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Revista Presságio

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PRESSÁGIO Magia em código binário A tecnologia por trás dos parques da Disney Rompimento da Realidade O Metaverso de Zuckemberg Tecnologia e Autoestima Impactos das Redes Sociais NFT E o declínio do mercado da arte

Dezembro de 2021 www.pressagio.com.br

Edição Especial: Tecnologia


Expediente

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Editorial

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Magia em Código Binário

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Rompimento entre Realidade e Virtual

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Arbitrariedade Digital

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Querer e Poder na Palma da Mão

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NFT: o declínio do mercado da arte

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Ciber Sociedade do Desconforto

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Imagens do Banco de Fotos do : Unsplash

Índice

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EXPEDIENTE EXPEDIENTE Geovana Nunes Redatora de Política e Saúde. Escritora da crônica. Editora chefe. Gosta de aprender dancinhas do Tik Tok. Gosta de política, mas se pensar demais nisso, chora. Escrever é seu maior hobbie.

Marina Santana Redatora de entretenimento. Baiana. Gosta de falar sobre questões políticosociais através de elementos da cultura pop e geek. Ama literatura, cinema e gatos.

Harume Suzuki Olá leitores! Meu nome é Harume Suzuki, sou colunista e idealizadora de parte do visual da Presságio. Amo trabalhar com design e questões de economia, sociedade e educação. Espero que se divirtam com a leitura da revista, assim como nos divertimos criando-a.

yuri yassudA Redatora de arte. Colunista da Presságio, fanática por toda e qualquer forma de arte e expressão e viciada em aumentar sua lista de livros a ler.

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editorial editorial

o lá, você assinante da revista

Presságio. Como está? Espero que, apesar dos pesares, esteja bem. Nesse editorial, quero fazer nosso mea culpa. Explicar o por quê desta edição. Por que falar sobre tecnologia? Bem, existem vários motivos. O primeiro deles é o fato que vem sendo confirmado a cada ano: nossa vida agora é inerente à tecnologia. Eu não imagino um futuro apartado da tecnologia. Estamos no auge da revolução digital, talvez em uma nova era dentro dela. Com a pandemia percebemos que passamos boa parte dos nossos dias com os olhos em telas. Múltiplas telas. Celulares, tabletes, computadores, televisores. Quantas horas do seu dia você passa sem olhar diretamente para uma tela? Provavelmente só suas horas de sono. Caminhamos, nós e a tecnologia, lado a lado. Então, precisamos falar sobre ela. Precisamos organizar o caos que é esse mundo de uns e zeros. E é para isso que preparamos essa edição. Sobre a amiga e ajudante que nos acompanha, que é por vezes elitista e maléfica.

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FOTO: Banco de dados ShutterStock

Com nossas matérias, queremos mostrar as diversas faces deste universo tecnológico. Que é composto por dualidade. Faz muito bem. Traz muitos bens. Mas traz muitos males. Como tudo, ela é feita de prós e contras e ainda há muito o que se discutir até ter um veredito. E afinal, por agora precisamos de um veredito? Talvez nossos descendentes possam enxergar nosso tempo caótico melhor do que um dia vamos poder. As coisas soam diferentes quando se está imerso nelas, ao nos afastarmos podemos ver de outra perspectiva. Por agora, o que nos resta é o presente. Espero que sua leitura, começando deste editorial com mais perguntas do que respostas, seja proveitosa. da redação


ENTRETENIMENTO

MAGIA EM CÓDIGO BINÁRIO A TECNOLOGIA QUE DÁ VIDA AOS PARQUES DA DISNEY

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ocê sabe o que são animatronics? Animatronics são dispositivos robóticos

Foi então que, em 1964, Walt Disney criou o primeiro animatronic que

que imitam seres vivos, ou dão vida a um ser inanimado. Eles possuem falas e reações pré-dispostas, e funcionam com motores hidráulicos, cabos e também controle remoto. São muito usados no campo do entretenimento, e há uma empresa que lidera a criação de

replicava um ser humano: o Lincoln.

animatronics, a Walt Disney Company. A magia e a tecnologia andam juntas na Disneyland, e esses dispositivos são parte essencial do universo mágico que permeia os ambientes dos parques em todo canto do mundo.

