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ESPORTE MMA

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LET'S GO BAHIA


POR DAVI CARNEIRO FOTOS IVAN BALDIVIESO

GLADIADORES MODERNOS EM CRESCIMENTO FRENÉTICO, O MIXED MARTIAL ARTS (MMA) NO BRASIL PRODUZ TANTOS CRAQUES QUANTO O FUTEBOL. OS ATLETAS BAIANOS – COMO “MINOTAURO”, “MINOTOURO” E LYOTO MACHIDA – ESTÃO ENTRE OS MELHORES DO MUNDO

Se as paredes do luxuoso Fiesta Bahia Hotel, localizado no bairro do Itaigara, tivessem ouvidos, certamente não reconheceriam os sons que ecoavam no saguão principal naquela noite. Ao invés do som do vaivém e do burburinho dos turistas, o estampido rouco de jabs e chutes e os urros de uma torcida ávida pelo nocaute. Era a noite do WFE Platinum 2010, um dos maiores eventos do MMA (Mixed Martial Arts – as Artes Marciais Mistas) nacional, com transmissão ao vivo para todo o Brasil. O evento contou também com ingredientes classe A, como infraestrutura luxuosa, bebidas caras, música alta e mulheres bonitas. A única diferença para uma balada normal é que a atração principal foram sete lutas, onde os atletas batalhavam duramente pela vitória. Em cima do octógono – espécie de gaiola fechada com cerca de nove metros de diâmetro ou quase 60 metros quadrados de área de luta – o atleta Jorjão Rodrigues trocava duros golpes com o irreverente baiano Erick “Parrudo”, que entrou no ringue ao som do sucesso do pagode “Liga da justiça”, vestido de Superman e com direito a duas dançarinas vestidas de Mulher Maravilha. Depois de uma bela sequência de cruzados e de uma queda plástica que trincou a costela do seu adversário, Jorjão Rodrigues se sagrava o novo campeão até 70 quilos. E essa foi apenas uma das lutas da noite. Se você está impressionado com esse evento, saiba que fechar um luxuoso hotel cinco estrelas é apenas uma minúscula mostra de poder de fogo desse esporte. WWW.LETSGOBAHIA.COM.BR

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ESPORTE MMA R$ 70 MILHÕES POR NOITE Considerado um dos eventos esportivos mais lucrativos dos Estados Unidos, podendo arrecadar cerca de R$ 70 milhões em apenas uma noite, a marca Ultimate Fighting Championship (UFC), comprada em 2001 por US$ 2 milhões, vale atualmente cerca de 1,5 US$ bilhão, segundo a revista americana Fortune. Desde 2007, o UFC superou o boxe no número de apostas nos sites especializados. Cada evento é transmitido para 130 países em 20 idiomas, para cerca de 351 milhões de TVs. Foram 6 milhões de pacotes televisivos do UFC vendidos atualmente nos Estados Unidos. A luta principal geralmente é a última da noite, e chega a premiar o vencedor em pouco mais de R$ 500 mil. Caso o vencedor consiga aplicar o nocaute da noite ou a melhor finalização, pode colocar no bolso mais R$ 85 mil. Eles recebem ainda cotas de patrocínio e participação no lucro do

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pay per view. Em média, os canais por assinatura vendem uma noite de UFC para 600.000 expectadores e cobra R$ 170 de cada um. Para engordar os ganhos dos atletas, alguns ganham porcentagem da bilheteria. Uma noite bem sucedida pode significar receita média de quase R$ 7 milhões em ingressos.

O PAÍS DA LUTA O Brasil é conhecido por fabricar grandes boleiros, mas também está produzindo em série campeões de MMA. Nomes como o dos baianos “Minotauro” e seu irmão “Minotouro”, Maurício Shogun, Anderson e Vanderlei Silva e Lyoto Machida ecoam no exterior tanto quanto o de Ronaldinho Gaúcho, Kaká e companhia. Hoje, a modalidade é mais abrangente que no início dos anos 2000, quando o que bombava era o jiu-jitsu, criado no Rio por Carlos e Hélio Gracie.

Os lutadores Bruno Carioca e Daniel Acácio lutam pelo cinturão enquanto beldades desfilam pelo octogono


O WFE PLATINUM 2010, UM DOS MAIORES EVENTOS DE MMA DO BRASIL, ACONTECEU EM DEZEMBRO NO LUXUOSO HOTEL FIESTA, EM SALVADOR Pois, envolve muay thai, full contact e várias outras artes da porrada. Prova do sucesso é o canal pago Premiere Combate, que transmite lutas o dia inteiro. Em 2009, chegou a 34 mil assinantes, 65% a mais que em 2008. Este ano, cresceu 100% em relação a 2009.

