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charuto menendez & amerino

por DAVI CARNEIRO

Charutos de dar inveja a Fidel Herdeiro das legendárias marcas cubanas, H.Upmann e Monte Cristo, produz na Bahia a melhor versão nacional dos ‘puros’ premium

A história da Menendez & Amerino, a maior e mais conceituada fábrica de charutos do Brasil, parece ter saído de um roteiro de cinema. A família Menendez - liderada por Alonso Menendez - era a maior produtora de charutos em Cuba com produtos considerados, por nove entre dez especialistas como os melhores do mundo. Eles tiveram de abandonar todos os bens quando Fidel Castro tomou o poder. Escolheram a Bahia como lugar ideal para reconstruir o legado da família, e atualmente produzem charutos “puros” premium premiados internacionalmente. Quem nos conta essa história é o próprio Félix Menendez, filho de Alonso e atual diretor-executivo da fábrica em São Gonçalo dos Campos, no Recôncavo baiano. “Nos anos 50 e 60, minha família era a maior produtora e exportadora de charutos em Cuba. Nossos produtos, como o legendário H.Upmann (charuto preferido de Winston Churchill e John Kennedy) e o renomado Montecristo, eram referência máxima de excelência e qualidade em todo o mundo”, diz.

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Esse quadro de bonança iria sofrer uma reviravolta violenta em 1959. O governo do comandante Fidel Castro tomou o poder durante a Revolução Cubana, e iniciou-se um longo processo de estatização de todas as companhias privadas da ilha. As fábricas de charutos não ficaram de fora. Sem receber nada, os proprietários tiveram que procurar outros trabalhos fora da ilha. “Depois que o regime comunista confiscou nossas propriedades, nos mudamos para a Espanha, onde meu pai nasceu. A partir daí, passamos a procurar por fumos que tivessem a mesma qualidade dos plantados em Cuba”, lembra Félix. Foi durante essa busca que Benjamim, irmão de Félix, conheceu o fumo made in Brasil-Bahia e, consequentemente, seu maior exportador foi o empresário baiano Mário Amerino Portugal.

Através desse contato comercial nasceu uma sólida amizade, que culminou com a vinda da família Menendez para o Brasil. Junto, trouxeram sementes, utensílios, técnicas e uma tradição secular na produção de charutos. Treinaram mão de obra local (na maioria feminina) e, logo no ano seguinte, já iniciavam os embarques para os Estados Unidos. “Assim como acontece com o vinho, o fumo sofre uma grande influência relativa ao clima e ao terreno onde é plantado. A Bahia é um dos poucos lugares do mundo onde é possível encontrar todas as condições ideais para fazer charutos com tamanha qualidade. Foi amor à primeira vista”, ressalta Félix. “Fundouse assim, em 22 de abril de 1977, a Menendez Amerino, em São Gonçalo dos Campos.

por Cultivo do fumo é acompanhado antir gar a todo um aparato técnico par da os dut pro a qualidade premium dos ários cion fun , Menendez Amerino. Abaixo , pos Cam dos da fábrica em São Gonçalo ição trad a m no Recôncavo baiano, mantê cubana na Bahia.

Nos anos 50 e 60, minha família era a maior produtora e exportadora de charutos em Cuba. Nossos produtos eram referência máxima de excelência e qualidade em todo o mundo” félix menendez, diretor-executivo da menendez & amerino

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charuto menendez & amerino Cubanos de todo os santos Há muito tempo que se destaca a qualidade dos fumos brasileiros. Contudo, os charutos produzidos aqui não tinham reconhecimento em outros países. A Menendez & Amerino mudou essa situação, exportando seus charutos premium para vários países ao redor do mundo, e hoje marca presença em quatro continentes. Estados Unidos, Canadá, França, Alemanha, Portugal e Emirados Árabes estão entre os principais consumidores dos produtos da empresa. No momento em que comemora 30 anos de atividade, a unidade pretende atingir este ano um volume de três milhões de unidades de charutos, registrando um incremento de 8% em relação ao ano passado. A expansão na produção de cigarrilhas é ainda maior, da ordem de 20%, resultando em mais de 12 milhões de unidades. Além da fábrica em São Gonçalo, a companhia fumageira conta com uma unidade de beneficiamento na cidade de Conceição de Feira, na mesma região. Nas duas plantas, possui mais de 300 funcionários. “Temos ainda parceria com cerca de 300 pequenos agricultores, que nos fornecem o fumo”, disse o diretor. A empresa, no entanto, controla todos os estágios da produção, do plantio à fabricação das embalagens de madeira. As operações da Menendez & Amerino foram iniciadas com a produção de 400 mil charutos por ano e 80 funcionários. Os charutos são totalmente artesanais. Do plantio à fabricação das embalagens de madeira, a empresa controla todos os estágios da produção. O sistema de cultivo de fumos em folhas e capas é feito através de parcerias com municípios e agricultores, que produzem com exclusividade para a empresa. Atualmente, entre os charutos, produz as marcas Alonso Menendez, Dona Flor – responsável por cerca de 65% das vendas –, Aquarius Século XXI e Gabriela Half Corona. Já as cigarrilhas, são Dona Flor, vendidas nas versões Original, Ice e Pipe; Gabriela, St. James e Vip.

O charuto Dona Flor foi inspirado no livro de Jorge Amado, e é o carro-chefe da empresa, com 65% das vendas

Produção é artesanal e quase toda feita por mulheres

Conheça os principais produtos e marcas O Dona Flor foi inspirado na principal personagem do livro Dona Flor e seus Dois Maridos, uma homenagem do presidente da Menendez Amerino & Cia ao amigo e escritor baiano Jorge Amado. E o resultado de uma rigorosa sele ção dos melhores tabacos do Recôncavo baiano, o que resultou em um produto com sabor encorpado e boa qualidade.

Criado há 25 anos, o Alonso Menendez é o charuto mais antigo da empresa ainda em produção. Com blend menos encorpado que os concorrentes cubanos e dominica nos é destinado a um público de paladar apurado e definido. Ele é encontrado no mer cado em capa clara e escura (mata-fina e Con necticut).

Batizada com o nome que homenageia a personagem do escritor Jorge Amado, o charuto Gabriela é produzido com fumos selecionados, o que lhe confere um blend especial. Além disso, é o único no mercado que vem emb alado individualmente em papel celofane .

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De dar Inveja a Fidel