COMO tudo COMEÇOU

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oltamos ao passado, mais especificamente à década de 1950, quando Walt Disney teve seu primeiro contato com os dispositivos (que ainda eram chamados de autômatos), e decidiu acrescentar as figuras ao seu recém criado parque, o Disneyland Resort, na Califórnia. Assim, dois animatronics começaram a fazer parte dos passeios da Disneylândia, o Jungle Cruise e os pássaros robóticos do Enchanted Tiki Room.

Walt Disney e seu Lincoln. Foto: Reprodução / Walt Disney

O Abraham Lincoln apareceu na Feira Mundial de 1964 em Nova York e permaneceu agraciando o público por três meses, enquanto seu “irmão gêmeo”, Lincoln Mark II, se apresentou no Disneyland Resort por meses após a Feira.

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Nesse mesmo ano, no aclamado longa Mary Poppins, os animatronics se fizeram presentes pela primeira vez no audiovisual produzido pela Walt Disney Co – dois pássaros robóticos encenaram com a atriz Julie Andrews

Mas os mais inacreditáveis animatronics surgiram a partir dos anos 2010...

Em 2012, com o recém lançamento do segundo filme da franquia Carros, novos detalhes foram acrescentados ao Disneyland Resort, na atração do

Julie Andrews e seu pássaro robótico. Foto: reprodução / Walt Disney

A réplica do ex presidente dos Estados Unidos e os pássaros “atores” marcaram o início da bem sucedida família dos animatronics da Disney Imagineering.

A EVOLUÇÃO DOS ANIMATRONICS

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iajamos no tempo e, em 1982, nos deparamos com o animatronic mais “realista” - e para alguns, assustador - até então: A Bruxa Má do Oeste, saída do clássico O Mágico de Oz. A Bruxa ganhou vida, mexia os braços e se inclinava para frente e para trás – foi aterrorizante e impressionante para os visitantes que passeavam pela estrada de tijolos amarelos da Disneylândia. Desde então, a empresa tem inovando cada vez mais na sua união de magia e tecnologia.

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Radiators Spring Racers: animatronics dos personagens extremamente bem detalhados e que passavam o carisma e a personalidade de cada um. Foi mágico, claro! Os carros possuíam motores hidráulicos que os permitiam se movimentar, suas bocas se moviam e seus grandes olhos era compostos de telas de led, dessa forma eles conseguiam piscar e formar expressões faciais A era de ouro dos animatronics da Disney estava mais brilhante que nunca


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ma das mais incríveis e comentadas atrações é a do filme Avatar. O próprio longa já é encantador o suficiente para fazer brilhar os olhos do espectador, o que facilitou para a Disney na sua criação que faz parte do Animal Kingdom, em Orlando. Pandora! criada em 2017 e uma das atrações mais bonitas do parque, é onde a gente se aventura pelo Na’vi River, e encontra o belo animatronic The Shaman of Songs. Ele canta e se

A Disney Imageering vem inovando cada vez mais nos últimos anos, e são tantos os animatronics altamente tecnológicos que não caberiam aqui, nós selecionamos alguns aqui para que você leitor, passeie por elas também.

O Conto Encantado d'a Bela e a Fera

mexe ao som de sua música, em um ritmo ancestral e mágico - é um dos mais realistas animatronics e deixa qualquer um de queixo caído.

Na Tokyo Disneyland, a atração d’A Bela e a Fera, aclamada animação da produtora, rouba suspiros de seus visitantes. É um passeio por dentro das cenas mais icônicas do filme, com animatronics perfeitos dos

personagens que se movem, cantam e dançam!

EU SOU GROOT! Em 2018 foi desenvolvido o animatronic mais fofinho que a gente já viu! O Project Kiwi, um animatronic do

Foto: Reprodução / Walt Disney Parks

UM PASSEIO PELO INACREDITÁVEL

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om a constante evolução da tecnologia, a engrenagem principal na criação de um animatronic não para de girar. E seu dueto com uma época em que a cultura pop de personagens heroicos e fantásticos está em alta entre pessoas de todas as idades, transforma um pequeno pássaro robótico em criações fantásticas e inimagináveis.

pequeno Groot, estrela dos Guardiões da Galáxia, ganhou vida na California e tem impressionado a todos. Ele anda, se equilibra em uma perna só e tem expressões faciais que fazem o coração de quem o visita derreter. O Groot ainda não faz parte de nenhum parque, mas já é um dos queridinhos da Disney Imageneering e daqueles que o conhecessem.

