuído para esse aumento dos transtornos mentais como ansiedade, bipolaridade, depressão, entre outros? Marina – Eu que agradeço a oportunidade de falar sobre um assunto tão importante, principalmente neste momento difícil para todos nós. São vários os fatores que têm contribuído para o aumento dos transtornos

mentais neste longo período de pandemia. Alguns dos principais são, por exemplo, termos de lidar tão de perto com a previsibilidade da morte, perda daqueles que amamos e nossa própria impermanência, o medo, de alguma maneira, tem se feito presente na vida de todos. Há ainda as mudanças radicais na forma de nos portarmos enquanto seres sociais, o distanciamento tem nos feito confrontar a solidão, a saudade dos entes queridos e dos


amigos e a imprevisibilidade da vida. Outra questão que tem surgido como um grande fator gerador da ansiedade e da depressão, por exemplo, é a mudança na forma de trabalhar e ganhar o sustento. Muitas pessoas tiveram que alterar toda sua rotina, tiveram seus salários diminuídos, muitas perderam seus empregos ou se viram impedidos de trabalhar por algum período em virtude da quarentena. Então, as questões financeiras também têm sido uma grande questão que contribui para este aumento. BEM-TE-VI – Realmente são muitos os fatores que podem levar a um descontrole emocional neste período. Para que a sociedade consiga driblar um pouco o distanciamento e conseguir, de alguma forma, suprir a necessidade de socializar, as redes sociais assumiram um papel mais importante do que nunca. Porém, este também tem sido um fato gerador de ansiedade, porque isso ocorre? Marina - Com o afastamento físico, as pessoas buscaram outros recursos para se socializarem e encontraram certo amparo nas redes sociais. Começaram a acompanhar mais a vida de outras pessoas e também a compartilhar mais de si. Porém, nas redes sociais, as pessoas tendem a mostrar o lado mais feliz, produtivo e legal, da vida, ainda que muitas vezes sejam verdades forjadas. O problema é que, em um momento como este, as redes têm sido levadas muito mais a sério do que deveriam, e muitos passaram a fazer comparações e se sentirem inferiores em relação àquelas pessoas tão felizes, bem-sucedidas e iluminadas do instagram, o que pode contribuir ainda mais para o aumento de certos transtornos como ansiedade, depressão, compulsão, entre outros.

BEM-TE-VI– Enquanto indivíduos, os sujeitos expressam, cada um à sua maneira, as dores e medos que sentem. Algumas pesquisas apontaram, por exemplo, que o uso de álcool e drogas tiveram também um aumento significativo, subterfúgios usados para uma fuga da realidade ou uma compensação de algo que não está indo bem, certo? Quais são os riscos destas e de outras válvulas de escape e o que fazer para ajudar aqueles que estão nessa situação? Marina – Freud, no mal-estar da civilização, coloca que a vida tem alguns sofrimentos inerentes a ela e as pessoas não têm outra opção que não seja lidar com angustia e, portanto, usam três medidas para lidarem com isso. Uma delas gera uma sensação de prazer imediata através de efeitos neuroquímicos que geram uma recompensa cerebral e, via de regra, as pessoas buscam isso justamente através do uso de substâncias toxicas, como álcool e drogas. Os riscos de buscar refúgio desta maneira são variados e vão desde gerar uma dependência química até overdoses, alucinações, piora no quadro psicológico, entre outros. BEM-TE-VI – Para finalizar, você poderia falar um pouco sobre o papel dos cidadãos em relação a saúde mental, própria e de terceiros? Marina – É muito importante estarmos sempre atentos a nós mesmos. E sempre que sentir necessidade pedir ajuda profissional. Isso não é motivo de vergonha, não é frescura e nem uma questão de fragilidade. Também é muito importante ser solidário com a dor do outro, observar e acolher aqueles que estão perto de nós e nunca negligenciar um pedido de ajuda, encaminhando, sempre que possível, para um profissional da área.


