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01. TFG_Memorial

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projeto urbano de integração e qualificação entre a unicamp e o ciatec II Danilo Andrada Guilherme Raymundo Profa. Dra. Maria Gabriela Caffarena Celani

Memorial


Projeto Urbano de integração e qualificação entre a Unicamp e o Ciatec II

Danilo Andrada Guilherme Raymundo Profa. Dra. Maria Gabriela Caffarena Celani

Memorial Trabalho Final de Graduação Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo

2021


agradecimentos

agradeço à minha família, pelo apoio e pela boa convivência ao longo destes meses em que voltamos a morar juntos. à minha orientadora, Gabi, que não só abraçou a ideia do projeto como também contribuiu imensamente para o seu desenvolvimento, auxiliando, incentivando e compartilhando os seus conhecimentos. .aos meus professores, em especial aos docentes de urbanismo, por me apresentarem tantos olhares e possibilidades novas do que é ou pode ser uma cidade. aos meus amigos, por me escutarem e confiarem no que faço, sempre me apoiando e proporcionando bons momentos e boas conversas. por fim, agradeço a todos que, de alguma forma, ofereceram contribuições ao desenvolvimento deste trabalho. A soma de todas elas foi extremamente importante para que eu chegasse ao resultado final.


Figura 1. Visão aérea da área do projeto + paleta de cor originada a partir da paisagem da imagem. FONTE: Macedo (2018); elaborado pelo autor.

6


7


1. 1.1. 1.2. 1.3.

2. 2.1. 2.2.

3. 3.1. 3.2. 3.3.

4.

diagnóstico campinas área de influência área de intervenção

HIDS ciatec II unicamp

parques tecnológicos sobre estado de são paulo parque tecnológico da unicamp

princípios de projeto


5. 5.1. 5.2. 5.3. 5.4.

referências projetuais masterplan campus wu swiss national innovation park konza techno city masterplan passarela de pedestres tabiat

6.

caderno de projeto

7.

referências


apresentação

A escolha do local veio antes do tema. A intenção sempre foi fazer um projeto na minha cidade natal, Atibaia. Porém, com o advento da pandemia desde o ano passado e a distância da Unicamp como consequência, houve uma mudança na ideia inicial e escolhi a minha universidade como local de projeto, pela consideração que construí ao longo dos últimos cinco anos por ela. Ao mesmo tempo, com a saída de Campinas e a volta para Atibaia, tive a oportunidade de projetar em minha cidade, por meio de um estágio com foco em projetos de loteamento; projetos convencionais e voltados ao mercado. Veio então mais um motivo para a escolha da Unicamp, considerando que um campus é, em relação à cidade, um laboratório vivo, onde as experimentações são mais incentivadas e possibilitadas e onde os resultados das aplicações teóricas podem ser estudados e, inclusive, replicados poste-


riormente na sociedade. (PD-INTEGRADO, 2021) Levando isso em conta, fui atrás do que poderia ser feito na universidade e logo a região do Parque Científico e Tecnológico da Unicamp destacou-se. É um lugar ainda pouquíssimo ocupado, com algumas construções dispersas, mal integrado ao restante do campus e de topografia acentuada. Ao mesmo tempo, será um setor importante de ligação e acesso à nova área do campus, na Fazenda Argentina, ainda em fase de planejamento, bem como ao Hub Internacional de Desenvolvimento Sustentável (HIDS) como um todo, uma área de 11,3 milhões de m², que engloba a Unicamp, a Puccamp e o Polo Tecnológico Ciatec II. Desta forma, meu tema encaminhou-se para o desenvolvimento de um projeto urbano para a região do Parque Científico e Tecnológico da Unicamp, estendendo-se para locais da universidade e do Ciatec II, a fim de se estruturar e qualificar a área, preparando-a para a futura expansão que ocorrerá em todo o HIDS e promovendo a integração entre o campus da Unicamp e o Ciatec II.


introdução O trabalho se dará analisando primeiro o território, partindo da escala macro, relativa à Campinas e região, direcionando-se depois para a área de influência do projeto, encaminhando-se para o raio de intervenção da proposta. Nas três escalas, o foco da análise será nos elementos que afetarão diretamente as decisões projetuais mais à frente. Depois, será explicado o Hub Internacional para o Desenvolvimento Sustentável (HIDS), área diretamente relacionada aos objetivos da proposta de projeto, por englobar e dar diretrizes gerais ao raio de intervenção. Em seguida, parte-se para um estudo sobre inovação, parques tecnológicos e a importância destes fatores para o desenvolvimento de uma região. A finalidade é a de dar base ao programa do projeto, que engloba um polo tecnológico e


o Parque Científico e Tecnológico da Unicamp. Após um embasamento mais geral, o trabalho partirá para a exposição e explicação teórica dos princípios projetuais da proposta, baseando-se em três livros: Urbanismo Sustentável: Desenho Urbano com a Natureza, de Douglas Farr (2013); Uma Linguagem de Padrões, de Christopher Alexander et al (1977); e Cidades para Pessoas, de Jan Gehl (2015). Por fim, antes de se encaminhar para o projeto em questão, serão apresentadas referências projetuais que colaboraram com o processo criativo e com o conhecimento do programa a ser abordado na proposta final. A proposta final, no caderno de projeto, abordará uma leitura crítica do local, bem como sua consolidação em diretrizes para o projeto. Também será exposto o processo de projeto até, finalmente, chegar na proposta em questão.


1 .


diagnóstico


1.1. Campinas foi fundada oficialmente em 14 de julho de 1774, porém enquadrou-se na categoria de cidade apenas em 1842 (CAMPINAS, s/d). Segundo Teixeira et al (2021), predominou-se, durante todo o século XIX, a monocultura do café na região, período no qual foi implantada uma importante rede ferroviária na cidade, além de ter sido fundado um dos primeiros centros de pesquisas do país, o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), no ano de 1887 pelo Imperador D. Pedro II (IAC, s/d). Já no século XX, após a crise financeira de 1929, a economia cafeeira decaiu, iniciando-se um período de industrialização e urbanização da cidade. Como resultado, na década de 1960 é inaugurado o Aeroporto Internacional de Viracopos, na região sudoeste de Campinas. (TEIXEIRA et al, 2021). A criação do aeroporto foi de fundamental impor16

diagnóstico


tância para que a cidade passasse a receber uma quantidade significativa de empreendimentos relacionados a atividades de ciência, tecnologia e informação (CT&I). De acordo com Teixeira et al (2021), isso estimulou o surgimento de variados tipos de espaços de inovação, a exemplo de parques tecnológicos, incubadoras de empresas e universidades, como a Unicamp. Além disso, os autores também destacam: entre outros fatores, a criação desses espaços inovadores pode ser creditada à posição estratégica da cidade e à sua infraestrutura, que despertaram interesse de Empresas de Base Tecnológica (EBTs), as quais buscam beneficiar-se da proximidade geográfica com outras empresas e instituições para desenvolver parcerias em atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D). (TEIXEIRA et al, 2021, p. 48)

A posição estratégica da cidade pode ser justificada, dentre outros motivos, pela sua inserção na Macrometrópole Paulista (Figura 1.1), que é o principal eixo tecnológico, industrial e econômico do país (EMPLASA, 2012). Além das 20 cidades que formam a Região Metropolitana de Campinas (RMC) (Figura 1.2), compõem a macrometrópole a Região Metropolitana de São Paulo, Baixada Santista, Sorocaba, Vale do Paraíba, Litoral Norte, a Unidade Regional Bragantina e as aglomerações urbanas de Jundiaí e de Piracicaba. Essa região corresponde a 50% da área urbanizada do estado de São Paulo, além de 74,7% da população estadual e 81,9% do PIB do estado. Na macrometrópole, o modal rodoviário é predominante e suas rodovias principais estão classificadas entre as melhores do país, de acordo com pesquisa feita pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), em 2019. Especificamente no município de Campinas, segundo a FIPE e a Precampinas

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feitura Municipal de Campinas (2009), as principais rodovias são: Bandeirantes (SP 348); Anhanguera (SP 330); Santos Dumont (SP-075); Dom Pedro I (SP-065); e Adhemar de Barros (SP-340), sendo classificadas respectivamente em segundo, oitavo, décimo primeiro e as duas últimas empatadas em primeiro lugar no ranking da CNT de 2019. As ferrovias existentes na cidade são, atualmente, apenas para transporte de cargas. Assim, a locomoção diária de Campinas é baseada nestas grandes rodovias, as quais contribuíram, segundo o Observatório das Metrópoles (2019), com um aumento de 38,6 para 53,2 automóveis/100 habitantes na cidade, entre 2008 e Santa Bárbara D’Oeste 2018. Isso ocasionou em uma média quase duas vezes maior que a média brasileira.

A

Nova O

Su

Monte Mor

Figura 1.1. Macrometrópole Paulista, com a Região Metropolitana de Campinas (RMC) em destaque. FONTE: Gomes, Reschilian e Uehara (2018); modificado pelo autor.

18

diagnóstico


Engenheiro Coelho

Arthur Nogueira Santo Antônio da Posse Cosmópolis

Holambra Jaguariuna

Americana

Odessa

Pedreira

Paulínia

umaré Hortolândia

Campinas

Morungaba

Valinhos Itatiba Vinhedo Indaiatuba

0

5,0

15,0Km

Figura 1.2. Região Metropolitana de Campinas (RMC) ampliada, com Campinas em destaque. FONTE: Research Gate (s/d); elaborado pelo autor

campinas

19


As figuras 1.3 , 1.4 e 1.5 mostram o grande porte de algumas das principais rodovias do município, com leitos carroçáveis largos e pelo menos três faixas de rolamento para cada sentido em muitos trechos das vias. É possível notar também muitas faixas de acesso margeando as Rodovias Anhanguera e Dom Pedro I, além de grandes galpões, acessados por essas faixas marginais, o que exemplifica a locomoção diária de Campinas baseada no rodoviarismo. A importância das rodovias como grandes eixos de locomoção da cidade, além do alto uso de veículos motorizados no município como um todo, fica mais explícita na figura 1.6, elaborada para o Plano Viário do Município de Campinas, em 2017. Nela é possível notar fluxos intensos como na Rodovia Anhanguera, que em alguns trechos chega perto dos 9.000 veículos por hora. Mas rodovias próximas à área do projeto, como a Dom Pedro I, Prof. Zeferino Vaz e Adhemar de Barros também possuem fluxos bastante expressivos, ficando entre os 3.000 e 6.000 veículos por hora. A Rodovia Anhanguera, além de sua importância no fluxo da cidade, representa também uma divisa social clara em Campinas. O Plano de Mobilidade Urbana de Campinas (PMUC/2019) destaca que as maiores rendas domiciliares estão ao Norte da rodovia, enquanto ao Sul encontra-se o maior contingente de famílias com baixa renda domiciliar (figura 1.7), além de ser a região com o maior número de habitantes. Consequentemente, segundo o último censo do IBGE (2010), a população de Campinas que frequentou escolas particulares concentra-se ao Norte da Rodovia Anhanguera, enquanto a maioria que frequentou escolas públicas encontra-se ao Sul (figuras 1.8 e 1.9). Ao mesmo tempo, os moradores com curso superior completo e os residentes que exercem profissões relacionadas às ciências localizam-se também em maior número ao Norte da rodovia (figuras 1.10 e 1.11). Não 20

diagnóstico


Figura 1.3. Trecho da Rodovia Anhanguera em Campinas. FONTE: A Cidade On (2017)

Figura 1.4. Trecho da Rodovia Dom Pedro I em Campinas FONTE: Cidade e Cultura (s/d)

Figura 1.5. Trecho da Rodovia Bandeirantes em Campinas. FONTE: Portal CBN Campinas (2021)

campinas

21


rod. adhemar de barros

rod. dom pedro I

rod. anhanguera

rod. bandeirantes rod. santos dumont

Figura 1.6. Carregamento viário e nome das principais rodovias de Campinas FONTE: EMDEC (2019); modificado pelo autor


carregamento viário

legenda

0

2,5

7,5km


rod. adhemar de barros

rod. dom pedro I

rod. anhanguera

rod. bandeirantes rod. santos dumont

Figura 1.7. Renda domiciliar e classificação do sistema viário principal de Campinas. FONTE: Renda: SEPLAN (2015); Sistema Viário: ARTESP (s/d); elaborado pelo autor.


renda média domiciliar + sistema viário principal

legenda rodovias ferrovias

1,4 a 3,0 salários mínimos 3,0 a 5,0 salários mínimos 5 a 10 salários mínimos 10 a 44,3 salários mínimos setor censitário desabilitado ou <100 hab

0

2,5

7,5km


legenda 400 a 1450 1450 a 2540

0km 2,5

7,5km

2540 a 3800 3800 a 5990

Figura 1.8. População residente - frequentavam rede de ensino partiular. FONTE: IBGE (2010)

legenda 1130 a 3760 3760 a 6240

0km 2,5

7,5km

6240 a 8760 8760 a 12340

Figura 1.9. População residente - frequentavam rede de ensino pública. FONTE: IBGE (2010)

26

diagnóstico


legenda 290 a 930 930 a 2900

0km 2,5

7,5km

2900 a 7180 7180 a 13210

Figura 1.10. Pessoas com curso superior completo. FONTE: IBGE (2010)

legenda 230 a 720 720 a 2210

0km 2,5

7,5km

2210 a 3910 3910 a 6210

Figura 1.11. Profissionais das ciências e intelectuais. FONTE: IBGE (2010)

campinas

27


por acaso, as grandes universidades, centros de pesquisa e tecnologia da cidade encontram-se mais ao Norte, como é o caso dos campi principais da Unicamp e Puccamp além do Techno Park, do CTI Renato Archer, do CNPEM, do Parque Empresarial de Campinas, dentre outros. São centros que ou produzem ou necessitam de mão de obra qualificada. Além da questão social, é necessária também a análise de alguns dos aspectos climáticos de Campinas, que serão de grande influência no projeto. Os ventos predominantes, conforme as figuras 1.12 e 1.13, partem do Sudeste, principalmente durante a primavera, mas também há destaque para os ventos vindos do Sul. As direções menos predominantes são o Noroeste e o Nordeste. Em relação ao clima, ele é classificado como subtropical de inverno seco. De acordo com Bainy, as temperaturas médias mensais, analisadas dentro do período de 1990 a 2018, variam entre 25,3°C a 18,8 °C, com os meses mais quentes do ano entre outubro e março. (apud TEIXEIRA, 2021) Também é típico do município uma grande amplitude térmica diária, além de um considerável índice pluviométrico que, segundo o autor, tem uma média anual mensal (19902018) de 1514 mm, porém distribuído irregularmente ao longo do ano. Pela figura 1.14, é possível notar que os períodos de maior precipitação ocorrem durante o verão, enquanto que no inverno há um período de relativa estiagem, principalmente entre maio e setembro.

verão

outono

inverno

primavera

Figura 1.12. Gráfico das médias de direção dos ventos em Campinas por estações do ano FONTE: Teixeira et al (2021); modificado pelo autor.

28

diagnóstico


Figura 1.13. Gráfico das médias de direção dos ventos em Campinas por ano. FONTE: Teixeira et al (2021); modificado pelo autor.

Figura 1.14. Gráfico das médias mensais de temperatura e precipitação de Campinas. FONTE: Teixeira et al (2021); modificado pelo autor.

campinas

29


1.2. A área de influência é relativa a uma região diretamente relacionada à área de intervenção do projeto, por conta das dinâmicas que surgirão entre a proposta e seu entorno, bem como pelas características locais, que influenciam e dão base às tomadas de decisões projetuais. Para a delimitação da área de influência neste trabalho, levantou-se equipamentos relativos ao programa a ser desenvolvido na área de intervenção. Dentro disso, incluiu-se universidades, terminais de ônibus, hospitais, centros de pesquisa, parques tecnológicos, além da sede da CPFL, empresa que também desenvolve pesquisas e possui parceria com a Unicamp por meio do programa Campus Sustentável (Campus Sustentável, s/d). Os hospitais foram selecionados pensando em pesquisas na área da saúde. Na figura 1.15, destaca-se os equipamentos considerados para a delimitação da área de influência, enquanto na figu30

diagnóstico


legenda parques tecnológicos outros equipamentos 0

1,0

3,0km

Figura 1.15. Levantamento de equipamentos relevantes para delimitação da área de influência. FONTE: Google Earth; elaborado pelo autor.

raio de intervenção

área de influência

0

1,0

3,0km

Figura 1.16. Delimitação da área de influência + raio de intervenção. FONTE: elaborado pelo autor.