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seu amigão acrobata da vizinhança No recém inaugurado Avengers Campus, se encontra o animatronic mais brilhante do momento! Um Homem-Aranha que faz acrobacias no ar e conversa com o público enquanto isso, mantendo perfeitamente o carisma do personagem. O amigão da vizinhança salta, dá cambalhotas e até tropeça. Quem vê o herói se movendo no ar tão facilmente acredita que ali é um humano bem treinado para fazer as acrobacias. É de tirar o fôlego!

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"Realistic Gaze" Animatronic Esse é um animatronic de teste desenvolvido pela Disney Imageneering. E diferente dos outros animatronics desenvolvidos até então, ele tem sua construção focada totalmente no seu olhar. Os desenvolvedores buscavam criar um animatronic que não apenas se mexesse ou reproduzisse sons prédispostos, mas que fizesse contato visual com os visitantes, já que isso é uma das ações mais essenciais para que seja estabelecida uma conexão entre as pessoas. Mas, como ainda é apenas um animatronic de teste, ele só possui seus olhos e seus dentes por cima de suas engrenagens... um pouco bizarro né?

Foto: Acervo Disney Imagineering


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é quando lembramos que isso tem sido criado com cada vez mais recursos evoluídos, mas muitos acham bizarro (apesar de impressionante) o desenvolvimento tecnológico e o que a engenharia robótica pode criar. E o que não falta são produções de mundos ficcionais em que a robótica e a tecnologia superam a humanidade.

Apesar disso, não restam dúvidas que a união entre entretenimento e tecnologia supera a nossa imaginação - os encantos da Disney conseguem fazer nossos olhos brilharem e nosso coração bater mais forte. E você? Concorda que essa é uma união que só tem frutos bons, ou é do time que tem medo dessa vertente da evolução tecnológica?

Westworld (1973). Foto: reprodução

Em Westworld, franquia de filmes da década de 1970 e que originou a aclamada série da HBO, os androides de um parque temático ganham vida e se voltam contra os seus visitantes – mas não precisa se preocupar, apesar de assustador para alguns, isso não passa de puro sci-fi.

Nada é mais mágico do que a tecnologia, e de magia, A DISNEY entende bem

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OPINIÃO

ROMPIMENTO ENTRE O REAL E O VIRTUAL O METAVERSO DE ZUCKERBERG Olá leitores! Que beleza falar com vocês em mais uma edição da revista Presságio, como vocês sabem a edição desse mês é sobre tecnologia, então, hoje eu resolvi trazer pra uma notícia que me chamou muita atenção e pode mudar o rumo da humanidade. Imaginem um futuro como dos filmes, pessoas mexendo em telas que flutuam, conversando e interagindo “fisicamente” com hologramas em jogos, reuniões e festas. Seria um sonho para fãs de animes como Sword Art Online e jogos como Pokemon Go nos quais a realidade se mistura com ficção e podemos quase com corpo e alma ir para outros mundos e épocas. Esse é um pouco do novo universo apelidado de Metaverso, no qual a empresa Meta, antigo Facebook, está apostando milhões como o futuro da internet. O Metaverso ainda não saiu do papel porém já temos um gostinho dele em alguns aplicativos para o óculos de realidade virtual Quest 2 como o Horizon Worlds e Horizon Workrooms. O primeiro é como uma rede social onde cada pessoa possui um avatar e tem acesso a diversos ambientes como jogos, PVP, quebra cabeças e até mesmo praças para conversar com outros usuários.

