PROJETO bate FOTO

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NA SUA PRIMEIRA EDIÇÃO, O PROJETO BATE FOTO explora as ruas, avenidas, pontes e rios da capital mais antiga do país. Recife, capital de Pernambuco, foi redescoberta através das lentes e olhares aguçados dos estudantes do curso de Jornalismo da Universidade Maurício de Nassau - Graças. Sob a orientação da professora e fotógrafa Valéria Gomes, eles percorreram os bairros, que são ilhas adornadas pelas pontes que decoram o rio Capibaribe, um personagem íntimo desta narrativa que percorre todo o centro da cidade. Desde o bairro do Recife, passando por São José e Santo Antônio, até o vibrante bairro da Boa Vista, capturando a singularidade e a vibração desta manguetown.
Nesta publicação, os alunos exploram as diversas facetas do centro do Recife, revelando um organismo vivo que pulsa em seu cotidiano. A diversidade se manifesta em cada esquina, e as imagens capturam tanto os desafios quanto às inovações que caracterizam a contemporaneidade dessa cidade e sua rica história. Os alunos abordam uma variedade de temas, incluindo literatura, artesanato, danças, esportes, gastronomia, arquitetura e o comércio popular, que é tão marcantes na região. Com seus 487 anos, Recife se tornou um palco vibrante de manifestações populares e de importantes revoluções que ajudaram a moldar o Brasil que conhecemos hoje. Assim, a proposta é utilizar o olhar fotográfico para narrar visualmente o comportamento de uma cidade em constante transformação.
“É com rios, pontes e uma explosão de cores que apresentamos esta revista ao mundo — um mundo que, como afirmou o artista Pernambucano Cícero Dias, ‘começa no Recife’.”
Recife, 2024
Esta edição do projeto Bate Foto foi produzida pelos alunos do 4º período do curso de Jornalismo do Centro Universitário Maurício de Nassau - Recife, como parte das atividades da disciplina de Fotojornalismo, ministrada pela docente e fotógrafa Valéria Gomes. Durante o mês de outubro, os futuros fotojornalistas exploraram o centro do Recife, registrando, com base nas técnicas aprendidas em sala, o olhar único e contagiante da cidade. Este projeto editorial representa a conclusão prática da disciplina, unindo aprendizado e criatividade. Além de celebrar as belezas do Recife, buscamos também fomentar a consciência e valorização do patrimônio urbano. Cada fotografia não apenas registra um momento, mas também conta uma história, incentiva a preservação e nos faz refletir sobre a importância de cuidar e respeitar os espaços que nos cercam.
A capa desta edição foi concebida e produzida pelo estudante de jornalismo, Dannilo Duarte que também atua como editor gráfico desta revista em parceira com Maria Gabrielle, uma das discentes do projeto. A arte apresentada é uma colagem que sintetiza os diversos trabalhos desenvolvidos pelos alunos do curso de Jornalismo do Centro Universitário Maurício de Nassau - Recife, refletindo a diverside de olhares.
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GASTRONOMIA
turismo museu
atos cívicos gastronomia
literatura feiras
pontes torre de cristal bares poluição vísual comércio ambulante
musicalidade
artesanato
marés construções

Recife possui em seus bairros conjuntos urbanísticos inspirados no modelo eclético parisiense, caracterizado como um estilo livre e superexposto de elementos arquitetônicos do passado, que, no período, representavam um resgate ao padrão de vida burguês emergente. As construções simbolizavam o processo de crescimento e expansão da capital ao longo de um tempo, carregando a história dos diversos povos europeus que movimentaram os acontecimentos de transição do passado.
A relevância dessas edificações é reconhecida desde 1988, pelo Instituto do Patrimônio Histórico (IPHA), que realizou o tombamento e aquisição desses elementos históricos para uni-los à nossa memória.
Presentemente, em meio a esse cenário de prédios ecléticos, uma contraposição destaca-se na cena. Um edifício em formato de cone de vidro. Localizado à esquerda dos quatro outros prédios famosos do Marco Zero: o Bank of London & South America Limited (atual Caixa Cultural), Associação Comercial de Pernambuco, London & River Plate Bank (antiga sede da In Loco) e o Banco do Brasil, que futuramente seria totalmente demolido e comprado pelo Grupo São João O grupo empresarial que arrematou o edifício em leilão da antiga agência bancária foi o Grupo São João Santos, que já foi o maior aglomerado cimenteiro da América Latina por conta do seu Cimento Nassau. A empresa compõe em sua história fábricas de cimento, companhias de açúcar e papel, fazendas, comércios, empresas de comunicação, entre outros.
O anúncio de posse do empreendimento foi divulgado em 12 de outubro de 1977, 5 anos após a compra, devido às reformas entre 1972–1975. Estas reformas também resultaram na mudança de logadouro do imóvel, que da avenida Alfredo de Lisboa, 427. Passou a ser chamada Avenida Marquês de Olinda, 11.


No início do século XIX, Recife estava se erguendo como uma ilha financeira de instituições bancarias. Essas agências internacionais deixaram marcas em nossa trajetória histórica e arquitetônica, com diversos prédios no entorno da atual praça do marco zero. A chegada do London And River Plate Bank percorreu grandes caminhos. Iniciada em Londres, decidiu seguir caminho pelo continente da América do Sul. Estabelecendo se primeiramente em Buenos Aires, se popularizando no Rio de Janeiro e por fim chegado a Recife. Resultado do projeto de organismos bancários a serem instalados em portos e cidades do continente.
A agência foi aberta em 6 de agosto de 1884, no número 34, da rua do Comércio. Rua está, que abrigou outros bancos famosos como London e Brazilian Bank, banco popular e Banco de Pernambuco. A Praça do Comércio (como era reconhecida), fica na atual área do Marco Zero, no Recife. Nomeada desta forma, por abrigar a antiga sede da associação Comercial e Beneficente de Pernambuco, posteriormente demolida.

