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Catálogo Poéticas Visuais - Dante Velloni

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FUNDAÇÃO ARMANDO ALVARES PENTEADO

Organizador e Curador DANTE VELLONI

Primeira Edição São Paulo 2008


FUNDAÇÃO ARMANDO ALVARES PENTEADO

CONSELHO CURA DOR PR ESIDEN TE C E LITA P ROCOPIO DE CA RVA L HO IN TEGRA N TES B E NJA MIN A UGUSTO B A R ACCHINI B U E NO O CTÁVIO P LÍNIO B OT E L HO DO A M A R A L JOSÉ A N TONIO DE S EIX AS P E R EIR A N ETO M A RIA C H RISTINA FA R A H NASSIF F IOR AVA N TI E M BAIX A DOR PAU LO TA RSO F L ECHA DE L IM A DIR ETORIA EX ECUTIVA DIR ETOR PR ESIDEN TE

A N TONIO BIAS B U E NO G UIL LON DIR ETOR TESOUR EIRO

A M É RICO F IA L DINI JR. DIR ETOR CULTURA L

VICTOR M IRSHAW K A


SUMÁRIO ARTE PELO CORREIO

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Maria Izabel Branco Ribeiro

POÉTICAS VISUAIS: arte, conceito e intimidade

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Dante Velloni

Obras Reproduzidas

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14 a 33

Visual Poetics: art, concept and intimacy .................................... 34 Ficha técnica ............................................................................. 36

Agradecemos a todos os artistas participantes da mostra, e esclarecemos que por motivos técnicos não pudemos inserir no catálogo todas as obras expostas: ADDA PRIETO (Brasil) • ALBERTO HARRIGAN (Brasil) • ALEX FLEMING (Brasil) • ALEX VALLAURI (Brasil) • BALINT SZOMBATHY (POLÔNIA) • BENÉ FONTELES (com Genilson e Keppler) (Brasil) • BILL GAGLIONE (EUA) • CARLOS ZERPA (Venezuela) • CILDO MEIRELLES (Brasil) • CIRO COZZOLINO (Brasil) • CLÁUDIA DEL RIO (Argentina) • CLÁUDIA MOLTENI (Argentina) • CLEMENTE PADÍN (Uruguai) • DANTE VELLONI (Brasil) • FERRUCCIO DRAGONI (Itália) • G.E. MARX VIGO (Argentina) • GABRIEL BORBA (Brasil) • GEOFFREY COOK (EUA) • GRACIELA GUTIERREZ MARX (Argentina) • GUGLIELMO ACHILLE CAVELLINI (Itália) • HÉLIO LETE (Brasil) • HUDINILSON JR. (Brasil) • HUGO PONTES (Brasil) • J. MEDEIROS (Brasil) • JOÃO BATISTA DOS SANTOS (Brasil) • JOHN BENNETT (EUA) • JORGE ORTA (Argentina) • JULIO PLAZA (Brasil) • KARIN LAMBRECHT (Brasil) • KLAUS GROH (Alemanha) • LEÓN FERRARI (Argentina) • LEONHARD FRANK DUCH (Alemanha) • LUIS MIOTTO (Argentina) • MÁRIO ISHIKAWA (Brasil) • MÁRIO RAMIRO (Brasil) • MARY DRITSCHEL (EUA) • PAULO BRUSCKY (Brasil) • PAWEL PETASZ (Polônia) • RAFAEL FRANÇA (Brasil) • REGINA SILVEIRA (Brasil) • ROBERTO KEPPLER (Brasil) • ROBIN CROZIER (Inglaterra) • RUTH WOLF-REHFELDT (Alemanha) • RYOSUKE COHEN (Japão) • SÉRGIO NICULITCHEFF (Brasil) • SHOZO SHIMAMOTO (Japão) • TADEU CHIARELLI (Brasil) • UNHANDEIJARA LISBOA (Brasil) • VITTORE BARONI (Itália)


