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Revista Claquete

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DEZEMBRO | 2021

ANO I - 1ª EDIÇÃO

CRÍTICA: Vozes e Vultos Invincible DESTAQUES: Redação Claquete indica 9 produções que se destacaram em 2021 RETROSPECTIVA INTERATIVA: Avalie o que você assistiu em 2021


SUMÁRIO 3 CLAQUETE INDICA Claquete é uma revista sobre o universo de filmes e séries, idealizada e realizada pelos alunos da disciplina de Produção Editorial do curso de Comunicação Social e Jornalismo da UFSJ - Universidade Federal de São João Del Rei.

9 Produções de 2021 que nossa redação recomenda

5 FILMES DE FIM DE ANO Para você assistir enquanto tira as passas do arroz da ceia .

6 CAPA: MARIGHELLA EQUIPE: REDAÇÃO Rodrigo Almeida Guilherme Besamat Gabriel Rios Sergio Martins DESIGN & DIAGRAMAÇÃO Sergio Martins

Após polêmicas, Marighella é o filme brasileiro mais assistido de 2021

8 CRÍTICA: VOZES E VULTOS Filme da Netflix é suspense que se finge de terror

9 CRÍTICA: INVINCIBLE Tosco e profundo

ORIENTAÇÃO Profª Déborah Vieira

10 RETROSPECTIVA INTERATIVA Avalie os destaques de 2021


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REDAÇÃO\

CLAQUETE INDICA

Nossa equipe de redação selecionou 9 dicas de produções que se destacaram em 2021 e que você não pode deixar de assistir!

Round 6 - Squid Games (Série - Netflix) A série sul-coreana, conta a história de Jung-Jae Lee. Um pai ausente, endividado, viciado em

apostas, que mora com a mãe idosa. Lee, é convidado a participar de uma competição de jogos inspirados em brincadeiras.infantis, junto de um grupo de centenas de pessoas. Ao final, o vencedor leva um prêmio milionário. Desta forma, os jogadores irão lutar pelo dinheiro, mas também por suas vidas, uma vez que os perdedores são executados. A série tem clara inspiração em clássicos, como Jogos Mortais e Jogos Vorazes. No entanto, tem sua própria identidade, trazendo consigo personagens fortes, história envolvente e um tema social central: uma competição desigual, que aspira à morte, é muito diferente do mundo lá fora? (Por Gabriel Rios)

Depois a Louca Sou Eu (Filme - Morena Filmes) Dirigido por Júlia Rezende, o filme Depois a Louca Sou Eu é uma adaptação do livro autobiográfico escrito por Tati Bernardi. Na obra, Débora Falabella interpreta Dani, uma escritora e roteirista que sofre com ataques de pânico e crises de ansiedade. Dani tem que lidar com os problemas psicológicos enquanto vê seu trabalho em ascendência. Apesar de seu talento, a personagem sofre com questões que a assombram desde a infância. As crises atrapalham sua vida profissional e social, aprender a enfrentá-las ou aceitá-las é um desafio. Trata-se de um drama bem humorado, é fácil se identificar com a protagonista e dar risadas dos nossos problemas. Mas a trama é bem mais profunda, nos faz refletir sobre saúde mental e identidade. Com um senso de humor sutil, que humaniza a personagem diante de suas dificuldades e suas conquistas, o filme se propõe a traduzir os sentimentos da Dani e nos faz pensar em nós mesmos. (Por Gabriel Rios)

Lamb (Filme - A24) Baseado em híbridos de humanos com animais, Lamb é um longa produzido pela A24, famosa por produzir filmes perturbadores e chocantes. Apesar de não ter nenhuma cena de gore, ou algo do tipo, o filme tem uma atmosfera inquietante. Um casal que cuida de uma fazenda na zona rural da Islândia tem uma surpresa inesperada ao realizar um parto de uma de suas ovelhas. O filme se desenvolve a partir daí, numa atmosfera que deixa o espectador preso aquela história, ao mesmo tempo que deixa um pouco confuso e curioso. Com certeza não é feita para o público em geral, é um longa ideal para aqueles que buscam títulos fora da caixinha. (Por Guilherme Besamat)