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O segundo, são espaços para a realização de reuniões de trabalho virtuais. Entretanto, esses dois exemplos são bem nichados, o proposta do Metaverso seria trazer todos os aspectos da vida real ao máximo para uma nova realidade virtual, os usuários poderiam ter suas casas, roupas, trabalhar, ir em festas, lojas, museus, etc, sendo em sua totalidade no mundo virtual, por meio de seus aparelhos eletrônicos. Não seria apenas um jogo mas sim uma nova realidade onde os avatares poderiam ser nós mesmos ou até criar novas aparências de seres existentes ou não.


OPINIÃO Ao assistir o vídeo de explicação dessa nova tecnologia publicado no canal do Youtube da própria Meta sinto uma grande nova tecnologia vindo por aí, o que me dá muita animação de talvez poder estar viva (e ter grana) pra testar, ao mesmo tempo que me sinto encaminhada para o fim do mundo quase como no filme WALL-E em que os humanos ficam sentados eternamente em uma cadeira com uma tela na frente e sendo alimentados para sobreviver. Apesar desse novo programa já estar sendo desenvolvido, há alguns desafios a serem ultrapassados até a utilização dele pelo mundo todo ser exercida, como é o objetivo dos criadores. Um desses desafios é a acessibilidade, atualmente as tecnologias e velocidade da internet que seriam necessárias para acessar o programa já existem, porém são muito restritas para a alta classe de países desenvolvidos, ou seja, precisaríamos desenvolver mais ainda as tecnologias já existentes para barateá-las e homogeneizar o acesso. Outro desafio que nós cidadãos temos que nos atentar é a questão de segurança de dados e saúde mental. A tecnologia sempre avança na frente dos estudos das universidades sobre a sociedade, comportamento humano, etc. E em um país como o Brasil que os cursos de humanas que estudam essas temáticas não recebem valorização ou investimento, é um território muito perigoso para problemas que podem vir a decorrer desse rompimento do que é realidade e o que não é. Por exemplo, os estudos sobre a influência das redes sociais na saúde mental, autoestima, autoimagem, e outras áreas ainda estão se desenvolvendo até hoje, e já tem mais de 10 anos que utilizamos esses

aplicativos. Além disso, se o Metaverso for implementado no mundo todo e contemplando todas as áreas do nosso cotidiano a empresa teria controle e acesso a todos os dados de nossas vidas, o que já é discutido nos dias atuais e ainda está sendo regulamentado nas redes sociais. Mas enfim leitores, mesmo com cuidados extras que devemos nos atentar não há como impedir avanços principalmente da tecnologia, todas as coisas terão seus lados positivos e negativos, o que nos resta é sempre investir nos estudos e nos informar para ter consciência de onde estamos nos metendo. Abraços e até a próxima edição, quem sabe em uma banquinha virtual por aí!

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política

Arbitrariedade Arbitrariedade digital? digital? o dia seis de setembro de 2021 não foi somente a véspera do feriado que comemora a independência do Brasil, mas também o dia em que Jair Bolsonaro (sem partido) aprovou a medida provisória (MP) número 1068 que alterava o Marco Civil da Internet. A MP limitava as redes sociais de removerem conteúdos de ódio ou de desinformação. Ela visava dar “mais transparência quanto ao papel das empresas no controle de conteúdo e mais segurança jurídica aos brasileiros”, segundo a Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), pois a remoção de publicações e perfis seria arbitrária. Os internautas bolsonaristas são frequentemente ligados à publicação de notícias falsas e conteúdos de ódio nas mídias sociais. O próprio Eduardo Bolsonaro já teve uma de suas publicações marcadas como “enganosa” pelo Twitter. Além disso, a medida provisória foi aprovada com apenas um dia de antecedência das manifestações antidemocráticas promovidas por Jair que aconteceram em Brasília no dia 7 de setembro deste ano.

internet: terra sem lei? Mas afinal de contas, o que é o Marco Civil da Internet? Também conhecida como Constituição da Internet, ele é a lei que regulamenta o uso da internet em todo território nacional. “Esta Lei estabelece princípios, garantias, direitos e deveres para o uso da internet no Brasil e determina as diretrizes para atuação da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios em relação à matéria.” é o seu primeiro artigo e exemplifica do que ela se trata.