ARTE PELO CORREIO

A partir de meados dos a nos 1960 e dura nte as duas décadas seguintes, jovens artistas assumiram a discussão sobre questões essenciais da arte, como o seu modo de fazer arte. Herdeiros das indagações semeadas por Marcel Duchamp quanto às definições de autoria, ao conceito de obra de arte, ao significado do ato criador e sobre as inserções da arte no mundo contemporâneo, esses artistas tomaram distância dos pincéis e das tintas. Alguns utilizaram como base as teorias da comunicação, conceitos de lingüística e da semiótica para elaborar suas propostas artísticas, usaram como suporte materiais do cotidiano e como procedimentos tanto os novos caminhos abertos pela própria arte quanto os sistemas usuais de comunicação. Outros tomaram a intuição e a experiência diária como guias e veicularam seu trabalho por meios não convencionais, para chegar a resultados semelha ntes em conteúdo e eficácia: a discussão da arte como linguagem, da busca de novas poéticas e de suas inserções na realidade. Aos grupos de amigos e conhecidos formados para a troca de experiências e de material via correio, desconhecidos se agregavam, gerando comunidades espalhadas ao redor do planeta e mantidas com relativa estabilidade durante períodos significativos de tempo. A diversidade das propostas enriquecia a experiência: comentários sobre acontecimentos, fotocópias 6


de propostas, realizações de propostas, mensagens recebidas e enviadas, pedidos de interferência em um padrão apresentado e confronto da gama de resultados recebidos. Eram tempos préinternet e pré-e-mail, quando o ritmo da mensagem era dado pelo da entrega do carteiro. Por vezes, o envelope continha a obra, em outras ocasiões ele mesmo era a obra. Não raro, o próprio sistema do correio determinava o conteúdo, a forma do trabalho ou, ainda, as diversas postagens acrescentavam nomes e endereços de remetentes e destinatários, carimbos, selos e demais mensagens, constituindo os padrões visuais apresentados. A constância do grupo e a troca freqüente de correspondências-obras acabavam por tornar de fácil identificação os interesses de cada um dos componentes-artistas e seus padrões formais; além disso, ajudava a integrar desconhecidos em um circuito de discussão, a aproximar artistas com focos diversos e domicílios afastados. Em época de pouca liberdade de expressão e de muita restrição política, a abertura desse canal de comunicação permitia a colocação de idéias e sua veiculação. Redes de arte postal se formavam informalmente ao redor do mundo, se interconectavam e coexistiam. Dessa forma, um espaço de apresentação de arte se estabelecia fora do circuito oficial, em que obras partiam e chegavam configurando fóruns para discussões, que freqüentemente não encontravam outros espaços de partilha. Havia momentos de abertura de espaços institucionais para a presença de tais manifestações, a exemplo da mostra da correspondência enviada por 400 artistas para a exposição de arte postal que integrou a XVI Bienal de São Paulo, realizada em 1981. O uso de materiais baratos e perecíveis, a apropriação 7


de imagens e as operações de recorte e colagem e com o uso de carimbos tornavam o fazer arte acessível a qualquer interessado sem experiência prévia e sem experiência lúdica. A discussão de aspectos tão específicos da arte e de questões de estética restringia a ação aos iniciados do mundo das artes e chegava a resultados muito diversos daqueles em geral associados à arte. Se o fato de a obra ter como ponto de partida e de chegada ambientes privados a distinguia como liberdade de expressão, também, por vezes, a apontava como invasão daquela mesma intimidade. Entre os anos de 1973 e 1986, Dante Velloni participou ativamente de um desses grupos de arte postal e conservou a correspondência recebida, de modo a oferecer um panorama do período e daquela dinâmica de trabalho, à qual se refere como Poéticas Visuais Analógicas. Atualmente são diversos os museus que reconhecem a importância desses conjuntos e os conservam em seus acervos, assim como as instituições de pesquisa que a eles recorrem para levantamentos sobre a arte produzida no período. Em POÉTICAS VISUAIS: ARTE, CONCEITO E INTIMIDADE são apresentadas obras de 46 artistas da coleção reunida por Dante Velloni em Ribeirão Preto. A exposição traz trabalhos vindos de diversas partes do território brasileiro, do Japão, da Argentina, dos Estados Unidos, da Polônia, da Alemanha, da Itália, do Uruguai e da Inglaterra. Fornece uma amostragem significativa dos procedimentos empregados e das propostas apresentadas. Expõe gravuras, desenhos e colagens divulgados via correio por seus autores; traz pesquisas realizadas com xerox, registros de performances e discussões sobre o corpo; propõe questões da arte enquanto linguagem, descreve o meio de comunicação – correio – como criador das mensagens e elo 8


entre o artista e seu público. Demonstra estratégias, como a utilizada por João Batista dos Santos ao carimbar notas de 1 cruzeiro e colocá-las novamente em circulação. A exposição mostra o envolvimento nesse processo de artistas como León Ferrari, Regina Silveira, Alex Flem ming, Sérgio Niculicheff, Júlio Plaza, Karin Lambrecht, Mary Dritschel, Paulo Bruscky e Ciro Cozzolino. Sublinha a necessidade do estudo da História da Arte e da contextualização das obras de arte ao apresentar trabalhos como “Zero Cruzeiro”, realizado entre 1974 e 1978 por Cildo Meirelles, na época, um trabalho de arte postal, enviado por correio a um grande grupo de pessoas, hoje, presente como obra de arte representativa do período, em acervos museológicos e em exposições e livros sobre a arte brasileira.