NÃO É VALE-TUDO Quando o UFC começou em Denver, Colorado, nos Estados Unidos, em 1993, cada lutador enfrentava no mínimo três adversários em uma noite. Havia poucas regras: não atingir os olhos, não usar os dedos para rasgar a boca do adversário e não golpear a virilha. Em 2001, os irmãos Frank e Lorenzo Fertitta, empresários americanos donos de cassinos em Las Vegas, compraram o evento e fizeram mudanças para que se tornasse um esporte reconhecido. Cada atleta passou a lutar apenas uma vez por evento, que tem em média cinco lutas por noite. Além disso, os atletas foram divididos em categorias de peso e o acompanhamento médico passou a ser obrigatório, inclusive durante os treinamentos. Todos os atletas são

obrigados a passar por exame antidoping e testes médicos. Durante as lutas, cinco médicos, coordenados por um especialista em eventos esportivos de combate, cercam o ringue, enquanto quatro especialistas em ferimentos leves acompanham os lutadores do lado de fora do octógono. Equipes de paramédicos e duas ambulâncias permanecem no local durante todas as lutas. Se um atleta for pego no antidoping ficará impedido de lutar.

UFC RIO JÁ TEM DATA A organização do UFC anunciou que o evento terá novamente uma edição brasileira em 27 de agosto deste ano, no HSBC Arena, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. Esta será a segunda vez que o maior torneio de artes marciais mistas aporta no País – a primeira foi em 1998, no ginásio da Portuguesa, em São Paulo. A edição carioca foi batizada de UFC Rio. De acordo com Dana White, presidente do UFC, “o impacto econômico que trazemos para as cidades varia de US$ 15 milhões a US$ 50 milhões. Então, o evento será muito positivo para o Rio”. O retorno do UFC ao Brasil faz parte de uma estratégia de expansão internacional do evento, que mira países emergentes como Brasil, Índia e China. A visibilidade do Rio devido à proximidade da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos contribuiu para que o Brasil passasse à frente nessa lista. Atualmente, o UFC conta com 36 atletas brasileiros, alguns deles entre os melhores da categoria. WWW.LETSGOBAHIA.COM.BR

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FERAS DA BAHIA RODRIGO“MINOTAURO”NOGUEIRA Baiano de Vitória da Conquista, “Minotauro” é considerado um dos melhores lutadores de MMA de todos os tempos. Ele já foi campeão nos principais torneios do antigo Vale-Tudo, como o Pride, além de campeão do UFC. Nas lutas, ele costuma atropelar os adversários. Mas a força desse baiano começou na infância. Aos 10 anos, um caminhãopassouporcimadoseucorpo. “Sótivetempodetiraracabeçadafrente da roda.” Quase 20 anos se passaram, e hoje ele é uma lenda vida e um dos lutadoresmaisadmiradoserespeitados.

JUNIOR CIGANO Catarinense radicado em Salvador, Junior “Cigano” dos Santos é considerado atualmente a maior revelação brasileira entre os pesospesados no MMA. Após sua última vitória no UFC contra o americano Roy Nelson, a presidente do UFC, Dana White, anunciou que o brasileiro fará seu próximo combate pelo cinturão dos pesados do UFC contra Cain Velasquez. Segundo Dana White, “Cigano” tem uma grande visibilidade nos EUA, e consegue vender bons números de pay per view americano.

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LYOTO MACHIDA ROGÉRIO“MINOTOURO”NOGUEIRA Os nomes são praticamente iguais, assim como os rostos – como seria esperado de gêmeos idênticos – e as semelhanças não param quando se trata de carreiras vitoriosas. “Minotouro” segue os passos do irmão, se estabelecendo como um dos melhores do mundo na categoria. Ele tem no seu currículo vitórias sobre Dan Henderson, Tsuyoshi Kosaka, Guy Mezger, Kazuhiro Nakamura, Alistair Overeem e Edwin Dewees.

“O karatê está de volta”, disse Lyoto, segundos depois de conquistar o título dos jiu-jitsu do UFC sobre Rashad Evans, em maio de 2009. Nascido em Salvador e radicado em Belém, Machida – filho do mestre em karatê Yoshizo Machida – é o ex-campeão dos meios-pesados, tendo um cartel de 16 vitórias, duas derrotas, e é considerado um dos lutadores mais técnicos e habilidosos de todo o UFC.


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