F u n da m e ntos da saú de Por: Flávio Passos


PROFISSIONAIS DA SAÚDE Entrevista com Edwalda Carvalho, diretora da GRS de SJDR

Há um ano o mundo inteiro tem aprendido a valorizar os verdadeiros heróis, entre eles, sem dúvidas, estão os profissionais da saúde, que têm lutado incansavelmente para controlar e vencer a pandemia. É preciso alertar, no entanto, que a saúde vai além dos jalecos, estetoscópios e seringas. Existem profissionais lutando nos bastidores para que a atuação na linha de frente seja o mais eficiente possível, e é preciso que todos saibam valorizar toda a engrenagem do sistema de saúde, desde a gestão até o atendimento médico. Por isso, a BEM-TE-VI trouxe para esta edição a administradora e advogada, Edwalda Maria Carvalho, atual diretora da Gerência Regional de saúde de São João del-Rei, para um papo sobre o trabalho dos profissionais de saúde durante a pandemia. BEM-TE-VI – Edwalda, é um prazer ter você aqui com a gente para falar sobre um assunto tão necessário. Edwalda – O prazer é todo meu, inclusive, eu gostaria de agradecer a oportunidade de poder transmitir um pouco das minhas ideias e conhecimentos à outras pessoas e poder chamar a atenção de todos para as responsabilidades que assumimos em nossas vidas, seja no âmbito pessoal ou profissional, sobretudo em um momento tão complicado.

BEM-TE-VI – De fato estamos vivendo um momento em que nossa escolhas diárias têm um impacto muito grande não só nas nossas vidas, mas também na de terceiros, e é muito bom que alguém com o seu conhecimento possa propor esta reflexão. Agradecemos por aceitar o convite! Aproveito para já fazer uma pergunta: como e de onde surgem as demandas e propostas de ação para serem implementadas nos setores de saúde pública neste momento?


Edwalda - Não há o que agradecer, estou aqui para isso, informar faz parte do meu trabalho enquanto servidora pública no setor da saúde. Este foi um compromisso que assumi, profissionalmente. As propostas colocadas para que a gente melhore e amplie o acesso da população a uma assistência adequada são propostas elaboradas pelo estado de Minas, que nós – servidores enquanto representante do estado, cada um em sua região, estamos à frente para mobilizar e juntar forças para fazer com que a coisa realmente aconteça. E é muito gratificante dar cada passo, por menor que seja, rumo ao resultado esperado, sobretudo neste momento ímpar e triste que estamos vivendo. BEM-TE-VI – E como está sendo o trabalho dos servidores e profissionais da saúde com tudo isso que está acontecendo? Vocês tem conseguido cumprir as metas, têm conseguido bons resultados? Edwalda – Está sendo extremamente corrido e cansativo, porém, como disse anteriormente, muito gratificante também. Temos trabalhado dia e noite, incansavelmente, para conseguirmos os melhores resultados possíveis, mas infelizmente não depende apenas de nós. O que eu posso dizer é que em Minas Gerais, o SUS fez nos primeiros 100 dias da pandemia, o que nunca teve que fazer em 30 anos e, em grande parte, conseguimos. Mas isso só foi possível porque as pessoas se uniram e trabalharam arduamente e em conjunto. Tenho muito orgulho da minha equipe e de todos os colegas de MG. BEM-TE-VI – E qual é exatamente o trabalho ao qual você está se referindo? Edwalda - Nossa lida, no Regional de Saúde, é uma lida com gestão, que inclui: planejamento, monitoramento, acompanhamento e implementação e implantação de políticas e serviços de saúde pública na região. A gente tem lutado, sobretudo, para conseguir um quantitativo de leitos adequado, equipamentos, medicamentos e insumos suficiente para que a nossa economia possa ir voltando aos poucos e com responsabilidade à normalidade.