Maria Izabel Branco Ribeiro

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POÉTICAS VISUAIS: ARTE, CONCEITO E INTIMIDADE

Esta exposição, que ora apresento, é fruto de uma apurada seleção entre centenas de obras realizadas de 1973 a 1986 e que fazem parte de meu acervo pessoal. Esse acervo foi constituído integralmente por meio da troca de obras entre artistas de todo o mundo, com os quais eu mantinha contato sistemático nesse período. Durante aqueles anos, participei intensamente de um afluxo artístico, tratado por mim aqui como Poéticas Visuais Analógicas, que, em essência, se propunha trabalhar a partir do conceito da própria arte, sobre a qual, muitas vezes, o artista agregava significados simbólicos de sua própria vida. Esses artistas revelavam-se em suas obras com absoluta licença poética, numa época em que o mundo ocidental, em especial a América Latina e o Leste Europeu, lutava contra as diversas formas de repressão. Denunciavam aquilo que sua ideologia política, filosófica, estética e sexual lhes imputava, mantendo-os sempre à beira de um frenesi experimental latente que viria a transformar-se

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em arte, concebida tal qual um manifesto ontológico em sua mais profunda intimidade. A matéria que iria suportar fisicamente esse manifesto era considerada secundária, pois a idéia da arte deveria prevalecer sobre o objeto palpável. Uma arte que interrogava sua própria gênese e que, conseqüentemente, precisava servir-se do discurso metalingüístico, pois o sistema da arte parecia não apresentar respostas à sua própria lógica interna nem às eventuais indagações externas. Linguagens plásticas experimentais amparadas pela tecnologia analógica, como gravações em video, xerox, carimbos, fotografias, fitas cassetes, heliografias, palavras e textos impressos em off-set eletrostático eram os recursos mais comuns, seguidos por projetos inexeqüíveis, apropriações, projetos gráficos de intervenções, atos performáticos e até colagens utilizando reproduções de partes do próprio corpo. Isso causava certo desconforto perceptivo no espectador, pois sua materialidade transitória e reproduzível fazia-o questionar até mesmo seu enquadramento na categoria “arte”. Impossível não citar a retomada do pensamento escrito por Walter Benjamin, especialmente seu ensaio “A Obra de Arte na Era da Reprodutibilidade Técnica” ou, em menor escala, os múltiplos de Marcel Duchamp. Essas referências caíam-lhe sob medida no momento em que a arte pretendia ser aparelho de contracultura. Sua função social se transformava quando o ritual da obra única era violado pela sua reprodutibilidade e, portanto, passava a ser sinônimo de ação política.

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Um exemplo claro, presente nesta exposição, é o “Zero Cruzeiro” de autoria de Cildo Meirelles. Porém, considerando nosso distanciamento temporal das circunstâncias da criação dessas obras, tenho percebido que os artistas, à margem do mercado de arte, produziam obras que acabavam quase sempre saboreadas por outros artistas. Repelido pela complexidade de suas linguagens e repertórios, aquele público que era chamado a interagir, na tentativa de democratizar a arte, acabava, por vezes, não sendo encontrado. Atualmente, não só o público como também as instituições museológicas e o próprio mercado têm absorvido esse gênero de arte. Inclui-se nesse rol uma avalanche de jovens artistas emergentes que têm feito dessas obras sua “referência”. Esse indício tem sido percebido em todo o mundo, em que um novo olhar sobre essa produção de arte transcendeu a questão de sua materialidade. Exemplos que ilustram a reputação ascendente dessa arte, também presentes nesta mostra, são as obras de León Ferrari, Paulo Bruscky, Shozo Shimamoto, Cildo Meirelles, Clemente Padín e Regina Silveira, entre outros, que, hoje, têm recebido o reconhecimento de instituições da estatura do MAC-USP, da Bienal de Veneza, da Tate Modern, entre outras. De antigos arquivos, essas obras têm passado a integrar acervos de museus, galerias e coleções particulares que, seguindo os ditames museológicos, romperam a resistência com a moldura para preservar essas relíquias da história da arte recente. Sintomático é, portanto, este gesto da FAAP que, através do Museu de Arte Brasileira e da Coordenação do curso de Pós-

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Graduação em História da Arte, abre suas galerias com esta exposição internacional de poéticas visuais, apresentada hoje como um sensível convite ao contato, à introspecção e à intimidade. Keep in touch!