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Foto: criação do cartunista Quinho Ravelli

O artigo dezenove da lei trata da liberdade de expressão e a responsabilidade das plataformas sobre o conteúdo que os usuários publicam. As redes sociais como Facebook, Instagram e Twitter, por exemplo, não serão responsabilizadas pelas postagens que você, internauta, fizer, mas há exceções. Caso seja feito um post que seja, por exemplo, racista ou que contenha informações falsas sobre uso de máscaras e a plataforma onde ele foi publicado não excluí-lo, ela pode ser responsabilizada civilmente. Geralmente, os sites têm suas diretrizes e regras que o usuário afirma que vai cumprir ao aceitar os termos no momento de cadastro. E, quando existe uma infração desses termos há punições como perda da conta ou suspensão da publicação irregular. A medida provisória aprovada por Bolsonaro alterava justamente esse poder das plataformas de tirarem conteúdos impróprios do ar.


Até onde vai a tolerância? A

MP não durou muito mais que semana, já que no dia 14 de setembro a ministra do STF Rosa Weber a suspendeu depois de liminares realizadas tanto por partidos políticos quanto pela Ordem de Advogados do Brasil (OAB). De acordo com Weber, a medida não era urgente. A pergunta que fica é: as redes sociais podem então simplesmente "censurar" os conteúdos que julgam impróprios? Onde fica a liberdade de expressão? A linha entre liberdade de expressão e discurso de ódio parece tênue, mas não é. O quarto parágrafo do quinto artigo da Constituição de 1988 afirma que “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;” e olhando exclusivamente para esta afirmação, sim, as redes sociais estariam agindo contra a máxima da liberdade de expressão. Porém há um limite entre a liberdade de expressão e o discurso de ódio, porque segundo o artigo “Os limites da liberdade de expressão e a disseminação do discurso de ódio no âmbito digital” o direito à liberdade de expressão não pode ultrapassar outros direitos.

A uma

FOTO: Facebook Pictonline

Uma fala preconceituosa fere os direitos de uma pessoa que é igual a todas as outras perante a lei, portanto não se configura como opinião e sim como crime. A própria Constituição prevê que “a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais;” O paradoxo da tolerância do filósofo Karl Popper também ajuda a elucidar esse dilema. Popper diz que enquanto se tolerar pensamentos intoleráveis, como pensamentos fascistas, a tolerância corre o risco de ser extinta. Pois permitir que esses ideais sejam propagados significa dizer que eles, provavelmente, se espalharão e colocorão em xeque a liberdade de quem, antes, os tolerou. Portanto, o intolerável é e deve ser crime.

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CRÔNICA

querer e poder na palma da mão Agora que a avó e o avô foram vacinados, ele se testou e correu para casa deles. Sentiu falta da roça, de acordar pela manhã e sentir o cheiro da manga recém tirada do pé. Era melhor na infância, sem dúvida, porque lá as plantações de milho viraram cenários de batalhas épicas. E agora, na casa dos vinte, as únicas batalhas vividas por ele eram as contra a porcaria do computador, que só ligava quando queria. Claro que antes de ir, corrigiu esse problema terrível. Afinal, um mês só de TV aberta… ele conhecia torturas menos dolorosas. - Uai, sua mãe tinha comentado que ‘cê’ estava vendo essa novela. - Eu tô sim, vó. A senhorinha atarracada levantou os óculos que colocou para costurar na pouca luz da sala cheia de cupins. O avô também resolveu dar atenção à conversa. Parecia mais interessante que as notícias finais do jornal. - E está indo para o quarto fazer o que? - Assistir à novela. - Você… colocou televisão no quarto? - Quê?! Não! Vou ver no computador o moço levantou o notebook sorrindo. Dava para sentir duas interrogações se formando na testa dos idosos. - E não vai assistir aqui por… - Ah, é porque eu não vou assistir agora, tipo, não agora, agora. Vou dar uma olhada nos meus feeds antes. Aí depois eu assisto.