BEM-TE-VI – E qual é a parte mais difícil? Edwalda – Honestamente, a parte mais difícil tem sido justamente a que não cabe apenas a nós. Temos tentado desenvolver um bom trabalho de conscientização da população quando aos cuidados e precauções que devem tomar, quais sejam: sair apenas se necessário, usar mascara, fazer a higienização com álcool, evitar aglomerações, entre outros. Porém, essa não é uma via de mão única, e temos ficado muito tristes com a quantidade de cidadãos que insistem em não fazer sua parte. Isso tem sido exaustivo! BEM-TE-VI – E como tem sido, mentalmente, para você e seus colegas, lidarem com tanta pressão? Edwalda – Estamos cansados? Ninguém tem dúvida. Mas o nosso ganho não tem preço: ajudar a salvar vidas. O que temos tentado fazer é nos cercarmos como pudermos para que a gente não adoeça. BEM-TE-VI - E como vocês têm se cercado? Edwalda – Nos escorando uns nos outros e nos dando força mutuamente no ambiente de trabalho, buscando ajuda profissional quando necessário e, sobretudo, tendo discernimento, tolerância e muita fé. Não podemos é perder a fé e a esperança. A esperança motiva a vida e é isso que nos impulsiona a não parar. Não podemos parar aqui, mesmo cansados temos que continuar o nosso trabalho. O caminho ainda é longo, mas juntos a gente vai vencer. BEM-TE-VI – É mesmo necessário manter muita fé nesse momento. Existe alguma perspectiva de volta à normalidade? Edwalda - Há uma forma nova de viver, não tenho dúvida, e estamos todos em processo de aprendizagem e adaptação. E isso tudo está desgastante para nós enquanto serem humanos, tanto em nossas vidas particulares, quanto no profissional. Porém eu acho importante e prudente que as pessoas não contem com uma volta total ao antigo normal. As coisas mudaram, algumas irão, aos poucos, retornar ao que era, outras não. Estamos trabalhando com afinco para que seja possível aproveitar e viver esse novo normal.


Vitamina D

O hormônio da luz por Flavio Passos Pura Vida

O sol, desde tempos imemoriais, é considerado uma fonte de vitalidade e saúde. Como todos sabemos, sem ele não haveria vida na terra. Cada vez mais a ciência desvenda a importância da exposição à luz solar e do chamado ciclo circadiano. A exposição ao sol durante o dia e um bom sono durante a noite são os pontos mais importantes deste ciclo e influenciam diretamente a saúde nos seus mais diversos níveis e manifestações. Como veremos, a vitamina D é mais do que um nutriente, é um pró-hormônio indispensável para a saúde, desde antes do nascimento até o final da vida. O propósito deste material é oferecer informações atualizadas e objetivas sobre a importância do sol e da vitamina D, mostrando sua grande importância para a manutenção da saúde e prevenção de doenças. Você entenderá que vale a pena se esforçar para que este pró-hormônio vital não falte no seu dia a dia.

A vitamina A Vitamina D é um composto lipossolúvel produzido pelo organismo, indispensável para o bom desenvolvimento e funcionamento do corpo humano. Está presente em mais de 85 funções e tem relação com mais de 2000 genes importantes. A pele produz a Vitamina D a partir do colesterol, quando exposta aos raios ultravioleta da luz solar. Isso mesmo: sem colesterol não há vitamina D. Ainda considera o colesterol um inimigo da saúde? Também pode ser encontrada em certos alimentos, como peixes e ovos, no entanto, a dieta não é uma fonte adequada. O ideal é banhar-se com regularidade no sol mais forte, do fim da manhã e começo da tarde, coisa que a maioria de nós não faz nesta realidade moderna em que passamos a maior parte de nosso tempo em ambientes fechados ou sombreados por edifícios. Antes de nos aprofundarmos nas diversas atuações deste pró-hormônio no organismo, lembre-se do que você precisa fazer para se beneficiar do sol para a produção de vitamina D: Expor-se ao sol com a maior área possível de pele nos horários mais quentes do dia, quando o sol está bem alto, basicamente entre as 10:00 e 14:00 e especialmente entre 11:00 e 13:00. Durante o inverno e outono, quanto mais perto do meio dia, mais eficiente será, pois a radiação ultravioleta é mais fraca e está presente num período menor de tempo. Não se esqueça que a pele deve estar livre de cosméticos, principalmente protetor solar!