área de influência

31


ra 1.16 é traçada a delimitação com base nestes equipamentos, bem como localiza-se o raio de intervenção do projeto, tema do próximo subcapítulo. Para auxiliar na delimitação, foram considerados também o perímetro urbano de Campinas e algumas vias arteriais ou expressas (figura 1.17) As vias usadas como referência na delimitação foram as expressas Rod. Dom Pedro I, Rod. Anhanguera, Av. Cônego Antônio Roccato, Rod. Adhemar de Barros e as arteriais Av. Comendador Aladino Selmi, Av. Brasil, Av. Orosimbo Maia, Av. José de Souza Campos e a Av. Júlio Prestes. Elas serviram como apoio na delimitação pois estão próximas aos equipamentos levantados e são vias de grande porte, que têm o potencial de dividir e até mesmo segregar espaços. Na figura 1.18, de hierarquia viária, é possível notar uma maior quantidade de vias arteriais e coletoras ao Sul da Rodovia Dom Pedro I, em comparação com a parte Norte, já inserida no distrito de Barão Geraldo. Nota-se também que poucas das vias ao Sul da rodovia a atravessam até o distrito. Assim, a Rod. Dom Pedro I funciona como um elemento segregador do distrito de Barão Geraldo em relação ao restante da cidade. Além da dificuldade natural em se atravessar uma rodovia de grande porte como ela, as únicas vias que permitem a travessia são outras duas expressas (Rod. Prof. Zeferino Vaz e Rod. Adhemar de Barros); a Av. Guilherme Campos, classificada como arterial e coletora em diferentes trechos pelo Plano de Mobilidade Urbana de Campinas, e com características completamente hostis ao pedestre, como trechos sem calçadas e sem nenhuma arborização; e a arterial Av. Professora Ana Maria Silvestre Adade que, assim como a Av. Guilherme Campos, é composta por um pontilhão sem calçadas ou ciclovias para a travessia. Ou seja, o meio mais seguro e comum de se chegar a Barão Geraldo é por um veículo motorizado. Isso reforça a política rodoviarista da cidade, que difi32

diagnóstico


legenda área de

intervenção

área de influência perímetro urbano vias

0

2,5

7,5km

rod. anhanguera

av. cônego antônio roccato

rod. dom pedro I

av. brasil

rod. adhemar de barros

av. orosimbo maia

av. comendador aladino selmi

av. josé de souza campos av. júlio prestes

Figura 1.17. Delimitação da área de influência no contexto do perímetro urbano e de vias utilizadas na delimitação. FONTE: Geoambiental (s/d); Google Earth; elaborado pelo autor

área de influência

33


barão gera

taqua

nova aparecida

amarais

cent Figura 1.18. Hierarquia viária em Campinas e divisão dos distritos englobados pela área de influência. FONTE: EMDEC (2019); elaborado pelo autor


carregamento viário

legenda rodovia via arterial

ldo

via coletora

tanquinho legenda rodovia via arterial via coletora

aral

tro Figura 1.15. Hierarquia viária da área de influência e limites dos distritos de Campinas

0

1,2

4,6km


culta o transporte ativo em toda a região, mas em graus maiores em locais como a travessia da Dom Pedro I. As figuras 1.19, 1.20 e 1.21 apresentam as condições atuais das três principais vias que atravessam a Rod. Dom Pedro I e conduzem as pessoas do centro de Campinas ao distrito de Barão Geraldo e vice-versa, evidenciando-se a falta de suporte que essas vias proporcionam ao transporte ativo. Apesar da ênfase e investimento na mobilidade a partir do veículo motorizado, as diversas vias da área de influência sofrem com o excesso de automóveis, os quais as sobrecarregam principalmente nas intersecções e encontros viários. Isso se reflete muito inclusive nas principais entradas de Barão Geraldo, conforme a figura 1.22, também desenvolvida para o Plano de Mobilidade Urbana de Campinas. Os trechos em preto, classificados como “F”, são os trechos em que o carregamento da via ultrapassa 100% da capacidade ofertada por ela. Isso acontece justamente no cruzamento da Rod. Prof. Zeferino Vaz com a Rod. Dom Pedro I, no trecho onde ambas convergem para a Av. Albino J. B. de Oliveira, uma das duas únicas vias arteriais de todo o distrito. Por conta de ser uma das poucas vias arteriais, essa avenida possui um extenso trecho avaliado como “Ruim” ou “E”, quando o carregamento da via atinge de 81% a 100% de sua capacidade. Vias menores também apresentam problemas consideráveis de mobilidade, como é o caso da coletora Av. Adolfo Lutz e da local Av. Oswaldo Cruz, ambas no entorno da área médica da Unicamp, além da via coletora Rua Bertrand Russell, um dos anéis no entorno da Praça do Ciclo Básico da universidade. Apesar da mobilidade baseada em rodovias, por conta de fatores como esta problemática do sobrecarregamento das vias urbanas, a prefeitura tem planos tanto para o transporte ativo quanto para o coletivo. 36

diagnóstico


MAR. 2020

1120 Av. Profa. Ana Mariasobre SilvestreaAdade Figura 1.19 Av. Guilherme Campos Rod. Dom Pedro I. FONTE: Google Maps

MAR. 2020

Figura 1.20 Av. Profa. Ana Maria Silvestre Adade sobre a Rod. Dom Pedro I. FONTE: Google Maps SP-332 Captura da imagem: mar. 2020

© 2021 Google

Campinas, São Paulo

MAR. 2020 Google

Street View - mar. 2020

Figura 1.21 Rod. Prof. Zeferino Vaz abaixo da Rod. Dom Pedro I. FONTE: Google Maps Captura da imagem: mar. 2020

© 2021 Google

Campinas, São Paulo Google Street View - mar. 2020

área de influência

37


Figura 1.22. Nível de serviço do sistema viário principal na área de influência. FONTE: EMDEC (2019); modificado pelo autor.


nível de serviço viário

legenda A - <0,26 ótimo B - 0,26 - 0,41 bom C - o,41 - 0,59 aceitável D - 0,59 - 0,81 regular E - 0,81 - 1,00 ruim F - >1,00 péssimo

0

1,0

3,0km


Figura 1.23 Plano Cicloviário de Campinas e Área de Influência. FONTE: EMDEC (2019); modificado pelo autor.


plano cicloviário

legenda estudo preliminar operação projeto

0

1,0

3,0km


A figura 1.23 mostra o Plano Cicloviário de Campinas, no qual percebe-se que a quantidade de ciclovias é bem inferior ao das vias destinadas aos veículos motorizados, expostas nos mapas anteriores. Ademais, mesmo com projetos de ciclovias indicados no plano, eles não sanam a falta de conexão pelo transporte ativo entre Barão Geraldo e o restante da cidade, pois apenas ligariam a Av. Guilherme Campos com a entrada da Puccamp. Além disso, as ciclovias atuais são isoladas em trechos, o que indica uma rede cicloviária desintegrada e dispersa. Por outro lado, o mapa indica estudos preliminares de uma grande rede de ciclovias na região do Ciatec II e ao Norte dela, o que demonstra uma intenção de tornar essa região um lugar de forte mobilidade para ciclistas. Em relação ao transporte público, Teixeira et al (2021) destacam que o transporte coletivo de Campinas é feito majoritariamente por ônibus convencionais, que operam nas mesmas vias que os veículos. Mas o Plano de Mobilidade Urbana da cidade propõe implementar a Rede Estrutural de Mobilidade, com base em modais de média capacidade como o Bus Rapid Service (BRS), o Bus Rapid Transit (BRT) e o Veículo Leve sobre Trilho (VLT). Essa rede (Figura 1.24) planeja, dentro da área de influência do projeto, incluir uma linha de VLT ao longo da Rodovia Professor Zeferino Vaz. Ela cruzaria a Rod. Dom Pedro I em direção ao terminal de Barão Geraldo e depois seguiria pela Av. Dr. Romeu Tortima até uma das portarias da Unicamp. Em seguida, percorreria a Av. Martin Luther King, Rua Roxo Moreira e Av. Adolfo Lutz até encontrar com uma linha de BRT em outra portaria da Unicamp, na intersecção da Av. Adolfo Lutz com a Av. Guilherme de Campos. Dessa forma, ela aperfeiçoaria a integração entre o distrito de Barão Geraldo e o restante da cidade, que não dependeria só do automóvel, bem como ligaria pontos importantes dentro do distrito. Além disso, por ligar-se a uma linha de BRT, essa in42

diagnóstico


tegração seria estendida até a Puccamp, e de lá até o Ciatec II e à Rodovia Adhemar de Barros, onde haveria outra linha de BRT, que também cruzaria a Rodovia Dom Pedro I, em direção ao bairro do Taquaral. Por fim, haveria também uma rede de BRS, com uma linha cruzando Barão Geraldo de Leste a Oeste, passando na divisa entre a Puccamp e o Ciatec II e encontrando-se no caminho com a linha de BRT e VLT. Ou seja, o cruzamento da Av. Guilherme de Campos com a Av. Adolfo Lutz seria um importante terminal intermodal do distrito, com o encontro dos três modais de transporte citados, além de já ser uma relevante intersecção de veículos, entre a Unicamp, Puccamp e o Ciatec II. Todavia, ao relacionar esta rede com a densidade demográfica atual da área de influência (Figura 1.24), percebe-se que estes corredores de transporte passariam por muitas regiões desabitadas ou pouco adensadas. Essas áreas são evidentes em quase todo o lado oeste da Rod. Prof. Zeferino Vaz e margeando toda a extensão da Av. Guilherme de Campos. Nota-se também que as regiões mais densas da área de influência são ao Sul da Rod. Dom Pedro I, onde ainda assim são raras as quadras que passam de 200 hab/ha, predominando-se quadras entre 25 e 100 hab/ha, enquanto ao Norte da rodovia, prevalecem grandes áreas com menos de 5 hab/ha e quadras entre 5 e 50 hab/ha. Com isso, constata-se que o distrito de Barão Geraldo não é só separado do restante da cidade pela Rod. Dom Pedro I, mas também por extensos vazios urbanos que margeiam praticamente toda a rodovia. Associado à questão da segregação, existe o fato de que Barão Geraldo não possui muitas quadras de uso comercial, e a predominante zona residencial da área de influência do projeto (Figura 1.25) depende de grandes estabelecimentos comerciais, como o Shopping Parque D. Pedro. área de influência

43


Figura 1.24 Rede estrutural de mobilidade e densidade demográfica na área de influência. FONTE: Densidade: SEPLAN (2015); Mobilidade: EMDEC (2019); elaborado pelo autor.


rede estrutural de mobilidade planejada + densidade existente

legenda

terminais BRS BRT VLT <5 hab/ha 5 a 25 hab/ha 25 a 50 hab/ha 50 a 100 hab/ha 100 a 200 hab/ha >200 hab/ha hidrografia

0

1,0

3,0km


Figura 1.25. Uso real do solo na área de influência. FONTE: SEPLAN (2015); modificado pelo autor.


uso real do solo

legenda residencial comércio e serviços administração clube e associação educação e pesquisa saúde, saneamento e segurança transporte (empresas e terminais) indústria e serviços similares áreas verdes vazios urbanos hidrografia

0

1,0

3,0km


1.3. A área de intervenção está contida em um círculo de raio 1,0 Km e área aproximada de 354 ha. Localiza-se no distrito de Barão Geraldo e abrange parte da Unicamp e do Ciatec II (o qual inclui um trecho da Unicamp), conforme mostra a figura 1.26. A área está localizada justamente em um ponto de transição entre o campus e o Ciatec II, onde ainda há uma quantidade grande de solo permeável, por conta da quase ausência de edifícios, com a predominância do uso agrícola (Figura 1.27). Apesar disso, na região oeste da área de intervenção, relativa à parte já urbanizada da Unicamp, encontra-se uma área pavimentada e impermeabilizada considerável, mesmo não havendo um grande número de edifícios. Conforme mencionado, o Ciatec II engloba parte da Unicamp, referente à gleba da Fazenda Argentina e ao Parque Científico e Tecnológico, por conta da convergência de objetivos entre essas áreas, com foco no desenvolvimento de 48

diagnóstico


0

0,5

1,5km

Figura 1.26. Área de Intervenção, Unicamp e CIATEC II. FONTE: HIDS (s/d); PD-I (2021); Google Earth; elaborado pelo autor.

0

0,5

1,5km

Figura 1.27. Cobertura do solo na área de intervenção. FONTE: Google Earth; Teixeira et al (2021); modificado pelo autor.

área de intervenção

49


0

0,25

0,75km

Figura 1.28. Programas na área de Intervenção + Área de preservação ambiental e Hidrografia. FONTE: DEPI (s/d); Geoambiental (s/d); Google Earth; elaborado pelo autor.

50

diagnóstico


recomposição floresta paludosa flor. estacional semidecidual floresta mista app

0

0,25

0,75km

Figura 1.29. Vegetação Nativa, APP degradada e Hidrografia na área de intervenção FONTE: Geoambiental (s/d); Google Earth; elaborado pelo autor.

pesquisas e geração de inovação. Relativo a isso, a figura 1.28 mostra uma região exclusivamente institucional, com usos acadêmicos e de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento), os quais, apesar de serem complementares, ainda estão pouco integrados, principalmente considerando o vazio urbano entre o campus, o Sirius e o Pólis de Tecnologia. Além do vazio urbano e quase ausência de vias, esta integração é dificultada por grandes fragmentos de vegetação que margeiam tanto o limite entre o parque tecnológico da Unicamp e a Fazenda Argentina, quanto a via que liga a Unicamp ao Pólis de Tecnologia. Parte destes fragmentos incluem vegetação nativa (Figura 1.29), representada pela floresta paludosa, no entorno da área de intervenção

51


nascente e em um trecho mais ao sul do córrego, além de fragmentos de Floresta Mista e Floresta Estacional Semidecidual. A figura também destaca trechos degradados da APP, além de suas dimensões mínimas. O relevo é outra dificuldade encontrada na integração entre o campus e o Ciatec II pois, apesar de ser uma área majoritariamente plana ou suavemente ondulada, possui pontos específicos onde a inclinação se torna fortemente ondulada, característica que ocorre principalmente no entorno do córrego, conforme a figura 1.30. É possível notar também muitos taludes, onde o relevo é categorizado como escarpado, ou seja, com inclinações acima dos 75%. Ao mesmo tempo, o caminho da Unicamp ao Ciatec II, pelas vias existentes, mostra-se uma subida constante, com plano 0 a 3% suave ondulado 3 a 8% ondulado 8 a 20% fortemente ondulado 20 a 75% escarpado >75%

0 Figura 1.30. Declividade na área de intervenção. FONTE: Geoambiental (s/d); Google Earth; produzido pelo autor.

52

diagnóstico

0,25

0,75km


inclinações que, nos pontos mais íngremes, passam dos 8%, o que acaba por dificultar a mobilidade ativa nestas vias, que também são deficientes em calçadas e arborização. Ainda assim, elas são muito utilizadas para chegar à região mais alta do campus (Figura 1.31), na divisa com a Fazenda Argentina, e obter vistas privilegiadas do entorno. Isso inclui o Museu Exploratório de Ciências da Unicamp, onde muitas pessoas se reúnem para observar o pôr do sol. A figura 1.32 é um mapeamento das imagens que vêm a seguir e que constituem o levantamento fotográfico da área de intervenção. O levantamento destaca, dentre outras características, a deficiência em arborização e calçadas ao longo das vias, bem como a vista que se obtém a partir das regiões mais altas do campus (Figura 1.33).

0

0,25

0,75km

Figura 1.31. Hipsometria da área de intervenção. FONTE: Topographic Map (s/d); Google Earth; produzido pelo autor

área de intervenção

53


Figura 1.32. Mapeamento do levantamento fotográfico na área de intervenção. FONTE: Google Earth; elaborado pelo autor


0

0,25

0,75km


AGO. 2018 - A

56

Figura 1.33. Pôr do Sol visto do Museu Exploratório de Ciências da Unicamp (A) diagnóstico FONTE: Morando em Barão (2019)


área de intervenção

57


OUT. 2019 - B

Figura 1.34. Av. Alan Turing (B). FONTE: Google Maps.

OUT. 2019 - C

Figura 1.35. Av. Doutor André Tosello (C). FONTE: Google Maps.

SET. 2018 - D

Figura 1.36. Rua Oscar Niemeyer (D). FONTE: Google Maps.

58

diagnóstico


R. Daniel Hogan

SET. 2018 - E

Figura 1.37. Rua Oscar Niemeyer - Via de Pedestres (E). FONTE: Google Maps. R. Walter August Hadler Captura da imagem: set. 2018

© 2021 Google

Campinas, São Paulo

OUT 2019 - F

Google

Street View - set. 2018

Figura 1.38. Rua Walter August Hadler (F). FONTE: Google Maps. Captura da imagem: out. 2019

© 2021 Google

Campinas, São Paulo Google

SET. 2018 - G

Street View - out. 2019

Figura 1.39. Rua Saturnino de Brito (G). FONTE: Google Maps.

área de intervenção

59


SET. 2018 - H

Figura 1.40. Av. Albert Einstein I (H). FONTE: Google Maps.

SET. 2018 - I

Giuseppina Vianelli Napoli Google Maps. Figura 1.41. Av. Av. Albert Einstein II (I).di FONTE:

OUT. 2019 - J

Figura 1.42. Av. Giuseppina Vianelli di Napoli, com Sirius à direita (J). FONTE: Google Maps. Captura da imagem: out. 2019

Campinas, São Paulo Google

60

diagnóstico

Street View

© 2021 Google


5 R. Dr. Ricardo Benetton Martins

OUT. 2019 - K

Figura 1.43. Rua Dr. Ricardo Benetton Martins (K). FONTE: Google Maps. 1000 R. Dr. Ricardo Benetton Martins

Captura da imagem: out. 2019

© 2021 Google

Campinas, São Paulo

OUT. 2019 - G

Google Street View

Figura 1.44. Rua Dr. Ricardo Benetton Martins e entrada do Pólis à direita (L). FONTE: Google Maps Canavial Da PUCC Captura da imagem: out. 2019 © 2021 Google Campinas, São Paulo Google Street View

AGO. 2019 - K

Figura 1.45. Trilha Unicamp - Bosque das Palmeiras (M). FONTE: Google Maps. Captura da imagem: ago. 2019

As imagens podem ter direitos autorais.

Elvio Gregolin Street View - ago. 2019

área de intervenção

61


Nas figuras 1.34 a 1.39, que se encontram no campus da Unicamp, é possível perceber que há algumas calçadas niveladas e sem interrupções no caminho. Porém, não há nenhuma arborização ou qualquer tipo de sombreamento em nenhuma delas, além do fato de que o lado oposto a elas é desprovido de passeio. A única exceção é a figura 1.37 que, na realidade, é um grande calçadão planejado para ser uma via exclusiva de pedestres, mas que, por conta da topografia, falta de sombreamento, mobiliários e edifícios, é vazia e serve inclusive como estacionamento em seu trecho mais próximo à Rua Saturnino de Brito. Percebe-se também, em algumas dessas figuras, estruturas de concreto expostas, de edifícios inacabados, e alguns em obra, já com fechamento. Estes são prédios monolíticos e distantes da via, isolados uns dos outros, o que dificulta a existência de fachadas ativas. A maioria das quadras possuem cercas no perímetro e são ainda bastante vazias e áridas. Junto a isso, destacam-se estacionamentos que estão concentrados nas intersecções viárias, contribuindo com grandes áreas pavimentadas e com a falta de estímulo para quem passa por estes pontos. Nota-se também o baixo gabarito do entorno, o que permite a visibilidade do horizonte ao fundo em algumas imagens. As figuras 1.40 e 1.41 também são de espaços dentro do campus, mas em uma localidade mais baixa, a qual é separada por um talude de mais de 10m de altura da parte alta da Unicamp. As imagens foram tiradas a partir de um mesmo ponto da Av. Albert Einstein, em uma das escadarias que liga a região mais baixa com a mais alta. Cada imagem volta-se para um lado diferente da via, fornecendo uma ideia aproximada da grande extensão do talude, que se prolonga por mais de 500m de extensão. Isso dificulta muito a permeabilidade e a passagem de pedestres e ciclistas da parte baixa para a parte alta e vice-versa. Estes dependem de escadarias ou de subi62

diagnóstico


rem uma das duas vias que se encontram nas extremidades do talude, a Av. Alan Turing e a Av. Dr. André Tosello. Estas já se mostraram possuir poucos incentivos à mobilidade ativa, conforme as figuras 1.34 e 1.35 respectivamente. As figura 1.42 a 1.45 são de locais fora da Unicamp, mas permanecem recorrentes as ruas escassas em sombras, calçadas e qualquer tipo de mobiliário, além de uma baixa ocupação na área. As figuras 1.43 e 1.44, em específico, são na Rua Dr. Ricardo Benetton Martins. Na primeira, encontra-se, à direita, o Pólis de Alta Tecnologia e, à esquerda, a Fazenda Argentina, além da torre que existe no local, referente ao CPQD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações), localizado dentro do Pólis. A segunda imagem referente à rua destaca a entrada do Pólis, à direita. Por fim, é possível ver parte da Fazenda Argentina na figura 1.45, a partir de uma das divisas com a área externa à Unicamp. A fazenda é cortada por uma linha de alta tensão, mas nela ainda são predominantes cenários rurais, com campos cobertos por gramíneas, cortados por estradas e trilhas de terra, praticamente sem construções, com exceção da sede da fazenda, a qual é, atualmente, a sede da INOVA Unicamp. A região possui, portanto, uma paisagem ainda predominantemente rural, sem vias e quadras qualificadas para o transporte ativo, contrastando, ao mesmo tempo, com edifícios dispersos, voltados ao desenvolvimento de inovação e tecnologia. É também uma região de pouca vitalidade urbana, enfatizando-se o fato de que não há pedestres nas imagens. Nota-se que elas são de momentos antecedentes à pandemia da Covid-19, ou seja, as fotos explicitam a baixa ocupação que ocorria em períodos normais de vivência no campus. A figura 1.46 apresenta um panorama geral da área de intervenção, onde é possível perceber a clara separação física entre a área ocupada da Unicamp e a do Ciatec II, entremeada por grandes massas de vegetação e desprovida de vias. área de intervenção

63


perímetro unicamp divisão fazenda argentina área de Intervenção 64

Figura 1.46. Vista aérea da área de intervenção do projeto, com destaque para os principais programas FONTE: Macedo (2018); Elaborado pelo autor.