Cidade Invisível (Série - Netflix) Cidade Invisível fez bastante sucesso no seu lançamento, não só aqui no Brasil, como também lá fora. É uma tásérie brasileira que tem como personagens e enredo a nossa mitologia, as nossas figuras folclóricas, que por serem a maioria de origem indígena, são defensores da nossa flora e fauna. A história se passa nos tempos atuais, e é um mistério, que começa quando o detetive Eric encontra um boto-cor-de-rosa morto em uma praia do Rio de Janeiro. A história se desenvolve com algumas mortes e mistérios das entidades mágicas, que até o próprio Eric tem dificuldades de acreditar nelas e durante a série somos apresentados a diversas figuras folclóricas que já conhecemos desde criança. Devido ao grande sucesso da série, e o final dar a entender que ainda tem muita coisa para se resolver, já está confirmada uma segunda temporada, que deve ser lançada na metade de 2022. Então corre que ainda dá tempo de se atualizar e colocar a série em dia! (Por Guilherme Besamat)


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Eternos (Filme - Marvel Studios) Apesar de a crítica geral não ter ficado contente com a primeira trama cósmica da Marvel

Studios, na opinião de quem vos fala, Eternos é um dos melhores filmes de origem dentro do Universo Cinematográfico da Marvel (UCM). A diretora e também vencedora do Óscar, Chloé Zhao, conseguiu construir muito bem a identidade de cada um dos personagens dentro das limitações que os filmes da Marvel impõe sobre a direção, como uma necessidade de muita cena de luta e ação. É incrível a forma com que Chloé constrói um filme com vários lados de uma mesma história onde nenhum deles pode ser considerado como o vilão da trama. No site de críticas Rotten Tomatoes, a nota do filme se encontra, na data de criação dessa matéria, com 47% de aprovação da crítica especializada contra 80% do grande público, o que nos faz perguntar: será que os críticos viram o mesmo filme que o resto da população? (Por Rodrigo Almeida)

WandaVision (Minissérie - Disney+) A primeira série da UCN é sem dúvidas uma das melhores produções já feitas pela Marvel Studios até os dias de hoje Inpirada em várias sitcoms de sucesso estadunidesnses, Wanda Vision busca ir mais a fundo nos poderes de Wanda Maximoff (Elizabeth Olsen), também conhecida como Feiticeira Escarlate, além de mostrar como ela está depois dos acontecimentos do filme Vingadores: Ultimato. A série possui episódios com menos de trinta minutos de duração, o que faz com que seja facilmente maratonada. (Por Rodrigo Almeida)

Missa da Meia-Noite (Minissérie - Netflix) Criada e dirigida por Mike Flanagan, também responsável pelos susessos fantasmagóricos A

Maldição da Residência Hill e A Maldição da Mansão Bly, a mínissérie Missa da Meia-Noite, da Netflix, é assustadoramente baseada em fatos reais. Quebrando os clichês cinematográficos sobre vampiros, a série prende a atenção do espectador pela estética impecável, pelos diálogos profundos, cheios de reflexões filosóficas existenciais, pela trama surpreendente com diversas reviravoltas e pelo elenco talentoso. Vale cada minuto! (Por Sergio Martins)

A Mulher na Janela (Filme - Netflix) Sem dúvida um dos melhores filmes de suspense dos últimos anos. O filme é basicamente um remake do clássico A Janela Indiscreta (1954), de Alfred Hithcock. Embora não tenha agradado a crítica especializada pelo ritmo da narrativa, o filme conta com boas atuações, com nomes de peso como Amy Adams, Gary Oldman e Jessica Lange. A história sobre uma mulher atormentada com agorafobia que vê o mundo de dentro de casa e presencia um crime segue a mesma premissa do clássico de Hitchcock. O desenrolar dos acontecimentos surpreende o espectador, que tem a sua atenção presa do começo ao fim. (Por Sergio Martins)

Os Muitos Santos de Newark (Filme - HBO Films) É muito raro que uma produção derivada de filme ou de série consiga alcançar o mesmo nível de qualidade da produção original. Neste ponto, o filme Os Muitos Santos de Newark, derivado da série Família Soprano, da HBO, acerta em cheio e beira a perfeição. A produção do diretor Alan Taylor tem muitas características que a tornam tão boa quanto a série clássica. Seja pelo elenco com atuações primorosas que conseguem reprudizir com impressionante fidelidade os personagens da série, seja pela fotografia belíssima, pela trilha sonora cheia de estilo ou pelo enredo repleto de reviravoltas surpreendentes, o fato é que o filme conseguiu superar as expectativas da crítica e do público. O final chocante revela verdades obscuras sobre histórias contadas pela série que o precedeu. Sem dúvida, não pode ficar de fora em qualquer lista dos melhores filmes de 2021. (Por Sergio Martins)