Conhecida popularmente por Sinagoga Kahal Zur Israel (ou Congregação Rochedo de Israel), foi a primeira sinagoga das Américas a ter sua origem reconhecida. Estabelecida em Pernambuco, durante o período da invasão holandesa (1639–1657). Durante o período de aquisição da Igreja católica, milhares de judeus sefarditas do Mediterrâneo, que praticavam um judaísmo sinagogal, baseado em congregações organizadas, vieram à colônia holandesa atraídos pela liberdade religiosa ao culto.
Eram dotados de rabinos preparados, de escolas judaicas, como Isaac Aboab da Fonseca, que assumiu a congregação por 13 anos. Os fundadores de comunidades sefarditas no Mediterrâneo eram judeus tradicionais que se empenharam em construir, para os seus descendentes e seguidores, um lugar catalisador de resistência, política e comunidade dos povos que acabaram de chegar ao continente.
A missão que buscaram carregar era aproximar o retorno dos cristãos novos (judeus catequizados pela coroa), a seu culto, ressaltando que, muitos portugueses que vieram para o Brasil no início do século XVI, poderiam ser de fato cristãos-novos ou marranos (judeus convertidos à força ao catolicismo, mas que praticavam o judaísmo secretamente),
muitos deles expulsos de Portugal. Contribuindo para um dos marcos mais importantes da presença judaica nas Américas durante o período colonial.
O crescimento dos judeus na Capitania de Pernambuco preocupou a ordem cristã portuguesa, que, por meio de um documento da Câmara de Olinda, datado de 1637, solicitava ao governo holandês a suspensão de mais povos judeus na Capitania. Os termos expostos no texto demonstram a falta de animosidade que havia entre os praticantes e a Instituição Católica.
Em 27 de janeiro de 1654, com a rendição do exército holandês na Batalha dos Guararapes, na Insurreição Pernambucana, a população de 400 judeus teve o prazo de apenas 3 meses para fechar seus negócios e ir embora. Um decreto do governador português, Francisco Barreto de Menezes, em 7 de abril, proclamou que a prorrogação da permanência dos judeus só valeria para aqueles que nunca haviam sido batizados.
Apavorados com a possibilidade dos castigos do Tribunal da Inquisição. Muitos se retiraram e migraram para outras localidades. Foram eles, inclusive, que ajudaram a fundar a cidade de New York, antiga Nova Amsterdã, em setembro de 1654. Após sua saída de Recife.
Apolo paixão
Palco de tantos eventos, o Marco Zero do Recife também é um grande reduto para aqueles que buscam praticar esportes urbanos ao ar livre, na capital pernambucana. Sendo um ponto de referência, o local se transformou em um grande centro cultural e esportivo que frequentemente atrai eventos e competições de diversas modalidades, proporcionando momentos de interação social e o desenvolvimento de habilidades esportivas entre a população recifense. Com um público que abrange várias faixas etárias e diversos âmbitos sociais, as práticas esportivas se caracterizam por pessoas amadoras que vão em grupos de amigos, em família ou sozinhas, mas também por atletas que aproveitam o espaço, marcando presença principalmente aos finais de semana, para praticar esportes como corrida, ciclismo e skate, que vamos abordar a seguir.


O Skate é um esporte muito bem frequentado no local, onde profissionais e até entusiastas se reúnem para socializar, trocar experiências e muitas vezes até promover workshops. Apesar de não ter uma pista de skatepark, seus calçadões e vias que abrigam outras estruturas que possuem corrimões e outros artefatos que podem ser usados nas manobras, são o suficiente para os skatistas mostrarem o seu talento e até mesmo se expressarem através deste esporte.
Iniciaremos falando sobre a corrida, que é um dos esportes mais praticados no Marco Zero e é um grande exemplo de como o esporte urbano vem crescendo na cidade. Mesmo sendo “apenas” uma modalidade esportiva, também pode ser visto como um passo em direção a um ambiente urbano mais saudável e engajado, com um público diverso e de diferentes condições físicas, mas com um único objetivo, que é a melhoria da qualidade de vida que o ambiente proporciona.
Caracteriza-se pela boa qualidade do ar por causa da proximidade com a natureza, tendo como um dos exemplos o vento refrescante e a bela paisagem do encontro do Rio Capibaribe com o Oceano Atlântico, bem como também a calmaria e a quietude do espaço que reúne diversos atletas para competirem juntos em maratonas, proporcionando um bom e agradável espaço que não só estimula as relações sociais, mas também a própria prática esportiva, que se unindo a todas essas qualidades que o local promove, contém vários benefícios para a mente e o corpo dos esportistas.
O ciclismo é outro esporte que é muito comum de ser encontrado no Marco Zero. Os ciclistas que frequentam o local, promovem eventos de competições e pessoas das mais variadas idades aproveitam o espaço amplo e sem muita movimentação de veículos para pedalar tranquilamente, sem se preocupar com muitos obstáculos e riscos que podem tornar esses esportistas vulneráveis. É importante destacar também o uso e a criação de novas ciclovias, as quais vem sendo amplamente expandidas pela prefeitura da cidade, justamente também para trazer mais conforto, segurança e visibilidade para os recifenses que se movem na “bike”, já que a presença de pessoas pedalando frequentemente cresce cada vez mais no Recife, principalmente no entorno do Centro e do bairro do Recife Antigo.


Turismo no Marco Zero: ponto de encontro entre história, arte e cultura
No coração do Recife Antigo, a Praça Barão do Rio Branco, que ficou conhecida como Praça do Marco Zero, se destaca como um ponto de encontro entre a história, a arte e a cultura pernambucana. Considerado o ponto de fundação da cidade, é um dos destinos turísticos mais simbólicos da capital pernambucana por ser cercado de monumentos históricos, eventos e diversas manifestações culturais.
Os guias turísticos, Ivan Júnior e Izaque Queiroz, observam que a primeira reação dos visitantes ao chegarem ao Marco Zero é sempre de admiração.”Eles acham muito bonito. A primeira reação é tirar foto, tanto da escultura Brennand quanto no Marco Zero. Eles gostam de tirar fotos, visitar a Caixa Cultural, e de apreciar o local, principalmente nos fins de semana, porque geralmente está bem cheio.”, comenta Ivan.
A experiência de visitar o Marco Zero é ainda mais
enriquecida pelos passeios turísticos oferecidos nas proximidades. Um dos mais populares é o passeio de catamarã pelo Rio Capibaribe. Durante o mês de outubro, o “Catamarã Assombrado” atrai ainda mais turistas, misturando as paisagens da cidade com histórias e lendas locais, o que torna a experiência única. O impacto econômico gerado pelo turismo local é significativo. Para comerciantes como Hélio Ferreira, a movimentação turística é indispensável “No Carnaval, vendemos muito mais.
No São João e na Quaresma também são ótimos períodos onde costumamos vender mais.”, afirma. No entanto, fora das grandes festividades, a realidade é outra. Maria Cícera, também vendedora ambulante, menciona que embora os eventos sejam bons para as vendas, a frequência de turistas fora das festividades nem sempre é suficiente. “Aqui no Marco Zero, quando há festas vendemos bem, mas se depender dos turistas, “morremos de fome”. Os turistas compram muito pouco; se não fossem os moradores locais, não venderíamos nada.”, observa.

Por outro lado, os turistas demonstram uma preocupação com a conservação do espaço. Heloísa Helena, que visitava o local com um grupo de amigos de Belém, expressou sua preocupação: “O que mais chama a atenção também é o descaso dos governos e da cidade, do ponto de vista político, com um lugar que poderia ser muito mais bem cuidado e revitalizado, se tornando muito mais pulsante.”
Ela também destacou a falta de movimento à noite: “À noite, aqui não tem vida; falta gente da cidade para estar presente. Isso, de fato, é um problema que vemos em quase todas as cidades do Brasil, mas aqui ficou bem mais claro”. Para muitos, o Marco Zero representa um potencial inexplorado, e a esperança é que, com um olhar mais atento da gestão pública, ele possa se tornar um espaço ainda melhor, onde moradores e visitantes possam se reunir e conhecer de tudo o que a cidade tem a oferecer.
Apesar de despertar reflexões sobre tudo o que ainda pode ser feito para torná-lo mais vivo, o Marco Zero permanece sendo um lugar onde culturas se encontram, seja através das artes, dos museus ou das atividades ao ar livre. Ao longo do ano, milhares de pessoas passam por ali, desfrutando das diversas atrações que o local oferece e mantendo viva a rica tradição cultural de Pernambuco.