Se você escolher se expor ao sol através de uma janela, os vidros precisam estar abertos, a luz passa através dos vidros, mas a radiação ultravioleta (UVB), responsável pela produção de vitamina D, é filtrada pelo vidro; Alguns pesquisadores sugerem que tomar banho, especialmente com sabonete, após a exposição ao sol pode retirar uma parcela da vitamina D produzida que possa estar na superfície da pele. Além da produção de vitamina D, o contato com a luz solar traz ainda outros benefícios, relacionados com outras frequências do espectro, como a luz visível e o infravermelho, mais pronunciado no começo da manhã; A luz do sol em contato com os olhos e a pele estimula a produção de: - Cortisol, necessário para o pleno despertar e para a ação; - Serotonina e dopamina, relacionadas ao equilíbrio emocional e ao bem-estar; - Óxido nítrico, que diminui a pressão arterial e melhora a saúde cardiovascular; - Melatonina (que será liberada no período noturno), que dentre suas inúmeras funções, é um dos mais poderosos antioxidantes produzidos no corpo; - Testosterona. Para aumentar os níveis de testosterona, o ideal é se expor sem roupas. Um estudo mostra que quando a luz do sol atinge a região do peito e das costas, os níveis de testosterona podem aumentar em 120%. Mas quando os genitais masculinos são expostos, os níveis podem aumentar em 200%. Se você ainda não tem o hábito de tomar sol, vá com calma e tome alguns cuidados para evitar a exposição excessiva e queimaduras: Aumente o tempo de exposição gradativamente, deste modo, a pele vai criando novas camadas de células protetoras e de melanina; Se exponha ao sol do comecinho da manhã, entre 6:30 e 8:30, antes de se expor ao sol mais forte. Pesquisas demonstram que a exposição ao infravermelho protege a pele dos raios ultravioleta. Se expor ao sol no fim da tarde também ajuda a pele a se regenerar; Busque a sombra, utilize chapéu e cubra-se com roupas ou tecidos leves. Evite filtros solares químicos, prefira os protetores físicos, que refletem os raios UV, não trazem substâncias nocivas e quase não são absorvidos pela pele; Otimize seus protetores solares internos, ingerindo alimentos ricos em antioxidantes e suplementos como: ômega 3 (DHA), astaxantina, resveratrol (suplementos e berries como mirtilos e açaí), catequinas (matchá), Vitamina E e betacarotenos (cenoura e spirulina).


Funções da vitamina D no organismo Ela funciona como um hormônio, regulando a concentração de cálcio e fósforo na corrente sanguínea, fixando o cálcio nos ossos, sendo essencial para a densidade óssea. Ativa a função imune, influenciando diretamente as células responsáveis por combater as infecções. Inibe a proliferação e estimula a diferenciação de células, sendo, portanto, muito importante na prevenção e tratamento do câncer, que se caracteriza por células que se multiplicam e não se diferenciam. É indispensável para o desenvolvimento das estruturas ósseas, sua deficiência na infância causa o raquitismo. Além destas funções bem definidas, a vitamina D está relacionada com a melhoria e a prevenção de diversos problemas de saúde, como regular a produção de insula e pressão arterial, longevidade, ajuda a prevenir e tratar osteopenia, osteomalácia e até alguns tipos de câncer, além de resultados positivos em quadros de depresão e saúde cerebral. Para uma saúde plena, a exposição ao sol e uma quantidade efetiva de vitamina D são indispensáveis. Os benefícios são amplos e abrangem muitos aspectos do funcionamento do organismo. Tomar sol com frequência e suplementar a vitamina D associada a outros elementos são atitudes simples, que praticamente qualquer um pode integrar no dia a dia, e que podem trazer benefícios notáveis em sua qualidade de vida.