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LISTA\

FILMES DE FIM DE ANO PARA VOCÊ ASSISTIR ENQUANTO TIRA AS PASSAS DO ARROZ DA CEIA . Quando se fala de festas de fim de ano, provavelmente vem várias memórias na sua mente, que podem ser desde a tradição e ritual como, por exemplo, a ceia de natal à meia noite, ou então soltar fogos de artifício na virada do ano. Cada pessoa terá uma memória e uma visão diferente do que essas festas significam, mas uma coisa é certa: assistir filmes com temática fim de ano está na lista de muita gente ao redor do mundo. Se você faz parte desse grupo de pessoas, a lista a seguir foi feita para ti! Para você que vai passar as festas sozinho, ou então na frente da TV com os amigos e família, se liga nos melhores filmes de fim de ano pra você assistir:

1. O Estranho Mundo de Jack (1993)

3. Em Busca de Um Beijo À Meia-Noite (2007)

Abrindo a lista, temos a primeira animação de longa-metragem feita no estilo "stop-motion".O filme conta as aventuras de Jack Skellington, o esqueleto rei da Cidade do Halloween, que sai em uma aventura para espalhar a alegria do Natal para todo o mundo. Porém, essa atitude terá consequências que deixarão o Papai Noel em perigo e trará pesadelos para as crianças! E agora, que será capaz de impedir esse desastre e salvar o Natal?

Partindo para o romance, esse é um dos filmes mais emocionantes sobre amor e fim de ano. Depois de ter vivido o pior ano de sua vida, Wilson perdeu totalmente a felicidade e a motivação para festejar o Ano Novo. Porém, seus amigos conseguem convencê-lo a colocar um anúncio no jornal, que chama a atenção de uma mulher que está à procura do homem certo para passar a meia-noite.

2. O Grinch (2000)

O filme baseado na obra de Theodore Geisel, conta a história de de Grich (Jim Carrey), um ser nascido na cidade de QuemLândia que desde pequeno é hostilizado por ser diferente. Ainda jovem, ele foi humilhado em uma festa natalina, fez com que desde o ocorrido ele odiasse tudo que tivesse relação com o Natal. Anos depois, a garotinha Cindy (Taylor Momsen) decide chamá-lo para uma nova festa natalina, porém Grinch é novamente ridicularizado. Tomado pela vingança, Grinch decide roubar todos os presentes dos habitantes.

4. Os Fantasmas de Scrooge (2009)

Scrooge é um velho ranzinza que é levado a uma jornada inesquecível por um trio de espíritos logo após um aviso do fantasma do seu ex-sócio que está sofrendo as consequências de uma vida de crueldades. Quando algumas verdades começam a surgir, ele precisa abrir seu coração para corrigir erros de seu passado antes que seja tarde.

Por Rodrigo Almeida


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CAPA\

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MARIGHELLA

Dirigida por Wagner Moura e protagonizada por Seu Jorge, cinebiografia sobre Carlos Marighella supera polêmicas e sabotagens e se torna o filme brasileiro mais assistido de 2021

SEU JORGE tem atuação destacada no filme "Marighella"

Carlos Marighella (1911-1969), político, escritor e revolucionário. Um dos nomes da revolução brasileira durante a ditadura militar. Marighella lutou para libertar o povo das amarras da ditadura, das amarras americanas, e do militarismo que passou a assombrar o Brasil a partir dos anos 60. O filme de Wagner Moura é um retrato audiovisual da luta do guerrilheiro, e se ambienta entre 1964 até 1969, o ano da sua morte. O filme casa muito bem com tudo que estamos vivendo no Brasil nesses últimos tempos. A obra, que havia sido rodada em 2017, passou por várias burocracias e, nas palavras do próprio diretor, censuras, até conseguir ser exibido em uma sala de cinema brasileira. A primeira vez que o filme foi exibido, foi no festival de Berlin, em 2019, e foi aplaudido de pé, depois disso foi exibido em dezenas de festivais de variados países e sempre aclamado. A estreia da obra no Brasil estava prevista para o ano de 2019, mas coincidiu com o governo Bolsonaro, em uma época que o presidente deu uma declaração que a Ancine, órgão federal responsável pelo cinema brasileiro, deveria impor mais filtros nas obras publicadas, se não acabaria com o órgão. Algo que soou como um tipo de censura e aviso aos produtores em geral. Wagner Moura declara em uma entrevista ao Adoro Cinema, que o filme foi embargado em uma época em que a Ancine estava filtrando vários editais voltados a temáticas LBGT, políticas e até “culturais” (nas palavras de Bolsonaro). Foi adiado, e então marcado para ser exibido em 14 de maio do ano seguinte. Mas como ninguém imaginaria que iriamos estar passando por uma pandemia, foi mais uma vez adiado para o próximo ano, mais especificamente para o dia 14 de abril de 2021. Chegando perto da data, e ainda em contexto pandêmico, Wagner Moura optou por adia-lo mais uma vez, para o final do ano, mais precisamente início de novembro. Desta vez sim, com todas as precauções sendo tomadas, pela vacinação adiantada, o filme foi finalmente exibido no início do mês passado.