Violência e Desigualdade: Grito dos Excluídos 2024

Em 2024, o Grito dos Excluídos chega à sua 30ª edição em atividade no Recife, e carregou como lema deste ano “Todas as formas de vida importam, mas quem se importa?”. O evento é um marco na defesa dos direitos humanos e levanta questões que, já em 1994, não se tinha uma definição clara.
A violência desenfreada e a desigualdade social são problemas que nossa sociedade vem enfrentando e vem se percebendo o aumento gradual dos mesmos. Em levantamento feito pela ONU, em 2023 o Brasil liderou o ranking de homicídios global, registrando cerca de 47.722 assassinatos, sendo em números 10,4% do total mundial.
O país está passando por um momento turbulento onde há uma polarização política e a violência passa a ser presente, sendo esse só um dos milhares de motivos dessa crescente sangrenta. Até mesmo nossa segurança pública usa deste meio para hostilizar e se impor diante a população.
Outra pesquisa procurando a opinião pública feita pelo Instituto Opinião, diz que 48,9% das pessoas entrevistadas tinham pouca confiança na Polícia Militar, e outros 15,5% diziam não ter confiança alguma. Esse levantamento foi feito durante um período onde diversas operações policiais estavam acontecendo pelo país e denúncias e

protestos sobre a violência utilizada foram feitos.
Esses números nos alertam que a população vive momentos de incerteza e insegurança. Atos cívicos como esse, servem como um grito de socorro a diversas classes. Os trabalhadores informais, é uma classe que sofre com a falta de direitos trabalhistas básicos, como férias remuneradas, aposentadoria e acesso a sistemas de saúde.
“A informalidade não é uma escolha, é uma imposição de um sistema que exclui milhões de brasileiros do mercado de trabalho formal”, declarou uma das manifestantes do ato. Segundo ela, a pandemia agravou ainda mais a situação dos trabalhadores sem carteira assinada, que foram duramente afetados pelas medidas de isolamento e pela crise econômica.



Na infância, os livros têm um poder impressionante de fazer uma criança ter bons sonhos à noite, após ouvir uma bela história antes de dormir. É através das narrativas desses livros que muitas vezes as personalidades das crianças são moldadas. Conseguem imaginar um mundo sem livros? Sem conhecimento? Sem descobertas?
As livrarias, que antes eram pontos de encontro vibrantes, já não exercem o mesmo fascínio de antigamente, e muitas delas fecharam suas portas. Localizada no centro histórico do Recife Antigo, em meio a cultura e paixões, a Livraria Jaqueira se destaca como um ponto de encontro para produtores culturais, estudantes e entusiastas da literatura regional.
Em entrevista, Ayrla, uma das funcionárias da livraria, compartilhou detalhes sobre o perfil do público e as preferências literárias dos clientes. Segundo ela, a maioria dos visitantes é composta por produtores, escritores, fotógrafos e estudantes universitários em busca de obras que complementam suas produções e estudos. “Muitos procuram livros com temática regional, especialmente aqueles que abordam a história de Pernambuco. Um dos títulos mais populares é o clássico
Além da literatura regional, outros temas também são bastante requisitados. “Há uma grande procura por livros que tratam de feminismo, política e ciências sociais como um todo,” explica Ayrla. Essa demanda reflete o crescente interesse do público por questões sociais e políticas, alinhado ao atual cenário de debates no Brasil.
No entanto, o fluxo de clientes na Livraria Jaqueira não se mantém estável ao longo do ano. A maior movimentação ocorre durante o período de volta às aulas, quando


os estudantes buscam material escolar e livros didáticos. “Em dezembro, também notamos um aumento nas vendas, especialmente de livros didáticos e devocionais,” acrescenta.
Apesar do interesse pela literatura pernambucana, Ayrla mencionou que a livraria ainda não possui um espaço específico para esses livros. Contudo, estão estudando a possibilidade de criar um cantinho exclusivo para obras locais, o que pode valorizar ainda mais os autores da região. Essa iniciativa tem o potencial de oferecer aos leitores uma experiência mais imersiva e focada na identidade regional e abrir portas para eventos literários.
Por outro lado, ainda no mesmo bairro, o Recife também apresenta os famosos sebos. Diferente das livrarias, que buscam cada vez mais por modernidade e tecnologia, os sebos carregam um ar mais tradicional. Localizado no centro cultural de Recife, onde o coração da cidade pulsa por arte, calor e alegria, os sebos fazem a sua morada.
O que faz com que se torne um verdadeiro refúgio para os amantes da literatura. Vitória, uma frequentadora assídua, compartilha sua experiência e a importância desses espaços na promoção da leitura e preservação cultural. Para ela, os sebos desempenham um papel crucial: “Eles são espaços onde podemos não apenas comprar, mas também doar livros, permitindo que outras pessoas tenham novas experiências literárias,” comenta. Desde que começou a frequentar os sebos,
Vitória percebeu uma mudança significativa em seus hábitos de leitura: “Agora tenho muito mais cuidado com meus livros. Sei que posso doar ou vender para os sebos quando não quero mais ler.”
Ela recomenda fortemente esses espaços para quem está começando a explorar o universo literário: “Oferecem preços acessíveis e uma grande variedade de títulos.” Vitória observa ainda um aumento no interesse das pessoas pela literatura: “Os sebos são uma ótima opção por oferecerem livros mais baratos e acessíveis.” Sobre o impacto econômico desses estabelecimentos, ela vê isso como uma via de mão dupla: “Os donos ganham ao vender e nós nos beneficiamos com preços mais baixos.”
Por fim, Vitória expressa sua preocupação com o atraso nas reformas do museu onde era a casa da escritora Clarice Lispector: “É triste ver o prédio cheio de tapumes na praça Marciel Pinheiros. Poderia estar sendo utilizado para promover a cultura,” conclui. Os sebos do Recife continuam sendo espaços valiosos para a promoção da leitura e preservação da cultura literária, oferecendo aos leitores não apenas livros, mas também novas experiências e oportunidades enriquecedoras.
Manoel Almeida
As pontes do Recife são parte cruciais na identidade visual, cultural e histórica da cidade tão marcante ao ponto da cidade recebendo o título da Veneza brasileira. A cidade foi a primeira a receber uma famosa ponte Mauricio de Nassau e também foi uma das únicas a receber uma ponte giratória. Hoje a cidade possui 50 pontes a todo (porem iremos focar nas do recife antigo) sendo elas a 12 de setembro, Mauricio de Nassau, Buarque de Macedo, Limoeiro, Princesa Isabel, Duarte Coelho e Boa Vista. Assim trazendo um pouco de sua origem, eventos culturais como o galo da madrugada na Ponte Duarte Coelho, no cinema como Recife frio e Retratos Fantasmas de Kleber Mendonça Filho, entre outros. A intenção é dar vida às pontes e retratalas de forma nostálgica e contemplativa de figuras já condicionais no imagina das pessoas segam elas moradores ou turistas da cidade. “O Recife Sob as Pontes: Uma Jornada Pelos Símbolos da Cidade”.