65


2 .


HIDS


2.1. O Ciatec II compõe a maior parte do Hub Internacional para o Desenvolvimento Sustentável (HIDS), o qual começou como uma estrutura que abrangia apenas a Fazenda Argentina e buscava integrá-la harmonicamente aos campi da Unicamp. De acordo com o site oficial do HIDS (s/d), a finalidade do Hub era combinar e articular ações por meio de parcerias e cooperações entre instituições, que deveriam ter competência e interesse em promover o desenvolvimento sustentável e tecnológico do local. Porém: com a evolução das atividades de prospecção (...) que poderiam ser desenvolvidas no HIDS, tornou-se evidente a sinergia e a oportunidade desta iniciativa com a vocação dos diversos atores que compõem a região do Ciatec II (...). (HIDS, s/d)

68

HIDS


Assim, o HIDS passou a englobar toda a área do Ciatec II, a Unicamp e a Puccamp, propondo a implantação de um distrito inteligente e sustentável, em uma área de 11,3 milhões de m². Atualmente, participam do projeto a Prefeitura Municipal de Campinas, o Governo do Estado de São Paulo, Unicamp, PUC-Campinas, Facamp, CNPEM, Embrapa, CPQD, TRB Pharma, Cargill, Cariba Empreendimentos e Participações, além do Instituto Eldorado, CPFL e Sanasa. Todos integram o Conselho Consultivo Fundador do HIDS. De acordo com o Plano Diretor Estratégico de Campinas de 2018 (PDE/2018), o Ciatec II, junto à Unicamp, é considerado um dos três Polos Estratégicos de Desenvolvimento da cidade, em conjunto com o Centro e o Aeroporto Internacional de Viracopos. Mas como uma região de Campinas na transição para o meio rural passou a abrigar tantos institutos voltados à tecnologia, a ponto de ser categorizado como um polo de desenvolvimento da cidade? Para se compreender de maneira mais clara este cenário atual, é necessário discorrer sobre alguns pontos da história local e de Barão Geraldo como um todo. Relativo ao distrito de Barão Geraldo, até 1953, ele pertenceu ao então distrito de Paulínia. A partir desta data, foi transformado em um novo distrito e passou a integrar o município de Campinas. Teve a sua primeira indústria em 1942, a Rhodia, durante o período de industrialização da cidade. A empresa, do setor químico, comprara uma das fazendas da região com a finalidade de se produzir o álcool etílico. (Rhodia, 2019). A partir deste marco, as estradas de acesso a Barão Geraldo passaram a receber melhorias, bem como o distrito em si, recebendo infraestrutura. (TEIXEIRA et al, 2021) A partir deste momento, as terras próximas ao núcleo central do distrito começaram a passar por processos de ciatec II

69


parcelamento do solo, enquanto que grandes glebas, mais distantes, mantiveram o seu uso rural, envolvendo as sedes das antigas fazendas advindas do ciclo do café. Já no contexto da criação do Aeroporto Internacional de Viracopos, na década de 60, quando Campinas começa a receber uma quantidade considerável de empreendimentos relacionados a atividades de ciência, tecnologia e inovação (CT&I), é criada a Unicamp no distrito. Foi fundada oficialmente em 5 de outubro de 1966 (SIARQ, s/d), tendo como objetivo principal promover a pesquisa tecnológica com fortes ligações com o setor de produção local e regional. A implantação do campus estimulou ainda mais o parcelamento do solo na região, por conta da demanda criada. Na década seguinte, a Pontifícia Universidade Católica de Campinas (Puccamp) e o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (CPqD) foram instalados próximos à Unicamp, impulsionando, em conjunto com ela, a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologia na região. Já em 1983, após um período econômico adverso, a Prefeitura Municipal de Campinas, em conjunto com a Unicamp, cria a Companhia de Desenvolvimento do Polo de Alta Tecnologia de Campinas (CIATEC). Segundo Lavandeira (2007), o CIATEC foi criado com o intuito de planejar e executar a política de ciência e tecnologia da cidade, buscando favorecer a proximidade e a integração das atividades de educação, indústria, comércio e serviços com as de pesquisa. Em 1992 é então aprovado o Decreto n° 10.777, que cria o estatuto social do CIATEC. A partir daí, duas áreas são designadas para a implantação de Empresas de Base Tecnológica (EBTs), originando-se os polos Ciatec I (próximo ao Aeroporto de Viracopos) e o Ciatec II, correspondente à quase totalidade do HIDS. Com isso, somado às universidades da área, o incentivo à instalação de EBTs cresceu no distrito e, em 1997, é 70

HIDS


inaugurado o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, a primeira fonte de luz síncrotron do Hemisfério Sul. (LNLS, 2014). Este laboratório atualmente integra o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), inserido no Ciatec II. Já na década de 2000, a Unicamp passa a fortalecer os vínculos com o setor produtivo, o que resultou, em 2003, na criação da sua Agência de Inovação, a Inova Unicamp. (INOVA, s/d). Além destas, algumas outras instituições foram instalando-se no polo de alta tecnologia, como a Cargill em 2011, com o seu centro de tecnologia e inovação de alimentos; o centro de processamento de dados da Santander Brasil em 2014; e o acelerador de partículas Sirius, em 2018. Todos estes novos equipamentos implantados ao longo das últimas décadas tornaram-se pólos geradores de trânsito de Barão Geraldo, segundo o Plano de Mobilidade Urbana de Campinas. Soma-se a eles o Hospital de Maternidade Madre Theodora, o Centro Médico de Campinas, o Hospital das Clínicas da Unicamp, o Centro Infantil Boldrini e o CEASA. Isso faz com que, atualmente, haja um fluxo significativo de veículos ao distrito, o qual corresponde a 6,05% do total de viagens diárias feitas em Campinas. Destes, apenas 19% são realizadas pelo transporte coletivo, índice que Teixeira et al (2021) destacam ser menor do que o índice médio do município para o mesmo modal, de 32%. Já o transporte motorizado individual corresponde a uma porcentagem expressiva de 71% do total de deslocamentos feitos ao distrito, sustentando a priorização do automóvel na cidade sobre os outros tipos de transporte. Nota-se assim que, apesar de ser um local com características periurbanas, Barão Geraldo e, principalmente o Ciatec II, passou por um significativo processo de desenvolvimento, por meio da instalação de programas muito relevanciatec II

71


tes baseados em inovação, ensino e tecnologia. Isso ajuda a esclarecer a demarcação desta área pelo PDE/2018 como um Polo Estratégico de Desenvolvimento da cidade, com grandes potenciais a serem explorados. Apesar disso, o desenvolvimento do local traz riscos à região de se tornar mais uma zona de novos loteamentos fechados em Campinas, conforme explicou Dalbelo (2021), coordenadora do Plano Diretor Integrado da Unicamp (PD-Integrado), em entrevista concedida no dia 31 de março de 2021. O Ciatec II, pelo seu histórico de ocupação por propriedades rurais, estrutura-se ainda em grandes glebas, com áreas acima dos 200.000 m² (Figura 2.1). Grande parte destas glebas são privadas e estão com projetos de loteamento que foram protocolados antes das leis atuais. São consideráveis áreas de terra, nas mãos de poucos proprietários, que podem colocar o projeto do HIDS em risco. Contrastando com as pretensões de se criar loteamentos fechados na área, a atual Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo (LPUOS/2018) classifica toda a região do HIDS como Zona de Atividade Econômica A (ZAE A), a qual permite apenas usos não residenciais, prevendo a instalação de atividades econômicas como comércio, serviços, institucional e industrial. Além disso, o PDE/2018 inclui a região do HIDS na Macrozona Macrometropolitana de Campinas, destacada pelo plano como uma área impactada por estruturas viárias, atividades econômicas e equipamentos de dimensão regional, nacional e internacional. Dentre outras diretrizes, essa macrozona incentiva o desenvolvimento de atividades econômicas relevantes ao longo das rodovias o que, segundo Teixeira et al (2021), pode ser um grande problema, visto que o trânsito local impactaria ainda mais o trânsito das rodovias e vice-versa. Tal fator contribuiria com a característica de barreira física das rodovias e impediria o livre percurso por meio e através delas. 72

HIDS


Em relação à forma de ocupação, a LPUOS/2018 estabelece um coeficiente de aproveitamento máximo 2 para a área, considerado um limite intermediário entre zonas da cidade que permitem 1 e outras que permitem até 4. O coeficiente básico fica em 1, de acordo com o PDE/2018, e o mínimo em 0,25. Entretanto, como a ZAE A é divergente aos interesses associados ao HIDS, Dalbelo (2021) destaca que a equipe da especialização da FECFAU-Unicamp responsável pelo projeto do Hub Internacional está trabalhando para que a definição atual da área como ZAE A não seja aprovada. Conforme expõe Dalbelo: A prefeitura de campinas tem um zoneamento pronto para aquela área, só que este zoneamento não está alinhado ao que a gente está tentando fazer no HIDS, então a gente está ‘em briga’ mesmo com a prefeitura para tentar postergar a aprovação deste zoneamento lá na câmara dos vereadores para ver se a gente consegue mudar algumas partes que são propostas. (...) nossa proposta de mudança vem baseada no planejamento. A gente não vai conseguir falar o que eles têm que mudar na lei que eles propuseram (...) sem antes a gente saber como é que vai ser a ocupação de lá. (...) já eles [a prefeitura] acham que têm que aprovar a lei e depois montar o projeto (2021, informação verbal).

Assim, o Ciatec II ainda não possui uma lei de uso e ocupação definitiva, o que permite maior liberdade projetual para este trabalho. Já o Plano Diretor da Unicamp possui parâmetros de ocupação que devem ser seguidos e serão expostos no próximo subcapítulo. Vale destacar também planos gerais desenvolvidos pela prefeitura municipal e que englobam o HIDS. São eles as ciatec II

73


diretrizes viárias (Figura 2.2), do Plano de Mobilidade Urbana, e os Corredores Ecológicos (Figura 2.3), contidos no Plano Municipal do Verde (PMV). Dentro das propostas das diretrizes viárias, é importante destacar as vias arteriais, em laranja, dentro da área do Ciatec II, sendo a principal conectada à Av. Guilherme Campos. Ela se utiliza de um espaço onde não é possível edificar, por conta de uma linha de transmissão que segue o mesmo caminho. São também relevantes para o projeto duas vias coletoras, em amarelo, que partem da Unicamp, uma delas propondo a ligação da Av. Alan Turing, dentro do campus, à Av. Giuseppina Vianelli di Napoli. Esta passa por equipamentos importantes como o Sirius e o Centro de Inovação da Cargill, além de dar acesso à rua do Pólis de Alta Tecnologia. A outra coletora, segundo Dalbelo (2021), já foi executada, com algumas diferenças em relação à diretriz do Plano de Mobilidade. Ela liga o Parque Científico e Tecnológico da Unicamp à sede dele, a Inova Unicamp, a partir da Av. Dr. André Tosello. Porém, sua recente execução foi feita canalizando-se o trecho do córrego abaixo da via, indo contra os princípios de sustentabilidade que se pretende pregar no HIDS. De acordo com a coordenadora do PD-Integrado, a ideia inicial era executar essa travessia por meio de uma ponte, sem grandes interferências no córrego e em sua área de proteção permanente. Já em relação aos corredores ecológicos, previstos para serem implantados em toda a RMC, eles são uma forma de reduzir a fragmentação da vegetação nativa remanescente, pois promovem a conectividade entre os fragmentos. Consequentemente, gera-se um maior fluxo genético entre populações da fauna local (SVDS, 2015). No caso da área do projeto, prevê-se um corredor de 50m de largura, com um adensamento de 3x2 metros, ligando dois grandes fragmentos de mata nativa (CAMPINAS, 2016). 74

HIDS


HIDS área de intervenção perímetro unicamp

divisão das glebas

0

0,5

1,5km

Figura 2.1. Estrutura Fundiária. FONTE: Teixeira et al (2021); Google Earth; Modificado pelo autor. HIDS área de intervenção perímetro unicamp

via arterial via coletora

0

0,5

1,5km

Figura 2.2. Plano Viário. FONTE: EMDEC (2019); Google Earth; Modificado pelo autor.

ciatec II

75


76

Figura 2.3. Linhas de conectividade HIDS

FONTE: SVDS (2015); modificado pelo autor.


linhas de conectividade legenda corredores ecológicos área de influência (1km) linhas de conectividade área de intervenção HIDS

0

0,5

1,5km

ciatec II

77


2.2. De acordo com o Plano Diretor Integrado da Unicamp (PD-Integrado): fornecer ensino, pesquisa e atividades de extensão de qualidade é, certamente, a maior prioridade da Unicamp. Mas também é grande a intenção em integrar com o entorno onde estamos inseridos e manter nossos campi acessíveis, seguros, acolhedores, diversos, atualizados e sustentáveis, criando um ambiente que incentive a troca de experiências e conhecimentos. (2021, p. 4)

A universidade, conforme o subcapítulo anterior, foi fundada em outubro de 1966 já com este intuito de promover a pesquisa associada ao ensino e ao setor produtivo. Atualmente, ela já conta com 6 campi, com 2019 docentes em 78

HIDS


atividade, 7135 funcionários, 65 cursos de graduação, 158 de pós-graduação e 37.670 estudantes, da graduação ou da pós. Além disso, ela possui 36 cursos técnicos de ensino médio, com 3.280 alunos e 1.364 cursos de extensão. O campus de Barão Geraldo é o principal e conta com 31.961 alunos (Figura 2.4). Dos 15.531 matriculados no curso de graduação, a maioria tem entre 18 e 19 anos e a minoria fica abaixo dos 17 e acima dos 24 anos, com base em uma análise feita entre 2010 e 2020 (Figura 2.5). Assim, a Unicamp atrai uma população muito jovem para Campinas, que vêm de diferentes regiões do estado e do país, como aponta a figura 2.6. Dos estudantes que entram na Unicamp, a maioria possui renda familiar acima dos 5 salários mínimos (Figura 2.7) e identifica-se como branco. A população branca do campus chega a ser quase 3/4 do total, enquanto que a indígena, com o ainda muito recente advento do vestibular indígena em 2019, é a grande minoria no campus (Figura 2.8). É, portanto, uma comunidade ainda pouco representativa frente à realidadoutorado

especialização

geral

mestrado

MS

pós graduação

graduação

31961 30 mil

4017

quantidade

20 mil 15531 10 mil

0 mil

6836 6215

6836

1543 1543

alunos

não docentes

docentes

Figura 2.4. Total de pessoas no campus da Unicamp de Barão Geraldo. FONTE: Teixeira et al (2021); modificado pelo autor.

unicamp

79


de social e econômica não só de Campinas mas do país. O PD-Integrado destaca que a Unicamp segue buscando a igualdade e a valorização da diversidade sociocultural e econômica em seus espaços, por meio de iniciativas em planejamento, como a Casa dos Saberes Ancestrais, projetada pela Diretoria de Cultura da Unicamp. O objetivo deste projeto é: 100%

3,28% 6,63%

em branco menor que 16 anos

11,46%

16 anos 17 anos

80%

18 anos 10,59%

19 anos 20 anos 21 a 23 anos 24 a 29 anos

60%

quantidade

22,04%

mais de 29 anos

40%

30,97%

20%

14,75%

0% Figura 2.5. Idade dos matriculados nos cursos de graduação da Unicamp entre 2010 e 2020. FONTE: Teixeira et al (2021); modificado pelo autor.

80

HIDS


3mil (7,62%) região metropolitana de são paulo região metropolitana de campinas

8mil (21,14%)

litoral do estado de são paulo

11mil (30,35%)

outras regiões de são paulo outros estados 15mil (39,73%)

0mil (1,16%) Figura 2.6. Local de origem dos matriculados nos cursos de graduação da Unicamp entre 2010 e 2020. FONTE: Teixeira et al (2021); modificado pelo autor.

2mil (7,32%)

0mil (1,80%) 2mil (7,85%)

1mil (5,29%)

3mil (11,41%)

3mil (11,64%)

4mil (14,04%)

6mil (22,01%)

5mil (17,10%)

em branco

entre 5 e 7 salários mínimos

até 1 salário mínimo

entre 7 e 10 salários mínimos

entre 1 e 2 salários mínimos

entre 10 e 15 salários mínimos

entre 2 e 3 salários mínimos

entre 15 e 20 salários mínimos

entre 3 e 5 salários mínimos

acima de 20 salários mínimos

Figura 2.7. Renda familiar dos matriculados nos cursos de graduação da Unicamp entre 2013 e 2020. FONTE: Teixeira et al (2021); modificado pelo autor.

unicamp

81


Criar um diálogo entre o conhecimento científico e os diversos saberes indígenas em seu modo de viver e experiência entre o mundo e a natureza. Esse diálogo deve ser criado através de espaços em rede no campus Zeferino Vaz, que permitam o encontro entre os povos indígenas, culturas diversas, comunidade interna, sociedade e atores envolvidos. (PD-I, 2021, p.60) etnia dos habitantes (estado de são paulo) 0,69mil (5,71%)

0,13mil (1,08%)

amarela branca em branco indígena não declarada

3,90mil (32,37%)

7,31mil (60,68%)

parda preta

0,01mil (0,10%)

etnia dos matriculados (graduação unicamp 2010-2020) 2,00mil (3,99%)

2,00mil (4,84%)

6,00mil (16,13%) 1,00mil (1,72%)

27,00mil (71,08%)

Figura 2.8. Etnia dos habitantes do estado de São Paulo (A) e dos matriculados nos cursos de graduação da Unicamp (B) entre 2010 e 2020. FONTE: Teixeira et al (2021); modificado pelo autor.