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FOTO: Banco de dados ShutterStock

- Tsc… é só ver esse trem depois. O bigode do avô tremeu para esconder a risada e a testa do neto revelou ter mais linhas de expressão do que era esperado. - Mas por quê? - Por que vai passar agora. - Ah, mas quem assiste as coisas na hora que elas passam na TV? - Não sei… gente normal? Para de rir. O senhor deu de ombros, deitou-se no sofá duro e tapou o rosto com uma almofada. Não ia dormir, só queria ouvir o resto e poder rir mais livremente. - É muito melhor só assistir quando e onde você quiser. Seu avô percebeu, de olhos fechados, que ele trazia em si aquele ar juvenil de quem fala só o óbvio e que, é óbvio, que o que é óbvio deve ser obviamente acatado por todos. Sem restrições. - Mas assistir agora ou depois é a mesma coisa.


CRÔNICA

FOTO: Banco de dados ShutterStock

- Não... tipo, é. Mas é muito mais confortável... sei lá. Decidir. Eu posso fazer o que eu quiser quando e onde eu quiser. - A graça da novela é ir acompanhando na TV. Capítulo por capítulo. Ir comentando com o vizinho o que pode acontecer no próximo capítulo. Quem matou quem. - Ave Maria! Deus me livre conversar com os meus vizinhos por livre iniciativa! E gostar ainda por cima?! Só se eu estiver doido. Deus me livre duplo, ter que esperar os episódios irem saindo para ir sabendo o que vai rolar! Muito melhor maratonar tudo num fim de semana. Aí é bom que evita de pegar spoiler... Spoiler. Tipo, são as coisas que vão acontecer no... no trem que a gente vê. - O que ia acontecer na novela sempre saiu no jornal! Sua boca se abriu em um “O” perfeito enquanto a avó alinhavava uma máscara azul. - Credo! Depois eu que não sou normal. Há tempos o avô tinha tirado a almofada para assistir os atores na tela plana com alta resolução. E o garoto saiu da sala carregando o tal computador debaixo do braço. Deu para ouvir o bater da porta e o ranger da cama quando ele se jogou sobre ela. - Você entendeu alguma coisa? A esposa, ao questioná-lo, trazia a expressão de choque que ele tanto conhecia. - Não. Eu não entendi nada. - Coisa de jovem… - “Que absurdo dizer que a juventude é a época da felicidade! A juventude é a época da maior vulnerabilidade." Pior que foi ele que me indicou Agatha Christie… A esposa concordou, meio avoada tendo que dividir sua atenção entre as costuras e a novela. No quarto, o menino baixava uns três episódios. Não dormiria aquela noite. Precisava saber quando, onde e como o José Alfredo recuperaria seu diamante rosa.

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saúde mental

Ciber Ciber sociedade sociedade do do desconforto desconforto

eu meio que quero jogar meu celular

do outro lado da sala, porque tudo que vejo são garotas muito boas para serem verdade. Com dentes brancos e corpos perfeitos. Esses são os primeiros versos que Olivia Rodrigo, cantora e compositora que virou fenômeno nas redes sociais, canta em jealousy, jealousy a nona música de Sour. Neste álbum Olivia aborda muitos assuntos, como por exemplo traições, amores que terminaram mal e inseguranças. Suas músicas fizeram muito sucesso em redes como o Tik Tok entre o público jovem. E talvez a música que mais gere identificação entre a famosa geração Z é jealousy, jealousy. Pois nela Olivia expõe como se sente ao entrar em contato com tantas pessoas que parecem melhor que ela em todas as coisas. Parece que, no geral, é assim que usuários ativos de mídias sociais se sentem.

os jovens e o espelho A #StatusOfMind foi uma pesquisa publicada no United Kingdom ’s Royal Society of Public Health que mediu o quanto as mídias sociais impactam na saúde dos usuários. Mais de mil e quatrocentos jovens com idade entre 14 e 24 anos foram entrevistados entre fevereiro e maio de 2020 no Reino Unido.

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FOTO: Disponível no site Yan

O Instagram sem dúvida foi considerado a rede que mais traz malefícios ao internauta e foi associado a sensações de ansiedade e até mesmo depressão. Na publicação foi recomendado o aviso em fotos editadas para atingir um corpo mais próximo da perfeição. E essa recomendação entra em perfeita sintonia com a nova lei norueguesa que exige que os influenciadores digam se suas fotos foram ou não modificadas. A medida busca fazer com que os jovens não se sintam no dever de ter corpos perfeitos.