Dante Velloni

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(Argentina)

MARX VIGO Spoilt Art - 1979

carimbo sobre folha de cheque 7,5 x 17,7 cm

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(Japão)

SHOZO SHIMAMOTO Livro de Artista – 1984

colagem com papéis diversos, adesivos e carimbo 31 x 25 x 16 cm 15


(Itália)

GUGLIELMO CAVELLINI Autostorizzazione: Operation round-trip n. 1.930 – 1980

colagem, carimbo e hidrocor sobre envelope impresso 38 x 25 cm 16


(Estados Unidos)

JOHN BENNETT She Raised – 1981 xerox e carimbo 28 x 21,7 cm

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(Brasil)

REGINA SILVEIRA

Teste 2 - 1981

xerox sobre papel 29,7 x 21 cm

Teste 3 - 1981

xerox sobre papel 29,7 x 21 cm

Teste 1 - 1981

xerox sobre papel 29,7 x 21 cm

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(Brasil)

DANTE VELLONI O Conceito de Arte - 1978 impressรฃo eletrostรกtica 29,5 x 21 cm 19


(Brasil)

TADEU CHIARELLI Chave. Chiave? A Key. - 1978 (com tipologia de Dante Velloni) impressรฃo eletrostรกtica 20,5 x 30 cm

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(Brasil)

CILDO MEIRELLES

Zero Cruzeiro - frente - 1974-78

Zero Cruzeiro - verso - 1974-78 impressĂŁo off-set 7 x 15,5 cm

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(Brasil)

MÁRIO RAMIRO Xeroperformance – 1980 xerox sobre papel 33 x 21,5 cm

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(Argentina)

LEÓN FERRARI Collage – 1986 xerox sobre papel 43 x 29,8 cm 23


(Brasil)

HUDINILSON JR. Pinto Não Pode - 1980 carimbo e xerox sobre papel vegetal 32,7 x 23,5 cm 24


(Polônia)

BALINT SZOMBATHY The Wellknown Art Lover – 1979 15,8 x 21 cm

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(Alemanha)

RUTH WOLF-REHFELDT Typewritings – 1978-80

impressão eletrostática e carimbo conjunto de 7 peças de tamanhos diversos (postal) 26


(Estados Unidos)

MARY DRITSCHEL

Morte 1/5 – 1980

Nascimento 1/5 – 1980

xerox e lápis de cor sobre papel 31,5 x 21,5 cm 27

Vida 1/5 – 1980


(Brasil)

Sร RGIO NICULITCHEFF Graphic Concert - 1981

xerox e lรกpis de cor sobre papel 21,5 x 33,5 cm

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(Estados Unidos)

GEOFFREY COOK Lemon – 1978

impressão off-set sobre papel colorido 17,8 x 22,8 cm

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(Brasil)

JOÃO BATISTA DOS SANTOS

Proibido Circular o Desejo – frente – 1980

Proibido Circular o Desejo – verso – 1980

carimbo sobre cédula oficial de um Cruzeiro em circulação 6,5 x 14,7 cm

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(Brasil)

ALEX VALLAURI Cartola com Caramuru – 1979 xerox e spray sobre papel 31,5 x 21,5 cm

Cartola com Rei – 1979

xerox e spray sobre papel 31,5 x 21,5 cm

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(Brasil)

PAULO BRUSCKY Vídeos Via Crucis - 1979, Poema - 1979, LNMUX Fogo - 1980 Xeroperformance - 1980, Lubis - 1982 32


(Uruguai)

CLEMENTE PADÍN Vídeo Lectura de Poesía Experimental - 2005 Homenaje a Edgardo António Vigo 33


VISUAL POETICS:

ART, CONCEPT, AND INTIMACY The exhibition here presented is the outcome of an accurate selection among hundreds of works accomplished from 1972 to 1986 which are part of my personal collection. This collection was composed by means of work exchanging among artists from all over the world, who I kept regular contact with. By that time, I participated intensively of an artistic afflux, designated here as Analogical Visual Poetics, which intended to work upon the concept of art itself to which the artists would add symbolic meanings from their own lives. Those artists revealed themselves in their works with total poetic license in a time when the world was fighting many different forms of repression, particularly in Latin America and Eastern Europe. They denounced all that political, philosophical, aesthetic, and sexual ideology imposed on them and this kept them constantly on the verge of a latent experimental frenzy that would turn into art, conceived as an ontological manifesto in its deepest intimacy. The material which would physically support that manifesto was considered secondary, once the idea of art should prevail over the tangible object. Experimental plastic languages backed by analogical technologies such as videos, photocopies, stamps, photographs,