82

HIDS


Um dos cinco espaços selecionados para a instalação da Casa do Saber foi um local próximo ao Museu Exploratório de Ciências, já na área da Fazenda Argentina. A Moradia Estudantil da Unicamp é outro programa importante dentro da busca por igualdade e valorização da diversidade sociocultural do campus, mas que, infelizmente, nunca cobriu a demanda necessária por moradia da universidade. Foi inaugurada em 1990, a aproximadamente 2,5 km do campus, na Avenida Santa Isabel. Tinha como objetivo atender a 10% do número de alunos matriculados, capacidade que se tornou cada vez mais deficiente com o passar dos anos e com o crescimento do campus. Além disso, “algumas unidades também foram desativadas por apresentar problemas estruturais, contribuindo para o déficit de vagas frente ao aumento da demanda.” (PD-I, 2021, p. 67). Dentre outros problemas, isso ocasionou na superlotação de muitas das unidades habitacionais Além da comunidade estudantil, o PD-Integrado também aborda a comunidade externa à Unicamp, enfatizando o compromisso de integração a ela, por meio de programas como esporte, serviços de saúde e de difusão cultural. Atualmente, já existem programas muito relevantes, a exemplo da área da saúde da universidade, que contém edifícios como o Hospital das Clínicas, o Hospital da Mulher “Prof. Dr. José Aristodemo Pinotti” e o CAISM. A área atrai cerca de 500 mil pacientes por ano. Além disso, há também o Centro Esportivo da Faculdade de Educação Física (FEF), aberto à população em dias de semana (no contexto pré-pandemia da Covid-19). Áreas como o entorno do Museu Exploratório de Ciências, a Casa do Lago, o Anfiteatro da Praça da Paz e a Praça do Ciclo Básico também são atrativos à comunidade. Fora isso, a universidade também conta com um hotel, a Casa do Professor Visitante, além de outras estruturas utilizadas como alojamenunicamp

83


Figura 2.9. Usos do Campus. FONTE: PD-I (2021).

to, principalmente em encontros universitários, como é o caso do Ginásio Multidisciplinar e conjuntos de salas de aula. A figura 2.9 é um mapa extraído do PD-Integrado, que indica este e os outros programas encontrados no campus. Nota-se a área médica concentrada na parte Sul e o complexo esportivo na região Noroeste. De modo geral, os programas voltados à sociedade estão localizados próximos aos limites da uni84

HIDS


versidade, com exceção do Museu Exploratório de Ciências e da Praça do Ciclo Básico, que atendem majoritariamente a comunidade interna do campus. Percebe-se também uma concentração e diversificação dos usos a medida em que se aproxima do Ciclo Básico. Na região do projeto a ser desenvolvido, os edifícios são mais escassos e basicamente voltados a laboratórios, salas de aula e oficinas, com exceção de préunicamp

85


dios como o Restaurante da Saturnino, o Museu Exploratório de Ciências e as duas quadras esportivas atrás do restaurante. Nota-se também projetos em obra e prédios inacabados, sem uso, além de quadras ocupadas por grandes estacionamentos. Dentro disso, as figuras 2.10, 2.11 e 2.12 mostram, respectivamente, a Taxa de Permeabilidade, Taxa de Ocupação e o Coeficiente de Aproveitamento no campus, índices que evidenciam a dispersão e o subaproveitamento do território conforme ocorre o distanciamento ao Ciclo Básico. É clara a baixa ocupação das quadras que fazem divisa com a Fazenda Argentina e também das quadras adjacentes. Por outro lado, nota-se que algumas quadras próximas ao ciclo básico perderam grande parte de sua permeabilidade, com certas áreas possuindo taxas menores que 20% e um caso de permeabilidade chegando a apenas 3,0%. Nesse sentido, as quadras ainda pouco ocupadas têm a vantagem de possuírem altas taxas de solo permeável, mesmo com a implantação de grandes estacionamentos pavimentados, que são os principais responsáveis pela impermeabilização de quadras como as do Parque Científico e Tecnológico da Unicamp, representado na figura 2.13 pelo setor “Polo Científico”. O setor do Parque, assim como parte da Centralidade Acadêmica II e da Área Verde de Experimentação, são as regiões da Unicamp englobadas pelo raio de intervenção do projeto deste trabalho. A Centralidade Acadêmica II refere-se a quadras com foco no desenvolvimento de ciências tecnológicas, com o predomínio de salas de aula e laboratórios., enquanto a Área Verde de Experimentação é usada como espaço verde de estudos pela Faculdade de Engenharia Agrícola (FEAGRI) (PD-I, 2021). Ambos os setores são pouco ocupados, mas apenas a Área Verde de Experimentação deve permanecer sem ocupação. 86

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0,60 0,26

0,41 0,52

0,56

0,76

0,45

0,30

0,79

0,68

0,47

0,60

0,30

0,81

0,51

0,42

ciclo básico

0,78

0,61

0,55

0,30

1,00

0,70

0,56

0,69

0,62

0,26

0,66

0,72

0,21 0,71

0,49

0,44

0,21

0,18

0,78

0,18

0,47

0,19

0,61

0,66

0,66

0,43

0,74

0,89

0,91 0,43

0,38

0,03 0,18 0,35 0,71 0,72 0,25

0,53

0,42 0,42

0,93

0,42 0,47 0,92

Figura 2.10. Taxa de permeabilidade na Unicamp. FONTE: PD-I (2021); modificado pelo autor.

unicamp

87


ciclo básico

Figura 2.11. Taxa de Ocupação na Unicamp. FONTE: PD-I (2021); modificado pelo autor.

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ciclo básico

Figura 2.12. Coef. de Aproveitamento na Unicamp. FONTE: PD-I (2021); modificado pelo autor.

unicamp

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Figura 2.13. Setores de vocações do campus Zeferino Vaz. FONTE: PD-I (2021).

Além da dispersão em algumas quadras, incluindo os setores mencionados, a Unicamp também tem deficiências com situações opostas, ou seja, causadas por aglomerados de edifícios, que ocasionam em problemas de insalubridade. Dentro disso, tanto a dispersão quanto a aglomeração de edificações estão relacionadas à forma de ocupação do campus ao longo das décadas, em meio a períodos de escassez de re90

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cursos e falta de planejamento. É importante destacar, no entanto, que houve de início uma grande preocupação com o planejamento do campus, durante sua implementação inicial. Foi por meio da Comissão de Planejamento da Unicamp (COPLAN), formada na década de 1960, que a continuidade entre a formulação conceitual, o projeto e a implementação do plano original pôde ser manunicamp

91


tida (PD-I, 2021). Buscava-se evitar que os conceitos originais do projeto se perdessem com o tempo e fossem descaracterizados, caso ocorrido em duas antecessoras, a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade de Brasília (UnB). No caso da Unicamp, partiu-se do fundamento que inspirou a proposta inicial da USP: uma estrutura universitária dotada de um centro como ponto referencial obrigatório, mas, diferentemente da universidade instalada na capital, dimensionada para a escala do pedestre. (PD-I, 2021, p. 19)

Foi a partir dessa ideia que se implementou a proposta de um desenho urbano radial-concêntrico, onde, ao redor da praça central do Ciclo Básico, seriam configurados os institutos das ciências básicas e das ciências humanas, enquanto as engenharias e ciências aplicadas seriam estabelecidas em um segundo nível da estrutura radial (Figura 2.14). Porém, o plano urbanístico original, elaborado pelo arquiteto João Carlos Bross, constituiu o único plano diretor do campus sede ao longo das cinco décadas seguintes. A princípio não foi um problema, pois o reitor Prof. Zeferino Vaz, que participou do planejamento e implementação do campus, continuou no cargo por doze anos, de 1966 a 1978, sempre atuando em sintonia com o arquiteto Bross e os dirigentes. Todavia, o término da gestão do Prof. Zeferino Vaz coincidiu com um novo período de crescimento da Unicamp. Por conta disso, a partir da década de 80, este crescimento levou a uma grande demanda por espaço físico, a fim de se atender as unidades em funcionamento e para abrigar as que estavam sendo criadas. Simultaneamente, foi um período de grande escassez de recursos, conforme destaca o PD-Integrado (2021): Essa conjuntura implicou o início da de92

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Figura 2.14. Desenvolvimento conceitual do projeto urbanístico do Campus Zeferino Vaz. FONTE: PD-I (2021); modificado pelo autor.

unicamp

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terioração do plano urbanístico original. A Universidade, nessa época, adquiriu diversos galpões em estrutura metálica de baixo custo e os implantou em caráter provisório e de forma dispersa pelo campus, para suprir em curto prazo o déficit de espaço físico das unidades, visando substituí-los posteriormente por edifícios mais adequados, o que não aconteceu. Os galpões permanecem em uso até hoje. (p. 22)

Em complemento a isso, na gestão seguinte, do Professor José Aristodemo Pinotti, foram criados os “Pinotinhos” (Figura 2.15), em decorrência da persistência da crise financeira. São edifícios padronizados e de baixo custo, que foram implementados em larga escala entre a década de 80 e 90, chegando a mais de 70 prédios desta tipologia atualmente, no campus sede. A implementação desses edifícios se deu sem uma visão territorial oportuna, ocupando boa parte dos terrenos disponíveis nas quadras já consolidadas e preenchendo novas quadras de maneira não planejada (PD-I, 2021). Com a inexistência de um planejamento físico-territorial oficial do campus, consolidou-se uma lógica de ocupação estruturada a partir de demandas isoladas e pragmáticas. Resultou-se, portanto, em áreas ocupadas por edificações de baixa qualidade e subaproveitadas; uma ocupação desordenada das quadras, incluindo a expansão de edificações pré-existentes, conhecidas como “puxadinhos”; e ausência de padrões urbanísticos que configurem uma identidade ao campus. O novo Plano Diretor Integrado da Unicamp surgiu então na tentativa de mudar, dentre outras questões, o cenário urbanístico e arquitetônico do campus Zeferino Vaz, além de evitar que se perpetuasse por mais tempo o crescimento sem um planejamento físico-territorial oficializado. Assim, o PD-Integrado (2021) determina algumas di94

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Figura 2.15. Edifício “Pinotinho” do Instituto de Artes da Unicamp (IA). FONTE: Instituto de Artes (s/d).

Setor de Vocação Centralidade Acadêmica II

Parque Tecnológico

Objetivos - Promover maior fruição pública;

- Garantir a vocação da área com atividades acadêmicas. - Institucionalizar as diretrizes urbanísticas estabelecidas no projeto de urbanização das quadras 45, 50 e 51 [referentes às quadras que compõem o parque atualmente]; - Promover maior fruição pública.

Permeabilidade Fruição 50%

30%

40%

20%

Figura 2.16. Diretrizes de ocupação por setor. FONTE: PD-I (2021); elaborado pelo autor.

retrizes de ocupação fundamentais, para a correta configuração e funcionamento do campus. Das diretrizes, destaca-se (1) o crescimento físico ordenado e controlado do campus, (2) o controle da implantação de novos edifícios ou da ampliação de edifícios existentes, (3) a otimização do uso dos espaços existentes, minimizando os espaços existentes ociosos, (4) a proximidade e integração com áreas/atividades correlatas, evitando conflito de uso, (5) a responsabilidade ambiental e promoção da sustentabilidade urbana, (6) o incentivo de uso do campus por pedestres e ciclistas, (7) a inclusão de espaços flexíveis e de usos compartilhados como incentivo à interação e colaboração da comunidade acadêmica, (8) a preservação do unicamp

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patrimônio construído, (9) definição das entradas do campus e promoção de conexões mais evidentes e permeáveis com os bairros vizinhos. O PD-Integrado também determinou diretrizes mais específicas e práticas de ocupação, como a distância mínima entre edificações e entre edificação e calçada, que deve ser de no mínimo 4m. Dalbelo (2021) explica que, dentre outros motivos, isso está relacionado aos “puxadinhos” e à intenção de evitar novas expansões deste tipo, além de permitir maior ventilação e iluminação das edificações. Ela também esclarece que estes parâmetros específicos não incluem a Fazenda Argentina, mas apenas o campus preexistente. Além disso, existem os parâmetros para cada setor de vocação do campus, os quais incluem a Centralidade Acadêmica II e o Polo Científico (Parque Científico e Tecnológico), contidos dentro da área de projeto. A tabela da figura 2.16 resume a forma de ocupação destes setores. Relativo à taxa de fruição, Dalbelo (2021) explica que ela se refere ao térreo da edificação, que deve ter uma determinada porcentagem de sua área, a depender de cada setor de vocação, reservada ao público. Essa área seria destinada à livre circulação de pessoas ou a áreas de convívio. Isso vem contra uma tendência de isolamento e cercamento de alguns institutos, como é o caso da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FECFAU), cercada em todo o seu perímetro. A permeabilidade refere-se à taxa de solo permeável em cada setor. Ambas as taxas são referentes às taxas mínimas necessárias. Além disso, o plano também determina diretrizes de meio ambiente, como a exigência em se construir edificações sustentáveis que não contenham fachadas envidraçadas, a recuperação das APPs e a melhoria na arborização urbana. Estas diretrizes estão relacionadas à vontade da Unicamp em se 96

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tornar cada vez mais relevante no campo da sustentabilidade, nacional e internacionalmente. A universidade já se comprometeu a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) determinados pela Organização das Nações Unidas (ONU), a serem cumpridos até 2030. Ademais, a Unicamp faz parte da Associação Rede Internacional de Campus Sustentável (ISCN) desde 2015, a qual tem como objetivo integrar de forma abrangente a sustentabilidade nas operações, pesquisa e ensino dos campi em todo o mundo (DEPI, 2019). Ela também tem como objetivo estar entre as 75 universidades melhores pontuadas no mundo em 2021 pelo UI Green Metric, um sistema de ranqueamento de universidades sustentáveis, que é organizado pela Universitas Indonesia (DEPI, 2020). Em 2019, computados apenas os dados do campus de Barão Geraldo, ele se classificou em 80° lugar do mundo e 4° lugar do país. Já em 2020, em um contexto de pandemia e com os dados de todos os campi computados, a Unicamp ficou classificada em 100° mundial e 3° nacional. Este rumo em direção à sustentabilidade dos campi é importante não só pelos benefícios do desenvolvimento sustentável em si. Como destaca Lozano, “as universidades são os centros de formação dos futuros tomadores de decisão para os setores sociais, ambientais, políticos e econômicos” (apud PD-INTEGRADO, 2021, p. 7). Nelas encontram-se as oportunidades de se disseminar o conhecimento e a prática do desenvolvimento sustentável, por meio da “formação de profissionais e líderes; de produção de conhecimento e tecnologias e de promoção de capacitação à comunidade.” (PD-I, 2021, p.7). Por isso, além de melhorar a qualidade de seus espaços e a qualidade de vida de seus usuários, a busca pela sustentabilidade em seus campi faz da Unicamp um modelo de espaço urbano sustentável para toda a comunidade e região de Campinas. unicamp

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98

HIDS


Figura 2.17. Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, abordados como estratégia de desenvolvimento dos campi da Unicamp. FONTE: PD-I (2021).

unicamp

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3 .

100


parques tecnológicos

101


3.1. A definição de um parque tecnológico varia muito entre diferentes instituições e pesquisadores. Melo (2014) destaca, contudo, que estas definições têm uma ideia em comum: a inovação. De maneira geral, um parque tecnológico pode ser definido como um ambiente que busca a inovação por meio da aproximação entre empresas e universidades, com a finalidade de criar um sistema que incentive a formação de redes de cooperação. O parque tecnológico funciona como um facilitador do processo inovador, acomodando empresas que investem especificamente em atividades científicas e tecnológicas com o objetivo de inovar. Assim, com a ideia central na inovação, é necessário discorrer brevemente sobre este conceito, antes de se aprofundar na ideia de parque tecnológico, destacando-se principalmente o conceito de meio inovador. Melo (2014) expõe inicialmente que “inovação pressu102

parques tecnológicos


põe o surgimento do novo e pode revelar, no momento de sua manifestação, algo até então inédito.” (p. 31). Porém, a autora destaca que isso não significa que inovação e invenção são sinônimos. A invenção, para Vale (2012 apud MELO, 2014), refere-se a uma primeira ideia, que tem como finalidade criar um novo processo ou produto, ao passo que a inovação é o esforço em se concretizar efetivamente a ideia inicial. Ou seja, diferentemente da inovação, o ato de inventar não expressa necessariamente que os seus resultados serão empregados ou trarão mudanças nas estruturas em vigência. Freeman (1982 apud MELO, 2014) também define invenção como sendo uma ideia, um esboço de um produto, sistema ou processo, sejam eles novos ou melhorados. Destaca também que as invenções não levam necessariamente a inovações, pois uma inovação ocorreria somente a partir da transação comercial envolvendo o novo produto, sistema ou processo. Já Hughes (2008 [1987] apud MELO, 2014) acredita que as inovações podem ocorrer mesmo sem atingir a fase da comercialização. Para ele, basta que as mudanças desenvolvidas, sejam elas novas ou de significativa melhora, tornem-se aptas a serem utilizadas. O autor exemplifica com as inovações de processo, as quais não obrigatoriamente visam a comercialização, assim como inovações em algumas prestações de serviços podem proporcionar importantes transformações sem, no entanto, ligar-se à comercialização. Além da associação entre inovação e invenção, é comum relacionar o processo de inovação com a alta tecnologia, relação que, segundo Arbix (2010 apud MELO 2014) não necessariamente precisa acontecer para que haja inovação. Porém, como um parque tecnológico visa a atividade científica associada à alta tecnologia, as inovações neste meio acontecem através de um processo de transformação tecnológica. sobre

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Este processo, conforme expõem Godinho e Caraça (1988 apud MELO 2014), é composto por um conjunto de fases, divididas da seguinte forma: pesquisa e desenvolvimento (P&D); invenção; inovação e difusão da inovação. A primeira etapa, P&D, consiste na ampliação dos conhecimentos científicos, de forma que eles possam ser usados em novas práticas. As invenções, discutidas anteriormente, costumam advir das atividades de P&D, enquanto que as inovações advém da junção entre invenção e mercado, resultando portanto na comercialização da ideia. Já a difusão da inovação é relativa à propagação no contexto da população de utilizadores potenciais. Esse processo de transformação tecnológica, por envolver desenvolvimento de pesquisas, trocas de conhecimento e ligação entre diferentes entidades, só é possível porque ele se insere na organização de um meio inovador, que é definido por Maillat (2002) como sendo uma “organização territorial onde os processos de inovação nascem” (apud MELO 2014, p.44). O autor identifica três importantes características que definem um meio inovador. A primeira delas é a cooperação entre os agentes para inovar, o que demanda uma abertura entre estes agentes. Esta demanda gera uma rede de interdependência, a qual configura a lógica organizacional do meio inovador. Ou seja, para que haja inovação, é preciso que o meio promova uma crescente interação entre indivíduos, empresas e outras instituições produtoras do conhecimento (ARBIX, 2007 apud MELO 2014). Portanto, uma empresa isolada terá muito mais dificuldades em inovar, principalmente em processos e produtos de conteúdo tecnológico maior. Logo, ela precisa de parceiros para compartilhar conhecimentos, experiências e estruturas específicas (MELO, 2014). A segunda característica trazida por Maillat (1992 104

parques tecnológicos


apud MELO 2014) é relativa à viabilidade de se delimitar territorialmente o meio inovador, a partir dos elementos que o constituem, garantindo-lhe certa unidade. Esses elementos podem ser recursos materiais (máquinas, edifícios, infraestrutura, etc), recursos imateriais (diferentes formas de poder, regras, elementos institucionais, competências, etc) ou ainda agentes (empresas, instituições de pesquisa e de formação, governos locais, indivíduos qualificados, etc). Esses três elementos configuram, juntos, um conjunto relativamente homogêneo tanto no comportamento quanto na forma de se abordar os problemas advindos da contínua busca por inovações. A última característica identificada pelo autor é a dinâmica de aprendizagem do meio inovador. Ou seja, a capacidade que os agentes do meio têm de modificar o comportamento conforme ocorrem as transformações de mercado, tecnológicas, dentre outras, ao longo do tempo e fora do ambiente de inovação. Dentro disso, em uma rede de interdependência, essa adaptação torna-se mais versátil, facilitada pela troca de conhecimento e tecnologia entre as entidades. Com essa disseminação de conhecimento no meio, mesmo que algumas empresas do meio inovador não participem de um processo de inovação específico, como o desenvolvimento de algum equipamento novo, elas podem adotar o produto deste processo. Ao adotarem ou adquirirem essa inovação desenvolvida por outras entidades, elas permanecem como empresas inovadoras, pois estão utilizando produtos antes indisponíveis. (OCDE, 2005 apud MELO 2014). Há também casos como o de empresas que inovam por meio do desenvolvimento de serviços, como empresas de consultoria em engenharia ou de desenvolvimento de softwares. Atuam, portanto, como desenvolvedoras de soluções para seus clientes, com base nas demandas deles, o que exisobre