Com pouco mais de um mês desde a estreia nos cinemas brasileiros, o filme já é a película brasileira mais assistida nos cinemas em 2021. Em dezembro, Marighella será lançado nas plataformas de streaming. Após interdições, atrasos, adiamentos e tentativas de boicote, Wagner Moura finalmente conseguiu lançar sua primeira obra como diretor. A produção se baseia no livro “Marighella – O Guerrilheiro Que Incendiou O Mundo”, biografia publicada em 2012 pela editora Companhia Das Letras. O jornalista Mário Magalhães, responsável pela obra literária, considera que “ninguém é obrigado a amar ou odiar Marighella, mas é indispensável conhecê-lo”. A data de lançamento do filme coincide com o mês da Consciência Negra, e em uma entrevista para o canal do Youtube da OmeleteTV, Wagner Moura afirma que a exaltação de um controverso e marcante personagem negro é de extrema importância para a luta contra o racismo. Primeiramente, o ator que iria interpretar Marighella seria Mano Brown, que mesmo assim ainda participa do filme com a faixa em homenagem ao próprio Marighella; "Mil Faces de um Homem Leal" que é tocada durante os créditos. Por conflitos de agenda, Mano Brown acabou não realizando o papel, e depois de muita procura, Wagner Moura acabou optando por escolha pessoal, Seu Jorge.

Seu Jorge e Wagner Moura nos bastidores de Marighella


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Protagonista, Seu Jorge repete o sucesso de trabalhos anteriores no cinema, como em “Cidade de Deus” e “Casa de Areia”, mostrando mais uma vez que o seu talento não está restrito apenas à música. Sobre o personagem, Seu Jorge afirma que a obra vai além da política, pois o protagonismo de um ator negro no cinema ainda é, nos dias de hoje, uma exceção. “É uma vitória para o povo negro”, afirma. “Nós tentamos, vamos dizer assim, lançar no 20 de novembro, no Dia da Consciência Negra de 2019, e a gente não conseguiu estrear. Já era uma intenção, acho que do Wagner e da produção, uma coisa que havia sido pensada antes, porque a gente entendia que não tinha uma homenagem melhor a se fazer no Dia de Zumbi dos Palmares, Dia da Consciência Negra, um filme que traz total consciência do que foi essa história pelo povo brasileiro, vítima da ditadura.” O filme em si é bem denso e pesado, até pelo contexto em que se passa. Não somos poupados de cenas de tortura, sangue e assassinatos, no entanto essas cenas tem todo um contexto e não são de forma alguma gratuitas. A exaltação ao nacionalismo, com uma pretensão de trazer de volta os símbolos nacionais para o povo brasileiro, e afasta-los um pouco da política, mais especificamente da extrema-direita é evidente no início do filme, e volta em uma cena pós-crédito, aonde os guerrilheiros da ALN (Ação Libertadora Nacional) bradam em couro o nosso hino nacional, que para muitos é uma das “cenas” mais emocionantes do filme. É uma obra importante para se assistir, para conhecer a história de Carlos Marighella e para conhecer também a nossa história, além de exaltar o cinema nacional e a cultura que vive tempos conturbados.

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Politicamente, Wagner Moura destoa completamente do personagem Capitão Nascimento de Tropa de Elite, filme que o lançou para o estrelado internacional. O ator sempre se posicionou à esquerda de seu personagem, e com “Marighella”, se estabelece como um diretor competente e um artista coerente com seus ideais e discursos. Neste trabalho, Wagner Moura se coloca não somente como um diretor de cinema, mas também como um realizador, já que superou o imbróglio com a Ancine, sofrendo resistência e tentativas de sabotagem velada do governo federal direitista de Jair Bolsonaro. SEU JORGE Marighella é um filme que está abrindo as portas do cinema tem atuação destacada nacional para o mundo. De um tempo pra cá outros já apareceram no filme "Marighella" no cenário do cinema mundial e foram exaltados, como o caso do Pagador de Promessas (1962), primeiro filme brasileiro e sulamericano a concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro e ao Central do Brasil (1998), que perdeu o Oscar para o clássico italiano La vita è bella (1997). Em sua entrevista ao OmeleteTV, Wagner também comenta, que por ter participado de festivais internacionais, que o cinema brasileiro parece estar mudando de cara, recentemente tivemos também concorrendo ao Oscar 2020 o documentário Democracia em Vertigem (2019), de Pietra Costa, que foi aclamado internacionalmente.