O poema “Tarde no Recife” do poeta Joaquim Cardozo descreve a cidade dizendo: “Que assistem agora ao movimento das ruas tumultuosas, que assistirão mais tarde à passagem dos aviões para as costas do Pacífico. Recife romântico dos crepúsculos das pontes, e da beleza católica do rio.” As pontes que ligam a cidade se enchem de pedestres, carros, ônibus e motos que as atravessam. Elas não apenas conectam a cidade, mas são verdadeiras máquinas do tempo, onde a cultura, a arte e o povo se apossaram ao longo dos anos.
O poema citado é apenas uma entre tantas outras formas que atravessam o imaginário popular, seja através de músicas, como “Rios, Pontes e Overdrives”, de Chico Science & Nação Zumbi, que faz uma crítica afiada ao Recife dos anos 2000, ou nos curtas e filmes de Kleber Mendonça Filho, que usa o cenário único do centro da cidade em obras como ”Recife Frio” (2009) ou “Retratos Fantasmas” (2023).
Carinhosamente apelidado de “Veneza Brasileira”, o centro da capital é palco para o encontro dos
rios Capibaribe e Beberibe, que deságuam e formam o Oceano Atlântico, como brinca a população. As pontes surgiram como uma necessidade de conectar a cidade. Só no centro, são oito pontes diferentes que ligam quatro bairros distintos, cada uma com características e histórias próprias. Por isso, levarei você, caro leitor, a um breve passeio pelo Recife e suas pontes.
Pegando a Av. Martins de Barros em direção à Av. Marquês de Olinda, passaremos pela primeira delas, a Maurício de Nassau, construída ainda no período de domínio holandês na capital, pelo então conde João Maurício de Nassau, no século XVII. Ela foi a primeira grande ponte do país.
Próxima ao Porto Digital, Igreja Madre de Deus e Cais da Alfândega, na mesma ponte surgiu a famosa história do “boi voador”. Segundo o dito popular, o conde prometeu fazer um boi voar para arrecadar fundos, em resposta às críticas populares que diziam que seria mais fácil ver um animal voar do que a ponteser concluída.
Pegando a Avenida Guararapes em direção à Rua da Aurora, chegamos à famosa Ponte Duarte Coelho, que liga o Bairro da Boa Vista ao Bairro de São José. No Bairro da Boa Vista encontram-se o Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães (MAMAM) e o Cinema São Luiz. No Bairro de São José, está o Mercado de São José, conhecido por sua variedade de produtos. A Ponte Duarte Coelho é famosa por ser o palco do “Galo da Madrugada”, o maior bloco de rua do mundo, segundo o Guinness World Records, fundado em 1978.
No curta “Recife Frio” (2009), do cineasta Kleber Mendonça Filho, um dos cenários é a Ponte da Boa Vista, ou ponte de ferro, fundada em 1876, destacando-se pelos seus pilares e brasão imperial. Ela é vizinha da Duarte Coelho.
Seguindo para a Ponte 12 de Setembro, também conhecida como “ponte giratória”, uma das poucas em atividade no Brasil, concretada em 1971. Seguindo em frente, chega-se ao Marco Zero. Pela Rua Madre de Deus em direção ao Cais do Apolo, encontra-se a Ponte Buarque de Macedo, uma das mais belas e longas da cidade.


Os sons sincronizados de batuque dos Maracatus de Baque Virado ecoam recepcionando aqueles que visitam o Recife Antigo, sobretudo, nas tardes de domingo. O ritmo, que é uma combinação de elementos da cult ura africana, indígena e europeia, se une às mais diversas atrações que cria uma atmosfera característica e ímpar e que está à disposição daqueles que buscam por uma imersão cultural em um dos locais mais tradicionais da capital pernambucana.
Apesar de ser fácil encontrar em quase todo o período do ano os ensaios de grupos de Maracatu de Baque Virado naquele bairro, é nos meses que antecedem o Carnaval que estas manifestações ficam mais intensas. Crianças, jovens, adultos e até idosos se empenham no aprendizado e na
busca pela cadência perfeita, tudo isso comandado pelos chamados ‘mestres’, pessoas que não só são responsáveis por ensinar as técnicas dos instrumentos, mas também por transmitir a cultura ancestral que aquela manifestação cultural representa.
Para o mestre Rafael Alencar, do Afojubá Recife, “o maracatu expressa, por meio de sua música, dança e vestimentas, a história e espiritualidade de um povo que transferiu para manter vivas suas tradições em um contexto de opressão”, disse também destacando que grande parte dos 40 integrantes do grupo são oriundos de bairro de Santo Amaro e comunidades como João de Barros e Ilha de Joaneiro, locais bastante conhecidos pelos altos índices de criminalidade.
Nos ensaios e apresentações do Afojubá Recife é possível perceber a força de vontade e o espírito coletivo imbuído no propósito de expressar a resistência de um povo em meio aos desafios da falta de incentivo e apoio ao fomento desta cultura. “ funciona (o maracatu) com a ajuda de todos integrantes nos figurinos e adereços, não temos ajuda nem patrocínio de prefeitura nem nenhum outro órgão”, lamentou Mestre Rafael Alencar que também aproveitou revelar um sonho. “Temos um
projeto de levar o Afojubá às escolas”, disse destacando que o objetivo é passar adiante a cultura com oficinas de percussão e palestras sobre a história do Maracatu.
Outro mestre que também exaltou a importância de passar adiante a cultura foi Walter Araújo, do Yalu, grupo que tem a sua sede na Rua da Moeda, no Recife Antigo, e que conta com mais de 200 integrantes. “O Yalu tem muitas gerações de história, resistência, e luta para a manutenção da tradição que representa. Grande parte do trabalho desta minha geração vem do resgate feito pelo meu tio, Jorge Martins, que vem a quase 60 anos se desenvolvendo e foi o propulsor de um trabalho incrível.
Eu venho em sequência no resgate de muita coisa que vem antes de mim e meu tio, estou na construção e desenvolvimento do Yalu a 25 anos, nesta formação que leva minha trajetória e tem a gratidão aos antepassados como ponto de partida, acreditando que o futuro da cultura popular está, no respeito e reverência do mais novo, e na resistência e dedicação do mais velho”, registrou.
Assim como tem sido para o Afojubá, o grande desafio para o Grupo Yalu é a falta do devido reconhecimento ao que a cultura representa, foi o que destacou Mestre Walter Araújo. “Tenho dificuldade em demonstrar para as tradições e entidades governamentais a importância de manifestações como as dos grupos
percussivos. Muitos grupos percussivos atualmente apenas copiam as atividades e estruturas sonoras das nações tradicionais de maracatu sem fazer o devido registro e menção a originalidade e luta das nações tradicionais”.
Apesar dos desafios enfrentados, tanto o Afojubá, quanto o Yalu, como outros grupos de Maracatu resistem e seguem proporcionando àqueles que visitam o Recife Antigo a oportunidade de vivenciar uma experiência única não apenas de poder assistir seus ensaios e apresentações, mas até mesmo de poder se integrar e passar a fazer parte dos grupos, ajudando assim a manter viva e perpetuar esta tão rica manifestação cultura.