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ge, segundo Melo (2014), esforços distintos da empresa em inovar. Considerando as outras entidades do meio inovador como potenciais clientes, nota-se o quão benéfica pode ser a inter-relação dessas entidades, na qual uma consegue ofertar serviços à outra, ao mesmo tempo em que desenvolvem novas soluções, advindas de demandas específicas. Portanto, em resumo, um meio inovador pode ser definido como uma rede dinâmica de aprendizagem que se organiza a partir de um agrupamento interdependente, delimitado territorialmente como uma unidade e que tem como objetivo central desenvolver processos de inovação. Como um dos principais exemplos de meio inovador, por conta da sua influência no mundo e de seu pioneirismo nos processos de inovação, pode-se apontar o Vale do Silício, no estado da Califórnia, EUA. Dele, partiram diversas experiências realizadas ao redor do planeta, no intuito de se reproduzir novos Vales do Silício. Conforme destaca Melo (2014): As características de cada território, bem como a forma política de condução desses projetos, proporcionaram experiências por vezes bem sucedidas, por vezes não. Independentemente de seus resultados, a partir dessas experiências emergiram muitas variações de ambientes planejados para fomentar a produção de inovações, cada qual refletindo os objetivos que almejava alcançar. (p. 77)

Assim, surgiram dessas variações diferentes nomenclaturas para designar esses ambientes, muitas das quais deram origem ao termo “parque tecnológico”. Dentre essas nomenclaturas, destaca-se o Technopôle (Tecnopolo ou Polo Tecnológico), Technopole (Tecnópole) e o Science Park. Diante disso, a fim de se obter maior clareza em relação aos princípios seguidos pelos parques tecnológicos bra106

parques tecnológicos


sileiros, além de diferenciá-lo das demais experiências verificadas ao redor do mundo, realiza-se a seguir um resumo dos principais termos que deram origem a esses parques. Partindo-se do Technopôle, Benko (1999 apud MELO 2014) afirma que eles são ambientes constituídos por uma concentração de empresas, as quais realizam desde a pesquisa em laboratório até a fabricação e comercialização do produto. De acordo com Faberon (1990 apud MELO 2014) e Benko (1991 apud MELO 2014), os projetos de tecnopolos são baseados na ideia de fertilização cruzada, ou seja: a reunião em um mesmo local de atividades de alta tecnologia, centros de pesquisa, empresas, universidades e organismos financeiros que gerem uma sinergia capaz de incitar novas ideias, inovações tecnológicas e suscitar a criação de empresas.” (MELO, 2014, p. 78)

Já a Technopole ou Tecnópole pode ser descrita como “a cidade que possui um projeto de desenvolvimento ligado à indústria de inovação.” (MELO, 2014, p. 81). São chamadas também de cidades inteligentes, onde existe uma organização espacial urbana direcionada à política de inovação para o desenvolvimento de novas empresas de alta tecnologia. Por fim, o Science Park surgiu no Reino Unido com o objetivo específico de estreitar a relação entre universidade e empresas. Foram criados nas proximidades ou incorporados no próprio campus das universidades com o propósito de abrigar empresas que já tinham um departamento de P&D e associá-las aos laboratórios das universidades. Por conta disso, os parques científicos compõem-se de escritórios, laboratórios e oficinas, de modo a complementar as atividades empresariais (MELO, 2014). Um dos principais objetivos das universidades dentro desse novo conceito foi a geração de empregos para a popusobre

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lação local e os graduados. Em vista disso, deu-se prioridade à disponibilização de terras da universidade para a utilização de empresas, ao invés do crescimento do próprio campus. À vista do exposto sobre os três termos, é possível perceber que o Science Park possui uma dimensão e localização muito mais bem definidas e reduzidas em comparação aos Polos Tecnológicos e Tecnópoles. O termo Science Park, no entanto, varia muito de país para país (GYURKOVICS e LUKOVICS, 2014). Para Medeiros (1997 apud MELO 2014), esse termo é o que pode ser traduzido, no Brasil, como parque tecnológico, apesar de também se encontrar na literatura brasileira o termo “parque científico”. Considerando, portanto, o termo geral “parque”, a figura 3.1 traz algumas das definições mais frequentemente usadas na literatura profissional e advindas de diferentes países. Em conjunto, essas definições caracterizam um parque tecnológico. Percebe-se que, da mesma forma que cada associação mencionada na figura elabora a sua própria definição de parque, essas definições possuem pontos em comum. Destaca-se a interação entre universidades e empresas, bem como o caráter de inovação atrelado a essas organizações. Há também uma ênfase nos parques como ambientes de apoio e incentivo às organizações que os compõem e à transferência de tecnologia entre elas. Outro ponto recorrente nas definições é o fomento à criação de novas empresas. Nota-se que a inovação nos parques embasa-se não só nas empresas existentes, mas também nas recém criadas, o que confere às chamadas incubadoras de empresas um papel importante no desenvolvimento de novas tecnologias. Elas permitem reduzir o tempo para que uma empresa se torne produtiva, ao mesmo passo em que buscam aumentar as taxas de sobrevivência dela. 108

parques tecnológicos


Por fim, das seis definições da figura 3.1, duas deram grande ênfase à importância dos parques como fatores de desenvolvimento da comunidade local e região, bem como de suas riquezas. No entanto, esse conceito veio integrar a ideia de parques de maneira relativamente recente, conforme explicam Gyurkovics e Lukovics (2014). Segundo os autores, isso ocorreu apenas na terceira geração de parques, dentro de uma divisão de três gerações (Figura 3.2). Eles destacam que, no começo, os criadores e detentores dos parques eram apenas as universidades, o que tornava o domínio delas tão influente na operação dos parques, que os objetivos das primeiras gerações limitavam-se a ampliar as oportunidades econômicas das universidades e permitir formas de avaliar na prática as pesquisas que estavam sendo desenvolvidas no meio acadêmico. Além disso, no início, grande parte dos parques foram inseridos nas periferias das cidades, longe das grandes comunidades, a fim de promover a revitalização de áreas industriais degradadas. Ou então, eram estabelecidos nos próprios campi universitários, com suas operações geridas pela própria universidade, ou por meio de alguma fundação ou empresa própria. Os parques de segunda geração ainda podem ser considerados um tipo de “extensão” das universidades, porém não estavam mais necessariamente localizados nas proximidades nem eram mais operados sob sua supervisão exclusiva. Na segunda geração, o principal objetivo era a criação de empresas focadas em inovação e o apoio ao seu crescimento. Hansson et al. (2005 apud Gyurkovics e Lukovics, 2014) identificam a diferença entre os parques de primeira e segunda geração da seguinte forma: enquanto o primeiro visava criar oportunidades para a utilização econômica dos resultados obtidos dentro das universidades, o segundo focou na criação de tecnologias adequadas ao aproveitamento econôsobre

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Autor

Definição

UKSPA (United Kingdom Science Parks Association)

Science Park é uma iniciativa de apoio empresa e incentivar o início e a incubação de empresas de: serviços de infraestrutura e apoio; ligações dades, institutos de investigação e de ensino sup sas maiores e internacionais possam desenvolv criação de conhecimento em prol de seus bene

IASP (International Association of Science Parks)

Science Park é uma organização gerenciada po a riqueza de sua comunidade, promovendo a c sas produtoras de conhecimento instaladas no p logia e conhecimento entre universidades, instit formação e o crescimento de empresas inova

AURP (Association of University Research Parks)

Research Parks são grupos de empresas de alta universidade, no intuito de se tirar benefícios da novas empresas, traduz tecnologia e impulsiona

Canadian Association of University Research Park

Research Park compõem um empreendimento c truções destinadas às empresas de alta tecnolo ensino superior e de P&D; procura desenvolver e cia de tecnologia entre empresas e instituições dade e da região.

APTE (Asociación de Parques Científicos y Tecnológicos de España

Parques Científicos y Tecnológicos são projetos, com centros de investigação, universidades e ou na formação e crescimento de empresas funda na a transferência de tecnologia.

Anprotec (Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores

Os Parques Tecnológicos são um sistema de con implantação de empreendimentos inovadores perspectiva de globalização e desenvolviment

Figura 3.1. Definições de parques. FONTE: Melo (2014); Gyurkovics e Lukovics (2014); elaborado pelo autor.

110

parques tecnológicos


arial e transferência de tecnologia, cujo principal objetivo é apoiar s inovadoras de base tecnológica. Esse incentivo se dá por meio s formais e operacionais a centros de excelência, como universiperior. Também busca-se providenciar um ambiente onde emprever interações próximas e específicas com um centro particular de efícios mútuos.

or profissionais especializados, cujo principal objetivo é desenvolver cultura da inovação e a competitividade das instituições e empreparque ou vinculadas a ele. Ele estimula e cria um fluxo de tecnotuições de pesquisa, mercados e empresas. Também promove a adoras por meio de mecanismos de incubação e spin-off

a tecnologia e organizações de pesquisa inseridos próximos à as interações com ela. O Research Park incentiva o crescimento de a o desenvolvimento econômico baseado nela.

com as seguintes características: tem um plano diretor e consogia e atividades de P&D; mantém vínculo com instituições de empresas intensivas em conhecimento; colabora na transferênde ensino; e promove o desenvolvimento econômico da comuni-

relacionados a espaços físicos que: preservam relações formais utras instituições de ensino superior; se organizam para contribuir amentadas no conhecimento; incentiva a inovação e impulsio-

nexão, concentração, articulação, organização, promoção e s, com o objetivo de fortalecer este segmento inserido em uma to sustentável.

sobre

111


mico e ao empreendedorismo dos universitários. Além disso, as tarefas de gestão passaram a ser desempenhadas principalmente por alguma organização empresarial privada, enquanto que os representantes do setor acadêmico e do governo local envolviam-se apenas em algumas questões, relacionadas ao funcionamento e regulamentação do parque. Por fim, a terceira geração de parques passou a ser implementada em áreas urbanas movimentadas. Surgiram como uma manifestação da cooperação entre atores econômicos, acadêmicos e governamentais. O objetivo mais evidente destes parques foi o de melhorar o bem-estar da comunidade local, por meio do apoio a uma cooperação eficaz entre os agentes acima mencionados. Além disso, eles visaram contribuir no desenvolvimento de uma cultura empreendedora e oferecer serviços voltados à inovação na região. Também buscaram estabelecer uma comunicação bidirecional entre os criadores e usuários de conhecimento e tecnologias. Isto posto, percebe-se que as duas primeiras gerações de parques foram implantadas conscientemente de forma separada da região ao seu redor, nas periferias das cidades. Apenas os parques de terceira geração passaram a ser uma parte orgânica das regiões urbanas, com seus objetivos não mais servindo apenas a um pequeno grupo de agentes. Dessa forma, Gyurkovics e Lukovics (2014) afirmam que os parques de primeira geração, de modo geral, passaram a ser substituídos por parques de terceira geração, mais adequados às oportunidades e necessidades de sua região. Com a vigência deste novo modelo interativo, o foco deixou de ser: Empurrar agressivamente os resultados das universidades e instituições de criação de conhecimento para a utilização econômica: o jogo agora é sobre atividades de inovação 112

parques tecnológicos


que são baseadas em conhecimento bidirecional e fluxo de informações entre os participantes do processo. (GYURKOVICS e LUKOVICS, 2014, p. 198, tradução nossa).

Dentro disso, o nível de sucesso de interação alcançável passou a depender do número potencial de relações. Este número passa a ser maior a partir do momento em que o nível de concentração de atores capazes de se envolver em processos de inovação também cresce, com a inserção dos parques em áreas urbanas movimentadas. Os autores destacam que as universidades continuam a ser os principais integrantes dos parques, porém o nível de sucesso deles agora demanda também cooperação entre os diferentes participantes de seu ambiente mais amplo, o que inclui a comunidade local. Dessa forma, apesar das diferentes definições e da evolução com o tempo, é possível chegar em características predominantes e que determinam a essência de um parque tecnológico. Ele (1) é um meio inovador, (2) estimula o vínculo universidades-empresas, (3) é um ambiente de apoio e incentivo às interações e ao fluxo de tecnologias entre seus componentes, (4) busca a inovação por meio de um processo de transformação tecnológica, (5) fomenta e incentiva o surgimento de novas empresas e, mais recentemente, (6) passou a buscar o desenvolvimento da comunidade local, bem como integrá-la aos processos de inovação. Após essa discussão inicial, o seguinte subcapítulo irá tratar dos parques tecnológicos sob a ótica do contexto brasileiro, mais especificamente do estado de São Paulo, apresentando, também, referências de parques nacionais. sobre

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Aspectos

Primeira Geração

Segunda

Objetivo

Ampliar as oportunidades econômicas das universidades

Apoiar a c negócios ção

Mecanismo de Utilização econômica dos resultados Criar tecn de pesquisa da universidade utilização Operação

Incentivar se tornare

Local

Na proximidade imediata da universidade, mas não no centro da cidade

Não no ce

Iniciado por

Principalmente universidades

Principalm sariais ; a

Gestão

Organização criada pela universidade

Um negóc do; o seto cia meno

Abordagem de Inovação

Impulso pela ciência (science push)

Atração d

Figura 3.2. Comparação entre as três gerações de parques. FONTE: Gyurkovics e Lukovics (2014); elaborado pelo aut

114

parques tecnológicos


a Geração

Terceira Geração

criação e crescimento de orientados para a inova-

Melhorar o bem-estar da comunidade local

nologias adequadas para o econômica; r estudantes universitários a em empreendedores

entro da cidade

Apoiar relações e interações entre atores acadêmicos, industriais e governamentais; Oferecer um amplo portfólio de serviços de inovação; Desenvolver a cultura empreendedora da região. Em regiões movimentadas do centro da cidade

mente organizações empre- Universidades, empresas e governo minoria por universidades local (municipal) juntos

cio criado pelo setor privaor público tem uma influênor

Uma empresas de propriedade conjunta dos três setores, com uma equipe profissional de gestão

do mercado (market pull)

Interativo, baseado em feedback

tor.

sobre

115


3.2. No Brasil, os parques tecnológicos surgiram a partir de programas federais, durante a década de 1980, como uma alternativa para incentivar a inovação tecnológica no país (MELO, 2014). Nesse período, iniciou-se o planejamento de estruturas que almejavam integrar empresas e universidades, formando uma relação com potencial de gerar transferência de tecnologia e inovação. Porém, foi apenas nos anos 1990 que os parques tecnológicos começaram a ser implementados ao longo do país. Atualmente, o estado de São Paulo é a unidade federativa que constitui o maior número de iniciativas de parques tecnológicos dentro do Brasil. Além disso, Melo (2014) destaca ser o único estado que possui uma política específica para o incentivo dos parques, o Sistema Paulista de Parques Tecnológicos (SPTec). Este sistema foi criado pelo governo em 2006, por 116

parques tecnológicos


meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo. De acordo com a atual Secretaria de Desenvolvimento Econômico do estado: Por meio do Sistema Paulista de Parques Tecnológicos (SPTec), o Governo do Estado de São Paulo dá apoio aos parques tecnológicos com o objetivo de atrair investimentos e gerar novas empresas intensivas em conhecimento ou de base tecnológica, que promovam o desenvolvimento econômico do Estado. (s/d)

Ainda segundo a Secretaria, até 2019 existiam 9 parques com credenciamento provisório no SPTec e 14 credenciados definitivamente, alguns em operação, outros em projeto e um em obras. Destes, cinco encontram-se em Campinas. São eles o (1) Parque Tecnológico de Campinas - Universidade Estadual de Campinas, (2) Parque Tecnológico CPqD, (3) Parque Tecnológico do Centro de Tec. da Inf. Renato Archer, (4) Techno Park de Campinas e o (5) Parque Tecnológico de Campinas - Ciatec. Apesar deste último ainda estar em projeto, o espaço dos cinco parques estão inclusos na área de influência do projeto abordado neste trabalho, conforme as figuras 1.15 e 1.16, do primeiro capítulo. Além de Campinas, as outras cidades que possuem um ou mais parques tecnológicos credenciados no SPTec são: São José dos Campos, Sorocaba, Ribeirão Preto, Santos, Piracicaba, São Carlos, São José do Rio Preto, Botucatu, Santo André, Barretos, São Paulo, Araçatuba, Marília e Guarulhos. Dos 15 municípios, incluindo Campinas, 9 estão na macrometrópole paulista. Para se credenciar, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado (s/d) expõe alguns critérios que o parque deve seguir, além de contar também com o decreto estado de são paulo

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60.286 de 25 de março de 2014, o qual cria o Sistema Paulista de Ambientes de Inovação (SPAI), que abrange o SPTec. Em seu site oficial, a Secretaria (s/d) expõe como critérios fundamentais de credenciamento (1) contar com um centro de inovação tecnológica em operação, (2) possuir uma incubadora de empresas em funcionamento, (3) possuir, no mínimo, uma área de 200 mil m² destinada ao parque, (4) ter o projeto básico do empreendimento, além de alguns critérios relativos à documentação. Com isso, é possível efetivar um cadastro provisório de 4 anos, o qual só será definitivo após serem atendidos os requisitos do artigo 8° do decreto 60.286/14, citado anteriormente. Apesar de não ser um processo simples, muitos parques vêm recorrendo ao cadastro no SPTec, pois este passa a permitir a eles a obtenção de recursos do governo voltados ao desenvolvimento dos parques, além de ganharem um reconhecimento institucional da sua importância, atribuindo-lhes maior credibilidade e visibilidade (MELO, 2014). Dos parques credenciados, destacam-se o Parque Tecnológico de São José dos Campos, ou PqTec, e o de São Carlos, também conhecido como São Carlos Science Park, por serem os dois parques que há mais tempo estão em operação. Este fator é importante pois, conforme explica Melo (2014): (...) apenas o acompanhamento do processo de crescimento dos parques tecnológicos pode comprovar suas ações e verificar se o desenrolar de seus projetos conseguem efetivamente criar parques tecnológicos capazes de gerar meios inovadores (p. 118).