Crônica Camila Ávila

Tudo com Jesus, nada sem Maria O abraço que mais me acalentava era o materno e, hoje, é o que mais me amedronta. O beijo do pai é quadro antigo na parede da memória. Os almoços de domingo e encontros semanais com tios e primos, ficou esquecido no tempo. Não nos vemos, mas ainda nos temos, e isso é artigo de luxo em tempos de pandemia. Um ano se passou. A estatística ganhou um nome conhecido, depois dois, 70 anos e outro 30. Máscara. Álcool. Lockdown. Onda amarela, vermelha, roxa. Tsunami. Ansiedade, depressão, compulsão alimentar. Engordei 10kg, será que obesidade é comorbidade? O tempo mudou, esquenta, esfria, isso pode adoecer. Espirrei, será que é Covid? Passa Álcool. Aí meu Deus, se for covid ... Não, não era Covid, que bom! Diz que ama agora, seja presente agora, pois o tempo está mais relativo do que nunca. Só não abraça, não afaga, não beija. Que difícil isso! A solidão é cortante. A vida vai ficando sem repertório, sem troca, sem movimento. Me afogo em mim mesma. É muito “eu” o tempo todo. Eu não me aguento mais. Gasto meu tempo onde não existe o risco de cair em depressão profunda. Sei tudo sobre Tiktok e BBB. Leio livros, vejo séries e filmes e me imagino lá, naquele cenário, naquela ocasião. Me parecem loucos agora os personagens, acredita que eles se abraçam sem medo? Eles se beijam também! Deve ser bom esse lugar. Sonho que estou entre amigos. Amanhece e eu não quero acordar. A vida no sonho estava melhor. Fecho os olhos, tento dormir outra vez, não consigo. Deixa eu ligar para quem amo, quero saber se estão vivos, respirando, sobrevivendo. Ufa, estão! Mesmo à distância sorrimos ao nos falarmos. Se a voz aperta, desligo. Não quero ser mais um motivo para deixar ninguém triste. Melhor chorar sozinha. Eu não aguento mais chorar sozinha. Aguardo ansiosa o dia da terapia online. Longos quinze dias à espera de ter uma hora de chamada de vídeo com alguém em quem eu possa vomitar tantas dores, medos, angústias. O choro vem. A Tela congela. Perdese o momento. Repete o que disse, pede a psicóloga. Caio na risada, as vezes é preciso rir das pequenas derrotas. Conto a mesma coisa uma segunda vez, a emoção não é a mesma, a repetição faz o problema parecer menor. O papo flui, cinema, livro, série... encontro minha dor na arte e isso a torna mais bela, quase digna de ser admirada. A arte imita a vida! Saio da sessão com recomendações para a próxima. Sigo à risca, como uma criança fazendo o dever da escola, levo a sério cada etapa que me levara ao próximo momento em que terei mais uma hora para sentir a minha dor sem culpa, afinal, estou pagando para falar sobre mim. Ao menos nesse momento minha dor importa, eu me sinto autorizada a senti-la sem ter que pesar meus privilégios. Rezo, todos os dias eu rezo, para que Deus proteja a Todos. Nossa Senhora Aparecida, proteja meu pai! São Francisco de Assis, guarde minha mãe! Os outros todos que amo, que Jesus Cristo os olhe, penso. Será que está olhando? Está! Não posso duvidar. Não duvido. Não perca a fé, Camila, não perca. Minha avó surge em minha memória, diariamente ela visita meus pensamentos só para dizer: tudo com Jesus, nada sem Maria. Sim, vó, eu sei. Eu confio, juro que confio. Estou com saudades, vó, que bom te ver, mesmo que na minha mente delirante.


Lobo Bruxo Antônio Ávila, ou Toninho Ávila, já no início da conversa, diz que prefere ser tratado por Lobo Bruxo, apelido que condensa os feitos e mistérios de sua vida. Nascido em São João del-Rei em 1948, Lobo Bruxo, viveu uma infância e adolescência conturbadas, porém, em alguma instância, lúdica e feliz. Filho de Ipolita e José Ávila, sua vida se deu entre a doçura e fé imensurável da mãe, católica fervorosa, e os desarranjos e genialidade do pai, alcoólatra. Em sua pré adolescência, descobriu seu gosto pela literatura, música e artes em geral e, desde então, passou a viver permeado pela criatividade, criando suas próprias filosofias de vida e dançando conforme o ritmo do universo, ou, dos Beatles, já que é fã número um da banda e, sobretudo, do cantor Jonh Lennon.

Apesar dos esforços do pai, advogado e poliglota, o Lobo não se rendeu à educação institucional tradicional e decidiu fazer das próprias vivências sua faculdade. Aprendeu sozinho sobre música, artes e literatura, produziu várias obras, entre quadros pintados à óleo, desenhos e esculturas, além de escrever mais de 6 livros de contos e poesias. Seus livros carregam as histórias de sua vida e abordam temas diversificados, são um tratado de toda sua filosofia. Discordem sobre amor, drogas, sexo, ambientalismo, contracultura, arte, entre outros temas. A transição de Antônio para Lobo Bruxo, ocorreu durante sua trajetória traçada entre amor livre, misticismo e ambientalismo. A serra do Lenheiro era a toca do Lobo, como ele mesmo gosta de dizer , e carrega boas lembranças da sua


vida. Durante décadas, o artista, idealizou e realizou um trabalho de preservação ambiental da Serra do Lenheiro e realizou ações de recuperação da mata e limpeza do local. Para ele, Deus é a própria natureza e por isso merece devoção. Seu trabalho enquanto ambientalista não se resume apenas ao projeto Lenheiro, ela se estende nas muitas palestras que deu em escolas e faculdades de São João del Rei, em participações em programas de rádio e televisão, onde falava sobre a importância da sustentabilidade e da preservação ambiental e em muitos de seus trabalhos artísticos também, que reverberam sua devoção à natureza. Por ser muito conhecido na cidade, Toninho foi considerado Lenda viva de São João del Rei, no ano de 2006, quando São João foi eleita Capital brasileira da cultura. O título o deixou lisonjeado, já que para ele a melhor recompensa jamais foi fi-