Ao chegar ao Marco Zero, um dos principais pontos turísticos de Recife, é possível ver o Centro de Artesanato de Pernambuco - Roberto Lessa. O espaço integra o Governo do Estado e da Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe), oferece mais de 25 mil peças produzidas por 1,8 mil artesãos de todo o estado. Destaca-se pela diversidade artesanal, ambiente climatizado e eventos culturais.Próximo ao local, encontra-se a Feirinha de Bom Jesus, idealizada por Tereza Lucena. Inspirada nas feiras inglesas, a feira conta com 160 expositores que vendem roupas bordadas, acessórios feitos à mão, objetos de cerâmica, crochê e itens de decoração. Funciona aos domingos e também possui um site para compras online. Segundo o Observatório de Turismo do Recife (OTREC), o turismo na cidade aumentou 32%, beneficiando artesãos locais e fortalecendo a economia. A Feira de Bom Jesus é um destino favorito tanto para turistas quanto para moradores, proporcionando lazer, entretenimento e valorização cultural.
Explorando o Artesanato: Um
Passeio Cultural no Marco Zero



Sob o sol inclemente do Marco Zero, entre turistas entusiasmados pelo sentimento de curiosidade e trabalhadores humildes que lutam para sobreviver, a história de um homem que fez das águas do rio Capibaribe seu ganha pão toca os corações daqueles que enxergam os invisíveis. Como ele se mantém firme quando tudo parece à deriva? O que o mantém remando contra a correnteza da vida? Hoje, mergulhamos profundamente na história de um barqueiro cuja trajetória é um verdadeiro espelho de resiliência.
Carlos Severino da Silva, popularmente conhecido como Seu Carlos, é um barqueiro que atua nas águas que banham o Marco Zero, um dos pontos turísticos mais famosos do Brasil e do mundo. Com seus 57 anos e mais de duas décadas de experiência guiando passageiros até o coração das esculturas de Ricardo Brennand, Carlos conta que a necessidade o levou para o barco. ‘’Na época eu já tinha filhos pra cuidar e não podia ficar sentado esperando alguém me dar algo pra sustentar minha família, então comprei com o dinheiro que eu tinha o barco, as ferramentas de trabalho e encarei o desafio’’, relatou Seu Carlos.
De uma infância humilde no bairro carente de Passarinho no Recife onde aprendeu com sua família que lutar sem desistir é sagrado, até um legado como um barqueiro experiente, esse é o elo que liga a trajetória emocionante de Carlos Severino. Dentro do barco existem muitos desafios,
momentos ímpares de cansaço, mas também importantes lições. “O que eu tento mostrar é que a vida é como o rio: cheia de marés. Às vezes, a correnteza quer te arrastar, mas a gente tem que seguir remando, mesmo devagar. O importante é não desistir, porque sempre tem um jeito de atravessar, por mais difícil que pareça’’, disse sabiamente.
Com simplicidade e um sorriso no rosto, impressionado por alguém dar um reconhecimento a sua profissão, Seu Carlos contou qual foi um dos acontecimentos mais inusitados nessa sua caminhada. “Teve um dia que o céu fechou e a chuva veio forte, quase virei o barco. Essas experiências ensinam a ter respeito pelo rio. Aprendi que, por mais que a gente ache que tem controle, o rio sempre fala mais alto. Hoje, navego com cautela e humildade, lembrando que cada travessia é um presente’’, destacou.


Conhecido como o local de fundação da cidade do Recife, o Marco Zero é o ponto turístico mais visitado da capital nordestina. Representando também um símbolo histórico, cultural e arquitetônico da cidade, tornou-se um ponto de convergência que celebra a identidade e as tradições de Recife. A arquitetura do Marco Zero transpira beleza e é um dos fatores que cativa o olhar. É um local abrangente, cercado por prédios históricos e obras de arte públicas, sendo também um palco para eventos culturais e festivais, tornando-se um espaço vibrante que conecta as pessoas através da arte.
Tendo como ponto de partida a ampla Praça Rio Branco, que está cercada por um belo conjunto arquitetônico, um dos seus elementos mais marcantes é o obelisco central. O monumento tem pouco mais de 1,5 m (chegando a 7 m com a base da estrutura) e foi instalado em 1938 como uma homenagem do Automóvel Club de Pernambuco. O obelisco confere uma presença majestosa ao espaço aberto, servindo como ponto de referência visual para os visitantes.
A presença de construções históricas, como a Igreja de Nossa Senhora do Carmo e a Caixa Cultural, contribuem para a atmosfera arquitetônica tradicional da área. Apesar dos prédios passarem por reformas contínuas, a estrutura que possui um ar majestoso e antigo é sempre preservada.
Partindo para a Rua do Bom Jesus (que já foi Rua do Bode, Rua dos Judeus e Rua da Cruz), ela é considerada uma das ruas mais bonitas do mundo e remete a uma história dos primeiros séculos da colonização. A rua é famosa por suas fachadas e prédios coloridos datados a partir do século XVII, normalmente de dois a três andares, janelas amplas e varandas de ferro forjado, típicos da época colonial. As ruas de paralelepípedos somadas aos resquícios dos trilhos de bonde trazem à tona a beleza de uma época antiga, porém ainda presente no eco.
Um fato interessante envolto nessa beleza: ela não foi destruída pela reforma dos anos 1910/20, mas sim, foi restaurada. Preservação e restauração fazem total diferença na paisagem urbanística.


O centro do Recife é uma mistura do antigo e do novo, com sua arquitetura característica, que já passou por diversas transformações ao longo do tempo. Ao unir a influência europeia, elementos tropicais e a adaptação da geografia local, o Recife antigo é mais atual do que nunca. Com uma cultura rica e diversificada, é possível verificar edifícios que remetem ao período colonial até os dias atuais, refletindo o desenvolvimento e a transformação da cidade. Além da sua importância histórica, o centro recifense é um importante polo econômico para a cidade. Por essas e outras questões, torna-se memorável e atemporal.