Por Guilherme Besamat com colaboração de Sergio Martins


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CRÍTICA\

VOZES E VULTOS

Cuidado: produção da Netflix parece filme de terror... Mas só parece mesmo .

Não espere ter sustos com figuras demoníacas ou almas penadas com o novo filme da Netflix, Vozes e Vultos, estreante do mês de abril no catálogo do serviço de streaming. A estética adotada no filme e os clichês fantasmagóricos induzem o espectador a criar a ideia errada sobre a trama, que embora pareça ser mais um filme sobre casas assombradas, é em essência uma história de suspense sobre o poder de manipulação de um psicopata e os dramas vividos em seu núcleo. Protagonizado por Amanda Seyfried, com direção de Shari Springer Berman e Robert Pulcini, o suspense é baseado na obra de Elizabeth Brundage. A história se passa nos anos 80. Um casal se muda para uma cidade do interior depois de o marido, interpretado por James Norton, conseguir um emprego em uma escola local. Chegando na cidade, se instalam em uma antiga casa no campo, com uma história tenebrosa em seu passado. Em pouco tempo, mãe e filha começam a sentir presenças sobrenaturais e estranhos acontecimentos se sucedem. O pai começa a mudar sua personalidade e, aos poucos, se torna mais frio, hostil e distante da família. Muitos clichês dos filmes sobre fantasmas são utilizados para prender a atenção de quem acompanha a história. Isso não é, em si, motivo para desmerecer o trabalho dos diretores. Momentos tensos, aparições, vozes e vultos (como o nome do filme já diz). O erro do filme está em não deixar claro logo de início que os tais espíritos estão, na verdade, em segundo plano. Cria-se a falsa ideia de que o tema central da história é a possessão da casa. Neste ponto, a narrativa falha em não explicitar logo de cara que o foco central do enredo é o passado do marido. Não podemos afirmar que os espíritos são totalmente irrelevantes na obra, mas o pecado da direção está em vender gato como se fosse lebre.

Durante mais da metade da trama pensamos ser o sobrenatural o eixo central da história. O ritmo do filme é lento (por vezes, sonolento). Não fossem os sustos e aparições, não teríamos motivos para fixar nossa atenção na tela na primeira metade da história. Os momentos mais tensos do primeiro e do segundo ato estão todos relacionados ao sobrenatural. Já na metade do segundo ato, a história começa a tomar um rumo mais interessante e os fantasmas vão ficando em segundo plano. E com a conclusão da história, percebemos que ela poderia ser contada sem ter qualquer relação com aparições ou espíritos. A espinha dorsal da história não é ruim. O erro está na forma como a história foi contada. Os pontos positivos para a direção estão na escolha do elenco, com boas atuações, no cuidado estético com a fotografia, figurino e trilha sonora e nos recortes de câmera com planos inteligentes. Contudo, pode ser considerado um desperdício de talento ver como mero coadjuvante sem muita importância, o consagrado ator F. Murray Abraham, vencedor do Oscar pelo filme Amadeus. No geral, o filme se salva pelas boas atuações e pelas reviravoltas do terceiro ato. Ainda assim, uma boa história contada da maneira errada acaba nos deixando com a impressão de que o filme poderia ter sido melhor do que foi, e nos créditos finais, nos sentimos enganados pela direção por termos sido induzidos enganosamente a uma expectativa de terror que se consolida como suspense, em que o sobrenatural compõe apenas o pano de fundo do enredo, embora sejamos sugestionados de que esta seria a trama central. Vale o ingresso se você estiver sem grandes expectativas. Mas não se engane pensando que o filme é mais um filme no estilo “Invocação do Mal”. Passa muito longe disso. Por Sergio Martins


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CRÍTICA\

TOSCO E PROFUNDO É INVINCIBLE .