nanceira, mas sim o reconhecimento dos seus dotes artísticos, literários e de influência. Lobo Bruxo viveu uma vida livre de rótulos e de tradições. Adepto ao amor livre, nunca quis prender-se a um relacionamento. Durante sua vida viveu vários amores, todos eles livres, como ele acha que deve ser. Não se casou, não teve filhos e sempre adotou a postura de amante - da vida, das mulheres, da arte e da natureza. Hoje, aos 73, ostenta no olhar a serenidade de quem viveu com intensidade e foi extremamente fiel aos valores, princípio e verdades. A irreverência é sua marca registrada e ele confessa, adora não ser igual a ninguém. "Somos indivíduos, portanto individuais, únicos, e deveríamos aproveitar melhor a nossa essência, tentar reproduzir em nós o que é do outro e não nos cabe é cilada", diz


Arquivo pessoal


Im

pe

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Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma, já dizia o químico Lavoisier. A vida é um ciclo constante, as coisas, no minuto seguinte, já não são como eram há um instante atrás. Este ciclo é feito de altos e baixos, tristezas e alegrias, dores e alívio. Muda-se no campo físico, no espiritual, no subjetivo. Nada permanece intacto, nada! Desde 2020 as pessoas têm aprendido a lidar de uma forma muito árida e crua com a morte e com o luto. A depender da forma como as pessoas lidam com momentos de crises, podem revelar o melhor ou o pior de si. E entender sobre a impermanência e sua relação direta com o sofrimento, pode ajudar a passar pelos momentos difíceis sem que emerja, a partir daí, o pior lado. "Nada é constante a não ser a mudança” O filósofo Heráclito dizia ser impossível banhar-se duas vezes no mesmo rio. Isso porque, mesmo que o ponto de mergulho seja sempre o mesmo, as águas já não são as mesmas, uma vez que seguem seu curso e estão sempre em movimento.

a i c

Logo, a água que você toca é outra, então o rio também já não é mesmo. Assim como o rio, é a vida. O ar da respiração é um novo ar a cada inspiração, os pés pisam no chão de forma diferente a cada passo, as palavras ditas assumem novas frequências a cada repetição. Não há constância perfeita, há apenas a ilusão da repetição. Alguns séculos antes de Heráclito, o Shakyamuni Buddha já havia entendido este conceito, e um dos principais pilares dos seus ensinamentos budistas é o justamente o da impermanência que, para o ele, nada mais é do que a grande roda da vida, que está em constante rotação e faz com que até mesmo a mais bela das flores um dia murche. Por que chorar pela linda flor perdida, se teve o privilégio de contemplá-la? A dor da perda é, normalmente, proporcional ao amor sentido pela pessoa ou objeto perdido. E, se houve a oportunidade de amar sem medidas, não deveria, no lugar da tristeza,


nascer a gratidão? Tudo, por mais precioso que seja, um dia acaba. E nasce daí a necessidade de trabalhar o apego. É preciso saber amar e apreciar as coisas durante o tempo em que existem, e isso só é possível vivendo no presente e aproveitando as oportunidades de vida que se apresentam ali, naquele instante. O sofrimento pela perda, no lugar da gratidão pela oportunidade, é o que leva a uma dor e angustia desnecessária. E preciso refletir que a vida já é repleta de dor, física, emocional ou espiritual, e sobre isso não há controle absoluto. Mas a escolha de não sofrer, ou seja, não dar palco para a dor, é real e deve ser trabalhada para que, na vida, seja possível cultivar paz e gratidão. Parábola das duas flechas “Se a vida lhe causar dor através de uma flechada, não atire uma segunda flecha em você mesmo”. Em momentos de dor, é preciso que cada um seja seu maior aliado, sobretudo em momentos de extrema dificuldade, como tem sido estes tempos pandêmicos. É necessário quebrar o clico dorsofrimento, acolher a dor, processá-la e tirar dela, crescimento, aprendizado e controle. Encontrar o lado bom da dor é um aprendizado difícil, mas necessário para um amadurecimento muito profundo.