O Porto Digital é um dos principais parques tecnológicos e ambientes de inovação do Brasil.
Na virada do século 21, as câmeras digitais revolucionam o mundo da fotografia, o smartphone torna-se popular, as redes sociais conquistam mais e mais pessoas e o “Bug do Milénio” é finalmente desmascarado. Ao observar todas essas mudanças, Recife decidiu criar o Porto Digital para acompanhar as tendências tecnológicas dos anos 2000.
Inicialmente, o Porto Digital foi idealizado como uma política pública voltada para o campo de TI e Comunicação (TIC), para que ligasse organizações que antes atuavam separadamente na região. O objetivo era estimular a economia local e a criação de projetos sociais. Assim, a organização nasceu através de uma parceria entre os órgãos públicos e privados, marcando o início do desenvolvimento tecnológico da cidade.
Agora, 24 anos depois, esse hub tecnológico transformou-se em um importante patrimônio para a cidade. Com a missão de autoafirmar-se como um dos pilares para a economia e âncora do desenvolvimento sustentável em Pernambuco, a organização conquistou diversos títulos, tanto nacionais como

internacionais, além de abrigar iniciativas que desenvolvem e beneficiam as comunidades locais.
Nesse sentido, o empreendedorismo destaca-se como um de seus principais pilares. A advogada tributarista Priscilla Praxedes compartilhou como foi o processo de construir uma startup do zero com a ajuda do Porto Digital. Essa empresa possui diversas ações para fomentar o empreendedorismo local, especialmente aqueles ligados a pequenos negócios e startups de tecnologia. Sobre sua experiência, ela comentou: “Muito enriquecedora. Você ter acesso a conhecimento de forma gratuita e de qualidade, me impressionou muito. As atividades elaboradas, os projetos e as mentorias são sempre de muita qualidade e competência. Me levou para uma outra visão de negócio.”
Priscilla participou do programa Early Stage, que foi originado pela parceria entre Porto e Sebrae. Seu desejo era criar uma startup para que a população geral tivesse acesso à justiça. Dessa forma, o atual polo tecnológico foi essencial para trazer esse desejo à realidade. “Percebi que
estar no Porto Digital não é mistério, é vontade de fazer parte. Conheci as oportunidades me colocando nos lugares certos. Participar dos projetos que o Porto Digital oferece é uma ótima ferramenta para se inserir.”


Paço do Frevo, localizado no Bairro do Recife, em Recife, Pernambuco, é um museu dedicado à preservação, promoção e valorização do Frevo, patrimônio cultural imaterial da humanidade reconhecido pela UNESCO. Inaugurado em 9 de fevereiro de 2014, o museu é administrado pela Prefeitura do Recife, em parceria com o Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG). O museu tem como objetivo não apenas preservar a história do Frevo, mas também incentivar a prática e o conhecimento dessa manifestação cultural por meio de atividades interativas, oficinas, apresentações artísticas e exposições.
O Paço do Frevo é um dos museus mais visitados da cidade do Recife. A média de público gira em torno de 100 mil visitantes por ano, com picos durante o carnaval e eventos culturais importantes. O museu atrai tanto turistas quanto moradores locais, além de pesquisadores e artistas interessados em aprofundar seus conhecimentos sobre o Frevo.
Atualmente no Paço está em cartaz desde o dia 16 de agosto a exposição “Mancha de Dendê Não Sai – Moraes Moreira” que segue até o dia 9 de março de 2025, e presta uma homenagem à vida e obra de Moraes Moreira, destacando sua contribuição para o frevo e outros ritmos brasileiros. O título da exposição, “Mancha de Dendê Não Sai”, faz referência a uma canção de Moraes Moreira e simboliza as raízes culturais nordestinas que permeiam sua produção artística.
O dendê, ingrediente essencial na culinária baiana, aqui é uma metáfora para as marcas profundas e indeléveis que a cultura popular, especialmente a música, deixaram em sua carreira. Moreira, conhecido por sua inovação ao misturar ritmos nordestinos como o Frevo, o Samba e a Axé Music com o Rock e outros estilos modernos, deixou um legado que continua a influenciar artistas contemporâneos.
A exposição está organizada nos três andares do

museu de maneira a destacar momentos marcantes da vida e obra de Moraes Moreira, especialmente sua ligação com o Frevo e o Carnaval de rua. A exposição “Mancha de Dendê Não Sai” oferece uma rica experiência não apenas para os fãs de Moraes Moreira, mas também para aqueles interessados em entender a interseção entre música popular brasileira e Carnaval. Ela celebra a vida de um artista que quebrou barreiras culturais, ligando o Frevo, o Axé e o Rock, e convida o público a vivenciar essa mistura de ritmos em um dos centros mais icônicos da cultura carnavalesca.
O museu do Paço do Frevo funciona de Terças a Sextas das 10h às 17h e Sábados e Domingos de 10h às 18h e fica localizado na Praça do Arsenal da Marinha, s/n, Bairro do Recife na Capital Pernambucana. A entrada no museu nas terças feiras é gratuita, nos restantes dos dias a entrada custa 10 reais, com meia entrada no valor de 5 reais,.
Inaugurado em abril de 2014, o Módulo 1 do Cais do Sertão representa uma década de identidade
da cultura nordestina. Um museu que mescla a glória do passado, rico culturalmente, e a grandeza do presente, tecnológico e inovador. O museu é administrado pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe). Com os olhos para o futuro, o espaço investe em desenvolvimento, prometendo uma interação imersiva para aquele que se aventurar nas histórias do sertão. Construído no local do antigo Armazém 10 do porto do Recife, o projeto é composto por duas edificações Módulo 1 e 2 que registram fluxos intensos de visitações. Com uma média semanal de 1.200 pessoas, além disso, o equipamento chega a receber 4 escolas por dia, reforçando o compromisso com a educação e inclusão cultural da região pernambucana e nordestina como um todo. Atualmente o Museu Cais do Sertão está recebendo a exposição fotográfica ‘Sertão Sertões’, da fotógrafa pernambucana Stela Maris. Essa mostra é o resultado de mais de 10 anos de trabalho da artista, que documentou a vida, cultura e paisagens do sertão pernambucano e suas nuances.
A exposição oferece um mergulho visual na pluralidade do sertão nordestino, revelando aspectos que vão desde as tradições e cotidianos dos sertanejos até as vastas paisagens, destacando os contrastes e a riqueza cultural da região. As fotografias capturam tanto a beleza quanto as adversidades do sertão, e a mostra também explora as diferentes formas de viver e se adaptar ao ambiente.
O trabalho de Stela Maris é conhecido por seu olhar sensível e profundo sobre a vida no sertão, permitindo que os visitantes tenham uma experiência imersiva e reflexiva sobre essa parte do Brasil.
O Cais do Sertão tem horário de funcionamento de Terças a Sextas de 10h às 16h e Sábados e Domingos de 11h às 17h e dispõe gratuidade às terças-feiras, e valores nos outros dias de 10 reais valor da inteira e meia custando 5 reais.
Rhuan Costa
No coração de Recife, no Recife Antigo, o “Boi Voador” é um ponto de encontro para quem deseja experimentar a culinária pernambucana. Fundado há mais de 10 anos, é conhecido por suas receitas tradicionais que resgatam a cultura local.
O proprietário, Fabio, nos conta sobre a história do restaurante: “Quando abri o Boi Voador, não esperava essa proporção. Hoje, ele é minha vida. Renunciei à minha família pelo restaurante. Além de restaurante, é um apoio aos moradores, atendendo todos com dedicação.”
Conversamos com turistas, como Sara Johnson, dos EUA, que destacou o tempero incrível e a mistura de sabores, e Carlos Mendoza, da Argentina, que elogiou a hospitalidade e a tradição nos pratos. A culinária de Recife, marcada pela fusão de influências indígenas, africanas e europeias, resulta em pratos cheios de sabor e história. No “Boi Voador”, clientes saboreiam desde baião de dois até sobremesas regionais como a cartola.
REPRODUÇÃO: IGOR
REPRODUÇÃO: IGOR