Produzida pela Amazon, Invincible é uma série animada adaptada dos quadrinhos de Robert Kirkman. A história se baseia na vida de Mark Grayson, um adolescente de 17 anos, filho de Nolan Grayson, super-herói conhecido como Omni Man, e Debbie Grayson, humana e experiente corretora de imóveis. A produção segue a mesma história dos quadrinhos, em que a humanidade convive com seres providos de super-poderes e tecnologias avançadas. Essa convivência, que nem sempre é pacífica, depende de alianças com o intuito de proteger a humanidade e o Planeta Terra.

Assim como na HQ, a animação é caracterizada principalmente pela violência explícita, e se apropria dos inúmeros clichês presentes no cinema e nos quadrinhos de super-heróis. Seguindo o modelo americano de vida, um jovem adolescente, filho de um poderoso alienígena e uma humana, descobre ter herdado os super poderes do pai. Mas, para usá-los precisa aprender técnicas, habilidades, cuidados e responsabilidades que o tornam digno do título de herói. Entretanto, a narrativa é carregada de ironias acerca desses clichês, ainda no início do primeiro episódio, quando dois vilões tentam invadir a Casa Branca e são interrompidos por um grupo de heróis pomposos. Na oportunidade, um dos vilões diz: “não adianta só matar, tem que ser um espetáculo”. Utilizar-se de situações ridículas presentes no gênero é um dos pontos fortes do enredo. Em dado momento, o protagonista, encarregado de impedir uma invasão alienígena à Terra, resolve a situação conversando com o alienígena após uma breve luta. Apesar de uma animação fluida, capaz de transmitir o impacto de um golpe, ou de voar pela primeira vez, há determinados detalhes que saltam aos olhos pela forma simples e até tosca que se apresentam.

Por exemplo, um herói com super velocidade, que quando corre é representado por um retângulo colorido com sua cor. Ainda que isso pareça um defeito, a insistência com que é reproduzido tem um propósito, o senso de ridículo, que não apenas diverte, mas nota o exagero de uma longa e violenta cena de luta. Ademais a série suscita questões filosóficas ao público. Afinal, o papel de um super-herói é melhor aproveitado acompanhando uma expedição da humanidade a Marte, ou trabalhando no combate à fome? É evidente que suas prioridades são moldadas por grupos de poder, seja uma instituição de governo, ou sua família. Isso traz uma visão humana aos personagens, que está sujeito às pressões e sentimentos inerentes às suas próprias intenções. Os seres superpoderosos não são alheios aos sentimentos e relações humanas. O nome Invincible se refere ao protagonista, Mark, é para além de um título de super-herói, uma descrição. Alguém que sofre reiteradas derrotas, apanha como uma pinhata de festa infantil e vê suas expectativas ruírem sucessivamente, mas é incapaz de se dar por vencido. O fato de ser invencível por seus poderes físicos é um detalhe diante de sua insistência e determinação. Invincible é uma obra propositalmente exagerada e surpreendentemente cativante. Carregada de ironias e tosquices, tornando-a divertida, sem retirar completamente sua profundidade e imprevisibilidade, ao contrário, são características mútuas que põem a produção no limiar entre a paródia e a originalidade. Por Gabriel Rios


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RETROSPECTIVA

. INTERATIVA

2021 Preencha as estrelas de acordo com a nota que você quer dar!

JANEIRO 01/01 Rupaul’s Drag Race - 13ª Temporada 15/01 WandaVision

FEVEREIRO 23/02 Superman & Lois 25/02 The Flash - 7ª Temporada

MARÇO 05/03 Raya e o Último Dragão 19/03 Falcão e o Soldado Invernal

ABRIL 09/04 Esquadrão Trovão 23/04 Sombra e Ossos

MAIO 13/05 Mortal Kombat 27/05 Cruella

JUNHO 03/06 Invocação do Mal 3 - A Ordem do Demônio 10/06 Um Lugar Silencioso II

JULHO 08/07 Viuva Negra 15/07 Space Jam - Um Novo Legado


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RETROSPECTIVA

. INTERATIVA

AGOSTO 05/08 Esquadrão Suicida 19/08 Free Guy - Assumindo o Controle

SETEMBRO 02/09 Uma Noite de Crime - A Fronteira 30/09 007 - Sem Tempo Para Morrer

OUTUBRO 14/10 Halloween Kills 21/10 Duna

NOVEMBRO 04/11 Eternos 04/11 Marighella

DEZEMBRO 15/12 Homem Aranha 3 - Sem Volta Para Casa 22/12 Matrix 4

2021 Preencha as estrelas de acordo com a nota que você quer dar!


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