Aprender que não se perde nada, porque não há, de fato, a posse real das coisas, é libertador. Há um ano, e sem data prevista para acabar, a humanidade tem aprendido de forma dura sobre a impermanência. Desde o início da pandemia, as pessoas se viram obrigadas a modificar a vida, mudar a forma como trabalham, a forma como se relacionam e a lidar com a morte e o afastamento de pessoas queridas. Esse momento, mais do que qualquer outro, requer resiliência, compaixão e empatia por parte de todos. Saber estar abertos às mudanças, ao invés de lutar contra ela, é uma grande arma para que a dor não faça morada nos corações. Ela existe, é fato, mas como tudo na vida, também é impermanete e passa. Essa crise mundial pode ser vista como uma oportunidade para mudanças substâncias no âmago do ser. Um momento de aprendizado que, não sem dor, irá destruir para reconstruir. No budismo, essas passagens da vida mais truculentas, onde a chuva cai, para que o sol possa brilhar novamente, são entendidas como a dança de Shiva. Neste momento de tempestade é a hora de plantar as sementes do futuro que você quer ver desabrochar no próximo nascer do sol.


Dicas Livro – O livro tibetano do Viver e do morrer Autor: Sogyal Rinpoche O Livro Tibetano do Viver e do Morrer é uma introdução inspirada na prática da meditação, nas dificuldades e alegrias do caminho espiritual, na natureza da mente, no carma e renascimento, ao amor compassivo e aos cuidados com os que estão próximos à morte. Com um amplo propósito, o livro torna a visão da vida e da morte subjacente ao texto sagrado clássico do Livro Tibetano dos Mortos. Rinpoche apresenta práticas que qualquer pessoa, de qualquer religião ou cultura, poderá usar para transformar sua vida, preparar-se para a morte e ajudar aqueles que estão perto da partida ou que tenha se despedido de alguém querido.

Filme – O vendedor de sonhos Adaptação do best-seller de Augusto Cury Júlio César (Dan Stulbach), um psicólogo decepcionado com a vida em geral, tenta o suicídio, mas é impedido de cometer o ato final por intermédio de um mendigo, o "Mestre" (César Troncoso). Uma amizade peculiar surge entre os dois e, logo, a dupla passa a tentar salvar pessoas ao apresentar um novo caminho para se viver.

Série – Cosmos Cosmos: Uma Odisseia do Espaço-Tempo é uma série americana de documentário científico. É um remake da série de 1980, que foi apresentada por Carl Sagan e representa muito mais do que uma jornada dramática e cinematográfica. A ideia é despertar na audiência a busca sagrada pelo essencial da ciência. Os episódios acontecem com o cientista Neil deGrasse Tyson narrando a jornada em meio a um visual de tirar o fôlego, graças a animações computadorizadas e reconstruções dramáticas que levarão o espectador a diferentes épocas no passado longínquo e no futuro previsto (ou esperado).

Podcast – Mamilos Fundado em 2014, com foco em notícias e produzido pela B9, Mamilos é um podcast brasileior. Apresentado pelas publicitárias Juliana Wallauer e Cris Bartis, é uma produção baseada em temas jornalísticos. Seu conteúdo original trazia notícias polêmicas - em referência a um meme brasileiro de 2011 de um jovem que dizia que "mamilos são muito polêmicos". Com a popularidade do podcast, seu formato passou por algumas mudanças e recebeu o slogan "Jornalismo de peito aberto". Ao longo dos anos de produção, se tornou um dos podcasts de maior notoriedade no Brasil.


Antes de se despedir... Um poema: POEMA EM LINHA RETA Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil, Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita, Indesculpavelmente sujo, Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho, Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo, Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas, Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante, Que tenho sofrido enxovalhos e calado, Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda; Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel, Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes, Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar, Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado Para fora da possibilidade do soco; Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas, Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo. Toda a gente que eu conheço e que fala comigo Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho, Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida... Quem me dera ouvir de alguém a voz humana Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia; Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia! Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam. Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil? Ó príncipes, meus irmãos (...) Arre, estou farto de semideuses! Onde é que há gente no mundo? Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra? Poderão as mulheres não os terem amado, Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca! E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído, Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear? Eu, que venho sido vil, literalmente vil, Vil no sentido mesquinho e infame da vileza. Fernando Pessoa , Poesias de Álvaro de Campos. Lisboa: Ática. 1944 (imp. 1993). p. 312


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