Dessa forma, os dois parques serão apresentados e analisados a seguir como estudos de caso, para que sirvam de embasamento ao projeto deste trabalho. Iniciando-se pelo Parque Tecnológico de São José dos 118

parques tecnológicos


Campos, ele foi o primeiro a ganhar credenciamento definitivo no SPTec e é considerado o melhor modelo de parque em funcionamento no Brasil (MELO, 2014). Suas atividades começaram em 2009, gerido pela Associação Parque Tecnológico de São José dos Campos (APTSJC), uma instituição privada, mas sem fins lucrativos. Porém, inaugurou o seu primeiro centro empresarial apenas em 2010, com capacidade para 25 empresas e hoje já possui, de acordo com o PqTec (s/d), mais de 300 empresas vinculadas e 188 mil m² no núcleo do parque. No núcleo (figura 3.3 e 3.4), encontram-se centros empresariais, espaços para startups, espaços compartilhados, restaurantes, cafeterias, espaços para conveniência e convivência, 4 auditórios (de 80, 90, 300 e 800 lugares respectivamente), 15 salas para reuniões, 2 refeitórios/cozinhas coletivas, 800 vagas de estacionamento, 4 laboratórios multiusuários e toda a área administrativa (PQTEC, s/d). Melo (2014) destaca, entretanto, que sua área total é de 1,3 milhões de m², além de uma área de 23,7 milhões de m² no seu entorno que foi definida, junto à área do parque, como Zona Especial do Parque Tecnológico (ZEPTEC), pela prefeitura municipal. De acordo com a direção do parque, busca-se que, para as décadas de 2030 e 2040, tenha-se formado na região uma tecnópole, desenvolvida a partir da expansão e consolidação do parque tecnológico. Além dos programas acima, o PqTec também conta com uma área de 760 mil m² para o Parque das Universidades, o qual engloba algumas instituições de ensino e pesquisa, como a Unesp, Unifesp, Senai, FGV e Fatec (figura 3.5). Também dispõe-se de Centros de Desenvolvimento Tecnológico (CDT), voltados a desenvolver projetos em áreas específicas da produção ou do conhecimento (APTSJC, 2016). Cada CDT necessita de uma empresa ou instituição âncora com a finalidade de orientar tecnicamente os projetos, os quais serão concretizados com o auxílio de pequenas e médias estado de são paulo

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empresas de base tecnológica instaladas ao redor da empresa âncora. O PqTec (s/d) destaca que existem atualmente três CDTs em funcionamento, o (1) Centro de Inovação Tecnológica em Saúde (CITS), o (2) Centro de Desenvolvimento Tecnológico de Águas e Saneamento Ambiental (CDTASA) e o (3) Centro de Desenvolvimento Tecnológico da Construção Civil (CDTCC). Relativo a alguns dos programas do núcleo do parque, existem quatro centros empresariais, de diferentes áreas e com distintas destinações. O primeiro e segundo centro englobam, de forma geral, empresas de micro, pequeno e médio porte, além de empresas prestadoras de serviços, de pesquisa e inovação. O Centro Empresarial 3 engloba startups em fase de ideação, incubação e aceleração, além de empresas de grande porte. Já o último centro engloba apenas empresas de grande porte. (PQTEC, s/d) Já em relação aos espaços compartilhados, destacam-se os dois coworkings. O primeiro é voltado às startups, enquanto o segundo volta-se a empresas de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I). Há também o Centro de Eventos, o qual contém 3 salas multiuso, um salão principal de 815 m² e os 4 auditórios, a fim de receber feiras de exposições, congressos, formaturas, palestras, reuniões, seminários, treinamentos e workshops. Por fim, os laboratórios do parque são voltados tanto a empresas vinculadas a ele quanto às não vinculadas. Segundo o PqTec (s/d): “o objetivo é democratizar o uso dos equipamentos para testes, ensaios e construção de protótipos, estimulando a criação de novas tecnologias(...)” (n.p). A APTSJC (2016) destaca que os parques tecnológicos, no geral, funcionam com base na “tríplice hélice”, ou seja, setor acadêmico, empresas e governo. Porém, eles explicam que o PqTec adota o conceito da “quádrupla hélice”, 120

parques tecnológicos


Figura 3.3. Núcleo do Parque Tecnológico de São José dos Campos. FONTE: PqTec (s/d).

Figura 3.4. Da esquerda para a direita, auditório para 800 pessoas, setor administrativo e entrada principal do Parque Tecnológico de São José dos Campos. FONTE: Época Negócios (2021).

Figura 3.5. FATEC, no Parque das Universidades do parque tecnológico. FONTE: PqTec (s/d).

estado de são paulo

121


incluindo a sociedade em seu modelo de operação. Ela é contemplada por meio de programas, como o Cidade Inteligente, e no desenvolvimento de novas tecnologias, voltadas por exemplo para o meio ambiente e à saúde. Pode-se considerar, com isso, que o parque busca um desenvolvimento dentro da terceira geração de parques, explanada no subcapítulo anterior. Em relação à estrutura de instalação fornecida às empresas, Melo (2014) expõe que estas recebem o espaço para a sua implementação apenas com a estrutura básica: piso e pontos de ligação, paredes externas e acesso aos sistemas prediais. As adequações e outras instalações relevantes ficam a cargo da empresa. Todavia, a autora aponta que, mesmo instalando-se dentro da área do parque tecnológico, as empresas âncoras atuais não possuem relações com o parque para além do uso do espaço físico a elas disponibilizado. A administração do PqTec apenas monitora os CDTs, mas as grandes empresas têm autonomia em seus centros e deixam de buscar contato com o parque bem como não estabelecem vínculos entre elas e com as empresas de menor porte, o que não contribui com o caráter inovador do espaço. Em contrapartida, todas as pequenas e médias empresas levantadas por Melo (2014) em 2014 eram de caráter tecnológico e inovador. Das 19 empresas levantadas, 12 delas apontaram possuir vínculos com universidades, característica importante para um meio inovador. Além disso, 8 das 19 empresas originaram-se das incubadoras do parque. Também notou-se, dentre elas, uma grande variedade em seus ramos de atividade e categoria de inovação (serviços, produtos, processos, etc) e pouco mais da metade delas afirmou que o meio em que estavam inseridas contribuía para os seus processos de inovação. Portanto, de maneira geral, a autora conclui que o 122

parques tecnológicos


Parque Tecnológico de São José dos Campos “esboça uma trajetória de ascensão rumo aos objetivos propostos em sua constituição.” (MELO, 2014, p. 134), pois o parque tecnológico vem empreendendo ações para gerar maior integração entre universidades/institutos de pesquisa e empresas, implantando, por exemplo, novos laboratórios multiuso e oferecendo novos programas voltados tanto aos associados quanto a quem não possui vínculos com o parque. A autora também explica que, considerando a existência de diferentes setores de atividades empresariais no espaço, ao mesmo tempo em que isso pode permitir diversas possibilidades de novos projetos e novas empresas, pode também dificultar a formação coesa de redes de cooperação, pois, em situações como essa, as necessidades podem ser muito diferentes. Por conta disso, ela explicita ser muito importante, por parte da gestão, conduzir as ações de forma precisa, sempre com o intuito de promover a inovação e a composição de um ambiente de sinergia. Isso posto, a autora conclui que o Parque Tecnológico de São José dos Campos representa o conceito de parque tecnológico, que segue avançando nas tentativas de torná-lo um meio cada vez mais propenso à inovação e ao desenvolvimento da sociedade. O Parque Tecnológico de São Carlos, por outro lado, vem como um contraponto ao parque anteriormente apresentado. A autora ainda não o considera um parque tecnológico e os motivos serão apresentados a seguir. O São Carlos Science Park é gerido pela Fundação ParqTec, entidade privada e sem fins lucrativos que surgiu em 1984, em meio à instituição do programa de incentivo à criação de parques tecnológicos. Ela foi criada para facilitar a integração entre as universidades, as empresas e os centros de pesquisa, de maneira a apoiar o estabelecimento e o desenvolvimento de companhias, bem como promover a inovação tecnológica nas indústrias, ampliar a taxa de sucesso e de estado de são paulo

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sobrevivência das empresas e gerar empregos (IFSC, 2016). A ParqTec também surgiu com a finalidade de ser gestora e promotora do Pólo de Alta Tecnologia de São Carlos (ASN, 2007). Em 1985, ela criou o Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (CINET) e hoje administra 8 incubadoras no estado de São Paulo, sendo 3 em São Carlos. Porém, foi apenas em 2003 que o São Carlos Science Park foi aprovado no município, sendo inaugurado em 2008, com uma área de 2.670 m² em edificações e potencial construtivo de 100.000 m². Encontra-se distante do centro da cidade, em meio a um bosque de vegetação nativa, em um antigo horto florestal (Figura 3.6). A Fundação ParqTec possui suas instalações fora do parque tecnológico, bem como toda a sua estrutura: incubadora de empresas, laboratórios e empresas incubadas. Pretende-se, no entanto, transferir futuramente a estrutura do ParqTec para o interior do Science Park, o que exigiria a construção de novos edifícios. Por conta da atual conjuntura: as ações da Fundação na promoção da inovação estão muito mais presentes na incubadora de empresas, uma vez que no parque tecnológico, as atuais empresas residentes (...) não possuem vínculos ou outro tipo de relações com o ParqTec para além dos quesitos administrativos do prédio que ocupam. (MELO, 2014, p. 123)

No caso, apenas duas empresas residem atualmente no parque tecnológico, a Leica Geosystems e a Amdocs, ambas multinacionais. Elas ocupam o edifício mais antigo do parque, denominado “Solar da Inovação”, junto a um refeitório (Figura 3.7). A edificação possui uma arquitetura baseada no período colonial, com a intenção de remeter às antigas fazendas de café presentes na região. 124

parques tecnológicos


Das duas empresas, somente a Amdocs tem um centro de desenvolvimento de P&D no parque, já que o desenvolvimento de P&D da Leica Geosystems ocorre em sua matriz internacional, cabendo à sede localizada no parque apenas um centro de serviços para manutenção dos equipamentos. Dessa forma, não há ainda, no São Carlos Science Park, uma lógica organizacional de meio inovador. As duas empresas não estabeleceram uma rede de cooperações e, quando existe uma relação estabelecida com universidades, refere-se apenas à aquisição de mão de obra e ao uso de laboratórios para teste, sem a formação de parcerias voltadas à inovação. Por esses motivos, Melo (2014) conclui que o parque de São Carlos não é, atualmente, um parque tecnológico, nem um meio inovador. De qualquer forma, o parque terminou recentemente o seu segundo edifício, denominado “Innovatorium” (Figura 3.8), voltado a centros de PD&I, entidades e empresas de base tecnológica (SÃO CARLOS EM REDE, 2020). Há também um projeto para outro edifício, com o objetivo de sediar as empresas que serão incubadas, além de funcionar como uma incubadora. Em conjunto com o prédio atual, Melo (2014) destaca que os três edifícios são considerados a “tríade-âncora” para o desenvolvimento pleno do São Carlos Science Park. Dessa maneira, nota-se uma grande diferença entre os dois estudos de caso. Conforme visto, o Parque Tecnológico de São José dos Campos possui uma estrutura e uma área muito maior ao São Carlos Science Park, da mesma forma que engloba uma grande diversidade de programas que ajudam a promover a interação entre as entidades formadoras do espaço e a comunidade local. O parque de São Carlos, por outro lado, ainda está no início de seu desenvolvimento, sem constituir um espaço físico com os outros elementos da Fundação ParqTec e sem promover a integração com as duas únicas empresas que o compõem. estado de são paulo

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Vale destacar também as edificações de ambos os parques. Pelas figuras deste capítulo, é possível perceber que elas são relativamente simples. O Parque Tecnológico de São José dos Campos, por exemplo, investiu em grandes galpões e edifícios cobertos por vidros espelhados. Utilizaram-se de algumas formas curvas nos edifícios principais, mas também nota-se prédios como o da FATEC (Figura 3.5), que são volumes monolíticos de concreto e vidro espelhado. Não é possível afirmar se a busca por esse tipo de vidro seria uma visão de modernidade para os autores do projeto, mas sabe-se que o uso deles vem sendo cada vez mais questionado. Belin (2019) destaca que, principalmente em países mais quentes, como no Brasil, as fachadas de vidro espelhado podem contribuir para as chamadas “ilhas de calor”, além de causarem um desconforto considerável aos pedestres que passam por elas, por conta do aumento da temperatura no nível das calçadas. Além disso, podem promover a poluição visual, devido ao excesso de informação que produzem, fora as interferências negativas aos ambientes internos dos edifícios, que aumentam o seu consumo de energia com sistemas de ar-condicionado. O parque de São Carlos, por outro lado, buscou referência na arquitetura colonial para o seu prédio principal, mas ambos os edifícios do parque não deixam de ser dois grandes blocos monolíticos com uma sequência de janelas envidraçadas e desprovidos de qualquer espaço de convívio no entorno. Por conta disso, estes parques não estão inseridos no capítulo 5, de referências projetuais, pois não expressam elementos arquitetônicos e urbanísticos com os quais este trabalho visa atuar. Eles são, todavia, referências da situação dos parques tecnológicos brasileiros e de suas formas atuais de funcionamento, panorama que será complementado no próximo subcapítulo, com o parque tecnológico da Unicamp. 126

parques tecnológicos


Figura 3.6. Portaria do São Carlos Science Park, onde é possível perceber a quantidade de vegetação no interior do parque. FONTE: Melo (2014).

Figura 3.7. Edifício “Solar da Inovação”, São Carlos Science Park. FONTE: São Carlos Oficial (2014).

Figura 3.8. Edifício “Innovatorium”, São Carlos Science Park. FONTE: São Carlos em Rede (2020).

estado de são paulo

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3.3. O Parque Científico e Tecnológico da Unicamp localiza-se em uma área recém urbanizada do campus e que ainda está em processo de ocupação (Figura 3.9 a 3.14). Foi criado no final de 2012, a partir de projetos iniciados em 2008. Desde então, ele pertence e é administrado pela Agência de Inovação da Unicamp, ou Inova Unicamp. A agência, por sua vez, pertence à própria Unicamp e foi criada no dia 23 de julho de 2003, com a finalidade de proporcionar uma rede de integração entre a universidade e a sociedade, dando base a atividades de pesquisa e ensino (INOVA, s/d). Dentro disso, a Inova desempenha papeis como o de desenvolvimento de patentes, de mediação entre a Unicamp e as empresas do Parque, promoção de interações dentro da comunidade (eventos e premiações) e o auxílio na obtenção de informações das empresas filhas do Parque e da Unicamp. 128

parques tecnológicos


Já o Parque, de acordo com o atual diretor da Inova, tem como objetivos gerais (1) criar oportunidades para o nascimento de empresas de base tecnológica, (2) permitir a utilização dos laboratórios da universidade, (3) proporcionar infraestrutura adequada para a residência de projetos inovadores, (4) proporcionar ambientes de integração e cooperação, além de (5) ampliar as oportunidades de formação dos alunos (AMARAL, 2020). Ele conta, atualmente, com uma área de 100 mil m² e uma previsão de expansão de mais 200 mil m² na área da Fazenda Argentina, onde já se encontra a sede da Inova (PD-I, 2021). Essa previsão de expansão foi necessária para o cadastro definitivo do parque tecnológico no SPTec, que se concretizou em 2016. Para promover a ligação da sede com a área atual do Parque, foi finalizada recentemente uma via de piso de concreto intertravado. Ela parte da Av. Dr. André Tosello e liga-se à Rua Dr. Ricardo Benetton Martins, transpassando uma área com predomínio de cultivo e um córrego intermitente, por meio de um tubulão com passador de fauna (PD-I, 2021). Atualmente, o Parque já conta com 32 empresas instaladas, distribuídas em 6 edifícios, nomeados respectivamente de Núcleo, LIB, Soma, Incamp, Vértice e Anexo (Figura 3.15) (PARQUE INOVA UNICAMP, s/d). O prédio Núcleo (Figura 3.16) é o espaço de onde o Parque se originou. Atualmente, abriga startups de base científica e tecnológica, como também laboratórios de P&D. É um edifício de 5 pavimentos, área construída de 2.659 m² e possui como modelo de ocupação o coworking. Conta atualmente com 9 empresas além de um auditório de 35 lugares e salas de reunião. O Laboratório de Inovação em Biocombustíveis (LIB) (Figura 3.17), como o próprio nome sugere, destina-se principalmente à instalação de empresas e startups voltadas parque tecnológico da unicamp

129


MAI. 2002

Figura 3.9. Centro Acadêmico II pouco ocupado e zona do Parque Tecnológico inexistente, sem demarcação viária e nenhuma ocupação. FONTE: Google Earth.

JUL 2011

Figura 3.10. Avanço na ocupação do Centro Acadêmico II, implantação do Museu Exploratório de Ciências e movimentação de terra na zona do Parque Tecnológico. FONTE: Google Earth.

MAI 2012

Figura 3.11. Edifício Núcleo já aparece. Marcação das novas vias do Parque. FONTE: Google Earth.

130

parques tecnológicos


MAR. 2013

Figura 3.12. Novas vias já pavimentadas, implantação dos estacionamentos e novos platôs. FONTE: Google Earth.

JUN. 2014

Figura 3.13. Construção das estruturas de concreto que permanecem inacabadas até os dias atuais. Construção do edifício LIB no Parque Tecnológico. FONTE: Google Earth.

JUL. 2021

Figura 3.14. Edifício Soma e obras do prolongamento da Av. André Tosello. FONTE: Google Earth.

parque tecnológico da unicamp

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vértice

lib

núcleo

soma

incamp

132

Figura 3.15. Localização dos programas e delimitação do Parque Científico e Tecnológico da parques tecnológicos Unicamp + Prolongamento da Av. André Tosello. FONTE: Google Earth; Parque Inova Unicamp (s/d); elaboração do autor.


anexo sede inova

legenda edifícios delimitação da zona do parque tecnológico prolongamento da av. dr. andré tosello

0

0,10 0,30km parque tecnológico da unicamp

133


à área de biocombustíveis, mas também engloba alguns outros setores do conhecimento contemplados pela universidade. São 3 pavimentos, que totalizam uma área de 1.226 m², e possuem como modelo de ocupação laboratórios de P&D e empresas. Ele tem atualmente 7 empresas instaladas, salas de reunião e um anfiteatro. O edifício Soma (Figura 3.18) é o mais recente dos seis edifícios, inaugurado no dia 11 de março deste ano. Foi construído ao lado do Núcleo, com uma área de 1.044 m² distribuída em três pavimentos. Possui como modelo de ocupação laboratórios de P&D e empresas e já conta com três companhias instaladas, ocupando cada uma um pavimento. As outras três edificações se encontram fora das delimitações do Parque Tecnológico. Dessas edificações, a Incubadora de Empresas de Base Tecnológica da Unicamp (Incamp) (Figura 3.19) é a mais distante e localiza-se na área central do campus. Também é a mais antiga, criada em 2001 e incorporada à Inova em 2003 (INOVA, s/d). Ela tem como objetivo capacitar e acompanhar startups e empreendedores a fim de alavancar os seus projetos com o apoio da Unicamp. São dois pavimentos em uma área construída de 364 m², com um auditório de 68 lugares. O Vértice (Figura 3.20), por sua vez, encontra-se bem próximo ao núcleo do parque, na Avenida Alan Turing e foi o primeiro espaço a receber startups. Hoje, já abriga também laboratórios de inovação, assim como P&D de empresas consolidadas no mercado, totalizando 11 empresas. Possui um subsolo e mais três pavimentos, com uma área construída de 1.429 m². Por fim, o edifício Anexo (Figura 3.21) integra o conjunto de edificações da antiga sede da Fazenda Argentina, hoje ocupada pela Inova. Inaugurado no dia 4 de fevereiro de 2021, ele reforça a estrutura para eventos tanto das empresas inseridas no Parque quanto das externas a ele e permite a am134

parques tecnológicos


pliação de espaços de escritório e coworking. São 596 m² em uma estrutura térrea e possui modelo de ocupação coworking e empresas. Com exceção do prédio Soma, os outros cinco ainda contam com vagas para novas empresas. Ademais, o Parque também oferece o programa Built to Suit, uma alternativa destinada a empresas que pretendem construir um espaço personalizado para desenvolver seus projetos de pesquisa com a Unicamp. Apesar dos custos da construção ficarem a cargo da empresa, o Parque dá suporte ao projeto e à instalação do edifício e a Inova também auxilia na busca por recursos em órgãos financiadores. Atualmente, já estão instaladas nos edifícios sete grandes companhias, destacando-se a Samsung, o Instituto Eldorado e a IBM. Vale salientar que apenas os seus departamentos de P&D são aceitos no Parque, não cabendo a ele abrigar os setores de produção das organizações. Ele já conta também com 13 startups, 11 empresas incubadas na Incamp e 26 graduadas na mesma instituição. A diferença entre as empresas incubadas e graduadas está no fato de que as primeiras permanecem vinculadas ao espaço físico do parque, enquanto que as graduadas apenas recebem assessorias da incubadora e, uma vez em condições de atuar de maneira independente, buscam seu próprio espaço físico, permanecendo ou não associadas à instituição (MAIS RETORNO, 2019). Dentro dos seis edifícios, são diversos os segmentos de atuação, destacando-se agricultura e alimentos; química e biotecnologia; consultoria; educação; energia; engenharia; saúde; tecnologia de informação; tecnologias verdes; e telecomunicações (PARQUE INOVA UNICAMP, s/d). Com o exposto até aqui, pode-se definir, portanto, o Parque Científico e Tecnológico da Unicamp como um exemplo de parque tecnológico da primeira geração. Assim como parque tecnológico da unicamp

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n Turing

Figura 3.16. Prédio Núcleo, antes da construção do Prédio Soma ao lado. FONTE: Inova (s/d).