AFeira do Bom Jesus, localizada no bairro histórico do Recife, é uma das mais tradicionais da capital pernambucana, refletindo não apenas a alma cultural da cidade, mas também desempenhando um papel crucial na economia local. Marcando presença em todos os domingos, a feira se consolidou ao longo dos anos como um ponto de encontro para empreendedores e artesãos , sendo uma vitrine da rica diversidade cultural e econômica do estado de Pernambuco.
A área do Recife Antigo, com seus casarios coloniais e ruas de paralelepípedos, já foi o coração pulsante do comércio da cidade, e a feira é um legado vivo dessa época, preservando não só a memória de um período de intensa atividade econômica, mas também os traços culturais e sociais da formação de Recife.Atualmente, a Feira do Bom Jesus continua a ser um motor econômico para a cidade, oferecendo um espaço acessível para pequenos comerciantes, muitos dos quais dependem exclusivamente dessa oportunidade para o sustento de suas família, visibilidade, networking e oportunidades de crescimento que muitas vezes não seriam possíveis em outros ambientes comerciais. Caio, do Cabrito

Criativo, é um artesão que encontrou na feira a chance de fazer de seu trabalho sua única fonte de renda. Produzindo artesanato inspirado na cultura pernambucana, ele afirma que a feira é o ponto mais importante para seu trabalho: “Tudo que eu vendo é feito com as minhas mãos, e aqui na feira eu consigo mostrar minha arte para muita gente. Hoje, essa é minha única fonte de renda e a feira com certeza é o lugar que faz as coisas acontecerem.”, conta. Se há um ponto onde a Feira do Bom Jesus se destaca, é na capacidade de representar a cultura de Pernambuco em cada detalhe. As bancas exibem produtos típicos e itens contemporâneos que mesclam tradição e modernidade e a música ao
vivo, com grupos de maracatu e frevo, faz parte do ambiente, oferecendo aos visitantes uma experiência autêntica da cultura local.Além de Caio, outra empreendedora que encontrou na feira a oportunidade de mostrar sua paixão por Recife é Luana, criadora da marca Artperlua.
Luana produz ecobags, camisetas e pôsteres com estampas feitas à mão, inspiradas na rica cultura da cidade, suas peças únicas destacam pontos turísticos e elementos culturais e têm ganhado popularidade entre moradores e turistas. “Como uma bairrista que sou, quis criar algo que fosse acessível, sustentável e, ao mesmo tempo, representasse a beleza do Recife.
A feira me permite mostrar esse trabalho de perto”, comenta Luana. Entre as feirantes que fazem a diferença na vida dos recifenses está Dona Si, uma senhora de 62 anos, que viu na feira uma chance de transformar sua paixão por livros em um negócio acessível para todos, com um sorriso acolhedor, ela compartilha: “Aqui, eu consigo levar a leitura para quem nunca teve a chance de entrar numa livraria. Vendo livros a partir de 5 reais, porque acredito que a cultura precisa ser acessível. Não faço isso só pelo dinheiro, mas para que as pessoas tenham a oportunidade de se conectar com o conhecimento.”
Com sua banca repleta de títulos variados, que vão desde romances a livros didáticos, Dona Si reflete sobre o impacto que esse trabalho tem na vida das pessoas. “Eu sempre amei ler, mas sei que nem todo mundo tem a oportunidade de frequentar livrarias ou de comprar livros caros.
Aqui na feira, eu consigo fazer com que a leitura chegue a mais gente, independentemente da classe social”. Além de fornecer livros a preços acessíveis, Dona Si se tornou uma figura querida entre os frequentadores da feira, sua banca é um ponto de encontro, onde os clientes não apenas compram livros, mas também trocam ideias e recebem indicações de leitura. “Gosto de conversar com as pessoas, saber o que elas gostam, e oferecer algo que pode mudar o dia delas.
Tem gente que volta toda semana, e isso me dá a certeza de que estou fazendo algo importante”, comenta. A acessibilidade proporcionada pela Feira
do Bom Jesus é, sem dúvida, um dos maiores pilares de sua relevância na cidade do Recife.
É nesse espaço democrático que empreendedores como Dona Si encontram a oportunidade de transformar vidas, levando cultura e conhecimento a um público que, de outra forma, teria pouco acesso. Na feira, a acessibilidade não se limita apenas a preços, mas também à troca humana, à conexão entre pessoas, e à valorização das raízes culturais de Pernambuco, se tornando não só um espaço de comércio, mas um verdadeiro patrimônio vivo da cidade, onde histórias se cruzam e a cultura se renova a cada encontro.

OParque das Esculturas, criado por Francisco Brennand e inaugurado em 2000, é um espaço que homenageia a arte e a cultura pernambucanas, marcado pela celebração dos 500 anos do Brasil.
Localizado no Recife, o parque abriga uma coleção impressionante de esculturas do artista, que refletem sua visão única e seu estilo característico.O projeto foi desenvolvido com o intuito de promover a integração entre a arte e a natureza, oferecendo um ambiente ao ar livre para apreciação das obras. Ao longo dos anos, o parque enfrentou desafios, como vandalismos e roubos que afetaram algumas das esculturas, levando a prefeitura a investir na restauração e conservação do espaço. De acordo com a prefeitura do Recife, foram destinados R$ 9,5 milhões em recursos próprios para reformar o local e restaurar as esculturas do renomado artista pernambucano.
Hoje, porém, o Parque das Esculturas é reconhecido não apenas como um importante ponto turístico, mas também como um símbolo da
ALÍCIA GUSMÃO E RANYELLA CÁSSIA
cultura local, atraindo visitantes que buscam tanto a beleza das obras, quanto a história do artista e de sua contribuição para a arte brasileira.
A torre de cristal e as colunas de esculturas, que compõem o parque das esculturas, formam um complexo artístico que dialoga com o passado, presente e futuro da cidade.
Ela é a obra central e mais alta do parque das esculturas, com 32 metros de altura. É composta por cerâmica e vidro, criando uma estrutura imponente que se destaca na paisagem do recife antigo. E ainda, ela é uma representação simbólica da vida e da natureza, e mistura elementos da flora e fauna, com figuras mitológicas e fantasiosas, características marcantes do trabalho de Brennand.
A torre simboliza a conexão entre o céu e a terra, um eixo que une o espiritual e o terreno. Sua forma remete a uma grande coluna que guarda mistérios e histórias, integrando elementos de diversas culturas, mitologias e tradições populares. Já o uso do vidro, dá à obra uma característica de brilho e transparência, representando a luz e o reflexo da cidade nas águas ao redor.
Portanto, as esculturas de Francisco Brennand no Recife Antigo têm um impacto cultural significativo, refletindo e moldando a identidade da região.