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VISUAL POETICS: ART, CONCEPT, AND INTIMACY The exhibition here presented is the outcome of an accurate selection among hundreds of works accomplished from 1972 to 1986 which are part of my personal collection. This collection was composed by means of work exchanging among artists from all over the world, who I kept regular contact with. By that time, I participated intensively of an artistic afflux, designated here as Analogical Visual Poetics, which intended to work upon the concept of art itself to which the artist would add symbolic meancassette and electrostatic off-set printing of words ings from tapes, their own lives.

and texts were the most used resources, followed by inThose artists revealed performance themselves inacts their works total poetic license in a tervention projects, and evenwith assemblages time when of the photocopies world was fighting many different forms These of repression, particularly composed of their own body parts. exin Latin America and Eastern Europe. They denounced all that political, philosophiperiments brought forth perceptive uneasiness upon viewers, cal, aesthetic, and sexual ideology imposed on them and this kept them constantly since their transient, reproducible materiality made them on the verge of a latent experimental frenzy that would turn into art, conceived as question even manifesto the possibility of ranking them as “art”. an ontological in its deepest intimacy. The material which would physically support that manifesto considered secondary, Today, museum institutions and market itself have was incoronce the that idea of should prevail over the tangible object. porated artart genre. Such incorporation have been noticed

all over the world and a new look at this art production has

Experimental plastic languages backed by analogical technologies such as videos, transcended its materiality issue. Coming from old archives, photocopies, stamps, photographs, cassette tapes, and electrostatic off-set printing these have were entered museums, galleries, and private of wordsworks and texts the most used resources, followed by intervention projects, collections that, following museum dictates, have transperformance acts and even assemblages composed of their own body parts. These experiments brought forth imposed perceptive upon viewers, since their transient, gressed restrictions by uneasiness frame in order to preserve reproducible them question even the possibility of ranking them as those relicsmateriality of recent made art history. “art”.

Therefore, the enterprise taken by the Museum of Brazil-

Today, museum institutions and market itself have incorporated that art genre. Such ian Art is symptomatic, as it galleries incorporation have been noticed allopens over its the world and a to new this look at this art prointernational exhibition offered as a sensitive invitation duction has transcended its materiality issue. Coming from old archives, these works have entered museums, galleries, private collections that, following museum dicto contact, introspection, andand intimacy. tates, have restrictions imposed by frame in order to preserve those Keep in transgressed touch! relics of recent art history. Therefore, the enterprise taken by the Museum of Brazilian Art is symptomatic, as it Dante Velloni opens its galleries to this international exhibition offered as a sensitive invitation to contact, introspection, and intimacy. Keep in touch! Dante Velloni

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POÉTICAS VISUAIS:

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ARTE, CONCEITO E INTIMIDADE Diretoria Maria Izabel Branco Ribeiro

Realização Fundação Armando Alvares Penteado

Administração Cláudia Caroli Angela Gennari (MAB-Centro) Acervo José Luis Hernández Alfonso Laura Suzana Rodríguez Conservação Maria Cristina Ribeiro dos Santos Ana Carolina Cunha Boaventura Produção Cecília Zuchi Vezzoni Serviço Educativo Denise Pollini Luciana Chen Luciene Alves dos Santos (MAB - S. José dos Campos) Secretaria Maria R. O. Menezes Montagem André Cruz da Silva Rafael Filipe da Silveira Estagiários Bruna Magalhães Gabriel Torres Marcella Lemos Arcuri Sarah Girotto

Curadoria Dante Velloni Produção Executiva/Museologia/Montagem Equipe MAB-FAAP Projeto Gráfico Alberto Blumenschein Fotografia FAAP Fernando Silveira e Adriana Guivo Assistente Ana Ceccato Tradução Ana Cotrim Revisão Vivian Miwa Matsushita Execução Cenográfica Brant Carvalho Engenharia Iluminação Hugo Beretta Carvalho Assessoria de Imprensa WN&P Comunicação

COORDENAÇÃO EVENTOS FAAP Fernanda Celidonio Assistentes Ana Paula Fescina e Luanna Cristina de Moraes

Segurança e Limpeza Impacto

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