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LITORAL NORTE STANLEY JORDAN

por davi carneiro FOTOS ivan baldivieso

guitarra do bem Defensor das causas ambientAIs, o músico americano Stanley Jordan é um apaixonado por Praia do Forte

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LET'S GO BAHIA

A poucos metros da praia, o silêncio da noite encontra o som das ondas e do leve sussurrar do vento. Porém, gradativamente, os acordes do jazz vão ganhando os ouvidos mais atentos. As melodias se tornam mais claras: a percussão, o contrabaixo, o trompete e, por fim, os solos inconfundíveis da guitarra de Stanley Jordan. O som vem junto ao cheiro do mar e inebria os sentidos.

O músico americano se esforça em português: “Olá Brasil! Tudo bem?” e o público – que lota o espaço cultural do Projeto Tamar, em Praia do Forte – vai ao delírio. Jordan retribui com os seus maiores sucessos, além de releituras de standards do jazz e clássicos brasileiros. Ao fundo, a alguns passos do palco, aquilo que o balneário baiano tem de melhor: piscinas naturais de águas verdes, perfeitamente emolduradas por coqueirais a perder de vista e iluminados pelo tom prata da luz da lua.


amada Praia do Forte Antes da apresentação, acompanhado da equipe do Tamar, Jordan soltou algumas tartaruguinhas na beira da praia. O sol se recolhia num belo espetáculo quando os últimos filhotes, depois de percorrer seu caminho pela areia, chegavam triunfantes ao mar. “Esse é um momento muito emocionante. Presenciar esse instante em que se diz ‘sim’ para a vida me toca profundamente”, disse o astro americano. “Música e natureza sempre estiveram intimamente ligadas, desde o mais antigo dos tempos, e isso me dá forças para continuar”, concluiu.

Um dos melhores guitarristas do mundo, Stanley Jordan sempre toca no Litoral Norte

Assim foi o show de Stanley Jordan, reconhecido como um dos maiores guitarristas do século XX, em Praia do Forte. O evento que marcou a inauguração do novo espaço cultural do Projeto Tamar foi, acima de tudo, a confirmação de uma bem sucedida parceria entre música e proteção ambiental. Desde que conheceu Praia do Forte em 2008, o músico, que também é defensor das causas ambientais, faz questão de voltar sempre que possível.

Quando perguntado sobre sua relação com Praia do Forte, o guitarrista disse ser apaixonado pelo destino. “Eu poderia passar a noite falando das coisas especiais que existem aqui e o que elas representam para mim. Encontro muita inspiração nessa beleza e cultura. Para resumir: é um local mágico”, explicou o músico. Stanley conta também que conheceu o projeto de proteção às tartarugas marinhas e ficou encantado com a proposta. “Desde então, me envolvo cada vez mais com o Tamar e isso se tornou um aspecto muito importante em minha vida”, disse. “Quando me convidam, não penso duas vezes: toquei em 2008, 2009, 2011 e não vou parar. Estar em Praia do Forte me faz muito bem espiritualmente”, conclui. Fã incondicional da música e dos músicos brasileiros, o guitarrista declara que o Brasil é seu segundo país quando o assunto é música. “Gosto do clima, da amizade, do modo como todos encaram a música. A música brasileira é sofisticada e com variações infinitas e sempre diferente, harmoniosa”. W W W. L E T S G O BA H I A .CO M . B R

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LITORAL NORTE STANLEY JORDAN

“Praia do Forte é um lugar apaixonante, mágico. A proteção das tartarugas é algo que faz parte da minha vida e estar em contato com a beleza desse local, onde volto quase todos os anos, me faz muito bem espiritualmente” stanley jordan, sobre a praia do forte

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LET'S GO BAHIA

músico inovador A história de Jordan e de sua técnica é curiosa. Stanley conta que estudou piano quando criança, mas o trocou pela guitarra aos 11 anos. “Continuei raciocinando como pianista ao tocar o novo instrumento. E foi assim que desenvolvi a minha técnica”, explicou. Stanley não empunha o instrumento com uma mão e toca as cordas com a outra, como o convencional. Usa a ponta dos dedos para repercutir as cordas sobre as escalas, um estilo que muitos chamam de “toque mágico” — nome do ótimo disco que transformou o instrumentista em estrela da música. Depois de graduar-se na prestigiada Universidade de Princeton, uma das mais elitizadas dos Estados Unidos, tocou por um tempo nas ruas de Nova York por opção própria. “Tocar nas ruas foi a minha melhor escola.

Aprendi a agradar os mais diferentes tipos de pessoas. Foi uma experiência visceral que moldou o músico de hoje e me deu, por incrível que pareça, visibilidade. Afinal, os comentários davam conta de um guitarrista incrível que tocava por alguns cents”, revelou. Dessa vez, a visita à Bahia foi rápida. Em turnê mundial de setembro de 2011 a março de 2012 para o lançamento do seu novo CD – obra que tem sido considerada um retorno ao jazz – Jordan partiu no dia seguinte para o Rio de Janeiro. “Meu novo CD se chama Friends e esse nome tem muito a ver com o momento em que vivo. Quero estar, cada vez mais, rodeado de pessoas queridas e fazendo as coisas que amo. E isso, definitivamente, inclui voltar à Praia do Forte. Já não vejo a hora!”, contou Stanley sem esconder as antecipadas saudades.


Stalney Jordan