Vashi afirma que o uso excessivo de filtros pode acarretar uma dismorfia corporal. E não para por aí, pois como o uso de filtro apaga linhas de expressão e espinhas, por exemplo, se tem uma aversão a características naturais e normais. Segundo a Academia Médica Americana de Cirurgia Plástica Facial e Reconstrutiva em 2017 mais da metade dos médicos ouviram seus pacientes dizerem que queriam ficar melhores em suas selfies.

ninguém está imune FOTO: Banco de dados ShutterStock

Os mais jovens parecem sempre

estar no foco das discussões sobre esses cuidados com a saúde mental em relação às redes sociais. E não é por acaso, pois ainda que no Brasil mais de 4 milhões de crianças e adolescentes vivam em locais sem internet, 89% desse público é usuário da rede. Essas informações são da pesquisa TIC Kids Online Brasil 2019 divulgada em junho de 2020. Além de eles serem muito ativos na internet, ou talvez por causa disso, uma nova tendência surgiu dentro do mundo das cirurgias plásticas. As pessoas, principalmente adolescentes, desejam que seus rostos fiquem iguais a quando se faz o uso de filtros, usados justamente para modificar a aparência. O termo “dismorfia do Snapchat” foi cunhado pela doutora Neelam Vashi, diretora do Centro de Pele Étnica do Boston Medical Center para definir tal tendência.

Em 2020 a cirurgia conhecida como lipo lAD ou lipo HD bombou nas redes sociais após influenciadoras terem feito tal procedimento. Uma dessas influenciadoras é Giovanna Chaves, atriz que fez parte do elenco de Cúmplices de um Resgate, novela que estreou no SBT. "Eu não estava satisfeita com o meu corpo, eu estava infeliz. [...] ir para a praia, usar um biquíni, eu não me olhava no espelho e me sentia bonita. Não tinha vontade de ir para a academia porque eu olhava e achava que não ia mudar em nada". Outro caso que reforça que até mesmo pessoas dentro do padrão de beleza, que mesmo as pessoas que trabalham com mídias sociais, são afetadas pela lógica de um corpo perfeito é a história de Liliane Amorim. A influenciadora tinha vinte e seis anos quando morreu tragicamente após complicações ocasionadas por uma lipoaspiração.

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A busca por um corpo perfeito, que não existe e é transpassado por edições, poses que favorecem e filtros, traz consequências severas e perigosas. Outro exemplo é, novamente, Giovanna Chaves que teve dificuldade de arrumar novos trabalhos após a cirurgia, pois os contratadores acreditavam que ela estaria debilitada por conta do procedimento. Por fim, a equipe de pesquisa da nome da revista - reuniu dados de como as pessoas lidam com a exposição a corpos e vidas irretocáveis. Os entrevistados têm entre 14 e 23 anos e o uso da rede social Instagram foi quase unanimidade entre eles. 76% deles são mulheres que usam as redes sociais por mais de cinco horas diárias. Sessenta e oito por cento afirma se sentir desconfortável com a própria aparência e setenta e dois por cento diz já ter pensado em fazer cirurgias plásticas.

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FOTO: Banco de dados FreePik

Mais de 90% segue influenciadores digitais e mais de 80% segue mais de vinte desses perfis. 52% segue perfis relacionados à moda e maquiagem que é justamente o nicho onde é enaltecido e reforçado o padrão de beleza. A mesma porcentagem afirma se comparar com os corpos que encontra nas redes. Cinquenta e seis por cento disseram que se sentem mal após usarem essas mídias por um certo tempo. E mesmo que 88% tenha respondido que o uso de mídias sociais traz benefícios, ainda 88% dos entrevistados dizem desejar ser como as pessoas que veem nos seus feeds. Pode ser feito outro paralelo com jealousy, jealousy. Pois Olivia diz que "eu quero tanto ser você e eu nem te conheço, tudo o que eu vejo é o que eu deveria ser, mais feliz, mais bonita..." e ainda canta sobre estar tão cansada de si mesma e preferia ser qualquer outra pessoa.


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