Figura 3.17. Laboratório de Inovação em Biocombustíveis (LIB) e prédio Núcleo ao fundo. FONTE: Google Maps (2019).

Captura da

Figura 3.18. Prédio Soma em fase de conclusão. FONTE: Parque Inova Unicamp (2021)

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parques tecnológicos


261 R. Bernardo Sayão

Figura 3.19. Incubadora de Empresas de Base Tecnológica da Unicamp (Incamp). FONTE: Google Maps (2019). Captura da imagem: out. 2019

© 2021 Google

Campinas, São Paulo Google Street View - out. 2019

Figura 3.20. Prédio Vértice. FONTE: Parque Inova Unicamp (s/d).

Figura 3.21. Prédio Anexo. FONTE: Parque Inova Unicamp (s/d).

parque tecnológico da unicamp

137


foi definido pelos autores Gyurkovics e Lukovics (2014), o Parque da Unicamp é gerido por uma agência pertencente à universidade e está inserido dentro do campus universitário, em uma região periurbana, distante de zonas residenciais. Apesar dos objetivos da Inova e do Parque destacarem a relação com a comunidade como importante meta, seu espaço físico de inserção ainda dificulta essa missão. Por conta disso, o desenvolvimento do HIDS associado a estratégias que o tornem um meio de grande vitalidade urbana, acessibilidade e diversidade de usos será de grande relevância para que o Parque Científico e Tecnológico da Unicamp inclua características da terceira geração de parques e passe a ter uma relação mais próxima com a comunidade. Além disso, também será de suma importância a integração por parte do Parque com essa comunidade que virá a se estabelecer ao longo do HIDS. Fatores como o tratamento dado ao seu perímetro, o desenvolvimento de seus espaços de convívio e a disposição de seus edifícios no território serão de grande influência na integração com o entorno. Dentro disso, durante o desenvolvimento deste trabalho, observou-se a existência de um projeto de desenho urbano para o núcleo do Parque (Figuras 3.22 e 3.23). Segundo Dalbelo (2021), o projeto está sendo implantado atualmente, com exceção

Figura 3.22. Render do projeto de desenho urbano em fase de implantação no Parque Científico e Tecnológico da Unicamp, com simulação dos edifícios. FONTE: Jornal da Unicamp (2011).

138

parques tecnológicos


dos edifícios, que são apenas simulações. Elementos como as calçadas, estacionamentos, ciclovias e as praças são os elementos do projeto considerados. Pela simulação atual de edifícios, nota-se que existe pouca integração entre eles. Não criam espaços externos positivos, conceito que será abordado no capítulo 4, bem como não ocupam as bordas das praças e as deixam desprovidas de atividades. Também não há edifícios ao longo da via central de pedestres e, portanto, não há fachadas ativas e, com exceção da arborização proposta, nenhum outro tipo de estímulo à mobilidade ativa na via, que necessita disso para funcionar. Percebe-se também a existência de estacionamentos nas esquinas, locais que costumam ser estratégicos para a inserção de fachadas ativas e espaços de fruição pública. A partir disso, o projeto deste trabalho não buscará excluir o desenho urbano já proposto e em fase de implantação. Em conjunto com suas outras propostas para o entorno, o projeto irá tratar dos volumes das edificações do Parque, a fim de otimizar os espaços de convívio já planejados e corroborar para um espaço de maior integração e trocas de conhecimento, fatores essenciais para que um meio inovador aconteça.

parque tecnológico da unicamp

139


Figura 3.23. Planta do projeto de desenho urbano para o Pq. Tecnológico da Unicamp. FONTE: Dalbelo (2021); modificações do autor.

140

parques tecnológicos


implantação do projeto na área do parque tecnológico legenda ciclovia calçada espaços de convívio vagas de estacionamento talude

0

0,50

1,50km

parque tecnológico da unicamp

141


4 .

142


princípios de projeto

143


Este capítulo abordará os princípios objetivos que guiarão o desenvolvimento do projeto deste trabalho. A análise dos princípios projetuais foi feita com base em três livros: Urbanismo Sustentável: Desenho Urbano com a Natureza, de Douglas Farr (2013); Uma Linguagem de Padrões, de Christopher Alexander et al (1977); e Cidades para Pessoas, de Jan Gehl (2015). Eles foram escolhidos por abordarem noções de um espaço urbano sustentável, dinâmico e voltado à escala e vivência do ser humano. Pelo fato de este capítulo não focar nas bases conceituais de cada livro, mas sim em seus princípios práticos, relacionados diretamente à prática de projeto, este capítulo abordará as três obras por meio de tabelas e imagens (figura 4.1 a 4.38), de forma a explicar sucintamente as ideias defendidas pelos autores. 144

princípios de projeto


Figura 4.1. Rio Cingapura: contraste entre os novos arranhacéus (escala do automóvel) e os antigos edifícios de até cinco andares (escala do pedestre). FONTE: Gehl (2015).

princípios de projeto

145


Cidades para Pessoas (Gehl, 2015) Assunto

Princípio

ESPAÇO PÚBLICO (Figura 4.6)

(1) Projetar o espaço urbano de forma a torná-lo 4.5).

(2) A largura varia desde praças geometricamen tangular, e uma medida típica pode ser 100x70 m atividades. Ao se atravessar a praça, pode-se ve expressões e detalhes faciais. As dimensões do e lhes.

(3) As palavras-chave para estimular a vida na ci destas dimensões; e uma clara hierarquia segu mais importantes.

(4) Perspectiva Cansativa do Percurso: descreve começo. O caminho é reto e parece infinito, sem é de cansaço mesmo antes de começar a camin

(5) O caminho pode ser dividido em segmentos v brando naturalmente a caminhada, ou ao longo de um trecho a outro. Uma rua sinuosa não deve à frente, mas deve constantemente levar a voltas

(6) O princípio de colocar pequenos espaços den e a modesta escala humana. Muitas cidades e e podem se deslocar num espaço íntimo e delimit espaço urbano maior.

(7) Reforçar os convites para permanências ma to tempo em um local proporcionam a mesma s (Figura 4.5).

Figura 4.2. Princípios de Projeto de acordo com a obra Cidades para Pessoas (I). FONTE: Gehl (2015); Elaborado pelo

146

princípios de projeto


convidativo tanto para o pedestre quanto para o ciclista. (Figura

nte quadradas até aquelas que têm o mais comum formato remetros. Numa praça desse tamanho, é possível observar todas as er a maioria dos rostos dentro de 25 metros, o que permite perceber espaço oferecem o melhor de dois mundos: visão geral e deta-

idade são: rotas diretas, lógicas e compactas; espaços de moundo a qual foram tomadas decisões para a escolha dos espaços

e a situação na qual o pedestre pode ver o percurso todo desde o a promessa de experiências interessantes no trajeto. A perspectiva nhada.

viáveis, onde as pessoas podem andar de praça em praça, quede uma rua atraentemente sinuosa, que convida o pedestre a ir e ter curvas fechadas demais, que impeça, o pedestre de ver muito s e curvas onde novas vistas se abram.

ntro dos maiores é outro método de combinar grandes espaços espaços urbanos mais antigos usam colunas e arcos. Os pedestres tado por colunas, enquanto têm uma vista e uma visão ampla do

ais longas no espaço público, porque algumas pessoas por muisensação de vitalidade do que muitas pessoas por pouco tempo

o autor.

princípios de projeto

147


Cidades para Pessoas (Gehl, 2015) Assunto

Princípio

MOBILIDADE

(1) Nas situações onde os pedestres têm liberdad rem as rampas. Assim podem manter o ritmo de uso de rampas. Crianças, cadeirantes e deficiente

(2) Sustentabilidade Social: dar aos vários grupo co e também de se movimentar pela cidade. A ig de bicicleta, em combinação com o transporte p PROGRAMAS

(1) Distribuir, cuidadosamente, as funções da cid massa crítica de pessoas e eventos (Figura 4.5).

(2) Integrar várias funções nas cidades para gar social e uma sensação de segurança nos divers EDIFICAÇÃO

(1) A conexão entre o plano das ruas e os edifícios

(2) Espaços de transição/zonas semiprivadas d dos, degraus, varandas, etc (Figura 4.5). DENSIDADE

(1) Densidade razoável e espaço urbano de boa sem construir barreiras psicológicas que desestim fora.

BAIRRO

-

Figura 4.3. Princípios de Projeto de acordo com a obra Cidades para Pessoas (II). FONTE: Gehl (2015); Elaborado pelo

148

princípios de projeto


de para escolher entre rampas e escadas, eles claramente prefee caminhada, se as diferenças de altura forem niveladas ou com o es podem prosseguir seu trajeto sem interrupções.

os da sociedade oportunidades iguais de acesso ao espaço públigualdade é incentivada quando as pessoas caminham e andam público.

dade para garantir menores distâncias entre elas, além de uma

rantir versatilidade, riqueza de experiências, sustentabilidade sos bairros (Figura 4.5).

s altos efetivamente se perde depois do quinto andar. (Figura 4.4)

de permanência para áreas residenciais térreas: recuos ajardina-

qualidade: sem criar edifícios muito altos, ruas muito escuras e mulem os residentes de fazer seu “deslocamento” de dentro para

o autor.

princípios de projeto

149


Figura 4.4. O contato entre os edifícios e a rua é possível nos primeiros cinco andares. O contato com a cidade rapidamente se dissipa a partir do quinto andar, com a interface de contato passando para vistas, nuvens e aviões. FONTE: Gehl (2015).

150

princípios de projeto


Figura 4.5. Princípios gerais de urbanismo como pré-requisitos cruciais ao trabalho com a dimensão humana.

princípios de projeto

151


Figura 4.6. Lista de palavras-chave: 12 critérios de qualidade com respeito à paisagem do pedestre. FONTE: Gehl (2015).


Urbanismo Sustentável: Desenho Urbano com a N Assunto

Princípio

ESPAÇO PÚBLICO

(1) O quociente mais alto de orientação para o p viário estiverem próximas o suficiente da testada um grau mínimo de 1:3 ou mais de fechamento gura da rua.

(2) Limites de Crescimento Urbano (UGBs): anéis de maneira controlada à medida que cada anel MOBILIDADE (Figuras 4.11 e 4.12)

(1) A probabilidade de deslocamento a pé é três v

(2) Cruzamento de corredores ecológicos por m vias devem estar elevadas ou subterrâneas aos c

(3) Cul-de-Sacs permitem acesso a um maior nú capita. Entretanto, reduzem a conectividade e au

(4) O perímetro padrão máximo de uma quadra quadra ininterrupto de no máximo 140 m, e ruas

(5) A habitação livre de automóveis é uma estra densidade urbana, o deslocamento a pé, o uso d PROGRAMAS

(1) Escolas de ensino fundamental localizadas no

(2) Implantação Inteligente: os projetos devem s renos adjacentes a áreas já urbanizadas.

(3) Assegurar que haja habitações para diversos até o transporte público.

(4) Implantações proeminentes, como uma rua q uma montanha, devem ser reservadas para mar

Figura 4.7. Princípios de Projeto de acordo com a obra Urbanismo Sustentável: Desenho Urbano com a Natureza (I)

154

princípios de projeto


Natureza (FARR, 2013)

pedestre ocorrerá quando as edificações que formam o espaço para definir, espacialmente, as vias como espaços públicos, com formado por uma proporção entre a altura da edificação e a lar-

s de delimitação da urbanização, criados para serem expandidos de solo é ocupado.

vezes maior em rotas para pedestres com vegetação.

meio de passagens inferiores rurais (passagens para animais). As corredores ecológicos (Figura 4.13).

úmero de lotes por metro de rua, reduzindo a pavimentação per umentam a quilometragem por veículo.

a para que haja uma rede integrada é de 450 m, com um lado de s em intervalos de, no máximo, 180 m entre cruzamentos.

atégia viável para reduzir o custo das habitações e aumentar a de bicicletas e do transporte público. (Figura 4.10)

o centro dos bairros ou entre bairros adjacentes (Figura 4.13).

ser implantados em vazios urbanos, renovações urbanas ou ter-

s níveis de renda a uma distância que possa ser percorrida a pé

que tem uma vista em seu pano de fundo ou a vista do cume de rcos arquitetônicos.

). FONTE: Farr (2013); Elaborado pelo autor.

princípios de projeto

155


Urbanismo Sustentável: Desenho Urbano com a N Assunto

Princípio

EDIFICAÇÃO

(1) Códigos baseados na forma: no mínimo, cada cionamento, as exigências de fachada e uso, e a

(2) O térreo deve ter um mínimo de 70% da facha DENSIDADE

(1) Maior densidade nas vias principais.

(2) Urbanização Compacta: 17,5 a 20 unidades de ou densidade comercial equivalente.

(3) 17,5 unidades de habitação por ha para suste serviço de bonde ou ônibus elétrico. BAIRRO (Figura 4.9)

(1) Área de bairro entre 16 ha e 80 ha, com centro das relações intrabairros, pedestrianismo, suporte

(2) Centro do bairro totalizando entre 6% e 10% do mas também pode ser formado apenas pela inte (3) Raio máximo para pedestres de 400m (entre (4) Usos comerciais na periferia. (5) Rede de vias estreitas. (6) Corredor de transporte público (Figura 4.13).

(7) Promover a produção de alimentos na escala na escala do bairro (jardim comunitário, pomar c mestíveis”, fazendas comunitárias).

Figura 4.8. Princípios de Projeto de acordo com a obra Urbanismo Sustentável: Desenho Urbano com a Natureza (II)

156

princípios de projeto


Natureza (FARR, 2013)

a tipo de edificação terá detalhadas sua implantação, a do estaa altura.

ada com vitrines transparentes (uso comercial)

e habitação por ha de solo apto para construção como mínimo,

entar serviço básico de ônibus e 37,5 a 50 unidades para sustentar

o e limites bem definidos (aumento da convivência, valorização e ao uso misto).

o território. Formado geralmente por uma praça ou parque cívico, ersecção de quatro esquinas de ruas importantes. o centro do bairro e seu limite).

a individual (coberturas verdes; hortas caseiras; estufas caseiras) e comunitário, estufa comunitária, aquicultura urbana, jardins “co-

). FONTE: Farr (2013); Elaborado pelo autor.

princípios de projeto

157


Figura 4.9. Uma unidade de bairro sustentável. FONTE: Farr (2013).

158

princípios de projeto


Critérios para os distritos com habitações livres de automóveis Critérios de Implantação Uso Misto

Bairro altamente completo.

Serviço de Transporte Público

Corredor com um alto nível de serviço de transporte público.

Implantação Conectada

Rede bem calibrada de equipamentos para pedestres e bicicletas.

Exigências de projeto Garantias contratuais

O locatário/proprietário assina o contrato concordando em não adquirir um automóvel.

Mobilidade fornecida pelo empreendedor

Passagem de transporte público sem taxas para cada morador; no mínimo um carro compartilhado para cada seis ou oito moradias; local interno seguro para guardar bicicletas.

Marketing

Todas as ofertas para venda ou aluguel mencionam o projeto livre de automóveis.

Vendas

Todas as unidades são vendidas sem vagas de estacionamento.

Estacionamento Nenhum, conta-se apenas com o Privado estacionamento público e nas ruas.

Figura 4.10. Critérios para os distritos com habitações livres de automóveis. FONTE: Farr (2013); Elaborado pelo autor.

princípios de projeto

159


Figura 4.11. Bairros permeáveis ao pedestre: tipos de rua, quadras e edificações que atendem aos critérios do LEED.

160

princípios de projeto


. Os níveis Platinum e Diamond são propositalmente muito difíceis de serem alcançados. FONTE: Farr (2013).

Figura 4.12. Tipos de ruas apropriados a contextos urbanos com baixa velocidade de veículos. FONTE: Farr (2013).

princípios de projeto

161


Figura 4.13. O corredor de sustentabilidade. FONTE: Farr (2013); Elaborado pelo autor.

162

princípios de projeto


princípios de projeto

163


Uma Linguagem de Padrões, Alexander et al (1977) Bairro Identificável: (1) entre 400 e 500 pessoas; (2) sem cruzamento de grandes vias; (3) no máximo 300m de diâmetro (4) objetivo: maior sensação de identidade e pertencimento. Nove por cento em estacionamentos: (1) grelha de zonas de estacionamento, cada módulo medindo de 0,4 a 4 ha; (2) não deve passar de 75 vagas por ha. Nós de atividade: (1) equipamentos agrupados de forma densa em torno de praças públicas muito pequenas, que funcionem como nós; (2) cada nó reune as principais vias de pedestre; (3) praças na união das vias de aproximadamente 12m x 20m; (4) nós a cada 100m. 164

princípios de projeto


Figuras 4.14. a 4.19. FONTE: Alexander et al (1977).

Promenade: (1) espinha dorsal; (2) principais pontos de atração nas duas extremidades; (3) aproximadamente 500m de comprimento e de offset da área de influência (10min a pé); (4) pontos importantes do promenade a cada 50m. Moradias em fita: (1) casas em fita ao longo de vias de pedestre; (2) dispostas ortogonalmente às vias locais; (3) longa testada e pequena profundidade. Conjunto de locais de trabalho: (1) reunidos em grupos de mais ou menos 15 unidades; (2) área de uso comum (pátio) ajuda a amarrar as diferentes unidades de trabalho; (3) deve estar conectada com a comunidade do entorno. princípios de projeto

165


Ruas verdes: (1) leito de ruas locais gramados, onde há pouco movimento de veículos; (2) pedras de pavimentação sobre a grama. Rede harmônica de vias de veículos e de pedestres: (1) vias em ângulo reto; (2) duas redes distintas (3) cruzamentos importantes no nível da via de pedestres. Praças públicas pequenas: (1) núcleo do nó de atividade; (2) largura aproximada de 15m a 18m; (3) o comprimento pode ser maior; (4) circundada por bolsões de atividades; (5) configurada pelas edificações do entorno.