Em um bairro onde até o chão tem história, a vida noturna não escapa da narrativa. O clima envolvente da cidade do carnaval, carrega dezenas de pessoas para a festa e se reinventa constantemente com o passar dos anos, elevando frequentadores apaixonados ao status de fãs. A movimentação dos chamados bairristas, corrobora com o desenvolvimento econômico da capital. O grupo que busca a identidade de suas origens tem ganhado cada vez mais adeptos, transformando o comportamento de consumo dos habitantes locais e influenciando a visita de turistas. O novo estilo de vida, engloba principalmente os bares da região, onde a boa pedida é sempre a velha democracia que abrange de simples botecos ao ar livre até os grandes estabelecimentos sofisticados agradando diferentes
gostos e bolsos, como ressalta Meriele Arruda diretamente da saudosa Rua da Moeda: “A variedade é muito grande. Por exemplo, você pode tá aqui na Rua da Moeda, que é acessível, mas você também pode ir para o Bom Jesus, pra Praça do Arsenal, que aí vai de acordo com seu nível de gosto (...) tá no Recife Antigo, pra mim, me faz sentir mais em contato com a cultura, porque eu sou muito bairrista, não vou negar. Então, eu gosto de ver um prédio bonito, gosto de tá com meus amigos, e aí cada um se diverte da maneira que quiser. Eu gosto muito de tá aqui por transmitir essa vibe de Recife, do que é Recife.” Outro ponto levantado pelos fãs é a diversidade da culinária pernambucana que pode ser encontrada em cada esquina em uma imensa variedade de iguarias típicas e até
mesmo de outras culturas. Embora o movimento ganhe cada vez mais adeptos, o descaso do poder público não deixa de ser notado. Pelos arredores, prédios abandonados e degradados dividem espaço com a paisagem e deixam comerciantes insatisfeitos ansiando ações de um projeto de Recentro que pouco viram até agora. As pessoas que frequentam cobram ações para o enfrentamento da suposta crise que se alastra pelos bairros do centro e eventualmente contribui para a exterminação da história do Marco Zero. Para que de fato, a cultura da cidade seja preservada e que a história do Recife continue a ser contada e continuada por diversas gerações.



As campanhas políticas aqui no Recife, nas semanas que antecedem as eleições, geram um impacto significativo no meio ambiente. O uso excessivo de materiais como bandeiras, panfletos e cartazes, muitas vezes feitos de plásticos e papéis não recicláveis, contribui para a poluição visual e a degradação ambiental. Durante o dia da eleição, as ruas próximas aos locais de votação viram aquele mar de papeis promocionais, resultando em um grande acúmulo de lixo. A falta de planejamento para a coleta e a destinação adequada desse material agrava o problema, tornando as áreas urbanas mais poluídas. Campanhas digitais e o uso de materiais recicláveis são algumas soluções que estão sendo adotadas por candidatos que buscam se posicionar de forma mais sustentável. Além disso, a conscientização sobre a importância da limpeza e preservação dos espaços públicos também tem ganhado força, incentivando a população a participar ativamente da manutenção do meio ambiente durante e após as eleições.

Aefervescência do comércio em Recife começou no coração da cidade: o Marco Zero. Localizado na área central do Recife, a região consagra o crescimento econômico da cidade. Por trás da fundação, segundo historiadores, houve uma escolha estratégica.
Em um primeiro momento, a ideia era tornar o Marco Zero um ponto que facilitasse o desembarque de mercadorias e o escoamento de produtos, devido à localização privilegiada de confluência de rotas marítimas e grande porte fluvial da cidade. Mas, com o tempo, essa movimentação favoreceu o desenvolvimento da região como centro de comércio
e ponto de encontro entre os habitantes e visitantes, tornando o local um núcleo urbano.
“Ali onde era a praça, era uma área de convergência onde se desembarcavam os principais navios, e esses navios levavam as mercadorias para onde os armazéns do porto. Era uma área estritamente portuária, de carga, de mercadorias e, principalmente, de açúcar”, explicou o historiador e técnico em Turismo, Everaldo Júnior.
O entorno do Marco Zero se transformou em um ponto atrativo para o surgimento de mercados e feiras, movimento também fruto do período
colonial da cidade, época em que o comércio de rua e as feiras populares tinham grande importância no cotidiano da cidade. Esses espaços permitiam que pequenos produtores, pescadores e artesãos comercializassem seus produtos diretamente à população. Inicialmente, os mercados se concentravam nas margens dos rios e no centro da cidade, mas com o crescimento do Recife, expandiram-se para outras áreas.
A praça começou a se desenvolver na década de 30, quando já existia uma atividade portuária muito grande. Mas, séculos antes, ainda na época colonial, já havia uma intensa atividade
comercial da época da ocupação. A influência dos holandeses foi significativa para o desenvolvimento do desenvolvimento urbano e econômico; eles trouxeram avanços na infraestrutura e planejamento da cidade, com a organização de transporte de mercadorias, tendo o Porto do Recife sob administração holandesa favoreceu as trocas comerciais com a Europa
A proximidade ao Marco Zero atraía tanto comerciantes quanto consumidores, o que consolidou a área como o coração comercial da cidade. “Comecei na Rua do Bom Jesus em 2006. Quando iniciei no artesanato percebi que minhas peças (roupas recriadas, customizadas com representatividade voltada para o Nordeste) teria boa visibilidade em uma feira que atraísse um público diverso com foco no Turismo e tem dado certo ao longo desses 18 anos”, disse a feirante, Ruth Maria.
O impacto do comércio no crescimento urbano do Recife foi notável. O desenvolvimento de mercados e feiras fomentou a expansão da cidade, contribuindo para a criação de bairros e a modernização da infraestrutura urbana. Ao longo dos séculos, o comércio foi o motor do crescimento econômico da cidade, promovendo a construção de pontes, estradas e edifícios comerciais que ajudaram a estruturar o espaço urbano que conhecemos hoje.
O Recife, inicialmente um porto comercial, tornou-se uma metrópole complexa, em grande parte devido à vitalidade do seu comércio e à presença de mercados que alimentam a economia local. Assim atraindo ambulantes até mesmo com uma nova forma de acompanhar o comércio, com a venda de fotografias tiradas por câmeras profissionais no próprio Marco, como ponto turístico que se tornou.