Lugares altos: (1) pontos de referência para quem está embaixo/pontos de observação para quem está em cima (topografia, torres, etc). 166

princípios de projeto


Área externa coletiva: (1) mais de 25% do solo dos conjuntos de moradias para áreas coletivas; (2) 75% de áreas privadas. Ruas internas: (1) atalho e continuidade da rua externa; (2) entradas generosas nas extremidades; (3) janelas e locais de permanência em sua extensão; (4) mais larga do que um corredor normal Estacionamentos pequenos: (1) devem comportar de 5 a 7 automóveis; (2) delimitado por árvores, muretas, cercas vivas ou taludes; (3) distribuídos no espaço a pelo menos 30m de distância um do outro.

Figuras 4.20. a 4.26. FONTE: Alexander et al (1977).

princípios de projeto

167


Orientação solar para espaço externo: (1) as pessoas usam os espaços externos se eles forem ensolarados e não os utilizam se estiverem na sombra, exceto em climas áridos; (2) espaços externos ao norte das edificações (hemisfério sul). Espaço externo positivo: (1) não deve haver espaços externos que são meros espaços residuais; (2) em espaços externos positivos há duas figuras e dois fundos; (3) a área virtual de um espaço externo positivo é convexa. (4) deve-se dar um certo grau de fechamento aos espaços externos positivos. Edificações conectadas entre si: (1) sem afastamentos entre as edificações, como continuações umas das outras; (2) conectadas por meio de arcadas, espaços semi externos (como pérgulas), pátios, paredes, etc. 168

princípios de projeto


Arcadas: (1) arcadas nos passeios ao longo das edificações; (2) conecta edificações entre si, permitindo que o pedestre caminhe de um lugar a outro sob uma proteção. Passeios e destinos: (1) passeios formados a partir da conexão entre destinos; (2) destinos distantes entre si no máximo 120m; (3) destinos intermediários: árvores, fontes, entradas, área externa de convívio, etc.

Forma dos passeios: (1) ruas como espaço de permanência, não só deslocamentos; (2) alargamento no meio da rua de pedestre e extremidades mais estreitas. Figuras 4.27. a 4.33. FONTE: Alexander et al (1977).

princípios de projeto

169


Fachadas frontais: (1) sem recuos entre as edificações e as ruas de pedestres, passeios ou espaços abertos públicos; (2)fachadas frontais das edificações com ângulos levemente distintos, acomodando-se à forma da rua. Bolsões de atividade: (1) a vida de uma praça pública surge naturalmente na sua periferia. Se suas áreas limítrofes não funcionarem, o espaço jamais terá vida; (2) circunde os espaços de encontro públicos com bolsões de atividade (atividades que param e envolvem as pessoas.

Inserção de moradias em áreas remanescentes: (1) mesmo nas comunidades de trabalho, áreas limítrofes e ruas de comércio deve haver moradias que sejam habitadas por pessoas, para que esses locais não se tornem áreas degradadas. 170

princípios de projeto


Árvores frutíferas: (1) pequenos pomares de árvores frutíferas nos jardins e terras de uso comum ao longo dos passeios, ruas e parques.

A horta: (1) reserve uma parte de um jardim privado ou terreno público para a criação de uma horta. Cerca de 400m² são necessários para cada família de quatro pessoas.

Figuras 4.34. a 4.38. FONTE: Alexander et al (1977).

princípios de projeto

171


5 .

172


referências projetuais

173


5.1.

Projeto: BUSarchitektur Local: Viena, Áustria Área: 6,7 ha Ano: 2008 - 2013 174

referências projetuais


Figura 5.1. Visão interna do campus (I). FONTE: ArchDaily Brasil (2015).

Figura 5.2. Visão interna do campus (II). FONTE: Archello (s/d).

175 Figura 5.3. Visão interna do campus (III) e uma das entradas do campus, à esquerda. FONTE: Archello (s/d).


O Campus WU é estruturado a partir de uma sequência de espaços interligados, delimitados por edifícios de programas variados. O campus é, de acordo com o Archdaily Brasil (2013), “um tecido de espaços interiores e exteriores” (n.p) e foi planejado como um parque linear, pontuado por uma sequência de praças e que promove a ligação entre diferentes vias do bairro (Figura 5.4 e 5.5). Assim, o campus não só aumenta a permeabilidade de pedestres na quadra em que está inserido, como também faz de seu espaço de circulação um local de convivência e permanência. Esses espaços relacionam-se com as praças envolventes de cada edifício, e estas funcionam como locais de interação que buscam prolongar a estadia dos estudantes após as aulas ou jornadas de pesquisa. Outra característica importante, destacada pelo site do escritório BUSarchitektur (s/d), é a incorporação da comunidade pela universidade. O escritório revela que, para além de um campus, o projeto visava moldar as opções de um cenário educativo ativo, que se relacionasse com a população local. Essa relação se dá mediante uma articulação espacial entre a comunidade e a universidade, por meio de características como a delimitação do perímetro do campus, que é composta somente por árvores e arbustos, sem muros ou cercas. Além disso, proporcionou-se uma transição gradual entre o espaço do campus e seu entorno, por meio de seis acessos e cinco passagens distribuídas pelo local, o qual fica aberto 24h por dia. Esses acessos são compostos por fachadas ativas e um agrupamento entre espaços de convivência de diferentes tamanhos, que conduzem o pedestre ao interior da universidade, como aponta a figura 5.6. A figura refere-se ao acesso leste do campus, o qual é definido por um terreno que se apropria da topografia, utilizando-se do desnível para propor espaços de inclinação mais suaves, evitando-se escadarias e, portanto, entregando uma entrada mais acessível e 176

referências projetuais


Figura 5.4. Destaque das 6 praças que compõem o Campus WU. FONTE: ArchDaily Brasil (2013).

Figura 5.5. Implantação do Campus WU. FONTE: ArchDaily Brasil (2013).

referências projetuais Figura 5.6. Acesso Leste do Campus WU. FONTE: ArchDaily Brasil (2013).

177


Figura 5.7. Isométrica do Campus WU, com textos explicativos relativos a atividades de interação no espaço público. FONTE: Archello (s/d).

convidativa. Ainda relativo à ligação que a universidade tem com a população local, ela também proporciona diversos programas que englobam tanto a comunidade acadêmica quanto a comunidade do entorno. Dentro desses programas, destaca-se uma praça de alimentação, áreas de evento, áreas de descanso, cafeteria, palcos para eventos ao ar livre, auditório, atividades esportivas (tênis de mesa, basquete), dentre outros, conforme apresenta a figura 5.7, onde é possível perceber também a divisa composta de vegetação natural. É portanto uma referência importante de como tor178

referências projetuais


nar espaços de circulação grandes espaços públicos de permanência e atividades diversas. O projeto também traz a possibilidade de se integrar espaços internos e externos, projetar transições graduais, de forma a tornar menos fragmentada a relação entre os espaços internos dos edifícios e as áreas externas de convívio. Por fim, traz uma noção importante de como a universidade pode ter uma delimitação menos rígida e mais integrada à comunidade, integração sustentada por entradas convidativas e ofertas de diferentes atividades ao longo do campus.

referências projetuais

179


5.2.

Projeto: Hosoya Schaefer Architects Local: Dübendorf, Suíça Área: 71 ha Ano: 2014 180

referências projetuais


Figura 5.8. Visão interna do Swiss National Innovation Park (I). FONTE: Hosoya Schaefer Architects (s/d).

Figura 5.9. Visão interna do Swiss National Innovation Park (II). FONTE: Hosoya Schaefer Architects (s/d).

Figura 5.10. Visão aérea do Swiss National Innovation Park (III). FONTE: Hosoya Schaefer Architects (s/d).


O Swiss National Innovation Park 1 possui uma estrutura que visa estabelecer uma rede de indivíduos e entidades de pesquisa e inovação, assim como o HIDS, e, por conta disso, foi selecionado como uma das referências do projeto. O parque também se assemelha ao HIDS por se localizar longe do centro da cidade, no subúrbio (Figura 5.11), ao mesmo tempo em que necessita de concentração e densidade para que os processos inovadores aconteçam, como destaca o escritório Hosoya Schaefer Architects (s/d). Dessa forma, o parque se estende como uma faixa articulada ao longo dos edifícios existentes, buscando maior interação com a ocupação atual. Além disso, ele é delimitado por uma avenida pública e uma rodovia, as quais são consideradas pelo escritório um recurso de desenvolvimento importante. Dentro disso, a avenida também torna possível que o trânsito local mais intenso passe por fora do parque, liberando a parte interna dele para o uso majoritário de pedestres. Em relação aos pedestres, o projeto possui uma via principal, exclusivamente pedonal. Conforme a figura 5.12, as vias voltadas aos veículos motorizados terminam no limite com a via pedonal e são dispostos estacionamentos coletivos e garagens de estacionamento para veículos por aplicativo e unidades alternativas próximo a diferentes trechos da via. Na figura 5.13 destaca-se a rede de transportes coletivos, onde uma linha de trem elétrico corta o projeto e cruza com uma linha de ônibus, a qual se desenvolve a partir de trechos do perímetro do parque e conecta a linha do trem a outras áreas do subúrbio. Nota-se que a intersecção entre os dois modais de transporte acontece bem ao lado do eixo pedonal principal ao mesmo tempo em que se encontra com uma linha de trem pré-existente, permitindo o fácil acesso dos pedestres aos diferentes modais disponíveis. A figura 5.14 é relativa a rede de ciclovias, a qual atra1 182

Parque Nacional Suiço de Inovação

referências projetuais


ro

av

d

ov

ia

parque natural en

id

a

Figura 5.11. Implantação do Swiss National Innovation Park. FONTE: Hosoya Schaefer Architects (s/d); modificado pelo autor.

garagem coletiva garagens de estacionamento para veículos por aplicativo e unidades alternativas cruzamentos rotatórias eixo principal pedonal

Figura 5.12. Vias para passagem de automóveis + estacionamentos. FONTE: Hosoya Schaefer Architects (s/d); modificado pelo autor.

trem trem elétrico ônibus

Figura 5.13. Sistema de transportes coletivos. FONTE: Hosoya Schaefer Architects (s/d); modificado pelo autor.


rota regional de bicicleta

nova rota do p

Figura 5.14. Rede de ciclovias. FONTE: Hosoya Schaefer Architects (s/d); modificado pelo autor.

vessa o parque em diferentes pontos e compartilha grande parte do eixo principal com os pedestres, além de se conectar com a linha de trem e de ônibus em pontos diferentes, completando a rede de mobilidade multimodal do projeto. Junto a isso, o escritório buscou também adensar os edifícios, ao mesmo tempo em que liberou espaços intra quadras e áreas paisagísticas no entorno, o que criou um contraponto à densidade das áreas construídas e articulou um sistema de espaços abertos, composto por passeios, pátios, praças, calçadões e um parque natural. Dessa forma, o Swiss National Innovation Park mos184

referências projetuais


rota regional de bicicleta rotas de conexão nova rota do parque rede interna de bicicletas estacionamento de bicicletas

parque

tra-se uma referência importante de como se relacionar um meio inovador a um contexto de pouco adensamento e majoritariamente residencial, ao mesmo tempo em que busca desenvolver a área. Também traz uma proposta interessante de desenho urbano, com um sistema de espaços públicos que permeia os diferentes edifícios do projeto e se integra à rede de transporte ativo e coletivo do parque. Por fim, ele é um exemplo de como se adensar os programas do projeto sem sacrificar os espaços livres de convívio, consequentemente mantendo a permeabilidade do solo alta no local. referências projetuais

185


5.3. Projeto: SHoP Architects + HR&A Advisors + TetraTech + Dalberg

Local: Região Metropolitana de Nairobi, Quênia Área: 152,4 ha Ano: 2012 - 2014 186

referências projetuais


Figura 5.15. Maquete digital da primeira fase de ocupação de Konza Technocity (I). FONTE: HR&S Advisors (s/d).

Figura 5.16. Maquete digital da primeira fase de ocupação de Konza Technocity (II). Levez Infrastructure (s/d).

Figura 5.17. Visão do pavilhão de Konza Technocity a partir do perímetro externo da cidade. FONTE: Chalcraft (2013).


Konza Technocity é um projeto para uma cidade sustentável, numa área localizada a 60 km de Nairóbi. De acordo com a Level Infrastructure (s/d), uma das consultoras do projeto, além da sustentabilidade, o projeto da cidade prevê um lugar caminhável, de uso misto e quadras na escala do pedestre, evitando-se superquadras e autoestradas. Segundo Chalcraft (2013), o projeto foi dividido em fases e a primeira, a ser construída ao longo de cinco anos, abrigará 30.000 residentes e se organizará em torno de um eixo leste-oeste de uso misto, com um boulevard central de espaços verdes, que cruza, por meio de um conjunto de pontes, a rodovia que vai para Nairóbi (Figura 5.18). Outros eixos, menores, cruzam o eixo principal na direção norte-sul. Eles irão configurar a multicentralidade do local, incluindo moradia, educação, comércio e tecnologia. Segundo a autora, os quatro eixos iniciais norte-sul serão destinados, de oeste a leste, a uma universidade, uma área residencial, um distrito de tecnologia e ciências da vida e um distrito comercial, respectivamente (Figura 5.19). Na intersecção desses eixos é onde ocorrerão programas especiais e maiores densidades (KONZA, s/d). As fases seguintes irão se desenvolver seguindo a lógica de faixas horizontais e verticais intercruzadas, conforme a figura 5.20, mantendo a separação dos usos por eixo, de acordo com a implantação inicial. Os espaços remanescentes da intersecção dos eixos terão uma destinação menos específica, projetados para permitir um crescimento posterior baseado na ocupação e desenvolvimento inicial dos eixos. Complementando as atividades, é prevista a instalação de uma série de parques de bairro que, na fase inicial, estarão conectados em sua maioria aos espaços verdes do boulevard central. Nas fases seguintes um parque urbano e um parque natural, indicados na figura 5.21, serão implementados, o primeiro voltado ao lazer dos moradores e o 188

referências projetuais


Figura 5.18. Fase I de implantação. FONTE: Level Infrastructure (s/d).

Figura 5.19. Uso do solo. FONTE: Chalcraft (2013).

Figura 5.20. Esquema de implantação das fases seguintes + espaços remanescentes. FONTE: Chalcraft (2013).


natural

parque

natural

Figura 5.21. Implantação com destaque para o parque urbano e parque natural. FONTE: Level Infrastructure (s/d); modificado pelo autor.

segundo servindo principalmente como um corredor ecológico à fauna local. Ele foi projetado para se desenvolver ao longo de alguns cursos d’água, na intenção de preservar a hidrografia, flora, fauna, além de contribuir com o equilíbrio térmico da região e conectar espaços verdes. Assim, Konza Technocity, além de se relacionar com a ideia do HIDS de um distrito sustentável e tecnológico, também traz importantes referências de projeto, como a divisão da implantação em fases, baseadas em uma configuração de 190

referências projetuais

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parque

natural

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parque

espaço replicável ao longo do processo de crescimento da cidade; a organização em eixos, priorizando suas intersecções como locais de maior atividade e adensamento; a utilização destes eixos para finalidades de uso diferentes, resultando em uma cidade com multicentralidade; a distribuição de parques menores e a instalação de dois grandes parques maiores e lineares que percorrem todo o projeto e permitem que a fauna local possa atravessar a cidade sem a interferência do sistema viário. referências projetuais

191


5.4.

Projeto: Diba Tensile Architecture Local: Teerã, Irã Comprimento: 270 m Ano: 2010 - 2014 192

referências projetuais


Figura 5.22. Visão da passarela (I). FONTE: Diba Tensile Architecture (s/d).

Figura 5.23. Visão da passarela (II). FONTE: ArchDaily Brasil (2015).

Figura 5.24. Visão da passarela (III). FONTE: ArchDaily Brasil (2015).


A passarela de pedestres Tabiat está localizada na região norte da cidade de Teerã, em uma zona chamada Abbas Abad Lands, dedicada principalmente a espaços culturais como bibliotecas, museus e parques públicos. De acordo com o escritório Diba Group (s/d), ela foi projetada para ligar os dois parques da região, melhorando o acesso de pedestres entre os dois locais, que são divididos por uma das maiores e principais rodovias do país. O projeto, apesar de não ser um masterplan de um campus, distrito ou cidade, é uma importante referência de travessia de pedestres para este trabalho, visto que um dos grandes desafios será promover a permeabilidade na circulação em meio a massas de vegetação. Assim, destaca-se as cinco premissas da passarela (Figura 5.25), conforme o escritório Diba Group (s/d). A primeira refere-se à criação de múltiplos caminhos que se ramificam a partir dela e a conectam com diferentes locais de ambos os parques. A passarela é composta por dois níveis e os dois ligam-se tanto aos parques quanto entre eles, por meio de escadas e rampas em diferentes pontos. A segunda premissa do projeto é a de ser um espaço de permanência e não só de passagem, agindo como uma extensão do parque. Assim, foram criadas áreas com bancos e espaços verdes, bem como uma cafeteria e um restaurante nas duas pontas do nível mais baixo. A terceira premissa foi criar um caminho curvo e de largura variável para a passarela, a fim de se obter diferentes pontos de perspectiva e diminuir a velocidade do pedestre durante o percurso. A quarta premissa, devido ao grande número de árvores no local, foi planejar a quantidade e locação das colunas da passarela de maneira a se evitar a remoção de árvores. Isso resultou em três grandes colunas, inspiradas na vegetação local e separadas por grandes vãos, sendo o maior de 93 194

referências projetuais


Figura 5.25. As 5 premissas de projeto da passarela Tabiat. FONTE: ArchDaily Brasil (2015).


Figura 5.26. Corte. FONTE: ArchDaily Brasil (2015).

Figura 5.27. Elevação da Fachada Sul. FONTE: ArchDaily Brasil (2015).

metros. Nos pontos onde a passarela encontra uma coluna, a passagem torna-se mais larga e mais alta, a partir de um terceiro nível, que atua como uma plataforma de observação, promovendo um espaço bem amplo que pode ser usado também como espaços públicos de apresentação. A quinta e última premissa foi criar os espaços da passarela dentro da própria estrutura treliçada tridimensional, devido à sua grande dimensão, ou seja, atribuindo à ela o papel de sustentar e criar os espaços da passarela simultane-


amente. A estrutura e configuração dos espaços podem ser melhor apreendidas nas figuras 5.26 e 5.27. Nota-se, assim, que se trata de um projeto de grande porte, que pode se tornar desproporcional quando comparado às dimensões sociais, espaciais e econômicas do projeto deste trabalho. Porém, a mínima interferência no solo, somada à mobilidade e vitalidade urbana que esta passarela proporcionou, serão de grande importância para se pensar nas maneiras de se transpor as áreas de preservação do HIDS. referências projetuais

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